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A linguagem radiofénica’' Armand Balsebre radio é um meio de comunicacado, difusdo e expressao que tem duas metas importantes: a reconstituicao e a recriagaéo do mundo real e a criagao de um mundo imaginario e fan- tastico, “produtor de sonhos para espectadores, perfeitamente des- pertos”. E um veiculo que foi capaz de criar uma nova poesia: a poe- sia do espaco. Mas teria 0 radio uma linguagem especifica? Na busca pela linguagem auténtica do meio foi possivel definir empiricamente sua gramatica e sua sintaxe. Exisie linguagem quan- do tem-se um conjunto sistematico de signos que permite certo tipo de comunicacao. A fungado comunicativa da linguagem tem aspecto duplo: o cddigo, repertério de possibilidades para produzir enuncia- dos significantes e a mensagem, variagdes particulares sobre a base do cédigo. A lingiiistica moderna fixa também um terceiro aspecto entre 0 cédigo e a mensagem: 0 uso social e cultural. Amensagem é um agrupamento acabado, ordenado de elementos concentrados em um repertério que constitui uma seqtiéncia de sig- nos reunidos segundo certas leis. E a comunicacao s6 é possivel quan- do o repertério de elementos é conhecido por emissor e receptor. Atu- almente, devemos incorporar também neste processo a tecnologia. E sem a interacdo emissor-receptor, sem a mediacao de um processo de percepcao, podemos considerar que a produgao de mensagens nao tem sentido. Quanto mais comuns e consensuais forem as estraté- gias de produgao de significado, de codificagao e deciframento, mais eficazes serdo as mensagens na comunicacao emissor-receptor. Mas para isso, também é preciso integrar a forma e 0 contetido, o seman- tico e o estético. O semantico é tudo que diz respeito ao sentido mais direto e mani- festo dos signos de uma linguagem, transmite o primeiro nivel de significagao sobre 0 que se constitui o processo comunicativo.O esté- ‘Este texto é uma traducao resumida do livro El lenguaje radiofénico de Arrnand Balsebre, Madri: Editora Catedra, 1994, 250 p. 327 Teorias do Radio - Textos e contextos tico € o aspecto da linguagem que trata mais da forma da composi¢ao da mensagem e se fundamenta na relagao variavel e afetiva que 0 sujeito da percepcao mantém com os objetos de percepcao. A mensa- gem estética é portadora de um segundo nivel de significagao, cono- tativo, afetivo, carregado de valores emocionais ou sensoriais. E a informacao estética da mensagem influi mais sobre nossa sensibi dade do que sobre nosso intelecto. A comunicacaéo sera mais completa e eficaz dependendo da proxi- midade sécio-cultural dos codigos do emissor e do receptor. Para a eficacia da mensagem é também necessario um equilibrio entre infor- macao estética e semantica. pois ambas representam de forma mais completa a polissemia que abrange toda producao de significado e sua interpretacao em um contexto comunicativo. O som é definido como todo “ruido” elaborado ou classificado em uma cadeia significante. A partir desta proposicao, considera-se as mensagens sonoras do radio como uma sucessao ordenada, continua e significativa de “ruidos” elaborados pelas pessoas, os instrumentos musicais ou a natureza, e classificados segundo os repert6rios/cédi- gos da linguagem radiofonica. Inicialmente, a mensagem sonora do radio era considerada apenas como linguagem verbal. Com o desenvolvimento tecnolégico da reproduc¢ao sonora; a profissionalizacao dos roteiristas, montadores, realizadores e locuto- res; a adaptacdo ao novo contexto perceptivo imaginativo, que deter- minava uma maneira distinta de escutar o som, e, também, com 0 pleno convencimento de que a mensagem sonora do radio poderia transformar e tergiversar a expresséo da natureza, principalmente através da ficcao dramatica, criando novas paisagens sonoras, nas- ceram rapidamente novos cédigos, novos repertorios de possibilida- des para produzir enunciados significantes. A partir de MOLES?, podemos designar a natureza estrutural da mensagem sonora do radio em trés sistemas expressivos muito con- cretos: a palavra, a musica e o ruido ou efeito sonoro. Mas MOLES. nao traz o siléncio em sua classificacao. No entanto, a informacao que o siléncio no radio transmite tem uma significacao importante para o considerarmos um elemento a mais da mensagem radiofonica: o sistema expressivo ndo sonoro. E importante ressaltar que definir a linguagem radiof6nica apenas como linguagem verbal é excluir 0 ca- rater do radio como meio de expressao. Outro ponto de destaque a ser considerado € a tecnologia, cujos recursos expressivos influenciam a codificagéo das mensagens ao ?Abraham Moles escreveu, em 1975, 0 livro La comunicacion y los mass media. 328 Alinguagem radiofénica - Armand Balsebre possibilitar procedimentos técnicos, que por meios artificiais permi- tem ao receptor a ilusao de uma determinada realidade sonora. E 0 ouvinte percebe e imagina (producao de imagens auditivas) de acordo com seu sistema sensorial adaptado as condigdes em que se produz a escuta radiofonica. E a seguinte estrutura que definira, entdo, o sis- tema semidtico radiofonico: Resumindo, entao, a linguagem radiofonica é 0 conjunto de for- mas sonoras e nao sonoras representadas pelos sistemas expressivos da palavra, da musica, dos efeitos sonoros e do siléncio, cuja signifi- cagao vem determinada pelo conjunto dos recursos técnicos/expres- sivos da reproducao sonora e 0 conjunto de fatores que caracterizam o processo de percepcao sonora e imaginativo-visual dos ouvintes. sistema semiético radiofénico tecnologia linguagem radiofonica ouvinte recursos técnicos/ expressivos da reprodugao sonora efeitos sonoros palavra percepgaio siléncio radiofénica musica Deve-se, ainda considerar, dois enfoques importantes: a caracte- ristica de fenédmeno actistico e a qualidade estética da natureza da mensagem radiofonica. Se a informagao estética na linguagem gera- se através de uma excitacao sentimental no processo comunicativo, e esta guarda uma grande conexéo com o simbélico e 0 conotativo, a linguagem radiofonica necessita integrar em seu sistema semiético aqueles elementos expressivos que codificam o sentido simbélico. A utilizacdo da musica e dos efeitos sonoros na producao de enun- ciados significantes, como signos substitutivos de uma determinada idéia expressiva ou narrativa, pode superar muitas vezes 0 proprio sentido simbélico e conotativo da palavra. O simbolismo de uma mu- sica descritiva que estimula a producao imaginativo-visual de paisa- gens ou situacdes de tensdo dramatica, ou ainda de cores claras ou escuras, adquiri um significado no radio de uma forca expressiva transcendental. Um ritmo musical repetitivo num programa informa- 329