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Introdução

A psicologia hospitalar é “o conjunto de contribuições científicas, educativas e


profissionais que as diferentes disciplinas psicológicas fornecem para dar melhor
assistência aos pacientes no hospital” (Rodríguez-Marin, 2003, citado em Castro, 2004).
Sendo assim, de acordo com Castro (2004) o psicólogo hospitalar é o profissional que
reúne esses conhecimentos e técnicas para aplicá-los visando à melhora da assistência
integral do paciente hospitalizado. Portanto, seu trabalho é especializado no que se
refere, fundamentalmente, ao restabelecimento do estado de saúde do doente ou, ao
menos, ao controle dos sintomas que prejudicam seu bem-estar.

Dentre as inúmeras possibilidades de áreas de atuação do Psicólogo no


contexto da saúde, há a Psico-Oncologia, que surgiu a partir da necessidade do
acompanhamento psicológico ao paciente com câncer, a sua família e à equipe que o
acompanha. De acordo com Scannavino, et al (2013), o papel do psicólogo em oncologia
é oferecer apoio psicossocial e psicoterapêutico diante do impacto do diagnóstico e de
suas consequências, além da possibilidade de auxílio para melhor enfrentamento e
qualidade de vida do doente e de seus familiares.

O presente trabalho visa contextualizar a atuação do psicólogo no ambiente


hospitalar, com foco na Psico-oncologia, baseado nas informações obtidas através de
uma entrevista feita, durante uma visita acadêmica, com uma psicóloga que atua na ala
de oncologia do HUB, aliadas a fundamentação teórica sobre a área de Psico-oncologia.
“A psico-oncologia é uma área que tem interesse em atender aos aspectos
psicossociais que envolvem o paciente com câncer. O câncer possui um significado
ameaçador para o paciente, visto que está associado à interrupção da vida.” (Miranda,
2012). O psicólogo que atua na oncologia, normalmente lida diariamente com o
sofrimento do paciente e da família frente a doença, portanto este profissional deve
trabalhar de modo a facilitar a compreensão e o enfrentamento da situação, além de
contribuir também para o trabalho em equipe, na comunicação entre paciente e equipe e,
família e equipe.

É provável que os diferentes tipos de câncer tenham como causa, um conjunto


de vários fatores, tais como, a predisposição genética, a exposição a fatores ambientais
de risco, o contágio por vírus, uso de cigarro e ingestão de substâncias cancerígenas
(Trichopoulos, Li, & Hunter, 1996. Citado em Carvalho, 2002). Além disso, de acordo
com Carvalho (2002) acredita-se na possibilidade de que fatores psicológicos
contribuem no crescimento do câncer, o que faz com que inúmeros pesquisadores como
Bovbjerg, Le Shan, Simonton, dentre outros, venham estudando possíveis efeitos de
estados emocionais na modificação hormonal e desta na alteração do sistema
imunológico, bem como a relação entre o estresse e a depressão com o enfraquecimento
do sistema imunológico, favorecendo o desenvolvimento de formações tumorais.

“Le Shan (1992) e Simonton et al. (1987) começaram também a cuidar dos
pacientes, propondo formas de apoio psicossocial e psicoterápico ao doente e seus
familiares, todos sob o impacto do diagnóstico de câncer e suas conseqüências”
(Carvalho, 2002). Como destacado por Carvalho (2002), esses trabalhos mostram a
possibilidade de auxílio para uma melhor forma de enfrentamento do câncer e a
obtenção de uma melhor qualidade de vida para o paciente, além de que trabalhar com
novas atitudes, comportamentos mais saudáveis, modificação de valores, em conjunto
com o tratamento médico, muitas pessoas modificaram o rumo de suas vidas e
chegaram a uma sobrevida maior e mesmo a casos de cura.

É possível notar que grupos de atendimento psicossocial, conduzidos com a


finalidade de melhorar a qualidade de vida, levaram a resultados de prolongamento de
tempo de vida. “Participantes de grupos de aconselhamento mostraram menos
depressão, mais vigor físico, aumento de sistema imunológico e melhores formas de
enfrentamento do câncer, comparando com grupos de controle” (Spiegel et al., 1989;
Fawsy et al., 1990; Citados em Carvalho, 2002).

Carvalho (2002), cita que no Brasil, em algumas cidades, os centros de


Oncologia vêm oferecendo uma modalidade de atendimento psicossocial a pacientes e
familiares, realizada em grupos temáticos, com duração pré-determinada, na qual tem
sido encontrados resultados muito favoráveis no auxílio à recuperação do paciente
oncológico e ao seu bem estar psíquico.

Além dos pacientes, como enfatizado por Carvalho (2002), a ajuda psicológica
às famílias, que também sofrem bastante com seus medos e angústias, principalmente
devido ao seu despreparo frente à doença e na sobrecarga emocional, tem sido
considerada como essencial, nas pesquisas da área. A boa comunicação entre pacientes
e familiares, bem como o apoio que os familiares possam oferecer ao paciente, têm sido
considerados de maior importância para os pacientes. Por sua vez, os profissionais de
saúde que atendem os pacientes oncológicos, responsáveis por tratamentos invasivos,
mutiladores, agressivos, que infringem grande sofrimento e nem sempre levam à
recuperação e cura, também necessitam ajuda psicológica. Os profissionais de Saúde
apresentam, em grande número, um alto nível de estresse, e portanto precisam de um
apoio psicológico para conseguirem, além de atender as demandas do pacientes e dos
familiares, atenderem as suas próprias demandas.

Além disso, como citado por Carvalho (2002), o diagnóstico de câncer tem
geralmente um efeito devastador, trazendo ainda a ideia de morte, o medo de
mutilações, tratamentos dolorosos e de perdas provocadas pela doença. Os processos
emocionais desencadeados nestes pacientes exigem um profissional especializado, o que
leva à especificidade da Pisico-Oncologia e a diferencia da Psicologia Hospitalar.

Apesar de ser de extrema importância, a psico-oncologia enfrenta ainda muitas


dificuldades em sua prática. A Biomedicina, que pensa o câncer como uma enfermidade
do corpo, ainda é muito poderosa, seus seguidores não aceitam as tentativas de
encontrar interrelações psicossomáticas na origem e no processo de câncer, não
valorizando assim o apoio psicoterápico, utilizando em seu lugar tratamento
medicamental contra sintomas claramente psicológicos, como ansiedade e depressão. A
chegada da Psico-Oncologia no hospital é recente e sua função ainda é freqüentemente
desconhecida ou distorcida. Mas já existem situações em Hospitais onde o psicólogo
não é só é muito valorizado como também é requisitado pelos médicos e pela
enfermagem em seu próprio auxílio, quando em momentos de dificuldades pessoais.
(Carvalho, 2002)

Referências:

CARVALHO, M. M. (2002). Psico-Oncologia: História, Características E Desafios.


Psicol. USP. vol.13. n°1. São Paulo. 2002

CASTRO, E. K.; BORNHOLDT, E. (2004). Psicologia da saúde x psicologia


hospitalar: definições e possibilidades de inserção profissional. Psicologia, Ciência e
Profissão. Vol. 24. n° 3. Brasília. Setembro, 2004.

MIRANDA, A. B. (2012). A Importância da Assistência Psicológica em Pacientes


Oncológicos. Disponível em: https://psicologado.com/atuacao/psicologia-hospitalar/a-
importancia-da-assistencia-psicologica-em-pacientes-oncologicos. Acessado em 08 de
novembro de 2016.