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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO


COMARCA DE SÃO PAULO
FORO CENTRAL CÍVEL
31ª VARA CÍVEL
PRAÇA JOÃO MENDES S/Nº, São Paulo - SP - CEP 01501-900

SENTENÇA

Para conferir o original, acesse o site https://esaj.tjsp.jus.br/pastadigital/pg/abrirConferenciaDocumento.do, informe o processo 1031914-08.2013.8.26.0100 e código 1B6CDB0.
Processo Digital nº: 1031914-08.2013.8.26.0100
Classe - Assunto Procedimento Ordinário - Revisão do Saldo Devedor
Requerente: Eliana Vaz de Lima
Requerido: COOPERATIVA HABITACIONAL DOS BANCARIOS DE SAO PAULO -
BANCOOP e outro

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por LUCAS PEREIRA MORAES GARCIA, liberado nos autos em 09/03/2016 às 15:34 .
Juíza de Direito: Dra. Lucas Pereira Moraes Garcia

Vistos.

ELIANA VAZ DE LIMA propôs ação em face de COOPERATIVA


HABITACIONAL DOS BANCÁRIOS DE SÃO PAULO (BANCOOP) e OAS
EMPREENDIMENTOS S/A, objetivando obrigação de fazer descrita na inicial,
inexigibilidade de débito, declaração de nulidade de cláusulas contratuais e ressarcimento
por danos morais, com pedido de antecipação de tutela. Alegou que em 01/03/2004
ratificou com a primeira ré o termo de adesão e compromisso de participação em que a
autora visava adquirir, por meio de parcelas, um bem imóvel no valor total de R$
135.764,94. Contudo, após pagar a última parcela fixa (60/60) do acordado entre as partes,
relatou que foi surpreendida com o aviso da BANCOOP, relativo à ausência de pagamento
das parcelas de números 57 e 58. Afirmou que já havia pagado R$ 219.082, 82 e resolveu
quitar as referidas parcelas após a entrega das chaves, conforme a previsão da cláusula 4ª
do instrumento contratual pactuado entre as partes. Aduziu que não foi informada sobre a
realização da Assembleia Seccional, na data de 27/10/2009, em que foi assinado o acordo
para finalização da construção do residencial Mar Cantábrico, em relação à primeira ré, no
qual esta transferiu direitos e obrigações para a segunda ré, com a anuência dos adquirentes
do empreendimento imobiliário em questão. Após a concretização da Assembleia, a autora
foi convocada a participar de uma reunião com a primeira ré em que a BANCOOP
ofereceu, de modo inusitado, a proposta de rescisão do contrato outrora firmado entre as
partes e de restituição dos valores pagos pela requerente. Sentindo-se coagida, a autora
assinou, em 11/03/2010, a proposta de restituição do crédito que entende ser nula, em razão
da ausência da assinatura de seu cônjuge . Na data de março de 2013, a autora se
comunicou com a segunda ré, sendo que esta informou à requerente o saldo devedor de R$
259.399,20 para a aquisição do bem imóvel, aumento de preço que a autora considera
abusivo. Assim, pretende a declaração de inexigibilidade dos seguintes débitos: parcelas de
números 57 e 58, referentes ao financiamento do bem imóvel; o valor de R$ 259.399,20,
relativo à cobrança, por parte da segunda ré, para a aquisição do bem imóvel. Requereu,
também, a declaração de nulidade das cláusulas contratuais que preveem a possibilidade e
reforço de caixa (cláusulas 4.1 e 15 do instrumento contratual), bem como a transferência
de titularidade do imóvel descrito na inicial para o seu nome. Por fim, pleiteou a
condenação das rés ao pagamento de indenização por danos morais no importe de R$
20.000.

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O pedido de tutela antecipada foi indeferido (fl. 160). Esse pleito foi
objeto do agravo de instrumento interposto pela parte autora (fls. 165/186), sendo
concedido efeito ativo (fls. 389/392).

Devidamente citada, a OAS EMPREENDIMENTOS S/A, segunda ré,


apresentou contestação às fls. 197/240. Sustentou que adquiriu o empreendimento
imobiliário descrito na inicial de forma legal, tendo em vista que, em 27/10/2009, houve a
realização de uma Assembleia Extraordinária em que foi acordado entre a construtora
imobiliária, os cooperados adimplentes e a primeira ré a transferência dos direito e

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obrigações do empreendimento em questão para segunda ré. Com fundamento no art. 48 do
Estatuto da BANCOOP, aduziu que o referido acordo vinculou todos os cooperados, sendo
que tal acordo foi homologado em juízo. Alegou, em síntese, tais teses: a ausência de
quitação do bem imóvel, por parte da requerente; a autora não foi convocada para
participar da Assembleia Extraordinária, em razão seu inadimplemento (art. 33, § único e
34, Estatuto da BANCOOP); inexistência de provas de que a primeira ré não teria atuado
como cooperativa; a segunda requerida propiciou à autora opções para adquirir o imóvel
por ela pretendido, mas a requerente desistiu de tal aquisição ao assinar o termo de rescisão
acostado à fl. 52; inexistência de vícios passíveis de nulidade na celebração do termo de
rescisão avençado entre as partes; o acolhimento das pretensões da autora ensejaria
enriquecimento sem causa, por parte da requerente; inaplicabilidade do Código de Defesa
do Consumidor ao caso em apreço; inexistência de danos morais. Com a contestação,
vieram os documentos de fls. 241/387.

Devidamente citada, a COOPERATIVA HABITACIONAL DOS


BANCÁRIOS DE SÃO PAULO (BANCOOP), primeira ré, apresentou contestação às fls.
398/424, na qual arguiu, preliminarmente, ilegitimidade passiva e existência de coisa
julgada. No mérito, alegou, em suma, as seguintes teses: caráter cooperativista da
BANCOOP; presença de manifestação de vontade sem vícios e liberdade de contratar entre
as partes; regularidade do rateio extra e da aprovação de contas da BANCOOP;
inaplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor ao caso concreto; inexistência de
danos morais. Com a contestação, vieram os documentos de fls. 424/468.

Instadas à indicação de produção de provas (fls. 469/470), a primeira ré


manifestou interesse na produção de prova oral e na designação de audiência de
conciliação (fls. 474/476) , já a segunda ré pretendeu dar continuidade ao feito com a
produção de depoimento pessoal da autora, de prova testemunhal e de exame pericial de
engenharia (fls. 489/491), ao passo que a autora quedou-se inerte (fl. 496).

Houve réplica às fls. 477/478.

A parte autora depositou em juízo os valores atualizados das parcelas


números 57 e 58, referentes ao financiamento para aquisição do bem imóvel por ela
pretendido. No mais, a autora requereu a ampliação da antecipação dos efeitos da tutela
para tomar posse do referido bem imóvel (fls. 497/498). Foram juntados os documentos de
fls. 499/500.

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É o relatório.
Fundamento e decido.

1. A lide comporta julgamento antecipado, nos termos do art. 330, I, do


Código de Processo Civil. A despeito de se tratar de matéria de fato, não há provas capazes
de alterar o conjunto probatório e o resultado da demanda.

2. No mérito, os pedidos iniciais são improcedentes.

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A autora ratificou com a primeira ré em 01/03/2004 o termo de adesão e
compromisso de participação em que a autora visava adquirir, por meio de parcelas, um
bem imóvel no valor total de R$ 135.764,94 (38/49).

Contudo, após pagar a última parcela fixa (60/60) do acordado entre as


partes, recebeu aviso da BANCOOP, relativo à ausência de pagamento das parcelas de
números 57 e 58.

Já havia pagado R$ 219.082, 82 e resolveu quitar as referidas parcelas


após a entrega das chaves, conforme a previsão da cláusula 4ª do instrumento contratual
pactuado entre as partes.

Realizada Assembleia Seccional, na data de 27/10/2009, em que foi


assinado o acordo para finalização da construção do residencial Mar Cantábrico, em
relação à primeira ré, no qual esta transferiu direitos e obrigações para a segunda ré, com a
anuência dos adquirentes do empreendimento imobiliário em questão.

Após a concretização da Assembleia, a autora foi convocada a participar


de uma reunião com a primeira ré em que a BANCOOP ofereceu a proposta de rescisão do
contrato outrora firmado entre as partes e de restituição dos valores pagos pela requerente,
subscrito pela autora.

3. Inviável reconhecer a nulidade da resilição bilateral celebrado entre as


partes (fls. 52) por ausência de assinatura do marido da autora.

Isto porque não cabe à parte que realizou o negócio jurídico nulo alegar a
nulidade. Somente eventual prejudicado pode exigir o reconhecimento judicial da nulidade,
nunca quem deu causa à nulidade. Trata-se de aplicação do princípio que veda a parte
aproveitar-se da própria torpeza.

4. A autora alega coação para a assinatura da resilição bilateral. Todavia,


não produziu prova neste sentido e, sequer indicou qual foi a coação.

Como já diziam os romanos allegare nihil et allegatum non probare


paria sunt, vale dizer alegar e não provar equivale a nada alegar.

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Assim, a parte autora não logrou produzir prova que respaldasse

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quaisquer de suas alegações, não tendo, pois se desincumbido de seu ônus probatório
(Código de Processo Civil, art. 333).

Sobre o tema, preleciona Vicente Greco Filho (“Direito Processual Civil


Brasileiro”, 2º vol., 11ª edição, Ed. Saraiva, p. 204) que:

"O autor, na inicial, afirma certos fatos porque deles pretende


determinada conseqüência de direito; esses são os fatos
constitutivos que lhe incumbe provar sob pena de perder a

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demanda."
"A dúvida ou insuficiência de prova quanto a fato constitutivo
milita contra o autor."
"O juiz julgará o pedido improcedente se o autor não provar
suficientemente o fato constitutivo de seu direito."

Este também é o ensinamento de Nelson Nery Júnior (in “Código de


Processo Civil Comentado e legislação extravagante”, 9ª ed., RT., p, 530/531), nos
seguintes termos:

"Ônus de provar. A palavra vem do latim, ônus, que significa


carga, fardo, peso, gravame. Não existe obrigação que corresponda
ao descumprimento do ônus. O não atendimento do ônus de provar
coloca a parte em desvantajosa posição para a obtenção do ganho
de causa. A produção probatória, no tempo e na forma prescrita em
lei, é ônus da condição de parte".

Assim, se a parte autora não faz prova boa e cabal do fato constitutivo do
seu direito a ação não procede, conforme dispõe o artigo 333, I, do Código de Processo
Civil.

Desta forma, inviável a declaração de inexigibilidade das parcelas de


números 57 e 58, referentes ao financiamento do bem imóvel, ante a resilição contratual e
o valor de R$ 259.399,20, relativo à cobrança, por parte da segunda ré, para a aquisição do
bem imóvel.

Inexistente qualquer vício social ou do consentimento nos negócios


jurídicos entabulados, bem como ausente qualquer abusividade das cláusulas contratuais,
os pedidos iniciais são improcedentes, não havendo danos morais indenizáveis.

Ante o exposto e considerando tudo o mais o que consta dos autos,


JULGO IMPROCEDENTES os pedidos iniciais formulados por ELIANA VAZ DE
LIMA em face de COOPERATIVA HABITACIONAL DOS BANCÁRIOS DE SÃO
PAULO (BANCOOP) e OAS EMPREENDIMENTOS S/A, e, consequentemente,
resolvo o mérito, nos termos do artigo 269, inciso I, do Código de Processo Civil.

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Em virtude da sucumbência, condeno a(s) parte(s) autora(s)

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sucumbente(s) ao pagamento das custas e despesas processuais, bem como honorários
advocatícios no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), que fixo por equidade, nos termos
do art. 20, §4º, do Código de Processo Civil.

P.R.I.C.

São Paulo, 09 de março de 2016.

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por LUCAS PEREIRA MORAES GARCIA, liberado nos autos em 09/03/2016 às 15:34 .
DOCUMENTO ASSINADO DIGITALMENTE NOS TERMOS DA LEI 11.419/2006,
CONFORME IMPRESSÃO À MARGEM DIREITA

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