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Respeito e Reverência

Margaret S. Li erth

Primeira Conselheira na Presidência Geral da Primária

Devemos (…) cultivar respeito uns pelos


outros e reverência por Deus em nosso lar e
nas salas de aula.

O último capítulo de João trata de uma conversa especialmente


branda entre Pedro e o Cristo ressuscitado. O Salvador pergunta três
vezes: “Simão, lho de Jonas, amas-me?” E a cada vez que Pedro
a rma seu amor ao Salvador, Jesus diz a ele: “Apascenta os meus
cordeiros, (…) Apascenta as minhas ovelhas”.1

No mundo de hoje, há uma grande necessidade de nutrir a alma de


nossos jovens e crianças com a “água viva” 2 e o “pão da vida”. 3 Assim
como Pedro, também amamos o Senhor. Por isso, os pais e os líderes
trabalham diligentemente para instilar em cada coração um
testemunho de Jesus Cristo e de Seu evangelho. Ensinamos em nosso
lar, no campo missionário, nas capelas e salas de aula de nossa Igreja.
Preparamo-nos e convidamos o Espírito para estar conosco; mas para
apascentarmos e nutrirmos Seus cordeiros e Suas ovelhas com
testemunho e com o Espírito, devemos também cultivar respeito uns
pelos outros e reverência por Deus em nosso lar e nas salas de aula.

Hoje, meu apelo é para que pais, professores e líderes trabalhem


juntos para ensinar, para servir de exemplo e incentivar os padrões
de respeito e reverência que fortalecerão nossos jovens e crianças e
convidarão o espírito de adoração a estar em nosso lar e em nossas
capelas.

Acredito que nossa habilidade e credibilidade para exempli car a


reverência por Deus são fortalecidas quando demonstramos respeito
uns pelos outros. Na sociedade atual, os padrões de decoro,
dignidade e cortesia são atacados por todos os lados e em todos os
tipos de mídia. Como pais e líderes, nosso exemplo de respeito uns
pelos outros é crucial para nossos jovens e crianças, pois eles não
assistem somente à mídia, eles assistem a nós! Somos o exemplo que
precisamos ser?

Façam a si mesmos estas perguntas: Sou exemplo de respeito em


meu lar pela maneira como trato aqueles a quem mais amo? Como
me comporto durante um evento esportivo? Se meu lho se
desentende com um professor, treinador ou colega, escuto os dois
lados da história? Demonstro tanto respeito pela propriedade alheia
como pela minha? Como reajo àqueles de quem discordo em
assuntos de religião, estilo de vida ou política?

Quando pais e líderes são exemplos e ensinam respeito pelos outros,


con rmamos, no coração de nossos lhos, que cada um de nós é
verdadeiramente lho ou lha de Deus e que somos irmãos para a
eternidade. Vamos-nos concentrar nas coisas que temos em comum
— nas qualidades que unem a família de Deus, em vez de nos
concentrarmos nas diferenças.

Respeito pelos outros e reverência por Deus são primos muito


unidos. Estão enraizados na humildade e no amor. O Presidente
David O. McKay disse que a “reverência é o respeito profundo
mesclado ao amor”,4 e o Élder L. Tom Perry ensinou que “a reverência
emana de nossa admiração e respeito pela Deidade”.5 As crianças
aprendem esse conceito, quando cantam este verso de uma música
da Primária:

“Reverência é mais que sentar bem quietinho. É pensar com


profundo fervor

Nas bênçãos que vêm do meu bom Pai Celeste.

Porque reverência é amor.”6

No entanto, o comportamento reverente não é uma tendência natural


para a maioria das crianças. É uma qualidade ensinada pelos pais e
líderes por meio de exemplo e ensino. Mas lembrem-se, se a
reverência estiver enraizada no amor, seu ensino também estará. A
rudeza ao ensinar gera ofensa e mágoa, não reverência. Assim,
comecem cedo e tenham expectativas razoáveis. As crianças
conseguem aprender a cruzar os bracinhos e preparar-se para orar.
Isso pode levar tempo, paciência e perseverança; mas, lembrem-se de
que não estamos apenas ensinando as primeiras lições de reverência
à criança, mas sim que ela pode sair-se muito bem em suas primeiras
tentativas de autodisciplina.

Esse processo de ensinar autodisciplina continua linha sobre linha e


preceito sobre preceito. Assim, a criança aprende a ser reverente
durante as orações e o sacramento. Ela senta ao lado dos pais
durante a reunião. Depois, progride nas lições de autodisciplina e,
mais tarde, aprende a jejuar, a obedecer a Palavra de Sabedoria, a
fazer boas escolhas no uso da Internet e a guardar a lei da castidade.
Cada um de nós cresce tanto em capacidade como em entendimento.
Abençoamos nossas crianças e nossos jovens quando lhes damos o
exemplo, os ensinamos e incentivamos nesse processo, pois
autocontrole não é somente a raiz do respeito próprio: é essencial
para convidar o Espírito a ensinar, a con rmar e a testi car.
Lembro-me de um discurso que o Presidente Boyd K. Packer fez em
uma conferência, há quase 20 anos, intitulado “A Reverência Convida
à Revelação”.7 Essa frase permaneceu em meu coração todos esses
anos. Ela me lembra de que devemos criar, em nosso coração, em
nosso lar e em nossas reuniões, locais de reverência que convidarão
o Espírito a confortar, guiar, ensinar e testi car. Porque, quando o
Espírito testi ca a cada um de nós que Deus é nosso Pai e que Jesus
Cristo é nosso Salvador, é essa revelação que convidará a verdadeira
reverência, nascida do amor e do respeito profundo.

Então o que podemos fazer como pais e líderes? Podemos ser


exemplos de reverência quando oramos humildemente, usamos um
linguajar apropriado ao orar e empregamos os nomes da Trindade de
maneira adequada. Podemos cuidar das escrituras com respeito e
ensinar com convicção a doutrina nelas contida.

A reverência aumentará quando demonstrarmos o respeito


adequado não só pelas Autoridades Gerais, mas também pelo
sacerdócio local e pela liderança das auxiliares. Meu presidente de
estaca é um amigo querido há mais de 30 anos e, como amigos,
chamamo-nos pelo primeiro nome; mas, em público e certamente na
Igreja, por ele servir em um chamado da liderança do sacerdócio, faço
um esforço consciente para chamá-lo de Presidente Porter. Ensinar
aos nossos jovens e crianças que é correto nos dirigirmos a nossos
líderes como: presidente, bispo, irmão e irmã, incentiva o respeito e a
reverência. Também ensina a verdade de que os líderes são
chamados por Deus e receberam responsabilidades sagradas.

Como pais e líderes, devemos dar o exemplo de comportamento


reverente em nossas reuniões da Igreja. Nossas capelas têm lugares
para diversas atividades, mas aos domingos, elas são locais de
adoração. Reunimo-nos para renovar os convênios que vão curar
nossa alma. Vamos até lá para aprender a doutrina e fortalecer o
testemunho. Os missionários levam pesquisadores. Somente com
uma atitude de reverência, o Espírito pode con rmar as verdades do
evangelho por meio da palavra de Deus, da música, do testemunho e
da oração.

Somos um povo amigável e amamo-nos uns aos outros; mas a


reverência aumentará se as conversas ocorrerem no saguão e se a
reunião sacramental começar com o prelúdio, não com a primeira
oração. Incentivamos a reverência quando levamos para fora da
capela uma criança chorando e encontramos outra sala onde
podemos continuar ouvindo a reunião, até que o bebê se acalme ou a
criança seja confortada. A reverência inclui desligar os celulares,
eletrônicos portáteis e computadores de mão. Enviar mensagens de
texto ou ler e-mails em uma reunião da Igreja não é apenas
irreverente: desvia a atenção e mostra falta de respeito por quem
estiver ao nosso redor. Portanto, somos exemplos de reverência
quando participamos da reunião, ouvimos os oradores e cantamos
juntos os hinos de Sião.

Nossos professores da Primária, Escola Dominical e dos programas


para os jovens têm oportunidades especí cas de ensinar e dar
exemplos de respeito e reverência. Permitam-me dar algumas idéias.

Primeiro, amem seus alunos. Geralmente, a criança que mais


perturba é a que precisa mais do seu amor.

Dediquem tempo para explicar o que é reverência e porque é


importante. Mostrem uma gravura do Salvador. De nam o
comportamento aceitável e, então, sejam amorosos e persistentes
não só quando incentivam, mas quando esperam que isso aconteça.

Estejam preparados. Preparem não só o material, mas a si mesmos


para ensinar com o Espírito. Muitos problemas com a reverência
podem ser resolvidos por meio de uma aula bem preparada na qual
os alunos participam.

Falem com os pais de crianças que possuem de ciências para


determinar o que se deve esperar delas, porque toda criança merece
a chance de progredir.
Utilizem os recursos da ala para ajudar. Geralmente, se há problemas
de reverência entre os jovens ou entre as crianças, há problemas de
reverência na ala. Levem os problemas para o conselho da ala, no
qual os líderes poderão trabalhar juntos para aumentar o respeito e a
reverência em todos os níveis.8

Anos atrás, o Presidente Packer prometeu as bênçãos do Senhor


àqueles que adorassem em reverência. Certamente essas promessas
se aplicam a nossos dias.

“Embora talvez não vejamos uma transformação imediata e


miraculosa, tão certo quanto o Senhor vive, haverá uma
transformação silenciosa. O poder espiritual na vida de cada membro
e na Igreja aumentará. O Senhor derramará Seu Espírito sobre nós
mais abundantemente. Ficaremos menos inquietos, menos confusos.
Encontraremos respostas reveladas para problemas familiares e
pessoais.”9

Acredito nas promessas de um profeta. Sei que tenho um Pai Celestial


amoroso e que Seu Filho, Jesus Cristo, é meu Salvador. Oro para que
o aumento de nossa reverência re ita nosso amor mais profundo por
Eles e aprimore nosso desempenho na tarefa de apascentar Suas
ovelhas. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Notas
1. João 21:15–17.

2. Ver João 4:10–14.

3. João 6:48.

4. David O. McKay, Conference Report, abril de 1967, p. 86.

5. L. Tom Perry, “Serve God Acceptably with Reverence and Godly


Fear”, Ensign, novembro de 1990, p. 70.

6. “Reverência É Amor”, Músicas para Crianças, p. 12.


7. Ver Boyd K. Packer, “A Reverência Convida à Revelação”, A
Liahona, janeiro de 1992, p. 23.

8. Ver Ensino, Não Há Maior Chamado, (1999), pp. 82–87.

9. A Liahona, janeiro de 1992, p. 23.

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