Вы находитесь на странице: 1из 167

< N E O C O L O N I A L I S M O;

I—I

w
— Ultimo Estágio do Imperialismo r
C/5
<
tf
é uma autêntica radiografia da África e também corajosa ^
«. denúncia dos males que afligem o Continente Negro e im-
pedem o seu pleno desenvolvimento.
O

Seu autor,
N
HH
hJ N'KRUMAH,
>
Presidente deposto de Gana, fundamentado em farta e ir-
Q retorquível documentação — e nomeando expressamente os
trustes, seus representantes e ramificações — mostra ao
Pi mundo como funciona a máquina neocolonialista e de que
O
o maneira vencê-la.
w
• H

U
w
Q

O
H
'Z
W
S.
<
z
<

<
leia do Neocolonialismo
I I H levcreiro de 1966, quando K w a m e NEOCOLONIALISMO
' k 1 1 I I 1 1 . 1 h se achava em visita à China, êle
i' pusio da presidência de G a n a , atra-
— ÚLTIMO ESTÁGIO
li uni golpe de Estado ocorrido em
• i i uiKiilado ao longo de cinco anos
DO IMPERIALISMO
i h i i i i s chefes militares e por alguns
n u K i s graduados da polícia ganense.
posa de N ' k r u m a h foi obrigada a re-
I I se, com seus dois filhos, na embaixa-
i iln K i pública Á r a b e Unida, onde se asi-
i próprio N ' k r u m a h , proibido de re-
ii ;io seu país, foi para a G u i n é ,
' i '• Presidente Sekou T o u r é lhe deu
• i ipoio. E m A c r a , falando pelo rádio
lume cios sublevados vitoriosos, o co-
II I I kotoka anunciou a dissolução do
i ' " i i i n c n i i i e a suspensão das garantias
• " i i illlticionais.
Ini.iiii |rês as principais razões apre-
iilmlns ao povo ganense para o golpe de
i i i ! . ' I ) N ' k r u m a h era u m ditador;
' i um corrupto; 3 ) fomentava a sub-
i I H n.i Africa. A primeira acusação fica
i prejudicada em virtude de ser
i I I I I . H I . I por militares que acabavam de
m i l ' ! ini.ii um regime francamente ditato-
ii ii I n G a n a . Quanto às acusações de
r i " e de subversão, sabemos hoje
u In ni que elas servem frequentemen-
iii lesses antiprogressistas, às forças
il i i i " nação, que exploram o moralismo
' os .mseios de ordem de certos
1 •" oritários p o r é m influentes das
i'"i'iil«VOc» dos países subdesenvolvidos.
ESTE LIVRO
É DEDICADO AOS
LUTADORES PELA LIBERDADE DA ÁFRICA,
VIVOS E MORTOS
Título do original em inglês .
NEO-COLONIALISM
THE LAST STAGE OF IMPERIALISM
E d i t a d o por T h o m a s Nelson a n d S o n s L t d .
Copyright de K w a m e N ' k r u m a h 1 9 6 5
Desenho de c a p a :
MARIUS LAURITZEN BERN
D i r e i t o s p a r a a l í n g u a portuguesa adquiridos p e l a
E D I T O R A C I V I L I Z A Ç Ã O B R A S I L E I R A S. A .
Rua 7 de Setembro, 97
RIO DE JANEIRO
que se r e s e r v a a propriedade desta tradução
1967
I m p r e s s o nos E s t a d o s U n i d o s do B r a s i l
Printed in the United States of Brazil
"As enormes dimensões do capital finan-
ceiro concentrado na mão de uns poucos e
criando uma rede extremamente extensa de
laços íntimos e relações que envolve não ape-
nas os capitalistas pequenos e médios como
também mesmo os muito pequenos; isso, por
um lado, e pelo outro a luta penosa contra
grupos de financistas de outros Estados na-
cionais pela partilha do mundo e o direito de
dominar outras nações — esses dois fatôres,
tomados em conjunto, causam a conversão
completa de todas as classes possuidoras para
o lado do imperialismo. O sinal dos tempos
é um entusiasmo "geral" quanto às suas
perspectivas, uma defesa apaixonada do im-
perialismo, e de toda a camuflagem possível
de sua natureza real". — Lênin, Imperia-
lismo.
>
ÍNDICE
INTRODUÇÃO X I I I
1. Recursos da África 1
2. Obstáculos ao Progresso Económico 17
3. Finança Imperialista 43
4. Capitalismo Monopolista e o Dólar Norte-Americano 61
5. A Verdade por Trás das Manchetes 81
6. Recursos Primários e Interesses Estrangeiros 99
7. O Império Oppenheimer 129
8. Investimento Estrangeiro na Mineração Sul-Africana 141
9. Anglo American Corporation Limited 149
10. Os Grupos do Diamante
11. Interesses Mineradores na África Central 179
12. Companhias e Combinados 189
13. Os Gigantes do Estanho, Alumínio e Níquel 209
14. Union Minière ãu Haut Katanga 229
15. Pressões Económicas na República do Congo 247
16. Zonas Monetárias e Bancos Estrangeiros 257
17. Novas Indústrias: Os Efeitos sobre Nações Produtoras de
Materiais Primários 267
18. O Mecanismo do Neocolonialismo 281
CONCLUSÃO 301
BIBLIOGRAFIA 307
Introdução
O N E O C O L O N I A L I S M O de hoje representa o impe-
rialismo no seu estágio final e talvez o mais perigoso.
No passado, era possível converter uma nação à qual
tivesse sido imposto um regime neocolonial — o Egito
do século X I X é um exemplo — em um território co-
lonial. Hoje, esse processo não é mais viável. O colonia-
lismo de velho estilo não está, de modo algum, abolido.
Constitui ainda um problema africano, mas está em
retirada, por toda parte. Uma vez um território se tor-
nando nominalmente independente, não é mais possí-
vel, como no século passado, inverter o processo. As
colónias existentes podem continuar por mais tempo,
mas não serão criadas novas colónias. E m lugar do
colonialismo, como principal instrumento do capitalis-
mo, temos hoje o neocolonialismo.
A essência do neocolonialismo é de que o Estado
que a êle está sujeito é, teoricamente, independente e
tem todos os adornos exteriores da soberania interna-
cional. Na realidade, seu sistema económico e portanto
seu sistema político é dirigido do exterior.
Os métodos e a forma de direção podem tomar vá-
rios aspectos: Por exemplo, num caso extremo as tro-
pas de uma potência imperialista podem guarnecer o
território de um Estado neocolonial e controlar o seu
G o v e r n o . M a i s c o m u m e n t e , n o e n t a n t o , o controle neo- i m l t i , e n v o l v e o i n v e s t i m e n t o e x t e r n o de nações c a p i -
c o l o n i a l i s t a é exercido através de meios económicos o u i ill i r mus este deve ser i n v e s t i d o de acordo c o m U m

monetários. O E s t a d o n e o c o l o n i a l pode ser obrigado a p l u i i u n a c i o n a l organizado pelo G o v e r n o do E s t a d o não-


a c e i t a r os produtos m a n u f a t u r a d o s d a potência i m p e - n i i i i i indo, c o m seus próprios interesses e m m i r a . ^
r i a l i s t a , c o m a exclusão dos produtos competidores de 1111< L m não é q u a l o r e t o r n o que o investidor e s t r ^ n -
o u t r a o r i g e m . O controle sobre a política g o v e r n a m e n - i obtém sobre os seus i n v e s t i m e n t o s . Êle pode, ^ e

t a l do E s t a d o neocolonial pode ser a s s e g u r a d o através i . i i n a l c a n ç a r melhores r e s u l t a d o s se i n v e s t i r n u m p j a s

de p a g a m e n t o s p a r a f a z e r f r e n t e ao c u s t o d a a d m i n i s - n l i o a l i n h a d o do que n u m país neocolonial. A questão é


tração do E s t a d o , pelo f o r n e c i m e n t o de funcionários d e poder. U m E s t a d o n a s g a r r a s do neocolonialismo não
a d m i n i s t r a t i v o s , e m posições que l h e s p e r m i t a m d i t a r a é : i e n l i o r i l o próprio destino. É esse f a t o i que t o m a 0

orientação, e por controle monetário do câmbio exte- n e o c o l o n i a l i s m o u m a ameaça tão séria à paz m u n d i a l
r i o r através d a imposição de u m s i s t e m a bancário c o n - O crescimento das a r m a s nucleares tornou ultrapassa-
t r o l a d o p e l a potência i m p e r i a l i s t a . d a a a n t i q u a d a balança de forças, que se a p o i a v a e m

O n d e o neocolonialismo existe, a potência que u m a g u e r r a e m g r a n d e e s c a l a , como sanção m a i o r , A


exerce o controle é f r e q u e n t e m e n t e o E s t a d o que gover- certeza de destruição maciça mútua impede e i e t i - v a

n o u a n t e r i o r m e n t e o território e m questão, m a s isso m e n t e q u a l q u e r dos g r a n d e s blocos de potências de


não acontece n e c e s s a r i a m e n t e . P o r exemplo, n o caso ameaçar o outro c o m a possibilidade de u m a g u e r r a de
do Vietnã do S u l , essa a n t i g a potência i m p e r i a l e r a a âmbito m u n d i a l e o conflito m i l i t a r f i c o u a s s i m c o ^ f j .
França, m a s o controle n e o c o l o n i a l do E s t a d o p a s s o u n a d o a " g u e r r a s l i m i t a d a s " . P a r a essas, o neocolonia-
a g o r a aos E s t a d o s U n i d o s . É possível que o c o n t r o l e llsmo é o caldo de c u l t u r a .
n e o c o l o n i a l s e j a e x e r c i d o por u m consórcio de i n t e r e s - E s s a s g u e r r a s podem, n a t u r a l m e n t e , ocorrer e m

ses f i n a n c e i r o s que não são especificamente identificá- nações que não são c o n t r o l a d a s por n e o c o l o n i a l i s t a s
veis c o m q u a l q u e r E s t a d o p a r t i c u l a r . O c o n t r o l e do S e u objetivo pode m e s m o ser o de c r i a r e m u m a nação
Congo por g r a n d e s interesses f i n a n c e i r o s i n t e r n a c i o n a i s pequena m a s independente u m r e g i m e n e o c o l o n i a l i t . s a

é u m caso desse t i p o . O m a l do neocolonialismo é que êle impede a f o r m a -


O r e s u l t a d o do neocolonialismo é que o c a p i t a l es- ção dessas g r a n d e s u n i d a d e s que t o r n a r i a m impossível
t r a n g e i r o é u t i l i z a d o p a r a a exploração, e m l u g a r de a " g u e r r a l i m i t a d a " . P a r a d a r u m e x e m p l o : se a Á f i r c a

ser p a r a o desenvolvimento d a s p a r t e s menos desenvol- se u n i s s e , n e n h u m bloco de g r a n d e s potências i r i a t e n -


v i d a s do m u n d o . O i n v e s t i m e n t o , sob o neocolonialis- t a r subjugá-la através de u m a g u e r r a l i m i t a d a , porque
mo, a u m e n t a , e m l u g a r de d i m i n u i r , a b r e c h a e n t r e a s p e l a própria n a t u r e z a d a g u e r r a l i m i t a d a o que p d 0 e

nações r i c a s e pobres do m u n d o . ser conseguido através d e l a é, e m s i , l i m i t a d o . É p . a e

A l u t a c o n t r a o n e o c o l o n i a l i s m o não t e m por obje- n a s onde e x i s t e m pequenos E s t a d o s que se t o r n a p . o s

t i v o a exclusão do c a p i t a l do m u n d o desenvolvido d a s sível, d e s e m b a r c a n d o a l g u n s m i l h a r e s de f u z i l e i r o s o u

operações e m nações m e n o s desenvolvidas. T e m por f i n a n c i a n d o u m a força mercenária, a s s e g u r a r u m r e s u l -


objetivo i m p e d i r que a força f i n a n c e i r a d a s nações de- tado decisivo.
s e n v o l v i d a s s e j a u t i l i z a d a de t a l m a n e i r a a empobrecer
A restrição à ação m i l i t a r n a s " g u e r r a s l i m i t a d "
os m e n o s desenvolvidos.
a s ;

no e n t a n t o , não é u m a g a r a n t i a d a p a z m u n d i a l e e r á
O não-alinhamento, como é p r a t i c a d o por G a n a e
S

p r o v a v e l m e n t e o f a t o r que f i n a l m e n t e envolverá s
m u i t a s o u t r a s nações, é baseado n a cooperação c o m to-
0

g r a n d e s blocos de potências e m u m a g u e r r a m u n d i a l ,
dos os E s t a d o s , q u e r s e j a m eles c a p i t a l i s t a s , s o c i a l i s t a s
por m a i s que e s t e j a m ambos decididos a evitá-la.
o u t e n h a m u m a e c o n o m i a m i s t a . T a l orientação, por-
A g u e r r a l i m i t a d a , u m a vez i n i c i a d a , a d q u i r e u m A r a z ã o d o seu desenvolvimento n o período de
i m p u l s o próprio. A g u e r r a do Vietnã do S u l é a p e n a s pós-guerra pode s e r r a p i d a m e n t e r e s u m i d a . O proble-
u m dos exemplos disso. A e s c a l a d a ocorre apesar do de- m a q u e e n l r e a t a v a m a s nações r i c a s do m u n d o ao f i m
sejo dos g r a n d e s blocos de potências de mantê-la l i m i - «la . S e c u n d a G u e r r a M u n d i a l e r a a impossibilidade de
t a d a . E m b o r a essa d e t e r m i n a d a g u e r r a possa ser i m p e - r e t o r n a r à situação a n t e r i o r à g u e r r a , n a q u a l h a v i a
d i d a de c o n d u z i r a u m conflitp m u n d i a l , a ' m u l t i p l i c a - u m a g r a n d e distância e n t r e os poucos r i c o s e os m u i -
ção de g u e r r a s l i m i t a d a s s e m e l h a n t e s só pode t e r u m tos pobres. Não i m p o r t a que p a r t i d o , p a r t i c u l a r m e n t e ,
f i n a l : a g u e r r a m u n d i a l e a s terríveis consequências de estivesse n o Poder, a s pressões i n t e r n a s n a s nações r i -
conflito n u c l e a r . c a s do m u n d o e r a m t a i s q u e n e n h u m a nação c a p i t a -
O neocolonialismo é também a pior f o r m a de i m - l i s t a do pós-guerra p o d e r i a sobreviver a não s e r que se
p e r i a l i s m o . P a r a aqueles que o e x e r c e m , s i g n i f i c a o po- t o r n a s s e u m Welfare State, u m a nação de prosperidade
der s e m a responsabilidade e p a r a aqueles que o s o f r e m , geral. P o d i a h a v e r diferenças de g r a u n a extensão dos
s i g n i f i c a a exploração s e m alívio. Nos dias do a n t i g o benefícios s o c i a i s concedidos aos t r a b a l h a d o r e s i n d u s -
c o l o n i a l i s m o , a potência i m p e r i a l t i n h a pelo m e n o s que t r i a i s e agrícolas, m a s o que e r a impossível e m toda
e x p l i c a r e j u s t i f i c a r , i n t e r n a m e n t e , a s ações que r e a l i - p a r t e e r a u m r e t o r n o ao desemprego e m m a s s a e ao
z a v a n o e x t e r i o r . N a colónia, aqueles que s e r v i a m à po- baixo nível de v i d a dos a n o s a n t e r i o r e s à g u e r r a .
tência i m p e r i a l d o m i n a n t e p o d i a m pelo menos esperar "Do f i n a l do século X I X e m d i a n t e , a s colónias h a -
a s u a proteção c o n t r a q u a l q u e r ação v i o l e n t a dos seus v i a m sido c o n s i d e r a d a s como u m a fonte de r i q u e z a que
opositores. C o m o neocolonialismo, n e n h u m dos dpis podia ser u s a d a p a r a m i t i g a r conflitos de classe n o s
casos a c o n t e c e . E s t a d o s c a p i t a l i s t a s e, como será e x p l i c a d o a d i a n t e ,
A c i m a de tudo, o neocolonialismo, como a n t e s dêl_e essa política obteve a l g u m êxito. M a s f a l h o u e m s e u
o c o l o n i a l i s m o , a d i a o embate de questões sociais q u e objetivo f i n a l , porque os E s t a d o s c a p i t a l i s t a s de a n t e s
terão de ser e n f r e n t a d a s pelo setor p l e n a m e n t e desen- d a g u e r r a e s t a v a m i n t e r n a m e n t e organizados de t a l
volvido do m u n d o , p a r a que o perigo de g u e r r a m u n - m a n e i r a que o grosso do l u c r o obtido d a s possessões
d i a l possa ser e l i m i n a d o o u o p r o b l e m a d a pobreza coloniais i a p a r a r n o s bolsos d a classe c a p i t a l i s t a , e
m u n d i a l resolvido. não nos dos operários. L o n g e de a t i n g i r o objetivo, os
O neocolonialismo, como o c o l o n i a l i s m o , é u m a t e n - p a r t i d o s d a c l a s s e operária, às vezes, t e n d i a m a i d e n t i -
t a t i v a de e x p o r t a r os conflitos sociais das nações c a p i - f i c a r seus interesses c o m os dos povos c o l o n i a i s e a s
t a l i s t a s . O êxito temporário dessa política pode ser v i s t o potências i m p e r i a l i s t a s v i r a m - s e e n g a j a d a s n u m c o n f l i -
n a b r e c h a c a d a vez m a i s l a r g a e n t r e a s nações m a i s to e m d u a s f r e n t e s , i n t e r n a m e n t e c o m seus próprios
r i c a s e m a i s pobres do m u n d o . M a s a s contradições e t r a b a l h a d o r e s e n o e x t e r i o r c o n t r a a s forças crescentes
conflitos i n t e r n o s do n e o c o l o n i a l i s m o t r a z e m a c e r t e z a de libertação c o l o n i a l .
de que êle não pode p e r d u r a r como u m a política m u n - O período do pós-guerra i n a u g u r o u u m a política
d i a l p e r m a n e n t e . C o m o deve ser e l i m i n a d o , é u m p r o - c o l o n i a l m u i t o diferente. F o i f e i t a u m a d e l i b e r a d a t e n -
b l e m a q u e d e v e r i a s e r estudado, a c i m a de tudo, p e l a s t a t i v a de d e s v i a r os r e n d i m e n t o s coloniais d a c l a s s e r i c a
nações desenvolvidas do m u n d o , porque são elas que e e m l u g a r disso usá-los p a r a f i n a n c i a r de u m a m a n e i -
vão s e n t i r o i m p a c t o t o t a l do s e u f r a c a s s o f i n a l . Q u a n t o r a g e r a l o Welfare State. C o m o se verá n o s exemplos
m a i s p e r d u r a r , m a i s certo é que o s e u inevitável c o l a p - dados a d i a n t e , foi esse o método c o n s c i e n t e m e n t e ado-
so destruirá o s i s t e m a s o c i a l do q u a l o t r a n s f o r m a r a m tado m e s m o por aqueles líderes d a classe t r a b a l h a d o r a
em fundamento. que a n t e s d a g u e r r a h a v i a m considerado os povos colo-
n i a i s como seus aliados n a t u r a i s c o n t r a os i n i m i g o s c a - u m mercado s u f i c i e n t e m e n t e a m p l o p a r a s u s t e n t a r a
p i t a l i s t a s e m s e u país. Industrialização. D o m e s m o modo, l h e s faltará a força
A princípio, p r e s u m i u - s e que esse objetivo poderia f i n a n c e i r a p a r a forçar a s nações desenvolvidas a acei-
ser alcançado m a n t e n d o o s i s t e m a c o l o n i a l a n t e r i o r à i I H i n s u a s matérias-primas a u m preço j u s t o .
g u e r r a . A experiência logo d e m o n s t r o u que a s t e n t a t i - Nos territórios neocolonialistas, u m a vez que a a n -
v a s de f a z e r isso s e r i a m desastrosas e somente provo- tiga potência c o l o n i a l t e o r i c a m e n t e cedeu o controle
c a r i a m g u e r r a s coloniais, d i s s i p a n d o a s s i m os g a n h o s politico, se a s condições sociais provocadas pelo neoco-
esperados p e l a continuação do regime c o l o n i a l . A Grã- lonialismo c a u s a r e m u m a r e v o l t a , o governo neocolo-
B r e t a n h a , p a r t i c u l a r m e n t e , compreendeu isso n u m es- n i a l i s t a l o c a l pode ser s a c r i f i c a d o e outro, i g u a l m e n t e
tágio i n i c i a l e a j u s t e z a do raciocínio britânico de então 111 i.serviente, posto e m s e u l u g a r . P o r outro lado, e m
f o i subsequentemente d e m o n s t r a d a p e l a d e r r o t a do quulquer c o n t i n e n t e onde o neocolonialismo existe e m
colonialismo francês n o E x t r e m o O r i e n t e e n a Argélia fldcala a m p l a , a s m e s m a s pressões sociais que podem
e pelo f r a c a s s o dos holandeses e m r e t e r q u a l q u e r p a r t e IH o( l u z i r revoltas e m territórios neocoloniais afetarão
do s e u a n t i g o império c o l o n i a l . também os E s t a d o s que se r e c u s a r a m a a c e i t a r o s i s -
O s i s t e m a do neocolonialismo f o i a s s i m instituído 11 r u a e consequentemente a s nações neocolonialistas
e a c u r t o p r a z o s e r v i u a d m i r a v e l m e n t e às nações de- têm u m a a r m a já p r e p a r a d a c o m q u e p o d e m ameaçar
senvolvidas. A longo prazo, s u a s consequências l h e s os oponentes, se p a r e c e r e m e s t a r desafiando o s i s t e m a
serão p r o v a v e l m e n t e catastróficas. com êxito.
O neocolonialismo está baseado n o princípio de dis- E s s a s v a n t a g e n s , que à p r i m e i r a v i s t a p a r e c e m tão
p e r s a r g r a n d e s territórios coloniais, a n t e r i o r m e n t e u n i - óbvias, são n o e n t a n t o , ao s e r e m a n a l i s a d a s , ilusórias,
dos, e m n u m e r o s o s pequenos E s t a d o s inviáveis, q u e são porque d e i x a m de l e v a r e m c o n t a os fatos do m u n d o
i n c a p a z e s de desenvolvimento independente e p r e c i s a m dc hoje.
depender d a a n t i g a potência i m p e r i a l p a r a a defesa e A introdução do neocolonialismo a u m e n t a a r i v a -
mesmo p a r a a segurança i n t e r n a . S e u s s i s t e m a s econó- lidade e n t r e a s g r a n d e s potências que f o i p r o v o c a d a
m i c o e f i n a n c e i r o são ligados, como n o s d i a s coloniais, pelo colonialismo do v e l h o estilo. P o r m e n o r que s e j a o
aos do a n t i g o d o m i n a d o r c o l o n i a l . poder r e a l que u m E s t a d o n e o c o l o n i a l i s t a p o s s a t e r ,
À p r i m e i r a v i s t a , p a r e c e r i a que o s i s t e m a t r a z m u i - deve possuir, pelo próprio fato de s u a independência
t a s v a n t a g e n s p a r a a s nações desenvolvidas do m u n d o . n o m i n a l , u m a c e r t a área de m a n o b r a . Pode não ser c a -
Todos os l u c r o s do neocolonialismo podem ser g a r a n t i - paz de e x i s t i r s e m u m s e n h o r c o l o n i a l i s t a , m a s pode,
dos se, e m q u a l q u e r área d e t e r m i n a d a , u m a razoável mesmo a s s i m , t e r a capacidade de t r o c a r de senhor.
proporção dos E s t a d o s t i v e r u m s i s t e m a n e o c o l o n i a l i s t a . O E s t a d o n e o c o l o n i a l i s t a i d e a l s e r i a o que fosse i n -
Não é necessário que iodos o t e n h a m . A não ser que os t e i r a m e n t e s u b s e r v i e n t e a o s interesses neocolonialistas,
E s t a d o s pequenos p o s s a m se c o m b i n a r , são n e c e s s a r i a - m a s a existência d a s nações s o c i a l i s t a s t o r n a impossí-
m e n t e forçados a vender s u a s matérias-primas a preços vel a p l i c a r o rigor t o t a l do s i s t e m a n e o c o l o n i a l i s t a . A
ditados p e l a s nações desenvolvidas e a c o m p r a r - l h e s existência de u m s i s t e m a a l t e r n a t i v o é, e m s i , u m desa-
seus produtos m a n u f a t u r a d o s ao preço por elas f i x a d o . fio ao regime neocolonialista. A s advertências a respei-
E n q u a n t o o neocolonialismo p u d e r e v i t a r as condições to dos "perigos d a subversão c o m u n i s t a " são p r o v a v e l -
políticas e económicas p a r a o desenvolvimento ótimo, mente u m a f a c a de dois gumes, porque c h a m a m a a t e n -
a s nações e m desenvolvimento, q u e r e s t e j a m o u não ção dos que v i v e m sob u m s i s t e m a n e o c o l o n i a l i s t a p a r a
sob o controle n e o c o l o n i a l i s t a , serão i n c a p a z e s de c r i a r a possibilidade de u m a mudança de regime. D e fato,
o neocolonialismo é a vítima de s u a s próprias c o n t r a - II.II IH ; menos desenvolvidas os e s t u d a n t e s têm sido a
dições. P a r a torná-lo a t r a e n t e às v i s t a s daqueles sobre v a n g u a r d a d a l u t a c o n t r a o neocolonialismo.
os q u a i s é p r a t i c a d o , p r e c i s a ser a p r e s e n t a d o como c a - No f i n a l , a c a b a acontecendo que o único tipo de
p a z de elevar os seus níveis de v i d a , m a s o objetivo que os senhores n e o c o l o n i a l i s t a s c o n s i d e r a m se-
económico do neocolonialismo é m a n t e r esses níveis guro 6 a " a j u d a m i l i t a r " .
r e p r i m i d o s , n o interesse d a s nações desenvolvidas. É Q u a n d o u m território n e o c o l o n i a l i s t a é levado a t a l
somente q u a n d o e s s a contradição é e n t e n d i d a q u e o i i l a d o d e caos económico e miséria que a r e v o l t a c h e g a
f r a c a s s o de inúmeros p r o g r a m a s de " a j u d a " , m u i t o s i MO desencadear, então, e somente então, não há l i m i -
deles b e m i n t e n c i o n a d o s , pode ser explicado. te p a r a a generosidade do d o m i n a d o r neocolonial, des-
E m p r i m e i r o l u g a r , os g o v e r n a n t e s dos E s t a d o s de que, evidentemente, os f u n d o s fornecidos s e j a m u t i -
neo col o n i a l i s t a s recebem s u a a u t o r i d a d e p a r a governar, ii-lidos e x c l u s i v a m e n t e p a r a f i n s m i l i t a r e s .
não d a vontade do povo, m a s do apoio que obtêm dos A a j u d a m i l i t a r n a realidade m a r c a o último está-
seus senhores neocolonialistas. T ê m , p o r t a n t o , pouco gio do neocolonialismo e s e u efeito é a u t o d e s t r u i d o r .
M i n s c e d o ou m a i s tarde, as a r m a s fornecidas passam
interesse e m desenvolver a educação, a u m e n t a r o poder
de negociação de seus t r a b a l h a d o r e s empregados e m f i r - a s m ã o s d o s oponentes do regime n e o c o l o n i a l i s t a e a pró-
i'i I n g u e r r a a g r a v a a miséria s o c i a l que a provocou
m a s e s t r a n g e i r a s , o u , n a verdade, e m t o m a r q u a l q u e r
originalmente.
m e d i d a que possa c o n t r a r i a r a t r a m a c o l o n i a l de comér-
cio e indústria, c u j a preservação é o objetivo do neocolo- O neocolonialismo é u m a p e d r a a m a r r a d a ao pes-
n i a l i s m o . " A j u d a " , p o r t a n t o , p a r a u m E s t a d o neocolo- l oco das nações desenvolvidas que o p r a t i c a m . A m e n o s
n i a l i s t a , é m e r a m e n t e u m crédito r o t a t i v o , pago pelo que p ossam l i v r a r - s e dele, serão afogadas. A n t e r i o r -
s e n h o r neocolonial, p a s s a n d o pelo E s t a d o n e o c o l o n i a l e m e n t e , a s potências desenvolvidas p o d i a m f u g i r às c o n -
r e t o r n a n d o ao senhor neocolonial sob a f o r m a de l u c r o s ii adições do neocolonialismo, substituindo-o pelo colo-
aumentados. n i a l i s m o direto. T a l solução não é m a i s possível e os
motivos disso já f o r a m b e m e x p l i c a d o s por M r . O w e n
E m segundo l u g a r , é n o campo d a " a j u d a " q u e a
L a t t i m o r e , o p e r i t o dos E s t a d o s U n i d o s n o E x t r e m o
r i v a l i d a d e e n t r e os E s t a d o s desenvolvidos i n d i v i d u a i s
O r i e n t e e conselheiro de C h i a n g K a i - s h e k n o período
p r i m e i r o se m a n i f e s t a . E n q u a n t o e x i s t i r o neocolonia-
I m e d i a t a m e n t e posterior à g u e r r a . L a t t i m o r e e s c r e v e u :
l i s m o , persistirão a s esferas de influência e isso t o r n a a
a j u d a m u l t i l a t e r a l — que é n a realidade a única f o r m a " A Ásia, que f o i tão fácil e r a p i d a m e n t e s u b j u g a d a
por conquistadores n o s séculos X V I I I e X I X , demons-
eficiente de a j u d a — impossível.
t r a u m a i m p r e s s i o n a n t e capacidade p a r a r e s i s t i r aos
U m a vez i n i c i a d a a a j u d a m u l t i l a t e r a l , os senhores rcitos modernos, equipados c o m aeroplanos, t a n q u e s ,
n e o c o l o n i a l i s t a s vêem-se e n f r e n t a d o s p e l a hostilidade veículos motorizados e a r t i l h a r i a móvel.
dos i n t e r e s s e s investidos, e m s u a própria t e r r a . S e u s i n - A n t i g a m e n t e , grandes territórios e r a m c o n q u i s t a -
d u s t r i a i s n a t u r a l m e n t e f a z e m objeção a q u a l q u e r t e n - dos, n a índia, c o m pequenos contingentes. O s r e n d i -
t a t i v a de e l e v a r o preço d a s matérias-primas que obtêm mentos, i n i c i a l m e n t e pelo saque, depois por impostos
do território n e o c o l o n i a l i s t a e m questão, o u ao estabe- diretos e f i n a l m e n t e através do comércio, inversão de
l e c i m e n t o , a l i , de q u a i s q u e r indústrias m a n u f a t u r e i r a s c a p i t a i s e exploração a longo p r a z o , c o b r i a m c o m incrí-
que p o s s a m c o m p e t i r d i r e t a ou i n d i r e t a m e n t e c o m s u a s v e l rapidez os gastos c o m operações m i l i t a r e s . E s s a a r i t -
exportações p a r a o território. M e s m o a educação é v i s t a mética r e p r e s e n t a v a u m a g r a n d e tentação p a r a a s n a -
c o m s u s p e i t a , como passível de p r o d u z i r u m m o v i m e n t o ções fortes. A g o r a têm p e l a f r e n t e u m a n o v a aritmética,
e s t u d a n t i l e é, n a t u r a l m e n t e , verdade que e m m u i t a s que os d e s e n c o r a j a " .
E s s a m e s m a aritmética, p r o v a v e l m e n t e , se a p l i c a iin.v i n i l i i ! o u t r o s países europeus, t a i s como Finlândia,
por todo o m u n d o menos desenvolvido. u i n i.i c I r l a n d a , e a i n d a a Austrália, N o v a Zelândia e
E s t e l i v r o é, p o r t a n t o , u m a t e n t a t i v a de e x a m i n a :-
A i n c a d o S u l . A c a t e g o r i a dos " m e n o s desenvolvidos",
p a r a o K M J , i n c l u i toda a América L a t i n a e pràticamen-
o neocolonialismo, não a p e n a s d e n t r o do c ont e xt o a f r i -
c a n o e s u a s relações c o m a u n i d a d e a f r i c a n a , m a s e m h l o d o o O r i e n t e Médio, Ásia não c o m u n i s t a e África.
p e r s p e c t i v a m u n d i a l . O neocolonialismo não é, de modo E m o u t r a s p a l a v r a s , a s nações " a t r a s a d a s " são a s
a l g u m , u m a questão e x c l u s i v a m e n t e a f r i c a n a . M u i t o s i t u a d a s n a s áreas neo co l o ni ai s.
a n t e s de ser p r a t i c a d o e m l a r g a e s c a l a n a África, e r a Depois de c i t a r números e m apoio aos seus a r g u -
u m s i s t e m a estabelecido e m o u t r a s p a r t e s do m u n d o . mentos, o Wall Street Journal c o m e n t a a situação:
E m n e n h u m l u g a r obteve êxito q u e r e m elevar os níveis " A s nações i n d u s t r i a i s a c r e s c e n t a r a m quase dois
de v i d a , quer, e m última análise, e m t r a z e r benefício Inlliões às s u a s r e s e r v a s , que a g o r a se a p r o x i m a m dos
aos países que a êle se e n t r e g a r a m . !>:> bilhões (de dólares). Ao mesmo tempo, a s reservas
M a r x predisse que a crescente distância e n t r e a do grupo m e n o s desenvolvido não so mente p a r a r a m de
r i q u e z a d a s classes possuidoras e os t r a b a l h a d o r e s que crescer como d e c l i n a r a m e m c e r c a de 200 milhões. P a r a
elas e m p r e g a m a c a r r e t a r i a f i n a l m e n t e u m conflito f a - a n a l i s t a s como M i s s W a r d , britânica, o s i g n i f i c a d o des-
t a l ao c a p i t a l i s m o , e m c a d a E s t a d o c a p i t a l i s t a isolado. sas estatísticas é c l a r o : a di spar i dade económica está
rapidamente a u m e n t a n d o , e n t r e u m a elite muito
E s s e conflito e n t r e os ricos e os pobres f o i a g o r a
pequena do Atlântico N o r t e , b r a n c a , condescendente, a l -
t r a n s f e r i d o p a r a o cenário i n t e r n a c i o n a l , m a s p a r a pro-
tumente b u r g u e s a , m u i t o r i c a , e todos os d e m a i s , e isso
v a r o que se reconhece e s t a r acontecendo não é m a i s
não é u m a herança m u i t o confortável p a r a d e i x a r aos
necessário c o n s u l t a r os a ut ore s m a r x i s t a s . A situação
nossos f i l h o s " .
é e x p o s t a c o m a máxima c l a r e z a n o s p r i n c i p a i s órgãos
d a opinião c a p i t a l i s t a . T o m e m o s , por exemplo, os se- 'Todos os d e m a i s ' i n c l u i a p r o x i m a d a m e n t e dois
g u i n t e s t r e c h o s do The Wall Street Journal, o jornal terços d a população d a t e r r a , espalhados por c e r c a de
que t a l v e z r e f l i t a m e l h o r o p e n s a m e n t o c a p i t a l i s t a c e m países".
norte-americano. E s s e p r o b l e m a não é novo. N o parágrafo i n i c i a l do
No número de 12 de m a i o de 1965, sob o cabeçalho seu l i v r o A Guerra Contra a Pobreza Mundial, escrito
" A Situação d a s Nações P o b r e s " , o j o r n a l a n a l i s a , e m c m 1953, o a t u a l líder t r a b a l h i s t a , H a r o l d W i l s o n , r e s u -
m i u o m a i s i m p o r t a n t e p r o b l e m a do m u n d o c o m o e n -
p r i m e i r o l u g a r , " q u e nações são c o n s i d e r a d a s i n d u s t r i a i s
tão o v i a :
e q u a i s a s a t r a s a d a s " . Não há, e x p l i c a , " u m método
rígido de classificação". A p e s a r disso, a f i r m a : " P a r a a g r a n d e m a i o r i a d a h u m a n i d a d e o proble-
" U m critério de separação g e r a l m e n t e u s a d o , n o m a de m a i o r urgência não é a g u e r r a , o u o c o m u n i s m o ,
e n t a n t o , foi r e c e n t e m e n t e m a n t i d o pelo F u n d o Mone- ou o custo de v i d a , o u os impostos. É a fome. M a i s de
tário I n t e r n a c i o n a l porque, n a s p a l a v r a s de u m f u n c i o - u m bilhão e meio de pessoas, algo c o m o dois terços d a
nário do F M I , " a demarcação económica n o m u n d o está população m u n d i a l , v i v e m e m condições de f o m e a g u d a ,
se t o r n a n d o c a d a vez m a i s evidente". A separação, diz d e f i n i d a e m ter mo s de doença n u t r i c i o n a l i d e n t i f i c a d a .
o funcionário, "está baseada n o s i m p l e s b o m s e n s o " . E s s a fome é ao m e s m o t e m p o o efeito e a c a u s a d a po-
breza, sordidez e miséria e m que v i v e m " .
" D o p o n t o de v i s t a do F M I , a s nações i n d u s t r i a i s
são os E s t a d o s U n i d o s , o R e i n o U n i d o , a m a i o r i a d a s S u a s consequências são d a m e s m a m a n e i r a com-
nações d a E u r o p a O c i d e n t a l , Canadá e Japão. U m a c a - preendidas. O correspondente do The Wall Street Jour-
teg o r i a especial d e n o m i n a d a ' o u t r a s áreas desenvolvi- nal, a n t e r i o r m e n t e citado, r e s s a l t a - a s :
" . . . m u i t o s d i p l o m a t a s e economistas e n c a r a m a s
podem ser desenvolvidas, a p l i c a v a - s e c o m a m e s m a e x a -
implicações como p r e p o n d e r a n t e m e n t e — e perigosa- lldão às a t u a i s nações desenvolvidas, n o período a n t e -
m e n t e — políticas. A m e n o s que o a t u a l declínio possa rlor ao s e u desenvolvimento. O a r g u m e n t o só é válido
ser i n v e r t i d o , t e m e m esses a n a l i s t a s , os E s t a d o s U n i d o s nesse s e n t i d o : o m u n d o m e n o s desenvolvido não se tor-
e o u t r a s potências r i c a s i n d u s t r i a i s do O c i d e n t e têm nará desenvolvido através d a b o a v o n t a d e o u generosi-
p e l a f r e n t e a possibilidade óbvia, n a s p a l a v r a s d a eco- dade d a s potências desenvolvidas. Só pode se desenvol-
n o m i s t a britânica Bárbara W a r d , de u m a espécie de ver através de u m a l u t a c o n t r a a s forças e x t e r n a s q u e
g u e r r a i n t e r n a c i o n a l de c l a s s e s " . tfim interesse i n v e s t i d o e m conservá-lo subdesen-
O que está f a l t a n d o são propostas p o s i t i v a s p a r a volvido.
e n f r e n t a r a situação. T u d o o que o correspondente do D e s s a s forças, o n e o c o l o n i a l i s m o é, neste estágio d a
The Wall Street Journal pode fazer é f r i s a r que os mé- história, o p r i n c i p a l .
todos t r a d i c i o n a i s recomendados p a r a c u r a r os m a l e s P r e t e n d o a n a l i s a r o neocolonialismo, p r i m e i r o , e x a -
p r o v a v e l m e n t e só s e r v i r i a m p a r a a g r a v a r a situação. m i n a n d o o estado do c o n t i n e n t e a f r i c a n o e d e m o n s t r a n -
Já f o i dito que a s nações desenvolvidas d e v e r i a m do como o neocolonialismo, n o m o m e n t o , o mantém
a s s i s t i r e f e t i v a m e n t e a s p a r t e s m a i s pobres do m u n d o a r t i f i c i a l m e n t e pobre. E m s e g u i d a , pretendo d e m o n s t r a r
e que o m u n d o i n t e i r o d e v i a ser t r a n s f o r m a d o e m u m como n a prática a U n i d a d e A f r i c a n a , que só pode, e m
Welfare State. P a r e c e h a v e r m u i t o p o u c a s p e r s p e c t i v a s , s i , ser c r i a d a p e l a d e r r o t a do neocolonialismo, p o d e r i a
no e n t a n t o , de que q u a l q u e r c o i s a d e s s a espécie possa elevar i m e n s a m e n t e os níveis de v i d a a f r i c a n o s . P a r t i n -
ser alcançada. Os c h a m a d o s p r o g r a m a s de " a j u d a " do desse início, pretendo e x a m i n a r o neocolonialismo
p a r a a u x i l i a r a s economias a t r a s a d a s r e p r e s e n t a m , se- em g e r a l , p r i m e i r o h i s t o r i c a m e n t e e depois através de
g u n d o u m a e s t i m a t i v a a p r o x i m a d a d a s Nações U n i d a s , u m a consideração dos g r a n d e s monopólios i n t e r n a c i o -
a p e n a s meio por cento d a r e n d a t o t a l d a s nações i n d u s - n a i s , c u j o contínuo e s t r a n g u l a m e n t o dos setores neoco-
t r i a i s . M a s , q u a n t o à p e r s p e c t i v a de i n c r e m e n t a r essa loniais do m u n d o a s s e g u r a m a continuação do s i s t e m a .
a j u d a , a disposição é p e s s i m i s t a :
" U m a a m p l a c o r r e n t e de p e n s a m e n t o a f i r m a que
os esquemas de r e p a r t i r a r i q u e z a são i d e a l i s t a s e p o u -
co práticos. E s s a c o r r e n t e a r g u m e n t a que o c l i m a , a
h a b i l i d a d e h u m a n a não desenvolvida, a f a l t a de r e c u r -
sos n a t u r a i s e outros fatôres — não a p e n a s a f a l t a de
d i n h e i r o — r e t a r d a m o progresso económico e m m u i t o s
desses países, e que a s nações não têm pessoal c o m o
t r e i n a m e n t o o u determinação p a r a u s a r e f e t i v a m e n t e
u m a a j u d a g r a n d e m e n t e e x p a n d i d a . O s e s q u e m a s de
r e p a r t i r a r i q u e z a , segundo esse ponto de v i s t a , equi-
v a l e r i a m a v e r t e r d i n h e i r o n u m poço s e m fundo, e n -
fraquecendo a s nações doadoras s e m c u r a r e f e t i v a m e n -
te os m a l e s d a s r e c e b e d o r a s " .
O a b s u r d o desse a r g u m e n t o é d e m o n s t r a d o pelo
fato de que c a d a u m a d a s razões c i t a d a s p a r a p r o v a r
por que a s p a r t e s m e n o s desenvolvidas do m u n d o não
1. Recursos d a África

A Á F R I C A É u m p a r a d o x o que i l u s t r a e coloca e m
evidência o colonialismo. S u a t e r r a é r i c a e n o e n t a n t o
os produtos que vêm do s e u solo e do s e u subsolo con-
t i n u a m a enr i quecer , não p r e d o m i n a n t e m e n t e os a f r i -
canos, m a s grupos e indivíduos que t r a b a l h a m p a r a o
empobrecimento d a África. C o m u m a população e s t i -
m a d a e m c e r c a de 280 milhões, p e r t o de oito por cento
d a população m u n d i a l , a África responde por dois por
cento, a p e n a s , d a produção t o t a l do m u n d o . No e n t a n -
to, m e s m o os a t u a i s l e v a n t a m e n t o s , m u i t o i n a d e q u a -
dos, dos r e c u r s o s n a t u r a i s d a África, m o s t r a m que o
c o n t i n e n t e t e m u m a r i q u e z a i m e n s a e não e x p l o r a d a .
Sabemos q u e a s r e s e r v a s de f e r r o são consideradas como
o duplo d a s d a América, e dois terços d a s d a União
Soviética, n a base de u m a e s t i m a t i v a de dois bilhões de
toneladas métricas. A s r e s e r v a s c a l c u l a d a s de carvão
são c o n s i d e r a d a s s u f i c i e n t e s p a r a d u r a r 300 a n o s . Novos
campos petrolíferos estão sendo descobertos e postos e m
produção por todo o c o n t i n e n t e . E n o e n t a n t o a p r o d u -
ção de minérios e m i n e r a i s primários, e m b o r a a p a r e n -
temente considerável, a p e n a s tocou de leve n o e x i s t e n t e .
A África p o s s u i m a i s de 40 por cento do p o t e n c i a l
de e n e r g i a elétrica m u n d i a l , h m a porção m a i o r do que
a de q u a l q u e r outro c o n t i n e n t e . N o e n t a n t o , m e n o s de

1
c i n c o p o r cento desse v o l u m e f o r a m u t i l i z a d o s . M e s m o
l e v a n d o e m c o n t a a s v a s t a s áreas desertas do S a a r a , h á No e n t a n t o , e m n e n h u m a d a s n o v a s nações a f r i c a -
is há u m a só indústria b a s e a d a e m q u a l q u e r u m dês-
a i n d a m a i s t e r r e n o arável e de p a s t a g e n s do que e x i s t e •es r e c u r s o s .
s e j a n o s E s t a d o s U n i d o s s e j a n a União Soviética. H á
m e s m o m a i s do q u e n a Ásia. Nossas áreas de florestas E m b o r a possuindo 53 dos m a i s i m p o r t a n t e s m i n e -
são d u a s vezes m a i o r e s do que a s dos E s t a d o s U n i d o s . rais e m e t a i s i n d u s t r i a i s básicos d o m u n d o , o c o n t i -
S e os múltiplos r e c u r s o s d a África fossem usados nente a f r i c a n o f i c a m u i t o atrás dos outros e m desen-
e m s e u próprio desenvolvimento, p o d e r i a m colocá-la volvimento i n d u s t r i a l . A f e r i d o s pelo v o l u m e de p r o d u -
e n t r e os c o n t i n e n t e s modernizados do m u n d o . M a s seus ção de matérias-primas e m relação à a t i v i d a d e eco-
r e c u r s o s t ê m sido e a i n d a estão sendo usados p a r a o nómica t o t a l , e m comparação c o m a nação de produção
m a i o r desenvolvimento de interesses d o u l t r a m a r . A mais avançada, os E s t a d o s U n i d o s , o s fatos p o d e m ser
África f o r n e c e u à Grã-Bretanha e m 1957 a s seguintes apreciados de u m r e l a n c e .
proporções de matérias-primas u t i l i z a d a s e m s u a s
indústrias:
minério de estanho e c o n c e n t r a d o s 19%
minério de ferro 29%
CO
manganês 80% O c
cobre 46% ç
| Nação 52
s
5 £ r\
bauxita 47% Anc t. B S 5 ,°
cu +-» *-
minério de cromo 50% e 3 c 2 *-
B o
amianto 66% § s S

cobalto 82% 3 o s o

antimônio 9 1 % _J
J o,
-1
Argélia | 1958 1
21 3 11 í 6 6 19 22 12
A importação francesa d e produtos africanos Congo ( L . ) 1958 26 16 12 6
inclui: 9 7 14 16
Quénia 1958 42 1 10
algodão 32% 4 1 9 13 10 11

|
1
minério de ferro 36% Marrocos 1958
1 1
34 6 1 18 4 15 10
minério d e z i n c o 51% 13
chumbo 85%
Nigéria 1956 63 1 2
+
11 1 4 6
fosfatos 100% Rodésia e
o N i a s a l â n d i a | 1958 20 | 14 11 8 9 10
À A l e m a n h a , a África forneceu: | 4 24
Tanganica J 1958
] 59 | 4 7 6 7
artigos de cobre i m p o r t a d o s 8% At . 1 l 5 1 7 t;
Afnca do S u l ] 958
minério de ferro 10% 12 | 13 2 5 8
1 12 1 10 20
minério de c h u m b o 12% E.U.A. 2 959 |
4 ! 1 30
minério de manganês 20% 5 8 n\ 13 2!2
minério de cromo 22%
1
L I
L L
fosforitos 7 1 %

3
Note-se q u e n o s E s t a d o s U n i d o s a a g r i c u l t u r a , a - . c e s s o de g a n h o s sobre a despesa, e m m u i t o s
silvicultura e a pesca representam meramente quatro I'HNO prova c o n c l u s i v a m e n t e , pelo s e u v o l u m e , q u e os
por cento d a a t i v i d a d e t o t a l n a c i o n a l e a mineração a • i i 1 1 1 • >. r e c e b i d o s p e l a mão-de-obra não c o n s t i t u e m ,
insignificância de u m por cento. P o r outro lado, indús- ili modo a l g u m , u m a proporção tão e x a g e r a d a q u a n t o
t r i a , m a n u f a t u r a e comércio r e p r e s e n t a m 47 p o r cento. 10 por cento do v a l o r produzido. A s somas considerá-
N a s nações a f r i c a n a s incluídas n o q u a d r o , que são, à <i pngiis, c m altos salários, ao pessoal europeu n a s
exceção d a Nigéria, a s de m a i o r e s c o m u n i d a d e s de colo- • il,r|'(irias e s p e c i a l i z a d a e a d m i n i s t r a t i v a , p a r t e d a s
nos e portanto a s m a i s exploradas, a a g r i c u l t u r a é pre- • i' i o . ('• devolvida aos seus próprios países, deve e m
d o m i n a n t e . A indústria, a m a n u f a t u r a e o comércio Itos casos e q u i v a l e r ao t o t a l recebido p e l a mão-de-
f i c a m m u i t o p a r a trás. M e s m o n o caso d a África do n l i i n a f r i c a n a , p a r a não f a l a r d a s g r a n d e s s o m a s que
S u l , o m a i s a l t a m e n t e i n d u s t r i a l i z a d o setor do c o n t i - n v o l t u n a m os r e n d i m e n t o s a n u a i s dos diretores ricos,
n e n t e a f r i c a n o , a contribuição d a a g r i c u l t u r a (12 por niidentes n a s cidades m e t r o p o l i t a n a s do Oeste.
c e n t o ) e d a mineração (13 por c e n t o ) são i g u a i s às d a E s s a suposição i g n o r a também o u t r o i m p o r t a n t e
indústria, m a n u f a t u r a e construção somadas. iil»), q u a l s e j a o de que os salários dos t r a b a l h a d o r e s
N o e n t a n t o , de u m modo g e r a l , a mineração de- luiçals, e m b o r a b a i x o s , são p a r c i a l m e n t e gastos e m
monstrou ser u m risco muito lucrativo p a r a o investi- produtos m a n u f a t u r a d o s n o e s t r a n g e i r o e i m p o r t a d o s ,
m e n t o de c a p i t a l e s t r a n g e i r o n a África. S e u s benefícios rH, Irando d a s nações p r o d u t o r a s de matérias-primas
p a r a os a f r i c a n o s de modo a l g u m f o r a m n a m e s m a es- n boa p a r t e dos salários dos t r a b a l h a d o r e s . E m m u i -
c a l a . A produção d a s m i n a s , e m d i v e r s a s nações a f r i c a - l,i w casos, os bens i m p o r t a d o s são pr o duto s d a s c o m p a -
n a s t e m u m v a l o r de m e n o s de dois dólares p o r cabeça • 111111; associadas aos grupos m i n e r a d o r e s . Freqúente-
d a população. C o m o diz Europe (France) Outremer, "é m, n i c são vendidos n o s próprios armazéns d a s c o m p a -
b e m certo que a produção m i n e i r a de u m o u dois dóla- n l i l n s , nos c e n t r o s m i n e r a d o r e s , o u pelos seus agentes,
res p o r h a b i t a n t e não pode a f e t a r a p r e c i a v e l m e n t e o i o s Trabalhadores têm que p a g a r o preço f i x a d o pel as
nível de v i d a de u m a nação". A f i r m a n d o c o r r e t a m e n t e i onípanhias.
que " n a s z o n a s de exploração a indústria de mineração A pobreza do povo d a África é d e m o n s t r a d a pelo
i n t r o d u z i u u m nível de v i d a m a i s a l t o " , o j o r n a l é for- niiples fato de que s u a r e n d a per capita está e n t r e a s
çado à conclusão de que a s explorações m i n e i r a s são, I H o s b a i x a s do m u n d o . ( V . Q u a d r o à pág. 6.)
no entanto, ilhas relativamente privilegiadas em u m a E m a l g u n s países, Gabão e Zâmbia, p o r exemplo,
e c o n o m i a t o t a l m u i t o pobre. ité a m e t a d e do produto doméstico é p a g a a e x p a t r i a -
O m o t i v o disso se vê n a ausência de indústria e dos residentes e f i r m a s do além-mar que p o s s u e m a s
m a n u f a t u r a , devido a o fato de que a produção m i n e i r a plantações e a s m i n a s . N a Guiné de S a o , A n g o l a , Líbia,
é d e s t i n a d a f u n d a m e n t a l m e n t e à exportação, p r i n c i p a l - Suazilândia, África S u l - O c i d e n t a l e Z i m b a b w e (Rodé-
m e n t e e m f o r m a primária. V a i a l i m e n t a r a s indústrias l l a ) , os l u c r o s d a s f i r m a s e s t r a n g e i r a s e os r e n d i m e n -
e fábricas d a E u r o p a e d a América, empobrecendo a s tos de colonos o u e x p a t r i a d o s excedem de u m terço do
nações de o r i g e m . produto doméstico. A Argélia, Congo e Quénia e s t a v a m
nesse g r u p o a n t e s d a independência.
Europe (France) Outremer n o t a , também, q u e
c e r c a de 50 p o r c e n t o d a produção d a s m i n a s d a África A o alcançar a independência, p r a t i c a m e n t e todas
p e r m a n e c e m n o país de origem, sob a f o r m a de salá- a.H n o v a s nações a f r i c a n a s d e s e n v o l v e r a m p l a n o s p a r a
rios. M e s m o o r e l a n c e m a i s s u p e r f i c i a l aos balanços a Industrialização e c r e s c i m e n t o económico, a f i m de
anuais das companhias mineradoras refuta essa afirma- a u m e n t a r a capacidade de produção e conseqúente-

4 5
este vasto e c o m p a c t o c o n t i n e n t e t r o u x e l u c r o s fabulo-
m e n t e elevar o nível de v i d a dos s e u s povos. M a s e n - sos ao c a p i t a l i s m o o c i d e n t a l , p r i m e i r o através do co-
q u a n t o a África c o n t i n u a r d i v i d i d a , o progresso terá mércio do s e u povo e depois através d a exploração c a -
que s e r p e n o s a m e n t e l e n t o . O desenvolvimento econó- p i t a l i s t a . E s t e e n r i q u e c i m e n t o de u m l ado do m u n d o
m i c o depende não a p e n a s d a existência de r e c u r s o s n a - pela exploração do outro d e i x o u a e c o n o m i a a f r i c a n a
t u r a i s e d o t a m a n h o e população de u m país, m a s do sem meios p a r a se i n d u s t r i a l i z a r . À época e m que a E u -
t a m a n h o económico, q u e l e v a e m c o n t a t a n t o a p o p u - ropa i n g r e s s o u n a s u a revolução i n d u s t r i a l , h a v i a u m a
lação como a r e n d a per capita. E m muitos Estados diferença c o n s i d e r a v e l m e n t e m e n o r , n o desenvolvimen-
a f r i c a n o s , a população e a produção per capita são e x - to, e n t r e os c o n t i n e n t e s . M a s a c a d a passo d a evolução
t r e m a m e n t e pequenas, d a nd o u m a u n i d a d e económica dos métodos de produção e dos l u c r o s crescentes, t i r a -
que n ã o é m a i o r do q u e u m a f i r m a de t a m a n h o médio dos do i n v e s t i m e n t o c a d a vez m a i s a s t u t o e m equipa-
de u m a nação c a p i t a l i s t a o c i d e n t a l , o u do q u e u m a mento m a n u f a t u r e i r o e produção de m e t a i s básicos,'a
única e m p r e s a e s t a t a l de u m a e c o n o m i a s o c i a l i s t a b r e c h a m a i s velozmente se a l a r g a v a .
europeia. O Relatório d a Comissão Económica d a s Nações
R E N D A PER CAPITA E M D Ó L A R E S , 1960-63 Unidas p a r a a África, publicado e m dezembro de 1962
RENE A f£-ti •ob o título de Crescimento Industrial na África, dey-
Mais Olnrou que a b r e c h a e n t r e " o s c o n t i n e n t e s separados
Í26 £1 200 ;\00 a 250 de 400
81 a 125 pelo Mediterrâneo" se a l a r g o u m a i s d u r a n t e o Século
Abaixo J _
de 80 j Vinte do que j a m a i s a c o n t e c e r a a n t e s . É v e r d a d e que
rgélia Ja f r i c a do
I i"ndução per capita a u m e n t o u n a África, p a r t i c u l a r -
Libéria A

Basuto- 1ngola lábia c


osta do ijlll I M I n i ( > nas d u a s últimas décadas, e m que h o u v e u m a
lândia pnública Affr. T. $ í YV1
Mariinx
B
rins f í a - Suazi- i Irvaçfto de c e r c a de dez a v i n t e por cento. Já b e m
Bechua- lândia - 3-abão
nalândia Tunísia
{

. jí a n a
ii n i i i t e , a s nações i n d u s t r i a i s alcançaram u m avanço
Burundi J; o n g o Kij.j ] touritius P#l capita, n o m e s m o período, de 60 por cento e s u a
Chad )i n í n ó 1í e n e g a l i'indução i n d u s t r i a l per capita pode ser e s t i m a d a em
C o n g o ( B . ) ' -\ _ A"v\ o i\ i n c a o u i nlc 2í> vezes m a i o r do que a a f r i c a n a , e m c o n j u n t o . A
Daomé ^uenia Ocidental
• nça p a r a a m a i o r p a r t e d a África, n o e n t a n t o , é
1

Etiópia República
1 Zâmbia
Guiné A/Ta i a a x e Rodésia i mais nítida, u m a vez que a indústria neste c o n -
de S a o IVLauriba-uA"' (Zimba- l l i i e n l e tende a se c o n c e n t r a r e m pequenas áreas do
Malavi S e r r a J_IC<J<* bwe) Norte e do S u l . T J m a transformação r e a l d a e c o n o m i a
Nigéria OUUClw
• •li ira n a s i g n i f i c a r i a não a p e n a s d u p l i c a r a produção
Níger TnffO
Ruanda
Rpnública i n i H o l a m a s a u m e n t a r c e r c a de 25 vezes a produção
ár U n i d a
Somália I n d u s t r i a l . O Relatório e v i d e n c i a que a indústria, e não
Tanganica - I A g r i c u l t u r a , c o n s t i t u i o meio pelo q u a l é possível a
Zanzibar melhoria rápida dos níveis de v i d a n a África.

I
Uganda
República Há, no e n t a n t o , especialistas e apologistas do i m p e -
do V o l t a 1 iinli I M O que e x o r t a m a s nações menos desenvolvidas a
* i-iiiuentrarem n a agricultura e deixarem a industria-
ii i ' u o p a r a u m a época f u t u r a , q u a n d o s u a s p o p u l a -
i,iie.'i estiverem b e m a l i m e n t a d a s . O desenvolvimento

7
6
M I idas cujos resultados f i c a r a m aquém d a e: .
económico m u n d i a l , porém, d e m o n s t r a que só c o m a
i mto n a Rússia como n a C h i n a " (The Times, P
industrialização avançada t e m sido possível elevar o
x ectatlva

nível n u t r i c i o n a l do povo, através d a elevação dos seus IN i nbro de 1962). O a u t o r não parece t e r c 3 °~ 0 d e n

níveis de r e n d i m e n t o s . A a g r i c u l t u r a é i m p o r t a n t e por n:i trabalhadores do açúcar n a G u i a n a Britê ? o n v e n c i d

i i I H ponto discutível se êle c o n s e g u i u conv ,


m u i t o s motivos e os governos de países a f r i c a n o s preo- Lmca e e

cupados c o m elevar os níveis de seus povos estão de- benefícios d a s u a filosofia de a g r i c u l t u r a " c 'dos e n c e i

v o t a n d o m a i o r e s i n v e s t i m e n t o s à a g r i c u l t u r a . M a s mes- Hailc dc movimentação" os t r a b a l h a d o r e s de ; o " m l l D e r

m o p a r a fazer c o m que a a g r i c u l t u r a p r o d u z a m a i s , é panhius n a Niasalândia, Rodésia e África do " s °^ ' a s m

necessária a a j u d a d a produção i n d u s t r i a l ; e o m u n d o os defensores científicos do esquema in . rr . " e s

subdesenvolvido não pode f i c a r e t e r n a m e n t e colocado têm ciência d a s f a l h a s e m s u a s d i r e t i v a s , m £ nP . e r i a l l s t a

à mercê dos m a i s i n d u s t r i a l i z a d o s . E s s a dependência aumente a t r i b u e m a ambições políticas e não ? 1! ?" a s t u c l

forçosamente d i m i n u i a razão de c r e s c i m e n t o d a n o s s a iladr económica e so ci al a ênfase que os país a^ " n e c e s l

a g r i c u l t u r a e a t o r n a subserviente às exigências dos •envolvimento dão à industrialização. U m r e f .


e s e m

produtores i n d u s t r i a i s . É por isso que não podemos te europeu d a U n i v e r s i d a d e de M a l a i a , S r . D . P ^ ^ - r s n t a n

a c e i t a r afirmações tão r a d i c a i s como a s que fêz o P r o - falando d u r a n t e a reunião d a Conferência ( , • r ,J. ' e r

fessor Leopold G . S c h e i d l , d a E s c o l a de E c o n o m i a de i n i e r n a c i o n a l a que foi f e i t a u m a r e f e r ê n c i s . G e o g r a l c a

V i e n a , e m recente reunião do Congresso Geográfico di:;:;e que " u m a u m e n t o d a eficiência das tf 3- tenoi\ a n

I n t e r n a c i o n a l , e m L o n d r e s . C o m e n t o u o Professor indústrias e x p o r t a d o r a s n a s nações subdes *°í\s l c

S c h e i d l : " O s povos das nações e m desenvolvimento p a - era u m a m e d i d a óbvia, m a s p o l i t i c a m e n t e p è e n v o l v l d a s

r e c e m p e n s a r que t u d o o que l h e s é necessário p a r a se ente. S u g e r i u então c o n t i n u a r a c e i t a n d o a a í ? l 0 l 0 a

t o r n a r e m tão r i c o s q u a n t o o Ocidente é c o n s t r u i r fá- imiiiia c o l o n i a l . . . O i n d u s t r i a l i s m o e r a u m a ?°"


m t l g a e

b r i c a s . A m a i o r i a dos peritos c o n c o r d a e m que é m a i s legral do m o v i m e n t o n a c i o n a l i s t a . S u a inspií: P 5 ?~ a t e 1

sábio e m u i t o m a i s promissor desenvolver a a g r i c u l t u r a n a económica, m a s política, e os r e s u l t a d o : ° i r a ç a n a o

p a r a que a t i n j a a auto-suficiência e e m s e g u i d a o nível 11 'i | Cientemente e r a m m a i s i m p o r t a n t e s do } políticos


1 s

de u m a e c o n o m i a de m e r c a d o " (The Times, 24 de j u l h o eleneia económica, n a locação de u m a indúst/ ? 1 " 6 a e f l

de 1 9 6 4 ) . E s s a l i n h a de p e ns a m e nt o liga-se d i r e t a m e n t e t n a nova'.
à do presidente de B o o k e r B r o t h e r s , Sir J o c k C a m p b e l l , O a u m e n t o de eficiência a d m i n i s t r a t i v a
c u j a associação de c o m p a n h i a s está a t a r e f a d a mono- Qlo de matérias-primas e o aperfeiçoamento n P a " r o f l u

polizando a indústria de açúcar e subprodutos de açú- em rentes de m e r c a d o r e p r e s e n t a m u m l u c r o ]' P a r e c o s

c a r n a G u i a n a Britânica, a navegação e o comércio n o s perlalismo e u m a p e r d a p a r a nós. I s s o foi b e °, "


p a r a i m

Caraíbas e África O r i e n t a l e p e n e t r a a g o r a no Oeste do i Ido por u m per so nagem d a c a t e g o r i a do p r e . , . ,


c o n t i n e n t e a f r i c a n o . Sir J o c k C a m p b e l l a f i r m o u no dis- Manco de L o n d r e s e América do S u l , Sir G e o i £., .
e s e

c u r s o a n u a l do Escritório A f r i c a n o e m L o n d r e s , n o d i a Ente foi citado, n o The Financial Times de 6 Í r g e B l l t o n

29 de novembro de 1962 que " a a g r i c u l t u r a é a base do de 1964, como estando certo de h a v e r u m au? março
desenvolvimento d a África e que a s plantações são u m preços das u t i l i d a d e s , que t e r i a considerável j ^ . ° ° m n s

método efetivo de a u m e n t a r o p o t e n c i a l económico". bre o câmbio. E m benefício de q u e m ? Sir gÍ, ~


E Í E I T O SO

Sir J o c k C a m p b e l l c o m e n t o u que " e n q u a n t o a a g r i c u l - i i " r a resposta. " D e v e fortalecer a s moedas ( ^ , g e o r e f o r _

t u r a i n d u s t r i a l i z a d a empregar h o m e n s c o m liberdade ii niira e s t e r l i n a e o dólar", a f i r m o u . P o r q u , ' r e s e r v a

de movimentação, é preferível, e m t e r m o s t a n t o de efi- laudo presos a essas moedas "os p r o d u t o r e s ^ ue Jú P o r < e

ciência como de liberdade, às f a z e n d a s coletivas c o m u - i n p r i m a estarão a c u m u l a n d o s u a s sobras r s -d e m a t e

r i u dólares e l i b r a s " . Isso parece ser não m e r e m s a l d o s

mos do que
8 9
a confissão d i r e t a do grande interesse do m u n d o b a n - e meio milhões de l i b r a s . No a n o de 1964/65, c o m u m a
cário e f i n a n c e i r o n a exploração d a s nações e m desen- s a f r a e s t i m a d a e m 590 m i l toneladas, a e s t i m a t i v a de
v o l v i m e n t o . É i n t e r e s s a n t e , p o r t a n t o , n o t a r que os agen- recebimento do e x t e r i o r é de c e r c a de 77 milhões. A
tes de transferência do B a n c o e m L o n d r e s são P a t i n o Nigéria a t r a v e s s o u u m a experiência s e m e l h a n t e . E m
M i n e s & E n t e r p r i s e s Consolidated, a associação de f i r - 1954/55 p r o d u z i u 89 m i l t o n e l a d a s de f r u t o s e recebeu
m a s , c o n t r o l a d a por n o r t e - a m e r i c a n o s , que opera m i n a s pela s a f r a 39 milhões e 250 m i l l i b r a s . E m 1965, esti-
n a América L a t i n a e no Canadá, i n t i m a m e n t e a s s o c i a d a ma-se que a Nigéria produzirá 310 m i l toneladas e pro-
c o m os grupos dedicados a e x p l o r a r os r e c u r s o s n a t u r a i s v a v e l m e n t e receberá por isso c e r c a de 40 milhões. E m
d a África. o u t r a s p a l a v r a s , G a n a e Nigéria t r i p l i c a r a m s u a pro-
dução desse d e t e r m i n a d o produto agrícola, m a s os r e -
Não somos, c e r t a m e n t e , c o n t r a o m e r c a d o e o co-
cebimentos b r u t o s obtidos dele caíram de 125 milhões
mércio. P e l o contrário, somos a f a v o r do a l a r g a m e n t o
de l i b r a s p a r a 117 milhões.
de nossas possibilidades nessas esferas e estamos con-
vencidos de que seremos capazes de a j u s t a r a balança
a nosso favor, s i m p l e s m e n t e desenvolvendo u m a a g r i - PRODUÇÃO DE CACAU
c u l t u r a a d e q u a d a às nossas necessidades e apoiando-a
c o m u m a industrialização r a p i d a m e n t e crescente que
Toneladas longas índex
romperá o padrão neocolonialista a t u a l m e n t e e m vigor. 1949/50 = 100
U m c o n t i n e n t e como a África, por m a i s que a u -
m e n t e s u a produção agrícola, não lucrará c o m isso a não
Gana Nigéria Gana Nigéria
ser que esteja p o l i t i c a m e n t e e e c o n o m i c a m e n t e u n i d o
p a r a forçar o m u n d o desenvolvido a p a g a r u m preço
j u s t o pelas s u a s colheitas p r i m o r d i a i s . 1949 / 50 248 000 99 000 100 100 1950
1950/51 262 000 110 000 106 111 1951
T a n t o G a n a como a Nigéria, por exemplo, desen- 000 108 000 85 109 1952
1951 / 52 211
v o l v e r a m e n o r m e m e n t e s u a produção de c a c a u n o pe- 1952 / 53 247 000 109 000 100 110 1953
ríodo de independência do pós-guerra, como d e m o n s t r a 1963/54 211 000 97 000 85 98 1954
o Q u a d r o à pág. 1 1 . 1054, / 55 220 000 89 000 89 90 1955
1955/56 237 000 114 000 96 155 1956
E s s e r e s u l t a d o não foi a t i n g i d o por acaso. É conse- 106 136 1957
1956 / 57 264 000 135 000
quência de inversões i n t e r n a s elevadas, n o controle d a 1957/58 207 000 81 000 83 82 1958
doença e d a s pestes, n o subsídio a i n s e t i c i d a s e máqui- 1958 / 59 255 000 140 000 103 141 1959
n a s p u l v e r i z a d o r a s fornecidas aos fazendeiros e n a i m - 1959 / 60 317 000 155 000 128 157 1960
1960 / 61 432 000 195 000 174 197 1961
portação de sementes de novas v a rie d a d e s do c a c a u que 1962
/ 62 410 000 191 000 165 193
são resistentes às doenças endémicas contraídas pelos 1962 / 63 422 000 176 000 170 170 1963
antigos c a c a u e i r o s . P o r meios como esses, a África, e m nu;:!/64 421 000 217 000 170 219 1964
seu c o n j u n t o , a u m e n t o u g r a n d e m e n t e a produção de L964 / 65 590 000 310 000 233 313 1965
c a c a u , e n q u a n t o a d a América L a t i n a p e r m a n e c i a es- ((\stimativa)
tacionária.
Que v a n t a g e m Nigéria e G a n a t i v e r a m desse estu-
pendo a u m e n t o de produtividade agrícola? E m 1954/55, U m estudo detalhado de produção e preço m o s t r a
quando a produção de G a n a e r a de 210 m i l toneladas, que é o país desenvolvido c o n s u m i d o r que t i r a a v a n t a -
ó r e n d i m e n t o obtido c o m s u a s a f r a de c a c a u foi de 85 gem do a u m e n t o d a produção do menos desenvolvido.

10
* 4. :onstrução.
E n q u a n t o os produtores agrícolas a f r i c a n o s e s t i v e r e m mudas, i g u a l a a d a i n d u s t r i a , m a n u f a t u r a e l m . e n t e r e

desunidos, serão i n c a p a z e s de c o n t r o l a r o preços dos A economia d a África do S u l é consideràv m o m a s

seus produtos primários no mercado. iMi.ada p e l a exportação do produto de s u a £ 'to-


3 r t a 0

Como d e m o n s t r o u a Aliança dos P r o d u t o r e s de C a - niiio c o n t r i b u i c o m até 70 por cento d a e x a p nte a a r e

c a u , q u a l q u e r organização que esteja baseada n u m l a i , o que t o r n a a economia, apesar de s i ^


f o r t e r n e n e

mero acordo c o m e r c i a l e n t r e produtores primários é prosperidade e do i n v e s t i m e n t o e s t r a n g e i r o q to a u a n

i n s u f i c i e n t e p£tf . g a r a n t i r u m preço m u n d i a l j u s t o . I s s o
a
crescente, b a s i c a m e n t e quase tão i n s e g u r a ^ e t e N a 0

só pode ser o b t q u a n d o o poder u n i f i c a d o das nações


i d o
das nações menos desenvolvidas do c o n t i i ti ado-
& s a V

p r o d u t o r a s é controlado por u m a orientação c o m u m , (ib:;l,antc todas as s u a s indústrias s e c u n d á r , _ o d u ç a o m i

política e económica, e t e m por trás de s i os recursos m s , s u a m a n u f a t u r a de produtos químicos, p d Q g u l n a 0

f i n a n c e i r o s u n i ° s dos E s t a d o s interessados.
d
hl a r , fabricação de aço, e do resto, a Á f r i c a ^ ^ . i n a u s

Enquanto a A f r i c a c o n t i n u a r d i v i d i d a , serão por- conseguiu até agora c r i a r a base de u m a s o i T r a n s v a a

t a n t o a s r i c a s nações c o n s u m i d o r a s que vão d i t a r o trlalização. G . E . M e n e l l , presidente d a A n g l t r o l a o u r 0 (

preço das colheitas e de exportação. A i n d a a s s i m , mes- Consolidated I n v e s t i m e n t C o m p a n y , que c o m t Q i - r e v e a

mo que a ÁfrJc pudesse d i t a r o preço de s u a s colhei-


a
d l a m a n t e s e urânio, fêz u m a declaração n o r Q -^953 d e

tas n o m e r c a d ' isso P


0 s i só não c r i a r i a o equilíbrio
o r
d o r a no s e u discurso a n u a l de 6 de dezem çn at a 0 e s a

económico necessário ao desenvolvimento. A solução a assembleia de acionistas. " A economia d a sgo-


u e s e e

t e m que ser a industrialização. haseada, n u m g r a u s i g n i f i c a t i v o , e m bens £ g s t a d o L i -


l a m — a s m i n a s de ouro do T r a n s v a a l e d i j a i v e z m a S

O c o n t i n e n a f r i c a n o , n o e n t a n t o , não pode espe-


t e
vii' de O r a n g e . C e r t i f i c a m o - n o s disso, c a i e i _
n o v a s m

r a r se i n d u s t r i a l i z a r efetivamente ao acaso, no s i s t e m a c l a r a m e n t e , n o s últimos anos, à m e d i d a q v 4 q iq erm u a U

laissez-faire d a E u r o p a . E m p r i m e i r o l u g a r , há o fator
nas se a p r o x i m a m do f i n a l de s u a s v i d a s s i " p ^csa e s a r
tempo. E m segundo, os métodos socializados de produ-
s i n a l de novos campos auríferos grandes, i a q i ." p e s U s a
ção e t r e m e n d i n v e s t i m e n t o s h u m a n o s e de c a p i t a i s
muitos milhões que estão sendo aplicados n Q p .
o s
d S u l r o
implicados exigem o p l a n e j a m e n t o coeso e integrado. A
O i n v e s t i m e n t o n a economia d a África a q Q u a l o s
África precisará t r a z e r e m s u a a j u d a todo o s e u enge-
vém p r i n c i p a l m e n t e de c a p i t a l ocidental, „ i i nte
a S U I c e
n h o e t a l e n t o latentes, a f i m de e n f r e n t a r o desafio que
meios f i n a n c e i r o s locais, que não têm fortemente
a independência e a s exigências de m e l h o r e s condições
p a r a se m a n t e r e m por s i mesmos, estão f c _
de v i d a p a r a seus povos e r g u e r a m . O desafio não pode
Q d o q u e e m

gados. L u c r o s rápidos são i n c e n t i v o , de mi^ p - para


ser enfrentado aos pedaços, m a s somente através d a
e r í P 0

mobilização total dos r e c u r s o s do c o n t i n e n t e d e n t r o do bora o presidente d a A n g l o - T r a n s v a a l v e j a poder


quadro de planejamento e desdobramento socialistas a economia, a i n d a a s s i m ficou s a t i s f e i t o ^ \. a d o s

"compreensivos. a n u n c i a r que e m 1963 f o r a m o u t r a vez a i


cios sem precedentes.
Já chamamos atenção p a r a o fato de que n o s
a

países que têm 0 m a i o r número de colonos estrangei-


ros — e o n s e < l m e n t e os m a i s explorados até o , ,.inado aos i n -
n_
C a e n t e
O c o n j u n t o d a economia esta s u b o r d i ^ ^ A s es
presente, n a A f r i c a— Argélia, Congo, Quénia, M a r r o -
cos, Rodésia, Malawi, A f r i c a do S u l , T a n g a n i c a , a a g r i - terêsses do c a p i t a l estrangeiro que a dom, iorjia d a m a

c u l t u r a é predominante. No caso d a África do S u l , a m a t i v a s bancárias s u l - a f r i c a n a s , como a s a sban- c a s a s

área m a i s úXttf&^te desenvolvida do c o n t i n e n t e a f r i - dos outros E s t a d o s a f r i c a n o s , são r a m o s ds (j .


d Q S u l e 0

cano, a contribuição d a a g r i c u l t u r a e d a mineração, so- c a r i a s e f i n a n c e i r a s do Ocidente. A África


13
12
m i n a d a peio monopólio o c i d e n t a l a i n d a m a i s do que A r e f i n a r i a e m construção e m P o r t H a r c o u r t é de
q u a l q u e r outro setor do continente, porque os i n v e s t i - propriedade d a S h e l l - B P ; o conduto de gás n a t u r a l é de
m e n t o s são m u i t a s vezes m a i o r e s e a dependência do propriedade de S h e l l - B a r c l a y s D . C . & O. A r e f i n a r i a
ouro e outros produtos de mineração como c e n t r o d a deverá processar a p e n a s dez por cento d a produção de
e c o n o m i a l i g a - a f i r m e m e n t e às engrenagens desse mo- óleo c r u d a Nigéria e seus produtos servirão a p e n a s ao
nopólio. S u a v u l n e r a b i l i d a d e é a g r a v a d a pelo fato de m e r c a d o i n t e r n o n i g e r i a n o . E s s e a r r a n j o p e r m i t e não
ser u m fornecedor de matérias-primas e produtos s e m i - p e r t u r b a r a s operações f o r a d a Nigéria e n q u a n t o obtém
acabados às fábricas do Ocidente e m m a i o r e s c a l a do s u p e r l u c r o s n a s operações n i g e r i a n a s .
que o r e s t a n t e d a África, obtendo m a i o r e s l u c r o s p a r a D e u m modo g e r a l , a p e s a r dos custos de prospec-
seus f i n a n c i a d o r e s . ção, que são de q u a l q u e r m a n e i r a descontados n o i m -
A Nigéria r e v e l a , e m a l g u m a s c i f r a s f u n d a m e n t a i s , posto e m u i t a s vezes cobertos por l u c r o s e v e n t u a i s , a
u m a história d i v e r s a de d e s a j u s t a m e n t o económico. E m mineração d e m o n s t r o u ser u m a a v e n t u r a m u i t o l u c r a -
1960, a a g r i c u l t u r a , s i l v i c u l t u r a e pesca r e s p o n d i a m por t i v a p a r a o i n v e s t i m e n t o de c a p i t a l e s t r a n g e i r o n a
63 por cento d a atividade económica, e a mineração por África. S e u s benefícios p a r a os a f r i c a n o s , por outro
u m por cento. O desequilíbrio é ressaltado pelo índice lado, apesar de toda a frívola c o n v e r s a e m contrário,
e x t r e m a m e n t e b a i x o de dois por cento p a r a a indústria f o r a m desprezíveis.
e m a n u f a t u r a , e l i m i n a n d o de imediato q u a l q u e r c o m p a - I s s o se e x p l i c a p e l a ausência de indústria e m a n u -
ração c o m a contribuição de u m por cento d a mineração f a t u r a baseadas n a utilização de r e c u r s o s n a t u r a i s do-
e de q u a t r o por cento d a a g r i c u l t u r a p a r a o produto mésticos, e do comércio que a s a c o m p a n h a . P o i s a pro-
económico t o t a l dos E s t a d o s U n i d o s . No caso dos Esta^- dução d a mineração é d e s t i n a d a , p r i n c i p a l m e n t e , à ex-
dos U n i d o s , e s s a proporção b a i x a s u s t e n t a u m a v a s t a portação e m s u a f o r m a primária. C e r t a s exceções a
s u p e r e s t r u t u r a de indústria e m a n u f a t u r a . N a Nigéria, essa generalização podem ser e n c o n t r a d a s n a África do
r e v e l a s i m p l e s m e n t e u m desprezo t o t a l , sob o colonialis- S u l , Zâmbia e Congo. U m pouco de conversão t e m ocor-
mo, d a s potencialidades n i g e r i a n a s . A razão p a r a isso r i d o também e m países como Marrocos, Argélia, Mo-
não está n o fato de que a Nigéria esteja desprovida de çambique. O cobre d a África do S u l é exportado e m
recursos i n d u s t r i a i s n a t u r a i s , como c o n f i r m a m a s r e c e n - f o r m a de m e t a l e pequena p a r t e do s e u ferro é enviado
tes descobertas de petróleo e ferro. Está e m que a a g r i - ao e x t e r i o r e m lingotes. O ouro é refinado. A não ser
c u l t u r a n a Nigéria a c a r r e t a v a m a i o r l u c r o ao i n v e s t i - por essas exceções, a m a i o r i a dos m i n e r a i s exportados
é e m b a r c a d a d a África e m s e u estado primário. Vão
m e n t o europeu do que os riscos a c a r r e t a d o s pelos m a i o -
a l i m e n t a r a s indústrias e fábricas d a E u r o p a , América
res f o r n e c i m e n t o s de c a p i t a l exigidos p e l a prospecção e
e Japão. O minério que deverá ser produzido n a S u a -
exploração d a s m i n a s .
zilândia p e l a S w a z i l a n d I r o n O r e D e v e l o p m e n t Corpo-
E m 1962, o petróleo e os produtos de petróleo con- r a t i o n (propriedade c o n j u n t a d a A n g l o - A m e r i c a n Cor-
tribuíram c o m 9,9 por cento p a r a a s exportações d a p o r a t i o n e do poderoso grupo britânico do aço, G u e s t
Nigéria, m a s é a S h e l l - B P que espera colher a m a i o r K e e n & Nettlefolds) irá p a r a u m grupo japonês do aço,
p a r t e dos benefícios. O grosso dessa exportação foi e m à razão de u m milhão e 200 m i l toneladas a n u a i s .
óleo c r u , m a i s de três milhões de toneladas. A c o m p a - Q u a n d o a s nações de o r i gem são obrigadas a c o m
n h i a estabeleceu u m a m e t a de exportação de cinco m i - p r a r de v o l t a seus m i n e r a i s e o u t r a s matérias-primas
lhões de toneladas p a r a 1965. A s r e f i n a r i a s f i c a m n a sob a f o r m a de produtos acabados, fazem-no a preços
E u r o p a , não n a Nigéria. b r u t a l m e n t e elevados. U m anúncio d a G e n e r a l E l e c t r i c ,

li 15
publicado n o número de março-abril de 1962 de Modem
Government, i n f o r m a - n o s que " d o coração d a África
p a r a os fornos d a s fundições de aço m u n d i a i s v e m m i -
nério p a r a u m aço m a i s forte, m e l h o r — aço p a r a cons-
trução, máquinas e m a i s t r i l h o s " . C o m esse aço d a Áfri-
c a , a G e n e r a l E l e c t r i c fornece o t r a n s p o r t e p a r a trazer
outros m i n e r a i s valiosos p a r a s e u próprio uso e o de
outros grandes exploradores i m p e r i a l i s t a s . E m verboso
fraseado, o m e s m o anúncio descreve como " n o fundo
d a s e l v a t r o p i c a l d a África C e n t r a l f i c a u m dos m a i s
ricos depósitos de minério de manganês". M a s será 2. Obstáculos ao
p a r a a s necessidades d a África? A b s o l u t a m e n t e . O lo-
c a l , que está "sendo aberto pelo grupo francês, C o m - progresso económico
pagnie Minière de 1'Ogooue, f i c a no R i o Ogooue, n a R e -
pública do Gabão. Depois de ser r e t i r a d o , o minério
será i n i c i a l m e n t e t r a n s p o r t a d o e m vagonetes suspensos
d u r a n t e 80 quilómetros. Depois será t r a n s f e r i d o a va^
gões de minério e p u x a d o d u r a n t e 500 quilómetros por
locomotivas diesel, até o porto de P o i n t Noire, onde será
embarcado p a r a a s u s i n a s de aço do m u n d o " . A expres- FALANDO SOBRE a África O c i d e n t a l , e m 1962, a Co-
são "do m u n d o " deve ser l i d a como dos E s t a d o s U n i - missão Económica d a s Nações U n i d a s p a r a a África
dos, p r i m e i r o , e d a França, e m segundo. ressaltou :
Exploração desse tipo só é possível por c a u s a da " P o u c a s o u t r a s regiões do m u n d o m o s t r a m u m a t a l
balcanização do c o n t i n e n t e a f r i c a n o . Balcanização é multidão de E s t a d o s r e l a t i v a m e n t e pequenos, do ponto
u m i m p o r t a n t e i n s t r u m e n t o do neocolonialismo e é ne- de v i s t a de produção e população. A única região s i m i l a r
c e s s a r i a m e n t e e n c o n t r a d a onde quer que o neocolonia- d a m e s m a importância é a América C e n t r a l " .
lismo seja praticado. A África O c i d e n t a l está de fato d i v i d i d a e m 19 E s -
tados diferentes, independentes, e i n c l u i dois enclaves
coloniais possuídos por E s p a n h a e P o r t u g a l . A p o p u l a -
ção d a área é a p r o x i m a d a m e n t e u m terço d a popula-
ção t o t a l d a África, m a s a população média dos países
independentes, à exclusão d a Nigéria, é de c e r c a de dois
a três milhões de h a b i t a n t e s . É engano, n o e n t a n t o ,
c o n s i d e r a r m e s m o a Nigéria como u m a exceção à polí-
t i c a de balcanização p r a t i c a d a pelos senhores coloniais.
A constituição i m p o s t a à Nigéria q u a n d o d a indepen-
dência d i v i d i a o país e m três regiões (que depois pas-
s a r a m a q u a t r o ) f r o u x a m e n t e l i g a d a s e m base federa-
t i v a m a s c o m s u f i c i e n t e s poderes reservados às regiões
p a r a poderem a r r u i n a r q u a l q u e r p l a n e j a m e n t o econó-
m i c o e m c o n j u n t o . S e os outros E s t a d o s d a África são
16 17
exemplos de balcanização política, a Nigéria é u m e x e m - s u s t e n t a r e m , através de u m a redistribuição de s u a s r e n -
plo de balcanização económica. G a n a , c o m u m a popu- das; S e n g h o r , p a r t i c u l a r m e n t e , a c u s o u c o m a m a r g u r a
lação de m a i s de sete milhões, só escapou a u m destino a França de " b a l c a n i z a r " a África n a Loi-Cadre... Com
semelhante por c a u s a d a resistência oposta pelo G o - a e s c o l h a de t a l modo predisposta, somente a Guiné
verno do P a r t i d o P o p u l a r d a Convenção ao p l a n o b r i - votou c o n t r a a Constituição; todas a s d e m a i s t o r n a r a m -
tânico de c r i a r não m e n o s do que cinco regiões, a l g u - se repúblicas autónomas, m e m b r o s d a C o m u n i d a d e
m a s com população i n f e r i o r a u m milhão, m a s todas Franco-Africana."
possuindo s ufi c i e n t e s poderes p a r a d e r r o t a r u m p l a n e -
jamento centralizado. T e m e n d o que o exemplo d a Guiné pudesse ser se-
Quénia, que também foi forçada a a c e i t a r u m tipo guido por outros E s t a d o s que h a v i a m decidido se u n i r
s i m i l a r de constituição, q u a n d o d a independência, ape- à C o m u n i d a d e , o G o v e r n o francês r e t i r o u do território
n a s recentemente c o n s e g u i u i n s t i t u i r u m regime u n i - tudo o que tivesse v a l o r . A d m i n i s t r a d o r e s e professores
ficado. f o r a m removidos. D o c u m e n t o s e até lâmpadas elétricas
f o r a m t i r a d o s dos prédios d a Administração. Assistên-
•Quando a França e n c o n t r o u p e l a f r e n t e a possibi- c i a f i n a n c e i r a , apoio c o m e r c i a l e o p a g a m e n t o de pen-
lidade de ser forçada a a c e i t a r a l g u m a f o r m a de inde- sões aos veter ano s de g u e r r a d a Guiné f o r a m suspensos.
pendência, o u pelo m e n o s de autogoverno p a r a os t e r r i -
tórios das a n t i g a s federações coloniais d a África O c i - A p e s a r d a pressão a s s i m e x e r c i d a sobre a Guiné,
dental F r a n c e s a , u m a série de medidas de balcanização os r e s t a n t e s E s t a d o s fr anceses f o r a m forçados p e l a pres-
foram t o m a d a s pelo G o v e r n o francês. A Loi-Cadre de são i n t e r n a a b u s c a r a independência política. I s s o des-
1956 estabelecia a s f r o n t e i r a s dos a t u a i s E s t a d o s de lín- t r u i u a concepção, u s u a l m e n t e a s s o c i a d a ao G e n e r a l D e
g u a f r a n c e s a . O processo de d e s m a n t e l a m e n t o i n i c i a d o G a u l l e , c r i a d o r d a C o m u n i d a d e F r a n c e s a , de u m grupo
pela Loi-Cadre foi completado pelo referendo de 1958 não-soberano de E s t a d o s a f r i c a n o s , c a d a q u a l ligado se-
sobre a Constituição d a Q u i n t a República F r a n c e s a . p a r a d a m e n t e à França. A s "repúblicas autónomas",
C a d a u m dos território criados p e l a Loi-Cadre foi c h a - u m a depois d a o u t r a , o b t i v e r a m a s o b e r a n i a i n t e r n a c i o -
mado a decidir s e p a r a d a m e n t e se desejava p e r m a n e c e r n a l m a s sob condições tão a d v e r s a s que f o r a m obriga-
como u m território d a França n o u l t r a m a r , u m a repú- das de fato a m a n t e r todos os laços m i l i t a r e s , f i n a n c e i -
b l i c a autónoma dentro d a C o m u n i d a d e F r a n c e s a , ou ros, c o m e r c i a i s e económicos do período c o l o n i a l a n t e -
ser independente. rior. P a r a t e r e m a possibilidade de c h e g a r e m a e x i s t i r
Teresa H a y t e r , assistente de p e s q u i s a do I n s t i t u t o como E s t a d o s independentes, esses antigos territórios
Britânico de D e s e n v o l v i m e n t o do U l t r a m a r , no número franceses f o r a m forçados a a c e i t a r a " a j u d a " f r a n c e s a
de abril de 1965 do j o r n a l do R e a l I n s t i t u t o Britânico até p a r a fazer frente às s u a s despesas c o m u n s .
de Assuntos I n t e r n a c i o n a i s , descreveu o processo: A " a j u d a " f r a n c e s a às nações e m desenvolvimento
"Os territórios d e v i a m t o m a r decisões e m separado; é, p r o p o r c i o n a l m e n t e à r e n d a n a c i o n a l d a França, a
eram p o r t a n t o eles, e não a s Federações d a África O c i - m a i s a l t a do m u n d o e é, e m t e r m o s absolutos, a segun-
dental e E q u a t o r i a l , que d e v i a m l e g a l m e n t e h e r d a r os da. Q u a s e t o d a essa " a j u d a " é a b s o r v i d a p o r compro-
poderes d a França; não foi t o m a d a m e d i d a a l g u m a missos n a África e perto d a metade v a i p a r a os 14 E s -
p a r a reforçar a s instituições f e d e r a t i v a s e n a verdade tados que e r a m a n t e r i o r m e n t e repúblicas autónomas e
estas f o r a m d e s m a n t e l a d a s após o referendo e chega- c u j a população t o t a l é a p e n a s l i g e i r a m e n t e m a i o r do
r a m f o r m a l m e n t e ao f i m e m a b r i l de 1959. O propósito que a d a Nigéria. A j u d a desse tipo pode d i t a r a s r e l a -
original d a s federações f o r a c a p a c i t a r a s colónias a se ções d a África c o m o m u n d o desenvolvido e, como a

IS 19
experiência d e m o n s t r o u , ser e x t r e m a m e n t e perigosa p a r a e r a m a i s do interesse da França e o Relatório conse-
q u e m a recebe. q u e n t e m e n t e aconselhava a redistribuição d a a j u d a
A a j u d a f r a n c e s a à África n a s c e u o r i g i n a l m e n t e d a f r a n c e s a . D e q u a l q u e r forma, a França t i n h a que c u m -
v a n t a g e m que f i r m a s e indivíduos franceses o b t i n h a m p r i r s u a s obrigações p a r a c o m o M e r c a d o C o m u m E u -
d a z o n a a f r i c a n a do f r a n c o e isso determinou o esque- ropeu. Sob a n o v a Convenção de Associação que e n t r o u
m a segundo o q u a l a a j u d a a i n d a é dada. E n q u a n t o a s e m vigor e m meados de 1964, os seis m e m b r o s do Mer-
relações c r i a d a s p e l a a j u d a e r a m proveitosas à França, cado C o m u m E u r o p e u d e v i a m alcançar, p o r estágios,
ela n a t u r a l m e n t e c o n t i n u o u . E r a realmente u m a t a x a a situação de u m a área de l i v r e comércio e isso não
cobrada aos c o n t r i b u i n t e s franceses e m benefício de p e r m i t e m a i s à França d i s c r i m i n a r e m f a v o r dos E s -
indivíduos e f i r m a s f r a n c e s a s . tados a f r i c a n o s , n e m permite a esses E s t a d o s d i s c r i m i -
O v a l o r global dessa política p a r a a França e r a o n a r c o n t r a os associados d a França n o Mercado Co-
de que, e m t r o c a de mercados e preços garantidos p a r a m u m . A s exportações desses E s t a d o s , ao f i m de u m pe-
produtos primários coloniais, como café, c a c a u , a m e n - ríodo de cinco anos, terão que a c o m p a n h a r os preços
doim, b a n a n a e algodão, os E s t a d o s africanos t i n h a m m u n d i a i s . E m consequência disso, a produção de maté-
que i m p o r t a r d a França q u a n t i d a d e s f i x a s de certos r i a s - p r i m a s , c r i a d a ante a p r o m e s s a de g a r a n t i a de
bens, como m a q u i n a r i a , produtos têxteis, açúcar e f a - mercados e preços, provavelmente não conseguirá a l -
r i n h a de trigo, então s e m condições de competir e m cançar nível competitivo n a s condições m u n d i a i s . É d i -
preço o u supérfluos n a E u r o p a , e além disso os E s t a - fícil i m a g i n a r como o Senegal, p a r t i c u l a r m e n t e , poderá
dos e r a m forçados a l i m i t a r s u a s importações de países se h a v e r s e m u m subsídio francês p a r a s e u a m e n d o i m
f o r a d a z o n a do f r a n c o . E m b o r a esse esquema e o P r e s i d e n t e Senghor já c h a m o u a atenção p a r a a
tornasse i n s e n s a t o q u a l q u e r p l a n o de comércio i n t e r a - séria situação económica e m que isso põe o s e u país.
f r i c a n o , foi, d u r a n t e u m período, a l t a m e n t e rendoso D e fato, o l i m i t a d o neocolonialismo do período
p a r a a França. C o m a queda do preço m u n d i a l dos francês está a g o r a sendo dissolvido n o neocolonialismo
produtos primários, esses proventos começaram a d i m i - coletivo do Mercado C o m u m E u r o p e u , que permite a
n u i r , a s s i m como o e n t u s i a s m o p e l a " a j u d a " n a França. outros E s t a d o s , até a q u i f o r a d a área r e s e r v a d a f r a n -
No m o m e n t o , o máximo que se pode dizer e m favor d a c e s a ^ l u c r a r e m c o m o s i s t e m a . R a c i o n a l i z a , também, a
a j u d a f r a n c e s a é que não t i r a agora, como n o passado, divisão d a África e m zonas económicas baseadas n a E u -
u m proveito r e a l p a r a a França e m d e t r i m e n t o dos E s - ropa, ao i n c l u i r quatro outros E s t a d o s . O Congo ( L e o -
tados menos desenvolvidos do seu antigo império a f r i - p o l d v i l l e ) , B u r u n d i e R u a n d a são, como a n t i g a s coló-
cano. T e r e s a H a y t e r r e s u m e a situação do seguinte n i a s belgas, ligados ao s i s t e m a económico belga, e a
modo: Somália, através de s u a associação a n t e r i o r c o m a Itá-
" A França não g a n h a n e m perde, nessas transações l i a , é também incluída como u m E s t a d o associado do
c o m os E s t a d o s : a j u d a , i n v e s t i m e n t o privado, despesas Mercado C o m u m .
do G o v e r n o francês e importações d a África são equi- U m a g r u p a m e n t o como esse p r o v o c a os problemas
l i b r a d a s pelas exportações p a r a a África, repatriação m a i s a m p l o s do neocolonialismo a f r i c a n o e a c e n t u a s u a
de c a p i t a l e remessas de l u c r o s e salários." n a t u r e z a irresponsável. D o s E s t a d o s desmembrados das
E s s e estado de coisas não é m a i s considerado v a n - a n t i g a s colónias francesas, u m deles, a Guiné, foi c a -
tajoso p a r a a França. O Relatório J e a n n e n e y , p u b l i c a - paz, c o m g r a n d e sofrimento e p e r d a s , é verdade, de se
do e m 1964 e expressando o ponto de v i s t a o f i c i a l f r a n - l i b e r t a r do tipo de controle n e o c o l o n i a l i s t a imposto aos
cês, f r i s o u que o s i s t e m a protetor d a z o n a f r a n c e s a não demais. M a l i foi forçada a a c e i t a r a l g u m a s das regras

20 21
e r e g u l a m e n t o s que g o v e r n a m as relações entre as a n - no q u a l p r o c u r o e x p l i c a r o poder e ramificações do con-
t i g a s colónias f r a n c e s a s e a França, m a s pelo menos trole f i n a n c e i r o i n t e r n a c i o n a l . A q u i temos u m super -
i n s t i t u i u a s u a própria moeda, l i m i t a a s transferências E s t a d o que pode às vezes até c o n t r a r i a r os desejos polí-
de d i n h e i r o p a r a o e x t e r i o r e recebe d a França a p e n a s ticos do país que é n o m i n a l m e n t e o s e n h o r neocolonial.
u m a g a r a n t i a p a r c i a l d a p a rid a d e de s u a moeda c o m O controle dos fundos dos E s t a d o s a f r i c a n o s sob o
o f r a n c o . No caso de todos os outros E s t a d o s , s u a s neocolonialismo francês é exercido pelo conselho a d m i -
moedas f o r a m e s t a b i l i z a d a s e m u m a p a r i d a d e f i x a c o m n i s t r a t i v o dos seus bancos c e n t r a i s , que são compostos
o f r a n c o e têm a g a r a n t i a t o t a l do T e s o u r o francês. p a r c i a l m e n t e de franceses, s e m c u j a concordância n e -
E s s e s E s t a d o s p a g a m os seus ingressos de f r a n c o s f r a n - n h u m a decisão sobre política monetária pode ser to-
ceses através de c o n t a s de operação, n o Tesouro f r a n - m a d a . E s s e complexo bancário francês, c o m s e u con-
cês. E s s a s c o n t a s podem sofrer r e t i r a d a s além do saldo trole absoluto das moedas e p a g a m e n t o s ex ter no s dos
e os E s t a d o s podem l e v a n t a r fundos, c o m a g a r a n t i a E s t a d o s neocoloniais, poderia, t e o r i c a m e n t e , d i t a r a es-
de s u a s próprias moedas, s e m l i m i t e . No e nt a nt o, n a - ses E s t a d o s que a c o m p a n h a s s e m a política f r a n c e s a . O
t u r a l m e n t e , s e j a q u a l fôr a situação teórica, a posição complexo, n o e n t a n t o , está por s u a vez sujeito, pela
f i n a n c e i r a i n t e r n a c i o n a l desses países está s u j e i t a a c o n - m a n e i r a a d i a n t e d e s c r i t a , a pressões e x t e r n a s que
trole, u m a vez que a q u a l q u e r m o m e n t o s u a s c o n t a s a p o i a m m a i s a orientação dos E s t a d o s U n i d o s do que
de operação n o T e s o u r o francês podem ser bloqueadas, a d a França, quando surge u m a diferença de opiniões.
como foi feito n o caso d a Guiné. A m a i o r i a dos E s t a d o s
P a r t e do v a l o r de i n i c i a r u m estudo do neocolonia-
interessados, de q u a l q u e r m a n e i r a , não t e m força n e -
l i s m o e m s e u contexto a f r i c a n o está e m que esse e s t u -
cessária p a r a e n f r e n t a r s e m e l h a n t e pressão, como fêz a
do fornecerá exemplos p a r a todos os tipos do s i s t e m a
Guiné.
É impossível d e f i n i r a situação a f r i c a n a e m termos de
P o r que então, pode-se p e r g u n t a r , esses poderes E s t a d o s independentes, divididos e n t r e o campo não-ali-
não f o r a m s ufi c i e n t e s p a r a p e r m i t i r à França p e r s u a - n h a d o e o n e o c o l o n i a l i s t a , colónias e E s t a d o s r a c i s t a s
dir esses E s t a d o s a s e g u i r e m a a t u a l orientação exterior como a A f r i c a do S u l . N a África, todas a s a n t i g a s co-
f r a n c e s a , b a s e a d a n u m conceito de " t e r c e i r a força"? A lónias que a g o r a se t o r n a r a m independentes, i n c l u i n d o
França não apoiou os E s t a d o s U n i d o s e a Bélgica n a p a r t i c u l a r m e n t e a África do S u l , estão s u j e i t a s a u m
s u a intervenção "humanitária" n o Congo, e m S t a n l e y - certo g r a u de pressões neo co l o ni al i stas às q u a i s , por
ville. A o contrário d a Grã-Bretanha e o u t r a s nações do m a i s que q u e i r a m r e s i s t i r , não podem i n t e i r a m e n t e es-
Mercado C o m u m , a França opôs-se a b e r t a m e n t e à po- c a p a r , por m a i s que l u t e m . A diferença está r e a l m e n t e
lítica dos E s t a d o s U n i d o s e m São D o m i n g o s , reconhe- entre os E s t a d o s que a c e i t a m o neocolonialismo como
c e u a República P o p u l a r d a C h i n a e recomendou a n e u - política e os que l h e r e s i s t e m . D o m e s m o modo, o pro-
tralização do Vietnã. No e n t a n t o a p e n a s u m a m i n o r i a b l e m a c o l o n i a l d a A f r i c a é, sob m u i t o s aspectos, r e a l
dos E s t a d o s a f r i c a n o s , a p a r e n t e m e n t e sob o controle m e n t e neocolonial. O s territórios a f r i c a n o s portugueses
neocolonial francês, a c o m p a n h o u a l i n h a f r a n c e s a . A p a r e c e m à p r i m e i r a v i s t a l e v a n t a r a p e n a s a questão d a
m a i o r i a deles recusou-se a reconhecer a C h i n a o u a c r i - liberdade do domínio c o l o n i a l , m a s n a verdade e x i s t e m
t i c a r , de modo a l g u m , a política dos E s t a d o s U n i d o s . como colónias somente porque P o r t u g a l é, e m s i , u m
N a verdade, comportam-se de modo que sugere e s t a - E s t a d o neocolonial. D u r a n t e os últimos 50 anos a s g r a n -
r e m m a i s sob a influência dos E s t a d o s U n i d o s do que des potências c o n s i d e r a r a m a s colónias portuguesas
d a França. A resposta a esse a p a r e n t e paradoxo será como f i c h a s que podem p a s s a r às mãos u m a das o u t r a s
e n c o n t r a d a , espero, n o s capítulos seguintes deste l i v r o p a r a r e a j u s t a r o equilíbrio de força. E m 1913, ingleses

22 23
e alemães r u b r i c a r a m u m acordo dividindo-as e isso só opressão e exploração dos h a b i t a n t e s a f r i c a n o s ( a s
foi impedido pelo início d a P r i m e i r a G u e r r a M u n d i a l quais n a t u r a l m e n t e e l a oficialmente r e p r o v a ) por c a u -
No período de a p a z i g u a m e n t o a n t e r i o r à S e g u n d a G u e r - s a de u m a s u p o s t a convenção p a r l a m e n t a r britânica.
r a M u n d i a l , quando p e n s a r a m que H i t l e r podia ser E m o u t r a s p a l a v r a s , ao m a n t e r a Rodésia n o m i n a l m e n t e
comprado c o m u m a oferta de território colonial, as co- como u m a colónia, a Grã-Bretanha n a verdade dá a
lónias p o r t u g u e s a s f o r a m n o v a m e n t e e n c a r a d a s como s u a proteção o f i c i a l , como a u m a s e g u n d a África do
o preço adequado do suborno. S u l , e os r a c i s t a s europeus f i c a m l i v r e s p a r a t r a t a r os
S e P o r t u g a l c o n t r o l a hoje essas colónias é a p e n a s h a b i t a n t e s a f r i c a n o s como l h e s aprouver.
por c a u s a d a força m i l i t a r que l h e advém d a aliança O s i s t e m a rodesiano t e m a s s i m todas a s c a r a c t e -
da OTAN. P o r t u g a l , no e n t a n t o , não é m e m b r o d aOTAN i [sticas do modelo neocolonialista. A potência s e n h o r i a l ,
porque possa d a r q u a l q u e r assistência m i l i t a r à aliança, Grã-Bretanha, cede a u m governo l o c a l , sobre o q u a l diz
m a s porque é u m a m a n e i r a c o n v e n i e n t e p e l a q u a l o não ter controle, poderes i l i m i t a d o s e exploração i l i -
território português pode ser posto à disposição d a s m i t a d a dentro do território. No e n t a n t o , a Grã-Breta-
forças dos demais m e m b r o s d a aliança. n h a c o n s e r v a a i n d a poderes p a r a e x c l u i r o u t r a s nações
N a o u t r a e x t r e m i d a d e d a e s c a l a está a colónia de i n t e r v i r , s e j a p a r a l i b e r a r s u a população a f r i c a n a o u
f r a n c e s a de Somália. C o n t i n u a a e x i s t i r como u m a co- p a r a levar a s u a economia p a r a o u t r a z o n a de i n f l u -
lónia não porque a França fosse r e s i s t i r à pressão p a r a ência. A s m a n o b r a s a respeito d a "independência" d a
l h e conceder a independência, m a s por c a u s a d a d e s u - Rodésia são u m excelente e x e m p l o d a s a t i v i d a d e s do
nião a f r i c a n a . É u m p o n t o de d i s p u t a entre a Somália neocolonialismo e das dificuldades práticas a que o sis-
e a Etiópia. A desunião a f r i c a n a c o n s e r v a a colónia. S e t e m a dá azo. U m a m i n o r i a e u r o p e i a de menos de u m
íôsse ser entregue a q u a l q u e r u m a d a s s u a s d u a s v i z i - quarto de milhão de pessoas não poderia m a n t e r , n a s
n h a s , isso quase i n e v i t a v e l m e n t e p r o v o c a r i a u m c o n - condições a t u a i s d a África, o domínio sobre q u a t r o m i -
flito e n t r e elas. lhões de a f r i c a n o s s e m apoio e x t e r n o de a l g u m a p a r t e ,
A Rodésia, e m b o r a teoricamente u m a colónia, é re- g u a n d o os colonizadores f a l a m e m "independência" não
a l m e n t e u m a f o r m a fossilizada do tipo i n i c i a l de neo- estão pensando e m se f i r m a r sobre os próprios pés, m a s
colonialismo, p r a t i c a d o n a África M e r i d i o n a l até a • implesmente c m p r o c u r a r u m novo senhor neocolonia-
formação d a União d a África do S u l . A essência do sis- a que pudesse, do ponto de v i s t a deles, merecer m a i s
t e m a rodesiano é não empregar indivíduos retirados do ' n fiança do que a Grã-Bretanha.
povo do próprio território p a r a a d m i n i s t r a r o país, Como se verá nos capítulos seguintes, o moderno
como n o t i p o m a i s n o v o de E s t a d o neocolonial, m a s neoeapitalismo está baseado no controle de E s t a d o s
u t i l i z a r , e m l u g a r disso, u m a m i n o r i a e s t r a n g e i r a . A Independentes por gigantescos interesses f i n a n c e i r o s .
m a i o r p a r t e d a classe dirigente europeia d a Rodésia M:;:;e:; interesses frequentemente a t u a m através ou em
veio p a r a a colónia depois d a S e g u n d a G u e r r a M u n d i a l , prol de u m d e t e r m i n a d o E s t a d o c a p i t a l i s t a , m a s são per-
m a s são eles e não os h a b i t a n t e s a f r i c a n o s — que os i' i tumente capazes de a g i r por i n i c i a t i v a própria e for-
u l t r a p a s s a m e m número à razão de 16 por u m — que essas nações i m p e r i a i s n a s q u a i s têm u m interesse
a Grã-Bretanha c o n s i d e r a "o G o v e r n o " . Esse Estado i l u m i n a n t e a a c o m p a n h a r e m s u a orientação. Há, n o
r a c i s t a está protegido d a pressão e x t e r n a porque de i ntunto, u m tipo m a i s a n t i g o de neocolonialismo b a -
acordo c o m a l e i i n t e r n a c i o n a l é u m a colónia britânica, radn p r i m a r i a m e n t e e m considerações m i l i t a r e s .
e n q u a n t o a própria Grã-Bretanha desculpa-se do s e u U m a potência m u n d i a l , tendo decidido de acordo
f r a c a s s o e m exercer seus direitos legais p a r a i m p e d i r a i princípios de estratégia global que l h e é necessário

74 25
p o s s u i r u m a base m i l i t a r neste o u n a q u e l e país n o m i - ao G o v e r n o líbio e m t r o c a do u s o d a s b a s e s " . A p e s a r
n a l m e n t e independente, p r e c i s a assegurar-se de que o disso, a pressão p o p u l a r n a Líbia t o r n o u necessário,
país onde a base está s i t u a d a é amigável. E i s m a i s u m agora, ao G o v e r n o líbio, e n c e r r a r o acordo m i l i t a r p a r a
m o t i v o p a r a a balcanização. S e a base pode f i c a r s i t u a - as bases britânicas.
d a n u m país que é de t a l m a n e i r a constituído, econo- Não se deve p e r m i t i r que essas limitações à inde-
m i c a m e n t e , que não pode sobreviver s e m u m a " a j u d a " pendência r e a l de m u i t o s países d a África obscureçam
s u b s t a n c i a l d a potência m i l i t a r que possui a base, e n - as enormes realizações alcançadas n a l u t a p e l a inde-
tão, a l e g a m , a base pode f i c a r g a r a n t i d a . C o m o m u i t a s pendência e u n i d a d e a f r i c a n a s .
das o u t r a s afirmações e m que se baseia o neocolonia- E m 1945 a África c o m p r e e n d i a p r i n c i p a l m e n t e os
l i s m o , esta é f a l s a . A presença de bases e s t r a n g e i r a s territórios coloniais de potências europeias e a i d e i a de
p r o v o c a a hostilidade p o p u l a r c o n t r a os a r r a n j o s neo- que a m a i o r p a r t e do c o n t i n e n t e s e r i a independente
c o l o n i a l i s t a s que a s p e r m i t e m , m a i s p r o n t a e c e r t a m e n - dentro de 20 anos t e r i a parecido impossível a q u a l q u e r
te do que q u a l q u e r o u t r a coisa, e através de t o d a a observador político no período i m e d i a t a m e n t e posterior
África essas bases estão desaparecendo. A Líbia pode à g u e r r a . E n o e n t a n t o , não a p e n a s a independência
ser c i t a d a como exemplo do fracasso dessa política. foi alcançada m a s foi feito considerável progresso n o
A Líbia t e m u m a l o n g a história c o l o n i a l . A p a r t i r c a m i n h o d a criação d a u n i d a d e a f r i c a n a . Há a i n d a obs-
do século X V I foi u m a colónia t u r c a , m a s e m 1900, n o táculos poderosos a essa u n i d a d e , m a s não são m a i o r e s
apogeu do colonialismo, a França e a Itália concorda- do que os obstáculos já vencidos e, se a s u a n a t u r e z a
r a m e m que, se a Itália não se opusesse à França fôr compreendida, são c l a r a m e n t e transponíveis.
o c u p a r M a r r o c o s , a França não se oporia à Itália o c u p a r
A m a s s a do povo a f r i c a n o já a p o i a — e esse será
a Líbia. Então, q u a n d o e m 1911 e 1912 a França o c u p a - o fator decisivo, a f i n a l — a u n i d a d e d a m e s m a m a n e i r a
v a o M a r r o c o s , a Itália e n t r o u e m g u e r r a c o m a T u r - por que a n t e r i o r m e n t e apoiou os vários m o v i m e n t o s
q u i a e, derrotando-a, a n e x o u a Líbia. locais de independência política. M u i t o s dos líderes po-
A p e s a r d a s promessas feitas ao povo d a Líbia d u - líticos d a África O c i d e n t a l F r a n c e s a , por exemplo, não
r a n t e a S e g u n d a G u e r r a M u n d i a l de que j a m a i s v o l t a - a p o i a r a m de início a independência. E m 1946, n a A s s e m -
r i a m a f i c a r sujeitos ao domínio i t a l i a n o , a França bleia N a c i o n a l F r a n c e s a , d a q u a l e r a m e m b r o , o P r e s i -
t e n t o u d u r a n t e os acordos de p a z conseguir que a Itá- dente d a C o s t a do M a r f i m , H o u p h o u e t - B o i g n y , a f i r m o u
l i a fosse r e i n s t a l a d a n a Líbia, a f i m de apoiar s u a pró- que "não há s e p a r a t i s t a s n e s t a s c a d e i r a s . . . há u m
p r i a posição n a Tunísia. C o m o essa solução demons- luço poderoso, capaz de r e s i s t i r a todas a s experiências,
t r o u ser impossível, a Líbia tornou-se nominalmente iiin laço m o r a l que nos u n e . É o i d e a l de liberdade, f r a -
independente sob o controle n e o c o l o n i a l i s t a britânico. ternidade, igualdade, p a r a c u j o t r i u n f o a França j a -
S e g u n d o os dados coligidos pelo I n s t i t u t o Britâ- m a i s h e s i t o u e m s a c r i f i c a r o s e u m a i s nobre s a n g u e "
n i c o de D e s e n v o l v i m e n t o n o U l t r a m a r , d u r a n t e o pe- A m e s m a política de m a n t e r a u n i d a d e c o m a França
ríodo de 1945 a 1963 a Líbia recebeu n u n c a menos de era então defendida pelo P r e s i d e n t e Senghor, do Sene-
17 por c e n t o d a a j u d a b i l a t e r a l t o t a l que a Grã-Breta- gal, que disse: " A união f r a n c e s a p r e c i s a ser u m a c o n -
n h a d e u a todas a s nações e s t r a n g e i r a s f o r a d a Com- pinção de civilizações, u m a fusão de c u l t u r a . . . é m a i s
monwealth nesse período. O I n s t i t u t o de D e s e n v o l v i - um c a s a m e n t o do que u m a associação".
m e n t o n o U l t r a m a r r e s s a l t a que " e m b o r a esses p a g a - F o i a pressão d a m a s s a p e l a independência que
mentos à Líbia fossem registrados como " a j u d a " , não forçou esses líderes a i n v e r t e r e m s u a s posições a n t e -
há dúvida de que são, n o fundo, p a g a m e n t o s diretos e se d e c l a r a r e m a favor d a s o b e r a n i a n a c i o n a l .

26 27
D o m e s m o modo que a pressão de m a s s a t o r n o u ções e povos. N e n h u m país pode ser i n t e i r a m e n t e auto-
impossível a u m líder a f r i c a n o se opor à independên- s u f i c i e n t e o u se d a r ao l u x o de i g n o r a r os a c o n t e c i m e n -
c i a , hoje a pressão de m a s s a l h e t o r n a impossível se tos políticos f o r a de s u a s f r o n t e i r a s , A África está c l a -
opor a b e r t a m e n t e à u n i d a d e a f r i c a n a . Os que são con- r a m e n t e f r a g m e n t a d a e m u m número demasiado de
t r a a u n i d a d e só d e m o n s t r a m s u a posição através de E s t a d o s pequenos, antieconômicos e inviáveis, m u i t o s
meios i n d i r e t o s : sugerindo que estamos indo depressa dos q u a i s estão tendo que l u t a r d u r a m e n t e p a r a sobre-
dema i s p a r a e l a ; que este o u aquele p l a n o é i m p r a t i - viver. Como já foi apontado, outros t i v e r a m que se
cável o u que há dificuldades processuais que l h e s i m - a g a r r a r a antigos laços c o m senhores coloniais de on-
pedem d a r assistência n a formação de u m p l a n o prático t e m e se t o r n a r a m p r e s a fácil p a r a forças neocolonia-
p a r a a unidade. A causa d a unidade a f r i c a n a é muito listas. A l g u n s deles se v i r a m , quer gostassem o u não,
poderosa e a m a s s a do povo está c e r t a . metidos n a g u e r r a f r i a e e m r i v a l i d a d e s e n t r e potên-
S o m e n t e q u a n d o as f r o n t e i r a s a r t i f i c i a i s que a d i - cias e s t r a n g e i r a s . O Congo é u m notável exemplo disso.
v i d e m f o r e m e l i m i n a d a s , a f i m de c r i a r u n i d a d e s eco- N a t u r a l m e n t e , c a d a G o v e r n o n a c i o n a l está p r i m o r -
nómicas viáveis e f i n a l m e n t e u m a só u n i d a d e a f r i c a n a , d i a l m e n t e preocupado c o m o bem-estar de seus c i d a -
a África será c a p a z de se desenvolver i n d u s t r i a l m e n t e , dãos. Só se pode esperar que concorde e m s u a política
e m s e u próprio interesse e, a longo prazo, n o interesse de unificação se os benefícios imediatos e a longo p r a -
de u m a e c o n o m i a m u n d i a l s a d i a . É necessária u m a zo se t o r n a r e m tão evidentes que s e j a p o s i t i v a m e n t e
moeda c o m u m e comunicações de todos os tipos pre- p r e j u d i c i a l aos seus cidadãos não cooperar. E n f r e n t a m o s
c i s a m ser desenvolvidas p a r a p e r m i t i r o l i v r e c u rs o de a q u i o p r o b l e m a do c r e s c i m e n t o económico desigual.
bens e de serviços. A l g u m a s nações a f r i c a n a s são m a i s r i c a s do que o u t r a s
A Comissão Económica p a r a a África f r i s o u várias em recursos n a t u r a i s . Os menos a f o r t u n a d o s p r e c i s a -
vezes a necessidade de p l a n e j a m e n t o económico e m es- rão de g a r a n t i a s de que seus interesses não sofrerão
c a l a c o n t i n e n t a l . O caráter inadequado do p l a n e j a m e n - prejuízos n a s mãos dos E s t a d o s m a i s desenvolvidos.
to n a c i o n a l pode ser demonstrado c o m u m r e l a n c e às
economias de, por exemplo, M a l i , V o l t a S u p e r i o r , Níger A experiência a n t e r i o r de união não foi a n i m a d o r a .
e U g a n d a . E s s e s E s t a d o s i n t e r i o r e s , que e x p o r t a m g r a n - A ligação e n t r e a s Rodésias e Niasalândia beneficiou
des q u a n t i d a d e s de produtos alimentícios p a r a outros p a r t i c u l a r m e n t e a Rodésia do S u l . Quénia foi o p r i n c i -
E s t a d o s a f r i c a n o s , não podem c o n t i n u a r ind if e re nt e s pal g a n h a d o r c o m o Mercado C o m u m do L e s t e A f r i c a n o ,
aos esquemas de auto-suficiência agrícola adotados por e U g a n d a e T a n g a n i c a , n a m e l h o r das hipóteses, tive-
seus v i z i n h o s . D o m e s m o modo, u m G o v e r n o n a c i o n a l , r a m a p e n a s l u c r o s m a r g i n a i s . N a s a n t i g a s federações
ao p l a n e j a r a criação de u m a indústria n o v a , pode ve- coloniais f r a n c e s a s , os benefícios d a u n i d a d e económica
r i f i c a r que s e u v i z i n h o está desenvolvendo u m a i g u a l . t e n d i a m a se c e n t r a l i z a r e m B r a z z a v i l l e , A b i d j a n e D a -
E s s a duplicação r e d u n d a r i a p r o v a v e l m e n t e e m r e c u r s o s k a r . Esses exemplos reforçam a i n d a m a i s o a r g u m e n t o
desperdiçados, se c a d a u m dos dois estiver contando do crescimento económico p l a n e j a d o p a r a o c o n t i n e n t e ,
e x p o r t a r os excedentes p a r a o v i z i n h o . de modo a que todos os E s t a d o s po ssam se beneficiar
d a industrialização e o u t r a s m e l h o r i a s t o r n a d a s possí-
Poucos d i s c u t i r a m a necessidade de p l a n e j a m e n t o
veis pela direção u n i f i c a d a . A s nações m a i s r i c a s terão
económico e m e s c a l a n a c i o n a l . O a r g u m e n t o do p l a n e -
cupacidade de a j u d a r a s m a i s pobres. R e c u r s o s podem
j a m e n t o c o n t i n e n t a l é m u i t o m a i s forte. A tendência
m o d e r n a é p a r a g r a n d e s u n i d a d e s económicas e políti- «cr somados e projetos de desenvolvimento coordenados
cas, à m e d i d a que cresce a interdependência e n t r e n a - p a r a elevar os níveis de v i d a de todo a f r i c a n o .

oo
2$
O fator tempo é i m p o r t a n t e . Como i n d i c o u a Co- ros. N a verdade, u m padrão t o t a l m e n t e novo de desen-
missão Económica p a r a a África (CEA),agora é o m o - volvimento económico se t o r n a r i a possível. A a g r i c u l -
m e n t o de agir, a n t e s que c a d a E s t a d o se e n v o l v a pro- t u r a poderia ser m o d e r n i z a d a m a i s r a p i d a m e n t e , c o m
f u n d a m e n t e d e m a i s e m grandes i n v e s t i m e n t o s e deci- m a i o r c a p i t a l à s u a disposição. Indústrias, e m escala
sões de e s t r u t u r a baseados e m mercados estreitos, n a m a i o r e m a i s económica, p o d e r i a m ser p l a n e j a d a s . E s -
cionais. A c a d a mês que p a s s a , os interesses estrangei- tas t e r i a m condições económicas p a r a u t i l i z a r n o v a s
ros do neocolonialismo t o m a m u m controle m a i s aper- técnicas que e x i g e m pesado desembolso de c a p i t a i s . Fá-
tado d a v i d a económica d a África. b r i c a s menores, p l a n e j a d a s p a r a atender a p e n a s às n e -
A penetração r e l a t i v a m e n t e recente das grandes cessidades n a c i o n a i s , t e n d e m a a p r e s e n t a r custos m a i o -
c o m p a n h i a s n o r t e - a m e r i c a n a s n a África i n d i c a m m a i s res e são e v e n t u a l m e n t e menos capazes de r e d u z i r os
u m a vez o perigo do neocolonialismo. D a m e s m a m a - custo do que u n i d a d e s de t a m a n h o i d e a l .
n e i r a , a união de g r a n d e s f i r m a s p a r a f o r m a r poderosos órgãos de p l a n e j a m e n t o n a c i o n a l t e r i a m a i n d a u m
monopólios. Como a l g u n s dos nossos E s t a d o s menores papel muito importante a desempenhar em u m a Afri-
podem esperar negociar c o m êxito c o m poderosas asso-
c a u n i f i c a d a . F o r n e c e r i a m , por exemplo, informações
ciações e s t r a n g e i r a s , a l g u m a s das q u a i s c o n t r o l a m i m -
essenciais sobre condições de l o c a l , m a s s e u t r a b a l h o
périos f i n a n c e i r o s de v a l o r superior à r e n d a t o t a l do
se t o r n a r i a m a i s fácil c o m o conselho experiente e a
E s t a d o ? Q u a n t o m e n o r o E s t a d o e m a i s formidáveis os
a j u d a de u m único órgão p l a n e j a d o r que visse os i n t e -
interesses estrangeiros, menores a s possibilidades de a l -
resses d a África como u m todo. A p e s q u i s a e t r e i n a -
cançar a s condições p a r a independência económica.
m e n t o e m projetos de desenvolvimento que já estão
G a n a , por exemplo, por c a u s a do s e u t a m a n h o econó-
sendo realizados pelo I n s t i t u t o de D e s e n v o l v i m e n t o d a
m i c o e indústrias a l t e r n a d a s , t e m tido m e l h o r condição
CEA e m D a k a r s e r i a m fortalecidos p a r a s e r v i r t a n t o aos
p a r a b a r g a n h a r c o m a s c o m p a n h i a s de alumínio do que
Togo, m u i t o m e n o r e e c o n o m i c a m e n t e m a i s l i m i t a d o , órgãos c o n t i n e n t a i s como aos n a c i o n a i s . F r a c a s s o s one-
pode esperar t e r ao negociar c o m os interesses f r a n c e - rosos, devidos à f a l t a de coordenação, s e r i a m evitados.
ses de fosfato. O domínio d a economia d a África por U m caso específico é o projeto d a r e p r e s a I n g a , que de-
f i r m a s e s t r a n g e i r a s p r e c i s a t e r m i n a r p a r a termos u m verá fornecer e n e r g i a p a r a u m a r e f i n a r i a de açúcar,
c r e s c i m e n t o económico c o n j u n t o e isso só pode ser a l - u m complexo de plásticos e painéis prensados (do b a -
cançado através d a ação u n i f i c a d a . gaço d a c a n a ) e m B a n g u i , que por s u a vez remeterá
os plásticos, e m v o l u m e , a u m a indústria de produtos
A l g o d a n a t u r e z a de u m a revolução económica é plásticos e m B r a z z a v i l l e . N a t u r a l m e n t e d e v e r i a h a v e r
necessário. Nosso desenvolvimento t e m estado contido u m órgão p l a n e j a d o r c a p a z de p r o g r a m a r e h a r m o n i z a r
por m u i t o tempo pela economia de tipo c o l o n i a l . P r e c i - a sequência de construção d a s fábricas de B r a z z a v i l l e e
samos n o s r e o r g a n i z a r i n t e i r a m e n t e , p a r a que c a d a país B a n g u i , d a s l i n h a s de transmissão de força desde I n g a
possa se especializar n a produção de bens e de s a f r a s
a B a n g u i e B r a z z a v i l l e , e os serviços de t r a n s p o r t e e n
a que m e l h o r se a j u s t e .
tre B a n g u i e B r a z z a v i l l e e a própria r e p r e s a .
C o m a u n i d a d e económica, essas nações d a África
que estão começando a c r i a r indústrias m o d e r n a s t e r i a m No processo de alcançar a u n i d a d e económica, é de
o benefício de mercados m a i s amplos. Estaríamos todos se esperar ásperas b a r g a n h a s e n t r e os vários E s t a d o s .
e m m e l h o r posição p a r a negociar, a f i m de alcançar A integração de diferentes aspectos de política econó-
preços m a i s altos pelos nossos produtos, e c r i a r impos- m i c a se fará e m r i t m o s diferentes e poderá h a v e r a t r a -
tos adequados sobre r e n d i m e n t o s de agentes estrangei- sos decepcionantes e soluções conciliatórias a s e r e m en-

ro 31
c o n t r a d a s . M a s e m face d a v o n t a d e de vencer, a s difi- por d i a n t e . A produção de alumínio e cobre, por e x e m -
culdades podem ser resolvidas. plo, terá que ser desenvolvida nos países onde os r e c u r -
D e u m modo g e r a l , q u a n t o m a i s a m p l a a frente e m sos essenciais, minério e e n e r g i a b a r a t a , são e n c o n t r a -
que fôr lançada a u n i d a d e económica, t a n t o m a i s r a p i - dos. A m a n u f a t u r a de produtos de alumínio e cobre, n o
d a m e n t e poderão ser alcançados os objetivos e d i r e t r i - e n t a n t o , não p r e c i s a ter l u g a r nos países que p r o d u z e m
zes de u m a África p l e n a m e n t e desenvolvida. U m órgão os m e t a i s . D a m e s m a m a n e i r a , a produção de algodão
p l a n e j a d o r p a r a toda a África poderia t o m a r m e - está l i m i t a d a a c e r t a s regiões climáticas, e n q u a n t o que
as indústrias têxteis de algodão podem ser c r i a d a s m a i s
didas i m e d i a t a s p a r a o desenvolvimento de indústria e
adiante.
e n e r g i a e m g r a n d e e s c a l a ; p a r a a remoção de b a r r e i r a s
ao comércio i n t e r a f r i c a n o ; e p a r a a criação de u m b a n C a d a E s t a d o a f r i c a n o t e m a l g u m a contribuição a
co c e n t r a l e a formação de u m a política u n i f i c a d a sobre fazer ao todo económico. Não há, por exemplo, depósi-
todos os aspectos de controle, t a r i f a s e acordos de c o t a tos conhecidos de p o t a s s a n a África O c i d e n t a l , m a s as
de exportação. A CEA r e a l i z o u vários l e v a n t a m e n t o s c o m necessidades podem ser s u p r i d a s p e l a África do Norte.
o objetivo de fornecer informações p a r a a u x i l i a r a to- Etiópia e possivelmente também pelo Congo ( B r a z z a -
m a r decisões sobre esses pontos. v i l l e ) e Gabão. P l a n o s p a r a a produção de f e r t i l i z a n t e
E n t r e a s necessidades i m e d i a t a s estão a fabricação nit rogenado e m Zâmbia já f o r a m feitos. A fábrica po-
n a África de m a q u i n a r i a agrícola de todos os tipos, d e r i a ser s u p r i d a c o m carvão d a Rodésia ( Z i m b a b w e )
p a r a a c e l e r a r a modernização d a a g r i c u l t u r a . P r e c i s a - e e n e r g i a de b a i x o c u s t o de V i c t o r i a F a l i s . Quénia, c o m
mos de s u p r i m e n t o s de e q u i p a m e n t o elétrico, p a r a u t i - s u a s g r a n d e s r e s e r v a s florestais, poderia t o r n a r - s e o
l i z a r n a crescente produção de e n e r g i a elétrica essen- c e n t r o de u m complexo de destilação de m a d e i r a capaz
de s u p r i r os países d a África C e n t r a l e O r i e n t a l c o m
c i a l ao c r e s c i m e n t o i n d u s t r i a l . M a q u i n a r i a i n d u s t r i a l e
gás, a c e t o n a , m e t a n o l e piche. Há m u i t o s outros exem-
de mineração p r e c i s a s e r p r o d u z i d a n a África a f i m de
plos, d e m a s i a d a m e n t e n u m e r o s o s p a r a a p r e s e n t a r .
b a i x a r o c u s t o do a p r o v e i t a m e n t o de nossos recursos
m i n e r a i s . M a q u i n a r i a de construção e p rod u t os a l i m e n - A necessidade u r g e n t e de p l a n e j a r o desenvo l vi men-
tícios, químicos, f e r t i l i z a n t e s e plásticos, tudo isso é u r - to i n d u s t r i a l e m escal a c o n t i n e n t a l não deve, no e n t a n -
g e n t e m e n t e necessário e a África p r e c i s a produzi-lo to, n o s cegar p a r a a necessidade i g u a l m e n t e i m p o r t a n -
p a r a a t e n d e r às s u a s próprias necessidades. te de fazer o m e s m o p a r a a a g r i c u l t u r a , pesca e s i l v i -
c u l t u r a . D u d l e y S n e e r s e m O Papel da Indústria no
Os relatórios d a s Missões de Coordenação I n d u s t r i a l
Desenvolvimento: Algumas Falácias r e s s a l t o u a i n t e r -
d a CEA a diferentes regiões d a África s u g e r e m que a
dependência d a a g r i c u l t u r a e d a indústria:
produção de f e r r o e aço, m e t a i s não-ferrosos, i n s t r u m e n -
tos de e n g e n h a r i a , produtos químicos e f e r t i l i z a n t e s , "São necessários m a t e r i a i s p a r a indústrias e m de-
c i m e n t o , p a p e l e têxteis devem ser desenvolvidos e m senvolvimento; o que é m a i s i m p o r t a n t e , a crescente
u m a base i n t e r a f r i c a n a , u m a vez que s u a eficiência de- força operária n a cidade p r e c i s a ser a l i m e n t a d a e isso
pende de produção e m g r a n d e e s c a l a . O u t r a s indústrias i m p l i c a e m que u m excedente c a d a vez m a i o r t e m que
que podem f u n c i o n a r e fi c i e n te m e nt e e m e s c a l a m e n o r ser produzido no c a m p o . . . D a r d e m a s i a d a ênfase à i n -
podem ser p l a n e j a d a s n a c i o n a l m e n t e . dústria, como d e s c o b r i r a m a l g u n s países às s u a s próprias
A localização d a s várias indústrias dependerá, n a - c u s t a s , l e v a p a r a d o x a l m e n t e , n o f i m , a u m índice m a i s
lento de industrialização".
t u r a l m e n t e , de m u i t o s fatôres, como a f a c ilid a d e de
acesso à e n e r g i a elétrica, depósitos m i n e r a i s , p r o x i m i - Os E s t a d o s a f r i c a n o s estão i m p o r t a n d o m a i o r e s
dade de fábricas de p r o c e s s a m e nt o, mercados e a s s i m q u a nt i dades de a l i m e n t o do e x t e r i o r do que n u n c a .

32 33
E s s a tendência p r e c i s a s e r i n t e r r o m p i d a por u m a e x - P a r a ser efetiva, a u n i d a d e económica deve ser
pansão c u i d a d o s a m e n t e p l a n e j a d a de n o s s a própria a c o m p a n h a d a d a u n i d a d e política. A s d u a s são insepa
ráveis, a m b a s necessárias à f u t u r a g r a n d e z a do nosso
agricultura.
c o n t i n e n t e , e ao pleno desenvolvimento de seus recur-
C o m o e m u m a indústria, pode h a v e r especialização,
sos. Há vários exemplos de i m p o r t a n t e s uniões de E s t a -
de modo que c a d a região o u E s t a d o se c o n c e n t r e n o s
dos n o m u n d o de hoje. E m A Africa Precisa Unir-se,
produtos agrícolas q u e têm m e l h o r e s condições p a r a descrevi a l g u m a s d a s m a i s i m p o r t a n t e s e a d v e r t i q u a n -
fornecer. P o r exemplo, é u m desperdício que c a d a E s t a - to ao perigo de federações regionais n a África.
do a f r i c a n o - o c i d e n t a l p r o c u r e ser auto-suficiente e m
a r r o z q u a n d o o d i s t r i t o de C a s a m a n c e , n o Senegal, po- A África é hoje o p r i n c i p a l t e r r e n o de ação d a s
d e r i a b e m s e r capaz de s u p r i r a necessidade. D o mesmo forças neocolonialistas que b u s c a m o domínio do m u n -
modo, M a l i e V o l t a S u p e r i o r são obviamente e x p o r t a - do pelo i m p e r i a l i s m o a que s e r v e m . Estendendo-se d a
África do S u l , Congo, Rodésias, A n g o l a , Moçambique,
dores de c a r n e f r e s c a , e n l a t a d a e processada, e n q u a n t o
f o r m a m u m a conexão c o m p l e x a c o m os m a i s poderosos
os E s t a d o s litorâneos f o r n e c e r i a m p e i x e fresco, e n l a t a -
monopólios f i n a n c e i r o s i n t e r n a c i o n a i s do m u n d o . E s s e s
do e d e f u m a d o .
monopólios estão estendendo s u a s organizações bancá-
O u t r o a r g u m e n t o a favor de u m a política agrícola r i a s e i n d u s t r i a i s através do c o n t i n e n t e a f r i c a n o . S e u s
u n i f i c a d a está implícito n a necessidade de a u m e n t a r os porta-vozes protegem-lhes os interesses n o s p a r l a m e n -
esforços p a r a c o m b a t e r m u i t o s dos obstáculos a o cres- tos e governos do m u n d o e p a r t i c i p a m de órgãos i n t e r -
c i m e n t o económico. G a f a n h o t o s , a m o s c a tsé-tsé e doen- n a c i o n a i s que s u p o s t a m e n t e e x i s t e m p a r a promoção d a
ças vegetais não r e s p e i t a m f r o n t e i r a s políticas. A pes- paz m u n d i a l e do bem-estar das nações menos desen-
q u i s a p a r a o s e u controle t e r i a benefícios de u m a con- volvidas. C o n t r a tão formidável falange, como podemos
junção de cérebros e experiência técnica. O mesmo a g i r ? C e r t a m e n t e não e m caráter isolado, m a s e m u m a
a c o n t e c e r i a à m e d i c i n a e serviços sociais. Como s e r i a combinação que dará força ao nosso poder de negocia-
m a i o r a possibilidade de e l i m i n a r a s grandes doenças ção e eliminará t a n t a s das duplicações que dão m a i o r
epidêmicas, como a c e g u e i r a dos r i o s e a doença do força e m a i o r v a n t a g e m aos i m p e r i a l i s t a s e m s u a e s t r a -
sono, se a ação c o n t r a elas fosse coordenada e tégia de neocolonização.
unificada.
Descolonização é u m a p a l a v r a i n s i n c e r a e frequen-
A v a n t a g e m de orientação u n i f i c a d a m i l i t a r e d i -
temente u s a d a pelos porta-vozes i m p e r i a l i s t a s p a r a des-
plomática t a n t o p a r a n o s s a própria segurança como
crever a transferência de controle político, d a sobera-
p a r a alcançar a liberdade p a r a todas a s p a r t e s d a Áfri- n i a c o l o n i a l i s t a p a r a a a f r i c a n a . A m o l a m e s t r a do
c a é tão evidente q u e não n e c e s s i t a comentários. colonialismo, n o e n t a n t o , c o n t i n u a c o n t r o l a n d o a
T r a n s p o r t e s e comunicações são também setores soberania. A s nações n o v a s são a i n d a a s fornecedoras
onde é necessário o p l a n e j a m e n t o u n i f i c a d o . E s t r a d a s , de matérias-primas, a s v e l h a s de produtos m a n u f a t u r a -
f e r r o v i a s , c a n a i s , l i n h a s aéreas devem ser postos ao ser- dos. A alteração d a s relações económicas e n t r e a s no-
viço d a s necessidades a f r i c a n a s e não d a s exigências de vas nações soberanas e seus a n t i g o s senhores é a p e n a s
interesses estrangeiros. A s comunicações e n t r e Estado. ? 1 de f o r m a . O c o l o n i a l i s m o e n c o n t r o u u m novo disfarce.
a f r i c a n o s são i n t e i r a m e n t e i n a d e q u a d a s . E m m u i t o s c a - Tornou-se o neocolonialismo, o último estágio do impe-
sos a i n d a é m a i s fácil v i a j a r de u m aeroporto, n a Áfri- rialismo; s u a última proclamação de existência, como
c a , até a E u r o p a o u América, do que. d§ u m E s t a d G o c a p i t a l i s m o m o n o p o l i s t a o u i m p e r i a l i s m o é o último
africano p a r a outro. estágio do c a p i t a l i s m o . E o neocolonialismo está se e n -

34 35
t r i n c h e i r a n d o r a p i d a m e n t e , hoje, dentro do corpo d a desenvolvimento a i m p o r t a r bens e serviços que são pro-
África, através de combinações de consórcios e mono- duzidos por c o m p a n h i a s c o m b i n a d a s c o m os grupos
pólios que são os carpetbaggers da revolta africana monopolistas que e x p l o r a m d i r e t a m e n t e seus r e c u r s o s
c o n t r a o c o l o n i a l i s m o e o desejo de u n i d a d e c o n t i n e n t a l . n a t u r a i s o u estão i n t i m a m e n t e l i g a d a s a eles. E s s a é a
g u i l h o t i n a de dois g u m e s que a m p u t a d a África a r i -
E s s e s interesses estão c e n t r a l i z a d o s n a s c o m p a n h i a s
queza africana, p a r a o maior enriquecimento das n a -
m i n e r a d o r a s d a África C e n t r a l e do S u l . D a mineração,
ções que a b s o r v e m s u a s matérias-primas e a s devolvem
r a m i f i c a m - s e e m u m a t r a m a c o m p l e x a de c o m p a n h i a s
sob a f o r m a de produtos acabados.
de i n v e s t i m e n t o , interesses m a n u f a t u r e i r o s , organiza-
ções de t r a n s p o r t e e u t i l i d a d e pública, indústrias de E m meio à s u a recente independência, é a esses
petróleo e químicas, instalações n u c l e a r e s e m u i t a s ou- mesmos grupos monopolísticos que os novos E s t a d o s
t r a s e m p r e s a s d e m a s i a d o n u m e r o s a s p a r a se e n u n c i a r . a f r i c a n o s são obrigados a se d i r i g i r , p a r a s u p r i r e m a s
S u a s empresas d e r r a m a m - s e pelo v a s t o c o n t i n e n t e a f r i - exigências n a s c i d a s d a necessidade de estabelecer a s
c a n o e através dos oceanos, p a r a a América do Norte, bases p a r a a s u a transformação económica. A política
Austrália, N o v a Zelândia, Ásia, Caraíbas, América do de não-alinhamento, sempre que é e x e r c i d a , impõe a
S u l , R e i n o U n i d o , Escandinávia e a m a i o r p a r t e d a E u - obrigação de escolher onde c o m p r a r , m a s desde que o
ropa Ocidental. c a p i t a l i s m o c h e g o u ao auge do monopólio, é impossível
a q u a l q u e r u m de nós e v i t a r nego ci ar c o m o monopó-
Ligações, d i r e t a s o u i n d i r e t a s , são m a n t i d a s c o m lio, de u m a f o r m a o u de o u t r a . M a s é n a n a t u r e z a de
m u i t o s dos gigantes d a indústria e finança norte-ame- nossos e n t e n d i m e n t o s c o m os monopólios que está a l i -
r i c a n a s . São s u s t e n t a d a s p o r p r o e m i n e n t e s banqueiros, berdade o u não dos E s t a d o s a f r i c a n o s . Onde c r i a m o s e
f i n a n c i s t a s e i n d u s t r i a i s do R e i n o U n i d o , França, Bélgi- m a n t e m o s a i n t e g r i d a d e de nossas instituições f i n a n c e i -
c a , A l e m a n h a , América do N o r t e e o u t r a s p a r t e s . A s r a s e m a n t e m o s nossos projetos f u n d a m e n t a i s l i v r e s do
l i s t a s de componentes d a s s u a s d i r e t o r i a s estão c h e i a s controle i m p e r i a l i s t a , d e i x a m o s u m a m a r g e m p a r a m a -
de nomes que s o a m f a m i l i a r m e n t e aos ouvidos dos que n o b r a r p a r a f o r a do a l c a n c e do neocolonialismo, que
têm u m mínimo de c o n h e c i m e n t o de indústria e f i n a n - inf e liz m e nte fechou s u a s g a r r a s sobre países c u j a inde-
ças i n t e r n a c i o n a i s . Nomes como O p p e n h e i m e r , H a m b r o , pendência está e n c o b e r t a por u m a p r o f u n d a dependên-
Drayton, Rothschild, D ' E r l a n g e r , Gillet, Lafond, Robi- c i a de associações e x t r a - a f r i c a n a s . N e s s a a t m o s f e r a de
liard, V a n der S t r a t e n , Hochschild, Chester Beatty, liberdade r e l a t i v a , os gigantescos interesses que i n a u g u -
P a t i n o , E n g e l h a r d , T i m m i n s , estão e m todas. O u t r o s , r a m empresas i n d u s t r i a i s e m nosso solo o f a z e m a t r a -
i g u a l m e n t e poderosos n o s interesses que d o m i n a m , evi- vés de acordos que f i c a m b e m l i m i t a d o s e f a z e m p a r t e
t a m a p u b l i c i d a d e d a s longas l i s t a s de diretores, q u e r do progresso n a c i o n a l m e n t e p l a n e j a d o . O s bancos n a -
p e l a c o m p l e t a ausência d a s páginas d a s l i s t a s a n s i o s a s cionais são v e r d a d e i r a m e n t e b a n c o s n a c i o n a i s , forma-
por a n u n c i a r s u a s glórias, quer o c u l t a n d o t i m i d a m e n t e dos e operados c o m os próprios r e c u r s o s do país, e nos-
s u a eminência por trás de u m anúncio isolado c o m sas d e m a is instituições f i n a n c e i r a s e económicas são
n o m e e endereço. protegidas d a infiltração n e o c o l o n i a l i s t a .
E s s a s i n t r i n c a d a s interconexões dos g r a n d e s mono- I n f e l i z m e n t e , essas condições são r a r a s n a África.
pólios i m p e r i a l i s t a s r e v e l a m a s forças r e a i s que estão A m a i o r i a dos territórios p a s s a ao estado de s o b e r a n i a
por trás dos a c o n t e c i m e n t o s m u n d i a i s . I n d i c a m também n a c i o n a l e m circunstâncias que i n i b e m m e s m o u m a
a t r a m a que l i g a esses a c o n t e c i m e n t o s às nações e m p r q u e n a liberdade de m o v i m e n t o s dentro das f r o n t e i r a s
desenvolvimento e m diferentes pontos do globo. Re v e - n.iclonais. E s s a s circunstâncias p o d e r i a m ser s u p e r a -
l a m a d u a l i d a d e dos interesses que forçam c s países e m das, m a s somente d e n t r o d a força c o m b i n a d a que u m a

36 37
constitui frequentemente u m a fachada para a partici-
u n i d a d e c o n t i n e n t a l e u m a política s o c i a l i s t a c e n t r a l
pação n o r t e - a m e r i c a n a .
de c o n j u n t o p o d e r i a m d a r . C o m o estão a s coisas, a
m a i o r i a de nossos novos E s t a d o s , a l a r m a d o s a n t e as O s assessores f i n a n c e i r o s europeus dão c o n s t a n t e -
p e r s p e c t i v a s do m u n d o áspero de pobreza, doença, igno- m e n t e conselhos às nações a f r i c a n a s sobre a s v a n t a -
rância e f a l t a de recursos f i n a n c e i r o s e técnicos, e m que gens que podem t e r conservando-se associadas ao a n t i -
são lançados do v e n t r e do colonialismo, r e l u t a m e m go "país-mãe", ao m e s m o tempo que d e p r e c i a m a s
r o m p e r o cordão que os l i g a à mãe i m p e r i a l i s t a . S u a possibilidades d a associação i n t e r a f r i c a n a . O c o m e n t a -
hesitação é reforçada p e l a água c o m açúcar d a a j u d a , r i s t a do Financial Times, L o m b a r d , u s a de m u i t a s u t i -
meio-têrmo e n t r e a avidez d a fome e a m a i o r a l i m e n - leza. E m a r t i g o p u b l i c a d o n a edição de 6 de fevereiro
tação esperada, que n u n c a chega. C o m o r e s u l t a d o , veri- de 1964 desse i n f l u e n t e j o r n a l l o n d r i n o , p r o d u t o d a
f i c a m o s que o i m p e r i a l i s m o , t e n d o se adaptado à perde c o m p a n h i a i n d u s t r i a l que p u b l i c a também o The Eco-
de controle político direto, c o ns e rv ou e estendeu o s e u nomist, L o m b a r d a f i r m a v a que "não há m u i t o que a s
domínio económico (e consequentemente s u a força po- nações a f r i c a n a s p o s s a m fazer d i r e t a m e n t e p a r a se a j u -
lítica) pelo artifício d a insinuação neocolonialista. d a r e m f i n a n c e i r a m e n t e e n t r e s i , neste estágio d a s u a
evolução económica". L o m b a r d , consequentemente, de-
A expansão c a d a vez m a i o r d a capacidade produ- c l a r a v a - s e " s a t i s f e i t o ao v e r que a s nações independen-
t i v a e d a produção p o t e n c i a l das nações c a p i t a l i s t a s tes d a África estão a g o r a começando a reconhecer que
avançadas têm como corolário a necessidade de expor- lhes é de g r a n d e interesse p r e s e r v a r os laços monetá-
t a r e m e s c a l a g e o m e t r i c a m e n t e crescente os produtos rios c o m a s p r i n c i p a i s nações europeias, herdados dos
acabados d a indústria e o excesso de c a p i t a l que só po- tempos c o l o n i a i s . . . E l a s ( a s a f r i c a n a s ) o bvi amente
d e r i a i n f l a c i o n a r a i n d a m a i s a competição d e nt ro do t i v e r a m fortes s u s p e i t a s de que o e n t u s i a s m o demons-
próprio país, m a s que t r a z p r o n t a m e n t e a l t o s l u c r o s trado pelas a n t i g a s nações-mães, a o lhes p e r m i t i r que
das n o v a s nações i n d u s t r i a l m e n t e f a m i n t a s . Daí a c o n t i n u a s s e m d e n t r o de s u a s áreas monetárias, e r a m o -
d i s p u t a f e b r i l p a r a obter posição n e s s a s áreas, a s s i m tivado p r i n c i p a l m e n t e , senão t o t a l m e n t e , por conside-
como n a do monopólio de matérias-primas, que está rações de interesse próprio. E ( a s a f r i c a n a s ) estão i n -
u s a n d o a África como c a m p o de ação não a p e n a s d a c l i n a d a s a c o n c l u i r que isso s i g n i f i c a v a que seus próprios
g u e r r a f r i a ( u m aspecto d a l u t a p e l a existência do c a - objetivos s e r i a m m e l h o r defendidos fazendo segui r à
p i t a l i s m o c o n t r a o s o c i a l i s m o ) m a s d a b a t a l h a compe- independência política a s u a equi val ente f i n a n c e i r a , o
t i t i v a do monopólio i n t e r n a c i o n a l . A s exportações n o r - m a i s cedo possível".
t e - a m e r i c a n a s p a r a a África a u m e n t a r a m de 10,3 por
cento e m 1959 p a r a 13,7 por cento e m 1962, e n q u a n t o L o m b a r d a s s e g u r o u a seus leitores que os a f r i c a n o s
as dos d e m a i s países o c i d e n t a i s e do Japão c o n t i n u a - d e m o n s t r a r a m sabedoria q u a n d o o secr etar i ado d a CEA,
v a m n a m e s m a o u d e c l i n a v a m l i g e i r a m e n t e . I s s o cor- a u x i l i a n d o a Organização d a U n i d a d e A f r i c a n a a d a r
responde aos crescentes i n v e s t i m e n t o s n o r t e - a m e r i c a n o s c u m p r i m e n t o à s u a resolução sobre a possibilidade de
n a s indústrias e x t r a t i v a s do c o n t i n e n t e e n o a u m e n t o c r i a r u m a união de estabelecimentos de redesconto
de participação dos E s t a d o s U n i d o s n o s estabelecimen- africanos, teve o b o m senso "de pedir o conselho d a
tos f i n a n c e i r o s do c o n t i n e n t e . A s c a s a s bancárias norte- eminente a u t o r i d a d e monetária n o r t e - a m e r i c a n a , P r o -
a m e r i c a n a s estão e n t r a n d o e m território a n t e r i o r m e n t e fessor T r i f f i n , d a U n i v e r s i d a d e de Y a l e " . Será de s u r -
servidos e x c l u s i v a m e n t e por bancos europeus e britâni- preender que e m s e u relatório o e m i n e n t e professor
cos. O s bancos f r a n c e s e s a i n d a d o m i n a m n o s a n t i g o s nort e -a m er i cano t e n h a r essal tado que " s e r i a e x t r e m a -
territórios franceses e os belgas n o Congo, m a s isso mente i m p r u d e n t e c o n d e n a r o u r o m p e r l e v i a n a m e n t e

39
38
os acertos f i n a n c e i r o s c o m c o m p a n h i a s comerciais e
centros f i n a n c e i r o s de m a i o r importância"? I s s o , n a t u - M a s toda essa subversão i n d i r e t a n a d a é, e m c o m -
r a l m e n t e , nós poderíamos c o n s i d e r a r como penetração - ração ao a s s a l t o acintoso dos c a p i t a l i s t a s i n t e r n a -
neocolonialista, m a s p a r a L o m b a r d é apenas u m lado i ii >uais. A í está o "império", o império do c a p i t a l f i n a n -
d a questão. Pois há dois m u n d o s , e a s nações a f r i c a n a s i ' iro, de fato, se não de n o m e : u m a v a s t a rede de a t i -
" d e v e m agora se esforçar por obter o m e l h o r dos dois uilades intercontinentais e m escala altamente diversi-
m u n d o s , conservando e m e s m o desenvolvendo a s r e l a - i i r i i d a , que c o n t r o l a a s v i d a s de milhões de pessoas n a s
ções que têm c o m a s p r i n c i p a i s áreas monetárias i n t e r - i < c iões m a i s a f a s t a d a s do m u n d o , m a n i p u l a n d o indús-
n a c i o n a i s e ao m e s m o tempo c o n s t r u i n d o seus próprios 11 ias i n t e i r a s e e x p l o r a n d o o t r a b a l h o e r i q u e z a s de n a -
m e c a n i s m o s f i n a n c e i r o s de a j u d a i n t e r n a " . Como é pos- > > ii s p a r a a satisfação v o r a z de a l g u n s . A í reside a m o l a
sível c o n c i l i a r d u a s contradições, L o m b a r d não se ofe- mestra do poder, a direção d a s orientações políticas
rece p a r a e x p l i c a r , m a s o que confessa é que esse i n c o n - que se opõem à o n d a crescente d a libertação dos povos
ciliável procedimento e m d u a s direções " t e r i a n a d a m e explorados d a África e do m u n d o . A í está o i n i m i g o
nos do que a aprovação p l e n a dos seus a t u a i s associa- incansável d a independência e u n i d a d e a f r i c a n a s , l i g a -
dos de área monetária". dii u u m a c a d e i a i n t e r n a c i o n a l de interesses c o m u n s
que c o n s i d e r a a provável união d a s n o v a s nações como
I s s o diz m u i t o e não temos dificuldade e m c r e r n o 1 lo golpe c o n t r a a continuação do s e u domínio sobre
que diz, pelo simples fato de que os que c o n t r o l a m a s n recursos e economias dos outros. Aí, n a verdade, es-
p r i n c i p a i s áreas monetárias i n t e r n a c i o n a i s estão colo- t i o a s e n g r e n a g e n s r e a i s do neocolonialismo. Aí, n a
cando s u a s bombas de t e m p o dentro dos " m e c a n i s m o s \>nlade, estão a s ramificações económicas dos monopó-
de a j u d a i n t e r n a " d a s nações a f r i c a n a s . P o i s esses m e - lio:; c grupos de empresas. S e u s impérios f i n a n c e i r o s e
c a n i s m o s são controlados pelos monopolistas f i n a n c e i - 11 niiômicos são p a n - a f r i c a n o s e só podem s e r e n f r e n t a -
ros do i m p e r i a l i s m o , os banqueiros e f i n a n c i s t a s que do:! e m base p a n - a f r i c a n a . Só u m a África u n i d a , através
e s t i v e r a m m u i t o ocupados d u r a n t e os dois últimos anos Cid u m G o v e r n o de u m a União A f r i c a n a poderá derro-
c r i a n d o estabelecimentos por t o d a a África, i n f i l t r a n d o - tá-los .
se no coração económico de m u i t o s países e ligando-se
às m a i s i m p o r t a n t e s empresas que estão sendo c r i a d a s
p a r a e x p l o r a r os recursos n a t u r a i s do c o n t i n e n t e , e m
e s c a l a m a i o r do que n u n c a , p a r a s e u próprio l u c r o .
E m b o r a o objetivo dos neocolonialistas seja o do-
mínio económico, não l i m i t a m s u a s operações à esfera
económica. U t i l i z a m os velhos métodos c o l o n i a l i s t a s d a
infiltração religiosa, e d u c a c i o n a l e c u l t u r a l . P o r exem-
plo, n o s E s t a d o s independentes, m u i t o s professores ex-
patriados e "embaixadores c u l t u r a i s " i n f l u e n c i a m as
m e n t e s dos jovens c o n t r a o próprio país e o povo. F a -
z e m isso solapando a confiança n o G o v e r n o n a c i o n a l e
n o s i s t e m a s o c i a l , através d a exaltação de s u a s noções
próprias de como u m E s t a d o deve ser a d m i n i s t r a d o e
esquecem de que não há monopólio sobre o saber
político.

40
41
3. Finança imperialista

ESTA É A DURA realidade d a situação de hoje n a


A f r i c a , u m processo que t e m c o n t i n u a d o e crescido
desde a invasão d a A f r i c a pelas potências europeias e
estrangeiras. G a n h o u u m t r e m e n d o i m p u l s o nos últi-
mos anos c o m o a g r a v a m e n t o d a l u t a entre os antago-
n i z a s i m p e r i a l i s t a s e e n t r e c a p i t a l i s m o e socialismo.
O i m p e r i a l i s m o f o i a n a l i s a d o p o r Lênin como o
mais alto estágio do c a p i t a l i s m o . S u a exposição f o i r e -
digida e m p l e n a G u e r r a M u n d i a l ( 1 9 1 6 ) , que f o r a
desencadeada p a r a d e t e r m i n a r a p r i m e i r a g r a n d e r e v i -
Ifto d a s u p r e m a c i a i m p e r i a l i s t a . Êle traçou o desenvol
Vimento d e s i g u a l do c a p i t a l i s m o , que l e v o u os recém-
i hegados como a A l e m a n h a e os E s t a d o s U n i d o s a for-
n i . m i n cartéis e s i n d i c a t o s a n t e s dos q u e h a v i a m
• - i m e a d o p r i m e i r o , e a s s i m os c o n d u z i u m a i s cedo a
stágio m a i s elevado de monopólio, de onde se desa-
riuvitm m u t u a m e n t e e d e s a f i a v a m o r e s t a n t e do i m p e -
' I-I Msmo m u n d i a l .
O c a p i t a l i s m o monopolista, por meio de uniões,
In mes, acordos de patentes, acertos de v e n d a s , cotas de
produção, fixação de preços e u m a série de outros m e -
i i i n i i m o s c o m u n s , se constituíra e m u m a c o n f r a r i a
i n i i T i m c i o n a l . P o r c a u s a do s e u caráter competitivo, no
• u l n u l o , enraizado n o princípio d a produção p a r a l u c r o

43
p r i v a d o e n o desenvolvimento d e s i g u a l do c a p i t a l i s m o , n u m a S e g u n d a G u e r r a M u n d i a l , e m 1939. Desse holo-
a l u t a dos monopólios c o n t i n u o u dentro das c o m b i n a - causto, o socialismo e m e r g i u como u m desafio m u i t o
ções i n t e r n a c i o n a i s . O a g r a v a m e n t o dos conflitos e n t r e m a i s ameaçador ao c a p i t a l i s m o do que j a m a i s f o r a a n -
os t r u s t e s e grupos i n d u s t r i a i s e f i n a n c e i r o s europeus tes. A o mesmo tempo, nós, os povos dos "impérios l o n -
e n o r t e - a m e r i c a n o s , p e l a redivisão dos recursos m u n - gínquos" do i m p e r i a l i s m o , havíamos compreendido que
d i a i s de matérias-primas e m e r c a d o s p a r a i n v e s t i m e n t o podíamos ter o controle do nosso próprio destino
de c a p i t a l e artigos m a n u f a t u r a d o s , e x p l o d i u e m guer- e começamos a fazer n o s s a exigência de independência
r a q u a n d o se t o r n a r a m i n t e n s o s d e m a i s p a r a f i c a r e m como nações. A s s i m , o i m p e r i a l i s m o começou a ser de-
contidos n o s l i m i t e s d a d i p l o m a c i a . A g u e r r a de 1914-18 safiado e m m a i s u m a frente, a f r e n t e c o l o n i a l i s t a , n u m a
t r o u x e a redivisão dos setores coloniais do globo. Ao época e m que a ciência h a v i a elevado a capacidade d a
mesmo tempo, c r i o u a oportunidade p a r a u m a b r e c h a m a q u i n a r i a p r o d u t i v a do c a p i t a l i s m o , a u m e n t a n d o por-
s o c i a l i s t a n a c a d e i a de i m p e r i a l i s m o q u e r o d e a v a t a n t o a s u a necessidade de matérias-primas e mercados
o mundo. p a r a novos m a t e r i a i s primários produzidos q u i m i c a -
O t r i u n f o d a revolução de o u t u b r o n a Rússia repre- mente, produtos m a n u f a t u r a d o s e emprego, n o u l t r a -
sentou u m golpe severo p a r a o c a p i t a l i s m o monopolista m a r , de excedentes de c a p i t a l c a d a vez maiores. D e s a -
i n t e r n a c i o n a l . Daí p o r d i a n t e , êle e n f r e n t a v a não ape- liado a s s i m pelo a n t i c o l o n i a l i s m o e pelo socialismo, o
n a s a b a t a l h a p e l a h e g e m o n i a dentro de s u a s próprias i m p e r i a l i s m o está a g o r a e m p e n h a d o n u m a l u t a m o r t a ]
f i l e i r a s m a s , o que e r a m u i t o pior, foi forçado a se e n - pela sobrevivência a n t e a s forças que l h e são antagó-
g a j a r e m l u t a d e f e n s i v a c o n t r a u m a ideologia oposta. n i c a s e que estão se a v o l u m a n d o por t o d a a t e r r a , e x a -
E s s a ideologia h a v i a alcançado u m êxito s i g n i f i c a t i v o t a m e n t e quando a l u t a i n t e r n a , dentro dele mesmo, se
ao r e t i r a r u m sexto d a superfície d a t e r r a do campo de t o r n a m a i s e m a i s b r u t a l . Nesse múltiplo combate, o
operações do c a p i t a l i s m o monopolista, fato que este i m p e r i a l i s m o foi forçado a u t i l i z a r - s e de m u i t o s artifí-
n u n c a perdoou e n e m perdoará, e ameaçava solapar a cios p a r a c o n t i n u a r e x i s t i n d o através d a permanência
força do i m p e r i a l i s m o e m outros pontos estratégicos do processo c o l o n i a l i s t a s e m a a j u d a do contrôls
que h a v i a m se enfraquecido sob os golpes d a g u e r r a . colonial.
C o m o fracasso da guerra intervencionista p a r a subju- A s grandes potências coloniais c o n s e g u i r a m mono-
gar o novo E s t a d o s o c i a l i s t a , u m "cordão sanitário" foi polizar o comércio e x t e r i o r e a produção de matérias-
esticado e m torno d a União Soviética p a r a i m p e d i r que p r i m a s agrícolas e i n d u s t r i a i s n o s territórios que lhes
a contaminação s o c i a l i s t a se espalhasse a o u t r a s p a r t e s estão r e s p e c t i v a m e n t e sujeitos. A s colónias de u m a n a -
d a E u r o p a . O f a s c i s m o foi encorajado a s u s t e n t a r o ção menos i n d u s t r i a l i z a d a como P o r t u g a l , n o e n t a n t o ,
c a p i t a l i s m o e m pontos n o s q u a i s este f o r a s e r i a m e n t e que v e m sendo há séculos u m i n s t r u m e n t o d a Grã-Bre-
d a n i f i c a d o e e n f r e n t a v a o descontentamento popular, t u n h a e se t o r n o u u m a semicolônia d a finança britâ-
como n a A l e m a n h a e n a Itália, e a reforçá-lo nesses nica, f o r a m d o m i n a d a s pelo c a p i t a l britânico, j u n t a -
postos avançados que e r a m e c o n t i n u a m sendo apêndi- mente c o m os grupos bancários i n t e r n a c i o n a i s c o m os
ces semicoloniais do i m p e r i a l i s m o o c i d e n t a l , E s p a n h a e quais está associado. O domínio f i n a n c e i r o belga sobre
Portugal. o Congo, por c a u s a d a s ligações íntimas d a s i n s t i t u i -
"Esses artifícios, no e n t a n t o , não e r a m capazes de ções bancárias belgas c o m c a s a s i n t e r n a c i o n a i s como
d o m i n a r a s repetidas crises que se desencadeavam n o R o t h s c h i l d , L a z a r d Frères e S c h r o d e r , por s u a vez l i g a -
próprio coração do c a p i t a l i s m o e a g r a v a v a m a s a c i r r a - dos aos grupos M o r g a n e R o c k e f e l l e r , e r a p a r t i l h a d o
das d i s p u t a s entre i m p e r i a l i s m o s r i v a i s , que e x p l o d i r a m • " i n a finança britânica, f r a n c e s a e n o r t e - a m e r i c a n a .

44 45
Os t r i b u t o s a r r a n c a d o s através d a exploração colo- ça, sob a f o r m a de reparações. U m plebiscito posterior
n i a l e s e m i c o l o n i a l p e r m i t i r a m às classes c a p i t a l i s t a ? g a n h o u n o v a m e n t e o S a r r e p a r a a A l e m a n h a . Depois
d a s nações m e t r o p o l i t a n a s p a s s a r às s u a s classes t r a b a - d a S e g u n d a G u e r r a M u n d i a l , u m acordo e n t r e os t r u s -
l h a d o r a s a l g u m a s d a s m i g a l h a s e a s s i m comprá-las tes D e W e n d e l l - S c h n e i d e r - K r u p p c o n s e g u i u u m a união
(especialmente líderes políticos e s i n d i c a i s ) q u a n d o os alfandegária e n t r e o E s t a d o do S a r r e Alemão e a F r a n -
conflitos de classe e m s u a s sociedades se t o r n a r a m crí- ça, que n a realidade t o r n a o S a r r e u m a dependência do
ticos. A o mesmo tempo, a competição por fontes de m a - império de carvão e aço de D e W e n d e l l .
térias-primas e a exportação de c a p i t a l e de artigos se A S e g u n d a G u e r r a M u n d i a l t e r m i n o u c o m a der-
i n t e n s i f i c a v a à m e d i d a que m e l h o r a v a m os métodos de
r o t a de H i t l e r e u m a rejeição temporária ao c a p i t a l i s -
produção e os produtos saíam das fábricas e m e s c a l a
mo alemão, que foi forçado a se s u b m e t e r a u m a i n j e -
c a d a vez m a i s maciça.
ção r e v i t a l i z a d o r a d a finança m o n o p o l i s t a n o r t e - a m e r i -
O desenvolvimento d e s i g u a l do c a p i t a l i s m o t r o u x e c a n a . A o m e s m o tempo, produzia-se u m soerguimento
novos contendores à a r e n a , que se incluíram n a s r i v a - no m u n d o c o l o n i a l que provocou o comentário de
lidades que h a v i a m surgido c o m a d i s p u t a o r i g i n a l pe- W i n s t o n C h u r c h i l l , de que não f o r a designado P r i m e i -
l a s colónias. A s r i v a l i d a d e s se a g r a v a r a m até explodir r o - M i n i s t r o d a Grã-Bretanha p a r a p r e s i d i r à liquidação
e m d u a s g u e r r a s m u n d i a i s que, m u i t o e m b o r a a piedo- do Império Britânico. T o d a s a s belas e corajosas p a l a -
s a p a l a v r a d a sobre g u e r r a s p a r a a preservação d a de- v r a s p r o n u n c i a d a s sobre a liberdade que h a v i a m sido
m o c r a c i a , f o r a m n a r e a l i d a d e g u e r r a s p e l a redivisão do d i f u n d i d a s pelo rádio aos q u a t r o c a n t o s d a t e r r a , ger-
m u n d o pelo c a p i t a l i s m o monopolista. " A g u e r r a — e n s i - m i n a r a m e c r e s c e r a m n u m l o c a l onde não e s t a v a pre-
nou-nos C l a u s e w i t z — é a continuação d a política por visto que isso acontecesse. A emancipação c o l o n i a l tor-
outros m e i o s " . O que os poderosos t r u s t e s f o r a m i n c a - nou-se o fenómeno p r i n c i p a l do meio-século, a s s i m como
pazes de obter p e l a competição "pacífica", s e u domínio a abolição d a e s c r a v a t u r a o foi n o período correspon-
sobre áreas c a d a vez m a i s e x t e n s a s do m u n d o , l e v a r a m dente do século X I X , c o m consequências também c r u -
seus países a r e a l i z a r p o r eles através d a ação m i l i t a r . c i a i s n a política e e c o n o m i a n a c i o n a i s e i n t e r n a c i o n a i s .
I s s o não apenas l h e s dá u m a esfera m a i s a m p l a de ope-
ração e x c l u s i v a , como também enfraquece os monopólios O c a p i t a l i s m o do pós-guerra, que já h a v i a sofrido
competidores. u m i m p a c t o devastador após a P r i m e i r a G u e r r a M u n -
E s s a redivisão do m u n d o não está l i m i t a d a aos se- d i a l c o m o a p a r e c i m e n t o d a União Soviética, sofreu
tores menos desenvolvidos, m a s alcança áreas a l t a m e n - n o v a d e r r o t a e s m a g a d o r a c o m a criação de regimes so-
te i n d u s t r i a l i z a d a s . A i m p o r t a n t e região i n d u s t r i a l i z a d a c i a l i s t a s e m n u m e r o s a s nações d a E u r o p a C e n t r a l e
d a Alsácia-Lorena f o i u m prémio cobiçado das i n v a - O r i e n t a l e n a C h i n a . A m p l a s fontes de matérias-primas
sões alemãs d a França, n a s g u e r r a s de 1871 e 1939. A e mercados de i n v e s t i m e n t o f i n a n c e i r o e de artigos de
c a m p a n h a de H i t l e r c o n t r a a Tcheco-Eslováquia e r a consumo f o r a m subtraídos ao s e u c a m p o de operações.
i n s p i r a d a pelo desejo de a n e x a r a s m a n u f a u r a s a l t a - A reconstrução i n t e r n a a princípio ocupou a atenção
m e n t e desenvolvidas d a Boémia e d a Morávia aos t r u s - das nações europeias. Os E s t a d o s U n i d o s , c o n t a n d o já
tes alemães. Os c a p i t a l i s t a s o l h a v a m c o m água n a boca, com u m a t r e m e n d a v a n t a g e m i n i c i a l por t e r e m e n t r a -
h a v i a m u i t o , a s r i c a s m i n a s de carvão e a s indústrias do n a g u e r r a b e m depois dos outros, p e l a s u a i m u n i -
químicas e o u t r a s indústrias do S a r r e , tão próximas do dade física a u m a t a q u e , e pelo enorme i m p u l s o dado
minério de L o r e n a , e a p r o v e i t a r a m a oportunidade, n a s à s u a capacidade p r o d u t i v a e i n v e n t i v a por ser o p r i n -
discussões de paz e m 1919, p a r a tomá-las p a r a a F r a n - c i p a l fornecedor de m a t e r i a i s e serviços de g u e r r a , to-

46 47
m a r a m d a Grã-Bretanha a liderança do monopólio M u n d i a l . O petróleo do O r i e n t e Médio, n a realidade,
financeiro internacional. tornou-se u m i m p o r t a n t e objetivo n a q u e l a g u e r r a e a
E m resultado d a s u a p r i m a z i a n a esfera f i n a n c e i r a , l u t a p r o s s e g u i u depois do conflito através de meios d i -
a política e x t e r n a dos E s t a d o s U n i d o s t o m o u u m a d i - plomáticos e económicos dentro d a s f r o n t e i r a s n a c i o -
reção i n t e i r a m e n t e oposta à s u a posição de " i s o l a m e n - n a i s e no p l a n o i n t e r n a c i o n a l . A s u p r e m a c i a de R o c k e -
to esplêndido" de a n t e s d a g u e r r a , p a s s a n d o a ser de feller foi a b e r t a m e n t e d e s a f i a d a pelos grupos M o r g a n ,
domínio dos a s s u n t o s m u n d i a i s . A emersão dos novos que forçaram e n t r a d a n o s holdings da Anglo-Dutch,
E s t a d o s saídos d a submersão c o l o n i a l c r i o u a questão a n t i g a r e s e r v a dos R o t h s c h i l d s , L a z a r d Frères, B a n c o
p r i m o r d i a l de como m a n t e r essas nações dentro das r e - Alemão e seus associados.
lações coloniais, u m a vez removido o controle evidente. A f u r i o s a b a t a l h a pelo monopólio petrolífero t e m
A s s i m n a s c e u u m a n o v a fase no i m p e r i a l i s m o , a d a constituído u m f a t o r c a r d i a l n a supressão dos m o v i -
adaptação do colonialismo à n o v a condição de e l i m i n a - m e n t o s populares e m áreas coloniais e semicoloniais do
ção do domínio político s e n h o r i a l pelas potências colo- O r i e n t e Próximo, O r i e n t e Médio e E x t r e m o O r i e n t e , n a
n i a i s , fase e m que o colonialismo t e m que s e r conser- América L a t i n a e A f r i c a do Norte. A série do ocorrên-
vado por outros meios. c i a s n o Irã, I r a q u e , K u w a i t , A d e n , Arábia S a u d i t a ,
I s s o não quer dizer que a a n t i g a f o r m a d i r e t a do C u b a , V e n e z u e l a , B r a s i l , B r u n e i e Argélia, explodindo
c o l o n i a l i s m o t e n h a sido c o m p l e t a m e n t e e x t i n t a . Há evi- e m violência, revolução e g u e r r a , t e m sido e m g r a n d e
dências n u m e r o s a s de como a s potências i m p e r i a i s se p a r t e e s t i m u l a d a p e l a l u t a pelo controle do petróleo.
a p e g a m t e n a z m e n t e aos seus territórios coloniais. V i e t - Descobertas de petróleo e m centros europeus, como e m
nã, C o r e i a , S ue z , Argélia, todos são exemplos de até que G r o n i n g e n , H o l a n d a , t r o u x e r a m a competição p a r a os
centros b e m i n d u s t r i a l i z a d o s , e x a t a m e n t e como a c o n -
ponto a s nações i m p e r i a l i s t a s vão p a r a se a g a r r a r f i -
tece c o m a competição por carvão e ferro.
s i c a m e n t e a colónias, a t i t u d e reforçada p e l a i n t e r f e -
rência dos E s t a d o s U n i d o s como p r i n c i p a l p r o t a g o n i s t a A competição e n t r e a s combinações de grupos pe-
n a l u t a pelo controle m o n o p o l i s t a m u n d i a l do c a p i t a l trolíferos não se l i m i t a à produção, m a s se estende à
f i n a n c e i r o . E s s a l u t a recebeu conteúdo ideológico ao ser distribuição de produtos de petróleo e à n o v a indús-
invocado o a n t i c o l o n i a l i s m o como m o l a m e s t r a d a b a - t r i a de subprodutos petroquímicos. U m a b a t a l h a feroz
t a l h a p a r a t r a z e r de v o l t a o setor s o c i a l i s t a do m u n d o está se desenvolvendo por todo o m u n d o , e m r e s u l t a d o
ao controle e x p l o r a t i v o do monopólio f i n a n c e i r o i n t e r - do forte a u m e n t o d a q u a n t i d a d e de petróleo c o n s u m i d a
n a c i o n a l . C u b a é o exemplo destacado dos e x t r e m o s a e d a expansão t e r r i t o r i a l do consumo. A indústria pe-
que esses grupos de nações irão n o esforço p a r a i m p o r trolífera t e m sido d o m i n a d a , desde o s e u início, pelos
a v o l t a do s e u controle onde êle foi expulso e m a n t e r interesses bancários m a i s poderosos, os R o c k e f e l l e r s ,
o que c o n s i d e r a m u m bastião estratégico n a l u t a p a r a Morgans, R o t h s c h i l d s , por c a u s a dos extraordinários
a renovação do domínio sobre o m u n d o s o c i a l i s t a a n t i - lucros que dá. Hoje, m e s m o c o m a s royalties maiores
imperialista. que os t r u s t e s de petróleo f o r a m obrigados a p a g a r às
nações p r o d u t o r a s , seus l u c r o s c o n t i n u a m subindo pro-
O controle dos r e c u r s o s petrolíferos é u m m o t i v a -
digiosamente.
dor p r i m o r d i a l d a frenética competição e n t r e monopó-
lios. O S a r r e e r a d i s p u t a d o e n t r e a França e a A l e m a - A s r e s e r v a s dos t r u s t e s de petróleo elevam-se a b i -
n h a por c a u s a dos seus i m p o r t a n t e s recursos carboní- lhões. M u i t o foi u t i l i z a d o e m i n v e s t i m e n t o s n o ex ter i o r ,
feros. D a m e s m a m a n e i r a , u m a b a t a l h a por c a u s a de o nisso os E s t a d o s U n i d o s e x c e d e r a m longe os demai s.
petróleo se desencadeou a p a r t i r d a P r i m e i r a G u e r r a As reservas f i n a n c e i r a s obtidas c o m o petróleo, devem-

48 49
cidade e organizações de relações públicas, que se
se a c r e s c e n t a r a s t i r a d a s dos monopólios de m e t a l e
o c u p a m e m vender não a p e n a s artigos e serviços, m a s
o u t r a s matérias-primas, do monopólio de a l i m e n t o s e
também personalidades. E s s a s organizações e os meios
vastos impérios i n d u s t r i a i s e agrícolas, d a rede mono-
através dos q u a i s o p e r a m — i m p r e n s a , rádio, c i n e m a ,
polística de distribuição e agências d i s t r i b u i d o r a s , dos
televisão — e a s empresas que c u i d a m d a e m b a l a g e m
p r e p a r a t i v o s m i l i t a r e s e d a s várias g u e r r a s que f o r a m
das m e r c a d o r i a s e m p r e g a m enormes exércitos de gente
e m p r e e n d i d a s c o m povos coloniais desde o f i n a l d a S e -
no que não p a s s a de empregos parasitários que não te-
g u n d a G u e r r a M u n d i a l , e f i n a l m e n t e do desenvolvi- r i a m l u g a r e m u m a sociedade e q u i l i b r a d a que p r o d u z a
m e n t o de i n s t r u m e n t o s de destruição n u c l e a r e d a cor- p a r a o consumo e não p a r a o l u c r o . No s i s t e m a a t u a l ,
r i d a frenética p e l a liderança do r e i n o d a pesquisa es- somas enormes são i n v e s t i d a s e g a n h a s pelos interesses
pacial. f i n a n c e i r o s que p a r t i c i p a m d a promoção dessas e m -
O c a p i t a l i s m o contém m u i t o s paradoxos, todos eles presas.
baseados n o conceito de produção de u t i l i d a d e s : os p o u - M a s essa é a p e n a s u m a p e q u e n a f a c e t a d a a t i v i -
cos ricos e os m u i t o s pobres; pobreza e fome e m meio dade f i n a n c e i r a f e b r i l que se desenvolve hoje n o m u n d o
à superabundância; a s c a m p a n h a s de "liberdade d a c a p i t a l i s t a . A c a d a s e m a n a , c a d a mês, c o m u m a r e g u -
f o m e " e subsídios p a r a a restrição de s a f r a s . M a s talvez l a r i d a d e quase monótona, vemos os mesmos nomes se
o m a i s cómico s e j a o c o n s t a n t e tráfico n o s m e s m o s t i - repetindo como lançadores de grandes companhias,
pos de artigos, produtos e u t i l i d a d e s e n t r e nações. I s s o como fiadores e emissores de n o v a s ações o u detentores
não é feito por necessidade, m a s p e l a compulsão do de debêntures, como a r t i c u l a d o r e s e m n o v a s i n s t i t u i -
l u c r o e d a extensão do monopólio. O Mercado C o m u m ções f i n a n c e i r a s p a r a obter métodos m a i s u n i v e r s a i s de
E u r o p e u tornou-se a apoteose desse processo, a s s i m i n v e s t i m e n t o , e como p a r t i c i p a n t e s e m n o v a s fábricas
como o c a m p o de ação do i n v e s t i m e n t o i n t e r n a c i o n a l , e especulações que estenderão o monopólio e m n o v a s
d o m i n a d o pelos gigantescos grupos bancários n o r t e - direções e a m a i s territórios.
a m e r i c a n o s e seus satélites britânicos.
São especialmente laboriosos n a s nações dos Seis e
A C o m u n i d a d e E u r o p e i a , d a q u a l o Mercado C o m u m
o u t r a s que a i n d a e s p e r a m p e n e t r a r no Mercado C o m u m
E u r o p e u c o n s t i t u i a p e n a s u m aspecto, não é a b s o l u t a -
como m e m b r o s diretos o u associados. A redução das b a r -
m e n t e u m conceito novo. F o i delineado por Hobson e m
reiras ao comércio foi o s i n a l p a r a a s u a e n t r a d a . N a
s u a crítica do i m p e r i a l i s m o como " u m a federação euro-
prática, a l g u m a s d a s m a i s i m p o r t a n t e s nações euro-
p e i a de g r a n d e s potências que, longe de l e v a r à f r e n t e
peias são servidores f i n a n c e i r o s dos grupos d o m i n a n t e s
a c a u s a d a civilização m u n d i a l , poderia c r i a r o enorme
monopolistas banqueiros, os M o r g a n s e os R o c k e f e l l e r s .
perigo dos p a r a s i t a s ocidentais, u m grupo de nações i n -
Apesar de todo o poder p e r t e n c e n t e a bancos tão i m -
d u s t r i a i s avançadas c u j a s classes elevadas a r r a n c a s s e m
portantes como a Société Générale de Bélgique, o B a n -
vastos t r i b u t o s d a Ásia e d a África, c o m os q u a i s s u s -
que de B r u x e l l e s , K r e d i e t b a n k , B a n q u e L a m b e r t , a g r u -
t e n t a s s e m grandes m a s s a s de dependentes, não m a i s
pos i n d u s t r i a i s - f i n a n c e i r o s belgas como S o l v a y , B o e l ,
engajados n a s indispensáveis indústrias de a g r i c u l t u r a
B r u f i n a - C o f i n i n d u s e P e t r o f i n a , a Bélgica, j u n t a m e n t e
e m a n u f a t u r a s , m a s conservados n a execução de s e r v i -
com L u x e m b u r g o , s e u apêndice, é n a realidade u m a co-
ços pessoais o u i n d u s t r i a i s de importância secundária
lónia f i n a n c e i r a do c a p i t a l de i n v e s t i m e n t o n o r t e - a m e -
sob o controle de u m a n o v a a r i s t o c r a c i a f i n a n c e i r a " . É
rlcano. E m 1959, 39 n o v a s c o m p a n h i a s f o r a m c r i a d a s
o i m p e r i a l i s m o coletivo.
n a Bélgica por estrangeiros. No a n o de 1 9 6 1 , o número
F o i p r e c i s a m e n t e o que sucedeu. A competição e n - de novas c o m p a n h i a s " e s t r a n g e i r a s " f o r m a d a s h a v i a
t r e os monopólios p r o d u z i u o fenómeno d a v a s t a p u b l i -

57
50
subido a 237. A s s o m a s i n v e s t i d a s do exterior h a v i a m t e - a m e r i c a n o , u m monopólio expresso n a s alianças po-
a u m e n t a d o de dois bilhões e 457 milhões de f r a n c o s bel- líticas e estratégicas que a m a r r a m o c a p i t a l i s m o euro-
gas, e m 1959, p a r a seis bilhões e 664 milhões de f r a n c o s p e u ao n o r t e - a m e r i c a n o . O s estadistas europeus estão
belgas e m 1961. D e s t a última c i f r a , quase 60 por cento, p r o f u n d a m e n t e cônscios de s u a posição i n f e r i o r m a s ,
ou s e j a três bilhões e 979 milhões de f r a n c o s belgas, fo- no fundo, s e n t e m que pouco podem fazer p a r a melho-
r a m fornecidos por fontes norte-americanas. Henry rá-la. O r e s s e n t i m e n t o existe, n o e n t a n t o , e n a França
C o s t o n , e m s e u l i v r o revelador sobre a s ramificações d a se m a n i f e s t o u através d a posição f i r m e do G e n e r a l D e
finança i n t e r n a c i o n a l , Europa dos Banqueiros, declara G a u l l e a f a v o r de u m a força de a t a q u e n u c l e a r i n d i v i -
que essa e m p r e s a não se l i m i t a ao território do reino d u a l , f r a n c e s a ; e m s u a aproximação c o m o e x - C h a n c e -
e que a s ex-colônias belgas não f o r a m desprezadas. " P o - ler alemão, A d e n a u e r ; e m s u a s t e n t a t i v a s de e x c l u i r a
de-se m e s m o p e r g u n t a r se os a c o n t e c i m e n t o s sanguiná- Grã-Bretanha do M e r c a d o C o m u m como a "mão de
r i o s do Congo não f o r a m causados pela l u t a s e m q u a r - g a t o " dos E s t a d o s U n i d o s ; e m a i s recentemente e m s u a s
tel que se desenvolve e n t r e grupos f i n a n c e i r o s r i v a i s " , aproximações c o m a C h i n a e s u a excursão p e l a América
c o n c l u i êle. L a t i n a . Todos esses atos são esforços p a r a bloquear o
domínio n o r t e - a m e r i c a n o d a E u r o p a e exercer a ação i n -
O capital financeiro norte-americano, n a t u r a l m e n -
dependente f r a n c e s a n a f r e n t e i n t e r n a c i o n a l . E s s a s t e n -
te, a g i u à vontade n a A l e m a n h a d u r a n t e a ocupação,
t a t i v a s , n o e n t a n t o , têm p e q u e n a possibilidade de s u -
após a g u e r r a . A indústria e finança alemãs, já l i g a d a s
cesso e não podem c a u s a r m a i s do que u m a impressão
à indústria e finança n o r t e - a m e r i c a n a s por acordos de
p a s s a g e i r a sobre o cenário m u n d i a l . São n a realidade
cartéis e t r u s t e s , f o r a m a i n d a m a i s p e n e t r a d a s pelos
expressões dos profundos conflitos competitivos dentro
poderosos grupos monopolistas norte-americanos. Os
do i m p e r i a l i s m o c a p i t a l i s t a , que e x i s t e m sob a s alianças
gigantescos bancos alemães, D e u t s c h e B a n k , D r e s d n e r
e federações s u p e r f i c i a i s , conflitos oriundos do desen-
B a n k , D i s k o n t o G e s e l l s c h a f t , C o m m e r z b a n k ; os p o s s a n -
volvimento d e s i g u a l dos concorrentes, do desenvolvi-
tes t r u s t e s K r u p p , B a y e r , B a d i s c h e A n i l i n & S o d a
mento d e s i g u a l do c a p i t a l i s m o .
F a b r i k , H o e c h s t , e S i e m e n s , estão todos ligados ao c a -
p i t a l n o r t e - a m e r i c a n o e, de m u i t o s modos, a êle subor- A Grã-Bretanha, como p r e c u r s o r a d a revolução i n -
dinados. B a n c o s e indústria i t a l i a n o s estão e m situação d u s t r i a l , tornou-se a o f i c i n a do m u n d o , a m o v i m e n t a -
bem parecida. O B a n c o Commerciale Italiano, B a n c o d i dora dos produtos m u n d i a i s , a p r i n c i p a l i m p u l s i o n a d o -
R o m a , Mediobanca, C r e d i t o I t a l i a n o , estão todos l i g a - r a do controle i m p e r i a l i s t a , c o m sede n a C i t y de L o n -
dos de várias m a n e i r a s ao c a p i t a l f i n a n c e i r o norte-ame- dres. S e u declínio iniciou-se c o m o desenvolvimento dos
r i c a n o , s e j a d i r e t a o u i n d i r e t a m e n t e . O s exemplos po- novos e m a i s vigorosos E s t a d o s c a p i t a l i s t a s d a A l e m a -
dem ser estendidos através do m u n d o , ao Japão, Canadá, n h a e Estados Unidos. A s duas guerras m u n d i a i s foram
Austrália e N o v a Zelândia. E s s a dependência f i n a n - u m teste d a s u a força c o n t r a a s nações c a p i t a l i s t a s for-
c e i r a dos E s t a d o s U n i d o s f o i r e s u m i d a por L o r d e B e a r - m a d a s a n t e s e u m teste e n t r e a s d u a s . O s E s t a d o s U n i -
sted, presidente de M . S a m u e l & C o . d u r a n t e a a s s e m - dos saíram t r i u n f a n t e s de a m b a s a s vezes. M e s m o a s -
b l e i a a n u a l de 1963, ao c o m u n i c a r a c o m p r a de 16,66 • i m , a C i t y de L o n d r e s só aos poucos cede o l u g a r a
por cento d a c o m p a n h i a pelo grupo M o r g a n : "Não se- Wall S t r e e t como símbolo d a força do d i n h e i r o m u n -
remos o p r i m e i r o banco a ter p a r t e do seu c a p i t a l pos- dial. A C i t y espera r e s s u s c i t a r estendendo-se pelo M e r -
suído por interesses n o r t e - a m e r i c a n o s " . cado C o m u m E u r o p e u , m e s m o que t e n h a que o fazer
E s s a l a s t i m o s a declaração é u m a confissão pública aliado e subordinado ao monopólio f i n a n c e i r o norte-
• 'incrlcano. O c a p i t a l supérfluo n a França f o i investido
d a subserviência e u r o p e i a ao monopólio f i n a n c e i r o n o r -

52 53
m a i s fortemente n a s nações menos avançadas d a E u -
E s s a s coalizões de o r g a n i s m o s competidores refle-
r o p a — Rússia, Polónia, H u n g r i a , Roménia — do que
t e m o caráter global que o monopólio f i n a n c e i r o a t i n -
o d a Grã-Bretanha o u d a A l e m a n h a , e m b o r a estas t a m -
g i u sob o domínio do m a i s poderoso i m p e r i a l i s m o : o
bém t i v e s s e m g r a n d e s i n v e s t i m e n t o s n a s m e s m a s indús- dos E s t a d o s U n i d o s . São também u m s i n a l d a l u t a p e l a
t r i a s pesadas, a r m a m e n t o s , m i n a s e campos petrolífe- sobrevivência dos i m p e r i a l i s m o s m a i s a n t i g o s c o n t r a o
ros europeus. T o d a s , no e n t a n t o , v o l t a r a m - s e p a r a a s avanço t e n a z d a agressividade m a i s poderosa do i m p e -
nações p r o d u t o r a s de matérias-primas, a l i e n a n d o a l g u - r i a l i s m o n o r t e - a m e r i c a n o , c u j a enorme força p r o d u t i v a
m a s como colónias d i r e t a s , sob domínio político, e ex- o l e v a c a d a vez m a i s longe.
p l o r a n d o e t o r n a n d o subservientes o u t r a s , como esfe-
r a s de i n v e s t i m e n t o , de modelo s e m i c o l o n i a l . T e n t a t i v a s são feitas p a r a adoçar os conhecidos ob-
P o r c a u s a do s e u início posterior, o c a p i t a l i s m o jetivos do c o l o n i a l i s m o político e m rápida desintegra-
alemão e n o r t e - a m e r i c a n o levou a d i a n t e a união dos ção: a manutenção de áreas menos desenvolvidas do
grupos i n d u s t r i a i s e o monopólio do c a p i t a l f i n a n c e i r o m u n d o como fornecedoras de matérias-primas, como
esferas de i n v e s t i m e n t o e mercados p a r a produtos a c a b a -
m a i s a p r e s s a d a m e n t e do que a Grã-Bretanha o u a F r a n -
dos c a r o s e serviços. O s produtos acabados e serviços,
ça, c u j a s u p r e m a c i a n o p l a n o c o l o n i a l a s s e g u r a v a s u a s
a g o r a que a s populações dos novos países a f i r m a m s u a s
hegemonias, i n t e r l i g a d a s e m vários pontos, e m b o r a
exigências de u m nível de v i d a crescente, estão t o m a n -
competidoras n o nível f i n a n c e i r o i n t e r n a c i o n a l . O m o -
do u m caráter diferente e e x t r a v a s a n d o p a r a categorias
nopólio f i n a n c e i r o alemão sofreu u m golpe c o m a der-
a n t e r i o r m e n t e negligenciadas. E q u i p a m e n t o de t e r r a -
r o t a de 1918, q u a n d o o m u n d o c o l o n i a l f o i redividido
p l a n a g e m , construção de u s i n a s hidrelétricas, recons-
e o u t r a vez e m 1945. O c a p i t a l i s m o n o r t e - a m e r i c a n o ,
trução de e s t r a d a s , m o r a d i a s , escolas, h o s p i t a i s , portos,
p o r outro lado, devido a v a n t a g e n s geográficas e t e r r i - aeroportos, e todos os serviços prévios e s u p l e m e n t a r e s
t o r i a i s (estas i n e r e n t e s à união política) c o n t i n u o u a que exigem, estão a b r i n d o novos campos de i n v e s t i m e n -
avançar e m passos largos e foi o vencedor r e a l de a m - to de c a p i t a l e l u c r o p a r a o monopólio f i n a n c e i r o , t a n t o
bas a s g u e r r a s m u n d i a i s . A expansão do monopólio f i - no próprio país como n o exterior. S u s t e n t a m , também,
n a n c e i r o e i n d u s t r i a l n o r t e - a m e r i c a n o , n o e n t a n t o , não e m empregos m u i t o b e m pagos, u m exército dos c h a m a -
se l i m i t o u à E u r o p a . O equilíbrio d a força f i n a n c e i r a dos experts, pessoal técnico e p r o f i s s i o n a l n e m s e m p r e
o c i d e n t a l começou a pender p a r a a A s i a e a África, p r o - do m a i s alto c a l i b r e .
cesso que f o r a acelerado desde o f i n a l d a S e g u n d a G u e r -
r a M u n d i a l , c o m o r o m p i m e n t o do domínio c o l o n i a l . Novas fontes de produtos e x t r a t i v o s o u agrícolas
O s m u i t o s consórcios que estão sendo criados n a estão também a t r a i n d o grandes s o m a s de i n v e s t i m e n -
m a i o r i a dos novos E s t a d o s g i r a m e m g r a n d e p a r t e e m tos de c a p i t a l . A a n t i g a dependência de fontes domes-
t o r n o dos m e s m o s grupos f i n a n c e i r o s e i n d u s t r i a i s que l u a s p a r a m u i t o s m i n e r a i s , n a s nações m e t r o p o l i t a n a s ,
se e n r a i z a r a m f i r m e m e n t e desde o início do domínio está cedendo l u g a r à importação do exterior. Os m i n e i -
colonial. A s alterações que possa h a v e r correspondem ni'; das regiões p r o d u t o r a s de cobre e ferro dos E s t a d o s
às mudanças de influência que o c o r r e r a m d e n t r o dos 111lidos, por exemplo, estão sendo despedidos não por c a u -
próprios grupos. A influência d o m i n a n t e é m a n t i d a pe- : . i Ha automação, m a s também porque estão sendo obti-
l a s onipresentes formações n o r t e - a m e r i c a n a s de M o r - lucros m a i o r e s d a mineração g r a n d e m e n t e a c e l e r a d a
g a n e R o c k e f e l l e r , c o m seus associados britânicos e e u - ' i ' m a t e r i a i s básicos n a África e n a Ásia. E m a l g u n s
ropeus v i n d o atrás. O colonialismo a g o n i z a n t e está r e - l u r a r e s o s e u semiprocessamento oferece também
v i v e n d o n a s coalizões i n t e r n a c i o n a i s do neocolonialismo, inulores m a r g e n s do que pode ser obtido n a s áreas de
ii de-obra m a i s c a r a . P o r t o R i c o e o u t r a s nações l a -

54 55
t i n o - a m e r i c a n a s que oferecem mão-de-obra b a r a t a es- \\\andemente a u m e n t a d o , está forçando o c a p i t a l i s m o
tão se t o r n a n d o r a p i d a m e n t e c e n t r o s de a rt igos de con- ocidental, p a r t i c u l a r m e n t e o n o r t e - a m e r i c a n o , a u m a
s u m o m a n u f a t u r a d o s , f r e q u e n t e m e n t e processados c o m penetração m a i o r e m a i s i n t e n s i v a n a s nações e s t r a n -
matérias-primas i m p o r t a d a s e remetidos p a r a os E s t a d o s geiras a l t a m e n t e i n d u s t r i a l i z a d a s . A recente f a r s a d a
U n i d o s p a r a c o m p e t i r c o m a rt igos produzidos n o s E s t a - • g a l i n h a " , r e p r e s e n t a d a e m meio ao cenário d a política
dos U n i d o s a preços m u i t o l i g e i r a m e n t e reduzidos, o u ao n n t i n o r t e - a m e r i c a n a de D e G a u l l e , que l i d e r o u a opo-
:;içao franco-germânica à continuação d a importação,
m e s m o preço. I s s o dá a i n d a m a i o r e s l u c r o s ao c a p i t a l
pela E u r o p a , dos produtos g r a n j e i r o s n o r t e - a m e r i c a n o s ,
financeiro.
mais baratos, é a p e n a s u m dos exemplos m a i s leves da
O i n t r i n c a d o processo de e q u i l i b r a r os retornos do
competição feroz que se desenvolve p a r a d e s c a r r e g a r os
i n v e s t i m e n t o doméstico c o m o f l u x o de c a p i t a l p a r a o
leauitados d a produção e m m a s s a vigorosamente m e c a -
e x t e r i o r e m b u s c a de i n v e s t i m e n t o e x t e r n o m a i s r e n -
nizada, f i n a n c i a d a p o r bancos. O incidente ressaltou
doso está c r i a n d o b r e c h a s sérias n a posição económica
por u m m o m e n t o a n a t u r e z a i n t r i n s e c a m e n t e p a r a d o -
de t o d a nação c a p i t a l i s t a o c i d e n t a l . I s s o se sente p a r -
al do Mercado E u r o p e u , c o m o u m o r g a n i s m o monopo-
t i c u l a r m e n t e n a posição d a balança de pagamentos.
lístico, opondo u m a forte resistência a u m monopólio
M e s m o os E s t a d o s U n i d o s , c u j a s r e s e r v a s de ouro e
i ninpetidor d o m i n a n t e . O jogo de forças competidoras,
m o e d a e s t r a n f e i r a e r a m tão g r a n d e s que s u s t e n t a r a m
i ipo "cabo-de-guerra", é d e m o n s t r a d o p e l a retaliação sob
o país d u r a n t e u m a crescente c o r r e n t e p a r a o e x t e r i o r ,
a f o r m a do a u m e n t o de t a r i f a s alfandegárias imposto
por longo tempo, a t i n g i r a m a g o r a u m p o n t o e m que,
agora aos c a r r o s pequenos fr anceses e alemães impor-
como a s nações s i m i l a r e s europeias, m e n o s a f o r t u n a d a s ,
i n l o s pelos E s t a d o s U n i d o s , t i r a n d o - l h e s a s s i m s u a p r i n -
os E s t a d o s U n i d o s estão e n t r a n d o e m u m a c r i s e de b a -
i Ipal v a n t a g e m sobre o a r t i g o de produção l o c a l e m face
lança de p a g a m e n t o s a d v e r s a .
d a consequente elevação de preço.
A p e s a r do a u m e n t o d a produção n a c i o n a l e d a pro-
d u t i v i d a d e a u m e n t a d a , os p r o b l e m a s de a g r i c u l t u r a , Os fatos e os números p r o v a m que comércio e i n -
m e s m o e m economias de c r e s c i m e n t o tão rápido como vestimento e n t r e a s nações a l t a m e n t e i n d u s t r i a l i z a d a s
as d a A l e m a n h a O c i d e n t a l , Itália e França, c o m p l i c a m estão u l t r a p a s s a n d o os que são feitos c o m a s regiões
a situação económica. Nos E s t a d o s U n i d o s , o s i t i a n t e menos desenvolvidas. A p o i a m a s s i m , efetivamente, a
a i n d a vive n a l i n h a l i m i t e d a pobreza o u m e s m o a b a i x o . ininação de que o i m p e r i a l i s m o não está l i m i t a d o aos
d e l a , e n q u a n t o a s e x t e n s a s f a z e nd a s m e c a n i z a d a s d a s actores do m u n d o de produção primária. No e n t a n t o ,
c o m p a n h i a s f i n a n c i a d a s p o r b a n q u e i r o s recebem todos l lato m a i s notável é de que o índice de l u c r o d a ex-
os favores de u m governo de banqueiros. Preços g a r a n - portação das áreas menos desenvolvidas é m a i o r do que
tidos p e l a produção que v a i p a r a os silos construídos d nbtido das nações m a i s i n d u s t r i a l i z a d a s . Nestas últi-
pelo governo e pagos pelo governo t o r n a m a a g r i c u l - mas, a competição e n t r e os monopólios é m a i s decidida
t u r a e m grande escala altamente rendosa nos Estados • os interesses domésticos, m e s m o os que estão ligados
U n i d o s p a r a o c a p i t a l f i n a n c e i r o , que p a s s a a o governo in monopólio f i n a n c e i r o i n t e r n a c i o n a l , opõem o t e m p o
o p r o b l e m a e a preocupação do q u e fazer c o m a s sobras l I H lo a m a i o r resistência aos interesses i n v a s o r e s . No
não v e n d i d a s que r e s u l t a m dos a l t o s preços. i n i a n t o , e isso se deve p r e c i s a m e n t e ao s e u caráter i m -
A necessidade de n o v a s saídas p a r a os produtos perialista, os g r u p o s f i n a n c e i r o s m u n d i a i s d o m i n a n t e s
agrícolas, a s s i m como dos complexos i n d u s t r i a i s e co- ' " u s e g u e m fazer s u a s c o n s t a n t e s incursões n o s mono-
m e r c i a i s que estão f i c a n d o sob controle eletrônico cres- P"in is n a c i o n a i s e a s s i m a p r o f u n d a r s u a h e g e m o n i a sô-
cente e consequentemente adquirindo u m potencial lne porções c a d a vez m a i o r e s do globo.

56 57
É m u i t o m a i s fácil, então, à finança i m p e r i a l i s t a , ções d i r e t a s e empréstimos a p r a z o longo, p a r a f i n s não
p e n e t r a r m a i s e m a i s n o s países e m desenvolvimento m i l i t a r e s , p o r organizações g o v e r n a m e n t a i s e i n t e r n a -
onde o domínio c o l o n i a l se r o m p e u o u está se r o m p e n - c i o n a i s " . M a s a s c h a m a d a s nações fornecedoras de a j u -
do. P r e m i d a p e l a necessidade de p r o c u r a r somas c a d a d a i n c l u e m n o t e r m o " a j u d a " o i n v e s t i m e n t o de c a p i t a l
vez m a i o r e s de c a p i t a l p a r a explorações geológicas e p r i v a d o e créditos de exportação, m e s m o por períodos
a b e r t u r a de novos c a m p o s de matérias e x t r a t i v a s , a f i - r e l a t i v a m e n t e c u r t o s , a s s i m como empréstimos p a r a
nança i n t e r n a c i o n a l foi c h a m a d a a a j u d a r a finança fins m i l i t a r e s . "
n a c i o n a l dos respectivos países i m p e r i a l i s t a s . E s s e pro- C o m o diz o professor B e n h a m e m s e u l i v r o Ajuda
cesso foi e s t i m u l a d o pelo fato de que os monopólios f i - Económica a Nações Subdesenvolvidas: "É agradável
n a n c e i r o s n a c i o n a i s já h a v i a m passado ao estágio de s e n t i r que se está a j u d a n d o os v i z i n h o s e ao m e s m o
aliança i n t e r n a c i o n a l c o m o a t a q u e do i m p e r i a l i s m o , tempo a u m e n t a n d o os próprios l u c r o s . " A n t e s do declí-
processo que se acelerou fortemente n a época a t u a l de nio do colonialismo, o q u e se conhece hoje como a j u d a
crescente n a c i o n a l i s m o e socialismo. A s s i m , n o presente, era simplesmente investimento estrangeiro.
todos os i n s t r u m e n t o s e m e c a n i s m o s do i m p e r i a l i s m o
i n t e r n a c i o n a l , expressos e m coalizões m o n o p o l i s t a s , são
conjugados e m ação simultânea sobre os novos e neces-
sitados países.
E s s a n o v a o n d a de invasão predatória das a n t i g a s
colónias opera por trás do caráter i n t e r n a c i o n a l dos
o r g a n i s m o s empregados: consórcios f i n a n c e i r o s e i n d u s -
t r i a i s , organizações de assistência, órgãos de a j u d a f i -
n a n c e i r a , etc. A cooperação a m i s t o s a é oferecida nos
domínios educativo, c u l t u r a l e s o c i a l , c o m o objetivo de
s u b v e r t e r os padrões desejáveis de progresso n a c i o n a l
aos objetivos i m p e r i a l i s t a s dos monopólios f i n a n c e i r o s .
E s t e s são os m a i s recentes métodos de conter o desen-
v o l v i m e n t o r e a l d a s nações n o v a s . São o a r m a m e n t o do
neocolonialismo, s u p e r f i c i a l m e n t e fornecendo a j u d a e
orientação; s u b t e r r a n e a m e n t e beneficiando os doadores
interessados e seus países, por velhos e novos meios.
Há várias definições de " a j u d a " , como r e s s a l t o u B .
C h a n g o M a c h y o e m s e u Ajuda e Neocolonialismo:
" A definição v a r i a c o m os diferentes blocos. A s s i m ,
as Nações U n i d a s têm a s u a definição própria, o campo
i m p e r i a l i s t a t e m a s u a , a s s i m como o c a m p o s o c i a l i s t a ,
e o c a m p o não comprometido também p o d e r i a ter u m a .
M a s , de u m modo g e r a l , há d u a s definições p r i n c i p a i s :
u m a d a s Nações U n i d a s e o u t r a como é e n t e n d i d a pe-
l a s c h a m a d a s nações doadoras. D e acordo c o m a s N a -
ções U n i d a s , " a j u d a económica consiste a p e n a s de doa-

55
59
4. Capitalismo monopolista
e o dólar norte-americano

"FIM DO IMPÉRIO" foi a c o m p a n h a d o de u m flo-


rescimento de outros meios de sujeição. O Império Britâ-
nico t r a n s f o r m o u - s e n a Commonwealth, m a s os p r o v e n -
tos d a exploração do i m p e r i a l i s m o britânico estão cres-
cendo. O s l u c r o s d a s c o m p a n h i a s de e s t a n h o britânicas
têm alcançado até 400 p o r cento. O s últimos d i v i d e n -
dos do a c i o n i s t a s britânicos de d i a m a n t e s a p r o x i m a m -
se dos 350 por cento. C e r t a vez N e h r u d e c l a r o u que os
l u c r o s britânicos d a índia independente m a i s do q u e
d o b r a r a m e o i n v e s t i m e n t o de c a p i t a l britânico e m s e u
país s u b i u de dois bilhões, 65 milhões de r u p i a s e m 1948
p a r a q u a t r o bilhões, 460 milhões e m 1960. O s i n v e s t i -
mentos britânicos t o t a i s n a África s u b i r a m r a p i d a m e n -
te p a r a seis bilhões e meio de dólares, os f r a n c e s e s p a r a
sete bilhões e os n o r t e - a m e r i c a n o s p a r a u m bilhão e c e m
milhões. U m l e v a n t a m e n t o recente evidenciou a p i l h a -
gem dos monopólios britânicos. A p r e s e n t o u nove dos
20 m a i o r e s monopólios d a Grã-Bretanha como c o m p a -
n h i a s de exploração c o l o n i a l d i r e t a : S h e l l , B r i t i s h P e -
t r o l e u m , B r i t i s h A m e r i c a n T o b a c c o , I m p e r i a l Tobacco,
B u r m a h O i l , N c h a n g a Copper, R h o k a n l a C o r p o r a t i o n ,
R h o d e s i a n M i n e s e B r i t i s h S o u t h África, ci nco d a s q u a i s

61
se d e d i c a m d i r e t a m e n t e a e x t r a i r os recursos n a t u r a i s t r i a l m a i s do que simbólico, o objetivo é fazer c o m que
a f r i c a n o s . A s o u t r a s estão a u m e n t a n d o esforçadamente s e j a m realizados c o m vacilações. O objetivo p r i m o r d i a l
o s e u comércio. O s e u l u c r o líquido t o t a l , de 2 2 1 m i - é de i n t r o d u z i r u m a u m e n t o m e r a m e n t e fracionário do
lhões de l i b r a s , c o n s t i t u i u m a i s d a m e t a d e dos l u c r o s c a m p o i n d u s t r i a l d a s n o v a s nações, p a r a que possam
líquidos somados dos 20 maiores monopólios. I n a c r e d i - c o n t i n u a r a d a r a m a i o r concentração de forças ao v i -
t a v e l m e n t e , a l i s t a d e i x a de f o r a d u a s das m a i o r e s a s - gor do i m p e r i a l i s m o p a r a a p r o v a de força f i n a l con-
sociações do m u n d o , esses estados dentro de u m estado sigo m e s m o e c o m o socialismo. O que é notável é que
— Unilever e Imperial Chemical Industries — cujas a m a i o r p a r t e do m u n d o menos desenvolvido, e a q u i t e -
operações se b a s e i a m fortemente e m s u a s explorações mos que i n c l u i r a URSS, escolheu e está escolhendo o
no u l t r a m a r . A U n i t e d A f r i c a C o m p a n y c o m a n d a n a c a m i n h o s o c i a l i s t a p a r a o progresso n a c i o n a l . Há, além
África e m n o m e d a U n i l e v e r e c e r c a de u m terço d a ICI disso, países como a Índia onde u m s i s t e m a político,
e s u a s subsidiárias o p e r a m n o u l t r a m a r . embora modelado pelas d e m o c r a c i a s b u r g u e s a s do c a p i -
O e x - P r i m e i r o - M i n i s t r o conservador britânico, Sir talismo, mesmo a s s i m p r o c l a m a o s o c i a l i s m o como s e u
A l e c D o u g l a s Home, e m discurso p r o n u n c i a d o n o d i a 20 objetivo sócio-econômico. A s nações que a t i g i r a m seus
de março de 1964, d e c l a r o u i g n o r a r o significado de neo- pontos altos a t u a i s p a s s a n d o através dos vários está-
colonialismo. E n q u a n t o Sir A l e c f a l a v a , a Grã-Bretanha gios do c a p i t a l i s m o a g a r r a m - s e desesperadamente ao
se e n c o n t r a v a e m p e n h a d a n o que a i m p r e n s a descre- s i s t e m a que a s t r o u x e aos pináculos do i m p e r i a l i s m o .
v i a laboriosamente como "áreas de crises i m p o r t a n t e s " C a d a u m a , perigosamente p o u s a d a sobre u m estreito
por todo o m u n d o , r e p r i m i n d o " d i f i c u l d a d e s " i n s p i r a - pico, p r e c i s a m a n t e r u m a b a t a l h a c o n s t a n t e p a r a de-
das e p e r p e t r a d a s pelo n e o c o l o n i a l i s m o : A d e n e Arábia fender o s e u próprio pináculo.
M e r i d i o n a l c o n t r a o I e m e n , Bornéu e S a r a w a k c o n t r a M a i o r i n t e n s i d a d e é i n t r o d u z i d a n a l u t a p e l a res-
a Indonésia; C h i p r e , G u i a n a Britânica; " m a n t e n d o a surgência de r i v a i s , dos q u a i s a A l e m a n h a e o Japão
l e i e a o r d e m " e m Quénia, T a n g a n i c a , U g a n d a , p a r a os são os m a i s v i r i s . A m b o s se b e n e f i c i a r a m de fortes i n -
governos recém-independentes. Será o f i m do i m p e r i a - jeções de c a p i t a l n o r t e - a m e r i c a n o e os monopólios dos
l i s m o ? Não, segundo o The Economist, porta-voz dos Estados U n i d o s estão r e t i r a n d o consideráveis l u c r o s d a
interesses c o m e r c i a i s britânicos, que se a c h o u obrigado
c o r r i d a que está sendo r e a l i z a d a por essas d u a s nações
a comentar:
n a competição m u n d i a l , d e m o n s t r a n d o a s contradições
" B a s e s m i l i t a r e s , r o t a s p a r a o L e s t e , conflitos de entre os interesses e m jogo. C o m p e t i n d o c o n t r a o i m -
f r o n t e i r a s , repressão de m o t i n s — t u d o isso t e m u m perialismo n o r t e - a m e r i c a n o , os monopolistas alemães e
sabor de século X I X n a t u r a l m e n t e p e r t u r b a d o r p a r a os japoneses f r e q u e n t e m e n t e estão e m aliança c o m seus
que e s p e r a v a m que o f i m do c o l o n i a l i s m o significasse opostos a m e r i c a n o s , que m u i t a s vezes os colocam à
o f i m d a implicação m i l i t a r a leste de Suez. A verdade frente n a o f e n s i v a g e r a l do i m p e r i a l i s m o c o n t r a a Áfri-
c o n t u n d e n t e a c a b a sendo de que n o m o m e n t o a Grã- ca, onde i n v e s t i m e n t o s privados n o r t e - a m e r i c a n o s s e m
B r e t a n h a t e m t a n t o s compromissos m i l i t a r e s n a q u e l a disfarce p o d e r i a m ser encarados c o m m a i o r s u s p e i t a do
área q u a n t o s teve desde a n t e s que a s colónias fossem que outros. A A l e m a n h a , o que é m a i s , está a g o r a e m
substituídas p e l a C o m m o n w e a l t h . " (Economist, 23 de hegundo p l a n o a p e n a s e m relação aos E s t a d o s U n i d o s ,
m a i o de 1 9 6 4 ) . n a escala d a c h a m a d a assistência às nações e m desen-
A intenção é a de conter o progresso das nações volvimento. U m a vez que o c a p i t a l i s m o é a p e r s o n i f i c a -
e m desenvolvimento. Onde a s circunstâncias favorecem ção d a filosofia do interesse próprio, os aliados osten-
a criação de e m p r e e n d i m e n t o s novos de caráter i n d u s - MV:is dos monopolistas dos E s t a d o s U n i d o s p r e c i s a m

62 63
u s a r a posição de força a que estão sendo levados p a r a desenvolvimento, são i m p o r t a n t e s fatôres d e t e r m i n a n d o
p r o m o v e r e m s e u próprio c re s c im e nt o. a estratégia i m p e r i a l i s t a e m relação a essas nações,
E s s a l u t a p e l a ascendência e n t r e i m p e r i a l i s t a s é t a n t o n o interesse de s u a l u t a i n t e r n a como d a l u t a
contínua e i m p l i c a e m u m a c o n s t a n t e b u s c a de reno- c o n t r a o socialismo.
vação dos laços de e n e r gia . A o lado d a b a t a l h a p e l a s u - T o d a s a s nações, m e s m o a s m a i s p r o f u n d a m e n t e
p r e m a c i a i m p e r i a l i s t a desenrola-se a l u t a c o n t r a o c a m - envolvidas no i m p e r i a l i s m o m o n o p o l i s t a , têm u m setor
po ideológico do socialismo, n a q u a l os i m p e r i a l i s t a s e s t a t a l . A inclusão e s t a t a l n a e c o n o m i a p r i v a d a t o r n o u -
e m g u e r r a d e s e n c a d e i a m u m esforço t o t a l p a r a envol- se p a r t e e s s e n c i a l do s e u processo. Não d e v e r i a c a u s a r
v e r a s nações e m desenvolvimento como acessórios seus. s u r p r e s a , p o r t a n t o , que nações e m desenvolvimento,
Desse modo, a c a m p a n h a a n t i c o m u n i s t a é u t i l i z a d a e m p a r t i c u l a r m e n t e e m v i s t a d a s pequenas acumulações
p r o l dos objetivos i m p e r i a l i s t a s . Líderes do c a p i t a l i s m o de c a p i t a l p r i v a d o l o c a l , s e j a m obrigadas a c e n t r a l i z a r
m o n o p o l i s t a e m t o d a p a r t e c o n s t r o e m n a m e n t e do pú- s u a s economias. A extensão do setor e s t a t a l e s u a e x -
blico u m a i m a g e m do s i s t e m a e m t e r m o s sócio-culturais pansão p l a n e j a d a , n o e n t a n t o , devem depender do s i s -
pelos q u a i s o t r a n s f o r m a m e m u m a civilização harmó- t e m a económico escolhido, c a p i t a l i s t a o u s o c i a l i s t a . O
n i c a i d e a l i z a d a , que p r e c i s a ser defendida a q u a l q u e i objetivo d a s potências i m p e r i a l i s t a s , n a aplicação dos
custo. F a l a m i n s i s t e n t e m e n t e e m u m a m a n e i r a de v i - seus p r o g r a m a s de a j u d a , é t r a n s f o r m a r o setor e s t a t a l
v e r que só pode ser a l t e r a d a p a r a pior e r e s s a l t a m a e m acessório do c a p i t a l p r i v a d o . E m v i s t a do processo
s u a c o n t i n u i d a d e como o m a i s i m p o r t a n t e princípio n a que foi desenvolvido n a s nações i m p e r i a l i s t a s , s e r i a de
l u t a contra o comunismo. Quando Harold MacMillan, s u r p r e e n d e r que isso não acontecesse. A orientação bá-
como P r i m e i r o - M i n i s t r o britânico, disse ao p a r l a m e n t o s i c a d e c l a r a d a d a Agência de D e s e n v o l v i m e n t o I n t e r n a -
s u l - a f r i c a n o que "o que está e m j u l g a m e n t o a g o r a é c i o n a l ( a n t e r i o r m e n t e Administração de Cooperação
m u i t o m a i s do que n o s s a força m i l i t a r o u n o s s a capa- I n t e r n a c i o n a l ) é de " e m p r e g a r a assistência dos E s t a -
cidade diplomática o u a d m i n i s t r a t i v a — é n o s s a m a - dos U n i d o s a nações recebedoras de a j u d a de modo t a l
n e i r a de v i v e r " , r e s u m i u a transmudação metafísica de que e s t i m u l e o desenvolvimento dos setores p r i v a d o s de
i m p u l s o s económicos e m u m a filosofia s o c i a l . I s s o ape- suas economias. A s s i m , o ICA não estará disposto n o r -
s a r de s u a referência a " v e n t o s de mudança" que so- malmente a f i n a n c i a r empresas industriais e extrativas
p r a v a m p e l a A f r i c a . M a c M i l l a n r e p e t i u a s p a l a v r a s de de propriedade pública, e m b o r a esteja entendido que
vários e s t a d i s t a s do Ocidente, q u a l q u e r u m dos q u a i s poderá h a v e r e x c e ç õ e s . . . "
p o d e r i a t e r feito a declaração e, n a verdade, a fêz, e m
O desenvolvimento d a s nações n o v a s segundo l i -
diferentes m o m e n t o s e c o m expressões quase idênticas.
n h a s não c a p i t a l i s t a s p r e c i s a ser f r u s t r a d o , n o interesse
" A g r a n d e questão n e s t a s e g u n d a metade do século X X
do i m p e r i a l i s m o o c i d e n t a l . U m a série de artigos p u b l i -
é se os povos não comprometidos d a Ásia e África se i n -
c a d a n o The Times de L o n d r e s e m a b r i l de 1964 deli-
clinarão p a r a o O r i e n t e o u p a r a o O c i d e n t e . " T o d a s a s
n e a v a o e s q u e m a e não f a z i a segredo de seus m o t i v o s :
poderosas nações i m p e r i a l i s t a s estão decididas a que os
" O s dois g r a n d e s objetivos d a política e x t e r n a britânica
novos E s t a d o s se desenvolverão pelo c a m i n h o c a p i t a l i s -
devem ser i m p e d i r o m u n d o não c o m u n i s t a de ser pe-
t a , como os fornecedores d a s necessidades v i t a i s do i m -
n e t r a d o pelo c o m u n i s m o . . . e e m segundo l u g a r , i m p e -
p e r i a l i s m o , a fonte de seus s u p e r l u c r o s . A libertação
dir que s e u próprio acesso ao comércio e i n v e s t i m e n t o
n a c i o n a l e a s evidentes v a n t a g e n s do desenvolvimento
em q u a l q u e r p a r t e do m u n d o s e j a b a r r a d o o u l i m i t a d o . "
s o c i a l i s t a p a r a nações que s u r g e m de u m domínio colo-
Muito n a t u r a l m e n t e , como c o n c l u e m os artigos, " a m b o s
n i a l i s t a e não têm os meios de c a p i t a l p a r a fazer esse
os objetivos l e v a m d i r e t a m e n t e à questão " n e o c o l o n i a l "

64 65
— a l u t a por influência, c o m e r c i a l e política, sobre a s A maré crescente do n a c i o n a l i s m o nos territórios
nações não c o m u n i s t a s f o r a d a E u r o p a e d a América do coloniais foi c o n s i d e r a d a pelos operadores m a i s a r g u -
N o r t e " . O a u t o r expõe a s s i m n o Times, s u c i n t a m e n t e , tos do c a p i t a l f i n a n c e i r o n o r t e - a m e r i c a n o como a opor-
o verdadeiro caráter d a l u t a ideológica e n t r e monopó- t u n i d a d e dos E s t a d o s U n i d o s de se i n s i n u a r e m n o que
lios. L i d e r a n d o essa l u t a ideológica, porque l i d e r a m a e r a m áreas r e s e r v a d a s de i m p e r i a l i s m o s r i v a i s , c i u m e n -
l u t a i n t e r i m p e r i a l i s t a , estão os E s t a d o s U n i d o s . Como a tamente vigiadas. Movimentos antiimperialistas h a v i a m
p r i n c i p a l potência i m p e r i a l i s t a do m u n d o , os E s t a d o s começado a se m o s t r a r , n a Ásia e n a África, a n t e s do
U n i d o s se c a n d i d a t a m como sucessores ao dito vácuo r o m p i m e n t o d a última g u e r r a m u n d i a l . À m e d i d a que
que, segundo se a f i r m a , a s potências coloniais e m r e t i - p r o s s e g u i a m a s hostilidades, a América se m a n i f e s t a v a
r a d a d e i x a r a m f i c a r ao cederem l u g a r a governos n a - c a d a vez m a i s a b e r t a m e n t e pelo f i m do domínio colo-
c i o n a l i s t a s . O Vietnã e o Congo são símbolos óbvios n i a l . A i m p r e n s a e outros meios de p r o p a g a n d a l e m b r a -
dessa política de neocolonialismo furioso. São também v a m a l u t a dos próprios E s t a d o s U n i d o s c o n t r a o colo-
exemplos de a m a r g o s a n t a g o n i s m o s e n t r e o norte-ame- n i a l i s m o . A recordação e s t a v a l i g a d a , n a m e n t e do povo,
r i c a n o e outros i m p e r i a l i s m o s . D e acordo c o m o France aos m o v i m e n t o s n a c i o n a l i s t a s recentes, que e x e r c i a m
Observateur (edição do d i a 4 de j u n h o de 1 9 6 4 ) , " a s pressão a b e r t a m e n t e p e l a independência, e m todo o
piores acusações são feitas pelos E s t a d o s U n i d o s c o n t r a globo. A E u r o p a despedaçada p e l a g u e r r a a t e n d e r i a p a r -
os círculos c o m e r c i a i s f r a n c e s e s operando n o V i e t n ã . . . c i a l m e n t e à necessidade n o r t e - a m e r i c a n a de e x p o r t a r
P e r i t o s n o r t e - a m e r i c a n o s e m a s s u n t o s asiáticos a f i a n - c a p i t a l de i n v e s t i m e n t o e artigos, m a s os territórios r e -
çam que p l a n t a d o r e s franceses não se c o n t e n t a m c o m cém-libertados do poder político de i m p e r i a l i s m o s r i v a i s
p a g a r s u a contribuição à F r e n t e de Libertação Nacio- ofereciam c a m p o s p r a t i c a m e n t e v i r g e n s .
n a l . C h e g a m mesmo a d a r assistência e o c u l t a r os guer-
U m c r e s c i m e n t o fabuloso do c a p i t a l i s m o monopo-
r i l h e i r o s perseguidos pelo exército do G o v e r n o " .
l i s t a n o r t e - a m e r i c a n o ocorreu d u r a n t e os p r i m e i r o s 40
A p e s a r de s u a política de f r a n c a agressão e m m u i -
anos do século a t u a l . O s i n v e s t i m e n t o s e x t e r n o s dos E s -
t a s p a r t e s do globo, os E s t a d o s U n i d o s f r e q u e n t e m e n t e
tados U n i d o s r i v a l i z a r a m c o m os d a E u r o p a , e até u l -
a s s u m e m a pose d a potência " a n t i c o l o n i a l " , e m conde-
t r a p a s s a r a m - n o s . E m 1900, os i n v e s t i m e n t o s privados
nação ao i m p e r i a l i s m o britânico. " A pose é s u p e r f i c i a l
n o r t e - a m e r i c a n o s n o estrangeiro e r a m pequenos e m
e a máscara c a i a todo momento, mesmo, frequente-
comparação aos e u r o p e u s : 500 milhões de dólares e m
m e n t e , a n t e resoluções a n t i c o l o n i a l i s t a s c r u c i a i s pressio-
comparação c o m 12 bilhões d a Grã-Bretanha e os 600
n a d a s p e l a m a i o r i a afro-asiática e s o c i a l i s t a n a s Nações
milhões d a França. P o r v o l t a de 1930 já o índice de
U n i d a s , quando os E s t a d o s U n i d o s e a Grã-Bretanha se
crescimento dos i n v e s t i m e n t o s externos dos E s t a d o s
vêem isolados, o u a p e n a s c o m a França, P o r t u g a l ,
Unidos a p r o x i m a v a - s e d a Grã-Bretanha e o t o t a l se
África do S u l e Austrália votando c o n t r a o u se a b s t e n -
elevava a 17 bilhões de dólares c o n t r a os 19 bilhões b r i -
do."* Nos últimos nove anos os i n v e s t i m e n t o s n o r t e -
tânicos e os sete bilhões franceses. O i n v e s t i m e n t o ex-
a m e r i c a n o s neste c o n t i n e n t e t r i p l i c a r a m , crescendo e m
terno n o r t e - a m e r i c a n o alcançou a s u p r e m a c i a e m 1949
m a i o r r i t m o do que e m q u a l q u e r o u t r a área. S o m e n t e
— 19 bilhões de dólares e m comparação c o m os 12 b i -
e m 1961, os monopólios n o r t e - a m e r i c a n o s o b t i v e r a m l u -
lhões britânicos, o mesmo m o n t a n t e c o m que a Grã-
cros de 11 milhões e 220 m i l l i b r a s que r e t i r a r a m d a
B r e t a n h a i n a u g u r a r a o século. O m o n t a n t e francês
África.
b a i x a r a p a r a dois bilhões. A P r i m e i r a G u e r r a M u n d i a l
* Política Colonial Britânica e Rivalidades Neocolonialistas, R.
e l i m i n o u os i n v e s t i m e n t o s e x t e r n o s alemães e r e d u z i u
P A L M E D U T T , A s s u n t o s I n t e r n a c i o n a i s , M o s c o u , a g o s t o de 1 9 6 4 . os franceses; a S e g u n d a G u e r r a M u n d i a l e l i m i n o u A l e -

66 67
m a n h a , Itália e Japão. O Governo norte-americano, territórios de u l t r a m a r . O c a p i t a l f i n a n c e i r o e i n d u s -
além disso, h a v i a adicionado 14 bilhões aos 19 de i n - t r i a l n o r t e - a m e r i c a n o u t i l i z o u a oportunidade que a f r a -
v e s t i m e n t o s e x t e r n o s p r i v a d o s de seus monopolistas. Os queza d a E u r o p a n o pós-guerra l h e oferecia p a r a s a -
empréstimos do G o v e r n o "são empréstimos políticos, c a r sobre os seus r ecur so s. A l i m e n t o u - s e d a E u r o p a
m a i s do que i n v e s t i m e n t o s l u c r a t i v o s diretos. M a s m e - a r r u i n a d a p e l a g u e r r a , e m b o r a não n o m e s m o g r a u e m
l h o r a m a posição do c a p i t a l f i n a n c e i r o dos E s t a d o s U n i - que o i m p e r i a l i s m o o c i d e n t a l e x p l o r a v a o m u n d o co-
dos ao c r i a r mercados p a r a artigos supérfluos e a u m e n - l o n i a l e s e m i c o l o n i a l . O s poderosos t r u s t e s metalúrgi-
t a r l u c r o s dos investidores p r i v a d o s n o r t e - a m e r i c a n o s cos e químicos alemães, V e r e i n i g t e S t a h l w e r k e e I . G .
n a s nações que recebem o empréstimo".* A S e g u n d a F a r b e n f o r a m rompidos. A A l e m a n h a O c i d e n t a l , c r i a d a
G u e r r a M u n d i a l d e u u m i m p u l s o explosivo ao c a p i t a l i s - e m 1949, f i c o u sob u m a ocupação m i l i t a r que contro-
m o n o r t e - a m e r i c a n o e o a j u d o u a a u m e n t a r seus i n v e s - l a v a s e u comércio ex ter i o r , política e x t e r n a e defesa.
t i m e n t o s n o u l t r a m a r e a s exportações de artigos m a n u - D a s fábricas que h a v i a m escapado à destruição p e l a
f a t u r a d o s p a r a r e s e r v a s coloniais do i m p e r i a l i s m o g u e r r a , a l g u m a s f o r a m desmo ntadas. M u i t o s dos m e -
europeu e japonês. N a década 1938-48, a p a r t e norte-
lhores c i e n t i s t a s e técnicos d a A l e m a n h a f o r a m atraí-
a m e r i c a n a d a s exportações p a r a esses territórios elevou-
dos p a r a os E s t a d o s U n i d o s e Grã-Bretanha. O s segre-
se de 11 por cento p a r a 25 por cento. O s e u comércio
dos e p a t e n t e s dos g r a n d e s t r u s t e s f o r a m confiscados,
c o m a África, nesse período, elevou-se de 150 milhões de
os a r q u i v o s do banco m a i s i m p o r t a n t e , o D e u t s c h e
dólares p a r a u m bilhão e 200 milhões, q u a n d o p a s s ou a
B a n k , cedidos às forças de ocupação pelo D r . H e r m a n n
r e p r e s e n t a r quase 15 por cento de todo o comércio exte-
J . A b s , que saqueou a Iugoslávia p a r a H i t l e r e f o i sal vo
r i o r d a África.
da m o r t e a que f o r a condenado, sal vo p r i m e i r o pelos
O apetite dos monopólios n o r t e - a m e r i c a n o s aguçou- britânicos e depois pel as a u t o r i d a d e s n o r t e - a m e r i c a n a s .
se c o m o r e n d i m e n t o de 18 bilhões que ob t iv e ra de seus A A l e m a n h a e s t a v a sendo g a r a n t i d a p a r a a d e m o c r a -
i n v e s t i m e n t o s e x t e r n o s n o período 1920-1948. A s pers- c i a dos seus conquistadores i m p e r i a l i s t a s . O P l a n o
p e c t i v a s e m 1948 e r a m a i n d a m e l h o r e s e d e m o n s t r a m
M a r s h a l l foi u t i l i z a d o p a r a l e v a r a penetração i m p e r i a -
ser realidade. E n t r e 1950 e 1959, f i r m a s p r i v a d a s norte-
l i s t a n o r t e - a m e r i c a n a às f r a g m e n t a d a s instituições i n -
a m e r i c a n a s i n v e s t i r a m q u a t r o e m e i o bilhões n a s n a -
d u s t r i a i s e f i n a n c e i r a s alemãs, que êle c o m p r o u e m
ções e m desenvolvimento e o b t i v e r a m o t r i p l o . Os l u -
grande e s c a l a . G r a n d e s s o m a s f o r a m também cedidas
cros líquidos a t i n g i r a m a oito bilhões e 300 milhões, aos
q u a i s podem ser somados milhões de dólares e m l u c r o s aos grupos m i n e r a d o r e s fr anceses e belgas, a f i m de es-
c o m e r c i a i s , j u r o s sobre empréstimos, fretes e o u t r a s t r e i t a r os laços c o m o c a p i t a l i s m o n o r t e - a m e r i c a n o e
operações c o r r e l a t a s . T u d o isso foi a u x i l i a d o pelo P l a n o s u s t e n t a r o s e u domínio.
M a r s h a l l ( a Administração d a Cooperação Económica), E r a preciso também f i c a r de olho aberto p a r a o
na scid o do consórcio e n t r e o E s t a d o n o r t e - a m e r i c a n o e socialismo que avançava n a E u r o p a e n a Ásia. A n t e s do
o monopólio. O dólar se a p r e s e n t a v a como p a n a c e i a
início d a década dos 50, a g u e r r a f r i a começou a es-
u n i v e r s a l p a r a a E u r o p a , t r a z e n d o gordos s u p e r l u c r o s
quentar. A c h a r a m que a ameaça de u m a forte compe-
p a r a seus proprietários n o r t e - a m e r i c a n o s . N a confusão
tição alemã, que i n s p i r a r a a s limitações i m p o s t a s pelos
e devastação d e i x a d a s p e l a g u e r r a , eles o c u p a r a m s e m
a l a r d e os m e l h o r e s l u g a r e s , de onde os i m p e r i a l i s t a s i m p e r i a l i s m o s vitoriosos, p o d i a ser a m o r t e c i d a p e l a i n -
europeus s e r i a m afastados, t a n t o n a E u r o p a como n o s clusão d a A l e m a n h a n a estratégia o c i d e n t a l e por m a i o -
res participações do c a p i t a l n o r t e - a m e r i c a n o . A posição
* V i d e Imperialismo Norte-Americano, P E R L O , págs. 28/29. alemã nos campo s metalúrgico e químico começou a se

68 69
a l t e r a r , à m e d i d a que o país e n t r a v a no quadro g e r a l norte-americanos, a partir das quais realizaram suas
d a defesa o c i d e n t a l . penetrações m a i o r e s , depois de a c a b a d a a g u e r r a . O s
Exploração m a i s enérgica dos r e c u r s o s de m e t a i s f u n d o s d a Administração d a Cooperação Económica
e m i n e r a i s foi desenvolvida n a África e outros l u g a r e s . ( P l a n o M a r s h a l l ) f i n a n c i a r a m os grupos exploradores
A s matérias-primas a f r i c a n a s são u m elementos i m p o r - n o r t e - a m e r i c a n o s , enviados dentro d a m e l h o r tradição
t a n t e a c o n s i d e r a r n o reforçamento m i l i t a r d a s nações colonial p a r a preparar o c a m i n h o p a r a as companhias
da OTAN, e n t r e a s q u a i s estão incluídas a s do M e r c a d o m i n e r a d o r a s e expedições m i l i t a r e s . F o i a n u n c i a d o p e l a
ACE e m j u l h o de 1949 que " p e r i t o s n o r t e - a m e r i c a n o s
C o m u m E u r o p e u . S u a s indústrias, especialmente a s fá-
b r i c a s estratégicas e n u c l a r e s , d e p e n d e m g r a n d e m e n t e c o m a a j u d a do P l a n o M a r s h a l l estão pesquisando a
das matérias-primas que vêm dos países menos desen- África, d a s m o n t a n h a s A t l a s até o cabo d a B o a E s p e -
volvidos. A E u r o p a s o f r e u n o pós-guerra u m a séria es- rança, e m b u s c a de r i q u e z a s agrícolas e m i n e r a i s " e
cassez de m a t e r i a i s básicos p a r a s u a s indústrias de aço. m a i s t a r d e que " o p o r t u n i d a d e s p a r a a participação de
A Bélgica n e c e s s i t a v a de minérios ric os , a Suécia de c a p i t a l n o r t e - a m e r i c a n o f o r a m r e v e l a d a s n a mineração
carvão e coque, que os E s t a d o s U n i d o s f o r n e c i a m e m de c h u m b o d a África do N o r t e f r a n c e s a , n a mineração
t r o c a de minérios finos. A Grã-Bretanha t i n h a f a l t a de de e s t a n h o do Camarões francês, n a mineração de
f e r r o e m b a r r a e s u c a t a , s e u coque e r a pouco e de q u a - c h u m b o e z i n c o do C o n g o f r a n c ê s . . . " U m empréstimo
lidade i n f e r i o r . T a n t o a França como a A l e m a n h a h a - d a ACE às M i n e s de Z e l l i d j a , e m p r e e n d i m e n t o francês
v i a m caído, e m s e u f o r n e c i m e n t o de coque. A produção sob a égide d a c o m p a n h i a P e n a r r o y a , o q u a r t o m a i o r
de carvão d a L o r e n a d e c l i n a v a por f a l t a de e q u i p a m e n - produtor de c h u m b o e z i n c o do m u n d o , p e r m i t i u à
to, a do carvão alemão porque o R u h r p r o d u z i a menos. Newmont M i n i n g Corporation (empreendimento norte-
O i n v e s t i m e n t o e m indústrias " c o m produção de alto a m e r i c a n o de mineração e extração de petróleo c o m 30
v a l o r " , isto é a s indústrias pesadas e a s de processa- por cento dos seus i nter esses n a África do S u l e C a n a -
m e n t o de minérios, e m b o r a trouxesse a o p o r t u n i d a d e de dá) a d q u i r i r p a r c i a l m e n t e a c o m p a n h i a e d i r i g i r s u a s
i n f l u e n c i a r a s economias europeias e consequentemente operações.
s u a política e m relação ao domínio ideológico dos E s - A i n s t a b i l i d a d e d a E u r o p a n o pós-guerra f o i t r a n s -
tados U n i d o s , não d a v a a s m e s m a s possibilidades p a r a f o r m a d a e m v a n t a g e n s p a r a os E s t a d o s U n i d o s , n a n o v a
os l u c r o s m a i s i m e d i a t o s e m a i o r e s que a produção de divisão d a África. E m meados do segundo semestre de
matérias-primas n a s nações emergentes oferecia. 1949, depois que os E s t a d o s U n i d o s h a v i a m forçado a
O P r o g r a m a do P o n t o Q u a t r o apoiou os a u t ore s do desvalorização d a m o e d a d a s nações europeias, u m a
P l a n o M a r s h a l l n a a b e r t u r a d a África ao c a p i t a l dos comissão de i m p o r t a n t e s b a n q u e i r o s britânicos e n o r t e -
E s t a d o s U n i d o s e seus associados europeus. A n t e s d a a m e r i c a n o s f o i f o r m a d a p a r a i n c r e m e n t a r os i n v e s t i -
S e g u n d a G u e r r a M u n d i a l a p e n a s três p o r c e n t o dos m e n t o s dos E s t a d o s U n i d o s n a África e o u t r a s p a r t e s
i n v e s t i m e n t o s externos n o r t e - a m e r i c a n o s e r a m n a África do a i n d a e x i s t e n t e Império Britânico. U m a comissão
e menos de c i n c o por cento do comércio do c o n t i n e n - s i m i l a r , p a r a objetivo s e m e l h a n t e , f o i o r g a n i z a d a dois
te e r a m c o m os E s t a d o s U n i d o s . O s interesses d a F i r e - meses depois e n t r e b a n q u e i r o s n o r t e - a m e r i c a n o s e os d a
stone n a b o r r a c h a l i b e r i a n a e pequenas participações França. A ação desses estabelecimentos é v i s t a hoje e m
e m m i n a s d a África do S u l e Rodésia r e p r e s e n t a v a m toda a África, n o s consórcios que estão r a p i d a m e n t e
a m a i o r p a r t e dos 200 milhões de dólares investidos n a t o m a n d o c o n t a d a s r i q u e z a s do c o n t i n e n t e . Instituições
África. Q u a n d o a g u e r r a chegou ao c o n t i n e n t e , bases R o c k e f e l l e r , M o r g a n , K u h n L o e b e D i l l o n R e a d ; os
m i l i t a r e s e ligações c o m e r c i a i s f o r a m c r i a d a s pelo? grandes bancos britânicos B a r c l a y s , L l o y d s , W e s t -

70 71
m i n s t e r , P r o v i n c i a l ; a s f i r m a s de i n v e s t i m e n t o s que e m 1962 ao s e u contôle de patrimônio e i n v e s t i m e n t o s
g i r a m e m t o r n o de H a m b r o s , R o t h s c h i l d , P h i l i p H i l l ; os no exterior.
bancos f r a n c e s e s B a n q u e de P a r i s et des P a y s - B a s , O i n v e s t i m e n t o p r i v a d o direto nffte-americano n a
B a n q u e de F U n i o n P a r i s i e n n e , B a n q u e de l T n d o c h i n e , África a u m e n t o u e n t r e 1945 e 1958 de 110 milhões p a r a
U n i o n Européene I n d u s t r i e l l e , B a n q u e W o r m s , Crédit 789 milhões de dólares, a m a i o r p a r t e dos q u a i s t i r a d o s
L y o n n a i s , L a z a r d Frères, e t c , e os p r i n c i p a i s bancos dos l u c r o s . D o a u m e n t o de 679 milhõô, o i n v e s t i m e n t o
alemães e i t a l i a n o s . r e a l m e n t e n o v o n o período foi apenaf de 149 milhões.
Os l u c r o s dos E s t a d o s U n i d o s obtidos cesses i n v e s t i m e n -
E s t a s e s u a s associadas são a s instituições f i n a n c e i - tos, i n c l u s i v e r e i n v e s t i m e n t o de excedentes, são e s t i m a -
r a s que d o m i n a m os setores monetário e f i s c a l de m u i - dos e m 704 milhões. Conseqúentemene, os países a f r i -
tas d a s nações recém-independentes. A p o i a m a n o v a r e - canos s o f r e r a m prejuízos de 555 milhíes de dólares. S e
volução i n d u s t r i a l d a automação, o desenvolvimento se l e v a r e m e m consideração os donativos p a r a f i n s "não
eletrônico e n u c l e a r e e s p a c i a l e m que os E s t a d o s U n i - m i l i t a r e s " , e s t i m a d o s então pelo Congresso n o r t e - a m e -
dos têm a liderança e que projetou o i m p e r i a l i s m o n o r - r i c a n o e m 136 milhões, a s perdas límidas t o t a i s d a
te-americano à s u a a t u a l ascendência. O s grupos n o r t e - África a i n d a alcançaram a 419 m i l h & s de dólares. E s -
a m e r i c a n o s d o m i n a n t e s n a mineração e processamento tatísticas oficiais n o r t e - a m e r i c a n a s orçam os l u c r o s
de minério e n a s indústrias de pesca estão envolvidos líquidos b r u t o s obtidos pelos monopóios dos E s t a d o s
d i r e t a m e n t e o u através de seus banqueiros e f i n a n c i a - U n i d o s n a África e n t r e 1946-59 e m u n bilhão e 234 m i -
dores c o m os p r i n c i p a i s produtores europeus e seus s u s - lhões de dólares, e m b o r a o u t r a s e s t i n a t i v a s a t i n j a m a
tentáculos f i n a n c e i r o s . O s f i n a n c i s t a s que c o n t r o l a m a s u m bilhão e meio. Não i m p o r t a de qie m a n e i r a s e j a m
m a i s i m p o r t a n t e s corporações n a s indústrias e x t r a t i v a , e n c a r a d o s , n ã o há necessidade de u n g r a n d e cérebro
metalúrgica, química, n u c l e a r e e s p a c i a l do Ocidente, matemático p a r a c o n c l u i r , desses dad<s, que o l u c r o do
podem s e r vistos se estendendo através dos sete m a r e s i n v e s t i m e n t o n a África é de quase c e n por c e n t o .
e t o m a n d o o controle d a s fontes de matérias-primas n a A s ávidas explorações que têm prosseguido r a p i d a -
A s i a , O c e a n i a , Austrália, N o v a Zelândia, América C e n - m e n t e n a s últimas d u a s o u três decaias, e m b u s c a de
t r a l e do S u l e África. Os i n v e s t i m e n t o s n o r t e - a m e r i c a - reservas a d i c i o n a i s de todos os m e t a s e m i n e r a i s que
nos no Canadá e m 1962 s u b i r a m de 700 milhões de dó- são i m p o r t a n t e s p a r a a m o d e r n a s u p r e m a c i a i n d u s t r i a l ,
l a r e s , p r i n c i p a l m e n t e p a r a o a p r o v e i t a m e n t o de proprie- têm sido i n s t i g a d a s pelo desejo de nonopólio, sobre o
dades contendo minério de ferro. O u t r o s 270 milhões q u a l se a p o i a m a s u p r e m a c i a e seu* s u p e r l u c r o s . U m
investidos e m outros países e m desenvolvimento f o r a m exemplo r e c e n t e t o r n a c l a r o o princípio. A l c a n I n d u s -
p r i n c i p a l m e n t e p a r a a Austrália e Japão. Os i n v e s t i - t r i e s , e m p r e s a que é a s s o c i a d a britânica d a A l c o a
m e n t o s de c a p i t a l dos E s t a d o s U n i d o s n a América L a t i - ( A l u m i n i u m C o m p a n y of A m e r i c a ) , rtravés d a A l c a n
n a a u m e n t a r a m de 250 milhões e m 1962. No a n o a n t e - ( A l u m i n i u m L t d . of C a n a d a ) , de acordo c o m o cabeça-
r i o r , o a u m e n t o foi de m a i s de 400 milhões. O D e p a r t a - lho do Sunãay Times (edição de 18 de o u t u b r o de 1964)
m e n t o de Comércio dos E s t a d o s U n i d o s i n f o r m o u que e n r o l o u " a última f o l h a " , isto é, A l c a n I n d u s t r i e s p a -
os i n v e s t i m e n t o s e bens privados n o r t e - a m e r i c a n o s n o g a r a m cinco e meio milhões de libres p a r a se apossa-
além-mar a t i n g i r a m a 60 bilhões de dólares n o f i m de r e m d a última f i r m a i n d e p e n d e n t e ( F i s h e r ' s F o i l s ) n a
1962 e a u m e n t a r a m de m a i s três bilhões nos p r i m e i r o s fabricação britânica de f o l h a de alunínio, já tendo e n -
meses de 1963. I n v e s t i d o r e s p r i v a d o s n o s E s t a d o s U n i - golido a m a i o r p a r t e do r e s t a n t e . Issi) f o i feito, ao q u e
dos a d i c i o n a r a m q u a t r o bilhões e 300 milhões de dólares se disse, p a r a p r o m o v e r a "racionaização". M a s e m

72 73
l i n g u a g e m de negociantes t e m outro n o m e : "fechar a necedor d a África, p e l a G e n e r a l E l e c t r i c C o r p o r a t i o n
indústria". nos E s t a d o s U n i d o s e pelo Japão. O preço do cobre foi
m a n t i d o b a i x o n o m e r c a d o de m e t a i s de L o n d r e s , n u m
P a r t e do objetivo de g a n h a r o controle de indús- período de recessão d a o fer ta, devido ao provável uso do
t r i a s e fontes de matérias-primas recém-descobertas é alumínio e m s e u l u g a r p a r a d e t e r m i n a d o s f i n s , e n q u a n t o
p r i v a r os r i v a i s dos monopólios p a r a m a n t e r os l u c r o s . os plásticos, por outro lado, são f r e q u e n t e m e n t e u t i -
D u r a n t e três anos, até meados de 1964, a s g r a n d e s lizados como a l t e r n a t i v a p a r a o alumínio. E n o r m e s so-
c o m p a n h i a s do cobre m a n t i v e r a m a produção a 80 até m a s são g a s t a s e m p e s q u i s a s de novos m a t e r i a i s e i n -
85 por cento d a c a p a c i d a d e , p a r a m a n t e r os preços. A venção científica de m a q u i n a r i a e e q u i p a m e n t o p a r a
produção de aço também f o i c o n t i d a e m c e r c a de 80 e c o n o m i a de mão-de-obra. A s s i m , os m e t a i s que estão
por cento d a capacidade. A exploração sob o c a p i t a l i s - sendo ameaçados de substituição são ao m e s m o t e m p o
m o não se segue sempre, n e m se seguirá, à descoberta aperfeiçoados p a r a u m a v a r i e d a d e m a i o r de produtos
de n o v a s fontes de matérias-primas. Q u e m quer que acabados. E s s e s projetos de p e s q u i s a e o consequente
monopolize a s p r i n c i p a i s fontes de s u p r i m e n t o , contro- r e e q u i p a m e n t o de fábricas e indústrias que p r e c i s a ser
l a a produção através do poder de decidir q u a i s os de- feito a f i m de j u s t i f i c a r o i n v e s t i m e n t o o r i g i n a l exige
pósitos que serão o u não operados e até que ponto. t r e m e n d a s somas de c a p i t a l , que f r e q u e n t e m e n t e só po-
O monopólio p e r m i t e aos monopolistas m a n i p u l a - d e m ser l e v a n t a d a s do patrimônio d a s e m p r e s a s de f i -
r e m a s economias de o ut r o s países e m interesse pró- n a n c i a m e n t o e seguros. C o n s e q u e n t e m e n t e , b a n c o s e
prio. N o caso d a b a u x i t a , por exemplo. A A l c o a , d o m i - c o m p a n h i a s de seguros d o m i n a m a finança i n d u s t r i a l
n a d a por M e l l o n , é s o b e r a n a e t r o u x e p a r a s u a órbita e e x e r c e m a liderança n o i m p u l s o p a r a a ascendência
os outros produtores i m p o r t a n t e s , K a i s e r e R e y n o l d s . m onop o l i sta. O s b a n c o s e c o m p a n h i a s de seguros têm
P o r c a u s a do t r e m e n d o c us t o de construção de u s i n a s exercido p a p e l s a l i e n t e no processo que t r o u x e o mono-
de e n e r g i a , d a s q u a i s depende a conversão d a b a u x i t a pólio ao auge a t u a l e é s e u poder f i n a n c e i r o que s u s -
e m a l u m i n a , a exploração de todas a s r e s e r v a s c o n h e c i - t e n t a o crescente m o v i m e n t o p a r a c a d a vez m a i o r con-
das desse minério pelo c a p i t a l p r i v a d o d e s t r u i r i a o p r i n - centração do monopólio.
c i p a l i n c e n t i v o do monopólio, o l u c r o , pois a conse-
Hoje a competição, n o esforço de obter e m a n t e r
quente superabundância b a i x a r i a os preços. A África
o monopólio sobre indústrias i n t e i r a s e fontes de maté-
Ocidental é excepcionalmente rica em b a u x i t a , m a s as
r i a s - p r i m a s , intensificou-se a t a l ponto que a s fusões
nações isoladas não são i g u a l m e n t e favorecidas c o m o
estão ocorrendo e m r i t m o a l u c i n a n t e . A l u t a é t e n s a e
poder de desenvolver os r e c ur s os . G a n a está fornecendo
c r u e l e n a b a t a l h a pelo domínio, u m armistício é c o m -
força hidrelétrica que p o d e r i a ser u t i l i z a d a p a r a con-
binado n o s m o m e n t o s críticos, através do q u a l a i n f l u -
v e r t e r a l u m i n a t a n t o e m G a n a como n a Guiné. E s s e
ência f i c a d i v i d i d a , por c o n s e n t i m e n t o d a s p a r t e s . A
s e r i a u m esforço cooperativo bem-vindo, d e n t r o do q u a -
h a r m o n i a , n o e n t a n t o , é m a i s a p a r e n t e do que r e a l . A
dro de u m a e c o n o m i a c o n t i n e n t a l u n i f i c a d a .
l u t a p e l a redivisão prossegue p e r m a n e n t e m e n t e e a s
O u t r a a r m a m a n t i d a sobre a s cabeças das nações alterações que o c o r r e m d e n t r o das organizações c o m -
p r o d u t o r a s de matérias-primas é a ameaça de u s a r a l - b i n a d a s podem ser observadas c a d a vez m a i s f r e q u e n -
t e r n a t i v a s sintéticas e a substituição dos m e t a i s t r a d i - temente.
c i o n a i s p o r outros. Fábricas de d i a m a n t e s sintéticos fo-
r a m construídas por D e B e e r s , o m o n o p o l i s t a m u n d i a l O monopólio dos dias de hoje é a l t a m e n t e v a r i a d o
MIBA,
de d i a m a n t e s n a t u r a i s , p e l a c o m p a n h i a belga que e espalhado. E n q u a n t o t i r a s u a força d a s u a posição
c o n t r o l a os d i a m a n t e s n a t u r a i s do Congo, o m a i o r for- monopolista, está por o u t r o l ado s e r i a m e n t e exposto

74 75
aos perigos que ameaçam u m organismo múltiplo que elevados. E s s a f o r m a de i n v e s t i m e n t o de c a p i t a l está
estende seus m e m b r o s de m a n e i r a e x t r e m a e m dire- a u m e n t a n d o r a p i d a m e n t e , n e s t a e r a de crescente i n d u s -
ções diferentes. U m a f r a t u r a e m q u a l q u e r ponto talvez trialização e a p a r e c i m e n t o de n o v a s cidades, e se es-
a c a r r e t e u m a desarticulação que poderá p o r s u a vez tende à a g r i c u l t u r a e m g r a n d e e s c a l a .
d e s e q u i l i b r a r a e s t r u t u r a . E os monopólios r i v a i s estão N a África, o consórcio está fazendo a s m a i s s i n i s -
sempre a l e r t a p a r a descobrir os pontos fracos, a f i m de t r a s penetrações. E s t e n d e - s e a p a r t i r d a s fusões mono-
desfechar u m golpe que permitirá ao competidor m a i s polistas do c a p i t a l f i n a n c e i r o n o r t e - a m e r i c a n o e euro-
implacável i n s i n u a r - s e n o órgão partido. Consequente- p e u , p a r t i c u l a r m e n t e dos que estão combinados n o âm-
m e n t e o monopólio, tendo a t r a v e s s a d o os estágios de bito do Mercado C o m u m E u r o p e u , onde os consórcios
cartelização, associação, truste e sindicato, utiliza f i n a n c e i r o s f o r a m organizados como os meios m a i s efi-
hoje c a d a vez m a i s u m a u l t e r i o r g a r a n t i a protetora. É cientes de t i r a r l u c r o s d a b a t a l h a de competição que
o consórcio, através do q u a l p r o c u r a i m o b i l i z a r os r i v a i s cresce e m e s p i r a l dentro dessa c h a m a d a organização
e d e s a r m a r os associados a q u e m é p e r m i t i d o se j u n t a r u n i f i c a d o r a . O objetivo p r i m o r d i a l é monopolizar a s
a essa invenção i m p e r i a l i s t a , a m a i s f a s c i n a n t e de to- fontes de matérias-primas d a África e não, como se a s -
das. G e r a l m e n t e há n o consórcio u m p a r t i c i p a n t e que o s e g u r a , a u x i l i a r a s nações a f r i c a n a s a desenvolverem
d o m i n a , s e j a d i r e t a m e n t e o u através de (e c o m ) f i l i a - s u a s economias, pois o m a t e r i a l é r e t i r a d o de u m modo
dos e associados, o que l h e p e r m i t e exercer a m a i o r i n - g e r a l e m s e u estado b r u t o o u sob a f o r m a de concen-
fluência sobre os a s s u n t o s do consórcio. A d e m a i s , c a d a trados, p a r a favorecer a c a p a c i d a d e p r o d u t i v a d a s n a -
u m dos p a r t i c i p a n t e s do consórcio t e m f i e i r a própria ções i m p e r i a l i s t a s e ser devolvido às nações de origem
de apêndices o u até mesmo u m a m a t r i z f o r a do con- sob a f o r m a de e q u i p a m e n t o pesado p a r a a indústria
sórcio. Todos c o n t i n u a m a l u t a , lá f o r a , e n q u a n t o os e x t r a t i v a e d a i n f r a - e s t r u t u r a p a r a c a r r e a r do país os
que estão dentro e x e r c e m esforços p a r a a u m e n t a r a recursos.
importância de s u a participação n a s a t i v i d a d e s do g r u -
É dos r e n d i m e n t o s obtidos c o m a v e n d a dessas m a -
po. P o r exemplo, o consórcio, como monopólio, contro-
térias-primas que a s nações a f r i c a n a s e s p e r a m j u n t a r
lará u m complexo de c o m p a n h i a s l i g a d a s e m m u i t o s
p a r t e do c a p i t a l que l h e s tornará possível u t i l i z a r esses
níveis à produção de matérias-primas, ao s e u processa-
mesmos produtos p a r a o s e u próprio desenvolvimento.
m e n t o desde o estado o r i g i n a l , através de todos os es-
P a r a d o x a l m e n t e , n o e n t a n t o , esses preciosos elementos
tágios de transformação, até u m a v a r i e d a d e de p r o d u -
do f u t u r o d a África estão e n q u a n t o isso sendo usados
tos semi-acabados e acabados, que vão do a r t i g o m a i s
p a r a a l a r g a r a b r e c h a económica e n t r e e l a e a s nações
c o m u m ao e q u i p a m e n t o m a i s complicado e delicado, à
a l t a m e n t e i n d u s t r i a l i z a d a s , que estão a p r e s s a d a m e n t e
indústria p e s a d a e m a q u i n a r i a . O monopólio não se l i -
aproveitando a oportunidade de e x p l o r a r a s deficiências
m i t a a u m a única matéria-prima, e m b o r a t e n h a s i t u a -
e m s u a s economias. U m a vez que os que estão r e a l i z a n -
ção d e s t a c a d a e m u m a o u d u a s . N e m se l i m i t a a q u a l -
do a exploração são também os monopolistas que m a -
quer tipo específico de m a n u f a t u r a o u e m p r e s a que es-
n i p u l a m os m e r c a d o s de produtos primários, de u m
t e j a ligado às s u a s a t i v i d a d e s básicas, e m b o r a também
lado, e o preço dos produtos f i n a i s , do outro, a s nações
nesse ponto êle possa se especializar e m d e t e r m i n a d o s
de origem estão n e c e s s a r i a m e n t e d e s t i n a d a s a u m a l o n -
tipos. M u i t o s monopólios c r i a m ramificações n o comér-
g a espera até que p o s s a m e n f r e n t a r , e m e s c a l a i m p o r -
cio de imóveis e obras de urbanização e loteamento,
t a n t e , o p r o b l e m a c a p i t a l que se a p r e s e n t a a todas a s
u m a vez que a construção e a s e m p r e i t a d a s de obras
nações e m desenvolvimento, de elevar s e r i a m e n t e o ní-
de e n g e n h a r i a t r a z e m l u c r o s prontos e altos e aluguéis
v e l de v i d a de s e u povo, se não f i z e r e m u m esforço p a r a

76 77
u n i r seus recursos de m a n e i r a m a i s prática e a u t o - s u - t r i a i s se e n t r i n c h e i r a v a m n a economia a r g e l i n a . P o r
ficiente. E s t a é a r e s p o s t a aos devotos economistas que t o d a a África, os gigantes i n d u s t r i a i s são apoiados por
nos g a r a n t e m que o i m p o r t a n t e não é o que se t i r a d a s instituições f i n a n c e i r a s que d o m i n a m os setores mone-
nossas t e r r a s , m a s o que é deixado f i c a r . tário e" f i s c a l de t a n t o s dos E s t a d o s independentes.
Os mais profundamente envolvidos são a s f a b u -
A r e s p o s t a foi d a d a p e l a Comissão de A j u d a ao D e -
losas instituições bancárias e de seguros e a s compa-
senvolvimento, d a Organização p a r a a Cooperação E c o -
n h i a s multimilionárias como o B a n c o M u n d i a l e seus
nómica e D e s e n v o l v i m e n t o , e m s u a e s t i m a t i v a de que,
filiados. E s s a s formidáveis alianças i r r a d i a m - s e dos E s -
se a s nações i n d u s t r i a i s c o n t i n u a r e m a a u m e n t a r o s e u
tados U n i d o s , Grã-Bretanha, A l e m a n h a , França, H o -
produto n a c i o n a l b r u t o e m três por cento, por a n o , se-
l a n d a , Itália, Suécia. M o v i m e n t a m - s e e m t o r n o d a s a s -
rão necessários pelo menos 200 anos às nações m e n o s
sociações metalúrgicas e químicas c o m a C o m u n i d a d e
desenvolvidas p a r a alcançar o s e u nível de v i d a , p a r -
E u r o p e i a do Carvão e do Aço, como a S o l l a c , GIS ( G r o u -
t i n d o do princípio de que a s nações não i n d u s t r i a l i z a -
p e m e n t de 1'Industrie Sidérurgique), Sidelor (Union
das a t i n j a m u m c r e s c i m e n t o a n u a l de cinco por cento.
Sidérurgique L o r r a i n e ) , U s i n o r ( U n i o n Sidérurgique d u
Como é problemático, n o e n t a n t o , alcançar esses c i n c o
N o r d de l a F r a n c e ) , K r u p p , T h y s s e n , K u h l m a n n , P i e r -
por cento, à l u z d a d r e n a g e m dos r e c u r s o s d a s nações
menos desenvolvidas p a r a a s a l t a m e n t e desenvolvidas.
relatte, F a r b w e r k e Hoechst, B a y e r , BASF (Badische A n i -
l i n & S o d a F a b r i k ) , ICI. Estão n a assembleias de b a n -
N a m a i o r i a d a s nações a f r i c a n a s o índice de a u m e n t o do
queiros como C o n s a f r i q u e ( C o n s o r t i u m Européen pour
produto doméstico m a l se mantém à a l t u r a do índice
le Développement des R e s s o u r c e s N a t u r e l l e s de 1'Afri-
de c r e s c i m e n t o d a população, de dois e meio a três por
q u e ) , s i t u a d o n o mesmo endereço do B a n c o I n t e r n a c i o -
cento. São a s nações m e n o s desenvolvidas que c o n t i -
n a l em Luxemburgo; E u r o f i n , Compagnie Bancaire,
n u a m a s u p o r t a r a c a r g a do crescente desenvolvimento
F i n s i d e r , Cofimer, U n i o n Européenne I n d u s t r i e l l e e F i -
das a l t a m e n t e desenvolvidas. A c o m p a n h i a F i r e s t o n e ,
nancière, e o u t r a s .
por exemplo, levou d a Libéria b o r r a c h a n o v a l o r de 160
milhões de dólares n o último q u a r t o de século. E m r e - Poderosas corporações n o r t e - a m e r i c a n a s como a
torno, o G o v e r n o l i b e r i a n o recebeu u n s míseros oito m i - Bethlehem Steel, United States Steel, Republic Steel,
lhões. O l u c r o líquido médio obtido por e s s a c o m p a n h i a Armco Steel, Newmont Mining, J o h n s Manville, U n i o n
n o r t e - a m e r i c a n a é três vezes m a i o r do que t o d a a r e n d a Carbide, O l i n Mathieson, Alcoa, K a i s e r , despontam en-
liberiana. t r e todos os projetos de produção de matérias-primas
D o s u l ao norte, os consórcios f i n a n c e i r o s e i n d u s - do pós-guerra, neste c o n t i n e n t e . S u a s alianças espa-
t r a i s se e s t e n d e r a m p e l a África, d e m a r c a n d o diligente- I h a m - s e e n t r e a s p r i n c i p a i s c o m p a n h i a s metalúrgicas e
m e n t e áreas r e s e r v a d a s de exploração de recursos de f i n a n c e i r a s d a E u r o p a , e m combinações que o c u l t a m
minérios, m e t a i s e petróleo, de s i l v i c u l t u r a e a g r i c u l t u - a competição subterrânea. E s s e estado de competição
r a , e c o n s t r u i n d o indústrias e x t r a t i v a s e de processa- i r r o m p e à superfície q u a n d o a s circunstâncias c a u s a m
m e n t o primário n a s q u a i s se e n t r i n c h e i r a r a m como u m desmoronamento n a f a c h a d a de coexistência pací-
pontos de apoio. N a Argélia, por exemplo, a c o r r i d a de f i c a entre i m p e r i a l i s t a s r i v a i s operando n o s E s t a d o s
investimentos realmente grande coincidiu com a guerra soberanos de outros, aos q u a i s dão demonstrações de
de libertação n a c i o n a l . E m 1951 e 1955, houve u m a o n d a força e que u s a m como peões n a b a t a l h a p e l a s u p r e m a -
de e n t r a d a de i n v e s t i m e n t o francês e franco-norte-ame- c i a monopolista. O Gabão é u m b o m e x e m p l o dessas
r i c a n o m a i o r do que j a m a i s h o u v e r a . Fosse q u a l fosse o afirmações. O d e s c o n t e n t a m e n t o p o p u l a r c o m o r e g i m e
r e s u l t a d o d a g u e r r a , os interesses f i n a n c e i r o s e i n d u s - existente, que levou às desordens de fevereiro de 1964,

78 79
foi é oportunidade u t i l i z a d a p e l a França p a r a a d v e r t i r
o s j j s t a d o s U n i d o s de q u e n ã o t o l e r a r i a a usurpação dos
diremos q u e e l a se a r r o g a sobre a s r i q u e z a s de m a n g a -
nês urânio e petróleo dessa s u a a n t i g a colónia. N e g l i -
genciados sob o r e g i m e c o l o n i a l , esses r e c u r s o s a s s u m i -
ram u v a l o r inestimável p a r a a França n a b a t a l h a
m

c o n t r a o avanço do i m p e r i a l i s m o n o r t e - a m e r i c a n o n a
Eurc?P > a n o v a época de r i v a l i d a d e atómica. A F r a n -
n a

ça n v i o u pára-quedistas a f i m de reforçar o s e u p o n t o
e

de ^ s t a sobre q u e m t e r i a o Gabão como pião. A U n i t e d


v

S t a t ^ S t e e l pode t e r a participação d o m i n a n t e n a C o -
s
5. A verdade por trás
m i l o g ( C o m p a g n i e de 1'Ogoouie), que está explorando
o i i t o dos riquíssimos depósitos de manganês de F r a n -
e das manchetes
cevil > le França, através d a C o m p a g n i e des M i n e s
m a s a

( i > T j a n i u m de F r a n c e v i l l e , c o n t r o l a o depósito de urâ-


r

n i o £rn M o u n a n a e está u r g e n t e m e n t e a t a r e f a d a n o e s -
force? P f r u s t r a r a s aspirações dos barões do petró-
a r a

leo n o r t e - a m e r i c a n o ao acesso i n d i s p u t a d o às r i q u e z a s
petrP a s s u b m a r i n a s d a c o s t a do Gabão.
PARA
l l i e r

compreender r e a l m e n t e o q u e acontece hoje


n o m u n d o é necessário c o m p r e e n d e r a s influências e
pressões económicas q u e estão p o r trás dos a c o n t e c i -
m e n t o s políticos. A s c o l u n a s f i n a n c e i r a s d a i m p r e n s a
m u n d i a l dão, de fato, " a s notícias por trás d a s notícias".
C o m i n t e r v a l o s de poucos d i a s e n c o n t r a m o s sempre
anúncios p e l a i m p r e n s a de q u e " M o r g a n G r e n f e l l p a r -
t i c i p a de u m novo b a n c o francês" o u " G r u p o bancário
a f r i c a n o " o u "Consórcio obtém poder de voto e m H u -
l e t t " (monopólio açucareiro s u l - a f r i c a n o ) o u " N o v a com-
p a n h i a de a g e n c i a m e n t o estabelecida n a A l e m a n h a " .
São títulos de j o r n a l r e a l m e n t e colhidos a o acaso.
Ao serem examinados, mesmo superficialmente, n o en-
t a n t o , os fatos r e v e l a m u m a l i n h a de ligação e n t r e po-
derosos grupos f i n a n c e i r o s q u e e x e r c e m a pressão m a i s
d e c i s i v a sobre os a c o n t e c i m e n t o s de n o s s a época. O s
fatos d i z e m respeito aos h o m e n s e interesses r e l a c i o n a -
dos c o m os a r r a n j o s m e n c i o n a d o s n o s a r t i g o s de j o r n a l .
Não q u e os fatos s e j a m j a m a i s c o m p l e t a m e n t e r e v e l a -
dos. P e l o contrário, são m a i s f r e q u e n t e m e n t e ocultados
e é necessário conhecer a s c a r r e i r a s d a s p e r s o n a l i d a -
des e grupos q u e os a r t i g o s l i g a m e n t r e s i p a r a v e r p o r

80 81
trás deles a direção inevitável dos a r r a n j o s n o t i c i a d o s "Alteração bancária f r a n c o - a f r i c a n a " encabeça u m a
e s e u significado intrínseco, e m t e r m o s de força econó- matéria de pouco m e n o s de oito l i n h a s , n o Financial
m i c a e política. Times de 26 de j u l h o de 1963, que nos infor-
T o m e m o s o a s s u n t o d a participação de M o r g a n m a s u c i n t a m e n t e de que " a rede de agências do B a n -
G r e n f e l l n o novo b a n c o francês (Financial Times, de que C o m m e r c i a l e A f r i c a i n e no S e n e g a l , C o s t a do M a r -
L o n d r e s , 18 de dezembro de 1 9 6 2 ) . M o r g a n G r e n f e l l & f i m , República dos Camarões e República do Congo p a s -
Co. a t u a efetivamente como o t e r m i n a l l o n d r i n o d a i m - sou p a r a o controle d a Société Générale, o segundo
p o r t a n t e c a s a bancária n o r t e - a m e r i c a n a J . P . M o r g a n & m a i o r banco francês". É n o único comentário que o j o r -
Co., que e m 1956 já possuía u m terço d a c o m p a n h i a n a l se p e r m i t e que está o ponto i n t e r e s s a n t e : " O a r -
britânica. Não deve ser, p o r t a n t o , s u r p r e e n d e n t e saber r a n j o resultará e m s u b s t a n c i a l a u m e n t o do v o l u m e de
que o novo b a n c o " c o n t i n e n t a l " n o q u a l M o r g a n G r e n - depósitos m a n t i d o p e l a Société Générale."
f e l l p a r t i c i p a se c h a m a M o r g a n & C i e ; e especialmente A Société Générale f o i f u n d a d a sob Napoleão I I I ,
porque 70 por cento do c a p i t a l de dez milhões de f r a n - e m 1864. U m dos seus p r i n c i p a i s p a r t i c i p a n t e s e r a
cos novos p e r t e n c e m a M o r g a n G u a r a n t y I n t e r n a t i o n a l Adolphe S c h n e i d e r , m e m b r o do império S c h n e i d e r de
F i n a n c e C o r p o r a t i o n e 15 por cento a M o r g a n G r e n f e l l . f e r r o e aço e que e r a ao m e s m o tempo u m dos regen-
E os r e s t a n t e s 15 por cento? Estão divididos e n t r e dois tes do B a n q u e de F r a n c e . T a n t o o B a n q u e de F r a n c e
b a n c o s holandeses — Hope & Co., de A m s t e r d a m , e R . como a Société Générale f o r a m a g o r a n a c i o n a l i z a d o s .
Mees & Zoonen, de R o t t e r d a m — c o m os q u a i s o grupo I s s o s i g n i f i c a n a r e a l i d a d e que o G o v e r n o francês t e m
M o r g a n t e m estado i n t i m a m e n t e associado há m u i t o s u m i n t e r e s s e direto n a rede do B a n q u e C o m m e r c i a l e
anos. E s s a associação foi t o r n a d a m a i s íntima p e l a a q u i - A f r i c a i n e de que a Société Générale a s s u m i u o controle.
sição, e m março de 1963, de 14 por cento de ambos p e l a A nacionalização não a t r a p a l h a a associação m a i s
Morgan G u a r a n t y I n t e r n a t i o n a l B a n k i n g Corporation, íntima c o m a s m a i s poderosas instituições bancárias
subsidiária d a M o r g a n G u a r a n t y T r u s t . p r i v a d a s do m u n d o , como i l u s t r a m os fatos noticiados
C o m o foi feito isso? Através de c o m p r a de ações d a sob o título " G r u p o bancário a f r i c a n o " (West Africa,
B a n k i e r - C o m p a g n i e , u m a c o m p a n h i a que c o n s o l i d a v a a s 22 de setembro de 1 9 6 3 ) . O título, n o e n t a n t o , ilude.
a t i v i d a d e s dos dois bancos holandeses e que, apesar de Há pouco de " a f r i c a n o " n o grupo, sendo o p r i n c i p a l i n -
tudo, c o n t i n u a m a negociar e m seus próprios nomes. teressado a B a n k e r s I n t e r n a t i o n a l C o r p o r a t i o n , s u b s i -
E s s a f o r m a , de u m e m dois, é a fórmula a c e i t a , p e l a diária d a B a n k e r s T r u s t C o m p a n y , que divide c o m a
q u a l a s g r a n d e combinações p r o c u r a m i l u d i r o m u n d o M o r g a n G u a r a n t y T r u s t os negócios c o m e r c i a i s de J . P .
sobre s u a s formações c o m p a c t a s . M o r g a n & C o . O s o utr o s são a Société Générale e o u -
t r a s instituições f i n a n c e i r a s europeias não c i t a d a s .
O presidente de M o r g a n et C i e é o S r . P i e r r e Mèy-
E s s a combinação de b a n c o s ocidentais, encabeçada
n i a l , vice-presidente do M o r g a n G u a r a n t y T r u s t e m P a -
pelos interesses d a M o r g a n , cujos braços se estendem
r i s , c u j o irmão, o S r . R a y m o n d M e y n i a l , é diretor do
ao longe, incrementará a formação de b a n c o s e x a t a -
B a n q u e W o r m s . O vice-presidente de M o r g a n et C i e é o
m e n t e nesses territórios onde a Société Générale a d q u i -
R t . H o n . Visconde de H a r c o u r t , K . C . M . G . , O . B . E . ,
r i u os interesses do B a n q u e C o m m e r c i a l e A f r i c a i n e , o u
diretor-gerente d a M o r g a n G r e n f e l l e presidente de q u a -
seja, C o s t a do M a r f i m , S e n e g a l , República dos C a m a -
t r o c o m p a n h i a s de seguros britânicas — B r i t i s h C o m -
rões e Congo ( B r a z z a v i l l e ) . A J u n t a F e d e r a l de R e s e r v a
monwealth, G r e s h a m F i r e & Accident, G r e s h a m Life
n o r t e - a m e r i c a n a a p r o v o u a extensão d a M o r g a n , a s s i m
Assurance, e Legal & General.
como os G o v e r n o s dos países a f r i c a n o s a que d i z r e s -

82 83
peito a operação. Não é necessário fazer comentários, p o r a t i o n of S o u t h A f r i c a , D e B e e r s C o n s o l i d a t e d M i n e s ,
u m a vez podermos a c e i t a r de imediato o ponto de v i s t a e F i r s t U n i o n I n v e s t m e n t T r u s t . É diretor d a A f r i c a n
do p r i m e i r o vice-presidente e chefe do d e p a r t a m e n t o i n - & E u r o p e a n I n v e s t m e n t Co., B a r c l a y s B a n k DCO, B r i t i s h
t e r n a c i o n a l do B a n k e r s T r u s t , S r . G . T . D a v i e s , que S o u t h A f r i c a n Co. e C e n t r a l M i n i n g & Investment
a n u n c i o u p r a z e r o s a m e n t e que a participação dêsse3 Corporation.
q u a t r o países aumentará s u b s t a n c i a l m e n t e o a l c a n c e O vice-presidente d a A n g l o A m e r i c a n C o r p o r a t i o n
das a t i v i d a d e s de c o m p a n h i a s de B a n k e r s T r u s t n a é Sir K . A c u t t , que é também diretor d a B r i t i s h S o u t h
África, u m c o n t i n e n t e e m que estamos v i t a l m e n t e i n t e - A f r i c a C o . e do S t a n d a r d B a n k . Co-diretor, c o m o vice-
ressados. A notícia c o n c l u i c o m a informação de que a presidente d a A n g l o A m e r i c a n C o r p o r a t i o n , d a B r i t i s h
Bankers I n t e r n a t i o n a l C o m p o r a t i o n t e m interesses S o u t h A f r i c a Co. é o S r . R o b e r t A n n a n , que f a z p a r t e d a
(equity interests) no L i b e r i a n T r a d i n g & Development d i r e t o r i a d a C o n s o l i d a t e d G o l d F i e l d s a o lado de M r .
B a n k ( T r a d e v c o ) e n o U n i t e d B a n k of A f r i c a , n a D r a y t o n . M r . A n n a n goza também d a distinção de ser
Nigéria. diretor-extraordinário d a S c o t t i s h A m i c a b l e L i f e A s s u -
O f a t o de que outro consórcio açucareiro (Finan- rance Society.
cial Times de 8 de n o v e m b r o de 1962) t e n h a consegui- Colega de M r . D r a y t o n , t a n t o n o M i d l a n d B a n k
do obter m a i s de 50 p o r cento d a s ações ordinárias e como n a E x e c u t o r & T r u s t C o , pertencente ao banco,
p o r t a n t o a m a i o r i a de votos no monopólio açucareiro é o R t . H o n . L o r d e B a i l l i e u , K . B . E . , C . M . G . , que a c o n -
s u l - a f r i c a n o de «Sir J . H u l e t t & S o n s parece, s u p e r f i c i a l - tece ser a o m e s m o t e m p o vice-presidente d a C e n t r a l
mente, i n t e i r a m e n t e desligado d a s o u t r a s matérias j o r - M i n i n g & I n v e s t m e n t C o r p o r a t i o n , onde pode ser e n -
nalísticas que já e x a m i n a m o s . M a s c o n t i n u e m o s c o m contrado H a r r y F . Oppenheimer. Lorde B a i l l i e u t e m as-
o exame. sento também n o E n g l i s h S c o t t i s h & A u s t r a l i a n B a n k .
P o r trás d a combinação de c o m p a n h i a s açucarei- O u t r o diretor do S t a n d a r d B a n k é o S r . W i l l i a m
r a s que obteve a ascendência no monopólio H u l e t t são A n t o n y A c t o n , c u j a s e s t r e i t a s ligações c o m o m u n d o
visíveis a s mãos de d u a s i m p o r t a n t e s c a s a s s u l - a f r i c a - bancário se vêem n a s u a vice-presidência do N a t i o n a l
n a s lançadoras e s u b s c r i t o r a s de ações, P h i l i p H i l l B a n k e n a s d i r e t o r i a s que o c u p a n o B a n k of L o n d o n &
H i g g i n s o n & C o . (África) e U n i o n A c c e p t a n c e s L t d . Montreal, S t a n d a r d B a n k F i n a n c e & Development Cor-
H a r o l d C h a r l e s D r a y t o n é a p e r s o n a l i d a d e domi- p o r a t i o n , B a n k of L o n d o n & S o u t h A m e r i c a e B a n k of
n a n t e n a c a d e i a P h i l i p H i l l de c o m p a n h i a s f i n a n c e i r a s W e s t A f r i c a . Não é c e r t a m e n t e p o r m e r a coincidência
e de i n v e s t i m e n t o , c o m base e m L o n d r e s . H a r r y F . que L o r d e L u k e of P a v e n h a m t e m assento c o m H . C .
O p p e n h e i m e r , d a África do S u l , é o presidente d a U n i o n D r a y t o n n a d i r e t o r i a de A s h a n t i G o l d F i e l d s e o c u p a
A c c e p t a n c e s . E n t r e os cargos do S r . D r a y t o n n a s com- u m a d i r e t o r i a n o B a n k of L o n d o n & S o u t h A m e r i c a , d a
p a n h i a s , estão os de presidente d a E u r o p e a n & G e n e - q u a l faz p a r t e M r . A c t o n . N e m pode ser p o r m e r o acaso
r a l C o r p o r a t i o n , S e c o n d C o n s o l i d a t e d T r u s t , e diretor que o S r . E s m o n d C h a r l e s B a r i n g , ex-diretor e agente
do M i d l a n d B a n k e M i d l a n d B a n k E x e c u t o r & T r u s t e e e m L o n d r e s d a A n g l o A m e r i c a n C o r p o r a t i o n e associado
Co., E a g l e S t a r I n s u r a n c e Co., S t a n d a r d B a n k , Conso- a n u m e r o s a s o u t r a s c o m p a n h i a s do g r u p o O p p e n h e i m e r ,
l i d a t e d G o l d F i e l d s of S o u t h A f r i c a e A s h a n t i G o l d F i e l d s é m e m b r o d a família que o p e r a a c a s a de negócios de
Corporation. B a r i n g B r o s . e mantém os m a i s íntimos laços c o m o
O S r . O p p e n h e i m e r , e n t r e os seus m a i s de 70 c a r - m u n d o dos i n v e s t i m e n t o s .
gos e m c o m p a n h i a s , i n c l u i os de presidente d a A f r i c a n O u t r a s personagens i m p o r t a n t e s que h o n r a r a m a
Explosives & Chemical Industrie, Anglo American Cor- j u n t a d i r e t o r a d a B r i t i s h S o u t h A f r i c a Co. e m 1963,

84 85
eram o falecido Sir Charles J . Hambro, P. V. Emrys- é sócio de H . C. Drayton n a Eagle Star Insurance e no
E v a n s e o Visconde de Malvern, F . C , C, H., K . C. M. H. Midland Bank. É presidente da Consolidated Gold Fields
Sir Charles Hambro era o diretor principal do Banco da e diretor da American Zinc Lead & Smelting Co. dos
Inglaterra. Presidia o maior dos bancos comerciais da Estados Unidos.
City de Londres, o Hambros B a n k , com 176 milhões d*-,
libras, e presidia a Union Corporation, o grupo finan- J o h n F r a n c i s Prideaux traz os interesses da Com-
ceiro da mineração sul-africana que abarca numerosos monwealth Development Corporation para o banco, as-
dos interesses anglo-norte-americanos associados com sim como os do Westminster Bank, do Bank of New
as firmas ligadas a Harry F . Oppenheimer. South Wales e diversos outros grupos financeiros e de
investimentos. William Michael Robson, como vice-presi-
O Standard B a n k of South Africa surge u m a vez dente da J u n t a Diretora Conjunta para a África Orien-
mais entre os cargos de diretoria de Lorde Malvern, o t a l e Central do Standard Bank, põe em ação todos os
que inclui a Scottish Rhodesia Finance e o Merchant interesses investidos, reunidos n a junta, enquanto re-
B a n k of Central Africa. Este último é u m a criação presenta separadamente os investimentos das compa-
do grupo bancário Rothschild, no qual se encontra nhias de financiamento, comércio, navegação e agríco-
o Banque Lambert, u m dos importantes bancos belgas las do grupo McConnell, de Booker Bros,, que tem o
que tem 17 e meio por cento de seus interesses concen- domínio monopolista da economia da Guiana Britâni-
trados n a África, especialmente no Congo. O banco tem ca. Charles Hyde Villiers reúne o Banque Belge L t d . e
ainda interesse em outra criação de Rothschild, a Five S u n Life Assurance Society. Banque Belge L t d . é o
Arrows Securities Co., u m a firma de investimentos ope- desaguadouro londrino do Banque de l a Société Géné-
rando no Canadá e sob a influência de Rockefeller. Mr. rale de Belgique e controla, por sua vez, entre outros,
P a u l V. Emrys-Evans, vice-presidente de B r i t i s h South o Banque du Congo Belge, Belgian-American B a n k i n g
Africa Co., é agora o presidente da Anglo American Corporation, Belgian-American Bank & Trust Co., Con-
Corporation, de Oppenheimer, atualmente em expan- tinental American F u n d (Ameri-fund) de Baltimore,
são, e também da D.C.O. do Barclays B a n k . U m assento Estados Unidos, e Canadafund Co., de Montreal,
n a Rio Tinto Zinc Corporation traz Mr. Emrys-Evans Canadá.
para a companhia de Lorde Baillieu, seu vice-presidente,
e suas associações com H . C. Drayton. O título "Nova companhia de agenciamento esta-
belecida n a A l e m a n h a " {Financial Times, 4 de outubro
Vários outros proeminantes bancos e companhias de 1963) tem u m a aparência superficialmente inó-
de seguros britânicos e algumas das suas associadas eu- cua. O mais breve olhar ao texto, no entanto, nos leva
ropeias participam do Standard Bank. S e u presidente, de pronto diretamente ao mundo dos bancos interna-
Sir F r a n k K y r i l Hawker, já foi representante do B a n - cionais. Pois encontramos extensões do capital britâ-
co da Inglaterra e seu vice-presidente, Sir F . W. Leith- nico e norte-americano que estimularam e sustentaram
Ross, representa o National Provincial Bank. As asso- uma verdadeira aventura internacional de agenciamen-
ciações bancárias de W. A. Acton já foram esboçadas to que se expandiu em muito pouco tempo através de
acima. H . C. Drayton entra com os interesses de seus quatro continentes. O foco central é uma companhia
próprios grupos financeiros, assim como os do Midland suíça de holding (controladora de outras companhias
B a n k e Eagle Star Insurance. Sir E . L . H a l l Patch, di- através de suas ações), a International Factors (agentes)
retor do Standard B a n k of South Africa que renunciou A G . of Chur. Seu capital nominal é de seis milhões de
na assembléia-geral anual de julho de 1963, é diretor da francos suíços (cerca de 490 mil libras). Estabeleceu
Commercial Union Assurance Co. Sir G , S. Harvie-Watt agora atividades n a Alemanha, onde uma companhia,

Só 87
a I n t e r n a t i o n a l Factors D e u t s c h l a n d , foi organizada e m queiros europeus reunidos pelo i m p o r t a n t e banco f r a n -
conjunção c o m três bancos alemães, a c o m p a n h i a de cês B a n q u e de P a r i s et des P a y s - B a s , E s s a associação
C h u r retendo 50 p o r cento do c a p i t a l . D o r e s t a n t e , 20 é o G r o u p e m e n t d Études pour 1'Analyse des V a l e u r s
f

por cento são do F r a n k f u r t e r B a n k , 25 p o r cento do Européennes, cujo objetivo é c a n a l i z a r o c h a m a d o " i n -


M i t t e l r h e i n i s c h e K r e d i t b a n k D r . H o r b a c k & Co., e cinco vestimento i n s t i t u c i o n a l " .
por cento de u m banco p a r t i c u l a r e m F r a n k f u r t , George A c a s a M . S a m u e l foi também e n c a r r e g a d a de gerir
H a u c k . A p a r t e do F r a n k f u r t e r B a n k , n o e n t a n t o , será o u t r a organização do M e r c a d o C o m u m , c o m sede e m
a u m e n t a d a pelo f a t o de t e r a d q u i r i d o u m a p a r t i c i p a - Londres, a New E u r o p e a n & G e n e r a l I n v e s t m e n t T r u s t ,
ção de 5 1 por cento de H o r b a c k & Co., através de u m a n a q u a l está a s s o c i a d a a o B a n q u e L a m b e r t , B a n q u e de
p e r m u t a de ações. P a r i s et des P a y s - B a s , à p r o e m i n e n t e c a s a bancária
Os g r a n d e s interesses banqueiros por trás d a a v e n - alemã S a l O p p e n h e i m & C i e . , os banqueiros holandeses
t u r a de a g e n c i a m e n t o i n t e r n a c i o n a l , que t e m f i l i a d a s L i p p r a a n n , R o s e n t h a l & Co., o Crédito I t a l i a n o , d a Itá-
n a Suíça, Austrália, África do S u l , I s r a e l e a g o r a Ale- l i a , B a n c o U r q u i j o , d a E s p a n h a , e U n i o n de B a n q u e s
m a n h a , são o F i r s t N a t i o n a l B a n k of B o s t o n , e M . S a - Suisses, d a Suíça.
m u e l & Co., de L o n d r e s . U m a c o m p a n h i a holding sob Pode p a r e c e r que t e n h a m o s nos estendido m u i t o
a influência de S a m u e l , T o z e r K e m s l e y & M i l b o u r n sobre os i n t r i c a d o s detalhes dos interesses f i n a n c e i r o s
( H o l d i n g s ) , c o n s t i t u i u m terceiro. O F i r s t National e económicos que estão por trás de a l g u n s títulos de
B a n k of B o s t o n , que já esteve f i r m e m e n t e d e n t r o do j o r n a l de aparência inocente. M a s eles são, de fato, té-
g r a n d e império f i n a n c e i r o M o r g a n , passou c a d a vez n u e s indicações d i r e c i o n a i s d a a t u a l tendência p a r a
m a i s , desde 1955, a f i c a r sob a influência de R o c k e f e l - laços c a d a vez m a i s estreitos e n t r e u m número r e d u -
ler, e m b o r a a i n d a t e n h a ligações s i g n i f i c a t i v a s c o m zido de grupos i n c r i v e l m e n t e poderosos que d o m i n a m
M o r g a n . Está conjugado ao C h a s e N a t i o n a l B a n k ( R o - nossas v i d a s e m e s c a l a m u n d i a l . A t a r e f a de e s t u d a r
c k e f e l l e r ) n a A m e r i c a n Overseas F i n a n c e C o r p o r a t i o n . m a i s p r o f u n d a m e n t e , e m detalhe, s u a significação, é o
O presidente de M . S a m u e l & C o . é o Visconde p r i n c i p a l objetivo deste l i v r o .
B e a r s t e d , diretor d a c o m p a n h i a c r i a d a p o r R o t h s c h i l d , No e n t a n t o , m e s m o essa breve exposição dá p r o v a s
A l l i a n c e A s s u r a n c e Co., e s u a a f i l i a d a , S u n A l l i a n c e I n - esclarecedoras d a t o r t u o s a interligação do monopólio
s u r a n c e . O presidente dessas duas c o m p a n h i a s de segu- i n t e r n a c i o n a l , hoje e m d i a . O que observamos, a c i m a de
ros é M r . T . D . B a r c l a y , diretor do B a r c l a y s B a n k ( F r a n - tudo, é a c o n s t a n t e penetração de instituições bancá-
ça) e B r i t i s h L i n e n B a n k , filiado a o B a r c l a y s B a n k , r i a s e f i n a n c e i r a s e m grandes empreendimentos i n d u s -
No começo de fevereiro de 1963, o F i r s t N a t i o n a l t r i a i s e c o m e r c i a i s , c r i a n d o u m a corrente de elos que
C i t y B a n k de N e w Y o r k , através d a I n t e r n a t i o n a l a s l e v a a u m tipo de relações c o m u n s conduzindo a o
B a n k i n g C o r p o r a t i o n , instituições c o n t r o l a d a s pelos i n - domínio t a n t o d a economia n a c i o n a l como d a i n t e r n a -
teresses de R o c k e f e l l e r , c o m p r o u u m a participação de c i o n a l . A influência e x e r c i d a por esse domínio é esten-
16,66 p o r cento e m M . S a m u e l & Co., r e p r e s e n t a d a por dida aos a s s u n t o s políticos e i n t e r n a c i o n a i s , de m a -
600 m i l ações ordinárias, ao custo de u m milhão e 900 n e i r a que os interesses dos grupos monopolistas domi-
m i l l i b r a s . O F i r s t N a t i o n a l C i t y B a n k colocou o p r e s i - n a n t e s g o v e r n a m a s políticas n a c i o n a i s . S e u s represen-
dente d a s u a comissão e x e c u t i v a , R . S . P e r k i n s , n a d i - t a n t e s são colocados e m posições-chave n o governo, exér-
r e t o r i a d a S a m u e l . E s s a injeção do c a p i t a l de R o c k e - cito, m a r i n h a e força aérea, n o serviço diplomático, n o s
feller p e r m i t i u à f i r m a bancária S a m u e l i n g r e s s a r n o organismos que t o m a m decisões a d m i n i s t r a t i v a s e n a s
M e r c a d o E u r o p e u , onde se u n i u à associação de b a n - organizações e instituições i n t e r n a c i o n a i s através d a s

88 89
risco do i n v e s t i d o r i n d i v i d u a l f o i diminuído p e l a l i m i -
q u a i s a s orientações e s c o l h i d as são f i l t r a d a s p a r a o tação de s u a obrigação.
cenário m u n d i a l . A competição passo u a o u t r o nível. Companhias
que possuíam g r a n d e c a p i t a l o u e r a m capazes de l e v a n -
E s s e processo já h a v i a alcançado u m i m p u l s o b e m tá-lo c o m g a r a n t i a s próprias p u d e r a m e x e r c e r u m a i n -
g r a n d e a n t e s do r o m p i m e n t o d a P r i m e i r a G u e r r a M u n - fluência d e s i g u a l sobre a s m a i s f r a c a s . O s l u c r o s p a s -
d i a l , que provocou n u m e r o s o s estudos i m p o r t a n t e s de s a r a m a depender d a eliminação dos competidores. A
s e u c r e s c i m e n t o e possibilidades. D o i s desses estudos, e n o r m e expansão d a indústria n o f i n a l do século p a s -
Imperialismo, pelo l i b e r a l britânico J . A . Hobson, p u - sado e princípio do a t u a l f o i a c o m p a n h a d a d e rápida
blicado e m 1902, e Capital Financeiro, pelo m a r x i s t a concentração, e m empr esas c a d a vez m a i o r e s .
austríaco R u d o l f H i l f e r d i n g , p u b l i c a d o e m 1910, f o r a m
usados p o r Lênin como base p r i n c i p a l do s e u estudo de A combinação d a produção se estabeleceu como
Imperialismo, que êle q u a l i f i c o u de "o m a i s a l t o estágio p r i n c i p a l característica do c a p i t a l i s m o . F i r m a s que h a -
do c a p i t a l i s m o " . v i a m começado se c o n c e n t r a n d o e m u m a função de i n -
dústria estenderam-se p a r a c o n s t i t u i r u m a e m p r e s a de
Isso f o i no estágio e m que a competição se t r a n s - grupo que r e p r e s e n t a v a os estágios consecutivos do pro-
f o r m a v a e m monopólio, a c h a m a d a combinação d a pro- cessamento de matérias-primas o u se s u b o r d i n a r a m
dução, isto é, o g r u p a m e n t o , e m u m a única e m p r e s a , de u m a s às o u t r a s . C a s a s de comércio e s t e n d e r a m s u a s a t i -
diferentes r a m o s d a indústria, e o próprio monopólio vidades à distribuição e depois à produção de a r t i g o s
e r a dominado pelo c a p i t a l bancário e f i n a n c e i r o . O es- acabados c o m m a t e r i a i s primários produzidos e m p l a n -
tudo de Lênin foi e s c r i t o e m 1916. Desde então o do- tações e m i n a s que a d q u i r i r a m e m territórios do
mínio do monopólio f i n a n c e i r o acelerou-se t r e m e n d a - além-mar.
mente.
H i l f e r d i n g , e m s e u t r a b a l h o clássico sobre o a s s u n -
C o m o é possível que o c a p i t a l i s m o , baseado n a l i v r e to, Capital Financeiro, e x p l i c a os mo ti vo s desse p r o -
e m p r e s a e competição, t e n h a chegado a u m estágio e m cesso:
que a competição está sendo corroída ao ponto e m " A combinação n i v e l a a s flutuações do comércio e
que monopólios de e s t r u t u r a p i r a m i d a l e x e r c e m d i r e i - p o r t a n t o a s s e g u r a às e m p r e s a s c o m b i n a d a s u m índice
tos d i t a t o r i a i s ? A possibilidade está n a existência d a de l u c r o m a i s estável. E m segundo l u g a r , a combinação
própria l i v r e i n i c i a t i v a . O i n c e n t i v o d a competição p r o - t e m o efeito de e l i m i n a r o comércio. E m terceiro l u g a r ,
vocou a i n v e n t i v i d a d e e m vários planos, N o v a m a q u i - t e m o efeito de p o s s i b i l i t a r aperfeiçoamentos técnicos
n a r i a f o i i n v e n t a d a , p a r a a u m e n t a r a produção e o l u - e consequentemente a obtenção de s u p e r l u c r o s , a c i m a
cro, as fábricas se t o r n a r a m m a i o r e s . A s pequenas u n i - e além daqueles obtidos pelas e m p r e s a s " p u r a s " (isto é,
dades t o r n a r a m - s e pouco l u c r a t i v a s e f o r a m e x p u l s a s o u não c o m b i n a d a s ) . E m q u a r t o , fortalece a situação d a s
engolidas pelas m a i o r e s . A comunicação ferroviária m e - empresas c o m b i n a d a s , e m comparação c o m a d a s " p u -
l h o r o u a distribuição e o m e l h o r t r a n s p o r t e marítimo r a s " , fortalece-se n a l u t a de competição e m períodos de
e s t i m u l o u o comércio transoceânico e a importação de depressão severa, q u a n d o a q u e d a de preços n o s m a t e -
matérias-primas e s t r a n g e i r a s . r i a i s primários não a c o m p a n h a o r i t m o d a q u e d a de
A c o m p a n h i a por sociedade anónima, que encora- preços dos produtos m a n u f a t u r a d o s . "
j o u o c r e s c i m e n t o do t r a n s p o r t e ferroviário e marítimo, A m e d i d a que se e s t e n d i a o monopólio d a indústria
s e r v i u de i n s t r u m e n t o p a r a f o r j a r o c r e s c i m e n t o de b a n - c do comércio, também a u m e n t a v a a dependência do
cos e seguros. Novas leis c o m e r c i a i s a j u d a r a m s u a ex- c a p i t a l bancário. Novos métodos de produção, a divisão
tensão a e m p r e s a s i n d u s t r i a i s e c o m e r c i a i s , n a s q u a i s o
91
90
das fábricas e negócios e m d e p a r t a m e n t o s , a pesquisa f a b r i c a n t e de a r m a m e n t o s e diretor d a poderosa l i n h a
de possibilidades de novos m a t e r i a i s e novos métodos de de navegação H a m b u r g - A m e r i c a n .
e m p r e g a r t a n t o os m a t e r i a i s antigos como os novos — Hoje e m d i a esse processo foi m u i t o m a i s longe e
tudo isso, e m b o r a e v e n t u a l m e n t e reforçasse o monopó- estende s u a s raízes c a d a vez m a i s envolventes. O s seis
lio e a u m e n t a s s e os l u c r o s , e x i g i a s o m a s de c a p i t a l que bancos alemães incluíam q u a t r o g i g a n t e s : o D e u t s c h e
somente os bancos e seus associados n o m u n d o dos se- B a n k , o Dresdner B a n k , o Disconto Gesellschaft e o
guros t i n h a m c a p a c i d a d e de fornecer. A s s i m , lado a C o m m e r z b a n k , que se t o r n a r a m , todos, a i n d a m a i s po-
iado c o m o processo de fusão de empresas i n d u s t r i a i s , derosos. A l i a d o s a eles hoje, como e m 1910, estão os g r a n -
h o u v e a concentração de b a n c o s e s u a penetração n a s des t r u s t e s e cartéis i n d u s t r i a i s alemães K r u p p , A E G
g r a n d e s e m p r e s a s i n d u s t r i a i s e c o m e r c i a i s p a r a cujo Bayer, Badische A n i l i n & Soda Fabrik, Farbwerke
c a p i t a l contribuíam f o r t e m e n t e . H o e c h s t (os três últimos são os componentes e m que a
grande I . G . F a r b e n foi d i v i d i d a pelos aliados ao f i m
D e intermediários, fazendo i n i c i a l m e n t e a p e n a s o d a S e g u n d a G u e r r a M u n d i a l ) , os f a b r i c a n t e s de explo-
p a p e l de emprestadores de d i n h e i r o , os bancos p a s - sivos e a r m a m e n t o s ligados à enorme I C I e s u a f i l i a d a
s a r a m a poderosos monopólios, tendo sob s e u c o m a n d o c o n t i n e n t a l , S o l v a y . P o r exemplo, o D e u t s c h e B a n k é
quase que todos os meios de produção e fontes de m a - hoje o p r i n c i p a l b a n c o d a A l e m a n h a e está colocado e m
t e r i a i s primários de u m d e t e r m i n a d o país e de diversos décimo-primeiro l u g a r entre os m a i o r e s do m u n d o . E m
países. E s s a transformação de n u m e r o s o s intermediá- 1870, o D e u t s c h e B a n k t i n h a u m c a p i t a l de 15 milhões
r i o s h u m i l d e s e m u m p u n h a d o de monopolistas re p re - de m a r c o s , que c o n s e g u i u a u m e n t a r p a r a 200 milhões
s e n t a u m dos processos f u n d a m e n t a i s d a p a s s a g e m do e m 1908. E m 1962, d i s p u n h a de fundos n o t o t a l de u m
capitalismo p a r a o imperialismo capitalista.* bilhão e 100 milhões de f r a n c o s a n t i g o s .
Estabeleceu-se a união entre o i n d u s t r i a l e o b a n - O domínio d a o l i g a r q u i a é m a n t i d o através do p r i n -
queiro, n a q u a l d o m i n a v a o último. Nos E s t a d o s U n i - c i p a l artifício d a holding company, geralmente c r i a da
dos, por exemplo, a U n i t e d S t a t e s S t e e l C o r p o r a t i o n , c o m u m c a p i t a l p u r a m e n t e n o m i n a l m a s que c o n t r o l a
u m a fusão de várias f i r m a s gigantescas do aço, contro- d i r e t a e i n d i r e t a m e n t e subsidiárias e f i l i a d a s u t i l i z a n d o
l a n d o m e t a d e d a produçãq do país, e r a c o n t r o l a d a pe- finanças e n o r m e m e n t e superiores. P a r t i n d o do ponto de
los i n t e r e s s e s bancários de J . P . M o r g a n , por c a u s a dos v i s t a de que a posse de 50 por cento do c a p i t a l é s u -
g r a n d e s i n v e s t i m e n t o s que J . P . M o r g a n U n h a n a i n - ficiente p a r a c o n t r o l a r u m a c o m p a n h i a (às vezes pode
dústria. A n t e s de t e r m i n a d a a p r i m e i r a década do século ser, e é, m u i t o m e n o s ) , é possível c o m u m i n v e s t i m e n t o
a t u a l , a interligação d a indústria e bancos já h a v i a se de, digamos, c e m m i l l i b r a s , c o n t r o l a r dezenas de m i -
realizado e m alto g r a u . N a A l e m a n h a , p o r exemplo, seis lhões e m empr esas subsidiárias e i n t e r l i g a d a s .
dos m a i o r e s bancos e r a m representados, por seus direto- C o n c e n t r a d o n a s mãos de u n s poucos, o c a p i t a l f i -
res, n u m t o t a l de p e r t o de 750 c o m p a n h i a s dedicadas n a n c e i r o exerce u m monopólio v i r t u a l , e m consequên-
aos m a i s diversos r a m o s d a indústria: seguros, t r a n s - c i a do que e x t r a i l u c r o s e n o r m e s e crescentes, de f i n a n -
porte, indústria pesada, navegação, r e s t a u r a n t e s , t e a - c i a m e n t o s de e m p r e s a s , subscrição de ações, posse de
tros, a r t e , editoras, etc. E m t r o c a , t i n h a m assento n a s debêntures, empréstimos públicos e emissões de títulos.
d i r e t o r i a s desses seis b a n c os , e m 1910, 5 1 dos m a i o r e s O D e u t s c h e B a n k , por exemplo, adota o procedimento
i n d u s t r i a i s , i n c l u s i v e K r u p p , m a g n a t a do f e r r o e do aço, específico de obter o controle de empr esas e colher no-
vos l u c r o s . A o p a r t i c i p a r do lançamento de novos e m -
* Imperialismo, LÊNrN, p á g . 4 5 . preendimentos ou de extensões dos já e x i s t e n t e s , o b a n -

92 93
co l e v a n t a todo o c a p i t a l necessário, nos próprios r e - tulos n o v a l o r de 715 m i l dólares f o r a m entr egues e m
cursos o u de associados. Q u a n d o a formação está ter- L o n d r e s , 225 m i l n a A l e m a n h a , 460 m i l e m A m s t e r d a m
m i n a d a , a s ações são descarregadas c o m v a n t a g e n s e o e 158 m i l e m N e w Y o r k aos credores d a Libéria, e m
b a n c o c o n s e r v a a p e n a s o s u f i c i e n t e p a r a l h e d a r voz de p a g a m e n t o d a s dívidas. F o i necessário o d i n h e i r o de
co ma ndo n a direção. A o m e s m o tempo, obtém u m l u c r o reparação de g u e r r a , obtido c o m a v e n d a de p r o p r i e d a -
sobre o c a p i t a l o r i g i n a l . des alemãs n a Libéria, p a r a l i q u i d a r os débitos subse-
O f i n a n c i a m e n t o de empréstimos e s t r a n g e i r o s r e - quentes contraídos c o m o então B r i t i s h B a n k of W e s t
p r e s e n t a u m dos c a m p o s m a i s rendosos p a r a os l u c r o s A f r i c a p a r a t e n t a r fazer f r e n t e às dívidas desse e m -
monopolistas. G e r a l m e n t e u m país q u e pede u m e m - préstimo.
préstimo é feliz se consegue m a i s de n o v e décimos d a S o m e n t e depois que u m novo empréstimo f o i nego-
s o m a e m p r e s t a d a . F r e q u e n t e m e n t e consegue m e n o s , ciado c o m a F i r e s t o n e C o r p o r a t i o n of A m e r i c a , e m 1926.
p a r t i c u l a r m e n t e se se t r a t a r de u m país e m desenvol- é que o G o v e r n o l i b e r i a n o c o n s e g u i u u t i l i z a r 1 180 669
v i m e n t o . O s empréstimos d a Libéria são u m e x e m p l o dólares p a r a p a g a r o c a p i t a l e j u r o s a c u m u l a d o s do
clássico e revelador de como opera a finança monopo- empréstimo de 1912. O empréstimo oferecido p e l a F i r e -
l i s t a e m conjunção c o m governos, p a r a a u m e n t a r seus stone foi d a ordem de cinco milhões, ao j u r o de sete
lucros. por cento, m a s até 1945 só a m e t a d e desse t o t a l h a v i a
N a Libéria, e m 1904, o P r e s i d e n t e A r t h u r B a r c l a y sido concedida. A s condições d a F i r e s t o n e incluíam a
c o m u n i c o u que o empréstimo d a I n g l a t e r r a , a sete p o r abolição do c a r g o de Recebedor d a Alfândega e s u a
cento, de 1 8 7 1 , o r i g i n a l m e n t e de c e m m i l l i b r a s — d a s substituição p o r u m C o n s e l h e i r o F i n a n c e i r o . F o i sob a
q u a i s a p e n a s 27 m i l c h e g a r a m r e a l m e n t e ao T e s o u r o d a pressão dessas dívidas que a Libéria foi o b r i g a d a a ce-
Libéria p o r c a u s a de certos desfalques oficiais — e r a o der grandes concessões p a r a plantação de b o r r a c h a à
m a i o r i t e m d a dívida n a c i o n a l e n e c e s s i t a r i a d a a r r e - F i r e s t o n e e posteriormente à G o o d r i c h R u b b e r C o m p a n y .
cadação t o t a l de três anos p a r a ser pago. U m governo
l i b e r i a n o desesperado c o n s e g u i u a r r a n j a r u m emprés- U m a d a s p r i n c i p a i s funções do c a p i t a l f i n a n c e i r o
t i m o i n t e r n a c i o n a l de u m milhão e 700 m i l dólares. é a emissão de títulos e m que a s t a x a s de desconto são
E s t e f o i s u b s c r i t o p o r c a s a s bancárias britânicas, f r a n - r i d i c u l a m e n t e a l t a s . É também u m método i m p o r t a n t e
cesas, h o l a n d e s a s e alemãs, associadas às instituições f i - de consolidar a o l i g a r q u i a f i n a n c e i r a . E m períodos de
n a n c e i r a s n o r t e - a m e r i c a n a s de J . P . M o r g a n , N a t i o n a l prosperidade, os l u c r o s são imensos. D u r a n t e os perío-
C i t y B a n k , F i r s t N a t i o n a l B a n k of N e w Y o r k e K u h n dos de depressão, os bancos a d q u i r e m o controle, a t r a -
Loeb & C o . vés d a c o m p r a de empresas pequenas e f r a c a s , o u p a r -
N e s s a ocasião, f o r a m u t i l i z a d o s os meios m a i s a r - t i c i p a m , c o m l u c r o , d a s u a organização. O s bancos
bitrários p a r a c o b r a r e g a r a n t i r o p a g a m e n t o do e m - g a n h a m d i n h e i r o e a esfera de controle é a m p l i a d a . A
préstimo. U m Recebedor G e r a l n o r t e - a m e r i c a n o foi n o - assistência f i n a n c e i r a aos especuladores de t e r r a s é a u -
meado pelos E s t a d o s U n i d o s e sub-recebedores p e l a m e n t a d a . E s s a assistência aos especuladores de t e r r a s
Grã-Bretanha, França e A l e m a n h a , a r r a n j o que se m a n - é também u m meio de g a r a n t i r o controle e m u l t i p l i c a r
teve até que os E s t a d o s U n i d o s t o m a r a m controle t o t a l os l u c r o s , e m épocas de expansão i n d u s t r i a l . O mono-
das finanças d a Libéria d u r a n t e a P r i m e i r a G u e r r a pólio do a r r e n d a m e n t o de t e r r e n o s une-se ao de c o m u -
M u n d i a l . Ò d i n h e i r o que chegou às mãos do G o v e r n o nicações, u m a vez que u m i m p o r t a n t e fator que gover-
l i b e r i a n o foi pouco, n a verdade, m a s aos bancos e c a s a s n a a elevação dos preços dos t e r r e n o s é a existência de
que lançaram o empréstimo c o u b e r a m altos l u c r o s . T í - bons meios de comunicações c o m centros u r b a n o s .

94 95
E m s e u l i v r o Monopoly: A Stuãy of British Mono- se estende ao controle de m a t e r i a i s primários e mercar-
poly Caipitalism, publicado e m 1955 por L a w r e n c e a n d des, p e l a posse dos q u a i s o c a p i t a l i s m o a l t a m e n t e de-
W i s h a r t , S a m A a r o n o v i t c h d e m o n s t r o u como os r e c u r - senvolvido se lança a u m a l u t a c a d a vez m a i s i n t e n s a .
sos f i n a n c e i r o s d a Grã-Bretanha se c o n c e n t r a r a m n a s E m s e u estágio i m p e r i a l i s t a , a necessidade p r i m o r -
mãos de u m pequeno número de g r a n d e s bancos e i n s - d i a l do c a p i t a l f i n a n c e i r o é e n c o n t r a r esferas de i n v e s -
tituições f i n a n c e i r a s . E n t r e eles, os " C i n c o G r a n d e s " t i m e n t o n o além-mar que p r o d u z a m l u c r o s m a i s r a p i -
bancos e x e r c e m poder i m e n s o . E m 1 9 5 1 , seus 147 dire- d a m e n t e do que pode ser obtido n o próprio país. A e x -
tores o c u p a v a m 1.008 cargos de d i r e t o r i a dos q u a i s 299, portação do c a p i t a l , p o r t a n t o , torna-se o dínamo do i m -
pouco menos de u m terço, e r a m e m o u t r a s instituições p e r i a l i s m o que m o v i m e n t a a exportação e l e v a à c a p -
f i n a n c e i r a s . Desses 299, 85 e r a m e m outros bancos e t u r a de colónias como meio de a s s e g u r a r o controle
c o m p a n h i a s de desconto; 117 e r a m e m c o m p a n h i a s de monopolista. Sobre esse processo económico é constituí-
seguros e 97 e m t r u s t e s de i n v e s t i m e n t o s e c o m p a n h i a s d a a ideologia política, a s u p e r e s t r u t u r a não-econômica,
f i n a n c e i r a s " . (Pág. 49.) que i n s p i r a a b a t a l h a p e l a c o n q u i s t a colonial. H i l f e r d -
" F a l a r de centralização!" — escreveu K a r l M a r x n o i n g e x p r i m i u e s s a ideologia e m u m a única frase con-
Capital (Vol. 3, Cap. 3 3 ) : c i s a : " O c a p i t a l f i n a n c e i r o não requer liberdade, r e q u e r
" O s i s t e m a de crédito, que t e m o s e u centro n o s domínio." A posse de colónias dá u m a g a r a n t i a à oli-
c h a m a d o s bancos n a c i o n a i s e nos g r a n d e s emprestado- g a r q u i a f i n a n c e i r a do país possuidor, do monopólio d a s
res de d i n h e i r o e usurários à s u a v o l t a , é u m a enorme fontes a t u a i s e p o t e n c i a i s de m a t e r i a i s primários e de
centralização e dá a essa classe de p a r a s i t a s u m fabulo- saída p a r a os produtos m a n u f a t u r a d o s .
so p o d e r . . . de i n t e r f e r i r n a produção r e a l , d a m a n e i r a
m a i s perigosa — essa q u a d r i l h a n a d a sabe sobre pro-
dução e n a d a t e m a v e r c o m e l a . "
A h e g e m o n i a d a s instituições f i n a n c e i r a s sobre a
indústria é g a r a n t i d a pelas grandes r e s e r v a s a c u m u l a -
das pelas várias m a n e i r a s através d a s q u a i s o c a p i t a l é
fornecido à indústria c o m alto l u c r o e r e t i r a d o d e l a
através através de c o m p a n h i a s holding e diretorias i n -
t e r l i g a d a s . E s s e processo r e s s a l t a a separação do c a p i t a l
f i n a n c e i r o do c a p i t a l i n d u s t r i a l . Q u a n d o e s s a separação
a t i n g i u i m p o r t a n t e s proporções e o domínio do c a p i t a l
f i n a n c e i r o se t o r n o u absoluto, o estágio do i m p e r i a l i s -
m o h a v i a sido atingido. Pode-se dizer que esse estágio
foi levado à m a t u r i d a d e ao se i n i c i a r o século.
D a l i v r e competição, característica f u n d a m e n t a l dos
seus estágios i n i c i a i s , o c a p i t a l i s m o , e m s e u estágio
m a i s elevado, a t i n g i u o monopólio através d a p o l a r i z a -
ção, e x p r e s s a d a e m s i n d i c a t o s , t r u s t e s e cartéis, c o m os
q u a i s se f u n d i u o c a p i t a l de u m pequeno número de
bancos. O s t r u s t e s e cartéis a s s u m i r a m u m caráter i n -
t e r n a c i o n a l e d i v i d i r a m o m u n d o entre s i . O monopólio

96 97
6. Recursos primários
e interesses estrangeiros

C O M P A N H I A S n o r t e - a m e r i c a n a s e europeias ligadas
às m a i s poderosas instituições bancárias e f i n a n c e i r a s
do m u n d o estão, c o m o c o n s e n t i m e n t o de governos a f r i -
canos, p e n e t r a n d o e m projetos de importância, desti na-
dos à exploração de n o v a s fontes de produtos primá-
rios. E m a l g u n s casos, os projetos estão aliados a espe-
culações a longo p r a z o p a r a a criação de d e t e r m i n a -
das indústrias essenciais. D e u m modo g e r a l , n o e n t a n -
to, l i m i t a m - s e à produção de m a t e r i a i s e m estágio bá-
sico o u secundário, c o m o objetivo de processá-los n o s
m o i n h o s e fábricas possuídos e operados pelas c o m p a -
n h i a s e x p l o r a d o r a s n o s territórios m e t r o p o l i t a n o s .
A África não c o n s e g u i u pr o gr edi r m u i t o n o c a m i -
n h o do d e s e n v o l v i m e n t o i n d u s t r i a l porque os seus r e -
cursos n a t u r a i s não f o r a m empregados c o m esse obje-
tivo, m a s f o r a m u t i l i z a d o s p a r a o m a i o r desenvolvi-
m e n t o do m u n d o o c i d e n t a l . I s s o t e m sido u m processo
c o n t i n u a d o que g a n h o u t r e m e n d o i m p u l s o n o s últimos
anos, a c o m p a n h a n d o a invenção e introdução de novos
processos e técnicas que a c e l e r a r a m a produção t a n t o
das indústrias de m e t a l ferroso como de não-ferroso,
d a E u r o p a e d a América do Norte, a f i m de a c o m p a -

99
n h a r a d e m a n d a sempre crescente de a r t i g o s acabados. L e v a n t a m e n t o s que estão sendo realizados n a Áfri-
Os p r e p a r a t i v o s m i l i t a r e s e a expansão n u c l e a r t i v e r a m c a r e v e l a m m a i s e m a i s depósitos de v a l i o s a s matérias-
u m i m p a c t o considerável sobre e s s a d e m a n d a . A pro- p r i m a s . O s pesquisadores ocidentais as e n c a r a m essen-
dução m u n d i a l de aço e m b r u t o quase d u p l i c o u n a dé- c i a l m e n t e como fontes de exploração p a r a o comércio
c a d a e n t r e 1950 e 1960, passando de 190 milhões de to- e indústria do s e u m u n d o , i g n o r a n d o completamente
n e l a d a s p a r a 340. N e m m e s m o a regressão de 1958, que o d e s e n v o l v i m e n t o d a s nações e m que se e n c o n t r a m .
p e r d u r o u pelos anos seguintes, c o n s e g u i u p a r a l i s a r esse R o b e r t S a u n a l , e m artigo publicado e m Ewope (Fran-
progresso, que c o n t i n u o u e m g r a u m e n o r t a n t o n a s n a - ce) Outremer de n o v e m b r o de 1 9 6 1 , e x a m i n a a s possi-
ções o r i e n t a i s como ocidentais. bilidades d a África como fornecedor de matérias-primas
f e r r o s a s p a r a a s indústrias d a s g r a n d e s nações m e t a -
A previsão g e r a l é de que esse r i t m o de produção
lúrgicas. Êle l e m b r a aos leitores que há fontes dessas
será m a n t i d o . Ao p r o v i r de fontes ocidentais, dá p o u c a
matérias-primas n a E u r o p a , como a Suécia e E s p a n h a ,
m a r g e m à expansão d a utilização de produtos primá-
e que p a r a o Japão há a s nações d a Ásia e O c e a n i a .
rios p e l a África e pretende a continuação do f l u x o
a t u a l , e n t r e nações fornecedoras e m desenvolvimento e O a r t i c u l i s t a c o n c l u i que a participação europeia
nações u t i l i z a d o r a s a l t a m e n t e i n d u s t r i a l i z a d a s . T a m - é u m f a t o r favorável p a r a i n i c i a r a exploração dos r e -
bém não l e v a e m c o n t a a probabilidade de u m a tendên- cursos m i n e r a i s d a África, m a s que a s n o v a s c a p a c i d a -
c i a r e p r e s s i v a n a s economias ocidentais, q u e poderá cer- des p r o d u t i v a s , n o c u r s o do desenvolvimento, devem
t a m e n t e a f e t a r a d e m a n d a de matérias-primas. O s anos a c o n s e l h a r prudência e u m e x a m e detalhado d a s possi-
de pós-guerra, p a r t i c u l a r m e n t e desde 1956, d e m o n s t r a - bilidades de v e n d a . E s s a s m i n a s t e n d e m a i n i c i a r ope-
r a m u m a tendência oposta. P e r t o de u m q u a r t o das rações e m u m a situação de a t i v a competição, o que terá
matérias-primas (90 milhões de toneladas e m 400 m i - que a c a r r e t a r efeitos sobre os níveis de preços. E l a s pre-
lhões) u t i l i z a d a s n a s indústrias metalúrgicas m u n d i a i s c i s a m , p o r t a n t o , s e r s u j e i t a s a u m sério e x a m e p r e l i -
foram importadas. m i n a r a n t e s de se lançar à i n i c i a t i v a , e devem depen-
Os p r i n c i p a i s i m p o r t a d o r e s desses m a t e r i a i s são os der de acordos e n t r e a s c o m p a n h i a s e x p l o r a d o r a s e os
E s t a d o s U n i d o s , E u r o p a O c i d e n t a l e Japão. A União E s t a d o s hospedeiros, o que dará aos p r i m e i r o s u m a j u s -
Soviética e a s nações e m desenvolvimento têm à dispo- t a retribuição e aos últimos u m r e g i m e f i s c a l p a r a o
sição q u a n t i d a d e s s u f i c i e n t e s de matéria-prima domés- f u n c i o n a m e n t o d a "exploração harmónica". E m r e s u -
t i c a . A t u a l m e n t e três grandes áreas de r e c u r s o s primá- mo, os governos dos novos E s t a d o s são e n c a r a d o s como
r i o s estão sendo e x p l o r a d a s e m benefício d a s nações p o l i c i a i s dos consórcios bancários i n d u s t r i a i s dedicados
g r a n d e s p r o d u t o r a s . São a África, Canadá e América do a m a n t e r o antigo e s q u e m a i m p e r i a l i s t a n a s relações
S u l , p a r t i c u l a r m e n t e C h i l e e p e r u e, recentemente, a entre o Ocidente e a África. O " r e g i m e f i s c a l estável"
V e n e z u e l a . O Canadá tornou-se u m a província do c a - que irão g a r a n t i r c o m essa exploração será, segundo
p i t a l n o r t e - a m e r i c a n o de i n v e s t i m e n t o , que r e t i r a altos R o b e r t S a u n a l , baseado e m condições de preços rebai-
l u c r o s e e x p l o r a v a s t o s r e c u r s o s de produtos primários xados provocadas p e l a a g u d a competição.
p a r a s e r e m convertidos e m fábricas n o r t e - a m e r i e a n a s . H o u v e u m a u m e n t o considerável n a produção de
A América do S u l e a África, além de oferecerem essas matérias-primas n a África desde 1945, sob o estímulo
v a n t a g e n s , f o r n e c e m mão-de-obra b a r a t a e assistência das necessidades de reconstrução do pós-guerra, e m
g o v e r n a m e n t a l l o c a l através d a isenção de t a x a s p a r a todo o m u n d o , e d a s exigências do acúmulo de estoques
m a q u i n a r i a e e q u i p a m e n t o i m p o r t a d o s , além de perdão e de a r m a m e n t o s p a r a a g u e r r a f r i a . O u t r o fator deci-
de i m p o s t o s . sivo foi a revolução dos métodos produtivos e n a a d m i -

100 101
nistração. O i m p u l s o dos povos coloniais e m direção à cromo e outros m i n e r a i s , c u j a exploração está sendo
independência p r e c i s a ser também reconhecido como e s t u d a d a . O s depósitos de minério de f e r r o d a Argélia
u m a força que c o n t r i b u i u p a r a a extensão d a produção são estimados e m c e m milhões de toneladas e temos
de matérias-primas. ouvido m u i t a coisa, u l t i m a m e n t e , sobre os r e c u r s o s de
petróleo e gás n o S a a r a . O s c a m p o s petrolíferos arge-
E m a l g u n s casos, a produção de matérias-primas
l i n o s estão a t u a l m e n t e p r o d u z i n d o ao r i t m o de 4 5 0 m i l
foi m u l t i p l i c a d a várias vezes a p a r t i r de 1945, e n a
b a r r i s diários ( c e r c a d a terça p a r t e d a produção do
m a i o r i a dos casos f o i d u p l i c a d a . A situação, n a Guiné,
I r ã ) e a Líbia a t i n g i u 150 m i l b a r r i s diários, c o m a
r e v e l a m u i t a s alterações depois d a descoberta de depó- previsão de alcançar 600 m i l nos próximos a n o s . No se-
sitos de f e r r o e b a u x i t a . A mineração de d i a m a n t e s tor a r g e l i n o do S a a r a , a s j a z i d a s de minério e m T i n d o u f
também fêz visível progresso. A C o s t a do M a r f i m e m deverão p r o d u z i r 50 p o r cento de ferro.
1960 p r o d u z i a d i a m a n t e s ao nível a n u a l de c e r c a de
200 m i l q u i l a t e s e já começaram a s operações nos c a m - Os seguintes números ( t i r a d o s dos Anuários E s t a -
pos de manganês n a s vizinhanças de G r a n d L a h o u . O tísticos d a s Nações U n i d a s , i l u s t r a m o g r a n d e a u m e n t o
fosfato de cálcio está sendo explorado n o S e n e g a l e a l u - d a produção de m i n e r a i s n a África, n o período poste-
rior à g u e r r a :
mínio e a r e i a o x i d a d a p r o v o c a m a l g u m a a t i v i d a d e de
mineração. A extração de minério de f e r r o está sendo
f e i t a n a Mauritânia, onde u m consórcio anglo-francês
pretende p r o d u z i r q u a t r o milhões de t o n e l a d a s como J945 1959
p r i m e i r o estágio, a ser posteriormente a u m e n t a d o p a r a
seis milhões de toneladas. O s depósitos são c a l c u l a d o s Marrocos fosfatos tons 1.654.000 r 1R4 nnn
carvão tons .XUM.uuu
e m c e r c a de 115 milhões de toneladas de minério c o m 178.000
465.000
zinco tons 900
63 p o r cento de ferro. A descoberta de depósitos m u i t o 64l700
ricos de fosfato no S e n e g a l t r o u x e ao país u m a com- C o n g o (Leopoid.) diamantes quilates 5.475.000 14
binação f i n a n c e i r a e m i n e i r a franco-belga p a r a e m p r e - ( e m 1947)
ender s u a exploração. A e s t i m a t i v a de 40 milhões de cobre tons 9fífi nnn
toneladas de fosfatos b r u t o s deverá p e r m i t i r a produ- estanho tons — úOV.uuu
9.337
ção de 13 milhões de toneladas de fosfatos ricos, a t r a - Rodésia do Norte cobre tons 197.000
vés d a extração de 600 m i l toneladas a n u a i s de concen- zisco <Joif. uuu
tons 15.500
trados d u r a n t e 20 anos. manganês tons 500
30 oon
29.500
T a m b é m e m T o g o se e n c o n t r a r a m fosfatos, que se-
Rodésia do S u l carvão tons
rão explorados p o r u m consórcio associado ao B a n q u e 1.669.000 3 758 000
cromo tons 81.300
de P a r i s et des P a y s - B a s e c o m p a n h i a s m i n e r a d o r a s já 230.500
( e m 1938)
e x i s t e n t e s , l i g a d a s à Société Générale de Belgique. D e s - amianto tons 51.000 108.600
cobertas de manganês, urânio, petróleo e minério de
ferro, n o Gabão, atraíram u m consórcio semelhante Áírica do S u l ouro quilos 624 10R
p a r a a exploração. A República dos Camarões pouco diamantes quilates — 2. 838.000
p r o d u z através d a mineração, além de pequenas q u a n -
tidades de ouro, e s t a n h o e r u t i l o . E m b o r a não t e n h a
h a v i d o u m a alteração efetiva n a situação de Madagás- O m a i o r índice de a u m e n t o ocorre n a África do R u i
c a r , h o u v e descobertas de urânio, m o n a z i t a , zircônio, onde u m a produção de 6 2 4 1 0 8 q u i l o g r a m o f d e ouro faz

102 103
do país o p r o d ut o r d a m e t a d e do s u p r i m e n t o m u n d i a l . vávcis c o n t i n u a sendo r e a l i z a d a e m Moçambique, S e r r a
U m a produção de 2 838 000 q u i l a t e s de d i a m a n t e s e m L e o a , Guiné P o r t u g u e s a e o u t r a s p a r t e s d a África.
1959, c e r c a de 40 por c e n t o d a q u a l e m p e d r a s precio-
E n t r e os m a t e r i a i s básicos essenciais à produção de
s a s , a coloca e m t e r c e i r o l u g a r , depois do C o n g o e de
ferro e aço, o manganês t e m u m l u g a r de g r a n d e i m -
G a n a , c u j a produção é q u a s e i n t e i r a m e n t e de d i a m a n -
portância. Além de ser usado p a r a l i g a c o m o f e r r o e m
tes i n d u s t r i a i s , e m b o r a o v a l o r recebido, por c a u s a do
b a r r a n a fabricação de aços especiais, é u t i l i z a d o n a
seu controle d a indústria e do número de p e d r a s pre-
Indústria química. P a r a d e t e r m i n a d o s objetivos, dentr o
ciosas, s e j a r e l a t i v a m e n t e m a i s a l t o do q u e aquele q u e
dos processos a t u a i s , o manganês é insubstituível. Está
G a n a obtém. A África do S u l l i d e r a também a p r o d u -
c m uso c o n s t a n t e , n a proporção de 18 a 20 q u i l o s p a r a
ção de minério de c r o m o e é a s e g u n d a n o Sudoeste d a
c a d a tonelada de aço. A União Soviética e a C h i n a são
África e m produção de c h u m b o . M e s m o a produção
p r a t i c a m e n t e a u t o - s u f i c i e n t e s q u a n t o ao s u p r i m e n t o
s u l - a f r i c a n a de urânio, de sete m i l toneladas, o b t i d a e m
desse m a t e r i a l básico e s s e n c i a l . O s outros g r a n d e s pro-
g r a n d e p a r t e dos resíduos d a mineração de ouro e co-
dutores m u n d i a i s de aço, E s t a d o s U n i d o s , E u r o p a O c i -
b r e , está m u i t o à f r e n t e d a produção de 1 7 6 1 t o n e l a d a s
d e n t a l e Japão, não t ê m q u a n t i d a d e s apreciáveis e m
do C o n g o .
seus próprios territórios. S u a s p r i n c i p a i s fontes de s u -
A mineração d e todos os tipos, n a África do S u l , p r i m e n t o são a África, a índia e o B r a s i l . Destes, a
a t i n g i u u m estágio de exploração que pode s e r c o m - A f r i c a fornece a m a i o r q u a n t i d a d e . A n g o l a , B e c h u a n a -
p a r a d o ao do Canadá e ao que está a g o r a se i n i c i a n d o lândia, Congo, G a n a , M a r r o c o s , Rodésia, África do S u -
f e b r i l m e n t e n a Austrália, onde a s m e s m a s c o m p a n h i a s , doeste e E g i t o estão, há a l g u m tempo, e n t r e a s nações
a l i a d a s a interesses n o r t e - a m e r i c a n o s e outros, domi- produtoras. O u t r a s , como a C o s t a do M a r f i m e o Gabão,
n a m . A relação íntima é e v i d e n c i a d a até nos n o m e s d a s estão e n t r a n d o a g o r a p a r a a l i s t a .
m i n a s , p a r t i c u l a r m e n t e n o Canadá, q u e f r e q u e n t e m e n t e
A África do Norte é o m a i o r p r o d u t o r m u n d i a l de
são os m e s m o s e n c o n t r a d o s n a África do S u l como n a s
fosfatos. S o m e n t e o M a r r o c o s e x p o r t a sete milhões de
d u a s Rodésias.
toneladas dos n o v e milhões, a p r o x i m a d a m e n t e , que
A s matérias-primas i n d u s t r i a i s possuídas p e l a Áfri- saem d a África do Norte. O s E s t a d o s U n i d o s vêm e m
c a p o d e r i a m , se f o s s e m u s a d a s p a r a o s e u desenvolvi- seguida, c o m u m a exportação de q u a t r o milhões de to-
m e n t o , colocá-la e n t r e os c o n t i n e n t e s m a i s m o d e r n i z a - neladas. i A s n o v a s nações p r o d u t o r a s que s u r g i r a m des-
dos do m u n d o s e m necessidade de r e c o r r e r a fontes ex- de 1957 são a C h i n a , c o m c e r c a de 6 0 0 m i l t o n e l a d a s
t e r n a s . O minério d e ferro, em sua m a i o r p a r t e d e a l t a em 1960, e o Vietnã do Norte, c o m 500 m i l toneladas.
q u a l i d a d e , é encontrado e m q u a n t i d a d e s gigantescas O Senegal é p r o d u t o r de fosfato de alumínio, c o m u m a
perto do l i t o r a l , de onde pode f a c i l m e n t e s e r e m b a r c a - produção de c e r c a de 90 m i l toneladas a n u a i s , e T o g o
do. Q u a n t o à b a u x i t a , a s r e s e r v a s e s t i m a d a s d a África está s u r g i n d o a g o r a n o m e r c a d o de fosfato.
r e p r e s e n t a m m a i s d e dois q u i n t o s de todo o m u n d o . São
o dobro d a s a u s t r a l i a n a s , que vêm e m segundo l u g a r . O minério de ferro, como o petróleo, tornou-se u m a
S o m e n t e a Guiné, segundo a s e s t i m a t i v a s , contém de- das descobertas m a i s recentes de m i n e r a i s n a África,
pósitos i g u a i s aos d e t o d a a Austrália, i s t o é, m a i s de tendo como c e n t r o s p r i n c i p a i s a África do N o r t e e a
u m bilhão de t o n e l a d a s . A s r e s e r v a s de G a n a estão es- A f r i c a O c i d e n t a l . E n t r e os produtores de minério de
t i m a d a s e m 400 milhões de t one la d a s . Sudão, C a m a - a l t a qualidade, e m 1960, e s t a v a m a Libéria (minério
rões, C o n g o e M a l a w i são o u t r a s fontes c o n h e c i d a s de com 68 p o r cento de f e r r o ) , A n g o l a ( 6 5 p o r c e n t o ) ,
depósitos consideráveis e a prospecção de re s e rv a s p r o - A f r i c a do S u l (62 p o r c e n t o ) , S e r r a L e o a (60 p o r c e n t o ) ,
Marrocos ( 6 0 p o r c e n t o ) e Rodésia ( 5 5 p o r cento, o c o n -

104 105
teúdo mínimo p a r a minério de f e r r o de a l t a q u a l i d a d e ) . de 170 quilómetros a sudeste de T i n d o u f , e m 1952. A s
T e m h a v i d o descobertas de m a i o r e s q u a n t i d a d e s e q u a - dificuldades de localização e s u p r i m e n t o de água são
lidade a p a r t i r de 1960. Considera-se que a m a i o r i a d a s obstáculos p a r a a exploração. No e n t a n t o , u m a comissão
nações d a África O c i d e n t a l , d a Mauritânia ao C o n g o composta de r e p r e s e n t a n t e s d a s indústrias de f e r r o e aço
(Brazzavílle) t e m depósitos de minério de ferro. O a u da França, Bélgica, A l e m a n h a , Itália, L u x e m b u r g o e
m e n t o d a produção n a Libéria, Guiné e S e r r a L e o a está H o l a n d a i n v e s t i g a i n t e n s a m e n t e a s possibilidades, e m
sendo e s t u d a d o / O s depósitos estão sendo postos e m conjunção c o m o Escritório Francês de I n v e s t i m e n t o s n a
produção, ou estudados p a r a a exploração, n a Nigéria, África.
Níger, Mauritânia, G a n a , Gabão, Camarões, S e n e g a l e Os r e c u r s o s de minério de ferro d a Libéria são c a l -
C o n g o (Brazzavílíe). A s r e s e r v a s de G a n a , e s t i m a d a s culados e m u m milhão de toneladas n a c o r d i l h e i r a
e m perto de u m milhão de t o n e l a d a s , f i c a m n a área de N i m b a e 600 milhões n o s depósitos próximos à f r o n t e i r a
S h i e n e , n a região n o r t e , não m u i t o acessível, e contêm de S e r r a L e o a . A m i n a de N i m b a , que foi p e r f u r a d a e
e m média u m a p o r c e n t a g e m de 46 a 5 1 p o r cento de está sendo operada por u m consórcio deno mi nado
f err o . G a n a propõe-se a e x p l o r a r esses depósitos p a r a L A M C O J o i n t V e n t u r e E n t e r p r i s e (constituído d a Libéria-
a utilização doméstica, q u a n d o o l a g o do V o l t a fôr aber- American-Swedísh M i n e r a i s C o m p a n y e d a B e t h l e h e m
to p a r a o t r a n s p o r t e i n t e r i o r . O s depósitos d a República Steel C o r p o r a t i o n ) t e m r eser vas e s t i m a d a s de m a i s de
do Níger são estimados e m m a i s de c e m milhões de to- 300 milhões de t o n e l a d a s de minério de h e m a t i t a de
n e l a d a s , c o m teor de f e r r o de 4 5 a 60 p o r cento. F i c a m alto teor, c o m u m a produção média de m a i s de 65 por
e m S a y , c e r c a de 50 quilómetros de N i a m e y , a t u a l m e n - cento de ferro. O s c o n t r a t o s a l o n g o p r a z o f o r a m feitos
te d i s t a n c i a d o s de e s t r a d a s , f e r r o v i a s e portos. E s s a s com siderúrgicas alemãs, f r a n c e s a s , i t a l i a n a s e belgas,
d e s v a n t a g e n s a f e t a m também a exploração dos depósi- e n q u a n t o u m a considerável p a r t e d a produção irá p a r a
tos conhecidos n a região K a n d i do Daomé e que têm a poderosa U n i t e d S t a t e s B e t h l e h e m S t e e l , que t e m 25
u m teor de ferro de 68 por cento. por cento de participação n o e m p r e e n d i m e n t o , cabendo
A Argélia é há a l g u m tempo p rod u t or de minério os r e s t a n t e s 7 5 p o r cento à L A M C O . A f i r m a - s e que a
de ferro. A exploração f o i encetada e m 1913 p o r u m a L A M C O é u m a c o m p a n h i a p a r t i l h a d a meio a meio e n t r e
e m p r e s a f r a n c e s a c o n h e c i d a como L a Société de 1'Ouen- o Governo liberiano e a i n i c i a t i v a estrangeira. O p a r t i -
za, operando e m D j e b e l O u e n z a , ao s u l de C o n s t a n t i n e , cipante não-governamental é a L i b e r i a n I r o n O r e C o m -
perto d a f r o n t e i r a c o m a Tunísia, a n t e r i o r m e n t e i n c o r - p a n y , u m consórcio de interesses f i n a n c e i r o s e acioná-
p o r a d a como u m d e p a r t a m e n t o d a França. A c o m p a - rios norte-americano e sueco.
n h i a c o n s t r u i u l i n h a s férreas próprias l i g a n d o seus dois
c e n t r o s produtores a O u e d - K e b e r i t , p a r a se u n i r à l i n h a O p r i n c i p a l destes é a c o m p a n h i a m i n e r a d o r a s u e c a
B o n e - T e b e s s a . S e u e q u i p a m e n t o p e r m i t i u à Société de G r a n g e s b e r g , que além de t e r u m a i m p o r t a n t e p a r t i c i -
1'Ouenza e x p o r t a r f e r r o p r i n c i p a l m e n t e p a r a a Grã-Bre- pação n a m i n a N i m b a , d a L A M C O , a t u a como agente
t a n h a , Itália, Bélgica e Países-Baixos, e os E s t a d o s U n i - a d m i n i s t r a d o r do e m p r e e n d i m e n t o c o n j u n t o , no q u a l o
dos. E n t r e o início d a exploração e o f i n a l de 1960, u m capital norte-americano predomina. Grangesberg, que
t o t a l de 46 milhões de toneladas de minério h a v i a m a n t e r i o r m e n t e m a n t i n h a 12/28 avos do s i n d i c a t o L A M C O ,
sido extraídas. O pessoal d a O u e n z a incluía então 600 de acordo c o m s e u relatório a n u a l aprovado n a a s s e m -
europeus e 1 500 argelinos. blóia-geral a n u a l r e a l i z a d a em Esto co l mo , n o d i a 18 de
m a io de 1962, a u m e n t o u s u a participação p a r a 15/28
A existência de minério de f e r r o n o S a a r a deu s u a s
avos, o que l n c dá u m a situação majoritária.
p r i m e i r a s indicações n a região de G a r a Dje b ile t , c e r c a

106 107
G r a n g e s b e r g p o s s u i m i n a s de f e r r o n a Suécia c e n - po metalúrgico S u m i t o m o , que f o i c i m e n t a d a n a B e t h -
t r a l , a s s i m como u s i n a s de força, florestas e f a z e n d a s . l e h e m C o p p e r C o r p o r a t i o n L t d . , r e g i s t r a d a n a Co—
Também c o n s t r u i u e c o n t r o l a o e m p r e e n d i m e n t o ferro- lúmbia Britânica (Canadá) e m 1955. A s r e s e r v a s de
viário F r o v i - L u d v i k s e opera a O x e l s u n d I r o n w o r k s , que posse d a f i r m a n o H i g h l a n d V a l l e y d a Colúmbia B r i -
produz f e r r o e m b a r r a s e c h a p a s pesadas. Além disso, tânica contêm minério n a s proporções de três milhões
possui e o p e r a u m a f r o t a que n o f i n a l de 1961 c o n t a v a e 304 m i l t o n e l a d a s c o m 1,20 p o r c e n t o de cobre e 12
c o m 33 n a v i o s e t i n h a m a i s q u a t r o encomendados p a r a milhões e 723 m i l toneladas c o m 0,82 p o r cento. H á r e -
s e r e m e n t r e g ue s e m 1962 e 1963. U m a subsidiária s u a , s e r v a s a d i c i o n a i s l egal mente g a r a n t i d a s n a s províncias,
A k t i e b o l a g e t H e m a t i t , opera m i n a s n a África do Norte, a s s i m como u m a f i r m a i n t e i r a m e n t e subsidiária, a
e o u t r a s i n c l u e m u m a e m p r e s a química e de a r m a m e n - Highland Valley Smelting a n d Refining Company.
tos, Ak t i e b o l a g e t E x p r e s s - D y n a m i t . O G o v e r n o sueco
a d q u i r i u os títulos q u e a G r a n g e s b e r g possuía n a L u o s * A produção t o t a l deverá i r p a r a o g r u p o d a S u m i -
s a v a a r a - K u r u n a v a a r a A B - L K A B , m a s do preço recebido tomo M e t a l M i n i n g Co., responsável p o r i n i c i a r a p r o -
d a c o m p r a , 925 milhões de coroas, a c o m p a n h i a r e i n - dução n a propriedade. O g r u p o c o m p r o u 400 m i l ações
v e s t i u c e m milhões d a L K A B . da B e t h l e h e m e t e m opção sobre outros lotes, e m cone-
xão c o m p r o m e s s a s de empréstimo d e c i n c o milhões de
O v a l o r dado a esses holdings a d q u i r i d o s pelo G o - dólares e u m acordo p a r a c o n t r i b u i r c o m a metade dos
v e r n o f o i quase o dobro do c a p i t a l i n t e i r a m e n t e pago i u n a o s necessários p a r a a expansão. A S u m i t o m o dá o
d a G r a n g e s b e r g , de 495 milhões e 800 m i l coroas, e vice-presidente e dois outros diretores d a B e t h l e h e m ,
mesmo s e m eles seus bens n o f i n a l de 1961 elevavam-se u m dos q u a i s provém d a p r o e m i n e n t e família T a n a k a .
a 403 milhões, 719 m i l coroas, além de ações e m s u b s i - A s p r i m e i r a s e n t r e g a s d a m i n a de N i m b a f o r a m f e i t a s
diárias e o u t r a s c o m p a n h i a s n u m t o t a l de 154 milhões d u r a n t e o mês de m a i o de 1963 e p a r a 1965 a produção
380 m i l coroas. O l u c r o líquido d a c o m p a n h i a nesse a n o p r e v i s t a e r a de sete milhões e meio de t o n e l a d a s .
foi de 38 787 2 5 1 coroas e os dividendos a b s o r v e r a m p r a -
t i c a m e n t e u m a q u a n t i a i g u a l , c o m 35 milhões e 700 m i l Os depósitos de ferro de N i m b a , n a Libéria, esten-
coroas. S u a s v e n d a s de f e r r o a u m e n t a r a m de u m m i - dem-se à Guiné, onde a prospecção está sendo r e a l i z a d a
lhão 620 m i l t o n e l a d a s e m 1959 p a r a dois milhões 560 n a região N i m b a - S i m a n d o u , a c e r c a de m i l quilómetros
m i l , e m 1961. de C o n a k r y , j u n t o às f r o n t e i r a s c o m a Libéria e a C o s t a
do M a r f i m . U m grupo bancário europeu o c i d e n t a l que
A B e t h l e h e m S t e e l é u m a g r a n d e esfera de i n v e s - se a p r e s e n t a como o Consórcio E u r o p e u p a r a o D e s e n -
t i m e n t o s p a r a os l u c r o s de R o c k e f e l l e r , obtidos d a S t a n - volvimento dos R e c u r s o s N a t u r a i s d a África — COTJSA-
d a r d O i l , que v e m se esforçando p a r a deslocar os i n t e - F R I Q U E — está empreendendo investigações por c o n t r a -
resses petrolíferos anglo-holandeses n o E x t r e m o O r i e n - to c o m o G o v e r n o d a Guiné- O grupo co mpr eende:
te. J o h n D . R o c k e f e l l e r I I I tornou-se u m e s p e c i a l i s t a n o
E x t r e m o O r i e n t e , c o m preferência pelo Japão, onde foi
B a n q u e de l T n d o c h i n e , P a r i s .
m e m b r o d a missão do t r a t a d o de p a z , de J o h n F o s t e r
D u l l e s , e m 1951. C r i o u u m a J a p a n S o c i e t y I n c o r p o r a t e d Deutsche B a n k A. G . F r a n k f o r t e .
f

p a r a intercâmbio c u l t u r a l . V i s i t a s persistentes e pressão Hambros B a n k , Londres.


i n c r e m e n t a r a m a s f a c i l i d a d e s de que goza a S t a n d a r d Nederlandsche Handel-Maatschappij N. V., Arns-
O i l C o m p a n y no Japão, Indonésia, N o v a Guiné e índia, terdam.
n a produção de petróleo, refinação e v e n d a . O interesse Société de B r u x e l l e s pour l a F i n a n c e et l T n d u s t r i e
de R o c k e f e l l e r no Japão reflete-se n a ligação c o m o g r u - — BRUFINA — Bruxelas.

108 109
S. A . Auxilíaire de F i n a n c e e t de C o m m e r c e — n a , a cidade de Oslo e a Noruega. T e m o controle n a
AUXIFI — Bruxelas. P a k i s t a n I n d u s t r i a l Credit a n d Investment Corporation
C o m p a g n i e Franco-Américaine des Métaux et de& L t d . A g i u como órgão fiduciário p a r a corporações i n t e r -
Minerais — COFRAMET — Paris. n a c i o n a i s consideráveis como a G e n e r a l Motors, P h i l i p s ,
R o y a i D u t c h P e t r o l e u m e S n i a V i s c o s a . A conexão c o m
O B a n c o d a I n d o c h i n a é i n t i m a m e n t e associado a o a R o y a i D u t c h P e t r o l e u m c o n t i n u a a associação do
B a n q u e de P a r i s et des P a y s - B a s , e t e m ligações c o m a D e u t s c h e B a n k c o m a concessão petrolífera de M o s s u l ,
Société Générale de B e l g i q u e . S u a esfera o r i g i n a l de de a n t e s d a P r i m e i r a G u e r r a M u n d i a l , n a p a r t e d a
operações f o i e m b o a p a r t e f e c h a d a c o m a s u a e x c l u - T u r q u i a que veio a c o n s t i t u i r o I r a q u e , e n q u a n t o s u a s
são do Vietnã do Norte p o r c a u s a do r e g i m e s o c i a l i s t a a t i v i d a d e s e m favor d a G e n e r a l M o t o r s e P h i l i p s r e s s a l -
a l i estabelecido, e n q u a n t o n o Vietnã do S u l f i c o u a g o r a t a m o papel subserviente que o D e u t s c h e B a n k desem-
s u b o r d i n a d a à finança n o r t e - a m e r i c a n a . O B a n q u e de p e n h a e m relação aos interesses de M o r g a n que l e v a m
1'Indochine, que já t e m u m a base n a Argélia, está se à expansão i n t e r n a c i o n a l dessas v a s t a s organizações r a -
v o l t a n d o c a d a vez m a i s p a r a a África, o n d e se a g r u p o u m i f i c a d a s . N a d i r e t o r i a desse banco têm assento dire-
c o m vários consórcios, u s u a l m e n t e e m t o r n o dos i n t e - tores dos interesses acionários M a n n e s m a n n do R u h r ,
resses ligados à Société Générale de B e l g i q u e , B a n q u e também representados e m outro b a n c o alemão, o D r e s d -
de P a r i s e t des P a y s - B a s e o D e u t s c h e B a n k , todos co- ner, que está e m p e n h a d o do m e s m o modo e m n u m e r o -
ligados c o m os interesses i n t e r n a c i o n a i s Morgan. O sos empreendimentos de i n v e s t i m e n t o n a África.
B a n q u e de I T n d o c h i n e está representado n a d i r e t o r i a de A c o m p a n h i a de aço M a n n e s m a n n , u m a d a s m a i s
L e N i c k e l , que e x p l o r a v a r i a d o s m i n e r a i s n a Ásia e i m p o r t a n t e s do R u h r alemão, f o i f u n d a d a e m 1885. S e u
O c e a n i a e t e m u m interesse s u b s t a n c i a l n a C o m p a g n i e presidente D r . W i l h e l m Z a n g e r , é u m dos diretores d a
Française des M i n e r a i s de T U r a n i u m . O f i n a d o H . R o - A l g o m a S t e e l C o r p o r a t i o n L t d . , do Canadá, n a q u a l os
b i l i a r t e r a o u t r o diretor d a L e N i c k e l , a s s i m como j " . interesses alemães e s t i v e r a m ligados p o r a l g u m tempo
P u e r a r a i de P e n a r r o y a e L e s M i n e s de H u a r o n , c u j o ao g r u p o H a w k e r Siddeley d a Grã-Bretanha. M a n n e s -
p r e s i d e n t e a n t e r i o r e r a o finado H . L a f o n d , do B a n q u e m a n n está associada a vários projetos n a Índia e outros
de P a r i s et des P a y s - B a s . E s t e s e outros interesses f r a n - l u g a r e s c o m a K r u p p e s u a família D e m a g , de D u i s b e r g .
ceses e n o r t e - a m e r i c a n o s aliados, a g r u p a d o s e m t o r n o A. G . D e m a g opera e m e s t r e i t a colaboração c o m a
d a Société des Minéraux et Métaux, P a t i n o e A m e r i c a n f i r m a n o r t e - a m e r i c a n a de B l a w K n o x & Co. E s s a f i r m a ,
M e t a l C l i m a x , f o r m a m a combinação c o n h e c i d a como que f a b r i c a equipamento p a r a fundições e p a r a indús-
C O F R A M E T , vários de c u j o s componentes r e c e b e r a m cré- t r i a s químicas, petrolíferas e o u t r a s , pertence à esfera
ditos do P l a n o M a r s h a l l nos anos do pós-guerra. de interesses d a Mellon. Daí s u a s ligações c o m a B e t h -
O D e u t s c h e B a n k , que s e m p r e se preocupou c o m o l e h e m S t e e l , que se a s s o c i a à indústria do aço oci-
i n v e s t i m e n t o n a exploração e m áreas menos desenvolvi- d e n t a l , n a q u a l os interesses d a M e l l o n têm forçado
das, t e m também íntimas associações c o m o B a n q u e de c a d a vez m a i s a e n t r a d a . T a n t o o D e u t s c h e B a n k como
P a r i s . M e s m o d u r a n t e a g u e r r a , o D e u t s c h e B a n k não o D r e s d n e r B a n k , c o m os q u a i s a M a n n e s m a n n está tão
a b a n d o n o u a posição de explorador c o l o n i a l , m a s se- i n t i m a m e n t e l i g a d a , e m aliança c o m o M o r g a n G u a -
g u i u o exército alemão aos territórios conquistados d a r a n t y T r u s t , têm interesses consideráveis n a s c o m p a -
E u r o p a . H o j e se d e d i c a a a j u d a r os interesses alemães n h i a s O p p e n h e i m e r no s u l d a África.
o c i d e n t a i s n a África, Panamá, C h i l e , Paquistão, Colôm- H a m b r o s B a n k (o finado Sir C h a r l e s H a m b r o e r a
bia e P o r t o R i c o . Lançou empréstimos p a r a a A r g e n t i - elo de ligação c o m o B a n c o d a I n g l a t e r r a ) , C a b l e &

ro 111
W i r e l e s s ( c o n t r o l e ) e a s c o m p a n h i a s holding de O p - c o m p a n h i a f o i constituída p a r a c o n f i r m a r a s descober-
p e n h e i m e r têm i n t e r e s s e s valiosos n o s e m p r e e n d i m e n - t a s a n t e r i o r e s . E s t a f o i a C o m p a g n i e Minière d u C o -
tos de mineração de d i a m a n t e s , ouro e outros, n a África n a k r y , c u j a s instalações e m K a l o u m estão p r e p a r a d a s
central e meridional. Como banco comercial, Hambros p a r a u m a produção a n u a l de u m milhão e 200 m i l to-
está há m u i t o t e m p o associado ao mercado de i n v e s t i - n e l a d a s , que pode s e r d u p l i c a d a s e m modificações apre-
m e n t o s e s c a n d i n a v o e a m p l i o u s u a s atividades n a E u - ciáveis do c o n j u n t o . A o lado de s u a produção de ferro,
r o p a há a l g u n s a n o s , a n t e c i p a n d o a e n t r a d a d a Grã- essa c o m p a n h i a está m u l t i p l i c a n d o seus r e n d i m e n t o s
B r e t a n h a n o M e r c a d o C o m u m . E m 1962, H a m b r o s c r i o u c o m a criação de u m complexo de indústrias q u e i n c l u i
m a i s u m a subsidiária, e m Z u r i q u e , a H a m b r o s I n v e s t - a m a n u f a t u r a de explosivos p e l a U n i o n C h i r n i q u e de
m e n t C o m p a n y . C o m o m u i t a s o u t r a s instituições f i n a n - 1'Ouest A f r i c a m — UCOA, A participação, n a C o m p a g -
c e i r a s , i n g r e s s o u n u m c a m p o crescente p a r a o i n v e s t i - n i e Minière de C o n a k r y , que t e m u m c a p i t a l de u m
m e n t o f i n a n c e i r o , o de a r r e n d a r e q u i p a m e n t o à indús- bilhão e m e i o de f r a n c o s d a Guiné, é a s e g u i n t e :
t r i a . P a r a esse f i m , H a m b r o s c r i o u a E q u i p m e n t L e a s -
i n g C o m p a n y ( E l c o ) e m 1962. A E l c o também se de- BISC (Ore) Ltd 30,50%
d i c a d i r e t a m e n t e ao negócio de importação e d i s t r i b u i - B u r e a u de R e c h e r c h e s Geologi-
ção de automóveis e veículos c o m e r c i a i s d a B r i t i s h M o - ques et Minières 24,70%
tor C o r p o r a t i o n n o s E s t a d o s U n i d o s , através d a B r i t i s h Caísse C e n t r a l e de Co-operation
Motor C o r p o r a t i o n - H a m b r o s I n c o r p o r a t e d , empreendi- Économique 8,70%
mento conjunto realizado e m partes iguais. A B r i t i s h C o m p a g n i e Française des M i n e s
Motor C o r p o r a t i o n engloba a s fábricas A u s t i n , M . G . , de B o r 7,90%
M o r r i s , R i l e y , Wolseley e c o m p a n h i a s subsidiárias do Hoesch Werke 5,00%
g r u p o M u f f i e l d e outros. Através d a s u a aquisição d a Grupo Rothschild 9,56%
f i r m a bancária L a i d l a w & Co., de N e w Y o r k , H a m b r o s C o m p a g n i e F r a n c o - A m e r i c a i n e des
está fortalecendo s u a s associações c o m i m p o r t a n - Métaux et des Minéraux —
tes i n t e r e s s e s bancários n o r t e - a m e r i c a n o s . E n t r e m u i t o s COFRAMET 2,05 %
outros interesses do H a m b r o s B a n k está s u a conexão c o m Vários 11,597o
a f i r m a de fundição de ouro e m b a r r a s M o c a t t a & G o l d -
s m i d , o q u e elevou s u a s r e s e r v a s de ouro e m b a r r a s , H o e s c h W e r k e é u m a p r o e m i n e n t e f i r m a alemã
e m 1 9 6 1 , de três milhões e 750 m i l l i b r a s p a r a seis ocidental de f e r r o e aço, a s s o c i a d a aos combinados m a i o -
milhões e meio. res, como a M a n n e s m a n n e F h o e n i x - R h e i n r u h r , a úl-
O u t r o g r u p o i n d u s t r i a l f i n a n c e i r o , chefiado p e l a t i m a d a s q u a i s e f e t u o u r e c e n t e m e n t e u m a fusão c o m
c o m p a n h i a britânica B I S C ( O r e ) L t d . , e i n c l u i n d o p a r - o grupo T h y s s e n . A n t e s d a última g u e r r a , T h y s s e n e s -
t i c i p a n t e s f i n a n c e i r o s f r a n c e s e s , alemães e n o r t e - a m e r i - t a v a associado a K r u p p .
c a n o s , j á está t r a b a l h a n d o depósitos de minério de A indústria de f e r r o e aço alemã o c i d e n t a l está c a d a
ferro n a Guiné, e m K a l o u m , b e m próximo a o porto de vez m a i s b u s c a n d o s u p r i m e n t o s de matérias-primas p a r a
C o n a k r y . E s s e s depósitos, de minério c o m teor de 50 a utilização e m fábricas alemãs. E m o u t r a s p a r t e s do
55 p o r c e n t o de f e r r o , f o r a m descobertos e m 1904, q u a n - m u n d o , onde nações menos desenvolvidas estão fazendc
do a construção d a f e r r o v i a de C o n a k r y a Níger come- u m a t e n t a t i v a de se i n d u s t r i a l i z a r e m , essas indústrias
çou. A prospecção f o i r e a l i z a d a e n t r e 1919 e 1922 p e l a estão l o c a l i z a n d o fundições de transformação e u s i n a s
M i n i n g C o m p a n y of F r e n c h G u i n e a . E m 1948 u m a n o v a de laminação p a r a l e v a r a u m estágio secundário o u i n -

112 113
termediárío o minério t r a z i d o d a s m i n a s p a r a a s q u a i s toría de P i v e A r r o w s S e c u r i t i e s Co. L t d . , de T o r o n t o , n a
o b t i v e r a m concessão. Assim a f i l i a d a d a M a n n e s m a n n q u a l estão interessados o B a r c l a y s B a n k e associados
n o B r a s i l , C o m p a n h i a Siderúrgica M a n n e s m a n n , deve de M o r g a n . O H o n . P . M . S a m u e l é diretor d a S h e l l
alcançar u m a capacidade de produção de aço b r u t o de T r a n s p o r t & T r a d i n g Co. L t d . , controlada pela S h e l l
300 m i l t o n e l a d a s , c o m minério d e f e r r o r e t i r a d o d a s OU, a s s i m como de o u t r a s c o m p a n h i a s de i n v e s t i m e n -
m i n a s a menos de oito quilómetros d e distância, n o tos, i n c l u s i v e várias operando n a África C e n t r a l , como
novo f o r n o de fundição q u e está c o n s t r u i n d o e m B e l o a Heywood Investments C e n t r a l A f r i c a (Pvt.) L t d . , n a
Horizonte. O c a p i t a l norte-americano tem grandes par- q u a l a êle se j u n t a o u t r o m e m b r o d a família, o H o n .
ticipações n a indústria alemã de ferro e aço, e m a l g m r . A n t h o n y G e r a l d R o t h s c h i l d , q u e também t e m assento
casos mesmo o controle, obtido d u r a n t e a ocupação nas diretorias de o u t r o s e m p r e e n d i m e n t o s s e m e l h a n t e s ,
n o r t e - a m e r i c a n a d a A l e m a n h a n o pós-guerra. a s s i m como de f i r m a s e d i t o r a s e de p u b l i c i d a d e .
O s b a n c o s M o r g a n c h e f i a r a m essa incursão n o c a m - B I S C ( O r e ) L t d . está incluída e m u m consórcio,
pa d a indústria p e s a d a d a A l e m a n h a e de o u t r a s nações Société A n o n y m e des Mines de F e r de M a u r i t a n i e —
europeias, u t i l i z a n d o seus agentes e associados europeus M I F E H M A — que e x p l o r a minério de ferro e m F o r t G o u -
n a Grã-Bretanha, França, A l e m a n h a , Itália, Bélgica e r a u d , Mauritânia. E s t i m a - s e que h a j a u m mínimo de
Suíça p a r a esse f i m . E n t r e esses associados está o múl- cem milhões de t o n e l a d a s de minérios de a l t a q u a l i d a -
tiplo grupo R o t h s c h i l d , já f l a n q u e a n d o os M o r g a n s e m de, c o m teor de 64 a 65 p o r cento de ferro, c o n t i d a s
seus empreendimentos n o s u l d a África. A seção britâ- n e s s a propriedade n a o r l a o r i e n t a l do S a a r a , que está
n i c a , encabeçada por N. M . R o t h s c h i l d , n a s p a l a v r a s de sendo p r e p a r a d a p a r a d a r u m a produção a n u a l de seis
u m comentador, o H o n . P e t e r Montefiore S a m u e l , m e m - milhões de toneladas. O g r u p o britânico, a s s i m como
bro d a c a s a bancária c o m e r c i a l l o n d r i n a M . S a m u e l & grupos alemães e i t a l i a n o s , têm participações s u b s t a n -
Co. L t d . , " r e s t a b e l e c e u s u a s a n t i g a s conexões c o m D e c i a i s , m a s o interesse p r i n c i p a l é m a n t i d o por u m g r u p o
R o t h s c h i l d Frères", que d a t a m dos d i a s pré-napoleôni- francês encabeçado pelo B u r e a u Minière de F r a n c e
cos. A própria f i r m a de M . S a m u e l está por s u a v e z l i - d ' O u t r e M e r . São os seguintes os p a r t i c i p a n t e s do e m -
preendimento:
g a d a a o B a n q u e L a m b e r t d a Bélgica e ao B a n q u e de
P a r i s et des P a y s - B a s , d a França, todos dentro d a esfera BISC (Ore) Ltd.
de i n v e s t i m e n t o s d a Société Générale de B e l g i q u e , e m
B r i t i s h Ore Investment Corporation L t d ,
u m consórcio de i n v e s t i m e n t o criado p a r a e x p l o r a r o
B r i t i s h Steel Corporation L t d .
M e r c a d o C o m u m E u r o p e u . E d m u n d L . de R o t h s c h i l d
C o m p a g n i e d u C h e m i n de F e r d u Nord.
e o H o n . P . M . S a m u e l têm assento, j u n t o s , n a direto-
C o m p a g n i e Financière p o u r l'Ou t r e m e r — C O F I M E H .
r i a d e A n g l o I s r a e l S e c u r i t i e s L t d . D e R o t h s c h i l d , diretor
Denain-Anzazn.
de d u a s c o m p a n h i a s de seguros, a A l l i a n c e e a S u n A l -
l i a n c e c r i a d a s pelos R o t h s c h i l d s , t e m assento também R e p u b l i q u e I s l a m i q u e de M a u r i t a n i e .
n a B r i t i s h Newfoundland Corporation, incorporada no Società F i n a n c i a r i a Siderúrgica — FINSIDEH.
Canadá, q u e obteve q u a s e 18 m i l quilómetros q u a d r a - U n i o n S i d e r u r g i q u e d u N o r d de l a F r a n c e — U S I N O B .
dos de t e r r a s d e minérios, e m concessão, e u m a e x t e n - A c o m p a n h i a foi c a p i t a l i z a d a c o m 13 bilhões e 300
são e q u i v a l e n t e de concessões de petróleo e gás, do G o - mil f r a n c o s C F A e t e m a s seguintes f i l i a d a s :
v e r n o de N e w f o u n d l a n d , e m 1953. A f i r m a t e m a i n d a
concessões de quase 90 m i l quilómetros q u a d r a d o s n o Société d'Acconage e t de M a n u t e n t i o n e n M a u r i t a -
n i e —• S A M M A ( c a p i t a l c e m milhões de f r a n -
L a b r a d o r . O n o m e d e R o t h s c h i l d a d o r n a a i n d a a dire- cos CÍ-A).

i/4 115
E s s e e m p r e e n d i m e n t o é c a p i t a l i z a d o a 200 milhões
Société A n o n y m e d'Hébergement e n M a u r i t a n i e —
de f r a n c o s C F A e n o s e u interesse f o r a m r e a l i z a d a s no-
H E B E R M A ( c a p i t a l 25 milhões de f r a n c o s C F A ) .
v a s investigações pelo s i n d i c a t o a g r u p a d o e m t o r n o do
Société A n o n y m e de T r a n s p o r t s M a u r i t a n i e n s
B u r e a u de R e c h e r c h e s e d a C o m u n i d a d e E u r o p e i a do
S O T B A M ( c a p i t a l 5 0 milhões de f r a n c o s C F A ) . Carvão e do Aço, r e s s a l t a n d o o interesse que a C o m u -
E p a r a p r o v a r que e m b o r a os nomes p o s s a m m u - n i d a d e E u r o p e i a e s e u M e r c a d o C o m u m têm n o s r e c u r -
dar, os componentes c o n t i n u a m os mesmos, a direção sos primários d a África. O que t o r n a tão i n t e r e s s a n t e s
d a m i n a ficará a c a r g o de P e n a r r o y a . os depósitos de minério de f e r r o do Gabão é s u a p r o x i -
F i n s i d e r é a organização f i n a n c i a d o r a r e l a c i o n a d a m i d a d e de i m p o r t a n t e s fontes de e n e r g i a elétrica, c a -
c o m o g r u p o i n d u s t r i a l compreendendo F e r r o m i n ; e o pazes de fornecer eletricidade a b u n d a n t e a o c u s t o esti-
D e u t s c h e B a n k esteve interessado e m c e r t a s a p r e s e n t a - m a d o de u m f r a n c o C F A p o r q u i l o w a t t .
ções de ações feitas p o r e l a d u r a n t e 1961-62. A C o m p a g -
A inclusão d a F i a t nesse consórcio é u m e x e m p l o
n i e d u C h e m i n de F e r d u N o r d está sob a influência do
d a i n e v i t a b i l i d a d e d a extensão do monopólio em i n v e s -
B a n q u e de P a r i s e t des P a y s - B a s , como a U n i o n Sidé-
t i m e n t o s de c a p i t a l n a s nações desenvolvidas. A F i a t
r u r g i q u e d u N o r d de l a F r a n c e ,
não é a p e n a s u m a fábrica de automóveis, m a s u m a v a s -
O Gabão, c u j a m a d e i r a f o r a até então o m a i s i m - t a organização i n d u s t r i a l q u e p e n e t r o u p r o f u n d a m e n t e
p o r t a n t e p r o d u t o de exportação, d e u s i n a i s de possuir n o i n v e s t i m e n t o f i n a n c e i r o , n a E u r o p a e além dela. F u n -
depósitos de minério de ferro desde 1895, A s prospec- d a d a e m T u r i m e m 1899, a F i a t tornou-se e m 63 anos
ções f o r a m r e a l i z a d a s a p a r t i r de 1938 pelo que e r a e n - o segundo m a i o r f a b r i c a n t e de automóveis n a E u r o p a e
tão o Escritório de P e s q u i s a s Geológicas e M i n e i r a s , a o q u a r t o do m u n d o , depois d a G e n e r a l Motors, F o r d e
que se j u n t o u a B e t h l e h e m S t e e l C o r p o r a t i o n . A com- V o l k s w a g e n . S e a S i m c a , que é l i g a d a à F i a t , fôr s o m a -
p a n h i a r e s u l t a n t e disso, Société des M i n e s de F e r de d a à produção d a F i a t , e s t a se t o r n a m a i o r do q u e a d a
M e k a m b o , f o i f u n d a d a e m 1955, c o m o objetivo p r i n c i - V o l k s w a g e n . M a s o c r e s c i m e n t o d a F i a t veio, não d a
p a l de " c r i a r u m g r a n d e c e n t r o de produção capaz de fabricação de automóveis, m a s d a produção i n d u s t r i a l
satisfazer, a longo p r a z o , p a r t e d a s necessidades pre- ligada a armamentos durante a P r i m e i r a G u e r r a M u n -
v i s t a s d a indústria de aço d a E u r o p a O r i e n t a l e a s f u - d i a l , e s u a expansão c o n t i n u o u d u r a n t e a S e g u n d a
t u r a s necessidades d a B e t h l e h e m S t e e l ' . Deste modo, a
1
G u e r r a M u n d i a l . A c o m p a n h i a obteve l u c r o s c o m a de-
B e t h l e h e m S t e e l t e m u m a participação de 50 por cento. vestação, que chegou à Itália, e c o n t i n u o u a crescer n o
O s o u t r o s associados n o e m p r e e n d i m e n t o são: período do pós-guerra sob o seu fundador, u m a n t i g o
B u r e a u de R e c h e r c h e s Geologi- o f i c i a l de c a v a l a r i a de u m a família a b a s t a d a de T u r i m ,
ques et Miniéres 12,00% G i o v a n i A g n e l l i , e m q u e m "o génio c o m e r c i a l e s t a v a
B a n q u e de P a r i s et des P a y s - B a s 5 , 0 0 % aliado à f a l t a de compaixão característica de u m
C o m p a g n i e Fmancière pour l ' O u - tycoon n o r t e - a m e r i c a n o do petróleo o u d a s e s t r a d a s de
tremer — COFIMER 3,00% ferro, nos velhos t e m p o s " .
C o m p a g n i e Fmancière d e S u e z . 5,00%
No a n o de operações de 1960, a C o m p a n h i a F i a t t i -
C o m p a n h i a F i a t , Itália 3,50%
n h a investimentos e m outras companhias avaliados e m
Consórcio alemão de M e k a m b o
cerca de 26 milhões e 700 m i l l i b r a s , u m a avaliação pro-
(indústria do aço alemã) . . . 10,00%
c e d i d a p e l a c o m p a n h i a , u m a v e z q u e sob a l e i c o m e r c i a l
Indústria do aço f r a n c e s a 9,00%
i t a l i a n a isso f i c a i n t e i r a m e n t e à discrição dos contado-
Indústria do aço b e l g a 2,00% res d a c o m p a n h i a e a s c i f r a s que c o n s t a m nos balanços
Indústria do aço h o l a n d e s a . . . . 0,50%

117
116
i t a l i a n o s sob esse título g e r a l m e n t e não têm q u a l q u e r o G . 9 1 , que e r a então o a p a r e l h o padrão d a O T A N . E p a r a
relação c o m o v a l o r do m e r c a d o o u m e s m o c o m o v a l o r a j u d a r a e n c a m i n h a r a opinião pública n a direção ade-
n o m i n a l d a s eqúidades e títulos e m c a u s a . A fabricação q u a d a , a F i a t p u b l i c a o segundo m a i o r j o r n a l diário d a
Itália, La Stampa.
de c i m e n t o , câmaras e f i l m e s está e n t r e os e m p r e e n d i -
m e n t o s d a c o m p a n h i a . U m a subsidiária, U n i o n e C e - A C o m p a g n i e Financière de Suez f i c o u e m conside-
m e n t i M a r c h i n o , p r o d u z a n u a l m e n t e 16 milhões de to- rável d i f i c u l d a d e depois que os a s s u n t o s do C a n a l de
n e l a d a s de c i m e n t o . O v e r m u t e C i n z a n o que é tão l a r - S u e z f o r a m a s s u m i d o s pelo G o v e r n o egípcio, e m s e g u i -
g a m e n t e apreciado e m todo o m u n d o está e n t r e os e m - d a a u m a t e n t a t i v a m a l s u c e d i d a do i m p e r i a l i s m o a n -
p r e e n d i m e n t o s d a F i a t . S u a subsidiária, I m p r e s i t , está glo-francês de d o m i n a r m a i s u m a v e z o E g i t o , e t e m
p r e s e n t e onde q u e r q u e s e j a m construídas represas h i - sofrido pressão de p a r t e dos seus a c i o n i s t a s . No e n t a n -
drelètncas. E l a c o n s t r u i u a r e p r e s a K a r i b a n a Rodésia to, a d i r e t o r i a conteve os a c i o n i s t a s e r e d i m i u s u a s i -
e está t r a b a l h a n d o n a r e p r e s a do V o l t a , e m G a n a . A tuação p r o c u r a n d o i n v e s t i m e n t o s que dêem l u c r o s altos
F i a t t e m propriedades e m todo o m u n d o . P r a t i c a m e n t e e rápidos. Fêz c e r t a s aquisições de ações n a Austrália,
todo o notório m u n d o de v i d a n o t u r n a d a R u e B l a n c h e , m a s está r e a l m e n t e buscando r e n d i m e n t o s prontos e m
e m P a r i s , é propriedade d a F i a t , a s s i m como terrenos, petróleo do S a a r a e matérias-primas a f r i c a n a s . S e u i n -
hotéis e instalações e m S e s t r i e r e , u m i m p o r t a n t e cen- v e s t i m e n t o e m C o p a r e x deverá d a r bons r e s u l t a d o s logo,
t r o de esportes de i n v e r n o i t a l i a n o . segundo se e s p e r a , u m a v e z que e s s a c o m p a n h i a possuía
e m 1961 g r a n d e s r e s e r v a s d e petróleo, de onde t i r a v a
C o m o t a n t a s d a s organizações m o n o p o l i s t a s que u m rendimento substancial.
e s p a l h a r a m os seus interesses pelo m u n d o e e m inúme-
r o s e m p r e e n d i m e n t o s , a F i a t se dedicou também a o pe- A b a u x i t a é a i n d a m a i s a b u n d a n t e do q u e o miné-
tróleo, p o s s u i n d o 22 p o r cento d a Áquila, a subsidiária rio de ferro, n a África O c i d e n t a l e E q u a t o r i a l , m a s s u a
i t a l i a n a d a C o m p a g n i e Française des F e t r o l e s . Áquila exploração a g u a r d a a disponibilidade de força elétrica.
o p e r a a g o r a n a Áustria, a s s i m como n a Itália. O t r a n s - Já n o s referimos à F B I A , a e m p r e s a que f o i o r g a n i z a d a
p o r t e marítimo também f i g u r a n o âmbito de operações n a República d a Guiné pelo consórcio que t e m à t e s t a
d a F i a t , através d a propriedade de d u a s c o m p a n h i a s a f i r m a O l i n Guinéa, de Rockefeller. O s e g u n d o m a i o r
que e x p l o r a m o r a m o d a navegação. T o d a s essas r a m i f i - holding desse g r u p o p e r t e n c e a Péchiney-Ugine. E s s e s
cações, que i n c l u e m m a i s de c e m c o m p a n h i a s d e n t r o e mesmos g r u p o s , j u n t a m e n t e c o m R e y n o l d s , K a i s e r e a
f o r a d a Itália, estão quase que i n t e i r a m e n t e i n v e s t i d a s A l c a n , de M e l l o n , f o r m a r a m o u t r a e m p r e s a , L e s B a u -
n a c o m p a n h i a holding, Instituto Financiario Indus- x i t e s d u M i d i , que o r i g i n a l m e n t e e x p l o r a v a outros de-
t r i a l e , f u n d a d a e m 1927 e c o n h e c i d a p e l a s s u a s i n i c i a i s pósitos, e m K a s s a e B o k e . O G o v e r n o d a Guiné, n o e n -
I F I , que mantém o controle g e r a l . No segundo semes- t a n t o , n o t i f i c o u a c o m p a n h i a de que se dentro de três
t r e de 1962, a F i a t j u n t o u - s e a o g r u p o i n t e r n a c i o n a l meses, a p a r t i r do d i a 24 de n o v e m b r o de 1 9 6 1 , B a u x i -
compreendendo a S A B C A — A v i o n s F a i r e y ( B é l g i c a ) , a tes d u M i d i não tivesse f e i t o o s p r e p a r a t i v o s p a r a c r i a r
Focke-Wulf (Alemanha), a Fokker (Holanda), a Haw- u m a fábrica de alumínio e m B o k e até j u l h o de 1964,
k e r S i d d e l e y Aviation (Grã-Bretanha) e a R e p u b l i c como f o r a i n i c i a l m e n t e c o m b i n a d o , s u a s instalações,
Aviation ( E U A ) , que submeteram à OTAN planos p a r a u m serviços e m a q u i n a r i a s e r i a m expropriados, a s s i m como
avião m i l i t a r d e d e c o l a g e m v e r t i c a l . A F i a t já h a v i a s u a s propriedades, pelo que s e r i a p a g a u m a indenização.
cooperado c o m a B r i s t o l S i d d e l e y n a m a n u f a t u r a dos O G o v e r n o d a Guiné d e c l a r o u a g u a r d a r que a c o m p a -
m o t o r e s do t u r b o j a t o B r i s t o l Siddeley O r p h e u s p a r a n h i a r e n u n c i a s s e a " s e u s métodos coloniais baseados n a

118 119
simples extração de m i n e r a i s c u j a transformação s e r i a C o m i l o g t e m como p r i n c i p a l a c i o n i s t a (49 p o r c e n t o )
subsequentemente e f e t u a d a f o r a d a nação p r o d u t o r a " , a m a i o r e m p r e s a do aço n o s E s t a d o s Unidos, e p o r t a n t o
A Péchiney-Ugine é também i n t e r e s s a d a n a C o m - do m u n d o , U . S . S t e e l , " u m a e m p r e s a de ferro e aço per-
p a g n i e C a m e r o u n a i s e d ' A l u m i n i u m Pèchiney-Ugine — f e i t a m e n t e i n t e g r a d a " . A j a z i d a de manganês que a
A L U C A M — n a q u a l a Cobeal, f i l i a d a à Société Générale C o m i l o g está operando e m F r a n c e v i l l e , n o Gabão, é
de B e l g i q u e possui u m a participação de dez p o r cento. u m a d a s m a i s i m p o r t a n t e s do m u n d o , c o m r e s e r v a s es-
t i m a d a s e m 200 milhões de toneladas c o m teor de 50 por
A p a r t e d a Péchiney-Ugine n a produção t o t a l d a A l u -
cento de ferro. A C i e . de M o k t a , f r a n c e s a , t e m 19 por
c a n e m 1962 f o i de 46 443 toneladas e m 52 246, obvia-
cento de interesse e, além de e s t a r e m p e n h a d a e m ope-
mente a mais importante.
r a r d i r e t a m e n t e a m i n a de manganês G r a n d L a h o u , n a
O s r e c u r s o s n a t u r a i s do Gabão d e m o n s t r a m s e r C o s t a do M a r f i m , c o n t r o l a i m p o r t a n t e produção de
i m e n s a m e n t e ricos. Comissões de e n e r g i a atómica empe- minérios de ferro, manganês e urânio através de p a r -
n h a m - s e n a prospecção e investigação de fontes de urâ- ticipação acionária n a Argélia, E s p a n h a , Tunísia, M a r -
n i o e m M o u n a n a , n a região do Alto-Ogooue, u m a das rocos e Gabão. T e m , p o r exemplo, 40 por c e n t o n a Cie.
m a i s isoladas do país. O único meio de acesso é pelo r i o des M i n e s d ' U r a n i u m de F r a n c e v i l l e , que está proces-
Ogooue, cortado por corredeiras e m m a i s de 6 0 0 quilóme- sando o r i c o minério de urânio e m M o u n a n a , Gabão. D e
t r o s do s e u p e r c u r s o . No início de 1959, n o e n t a n t o , u m a M o k t a está l i g a d a d i r e t a m e n t e e através de associadas
r o d o v i a de c e m quilómetros construída p e l a C o m p a g n i e aos interesses que i r r a d i a m d a A n g l o - A m e r i c a n Corpo-
Minière de TAgooue — O O M I L O G — r e d u z i u a distância, r a t i o n e do g r a n d e t r u s t e de f e r r o e aço de A R B E D .
de M o u n a n a até a e s t r a d a de ferro que f o i a b e r t a e m
1962, a c e r c a de 120 quilómetros, t o r n a n d o - a a s s i m A U . S . S t e e l e a G e n e r a l E l e c t r i c são gigantes m u n -
m a i s acessível. O minério deverá s e r extraído e o urânio diais e m s u a s esferas i n t e r l i g a d a s . A p r i m e i r a , e m v i r -
r e t i r a d o p e l a C o m p a g n i e des M i n e s d ' T J r a n i u m de F r a n - tude de s u a s múltiplas divisões a b a r c a n d o todos os a s -
ce v i l l e , c a p i t a l i z a d a e m u m bilhão de f r a n c o s C F A . U m a pectos d a indústria do aço, é a s e x t a m a i o r c o m p a n h i a
componente d a Comilog, a C o m p a g n i e de M o k t a , é r e s - i n d u s t r i a l dos E s t a d o s U n i d o s ; a s e g u n d a é a p r i n c i p a l
ponsável p e l a administração d a m i n a . C o m i l o g está e x - p r o d u t o r a de e q u i p a m e n t o elétrico e utensílios do m u n -
p l o r a n d o os depósitos de manganês do Gabão e m F r a n - do, c o m f i l i a d a s , subsidiárias e a s s o c i a d a s p o r t o d a a
ceville, i n i c i a l m e n t e i n v e s t i g a d o s pelo B u r e a u Francês t e r r a . S u a s fábricas a b a r c a m m u i t o s setores i n d u s t r i a i s :
de Mineração n o U l t r a m a r e m colaboração c o m U . S . rádio, aviação, marítimo, p e s q u i s a científica, e produ-
S t e e l , a g i g a n t e s c a f i r m a n o r t e - a m e r i c a n a do aço, con- z e m a r t i g o s pesados d e importância c a p i t a l , componen-
t r o l a d a pelos interesses M o r g a n . J u n t a m e n t e c o m s u a s tes i n d u s t r i a i s e a r t i g o s m a t e r i a i s e de defesa, a s s i m
filiadas, a U . S . Steel t e m o controle d a Comilog com como artigos de consumo. A U . S . S t e e l f o i f u n d a d a e m
49 p o r c e n t o e os outros componentes — c o m u m e n t e 1901 p o r J . P i e r p o n t M o r g a n como c o m p a n h i a liolding,
presentes n e s s a s e m p r e s a s — são o B u r e a u de R e c h e r - controlando m a i s d a m e t a d e d a indústria do aço dos
ches Geologiques et Minières (22 p o r cento), a C o m p a g n i e E s t a d o s U n i d o s . Desde então, a indústria do aço n o r t e -
de M o k t a (14 por cento) e a Société A u x i l i a i r e d u M a n - a m e r i c a n a e x p a n d i u - s e e m passos gigantescos e o u t r o s
ganese de F r a n c e v i l l e (15 por c e n t o ) . O e m p r e e n d i m e n - trustes i m p o r t a n t e s se d e s t a c a r a m . M a s a U . 8 . S t e e l
to está c a p i t a l i z a d o e m dois milhões e m e i o de f r a n c o s mantém a liderança e hoje c o n t r o l a 30 p o r cento d a
C F A . O s m o n o p o l i s t a s dos E s t a d o s U n i d o s e d a França produção de aço e c i m e n t o dos E s t a d o s U n i d o s . N a d i -
são os p r i n c i p a i s componentes. retoria d a G e n e r a l E l e c t r i c t e m assento H e n r y S . Mor-

120 121
gari, de modo que não é difícil e n c o n t r a r a relação e n -
( S P A F E ) , c o m sede e m P o r t G e n t i l . E s s a c o m p a n h i a e m -
t r e esse monopólio i n t e r n a c i o n a l e a U . S . S t e e l n a e x -
p r e g a m a i s d e 1 2 0 0 a f r i c a n o s , q u e f i c a m todos subordi-
ploração d e a l g u n s dos m a i s r i c o s r e c u r s o s a f r i c a n o s
nados a m a i s de 4 0 0 b r a n c o s . N ã o há u m a r e f i n a r i a de
p a r a a l i m e n t a r a s exigências m i l i t a r e s e económicas do
petróleo a t u a l m e n t e n o Gabão, m a s Gabão, C h a d , C o n -
m a i s perigoso i m p e r i a l i s m o do m u n d o . O p e r a n d o u n i -
go, B r a z z a v i l l e , República d a África C e n t r a l e Camarões
v e r s a l m e n t e , seus i n t e r e s s e s localizam-se e m c a d a l o c a l c o n c o r d a r a m e m i n s t a l a r u m a r e f i n a r i a que será f i n a n -
de c r i s e n o m u n d o . c i a d a pelos respectivos governos e a França. A p r i m e i r a
A f i r m a - s e que, e m consequência de complicadíssima reunião dos r e p r e s e n t a n t e s desses governos f o i n o d i a
transação, a f i r m a T a n g a n y i l c a Concessions cedeu a u m 2 2 de j u l h o de 1 9 6 4 , e m P o r t G e n t i l . D e acordo c o m o
grupo f i n a n c e i r o i n t i m a m e n t e associado às m a i s i m p o r - M i n i s t r o , as necessárias investigações estão e m desenvol-
t a n t e s c a s a s bancárias dos E s t a d o s U n i d o s u m milhão e v i m e n t o p a r a i n s t a l a r a r e f i n a r i a a n t e s do f i m de 1 9 6 5 .
6 0 0 m i l d a s s u a s ações, e m consequência do que o g r u p o Há, segundo m e i n f o r m a r a m , m u i t a s descobertas de
norte-americano provavelmente tem a maioria nessa lençóis petrolíferos, t a n t o n a s águas t e r r i t o r i a i s do G a -
c o m p a n h i a britânica, proprietária de 2 1 p o r cento d a s bão como n o i n t e r i o r , e m q u a n t i d a d e s e c o n o m i c a m e n t e
ações d a U n i o n Minière, cujo império é o Congo.* grandes, p a r a s u p r i r m u i t a s p a r t e d a A f r i c a . A i n f o r -
O interesse n o r t e - a m e r i c a n o n o C o n g o é m o t i v a d o mação de que disponho é de que todas as c o m p a n h i a s
por i n v e s t i m e n t o s m u i t o s u b s t a n c i a i s , f r e q u e n t e m e n t e petrolíferas a t u a l m e n t e d i s t r i b u i n d o produtos de pe-
tróleo n a África de língua f r a n c e s a têm controle de
ocultos sob f a c h a d a s britânicas, f r a n c e s a s , belgas e a l e -
ações d a c o m p a n h i a p r o d u t o r a de petróleo do Gabão.
mãs ocidentais, e e m p r e g a n d o i m p o r t a n t e s p e r s o n a l i d a -
A G I P não t e m permissão p a r a p o s s u i r ações d a c o m p a -
des políticas dos E s t a d o s U n i d o s . O S r . Adlai Stevenson,
n h i a . O s leitores r e c o r d a m - s e do q u e m o t i v o u a queda
por exemplo, representando o s e u G o v e r n o n a O N U , pre-
do S r . A d o u l a n o C o n g o —. política do petróleo. P a r e c e -
s i d i a a f i r m a de T e m p e l s m a n & S o n , especialistas e m
me, p o r t a n t o , q u e d u a s questões económicas i n f l u e n c i a -
explorar diamantes no Congo; e o S r . A r t h u r H . D e a n ,
rão a permanência d a s forças f r a n c e s a s de ocupação n o
que c h e f i a delegações dos E s t a d o s U n i d o s a conferên- Gabão d u r a n t e m u i t o s a n o s : o urânio e o petróleo.
c i a s de d e s a r m a m e n t o , e r a vice-presidente e a i n d a é d i -
retor d a A m e r i c a n M e t a l Clímax, g r a n d e c o n s u m i d o r É m u i t o provável que a África pudesse fornecer s u -
de urânio u m a v e z que é responsável p o r dez p o r cento ficiente q u a n t i d a d e de fosfatos não a p e n a s p a r a f e r t i -
d a produção dos E s t a d o s U n i d o s . A m e r i c a n M e t a l , se- l i z a r a a b u n d a n t e produção agrícola que c o b r i r i a s u a s
g u n d o u m a informação não c o n f i r m a d a , f o r m a c o m necessidades f u t u r a s de a l i m e n t o s e i n d u s t r i a i s , como
s u a s subsidiárias " u m poderoso g r u p o i n t e r n a c i o n a l de também p a r a p r o d u z i r excedentes b a s t a n t e s p a r a s u p r i r
mineração, q u e i n c l u i , p r i n c i p a l m e n t e , a R h o d e s i a n S e - as necessidades de m u i t a s o u t r a s p a r t e s do m u n d o . No
lection T r u s t L t d . " momento, os i m p o r t a n t e s c e n t r o s produtores de fosfa-
A s potências d a O T A N estão i n t e r e s s a d a s n o Gabão tos são os depósitos de D j e b e l - O n k n a Argélia, os de
por c a u s a d a s s u a s riquezas. A t u a l m e n t e a A m e r i c a n T a i b a , n o S e n e g a l , de L a c T o g o , n a República do Togo,
O F F S H O R E I n t e r n a t i o n a l teve a o f e r t a de u m c o n t r a t o d e e de K h o u r i b g a e Y o u s s o u f i a e m M a r r o c o s .
perfuração p a r a a Société de P e t r o l A f r i q u e E q u a t o r i a l
A Société de D j e b e l - O n k , c o m u m c a p i t a l de 3 0 m i -
lhões de novos francos, compreende os seguintes i n t e -
* France Observateur, 0 d e j u l h o de 1Ô64. resses :

122
123
n e n t e n o r t e - a m e r i c a n o , c o m e x t e n s a s minerações de
B u r e a u d l n vestissem ent e n A f r i - fosfato e operações químicas de processamento n a Fló-
que 18,00%
r i d a , E s t a d o s U n i d o s . T a m b é m p o s s u i u m a m i n a de po-
Caísse d'í:quipement de VAlgêrie 1 6 , 0 0 % t a s s a e m C a r l s b a d , Novo México, e u m a o u t r a i n s t a l a -
C o m p a g n i e des P h o s p h a t e s de ção, de 10 milhões de dólares, p a r a a produção de po-
Constantine 40,00 % t a s s a n o Canadá. T e m u m m e r c a d o p a r a os seus pro-
C o m p a g n i e Financière pour l e dutos e m t o d a s a s Américas e E u r o p a O c i d e n t a l . P a r a
Developpement Economique, o G o v e r n o senegalês, esse projeto de mineração de fos-
ca. — COFIDAL 8,50% fato, que deverá t e r u m a produção a n u a l de meio m i -
Société Algérienne de Deveiop- lhão de toneladas, d e s e m p e n h a i m p o r t a n t e p a p e l n o seu
ment et d'Expansion — p l a n o q u a d r i e n a l . Deverá e x p a n d i r e desenvolver a eco-
SOCALDEX 8,50% n o m i a . No e n t a n t o , o objetivo dos monopólios que con-
Société Algérienne de P r o d u i t s t r o l a m o e m p r e e n d i m e n t o é i n t e i r a m e n t e oposto. " E s s a
Cnemiques et d'Engrais; associação reforça n o s s a posição m u n d i a l n o que d i z
B a n q u e Nationale pour le respeito a r e s e r v a s estratégicas de fosfatos", t e r i a dito
C o m m e r c e et r i n d u s t r i e A f r i - o S r . R e y r e ao f i r m a r o acordo de sociedade c o m a I n -
que; C o m p a g n i e Algérienne; t e r n a t i o n a l M i n e r a i s (West Africa, 17 de fevereiro de
Groupe Schiaffino; outros 9,00% 1962).

A C o m p a g n i e Sénégalâise des P h o s p h a t e s de T a i b a Depósitos de fosfatos f o r a m descobertos no T o g o


r e v e l a o G o v e r n o do S e n e g a l associado a o B u r e a u de a c e r c a de 30 quilómetros do m a r , e m 1952. A s i n v e s -
R e c h e r c h e s Géologiques e Minières, Péchiney, P i e r r e f i t t e , tigações v i n h a m sendo r e a l i z a d a s desde 1884, por i n t e -
C o m p a g n i e des P h o s p h a t e s de C o n s t a n t i n e , C o m p a g n i e resses f r a n c e s e s e britânicos. F o i u m assessor geológico
des P h o s p h a t e s d ^ c é a n i e , C o f i m e r e a Société A u x o n . d o C o m p t o i r des P h o s p h a t e s de P A f r i q u e d u N o r d que
O m e s m o grupo encabeçado pelo B a n q u e de P a r i s e t e n c o n t r o u , n a região A k o u m a p e , indicações de depósitos
des P a y s - B a s e os i n t e r e s s e s f r a n c e s e s q u e êle r e p r e s e n - m u i t o i m p o r t a n t e s , de p r i m e i r a q u a l i d a d e , que se esten-
t a , fez u m acordo e m fevereiro de 1963, sob a a s s i n a - d i a m através do lago Togo. A República de T o g o asso-
t u r a do d i r e t o r - g e r a l do banco, J . J . R e y r e , c o m a I n - ciou-se à C o m p a g n i e Togolaise des M i n e s de B e n i n , que
t e r n a t i o n a l M i n e r a i s & C h e m i c a l s C o r p o r a t i o n , pelo está explorando os depósitos e i n c l u i os i nter esses já
q u a l e s t a última se a s s o c i o u a o consórcio q u e e x p l o r a empenhados e m monopolizar o u t r o s r e c u r s o s de fosfa-
o que s e a f i r m a ' ser a m a i o r m i n a de fosfato d e a l t o teor tos n a A f r i c a . São a C o m p a g n i e C o n s t a n t i n e , P e n a r -
d o m u n d o , perto de D a l c a r . Há várias coisas que m e re - r o y a , C o f i m e r , o B a n q u e de P a r i s , P i e r r e f i t t e , e a C o m -
c e m destaque nesse acordo. p a gnie I n t e r n a t i o n a l e d A r m e m e n t M a r i t i m e I n d u s t r i e l l e
,

E m p r i m e i r o l u g a r , há a l g o de d i s t i n t a m e n t e o m i - et C o m m e r c i a l e . O c a p i t a l é de u m bilhão e 180 milhões


noso e m u m acordo entre d u a s combinações e s t r a n - de f r a n c o s C F A . O s p r i m e i r o s embar ques f o r a m r e a l i z a -
g e i r a s , u m a d a s q u a i s é p a r t i c i p a n t e de u m a c o m p a - dos e m setembro de 1961, quando p a r t i r a m do novo c a i s
n h i a a s s o c i a d a c o m o E s t a d o c u j a s matérias-primas está de K p e m e p a r a os E s t a d o s U n i d o s e p a r a fábricas n o
e x p l o r a n d o . I s s o a c e n t u a a a t i t u d e de desprezo e m r e - Japão sob controle n o r t e - a m e r i c a n o . O p l a n o é de pro-
lação ao país hospedeiro implícita n o objetivo do m o - duzir i n i c i a l m e n t e 750 m i l t o n e l a d a s a n u a i s de c o n c e n -
nopólio, A I n t e r n a t i o n a l M i n e r a i s é o p r i n c i p a l p r o d u - trado, nível que deverá s e r p r o g r e s s i v a m e n t e elevado
t o r de fosfato e p r o d ut o s agrícolas fosfatados n o c o n t i -
125
124
até u m milhão de t o n e l a d a s , se a s possibilidades do f a a t b r i e k e n N . V . , de U t r e c h t , H o l a n d a , c o m a q u a l
mercado o permitirem. f u n d o u c o m p a n h i a s de f e r t i l i z a n t e s e p r o d u t o s quími-
Não h a v e r i a f a l t a de possibilidade de m e r c a d o se os cos n a África do S u l . D u r a n t e o s e u a n o f i s c a l de 1961/62,
f e r t i l i z a n t e s fosses postos à disposição dos países e m a Fison-Albatros admitiu n a s u a filiada sul-africana
desenvolvimento a preços compatíveis c o m o s e u poder F i s o n s ( P t y ) L t d . , e m p r e e n d i m e n t o bancário l o c a l , a F e -
a q u i s i t i v o . A t u a l m e n t e a competição e m f e r t i l i z a n t e s derale Volksbeleggings B e p e r k , o q u e fêz c o m que h o u -
e n t r e os E s t a d o s U n i d o s e o u t r a s fontes é e x t r e m a m e n - vesse fundos disponíveis s u f i c i e n t e s p a r a p e r m i t i r à F i -
te a g u d a e o s produtores britânicos, dos q u a i s P i s o n son s u l - a f r i c a n a e n t r a r n a exploração de depósitos e m
L t d . e r e i e S h e l l p r a t i c a m e n t e m o n o p o l i z a m o comér- Phalaborwa, no T r a n s v a a l . F i s o n tem outras compa-
cio no R e i n o U n i d o , f o r a m objeto de investigação p e l a n h i a s n a África do S u l l i g a d a s a produtos químicos
Comissão Britânica de Monopólios, e m 1959. O s f e r t i l i - agrícolas e farmacêuticos. T o d a s essas c o m p a n h i a s
z a n t e s n o R e i n o U n i d o têm sido m a n t i d o s e m nível de p r o s p e r a r a m d u r a n t e o a n o 1961/62, segundo o p r e s i -
preços subsidiado que provocou sérias q u e i x a s . F i s o n d e n t e d a F i s o n q u e a c r e s c e n t o u que, " a p e s a r d a s con-
c o n t r o l a 4 0 p o r c e n t o do m e r c a d o do R e i n o U n i d o e dições difíceis n a África O r i e n t a l e n a Federação de R o -
a g o r a e n t r o u e m u m acordo c o m a I C I pelo q u a l e s t a l h e désia e Niasalândia, nossas c o m p a n h i a s m a n t i v e r a m s u a
fornecerá amónia de s u a n o v a fábrica de I m m i n g h a m . posição e o b t i v e r a m l u c r o s satisfatórios". S u a subsidiá-
I s s o reduzirá o custo, n u m esforço p a r a a t e n d e r às quei- ria n o Sudão, F i s o n s P e s t C o n t r o l ( S u d a n ) L t d . , p u l -
x a s dos a c i o n i s t a s de que os l u c r o s estão d i m i n u i n d o . v e r i z o u u m a área recorde d e m a i s de u m milhão de
E s s a cooperação dos m a i o r e s produtores de f e r t i l i - acres de c u l t u r a de algodão e obteve l u c r o s considera-
z a n t e s está sendo l e v a d a à f r e n t e p a r a m o n o p o l i z a r os dos satisfatórios pelo presidente.
s u p r i m e n t o s e m e r c a d o s d e matérias-primas, a f i m de Canadá, N o v a Zelândia, Austrália, M a l a i a e Nigéria
s u s t e n t a r preços que produzirão l u c r o s a i n d a m a i o r e s são todos países e m que a F i s o n c r i o u c o m p a n h i a s p a r a
sobre os consideráveis i n v e s t i m e n t o s necessários. O pre- a expansão de s e u s m e r c a d o s d e f e r t i l i z a n t e s e p r o d u -
sidente d a Divisão de B i l l i n g h a m d a I C I disse que o p r o - tos químicos e agrícolas, e r e c e n t e m e n t e a c o m p a n h i a
cesso de n a f t a d a c o m p a n h i a t r a n s f o r m o u completa- começou a se estender p a r a a América do S u l e P a q u i s -
m e n t e a e c o n o m i a d a produção de amónia e colocou a tão. Fábricas de f e r t i l i z a n t e s f o r a m construídas e m
c o m p a n h i a e m condições d e s e r u m p r o d u t o r m u n d i a l Zandvoorde, n a Bélgica, e m c o n j u n t o c o m a U n i o n C h i -
de amónia e não a p e n a s u m produtor do R e i n o U n i d o . m i q u e B e l g e S . A . A l é m d a fabricação de f e r t i l i z a n t e s e
O t r a n s p o r t e é u m i m p o r t a n t e fator no c u s t o dos produtos químicos a f i n s , d a produção de a p a r e l h o s de
f e r t i l i z a n t e s e é fácil c o m p r e e n d e r que se os fosfatos d a h o r t i c u l t u r a e de a p a r e l h o s científicos, a F i s o n p a r t i -
A f r i c a são levados à E u r o p a p a r a processamento e de- c i p a d a f i r m a J o h n B r o w n L t d . de processamento e e n -
pois devolvidos sob a f o r m a de f e r t i l i z a n t e s à África, e n - l a t a m e n t o de produtos alimentícios " p a r a o f i m de v e n -
sacados, os preços não podem s e r económicos p a r a a der know-how (conhecimento técnico especializado)
a g r i c u l t u r a a f r i c a n a . Sob esse aspecto é i n t e r e s s a n t e n o - químico e fábricas à U . R . S . S . "
t a r que F i s o n a b r i u n a índia, e m associação c o m a des- Petróleo e gás, c u j a s descobertas n a África se tor-
t a c a d a f i r m a de aço e ferro de T a t a , u m a c o m p a n h i a n a m c a d a vez m a i s i m p o r t a n t e s , e s p e c i a l m e n t e no S a a -
p r o d u t o r a de f e r t i l i z a n t e , a T a t a - F i s o n L t d . , que Sir r a , p r o v o c a m a competição f e b r i l e n t r e os interesses f i -
C l a v e r i n g F i s o n , presidente d a c o m p a n h i a britânica, n a n c e i r o s e i n d u s t r i a i s p r e d o m i n a n t e s , que estão t r a -
descreveu como sendo a g o r a a m a i o r c o m p a n h i a d a i n - zendo o monopólio a u m círculo c a d a vez m a i s fechado.
dústria. F i s o n t e m sociedade c o m a A l b a t r o s Super-fos- Mesmo interesses m e n o r e s estão forçando a e n t r a d a

126 127
nesse c a m p o q u e , e m b o r a e x i j a u m c a p i t a l i n i c i a l e x -
t r e m a m e n t e forte p a r a a prospecção e perfuração, ofe-
rece os l u c r o s fabulosos q u e f i z e r a m a f o r t u n a d a
S h e l l p a r a os M o r g a n , d a T e x a c o p a r a o g r u p o de
G u l f O i l p a r a os M e l l o n , d a C o n t i n e n t a l O i l e D u t c h -
S h e l l p a r a os M o r g a n s , d a T e x a c o p a r a o grupo de
C h i c a g o , H a n o v e r B a n i e outros. A T e n n e s s e e C o r p o r a -
t i o n , e m p r e s a múltipla de G u g e n h e i m e r que e x p l o r a
concessões de n i t r a t o e cobre n a América do S u l e
holdings n o C o n g o e o u t r a s p a r t e s d a África, estendeu
seus i n t e r e s s e s além do urânio, f e r t i l i z a n t e s e p r o d u t o s 2. 0 Império Oppenheimer
químicos, e n t r a n d o n o petróleo. S u a subsidiária e m D e -
l a w a r e , T e n n e s s e e O v e r s e a s Co., i n i c i o u a exploração de
petróleo e m S e r r a L e o a . C . W . M i c h e l , vice-presidente
d a Tennessee, já t e m ligação c o m o petróleo através d a
D o m e P e t r o l e u m , subsidiária d a A m e r i c o - C a n a d i a n
Dome Mines L t d . , interligada c o m a Tennessee pela
posse de ações e p e l a presidência de M i c h e l . O R E I d a mineração n a África do S u l e m e s m o n a
A f r i c a , é H a r r y F r e d e r i c k O p p e n h e i m e r . Pode-se m e s m o
A África c o n t i n u a sendo, a c i m a de tudo, u m con-
chamá-lo de r e i d a África do S u l , até de i m p e r a d o r ,
t i n e n t e e c o n o m i c a m e n t e i n e x p l o r a d a e a r e t i r a d a dos
c o m u m império s e m p r e crescente. H á provàvelmente
d o m i n a d o r e s coloniais do controle político é i n t e r p r e t a -
poucos r e c a n t o s d a África m e r i d i o n a l e m q u e êle não
d a como u m s i n a l p a r a a c o r r i d a dos monopólios i n t e r -
t e n h a u m dedo próprio o u a g a r r a de a l g u m a f i l i a d a
n a c i o n a i s aos recursos n a t u r a i s do c o n t i n e n t e . É a n o v a
o u associada. E s s e s dedos e g a r r a s p r e n d e m o império
d i s p u t a p e l a África, s o b o disfarce de a j u d a e c o m o
de O p p e n h e i m e r f i r m e m e n t e a outros impérios tão g r a n -
c o n s e n t i m e n t o e m e s m o a b o a vontade de E s t a d o s n o -
des o u m a i o r e s d o q u e o dele.
vos e i n e x p e r i e n t e s . I s s o pode ser a i n d a m a i s m o r t a l -
m e n t e perigoso p a r a a África do q u e a p r i m e i r a divisão,
O S r . H a r r y F r e d e r i c k Oppenheimer é diretor o u
porque é apoiado p o r interesses m a i s concentrados, do-
presidente de c e r c a de 70 c o m p a n h i a s . E s s a s d i r e t o r i a s ,
tados de m u i t o m a i o r poder e influência sobre governos
a s s i m c o m o a q u e l a s e x e r c i d a s p o r i m p o r t a n t e s colegas
e organizações i n t e r n a c i o n a i s .
e elementos nomeados, c u j o s nomes se r e p e t e m monoto-
n a m e n t e n a s direções de u m complexo sempre crescen-
te de j u n t a s diretoras de c o m p a n h i a s , d e s m e n t e m a f i c -
ção d a separação respeitável, m e s m o q u a n d o n ã o há
u m a ligação f i n a n c e i r a evidente. D o m i n a n d o esse com-
plexo de c o m p a n h i a s estão a A n g l o - A m e r i c a n C o r p o r a -
t i o n of S o u t h A f r i c a L t d . e a Consolidated G o l d F i e l d s
of S o u t h A f r i c a L t d . , d a s q u a i s se i r r a d i a m f i l i a d a s , s u b -
sidiárias, associadas, c o m ligações i m e d i a t a s o u m a i s
ténues, q u e p o r s i m e s m a s d a r i a m u m catálogo m u i t o

128 129
glo-American Corporation e d a Consolidated G o l d Fields
i n t e r e s s a n t e de comércio, i n v e s t i m e n t o e bancos. A l i s t a
of S o u t h A f r i c a , por exemplo, l e v a f r e q u e n t e m e n t e às
de interesses diretos, de modo a l g u m c o m p l e t a , i n c l u i r i a :
m e s m a s implicações. No e n t a n t o deve h a v e r u m a l i n h a
de demarcação, não s o m e n t e p a r a p r e s e r v a r a aparên-
Anglo American T r u s t L t d . c i a de a u t o n o m i a c o m o p a r a e v i t a r u m a duplicação de
African & European Investment Co. L t d . t a r e f a s e responsabilidades, n o interesse d a economia
A m a l g a m a t e d C o l l i e r i e s of S o u t h A f r i c a L t d . i n d u s t r i a l e f i n a n c e i r a e dos l u c r o s .
B a m a n g w a t o Concessions L t d .
Há, n a r e a l i d a d e , u m a modificação c o n s t a n t e d a es-
Central Mining Finance Ltd. t r u t u r a de organização, s e j a como r e s u l t a d o d a a q u i s i -
Consolidated Mines Selection Co. L t d . ( C A S T ) . ção de n o v o s i n t e r e s s e s e projetos, do a b a n d o n o de m i -
Coronation Collieries L t d . n a s e x a u r i d a s , d a expansão de c o m p a n h i a s existentes
C o n s o l i d a t e d M i n e s of S o u t h W e s t A f r i c a L t d . e alianças, m a s a c i m a de tudo p a r a i m p e d i r o u e n f r e n -
British South Africa Company L t d . t a r a competição, d i n a m i z a r a e s t r u t u r a e c o r r i g i r a
Anglo T r a n s v a a l Consolidated I n v e s t m e n t Co. L t d situação f i s c a l .
De Beers Consolidated Mines L t d . E m 1961, p o r exemplo, a Consolidated G o l d F i e l d s
F r e e S t a t e Development Co. L t d . of S o u t h A f r i c a C o r p o r a t i o n s o f r e u u m a p r o f u n d a reor-
Middle W i t w a t e r s r a n d (Western Areas) L t d . ganização c o m o objetivo de c o n c e n t r a r s u a a d m i n i s -
R a n d Selection Corporation L t d . tração n a s várias esferas de operação. A p r e s e n t a d o o
R a n d Mines L t d . relatório d u r a n t e a reunião sobre a s a t i v i d a d e s d a cor-
Rhodesian Anglo American Corporation L t d . poração no a n o que t e r m i n o u e m 30 de j u n h o de 19G1,
S o u t h A f r i c a n T o w n s h i p s M i n i n g & F i n a n c e Co. o presidente, Sir George H a r v i e - W a t t , f i x o u os bens,
Ltd. pelo v a l o r cotado n a bolsa, e m u m t o t a l a p r o x i m a d o de
Vereeniging Estates L t d , 58 milhões de l i b r a s . S e s s e n t a e seis por cento desse to-
West R a n d Investment T r u s t L t d . t a l e r a m representados p o r interesses n a África do S u l ,
J o h a n n e s h u r g Consolidated I n v e s t m e n t Co. L t d . dez por c e n t o n a América d o N o r t e e seis p o r cento n a
R h o d e s i a n B r o k e n H i l l Development Co. L t d . Austrália. A m a i o r p a r t e dos r e s t a n t e s 18 p o r cento
T r a n s v a a l & Delagoa B a y Investment Co. L t d . correspondia a interesses n o R e i n o U n i d o .
R h o k a n a Corporation L t d . P a r a s u p e r v i s i o n a r esses i n t e r e s s e s e a absorção p l a -
Union Corporation L t d . n i f i c a d a de outros, várias alterações f o r a m feitas n a s
Tsumeb Corporation L t d . c o m p a n h i a s c o n t r o l a d o r a s , de modo que a e s t r u t u r a de
Selection T r u s t Co. L t d . a g r u p a m e n t o d a C o n s o l i d a t e d G o l d F i e l d s of S o u t h
A f r i c a L t d . t e m a g o r a a constituição descrita no
T a n g a n y i k a Concessions L t d .
Q u a d r o 1. ( V . pág. 1 3 2 . )
U n i o n Minière d u H a u t K a t a n g a S . A .
E x p l i c a n d o a e s t r u t u r a aos acionistas, n a assem-
A m a i o r i a desses interesses diretos é constituída d e bléia-geral a n u a l r e a l i z a d a e m L o n d r e s n o d i a 13 de de-
holdings o u f i r m a s de i n v e s t i m e n t o s , c r i a d a s p a r a coor- zembro de 1962, o presidente c o n f i r m o u que a s u p e r v i -
d e n a r u m grupo específico de i n v e s t i m e n t o s , m a s i n - são o p e r a c i o n a l dos interesses do g r u p o n a África do
terferindo e m m u i t o s outros campos. É difícil, às vezes S u l e s t a v a sob a responsabilidade de " n o s s a subsidiária,
i n t e i r a m e n t e de n o s s a propriedade, G o l d F i e l d s of S o u t h
quase impossível, d i s t i n g u i r a l i n h a q u e d e l i m i t a a s ope-
A f r i c a L t d . , c o m sede e m J o h a n n e s b u r g " . Q u a n d o o
rações. T e n t a r d e s e m a r a n h a r a s participações d a A n -

131
130
grupo a d q u i r i u , e m 1959, t a n t o a N e w U n i o n G o l d F i e l d s ,
desde então d e n o m i n a d a G o l d F i e l d s F i n a n c e ( S . A . ) ,
Ltd., e a South African H . E . Froprietary L t d , sua admi-
nistração f o i também entregue à G o l d F i e l d s of S o u t h
A f r i c a , e m b o r a a s ações dessas d u a s c o m p a n h i a s p e r t e n -
cessem d i r e t a m e n t e à c o m p a n h i a m a t e r n a , e m L o n d r e s .
N a Austrália, a responsabilidade pelas operações do
grupo cabe à C o n s o l i d a t e d G o l d F i e d s (Austrália) P t y
Ltd. O principal investimento da Gold Fields n a Aus-
trália é representado p o r u m interesse majoritário n a
C o m m o n w e a l t h M i n i n g I n v e s t m e n t s (Austrália) L t d . ,
" u m a c o m p a n h i a de f i n a n c i a m e n t o d a mineração c o m
a m p l a participação e m i n v e s t i m e n t o s n a Austrália,
América do Norte e outros pontos do u l t r a m a r " , s e g u n -
do o relatório do presidente.
U m interesse majoritário e m o u t r a e m p r e s a a u s t r a -
l i a n a , A s s o c i a t e d M i n e r a i s Consolidated L t d . , p e r m i t e à
Consolidated G o l d F i e l d s u m a invasão e m g r a n d e e s c a l a
d a indústria de r u t i l o e zircônio. A A s s o c i a t e d M i n e r a i s
a d q u i r i u todas a s ações pendentes de Z . R . H o l d i n g s
L t d . , u m a c o m p a n h i a o r i g i n a l m e n t e f o r m a d a p a r a to-
m a r posse de Z i r c o n R u t i l e P t y L t d . , j u n t a m e n t e c o m
a participação dessa c o m p a n h i a e m o u t r a s e os a d i a n t a -
mentos que l h e s t i n h a feito. M a i s o u m e n o s à m e s m a
época, a A s s o c i a t e d M i n e r a i s a d q u i r i u todo o c a p i t a l de
ações de T i t a n i u m M a t e r i a l s e os bens e instalações de
Rye P a r k Scheelite.
E m p r e s a s experientes como a C o n s o l i d a t e d G o l d
F i e l d s não p e r m i t e m que outros l u c r e m c o m os seus es-
forços. P o r t a n t o , " e n q u a n t o a A s s o c i a t e d M i n e r a i s a u -
m e n t a v a s u a participação acionária n a indústria do r u -
tilo — disse o presidente d a C o n s o l i d a t e d — a c h a m o s
necessário fortalecer n o s s a posição e m W y o n g M i n e r a i s ,
outro p r o duto r de r u t i l o n o q u a l a C o m m o n w e a l t h M i -
n i n g já t i n h a u m i n v e s t i m e n t o s u b s t a n c i a l . C o n s e q u e n -
temente, n o s s a subsidiária, de n o s s a i n t e i r a p r o p r i e d a -
..cS
dade, C o n s o l i d a t e d G o l d F i e l d s (Austrália) P t y L t d a .
'O rt
c o y « ,a propôs, e m fevereiro de 1962, a c o m p r a de 50 por cento
• s o 5 fr.g de todas as ações de propriedade d a W y o n g M i n e r a i s
que não per tencessem à C o m m o n w e a l t h M i n i n g I n v e s t -

i a
m e n t s , A o f e r t a teve êxito e a W y o n g M i n e r a i s é h o j e temente 36 por cento do c a p i t a l f o i oferecido aos c a n a -
u m a subsidiária pertencente a o g r u p o " . denses. O s que c o m p r a r a m ações f i c a r a m s e m dúvida
A C o n s o l i d a t e d G o l d F i e l d s m e r e c i a parabéns p e l a m u i t o satisfeitos a o saber que a participação acionária
s u a perspicácia. S u a posição n o c a m p o do r u t i l o é hoje de 28,33 p o r c e n t o q u e a N e w c o n e x C a n a d i a n E x p l o r a -
p r o e m i n e n t e . N a s p a l a v r a s do s e u presidente, " a c a p a - t i o n L t d . t e m n a exploração de M o u n t H u n d e r e será
cidade t o t a l de produção de r u t i l o d a s nossas subsidiá- p a s s a d a à c o m p a n h i a holding. U m a j a z i d a de a l t o teor
r i a s r e p r e s e n t a a g o r a quase a m e t a d e d a c a p a c i d a d e de zinco e c h u m b o ( c o m a l g u m a p r a t a ) descoberta nes-
t o t a l do m u n d o l i v r e . O p r o g r a m a de expansão que a s a região m e r i d i o n a l do Y u k o n i n s p i r o u ao p r e s i d e n t e
A s s o c i a t e d M i n e r a i s a g o r a i n i c i o u deve s u s t e n t a r essa a admissão de que e r a " m u i t o satisfatório que tão cedo
posição". Perdoar-nos-ão se o q u a l i f i c a t i v o " l i v r e " n e s s a após s u a criação a N e w c o n e x H o l d i n g s recebesse d a
f r a s e nos parecer l i g e i r a m e n t e embotado? Newconex E x p l o r a t i o n u m a p e r s p e c t i v a tão e n c o r a j a -
O rutilo é u m m a t e r i a l muito procurado, utilizado dora".
n a m a n u f a t u r a de p i g m e n t a de titânio. A p r o c u r a fêz R u m o ao s u l , e m direção aos E s t a d o s U n i d o s ,
com que o s e u preço n o m e r c a d o l i v r e a u m e n t a s s e de u m a nova companhia denominada Gold Fields Ameri-
c e r c a d e 50 por cento, no a n o f i n a n c e i r o de 1961/62. O c a n C o r p o r a t i o n f o i c r i a d a e m 1961 como subsidiária de
preço do zircônio p e r m a n e c e u estável a p e s a r dos forne- i n t e i r a propriedade d a G o l d F i e l d s M i n i n g & I n d u s t r i a l
cimentos consideravelmente aumentados. L t d . G o l d F i e l d s A m e r i c a n a s s u m i u a organização de
A sociedade c o m C y p r u s M i n e s C o r p o r a t i o n , u m a New Y o r k , c r i a d a o r i g i n a l m e n t e e m 1911, c u j a p r i n c i p a l
c o m p a n h i a de N e w Y o r k , e c o m a U t a h C o n s t r u c t i o n & função n o s últimos a n o s v i n h a sendo a de a d m i n i s t r a r
M i n i n g Co., de São F r a n c i s c o , r e s u l t o u n u m empreendi- a Tri-State Zinc Inc., da Gold Fields, e a Buell E n g i -
mento conjunto denominado Mount Goldsworthy M i - n e e r i n g Co. I n c . , a s s i m como p r e s t a r serviços de secre-
n i n g Associates, p a r a pesquisar e e x p l o r a r o p o t e n c i a l taria à Fresnillo Company.
de depósitos de minério de f e r r o no M o n t e G o l d s w o r t h y ,
A F r e s n i l l o C o m p a n y foi reorganizada e m 1961,
n o noroeste d a Austrália. A construção de u m a f e r r o v i a
ano e m que t r a n s f e r i u 5 1 por cento de s u a s d i v e r s a s
de 180 quilómetros está incluída, t e r m i n a n d o e m D e p u c h
atividades n o México p a r a Metalúrgica M e x i c a n a Peno-
I s l a n d , onde está sendo estudado u m g r a n d e porto m a -
les S . A., e m face d a c a m p a n h a do G o v e r n o m e x i c a n o
rítimo. Sir George H a r v i e - W a t t teve o p r a z e r de i n f o r -
p a r a t e r o controle doméstico dos seus p r i n c i p a i s r e c u r -
m a r aos a c i o n i s t a s d a C o n s o l i d a t e d G o l d F i e l d s que " e s -
sos básicos. U m a b e l a indenização de c i n c o milhões e
tão e m progresso negociações c o m a indústria j a p o n e s a
meio de dólares f o i c o n c e d i d a à F r e s n i l l o , a ser p a g a e m
de f e r r o e aço c o m v i s t a s a o m e r c a d o p a r a esse minério
cinco anos, p e l a cessão dessas ações à C o m p a n i a F r e s -
(do M o n t e G o l d s w o r t h y ) que segundo se p e n s a , estará
n i l l o S . A., n a q u a l t e m 4 9 p o r cento e n q u a n t o a P e -
e m condições c o m p e t i t i v a s de preço e qualidade c o m
noles t e m 5 1 . A F r e s n i l l o c o n s e r v a a i n d a u m interesse
q u a l q u e r que o Japão t e n h a a g o r a disponível".
de 55 p o r c e n t o n a S o m b e r r e t e M i n i n g C o m p a n y , que
N a s p a l a v r a s do presidente, a s operações d a c o m p a - possui o u t r a propriedade c o m ouro e p r a t a n o E s t a d o
n h i a n o Canadá d e r a m " u m nítido passo à f r e n t e " . S u a de Z a c a t e c a s , México. C o m "o f i m d a v i d a ú t i l " d a s d u a s
c o m p a n h i a subsidiária de exploração, N e w c o n e x C a n a - m i n a s d a T r i - S t a t e Z i n c e m I l l i n o i s e Virgínia, p r o -
d i a n E x p l o r a t i o n L t d . , f o i s e g u i d a de o u t r a , a New- curou-se u m s u b s t i t u t o , u m a m i n a n o v a n a área de
c o n e x H o l d i n g L t d . F o i decidido p e r m i t i r a o público New M a r k e t , e m Tennessee. T r i - S t a t e está colocando
p a r t i c i p a r de a l g u n s dos f r u t o s d a exploração dos r e - em produção e s s a m i n a segundo u m acordo d e e m p r e -
c u r s o s do país p o r e m p r e s a s e s t r a n g e i r a s e conseqúen- endimento c o n j u n t o c o m A m e r i c a n Z i n c , L e a d & S m e l t -

134 135
i n g C o , S o b esse acordo, a T r i - S t a t e extrairá e proces- D o i s outros i n s t r u m e n t o s de organização, no R e i n o
sará pelo m e n o s 20 milhões de t o n e l a d a s de minérios U n i d o , se i r r a d i a m d a d i r e t o r i a de L o n d r e s . São a A n -
contendo z i n c o , de propriedade d a A m e r i c a n Z i n c , e x i s - g l o - F r e n c h E x p l o r a t i o n Co. e M i n i n g & M e t a l l u r g i c a l
te n t e s p e r t o d a propriedade d a T r i - S t a t e e m N e w M a r - A g e n c y L t d . A n g l o - F r e n c h E x p l o r a t i o n , subsidiária de
k e t . O l u c r o obtido c o m a produção de u m a fábrica de i n t e i r a propriedade d a C o n s o l i d a t e d G o l d F i e l d s , é u m
processamento, p r e v i s t a p a r a u m a capacidade diária de e m p r e e n d i m e n t o de i n v e s t i m e n t o s e f i n a n c e i r o , m a n -
3 600 t o n e l a d a s , será distribuído n u m a proporção v a - tendo, e n t r e outros, interesses e m m u i t a s d a s p r i n c i p a i s
r i a n d o e n t r e 50 e 60 por cento p a r a T r i - S t a t e e e n t r e c o m p a n h i a s auríferas d a África do S u l . E s s e s interesses
50 e 40 por cento p a r a A m e r i c a n Z i n c , até que o c a p i t a l cobrem também m i n a s de cobre do n o r t e d a Rodésia,
t e n h a sido r e t o r n a d o , após o que os l u c r o s serão d i v i d i - a s s i m como c o m p a n h i a s m i n e r a d o r a s de e s t a n h o ope-
dos i g u a l m e n t e . r a n d o n o R e i n o U n i d o , África do S u l e E x t r e m o O r i e n t e .
A s operações d a A m e r i c a n Z i n c estão e s t r e i t a m e n t e A p e x M i n e s L t d . e Rooiberg M i n e r a i s D e v e l o p m e n t C o .
l i g a d a s à mineração e processamento de minérios de L t d . d a África do S u l e A n g l o - B u r m a T i n C o . L t d . estão
z i n c o e c h u m b o e m vários E s t a d o s n o r t e - a m e r i c a n o s . e n t r e seus clientes. A M i n i n g M e t a l l u r g i c a l A g e n c y L t d .
T e m também u m i n t e r e s s e de dez p o r cento n a U r a - foi c r i a d a p a r a s u p e r v i s i o n a r a distribuição de minérios
n i u m R e d u c t i o n C o . e de 50 p o r c e n t o n a Amerícan-Peru c a d q u i r i r s u p r i m e n t o s , a s s i m como p a r a f u n c i o n a r co-
M i n i n g Co., e n t r e várias o u t r a s f i l i a d a s e c o m p a n h i a s m e r c i a l m e n t e como agência de navegação, seguros e
de propriedade c o n j u n t a . A B u e l l E n g i n e e r i n g Co-, a agente g e r a l . C i n q u e n t a p o r cento do s e u c a p i t a l per-
o u t r a beneficiária d a G o l d F i e l d s A m e r i c a n C o r p o r a t i o n , tence à C o n s o l i d a t e d G o l d F i e l d s .
foi a j u d a d a n a expansão de s u a s instalações f a b r i s p e l a
aquisição de todas a s ações ordinárias d a U n i o n B o i l e r G o l d F i e l d s of S o u t h A f r i c a L t d . é a subsidiária de
& M a n u f a c t u r i n g Co. i n t e i r a propriedade d a C o n s o l i d a t e d G o l d F i e l d s respon-
O s i n t e r e s s e s d a C o n s o l i d a t e d G o l d F i e l d s no R e i n o sável p e l a administração d a s operações do g r u p o e m
U n i d o estão a g o r a agrupados sob a G o l d F i e l d s I n d u s - toda a África do S u l . E s t a s têm caráter m o n u m e n t a l .
t r i a l Holdings L t d . , anteriormente denominada H . E . Pois os i n v e s t i m e n t o s n a s m i n a s de ouro e p l a t i n a d a
P r o p r i e t a r y L t d . , como subsidiária de i n t e i r a proprie- A f r i c a do S u l c o n t i n u a m sendo a p r i n c i p a l propriedade
d a d e de G o l d F i e l d s M i n i n g & I n d u s t r i a l L t d . S u a s p r i n - do g r u p o d a C o n s o l i d a t e d G o l d F i e l d s e s u a p r i n c i p a l
c i p a i s operações desenvolvem-se através de s u a s pró- fonte de r e n d i m e n t o s . A 30 de j u n h o de 1961, a m i n e -
p r i a s subsidiárias, A l u m a s c L t d . , A m b u c o L t d . e M e t a - ração de ouro r e p r e s e n t a v a 7 1 p o r cento dos i n v e s t i m e n -
l i o n L t d . A l u m a s c é p r o d u t o r a de re c ip ie nt e s de alumí- tos dos grupos citados e o p r e s i d e n t e a s s e g u r a v a a o s acio-
n i o , especialmente p a r a a indústria de cerveja. E s t e n - n i s t a s que desde o término d a S e g u n d a G u e r r a M u n d i a l
deu r e c e n t e m e n t e s u a produção a g a r r a f a s de alumínio a Consolidated G o l d F i e l d s i n v e s t i r a s o m a s de c a p i t a l
de a l t a pressão p a r a usos c o m e r c i a i s . E m 1962, a A l u - no valor a p r o x i m a d o de 450 milhões de l i b r a s n a s m i n a s
m a s c , n a s p a l a v r a s do presidente d a C o n s o l i d a t e d , " a m - de ouro d a África do S u l . A exploração t e m prosseguido
p l i o u seus i n t e r e s s e s geográfica e i n d u s t r i a l m e n t e " p e l a n a África do S u l e n a Rodésia e está sendo r e a l i z a d a
aquisição de u m a subsidiária a u s t r a l i a n a , L a u r e n s o n e m íntima colaboração c o m W e s t W i t w a t e r s r a n d A r e a s
A l u m a s c H o l d i n g s L t d . , e de d u a s subsidiárias n o R e i n o L t d . , c o m p a n h i a que a C o n s o l i d a t e d G o l d F i e l d s lançou
Unido, a Non-Ferrous D i e C a s t i n g Co. L t d . e B r a s s em 1932. Desde então, W e s t W i t w a t e r s r a n d tornou-se
P r e s s i n g s ( L o n d o n ) L t d . , já estabelecidas nos r a m o s de u m a i m p o r t a n t e c o m p a n h i a s u l - a f r i c a n a de f i n a n c i a -
e s t a m p a r i a de m e t a i s não-ferrosos e latão. mento e mineração n a A f r i c a do S u l , c o m forte p a r t i c i -

136 137
pação acionária n a s m i n a s de o u r o de F a r W e s t R a n d t r o u ser, p a r a a C o n s o l i d a t e d G o l d F i e l d s , o m a i s r e n -
e Orange F r e e State. doso desde que i n i c i o u s u a s operações, r e s u l t a n d o e m
A "West W i t w a t e r s r a n d p r o d u z i u , e m 1962, ouro n o u m l u c r o consolidado,, a n t e s dos impostos, de 7 030 000
valor de m a i s de 57 milhões de l i b r a s , ou s e j a o dobro libras, e n q u a n t o , n a s próprias p a l a v r a s do presidente,
de s u a produção de dez anos a n t e s . A H a r m o n y G o l d " o u t r o p o n t o satisfatório do balanço é que dividendos e
M i n i n g Co. L t d . , n a q u a l a W e s t W i t w a t e r s r a n d t e m j u r o e x c e d e r a m a cinco milhões de l i b r a s p e l a p r i m e i r a
vez".
u m a participação de 1 247 564 ações, através de s u a sub-
sidiária W e s t w i t s I n v e s t m e n t L t d . , teve também u m a O rendimento d a Consolidated Gold F i e l d s vem p r i n -
produção recorde. c i p a l m e n t e de serviços especializados que p r e s t a a com-
A l é m desses interesses n a m i n a s de ouro e p l a t i n a p a n h i a s d e n t r o do próprio g r u p o e às que estão e m g r u -
do T r a n s v a a l e de O r a n g e F r e e S t a t e , a C o n s o l i d a t e d pos associados. V a r i a n d o consideravelmente q u a n t o ao
G o l d F i e l d s t e m s u b s t a n c i a l participação acionária n a t a m a n h o , s e u número é s u p e r i o r a c e m e a c a p i t a l i z a -
S o u t h W e s t A f r i c a Co. L t d . e, n a Rodésia, n a B a n c r o f t ção t o t a l n o m e r c a d o , d a s q u e estão r e l a c i o n a d a s n a
M i n e s L t d . , N c h a n g a C o n s o l i d a t e d Copper M i n e s L t d . e bolsa de valores, e x c e d i a de 170 milhões de l i b r a s , n o
R h o d e s i a n A n g l o A m e r i c a n L t d , . todas também n a es- f i n a l do a n o o p e r a c i o n a l de 1962 d a c o m p a n h i a . É por
fera d a Anglo A m e r i c a n Corporation. E m G a n a , a Con- esses m e i o s de i n v e s t i m e n t o e administração que r e n d i -
solidated está i n t e r e s s a d a n a K o n o n g o G o l d M i n e s L t d . , mentos m u i t o maiores são alcançados do que p r o p r i a -
que t e m u m a concessão de c e r c a de 50 quilómetros q u a - mente p e l a produção d a s m i n a s e p r o c e s s a m e n t o do m a -
drados n o d i s t r i t o de A s h a n t i - A k i m . C o m u m c a p i t a l t e r i a l b r u t o . É p o r isso q u e m u i t a s d a s m a i s i m p o r t a n -
a u t o r i z a d o de 675 m i l l i b r a s , não i n t e i r a m e n t e coberto tes c o m p a n h i a s m i n e r a d o r a s , não somente n a A f r i c a
(7 004 175 ações de u m x e l i m e m i t i d a s , de u m t o t a l de m a s p o r todo o m u n d o , f u n d i r a m - s e a empresas de p a r -
13 500 0 0 0 ) , u m l u c r o o p e r a c i o n a l de 110 587 l i b r a s f o i ticipação acionária P i n v e s t i m e n t o s p o r trás d a s q u a i s
alcançado e m 1960, elevado p a r a 130 378 e m 1961, ape- e entre a s quais f i g u r a m a s m a i s importantes persona-
s a r de u m a u m e n t o n o c u s t o o p e r a c i o n a l , p o r tonelada, gens do m u n d o bancário e f i n a n c e i r o .
de 86s.6d. p a r a 38s.2d. E m 1962, K o n o n g o G o l d M i n e s T o c a m o s a q u i levemente, a p e n a s , n a o s s a t u r a do
L t d . i n f o r m o u a o G o v e r n o de G a n a que a operação d a esqueleto d a C o n s o l i d a t e d G o l d F i e l d s . A s c a r n e s que o
K o n o n g o G o l d M i n e se t o r n a r i a antieconômica depois recobrem estão dispostas e m c a m a d a s de g o r d u r a opu-
de a b r i l de 1965. A c o m p a n h i a p r e t e n d i a , p o r t a n t o , ces- l e n t a que f o r m a r a m u m a corporação de e n o r m e p r o t u -
s a r a s operações i m e d i a t a m e n t e a n t e s desse l i m i t e . E m berância o r g u l h o s a m e n t e a d m i r a d a pelo proprietário
v i s t a d a p e r d a de empregos que isso i r i a s i g n i f i c a r , o m a s o m i n o s a p a r a o observador a f r i c a n o , m a g r o e
G o v e r n o d e c i d i u c o m p r a r a m i n a a f i m de d a r c o n t i n u i - faminto.
dade de emprego aos t r a b a l h a d o r e s ganenses. Depois de
d e m o r a d a s negociações, u m preço d e c o m p r a de 150 m i l
l i b r a s f o i pago pelo G o v e r n o de G a n a e a m i n a está
a g o r a sendo a d m i n i s t r a d a p e l a Corporação E s t a t a l de
Mineração de O u r o .
C a p i t a l i z a d a e m 15 milhões, a Consolidated G o l d
F i e l d s obteve l u c r o s consolidados, a n t e s dos impostos,
de 6 826 000 l i b r a s p a r a o a n o de 1960/61, c o m os d i v i -
dendos absorvendo 1 729 299 l i b r a s . O a n o de 1962 m o s -

138 139
8. Investimento estrangeiro
na mineração sul-aíricana

C A L C U L A - S E q u e m a i s de 50 p o r cento do c a p i t a l
i n v e s t i d o n a África f o i despejado n a África do S u l . O s
investidores britânicos a t i n g e m p r o v a v e l m e n t e u m to-
t a l de quase dois bilhões e 800 milhões de dólares e os
n o r t e a m e r i c a n o s a perto de 840 milhões. U m l e v a n t a -
m e n t o feito e m 1957 pelo G o v e r n o n o r t e - a m e r i c a n o dos
i n v e s t i m e n t o s n o u l t r a m a r m o s t r a que a área i s o l a d a
m a i s r e n d o s a e s t a v a n o negócio de mineração e f u n d i -
ção n a África do S u l , c u j o s l u c r o s são m a i s altos do que
os de q u a l q u e r i n v e s t i m e n t o comparável n o s E s t a d o s
U n i d o s . O s altos l u c r o s p o d e m ser e m g r a n d e p a r t e e x -
plicados pelo b a i x o preço d a mão-de-obra a f r i c a n a . S e -
gundo o Statistical Abstract de 1962 dos E s t a d o s U n i -
dos, os m i n e i r o s n o r t e - a m e r i c a n o s g a n h a m e m média
2,70 dólares por h o r a , o u s e j a , 27 vezes m a i s do q u e a
diária dos m i n e i r o s a f r i c a n o s .
Q u e m d o m i n a a e c o n o m i a s u l - a f r i c a n a é o grupo
A n g l o A m e r i c a n - D e B e e r s , p a r t e do império de H a r r y
O p p e n h e i m e r , q u e se estende à África do Sudoeste e
Zâmbia e está l i g a d o a c o m p a n h i a s m i n e r a d o r a s e m
m u i t o s outros E s t a d o s a f r i c a n o s . O v a l o r do império f o i

141
realçado p e l a descoberta de que o urânio pode ser pro- L t d . , e evidentemente t e m u m a procuração de observa-
duzido c o m os resíduos e a l a m a que c e r c a m a s m i n a s dor dos i n v e s t i m e n t o s dos E s t a d o s U n i d o s , que c a d a vez
de ouro. se i n f i l t r a m m a i s n a extração de matérias-primas n a
A extração de urânio de minérios de ouro e d e t r i - A f r i c a . T o d a s a s 2 3 7 1 049 ações de u m a l i b r a e m i t i d a s
tos t r o u x e a África do S u l ao l u g a r de p r i n c i p a l p r o d u - p e l a R a n d A m e r i c a n são de propriedade d a D e B e e r s
tor m u n d i a l de urânio. O processamento dos detritos I n v e s t m e n t T r u s t L t d . ( a t u a l m e n t e R a n d s e l ) , u m a sub-
a c u m u l a d o s d u r a n t e os últimos 60 anos, j u n t a m e n t e sidiária de i n t e i r a propriedade d a R a n d S e l e c t i o n C o r -
c o m os d a produção aurífera a t u a l , está a j u d a n d o a p o r a t i o n desde a recente reorganização do g r u p o R a n d .
p r o l o n g a r a v i d a de m u i t a s m i n a s de o u r o e x a u r i d a s . R a n d A m e r i c a n possui quase todas a s ações preferen-
E m 1956, oito milhões de libras-pêso de óxido de urânio c i a i s e u m interesse s u b s t a n c i a l n a s ações ordinárias
f o r a m p r o d u z i d a s n a África do S u l , dando exportações emitidas pela C e n t r a l M i n i n g & Investment Corporation
a v a l i a d a s e m 39 milhões de l i b r a s . N e s s a c i f r a não fo- L t d . , a s s i m como u m interesse s u b s t a n c i a l n o c a p i t a l
r a m consideradas a s q u a n t i d a d e s d e s t i n a d a s ao Conse- ordinário e m i t i d o pela R a n d M i n e s L t d . O elo norte-
l h o de E n e r g i a Atómica d a África do S u l , c o m o q u a l a m e r i c a n o c o n f i r m a a ligação que f o r m a o g r u p o C e n -
várias d a s m i n a s têm c o n t r a t o . O l u c r o obtido d a pro- t r a l M i n i n g - R a n d Mines.
dução de óxido de urânio está u l t r a p a s s a n d o o que dá
O s interesses d a C o n s o l i d a t e d G o l d F i e l d s e d a A n -
a extração do ouro. N a realidade, "os l u c r o s operacio-
g l o - A m e r i c a n C o r p o r a t i o n c o n v e r g e m n a H a r m o n y , onde
n a i s derivados d a extração de urânio e x c e d e r a m os d e r i -
ambos têm apreciável participação acionária. Graças ao
vados d a extração de ouro n a s 17 m i n a s p r o d u t o r a s ,
governo s u l - a f r i c a n o , a H a r m o n y c o n s e g u i u a d q u i r i r os
t o m a d a s e m c o n j u n t o , e e m cinco delas chegou a^com-
direitos de mineração subterrânea e de minérios sobre
p e n s a r a s perdas operacionais sofridas n a produção de
c e r c a de oito m i l a c r e s de terreno, a s s i m como a l i v r e
ouro".*
propriedade de f a z e n d a s cobrindo a p r o x i m a d a m e n t e o u -
H a r m o n y G o l d M i n i n g Co. L t d . é u m a d a s m a i s t r o s dez m i l a c r e s . C o m o essas propriedades e direitos
i m p o r t a n t e s c o m p a n h i a s p r o d u t o r a s de ouro e urânio e s t a v a m u m pouco a c i m a d a capacidade de H a r m o n y , f o i
dentro d a t e s s i t u r a de interesses d a A n g l o A m e r i c a n considerado rendoso vender os direitos à mineração de
C o n s o l i d a t e d G o l d F i e l d s . S e u c a p i t a l autorizado, de m e t a i s preciosos, em d u a s de s u a s áreas a r r e n d a d a s até
cinco milhões de l i b r a s , f o i coberto até o t o t a l de q u a - 1967. O s direitos p a s s a r a m a o u t r a c o m p a n h i a n o r t e -
tro milhões e meio. O s serviços e escritórios de secre- a m e r i c a n a , Virgínia O r a n g e F r e e S t a t e G o l d M i n i n g C o .
t a r i a são fornecidos à c o m p a n h i a p o r R a n d M i n e s L t d . , L t d . A remuneração d a H a r m o n y p o r esse gesto a m i s -
u m a c o m p a n h i a que p r e s t a serviços executivos, a d m i - toso p a r a a c o m p a n h i a irmã f o r a m u n s mínimos três
n i s t r a t i v o s e técnicos às c o m p a n h i a s s u l - a f r i c a n a s do milhões de l i b r a s , pagáveis t r i m e s t r a l m e n t e , s e m j u r o s .
grupo C e n t r a l M i n i n g - R a n d Mines.
A Virgínia O r a n g e coloca-nos m a i s u m a vez e m
O presidente d a H a r m o n y é P . H . A n d e r s o n , u m
c o n t a t o c o m o vínculo n o r t e - a m e r i c a n o à mineração
vice-presidente de R a n d M i n e s . O u t r o s diretores c o m u n s
s u l - a f r i c a n a , nosso p r i m e i r o exemplo sendo o S r . C . W .
são os S r s . R . E . M . B l a k e w a y e N. W . S . L e w i n . O p r e -
E n g e l h a r d , u m n o r t e - a m e r i c a n o d e m o c r a t a que, como
sidente d a R a n d M i n e s é C . W . E n g e l h a r d , que é t a m -
bém presidente d a R a n d A m e r i c a n I n v e s t m e n t s ( P t y ) presidente de E n g e l h a r d I n d u s t r i e s , refinadores de m e -
t a i s preciosos nos E s t a d o s U n i d o s , b u s c a v a s u p r i m e n t o s
c o n s t a n t e s p a r a m a n t e r s u a s fábricas t r a b a l h a n d o . E n -
* Africa do Sul, MÓNICA COLE, págs. 313/15, Methuen 1961. A
citação r e f e r e - s e a o a n o de 1 9 5 5 .
controu-os n a África do S u l , onde se l i g o u a O p p e n h e i -

142 243
mer, e m a i s tarde r a m i f i c o u suas atividades, entrando com u m empréstimo a curto prazo, sem g a r a n t i a , d a N a -
e m m e t a i s i n f e r i o r e s e outros c a m p o s de l u c r o . O S r . E n - t i o n a l F í n a n c e C o r p o r a t i o n of S o u t h África, u m a o r g a -
g e l h a r d , a c o m p a n h a n d o a i n s p i r a ç ã o do S r . O p p e n h e i - n i z a ç ã o p a r t i c u l a r c o m a q u a l os amigos d a A n g l o A m e -
m e r , e n c o n t r o u t a m b é m u m n i c h o n a s i n d ú s t r i a s de m i - r i c a n C o r p o r a t i o n do m u n d o de i n v e s t i m e n t o i n t e r n a -
n e r a ç ã o canadenses, a t r a v é s de c o m p a n h i a s sediadas e m c i o n a l e s t ã o e s t r e i t a m e n t e associados, i n c l u s i v e a C a s a
P a r i s , R o m a e L o n d r e s . A s qualidades do S r . E n g e l h a r d , M o r g a n , que t e m u m interesse f i n a n c e i r o s u b s t a n c i a l
a s s i m como seus serviços à e x t e n s ã o dos interesses n o r - n a K e n n e c o t t Copper. E n t r e as e x t e n s a s ligações d a
t e - a m e r i e a n o s n o e x t e r i o r s ã o reconhecidos pelo f a t o de Kennecott com a mineração n a África consta u m
p e r t e n c e r à Associação de P o l í t i c a E x t e r n a dos E s t a d o s i n v e s t i m e n t o de 50 p o r cento n a A n g l o v a a l R h o d e s i a n .
Unidos. I n s t r u í d a por amigos M o r g a n , a K e n n e c o t t sabe
C o m a V i r g i n i a O r a n g e , somos levados a t é a p r o x i - como c u i d a r dos seus m u i t o s negócios. A s s i m , e m consi-
m i d a d e de u m a i n f l u ê n c i a m a i o r do que a que o S r . E n - deração p e l a cessão dos seus interesses n a s m i n a s de
g e l h a r d é c a p a z de desenvolver i s o l a d a m e n t e , p e l a a s - V i r g i n i a e M e r r i e s p r u í t , deverá receber a q u a n t i a de t r ê s
sociação d a poderosa K e n n e c o t t Copper Corporation m i l h õ e s e meio de l i b r a s , pagável e m c i n c o p r e s t a ç õ e s
c o m essa c o m p a n h i a de m i n e r a ç ã o de o u r o e e x t r a ç ã o de a n u a i s . I s s o , n o e n t a n t o , n ã o desfaz, a l i g a ç ã o d a K e n n e -
u r â n i o . K e n n e c o t t t i n h a interesses n a V i r g i n i a O r a n g e , cott c o m essas v a l i o s a s propriedades de O p p e n h e i m e r -
que p a s s o u — j u n t a m e n t e c o m os que possuía n a M e r - E n g e l h a r d . Pois a corporação cuprífera norte-americana
r i e s p r u i t ( O r a n g e F r e e S t a t e ) G o l d M i n i n g Co. L t d . — t e r á d i r e i t o ao j u r o de 20 por cento, a t é o m á x i m o de
ao concern r e o r g a n i z a d o que f o i f o r m a d o e m 1961 p a r a dois milhões e meio de l i b r a s , sobre q u a l q u e r l u c r o lí-
a d q u i r i r esses interesses. A n o v a c o m p a n h i a u s a o t í - quido d a V i r g i n i a - M e r r i e s p r u i t que possa ser obtido
t u l o combinado de V i r g i n i a - M e r r i e s p r u i t ( P t y ) L t d . e depois que o p a g a m e n t o das p a r c e l a s dos t r ê s m i l h õ e s
o r e a r r a n j o lhe permitirá c u m p r i r u m importante con- e meio e s t i v e r t o t a l m e n t e q u i t a d o . E s s e d i r e i t o , n o en-
t r a t o de f o r n e c i m e n t o de u r â n i o à Comissão de E n e r g i a t a n t o , s e r á abandonado caso a K e n n e c o t t receba e m
A t ó m i c a d a A f r i c a do S u l . d a t a posterior, dos m e m b r o s d a V i r g i n i a - M e r r i e s p r u i t , 20
por cento do c a p i t a l e m ações e n t ã o e m i t i d o .
O Sr. E n g e l h a r d é membro d a diretoria da Virginia-
E s s e s são os m e i o s tortuosos a t r a v é s dos q u a i s são
Merriespruit em consequência da participação acionária
m a n t i d a s as g a r r a s f i n a n c e i r a s . É evidente que está
adquirida diretamente nesta pela s u a E n g e l h a r d Indus-
sendo m a n t i d o aberto o c a m i n h o p a r a a r e e n t r a d a d a
t r i e s of S o u t h e r n A f r i c a L t d . e s u a s ligações c o m a R a n d
K e n n e c o t t no â m a g o d a c o m p a n h i a . E n q u a n t o isso, esta
M i n e s L t d . e A n g l o A m e r i c a n C o r p o r a t i o n , que, j u n t a -
pode se b a n q u e t e a r .
m e n t e c o m d u a s o u t r a s associadas, C e n t r a m i c ( S o u t h
Africa) L t d . e Anglo T r a n s v a a l Consolidated Invest- A K e n n e c o t t é o m a i o r p r o d u t o r de cobre nos E s t a -
ment Co. L t d . f o r m a m as partes da n o v a companhia. dos U n i d o s , c u j a s ações n o m e r c a d o de " f u t u r a s " s ã o
a v a l i a d a s por operadores e x p e r i m e n t a d o s e m c e r c a de
C o n j u n t o de f i n a n c i s t a s e negociantes e m m i n a s e 1,48 bilhões de dólares, e m b o r a seu c a p i t a l a t u a l de
o u t r a s propriedades do T r a n s v a a l , a A n g l o T r a n s v a a l 11 053 051 ações s e m v a l o r n o m i n a l o u ao p a r , e m i t i d a s
t e m u m a subsidiária, A n g l o v a a l R h o d e s i a n E x p l o r a t i o n de u m t o t a l de 12 m i l h õ e s a u t o r i z a d o , t e n h a merecido
C o . ( P t y ) L t d . , que o p e r a n a R o d é s i a do N o r t e e do S u l , u m v a l o r declarado de a p e n a s 74 806 424 dólares. P o s -
i n c l u i n d o e m s u a s prospecções carvão, cobre, c r o m o e s u i d o r a de m i n a s de cobre, u s i n a s de p r o c e s s a m e n t o ,
n í q u e l . C o m c a p i t a l a u t o r i z a d o de 4 337 500 l i b r a s , n ã o fundições, r e f i n a r i a s , f á b r i c a s e f e r r o v i a s , p o s s u i acor-
i n t e i r a m e n t e coberto, a A n g l o T r a n s v a a l e s t á operando dos de f u n d i ç ã o p a r a m u i t o s de seus m i n é r i o s c o m a

144 145
A m e r i c a n S m e l t i n g & R e f i n i n g Co., c o m a q u a l p o s s u i dido, por c o n t r a t o , à Comissão de E n e r g i a Atómica dos
d u a s subsidiárias e m c o m u m . A A m e r i c a n S m e l t i n g é E s t a d o s U n i d o s . E s s a incursão d a N e w J e r s e y - K e n n e c o t t
por s u a vez p r o d u t o r a de cobre, a s s i m como de p r a t a , através d a Quebec I r o n & T i t a n i u m v a i se m o s t r a r e x -
c h u m b o , z i n c o e ouro, nos E s t a d o s U n i d o s , México, C a - t r e m a m e n t e r endo sa, pois o titânio é u m m e t a l que não
nadá e P e r u . S e u s interesses estendem-se à Austrália e se funde a velocidades supersônicas e consequentemente
à Nicarágua e t e m acordos c o m a C e r r o C o r p o r a t i o n , está sendo m u i t o p r o c u r a d o p a r a os aviões a jato. A
N e w m o n t M i n i n g C o r p o r a t i o n e P h e l p s Dodge Corpo- Grécia também f i g u r a n a esfera de interesses d a K e n -
necott, que p o s s u i 95 por cento d a K e n b a s t o s M i n i n g
r a t i o n , todas a s q u a i s p o s s uem i n v e s t i m e n t o s s u b s t a n -
Co., p r o d u t o r a de a m i a n t o . N a África O c i d e n t a l , p o s s u i
c i a i s e m projetos de mineração sul-afrícanos, i n c l u s i v e
76 p o r c e n t o do c a p i t a l d a T i n & A s s o c i a t e d M e t a l s L t d . ,
a T s u m e b C o r p o r a t i o n of S o u t h A f r i c a .
operando u m a propriedade contendo colúmbio e e s t a -
A indústria química n o r t e - a m e r i c a n a e n t r a n o n h o , no n o r t e d a Nigéria. O colúmbio dessa m i n a cons-
c a m p o de operações d a K e n n e c o t t através de u m e m - t i t u i a m a i o r p a r t e d a produção m u n d i a l de nossos dias.
preendimento conjunto com a importante Allied Che-
Nosso e x a m e d a H a r m o n y G o l d M i n i n g C o . L t d . nos
mical & D y e Corporation. A Allied-Kennecott T i t a n i u m
levou longe pelo m u n d o , a regiões de poder e prodigiosa
C o r p o r a t i o n deverá p r o d u z i r e vender o m e t a l titânio e
r i q u e z a . I s s o parece inevitável q u a n d o cemeçamos a
c o n s t r u i u u m a instalação-pilôto. O u t r o avanço f o i feito
a c o m p a n h a r os interesses e x t e r n o s que i n t e r l i g a m a e x -
c o m a aquisição de 25 p o r cento d a W e s t e r n P h o s p h a t e s
ploração d a África c o m m u i t a s o u t r a s p a r t e s do globo.
C o r p o r a t i o n of A m e r i c a e 50 por cento d a G a r f i e l d C h e -
V o l t a n d o à H a r m o n y , é i m p r e s s i o n a n t e n o t a r que essa
m i c a l & Manufaeturing Corporation. Houve u m a r a m i -
c o m p a n h i a , possuindo u m a u s i n a de redução de ouro c a -
ficação n a exploração de m i n e r a l n o B r a s i l e n o México
paz de t r a t a r 200 m i l t o n e l a d a s m e n s a i s de minério,
c o m d u a s subsidiárias, K e n r a n d P e s q u i s a s M i n e r a i s
também ostente u m a instalação de extração de urânio
S . A . (60 por cento de propriedade d a K e n n e c o t t ) e C i a .
c u j a c a p a c i d a d e m e n s a l é de 120 m i l to nel adas. E s t a
K e n m e x S . A . , r e s p e c t i v a m e n t e . O u t r a subsidiária, B r a -
u s i n a começou a operar e m a b r i l de 1955. L i g a d a a e l a
d e n C o p p e r Co., e x p l o r a u m a propriedade cuprífera n o
há u m a fábrica de ácido sulfúrico c o m a capacidade
Chile.
diária de 120 toneladas, que i n i c i o u a produção e m j a -
A expansão p a r a o Canadá através d a Quebec C o - n e i r o de 1960.
l u m b i u m L t d a . , f o r m a d a p e l a K e n n e c o t t c o m a Molyb- A u s i n a de extração de urânio f o i construída sob
d e n u m C o r p o r a t i o n of A m e r i c a p a r a p e s q u i s a r u m a p r o - acordo feito c o m o E x p o r t - I m p o r t B a n k de W a s h i n g t o n
priedade contendo colúmbio perto de M o n t r e a l , e a e o Ministério de S u p r i m e n t o s d a Grã-Bretanha. U m
Quebec I r o n & T i t a n i u m C o r p o r a t i o n , que é dois terços empréstimo f o i obtido c o m a Comissão d e E n e r g i a Ató-
de propriedade d a K e n n e c o t t e u m terço d a N e w J e r s e y m i c a d a África do S u l p a r a todo o c a p i t a l de c u s t o d a
Z i n c C o . E s t a última c o m p a n h i a está l i g a d a à g r a n d e fábrica, exceto q u a n t o à c a p a c i d a d e de a u m e n t o d a
organização de petróleo T e x a c o I n c . e m u m a e m p r e s a produção m e n s a l de 80 m i l t o n e l a d a s p a r a 120 m i l . A
conjunta, a Texas-Zinc Minerais Corporation, p a r a c o m p a n h i a t e m c o n t r a t o c o m a Agência de D e s e n v o l -
a construção e operação de u m a u s i n a de proces- v i m e n t o c o m b i n a d a , a s s i m como c o m a a u t o r i d a d e b r i -
s a m e n t o de urânio e m U t a h . U m a m i n a de urânio tânica, i s o l a d a m e n t e , p a r a s u p r i r várias q u a n t i d a d e s de
e m U t a h f o i a d q u i r i d a e m 1956 e a u s i n a i n i c i o u ope- urânio a preços f i x o s , segundo acordos que l h e p e r m i -
rações e m 1957, t r a t a n d o também minérios de o u t r a s tirão, s e m i n c o r r e r e m no vo s custos, co br i r até j u n h o
proveniências. O c o n c e n t r a d o d e urânio produzido é v e n - de 1965 os gastos de c a p i t a l investido n a fábrica.

146 147
D u r a n t e o a n o e n c e r r a d o a 30 de j u n h o de 1 9 6 1 , a
H a r m o n y processou u m t o t a l de 2 116 000 toneladas de
minério, que p r o d u z i r a m 857 794 onças de ouro f i n o ,
d a n d o u m r e n d i m e n t o de operação de 10 810 496 l i b r a s
e s t e r l i n a s e u m l u c r o o p e r a c i o n a l de 4 090 677 l i b r a s ;
2 0 6 7 1 0 0 t o n e l a d a s de detritos t r a t a d o s f o r n e c e r a m
974 349 l i b r a s (peso) de óxido de urânio, d a n d o u m l u -
c r o o p e r a c i o n a l estimado, de urânio, p i r i t a s e ácido, de
2 680 233 l i b r a s e s t e r l i n a s .
O s balanços dos seis meses s e gu int e s , até o f i n a l de
1961, m o s t r a r a m que 2 285 000 t o n e l a d a s de minério
processado d e r a m u m a produção de ouro n o v a l o r de 9 - Anglo American
4 458 177 l i b r a s e s t e r l i n a s . O t r a t a m e n t o de 2 1 3 8 300
t o n e l a d a s de detritos p r o d u z i u 953 100 l i b r a s (peso) de
Corporalion Limited
óxido de urânio, dando u m l u c r o o p e r a c i o n a l , de urâ-
n i o , p i r i t a s e ácido, de 2 284 647 l i b r a s e s t e r l i n a s . P a r a
o a n o de operações 1961/62, o dividendo pago f o i de 55,5
por cento. O l u c r o líquido n o a n o de 1960/61 foi de
6 674 739 l i b r a s e s t e r l i n a s e os dividendos pagos re p re -
s e n t a r a m 2 497 500 l i b r a s . I s s o tudo pode ser conside- O M A I O R polvo n o m a r de operações d a O p p e n h e i -
r a d o e x t r e m a m e n t e satisfatório p a r a a c i o n i s t a s de u m mer é provavelmente a Anglo A m e r i c a n Corporation
c a p i t a l i n t e i r a m e n t e i n t e g r a l i z a d o de q u a t r o milhões L t d . S e u s i n v e s t i m e n t o s são e m e s c a l a t r i p l i c a d a e a
e meio de l i b r a s e s t e r l i n a s . l i s t a dos p r i n c i p a i s dá a p e n a s u m a v a g a i d e i a de s e u
O s S r s . E n g e l h a r d e O p p e n h e i m e r devem t e r u m a a l c a n c e considerável. A l i s t a contém participações m a i s
deferência t o d a especial p a r a c o m seus amigos do E x - o u m e n o s d i r e t a s e não i n c l u i os holdings mais intrin-
p o r t - I m p o r t B a n k p e l a s u a p r o n t a a j u d a a esse empre- cados q u e mantém e m c o m u m o u através d e subsidiá-
e n d i m e n t o , n u m país que e s c a rne c e dos direitos h u m a - r i a s e o u t r o s e m u m a extensão de i nter esses que a t i n g e
nos dos s e us h a b i t a n t e s que não s e j a m b r a n c o s . E s s a a i n d a m a i s longe. T e n d o c o m o c a m p o p r i n c i p a l a m i -
f a c i l i d a d e de assistência, se fosse e s t e n d i d a às nações no- neração, esses interesses n o e n t a n t o s e r a m i f i c a m e m
v a s m e n o s desenvolvidas do c o n t i n e n t e p o r u m a orga- processamento, t r a n s p o r t e e comunicações, concessões
de t e r r a s e propriedades, s i l v i c u l t u r a e indústria m a d e i -
nização bancária i n t e r n a c i o n a l , a j u d a r i a a d i m i n u i r a
r e i r a , a s s i m como e m projetos de hídrelétricas c o m o a
b r e c h a que as nações desenvolvidas estão c o n s t a n t e -
C o n g o B o r d e r P o w e r C o r p o r a t i o n , d a Rodésia.
m e n t e r e p r o v a n d o m a s que, por esses meios f u r t i v o s ,
p r e s t a m - s e a a l a r g a r entre a s nações que " t ê m " e as que O u r o , urânio, ferro, a m i a n t o e m i n a s de carvão es-
"não t ê m " . tão entre os e m p r e e n d i m e n t o s m a i s destacados d a cor-
poração n a A f r i c a do S u l , f o r m a n d o a sólida base e m
q u e se s u s t e n t a o império O p p e n h e i m e r . A mineração
do cobre é s u a ocupação p r i n c i p a l n a s Rodésias, e m b o r a
também e x p l o r e o c h u m b o , z i n c o e cádmio e t e n h a a
distinção de ser o único p r o d u t o r de carvão n a Rodésia,
onde c o n t r o l a a "Wankie C o l l i e r y . Através de c o m p a n h i a s
148

149
a s s o c i a d a s , seus i n t e r e s s e s esfcendem-se a T a g a n i c a , West R a n d Investment T r u s t L t d .
U g a n d a , Congo, A n g o l a , Moçambique, África O c i d e n t a l S o u t h W e s t A f r i c a Co. L t d .
e m e s m o ao S a a r a e A f r i c a do N o r t e , como pode ser
visto p e l a seguinte l i s t a de i n v e s t i m e n t o s d i r e t o s : Minas de diamante

D e B e e r s Consolidated M i n e s L t d .
Companhias de finanças e investimentos C o n s o l i d a t e d D i a m o n d M i n e s of S o u t h W e s t A f r i c a
Ltd.
A f r i c a n & E u r o p e a n I n v e s t i m e n t Co. L t d . New J a g e r s f o n t e i n M i n i n g & E x p l o r a t i o n Co. L t d .
African Loans & Investment L t d . Diamond Abrasive Products Ltd.
Anglo A m e r i c a n I n v e s t m e n t T r u s t L t d . D i a m o n d D e v e l o p m e n t Co. of S o u t h A f r i c a ( P t y )
A n g l o A m e r i c a n Rhodesian Development Corpora- Ltd.
tion L t d . Philmond (Pty) Ltd.
C e n t r a l Reserves (Pty) L t d . P r e m i e r ( T r a n s v a a l ) D i a m o n d M i n i n g Co. L t d .
C e n t r a l Reserves Rhodesia ( P t y ) L t d . Williamson Diamonds L t d .
Consolidated Mines (Investment) L t d .
C o n s o l i d a t e d M i n e s S e l e c t i o n Co. L t d . Minas de carvão
Consolidated M i n e s S e l e c t i o n ( J o h a n n e s b u r g ) L t d .
De Beers Holdings L t d . A m a l g a m a t e d C o l l i e r i e s of S o u t h A f r i c a L t d .
De Beers Investment T r u s t L t d . Bleebok Collieries L t d .
D e Beers Rhodesia Investments L t d . C o r o n a t i o n Collieries L t d .
Epoch Investments L t d . Natal Coal Exploration L t d .
Jameson M i n i n g Holdings ( P t y ) L t d . N a t a l C o a l E x p l o r a t i o n Co. L t d .
Lydenburg Estates L t d . New L a r g o C o l l i e r y L t d .
Orange Free State Investment L t d . South African Coal Estates (Witbank) Ltd.
New C e n t r a l W i t w a t e r s r a n d Areas L t d , Sprtngbok Colliery L t d .
New E r a Consolidated L t d . New Schoongezicht C o l l i e r y
Overseas & R h o d e s i a n I n v e s t m e n t C o . L t d . Cornelia Colliery L t d .
R a n d American Investments (Pty) Ltd. Springfield Collieries L t d .
R a n d Selection Corporation L t d . T r a n s v a a l Coal Corporation L t d .
Rhodesian Acceptances L t d . Vierfontein Coal Holdings L t d .
Rhodesian Anglo American L t d . Vierfontein Colliery L t d .
Rhodes Investments L t d . Vryheid Coronation L t d .
S o u t h A f r i c a Mines Selection L t d . W a n k i e . C o l l i e r y Co. L t d .
S o u t h A f r i c a n T o w n s h i p s , M i n i n g & F i n a n c e Cor- W i t b a n k Coal Holdings L t d .
poration L t d .
Minas de cobre
T r a n s v a a l V a n a d i u m Holdings L t d .
Vereeniging Estates L t d .
Brancoft Mines L t d .
W e s t e r n U i t r a Deep L e v e i s L t d .
K a n s a n s h i Copper M i n i n g Co. L t d .

150 151
N c h a n g a C o n s o l i d a t e d Copper M i n e s L t d . B o r d e r E x p l o r a t i o n & D e v e l o p m e n t Co. ( P t y ) L t d .
R h o d e s i a Copper R e f i n e r i e s L t d . D e Beers Prospecting (Rhodesian Areas) L t d .
R h o k a n a Corporation L t d . K a f f r a r i a n Metal Holdings ( P t y ) L t d .
Kalindini Exploration Ltd.
Minas de ouro Kasempa Minerais L t d .
L u n g a Exploration Ltd.
B r a k p a n Mines L t d . Prospecting & Mineral Interests L t d .
Daggafontein Mines L t d . S w a z i l a n d R i f t E x p l o r a t i o n Co. L t d .
E a s t Daggafontein Mines L t d . W e s t e r n R i f t E x p l o r a t i o n Co. L t d .
Free State Geduld Mines L t d .
J e a n n e t t G o l d Mines L t d . Industriais e diversos
P r e s i d e n t B r a n d G o l d M i n i n g Co. L t d .
S o u t h A f r i c a n L a n d & E x p l o r a t i o n Co. L t d .
Anglo A m e r i c a n (Rhodesian Services) L t d .
Spring Mines L t d .
Anglo Collieries R e c r u i t i n g Organization ( P t y ) L t d .
V a a l R e e f s E x p l o r a t i o n & M i n i n g Co. L t d . B o a r t & H a r d Metal Products (Rhodesia) L t d .
W l k o m G o l d M i n i n g Co. L t d . B o a r t & H a r d M e t a l P r o d u c t s S . A. L t d .
Western Deep Leves L t d . Clay Products L t d .
Western Holdings L t d . Easan Electrical (Pty) Ltd.
Western Reefs E x p l o r a t i o n & Development Co. L t d . Electro Chemical Industries Ltd.
P r e s i d e n t S t e y n G o l d M i n i n g Co. L t d . F o r e s t I n d u s t r i e s & Veneers L t d .
F r e e S t a t e S a i p l a a s G o l d M i n i n g Co. L t d . Hansens Native Labour Organization ( P t y ) L t d .
H a r d Metals L t d .
Outras minas
I n t e r - M i n e S e r v i c e s O. F . S . ( P t y ) L t d .
H i g h v e l d D e v e l o p m e n t Co. L t d . Lourenço M a r q u e s F o r w a r d i n g Co. L t d .
I r o n D u k e M i n i n g Co. L t d . Northern Rhodesia Aviation Services L t d .
K i n g E d w a r d (Cuperiferous) Pyrite Peak Timbers L t d .
M o n a s i t e & M i n e r a l V e n t u r e s L t d . (Solos r a r o s ) .
P e a r l m a n Veneers ( S . A.) L t d .
M u n n i k M y b u r g h C h r y s o t i l e Asbestos L t d .
Rhoanglo Mine Services L t d .
Rhochrome Ltd. Rhodesia Congo Border Power Corporation L t d .
Rhodesia B r o k e n H i l l Development C o . L t d . R h o d e s i a Copper P r o d u c t s L t d .
T r a n s v a a l Manganese ( P t y ) L t d . Rhodesian Steel Developments ( P t y ) L t d .
T r a n s v a a l V a n a d i u m Co. ( P t y ) L t d . Stone & A l l i e d I n d u s t r i e s ( O . F . S.) L t d .
Umgababa Minerais L t d . (Ilmenita, rutilo e zin- Veneered Plywoods L t d .
cônio). Zinc Products L t d .
V e r e e n i g i n g B r i c k & T i l e Co. L t d .
fêrrenos e propriedades
Prospecção
A n g l o A m e r i c a n P r o s p e c t i n g Co. L t d . A n g l o A m e r i c a n ( O . F . S.) H o u s i n g Co. L t d .
Anglo American Rhodesian Mineral Exploration Ánmercosa L a n d & E s t a t e s L t d .
Ltd. Cocilia P a r k (Pty) L t d .

752 153
Falcon Investiments Ltd. p a r a u m extenso número de c o m p a n h i a s de mineração
Orange F r e e S t a t e L a n d & E s t a t e Co. ( P t y ) L t d . c i n v e s t i m e n t o s que c a e m no s e u a m p l o perímetro. E m
s u a s capacidades e x e c u t i v a , a d m i n i s t r a t i v a e s e c r e t a r i a l ,
Prestin (Pty) Ltd.
também a r r u m a a v i d a f i n a n c e i r a de m u i t a s empr esas
Welkon T o w n s h i p Co. que estão sob o s seus c u i d a d o s .
É i n t e r e s s a n t e n o t a r que d u a s e n t r e a s c o m p a n h i a s A l i s t a a p r e s e n t a d a i n d i c a a p e n a s os pontos m a i s
se d e d i c a m a c o n t r a t a r "mão-de-obra n a t i v a " : a A n g l o salientes dos inúmeros interesses d a A n g l o A m e r i c a n e
Collieries R e c r u i t i n g Organization ( P t y ) L t d . e a H a n s - sc os fôssemos e x a m i n a r d e t a l h a d a m e n t e n o s e n c o n t r a -
ens Native L a b o u r Organization ( P t y ) L t d . R e c r u t a r ríamos e m meio a u m intrincadíssimo c o m p l e x o de a r -
t r a b a l h a d o r e s p a r a a s m i n a s s u l - a f r i c a n a s íoi s e m p re térias e tendões. M u i t o s dos e m p r e e n d i m e n t o s não são
u m p r o b l e m a absorvente, ligado ao q u a l se desenvolveu somente i m p o r t a n t e s e m s i mesmos, m a s t ê m i m p l i c a -
há m u i t o tempo u m a organização eficiente p a r a i m p o r - ções f o r m a n d o a t e s s i t u r a que u n e o m u n d o m i n e r a d o r ,
t a r operários não a p e n a s d a s r e s e r v a s d a própria África I n d u s t r i a l e f i n a n c e i r o d a África a o do r esto do p l a n e t a .
do S u l , m a s também dos protetorados, d a s Rodésias e Organizações como a R a n d S e l e c t i o n C o r p o r a t i o n , U n i o n
Niasalândia. H á acordos a longo p r a z o c o m as a u t o r i - Corporation, R h o k a n a Corporation L t d . e determinadas
dades de colónias p o r t u g u e s a s , p a r t i c u l a r m e n t e Moçam- o u t r a s p a r t i c i p a m de u m c o n j u n t o e x c l u s i v i s t a e a u t o -
bique, p a r a o r e c r u t a m e n t o d e mão-de-obra a f r i c a n a perpetuador, A interação e interpenetração de interês-
p a r a o t r a b a l h o n a s m i n a s d a A f r i c a do S u l . K C S é u m a característica p r e d o m i n a n t e r e s s a l t a n d o a
A execução do apartheid através d a criação de Ban- n a t u r e z a monopolística d a indústria de mineração d a
tustans, como a q u e f o i r e c e n t e m e n t e r e a l i z a d a n o A f r i c a , c u j o s líderes são os árbitros poderosos do cres-
T r a n s k e i , forçará os chefes, sob coação, a fornecer q u a n - cimento i n d u s t r i a l do c o n t i n e n t e , especialmente ao s u l
tidades c a d a vez m a i o r e s de h o m e n s p a r a as m i n a s . Há do S a a r a . N ã o é difícil compreender como, c o m essa s i -
a g o r a u m p l a n o de suspender o emprego de t r a b a l h a - tuação, eles e seus associados e f i n a n c i a d o r e s europeus
dores de Zâmbia, Rodésia e M a l a w i e m e s m o dos prote- o norte-americanos p o s s u e m u m a influência pr edo mi -
torados. Pode b e m ser que p e n s e m que esses h o m e n s n a n t e sobre a orientação política dos respectivos gover-
estarão infeccionados c o m a "doença" do n a c i o n a l i s m o nos e m relação ao cenário a f r i c a n o .
e portanto s i g n i f i c a r i a m l e n h a n a fogueira d a inquieta-
ção que f o i a c e s a n a própria África do S u l . É s i g n i f i c a - U m olhar à R a n d S e l e c t i o n C o r p o r a t i o n L t d . , por
tivo que os a f r i c a n o s de Moçambique têm a i n d a direito exemplo, nos l e v a i m e d i a t a m e n t e a u m dos p r i n c i p a i s
ao privilégio de e n r i q u e c e r os proprietários d a s m i n a s i n s t r u m e n t o s d a A n g l o A m e r i c a n C o r p o r a t i o n n a ope-
d a África do S u l c o m o s e u t r a b a l h o e não menos a A n - ração do s e u v a s t o império. R a n d t r a z i m e d i a t a m e n t e
glo A m e r i c a n C o r p o r a t i o n . à memória a visão d a s c o r r i d a s febris dos d i a m a n t e s e
E s t a c o m p a n h i a f o i i n c o r p o r a d a e m 1917 p a r a r e u - ÚO ouro q u e s e g u i r a m os a v e n t u r e i r o s de C e c i l R h o d e s
n i r n u m e r o s a s c o m p a n h i a s m i n e r a d o r a s , de i n v e s t i m e n t B C U irmão no f i m d a década i n i c i a d a e m 1870. A b r i g a
tos e i n d u s t r i a i s , já c o n t r o l a d a s pelo S r . H a r r y O p p e n - do R h o d e s c o m os bóeres f o i por c a u s a d a l u t a p a r a pe-
h e i m e r e p a r a levá-las a u m a organização m a i s c o m p a c t a n e t r a r n o i n t e r i o r e c h e g a r a o o u r o de W i t w a t e r s r a n d .
c o m o u t r o s i n t e r e s s e s c o m o o S r . C. W . E n g e l h a r d , pre- l u a liderança política f o i a s s u m i d a p a r a se t o r n a r o r e i
sidente d a R a n d M i n e s , K e n n e c o t t Copper C o r p o r a t i o n dft r i q u e z a m i n e r a l que f o r a descoberta. S e g u n d o o p a -
e o u t r a s associadas. Como guardiã desses interesses, a f t e e r d a comissão i n s t a l a d a n a cidade do C a b o p a r a e x a -
A n g i o A m e r i c a n age como g e r e n t e técnico e secretário m i n a r a participação de R h o d e s n o f a m o s o Jameson

154 155
raid, foi " n a s u a c a p a c i d a d e de controlador d a s três A m e r i c a n até p r i m e i r o de o u t u b r o de 1970, e m u m a base
g r a n d e s sociedades anónimas, a B r i t i s h S o u t h A f r i c a p o r c e n t u a l m a i s elevada. A ampliação d a R a n d Selec-
Company, a D e Beers Consolidated Mines e a G o l d Fields t i o n f o i efetivada p e l a contribuição de empréstimos,
of S o u t h A f r i c a , q u e êle d i r i g i u e c o n t r o l o u a c o m b i n a - ações e d i n h e i r o p a r a a D e B e e r s I n v e s t m e n t T r u s t p e l a
ção que t o r n o u u m processo t a l como o Jameson raid A n g l o A m e r i c a n , subsidiárias d a B r i t i s h S o u t h A f r i c a
possível". Co., C e n t r a l M i n i n g & I n v e s t m e n t s C o r p o r a t i o n L t d . , D e
O Jameson raid l i q u i d o u p o l i t i c a m e n t e R h o d e s n a B e e r s Consolidated M i n e s L t d . e J o h a n n e s b u r g Conso-
África do S u l . F o i então que êle se v o l t o u p a r a o que l i d a t e d I n v e s t m e n t C o . L t d . , a q u e m se j u n t a r a m a c o m -
é hoje a Rodésia, onde t o r n o u a B r i t i s h S o u t h A f r i c a p a n h i a s u l - a f r i c a n a c o n t r o l a d a pelos n o r t e - a m e r i c a n o s
C o m p a n y a potência n a c i o n a l que t e m sido desde então. E n g e l h a r d H a n o v i a I n c . e I n t e r n a t i o n a l N i c k e l C o . of
E o controle dos a s s u n t o s políticos pelas g r a n d e s com- C a n a d a L t d . , c o n t r o l a d a pelos grupos n o r t e - a m e r i c a n o s
binações de f i r m a s m i n e r a d o r a s não se a b a t e u , sob q u a l - R o c k e f e l l e r - M o r g a n . A R a n d Selection, então, a d q u i r i u
q u e r aspecto, desde então. A n t e s se i n t e n s i f i c o u , até o todo o c a p i t a l e m i t i d o d a D e B e e r s I n v e s t m e n t T r u s t
ponto e m que c o n s t i t u e m a s potências que c o n t r o l a m e m t r o c a de s u a s próprias ações p a r a os a c i o n i s t a s do
e d i r i g e m os a s s u n t o s , não a p e n a s n a África m a s , p e l a Investment Trust.
s u a integração a o u t r a s formidáveis combinações n a E u -
C o m esse a r r a n j o , a D e B e e r s I n v e s t m e n t tornou-se
r o p a e América, e x e r c e m grande influência também nes-
u m a subsidiária de i n t e i r a propriedade d a R a n d Selec-
ses c o n t i n e n t e s e p o r t a n t o i n t e r n a c i o n a l m e n t e .
tion. P o r o u t r o lado, c o m a aquisição de s u a p a r t i c i p a -
A D e Beers e a Gold Fields permanecem. Os anos ção acionária n a R a n d S e l e c t i o n , D e B e e r s t e m a g o r a
decorridos, n a t u r a l m e n t e , p r e s e n c i a r a m u m a m u l t i p l i - a m a i o r i a d a s 33 085 365 ações e m i t i d a s p e l a R a n d e
cação d a a b e r t u r a de m i n a s e de s u a exploração, a c o m - I n t e i r a m e n t e pagas, dos 3 5 milhões de ações a u t o r i z a -
p a n h a d a de u m a c o n s t a n t e adaptação de s e u s a r r a n j o s dos p a r a c o n s t i t u i r o s e u c a p i t a l de 8 270 000 l i b r a s es-
financeiros. A Gold Fields entrou p a r a a periferia d a t e r l i n a s . É i n t e i r a m e n t e óbvio q u e os empréstimos e o
R a n d Selection Corporation, m a s a i n d a controla dentro d i n h e i r o a d i a n t a d o à de B e e r s pelas c o m p a n h i a s a c i m a
do s e u próprio g r u p o de c o m p a n h i a s a produção e dis- r e l a c i o n a d a s t i v e r a m a f i n a l i d a d e de l h e p e r m i t i r f a c i -
tribuição d a m a i o r i a dos d i a m a n t e s do m u n d o . l i t a r a própria ampliação e a d a R a n d .
P o r direitos próprios, a R a n d S e l e c t i o n p o s s u i c e r c a
de 14 890 a c r e s de p r o p r i e d a d e l i v r e e m a l g u m a s d a s Como r e s u l t a d o d a implementação, e m 1962, do r e -
m a i s r i c a s áreas de mineração d a África do S u l . A com- m a n e j a m e n t o acertado a D e B e e r s I n v e s t m e n t é a g o r a
p a n h i a c r i o u vários d i s t r i t o s , n o s q u a i s mantém d i r e i - conhecida como R a n d s e l I n v e s t m e n t s L t d . S u a s três
tos de a r r e n d a m e n t o d e a l t o v a l o r . A l g u n s desses d i r e i - subsidiárias de propriedade i n t e g r a l , R a n d A m e r i c a n
tos estão assegurados através de u m interesse de 92 por Investments ( P t y ) L t d . , Rhodes Investments L t d . e J a -
cento n a S o u t h A f r i c a n T o w n s h i p s , M i n i n g & F i n a n c e meson M i n i n g H o l d i n g s ( P t y ) L t d . , estão a g o r a conso-
C o r p o r a t i o n L t d . , e s u a s subsidiárias d e p r o p r i e d a d e i n - lidadas n a organização R a n d S e l e c t i o n . A s d u a s c o m p a -
tegral, A f r i c a n Gold & Base Metals Holdings L t d . , Ce- n h i a s holding, R a n d Selection e Randsel, p a r t i c i p a r a m
cília P a r i s ( P t y ) L t d . e D e w h u r s t F a r m s L t d . também e m 1962 d a ampliação de o u t r a criação anglo-
A R a n d S e l e c t i o n é, n o e n t a n t o , u m a subsidiária n o r t e - a m e r i c a n a , a C o n s o l i d a t e d M i n e s S e l e c t i o n Co.
d a A n g l o A m e r i c a n , sob c u j a direção s e u c a m p o de ação L t d . , r e g i s t r a d a n o R e i n o U n i d o e m 1897, c u j o s i n t e -
f o i a m p l i a d o , no f i n a l de 1960, p a r a l h e p e r m i t i r p a r - resses cobrem a s p r i n c i p a i s a t i v i d a d e s m i n e r a d o r a s d a
t i c i p a r de q u a l q u e r negócio empreendido p e l a A n g l o Aírlca m e r i d i o n a l .

156 157
Os bens d a Consolidated M i n e s elevaram-se s u b i t a - & Co., c o m q u e m a A n g i o A m e r i c a n C o r p o r a t i o n t e m
mente a 15 milhões de l i b r a s p e l a aquisição, de c o m p a - por longo tempo se associado n a indústria do carvão".
n h i a s dentro d a esfera d a A n g l o A m e r i c a n , de p a r t i c i - Os a r r a n j o s c o n t r a t u a i s c o m a A n g l o A m e r i c a n g a -
pações acionárias n o v a l o r de m a i s de dez e meio m i - r a n t i r a m à R a n d S e l e c t i o n a participação e m n u m e r o -
lhões de l i b r a s e s t e r l i n a s d a B r i t i s h S o u t h A f r i c a Co., sos m e l h o r a m e n t o s de propriedades n o c e n t r o de J o a -
C e n t r a l M i n i n g & I n v e s t m e n t C o r p o r a t i o n L t d . e Selec- nesburgo. A s d u a s também se e m p e n h a r a m , de mãos
t i o n T r u s t L t d . , a s s i m como de participações menores dadas, n a s e x t e n s a s a t i v i d a d e s de prospecção d a A n g l o
em B a y H a l l Trust L t d . e Rhodesian Anglo American A m e r i c a n e e m certos projetos de desenvolvimento. E n -
L t d . E m t r o c a d a cessão de s u a s ações, a s c o m p a n h i a s t r e eles estão a s explorações sobre a v i a b i l i d a d e do com-
p a r t i c i p a n t e s a d q u i r i r a m ações d a Consolidated M i n e s plexo ígneo de bushveld d a África do S u l .
S e l e c t i o n Co. L t d . É r e a l m e n t e aí, n a A n g l o A m e r i c a n , que se encon-
A o mesmo tempo, a R a n d S e l e c t i o n a s s u m i u , e m tra a estrutura industrial e financeira mais ramificada
associação c o m A n g l o A m e r i c a n , C o n s o l i d a t e d M i n e s S e - d a África, poderosa e d o m i n a d o r a , a organização que
l e c t i o n e c o m p a n h i a s f i l i a d a s , u m a opção de c o m p r a de g o v e r n a o destino de m u i t o s milhões n o c o n t i n e n t e e
400 m i l ações d a H u d s o n B a y M i n i n g & S m e l t i n g C o . estende s u a influência ao u l t r a m a r . C o m o todos os m o -
L t d . , u m a d a s três p r i n c i p a i s c o m p a n h i a s m i n e r a d o r a s nopólios, a A n g l o A m e r i c a n n u n c a está s a t i s f e i t a c o m
de cobre e ouro do Canadá, c o n t r o l a d a p e l a finança as f r o n t e i r a s a t u a i s do s e u império e está sempre pro-
n o r t e - a m e r i c a n a . O exercício dessa opção foi tornado c u r a n d o extensões, e m p a r t e porque não pode p e r m i t i r
possível p o r empréstimos l e v a n t a d o s n a América do que a u l t r a p a s s e m . Daí e s t a r c o n t i n u a m e n t e desenvol-
N o r t e , p r o v a v e l m e n t e dos mesmos interesses que se e n - vendo u m p r o g r a m a previdente de prospecção e m m u i -
c o n t r a m por trás d a H u d s o n B a y M i n i n g . tas p a r t e s d a África e outros l u g a r e s , a f i m de l o c a l i z a r
fontes n o v a s de recursos m i n e r a i s que p o s s a m ser e x -
A s operações d a R a n d S e l e c t i o n c o i n c i d e m também ploradas com lucro.
com a s d a Anglo A m e r i c a n n a muito importante S w a -
z i l a n d I r o n O r e D e v e l o p m e n t Co. L t d . , que fechou c o n -
t r a t o s c o m dois i m p o r t a n t e s produtores de aço japone-
ses, V a w a t a I r o n & S t e e l C o . L t d . e F u j i I r o n & S t e e l
Co. L t d . , a s s i m c o m o a G e n e r a l O r e I n t e r n a t i o n a l C o r -
p o r a t i o n , p a r a l h e s vender 12 milhões de toneladas de
m i n é r i o de ferro d u r a n t e u m período de a p r o x i m a d a -
m e n t e dez anos.
A Anglo A m e r i c a n permitiu à R a n d Selection par-
t i c i p a r da compra, à B r i t i s h Coated B o a r d & Paper Mills
L t d . , u m a f i r m a do R e i n o U n i d o , de u m a grande p a r t i -
cipação acionária n a S o u t h A f r i c a n B o a r d M i l l s L t d .
" E s s a c o m p a n h i a — declarou o S r . H . F . Oppenheimer
e m s e u relatório à 7 1 . assembléia-geral a n u a l d a R a n d
a

S e l e c t i o n C o r p o r a t i o n L t d . , e m J o a n e s b u r g o , n o d i a 26
de fe-vereiro de 1963 — é u m a das de m a i o r c r e s c i m e n t o
n a A i r i c a do S u l e é a d m i n i s t r a d a por S t a f f o r d M a y e r

15$ 159
10. Os grupos do diamante

I N D Ú S T R I A do d i a m a n t e n a África do S u l d e u
u m a r e n d a de 93 milhões de l i b r a s e s t e r l i n a s e m 1962.
D o i s terços dessa r e n d a f o r a m provenientes dos d i a m a n -
tes preciosos, c u j o preço p o r q u i l a t e f o i r e c e n t e m e n t e
elevado pelos controladores d a indústria. D e t a l i m p o r -
tância é a indústria do d i a m a n t e p a r a a África do S u l
que não h á impostos de exportação sobre os d i a m a n -
tes b r u t o s .
O s d i a m a n t e s são u m dos p r i n c i p a i s negócios do
S r , H a r r y O p p e n h e i m e r e é através d a D e B e e r s e d a
D i a m o n d C o r p o r a t i o n , c o m s u a s c o m p a n h i a s associadas
e alianças, que a s operações d a s u a A n g l o A m e r i c a n
C o r p o r a t i o n s e estendem d a África do S u l à África do
Sudoeste, A n g o l a , Congo, África O c i d e n t a l e O r i e n t a l ,
p a r a c o n t r o l a r até r e c e n t e m e n t e a produção e v e n d a de
bem u n s 85 p o r cento dos d i a m a n t e s m u n d i a i s . M e s m o
a distribuição d a produção b e m i m p o r t a n t e d a União
Soviética f o i a d i c i o n a d a à s u a , através de u m a r r a n j o
p a r a v e n d e r os d i a m a n t e s " v e r m e l h o s " através d a o r -
ganização de v e n d a d a D e B e e r s .
O grupo de c o m p a n h i a s D e B e e r s , como v i m o s , é
controlado p e l a R a n d S e l e c t i o n C o r p o r a t i o n L t d . E s t r e i -
t a m e n t e entretecido, interliga-se c o m a s c o m p a n h i a s
de p e d r a s preciosas de A n g o l a e Moçambique e o com- pela A f r i c a n Explosives & C h e m i c a l Industries L t d . E x a -
plexo d o m i n a n t e que se estende através d a s Rodésias e m i n a d o m a i s a t e n t a m e n t e , não parecerá tão e s t r a n h o .
do Congo. A R a n d S e l e c t i o n agora d o m i n a a a d m i n i s - A c o m p a n h i a considerou prático e l u c r a t i v o t e r seus
tração do grupo p e l a s u a recente aquisição do t o t a l d a s próprios meios p a r a a d q u i r i r os explosivos u t i l i z a d o s n a
ações d a D e B e e r s I n v e s t m e n t T r u s t L t d . , hoje conhe- a b e r t u r a de áreas de exploração n a s s u a s próprias m i -
c i d a como R a n d s e l I n v e s t i m e n t s L t d . n a s e n a s d a s c o m p a n h i a s associadas. E s s e f o i o objetivo
A p r i n c i p a l c o m p a n h i a operadora é a D e B e e r s C o n - o r i g i n a l , m a s u m a vez tendo ingressado nos negócios de
solidated M i n e s L t d . , e n a s u a d i r e t o r i a a i n d a se e n c o n - explosivos, pouco f a l t a v a p a r a fabricá-los e e x p a n d i r - s e
t r a u m m e m b r o d a família de S o l l y J o e l , o c o m p a n h e i r o e m u m a séria fabricação de produtos químicos, especial-
n a s c i d o n o E a s t E n d de L o n d r e s que se a v e n t u r o u c o m m e n t e os que são aliados à m a n u f a t u r a de explosivos.
R h o d e s e A l f r e d B e i t n a b u s c a aos d i a m a n t e s . O objetivo A s operações a t u a i s d a A f r i c a n E x p l o s i v e s a b s o l u t a -
o r i g i n a l d a c o m p a n h i a e r a a consolidação d a D e B e e r s , m e n t e não são l i m i t a d a s , n e m há q u a l q u e r coisa de ino-
K i m b e r l e y e G r i q u a l a n d W e s t M i n e s of S o u t h - W e s t A f r i - cente n e l a s ou n a composição d a c o m p a n h i a . Através
ca. U m número considerável de interesses aliados e m e s - da D e B e e r s I n d u s t r i a l C o r p o r a t i o n , e l a p e r t e n c e c o n -
mo diferentes foi acrescentado desde então. Além d a s j u n t a m e n t e ao c o n s t i t u i n t e d a D e B e e r s , A n g l o A m e r i -
m i n a s n a África do S u l , D e B e e r s o p e r a u s i n a s de m o l - c a n C o r p o r a t i o n e ao r a m o s u l - a f r i c a n o d a I m p e r i a l
d a g e m ao longo d a costa m e r i d i o n a l e e m N a m a q u a l a n d , C h e m i c a l I n d u s t r i e s L t d . A s ramificações d a I C I e s e u
África do Sudoeste. Mantém u m interesse de 50 por cento controle de n u m e r o s o s processos químicos sintéticos e
n a W i l l i a m s o n Mine, e m T a n g a n i c a . A outra metade de fabricação t o r n a m - n a u m dos m a i s poderosos mono-
pertence ao G o v e r n o de T a n g a n i c a . pólios do m u n d o . Há m u i t o tempo alcançou o estágio de
E n t r e s u a s c o m p a n h i a s subsidiárias, a D e B e e r s cartelização c o m o u t r a s organizações p r o e m i n e n t e s d a
Consolidated i n c l u i a Premier ( T r a n s v a a l ) D i a m o n d M i - indústria química e a r m a m e n t i s t a . S e u s a r r a n j o s de
n i n g C o . L t d . , a C o n s o l i d a t e d M i n e s of S o u t h - W e s t A f r i - c a r t e l c o m a p r i n c i p a l c o m p a n h i a de m a t e r i a i s quími-
ca L t d . , a D i a m o n d Corporation L t d . e a De Beers I n - cos e plásticos do m u n d o , a I . E . d u P o n t de N e m o u r s
dustrial Corporation L t d . D i r e t a e indiretamente m a n - C o r p o r a t i o n , l i g a m - n a à m o d e r n a indústria de equipa-
tém c e r c a de 40 por cento do c a p i t a l d a D i a m o n d P u r - m e n t o m i l i t a r que parece n a s c e r i n e v i t a v e l m e n t e d a
c h a s i n g & T r a d i n g C o . L t d . e 31,5 por cento d a I n d u s - m a n u f a t u r a química.
t r i a l D i s t r i b u t o r s (1946) L t d . T o d a s essas c o m p a n h i a s E x p l o s i v o s f o r n e c e r a m a s bases d a ascensão d a D u
c o m p r a d o r a s e d i s t r i b u i d o r a s são os p r i n c i p a i s c a m i n h o s P o n t ao poder. S u a p r i m e i r a g r a n d e e n c o m e n d a foi s u -
através dos q u a i s a produção de d i a m a n t e s preciosos e p r i r Napoleão n a t e n t a t i v a f r u s t r a d a de e s m a g a r T o u s -
i n d u s t r i a i s dos p r i n c i p a i s produtores do m u n d o é dis- s a i n t L ' O u v e r t u r e e o povo de São D o m i n g o s e a seguin-
tribuída. A D e B e e r s I n d u s t r i a l t e m também interesses te foi a d a g u e r r a dos E s t a d o s U n i d o s — c o n t r a os c h a -
n a produção de d i a m a n t e s através do s e u controle d a mados " P i r a t a s d a Barbárie".* A citação s e g u i n t e é de
G r i q u a l a n d W e s t D i a m o n d M i n i n g Co., D u t o i t s p a n Carteis in Action, c i t a d a por V i c t o r P e r l o e m The Em-
Mine L t d . , New Jagersfontein M i n i n g & E x p l o r a t i o n Co. pire of High Finance, página 1 9 5 :
L t d . e Consolidated Co. B u l t f o n t e i n Mine L t d .
" I s s o f i r m o u o p a p e l d a d u P o n t , que c o n t i n u a até
O que parece ao p r i m e i r o r e l a n c e ser u m interesse o presente, q u a n d o d o m i n a a m a i o r e m a i s l u c r a t i v a
até certo ponto curioso p a r a u m a c o m p a n h i a e n g a j a d a corporação i s o l a d a do m u n d o , a G e n e r a l Motors.
n a indústria do d i a m a n t e é a posse, p e l a D e B e e r C o n -
solidated, de 50 por cento d a s ações de c a p i t a l e m i t i d a s * O Império da Alta Finança, VICTOR P E R L O , pág. 1 9 0 .

162 163
A associação d a d u P o n t c o m a I C I d a t a de c e r c a u m dos descendentes d a D e B e e r s Co nso l i dated. H á vá-
de 40 anos. F o i e m 1921 q u e m a i s d a metade d a s ações rios outros, entre os q u a i s a c o m p a n h i a de i n v e s t i m e n -
d a G e n e r a l Motors, vendidas pela C a s a Morgan, foram tos D e B e e r s H o l d i n g L t d . , d a q u a l a C o n s o l i d a t e d con-
a d q u i r i d a s por E x p l o s i v e s T r a d e L t d . , u m a subsidiária t r o l a 84,5 por cento. A o falecer J . T . W i l l i a m s o n , a D e
britânica d a s indústrias Nobel, c o m a q u a l a I C I t i n h a B e e r s H o l d i n g c o n s e g u i u obter u m a opção p a r a o t o t a l
ligação. E x p l o s i v o s e s t a v a m e n t r e as operações i n i c i a i s de 1 200 ações que constituía o c a p i t a l de s u a m i n a e m
d a I C I e seus i n t e r e s s e s nos concerns d a Nobel nesse e T a n g a n i c a . O negócio f o i f i x a d o e m 4 139 996 l i b r a s es-
e m outros c a m p o s f o r a m s u b s e q u e n t e m e n t e absorvidos t e r l i n a s c o m D e B e e r s responsável p o r i m p o s t o s do i n -
p a r a o c e n t r o do império d a i c i . ventário e j u r o s sobre as ações de W i l l i a m s o n . O c u m -
Desde e s s a aproximação i n i c i a l , a aliança e n t r e a p r i m e n t o desses i t e n s f o i feito através d a cessão de 320
d u P o n t e a i c i tornou-se m a i s c o m p l e x a . A m b a s pos- ações d a W i l l i a m s o n D i a m o n d s L t d . ao G o v e r n o de T a n -
suíam direitos efetivos de p a t e n t e s e processos c o m o g a n i c a , que subsequentemente a d q u i r i u o u t r a s 280. O
g r a n d e c o m b i n a d o químico alemão I . G . F a r b e n , e d i v i - preço de 1 317 272, acordado p a r a estas, foi pago j u n -
d i r a m o m u n d o e n t r e elas. T a n t o a d u P o n t c o m o a i c i , t a m e n t e c o m j u r o s t o t a i s de seis por cento, dos d i v i d e n -
c o n t i n u a r a m a r e s p e i t a r seus acordos c o m a I . G . F a r - dos recebidos pelo G o v e r n o referentes ao s e u bloco t o t a l
ben durante a guerra. D u P o n t e i c i abandonaram qual- de 600 ações.
q u e r s i m u l a c r o de r i v a l i d a d e de negócios e m n u m e r o s o s A C o n s o l i d a t e d D i a m o n d M i n e s of S o u t h - W e s t
m e r c a d o s estrangeiros, i n c l u s i v e Canadá, A r g e n t i n a e Africa L t d . , n a q u a l a D e Beers Consolidated possui
B r a s i l . N e g o c i a m , a l i , como u m a só e m p r e s a u n i f i c a d a , m a i o r i a de ações, t e m u m a concessão a b a r c a n d o a m p l a s
através de c o m p a n h i a s locais de propriedade c o n j u n t a . . . áreas de depósitos d a aluvião diamantífera, n a África
C o n s e g u i r a m c a r t e l i z a r esses m e r c a d o s químicos tributá- do Sudoeste, c o m v a l i d a d e até o f i n a l do a n o 2010. O
r i o s graças a o s e u poder e prestígio combinados." prazo f o i estendido pelo G o v e r n o l o c a l , u m a vez que a
Se vemos a i c i a s s o c i a d a a c o m p a n h i a s O p p e n h e i - caducidade o c o r r e r i a , segundo o c o n t r a t o i n i c i a l , e m
m e r n a África do S u l , isso não n o s deve e s p a n t a r . O s 1972. U m i t e m valiosíssimo n o inventário de r e n d i m e n -
monopólios estão c o n s t a n t e m e n t e se a p r o x i m a n d o , a l i - tos d a De B e e r s são os royalties " D e P a s s " , de p r o p r i e -
n h a d o s por interesses i n d u s t r i a i s e f i n a n c e i r o s c o m u n s dade d a S o u t h - W e s t F i n a n c i a l C o r p o r a t i o n L t d . , i n t e i -
e m u m dado c a m p o e e m u m dado m o m e n t o . A c o m b i - r a m e n t e subsidiária à C o n s o l i d a t e d D i a m o n d M i n e s .
nação i c i - O p p e n h e i m e r não se l i m i t a a A f r i c a n E x p l o - E s s e royalty dá ao possuidor oito por cento d a r e n d a
sives, m a s se repete n a associação c o m outros rebentos b r u t a d a v e n d a de d i a m a n t e s produzidos n a área de
e grupos d a O p p e n h e i m e r . A bênção britânica é conce- P o m o n a d a África do Sudoente, n a q u a l a S o u t h - W e s t
d i d a à e m p r e s a através d a agregação, à c o m p a n h i a p o r possui propriedades e o u t r o s direitos m i n e r a i s e
c o n t r a t o , de u m perito do estabelecimento britânico de royalties.
a r m a m e n t o s n u c l e a r e s . O que é m a i s i m p o r t a n t e , o equi- A participação n o comércio d i s t r i b u i d o r de d i a m a n -
p a m e n t o m i l i t a r produzido n a s fábricas segue a s espe- tes chega até a C o n s o l i d a t e d D i a m o n d M i n e s através d a
cificações e x i g i d a s pelas Forças A r m a d a s d a Grã- propriedade d a s seguintes ações:
Bretanha.
E m b o r a a African Explosives seja importante p a r a D i a m o n d C o r p o r a t i o n L t d . — 5 996 903 ações.
o combinado O p p e n h e i m e r e os objetivos m i l i t a r e s s u l - D i a m o n d T r a d i n g Co. L t d . — 80 000 ações.
a f r i c a n o s n a África, deve a existência à mineração de D i a m o n d P u r c h a s i n g & T r a d i n g Co. L t d . — 200 000
d i a m a n t e s , onde f o i o r i g i n a l m e n t e concebida. É a p e n a s ações.

164 165
I n d u s t r i a l D i s t r i b u t o r s (1946) L t d . — 150 000 ações. monds of S o u t h A f r i c a (1945) L t d . , que cessou opera-
D e B e e r s H o l d i n g s L t d . — 1 150 000 ações. ções n a p r i m a v e r a de 1960 m a s c o n s e r v a 148 20o ações
da D i a m o n d M i n i n g & U t i l i t y , a s s i m como 197 900 d a
S u a produção própria de d i a m a n t e s elevou-se de L o r e l e i Copper M i n e s L t d . , n a q u a l D i a m o n d M i n i n g &
895 744 q u i l a t e s e m 1958 p a r a 933 937 e m 1960. T o m a d a U t i l i t y p o s s u i também 200 m i l ações. E m s u m a , isso de-
e m c o n j u n t o c o m seus r e n d i m e n t o s obtidos através de m o n s t r a o que p o d e r i a ser q u a l i f i c a d o de u m a c o m b i n a -
royalties e i n v e s t i m e n t o s n o m e r c a d o de d i a m a n t e s , não ção rígida m a s i n t e r e s s a n t e .
é de a d m i r a r que n o s últimos 15 anos t e n h a conseguido O c e n t r o m a i s i n t e r e s s a n t e das velozes e n g r e n a -
d e c l a r a r os i m p r e s s i o n a n t e s dividendos que se s e g u e m : gens do d i a m a n t e é a D i a m o n d C o r p o r a t i o n , cujo c a p i -
t a l de 22 milhões de l i b r a s pertence p r i n c i p a l m e n t e a
1946-1949: 4 0 % m a i s 1 0 % de bonificação a n u a l . D e B e e r s Consolidated M i n e s , D i a m o n d M i n e s of S o u t h -
1950: 4 0 % mais 20% West A f r i c a e à onipresente A n g l o A m e r i c a n C o r p o r a -
1951: 125% tion. A D i a m o n d C o r p o r a t i o n c o m p r a , por c o n t r a t o pe-
1952-1958: 150% anuais. riódico, a produção de d i a m a n t e s dos m a i o r e s produto-
1959: 200% res do m u n d o , u s u a l m e n t e n u m a base de cotas especí-
1960: 200% ficas. E s s e s d i a m a n t e s são então colocados n o m e r c a d o
através d a C e n t r a l S e l l i n g O r g a n i z a t i o n , j u n t a m e n t e
O capital da companhia, autorizado e totalmente com a produção d a s m i n a s do grupo D e B e e r s e das es-
pago, é de 5 240 000 l i b r a s e s t e r l i n a s . S e u l u c r o líquido cavações q u e o G o v e r n o s u l - a f r i c a n o p o s s u i e e x p l o r a
consolidado e m 1960 f o i de 10 734 460 l i b r a s , depois de por s u a própria c o n t a .
p a g a r 4 622 731 l i b r a s e m impostos. O s dividendos a b - Onde e n t r a m a s o u t r a s c o m p a n h i a s vendedoras? A
s o r v e r a m 5 667 437, sendo s e u m a i o r beneficiário a D e D i a m o n d T r a d i n g C o m p a n y L t d . recebe e vende ao mer-
B e e r s Consolidated. O l u c r o estimado p a r a 1961 f o i de cado d i a m a n t e s preciosos o u de v a l o r a p r o x i m a d o . A
12 848 000 l i b r a s , depois de pagos 5 410 000 l i b r a s de i m - Industrial Distributors (Sales) L t d . tem u m a partici-
postos e 168 m i l l i b r a s de dividendos p a r a a s ações p r e - pação n a v e n d a , a o m e r c a d o , de m a t e r i a l de perfuração
f e r e n c i a i s . A c i f r a correspondente aos dividendos ordi- c boart p a r a as m i n a s .
nários não foi incluída m a s é provável que s e j a m a i s Associados íntimos d a D e B e e r s também têm i n t e -
e l e v a d a do que n o a n o a n t e r i o r , resses nessas c o m p a n h i a s tributárias do grupo. A S o -
ciété Minière d u B e c e k a S . A., c o m p a n h i a pertencente
A D i a m o n d M i n i n g & U t i l i t y Co. ( S . W . A.) L t d . é à rede d a Société Générale de B e l g i q u e , t e m ações n a
a s s o c i a d a à D e B e e r s Consolidated através d a cessão, a I n d u s t r i a l D i s t r i b u t o r s (1946) L t d . , D i a m o n d T r a d i n g
e s t a , de u m a a m p l a p a r t e de u m a área diamantífera Co. L t d . , D i a m o n d P u r c h a s i n g & T r a d i n g C o . L t d . , D i a -
n a África do Sudoeste, e m t r o c a de u m interesse de 20 mond D e v e l o p m e n t Co. L t d . e e m o u t r a d a s p u p i l a s d a
por c e n t o n o l u c r o líquido de d i a m a n t e s colhidos. A Société Générale, Société D i a m a n t B o a r t . A I n d u s t r i a l
c o m p a n h i a t e m 180 m i l ações n a D i a m o n d D r e d g i n g & D i s t r i b u t o r s , que também f a z p a r t e d a relação de i n -
M i n i n g C o . ( S . W . A . ) L t d . P a r a p a g a r e s s a aquisição, vestimentos diretos d a Société Générale, a u m e n t o u seus
a D i a m o n d M i n i n g & U t i l i t y e m i t i u m a i s 540 m i l ações dividendos de 1961 de c e r c a de 20 por cento e m relação
ao p a r e m j u l h o de 1960, ficando então a u m e n t a d o o aos últimos anos. A associação d a B e c e k a c o m o Congo
c a p i t a l a u t o r i z a d o de 300 m i l l i b r a s p a r a 500 m i l . S e u s é c o n t i n u a d a através d a Société d'Élevage et de C u l t u r c
outros interesses são 114 400 ações d a I n d u s t r i a l D i a - a u Congo ( C E C ) e C i e . M a r i t i m e Belge ( C M B ) .

166 167
Operando depósitos n o r i o L u b i l a s h , n o Congo, q u e n h c c i d a como M i b a . A produção d a M i b a e m 1961, s e u
p r o d u z e m p r i n c i p a l m e n t e d i a m a n t e s i n d u s t r i a i s e boart p r i m e i r o a n o de t r a b a l h o s , f o i de c e r c a de 15 q u i l a t e s
p a r a trituração, a B e c e k a p o s s u i u m a subsidiária, S o - de d i a m a n t e s , o que o presidente d a Société Générale
ciété B e c e k a - M a n g a n e s e , e x p l o r a n d o depósitos de m a n - considerou dever ser o s e u " r i t m o " n o r m a l , tendo e m
ganês perto de u m e n t r o n c a m e n t o n u m a e s t r a d a de v i s t a o m e r c a d o de v e n d a s .
f e r r o congolesa. No início de 1962, B e c e k a - M a n g a n e s e S i b e k a t e m estado a t a r e f a d a n o K a s a i m e r i d i o n a l ,
c r i o u u m a subsidiária de 500 milhões de f r a n c o s , a S o - no Congo, onde outros i n v e s t i m e n t o s f o r a m feitos, i n -
ciété Minière de K i s e n g a , n a q u a l é a p r i n c i p a l a c i o n i s - clusive a modernização de u m a e s t r a d a de 150 quilóme-
t a . K i s e n g a recebeu d e t e r m i n a d o s direitos de concessão tros de B a k w a n g a à estação de M w e n e - D i t u . A p a r t i c i -
e exploração d a B e c e k a - M a n g a n e s e , que também p a r t i - pação d a Société Générale n a S i b e k a é de 525 m i l ações
c i p o u , e m o u t u b r o de 1962, d a criação d a Société E u r o - «em valor n o m i n a l e a j u d o u a B e c e k a - M a n g a n e s e a co-
peène des D e r i v e s d u M a n g a n e s e — S E D E M A . O S p r i n c i - locar dez dos 11 milhões de f r a n c o s que l h e f o r a m reser-
p a i s p a r t i c i p a n t e s n a formação d a S e d e m a são os asso- vados n o c a p i t a l de 8 1 milhões de f r a n c o s d a S e d e m a .
ciados d a Société d ' E n t r e p r i s e et d l n v e s t i s s e m e n t s d u S i b e k a a d q u i r i u outros dez milhões de f r a n c o s . O objetivo
Beceka — S I B E K A , e a Manganese Chemicals Corpora- d a S e d e m a é a m a n u f a t u r a de compostos de manganês
t i o n of U . S . A . o m e t a i s i n c l u i n d o manganês n o m e r c a d o europeu.
D o relatório de 1962 d a Société Générale, d i r i g e n t e Não c u s t a m u i t o p a r a que q u a l q u e r esforço de i d e n -
de toda e s s a segmentação, s u r g e que u m a reunião e x - tificar as companhias empenhadas em determinado
traordinária d a B e c e k a e m 2 1 de março de 1962 c o n - campo de mineração leve a associações l i g a n d o a outros
cordou e m que a B e c e k a d e v e r i a r e n u n c i a r a todos os setores d a produção de matérias-primas. E s s e nosso e x a -
seus direitos de mineração n o C o n g o ( p r i n c i p a l m e n t e me d a s empresas diamantíferas D e B e e r s n o s l e v o u ao
n a região de B a k w a n g a ) e m favor de u m a n o v a c o m p a - m u n d o a i n d a m a i s v a s t o dos interesses d a Société Gé-
n h i a , Société Minière de B a k w a n g a , e d e v e r i a se t o r n a r nérale, q u e t o r n a r e m o s a e n c o n t r a r m a i s de u m a vez
a Société d ' E n t e r p r i s e et d T n v e s t i s s e m e n t s d u B e c e k a , n o c u r s o de n o s s a s j o r n a d a s p e l a t e i a e m a r a n h a d a do
a ser conhecida pela sigla Sibeka. A finalidade d a controle i n t e r n a c i o n a l d a s r i q u e z a s básicas a f r i c a n a s .
S i b e k a foi r e f o r m u l a d a , p a r a cobrir a investigação, pro- Ê também s i g n i f i c a t i v o que a c a d a c a n t o e n c o n t r a m o s
moção e f i n a n c i a m e n t o , p o r q u a i s q u e r meios, t a n t o n a a l g u m elo oculto c o m i m p o r t a n t e s interesses i n d u s t r i a i s
Bélgica como n o C o n g o e o u t r o s países e s t r a n g e i r o s , d e norte-americanos. No c a s o presente, a Manganese
t o d a espécie de e m p r e s a s , s e j a e m mineração, indústria, C h e m i c a l s C o r p o r a t i o n surge i m e d i a t a e d i r e t a m e n t e
comércio, a g r i c u l t u r a o u t r a n s p o r t e , especialmente I n d o a d i a n t e n a produção diamantífera a f r i c a n a ,
a q u e l a s que t e n h a m ligação c o m substâncias m i n e r a i s encontramos outro rebento d a Société Générale o p e r a n -
de todos os tipos, a s s i m como seus derivados e subs- do no Congo. A Société Forestière et Minière d u Congo,
titutos . conhecida como Forminière, ocupa-se de objetivos de
D e n t r o d a e s t r u t u r a desse novo objetivo, a s p a r t i - mineração, comércio, indústria e a g r i c u l t u r a , p r i n c i p a l -
cipações a n t e r i o r e s f o r a m a u m e n t a d a s e n o v a s p a r t i c i - mente e m K a s a i . S u a p r i n c i p a l preocupação é a m i n e -
pações f o r a m a d o t a d a s o u e s t a v a m e m estudos, p a r t i - ração de d i a m a n t e s .
c u l a r m e n t e d e t e r m i n a d a s delas que t i n h a m a v e r c o m A Forminière é u m a d a s p r i m e i r a s concessões o r i -
a produção de d i a m a n t e s a r t i f i c i a i s . A p r i n c i p a l a t i v i - ginais do R e i Leopoldo, n o Congo. Êle f o r m o u a c o m p a -
dade d a S i b e k a , n o e n t a n t o , deverá ser a s u a i m p o r t a n - n h i a e m 1906 c o m a a j u d a , e n t r e outros, de dois h o m e n s
te participação n a Société Minière de B a k w a n g a , co- de negócios n o r t e - a m e r i c a n o s , T h o m a s F . F o r t u n e e D a -

168 169
n i e l G u g g e n h e i m , o último dos q u a i s fêz u m a f o r t u n a tam-se entre seus cargos de diretor, a s s i m c o m o a C h i -
c o m a mineração n a América do S u l . Hoje a Forminière l e a n N i t r a t e s S a l e s C o r p o r a t i o n e a presidência d a dire-
faz p a r t e do vasto complexo dominado p e l a Société Gé- t o r i a d a F e l d s p a r C o r p o r a t i o n . Como diretor d a A n g o l a
nérale, T a n g a n y i k a Concessions e s u a f i l h a , a U n i o n D i a m o n d e d a Forminière, m u i t o c e r t a m e n t e não teve
Minière d u H a u t K a t a n g a , que t e m a v i d a económica a inocência de a b a n d o n a r s u a s ligações básicas, p r e s a s
do C o n g o n a s mãos e a g o r a se estendeu gulosamente a a G u g g e n h e i m , K e n n e c o t t Copper, petróleo, e s t a n h o e
A n g o l a e Moçambique. Através de s u a subsidiária, S o - n i t r a t o s , n o s q u a i s está a mão p r e s t a t i v a dos M o r g a n s .
ciété I n t e r n a t i o n a l e C o m m e r c i a l e et Fmancière de l a O M o r g a n G u a r a n t y T r u s t é u m a d a s p r i n c i p a i s arté-
Forminière — I N T E R F O K — t e m interesses f r a t e r n a i s r i a s d a s quais f l u e m as finanças p a r a o combinado O p -
c o m a B e c e k a e m várias c o m p a n h i a s agrícolas operando penheimer. M o r g a n está também associado ao B a n q u e
plantações n o C o n g o e m grande e s c a l a . Belge, o p r i n c i p a l elo bancário n a e s t r u t u r a d a Société
O u t r a s participações acionárias de propriedade d a Générale e o m a i o r b a n c o d a Bélgica. R e p r e s e n t a d a n a
Forminière são e m c o m p a n h i a s m i n e r a d o r a s como a d i r e t o r i a d a A n g o l a D i a m o n d está o u t r a e m p r e s a ango-
Société de R e c h e r c h e s et d ' E x p l o i t a t i o n des B a u x i t e s d u l a n a , C o m p a n h i a de P e s q u i s a s M i n e i r a s de A n g o l a .
C o n g o — B A U X I C O N G O — r e l a c i o n a d a também n a e x t e n - A A n g o l a D i a m o n d s t e m direitos monopolistas que
s a l i s t a dos interesses m a i s i m p o r t a n t e s d a U n i o n M i - lhe p e r m i t e m e x t r a i r d i a m a n t e s e m quase u m milhão
nière. O petróleo f a z também p a r t e do império d a Socié- de quilómetros q u a d r a d o s de A n g o l a , u m a área quase
té Générale através d a Société de R e c h e r c h e s et d ' E x - quatro vezes m a i o r do que G a n a o u a Grã-Bretanha. E s -
p l o i t a t i o n des F e t r o l e s — S O C O E E F . E s t a encontra-se e n - tão e m operação 43 m i n a s , três d a s q u a i s são n o v a s ,
t r e os i n v e s t i m e n t o s d a Forminière. abertas p a r a s u b s t i t u i r o u t r a s t a n t a s c u j a s r e s e r v a s se
A D i a m o n d C o r p o r a t i o n a t u a como centro de r e u - e x t i n g u i a m . A prospecção c o n t i n u a a ser f e i t a , e m b u s -
nião p a r a a m e r c a d o r i a oferecida à v e n d a por todos os ca de novos depósitos, c o m 19 grupos e m operação. A
g r a n d e s produtores. No s e u p a p e l de organização a q u i - c o m p a n h i a é r e g i s t r a d a e m P o r t u g a l e o G o v e r n o de
s i d o r a c e n t r a l p a r a os compradores i n t e r n a c i o n a i s de A n g o l a t e m n e l a interesse direto, como agente a d m i n i s -
d i a m a n t e s , não é de s u r p r e e n d e r que t e n h a participação t r a t i v o l o c a l do G o v e r n o português. O G o v e r n o de A n -
e m a l g u m a s das m a i s i m p o r t a n t e s c o m p a n h i a s p r o d u - gola possui 200 m i l ações, l i g e i r a m e n t e a c i m a das . . . .
t o r a s f o r a do grupo s u l - a f r i c a n o . O s S r s . H . F . O p p e n h e i - 198 800 pertencentes à Société Générale. C e r c a d a m e -
m e r e H . J . J o e l , d a s u a própria d i r e t o r i a , têm assento tade dos t r a b a l h a d o r e s a f r i c a n o s d a c o m p a n h i a são for-
n a d a A n g o l a D i a m o n d Co. ( C o m p a n h i a de D i a m a n t e s çados, reunidos c o m p u l s o r i a m e n t e pelas a u t o r i d a d e s e
de A n g o l a ) , que por s u a vez t e m outros dois de seus recebem u m ordenado m e n s a l de 70 escudos, e q u i v a l e n -
diretores, os S r s . A l b e r t E . T h i e l e e A . A . R y a n , ador- tes a perto de 16 x e l i n s . O s excelentes l u c r o s d a compa^-
n a n d o a d i r e t o r i a d a Forminière. O S r . T h i e l e t e m i m - n h i a são divididos i g u a l m e n t e entre a Província de
p o r t a n t e s conexões c o m poderosos grupos n o r t e - a m e r i - A n g o l a e os a c i o n i s t a s , depois de seis por c e n t o t e r e m
canos. I n i c i o u s u a c a r r e i r a e m 1909 c o m os irmãos Dido reservados à administração.
G u g g e n h e i m , u m dos q u a i s f o i tão útil a Leopoldo I I . O l u c r o dos a c i o n i s t a s ao f i n a l das operações, e m
Daí elevou-se à presidência d a d i r e t o r i a d a P a c i f i c T i n 1060, foi de 137 000 931 escudos, depois de t e r sido r e -
Consolidated Corporation e a diretoria n a Kennecott i c r v a d a i g u a l s o m a p a r a a Província de A n g o l a e . . . .
Copper C o r p o r a t i o n e s u a subsidiária, B r a d e n Copper 15 341 649 escudos c o m o r e s e r v a legal. O s l u c r o s t o t a i s ,
Co. Petróleo e n i t r a t o s f a z e m também p a r t e dos negó- n a realidade, elevaram-se a 289 343 511 escudos, dos
cios do S r . T h i e l e . A M a r a c a i b o O i l e a B a r b e r O i l c o n - quais 114 800 000 escudos provenientes de l u c r o s m a n -

170 171
tidos e m r e s e r v a . O s dividendos p a r c i a i s e f i n a i s absor- drados, que e r a a área então e x p l o r a d a efetivamente
v e r a m a s o m a de 136 670 000 escudos, n o a n o de 1960. p e l a c o m p a n h i a . A diminuição de direitos, n o e n t a n t o ,
A c o m p a n h i a não p a g a direitos de importação so- foí m a i s a p a r e n t e do que r e a l . O s direitos de concessão
bre máquinas e m a t e r i a l n e m direitos de exportação so- são por 30 anos, m a s f o r a m concedidos direitos r e s t r i -
bre d i a m a n t e s . P o s s u i também u m empréstimo de c e m tos sobre outros 650 quilómetros quadrados, dos q u a i s
milhões de escudos, do G o v e r n o de A n g o l a , e m t r o c a d a cerca de c e m f o r a m u t i l i z a d o s desde então. A c o m p a -
emissão g r a t u i t a de c e m m i l ações, de 170 escudos c a d a , n h i a t e m também a permissão p a r a pesquisar q u a l q u e r
à Província de A n g o l a e m 1955. A t a x a de j u r o s , s e m local de S e r r a L e o a e m b u s c a de depósitos profundos
precedentes e antieconômica, sobre esse empréstimo, é de d i a m a n t e s , d u r a n t e o período de não menos de dez
de u m p o r cento e o c a p i t a l deverá ser pago até 1 9 7 1 . anos, e explorá-los.
A n g o l a D i a m o n d Co. p o s s u i 16,266 p o r cento do c a p i t a l
Q u e o acordo f o i u m a f a r s a está provado p e l a pro-
e m i t i d o p e l a Sociedade P o r t u g u e s a de Lapidação de
m e s s a f e i t a então pelo G o v e r n o C o l o n i a l de não con-
Diamantes.
ceder ^até 1975 a q u a i s q u e r requerentes que não fossem
D i a m o n d C o r p o r a t i o n t e m acordos c o n t r a t u a i s p a r a cidadãos do país ou c o m p a n h i a s n a s q u a i s os i n t e r e s -
a c o m p r a d a produção d a A n g o l a D i a m o n d , que v i n h a ses beneficiários ou a s u a m a i o r p a r t e p e r t e n c e s s e m a
sendo r e c e n t e m e n t e de m a i s de u m milhão de q u i l a t e s cidadãos do país, q u a l q u e r licença o u a r r e n d a m e n t o
e poderá s e r a i n d a m a i o r , segundo a s e s t i m a t i v a s , pois p a r a prospecção de d i a m a n t e s s e m p r i m e i r a m e n t e ofe-
f o r a m i n s t a l a d a s escavadoras mecânicas e máquinas recer essas licenças e a r r e n d a m e n t o s ao S i e r r a L e o n e
p a r a l a v a g e m depois de v e r i f i c a d a a existência de e x - Selection T r u s t . E m b o r a isso desse v i r t u a l m e n t e liber-
tensos depósitos de aluvião. Os d i a m a n t e s preciosos r e - dade t o t a l à c o m p a n h i a , o G o v e r n o a i n d a a s s i m l h e p a -
p r e s e n t a m 65 por c e n t o d a produção. gou u m milhão e meio de l i b r a s e s t e r l i n a s como com-
A D i a m o n d C o r p o r a t i o n i n v a d i u a C o s t a do M a r - pensação das oportunidades supostamente perdidas.
fim, c o m a formação de u m a subsidiária l o c a l p a r a a d - Todos os seis milhões de ações e m i t i d a s , do t o t a l de
q u i r i r d i a m a n t e s n o m e r c a d o l i v r e desse país. Até que seis milhões e 400 m i l a u t o r i z a d a s p a r a f o r m a r o c a p i -
ponto esse m e r c a d o continuará l i v r e , ninguém sabe. A l - t a l de u m milhão e 600 m i l l i b r a s , são de propriedade d a
g u m a s d a s o u t r a s nações a f r i c a n a s recém-independen- C A S T . O s l u c r o s que a c o m p a n h i a esteja obtendo não
tes estão l u t a n d o p a r a f u g i r a o domínio d a D i a m o n d são p u b l i c a m e n t e conhecidos, u m a vez que os balanços
C o r p o r a t i o n . G a n a c r i o u s e u próprio mercado de d i a - são revelados apenas aos a c i o n i s t a s .
m a n t e s e m A c r a e todos os vendedores, i n c l u s i v e a C o n -
solidated A f r i c a n S e l e c t i o n T r u s t L t d . ( C A S T ) , que e x - O presidente d a d i r e t o r i a t a n t o d a C A S T como d a
p l o r a u m a concessão de 176 quilómetros q u a d r a d o s n o S i e r r a L e o n e S e l e c t i o n é o S r . A . C h e s t e r B e a t t y , que
d i s t r i t o de A k i m A b u a k w a , são obrigados a vender a t r a - tem como colegas e m a m b a s as d i r e t o r i a s os S r s . E . C .
vés dele. A S i e r r a L e o n e S e l e c t i o n T r u s t L t d . é a s u b s i - W h a r t o n - T i g a r , T . H . B r a d f o r d e P . JT. O p p e n h e i m e r . O
diária do C A S T operando e m S e r r a L e o a . Sr. P . J . O p p e n h e i m e r faz p a r t e também d a d i r e t o r i a
P o r incrível que pareça, a S i e r r a L e o n e S e l e c t i o n da D i a m o n d C o r p o r a t i o n , j u n t a m e n t e c o m o S r . W . A .
t e v e direitos e x c l u s i v o s de mineração de d i a m a n t e s so- C h a p p l e , outro colega n a d i r e t o r i a d a C A S T . A m b o s têm
bre todo o país, p r a t i c a m e n t e . E m 1955, e m consequên- assento no Comité de L o n d r e s d a D e B e e r s C o n s o l i d a -
c i a de protestos populares, especialmente n a r i c a região ted M i n e s e o S r . O p p e n h e i m e r também o c u p a u m l u -
diamantífera de K o n o r , a extensão d a área de concessão gar no Comité de J o a n e s b u r g o , n o q u a l está associado
foi r e d u z i d a p a r a a p r o x i m a d a m e n t e 590 quilómetros q u a - com o M a j o r - G e n e r a l I . P . de V i l l i e r s , C . B . e o S r . A .

172 173
y

W i l s o n , estes últimos também u n i d o s n a d i r e t o r i a d a se d i z i a p r o c u r a v a m u m a fonte d i r e t a de s u p r i m e n t o


C o n s o l i d a t e d D i a m o n d M i n e s of S o u t h A f r i c a L t d . que contornasse a D i a m o n d C o r p o r a t i o n . E m v i s t a d a
O S r . T h o m a s H o r a t B r a d f o r d r e p r e s e n t a a Selec- interligação e n t r e a S e l e c t i o n T r u s t e as c o m p a n h i a s
t i o n T r u s t L t d . , d a q u a l é diretor-gerente, e m s u a s da D e B e e r s , i n c l u s i v e a D i a m o n d C o r p o r a t i o n , através
p r i n c i p a i s c o m p a n h i a s associadas n a América, Rodé- de participações acionárias interdependentes assim
sias, Canadá e V e n e z u e l a . O S r . B e a t t y faz c o m p a n h i a como dos elementos c o m u n s e m s u a s d i r e t o r i a s , é es-
ao S r . B r a d f o r d e m várias dessas d i r e t o r i a s . A ligação t r a n h o ver u m dos m a i s p r o e m i n e n t e s elos d a corrente,
do S r . C h a p p l e c o m o m u n d o dos d i a m a n t e s é s e m dú- o S r . A . C h e s t e r B e a t t y , protestando s u a ansiedade de
v i d a e m alto nível, a j u l g a r pelo s e u cargo de diretor proteger os interesses de S e r r a L e o a c o n t r a a C o r p o r a -
do B a n q u e D i a m a n t a i r e Anversoise S . A . A n t w e r p , que ção de que êle p a r t i c i p a tão p r o f u n d a m e n t e .
é a i n d a o m a i o r c e n t r o m u n d i a l de corte de d i a m a n t e s ,
O protesto do S r . B e a t t y foi n o sentido de que, se
e m p r e g a n d o m a i s de 1 3 m i l pessoas n a indústria. O A n -
a S i e r r a L e o n e S e l e c t i o n fosse forçada a e n t r e g a r s u a
t w e r p D i a m o n d B a n k o c u p a u m a i m p o r t a n t e posição
produção à Agência de D i a m a n t e s do G o v e r n o , e s t a
estratégica. C e r c a de 4 0 a 5 0 m i l q u i l a t e s são cortados
i r i a p a r a r n a s mãos d a D i a m o n d C o r p o r a t i o n , que e r a
s e m a n a l m e n t e e m Antuérpia, p r i n c i p a l m e n t e p e d r a s
o comprador f i n a l d a Agência, e que isso e r a p r e c i s a -
b r u t a s provenientes d a D i a m o n d T r a d i n g C o m p a n y , o
m e n t e o que êle não a d m i t i a . Além do m a i s , o novo
e x t r e m o l o n d r i n o d a C e n t r a l S e l l i n g O r g a n i z a t i o n , per-
sistema significaria romper o contrato com Winston,
t e n c e n t e à De B e e r s . M a s Antuérpia b u s c a o u t r a s fon-
obrigando a p a g a r u m a compensação por q u e b r a de
tes p a r a seus s u p r i m e n t o s de d i a m a n t e s e e m 1 9 6 1 ob-
contrato. O S r . B e a t t y r e s s a l t o u que a s u a solicitude
teve c e r c a de 3 0 p o r cento do peso t o t a l e m q u i l a t e s
pelos interesses de S e r r a L e o a o h a v i a m levado a obter
de outros fornecedores.
u m a reavaliação do c o n t r a t o d a D i a m o n d C o r p o r a t i o n
É evidente que o S r . A . C h e s t e r B e a t t y pertence aos e m 1 9 5 7 , de modo que dois milhões e 7 0 0 m i l l i b r a s
altos escalões do m u n d o dos d i a m a n t e s , especialmente e s t e r l i n a s a d i c i o n a i s h a v i a m sido recebidas nos últimos
àquele s e u setor preponderante que é dominado pelo três anos de operação.
g r u p o D e B e e r s e g i r a e m torno d a D i a m o n d C o r p o r a -
t i o n e s u a S e l l i n g O r g a n i z a t i o n . É p o r t a n t o difícil de Há nesse ponto u m a característica i n t e r e s s a n t e ,
entender a m a n o b r a que o S r . B e a t t y fêz e m conexão porque o S r . B e a t t y a f i r m a que m a i s meio milhão de
c o m a l e i do G o v e r n o de S e r r a L e o a , a p r o v a d a e m f i n s l i b r a s e m r e n d i m e n t o s s e r i a m recebidos pelo G o v e r n o
de 1 9 6 1 , obrigando os produtores de d i a m a n t e s e m Ser- de S e r r a L e o a sob o c o n t r a t o c o m a W i n s t o n do que sob
r a L e o a a negociá-los através d a Agência dos D i a m a n - o da D i a m o n d Corporation. Q u a t r o perguntas perti-
tes, do G o v e r n o . nentes decorrem disso: Q u e a u m e n t o p e r c e n t u a l do
O S r . B e a t t y , c o m o presidente d a d i r e t o r i a d a Se- r e n d i m e n t o r e p r e s e n t a r a m os dois milhões e 7 0 0 m i l l i -
lection T r u s t L t d . , assim como d a CAST e d a S i e r r a Leo- bras a d i c i o n a i s que o S r . B e a t t y disse t e r obtido d a
ne S e l e c t i o n , s u a subsidiária, a f i r m o u que o c o n t r a t o D i a m o n d C o r p o r a t i o n nos últimos três anos do c o n t r a -
e x p i r a d o que a C A S T t i n h a c o m a D i a m o n d C o r p o r a t i o n to expirado? Q u e p a r t e disso veio ter às mãos do G o -
não f o r a renovado p o r c a u s a d a comissão excessiva de verno de S e r r a L e o a e que p e r c e n t a g e m de a u m e n t o
1 2 por cento e x i g i d a . C A S T oferecera q u a t r o por cento, representou p a r a o r e n d i m e n t o do G o v e r n o ? C o m o é
o que foi rejeitado. U m c o n t r a t o foi feito, p o r t a n t o , que o S r . B e a t t y não podia obter t e r m o s i g u a l m e n t e
c o m H a r r y W i n s t o n , I n c . , de N e w Y o r k , proprietários vantajosos de u m novo c o n t r a t o c o m a D i a m o n d C o r -
e cortadores do famoso d i a m a n t e J o n k e r , que segundo poration? O preço de W i n s t o n , m e l h o r e m oito por c e n -

174 175
to, e s t a v a r i g o r o s a m e n t e refletido n a e s t i m a t i v a de plexo d a A n g l o A m e r i c a n , h a v i a m se engajado n o e m -
eêrca de m e i o milhão de l i b r a s de r e n d a s a d i c i o n a i s preendimento. C a b i a - l h e s fornecer fundo s a d i c i o n a i s de
p a r a o G o v e r n o e m consequência de u m acordo c o m até meio milhão de l i b r a s a f i m de i g u a l a r a q u a n t i a
Winston? a ser f o r n e c i d a pelo S r . C o l l i n s e c o m p a n h i a s p o r êle
M a s não será t u d o isso a p e n a s u m a f a r s a c o m o c o n t r o l a d a s . A G e n e r a l M i n i n g t e m u m intercâmbio de
objetivo de m a n t e r a ficção de que a S e l e c t i o n T r u s t ações c o m a A n g l o A m e r i c a n e a D e B e e r s C o n s o l i d a -
e a D i a m o n d C o r p o r a t i o n são e n t i d a d e s isoladas e n t r e ted está e n t r e os seus c l i e n t e s de i n v e s t i m e n t o s , a s s i m
s i , u m a ficção r e p e t i d a m e s m o p o r u m a i m p r e n s a que como a N a t i o n a l F i n a n c e C o r p o r a t i o n of S o u t h A f r i c a ,
s e r i a de esperar que tivesse m e l h o r e s c o n h e c i m e n t o s ? que é tão útil a n u m e r o s a s c o m p a n h i a s de O p p e n h e i -
P o i s temos o correspondente de West Africa e m F r e e - m e r n a questão de empréstimos.
t o w n d e c l a r a n d o , n a edição de 27 de j a n e i r o de 1962 do D e B e e r s a p a r e n t e m e n t e t i n h a u m a opção de 25
j o r n a l , que "os dois gigantes europeus n a indústria por cento n a s ações d a S e a D i a m o n d s e preferência
(de d i a m a n t e s ) — D i a m o n d C o r p o r a t i o n e S e l e c t i o n p a r a o bloco de ações do S r . C o l l i n s , que se disse ser de
T r u s t — estão e v i d e n t e m e n t e e m desacordo". O âmago 80 por cento. S e a D i a m o n d s , por s u a vez, p o s s u i c e r c a
d a questão, r e a l m e n t e , está n a q u e i x a do S r . B e a t t y de de 44 por cento do c a p i t a l de ações d a M a r i n e D i a -
que o r e g u l a m e n t o b a i x a d o pelo G o v e r n o de S e r r a L e o a m on ds, cabendo 25 por cento do r e s t a n t e à G e n e r a l
i n t e r f e r e c o m a liberdade de s u a c o m p a n h i a , e x p r e s s a - M i n i n g , 16 por cento à A n g l o T r a n s v a a l e sete e meio
m e n t e g a r a n t i d a pelo a n t i g o G o v e r n o C o l o n i a l e m s e u por cento a o u t r a c o m p a n h i a de O p p e n h e i m e r , Middle
acordo de concessão, de v e n d e r como l h e p a re c e r m e - Witwatersrand (Western Areas) Ltd., administrada pela
lhor. O S r . B e a t t y , como os interesses monopolistas que A n g l o T r a n s v a a l . O r e m a n e s c e n t e f i c o u de posse dos do-
r e p r e s e n t a tão e fi c i e n t e m e nt e e m m u i t a s d i r e t o r i a s , nos o r i g i n a i s d a concessão. A Middle W i t w a t e r s r a n d
não q u e r reconhecer os ventos de mudança q u e v i e r a m t e m direito a dez p o r cento de participação e m q u a i s -
c o m a independência a f r i c a n a , dando às n o v a s nações quer e m p r e e n d i m e n t o s de prospecção realizados p o r
oportunidade de o r d e n a r s u a s economias d a m a n e i r a A n g l o v a a l R h o d e s i a n E x p l o r a t i o n L t d . , m e t a d e de c u j a s
que c o n s i d e r a r e m m a i s i n t e r e s s a n t e p a r a o s e u próprio ações pertence à K e n n e c o t t Copper. T u d o parece g i r a r
bem. em movimento circular, n u m carrossel s e m fim. O S r .
H o u v e r e c e n t e m e n t e a intrusão, n o campo d i a m a n - S a m C o l l i n s pode t e r agido rápida e a r g u t a m e n t e ao r e -
tífero, de u m t e x a n o que aparece m a i s c o m u m e n t e onde g i s t r a r seus direitos sobre u m veio de d i a m a n t e s s u b m a -
q u e r que h a j a petróleo b o r b u l h a n d o . O S r . S a m C o l l i n s r i n o e c o m toda a probabilidade ganhará u m a f o r t u n a .
dedicou-se a colher d i a m a n t e s do f u n d o do m a r , n o M a s os g r a n d e s beneficiários acabarão sendo, n o f i m de
C h a m e i s Reef, n a c o s t a d a A f r i c a do Sudoeste, que contas, o S r . O p p e n h e i m e r e s u a s coortes. O s m o v i m e n -
se a f i r m a conter u m a r e s e r v a mínima de 14 milhões tos n o s bastidores p a r a obter o controle do que promete
de q u i l a t e s . O S r . C o l l i n s p r o c u r o u obter c a p i t a l a d i - ser u m e m p r e e n d i m e n t o a l t a m e n t e l u c r a t i v o l e v a r a m o
c i o n a l p a r a s u a S e a D i a m o n d s C o m p a n y , que t e m o correspondente do The Economist e m J o a n e s b u r g o a co-
controle acionário d a c o m p a n h i a operadora, M a r i n e m e n t a r que " a história c o m p l e t a das r e c e n t e s negocia-
D i a m o n d s . F o i dito que o S r . O p p e n h e i m e r , depois de ob- ções, se j a m a i s fôr r e v e l a d a , p o d e r i a descrever u m a l u t a
s e r v a r s u a s a t i v i d a d e s c o m a l g u m a preocupação, d e c i d i u v i o l e n t a pelo controle e n t r e os m a g n a t a s d a mineração
c o l a b o r a r c o m o S r . C o l l i n s . A o que parece, a G e n e r a l d a A f r i c a do S u l , n a s m e l h o r e s tradições dos p r i m e i r o s
M i n i n g & F i n a n c e Corporation e a Anglo T r a n s v a a l dias, duros e b r u t a i s , de K i m b e r l e y e do R a n d " (16 de
C o n s o l i d a t e d , que já e n c o n t r a m o s como p a r t e do com- março de 1 9 6 3 ) .

176 177
É pouco provável que a D e B e e r s seja c a p a z de for-
çar a e n t r a d a n a c o m p a n h i a j a p o n e s a q u e está a t u a l -
m e n t e c o n s t r u i n d o u m a fábrica n o Japão p a r a m a n u -
f a t u r a r d i a m a n t e s sintéticos, que produzirá i n i c i a l -
m e n t e 300 m i l q u i l a t e s a n u a i s , devendo c h e g a r a 600
m i l . D e B e e r s , e m associação c o m a Société Minière de
B e c e k a , têm s u a própria fábrica de a r e i a de d i a m a n t e
sintética, operada por u n i d a d e s de pressão u l t r a - e i e v a d a .
A G e n e r a l E l e c t r i c também t e m u m processo p a r a p r o -
d u z i r d i a m a n t e s m a n u f a t u r a d o s . O s japoneses a f i r m a m
que seu processo não é o mesmo. E já m e n c i o n a m o s a n - 11. Interesses mineradores
t e r i o r m e n t e o interesse de S i b e k a n a possibilidade de
p r o d u z i r d i a m a n t e s a r t i f i c i a i s . H o u v e várias t e n t a t i v a s na Africa Central
de c r i a r d i a m a n t e s através de u m processo f a b r i l , m a s
até a g o r a d e m o n s t r a m ser até certo ponto antieconômi-
cos. C o m a e x t r e m a probabilidade de que a s pedras s i n -
téticas e m condições de c o m p e t i r e m preços e q u a l i d a -
des c o m o produto n a t u r a l serão f a b r i c a d a s d e n t r o e m
breve, o u t r o golpe poderá ser desfechado c o n t r a as n a -
ções p r o d u t o r a s d a África, e m desenvolvimento. S E E X A M I N A R M O S os i n t r i n c a d o s detalhes d a e x t e n -
são d a A n g l o A m e r i c a n através d a exploração d a s m a -
térias-primas d a África, veremos s u a mão forte c o n t e n -
do o e n r i q u e c i m e n t o d a Rodésia, África do S u l e África
do Sudoeste, t a n t o através de participação acionária
d i r e t a e m e m p r e s a s como através d a s de s u a s associa-
das, A m e r i c a n E n g e l h a r d e K e n n e c o t t Copper e d a
British South Africa Company L t d .
A B r i t i s h S o u t h A f r i c a C o m p a n y foi u m a criação
do génio de C e c i l R h o d e s p a r a a construção de impérios.
Observando a c o r r i d a e m b u s c a de terrenos n a África
do S u l , n o início d a década de 1890, êle r e s o l v e u que,
a m e n o s q u e e n t r a s s e logo, outros a v e n t u r e i r o s e u r o -
peus t o m a r i a m " g r a n d e s extensões de t e r r a v a l i o s a go-
v e r n a d a s por chefes n a t i v o s selvagens n o i n t e r i o r d a
A f r i c a " . U t i l i z a n d o seus agentes notórios, R u d d , M a g u i -
re, R o c h f o r d e T h o m p s o n , foi p r o v o c a d a u m a g u e r r a
entre os M a t a b e l e s , d a região hoje c o n h e c i d a como R o -
désia, e s e u chefe, L o B e n g u e l a . Soldados d a S o u t h A f r i -
c a n C o m p a n y , a q u e m fora c o n c e d i d a u m a p a t e n t e r e a l
e m 1889, saíram o s t e n s i v a m e n t e e m apoio ao chefe

178 179
c o n t r a s e u povo. E s s e t r u q u e de Rhodes, descrito por E s c r e v o - l h e p a r a que possa conhecer a verdade so-
certos h i s t o r i a d o r e s como "hábil manobra', garantiu à bre tudo isso e não ser i l u d i d a .
c o m p a n h i a u m a concessão p a r a e x p l o r a r direitos m i - C o m r e n o v a d a s e cordiais saudações,
n e r a i s n a v a s t a área de terrenos que a t u a l m e n t e cons-
t i t u i t o d a a Rodésia. Lo Benguela."
Q u a n d o L o B e n g u e l a despertou e teve a a m a r g a
compreensão do t r u q u e que o h a v i a p r i v a d o , a s s i m como Q u e m , n a q u e l e s dias, i r i a devolver t e r r a t o m a d a
s e u povo, dos direitos sobre a própria t e r r a , fez u m r e - por quai squer m e i o s escusos a " c h e f e s n a t i v o s s e l v a -
q u e r i m e n t o à R a i n h a Vitória nos seguintes t e r m o s : gens '? E q u e m v a i devolver hoje, a o povo de q u e m f o i
1

" H á a l g u m t e m p o u m g r u p o de h o m e n s e n t r o u n a t o m a d a , a não ser q u e o povo i n s i s t a e m s u a devolu-


ção através d e s u a v o n t a d e d e t e r m i n a d a e u n i f i c a d a ,
m i n h a t e r r a , s e u chefe parecendo s e r u m h o m e m c h a -
expressa p o r u m G o v e r n o U n i d o ?
m a d o R u d d . E l e s m e p e d i r a m u m l o c a l p a r a escavar
o u r o e d i s s e r a m que m e d a r i a m d e t e r m i n a d a s coisas No f i m do século X I X , R h o d e s , s o n h a n d o c o m u m
pelo d i r e i t o de f a z e r isso. E u l h e s disse que t r o u x e s s e m império que fosse de C a p e t o w n a o C a i r o , avançou de
o que p r e t e n d i a m d a r e então e u l h e s m o s t r a r i a o que M a t a b e l e l a n d p a r a M a s h o n a l a n d , através do Z a m b e s i ,
eu daria. até u m a t e r r a que hoje se c h a m a Zâmbia. C o m isso,
U m d o c um e n t o f o i redigido e m e f o i a p r e s e n t a d o enfiou u m a c u n h a e n t r e a s colónias p o r t u g u e s a s de M o -
çambique e A n g o l a . T u d o isso f o i feito c o m os b u c a n e i -
p a r a a s s i n a r . P e r g u n t e i o que c o n t i n h a e m e d i s s e r a m
ros de s u a S o u t h A f r i c a C o m p a n y , que h a v i a recebido
que nele e s t a v a m m i n h a s p a l a v r a s e a s dos outros h o -
três c a r t a s p a t e n t e s r e a i s s u p l e m e n t a r e s , posteriores à
m e n s . E s t a m p e i m i n h a m ã o nele. o r i g i n a l , de 18S9.
C e r c a de três meses depois, o u v i de o u t r a s fontes
que e u d e r a n a q u e l e d o c u m e n t o os direitos a todos os I n i c i a l m e n t e a c o m p a n h i a t i n h a direitos a d m i n i s -
m i n e r a i s de m i n h a t e r r a . C o n v o q u e i u m a reunião dos t r a t i v o s sobre território n a África m e r i d i o n a l s i t u a d o
m e u s I n d u n a s e também dos h o m e n s b r a n c o s e e x i g i ao n o r t e de Bechuanalândia, a o n o r t e e oeste do T r a n s -
u m a cópia do documento. P r o v a r a m - m e que e u h a v i a v a a l e oeste d a África O c i d e n t a l P o r t u g u e s a . Possuía
cedido c o m a m i n h a a s s i n a t u r a os direitos a o s m i n e r a i s direitos também de p r o l o n g a r os s i s t e m a s ferroviário e
de t o d a a m i n h a t e r r a a o t a l R u d d e s e u s amigos. T i v e telegráfico do Cabo e m direção ao n o r t e e d a r conces-
depois u m a reunião dos m e u s I n d u n a s e eles não a c e i - sões de direitos de mineração, florestas e outros, além
t a m r e c o n h e c e r o papel, u m a v e z q u e não contém n e m de m u i t a s o u t r a s coisas. S e u s direitos a d m i n i s t r a t i v o s
a s m i n h a s p a l a v r a s n e m a s daqueles q u e o o b t i v e r a m . e monopolísticos n a Rodésia do Norte e do S u l f o r a m
cedidos a o G o v e r n o britânico somente e m 1923-24. O s
D e p o i s d a reunião, e x i g i que o d o c u m e n t o o r i g i n a l direitos m i n e r a i s n a s Rodésias, n o e n t a n t o , f o r a m a i n -
m e fosse devolvido. A i n d a não chegou, e m b o r a já se d a conservados, a s s i m c o m o u m i nter esse de 50 p o r c e n -
t e n h a m passado dois meses, e eles t i v e s s e m prometido to, d u r a n t e 4 0 anos, n o s processos u l t e r i o r e s de cessão
trazê-lo logo. O s h o m e n s do g r u p o que e s t a v a m n a m i - de t e r r a s n o noroeste d a Rodésia. E m t r o c a , a B r i t i s h
n h a t e r r a então r e c e b e r a m o r d e m de p e r m a n e c e r até S o u t h A f r i c a C o m p a n y recebeu u m p a g a m e n t o e m d i -
q u e o d o c u m e n t o fosse t r a z i d o de v o l t a . U m deles, M a - nheiro, do G o v e r n o britânico, de 3 750 000 l i b r a s . O
guire, p a r t i u agora sem m e u conhecimento e contra a s c a n c e l a m e n t o do s e u interesse de 50 p o r c e n t o f o i feito
em 1956, e m t r o c a de u m p a g a m e n t o a n u a l de 50 m i l
m i n h a s ordens.

180 181
<1

l i b r a s d u r a n t e oito anos a p a r t i r de 3 1 de março de British South African Company Management Ser-


vices L t d .
1957.
B r i t i s h South Africa Citrus Products L t d .
A aquisição, e m d i n h e i r o , dos direitos à mineração C h a r t e r Properties ( P v t ) , L t d .
f o i f e i t a pelo G o v e r n o d a Rodésia do S u l e m 1933 por Indaba Investments (Pvt) L t d .
dois milhões de l i b r a s , desta vez provenientes dos c o n - Beit Holdings ( P v t ) L t d .
t r i b u i n t e s a f r i c a n o s . I s s o deixou a i n d a à c o m p a n h i a os Jameson Development Goldings ( P v t ) L t d .
seus direitos de mineração n a Rodésia do N o r t e que, B r i t i s h S o u t h A f r i c a Company Holdings L t d . (Rei-
por acordo, d e v e r i a m a n t e r até 1.° de outubro de 1986. no U n i d o ) .
Desde 1.° de outubro de 1949, n o e n t a n t o , a c o m p a n h i a
p a g a v a ao G o v e r n o d a Rodésia do N o r t e 20 por cento A B r i t i s h S o u t h A f r i c a C o m p a n y foi p r i v a d a d a
do r e n d i m e n t o líquido dos seus direitos de mineração, m a i o r p a r t e de s u a participação acionária e m compa-
s o m a que e r a c o m p u t a d a como " d e s p e s a " sob o p o n t o n h i a s que operam p r i m o r d i a l m e n t e n a República d a
de v i s t a do cálculo de imposto sobre a r e n d a norte- A f r i c a do S u l p e l a s u a participação n a p e r m u t a de
rodesiano. Além disso, " r e n d i m e n t o líquido" f o i defi- ações r e a l i z a d a e m 1 9 6 1 c o m a D e B e e r s I n v e s t m e n t
nido como os l u c r o s obtidos p e l a c o m p a n h i a dos seus T r u s t L t d . C o n s e r v a a i n d a s u a participação de 700 m i l
d i r e i t o s de mineração c a l c u l a d o s d a m e s m a m a n e i r a ações n a U n i o n C o r p o r a t i o n L t d .
a d o t a d a p a r a o cálculo do imposto sobre a r e n d a , isto A e s t r e i t a associação d a c o m p a n h i a c o m o S r . H a r r y
é, depois de deduzidas todas a s despesas. O a r r a n j o pre- Oppenheimer e a Anglo A m e r i c a n Corporation n a s R o -
v i a a isenção de royalties de mineração, especifica- désias deverá s e r t o r n a d a a i n d a m a i s íntima através de
m e n t e , n a Rodésia do Norte, e n q u a n t o o G o v e r n o de u m a operação proposta, p e l a q u a l u m milhão e 200 m i l
S u a Majestade empenhava-se e m a s s e g u r a r n a m e d i d a ações ordinárias de dez x e l i n s d a A n g l o A m e r i c a n se-
do possível que q u a l q u e r governo que se tornasse res- rão p e r m u t a d a s p o r dois e meio milhões, e m ações de
ponsável d u r a n t e os 37 a n o s , isto é, até 1.° de outubro u m a l i b r a esterlina, d a New Rhodesia Investments L t d . ,
de 1986, p e l a administração d a Rodésia do Norte, f i c a - u m a c o m p a n h i a pública r e g i s t r a d a n a Rodésia e pos-
r i a obrigado a o c u m p r i m e n t o desses acordos. suída, e m p a r t e s i g u a i s , p o r B r e n t h u r s t I n v e s t m e n t
T r u s t ( P t y ) L t d . , do S r . O p p e n h e i m e r e C e c i l H o l d i n g s ,
A B r i t i s h S o u t h A f r i c a C o m p a n y , apesar das r e c e n - tributária d a B r i t i s h S o u t h A f r i c a .
tes m e d i d a s t o m a d a s pelo G o v e r n o de Zâmbia p a r a a s - A New R h o d e s i a I n v e s t m e n t s i n c l u i : f i n a n c i a m e n -
s e g u r a r direitos m i n e r a i s , é a i n d a e x t r e m a m e n t e pode- to de m i n a s , 45,94 por cento; de ouro, 14,45 p o r cento;
rosa. P o s s u i f l o r e s t a s , propriedades agrícolas a t e r r e - diamantes, 9,38 por cento; de carvão. 2,49 p o r cento;
nos e m Zâmbia, Rodésia e Bechuanalândia. T e m t a m - outras c o m p a n h i a s , 1,9 por cento. No d i a 3 1 de dezem-
bém direitos d e mineração sobre 4 2 m i l quilómetros bro de 1962 o v a l o r de m e r c a d o dessas ações f o i c a l c u l a d o
q u a d r a d o s de território de M a l a w i . C o n s t i t u i u a C e c i l tm dez milhões e m e i o de l i b r a s e s t e r l i n a s , e n q u a n t o
H o l d i n g s L t d . a f i m de a d q u i r i r todo o c a p i t a l de ações Of bens líquidos d a N e w R h o d e s i a I n v e s t m e n t s v a l i a m
d a s subsidiárias d a B r i t i s h S o u t h A f r i c a C o m p a n y , à 12 milhões e 100 m i l l i b r a s . Q u a n t o à A n g l o A m e r i c a n
exceção d a R h o d e s i a R a i l w a y s T r u s t L t d . O u t r a c r i a - Corporation, s e u s b e n s líquidos n o f i m de 1 9 6 1 e r a m
ção, a B r i t i s h S o u t h A f r i c a I n v e s t m e n t s L t d . , a d q u i r i u d l 114 milhões e meio de l i b r a s . O i m p o r t a n t e bloco
a m a i o r p a r t e dos i n v e s t i m e n t o s d a companhia-mâe, tfft ações d a C o n s o l i d a t e d Mines S e l e c t i o n T r u s t L t d . de
e m 1958. O u t r a s subsidiárias i n c l u e m : propriedade d a N e w R h o d e s i a será a u m e n t a d o e m c o n -

183
182
v a l i o s a fonte de r e n d i m e n t o s e m t r o c a de serviços a d - por s u a vez tributária d a B r i t i s h S o u t h A f r i c a . Pelo
m i n i s t r a t i v o s e outros. C i m e n t o e b a r r o l e v a m - n a p a r a uií&rdo, B r i t i s h S o u t h A f r i c a terá u m a participação
a construção e comércio de produtos a f i n s através de maior n a s atividades d a A n g l o A m e r i c a n através d a
148 9 6 1 ações d a P r e m i e r P o r t l a n d C e m e n t Co. ( R h o - criação de u m a D i r e t o r i a R o d e s i a n a l o c a l , sob a p r e s i -
desia) L t d . e 25 por cento de C l a y P r o d u c t s ( P v t ) L t d . dência de Sir F r e d e r i c k C r a w f o r d , p a r a a c o m p a n h i a
A B a n c r o f t M i n e s parece d a r os bocados m a i s ricos p o r t a d o r a de c a r t a s de privilégios reais.
p a r a a digestão de ferro fundido d a h i d r a A n g l o A m e - Sir F r e d e r i c k C r a w f o r d é a t u a l m e n t e o diretor-pre-
r i c a n . E s s a c o m p a n h i a somente e m 1953 f o i f o r m a d a , sldcnte d a c o m p a n h i a n a Rodésia. C o m o a n t i g o G o v e r -
p a r a a d q u i r i r dos "proprietários dos direitos de m i n e - nador de U g a n d a , t r o u x e consigo u m a experiência de
ração, a B r i t i s h S o u t h A f r i c a C o . " , a s concessões espe- procônsul q u a n t o a o governo de " n a t i v o s " . U g a n d a for-
c i a i s d e direitos de mineração e direitos de prospecção nece também, c o m o diretor l o c a l e m Zâmbia, C . P . S .
adquiridos d a R h o k a n a . Ò c a p i t a l a u t o r i z a d o é de . . . . A U c n , até r e c e n t e m e n t e Subsecretário de E s t a d o P e r -
13 750 000 l i b r a s . A B r i t i s h S o u t h A f r i c a C o . a d q u i r i u m a n e n t e j u n t o ao s e u P r i m e i r o - M i n i s t r o . A s s i m são os
três milhões de ações, a R h o k a n a nove milhões e meio e agentes i m p e r i a l i s t a s recompensados pelos serviços aos
a R h o d e s i a n A n g l o A m e r i c a n , 74 700 ações. H o u v e u m a l o u s verdadeiros senhores. A oposição à constituição d a
p e r m u t a de ações c o m a R h o k a n a a s s i m como c o m a n o v a d i r e t o r i a l o c a l f o i c o m b a t i d a pelo presidente d a
R h o d e s i a n A n g l o A m e r i c a n . E m 1955, dois milhões de B r i t i s h S o u t h A f r i c a Co., P . V . E m r y s - E v a n s , c o m a ex-
ações a d i c i o n a i s f o r a m s u b s c r i t a s p e l a A n g l o A m e r i c a n plicação de que a m e d i d a dará m a i o r g r a u de autono-
e B r i t i s h S o u t h A f r i c a Co., que f o r n e c e r a m emprésti- mia à. administração l o c a l e fortalecerá a representação
mos de dois milhões e três milhões de l i b r a s , r e s p e c t i - da c o m p a n h i a e m Zâmbia. O próprio S r . E m r y s - E v a n s
vamente. 9 diretor d a A n g l o A m e r i c a n C o r p o r a t i o n , a s s i m como
da R i o T i n t o Z i n c C o r p o r a t i o n L t d . O S r . E m r y s - E v a n s
A Anglo American, a Rhodesian Anglo American,
defende os interesses de B a r c l a y s B a n k D . C . O. pelo
N c h a n g a e R h o k a n a r e c e b e r a m u m a opção sobre três
K U cargo de diretor do banco e s u a solicitude pelo de-
milhões d a s ações ordinárias d a B a n c r o f t , c o m prazo
senvolvimento d a Rodésia está implícita n a s u a condi-
até 3 1 de março de 1963. E m dezembro de 1961 o d i -
reito foi exercido sobre u m milhão de ações, das q u a i s
a R h o d e s i a n A n g l o A m e r i c a n a d q u i r i u 400 m i l . S lo de diretor d a R h o d e s i a R a i l w a y s T r u s t L t d . , s u b s i -
iárla d a B r i t i s h S o u t h A f r i c a C o m p a n y . O u t r a s cone-
xões c o m o imenso império O p p e n h e i m e r são c o n f i r m a -
O c a p i t a l próprio d a R h o d e s i a n A n g l o A m e r i c a n é
de sete milhões de l i b r a s e seu l u c r o consolidado p a r a das pela s u a condição de m e m b r o do Comité L o n d r i n o
o a n o que t e r m i n o u a 30 de j u n h o de 1961 f o i de . . . . da R a n d S e l e c t i o n C o r p o r a t i o n L t d . A m o r t e de L o r d e
20 590 783 l i b r a s e s t e r l i n a s , depois de r e s e r v a r 11 541 475 R o b i n s elevou-o d a vice-presidência à c a b e c e i r a d a dire-
l i b r a s p a r a impostos. O s dividendos a b s o r v e r a m toria d a B r i t i s h S o u t h A f r i c a Co., onde se c o n t a v a m e n t r e
fteus colegas o f i n a d o Sir C . J . H a m b r o , H a r r y Oppe-
5 403 535 l i b r a s . nheimer, L . F . A . d ' E r I a n g e r e o u t r o ex-procônsul, o
E s s e s interesses e s t r e i t a m e n t e ligados concernem Visconde M a l v e r n , que t r a z consigo a s bênçãos do M e r -
especialmente a o povo de Zâmbia e d a Rodésia, c u j a c h a n t B a n k of C e n t r a l A f r i c a , S c o t t i s h R h o d e s i a n F i -
existência e destino eles d o m i n a m . Não é à t o a que o n a n c e L t d . e S t a n d a r d B a n k of S o u t h A f r i c a .
S r . O p p e n h e i m e r está a m p l i a n d o a s u a p a r t e pessoal
através de propostas de p e r m u t a de ações e n t r e a A n g l o B o a p a r t e do relatório a n u a l de 1962 apresentado
A m e r i c a n e a B r i t i s h S o u t h A f r i c a Co., n a N e w R h o -
desia I n v e s t m e n t s , tributária d a C e c i l H o l d i n g s , que é
Sor E m r y s - E v a n s aos a c i o n i s t a s f o i devotada ao que o
ocumento descreve como críticas m a l - i n f o r m a d a s à

186 187
"política atribuída a o g r u p o de r e t i r a r g r a n d e s s o m a s
de d i n h e i r o do país ao mesmo t e m p o que se r e c u s a a
i n t e r v i r n o s e u d e s e n v o l v i m e n t o " . A t e n t a t i v a de r e j e i -
t a r essas críticas c o m a a f i r m a t i v a de que d u r a n t e dez
a n o s a c o m p a n h i a i n v e s t i r a m a i s de dez milhões de l i -
b r a s n o território, u m a média de u m milhão por a n o ,
não s a t i s f a z i a os a f r i c a n o s rodesianos, que s a b i a m m u i -
t o b e m que a c o m p a n h i a recebera e m r e n d i m e n t o b r u -
to d e seus royalties sobre o cobre do n o r t e d a Rodésia,
somente n o a n o de 1961-62, a s o m a de dez milhões e
900 m i l l i b r a s . Os impostos vão t e r ao R e i n o U n i d o e á 12. Companhias e combinados
África do S u l , a s s i m como os dividendos que, p a r a o
ano de 1959-60, a b s o r v e r a m 4 128 863 l i b r a s de u m l u -
c r o consolidado de 8 148 245 l i b r a s , atingido depois de
a b a t e r quase u m milhão de l i b r a s p a r a depreciação de
i n v e s t i m e n t o s e m a i s de 5 400 000 l i b r a s p a r a impostos.
O s elos o r i g i n a i s de R h o d e s c o m a s m i n a s de R a n d D AH A L G O s e m e l h a n t e à relação c o m p l e t a d a c o m -
e K i m b e r l e y f o r a m ligados m a i s e s t r e i t a m e n t e , p o r u m a
t e i a de m i l fios, c o m a Rodésia e Zâmbia, do que l h e
p o d e r i a t e r sido possível prever e m s e u tempo, e m b o r a
? l l c a d a rede de c o m p a n h i a s e s t r a n g e i r a s que a t u a l m e n -
e governa tão g r a n d e p a r t e d a v i d a económica a f r i c a n a
l e r i a impossível, n o espaço de u m único l i v r o . No e n -
fosse e s s a s u a p r i n c i p a l esperança e ambição. E s s e te- t a n t o , é necessária u m a referência às m a i s i m p o r t a n -
c i d o i n t e r l i g a d o fornece, e m p a r t e , a c o r d a do c a r r a s c o tes e e m m u i t o s casos seus interesses c o m u n s podem
que está s e r v i n d o p a r a t e n t a r e s t r a n g u l a r a i n d e p e n - i e r d e m o n s t r a d o s sob a f o r m a de d i a g r a m a . P o r trás d a
dência a f r i c a n a e a unificação política d a África. f a c h a d a de separação, fortes elos de união a m a r r a m
a p e r t a d a m e n t e essas poderosas f i r m a s .
U m a d a s m a i s poderosas empresas do L e s t e A f r i -
cano é T a n g a n y i k a c o n c e s s i o n s . O nome ilude. F o i r e a l -
mente r e g i s t r a d a e m L o n d r e s , e m f i n s de j a n e i r o de
1899, e hoje o controle d a c o m p a n h i a é exercido de
B a l i s b u r y , Rodésia, p a r a onde f o i t r a n s f e r i d o n o s e g u n -
do semestre de 1950. A s operações e m T a n g a n i c a não
f o r a m a i n d a t o t a l m e n t e desenvolvidas, e m b o r a i n c l u a m
duas i m p o r t a n t e s m i n a s de ouro e u m a c o m p a n h i a de
mineração, além de a l g u n s direitos de prospecção. A
e s c r i t u r a d a c o m p a n h i a t e m s i g n i f i c a d o m a i o r e m Zâm-
bia, onde f o i a d q u i r i d a d a B r i t i s h S o u t h África C o . u m a
concessão de e x t e n s a área, j u n t a m e n t e c o m d e t e r m i -
nados direitos de prospecção. D e Zâmbia, propagam-se
ao Congo, onde a c o m p a n h i a c o n t r o l a u m a concessão

188 189
de minério de 15o quilómetros q u a d r a d o s obtida do painéis, a n u a l m e n t e , c o m u m c a p i t a l i n v e s t i d o de c e r c a
Comité E s p e c i a l ( b e l g a ) de C a t a n g a . P a r a d a r à T a n - do dois milhões de l i b r a s .
g a n y i k a C o n c e s s i o n s os direitos sobre e s s a extensão de
Q u a n d o a T a n g a n y i k a Concessions e s t a v a p a r a
território do Congo, o Comité de C a t a n g a tornou-se be- t r a n s f e r i r s u a sede de L o n d r e s p a r a S a l i s b u r y , a s s u m i u
neficiário de 60 p o r cento do royalty pago p e l a U n i o n Um compromisso c o m o T e s o u r o de S u a M a j e s t a d e que
Minière. Bem dúvida t e v e a l g u m a influência n a vacilação polí-
Não devemos, no e n t a n t o , a d m i t i r por u m só m o - tica do G o v e r n o britânico d u r a n t e o colapso d a F e d e r a -
m e n t o q u e n o s i n d u z a m a o erro de p e n s a r que a T a n - ção C e n t r o - A f r i c a n a . D e v e também esclarecer o s e u
g a n y i k a Concessions p e r m i t i u que o Comité E s p e c i a l comportamento q u a n t o a o Congo e ao domínio p o r t u -
" l e v a s s e a m e l h o r " . A c o m p a n h i a tornou-se m e m b r o do guês n a África. O compromisso é o de que, por u m
Comité. À m a n e i r a dos f i n a n c i s t a s que, c a u t e l o s a e a r - prazo mínimo de dez. anos, a T a n g a n y i k a Concessions
g u t a m e n t e , não j o g a m todos os t r u n f o s n u m a só c a r - não i r i a , s e m o c o n s e n t i m e n t o do T e s o u r o Britânico,
t a d a , u m a n o v a organização f o i c r i a d a p a r a c u i d a r de "dispor dos seus interesses, cedê-los o u hipotecá-los e m
u m a concessão que a b a r c a u m a área e q u i v a l e n t e a três todo ou e m p a r t e n a U n i o n Minière d u H a u t K a t a n g a
q u i n t o s do território de G a n a . T r a t a - s e d a f a m o s a o u n a B e n g u e l a R a i l w a y ( C a m i n h o de F e r r o de B e n -
U n i o n Minière d u H a u t K a t a n g a , c u j a reputação, c o m g u e l a ) , exceto, no caso desta, e m favor do G o v e r n o
o correr dos anos, tornou-se notória p e l a exploração i m - português nos t e r m o s do A c o r d o de Concessão".
piedosa do Congo.
A restrição não t e r m i n a v a c o m o prazo de dez anos,
O u t r o i n t e r e s s e estratégico de T a n g a n y i k a Conces-
u m a vez que u m a cláusula estabeleceu a i n d a que s u b -
s i o n s é a f e r r o v i a que l i g a a Baía do L o b i t o , n a A n g o l a ,
sequentemente " n e n h u m a v e n d a o u o u t r a f o r m a de a l i e -
à f r o n t e i r a a n g o l a n a c o m o Congo, o p e r a d a p e l a C o m -
nação dos interesses o u de q u a l q u e r p a r t e deles (exceto
p a n h i a do C a m i n h o de F e r r o de B e n g u e l a . A c o m p a -
como f o i m e n c i o n a d o a n t e r i o r m e n t e ) será f e i t a s e m
n h i a ferroviária é u m a criação d a T a n g a n y i k a C o n c e s -
que os valores postos à v e n d a ou de o u t r a f o r m a alie-
sions, que possui 2 700 000 l i b r a s , ou seja 90 por cento
nados s e j a m p r i m e i r a m e n t e oferecidos ao T e s o u r o de
de s u a s ações de d u a s l i b r a s , a s s i m como o c a p i t a l t o t a l
S u a Majestade ao m e s m o preço e nos mesmos t e r m o s
de debêntures. A C o m p a n h i a C a m i n h o de F e r r o de
oferecidos à t e r c e i r a p a r t e " .
B e n g u e l a e m 1 9 6 1 , c o n s t r u i u u m r a m a l d a cidade de
R o b e r t Williams p a r a a região de mineração de G u i m a , E s s a s cláusulas d e r a m a o G o v e r n o britânico u m
que f o i i n a u g u r a d o e m agosto de 1962. A C o m m o n - interesse direto, n a s operações d a T a n g a n y i k a Conces-
w e a l t h T i m b e r I n d u s t r i e s L t d . , v a s t o negócio d e s i l v i - sions, União Minière e C a m i n h o de F e r r o de B e n g u e l a ,
c u l t u r a s e m a d e i r a , é também c o n t r o l a d a p e l a T a n g a - que deverá i n f l u e n c i a r s e u procedimento e m relação à
n y i k a Concessions, que p o s s u i 60 p o r cento dela. l u t a p e l a independência n o c e n t r o e no s u l d a África.
Novobord ( U . K . ) L t d . , a f i l i a d a britânica d a C o m - A i n d a m a i s tendo e m v i s t a as relações de tipo especial
m o n w e a l t h T i m b e r , conseguiu c o m a assistência d a s que a Grã-Bretanha t e m m a n t i d o c o m s e u m a i s a n t i g o
c o m p a n h i a s a f r i c a n a s e m que a Société Générale é a s - aliado, P o r t u g a l . D o ponto de v i s t a d a s c o m p a n h i a s ,
s o c i a d a , c o n s t r u i r u m a s e r r a r i a e u m a fábrica p a r a a em s i , estas devem se s e n t i r e n c o r a j a d a s por esse i n t e -
m a n u f a t u r a de painéis de f i b r a de m a d e i r a e m T h e t - resse especial do G o v e r n o britânico e m mantê-las e m
ford, e m Norfolk. A c a p a c i d a d e d a fábrica permitirá posição estratégica através do g r a n d e cinturão c e n t r a l
p r o d u z i r c e r c a de 2,33 milhões de m e t r o s q u a d r a d o s d e d a África.

190 191
A Tanganyika Concessions, t a n t o diretamente
como através d a T a n g a n y i k a H o l d i n g s , t e m u m a p a r -
ticipação i m p o r t a n t e n a R h o d e s i a K a t a n g a C o . L t d ,
c o m a q u a l , e m conjunção c o m Z a m b e s i a E x p l o r i n g ,
f o r a m a d q u i r i d o s interesses e m K a k a m e g a G o l d F i e l d s ,
no Quénia, depois t r a n s f e r i d o s a K e n t a n G o l d A r e a s , n a
qual a Rhodesia-Katanga tem u m a parcela substancial.
A R h o d e s i a - K a t a n g a é devedora d a B r i t i s h S o u t h A f r i c a
Co., p o r c a u s a dos direitos perpétuos de mineração que
e s t a l h e cedeu sobre q u a i s q u e r m i n e r a i s , i n c l u s i v e c a r -
vão, m a s excluídos d i a m a n t e s e p e d r a s preciosas, que
podem s e r encontrados e m c e r c a de 6 500 quilómetros
q u a d r a d o s de Zâmbia. Além disso, t e m direitos perpé-
tuos à mineração de carvão e m 20 áreas de 300 a c r e s ,
c a d a u m a delas s u j e i t a a 15 por cento de comissão p a r a
a B r i t i s h S o u t h A f r i c a Co.
O r o l completo das subsidiárias d a T a n g a n y i k a
Concessions i n c l u i f i n a l m e n t e a T a n g a n y i k a P r o p e r t i e s
( R h o d e s i a ) L t d . , de i n t e i r a propriedade d a Concessions
e r e g i s t r a d a e m S a l i s b u r y , Rodésia. F o r n e c e escritórios
e a l o j a m e n t o s p a r a o pessoal, além de serviços a f i n s , a s -
s i m como mantém determinados i n v e s t i m e n t o s .
O l u c r o consolidado d a T a n g a n y i k a Concessions
d u r a n t e o a n o que se e n c e r r o u a 3 1 de j u l h o de 1961
foi de 3 296 325 l i b r a s , de u m r e n d i m e n t o t o t a l de
4 462 667 l i b r a s . S e u a t i v o a t u a l é de 4 380 163 l i b r a s e m
ações e debêntures d a B e n g u e l a R a i l w a y Co.; 5 300 318
l i b r a s e m ações e empréstimos à Commonwealth
T i m b e r I n d u s t r i e s ; 1 317 793 l i b r a s n a T a n g a n y i k a
H o l d i n g s , e 4 019 629 l i b r a s n a U n i o n Minière, c u j a s r a -
mificações serão e s t u d a d a s e m u m capítulo posterior.
Chegando à South-West A f r i c a Co. L t d . , encontra-
m o s a A n g l o A m e r i c a n C o r p o r a t i o n e a Consolidated
Gold Fields fundidas p a r a explorar u m a vasta parte da
r i q u e z a d a África m e r i d i o n a l .
A S o u t h - W e s t A f r i c a Co. L t d . foi r e g i s t r a d a e m
L o n d r e s e m 18 de agosto de 1892, e t e m u m a concessão
especial de direitos exclusivos de prospecção e m i n e r a -
ção sobre c e r c a de oito m i l quilómetros q u a d r a d o s d a
área de concessão de D a m a r a l a n d , n a África do S u d o -

192
este. E s s a concessão f o i f e i t a p e l a administração d a
A f r i c a do Sudoeste por u m período de cinco anos a p a r -
t i r de dois de j a n e i r o de 1942; posteriormente f o i sendo
r e n o v a d a e t e m v a l i d a d e até dois de j a n e i r o de 1967. A
c o m p a n h i a possui a i n d a áreas de mineração e m vários
outros d i s t r i t o s d a África do Sudoeste. P r o d u z c o n c e n -
trados de estanho-volfrâmio e zinco-chumbo, a s s i m como
vanadiatos.
Várias áreas de t e r r a como a s que são possuídas
p e l a S o u t h "West A f r i c a Co. e x i g e m i n v e s t i m e n t o de c a -
p i t a l e x t r e m a m e n t e pesado p a r a e x p l o r a r e e n c o r a j a r
a formação de alianças entre grupos desejosos de con-
t r o l a r a produção, distribuição e p o r t a n t o os preços d a s
matérias-primas. Não somente isso, f a c i l i t a a c a n a l i z a -
ção do s e u p r o c e s s a m e n t o através de organizações a l i a -
das. P a r a seguir e s s a política de coordenação, a S o u t h -
W e s t A f r i c a a s s i n o u u m acordo c o m u m empreendi-
mento conjunto da Anglo-American Consolidated Gold
F i e l d s , através do q u a l s u b a r r e n d o u d e t e r m i n a d o s d i -
reitos seus de pesquisar e e x p l o r a r s u a s concessões.
( V e r o Q u a d r o 3.)
A Newmont M i n i n g Corporation foi formada em
D e l a w a r e , E s t a d o s U n i d o s , n o d i a dois de m a i o de 1 9 2 1 .
O objetivo d a c o m p a n h i a é a d q u i r i r , desenvolver, f i n a n -
c i a r e o p e r a r propriedades m i n e i r a s . P a r a esse f i m , u m
c a p i t a l acionário de 60 milhões de dólares f o i a u t o r i z a -
do. E m 3 1 de dezembro de 1961, 2 824 518 dos seis m i -
lhões de ações a u t o r i z a d a s , de dez dólares c a d a , h a v i a m
sido e m i t i d a s e pagas. A exploração d a s m i n a s é r e a l i z a d a
p e l a c o m p a n h i a através d a N e w m o n t E x p l o r a t i o n L t d .
( D e l a w a r e ) , N e w m o n t M i n i n g C o r p o r a t i o n of C a n a d a
L t d . e N e w m o n t of S o u t h A f r i c a ( P t y ) L t d . O Q u a d r o 4
(pág. 196) dá u m a i d e i a do a l c a n c e dos seus interesses.
Já e n c o n t r a m o s a l g u m a s d a s c o m p a n h i a s R i o T i n -
to e m Zâmbia e Rodésia e f a l a m o s de o u t r a s e m cone-
xão c o m a s associações d a Société Générale de B e l g i q u e
c o m o cenário f i n a n c e i r o e i n d u s t r i a l n o r t e - a m e r i c a n o .
O complexo R i o T i n t o é algo que s e r i a difícil o m i t i r e m
q u a l q u e r t e n t a t i v a de e x a m i n a r a s ramificações do
m u n d o i n t e r n a c i o n a l d a mineração. Estende-se a p a r t i r

194
do R e i n o U n i d o , através d a E s p a n h a e África e através
do Atlântico ao Canadá e E s t a d o s U n i d o s , c o m i n c u r -
lOes p e l a A l e m a n h a , Bélgica, Áustria, Austrália e o u -
tros l u g a r e s . A s mãos d a A n g l o A m e r i c a n C o r p o r a t i o n ,
Consolidated Z i n c C o r p o r a t i o n e grupos do alumínio de
âmbito m u n d i a l estão f i r m e m e n t e dadas a êle e repre-
s e n t a n t e s dessa combinação de c o m p a n h i a s do Congo
A d o r n a m a s d i r e t o r i a s que possuem nomes aristocráti-
cos como R o t h s c h i l d e C a v e n d i s h - B e n t i c k .
E m b o r a seus interesses fossem o r i g i n a l m e n t e m i -
n a s de p i r i t a n a E s p a n h a , a R i o T i n t o C o . L t d . f o i r e -
g i s t r a d a e m L o n d r e s e m 1873. D e acordo c o m a época
I a tendência g e r a l p a r a a combinação e o monopólio,
t c o m p a n h i a sofreu a l g u m a s alterações. S e u s diretores
f i t a v a m e n t r e os m a i s fervorosos partidários do G e n e -
r a l F r a n c o à época d a G u e r r a C i v i l E s p a n h o l a . E s s a
devoção à c a u s a do C a u d i l h o s e m dúvida os fêz p r o s -
perar, de modo que j u n t a m e n t e c o m seus associados n a
• • f e r a f i n a n c e i r a m a i s a m p l a p u d e r a m estender seus
tentáculos através d a indústria de z i n c o e alumínio até
01 m e t a i s preciosos e o c a m p o dos m e t a i s , e m g e r a l .
E m 1954, a R i o T i n t o t r a n s f e r i u s u a s posses n a E s -
panha a u m a c o m p a n h i a que c r i o u n a q u e l e país c o m
u m c a p i t a l de u m bilhão de pesetas, sob o título de
C o m p a n i a Espafíola de M i n a s de R i o T i n t o S . A . P o r
essa d i g n a p r o v a de s u a sensibilidade a o p a t r i o t i s m o
espanhol, recebeu u m a compensação de 36 666 830 pese-
tas, e m p a g a m e n t o de l u c r o s a c u m u l a d o s até 1.° de j a -
neiro de 1954 e todas a s 333 333 333 ações " B " de m i l
>esetas c a d a , d a n o v a c o m p a n h i a . A l é m disso, f o i -
he concedido u m p a g a m e n t o e m espécie de 7 666 665
ibras e s t e r l i n a s . A R i o T i n t o t e m a i n d a u m a r e t i r a d a
de honorários p o r serviços técnicos e c o m e r c i a i s p r e s -
tados e m L o n d r e s à c o m p a n h i a e s p a n h o l a , n a q u a l a
s u a posse de todas a s ações " B " l h e dá a i n d a u m i n t e -
resse direto.
A R i o T i n t o é a g o r a u m a c o m p a n h i a holding de
i n v e s t i m e n t o s , l e v a d a p o r s u a s operações f i n a n c e i r a s à
v a n g u a r d a do e m p r e e n d i m e n t o i n d u s t r i a l . A África f i -
g u r a c o m destaque e m s u a s esferas de a t i v i d a d e e s u a s

197
m a i s i m p o r t a n t e s participações acionárias n o c o n t i -
n e n t e são n a R h o k a n a C o r p o r a t i o n e n a N c h a n g a C o p -
per M i n e s , n a s q u a i s , como já vimos, se associa à B r i t i s h
S o u t h A f r i c a Co., A n g l o A m e r i c a n C o r p o r a t i o n , U n i o n
C o r p o r a t i o n , T a n g a n y i k a Concessions, U n i o n Minière e
R a n d S e l e c t i o n T r u s t , e m s u a s participações n o s i m -
portantes empreendimentos mineiros e industriais d a
Rodésia e África do S u l .
T ã o tortuosos e i n c r i v e l m e n t e expandidos são os
elos que l i g a m os grupos que e x p l o r a m os r e c u r s o s d a
África aos dos que e n r i q u e c e m e m outros r e c a n t o s d a
t e r r a , que n a d a de extraordinário devemos v e r a o se-
g u i r m o s a R i o T i n t o d a África, através de a l g u m a s d a s
m a i s poderosas forças f i n a n c e i r a s n o r t e - a m e r i c a n a s e
britânicas, até a R i o T i n t o do Canadá.
U m a das molas motivadoras do monopólio m a i s
p r o n t a s à ação é a de i m p e d i r , e m áreas n o v a s o u i n e x -
p l o r a d a s , a e n t r a d a de grupos rivais e, onde esse es-
forço se m o s t r e inútil o u impossível, de colaborar c o m
eles. Veremos, e m capítulo posterior, como a C a n a d i a n
E l d o r a d o forçou a U n i o n Minière a b a i x a r o preço do
urânio e como seus interesses se c o n j u g a m através d a
representação de Sogemines n a d i r e t o r i a d a p r i m e i r a .
No m u n d o d a l i v r e i n i c i a t i v a o c i d e n t a l , a competição
está sendo corroída pelo papel do monopólio, de batedor
solitário e m b u s c a de l u c r o s que não s e j a m d i v i d i d o s .
A s s i m a s r i q u e z a s a f r i c a n a s são l e v a d a s a a j u d a r a s
ramificações m a n i p u l a t i v a s do c a p i t a l f i n a n c e i r o i n t e r -
n a c i o n a l . E n t r e a Société Générale e a R i o T i n t o se
interpõe u m a sólida f a l a n g e de poder entrelaçado que
avança f u r t i v a m e n t e pelo m u n d o .
P e n e t r a n d o no m u n d o do alumínio, a R i o T i n t o
f o r m o u u m a aliança c o m a C o n s o l i d a t e d Z i n c C o r p o r a -
t i o n L t d , E s s a fusão p a r e c i a , s u p e r f i c i a l m e n t e , u n i r dois
grupos poderosos que não t i n h a m ligações c o n j u n t a s .
E s s a separação o s t e n s i v a i l u d i r i a a p e n a s o i g n o r a n t e .
S e u subterfúgio é destruído i m e d i a t a m e n t e , c o m u m
s i m p l e s o l h a r de r e l a n c e dirigido à d i r e t o r i a c o m b i n a -
da, que logo m o s t r a a s conexões c o m a mineração e os

198
interesses f i n a n c e i r o s s u l - a f r i c a n o s . P . "V. E m r y s - E v a n s priedade, a K a i s e r A l u m i n i u m & C h e m i c a l S a l e s I n c . e
é u m m e m b r o p r o e m i n e n t e e o R t . H o n . L o r d e Baiílieu, a K a i s e r A l u m i n i u m International Corporation. Como a
K . B . E . , C . M . G . , é o vice-presidente. L o r d e Baiílieu é R e y n o l d s M e t a l s , K a i s e r A l u m i n i u m somente i n v a d i u a
também o vice-presidente d a C e n t r a l M i n i n g a n d I n - indústria do alumínio n o s E s t a d o s U n i d o s sob o ímpeto
v e s t m e n t C o r p o r a t i o n L t d . , i m p o r t a n t e f i r m a de i n v e s - d a d e m a n d a , e m tempo de g u e r r a , de m e t a l p a r a aviões.
t i m e n t o e finança do grupo de c o m p a n h i a s d a A n g l o A n t e s d a S e g u n d a G u e r r a M u n d i a l , a A l u m i n i u m C o . of
A m e r i c a — A L C O A — e r a o único p r o d u t o r doméstico de
A m e r i c a n dirigido por H a r r y F . Oppenheimer e C . W .
alumínio primário.
E n g e l h a r d . O S r . E m r y s - E v a n s é também i m p o r t a n t e ,
sendo vice-presidente d a B r i t i s h S o u t h A f r i c a C o . e d i - A C o n s o l i d a t e d Z i n c , c o m u m c a p i t a l a u t o r i z a d o de
retor d a A n g l o A m e r i c a n . 25 milhões de l i b r a s , t e m extensos i n t e r e s s e s q u e a t o r -
No e n t a n t o a ligação v a i além disso. A B r i t i s h S o u t h n a m u m formidável c o n t r o l a d o r de n u m e r o s o s m e t a i s
A f r i c a H o l d i n g s L t d . e a l g u m a s d a s s u a s associadas, se- i m p o r t a n t e s e produtos químicos importados. F o r m a d a
g u n d o u m acordo d a t a d o de sete de dezembro de 1960, há menos de 15 a n o s , e m fevereiro de 1949, s u a s f i n a -
s u b s c r e v e r a m dez milhões de l i b r a s e s t e r l i n a s , e m ações, lidades e r a m "desenvolver, e x p a n d i r e prosseguir o u f i -
p a r a a C o n s o l i d a t e d Z i n c , sob a f o r m a de u m empréstimo n a n c i a r , s e j a p o r s i m e s m a o u através de s u a s c o m p a -
a 5,5 p o r c e n t o e m estoque, e m t r o c a d e opção p a r a a d - nhias subsidiárias o u associadas, o desenvolvimento,
q u i r i r 2 285 714 ações ordinárias de u m a l i b r a , c a d a , n a expansão e p r o s s e g u i m e n t o d a mineração de c h u m b o e
C o n s o l i d a t e d Z i n c , a o preço de 87 x e l i n s e seis pence p o r zinco e de indústrias p r o d u t o r a s de matérias-primas e
ação. A q u i e n t r a m o s n a t r a m a i n t r i n c a d a d a política f i - o u t r a s e a fundição, r e f i n o e m a n u f a t u r a e o u t r a s i n -
n a n c e i r a do alumínio, n a q u a l a C o n s o l i d a t e d Z i n c féz dústrias associadas a p a r t i r desse ponto, p o r todo o
p r o f u n d a s incursões através d a s u a aliança c o m a K a i s e r mundo e p a r t i c u l a r m e n t e n a C o m m o n w e a l t h " .
A l u m i n i u m & C h e m i c a l Corporation n a Commonwealth
T u d o isso a p a r e n t e m e n t e não t e m ligação c o m a
A l u m i n i u m ( P t y ) L t d . , c o m u m e n t e c o n h e c i d a como
A f r i c a , m a s é b a s t a n t e o l h a r p a r a a l g u m a s das direto-
C o m a l c o . A s opções a d q u i r i d a s p e l a B r i t i s h S o u t h A f r i c a
rias p a r a descobrir i m e d i a t a m e n t e como são estreitos
H o l d i n g s podem s e r e x e r c i d a s a q u a l q u e r t e m p o e n t r e
08 laços de união c o m a rede O p p e n h e i m e r e os grupos
o d i a 1.° de j u n h o de 1966 e IP de j u l h o de 1968, o u n a
financeiros a e l a associados.
d a t a e m que a C o m m o n w e a l t h o u s u a s c o m p a n h i a s a s -
sociadas n a operação t i v e r e m produzido u m t o t a l de 200 São esses os colossais interesses envoltos e m ouro
m i l t o n e l a d a s l o n g a s de lingotes de alumínio n a n o v a que estão p o r trás d a fusão C o n s o l i d a t e d Z i n c - R i o T i n -
r e f i n a r i a p l a n e j a d a p e l a C o m a l c o , o que v i e r p o r to. A n o v a c o m p a n h i a holding, R i o T i n t o - Z i n c Corpo-
último. r a t i o n L t d . , f o i c r i a d a p o r u m a operação f i n a n c e i r a que
O p r i n c i p a l interesse d a K a i s e r A l u m i n i u m está e m deu aos a c i o n i s t a s d a C o n s o l i d a t e d Z i n c 58 ações ordi-
K a i s e r B a u x i t e Co., J a m a i c a , de s u a i n t e i r a p r o p r i e d a - nárias de dez x e l i n s , c a d a , n a n o v a c o m p a n h i a , e m t r o -
de. Além de s u a s a t i v i d a d e s n a mineração, a K a i s e r o p e r a oa de c a d a 20 ações de u m a l i b r a d a Consolidated Z i n c .
indústrias de p r o c e s s a m e n t o e produtos químicos nos O l a c i o n i s t a s d a R i o T i n t o r e c e b e r a m 4 1 ações de dez
E s t a d o s U n i d o s e Canadá e p o s s u i i n v e s t i m e n t o s e m xelins, c a d a , d a n o v a c o m p a n h i a , e m t r o c a de c a d a g r u -
instalações de mineração, purificação e produção de po de 20 u n i d a d e s ordinárias de estoque de dez x e l i n s
alumínio e n a indústria de fabricação de a r t i g o s de m e r -
cado, n o R e i n o U n i d o , América do S u l , África e Ásia.
O p e r a através de d u a s subsidiárias de s u a i n t e i r a p r o -
K ssuídas n a R i o T i n t o . A s ações p r e f e r e n c i a i s de a m -
B as c o m p a n h i a s f o r a m também t r o c a d a s por ações
preferenciais d a n o v a .

200 201
A fusão colocou a R i o T i n t o ^ Z i n e b e m n a v a n g u a r -
d a do c a m p o do alumínio, a c e n t u a n d o s u a posição já
i m p o r t a n t e n o c a m p o do z i n c o - c h u m b o e m e t a i s não-
ferrosos. T r o u x e a C o n s o l i d a t e d Z i n c m a i s c o m p l e t a m e n -
te p a r a a esfera d a exploração m i n e r a l n a África, a t r a -
vés d a participação acionária d a R i o T i n t o e m a l g u m a s
d a s p r i n c i p a i s empresas que o p e r a m n a A f r i c a do S u l ,
Rodésia e o u t r o s pontos. A s conexões c o m os cenários
financeiros e industriais norte-americanos, canadenses
e a u s t r a l i a n o s t o r n a m - s e evidentes após o breve r e s u m o
d a situação apresentado. Através desses interesses, o
c o m b i n a d o R i o T i n t o - Z i n c t e m cordéis a d i c i o n a i s que o
l i g a m o u t r a vez à África.
H á a l g u n s m a t e r i a i s não-metálicos r a r o s e l o c a l i z a -
dos que são usados e m indústrias básicas e secundárias.
E n t r e eles estão incluídos a m i a n t o , corindo, m i c a , v e r -
m i c u l i t e , r o c h a f o s f a t a d a , gesso, p i g m e n t o s m i n e r a i s ,
f l u o r i t a e sílica. O m a i s i m p o r t a n t e é o a m i a n t o . É e n -
contrado e m três f i b r a s p r i n c i p a i s : c r i s o l i t a , c r o c i d o l i t a
o u a m i a n t o a z u l e a m o s i t a . T o d a s a s três têm c a r a c t e -
rísticas c o m u n s . São incombustíveis, não c o n d u z e m o
calor o u a eletricidade. São p r a t i c a m e n t e insolúveis e m
ácidos e p o d e m ser t e c i d a s .
São a s pequenas variações n a s propriedades que
l h e s dão diferentes usos. A c r i s o l i t a é a m a i s resistente
ao fogo e s u a t e x t u r a forte, de b o a f l e x i b i l i d a d e , t o r n a - a
a l t a m e n t e a d e q u a d a p a r a tecidos de a m i a n t o e p a r a
a utilização e m l o n a s de freio, discos de e m b r e a g e m e
e n c a i x e s de isoladores. Ê também u s a d a p a r a p l a c a s de
a m i a n t o e produtos de m i s t u r a de a m i a n t o . O a m i a n t o
a z u l t e m m a i o r elasticidade e resistência à tensão e e m -
bora não s e j a tão r e s i s t e n t e a o fogo, s u p o r t a m e l h o r
ácido e água do m a r . É usado p a r t i c u l a r m e n t e n a m a -
n u f a t u r a de tecido de f i l t r o , r e v e s t i m e n t o de c a l d e i r a s ,
e m b a l a g e m de isoladores e produtos de a m i a n t o . A a m o -
s i t a t e m u m c o m p r i m e n t o de f i b r a de sete e m e i o a 15
centímetros e t e m m a i o r resistência ao calor do que a
c r o c i d o l i t a e m a i o r resistência à a g u a do m a r do que o
a m i a n t o a z u l . E s s a s propriedades t o r n a m - n a p a r t i c u l a r -
m e n t e a d e q u a d a à utilização e m m a t e r i a i s tecidos e n a

202
aviação. A África do S u l é a t u a l m e n t e quase que o úni-
co l u g a r onde são encontrados t a n t o o a m i a n t o a z u l
como a a m o s i t a . O Canadá é o m a i o r p r o d u t o r de c r i -
s o l i t a ; a África do S u l e a Rodésia f i c a m - l h e m u i t o
atrás.
O s depósitos s u l - a f r i c a n o s f i c a m p r i n c i p a l m e n t e n a
Suazilândia e n o leste do T r a n s v a a l . Estão sob o c o n -
trole v i r t u a l de u m a f i r m a britânica, T u r n e r & N e w a l l
L t d . , r e g i s t r a d a e m 1920, que t e m e m s u a s mãos 90 por
cento do comércio britânico de a m i a n t o . E s s e fato p e r -
m i t i u - l h e obter u m acordo e m 1930 c o m a União S o -
viética r e g u l a n d o a s e n t r ega s ao m e r c a d o c o n t i n e n t a l .
A União Soviética, i m p o r t a n t e p r o d u t o r de c r i s o l i t a de
a l t o teor, cessou de e x p o r t a r após a última g u e r r a .
S u p e r f i c i a l m e n t e pouco i m p r e s s i o n a n t e , a d i r e t o r i a
d a T u r n e r & N e w a l l t e m como presidente R o n a l d G .
S c o t h i l l , que está associado ao m u n d o dos seguros como
d i r e t o r d a L i v e r p o o l a n d Globe I n s u r a n c e Co. L t d . e R o y a i
I n s u r a n c e Co. L t d . e c o m a finança como d ire t or do D i s -
trict B a n k . S e u capital, no entanto, é impressionante,
estando a u t o r i z a d o a 60 milhões de l i b r a s c o m quase 50
pagos. O r i g i n a l m e n t e de três milhões de l i b r a s , o a u -
m e n t o do c a p i t a l d a c o m p a n h i a dá u m a indicação d a
ampliação do seu domínio sobre a mineração de a m i a n -
to e indústrias c o n e x a s .
E s s a capitalização torna-se m a i s c l a r a q u a n d o se
r e l a c i o n a c o m a extensão do r e i n o do a m i a n t o , de T u r -
n e r & N e w a l l , que se b a s e i a n a s m i n a s a f r i c a n a s e c a -
nadenses. C o m p a n h i a holding, a T u r n e r & Newall tem
u m a rede de subsidiárias por todo o m u n d o , que m a n u -
íaturam e v e n d e m a m i a n t o , magnésia e produtos a f i n s .
(Ver o Quadro 7 ) .
U m recente l e v a n t a m e n t o m o s t r a que c e r c a de 60
a 70 p o r cento de t o d a a a t i v i d a d e de negócios do m u n -
do são controlados por menos de dois p o r cento de to-
das a s c o m p a n h i a s do m u n d o . O colossal U n i l e v e r T r u s t
é u m e x e m p l o perfeito dessa proporção monopolística
de controle.
P a r a milhões de donas de c a s a , u m a entidade i n -
c o r p o r a d a c h a m a d a U n i l e v e r é algo que não e x i s t e . Há

204
a p e n a s a r o t i n a diária de escolher e n t r e L i f e b u o y e L u x , custo, u m a participação n o d e s e n v o l v i m e n t o que êle não
Pepsodent e G i b b s , O m o e S u r f — de c o m p r a r chá L l p - consegue impedir. E por s u a própria n a t u r e z a essa p a r -
t o n , s a l s i c h a s "Wall e a l i m e n t o s congelados B i r d ' s E y e , ticipação f r u s t r a q u a l q u e r novo progresso, u m a vez que
F l y t o x , m a r g a r i n a S t o r k e comésticos de H a r r i e t H u b - a s s e g u r a u m f l u x o r e g u l a r de p a g a m e n t o s a o s cofres do
b a r d A y e r . Também do ponto de v i s t a do coletor de i m - c a p i t a l m o n o p o l i s t a sob a f o r m a de royalties, patentes,
postos, U n i l e v e r t a m p o u c o é u m a entidade i n c o r p o r a d a , acordos de licença, assistência técnica, e q u i p a m e n t o e
m a s d u a s c o m p a n h a s s e p a r a d a s , a c o m p a n h i a britânica outras "serviços". Dá também p r i o r i d a d e à m o n t a g e m
Unilever L i m i t e d , e a companhia holandesa Unilever G e m b a l a g e m de produtos e s t r a n g e i r o s f r e q u e n t e m e n t e
N. V . M a s a U n i l e v e r t e m subsidiárias por t o d a a E u r o - apresentados sob f a l s o s rótulos de c o m p a n h i a s n a t i v a s .
p a , n a Bélgica, Áustria, D i n a m a r c a , A l e m a n h a , Finlân- A preferência d a d a a t u a l m e n t e p e l a U n i l e v e r às indús-
d i a , Itália, Suécia e Suíça. E m todas essas nações, tende t r i a s de e m b a l a g e m não é coincidência.
a c o n t r o l a r a produção de sopas, a l i m e n t o s congelados,
O m o d e r n o t r u s t e se a p o i a m e n o s n o m o n t a n t e de
sabão, m a r g a r i n a , i n s e t i c i d a s , detergentes, cosméticos e
dividendos do que e m d e t e r m i n a d a s cláusulas dos acor-
óleos comestíveis. T e m também interesses poderosos e
dos d a C o m p a n h i a que t o r n a m o c a p i t a l n a t i v o depen-
centenários n a América L a t i n a , África do S u l , África
dente do c a p i t a l m o n o p o l i s t a p a r a a renovação de c o n -
O c i d e n t a l e C e n t r a l , índia, Ceilão, Federação d a Malá-
tratos e a destinação de fundos. É s i g n i f i c a t i v o que
s i a , T r i n i d a d , Tailândia e F i l i p i n a s .
n u m a recente edição d a New Commorvwealth, a United
O m a i s robusto rebento d a U n i l e v e r n o u l t r a m a r é A f r i c a C o m p a n y t e n h a sido c i t a d a como "o g i g a n t e gen-
a U n i t e d A f r i c a C o m p a n y através d a q u a l o t r u s t e se U l " . O s métodos m o n o p o l i s t a s t o r n a r a m - s e m a i s s u t i s ,
t o r n o u conhecido como o " R e i s e m coroa d a África O c i - m a s a f a m o s a afirmação de L e v e r parece s e r a i n d a ver-
dental". A United Africa Company é a maior companhia d a d e i r a : " A f i n a l de c o n t a s , estamos t r a b a l h a n d o e m
i n t e r n a c i o n a l de comércio do m u n d o , e c o n t r a a crença p r o l dos interesses p e r m a n e n t e s d a Grã-Bretanha."
de que a liberação dos territórios coloniais s u p r i m i r i a
a u t o m a t i c a m e n t e o c a p i t a l i s m o m o n o p o l i s t a , o império
U n i l e v e r c o n t i n u a a prosperar. I s s o acontece porque s o u -
be a d a p t a r s u a política ao "desafio dos tempos", n a s
p a l a v r a s de u m relatório d a c o m p a n h i a . E a s s i m , a U n i -
lever está a p l i c a n d o objetivos de l u c r o a outros setores
m a i s rendosos. A c e l e r o u s u a r e t i r a d a do comércio de
m e r c a d o r i a s e produtos d a África O c i d e n t a l p a r a se
c o n c e n t r a r n o desenvolvimento e m c a r r o s , e n g e n h a r i a
e no lado farmacêutico do negócio. O objetivo neocolo-
n i a l i s t a não é a p e n a s o de e x p o r t a r c a p i t a l , m a s t a m -
bém o de c o n t r o l a r o m e r c a d o do u l t r a m a r . D e s s e modo
são s u t i l m e n t e feitas t e n t a t i v a s p a r a e v i t a r que os paí-
ses e m desenvolvimento dêem passos decisivos r u m o
à industrialização, u m a vez que a exploração do c r e s -
cente m e r c a d o indígena é a g o r a o s e u objetivo p r i m o r -
d i a l . S e f a l h a m os esforços p a r a i m p e d i r a i n d u s t r i a l i -
zação, então é preciso g a r a n t i r p a r a o t r u s t e , a todo

206
207
13. Os gigantes do estanho,
alumínio e níquel

O I M P É R I O estanífero de P a t i n o of C a n a d a L t d . e
suas associadas estende-se d a América do S u l ao R e i n o
U n i d o e América do Norte e através d a África a o Pací-
fico e à Ásia, C a p i t a l i z a d a e m dez milhões de dólares,
a P a t i n o of C a n a d a e m i t i u e p a g o u 1 971 839 ações de
dois dólares. D e s t a s , 47,2 p o r cento estão n a posse de
u m a c a s a f i n a n c e i r a p a n a m e n h a pertencente ao grupo
P a t i n o , C o m p a n h i a de B o n o s Acciones y Negócios I n -
d u s t r i a l e s — C O B A N I S A . A aquisição f e i t a por P a t i n o n a
G e n e r a l T i n I n v e s t m e n t s L t d . e m 1962 t r o u x e a esse
iycoon u m a p a r t e m a i o r d a expansão do R e i n o U n i d o
no m u n d o de mineração e comercialização do e s t a n h o .
A G e n e r a l T i n I n v e s t m e n t s é a c u s a d a de a d q u i r i r e pos-
s u i r ações e m c o m p a n h i a s m i n e r a d o r a s , f i n a n c e i r a s e
i n d u s t r i a i s , sendo s u a s p r i n c i p a i s participações acioná-
r i a s ligadas à indústria do e s t a n h o . A G e n e r a l T i n de-
senvolve s u a s operações de f i n a n c i a m e n t o através de
u m a subsidiária de s u a i n t e i r a propriedade, G e n e r a l
M e t a l S e c u r i t i e s ( L o n d o n ) L t d . A . Patifío preside a m b a s
as diretorias, onde t e m como colegas o Conde G . d u
B o i s b o u v r a y , J . O r t i z - L i n a r e s e E . R . E . Cárter. Cárter
è o presidente d a B r u n s w i c k M i n i n g & S m e l t i n g Corpo-

209
r a t i o n e de várias o u t r a s c o m p a n h i a s associadas ao g r u - com Maritime M i n i n g Corporation e I r v i n g O i l Co.
po P a t i n o . B r u n s w i c k e n t r a n a esfera de influência de L t d . n a c o m p r a de 40 p o r cento d a s ações de mineração
M o r g a n através do interesse m a n t i d o por S a i n t J o s e p h d a B r u n s w i c k a m p l i a m s u b s t a n c i a l m e n t e o império P a -
L e a d C o . S a b e m o s também que a Sogemines se l i g o u , t i n o e m outros c a m p o s além do e s t a n h o .
com u m investimento substancial, à New B r u n s w i c k Interesses mineradores e financeiros norte-ameri-
M i n e s , d a B r u n s w i c k M i n i n g . O s r a i o s que p a r t e m do canos e belgas tão poderosos q u a n t o os de P a t i n o l i g a -
eixo a f r i c a n o d a Société Générale de B e l g i q u e r u m o íam-se à P a t i n o of C a n a d a n a investigação e exploração
aos a s s u n t o s dos m a i s poderosos monopólios f i n a n c e i r o s de depósitos de minério, e m base de e x c l u s i v i d a d e , a t r a -
do m u n d o p a r e c e m crescer s e m l i m i t e . vés de 1 950 quilómetros q u a d r a d o s de t e r r a s n a c o s t a
Os i n v e s t i m e n t o s diretos de P a t i n o n o Canadá i n - nordeste de N e w f o u n d l a n d , conforme direitos concedi-
c l u e m s u b s t a n c i a i s participações n a Copper R a n d C h i - dos à Advocate. No f i n a l de 1960 a s r e s e r v a s c o m p r o v a -
bougama Mines L t d . , Advocate Mines L t d . , Nipissing das de minério t o t a l i z a v a m 35 milhões de t o n e l a d a s de
M i n e s Co. L t d . , e B r u n s w i c k M i n i n g . Através de artifícios m a t e r i a l de teor c o m e r c i a l . A A d v o c a t e está p r o c e s s a n -
f i n a n c e i r o s , a consolidação d a s p r i n c i p a i s c o m p a n h i a s do a m i a n t o d e n t r o de u m projeto empreendido p o r P a -
c a n a d e n s e s do grupo f o i alcançada e m 1960. I s s o f o i tino of C a n a d a e m c o n j u n t o c o m C a n a d i a n J o h n s - M a n -
feito através de u m acordo e n t r e a Copper R a n d , N i p i s - v i l l e Co. L t d . , A m e t C o r p o r a t i o n I n c . e Fmancière Belge
sing Mines, Chibougama Jaculet Mines L t d . , Porta- de T A s b e s t o s - C i m e n t S . A . O s p a r t i c i p a n t e s c o n c o r d a -
ge I s l a n d ( C h i b o u g a m a ) M i n e s L t d . , P a t i n o of C a n a d a r a m e m colocar a propriedade e m base o p e r a t i v a através
e B a n k m o n t & Co., u m a c a s a de f i n a n c i a m e n t o . O co- do f o r n e c i m e n t o à A d v o c a t e d a s o m a t o t a l de 17 900 000
bre é o p r i n c i p a l m i n e r a l extraído, m a s ouro e p r a t a são dólares. A C a n a d i a n J o h n s - M a n v i l l e contribuirá c o m
também produzidos. A propriedade d a Copper R a n d co- 49,62 por cento, a P a t i n o c o m 17,3 por cento, e a A m e t
bre c e r c a de dez m i l acres, e m q u a t r o concessões. P o r - e a Fmancière B e l g e c o m 16,54 por cento, c a d a u m a .
tage I s l a n d é u m a propriedade d a Copper R a n d con- O c a p i t a l d a A d v o c a t e foi estabelecido e m 23 milhões de
tendo ouro e cobre, e a m i n a J a c u l e t é p r o d u t o r a de dólares e a s p a r t e s n o acordo e n t r a m n a divisão do c a -
cobre. p i t a l n a proporção de s u a s contribuições, co nsi der ando
os múltiplos de c e m dólares.
A N i p i s s i n g e n t r a n o q u a d r o como c o n t r i b u i d o r a
f i n a n c e i r a p a r a o d e s e n v o l v i m e n t o d a propriedade de A C a n a d i a n J o h n s - M a n v i l l e , que é l i g a d a a o I m p e -
P o r t a g e I s l a n d . P o s s u i n u m e r o s o s direitos r e g i s t r a d o s a r i a l - C o m m e r c e B a n k , o m a i o r do Canadá e no q u a l t e m
mineração de áreas e m Quebec e diversos interesses acio* assento u m di r eto r de J o h n s - M a n v i l l e , é u m a subsidiária
nários. S u a s operações se r a m i f i c a m p a r a os E s t a d o s de i n t e i r a propriedade d a J o h n s - M a n v i l l e C o r p o r a t i o n
U n i d o s , através de u m a subsidiária de s u a i n t e i r a p r o - dos E s t a d o s U n i d o s . S e u s p r i n c i p a i s interesses estão n o
priedade, A p a l a c h i a n S u l p h i d e s I n c . , c o m direitos de a m i a n t o , que processa, p r o d u z i n d o f i b r a , e f a b r i c a m a -
mineração sobre depósitos de minério n o s estados n o r t e - teriais de construção e i n d u s t r i a i s . T e m o c o n t r o l e d a
a m e r i c a n o s de V e r m o n t e C a r o l i n a do Norte. N i p i s s i n g administração d a A d v o c a t e e p o s s u i também u m i n t e -
a d q u i r i u a s u a participação d a B r u n s w i c k M i n i n g c o m - resse majoritário e controle a d m i n i s t r a t i v o de C o a l i n g a
p r a n d o de u m a subsidiária de P a t i n o , P a t i n o M i n e s & Asbestos Co., d a Califórnia, E U A , u m e m p r e e n d i m e n t o
E n t e r p r i s e s C o n s o l i d a t e d ( I n c . ) , 137 143 ações e 537 429 c o n j u n t o c o m a K e r n C o u n t y L a n d C o . A emprêsa-mãe,
dólares de títulos de c i n c o por cento d a B r u n s w i c k , d a n - J o h n s - M a n v i l l e , n o r t e - a m e r i c a n a , f a b r i c a produtos de
do a P a t i n o 1 0 6 1 145 ações d a N i p i s s i n g . A s p a r t i c i p a - a m i a n t o , magnésia e perlite, p o s s u i n d o fábricas n o s E s -
ções de P a t i n o no g r u p o C h i b o u g a m a e a s u a associação tados U n i d o s , Canadá e outros países.

210 211
A Advocate adiantou determinadas quantias a M a - A s propriedades de P a t i n o M i n e s & E n t e r p r i s e s
r i t i m e M i n i n g , que t e m relações íntimas c o m P a t i n o e m Consolidated, i n c o r p o r a d a e m D e l a w a r e , f o r a m n a c i o n a -
v i r t u d e de s u a associação n a c o m p r a dos holdings da lizadas pelo G o v e r n o b o l i v i a n o n o d i a 3 1 de o u t u b r o de
S a i n t Joseph L e a d n a B r u n s w i c k Mining. A parte da 1952 e cedidas à Corporación M i n e r a de Bolívia ( C o m i -
M a r i t i m e n e s s a c o m p r a f o i de 46 p o r cento do c u s t o de b o l ) , de propriedade do E s t a d o . E s s a s propriedades de
4 840 000 dólares. A M a r i t i m e e x p l o r a o cobre e m con- P a t i n o c o n s i s t i a m e m direitos registrados de mineração
cessões l o c a l i z a d a s e m N e w B r u n s w i c k , Canadá, e e m v prospecção, d i r e i t o s de águas, locais de m o i n h o s , u s i -
propriedades l o c a l i z a d a s e m N e w f o u n d l a n d , que l h e per- n a s de redução, concentração e hidrelétricas, a s s i m
t e n c e m d i r e t a m e n t e e também i n d i r e t a m e n t e , através como u m a e s t r a d a de ferro ligando a s m i n a s a u m p o n -
de u m a subsidiária de s u a i n t e i r a propriedade, G u l l to no tronco p r i n c i p a l d a A n t o f a g a s t a - B o l i v i a n R a i l r o a d
L a k e M i n e s L t d . , através d a q u a l também p o s s u i todas Co. L t d . P a t i n o f o r m o u o u t r a subsidiária e m D e l a w a r e
as ações de G u l l b r i d g e M i n e s L t d . T e m u m acordo c o m no a n o de 1959, P a t i n o E n t e r p r i s e s I n c .
a Falconbridge N i c k e l M i n e s dando a esta o direito à Como u m dos m a i o r e s empreendedores d a indús-
participação, n o máximo de u m terço, e m q u a l q u e r f i - t r i a do e s t a n h o , A . P a t i n o t e m a s s e n t o n a s p r i n c i p a i s
n a n c i a m e n t o que a M a r i t i m e possa empreender. M a r i - organizações consolidadas que defendem os interesses
t i m e e P a t i n o of C a n a d a p o s s u e m u m diretor c o m u m dos que se d e d i c a m a esse c a m p o , g e r a l m e n t e e m c o m -
e m W . F . J a m e s , que pertence também à d i r e t o r i a d a
Falconbridge. Ç a n h i a do Conde de B o i s b o u v r a y e de J . O r t i z - L i n a r e s .
odos os três e n c o n t r a m - s e n a d i r e t o r i a d a B r i t i s h T i n
I n v e s t m e n t C o r p o r a t i o n L t d . , c o m p a n h i a do R e i n o U n i -
A Quebec M e t a l l u r g i c a l é o u t r a c o m p a n h i a holding
do f u n d a d a e m 1932 p a r a a s s u m i r a B r i t i s h - A m e r i c a n
q u e t e m a m p l o s interesses dentro e f o r a do Canadá. E n -
T i n C o r p o r a t i o n L t d . J u n t a m e n t e c o m s u a s subsidiárias
t r e estes estão incluídos u m a propriedade contendo p l a -
de s u a i n t e i r a propriedade, T i n I n d u s t r i a l F i n a n c e &
t i n a , n o T r a n s v a a l , África do S u l , u m a p e q u e n a m i n a
Underwriting L t d . , e B T I C (Overseas) Ltd., a B r i t i s h T i n
de ouro n o B r a s i l , e interesses e m níquel e cobalto n a
possui g r a n d e s blocos de ações n a indústria d e m i n e r a -
N o v a Caledônia, onde, através de ligações c o m P a t i n a , ção do e s t a n h o n a M a l a i a , a s s i m como i n v e s t i m e n t o s e m
está a s s o c i a d a a L e N i c k e l . c o m p a n h i a s que p r o d u z e m o u t r o s m e t a i s e m i n e r a i s .
I n f e l i z m e n t e p a r a P a t i n o , d e t e r m i n a d o s bens loca- A G e n e r a l T i n I n v e s t m e n t s p o s s u i u m interesse de
lizados n a Bolívia t i v e r a m q u e s e r cedidos sob u m pro- 35 por cento n a E a s t e m S m e l t i n g Co. L t d . , òue p o s s u i
g r a m a de nacionalização. A Bolívia foi, por m u i t o s anos fundições e m P e n a n g , M a l a i a . U m a subsidiária de i n -
m a i s do q u e s e u povo desejava, s u g a d a e m seus r e c u r - teira propriedade d a C o n s o l i d a t e d T i n W i l l i a m s H a r v e y
sos m i n e r a i s por interesses estrangeiros. E s s e s r e c u r s o s , Sc Co. L t d . p o s s u i 7 5 p o r cento do c a p i t a l de ações e m i -
e m q u e p r e d o m i n a o e s t a n h o , i n c l u e m também p r a t a , tido por M a k e r i S m e l t i n g C o . L t d . , i n c o r p o r a d a n a N i -
c h u m b o , zinco, antimônio e cobre. S u a s j a z i d a s de pe- géria, e m 1 9 6 1 . M a k e r i c o n s t r u i u u m a fundição de e s t a -
tróleo são s u f i c i e n t e m e n t e g r a n d e s p a r a a t r a i r a s t a n - n h o n o platò J o s , ao n o r t e d a Nigéria, que i n i c i o u a pro-
d a r d O i l Co., de R o c k e f e l l e r , que t o m o u posição explo- dução e m dezembro de 1961. V i v i a n , Y o u n g e r & B o n d
r a n d o u m a a m p l a concessão, e n q u a n t o a G u g g e n h e i - L t d . , os únicos agentes vendedores d a Consolidated
m e r B r o t h e r s , dos E s t a d o s U n i d o s , a s s i m como britâni- T i n , estão b e m estabelecidos n a Nigéria.
c a s , f r a n c e s a s e o u t r a s extraíam e s t a n h o e cobre por A d i r e t o r i a d a L o n d o n T i n C o r p o r a t i o n L t d . não i n -
longo tempo, p a g a n d o aos t r a b a l h a d o r e s índios c e r c a
c l u i q u a l q u e r dos diretores d a P a t i n o , m a s a relação
de seis pence diários.
com os interesses P a t i n o f i c a c l a r a m e n t e e v i d e n c i a d a

212 213
quando n o t a m o s e m s u a d i r e t o r i a C . W a i t e , presidente Ilílus auríferas n o d i s t r i t o S e b a k w e de M e t a b e l e l a n d ,
e diretor-gerente d a C o n s o l i d a t e d T i n S m e l t e r s e s u a Rodésia, que já esteve sob a jurisdição d a B r i t i s h S o u t h
subsidiária W i l l i a m s H a r v e y & Co. e diretor de B r i t i s h A f r i c a C o m p a n y . O u t r a s associações do S r . K i e k são
T i n Investment Corporation e General T i n Investments. com a L o n d o n a n d R h o d e s i a n M i n i n g a n d L a n d Co.
O S r . W a i t e t e m assento também à d i r e t o r i a de s u b s i - L t d . , que p o s s u i d i r e t a m e n t e o r e g i s t r o de 384 m i n a s de
diárias d a C o n s o l i d a t e d T i n : a F e n p o l l T i n S m e l t i n g ouro, j a z i d a s de m e t a i s básicos e terrenos a b a r c a n d o
C o . L t d . , E a s t e r n S m e l t i n g Co., W m . S y m i n g t o n & S o n s 1B7 m i l a c r e s n a Rodésia. A l g u m a s d a s propriedades são
L t d . , c o m e r c i a n t e s de b o r r a c h a , e de seus agentes d i s - a r r e n d a d a s à base de royalties e também é desenvolvida
tribuidores V i v i a n , Younger & B o n d . k pecuária.
Diretor d a Southern K i n t a Consolidated L t d . , da A s c o m p a n h i a s subsidiárias d a L o n d o n & R h o d e -
Southern Malayan T i n Dredging L t d . , d a K a m u n t i n g i l a n i n c l u e m a Mazoe Consolidated Mines L t d . , L o n r h o
T i n Dredging L t d . , d a Malayan T i n Dredging L t d . , o E x p l o r a t i o n Co. L t d . e A f r i c a n I n v e s t m e n t T r u s t L t d . , que
S r . W a i t e de fato r e p r e s e n t a n e s s a s d i r e t o r i a s os i n t e - MMumiu todos os i n v e s t i m e n t o s d a c o m p a n h i a e m 1958,
resses ( i n c l u s i v e os de P a t i n o ) d a C o n s o l i d a t e d T i n . D i r e - «xceto ações e m subsidiárias e i n v e s t i m e n t o s n o comér-
tor, a i n d a , do C h a r t e r e d B a n k e m e m b r o d a D i r e t o r i a cio. S u a s associadas i n c l u e m a A r c t u r u s M i n e s L t d . , Ho-
de L o n d r e s do B r i t i s h & F o r e i g n M a r i n e I n s u r a n c e C o . m c s t a k e G o l d M i n i n g Co. L t d . , C o r o n a t i o n S y n d i c a t e
L t d . , éle c e r t a m e n t e r e p r e s e n t a os interesses f i n a n c e i r o s L t d . e N o r t h C h a r t e r l a n d E x p l o r a t i o n C o . (1937) L t d .
que os s u s t e n t a m . E s s a conclusão é c o n f i r m a d a p e l a E n t r e outros interesses adquiridos p e l a L o n d o n & R h o -
presença de F r a n c i s G . C h a r l e s w o r t h como d i r e t o r d a desian e m 1 9 6 1 e s t a v a m 90 p o r cento d a C o n s o l i d a t e d
B r i t i s h T i n e como presidente da diretoria da Holdings ( P v t ) L t d . , c e m p o r cento d a M a s n a b a G o l d
Malayan T i n Dredging e da Southern Malayan T i n . O Mines ( P v t ) L t d . , que o p e r a a E m p r e s s G o l d M i n e e m
S r . C h a r l e s w o r t h é também diretor de d e t e r m i n a d a s M a s n a b a , perto de F o r t e Vitória, Rodésia, 36,6 p o r cento
o u t r a s c o m p a n h i a s estaníferas operando n a área d a dn K a n y e m b a G o l d M i n e s e 5 1 p o r cento d a A s s o c i a t e d
Malaia, ou seja a K r a m a t P u l a i L t d . , A c k a m T i n L t d . , O v e r l a n d P i p e l i n e s of R h o d e s i a ( P y t ) L t d , , e m t r o c a de
e A y e r H i t a m T i n D r e d g i n g L t d . É, a i n d a , m e m b r o d a Um milhão e meio de ações n a L o n d o n & R h o d e s i a n e
d i r e t o r i a d a L o c a n a M i n e r a l H o l d i n g s L t d . , que t e m a dc u m a opção sobre outros dois milhões.
h o n r a de i n c l u i r u m rebento do império austro-húnga- D e que a L o n d o n & R h o d e s i a n esteja incluída nos
r o , S u a A l t e z a o A r q u i d u q u e R o b e r t o C a r l o s , d a Áustria. Interesses do g r u p o O p p e n h e i m e r não pode h a v e r dú-
L o c a n a é u m a c o m p a n h i a de i n v e s t i m e n t o s e hold- vida, apesar d a f a c h a d a independente que é m a n t i d a .
ings, l i g a d a p r i n c i p a l m e n t e à indústria c a n a d e n s e de G . Abdinor, diretor de A r c t u r u s M i n e s , C o r o n a t i o n S y n -
mineração. O S r . C h a r l e s w o r t h é u m elo direto c o m o dicate, H o m e s t a k e , K a n y e m b a e Mazoe; é também m e m -
m u n d o de mineração e comercialização do e s t a n h o , a t r a - bro das diretorias d a C a l c o n M i n e s L t d . (Rodésia do
vés de s u a associação c o m B r i t i s h T i n e respectivos i n t e - Norte), S p a a r w a t e r G o l d M i n i n g Co. L t d . e W e s t S p a a r -
resses n a M a l a i a . Ao lado do S r . C h a r l e s w o r t h , s e n t a m - s e water L t d . , a s s i m c o m o S . F . D e n c h , que é presidente
à d i r e t o r i a d a L o c a n a os S r s . N. K . K i n d h e a d - W e e k e s e da d i r e t o r i a de W e s t S p a a r w a t e r e do C o r o n a t i o n S y n -
J . N. K i e k . A m b o s têm assento também n a s d i r e t o r i a s de dicate e K a n y e m b a . S p a a r w a t e r G o l d está e n t r e os i n -
i m p o r t a n t e s c o m p a n h i a s d a A f r i c a do S u l e Rodésia. teresses d a C o n s o l i d a t e d G o l d F i e l d s , e n q u a n t o a H e n d -
O S r . K i e k é presidente d a d i r e t o r i a d a C h i c a g o - erson^ T r a n s v a a l Estates L t d . , d a qual o S r . Dench é
G a i k a Development Co. L t d . , u m a companhia e m exis- diretor, i n c l u i - s e n o grupo de c o m p a n h i a s holding do
tência desde 1897, c o m direitos registrados e m 17 j a - A f r i c a n I n v e s t m e n t T r u s t , de O p p e n h e i m e r , e m c u j a

214 215
d i r e t o r i a t e m assento o S r . K i e k . O t r u s t e é, n a verdade,
proprietário absoluto d a A f r i c a n E x p l o r a t i o n Co, L t d . ,
que p r e s t a serviços de s e c r e t a r i a a W e s t S p a a r w a t e r e
Coronation Syndicate.
A H e n d e r s o n ' s T r a n s v a a l E s t a t e s , o que é s i g n i f i c a -
tivo, t e m u m a subsidiária de s u a i n t e i r a propriedade,
H e n d e r s o n C o n s o l i d a t e d C o r p o r a t i o n L t d . , que por s u a
vez t e m u m a c o m p a n h i a t o t a l m e n t e subsidiária, M i n e -
r a l H o l d i n g s L t d . , possuindo t e r r a s de s u a l i v r e proprie-
dade n o T r a n s v a a l e no E s t a d o L i v r e de O r a n g e , n u m
t o t a l de 3 706 acres, e direitos sobre minérios e m outros
689 380 acres. Além disso, t e m d u a s concessões de m i -
nérios n a Suazilândia, n u m t o t a l de 84 019 acres.
O u t r a subsidiária de propriedade t o t a l d a H e n d e r -
s o n ^ T r a n s v a a l é a M i n e r a l Holdings Investments L t d . ,
que p o s s u i 720 m i l ações de L e s l i e G o l d M i n e s L t d . e 200
m i l n a B r a c k e n Mines L t d . , ambas pertencentes ao g r u -
po U n i o n C o r p o r a t i o n do império O p p e n h e i m e r . A m b a s
a s m i n a s g o z a m de u m empréstimo de u m milhão de
l i b r a s c a d a , do N a t i o n a l F i n a n c e C o r p o r a t i o n of S o u t h
Africa, n a qual a Anglo American Corporation e nume-
rosos outros grupos e instituições associados c o m e l a
têm s u b s t a n c i a i s interesses.
J . N . N i e k também ocupou a posição de diretor-ge-
r e n t e d a R h o d e s i a R a i l w a y s T r u s t C o . L t d . e de d u a s
o u t r a s e m p r e s a s f i n a n c e i r a s de O p p e n h e i m e r , W i l l o u g h -
by's C o n s o l i d a t e d Co. L t d . e W i l l o u g h b y ' s ( I n v e s t m e n t s )
E w e l l L t d . O d i r e t o r associado do S r . K i e k , N . K . K i n d -
head-Weekes, é d i r e t o r de e m p r e s a s de O p p e n h e i m e r d a
importância de W a n k i e C o l l i e r y ( l i g a d a à T a n g a n y i k a
Concessions e à U n i o n M i n i è r e ) , C h i b u l u m a M i n e s , C h i -
s a n g w a M i n e s e C h a m b i s h i M i n e s , e também de C h a r -
t e r l a n d E x p l o r a t i o n L t d . , todas elas n a Rodésia. A C h a r -
t e r l a n d recebeu a concessão de direitos e x c l u s i v o s de
prospecção, d a s mãos d a B r i t i s h S o u t h A f r i c a Co., sobre
áreas n u m t o t a l de 306 m i l quilómetros q u a d ra d os , e m
Zâmbia.
A rede de P a t i n o é a p r e s e n t a d a n o Q u a d r o 8. D a s
organizações d o m i n a n d o a indústria do alumínio, n o t a -
mos e m p r i m e i r o l u g a r a A l u m i n i u m Co. of A m e r i c a

216
( A L C O A ) e o império de Mellon. E s s a c o m p a n h i a dedica-
se à mineração de b a u x i t a e m A r k a n s a s e t e m subsidiá-
r i a s escavando e r e t i r a n d o minério de locais longínquos T3
p a r a a l i m e n t a r a s fundições e u s i n a s de processamento
nos E s t a d o s U n i d o s . E s t a s se l o c a l i z a m p r i n c i p a l m e n t e to
nos E s t a d o s do S u l , e m b o r a h a j a u s i n a s e m M a s s e n a , .a .2
New Y o r k . E s t a b e l e c i m e n t o s de u s i n a g e m e fabricação
o p e r a m e m 12 dos E s t a d o s n o r t e - a m e r i c a n o s , e n q u a n t o
subsidiárias de i n t e i r a propriedade d a c o m p a n h i a estão
pesquisando a E u r o p a , América C e n t r a l e do S u l , a r e -
gião dos Caraíbas, Austrália e a África e m b u s c a de
matéria-prima. < CFÍ 1 3 CFI %

A S u r i n a m A l u m i n i u m Co. é a p r i n c i p a l subsidiária
p r o d u t o r a do minério. E x t r a i a b a u x i t a n o território
holandês de Surinã, p a r t e d a G u i a n a , que se estende
pelo c a n t o ao nordeste do c o n t i n e n t e S u l - A m e r i c a n o e
f i c a ao n o r t e do A m a z o n a s e s u l do Orinoco. S e g u n d o
u m acordo c o m o G o v e r n o do Surinã, a S u r i n a m A l u m i -
3 Z
13
n i u m t e m u m a concessão de 75 anos p a r a a mineração o
de b a u x i t a . Está c o n s t r u i n d o instalações de força e v a i < 3 U2 O
c o n s t r u i r u m a fundição c o m capacidade p a r a 60 m i l O
toneladas de alumínio. A construção e v e n t u a l de u m a ~ % a
r e f i n a r i a de b a u x i t a u t i l i z a n d o minérios locais está pre- <
v i s t a , de acordo c o m o m a t e r i a l de p u b l i c i d a d e d i s t r i - o .5 5?
u § £ 3 *
buído p e l a c o m p a n h i a . O u t r a p l e n a subsidiária está e x -
t r a i n d o b a u x i t a n a República D o m i n i c a n a e, e m m a i o < o- - a
« . d o
t
de 1960, f o r a m adquiridos os direitos de mineração e m O -o fs» EH < *
30 m i l acres d a J a m a i c a . O Q u a d r o 9 m o s t r a a e x t e n -
são dos interesses d a A l c o a n o e s t r a n g e i r o .
p o r c a u s a d a s leis a n t i t r u s t e não há conexão l e g a l
d i r e t a entre a A l c o a e a A l u m i n i u m L t d . , m a s são a m -
bas de propriedade do mesmo g r u p o de a c i o n i s t a s n o r t e -
a m e r i c a n o s dominado p o r M e l l o n - D a v i s . D o i s irmãos,
A r t h u r V. Davis, da Alcoa, e E d w a r d K . Davis da Alu-
m i n i u m L t d . , f o r a m por m u i t o s anos presidentes das .ti < .2 <
p -a
respectivas c o m p a n h i a s . Q u a n d o este último m o r r e u , O ^ o tf?
S t/2
M O v*
e m 1947, foi sucedido pelo filho, N a t h a n i e l V . D a v i s . O .2 Í a
bloco de ações dos D a v i s n a s c o m p a n h i a s de alumínio « .a
M e l l o n é a p r o x i m a d a m e n t e u m terço do bloco dos M e l - § e g < •a
lons. E m 1957, o Fortune, j o r n a l n o r t e - a m e r i c a n o lido A .2 P3
cu IH n *í M
£ .2
218 3 T3
por todos os que d e s e j a m estar b e m i n f o r m a d o s sobre Itlfn ou sobre as q u a i s possuía opção, e m t r o c a de
a s s u n t o s dos g r a n d e s negócios, c i t a v a A r t h u r V . D a v i s toyulties sobre o minério e i mpo sto s. E s s a s t e r r a s t o t a -
como u m a das sete pessoas c o m f o r t u n a s entre 400 e l l i a v a m 74 m i l acres. A r r e n d a m e n t o s p a r a mineração
70o milhões de dólares. D a s o u t r a s s e i s pessoas, q u a t r o foram obtidos e m 5 822 acres.
e r a m Mellons. O D a v i s d a A l u m i n i u m L t d . é u m dos d i - No R e i n o U n i d o , a s a t i v i d a d e s de R e y n o l d s no a l u -
retores do M e l l o n B a n k . mínio são r e a l i z a d a s através d a B r i t i s h A l u m i n i u m L t d .
No R e i n o U n i d o está a subsidiária A l c a n I n d u s t r i e s Houve época e m que p a r e c i a q u e M e l l o n i a t o m a r c o n t a
L t d . , e a França a p r e s e n t a m a i s u m a subsidiária de pro- Cl« c o m p a n h i a britânica, m a s u m a aliança e n t r e T u b e
priedade i n t e g r a l , a S . A . des B a u x i t e s et A l u m i n e s de I n v e s t m e n t L t d , e R e y n o l d s g a r a n t i u - l h e o controle de
P r o v e n c e , n a q u a l a A l u m i n i u m L t d . i n v e s t i u c e r c a de I f l por cento d a B r i t i s h A l u m i n i u m , cabendo 49 por c e n -
c e m milhões d e dólares. S u a s m i n a s p r o d u z i r a m e m to a T . I . e 47 por cento a R e y n o l d s . A C o m m o n w e a l t h ,
1960 300 m i l t o n e l a d a s , de onde é t i r a d a a a l u m i n a . P a r a l u r o p a , Ásia e África são a b a r c a d a s n a esfera de a t i v i -
alcançar a independência n a e s f e r a do t r a n s p o r t e , a dades d a c o m p a n h i a , c o m s u a s subsidiárias e a f i l i a d a s
Alcan criou a Saquenay Shipping L t d . , inteiramente fi- flontrolando r e c u r s o s hidrelétricos, j a z i d a s de b a u x i t a ,
n a n c i a d a por e l a , que p o s s u i e f r e t a u m a f r o t a de c a r - U l l n a s de processamento, até u m G r a n d e H o t e l e u m
gueiros p a r a l e v a r a b a u x i t a , a l u m i n a e lingotes do t r u s t e de aposentadorias, todos eles relacionados e n t r e
grupo. Oi interesses d a T u b e I n v e s t m e n t s , como emprêsa-mãe
Embora K a i s e r e Reynolds tivessem o r g a n i z a d o principal.
c o m p a n h i a s c o m o objetivo de obter a independência do A B r i t i s h A l u m i n i u m a d q u i r i u e m meados de 1961
império M e l l o n , no caso do p r i m e i r o a aliança f i n a n c e i r a â R e y n o l d s T . I . A l u m i n i u m , que n a época p e r t e n c i a à
foi logo c r i a d a . R e y n o l d s também não c o n s e g u i u se T u b e I n v e s t m e n t e à R e y n o l d s , n a proporção, respecti-
m a n t e r i n t e i r a m e n t e a salvo dos tentáculos de Me llon, vamente, de 51 e 4 9 p o r cento. M e m b r o s d a família R e y -
F o r m a d a e m meados de 1928, a R e y n o l d s M e t a l s C o . nolds têm assento à d i r e t o r i a d a B r i t i s h A l u m i n i u m , q u e
c r i o u e m 1940 s u a subsidiária, R e y n o l d s M i n i n g Corpo- I n c l u i W . B . C . P e n y c o s t e , di r eto r d a G h a n a B a u x i t e
l a t i o n , p a r a e x p l o r a r 6 1 0 0 a c r e s de t e r r e n o s possuido- Co. L t d . , u m a subsidiária de i n t e i r a propriedade d a
res de b a u x i t a que o b t i v e r a e m A r k a n s a s e p a r a e x t r a i r c o m p a n h i a , r e g i s t r a d a e m L o n d r e s e m 1933. O u t r o s i n -
a f l u o r i t a no México, que é e m b a r c a d a p a r a processa- teresses a f r i c a n o s são representados p o r E . F . O. G a s -
m e n t o n a s u s i n a s d a c o m p a n h i a , nos E s t a d o s U n i d o s . colgne, presidente d a d i r e t o r i a de T a n g a n y i k a H o l d i n g s ,
No e x t e r i o r , R e y n o l d s p o s s u i m i n a s de b a u x i t a e K c n t a n Gold Areas, Zambesia E x p l o r i n g e Zambesia I n -
áreas de exploração n o nordeste d a G u i a n a Britânica, vestment, todas dentr o d a esfera d a T a n g a n y i k a C o n -
a s s i m como no H a i t i e J a m a i c a . O s minérios secos são cessions. A i m p r e n s a " o b j e t i v a " britânica também está
embarcados p a r a fábricas e m M a s s a c h u s e t t s , D e l a w a r e , representada p e l a presença, n a d i r e t o r i a d a B r i t i s h A l u -
A r k a n s a s e T e x a s , nos E s t a d o s U n i d o s , e m a i s de três m i n i u m , de Sir Geoffrey C r o w t h e r , ex-editor de The
milhões de t o n e l a d a s f o r a m extraídos e embarcados d u - MconomiU e seu a t u a l diretor-vice-presidente. A C o m -
r a n t e o a n o de 1 9 6 1 . O u t r a s subsidiárias e f i l i a d a s ope- rnercial U n i o n A s s u r a n c e está também e n t r e a s direto-
r a m e m B e r m u d a s , V e n e z u e l a , F i l i p i n a s , México, C a n a - r i a s a que p e r t e n c e m Sir Geoffrey e L o r d e P l o w d e n .
dá, Austrália, A f r i c a , Colômbia e o u t r a s p a r t e s do m u n - F R I A , Cie. I n t e r n a t i o n a l e pour l a P r o d u c t i o n de l ' A -
do. A R e y n o l d s J a m a i c a M i n e s L t d . a d q u i r i u e m 1957 l u m i n e , n a Guiné, é u m dos m a i o r e s interesses d a B r i t i s h
do G o v e r n o d a J a m a i c a o direito à mineração de b a u - A l u m i n i u m n a A f r i c a , n a q u a l p o s s u i dez p o r cento d a s
x i t a d u r a n t e 99 anos e m todas a s t e r r a s que então pos- ações. Os p l a n o s são de p r o d u z i r de início 480 m i l tone-

220 221
l a d a s a n u a i s , d a s q u a i s dez por cento estarão à disposi- m a i s de c e m anos, e m 1855, t e m como o u t r a s i m p o r t a n -
ção d a B r i t i s h A l u m i n i u m . tes c o m p a n h i a s de mineração e m e t a l u r g i a n a França,
O s Mellons f o r a m o g r u p o o r i g i n a l , d i r e t a m e n t e i n - ligações c o m a s p r i n c i p a i s c a s a s bancárias do país. S u a s
teressado e m desenvolver a exploração dos r e c u r s o s de proliferações são n u m e r o s a s , cobrindo a produção de
b a u x i t a d a Guiné, m a s não t e n d o condições p a r a p r e s - b a u x i t a , b a r i t o s e l i g n i t a , m a n u f a t u r a de produtos quí-
s i o n a r o novo E s t a d o independente a f r i c a n o , seus pro- micos, p r o c e s s a m e n t o de alumínio e o u t r o s m e t a i s e
postos f o r a m obrigados a se r e t i r a r , depois de despender produtos eletrometalúrgicos. F a b r i c a quase tudo, desde
s e m resultado, segundo seus próprios cálculos, c e r c a plásticos e l i g a s de ferro, produtos de grafite, até n o -
de v i n t e milhões de dólares. O u t r o s associados n a F R I A vos m e t a i s e produtos n u c l e a r e s . T e m posse p a r c i a l o u
são: t o t a l de c o m p a n h i a s f i l i a d a s n a França e o u t r a s c o m -
p a n h i a s n a E u r o p a , África e o u t r a s regiões. S u a s ope-
Olin Mathieson Chemical Corporation, E U A . . . 4 8 , 5 % rações de mineração se estendem do n o r t e ao s u l d a
Péchiney-Ugine, França 26,5% França e à África.
A l u m i n i u m I n d u s t r i e A k t i e n g e s e l l s c h a f t , Suíça 1 0 , 0 %
Responsável, hoje, p o r q u a t r o q u i n t o s d a produção
Vereinigte Aluminium-Werke A. G . , A l e m a n h a 5,0%
f r a n c e s a de alumínio, o comércio do m e t a l p e l a Péchi-
O l i n M a t h i e s o n está dentro d a esfera de influência ney responde por quase 60 por cento do s e u f o r n e c i m e n -
de R o c k e f e l l e r , representado n a d i r e t o r i a d a c o m p a n h i a to. S e u único competidor francês digno de n o t a é a
p o r L a w r e n c e R o c k e f e l l e r , que a t u a e m n o m e d a famí- Ugine, que colabora c o m a Péchiney n a política de i n -
l i a n a s a t i v i d a d e s a l h e i a s ao petróleo. O controle, no vestimento, como v i m o s a c i m a , e n u m a subsidiária con-
e n t a n t o , é p a r t i l h a d o c o m os M o r g a n s . A s s i m , o grupo j u n t a de vendas, A l u m i n i u m Français. A s d u a s f i r m a s
M e l l o n cedeu c a m i n h o a u m grupo compacto de i n t e - estão se e x p a n d i n d o r a p i d a m e n t e e a Péchiney t e m ope-
resses e s m a g a d o r a m e n t e m a i s poderoso, oculto atrás d a rações tão e x t e n s a s q u a n t o a s c o m p a n h i a s de alumínio
f a c h a d a de O l i n M a t h i e s o n . britânicas e n o r t e - a m e r i c a n a s , e m b o r a e s t a s últimas te-
O segundo m a i o r a c i o n i s t a d a F r i a é u m combinado n h a m m a i o r produção. E s p e r a - s e que a capacidade d a
das c o m p a n h i a s Péchiney e U g i n e . Péchiney é u m a abre- Péchiney-Ugine p o s s a alcançar 300 m i l toneladas até
v i a t u r a de C o m p a g n i e des P r o d u i t s C h i m i q u e s et E l e c - 1963. Péchiney u t i l i z a 15 p o r cento d a produção t o t a l
t r o m e t a l l u r g i q u e s . E n t r e seus diretores conta-se P a u l f r a n c e s a de força, de modo que a descoberta de gás n a -
G i l l e t , u m governador honorário d a Société Générale de t u r a l e m L a c q , n o sudoeste d a França, r e p r e s e n t a u m a
B e l g i q u e , presidente d a d i r e t o r i a d a U n i o n Minière e considerável contribuição p a r a a s u a expansão. T i n h a
associado de m u i t o s dos m a i s i m p o r t a n t e s negócios que elevado p a r a 37 p o r c e n t o o setor do alumínio e m s u a s
e x p l o r a m os r e c u r s o s a f r i c a n o s . S e u diretor-presidente é exportações e espera b a i x a r o c u s t o de produção p e l a
P a u l de V i t r y , diretor do B a n q u e de P a r i s et des P a y s - introdução de u m n o v o processo de r e d u z i r a b a u x i t a
B a s . E s s e banco, do q u a l H e n r y L a f o n d também f o i d i - a alumínio. U m a fábrica-pilôto foi p o s t a e m operação
retor, além de p a r t i c i p a r c o m P a u l de V i t r y d a d i r e t o r i a e seu êxito permitirá à Péchiney se e x p a n d i r e m n o v a s
d a Péchiney, opera n o Congo e África do S u l . N a v e r d a - indústrias de alumínio.
de, está e m toda p a r t e , n o s novos empreendimentos Através do B a n q u e de P a r i s , que segundo se diz é
i n i c i a d o s n a África, especialmente nos novos E s t a d o s à o m a i o r a c i o n i s t a d a i m p o r t a n t e c o m p a n h i a química
b e i r a do S a a r a . franco-norueguesa N o r s k H y d r o , n a q u a l o G o v e r n o
Péchiney, r e g i s t r a d a e m P a r i s n o início do a n o de norueguês t e m o controle majoritário, a Péchiney pode
1896, e m continuação a u m a c o m p a n h i a f o r m a d a há se l i g a r ao projeto. O s noruegueses estão ansiosos p o r

222 223
a u m e n t a r s u a produção do nível a t u a l de 200 m i l tone-
l a d a s p a r a 600 m i l até 1970, A Péchiney já p a r t i c i p a de
consórcios operando n a Grécia, E s p a n h a e A r g e n t i n a e
t e m participações e m projetos n o S e n e g a l e Madagás-
car. N a realidade d i f i c i l m e n t e aparece u m novo consór-
cio hoje n a A f r i c a , p a r t i c u l a r m e n t e n a região do M a h -
greb, no q u a l a Péchiney não t e n h a a l g u m a p a r t i c i p a -
ção. S e m a m e n o r dúvida, observa a t e n t a m e n t e os v a s -
tos depósitos de gás n a t u r a l do S a a r a , que não f i c a m
a u m a distância antieconômica dos campo s de b a u x i t a
de M a l i .
O c a m p o i n t e r n a c i o n a l do níquel reúne u m a sel eta
coleção de c o m p a n h i a s de extração, p r o c e s s a m e n t o e f i -
n a n c i a m e n t o , cujo controle o c o n s e r v a dentr o de l i m i -
tes numéricos b e m e x c l u s i v o s . A g r u p a d o s e m torno de
I n t e r n a t i o n a l N i c k e l C o . of C a n a d a L t d . — I N O O — F a l -
conbridge, S h e r r i t t G o r d o n M i n e s L t d . do Canadá e F a -
r a d a y U r a n i u m M i n e s L t d . e F r e e p o r t S u l p h u r Co., dos
E s t a d o s U n i d o s , não c o n f i n a m geograficamente. D e s f a -
zendo a t r a m a de seus compromissos, e n c o n t r a m o s s u a s
penetrações n a A f r i c a , a s s i m como e m o u t r a s p a r t e s do
mundo.
A ligação d i r e t a d a I n c o c o m os i nter esses m i n e i r o s
de O p p e n h e i m e r n a A f r i c a já foi e v i d e n c i a d a p e l a i n t e r -
ligação d a s funções d i r e t i v a s de Sir R o n a l d L . P r a i n e
Sir O t t o Niemeyer. V e r e m o s a i n d a como, através de
seus interesses e m d e t e r m i n a d a s m i n a s , estes estão l i -
gados i n d i r e t a m e n t e c o m combinados que po ssuem l a -
ços definidos c o m a exploração dos recursos m i n e r a i s
d a África. É ao e x a m i n a r m o s os interesses f i n a n c e i r o s
por trás deles que e n c o n t r a m o s a c o n t i n u i d a d e do poder.
O n o m e M o n d t r a z i m e d i a t a m e n t e à lembrança o
níquel, a s s i m como explosivos, produtos químicos e a r -
m a m e n t o s , e o e n c o n t r a m o s ligado à m a i s poderosa or-
ganização i n t e r n a c i o n a l do níquel, sob a f o r m a de I n t e r -
n a t i o n a l N i c k e l C o . ( M o n d ) L t d . F o i o f u n d a d o r de
B r u n n e r M o n d & Co. L t d . , L u d w i g M o n d , q u e m , tendo
i n v e n t a d o o processo de soda de amónia e encontrado
u m a fonte b a r a t a de força no carvão miúdo, descobriu
u m método de r e c u p e r a r o níquel de minérios de bai x o

225
teor. I s s o levou à descoberta, aquisição e exploração de
decorrem de c e r t a s participações c o m u n s que p r o d u -
m i n a s n o Canadá, a t u a l m e n t e a p r i n c i p a l fonte m u n - z e m a i d e n t i d a d e de interesses e n t r e empresas a p a r e n -
d i a l , vindo os minérios, e m s u a quase totalidade, do dis- t e m e n t e competidoras, l i g a d a s ao petróleo e seus g r u -
t r i t o S u d b u r y de Ontário. A B r u n n e r M o n d , j u n t a m e n t e pos f i n a n c e i r o s a l i a d o s .
com Novel I n d u s t r i e s , U n i t e d A l k a l i Co. L t d . (fusão do
O s interesses controladores d a I n c o não são evi-
48 u s i n a s ) e B r i t i s h D y e s t u f f s C o r p o r a t i o n L t d . , f o r a m
dentes, u m a vez que não há u m a companhia-mãe n o r -
reunidos e m dezembro de 1926 p a r a f o r m a r a I m p e r i a l
t e - a m e r i c a n a visível, embora o c a p i t a l n o r t e - a m e r i c a n o
Chemical Industries L t d .
da m a i o r i a dos p r i n c i p a i s grupos f i n a n c e i r o s predomi-
M o n d N i c k e l C o . L t d . f o i f u n d a d a e m 1914 p a r a ne e a I n c o t e n h a a posse de todo o estoque de c a p i t a l
e x p l o r a r a m i n a v i z i n h a às propriedades d a I n c o , n a d a T h e I n t e r n a t i o n a l N i c k e l Co. I n c . , que possui a s
c a d e i a de S u d b u r y . O s interesses de a m b a s as c o m p a - instalações de operação localizadas nos E s t a d o s U n i d o s
n h i a s se f u n d i r a m e m 1928. A mudança de n o m e p a r a e d a Whítehead M e t a l P r o d u c t s Co. I n c . , distribuidores
a f o r m a a t u a l f o i f e i t a e m f e v e r e i r o de 1 9 6 1 , e a com- n o r t e - a m e r i c a n o s de m e t a i s não-ferrosos. L a w r e n c e R o -
p a n h i a é u m a subsidiária d a A n g l o C a n a d i a n M i n i n g ckefeller faz p a r t e d a d i r e t o r i a d a U n i t e d S t a t e s I n c o .
& R e f i n i n g C o . L t d . , que p o s s u i os n o v e milhões de ações O presidente d a c o m p a n h i a c a n a d e n s e é H . S . W i n g a t e ,
e m i t i d a s , dos 1 1 milhões autorizados p a r a f o r m a r e m o diretor d a c a s a bancária n o r t e - a m e r i c a n a de J . P . M o r -
c a p i t a l de c i n c o milhões de l i b r a s . A A n g l o C a n a d i a n , g a n & Co., e d a C a n a d i a n P a c i f i c R a i l w a y . W i l l i a m C .
e m s i , é u m a subsidiária de i n t e i r a propriedade d a I n c o . B o l e n i u s , diretor d a I n c o , f a z p a r t e também d a s dire-
torias de várias c o m p a n h i a s d a B e l l T e l e p h o n e , a s s i m
E n t r e a s extensas propriedades e instalações per-
como d a d i r e t o r i a do G u a r a n t y T r u s t Co., de New
tencentes à I n t e r n a t i o n a l N i c k e l M o n d no R e i n o U n i -
Y o r k , c o n t r o l a d a p o r M o r g a n . O u t r o diretor d a I n c o ,
do estão u m a u s i n a de refino n o S u l de G a l e s e u m a