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INTENSIVO I

Daniel Carnacchioni
Direito Civil
Aula 09

ROTEIRO DE AULA

Teoria da invalidade e teoria da representação

Tema n. 1: teoria da invalidade dos atos jurídicos em sentido estrito e negócio jurídico

1. Introdução

A teoria da invalidade está relacionada ao plano da validade, pois a invalidade é a sanção decorrente do não
preenchimento de um pressuposto legal, o qual condiciona a validade de um ato ou negócio jurídico. Assim, apenas
algumas espécies de fatos jurídicos se submetem à teoria da validade: ato jurídico em sentido estrito e negócio jurídico
(presença do elemento vontade). Os fatos jurídicos em sentido estrito, os atos ilícitos e os atos-fatos jurídicos não se
sujeitam ao plano de validade, sendo diretamente eficaz ou não.

Observação n. 1: a invalidade material é distinta da invalidade processual.

2. Pontos relevantes e norteadores da teoria da invalidade

a) Sanção civil

A invalidade é uma sanção civil.


A norma jurídica estabelece os pressupostos de existência, validade e eficácia - estabelece que ao exteriorizar a vontade
é necessário a observância de determinados pressupostos, os quais são estabelecidos pela norma, como condição de
validade. Em outras palavras, se ao exteriorizar a vontade, o sujeito não respeitar a previsão normativa, há uma sanção
civil (invalidade).

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Observação n. 1: as questões que envolvem a validade são originárias. Por isso, o preenchimento dos pressupostos de
validade deve ser aferido no momento em que a vontade é exteriorizada.

b) Previsão legal

As hipóteses de invalidade material estão previstas na lei.

Observação n. 1: as hipóteses de invalidade processual, em sua maioria, não estão previstas em lei. Critério
diferenciador em relação à invalidade material:

 Direito civil: defeito de forma (inobservância do pressuposto de validade previsto em lei). Critério: interesse
(público ou privado – apontado pelo Código Civil, inclusive).
 Direito processual civil: defeito (vício de forma) e prejuízo (o defeito impede que o ato atinja a sua finalidade).
Critério: prejuízo (qualquer defeito poderá ser sanado). Observação n. 2: o princípio da instrumentalidade das
formas norteia a invalidade processual.

c) Finalidade

Finalidade da teoria da invalidade: neutralização dos efeitos jurídicos do ato ou negócio jurídico, os quais não
observaram os pressupostos de validade.

Não obstante a finalidade citada, o ato inválido poderá produzir efeitos jurídicos em razão da contraposição a outros
interesses (públicos ou privados) relevantes e distintos da validade. Geralmente, são interesses pertencentes a terceiros
de boa-fé.

Observação n. 1: o CC, art. 182 unificou os efeitos da invalidade:

CC, art. 182: “Anulado o negócio jurídico, restituir-se-ão as partes ao estado em que antes dele se achavam, e, não
sendo possível restituí-las, serão indenizadas com o equivalente”.

d) Causas de invalidação são anteriores ou contemporâneas à formação do negócio jurídico


A invalidade não é discutida após a formação do ato ou negócio jurídico.

Ex.: a incapacidade é hipótese de invalidade? Depende do momento:

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 Sim, pois o sujeito era incapaz no momento em que exteriorizou a vontade.
 Não, pois a incapacidade é superveniente ao momento em que o sujeito exteriorizou a vontade.

3. Invalidade de direito material

A invalidade de direito material é gênero, o qual é composto por duas espécies. As espécies de invalidade distinguem-se
pela intensidade conforme o interesse preservado pela norma:

 Nulo: preservação do interesse público – insanáveis..


 Anulável: preservação do interesse privado – sanáveis.

Consequência da especialização da invalidade: regimes jurídicos próprios e diferenciados.

Observação n. 1: não utilizar as terminologias “nulidade absoluta” e “nulidade relativa no âmbito do Direito civil”.

Observação n. 2: não existe nulidade de pleno direito no âmbito do Direito Civil. Portanto, enquanto não pronunciada
judicialmente não há neutralização dos efeitos.

4. Regimes jurídicos

4.1. Regime jurídico da nulidade (CC, arts. 166 a 170)

Incidirá no ato ou negócio jurídico nulo.

a) Hipóteses legais

Previstas na Parte Geral e na Parte Especial.

b) Legitimidade e reconhecimento de ofício

CC, art. 168: “As nulidades dos artigos antecedentes podem ser alegadas por qualquer interessado, ou pelo Ministério
Público, quando lhe couber intervir.
Parágrafo único. As nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz, quando conhecer do negócio jurídico ou dos seus
efeitos e as encontrar provadas, não lhe sendo permitido supri-las [as nulidades são insanáveis], ainda que a
requerimento das partes”.

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c) Convalescimento pelo decurso do tempo

CC, art. 169: “O negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação [ratificação], nem convalesce pelo decurso do
tempo [não submissão à prescrição ou à decadência – pretensão perpétua]”.

Questão: o ato jurídico em sentido estrito ou negócio jurídico nulo pode produzir efeitos jurídicos? Enunciado n. 537: “A
previsão contida no art. 169 não impossibilita que, excepcionalmente, negócios jurídicos nulos produzam efeitos a
serem preservados quando justificados por interesses merecedores de tutela”.

d) Nulidade e simulação

Simular é aparentar o inexistente. O instituto submete-se ao regime jurídico da nulidade em razão da violação do
interesse público (boa-fé objetiva e princípio da transparência). O Código Civil a divide em:

 Simulação absoluta: um negócio simulado.


 Simulação relativa: um negócio simulado e um negócio dissimulado.

Os negócios simulados serão sempre nulos. Portanto, em relação à simulação absoluta há simples aparência e utilização
do ato ou negócio para realizá-la. Na simulação relativa, por meio de uma aparência, o sujeito oculta a sua real intenção
- negócio dissimulado ou camuflado.

Previsão legal: CC, art. 167: “É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na
substância e na forma”.

Ambas as simulações são nulas. No entanto, em razão do princípio da preservação dos atos e negócios jurídicos, há
possibilidade de preservação do negócio dissimulado. Pressupostos: a) não violação da lei; b) não lesão a interesses
alheios; e c) preenchimento dos pressupostos formais e materiais. Enunciados:

N. 153: “Na simulação relativa, o negócio simulado (aparente) é nulo, mas o dissimulado será válido se não ofender a lei
nem causar prejuízos a terceiros”.

N. 293: “Na simulação relativa, o aproveitamento do negócio jurídico dissimulado não decorre tão somente do
afastamento do negócio jurídico simulado, mas do necessário preenchimento de todos os requisitos substanciais e
formais de validade daquele”.

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Ex.: CC, art. 550: “A doação do cônjuge adúltero ao seu cúmplice pode ser anulada pelo outro cônjuge, ou por seus
herdeiros necessários, até dois anos depois de dissolvida a sociedade conjugal”. Ex.:

 Doação do cônjuge adúltero: um negócio jurídico simulado.


 Estipulação de compra e venda, p. ex., para terceiro, o qual efetuará a transferência para outrem (destinatário
da doação acima): um negócio jurídico simulado e um negócio dissimulado.

Simulação e tutela de interesses de terceiros de boa-fé

CC, art. 167, § 2º: “Ressalvam-se os direitos de terceiros de boa-fé em face dos contraentes do negócio jurídico
simulado”.

Assim, não obstante a nulidade decorrente da simulação, é possível que ela produza efeitos aos terceiros de boa-fé.

e) Nulidade e conversão do ato ou negócio jurídico nulo

CC, art. 170: “Se, porém, o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro, subsistirá este quando o fim a que
visavam as partes permitir supor que o teriam querido, se houvessem previsto a nulidade” - não é exceção ao CC, art.
169.

O artigo evidencia que o negócio jurídico nulo poderá produzir efeitos (impróprios). Requisitos:

 Existência de um negócio jurídico nulo.


 O negócio jurídico nulo possui todos os requisitos de substância e de forma de outro negócio jurídico, o qual
subexistirá.
 Boa-fé – se os sujeitos possuíssem conhecimento da nulidade teriam efetuado o outro negócio jurídico.

Ex.: X e Y entabulam contrato de compra e venda no valor de R$ 500.000,00 e formalizam a compra e venda por meio
de um instrumento particular. Defeito: CC, art. 104, III c.c. art. 108. Sanção: CC, art. 166, IV. Portanto, a compra e venda
é nula. Aplicação do CC, art. 170:

 Existência de um negócio jurídico nulo.


 O negócio jurídico nulo possui todos os requisitos da promessa de compra e venda – contrato preliminar (CC,
art. 462). A forma é dispensada na promessa e considerar-se-á a compra e venda como promessa.
 As partes teriam entabulado a promessa de compra e venda se previssem que a compra e venda seria nula.

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Em suma, não há validação da compra e venda, mas considerando-a como uma promessa de compra e venda.

4.2. Regime jurídico da anulação

Incide sobre o ato ou negócio jurídico anulável.

a) Hipóteses legais

Previstas na Parte Geral e na Parte Especial. Exemplos: CC, arts. 171 e 496.

b) Legitimidade e não reconhecimento de ofício

CC, art. 177: “A anulabilidade não tem efeito antes de julgada por sentença, nem se pronuncia de ofício; só os
interessados a podem alegar, e aproveita exclusivamente aos que a alegarem, salvo o caso de solidariedade ou
indivisibilidade”.

c) Confirmação e convalescimento pelo decurso do tempo

CC, art. 172: “O negócio anulável pode ser confirmado pelas partes, salvo direito de terceiro”.

CC, art. 173: “O ato de confirmação deve conter a substância do negócio celebrado e a vontade expressa de mantê-lo”.

CC, art. 174: “É escusada a confirmação expressa, quando o negócio já foi cumprido em parte pelo devedor, ciente do
vício que o inquinava”.

CC, art. 175: “A confirmação expressa, ou a execução voluntária de negócio anulável, nos termos dos arts. 172 a 174,
importa a extinção de todas as ações, ou exceções, de que contra ele dispusesse o devedor”.

Prazos de decadência

A anulação está submetida a prazos de decadência (direito potestativo).

I) Situação n. 1: hipóteses do CC, art. 171

CC, art. 171: “Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico:
I - por incapacidade relativa do agente,
II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores”.

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CC, art. 178: “É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico, contado:
I - no caso de coação, do dia em que ela cessar;
II - no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que se realizou o negócio jurídico;
III - no de atos de incapazes, do dia em que cessar a incapacidade”.

II) Situação n. 2: previsão legal e prazo

Ex.: CC, art. 119: “É anulável o negócio concluído pelo representante em conflito de interesses com o representado, se
tal fato era ou devia ser do conhecimento de quem com aquele tratou.
Parágrafo único. É de cento e oitenta dias, a contar da conclusão do negócio ou da cessação da incapacidade, o prazo de
decadência para pleitear-se a anulação prevista neste artigo”.

III) Situação n. 3: previsão legal sem prazo (CC, art. 179)

CC, art. 179: “Quando a lei dispuser que determinado ato é anulável, sem estabelecer prazo para pleitear-se a anulação,
será este de dois anos, a contar da data da conclusão do ato”.

Ex.: CC, art. 486: “É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o cônjuge do
alienante expressamente houverem consentido”.

5. Regras comuns aos regimes jurídicos

I) Invalidade do instrumento

CC, art. 183: “A invalidade do instrumento não induz a do negócio jurídico sempre que este puder provar-se por outro
meio”.

Fundamento: princípio da preservação do ato ou negócio jurídico.

Objetivo: dissociar o instrumento do próprio ato ou negócio jurídico. Ou seja, o vício de forma do instrumento não
contamina o negócio sempre que este puder se provar por outro meio e não constitua a substância do ato ou negócio
jurídico.

II) Invalidade parcial (redução do negócio jurídico) (princípio da não contaminação)

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CC, art. 184: “Respeitada a intenção das partes, a invalidade parcial de um negócio jurídico não o prejudicará na parte
válida, se esta for separável; a invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias, mas a destas não
induz a da obrigação principal”.

Fundamento: princípio da preservação do ato ou negócio jurídico.

Observação n. 1: “separável”: não comprometimento do núcleo essencial do ato ou negócio jurídico (continuará
atendendo a função social).

6. Efeitos

Nulidade e anulação são distintas em razão do interesse (público ou privado) e não pelo efeito. Os efeitos foram
unificados pelo Código Civil de 2002:

CC, art. 182: “Anulado o negócio jurídico, restituir-se-ão as partes ao estado em que antes dele se achavam, e, não
sendo possível restituí-las, serão indenizadas com o equivalente”.

Tema n. 2: teoria da representação

1. Introdução

O Código Civil de 1916 não possuía um capítulo referente à teoria geral da representação.

Significado de representação: é a atuação jurídica em nome de outrem. Abrange duas ideias:

 “Contemplatio domini”: exteriorização da atuação em nome de outrem.


 Substituição.

2. Personagens

I) Parte formal: representante.

 Não titulariza o direito ou o dever, mas apenas age em nome do representado.


 É o instrumento da vontade do representado.
 Os efeitos jurídicos da vontade exteriorizada, pelo representante, não repercutem em sua esfera jurídica, mas
na esfera do representado.

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II) Parte substancial: representado – titulariza o direito ou o dever.

3. Espécies de representação

CC, art. 115: “Os poderes de representação conferem-se por lei ou pelo interessado”.

3.1. Representação convencional

Fundamento: autonomia privada. Há relação com a teoria dos atos e negócios jurídicos, pois a representação
convencional viabiliza o negócio jurídico dinamizando-o (multiplicidade de negócios jurídicos – estar presente em
distintos locais, p. ex).

Observação n. 1: há hipóteses em que a inexistência de poderes não desconfigura a representação convencional –


portanto, há um equívoco em vincular, necessariamente, a representação à investidura de poder (CC, art. 115).

Observação n. 2: é pressuposto para compreender determinados contratos (mandato, estimatório, comissão, p. ex.).

Observação n. 3: a representação convencional é desdobramento do princípio da cooperação – não é no sentido de


altruísmo, mas no de inter-relação de interesses para viabilizar negócios e atos jurídicos por meio de outra pessoa.

3.2. Representação legal/de proteção

A representação legal não é fundada na autonomia privada. É a lei que investirá o sujeito no poder de representar
outrem. Fundamento: proteção dos incapazes (vinculação à teoria da capacidade de fato).

A representação legal será sempre em nome e no interesse do representado – não existe agir em nome próprio.

4. Representação convencional

4.1. Espécies

a) Representação própria/direta

Subdivide-se em:

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 Representação própria em sentido estrito/pura.
 Representação própria aparente.

Semelhança entre as subespécies: o representante substitui o representado e age em nome deste – única relação
jurídica (o representante é instrumento da vontade do representado).

Distinção: poder.

 Representação própria em sentido estrito/pura: o representante é investido no poder de representação – o


representante, ao agir nos estritos limites da representação, não sofrerá consequências negativas.
 Representação própria aparente: o representante não é investido no poder de representação – visa tutelar o
interesse de terceiro, o qual, baseado em circunstâncias objetivas e concretas, acredita que, de fato, está diante
de um representante. Em outras palavras, há aparência de representação - fundamento: boa-fé. Consequência:
os atos do representante repercutirão na esfera jurídica do representado. Na hipótese do ato gerar
consequências negativas para o representado: possibilidade de ingressar com ação contra o representante
aparente para exigir indenização ou outra obrigação com o intuito de compensar eventual interesse lesado –
consequência interna.

Observação n. 1: a representação própria aparente poderá envolver a ratificação e a gestão de negócios:

CC, art. 861: “Aquele que, sem autorização do interessado, intervém na gestão de negócio alheio, dirigi-lo-á segundo o
interesse e a vontade presumível de seu dono, ficando responsável a este e às pessoas com que tratar”.

Observação n. 2: o interesse não é relevante para a representação própria, pois o representante sempre deverá agir em
nome do representado. Poderá o representante agir no interesse do representado ou em seu próprio interesse.

b) Representação imprópria/indireta/de interposição/de interesses

Na representação imprópria inexiste “contemplatio domini” porque o representante não age em nome do
representado. Portanto, o representante age em nome próprio, mas no interesse do representado.

Portanto, o interesse, irrelevante para a representação própria, é a essência da representação imprópria. Consequência:
duas relações jurídicas (autônomas, independentes e inconfundíveis) conectadas pelo interesse:

 Representado – representante.
 Representante – terceiro.

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Observação n. 1: o representante, com base na relação jurídica com o representado, poderá exigir algum tipo de
prestação porque agiu em seu interesse.

Questão: na representação imprópria há vinculação do representante em relação a terceiros pelos fatos do


representado? Não – relações jurídicas autônomas.

Ex.: contrato estimatório: CC, art. 534: “Pelo contrato estimatório, o consignante entrega bens móveis ao consignatário,
que fica autorizado a vendê-los, pagando àquele o preço ajustado, salvo se preferir, no prazo estabelecido, restituir-lhe
a coisa consignada”. Consignatário age em nome próprio, mas no interesse do consignante.

Ex. 2: contrato de comissão: CC, art. 693: “O contrato de comissão tem por objeto a aquisição ou a venda de bens pelo
comissário, em seu próprio nome, à conta do comitente”.

5. Questões específicas

I) Mandatário incapaz na representação convencional

CC, art. 666: “O maior de dezesseis e menor de dezoito anos não emancipado pode ser mandatário, mas o mandante
não tem ação contra ele senão de conformidade com as regras gerais, aplicáveis às obrigações contraídas por menores”.

II) A representação voluntária, a teoria do negócio jurídico, o contrato de mandato e a teoria da separação (proteção
do terceiro)

O Código Civil ao disciplinar a teoria da representação adota a teoria da separação dissociando a representação
convencional do mandato. É possível, no entanto, ter mandato com representação, mas, tal vínculo, embora comum,
não é necessário.

Fundamento: não contaminação da representação em razão de eventuais vícios no contrato de mandato – tutelar o
interesse de terceiros.
III) Limites dos poderes e responsabilidades do representante e representado

CC, Art. 116: “A manifestação de vontade pelo representante, nos limites de seus poderes, produz efeitos em relação ao
representado [relação interna]”.

CC, Art. 117: “Salvo se o permitir a lei ou representado, é anulável o negócio jurídico que o representante, no seu
interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo.

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Parágrafo único. Para esse efeito, tem-se como celebrado pelo representante o negócio realizado por aquele em quem
os poderes houverem sido subestabelecidos”.

CC, art. 118: “O representante é obrigado a provar às pessoas, com quem tratar em nome do representado, a sua
qualidade e a extensão de seus poderes, sob pena de, não o fazendo, responder pelos atos que a estes excederem
[relação externa]”.

IV) O conflito de interesses entre representante e representado e a boa-fé do terceiro

CC, art. 119: “É anulável o negócio concluído pelo representante em conflito de interesses com o representado, se tal
fato era ou devia ser do conhecimento de quem com aquele tratou.
Parágrafo único. É de cento e oitenta dias, a contar da conclusão do negócio ou da cessação da incapacidade, o prazo de
decadência para pleitear-se a anulação prevista neste artigo”.

V) Negócio jurídico “consigo mesmo”

Na representação direta, o representante age em nome do representado, mas no interesse próprio.

CC, art. 117: “Salvo se o permitir a lei ou o representado, é anulável o negócio jurídico que o representante, no seu
interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo.
Parágrafo único. Para esse efeito, tem-se como celebrado pelo representante o negócio realizado por aquele em quem
os poderes houverem sido subestabelecidos”.

Ex.: CC, art. 685: “Conferido o mandato com a cláusula "em causa própria", a sua revogação não terá eficácia, nem se
extinguirá pela morte de qualquer das partes, ficando o mandatário dispensado de prestar contas, e podendo transferir
para si os bens móveis ou imóveis objeto do mandato, obedecidas as formalidades legais”.

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