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Exacta

ISSN: 1678-5428
geraldo.neto@uni9.pro.br
Universidade Nove de Julho
Brasil

da Silva Gerônimo, Maycon; Cardoso Costa Leite, Bruno; Daher Oliveira, Ricardo
Gestão da manutenção em equipamentos hospitalares: um estudo de caso
Exacta, vol. 15, núm. 4, 2017, pp. 167-183
Universidade Nove de Julho
São Paulo, Brasil

Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=81054651013

Como citar este artigo


Número completo
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DOI: 10.5585/ExactaEP.v15n4.7144 Artigos

Gestão da manutenção em equipamentos


hospitalares: um estudo de caso
Maintenance management in hospital equipment: a case study

Maycon da Silva Gerônimo1


Bruno Cardoso Costa Leite2
Ricardo Daher Oliveira3

Resumo
O gerenciamento da manutenção nas empresas, quaisquer que sejam seus
ramos de atuação, tem se mostrado um fator primordial para o alcance
da qualidade e confiabilidade dos processos, isto tem feito com que se
invista cada vez mais em ferramentas que auxiliem na melhoria contínua
dos indicadores de manutenção. Diante disto, este artigo tem como
objetivo investigar as principais causas da elevada frequência de quebra dos
equipamentos hospitalares e demonstrar possíveis formas para tratá-las.
Para análise e estudo, foram utilizadas ferramentas da qualidade e o método
observatório com a finalidade de quantificar os problemas encontrados com
a elevada frequência de quebra dos equipamentos e os custos gerados com
os reparos e a partir deles, elaborar propostas que possam reduzi-los. Com
isso, foi possível perceber os pontos com maiores falhas e a elaboração de um
plano de ação com a finalidade de proporcionar uma melhoria significativa
no processo de gerenciamento da manutenção hospitalar.
Palavras-chave: Gerenciamento da Manutenção. Melhoria. Análise.

Abstract
1 Graduado em Engenharia de Produção pela
Univesidade Ceuma e Pesquisador. Maintenance management in companies, whatever their branch of activity,
São Luís, MA [Brasil] has been a key factor in achieving the quality and reliability of the processes,
maycon.geronimo@hotmail.com
this has made it invest more and more in tools that help in the continuous
2 Graduado em Engenharia de Produção pela improvement of maintenance indicators. Therefore, the objective of this
Univesidade Ceuma e Pesquisador.
São Luís, MA [Brasil] article is investigate the main causes of the high frequency of breakdown
bruno_leite15@hotmail.com of hospital equipment and to demonstrate possible ways to treat them. For
3 Mestre em Engenharia de Produção pela Universidade the analysis and study, quality tools and the observatory method were used
Federal de Santa Catarina – UFSC, Doutor em Engenharia in order to quantify the problems encountered with the high frequency
de Produção pela Universidade Metodista de Piracicaba
– Unimep e na Hautes Étude Commerciales de Montréal
of equipment breakdown and the costs generated with the repairs, and
– HEC/ Universidade de Montreal, Canadá, certificado to elaborate proposals that could reduce them. With this, it was possible
com pós-doutoramento pelo Departamento de Ciências to perceive the points with greater failures and the elaboration of a plan
Sociais e pela Universidade de Aveiro, Portugal. Graduado
em Administração de Empresas e Professor de graduação, of action with the purpose of to provide a significant improvement in the
pós-graduação e mestrado da Universidade Ceuma. process of management of the hospital maintenance.
São Luís, MA [Brasil]
ricardo.daher@hotmail.com Keywords: Maintenance Management. Improvement. Analysis.

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Gestão da manutenção em equipamentos hospitalares: um estudo de caso

1 Introdução equipamentos, conhecendo o nível de importância


de cada um nos procedimentos, as características
Em um mercado com constante modifica- de fabricação e o tempo de vida útil, o que per-
ção e que há todo momento surgem novas metas mite realizar um mapeamento da frequência com
a serem alcançadas, torna-se necessário que as que cada um desses equipamentos quebram e par-
empresas invistam em ferramentas que propiciem tir dessas informações, montar um plano de ação
um melhor gerenciamento de controle da manu- para evitar falhas futuras.
tenção, alcançando mais qualidade e um aumento A manutenção dos equipamentos hospitala-
da vida útil dos equipamentos, além de melhorar res, não está relacionada apenas aos benefícios de
a capacidade de produzir ou prestar um serviço custos aos hospitais ou as empresas que os forne-
com eficiência, Kardec e Nascif (2004). Os ges- cem, mas sim a diminuição de riscos para os pa-
tores precisam sempre estarem atentos as novas cientes e aos profissionais envolvidos diretamente
demandas de um mercado competitivo, buscando no processo.
a melhor solução para encarar as diversas dificul- Considerando-se a relevância do tema
dades por que passam as empresas. abordado por este trabalho, o presente artigo tem
As diversas transformações que ocorrem nas como problema de pesquisa: Como a gestão da
empresas ocasionadas pela globalização, fazem manutenção contribui para a diminuição da eleva-
com que a administração dos recursos tecnológi- da frequência de quebras de equipamentos hospi-
cos, financeiros e da gestão sejam realizados de talares? Tal questionamento há de requerer tanto,
forma eficaz e com um controle constante dos pro- uma revisão bibliográfica quanto, a utilização
cessos, o que se relaciona a um eficiente gerencia- de ferramentas da qualidade para a análise de
mento da manutenção, a fim de sobressair sobre informações capazes de permitirem que, a temática
as ameaças do mercado. Seguindo esse contexto, investigada atinja o objetivo geral da pesquisa:
Slack, Chambers e Johnston (2002) afirmam que verificar de que forma a gestão da manutenção
a confiabilidade no processo de um equipamento, contribui para a diminuição da elevada frequência
ajuda no alcance da qualidade e na determinação de quebras de equipamentos hospitalares.
do tempo de manutenção. Portanto, é necessário
que a manutenção se integre a todos os processos,
servindo muitas vezes como fator decisivo para as 2 Referencial teórico
tomadas de decisões dos gestores, buscando um
melhor desempenho para se chegar aos resultados Para que o presente artigo atinja seus propó-
desejados, afim de satisfazer as necessidades e ex- sitos, é necessário que se faça uma contextualiza-
pectativas dos clientes. ção acerca da literatura existente cujo proposito
Segundo a Federação Brasileira de Hospitais será o de dar consistência técnica-cientifica a este
(2014) um dos setores que mais recebe investimen- trabalho. Neste sentido, é requerido uma aborda-
tos atualmente no brasil é a área hospitalar, onde gem aos seguintes temas: definição e histórico da
diversos equipamentos são adquiridos todos os manutenção; tipos de manutenção; TPM (manu-
anos para manter os hospitais em pleno funciona- tenção produtiva total); gestão da manutenção,
mento, possibilitando prestar um serviço eficiente administração da produção e engenharia hospita-
aos pacientes. Porém, é necessário que se tenha um lar que, entende-se, ser o caminho para a análise
gerenciamento adequado da manutenção desses do problema suscitado neste artigo.

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2.1 Definição e histórico da cursos existentes, possibilitando que as operações


manutenção tenham total segurança e qualidade. A Figura 1
De acordo com Monchy (1991) a manutenção demonstra o mapa mental da estratégia de impor-
se caracteriza pelo ato de conservar, sustentar, man- tância da manutenção.
ter ou consertar algum tipo de sistema que necessite O esquema da Figura 1 indica os fatores que
estar sempre em um estado ótimo de operação. Ela estão ligados diretamente a um processo de pro-
tem sua estrutura composta de várias ações que au- dução, demonstrando a relação entre eles e a im-
xiliam em um bom desempenho produtivo, como portância crescente de um bom gerenciamento da
por exemplo, a utilização de um equipamento hos- manutenção. (Kardec & Nascif, 2001).
pitalar. O autor afirma ainda, que a manutenção A garantia de se realizar um serviço com to-
teve início na época das grandes guerras mundiais, tal segurança, proporcionando a disponibilidade
no qual a sua função principal era de preservar to- dos equipamentos para operação, passa direta-
dos os materiais utilizados nos combates, manten- mente por um estruturado plano de manutenção,
do-os sempre em um estado aceitável de operação. o que ajuda na prevenção de falhas ou possíveis
Para Kardec e Nascif (2001) ultimamente, quebras das máquinas e auxilia também na redu-
a importância da manutenção dentro das empre- ção dos custos gerados com a manutenção, fazen-
sas vem tornando essa área em um fator decisivo do com que ocorra uma otimização dos processos
na tomada de decisões, pois seus objetivos estão que devem ser realizados. Seguindo esse contexto,
quase sempre ligados as estratégias competitivas Kardec e Nascif (2001) afirmam que a função da
adotadas pelas organizações. A manutenção deve manutenção tem como objetivo a não existência
auxiliar o alcance dos objetivos da produção, au- da manutenção, ou seja, que não ocorra a manu-
mentando o grau de disponibilidade e confiabili- tenção corretiva não planejada. É notável a grande
dade dos processos, além de potencializar os re- preocupação das empresas com essa área nos dias

Figura 1: Mapa mental da estratégia de importância da manutenção


Fonte: Adaptado de Kardec e Nascif (2001).

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Gestão da manutenção em equipamentos hospitalares: um estudo de caso

atuais, onde os gestores estão sempre procurando constam as informações referentes aos processos
qualificar seus colaboradores e investir em equi- que devem ser seguidos, o tempo que deve ser obe-
pamentos mais modernos, evitando assim, que decido entre uma manutenção e outra, além das
ocorram paradas não programadas nas operações. peças que necessitam ser trocadas.
Pereira (2009) afirma que o histórico de fre-
2.2 Tipos de manutenção quência de quebras dos equipamentos e os tipos
2.2.1 Manutenção corretiva mais comuns de falhas, ajudam no mapeamento
Na visão de Moro e Auras (2007), a manu- para elaboração de um plano eficiente de manuten-
tenção corretiva tem como característica principal, ção preventiva. Aliado a esses dados, existe tam-
uma metodologia que apresenta ações imediatas de bém as informações referentes aos fornecedores,
curto prazo, objetivando a devolução do pleno fun- onde consta o tempo que deve ser obedecido para
cionamento de uma máquina que estar fora de sua cada manutenção. O autor reitera que na execu-
operação normal. Esse tipo de manutenção é muito ção e organização de uma manutenção preventiva
comum no reparo de máquinas onde não se permite os índices de desempenho variam muito, pois em
a utilização de outros tipos, como a preventiva ou alguns planos a manutenção dos equipamentos se
a preditiva, pelo fato do custo gerado ser em tese, resume apenas a serviços de menor complexidade.
maior com esses procedimentos de manutenção.
De acordo com Pereira (2009), alguns auto- 2.2.3 Manutenção preditiva
res dividem a manutenção corretiva em emergen- Segundo Pereira (2009) a manutenção pre-
cial e programada, isto é, a primeira é que ocorre ditiva se caracteriza pelo acompanhamento do
sem nenhuma previsão, já a segunda exige estudos desempenho dos equipamentos, através de méto-
estatísticos que comprovam a frequência de ocor- dos com análises de dados que são fornecidos nos
rências ou ainda serviços corretivos programados monitoramentos e inspeções realizados em perío-
com antecedência. Portanto, o processo de manu- dos pré-determinados. Esse tipo de manutenção
tenção corretivo não está relacionado apenas a pa- permite a garantia de um serviço com qualidade,
radas não programadas, mas serve também como pois tem como fundamento principal, a aplicação
fator decisivo na tomada de decisões, já que sua sistêmica com análises que são realizadas através
utilização passa diretamente pelo gerenciamento de supervisões, objetivando a redução das manu-
competitivo das organizações. tenções preventivas e corretivas.
Ainda na visão de Pereira (2009), existem
2.2.2 Manutenção preventiva duas principais técnicas para esse tipo de manu-
Na visão de Moro e Auras (2007), a manu- tenção, a termografia e a análise de vibração. Na
tenção preventiva pode ser definida como a pri- termografia, as medidas têm por característica o
meira etapa de um plano de manutenção progra- método distributivo das temperaturas, que estão
mado, determinando as inspeções que devem ser presentes na superfície do equipamento que será
realizadas em períodos já definidos, com o objeti- analisado, a partir do momento que ele estiver ex-
vo de evitar manutenções corretivas. Sua definição posto a tensões, que normalmente são de calor.
a descreve como um conjunto de procedimentos Pereira (2009), destaca que esse tipo de medição
que são realizados nos equipamentos, afim de tem por princípio detectar algum tipo de radiação
evitar possíveis falhas. Normalmente, é acompa- com presença de temperatura ou sinal infraverme-
nhada de um cronograma pré-estabelecido, onde lho, que é encontrado em qualquer objeto.

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Pereira (2009) ressalta que a análise de vi- A estrutura mostrada na Figura 2, caracte-
bração, tem por finalidade identificar possíveis riza cada tipo de manutenção e demonstra as in-
defeitos em sistemas de característica rotativa, a terações que ocorrem entre eles, indicando que a
sua utilização está muito presente em equipamen- ação que ocorre em um se relaciona diretamente
tos que tenham danificado seus rolamentos ou ao processo do outro. (Kardec & Nascif, 2009).
algum tipo de desalinhamento. O autor afirma
ainda esse método é chamado de monitoramento,
2.3 TPM (Manutenção Produtiva
pois tem em sua estrutura sensores que são inse-
Total)
ridos dentro das máquinas e assim, conseguem
De acordo com Fogliatto e Ribeiro (2011) a
diagnosticar possíveis falhas ou desgastes que
manutenção produtiva total (TPM) tem por defi-
podem vir a ocorrer.
nição, um método de controle da manutenção com
capacidade de proporcionar a empresa um lugar
2.2.4 Manutenção detectiva
A Kardec e Nascif (2009) afirmam que a ma- onde se consiga a implementação da melhoria con-
nutenção detectiva surgiu com o objetivo de au- tínua de todo o seu processo produtivo, evitando
mentar a disponibilidade dos equipamentos para a ocorrência de possíveis falhas nos equipamentos.
a operação, auxiliando em um controle mais efi- A manutenção produtiva total tem como caracte-
caz do processo de manutenção. Esse método co- rística a utilização do método moderno japonês,
meçou a ser bastante utilizado na década de 90, pois o seu surgimento ocorreu em 1951, quando
tendo como definição, ser um tipo
de manutenção capaz de detectar
possíveis falhas que não são per-
cebidas durante a ocorrência da
operação.
Segundo Kardec e Nascif
(2009) o método detectivo vem
a cada dia sendo mais emprega-
do no planejamento e controle
da manutenção das empresas.
Apesar dos custos de sua implan-
tação ainda serem muito altos,
as vantagens de sua aplicação
são inúmeras. A aplicação desse
método, tem grande importância
para a garantia de confiabilidade
da operação, aumentando o ní-
vel de produtividade e ajudando
em um melhor gerenciamento da
manutenção. A Figura 2 repre-
senta a relação entre os tipos de
Figura 2: Relação entre os tipos de manutenção
manutenção. Fonte: Adaptado de Kardec e Nascif (2009).

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Gestão da manutenção em equipamentos hospitalares: um estudo de caso

foi implementado a manutenção preventiva no mada de decisões e o alcance dos objetivos. Um


Japão por uma empresa do grupo Toyota. dos pilares para a sistematização do processo de
Na visão de Corrêa e Corrêa (2007), a imple- gerenciamento da manutenção, é um plano bem
mentação do conceito TPM dentro das empresas estruturado da manutenção, onde deve constar to-
deve ocorrer de forma gradativa, analisando o real das as informações e metas da empresa em relação
aproveitamento dos equipamentos e das pessoas en- ao escopo do seu processo.
volvidas no processo, além de haver a necessidade Viana (2009) reitera que para o desenvolvi-
de reestruturação de toda organização, tendo como mento de um plano bem estruturado de manuten-
objetivo que todos participem dessa transformação, ção, alguns itens devem ser analisados, de forma
alcançando assim, as metas estabelecidas. que possibilite uma visão mais abrangente do pro-
Segundo Corrêa e Corrêa (2007) as vanta- cesso. Seguindo esse contexto, o autor afirma que
gens da utilização da manutenção produtiva total a classificação do gerenciamento do plano de ma-
são inúmeras e podem ser obtidas em um médio nutenção, se divide em cinco grupos:
período de tempo, dependendo da aceitação e do
nível de comprometimento de cada um na realiza- a) Plano de investigação aparente;
ção de suas atividades. Ainda segundo os autores, b) Rota de lubrificação dos equipamentos;
as vantagens do TPM estão relacionadas a dimi- c) Acompanhamento dos traços dos equipamentos;
nuição de custos com a manutenção, a um melhor d) Manutenções para reparos de peças desgas-
nível de qualificação técnica de seus colaboradores tadas;
e um constante aprimoramento de seus processos, e) Plano de ação preventivo.
fazendo com que a frequência de danos aos equi-
pamentos sejam diminuídos. De acordo com Xenos (2004) o planejamen-
A elaboração para que seja implantado o to da manutenção tem como principal finalidade,
conceito TPM dentro das empresas, de acordo chegar ao método que melhor se adeque ao tipo
com Takahashi e Osada (1993) acontece em qua- maquinário presente no processo da empresa.
tro etapas: Organização, introdução da filosofia, Para se alcançar esse método ideal, é necessário
execução do sistema e a consolidação. A partir dos a coleta de dados referentes ao monitoramento
dados gerados após a implantação da manutenção dos equipamentos, como por exemplo: a frequ-
produtiva total, é necessário definir quais são as ência de quebra, os tipos mais comuns de falhas
atividades que devem ser realizadas para que se e os custos gerados com a manutenção. Esse pla-
alcance os objetivos estabelecidos. no necessita estar sempre em melhoria contínua,
alcançando assim, algumas vantagens, entre as
2.4 Gestão da manutenção quais estão:
Nepomuceno (1999) afirma que o gerencia-
mento da manutenção surgiu com o objetivo da a) Aumento da capacitação de novos colabora-
melhoria constante dos processos das empresas, dores;
como forma de sempre estar se mantendo compe- b) Melhoria da confiabilidade de seus processos;
titivo no atual cenário econômico. A manutenção c) Auxilio no diagnóstico de possíveis gargalos
deixou de ser apenas uma área de reparos emer- na otimização da operação;
genciais nos equipamentos e passou a ter uma d) Ajuda na delegação de atividades básicas da
importância significativa na estratégia para a to- manutenção.

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Segundo Tavares et.al (2005) muitos fato- auxilia no diagnóstico das causas raízes de um
res influenciam diretamente o não alcance dos determinado problema, fornecendo informações
objetivos do gerenciamento e controle da ma- para a tomada de decisões gerenciais. Os autores
nutenção, sendo necessário realizar uma aná- reiteram ainda que a atuação desta ferramenta de-
lise dessas causas e assim, melhorar o fluxo do monstra de forma objetiva as relações diretas en-
processo. Alguns desses fatores são: a carência tre o problema em questão e as causas que levam a
de ferramentas adequadas para o trabalho, pou- essa ocorrência. O diagrama é composto por seis
co tempo para a realização do planejamento da emes (método, meio ambiente, matéria-prima, má-
programação e da execução dos processos, pla- quina, mão-de-obra, medida).
no de manutenção não alinhado as diretrizes dos Ritzman e Krajewski (2004, p. 110) afir-
procedimentos, falta de qualificação técnica do mam que uma das maiores importâncias dessa
planejador, má utilização da disponibilidade das ferramenta é a capacidade de vincular cada as-
máquinas na manutenção preventiva, colabora- pecto da qualidade a partir da valorização dos
dores sobrecarregados de funções. clientes aos insumos, métodos, e passos do pro-
Xenos (2004) reitera que a OS (Ordem de cesso que contribuem especificamente a um pro-
Serviço), é um dos documentos que fornecem in- duto. O diagrama de causa e efeito é denominado
formações que auxiliam no controle da manuten- muitas vezes como “diagrama espinha de peixe”.
ção, viabilizando dados que são de grande impor- Um analista ao utilizar o diagrama de causa e
tância para traçar as diretrizes de aperfeiçoamento efeito, é capaz de identificar todas as principais
das manutenções. O autor afirma ainda que atra- camadas de potenciais causas dos problemas de
vés da OS é possível gerar relatórios estatísticos, qualidade, podendo estar relacionado a maqui-
proporcionando um melhor gerenciamento dos nário, pessoal, processos e materiais. Através da
equipamentos, aumentando a confiabilidade e a imagem a seguir o autor destaca os principais
disponibilidade para a operação. pontos do diagrama.
Viana (2009) ressalta que todas as
informações coletadas a partir das or-
dens de serviço, devem ser inseridas em
um sistema de dados, onde seja possível
o mapeamento das principais causas de
falhas, quais foram as intervenções rea-
lizadas e a data que ocorreu a manuten-
ção. Com o mapeamento desses dados,
torna-se possível a tomada de decisões
de curto ou longo prazo, possibilitando a Figura 3: Diagrama de Causa e efeito (Ishikawa)
Fonte: Adaptado de Ritzman e Krajewski (2004, p. 110).
diminuição da frequência de quebras e a
otimização do processo.
Na Figura 3, os autores destacam as princi-
2.4.1 Ferramentas da qualidade pais classes do diagrama de causa e efeito, usu-
2.4.1.1 Diagrama de causa e efeito (Ishikawa) almente mais conhecidos como “6M”, ou seja,
Para Chase, Jacobs e Aquilano (2006) o dia- método, meio ambiente, matéria-prima, máquina,
grama de causa e efeito é uma ferramenta que mão-de-obra, medida.

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Gestão da manutenção em equipamentos hospitalares: um estudo de caso

2.4.1.2 Diagrama de pareto utilizado em casos onde é necessário encontrar ou


Chase et.al (2006) afirma que o diagrama demonstrar o significativo valor de informações ou
de Pareto se caracteriza como uma ferramenta dados obtidos nos ambientes organizacionais.
que possibilita mensurar as causas que aconte-
cem com maior frequência de um determinado 2.4.1.3 5W1H
problema, mostrando através de colunas a dispo- Segundo Carpinetti (2012) o 5W1H é uma
sição dos fatores de forma decrescente, para que das ferramentas gerencias que auxiliam na ela-
assim se torne possível priorizar os que possuem boração de ações que devem ser realizadas para
maior relevância. Esse método gerencial de apoio, as causas do problema a ser resolvido, através do
tem por base o levantamento e a descoberta de diagnóstico dos diagramas de pareto e Ishikawa.
que os maiores percentuais de um problema, está Essa metodologia possibilita um melhor gerencia-
ligado ao pouco número de causas. A Figura 4 mento das ações que serão executadas, implemen-
demonstra um caso prático do uso do diagrama tando um nível ótimo das responsabilidades e da
de causa e efeito. organização das atividades propostas. O 5W1H se
divide da seguinte forma:

a) What- o que será realizado?


b) Why- porque será realizado?
c) Where- onde será realizado?
d) Who- quem será o responsável?
e) When- quando será realizado?
f) How- como será realizado?

A Figura a seguir demonstra


a construção de um modelo de
quadro 5W1H com itens de con-
trole.
Figura 4: Diagrama Pareto A Figura 5 demonstra sucin-
Fonte: Adaptado de Marshall et al. (2012, p. 76). tamente um modelo prático e bá-
sico da utilização do 5W1H.
Marshall et.al (2012, p. 76)
descreve que o diagrama de Pareto
é uma ferramenta que trata de
problemas referentes à qualidade
dos produtos e processos, que são
classificados como pouco vitais e
muito triviais. O Pareto auxilia no
esclarecimento de assuntos funda-
mentais dentro dos inúmeros pro-
blemas que podem ocorrer dentro
Figura 5: Modelo de quadro 5W1H com itens de controle
dos setores das empresas, este é Fonte: Adaptado de César (2011, p. 122)

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César (2011, p. 122) ressalta que ao utilizar cutar tarefas; c) Os funcionários deveriam ser
a ferramenta, deve-se: a) referenciar as decisões cientificamente selecionados e treinados, a fim
de cada etapa no desenvolver das atividades; b) de que as tarefas e as pessoas fossem compatí-
identificar o que deve ser feito e a cargo de quem veis; d) Precisaria haver um ambiente íntimo e
deverá estar a execução das tarefas. O autor afir- cooperativo entre a administração e os funcioná-
ma ainda, que por mais simples que sejam, os pré- rios, para que com isto, pudessem garantir uma
requisitos imprescindíveis para construção de um atmosfera psicológica a favor da aplicação desses
5W1H são a formação de um grupo de pessoas; e princípios.
um líder capaz de orientar as diversas atividades Ritzman e Krajewski (2004, p. 5) eviden-
para cada indivíduo. ciam que a administração de operações refere-
se ao direcionamento e controle dos processos
2.5 Administração da Produção que, trabalham afim de transformar insumos em
A administração ou gestão da produção é produtos e serviços. Vista de maneira extensa, a
o ato de gerenciar recursos a serem destinados administração de operações, se coloca na base
à produção e disponibilização de bens e servi- dos setores funcionais de uma organização, de-
ços, visando satisfazer as necessidades dos clien- vido os processos estarem presentes em todos os
tes potenciais. A função de produção, é a parte serviços organizacionais. É fundamentalmente
responsável por esta atividade na empresa. Toda importante administrar as operações com uma
e qualquer empresa, possui um setor ou função visão ampla e limitada para cada setor de uma
de produção, pelo simples fato de todas produzi- organização, pois é somente através da adminis-
rem algum tipo de produto e/ou serviço. Porém, tração ou gestão bem-sucedida de pessoas, capi-
nem sempre todos os tipos de empresas necessa- tal, informação e materiais que ela poderá enfim
riamente, designam a função produção por este alcançar suas metas. A Figura 6 demonstra uma
nome (podendo-se usar outras expressões como: organização, podendo ser um departamento,
“operações”, ou “produção” ao invés de “fun- uma pequena equipe ou até mesmo um só indi-
ção produção”) (Slack; Chambers & Johnston, víduo.
2009, p. 4).
Maximiano (2015, p. 44)
afirma que em 1903, com a in-
tenção de propor sua filosofia de
administração, Taylor propaga o
estudo da Administração de ope-
rações de fábrica, que abrangia
quatro princípios: a) A finalida-
de da boa administração se dá
em, pagar altas remunerações e
ter custos baixos de produção; b)
A partir do primeiro princípio,
a administração deveria aplicar
métodos de pesquisa, determi-
Figura 6: Processos e Operações
nando a melhor forma de exe- Fonte: Ritzman E Krajewski (2004, p. 3).

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Gestão da manutenção em equipamentos hospitalares: um estudo de caso

A Figura 6 evidencia uma organização em ção de serviço, os próprios clientes podem ser pro-
funcionamento, com isso Slack, Chambers e cessados e transformados, conforme for o ramo
Johnston (2009, p. 5) afirmam que, a gestão da da empresa, como exemplo disto temos: pacientes
produção, é fundamental para a organização, que são tratados em hospitais ou alunos que ob-
pelo fato de produzir bens e serviços, sendo este, o tém educação em determinadas escolas. Portanto,
motivo de sua existência. Entretanto, não somen- os principais modelos de processos produtivos são
te este fator é o mais importante, mas pertence a divididos em três categorias: produção em massa,
uma das três funções centrais de qualquer empre- produção por processo contínuo e produção uni-
sa, sendo elas: a) A função marketing, designada tária e/ou em pequenos lotes. (Maximiano, 2015,
a atender a comunicação dos produtos e serviços, p.7). O quadro a seguir descreve suscintamente
gerando pedidos de serviços e mercadorias pelos cada tipo de produção.
clientes; b) A função desenvolvimento de produto/ Como visto no quadro 1, os modelos de pro-
serviço que está encarregada de criar produtos no- cessos produtivos estão ligados diretamente aos
vos e inovadores, ou até mesmo modificá-los, em resultados que a organização almeja.
prol de atender aos requisitos de necessidade dos Slack, Chambers e Johnston (2009, p. 35)
consumidores; c) E por fim, a função produção contribuem ainda, afirmando que, a administra-
que se responsabiliza por atender aos pedidos dos ção da produção, pode “fazer ou quebrar” qual-
clientes executando a produção e distribuição dos quer organização. Isto ocorre, devido a função
produtos e serviços. produção ser fundamental para várias empresas,
No interior de qualquer organização, o siste- uma vez que, representa o grosso dos bens e a
ma de processos produtivos, deve estar presente, maior parte dos funcionários. Além disso, a ad-
para que que possam empregar e transformar re- ministração da produção também é a função que
cursos, para fornecer bens e serviços aos clientes acrescenta a competitividade para a empresa, ao
ou público-alvo. Neste fornecimento de produtos, provê-la de habilidades de respostas aos consu-
insumos são transformados através de atividades midores e ao desenvolver as capacitações devidas
de pessoas e do uso de maquinário, como exemplo: a deixa-la à frente da concorrência. Por isto, é ne-
produção de pães e automóveis. Durante a presta- cessário que as operações e seus gerentes, estejam

Quadro 1: Tipos de Processos Produtivos


Fonte: Adaptado de Maximiano (2015, p. 7).

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Gerônimo, M. S., Leite, B. C. C., & Oliveira, R. D. Artigos

buscando melhorar com o tempo, pois é isto que 2.6 Engenharia hospitalar
as empresas esperam. Ao passar pelo processo De acordo com Salu (2013, p. 187) a enge-
de aprendizagem e experiência, os gerentes ten- nharia hospitalar é definida como um conjunto de
dem a evoluir de um patamar onde contribuem recursos humanos e tecnológicos, com a responsa-
muito pouco para o sucesso competitivo da em- bilidade do planejamento, operação e manutenção
presa, até chegar ao ponto de serem diretamente da infraestrutura. A engenharia clínica é uma ca-
responsáveis pelo sucesso competitivo da mesma. racterística da engenharia hospitalar, responsável
Na Figura 7 é retratado os princípios do Sistema designadamente pelos equipamentos usados em
Toyota de Produção em uma organização em procedimentos cirúrgicos e diagnósticos em equi-
meio as suas operações. pamentos médicos. A Figura 8 demonstra a orga-
nização da engenharia hospitalar.

Figura 8: Organização da engenharia hospitalar


Fonte: Salu (2013, p. 187).

Segundo Moura e Viriato (2008, p. 39) o


Figura 7: Princípios do Sistema Toyota de
Produção avanço tecnológico promoveu o desenvolvimento
Fonte: Adaptado de Maximiano (2015, p. 105).
de equipamentos, que foram capazes de melhorar
a qualidade na prestação dos serviços de saúde,
A partir da Figura 7, Maximiano (2015, p. contudo, é importante ressaltar que a incrementa-
104) evidencia a Importância do Sistema Toyota ção de novas tecnologias causa um forte impacto
de Produção, um sistema nascido na década de econômico na prestação de serviços de saúde, de-
1950, e criado por Eiji Toyoda e Taiichi Ohno. vido aos custos de operação e manutenção. Com
Para o autor, este modelo foi considerado uma isso, torna-se importante a manter um bom geren-
combinação das técnicas de Taylor, dos métodos ciamento na vida útil desses equipamentos. E para
do sistema de Ford, acrescido de subsídios da que se possa manter este bom gerenciamento, mui-
cultura japonesa. O STP é integrado na filoso- tos estabelecimentos de saúde adotam a implan-
fia da “eliminação completa de todo e qualquer tação da Engenharia Clínica, buscando manter
desperdício”. Para isto os fundadores da Toyota um bom padrão de qualidade. Os principais pro-
incorporam desde o começo, os dois princípios cedimentos que envolvem este gerenciamento são
fundamentais do STP: Jidoka (automação) e Just aquisição, instalação, treinamento de usuários,
in Time, e como ferramenta de aprimoramento manutenção preventiva e corretiva.
contínuo o Kaizen. Este modelo e ferramentas Salu (2013, p. 186) afirma ainda que a infra-
contribuem decisivamente para a articulação no estrutura clínica e/ou hospitalar destaca-se por ser
fornecimento de produtos de alta qualidade a um capaz de agrupar em somente um lugar, determi-
baixo custo. nados tipos de problemas que são encontrados em

Exacta – EP, São Paulo, v. 15, n. 4, p. 167-183, 2017. 177


Gestão da manutenção em equipamentos hospitalares: um estudo de caso

vários outros tipos de negócio de mercado, entre quisa auxilia em um elevado nível de exatidão dos
eles destacam-se: problemas mais relevantes dentro de um processo.
Em relação ao objetivo do estudo, a pesquisa tem
a) Hotelaria: A maneira de acolher os pacientes por característica o método descritivo-explicativo,
e acompanhantes em determinados períodos; pois se utiliza de técnicas e ferramentas da área de
itens que em outras organizações são tidos gestão da manutenção, para que se consiga a deter-
como fator de competitividade para o merca- minação de quais fatores acarretam a elevada ocor-
do hospitalar, como televisores, ar-condicio- rência de um determinado fenômeno.
nado, internet, iluminação etc.; A pesquisa está dividida em quatro etapas,
b) Indústria: Nos setores que possuem proce- sendo a primeira o estudo bibliográfico sobre os
dimentos, os bens prediais não podem acar- temas relevantes ao artigo, a segunda etapa é com-
retar problemas, assim como nas indústrias. posta do levantamento de dados, obtidos através da
Pode-se comparar como exemplo, o fato de observação de documentos internos do hospital, a
que ocorra na indústria falha no fornecimen- fim de mensurar a partir do diagrama de Pareto,
to de energia prejudique o produto final, en- as causas mais frequentes de quebra dos equipa-
quanto, em um hospital isso colocaria o pa- mentos hospitalares. A terceira etapa é composta
ciente em risco de morte; da investigação das raízes que levam as causas mais
c) Serviços 24 horas: A grande maioria das ins- comuns, através do diagrama de Ishikawa. Na últi-
talações hospitalares atendem 24 horas por ma etapa desenvolveu-se um plano de ação (5W1H)
dia, todos os dias, inclusive feriados. para melhoria das causas encontradas.

Para Moura e Viriato (2008, p. 42) O controle


de qualidade no gerenciamento dos equipamentos 4 O Caso do hospital
hospitalares é uma etapa fundamental e consiste na
utilização de padrões para medir seu desenvolvi- O hospital abordado no estudo é do setor
mento. Os técnicos têm uma função imprescindível privado, localizado na cidade de São Luís – MA
na manutenção, mantendo o cuidado e zelo pelo e conta com um avançado centro cirúrgico e
estado de conservação dos equipamentos, com a re- equipamentos modernos, além de 50 leitos para
alização de limpezas, descontaminação etc. internação. O setor de manutenção possui 5 fun-
cionários, responsáveis pelos serviços que são rea-
lizados nos equipamentos hospitalares. A elevada
3 Metodologia frequência de quebra das máquinas tem provoca-
do uma grande quantidade de manutenções corre-
O presente artigo trata-se de um estudo de caso tivas, com uma média de 11 por mês e um custo
realizado em um hospital privado de médio porte, aproximado de R$ 5.000,00 reais, o que acaba
onde foram coletados dados referentes ao processo influenciando diretamente na qualidade dos pro-
de manutenção dos equipamentos hospitalares. O cedimentos (exames, consultas, cirurgias) que são
estudo tem caráter quantitativo, com a utilização do realizados diariamente no hospital.
método observatório de pesquisa, o qual permitiu A Figura a seguir demonstra as etapas que
enumerar as causas do problema em questão. Na são seguidas para a realização das atividades de
visão de Gil (2008) o método observatório de pes- manutenção do hospital.

178 Exacta – EP, São Paulo, v. 15, n. 4, p. 167-183, 2017.


Gerônimo, M. S., Leite, B. C. C., & Oliveira, R. D. Artigos

Figura 9: Fluxo do processo de manutenção do hospital


Fonte: Os autores.

4.1 Etapa 2 tenções preventivas, o que acaba gerando a


Para a realização da investigação das causas quebra do equipamento.
que levam ao problema, foram utilizadas as OS b) Desgaste da peça: Refere-se ao desgaste além
(ordens de serviços) da área de manutenção do do previsto de uma peça ou componente do
hospital onde foi desenvolvido o estudo. A par- equipamento.
tir dos dados coletados, foi feito um levantamento c) Abuso na utilização: Refere-se a utilização
das principais causas que levam a elevada frequ- além da capacidade do equipamento, geran-
ência de quebra dos equipamentos hospitalares. do uma sobrecarga, o que acarreta falhas.
A pesquisa levou em consideração 45 ordens de d) Erros de operação: Refere-se ao uso de for-
serviços, disponibilizadas pelo setor de manuten- ma incorreta do equipamento, gerado por
ção para a análise do estudo, devido demonstra- falta de conhecimento na operação realizada,
rem uma elevada frequência de quebra de acordo acarretando falhas ou descontrole do equipa-
com o levantamento feito pelo setor responsável, mento.
sendo que, as ordens de serviços são referentes aos e) Mau contato: Refere-se muitas vezes a proble-
quatro primeiros meses do ano de 2016. Entre as mas de instalação, em razão do espaço onde
causas mais relevantes estão: o equipamento se encontra não ser apropria-
do para o seu desempenho pleno.
a) Falha do equipamento: Refere-se as falhas f) Outras causas: Refere-se a causas que ocor-
resultantes do não cumprimento das manu- rem com quase nenhuma frequência, como

Exacta – EP, São Paulo, v. 15, n. 4, p. 167-183, 2017. 179


Gestão da manutenção em equipamentos hospitalares: um estudo de caso

por exemplo: vazamentos, falta de calibra- cias, sendo que a ordem dos fatores está em for-
ções, entre outros. ma decrescente.
A partir da folha de verificação, foi traçado
Para mensurar as causas de quebra dos equi- o gráfico de Pareto (gráfico 1) onde foi possí-
pamentos, foi utilizado o diagrama de Pareto, de vel encontrar as duas causas com maior frequ-
acordo com a folha de verificação (Tabela 1). ência, que resultam na elevada taxa de quebras
dos equipamentos hospitalares,
Tabela 1: Folha de verificação das causas do problema
sendo que a soma das duas é
55,55 % de todas as causas que
influenciam diretamente nesse
elevado índice.
O gráfico 1 demonstra que
as duas principais causas encon-
tradas foram: falha do equipa-
mento e desgaste da peça.

4.2 Etapa 3
Para encontrar as raízes
que levam ao elevado índice
Fonte: Os autores. dessas causas, foi elaborado o
diagrama de Ishikawa (Figura
A tabela 1 representa as causas diagnos- 10) obtido através das informações coletadas na
ticadas e seus respectivos números de ocorrên- etapa anterior.

Gráfico 1: Pareto das causas do problema


Fonte: Os autores.

180 Exacta – EP, São Paulo, v. 15, n. 4, p. 167-183, 2017.


Gerônimo, M. S., Leite, B. C. C., & Oliveira, R. D. Artigos

Figura 10: Diagrama de Ishikawa para as raízes do problema


Fonte: Os autores.

A Figura 10 (diagrama de Ishikawa) demons- realizado e a forma com será implementado e o


tra as raízes das causas dos dois problemas que status das ações.
possuem maior frequência.

4.3 Etapa 4 5 Conclusão


Após a análise das causas encontradas na
À partir dos estudos abordados no presente
etapa anterior, através do diagrama de Ishikawa
artigo, foi possível observar que com a implemen-
foi elaborado um plano de ação, para cada um
tação das 6 ações propostas, é possível reduzir a
dos seis emes (mão-de-obra, método, materiais,
frequência de quebras dos equipamentos hospita-
matéria-prima, meio ambiente e medida) a partir
lares e proporcionar o aumento da confiabilidade
da matriz 5W1H com o objetivo de melhoria do
e qualidade nos processos, e acarretar futuras me-
gerenciamento da manutenção dos equipamentos lhorias no gerenciamento das atividades que são
hospitalares. A tabela matriz 5W1H (APÊNDICE realizadas na área da manutenção, atendendo as-
A) representa as seis ações que serão realizadas na sim, o objetivo geral definido para o estudo.
área de manutenção. Indicando o que será feito Entretanto, vale ressaltar que a cultura e a
em cada ação proposta e os objetivos de cada uma filosofia das organizações vêm mudando durante
delas, além dos responsáveis, em qual lugar será o decorrer dos anos, é notável atualmente a preo-

Exacta – EP, São Paulo, v. 15, n. 4, p. 167-183, 2017. 181


Gestão da manutenção em equipamentos hospitalares: um estudo de caso

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A realização desta pesquisa procurou mos-
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trar de forma clara e objetiva que a manutenção <http://docente.ifb.edu.br/paulobaltazar/lib/exe/fetch.
nos dias atuais é uma área de grande relevância php?media=apostila_manutencao.pdf>, acesso em:
dentro de qualquer organização, servindo muitas 15.ago.2016.

vezes como fator decisivo para a tomada de deci- Moura, A. D., Viriato, A. (2008). Gestão hospitalar:
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182 Exacta – EP, São Paulo, v. 15, n. 4, p. 167-183, 2017.


Gerônimo, M. S., Leite, B. C. C., & Oliveira, R. D. Artigos

Apêndice A: Tabela Matriz 5W1H

Recebido em 9 fev. 2017 / aprovado em 19 jun. 2017

Para referenciar este texto


Gerônimo, M. S., Leite, B. C. C., & Oliveira, R. D.
Gestão da manutenção em equipamentos hospitalares:
um estudo de caso. Exacta – EP, São Paulo, v. 15, n. 4,
p. 167-183, 2017.

Exacta – EP, São Paulo, v. 15, n. 4, p. 167-183, 2017. 183