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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH

Departamento de Relações Internacionais

Disciplina: Globalização, Política e Cultura

Aluno: Lucas do Nascimento Tomaz

Matrícula: 201610041711

Prof°: Larissa Rosevics


Resenha texto: CASTELLS, Manuel. Prólogo: a rede e o ser. - do livro "A sociedade
em rede"

Nas últimas décadas, principalmente após o final da Guerra Fria, o sistema capitalista
internacional começou a passar por um processo de reestruturação, e isso não só afetou o meio
econômico e a dinâmica industrial, mas também afetou o indivíduo em si, o ser na sociedade.
Tudo isso se deu por uma revolução tecnológica, ainda em curso, baseada em um mundo agora
informacional, interligado através de redes que vem transformando a base da sociedade
aceleradamente.

No prólogo: A Rede e o Ser, Manuel Castells traz uma análise sobre o fenômeno
contemporâneo do informacionalismo que tem se desenvolvido dentro de uma lógica da
globalização capitalista a partir do final do século XX. Há uma revolução tecnológica que, de
acordo com o autor, determina as relações sociais, econômicas e políticas da sociedade atual e
modifica toda a dinâmica de produção, gerando inovações, e possibilitando assim, analisar a
relação entre tecnologia e sociedade que está ligado diretamente ao papel do Estado, seja
paralisando, seja promovendo e liderando a inovação tecnológica, e a partir disso, percebe-se
que o fator produtivo nessa sociedade informacional está na revolução tecnológica, na criação
de conhecimentos, e não na produção industrial em si.

Castells mostra então uma nova forma de relação entre economia, Estado e sociedade,
e que, contudo, isso promove a acentuação de um desenvolvimento desigual. Castells cita isso
como "[...] a consolidação de buracos negros de miséria humana na economia global". Ele fala
de algumas formas de exclusão, como por exemplo, pessoas são excluídas por não possuírem
iniciação aos instrumentos tecnológicos da sociedade ou pela impossibilidade de consumo ou
também por territórios que não são atualizados com informação.

Devido a ampla desestruturação das organizações, a deslegitimação das instituições,


flexibilidade de gerenciamento, dentre outros, causados por essa nova fase de modo de
desenvolvimento, a identidade do indivíduo está se tornando a principal fonte de significado.
As pessoas passam a organizar o seu "eu" com base no que elas são e não no que fazem, e
graças as redes interativas de computadores que além de integrar globalmente a produção,
proporcionam a perda do significado do ser, os indivíduos começam a buscar por identidades
primárias (à exemplo, identidades religiosas, étnicas etc.), às tornando na maior força de
segurança pessoal. Em consequência desse fator, as identidades têm se tornado cada vez mais
especificas e, portanto, mais difíceis de compartilhar, formando um sujeito separado,
independente. Proporciona então uma distância entre globalização e identidade, entre a Rede e
o Ser.

Percebe-se então que as redes globais conectam e desconectam os indivíduos, grupos e


regiões, a partir de sua importância na realização dos objetivos processados na mesma, em
fluxo contínuo de decisões estratégicas. Esse modo de desenvolvimento informacional, modela
toda a esfera de comportamento social, inclusive a comunicação simbólica, compondo tudo
que faz parte da cultura humana. Logo, há uma relação entre cultura e forças produtivas nesse
processo de tecnologia de informação.

Em consequência desses fatos, surge um processo de fragmentação social, à medida


que a velocidade de transformação do desenvolvimento tecnológico, as mudanças sociais
também sofrem transformações um tanto quanto drásticas, e assim grupos sociais são
influenciados e alienados e se curvam mutuamente como ameaça, e tudo isso é produto de uma
perda de identidade, provocada, como o autor mostra, pelo fenômeno da globalização.

É compreensível também que, as redes aumentam a capacidade humana de organização


e integração, onde as pessoas, a partir das identidades que elas se abraçam, fortalecem
movimentos sociais e criam novos movimentos, para assim, lutar, legitimar e proteger tais
identidades. Castells, dá o exemplo do processo de transformação da condição feminina, da
qual o patriarcalismo foi enfraquecido em várias sociedades. Ele diz que houve uma
remodelação essencial das relações entre mulheres, homens, crianças e, consequentemente, da
família, sexualidade e personalidade.

Diante de todos os fatos citados acima, percebe-se que Manuel Castells aproxima, de
forma intrínseca esse novo modo de desenvolvimento do capitalismo, que gera a sociedade
informacional, ao fenômeno da globalização. Visto que o mesmo traz importantes implicâncias
para esse mundo agora conectado por grandes fluxos de redes e com constante mudança de
inovações tecnológicas e por consequente, ao indivíduo, ao ser em sociedade.
A maioria dos debates sobre a globalização, trazem aspectos de como tal fenômeno
global molda o modo de desenvolvimento industrial, com base em uma economia relacionada
à grandes empresas e produção fabril, divisão do trabalho ao redor do mundo, processo de
produção das multinacionais, etc. De fato, são aspectos presentes na discussão da globalização
e que promovem intensas mudanças na sociedade global e, além disso, sofrem mudanças pelo
processo tecnológico informacional. Mas o que Castells faz é, trazer o debate da globalização
para esse meio de desenvolvimento informacional, ele contribui de forma a mostrar como esse
desenvolvimento afeta o meio industrial e social e todos os seus aspectos e como esse mundo,
agora baseado em uma tecnologia de informação é afetado pela globalização.

Ou seja, ele estuda o fenômeno recente e atual da globalização e mostra as diversas


facetas desse processo de uma sociedade informacional, e discute como tal processo influencia
as relações sociais, políticas, econômicas e como agora, as redes de computadores passam a
interligar o mundo e afetar os grupos sociais e as dinâmicas das empresas.

A despeito do estudo que o autor faz, atribuo importância às contribuições dele, pois
vivemos no mundo do qual ele debate, um mundo interligado por redes que moldam as relações
entre os indivíduos e o mundo econômico/comercial. É fato perceber que cada vez mais o
sistema computadorizado domina o ambiente global atualmente, e como o autor mostra, isso
leva a implicações no que tange ao comportamento humano e na busca por identidades.

Considero os apontamentos de Castells importantes para aplicarmos ao cotidiano, à uma


realidade nossa composta por diferentes tipos de movimentos sociais, movimentos que ganham
força e articulação cada vez maior devido ao sistema informacional. Com isso, obtivemos e
continuaremos a obter conquistas e direitos individuais de identidade antes impensáveis, como
exemplos à direitos das mulheres com o fortalecimento do movimento feminista ou também
direitos LGBTI+. Mas, como o autor traz para discussão, também há desigualdades nesse
ambiente tecnológico que acentuam uma relação cada vez mais típica do sistema internacional
com acesso a tais mecanismos e deixando locais sem acesso à tais inovações à mercê de grandes
regiões hegemônicas. Além disso, com tal busca por identidades, os indivíduos passam a cada
vez mais se fecharem em grupos específicos e em um individualismo devido a um mundo
conturbado que desintegra a sociedade e faz com que pessoas de diferentes ideologias e
identidades se afastem do que é oposto e convivam apenas com aquilo que é igual e isso nem
sempre é uma condição boa. Em curtas palavras, o texto mostra uma expressão paradoxal do
ser na sociedade.