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Explorando o mistério das

obras divinas de Jesus

Os Milagres de Jesus
.. *

Simon J. Kistemaker
Os Milagres de Jesus
REDESCUBRA O MISTÉRIO

Nós ouvimos as histórias sobre Jesus acalmando a tempestade, alimentando os


cinco mil, e curando os cegos. Mas elas podem parecer tão distantes de nossa
experiência em seguir Jesus hoje. Como teria sido testemunhar esses eventos em
primeira mão?
Sirnon Kistemaker nos ajuda a olhar mais de perto os milagres de Jesus para
entender melhor o propósito por trás de cada um. Pela apresentação cuidadosa do
cenário cultural, do simbolismo e das ligações com o Antigo Testamento,
Kistemaker nos mostra como esses milagres se relacionam com o modo como
vocè segue a Jesus. O resultado é uma viagem exploratória detalhada que
aprofundará seu entendimento dos feitos miraculosos de Jesus.

Eu amo o modo claro, simples, mas de profundo discernimento com que


Simon Kistemaker explora os milagres de Jesus. O livro è um estudo rico e
recompensador de todos os sinais e maravilhas de maior vulto registrados nos
Evangelhos. Esses eventos iluminam nosso entendimento da vida e obra
terrena do Salvador, e revelam sua verdadeira glória, de maneira única e
muito forte.
John MacArthur. autor dc vários livros e presidente da Grace to You

Que livro m aravilhoso' lenho lendo Os milagres de Jesus devocionalmente e


ele tem alimentado minha alma e minha mente. Se você nunca estudou os
milagres de Jesus, seja tomado de admiração pelo seu poder, e alegre-se no
que Jesus faz para os seus; este é o lugar onde começar. Leia-o! Você ficará
muito feliz p o r ter feito isso.
Steve Brown. autor de livros: presidente do programa de rádio Ke\ Life;
professor do Reformed Thcological Seminary, cm Orlando. Florida

Simon J. Kistemaker é professor emérito de Novo Testamento no Reformed


Thcological Seminary cm Orlando. Florida, e autor de numerosos comentários c
estudos, incluindo As parábolas de Jesus, desta editora.

s
Biblia/Cristologia

GDITORR CULTURA CRISTfí


www.cep.org.br
Os milagres de Jesus
Simon J. Kistemaker
Os milagres de Jesus © 2008, Editora Cultura Cristã. © 2006 by Simon Kistemaker. Origi­
nalmente publicado em inglês com o título The miracles pela Baker Books, uma divisão da
Baker Book House Company, Grand Rapids, Michigan, 49516, USA. Todos os direitos são
reservados.

r edição - 2008
3.000 exemplares

Conselho Editorial
Ageu Cirilo de M agalhães, Jr.
Alex Barbosa Vieira
André Luís Ramos
Cláudio M arra (Presidente)
Fernando Hamilton Costa
Francisco Baptista de Melo
Francisco Solano Portela N eto Produção Editorial
Mauro Fernando M eíster Tradução
Valdeci da Silva Santos Sachudeo Persaud
Revisão
Claudete Agua de Melo
Edna Guimarães
Madalena Torres
E ditoração
OM Designers Gráficos
Capa
Magno Paganelli

Kistemaker, Simon J.
K 6 19m Os milagres de Jesus / Simon J. Kistemaker, _ São
Paulo: Cultura Cristã, 2008
224 p.; 16x23 cm

Tradução de The miracles


ISBN 978-85-7622-221-7
1. Bíblia 2. Evangelhos I. Titulo
CDD 220

S
6DITORR CULTURfí CRISTF)
R. Miguel Teles Jr., 394 - Cambuci - SP - 15040-040 - Caixa Postal 15.136
Fone (011) 3207-7099 - Fax (011) 3279-1255 www.cep.org.br
Superintendente: Haveraldo Ferreira Vargas
Editor: Cláudio Antônio Batista Marra
IN T R O D U Ç Ã O • Um hom em com a m ão ressequida
M ateus 12.9-14; M arcos 3.1-6;
Lucas 6.6-11 .......................................57
M IL A G R E S N A N A T U R E Z A
• O criado do ce n tu rião
• A transform ação da água em vin h o
M ateus 8.5-13; Lucas 7 .1 -1 0 ........61
João 2 .1 -1 1 ............................................. 13
• O filho do oficial
• J e su s a ca lm a um a t e m p e s ta d e
João 4 .4 6 -5 4 ..........................................66
M ateus S.23-27; M arcos 4.35-41;
• A m u lh er enferm a
L ucas 8 .2 2 -2 5 ...................................... 18
M ateus 9.20-22; M arcos 5,25-34;
■ A a lim e n ta ç ã o d o s c in c o m il
Lucas 8 .4 3 -4 8 ........................................70
M ateus 14.13-21; M arcos fi.íía-44;
• A M u lh er A leijada
Lucas 9.1 0 -1 7 ; João 6 .1 -1 3 ............. 22
Lucas 1 3 .1 0 -1 7 .................................. 74
• J e s u s a n d a so b r e a ág u a
• O hom em com hidropisia
M ateus 14.22-33; M arcos 6.45-51;
(cerosidade em cavidade do corpo)
João 6. 16 -2 1 ..........................................26
Lucas 1 4 .1 -4........................................ 7S
• A a lim e n ta ç ã o d o s q u a tro m il
• M alco
M ateus 15.29-39; M arcos 8 .1 -1 0 ..3 0
Lucas 2 2 .4 0 -5 1 ;JoSo 18.10,1 1 .....fíü
• J e su s p a g a o im p o s to d o te m p lo
M ateus 17.24-27 .................................33
• A fig u e ir a a m a ld iç o a d a O U V ID O S PARA OUV IR
M ateus 21.1 8-22: ■ U m hom em cego e m udo
M arcos 11.12-14, 2 0 - 2 4 .................. 37 M ateus 12.22-32;
• A p rim eira p e s c a Lucas 1 1 .1 4 -2 6 .................................. 89
Lucas 5.1-1 1..........................................41 • Um hom em surdo e gag o
• A se g u n d a p e sc a M arcos 7 .3 1 -3 7 .................................. 94
João 2 1 .1 - 1 4 ..........................................46

EX PU LSÃ O D E D EM Ô N IO S
DO ENTES CURADOS • Um hom em m udo
• A so g r a d e P e d r o M ateus 9 ,3 2 -3 4 ................................ i()i
M ate u s 8,14-17; M a rc o s 1,29-31; ■ Um en d e m oninhado na sinagoga
L ucas 4 .3 8 ,3 9 ....................................... 53 M arcos 1.21-28; Lucas 4.3 1 -3 7 .105
O endemoninhado G eraseno • D e z le p r o so s c u ra d o s
M ateus 8.28-34; M arcos 5.1-20; Lucas 17.1 1 -1 9 .............................. 173
Lucas 8 .2 6 -8 9 ......................................110
• A m ãe cananéia OS COXOS ANDAM
M ateus 15.2 1-28;
NO VAM ENTE
M arcos ?.ã4~30 ............................117
• A cura d e um p a r a lític o
• O menino p o ssesso
M ateus 9 .2 - 8 ; M arcos 2 . 1- 12 ;
M ateus 17.14-19; M arcos 9.14-29;
Lucas 5 .1 8 -2 6 ..................................... 179
Lucas 9..'37-42..................................... 122
• O h o m e m ju n to ao p o ç o
• M aria M adalena
d e B e te sd a
Lucas 8.1 -3; João 20.1,2, 10-18..127
João 5 .1 -1 5 ........................................... 183
RESSU R R E IÇ Ã O D E M O RTO S
• O filho da viúva em N aim M IL A G R E S E J E S U S
Lucas 7 .1 1 -1 6 .....................................133 • O n a sc im e n to v ir g in a l
• A filha de Jairo Mateus 1. 18 - 25 ;
M ateus 9.18-26; M arcos 5.21-43; Lucas 1.2 6 -3 8 ..................................... 189
Lucas 8 .4 0 -5 6 ......................................136 • A tr a n sfig u ra çã o
• Lázaro M ateus 17.1-8; M arcos 9.2-8;
Joäo 1 1 .1 -4 4 ........................................140 Lucas 9 .2 8 -3 6 ..................................... 194
• A r essu r r e iç ã o
RESTAURAÇÃO DA VISÃO M ateus 28.1-8; M arcos 16.1-8;
• D ois hom ens cegos Lucas 24.1-10; João 2 0:1-8 ............198
M a te u s 9 .2 7 -3 1 .................................. 149 • A p a r e c im e n to s p ó s-r e ssu r r e iç ã o
• B artim eu M ateus 28; M arcos 16; Lucas 24;
M ateus 20.20-34; M arcos 10.40-52; João 20 - 21 ; Atos 1 ........................202
Lucas 1 8 .3 5 -4 3 .................................. 153 • A a sc e n sã o
• O hom em cego em B etsaida Lucas 24.50-53; Atos 1 .1 -1 1 ....... 207
M arcos 8.2 2 -2 6 ................................ 156
• O hom em cego de nascença
CURA PELA FÉ
João 9 .1 -4 1 ........................................... 159
• C ura para ajudar n o s s a fé

CURA D E LEPRO SO S AtOS 5 . 15 , 16 ; 19 . 11 , 12 ;


• A cura de um leproso Tiago 5 . 1 4 -1 6 ................................ 213
M ateus 8.1-4; M arcos 1.40-45;
Lucas 5 .1 2 -1 6 .....................................169 • C O N C L U S Ã O ................................ 219
<3 3 $ INTRODUÇÃO

reqüentem ente usamos a palavra milagre quando alguém se recupera


F de um ferim ento grave ou de uma cirurg ia complicada. Quando faze­
mos isso, estam os expressando a n ossa incapacidade de explicar o poder
c u rad or que existe no corpo hum ano. Reconhecem os que a recuperação
não foi apenas po r causa da habilidade e perícia dos cirurgiões, m as que
está ligada à força inata que existe d e n tro do nosso corpo físico e que
vence as probabilidades e x istentes c o n tra a restauração.
Contudo, logo adm itim os que um a recuperação m iraculosa de um
ferim ento ou uma enferm idade é diferente dos m ilagres que Jesus realizou
quando curou os enferm os e ressuscitou pessoas. A tribuím os uma volta
à saúde e à força a um m isterioso poder que D eus criou d en tro do nosso
corpo físico. M as os m ilagres que Jesus fez foram d iferentes porque o
poder de c u ra r e re s ta u ra r residia nele.
Isso não q uer dizer que conseguim os explicar to talm en te os m ilagres
de Jesus. T udo o que podemos fazer é descrevê-los à m edida que seguim os
o relato do seu m inistério reg istra d o nos E vangelhos. Os evangelistas
re trata m -n o como o operador de m ilagres de Deus, que curou todas as
doenças e ressuscitou pessoas.
Os m ila g re s que Jesus fez estavam in serid o s num c o n te x to que
apontava para a sua divindade. D epois de terem assistido a acontecim entos
ex traordinários, as pessoas perguntavam se Jesus era o F ilho de Davi,
ou seja, o M essias. D epois de c u ra r os leprosos, Jesus m andava-os para
os sacerdotes como testem unho de que ele era realm ente o enviado de
Deus. Ele colocou os doutos professores da Lei num dilem a ao o brigá-los
a escolher o mais fácil en tre dois atos que só D eus podia fazer: p erd o ar
o pecado ou c u ra r um paralítico. Q uando Jesus m andou que o hom em
ficasse em pé e cam inhasse, ele provou a sua divindade.
Quando Jesus expulsava demônios, estes g ritav am para que todos
ouvissem que ele era o Filho do D eus Altíssimo. Os demônios tem iam que
ele tivesse vindo para atorm entá-los antes do tem po de serem punidos.
E m bora os líderes religiosos dos dias de Jesus não o aceitassem como
Filho de Deus, os dem ônios trem iam em vsubmissão a ele.
E m bora o M e stre cu ra sse todos aqueles que o p ro curavam , quan d o
se aproxim ava dos do e n te s e aflitos, ele era seletivo. P o r exem plo,
só um hom em no poço de B etesda foi cu rado, e n q u a n to os o u tro s
que definhavam à b eira da água não. N a cidade de N azaré, o nde fora
criado, Jesus não pôde fazer m uitas g ra n d e s obras, a não se r c u ra r
alg u n s enferm os.
A cura acontecia im ediatam ente quando Jesus falava ou p u n h a as
m ãos sobre aqueles que sofriam. Ele usava m étodos diferentes, incluindo
passar lam a nos olhos de um hom em cego de nascença e to car os olhos
de outro. E m o utras ocasiões, ele curou as pessoas a distância, e n tre elas
o criado de um centurião rom ano, o filho de um oficial da realeza, e a
filha de uma m ulher siro-fenícia.
Pelo m enos dois dos m ilagres de Jesus caracterizaram a obra ou glória
de Deus. No caso do hom em que havia nascido cego, Jesus se referiu à
o bra de D eus dem onstrada na vida dele. Q uando estava para ressu scitar
L ázaro d en tre os m ortos, Jesus disse que os presen tes veriam a glória
de Deus. Os m ilagres não são incidentes isolados, m as têm a finalidade
de revelar a glória de Deus em sua g ran d e força e poder. Portanto, ele é
digno de receber os louvores de ações de graças das pessoas.
Q ual foi o pro p ó sito de Jesus em seu m in istério de cura? A resp o sta
é m o strar que ele era o M essias. João B atista enviou seus discípulos a
Jesus p ara p e rg u n ta r se ele era "o que haveria de v ir”. Jesus respondeu
que todas as pessoas podiam a te s ta r que ele e ra o M essias p o r causa
dos m ilagres:

• Os cegos recuperavam a visão


• Os coxos andavam
• Os leprosos ficavam lim pos
• Os surdos podiam ouvir
9

* Os m o rto s eram ressuscitados


• Os pobres ouviam a pregação do evangelho

Só Jesus o M essias pôde realizar esses m ilagres. Ele provou ser o


Filho de Deus enviado pa ra lib e rta r o seu povo.
MILAGRES NA
NATUREZA
A TRA N SFO R M A Ç Ã O
DA ÁGUA EM V IN H O
João 2.1-11

Jesus e Maria
Depois do e n c o n tra r João, o Batista, no Rio Jordão onde Jesus foi
batizado, ele e seus discípulos viajaram para a Galiléia. Cam inhando com
ânimo, a distância podia ser vencida em poucos dias. C hegaram à vila
de Caná, p e rto de N azaré, exatam ente quando estava acontecendo uma
festa de casam ento na qual M aria, m ãe de Jesus, havia aceitado serv ir
aos convidados.
O s casam entos eram celebrados com festas que podiam d u rar sete
dias. D epois de um período de noivado que durava um ano, o casam ento
em si começava na véspera do dia da cerim ônia. Era quando o noivo,
com seus amigos, entrava na casa da noiva e a levava, acom panhada de
dam as de honra, para a casa dele.
E m bora sejam poucos os detalhes, podem os presu m ir com confiança
que ou a noiva ou o noivo era am iga ou amigo, ou en tão parente, de
M aria. Sabemos que Jesus tinha sido convidado p ara a festa com seus
discípulos. Sem dúvida a presença de convidados e x tra s na festa pode ter
contribuído para que faltasse vinho com o passar das horas.
As festas de casam ento eram ocasiões alegres, d u ran te as quais os
convidados consum iam g ran d es quantidades de alim ento e vinho. Na
cu ltu ra hebraica, o consum o de vinho fazia p a rte do en treten im en to dos
convidados e da apreciação da convivência de uns com os outros. Essa
bebida era por vezes diluída com água para m an ter o nível de álcool baixo.
Além disso, as reg ras da sociedade tornavam a em briaguez culturalm ente
inaceitável. D e fato, a Bíblia fala contra a bebedice.
A certa a ltura da festa, os criados viram que o su p rim en to de vinho
e stav a dim in u in d o e ia acabar. E sse a p u ro c a u sa ria um em b a ra ço
inevitável p ara o casal de noivos e para a família, assim como um a despesa
financeira inescapável. Algo tinha de ser feito depressa para c o n to rn a r
a situação e evitar a vergonha social. M aria aproveitou a ocasião para
p edir a ajuda de Jesus. D e todos os convidados e serventes, era ele quem
ela conhecia mais. E o relacionam ento e n tre M aria e Jesus era sólido,
especialm ente porque era ele quem a sustentav a desde que o seu marido,
José, m orrera.
Aos nossos ouvidos, a resposta de Jesus a M aria soa um tan to brusca.
Ele disse: "M ulher, que tenho eu contigo? A inda não é chegada a m inha
h o ra ”. N o m undo ocidental é m uito g rosseiro e ialta de boas m aneiras
um filho se d irig ir à m ãe com o “m u lh e r’. N ão no tem po de Jesus, em que
a palavra mulher z ra um títu lo de respeito assim como o term o senhora
é títu lo de respeito em m uitos lugares. A intenção da fala de Jesus seria
equivalente a 'm inha querida m ãe”.
N o entanto, as palavras de Jesus colocaram um a distância en tre ele e
sua mãe p ara que ela reconhecesse que um a m udança havia acontecido
no relacionam ento deles. M aria tinha de reconhecer que Jesus não era
mais o seu provedor, m as que agora cum pria o papel para o qual D eus o
havia chamado. As palavras m isteriosas “A inda não é chegada a m inha
h o ra” apontavam para o seu im inente sofrim ento, m orte, ressurreição e
ascensão. M aria teve de se lem brar das palavras ditas por Jesus aos 12 anos
no templo: “Não sabíeis que me cum pria e sta r na casa de meu Pai?”
Jesus transform ou o relacionam ento íntim o e n tre m ãe e filho no de
um a pecadora necessitada de um Salvador. Ele havia vindo à te rra para
salvar as pessoas de seus pecados, e M aria tin h a de reconhecer que ela
tam bém era um a pecadora por quem Jesus viera como o M essias. De fato,
como C ordeiro de Deus, ele finalm ente m o rreria uma m o rte cruel para
elim inar o pecado dela. Ele deixou claro que ela não tin h a m ais direitos
sobre ele do que qualquer pessoa, porque ele era o Filho de Deus, e fora
enviado p ara fazer o que o Pai havia m andado.
M aria teve de se lem brar que décadas antes, no templo, o velho Simeão
havia falado sobre o destino do filho dela. Ele havia dito que a vida de
Jesus fora posta para a queda e o levantam ento de Israel e que um a espada
trasp assaria tam bém a alm a de M aria.
Agora, posicionado no estágio inicial desse destino, Jesus alertou sua
m ãe de que o seu m inistério terren o havia começado. Ele, e não sua mãe,
d eterm inaria o pro g ram a desse m inistério que finalm ente levaria à sua
m o rte na cruz do Calvário.
E ntão, M aria inform ou aos servos que fizessem o que Jesus lhes
ordenasse. E la sabia que Jesus poderia resolver a situação. Seis potes feitos
de pedra estavam próxim os. E ram usados pelos ju d eu s p ara as lavagens
cerim oniais. Cada um tinha a capacidade p a ra trin ta a qu aren ta litros.
Jesus m andou que os servos enchessem com pletam ente todos os seis
potes com água do poço. Ele quis se assegurar de que os potes estivessem
vazios antes de serem cheios com água potável limpa.
Jesus não falou nenhum a fórm ula mágica, não tocou na água e não orou
a Deus po r um m ilagre. N ão houve exibição de poder, nenhum g ran d e
truque, nenhum a m ágica m anual. Jesus sim plesm ente pediu a um dos
servos que tirasse um pouco da água desses potes e a levasse ao chefe dos
garçons. E então o m ilagre de transform ar água em vinho aconteceu.

O mistério
Os c ria d o s v ira m que a á g u a havia se tra n s fo rm a d o em vinho.
Incapazes de explicar o m ilagre que havia ocorrido, foram pro cu rar o
m estre-de-cerim ônias e deram -lhe do vinho. Ele o provou, não sabendo
do m ilagre, e im ediatam ente reagiu dizendo ao noivo que algo tinha
saído errado. E ra costum e servir o bom vinho prim eiro e depois o de
qualidade inferior. Depois que os convidados tivessem bebido bastante,
n ão conseguiriam perceber a diferença. M as ali havia acontecido o
contrário, ou seja, o vinho inferior fora servido até acabar, e então, de
repente, o vinho m elhor to rnou-se disponível.
O noivo não sabia com o o vinho bom tin h a e n tra d o n a sala do
banquete. M as quando lhe c o n taram que os seis potes de água estavam
cheios com um vinho de m elhor qualidade, ele ficou m aravilhado com
a beleza do presen te de casam ento que Jesus d era ao casal. A enorm e
quantidade de vinho to rn o u -se um presente de casam ento apropriado
p ara os recém -casados.
O m ilagre em si sem pre perm anecerá um m istério para nós, porque
o poder so b ren atu ral de Jesus estava em operação ao tra n sfo rm ar a
água em vinho. M as som os capazes de en te n d e r alguns aspectos desse
acontecim ento, isto é, que quando Jesus realizou esse m ilagre ele eliminou
o elem ento tempo. F azer vinho leva um longo tem po, que com eça com o
cultivo das uvas, depois colhê-las e esprem ê-las e, por último, coletar o
suco. E então é necessário esperar que a ferm entação ocorra. D epois que
o tem po e x tra se passa, o vinho pode ser provado e consum ido. E fato
conhecido que quanto mais tem po passa, m elhor é o g o sto do vinho.
Jesus tra n sfo rm o u água em vinho com um m ila g re que o co rreu
in stantaneam ente. Porém , na verdade, o processo de crescim ento, dos
b ro to s m inúsculos às uvas crescidas e m aduras tam bém é um m ilagre. E
assim é também o processo de ferm entação que opera de modo silencioso e
discreto. Nenhum ser hum ano tem o poder, o conhecim ento e a habilidade
de reproduzir esses m ilagres.
De acordo com o apóstolo João, tra n sfo rm ar água em vinho foi o
prim eiro sinal m iraculoso que Jesus realizou em Caná da Galiléia. Os
m ilagres revelavam a glória de Jesus, mas tam bém cum priam o propósito
de fazer que seus discípulos pusessem a fé nele. D e m odo geral, os m ilagres
ocorriam para criar fé em Jesus, ou em resposta à fé. Ao tran sfo rm ar água
em vinho, Jesus fez seus discípulos se transform arem em crentes. Eles
puderam verificar a verdade de suas palavras de que veriam o céu aberto
e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem.
O relato da festa de casam ento coloca Jesus no centro do palco. Não
nos é dito nada sobre o noivo, a noiva, o m estre-de-cerim ônias, ou o
relacionamento de M aria com o casal. O enfoque prim ário nesse quadro está
em Jesus, o operador do milagre. Os outros elementos são propositadam ente
deixados de lado. Jesus demonstrou a sua glória como aquele que foi enviado
pelo Pai para estar no mundo. Esse sinal foi o prim eiro de um a série de
m ilagres que Jesus realizou durante o seu ministério.

Pontos a ponderar
• Há uma medida de sim bolism o nesse relato. A presença de Jesus no
casam ento em Caná aponta para o banquete de casam ento celestial no
final dos tempos. N essa ocasião, Jesus será o noivo, e o povo de D eus
a noiva. Vejo aqui uma ilustração d en tro de uma ilustração p orque os
convidados no casam ento da noiva serão o povo de Deus, e eles, p o r
sua vez, serão a noiva do noivo, isto é, do Cordeiro.

• Jesus não transform a m ais a água em vinho em casam entos, m as ele


quer e sta r presente num casam ento quando m arido e m u lh er dão iní-
cio a uma família. Ele deseja ser o chefe de cada família, o convidado
invisível em cada refeição e o ouvinte silencioso em cada conversa.

Jesus ainda vem oferecendo prom essas e diz a um casal de noivos


p ara confiar nele de todo o coração e não confiarem em seu pró p rio
e ntendim ento. Ele insiste com eles p ara que o reconheçam em tudo
o que fizerem e então ele os abençoará fazendo que seus cam inhos
sejam retos.
JESU S ACALM A
UM A TEM PESTADE
Mateus 8.23-27; Marcos 4.35-41; Lucas 8.22-25

A tempestade
No final de um dia m ovim entado ensinando as multidões, Jesus estava
física e m entalm ente exausto. Ele havia curado m uitas pessoas doentes na
margem ocidental do Lago da Galiléia e ensinara m ultidões de pessoas
d urante grande p a rte do dia. Ao entardecer, ele entrou num barco de pesca
com seus discípulos. O barco provavelm ente pertencia a um deles, talvez
Pedro. Jesus lhes disse que rum assem para o o u tro lado do lago, uma área
em que os judeus evitavam por causa de sua população predom inantem ente
gentia. E nquanto atravessavam o lago, outros barcos os seguiram.
Jesus ansiava p o r um período de descanso e relax am en to . T en d o
encontrado um lu g ar na p a rte de trás da em barcação, adorm eceu quase
que im ediatam ente. M esm o tendo dem onstrad o resistência adm irável
d u ra n te todo aquele dia, nesse m om ento m o stro u que o seu co rp o
precisava de descanso. E n quanto os discípulos m anejavam os rem os e o
lem e da embarcação, ele dorm ia.
Os discípulos - m uitos deles pescadores - estavam bem fam iliarizados
com a configuração da te rra à volta, bem com o com as dim ensões e os
p erigos dessas águas. A distância de um lado a o u tro do lago, de oeste a
leste, é de tre z e quilôm etros; e de n o rte a sul, 21 quilôm etros. Com o uma
extensão do Rio Jordão, o lago e stá localizado num a depressão profunda,
rodeada p o r m orros altos com exceção de um trech o larg o nos seus dois
lim ites, ao n o rte e ao sul. E m bora o lago se ache m uitíssim o abaixo do
nível do mar, recebe sua água das neves que d erretem no M onte H erm om
que fica próxim o, ao norte.
Nos m eses quentes do verão, a tem p e ra tu ra no lago pode subir a
37 g ra u s c e n tíg ra d o s na som bra. Q uando o ar fresco da m o n tan h a
se precipita para baixo e e n contra o ar q u en te que está sobre o lago,
tem p estad es rep e n tin a s se desenvolvem e tra n sfo rm am suas águas
geralm ente calm as em redem oinhos violentos e perigosos. O choque
rep en tino de m assas de a r representa um perigo m o rtal para as pessoas
que estiverem no lago quando isso ocorre.
O ndas tem pestuosas de quase dois m etros de a ltu ra apavoram até
os pescadores mais experientes. Podem os im aginar m uito bem que foi
ex atam ente isso o que ocorreu no Lago da G aliléia naquele começo
de noite quando Jesus estava adorm ecido na popa. U m a tem pestade
rep en tina lhes sobreveio, m as Jesus estava do rm in d o profundam ente
com a cabeça sobre um a alm ofada de m arinheiro. Ele estava alheio ao
m undo, em bora um a tem pestade estivesse o co rrendo à sua volta. Nem
o uivo do vento, e o salpico das ondas ou m esm o as g uinadas bruscas do
barco tiveram qualquer efeito sobre ele. N ada parecia acordá-lo.
C ontudo, q u a n d o cham ado, ele im e d iata m e n te deu aten ção aos
g rito s de seus discípulos. Eles clam aram ao seu Senhor e M e stre que os
salvassem de m o rre r na água. Seus g rito s o alertaram para a realidade
de que as vidas deles estavam em perigo. Eles estavam perecendo e
precisavam de ajuda imediata. Ele se levantou, repreendeu o vento e disse
ao m ar que se aquietasse. De repente, o vento cessou e o m ar to rn o u -se
to talm ente calmo. A água ficou lisa como vidro.
Após esse incidente, Jesus se dirigiu aos discípulos e p erguntou-lhes
por que eles tinham ficado com medo. Com o re g ra básica, eles deveriam
te r reconhecido que na presença de seu M estre eles estavam sem pre a
salvo e seguros. C ertam ente o vento e as ondas soltaram sua fúria contra
todos que estavam sobre o lago, mas com Jesus no barco eles nada tinham
a tem er. M esm o assim, isso exigia fé nele. Po rtan to , Jesus lhes fez a
p erg u n ta objetiva: “O nde está a fé de vocês?” Jesus nunca repreendeu
ninguém por confiar demais nele. E le sem pre p resta atenção na fé como
de uma criança de seus seguidores.
O s discípulos ficaram atô n ito s quando presen ciaram o po d er de
Jesus sobre os e lem entos da na tu re z a. O b serv aram um m ila g re em
m eio a um a situação difícil e assu sta d o ra sobre a qual Jesus m ostrou
te r c o ntrole total.
Por que eles não reconheceram que, com Jesus no barco, jam ais
afundariam ? Com o o agente da criação, ele controlava to talm en te os
elem entos da natureza. N ão sabiam eles que toda a criação tin h a de
obedecer ao seu com ando? Se tivessem apenas sabido que eles tinham
o C riador do universo a bordo, eles teriam tido ce rte za de estarem
seguros. Jesus não os repreendeu por m o strare m m edo e sim pela falta
de fé. Portanto, ele lhes ensinou a lição que na presença de seu M estre
eles estavam sem pre a salvo e seguros.

A soberania de Jesus
Os discípulos ficaram atônitos quando viram que a soberania m ajestosa
de Jesus abrangia tan to o vento q uanto as ondas. Perg u n taram : “Q uem é
este que até os ventos e o m ar lhe obedecem ?” Eles haviam testem unhado
sua capacidade de vencer as forças da natureza, que eles viam como sendo
os poderes das trevas. Eles se lem braram de M oisés, que ao esten d er
sua mão sobre o M ar Verm elho dividiu as águas para que os israelitas
pudessem atravessar em segurança para o o u tro lado. D o m esm o modo,
nos dias de Josué as águas do Rio Jordão p araram de c o rre r para que
todo o Israel pudesse atravessar em te rra seca.
D u ra n te todo o tempo, eles sabiam que n inguém a não ser Deus podia
controlar o vento e a tem pestade. E ntão Jesus apenas falara à tem pestade,
e o vento e a água lhe obedeceram . E verdade que p or causa de sua
fam iliaridade com a n atu reza eles sabiam que tem pestades no m ar da
Galiléia podiam surgir e se dissipar em questão de m inutos. M esm o assim,
cm meio ao v ento uivante e às ondas, Jesus disse palavras de repreensão,
e essas forças n aturais in stan tan eam en te se to rn a ram su bservientes a
cie. Q uando esse m ilagre ocorreu, seus discípulos o reconheceram como
Filho de D eus e Filho do homem.
Os discípulos haviam visto uma dem onstração da divindade de Jesus
em ação. Ele não era mais o ca rpinteiro que se to rn a ra profeta e o m estre
que viera de N azaré. Reconheceram que ele era tan to divino q u an to
hum ano, com poder para controlar a natureza à sua volta. Respeitaram -no
profundam ente e reconheceram Jesus como seu Senhor Soberano. Jesus
cum priu as palavras do salm ista que falou de pessoas saírem ao m ar em
navios, de tem pestades e ondas, de m arinheiros g rita n d o ao Senhor, e de
D eus apaziguando a tem pestade até ela se tra n sfo rm ar num m urm úrio
(SI 107.23-30).
Pontos a ponderar
• Se os discípulos soubessem que Jesus era o agente da criação e tinha
poder sobre as forças da natureza, eles teriam deixado que ele dormisse.
E le estava precisando desse bem m erecido descanso. Deveriam ter
reconhecido que Jesus nunca exporia a si e a seus discípulos ao perigo
de se afogarem no M a r da Galiléia. Porém , em vez de crer e confiar,
faltou fé a eles, o que fez que ficassem com m uito medo.

• O m edo é uma reação natural às forças externas? Será que o medo sem­
pre dem onstra falta de fé? O s cristãos podem sentir m edo em algum as
situações? A resposta a essas perguntas é que o m edo realm ente afasta
a fé; inversam ente, a fé lança fora o medo. Nos Evangelhos, em Atos e
Apocalipse, Jesus repetidam ente diz ao seu povo: "Não temam!” E le deu
a seus seguidores esta promessa: “Eis que estou convosco até à consuma­
ção do século" (M t 28.20), Sem pre que estam os num a situação que nos
causa m edo como reação natural, devemos lem brar que o medo deve
nos levar para ju n to de Jesus, e não nos afastar dele. Ele está sempre
ju n to a nós e diz palavras de incentivo. Jesus nos liberta do medo.

• De o u tro lado, a E sc ritu ra nos ensina a tem er a D eus e am á-lo de todo


coração, alma e m ente. E xpressam os tem o r piedoso quando vivemos
em harm onia com sua Palavra e seus preceitos. T em o r no sentido de
reverência a Deus é um a das m aiores riquezas espirituais que podemos
possuir. N ós o reverenciam os como C riador de todas as coisas; nós
sabem os que ele está totalm ente no controle de cada situação, inclusive
as tem pestades de um ou o u tro tipo que tra n sto rn a m a nossa vida.
A ALIM EN TAÇÃO
D O S C IN C O M IL
Mateus 14.13-21; Marcos 6.32-44, Lucas 9.10-17} João 6.1-13

Pastor e ovelha
T o d o s os q u a tro E v a n g e lh o s r e g is tra m o m ila g re de Jesus te r
alim entado cinco mil hom ens, não contando as m ulheres e crianças. Se
nós concordarm os que o núm ero de hom ens é equivalente ao núm ero
de m ulheres, a m ultidão dobra quanto ao tam anho. E se acrescentarm os
as crianças, a contagem total pode bem cheg ar a m ais de 25 a trin ta mil
pessoas. N ão há dúvida que alim entar uma tal m ultidão no im pulso do
m om ento é um m ilagre.
Os escritores dos Evangelhos tam bém inform am onde e q uando essa
refeição aconteceu. Jesus e seus discípulos tinham ido a um local solitário
longe de cidades e vilas vizinhas. Foi na m argem leste do Lago da G aliléia
na estação da prim avera, provavelm ente em abril, enquanto a g ram a ainda
estava verde. Jesus escolheu esse lu g ar para ficar em privacidade e e star
longe das m ultidões que o seguiam para todo lu g ar que fosse.
C ontudo, a tranqüilidade que Jesus e seus discípulos procuravam
acabou quando m ilhares de pessoas se aproxim aram dele. Elas rodearam
o lago e chegaram ao lu g ar em que Jesus estava. Q ueriam que ele curasse
seus doentes, bem como iam p ara serem in stru íd as p or ele.
Jesus passou o resta n te do dia m inistran d o às pessoas porque eram
como ovelhas sem pastor. E m bora os líderes religiosos daqueles dias
ten ta sse m da r-lh es direcio n am en to esp iritu a l e in stru çã o religiosa,
falhavam nisso. Jesus satisfez essa necessidade. Ele cuidou das pessoas
com seu ensino, e com seus atos curou os do en tes e aflitos.
As pessoas ficaram ali até o fim do dia. Logo ficou ap aren te que
estavam necessitadas de alim ento físico. T e rm in a ra o tem po para in stru ir
as m ultidões, e chegara o m om ento de cuidar das necessidades de seus
corpos físicos. E m certo sentido Jesus se to rn av a o g racioso anfitrião,
en q u anto as pessoas eram seus hóspedes esperançosos. Será que ele seria
capaz de cuidar dessa im ensa m ultidão e ainda ser seu supridor?
T o d o s os e s c rito re s dos E v a n g e lh o s rela ta m q u e os discíp u lo s
chegaram a Jesus com a sugestão de m andar as m ultidões em bora para
que as pessoas pudessem com prar alim ento nas vilas vizinhas. M as Jesus
sabia exatam ente o que ia fazer. Ele p e rg u n to u aos discípulos se tinham
d inheiro suficiente para com prar pão p a ra to d as aquelas pessoas. Ele
q u eria que eles participassem da tarefa de alim en tar as m ultidões, e os
testo u q uanto à fé que eles tinham quando m andou que satisfizessem à
carência física de todas aquelas pessoas.
Filipe fez um cálculo rápido e supôs que a quan tia de dinheiro que um
trab alh ad o r ganhava em oito m eses não seria suficiente p ara propiciar a
cada pessoa nem m esm o uma m ordida no pão. Ele percebeu rapidam ente a
im possibilidade de fazer face às necessidades das m ultidões. Sua sugestão
tinha sido m era suposição e agora ele olhou p a ra Jesus esperando que
ele o ajudasse a resolver o problem a.

Pão e peixe
A n d ré , irm ã o de Sim ão Pedro, viu um m en in o q ue tin h a cinco
pequenos pães de cevada e dois pequenos peixes. E ra o suficiente p a ra
satisfazer a fome de um m enino, m as não rep resentava nada d ian te de
um a m ultidão. P ortanto, A ndré questionou Jesus sobre até que ponto
essa pequena quantidade de alim ento iria satisfazer às necessidades de
um a m ultidão. A ndré falhou em reconhecer que ele estava na presença
do C riador do universo que diariam ente alim enta todas as suas criaturas.
E mais, os discípulos não perceberam que Jesus nunca m anda em bora as
pessoas de m ãos vazias. E le sem pre m in istra àqueles que vão a ele em
dependência total.
O pão de cevada era comido pelos pobres que não tinham condições de
com prar pão feito de grão s melhores. A cevada é im própria para se fazer
um pão substancioso; o trigo e o centeio prestam -se mais a isso. Os dois
pequenos peixes eram do tam anho de sardinhas servidas como petiscos
quando salgadas. Essa foi a escolha de Jesus para alim entar a multidão.
Jesus m andou que os discípulos fizessem que as pessoas se sentassem
na gram a verde em g ru p o s de cem e de cinqüenta. Isso foi feito p o r
famílias, e assim o núm ero total pôde rapidam en te ser contado. Estavam
sentados em divisões estabelecidas de m aneira ordenada, para que não
houvesse nenhum a confusão. Os pais de fam ília estavam en carregados
de reu n ir seus próprios clãs, m uito parecido com o m odo em que M oisés
a grupou os israelitas no deserto do Sinai.
Então, Jesus tom ou o pão e o peixe nas mãos, olhou para o céu, e
abençoou o alim ento com ações de g raça a Deus, o d oador de todo dom
bom e perfeito. Assim, m ostrou às pessoas como dependerem de Deus
para suprir suas necessidades, e a necessidade de ex p ressar gratidão.
Q uando Jesus p artiu o pão, o m ilagre da m ultiplicação que ocorreu
não pode ser explicado de m aneira satisfatória p o r ninguém . P erg u n tas
sobre esse m ilagre são m uitas, m as as E sc ritu ra s silenciam sobre como o
m ilagre ocorreu exatam ente. Esse m ilagre, no entanto, pode ser explicado
se o com pararm os com o m ilagre que D eus realiza quando, diariam ente,
ele alim enta a população total da terra. Sem dúvida nenhum a, esse feito
é um milagre!
Jesus entregava o pão e o peixe a seus discípulos, que p or sua vez
passavam o alim ento adiante p ara as pessoas até que elas ficassem
satisfeitas. Q u ando já haviam com ido o suficiente, ele in stru iu os
discípulos a recolherem os pedaços de pão e peixe para que nada fosse
desperdiçado. T oda a com ida que sobrou encheu doze cestos.
Esse m ilagre m ostra Jesus cuidando tanto das necessidades espirituais
quanto das necessidades físicas do povo. Ele lhes ensinou as E sc ritu ra s
do A ntigo T e sta m e n to e trouxe-lhes a revelação de Deus. Resum indo,
deu-lhes o pão da vida. E, no final do dia, alim entou-os com pão e peixe
para sustentá-los fisicam ente.

Pontos a ponderar
• Deus é bom para todos, pois ele faz que a chuva caia sobre os ju sto s e
os injustos. De fato, ele providencia diariam ente alim ento e bebida para
todas as pessoas, m esm o que algum as passem p o r períodos de fome.
Em poucas palavras, esse fato em si é um m ilagre que pede respostas
de g ratidão de seus beneficiários.
N a hora das refeições os cristãos expressam sua g ratid ão a Deus e
m uitas vezes ensinam os filhos a o ra r “D eus é g ran d e, D eus é bom, e
nós lhe dam os graças pela refeição". Jesus expressou sua g ratid ão a
D eus o Pai, e pelo seu exem plo ensina os cristãos a tam bém ex p res­
sarem a sua g ratid ão a D eus. Contudo, neglig en ciar o agradecim ento
é um ato de desrespeito que resu lta em se d istan ciar do D eus vivo.

As pessoas que Jesus alim entou provavelm ente pensaram no profeta


Elias, cujo m ilagre em S arepta consistiu no p ote de farinha nunca
se esvaziar e na botija de azeite nunca secar (lR s 17.7-15). E eles se
lem braram que o profeta Eliseu alim entou cem hom ens com vinte
bolos de cevada e ainda sobrou com ida (2Rs 4.42-44).

N esse caso, elas reconheceram no meio deles um profeta m uito m aior


do que Elias ou Eliseu. V iram -no como sendo aquele que M oisés
havia predito, ou seja, o M essias, o g ran d e P rofeta. Elas até quiseram
fazê-lo seu rei p a ra d e rru b a r os ocupantes rom anos. M as Jesus não
seria um rei político num reino terreno. Ele é Rei dos reis e Senhor
dos senhores num reino que não é deste mundo.
JESUS A N D A SOBRE .
A ÁGUA ^
M ateus 14.22-33-, Marcos 6.45-51; João 6.16-21

Embarcação lenta
Depois de passar horas agradáveis no começo da no ite com paren tes
ou amigos, sabem os que chegou a hora de nos despedir. A seguir, a
tarefa de a rru m a r a sala e lavar a louça cabe a nós, os donos da casa,
como bons anfitriões. Então, relaxam os po r alguns m om entos antes de
nos retira rm o s p ara um a noite de descanso.
Em certo sentido, foi isso o que aconteceu com Jesus e os discípulos.
Após alim entar um a m ultidão de cinco mil hom ens, não con tan d o as
m ulheres e crianças, Jesus despediu o povo. M andou que seus discípulos
en trassem no barco e fossem à frente, atravessando o Lago da Galiléia em
direção à cidade dc Betsaida. Ele próprio se retiro u e foi a um m onte p ara
orar. Ele precisava de tem po para esta r a sós e te r com unhão com seu Pai.
E n tre o utras necessidades, ele orou pela segurança e pelo bem -estar dos
discípulos, que precisavam ser protegidos dos elem entos tem pestuosos
do vento, da água e das ondas.
E ra tard e da noite quando os discípulos e n tra ra m no barco. Logo
que deixaram a praia, eles enfrentaram um vento que rap id am en te se
transform ou num a tem pestade. Os discípulos ficaram im possibilitados
de fazer qualquer progresso visível. Sem conseguirem lev an tar velas,
foram forçados a m anejar seus remos, mas toda a força física deles parecia
p roduzir pouco resultado. Perceberam que o p ro g resso era mínimo, e
depois de m uitas h oras rem ando não haviam passado do m eio do lago.
A noite estava chegando ao fim e, nas últim as h oras da noite, eles ainda
estavam cerca de cinco quilôm etros e m eio do seu destino. Cansados
e fru strados, eles viam que os seus esforços estavam resu ltan d o num
sucesso m uito lim itado.
Os discípulos queriam saber po r que Jesus os tinha m andado sair de
barco, sozinhos, tarde da noite. Ele os havia abandonado? Especialm ente
em tem po tem pestuoso queriam ouvir palavras de afirm ação da p arte
dele; teriam aceitado de bom g rad o um a m ostra de seu p oder onipresente
sobre a natureza. Com certeza eles se p erg u n tav am onde ele poderia
estar. Será que estava dorm indo e nquanto eles lutavam ?
E nquanto expressavam essas preocupações, de rep en te eles viram
alguém cam inhando sobre as ondas do lago. T in h am rem ado a noite
to d a sem fazer p ro g re sso visível, e agora viam uma figura in d istin ta a
distância, aproxim ando-se sem fazer esforço, como se fosse p assar por
eles. Com o um hom em podia cam inhar sobre a superfície da água como
se fosse te rra seca? Eles ficaram cheios de medo. D e rep en te um deles
g rito u: “E um fantasm a!” Todos concordaram que era um fantasm a, um
aparecim ento ilusório, um espírito dem oníaco flutuando como fantasm a
acima da superfície da água. Eles ficaram aterrorizados, e cada vestígio
de coragem desapareceu.
E n tã o ouviram um a voz conhecida, a voz de Jesus dizendo-lhes:
“A nim em -se, sou eu. N ão tem am ”. Jesus não os havia abandonado. Ele
tinha estado orando, pedindo a seu Pai que os p ro teg esse dos m ales e
perigos. M as agora queria fortalecer-lhes a fé m o stran d o -lh es que ele
controlava os elem entos atmosféricos. Bem na frente deles, testem unharam
o m ilagre de Jesus exercer seu poder to tal sobre a natureza; ele tinha a
capacidade de desafiar as leis da g ravidade e da liquidez. As forças físicas
eram to talm en te subm issas a ele.

Fé e temor
E sse m ilagre produziu em Pedro a reação que Jesus esperava, isto é,
que Pedro cresse nele. Pedro disse: “Senhor, se é o senhor, m ande-m e
chegar até aí sobre as águas”. Ele não duvidou nem p o r um m om ento que
a pessoa fosse Jesus. D e fato, po r saber que era Jesus, pediu ao Senhor
se podia andar com ele sobre a água. Seu pedido não teve a finalidade
de m o stra r a seus condiscípulos que ele tinha m ais fé do que eles. Pedro
queria ficar próxim o de Jesus para que ele tam bém tivesse a experiência
do poder de C risto sobre a natureza. Ele precisava da aprovação divina
do Senhor para fazer que esse m ilagre se to rn a sse autêntico para ele
m esm o em resposta à fé.
E nquanto Pedro olhava para Jesus, ele realm en te pôde a n d ar sobre a
água enquanto os ventos sopravam e as ondas se moviam. No m om ento
em que ele desviou o olhar do S enhor e viu a força do vento e da água,
afundou. M as antes de subm ergir, g rito u p or socorro. Im ediatam ente
Jesus o pegou pela mão e o tirou da água. U m a repreensão b ran d a veio
dos lábios de Jesus: “Hom em de pequena fé, p o r que d uvidaste?” Então,
ambos subiram no barco e o poder do vento p arou im ediatam ente, para
admiração dos discípulos. Eles o adoraram e disseram : “Verdadeiram ente,
o Senhor é o Filho de Deus!”
Pedro havia desviado o seu olhar de Jesus e p o r isso afundou na água.
Q uando grito u “Senhor, salve-me!”, Jesus o tom ou pela mão e o levantou
para que entrasse no barco. O bserve que a u rg en te oração de Pedro por
livram ento foi seguida por adoração genuína.
Jesus andou sobre a água, Pedro andou sobre a água, e o ven to p arou
de soprar. Qual é o significado dessa série de m ilagres? Como explicam os
esses fenôm enos? Podem os com eçar com a alim entação dos cinco mil, em
que Jesus dem onstrou seu poder de realizar um m ilagre ex trao rd in ário .
Isso deve ter deixado nos discípulos a im pressão indelével de que, da
perspectiva hum ana, Jesus podia fazer o impossível. M as suas m entes
estavam em botadas por falta de sono e dos m úsculos supercansados dos
braços e pernas. Seus corações estavam insensíveis e desatentos. N o
meio de uma tem pestade, os discípulos cansados dos rem os deixaram
de aplicar o sentido do m ilagre à sua situação presente. Na verdade, o
m ilagre de Jesus cam inhar sobre a água veio inesperadam ente à noite
em condições clim áticas adversas.
Jesus g rito u aos discípulos: “Sou eu, não ten h am m edo”. Ao dizer as
palavras “Sou eu”, ele assum iu a identidade de D eus que com issionou
M oisés para ir aos israelitas no E g ito e dizer: “Eu Sou me enviou a
vós o u tro s” (Êx 8.14). D eus se revelou como o o n ip resen te D eus que
realizou m ilagres e n tre eles no E g ito e na travessia do M ar Vermelho.
D o m esm o modo, Jesus cam inhou sobre a água do L ago da G aliléia e
identificou-se com o sendo divino. Seus discípulos o ad o raram com o o
Filho de Deus, o M essias.
Com o o Senhor do universo, Jesus podia desafiar a lei da gravidade
p o rque ele é o doador da lei e pelo seu divino poder ele sujeita a lei.
Pedro pôde cam inhar sobre a água porque sua fé em Jesus o capacitou.
M as quando ele desviou os olhos de Jesus e começou a oscilar, o m ilagre
term inou para Pedro.
O vento parou de soprar no m om ento em que Jesus en tro u no barco.
E sse fenôm eno tam bém ocorreu num incid en te a n te rio r q uando ele
acalm ou a tem pestade no Lago da Galiléia. E, então, com Jesus a bordo,
os discípulos chegaram ao outro lado em tem po recorde, o que pode ser
in te rp re tad o com o o u tro m ilagre, em bora m enor.

Pontos a ponderar
• Sem pre que os discípulos entravam no seu barco de pesca com Jesus,
ele, na m aioria das vezes realizava um m ilagre; p o r exem plo, ele
acalm ou um a tem pestade, pegou uma quantidade g ran d e de peixes e
andou sobre a água. M as com o Jesus desafiou as leis da gravidade e da
liquidez!-1A resposta a essa p e rg u n ta só pode ser dada se virm os Jesus
como o C riador do universo. Será que ele, que criou tan to a força de
atração da gravidade q u an to as extensões de água, não tem controle
sobre o que criou? Por causa de sua divindade ele tem autoridade sobre
os elem entos na natureza.

• Jesus realizou o m ilagre de andar sobre o Lago da G aliléia p ara forta­


lecer a fé dos discípulos e assegurá-los de que eles nada tinham a temer.
Ele se identificou com as palavras “Eu Sou” que em certo sentido é o
p ró prio nom e de Deus. O bserve que Jesus se identificou dessa m esm a
m aneira no Jardim do G etsêm ani e o resu ltad o foi que os g u ard as do
tem plo que haviam ido para prendê-lo caíram ao chão.

• Os discípulos tiveram de a prender a lição da proxim idade de Jesus


no m eio de um a tem pestade. E les g a staram sua en erg ia rem ando
d u ran te toda a noite. E m bora tivessem feito pouco progresso, viram
o poder m iraculoso de Jesus sobre as leis da natureza. Por essa ra 2ão,
o reconheceram e o adoraram como o Filho de Deus.

• Paulo escreveu: “T u d o posso naquele [X risto ] que me fortalece”. Isso


quer dizer que ele podia fazer todas as coisas na presença do Senhor con­
tan to que cam inhasse com segurança nos passos de Jesus. Seguidores
de Jesus encontram tem pestades freqüentes na vida, mas na medida
em que se lem bram de que ele está ao lado deles, estão seguros.
^ A ALIM ENTAÇÃO .
^ D O S QUATRO M IL
M ateus 15.29-39; Marcos 8.1-10

Comida para todos


Um professor experiente sabe que a repetição é a fórm ula comprovada
para se aprender bem. Para ajudar seus alunos a aprenderem uma lição, o
professor precisa repeti-la de tem pos em tempos. Jesus não era exceção a
essa regra. Por exemplo, os Evangelhos apresentam relatos duplicados das
Bem-aventuranças, da Oração do Senhor e da parábola da ovelha perdida.
Os escritores dos Evangelhos reg istra m dois m ilagres de alim entar
uma m ultidão: cinco mil pessoas e quatro mil pessoas. A lgum as pessoas
crêem que se tra ta de um só e m esm o m ilagre, ap resentado como dois
casos diferentes. M as a com provação esm agadora m o stra que há duas
ocasiões, duas situações, dois lugares e dois m étodos con trastan tes. Num
dos relatos, as pessoas estão com ele por um dia só; no outro, elas ficam
lá po r trê s dias. A té m esm o Jesus se refere a esses dois incidentes quando
ele in terroga os discípulos sobre a quantidad e de sobras de comida que
tinham reunido. N a prim eira ocasião eles responderam que havia doze
cestos cheios e, na segunda, sete.
M ultidões de pessoas que chegavam aos m ilhares tin h am ido até
Jesus. E n tre elas havia m uitos doentes e sofredores: os cegos, os aleijados
e os mudos. Ele curou todos de m aneira que os cegos puderam ver, os
aleijados andaram e os m udos falaram . Sem dúvida havia m uitos o u tro s
que sofriam de perda de audição, que eram possessos por dem ônios ou
sofriam de um tipo ou o u tro de deficiência física, Jesus curou a todos com
o resultado de que eles glorificaram ao Deus de Israel.
A m ultidão ficou com Jesus por três dias d u ran te os quais consum iram
todos os suprim entos de com ida que haviam levado consigo. Jesus se
m oveu de com paixão; ele percebeu que era h o ra de agir. Se m andasse as
pessoas para casa com fome, elas poderiam desm aiar pelo caminho.
Os discípulos de Jesus p erg u n ta ra m onde poderiam e n co n trar comida
suficiente para alim entar um a m ultidão tão g ran d e. A p e rg u n ta deles
foi retórica, pois eles já sabiam a resposta. E claro que se lem bravam do
que ele havia feito antes para a lim entar um a m ultidão.

O mesmo milagte
Jesus perg u n to u aos discípulos q uanto pão tin h am consigo, e eles
resp o nderam : “Sete pães e alg u n s p eix es”. Se fosse ap en as para os
discípulos, essa quantidade seria insuficiente; p ara um a m ultidão, então,
seria o m esm o que nada. U m a m ultidão de q u atro mil hom ens, não
contando as m ulheres e crianças, tinha de ser alim entada. Se Jesus podia
alim entar uma m ultidão de cinco m il com cinco pães e dois peixes, ele
podia com igual facilidade alim entar quatro m il com sete pães e uns
poucos peixinhos. Se ele foi capaz de realizar um m ilag re no prim eiro
caso, c ertam en te seria capaz de fazê-lo de novo.
D essa vez não havia g ram a verde onde as pessoas pudessem se sentar.
Havia só a terra dura com gram a seca. Isso indica que os dois relatos
não aconteceram na m esm a estação do ano. Jesus disse às pessoas que se
sentassem . Tom ou o pão e orou agradecendo a Deus. Depois partiu os pães
e continuou dando-os aos discípulos que os d istribuíram ao povo. Jesus
fez a m esm a coisa com os peixes, pelos quais deu graças a Deus, e com a
ajuda de seus hom ens alim entou as m ultidões. Pão e peixe constituíam
um a refeição com um para as pessoas na região do Lago da Galiléia.
N o m om ento em que Jesus p artia o pão e o peixe, o m ilagre acontecia.
N enhum ser hum ano é capaz de explicar com o esse feito foi realizado,
pois o ato em si foi um a dádiva de Deus a seu povo po r meio das mãos de
seu Filho. T odas as pessoas na m ultidão com eram até ficarem satisfeitas
e assim receberam energia para viajar de volta a seus lares.
Jesus in stru iu seus discípulos a ju n ta r as sobras para que tudo ficasse
limpo e arrum ado. N ada foi desperdiçado. A comida que coletaram encheu
sete cestos. E ram cestos g ran d e s de boa capacidade. N ão há cxplicação
sobre o que foi feito com a comida e x tra , m as podem os im aginar que ela
foi distribuída aos pobres.
Jesus mais uma vez provou ser o provedor tan to das necessidades
espirituais q uanto das necessidades físicas das pessoas. Ele despediu as
m ultidões, e ele e seus discípulos em barcaram e foram para o o utro lado
do lago. Velejaram em direção a uma cidade cham ada D alm anuta, no
lito ral sudoeste na região de M agdala.

Pontos a ponderar
• A repetição do m ilagre dos pães e dos peixes enfatiza o fato de que Jesus
é o operador de m ilagres que cuida de pessoas necessitadas. Ele acena
às pessoas para que se acheguem a ele, e quando elas correspondem
e vão, ele as abençoa com dádivas celestiais e terren as e depois lhes
dá descanso. Os políticos cham am as m ultidões a irem p ara ouvi-los.
Prom etem m uitas coisas, mas são incapazes de lhes d ar as dádivas que
Jesus prom ete.

• Jesus m o stra o seu am or p o r todas as pessoas ao d a r a elas as coisas


essenciais à vida. “O am or de D eus é bem m aior do que lín g u a ou
pena jam ais pode co n tar.” A m ultidão de q u a tro mil, não c o n tan d o
m ulheres e crianças, era constituída de ju d eu s e gentios. As m ultidões
tinham viajado de longe e de perto, o que significa um a m u ltid ão
m ista. No dec o rre r de todo o seu m inistério, Jesus ajudou igualm ente
a cre n te s e descrentes. Ele louvou os g e n tio s p o r crerem nele, m as
rep reendeu incrédulos que haviam teste m u n h a d o os m ilagres que
ele fez, em seu meio, m as se recusaram a crer. C om parou-os com os
h ab itantes de S odom a e G o m o rra, que se lev an tariam c o n tra eles no
dia do ju ízo final.

• N essa história, os discípulos estavam envolvidos no ato de d a r até


que todas as pessoas fossem supridas. T u d o o que Jesus supriu, os
discípulos deram a outro s e no final eles ju n ta ra m o que sobrou.
A lição que seus seguidores precisam a p re n d e r é que devem d a r
g en erosam ente àqueles que e stão necessitando. D e g raç a recebem os,
de g raç a damos. M uitas vezes ten h o desafiado as pessoas p ara se
ig u alarem a D eus em dar presentes. E n tã o eu acrescen to o p ro g ­
nó stico de que elas falharão porq u e D eus sem p re dá m uito mais
bênçãos do que podem os im aginar.
JESUS PAGA O
5 IM PO STO D O TEM PLO ^
Mateus 17.24-27

Pergunta e resposta
D e todos os q u a tro e scrito re s dos E v an g elh o s só M ateus, o ex-
cobrador de im postos, relata o fato de Jesus ter pago o im posto do tem plo
- uni im posto anual para a m anutenção das cerim ônias religiosas no
tem plo de Jerusalém . C orrespondia a meio sid o , que era o equivalente
ao que recebia um trab alh ad o r po r dois dias de trabalho, e todo homem
judeu de mais de 20 anos tinha de pagar essa quantia.
Não sabemos se os judeus desem bolsavam essa taxa anual d u ran te suas
visitas ao tem plo ou pagavam o cobrador de im postos quando ele passava
pela região rural. M ateus conta-nos que os co bradores de im postos se
aproxim aram de Pedro e p e rguntaram se o seu m estre pagaria o im posto
exigido do templo. T o rn o u -se evidente que tan to Jesus q u an to Pedro
estavam perto da data especificada c que essa taxa tin h a de ser paga
antes desse dia.
A té os ju d eu s que viviam p erm an en tem en te fora do país tinham de
pagar suas taxas e m andar o dinheiro para Jerusalém . C onquanto as
pessoas sentissem aversão à cobrança rom ana de im postos que os faxia
sujeitos a um poder estrangeiro, elas não faziam objeções a pagar a taxa
do tem plo porque esta nada tinha a ver com Roma. E las sabiam que
Deus havia estipulado essa taxa para que a religião de Israel pudesse
ter continuidade.
Os cobradores de im postos podem ter pensado que Jesus, como um
m estre em Israel, deveria e star en tre os prim eiros a obedecerem às leis e
aos regulam entos de Deus. Eles foram a Pedro, o porta-voz dos discípulos,
e p erg u n taram sobre a negligência de Jesus em p agar o im posto, m as
nada disseram sobre Pedro e star atrasado.
A razão pela qual Jesus não tinha pagado em dia pode ter sido por
causa de seu trabalho como m estre itinerante. T alvez ele e seus discípulos
tivessem estado num a viagem m issionária longe de Cafarnaum . M as Jesus
não podia ser acusado de negligência v oluntária, porque ele teria estado
e n tre os prim eiros a cum prir suas obrigações. Talvez tenha sido que tan to
ele q uanto Pedro estivessem sem dinheiro em m oeda naquele m om ento.
C aso contrário não teria sido necessário ir pescar p or uma moeda.
O u tro aspecto do m ila g re é que Jesus não quis ofender o c o b rad o r
de im postos. Com o qu a lq u e r cidadão ju d eu ele cum pria suas o b rig a­
ções, e tam bém pagou o im posto de Pedro, para e v ita r algum tipo de
con tenda adicional.

Jesus o Rei
Os cobradores de im postos p e rg u n ta ra m a Pedro se Jesus pagava a
taxa do templo. M otivado pelo seu senso de dever religioso, Pedro logo
respondeu: “Sim, paga”. Ele presum iu que Jesus pagaria sua p a rte anual
p ara a m anutenção do templo. M as antes que ele p udesse falar, Jesus fez
uma perg u n ta a Pedro. E le pe rg u n to u se trib u to s e taxas são cobrados
de reis e seus filhos ou de outros, isto é, cidadãos e e stran g eiro s que
m oravam no país deles.
A pergunta de Jesus tocou no tema de rei e reino. No seu Evangelho,
Mateus dá destaque a esse tem a repetidamente. Por exemplo, os magos foram
a Herodes em Jerusalém e perguntaram : “Onde está aquele nascido rei dos
judeus?” Isso significa que Jesus, nascido na família real de Davi, veio para
reinar como rei. Realmente, a Escritura chama Jesus de Rei dos reis e Senhor
dos senhores. Considerá-lo um rei terreno de Israel de fato diminui o nível de
sua realeza inigualável. Jesus disse ao governador Pôncio Pilatos que ele era
rei de uni reino que não era deste mundo, mas rei de um reino espiritual.
Se Jesus é rei nesse reino espiritual, por que então ele tem de pagar a taxa
anual do templo? Um rei deve ser isento de todas as obrigações financeiras
em seu reino. E se os judeus no tem po de Jesus entendiam que Deus era rei
sobre Israel, então Jesus como seu Filho teria de ser isentado.
M esm o que Jesus pudesse exercer o seu direito à soberania, ele não
queria ofender, especialm ente não se eximindo, bem como Pedro, de pagar
im postos. Jesus não queria causar nenhum problem a p ara os cobradores
de im postos e seus superiores. C ertam ente eles não teriam aceitado suas
reivindicações à posição de rei.
Portanto, Jesus m andou que Pedro fosse ao Lago da Galiléia e lançasse
sua linha e pegasse um peixe. Ele até revelou que o prim eiro peixe que
pegasse teria a m oeda, um estáter, na boca, que era suficiente para pagar
o im posto para Jesus e Pedro.
Pedro, o pescador, jogou a linha e pegou um peixe. Q uando ele abriu a
boca do peixe, encontrou um a m oeda do valor exato para a necessidade
do m om ento.
E m bora esse episódio pareça uma sim ples ilustração do dever de pagar
os im postos que são devidos, pode-se p e rg u n ta r se isso foi um m ilagre.
Pareceria mais natural dizer que Pedro como pescador teve so rte em
pegar um peixe com a m oeda na boca.
E n tre ta n to , Jesus estava plenam ente n o co n tro le da situação: a ênfase
nessa passagem não está em Pedro te r pegado um peixe, mas na soberania
de Jesus sobre a criação. E le sabia com con h ecim en to divino que o
peixe tinha um a moeda na boca. Essa m oeda era suficiente p a ra pagar o
im posto do tem plo p ara duas pessoas; era o b astan te para Pedro e Jesus.
O po n to nesse breve relato é que Jesus é o op erad o r de m ilagres, Esse
foi um m ilagre do qual o próprio Jesus foi um beneficiário parcial, com
Pedro. Todos os ou tro s m ilagres que Jesus realizou foram em beneficio
de outros.

Pontos a ponderar
Há m ais nessa história da m oeda na boca do peixe.

• Prim eiro, tanto Jesus q uanto seus discípulos poderiam ter reivindicado
isenção do pagam ento do im posto do tem plo com base em seu trabalho
de m estres de tem po in te g ral em Israel. M as esse a rg u m en to teria
criado dificuldades sem conta p ara todos: os cobradores de impostos,
os árbitros, Jesus e seus discípulos.

• Depois, o peixe que Pedro pescou era um g ran d e necrófago que é


conhecido como uma lam préia. E le viu o brilho relu zen te de uma
moeda que descia para o fundo do lago e a abocanhou. E stava ten tan d o
engolir a m oeda que estava alojada na sua g a rg an ta larga, m as ainda
não havia conseguido se liv ra r dela quando Pedro o pegou. N ão havia
nenhum a m aneira de en c o n tra r o dono de direito da m oeda, p o r isso
Pedro não podia ser acusado de furto po r tê-la apanhado.

• T am bém , antes que Pedro conseguisse falar com Jesus a resp e ito da
dívida do seu im posto, ele ficou sabendo que Jesus já sabia do assu n to
pela p e rg u n ta que ele lhe fez so b re a realeza não te r de p ag ar tax as
e im postos.

* Finalm ente, pegar o peixe não foi só um m ilagre que forneceu o ja n ta r


para Jesus e Pedro. E sse fato realçou a onisciência e o poder de Jesus
sobre a criação, incluindo um peixe com um a m oeda na boca.
o * A FIG U EIRA ^
" A M A LD IÇ O A D A ^
M ateus 21.18-22; Marcos 11.12-14, 20-24

O desjejum
A parentem ente Jesus e os discípulos tinham saído da casa de M aria
e M a rta na vila de B etânia. E le não havia com ido n ad a e estava a
cam inho de Jerusalém . C am inhando pela estrada, descobriu uma das
m uitas figueiras na região próxim a de Betfagé (que significa “casa de
figos”), um subúrbio da capital. Jesus cam inhou até a árvore à procura
de alguns figos pequenos, com estíveis, que são d iferentes dos figos
m aiores que am adurecem nos m eses do verão. Esses figos do começo
da estação aparecem com as folhas na p a rte final de m arço e começo de
abril, p recursores da colheita no final do verão.
Jesus procurou figos e nada encontrou senão folhas; não era tem po
de figos. Em resum o, o que ele fez foi algo inútil, pois m esm o que Jesus
tivesse achado frutos, estes teriam tido pouco valor alim entício para
su stentá-lo d u ran te as horas da m anhã.
A lição que Jesus ensinou por meio desse incidente apontava, contudo,
não para as suas necessidades físicas e sim para a vida espiritual do
povo. Eles levavam um a vida que era tão im produtiva qu an to os galhos
da figueira, folhas sem fruto. Essas pessoas queriam fazer Jesus rei e
nom eá-lo como seu líder para libertá-los da opressão rom ana. M as a
tentativa deles de fazê-lo um rei terreno, em vez de reconhecê-lo como
seu M essias, nunca os livraria da carga do pecado e culpa.
A maldição
Jesus olhou para a árvore e pronunciou uma m aldição sobre ela, Ele
disse: “Que ninguém nunca mais coma do seu fruto!” T e ria Jesus punido
essa árvore por ela não produzir fru to quando ele o procurava num a
época do ano em que figos não estavam m aduros? Jesus ficou fru strad o
porque ele precisava de alim ento e a figueira recusou dá-lo?
A resposta a ambas as perguntas é não. Jesus m eram ente usou a figueira
e a m aldição como uma lição concreta p ara os discípulos. D o m esm o
modo que a figueira apresentava folhagem, m as não fruto, os ju d eu s
m ostravam o culto e x te rn o no tem plo, m as não o crescim ento espiritual.
A área do tem plo se to rn a ra um m ercado e um covil de salteadores. Ali os
com erciantes vendiam anim ais p ara serem sacrificados a preços altos e os
cam bistas cobravam taxas ex o rb itan tes das pessoas que precisavam das
m oedas estipuladas pelos guardas do tem plo. Ao am aldiçoar a figueira e
lim par o templo, Jesus d em onstrou sim bolicam ente que o Israel religioso
não dava fru to e finalm ente m orreria.
Um dia depois de Jesus te r am aldiçoado a figueira, esta m ostrou sinais
de e star definhando. A s folhas estavam m urchas e com eçavam a cair. A té
m esm o um observador casual poderia ver que a árvore fora seriam ente
afetada pela m aldição de Jesus. M orreria d e n tro de dias e então restariam
apenas galhos secos p rontos para o fogo.
Com o o c u m p rid o r das pro m essas m essiânicas, Jesus fora à sua
própria sociedade, m as o seu próprio povo não o aceitou. E claro que as
autoridades religiosas rejeitaram -no apesar de

• todos os seus ensinos,


• todos os seus m ilagres e
• toda a sua compaixão.

As m ultidões em Jerusalém m ostraram falta de sinceridade pavorosa


e inconstância deplorável. R eceberam -no com um forte "H osana” no
D om ingo de Ramos, m as descartavam -no cinco dias depois gritando:
“Crucifiquem -no!”
N o dia seguinte, quando P edro cham ou a atenção de Jesus para a
figueira que m urchava, Jesus respondeu dizendo-lhe que tivesse fé em
Deus. M as o que isso quer dizer precisam ente? Fé significa apegar-se
a Deus e nunca afastar-se dele. P ara ilustrar, a fé pode ser com parada
a duas folhas de v idro que estão h orizontalm en te uma sobre a outra.
E las parecem inseparáveis com o se estivessem coladas, p o rq u e o ar
não consegue p e n e tra r e n tre elas. O m odo de sep ará-las é deslizar uma
folha até que ela fique fora da outra. N ão há nada e n tre as duas folhas.
M as quando por um a força e x te rn a uma folha desliza, o ar e n tra e a
aderência falha. Assim a fé em D eus perm anece até que a dúvida en tra
e elim ina a fé.
Jesus declara que aquele que tem fé pode d izer p a ra um m onte
p ara erguer-se e lançar-se no mar, e isso acontecerá. Isso não deve ser
in te rp re tad o literalm ente, e sim sim bolicam ente. A pessoa que tem fé
pode figurativam ente m over um a m ontanh a de dificuldades e ter êxito.
E ssa pessoa é um superador, um vencedor que tem recebido poder e
capacidade de Deus p ara apresentar ações incríveis no interesse da Igreja
e do reino de Deus.
O m ilagre da figueira que m urchou é o único m ilagre que Jesus fez
que não teve im pacto benéfico im ediato sobre os discípulos. M as esse
m ilagre teve um efeito red e n to r quando, sete sem anas m ais tarde, no
dia de Pentecostes, esses discípulos pregaram o evangelho e três mil
pessoas se arrependeram , incisivam ente tocadas no coração, e creram
em Jesus. E sse foi o começo de um a colheita que finalm ente chegará ao
fim quando C risto voltar.

Pontos a ponderar
* Cinco dias depois que a figueira foi am aldiçoada, Deus se retiro u do
tem plo em Jerusalém . Isso ocorreu quando Jesus m o rreu na cruz na
tarde da Sexta-feira Santa, e a cortina no tem plo se partiu de alto a
baixo, de m odo que ela não m ais separava o L u g ar S anto do Santo
dos Santos. D eus saiu do santuário in te rio r do tem plo rasg an d o a
cortina, deixando o lugar santo com pletam ente à vista, e indicando
que sua presença divina saíra. D aquele m om ento em diante, D eus fez
sua habitação no coração dos crentes. Aí ele reside e faz o seu tem plo
(lC o 3.16; 6.19).

• O clero dos dias de Jesus apresentava um a aparência ex te rio r de sua


religião, mas deixavam de d em o n strar fé interior. Devido à sua falta de
fé, eles enfrentavam o ju ízo im inente de Deus. N egavam o governo de
D eus e declaravam que não tinham nenhum rei a não ser César. Isso
pode ser visto ainda hoje no g ran d e n úm ero de pessoas do m undo que
rejeitam a Deus, sua Palavra e suas leis. Como uma conseqüência disso,
aqueles que se recusam a escutar D eus não têm com unhão com ele e
andam em trevas espirituais. A postasia significa ser cortado, isolado
de D eus p ara sempre.

No dia do juízo, dois tipos de livros serão abertos. Esses livros contêm
os registros de tudo o que cada pessoa fez e de todas as palavras que ela
disse. Um é o livro da consciência, que acusa a todos os que aparecem
diante do Juiz. T odos têm de p resta r contas de suas ações e palavras
que testificam contra eles. O o u tro livro é o cham ado L ivro da Vida.
T oda pessoa que tem seu nom e reg istra d o nesse livro é d eclarada
perdoada, q u ite e inocente. E ssas pessoas form am a safra que C risto
colheu naquele dia.
< *4 A PRIM EIRA PESCA
Lucas 5.1-11

Redes vazias
Jesus falava às m ultidões sem o auxílio de um sistem a de som; contudo,
todos podiam ouvi-lo claram ente, palavra p or palavra. Ele fazia uso do
local e colocava-o a seu favor. Por exemplo, quando a m ultidão o estava
apertando na praia do Lago da Galiléia, ele viu um barco de pesca vazio
que pertencia a Simão Pedro. Jesus pediu queele o afastasse um pouquinho
da praia. Jesus sentou-se, que era a posição co stu m eira para quem falava
em público, e então ensinou as pessoas que estavam sentadas ou em pé na
praia e na encosta da m ontanha. Ele usou o barco como seu púlpito e o
nível plano do lago como seu refletor de som. A superfície da água flectia
a sua voz e ela chegava a todos os que com punham o seu público.
Q u ando Jesus term in o u a sua sessão d e en sin o e a m u ltid ão se
dispersou, ele conversou com Pedro e A ndré, que com os com panheiros
pescadores estavam lavando e c o nsertando as redes. Jesus observou que
os hom ens tinham vindo para a praia com redes vazias depois de terem
passado a noite sobre a água. N a m etade da m anhã, Jesus disse a Pedro
e seus hom ens que fossem à p a rte m ais funda do lago, lançassem suas
redes e pegassem peixes. Essa instrução vinda de Jesus, que tinha sido
um carpinteiro em N azaré, era dem ais para Pedro, que era pescador em
C afarnaum . Simão Pedro sabia quando e como pescar, e o meio da m anhã
não era a hora certa. E le certam ente não estava disposto a aceitar uma
ordem de um carpinteiro que havia se to rn a d o m estre e ag ir de modo
c o n trário ao que ele sabia ser o correto.
Simão Pedro disse a Jesus que ele e seus com panheiros de pesca haviam
trabalhado duro a noite inteira e voltado p ara a praia sem um único
peixe. Porém , ele tinha m uito respeito por Jesus, que lhe d era o nom e
de “P edro’' num a reunião a n terio r quando João Batista estava p reg an d o
p e rto do Rio Jordão. Então, ele m udou de idéia e concordou em ir para
o lago para lançar as redes.

Pesca miraculosa
I«ogo que Pedro e seus com panheiros pescadores rem aram fazendo
o barco sair da praia e lançaram as redes na p arte funda, eles souberam
que ali havia um a g ran d e quantidade de peixes. Com eçaram a recolher as
redes devagarinho e ficaram surpresos com a q uantidade de peixes que
haviam conseguido pegar. O s peixes eram tan to s que as redes com eçaram
a se rasgar e alguns peixes escaparam . Por precisarem de auxílio ex tra,
os hom ens fizeram sinal aos pescadores João e T iag o na praia para que
fossem com seu barco para ajudar a ju n ta r a g ran d e quantidade de peixes.
Q uando eles chegaram , o núm ero ex tra o rd in á rio encheu os dois barcos
até transbordar. D e fato era tão g ran d e o peso dos peixes que os barcos
estavam a ponto de afundar.
Aos pescadores experientes, essa pescaria abundante no meio do dia
pareceu incrível. N unca haviam visto nada igual. T rab alh aram a noite
inteira e voltaram à praia de mãos vazias, m as quando Jesus m andou que
lançassem suas redes na água, a pesca foi fenomenal. Eles pensaram no
valor m onetário dos peixes, que era m uito bem-vindo. Sabiam que essa
pesca sustentaria suas famílias num futuro previsível. M as no m om ento
havia trabalho a ser feito, porque logo que os barcos estivessem na praia os
peixes tinham de ser postos em engradados e m andados para o mercado.
Simão Pedro ficou tom ado p o r respeito e adm iração na presença
de Jesus, que ele reconheceu como o Santo, e a si m esm o ele via como
hom em pecador. Jesus, o carpinteiro, tinha realizado um m ilagre que
assom brou esse p escador experiente. Então, Pedro caiu aos pés de Jesus
e pediu que o Senhor saísse de p e rto dele. Na presença de alguém com
poder sobrenatural, ele se considerava pecam inoso e indigno. Q uanto
mais p e rto ele chegava da santidade de Jesus, mais ele via a sua pró p ria
indignidade por causa do pecado. E le agora reconhecia a situação de
Isaías, que viu o Senhor sobre seu tro n o e disse: “Eu sou um hom em de
lábios im puros” (Is 6.5). No caso de Pedro, o foco estava diretam en te
sobre a divindade de Jesus e na pecam inosidade de Pedro.
Saber para onde um g ran d e cardum e de peixes pode ter m igrado e ser
capaz de fazer um a g ran d e pescaria não é nada m iraculoso. Pescadores
têm testificado que po r vezes cardum es de peixes no Lago da Galiléia
ficam pressionados em tão g ran d e densidade que a superfície da água é
m ovida por incontável núm ero de peixes saltadores. Isso dá a im pressão
que uma chuva pesada está caindo sobre o lago.
M as quando Jesus in stru iu Simão Pedro a lançar as redes na água,
ele falou com conhecim ento divino pelo qual o m odo n atu ral de pegar
peixes se tra n sfo rm o u em m ilagre. Ao rea liz a r essa m aravilha, ele
d em o nstrou que por causa de sua divindade ele controlava os peixes no
Lago da Galiléia.

O chamado do Mestre
Pedro, A ndré, T ia g o e João ficaram adm irad íssim o s com a incrível
pesca. A ntes eles haviam se e n c o n tra d o com Jesus no Rio Jordão onde
João B atista estava batizando. D epois eles tin h am voltado à Galiléia
p a ra s u s te n ta r suas fam ílias com o pe sca d o re s. A g o ra Jesu s v iera
su rp re e n d ê -lo s ainda m ais ao fazer um m ila g re no c o n te x to da p ró p ria
p rofissão deles.
Jesus se dirigiu a Pedro e disse: “N ão tem a. D e agora em diante você
vai pescar pessoas”. Com essas palavras ele m atriculou não só Pedro,
m as tam bém A ndré, T iag o e João n um a classe de alunos que receberiam
as in struções diárias de Jesus. Finalm ente eles se form ariam e sairiam
como apóstolos dele. O m ilagre que Jesus executou foi revelar a sua
divindade aos discípulos para que estes pudessem se to rn a r plenam ente
conhecedores da sua vocação. E ra um a vocação san ta que significava
serem p lenam ente devotados ao seu Senhor, estarem dispostos a desistir
de sua ocupação e ficar longe de suas famílias.
Jesus falou na linguagem dos pescadores. E le não disse: “Eu vou
fazê-los sem eadores da Palavra de D eus". E ele não disse: “E u vou
to rn á -lo s pastores de ovelhas”. F azendeiro s que sem eiam a sem ente
podem presum ir com relativa certeza que no alto da estação farão uma
colheita. E les podem nem sem pre te r um a g ran d e safra, m as raram en te
enfrentam um fracasso total. E os pastores podem te r certeza de que
cordeiros nascerão na prim avera. E m bora haja a probabilidade de que
perderão um ou dois cordeiros, estão confiantes de que quase todos eles
vão viver e chegar à m aturidade. M as quando pescadores estão sobre
a água, são incapazes de p redizer com qualquer g ra u de certeza se vão
re to rn a r com peixes. Portanto, Jesus chamou seus discípulos p ara serem
pescadores de pessoas, isto é, eles teriam de confiar em Deus p ara realizar
o inilagre de um a pescaria.
O cham ado desses hom ens para serem discípulos foi in stan tân eo e
urgente. Pedro e seus com panheiros a rra sta ra m seus barcos através da
p raia até a terra. D espediram -se de suas famílias e seguiram a Jesus.
O bserve que esses hom ens não sabiam

• onde iriam dorm ir,


• o que iriain com er e beber e
• aonde eles iriam.

Em obediência ao cham ado de Jesus, eles d eixaram tudo e o seguiram .


Sabiam que Jesus daria atenção aos seus queridos e cuidaria deles.

Pontos a ponderar
• O propósito desse m ilagre foi Jesus pescar, por assim dizer, os prim eiros
discípulos na sua rede. Isso significava que esses pescadores largariam o
seu negócio para se tornarem alunos, em tem po in teg ral, do seu m estre
Jesus. Teriam de confiar que ele proveria todas as suas necessidades
físicas e que tam bém cuidaria de suas famílias enq u an to estivessem
fora. Se Jesus lhes m ostrou uma abundância de peixes p ara satisfazer
às necessidades dos discípulos e de suas famílias, eles poderiam esta r
c ertos de que continuaria a supri-los com provisões dia após dia.

• Esses ex-pescadores não se ocupariam mais em pescar peixes vivos


que logo estariam m ortos. Em vez disso, eles levariam a boa-nova
da salvação à pessoas que estavam sem vida espiritual p ara que elas
pudessem viver e receber o dom de D eus da vida etern a. Seria dada
a esses pescadores a tarefa de proclam arem a Palavra de Deus. Ao
testem unharem o crescim ento fenom enal da Igreja, veriam o m ila­
g re de pessoas m ortas no pecado se voltarem a Jesus e se to rn arem
com pletam ente vivas nele.
Q uando o Senhor nos cham a p ara fazer algo p o r ele, nós não devemos
só m o stra r obediência, m as tam bém fé e confiança nele. Q uando ele
chama, ele tam bém supre as nossas necessidades físicas e espirituais.
Ele nunca falha conosco. D o m esm o modo, nós tam bém não devemos
jam ais falhar com ele.
=a< A SE G U N D A PESCA
João 21.1-14

Primeira e última
Na prim eira pesca, Jesus chamou publicam ente hom ens para to rn arem -
se seus discípulos. Ao fazer o m ilagre de pegar uma abundância de peixes,
ele lhes ensinou que o futuro trabalho deles consistiria em levar pessoas
para e ntrarem no seu reino. A té m eados do prim eiro século, eles ficariam
m aravilhados com o crescim ento da Igreja.
Em poucas décadas após o P entecoste, a Ig re ja se ex p an d iu de
Jerusalém para Sam aria, A ntioquia na Síria, Ásia M enor, G récia, partes
da África e de Roma. D e Roma o evangelho foi adiante até os lim ites do
Im pério Romano. D e acordo com as evidências disponíveis n a Bíblia e
pelos pais da Igreja, Paulo viajou até a E spanha (mais provavelm ente
até Portugal).
N o final do m inistério de Jesus, quando ele estava p ara enviar adiante
os seus apóstolos, ele realizou m ais uma vez o m ilag re da pesca. Ele fez
isso providenciando a refeição da m anhã p ara eles na p raia do Lago da
Galiléia. T am bém lhes m ostrou, ao re in te g ra r o apóstolo Pedro, que eles
iriam sair p ara alim entar o rebanho e p asto rear as ovelhas.
Quando Jesus prim eiro cham ou pescadores para se to rn a rem seus
aprendizes, eles haviam estado pescando a noite inteira, mas voltado à praia
de mãos vazias. Eles testem unharam o poder de Jesus sobre sua criação
quando lhes disse para lançarem sua rede e como resultado eles pegaram
m uitos peixes. Ele provou ser seu Senhor e M estre, que os chamou para
o discipulado e os ensinou a serem seus embaixadores.
P erto do fim da vida terren a de Jesus, ele in stru iu os discípulos a
voltarem p ara a Galiléia. E m obediência à suas palavras eles voltaram e
e ntão po r pouco tem po seguiram suas ocupações an terio res para prover
a lim ento p ara suas famílias. Colocaram suas redes num barco, lançaram -
no no lago, passaram a noite lá a céu aberto e ten taram p egar peixes. M as
depois de um a n oite de trabalho duro, estavam cansados e desanim ados,
p ro n to s para voltar à p raia com o barco vazio. M ais um a vez Jesus lhes
m o strou seu poder sobrenatural quando pediu que lançassem a rede.
Com o resultado, pegaram um núm ero inesperado de g ran d es peixes.

Jesus prepara o desjejum


T endo voltado a Cafarnaum , sete discípulos foram pescar. E ram Simão
Pedro, Tom é (um dos gêmeos), N atanael, os dois filhos de Zebedeu, e
dois cujos nom es não foram dados. N o co n tex to das necessidades de suas
famílias, usaram o tem po de espera proveitosam ente. Se conseguissem
p escar um a g ra n d e q u a n tid a d e de peixes, m ais um a vez po d eriam
su ste n tar suas esposas e filhos.
Sete hom ens foram pescar em um a embarcação. Presum ivelm ente o
barco pertencia a Pedro, que era bem conhecido como pescador experiente.
Porém, durante a noite inteira, suas redes continuaram vazias. Quando o dia
despontou e camadas de vapor apareceram sobre o lago, podiam distinguir
a linha da costa, m as os objetos na praia ficavam indistintos. Puderam ver
um hom em em pé na praia, mas não conseguiram identificá-lo.
Q uando rem aram o barco até mais p e rto da costa, ouviram uma voz
d istin ta vinda da pessoa. E le lhes perguntava: ‘Am igos, vocês não têm
nen h u m peixe, têm ?” Ele pareceu te r percebido que o barco deles estava
vazio e eles tinham o espírito desanim ado. Suas vozes provavam esse fato
quando responderam com um subm isso “não”.
Então, o estran h o lhes disse que lançassem a rede na água do lado
d ire ito do barco, o que eles fizeram . P a ra ad m iração deles, foram
incapazes de a rra s ta r a rede p o r causa da qu antidade de peixes grandes.
Im ediatam ente João soube que o estra n h o na praia não era o u tro senão
Jesus. Ele disse a Pedro: “E o Senhor”.
N o m esm o in sta n te os dois hom ens v ira m a ligação e n tre esse
resultado de pesca e aquele de poucos anos antes quando Jesus os cham ara
p ara serem seus discípulos. N esse m om ento, no final do seu m inistério,
Jesus mais uma vez dem onstrou seu conhecim ento divino fazendo que
eles pegassem peixes em abundância. Em suma, ali estava um a repetição
do m esm o m ilagre.
Simâo Pedro, de acordo com sua n a tu re z a im petuosa, tiro u sua veste
e x terior, pulou no lago, nadou a c u rta d istân cia de quase cem m etro s, e
e n c o n tro u -se com Jesus. Os o u tro s hom ens não foram tão apressados
q u a n to Pedro. C o n tin u aram a tarefa de p u x a r p a ra a te rra a rede cheia
de peixes,
Quando os outros hom ens chegaram à te rra firm e e saltaram do barco,
viram que Jesus tinha preparado o desjejum . N um fogo de carvão ele
estava g relhando um peixe e havia um pão. Ele lhes pediu que trouxessem
alguns dos peixes que tinham acabado de pegar. Assim fazendo, eles
participavam do m ilagre que acabara de ocorrer. D e fato, a presença de
um fogo, do peixe e do pão pode, em si, ter sido um m ilagre.
E n quanto isso, Simão Pedro foi ao barco pesqueiro, soltou a p a rte de
cima da rede, e ajudou os hom ens a puxar a rede para a praia. A pesca tinha
rendido 153 peixes g ran d es e, apesar do peso, a rede não se rasgara.
Jesus convidou os discípulos para com er com ele na praia. iMas a
disposição dos discípulos foi comedida. E les sabiam que estavam na
p resença do C risto re s s u rre to , m as n e nh u m dos p re s e n te s ousava
confirm ar isso perguntando a ele: “Q uem é o sen h o r?” Jesus tom ou o pão
e os peixes e deu-os p ara os discípulos. E le havia feito com ida suficiente
para todos eles. Jesus foi o anfitrião e eles foram seus convidados.
Esse desjejum na praia da G aliléia sim bolicam ente retrata o g ran d e
banquete no céu. Jesus será o anfitrião e seus seguidores os hóspedes.
Suas palavras “Venham e com am ” soarão m ais um a vez naquela hora.
Vamos entender esse incidente da perspectiva correta. O enfoque desse
m ilagre não está no núm ero de peixes que foram pescados. O núm ero
L53 não é simbólico, m as aponta para João, que como testem u n h a ocular
re g istra precisam ente o que ocorreu. Isso tam bém está refletido no
reg istro da distância de quase cem m etros da terra, bem como no fato
de eles terem lançado a rede do lado d ireito do barco. João havia estado
lá e se lem brava de todos os detalhes.
O ponto principal desse m ilagre é que ele dem o n stro u a Pedro e seus
com panheiros de discipulado o poder divino e o conhecim ento de Jesus
que continuaria a acom panhá-los no seu m inistério apostólico. M esm o
hoje a presença de Jesus está com cada um que confia em sua palavra:
"Eu estou convosco até o fim dos tem pos”.
A restauração de Pedro
Q uando a refeição term inou, Jesus separou Pedro da companhia dos
outros discípulos. N o últim o dia da vida terrena de Jesus, Simão Pedro tinha
negado a Jesus p or três vezes seguidas. A gora na praia ju n to ao lago, Jesus
lhe p erguntou três vezes sem interrupção se ele o amava. A cada vez Pedro
respondeu afirm ativam ente, e Jesus lhe respondeu sucessivam ente:

• ‘A pascenta os m eus cordeiros.”


• “Pastoreia as m inhas ovelhas.”
• “A pascenta as m inhas ovelhas.”

Q uando Pedro ouviu a m esm a p e rg u n ta “T u me am as?” pela terceira


vez, ele ficou visivelm ente m agoado. Respondeu a Jesus em voz baixa:
“Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te am o”.
A ntes que Pedro pudesse ser to ta lm e n te resta u ra d o com o apóstolo
de Jesus, o S enho r im prim iu nele por três vezes o conceito de am or
em form a de p e rg u n ta e resposta. Isso foi feito p or trê s vezes para que
fosse enfatizado.
A gora reinstalado com novas responsabilidades acrescentadas, Pedro
serv iria a Jesus como o cabeça dos apóstolos, líder e porta-voz da igreja
m ãe em Jerusalém , defensor da fé, m issionário aos ju d eu s na dispersão
e a gentios tem entes a D eus em o utros países e a u to r de duas epístolas
canônicas. A igreja, quer em Jerusalém ou fora, via Pedro com o o apóstolo
m ais respeitado de Jesus (porque Paulo identificou-se como alguém que
não era digno dc ser cham ado apóstolo).

Pontos a ponderar
• Esse foi o últim o m ilagre que Jesus realizou antes de subir ao céu.
Com esse ele concluiu a série de m ilagres que acom panharam o seu
m inistério. Os apóstolos receberam o dom espiritual de fazer m ilagres
em apoio à sua pregação. M as com a m orte dos apóstolos no prim eiro
século, sua autoridade cessou.

• O N ovo T e sta m e n to ensina que só Jesus cham ou os apóstolos. D e­


pois de p assar um a n o ite em oração, ele cham ou doze hom ens para
serem seus discípulos. Q uando Judas com eteu suicídio, os ap óstolos
lan çaram so rte s pa ra nom ear um sucessor. M as foi Jesus quem con­
tro lou as so rte s e escolheu M atias. As p o rta s de D am asco, o Sen h o r
cham ou Paulo p ara ser o apóstolo aos gentios. N o en tan to , q u an d o
T iag o de Zebedeu foi m orto, ele não cham ou nin g u ém para to m a r
o seu lu g ar (At 12.2). E Paulo se refere ao seu ap o sto lad o com o de
“um nascido fora de tem po” (lC o 15.8).

O m ilagre da prim eira pesca se refere aos discípulos como pescadores


de pessoas; o m ilagre da segunda pesca focaliza a atenção sobre o seu
chamado como pastores de ovelhas. N o prim eiro incidente, Pedro se viu
como um hom em pecador e no segundo como um hom em restau rad o
que foi in struído a cuidar do povo de Deus.

Assim como Jesus in struiu os discípulos p ara lançarem sua rede no


lago e apanharem peixes, do m esm o m odo ele in stru i seus seguidores
hoje a levarem a m ensagem do evangelho às pessoas para que D eus
realize o m ilagre de lei/á-las ao arrependim ento, à fé e à salvação.
DOENTES
CURADOS
A SO G R A DE PED RO
M ateus 8.14-17; Marcos 1.29-31-, Lucas 4.38,39

Tudo em família
Com o e ra seu co stu m e, Jesus a s sis tia fie lm e n te aos c u lto s nas
sinagogas locais, onde regularm ente ele ensinava às pessoas lições tiradas
das E scrituras do Antigo T estam ento. C erta m anhã de sábado, ele pregou
na sinagoga de Cafarnaum , onde estava m orando.
D u ra n te o culto, e n q u a n to Jesus estava pregando, um hom em pos­
sesso de dem ônio clamou: “Que tem os nós contigo, Jesus de N azaré?
Vieste d e stru ir-n o s? E u sei quem és, o Santo de Deus". Jesus rep reen ­
deu o espírito m aligno e disse: “Fique quieto e saia dele!" G ritan d o , o
dem ônio saiu do hom em , que pareceu não te r sido m achucado, m esm o
o dem ônio o tendo lançado ao chão. Todos na sinagoga ficaram adm i­
rados porque Jesus não só apresentava novo ensino como d em onstrava
tam bém g ran d e a utoridade em ex p u lsar demônios.
Im e d ia ta m e n te d ep o is do c u lto da m an h ã, P ed ro e seu irm ão,
A n d ré , c o n v id a ra m Jesus p a ra a c o m p a n h á -lo s até a casa de Pedro.
João e T iag o , filhos de Z ebedeu, foram ju n to s . O o b jetiv o do co n v ite
foi p e d ir que Jesus c u ra sse a so g ra de Pedro, que esta v a acam ada com
um a febre a lta. O s disc íp u lo s p u se ra m Jesu s a p a r da co n d ição dela
e rac io c in a ra m q ue se Jesus podia r e s ta u ra r a saúde de um hom em
com p o ssessã o dem oníaca, p o d e ria ser p e rsu a d id o a c u ra r a pacien te
na casa de P ed ro tam bém .
Lucas, identificado como o m édico amado, acrescentou um pequeno
detalhe interessante em seu E vangelho, ou seja, que a so g ra de Pedro
tinha uma febre alta„Esse médico transform ado em escritor do E vangelho
sem pre teve uma inclinação pelo relatório m édico c o rreto e m uitas vezes
acrescentava detalhes:

• um hom em coberto de lepra


• a m ão direita ressequida de um hom em
• um servo que estava doente e perto da morte

Além disso, Lucas relata que Jesus en tro u no q u a rto da se n h o ra


enferm a, curvou-se sobre ela, tocou a sua m ão e então repreendeu a
febre. M ediante suas ações, Jesus m ostrou cuidado tern o e amoroso.
Tom ando-a pela mão, ele a ajudou a levantar-se e d e m o n stro u que ela
estava com pletam ente curada.
Logo que a so g ra de Pedro se levantou, quis ex p ressar sua g ratid ão
a Jesus. Fez isso p reparando uma deliciosa refeição p ara o alm oço do
sábado e servindo-a aos hom ens que tinham e n trad o em sua casa.
Com o o m ila g re da c ura dessa m u lh e r sem nom e aconteceu? A
narrativa diz que Jesus repreendeu a febre, tom ou a m u lh er pela mão e
a levantou. O ato de ter repreendido a febre indica que algum a doença
tinha e ntrado no corpo da m ulher. Ao fazer esse m ilagre na privacidade
de um lar, Jesus se revelou como sendo o Messias.

Curador de doenças
Se observarm os a cura da sogra de P edro da perspectiva do século 21,
acharem os difícil cham ar isso de m ilagre. M uitas pessoas hoje sofrem de
febre alta e os m édicos sabem o que fazer com rem édios que abaixam a
tem p eratura do corpo e trazem cura. As vezes, depois de pouco tem po, a
febre desaparece e o p aciente começa a se recuperar. Será razoável dizer
que alguns dos m ilagres de Jesus podem perd er o seu significado à luz
do p ro g re sso m édico dos dias atuais.
Os médicos de hoje, e n tretan to , não afirm am ter o m esm o poder
de cu rar os enferm os que Jesus dem onstro u conform e relatado pelos
evangelistas bíblicos. D e fato, com todos os m edicam entos disponíveis e
equipam entos m édicos de últim a geração, os m édicos são incapazes de
g a ra n tir a cada pessoa doente a plena restau ração à boa saúde.
Em contraste, Jesus curava os doentes de seus dias sim plesm ente
dizendo uma palavra a certa distância do paciente ou com um sim ples
toque. Jesus provou ser o G rande M édico cujo poder de curar era ilimitado.
Para ilustrar, leprosos que po r causa de sua doença tinham perdido partes
das mãos, dos pés e da cabeça, foram curados in stan tan eam en te tendo as
p artes do corpo afetadas to talm en te restauradas. Jesus tam bém abriu os
olhos de um hom em que era cego de nascença e restau ro u a mão direita
ressequida de um hom em .
E m bora hoje Jesus não renove corpos hum anos como fez no século
prim eiro, a sua presença é tão real hoje q u an to foi nos dias quando
ele cam inhou ao longo do Lago da G aliléia ou nas ruas da cidade de
Jerusalém . A tualm ente, em resposta às orações do seu povo, Jesus cura
os d o entes guiando e d irigindo as m ãos dos m édicos. M u itas vezes,
as autoridades médicas não conseguem explicar a recuperação rápida
de um paciente seriam ente enferm o, a rem issão de um câncer que era
esperado espalhar-se p o r todo o corpo ou o fato de uma doença crônica
te r desaparecido.
N o tem po de Jesus, o óleo era usado como um m edicam ento; seus
equivalentes m odernos são os rem édios e os equipam entos. O poder
de cu ra que resid e nos corpos físicos dos seres hu m an o s é de fato
m aravilhoso. Os m édicos ficam im pressionados com esse poder quando
pacientes p e rto da m o rte se recuperam com pletam ente.
Tiago, o m eio-irm ão de Jesus, escreve em sua epístola que pessoas
enferm as na igreja devem pedir aos anciãos (presbíteros) da igreja que
vão e orem por eles em nom e de Jesus. Jesus ouve as orações feitas em
fé, c u ra os enferm os e os levanta. Sem dúvida, os seguidores de Jesus
atestam o fato de que ele ainda realiza m ilagres hoje em resposta à oração
e p o r causa da fé pu ra e confiante.

Pontos a ponderar
• Assim como Jesus repreendeu os ventos e as ondas no Lago da Galiléia,
ele repreendeu o dem ônio que tinha a torm en tad o um hom em que foi
a um culto na sinagoga de Cafarnaum . Depois de ad o rar a Deus, Jesus
acom panhou seus discípulos até a casa de Pedro e lá repreendeu a febre
que m antinha a sua so g ra na cama. Não entendem os que a Bíblia nos
ensina a repreender um mal físico, m as ela nos in stru i a levar nossas
necessidades a Deus em oração e confiar nele p ara a cura.
• Davi bendiz o santo nom e de Deus, louvando o Todo-poderoso com
sua alma e com todo o seu ser. E le põe a sua confiança no S enhor e
diz à sua alm a que não se esqueça de nenhum dos benefícios de Deus,
pois o Senhor, assim ele escreve, perdoa todos os nossos pecados e
sara todas as nossas enferm idades.

• Isso significa que pecados ocultos precisam ser confessados para que
a alm a seja purificada. Q uando o pecado já foi perdoado, o S enhor
m anda cura e efetua o m ila g re de re s ta u ra r o corpo. Jesus to rn a
saudável a pessoa toda, corpo e alma. E n tre ta n to , o fato de que Jesus
tra z cura não indica que todas as doenças sejam resu ltad o s d iretos
de atos pecam inosos.

• Jesus restaurou a vida fam iliar de Pedro ao cu rar a m ãe de sua esposa.


Por meio do seu m ilagre ele reuniu novam ente os m em bros da família.
A Bíblia ensina que somos a família de Deus.
. UM HOM EM CO M w
^ A MÃO R ESSEQ U IDA >
M ateus 12.9-14; Marcos 3.1-6; Lucas 6.6-11

No culto
Os E vangelhos revelam que Jesus m uitas vezes curou pessoas no
sábado, até m esm o d u ran te o culto m atutin o num a sinagoga local. Ele
fazia saber que o dia de descanso devia ser um dia de alegria e felicidade
para os adoradores. Jesus ensinava que D eus in stitu iu o sábado em
benefício das pessoas e não as pessoas para o sábado.
Os líderes religiosos daquele tem po observavam rig o ro sam en te o
m andam ento do sábado de D eus e cum priam -no ao pé da letra da lei.
Isso significava que nada podia ser feito no dia do descanso. M as essa
obediência e strita ao m andam ento tinha o efeito de silenciar a alegria
que a celebração do sábado deveria gerar. Em vez disso, naquele tem po
vigorava um legalism o sufocante.
Os líderes religiosos queriam testa r Jesus para ver se ele c uraria uma
pessoa no dia de descanso; eles o vigiavam atentam ente. Sabiam que em
o u tras ocasiões ele não tinha observado a lei do sábado, de acordo com
a in terpretação deles desse m andam ento.
E m o u tro sábado após o culto, Jesus e seus discípulos tinham passado
pelos cam pos e colhido espigas de milho, esfregando-as nas mãos para
com er os grãos. Os fariseus tinham p rocurado Jesus para repreender seus
seguidores porque apanhar espigas de m ilho era o mesm o que ceifar, e
isso era trabalho, o que não era perm itido no sábado.
E m vez de rep ro v a r os discípulos, Jesus lem brou aos fariseu s o
p ro p ósito de D eus em te r lhes dado um dia de descanso. D eus não
esperava que o seu povo se to rn asse ritu a lista n a observância de sua lei.
Q ueria que celebrassem esse dia alegrem en te e fornecessem benefícios
espirituais e m ateriais aos outros.
N esse sábado, os líderes religiosos p e rg u n ta ra m a stu tam en te a Jesus
se c u ra r um a pessoa no sábado era correto. Sua m otivação básica era
fazer uma acusação contra ele por profanar o dia de descanso. Pareciam
não perceber que, se acusassem Jesus, essa m esm a acusação podia se
voltar contra eles por quebrarem a lei de am ar o próxim o. Sua ação
com preendia uma acusação grave não c o n tra Jesus e sim co n tra eles
m esm os pela sim ples razão que c urar doentes no sábado não era um ato
de maldade, m as um ato de am or e compaixão. N aturalm ente eles também
pareciam ig n o rar o problem a de que se fossem rig o ro so s em obedecer à
lei do sábado, o que eles fariam com os sacerdotes que trabalhavam mais
d u ram ente naquele dia do que em qualquer dia da semana?
Um dos adoradores nessa m anhã de sábado era um hom em que tinha
a mão direita ressequida. Talvez os líderes religiosos tivessem dito ao
hom em que fosse ao culto e pedisse a Jesus p ara curá-lo. Se Jesus caísse
nessa arm adilha, poderiam acusá-lo de violar o sábado e levá-lo ao
tribunal. Em suas m entes legalistas arrazoavam que só um paciente cuja
vida estava em perigo deveria ser curado no sábado; uin hom em com
mão ressequida poderia esperar até o dia seguinte.

Um confronto
Obcecado pela idéia de derrubar Jesus, os fariseus foram incapazes de ver
que ele tinha plena consciência das más intenções deles. Perguntaram a ele
se era perm itido pela lei curar no sábado. Jesus respondeu dando-lhes um
exemplo tirado da vida diária. Ele disse: “Qual dentre vós será o homem que,
tendo uma ovelha, e, num sábado esta cair num a cova, não fará todo o esforço,
tirando-a dali? Ora, quanto mais vale um homem do que uma ovelha?” Ele
concluiu positivamente: “Logo, é lícito, nos sábados, fazer o bem”.
Jesus colocou diante de seus adversários a escolha entre fazer o bem
ou o mal e entre salvar ou m atar um ser humano. Essas eram escolhas
diam etralm ente opostas, às quais qualquer um daria a resposta óbvia de
ajudai’ o próxim o da pessoa. Contudo, os líderes religiosos perm aneceram em
silêncio, o que poderia ser interpretado que eles não tinham mais argum entos
Um homem com a mão ressequida 59

e estavam derrotados. O silêncio deles também significava que eles deixaram


de m ostrar qualquer simpatia para com o homem com a m ão ressequida, que
eles meramente usaram para seus próprios propósitos maus. Eles estavam na
sinagoga não para cultuar a Deus, mas para pegar Jesus num a armadilha.
Não tem os como saber se o homem havia nascido com a mão direita
ressequida ou se havia sofrido um acidente de trabalho. Sua incapacidade o
prejudicava severamente, pois o impedia de fazer trabalho manual comum.
Os fariseus consideravam sua mão direita ressequida uma mancha que proibia
o homem de participar de qualquer atividade tanto na sociedade quanto na
sinagoga. Em vez de expressarem compaixão e amor, eles o desprezavam.
Compreensivamente, o homem tinha vergonha por não poder estender a mão
direita para cum prim entar algum a pessoa que encontrasse e que o saudasse,
D o ponto de vista do homem, ele ficaria feliz se fosse curado por Jesus de
modo que pudesse trabalhar norm alm ente e cuidar de seus familiares.
E n tã o Jesus olhou p a ra seus a n ta g o n ista s, ficou indignado, e se
en tristeceu pela dureza de seus corações. Eles deveriam ser pastores
espirituais das pessoas. Em vez disso, estavam interessados em d estru ir
Jesus porque ele dem onstrava bondade amorosa para com as pessoas. Os
fariseus tentaram efetuar sua ação abominável dando atenção rigorosa à
lei do sábado. M as deixaram de perceber que D eus lhes tinha dado a lei de
amá-lo com o coração, a alma e a m ente e am ar seus próxim os como a si
próprios. Pelos seus atos, eles transgrediram ambas as partes dessa lei.
O homem com a m ão ressequida estava em pé no meio dos cultuadores.
Então, ele ouviu Jesus dizer: “E sten d e a m ão”. Ele fez isso em fé, e
im ed iatam ente a sua m ão d ire ita estava c o m p letam en te restau rad a.
Jesus nem tocou a m ão do homem; só pediu que o hom em a estendesse
p ara todos verem. E fetuando um m ilagre instantâneo, Jesus restaurou
a m ão do hom em de m odo que ele pudesse te r uma vida norm al. Não
houve nenhum trabalho da p a rte de Jesus, que só falou, nem da p a rte do
hom em , que só estendeu a sua mão.
Não nos é dito qual foi a reação do homem para com Jesus depois de sua
cura. M as sabemos o que os fariseus pensaram sobre esse milagre. Eles se
reuniram para tram ar como poderiam destruir Jesus. Estavam enfurecidos
e discutiam entre si o que poderiam fazer para se livrar de Jesus.
Com suas m entes deturpadas, esses religiosos consideraram o m ilagre
de cura de Jesus uma transgressão da lei, e a destruição de Jesus um ato que
m ereceria o favor de Deus. Ficaram cheios de inveja porque Jesus reunia
gran d es m ultidões enquanto eles tinham de enfrentar um punhado de
pessoas. Ele curava doentes, algo que eles eram incapazes de fazer.
Ao fazer o m ilagre de cu rar o hom em com a m ão ressequida, Jesus
não fez nenhum trabalho físico e, p o rta n to , não profanou o sábado. Ele
só disse um a palavra ao hom em que foi curado. Não houve q uebra da lei,
nenhum m otivo p ara acusar Jesus e nenhum a causa p ara espanto. Houve
alegria e felicidade pela restauração do hom em . M as os adversários de
Jesus estavam cegos pelo pecado e cheios de raiva. Foram incapazes de
ver o que ele tinha realizado.

Pontos a ponderar
* D eus deu aos seres hum anos um dia em sete como um dia p ara des-
canso. Ele deu o exem plo ao criar o m undo em seis dias e depois
descansar no sétimo. Ele trabalhou prim eiro e depois descansou no
últim o dia da semana. Jesus ressuscitou do túm ulo no prim eiro dia
da semana, que no fim do século prim eiro já era cham ado de o D ia do
Senhor. Os cristãos descansam nesse dia e trabalham d u ran te o resto
da sem ana para m o strar g ratid ão a Jesus. Eles consideram o dia de
descanso um tem po para a restauração física, espiritual e m ental. E eles
consideram esse dia como o presente de D eus para a hum anidade.

* Hoje o descanso dominical significa que cristãos se reúnem para adorar


a Deus em espírito e verdade. Desde os tempos apostólicos, os cultos
não se restringem a um só lugar, como acontecia em Jerusalém, mas
são realizados em qualquer lugar e em todo lugar. E tem sido assim
através dos tempos.
• Os R eform adores dos séculos 16 e 17 enfatizavam a santidade do D ia
do Senhor. De fato, esse dia pertence ao Senhor e deve ser p reenchido
para o louvor e a glória dele. Isto é, não devemos p assar o dia em ócio
ou prazer egoísta, e sim em atividades que são um a bênção para os
outros. Isso é feito por m eio da com unhão cristã, ensinando ou pre-
gando as E scrituras, e ao visitar os idosos, os inválidos e os doentes.

• Fazemos parte de uma sociedade individualista e móvel na qual às vezes


é difícil criar raízes. Contudo, como pessoas de Deus, precisamos nos
abrir para alcançar nossos vizinhos e mostrar a eles o nosso amor em
Cristo. Na verdade, a Bíblia ensina que precisamos viver em harmonia
uns com os outros e vencer o mal com o bem.
O C R IA D O D O >
CENTUR1ÃO
M ateus 8.5-13; Lucas 7.1-10

Um gentio gentil
U m g ran d e núm ero de judeus havia ido a Jesus com seus pedidos por
cura. E n tre eles havia duas pessoas: Jairo, que pediu p ara cu rar a sua filha,
e um oficial da realeza, que im plorou que ele curasse o seu filho. M as
então um gentio, que era um centurião rom ano, pediu que ele curasse um
de seus criados. Os ju d eu s sentiam liberdade para se aproxim ar de Jesus,
m as os gentios hesitavam porque os ju d eu s os desprezavam e colocavam
os estra n g eiro s no nível de cães. Além disso, os judeus nu triam aversão
pelos m ilitares, porque representavam o odiado governo rom ano, cuja
opressão eles tinham de suportar.
M esm o assim , os e s c rito re s do N ovo T e s ta m e n to p u s e ra m os
centuriões rom anos num foco favorável d u ran te os tem pos de Jesus e
Paulo. O bserve estes casos:

• Junto à cruz, um centurião cham ou Jesus de o F ilh o de Deus.


• C ornélio era um centurião devoto, tem en te a Deus.
• O centurião Julio foi bondoso para com Paulo.

Isso prova que os judeus não odiavam todos os oficiais m ilitares que
estavam a serviço do governo romano. Eles honraram e respeitaram alguns
deles por causa de sua disposição favorável para com as pessoas de Israel.
Lucas relata que um centurião que m orava em C afarnaum amava a
Deus e assistia aos cultos de adoração na sinagoga local. Esse centurião
havia descoberto que a religião ju d ia proclam ava um a m ensagem de
p ureza, santidade, honestidade e ju stiça. E ssas qualidades de vida o
atraíam , porque ele tam bém desejava levar uma vida virtuosa. Portanto,
ele expressava am or pelo povo judeu naquela cidade. Em troca, os ju d eu s
o aceitavam como um tem ente a Deus, ou seja, um gentio que não era
bem um convertido, mas, no entanto, um amigo.
E sse centurião rom ano cria no D eus de Israel e m ostrava am or peio
povo de Deus. Com o exem plo disso, ele estava tão preocupado com a
saúde cada vez mais problem ática de um de seus servos que m andou um
recado pedindo para Jesus c u ra r o jovem doente.
O centurião havia ouvido Jesus pregar na sinagoga de C afarnaum e
o tinha visto realizar m ilagres. Ele aceitava to talm en te as m ensagens
e m ostrava a sua fé traduzindo as palavras de Jesus em ações; ele doou
uma g ran d e som a de dinheiro p ara reedificar a casa de culto dos judeus.
Por causa de sua generosidade e sua assistência aos cultos, foi-lhe dado
um assento na sinagoga reconstruída.
Ao pedir a Jesus que curasse o seu criado, o centurião dem o n stro u
um am or incom um para com esse jovem a quem cham ou de “meu rap az”.
Ele expressou carinho especial po r ele, pois o amava como se fosse seu
próprio filho. Esse servo estava deitado em seu leito com dores terríveis
e com todas as indicações de que sua vida estava se esvaindo aos poucos.
N enhum m édico havia conseguido c u ra r a paralisia do m enino; contudo
o centurião acreditava firm em ente que Jesus podia so b ren atu ralm en te
resta u ra r a saúde dele.

Os intermediários judeus
O centurião fazia p arte do exército que servia a H erodes Antipas, que
era o governador rom ano nom eado da Galiléia. Ao fazer am izade com os
judeus e especialm ente com os líderes em Cafarnaum , o cen tu rião tinha
obtido o respeito da população judia.
E m bora o ce n tu riã o tivesse chegado a c o n h ecer Jesus com o m estre
notável que falava com g ra n d e au to rid ad e e e ra um c u ra d o r com po d er
so b re n a tu ra l, ele não se sen tiu digno de ir d ire ta m e n te a Jesus com
o seu pedido u rg en te . O s líderes ju d eu s sabiam do rap az d o e n te na
casa do centurião, e estavam dispostos a aju d ar o c e n tu riã o q u an d o
ele pediu que se rv isse m de in te rm e d iário s e n tre ele e Jesus. A ssim ,
com a ajuda de c o m p a trio tas de Jesus, o c e n tu riã o ousou p ro c u ra r o
G ra n d e M édico.
Os líderes ju d eu s disseram elogios a respeito desse g en tio que vivia
e n tre eles e que era um quase convertido à sua religião. Eles assum iram
a tarefa de ser os porta-vozes do centurião p ara ro g ar a Jesus que fosse
e curasse o jovem paralisado.
Com o m o ra d o r de C afarnaum , Jesus devia te r ouvido falar desse
hom em m ilitar rom ano que freqüentava os cultos e que tin h a financiado
a reconstrução da sinagoga local. Q uando os anciãos lhe tro u x eram
a notícia do rapaz doente e o pedido para a cura, Jesus pro n tam en te
concordou em ir à casa do centurião.
Vemos nesse caso uma reação em cadeia. O centurião comunicou aos
anciãos ju d eu s a condição do seu servo; por sua vez, os anciãos foram a
Jesus e o in teiraram de quem era o centurião rom ano; e, como resultado,
Jesus reagiu favoravelm ente ao pedido deles.
P a r a Jesu s isso sig n ific a v a e n tr a r n a casa de um g e n tio , m as
os r e g u la m e n to s de p u re z a ju d e u s im ped iam qu e ele fizesse isso.
A p a re n te m en te , os líd e res d escu id aram dessas leis n o in te resse de
a g ra d a r o centurião. Além disso, Jesus to rn a ra conhecido que o seu
m inistério não se lim itava às pessoas de sua pró p ria nação, m as estava
a b erto a todos sem olhar raça, cor ou nacionalidade.
Os líderes judeus disseram a Jesus que ele deveria a ten d er ao pedido
do centurião p ara c u ra r o menino, pois ele era d igno de ser ouvido. M as
o com entário deles não com binava com as ações e palavras do centurião.
O oficial m ilitar não tinha vindo se en c o n tra r com Jesus pessoalm ente,
tendo dito que não se considerava digno de te r Jesus sob o seu teto.

Um homem de fé
A m igos do c e n tu riã o foram a Jesus com um a m en sa g e m dele.
D isseram que o M e stre não deveria se inco m o d ar em ir até a casa dele,
p o rq u e o ce n tu riã o se n tia -se to ta lm e n te in d ig n o de rec e b e r Jesus. P o r
m eio de seus m en sageiros, o oficial pedia a Jesus que só d issesse uma
p alav ra de cura e isso seria suficiente para c u ra r o rapaz. Ele não pediu
qu e Jesus visse ou tocasse o doente. T u d o o que ele pedia era que o
G ra n d e M édico dissesse palavras a um a d istân cia da casa e assim a
c u ra aconteceria.
As palavras e as ações do centurião são eloqüentes. Aqui tem os em
ação um retrato de fé sólida como rocha. O centurião sabia que Jesus
tinha autoridade para fazer milagres; em comparação, ele via a sua própria
autoridade como m eram ente um brilho pálido. E le disse ser um hom em
sob a autoridade rom ana e que ele, po r sua vez, tinha recebido p oder de
d ar o rdens aos soldados que estavam sob o seu comando. Podia m andar
um deles ir e o soldado ia, o utro vir, e cie vinha, e ainda o u tro fazer isto
ou aquilo e ele obedeceria.
E sse oficial não se julgou digno de Jesus e n tra r em sua casa, que
provavelm ente era bem m ais espaçosa do que a dos cidadãos comuns. De
o u tro lado, Jesus não olhava p ara as riquezas m ateriais. E le discerniu a
fé do hom em , o considerou digno e concedeu o seu pedido.
Com toda humildade, o centurião disse a Jesus: “Apenas m anda com uma
palavra, e o meu rapaz será curado”. Ele era um hom em de fé totalm ente
cônscio de seu desm erecim ento na presença de Jesus, o Filho de Deus.
Resumindo, o centurião não considerou que Jesus fosse um hom em comum,
e sim um homem que Deus tinha enviado dotado de autoridade divina.
E sse m ilita r reconheceu a em inência, a m ajestade, a realeza e a
pu reza de Jesus. Suas palavras não só refletiam um a posição que nas
forças arm adas era da m aior im portância, como tam bém indicaram a sua
subm issão ao poder mais alto que jam ais havia encontrado.
Não é de adm irar que Jesus elogiasse o gentio por um a fé que ofuscava
a do povo judeu de seus dias. Jesus disse que não e n co n trara tão g ran d e fé
em nenhum lugar de Israel. Ele olhou para o fu tu ro e viu que gen tio s se
voltariam para ele em núm eros assom brosos e viriam tan to do O cidente
quanto do O riente. Eles participariam de um banquete com os patriarcas
Abraão, Isaque e Jacó e todos os profetas no reino dos céus (M t 8.11).
E n tre ta n to , os judeus incrédulos seriam excluídos dessa festa celestial;
seriam lançados para fora, nas trevas.
M ediante esses interm ediários, Jesus disse ao centurião que a sua
fé tinha sido respondida e tinha efetuado o m ilagre da cura. O G ran d e
M édico tinha curado o rapaz de longe sem nunca tê-lo visto. Quando
os am igos reto rn ara m à casa do centurião, en c o n tra ra m o rapaz com
excelente saúde e de volta ao seu aspecto norm al.
A parentem ente, quando Jesus encontrava os gentios, ele não entrava
na casa deles, m as curava seus doentes a distância m eram en te dizendo
uma palavra às pessoas que cuidavam deles. O u tro bom exem plo é a
m ulher siro-fenícia, p e rto da cidade de T iro , cuja filha estava possessa
por demônio.
Pontos a ponderar
• M uitas vezes Jesus repreendeu seus discípulos pela falta de fé. Q uando
d em onstraram m edo ou duvidaram , ele os descrevia com as palavras
“hom ens de pouca fé”. As E scrituras lhes foram ensinadas e eles tinham
Jesus como seu in stru to r a cada dia. E, para vergonha deles, tem or e
falta de confiança os acom panhavam .

• Em contraste, um centurião rom ano não fora instruído nas E scrituras


desde cedo e não tinha a v antagem de ser discípulo de Jesus. Ele demon­
strou sua total confiança naquele que o louvou por ter fé m aior do que
qualquer pessoa em Israel. Esse gentio foi o prim eiro de incontáveis
m ultidões em todo o m undo que colocariam sua fé em Jesus.

• N enhum psicólogo pode explicar o m ilag re que ocorreu a distância


do doente. N inguém que cura pela fé pode alegar ter o m esm o poder
para c u ra r que Jesus dem onstrou sem ver nem to car o doente.

• Jesus curou os doentes não p o r causa dos in term ed iário s ju d eu s e sim


p or causa de sua própria autoridade sobre doença com binada com a fé
incondicional que o g entio tinha nele.

• Q uando dem onstram os to tal confiança nas prom essas de D eus e re­
conhecem os o seu poder que a tudo inclui, experim entam os resultados
definitivos porque D eus nunca volta atrás na sua palavra. Se tiverm os
fé tão pequena como a m enor das sem entes do jard im , serem os ca­
pazes sim bolicam ente de m over m ontanhas. Pela fé sabem os que ele
en d ireitará nossos caminhos.
O FILHO D O OFICIAL
João 4.46-54

Um oficial judeu
Jesus voltou à cidade de Caná, onde havia transform ado água em vinho
num a festa de casam ento. E nquanto estava lá, um oficial de descendência
ju d ia que estava a serviço de H erodes A ntipas foi procurá-lo com um
pedido urgente. E le deixara um filho que estava seriam ente d oente e
quase à m orte em sua casa em C afarnaum . T in h a ouvido que Jesus havia
chegado de Sam aria e que talvez fosse a C afarnaum .
A urgência da doença do filho forçou esse oficial a viajar até Caná,
um a distância de mais de 32 quilôm etros de sua casa. N ão sabem os se ele
foi m ontado num burro ou se foi a pé. Ele chegou a Caná naquela tarde
e foi diretam ente a Jesus.
Por ser um c o nterrâneo judeu, ele podia aproxim ar-se do G ran d e
M édico e não precisava da ajuda de um interm ed iário para tra n s m itir
o seu pedido. Sabia por ouvir dizer e por o u tras evidências que Jesus
realm ente tinha poder sobrenatural p ara c u ra r o seu filho. De fato, Jesus
havia realizado alguns m ilagres extrao rd in ário s em Cafarnaum . Esse
conhecim ento bastava p ara o oficial. Se Jesus tinha sido o op erad o r de
m ilagres para outros, ele podia fazer o m esm o p ara seu filho.
O oficial judeu não perdeu tem po em se d irig ir a Jesus e p edir que
fosse im ediatam ente a C afarnaum . M as o M e stre pareceu hesitar, e em
vez de atender ao pedido do oficial, passou algum tem po ensinando os
galileus que o rodeavam . Ele os repreendeu pela fé que eles tinham , que
só se to rnava evidente quando o viam fazer m ilagres. Portanto, a religião
deles nada m ais era do que um fingim ento. A falta de fé genuína deles
resultava de curiosidade e provava não te r n enhum relacionam ento com
Jesus, o M essias. Essa superficialidade sim plesm ente não podia serv ir
como a lternativa aceitável à fé.
E m bora o oficial estivesse em pé ao lado de Jesus e o ouvisse falar aos
galileus, ele, sim, havia ido im pulsionado pela fé. E ssa fé aparecia em seu
desejo de que Jesus curasse o seu filho. Seu pedido era que Jesus fosse
antes que o filho m orresse. Q uando o G ran d e M édico m andou-o voltar
para casa porque o seu filho viveria, a fé do hom em floriu. Ele creu no
que Jesus disse e voltou im ediatam ente para Cafarnaum .
Ao in s tr u ir o oficial a voltar, Jesus lhe a sse g u ro u que seu filho
viveria. Sua ordem teve o efeito de a um entar a fé do hom em . Por e star
anoitecendo, o hom em só pôde viajar parte do caminho e teve de p ern o itar
num a hospedaria. M as na m anhã seguinte ele reto m o u seu cam inho para
casa. E n quanto ainda estava a certa distância da casa, seus servos foram
e n co n trar-se com ele com a notícia agradável de que seu filho estava
vivo e são.
O oficial já antecipava essa notícia. A ntes m esm o que os servos
chegassem perto, ele viu seus rostos felizes e ouviu seus com entários
entusiasm ados. E le perg u n to u a que horas do dia a saúde do m enino
havia sido restabelecida. Q uando lhe disseram que havia acontecido de
repente, às sete horas da noite do dia anterior, ele reconheceu que era
a hora exata em que Jesus lhe havia dito que voltasse e que o seu filho
estaria bem.

Semelhanças
As sem elhanças e n tre o centurião e o oficial são inconfundíveis. Jesus
realizou am bos os m ilagres a distância - um p e rto da casa do centurião
e o o u tro cerca de 32 quilôm etros de Cafarnaum . No prim eiro caso o
paciente foi cham ado de rapaz no sentido de “um filho da casa”, e no
o u tro o doente era um filho. Os dois hom ens estavam servindo ao m esm o
governador, H erodes A ntipas, um com o centurião e o o u tro como oficial.
Am bos depositaram sua fé em Jesus e viram resu ltad o s óbvios.
Contudo, não daria para cham ar esses dois incidentes de dois relatos do
mesmo acontecim ento como às vezes é feito, o que fica claro pelas diferenças
que identificam os dois relatos. Prim eiro, um era gentio e o outro, judeu.
Depois, Jesus exaltou a fé do centurião como sendo a maior, enquanto a fé
do oficial aum entou no decorrer do tempo. E tam bém, o gentio estava em
Cafarnaum quando ele se comunicou com Jesus por interm ediários, mas
o oficial foi até Caná e falou diretam ente. E finalmente, as doenças eram
diferentes: um paciente sofria de paralisia e o o utro tinha febre.
Jesus repreendeu os galileus incrédulos que estavam in teressados em
vê-lo executar um m ilagre. Eles queriam ver um sinal, m as o oficial não
tinha ido pedir um sinal. Ele fora com o pedido p ara c u ra r o seu filho,
que estava p restes a m o rre r em Cafarnaum , e pela fé ele creu que Jesus
ouviria o seu pedido. Essa fé foi respondida com a sim ples in stru ção de
que fosse para casa e a prom essa de que seu filho viveria. Quando o oficial
foi p ara casa, viu que Jesus tinha resta u ra d o a saúde de seu filho.
A alegria na casa do oficial foi exuberan te. Todos queriam saber
exatam ente onde Jesus estava e o que ele havia dito e feito. P erg u n taram
ex atam ente como foi feito o pedido do oficial, como Jesus lh e havia
respondido e por que ele havia se dirigido à m ultidão em volta dele. A
m ultidão queria ver um m ilagre, e o m ilagre de fato aconteceu, m as eles
nunca o viram acontecer.
O oficial descreveu Jesus como um hom em com poder divino, o G rande
M édico e o M essias. Ele não só falou de sua fé em Jesus, m as tam bém
levou todos os m em bros de sua casa à fé em Cristo. Ele se to rn o u um
evangelista para Jesus. E mais ainda, seu filho foi prova viva do poder
de Jesus de cu rar os doentes m esm o a distância.

Pontos a ponderar
■ O s cristãos não precisam ver sinais e m aravilhas p ara crerem em Jesus.
O que eles precisam saber e se n tir é a presença de Jesus ao lado deles.
Precisam reconhecer que ele providencia p ara eles em todas as suas
necessidades diárias. E esses suprim entos providenciais são m ilagres
em si mesmos, pois são respostas à oração. Eles precisam d eclarar que
a essência da fé consiste em crer sem ver.

* A E scritura ensina claram ente que ninguém consegue ag ra d a r a D eus


sem fé, ou seja, a fé é um requisito absoluto para que alguém possa
aproxim ar-se de Deus. Realm ente, D eus vê como pecado qualquer
coisa que não tenha a sua origem na fé.
Jesus curou pessoas doentes a distância p o r causa da fé daqueles que
cuidavam dos doentes. E le ainda responde a orações feitas pelas pessoas
a favor de entes queridos, m as elas nem sem pre recebem um a resposta
afirm ativa. As vezes, a resposta é positiva, às vezes é negativa e ainda
em ou tra s vezes ela virá m ais tarde.

Jesus convida as pessoas de todas as raças, cores, nacionalidades, países


e línguas pa ra irem e colocarem sua fé nele. N inguém está excluído e
cada um tem a m esm a im portância n a presença dele. Se Jesus vê todas
essas pessoas como seus irm ãos e irm ãs, devem os fazer o mesmo. N o
céu todos aqueles que rodeiam o trono de D eus vivem sem preconceito
e estão cheios de am or uns p ara com os outros.
A M U L H E R EN FERM A >®=
Mateus 9.20-22} Marcos 5.25-34; Lucas 8.43-48

A sofredora silenciosa
U m a m ulher que m orava em C afarnaum sofria havia doze anos de
um a h em orragia que enfraquecia o seu corpo. Ela ten tav a esconder o
problem a, m as não conseguia encobrir a sua palidez que m ostrava a
todos que ela estava doente. Segundo a lei levítica, sua perda de san g u e a
to rn ava im unda. Assim, ela ficava severam ente lim itada q u an to a assistir
aos cultos religiosos na sinagoga local e nunca podia p ensar em viajar
até o tem plo, em Jerusalém . O que quer que ela tocasse, era visto como
imundo; portanto, ela se tornava um em baraço para si m esm a e p a ra as
pessoas à sua volta. A Lei de M oisés estipulava que a cama em que ela
dorm ia, a cadeira em que ela se sentava e as roupas que ela usava eram
todas imundas. Q ualquer pessoa que a tocasse ou a quaisquer desses itens
era tam bém considerada imunda.
Essa m ulher tin h a ten tad o todos os rem édios caseiros disponíveis
para estancar o fluxo de sangue, m as nada parecia ajudar. O mal, com a
vergonha que o acom panhava, havia se torn a d o p a rte de sua vida diária.
Ela era uma exilada e vivia a vida de uma pessoa solitária.
O evangelista M arcos nos conta que m uitas vezes ela havia procurado
médicos p ara achar alívio e um a possível cura. M as um após ou tro haviam
concluído que seu mal era um caso sem esperança e nada podia ser feito
po r ela. M as m esm o assim, toda vez que ela ia a um médico, tin h a de
pagar. Com o passar dos anos, os seus recursos financeiros dim inuíram
a po n to de agora ela e sta r m uito pobre.
A m ulher sofria em silêncio. Sabia que, p or não ex istir ajuda médica
para ela, não viveria m uito tem po. Seu corpo era incapaz de lidar com o
esvair contínuo do seu suprim ento de sangue. Ela ficaria cada vez mais
fraca com o passar do tem po até finalm ente m orrer,
U m a pessoa que está doente, m as rodeada de pessoas p ara cuidar
dela, recebe atenção diária. M as essa m ulh er que sofria de perda de
sangue suportava sua aflição em silêncio p o rque não tin h a ninguém que
a ajudasse. Com o um pária, em bora a culpa não fosse dela, ela ficara
com pletam ente sem esperança e sem auxílio.

Ajuda no caminho
Jesus havia curado m uitas pessoas em C afarnaum e o u tro s lugares.
C onseqüentem ente, inúm eras pessoas iam com seus doentes e pediam
que ele as curasse. A m ulher que sofria de uma p erd a gradativa de sangue
sabia da capacidade de Jesus p a ra c u ra r pessoas doentes. Ela pensou em
p ro cu ra r esse m édico galileu que nunca recusava ajudar aqueles que
tinham algum a doença.
Q uando chegou à frente do porto onde esperava que Jesus estivesse, ela
o viu chegando num barco de pesca e nquan to um a m ultidão o esperava
desem barcar. C hegando à praia, Jesus foi rodeado p or m uitas pessoas de
m odo que a m ulher logo entendeu que era impossível aproxim ar-se dele.
Ela passou alguns in sta n te s criando um plano para po d er chegar p erto
de Jesus. E stava convencida de que se pudesse to car só a bainha de sua
capa quando ele passasse perto, ela ficaria curada.
A m ulher se agachou bem ao lado da estrad a em que Jesus vinha
ca m in h a n d o p a ra e n tr a r na cidade. A lg u m as p esso as na m u ltid ão
d isse ram p a ra ela sair do c am inho ou ficaria m achucada. M as ela
esperou pacientem ente até Jesus chegar p e rto dela, enquanto a m ultidão
era forçada a passar à sua volta. E nquanto estava sentada ali, Jesus se
aproxim ou e a m ão da m ulher tocou a borda de sua túnica.
L ogo após o toque, ela im ediatam ente sen tiu um po d er invisível
fluir pelo seu corpo resta u ra n d o a sua saúde. Im ed iatam en te soube que
Jesus a havia c urado ainda que ela não tivesse falado com ele. Ela podia
s e n tir força renovada em seus braços e pernas. E m b o ra n ão pudesse
v er o seu p ró p rio rosto, ela sabia que a pele do seu ro sto não estava
m ais pálida, que a sua pele havia se to rn a d o rosada. A g o ra ela estava
visivelm ente sadia.
D e repente, Jesus parou e perg u n to u às pessoas: “Q uem m e tocou?”
Para elas, a p ergunta era ridícula e fez que seus discípulos lhe dissessem
que m uitos na m ultidão o haviam tocado ao e m p u rrá-lo p a ra a frente
e para o lado. M as o curador galileu ficou firm e e disse que poder de
cura havia saído dele. Ele passou os olhos em to rn o da m ultidão e então
localizou a m ulher agachada. De acordo com a lei ela era im unda, e então,
depois de tê-lo tocado, ele tam bém se to rn a ra imundo.
O c o n strangim ento da m ulher não podia ser maior. À vista de todos,
Jesus a destacou, e ela não tinha como pleitear inocência. T rem en d o
aos pés de Jesus, ela im aginava que ele ia repreendê-la. M as quando ela
levantou os olhos para Jesus, soube que ele não iria rejeitá-la. Os olhos
dele não m ostravam nada a não ser am or e bondade.
Criando coragem , a m ulher contou a Jesus sobre sua condição física,
seu desejo de ser curada e sua fé nele. A dm itiu que havia sentido o seu
poder de cura através do seu corpo e que naquela m esm a hora o fluxo
de sangue havia parado. Ela sabia que estava curada.
Jesus olhou para ela e bondosam ente a cham ou de filha, um term o
carinhoso. D epois acrescentou: “A tu a fé te salvou; vai-te em paz e
fica livre do teu m al”. Jesus a curou física e e sp iritu alm en te; ele curou
toda a sua pessoa, porque a frase “te salvou” se refere ta n to ao corpo
q u an to à alma.
A fé dessa m ulher pode ter sido tão pequena qu an to um g rão de
m ostarda, mas foi suficiente para o b ter a cura do seu corpo. A fé da
m ulher m oveu as m ontanhas da solidão, da agonia, da preocupação e da
pobreza. Pela fé em Jesus, ela triunfou sobre todas as probabilidades que
estavam contra ela.

Pontos a ponderar
• D u ra n te o m inistério de Paulo em Efeso, pessoas doentes tocavam
um dos lenços ou aventais que ele tivesse usado e, em resultado, eram
curadas. Isso não significa que pessoas que estejam sofrendo de um a
doença devem tocar as roupas de um cu ra d o r ou cu ran d eiro para
serem curadas. N ão é o tecido e sim Jesus que cura os doentes; não
foi a capa, m as Jesus que resta u ro u a m ulher. Há um a diferença en tre
roupa e confiança, tecido e fé.
• Q uando algo lim po e n tra em contato com algo im undo, p o r exemplo,
quando um vestido branco e n tra em contato com a fuligem, o limpo
to rn a -se imundo. Isso não acontece com Jesus, que é a fonte da p ureza
e da santidade. E le tran sfo rm a o que é im puro e im perfeito em objetos
de santidade e perfeição. Ele tem o poder de lim p ar os nossos pecados
que são verm elhos com o escarlate e to rn á -lo s brancos como neve.

• A fé é o cam inho pelo qual o poder de D eus flui livrem ente a pecado­
res que põem em C risto a sua confiança. E um conduto que e n treg a a
bênção da cura de Deus, o Pai, a seus filhos confiantes.

• Por vezes nos perguntam os: “O que os ou tro s pensariam de mim, se


eu pedisse a Jesus que m e curasse?” M uitas vezes somos im pedidos
m ais pelo m edo do que os parentes, am igos ou conhecidos poderiam
dizer a respeito das nossas ações. N ós ansiam os pela aprovação social
e, p or isso, deixam os de ir a Jesus. M uitas vezes ele é o últim o a quem
nossos problem as são contados, enquanto ele deveria ser o prim eiro
a saber a respeito deles. Se eu declaro que ele é meu amigo, devo ir a
ele im ediatam ente e c o n ta r m inhas dificuldades livrem ente. E le está
disposto a ouvir e está p ronto para ajudar.
A M U L H E R ALEIJADA
Lucas 13.10-17

Uma curvatura na espinha


D urante longos dezoito anos uma m ulher fora incapaz de end ireitar as
suas costas. Seu mal era provavelm ente algo que conhecem os com o um a
deform idade das v é rte b ra s que tinham aos poucos se unido e acabaram
por se fundir. N um período relativam ente curto, a espinha da m ulher
estava com pletam ente dobrada e o resultad o disso era que ela andava
olhando para o chão. Ela cambaleava e por isso tinha de usar uma bengala
para lhe dar um pouco de estabilidade.
A condição física da m ulher provocou um desequilíbrio do seu sistem a
nervoso de m odo que o seu corpo bem como a sua m ente não estavam
bem. A m ulher estava num a situação lam entável que nenhum médico
havia conseguido curar.
Jesus analisou acertadam ente a sua condição espiritual quando lhe disse
que satanás a tinha am arrado por dezoito anos. Isso não queria dizer que era
endemoninhada, m as que a sua condição de aleijada havia sido causada pelo
diabo. Esse espírito m aligno era a causa real de seu estado deplorável.
Contudo, a m ulher estava livre para ir aos cultos de adoração no
sábado para ouvir a Palavra de D eus explicada p elo preg a d o r local. Em
certo sábado em particular, ela foi à sinagoga e ali soube que o líder da
sinagoga convidara o profeta Jesus de N azaré p ara pregar. Ela havia
ouvido m uitas histórias sobre esse profeta e especialm ente a notícia que
ele tinha o poder de curar. Cheia de expectativa, ela se sentou e esperou
o culto começar.
A m ulher ficou entretendo o pensam ento de que talvez Jesus a notasse,
visse a sua condição e quem sabe lhe concedesse a cura. Por ela ser uma
m ulher, não tinha a liberdade de se aproxim ar de Jesus como um homem
poderia. D e fato, devido à sua condição, ela teve dificuldade em focar sua
atenção em Jesus d u ran te o culto.

Uma resposta inesperada


Q uando Jesus term inou a sua pregação, ele olhou para a m ulher aleijada
e disse: “M ulher, você está libertada de sua enferm idade”. A palavra mulher
era cultu ralm en te aceitável naqueles dias da m esm a m aneira que hoje
nós nos dirigim os a um a m ulher, cham ando-a de senhora.
Jesus colocou as duas m ãos nos om bros dela, e então ela sentiu um
poderoso fluxo e n tra r e c o rre r através do seu corpo. Im ediatam ente ela
sentiu que estava curada tan to física q uan to m entalm ente. Ela podia
sen tar-se reta e a dor que tinha sido sua com panheira c o n stan te havia
desaparecido. T a n to o seu corpo q uanto a sua m ente foram libertos da
escravidão. Satanás tinha perdido o dom ínio sobre ela, po rq u e ag o ra ela
podia ficar ereta e não precisava mais da bengala.
Q ue alegria e alívio! A m ulher não conseguia se se g u ra r e em voz
alta louvava a D eus com palavras de ações de graças. Queria que todos
ouvissem que um m ilagre havia acontecido. E m b o ra não tivesse pedido
a Jesus que a curasse, a sua devoção a D eus era evidente pelo fato de ela
assistir fielm ente aos cultos. Ela havia esperado pacientem ente pelo seu
D eus que, de repente, por interm édio de Jesus a tinha curado.
A m ulher esperava que todos na sinagoga se regozijassem com ela. E
foi ex atam ente isso o que aconteceu. Todos os cultuadores expressaram
a aleg ria com ela. T odos glorificaram a D eus p o rque um m ilagre havia
ocorrido no meio deles.
E n tre ta n to , o líder da sinagoga não ficou nada satisfeito com o que
Jesus havia feito. Ele não se dirigiu a Jesus d iretam ente, mas falou à
congregação. E le disse: “H á seis dias nos quais o trab alh o deve ser
feito. Venham nesses dias e sejam curados, mas não no sábado". O único
trabalho, se é que pode ser cham ado trabalho, que Jesus havia feito foi
p ôr suas m ãos nos om bros da m ulher e dirigir-se a ela com as palavras:
"M ulher, você está libertada de sua enferm idade”.
O líder reconheceu que Jesus era um c u rad o r de doenças, m as fez
objeção a que ele fizesse isso no sábado. E le não fazia objeção a que ele
curasse, mas, segundo ele, isso não devia ser feito no dia de descanso. E le
era um legalista rigoroso que via Jesus como um violador da lei cujas
ações desonravam a ele, o líder da sinagoga. Sentiu que era seu dever
rep reender o p regador v isitante por te r ultrapassado o lim ite em relação
à observância do sábado. Ele sabia que tinha de m an te r o sistem a legal
de sua cultura e por isso tinha de falar.
Jesus reagiu não à congregação jubilosa, m as à m esquinhez do líder
da sinagoga e seus com panheiros. E le os cham ou de hipócritas e deixou
bem claro que a visão deles quanto à g uarda do sábado não era a vontade
de Deus. Para explicar o que estava dizendo, ele usou um a ilustração da
vida diária. Q ualquer pessoa que possui um boi ou um b u rro tiraria o
anim al da baia no sábado e o levaria ao cocho com água para que pudesse
beber. O líder da sinagoga cham aria isso de trabalho? Ele responderia:
“E claro que não, porque isso é necessário”.
O argum ento de Jesus foi do m enor ao maior. Se é necessário cuidar de
anim ais no dia de descanso, não é tam bém necessário cuidar do povo de
D eus nesse dia? A resposta é óbvia porque D eus tem m uito mais estim a
pelo seu povo do que pelo resta n te da sua criação.
Se os anim ais precisam ser soltos de suas baias no sábado, os seres
hum anos não precisam ser soltos de suas cadeias nesse m esm o dia? Se
Satanás havia m antido essa m ulher am arrada com uma grave enferm idade
p o r dezoito anos, não era necessário Jesus soltá-la das suas cadeias sem
dem ora? Satanás m anteve essa m ulher presa no seu reino de trevas
d u ran te todos esses anos, m as Jesus a cham ou de filha de A braão e a
soltou em seu reino de luz.
O chefe da sinagoga e seus com panheiros tinham ten tad o acusar Jesus
de q uebrar a lei. M as as palavras do M estre expuseram a hipocrisia deles
e eles foram envergonhados na presença dos adoradores.
As pessoas no culto se a le g ra ra m por causa das coisas glo rio sas
que Jesus havia feito e continuava a fazer. N ão foi só a cura da m ulher
aleijada, m as m uitas o utras curas m aravilhosas tam bém . Jesus revelou
o seu poder de d e stru ir os im pedim entos que Satanás havia colocado
sobre o povo e que o m antinham em servidão. Ele via o efeito destru tiv o
do reinado de Satanás sobre este m undo e se opunha a ele restau ran d o
a saúde dos sofredores. N ão é Satanás, m as sim Jesus que tem a últim a
palavra, porque ele é o V encedor e Satanás é o vencido.
Pontos a ponderar
• Jesus fez o seu trab alh o de ensinar na sinagoga e c u ra r no sábado
por am ar seus sem elhantes hum anos. Ele m o stro u que a lei do am or
transcende a lei do sábado. Contudo, um não cancela o outro, pois
am bos perm anecem intactos. A lei do am or é destacada como um
resum o dos D ez M a ndam entos e, po rta n to , sem pre os supera em
todas as situações.

• O am or que devem os ao nosso vizinho não deve colocar de lado o


m andam ento de ob serv ar o dia de descanso. Am bos podem e m uitas
vezes devem ser observados no m esm o dia. Jesus usou seus poderes
tan to de ensinar as E sc ritu ra s q uanto de cu rar os doentes em benefí­
cio das pessoas. Ele nos ensina a lição de h o n rar os m andam entos de
D eus de tal m aneira que dem onstrem os o nosso am or para com Deus
ao am ar o nosso próxim o como a nós mesmos.

• Parece que Jesus repetidam ente curou pessoas no sábado e invariavel­


m ente foi repreendido pelos fariseus e m estres da lei. Seu objetivo era
lem brar às pessoas que o sábado é um dia de descanso e alegria, não um
dia de triste z a e condenação. O apóstolo Paulo escreve esta re g ra de
vida: ‘A legrai-vos sem pre no Senhor; o u tra vez digo: alegrai-vos”.

• Jesus cham ou a m ulher de filha de Abraão, não porque ela houvesse


se to rn a d o uma, m as porque ela já era uma. E la fazia p a rte da aliança
que D eus fez com A braão e seus descendentes. Isso significa que ao
reivindicar essas prom essas da aliança ela é beneficiária da fidelidade
e da graça de Deus. N ós tam bém fazem os p a rte dessa m esm a aliança
pela obra de m ediação de Jesus nosso Senhor. Todos os direitos e
privilégios que D eus deu a A braão são nossos por meio da obra de
expiação de C risto sobre a cruz.
O HOM EM C O M
H ID R O P ISIA
Lucas 14.1-4

Um hóspede para o almoço


Jesus era o preg ador v isitante em m uitas sinagogas, especialm ente na
Galiléia, mas tam bém na Judéia. D epois de um culto na m anhã do sábado,
o p regador v isitante g eralm ente era convidado p o r um líder im p o rtan te
da com unidade para alm oçar com ele. M ais freqüentem ente, esse líder
era um fariseu que não só conhecia as E sc ritu ra s como tam bém era um
m eticuloso observador da lei e p a rticularm en te do m andam ento para
g u ard ar o sábado como dia santo.
Dependendo do clima, o anfitrião servia a refeição do sábado ao ar
livre, no seu pátio, em vez de num a sala apertada. Com m esas ex tras para
acomodar certo núm ero de hóspedes, entre eles m estres doutos e fariseus,
a refeição podia ser uma ocasião festiva porque era sem pre bem preparada.
O tópico de conversa, no entanto, dava o tom da reunião, que poderia ficar
desagradável se o anfitrião e o visitante discordavam en tre si.
O anfitrião havia escutado a exposição de Jesus na sinagoga e talvez
não tivesse ficado feliz com o serm ão. Seria por isso que especialm ente
depois do cu lto o hospedeiro tivesse con vidado p ara o alm oço um
hom em que estava sofrendo de hidropisia? E ssa é um a doença que faz
que água se acum ule nas áreas do pescoço, dos braços e das p ern as bem
com o em o u tra s p a rte s do corpo. O conhecim en to m édico não estava
desenvolvido e os m édicos daquele tem po eram incapazes de tra ta r
r O hom em com hidropisia 79

pacientes que sofriam dessa enferm idade. A p esar da reten ção de água
no seu corpo, o paciente podia p a rticip a r de m uitas das atividades na
vila onde m orava.
Presum im os que o anfitrião havia convidado o hom em para testa r
Jesus quanto à sua atitude ein relação à observância do sábado. Ele queria
que o m estre se desviasse das norm as aceitas para que, com os outros
convidados, pudesse acusar Jesus de que b ra r a lei. D u ra n te a refeição,
as pessoas observaram Jesus a tentam ente p ara ver o que ele faria com
respeito ao hom em hidrópico. Jesus curaria o hom em no sábado, violando
desse m odo a santidade do dia de descanso? O anfitrião controlava o tom
da conversa d u ran te o alm oço e, conseqüentem ente, a conversa era em
voz baixa. As pessoas sentiram que a atm osfera rein a n te não estava boa
e que algo estava p ara acontecer.
E m bora Jesus fosse o convidado de honra, o dono da casa e os o u tro s
visitantes não lhe d e m onstraram o respeito devido. Em vez de conduzir
um a conversação anim ada e agradável, estavam quietam ente observando
Jesus como se ele ignorasse suas m otivações.
O n d e q u e r que estivesse, Jesus pregav a am o r a D eus e am or ao
próxim o. Q uando havia uma oportunidade de e x p ressar suas palavras
em atos, ele m ostrava o am or em ação. É claro que ele estava plenam ente
ciente das intenções dos fariseus, m as queria ensiná-los que o am or pelo
p róxim o supera a lei da observância do sábado.
Jesus p e rguntou aos doutos teólogos e fariseus se era lícito c u rar
no sábado. T endo colocado a perg u n ta, a resp o sta que ele recebeu foi
silêncio absoluto. O anfitrião e seus convidados reconheceram que tinham
encontrado quem estava à altura deles, p orque Jesus os tinha em baraçado
com um a sim ples p e rg u n ta sobre fazer algo bom no dia de descanso.

O resultado
Jesus estava to ta lm e n te no c o n tro le da situação. Não foi nem o
anfitrião nem seus convidados que fizeram a p erg u n ta para saber se era
lícito c u ra r no sábado. Jesus a fez. Eles estavam derrotados, m as eram
m aus perdedores. Seus corações endurecidos faziam -nos resistir a Jesus
e m o strar hostilidade p ara com ele, que havia colocado a p e rg u n ta no
c o n texto de fazer um a boa ação no sábado p or am or a um sem elhante.
P ro fundam ente tocado de am or pelo hom em sofredor, Jesus pôs a sua
m ão sobre ele e restau ro u o seu corpo. Isso foi um m ilagre. Os rins do
hom em , que funcionavam mal, passaram a funcionar norm alm ente, e a
água e x tra em seu corpo de repente desapareceu. A aparência do liomem
m udou com pletam ente. N a verdade as pessoas não podiam deixar de
ver a transform ação radical. O hom em ficou tra n sb o rd a n te de alegria e
felicidade e saiu depois de a gradecer a Jesus.
Jesus continuou a se dirigir ao dono da casa e aos instruídos convidados
à mesa. Ele usou um exem plo que ilustrav a um a experiência que não
era incom um na vida diária. Perguntou; “Quem de vocês, se seu filho ou
seu boi cai num poço num sábado, não o tira de lá im ediatam ente?” A
resposta a essa perg u n ta era óbvia, pois o am or da pessoa p o r um filho
ou o cuidado por um anim al pediria ação imediata. Jesus com parou o
possível afogam ento de um filho ou boi num poço com o hom em que
tinha excesso de água em seu corpo.
A atitude cativante de Jesus p ara com as pessoas à refeição ensinou-as
como e quando am ar ao seu vizinho. Com um exem plo vívido tirado da
vida diária, ele pôde in stila r os princípios básicos da Palavra de Deus.

Pontos a ponderar
• O convite que o fariseu fez a Jesus para alm oçar com ele depois do culto
de louvor m atinal foi em si louvável. Jesus ensina que quando você
convida pessoas para irem à sua casa, não deve convidar apenas amigos
e conhecidos que irão devolver a gentileza convidando-o tam bém . M as
sim, você deve convidar os pobres e pessoas com deficiências físicas
para participarem da sua mesa, porque eies não podem convidá-lo de
volta. Você receberá a sua recom pensa no dia da ressurreição.

• Os Evangelhos indicam que Jesus m uitas vezes executou m ilagres no


sábado. De fato, há um to tal de sete incidentes: o hom em no tanque de
Betesda, o hom em cego de nascença, um hom em possesso de dem ônio
em Cafarnaum , a sogra de Pedro, o hom em com a m ão ressequida, o
hom em hidrópico e a m ulher aleijada. Por meio de todos esses m ilagres,
Jesus ensinou o povo a celebrar o sábado com aleg ria e felicidade. O
sábado foi feito para um tem po de renovação espiritual com o povo de
D eus em adoração.

• Deus nos pede que obedeçamos à sua lei e, se fazemos isso, prosperam os
e vivemos em harm onia com ele e com nossos sem elhantes. Se obser­
varm os a lei por causa da lei, sem amor, não estam os m ais servindo a
Deus, m as tra n sg re d in d o a lei que som os in stru íd o s a obedecer. Em
co n traste, se celebrarm os com alegria o dia do descanso para h o n rá-
lo, recebem os benefícios para nós m esm os e p a ra os nossos vizinhos.
Ao m o strarm o s am or aos nossos com patriotas, estam os cam inhando
nos passos de Jesus.

D eus diz a seu povo: “Perdoarei as suas iniqüidades e dos seus peca­
dos jam ais m e lem brarei” (Jr 3 1 . 3 4 ) . "Como o O rien te está longe do
O cidente, assim ele afasta pa ra longe de nós as nossas tra n sg re ssõ e s”
(SI 1 0 3 . 1 2 n v i ). O bserve que a E sc ritu ra não usa as palavras “do sul
ao n o rte ”, porque essa é um a distância que pode ser medida. E m bora
saibam os a m edida da circunferência do equador, som os incapazes
de dizer onde o O cidente começa e onde o O rien te term ina. O am or
perdoador de D eus não conhece lim ites.

Jesus nos dá o exem plo p ara seguirm os e an darm os em seus passos.


Isso significa que precisam os an d ar atrás dele e não na fren te dele.
M u itas vezes, quando querem os fazer algo para o Senhor, deixam os
de consultá-lo e vam os pela nossa própria cabeça. D epois contam os
a ele o que fizem os e logo reconhecem os que não conseguim os obter
a sua aprovação. Então, para nossa vergonha, com preendem os que
pusem os a proverbial carroça adiante do boi. D evem os p e rg u n ta r
a Jesus o que ele quer que façam os p ara ele e depois, em obediência
am orosa, fazerm os a tarefa da m elhor m aneira que souberm os.
^ M ALCO ^
Lucas 22.49-51; João 18.10,11

O servo do sumo sacerdote


Um dos servos do sumo sacerdote Caifás chamava-se Malco. Ele não era
m em bro da guarda do tem plo e sim um servo fiel na casa de seu m estre.
M alco tinha ouvido falar de Jesus e talvez o tivesse ouvido na área do
tem plo onde o profeta de N azaré ensinava ocasionalm ente. M as quando
a noite chegou e estava escuro, o sum o sacerdote tinha estado num a
longa reunião com os fariseus. M ais tarde, ele deu ordem a seus oficiais
e fariseus para pren d e r Jesus. Ele indicou que M alco tam bém deveria
acom panhar os soldados e oficiais da polícia. Esclareceu que um dos
discípulos de Jesus indicaria o cam inho até o Jardim do G etsêm ani onde
o m estre supostam ente estava se escondendo na escuridão.
Esses oficiais conhecidos como sendo a g uarda do tem plo m uitas vezes
exibiam com portam ento agressivo que chegava à violência. M alco estava
especialm ente ansioso para prender Jesus. Com o os soldados e o s oficiais
carregavam arm as, ele levou ju n to um a espada c u rta para a d m in istrar
um golpe se fosse preciso. O utros tam bém estavam bem arm ados com
p o rretes e espadas. Eles sabiam que Jesus e staria rodeado pelos seus
devotos seguidores, que sem dúvida estavam p reparados para defender
o seu M estre e resistir ferozm ente.
G uiados por Judas, que era um dos discípulos de Jesus, o g ru p o saiu
da casa do sum o sacerdote e atravessou o Vale do Cedrom em direção
■=&*> M alco •r--- 83

ao Jardim do G etsêm ani. Levavam lan te rn a s e tochas para ilum inar o


caminho. Q uando chegaram ao jardim , viram Jesus e seus hom ens en tre
as oliveiras. Judas havia dito ao g ru p o que ele lhes daria um sinal para
ap o n tar Jesus. Ele cam inharia até Jesus e o beijaria. E ntão, poderiam
prendê-lo, am arrá-lo e levá-lo ao sum o sacerdote.
Judas cam inhou d iretam ente para Jesus e o beijou na face. O tem po
todo Jesus sabia que Judas iria traí-lo, m as o ato insolente de beijá-lo
como prelúdio p ara pren d e r o seu m estre foi deslealdade m anifesta. Jesus
lhe disse: “Amigo, faça o que viestes fazer. Você trai o Filho do homem
com um beijo?”
Jesus p e rg u n to u ao g ru p o de soldados e oficiais: “A quem vocês estão
p ro cu ra n d o ? ” E les responderam : “Jesus de N az a ré ”. E ele respondeu:
“Sou eu”. Judas, o traidor, estava em pé ali com eles. M as logo que
Jesus p ronunciou as palavras Sou eu, todos eles to m b aram p a ra trás
e caíram ao chão. Sua m ajestade divina ficou óbvia aqui, m o stran d o
qu e não eram os soldados, m as era Jesus quem tin h a o c o n tro le to ta l
d a situação. Ele não estava cheio de medo, m as m o stro u sua realeza
com o rei. N a presença de Jesus, o g ru p o de oficiais, soldados e servos,
inclusive M alco, caíram ao chão.
Depois que d esajeitadam ente se puseram em pé, Jesus lhes perguntou
m ais uma vez a quem procuravam , e eles d eram a m esm a resposta:
"Jesus de N azaré”. E le disse: “Eu lhes disse que sou eu. E ntão, se vocês
me procuram , deixem estes hom ens ir”. Sem dúvida, Jesus foi leal à sua
palavra que nenhum daqueles que o Pai lhe tin h a dado seria perdido,
exceto o filho da perdição, Judas.

A reação de Pedro
A ntes de os discípulos saírem p ara o G etsêm ani, Jesus tin h a m andado
que levassem consigo um a bolsa e um a sacola e que com prassem uma
espada se não tivessem uma. Os discípulos tinham ido bem preparados e
disseram que possuíam duas espadas. Jesus lhes disse que duas espadas
bastariam . Pedro como porta-voz tinha um a delas.
Talvez M alco estivesse agitando a sua espada c u rta p reparando-se
para p ren d e r Jesus. Sua ação foi um sinal suficiente p ara que Pedro, com
sua espada na mão, defendesse o seu M estre. E le levantou sua arm a em
direção a M alco e cortou sua orelha direita. Em resp o sta a essa ação,
Jesus m andou que Pedro g uardasse a sua espada, pois ele sabia que era
a vontade do Pai que ele tivesse de sofrer. Ele disse a Pedro: "Chega
de violência”. E ntão apanhou a orelha de M alco e a colocou no lugar,
realizando um m ilagre de cura ali na hora.
M alco teria ficado com um defeito p ara toda a vida se Jesus não
tivesse recolocado a sua orelha. M esm o na h o ra em que estava sendo
preso, Jesus m ostrou m isericórdia a um de seus captores. Ele não quis
provocar nenhum a violência em seu p róprio benefício, e dessa m aneira
lem brou a Pedro que aqueles que vivem pela espada m orrem p o r ela.
Q uanto a defendê-lo, ele disse que poderia cham ar seu Pai para m andar
doze legiões de anjos para protegê-lo. E acrescentou que as E scritu ras
tinham de ser cum pridas e que ele deveria sofrer.
O que se seguiu a esse incidente é que Pedro com o u tro discípulo,
possivelm ente João, acom panharam Jesus p reso p o r todo o cam inho até
a casa do sum o sacerdote onde o ju lg a m e n to o correu. Ele não en tro u
na casa, m as ficou no pátio, onde os soldados tin h am acendido um
fogo pa ra se m an te re m qu e n te s po rq u e fazia frio. Pedro se m istu ro u às
pessoas até que um a m oça lhe p e rg u n to u se ele era um dos discípulos
de Jesus, o que ele negou.
Q u a n d o P e d ro e s ta v a se a q u e ce n d o , as p e s so a s ao lad o d e le
perg u ntaram : "Você não é um dos discípulos dele, é?” Pedro disse que
não era um dos seguidores de Jesus. Depois, uma pessoa, que era p a ren te
de M alco, cuja orelha Pedro tinha cortado, reconheceu Pedro e desafiou-
o perguntando: “Eu não vi você com Jesus no Jardim do G etsêm ani?”
O u tros estavam dizendo que o seu so taq u e o identificava com o um
galileu. Então, Pedro foi pego por causa da evidência. Ele deveria ter dito
a verdade e adm itido que havia estado com Jesus. M as triste m en te Pedro
negou o seu M e stre um a terceira vez, am aldiçoando a si próprio.
Nesse m omento o galo cantou e Pedro reconheceu que tinha negado Je­
sus p or três vezes seguidas. Ele foi para o pátio e chorou am argam ente.

Pontos a ponderar
• Judas traiu Jesus, e nquanto Pedro o negou. A m bos foram p ara fora,
mas uin chorou am argam ente e o outro se enforcou. E m bora ambos
tivessem se sentido mal pelo que haviam feito, houve um a gran d e dife­
rença e n tre esses dois discípulos de Jesus. Judas ficou cheio de rem orso,
que é autocom paixão; seus sentim entos de rem o rso ficaram com ele
e ele não conseguia ver nenhum a saída. Ele devolveu o dinheiro do
sangue aos principais sacerdotes e anciãos, mas eles não lhe m ostraram
nenhum a m isericórdia. D isseram -lhe que o rem o rso era responsabi­
lidade dele. A m isericórdia flui de Deus, mas nunca do diabo. Judas
tin ha de resolver seus próprios problem as.

Pedro se arrependeu e chorou am argam ente. Ele reto rn o u para os


discípulos e finalm ente para Jesus, que o perdoou e o rein teg ro u como
um apóstolo. D epois que Pedro foi restaurado, ele serviu a Jesus como
chefe dos apóstolos e da igreja em Jerusalém . Judas não tinha mais
p ara onde ir, e então com eteu suicídio. Foi a pio r coisa que podia fazer,
po rque na m o rte ele enfrentou o Juiz que o condenou.

O verdadeiro a rrependim ento significa que você vai até a pessoa a


quem ofendeu e pede que o perdoe. Perdão su bentende que não só a
ficha seja lim pa, m as tam bém que a ação pecam inosa seja perdoada e
nunca m ais seja m encionada. O arrepend im en to verdadeiro significa
que aquele que perdoa um pecador não m encionará mais a sua ação
perversa. A ficha está lim pa e as relações pessoais são com pletam ente
restauradas àquilo que foram antes do incidente.
OUVIDOS
PARA OUVIR
^ UM HOMEM
x CEGO E M U D O
M ateus 12.22-32; Lucas 11.14-26

Prejudicado e curado
Im agine uma pessoa que não enxerga e não fala e só tem os sentidos da
audição, do tato e do olfato. Por causa de sua falta de comunicação verbal
e visual, p ara ela o m undo à sua volta não tem nenhum sentido. A seguir,
im agine que essa pessoa severam ente prejudicada está possessa por um
espírito m aligno que afeta a sua m ente, Esse duplo prejuízo e m ais o fato
de e sta r possuída pelo dem ônio são o suficiente para d eclarar que a sua
vida é sem sentido. Pense na solidão que essa pessoa deve sentir, além da
to rtu ra de te r a m ente to talm ente controlada p or um demônio.
O s m édicos especialistas de hoje a dm itiriam p ro n ta m e n te a sua
inabilidade para exam inar um hom em com essas lim itações, para não
falar em ten ta r curá-lo. V árias pa rte s do corpo do hom em , por exemplo,
o nervo ótico, nunca chegaram a se desenvolver. Na ausência de órgãos
funcionais relacionados à fala e à visão, o hom em não podia esperar
nenhum a ajuda médica da p arte de seus sem elhantes hum anos. Ele era
um solitário, e por causa de sua m ente desordenada, todos o evitavam,
inclusive alguns de seus próprios parentes.
M e m b ro s da fam ília levaram o hom em a Jesus, qu e ex p u lso u o
dem ônio e o curou de m odo que pudesse tan to falar q u an to enxergar.
Esse foi m esm o um m ilagre da m ais alta ordem , como nunca fora visto
em Israel.
Os escritores dos E vangelhos nada dizem sobre se esse hom em tinha
fé para ser curado ou que ele tivesse pedido por cura. M as não é difícil
enten der que o hom em surdo e m udo não podia tra n sm itir seus desejos
a Jesus. E os Evangelhos nada dizem sobre a reação do hom em depois
de ter sido curado.

Admiração e perguntas
M ultidões de pessoas estavam p resentes quando Jesus curou esse
hom em infeliz. Q uando testem unharam o m ilagre de Jesus, a adm iração
que elas sentiram não conheceu lim ites. Ficavam dizendo repetid am en te
que nunca haviam v isto nada igual em Israel. Pelas E scritu ras, elas
conheciam o passado, m as não conseguiam p en sar em nada sem elhante
na história de Israel.
Se o passado de Israel silenciava sobre um m ilagre de cura com o esse,
elas se perguntavam se o M essias prom etido tin h a vindo e estava agora
realizando m ilagres no m eio delas. Pelos livros proféticos elas haviam
aprendido que, na era m essiânica, m ilagres e m aravilhas haveriam de
ocorrer. As pessoas se perguntavam se era possível que o Filho de D avi,
o Messias, estivesse ali e n tre elas. N ão tinham certeza e nenhum jeito
de saber, mas podiam p e rg u n ta r aos fariseus e m estres da Lei o que as
E sc ritu ra s diziam sobre esse assunto. Esperavam que esses hom ens
doutos tivessem um a resposta p ara isso, pois eles sabiam recitar de cor
g ran d es porções do A ntigo T estam ento.
A profecia de Isaías, escri ta m ais de setecentos anos antes da vinda de
Jesus, predisse em vários lugares que a era m essiânica tra ria m ilagres,
dentre os quais a restituição da vista aos cegos. E m toda a história da
era do A ntigo T estam ento, nenhum cego jam ais havia experim entado
restauração da visão, mas na e ra m essiânica isso aconteceria.
N esse m om ento, em que Jesus tinha dado v ista e fala a um hom em
possesso por dem ônio e tinha expulsado um esp írito mau, as m ultidões
ficaram atônitas. Elas se aglom eravam ao red o r do hom em que agora
lhes falava em palavras coerentes e lhes olhava no olho. P erguntavam se
as profecias do livro de Isaías estavam sendo cum pridas no meio delas.
Poderia Jesus ser o M essias prom etido nas E scritu ras?
A quem o povo poderia se voltar senão aos fariseus, os m estres da
Lei e os escribas, que testem unharam o m ilagre? Esses líderes tinham
profundo conhecim ento das E scritu ras e poderiam d izer ao povo com
■í’*.: U m hom em cego e m udo 91

certeza se as profecias estavam sendo cum pridas naquele exato m omento.


Realm ente, eles esperavam que esses hom ens doutos g ritassem a plenos
pulm ões que Jesus era o longam ente esperado M essias. Esses estudiosos
deveriam ser os prim eiros a anunciar a boa-nova.
Além do mais, esse não era o prim eiro m ilag re que Jesus fizera. Ele
havia curado leprosos, feito que aleijados andassem , aberto os ouvidos
de surdos, dado vista aos cegos, ressuscitad o os m o rto s e curado os
enferm os. E pessoas em toda p a rte estavam con tan d o casos sobre o
realizador de m ilagres cham ado Jesus. E las eram testem u n h as vivas do
seu p oder divino p ara realizar m aravilhas.
E m bora faltasse conhecim ento factual ao povo, as pessoas faziam uma
p e rg u nta para o b ter total certeza. C autelosam ente a rra n ja ra m a sua
dúvida na form a de um a p e rg u n ta que esperava um a resposta negativa:
“E sse não é o F ilho de Davi, é?” Q ueriam que os religiosos de seus dias
lhes desse um a afirm ação de que o M essias estava na verdade e n tre eles
e que lhes dissesse: “Sim, sem dúvida ele é!” N ão se tratava de relutância
a c re r no óbvio; tudo de que precisavam era de um a declaração direta de
seus m estres religiosos.

Uma negação surpreendente


O s d o u to s e stu d io s o s se re c u s a ra m re s p o n d e r no afirm a tiv o a
p e rg u n ta sobre se Jesus e ra o F ilho de Davi, ou seja, o M essias. M esm o
tendo testem unhado esse m ilagre m aravilhoso, os hom ens treinados nas
E sc ritu ra s se recusaram a aceitar Jesus como o M essias. Eles dirig iram -
se b ruscam ente à m ultidão e lhe disseram que aquele indivíduo só podia
ex p u lsar dem ônios pelo poder do príncipe de demônios, isto é, Belzebu
- o u t r o nom e p ara Satanás. Eles se recusavam a ch am ar Jesus pelo nome,
referindo-se a ele d esdenhosam ente como ‘esse indivíduo”. Q ueriam que
o povo acreditasse que Jesus estava tra balhan d o p a ra Satanás.
Os líderes religiosos viam a sua influência am eaçada p o r Jesus, que
atraía g ran d e s m ultidões. A evidência era fo rte dem ais e o testem unho
poderoso demais e, por isso, os adversários de Jesus tentavam desacreditá-
lo dizendo que ele expulsava espíritos m alignos pelo po d er do príncipe
dos dem ônios. N ão diziam nada so b re Jesus c u m p rir as prom essas
m essiânicas de d ar vista aos cegos e audição aos surdos. Achavam que,
apesar das provas, as pessoas poderiam c rer na m entira. Diziam que Jesus
havia se aliado às forças do mal, ou seja, às forças da iniqüidade.
Jesus, então, se dirigiu aos líderes e ao povo com palavras de bom senso,
de lógica comum . Ele apontou p ara a lógica ridícula e incom patível de
seus adversários ao dizer que um reino dividido vai à ru ín a e um a casa
dividida não pode durar. E le disse que se Satanás se dedica a ex p u lsar
Satanás, ele está a rruinado e o seu reino se to rn a vazio.
Jesus então se voltou aos líderes religiosos e perguntou a eles em nome de
que poder seu povo estava expulsando demônios se, como diziam, ele os estava
expulsando pelo poder de Satã. Ele lhes disse que seus exorcistas julgariam
essa questão. Ele disse: “Eu expulso demônios pelo Espírito de Deus porque
o reino de Deus chegou a vocês”. As pessoas deveriam reconhecer que com
esses m ilagres Deus estava operando, estabelecendo o seu reino espiritual
nesta terra. Ao mesmo tempo, Deus, por interm édio de Jesus, estava tirando
de Satanás os seus seguidores ao reivindicá-los para Cristo.
M as Jesus tinha mais p ara d izer aos fariseus, m estres da Lei e escribas.
Ele lhes disse com palavras fortes que eles haviam pecado g rav em en te
c o n tra D eus a tal g ra u que nunca seriam perdoados. Ele os inform ou
de que a blasfêmia contra o E sp írito Santo seria para sem pre contada
c o n tra eles e nunca seria perdoada.
Aqueles que conheciam e ensinavam as E scritu ras tinham blasfemado
co n tra o E spírito de Deus ao cham ar Jesus de servo de Satã q uando toda
a evidência do seu ensino e das suas obras m ostrava que ele era o M essias.
Eles agora enfrentavam um D eus irado que os condenava p ara sempre.
Resum indo, Jesus revelou-lhes que no dia do ju ízo eles enfren tariam a
separação e te rn a do D eus vivo.

Pontos a ponderar
• Será qiie é possível um cristão sincero pecar contra o E spírito Santo e
se perder p ara sempre? A lguns cristãos se preocupam a respeito de ter
cometido o pecado imperdoável. M as as E scritu ras ensinam que para
aqueles que se arrependem de seus pecados, D eus estende a sua graça e
m isericórdia e limpa com pletam ente a sua ficha. Por mais dolosam ente
que tenham tran sgredido seus m andam entos, D eus os perdoa. A boa-
nova é que Jesus veio para salvar pecadores e ele dá as boas-vindas a
todos que se arrependem e pedem perdão pelos seus pecados.

• As Escrituras falam claram ente sobre o pecado co n tra o E spírito Santo


que não pode ser perdoado. O a utor da epístola aos H ebreus escreve
que, se continuarm os a pecar propositadam en te depois que recebem os
o conhecim ento da salvação, então o sacrifício na cruz não tem sentido
n enhum para nós. N esse caso, podem os esp erar o ju ízo de D eus que
assola como fogo e consom e seus inim igos. Q ualquer pessoa que pisa
sobre o F ilho de Deus, que diz que o sangue d erram ad o de Jesus não
tem nenhum valor e que insulta a pessoa do E sp írito Santo, enfrenta
a ira de Deus. É terrível e assu stad o r cair em suas mãos.
UM HOM EM
S U R D O E G AGO
Marcos 7.31-37

A região de Decápolis
Ao sul e leste do L ago da G aliléia havia um a área conhecida como
Decápolis, Esse nom e significa “dez cidades". L ivrem ente ligadas num a
confederação de dez cidades gentias, situavam -se ao lo n g o de estrad as
co m erciais que iam de D am asco às cidad es na A ráb ia. D ecáp o lis
prosperava e, no tem po de Jesus, servia como zona de pára-choque ou
proteção co n tra saqueadores que vinham do leste para as áreas ju d eu s
situadas a oeste.
Jesus havia visitado G adara na p arte oeste de Decápolis, onde expulsou
m uitos demônios, que tinham o nom e de Legião, de um hom em . Quando
o hom em ficou livre dos dem ônios e m anifestou desejo de acom panhá-
lo, Jesus lhe disse que contasse às pessoas a notícia de que D eus havia
transform ado a sua vida. Com o um gentio convertido, ele podia m in istrar
efetivam ente a seus com patriotas em D ecápolis e co n tar-lh es a história
de Jesus, o operador de m ilagres da te rra de Israel.
Q uando Jesus reto rn o u de sua viagem a T iro e Sidom, na Fenícia, ele
deu a volta pelo lado leste do Lago da Galiléia e en tro u em Decápolis.
E n q u anto passava, ele curou m uitas pessoas que eram aleijadas, cegas e
surdas. As pessoas n essa área louvavam o D eus de Israel e co n sideraram
Jesus o realizador de m ilagres enviado po r Deus. Em conseqüência,
gran d es m ultidões de gentios o seguiram .
E n tre aqueles afligidos estava um hom em que era su rd o e gago. Seus
am igos o levaram até Jesus e pediram que im pusesse as m ãos sobre ele
para que fosse curado.
O b serve que Jesus e m pregou diversos m étodos p ara e fetu ar seu
m inistério de cura. As vezes, um a só palavra d ita p or Jesus era suficiente
para restau rar a saúde de alguém m esm o a distância. O u tra vez, ele cuspiu
no chão, fez lam a com sua saliva e passou-a nos olhos de um hom em
que era cego de nascença. Em o u tra ocasião, Jesus curou um hom em
cego em dois estágios: prim eiro cuspindo em seus olhos e em seguida
tocando os glóbulos dos olhos dele. T odos esses m étodos tro u x eram
cura p ara o aflito.

Severamente limitado
Ser surdo e quase incapaz de falar claram en te é uina deficiência física
que é até pior do que ser cego. U m a pessoa cega pode se com unicar e
ou v ir todos os sons, m as um a pessoa que não ouve nem fala claram ente
vive em to ta l isolam ento.
E s s e hom em su rd o vivia era seu p ró p rio m u n d o r e s trito . E le
pro vavelm ente não havia nascido surdo, pois en tão ele seria a mais
lastim ável de todas as pessoas. N esse caso, ele não poderia ter aprendido
a ler, te r aprendido habilidades básicas e seria incapaz de se expressar.
M as apesar de sua gagueira, ele podia se fazer entender.
Jesus fez várias ações ao c u ra r esse hom em de suas deficiências
físicas. D epois que o levou p ara um lado, ele pôs seus dedos nos ouvidos
do hom em ; ele cuspiu nas pontas de seus dedos e com os dedos úm idos
tocou a língua do hom em ; depois ele olhou p ara o céu suspirando e, por
fim, deu o com ando “E fatá”, que é a palavra aram aica para ‘Abra!”
Essas são ações sim bólicas de Jesus que se seguem uma após o utra
de m odo significativo:

• Ao levar o hom em para um lado em p articular, ele o to rn o u mais


receptivo ao m ilagre que estava para acontecer.

• Ao m o strar que o ouvir precede o falar, ele apontou para a a b ertu ra


do ouvido interior.

• Ao tocar a língua do hom em com dedos úm idos, ele concedeu a


ele o dom da fluência.
• Ao olhar para o céu, ele indicou que o m ilagre da cura vem de D eus
o Pai.
• Ao suspirar, Jesus revelou suas emoções profundas.
• Ao falar a língua nativa do homem com a palavra efatâ, ele estabeleceu
um contato verbal com ele.

E ssas não são ações m ágicas de um o p e ra d o r de m ila g re s que


pro n u n cia .seus e n c an ta m e n to s p a ra o b te r resu ltad o s. As ações de
Jesus foram prelim inares ao m ilagre em si, porque ele as usou para se
com unicar com um hom em que não podia ouvir. Depois, ele cham ou
por D eus para fazer o m ilagre acontecer, e por meio de uma palavra
aram aica se relacionou diretam ente com o hom em em sua pró p ria língua.
Im ediatam ente depois, o m ilagre aconteceu.
No m om ento em que a cura aconteceu, as prim eiras palavras que
o hom em disse foram dirigidas a Jesus. Não tem os conhecim ento do
que foi dito, m as a instrução de Jesus para não co n tar a ninguém não
foi observada. Não havia como co n te r o desejo do hom em de relatar o
que havia acontecido com ele. Em resultado, o povo que o ouviu ficou
m uitíssim o adm irado. Em sua adm iração, louvaram a Jesus declarando
que tudo ele fazia bem. D isseram que ele fazia os surdos ouvirem e os
m udos falarem.

Pontos a ponderar
• Depois que Jesus expulsou uma legião de dem ônios de um hom em
em G adara, de Decápolis, o M estre lhe disse que contasse as g ran d es
coisas que Deus havia feito e n tre os com patriotas dele. M as ao hom em
que era surdo e gago foi dito que não dissesse uma palavra. Isso de­
finitivam ente à prim eira vista parece contraditório. Com o pode uma
pessoa curada de um a incapacidade de ouvir e falar obedecer a uma
ordem de não falar disso para ninguém ? Possivelm ente Jesus planejava
pro longar a sua estada em D ecápolis e, assim, colocou m ais ênfase na
pregação da boa-nova do que em c u ra r os doentes e afligidos.

• Jesus estava em territó rio gentio onde ele não precisava tem er oposição
direta dos líderes religiosos judeus. No poço de Jacó, a m u lh er sam ari-
tana aprendeu que Jesus era o M essias, m as ele não lhe disse que se
calasse. Ao contrário, Jesus a usou como evangelista aos sam aritanos.
T alvez ele quisesse conseguir resultados positivos dando ao hom em
um a ordem negativa.

A tualm ente os m ensageiros de Deus que difundem a palavra sobre os


m ilagres de Jesus enfrentam forte oposição de céticos obstinados que se
recusam a aceitar a m ensagem da salvação. N a verdade, nós admitim os
que os ouvidos espirituais dos adversários precisam ser abertos, que os
seus corações endurecidos precisam ser quebrados, suas vontades obsti­
nadas serem dobradas antes que se tornem receptivos à m ensagem de
Deus. A salvação não é obra de seres hum anos, m as sim um ato de Deus.
Ele usa seus servos para tornarem a m ensagem conhecida a outros.
EXPULSÃO DE
DEMÔNIOS
^ UM HOM EM M UDO
M ateus 9.32-34

Possessão demoníaca e mudez


D e n tre as m uitas pessoas que Jesus curou estava um hom em que
e ra mudo. E le vivia num m undo próprio, m esm o tendo os sentidos da
audição, da visão, do olfato e do tato. A lguns dos p arentes ou am igos do
hom em haviam visto Jesus curando os doentes, os aflitos e os possessos
p o r demônios. B ondosam ente eles o levaram a Jesus com um pedido
subentendido po r cura.
Jesus im ediatam ente sentiu a presença de um dem ônio no hom em ,
porque esse espírito m aligno tinha feito que ele fosse excluído do m undo
da fala. E sse anjo caído sentiu im ediatam ente a autoridade divina do Filho
de D eus e sabia que ele tinha de sair do hom em surdo-m udo.
Q uando Jesus com eçou o seu m in isté rio público, S atan ás soltou
todos os seus anjos dem oníacos com instruções para que se opusessem
ao Filho de D eus e infligissem todas as doenças e tra n s to rn o s físicos
conhecidos sobre as pessoas. O s dem ônios logo reconheceram que eles
eram incapazes de resistir ao poder de Jesus sobre eles. Quando ele falava,
eles tinham de partir. O com ando dele bastava para m andá-los de volta
a Satã, de quem tinham vindo.
Com o F ilho de Deus, Jesus possuía auto rid ad e que não podia ser
com parada ao p oder que os anjos caídos m ostravam . Ele era m uitíssim o
superior a eles, mesm o quando os demônios criavam rom pim ento en tre as
pessoas e destruição na natureza. D esignado p or Deus como o herdeiro de
todas as coisas, Jesus g overna de modo suprem o. E le só tem de d izer um a
palavra aos anjos caídos que, cessando sua obra d estru id o ra, partem .
D epois que Jesus expulsou o dem ônio, o hom em afligido com a
incapacidade de fala subitam ente começou a falar. Então, todas as pessoas
ficaram sabendo que o seu com portam ento e stra n h o devia ser atribuído
a um demônio, não a um defeito de nascença. D u ra n te todo esse tem po,
o dem ônio tinha im pedido que o hom em falasse e agisse norm alm ente.
M as quando o demônio saiu do homem, as pessoas tiveram prova concreta
de que Jesus o havia curado com pletam ente.
O escritor do E vangelho om ite o detalhe sobre como Jesus expulsou
o demônio, m as incidentes parecidos nas n a rrativ as do livro indicam
que dem ônios eram expulsos sim plesm ente pela p alavra falada de Jesus,
O M estre não pronunciava nenhum a fórm ula mágica, não reco rria a
m agias nem usava um m odo cantado de falar. Eie m eram en te falava e
os dem ônios saíam.
Jesus tinha vindo p ara lib e rta r os seus do g o v ern o de Satanás e
estabelecer o reino de D eus na terra. Ao seu comando, os dem ônios
tinham de sair desse reino e voltar ao reino das trevas de Satanás.

Ação e reação
Logo que o demônio partiu e o hom em começou a falar, as m ultidões
que testem unharam esse m ilagre ficaram admiradíssim as. Um núm ero
incontável de pessoas estava presente a essa cena e viu o que havia acontecido.
Por causa dos m ilagres que Jesus realizava, multidões em núm eros cada vez
m aiores o seguiam, em bora m uitas pessoas fossem atraídas pela novidade
e não por razões espirituais. Q uando viam Jesus fazendo milagres, diziam
umas às outras: “N unca vimos nada igual em Israel”.
D esde o tem po dos profetas Elias e Eliseu, e m ais tard e nos dias de
Daniel, não haviam acontecido m ilagres e n tre os judeus. D u ra n te e depois
do exílio, os m ilagres cessaram . M as q uando Jesus apareceu em cena, ele
executou um m ilagre atrás do outro. E n tre essas m aravilhas, a cu ra do
hom em m udo foi singular. As m ultidões con sid eraram e x tra o rd in á rio
o m ilagre de lançar fora um dem ônio que privava um hom em da fala.
Aos olhos das pessoas, tratava-se de um a façanha de prim eira categoria,
a m elhor em Israel. M ais tarde, elas veriam um m ilag re ainda mais
assom broso, quando testem unharam Jesus ressuscitando alguém de entre
os m ortos, especialm ente Lázaro que tinha estado sepultado por q u atro
dias. Esse m ilagre foi o m elhor de todos.
Os fariseus não estavam nada felizes. Em vez de lo u v ar a D eus
pelas m aravilhas operadas e n tre eles, estavam dizendo que Jesus era
o príncipe dos dem ônios e por causa dessa posição ele tinha poder de
e x p u lsar dem ônios. E stavam nervosos po r Jesus ter reunido m ultidões
à sua volta, enquanto eles ficaram com só alg u n s seguidores. Os fariseus
estavam cheios de inveja e consideravam Jesus um in tru so que precisava
ser rebaixado. D eram a ele o apelido de "o príncipe de dem ônios” para
equipará-lo a Satanás.
Com seu conhecim ento das E scrituras, os fariseus deveriam ter sido
os prim eiros a reconhecerem Jesus como o M essias. Eles deveriam se
reg o zijar com as m ultidões; deveriam te r apontado Jesus como aquele
que estava cum prindo profecias m essiânicas e deveriam te r dito ao povo
que o M essias estava ali e n tre eles. Os fariseus deveriam te r citado de
cor as profecias que falavam sobre o M essias abrir os olhos dos cegos e
os ouvidos dos surdos. E ssa era a tarefa deles como líderes religiosos e
m estres da Lei.
Em vez disso, os fariseus apresentavam Jesus como Satã personificado.
E esse foi o pior pecado que poderiam te r com etido. Jesus ensinou que
qualquer pessoa que conhece as E scrituras, m as vai contra elas ativamente,
e stá com etendo pecado c o n tra o E sp írito Santo. Jesus disse que pecados
co n tra o Filho do hom em seriam perdoados, m as o pecado co n tra o
E sp írito não seria perdoado nem neste inundo nem no próxim o.
Todos nós caímos em pecado de tempos em tempos, mas se confessarmos
os nossos pecados, recebem os a graça perdoadora de Deus. De m odo
contrário, todos os que deliberadam ente vão contra os ensinos das Escrituras
tendo pleno conhecim ento delas não são perdoados. Essas pessoas pecam
contra o E spírito Santo e separam a si m esmas do Deus vivo.

Pontos a ponderar
• Os E vangelhos indicam que nem toda pessoa surda ou m uda era
possuída po r um demônio. Sem dúvida, há uma diferença e n tre um a
deficiência física e ser possuído por um demônio. N ossa tendência é
p en sar que um dem ônio faz que um a pessoa fique louca ou tom e parte
em atos incontroláveis, m as nem sem pre esse é o caso. É verdade que
um dem ônio pode e n tra r e m anipular um indivíduo e até usar a lín­
gua da pessoa para falar. Assim mesmo, nem todas as pessoas que são
m entalm ente perturbadas são possessas por demônios.

Q uando Jesus iniciou o seu m inistério, os m ilagres acom panhavam a


sua pregação e o seu ensino. Os apóstolos de Jesus tam bém tinham o
po d er de realizar sinais, m aravilhas e m ilagres qu e serviriam como
um testem unho ao evangelho que pregavam . D epois que os apóstolos
m o rreram , sua autoridade de realizar m ilagres tam bém cessou.

M issionários que pregam o evangelho em áreas do m undo que ainda


não chegaram a conhecer Jesus com o seu Salvador podem testificar
da ocorrência de m ilagres. M as nos países cristianizados de hoje, onde
o evangelho é pregado regularm ente, nenhum c u rad o r pela fé pode
in stantaneam ente re sta u ra r as pessoas que são tan to surdas q uanto
mudas, que são cegas de nascença e cujos m em bros são ressecados.

Hoje há m uitas pessoas com profundo conhecim ento das E scrituras que
negam abertam ente e repudiam as d o utrin as fundam entais da Bíblia.
Elas se recusam a aceitar o nascim ento virginal de Jesus, sua ressu r­
reição física dos m ortos, sua ascensão ao céu e sua volta prom etida.
São como os m estres da Lei e os fariseus no tem po de Jesus co n tra
quem Jesus pronunciou os seus "ais”. Ele os cham ou de líderes cegos
dos cegos. N o final, eles terão de e n fre n ta r seu D eus e d a r conta de
suas palavras e ações.
^U M E N D E M O N IN H A D O ^
^ NA S IN A G O G A ^
Marcos 1 .2 1 -2 8 Lucas 4.31-37

Espíritos maus
Jesus entrou na sinagoga de C afarnaum onde foi convidado a ensinar
em certo sábado. Ele teve um auditório receptivo, p orque as pessoas
notavam que seu ensino diferia daquele dos fariseus, escribas e m estres
da Lei. E nq u an to o clero daquele tem po sem pre dava o devido respeito
a m estres em inentes de g erações passadas e nunca falava em seu próprio
nom e, Jesus falava po r autoridade própria.
Os serm ões de Jesus condiziam com as E scritu ras, eram cheios de
ilustrações adequadas e significativas que eram aplicáveis à vida cotidiana.
Ele falava com autoridade, poder e convicção em um estilo que o povo
apreciava. De fato, ele era um professor m agistral que sobressaía em todo
respeito. C onseqüentem ente o povo com um o ouvia com alegria.
M as Jesus nunca revelava sua verdadeira identidade ao povo, porque
isso efetivam ente daria fim ao seu m inistério. Ele nunca revelou a eles
que era o M essias, o Filho de Deus. Foi só no seu ju lg am en to quando o
sumo sacerdote perguntou se ele era o Filho do A ltíssim o que ele admitiu
abertam ente sua verdadeira identidade de ser o F ilho de Deus. O efeito
desta adm issão foi o fim de seu m inistério terreno, pois o sum o sacerdote
e seus com panheiros condenaram -no à m orte.
E ntretanto, sem pre que Jesus confrontava espíritos maus, os demônios
g ritav am que cie tinha vindo para to rtu rá -lo s antes de seu tem po de
castigo. Reconheceram -no com o o Santo de D eus em um a ocasião e em
o u tra identificaram -no como sendo Jesus, F ilho do Deus A ltíssim o.
Os dem ônios foram criados como anjos, isto é, m ensageiros de Deus.
Q uando incontáveis anjos se revoltaram c o n tra D eus e caíram de sua
posição de pureza, eles to rn aram -se m ensageiros de Satã. Com o seu
líder, continuam ente se rebelaram c o n tra Deus, D em ônios se sujeitam a
Satanás, que os usa para avançar seu reino em oposição ao reino de Deus.
Eles obedecem às leis de S atanás e repudiam as leis de Deus. Induzem
os seres hum anos a serem cidadãos no reino de Satã em vez do reino
de Deus, E n tram em seres hum anos, distorcem as personalidades e até
falam po r interm édio deles.
Em bora os dem ônios sejam lim itados no que podem fazer, eles têm
conhecim ento de seu destino, isto é, sua destruição. N o tem po de Jesus,
os dem ônios reconheceram -no como o Santo de Deus. Sabiam que ele era
m uitíssim o superior a eles e ao m estre deles, Satã. Tam bém entendiam
que Jesus tinha poder sobre eles. E ra só Jesus d ar um a ordem e eles
tinham de sair da pessoa possessa.

A última palavra
U m hom em que estava possesso po r um e sp írito m alig n o assis­
tia ao culto de adoração na sinagoga de C-afarnaum naquele sábado.
E n q u a n to Jesus pregava, o dem ônio d e n tro do hom em g ritav a: “Que
q u e r conosco, Jesus de N azaré?” O bserve que a voz dem oníaca usava
a palavra conosco (plural) pa ra co n firm ar que havia m uitos dem ônios.
A voz continuava: "Você veio p ara destruir-Kos? Eu sei quem você é, é
o Santo de D eus”.
Esses dem ônios confrontavam Jesus enq u an to ele estava pregando.
Instantaneam ente souberam que ele os expulsaria pelo seu p oder divino,
pois Jesus tinha vindo p ara invadir o territó rio deles e tirá-lo deles. Ele
viera para a m a rra r Satanás, o soberano dos dem ônios e depois c a rre g a r
os que ele possuía.
N ão o demônio, mas sim Jesus tinha autoridade, e p o rta n to em term os
mais do que claros ele m andava que o dem ônio se calasse. N ão p erm itia
que revelasse a identidade dele p orque isso lim itaria seu m inistério. N ão
foi Satanás, aquele que enviava esse dem ônio e sim Jesus, o Juiz, que o
silenciou com apenas uma ordem : “Fique quieto!" Com voz severa rep re ­
endeu o dem ônio e ordenou que deixasse o infeliz hom em .
M as o espírito im undo recusou ceder sem uma luta. Ele segurou o
hom em , sacudindo-o violentam ente e lançando-o ao chão, contudo sem
causar-lhe dano. E n tão com um g rito o dem ônio se foi.
N ão há poder no céu e na te rra que possa resistir à autoridade de
Jesus. Ele como agente de D eus criou todos os seres angelicais e tem
poder sobre eles. E m bora a E scritu ra não reg istre a criação de anjos,
sabem os que no início todos eles eram sem pecado. D epois da rebelião
de Satanás contra Deus, um terço dos anjos caiu com ele. Todos os an­
jos, os que caíram da p resença de D eus e aqueles que continuam em seu
estado im aculado, precisam obedecer à voz de com ando de Jesus. Todos
precisam subm eter-se porque ele tem a palavra final.
Jesus m andou que o demônio silenciasse e saísse do homem, e imediata­
m ente o demônio obedeceu. Então nesse m omento o milagre da cura ocorreu,
como resultado do poder divino de Jesus. Ele é a autoridade suprem a cuja
voz os demônios são incapazes de ignorar e de cujo poder não conseguem
escapar. Após sua ressurreição, Jesus subiu ao céu e tomou assento à mão
direita de Deus; todos os anjos, autoridades e poderes são sujeitos a ele.
O dem ônio deu um g rito agudo quando saiu do corpo do homem.
Soltou um som hediondo de d e rro ta e fracasso. Esse espírito im undo
e n c o n tra ra quem estava à a ltu ra de vencê-lo e perdeu a luta, pois even­
tu alm ente ele seria destinado ao inferno p ara esp erar o dia do juízo.

Espanto e admiração
As pessoas que testem unharam a expulsão do dem ônio ficaram cheias
de adm iração e olhavam tan to para Jesus q u an to p a ra o hom em que ele
tin h a curado. Ficaram espantadas pelo m ilag re que o co rrera diante de
seus olhos. T in h a m ouvido o dem ônio identificar Jesus com o sendo o
Filho de Deus, e eles testem unharam Jesus lançando fora um espírito
mau pelo poder de Deus. M as quem era esse Jesus de N azaré?
Aqueles p resentes no culto tinham escutado seus ensinos e notaram
que ele proclam ava a verdade indo direto ao po n to que dizia respeito à
vida deles. E le falava aos seus corações sobre o am or de D eus que era
significativo e anim ador.
Além disso, Jesus havia acrescentado a ação às palavras que tinha
falado. E le libertaria um hom em que fora im possível de co n tro lar e er­
ran te por causa de um espírito m au que se ap o d erara dele. E agora com
voz de autoridade Jesus tinha curado esse desafortunado e o restau rad o
à saúde e m ente sãs.
As pessoas se perguntavam que tipo de ensino Jesus transm itia fazendo
que os dem ônios saíssem de uma pessoa ao seu mando. Viam -no como
um m ilagreiro em quem o E spírito de D eus habitava. A notícia sobre
seu m inistério de ensino e cura se espalhava pela terra, de boca em boca,
por toda a G aliléia e além.

Pontos a ponderai
• P regadores que não proclam am m ais a inspirada P alavra de D eus e
que negam suas d o utrinas prim ordiais são ordenados p o r Jesus a se
afastarem dele. Ele os cham a de operadores de iniqüidade po rq u e eles
p erderam o direito à vocação com o m ensageiros dele e já se to rn a ram
porta-vozes do adversário. Q uando em baixadores no estra n g eiro dei­
xam de falar pelos seus governos, é inevitável serem cham ados p ara
apresentarem seu pedido de demissão. Q uando p asto res não levam
mais o evangelho de Cristo, eles não são dignos de seu chamado, mas
enfrentam eventual demissão. Aqueles que rejeitam a deidade de C risto
m ostram uma ignorância calam itosa que nem m esm o os dem ônios
dos dias de Jesus com partilhavam , pois os espíritos m aus confessavam
que Jesus é m esm o o Filho do Deus Altíssim o.

• Por que Deus perm ite a Satanás e seu bando fazerem suas obras más na
terra? A resposta é que ele p erm ite p ara a glória dele. N ão é Satanás e
sim Jesus o Vencedor, e somos vencedores com ele. D eus está o tem po
todo no controle de todas as situações. Ele negou a Satanás um lugar
no céu, fez que ele perdesse a batalha co n tra o arcanjo M iguel e sua
hoste, e o baniu à terra.

• Satanás sabe que seus dias estão contados, ainda que ele continue a
soltar sua ira contra Deus, a Palavra dele e o povo de Deus. C o n tra Sa­
tanás e suas legiões, o juízo de D eus é infalível e dele não se pode fugir.
Satanás é cinco vezes perdedor. Procurou m atar o bebê Jesus em Belém,
mas José com M aria e o bebê saíram para o Egito. Jesus ascendeu ao
céu e Satanás tentou segui-lo, m as teve de tra v a r um a batalha co n tra
o arcanjo M iguel e perdeu. Satanás luta c o n tra a Igreja, o corpo de
Cristo, m as até aqui ele tem sido incapaz de elim inar o povo de Deus.
Satanás espalha m entiras p o r todo o m undo, m as eventualm ente a
verdade o alcança. E finalm ente, ele ten ta vencer aquelas pessoas que
se prendem à verdade da P alavra de D eus e ao testem u n h o de Jesus e
Satanás perde novam ente.
O E N D E M O N IN H A D O
G ERASEN O
M ateus 8.28-34; Marcos 5.1-20; Lucas 8.26-39

De mal a pior
Jesus e seus discípulos estavam atravessando o Lago da Galiléia, mas
foram pegos num a tem pestade agitada que com eçou rep en tin am en te.
A tem pestade era tão forte que os discípulos com eçaram a tem er pela
p ró p ria seg u ra n ç a . E n q u a n to o v e n to so p rav a e as on d as ag itad as
m olhavam tudo o que havia no barco, Jesus d o rm ia p ro fu n d am en te
na popa. D epois de um dia intensivo de e n sin ar e c u ra r as pessoas, ele
estava fisicam ente exausto. E ra óbvio que a sua m ente e o seu corpo
precisavam de repouso.
Os discípulos, cheios de medo, sacudiram Jesus até acordá-lo porque
suas vidas estavam em perigo. Ele se pôs em pé e m andou que as ondas
e o vento se aquietassem. De repente, houve calma perfeita - sem vento e
sem água.
Pouco depois, os discípulos c Jesus atracaram o barco no lado leste do
lago. Desem barcaram e en tra ra m na área ru ral conhecida corno territó rio
gentílico. Isso ficou evidente quando d iscerniram um a g ran d e m anada de
porcos se alim entando da gram a bem verde de uma colina que beirava um
cem itério com cavernas subterrâneas. Os jud eu s consideravam os porcos
anim ais im undos e po r isso não podiam chegar p e rto deles.
Quase que instantaneam ente, os discípulos viram um hom em possuído
por demônio, louco e nu, correndo na direção deles. O E van g elh o de
Mateus conta que eram dois homens. Os Evangelhos de Marcos e Lucas
se referem a um homem, que era o porta-voz do outro.
Os discípulos tinham acabado de enfrentar a tempestade no lago e
nesse momento enfrentavam a tempestade de um homem feroz com
enorme força física. Jesus tinha lhes mostrado violência na natureza no
lago; agora ele os fazia enfrentar um poder demoníaco na terra.
Sem dúvida os discípulos se perguntavam por que Jesus tinha desejado
atravessar o lago, entrar numa região estrangeira e expô-los a perigo
físico. Será que aquele que acalmou a tempestade também podia dominar
esse homem violento? Sozinhos eles eram incapazes de lutar contra o
homem. Portanto, esconderam-se atrás de Jesus, por assim dizer, porque
ele tinha o poder e autoridade para expulsar demônios.

Meu nome é Legião


Esse homem feroz não morava numa casa, pois os cidadãos daquela
cidade o haviam expulsado para morar numa sepultura subterrânea no meio
dos túmulos. Ele causava um grande embaraço para o público, especialmente
quando andava nu pelos lugares públicos e gritava o mais alto possível a
qualquer hora do dia e da noite. As pessoas se sentiam perdidas e não sabiam
o que fazer com esse homem porque ninguém conseguia dominá-lo. Além
de tudo isso, ele usava pedras pontiagudas para se cortar. Ele tinha uma
aparência horrível, estava imundo e exalava um cheiro fétido.
Quando homens capazes acorrentavam as mãos e os pés desse homem
possuído pelo demônio, ele sempre conseguia arrebentar as correntes.
Não havia como confiná-lo no cemitério porque a força dele era fenomenal
devido aos-demônios que habitavam em seu corpo. Eles lhe davam um
poder incomparável à custa do seu próprio corpo físico. Acabaram fazendo
que ele fosse para longe da cidade em lugares solitários numa área cheia
de morros.
Quando o homem possuído por demônio viu Jesus desembarcando, ele
correu para ele o mais depressa possível e caiu de joelhos à sua frente.
Os discípulos temeram, mas confiaram que Jesus poderia controlá-lo e
protegê-los de perigo.
Os demônios levaram o homem em direção a Jesus. Eram como
mariposas à noite, atraídas pelo fogo e depois ficando chamuscadas. Foram
eles que reconheceram Jesus e sabiam que ele os retiraria do homem e
os mandaria de volta a Satanás.
Não o homem, mas um dos demônios falando pela boca dele, gritou o
mais alto possível: "O que quer comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo?
Imploro em nome de Deus que não me atormente”. O demônio estava
bem ciente da identidade de Jesus e respondeu à sua ordem para sair
do homem. Mas o demônio implorou-lhe em nome de Deus que não
o entregasse para ser torturado antes do dia do juízo, isto é, antes do
dia marcado para o julgamento final. O demônio, no entanto, estava
sem poder na presença do divino Filho de Deus e sabia que tinha de se
submeter a cie.
Jesus pressentiu que esse demônio não estava só, e então perguntou:
“Qual é seu nome?” O demônio disse: “Meu nome é Legião, pois somos
muitos”. A palavra legiÂo era usada no meio militar romano, e significava
um grupo de seis mil homens. O termo simboliza a enorme força e o
grande número do poder demoníaco. Aqui vemos a ilustração de um
exército demoníaco residindo numa só pessoa que confrontou Jesus o
Filho de Deus, que havia invadido o território dele.
Observe que antes do ministério público de Jesus ter início, Satanás
o havia levado a um lugar alto e lhe oferecido todos os reinos do mundo.
Tentou-o dizendo que se ele adorasse a Satanás, este lhe daria todo o
esplendor e autoridade do mundo. Porém, Jesus recusou e disse ao seu
adversário que devemos adorar a Deus e servir só a ele. Agora Jesus invadia
o reino de Satanás e expulsava de um homem uma legião de demônios.
Não Satanás, mas Jesus é o Vencedor e o Rei no reino de Deus.
Os demônios imploraram a Jesus que não os mandasse de volta para
o abismo, isto é, à fossa sem fundo onde eles eram destinados a sofrer
punição eterna. Eles queriam prolongar a sua permanência sobre esta
terra mais um pouquinho e assim adiar aquele dia terrível do juízo,

Dois mil porcos


Repetidas vezes os demônios imploraram a Jesus que não os mandasse
para fora daquela região. Satanás os havia mandado ficar naquela área
específica entre as covas, os mortos e os esqueletos. Eles queriam evitar
a servidão da cova sem fundo e rogavam a Jesus que, ein vez disso, os
mandasse para uma grande manada de cerca de dois mil porcos que
pastavam ao longo do morro.
Jesus atendeu ao seu pedido de entrar nos porcos, com o resultado
que a manada toda, agora possessa por demônios, correu para baixo
precipitadamente até a beira do despenhadeiro e mergulhou de cabeça
na água do Lago da Galiléia. E mesmo sendo os porcos bons nadadores,
todos eles se afogaram.
Pelo que se conta, os demônios residem em lugares sem água, mas nesse
momento eles se encontraram num túmulo de água - um tipo dc castigo.
Mesmo assim, a punição eterna os aguarda no final dos tempos.
Por que Jesus permitiu essa destruição da vida e essa ruína da economia
local? Ao agir dessa maneira, ele criou uma animosidade crescente dos
gentios em relação aos judeus. Os cidadãos de Gadara o viram como um
judeu que havia tirado deles o seu meio de vida numa aparente tentativa
de convertê-los à fé judaica.
Algumas considerações se fazem necessárias. Jesus curou um dos
gentios ao libertá-lo da opressão demoníaca e restaurar a saúde dele.
Ele expulsou os demônios, que saíram da região quando entraram na
água. E verdade que ele privou um número de pessoas de seu trabalho
lucrativo, mas ele queria que vissem a mudança que havia ocorrido
num dc seus próprios cidadãos. Embora os gentios soubessem que os
judeus consideravam os porcos como animais imundos, Jesus não queria
transformar em judeus pessoas que dependiam da renda de criar, matar
e vender porcos.
Os principais objetivos de Jesus foram
• libertar um ser humano das garras de Satanás,
• torná-lo um cidadão útil,
• instruí-lo a contar ao seu povo sobre a bondade de Deus e
• fazer os gentios apreciarem o valor de um ser humano.
Além disso, a população tinha de reconhecer que alguém dotado com
poder divino havia quebrado as amarras dos demônios que residiam no
homem. Tinham de admitir a diferença entre ser possuído por demônio
de um lado e ser libertado por Jesus do outro.
No meio deles estava o grande operador de milagres, que podia ensinar
às pessoas sobre o amor de Deus e mostrar-lhes o caminho da salvação.
Eles testemunharam que no meio deles Jesus realizara um milagre - um
feito nada comum. Aqui estava um ser humano que podia fazer milagres.
Ele podia curar os seus doentes, dar vista aos cegos e audição aos surdos,
fazer os coxos andarem, limpar seus leprosos e mostrar-lhes o caminho
para Deus.
Os cuidadores de animais fugiram e foram para a cidade e o campo.
Ali contaram o que havia acontecido. Como resultado, o povo foi para
o lugar em que Jesus, os discípulos e o ex-endemoninhado estavam. O
homem que fora possuído por demônios estava sentado ali, vestido e
com o juízo são. Os demônios que haviam feito a sua morada no homem
tinham entrado nos porcos que se precipitaram no lago e morreram.
Havia uma restauração, espiritualmente falando, pois os demônios tinham
saído da região.

O curador é expulso
Apesar de não ser apreciado pelos gentios, Jesus os ajudara a ver
que a cura física e espiritual de um ser humano tinha muito mais valor
do que o custo de uma manada de porcos. Por meio do milagre, ele lhes
ensinara que o amor redentor de Deus é infinitamente melhor do que a
escravização cruel de Satanás. As pessoas tinham as provas bem à sua
frente. Elas viram o mensageiro de Deus no meio deles. Aquele que
curou o endemoninhado tinha o poder de trazer salvação espiritual e
cura física para todos eles.
Os que cuidavam dos animais e os discípulos foram testemunhas
oculares do que ocorreu e contaram às pessoas sobre a majestade e o poder
soberano de Jesus, Do mesmo modo, o homem que foi curado testificou
da autoridade libertadora de Jesus sobre o mundo demoníaco. Tudo o
que Jesus queria do povo era uma demonstração de sua boa vontade para
aprender com ele.
Isso não aconteceria, porque os cidadãos daquela área consideraram a
sua perda financeira mais significativa do que a sua cura espiritual. Para
evitar que outras calamidades acontecessem entre eles, pediram a Jesus
que saísse do seu território. Eles o viam como um intruso que os tinha
privado do seu ganho financeiro. Ele havia desorganizado a economia
deles ao reduzir a sua criação de animais a zero, o que causaria grande
desemprego entre os trabalhadores. Em suma, eles colocaram seus
interesses materiais acima de suas necessidades espirituais.
O homem que estava no centro do incidente viu a recusa do povo da
cidade quanto a Jesus ficar com eles. Como resultado, ele foi a Jesus e
perguntou se poderia acompanhá-lo. Sem dúvida o homem queria expressar
a sua gratidão a seu benfeitor. E ele achava que poderia fazer isso melhor
acompanhando Jesus do que ficando com o seu próprio povo.
No entanto, Jesus via a questão de modo diferente. Ele disse ao homem
que voltasse para casa e contasse a todas as pessoas sobre as grandes
coisas que Jesus havia feito por ele. O homem poderia expressar a sua
gratidão sendo um missionário por Jesus para que o amor de Deus
pudesse se fazer evidente entre os gentios. Jesus havia feito esse homem
se voltar da escuridão satânica para a luz do reino de Deus. Se ficasse com
seus parentes e concidadãos, ele poderia conduzi-los ao conhecimento
de Deus e à posse da salvação eterna.

Pontos a ponderar
• Muitas vezes, pessoas com ou sem conhecimento da Bfblia dizem: “O
dinheiro é a raiz de todos os males”. Mas isso é citar a Escritura in­
corretamente. Na verdade ela diz: “Pois o amor do dinheiro é a raiz de
todos os males". O dinheiro em si não é mau, pois Deus continuamente
abençoa o seu povo com abundantes suprimentos de bens materiais.
As pessoas que têm a tendência de ajuntar riquezas são properusas a
cair na cilada de fazer o dinheiro ser seu deus em vez de adorar a Deus
que fornece os seus recursos. Elas não amam a Deus com o coração, a
alma, a mente e as forças porque o dinheiro se tornou o seu fdolo. As
conseqüências são que elas fazem uma colheita de amarguras quando
o tentador as desencaminha.
• Como um cristão se opõe às forças satânicas? Satanás vem na forma de
enganador ou de destruidor. Ele emprega tanto as armas da ambição
quanto da violência. Algumas pessoas estão totalmente sob o seu poder
e assim se opõem a Deus, à sua Palavra e ao seu povo. Elas querem
ver uma separação total entre religião e vida pública. Baniram Deus
e a Bíblia da praça pública.
• No entanto, Deus não deixa o seu povo indefeso num mundo domi­
nado pelo maligno. Paulo instruiu os cristãos a se prepararem pelo
uso das sete peças da armadura espiritual para se defenderem das
forças espirituais do maligno. Ele diz: “tomai toda a armadura de
Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido
tudo, permanecer inabaláveis. Estai, pois, firmes, cingindo-vos com
a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. Calçai os pés com a
preparação do evangelho da paz; embraçando sempre o escudo da fé,
com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno.
Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é
a palavra de Deus; com toda oração e súplica, orando em todo tempo
no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por
todos os santos” (Ef 6.13-18).
Enquanto os súditos de Satã levam a assinatura dele na testa e nas
mãos, os cristãos têm o selo do batismo no nome do Pai, do Filho e do
Espírito Santo. Isso permite que nós, filhos de Deus, nos aproximemos
do Pai em oração para pedirmos que ele nos proteja dos ataques daquele
que é mau. Clamamos pelo nome do Filho e apontamos para o selo
batismal na nossa fronte. Pedimos que ele seja o nosso irmão maior
e nos vigie para não sairmos do caminho. E imploramos ao Espírito
Santo que nos encha de sabedoria e poder para vencermos as tentações
e passarmos no teste em tempos de tribulação. O resultado é que Deus
responde à nossa oração.
<M A MÃE CANANÉIA
Mateus 15.21-28; M aicos 7.24-30

Ministério no estrangeiro
A Grande Comissão nos manda fazer discípulos de todas as nações
batizando-os e ensinando-lhes tudo o que Jesus mandou. Mas será que
Jesus, durante o seu ministério, aplicou esse princípio a si mesmo? Quando
ele comissionou seus discípulos para saírem em sua primeira viagem
missionária, ele lhes disse que não fossem aos gentios e aos samaritanos,
mas que fossem “às ovelhas perdidas de Israel". Porém, Jesus entrou na área
gentia de Gadara e em outra ocasião curou o servo de um centurião romano.
Durante o seu ministério, Jesus certa vez, acompanhado dos seus discípulos,
foi além das fronteiras de Israel e entrou na região de Tiro e Sidom.
Por que Jesus foi ao estrangeiro? A resposta pode muito bem ser
que muitas pessoas haviam ido da costa fenícia para Israel para ouvir
Jesus pregar e levar-lhe seus doentes para serem curados. Também
pode ser que ele teve de deixar Israel por causa da grande oposição
à sua pregação e ao seu ensino. Para a sua própria segurança, ele foi
procurar um pouco de descanso e tranqüilidade na cidade de Tiro. Ela
ficava a sessenta quilômetros de Cafarnaum, viajando-se ao redor da
base do M onte Hermom.
Quando Jesus e seus discípulos entraram na cidade litorânea de Tiro,
ele alugou uma pousada e tentou ficar incógnito. Ele queria ficar sozinho
com os discípulos e prepará-los para o que viria no futuro. Eles tinham
de saber que ele seria preso, enfrentaria julgam entos e seria executado.
N o terceiro dia após a sua morte, ele ressuscitaria do túmulo.
Treze homens querendo manter-se incógnitos era impossível porque
o sotaque e as roupas os denunciavam. Algumas pessoas que tinham
ouvido Jesus na Galiléia o reconheceram. A notícia sobre Jesus estar na
cidade se espalhou como fogo: “O Grande Médico está aqui!”
Uma mãe cuja filha estava sofrendo de possessão demoníaca soube
da presença de Jesus. Ela era de descendência grega e tinha nascido na
Siro-Fenícia, atual Líbano. Era uma gentia que falava tanto grego quanto
aramaico e que morava na cidade havia algum tempo.
Essa mulher teria de vencer muitas barreiras:
• Ela era gentia e não judia.
• Ela era mulher e, portanto, não podia falar com um homem que
não fosse parente.
• Ela estava vivendo numa cultura pagã que adorava deidades pagãs.
A mulher sabia que os médicos de sua cidade eram incapazes de ajudar
a sua filha doente, mas estava confiante de que Jesus poderia curá-la. Sabia
que os judeus desprezavam os gentios e que ela, como mulher, poderia
não ser ouvida. N o entanto, a necessidade do momento foi mais forte do
que a sua hesitação em se aproximar de Jesus e falar-lhe.
Essa mulher siro-fenícia se dirigiu a Jesus como Senhor, que pode ter sido
por educação, mas também pode significai' respeito pela sua divindade. Ela
identificou-o como o Filho de Davi, que entre os judeus equivalia a chamá-lo
“Messias”. As palavras que ela escolheu para dirigir-se a Jesus revelam a sua
fé elementar em Deus. Ela pediu repetidas vezes que Jesus expulsasse um
demônio de sua filha porque a moça estava sofrendo terrivelmente.
Esperaríamos ver Jesus mostrar bondade, compaixão e prontidão em
ajudar essa mulher. Em vez disso, ele agiu como se não a ouvisse. Não é
de admirar, portanto, que os discípulos tivessem achado que ela já tinha
importunado o seu Mestre por tempo demais. Eles pediram que ele a mandasse
embora, porque o tempo todo ela continuava a repetir o seu pedido.

Fé que triunfa
Por que Jesus parecia afastar a mulher siro-fenícia? Ele queria testar
a fé dessa mulher e ver se era genuína. Ao mesmo tempo, era uma lição
para os discípulos observar que a fé supera os limites raciais e nacionais.
Eles tinham ouvido Jesus dizer-lhes quando curou o servo do centurião:
"Não encontrei tão grande fé nem mesmo em Israel”. E ali em Sidom eles
observariam a fé que uma mulher cananéia demonstrava.
Jesus disse à mulher que não era correto tirar comida que pertencia
aos filhos e dá-la para os cachorrinhos. A mensagem implícita para
ela era clara: os gentios não deveriam pedir! A palavra filhos se refere
ao povo judeu que estava dentro da aliança de Deus. E a referência a
cães comparava os não-judeus aos cãezinhos de casa que consumiam
pedacinhos e bocados de comida que caíam da mesa na hora da refeição.
As palavras de Jesus estavam longe de ser elogiosas; sua atitude para
com ela parecia descortês.
A mulher siro-fenícia havia sido rejeitada e teria de voltar para casa.
Mas Jesus não é o Salvador do mundo, qualquer que seja o status ou o
passado de quem quer que seja? Os judeus chamavam essa mulher de
cananéia porque os primeiros fenícios se identificavam por esse nome.
Eles eram os habitantes originais da terra. Mas os judeus usavam o termo
para rejeitar um gentio daquela região.
M esmo assim, a fé dessa mulher provou ser rocha sólida, porque
ela imediatamente respondeu ao comentário de Jesus de que o pão dos
filhos não seria dado aos cães da casa. Sua resposta foi: "Sim, Senhor, mas
m esmo os cães comem as migalhas que caem da mesa de seu dono”. Sua
determinação era admirável, apesar da referência de Jesus a cães. Ela não
aceitava ser posta de lado e sua determinação inabalável era óbvia.
A m ulher ousadam ente perguntou a Jesus se o que os judeus
rejeitavam não poderia ser uma bênção para os gentios. Se cachorrinhos
podem comer o pão que os judeus consideravam puro, não poderiam os
gentios comer esse alimento também?
Se Jesus estivesse disposto a aceitar os gentios, então essas pessoas
não podiam mais ser chamadas de cães. Seriam então beneficiárias da sua
graça e misericórdia e seriam atraídas para dentro do círculo do povo
pactuai de Deus. A fé dessa mulher triunfou.
Jesus ficou surpreso e exclamou: "Mulher, grande é a sua fé! Volte para
casa porque o demônio já deixou a sua filha”. A mãe correu para casa e
para a sua filha; quando chegou, viu-a deitada sobre a cama e percebeu que
o demônio havia saído dela. Ela estava curada e de volta ao normal.
Sem entrar na casa dela, Jesus tinha curado a filha da mulher a distância.
Ao fazer isso, ele não ofenderia as sensibilidades judias e a hesitação deles
quanto a entrar na casa de gentios. Em outras ocasiões que envolviam
milagres de cura de não-judeus, ele se absteve de entrar na casa deles. Para
ilustrar, ele curou o servo de um centurião romano sem entrar na casa
dele, e enquanto estava em Caná, ele simplesmente disse a um oficial real,
embora de origem judia, que sua filha em Cafarnaum estava curada.
O poder de Jesus de fazer milagres não podia ser impedido nem pelo
tempo nem pelo espaço. Como Senhor dos senhores e Rei dos reis ele
tinha total controle sobre anjos demoníacos. Sem que Jesus dissesse uma
palavra, os anjos caídos tinham de submeter-se a ele e sair do corpo e da
mente daqueles a quem estavam afligindo com males mortais.

Pontos a ponderar
• O apóstolo Paulo exemplifica o tema de judeus e gentios quando es­
creve sobre os ramos de uma oliveira que são tirados dela por causa de
descrença, enquanto os galhos de uma oliveira agreste são enxertados
numa oliveira cultivada por causa da fé. Esse procedimento parece
contrário à natureza. Mas observe que Jesus fazia milagres entre
0 seu próprio povo, que o rejeitava, e se estendia aos gentios, que o
reconheciam com fé não fingida.
• Quando Jesus testou a fé da mulher siro-fenícia, sua atitude para com
ela pareceu a princípio grosseira e desinteressada. A atitude dele, no
entanto, esclareceu a extensão da fé que ela mantinha nele. Ele propos­
itadamente usou o adjetivo grande para descrever a confiança dela. Isso
ilustra que nós somos freqüentemente provados quando Deus quer
que exerçamos paciência. Como as estrelas ficam mais luminosas na
escuridão da noite, do mesmo modo a nossa fé sobressai na mais grave
das circunstâncias.
• O livro de Atos claramente revela que o amor de Jesus quebrou bar­
reiras raciais entre judeus e gentios. Com a difusão do evangelho,
multidões cada vez maiores de gentios têm entrado para a Igreja.
1 loje cristãos rodeiam o globo e estão presentes em toda parte.
• Será que os nossos vizinhos não-cristãos vêem que amamos Jesus pelo
amor e respeito que mostramos a eles? Sabemos que o amor de Cristo
transcende a todas as barreiras de etnia, cor, língua e nacionalidade.
Assim, as nossas ações devem falar mais alto do que as nossas palavras
ao sermos seus mensageirovs a outros à nossa volta. Não precisamos de
ir a campos de missão para informar as pessoas do que Cristo requer
de nós, quando elas estão morando bem ao nosso lado. As pessoas
observam os cristãos todos os dias porque estamos vivendo, figurati­
vamente, em casas de vidro.
<*4 O M E N I N O POSSESSO ^
Mateus 17.14-19; Marcos 9.14-29; Lucas 9.37-42

A transfiguração
Jesus levou Pedro, João e Tiago ao topo do M onte Ilerm om para lhes
dar um vislumbre do céu. Seu objetivo ao levar esses três discípulos ao
alto da montanha foi mostrar a eles a sua transfiguração em luz gloriosa
na presença de M oisés e Elias. Então, a voz de Deus o Pai disse: “Esse
é meu Filho amado em quem tenho prazer. A ele ouvi!”
Pedro nunca esqueceu dessa experiência. Décadas mais tarde,
quando escrevia uma de suas epístolas, ele repetiu as palavras que
Deus havia dito. Esse acontecim ento foi usado de modo poderoso na
vida desses três discípulos quando seus olhos foram abertos para que
pudessem começar a compreender a morte, a ressurreição e a ascensão
de Jesus.
Aqui há um contraste entre céu e terra. Os evangelistas retratam
Jesus com seu círculo íntimo de Pedro, Tiago e João num alto monte
onde tinham ido para orar e onde ele foi transfigurado. Os três discípu­
los viram Jesus com M oisés e Elias em esplendor celestial. Mas quando
Jesus e os discípulos desceram da montanha, eles imediatamente foram
confrontados por um jovem possesso por um demônio. Ali Satanás, a
quem Jesus chamava de o príncipe deste mundo, tornou conhecida a
sua presença como sendo o adversário.
Possessão demoníaca
Enquanto Pedro e seus dois companheiros estavam tendo uma
experiência no alto de uma montanha ao verem um vislumbre do céu, no
pé da montanha os nove outros discípulos estavam lidando com um poder
demoníaco que se recusava a ir embora. Um pai os havia procurado com
o filho, possesso por um demônio. Porém, os discípulos foram incapazes
de ajudar. Eles fizeram o melhor que puderam para expulsar o demônio,
mas foi tudo em vão. Todos eles confessaram fracasso e tiveram de ceder
ao poder de um demônio que estava em total controle. A única coisa que
puderam fazer foi esperar que Jesus descesse da montanha.
Nesse incidente, três partes desempenharam um papel importante:
o pai com o filho doente, os discípulos que não conseguiram expulsar o
demônio, e Jesus, que assumiu o controle da situação. Durante muito tempo,
um pai e uma mãe tinham sido forçados a ver o seu filho ser vitimado por
ataques epiléticos. Logo reconheceram que um demônio tinha passado a
residir permanentemente nele. Observaram que esse demônio causava nele
convulsões que levavam sua boca a espumar, tornavam rígido o seu corpo e o
faziam ranger os dentes. Esse demônio tinha intenção de causar mal físico em
seu filho a ponto de tentar matá-lo lançando-o no fogo ou na água. Se não fosse
pela vigilância tanto do pai quanto da mãe, o demônio teria conseguido.
O pai ouvira falar nos milagres que Jesus tinha realizado na Galiléia e
em outros lugares, restaurando a saúde dos doentes. Ele ficou pensando
se Jesus estaria disposto a expulsar o demônio para curar o seu filho.
Ele ainda tinha algumas reservas, mas a necessidade o forçou a levar o
seu filho ao curador galileu.
Quando os dois chegaram ao lugar onde Jesus tinha estado, alguém
contou àquele pai que o Grande Médico estava no M onte Hermom com
três de seus discípulos. Ele ousadamente pediu aos nove discípulos que
exorcizassem o demônio. Porém, depois de algumas tentativas de um ou
mais dos discípulos, ele descobriu que eles eram incapazes de ajudá-lo
e ao seu filho.
Primeiro, André tinha pronunciado uma fórmula infalível para
expulsar demônios: “Em nome de Jesus de Nazaré, eu lhe digo, saia do
menino”. Nada aconteceu. Depois Bartolomeu quis expulsar o demônio.
Usou as mesmas palavras que André havia pronunciado, mas novamente
o resultado foi negativo.
Enquanto os discípulos estavam tentando lidar com esse fracasso,
eles tiveram de suportar a zombaria mordaz de alguns mestres da Lei.
As pessoas zombavam dos nove discípulos pela incapacidade deles de
expulsar demônios. Embora os discípulos lembrassem de experiências
anteriores, quando tiveram poder para fazer isso, sentiram-se derrotados
em duas frentes. Tiveram de lidar com a zombaria das pessoas e também
com o controle de Satanás sobre o moço.

A chegada de Jesus
Quando desceu do monte, Jesus viu que uma grande m ultidão
circundava os nove discípulos que estavam sendo ridicularizados pelos
m estres da Lei. As pessoas se surpreenderam com o aparecimento
repentino de Jesus num momento crítico em que o diabo parecia estar
em pleno controle e os discípulos sem poder nenhum. Eles correram
para ele e o saudaram.
Jesus perguntou aos mestres da Lei sobre o que estavam discutindo
com seus discípulos. Em certo sentido, ele colocou um braço protetor em
volta de seus homens agitados que o viam como seu capitão. Nenhum
dos doutos advogados ousou abrir a boca, e sua zombaria de repente
teve fim. Não tiveram coragem de dizer a Jesus que haviam zombado
dos discípulos.
Então, uma pessoa na multidão disse a Jesus que lhe havia trazido
o seu filho porque um espírito maligno o tinha privado da capacidade
de falar. O demônio atacava o filho, lançava-o ao chão, fazia a sua boca
espumejar, ranger os dentes e ficar rijo. O menino sofria muito com os
ataques demoníacos. O pai pedira aos discípulos de Jesus que expulsassem
o demônio; eles haviam tentado, mas fracassaram.
Jesus se dirigiu aos discípulos e os repreendeu por sua falta de fé e lhes
perguntou por quanto tempo ele tinha de ficar entre eles e suportá-los.
Como poderiam ser seus representantes se não conseguiam nem expulsar
um demônio? Jesus mandou que lhe trouxessem o menino.
Na presença de Jesus, o demônio derrubou o menino em convulsões,
jogou-o no chão e o fez rolar espumando. O pai informou a Jesus sobre
esses ataques demoníacos violentos e rogou por ajuda e misericórdia.
Ele mostrou que tinha fé, embora ela fosse fraca.
Jesus disse palavras de encorajamento ao pai: “Se você tem certeza
de que isso pode ser feito para você, então saiba que todas as coisas
podem ser feitas para aquele que crê”. O pai prontamente respondeu
com uma afirmação espiritual e um apelo: “Eu creio; por favor, ajude a
O menino possesso 125

minha incredulidade”. Suas palavras deram a entender que se tratava de


um pedido por ajuda contínua para fortalecer a sua fé que estava sendo
atacada pela dúvida.
Então, quando a multidão estava correndo em direção a ele, Jesus
repreendeu o espírito maligno. Ele disse: “A você, espírito que impede
o menino de conversar e ouvir, ordeno que saia dele e nunca mais entre
nele”. O demônio obedeceu e foi embora, mas não sem gritar e fazer
que o menino caísse e rolasse ali. Em resultado disso, o menino parecia
morto. Mas Jesus o levantou pela mão, e o pôs em pé.
O conflito entre um espírito demoníaco e a onipotência de Jesus
chegou ao fim quando o milagre da restauração ocorreu. Jesus serviu
como agente de Deus quando ele criou os anjos. Portanto, ele como
seu Criador tem autoridade até mesmo sobre os anjos caídos; eles têm
de submeter-se quando ele ordena que se vão embora. Satanás, como
o mestre dos demônios, é incapaz de prevalecer contra Jesus, pois ele
também tem de se submeter.
Depois, em particular, os discípulos perguntaram a Jesus por que
eles não conseguiam expulsar esse demônio. Eles haviam feito isso em
outras ocasiões, mas dessa vez tinham fracassado miseravelmente. Eles
admitiram derrota, mas queriam saber por que não tinham sido bem-
sucedidos. Além de fé, de que mais precisariam? Então, Jesus lhes disse
que esse tipo de demônio só podia ser expulso em resposta à oração.
Ou seja, os discípulos deveriam ter pedido a Deus o Pai que lhes desse
autoridade e poder para expulsar esse espírito maligno.

Pontos a ponderar
• Jesus disse mais de uma vez que se tivermos fé como um grão de
mostarda, poderemos remover montanhas. A semente de mostarda é a
menor das sementes do jardim e montanhas são obstáculos maciços no
caminho da vida. Contudo, esses obstáculos podem ser vencidos pela
fé. Fé e oração andam lado a lado e nunca devem ser tratadas como se
fossem separadas.
• Muitas vezes os nossos esforços para servir a Deus resultam em fracasso
e então ficamos tentando descobrir o que deu errado. O motivo muitas
vezes é deixarmos de orar a Deus e buscar a sua vontade. Somos como
Jonas, que primeiro fugiu de Deus entrando num navio; depois, na bar­
riga de uma baleia ele correu para Deus em oração; ein Nínive ele correu
com Deus; e por último, depois que havia pregado em Nínive, ele tentou
correr adiante de Deus dizendo o que ele devia fazer.
Para cada espírito maligno neste mundo há dois anjos bons para nos
guiar e proteger. Isso não significa que devemos orar a um anjo ou a
um crente que já passou para a glória. Oramos a Deus, que é o doa­
dor de toda boa e perfeita dádiva. Ele nos dá poder e capacidade em
resposta à oração que é oferecida em fé.
Atualmente, a medicina consegue tratar a epilepsia, que não apresenta
mais uma ameaça tão grande aos seres humanos quanto era no passado.
Será que o nosso conhecimento sobre esses medicamentos diminui a
nossa apreciação por Jesus realizar um milagre? E claro que não. Jesus
expulsou um espírito maligno que impedia o menino de falar e ouvir.
Ele soube imediatamente que enfrentava um espírito demoníaco. A
epilepsia em si era algo secundário.
M ARIA M ADALENA
Lucas 8.1-3; João 20.1,2, 10-18

Mulheres dedicadas
Jesus ia de cidades e vilas a vários lugares da região campestre
pregando a boa-nova do reino de Deus. Aonde quer que fosse não só
pregava a boa-nova, como também curava pessoas acometidas de muitas
doenças. Ele enfrentava as obras de Satanás em homens e mulheres que
eram possuídos por demônios. Esses sofredores, que não tinham quem
os ajudasse a sair de seu sofrimento, se voltavam para Jesus.
Durante o ministério terreno de Jesus, Satanás parecia ter soltado
incontáveis espíritos m alignos para se oporem aos seus esforços.
Os dem ônios, no entanto, im ediatam ente reconheciam , quando se
encontravam com Jesus, que a força dele era uma força espiritual que eles
eram incapazes de impedir. Somente uma palavra dele era suficiente para
bani-los de cena com a advertência de nunca mais retornarem.
Enquanto viajava com os doze discípulos, Jesus os instruía nos
mistérios do reino. Alguns desses homens eram pessoas com recursos
suficientes, como os pescadores Pedro, André, Tiago e João. Mateus, o
ex-cobrador de impostos, provavelmente estava bem de vida. Mesmo
assim, as despesas para a manutenção diária de treze homens pediam
provisão adicional.
Algumas mulheres tiravam de seus próprios recursos para suprir as
necessidades diárias de Jesus e seus seguidores. Ele havia conhecido essas
mulheres numa época em que elas sofriam de possessão demoníaca e outros
males e as havia curado. Portanto, num esforço de expressar gratidão a
ele, davam de seus bens de bom grado para cobrir as despesas de Jesus.
Em contraste com a cultura daquele tempo em que só os homens
seguiam a um mestre, Jesus atraiu tanto homens quanto mulheres para
o seu grupo. O Novo Testam ento menciona algumas mulheres que
honravam a Jesus cuidando dele. Embora os homens tivessem fugido,
as mulheres estavam presentes junto à cruz. Não foram os homens, mas
as mulheres as primeiras a ir ao túmulo no dia da ressurreição de Jesus.
As mulheres estavam presentes no cenáculo quando os discípulos se
reuniram para escolher um sucessor para Judas Iscariotes. E algumas
mulheres são mencionadas como tendo sido ajudantes dos apóstolos,
como Paulo indica em suas epístolas.
A lguns homens se voltaram contra Jesus: Pedro rejeitou Jesus
negando-o três vezes, e Judas foi aos principais sacerdotes para trair o
Mestre por trinta moedas de prata. Ao contrário, as mulheres seguiram,
defenderam e sustentaram Jesus fielmente.

Maria de Magdala
Entre as mulheres que ministraram a Jesus estava Maria Madalena,
cujo nome indica que ela era da cidade de Magdala situada na margem
sudoeste do Lago da Galiléia. Quando Jesus a encontrou, ela era conhecida
com o uma mulher possuída por demônio. Jesus teve piedade dela,
expulsou sete demônios e restaurou a sua saúde. Esse era um caso grave
de possessão demoníaca, porque o número P r e fe r e -se a algo completo,
isto é, ela estava sendo totalmente afligida por esses demônios, Não há
realmente nenhuma evidência que ela tenha sido uma mulher imoral nem
que ela tenha tido um relacionamento impróprio com Jesus.
Depois que Maria recuperou a saúde mental, ela demonstrou devoção
e fidelidade ao seu benfeitor. Com outras mulheres que tinham sido
curadas por Jesus, ela seguiu o seu M estre e o sustentou com os seus
próprios recursos. Duas das outras mulheres foram Joana, que era esposa
do administrador de Herodes, e Susana.
Maria era dedicada a Jesus; ela o seguiu em sua última viagem a
Jerusalém. Quando os discípulos o abandonaram na cruz, Maria esteve
lá com outras mulheres para vê-lo sofrer e morrer. Ela observou onde
José de Arimatéia e Nicodemos sepultaram Jesus para que pudesse ir
ao túmulo no final do sábado, bem cedo na manhã do primeiro dia da
semana. Com outras mulheres, ela levou especiarias para ungir o corpo
de Jesus.
Enquanto se dirigiam ao lugar do sepultamento, as mulheres falavam
entre si sobre como remover a pesada pedra redonda da entrada da
sepultura. Quando chegaram, viram que a pedra tinha sido rolada para o
lado. Os soldados que deveriam ter ficado de guarda tinham ido embora.
Maria olhou para dentro rapidamente c viu que o túmulo estava
vazio. Ela correu de volta para a cidade de Jerusalém e relatou a Pedro
e João a notícia sobre o desaparecimento de Jesus. A seguir, ela voltou
ao túmulo, onde permaneceu, chorando. Mas através das lágrimas que
enchiam seus olhos ela pode ver alguém em pé ali que lhe perguntou por
que ela estava chorando e a quem estava procurando. Maria o identificou
erradamente como o jardineiro. Quando Jesus chamou pelo seu nome,
ela reconheceu a sua voz. Cheia de alegria, ela o abraçou. Mas ele lhe
disse para não segurá-lo, porque ele voltaria para o Pai. Ele a instruiu a
ir aos discípulos com a notícia de que ele subiria ao céu. Ela obedeceu e
contou que ela havia visto o Senhor ressurreto.

Pontos a ponderar
• A devoção a Jesus deve ser sempre caracterizada por uma resposta
de gratidão a ele pelo seu constante amor e abundantes provisões
pelo seu povo. Sempre que esses favores são aceitos como normais, a
lealdade ao doador desses presentes começa a diminuir e finalmente
cessa. Negligenciar a virtude de expressar gratidão inevitavelmente
resulta em abandono negligente.
• As mulheres expressam sua lealdade a Jesus desempenhando numero­
sos papéis no ministério da igreja. Elas assumem posições de liderança
nas áreas sociais e educacionais e utilizam os talentos recebidos de
Deus no serviço de Cristo. Há bastante trabalho que precisa ser feito
na vida da igreja, e as mulheres preenchem essa necessidade com os
dons que Deus lhes deu,
• A palavra devoção significa ser um ardente seguidor e servo de Jesus
Cristo, em obediência à sua ordem, e expressar amor eterno a ele
em gratidão.
RESSURREIÇÃO
DE MORTOS
O FILH O DA VIÚVA
DE N A IM
Lucas 7.11-16

Um filho único
A morte está à nossa volta, pois mal as lágrim as secam numa família
e elas já começam a fluir em outra. Atrás de cada notícia de morte
vem um dilúvio de lágrimas, e cada pedra de túmulo é um monumento
à tristeza. A morte reinará suprema até que seja derrotada como o
últim o inimigo.
Uma viúva morava na cidadezinha de Naim, localizada perto da
margem sul da Galiléia, não longe de Samaria. Ela havia perdido o
marido por causa de um acidente ou uma doença. De tempos em tempos,
ela visitava o túmulo dele no cemitério à margem da cidade. Ela havia
sido deixada com um único filho, que era quem trabalhava e de quem ela
dependia para o sustento de suas necessidades diárias. Embora o lugar
vazio deixado pelo seu marido permanecesse, ela encontrava grande
conforto na presença do seu filho.
Então, um dia a morte bateu de novo à sua porta e levou o seu filho.
Não foi só a sua fonte de renda que foi afetada, mas muito mais que isso;
repentinamente, a intimidade e o amor que havia entre ela e seu filho
chegaram ao fim. Ela sentiu-se esmagada pela tristeza, pois agora teria
de viver sozinha.
Mesmo que parentes, amigos e pessoas na cidade tentassem confortar a
viúva, nada podiam fazer para tirar sua tristeza. A viúva sabia que, à medida
que eles se envolvessem com os seus problemas cotidianos, esqueceriam da
sua tristeza. Ela teria de enfrentar o desgaste da solidão e da pobreza até
que a morte finalmente pusesse fim à sua vida. Ninguém poderia eliminar
a sua tristeza e ninguém poderia aliviar a sua dor.

Apenas um único filho


Em Israel, o sepultamento de um morto era costumeiramente realizado
no dia da morte ou no dia seguinte. A família e os amigos ajudavam a mãe
com os preparativos. Então, no horário determinado o cortejo fúnebre saiu
da casa da viúva a caminho do cemitério. Na Galiléia, era esperado que a
mãe afligida caminhasse na frente do cortejo seguida por rapazes jovens
que levavam o esquife com o corpo do morto. Atrás deles, completava o
cortejo uma multidão de pessoas, com pranteadores e flautistas. Se um
grupo de pessoas encontrava um funeral, elas eram respeitosamente
obrigadas a acompanhar os pranteadores até o cemitério.
Foi providencial que, justamente quando Jesus, seus discípulos e uma
grande multidão de seguidores chegaram à cidade, o cortejo funerário
estivesse saindo. Mas em vez de silenciosamente tomar o seu lugar no
final do cortejo, Jesus primeiro se dirigiu à mulher aflita com uma palavra
de consolo, dizendo-lhe que não chorasse. Ele entendia plenamente a
profunda tristeza da viúva e teve piedade dela. Depois, ele acenou com
a cabeça para que os jovens descessem o esquife e parassem. Todos os
olhos estavam agora focados em Jesus, pois quem ousaria interferir
num funeral? As pessoas estavam curiosas. Esse incidente tirava os
pensamentos delas da tristeza inconsolável da viúva.
Jesus tocou o esquife e então, com voz de comando para todos ouvirem,
disse: “Jovem, eu lhe digo. Levante-se!” Ali estava o único Filho de
Deus que dava ordem ao único filho da viúva para levantar-se de entre
os mortos. Nesse lugar, a origem da vida confrontou o anjo da morte e
disse a ele que soltasse seu domínio sobre o jovem. Enquanto os outros
diziam palavras de conforto para a viúva, Jesus não só a confortou como
também agiu. Ele mandou o filho dela levantar-se e voltar à vida.
Esse foi o primeiro milagre de ressuscitar uma pessoa morta que
Jesus fez. Os outros dois foram a filha de Jairo e Lázaro. Não se tratou
de uma ressurreição de uma pessoa que só aparentava estar morta; foi
uma ressurreição física. Só Jesus, como o Filho de Deus, poderia realizar
esse milagre único.
Alguns dos pranteadores haviam ouvido e visto Jesus curar os doentes
e os deficientes, mas não o haviam testemunhado chamar mortos de volta
à vida. O ato foi único e todos queriam saber o que aconteceria em seguida.
N o entanto, eles conheciam a história do seu povo. Os dois profetas que
operavam milagres, Elias e Eliseu, tinham cada um deles ressuscitado
um filho único. Deus não é um Deus dos mortos e sim dos vivos.
Assim que o rapaz recebeu a ordem para se sentar, para admiração de todos
no funeral, o homem morto voltou à vida. Ele sentou-se e imediatamente
começou a falar para provar que estava realmente vivo. Como Elias e Eliseu
respectivamente devolveram às suas mães dois meninos ressuscitados para
a vida, assim Jesus entregou à viúva aflita o seu filho.
A multidão espontaneamente irrompeu em louvor a Deus e dizia que um
Grande Profeta havia vindo entre eles para mostrar que Deus realmente
ajudava o seu povo. Eles estavam certos em chamar Jesus de um Grande
Profeta; ele cumpriu a profecia messiânica de que Deus levantaria um
profeta como Moisés, que era considerado o maior na história de Israel.
A notícia sobre o milagre de Jesus ter ressuscitado uma pessoa
espalhou-se rapidamente por toda a terra dos judeus. Nada igual jamais
havia acontecido em sua história recente. A viúva tinha o seu filho de
volta, a tristeza se transformara em alegria, a.s lágrimas secaram e risadas
eram ouvidas. Ela era uma mãe novamente e o seu contínuo sustento
estava assegurado.

Pontos a ponderar
• O Credo Apostólico fala em termos pessoais sobre a ressurreição. Todo
cristão verdadeiro recita fielmente as palavras: “Creio na ressurreição
do corpo". Ou seja, a alma e o corpo serão unidos novamente no dia
da volta de Cristo.
• De todas as religiões do mundo, só o Cristianismo tem uma doutrina
madura e completa da ressurreição. Os apóstolos no primeiro século
pregavam esse princípio como a base da fé cristã. Ao longo dos séculos,
esse princípio religioso tem feito que o Cristianismo seja único.
• Uma das marcas da religião cristã é cuidar das viúvas e dos órfãos.
Sempre que cristãos se dedicam a cuidar dessas pessoas necessitadas,
Deus aceita a religião deles como pura e sem defeito.
A FILHA DE JA IR O ^
Mateus 9.18-26; Marcos 5.21-43; Lucas 8.40-56

Uma filha única


Um homem chamado Jairo vivia na cidade de Cafarnaum, onde
servia como chefe da sinagoga local. Por muitos anos, ele e sua esposa
haviam enfrentado a perspectiva de não ter filhos até ficarem felizes pelo
nascimento de sua filha única. Porém, depois de doze anos de felicidade no
pequeno círculo familiar, a filha deles ficou muito doente. A ajuda médica
ou era inadequada ou não estava disponível. Ela estava quase morrendo e
Jairo foi procurar Jesus como o último recurso para encontrar ajuda para
ela. Sua fé era forte, pois mesmo quando sabia em seu coração que a sua
filha poderia morrer repentinamente, ele confiava que Jesus iria e a traria
de volta à vida.
Jairo saiu de casa correndo e foi até o porto, onde ele ficou sabendo
que Jesus estava a bordo de um barco de pesca e poderia voltar à praia a
qualquer momento. Contudo, cada minuto era precioso para o pai dessa
criança que estava morrendo. Então, ele viu o barco de pesca chegar e
Jesus desembarcar. Ele correu para Jesus. Ele implorou, ajoelhado, que
fosse até a sua casa imediatamente para restaurar a sua filha e salvá-la
de morte iminente.
O chefe da sinagoga confiava em Jesus para curar a sua preciosa filha,
mas a sua fé foi duramente testada. Quando Jesus começava a ir com ele,
foi parado por uma mulher que tinha estado doente por doze anos com
hemorragia. M esmo Jesus tendo a curado imediatamente, a interrupção
fez que Jairo ficasse preocupado. Será que Jesus chegaria a tempo de fazer
algum bem para a sua filha?
Enquanto Jesus falava com a mulher, que então estava curada e cheia de
alegria, os amigos de Jairo lhe trouxeram a triste notícia de que a sua filha
única havia morrido. A notícia foi devastadora. Então, esses amigos lhe
disseram que não incomodasse mais Jesus. O tempo para lamentação havia
chegado, o que significava que pranteadores e flautistas especiais estavam
contratados e os arranjos para o enterro já estavam sendo feitos.
Jesus ouviu a notícia que os amigos tinham trazido a Jairo. Ele estava
bem a par da situação, mas demonstrava confiança e segurança na
presença do chefe da sinagoga. Deu-lhe esperança e segurança quando
disse: “Não tema, crê somente”.
Jairo tinha mostrado fé quando foi ao porto com o seu pedido por
auxílio. Ele cria que a única pessoa que podia ajudá-lo era Jesus. Agora
o M estre lhe dizia para não temer, mas continuar a crer.
O fato de que a morte tinha entrado no círculo familiar de Jairo fazia que
fosse difícil crer e não temer. Ele sabia que Jesus podia curar os doentes,
porque havia várias pessoas em Cafarnaum que Jesus tinha tornado
saudáveis: um paralítico, o filho de um oficial, o criado de um centurião e
a mulher com hemorragia. M esmo assim, ele achava que o seu caso era
diferente; a sua filha estava morta. Será que Jesus, que tinha curado muitas
pessoas, poderia ressuscitar uma pessoa da morte para a vida?
Jesus entendia o que se passava na mente de Jairo e logo agiu para
livrá-lo de sua aflição. Ele disse a Jairo que não desse atenção aos seus
amigos nem à triste notícia que eles haviam trazido. Havia chegado o
momento de colocar toda a sua confiança em Jesus.
O temor diante da morte é compreensível, mas ter fé em face do
medo é louvável. Quando Jairo levou Jesus até sua casa, os pranteadores
e flautistas contratados já haviam chegado e estavam chorando alto
e batendo no peito. No mesmo instante, Jesus assumiu o controle da
situação e não permitiu que ninguém entrasse na casa, exceto Pedro,
João e Tiago com o pai e a mãe da criança.

Menina, levante-se!
O barulho era intenso, mas quando Jesus apareceu todos se aquie­
taram. Ele perguntou aos pranteadores e músicos por que estavam
chorando alto e se lamentando. Ele simplesmente lhes disse: "A criança
não está morta e sim dormindo”. Suas palavras causaram risadas altas,
pois todos sabiam que ela estava morta. Ao mesmo tempo, essas risadas
demonstravam que eles não eram sinceros, e que a tristeza deles era
apenas uma mostra exterior.
Jesus, os pais da menina e os três discípulos entraram no quarto em
que ela estava deitada. Então, Jesus pegou na mão da menina e disse na
língua aramaica que era falada na casa: Talita, cumi! que significa “Menina
pequena, eu digo a você, levante-se!” Então, na privacidade daquele
aposento, o milagre da ressurreição ocorreu. Jesus, que é o caminho, a
verdade e a vida, concedeu vida a essa menina. Embora o seu dom de
vida terminaria quando a morte finalmente viesse mais uma vez, nesse
momento ela completava o círculo familiar de novo.
O milagre que ocorreu na casa de Jairo manifestou o poder de Jesus
sobre a morte e o túmulo. Satanás e seus anjos não tiveram a palavra final
sobre a vida e a morte, mas Jesus o doador de vida possuía autoridade
absoluta. Sua ordem, dada era palavras simples à filha de 12 anos, foi
suficiente para trazê-la de volta à vida. Ele não pronunciou fórmulas
mágicas, nem encantamento algum e não levantou varinha de condão.
Ele simplesmente disse à filha de Jairo que se levantasse.
No caso dos profetas Elias e Eliseu, para que cada um deles trouxesse
um menino morto de volta à vida, eles oraram a Deus e se deitaram
sobre o morto. Eles fizeram isso mais de uma vez, e o morto voltou à
vida. Em contraste, Jesus não orou, não tocou o corpo morto, mas só
falou e a menina voltou à vida. Não foi uma reanimação de um corpo
físico que ainda estava vivo. Foi um milagre realizado por Jesus, o autor
e sustentador da vida, o Filho de Deus, o Governador do universo.
Jesus disse duas coisas aos pais dela: para não contar a ninguém
sobre o m ilagre que havia acontecido e para darem à menina algo
para comer. A ordem de não informar as pessoas sobre o que havia
acontecido soa incoerente. Logo que ela saísse do quarto, parentes,
amigos e vizinhos veriam a menina e a notícia se espalharia. Contudo,
Je-sus não queria que esse milagre se tornasse conhecido extensam ente
e assim atrapalhasse a sua obra que já estava sendo dificultada pelas
autoridades religiosas.
A instrução para que se desse à menina algo para comer teve o
propósito de indicar que ela deveria reassumir uma vida normal de
comer e beber. Os dias de sua doença tinham chegado ao fim, e agora
ela poderia reassumir as suas atividades diárias. Jesus governava tanto
o ato sobrenatural de levantá-la dos mortos quanto a atividade natural
de fazê-la comer e beber.

Pontos a ponderar
• O anjo da morte é um poder fortíssimo do qual nenhum ser mortal
pode escapar. Os seres humanos conhecem a inevitável certeza da
morte que todos precisam encarar. Todos precisam morrer uma vez
e depois disso enfrentar o juízo. Mas Jesus venceu a morte ao res­
suscitar mortos. Ele fez que todos soubessem que aquele que nele crê
será levantado dos mortos para viver com ele eternamente. Essa é a
linguagem da fé em Cristo.
• Será que Deus responde às orações que são oferecidas em fé? Ele es­
cuta as nossas orações? As vezes, não há nenhuma resposta e parece
que os céus estão fechados. Embora pareça que Deus não nos ouve,
ele por vezes está experimentando a nossa paciência para fortalecer a
novssa fé. Foi por isso que Jesus disse a Jairo para não temer, mas que
continuasse a crer.
• Durante todo o seu ministério, Jesus repetidamente dizia a seus dis­
cípulos e outros: “Não temam!” O medo afugenta a fé, mas a fé espanta
o medo. A Bíblia nos ensina a manter os nossos olhos da fé fixos em
Jesus, que é o autor e aperfeiçoador da nossa fé.
• Jesus veio consertar aquilo que está quebrado pelo pecado. O primeiro
Adão viveu num mundo perfeito criado por Deus, mas a sua desobe­
diência lançou uma sombra de longo alcance sobre o lindo mundo de
Deus. A morte entrou na sua criação e reinou suprema. O segundo
Adão, Jesus, veio para trazer restauração e finalmente acabar com
o pecado. A ressurreição da filha de Jairo, do jovem de Naim e de
Lázaro foram precursoras antecipadas da ressurreição final no fim
dos tempos. Jesus morreu na cruz, ressurgiu dos mortos para viver
eternamente, e venceu a morte. Contudo, o poder da m orte permanece
até a consumação. Naquele tempo, corpos e almas serão reunidos em
glória para viver com Jesus num mundo renovado. Isso então será o
céu na terra.
^ LÁZARO ) sd
João 11.1-44

Amigos em Betânia
Duas irmãs, Maria e Marta, e seu irmão Lázaro viviam numa casa
situada na pequena vila chamada Betânia cerca de três quilômetros de
Jerusalém. Aparentemente, eles não eram os mais pobres do lugar, porque
de vez em quando recebiam visitantes e providenciavam alojamento
para eles em sua casa espaçosa. As vezes, Jesus e seus doze discípulos se
hospedavam na casa. Também alguns dos judeus de mais prestígio da
capital estavam entre os seus amigos.
O relacionamento que havia entre Jesus e seus amigos em Betânia era
mais íntimo do que uma familiaridade casual. Os laços de amor humano
eram fortalecidos durante suas visitas freqüentes nas ocasiões em que
ele ia a Jerusalém para as festas religiosas.
Certa ocasião, Jesus e seus discípulos estavam hospedados no lado
leste do Rio Jordão, onde poderiam estar a salvo de uma possível agressão
por parte das autoridades judias. Enquanto ele estava lá, Maria e Marta
mandaram um mensageiro com um recado curto, mas urgente, que dizia:
“Senhor, aquele a quem ama está doente”. A notícia dava a entender que,
porque Lázaro estava doente e a ponto de morrer, a ajuda de Jesus era
urgentemente necessária.
Em vez de apressar-se em viajar para Betânia e providenciar cura
para o seu amigo doente, Jesus ficou ali mais dois dias antes de atender
ao pedido de ajuda. Ele tornou conhecido de seus discípulos que o mal
de Lázaro não era de ameaça à vida. Acrescentou que a condição de
Lázaro era para demonstrar a glória de Deus para que o Filho pudesse
ser glorificado por intermédio dele.
O comentário de Jesus apontava para um milagre que ocorreria em
Betânia para que o enfoque não fosse sobre a morte, mas sobre a glória
de Deus e seu Filho Jesus Cristo. Jesus amava seus amigos Maria, Marta
e Lázaro; assim mesmo, esperou dois dias antes que respondesse ao seu
pedido e começasse a sua viagem para a Judéia.
Jesus disse aos seus discípulos que Lázaro dormia e que ele iria à
Betânia para acordá-lo. Mas se ele realmente amava seus amigos, por que
adiava a sua viagem por dois dias? Tinha levado um dia para o mensageiro
chegar até Jesus; depois houve dois dias de espera e no final mais um
dia de viagem para Jesus chegar aos seus amigos. Até então, um total de
quatro dias já havia se passado. Por que a demora?

Amigos entristecidos
Os discípulos entenderam que Jesus queria dizer que o sono natural iria
restaurar Lázaro. Mas eles deveriam ter percebido que dormir por vários
dias não devia ser entendido literalmente. A referência de Jesus à glória de
Deus deveria tê-los alertado de que algo miraculoso iria acontecer.
Então Jesus lhes disse claramente que o seu amigo havia morrido. E
ele acrescentou que estava contente de não ter estado na casa do amigo,
para que seus discípulos pudessem crer. Ao dizer isso, ele os preparou
para o maior milagre que ele realizaria na presença de todos aqueles que
choravam a morte de Lázaro em Betânia. Ele queria que eles vissem o
poder de Deus operando em ressuscitar uma pessoa que estava morta
havia quatro dias.
Os discípulos haviam visto Jesus ressuscitar o jovem de Naim e a filha
de Jairo, mas esses dois tinham morrido pouco tempo antes de voltar
à vida. Então, eles seguiram com Jesus a caminho de Betânia, onde
encontrariam as irmãs, Maria e Marta, muito entristecidas.
Depois de um dia inteiro de viagem, Jesus e os discípulos chegaram à
casa das duas irmãs. Com as mulheres estavam alguns judeus que haviam
vindo de Jerusalém para consolá-las. Marta soube da chegada de Jesus
e saiu para encontrá-lo, enquanto sua irmã permaneceu dentro de casa
com os que estavam lá para lhe dar conforto.
O rosto de Marta demonstrava muita dor e pesar, e as primeiras
palavras que ela disse não escondiam o seu desapontamento: “Senhor,
se tivesse estado aqui, meu irmão não teria morrido”. Todo o tempo as
irmãs tinham repetido essas palavras, sabendo que Jesus teria curado
Lázaro se ele estivesse lá. Mas também reconheciam que Jesus nunca
teria podido ter chegado a tempo, uma vez que o irmão delas morrera
pouco depois da partida do mensageiro. E agora o irmão delas já estava
no túmulo havia quatro dias.
Marta tinha fé inabalável em Jesus apesar da morte do irmão. Ela lhe
disse: “Eu sei que qualquer coisa que o senhor pedir a Deus, ele lhe dará”.
Quando o mensageiro voltou às irmãs, ele relatou as palavras que Jesus
havia dito em resposta ao pedido das irmãs para que fosse. Quando Jesus
ouviu a notícia sobre a doença do irmão delas, ele havia dito: “Esta doença
não causará morte, mas é para o propósito da glória de Deus, para que o
Filho de Deus seja glorificado por meio dela”. As irmãs tinham ouvido
essa mensagem enigmática e reconhecido que Jesus não havia esquecido
do pedido delas. Portanto, Marta disse palavras que expressavam a sua
fé inabalável em Jesus.
Respondendo a Marta, Jesus reforçou a fé dela. Ele declarou: “Seu
irmão se levantará novamente". Ali estava a explicação do comentário
de Jesus de que a doença de Lázaro não era para a morte. Ela presumiu
que esse coinentário fosse uma referência à ressurreição dos mortos. Com
confiança e segurança, ela respondeu: “Eu sei que ele viverá de novo na
ressurreição no último dia”. Ela expressou a sua fé inabalável de que no
fim dos tempos os mortos serão ressuscitados a uma nova vida, como o
Antigo Testamento ensina.
Não podemos descartar a possibilidade de que Jesus tinha ensinado
a doutrina da ressurreição numa ocasião anterior na casa delas. Nesse
momento, ele deu seguimento a esse ensino dizendo a ela: “Eu sou a
ressurreição e a vida; qualquer pessoa que crê em mira viverá, ainda que
morra uma morte natural. E todo aquele que vive crendo em mim nunca
morrerá. Você crê nisso?”
Jesus incorpora as doutrinas da ressurreição e da vida com as palavras
ousadas Eu sou. Como Jesus personifica esses ensinos, devemos concluir
que sem ele não há nada a não ser a morte. Ele ensina que só pela crença
nele é possível apropriar-se tanto da ressurreição quanto da vida, isto é,
que a pessoa que coloca nele a fé ressurge dos mortos e vive para sempre.
Isso quer dizer que todo aquele que crê em Jesus deste lado do túmulo
já recebeu o princípio da vida que nunca lhe pode ser tirada.
Marta tinha ouvido Jesus ensinar essas doutrinas em sua casa e
agora em resposta à pergunta de Jesus, ela afirmou a sua fé nele: “Sim,
Senhor, eu creio; o Senhor é o Cristo, o Filho de Deus, vindo ao mundo”.
Enquanto ela mantinha o seu olhar de fé fixo em Jesus, ela se sentia
espiritualmente segura. Mas no momento em que olhava para outro
lado, a dúvida a assaltava.
Então, Marta entrou em casa para chamar Maria que estava com as
pessoas que a consolavam. Ela sussurrou para Maria que Jesus tinha
chegado e disse: “O M estre está perguntando por você”. Ela queria que
a irmã tivesse a mesma privacidade na presença de Jesus que ela havia
tido. Mas não adiantou. Os pranteadores dentro da casa viram Maria
sair e presumiram que ela estava se dirigindo ao túmulo para chorar ali.
Então eles a seguiram.
Maria foi até Jesus, ajoelhou-se a seus pés e disse as mesmas palavras que
Marta havia dito antes: "Senhor, se o Senhor estivesse aqui, o meu irmão
não teria morrido”. Quando ela rompeu em lágrimas, Jesus foi tomado de
emoção e perturbou-se em espírito. Ele perguntou: “Onde vocês o puseram?”
Outros responderam a sua pergunta dizendo: “Senhor, venha ver”.

O milagre
Jesus aproximou-se do túmulo onde ele testemunhou a evidência da
autoridade da morte. Ele viu por trás disso o poder de Satã, que havia
vindo para destruir e tirar a vida - nesse caso a vida de Lázaro. Jesus
expressou a sua profunda indignação para com Satã, o anjo da morte.
Ele estava profundamente angustiado na presença da morte.
“Jesus chorou.” Essas duas palavras são conhecidas como sendo o
versículo mais curto no Novo Testamento. Por um lado, elas dizem tudo
sobre a sua compaixão, e por outro a sua ira contra o anjo da morte. Jesus
expressou solidariedade às irmãs contristadas e a sua indignação contra
o poder da morte. Ele silenciosamente derramou lágrimas.
Judeus eminentes que testemunharam a reação de Jesus à morte
de Lázaro estavam divididos em sua interpretação sobre o que estava
acontecendo. Uns ficaram surpresos com a expressão do seu amor pelo
morto, enquanto outros perguntavam por que ele não tinha impedido que
Lázaro morresse. Eles sabiam que ele tinha aberto os olhos dc um cego,
então raciocinavam que Jesus deveria ter demonstrado a sua autoridade
curando Lázaro.
O túmulo tinha uma pedra colocada na sua entrada. Quando Jesus
deu a ordem de removê-la, Marta reagiu imediatamente. Ela disse que
Lázaro estava morto havia quatro dias —como se Jesus não soubesse. O
cheiro penetrante de morte pairava sobre toda a área.
Gentilmente, Jesus repreendeu Marta pela sua falta de fé. Ele a fez
lembrar que se ela cresse, veria a glória de Deus. Essas eram as mesmas
palavras que o mensageiro havia transmitido a ela quando ele voltou de
avisar Jesus. Jesus lhe havia dito que ele personificava a ressurreição e a
vida. Marta teve de admitir as palavras de Jesus.
Homens fortes removeram a pedra. Então, Jesus olhou para o céu e
fez ao Pai uma oração de agradecimento, em que indicou que o pedido
para o retorno de Lázaro à vida fora concedido. Ele não fazia nada de
sua própria vontade, mas sempre fazia tudo em harmonia com a vontade
de Deus. Ele pronunciou essa oração audível para o beneficio de todos
aqueles que o ouviam para que eles pudessem crer.
Jesus pronunciou três palavras em alta voz: "Lázaro, saia daí!” Então
o milagre aconteceu. Lázaro saiu do túmulo e se expôs ao olhar de
todos os que estavam prementes. Ele andava com dificuldade porque
os seus pés e as suas mãos estavam amarrados com tiras de linho e ele
tinha um pano sobre o rosto. Presumimos que o seu corpo havia sido
coberto com um lençol de sepultamento. Jesus disse aos espectadores
que tirassem a roupa mortuária e o deixassem ir para casa, obviamente
para que se vestisse.
Como o milagre ocorreu? Não sabemos além de dizer que aconteceu
porque Deus executou a sua vontade por meio do poder de Jesus.
Gostaríamos de saber como todas as moléculas se juntaram no corpo
dele. Gostaríamos de ouvir o que Lázaro disse às irmãs e aos outros
sobre a vida além. Mas nada é revelado. De fato, Paulo relata que ele foi
privilegiado por poder entrar no céu, mas que não teve permissão para
contar o que ouviu, pois essas palavras são sagradas demais para serem
pronunciadas. O céu é tão diferente da terra que isso impossibilita uma
descrição do futuro.

O efeito subseqüente
A essa altura do ministério de Jesus, a ressurreição de Lázaro foi
realmente o maior milagre que ele havia executado. Ele fez isso para que os
que estavam presentes junto ao túmulo pudessem testemunhar e confessar
que Deus o Pai havia enviado Jesus. Quando com fé eles aceitassem essa
verdade, saberiam que ele era o seu Messias, o Filho de Deus.
M uitos dos judeus que haviam ido para consolar Maria, puseram a
sua fé em Jesus ao testemunharem o milagre de ressuscitar Lázaro dos
mortos. Foram estes que foram aos fariseus com a notícia do milagre
que Jesus havia feito.
Ao ouvir essa notícia, os principais sacerdotes e fariseus reagiram
convocando uma reunião de seu conselho de governo para tomar medidas
contra Jesus. Eles o viam como uma ameaça à sua segurança no caso
de haver uma insurreição maciça contra a autoridade romana. Assim,
queriam eliminar Jesus à força e disseram que seria melhor que um só
homem morresse do que uma nação perecer. Algum tempo depois, os
principais sacerdotes, revelando seus corações endurecidos, fizeram
planos para matar Lázaro, porque observaram que mediante o seu
testemunho as pessoas punham a sua fé em Jesus.

Pontos a ponderar
• Lázaro passou quatro dias no céu e retornou à vida na terra. Mesmo
que tivesse visto a glória do céu, ele mais uma vez teve de viver na
terra. Ele novamente teve de viver uma vida manchada pelo pecado
com a inevitável conseqüência de morrer de novo na hora determinada
por Deus. Assim mesmo, Lázaro, cujo nome significa “Deus ajuda” foi
um eloqüente testemunho a favor de Cristo e seu reino.
• A alma e o corpo de Lázaro foram reunidos quando Jesus o chamou
para sair do túmulo. Em contraste, no dia da ressurreição, o seu
corpo sairá em forma glorificada para ser reunido com o seu glorioso
espírito. Todos os crentes serão glorificados quando Jesus retornar.
As sepulturas serão abertas, e todos aqueles que estão vivos naquele
momento serão transformados num piscar de olho. E assim estaremos
com Jesus para sempre.
• Lázaro morreu e foi ressuscitado para viver nesta terra até que a morte
o chamasse novamente. Jesus morreu e ressurgiu dos mortos para
nunca mais morrer. Enquanto Lázaro permaneceu um cidadão desta
terra, Jesus ascendeu corporalmente ao céu para tomar o seu lugar à
mão direita de Deus.
O pecado é uma força ofuscante que mantém as pessoas nas garras de
Satanás. Toda a evidência que Deus tornou conhecida não pode con­
vencer um pecador a não ser que o milagre da regeneração aconteça
no seu coração. É somente pela graça que somos salvos pela fé. Não
podemos reivindicar crédito por isso, porque é um presente de Deus.
RESTAURAÇÃO
DA VISÃO
D O IS H O M EN S CEG O S
M ateus 9.27-31

Falta de visão
A visão é um dos nossos cinco sentidos. Embora a cegueira seja um
grande mal, os outros sentidovs acabam se tornando mais aguçados para
compensar a falta de visão. Assim, o sentido da audição fica mais sensível,
como também os do tato, do olfato e do paladar, M esm o assim, a perda
de visão continua sendo uma deficiência física séria.
No mundo atual, os cegos conseguem ler livros por meio do tato,
podem encontrar emprego em muitos campos de trabalho e dispõem
de muitas conveniências para acomodar as suas necessidades. Nos dias
de Jesus, os cegos eram relegados ao nível de pedintes, o que ainda hoje
acontece nos países subdesenvolvidos. Para eles, a perda da visão significa
pobreza inevitável e dependência exclusiva dos familiares.
Em algumas partes do mundo, a cegueira é muitas vezes devida
à falta de cuidados. Partículas de pó se fixam na superfície dos olhos,
causam inflamação e com o tempo podem causar perda parcial ou total
da visão. A inflamação dos glóbulos oculares, quando não tratada por
um médico, pode causar uma deficiência de visão. E também a exposição
exagerada ao calor intenso e à brilhante luz solar pode eventualmente
levar à cegueira.
A Bíblia fala muitas vezes sobre a cegueira. Na velhice, Isaque tinha
a visão prejudicada, de modo que não conseguia distinguir entre as
aparências de Jacó e Esaú. Na prisão, os olhos de Sansão foram vazados
para torná-lo inofensivo. O profeta Eliseu pediu a Deus que abrisse
os olhos de seus inimigos que estavam afetados com cegueira quando
entrassem na cidade de Samaria. Paulo tinha vista ruim e escreveu que os
gálatas teriam desejado arrancar seus próprios olhos para dá-los a ele.

Homens cegos
Jesus curou muitas pessoas que não enxergavam. Dentre elas houve
dois homens cegos que o seguiram e ficaram gritando: “Tem misericórdia
de nós, Filho de Davi”. Eles identificaram Jesus como sendo o Filho de
Davi, o que equivalia a chamá-lo de Messias. D e acordo com as profecias
nas Escrituras do Antigo Testamento, na sua vinda o M essias traria
numerosas bênçãos, dentre elas a restauração da visão.
Esses dois cegos seguiam Jesus, pois no fundo do coração eles sabiam
que se Jesus fosse verdadeiramente o Messias, ele lhes concederia a visão.
Talvez o tivessem ouvido pregar em sua cidade natal, na sinagoga de
Nazaré. Ali ele havia dito que no ano do Senhor ele tinha vindo pregar
as boas-novas aos pobres, proclamar liberdade aos prisioneiros e dar
recuperação da visão aos cegos. Agora eles queriam saber se Jesus
cumpriria a sua palavra.
Porém, o M estre não dava atenção aos dois homens cegos. Eles
continuaram com seus rogos para que ele tivesse misericórdia deles, que
mostrasse piedade para com eles não meramente dando-lhes uma esmola,
mas concedendo-lhes o dom da visão. Como se não os estivesse ouvindo,
Jesus continuou a caminhar ern direção à casa onde estava hospedado.
Aparentemente, ele estava sentindo total indiferença, mas na verdade estava
testando a fé desses dois homens. Embora eles o reconhecessem como o
Messias, Jesus queria se certificar de que eles realmente criam nele.
Quando já estavam dentro da casa, Jesus voltou-se e perguntou se eles
acreditavam que ele era capaz de conceder-lhes o que pediam. Os homens
cegos foram sucintos e diretos: “Sim, Senhor”. Isso foi suficiente para
Jesus, que estendeu a mão e tocou nos olhos deles. Ele poderia também
ter dito uma só palavra e eles estariam curados. Ele não fez massa com
saliva para ungir os olhos deles, nem pôs saliva nos olhos deles. Nessa
ocasião, o toque do M estre foi suficiente.
Jesus disse: “Por causa de sua fé, que isto seja feito a vocês". E naquele
momento o milagre aconteceu. Jesus abriu os olhos deles. Nada nos é dito
sobre a alegria e a felicidade desses dois homens. Compreensivamente,
eles ficaram supercontentes por poder enxergar de novo. Não precisariam
mais depender dos membros da família por ajuda. Não eram mais
pedintes, pois eles agora tinham condição de encontrar um emprego e
ganhar a própria vida.
Quando os homens estavam prontos para partir, Jesus os advertiu
a não contarem a ninguém a respeito do milagre. Essa ordem parece
incoerente, pois logo que os homens aparecessem em público seriam
questionados sobre o que tinha acontecido com eles e eles teriam de
contar. Os cegos não haviam recebido de volta a sua visão do nada;
eles teriam de contar o que havia acontecido e identificar Jesus como o
operador do milagre.
Jesus não queria que os homens o identificassem como o Messias
porque isso o colocaria em dificuldades com as autoridades religiosas e
os membros do conselho judeu. Essas pessoas não gostariam de vê-lo
como alguém que poderia fazer oposição a Roma e assim causar uma
reação adversa. E também, o conhecimento de que ele era realmente o
M essias suscitaria oposição ao seu ministério. Jesus permitiu que os ex-
cegos dissessem que ele os curou, mas eles não deveriam identificá-lo
como o Filho de Davi, o Messias.
Entretanto, os dois homens partiram e para onde quer que fossem
contavam às pessoas o que Jesus havia feito por eles. Como resultado,
a notícia do milagre se espalhou por toda a região. A última coisa que
Jesus queria era publicidade adversa daqueles a quem ele havia advertido
a não revelar a sua identidade.

Pontos a ponderar
• A fé, com a oração, restaura uma pessoa que está doente ou aflita. Os
homens puseram a sua fé em Jesus e rogaram que ele tivesse misericór­
dia. E com base nisso, ele os curou. Quando, na sabedoria de Deus,
nenhuma cura é concedida, nunca devemos culpar o doente dizendo
que ele não teve fé suficiente. Se fizermos isso, colocamo-nos acima
de Deus, e assim cometemos um grave pecado.
• Jesus disse a Jairo e à sua esposa que não contassem a ninguém que ele
havia ressuscitado a filha deles. Ele fez o mesmo com os dois homens
que tiveram a visão restaurada. Porém, esses homens deliberadamente
desobedeceram a Jesus e espalharam a notícia naquela terra. Fé em
Jesus e obediência aos seus preceitos caminham juntas. A desobediência
é um pecado que mina a fé.
Os dois homens foram abençoados com discernim ento espiritual
quando eles se dirigiram a Jesus como o Filho de Davi. A cegueira
física não precisa ser a mesma coisa que cegueira espiritual. Em sua
graça e bondade, Deus muitas vezes dá visão espiritual aos fisicamente
deficientes.
A visão física é um tesouro que Deus nos deu. Mas a visão espiritual é
um dom que é bem maior porque ela está relacionada com a eternidade.
As pessoas que conseguem ver espiritualmente conhecem Jesus como o
seu Salvador, são cheias de amor, expressam a sua gratidão e, em pala­
vras e atos, servem-no obedientemente sempre e onde quer que ele os
envie. Eles são seus embaixadores que transmitem a boa-nova do amor
e salvação de Deus a qualquer pessoa que se mostre disposta a ouvir.
°s< BARTIMEU >3-
M ateus 2 0 .2 9 -3 4 Marcos 1 0 .4 6 -5 2 Iizcas 18.35-43

Perto de Jericó
Quando os israelitas entraram em Canaã, Deus mandou que eles
destruíssem a cidade de Jericó. Eles fizeram isso caminhando em
volta dela uma vez por dia durante uma semana. Depois, no sétim o
dia, eles rodearam a cidade sete vezes, os sacerdotes sopraram suas
trombetas de chifre na sétima vez e os muros da cidade caíram diante
de seus olhos. Esse foi o modo como Deus demoliu Jericó. Ele também
fez aos israelitas a advertência de nunca reconstruírem a cidade, pois
qualquer pessoa que fizesse isso pagaria o preço de perder tanto o
seu filho primogênito quanto o seu filho mais novo. Essa maldição foi
cumprida séculos mais tarde.
Muitos anos depois, o rei Herodes, o Grande, construiu um palácio de
verão perto da velha Jericó. Ali estava localizado o centro administrativo
romano e funcionava como a nova Jericó. Ali os cobradores de impostos
que trabalhavam para os romanos viviam com luxo. Entre a velha e a
nova Jericó, pedintes cegos sentavam-se, pedindo às pessoas que passavam
que tivessem piedade e lhes jogassem algumas moedas.
Um dos pedintes chamava-se Bartimeu, que significa “filho de Timeu”.
Ele e outro pedinte ouviram que Jesus estava vindo na direção deles. O
nome de Jesus de Nazaré era bem conhecido deles por causa dos muitos
milagres que ele já havia feito e do ensino que vinha dando em inúmeros
lugares. Por isso, quando Bartimeu ouviu que Jesus estava a caminho de
Jerusalém para a Festa da Páscoa, ele clamou em alta voz: “Jesus, Filho
de Davi, tem misericórdia de mim!”
Nesse momento em que Jesus estava passando por Jericó, Bartimeu
tinha uma oportunidade de ouro para implorar a Jesus o dom da visão.
Ele não parava de gritar, embora as pessoas ao lado dele dissessem que
se calasse. Em vez disso, os comentários da multidão o animavam a pedir
em voz ainda mais alta.
Repetidas vezes Bartimeu chamou por Jesus, o Filho de Davi, para
que lhe mostrasse misericórdia. Ele reconhecia que Jesus era realmente
o M essias prometido nas Escrituras. Ele sabia que esse Messias tinha
o poder de restaurar a visão aos cegos, como já havia provado quando
curou outras pessoas cegas, tanto na Galiléia quanto em Jerusalém,
Certamente esse homem de Deus não passaria por ele sem conceder-lhe
a visão. Bartimeu colocou a sua fé em Jesus, o Filho de Davi.

Um milagre notável
Jesus ouviu o apelo do homem cego. Era óbvio a ele que o pedido por
misericórdia não queria dizer dar ao cego algumas moedas, e sim dar
aos dois cegos a dádiva da visão. Jesus usou os próprios homens que o
tinham repreendido para trazê-lo, e ao seu companheiro cego, até ele.
Os espectadores fizeram o que o M estre mandou e disseram a Bartimeu:
“Animem-se, levantem-se, ele os está chamando!”
Bartimeu respondeu de imediato, tirando a sua capa; ficou em pé num
salto e foi em direção a Jesus, provavelmente guiado por pessoas que
estavam ali na multidão. Jesus queria que as pessoas se envolvessem com
o milagre que ele estava para fazer. Ele perguntou ao homem cego: “O
que você quer que eu faça por você?” A resposta foi comovente, porque
Bartimeu em sua língua nativa o chamou Raboni, que quer dizer “meu
grande M estre”. Então, ele pediu que pudesse enxergar novamente.
Bartimeu havia deixado para trás a sua capa e possivelmente algumas
moedas que havia ganhado. Ele não estava preocupado pela possível perda
de suas poucas posses; ele cria que ganhar de volta a sua visão era um
presente que transcendia quanto ao valor a todos os bens materiais. A
visão seria o fim de viver no escuro; significaria ver Jesus em pessoa.
Jesus tocou os olhos dos homens cegos. Não pôs saliva nem lodo nos
olhos deles; não pronunciou nenhum encantamento; não usou nenhum
objeto mágico. Nenhum desses acompanhamentos fez parte do ato. A
seguir, Bartimeu ouviu Jesus lhe dizer: “Vá, a sua fé o curou”. Realmente
Jesus dava a entender que a fé que ele tinha o havia tornado saudável tanto
155

fisicamente quanto espiritualmente. Com isso, os dois cegos puderam


enxergar de novo.
Sim, agora eles podiam ver o céu azul, as árvores verdes e as flores
vermelhas, brancas e amarelas. Espiritualmente, eles sabiam que Jesus
os havia curado.
A alegria, a felicidade e a gratidão devem ter sido imensas nos homens
que então estavam restaurados. Eles queriam mostrar gratidão a Jesus, e o
modo mais apropriado de fazer isso foi segui-lo, quando ele saiu de Jericó
para Jerusalém. Ali Jesus enfrentaria a humilhação da cruz e da morte, e
também a exaltação da ressurreição dos mortos. Pela fé, os dois homens
antes cegos, mas então enxergando, poderiam ver os acontecimentos da
semana mais importante da vida terrena de Jesus.
Jesus não impediu Bartimeu de dirigir-se a ele com o título messiânico
Filho de Davi. Dias depois, quando Jesus se aproximou da cidade de
Jerusalém, as multidões que iam à sua frente e aquelas que o seguiam
gritavam: "Hosana ao Filho de Davi! Bendito é aquele que vem em nome
do Senhor!” E quando ele entrou na área do templo, as crianças estavam
gritando: “Hosana ao Filho de Davi!” Então, Jesus era conhecido por
esse título messiânico.

Pontos a ponderar
• Jesus convida pecadores a clamar pelo seu nome e pedir por misericór­
dia. Ele não só ouve as nossas orações imperfeitas, embaraçadas pelo
formalismo, pela rotina e pelo egoísmo, mas ele aperfeiçoa as nossas
petições deficientes e então as apresenta a Deus o Pai. Ou seja, Jesus
é o nosso auxiliador nas orações que dirigimos a Deus em nome dele.
Ele é o nosso intercessor.
• O pecado nos cega de modo a deixarmos de ver a mão orientadora de Deus
em nossa vida. Quando acordamos e pedimos que ele nos abra os olhos
espirituais, podemos ver a sua mão nos guiando e dirigindo para glorificar
o seu nome. Quando recebemos visão espiritual, ficamos admirados diante
da sua misericórdia, do seu amor e da sua graça para conosco.
• Quando Deus nos dá o dom do discernimento espiritual, podemos
viver uma vida de previsão prudente para a glória dele. Então, somos
capazes de liderar e dirigir outros para que também possam deixar
de andar na escuridão para andar na beleza da luz espiritual. Juntos,
podemos alegrar-nos na gloriosa verdade que Deus torna conhecida
a nós em sua Palavra.
O H O M EM C EG O
EM BETSAIDA
Marcos 8.22-26

Um lugar de incredulidade
Localizada ao longo da margem nordeste do Lago da Galiléia e ao
lado leste do Rio Jordão, Betsaida era o lar de alguns dos discípulos de
Jesus - Pedro, André e Filipe. Eles eram pescadores que em sua vida
honravam o nome de sua cidade, Betsaida, que significa “casa ou lugar de
pesca”. Com o passar do tempo, o lugar se expandiu de uma vila para uma
cidade que finalmente se tornou uma capital. No entanto, popularmente
os cidadãos continuavam a chamá-la de vila.
Jesus tinha feito muitos milagres nas cidades de Corazim, Cafarnaum
e Betsaida. Mas quando não viu nenhum crescimento espiritual, ele
repreendeu essas cidades dizendo que o dia do juízo seria mais suportável
para Sodoma e Gomorra do que para elas. Ele disse que se as pessoas
daquelas duas cidades tivessem visto os milagres que ele tinha realizado
nessas três cidades da Galiléia, elas teriam se arrependido sem demora.
No entanto, apesar de todos os milagres que ele fez, Jesus não conseguia
ver fé em Corazim, Cafarnaum e Betsaida.
Perto de Betsaida, uma grande multidão de cinco mil homens havia
escutado o ensino de Jesus. Depois, à tardinha daquele dia, Jesus tinha
miraculosamente alimentado essa imensa multidão com cinco pãezinhos
e dois peixes. Essa notícia se espalhara entre os cidadãos de Betsaida.
Um dos moradores de Betsaida era um homem cego. A sua visão
havia sido perfeita, mas por causa de doença, acidente ou negligência,
ele não enxergava mais. Agora ele cambaleava na escuridão, tinha de ser
conduzido por membros da família e amigos, e estava destinado a levar
a vida de pedinte.
Algumas das pessoas haviam levado o cego pela mão, talvez depois
de tê-lo convencido a ir a Jesus. Pode ter havido relutância de sua parte
em pedir por cura, porque não foi o cego, mas aqueles que o levaram que
pediram a Jesus que o tocasse e curasse. Em vez de meramente dizer uma
palavra e devolver a sua visão, Jesus pegou o homem cego pela mão. Ele
o levou para fora de Betsaida, para um lugar tranqüilo onde pudessem
ter privacidade.

Um milagre em dois estágios


Jesus mostrou um cuidado amoroso ao levar o homem cego pela mão,
sem dúvida conversando com ele para conhecê-lo melhor. Num lugar
tranqüilo, ele parou e então cuspiu sobre os olhos do homem. Comumente
cria-se que a saliva tinha valor medicinal para curar a cegueira. Jesus
optou por esse método para levar o homem cego por estágios a uma fé
firme nele. Em seguida, ele ternamente colocou suas mãos sobre ele e
perguntou se ele estava enxergando alguma coisa. O homem levantou os
olhos e respondeu que podia ver pessoas, que para ele pareciam árvores,
andando ao redor, Ele se lembrava dos tamanhos e formatos de árvores
do tempo em que ele ainda enxergava. Ele via os discípulos de Jesus e
observava que eram objetos em movimento. As imagens que ele via eram
indistintas e obscuras. Ele tinha de estar pessoalmente envolvido e chegar
a perceber que o processo de cura estava só pela metade.
Então, Jesus prosseguiu para o segundo estágio, Ele mais uma vez
colocou as mãos sobre o homem e tocou os olhos dele. Quando o homem
abriu bem as suas pálpebras e focou intencionalmente, pôde ver tudo com
clareza. A visão do homem foi restabelecida em dois estágios que duraram
só um instante. A primeira pessoa que ele viu foi Jesus, seu benfeitor.
Depois disso, ele olhou em volta para ver os objetos que estavam perto
e os que estavam longe, para admirar as cores na natureza e ligar vozes
conhecidas com rostos. Sua visão estava completamente restaurada.
Agora já era hora de o homem voltar para casa, mas Jesus deu-lhe
sérias instruções de que não voltasse à vila. Isso não deve ser entendido
como dizendo que o homem não poderia ir para a sua casa. Provavelmente,
isso significava que ele não continuasse como pedinte. Como cidadão
útil, agora ele poderia ganhar a vida com um trabalho e ter uma posição
respeitável na sociedade.

Pontos a ponderar
• Quando lemos a Bíblia, podemos ver verdades espirituais que o Es­
pírito Santo nos faz ver cada vez mais claramente ao abrir os nossos
olhos espirituais. A compositora de hinos Clara H. Scott, do século
19, colocou isso eloqüentemente em versos que se traduzem mais ou
menos assim:
A bra meus olhos para que eu veja
V islum bres da verdade que tu tens para mim;
Em m inhas mãos coloque a m aravilhosa chave
Que abre e m e liberta.

Km silêncio agora eu espero por ti,


P ronto, meu Deus, para ver a tu a vontade.
A bra m eus olhos, ilum ina-m e
E spírito Divino.

• Como foram abertos os olhos do homem cego para que ele pudesse ver
o rosto de Jesus, assim será dada a nós, como crentes, a experiência
alegre de ver Jesus quando sairmos deste cenário terrestre e entrarmos
pelos portais do céu.
• As pessoas que podem enxergar espiritualmente são cheias de sa­
bedoria que Deus lhes dá em resposta à oração. Com esse dom de
sabedoria, elas são líderes na sua família, na igreja, no trabalho e na
sociedade. Esse dom celestial é um tesouro que as mantém no caminho
correto que dá uma colheita de justiça.
O H O M EM C E G O
DE N A SC E N Ç A
João 9.1-41

Ministério de cura
Se alguém nasceu cego, isso significa que ele nunca viu luz nenhuma.
Isso significa que ele vive num mundo totalmente sem cor, beleza e
esplendor. Para os cegos, é uma existência impenetravelmente escura
na qual a pessoa se movimenta confiando nos sentidos do tato, do olfato,
do paladar e da audição.
Jesus e seus discípulos estavam andando por Jerusalém, talvez perto
do templo onde pedintes costumavam sentar-se. Eles viram um pedinte
bem conhecido que era cego de nascença. Sua cegueira podia ter sido
causada pelo efeito prolongado de uma doença venérea. A Escritura
simplesmente afirma o fato de que o homem era cego sem dar nenhuma
explicação sobre uma possível causa.
Os discípulos perguntaram a Jesus se essa cegueira era resultado do
pecado do homem ou do pecado dos pais dele. Como os líderes judeus
daquele tempo, eles consideravam todo sofrimento um resultado de
pecado. Mas como poderia um bebê cometer pecado antes de nascer?
Estariam os discípulos pensando nos bebês gêm eos Jacó e Esaú, que
lutavam no útero? Talvez, mas qual teria sido o pecado dos pais?
Jesus lhes disse diretamente que o pecado não era o problema. Em vez
disso, ele chamou atenção para as obras que Deus agora faria no homem.
Ou seja, Jesus olhava o pedinte cego e se perguntava o que poderia fazer
por ele. Os discípulos, ao contrário, viam o homem e questionavam qual
teria sido a causa da cegueira dele. Resumindo, Jesus olhava para a frente,
enquanto os seus discípulos olhavam para trás.
Quando Jesus se referiu às obras de Deus, ele sugeriu que uma cura
miraculosa estava para acontecer. Essa ação dem onstraria a glória
de Deus. Isto é, o cego poderia enxergar fisicamente, mas também
espiritualmente e isso seria um milagre duplo. Essa era a obra de Deus
o Pai e de Deus o Filho. Para dizer isso de outro modo, Deus operava
por meio do seu Filho Jesus Cristo, que era o seu agente, aquele que foi
enviado. Jesus se identificou como sendo a luz do mundo.
No caso do homem surdo e mudo em Decápolis, Jesus molhou as
pontas de seus dedos com saliva e depois tocou a língua do homem. E
quando curou o cego em Betsaida, ele pôs saliva nos olhos do homem.
Dessa vez, Jesus cuspiu no chão e com a terra fez um lodo úmido, que
ele passou nas pálpebras do homem cego.
Algumas pessoas, no tempo de Jesus, teriam visto isso como um
uso medicinal da saliva. Entretanto, é m elhor dizer que Jesus pôs
lodo nas pálpebras do homem para torná-lo ainda mais cego do que
já era. O homem tinha de estar pessoalm ente envolvido e m ostrar-se
disposto a fazer o que Jesus dissesse. Sem dúvida ele tinha ouvido
Jesus ensinar na Colunata de Salomão na área do tem plo quando se
sentava lá esmolando. Agora ele tinha de agir em obediência com fé
naquele que Deus havia enviado. Então, ele seria curado ao obedecer
ao operador de milagres. Quando Jesus disse ao cego que fosse ao
tanque de Siloé e lavasse seus olhos, ele o estava testando para ver se
ele confiaria em Jesus.
O homem sabia exatamente onde o tanque de Siloé estava localizado
- dentro da muralha da cidade no lado sudeste de Jerusalém. Muitos
séculos antes, o rei Ezequias havia construído um túnel para levar água da
fonte de Giom ao tanque de Siloé para que, no caso de a cidade ser sitiada,
sempre pudesse contar com um suprimento de água disponível.
Talvez guiado por um amigo, o homem cego foi até o tanque e lavou
o lodo de suas pálpebras. Então, ele abriu os olhos e ficou encantado
ao ver o céu azul, as fofas nuvens brancas, a grama e as árvores verdes,
a cor das flores, a água e as paredes de pedra. Ele agora podia ligar
os sons às coisas que ele via, e reconhecia as pessoas à sua volta. Não
precisava de ninguém para guiá-lo, pois agora enxergava. Ele correu
para casa para ver seu pai e sua mãe e lhes dar a notícia do milagre
que havia acontecido.
Controvérsia
Quando o homem chegou ao lugar onde morava, as pessoas ficaram
confusas. Algumas diziam que ele era realmente o homem cego, mas
outras achavam que se tratavà de alguém parecido. Então, o homem se
identificou e disse que era ele mesmo, o pedinte. Logo que isso se tornou
conhecido, ele teve de explicar às pessoas o que havia acontecido para
que ele pudesse enxergar.
Em palavras claras, o homem contou aos seus vizinhos que Jesus havia
cuspido no chão e feito lodo. Depois, havia posto o lodo nos seus olhos
e mandado que ele fosse ao tanque de Siloé lavar o lodo. Quando o cego
fez isso, pôde abrir os olhos e enxergar.
As pessoas levaram o homem às autoridades religiosas para obter
respostas para esse acontecimento. Queriam saber o que seus líderes
pensavam sobre a maravilha de se dar vista a um homem que havia
nascido cego. Os fariseus se voltaram ao homem que havia sido cego em
busca de uma explicação. Ele lhes contou a mesma história que tinha
contado aos vizinhos.
Contudo, os fariseus que guardavam o sábado estritamente, reagiram
não com alegria, mas com ira porque na cura estava envolvido trabalho
no dia do descanso. Disseram que era impossível Jesus ser um homem
de Deus porque ele tinha desrespeitado o sábado ao fazer um trabalho.
Segundo a interpretação deles, Jesus cometera um pecado triplo:
• Havia feito lodo,
• aplicado-o, e
• curado o homem.
Outros reagiram favoravelmente ao que havia ocorrido. Eles raciocinavam
que um pecador não seria capaz de executar milagres, mas que Jesus havia
realizado um milagre e assim provado, sem sombra de dúvida, que Deus
estava com ele e o tinha comissionado para ser o seu mensageiro.
Com base na evidência, alguém pensaria que os fariseus teriam de
admitir que Jesus fora realmente sido enviado por Deus. Teriam de
reconhecer que Jesus havia curado uma cegueira congênita, o que em toda
a história de Israel nunca havia acontecido. Eles teriam de reconhecer
que dar vista a um cego era um ato de Deus e não de Satanás, Só Deus
poderia dar a Jesus a autoridade de curar o homem cego. Porém, eles
inflexivelmente se recusaram a admitir isso.
Em vez disso, os fariseus convocaram uma reunião formal para
investigar o assunto. A ironia é que, pelo fato de eles terem convocado
uma investigação no sábado para acusar Jesus por ter desrespeitado
o dia de descanso, eles m esm os tornavam -se culpados tam bém .
Convenientemente, eles ignoraram as regras do sábado no que dizia
respeito a eles mesmos porque consideraram ser da maior importância
desacreditar Jesus. Tinham deixado saber que qualquer pessoa que o
confessasse como sendo o Cristo seria expulsa da sinagoga local.
Os líderes religiosos consideraram o homem antes cego, sua primeira
testemunha no caso, e viam-no como um dos seguidores de Jesus. Eles
queriam saber o que o homem diria a respeito do seu benfeitor. O ex-
pedinte foi sagaz e prudente e simplesmente respondeu às perguntas
deles em termos diretos. Ele simplesmente disse: "Ele é um profeta”.
Mas essa resposta não os satisfez.
Os fariseus convocaram os pais do homem como suas testemunhas
seguintes. Esperavam que os pais fossem diretos em darem respostas
à suas perguntas contundentes. Queriam saber se o homem era filho
deles e se ele havia nascido cego. Os pais puderam testificar que esse
era realmente o caso. Depois, perguntaram como ele havia recuperado
a visão. A resposta implícita a essa pergunta tinha de envolver a pessoa
e o nome de Jesus.
Os pais sabiam que se declarassem abertamente o fato de que Jesus
havia aberto os olhos do seu filho, eles seriam excomungados. Eles
conheciam a estipulação dos fariseus. Qualquer pessoa que reconhecesse
que Jesus era o Cristo seria expulsa da sinagoga local. Então, os pais foram
pelo caminho certo em protestar desconhecimento e colocar o ônus da
prova sobre os ombros do seu filho. Sua resposta aos líderes religiosos
foi que deveriam perguntar a ele, que era maior de idade.

O julgamento
Os pais tentaram não correr riscos não se comprometendo, mas o filho,
ao contrário, não teve medo. Ele havia sido abençoado com uma mente
aguçada e uma memória boa. Nos tempos em que se sentava diariamente
como pedinte perto do templo, ele havia escutado os debates dos fariseus
e doutores da Lei. Eles recitavam porções das Escrituras e, por meio de
perguntas e respostas, discutiam o sentido de certas palavras e passagens.
O homem cego absorvera essas interpretações da Palavra de Deus e os
diálogos teológicos e os armazenara na sua memória. Ele também tinha
aguçado mentalmente as suas habilidades de debate.
Quando o ex-pedinte foi chamado para a reunião pela segunda vez,
ele não estava nada temeroso. Ele estava pronto para responder ao
desafio de enfrentar os líderes religiosos e debater com eles no próprio
terreno deles.
Os interrogadores lhe disseram: “D ê glória a Deus!” Isso era o mesmo
que pedir a uma testemunha dos nossos dias para “dizer a verdade, toda a
verdade e somente a verdade!” Eles estavam certos de que o homem não
lhes havia contado a verdade quando declarou que Jesus era um profeta.
Queriam ouvi-lo denunciar Jesus como o Messias. Isso, na opinião deles,
seria dizer a verdade.
Os fariseus disseram: “Nós sabemos que esse homem é um pecador”.
Eles estavam se referindo a Jesus, que havia profanado o mandamento
do sábado ao fazer lodo e curar o homem cego. A abordagem do homem
em responder à declaração deles foi sagaz. Ele evitou se complicar ao
julgar Jesus como um pecador. Sua resposta era tanto negativa quanto
positiva: “Se Jesus é pecador ou não, eu não sei. Uma coisa eu sei: eu era
cego, mas agora enxergo". Ele não deu mais informação.
Eles tentaram fazer que ele repetisse todos os detalhes a respeito
do milagre da cura. Perguntaram: “O que ele fez para você? Como ele
lhe abriu os olhos?” O homem percebeu que eles estavam se repetindo,
e se recusou a tomar parte nisso. Ele os confrontou e, sem medo,
desmascarou-os dizendo-lhes que já tinham a informação. Ele quis saber
por que estavam fazendo perguntas às quais já sabiam as respostas. A
seguir, ele lhes perguntou ousadamente se queriam se tornar discípulos
de Jesus também.
Evidentemente, os fariseus não estavam interessados em se tornar
discípulos de Jesus. E certamente não queriam ouvir isso de um pedinte de
classe baixa. Eles lançaram injúrias contra o homem e tentaram humilhá-
lo. Descreveram-se como discípulos de Moisés enquanto faziam pouco do
homem por ele ser um seguidor de Jesus. Eles foram até o ponto de dizer
que eles nem sabiam de onde Jesus havia vindo. Com isso eles queriam dizer
que eles conheciam a Lei de M oisés e obedeciam a ela, mas Jesus, a quem
chamaram depreciativamente de “este homem”, não tinha credenciais.
Confiando em seu conhecimento das Escrituras, o ex-pedinte disser
“Ora, isso é estranho! Vocês não sabem de onde ele é e, contudo, ele
abriu os meus olhos”. Ele aludia às profecias do profeta Isaías, que em
várias passagens do seu livro havia falado sobre restauração de visão na
época messiânica. O fato de que Jesus havia aberto os olhos do homem,
portanto, apontava para a sua missão de M essias.
Então, o homem foi em frente e esclareceu a identidade de Jesus, o que
ele havia evitado fazer antes. Imparcialmente, ele disse: “Nós sabemos
que Deus não escuta pecadores, mas ele escuta a qualquer pessoa que
é devotada e faz a sua vontade”. Essa era uma afirmação irrefutável e
a lógica do homem era perfeita. Ele prosseguiu e declarou: “Desde o
começo dos tempos, nunca foi ouvido que alguém tenha aberto os olhos de
alguém nascido cego”. O ex-pedinte não se omitiu e provou que conhecia
a história do seu povo. A cura de um homem nascido cego era única e
sem paralelo. Então, ele disse; “Se este homem não fosse de Deus, ele não
poderia fazer nada”. O homem usou uma lógica indiscutível para provar
o seu argumento. E assim ele deu por encerrada a sua argumentação.
A reação negativa dos fariseus foi previsível, mas não estava à altura
do seu oponente. Em vez de admitir a sua derrota, eles rebaixaram o
seu opositor dizendo que ele havia nascido em pecado. Disseram que
pecado era a causa de sua cegueira congênita. E então o expulsaram
da sinagoga.

Um segundo milagre
Depois que Jesus realizou o milagre de abrir os olhos físicos do
homem, ele mais tarde retornou para realizar o m ilagre de abrir seus
olhos espirituais. Ele soube que os fariseus tinham excom ungado o
homem. Expulso da sociedade, o homem não tinha para onde ir. Mas
Jesus o encontrou e perguntou se ele acreditava no Filho do homem.
Ou seja, Jesus queria saber se ele cria, ao contrário dos fariseus que
se recusavam a crer.
Enquanto o homem era cego ele tinha ouvido a voz de Jesus,
mas não o havia visto, N esse m om ento, ele juntou v o z e rosto e
perguntou cautelosamente: “Quem é ele, senhor? Diga-m e para que
eu possa crer nele”.
Jesus se identificou como o Filho do homem, isto é, o Filho de Deus.
Ele lhe disse que era ele quem lhe falava. Numa ocasião anterior uma
mulher samaritana quis saber se Jesus era o M essias, e ele havia dito
as mesmas palavras: “Aquele que lhe fala é ele".
O homem, então, admitiu sua fé em Jesus e o adorou. O milagre da
conversão havia ocorrido.
Pontos a ponderar
• Às vezes, o sofrim ento é resultado de pecado, como no caso de agressão
ao corpo físico. M as não podem os dizer que todo sofrim ento seja re­
sultado de pecado. Foi isso o que os am igos de Jó tentavam dizer-lhe,
mas D eus se irrito u com eles. Jó teve de o rar p o r eles p ara que D eus
não os tra tasse de acordo com a sua insensatez. E D eus o ouviu.

• O hom em que recebeu o dom da visão não era espiritualm ente cego,
mas faltava aos fariseus visão espiritual e eles foram incapazes de ver
Jesus com o o M essias. M uitas vezes, em debates calorosos, algum as
pessoas se recusam a ver o q uadro m aior e se focam, em vez disso, em
detalhes insignificantes. M as nesse caso, os líderes em Israel eram
esp iritualm ente cegos por escolha e se recusavam a ad m itir isso.

• M uitas vezes, a pessoa que defende a verdade, prom ove honestidade


e defende a causa da justiça, é difam ada. As setas do inim igo são di­
rigidas co n tra os retos. Paulo m anda nos defenderm os c o n tra as setas
inflam adas do m aligno por m eio do escudo da fé e seg u rarm o s em
nossa m ão a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus.

• E x istem casos em que os pais deixam de aceitar um filho ou um a filha


que se torn o u crente em Jesus. P ara onde essa pessoa poderá ir para
e n c o n tra r conforto? A E sc ritu ra é a fonte prim ária para se en co n trar
refrigério. Por exemplo, em tem po de necessidade eu recom endo que
você leia o Salmo 27 que ensina: “Se m eu pai e m inha m ãe me desam ­
p ararem , o Senhor m e acolherá”.
CURA DE
LEPROSOS
CU RA DE U M .
03^ ^
LEPRO SO
M ateus 8. 1-4; Marcos 1.40-45; Lucas 5.12-16

De alto a baixo
N os tem pos antigos, a lepra era a p ior e n tre todas as doenças tísicas.
Com o a m ais tem ível de todas as doenças, ela podia ser cham ada de uma
m o rte em vida. G radativam ente e m uito devagar, o corpo da pessoa
d eg enerava, o ro sto e as extre m id a d e s do co rp o eram severam ente
afetados, decom postos e acabavam caindo. Finalm ente, as m ãos ficavam
sem dedos, os pés tam bém , e as sobrancelhas, as pálpebras, o nariz, os
lábios e as orelhas ficavam deform ados. As ex trem idades dos nervos não
mais registravam a dor; p ortanto, um doente não se apercebia plenam ente
da destruição gradual do corpo. E in casos avançados, a gan g ren a fazia que
p artes do corpo se tornassem deform adas e m orressem . Com o resultado,
um cheiro desagradável cercava a pessoa desafortunada.
Via de reg ra , qualquer pessoa com lepra era banida da sociedade e
forçada a viver num a colônia de leprosos. P arentes próxim os e amigos
levavam alim ento, bebidas e ou tra s coisas necessárias p ara o su sten to
dos leprosos. Os sofredores na colônia definhavam até que a m o rte os
lib ertasse do sofrim ento.
U m a ex c eç ã o foi N a a m ã, o g e n e ra l sírio. E le v iajo u a Isra e l
acom panhado de seus servos e chegou a Sam aria, onde o profeta Eliseu
m andou que ele se lavasse sete vezes no Rio Jordão. E le obedeceu e seu
corpo foi restaurado.
A té m eados do século 20, a m edicina não disp u n h a de n enhum tipo
de tra tam e n to pa ra essa doença incurável. A lepra, a g o ra conhecida
como M al de H ansen, é um mal que to rn a a pele branca. Bactérias se
m ultiplicam incessantem ente e afetam a pele, os nervos e as m em branas
da pessoa afetada.
A m edicina m oderna tem dado g ran d es passos no sentido de lim itar
a expansão da doença, que havia sido especialm ente com um nas regiões
tropicais e subtropicais do m undo. Os doentes podem agora ser tratad o s
com antibióticos. M esm o assim, as p artes do corpo que foram afetadas
nunca mais serão restauradas.
D u ra n te o seu m inistério, Jesus curou leprosos e recuperou as p artes
do corpo que haviam sido afetadas ou m esm o perdidas. Q uando ele
estava viajando através de uma das cidades, certo leproso aproxim ou-se
e ajoelhou-se diante dele. E sse leproso estava num estág io avançado da
doença, p orque todas as p artes do seu corpo estavam afetadas. Ele estava
num estado lastim ável, de m odo que as pessoas co rriam dele com m edo
de serem contam inadas. Elas não queriam ver a sua aparência horrível.
O leproso era m antido d en tro de um a colônia, e se estivesse fora dela,
ele tinha de gritar: "Im undo, im undo” à aproxim ação de alguém .
E sse leproso era um hom em de fé inabalável; estava resolvido a
ver o g ra n d e op e ra d o r de m ilagres. E m b o ra to d o s tivessem fugido,
Jesus esperou calm am ente que o hom em se aproxim asse dele. O pedido
sincero do leproso era ser curado por Jesus, se ele assim o quisesse. Ele
provavelm ente e scutara de o u tra s pessoas que haviam sido curadas que
o G ran d e M édico poderia curá-lo. E le caiu de jo elh o s com seu ro sto no
chão e im plorou hum ildem ente que Jesus o ajudasse.
Essa foi a profunda adoração de uma pessoa d oente que hon ro u a
C risto dirigindo-se a ele como Senhor. Ele educadam ente p erg u n to u a
Jesus se estava disposto a curá-lo, colocou-se sob a sua m isericórdia e
esperou pela sua boa vontade.
Cheio de compaixão, Jesus estendeu a mão ao hom em infeliz e o tocou.
A queles que v iram Jesus tocar o leproso devem te r pensado que o seu ato
não era seguro, que era insensato e tra ria conseqüências perigosas. N o
entanto, Jesus, que era puro, tocava o im puro sem c o n tra ir im purezas.
Por causa do seu poder divino, Jesus não era afetado pela doença. Ele
p ronunciou as palavras: "Sim, fica lim po”, e a sua p u reza en tro u no
leproso, que im ediatam ente ficou limpo e com pletam ente curado. O bserve
que a im pureza da lepra não afetou Jesus, m as a p ureza de Jesus e n tro u
no hom em e o curou.
O leproso olhou para suas mãos e seus pés e viu que todos os seus dedos
haviam reaparecido perfeitos. Tocou o próprio rosto e sentiu as sobrancelhas,
os cílios, os ouvidos, os lábios e o nariz; ele percebeu que todas as partes do
seu corpo estavam de volta ao normal. Ele podia sentir de novo, e sua pele
tinha de novo uma cor norm al e saudável. Ele tinha pedido purificação e
tinha recebido restauração. Sua alegria e felicidade não tinham fim.

Instruções oportunas
Ao re s ta u ra r o hom em à saúde perfeita, Jesus lhe dera um renovado
acesso à sociedade, à sinagoga e ao tem plo. M as antes que o hom em
pudesse c o rre r p a ra ver a sua fam ília e os seus am igos e lhes co n tar
sobre o m ilagre, ele prim eiro tinha de ir ao sacerdote em Jerusalém . Ali,
o sacerdote tinha de exam iná-lo e declará-lo curado. Depois, de acordo
com a Lei de M oisés, ele teria de levar um a oferta.
N o tem plo, os líderes religiosos perg u n ta ria m ao hom em como ele
havia sido curado da lepra. Ele teria de contar-lh es que Jesus de N azaré
o havia curado com um sim ples toque de sua m ão e dado um a ordem
com autoridade. O s sacerdotes teriam de reconhecer o p oder de Jesus
de c u ra r pessoas leprosas, inclusive um hom em que um dia estivera
co b erto com a doença. Eles não puderam refu tar a prova que lhes veio
n a pessoa desse ex-leproso. E nq u an to Jesus o havia restau rad o à sua
saúde e felicidade, os sacerdotes não tinham essa habilidade e só podiam
declará-lo curado.
Jesus havia instruído o hom em a ir diretam en te a Jerusalém para fazer
a o ferta p rescrita na Lei m osaica. E sse ato serviu com o testem u n h o aos
sacerdotes, que foram forçados a adm itir que C risto havia m esm o sido
enviado po r Deus. Assim, a oferta do hom em não foi uma oferta por
pecado, m as antes um testem unho a Jesus, que veio não para d e stru ir a
lei, m as p a ra cum pri-la.
As instruções de Jesus incluíam a proibição de não co n tar o fato a
ninguém . Ele seriam ente pediu que o hom em curado ficasse quieto. Ele
queria evitar, em prim eiro lugar, um conflito precoce com os líderes
religiosos de Jerusalém e, tam bém , o desentendim ento das pessoas que
o viam só como operador de m ilagres em vez de o m ensageiro de D eus
enviado p ara salvá-las.
A notícia se espalhou como fogo na m ata e não pôde ser impedida e,
como resultado, grandes m ultidões foram a Jesus. Pessoas foram ouvi-lo e
ser curadas de suas aflições. M as o resultado final foi que Jesus teve de se
retirar para lugares solitários onde ele tinha tem po p ara descansar e orar.

Pontos a ponderar
• A diferença e n tre Jesus e um c urador que o pera pela fé é g rande. Jesus
curava as pessoas instantaneam ente. Um paralítico ficou em pé e andou;
pessoas m ortas ressuscitaram ; um leproso foi com pletam ente restau ­
rado com todas as p artes do seu corpo intactas. N enhum curandeiro
é capaz de fazer algo sem elhante aos m ilagres que Jesus realizou.

• Os m ilagres que Jesus realizou eram em apoio ao seu ensino. A s pessoas


simples percebiam a sua autoridade divina e viam que a sua m ensagem
diferia da dos escribas e fariseus. Nos dias de Jesus e dos apóstolos, D eus
acompanhou o ensino de sua Palavra com sinais e maravilhas. Quando
a era apostólica term inou, os m ilagres extraordinários cessaram.

• O toque da m ão de Jesus estendida aos doentes revela a sua profunda


compaixão e amor. D o m esm o modo, um a palav ra nossa de consolo,
acom panhada por um sim ples toque, expressa o nosso am or cristão
àqueles que estão com dores e sofrendo.

• M o stra r com paixão e am or p a ra com pessoas em necessidade é uma


das m arcas do Cristianism o. O apóstolo Paulo escreve que devemos
ex p ressar cuidado am oroso a todas as pessoas, e especialm ente aos
m em bros da Igreja. M isericórdia e g raça são características de D eus
que devem ser exem plificadas em seu povo e estendidas àqueles que
são pobres neste m undo.
DEZ LEPRO SO S
CURADOS
Lucas 17.11-19

Judeus e samaritanos
A discórdia en tre os judeus e os sam aritanos era sem elhante ao conflito
en tre os ju d eu s e os palestinos nos dias atuais. Duas nações vivem uma
ao lado da outra, m as os conflitos as m antêm separadas.
A história dos samaritanos rem onta ao tempo em que as dez tribos foram
exiladas. Depois que os judeus foram deportados, os assírios trouxeram
colonizadores de ou tras nações. Eles nom earam um sacerdote judeu
para ensinar a esses colonos como adorar a Deus. Os colonos, chamados
samaritanos, tinham só os cinco livros de M oisés das E scrituras e nada
mais. Tem pos depois, quando os judeus voltaram do exílio para reconstruir
Jerusalém e o templo, eles repeliram os samaritanos que ofereceram ajuda.
Ao longo dos séculos, as relações entre judeus e samaritanos não foram
das melhores. Judeus galileus, para não passar por Samaria, atravessavam o
Jordão e viajavam do lado leste do rio em direção à Judéia. Contudo, de tempos
em tempos, Jesus chegava aos samaritanos ao viajar através do território
deles e dem onstrou bondade a alguns habitantes em particular:
* Ele conversou com a mulher samaritana j unto ao poço, que voltou cor­
rendo à cidade de Sicar para contar às pessoas sobre Jesus o Messias.
• E le contou a parábola do Bom Sam aritano como uma lição para um
m estre da Lei que tinha uma visão estre ita do conceito próximo.
* Ele repreendeu os discípulos João e T iago quando eles quiseram que
ele m andasse cair fogo do céu para d e stru ir uma vila sam aritana.

A caminho de Jerusalém, Jesus e seus discípulos estavam na divisa


entre Samaria e Galiléia. Viajavam rum o ao leste, tendo Sam aria à direita
e Galiléia à esquerda. O plano deles era atravessar o Jordão e ir em direção
ao sul rum o a Jericó, onde teriam de atravessar o rio o u tra vez.
Cam inhando na divisa e n tre as duas regiões, Jesus en tro u num a vila
e viu nos arredores, a distância, um g ru p o de dez leprosos que viviam
ju n to s num a colônia. P or causa de sua doença, eles eram obrigados a
viver em lugares solitários e não tinham perm issão p a ra chegar p erto
de ninguém . Com o pacientes sofrendo da m esm a doença, diferenças
de nacionalidade eram postas de lado. Isto é, a colônia abrigava tan to
judeus quanto sam aritanos, que em isolam ento buscavam e precisavam da
com panhia um do outro. T a n to os leprosos judeus q uanto os sam aritanos
enfrentavam m orte lenta, porém certa. N ão tinham o u tra opção senão
ajudar uns aos outros.
Eles souberam do m inistério de curas de Jesus e quando o viram
viajando, em bora a boa distância deles, aproveitaram a o portunidade para
cham ar em alta voz: “Jesus, M estre, tenha m isericórdia de nós!” A lei os
proibia de aproxim ar-se de Jesus, p o r isso tin h am de apelar gritan d o . O
g rito deles por m isericórdia transm itiu a Jesus um pedido para curá-los.
Eles não precisavam ser específicos, p orque a sua condição de isolam ento
era suficientem ente clara. Eles queriam ser curados.

Gratidão e indiferença
A lepra é um a doença que afeta as cordas vocais do doente, às vezes
chegando até m esm o a fazê-lo p e rd e r a voz. E n tre ta n to , alguns dos
sofredores que cham aram po r Jesus foram capazes de g rita r p ara que
ele ouvisse o seu apelo p o r ajuda.
C onquanto em ocasiões anteriores Jesus tivesse tocado um leproso,
dessa vez ele ficou lo nge com seus discípulos. Jesus g rito u aos dez
leprosos: “Vão se m o stra r aos sa ce rd o te s”. E le nada disse sobre fé;
contudo, o fato de que foram instruídos a com eçar a viajar sem estarem
curados exigia confiança por p a rte deles. E le sim plesm ente disse que
deveriam m o strar-se às autoridades religiosas para serem declarados
limpos, m esm o que ainda estivessem cobertos de lepra.
Quando começaram a deixar a colônia, eles de repente perceberam que
Jesus os havia curado. O lharam para suas mãos e para os rostos uns dos
outros. A seguir, viram que seus corpos estavam completam ente restaurados
ao normal. Talvez naquele m omento o orgulho nacional tenha falado mais
alto. Os judeus queriam correr para os sacerdotes, mas não na companhia de
um samaritano. D isseram que ele deveria ir ao seu próprio sacerdote.
O samaritano, porém, viu que o seu corpo estava com pletam ente curado.
Suas cordas vocais estavam restauradas e ele gritava de alegria. Ele parou,
virou-se e caminhou na direção de Jesus. Seu coração estava cheio de gratidão.
Em vez de enfrentar uma m orte lenta e certa, ele agora tinha uma nova vida
diante de si. Ele caiu com o rosto em terra aos pés de Jesus para prestar
hom enagem e expressar a sua sincera gratidão ao seu benfeitor
Ali estava um sam aritano que agradecia a um ju d eu pela dádiva da
saúde restaurada. M as ele foi o único daquele g ru p o de dez leprosos que
haviam sido curados. Os o u tro s nove estavam a cam inho p ara m o strar-se
aos sacerdotes e nunca voltaram para agrad ecer a Jesus.
Jesus observou os traços nacionalistas dos nove judeus que então
não queriam te r nada a ver com o sam aritano desprezado. E le fez três
perguntas: “N ão foram dez os que foram curados? O nde estão os nove?
N ão houve, po rv en tu ra, quem voltasse p ara d ar glória a Deus, senão
este estrangeiro?"
D ez leprosos tinham e x pressado o seu desejo de serem curados.
Audível e inaudivelm ente tinham dado voz ao pedido,

Senhor, tenha misericórdia;


Cristo, tenha misericórdia;
Senhor, tenha misericórdia de nós.
Jesus tin h a respondido ao pedido curan d o a todos eles. T odos os
lep ro so s foram curados, m as só um v o lto u p a ra a g rad ecer. Ele se
p ro stro u na frente de Jesus, que lhe disse para lev an tar-se porque a
sua fé o havia salvado. O sam aritano recebeu um a bênção dupla, sendo
cu rado fisicam ente e sendo salvo espiritualm ente. Ele agora se to rn a ra
um discípulo de Jesus, ete rn a m e n te g ra to pela sua salvação.
A fé dos nove judeus era superficial e desapareceu uma vez que estavam
curados. Eles tiveram fé em m ilagres, m as só m om entaneam ente. Foram
in g ra to s e ao m esm o tem po relu tan tes a arriscarem se to rn a r seguidores
de Jesus. E po r fim, eles usaram Jesus para os seus próprios interesses e
depois disso não sentiram m ais necessidade dele.
No final, a ing ratid ão a D eus leva à sua rejeição, e rejeitá-lo acaba em
separar-se de Deus. O escritor da c a rta aos H ebreus se expressa com
estas palavras: “Sirvam os a D eus com ações de graças, nas m aneiras
que mais lhe agradem , m as sem pre com reverência e santo tem or. Pois
é certíssim o que D eus é um fogo a b ra s a d o r’.1
O sam aritano continuou o seu caminho, vivendo um a vida de gratid ão
e contando a outro s sobre Jesus. A gratid ão sem pre tem o resu ltad o de
que D eus acrescenta bênçãos abundantes àqueles que o amam e fazem a
sua vontade. Essas pessoas são felizes e alegres, participantes das riquezas
m ateriais e espirituais da vida.

Pontos a ponderar
• As regras de cortesia nos incitam a agradecer aos outros por presentes que
recebemos deles. Expressam os a nossa gratidão verbalmente ou m andando
uma mensagem de agradecim ento. Negligenciar o agradecim ento nunca
é apreciado. Isso é considerado falta de consideração e descortesia.
■ Dádivas de D eus vêm na form a de alim ento e bebida, três refeições
p or dia, roupa, casa, tra n sp o rte , recreação, trabalho, amigos, saúde,
finanças, liberdade e inúm eras bênçãos espirituais. As pessoas de Deus
devem agradecer-lhe diária e repetidam en te p or todos os benefícios
que recebem. Eu sugiro que você adote a re g ra de com eçar cada dia
em oração e term in a r cada dia com ações de graças.
• D eus sem pre se a leg ra quando o seu povo pronuncia expressões de
gratidão. Sem pre que agradecem , eles glorificam o seu nome. A g ra ­
decendo a ele e glorificando-o, eles cum prem o prim eiro pedido da
oração do Senhor, "Santificado seja o teu nom e”.
• B arreiras nacionais e lingüísticas m uitas vezes constituem im pedi­
m ento para expressarm os o nosso am or às o u tras pessoas. Especial­
m ente quando certas nações lu ta ram um a co n tra a o u tra em g u erra, e
sentim entos feridos são evidentes, as pessoas envolvidas podem achar
a ordem de Jesus de am ar o seu próxim o quase impossível. Jesus nos
deu o exem plo ao c u ra r tan to judeus quan to um sam aritano, e só este
últim o m ostrou-se g ra to a ele.

1 }. B. Phillips e Antonio Fernandes, Carias às Igrejas Novax, Vida Nova, Leiria, Portugal, 1981, em
“Carta aos Judeus Cristãos” ou Hebreus 12.28b,29, texto que mais confere com as palavras da tradução
usada por Kistemaker (NT).
OS COXOS ANDAM
NOVAMENTE
A CU RA DE U M
PARALÍTICO
M ateus 9.2-8; M aicos 2.1-12; Lucas 5.18-26

Em casa em Cafarnaum
Jesus andava reg u la rm e n te por toda a área ru ral, ensinando o povo e
curando os doentes. M as havia tam bém ocasiões em que ele perm anecia
em casa, em Cafarnaum , cidade que ele adotou. Jesus pode ter fixado
residência na casa de Simão Pedro, o porta-voz dos discípulos. Essa casa
com c erteza e ra bem am pla e podia acom odar um g ru p o num eroso de
pessoas que iam ouvi-lo.
N u m a ocasião, fariseus e d o u to s m estre s da Lei que resid iam em
m u itas vilas da G aliléia e Judéia e em Jeru salém foram à casa em que
Jesus estava ensinando. E sses m em bros do clero não foram lá para
d ar as boas-vindas ao M e stre com o sendo um deles. Ao c o n trário ,
eles foram p a ra d e sco b rir se o e nsino dele era d o u trin a trad icio n al,
em h a rm o n ia com a deles. Se houvesse q u a lq u e r desvio dos p o n to s
q ue eles m an tin h am e ensinavam , eles p ro n ta m e n te rela ta ria m isso às
a u to rid ad e s em Jerusalém .
Os ou v in tes de Jesus tinham de ad m itir que ele e ra d o tad o de p oder
s o b re n a tu ra l p a ra c u ra r os doentes. E sse p o d er só podia ser atribuído a
Deus, que havia enviado Jesus para fazer a sua obra. Os líderes religiosos
poderiam o lh ar com ceticism o o seu ensino, m as eles tin h am de a d m itir
que os relato s que haviam ouvido sobre pessoas do en tes que tiv eram a
saúde resta u ra d a eram realm ente dignos de nota. Jesus era um operador
de m ilagres à sem elhança de E lias e E liseu. A ho n estid ad e e x ig ia que
o aceitassem não sim plesm ente com o um profeta, m as com o o Messias»
o Filho de Deus.

Fé notável
U m dos cidadãos de C afarnaum estava p aralisado do pescoço para
baixo, provavelm ente em decorrência de um acidente. Ele estava confinado
ao seu leito e precisava de cuidados diários supridos pelos m em bros de
sua família. Ele ouvira falar sobre os m ilagres que Jesus havia feito em
algum as pessoas em sua cidade, inclusive o servo de um centurião romano,
a so g ra de Pedro e um hom em possesso por demônio.
O paralítico queria saber se Jesus estaria disposto a curá-lo tam bém .
Ele falou sobre o seu desejo de ser curado com q u atro am igos, que
concordaram im ediatam ente que Jesus realm en te poderia fazê-lo ficar
bom. Cada um dos am igos pegou um canto de sua esteira, lev antaram -no
e o levaram em direção à casa onde Jesus estava.
Q uando chegaram a casa, uma m ultidão bloqueava a entrada, tornando
impossível a eles verem Jesus. Eles podiam ouvir a sua voz, m as não
conseguiam chegar perto dele. Porém , nada poderia desanim ar esses
hom ens determ inados. Eles o bservaram os d eg rau s na lateral da casa que
levavam a um telhado plano feito de barro endurecido. Com desem baraço,
eles levaram o hom em até um ponto onde podiam ouvir, lá embaixo,
Jesus ensinando as pessoas. Então, com eçaram a a b rir o telhado. Q uando
o orifício tinha um tam anho suficiente, eles desceram o hom em na sua
esteira bem na frente de Jesus.
Como era de se esperar, o auditório estava mais interessado em ver o
que estava acontecendo no teto do que em ouvir Jesus. Todos os olhares
estavam fixos no hom em paralítico que estava sendo descido pelos quatro
amigos. O que Jesus faria? No mínimo, isso co n stitu ía uma in terru p ção
rude e incom um . Porém , o M e stre não se perturbou.
Jesus viu a fé dos hom ens que in te lig e n te m e n te tin h am descido
o paralítico bem na frente dele. Ele se d irig iu ao p aralítico e disse:
“Coragem , filho, seus pecados são perdoados". N enhum a repreensão veio
de seus lábios, e sim um a palavra de ânimo. Seu tom de voz indicava que
ele cuidaria tan to da alm a quanto do corpo do doente.
M as os m estres da Lei e os fariseus não ficaram tão contentes com a
afirmação de Jesus sobre perdoar pecados. Só D eus podia perdoar pecados,
não um m ero m ortal. Quem Jesus achava que ele era?
Jesus, o Filho de Deus
Jesus enfrentou o clero m urm urante com uma lição concreta sobre a
sua identidade. Ele tratou prim eiro da alma do hom em e depois do corpo.
Ele disse ao paralítico que tivesse bom ânimo, porque conhecia o coração
do hom em e viu a fé que ele tinha de que seria curado. Ele não disse nada
sobre um relacionam ento e ntre pecado e paralisia. Jesus cuidou da alma do
homem declarando estarem perdoados os seus pecados. Ele sabia que os
fariseus e m estres da Lei iriam expressar suas objeçôes. M as Jesus queria
que eles soubessem que, como Filho de Deus, tinha autoridade para perdoar
pecados. Ele provaria isso curando o corpo paralisado do homem.
O s m estres da Lei m u rm u raram que esse hom em , blasfemando, se
p u n h a no nível de D eus ao perd o a r pecados. Eles se referiram a Jesus
não pelo seu nome, m as com um a crítica de desprezo, “este hom em ”.
Segundo eles, Jesus havia com etido blasfêmia. E a blasfêmia tinha de ser
punida com a pena de m orte.
Jesus sabia exatam ente o que se passava no coração deles. Com uma
p e rg u n ta dupla, ele colocou diante deles um dilema: "O que é m ais fácil,
dizer a um paralítico, seus pecados são perdoados, ou dizer-lhe, levante-
se, pegue a sua esteira e ande?” Obviam ente, ninguém senão Deus podia
p erd o ar os pecados do hom em e ninguém senão D eus podia c u ra r o
paralítico e capacitá-lo a andar. Jesus pôs a ênfase no verbo dizer, não
em fazer algo e xtraordinário.
E n tã o Jesus acrescentou: “Para que possam saber que o Filho do
hom em tem autoridade para perdoar pecados na terra". Com o título Filho
do homemele claram ente se identificou. Os m estres da Lei im ediatam ente
pensaram na E sc ritu ra do A ntigo T estam en to que revelava um filho do
hom em a quem D eus tinha dado autoridade, glória e poder soberano.
Sabiam que essa pessoa era o M essias. E ntretan to , Jesus não era qualquer
filho de hom em , m as era o único F ilh o do hom em . E sse títu lo era
equivalente a Filho de Deus.
E n tã o , se Jesus, com o o F ilh o do hom em , tin h a au to rid ad e, ele
podia realizar o m ila g re de c u ra r o corpo do paralítico. E le exerceu
esse p oder dizendo ao hom em que se levantasse, to m asse a sua esteira
e fosse para casa.
Na frente dos espectadores atônitos, o hom em fez exatam ente isso.
Levantou-se, enrolou a esteira e saiu. Jesus provou a sua identidade reali­
zando um m ilagre sobrenatural de curar um paralítico instantaneam ente.
Ele provou que podia tan to perdoar pecados qu an to cu rar os doentes.
O hom em não se esqueceu de agradecer. Ele foi para casa glorificando
a Deus e louvando o seu nom e. D o m esm o modo, os espectadores se
adm iravam e falavam e n tre si sobre terem visto coisas incríveis. T in h am
visto o poder de Jesus tan to num a dim ensão espiritual q u a n to num a
dim ensão física. Ele verdadeiram ente se m ostrava ser o R ed en to r do
corpo e da alma.

Pontos a ponderai
• Em 1563, um docum ento foi publicado em H eidelberg, A lem anha, que
leva o nom e da cidade: O Catecism o de H eidelberg. Ele consiste de
129 perguntas e respostas sobre a religião cristã. A prim eira p erg u n ta
é: “Qual é o seu único consolo na vida e na m orte?” A resposta básica é,
“Que eu não sou meu, m as p ertenço —corpo e alma, na vida e na m o rte
- ao meu fiel Salvador Jesus Cristo".

• Os m estres da Lei e os fariseus não podiam v er a floresta por causa das


árvores. Eles observavam os D ez M andam entos e tinham acrescentado
mais de seiscentos regulam entos feitos pelo hom em . M as a m iopia
religiosa deles os im pedia de ver o seu lo n g am en te ag u ardado M es­
sias, que estava ali no m eio deles. Eles deveriam te r sido os prim eiros
a recebê-lo como o seu Senhor e Salvador.

• F é ativa exige trabalho duro física e espiritualm ente. Eu p ro ponho o


antigo lema: “O re como se tudo dependesse de D eus e trab alh e como
se tudo dependesse de você!” Precisam os o rar e tra b a lh a r diariam ente
p ara a m aior glória de Deus.

• A fé com binada de cinco hom ens efetuou a restau ração de um deles.


Q uando pessoas determ inadas se ju n ta m em oração e pedem a D eus
que abençoe os seus esforços que afetam a sua Ig reja e o seu reino,
m ilagres acontecem. Ele abre as janelas do céu e derram a suas bênçãos
sobre aqueles que esperam por ele em fé e oração. Ele é sem pre fiel à
sua Palavra e cum pre as suas prom essas.
O H O M EM JU N T O
AO P O Ç O DE BETESDA
João 5.1-15

Paralisado por 38 anos


O nom e tíetesda em aram aico significa “casa de m isericórdia”. É uma
descrição adequada de um tanque de água m ineral no qual os doentes
encontravam alívio e às vezes cura. A água tin h a propriedades curativas
para várias doenças. N um erosos doentes iam ao tanque, inclusive os
cegos, os aleijados e os paralíticos.
Betesda era um lugar m arcado p o r cinco pavilhões cobertos. E ra um
local bem conhecido para aqueles que procuravam cura. N aturalm ente,
sem pre havia a questão sobre se eles seriam curados ou não. D e tem pos
em tempos, a pressão in te rn a causava um a agitação nas águas. A s pessoas
com um ente criam que um anjo causava a agitação. Supostam ente, o
prim eiro doente a e n tra r no tanque seria curado.
O tanque ficava perto da P o rta das Ovelhas, no lado no rd este de
Jerusalém . M uitas pessoas doentes ficavam sentadas ou deitadas p erto
da beira do tanque à som bra dos cinco pavilhões cobertos.
U m dos hom ens ju n to ao tanque estava doente havia 38 anos. A lgum as
pessoas o cham avam de paralítico, m as anos antes talvez ele tivesse sido
só aleijado. Com o dec o rre r do tem po, a sua condição tinha piorado, ele
p erd era peso e estava m entalm ente desesperançado. M em bros da família
ou am igos tinham de carregá-lo p a ra o tanque e para casa e cuidavam
de suas necessidades diárias.
A água m ineral do tanque não tinha feito nenhum bem ao paralítico,
Em bora algum as pessoas tivessem sido curadas, muitos pacientes podiam
testificar que Betesda não era tanto uma casa de misericórdia quanto uma casa
de miséria. Esse sofredor tinha perdido toda a esperança de ser curado.
Jesus foi até o hom em e perg u n to u há q uanto tem po ele estava doente.
Q uando soube que o doente era afligido havia 38 anos, Jesus teve piedade
dele e perguntou: "Você quer sarar?” E m bora a p erg u n ta parecesse óbvia,
dava a entender um a cura próxim a. O hom em não respondeu à p erg u n ta
diretam ente, mas disse que não havia ninguém p a ra ajudá-lo a e n tra r no
tanque quando a água era agitada. E le disse que o u tra pessoa sem pre
entrava na frente dele.
Como o homem não conhecia Jesus, sua resposta não revelava nenhum a
fé nele. Ele evitou responder à p e rg u n ta dele afirm ativam ente.
Ali estava uma pessoa desesperadam ente necessitada de ajuda e p ro n ta
a aceitar qualquer assistência que lhe fosse oferecida. Jesus disse ao homem:
"Levante-se, pegue a sua esteira e ande!” D e repente, o paralítico sentiu
um poder percorrer o seu corpo. E le moveu seus braços e p ernas e sentou-
se. Então se pôs em pé, abaixou-se para pegar sua esteira e saiu andando.
Aparentem ente, nesse m om ento Jesus desapareceu no m eio da multidão.

Curado no sábado
Ao pegar a sua esteira, o paralítico obedeceu a Jesus. Com a esteira
nas mãos, ele andou pelas ruas de Jerusalém a cam inho de casa. M as ele
foi obrigado a p a ra r im ediatam ente pelos fariseus, que o acusaram de não
g u a rd a r o sábado. A E sc ritu ra dizia explicitam ente que ninguém podia
carre g a r um a carga no sábado e levá-la pa ra d en tro da cidade.
O fato simples de c arregar esteira quase não podia ser qualificado como
uma carga, mas os fariseus não m ostraram qualquer clemência e eram
lim itados por seguirem a Lei à risca. Em vez de se ale g ra r pelo fato de
que um inválido havia sido libertado de sua servidão de anos e podia agora
adorar a Deus no sábado, os fariseus o acusaram de quebrar a Lei. Eles
tiraram toda a alegria que o hom em sentia em poder andar novamente.
Em sua defesa, o ex-paralítico informou a seus acusadores que aquele
que o havia curado m andou que ele apanhasse a sua esteira e andasse. E
em obediência, ele havia feito exatam ente isso. Os fariseus p erg u n taram
quem era essa pessoa que lhe dera a ordem de andar pelas ruas de Jerusalém
carregando uma esteira. Ele respondeu que não sabia, pois o seu benfeitor
havia desaparecido e não podia ser encontrado em lugar algum.
M ais tarde du ran te aquele dia, Jesus encontrou o ex-inválido andando
na área do tem plo, onde ele devia te r ido para louvar a Deus. Jesus estava
interessado em c u ra r não só o corpo do hom em , m as tam bém a sua alma,
Ele lhe disse: “Olhe, você foi curado. N ão continue em pecado ou algo
pio r pode lhe acontecer”.
Jesus deu a e n te n d e r que a tendência do hom em ao pecado era antiga,
qualquer que fosse esse pecado. Portanto, o advertiu a que não continuasse
a pecar, que talvez tenha sido a razão de ele ter sofrido todos aqueles
anos. Se desobedecesse, algo pior poderia acontecer a ele.
E m vez de ficar longe dos fariseus, o hom em foi até eles e contou
quem o havia curado. Possivelm ente ele queria inform á-los sobre o poder
s o b renatural de cura de Jesus. O efeito negativo, en tre ta n to , foi que essa
inform ação to rn o u cada vez mais difícil Jesus fazer a obra para a qual o
Pai o havia enviado.

Pontos a ponderar
• Q uando testem unham os de Jesus, devem os ser sábios como as serpen­
tes e sim ples como as pombas. O m aligno e stá d isposto a se aproveitar
de nós quando falamos a favor do Senhor. N ossa oração deve ser que
D eus possa conceder-nos o dom do E sp írito p ara falar p o r meio de
nós. Precisam os ser o seu porta-voz, guiados pela sua Palavra e pelo
seu Espírito.

• N em toda doença pode ser atribuída ao pecado. Se isso fosse verdade,


os assim cham ados am igos de Jó estavam certo s em seu aconselha­
m ento. D eus m uitas vezes usa a doença p a ra seus propósitos e isso
inclui levar-nos para m ais p e rto de si.

• T anto quanto possível, devemos guardar o dia do Senhor livre de trabalho


não essencial para que possam os dedicar-nos ao culto e às atividades
benéficas que glorifiquem a Deus. D e outro lado, devemos evitar ser
legalistas e insensíveis em nossas atitudes para com as outras pessoas.

• N os Evangelhos, Jesus nos m ostra como celeb rar o dia do descanso


apropriadam ente, isto é, fazendo aquilo que a g rad a a Deus. Devem os
viver não p ara nós mesm os, m as p ara ele. T oda vez que nos reunim os
para adorar a Deus, devem os lem brar que ele é o anfitrião e nós os
hóspedes. Ele nos fala p o r m eio de sua Palavra e do serm ão do p as­
to r e respondem os a ele em oração e cântico. A adoração, p o rtan to , é
sem pre uma conversa e n tre duas partes.
MILAGRES
E JESUS
O N A SC IM E N T O
V IR G IN A L
Mateus 1.18-25-, Lucas 1.26-38

Evidência bíblica
Os m ilagres que Jesus realizou na terra du ran te o seu m inistério ativo
diferiam dos que dizem respeito ao seu nascim ento, à sua transfiguração,
à sua ressurreição e à sua ascensão. Jesus foi ativo em cu rar pessoas, até
em ressuscitá-las de en tre os m ortos. Com respeito ao seu início e à sua
partida (para não esquecer a sua transfiguração e ressurreição), os milagres
que ocorreram foram feitos para ele em vez de poreXu. Em cada caso, esses
fenôm enos foram evidentes intervenções de Deus. A pura realidade é que,
sem certo grau de discernim ento espiritual, esses m ilagres sim plesm ente
não podem ser entendidos de m odo a satisfazer qualquer pessoa.
T oda a Ig re ja confessa o nascim ento v irg in al de Jesus n os cultos,
especialm ente d u ran te a celebração do Natal. Seu nascim ento, conform e
relatad o nos E v an g elh o s n unca pode ser explicado cientificam ente.
Claro, o fato biológico é que os seres hum anos nascem da união e n tre
um hom em e um a m ulher. M as Jesus nasceu da v irgem M aria que, como
a Bíblia diz, foi envolvida pela som bra do E sp írito Santo.
Prim eiro, o anjo G abriel foi a um sacerdote chamado Zacarias, que como
a sua esposa, Isabel, era avançado em idade; eles não tinham filhos. O anjo
disse ao sacerdote que a sua esposa teria um filho, a quem deviam dar o notne
de João. No devido tempo, a criança nasceu - o que em si era um milagre.
João tornou-se o precursor que prepararia o caminho para Jesus.
Seis m eses depois, G abriel v isitou M aria, qu e com o um a jo v em
adolescente e virgem , estava prom etida em casam ento a José. O anjo a
cham ou de altam ente favorecida aos olhos de D eus porque ela d aria à
luz um filho, a quem deveria cham ar de Jesus. E sta criança seria o Filho
de Deus e governaria sobre um reino que nunca teria fim.
M aria p e rg u n to u ao anjo com o isso poderia acontecer já que ela
era virgem e não era casada ainda. A respo sta que ela recebeu foi esta:
“O E spírito Santo virá sobre você, e o poder do A ltíssim o a envolverá
com a sua som bra. E n tã o a criança a nascer será sa n ta e será cham ada
o Filho de D eus”.
Q uando José, o seu prom etido m arido, soube da g ravidez de M aria, ele
quis term in ar o noivado com ela. M as um anjo do S enhor lhe disse que a
questão vinha de D eus e que ele deveria receber M aria com o sua esposa
em sua casa. E le não teve relações sexuais com ela d u ran te a gestação.
Quando o m enino nasceu, deram -lhe o nom e de Jesus.
Os Evangelhos apresentam o relato do nascim ento virginal de Jesus em
relativam ente poucos versículos. Eles transm item o acontecim ento como
um m istério divino que não pode ser explicado racionalm ente. Como o
nosso entendim ento é lim itado quanto ao fato de D eus ter feito que Jesus
tivesse um nascim ento virginal, fazemos bem em adm itir que nenhum ser
hum ano pode esclarecer com pletam ente os m istérios de Deus.

Negação
E studiosos m odernos abordam o tex to bíblico e declaram que o relato
do nascim ento de Jesus precisa ser reinterp retad o . Eles dizem que a
h istó ria sim plesm ente não tem base em fatos lógicos. E cientificam ente
impossível que um a criança nasça sem que seja em decorrência de relações
sexuais e n tre dois seres hum anos. É um fato da vida que a fertilização
pede a interação de um m acho e um a femea.
Há dois mil anos, esses estudiosos dizem , as pessoas num a c u ltu ra
do O riente M édio poderiam acreditar num m ito sobre o nascim ento de
Jesus. Naquela cultura, seus seguidores o viam como o segundo Adão.
Assim como o prim eiro Adão foi criado sem um pai e um a mãe, do m esm o
m odo o segundo Adão, Jesus, foi retrata d o como tendo nascido sem a
intervenção de um pai hum ano.
Nos prim eiros estágios do C ristianism o, alegam esses estudiosos,
as pessoas se expressavam em conceitos religiosos e term o s co rren tes
•-2< O nascimento virginal 191

daqueles dias. Sím bolos eram usados pa ra com unicar realidade sem
história real. O u antes, lendas e m itos faziam p arte da cu ltu ra daquele
tempo. Agora, nos tem pos m odernos, esses sinais e sím bolos não são
mais apropriados. Eles devem ser rein terp retad o s p ara que se to rn em
significativos para as pessoas de hoje.
A presentações m itológicas da verdade religiosa que eram aceitáveis
em tem pos antigos agora precisam ser lim pas de todos os acréscim os
que foram acum ulados em tem pos passados. Quando as cam adas e x tra s
são rem ovidas, assim dizem os estudiosos m odernos, as pessoas podem
com eçar a apreciar a m ensagem . Para eles, com respeito ao nascim ento
de Jesus, a m ensagem sim ples é que ele nasceu pela união sexual de seu
pai, José e sua mãe, M aria. Resum indo, o m istério do prim eiro século
agora foi convertido na realidade de procriação hum ana.

Igreja Primitiva
O s seguidores de Jesus no prim eiro século falharam em p reserv ar
um re tra to objetivo da realidade? A resposta é que a Ig reja Prim itiva
ap resentou um a m ensagem que era baseada em fatos reais. Lucas, o
escrito r do terceiro E vangelho, declara de m odo inequívoco que ele
investigou tudo desde o começo, ouvindo aqueles que foram testem unhas
oculares e m inistros da Palavra, o que incluiu M aria, a mãe de Jesus.
Lucas fez um relato cuidadoso e ordenado das coisas que haviam sido
cu m p rid as e n tr e essas te ste m u n h a s oculares. E las afirm aram com
precisão o que tinha acontecido e como Deus fez acontecer o m istério
do nascim ento de Jesus.
E m seus respectivos Evangelhos, tan to M ateus q uanto Lucas relatam
o m esm o m aterial factual. E xpressam total unanim idade com respeito à
concepção e ao nascim ento de Cristo. E m b o ra apresentem dois relatos
diferentes, exibem com pleta harm onia com relação aos p ontos essenciais
da história.
A dm itim os que no m undo antigo circulavam h istórias a respeito de
nascim entos virginais, m as essas fábulas não podem ser com paradas com
a sim plicidade das na rra tiv a s dos E vangelhos. O s cristãos j á incluíram
no seu credo, perto do final do século prim eiro, um a afirm ação com as
palavras sim ples que Jesus nasceu da virg em M aria. Im ediatam ente
depois que esses E vangelhos foram escritos, o nascim ento virginal de
Jesus foi aceito como p a rte da doutrin a apostólica. Do m esm o modo,
os pais da Ig reja Prim itiva, d u ra n te os séculos seg u n d o e terceiro,
consideravam essa doutrin a um a p arte básica da fé cristã.
E sses pais da Igreja nunca questionaram o nascim ento sobrenatural de
Cristo. Para eles, não era uma nova doutrina que a igreja tinha form ulado
na segunda m etade do século prim eiro. A tran sm issão do m aterial real
ainda era feita o ralm ente por pessoas que se lem bravam dos ensinos dos
apóstolos. Por exemplo, o apóstolo João viveu até mais ou m enos 98 d.C.,
e Papias, um de seus discípulos, escreveu que ele preferia escu tar a voz
de uma testem unha viva a ler esses ensinos no papel.
O cham ado C redo A p o stó lico afirm a c la ra m e n te q u e Jesus “foi
concebido pelo E spírito Santo, nasceu da virgem M aria”. A Igreja aceitou
como um p rincípio de fé o nascim ento sobren atu ral de Cristo. Por causa
desse nascim ento, os cristãos aceitaram a vida sem pecado de Jesus e o
descreveram como sendo o Salvador do mundo. Se José tivesse sido seu
pai hum ano, Jesus nunca teria sido capaz de tira r o.pecado do mundo.
As pessoas que negam o m ilagre do nascim ento virginal de Jesus
também rejeitam os m ilagres que ele realizou. Acham impossível crer que
ele andou sobre as águas do Lago da Galiléia, que alim entou m ultidões de
quatro mil e cinco mil pessoas e que trouxe de volta à vida um hom em que
tinha estado m orto por quatro dias. Tam bém negam a ressurreição de Jesus,
declarando que ele m orreu na cruz e im ediatam ente foi sepultado fora dos
m uros de Jerusalém . C onsideram Jesus um hom em comum que, p or causa
de sua oposição a Roma e às autoridades religiosas judias de seus dias,
recebeu a pena de m orte, mas nunca ressuscitou de e n tre os m ortos.
Em c ontraste, os prim eiros c ristãos viam Jesus como o F ilho de
Deus, que por causa de sua natureza divina realizou m ilagres, m orreu
na cruz, foi sepultado e ressuscitou no terceiro dia pelo poder de Deus.
Os prim eiros cristãos aceitaram a narrativ a do E vangelho com o verdade
verificável que não tolerava negações, P ara eles, a boa-nova e ra a Palavra
de Deus e eles confessavam Jesus com o m ensageiro de Deus.
Por dois milênios, a Igreja tem aceitado as E sc ritu ra s com o sendo
a Palavra inspirada e infalível de D eus e crido nelas. Essas E scritu ras
são cham adas A Bíblia Sagrada, o que quer dizer que ela veio de Deus. A
palavra sagrada significa que ele a separou de o u tro s livros e a santificou.
Toda a E sc ritu ra procede de D eus é inspirada p or ele e lhe pertence.
D e fato, nos últim os versículos da Bíblia (Ap 22.18,19) lem os a
declaração de p ro p rie d ad e de D eus. E le a d v e rte ao le ito r que não
acrescente nem tire nada desse livro de profecia.
r' :-, O nascimento virginal • 193

Pontos a ponderar
• Mateus apresenta a genealogia de Jesus na qual ele alista José como o
pai legítimo de Jesus. Lucas acrescenta uma nota explicativa à sua versão
dessa genealogia e diz: “Jesus . . . era (como se cuidava) filho de José”.
• O nome Jesus equivale a Josué do Antigo Testamento. A palavra sig­
nifica “o Senhor é salvação" ou “o Senhor ajuda". O anjo do Senhor
que apareceu para José explicou o nome Jesus dizendo: “Ele salvará o
seu povo de seus pecados”.
• A fé que Maria tem em Deus é exemplar. Ela creu no anjo Gabriel e
se ofereceu em obediência a Deus. Ela estava cônscia da vergonha e
humilhação que sua gravidez traria a ela na sociedade judia. Contudo,
ela compôs um hino magnífico sobre o seu filho que nasceria. Nesse
cântico, ela glorifica o Senhor Deus e dá honra ao nome dele.
• Em seus respectivos Evangelhos, tanto Mateus quanto Lucas relatam
que Jesus é o Filho do Altíssimo Deus. Apesar de seus relatos diferi­
rem quanto à perspectiva, ambos compartilham detalhes em comum.
E realmente digno observar que não há nem um traço de contradição
neles. Lucas escreve que o seu relato das coisas que haviam acontecido
foi totalmente cumprido. Ou seja, o relatório tanto é digno de confiança
quanto aceito como sendo a verdade estabelecida.
Glória celestial
Uma semana antes da sua transfiguração, Jesus falou com os discípulos
sobre a sua morte e ressurreição. Porém, seus seguidores, especialmente
Pedro, tiveram dificuldade em entender o sentido dessa predição. Com
efeito, Pedro tinha chamado a atenção de Jesus dizendo que isso nunca
deveria ter permissão para acontecer. Ele não poderia ver o seu mestre
sofrer e morrer em Jerusalém.
Oito dias depois, Jesus levou três dos seus discípulos - Pedro, Tiago
e João - ao alto do M onte Hermom, deixando os outros nove no pé da
montanha. Ele precisava de privacidade para orar e ter comunhão com o
seu Pai. Ele sabia que no futuro próximo enfrentaria julgamento e execução
em Jerusalém e, por essa razão, ele pedia a Deus força e encorajamento.
Enquanto Jesus estava orando, a aparência do seu rosto mudou comple­
tamente, brilhando como o sol e suas vestes tornaram-se brilhantemente
brancas - tão brilhantes que nenhum tipo de sabão as poderia fazer ficar mais
alvas. Então, M oisés e Elias vieram e conversaram com Jesus, aparecendo
como santos do Antigo Testamento trasladados ao céu em eras antigas.
Esses dois homens apareceram em glorioso esplendor para conversar com
Jesus sobre a sua iminente partida desta terra. Esta partida aconteceria em
Jerusalém. Eles foram mandados por Deus para fortalecê-lo e encorajá-lo
para a tarefa que estava à sua frente, a de completar a obra da salvação.
O evangelista Lucas conta que os três discípulos estavam com muito
sono. Pedro e seus companheiros acordaram e viram a glória do céu que
circundava Jesus e os dois santos glorificados ao lado dele. Ali o céu foi trazido
para a terra pelo poder de Deus. Que a homens mortais fosse permitido ver
um vislumbre da glória do céu foi, em si mesmo, um milagre.
Os discípulos de Jesus eram seres humanos com mentes terrenas, não
acostumadas à luz ofuscante que irradiava de Jesus e seus visitantes. Pedro,
que muitas vezes falava quando deveria ficar calado, fez uma observação
tola. Ele se dirigiu a Jesus dizendo: “M estre é bom estar aqui. Vamos fazer
três tendas —uma para o senhor, uma para M oisés e uma para Elias”. Lucas
acrescenta o comentário sensato: "Ele não sabia o que estava dizendo”.
Talvez, por causa do sono que ainda sentia, Pedro não conseguisse pensar
direito. Podemos bem imaginar que os discípulos estavam assustados e
confusos com a presença desses homens glorificados.
A essência do comentário de Pedro foi uma tentativa de manter o céu
na terra. Mas o bom senso lhe teria dito que seres celestiais que residem
em glorioso esplendor poderiam não querer habitar na terra em tendas
feitas de improviso. Onde poderiam obter o material para construir essas
moradas temporárias? Por que só três tendas quando havia seis pessoas?
Teria sido melhor se ele tivesse focalizado a sua atenção nas questões
celestiais em vez de nas terrenas.

Uma voz celestial


Então, uma nuvem brilhante os cobriu enquanto Jesus e seus visitantes
celestes continuaram a conversar. Esta era a nuvem da glória de Deus que
anteriormente havia descido sobre o tabernáculo, quando este foi dedicado.
E essa mesma nuvem encheu o templo de Salomão quando Deus entrou no
Santo dos Santos. Essa nuvem representava a presença de Deus na terra.
Então, a voz de Deus o Pai falou de dentro da nuvem e disse: “Este é
o meu Filho amado, em quem me comprazo. A ele ouvi”. A voz de Deus
testificou da divindade de Jesus; estas foram as mesmas palavras que
Deus pronunciou quando Jesus foi batizado no Rio Jordão.
Deus afirmou o seu amor pelo Filho ao mencionar o seu prazer na
voluntariedade e obediência dele em ir à cruz. Não só os dois visitantes
do céu falaram sobre a partida de Jesus, mas Deus o Pai também tornou
conhecida a sua satisfação pelo fato de que o Filho cumpriria a sua tarefa
na terra, isto é, a de morrer pelo seu povo. Então, Jesus estava pronto
para ir a Jerusalém e enfrentar o sofrimento e a morte.
Décadas mais tarde, Pedro falou sobre o passado, trazendo à lembrança
essa experiência inesquecível e escreveu sobre Jesus recebendo glória e
honra da parte de Deus o Pai, Ele reiterou as próprias palavras transmitidas
a ele pela Glória Majestosa, ou seja, que Deus disse da nuvem: "Este é meu
Filho amado, em quem me comprazo” (2Pe 1.16-18). Pedro não precisou
depender de um documento escrito, porque essas palavras estavam
indelevelmente gravadas na sua memória. Ele havia tido uma visão do céu
que o guiava enquanto estava na terra e fazia que ele ansiasse por estar
com Cristo no céu.
Quando a voz da nuvem falou, os discípulos ficaram m uitíssim o
assustados e caíram com os rostos em terra. Mas Jesus foi até eles e
disse: £'Levantem-se e não tenham medo". Eles levantaram os olhos e
viram somente a ele, pois os visitantes celestiais haviam partido.
Jesus foi transfigurado na presença dos seus discípulos, que tiveram
permissão para ver um vislumbre do céu. Essa transformação podia ser
observada externamente, isto é, Jesus assumiu a aparência da glória
celestial que ele tinha antes de se tornar um ser humano. Em certo
sentido, M oisés experimentou antes a mesma transfiguração no alto do
Monte Sinai na presença de Deus, quando o seu rosto ficou brilhando
com a luz da glória. Lemos o relato da transfiguração de Jesus nos
Evangelhos, mas não podemos explicar a sua glória transformadora
semelhante à de M oisés e Elias.
Enquanto desciam da montanha, os três discípulos estavam dominados
pela sensação de ter testemunhado a glória celestial. Jesus deu-lhes
instruções estritas para não conversarem com ninguém sobre o que havia
acontecido até que ele tivesse ressuscitado dos mortos. Sua palavra não
lhes era clara e eles ficaram intrigados a respeito do que ele queria dizer
com referência à sua ressurreição.
A conversa que M oisés e Elias tiveram com Jesus foi centrada na sua
partida desta terra. A dura verdade era que Jesus sofreria e morreria em
Jerusalém. Então Jesus contou claramente aos três discípulos que ele
ressurgiria de novo de entre os mortos.
A importância da partida vindoura de Jesus significava que ele
morreria uma morte cruel numa cruz com o objetivo de que seu povo
fosse libertado do peso do pecado e da culpa. O livro de Apocalipse
revela que os santos no céu regozijaram-se quando Jesus realizou esse
feito. Isso significava a derrota de Satanás e seu banimento final para
o lago de fogo.
Jesus informou aos três discípulos sobre a sua ressurreição dos mortos.
Embora eles não entendessem o sentido dessas palavras, ele queria dizer
que no terceiro dia depois de morrer na cruz ele ressurgiria do túmulo.

Pontos a ponderar
• M oisés e Elias são duas figuras simbólicas que representam a Lei e
os Profetas, isto é, duas partes das Escrituras do Antigo Testamento.
Jesus como o Filho de Deus personifica o Novo Testamento. E o relato
de sua transfiguração é um retrato de toda a Palavra de Deus.
• Jesus veio a este mundo para viver e morrer por pecadores; nós estamos
nesta terra para viver e morrer por Cristo. Jesus foi transfigurado e deu
aos seus discípulos um vislumbre do céu; nós aguardamos ansiosamente
a volta de Jesus para sermos transformados num momento» no piscar
de um olho. Então seremos revestidos com a imortalidade e com o que
é imperecível. Quando Jesus voltar, estaremos com ele eternamente.
• O último livro da Bíblia, o Apocalipse, permite que tenhamos uma
rápida visão do céu. A Nova Jerusalém como a Cidade Santa descerá à
terra. Deus estará para sempre com o seu povo e será o seu Deus. Ele
enxugará toda lágrima dos olhos deles, a morte será banida, o choro
e tristeza terão fim e a dor não existirá mais.
Ressuscitado de entre os mortos
Durante o seu ministério, Jesus ressuscitou três pessoas dos mortos:
o jovem de Naim, a filha de Jairo, e Lázaro. Essas pessoas retornaram
à vida, e, no caso de Lázaro, isso aconteceu depois de ele ter estado no
túmulo por quatro dias. Jesus o chamou de volta à vida para que ele
pudesse tornar o círculo familiar completo novamente. Mas essas três
pessoas ressuscitadas da morte finalmente tiveram de enfrentar a morte
de novo depois de alguns anos. Elas eram mortais como todos os seres
humanos e teriam de morrer mais uma vez.
Quando Jesus morreu na cruz às três horas daquela tarde de sexta-
feira, um terremoto abalou a cidade de Jerusalém e rochas se partiram.
Então algo miraculoso aconteceu. Os túmulos fora da cidade se abriram
e muitos dos corpos de pessoas santas que tinham sido enterradas
voltaram à vida. Essas pessoas ressurretas andaram pela cidade depois da
ressurreição de Jesus na manhã de domingo e isso foi testemunhado por
muitas pessoas. Presumimos que eles não morreram de novo, mas que,
depois do seu aparecimento foram levados, corpo e alma, para o céu.
A ressurreição dessas pessoas santas é uma promessa a todos nós de
que também vamos ressuscitar de entre os mortos na ocasião da volta
de Jesus. Então a morte perderá o seu poder, e o anjo da morte como
sendo o último inimigo será lançado no lago de fogo. Ali Satanás, a besta,
o falso profeta, e seus seguidores passarão a eternidade. Em contraste,
o povo de Deus viverá eternamente em glória celestial com Jesus na
presença de Deus.

A ressurreição de Jesus
Desde a tarde da sexta-feira até a manhã do domingo, o corpo de Jesus
permaneceu no túmulo de José de Arimatéia, fora dos muros de Jerusalém.
Bem cedo naquela manhã, outro terremoto sacudiu a cidade, e Jesus saiu
do túmulo e partiu. Como testemunhas de sua ressurreição, dois anjos
estavam postados no lugar em que o seu corpo estivera colocado. Foram
eles que se dirigiram às mulheres que haviam ido preparar o corpo de
Jesus. Eles contaram às mulheres que Jesus não estava no túmulo, mas
que havia ressuscitado dos mortos.
A grande pedra que tinha selado a entrada do túmulo estava rolada
para o lado como se fosse tão leve quanto um tijolo. Como Jesus saiu do seu
confinamento? Ao ressurgir, ele não estava mais preso pelas leis do tempo
e do espaço. Quando ele nasceu em Belém, José registrou o seu nascimento
na prefeitura, e ele tornou-se um cidadão em Israel. Quando morreu na
sexta-feira à tarde, fora de Jerusalém, o escrivão da cidade registrou Jesus
de Nazaré como morto. Ele não era mais um cidadão na terra e sim um
cidadão do céu. Como ser celestial com corpo humano glorificado, ele agora
podia entrar e sair de um cômodo com portas trancadas quando quisesse.
Portanto, um túmulo não podia mais mantê-lo prisioneiro. Jesus ressurgiu
do túmulo como Vencedor sobre a morte e o inferno.
Nenhuma teoria sobre Jesus ter desmaiado na cruz e no frescor do
túmulo recebe apoio dos fatos históricos. O ferimento da lança no seu
lado soltava sangue e água, que é um sinal de morte.
Os líderes judeus pagaram aos soldados uni bom dinheiro para
que eles espalhassem a história que enquanto dormiam os discípulos
tinham vindo e roubado o corpo de Jesus. Mas a verdade de fato é que,
no momento da ressurreição de Jesus, os soldados ficaram apavorados.
Aqui está a contradição: aqueles que guardavam o túmulo de um morto
ficaram como homens mortos quando ele apareceu vivo.
A história de que os discípulos de Jesus levaram o seu corpo no meio
da noite é desmentida pelo fato de que as roupas do sepultamento estavam
dobradas cuidadosamente. Não seria assim se o corpo tivesse sido tirado
apressadamente. Além do mais, a falsa história sobre roubar o corpo de
Jesus prova em si mesma que o túmulo estava vazio. Se o túmulo não
estivesse vazio, não haveria nenhuma narrativa de ressurreição e nenhum
evangelho, e dentre todas as pessoas seríamos as mais infelizes, como o
apóstolo Paulo escreve numa de suas cartas.
Todo o Novo Testam ento — os Evangelhos, Atos, as epístolas e
Apocalipse — testificam da ressurreição física de Jesus. Esta boa-nova
é fundamental para a Igreja universal, pois sem ela a Igreja não pode
existir. Essa proclamação fala do triunfo de Cristo sobre a morte e fornece
a garantia de que todos os crentes compartilham naquela ressurreição.
Em poucas palavras, a boa-nova é a seguinte:
• Cristo morreu pelos nossos pecados.
• Ele foi enterrado.
• Ele ressuscitou no terceiro dia.
• Ele apareceu aos seus discípulos.
N o nascimento de Jesus, anjos estiveram presentes para anunciar as
boas-novas; em sua ressurreição, havia anjos dizendo às mulheres que
Jesus ressucitara dos mortos. Anjos foram os mensageiros de Deus para
proclamar que o seu plano de salvação se tornara realidade. Jesus está
vivo e nós também estamos vivos nele.

Pontos a ponderar
• Admitimos prontamente que um ser humano que morreu e ficou enter­
rado por três dias simplesmente não pode sair vivo da sepultura. Quando
autoridades médicas determinam que uma pessoa está morta, não há
como elas serem capazes de ressuscitá-la. Mas Deus é o sujeito ativo
que levantou Jesus dos mortos. Deus é o agente e Jesus é o sujeito.
• O relato sobre uma pessoa morta receber vida eterna, para nunca mais
morrer de novo, é absurdo para um incontável número de pessoas. Para
elas, a morte significa o fim de tudo. Contudo, Jesus venceu o maior
poder na terra, isto é, a morte, e ele ressurgiu do túmulo para viver
eternamente.
• Das religiões do mundo, só o Cristianism o ensina uma doutrina
completa da ressurreição. Os fundadores de todas as outras religiões
m o rre ra m . M as o fu ndador do C ristianism o m o rreu e foi ressu sci­
tad o à vida. E le nos e n sin a que assim com o ele foi ressuscitado, nós
tam bém irem os ressuscitar, corpo e alm a, p a ra te r vida e te rn a e esta r
com ele p ara sem pre.
A PARECIM EN TO S
PÓ S-RESSU RREIÇÃ O
Mateus 28; Marcos 16; Lucas 24; João 20, 21; Atos 1

Às mulheres
Jesus foi visto por muitas pessoas em diferentes momentos durante
um período de quarenta dias entre a sua ressurreição e a sua ascensão.
Esses aparecimentos físicos, durante os quais ele comeu e bebeu com
os seus, foram provas convincentes de que ele estava vivo. As mulheres
receberam a honra de ser as primeiras a ficarem sabendo que Jesus havia
ressuscitado de entre os mortos.
Na crucificação, as mulheres estiveram presentes para testemunhar do
seu sofrimento e da sua morte, enquanto os seus discípulos - com exceção
de João - ficaram longe. Na madrugada do primeiro dia da semana, as
mulheres foram ao túmulo com especiarias para preparar o corpo de
Jesus. Elas foram as primeiras a testemunharem a sua ressurreição.
Encontraram os anjos, ouviram a boa-nova e receberam a instrução de
que Jesus se encontraria com os seus discípulos na Galiléia. Foram as
mulheres que deram essa notícia aos discípulos e a Pedro.
Unia pessoa que o viu naquele primeiro dia foi Maria Madalena, que
fora libertada de possessão demoníaca e, em gratidão, havia apoiado Jesus
financeiramente. Ela era dedicada a ele; esteve presente na cruz e três dias
mais tarde no túmulo. Quando ela viu a pedra removida da entrada do
túmulo, correu até Pedro e João e contou a eles que o corpo de Jesus não
estava lá. Depois, ela voltou à área do jardim fora do túmulo e chorou.
<33^ Aparecimentos pós-ressurreição > 203

Mais uma vez ela se aproximou do túmulo e olhou para dentro. Ela
viu dois anjos, um sentado no lugar onde o corpo de Jesus estivera e o
outro no lugar em que os pés dele haviam estado. Eles perguntaram por
que ela estava chorando. Ela respondeu que o seu Senhor fora levado,
mas ela não sabia onde o tinham posto.
Maria Madalena viu alguém em pé perto dela que também perguntou
por que ela estava chorando e a quem ela procurava. Ela pensou que o
homem fosse o jardineiro. Mas quando ela ouviu a voz de Jesus chamando-
a pelo nome, ela o reconheceu e se encheu de alegria. Ela gritou; “Mestre!”
Então se ajoelhou e pôs seus braços em volta dos pés dele como se fosse
para mantê-lo perto dela.
Mas Jesus a fez saber que uma mudança havia ocorrido. Sua vida
terrena tinha chegado ao fim na cruz. Seu corpo transformado não mais
limitado por tempo e espaço iria ascender ao seu Pai. Ele instruiu Maria
a dizer aos discípulos, a quem então chamou de irmãos, que ele voltaria
para o seu Pai e Pai deles, para o seu Deus e Deus deles.
Jesus é filho de Deus de um modo diferente dos seus seguidores, que
também são filhos de Deus. Ele é o único Filho de Deus por natureza,
enquanto nós somos filhos e filhas por adoção. Embora haja diferença, a
intimidade do Pai com o seu povo permanece. Deus é o Pai do seu Filho
e da família mais ampla de seus filhos adotivos.

Aos dois em Emaús


Durante a tarde daquele Dom ingo de Páscoa, duas pessoas - o
marido chamado Cléopas e sua esposa, cujo nome não é dado, estavam
indo a pé de Jerusalém até a casa deles na vila de Emaús, uma distância
de cerca de onze quilômetros. Eles fariam essa distância em cerca de
duas horas e meia.
Caminhando tranqüilamente, discutiam com ardor o que haviam ouvido
sobre Jesus crucificado que, pelo que se dizia, tinha ressuscitado dos mortos.
Estavam tão envolvidos com o assunto, que não notaram a presença de
um estranho que caminhava ao lado deles. Este não pôde deixar de ouvir
a conversa e então perguntou sobre o que estavam falando.
Cléopas e sua esposa pararam e admirados perguntaram se o estranho
era um visitante em Jerusalém, que não estivesse a par do que havia
ocorrido. Disseram-lhe que dizia respeito a Jesus de Nazaré, que tinham
considerado ser uin profeta. Mas os principais sacerdotes o haviam
prendido e os romanos o tinham condenado a uma morte cruel na cruz.
O casal disse que eles estavam muito desapontados porque viam Jesus
como um líder que poderia libertá-los da opressão romana.
O casa] continuou a contar ao estranho como, nas primeiras horas
da manhã, algumas mulheres haviam ido ao túmulo onde Jesus estava
sepultado, tendo sido informadas por anjos que ele estava vivo, Também
outros tinham ido lá e voltado com a notícia de que o que as mulheres
disseram era verdade.
Então, o estranho começou a falar e os chamou de tolos por não
acreditarem no que os profetas haviam dito sobre os sofrimentos que
o Cristo teria de suportar. Ele revelou ter total conhecim ento das
Escrituras. Começou com os livros de M oisés e então passou aos profetas,
dizendo a eles o que fora dito sobre o Cristo.
O dia estava chegando ao fim quando eles se aproximaram da vila
de Emaús. O casal m ostrou-se hospitaleiro, convidando o estranho
para entrar na casa deles para comer e passar a noite. Ele aceitou essa
gentileza e, enquanto a esposa preparava o jantar, os homens continuaram
a conversa. Quando a refeição estava pronta e eles sentados à mesa, o
hóspede tomou o pão e fez uma oração de gratidão. A seguir, ele partiu o
pão e o deu para o homem e sua esposa. N esse momento, eles, de repente,
reconheceram que o hóspede deles era Jesus, que então misteriosamente
desapareceu da vista deles.
Como Cléopas e sua esposa reconheceram Jesus?
• Eles viram as marcas dos pregos em suas mãos?
• Foi o partir do pão?
• Seria a oração que ele fez?
• O hóspede fez o papel de anfitrião?
Eles reconheceram que o seu Senhor ressuscitado havia visitado o lar
deles. Seus corações ficaram a ponto de estourar de alegria. Eles sentiram a
necessidade de compartilhar essa notícia com outros; portanto, apressaram-
se a voltar a Jerusalém e ao cenáculo onde os discípulos estavam.
Antes que tivessem a oportunidade de dizer qualquer coisa, os
outros já lhes começaram a contar que Jesus tinha aparecido a Simão
Pedro e que ele havia ressuscitado mesmo. Então, eles puderam contar
a sua história. De fato, agora não havia dúvida sobre a realidade da
ressurreição de Jesus.
A parecim entos pós-ressurreição 205

Aos discípulos
Jesus apareceu para Pedro na manhã do Dom ingo de Páscoa, mas
os evangelistas não fornecem detalhes sobre essa reunião. Nessa noite
ele foi ao cenáculo e entrou, apesar de os discípulos terem trancado as
portas por segurança. Mas Jesus não podia ser barrado, pois o seu corpo
transformado atravessava paredes e portas. Ele se encontrou com seus
discípulos e os dois de Emaús que estavam com eles. Dos discípulos, havia
só dez. Tomé não estava com eles, pois ele se recusava a crer que Jesus
havia ressurgido dos mortos; e quanto a Judas, ele havia se enforcado.
Jesus se dirigiu a eles com a saudação comum que ainda é usada entre
os judeus nos dias de hoje: “Paz seja convosco". Embora os discípulos
tivessem falado animadamente sobre os aparecimentos de Jesus, ainda
assim eles ficaram atônitos e assustados quando, de repente, o viram no
meio deles. Seria ele mesmo ou se tratava de um fantasma?
Jesus mostrou aos discípulos as cicatrizes que tinha nas mãos, nos
pés e no lado. Ele acalmou seus temores ao pedir a eles que o tocassem.
Quando ainda estavam surpresos, ele pediu-lhes algo para comer para
provar que tinha um corpo de carne e osso. Quando lhe deram um pedaço
de peixe grelhado, reconheceram que não estavam vendo um fantasma,
e sim o Cristo ressurreto.
Então os discípulos se regozijaram por Jesus estar de volta com eles.
Contudo, algo tinha mudado, porque o corpo dele, embora restaurado,
era diferente. Tinha qualidades transcendentes que permitiam que ele
fosse sem impedimentos a qualquer lugar e depois desaparecesse. Sua
voz e hábitos ainda eram os mesmos, mas havia algo celestial nele.
Jesus os deixou saber que ele tinha de voltar para o seu Pai e que o
Espírito Santo viria sobre eles, o que realmente ocorreu sete semanas
depois. Como o Pai o enviara a esta terra, assim Jesus agora estava enviando
seus discípulos para serem suas testemunhas. Jesus estaria no céu, mas o
Espírito habitaria na terra, no coração e na vida do povo de Deus.
Exatamente uma semana depois, Jesus mais uma vez foi ao encontro
dos discípulos no cenáculo. Tomé estava com eles porque os outros
disseram que eles haviam visto o Senhor. Mas ele disse que não acreditaria
nisso a não ser que visse os sinais dos pregos nas mãos de Jesus e a
cicatriz da espada no seu lado.
Então, de repente, Jesus estava ali no meio deles, mesmo as portas
estando trancadas. Novamente os saudou com as palavras conhecidas,
“Paz seja convosco!" Então, ele se dirigiu a Tomé como se tivesse ouvido
seus comentários céticos. Pediu-lhe para tocar as cicatrizes em suas
mãos e no lado com seus dedos. Quando Tomé fez isso, Jesus lhe disse
para parar de duvidar e crer. O Tomé duvidoso tornou-se um crente e
disse: “Meu Senhor e meu Deus". Ele agora reconhecia que Jesus queria
que ele testemunhasse dele em lugares e países que precisavam ouvir o
evangelho. Realmente, Tomé tornou-se o apóstolo para as pessoas na
índia. Lá a igreja ainda leva seu nome: a Igreja de São Tomé.

Pontos a ponderar
• Vivemos num mundo tridimensional, de altura, largura e comprimento.
Mas há dimensões adicionais que são invisíveis. Anjos existem e tam­
bém existem demônios, mas somos incapazes de enxergá-los.
• “Ver é crer" é um ditado popular que é lembrado quando temos a prova
de algo de que duvidávamos a princípio. Mas crer no que é invisível é
fé genuína. O apóstolo Paulo diz que o que vemos é temporário, mas
o que não vemos é eterno.
• Um pastor amigo, certa vez me contou que ele visitou um de seus
paroquianos que estava hospitalizado e em coma. Porém, quando o
pastor chegou junto à cama, o homem estava acordado e alerta. Ele
disse: “Pastor, estive no céu agora mesmo”. O pastor mostrou-se cético
e perguntou: “John, como você sabe que esteve no céu?” “Eu vi Jesus.”
O pastor ainda não ficou convencido e perguntou: “Como você sabe
que era Jesus?” John replicou: “Eu vi os sinais dos pregos nas mãos
dele”. Então o pastor ficou satisfeito e fez a sua última pergunta: “O
que Jesus lhe disse, John?” A resposta foi: “Jesus disse: ‘Eu paguei por
você, John, venha”. Pouco depois, John morreu.
A A SC EN SÃ O
Lucas 24,50-53; Atos 1.1-11

Após quarenta dias


Os qu aren ta dias e n tre a Páscoa e a ascensão foram m arcados por
m uitos aparecim entos de Jesus. E le foi visto pelos seus discípulos e
tam bém pelo seu m eio-irm ão Tiago, que anos m ais tard e se to rn o u o
cabeça da igreja de Jerusalém , presidiu o Concílio de Jerusalém e escreveu
um a carta que é p a rte do Novo T estam ento. Jesus tam bém apareceu a
mais de quinhentas pessoas de um a vez, m uitas das quais ainda estavam
vivas quando Paulo escreveu a sua prim eira carta aos coríntios, cerca de
25 anos mais tarde.
Os ap arecim en to s de Jesus a c onteceram d u ra n te um período de
q u a re n ta dias, mas o seu m inistério de ensino chegou ao fim no dia de
sua ascensão. Jesus concluiu o seu m inistério terren o quando ascendeu
para tom ar o seu lu g ar à m ão direita de D eus o Pai no céu. Dali ele
apareceria aos apóstolos em visões para lhes dar instruções. Por exemplo,
ele m andou que Paulo ficasse em C orinto, dizendo que ele tin h a m uitas
pessoas naquela cidade. E revelou que Paulo teria de testificar p o r ele
em Jerusalém e tam bém em Roma.
N inguém pode explicar adequadam ente a sua ascenvsão, porque no
m om ento de sua m o rte ele deixou de e x istir com o um cidadão desta
terra. Sua ressurreição o colocou na categoria de seres celestiais e sua
ascensão deve ser entendida com o ter deixado esta te rra fisicam ente, e
e spiritualm ente assum ir residência p e rm an en te no céu. A ascensão de
Jesus ao céu na verdade começou com a sua ressurreição. Os aparecim entos
periódicos às pessoas foram interrupções de um a estada celestial que se
to rn o u p erm anente depois da sua ascensão. O acontecim ento em si não
pode ser explicado porque a existência celestial é en co b erta aos olhos e
ouvidos hum anos.
A ascensão de Jesus serve como um sinal de que o relacionam ento
com seus discípulos mudou; ele deixou de estar fisicam ente p resen te para
e star espiritualm ente acessível. Do céu, ele agora reina suprem o, recebe
as orações e petições oferecidas em seu nom e e intercede p o r nós a Deus
o Pai. Sua ascensão nos leva p ara p e rto de sua presença terren a e conduz
a sua entrada triunfal para o céu como anjos, autoridades e p o testades
submissos a ele. E stes incluem aqueles que são as forças espirituais do
mal, inclusive Satanás. C risto Jesus é o g ov ern ad o r suprem o no céu e
sobre a terra.

Reflexões finais
Depois que Jesus ascendeu ao céu, dois anjos enviados p o r D eus se
colocaram ao lado dos discípulos, que estavam olhando fixam ente para
o céu. Os anjos p e rg u n ta ra m aos hom ens por que estavam olhando para
cima. Então, eles lhes deram esta segurança: “Esse Jesus que d e n tre
vós foi assunto ao céu virá do m odo como o vistes subir". N a h o ra da
consum ação quando a trom beta soar e a voz do arcanjo for ouvida, Jesus
voltará com poder e g ran d e glória. Eis aí um truísm o: assim como subiu,
do m esm o modo voltará.
E m bora os c ien tistas sejam incapazes de c o m p ro v ar os m ilag res do
nascim ento, da ressurreição e da ascensão, p erm an ece o fato irrefutável
que isso tudo aconteceu. São verdades fund am en tais da fé c ristã. Deus
criou A dão e Eva, os p rim e iro s seres hum anos, que não tin h a m pai
nem mãe. D o m esm o m odo ele tro u x e Jesus ao m undo, n ascid o de um a
v irg em sem a p a rticipação de um hom em . T am b ém , D eus ressu scito u
Jesus C risto dos m o rto s para d e m o n s tra r a sua v itó ria so b re a m o rte
e o túm ulo.
Com respeito ao nascim ento, à transfig u ração , à ressu rreição e à
ascensão de Jesus, os cristãos falam corretam en te na intervenção divina e
confessam que Deus realizou esses m ilagres p o r m eio do E sp írito Santo.
Eles os interpretam no contexto da fé porque de uma perspectiva hum ana
ninguém pode explicar esses fenômenos. Intuitivamente sabem que Jesus
nasceu da virgem Maria, que ele ressurgiu fisicamente do túmulo no
primeiro Dom ingo da Páscoa e que ele subiu ao céu.

Pontos a ponderar
■Somos assegurados que do mesmo modo que Jesus foi glorificado,
nós também seremos glorificados. O pó da terra está agora no trono
da majestade no céu. Isto é, Deus criou Adão como começo da raça
humana de partículas de pó da terra. Jesus compartilhou a. nossa hu­
manidade ao assumir a nossa carne e o nosso sangue. Ele ressurgiu
corporalmente do túmulo, ascendeu ao céu e está agora assentado ao
lado de Deus sobre o trono.
■Jesus é nosso advogado à mão direita de Deus para defender a nossa
causa junto a ele. O relato da ascensão de Jesus é, portanto, uma fonte
de consolo e segurança para nós. Ele fala com o Pai em nossa defesa.
■Embora vejamos que os membros da Igreja de Cristo são oprimidos,
incomodados, perseguidos, batidos, violentados, torturados e mortos,
sabemos que Jesus é o Rei dos reis e Senhor dos senhores. Jesus Cristo
é o regente supremo sobre a face deste mundo. Ele voltará para operar
vingança sobre os seus inimigos e para redimir os seus.
■O que significa a ascensão de Jesus para nós? A Bíblia nos dá espe­
rança e confiança de que estaremos com ele onde ele está, porque
ele já preparou um lugar para nós. Aqui na terra aprendemos a viver
corretamente em preparação para viver com Cristo eternam ente em
glória celestial.
CURA
PELA FÉ
CU RA PARA
A JU D A R N O SSA FÉ
Atos 5.15,16; 19.11,12; Tiago 5.14-16

Curar é obra de Deus


Tiago, o meio-irmão de Jesus e escritor da Epístola de Tiago, faz uma
pergunta simples: “Está alguém entre vós doente?”, e em seguida dá uma
resposta definitiva. Ele dá instruções a uma pessoa doente para que chame
os presbíteros da igreja. Quando eles chegarem, os presbíteros devem orar
no nome do Senhor e ungir a pessoa doente com óleo. Tiago afirma que
quando a oração é oferecida em fé, a saúde do enfermo será restaurada.
Os presbíteros dependem do Senhor para realizar o milagre de curar
os doentes, porque em si mesmos falta-lhes o poder de torná-los sãos.
Eles devem reconhecer que não possuem um dom permanente de curar
todos aqueles que estão doentes. Mas devem continuar a orar e pedir a
Deus auxílio em tempo de necessidade.
O que acontece quando a cura não acontece? Faltou a fé necessária
por parte dos presbíteros? Havia pecado não confessado na vida da
pessoa doente? Isso é possível, mas não é necessariamente verdade. Deus
pode optar por não curar uma pessoa, ou pode indicar que uma pessoa
doente deve exercer a paciência. As vezes, ele abençoa os médicos, os
cirurgiões, os equipamentos e os remédios para restaurar pessoas doentes.
Em outras vezes, não há cura quando Deus decide levar o doente para
o seu lar eterno no céu. Os cristãos que morrem no Senhor recebem a
sua bênção especial.
Considere o apóstolo Paulo, que possuía poder apostólico e autoridade
para curar várias pessoas doentes e atormentadas e até ressuscitar os
mortos. Mas quando o fiel Epafrodito foi a Filipos para visitar Paulo numa
prisão romana, ele ficou doente e quase morreu, e o apóstolo foi incapaz de
curá-lo. Paulo admite que deixou seu querido amigo e colega de trabalho
Trófimo doente em M ileto na ocasião em que o apóstolo foi levado preso
a Roma pela segunda vez. E ele instruiu o seu filho espiritual, Timóteo,
a parar de beber só água e a tomar também um pouco de vinho, para
neutralizar os problemas estomacais e outras indisposições freqüentes.
Se Paulo tivesse o dom da cura, ele poderia ter eliminado os males de
seus companheiros de trabalho. Mas parece que às vezes ele era incapaz
de usar esse dom. Curar o corpo físico é trabalho de Deus e Paulo sabia
que era totalmente dependente dele.
O próprio Paulo sofria de um mal que ele chamava de espinho na carne.
Três vezes ele orou fervorosamente para que o Senhor removesse essa
doença de seu corpo. Mas a resposta que ele recebeu foi: “A minha graça
te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza”. M esmo tendo dado
prova de sinais apostólicos com grande perseverança entre o povo de
Corinto, o Senhor não curou o mal no corpo do próprio Paulo.
O livro de Atos revela que as pessoas levavam os seus doentes aos
apóstolos e pediam a eles que os curassem. Em Efeso, pessoas doentes
tocavam num dos lenços ou aventais que Paulo havia usado e eram curadas.
Quando Pedro andava, a sua sombra caía sobre os doentes, e eles eram
curados. Os apóstolos em si não tinham o poder e a autoridade para fazer
esses milagres de cura. Deus os capacitava com um dom extraordinário. Atos
é um relato da história da Igreja Primitiva. Ensina que os apóstolos e seus
ajudantes recebiam o dom da cura como auxílio para estabelecer igrejas.
Aparentemente quando os apóstolos morreram, os dons milagrosos
também cessaram. Isso não quer dizer que Deus não possa realizar
milagres hoje, E claro que ele os faz. Mas isso significa que, como cristãos,
precisamos orar fervorosamente pela intervenção de Deus. Chegamos
ousadamente em oração ao seu trono para receber misericórdia e achar
graça para nos ajudar em tempo de necessidade.

Oração feita com fé


Tiago escreve que uma oração oferecida em fé pelos presbíteros
da igreja curará um doente. O que é fé? Será que só os presbíteros
exercitam fé quando oram a favor do paciente ou as duas partes precisam
demonstrar sua fé?
Vamos discutir cada uma dessas perguntas. O que é fé? Fé é não
confiar em nossa própria força, mas depender inteiramente da graça e
da misericórdia de Deus. Fé significa reivindicar as promessas de Deus
e pedir que ele as cumpra. Fé é depender de Cristo para tornar a nossa
salvação perfeita por meio de sua obra completada na cruz. Fé é chamar
pelo Espírito Santo para nos encher de sabedoria, força e capacidade para
fazer a vontade de Deus.
Será que só os presbíteros exercem fé quando eles oram a favor
do doente, ou ambas as partes precisam demonstrar sua fé? Tanto os
presbíteros quanto o doente precisam demonstrar total confiança no
Senhor de que haverá cura física e espiritual. Para efetuar a cura, Jesus
espera que tenhamos fé nele, uma fé pura como a de uma criança. Ele
opera mediante os meios naturais disponíveis: os conhecimentos de um
médico, tratamento com medicamentos e terapia, bem como paciência
da parte daquele que está sendo tratado.
Se há pecado não confessado oculto no coração do doente, a confissão
verdadeira precisa ser feita, bem como a restituição, se for o caso. Deus
sempre perdoa um pecador penitente por meio do sangue de Cristo. Tudo
precisa ser feito na ordem apropriada: a cura espiritual antecede a cura
física. A confissão limpa a alma e a restauração física ocorre.
Embora respostas à oração sejam às vezes chamadas de milagres,
precisamos admitir que estes não são os fenômenos milagrosos aparentes
nos dias de Jesus e dos apóstolos. São acontecim entos comuns que
confirmam a graça de Deus e demonstram a providência que opera na nossa
vida. Admitimos humildemente que milagres aparentemente ocorrem fora
do curso normal de acontecimentos. Confessamos que só Deus sabe como
a cura ocorre, e somos incapazes de penetrar em seu mistério.
A Escritura ensina que o processo de cura depende de fé em Deus,
tanto para aquele que ora quanto para o doente por quem a oração é
oferecida. No entanto, quando não há cura, é impróprio e até perigoso
dizer ao doente que ele não teve a fé necessária. E melhor colocar a nossa
confiança em Deus, porque ele nunca envergonha a nossa fé.
Nos Evangelhos, há relatos de vários casos em que Jesus curou uma
pessoa doente sem dizer nada sobre a fé. Porém, como o relato bíblico é
breve e incompleto, devemos admitir que o quadro está incompleto.
Quando oramos com fé, precisamos estar cientes de que Deus pode
responder de três modos diferentes: Ele pode responder no afirmativo,
curando o doente imediatamente; ele pode querer exercitar a nossa fé,
fazendo que aguardemos pacientemente que ele cure no tempo dele; e
sua resposta pode ser negativa, nesse caso tra ta-se de doente que está
para deixar esta te rra e ir p a ra o céu.
Os cristãos que hum ildem ente pedem a D eus com fé que cure os
doentes, m uitas vezes vêem resultados. Isso não precisa acontecer de um
modo m ilagroso; pode tam bém ocorrer pela habilidade de um médico, pelo
uso de m edicam ento m oderno e a aplicação de técnicas terapêuticas. Nos
tem pos bíblicos, o óleo de oliva era usado para fins médicos. Por exemplo,
o sam aritano colocou vinho nos ferim entos do hom em abandonado quase
m o rto deitado ao lado da estrada. O vinho serviu como anti-séptico p ara
com bater a infecção; a seguir, ele passou óleo nas áreas afetadas como
ungüento curador.
Além disso, as E scrituras do Antigo Testam ento recom endavam alguns
preceitos preventivos de saúde para as pessoas de Israel com respeito à
alimentação, à higiene e à autodisciplina. Deus queria que o seu povo fosse
saudável e lhe deu a responsabilidade de se cuidarem fisicamente.
Quando os israelitas viajaram através do deserto, suas roupas e sandálias
não se desgastaram , eles recebiam alim ento e água diariam ente e Deus
tirou as doenças do meio deles. Ele foi o provedor que cuidou do bem -estar
físico deles. O povo de D eus agradecido expressou a ele sua gratidão.
Tam bém agradecem os ao Senhor pelas suas provisões diárias. E oram os
para que ele retire de nós a doença, a saúde frágil e as enferm idades. N o
entanto, não tem os direito a um a doação perm a n e n te de saúde. Em vez
disso, devemos dar a D eus a glória e honra q uando o corre cura.

O que cura pela fé


U m a verificação da rea lid a d e no s diz qu e n en h u m c u ra d o r ou
cu ran deiro pode im ediatam ente resta u ra r pessoas que são tan to surdas
q u anto mudas, que são cegas de nascença e cujos m em bros são atrofiados.
N inguém é capaz de ressuscitar à vida uma pessoa m orta. Só Jesus e seus
apóstolos realizaram esses sinais e m aravilhas no prim eiro século.
Uni curandeiro pode o rar sobre uma pessoa aflita e p o r ela, m as ele
terá de confessar que nem todas as pessoas podem ser curadas. Há o
reconhecim ento de que a doença e o sofrim ento pode ser o plano de Deus
para fortalecer a vida espiritual do doente.
Som os exo rta d o s a o ra r sem cessar e a g u a rd a r com fé para que
D eus atenda ao pedido. N enhum psicólogo pode ex p licar o m ilag re
de c u ra a d istâ n c ia que Jesus realizava. N en h u m c u ra n d e iro pode
alegar o mesmo poder de cura que Jesus demonstrou durante o seu
ministério. Ele curava doentes sem mesmo vê-los e tocá-los. E nosso
dever exercitar o poder da oração com fé, pois sabemos que muito pode
a súplica fervorosa da pessoa justa.
Há uma grande diferença entre Jesus e um curandeiro. Jesus curava
as pessoas instantaneamente, ainda que seus métodos não fossem sempre
os mesmos. Lemos que um paralítico se pôs em pé e andou, pessoas
mortas voltaram a viver e um leproso foi completamente restaurado
com todas as partes de seu corpo intactas. As curas que Jesus fez foram
indiscutivelmente autênticas, sem nenhum sinal de truque ou embuste.
A restauração da visão, da audição, da fala e da mente foi genuína e não
podia ser refutada, Nenhum curador que opera pela fé é capaz de fazer
algo que seja semelhante aos milagres que Jesus fez.
Isso não quer dizer que no campo missionário, onde uma presença
satânica se opõe a um missionário com freqüência, nunca ocorra uma cura
milagrosa. M issionários testificam que em resposta a orações fervorosas
e repetidas, pessoas doentes têm sido curadas, não necessariamente de
vez, mas em estágios.
M esmo nas áreas cristianizadas, podem acontecer curas que não
podem ser explicadas com base no conhecimento médico. Os médicos
muitas vezes não conseguem explicar
* como um paciente seriamente doente se recuperou rapidamente,
* por que o câncer que se esperava espalhar entrou em remissão, ou
* por que uma condição crônica de repente perdeu a força e a se­
guir desapareceu.
Nós aceitamos pela fé que Jesus ainda é o mesmo que era durante o seu
ministério terreno, Ele ascendeu ao céu, mas nos deu a promessa de que
estará conosco até o fim dos tempos. Portanto, podemos esperar que ele
seja o Grande Médico e cure aqueles que estão doentes no nosso meio.
Chegamo-nos a Deus em oração e rogamos a ele que nos responda,
dando-nos cura e saúde. A promessa que ele cura todas as doenças ainda
é relevante, e pedimos que a cumpra. Quando reivindicamos que ele
cumpra a sua palavra, sabemos que ele nunca volta atrás naquilo que nos
disse. Ele é aquele que disse: "Eu sou o caminho, a verdade, e a vida”. E
ele também disse que podemos pedir qualquer coisa em seu nome e ele a
fará. Isto é, desde que o nosso pedido glorifique a Deus o Pai, promova o
seu reino e esteja em harmonia com a sua vontade, ele nos ouvirá.
Se temos prazer em darmos presentes generosamente para os nossos
filhos em várias ocasiões, quanto mais o nosso Pai celestial está pronto a
nos conceder boas dádivas que incluem a saúde e o bem-estar?

Pontos a ponderar
• O Catecismo de Heidelberg do século 16 discute a necessidade de o
cristão orar. Ele fornece este fundamento lógico: "Porque a oração é a
parte mais importante da gratidão que Deus requer de nós. E também
porque Deus dá a sua graça e o Espírito Santo somente àqueles que
oram continuamente e gemem interiormente, pedindo a Deus essas
dádivas e agradecendo a ele por elas”.
• As orações pela restauração precisam se relacionar com a obra reden­
tora de Cristo e a operação do Espírito Santo, para que por meio da
oração Deus o Pai possa receber glória e honra.
• Na sua epístola, Tiago fala sobre as orações que Deus não responde. Ele
diz que são aquelas que pedimos com os motivos errados em mente. Isto
é, apresentamos os seus pedidos sem referência a glorificar o nome de
Deus, estender o seu reino sobre a terra e fazer a sua vontade. Em outras
palavras, todas as nossas petições devem ser oferecidas em harmonia
com os pedidos que Jesus já nos ensinou na Oração do Senhor.
< *4 C O N C LU SÃ O

Os profetas do Antigo Testamento, Elias e Eliseu, realizaram milagres na


natureza, ressuscitaram pessoas dos mortos e curaram um general sírio de
lepra. D o mesmo modo, Jesus executou numerosas maravilhas e tornou-se
conhecido como sendo o operador de milagres galileu. As pessoas ficavam
maravilhadas e diziam que nunca haviam visto nada igual em Israel.
Por meio de uma simples palavra, Jesus curava os doentes, expulsava
demônios e ressuscitava mortos. Não só judeus, mas também gentios
foram beneficiários do cuidado amoroso de Jesus. Embora a maioria de
seus milagres ocorresse na Galiléia, outros ocorreram fora das fronteiras
de Israel. A mulher siro-fenícia alegrou-se ao ver sua filha libertada de
possessão demoníaca. E um pai que levou o seu filho possesso a Jesus
perto do M onte Hermom beneficiou-se do ministério de cura de Jesus.
Tanto gentios quanto judeus colocavam sua fé em Jesus e eram
ricamente recompensados. Jesus curou o servo do centurião em Cafarnaum
só por dizer uma palavra, sem ver o doente. Na verdade, Jesus disse às
pessoas a sua volta que ele não havia encontrado fé como a desse homem
entre os judeus em Israel. Conseqüentemente, ele denunciou as cidades
galiléias de Cafarnaum, Corazim e Betsaida por sua falta de resposta e
má vontade quanto a arrependerem-se apesar de todas as maravilhas
que ele havia feito entre eles.
Durante o seu ministério terreno, Jesus muitas vezes disse às pessoas
que se elas tivessem fé tão pequena quanto um grão de mostarda, seriam
capazes de dizer a uma montanha que se movesse e se lançasse ao mar.
Obviamente, ele queria que isso fosse entendido figurativam ente e
não literalmente. Ele não estava querendo dar a entender que os seus
seguidores podiam arranjar de outro modo os contornos da terra; em
vez disso, ele ensinou que a fé é fundamental para que possamos vencer
os obstáculos da vida. Isto é, a nossa vida deve estar cheia de confiança
para que possamos glorificar a Deus.
Nos tempos do Antigo Testamento, Deus muitas vezes intervinha
na natureza de modo miraculoso. Por exemplo, M oisés fez milagres
durante o processo de conduzir os israelitas para fora do Egito. Esses
milagres foram desde transformar as águas do Egito em sangue até criar
um caminho seco através do Mar Vermelho para os israelitas chegarem
até a margem oposta.
Para conquistar a Terra Prometida, Josué fez o Rio Jordão parar de
correr para que os israelitas pudessem atravessar para o outro lado. E
ele fez que o sol parasse durante uma batalha pela posse da terra.
Com suas orações, Elias conseguiu que houvesse uma seca que durou
três anos e meio, e ele depois orou novamente para que ela acabasse. Na
sua epístola, Tiago se refere a Elias e afirma que a oração de um homem
justo é poderosa e eficaz.
Já no tempo do exílio, os três amigos de Daniel foram jogados numa
fornalha ardente e caminhavam ilesos no meio do fogo. De modo seme­
lhante, Daniel passou uma noite na cova de leões e saiu ileso.
Durante o seu ministério na terra, Jesus deu ordens a uma tempestade
no Lago da Galiléia para que parasse e ao vento que cessasse. Ele
caminhou sobre as ondas desse lago e ajudou Pedro a fazer o mesmo.
Ele transformou cerca de 180 galões de água em vinho como presente
de casamento para um casal de noivos.
Com cinco pães e dois peixinhos nas mãos, Jesus alimentou uma
multidão de cinco mil homens, não contando as mulheres e crianças.
Algum tempo depois, ele deu comida para quatro mil homens além das
mulheres e crianças. Ele amaldiçoou uma figueira que de um dia para o
outro secou e morreu.
Pedro tinha poder para curar apenas deixando a sua sombra cair
sobre os doentes ao passar por eles. E quando pessoas doentes apenas
tocavam os lenços ou aventais de Paulo, elas eram curadas, e espíritos
malignos saíam delas.
O autor de Hebreus diz aos seus leitores que quando o evangelho
começou a ser proclamado, Deus acrescentou o seu testemunho por meio
de sinais, maravilhas e vários milagres. Não há nenhuma indicação de
que a realização de milagres continuou indefinidamente. Em vez disso,
quando a era dos apóstolos findou, os milagres na natureza parecem
ter cessado. O dom de Deus de fazer milagres foi uma marca distinta
de ser um apóstolo. Quando o evangelho já estava bem estabelecido e a
sociedade já conhecia o Cristo, os milagres cessaram.
Deus ainda protege o seu povo de males e perigo, de modo que muitos
de nós podemos testificar de uma intervenção milagrosa na nossa vida.
Ele pode nos livrar de alguma circunstância preocupante, seja vinda da
natureza, algum perigo ou uma doença.
Esses fenômenos geralmente dizem respeito ao nosso bem-estar ou às
nossas necessidades. Mas é seguro dizer que os milagres que ocorreram
nos tempos de Jesus e dos apóstolos não ocorrem mais hoje. Nenhum ser
humano tem o poder dc ressuscitar os mortos, de dar visão a alguém que
tenha nascido cego, de fazer os surdos ouvirem, de andar sobre as ondas
do mar ou de dar ordem à tempestade e ao vento para que parem.
Contudo, Jesus é o mesmo ontem, hoje e no futuro. Ele nos deu a
garantia de que estará conosco até o fim dos tempos. Assim, com fé
confiamos nele para guiar-nos diariamente, proteger-nos do mal e curar
todas as nossas doenças. Ele nos acompanhará até o fim, e no seu tempo,
nos levará à glória para estarmos com ele eternamente.
LEITURA PARA
ESTU D O A D IC IO N A L

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SOBRE O A U TO R

Simon J. Kistem aker e s tu d o u n a C alv in C o lle g e , no C alv in


T heological Sem inary e n a U niversidade L ivre de A m sterd ã (Holanda).
Ele foi ordenado para o m inistério da Igreja Reformada Cristã e trabalhou
na ig reja de V ernon, Columbia Britânica, Canadá.
K iste m a k er se rv iu a E v an g elical T h e o lo g ic a l S o ciety p rim eiro
com o presidente e depois como secretário-teso u reiro p o r dezoito anos.
Lecionou na Calvin College, na D o rd t College e no Reformed Theological
Seminary, onde se tornou professor de Novo T estam ento em 1971 e ainda
trab alha como professor emérito.
P a lestra n te in tern acio n alm en te reconhecido, K istem aker escreveu
m uitos livros, incluindo The Parables [_As Parábolas de Jesus'}, The Gospels
in Current Study, The Conversations o f Jesus encontros de Jesus] e
vários com entários do Novo T estam ento, da série iniciada p o r W illiam
H endriksen. Nessa série, K istem aker contribuiu com com entários sobre
Atos, lC oríntios, 2Coríntios, Hebreus, as E pístolas de T iag o e João, as
Epístolas de P edro e Judas e Apocalipse. Q uatro destes receberam a Gold
M edallion Aw ard da Associação dos E ditores Evangélicos Cristãos.