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BIBLIOTECA DA IGREJA CATÓLICA ORTODOXA CELTA (ICOC)

Sumário
APRESENTAÇÃO ............................................................................................................................................ 3
CAPÍTULO 1..................................................................................................................................................... 4
AS PRIMEIRAS DÚVIDAS .............................................................................................................................. 4
CAPÍTULO 2..................................................................................................................................................... 8
CONSELHO ESPIRITUAL .............................................................................................................................. 8
CAPÍTULO 3................................................................................................................................................... 10
A MONARQUIA DO PAPA........................................................................................................................... 10
CAPÍTULO 4................................................................................................................................................... 21
"TU ÉS PEDRO" ............................................................................................................................................ 21
CAPÍTULO 5................................................................................................................................................... 26
O INÍCIO DA DISPUTA................................................................................................................................ 26
CAPÍTULO 6................................................................................................................................................... 28
"SAI DELA, POVO MEU..." ........................................................................................................................... 28
CAPÍTULO 7................................................................................................................................................... 33
RUMO À LUZ ................................................................................................................................................. 33
CAPÍTULO 8................................................................................................................................................... 35
MEU ENCONTRO COM A VERDADE ....................................................................................................... 35

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APRESENTAÇÃO

Neste pequeno livro, Paulo de Ballester descreve sua história de sua conversão ao Cristianismo Ortodoxo.
Como um monge católico romano designado para reorganizar os catálogos das bibliotecas de seu
mosteiro, ele tropeça em documentos medievais católicos que não se conciliam com seus estudos dos
Evangelhos e dos primeiros Padres da Igreja. Abandonado por seu Pai Espiritual e persistindo em meio
a suspeitas e ameaças da hierarquia da igreja, Paulo investiga profundamente as questões, revelando
muitas camadas de inovações católicas as quais deram origem a versão papista do cristianismo, muito
diferente do Cristianismo dos primeiros séculos. Sob essas camadas, ele encontra a Igreja Ortodoxa que,
mesmo sem saber, sempre esteve presente em seu coração. Posteriormente, já não mais isolado, Paulo é
recebido em casa pelos irmãos ortodoxos.

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CAPÍTULO 1
AS PRIMEIRAS DÚVIDAS

A minha longa e árdua jornada de conversão à Ortodoxia começou um dia enquanto estava reorganizando
os catálogos das bibliotecas do mosteiro católico ao qual pertencia. Este mosteiro, um dos mais belos do
nordeste de Espanha, pertencia à ordem monástica de São Francisco de Assis. Foi construído na costa
do Mediterrâneo, poucas milhas de minha cidade natal, Barcelona.

Naquela época, os abades do mosteiro tinham me atribuído a tarefa de atualizar os catálogos de livros, as
transcrições e os autores de nossa volumosa biblioteca. Esta tarefa seria crucial para avaliar as perdas
incalculáveis da biblioteca sofrida durante a última guerra civil espanhola, quando o mosteiro foi
queimado e parcialmente destruído pelos comunistas.

Numa dessas tardes, imerso no trabalho sem fim, escondido atrás de montanhas de livros antigos e
manuscritos queimados, fiz uma descoberta que me intrigou muito. Em um envelope contendo
documentos relativos à Santa Inquisição, de cerca de 1647, eu encontrei uma cópia de um decreto escrito
em latim, proclamado pelo Papa Inocêncio X. Por este decreto, qualquer cristão que se atrevesse a
acreditar, seguir, ou professar a doutrina a respeito da autêntica autoridade apostólica de Paulo (1), seria
anátema (condenado eternamente) como um herege.Além disso, este documento paradoxal obrigava
todos fiéis, sob ameaça de castigo post-mortem, a aceitar que o Apóstolo Paulo não havia exercido sua
obra apostólica livremente ou de forma independente. Em outras palavras, a partir do momento em que
ele se converteu ao cristianismo até o momento de sua morte, Paulo estava sob a constante autoridade
monárquica do Apóstolo Pedro, o primeiro entre os papas e líderes da Igreja. Ademais, o decreto afirmava
que a autoridade absoluta de Pedro era exclusiva e só herdada pelos papas e subsequentes bispos de Roma
através da sucessão direta.

Confesso que se eu tivesse encontrado na biblioteca do mosteiro um livro proibido pelo Index (2), haveria
sido menos surpreendente. Naturalmente, não eu era ignorante das práticas exageradas e maquinações
relativas às questões dogmáticas, que os tribunais da Santa Inquisição haviam utilizado durante a Idade
Média e até mesmo em anos posteriores. Este foi um período em que a hierarquia católica romana iria
tão longe a ponto de defender justificativas teológicas para as ambições imperialistas do papado. Para ter
sucesso nesta tarefa, Roma tinha dado ordens explícitas aos seus teólogos e pregadores para demonstrar,

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com todos os meios possíveis, que os papas tinham recebido de Deus a autoridade para governar como
Césares em toda a igreja ecumênica, dada a suas posições como herdeiros do primado do Apóstolo Pedro.

De tal forma, foi organizada uma verdadeira cruzada no ocidente para desprestigiar o ensino ortodoxo a
respeito da honorável primazia do Apóstolo Pedro. O propósito era duplo. Por um lado, desenvolveria
uma base teológica para o cesarismo do papa, e por outro, diminuiria a importância da posição patriarcal
do oriente em termos de reivindicação monárquica com respeito aos seus colegas romanos. Uma das
táticas principais para atender essa abordagem foi a circulação de um grande número de publicações
adulteradas ou má interpretações dos Santos Padres.

Estas publicações enganosas, apoiadas pela má interpretação de vários versículos da Bíblia (3), tentaram
obter o notório Primatus Petri a partir de então como um privilégio especial legado apenas ao Apóstolo
Pedro e seus supostos sucessores posteriores, os pontífices romanos. De acordo com este privilégio, os
papas de Roma tinham o direito de exercer a autoridade monárquica e autoridade quase absoluta sobre a
igreja ecumênica, uma ideia contra a qual a Igreja Ortodoxa se rebelou. Assim, um excesso de antologias
e catenae (4) de versos patrísticos relativos a primazia papal, a maioria absolutamente falsas e altamente
distorcidas com base mínima de conteúdo autêntico, foram publicadas pelas impressoras das principais
ordens monásticas do Ocidente e foram distribuídas em grandes quantidades em toda Europa
Mediterrânea (5).

No entanto, se os fiéis compreendessem que nem o Apóstolo Paulo nem os outros apóstolos estavam
sob a autoridade absoluta do chamado primer papa, Simão Pedro, o edifício inteiro do ensinamento, em
grande medida distorcido, do papismo, entraria em colapso sobre si. Para evitar isso, os bispos de Roma
nunca deixaram de aterrorizar, condenar e anatemizar com castigos pós mortem todos aqueles que se
atreviam a expressar a menor dúvida sobre este assunto. Sua causa foi auxiliada pelos tribunais da Santa
Inquisição que, sob o lema "o fim justifica os meios" (6), foi justificado a utilização da força bruta,
incluindo a tortura pelo fogo, imersão em óleo fervente, e o esfolamento vivo dos torturados a fim de
subjugar os cristãos mais persistentes e impenitentes, em nome da Santíssima Trindade e para o bem
geral da Igreja.

Entretanto, eu nunca esperaria que minha igreja pudesse atingir tal nível de fanatismo, ousar proibir e
condenar o ensinamento das Sagradas Escrituras que haviam sido compiladas com clareza absoluta e
ensinadas pelos próprios apóstolos, com um documento como aquele que tinha em mãos. Aquele
documento havia transgredido todos os limites, especialmente a convicção dos fiéis que seguiram o
ensinamento do Apóstolo Paulo, ascendendo à condenação absurda do ensino ortodoxo do apóstolo,
que declarava, em termos inequívocos, que não é em absoluto inferior aos mais eminentes apóstolos (7).
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Neste contexto, o decreto do Papa Inocêncio X parecia tão improvável que decidi examinar a
possibilidade de um erro de tipográfico ou uma distorção acidental do texto autêntico, algo não tão
incomum na época de sua publicação (8).

Em qualquer caso, se era autêntico, falso ou simplesmente distorcido, eu pensei que este texto era uma
posse bastante curiosa na nossa biblioteca, necessitando de uma atenção séria e de maior investigação.
Pouco depois, no entanto, o meu interesse inicial se transformou em uma grande confusão. Depois de
fazer algumas pesquisas na biblioteca central de Barcelona, eu descobri que não só este era um documento
inequivocamente autêntico, mas que seus pontos de vista foram bastante comuns naquela época. Na
verdade, duas das decisões da Santa Inquisição, a 1327 (9) e de 1351 (10), e a primeira de 1647, o Papa
João XXII e o Papa Clemente VI anatemizaram e condenaram os homens e os ensinamentos de quem
se atrevesse a refutar o argumento de que o apóstolo Paulo obedecia às ordens do apóstolo Pedro, o
primeiro dos papas. Estes mandatos, que ninguém se atrevia a questionar, presumese que estavam sob a
autoridade absoluta do Apóstolo Pedro. Outro caso era o anátema que o Papa Martinho V lançou a John
Huss no Sínodo de Constança. Mais tarde, os Papas Pio IX, no Concílio Vaticano I (12), Pio X em 1907,
e Benedito XIV em 1920 repetiram a mesma condenação nos termos mais oficiais e inequívocos.

Uma vez que a possibilidade de falsificação comprovada era improvável, encontrei-me assombrado por
uma profunda crise de consciência. Eu não podia aceitar que o Apóstolo Paulo estava subordinado à
autoridade humana. Para mim, o ministério independente e sem oposição de Paulo entre as nações, similar
ao ministério do Apóstolo Pedro entre os hebreus, é um fato irrefutável da maior importância (14).

O Apóstolo Paulo, "não dos homens, nem por mediação de homem algum, mas por Cristo, e por Deus
Pai" (15), pensou Simão Pedro como segundo depois de São Tiago, entre os que eram considerados
pilares na Igreja de Cristo (16). Em seguida, acrescenta que as posições adotadas nestes assuntos o eram
lhe indiferentes, uma vez que são simplesmente suas preferências pessoais que Deus não toma a sério
(17). Em qualquer caso, o Apóstolo Paulo declarou claramente que, em relação aqueles que foram os
apóstolos, ele não eram em nada inferior a qualquer um deles (18).

Para mim, isso era alto e claro, especialmente tendo em conta as obras exegéticas dos Santos Padres que
não deixam espaço para a menor dúvida sobre este assunto. São João
Crisóstomo diz o seguinte sobre o Apóstolo Paulo:

"Paulo declara a sua igualdade com o resto dos apóstolos e deseja ser comparado não só com os outros, mas com o primeiro,
para mostrar que todos eles tinham a mesma autoridade" (19).
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Além disso, o Consensum Patrum (o consenso dos Padres) é que "todos os apóstolos eram exatamente iguais a
Pedro, ou seja, dotados com a mesma honra e autoridade" (20).

Teria sido impossível que Paulo estivesse sob a tutela de uma autoridade superior de outro apóstolo, já
que o poder do apóstolo é "o poder supremo e o ápice de todas as autoridades" (21).

São Cipriano partilha esta posição da seguinte forma:


"Eles eram todos igualmente pastores, embora o rebanho era um só. E esse [o rebanho] era guiado pelos apóstolos, já que
eles se ajustavam a mesma ideia" (22).

Santo Ambrósio de Milão também acrescenta:

"Se o Apóstolo Pedro tinha alguma preferência aos outros apóstolos, tratava-se de uma preferência de confissão e fé, e não
de honra e grau" (23).

Justificadamente, então, este mesmo santo escreveu mais tarde sobre os papas: "Não podem ter a herança
de Pedro, aqueles que não têm a mesma fé com ele" (24). Embora este problema era mais transparente
que cristal, o dogma católico romano, sendo diametralmente oposto, representava um dilema terrível para
mim: devo conscientemente escolher e cumprir o Evangelho e a tradição dos Padres, ou o ensino
arbitrário da Igreja Católica romana?

Para piorar a situação, de acordo com a soteriologia (25) (doutrina da salvação) Católica Romana, um
cristão deve crer que a Igreja é uma monarquia (26) e o rei é o Papa (27). Assim, o sínodo do Vaticano,
combinando todas as convicções sobre este assunto, declara oficialmente:
"Se alguém diz ... que Pedro, o primeiro bispo e papa de Roma, não foi coroado como príncipe apóstolos por Cristo e
estabelecido como a cabeça visível da igreja militante ... que seja anátema." (28)

Tendo em conta estas duas posições doutrinárias diametralmente opostas, como eu poderia
comprometer minha consciência?

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CAPÍTULO 2
CONSELHO ESPIRITUAL

À deriva, e, no meio desta tempestade espiritual incessante, fui ao meu confessor e ingenuamente
expliquei meu dilema e as minhas preocupações. Meu confessor, um dos hieromonges mais educados e
experientes do mosteiro, percebeu imediatamente que se tratava do mais grave e complexo
assunto. Entregou-se ao silêncio por alguns momentos enquanto procurava em vão por uma solução
satisfatória para o meu problema. Finalmente, ele falou, mas deu uma guinada à pergunta, o que realmente
me surpreendeu.

"A Sagrada Escritura e os Santos Padres te inquietaram", disse de maneira despreocupada. "Coloca os dois de lado
e te submeta com estrita adesão ao ensinamento infalível de nossa Igreja, sem entrar em muitas perguntas e exames. Não
permita que algumas criaturas de Deus, qualquer que sejam,
escandalizem a sua fé em Sua Igreja."

Esta resposta totalmente inesperada, conseguiu aumentar minha confusão espiritual. Sempre acreditei que
a Palavra de Deus era precisamente uma das coisas que não se pode "colocar de lado". Segundo a minha
percepção, a Escritura foi o fator determinante da nossa ortodoxia (como católicos romanos) (29) e não
o contrário. Mais precisamente, a Escritura diz: "Examinem-se para ver se vocês estão na fé; provem-se a si mesmos."
(2 Coríntios 13: 5) (30).

Não necessito ouvir "suas opiniões" ou "minha opinião", diz Santo Agostinho, mas "o que disse o Senhor". Sem lugar
para dúvidas estão as Escrituras do Senhor, cuja a autoridade devese tanto obedecer quanto submeter-se. Assim, trataremos
de encontrar a verdadeira Igreja nas Escrituras e baseamos nossa discussão somente nestas. (31)

Sem me dar a menor oportunidade de responder, meu confessor acrescentou:

Em vez disso, vou dar-lhe uma lista de nossos próprios autores, cujas obras irão recuperar a sua tranquilidade espiritual.
Através destes livros, você notará a clareza do ensino da nossa Igreja, sem qualquer dificuldade.

Em seguida, ele me perguntou se eu tinha algo "mais importante" para discutir e terminou a conversa.

Alguns dias mais tarde, meu confessor deixou o mosteiro para pregar em outras igrejas e comunidades
monásticas de nossa Ordem. Quando me forneceu a lista dos livros que havia mencionado, ele me pediu

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que prometesse que iria corresponder com ele regularmente para mantê-lo informado durante sua viagem
sobre meu "mal-estar espiritual".

Embora seus argumentos e explicações não me convenceram em absoluto, fui adiante e consegui todos
os livros que me havia recomendado com a decisão de estudá-los com a maior objetividade e seriedade
possível. A maioria destes livros eram textos teológicos e manuais sobre as decisões papais e concílios
ecumênicos papistas. Atirei-me a estudar com interesse genuíno e sem necessidade de utilizar medidas de
precauções, com exceção da Sagrada Escritura, que mantive aberta diante de mim como " uma luz para os
meus passos e uma lâmpada para os meus caminhos” (Salmo 118: 105) ( 32).

Não estava disposto, de modo algum, em permitir que minha igreja ou meu confessor me convertesse
em alguém como os judeus, a quem o Senhor censurou devido a ignorância das Escrituras (33). Ao
contrário, estava decidido a permanecer fiel, seguindo o exemplo dos fiéis (de Berea) que, depois que
"receberam a palavra com toda prontidão" (Atos 17:11) (34), foram elogiados pelo Apóstolo Paulo
porque "examinavam a cada dia as Escrituras para ver se estas coisas eram assim." (Atos 17:11) (35). Ao
fazer isso foram salvaguardados da decepção causada pela "filosofia e vãs sutilezas, com base na tradição
dos homens sobre os elementos deste mundo e não segundo Cristo" (Colossenses 2: 8) (36).

Uma vez que continuei lendo e avançando no estudo dos textos recomendados, comecei a suspeitar,
apenas para me convencer gradualmente, de que eu era quase inteiramente ignorante sobre
a verdadeira natureza e a constituição orgânica de minha Igreja.

Tendo sido introduzido ao cristianismo e batizado, depois de terminar minha educação secundária, fiz
vários cursos de filosofia. Ao mesmo tempo, no entanto, me encontrava no estado inicial de compreensão
sobre a teologia católica romana, um campo de estudo quase novo e estranho para mim. Desde então, o
cristianismo e a Igreja romana representaram para mim duas ideias que expressavam uma só realidade.
Protegido na quietude e serenidade de minha vida monástica, estive somente preocupado pelo aspecto
místico do cristianismo. Imerso em meus estudos filosóficos, não tive oportunidade de investigar com
profundidade as razões por trás da estrutura orgânica de minha Igreja.

Lendo os textos oficiais que meu padre confessor havia sutilmente selecionado para meu benefício, eu
gradualmente compreendi a verdadeira natureza do paradoxo da monarquia político-religiosa que
constitui a Igreja romana contemporânea. Neste ponto, acho que seria oportuno e informativo dar uma
olhada nestas características.

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CAPÍTULO 3
A MONARQUIA DO PAPA

De acordo com a doutrina católica romana, a igreja "não é nada mais do que uma monarquia absoluta"
(37), cujo déspota absoluto é o papa, que funciona como tal em todas as suas expressões (38).

Nesta monarquia do bispo de Roma "todo o poder e estabilidade da igreja é ancorado" (39) "e cuja
existência, por outro lado, não seria possível" (40). O próprio cristianismo "é ancorado e totalmente
baseado na doutrina do papismo" (41), e também "a doutrina do papado é o elemento mais significativo
do cristianismo" (42); "sua síntese e essência" (43).

Autoridade monárquica do papa, como líder supremo e chefe da igreja, a pedra angular da Igreja, mestre
infalível da fé, representante de Deus na terra, pastor de pastores e hierarca supremo, está absolutamente
vinculada, podendo ser executada em qualquer tempo e tem força ecumênica. Esta autoridade se estende
por direito divino (44) em todos os cristãos batizados a nível mundial (45), simultaneamente e
individualmente. Esta autoridade ditatorial pode ser aplicada diretamente e em qualquer momento em
qualquer cristão, seja ele leigo ou clérigo, bispo, arcebispo, cardeal ou patriarca, e até mesmo em qualquer
igreja, independentemente da denominação ou língua (46), porque o papa é o bispo supremo de qualquer
episcopado do mundo (47).

Aqueles que se recusam a reconhecer esta autoridade ou não obedecer cegamente (48) são "cismáticos,
hereges ímpios e sacrílegos; consequentemente, suas almas já estão predestinadas a serem lançadas nas
trevas exteriores, porque é uma condição indispensável para a salvação de suas almas crer na doutrina do
papismo dada por Deus e se submeter a seus representantes "(49). Neste sentido, o papa parece encarnar
aquele imaginário líder pré-cristão cuja iminente vinda foi crida por Cícero e que todos precisam aceitar
para ser salvo (50).

Com base nesta doutrina Católica Romana, o Papa Gregório VII disse, "uma vez que o papa tem o direito
de intervir e julgar todas as questões espirituais dos cristãos e cada uma delas independentemente, está
mais que autorizado para intervir em assuntos mundanos e terrenos"(51). Por esta razão, embora possa
limitar a sua autoridade a imposição de penas espirituais e a negação da salvação para aqueles que se
recusam a submeter-se, ele "possui o direito de obrigar os fiéis a acreditar nele" (52). É por esta razão
que "a igreja possui duas espadas: uma espiritual simbólica e uma com a autoridade mundana. A primeira
espada está nas mãos dos sacerdotes e a outra está
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nas mãos de reis e soldados. No entanto, incluso a segunda espada está sob o discernimento e vontade
dos sacerdotes "
(53).

O papa, afirmando que é o representante e vigário na terra Daquele cujo "reino não é deste mundo" (54),
Daquele que proibiu seus apóstolos em exercer até mesmo a menor predominância e hegemonia sobre
os fieis (55), entroniza a si mesmo como o rei terreno, continuando, assim, em sua pessoa, a tradição
cesar-imperialista de Roma, a cidade eterna e rainha do mundo (56). Ao longo da história, o papa se
tornou o mestre de grandes nações e declarou as guerras mais sangrentas contra outros reis cristãos em
sua busca de conquistar novas terras ou simplesmente para satisfazer sua insaciável sede de dominação e
poder.

Também possuía milhares de escravos e muitas vezes desempenhou um papel central e decisivo nas
políticas internacionais. É dever dos soberanos e governantes cristãos submeterem-se ao rei ordenado
por Deus, ao seu reino e trono eclesiástico-político, "aquele que foi estabelecido como o esplendor e
âncora dos reinos do mundo" (57). Hoje, o reino terreno do papa se limita ao Vaticano, que é um estado
autônomo com representação política em todas as nações da terra e com sua própria polícia, militares,
armas, prisões, dinheiro e comércio.

Como concretização desta plena autoridade, o papa tem outro privilégio exorbitante, totalmente único
no mundo: afirma ser "infalível" por direito divino de acordo com a definição doutrinária do Concílio
Vaticano de 1870 (58). Tal privilégio monstruoso e inimaginável não aconteceu até mesmo nos sonhos e
na imaginação dos maiores bárbaros e nas religiões dos idólatras desviados. No entanto, como resultado
desta doutrina, "toda a humanidade deve dirigir-se a ele com as mesmas palavras que foram dirigidas uma
vez ao Salvador": "Tu tens palavras de vida eterna"(59).

Assim, a presença do Espírito Santo para conduzir até a "verdade absoluta" (60) é desnecessária,
igualmente as Sagradas Escrituras e a santa Tradição, porque agora há um "deus" na terra com poderes
para invalidar, ou incluso declarar como enganosos, os ensinamentos de Deus do céu. Com base nesta
aclamação de infalibilidade, o papa se torna a regra absoluta da fé (62). Podendo promulgar até mesmo
sem o consentimento da Igreja, tantos dogmas quanto desejar, aos quais os fiéis devem aderir de forma
estrita e obedecer cegamente, se quiserem evitar os castigos do inferno após a morte (63).

"Depende somente da vontade e do prazer da Sua Santidade," escreveu o cardeal Baronius, "e o que ele
deseja deve ser crido como 'santo e sagrado por toda a Igreja' (64), e suas epístolas pastorais devem ser
consideradas, cridas e obedecidas como 'escrituras canônicas'" (65).
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Uma consequência natural da doutrina da infalibilidade é que os ensinos papais devem ser observados
com uma obediência cega. É precisamente isso o que Cardeal Bellarmine, um santo da Igreja Romana,
apresentou de forma muito clara em sua notória Teologia:

"Se um dia o papa cair no erro de impor pecados enquanto proibir virtudes, a Igreja estaria obrigada a crer que os pecados
tem boas consequências e, as virtudes, maus resultados. Alternativamente, este estaria cometendo um pecado contra a sua
consciência" (66).

O Cardeal Zabarella é ainda mais absurdo nesta questão:

"Se Deus e o papa se reunissem em um sínodo, o papa poderia fazer (ali) quase tudo o que Deus poderia fazer, [...] e o
papa faria qualquer coisa que desejasse, incluindo violações; portanto, ele é algo mais, e maior que Deus" (67).

Quando completei o estudo desses livros, me vi como um estranho no seio da Igreja. Tornou-se evidente
para mim que sua síntese orgânica não tinha qualquer relação com a Igreja fundada por Cristo, que havia
sido organizada pelos apóstolos e seus sucessores, e aquela que os Santos Padres haviam descrito e
esclarecido. Esta organização papal somente poderia ser identificada com a Igreja de Cristo se esta não
estivesse constituída, obviamente, na Rocha que é o próprio Cristo, mas nas areias movediças de alguns
supostos privilégios do papa, privilégios que supostamente foram dados a ele como herança de Simão
Pedro, que certamente nunca os teve ou sequer os imaginou.

"Nós", diz Santo Agostinho, um dos maiores Padres da Igreja, "que somos cristãos por nossas palavras e ações,
não cremos em Pedro, mas nAquele a quem próprio Pedro cria [...] Ele, Cristo, o Mestre de Pedro, que lhe catequizou no
caminho que conduz à vida eterna, Ele é nosso único Mestre"(68).

De fato, como seria possível aceitar a infalibilidade dos papas, que usurparam um título promovendo-se
como herdeiros exclusivos do Apóstolo Pedro, aquele que, mais que o resto dos apóstolos, foi apontado
pelo Senhor, em várias ocasiões, como aquele que não sabia o que dizia? (69) Onde estava a infalibilidade
de Pedro quando ele foi repreendido pelo apóstolo Paulo, por estar claramente em erro (70), já que "não
andava na retidão de acordo com a verdade do Evangelho" (71)? São estes que se chamam "sucessores
oficiais" do trono papal e do Bispo de Roma, e ao mesmo tempo infalíveis? De fato, eles sabiam muito
bem que abrigavam bastantes nomes escandalosos em sua linhagem, como o Papa Marcellus, apóstata
notório e idólatra, que, como todos sabem, ofereceu um sacrifício no templo de Afrodite, diante de seu
altar (72). Foi o papa Júlio, aquele que foi excomungado como herege pelo Sínodo de Sardica (73),
infalível? Foi o papa Libério, aquele que foi seguidor dos delírios de Arius e condenado por Santo
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Atanásio, o grande campeão da Ortodoxia, infalível (74)? Foi o papa Félix II, que, de acordo com São
Atanásio, foi eleito papa por três eunucos e ordenado por três espiões do imperador, infalível? Tal homem
teve uma candidatura digna de seu corpo de eleitores, dada suas crenças cismáticas conhecidas, e sua
conduta global, que se assemelhava mais a de um anticristo (75). Foi o papa Honório, juntando-se a
heresia do monotelismo, infalível (76)? E Gelasios, que ocupava posições cismáticas sobre a doutrina da
divina eucaristia?

Foi Sixto V, tendo feito circular uma edição das Sagradas Escrituras que ele mesmo "corrigiu", baseada
na autoridade e plenitude de seu poder apostólico, infalível? Esta edição estava tão distorcida por todos
tipos de delírios que logo foi descartada pois era muito escandalosa (77). Foi o papa Urbano, que
condenou as teorias de Galileu de que a terra girava em torno do sol, infalível (78)? Foi o papa Zarcarias,
que proibiu todos a acreditar que a terra girava ameaçando-os com o anátema, infalível (79)? O que pode
ser dito sobre o papa Pio II, que teve a incrível sinceridade de enviar um lembrete amigável ao rei Carlos
VII da França aconselhando-o a não acreditar nas palavras dos papas, porque na maioria das vezes eles
falavam sobre as paixões ou sobre seus próprios interesses (80)? Foi o papa Pio IV, que desafiou em
revogar o sétimo cânon do Concílio Ecumênico de Éfeso (81) e que violou o juramento que fez no rito
de entronização, infalível (82)?

São Cipriano diz que é a Igreja, e não o bispo de Roma, que constitui a "água pura e vivificante que não
pode ser corrompida ou adulterada, porque a primavera de qual flui é, em si mesma, clara, pura e
cristalina" (83).

Nosso Senhor Jesus Cristo prometeu sua ajuda permanente até o fim dos tempos a toda Igreja, e não
exclusivamente aos papas (84). Para o benefício de toda Igreja e não para Pedro e seus sucessores, Ele
prometeu pedir ao Pai o "Espírito da verdade" (85), o verdadeiro Espírito que ensina "toda a verdade"
(86) e tudo o que o Senhor ensinou (87). Por esta razão, o Apóstolo Paulo, chama a Igreja, e não a Pedro,
"o pilar e o fundamento da verdade" (88). Além disso, São Irineu ensina que devemos buscar a verdade
de Cristo na Igreja e em nenhuma outra parte porque "a encontramos pura, completa e não adulterada,
com extrema certeza." (89) O Senhor falou não somente a Simão Pedro, mas também para seus apóstolos
e discípulos, dizendo: "Aquele que os escuta, a Mim escuta" (9). Ademais, através da história da Igreja
antiga, desde sua origem até o grande cisma, não há nenhum outro precedente de grande desacordo ou
matéria transcendental de fé que tenha sido resolvido pelo bispo de Roma. Na minha opinião, isso é
bastante inexplicável, se se supor que os papas eram verdadeiramente reconhecidos como verdadeiros,
absolutos, e sobre tudo, líderes infalíveis da Igreja ecumênica.

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É sabido que nenhuma das grandes heresias foram derrotadas por um papa, mas sim por sínodos, ou
através dos Padres da Igreja ou algum santo teólogo. Por exemplo, o arianismo foi condenado pelo
concílio de Nicéia e não pelo papa, que estava infectado por esta heresia. O concílio de Éfeso condenou
o nestorianismo; São Efpifanio, os gnósticos; o bem-aventurado Agostinho refutou o pelagianismo, etc.

Além disso, os bispos de Roma jamais serviram como árbitros em nenhum desses grandes assuntos
eclesiásticos; ao contrário, muitas vezes eles foram acusados e perseguidos em matéria de fé por outros
bispos, patriarcas e sínodos. Assim, o concílio de Arelat resolveu a disputa entre o bispo de Roma e os
bispos da África em relação à questão do re-batismo (91). Da mesma forma, foi a Igreja da África, que
escreveu uma grande advertência aos bispos de Roma e Alexandria para que acabassem com a inimizade
e buscassem a paz (92). O patriarca de Alexandria, em união com os bispos do oriente, excomungou o
papa Júlio no concílio de Sardica (93). O papa Honório foi condenado e anatematizado pelo Sexto
Concílio Ecumênico (94), etc.

Tendo adquirido uma convicção sobre a exatidão de toda essa evidência, convicção que nunca me
abandonou desde então, escrevi a seguinte carta ao meu padre confessor, no primeiro momento em que
pude encontrar em contato com ele depois de nossa separação.

"Eu estudei os livros que bondosamente sua rev. me sugeriu. No entanto, minha consciência não me
permite violar os mandamentos de Deus e colocar minha confiança nos
ensinamentos humanos (95) que carecem do mínimo fundamento bíblico. Algo semelhante acontece com
o delírio absurdo que surgiu da doutrina irracional da infalibilidade. Reconhecemos a verdadeira igreja
quando está baseada em critérios bíblicos, como aqueles indicados pelo bem-aventurado Agostinho de
Hipona, e não no verbalismo apotegmático, nem nos sínodos episcopais, nem nas cartas de discórdia,
quaisquer que sejam, nem nos sinais enganadores e nem nas maravilhas. Baseamos nosso conhecimento
unicamente nas coisas que estão escritas nos profetas, nos salmos, nas próprias palavras do Pastor, nos
trabalhos e nos ensinamentos dos evangelistas e, por fim, na autoridade canônica das Sagradas Escrituras
(96). Além disso, o mesmo santo padre (bem-aventurado Agostinho) escreve contra os donatistas:

"Não tenho desejo de ouvir sua opinião ou minha opinião, mas aquilo que 'disse o Senhor'. Sem dúvidas, existem Escrituras
do Senhor, cuja autoridade estamos todos de acordo, obedecemos e nos submetemos. Tratemos, então, de encontrar a Igreja
nestas, e discutamos nossas diferenças com base apenas nestas Escrituras" (97).

E assim, com as seguintes palavras, concluí minha carta ao meu confessor:

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"Nunca me distanciei do princípio que fornece a verdadeira regra cristã para a prova de fé e de toda
doutrina, que é a autoridade da palavra de Deus e a Tradição de da Igreja (98). Suas doutrinas são
incompatíveis com esta regra".

Ele não demorou para responder:

"Não aderiste ao conselho e a orientação que te dei, e permitistes que a Bíblia continuasse a perigosa
influência em sua alma. Os livros sagrados são como o fogo, que, quando iluminam, queimam e
escurecem... e por esta razão os papas indicaram corretamente que "é um engano escandaloso crer que
os cristãos podem ler as Sagradas Escrituras" (99), quando nossos teólogos confirmam que "esta é uma
nuvem turva, um muro de proteção que muitas vezes se torna um refúgio mesmo para ateus" (100). De
acordo com os nossos líderes infalíveis, "a crença na clareza das Escrituras é um dogma heterodoxo"
(101). No que diz respeito a tradição, não deveria ser necessário lembrar que "em matéria de fé somos
antes de tudo obrigado a seguir o papa, ainda mais que mil Agostinhos, Jerónimos, Gregorios,
Crisóstomos, etc." (102). E, quando temos a interpretação dada por Roma sobre qualquer texto da Bíblia,
temos de acreditar que possuímos a verdade da palavra de Deus, independentemente se esta interpretação
pode parecer absurda ou contraditória sobre o verdadeiro significado do texto" (103).

No entanto, sua posição reforçou ainda mais minha convicção pessoal. Apesar de todas as suas teorias,
apesar de todos os dogmas da Igreja Católica Romana, apesar, até mesmo do próprio papa, nunca deixaria
de lado a palavra de Deus, que é absolutamente e indiscutivelmente perfeita e lúcida para aqueles que
encontraram o verdadeiro conhecimento (104). Esta é a palavra de luz (105), que pode tornar-se turva
apenas para aqueles que estão no caminho da perdição e cujo espírito está cego pelo deus deste século
(106). A Sagrada Escritura é a palavra da vida (107), da graça (108), da verdade (109), e da salvação (110)
e eu não quis descartá-la e encontrar-me culpado na hora do julgamento (111).

Estava ciente de que a fé nas Escrituras era a fé mais precisa e a mais absoluta fé católica, uma vez que,
de acordo com Santo Atanásio (114), esta era suficiente para a profissão da verdade. Por esta razão, São
João Crisóstomo destaca o fato de que "quando temos a Escritura, não faz sentido buscar outros mestres
fora dela" (115). "Nela", escreve Santo Isidoro de Pelusium, "está tudo o que precisamos saber" (116) e
"tudo o que estamos interessado em saber" (117). São Basílio o Grande ainda acrescenta que "é uma
imperfeição de nossa fé e orgulho rejeitar algo que se encontra na Escritura ou aceitar algo que não está
escrito lá" (118).

Com base nisso, os Santos Padres chegaram à conclusão óbvia de que "devemos crer somente naquilo
que está escrito nos livros sagrados, e não devemos procurar (119), ou até mesmo usar (120), o que não
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está escrito neles" . Contradizendo e opondo-se as Escrituras, minha igreja perdeu toda a validade em
meus olhos, desde que converteu-se e chegou a ser como os hereges que, de acordo com Santo Irineu,
"uma vez que foram condenados pela palavra de Deus, voltaram-se contra ela para repreendê-la "(121).

Mais ainda, São João Crisóstomo escreve:

"Aquele que obedece as Escrituras é um verdadeiro cristão. Aquele que as combate se encontra fora das regras da fé. E se
este vem a dizer que as Escrituras ensinam naquilo que ele crê, então, diga-me, tem ele algum pensamento em si mesmo ou
habilidade para argumentar?" (122)

Este foi o último contato que tive com meu pai espiritual. Considerei uma causa perdida continuar a
nossa correspondência, então não mais lhe escrevi. Ele não queria ouvir sobre mim depois disso,
preferindo distanciar-se e não se envolver em meu exame desagradável. Ele estava preocupado que isso
pudesse afetar as suas grandes oportunidades de promoção ao episcopado "pela graça da Sé Apostólica"
(Apostolicae Sedis Gratia), que tinha servido tão fielmente.

Apesar disso, eu não parei ali. Comecei a afastar-me da divergência de minha igreja, seguindo um curso
de um novo caminho, sentindo-me incapaz de parar até alcançar uma posição positiva que fosse, ao
menos, teoricamente mais sana. O drama que experimentei durante esses dias foi tanto que, embora me
sentisse cada vez mais distanciado do papismo, eu não sentia mais nenhuma inclinação para aproximar-
me de qualquer outra realidade eclesial.

A Ortodoxia, protestantismo, o anglicanismo eram, na minha opinião, idéias muito vagas, não era o
momento, e nem havia oportunidade para pensar que tivessem a menor relação com minhas
circunstâncias pessoais. Apesar de tudo, eu amei minha igreja, a igreja que me fez cristão e cuja batina eu
vesti. Assim, tornou-se necessário para mim estudar esse tema em uma escala muito mais profunda e mais
ampla, antes que pudesse gradualmente chegar à conclusão dolorosa que minha igreja não existia na
verdade e que eu não tinha lugar na comunidade papista. E, de fato, dada a autoridade ditatorial do papa,
a autoridade da igreja e do corpo episcopal é, para efeitos práticos, inexistente. De acordo com a teologia
católica romana:

"A autoridade da Igreja é verdadeira e eficaz apenas quando coincide com a vontade do papa. Caso contrário, não possui
nenhum valor "(123).

Consequentemente, o valor do papa é o mesmo com ou sem a Igreja. Em outras palavras, o papa é tudo
e a Igreja não é nada. Com boa razão e muita tristeza o bispo Maret escreveu:
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"Mudando a constituição da Igreja, nós também mudamos seu dogma. A partir de agora, será mais apropriado (para os
católicos romanos) confessar na liturgia, "Eu creio no papa", em vez de dizer, "eu creio na Igreja, santa, católica e apostólica"
(124).

O significado e o papel dos bispos está limitado à posição de simples associados, representantes
subordinados à autoridade do papa, espalhados pelos quatro cantos do globo. Se submetem a esta
autoridade como fazem os simples fiéis. Os papistas tentam justificar isso com base em uma interpretação
absurda do versículo do capítulo vinte um do Evangelho de São João (125) condição, segundo o qual
(dizem):

"O Senhor legou ao apóstolo Pedro e primeiro papa a comissão pastoral sobre seus cordeiros e ovelhas,
a saber, a missão de pastor supremo e absoluto de todos os fiéis, que são simbolizados nos cordeiros, e
sobre todo o resto, apóstolos e bispos, que são simbolizados nas ovelhas" (126).

Além disso, os bispos do catolicismo romano não são considerados, de nenhuma maneira, sucessores
dos apóstolos (127), por causa da seguinte crença:

"A autoridade dos apóstolos se perdeu com eles e, consequentemente, não passou aos bispos posteriores.
Só a autoridade de Pedro, sob a qual todas outras autoridades caem, foi transferida para seus sucessores
no papado (128). Consequentemente, "há uma enorme diferença entre a sucessão de Pedro e a sucessão
de qualquer outro apóstolo. O pontífice romano sucede Pedro como o pastor oficial de toda a Igreja, e
por isso tem toda a autoridade que emana dAquele que legou a Pedro, considerando que os outros bispos
não são sucessores dos apóstolos, porque foram meros pastores subjugados (a
Pedro), e como tal não tiveram sucessores."(129)

De acordo com o papismo, portanto, aqueles que ocupam o cargo do bispo não herdam nenhuma
autoridade apostólica e não possuem qualquer autoridade, exceto a que recebem, não diretamente de
Deus, mas do supremo pontífice de Roma: "A autoridade dos bispos emana diretamente do Papa"(130).
Isso eu considerei uma ofensa injustificada contra o ofício episcopal, que foi sacrificado e tornado inútil
para promover o fortalecimento e a elevação da autoridade papal.

Não é necessário ter um amplo conhecimento da história da igreja antiga para entender que mesmo desde
a era apostólica a ordem dos bispos fundaram sua autoridade na premissa de que "sucediam os apóstolos
e governavam a Igreja com mesmo poder (121), e no mesmo ofício que eles tinham" (132). De acordo

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com Santo Atanásio, foi o próprio Senhor que instituiu o ofício do episcopado através dos apóstolos
(133). E, além disso, São Gregório, o Dialogista ensina claramente:

"Hoje, na Igreja, os bispos têm a posição dos apóstolos." (134)

São Inácio de Antioquia afirma que a autoridade apostólica recebida pelos bispos procede de Deus Pai
(135) e ainda acrescenta que o bispo não deve submeter-se a ninguém além do próprio nosso Senhor
Jesus Cristo (136). Portanto, "a corrente de ouro que une os fiéis com Deus conecta laço a laço
e passa dos bispos até os apóstolos, e dos apóstolos até Jesus Cristo e dEle até Deus Pai" (137).

Este ensinamento foi bem incorporado na tradição da Igreja e foi expresso abertamente pelos Santos
Padres, dos quais, para mim, não há absolutamente nenhuma dúvida de sua validade. Basta ler os antigos
escritos episcopais legados por Santo Irineu, Tertuliano, Eusébio, São Jerônimo, Santo Optato de Milev,
e muitos pais e historiadores da igreja, que compilaram e se esforçaram para descrever com o maior
cuidado a sucessão de bispos que presidiram à várias igrejas instituídas pelos apóstolos. Depois dos nomes
dos apóstolos fundadores, os nomes dos bispos de cada local foram recolhidos sucessivamente ao longo
do tempo pelos autores desses escritos. Então, qual é o propósito de tais cuidados, tanto o interesse
quanto o esforço em fornecer sucessão apostólica, se, como sustenta o Catolicismo Romano, "a
autoridade dos apóstolos foi perdida com os apóstolos e não foi transferida para seus sucessores",
portadores do ofício do episcopado? (138)

Muito consistente com os ensinamentos papistas sobre a autoridade e o poder dos bispos, é a posição da
Igreja Romana sobre os próprios concílios ecumênicos. Acredita-se que o conselho ecumênico não tem
outro valor diferente daquele que o papa confere, então os papistas dizem:

"Os concílios ecumênicos não são e nem podem ser nada mais do que reuniões cristãs convocadas pelo
poder do soberano e conduzidas por Ele como presidente" (139)

Uma vez que este soberano não é o Senhor, mas o papa, antes de tudo, um Sínodo Ecumênico não pode
existir, a menos que seja chamado pessoalmente pelo Papa como o Presidente (140) ou seus
representantes imediatos. (141). Em um ponto, durante o processo de um concílio ecumênico, o papa, e
somente ele, pode adiá-lo, mudá-lo ou dissolvê-lo (142). É suficiente que o papa deixe o local e diga "não
estou aqui" para que o concílio seja reduzido a uma mera reunião e, no caso em que seus membros
persistam, são declarados cismáticos (143). Mesmo os
decretos de um concílio são praticamente invalidados se não forem aprovadas pelo papa e publicado com
o selo de sua autoridade (144).
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Após ler todos esses textos, cheguei a este ponto com total e inconcebível conclusão de que, em essência,
todos os bispos católicos romanos - de todas partes do mundo - que se reuniram no concílio Vaticano I,
em 1869, consentiram em se desprezar e tornarem-se servidores sem voz do bispo de Roma, aceitando o
dogma da infalibilidade papal. O papa serviu-se essencialmente como ditador daquele concílio desde o
dia em que começou até sua conclusão, de modo que, qualquer coisa que desejou foi cumprida, enquanto
que nada que ele se opôs foi levado adiante. Certamente, isso está bem documentado pelas declarações
de um dos membros do concílio, o arcebispo alemão Strossmayer, cuja consciência sóbria ficou
escandalizada ao presenciar a ordem do episcopado privado de qualquer poder e liberdade de vontade
para enfrentar o todo-poderoso papa:

"No concílio Vaticano não tivemos nenhuma liberdade essencial. Por esta razão, não pode ser considerado um verdadeiro
concílio com o direito de emitir decretos com força vinculante sobre a consciência de todo o mundo católico [...] Qualquer coisa
que pudesse assegurar a liberdade da palavra e expressão me foi cuidadosamente censurado e reprimido [...] e, como se tudo
isso não fosse suficiente, o concílio constituiu-se o maior escândalo de violação pública do antigo axioma da igreja ‘quod
semper, quod ubique, quod ab omnibus' (145) Em outras palavras, para alegar a infalibilidade papal, que foi aplicada e
imposta na forma mais óbvia e esmagadora antes que a própria infalibilidade fosse declarada como dogma. Além disso,
houve outras alegações sobre a legalidade geral do concílio, como o fato de que os bispos de origem italiana, principalmente os
altos oficiais, foram a grande maioria, tendo praticamente o poder e o monopólio na votação; ou que o vigário estava sujeito
à propaganda mais ultrajante, enquanto que todo o mecanismo da autoridade papal, imposto pelo Papa em Roma, teve
êxito intimidando todos e suprimindo a liberdade de expressão. Assim, pode-se deduzir facilmente que tipo de liberdade de
discussão (um princípio inviolável em cada concílio) nos foi permitida no Concílio Vaticano". (146)

Durante minha grave crise espiritual abandonei quase por completo todos meus estudos. Aproveitei o
tempo livre concedido por minha ordem monástica meditando na solidão de minha cela. Por muitos
meses, investiguei as fontes bíblicas, apostólicas e patrísticas relacionadas com a estrutura e organização
da Igreja antiga, incrementando meu conhecimento sobre este amplo tema.

Naturalmente, este trabalho minucioso não poderia ser realizado em total sigilo. Tornou-se claro que o
minha conduta geral estava fortemente influenciada pelo dilema que tinha me absorvido por completo.
Eu não hesitei em procurar orientação fora do mosteiro de pessoas e obras que poderiam fornecer
respostas às minhas perguntas.

Passando o tempo, comecei, com muita discrição e cautela, a revelar aspectos de meus exames para vários
intelectuais da igreja com quem tinha feito amizade ao longo dos anos. Revelando discretamente e

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mencionando alguns aspectos de minhas preocupações, recebi deles um apoio valioso, conselho e
opiniões sobre este assunto complexo e significativo que tanto preocupava minha existência.

Contudo, logo descobri que a maioria das pessoas as quais eu havia confiado eram muito mais fanáticas
do que esperava. Mesmo reconhecendo o absurdo de todo o ensinamento papista, eles permaneceram
incompreensivelmente comprometidos com a ideia de "submissão devida ao Papa exige o consentimento
cego do espírito" (147) e, segundo Inácio de Loyola, o fundador dos jesuítas:

"Para obter a verdade em tudo e não desviar-se do bom ânimo, devemos sempre respeitar o constante princípio de que se
percebemos algo com nossos olhos sendo branco, poderia ser facilmente preto, se é isso que a hierarquia eclesiástica declara"
(148).

Influenciado por essa mentalidade fanática que esteriliza qualquer argumento racional, um padre desta
ordem, amigo por longo tempo, confiou-me o seguinte:

"Tudo que você diz é inequivocamente lógico e bastante óbvio a partir de qualquer ponto de vista, e não tenho nenhuma
razão para não aceitá-lo. No entanto, nós, os jesuítas, fora das três promessas habituais, temos de respeitar especialmente
uma quarta, mais crucial do aquelas de obediência, pobreza e castidade: também prometemos submissão incondicional ao
papa (149). Por isso estou obrigado a escolher ser lançado na condenação eterna com o papa, em vez de ser salvo com todas
as tuas verdades imutáveis.

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CAPÍTULO 4
"TU ÉS PEDRO"

Fui aconselhado pelas pessoas mais objetivas da minha fé a estudar a base bíblica do papado. Pensavam
que eu deveria rever os versículos das Escrituras citado pelo papado como prova e justificação da
chamada "Primazia de Pedro".(150) Eu achei esse conselho justo e muito a meu gosto, pois isso
proporcionaria a oportunidade de pesquisar o assunto à luz e com base nas Sagradas Escrituras.
Naturalmente, selecionei como objeto da minha pesquisa o versículo mais proeminente, que aparece no
capítulo 16 do Evangelho de Mateus e que serviu de base ao ensinamento sobre o primado: "Eu vos digo
que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja" (151).

Para o catolicismo romano, esta frase do Senhor dirigidas a Simão Pedro constitui a instituição divina da
autoridade papal (152). O jesuíta Bernardino Llorca escreve:

"Como recompensa por sua confissão notável da divindade de Jesus Cristo, Ele anunciou a Pedro que ele seria a pedra
angular; em essência, a cabeça e a mais alta autoridade do edifício de Sua Igreja (153)... Para os apóstolos, esta metáfora
(Pedro = Rocha) que mostra que ele é o fundamento da Igreja, prova claramente que ele foi estabelecido como seu governante
supremo. O significado desta metáfora é que ele deveria ser para a Igreja aquilo o que uma pedra angular é para um edifício.
E, assim como em todos os edifícios a pedra angular estabiliza e unifica toda a estrutura, também na Igreja, ele (Pedro), é
a única estabilidade concedida e a verdadeira unidade (154) ".

De acordo com a interpretação acima deste versículo da Bíblia, a Igreja Católica Romana ensina que São
Pedro, o primeiro papa, "é o fundamento e a pedra angular da Igreja, o governante supremo e sua cabeça,
e o mestre infalível do mundo" (155). Certamente, este é o ensino oficial e exigido (da Igreja Católica
Romana), isto é, "segundo a vontade e ordem de Deus, a Igreja permanece sob o bendito apóstolo Pedro,
como um edifício permanece sob a sua fundação" (156 ). Consequentemente, de acordo com o Concílio
Vaticano II, esse ensinamento manifestamente errôneo é apresentado em total acordo "com o significado
aparente e absoluto das Escrituras, como sempre tem sido entendido pela Igreja Católica" (157).

Apesar dessas afirmações, na minha opinião, esta alegação papal, que supostamente tem sido "sempre
entendido pela Igreja Católica", está diametralmente oposta ao "significado aparente e absoluto das
Escrituras." Na verdade, poucas coisas na Escritura são tão aparentes e tão claras como esta verdade:
"Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, que é Jesus Cristo" (158).

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"Jesus Cristo é o único verdadeiro fundamento da Igreja", de acordo com Santo Atanásio (159). Paulo
diz que o Senhor é e estabeleceu o único fundamento. O apóstolo Paulo com o apóstolo Pedro
"construíram a Igreja de Roma (160), porque 'o Senhor Jesus Cristo é o fundamento de todos os setores
da Sua Igreja'"(161). "Sempre que a Escritura refere-se à fundação", diz São Gregório, o Dialogista, "não
é para outro senão o Senhor" (162).

Parece absurdo que alguém que já tenha lido alguma vez os livros canônicos do Antigo (163) e do Novo
Testamento (164) possa negar que Jesus Cristo seja a Rocha e o fundamento da Igreja.

As palavras do Senhor, "Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja",
registrado no Evangelho de Mateus, não são repetidas por nenhum outro dos evangelistas. Embora João
tenha sido uma testemunha ocular da confissão de Pedro, ele não dá testemunho a este respeito no seu
Evangelho, e nem Lucas, nem Marcos, que foi discípulo, companheiro, intérprete do próprio Pedro e
que compilou o seu Evangelho de acordo com o espírito e ensino do apóstolo Pedro.

Aparentemente, os evangelistas não eram nem partidários nem defensores da primazia papal, na medida
em que não existe correspondência em seus escritos sagrados sobre este ensino que, segundo o
Catolicismo Romano, é "o elemento mais importante do cristianismo" (165), "síntese e essência "(166).
Talvez fizesse mais sentido ter o Espírito Santo como responsável por esta omissão imperdoável, já que
eles agiram sob a sua orientação e "falaram movidos por Ele" (167).

Da mesma forma, os discípulos imediatos dos apóstolos, na segunda geração do cristianismo, não dão
nenhuma indicação da passagem em questão. De fato, nos escritos dos Padres Apostólicos, fora dos 412
versos citados da Escritura, nenhum se refere a confissão de Pedro, que se encontra única e
exclusivamente no Evangelho de Mateus. O mesmo vale para os outros versos da Escritura utilizados
pelos católicos romanos para defender o primado papal.

A notória versão católica romana de "Tu és Pedro ...", também


está ausente na Didach (Ensinamentos dos Doze Apóstolos), em Clemente, em Inácio, em Policarpo, em
Barnabás, no discurso a Diogneto, e nos fragmentos de Papías , e inclusive no Pastor de Hermas, cujo
principal objetivo é a organização e a constituição da Igreja.

Por conseguinte, parece evidente que a Igreja dos primeiros dois séculos estava alheia a este elemento,
que supostamente serve como "base absoluta para o Cristianismo" (168).

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Esta omissão torna-se mais claramente visível no Pastor de Hermas, já que Hermas era o irmão de Pio,
bispo de Roma, e como nos informa o Cânone Muratori, escreveu esta obra durante o episcopado de seu
irmão. Nesta obra, Hermas descreve a posição dos apóstolos, bispos, mestres e diáconos (169), oficiais
(170) e sacerdotes (171) que presidiam na Igreja. De fato, o Pastor de Hermas, que é um relato muito
detalhado da organização da Igreja, cheio de imagens e símbolos de sua hierarquia, não contém um único
testemunho que sugere a posição única de um bispo como líder geral de toda comunidade cristã. É
significativo, portanto, que mesmo o irmão do bispo de Roma, ignorou completamente o tema da
primazia papal.

A primeira referência ao verso da escritura sobre a confissão de Pedro aparece na segunda metade do
segundo século, por volta do ano 160, quando Justino Mártir escreveu seu Diálogo com o judeu Trifón.
A maneira indiferente em que Justin descreve a confissão do apóstolo é bastante reveladora:

"Um de seus discípulos, aquele que O confessou como Filho de Deus pela revelação do Pai, era chamado primeiramente de
Simão, e então Ele (Jesus) o chamou de Pedro" (172).

Já no final do mesmo século, pela primeira vez na filologia eclesial, apareceu uma nota referente sobre
esse versículo, ainda que não muito confiável. Esta se encontra no Diatessaron do sacerdote siríaco
Taciano. Esta obra era de grande importância, pois substituiu quase que por completo os quatros
evangelhos canônicos na Igreja Siríaca, ao menos até a primeira metade do século IV. A nota na margem
diz: Bem-aventurado és tu, Simão. E as portas do Inferno não prevalecerão contra ti" (173). Com base
no significado dado as palavras "portas", só podemos concluir que se refere à vitória de Pedro sobre a
morte (174).

De Justino Mártir, passamos a Idade de Ouro da Igreja buscando outras referências a este versículo.
Inicialmente, a primeira observação dos Padres foi que o Senhor chamou seu apóstolo de Petros, um
substantivo grego masculino, ao mesmo tempo constataram que construiria a Igreja sobre "petra", um
substantivo feminino.

O texto grego faz claramente distinção entre os substantivos e impede a possibilidade de identificar Petros
com petra. A explicação oferecida pelos Padres e outros escritores eclesiásticos é que petra (rocha) sobre
a qual a Igreja foi construída não era a pessoa do apóstolo Pedro, porque, nesse caso, o Senhor teria usado
a expressão "e sobre este Petros" (175). Consequentemente, muitos dos Padres inclinaram-se a interpretar
a palavra "rocha" como uma confissão de fé no Filho de Deus, uma interpretação dada tempo atrás por
23
São Judas aconselhando-nos a ser "edificados vós mesmos sobre o fundamento da vossa santíssima fé...
"(176).

Outra interpretação sugere que a "rocha" é o próprio Cristo, a quem os profetas descreveram como a
esperada Rocha de Israel (177), algo que Ele também diz de Si mesmo (178).

Por fim, alguns outros escritores como Tertuliano - ainda que eles também, às vezes, identificam a rocha
com o apóstolo - extraem apenas um significado espiritual a esta intepretação metafórica. Eles não
consideram que este é um privilégio especial do apóstolo em comparação com os outros, e certamente
não consideram como único sucessor (179). O bemaventurado Agostinho escreveu em suas Confissões
que, em primeiro lugar, pensou que este versículo da Bíblia identificava a rocha com o apóstolo. Mais
tarde, no entanto, após um exame minucioso, ele entendeu que a interpretação correta é que a Rocha
sobre a qual se funda a Igreja é Aquele a quem o apóstolo Pedro confessou ser o Filho de Deus (180). O
bemaventurado Agostinho sempre manteve este ensinamento, algo que parece evidente em inúmeros
pontos de suas obras. Ele postula o seu argumento com esta interpretação:

"Já que a Rocha é um substantivo próprio, Pedro recebe seu nome a partir da Rocha e não a Rocha a partir de Pedro, de
igual modo como cristãos recebemos este nome a partir de Cristo, e não Cristo a partir dos cristãos. "'Tu', disse Cristo, 'és
Pedro, e sobre esta Rocha que confessastes dizendo 'Tu és Cristo, o Filho de Deus', construirei minha Igreja'; [Construirei]
sobre Mim, que Sou o Filho de Deus vivo." (181)

O bem-aventurado Agostinho repete, quase literalmente, em sua primeira homilia sobre a Festa dos
Santos Apóstolos, Pedro e
Paulo (182). É ainda mais claro em sua quinta homilia de Pentecostes:
"Eu estabelecerei a minha Igreja sobre esta Petra (Rocha); não sobre Pedro (Petrum), não sobre sua pessoa, mas sobre a
Rocha (Petram) que ele confessou "(183).
Mais adiante, em seu vigésimo quarto Tratado sobre João o Evangelista:

"Sobre esta Rocha que tu confessastes Eu edificarei a minha Igreja, porque o próprio Cristo é a Rocha" (184).

Este mesmo Santo Padre deu uma resposta sarcástica a alguns que, assim como papistas hoje, identificam
o apóstolo Pedro com a Rocha. Ao interpretar os versos da apostasia de Pedro, Santo Agostinho pergunta
ironicamente com seu ardente comportamento característico:

"E onde está vossa Rocha agora? Onde está a solidez? O próprio Cristo era a Rocha, enquanto Simão não era mais que...
o firme Pedro. A verdadeira Rocha ascendeu para fortalecer Pedro, que se acovardou e abandonou a Rocha"(185).
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Sobre esta Rocha divina - que é Seu verdadeiro Filho - Deus situou a "fundação relativa", isto é, o primeiro
elemento humano da Igreja. Esta fundação é constituída por todo o grupo dos Apóstolos, sem que Simão
Pedro possua qualquer posição especial de autoridade. O apóstolo Paulo ensina isto (186), e João
Evangelista concorda naquilo que foi revelado em uma de suas incríveis visões apocalípticas, que o
edifício da Igreja estava construído sobre a Rocha, que "tinha doze fundamentos, e sobre eles os doze
nomes dos doze apóstolos do Cordeiro" (187).

Assim, Santo Inácio de Antioquia escreveu aos Trallianos que "sem estes (os apóstolos), até mesmo o
nome de Igreja é inexistente" (188). São Cipriano expressa a mesma coisa em palavras diferentes,
ensinando que a Igreja permanece no "super episcopado", que significa os apóstolos e seus sucessores
(189), que estavam enraizados na rocha inabalável de nosso Senhor Jesus Cristo (190).

Aceitar que a Igreja foi fundada somente sobre Pedro, excluindo todos outros apóstolos, como reivindica
o sistema papista (191), é equivalente a comparar o Salvador com o "homem tolo" da parábola, "que
construiu sua casa sobre a areia... e desmoronou, e grande foi sua queda" (192). São Jerônimo escreve a
Joviano o herege:

"Tu afirmas que a Igreja foi fundada sobre o apóstolo Pedro, mas a verdade é que ela foi fundada sobre os apóstolos, e o
poder da Igreja se manifestou em todos eles" (193).

O estudo dos ensinamentos dos Padres em relação a este problema foi bastante útil para mim. Em
verdade, de acordo com São Vincente de Lerins:

"É necessário, para evitar o problema e o labirinto da ilusão, que o método de interpretação bíblica esteja em conformidade
com, e dentro dos auspícios do espírito tradicional eclesial" (194).

Após esta pesquisa patrística, eu não tinha dúvida de que o ensinamento católico romano a respeito do
primado papal de Pedro era diametralmente oposto ao "sentido óbvio e muito claro" das Escrituras, dos
ensinamentos dos apóstolos, da interpretação dos Santos Padres e, no geral, do ensinamento reto e
Tradicional da Igreja de Cristo (195).

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CAPÍTULO 5
O INÍCIO DA DISPUTA

Uma vez que minhas conclusões tornaram-se públicas, o rumor que de que eu era um monge perigoso,
suspeito de heresia, começou a circular. Um bispo, hoje cardeal, escreveu-me estas duras palavras:

"Se vivêssemos uns quatro séculos atrás, as teorias expostas pelo Sr. teriam sido mais do que suficiente
para entregá-lo ao fogo da Santa Inquisição."

Além disso, logo foi dito que a supervisão eclesiástica hostil passaria a intervir para frustrar minha próxima
ordenação ao diaconado.(196) Como último recurso, eles tentaram invocar o voto monástico de
obediência e disciplina, para me forçar a abandonar as minhas convicções, mas eu percebi a tempo suas
intenções. Alegaram que estava obrigado a obedecer cegamente e restringir a minha intenção de
investigar, uma vez que o direito de examinar questões de fé pertencia à hierarquia suprema da Igreja.
Eles também argumentaram que, se acreditava na Igreja apostólica, eu era obrigado a seguir
indiscriminadamente os sucessores canônicos dos apóstolos. No entanto, a graça do Senhor permitiu-me
permanecer firme em minhas convicções, levando ao extremo a máxima de São Irineu sobre heterodoxia:

"Não podem nos pedir que sejamos seus seguidores simplesmente porque eles têm a sucessão apostólica. Devemos seguir o
bem e nos livrar dos maus sucessores dos apóstolos" (197).

De fato, a Igreja Católica Romana pode ter a típica sucessão apostólica devido à imposição sucessiva das
mãos dos bispos, mas não tem a verdadeira sucessão de fé e ensinamento dos apóstolos. São Papias
exaltou essa sucessão de fé dos cristãos de Roma durante o século II, com estas palavras: "Em qualquer
sucessão, em qualquer lugar, tudo o que é exigido pela lei e os profetas, é protegido pelo Senhor" (198 ).

Assim que eu me reconciliei comigo mesmo, nada poderia me convencer do contrário. Inclusive quando
um padre, que nunca havia parado de falar com malícia sobre mim, me chamou publicamente de "filho
ingrato da Igreja Católica", não duvidei em expressar o meu ceticismo sobre a compatibilidade do título
"católico" com o papismo. Para mim, o papismo é apenas uma "inovação ímpia" (199), já que "a
verdadeira fé católica pertencente à cristandade antiga e ecumênica" (200).

Em retrospecto, me considerava mais "católico" que minha própria igreja:

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"Verdadeiramente, católico é aquele que ama a verdade de Deus, a Igreja, o Corpo de Cristo [...], aquele
que não se beneficia com nada mais além da fé divina e não a sobrepõe com a autoridade de um homem,
reverenciando especialmente A antiga e única fé. Além disso, ele mostra desprezo por esta autoridade e
mantém uma união fixa e inquebrável com a fé verdadeira, totalmente determinado a não crer em
qualquer coisa que não seja o que é decretado pela Igreja desde o seu início" (201).

O mundo perguntava como eu, o último dos monges da ordem de São Francisco, desafiei julgar toda a
minha Igreja e condenála como enganada, juntamente com seus papas, sínodos e teólogos. Minha
resposta foi simplesmente repetir as palavras de Tertuliano:

"Nenhum ensinamento que expõe a verdade ensinada pela Igreja, pelos apóstolos, por Cristo e Deus Pai, deve ser julgada
como errônea" (202).

27
CAPÍTULO 6
"SAI DELA, POVO MEU..."

Sem ter em conta este desvio dogmático tão grotesco, eu não tinha intenção de abandonar minha Igreja.
Porém, primeiro quis ter certeza de que poderia encontrar refúgio no conforto da vida espiritual que
minha ordem religiosa e mosteiro me proporcionava. Certamente poderia sair da hierarquia papal para
assumir a responsabilidade e a obrigação de reconhecer e corrigir esta heresia.

No entanto, minhas perguntas persistiram. Estaria comprometendo os interesses de minha alma se


permanecesse em uma religião em que cada papa é considerado infalível, introduzindo enquanto tal novas
doutrinas, decretos e falsos ensinamentos sobre a fé, sacramentos e a adoração? Será que isso não afetaria
a integridade de minha vida espiritual? Como observou São Vicente de Lerins, já desde o século V:

"É uma grande tentação daquele que se considera profeta, intérprete dos apóstolos, mestre e pilar da verdade, a quem segues
com o maior respeito e amor, de repente, começar a
introduzir de forma sutil e imperceptível enganos perigosos que não podem ser facilmente discernidos, deslumbrado pelo
preconceito de seus ensinamentos prévios e sua obediência cega" (203). .

Além disso, para mim foi fácil discernir que a vida espiritual do catolicismo romano tem marcas evidentes
que indicam a influência de seus desvios teológicos. Desvios doutrinais como o purgatório, práticas como
participar de um único elemento na Santa Comunhão, e excessos como adorar a Maria, eram claros
indícios e sintomas de degeneração teológica, perceptível apenas para aqueles que desejam ver
objetivamente as coisas. Assim, já havendo adulterado a pureza original da fé evangélica e apostólica com
a inovação do papismo e a heresia da infalibilidade - abandonando, portanto, partes do verdadeiro
ensinamento sobre o homem - se desviaram em muitas outras áreas.

Congruentes com todos os casos de heterodoxia que aparecem na história da Igreja, "estenderam
subsequentemente a distorção a outros ensinamentos, inicialmente como hábito e mais tarde como se
tivesse dado licença para distorção. Eventualmente, distorcendo de forma incremental todos os aspectos
da doutrina, acabam por distorcer tudo" (204).

Não surpreendentemente, várias pessoas bastantes valorizadas por sua espiritualidade na Igreja Romana,
começaram a soar as trombetas, ainda que tardiamente, com declarações públicas como a seguinte:

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"Como podemos saber se o "menor sentido de salvação" que nos bombardeiam não nos leva a esquecer
o nosso único
Salvador, Jesus Cristo... "(205).

"A nossa piedade, hoje, aparece como uma árvore com galhos emaranhados e folhagem espessa, por isso
a nossa alma está em perigo de perder de vista o tronco que mantém tudo isso, e as raízes que se agarram
à terra "(206).

Outro, ainda mais urgente:

"Nós temos enfeitado e sobreadornado a tela de pintura de tal forma - no que se refere à imagem d'Aquele
que é a nossa única necessidade - que deixamos de existir finalmente sob os ornamentos embelezados"
(207).

A solução não somente era fácil, mas também possível, como o mais sincero e atrevido fiel desta Igreja
havia chegado a reconhecer. Infelizmente, permanecia distante sua aplicação:

"Não saboreemos um cristianismo que seja diferente daquele da era apostólica", clama o sábio e muito
respeitado bispo católico romano, Dom Camus. "Não permitamos que aqueles que improvisam e nos
sugerem ideias diferentes abalem nossa vida espiritual, moldando nossa boa disposição e diminuindo os
nossos esforços" (208).

Estas palavras fazem simplesmente ecoar a admoestação de São Policarpo aos Filipenses:

"Portanto, devemos abandonar as vaidades dos homens e falsos ensinos e voltar ao ensinamento que tem sido entregue a nós
desde o princípio" (209).

E as observações de São Cipriano para Cecilio:

"Quando a verdade se perde pela prática e tradição, este é um sinal indicativo da longevidade de engano. Há um método
muito seguro para as almas espirituais discernirem entre a verdade e o engano: basta voltar para a fonte de ensinamento
divino, onde o engano humana termina. Voltemos à origem evangélica, para o ensinamento original dado por nosso Senhor
e a tradição apostólica, de onde emana a palavra de nossos pensamentos e ações "(210).

Igualmente relevantes são as palavras do grande profeta Jeremias:

29
"Parai nos caminhos, e vede; e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e segui-lo, e achareis descanso para
as vossas almas "(211).

Portanto, fiquei convencido de que a vida espiritual dentro da Igreja Romana não estava livre de perigo,
já porque:

"É uma grande tentação para o crente da Igreja de Deus quando seus líderes caem em engano. Além
disso, a tentação é muito maior e mais grave quando os enganadores ocupam posições elevadas" (212).

Aquele que confia sua alma a uma igreja que está governada e dirigida por heterodoxos corre o risco de
enfrentar o mesmo destino dos fiéis que se estiveram sob a autoridade pastoral de Orígenes. Os Santos
Padres escreveram o seguinte sobre suas ações:

"Em realidade, a má influência deste mestre sobre os fiéis que lhe foram confiados pela Igreja apresentou,
não só uma simples, mas uma grande tentação [...] já que eles não suspeitaram nem viram nenhum perigo
nele e foram conduzidos gradual e inconscientemente, da antiga fé para as inovações ímpias" (213).

Assim, tomei uma nova decisão. Não queria permanecer sob o patronato de um falso cristianismo que
explora o Evangelho para servir a agenda imperialista do cesaropapismo. Não queria ser contado entre
aqueles que, como disse São Cipriano: "não podem ter o verdadeiro Deus como Pai, já que rejeitaram a
verdadeira Igreja como sua Mãe"(214), acrescentando além disso que aqueles que se desviam do
verdadeiro ensinamento e da unidade eclesiástica original "não possuem a lei de Deus, não possuem a fé
do Pai e do Filho e tampouco possuem vida ou salvação" (215).

Eu tinha certeza absoluta que não tinha mais outro recurso, exceto prosseguir com minha decisão final.
Eu saí, colocando fim a meu terrível destino - um destino já difícil em todos aspectos no seio do papismo.
A graça do Senhor me sustentou, sem
dúvida, durante esses dias de decisão tão séria que mudava minha vida. Foi com grande esforço e muito
questionamento interior que eu resisti ao suplício e lágrimas de meus amados irmãos no mosteiro.
Infelizmente, estas eram entremeadas com inúmeras censuras e ameaças daqueles do escalão superior.
Eles me chamaram de ingrato e me rotularam de apóstata da igreja de meus antepassados e da tradição
religiosa de meu país.

Aos poucos que ainda queriam ouvir-me, contentava-me em responder com as palavras de São Jerônimo,
que me enchiam de muita força e consolação:

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"Não somos obrigados a seguir os delírios de nossos predecessores e de nossos parentes, mas a autoridade das
Escrituras e os mandamentos de Deus." (216)

Quanto à alegada "traição" da tradição do meu país, fui consolado por estas palavras:

"Qualquer coisa que se opõe à verdade, mesmo que consista em uma tradição ou um velho costume, é heresia." (217)

Meses depois, quando escrevi o primeiro capítulo de minha obra A História da Ortodoxia Espanhola, um
relato epistemológico sobre as primeiras Igrejas ibéricas criadas por São Paulo (218), de repente me
ocorreu que eu era o único que não havia traído a verdadeira antiga tradição espanhola. E isto porque a
Igreja de meu país, durante os quatro primeiros séculos de sua fundação, era verdadeiramente ortodoxa
e não papista ou subserviente ao Vaticano, como ela é hoje. (219)

No final, deixei o mosteiro e logo depois disso publiquei minha decisão de abandonar a Igreja Romana.
Alguns outros monges e padres se sentiram inclinados a me seguir, mas só até esse ponto. No momento
final, nenhum deles parecia disposto a sacrificar sua posição na Igreja, seu prestígio e sua boa reputação
na comunidade.(220) No entanto, antes de sair do mosteiro, quis ter certeza de que meus superiores
soubessem que minha partida foi o resultado de minha própria escolha, uma vez que meu comportamento
global durante a minha vida monástica tinha sido exemplar. Esta carta tornou-se posteriormente o
"detalhe deplorável" que impediu os Papistas Uniatas [grego-católicos] de fabricar ataques difamatórios
sobre as causas da minha "apostasia".

Esta é a história de como e por que abandonei a Igreja de Roma, cujo líder esqueceu que o reino do Filho
de Deus não é "deste mundo". (221) O líder da Igreja de Roma, esquecendo que "aquele que era chamado
ao ofício do episcopado não era chamado a ser investido pela autoridade humana, mas a servir toda a
Igreja", (222) emulou ele (Satanás) que "em seu orgulho, desejando ser como Deus, perdeu a verdadeira
felicidade para ganhar uma falsa glória ", (223) aquele que "está assentado no templo de Deus, ostentando
a si mesmo que ele é Deus ", (224) e que diz em seu coração: "Subirei aos céus; erguerei o meu trono
acima das estrelas de Deus; eu me assentarei no monte da assembléia, no ponto mais elevado do monte
santo. Subirei mais alto que as mais altas nuvens; serei como o Altíssimo". (225)

Bernard de Clairvaux, um dos grandes místicos do Ocidente, tinha tinha razão quando escreveu ao Papa
Eugênio:

"Para você, não há maior veneno - ou espada mais perigosa - do que a paixão pela supremacia." (226)

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Impulsionados por esta paixão desenfreada, os papas forçaram sua igreja a "fornicar com as potestades
do mundo, (227) tornando-a a desolação dos mercadores". (228) Ao fazer isso, violaram os mandamentos
de Deus, expondo os sofismas e ensinamentos dos homens, (229) e "eles debilitaram a verdade para
construir acima dela suas falsidades".(230) Eles tornaramse mentirosos (231) e seguidores do pai da
mentira (232). Isso era inevitável, porque, como acontece com as heresias em todas as
épocas,"introduzem superstições humanas nos dogmas divinos e violam os mandamentos dos antigos,
mostrando desprezo pelos ensinamentos dos Padres, invalidando a sabedoria dos antecessores, sendo
cativados pela paixão desenfreada de uma ímpia e vã cobiça pela inovação, e relutantes em se limitar
dentro dos limites da antiguidade sagrada e incorrupta." (233)

Vendo a frustração do papa, que não é tão diferente do lamentável Orígenes, "mostrou desprezo pela
simplicidade da fé Cristã e afirmou ser superior a qualquer um em conhecimento, ignorando as tradições
da Igreja e os ensinamentos dos antigos" (234).

Sob essas circunstâncias, eu não poderia ter agido de forma diferente. Eu escolhi ser obediente à voz da
minha consciência, a voz que ecoou o mandamento de Deus ao seu povo escolhido: "Sai dela, povo meu,
para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas". (235)

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CAPÍTULO 7
RUMO À LUZ

A notícia da minha renúncia ao papismo se espalhou rapidamente nos círculos eclesiásticos mais amplos.
No entanto, minha situação ficou ainda mais difícil quando fui entusiasticamente acolhido pelos
protestantes espanhóis e franceses. Eu lidei com vários insultos e cartas de ameaças nas minhas
correspondência diárias. Meus acusadores alegavam que eu estava conspirando para criar uma opinião
pública antipapista entre os fiéis. Eles alegavam que eu estava me esforçando para levar à "apostasia"
alguns sacerdotes católicos romanos, que eram considerados "dogmaticamente fracos", porque
mostraram publicamente compaixão e interesse em minha provação. Tudo isso levou à minha decisão de
abandonar Barcelona e me mudar para Madrid, onde recebi a hospitalidade dos anglicanos. Através deles,
comecei a desenvolver relações com o Concílio Ecumênico das Igrejas.

Apesar de minha precaução, minha presença não passou despercebida. Depois de cada um de meus
sermões em diferentes igrejas anglicanas, um grande número de ouvintes expressavam o desejo de me
conhecer pessoalmente e falar em privado sobre vários assuntos de consciência. A maioria dos que
tentaram falar comigo questionavam a coexistência escandalosa de muitas igrejas cristãs diferentes que
anatemizaram uma a outra, cada uma alegando que somente ela era a verdadeira representante e cabeça
da Igreja antiga. Assim, quase sem querer, comecei a atrair um círculo de seguidores, muitos deles não-
papistas, que aumentaram dia após dia. Isso me fez mais visível para as autoridades locais, especialmente
porque alguns dos que me visitavam em privado eram padres católicos romanos notórios por serem
"rebeldes contra a Igreja e seguidores da idéia libertária quanto à primazia e infalibilidade do Papa Roma".

O ódio fanático de alguns católicos romanos, que agiram mais como papistas do que como cristãos,
apareceria plenamente no dia em que dei uma resposta pública a um notável e longo tratado eclesiológico
que me foi enviado pela Action Catholique. O tratado era uma "última tentativa" de me trazer ao "bom
senso" e denunciar minha "obstinação herética". Tinha caráter apologético e ostentava o título expressivo
"O papa, representante de nosso Senhor sobre a terra." Poderia ser resumido da seguinte forma:

"Por causa da infalibilidade de Sua Santidade, os católicos romanos hoje são os únicos cristãos que podem ter certeza no
que acreditam."

Sem perder a calma, respondi-lhes através das colunas de um jornal português:

"Na realidade, por causa dessa infalibilidade, vocês são os únicos cristãos de hoje que não podem estar certos do que Sua
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Santidade os obrigará a crer amanhã."

Concluí minha resposta com estas palavras:

"Com um pouco mais de esforço de sua parte, você conseguirá que nosso Senhor se torne o representante do papa no céu."

Pouco depois, terminei essa discussão com um estudo triplo publicado em Buenos Aires, que esgotou o
assunto da primazia papal da maneira mais objetiva. (236) Este volume era uma coleção de todas as obras
dos Padres da Igreja dos quatro primeiros séculos, que se referem, direta ou indiretamente, aos chamados
"versos de primazia". (237) Desta maneira, provava que o ensinamento papista sobre esses versículos
bíblicos é diametralmente oposto à exegese dos Padres da Igreja, cuja interpretação bíblica constitui a
ÚNICA regra autêntica para a correta compreensão da palavra de Deus.

34
CAPÍTULO 8
MEU ENCONTRO COM A VERDADE

Enquanto isso, entrei em contato direto com a Ortodoxia pela primeira vez e de forma bastante
independente das circunstâncias mencionadas anteriormente. Deve ser dito aqui que minha atração para
esta Igreja começou a tomar forma desde o início de minha odisseia espiritual.

Mais cedo, enquanto ainda estava no meu mosteiro, tinha tido longas discussões sobre temas eclesiásticos
com um grupo de estudantes universitários ortodoxos poloneses que haviam passado por meu país. Mais
tarde, a informação que recebi do Concílio Ecumênico sobre a existência e as atividades dos ortodoxos
no Ocidente verdadeiramente despertou meu interesse. Além disso, recebi algumas publicações fortuitas
da Rússia e das Igrejas Ortodoxas Gregas de Berlim e Londres. Os poderosos artigos escritos pelo
arquimandrita Nicholas Katsanevakis de Nápoles começaram a conquistar meu coração.

Tomadas em conjunto, essas três circunstâncias foram úteis para expurgar meus equívocos e preconceitos
anteriores contra a Ortodoxia, impregnado em mim pela educação católica romana formal. Os alunos
católicos são ensinados na escola secundária que "o cisma do Oriente, a chamada Ortodoxia, não é nada
mais do que uma assembléia sem vida, mumificada e dissecada; pequenas igrejas locais sem qualquer das
características genuínas e distintivas da verdadeira Igreja de Cristo"(238). Em outras palavras, "um
deplorável cisma gerado pelo demônio e nutrido pelo orgulho do Patriarca Fócio."(239)

Durante o período de crise pessoal, combinado com meu conhecimento geral (e recente), comecei me
corresponder com respeitados membros da hierarquia ortodoxa. Eu estava finalmente pronto para
compreender tudo o que esse bispo queria me dizer sobre o ensino ortodoxo. Em outras palavras, estava
com disposição para examinar objetivamente os fatos relevantes sobre a constituição e o estado teológico
das igrejas apostólicas.

Ao longo desta comunicação, tornou-se óbvio que minha posição contra o Papismo correspondia com o
ensino eclesiológico da Ortodoxia. Assim, enquanto eu combati o que não deveria fazer parte do dogma
cristão, a ortodoxia providenciou como deveria ser. Quando discuti minhas observações com aquele
reverendo hierarca, ele concordou comigo, embora cautelosamente, dado minha conexão com os
protestantes naquela época.

Como nota de interesse, devo dizer que os representantes da Ortodoxia no Ocidente, não estão muito
interessados em proselitismo. Isto é devido à sua percepção do status quo eclesiástico na Europa.
35
Proselitismo é contrário às suas convicções, já que os pais espirituais devem aderir à demanda pastoral
primeiramente às comunidades gregas e russas, cujos cuidados espirituais lhes foram confiados.

Minha correspondência com este hierarca logo chegou a um estado avançado, momento em que fui posto
em contato com o Patriarcado Ecumênico. Só então fui aconselhado a estudar o
célebre trabalho de Sérgio Boulgakov, Ortodoxia (240), e a igualmente desafiadora obra do Metropolita
de Berlim, Serafim, com o mesmo título (241). Assim que comecei a ler essas duas obras, me encontrei
em total acordo com o espírito dos autores. Eu não me deparei com um só parágrafo que eu não poderia
aceitar e adotar de todo o coração e em boa consciência. Nas páginas destas obras e em muitas outras
que eu comecei a receber da Grécia, juntamente com cartas de encorajamento, eu encontrei o ensino da
Ortodoxia exposto com surpreendente clareza. Tornou-se gradualmente claro para mim que os fiéis
ortodoxos são os únicos cristãos no mundo de hoje que compartilham a mesma fé com os cristãos das
catacumbas. Únicos e verdadeiramente fiéis, só eles estão plenamente justificados para se vangloriarem
no Senhor enquanto repetem a frase patrística:

"Cremos em tudo o que recebemos dos apóstolos, em tudo que os apóstolos receberam de Cristo e em tudo o que Cristo recebeu
de Deus Pai."

A eles também se aplicam as palavras de Tertuliano:

"Só nós estamos em comunhão com as Igrejas apostólicas porque o nosso ensino é exclusivamente equivalente ao seu
ensinamento. Este é o testemunho da nossa verdade". (242)

Durante este período, completei meus livros "O Significado da Igreja De acordo com os Padres do Ocidente" e"
Nosso Deus, Seu Deus e Deus" (243). Posteriormente, fui obrigado a interromper a circulação do segundo
livro na América do Sul, apenas para impedir seu uso pela propaganda Protestante.

Naquele momento, meus colegas ortodoxos me aconselharam a desprender-me dos meus esforços
polêmicos contra o papismo, que se tornaram uma obsessão para mim. Em vez disso, fui aconselhado a
iniciar um auto-exame, a fim de definir claramente o meu credo pessoal. Isso proporcionaria a base para
avaliar minha posição teológica precisa e para revelar os danos causados por minha associação com o
anglicanismo.

Este esforço não foi indolor nem de curta duração, pois me forçou a empreender uma pesquisa mais
extensa em uma fé em que eu não tinha proficiência teológica. Não basta simplesmente afastar os dogmas
da primazia papista e de seus privilégios enquanto se mantém o restante dos ensinamentos romanos.
36
Então eu procedi com uma análise profunda e completa das verdades básicas do cristianismo. Essas
verdades básicas me ajudaram a distinguir os limites dogmáticos papistas sobre os quais o Vaticano havia
fundado seus interesses políticoeclesiásticos. Através dos séculos, esses limites foram determinados por
decretos papais de todas as classes e tipos e serviram para promulgar uma agenda imperialista dentro da
igreja.

Minha pesquisa era imperativa porque eu não queria repetir o erro dos [velhos] católicos, que,
escandalizados pelo decreto de infalibilidade do Sínodo do Vaticano, abandonaram o papa, mas ainda
continuaram aderidos à teologia romana. Esta teologia foi misturada com tantas outras falsas doutrinas,
preconceitos e superstições, que já não é mais ortodoxa. Reconhecendo a extrema dificuldade desta tarefa,
escolhi expressar a minha posição em termos gerais, porém positivos, e emitir a seguinte declaração de
fé:

Creio em todo o conteúdo dos livros canônicos do Antigo e do Novo Testamento e todo o ensino que emana diretamente de
seu conteúdo, de acordo com a interpretação do ensino eclesiástico tradicional, ou seja, os Sínodos Ecumênicos e o pleno
consenso dos Santos Padres.

Quase imediatamente, senti que a aliança amistosa com os protestantes chegava ao fim abruptamente.
Com exceção de um pequeno grupo de Anglicanos, cuja compreensão e apoio moral me acompanharam
durante este período estranho, só os Ortodoxos, ainda que extremamente cautelosos, estavam
interessados em meu esforço. Somente quando estes abandonaram seu preconceito e desconfiança em
relação a mim, começaram a me considerar um "catecúmeno possível e interessante".

Na época, a amizade casual de um cientista polonês ortodoxo reforçou minha convicção de que a
Ortodoxia aderia às verdades essenciais do cristianismo primitivo. Este cristão polonês tinha resistido os
esforços desesperados dos Uniatas (244) de atraí-lo ao Papismo devido à sua influência e riqueza. Sua
resposta aos Uniatas foi simples mas muito inspiradora:

Você afirma que devo negar a minha fé ortodoxa para me tornar um cristão perfeito. Ótimo! Minha fé ortodoxa consiste
nos seguintes elementos: Jesus Cristo, o Evangelho, os Sínodos e os Santos Padres. Qual desses elementos devo negar para
ser, como você sugere, "um cristão perfeito"?

Impassíveis, os Uniatas mudaram sua estratégia e sugeriram que não há necessidade de negar qualquer
um desses elementos básicos. Ele só tinha que reconhecer o papa como o líder infalível da Igreja. Meu
amigo respondeu com esta profunda resposta: "Eu devo reconhecer o papa? Isso seria equivalente a negar tudo o
que foi dito acima!"
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Percebi naquele momento que, para purificar sua fé, qualquer cristão pensante de qualquer denominação
enfrenta a necessidade de rejeitar algum elemento do ensinamento de seu grupo de fé que esteja em
conflito com os ensinamentos abrangentes do cristianismo. A única exceção a isso é o cristão ortodoxo
- apenas suas crenças constituem a essência pura do cristianismo, a Verdade plena, eterna e imutável,
revelada por Deus nos Evangelhos.

Um católico romano, por exemplo, pode rejeitar o papa como eu fiz, retratar o ensinamento sobre fogo
purgatório, ou discutir os termos do Sínodo de Trento, sem perder sua identidade cristã. Da mesma
forma, um protestante pode rejeitar os ensinamentos dos reformadores sobre a graça divina e a
predestinação e ainda ser um cristão.

Somente a Ortodoxia não incorporou elementos externos, de modo que cada item de sua fé é uma
verdade essencial e inalterada, impossível de rejeitar ou eximir. A Igreja Ortodoxa é a única Igreja que
nunca tentou sugerir outra coisa aos fiéis do que aquilo que sempre foi, em todos os lugares e por todos,
considerado a Verdade revelada por Deus. (245) Assim, quando se adota Ortodoxia, simplesmente
abraça-se o Evangelho na sua pureza primordial. Por outro lado, se alguém negar e apostatar dela, é
semelhante a negar e apostatar do próprio cristianismo.

A Ortodoxia é a única Igreja que guardou fielmente a verdade do Evangelho. Ela "nunca alterou nada
dele, nem acrescentou nem subtraiu"; (246) "não removeu o essencial, nem incluiu o não essencial, nem
perdeu algo que lhe pertence, nem adicionou algo estranho, sempre sábia e fiel a tudo o que ela
herdou."(247) Ela sabe que não é permitido fazer a menor mudança na fé que lhe foi confiada de uma
vez por todas, nem mesmo se for sugerida por um anjo do céu (248) e certamente não por um homem
terreno cheio de falhas e fraquezas.

A Ortodoxia é a verdadeira noiva de Cristo, "não tendo manchas, nem rugas ou coisas semelhantes; [...]
mas santa e sem mácula" .(250) Ela é a Santa Igreja de Deus, Sua Única Igreja (251), "a verdadeira Igreja
Católica que luta contra todas as heresias. Ela pode lutar sem nunca ser derrotada. Mesmo se todas as
heresias e cismas brotassem como galhos selvagens e fossem cortadas da videira, ela permanece firme em
sua raiz, em sua união com Deus ".(252) Quem segue Ela segue a Deus; quem ouve a sua voz, ouve a voz
de Deus, (253) e quem a desobedece torna-se gentio.(254)

Convencido completamente por tudo o que eu tinha lido e aprendido, eu já não me sentia desolado. Eu
não estava mais sozinho e abatido pelos poderosos católicos romanos ou pelos protestantes cada vez
mais indiferentes. Na verdade, eu estava unido na fé e ensino com milhões de meus irmãos cristãos no
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Oriente e em todo o mundo. Foi um consolo estar finalmente unido a todos aqueles que constituem a
verdadeira Igreja Ortodoxa.

A calúnia papista da fossilização teológica da Ortodoxia perdera totalmente sua validade quando
finalmente compreendi a persistente perseverança da Ortodoxia em sua verdade herdada. A ortodoxia
não é uma postura imóvel, rígida e fossilizada, mas um fluxo incessante de confissão da fé antiga. Pode
ser comparada à corrente de uma cachoeira, que parece ser sempre a mesma, mas suas águas se movem
incessantemente e mudam constantemente, criando para sempre sons e harmonias novas.

Quando cheguei a esse ponto de revelação em minha fé, os ortodoxos finalmente começaram a me ver
como um dos seus, e assim um arquimandrita escreveu, em uma carta, o seguinte:

Discutir a verdade da Ortodoxia com este espanhol não implica proselitismo, mas uma discussão sobre uma doutrina e um
espírito religioso que são tanto nossos quanto os seus; a única diferença é que a herdamos de nossos predecessores enquanto
ele conseguiu escavá-la sob os detritos de quinze séculos de história eclesiástica ocidental.

Ficou claro então que a jornada de minha "inquietação espiritual", como meu padre confessor havia
rotulado, me conduziu naturalmente e sem que tivesse percebido para o seio da Igreja Mãe, a Ortodoxia.
Na realidade, durante esse período final da minha jornada, sem o meu conhecimento, eu já era ortodoxo.
Eu estava próximo da Verdade divina, assim como os discípulos no caminho de Emaús, sem reconhecê-
la até o último trecho da minha peregrinação espiritual.

Quando fiquei inteiramente convencido de tudo, senti que precisava dar um último passo. Escrevi um
longo relato de toda a minha provação e seus desenvolvimentos e enviei-a ao Patriarcado Ecumênico e a
Sua Beatitude, Arcebispo de Atenas, prelado do Ministério Apostólico da Igreja da Grécia. Eu também
enviei um aviso imediato da minha intenção de me tornar ortodoxo para os hierarcas e vários membros
das Igrejas com as quais eu tinha desenvolvido uma relação especial. Iluminado pelo sentimento de que
eu estava na posse daquela preciosa pérola digna de todo sacrifício, (255) deixei o meu país e fui para a
França, onde me conectei plenamente com os meus irmãos ortodoxos que eu tinha recentemente
encontrado. No entanto, o passo crítico de se tornar um membro canônico da Igreja Ortodoxa exigiria
um pouco mais de tempo.

Ao chegar a uma decisão plenamente madura, eu oficialmente solicitei a entrada na verdadeira Igreja de
Cristo. De mútuo acordo foi resolvido que este evento aconteceria na Grécia, um país ortodoxo por
excelência, para onde eu em breve me mudaria para prosseguir meus estudos em Teologia. Ao chegar a
Atenas, visitei Sua Beatitude o Arcebispo, que me recebeu com o mais paternal abraço. Seu incessante
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amor sincero, cuidado e interesse acompanharam cada passo da minha nova vida eclesiástica. O mesmo
vale para o seu reverendo chanceler, que pela graça de Deus é agora o bispo de Rogon. Ele é realmente
um verdadeiro pai, cujo sincero interesse em mim superou todas as minhas expectativas.

Nem é preciso dizer que, no meio dessa atmosfera de terno amor, o Santo Sínodo não demorou muito
para me aceitar no seio da Igreja Ortodoxa. Durante o serviço profundamente emocionante da Santa
Crismação, pela qual finalmente me tornei um membro da videira verdadeira, fui honrado com o nome
de apóstolo das nações e fui posteriormente aceito no Santo Mosteiro da Virgem Maria em Penteli como
monge. Alguns meses mais tarde, fui ordenado ao diaconato pela imposição das mãos do bispo de Rogon.

Agora, por fim, sinto-me repleto de alegria, apesar do agravamento sem fim causado pelos membros da
obscura Ordem dos Uniatas da Grécia, que nunca cessaram de fabricar calúnias contra a minha pessoa.
Eu sou abençoado, porque estou envolto pelo amor, calor e plena aceitação da Santíssima Igreja Ortodoxa
da Grécia, incluindo os membros da sua hierarquia sagrada, as várias irmandades religiosas e, em geral,
todos aqueles que me abraçaram com a seu apoio espiritual.

Peço a todos estes pais e irmãos na fé e a todos aqueles que gentilmente mantiveram em contato comigo,
simpatizantes como foram com minha causa e com a odisseia geral, para que me mantenham em suas
orações, para que eu possa receber a graça do alto e me provar digno da maravilhosa beneficência do
Deus Mais Bom.

(1) Decreto de Sancti Officii do 21 de janeiro de 1647, que foiaprovada e enviado pelo Papa Inocêncio X. Veja o texto
completo em, Du Plessis d'Argente, 3,2,218.
(2) Liborum Index Prohibitorum [index de livros censurados]. Esteíndice oficial divulgado pelo Vaticano coloca todos os
livros que incluem conteúdo contrário aos ensinamentos da Igreja Católica Romana.
(3) Em particular: Mt 16: 18-19, Lucas 22: 31-32, João 21: 1517.
(4) catenae (singular, "Catena" do latim que significa "cadeia"estão a colocação sucessiva de versos exegéticos dos Santos
Padres justapostos aos versos das Escrituras Sagradas para interpretar que pretendiam.
(5) Todas essas atividades não escapou à atenção dos próprios historiadores católicos romanos. Veja, por exemplo, G.
Greenen, Dictionnaire de Theologie Catholique, Paris 1946, XVI, 1, pg.745-746; J. Madoz S. J., Une nouvelle rédaction
des pseudopatristiques textos sur la primauté, dans Pocuvre de Jacques de Viterbe? (Gregorianum, Vol XVII, [1936],
pp 563583.); R. Ceiller, Histoire des auteurs Ecclesiastiques, Paris vol.VIII, pg 272. Também: FX Reusch, Fälschungen
Die in dem Tractat des Thomas Aquin gegen die Griechen (Abhandlungen der K. Bayer, III, XVIII cl, Bd III, ..
Munique, 1889); C.Werner, Der heilige Thomas von Aquin, I, Ratisbone, 1889, pg. 763.
(6) "mau ut Licetfacere veniaut bona".
(7) 2 Cor. 11: 5 e 12:11
(8) Ver: G. Greenen, Dictionaire de Théologie Catholique, Paris1946, vol. XVI, 1, pág. 745; Também em: R. Ceiller,
Histoire des Auteurs Ecclésiastiques, Paris, vol. VIII, pg. 272.

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(9) 23 de outubro de 1327, na decisão: "Licet Luxta Doctri-nam". "Ioannis XXII, Constitutio, qua damnantur errores
Marsilli Patavini e Ioannis de Ianduno". Ver texto em Du Plessis d'Argenté, 1.365. (10) 29 de setembro de 1351, na
epístola papal "SupeR Quibusdam" aos Paregoretes Católicos dos Armênios. Veja o texto em Cardeal Baronio's
Chronicles, 1351, num. 3.
(11) Articuli 30 loannis Huss Damnati a Concilio Constantiniensiet Martino V, Artic 7.
(12) O Sínodo do Vaticano, que se reuniu na Basílica de SãoPedro de Roma de 8 de dezembro de 1869 até setembro de
1870, determinou que a primazia papal era o dogma mais significativo do cristianismo e confirmou a teoria da
infalibilidade papal. Veja textos em Conc. Vatic., Const. Dogmat., Sess. 4, Const. 1, Bulla "Pastor Aeternus", cap. 1.
(Denzinger, Enchiridion, 139, 1667-1683).
(13) Pio X no decreto "Lamentabili", cujo texto pode serencontrado em "Actae Sanctae Sedis", 40/1907 /, 470-478. Veja
também: Concilii Florentini Decreta, Decretum unionis Graecorum, em Bulla Eugenii IV "Laetentur Coeli" Professio
fidei Graecii praescripta a Gregorio XIII por Constitutionem 51 "Sanctissimus Dominus noster"; Professio fidei
Orientalibus praescripta ab Urbano VIII e Benedicto XIV por Constitutionem 79 "Nuper ad Nos".
(14) Cf. Gal. 2: 7-8.
(15) Gal. 1: 1.
(16) Ibid. 2: 9.
(17) Ibid. 2: 6
(18) Ibid. 2: 6-9
(19) Comentários de São João Crisóstomo sobre a epístola aosGálatas2: 3.
(20) "Hoc erant utique et cacteri Apostoli quodfuit Petrus, pariconsortio praediti et honoris potestatis"; São Cipriano, De
Unitate Ecclesiae, IV; São Basílio, Em Isaias 2; St. Isidore Hispanensis (de Sevilha), De Officiis, Liber II, cap. 5, etc.
(21) São João Crisóstomo, Sobre a Importância das SagradasEscrituras, Atos 3.
(22) S. Cipriano, De Unitate Ecclesiae, V.
(23) S. Ambrose, Lib. De Incarnatione, 7.
(24) St. Ambrose, De Poenitentia, 7. No Ocidente nas últimasedições das obras de São Ambrósio, o termo latino "Fidem"
foi substituído pelo termo "Sedem". Assim, o texto lê convenientemente: "Não podem ter a herança de Pedro aqueles
que não estão entronizados na mesma sé episcopal que ele." Este texto, no entanto, tendo perdido o seu significado
lógico, cheira a falsificação.
(25) Martin É, Bull "Inter Cunctas", 8 Calend. Martii 1418. Gerson, De Statu Sum. Pontífice Consid., I.
(26) Devoti, Instit. Canonicae, Prolegom., Cap. 2, Bento XIV, DeSynod. Diocesano, 2,1.
(27) Benedict XIV, Ibid.
(28) "Si quis dixerit [...] Petrum non esse a Christo contutumApos-tolorum Principem et totius Ecclesiae Militantis Visibile
Caput [...] anathema sit," Concilii Vaticani, Constit., Dogmat., Sess. 4, Const. 1, Bulla "Pastor Aeternus", Cap. I.
(29) Santo Agostinho, Epístola contra Donato, III, 5.
(30) 2ª Corintios 13: 5.
(31) Santo Agostinho, Epístola Contra Donato, III, 5.
(32) Salmos 118: 105.
(33) Marcos 12:24.
(34) Hechos 17:11.
(35) Ibid.
(36) Colosenses 2: 8.
(37) Devoti, Instituciones Canónicas, Prolegómenos, Capítulo 2.
(38) Gregorio VI (Mauro Capellari), Sobre a Primazia do Bispo de Roma, Homilia Introdutória, cap. 25.
41
(39) Bula "Pastor Aeternus" Concílio Vaticano 1, Introdução.
(40) Maistre, Sobre o Papa. Discurso preliminar, I; também Ibid, livro I, cap. 3.
(41) Ibid. Homilía Introdutória, 3.
(42) Cardinal Belarmino, Sum. Pontific., Livro 2, cap. 31, vol. 1. (43) Ibid. Prefácio, vol. 2. Veja também: Martín Ordóñez,
pontificado, vol. 1. Madrid 1887, ch. 10, p. 30; Donoso J. Cortés, Obras, vol. 2, Madrid, 1901, p. 37.
(44) Pío X, “Vacante Sede Apostólica”, 25 de dezembro de 1904;Pío XI, “Cum Proxime”, 1 de março de 1922.
(45) Agosto Trionfo, Summa de Potestate Ecclesiastica, Quaest. 19, 1, artículo 3.
(46) Monseñor Roëy, O episcopado e o papado desde um pontode vista teológico, apéndice 10, em “As conversas com
Malines”, publicado por Lord Halifax, Londres, 1930.
(47) Ver por ejemplo: O boletim da Diocese de Estrasburgo, março 1945, vol. 3, pág. 45.
(48) Mauro Capellari (Gregorio XVI), Ibid, Table, cap. 6, 10.
(49) Gerson, De Statu Sum. Pont., Consid. 1.
(50) Cicerón, De Divinatione, Libro 2, cap. 54.
(51) Gregorio VII, Epístola “Notum fieri”, aos germanos.
(52) Mauro Capellari (Gregorio XVI), Ibid. 11.
(53) Bonifacio XII, bula "Unam Sanctam"; para uma explicaçãomais detalhada, ver: Bernadus Claravalensis, De
consideratione, IV, 3; Hugui Sancti Victoris, Sacramentis, II, 2, 4; Alexandre Hales, Suma Theologia, quaestio 10, n5,
n2.
(54) João 18:36
(55) Lucas 22: 25-26.
(56) Mathieu, O poder temporal dos papas.
(57) Maistre, O Papa. Discurso preliminar 2.
(58) Constituições Dogmáticas 1º Concílio do Vaticano, Sess. 4,Bulla "Pastor Aeternus" (Texto completo: Denzinger,
Enchiridion, 139, 1667-1683).
(59) Veuillot, Livro sobre o papado, cap. 1, 11 (João 6:68)
(60) João 16:13.
(61) Fundamentado na afirmada infalibilidade do papa, oscatólicos romanos se aproximam aos antigos hereges que foram
condenados por toda a Igreja que, segundo, São Vicente de Lerins, "têm a audácia de prometer e ensinar que uma
graça plena e pessoal é enviada para a sua igreja, i. e., a sua seita herética, que, sem trabalho, sem qualquer esforço,
sem qualquer cuidado, mesmo sem pedir, todos os membros de sua seita recebem este poder de Deus, e uma vez
que se sentem como se os anjos estivessem segurando-os em suas asas, eles nunca ferem seus pés em pedras, ou seja,
eles nunca sucumbem ao escândalo de interpretar mal a fé "(Commonitorium de Orthod., Fide, 25, 8).
(62) Perujo, Dictionary of Ecclesiastical Sciences, 100.
(63) Devoti, Instit. Canon., Prol. CH. 2. As palavras de São Vicente são muito apropriadas aqui: "Nunca deixo de
madmirar", diz este antigo e reverente Pai da Igreja, "pela extrema impiedade de seu nous cego (mente), por sua insaciável
paixão por falsidade e maldade, de modo que não estão satisfeitos com a regra de fé que nos foi dada de uma vez por todas
desde os tempos antigos, mas eles procuram diariamente inumeráveis inovações e estão constantemente inquietos em seu
desejo de adicionar ou de mudar ou de subtrair algo da religião, como se essa não fosse um dogma divino, que foi
suficientemente revelado às pessoas, mas um organismo humano, que não pode alcançar a perfeição a menos que seja
perpetuamente corrigido e revisto ". (Commonitorium 21,1).
(64). Baronii, Annales, Ad Ann. 553, No. 224.
(65). Gratianus, Codex Juris Canonici, vol. 1, Paris 1612, dis. 19, part I, Cap. 6, pg. 90 e Col.55, edição Leipzig 1839.

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(66). Si autem Papa erraret, praecipiendo vitia, vel prohibendo virtutes, tenetur Ecclesia credere vitia esse bona, et virtutes
mala (Theologia, Bellarmino, De Romano Pontifice, Livro 4, Cap. 23).
(67) “Deus et Papa faciunt unum consistorium […] Papa potes suazi omnia facere quae facit Deus […] et Papa facit quidquid libet, Etim.
Illicit, et EST ergo plus quam Deus” (Cardenal Zabarella, De Schism, Inocencio VII).
(68) São Agostinho, A cidade de Deus, XVIII, 54.
(69) Lucas 9:33.
(70) Gálatas 2:11.
(71) Gálatas 2:14.
(72). O papa Marcellus (296-303) caiu no pecado da idolatria e chegou ao ponto de sacrificar para os deuses dos gentios
a fim de salvar sua vida e sua propriedade durante a perseguição de Diocleciano. É um fato histórico bem conhecido que
Marcellus entrou no templo de Afrodite e ofereceu sacrifícios à deusa em seu altar. Este escandaloso acontecimento, que se
tornou amplamente conhecido naquela época, levou o cristianismo de Roma a manter, por muitas gerações, a pior lembrança
deste papa, pelo menos até o final do século V, de acordo com relatos históricos que chegaram aos nossos dias . Os
historiadores católicos romanos, incapazes de negar a realidade desses tristes acontecimentos, preferem culpá-los à imaginação
dos Donatistas heréticos, inimigos de Marcellus, que supostamente organizaram uma campanha de difamação contra ele após
sua morte. Ao mesmo tempo, no entanto, eles são igualmente incapazes de nos explicar por que, se fosse esse o caso, o papa
Marcellus foi expressamente apontado como um apóstata no romano Liber Pontifical. Além disso, essa foi precisamente a
opinião da hierarquia romana que se recusou a incluir o nome deste apóstata no calendário oficial, onde os períodos de tempo
das hierarquias papais são registrados. De fato, de Favius (250) até Markus (395) todos os nomes dos bispos romanos são
encontrados, com exceção de Marcellus.
(73) É geralmente conhecido que no Sínodo de Sardice (342343) os bispos orientais sob a liderança do Patriarca Estêvão
de Antioquia excomungou Júlio, bispo de Roma. Isso ocorreu depois que a delegação ocidental exigiu a revisão de certos
aforismos e disposições eclesiásticas do Oriente. (Ver Mansi, Summa Conciliorum, Sínodo de Actae, Sardic, Decreta).
(74) Quanto à heresia de Liberius (352-366), temos três testemunhas indiscutíveis: São Jerônimo, São Hilário e São Pedro,
o Damião. Inicialmente, o Liberius ainda Ortodoxo foi barrado de Roma e exilado pelos Arianos. Pouco tempo depois,
porém, cansado e angustiado pelas dificuldades do exílio e nostálgico pela gloriosa e luxuosa vida da sé papal, traiu os fiéis,
apostatou e assinou o herético "credo" ariano. Depois disso, ele condenou e anatematizou Santo Atanásio como herege.
Repletos de alegria por esses acontecimentos, os hereges arianos o receberam de volta a Roma e entronizaram-no novamente.
São Jerônimo expressamente escreve: "Liberius, cansado das dificuldades do exílio, assinou o engano herético e voltou a Roma
como um conquistador" (Crônicas, 357 dC e: De Script. Eccles.) Isso também é confirmado por São Hilário, que lamenta ao
ver a assinatura papal sob o "credo" herético e exclama: Haec est perfidia ariana! (Fragmento, Histor., VII). São Pedro, o
Damião, no século XI, afirma mais uma vez que o Papa Liberius era um "herege e um apóstata" (Liber Gratissimus, capítulo
16).
(75). São Atanásio, Contra Arianos, 73. São Atanásio também comenta que o Papa Félix foi tão escandalosamente
herético, que os fiéis de Roma se recusaram a entrar nas igrejas que ele visitava (Epístola aos monásticos, Paris 1627, op. Veja
também: Duchesne, Histoire Ancienne de V Eglise, Vol. II, Ch. XIII).
(76) O Papa Honório (625) aceitou e ratificou publicamente osensinamentos heréticos dos monothelitas. Persistindo
em uma ilusão tão flagrante contra a fé, foi unanimemente condenado e anatematizado pelo 6 º Sínodo Ecumênico,
juntamente com todos os outros líderes da heresia monotelita. "A Teodoro Pharanites o herege, anátema, a Sérgio
o herege, anátema, a Honório o herege, anátema, a Ciro o herege, anátema, a Pyrrus o herege, anátema". (Ver
Mansi, Sum. Concil., Gener., Sess. XIII). Essas são verdades indiscutíveis, especialmente porque elas são
confirmadas nas epístolas pastorais pelos próprios papas que sucederam Honorius. Assim, Leão II, em sua epístola
apostólica enviada aos bispos da Espanha, pedindo o seu consentimento sobre os ensinamentos do 6º Sínodo
43
Ecumênico, afirma que Honório e seus seguidores foram "punidos com eterna condenação" (aeterna
condemnatione muletati sunt) porque o Sínodo os considerou traidores da pureza da tradição apostólica. Ele
também escreveu ao rei Ervígio que Honório foi condenado pelo venerável Sínodo e foi excluído da comunhão
da Igreja Católica. Do mesmo modo, o Papa Adriano II, na epístola sinodal do Sínodo romano, refere-se à culpa
herética e ao anátema de Honório pelo Sínodo: Honorio ab Orientalibus post mortem anathema sit dictum,
sciendum tamen est, quia fuerit super haeresi accusatus ... Os historiadores católicos romanos, incapazes de refutar
estes fatos inegáveis, foram ordenados a manter o silêncio absoluto sobre eles ou no caso de ser absolutamente
necessário que simplesmente refiram a eles de passagem. Assim, por exemplo, no Somme des Conciles do Abade
Guyot (Paris, 1868), não se pode encontrar a menor referência à condenação de Honório na ata da XIII sessão do
6º Sínodo Ecumênico (ver V. 1, p.315 ). Todos estes eventos foram devidamente incluídos no livro de serviço
fúnebre Breviarium Romanum em comemoração de São Leão que é homenageado no Ocidente em 28 de junho,
até o dia em que as autoridades do Vaticano julgaram o texto como sendo tão ofensivo que ordeneram sua
remoção. Esta alteração aconteceu quando o Papa Clemente VIII revisou o Breviário.
(77) Papa Sixto V (1585-1590) por volta de 1590 publicou umaversão da Vulgata e oficialmente declarou do perpetuum
Decretum que este seria, portanto, o único texto autêntico, superior à Sagrada Escritura, uma vez que foi corrigido
por ele "fundamentada pela autoridade de seu poder apostólico". O Decretum informou oficialmente aos fiéis que
todas as outras edições da Bíblia perderam automaticamente todo o seu valor e que qualquer pessoa ousasse fazer
até a menor alteração neste novo texto, seja na área de ensino ou de outra natureza Interpretações públicas, tais
como discussões pessoais, tal pessoa seria "ipso facto" excomungada. Esta edição de Sixto V era tão falha na área
de tradução, expressão e ensino, que só um amador poderia ter produzido. Este fato provocou a retirada imediata
desta edição no meio de um grande escândalo. O cardeal Bellarmine supôs que este episódio apresentava um sério
obstáculo para a promulgação de seus ensinamentos sobre a autoridade papal. Ele então pediu ao papa Gregório
XIV (15901591), sucessor de Sixto, para proteger a reputação deste último, permitindo Bellarmine para republicar
o texto com as correções necessárias (ver Cardeal Bellarmine, Autobiography, 1591, pg. Bellarmine também estava
contemplando a adição de um prólogo nesta nova edição, com o propósito de explicar aos fiéis que na infeliz
primeira edição de 1590 houve "algumas falsidades" causadas pelos impressores e outras pessoas! No entanto, o
próprio Bellarmine confessa em sua autobiografia que isso era só uma mentira piedosa, pois todos sabiam que
Sisto era o autor deste "labirinto de toda espécie de falsidade", e que cada parágrafo tocado por este Papa tinha
sido alterado da pior maneira, Permulta perperam mutata (Bellarm. Aut., Ibid., 291). Clemente VIII (1592-1606),
o Papa que sucedeu a Gregório, desejando que este assunto fosse apagado da memória das pessoas logo que
possível, publicou um novo texto da Vulgata em 1592, diferente do anterior em um grande número de pontos,
muito embora ainda com falhas. O ridículo generalizado que fomentava a infeliz Vulgata de Sisto V tomou tais
dimensões que, por muitos séculos, a memória deste Papa foi motivo de muita comédia e riso.
(78) Quando a Santa Inquisição torturou Galileu seguindo asordens do Papa Urbanus exigindo a recantação de sua
teoria de que a Terra gira ao redor do Sol, este extraordinário astrônomo, tendo perdido sua fé no Papa e sua igreja,
até mesmo na assinatura da recantação, sussurrou estas palavras, imortalizadas pela história: "mas ela gira..!"
Imediatamente depois disso, Urbanus VIII publicou, como uma vitória de sua autoridade papal, a ação da
retratação do grande astrônomo, que foi tratado tão injustamente pelos capangas papais da Santa Inquisição. Como
resultado, a partir de 30 de junho de 1633, todos foram obrigados a acreditar que a Terra não gira em torno do
Sol, sob a ameaça de ser condenado como um herege. "Mas Deus, que naqueles dias era ainda mais poderoso do
que o bispo de Roma", diz Stanislas Jedrezewsky com uma boa dose de ironia "acabaria por justificar Galileu".
Verdadeiramente, pouco depois, o progresso da astronomia tornou a teoria "herética" de Galileu mais óbvia,
obrigando o Papa Pio VII a ridicularizar a autoridade papal em 1822, retificando as ações da Santa Inquisição
44
contra Galileu em 1633 e permitindo os esforços astronômicos de Copérnico. Finalmente, após as ações desses
papas terem causado um grande escândalo entre os fiéis e muito ridículo e desprezo do mundo científico, o
Vaticano, incapaz de encontrar qualquer outro meio para restaurar o status de sua autoridade, inverteu sua posição
sobre tudo o que tinha Condenado e anatematizado até aquele momento em relação a estes assuntos. Em 1835, o
Papa ordenou a remoção de todas as obras de Copérnico, de Kepler e de Galileu do Índice de Livros Proibidos
Prohibitorum (Index Librorum Prohibitorum).

(79) Ver Inovações do Romanismo, G.H.C., Madrid 1891, XIV,pg. 202.

(80) "Unum a te petimusfili charissime, Doctoribus SedisApostolicae não Sempre credas, multa illorum passionibus
tribuas" (Epist. Pii II e CarolumVII Regem Galliae, Epist. CCCLXXIV).
(81) Pio IV anulou o Sétimo Cânone do Sínodo Ecumênico deÉfeso, que contém o aforismo da renúncia e o anátema
contra qualquer um que ousasse compilar e forçar sobre os fiéis um "Credo" diferente do proclamado pelo Sínodo
de Nicea. Pio IV compôs seu próprio "Credo" que leva seu nome: "Credo de Pio IV" (Credo Pii Quarti). Na
realidade este credo não contradiz essencialmente o de Nicea, mas não muda o fato de que é um credo diferente.
Por conseguinte, durante a quinta sessão do Sínodo Ecumênico de Calcedônia após o pronunciamento do Credo
de Nicea, os Santos Padres proibiram não só a composição de um "Credo" contraditório, mas até "qualquer outra
forma de Credo, independentemente do que ele diz" (Ver Mansi, Summa Concil, Act. Concil. Ephes., Can.VII,
Act. Conc. Calced, sess.V).
(82) Todo o Papa, a pedido do 8º Canon do Sínodo deConstança, é obrigado a fazer esta confissão de fé durante a
cerimônia de entronização, tal como apresentada no Liber Diurnus: "Com a minha boca e meu coração prometo
manter sem a menor mudança, tudo o que foi legislado e comandado nos Oito Sínodos Ecumênicos, o primeiro
de Nicea, o segundo de Constantinopla, o terceiro de Éfeso, o quarto de Calcedônia, o quinto e o sexto de
Constantinopla, o sétimo de Nicea e o oitavo de Constantinopla. Prometo manter todos iguais em autoridade e
honra, seguindo cuidadosamente tudo o que foi instituído por eles e condenando tudo o que foi condenado ".
(83) São Cipriano, Epístola LXXIII.
(84) Matt. 28:20.
(85) João 14: 16-17.
(86) João 16:13.
(87) João 14:26.
(88) 1 Tim. 3:15.
(89) St. Irineu, Contra Heresias III, cap. 4.
(90) Lucas 10:16.
(91) Ver Mansi, Summa Conciliorum, Act. Concil. Arelat., Can.VIII.
(92) "Placuit etiam, ut de dissentione Romanae atqueAlexandrinae Ecclesiae, ad sanctum papam Innocentium scribatur:
quo utraque Ecclesia intra se pacem, quam praecepit Dominus, teneat" (Codex Canon. Eccles.Afric., No. 101).
(93) Veja, Mansi, Sum. Concil., Concil. Sard., Decreta.
(94) Honorio haeretico, anátema "(Mansi, Sum, Concil, Lei. VIConcil. Gener, sess XIII).
(95) Matt. 15: 3-9, Marcos 7: 7-9.
(96) Santo Agostinho, De Unitate Ecclesiae, 1,16.
(97) São Agostinho, Epist. Adversus Donatum, 3,5.
(98) São Vicente de Lerins, Commonitorium, 29, 2.
(99) Clementii XI Bulla "Unigenitus".
45
(100) Cardeal Bellarmine, DeVerbo Dei ..., Liber IV, 4.
(101) Gregório XVI (Mauro Cappellari), El Triunfo de Santa Sede,Madrid 1834, Índice, cap. 8, 2.
(102) Cornelius Mussus., Em Epist. Ad Roman., I, Ch. VIV(103) Cardinalli Hosii, De Expresso Verbo Dei, 1584, pg.
623.
(104) São Clemente de Alexandria, Stromata, vol. 6, Ch. 15, par. 8-9.
(105) Ps.118 (119), 105.
(106) Cf .. 2 Cor. 4: 3-4.
(107) Phil. 2:16.
(108) Atos 20:32.
(109) Efésios 1: 13, Tiago 1:18.
(110) Atos 13:26, Ef. 1:13.
(111) João 12:48.
(112) 2 Tim. 3: 15-17.
(113) Santo Agostinho, Sermo IV De Verbo Apostol.
(114) São Atanásio, contra os gregos, Vol.1, Parte 1.
(115) São João Crisóstomo, Homilia 9, Epístola aos Colossenses.
(116) São Isidore of Pelusium, Epistle, 4, 67, 91.
(117) São Basílio, Epístola a Gregório; St. Augustine, DeDoctrina Christiana, 1, Ch. 9.
(118) São Basílio, na fé, cap. 1; Veja também: São JoãoCrisóstomo, homilia 13; Em 2 Coríntios, Homilia 21, no capítulo
6 sobre a Epístola aos Efésios, Homilia 6, Sobre Lázaro; São Cirilo de Jerusalém, Catecismo 12.
(119) São Basílio, Homilia 21, Contra os caluniadores da Santíssima Trindade; São João de Damasco, Sobre a Fé
Ortodoxa, Livro 1, Cap. L. Theodoret, Dialog. 1.
(120) São Ambrose, De Offic., Lib. Eu 23; Origen, Homilia 5, noLevítico.
(121) São Irineu, Contra Heresias I, 3, Ch. 2.
(122) São João, o Crisóstomo, homilia 33, atos dos apóstolos.
(123) Devoti, Institutions Canonicae, Proleg., Cap. 2.
(124) Maret, Du Concile General, 2, 375.
(125) João 21: 15-17.
(126) Bernardino Llorca S, J., Historia da Igreja Católica, vol. I,Madrid 1950, pg. 262.
(127) Pii X, Decretum Lamentabili, 50; Actae Sanctae Sedis, 40,476.
(128) Devoti, Institutions Canonicae, Prolegom., Ch. 2. (129) Ibid.
(130) Bellarminus, De Pontifice Romano, Liber IV, 24 e 25,também Liber 1,9.
(131) São Clemente de Roma, Epístola aos Coríntios 12:44. (132) Ver Martigny, Dictionn. D'Archéologie Chrétienne
Evèques, p. 569: Minutos do Sínodo de Calcedônia.
(133) São Atanásio, Epístola a Dracontius, 3: 1.
(134) São Gregório Magno, Homilias sobre os Evangelhos II, 23:5.
(135) São Inácio de Antioquia, Epístola aos Magnesenses, 3.
(136) Santo Inácio de Antioch, Epístola aos Filadelfianos, 1. Vejatambém Martigny, Dictionn. D'Archeologie
Chrétienne, Evèques, p.566.
(137) Ruiz Baeno, Padres Apostólicos, Introdução à Epístola deSão Clemente, Madrid 1950, p. 149.
(138) Devoti, Institutions Canonicae, Prolegom., Ch. II; Bellarminus, De Pontifice Romano, Lib. IV, Ch. 24, 25 e Ch.
9.
(139) De Maistre, Du Pape, Livro I, Ch. 3.
46
(140) Bento XV, Codex Iuris Canonici, canon 222 1; Hefele,Histoire des Conciles, Introdução, II, 3.
(141) Bento XV, Codex Iuris Canonici, canon 222 1; Devoti,Institutiones Canonicae, Prolegom., III, 38; Hefele, Histoire
des Conciles, Introdução, II, 3.
(142) Decreto de Leão X no Quinto Sínodo de Latrão.
(143) De Maistre, Du Pape, Livro I, Ch. 3.
(144) Bento XV, Codex Iuris Canonici, canon 227; Leo XIII,Circular "Satis Cognitum".
(145) Catholicum est, quod semper, quod ubique et quod abomnibus creditum est, o que significa: É realmente católico
quando se acredita sempre, em todos os lugares e por todos. (St.Vincent de Lerins, Commonitorium, Ch. 2).
(146) Extratos das declarações publicadas no jornal KölnischeZeitung 13 de julho de 1881.
(147) Gregório XVI (Mauro Cappellari), El Triunfo de Santa Sede,Madrid 1834, Mesa, Ch. VI, 10.
(148) Inácio Loyola, Livro de Exercícios Espirituais.
(149) A devoção dos jesuítas à sé papal nunca foi sincera,especialmente nas ocasiões em que os interesses especiais desta
ordem obscura foram conflitantes. Os jesuítas, apesar da promessa de obediência cega ao papa pela qual eles se
vangloriam, dizendo que possuem uma virtude excepcional devido a isso, de repente sofreram de amnésia quando
Clemente XIV ordenou a dissolução de sua ordem. Verdadeiramente, o Papa Clemente, em seu decreto, Decretum
Brevis, em 1773, anunciou a dissolução da organização jesuíta e sua aniquilação total. Os jesuítas, no entanto, em
vez de praticar a sua virtude de obediência cega, refugiaram-se nos países da Prússia e da Rússia, onde o papa não
pôde cumprir seu decreto com a força militar. Eles se reagruparam e aumentaram seus números até 1814. Depois,
com suas muitas maquinações e intrigas, conseguiram convencer o Papa Pio VII de anular o decreto anterior e
substituí-lo por outro que permitiu novamente a existência e o funcionamento da ordem.
(150). Estes versículos são: Matt. 16: 18-19, João 21: 15-17 e Lucas 22: 31-32
(151). Na Vulgata: Tu es Petrus, e super istam petram aedificabo EcclesiamMeam.
(152). Veja, por exemplo, Knabenbauer, S.I., Cursus Scripturae Sacrae, Paris 1903, Comentário em. Ev. Matthaeum, pars
altera, p. 60. Também os jesuítas P. Knabenbauer, Cornely e Hummelauer têm a audácia de reivindicar em seu "Cursus
Scripturae Sacrae" que aqueles dos Santos Padres que não reconhecem a primazia papal com base no versículo acima
mencionado simplesmente erraram por não prestar muita atenção ao verdadeiro significado do texto: Si Sanctus Doctor
recogitasset - escreve Knabenbauer sobre São Augustinho Christum locutum esse aramaice, vel si hane et totum conteæum
perpendiset,profecto priore sua interpretatione stetisset” (ibid., p. 61).
(153) Bernardino Llorca, S. I., Historia de la Iglesia Católica,Madrid 1850, vol. I, p.49.
(154) Ibid, ch. 1, pp. 261-1.
(155) Cardinal Hergenroether, Histoire de l'Eglise, vol. 1, ch. 1, 7. (156) Leo XIII, Circular "Satis Cognitum" (o texto
em José Madoz, S. I., Enquiridion sobre el Primado Romano, 361).
(157) Concil.Vatic. Constitut. Dogmat., I. De Ecclesia Christi, ch.1 (Denyinger, Enquiridion, p. 396). Veja também:
The Conversations at Malines, published by Lord Halifax, III. Conv. London, 1930.
(158) 1 Cor. 3:11.
(159) S. Athanasius, Against Arians, 3.
(160) S. Irenaeus, Adversus Haereses, III, 3, 3 (Apud Euseb., V,6, 1-3).
(161) Homiliae Aelfric., Passio S. S.Apostol. Petri et Pauli (London, 1844, p. 369, 371).
(162) S. Gregorio o Grande, Moralis in lob, 28, 14.
(163) Já no Antigo Testamento, Deus e Cristo são simbolizados como Rocha diversas vezes: Gen. 49:24; Deut. 32:4;
32:15; 2 Sam. 23:3; Ps. 18:2, 46; 19:14; 28:1; 31:3; 73:26; 89:26; 118:22; Isa.8:14; 28:16; Zach. 3:8, 9 (Cf. Rev. 5:6).

47
(164) No Novo Testamento o símbolo da Rocha sempre referese a Jesus Cristo: Matt. 21:42,44; Mark 12:10; Lucas
20:17; Acts 4:11; Rom. 9:33; Eph. 2:20; 1 Cor. 3:10,12; Col. 2:7; 1 Pet. 2:4, 8. (165) Cardinal Bellarmine, De
Sum.Pontific., vol. I, Book 2, ch.31.
(166) Ibid., Prologue, vol. 2; Marin Ordonez, El Pontificado, vol. 1, Madrid 1887, ch. 10, p. 30.
(167) 2 Pet. 1:21.
(168) De Maistre, Du Pape, Discours préliminaire, I.
(169) Vision III, 5:1. (170) Vision II, 2:6.
(171) Vision III, 5:1.
(172) Veja Migne, S. G.,571 ff.
(173) Diatessaron Gospel (To St. Ephraim, Sir. S., Mg.).
(174) A expressão oriental "os portões" significa "os poderes",porque em tempos de batalha ou, em caso de algum
outro perigo externo, os poderes militares se concentrarão nas portas das cidades com fortes, onde exibiriam seu
poder real contra o inimigo. Este termo, em um sentido mais geral, é usado mesmo em nossos dias; [Mais
comumente nas nações europeias], onde encontramos a expressão "Alto Portão", etc. esta metáfora era muito
comum entre os judeus, especialmente os povos orientais, e através deles, encontrou caminho nos textos das
Sagradas Escrituras.
(175) Veja São Agostinho, In conciane II super Salmo XXX;Salmo LXXXVI; Epístola CLXV ad Generosum; Tractati
VII, CXXIII et CCXXIVin Ioannem;Sermo CCLXXin die Pentecostes,V; Sermo CCXIV; Salmo LXIX; Sermo
XXIX De Sanctis De Baptism., II, 1. S. João Crisóstomo, Homilia 55th sobre o Evangelho de Mateus; Homilia
51 sobre Mateus 16:18; Homilia 65; Homilia 4;Homilia 83; Homilias 4, 51, 55, 65 e 83 de São Cirilio de Alexandria
sobre Isaías, Bk. 4, Tratado 2º; Sobre a Santíssima Trindade, 4; Sobre o Evangelho de João 21:42 de S. Jerônimo,
In Setum. Matthaeum, liberVI; Adversus Iovinianum, lib.;In Psalmum LXXXVI; Epístola XVadDamasum, 2. de
S. Cipriano Epist. XXVII De Lapsis; Epist. XXXIII, in initio; Epist. LXXIII ad Iubaianum; De Unitate Ecclesiae,
IV. de São Ambrósio, De Incarnatione Domin. Sacrament, 5;LiberVI Comment. In Evang. Lucae, 9; Comentário.
In Ephes. 2; Epist. Ad Damasum. de S. João de Damascus, Homilia sobre a Transfiguração; Tertuliano, De
Pudicitia, 21; De Praescriptionibus Haereticorum, XVI et XXII. de S. Athanasius, Contra Arians, 3; S.Gregorio
de Nazianzus, Homilia 32nd, 18; S. Gregorio de Nyssa, Encomium sobre São Estevão, 2; Sobre a Vinda do
Senhor, S. Basilio, 2nd ch. de Isaiah; Against Eunomius, 2,4; S. Epiphanios, Against Heresies, 591; S. Ilarion, De
S.S Trinitate, liber II etVI; S. Gregorio o Grande (de Rome), Moralia in Job, XXVIII, 14; Comment. in Psalm CI,
27; S. Isidore Ispalis, De Officiis, lib. II, 5; St. Bede, In quaest. super Exodum, cap. XLII, in recapitulation;
Homilia. De Feria III Palmarum in cap. XXI Ioannem; Basil de Seleucia, Homilia 25th; S. Pedro Chrysologos,
Homilia 55th, Sobre Estevão o Protomártir Orígenes, Homilia 74, sobre Jeremia; Homilia 16: Against Celsus, Bk.
3, 28; Comentários sobre a Epístola aos Romanos 5; Homilia 7 sobre Isaiah; S. Eusebeus of Alexandria (Bispo
de Laodicea), Homilia sobre a Ressuireição; Theodoritus, Epistle 77th on 1 Cor. 3:10, to Eulalios, Bishop of
Persia; St. Isidore of Pelusium, Epístola 235, 1; Theophylact, sobre Mat. 16:18; São. Hinemari de Reim, in
Opusculi XXXIII adversus Hinemarum Laudunensis episcopum, Vet. XIV; S. Hippolytus, sobre a Santa
Teofania, 9; São Paulinus, Epist. XXVII ad Severum, 10. (176) Judas, 20
(177) Gênesis 49:24.
(178) Matt. 21:42; Mk. 12:10; Lc. 20:17.
(179) Veja S. Cipriano, De Unitate Ecclesiae.
(180) Santo Agostinho, Retractiones, I, 21.
(181) Santo Agostinho, Homilia LXXVI, 1.
(182) Santo Agostinho, Homilia CCVC.
48
(183) Santo Agostinho, Homilia CCLXX, 2.
(184) Santo Agostinho, Tractatus CXXIV Em Ioann.
(185) Santo Agostinho, Homilia CCVIL, 1.
(186) Ef. 2: 20.
(187) Apocalipse 21:14.
(188) Aos Trallianos, 3: 1.
(189) São Cipriano, Epístola XXXIII, in initio; Epístola XXVII, DeLapsis.
(190) Veja S. Jerônimo, Adversus Iovinianum, lib. EU.
(191) "[O Senhor] ao favorecer Pedro entre todos os outrosapóstolos, estabeleceu-o como o princípio da unidade da
Igreja e como o fundamento visível em cuja solidez Ele estabeleceu o eterno edifício da Igreja - Bulla Paster
Aeternus, Constit. I, Introd. (Denzinger, Enquiridion, 1667).
(192) Matt. 7: 26-27.
(193) São Jerônimo, Adversus Iovinianum, I. Veja também, emEvangelio S.Matt., Lib.VI.
(194) S.Vincent de Lerins, Commonotorium, II.
(195) Este foi o principal argumento do arcebispo Strossmayer contra a primazia papal no Sínodo do Vaticano. Durante
sua apresentação, ele foi interrompido muitas vezes por membros do Sínodo, os outros cardeais, com expressões
como: "Esmague a boca do herege!", "Calem a boca do blasfêmo!" Etc. (Ver, Kölnische Zeitung, 13-7-1881).
Além disso, o arcebispo católico romano Kenrick (St. Louis, EUA) publicou um artigo em 1870 em Nápoles que
preparou para apresentar no Sínodo do Vaticano. Neste artigo, ele argumentou que a Primazia do Papa se opõe
à verdadeira interpretação das Sagradas Escrituras, às decisões dos Sínodos Ecumênicos e aos ensinamentos dos
Santos Padres. Por algum motivo desconhecido, o que não seria tão difícil de adivinhar, essa homilia não foi
apresentada no Sínodo. A justificativa não oficial para essa omissão foi que "Sua Eminência perdeu sua pasta
quando ele entrou na cidade do Vaticano"! Aqui, a fraseologia usada por São Atanásio em relação aos seguidores
de Apollinaris é apropriada: "Tendo sido cegado pelo ódio, eles traem as mensagens dos profetas e os
ensinamentos dos apóstolos, as admoestações dos Padres e até a voz inquestionável do Mestre "(Sobre a
Encarnação, contra Apollinaris, I, 1).
(196) Todos os candidatos à ordenação na Igreja CatólicaRomana são obrigados a confessar oficialmente, inter alia, o
seguinte juramento: "inequivocamente Eu creio que a Igreja foi edificada sobre Pedro, o líder supremo da
hierarquia apostólica, e seus sucessores" (Motu próprio Sacrorum Antistitum, Pii X, Sanctæ Sedis Actae, II, 1910,
669-672).
(197) São Irineu, Contra Heresies, IV, Chap. 26.
(198) Pápias (Eusebio, Eccles. Hist., IV, 22, 1-3).
(199) Etimológicamente, o termo "católico" não é compatível comaqueles que se separaram da catolicidade.
(200) São Vicente de Lerins, Commonitorium, XVIII 5.
(201) São Vicente de Lerins, Commonitorium, XX, 1, 2.
(202) Tertuliano, De Praescriptionibus haereticorum, cap. 21.
(203) São Vicente Lerins Commonitorium, X, 7 e 8.
(204) São Vicente Lerins Commonitorium, LX, 4.
(205) Ruiz Bem, Pais Apostólicos, Introdução, Madrid, 1950.
(206) Ibid., Introdução.
(207) Le Camus, O trabalho dos apóstolos, V. II. Barcelona,1909, p. 29.
(208) Dom Le Camus, Ibid., V, I, p. 10.
(209) Policarpo, Phil 7: 2.
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(210) São Cipriano, Epíst. Ad LXIII Concilium Fratrum.
(211) Jeremias 06:16 (LXX)
(212) São Vicente Lerins Commonitorium, XVII, 1, 2.
(213) São Vicente de Lerins, Commonitorium, XVII, 15.
(214) HABERE iam non potes Patrem déum, qui Ecclesiam nãoHabet matrem. São Cipriano, De Unitate Ecclesiae,
IV.
(215) Hanc Unitatem qui não princípio, Dei legem não princípio, não princípio Patris et Filii fidem, Vitam não princípio
et Salutem. (216) NEC parentum maiorum nostrorum erro sequendus est, sed Scripturarum et auctoritas Dei
professores imperium. Jerome, Em Ierem. I, 12.
(217) Tertuliano, De Virginibus velandis, h. I.
(218) Publicado em Atenas sob o título: A viagem e o trabalho doApóstolo Pablo em Espanha (Re-publicado pela
"Ecclesia"), Apostoliki Diakonia, março 1954.
(219) Ver, relacionamento das igrejas ibéricas e igrejas da África. São Cipriano para St. Augustine, Lux, em Lisboa 1950.
Também Dom Juan B. Cabrera, A Igreja na Espanha, (Do Era Apostólica à invasão dos sarracenos), Madrid de
1910.
(220) Felizmente, a verdade é que estas coisas são muito diferentes hoje, e graças à ajuda do Senhor, podemos prever
algumas conversões no futuro próximo devido ao interesse e amor pela Ortodoxia, estamos constantemente nos
esforçando para crescer no Ocidente.
(221) João 18:36.
(222) Orígenes, 6 Homilia no Isa, I.
(223) St Gregory o Dialogista, Carta a João, Patriarca deConstantinopla (Epíst. S. Gregor. Magn. Lib. V, ep. XVIII, Ed.
Bened., 1705).
(224) 2 Ts 2: 4
(225) Is 14: 13-14 (LXX).
226) Bernardus Claravalensis, Ad Eugenium Papam. De consideratione, III, 1.
(227) Cf. Rev. 18: 3.
(228) Revelação. 18: 3.
(229) Cf. Mateus 15: 3-9.
(230) Tertuliano, De Praescriptionibus haereticorum, 42.
(231) Cf. Pv 30: 6.
(232) João 08:44.
(233) São Vicente de Lerins, Commonitorium, IV 7.
(234) São Vicente de Lerins, Commonitorium, XVII, 14.
(235) Apocalipse 18: 4.
(236) Os versos de escritura na primazia e interpretações Patrísticas, Buenos Aires, 1951.
(237) Como sabemos: Mateus 16: 18-19; João 21: 15-17; Lucas 22: 31-32.
(238) Ver, por exemplo, Apologética Juan F. Ramos Ruano para o uso de estudantes do ensino médio, Barcelona, 1948.
(239) Observe como o Catolicismo Romano vê a Ortodoxia do ponto de vista apologético:
A) A Ortodoxia não é a única igreja porque distanciou-se docentro da unidade, que é o papa.
B) Não é a Santa Igreja, porque é um ramo do tronco da videira, que é a fonte de graça e de santidade; e esta (vinha) é
a Igreja papista.
C) deixou de ser Igreja Católica a partir do momento queseparou-se de Roma, o núcleo e o símbolo catolicidade.

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D) não é apostólica, uma vez que não é descendente deapóstolos, mas de Photios e Cerulario. Ibid. Part B
"Características específicas da verdadeira Igreja de Cristo".
(240) Sergio Bulgakov, Ortodoxia, edit. Felix Alcan, Paris, 1933.
(241) Metropolita Seraphim, Igreja Ortodoxa, Paris, 1952.
(242) Tertuliano, De praescript. Haeretic. XXI.
(243) O nosso Deus, o teu Deus, e Deus, Buenos Aires, 1951. (244) Uniatas (Unitas, o que significa união) consistem na
ordem de cobertura dos papistas de rito bizantino, que mascaram-se como sacerdotes ortodoxos e procuram
ativamente latinizar os fiéis de terras ortodoxas.
(245) Quod semper, ubique quod, quod ab omnibus, (católico é oque se acredita) sempre, em todos os lugares e por
todos (San Vicente de Lerins, Commonitorium, cap. 2.
(246) São Vicente de Lerins, Commonitorium, 23,16.
(247) Ibid.
(248) Judas 3. (249) Gal 1: 8.
(250) Ef 5,27. Cf. Orígenes sobre Êxodo, Homilia 9. (251) Ct 6: 9.
(252) Agostinho, SERM. Símbolo. Catech., 40, 635.
(253) Lc 10:16.
(254) Cf. Mateus 18:17.
(255) Cf. Mateus 13: 44-46.
(256) Texto. É o desejo sincero da editora que o título "MeuÊxodo do Catolicismo Romano," o testemunho incrível e
poderoso de nosso bem-aventurado Bispo Paulo desafie os leitores e atraia buscadores para a a verdadeira Igreja
de Cristo, que podem estar frustrados hoje por suas instituições religiosas e sigam o exemplo. Que sua memória
seja eterna!

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Dom Paul de Ballester-Convallier (1927-1984) converteu-se para a Igreja Ortodoxa e se tornou o Bispo
de Nazianzus no México. Foi martirizado em 1984.

O bispo Paul era nativo da Catalunha, Barcelona e havia sido, anteriormente, frade franciscano. Após se
converter à Ortodoxia estudou em seminários em Atenas e Halki. Foi ordenado em Atenas como diácono
em 1953 e como sacerdote em 1954. Seu ministério como padre foi primeiro em Constantinopla (1954-
1959) e depois na Arquidiocese Ortodoxa Grega da América (1959-1984). Em 1970, foi consagrado bispo
titular de Nazianzus (em Nova York) com sede no México.

Seu trabalho como professor universitário e autor volumoso foi brilhante e conspícuo, mas infelizmente
foi selado com sua morte prematura. Ele foi assassinado após o fim da Divina Liturgia na cidade do
México em 1984. Seu funeral contou com a presença do Arcebispo Iakovos (Coucouzis), que elogiou o
trabalho excepcional deste vibrante Bispo.

A notícia de seu assassinato foi relatada na primeira página do jornal Kathemerini, no sábado, 4 de
fevereiro de 1984:

O bispo ortodoxo Paul foi assassinado em México. Como se tornou conhecido, antes de ontem morreu
o bispo de Nazianzus, Paul De Ballester, da Arquidiocese grega da América do Norte e do Sul. Ele foi
assassinado por um mexicano de 70 anos, um militar da reserva que sofria de doenças psiquiátricas. O

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funeral contou com a presença do arcebispo Iakovos. Deve-se ressaltar que o bispo Paul era de origem
espanhola, foi recebido na ortodoxia como adulto e se destacou como pastor e autor. As autoridades
mexicanas não excluem a possibilidade de seu assassino ter sido levado ao seu ato por meio de algum
tipo de fanatismo.

O bispo Paul de Nazianzus não só provou ser digno de seu chamado, mas também se tornou um
neomartir da Ortodoxia. Em uma recente visita do Patriarca Bartolomé (Archontonis) ao México, em
2006, foram tomadas as providencias para a transferência das relíquias do falecido Bispo Paul de
Nazianzus para a Metrópole para descansar no monumento que fica em frente à Igreja da Catedral de
Santa Sofia, que foi erguida por esta hierarquia sempre memorável. O ano de 2009 marcou o 25º
aniversário de sua morte.

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