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ENERGIAS RENOVÁVEIS

NA ÁREA RURAL DA REGIÃO SUL DO BRASIL

Carlos Antônio Ferraro Biasi • Leidiane Ferronato Mariani Abner Geraldo Picinatto • João Carlos Christmann Zank

Carlos Antônio Ferraro Biasi • Leidiane Ferronato Mariani Abner Geraldo Picinatto • João Carlos Christmann Zank
Carlos Antônio Ferraro Biasi • Leidiane Ferronato Mariani Abner Geraldo Picinatto • João Carlos Christmann Zank
Carlos Antônio Ferraro Biasi • Leidiane Ferronato Mariani Abner Geraldo Picinatto • João Carlos Christmann Zank
Carlos Antônio Ferraro Biasi • Leidiane Ferronato Mariani Abner Geraldo Picinatto • João Carlos Christmann Zank

ENERGIAS RENOVÁVEIS NA ÁREA RURAL DA REGIÃO SUL DO BRASIL

Carlos Antônio Ferraro Biasi Leidiane Ferronato Mariani Abner Geraldo Picinatto João Carlos Christmann Zank

1ª edição

ITAIPU BINACIONAL

Foz do Iguaçu

2018

DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP)

Biasi, Carlos Antônio Ferraro

Energias renováveis na área rural da região sul do Brasil / Carlos Antônio

Ferraro Biasi 202 p. : il.

[et al.]. – Foz do Iguaçu: Itaipu Binacional, 2018.

ISBN: 978-85-85263-12-6

1. Energia – Fontes alternativas. 2. Recursos energéticos – Brasil, Sul. 3. Agricultura – Consumo de energia – Brasil, Sul. I. Mariani, Leidiane Ferro- nato. II. Picinatto, Abner Geraldo. III. Zank, João Carlos Christmann. IV. CIBiogás - Centro Internacional de Energias Renováveis.

CDU 620.92

Bibliotecária responsável: Paola Martins Cappelletti – CRB 9/1482

Autores Carlos Antônio Ferraro Biasi (fao) Leidiane Ferronato Mariani (cibiogás) Abner Geraldo Picinatto (sead/sgaer) João Carlos Christmann Zank (cibiogás)

Revisores Rafael Hernando Aguiar Gonzales (cibiogás) Tamara Soares (cibiogás)

Colaboradores Felipe Sousa Marques (cibiogás) Gladis Maria Backes Bühring (sead/sgaer) Larissa Sbalquiero (cibiogás) Adriano Moehlecke (pucrs) Izete Zanesco (pucrs) Maycon Georgio Vendrame (Itaipu Binacional) Samuel Campos da Silva (cibiogás) Valter Bianchini (fao)

OBS.: as informações expressas neste material são de exclusiva responsabilidade dos seus autores e não representam endosso por parte da Itaipu Binacional, eximindo-se a Entidade de quaisquer responsabilidades ou danos decorrentes por erros, imprecisões ou demandas de terceiros. Opiniões pessoais dos autores, aqui expressas, não necessa- riamente convergem com a opinião institucional da Itaipu.

PREFÁCIO I

PREFÁCIO I nergia é uma questão-chave no mundo atual, altamente dependente de eletricidade e de combustíveis

nergia é uma questão-chave no mundo atual, altamente dependente de eletricidade e de combustíveis em todos os setores econômicos, bem-como para a manutenção do estilo de vida moderno, essencialmente eletro-intensivo. A Itaipu é uma empresa que nasceu da necessidade de dispor de grande quantidade de energia para promover o desenvolvimento do Brasil e do Paraguai, especialmente no con- texto de industrialização de suas economias. Nos dias atuais, em que pesa a necessidade de não apenas promover o desenvolvimento, mas de fazê-lo de forma sustentável, a geração de energia deve considerar seus impactos, especialmente aqueles relacionados à produção de gases de efeito estufa, que por sua vez estão associados às mudanças climáticas observadas em todo o planeta. Nesse contexto, a Itaipu, maior geradora de energia limpa e renovável do mundo, não se limita apenas a prover eletricidade de qualidade para brasileiros e paraguaios. A empresa não mede esforços para a promoção do desenvolvimento sustentável de sua região de influ- ência, na fronteira entre os dois países, com destaque para o incentivo ao emprego de fontes renováveis de energia no meio rural, como o biogás e a solar fotovoltaica. Do lado brasileiro, Itaipu é vizinha de uma das regiões mais produtivas do País, onde se observa uma especialização das propriedades rurais na conversão de proteína animal em vegetal. Ou seja, cultiva-se soja e milho que são empregados como insumo para a avicultura, bovinocultura de leite e suinocultura, principalmente. São atividades que cobram alto pre- ço do meio ambiente por conta da produção de dejetos. Há cerca de 10 anos, a Itaipu vem auxiliando produtores e cooperativas a converter esse passivo ambiental em uma solução, com a geração de energia elétrica, térmica ou veicular a

Marcos Stamm. Diretor-geral Brasileiro da Itaipu Binacional.

partir do biogás. E ainda tendo o biofertilizante como resíduo do processo de tratamento da biomassa. Igualmente bem-sucedida é a experiência do Projeto Solar Fotovoltaica, que vem contribuindo para a disponibilidade e a segurança energéticas em propriedades da região. Mas o apoio da Itaipu não se limita à assistência técnica aos produtores e cooperativas que querem produzir sua própria energia. Por meio do Centro Internacional de Energias Renováveis – Biogás (cibiogás), a binacional e demais instituições parceiras apoiam a pes- quisa e a difusão de conhecimento sobre o tema. Esta é também a motivação de Itaipu, juntamente com a fao e o cibiogás, ao apoiar a publicação do livro Energias Renováveis na Área Rural da Região Sul do Brasil, de Carlos Antônio Ferraro Biasi, Leidiane Ferronato Mariani, Abner Geraldo Picinatto e João Carlos Christmann Zank. Como se poderá perceber ao longo da leitura desta obra, a região Sul do Brasil vem evo- luindo na utilização do biogás e da solar fotovoltaica como fontes de energia. Isso se deve não apenas à atuação de instituições como as já citadas, mas também à regulamentação da geração distribuída – modalidade de produção energética realizada junto às unidades consumidoras – pela Agência Nacional de Energia Elétrica (aneel). As experiências aqui retratadas demonstram que geração distribuída sinaliza para no- vas oportunidades de negócio para os agricultores (que podem se converter, também, em produtores de energia) bem como para fornecedores de equipamentos e serviços, incre- mentando as possibilidades de emprego e renda no meio rural, além, é claro, da melhoria da disponibilidade e da qualidade de energia, aliadas à preservação ambiental. Dessa forma, estamos certos de que assim contribuímos para a promoção do desenvol- vimento sustentável na região, conforme preconiza a Agenda 2030 das Nações Unidas. Boa leitura!

PREFÁCIO II

PREFÁCIO II geração de energia a partir de fontes renováveis vem crescendo nos últimos anos, mui-

geração de energia a partir de fontes renováveis vem crescendo nos últimos anos, mui- to em virtude de pesquisas em desenvolvimento tecnológico, seja de fontes como so- lar, eólica ou de biomassa de cana de açúcar, biogás, entre outras. Para a fao, o uso de energias renováveis por agricultores familiares pode ser de grande

importância nos processos produtivos e uma oportunidade para a melhoria da qualidade de vida das famílias no campo.

A expectativa é que essas energias possam contribuir para que a produção agrícola im-

pacte menos no meio ambiente e que sejam fontes de energia alternativas ao petróleo. Para os agricultores familiares, podem significar uma possibilidade de geração de várias formas de energia, especialmente para melhorar a produção e a produtividade em suas ativi- dades, e agregar mais valor ao que está produzindo. Com o objetivo de analisar as diferentes fontes potenciais de energia no meio rural, com foco na Região Sul do Brasil, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agri-

cultura (fao), o Centro Internacional de Energias Renováveis – Biogás (cibiogás) e a Itaipu Binacional produziram o estudo Energias renováveis na área rural da região Sul do Brasil.

E por que o Sul do Brasil? Porque segundo dados do Censo Agropecuário do Instituto Bra-

sileiro de Geografia e Estatística (ibge), a região possuía 889.724 propriedades de agricultura familiar, das quais 756.140 utilizavam energia elétrica (ibge, 2009). Porém, segundo o mes- mo Instituto, nesta região havia apenas 2.104 propriedades rurais que geravam sua própria energia elétrica: 308 propriedades por fonte solar, 28 por fonte eólica, 796 por fonte hídrica, 464 por queima de combustível e 536 por outras fontes.

Alan Bojanic. Representante da FAO Brasil.

Isso demonstra o quanto o uso de energia elétrica é relevante no meio rural, mas tam- bém, identifica que a produção própria de energia no meio rural ainda é muito pequena. O estudo mostra que a Região Sul do Brasil apresenta plenas condições para a produção de energias renováveis, o que pode viabilizar ainda mais a diversificação de sua matriz energética. As fontes de energia renováveis que se destacam pelo potencial na região são o biogás da biomassa residual, a solar, a eólica, a biomassa florestal e a hidráulica. Nesta publicação, as fontes não convencionais e pouco exploradas na região Sul do Brasil são o foco do documento. Ao longo do estudo são apresentados iniciativas, projetos e informações das proprieda- des de agricultura familiar do Sul do país que utilizam as diversas energias renováveis. Vale lembrar que o uso de fontes renováveis de energia contribui para a redução das emis- sões de poluentes atmosféricos e de Gases de Efeito Estufa (gee) pela queima de combustí- veis fósseis, além de outros impactos ambientais. Durante a 21ª Conferência das Partes (cop-21) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (unfccc), realizada em Paris, em 2015, o Brasil assumiu metas de redução das emissões de gee de 43% até 2030, em relação aos níveis de 2005, o que envolve garantir a participação de fontes renováveis de 45% no total da matriz energética, entre ou- tras metas. Com isso, o uso de fontes renováveis de energia na agricultura familiar vem ao encontro das metas de redução de emissões de gee e traz, além disso, benefícios ambientais, sociais e econômicos para os agricultores, com a geração de sua própria energia a partir da matéria- -prima disponível na propriedade rural.

PREFÁCIO III

PREFÁCIO III nosso mundo mudou muito nos últimos 200 anos e a grande força motriz foi:

nosso mundo mudou muito nos últimos 200 anos e a grande força motriz foi: a ener- gia. Enquanto a agricultura contribuiu para a criação de cidades e estados, os combus- tíveis fósseis nos tornaram modernos. Eles transformaram a energia em uma commodity onipresente, praticamente, em todas as transações da nossa vida cotidiana. A eletricidade, por exemplo, é extremamente versátil e pode ser produzida por qualquer fonte primária de energia, praticamente, a qualquer distância de seu uso final. Ela é flexível e assegura que sis- temas importantes de infraestrutura operem como: comunicações, edifícios, indústrias e até transportes. Não há dúvidas que a indústria da energia [combustíveis fósseis e eletricidade] foi pro- pulsora para o desenvolvimento e o aumento da produtividade da indústria e, também, do agronegócio. Esse insumo é essencial e indispensável para a produção rural. A energia foi a grande propulsora de desenvolvimento e crescimento econômico no ambiente rural, toda- via, seus custos e riscos crescentes erodem [e as vezes até excedem] seus benefícios mani- festos. Portanto, a energia passa a ser uma variável que pode atuar como um fator impediti- vo para a continuidade do crescimento desse setor. Com respeito a energia elétrica, a falta de planejamento conjunto dos setores de ener- gia e do agronegócio faz com que o sistema elétrico não contemple, em seus investimentos de infraestrutura, as condições essenciais para garantir a disponibilidade e a qualidade de energia no meio rural. Aliado a isso, o aumento do preço da energia contribui para o acha- tamento das lucratividades. Diante deste cenário, o agronegócio brasileiro, que é responsável por aproximadamen- te 25% do pib e de 50% das exportações nacionais [no sul brasileiro este setor representa

Rodrigo Regis de Almeida Galvão. Diretor-Presidente do Centro Internacional de Energias Renováveis- Biogás (CIBiogás).

30% do pib e 75% das exportações] e que continuou crescendo nos últimos anos, precisa estar atento aos desafios energéticos. A questão é: como buscar uma solução que aumente

a competitividade do agronegócio, capaz de garantir a segurança e a disponibilidade ener-

gética, protegendo e conservando o nosso planeta? Essa solução existe e é abundante: são as Energias Renováveis [tanto na produção de eletricidade como na de biocombustíveis]. Parafraseando John Gardner: “O que temos a nossa frente são algumas oportunidades ex- traordinárias, disfarçadas como problemas insolúveis”. As ERs aumentam o acesso regional à energia e reduzem a dependência de combustíveis fósseis. Podem contribuir para as nossas metas globais de mitigação das mudanças climá-

ticas, bem como para outros objetivos sociais e ambientais. A Energia Renovável aplicada de forma sistêmica pode gerar uma nova economia na região, cuja cadeia de suprimentos é abrangente e promoverá o desenvolvimento regional e a competitividade do agronegócio.

A publicação Energias Renováveis na Área Rural da Região Sul do Brasil marca um impor-

tante momento da história do país, quando as políticas públicas para incentivar e desen- volver o mercado das energias renováveis, começam a concretizar novas oportunidades de desenvolvimento sustentável, que pode integrar soluções energéticas com o crescimento do agronegócio. Neste cenário, a Região Sul se destaca com diversas iniciativas que serão descritas e detalhadas neste livro. Por fim, é com muita satisfação que o Centro Internacional de Energias Renováveis-Bio-

gás (cibiogás) faz parte da construção e do registro dessa história por meio desta publica- ção, ao lado de importantes apoiadores das energias renováveis: a Itaipu Binacional, a fao,

e a Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (sead) do Go- verno Federal. Boa leitura!

APRESENTAÇÃO

A presente publicação é resultado de um estudo realizado entre agosto de 2016 e julho de 2017, sobre o desenvolvimento e a aplicação das energias renováveis no meio rural da Região Sul do

Brasil, focando na energia solar fotovoltaica, energia eólica, biogás

e biomassa florestal.

Os trabalhos envolveram uma equipe multidisciplinar que se dedi- cou a levantar informações em propriedades rurais e contou com

o apoio de especialistas no tema, para, assim, oferecer uma visão

sistêmica sobre a situação atual e as potencialidades dessas fontes de energia renovável na área rural. Apesar da riqueza de informações obtidas, considera-se que este é apenas um passo no processo de discussão necessário para que as energias renováveis avancem no meio rural da Região Sul do Bra- sil. Estudos, pesquisas e a ampliação dos processos de divulgação das energias renováveis no rural se fazem necessários para que os agricultores possam usar essas tecnologias, que contribuirão sig-

nificativamente para a transformação e diversificação da matriz energética, bem como para a mitigação das questões ambientais enfrentadas na agricultura.

A publicação desta obra é fruto de um conjunto de oportunidades

que a Região Sul do Brasil passa a observar e aplicar no âmbito

das renováveis, considerando que o setor agríco- la avança para um processo de transição de sua economia, tendo como base, a produção de grãos e de proteína animal, estabelecendo novos ciclos na produção de alimentos. Como consequência, temos a necessidade de energia segura em suas diversas formas (elé- trica, térmica e para mobilidade) e, portanto, a busca de integração na produção de alimentos, garantindo energia confiável e ambientalmente adequada são fatores de atratividade e desem- penham um papel de competitividade para um setor que representa 27% do pib e 46% das expor- tações do País.

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem o apoio recebido das instituições que contribuíram para que este estudo pudesse ser realizado, bem como aos agricultores da Região Sul do Brasil que com suas informações permitiram a identificação das diversas realidades e oportunidades que as energias renováveis oferecem para a agricultura. A seguir lis- tamos os nomes desses agricultores e instituições.

AGRICULTORES

PARANÁ Bituruna | Paulo Egidio Agustini – Granja Agustini Castro | Centro de Trein. de Pecuarista de Castrolanda – CTP Castro | Jan Haasjes – Granja Marujo Dois Vizinhos | Juranci Tonietto – Granja Tonietto Entre Rios do Oeste | Romário Schaefer Francisco Beltrão | Antoninho e Mari Godinho Marechal Candido Rondon | Eldo Matte

RIO GRANDE DO SUL Candiota | Erich Lageman Horizontina | Gilmar Rex Mostardas | José Chaves da Costa Mostardas | Enio José do Coelho Evangelho Santo Cristo | Luis C. Gerhardt – Santo Cristo/RS São Lourenço do Sul | Jerri Eliano de Quevedo Tavares | Gilmar Copelo Brum e Helena Maria V. Brum Tres de Maio | Milton Kipper Tucunduva | Elton Barrichelo

SANTA CATARINA Aberlado Luz | Juarez de Oliveira Luz Tunápolis | Granja Serafini Vargeão | Granja Tomazoni

ENTIDADES

3B ENERGY – Francisco Espyridião e Leticia Rodrigues. BANRISUL (Banco do Estado do Rio Grande do Sul) – Nedio Paties. BIOTER PROTEÇÃO AMBIENTAL LTDA – Karen Bes. BRICK ENERGIA SOLAR – Pedro Ivo Ravagnani. CERTHIL – Cooperativa de Distribuição de Energia Entre Rios Ltda. (Tres de Maio/RS) – Pedro Roman e Neri Alceu Bruxel. CIBIOGÁS (Centro Internacional de Energias Renováveis). COOPAFI / COOPAFI (Cooperativa de Comercialização da Agricultura Familiar Integrada do Paraná) – José Carlos Farias. COPEL (Companhia Paranaense de Energia) – Andre Luiz Zeni. COMITÊ SC BIOGÁS – Iara Dreger. EMATER-PR (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural) – Valdir Koch, Orival Stolf, e Ademir V Peroni e Ana Maria de Moraes. EMATER-RS (Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural) – Matias Felipe E. Kraemer, José Vanderlei B. Waschburger, Fernando D. Fagundes, Jonas da Silveira, Vanderlei Neuhaus, Leonardo R. Rustick, Neumar R Freddi e Marco André Jung. EMBRAPA / CLIMA TEMPERADO (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) – Carlos Reisser Junior, Clênio Nailto Pillon e Carlos Alberto Barbosa Medeiros. EPAGRI (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) – Paulo Roberto Lisboa Arruda e Luiz Antonio Palladini.

EPI ENERGIA PROJETOS E INVESTIMENTOS LTDA – Ivan Moura. ER-BR Energias Renováveis – Sergio Soares Nascimento e Adirlei Rodrigues de Oliveira. FAPESC (Fundação de Amparo a Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina) – Iara Dreger. FRATELLI – Energias Renováveis e Metalurgia – Moacir Antonio Locatelli. GAZETA DO POVO – Cintia Junges. HUGO ADOLFO GOSMANN – Autonomo. IDEAAS (Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas e da Auto Sustentabilidade do Rio Grande do Sul) – Flavio Rosa. INSTITUTO DE ENERGIAS RENOVÁVEIS E INOVAÇÃO – Silvio José Beluzzo e Rafael Ghellere. IPARDES (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social) – Angelita Bazotti. IERI (Instituto de Energias Renováveis e Inovação). ITAIPU BINACIONAL – Herlon Goelzer Almeida. JBS (Diretoria Agropecuária de Suínos e Aves – Itajai/SC) – Marcio Polazzo. JBS Foods – Seara/ SC – Nilson do Amaral. MARSOL EFICIÊNCIA ENERGÉTICA E SOLUÇÕES SUSTENTÁVEIS – Patricia Cerutti, Marcos Roberto Bruxel, Gilberto Antonio Grassi e Daniela Susin Guerra. METAPROJ FISCALIZAÇÃO E PROJETOS ELÉTRICOS – Ricardo Cartes Patricio. RIBEIRO SOLUÇÕES EM AUTOMAÇÃO – Liciany Ribeiro. OBEN POWER – Caio Moreira. SEAB (Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento) – Adriana Baumel. SEAD (Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário). SETREN (Sociedade Educacional Três de Maio) – Cinei Riffel, Angelica da Costa e Marcia Stein. SOLAR ENERGY DO BRASIL – Herverton Martin. TECSULSOLAR – Eduardo Moretti Campitelli. UFSC/Fotovoltaica – Ricardo Rüther. UNIVATES (Faculdades Unidade Integrada Vale do Taquari de Ensino Superior – Lajeado/RS) – Odorico Konrad e Cezar Augusto Machado. VENTO SOLAR TECNOLOGIA – Francisco Czinar.

SUMÁRIO

1.

INTRODUÇÃO 25

2.

METODOLOGIA 29

3.

CARACTERIZAÇÃO DA AGRICULTURA NA REGIÃO SUL DO BRASIL 31

3.1.

A agricultura no Brasil e na Região Sul 31

3.2.

Consumo energético da agropecuária na Região Sul 35

4.

VISÃO GERAL DAS ENERGIAS RENOVÁVEIS NA REGIÃO SUL DO BRASIL 39

4.1.

Biogás 40

4.1.1.

Biogás no Paraná 44

4.1.2.

Biogás em Santa Catarina 48

4.1.3.

Biogás no Rio Grande do Sul 56

4.2.

Energia solar fotovoltaica 64

4.2.1.

Energia solar fotovoltaica no Paraná 67

4.2.2.

Energia solar fotovoltaica em Santa Catarina 68

4.2.3.

Energia solar fotovoltaica no Rio Grande do Sul 72

4.3.

Energia eólica 80

4.3.1.

Energia eólica no Paraná 82

4.3.2.

Energia eólica em Santa Catarina 84

4.3.3.

Energia eólica no Rio Grande do Sul 85

4.4.

Biomassa de florestas energéticas 89

4.4.1.

Florestas energéticas em Paraná 91

4.4.2.

Florestas energéticas em Santa Catarina 93

4.4.3.

Florestas energéticas no Rio Grande do Sul 94

5.

CASOS VISITADOS 97

5.1.

Biogás 97

5.1.1.

Agropecuária 97

5.1.2.

Centros de treinamento e faculdades 104

5.2.

Energia solar fotovoltaica 109

5.2.1.

Agricultores 112

5.2.2.

Pescadores 115

5.3.

Energia eólica 118

6.

OUTRAS EXPERIÊNCIAS 123

6.1.

Condomínio de Agroenergia Ajuricaba 124

6.2.

Condomínio de Agroenergia de Entre Rios do Oeste/PR 125

6.3.

Condomínio de Agroenergia Itapiranga/SC 126

6.4.

Projeto do Consórcio Verde Brasil 127

6.5.

Cooperativas do Oeste do Paraná 130

6.6.

Fazenda Iguaçu Starmilk 131

6.7.

Granja São Pedro de José Colombari 132

6.8.

Granja Haacke 133

6.9.

Projeto florestas energéticas – cibiogás 134

7.

ANÁLISE ECONÔMICA 135

7.1.

Biogás 135

7.1.1.

Cenário 1

137

7.1.2.

Cenário 2

140

7.1.3.

Cenário 3

142

7.2.

Sistemas Fotovoltaicos Interligados à Rede Elétrica 145

7.2.1.

Cenário para análise de viabilidade 148

8.

CONCLUSÕES 153

8.1.

Conclusões em relação às visitas 153

8.1.1.

Biogás 156

8.1.2.

Sistema Solar Fotovoltaico 158

8.2.

Conclusões gerais 159

9.

RECOMENDAÇÕES 161

9.1.

Outras recomendações 166

10.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 169

ANEXO 1 – FONTES DE FINANCIAMENTO DE ENERGIAS RENOVÁVEIS PARA A AGRICULTURA FAMILIAR 183

ANEXO 2 – FONTES DE INFORMAÇÕES SOBRE ENERGIAS RENOVÁVEIS 187

ANEXO 3 – DECRETO Nº 52.964 DE 30 DE MARÇO DE 2016 – GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL 192

ANEXO 4 – METODOLOGIA DE ANÁLISE DE VIABILIDADE DE PROJETO DE ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA 199

ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1.

Desenho esquemático da digestão anaeróbia. 42

Figura 2.

Cooperativas e estabelecimentos agropecuários com tratamento de dejetos e produção de biogás. 42

Figura 3.

Cooperativas com potencial para tratamento de dejetos e produção de biogás. 47

Figura 4.

Jornal da época sobre a instalação do primeiro biodigestor no campo em Santa Catarina. 49

Figura 5.

Propriedade com biogás em Santa Catarina. 50

Figura 6.

Unidades industriais das cooperativas agropecuárias com potencial de produção de biogás em Santa Catarina. 56

Figura 7.

Unidades industriais das cooperativas agropecuárias com potencial de produção de biogás no Rio Grande do Sul. 62

Figura 8.

Desenho esquemático da geração de energia solar fotovoltaica. 64

Figura 9.

ufsc Fotovoltaica. 69

Figura 10.

Projeto Sistemas Fotovoltaicos em propriedades rurais do Oeste do Paraná 74

Figura 11.

Residência de pescador artesanal com sistema solar off grid instalado – Mostardas. 76

Figura 12.

Residência de pescador artesanal com sistema on grid instalado – Tavares. 77

Figura 13.

Residência de pescador artesanal – Mostardas. 77

Figura 14.

Sistema de bombeamento d’água instalado a campo – Mostardas. 78

Figura 15.

Desenho esquemático do sistema solar de bombeamento d’água. 79

Figura 16.

Sistema solar fotovoltaico – Mostardas. 79

Figura 17.

Potencial Eólico do Paraná, 2007. 83

Figura 18.

Potencial Eólico de Santa Catarina. 84

Figura 19.

Potencial Eólico do Rio Grande do Sul a 100 m de altura – 2002 e 2014. 86

Figura 20.

Potencial Eólico do Rio Grande do Sul a 150 m de altura, 2014. 86

Figura 21.

Principais áreas promissoras para aproveitamentos eólicos no Estado do Rio Grande do Sul. 87

Figura 22.

Distribuição regional das áreas de reflorestamento com eucalipto e áreas agrícolas no estado do Paraná para dados da safra de 2009/2010. 93

Figura 23.

Distribuição da área de plantios florestais no Rio Grande do Sul. 94

Figura 24.

Instalações da Ceramica Stein. 103

Figura 25.

Centro de treinamento de pecuaristas – ctp/Castro PR. 105

Figura 26.

Vista dos biodigestores e das instalações para bovinos – setrem

106

Figura 27.

Projeto de extensão em uma escola de Coronel Barros – setrem

107

Figura 28.

Vista da propriedade de Gilmar Rex – Horizontina/RS. 113

Figura 29.

Propriedade de Antonio Godinho. 114

Figura 30.

Sistema instalado na Comunidade Quilombola Monjolo 119

Figura 31.

Sistema instalado na Embrapa Clima Temperado 120

Figura 32.

Localização do Condomínio Ajuricaba 124

Figura 33.

Planta para purificação do biogás e produção do biometano 128

Figura 34.

Veículo do consórcio movido a biometano gnverde 129

ÍNDICE DE TABELAS

Tabela 1.

Quantidade total de estabelecimentos agropecuários e de estabelecimentos familiares e área ocupada pelos estabelecimentos familiares em cada estado da Região Sul. 31

Tabela 2.

Produção vegetal e animal no Brasil e na Região Sul.

32

Tabela 3.

Produção vegetal e animal da agricultura familiar no Brasil e na Região Sul. 33

Tabela 4.

Participação da Agricultura Familiar na produção agrícola estadual da Região Sul do Brasil. 33

Tabela 5.

Efetivo total dos rebanhos no Brasil, na Regiaõ Sul e em cada estado da Região Sul em

2006.

33

Tabela 6.

Efetivo total dos rebanhos no Brasil, Região Sul e estados na agricultura familiar em

2006.

34

Tabela 7.

Percentual de animais existentes na agricultura familiar em cada estado. 34

Tabela 8.

Efetivo total dos rebanhos no Brasil, Região Sul e estados em 2015. 35

Tabela 9.

Cooperativas agroindustriais registradas na ocesc até 2014. 55

Tabela 10.

Cooperativas com potencial de tratamento de dejetos e produção de biogás no Rio Grande do Sul. 60

Tabela 11.

Projeção da evolução das unidades fotovoltaicas entre 2014 e 2023. 66

Tabela 12.

Geração e potência elétrica instalada na Região Sul e no Brasil em 2014. 81

Tabela 13.

Relação de agricultores visitados por estado/cidade/ área e quantidade de animais. 98

Tabela 14.

Dados sobre a digestão anaeróbica, biogás e digestato das propriedades. 99

Tabela 15.

Propriedades classificadas pelo principal uso dado ao biogás em cada estado da Região Sul. 99

Tabela 16.

Dados de geração de energia elétrica nas propriedades visitadas. 100

Tabela 17.

Valores e fonte de recursos para o investimento e custo estimado de manutenção dos equipamentos. 101

Tabela 18.

Motivos considerados determinantes pelos agricultores para implantação do sistema de digestão anaeróbica. 102

Tabela 19.

Propriedades rurais com sistema de geração de energia solar fotovoltaica em operação no Rio Grande do Sul. 110

Tabela 20.

Propriedades rurais com sistema de geração de energia solar fotovoltaica em instalação ou em liberação de recursos no Rio Grande do Sul. 111

Tabela 21.

Equipamentos identificados junto aos entrevistados. 117

Tabela 22.

Dados da Fazenda Starmilk. 132

Tabela 23.

Potencial de produção de dejetos, biogás, metano e geração de energia elétrica para suinocultura em terminação. 137

Tabela 24.

Estimativa de investimento para o sistema de produção de biogás e geração de energia elétrica para geração distribuída e depreciação de equipamentos. 138

Tabela 25.

Estimativa de investimento para o sistema de produção de biogás e geração de energia elétrica para geração isolada e depreciação de equipamentos. 138

Tabela 26.

Resultados financeiros da geração de energia elétrica a partir do biogás para geração distribuída. 139

Tabela 27.

Indicadores de viabilidade econômica para geração distribuída. 139

Tabela 28.

Produtor Rural. Estimativa de investimento para o sistema de produção de biogás e geração de energia elétrica para geração distribuída e depreciação de equipamentos. 140

Tabela 29.

Produtor Rural. Resultados financeiros da geração de energia elétrica a partir do biogás para geração distribuída e indicadores de viabilidade econômica para geração distribuída. 140

Tabela 30.

Investidor. Estimativa de investimento no Grupo Moto Gerador para e geração de energia elétrica em geração distribuída e depreciação do equipamento. 141

Tabela 31.

Investidor. Resultados financeiros da geração de energia elétrica a partir do biogás para geração distribuída e indicadores de viabilidade econômica para geração distribuída. 142

Tabela 32.

Produtor Rural. Estimativa de investimento para o sistema de produção de biogás e geração de energia elétrica para geração distribuída e depreciação de equipamentos. 142

Tabela 33.

Produtor Rural. Resultados financeiros da geração de energia elétrica a partir do biogás para geração distribuída e indicadores de viabilidade econômica para geração distribuída. 143

Tabela 34.

Investidor. Estimativa de investimento no Grupo Moto Gerador e Biodigestor para e geração de energia elétrica em geração distribuída e depreciação do equipamento. 143

Tabela 35.

Investidor. Resultados financeiros da geração de energia elétrica a partir do biogás para geração distribuída e indicadores de viabilidade econômica para geração distribuída. 144

Tabela 36.

(Sem título)

146

Tabela 37.

(Sem título)

147

Tabela 38.

(Sem título) 147

Tabela 39.

Financiamento através do pronaf com juros de 2,5% ao ano, valor do financiamento de R$ 38.000,00, prazo de 10 anos, correção do preço da energia em 4,8% ao ano e deflação de 5% ao ano para o período. 146

Tabela 40.

Financiamento do pronamp e abc a juros de 7,5% ao ano, valor R$ 38.000,00, prazo de 10 anos, correção do preço da energia em 4,8% ao ano, deflação de 5% ao ano para o período. 150

Tabela 41.

Financiamento da Agricultura Empresarial a juros de 8,5% ao ano, valor financiado R$ 38.000,00, prazo de 10 anos, correção do preço da energia em 4,8% ao ano e deflação de 5% ao ano para o período. 151

Tabela 42.

Financiamento para materiais não enquadrados no Finame a juros de 10% ao ano, valor financiado R$38.000,00 e prazo de 10 anos, correção do preço da energia a 4,8% ao ano e deflação de 5% ao ano para o período. 151

LISTA DE SIGLAS E ABREVIAÇÕES

ABDI

Agência Brasileira de Desenvolvimento da Indústria

ABEEOLICA

Associação Brasileira de Energia Eólica

ABIMAQ

Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos

ABRAF

Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas

ACATS

Associação Catarinense de Supermercados

AGDI

Agencia Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção de Investimento

ANEEL

Agência Nacional de Energia Elétrica

ANP

Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis

ATER

Assistência Técnica e Extensão Rural

BANRISUL

Banco do Estado do Rio Grande do Sul S.A.

BIG-ANEEL

Banco de Informação de Geração da Agência Nacional de Energia Elétrica

BNDES

Banco Nacional de Desenvolvimento Economico e Social

CCEE

Câmara de Comercialização de Energia Elétrica

CEEE

Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica – Rio Grande do Sul

CE-EÓLICA

Centro de Energia Eólica

CELESC

Centrais Elétricas de Santa Catarina S/A

CIBIOGÁS

Centro Internacional de Energias Renováveis

CIRAM

Centro de Informações de Recursos Ambientais de Hidrometeorologia

COOPAFI

de Santa Catarina Cooperativa de Comercialização da Agricultura Familiar Integrada

COPEL

Companhia Paranaense de Energia Elétrica

CRESOL BASER

Sistema das Cooperativas de Crédito Rural com Interação Solidária – cresol

DAP

Declaração de Aptidão ao pronaf

DEAGRO

Departamento de Desenvolvimento Agropecuário da Secretaria

DERAL

de Agricultura e Abastecimento do Paraná Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura

ELETROSUL

e Abastecimento do Paraná Centrais Eletricas S.A.

EMATER-RS

Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência

EMATER-PR

Técnica e Extensão Rural Instituto Paranaense de Assistencia Técnica e Extensão Rural

EMBRAPA

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária

EMBRATER

Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural

EPAGRI

Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina

EPE

Empresa de Pesquisa Energética

FAO

Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura

FAPESC

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Santa Catarina

FEAPER

Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos

FETRAF-Sul

Estabelecimentos Rurais Federação dos Trabalhadores Rurais na Agricultura – Regional Sul

GASBOL

Gasoduto Brasil Bolívia

GWh

Gigawatt hora

GEE

Gases de Efeito Estufa

IAPAR

Instituto Agronômico do Paraná

ICMS

Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços

IDEAAS

Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas e da Auto-Sustentabilidade

IBGE

do Rio Grande do Sul Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

ICT

Instituições de Ciência e Tecnologia

ICMS

Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços

INCT-EREEA

Instituto de Energias Renováveis e Eficiência Energética da Amazônia

INPE

Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

kWh

Quilowatt-hora

LABSOL

Laboratório de Energia Solar da UFRGS

LACTEC

Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento

LabEEE/UFSC

Laboratório de Eficiência Energética em Edificações

LEPTEN/Labsolar

Laboratório de Engenharia de Processos de Conversão e Tecnologia de Energia

MAPA

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

MDA

Ministério do Desenvolvimento Agrário

MDL

Mecanismos de Desenvolvimento Limpo

MME

Ministério das Minas e Energia

MWh

Megawatt-hora

SISTEMA OCEPAR

Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná

OIE

Oferta Interna de Energia

OCDE

Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico

OCEPAR

Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná

OCESC

Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina

OCERGS

Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul

PCI

Poder Calorífico Inferior

PDE

Plano Decenal de Expansão de Energia

PPE

Programa de Eficiência Energética

PROCEL

Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica

PROINFA

Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica

PRONAF

Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar

PUCRS

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

SAF

Sistema Agroflorestal

SANEPAR

Companhia de Saneamento do Paraná

SCGÁS

Companhia de Gás de Santa Catarina

SEAB

Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Paraná

SEAD

Secretaria Especial da Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário

SDS

Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável

SETREM

Sociedade Educacional Três de Maio

SICREDI

Sistema de Crédito Cooperativo

SIDRA

Sistema IBGE de Recuperação Automática

SISCLAF

Sistema Cooperativa Central de Leite da Agricultura Familiar

SULGÁS

com Interação Solidária Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul

TECPAR

Instituto de Tecnologia do Paraná

tEP

Toneladas Equivalentes de Petróleo

TUSD

Tarifa de Utilização de Serviços de Distribuição

TUST

Tarifa de Utilização de Serviços de Transmissão

UNICAFES

União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária

UFSC

Universidade Federal de Santa Catarina

UFSM

Universidade Federal de Santa Maria

UNFCCC

United Nations Framework Convention on Climate Change

UNIVATES

Universidade do Vale do Taquari Faculdades – Unidade Integrada Vale

UTFPR

do Taquari de Ensino Universidade Tecnológica Federal do Paraná

UFRGS

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

INTRODUÇÃO

1

O Brasil destaca-se mundialmente pela produção de energias renováveis, o que repre- sentou, em 2015, 41,2% da oferta interna bruta de energia (inclui combustíveis e energia elé- trica) e 75,4% da oferta de energia elétrica nacional, segundo a Empresa de Pesquisa Ener- gética (epe). Subtraindo-se a fonte hidráulica, a participação das fontes não convencionais na matriz elétrica do Brasil foi de 11,4% em 2015 (epe, 2016). As fontes não convencionais são também conhecidas como alternativas e incluem biomassa de cana-de-açúcar, biogás, eólica, solar, lenha e carvão vegetal. Na Região Sul do Brasil, de acordo com dados do último Censo Agropecuário, realiza- do pelo ibge em 2006, existiam 889.724 propriedades de agricultura familiar, das quais 756.140 utilizavam energia elétrica (ibge, 2009). Em 2015 a agropecuária utilizava 3,8% da oferta interna bruta de energia e 4,4% da oferta de energia elétrica no Brasil (epe, 2016). Porém, segundo dados do Censo Agropecuário 2006 do ibge, na Região Sul havia apenas 2.104 propriedades rurais que geravam sua própria energia elétrica. A energia elétrica era gerada a partir das seguintes fontes: 308 por fonte solar, 28 por fonte eólica, 796 por fonte hídrica, 464 por queima de combustível e 536 por outras fontes. Assim, a grande quantidade de propriedades de agricultura e a pequena porcentagem de autoprodução de energia elétrica, podem representar uma oportunidade de redução de

custos de produção agrícola, de aumento do uso de fontes renováveis e até de crescimento do setor energético. Nesse sentido, fontes de energia renovável que se destacam pelo potencial na Região Sul

do país são o biogás da biomassa residual, a solar, a eólica, a biomassa florestal e a hidráu- lica. Neste trabalho, decidiu-se por não considerar a fonte hidráulica e nem os biocombus- tíveis, focando-se em fontes não convencionais e relativamente pouco explorados no sul. O biogás é gerado a partir da digestão anaeróbica de resíduos e efluentes e seu aprovei- tamento energético vem crescendo nos últimos anos motivado por diversas iniciativas pú- blicas e privadas. Além de ser uma fonte de energia, o biogás é um motivador do tratamento

e disposição adequada dos efluentes e resíduos, reduzindo os impactos no solo e na água.

Também garante a transformação do metano em CO2, por meio de sua queima e aproveita- mento energético, reduzindo os impactos de emissão de gás de efeito estufa (gee). Neste contexto, é importante considerar que o Brasil, segundo a fao, será o maior ex- portador de proteína animal até 2025 (oecd/fao, 2016). Porém, para que este objetivo seja alcançado o país terá que triplicar o número de animais confinados, o que, atualmente, não seria possível em função da necessidade de tratamento dos resíduos dos animais exigidos pela legislação ambiental. Nesse contexto, fomentar o uso destes resíduos para produzir biogás, além de proporcionar soberania energética aos produtores rurais, promoverá o sa- neamento rural e a expansão da produção de proteína animal. Considerando os benefícios ambientais e os ganhos econômicos de gerar a própria energia com uma matéria prima disponível da propriedade rural, o biogás passou a ser mui- to atrativo no Brasil. Ao longo dessa publicação serão apresentados iniciativas e projetos

desta área e informações das propriedades de agricultura familiar que aproveitam energeti- camente o biogás no sul do Brasil. Quanto à energia solar fotovoltaica no meio rural podemos afirmar que seu uso é recente (aproximadamente três anos) e ainda pequeno, entretanto sua potencialidade como ener- gia limpa é grande, motivando os agricultores, especialmente os familiares, a aumentarem

o interesse sobre o tema conforme relatado no capítulo que trata do assunto, especialmente

quanto à importância em relação aos aspectos ambientais. Embora o número de sistemas instalados no país, especialmente no rural, ainda represente uma fatia relativamente pe- quena no mercado, seu crescimento tem demonstrado que os investimentos em micro e minigeração elétrica representam uma tendência irreversível. Além disso, nas visitas realizadas nas propriedades agrícolas foi possível constatar que a produção de energia eólica no rural no sul do Brasil é ainda incipiente e sua aplicabilidade

nas propriedades rurais muito restrita. Acredita-se que seu uso demanda mais incentivos

e pesquisas para atestar sua viabilidade em pequena escala, especialmente na agricultura

familiar. Ainda, é importante destacar a relevância das fontes renováveis de energia na redução das emissões de poluentes atmosféricos e de gee pela queima de combustíveis fósseis, além de outros impactos ambientais. Na 21ª Conferência das Partes (cop-21) da Conven- ção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (unfccc), o Brasil assumiu metas de redução das emissões de gee de 43% até 2030 em relação aos níveis de 2005, o que envol- ve garantir a participação de fontes renováveis de 45% no total da matriz energética, tratar os efluentes da produção de suínos, aumentar o uso de sistemas de Integração Lavoura-Pe-

cuária-Floresta (ilpf) e de Sistemas Agroflorestais (safs), realizar o reflorestamento de mais de 12 milhões de hectares e tratar os dejetos da produção de pecuária. Assim, o uso de fontes renováveis de energia na agricultura familiar vem ao encontro das metas de redução de emissões de gee e traz, além disso, benefícios ambientais, sociais

e econômicos para as propriedades rurais. Além das vantagens dessas fontes de energia renováveis, seu uso foi ampliado no Brasil após a publicação da Resolução Normativa da Agência Nacional de Energia Elétrica (ane- el) Nº 482/2012, alterada pela Resolução Normativa aneel Nº 687/2015. Essas resoluções permitem a geração de energia elétrica e sua injeção na rede de distribuição, permitindo a compensação do consumo da unidade e, consequentemente, a redução dos custos de pro- dução, no caso de propriedades rurais e segurança no mercado, uma vez que a regulamen- tação contempla as pequenas gerações de energia (mini e microgeração). Assim este trabalho procurou analisar as diferentes fontes potenciais de energia no meio rural da Região Sul, pesquisando a realidade dos agricultores e identificando as ações da pesquisa e do setor agroindustrial cooperativista. A expectativa é que as energias renová- veis possam contribuir para a existência de sistemas de produção agrícolas menos impac- tantes ao meio ambiente, habitações “inteligentes” que produzam a sua própria energia, veículos que utilizam fontes de energia alternativas ao petróleo e soluções de infraestrutura de geração e distribuição eficientes.

METODOLOGIA

2

A metodologia aplicada no estudo buscou identificar as diversas opções de produ- ção de energia renovável no meio rural do Sul do Brasil. O trabalho foi iniciado a partir de reunião entre as entidades envolvidas para discutir a oportunidade, realização e interesse, assim como articular e organizar as ações conjuntas a serem realizadas no levantamento. Essas entidades, que tiverem maior envolvimento no levantamento, foram:

• Unidade Regional de Gestão de Projetos para a Região Sul – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação – Brasil – fao

• Coordenação Geral de Biocombustíveis – Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário da Casa Civil da – cger/saf/sead

• Centro Internacional de Energias Renováveis/Biogás – cibiogás

Na sequência foram elaborados conjuntamente os formulários das entrevistas a serem realizadas nas propriedades rurais visitadas, de acordo com o enquadramento na fonte de energia renovável existente, resultando em três tipos: uso de biomassa residual para produ- ção de biogás, uso de energia solar fotovoltaica e uso de energia eólica. Após essa etapa, foram realizados contatos por telefone ou reuniões com instituições, empresas e agricultores que direta ou indiretamente estariam envolvidos em projetos e plantas de geração de energias renováveis na área rural do Sul do Brasil. Com isso, defini-

ram-se quais seriam as propriedades agrícolas e áreas/residências de pescadores artesanais a serem visitadas para coleta de dados. Também foi realizada uma pesquisa no Banco de Informações de Geração da Agência Nacional de Energia Elétrica (big/aneel) para o levantamento de informações sobre em- preendimentos em operação ou em construção que tivessem relação com a área rural. Esses empreendimentos poderiam se caracterizar como sendo da agricultura familiar ou apenas estarem instalados em propriedades da agricultura familiar gerando renda a partir do rece- bimento de royalties ou do aluguel das áreas. Outra fonte de informações foi o Cadastro Nacional do Biogás do Centro Internacional de Energias Renováveis (BiogasMap/cibiogás-http://mapbiogas.cibiogas.org/), onde foram coletados dados sobre empreendimentos da agropecuária com geração de energia a partir de biogás. As visitas às propriedades com uso de energias renováveis foram realizadas de agosto de 2016 a fevereiro de 2017, sendo algumas acompanhadas por instituições da região visando facilitar a localização e a coleta dos dados. As instituições envolvidas nos levantamentos por estado foram:

Paraná: coopafi, unicafes, cresol e fetraf-Sul (Francisco Beltrão), emater/PR (Dois Vizinhos), copel (Curitiba), er-br (Londrina), Centro de Treinamento de Pe- cuaristas (Castro). Oben Power Energy (Curitiba), Vento Solar Tecnologia (Curitiba), Tecsulsolar (Curitiba), Instituto de Energias Renováveis e Inovação (Cascavel), Brick Energia Solar (Maringá), 3B Energy (Curitiba) e Ribeiro Soluções em automação. • Santa Catarina: epagri (Florianópolis), ufsc Fotovoltaica (Florianópolis), jbs Foods (Itajaí e Seara), Bioter Proteção Ambiental Ltda (Chapecó). • Rio Grande do Sul: Emater/Ascar/RS (Mostardas, Tavares, Santa Rosa, Santo Cristo, Tucun- duva, Horizontina), embrapa Clima Temperado (Pelotas e São Lourenço do Sul), banri- sul (Porto Alegre), Univates (Lajeado/Encantado), certhil (Três de Maio), setren (Três de Maio), Fratelli Energias Renováveis e Metalurgia (Santa Rosa), ideaas – Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas e da Auto Sustentabilidade do Rio Gramde do Sul (Santo Antonio da Patrulha), Marsol Eficiência Energética e Soluções Sustentáveis (Fre- derico Westhalen), Epi Energia Projetos e Investimentos Ltda (Porto Alegre).

Os dados coletados nas propriedades foram analisados, acompanhado de informações ge- rais do setor de energias renováveis no Sul do Brasil, e compilados nessa publicação, com o ob- jetivo de demonstrar as ações já desenvolvidas e especialmente sua replicabilidade na região.

CARACTERIZAÇÃO DA AGRICULTURA NA REGIÃO SUL DO BRASIL

Autores: Carlos A. F. Biasi, Abner G. Picinatto, Leidiane Mariani

3

3.1. A agricultura no Brasil e na Região Sul

O Brasil possui 5.175.489 estabelecimentos agropecuários e destes 1.006.181 estão loca- lizados na Região Sul do Brasil conforme o Censo Agropecuário de 2006 (ibge 2009). Neste total, 849.997 são estabelecimentos familiares que correspondem a 84% do total de estabe- lecimentos existentes na região e 37% da área dos estabelecimentos da região (ibge, 2009). A Tabela 1 identifica mais detalhadamente a situação individual de cada estado apontando

 

Quantidade total de estabelecimentos agropecuários

Quantidade de

Área total de cada estado ocupada por estabelecimentos familiares

estabelecimentos

Estado

familiares

Unidades

Unidades

%

%

Paraná

371.051

302.907

82%

28%

Rio Grande do Sul

441.467

378.546

86%

31%

Santa Catarina

193.663

168.544

87%

44%

TOTAL

1.006.181

849.997

84%

37%

TABELA 1. Quantidade total de estabelecimentos agropecuários e de estabelecimentos familiares e área ocupada pelos

estabelecimentos familiares em cada estado da Região Sul.

Fonte: IBGE, 2009.

uma forte predominância das unidades familiares que mesmo possuindo área reduzida, respondem por significativa parcela da produção de alimentos da região e do país.

A produção vegetal e animal da Região Sul, em 2006, era responsável por significativa

parcela da produção nacional, o que pode ser visto na Tabela 2. Verifica-se que a produção da Região Sul em relação à produção total do país representava, em 2006, 92% da produção de trigo, 67% de arroz em casca, 44% de milho em grão, 41% da soja, 26% do feijão, 25% da mandioca, 28% do leite e 7% do café.

TABELA 2. Produção vegetal e animal no Brasil e na Região Sul.

Fonte: IBGE, 2009.

       

Produção do

Produção

brasileira (B)

 

Produto

Produção PR

Produção SC

Produção RS

sul do Brasil

(A)

%

A/B

Arroz (casca) (ton)

94.882

846.378

5.396.657

6.337.918

9.477.257

67

Feijão 1 (ton)

488.725

185.245

106.470

800.637

3.108.983

26

Mandioca (ton)

2.846.420

596.978

126.666

4.029.918

16.093.942

25

Milho (grão) (ton)

9.195.417

4.110.183

5.234.310

18.539.912

42.281.800

44

Soja (ton)

8.402.608

714.115

7.465.655

16.582.379

40.712.683

41

Trigo (ton)

948.179

97.688

1.040.388

2.086.256

2.257.598

92

Café 2 (ton)

163.532

38

8

163.579

2.360.756

7

Leite (1000 l) (ton)

1.816.426

1.394.146

2.455.611

5.666.183

20.157.682

28

(1) Produção total de feijão preto, feijão de cor e feijão fradinho. (2) Produção total de café arábica e café canéfora (robusta,conilon) em grão verde.

Quanto à agricultura familiar observa-se que apresentava dados mais significativos em relação ao total da produção da Região Sul. A Tabela 3 aponta a expressividade das explo-

rações de café (85%), feijão (70%), mandioca (84%), leite (80%), milho em grãos (57%), soja (33%) e em menor importância o trigo (22%), e arroz em casca (18%). Ainda em relação à ta- bela deve ser destacado que dos 8 principais produtos regionais, 5 deles eram responsáveis por mais de 50% da produção da Região Sul.

A Tabela 4 expressa a contribuição da agricultura familiar em cada estado com relação à

produção de alimentos, demonstrando sua importância para a segurança alimentar. Com exceção das culturas do trigo, da soja nos três estados e do arroz no Rio Grande do Sul, os demais cultivos agrícolas atingem percentuais bastante representativos em relação à pro- dução total de cada produto e em cada um dos estados.

 

Produção Sul AF PR

Produção Sul AF SC

Produção Sul AF RS

Produção Total Sul AF (A)

Produção Sul do Brasil (B)

%

Produto

A/B

Arroz (casca) (ton)

36.281

539.904

575.435

1.151.621

6.337.918

18

Feijão (ton)

320.848

135.934

106.622

563.403

800.637

70

Mandioca (ton)

2.304.221

555.158

539.752

3.399.130

4.029.918

84

Milho (grão) (ton)

4.019.969

3.145.459

3.480.535

10.645.963

18.539.912

57

Soja (ton)

2.622.856

214.940

2.663.494

5.501.290

16.582.379

33

Trigo (ton)

218.713

16.646

240.684

476.043

2.086.256

22

Café

93.595

34.610

8.265

138.470

163.579

85

Leite (l)

1.227.212

1.213.642

2.079.863

4.520.718

5.666.183

80

Produto agrícola

Produção agrícola proveniente da agricultura familiar em relação à produção total de cada estado (%)

Paraná

Santa Catarina

Rio Grande do Sul

Mandioca

81

93

92

Feijão

66

73

84

Milho em grão

43

76

66

Café

57

90

99

Arroz em casca

40

64

11

Leite

68

87

85

Trigo

23

17

23

Soja

31

30

36

TABELA 3.

Produção vegetal e animal da agricultura familiar no Brasil na Região Sul.

Fonte: IBGE, 2009.

TABELA 4. Participação da Agricultura Familiar na produção agrícola estadual da Região Sul do Brasil.

Fonte: IBGE, 2006.

Em relação à produção pecuária a Região Sul apresenta destaque no país na produção de aves (44%) e na produção de suínos (54%). Em relação aos bovinos (14%) a representatividade do rebanho é menor que as demais explorações pecuárias como se constata na Tabela 5.

Região

Aves

Bovinos 1

Suínos 1

Brasil

1.401.340.989

171.613.337

31.489.439

Região Sul

617.471.103

23.814.051

16.750.420

Paraná

286.566.792

9.503.801

4.569.275

Santa Catarina

216.414.197

3.126.002

6.569.714

Rio Grande do Sul

114.490.114

11.184.248

5.611.431

Relação Região Sul / Brasil (%)

44

14

54

(1) http://sidra.ibge.gov.br/tabela 3939#resultados ibge 2006

TABELA 5. Efetivo total dos rebanhos no Brasil, na Região Sul e em cada

estado da Região Sul em 2006.

Analisando a realidade da agricultura familiar na Região Sul conforme informações da Tabela 6 verifica-se que o Paraná possui o maior rebanho de aves, Santa Catarina o de suínos e o Rio Grande do Sul o de bovinos. Em relação à quantidade de vacas em ordenha o percen- tual da Região Sul é de 20% do país.

TABELA 6. Efetivo total dos rebanhos no Brasil, Região Sul e estados na agricultura familiar em 2006.

 

Aves 1

Suínos 1

Bovinos 1

Vacas em ordenha 2 (cabeças)

Região

(cabeças)

(cabeças)

(cabeças)

Brasil (A)

700.819.753

51.991.528

18.414.366

21.751.073

Região Sul (B)

456.803.131

9.263.130

11.153.639

4.248.380

Paraná

190.602.331

3.161.405

2.840.213

1.641.009

Santa Catarina

146.692.169

2.038.705

4.370.999

1.110.700

Rio Grande do Sul

113.508.631

4.063.020

3.942.427

1.496.671

Relação B / A (%)

65

18

61

20

(1) Fonte: IBGE, 2009. (2) IBGE Sidra-Pesquisa Pecuária Municipal 2006 Tabela 94.

Em relação ao percentual de participação da agricultura familiar na produção de suínos, aves e bovinos na região verifica-se que as explorações de suínos e as aves apresentam maior expressão conforme a Tabela 7.

TABELA 7. Percentual de animais existentes na agricultura familiar em cada estado.

Fonte: Adaptação de IBGE, 2009 e IBGE Sidra – Pesquisa Pecuária Municipal 2006 Tabela 94.

Plantel

Plantel existente na agricultura familiar em relação ao total de cada estado (%)

Paraná

Santa Catarina

Rio Grande do Sul

Região Sul

Suínos

62

67

36

69

Aves

66

68

99

78

Bovinos

34

65

29

40

De acordo com essas informações é possível ter uma noção da importância que a agri- cultura familiar tem na Região no Sul do Brasil, especialmente na produção de alimentos e na contribuição para a segurança alimentar e nutricional da região e do país.

Atualizando as informações sobre os rebanhos suíno, bovino e de aves e incluindo a bo- vinocultura de leite no ano de 2015, obtém-se os dados apresentados na Tabela 8. Segundo esses dados, houve um crescimento significativo da pecuária nos últimos 10 anos. Desta- que-se que Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul respectivamente são os maiores produtores de suínos do Brasil. Essa realidade aponta fortemente a necessidade de serem implantadas propostas que minimizem os impactos ambientais sob pena de inviabilizar a produção agrícola (lavouras) na região. Destaca-se que Santa Catarina é o primeiro estado

em abate de animais e produção de carnes (ibge, 2016) Além disso, a Região Sul já ultrapas- sou a região Sudeste na produção de leite. (ibge – Pesquisa Pecuária Municipal 2014).

 

Aves 1

Bovinos 2

Suínos 3

Vacas ordenhadas 4 (cabeças)

Região

(cabeças)

(cabeças)

(cabeças)

Brasil (A)

1.332.078.050

215.199.488

40.332.553

21.751.073

Região Sul (B)

604.937.587

27.434.523

19.875.316

4.248.380

Paraná

324.034.053

13.737.316

7.134.055

1.641.009

Santa Catarina

145.153.142

4.382.299

6.792.724

1.110.700

Rio Grande do Sul

135.750.392

9.314.908

5.948.537

1.496.671

Relação B / A (%)

38

27

49

19

(1) Galináceos em Geral – ibge Pesquisa Pecuária Municipal 2015 Tab 3939 (2) Análise da Conjuntura Agropecuária 2016 – Pecuária de corte – seab (3) Suinocultura Paranaense 2016 seab/deral (4) ibge Sidra Pesquisa Pecuária Municipal 2015 – Tabela 94

TABELA 8. Efetivo total dos rebanhos no Brasil, Região Sul e estados em 2015.

Em relação à agricultura familiar não é possível realizar a atualização das informações para o ano de 2016, pois não foi realizado um novo censo agropecuário desde 2006, mas po- demos afirmar que sua representatividade continua a ser grande nas explorações de leite, suínos e aves.

3.2. Consumo energético da agropecuária na Região Sul

Toda esta produção agrícola e o seu processamento, realizado pelas cooperativas agroin- dustriais ou por empresas integradoras, exige quantidade elevada de energia em todas as etapas, “antes e depois da porteira”. Na produção agrícola, o maior gasto energético ocorre “antes da porteira”, ou seja, na propriedade, pois é nela que ocorrem as operações mecâni- cas como o preparo do solo, a aplicação de adubos e agrotóxicos, a irrigação, entre outros. Em relação à produção pecuária, principalmente na produção de aves e suínos, é neces- sário somar os gastos energéticos de toda a cadeia produtiva, ou seja, na produção de grãos (milho e soja para ração), com climatização (aquecimento/resfriamento e umidificação), na geração de vapor e aquecimento de água, na distribuição de água e ração, na iluminação, na higienização de equipamentos (ordenhadeiras, resfriadores etc.) entre outros processos. Ou seja, existe um gasto energético elevado, tanto na produção como no processamento animal ou vegetal. Desta forma o consumo energético sempre irá variar em função do tipo

de cultura e plantel bem como do manejo adotado e a forma do processamento desta pro- dução e do sistema de transporte da produção até a comercialização final.

O consumo energético total nacional no setor agropecuário em 2016¹ foi de 11.487 10³

toneladas equivalente de petróleo (tep) para o ano base 2015, que corresponde a 4,4% do consumo final energético no país (260.700 10³ tep (toe). Esse consumo do setor agropecu- ário é, basicamente, concentrado em três fontes: óleo diesel (55%), lenha (24%) e energia elétrica (21%). Ainda no setor agropecuário, nos estados da Região Sul o consumo final energético em

relação ao total nacional foi praticamente igual: 5% para o Paraná, 4% para Santa Catarina e 4,2% para o Rio Grande do Sul (epe, 2016).

O Paraná possuía 379.170 consumidores rurais que consumiram durante o ano de 2014

(Balanço Energético 2016) um volume 8,2% maior de energia elétrica, contra uma média de 5,6% registrada no mercado cativo da Copel. Levando-se em conta a estabilidade registrada no número de ligações, este índice representa diferença ainda maior, em relação às demais categorias de consumo. Em números absolutos, a atividade rural responde por 9,3% do con- sumo dos municípios atendidos. De acordo com estudo de mercado da Copel Distribuição, a produção agropecuária tem se beneficiado do aumento de produção e ganhos de produtividade nas culturas agrícolas, principalmente no segmento soja e milho, elevando o poder de compra do agricultor, com reflexos para o consumo de energia. Nos últimos dez anos, a classe teve crescimento médio de 4% ao ano, chegando ao patamar de 503,4 kWh/mês correspondendo a um custo de R$ 227,24 por unidade consumidora considerando o valor do kWh de R$ 0,45 (Agência de No- tícias – Estado do Paraná, 2015). Em Santa Catarina no meio rural, em 2014, existiam 231.372 unidades consumidoras, equivalente a 8,94% do total de unidades do Estado apresentando um consumo de 388 GWh. Em relação a 2013 houve uma pequena variação no número de consumidores de 0,9%, po- rém com um aumento de 10,1% no consumo. O consumo médio por unidade consumidora foi de 596,3 kWh/mês com um custo equivalente a R$ 180,07 por unidade consumidora ru- ral, considerando também o custo de R$ 0,30199/kWh (celesc, 2014). No Rio Grande do Sul em 2014, o meio rural possuía 341.489 consumidores. A agrope- cuária consumiu o equivalente a 8,22 % do consumo total de energia, proveniente de três grandes distribuidoras que atendem 93,04% do mercado e 2,34% oriundos de pequenas em- presas e cooperativas de eletrificação rural, tendo um valor médio de consumo de R$ 615,3 kWh/mês representando um valor de R$ 270,53 por mês, considerando-se o custo de

R$ 0,439686/kWh por unidade consumidora. Estes são valores médios, podendo ser maior ou menor conforme a estrutura produtiva de cada propriedade, não incluindo as residên- cias rurais. Em 2014, a fonte de energia mais consumida no setor agropecuário foi a lenha, 75,68%, chegando a 792.000 tep. Na segunda posição, a eletricidade, com 23,92%, totalizando 250.000 tep. As fontes de energia primárias predominaram no consumo do setor agropecu- ário, 75,68% do total consumido (capeletto, 2015). Alguns produtos da cesta básica, como o arroz e o leite acabam tendo um gasto energéti- co maior e, portanto, um custo mais elevado de produção, pois o número de operações com gasto de energia elétrica é maior, como por exemplo, o custo com a movimentação da água de irrigação no arroz e ordenha no caso do leite ou automação na criação de suínos e aves. Assim é importante conhecer o sistema produtivo adotado na propriedade para calcular com maior precisão qual é o consumo energético total e por tipo de fonte. Considerando o consumo energético do setor agropecuário e as tendências de cresci- mento, as energias renováveis tornam-se uma opção para as propriedades agrícolas produ- zirem sua própria energia e aumentarem a produção e/ou reduzirem custos. Ou seja, a pro- dução de energia própria considerando a legislação vigente pode tornar-se uma excelente oportunidade de negócio para as propriedades rurais. Esta situação poderá garantir que a Região Sul continue a desempenhar importante pa- pel na produção agrícola e que agricultura familiar identifique uma nova oportunidade de geração de renda. Muito embora não haja estimativas mais precisas sobre o crescimento do setor agrope- cuário do sul do Brasil é possível inferir que as limitações de aumento de área para a pro- dução de grãos ou expansão da pecuária de leite e corte serão superadas pelos aumentos de produtividade das explorações agrícolas (milho e soja especialmente) fruto de trabalhos de pesquisa. Na produção pecuária deve ser destacado que a produção de suínos, aves e leite tem cres- cido significativamente e colocado a Região Sul na liderança do setor. Aliado à esta situação as previsões do estudo da oecd-fao (2016) que até 2024 deverá haver um aumento per capi- ta do consumo de carne suína de 2,5 para 13.5 kg, além do crescimento das exportações. Em relação às aves a previsão é de aumento do consumo de 39,3 para 42,3 kg/pessoa no mesmo período. Em relação aos lácteos a expectativa é que seja atingido o consumo de 84 kg por pessoa também no mesmo período.

VISÃO GERAL DAS ENERGIAS RENOVÁVEIS NA REGIÃO SUL DO BRASIL

Autores: Leidiane Mariani, Carlos A. F. Biasi, Abner G. Picinatto

4

A energia renovável é proveniente de fontes que têm a capacidade de se restaurar, ou seja, de ser utilizada ao longo do tempo sem que se esgote. Alguns exemplos de energias renováveis são: energia solar, energia eólica (dos ventos), biomassa (biogás, biocombustíveis como o biodiesel e o etanol e florestas energéticas), energia hidráulica (do movimento da água), energia geotérmica (calor que vem do interior da Terra) e energia das marés e das ondas (movimentação da água dos oceanos). Já as fontes de energia não renováveis foram origina- das há milhares de anos e dependem dessa escala de tempo para serem renovadas, ou seja, considera-se que na escala de tempo da humanidade essas fontes não se renovam. O petróleo, o gás natural, o carvão mineral e os combustíveis nucleares são exemplos dessas fontes. As fontes renováveis de energia exercem papel estratégico para a segurança energética mundial, pois as principais fontes usadas atualmente são baseadas em recursos como o petróleo e o carvão, que, além de finitos, são altamente poluentes ao ambiente terrestre. Na Região Sul, 91,6% da oferta interna de energia elétrica é proveniente de fontes reno- váveis, prevalecendo a energia hidrelétrica. No Paraná, além da fonte hidráulica que corres- ponde a 94% da oferta interna, o bagaço de cana-de-açúcar se destaca com 2%. Em Santa Catarina, a hidrelétrica equivale a 80% da oferta interna, a eólica a 1% e 3% de outras bioe- nergias (lenha, lixívia, casca de arroz, biogás, resíduos de madeira, óleos vegetais, etc.). O

Rio Grande do Sul se destaca pela participação da energia eólica que é de 10%, sendo que a hidrelétrica corresponde a 72% e as outras bioenergias a 2% (mme, 2016). Porém, há um potencial considerável de energias renováveis não convencionais no sul do Brasil que ainda não é aproveitado, se destacando o biogás proveniente de biomassa residual

da produção agropecuária e dos resíduos sólidos urbanos, a energia solar e a energia eólica. Nesse sentido, algumas iniciativas vêm sendo observadas nos estados visando o aprovei- tamento dessa fonte e serão apresentadas nos próximos capítulos. Em relação às políticas públicas estaduais, o Paraná criou através do Decreto Nº 11.671 de 15/07/2014 o Programa Paranaense de Energias Renováveis, Santa Catarina destaca-se por ter o Programa Catari- nense de Energias Limpas – SC+ criado pelo Decreto Estadual Nº 233 de 24/06/2015, com

o objetivo de articular ações em energias renováveis em uma parceria do Governo do Esta-

do e a iniciativa privada fortalecendo as ações relacionadas às energias limpas e renováveis como pchs, cghs, Eólica, Solar e Biomassa. Recentemente criou o Comitê SC Biogás. O Rio Grande do Sul, que desde 2016 possui o Programa RS Energias Renováveis assim como o programa de Eficiência Energética do Rio Grande do Sul, aprovou no mesmo ano a isenção do pagamento de icms para micro e minigeração de energia elétrica a partir de sistemas fotovoltaicos. Destaca-se que nesse estudo foram analisadas as fontes de energia renovável conside- radas mais importantes e com maior potencial na agricultura da Região Sul, sendo: biogás proveniente da biomassa residual, solar fotovoltaica, eólica e biomassa florestal. No entan- to, existem outras fontes disponíveis nessa região, mas por particularidades de cada uma, não são analisadas nesse estudo.

4.1. Biogás

Autores: Leidiane Mariani, Carlos A. F Biasi, Abner G. Picinatto, Gladis M. B. Bühring

O biogás é produzido a partir da decomposição de matéria orgânica por microrganismos em condições anaeróbias (ausência de oxigênio), processo biológico denominado de diges- tão anaeróbia. É composto basicamente por metano (CH4) e dióxido de carbono (CO2), em

menor quantidade hidrogênio (H2), amônia (NH3), ácido sulfídrico (H2S) e outros de gases.

A quantidade de biogás produzida e sua composição variam conforme a temperatura, o pH,

a umidade, e a composição da matéria orgânica decomposta, denominado de substrato.

A concentração de metano no biogás, que varia entre 50 e 75%, é o que determinada sua

capacidade energética, ou tecnicamente, seu poder calorífico. O biogás pode ser produzi-

do a partir de diferentes fontes de biomassa, como resíduos vegetais, dejetos de animais, resíduos de alimentos, esgoto urbano, dentre outros. O valor calórico do biogás, com um teor de metano de 60%, permite que a energia produzida por um metro cúbico seja equi- valente a um total de 5 a 7,5 kWh (em média 6kWh/m3 ou 21,6 MJ/m³) ou 1,5 a 3 kWh de energia elétrica (fnr, 2009). Apesar de indicado na literatura, não observamos este dado em campo. Nas máquinas nacionais está em torno de 1,3 a 1,7 e nas máquinas internacio- nais chega até a 2,3 máximo.

O biogás produzido pode ser usado como energia térmica substituindo a lenha, o diesel

ou outro combustível fóssil para aquecimento de ambientes, cocção de alimentos, geração de vapor, secagem de grãos, higienização de alimentos etc., como energia mecânica (mo-

triz) para bombeamento de água ou biofertilizante, para a geração de energia elétrica pela queima em grupos moto geradores ou turbinas e para a produção de biometano, gás similar ao gás natural, que pode ser utilizado em veículos automotores. Para a produção do biome- tano, o biogás passa por processos de purificação que aumentam a concentração de metano para 96,5% na maior parte do Brasil, conforme exigência da Resolução 01/2015 da Agência Nacional de Petróleo.

A digestão anaeróbica é um processo utilizado há milhares de anos pela humanidade

como forma de tratar resíduos e efluentes orgânicos e de produzir energia a partir do bio- gás. Para isso, sempre se utilizaram os biodigestores, que são câmaras fechadas onde é feita

a digestão anaeróbica. Quanto aos sistemas de alimentação os biodigestores podem ser

classificados como de alimentação contínua, atualmente os mais usados (modelo chinês, indiano, canadense, lagoa coberta, mistura completa) e os de batelada (descontínuos). Po- rém o modelo mais utilizado nas atividades de projetos do mdl é o fluxo tubular (plug flow, ou modelo canadense). Quanto aos tipos de biodigestores e o material utilizado para sua construção eles podem ser: a) horizontais ou verticais; b) de alvenaria ou concreto; c) de

plástico ou lona; d) de metal ou fibra de vidro. Na Figura 1 é possível ver um desenho esque- mático que apresenta o processo de digestão anaeróbica, também denominado de digestão anaeróbia. Além do biogás, o digestato é um subproduto líquido da digestão anaeróbica e poder ser considerado um biofertilizante. É composto por quantidade considerável de nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K), principais componentes dos adubos industriais e que melhoram

a fertilidade do solo, além disso, melhoram a estrutura do solo, a atividade microbiológica

FIGURA 1. Desenho esquemático da digestão anaeróbia.

Fonte: Strippel et al.,2016.

da digestão anaeróbia. Fonte: Strippel et al.,2016. e a retenção de umidade. O uso do digestato

e a retenção de umidade. O uso do digestato em relação ao uso do dejeto in natura protege

o ambiente do risco de enriquecimento excessivo e consequente eutrofização; os nutrientes estão tornam-se mais assimiláveis pelas plantas, reduz odores e poluição do ar; além de reduzir os custos energéticos e econômicos da produção de fertilizantes. Além do biogás, o digestato é um subproduto líquido da digestão anaeróbica e poder ser

considerado um biofertilizante. É composto por quantidade considerável de nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K), principais componentes dos adubos industriais e que melhoram

a

fertilidade do solo, além disso, melhoram a estrutura do solo, a atividade microbiológica

e

a retenção de umidade. O uso do digestato em relação ao uso do dejeto in natura protege

ambiente do risco de enriquecimento excessivo e consequente eutrofização; os nutrientes estão tornam-se mais assimiláveis pelas plantas, reduz odores e poluição do ar; além de reduzir os custos energéticos e econômicos da produção de fertilizantes. A utilização de biodigestores contribui para a integração das atividades agropecuárias, convertendo os resíduos em dois elementos importantes para o desenvolvimento de uma

o

agricultura sustentável: energia renovável e fertilizante. A energia possibilita a instalação de infraestrutura necessária à agregação de valor ao sistema produtivo, como equipamen- tos para processamento e organização da produção, melhoria na conservação dos produtos

e para a logística de comercialização. Portanto, os principais aspectos importantes para a propriedade rural é a economia gerada com o aproveitamento do biogás e a redução da de- pendência externa de energia. Além disso, a geração de energia com biogás pode ser indutora da melhoria das condi- ções ambientais, por meio da destinação adequada dos resíduos e efluentes gerados nas atividades agropecuárias, evitando a contaminação dos solos e águas. Além disso, reduz a

proliferação de insetos (moscas, mosquitos e baratas) e melhora as condições do ar no local

e região de produção. Também permite a redução, por parte da atividade agropecuária, de

emissão de Gases de Efeito Estufa (gee) para a atmosfera, por meio da captura e queima do biogás, que é composto por gases como o metano e o dióxido de carbono.

A Região Sul do Brasil tem amplo potencial para produção de biogás devido à geração de

resíduos concentrados em algumas regiões e efluentes das atividades agropecuárias, prin- cipalmente a suinocultura, bovinocultura de leite e avicultura.

O uso de biodigestores na Região Sul do Brasil iniciou-se na década de 1980 quando hou-

ve incentivos governamentais para a implantação de biodigestores do modelo chinês. Mas, por diversos motivos, ao longo do tempo ocorreu a redução no uso desses biodigestores nas propriedades rurais. Dentre os motivos podem-se listar os seguintes: manejo extremamen- te trabalhoso dos modelos chineses e indianos à época, exigindo um trabalho árduo de mão de obra; inexistência de equipamentos adequados, por exemplo, para a aeração; falta de incentivo; e domínio técnico limitado de tecnologias apropriadas, considerando ainda, que

a região não possuía conhecimento suficiente para o uso energético do biogás. Entre 2005 e 2007, com a criação do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (mdl) pelo Protocolo de Kioto, o uso dos biodigestores foi novamente incentivado e cresceu com o apoio de agroindústrias integradoras de suínos em toda a Região Sul. Porém, motivados pelo baixo retorno oferecido pelo crédito de carbono, as empresas afastaram-se do processo

o que resultou em novo desestímulo ao seu uso e o abandono dos biodigestores. Alguns anos depois, em estudos realizados pela Itaipu Binacional em parceria com ato- res sociais da Região Oeste do Paraná foi constatada a presença de quantidades excessiva de nitratos nos solos da região (lençóis freáticos e afluentes) que resultavam em prejuízos ao meio ambiente e as possibilidades de aproveitamento agrícola dos solos. Preocupada com esta situação, a Itaipu Binacional passou a desenvolver em conjunto com o cibiogás a proposta de uso dos biodigestores em propriedades agrícolas (suínos e bovinos de leite) e em unidades de beneficiamento agroindustrial. Paralelamente surgiram outras oportuni- dades de aproveitamento de matérias primas passíveis de serem utilizadas na produção de energia (bagaço de cana de açúcar, resíduos florestais, etc.). Paralelamente a essa iniciativa da Itaipu Binacional, ocorreram outras iniciativas de uti- lização do biogás gerado nos biodigestores do mdl e outros projetos relacionados ao bio- gás, como a Cooperativa Ecocitrus no RS. Outra iniciativa importante em nível nacional, mas que realizou diversos estudos na Re- gião Sul, foi o Probiogás, projeto de cooperação técnica internacional dedicado a fomentar

a temática do biogás no Brasil. O projeto é fruto da cooperação entre Brasil e Alemanha, representada pela GIZ, que aportou metodologias inovadoras e com enfoque em mudanças institucionais.

4.1.1. Biogás no Paraná

As ações no Paraná relacionadas à utilização do biogás no meio rural iniciaram-se nos idos de 1979 paralelamente aos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul e desenvolvi- das pela extensão rural, tendo acontecido até o ano de 1987. Neste período foram realizadas capacitações e elaborados diversos informativos técni- cos (folders e folhetos) sobre o tema, pela Extensão Rural do Paraná, visando orientar os

agricultores sobre a importância do biogás como alternativa para uso residencial rural, fun- cionamento de motores estacionários, processos de aquecimento, além do uso dos resídu- os como biofertilizante. Instituições como o Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa (cebrae) e a Fundação Instituto de Desenvolvimento de Recursos Humanos do Paraná (fi- depar) apoiaram o processo de capacitação de agricultores. Após 1987 houve um hiato nas discussões sobre o tema no estado, voltando a ser con- siderado em 2008 com a realização do 1º Fórum Mundial de Energias Renováveis em Foz do Iguaçu,, organizado pela Itaipu Binacional, Ministério de Minas e Energia (mme), Ele- trobrás e Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (onudi) e

a implantação na Itaipu Binacional da Assessoria de Energias Renováveis (er.gb), com a

missão de demonstrar a viabilidade técnica, econômica e ambiental do uso de fontes re- nováveis de energia. Ainda em 2008, a Companhia Paranaense de Energia (Copel) foi autorizada pela aneel pela Resolução Autorizativa Aneel nº 1.482/08, a proceder compra por Chamada Pública da energia gerada pelos protótipos do Programa Geração Distribuída (GD) da Itaipu/Copel

e outros parceiros. Assim, lançou um edital para aquisição de energia elétrica produzida a

partir da digestão anaeróbica de resíduos orgânicos. Em março de 2009 foram assinados os primeiros contratos com as quatro empresas que participaram do edital, oferecendo ener- gia elétrica de seis unidades por elas operadas, firmando contrato para o fornecimento de 524 kW. Os fornecedores eram a Companhia Paranaense de Saneamento (Sanepar), a Co- operativa lar, a Granja Colombari e a Fazenda Star Milk. Os contratos tinham vigência de abril de 2009 até dezembro de 2012 (Bley Jr. et al., 2009).

Com a regulação da mini e micro geração de energia elétrica, essas empresas passaram

a

se conectar com a rede e vender energia elétrica excedente. No ano de 2010 foi implantado o Centro de Estudos do Biogás, pela Itaipu Binacional

e

a Fundação pti, a fim de gerir as ações, demandas sociais e tecnologias relacionadas ao

biogás. Nos anos subsequentes foram desenvolvidas ações de implantação e constituição do cibiogás que foi efetivamente constituído em 2013 a partir do qual uma série de ações passou a ser desenvolvida visando sua inserção mais efetiva junto aos agricultores para- naenses. Em 04/09/2013 o Governo do Estado criou o Programa Smart Energy Paraná, através do decreto 8842 com o objetivo de incentivar a inovação e a pesquisa científica e tecnológica em ambiente produtivo no estado. Neste mesmo ano o governo estadual anunciou que o biogás poderia ser incluído no Programa Smart Energy do tecpar (2014), porém isto de fato não aconteceu. Ainda no caso do Paraná existe o Programa Paranaense de Agroenergia, porém trabalhando basicamente com o biodiesel. Neste período as Universidades Estaduais tiveram um papel importante neste processo concentrado basicamente em pesquisas para o tratamento dos dejetos de animais, princi- palmente suínos e aves em função do tamanho destes rebanhos e de resíduos de agroindús- trias, para utilização na produção de biogás e de fertilizantes. O segmento cooperativista tem desenvolvido esforços na busca de alternativas que permitam implantação do uso do biogás nos setores agroindustriais das cooperativas sin- gulares. No Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (ocepar) foi constituído um departamento responsável por estudos e pesquisas em torno das energias renováveis. Esse departamento foi criado visando atender a demanda das cooperativas e identificar alternativas que minimizem os aspectos ambientais, tais como a destinação adequada dos dejetos e resíduos, a produção do biogás, a redução dos custos com recursos energéticos para as atividades agropecuárias e industriais, a utilização do biogás para seca- gem de produtos entre outras utilizações possíveis na agricultura em geral. Outra ação desenvolvida pela ocepar está relacionada à realização de pesquisas para

o aproveitamento dos dejetos de animais, principalmente suínos, mas também de aves e bovinos e dos resíduos das unidades industriais. Há no estado mais de 25 cooperativas com potencial para tratamento de dejetos e produção de biogás, o que de fato já acontece em várias destas. Iniciativas como a da Cooperativa lar, que realiza o tratamento dos dejetos de sua uni- dade de produção de leitões em Itaipulândia, de aves em Matelândia, vegetais em Foz do

Iguaçu e da C.Vale em Palotina, com a unidade de amido, servem de exemplo para outras cooperativas também adotarem estes modelos nas suas unidades industriais. Vale ressaltar que por meio destas iniciativas o setor Cooperativista passou a se organizar a respeito da energia e as cooperativas passaram a desempenhar um papel fundamental especializando seus técnicos e criando unidades de gerenciamento energético. No mapa da Figura 2 é possível identificar as cooperativas e estabelecimentos agrope- cuários que realizam o tratamento de dejetos e produção de biogás. No mapa da Figura 3 é apresentada a localização das cooperativas com potencial para a mesma finalidade.

FIGURA 2. Cooperativas e estabelecimentos agropecuários com tratamento de dejetos e produção de biogás.

com tratamento de dejetos e produção de biogás. Em relação ao mapeamento do potencial de geração

Em relação ao mapeamento do potencial de geração do biogás (m³/ano) o Paraná possui dois estudos a saber:

“Oportunidades da cadeia produtiva de Biogás para o Estado do Paraná” publicado em

2016 pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (fiep), com

apoio do cibiogás,

FIGURA 3. Cooperativas com potencial para tratamento de dejetos e produção de biogás. e realizado

FIGURA 3. Cooperativas com potencial para tratamento de dejetos e produção de biogás.

e realizado em três etapas, a saber: identificação da capacidade de gerar matérias primas passíveis de transformação em biogás as quais poderiam ser obtidas a partir de resíduos

agropecuários, industriais e tecnológicos; verificação das condições técnicas e tecnológicas que permitem materializar as potencialidades mapeadas; e identificação destas oportuni- dades frente aos hiatos que necessitam ser supridos para que haja uma evolução do setor de biogás no âmbito estadual e nacional.

O “Mapeamento e análise das fontes de energias renováveis do Sudoeste do Paraná” re-

alizado pelo Sebrae e Cresol identificou, de acordo com a vocação econômica regional, o

potencial energético de biogás e energia fotovoltaica. Esse estudo possibilitará estimular o empreendedorismo dos pequenos negócios na região e mapear a cadeia produtiva regional de empresas de tecnologia, produtos, serviços, universidades e centros de pesquisas, que atuam em energias renováveis (sebrae, 2016).

A Companhia Paranaense de Gás – Compagas realizou um mapeamento do estado com

os locais com potencial para produção de biogás, pois existe o interesse por parte da con-

cessionária de comprar o biometano – biogás purificado e normatizado realizando a distri- buição pela sua rede. Segundo o diretor da Compagas esta é uma alternativa para suprir a demanda por gás no estado, pois o gasbol – gasoduto Brasil Bolívia – não tem como ser ampliado e fornecer mais produto. Portanto é uma ação da empresa e não um programa estadual. Nesse sentido, a empresa vem se envolvendo e apoiando projetos e estudos da produ- ção de biogás e biometano de forma condominial nos municípios de Toledo, Entre Rios do Oeste e Castro, todos no Paraná, além de fazer parte do grupo de empresas associadas que compõe o cibiogás. O Paraná também possui desde 2015 uma proposta de projeto de lei (Projeto de Lei 378/2015) que trata da adesão do estado ao convênio 16/2015 do Conselho Nacional de Po- lítica Fazendária (confaz) que isenta a cobrança do icms sobre a geração de energia por fontes renováveis e tramita na Assembleia Legislativa desde aquele ano. Audiência Pública, inclusive, foi realizada na Assembleia Legislativa do Paraná sobre o tema, pois a incidência tributária é de 29%. Contudo, as iniciativas existentes no Paraná ainda são individuais ou de grupos empre- sariais e instituições particulares, não tendo sido estruturada uma diretriz estadual, como por exemplo, uma política pública, que incentive os órgãos de governo a considerar o biogás em suas ações, que sinalize para as empresas a importância de investimento nesse setor e permita aos agricultores e suas organizações investirem com segurança e obterem resulta- dos efetivos que resultem em redução de seus custos produtivos ou agregação de renda e contribuindo na mitigação ambiental.

4.1.2. Biogás em Santa Catarina

No estado de Santa Catarina as primeiras ações com biogás de acordo com Hugo Adolfo Gosmann “aconteceram no início da década de 80, com a implantação e execução do Pro- jeto Fontes Alternativas, apoiado pelo Governo do Estado (Secretaria do Planejamento) e financiado pelo Ministério de Minas e Energias. Sua execução ocorreu com a participação

e a coordenação da acaresc, hoje, epagri, na Região Oeste. Foram instalados 750 biodi-

gestores até 1986. O biogás gerado era utilizado em fogões a gás, fogões a lenha, motores

a diesel (20% diesel), motores a gasolina (partida a gasolina) e chuveiro. Porém o projeto encontrou dificuldades de sustentação pela pouca durabilidade da campânula: cinco anos;

pequena tecnologia para o funcionamento constante (inverno/verão); trabalho diário/roti- na de manutenção; preço do petróleo menor que o preço do biogás; falta de incentivo para

a continuidade do projeto.”

falta de incentivo para a continuidade do projeto.” FIGURA 4. Jornal da época sobre a instalação

FIGURA 4. Jornal da época sobre a instalação do primeiro biodigestor no campo em Santa Catarina.

Crédito: João C.C. Zank.

“Próximo desse período foi instalado um biodigestor indiano no Juvenato São Pascoal

em Jaborá, SC, coordenado pelo religioso Rodolfo Wiggers, conhecido como Frei Nicolau

e com orientação da Acaresc. No município de Seara, o médico Nicolau Laitano também incentivava o uso do biogás”.

“Em 1996 foi defendida tese de mestrado sobre “Estudos comparativos com bioester- queira e esterqueira para armazenagem e valorização dos dejetos de suínos” (gosmann, 1997), sendo analisado o desempenho de esterqueira, bioesterqueira e produção de bio- gás. O experimento foi instalado na epagri – Cetre – Florianópolis”. “Em 2002 – 2003 surgiu o Sistema pct Ariranha cuja concepção era de geração de ener- gia elétrica a partir de biomassa, especialmente dejetos suínos e com enriquecimento de biomassa com culturas e sobras locais. O projeto envolveu a epagri, a Universidade Fe- deral de Santa Catarina (ufsc) e a Eletrosul. A proposta pretendia trabalhar com sistemas de fermentadores com aquecimento e agitação interna da biomassa para geração de ener- gia constante. Dentre outras aplicações, a sobra da energia térmica seria aproveitada na secagem de grãos e na redução do volume do biofertilizante saído do biodigestor, o que reduziria o custo do transporte. Como objetivo também constava a utilização do efluente em distâncias compatíveis com sua concentração e valor econômico e fertilizante e em culturas de importância econômica e energética (ex: milho, capim elefante e outras). Par- te do biogás poderia ser reduzido a metano e utilizado, como combustível, em veículos locomotores e estacionários.”

FIGURA 5. Propriedade com Biogás- Vargeão/ Santa Catarina.

5. Propriedade com Biogás- Vargeão/ Santa Catarina. 5 0 ENERGIAS RENOVÁVEIS NA ÁREA RURAL DA REGIÃO

“Em paralelo foi desenvolvido o Projeto Validação de Tecnologias para o Manejo e Tra- tamento e Valorização de Dejetos Suínos em Pequenas e Médias Produções de Santa Cata- rina (suínos – SC), executado entre 21/12/2001 a 30/06/2005, financiado pelo Governo do Estado de Santa Catarina, Fundação de Ciência e tecnologia – funcitec e pelo Ministério da Ciência e Tecnologia – mct, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecno- lógico – cnpq, Financiadora de Estudos e Projetos – finep e o Fundo Nacional do Desen- volvimento Científico e Tecnológico – fndct.” “A principal justificativa para o projeto, na época, foi a situação crítica de Santa Catari- na, com respeito à poluição por dejetos suínos e a falta de rotas tecnológicas validadas para orientar suinocultores. Foi o primeiro projeto nesta linha para o estado, tendo sido envol- vidas diversas instituições, como: embrapa – suínos e aves; ufsc; unoesc e epagri com apoio e recursos financeiro da: funcitec; cnpq; finep. Os trabalhos com biogás foram desenvolvidos em Braço do Norte, Joaçaba, Orleans, Iomerê e Seara”. “Em 15 de setembro de 2004, durante o Seminário sobre Tecnologias para Dejetos Su- ínos, em Florianópolis, foi lançado o Fórum Catarinense para o Controle da Poluição Am- biental por Dejetos Suínos, com o objetivo de controlar a poluição ambiental por dejetos suínos com o aproveitamento dos efluentes e do biogás. Houve tratativas para o estabele- cimento de um Programa de Biogás para o sul do Brasil (Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná). De acordo com as informações obtidas o Fórum atuou até 2009, tendo inclusive sido proposto o Projeto Estadual de Controle da Poluição Ambiental por Dejetos Suínos”. A Companhia de Gás de Santa Catarina (scgás) apresentou, em junho de 2013, o Progra- ma de Biogás Catarinense. Segundo pesquisa da scgás, Santa Catarina teria o potencial de gerar cerca de 3.000.000 m³ por dia de biometano através de aterros sanitários e dejetos de animais (2,5 milhões de m³), mais de uma vez e meia do que é distribuído hoje no estado. O programa da scgás contempla o aproveitamento de biogás de dejetos suínos em Con- córdia e Braço do Norte e de um aterro na região da Grande Florianópolis (scgás,2013). A Embrapa Suínos e Aves e a epagri desenvolvem ações individuais e em parceria, como dias de campo sobre o “Uso de Biogás como fonte de energia para transporte e distribuição de dejetos suínos” em diferentes regiões do estado. A Embrapa tem uma série de pesquisas sobre o aproveitamento de dejetos suínos para diferentes fins e em especial para a geração de biogás. Também desenvolve o Projeto de Controle da Degradação Ambiental decorrente da suinocultura em Santa Catarina, que realiza várias ações de pesquisa e capacitação para agricultores. Entre os trabalhos realizados lançou o Documento 115 – Geração e utilização de biogás em unidades de produção de suínos, que orienta o agricultor sobre a geração e utilização do biogás na propriedade para diferentes atividades.

Em 2013 foi inaugurado na sede da Embrapa Suínos e Aves em Concórdia o primeiro Laboratório de Estudos em Biogás de Santa Catarina. O projeto é fruto de um convênio da Embrapa com a Companhia de Gás de Santa Catarina – scgás, que auxiliou com recursos financeiros, a dbfz (Centro Alemão de Pesquisa em Biomassa) e giz (Sociedade Alemã de Cooperação Internacional), que forneceram tecnologia e treinamento para os técnicos da Embrapa na cidade alemã de Leipzig. O projeto também teve o apoio da BiogasTec (Ale-

manha), empresa que incluirá em seus projetos de usinas de gás e energia os serviços téc- nicos do laboratório (Panorama Energético, 2015). Este laboratório auxiliará os projetos em desenvolvimento no estado na área de gás natural renovável a partir de substratos da suinocultura e avicultura e de aterros sanitários. Através do Probiogás com coordenação da Embrapa Suínos e Aves, foi publicado, em junho de 2015, o estudo “Desenvolvimento de conceitos para o tratamento de efluentes da produção de biogás no Sul do Brasil”, mais um material de orientação aos agricultores. Ainda em 2013 a Eletrosul, a ufsc e o Centro de Estudos em Energia e Sistemas de Potência (ceesp) da ufsm desenvolvem no município de Itapiranga, o projeto de P&D Es- tratégico (Chamada nº 014-2012 – aneel) denominado “Projeto Biogás Itapiranga P14”, denominado “Arranjo técnico e comercial para geração de energia elétrica conectada

à

rede a partir do biogás oriundo de dejetos de suínos”. Participaram ainda do proje-

to

Fundação Certi, Instituto de Tecnologia Aplicada a Inovação (itai), Fundação Parque

Tecnológico Itaipu (fpti) e Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa).

O projeto está pautado na intenção das partes interessadas em impulsionar a geração

de energia elétrica a partir do biogás, em especial nas regiões de alta concentração de produção de biogás. Outra ação importante refere-se ao projeto “Tecnologias para produção e uso de biogás e fertilizantes a partir do tratamento de dejetos animais no âmbito do plano abc – Rede

BiogásFert”, resultante da parceria entre a Embrapa Suínos e Aves, a Itaipu Binacional e

o cibiogás, tendo como objetivo principal a criação de soluções tecnológicas para a pro-

dução e uso integrados de biogás e biofertilizantes orgânicos e organominerais a partir de dejetos animais nos diferentes sistemas de produção agropecuários. Este projeto foi executado entre 2013 e 2016 e visava à construção de estratégias de desenvolvimento sus- tentável com foco em agricultura de baixo carbono, ficando a coordenação da Rede sob a responsabilidade da Embrapa Suínos e Aves, em Concordia. A epagri desenvolve ações de capacitação para os agricultores no aproveitamento de dejetos animais para a produção de biogás em todo o estado.

Entre as Universidade destaca-se o trabalho desenvolvido pela ufsc em parceria com Embrapa Suínos e Aves e apoio financeiro da Petrobras relativo ao Projeto Tecnologias So- ciais para Gestão da Água, que foram desenvolvidos no período de 2007 a 2010 (tsga 1) e 2013 a 2015 (tsga 2) e deram continuidade a trabalhos desenvolvidos com o finep. Santa Catarina constituiu no ano de 2015 o Comitê SC Biogás com coordenação políti- ca da Secretaria de Estado da Agricultura e Pesca e Assembleia Legislativa de Santa Catari- na e a coordenação técnica pela fapesc. Compõem também o Comitê, representantes da fatma, das Diretorias do Desenvolvi- mento Econômico e do Meio Ambiente da Secretaria de estado do Desenvolvimento Susten- tável (sds), da Associação de Produtores de Energia de Santa Catarina (apesc) e da Agência de Regulação de Serviços Públicos de Santa Catarina (aresc). Há também um Grupo de Tra- balho formado por representantes da fapesc, da embrapa/cnpsa, e da unoesc de Campos Novos, responsável pela formulação e análise de documentos técnicos. De acordo com Iara Dreger “O Comitê atua na área de planejamento e implantação de iniciativas para fomentar a criação de um novo mercado econômico para Santa Catarina, aproveitando o biogás, na área energética, para a geração de eletricidade e de biometano e, na área agronômica, para a produção de biofertilizante a partir dos efluentes de uma usina”. “Recentemente, o Comitê SC Biogás pleiteou, junto ao Banco Mundial, o financiamento de consultoria para a proposição do Marco Legal do Biogás para Santa Catarina com Resí- duo Zero que é baseado em um Termo de Referência”. “A consultoria é composta por um grupo de três empresas, contratadas de março a ju- nho de 2017, sendo duas delas indicadas pela Associação Brasileira de Biogás e de Biometa- no – ABiogás, de São Paulo, e uma terceira indicada pelo Comitê. São elas, respectivamente, a Andersen Ballão Advocacia e a JMalucelli Ambiental, ambas de Curitiba, e a Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras, certi, de Florianópolis. O Marco Le- gal deverá vir a ser um instrumento do Programa Catarinense de Agroenergia. Concluída a proposição do Marco Legal deverá se constituir um Grupo Gestor para Assuntos de Biogás, amparado pelo Comitê SC Biogás, para executar ações específicas, propostas nas Atividades do Termo de Referência, que incrementarão o Marco Legal”. Em relação à ação do setor cooperativista, pode ser destacado que as cooperativas agro- pecuárias produzem, industrializam e comercializam produtos diversos, como suínos, lei- te, arroz, frutas e bebidas, gerando grandes quantidades de resíduos que podem ser utili- zados para a produção de biogás, com a possibilidade de aproveitamento pelas próprias indústrias para geração de energia para utilização nos processos industriais ou para a gera-

ção de energia elétrica que pode ser utilizada por elas para suprir sua demanda ou também para distribuir para a rede de energia do estado. No caso das cooperativas suinícolas, que em 2014 somavam seis cooperativas no estado entre fornecedoras de suínos e industrialização, o potencial não está somente no tratamen- to dos efluentes gerados no abate, mas também na grande quantidade de esterco gerado na criação dos animais. O grande problema em Santa Catarina, conforme a Embrapa Suínos e Aves, reside na quantidade de resíduos gerados, pois mesmo que tratado para geração de

biogás as sobras do processo não podem ser utilizadas nas propriedades, pois o solo já está extremamente saturado de nitratos e, desta forma então a melhor opção seria a composta- gem e não a produção de biogás. No caso da compostagem é possível então produzir adubos para comercialização em outros locais.

O abate e o processamento de aves são quase que na totalidade realizado por empresas

privadas e não cooperativadas que não estão incluídas nesta publicação. As cooperativas agropecuárias estão distribuídas espacialmente em função da concen- tração de criadores de suínos e a região Oeste Catarinense apresenta a maior concentração de produção de suínos e também as agroindústrias produtoras, a exemplo da Cooperativa Central Aurora e da brf . Nas unidades industriais da Cooperativa Central Aurora que congrega 13 cooperativas singulares, entre elas a Cooperativa Agroindustrial Alfa (CooperAlfa) há uma Unidade de Produção de Leitões (upl) em Palma Sola. Nesta Unidade é desenvolvido o Projeto Granja Palma Sola da CooperAlfa, fundado em 1995 e referência no tratamento dos resíduos da suinocultura, ao produzir energia elétrica por meio de gerador, além de usar o biogás na

produção de energia térmica para aquecer os leitões. A upl possui cerca de 2.700 matrizes e ganhou destaque no setor pelo tratamento dos resíduos da produção de suínos e pelo cres- cimento, estrutura e atuação no mercado.

A upl possui três biodigestores com capacidade estática de 1.800 metros cúbicos. O ge-

rador da granja produz energia de até 150 kW por hora. A energia elétrica é utilizada apenas quando há excedente de biogás após o aquecimento dos leitões.

O processo de produção de biogás é diferenciado em relação às granjas tradicionais.

Após a filtragem, o ar é comprimido e segue para dois destinos (energia térmica para aque- cer os leitões e geração de energia elétrica por meio do gerador). A granja tem um sistema de tratamento eficaz, pois consegue passar os dejetos líquidos pelos três biodigestores ge- rando uma quantidade de gás suficiente para aproveitamento nas suas duas finalidades:

energia elétrica e térmica. “O banho também é diferenciado, a água que é utilizada pelos

funcionários é aquecida pela queima direta do biogás”. Depois de tratado, o gás metano aquece os leitões nas creches e também a água dos banhos dos funcionários, além do co- zimento dos alimentos feito no refeitório. Então o biogás tem um aproveitamento amplo. Os biodigestores e o sistema de filtragem custaram R$ 730 mil, e a Cooperativa investiu outros R$ 300 mil para fazer o sistema de geração. Existem ainda outras cooperativas que fazem o processamento de leite, peixes e frutas e também estão descritas na Tabela 9.

Cooperativas

Serviços

Municípios

Região

 

Produção de leitões e comercialização

 

Serrana/

COOPERCAMPOS

Campos Novos, Erval Velho

Oeste

 

Produção de leitões, abate e comercialização

Chapecó, São Miguel do Oeste Joaçaba

Oeste

AURORA

Produção de pintinhos, abate e comercialização

Chapecó, Xaxim, Maravilha, Quilombo, Abelardo Luz e Guatambu

Oeste

Beneficiamento de leite – produtos lácteos

Vargeão, Pinhalzinho

Oeste

COOPERAMAUC

Comercialização

Concórdia

Oeste

COOPERCORONEL

Comercialização

Coronel Freitas

Oeste

COOPER A1¹

Produção de leitões, terminação e abate e resfriamento de leite

Palmitos, Caibi, Riqueza, Mondai, Iporã Do Oeste, Descanso, Tunapolis, São João Do Oeste, Itapiranga, Belmonte, Santa Helena, São João do Oeste

Oeste

COOPERITAIPU¹

Produção de leitões, terminação e abate, aves e leite

Pinhalzinho

Oeste

     

Vale do

COOMAPEIXE

Produção e processamento de peixes

Timbó

Itajaí

SANJO²

Processamento de maçã e uva

São Joaquim

Serrana

COOPERSERRA²

Processamento de maçã

São Joaquim, Urupema, Bom Jardim da Serra

Serrana

COOPERVIL²

Processamento de maça e uva

Formosa do Oeste/Cafelândia

Oeste

(1) O abate é realizado pela Cooperativa Central AURORA em suas unidades industriais. (2) Fabricação de sucos de uva e maçã, vinho e sidras.

TABELA 9. Cooperativas agroindustriais registradas na OCESC até 2014.

Fonte: Elaboração própria Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina – OCESC.

A produção agroindustrial gera uma quantidade muito grande de resíduos e que devem ser destinados de forma adequada, de modo a não causar nenhum dano ambiental. Assim, todas as indústrias passam por processo de licenciamento ambiental pelos órgãos estadu- ais ou municipais competentes. Com o licenciamento ambiental os resíduos recebem uma

destinação adequada, porém não significa que serão utilizados para a produção de biogás, já que existem diferentes sistemas para o tratamento e disposição final dos resíduos gera- dos no processamento dos alimentos. Desta forma é importante que as tecnologias de pro- dução e utilização do biogás para produção de energia, térmica – aquecimento – ou geração de energia elétrica sejam de conhecimento destas cooperativas e, que além destas informa- ções se elaborem políticas e programas com a destinação de recursos para pesquisas e ca- pacitação de técnicos para a utilização destes resíduos na produção de biogás. As unidades industriais podem ser visualizadas na Figura 6.

FIGURA 6. Unidades industriais das cooperativas agropecuárias com potencial de produção de biogás em Santa Catarina.

Fonte: Elaboração Cynthia Carla Cartes Patricio – Dados da OCESC (2017), IBGE, 2013.

1 Estimativa realizada considerando-se que animais são adultos e tem peso médio de 90 kg e produzem cerca 2,35 kg de dejetos/dia, segundo Oliveira (1993).

cerca 2,35 kg de dejetos/dia, segundo Oliveira (1993). 4.1.3. Biogás no Rio Grande do Sul O

4.1.3. Biogás no Rio Grande do Sul

O Rio Grande do Sul é um grande produtor de suínos, possuindo um rebanho de 5.948.537 cabeças (ibge Pesquisa Pecuária Municipal 2015) distribuído na sua maioria em pequenas propriedades rurais que podem gerar em torno de 14 mil toneladas de dejetos diariamente 1 (Oliveira, 1993) Todo este material tem que ter destinação adequada pelos

produtores e, portanto, a utilização de biodigestores para a produção de biogás, com gera- ção de energia e biofertilizantes é uma das alternativas, pois pode gerar aproximadamente 403.086.251 de m³ de biogás anualmente 2 e toneladas de adubos biofertilizantes, que apro- veitados de forma correta trazem grandes benefícios ao ambiente e a sociedade em geral. Importante salientar ainda que de acordo com o Atlas das Biomassas do Rio Grande do Sul para produção de biogás e biometano, o estado possui uma estimativa de produção de 2,6 milhões de m³ de biogás por dia, considerando biomassas das agroindústrias, de viníco- las, de dejeto de suínos e aves. As primeiras ações relacionadas ao uso das energias renováveis no Rio Grande do Sul ocorreram em 1979 com a criação da Comissão Estadual de Energia que entre suas atribui- ções pretendia “levantar as potencialidades do Estado passíveis de utilização como fontes de energia alternativa aos derivados do petróleo”. Em 1981 no Programa de Mobilização Energética, a Emater/RS apoiou a instalação de 73 biodigestores em diversas regiões do es- tado e desenvolveu ampla metodologia extensionista com a realização de dias de campo, ex- cursões, reuniões e distribuição de material técnico (emater/rs, 1982). Em 1982 a Emater / RS desenvolvia as primeiras ações relacionadas ao uso de biodigestores e o ao florestamen- to energético, bem como estudos/difusão de fontes alternativas de energia (solar, hidráu- lica e eólica) para a utilização pelos agricultores. Para a execução dos processos de difusão das energias renováveis foram treinados técnicos, realizados dias de campo. Ainda em 1982, a Emater/RS realizou pesquisa de campo com a aplicação de 42 ques- tionários em 33 municípios do Estado representando 30% do universo de agricultores que possuíam biodigestores modelo indiano convencional em uso a pelo menos três meses. A principal conclusão do estudo foi de que seu uso deveria continuar sendo incentivado ten- do em vista sua boa aceitação pelos agricultores e esposas, mas que os equipamentos deve- riam ser aperfeiçoados para aumentarem sua eficiência. A semelhança dos demais estados do Sul, também no Rio Grande do Sul houve uma redu- ção nos trabalhos desenvolvidos com o biogás por diversos motivos, inclusive possivelmente relacionados à extinção da Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (em- brater), em 1989, que prestava apoio às entidades estaduais nos trabalhos com biogás. No ano de 2006 foi lançada no estado a agenda 2020 – O Rio Grande que a Sociedade Quer (Governo do Rio Grande do Sul, 2006) e criados grupos temáticos para propor soluções às demandas em diferentes áreas do desenvolvimento. Um dos grupos temático criado foi o de energias renováveis (Biomassa, Biogás, Etanol, Biodiesel, Energia Solar/Fotovoltaica e Energia Eólica) no qual a Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul participa e

2 Índice de conversão utilizado para suínos 0,079 m³ de biogás/kg de dejeto. (Kunz & Oliveira, 2006).

desenvolve várias ações, tais como o aproveitamento e comercialização de biogás, prove- niente de dejetos de animais, lixo orgânico de aterros sanitários devidamente controlados

e com sistema de captação do biogás – (Aterro Santa Tecla em Gravataí, Minas do Leão e

Caxias do Sul) e de resíduos orgânicos agrícolas ou agroflorestais e alimentação, em par- ceria, já consolidada, e com o Consórcio verdebrasil – ecocitrus, naturovos e com o apoio institucional e de recursos da Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul (sulgás) transformada em planta de produção de biogás e biometano. Nesta planta é produzido o biometano que abastece toda a frota da ecocitrus e está

sendo testado o primeiro ônibus a utilizar o biometano no Brasil. Foi a partir das experiên- cias da sulgás e do Consorcio verdebrasil que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natu- ral e Biocombustíveis (anp) construiu a regulamentação para o biometano aprovada recen- temente. Informações mais detalhadas poderão ser conhecidas no case da ecocitrus em capítulo específico deste estudo. Com estas ações a sulgás tem contribuído na questão de destinação final adequada de dejetos de animais, dos resíduos agroindustriais e dos aterros sanitários além da pos- sibilidade da aquisição do biometano para atender parte da demanda por gás no estado, que hoje, a exemplo do Paraná e Santa Catarina não consegue ampliar o fornecimento de gás natural pelo esgotamento do Gasoduto Brasil Bolívia (gasbol). Além disso, é possível utilizar parte do biogás produzido para a geração de energia elétrica, contribuindo para a diversificação das fontes de geração no estado. No ano de 2016 foi lançado o Programa RS Energias Renováveis através do Decreto Nº 53.160 de 03/08/2016 e coordenado pela Secretaria de Estado de minas e Energia – SME com

o objetivo de articular ações em energias renováveis entre o governo estadual e a iniciati-

va privada de modo a fomentar investimentos em energias alternativas, principalmente as consideradas limpas e renováveis, como energia solar, energia eólica, energia hidráulica, energia de biomassa, energia geotérmica e energia das marés (maremotriz). O programa agrega ações de diversos órgãos e entidades do governo estadual e de empresas privadas. Cabe destacar ainda o Programa de Eficiência Energética do Rio Grande do Sul – pee em que a empresa Rio Grande Energia – rge participa há 17 anos atendendo o disposto na legislação federal de energia elétrica e da regulamentação da Agência Nacional de Energia Elétrica – aneel, em especial a Lei n° 9.991, de 24 de julho de 2000, Lei n° 11.465, de 28 de março de 2007, Lei n° 12.212, de 20 de janeiro de 2010 e a Resolução Normativa n° 556, de 18 de junho de 2013, Resolução nº 556/2013 e tem o intuito de apoiar a implantação de ações voltadas à utilização racional dos recursos naturais e incentivar o desenvolvimento de me-

didas que promovam a eficiência energética e o combate ao desperdício de energia elétrica. Dentre as ações apoiadas destaca-se a implantação de energia solar para aquecimento de água, painéis fotovoltaicos, inversores, aerogeradores, bem como outras ações como doa- ção de lâmpadas, regularização de consumidores. Outros programas existentes no Rio Grande do Sul e voltados direta ou indiretamente às energias renováveis são:

1. fundopem/rs e integra/rs – O Fundo Operação Empresa do Estado do Rio Grande

do Sul – fundopem/rs – Lei nº de 06/04/2011, é um instrumento fiscal, que opera com base na postergação do recolhimento do icms devido em decorrência da operação de um projeto de investimento, tendo como limite 100% do investimento fixo do empre- endimento apoiado. O Programa de Harmonização do Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Sul – integra/rs foi criado na mesma lei e tem como ponto central no abatimento incidente sobre cada parcela a ser amortizada do financiamento con- cedido pelo fundopem/rs, incluindo o valor do principal e os respectivos encargos (SDECT, 2016).

2. proedi – Programa Estadual de Desenvolvimento Industrial – O Programa, instituído

pelo Decreto nº 32.666, de 27/10/1987, possui o objetivo específico de apoiar projetos de investimento mediante a concessão de incentivo financeiro na forma de venda de terrenos a preços atrativos, em áreas de propriedade do Estado, preparadas com infra- estrutura necessária para atividades industriais. (sdpi, agdi, 2013).

3. Programa de Apoio a Iniciativas Municipais – O Programa de Apoio a Iniciativas Mu-

nicipais fundamenta-se no Decreto n.º 32.666, o mesmo que instituiu o Programa Es-

tadual de Desenvolvimento Industrial, e tem o propósito de contribuir na capacitação dos municípios para a promoção de iniciativas promissoras de desenvolvimento eco- nômico local, bem como para a racionalização do uso do solo com base em condições ambientais de desenvolvimento sustentável (sdpi, agdi, 2013).

5. Programa Gaúcho de Parques Científicos e Tecnológicos – pgtec. O programa visa

fomentar o desenvolvimento científico e tecnológico no território do Estado com foco na inovação e na sustentabilidade. (sdpi, agdi, 2013).

6. investe/rs – O Programa de Promoção do Investimento no Estado do Rio Grande do

Sul (investe/rs) foi instituído através da Lei nº 13.838, de 05/12/2011, como instru- mento para fomentar o desenvolvimento econômico, reduzir as desigualdades regio- nais e apoiar a geração de emprego e renda no Estado. (sdpi, agdi, 2013). Opera atra- vés de subvenção econômica na modalidade de equalização de taxas de juros e outros

encargos financeiros nos financiamentos concedidos pelo Banrisul, Badesul e brde a empreendimentos do setor produtivo, especialmente para aquisição de máquinas e equipamentos e cobertura de despesas para inovação tecnológica (sdpi, agdi, 2013).

Em 2016 o Estado lançou o Atlas das Biomassas do Rio Grande do Sul para produção de biogás e biometano que apresenta uma análise do aproveitamento adequado das biomas- sas disponíveis no Estado para a geração de energia com a apresentação de um mapeamen- to das áreas de produção, levando em conta os setores agroindustriais existentes. O mapea- mento foi elaborado como condição indispensável para a formulação de políticas públicas O cooperativismo gaúcho contava, em 2014 e segundo o Sistema Sindicato e Organi- zação das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul (ocergs / sescoop/rs), com 464 cooperativas ativas, sendo 148 no ramo agropecuário que geram uma quantidade enorme de resíduos que podem ser aproveitados para a produção de biogás. A localização destas cooperativas é apresentada na Tabela 10, e na Figura 7 em que podem ser visualizadas as cooperativas com potencial de produção de biogás a partir de outros resíduos oriundos do processamento de leite, uva e de frigoríficos de aves e suínos.

TABELA 10. Cooperativas com potencial de tratamento de dejetos e produção de biogás no Rio Grande do Sul.

Cooperativas

Município

Produtos

agroprado

Antônio Prado

Leite, Vinhos

agroipê

Ipê

Vinho

 

aurora

Sarandi

Suínos

camnpal

Nova Palma

Suínos/Leite

camol

São José do Ouro

Leite

castilhense

Júlio de Castilhos

Suínos

coagrijal

Jaguari

Leite

coamur

São João da Urtiga

Leite

comacel

Arroio do Tigre

Leite

comtul

Tucunduva

Suínos/Leite

coomat

Toropi