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A importância do brincar para a criança

06.06.2013

Por Cristina Silveira

O Brincar é um direito da criança, como apresentado na Lei 8.069, de 13 de julho de 1990,


denominada Estatuto da Criança e do Adolescente, que acrescenta no Capítulo II, Art.
16°, Inciso IV, que “ toda criança tem o direito de brincar, praticar esportes e divertir-se”

Mas, mais do que um direito, o brincar é uma condição essencial para o desenvolvimento
da criança. Através do brincar, ela pode desenvolver capacidades importantes como a
atenção, a memória, a imitação, a imaginação. Ao brincar, exploram e refletem sobre a
realidade e a cultura na qual estão inseridas, interiorizando-as e, ao mesmo tempo,
questionando as regras e papéis sociais.

O brincar potencia o desenvolvimento, já que assim aprende a conhecer, aprende a fazer,


aprende a conviver e, sobretudo, aprende a ser. Para além de estimular a curiosidade, a
autoconfiança e a autonomia, o brincar proporciona o desenvolvimento da linguagem, do
pensamento, da concentração e da atenção.

Esse desenvolvimento feito a partir da brincadeira, se dá desde os primeiros anos de vida,


quando a criança está no berço e explora o mundo através dos brinquedinhos. A partir de
um ano, quando uma criança brinca de tirar e colocar brinquedos em uma caixa, ela está
exercitando a sua liberdade de escolha, se organizando quando escolhe o que tira e o que
coloca, desenvolvendo os movimentos, o corpo e a linguagem e a forma de pensar.

Aos dois anos, já inicia a fase do imaginário, onde a criança começa a imitar a ação dos
outros e com isso interagindo com o mundo a sua volta, ou seja, com a sua cultura. A
partir dos 03 anos, os brinquedos são uma ferramenta essencial para que as crianças
possam falar aquilo que estão pensando, através do faz de conta. Por isso brinquedos que
imitam o seu dia a dia como bonecas, casinhas, carrinhos, são essenciais para esse
domínio e amadurecimento da comunicação, da representação e do seu amadurecimento
psíquico.

Os jogos e regras e normas, são altamente importantes para que a criança, que aprende a
partilhar situações de ganhar e de perder, aprendendo a conviver com as suas próprias
frustrações, além de desenvolver habilidades como estratégias, flexibilidade, criatividade,
inventividade, capacidade de escolha e desenvolvimento do raciocínio. Nesse raciocínio,
inclui-se o matemático, do uso da linguagem, do domínio espacial, sendo, portanto, a
brincadeira importante em todas as áreas do conhecimento, porque a criança aprende a
pensar.

É na brincadeira que a criança consegue vencer seus limites e passa a vivenciar


experiências que vão além de sua idade e realidade, fazendo com que ela desenvolva sua
consciência. Dessa forma, é na brincadeira que se pode propor à criança desafios e
questões que a façam refletir, propor soluções e resolver problemas. Brincando, elas
podem desenvolver sua imaginação, além de criar e respeitar regras de organização e
convivência, que serão, no futuro, utilizadas para a compreensão da realidade. A
brincadeira permite também o desenvolvimento do autoconhecimento, elevando a
autoestima, propiciando o desenvolvimento físico-motor, bem como o do raciocínio e o
da inteligência.

Mas o Brincar é aprendido. A criança precisa ter estímulo, tempo e espaço para brincar.
É importante que a família e a escola proporcionem um ambiente rico para a brincadeira
e estimulem a atividade lúdica nesses ambientes, fazendo com que elas explorem as
diferentes linguagens que a brincadeira possibilita (musical, corporal, gestual, escrita),
através de brincadeiras e brinquedos variados, sendo que esses últimos, podem ser
inclusive construídos com materiais alternativos.

Quando os pais brincam com os filhos, podem ensiná-los a perder medos e a lidar com
frustrações. A aproximação dos pais com os filhos é fundamental para o futuro das
crianças. É a melhor forma de ajudá-los a desafiar a vida e a vencer alguns obstáculos.
Eles se sentem mais confiantes, pois têm a pessoa amada ao seu lado. Mas as famílias
modernas acabaram deixando a brincadeira de lado. Não há tempo. Geralmente, os pais
saem de casa para o trabalho antes de seus filhos acordarem e quando voltam, eles já estão
dormindo.

Assim, para preencher o espaço deixado por eles, os DVDs, os jogos eletrônicos, até os
cursos de idiomas, esportes, etc. são usados para isso. Portanto, podemos entender que
não é o brinquedo que se torna o mais importante, mas o ato de brincar.

A brincadeira que elabora deve ser realizada com “ o outro”, com outras crianças ou com
seus familiares. Porém, atualmente as crianças entendem por brincadeira os jogos
eletrônicos, fazendo com que as mesmas não se movimentem e as deixando estáticas e
com isso vão ficando sedentárias e obesas. As brincadeiras tradicionais, como, por
exemplo, pular corda, elástico, pique alto, etc, fazem com que as crianças se movimentem
a todo tempo, gastando energia e dando liberdade para criar proporcionando alegria e
prazer.

Cristina Silveira é Psicanalista, Psicopedagoga e Educadora Especialista em


neuropsicopedagogia, arte-terapia e psicologia do Trabalho. Tem Formação em
Educação inclusiva (TDAH, Autismo, Síndrome de Down) e Atualização em artes
plásticas.