You are on page 1of 16

O ENSINO LITERÁRIO COM ÊNFASE NA UTILIZAÇÃO DE NOVAS

TECNOLOGIAS COMO MECANISMO METODOLÓGICO

Adriana Nascimento Amaral1


Fábio Macedo Simas2

RESUMO

As novas tecnologias têm alterado os mais diversos tipos de comportamentos em


áreas distintas, de modo que todo o comportamento político, social, além das relações
de trabalho acabam por tomar novas formas, de acordo com a evolução dos modelos
tecnológicos. O ensino literário, nesse contexto, não pode estar alheio a todas essas
transformações, mas pode e deve utilizar para o aprimoramento do ensino e
transmissão de conhecimentos, aplicando as novas tecnologias como ferramentas e
instrumentos metodológicos de ensino. Nesse sentido, o presente artigo tem o objetivo
de analisar as formas com que as novas tecnologias impactam o ambiente do ensino
literário dimensionando os impactos e buscando compreender como esse processo
se dá. Para tanto, foi utilizada a metodologia de revisão literária visando compreender
os posicionamentos doutrinários a respeito da temática. Finalmente será possivel
compreender que as novas tecnologias representam um avanço e sendo bem
utilizadas podem otimizar o compartilhamento de informações e consequentemente
auxiliar no processo de ensino da literatura.

Palavras Chaves: Novas Tecnologias. Ensino. Literatura.

1 INTRODUÇÃO

O constante e acelerado desenvolvimento das mais diversas modalidades de


tecnologias e insumos tecnológicos tem propiciado um nível de interação nunca antes
visto, o que promove diversas mudanças nos panoramas laborais, de vivência e,
principalmente, de comunicação, reduzindo as fronteiras e aproximando as pessoas.
As distâncias e o tempo acabam por ganhar novos significados, confundindo-se o real
e o virtual. O implemento das novas tecnologias nos mais diversos setores, incluindo
os diversos ramos de pedagógicos, têm tornado processos mais eficientes e as
informações alcançam os destinatários com muito mais velocidade e qualidade
atributos que podem ser explorados no ensino literário (SCHWARTZ, 2008).

1 Aluna concludente do curso de Licenciatura em LETRAS - Língua Portuguesa da Faculdade


Estácio de Sá.
2 Professor Orientador do artigo da Faculdade Estácio de Sá
2

Nesse contexto, segundo Zilberman (2009), muitos estudos têm demonstrado


dificuldades para a transmissão dos conhecimentos literários nos ambientes
escolares, principalmente nas fases de ensino que abarcam o ensino fundamental e
médio. Esse fato é relacionado, de acordo com essas pesquisas, com o desinteresse
e com as metodologias defasadas de ensinos empregadas na difusão desses
conhecimentos, o que nos leva a seguinte indagação: qual o impacto do implemento
de novas tecnologias, como mecanismos metodológicos, no ensino da literatura?

O ensino literário, sob a perspectiva do implemento de novas tecnologias como


mecanismos metodológicos de ensino tem importante relevância para os processos
tem se demonstrado de grande relevância para a transmissão dos conhecimentos
literários, já que o ensino deve acompanhar as transformações do mundo,
alcançando, nesse contexto, o desenvolvimento tecnológico. Assim, o
desenvolvimento desse artigo se fundamentou na própria razão de ser da literatura
que se revela como a identidade história e cultural de toda a sociedade.

O objetivo deste artigo foi o de contribuir com o desenvolvimento de uma análise


visando identificar à necessidade se desenvolver metodologias de ensino
direcionadas ao saber literário, fazendo uso, para tanto, das novas tecnologias. De
maneira específica foi estudada as principais metodologias de ensino que são
utilizadas no ensino da literatura. Posteriormente foram feitos apontamentos acerca
dos impactos das novas tecnologias no cotidiano das pessoas. Finalmente foi feita
uma análise visando entender como as novas tecnologias podem ser implementadas
como um mecanismo metodológico de ensino literário.

A metodologia utilizada no desenvolvimento deste trabalho foi a revisão bibliográfica,


buscando-se, por meio de uma análise crítica e estruturada estabelecer os pontos
mais relevantes para o tema escolhido. A base de pesquisa para o material biográfico
relacionado à temática proposta foi obtido nos principais bancos de dados tais como
Science Direct, Scielo, Portal Capes e Biblioteca Digital Brasileira de Teses e
Dissertações (BDTD). As palavras chaves escolhidas foram as seguintes: Literatura;
Ensino; Novas Tecnologias.
2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 METODOLOGIAS DE ENSINO LITERÁRIO

O processo de ensino literário, isto é, o letramento, possui muitos conceitos. De acordo


com Lopes-Rossi a definição é a seguinte:
Letramento em leitura “consiste em compreender,
utilizar, refletir sobre e envolver-se com textos, a
fim de alcançar objetivos pessoais, construir
conhecimento, desenvolver o potencial individual
e participar ativamente da sociedade (LOPES-
ROSSI, 2012, p. 35 ).

Cademartori (1987), ao destacar a importância do ensino da disciplina, destaca que a


literatura nos períodos iniciais da vida acadêmica do indivíduo influencia de maneira
direta na interação entre o ser e a língua. Segundo autor, essas relações se dão
principalmente por meio do aprendizado do sistema alfabético. Assim, os primeiros
anos se revelam primordiais para o aprendizado, de maneira que o papel da escola é
providencial para a eficiência do desenvolvimento acadêmico dos alunos.

De acordo com Girotto e Souza (2011), em pesquisa realizando visando analisar o


contexto da literatura nas escolas, demonstraram que muitas são as dificuldades
enfrentadas, dentre elas as autoras destacaram o distanciamento dos livros nas
bibliotecas, a falta do preparo por parte dos professores, limitação no que diz respeito
aos processos de planejamento didático, dentre vários outros. Segundo elas atitudes
devem ser tomadas visando tornar o processo de aprendizado literário mais eficiente:
Para que isso se concretize, defendemos o uso do
ensino explícito/reflexivo, inerente à própria
abordagem das estratégias de leitura, nas aulas de
língua materna – aqui especificamente na
educação literária das crianças. No aprendizado e
desenvolvimento da metacognição é importante
estimular os alunos a partilhar os seus progressos
e as suas dificuldades, os processos que utilizaram,
as percepções sobre si próprios como leitores em
formação e de seus comportamentos cognitivos
durante a realização das tarefas e a explicitar e
avaliar antes, durante e depois da leitura os
processos que já realizavam e passaram a realizar
na/para/com atividade literária. (Girotto & Souza,
2011, p. 25).
De acordo com Girotto e Souza (2011), algumas estratégias podem ser adotadas em
conjunto com a leitura de textos literários, quais seja: conexão, de modo a permitir a
ativação dos pré-conhecimentos de modo a nortear o leitor; inferência, fomentando a
busca por conclusões não explicitas no texto; visualização, incentivando a criação de
cenários por meio das palavras utilizadas nos textos, fomentando o uso da
imaginação; questionamento, fazendo uso das informações extraídas da leitura e
indagando como essas interagem entre si e qual o propósito no contexto do texto;
síntese, comutando a leitura e as próprias impressões pessoais; sumarização,
destacando as partes mais relevantes do texto, de modo possibilitar maior eficiência
na interpretação do texto por parte do aluno.

É necessário que, quando da leitura de uma obra literária, duas linguagens sejam
levadas em consideração: a língua a qual o autor escolheu para escrever e a
linguagem do texto. João Alexandre Barbosa aborda essa ideia da seguinte maneira:
É difícil “ler”, apreciar um quadro de MONDRIAN,
por exemplo, se não se conhece um pouco de que
modo esse pintor se insere na tradição da pintura
holandesa. Isso porque os primeiros quadros de
MONDRIAN são absolutamente figurativos e
dialogam com a tradição da pintura holandesa. Ele
não chegou ao abstrato sem antes passar por um
percurso enorme, que foi o aprendizado da
linguagem de um determinado tipo de arte – uma
arte bastante localizada, a arte visual holandesa
(BARBOSA, 1994, p.22).

De acordo com Geraldi (2004), o triunfo do educador, quando se trata da evolução da


leitura, reside no incentivo ao aluno, destacando a importância e o prazer que derivam
do ato de ler além do respeito aos conhecimentos prévio do indivíduo. O autor destaca
também que a introdução do leitor ao universo da leitura não deve ser realizada
diretamente com clássicos da literatura, ou seja, nos momentos iniciais o ato de ler, e
ler com intensidade, é mais relevante do que é lido, superando assim a própria
vontade do professor.

Cosson (2006), apresenta duas estratégias de grande peso para o ensino da literatura.
Um é direcionado ao ensino fundamental, sendo considerada uma sequência mais
básica, a outra, direcionada a alunos do ensino médio é considerada uma sequência
expandida. Além dessas estratégias, o autor chama atenção para a utilização de três
técnicas, quais sejam: a oficina; o andaime; e o portfólio. A técnica da oficina se
relaciona com as atividades e os ambientes representados nos textos. Já a técnica do
andaime busca a interação dos professores com os alunos. A técnica do portfólio é
voltada às impressões e atividades dos alunos que devem ser registradas. Essas
estratégias têm por objetivo tornar o ensino literário mais dinâmico e prazeroso tanto
para alunos como professores.

Ainda de acordo com Cosson (2006, p.65), o resultado da execução dessas técnicas
é a interpretação:
(...) na escola é preciso compartilhar a interpretação
e ampliar os sentidos construídos individualmente.
A razão disso é que, por meio do compartilhamento
de suas interpretações, os leitores ganham
consciência de que são membros de uma
coletividade e de que essa coletividade fortalece e
amplia seus horizontes de leitura.

É importante que se ressalte que tanto a sequência básica como a expandida


possuem as mesmas etapas. Porém, na sequencia expandida são verificados dois
cenários no que diz respeito à interpretação. O primeiro trata da interpretação global
do conteúdo lido, o que abarca majoritariamente os aspectos formais, já o segundo é
relacionado ao aprofundamento do contexto textual a ser abordado durante as aulas
(COSSON, 2006).

Aguiar e Bordini (1993), desenvolveram o “Método Recepcional”. Essa estratégia de


ensino, baseada na “Estética da Recepção”, busca preparar o professor quanto á
seleção de textos que se adequem à realidade do aluno, considerando os aspectos
de vivencia, mas ao mesmo tempo apontando novos caminhos. Em outra faceta a
metodologia busca destacar a relevância do aprofundamento da reflexão sobre a
literatura destacando os fatores estruturais.

A metodologia desenvolvida por Aguiar e Bordini (1993), apresenta cinco etapas


relativas ao que chamara de horizonte de expectativa, quais sejam: a determinação;
o atendimento; a ruptura; o questionamento; e, por fim, a ampliação. O último
momento, e considerado o mais relevante, proporcionam ao aluno uma compreensão
acerca do processo evolutivo sofrido, servindo de balanço para as conquistas
angariadas por meio da literatura. O início da metodologia se dá justamente com o
cumprimento dessas etapas.
Saraiva e Mügge (2006), também inspirados na “Estética da Recepção”
desenvolveram uma metodologia importante. De acordo com os autores a estratégia
metodológica desenvolvida foi estabelecida mediante a análise dos relatos e no
processo de capacitação tanto de professores e alunos, alcançando um elevado nível
de aceitabilidade sendo assim esquematizada.

Essa proposta não se diferencia de maneira exorbitante das técnicas expostas


anteriormente, consistindo em três etapas. A primeira é a da leitura compreensiva,
que reside em uma leitura inicial realizada de maneira exploratória, visando identificar
a estética e o conteúdo apresentados. A segunda trata da leitura interpretativa, que
reside no estabelecimento das ideias propostas para o confronto com a realidade
vivida pelo leitor. Finalmente, na terceira etapa, o leitor é levado a multiplicar as
interações e contextualizar o conteúdo lido com outros textos e fenômenos sociais
vividos (SARAIVA; MÜGGE, 2006).

De acordo com Saraiva e Mügge (2006, p. 50), na primeira etapa, o leitor deverá estar
responder a seguinte indagação: “Como o texto diz aquilo que diz?”; na segunda
etapa, “Qual o sentido do texto?”; e, na terceira etapa, “Que diálogo há entre o texto e
o contexto estético-histórico-cultural atual e o momento da produção?”.

É importante destacar que essas estratégias apresentadas, envolvem tão somente


ações interpretativas e focadas na pura e simples leitura do conteúdo presente nas
produções textuais, não havendo interferência de outros meios ou mecanismos que
extrapolem esses cenários. A proposta pela inserção de novas tecnologias para o
aperfeiçoamento desse processo vai além do apontado aqui, sem desmerecer as
ideias propostas que comprovadamente possuem efetividade naquilo que propõe,
porém, busca-se mais, busca-se adequar os mecanismos metodológicos clássicos à
evolução constante da sociedade e das perspectivas políticas, econômicas e,
principalmente, tecnológicas (AGUIAR; BORDINI, 2006).
2.2 O IMPACTO DAS NOVAS TECNOLOGIAS NO COTIDIANO DAS PESSOAS

Castells (1999), aponta que a revolução tecnológica teve como marco inicial a
revolução industrial, e não após ela. O autor faz essa observação tendo em vista que
a linha de tempo relacionada ao desenvolvimento tecnológico se procede de forma
continua. Destaca também que o surgimento do telefone em 1876 do rádio em 1889
e da válvula a vácuo em 1906 antecederam ao surgimento das tecnologias da
informação.

É conhecido o grande impacto que a revolução industrial teve sobre toda a sociedade,
especialmente no que tange aos processos de produção. A revolução tecnológica tem
gerado impactos na mesma proporção, os mais significativos que podem ser
destacados consistem na descentralização da economia, na mudança dos
comportamentos culturais, na nova perspectiva de trabalho e na democratização na
difusão das informações. É possível de se afirmar atualmente que a tecnologia é um
elemento essencial no que diz respeito às transformações na sociedade, sendo fator
de relevância para as alterações verificadas na natureza e no comportamento humano
de maneira geral (DERTOUZOS, 1997).

Esse pensamento é corroborado por Dertouzos que afirma o seguinte:


Está transformando a maneira de como vivemos,
trabalhamos e nos divertimos, como acordamos
pela manhã, fazemos compras, investimos
dinheiro, escolhemos nossos entretenimentos,
criamos arte, cuidamos da saúde, educamos os
filhos, trabalhamos e participamos ou nos
relacionamentos com as instituições que nos
empregam, vendem algo, prestam serviços à
comunidade (DERTOUZOS, 1997, p. 153)

A ampliação e o alcance das informações foram amplificados de maneira substancial


a partir da invenção dos computadores, de forma especial por meio dos computadores
pessoais, destacando, nesse sentido, as funções de armazenamento e
processamento dos dados. Os processos relacionados à dinâmica da transmissão de
informações se tornaram mais rápidos alterando assim o panorama da rotina e
vivencia em sociedade (CASTELLS, 1999).
É importante mencionar que nada disso seria possível sem o advento da internet, que
de acordo com Castells (1999), surgiu das diversas pesquisas realizadas para fins
militares, de cooperação cientifica e ainda visando a evolução dos meios tecnológicos
e contracultura. Em um primeiro momento a internet foi compreendida como uma
estrutura de comunicação que não estivesse submissa às intemperes relacionadas
aos ataques nucleares e que tivesse uma lógica baseada nas premissas de troca de
pacotes que não dependessem de bases de controle e de gerenciamento. Em um
segundo momento se tornou um sistema de robustez incomensurável funcionando
como um ambiente de tecnologia digital em que a transmissão de vários tipos de
dados é possível, desenvolvendo para tanto uma linguagem digital universal, sendo
chamada de rede de comunicação global horizontal.

Oliveira destaca que as transformações propiciadas com o advento da internet e


inauguração da era digital são incalculáveis porém perceptíveis:
Diante das profundas transformações, a era digital
propicia o surgimento de um novo paradigma que
privilegia o processo e a relação entre múltiplos
fenômenos, de maneira que as pessoas, neste
contexto, estabelecem, ao mesmo tempo, relações
libertadoras e alienantes, que tanto podem
emancipá-las, quanto fazê-las sofrer (OLIVEIRA et
al., 2015, p. 116).

Nesse contexto a informação ganhou ainda mais importância, sendo empregada a


partir daí como um mecanismo de exercício democrático, possibilitando aos indivíduos
uma participação nas decisões políticas de relevância para os países. Segundo
Tybusch (2013, p. 21) a internet tem papel de relevância nesse processo tendo em
vista que as tecnologias relacionadas “contribuem para o aprimoramento da prática
democrática, fortalecendo o conceito de democracia, elevando a exigência de
liberdade por parte das pessoas”.

Soar Filho (2002), explicita que a globalização teve reflexos no estabelecimento de


relações econômicas, sociais, culturais e políticas, criando laços entre Estados. A
tecnologia tem influência marcante nesse processo, servindo como instrumento
basilar para a concretização dos canais de diálogo e de execução das diretrizes
estabelecidas. Toda a concepção da globalização tem fincada suas origens na
revolução tecnológica, criando, dessa maneira, vínculos de dependência, fazendo
aparecer na sociedade uma virtualização dos conhecimentos.

Castells (1999), destaca que a revolução da tecnologia promove na sociedade


discussões a respeito do acesso às informações, bem como à distribuição dos
insumos tecnológicos. A participação do indivíduo na sociedade se torna mais ativa
tendo em vista que as barreiras geográficas não são mais um empecilho. O autor
ainda aponta que o principal elemento caracterizador da revolução tecnologia é o
direcionamento dos conhecimentos obtidos por meio dessas informações, que geram
novos saberes e solidificam ainda mais a relação das novas tecnologias com a
informação e com a comunicação.

Como já apontado anteriormente as novas tecnologias tem um papel no que diz


respeito à inserção dos indivíduos na sociedade considerando a participação política
desses influenciando diretamente as decisões democráticas. A internet, então como
principal instrumento tecnológico, modifica todo o panorama social e traz a lume
questões doravante debatidas sob uma ótica distinta. As habilidades digitais têm o
condão de proporcionar diversas oportunidades aos indivíduos seja nos contextos
políticos, econômicos ou socioculturais (DEMO, 2007).

Oliveira aborda as questões relacionadas ao trabalho, demonstrando os reflexos das


novas tecnologias nesse contexto:
A partir do emprego das novas tecnologias virtuais
e digitais, a organização do trabalho foi modificada
de forma significativa, passando a abrir frentes
especializadas, aproveitando, inclusive, aqueles
que se encontravam excluídos, daí a necessidade
das pessoas estarem, de alguma forma,
conectadas à Internet sob o risco de tornarem-se
obsoletas. Essa ameaça motiva ações e decisões
pessoais e profissionais mais criativas, além do
desenvolvimento de habilidades para os novos
processos que afetaram a organização do trabalho.
Essa situação se contrapõe à imobilidade,
conservadorismo e centralização que nortearam o
trabalho no século XX (OLIVEIRA et al., 2015, p.
118).

O aumento da produtividade é a principal marca do desenvolvimento tecnológico, fato


decorrente, principalmente, da já mencionada facilidade no acesso à informação.
Aliado a isso podem ser mencionados ganhos como a diminuição da distração, maior
disponibilidade de tempo e espaço para inserção das ações produtivas, e ainda a
organização e administração dos processos realizada de forma mais versátil e
eficiente (Thiry-Cherques, 2007).

Oliveira ainda trata das questões educacionais que influenciam no contexto laboral
por meio do implemento tecnológico:
Como visto, o trabalho da era digital inclui a
compreensão de um conjunto de tarefas e, além
disso, exige uma atitude de abertura a novas
aprendizagens. O computador, a Internet e as
redes são tecnologias da inteligência que, ao
expandirem a cognição humana, passam a
demandar a ampliação da base educacional, que
por sua vez também influenciará os processos de
trabalho futuro. Desse modo, estamos vivenciando
uma transformação paradigmática do trabalho, a
qual, por sua complexidade, inclui antagonismos e
complementaridades ao promover momentos de
emancipação, liberdade e sacrifícios (OLIVEIRA et
al., 2015, p. 116).

Finalmente vale destacar a influência das novas tecnologias no que diz respeito ao
dinamismo do contexto econômico-industrial, que é a principal ferramenta da
globalização da economia, fomentando à concorrência dos atores econômicos e
dando maiores oportunidades aos novos agentes que anseiam pelo crescimento e
ampliação dos projetos (CASTELLS, 1999).

2.3 AS NOVAS TECNOLOGIAS E O ENSINO LITERÁRIO

De acordo com Mercado (2002, p.1), as novas tecnologias na educação, atuam como
“ferramentas instigadoras, capazes de colaborar para uma reflexão crítica, para o
desenvolvimento da pesquisa, sendo facilitadoras da aprendizagem de forma
permanente e autônoma”. A relevância dessas tecnologias fica caracterizada pela
capacidade de fomentar o raciocínio e instigar o aluno a pesar, construindo assim
seres críticos que autossuficientes. As novas tecnologias devem ser gerenciadas
pelos professores que devem adequar a metodologia de acordo com as necessidades
acadêmicas vivenciadas.

Marinho (2002, p. 42), de maneira semelhante destaca que “o computador deverá


desempenhar, na escola, o mesmo papel que tem na sociedade: o de mediador nas
relações sociais. Será muito pobre um uso que se restrinja a repassar conteúdos e
informações aos alunos”. Isto é, as tecnologias têm a função de fomentar nos alunos
o desejo pela compreensão e racionalidade do conteúdo ministrado, de maneira a
assumir novas responsabilidade frente ao contexto de ensino. É uma nova percepção
de ensino que rompe com todo o tradicionalismo dogmático anteriormente
empregado. O autor ainda destaca que nesse ambiente “o professor pode estar mais
próximo do aluno, podendo adaptar a sua aula para o ritmo de cada aluno. O processo
de ensino-aprendizagem pode ganhar assim um dinamismo, inovação e poder de
comunicação inusitados”.

Uma outra importante função cumprida pelas novas tecnologias relaciona-se ao


potencial como ferramenta de pesquisa. Mercado (2002), destaca que a internet
abriga uma vastidão de conteúdos que podem ser compartilhados. Além disso a
multidisciplinariedade dos conteúdos culmina no surgimento de uma educação
globalizada, tornando o conteúdo mais convidativo e rico em formatos. Além disso,
em se tratando das pesquisas, com o advento dessas novas tecnologias, pode-se
questionar as fontes com maior facilidade, de maneira que vários pontos de vistas e
posicionamentos podem ser analisados, possibilitando com isso a formação de um
indivíduo mais completo do ponto de vista político e social.

Kenski (2003, p. 52), afirma que as novas tecnologias prestam importante auxilio no
surgimento de “novas habilidades de aprendizagem, atitudes e valores pessoais e
sociais”. Para a autora, a aprendizagem ganha novos significados, deixando de ser
um processo solitário, passando a ter um caráter coletivo e participativo, incentivando
a troca de experiências e o compartilhamento de conhecimento de uma maneira
rápida e completa.

Nesse sentido a autora destaca que:


(...) os atributos das novas tecnologias digitais
tornam possível o uso das capacidades humanas
em processos diferenciados de aprendizagem. A
interação proporcionada por softwares especiais e
pela internet, por exemplo, permite a articulação
das redes pessoais de conhecimentos com objetos
técnicos, instituições, pessoas e múltiplas
realidades para a construção de espaços de
inteligência pessoal e coletiva. (KENSKI, 2003, p.
51).
É importante que se frise que a visão contemporânea de ensino da literatura tem
apontado para a necessidade de que se estabeleça vínculos mais efetivos entre os
alunos e os professores, principalmente em se tratando daqueles conteúdos que
possibilitem uma troca coletiva de conhecimentos e experiências. O professor deve
incentivar no aluno uma participação mais ativa inserindo-o no contexto e
demonstrando a importância de sua participação na construção e aprofundamento dos
conceitos (MERCADO, 2002).

Sobre esse aspecto Mercado destaca que a tecnologia promove mudanças


excepcionais no que tange a pesquisa interativa:
(...) as novas tecnologias criaram novas chances de
reformular as relações entre alunos e professores e
de rever a relação da escola com o meio social, ao
diversificar os espaços de construção do
conhecimento, ao revolucionar processos e
metodologias de aprendizagem, permitindo à
escola um novo diálogo com os indivíduos e com o
mundo. (MERCADO, 2002a, p. 1).

Rojo (2013, p. 9) explicita que frente às novas modalidades textuais, o processo que
antes era pautado na alfabetização gradual inicialmente mais simples e alcançando
em momento posterior uma compreensão mais complexa, é necessário “letrar para
esses novos textos que se valem de várias linguagens”. Deve ser levado em
consideração as inúmeras alterações promovidas pelo avanço tecnológico, até
mesmo no que tange às estruturas textuais. Isto é, partindo-se na linguagem verbal e
não-verbal constrói-se novas modalidades multimodais, que são influenciadas por
diversos aspectos do convívio social, e essas estruturas influenciam no gênero de
maneira direta.

Rojo afirma que essas diversas mutações ocorridas nos gêneros acabam por causar
diversos efeitos no ambiente escolar, nas salas de aula e de maneira mais especifica
no próprio docente, tendo em vista que os alunos passam a trazer para o ambiente
escolar conhecimentos prévios e experiências que antes não eram explicitadas. Assim
o educador tem o papel de filtrar essas manifestações possibilitando uma interação
coletiva de modo a compreender esses conhecimentos incentivando em cada um.

O autor destaca que as novas tecnologias possibilitam a interação entre diversas


linguagens e essa realidade deve ser aproveitada de maneira a otimizar as diversas
leituras existentes.
Com as novas tecnologias, os textos sofreram
mudanças significativas. Agora, imagem e som
também devem ser considerados nas leituras e a
escola necessita incorporar práticas relacionadas a
um conceito nascido há mais de 15 anos: o de
multiletramentos. Assim, tratar os textos,
compreendê-los e produzi-los passa a levar em
conta linguagens como a fotografia, o áudio e o
vídeo (ROJO, 2013, p. 7).

Rojo (2013, p. 21) ainda trata das mídias sociais, que tem grande capacidade de
interferir na estruturação de novos saberes e assim estabelecer uma nova geração de
leitores. O autor desta que “é urgente enfocar os multiletramentos e os novos
letramentos que circulam na vida contemporânea de nossos alunos”.

Finalmente, é importante frisar que a introdução do texto literário no contexto


educacional, mesmo que ocorrendo de maneira compactada, resulta em um incentivo
à pratica da leitura, podendo ser expandida com a atuação do professor Moran (2012,
p.63) afirma que “ensinar com as novas mídias será uma revolução se mudarmos
simultaneamente os paradigmas convencionais do ensino”, o autor completa
afirmando que nesse contexto a internet é um instrumento “[...]que pode ajudar a
rever, a ampliar e a modificar muitas das formas atuais de ensinar e aprender.”
CONSIDERAÇÕES FINAIS

O implemento das novas tecnologias no ensino literário pode ser compreendido,


mediante todo o exposto, como um resultado dos processos de evolução tecnológica
que são desde a concepção da internet, um dos mais importantes indicadores do
comportamento social. Esse comportamento social, que é influenciado diretamente
pelas mudanças resultantes das mais diversas realidades políticas, culturais e
tecnológicas interfere de maneira direta na visão dos indivíduos sobre o saber literário
e sobre a leitura.

Assim é necessária a adequação das metodologias utilizadas no ensino da literatura.


Por obvio devem ser consideradas as conquistas pedagógicas clássicas, porém,
essas devem ser unidas ao emaranhado de informações e comportamentos que são
pertinentes ao contexto tecnológico que vigora.

Se bem utilizadas, as tecnologias, principalmente a internet, têm o poder de otimizar


a transmissão do conhecimento, agregando a toda a construção literária com
informações que enriquecem ainda mais os conteúdos estipulados, gerando no aluno
maior interesse pela leitura e consequentemente alcançando assim o maior objetivo
da literatura, que é produzir seres críticos e dotados de capacidade de raciocínio e
interpretação.
3 REFERÊNCIAS

BARBOSA, João Alexandre. Literatura Nunca é Apenas Literatura. São Paulo:


FTD, 1994.

BORDINI, Maria da Glória. AGUIAR, Vera Teixeira de. Formação do leitor. In:
Literatura – a formação do leitor: alternativas metodológicas. 2 ed. Porto Alegre:
Mercado Aberto, 1993, p. 9 -17.

CADEMARTORI, Ligia. O que é literatura infantil. 3. ed. São Paulo, S.P.: Editora
Brasiliense S.A., 1987.

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

COSSON, Rildo. Letramento literário: teoria e prática. São Paulo: Contexto,


2006.

DEMO, Pedro. Pós-Sociologia: Para desconstruir e reconstruir a sociologia.


Petrópolis. Vozes, 2007.

DERTOUZOS, M. L. O que será: como o novo mundo da informação


transformará nossas vidas. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

GERALDI, João Wanderley (Org). O texto na sala de aula. 4.ed. São Paulo: Ática,
2004.

GIROTTO, Cyntia; SOUZA, Renata. Estratégias de leitura: uma alternativa para


o início da educação literária. In: Álabe, 4, dezembro de 2011.

LOPES-ROSSI, Maria Aparecida Garcia. As habilidades de leitura avaliadas pelo


pisa e pela prova brasil: reflexões para subsidiar o trabalho do professor de lingua
portuguesa. Fórum Linguístico, Florianópolis, v. 9, n. 1, p. 34-46, jan./mar. 2012.
Disponivel em: <http://dx.doi.org/10.5007/1984-8412.2012v9n1p34> Acesso em: 13
mai. 2018.

MARINHO, S. P. Tecnologia, educação contemporânea e desafios ao


professor. In: JOLY, M. C. R. A. (org.). A tecnologia no ensino: implicações para a
aprendizagem. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2002, p. 41-64.

MERCADO, L. P. L. A internet como ambiente auxiliar do professor no


processo ensino aprendizagem. In: Conferência Internacional sobre Educación,
Formación y Nuevas Tecnologías y e-Learning, 2002, Sevilla, Espanha. Actas de
Virtual Educa 2002. Sevilla - Espanha: Virtual Educa 2002, v. 1, p. 1-12, 2002.

MORAN, José Manuel. A educação superior a distância no Brasil. In: SOARES,


Maria Susana Arrosa. (Org.). A educação superior no Brasil. 1ª ed. Brasília:
CAPES-UNESCO, 2002, p. 251-274.

ROJO, R. H. R. Escola conectada: os multiletramentos e as TICS. São Paulo:


Parábola, 2013.

SARAIVA, Juracy; MÜGGE, Ernani. Literatura na escola: proposta para o


ensino fundamental. Porto Alegre: Artmed, 2006.

SCHWARTZ, Gilson. Economia Política da Cibercultura e Emergência da


Iconomia. In: II Simpósio Nacional da ABCiber, 2008, São Paulo. Anais Eletrônicos
do II ABCiber. Disponível em <http://www.cencib.
org/simposioabciber/PDFs/CC/Gilson%20Schwartz.pdf> Acesso em: 14 mai. 2018.

SOAR FILHO, E. Espaço, identidade & saúde mental na sociedade


contemporânea. Cadernos de Pesquisa Interdisciplinar em Ciências Humanas,
São Paulo, v. 26, ago./2002. Disponível em:
<www.cfh.ufsc.br/~dich/TextoCaderno26.pdf>. Acesso em: 14 mai. 2018.

THIRY-CHERQUES, H. R. O Primeiro Estruturalismo: Método de Pesquisa para as


Ciências da Gestão. RAC – Revista de Administração Contemporânea, 10 (2)
Abril-Junho.

TYBUSCH, Jerônimo Siqueira. Meio Ambiente e Direitos Humanos: percepções


sobre desenvolvimento, sustentabilidade e economia ambiental. In: Família,
cidadania e novos direitos. Porto Alegre: Impressa Livre, 2013.

ZILBERMAN, Regina. O papel da literatura na escola. Via Atlântica, n. 14, dez.


2008. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/50376>
Acesso em: 14 mai. 2018.