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Exercícios Disciplinares

Há neste módulo 15 exercícios. Todos devem ser respondidos e justificados. Para ser aprovado em ED,
você precisa acertar 10 exercícios.

Exercício 1: QUESTÃO ADAPTADA DO ENADE 2013

A psicologia como ciência caracteriza-se pela tensão entre recortes epistemológicos e pressupostos
ontológicos sobre seu objeto, criando, ao longo de sua história, uma diversidade de abordagens, tal como
o cognitivismo e a psicologia fenomenológica. Em relação à concepção da psicologia fenomenológica
como ciência, são feitas as seguintes afirmativas:

I. A Psicologia Fenomenológica, inspirada nas filosofias de Husserl e Heidegger, preconiza uma visão de
ciência centrada na concepção de descrição precisa dos dados da experiência.

II. A Psicologia Fenomenológica é contrária à ciência e ao conhecimento científico, pois nega a


possibilidade de qualquer conhecimento verdadeiro. Para ela há apenas opiniões e perspectivas; “cada
cabeça, uma sentença.”

III. Para a psicologia fenomenológica, a experiência é irredutível a uma análise descontextualizada do


mundo do existente; portanto, os métodos experimentais não são adequados.

IV. A Psicologia Fenomenológica reúne um grupo amplo e diverso de abordagens divergentes entre si, que
compartilham a crença na natureza boa do indivíduo e sua capacidade inata de desenvolvimento e
complexificação.

Estão CORRETAS somente as afirmativas

A - I e II.
B - I e III.
C - II e III.
D - II e IV.
E - III e IV.

Comentários:
Somente a alternativa III contempla a questão pois a fenomenologia não preconiza uma visão de
ciência centrada na concepção de descrição precisa dos dados da experiência tão pouco é a reunião de
diversas abordagens divergentes entre si que compartilham a crença na natureza boa do indivíduo, mas
sim busca a redução do fenômeno à experiência ou seja, no que dá sentido ao individuo na experiência
do vivido.

Exercício 2:

Segundo Feijoó (2011), “Husserl propõe que, frente ao fenômeno, possamos assumir uma atitude
antinatural própria à fenomenologia.” (p.29) A psicóloga se baseia na distinção efetuada por Edmund
Husserl no livro A Idéia da Fenomenologia (1907). Diz ele que na atitude natural, “na percepção, por
exemplo, está obviamente diante dos nossos olhos uma coisa; está aí no meio de outras coisas, vivas e
mortas, animadas e inanimadas, portanto no meio de um mundo que, em parte, como as coisas
singulares, cai sob a percepção... (p.39)

Sobre as atitudes natural e fenomenológica é verdadeiro afirmar que:

I – A atitude natural é o modo como cotidianamente encontramos as coisas no mundo, existindo por si
mesmos.
II – Passa-se da atitude natural para a fenomenológica quando se reconhece a necessidade de mensurar
a realidade existente fora e independente do sujeito (isto é, o fenômeno).
III – A atitude fenomenológica refere-se a um passo metodológico pelo qual a consciência suspende a
crença na realidade em si dos objetos do mundo. É a chamada epoché. Surgem, então, os fenômenos.
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IV – Embora Husserl não se preocupasse com a prática psicológica, a atitude fenomenológica foi
assumida pela Psicologia como uma possibilidade. Tal atitude acontece na prática psicológica como
esforço do psicólogo de deixar que o outro revele os significados de sua experiência tal como a
experiência.

Estão CORRETAS apenas as afirmativas:

A - I, III e IV.
B - I, II e III.
C - III e IV.
D - II, III e IV.
E - II e IV.

Comentários:

A atitude antinatural procura apenas descrever os objetos, sendo considerada ingênua; por isso Hurssel
propõe uma atitude originária primeira, suspendendo a atitude natural para assim compreender os
fenômenos. Hurssel critica a ciência vigente da época, mas não propõe uma nova teoria ou pratica
psicológica, a fenomenologia proposta por ele busca a compreensão dos sentidos das coisas mesmas,
não procura restringir a realidade significada pelo sujeito.

Exercício 3:

“Fenomenologia diz então: αποφα?νεσθαι τα φαιν?μενα – deixar e fazer ver por si mesmo aquilo que se
mostra, tal como se mostra a partir de si mesmo. É este o sentido formal da pesquisa que traz o nome de
fenomenologia. Com isso, porém, não se faz outra coisa do que exprimir a máxima formulada
anteriormente – ‘para as coisas mesmas!’” (p.65)

(Heidegger, M. Ser e Tempo. São Paulo: Ed. Vozes, 1998)

I – A Fenomenologia é antes de tudo um método de acesso ao sentido de cada fenômeno.


Fenomenologicamente compreendido, o fenômeno já é um modo privilegiado de encontro.
II – A fenomenologia é um acesso ingênuo ao mundo, isto é, uma busca daquilo que é imediato na
aparição.
III – Fenômeno e manifestação são, de um ponto de vista fenomenológico, o mesmo. Ambos são o
mostrar-se de algo que não se mostra, uma coisa em si.
IV – A fenomenologia enquanto método é uma reaprendizagem do olhar. É o esforço incessante de
apreender a linguagem das próprias coisas.
V – Dizer que a fenomenologia é um método significa reconhecer que ela se pergunta pelo como, o modo
de acesso privilegiado às coisas. Nesse sentido é que ela é a ciência dos fenômenos.

Das afirmações acima, estão CORRETAS somente:

A - I, II e IV.
B - I, III e V.
C - II, IV e V.
D - I, IV e V.
E - I, II, IV e V.

Comentários:
Com o método antinatural a fenomenologia propõe uma analise reflexiva daquilo que se
apresenta como sendo natural por isso não é um acesso ingênuo ao mundo, assim como
fenômeno e manifestação não pode ser o mesmo fenomenologicamente visto que, só por meio
de uma redução fenomenológica poderá se investigar para a compreensão sentido do
fenômeno em si, um retorno a coisa mesma, diferente do que foi manifestado a priori.

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Exercício 4: QUESTÃO EXTRAÍDA DO V CONCURSO DE PROVAS E TÍTULOS PARA CONCESSÃO
DO TÍTULO DE ESPECIALISTA EM PSICOLOGIA HOSPITALAR, 2013.

Uma executiva de uma multinacional, europeia chega ao pronto socorro com sintomas de sudorese,
palpitação, pensamento acelerado e dificuldade para dormir nas duas últimas noites. Procura por
atendimento, pois o pai tem histórico cardíaco e associa seus sintomas a um possível infarto. Após a
realização de diversos exames é descartada qualquer alteração sugestiva de patologia cardíaca ou clínica.
Considere as afirmações abaixo, à luz da fenomenologia existencial:

I – Para Heidegger, a compreensão dos sintomas deve ser realizada com base numa redução físico-
fisiológica à sua estimulação sensorial.
II – Para a compreensão da vivência da executiva deve-se investigar quais são os fenômenos que a
interpelam e como a solicitam.
III – A vivência da executiva indica uma solicitação incomum e excessiva de suas obrigações cotidianas.
IV – Um psicodiagnóstico desta paciente visa apresentar os modos como ela, a priori, corresponde “as
solicitações do mundo, dos outros e de si mesmo”.

A - Apenas I e IV são corretas.


B - Apenas II e IV são corretas.
C - Apenas I, III e IV, são corretas.
D - Apenas II e III são corretas.
E - I, II e IV são corretas.

Comentários:
Ao apresentar tais sintomas, a executiva (devido à sua vivência), os atribuiu à determinada doença.
Isto nos remete à históriobiografia, ou seja, às histórias e vivencias do indivíduo, afinal, foi através disso
que a executiva acreditou estar sofrendo de um ataque cardíaco, assim como o seu pai. Portanto, a
executiva está em aprisionamento pois não foi capaz de atribuir outro sentido para os sintomas que
apresentava.
Seria papel do psicólogo trabalhar juntamente com o sujeito para que este seja capaz de atribuir novos
sentidos e refletir sobre os mesmos. Refletindo sobre eles, o sujeito poderá questionar-se sobre s
sentidos em que está preso às solicitações do mundo, dos outros e de si mesmo.

Exercício 5:
Trecho extraído da Carta Sobre o Humanismo, de Martin Heidegger.

Do mesmo modo com ‘animal’, zõon [animal], já se pro-pôs uma interpretação da ‘vida’ que repousa
necessariamente sobre uma interpretação do ente como zoé [vida] e physis [energia], em meio à qual se
manifesta o ser vivo. Além disto e antes de qualquer outra coisa, resta, enfim, perguntar se a essência do
homem como tal, originalmente – e com isso decidindo previamente tudo – realmente se funda da
dimensão da animalitas [animalidade]. Estamos nós no caminho certo para essência do homem, quando
distinguimos o homem e enquanto o distinguimos, como ser vivo entre outros, da planta, do animal e de
Deus? Pode-se proceder assim, pode-se situar, desta maneira, o homem em meio ao ente, como um ente
entre outros. Com isso se poderá afirmar, constantemente, coisas acertadas sobre o homem. É preciso,
porém, ter bem claramente presente que o homem permanece assim relegado definitivamente para o
âmbito essencial da animalitas; é o que acontecerá, mesmo que não seja equiparado ao animal e se lhe
atribuir uma diferença específica. (...) Um tal pôr é o modo próprio da Metafísica. Mas com isso a essência
do homem é minimizada e não é pensada em sua origem. (...) A Metafísica pensa o homem a partir da
animalitas; ela não pensa em direção de sua humanitas [humanidade]. (p.352)

(HEIDEGGER, M. Conferências e Escritos Filosóficos. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural,
1973)

Considere as afirmativas abaixo sobre a “essência” do homem para a fenomenologia-existencial:

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I – Segundo Heidegger a essência do homem não pode ser pensada a partir da animalidade (animalitas).
Com isso ele critica o conceito de animal racional, propondo que o homem deva ser pensado a partir de
sua irracionalidade.
II – Pensar o homem a partir da animalitas não é exclusividade da Metafísica. Nós, cotidianamente,
pensamos o homem (e nós mesmos) a partir da animalitas a todo o momento em que nos
compreendemos como um organismo vivo (zoé).
III – A essência do homem para a Daseinsanalyse não está em sua constituição física, nem psíquica, nem
social. A essência do homem é ser-aí (Dasein).
IV – Conceber o homem como bio-psico-social permanece preso à interpretação “do ente como zoé [vida]
e physis [energia], em meio à qual se manifesta o ser vivo.” Portanto, não nos aproxima mais da essência
do humano.

Estão CORRETAS somente as afirmativas:

A - II e IV.
B - I e IV.
C - II e III.
D - II, III e IV.
E - I, II e III.

Comentários:
Heidegger faz uma crítica à forma limitada como pensamos a essência humana. Para ele,
nossa essência está para além do bio-psico-social, do racional-irracional, etc. propondo que
o homem deva ser pensado a partir de sua humanidade e não animalidade.

Exercício 6:
Segundo Feijoó (2011), é necessário retomar a noção de Dasein (ser-aí) delineada por Heidegger em Ser
e Tempo para a elaboração de uma ‘psicologia’ fenomenológico-existencial. Uma primeira apresentação da
‘definição’ de Dasein está no §9 do livro filósofo, onde ele indica que 1) “a ‘essência’ deste ente [nós
mesmos] está em ter de ser” e 2) “O ser, que está em jogo no ser deste ente, é sempre meu.” (Heidegger,
1927/1998, p.78)

Que nossa existência é dasein (ser-aí) significa:

I – O ser-aí é sempre uma possibilidade de ser si-mesmo. Isso significa que a existência é as
possibilidades existenciais que realiza.
II – Existir significa compreender ser, tanto de si mesmo quanto dos outros e das coisas. Há vários modos
de ser.
III – A “essência” do homem (ser-aí) configura-se a partir do primeiro momento em que surge no mundo
(nascimento), tornando-se, então, “ser-no-mundo”.
IV – Para Heidegger, a existência não tem uma essência quididativa; isto é, Dasein é atravessado pelo
Nada, que é a indeterminação ontológica enquanto tarefa de ter-que-ser.

Estão CORRETAS somente as afirmativas:

A - I, III e IV.
B - II, III e IV.
C - I e II.
D - I, II e IV.
E - II e IV.

Comentários:
Para Heidegger somente o ser humano é Dasein, pois é o único que, mesmo atravessado
pelo nada, é capaz de dar sentido à sua existência, o que está para além do nascimento,
numa infinita, e não única, possibilidade de existência.

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Exercício 7:
Leia o trecho abaixo, extraído de um livro do analista existencial norteamericano Rollo May:

“A maioria dos que leem trabalhos referentes à analise existencial [daseinsanalyse] como manuais de
técnica se desapontam. Eles não encontram métodos práticos especificamente desenvolvidos. Grande
parte dos analistas existenciais não se mostra muito interessada em assuntos técnicos. O motivo principal
de não estarem interessados em formular técnicas, sem nenhum constrangimento por isso, é que a
análise existencial é uma forma de compreensão da existência humana, ao contrário de um sistema de
‘explicações’.” (p.166)

(MAY, R. A descoberta do Ser, Rio de Janeiro: Ed. Rocco, 1993)

I. De acordo com o texto acima a própria ideia de compreensão da existência humana é contrária aos
assuntos técnicos, de modo que eles devem ser excluídos em uma daseinsanálise.
II. De acordo com o texto, a maioria dos daseinsanalistas não se debruça sobre assuntos técnicos, pois o
que constitui o cerne da compreensão da existência humana não é um sistema de explicações.
III. O texto não nega em momento algum a possibilidade de o daseinsanalista fazer uso de técnicas
especificas. Ele apenas aponta o fato de que a preocupação primeira desses analistas é a compreensão
da existência humana.
IV. O texto fala do desapontamento de não encontramos dados suficientes nas obras de análise
existencial, de modo que sempre permanecem dependentes de outros manuais de técnica.
V. De acordo com o texto há uma distinção importante entre uma compreensão da existência humana e
um sistema de explicações, sendo que a primeira é sempre o objetivo principal dos daseinsanalistas.

Das afirmações acima estão CORRETAS apenas:

A - II, III e V.
B - I, III, IV e V.
C - II, III e IV.
D - I, III, IV e V.
E - I, II, III e V.

Comentários:
Husserl critica a noção de homem determinado do cientificismo, bem como a preocupação
com a cientificidade plena. Heidegger critica ainda a subjetividade moderna, buscando
desconstruí-la. Desta forma, defende-se a atitude antinatural, buscando-se conhecer o
fenômeno que se apresenta dando um passo atrás, ou seja, sem defini-lo previamente,
tendo assim uma atitude reflexiva a fim de compreender e atribuir sentido. A compreensão
da existência está para além de um sistema de explicações e dos manuais de técnica. Não
se trata, porém, de desvalidar a cientificidade e a técnica, trata-se pois, de uma outra
forma de olhar para os fenômenos e de conhecê-los.

Exercício 8:
QUESTÃO ADAPTADA DO ENADE 2013

Uma paciente de 20 anos de idade, em uma entrevista inicial, relata um quadro diagnosticado como
Transtorno de Pânico Sem Agorafobia (DSM IV 300.01): “Doutora, não sei o que eu tenho... estava na
minha casa sozinha. Quando fui à cozinha, comecei a sentir mal! Senti como se algo horrível fosse
acontecer. Senti como se estivesse morrendo... Minhas mãos começaram a formigar. Meu coração
disparou, mal conseguia respirar. Nada estava acontecendo e eu não sabia o que me acontecia. Achei que
meu coração ia parar! Comecei a chorar! O médico me disse que eu não tinha nada. Me receitou um
ansiolítico e me mandou para casa. Isso foi há um ano. Isso ocorreu mais de uma vez e sempre de
repente! Às vezes, quando menos espero. Eu estou apavorada! Não sei o que acontece, nem quando vai
acontecer! Tenho medo de enlouquecer ou de ter um ataque cardíaco! E eu sou atleta! Sei que não tem
nada a ver! Nunca tive nada disso! Nunca usei drogas! E o médico me disse que minha saúde está bem.
Meus pais estão bem! Minha relação com eles é boa! Tenho namorado! Agora não consigo nem ir à aula
na faculdade sem ter medo! Mesmo em casa fico preocupada! O que é que eu tenho? Tem tratamento?”
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Considerando-se a terapia daseinsanalítica como referencial para compreender os quadros
psicopatológicos e seu diagnóstico, são feitas as seguintes afirmativas:

I. A daseinsanalyse recorre à nosografia descrita no DSM IV para elaborar o diagnóstico do paciente antes
de iniciar qualquer intervenção. É necessário saber qual é a psicopatologia que restringe a existência do
paciente para poder orientá-lo quanto a quais possibilidades existenciais ele precisa se abrir. No caso do já
diagnosticado Transtorno de Pânico Sem Agorafobia, é necessário desenvolver em conjunto com paciente
modos-de-ser menos ansiosos, promovendo tranquilidade e bem-estar à sua existência.

II. Como a paciente foi diagnosticada com Transtorno de Pânico Sem Agorafobia, o primeiro passo da
terapia daseinsanalítica é ensinar a paciente a identificar e controlar os ataques de pânico. Ela só
conseguirá eliminar o Transtorno de Pânico Sem Agorafobia, recobrando domínio sobre seu existir, quando
deixar de ser refém dos ataques que a acometem.

III. O diagnóstico psicopatológico é uma referência importante para o psicólogo daseinsanalítico, mas não
pode ser sobreposto à observação direta do paciente nem à busca de uma compreensão conjunta com ele
sobre como são para ele os acontecimentos que compõem sua existência. Nesse caso, cabe ao
daseinsanalista investigar com o paciente como ele se sente, como compreende o que se passa com ele,
etc.

IV. Em uma perspectiva fenomenológica existencial, a classificação de quadros psicopatológicos elucida


as vivências subjetivas, pois a classificação explica o sintoma e valida o relato do paciente. Assim, a
descrição das vivências da paciente é objetivada.

Estão CORRETAS somente a(s) afirmativa(s):

A - I e IV.
B - I e III.
C - II e III.
D - IV.
E - III.

Comentários:

Exercício 9:
QUESTÃO EXTRAÍDA DO V CONCURSO DE PROVAS E TÍTULOS PARA CONCESSÃO DO TÍTULO DE
ESPECIALISTA EM PSICOLOGIA HOSPITALAR, 2013.

Uma filha que é a cuidadora principal de uma idosa de 78 anos, participa de um grupo psicoeducativo
para cuidadores de pacientes com Doença Alzheimer e traz a seguinte problemática: “Minha mãe acorda
toda a manhã, pedindo para ver meu pai” que faleceu há 1 ano, tendo inclusive participado do funeral.
Todas as manhãs me vejo impelida pela tarefa de comunicar o falecimento do meu pai. A filha solicita à
psicóloga orientação quanto ao manejo. Esta por sua vez, propõe que busque compreender o vivido pela
mãe à luz da compreensão da temporalidade da fenomenologia existencial de Heidegger, na expectativa
que a partir desta compreensão possa surgir uma possibilidade de aproximação da singularidade desta
situação. Analise as afirmativas abaixo e marque a alternativa CORRETA:

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I. A compreensão desta situação exige a compreensão da temporalidade existencial como “triplo
temporalizar da morada”, que significa o vir ao encontro o que é presente e o que já é passado.

II. A temporalidade está relacionada à capacidade de memória e de retenção da existência, que, na


situação da idosa, está prejudicada. Desse modo, compreende-se que a idosa está incapacitada de existir
temporalmente.

III. Levando em conta que o marido da idosa já faleceu, a vivência da idosa é desprovida de significado
real, isto é, os fenômenos que vêm ao seu encontro (seu marido), são irreais e devem ser
desconsiderados.

IV – A proposta da psicóloga de reflexão sobre a experiência da filha com sua mãe considera a espera
pelo marido como um fenômeno que deve ser compreendido em sua positividade, isto é, para a mãe seu
marido está presente sob o modo da lembrança.

A - Apenas I e IV estão corretas.


B - Apenas IV está correta.
C - Apenas IV e II estão corretas.
D - Apenas I e III estão corretas.
E - Apenas I, II e IV estão corretas.

Comentários:
A respeito desta questão, Heidegger (1988, p.14) diz: “o projeto de um sentido de ser em
geral só pode se realizar no horizonte do tempo”, ou seja, a tarefa de interpretação na
investigação de ser-no-mundo, apreendendo-o em sua totalidade, tem por horizonte de
abertura o tempo. Devido a isso, torna-se imprescindível tematizar o poder-ser mais
próprio do ser-aí: o ser-para-a-morte, e este ser-para-a-morte traz à tona plenamente a
temporalidade originária do cuidado. Porém, o problema da morte, consiste nesse ponto
final que se encontra separado do presente do ser-aí, que na maior parte das vezes,
encobre para si mesmo o seu poder-ser, de modo que a morte aparece como algo não
pertencente ao ser-aí, e nessas condições, o ser-aí existe como uma coisa, que ele
continuará sendo até que um dia morra, porque esta morte esta cheia de significados do
inexperenciável. No caso desta Sra. prejudicada pelo Alzaimer, o sentido da morte tornou-
se algo distante e ainda não assimilado com significação para ela, pois para o próprio ser-aí
que não possui doenças neurológicas, a morte é algo que vêm ao seu encontro em um
futuro longínquo.

Exercício 10:
QUESTÃO EXTRAÍDA DO V CONCURSO DE PROVAS E TÍTULOS PARA CONCESSÃO DO TÍTULO DE
ESPECIALISTA EM PSICOLOGIA HOSPITALAR, 2013.

Virginia, 43 anos, é encaminhada para avaliação psicológica após diagnóstico de um câncer de mama e
indicação de quimioterapia, que até então, se recusa a fazer. Chega muito abalada com o diagnóstico e a
primeira frase que diz para a psicóloga é: “Eu não sei se devo fazer a quimioterapia. Eu tenho certeza que
eu fiz este câncer... desde que eu abortei um filho, quando tinha 25 anos eu nunca mais fui a mesma. Me
tornei uma pessoa fechada, triste e com muita raiva... E eu sei e todo mundo fala, inclusive um médico
com quem passei, que tristeza causa câncer”.

À luz da compreensão de saúde e doença na Daseinsanalyse, está CORRETO afirmar que:

A - O câncer de mama é a concretização ôntica da dificuldade de lidar com o luto pelo aborto. Assim, a
culpa pelo aborto pode ser entendida fenomenológico-existencialmente como causa do crescimento
celular descontrolado num órgão ligado à maternidade.
B - A psicologia hospitalar pode oferecer muito pouco a esta paciente, cuja somatização revela
incapacidade de simbolizar. A simbolização é, na fenomenologia-existencial, necessária para se
compreender como os pacientes significam suas vivências e para ressignificá-las.

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C - O sentido do câncer de mama deve ser buscado à luz da compreensão de que doença é privação,
falta. Portanto, deve ser compreendido à luz das possibilidades existenciais que se encontram limitadas.
D - A Daseinsanalyse é uma psicologia que trabalha com base na significação das vivências. As
significações são psicológicas, enquanto o câncer de mama é somático; não há, portanto, relação entre
elas.
E - A compreensão daseinsanalítica do câncer de mama precisa retraçar com a paciente a história das
manifestações dos fenômenos de culpa ao longo de sua biografia. Esta abordagem pressupõe que a culpa
vai se encobrindo, tornando-se inconsciente, até que se fenomenaliza somaticamente.

Comentários:
Vírginia esta aprisionada nos “enquadramentos” aos quais foi exposta ao longo de sua vida, quando
por exemplo cita: “...me tornei uma pessoa fechada, triste e com muita raiva...e todo o mundo fala,
inclusive o médico com quem passei...” ou seja, se apropriou destas condições como pertencentes a
ela, não enxergando outras possibilidades de ser. A Daiseinsanalise, é uma visão psicológica que
trabalha com base nas diversas significações das vivências, diz que o ser é livre e há inúmeras
possibilidades de sair deste estreitamento de existência que está enclausurado.

Exercício 11:
Paulo começa um processo terapêutico na abordagem daseinsanalítica. É um homem de 42 anos,
divorciado, pai de dois filhos. Queixa-se de problemas de relacionamento no trabalho e dificuldades para
encontrar nova parceira.

Tendo como referência a definição de Pompeia (2004) de que a terapia daseinsanalítica é “procura, via
poiesis, da verdade que liberta.” (p.162), está correto afirmar:

I – A ação clínica do psicólogo daseinsanalítico tem como sentido a identificação dos modos de ser dos
colegas de trabalho de Paulo que contribuem para que ele esteja infeliz. O psicólogo desvelará para ele
suas dificuldades de relacionamento e novas formas de ser-com, tornando-o menos conflituoso e infeliz.
II – O daseinsanalista terá como fio-condutor de seus esforços para compreender os modos de ser de
Paulo a pergunta: “que sonhos de Paulo terão morrido?”
III – O daseinsanalista cultivará uma relação com Paulo na qual o que já lhe foi caro (querido, do coração),
mas que perdeu esse vínculo e tornou-se desgastado, possa ser relembrado.
IV – O daseinsanalista se comunicará com uma linguagem poietica, que significa que recorrerá a poemas
e outras expressões artísticas para compreender com ele sua experiência.

Está CORRETO apenas o que se afirma em:

A - II, III e IV.


B - II e III.
C - I, II, III.
D - I e IV.
E - III e IV.

Comentários:
O erro não está apenas na linguagem poética sugerida pelo termo "poiética" na resposta IV, mas na
questão da forma de compreensão proposta, visto que o caminho é propiciar a compreensão do próprio
analisado sem inferência de significados por parte do daseinanalista. Também na I é um erro considerar o
outro como o caminho para a melhoria do relacionamento, o entendimento deve ser do analisado com ele
mesmo em relação ao outro, sem correr o risco de se tornar uma mera adaptação ao contexto.

Exercício 12:
Ana procura um psicólogo. Na primeira sessão ela apresenta o que motivou sua procura. Conta que tem
42 anos, é divorciada, está morando com um homem (João) há cinco anos e percebe que este
relacionamento “está por um fio”. Perto do fim da sessão, reflete:“minha mãe diz que eu sou teimosa
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desde a barriga dela.” Resolveu procurar finalmente um psicólogo, pois, depois da última briga, João saiu
de casa e passou três dias sem dar notícias. “Ele nunca foi assim”, diz, com cara de incompreensão.
Nesse período Ana se sentiu muito mal, triste; diz: “fiquei deprimida, perdi o chão. Conclui dizendo ao
psicólogo: “Preciso que você me ajude a controlar minha teimosia.”

O psicólogo que a recebe é daseinsanalítico. Ele ouve a narrativa de Ana e recorre à concepção de
Historiobiografia de Critelli (2012) para compreender o sentido de seu ser-histórico. Isso significa que:

I – Na narrativa dessa história pessoal e na sua interpretação, é possível redescobrir os nexos através dos
quais se ligam os acontecimentos da existência de Ana e o sentido de ser já realizado.
II – O sentido processo psicoterapêutico como Historiobiografia é tornar o próprio destino disponível para
nossa ação e autoria.
III – O método fenomenológico exige que Ana suspenda (epoché) as crenças e explicações que tem sobre
sua história e seu comportamento. O psicólogo zela para que o paciente faça isso.
IV – Ao dizer: “minha mãe diz que eu sou teimosa desde a barriga dela,” Ana revela uma historieta,
indicativa de seu perfil, seus sonhos e temperamento, que orienta seu posicionamento nas situações de
sua vida.

Estão CORRETAS somente as afirmativas:

A - I, II e III.
B - II, III e IV.
C - I, III e IV.
D - II e IV.
E - I, II e IV.

Comentários:

A III está errada pois o caminho não é suspender as crenças, mas sim compreendê-las. Compreender o
existir que foi moldado por estas crenças e descobrir como são expressos, pelos sentidos e nexos
encontrados, os fatos da vida da pessoa.

Exercício 13:
Paula é uma mulher de 54 anos, casada há 36. Procura um psicólogo pois sente que seu casamento está
terminando. Seu marido não a procura mais sexualmente e ela teme que ele tenha uma amante. Ela diz
que tem se esforçado para recuperar a relação, como fez em outros momentos da vida do casal em que
sentiu que as coisas não iam bem. Conta que na última discussão com seu marido disse a ele que ele
precisava fazer terapia, mas como ele recusou, foi ela quem acabou vindo. Mas está desesperançosa,
pois toda vez que tenta iniciar um diálogo ou “criar um clima romântico”, segundo ela, acabam brigando.

O psicólogo é daseisanalítico é pede a Paula que retome a última vez que isso aconteceu e descreva suas
intenções. Essa intervenção está de acordo com os fundamentos da terapia daseinsanalítica descritos por
Critelli (2012), pois:

I – Os atos de Paula não são autossignificantes. O significado deles aparece nas relações com os outros.
Pensando na especificidade da relação com seu marido, o significado das ações de Paula depende de
como elas repercutem nele.
II – Conhecer as intenções de Paula é a chance de o psicólogo descobrir se seu marido entendeu errado o
significado das ações dela.
III – O psicólogo pergunta a ela suas intenções, pois estas permanecem veladas a quem age. A
psicoterapia tem o objetivo de desvelar as intenções das ações dos pacientes.
IV – Compreender as intenções dos gestos e das ações de Paula possibilita ao psicólogo orientá-la a agir
mais de acordo com suas intenções. Esse é o objetivo da psicoterapia fenomenológico-existencial:
aproximar ao máximo as intenções (singulares) das ações (compartilhadas).
V – As intenções vinculam Paula aos seus atos. Se seus atos perdem o vínculo com suas intenções, ela
corre o risco de se perder de si mesma, absorvida pelo testemunho dos outros.
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Estão CORRETAS somente as afirmativas:

A - I e V.
B - I, II e V.
C - II, III e IV.
D - II, IV e V.
E - I, III e V.

Comentários:
A intervenção do psicólogo é libertar o homem do aprisionamento por tomar -se como um ente
cujo modo de ser é simplesmente dado, esquecendo-se de sua liberdade enquanto existente".

Exercício 14:
Adriana foi encaminhada ao psicólogo por seu endocrinologista. Ela está muito acima de seu peso ideal.
Começou uma reeducação alimentar, mas considera que “come por ansiedade”, que “comida é
compulsão” e que enquanto “não conseguir se controlar sua voracidade” não conseguirá emagrecer como
precisa. Ela pede ao psicólogo: “Preciso que você me ajude a ter controle sobre mim.” O psicólogo que a
atende é daseinsanalista e reconhece nesse pedido da paciente uma manifestação do modo-de-ser da Era
da Técnica (Pompeia & Sapienza, 2011). Considere as afirmativas abaixo:

I – Assim como muitas pessoas que procuram psicoterapia, Adriana está tentando controlar algo. O
psicólogo daseinsanalítico investigará com ela o sentido dessa necessidade, a fim de que ela consiga ela
mesma se controlar, sem depender do psicólogo.
II – Adriana espera que o terapeuta seja capaz de livrá-la de algo que a atrapalha e precisa ser extirpado
de sua vida. Ela sente que precisa livrar-se de sua voracidade. O terapeuta daseinsanalista compreende
liberdade como “liberdade de...”, o que significa que ele a acompanhará com a intenção de resgatar sua
liberdade da voracidade.
III – O psicólogo daseinsanalista não tem o poder de realizar o que Adriana pede (livrá-la da voracidade).
Oferece, outrossim, a ocasião de Adriana poder se aproximar do seu existir.
IV – O psicólogo daseinsanalista deve se colocar na relação terapêutica com Adriana como um parceiro na
procura pela verdade de sua história (seu momento atual, o já vivido e o ainda por viver.)

Estão CORRETAS somente as afirmativas:

A - I e II.
B - II e III.
C - III e IV.
D - I, III e IV.
E - II, III e IV.

Comentários:

A intervenção do psicólogo é ajudar como aquele que trata do modo de existir e não do funcionar do
homem

Exercício 15:
Édson, comerciante de 49 anos, procurou psicoterapia no começo do ano. Logo no início da primeira
sessão conta que tem dúvidas quanto a permanecer casado. Considera que se casou jovem, quando não
tinha tanta experiência, e que se pudesse voltar no tempo teria esperado mais para tomar essa decisão.
Está casado há 30 anos e tem 3 filhos (João, 27, Édson Jr., 24 e Juliana, 16). Perdeu o emprego há 10
anos e começou um negócio próprio de venda de cosméticos, mas desde então vivencia dificuldades
financeiras. Conta que a esposa, que ”tem um salário muito bom”, ajuda nas finanças. Sente que ela o
cobra e critica constantemente. Não fez a faculdade de administração que queria ter feito, o que contribui
para a sua sensação de ser um fracassado. Conta que quando fica em casa é desleixado, às vezes nem
faz a barba. Conversa muito pouco com sua esposa e quando faz, frequentemente acabam discutindo.
Conta que não têm relações sexuais há muitos anos.
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Conta que antes de se casar saía com muitas mulheres. Essa atitude não mudou desde que casou, pois
frequentemente sai com mulheres sem que sua esposa saiba. Às vezes os relacionamentos
extraconjugais ficam mais sérios, como o que vivencia atualmente. Está se relacionando com Joana há 2
anos. Sente-se cobrado por Joana, que mais uma vez ameaçou terminar o relacionamento com ele caso
ele não se divorcie para ficar ela. Nos últimos meses, não sente “tanto tesão por ela”, explicando que “não
tem suportado ficar deitado junto com ela por muito tempo. Temos discutido muito.” Está muito aflito neste
momento também porque sua filha descobriu o caso com Joana. Édson está confiante de que sua filha
não contará nada à mãe, mas sabe que ela não concorda com a situação, pois ela deixou de falar com o
pai desde que descobriu. Conta por fim que procurou a terapia, pois já teve que ir ao hospital duas vezes
por fortes dores no peito e sensação de que ia morrer, mas chegando lá os médicos não diagnosticaram
nenhum problema cardíaco e recomendaram a visita a um psiquiatra.
Não sabe o que fazer e se sente impotente par agir. Veio pedir ajuda ao psicólogo para tomar uma
decisão. Considera-se numa situação difícil, pois não quer magoar ninguém. Descreve-se como doente.

Sendo daseinsanalítico, o psicólogo que atende Édson:

I – ouve a fala dele como reveladora de sua realidade. Conhecer Édson significa compreender seu modo
de ser-no-mundo, isto é, sua situação enquanto modo como está sendo possível existir neste momento.
II – para conhecer Édson, precisará conhecer as pessoas de sua convivência, assim desvelar mais
claramente os fenômenos referentes à vida conjugal. Para isso o psicólogo precisa convidar a esposa dele
para pelo menos uma sessão.
III – entende que Édson está distante de si mesmo, pois se enxerga a partir das relações que vivencia.
Seu bem-estar está condicionado aos relacionamentos. Para a daseinsanalyse, o dasein é singular e
precisa cuidar de sua existência a partir de si mesmo, tornando-se independente.
IV – ouve as falas de Édson sobre sua esposa, sua amante e sua filha como descritivas de seus modos de
ser-com-os-outros. A existência é sua situação, é suas relações. Nestas relações Édson é ser-no-mundo-
com-os-outros e esses outros desvelam-se para ele tal como ele os descreve.

Estão CORRETAS somente as afirmativas:

A - II e III.
B - I, II e III.
C - I, III e IV.
D - I, II e IV.
E - I e IV.

Comentários:

A alternativa I e IV estão de acordo com a daseinsanalyse.


A alternativa II está incorreta, pois não é necessário conhecer as pessoas da convivência, os fenômenos são
entendidos a partir do próprio daisen, é o ser que fala e dá sentido a sua existência.
A alternativa III está incorreta, pois é próprio do daisen se enxergar à partir das relações que vivencia. O ser-aí é
um ser-no-mundo, logo social no sentido de sua existência.

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