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Anais do 10O Encontro de Iniciação Científica e Pós-Graduação do ITA – X ENCITA / 2004

Instituto Tecnológico de Aeronáutica, São José dos Campos, SP, Brasil, Outubro, 19 a 20, 2004

Mestrando CARLOS C. MASCARENHAS - PG


Mestrando ANTONIO RAMALHO DE S. CARVALHO - PG
Orientadora Profa. Dra. GLADIS CAMARINI

mascarenhas@jacarei.sp.gov.br ramalho@vdr.cta.br gladis@directnet.com.br

UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ – UNITAU

TÓPICOS DE PLANEJAMENTO DE PROJETOS EM SISTEMAS DE


INFORMAÇÃO

RESUMO
O presente trabalho demonstra uma revisão de literatura com diferentes autores sobre
tópicos de planejamento de projetos para sistemas de informação, percebendo-se que não existe um
modelo único ou padrão. O entendimento dos modelos propicia um conhecimento gerencial que
possibilita a conquista dos resultados desejados num plano de projeto.

ABSTRACT
The present work demonstrates a literature revision with different authors about
planning of projects for systems of information, being noticed that it doesn't exist an only model or
pattern. The understanding of the models propitiates a managerial knowledge that it makes possible
the conquest of the results wanted in a project plan.

INTRODUÇÃO
O objetivo principal deste trabalho é apresentar uma revisão de literatura com diferentes
autores sobre tópicos de planejamento de projetos para sistemas de informação, demonstrando as
principais particularidades a serem consideradas na elaboração de um plano para execução de projetos.
No trabalho demonstra a conceituação de gestão de projetos, apresentando uma das
principais ferramentas que serve como guia aos gerentes, o PMBOK, para depois descrever sobre o
ciclo de vida dos projetos de sistema de informação.

1. GESTÃO DE PROJETOS
A gestão de projetos busca atender ao solicitado dentro de um complexo organizacional,
onde o sistema temporário – projeto – se relaciona com sistema permanente – estrutura, pessoas e
recursos. Para Maximiano (2002) um projeto, complexo ou não, é definido como:
Um empreendimento temporário ou uma seqüência de atividades com
começo, meio e fim programados,
Que tem por objetivo fornecer um produto singular,
Dentro das restrições orçamentárias. (MAXIMIANO, 2002)
Valeriano (2001) define que o produto do projeto “é aquilo que será entregue ao cliente e
que deve estar referido no objetivo do projeto” podendo ser um bem ou um serviço, para tanto, torna-
se necessário que seja criteriosamente descrito por meio de requisitos, para que o produto fornecido
seja recebido e aceito pelo cliente. Ainda, o mesmo autor define que requisito é uma “disposição que
expressa critérios a serem observados”1
Para a gestão de projetos, padrões e guias são criados de modo a facilitar a atividade dos
gerentes de projetos e de padronizar as informações que circulam aos envolvidos, tanto nas esferas:
operacional, tática e estratégica da organização.
1
Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. ABNT. ABNT-ISSO-IEC Guia 2 – Termos gerais e suas definições
relativas à normalização e atividades correlatas, 1993. Item 7.5.
2
Anais do 10O Encontro de Iniciação Científica e Pós-Graduação do ITA – X ENCITA / 2004
Instituto Tecnológico de Aeronáutica, São José dos Campos, SP, Brasil, Outubro, 19 a 20, 2004

2 PMBOK GUIDE
Cada vez mais as Instituições disseminadoras da utilização das práticas consagradas de
gerência de projetos vem orientando os gerentes de projetos na utilização de modelos gerências que
buscam cobrir todas as etapas do projeto. Um desses Institutos é conhecido como PMI2 – Project
Management Institute, onde o seu principal compromisso é o de “promover o profissionalismo e a
ética em gestão de projetos” (PRADO, 1999). Dentro das suas práticas da promoção da gestão de
projetos está a A Guide to the Project Management Body of Knowledge, mais conhecido como
PMBOK Guide.
Conforme padronizado pelo PMI, a prática de gestão de projetos tem seus processos
interligados e enquadrados nos seguintes grupos: Processos de Iniciação; Processo de Planejamento,
Processos de Execução, Processo de Controle e Processos de Encerramento. O modelo é bastante
semelhante ao modelo PDCA3 (Plan, Do, Control e Action), melhor visualizado na Figura 1.

Iniciação Planejamento
A P

Controle Execução
C D

Encerramento
PROCESSOS

Figura 1 - Grupos de Processos previstos pelo PMI


Fonte: Prado (1999)

3. PLANEJAMENTO PARA A GESTÃO DE PROJETOS


O planejamento para a gestão de projetos pode ser padronizado na Organização ou
elaborado conforme a complexidade de cada projeto, sendo que a vantagem da padronização de uma
metodologia é o benefício percebido na medida que cresce o número de unidades inter-relacionadas
com os projetos dentro da Organização
Kerzner (2002) descreve que o planejamento de projetos deve considerar os seguintes
fatores e recursos:
o Fatores:
ƒ qualitativos - definindo tanto o que é requisito necessário para o projeto
como também para o sucesso organizacional;
ƒ organizacionais – o comportamento organizacional em relação aos projetos;
e
ƒ quantitativos – são as ferramentas de gestão de projetos destinadas a
sustentar a metodologia aplicada.
o Recursos:
ƒ tangíveis – são geralmente os equipamentos, instalações, mão-de-obra;
materiais, dinheiro e informação/tecnologia.
ƒ humanos – abrangem conhecimento, habilidades, capacidades e talentos dos
funcionários em realizar uma determinada tarefa.

2
O PMI, criado nos Estados Unidos em 1969, é uma instituição sem fins lucrativos dedicada ao avanço do estado-da-arte em
gerenciamento de projetos.
3
PDCA - Planejar, fazer, verificar e atuar, sendo: Planejar (Plan) - estabelecer os objetivos e processos necessários para
produzirem resultados em conformidade com o escopo do projeto; Fazer (Do) - implementar os processos; Verificar (Check)
- monitorar e medir os processos em relação aos objetivos, metas, requisitos legais e outros, e reportar os resultados; e Atuar
(Act) - tomar ações para melhorar continuamente o desempenho do projeto.
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ƒ físicos – incluem a planta da organização, os equipamento, redes de


distribuição, proximidade com fornecedores, disponibilidade de matéria-
prima, local físico e mão-de-obra.
ƒ organizacionais – são os elos que mantém a ligação entre os demais recursos,
inclui a estrutura organizacional, a estrutura formal, informal, os
procedimentos entre outros.
ƒ financeiros – é a capacidade financeira da empresa em gerir os recursos.
ƒ intangíveis – é a cultura organizacional, a reputação, a marca, o Know-how e o
relacionamento com o mercado (clientes, fornecedores, governo entre outros)
ƒ responsabilidade social – mesmo sendo um ativo intangível, cada vez mais
empresas tem dado destaque ao assunto, onde a sociedade tem expectativas
que as ações da empresa atenta o interesse do ambiente como um todo.

4. PROJETO DE SISTEMA DE INFORMAÇÃO

Como qualquer projeto, um projeto de tecnologia da informação tem algumas fases


principais. Maximiano (2002) descreve que o ciclo de vida genérico tem as seguintes fases:
ƒ idéia – descoberta da idéia ou visão do produto por algum meio;
ƒ desenho – modelo mental transforma-se em um desenho do produto;
ƒ desenvolvimento – a elaboração do produto; e
ƒ entrega – apresentação ao cliente do resultado.

Prado (1999) detalha o projeto em mais fases, onde descreve o ciclo de vida básico para
os projetos de desenvolvimento de aplicativos de informática conforme demonstrado na Figura 2,
ressaltando que não é a única opção existente.

ETAPA 1 2 3 4 5 6 7 8 9
1 Criação
2 Levantamento
3 Design
4 Programação
5 Testes
6 Implantação
7 Encerramento
Figura 2 - Etapas para projetos de desenvolvimento de aplicativos de informática.
Fonte: Prado (1999)
Outra apresentação de um ciclo de vida de projeto de um sistema de informações é o
apresentado por Kruglianskas (2001) por meio da Figura 3, envolvendo a concepção do sistema, o
projeto do sistema, o desenvolvimento do sistema, os testes e por fim a instalação e operação, todos
relacionados ao esforço a ser utilizado, dentro de um período de tempo.
Dando continuidade na apresentação do ciclo de vida, um modelo apresentado no
PMBOK (2000) é o modelo espiral de quatro ciclos e quatro quadrantes, sendo que cada ciclo é
constituído dos seguintes quadrantes ou das seguintes etapas: Identificação, Projetar (ou Design),
Construção e Avaliação. Sendo que no:
- 1° ciclo - define-se a meta, os requisitos, o design conceitual, os planos de
teste e a análise de risco;
- 2° ciclo - desenvolve e testa a primeira construção do sistema;
- 3° ciclo - desenvolve e testa a segunda construção do sistema;
- 4° ciclo - desenvolve e testa a construção definitiva e finalizada toda
documentação do sistema.
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ESFORÇO

CONCEPÇÃO DO PROJETO DO DESENVOLVIMENTO DO TESTES INSTALAÇÃO


SISTEMA SISTEMA SISTEMA E OPERAÇÃO

- Identifica - Elabora plano - Elabora manual - Planeja a - Libera a


TEMPO
necessidades organizacional do sistema conversão documentação

- Estabelece - Detalha - Elabora os - Executa os testes - Instala o sistema


viabilidade especificações do programas
sistema
- Obtém a - Treina os
- Elabora proposta - Seleciona os aceitação do usuários
- Detalha as dados e sistema
atividades do procedimentos
- Identifica equipe - Avalia o projeto.
projeto
básica
- Define o sistema
- Determina os de documentação
- Aprova proposta
testes para o
sistema

- Define os
recursos

Figura 3 - Projeto de um sistema de informações


Fonte: Kruglianskas (2001)

Na Figura 4 é apresentado o ciclo de vida representativo de desenvolvimento de software,


baseado no modelo espiral.

Avaliar Identificar

Construir Projetar

Figura 4 - Ciclo de vida representativo de desenvolvimento de software, segundo Muench


Fonte: PMBOK (2000)
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5. CONCLUSÃO

Percebe-se que não existe um modelo único para elaboração de um planejamento de


projetos na área de sistema da informação, e que um guia como o PMBOK pode servir como um
modelo a ser seguido pelos gerentes, sem desconsiderar as demais práticas já exercidas, independente
da complexidade do projeto.

REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA

PRADO, Darci Santos do. Gerência de projetos em tecnologia da informação. Belo Horizonte, MG:
Desenvolvimento Gerencial, 1999.
PMBOK Guide – A Guide to the Project Management Body of Knowledge, Project Management
Institute, Newton Square, Pennsylvania, 2000.
KRUGLIANSKAS, Isak. Estrutura Organizacional para Administração de Projetos. In: Encontro
sobre Gerência de Projetos. FIA/USP. São Paulo, 2001. Apostila do Encontro.
VALERIANO, Dalton L. Gerenciamento Estratégico e Administração por Projetos. São Paulo:
Makron Books, 2001.
KERZNER, Harold. Gestão de projetos: as melhores práticas; tradução Marco Antonio Viana Borges,
Marcelo Klippel e Gustavo Severo de Borba. Porto Alegre: Bookman, 2002.
MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru. Administração de projetos: como transformar idéias em
resultados. São Paulo: Atlas, 2002.