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A teoria das “formas de governo” em Weber,

Kelsen, Poulantzas e Juan Linz.


Introdução: objetivos

 O objetivo da aula de hoje é analisar


sumariamente as idéias de alguns autores
procuram abordar a questão das “formas de
governo” a partir dos princípios expostos em
tais teorias.

 Vários critérios possíveis para definir formas


de governo: democracias X ditaduras etc.
Introdução: problemas

 1) Quais os critérios utilizados por cada um dos autores e


problemáticas teóricas para analisar e tipificar cada uma das
formas de Estado possíveis de serem concretizadas num
determinado tipo de Estado;
 2) Como os autores derivam logicamente tais critérios e tais
formas de suas respectivas teorias do Estado?
 3) Quais são as principais “formas de governo” (ou seja, forma
de Estado e regime político) definidos por cada um dos
autores?
 4) Por fim, mas não menos importante: como os autores
definem o conceito de democracia a partir da
operacionalização dos princípios anteriores?
Introdução: Bobbio

 Examina vários usos das expressões ditadura e


democracia ao longo da história do pensamento
político
 (1) Uso descritivo:
 - Aristóteles/Montesquieu/Kelsen

 (2) Uso prescritivo:


 Platão/Rousseau

 (3) Uso histórico:


Introdução: significados da expressão
democracia

 Tocqueville, “A democracia na América” => a


expressão democracia não significa
necessariamente uma “forma de governo”,
mas tem múltiplos significados;
 Weber/Kelsen/Schumpeter/Dahl/Poulantzas/
Sartori => buscam elaborar uma definição
“minimalista” e operacional de democracia
como uma “forma de governo”/processo
decisório
Definições de democracia: elites e
burocratismo.
 Definição mais influente de democracia na ciência
política contemporânea
 => é a formulada por Robert Dahl, em seu conhecido e influente
trabalho intitulado Poliarquia, que deriva de algumas
considerações de J. A. Schumpeter sobre o tema:

 Democracia para Schumpeter:


 É fundamentalmente um método de seleção de elites políticas
pelas massas [influencia da teoria das elites]

 Democracia ou “poliarquia” para Robert Dahl


 Define-se pela presença ou ausência de uma série de
características institucionais específicas, agrupadas em duas
dimensões: competição política [entre elites] e participação do
eleitorado [na escolha destas elites] [pluralismo elitista]
1) Estado e formas de Estado em Juan Linz
 Critérios utilizados por Juan Linz para diferenciar os regimes políticos
ou tipos de sistemas políticos = modo como os diferentes sistemas
políticos desempenham suas principais funções[deriva da análise
sistêmica]:

 manter o controle;
 obter legitimidade;
 Recrutar elites;
 articular e agregar interesses;
 tomar decisões e relacionar as diferentes esferas institucionais.
Critérios
 Weber => relação entre o princípios meritocrático da
burocracia X princípio da representação na seleção de
lideranças políticas para o processo de governo
 Kelsen => autonomia X heteronomia da “constituição
material”
 Schumpeter => mecanismo de seleção de elites
 Dahl => competição X participação política
 Juan Linz => desempenho de cinco funções do sistema
político
 Poulatnzas => predomínio Executivo X Legislativo
Quadro-síntese da tipologia de J. Lins:
2) Estado e formas de Estado em Hans
Kelsen.

 Veremos alguns autores que derivam suas


definições de democracia e de formas de
Estado de outras problemáticas teóricas,
especialmente de uma teoria do Estado. As
diferenças parecem ser sutis, mas não são.

 Objetivo é contrastar com o Juan Linz.


1.1) Estrutura da obra “Teoria Geral do
Direito e do Estado”.
 → Primeira parte - O Direito: Estática jurídica, onde ele procurará definir o objeto de
uma teoria geral da estrutura jurídico-política, e alguns de seus elementos
fundamentais:

 A definição da conduta humana como objeto de regras;

 A separação da idéia do Direito da idéia de Justiça;

 O “direito” ou estrutura jurídico-política como uma ordem coercitiva


imposta por uma dada autoridade política central num determinado espaço
territorial;

 O direito como uma técnica social específica que motiva e imprime sanções
aos indivíduos em nome da coletividade;

 Os conceitos gerais de normas e seus vários subtipos: sanção; delito; dever


jurídico; competência jurídica; responsabilidade jurídica; competência
jurídica e imputabilidade; pessoa jurídica etc.;
1.1) Estrutura da obra “Teoria Geral do
Direito e do Estado”.
 → Segunda parte: Dinâmica jurídica, onde ele aborda a relação ou a
interação entre os vários elementos de um dado sistema ou
ordenamento jurídico, tais como:
 A unidade de uma ordem normativa e seu fundamento de validade;

 O conceito de norma fundamental e os princípios da legitimidade e da


eficácia de um dado ordenamento jurídico;

 A questão da hierarquia das normas e de sua aplicação pelos órgãos


superiores e inferiores; conceitos e níveis de análise correlatos;

 A relação ou relações entre uma abordagem “sociológica” e uma


abordagem “normativa” da estrutura jurídico-política, no sentido
peculiar que o Kelsen dá a estes termos;
1.2) A teoria das formas de Estado e da
Democracia em Hans Kelsen.
 → Como eu disse na aula anterior, esse texto do Kelsen é
subsidiário ao artigo do Poulantzas/Saes e visa a desmistificar
um pouco essa idéia de “estrutura”.
 No fundo, o objetivo da análise do Kelsen em sua “teoria pura
do Direito e do Estado” é bastante semelhante ao conceito de
estrutura jurídico-política dos althusserianos, embora o
universo teórico de ambos seja bastante diferente.
 A leitura dos trabalhos de Kelsen nos ajuda a responder à
pergunta de porque os estruturais-marxistas dão tanta
importância para o conceito de estrutura jurídico-política para
se entender a reprodução da totalidade social.
Formas de governo: democracia e
autocracia. (Elementos fundamentais)
 Critérios das teorias das formas de governo e de Estado

 Definição de democracia como a concretização do princípio da


maioria, corporificado em diversas instituições  dimensões do
conceito de democracia;

 Crítica da natureza representativa da democracia parlamentar;

 Abordagem da autocracia e inclusão do presidencialismo e do


governo de gabinete entre as formas de Estado “autocráticas”;
Questão dos critérios para uma teoria das
“formas de governo’

 a forma como é elaborada o que ele chama de


“Constituição Material” [ou seja, o processo de
elaboração da legislação ou das normas gerais que
regulam a vida social numa determinada coletividade
[cf. p. 406]

 “Segundo a terminologia usual, em Estado é chamado


democracia se o princípio democrático prevalece na
sua organização, e um Estado é chamado autocracia se
o princípio autocrático prevalece” (p. 407)
Elementos ou dimensões do conceito de
democracia:
 A) A Metamorfose da idéia de liberdade” => passa a
ser uma “liberdade positiva”;

 B) Operacionalização do princípio da maioria

 C) Respeito aos direitos de minoria: 411

 D) Constituição de uma opinião pública/liberdade


de opinião: 411

 E) Adesão ou aceitação à idéia da Compromisso: 412


→ Crítica à idéia de representação:
 Ele faz uma crítica a meu ver bastante sugestiva à “ficção da
representação” e à idéia de que a democracia parlamentar seja uma
democracia de fato “representativa”: 413

 Para ele, as democracias parlamentares não são efetivamente


representativas pelos seguintes motivos:
 (i) existem vários ramos do aparelho de Estado, especialmente no
judiciário e do aparelho administrativo, onde não vigora o princípio da
eletividade;

 (ii) as elites dirigentes não são responsáveis juridicamente pelo


eleitorado;

 (iii) Inexistência do mandato imperativo inviabiliza isso;

 (iv) A responsabilidade política dada pela ameaça de não-reeleição é


inteiramente diferente da responsabilidade jurídica.
Crítica à idéia de representação [citações]:
 “A fórmula segundo a qual o membro do parlamento não é o
representante dos seus eleitores, mas do povo inteiro ou, como dizem
alguns autores, do Estado inteiro e que, portanto, ele não está obrigado
por quaisquer instruções dos seus eleitores e não pode ser destituído, é
uma ficção política. A independência jurídica dos eleitos perante os
eleitores é incompatível com a representação jurídica. (...) Se na houver
nenhuma garantia jurídica de que a vontade dos eleitores será
executada pelos eleitos, se os eleitos são juridicamente independentes
dos eleitores, não existe nenhuma relação jurídica de procuração ou
representação”: 415

 “Se os cientistas/autores políticos insistem em caracterizar o parlamento


da democracia moderna, a despeito de sua independência do
eleitorado, como um órgão ‘representativo’, se alguns autores chegam
mesmo a declarar que o mandat imperativ é contrário ao princípio do
governo representativo, eles não apresentam uma teoria científica, mas
uma ideologia política. A função dessa ideologia é dissimular a situação
real, é sustentar a ilusão de que o legislador é o povo, apesar do fato de
que, na realidade, a função do povo ─ ou, formulando mais
corretamente, do eleitorado ─ limita-se à criação do órgão legislativo”:
Elementos integrantes dos sistemas
eleitorais democráticos:
 A) O corpo eleitoral ou eleitorado: são os votantes autorizados a
eleger um ou outro indivíduo;

 B) O direito de Sufrágio: direito ou dever;

 C) Representação Majoritária ou Proporcional: 420

 D) Os Partidos Políticos: 421

 E) Defesa da Idéia de Representação Proporcional: 422

 F) Representação Funcional ou Corporativa: 425

 G) Democracia da Legislação: 425

 I) Democracia de Execução: 427


Elementos dos sistemas autocráticos:
 Principais modalidades de “regimes autocráticos”:
 (i) Monarquia absoluta;

 (ii) Monarquia Constitucional:

 (iii) República Presidencial:

 (iv) Ditadura de Partido: 430

 Cf. como ele aplica os critérios. Estranhamente, ele inclui as


democracias presidenciais entre as “autocracias”, o que é um
exagero.

 É também uma ilustração do caráter altamente restritivo de seus


critérios.
Comentários finais:
 A tipologia de Kelsen das formas de governo e sua crítica da natureza
“representativa” das modernas democracias parlamentares não tiveram
muita influência => ao contrário, há um silêncio inquietante sobre suas
concepções;

 Mas a tipologia de Juan Linz teve uma grande influência e inspirou toda
uma literatura sobre regimes “autoritários” [voltaremos a este grande
cientista político ao analisarmos o problema das formas de governo];

 Podemos perceber uma influência indireta dos trabalhos de Kelsen na


teoria do Poulantzas;

 Esse texto do Bobbio é um mero comentário geral a várias concepções


de democracia existentes aos longo da história do pensamento político;
Próximas aulas:
 Veremos a análise da representação política em
Bernand Manin e alguns de seus desdobramentos;

 Crise de representação; elementos básicos do


governo representativo; três modalidades de
governo representativo; conceito-chave de
“democracia de público”;

 Depois entraremos no tema dos sistemas eleitorais


e dos partidos políticos.
Referências bibliográficas:
 BOBBIO, N. (1997). Estado, governo e sociedade; para uma
teoria geral da política. 6 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

 KELSEN, H. (1998). Teoria Geral do Direito e do Estado. 3 ed.


São Paulo: Martins Fontes.

 LINZ, Juan. (1986). “Um regime autoritário: Espanha.”

 POULANTZAS, N. (1986). Poder político e classes sociais no


Estado Capitalista. 2 ed. São Paulo: Martins Fontes.