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OBESIDADE EM CÃES E GATOS: COMPLICAÇÕES

METABÓLICAS 1

Introdução

A obesidade pode ser hoje considerada uma das principais condições patológicas
observadas em cães e gatos. Por definição, se caracteriza por um acúmulo excessivo de tecido
adiposo branco, sabidamente um órgão hormonalmente ativo, responsável pela mediação de
uma série de reações metabólicas. Podendo ser classificado como um estado inflamatório
incialmente de baixa intensidade, o excesso de gordura corpórea expõe o paciente obeso a um
maior risco de distúrbios cardiorrespiratórios, osteomusculares, diabetes mellitus, disfunções do
trato hepatobiliar, urogenital e predisposição a tumores e alterações na qualidade do tegumento,
visão, sistema imunológico e redução significativa na expectativa de vida.

Etiologia

Estima-se que entre 25 a 40% da população canina e felina que recebe atendimento
veterinário hoje se encontra acima do peso ou é obesa, dependendo do centro de referência. É
válido ressaltar que a opinião veterinária geralmente diverge da concepção pessoal do
proprietário do animal, por se tratar de uma avaliação por vezes subjetiva e assim muito sujeita
ao viés do observador. Podemos classificar a obesidade quanto a sua origem como primária ou
secundária a alguma co-morbidade, geralmente de caráter hormonal ou farmacológico.

A forma primária é a mais significativa, representando em torno de 95% dos casos


atendidos. Geralmente decorre do desbalanço metabólico trazido por um aumento da ingestão
calórica diária associada a uma redução do gasto energético. O estilo de vida acelerado e prático
está fortemente associado ao sedentarismo dos proprietários e, naturalmente, dos seus animais
de companhia. Não se pode ignorar a correlação entre as taxas de crescimento da incidência da
obesidade na população humana e na população canina/felina. O tipo de dieta tem forte
influência no desenvolvimento e progressão do ganho de peso, seja pelo expansivo mercado pet
com diversas opções de petiscos ou pelo pouco conhecimento e orientação do proprietário sobre

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CARVALHO, G. L.C. Obesidade em cães e gatos: complicações metabólicas. Seminário apresentado na
disciplina Transtornos Metabólicos dos Animais Domésticos, Programa de Pós-Graduação em Ciências
Veterinárias, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2014. 6 p.
a quantidade diária recomendada de ingestão de alimentos. Pessoas que não tem hábitos de
exercícios regulares ou reservam algum período do seu tempo para tal, tampouco o fazem com
seus animais. Existem ainda raças com predisposição genética a obesidade, como é o caso do
Beagle e dos Retriever.

Podemos encontrar também a obesidade secundária a endocrinopatia ou uso de


medicações, como a observada no hipotireoidismo e no hiperadrenocorticismo e após
tratamento com glicocorticoides ou fenobarbital. A esterilização também pode levar ao ganho
de peso em animais que não recebem reajuste alimentar após o procedimento cirúrgico, uma vez
que este status gonadal implica numa redução da necessidade diária a ser ingerida.

Diagnóstico

Após a exclusão de distúrbios hormonais e da exposição ao uso de medicamentos via


anamnese ou prontuário médico, faz-se necessário assegurar se estamos frente a um caso de
obesidade e, quando possível, quantificá-la. O monitoramento do peso corpóreo pode ser
auxiliar no monitoramento e evolução do tratamento, porém não deve ser assumido como
parâmetro único para controle, uma vez que deve ser avaliada a relação entre massa muscular e
cobertura adiposa.

Por receber influência direta do julgamento individual e, não raramente, o proprietário


relutar em admitir o diagnóstico de obesidade ou reconhecê-lo, existem alguns métodos para
tornar o problema mais palpável. Dentre os mais utilizados na rotina clínica, encontram-se o
escore de condição corporal (ECC) e as medidas morfométricas. O ECC oferece as vantagens de
ser rápido e simples de ser aplicado, e leva em conta aspectos visuais e do exame físico ao gerar
um número dentre uma escala entre 1-5 ou 1-9 sendo 3 e 5, respectivamente, o escore
considerado ideal.

Existem ainda medidas morfométricas que podem ser úteis para avaliar o percentual de
gordura corpórea, sendo as mais utilizadas a relação entre gradil costal e distância da patela a
tuberosidade calcânea (índice de massa corpórea felina) e relação entre cintura pélvica e
distância do tarso ao joelho em cães.

Métodos mais apurados como a ressonância magnética e a densitometria


computadorizada por absormetria radiológica de dupla energia (DEXA) podem ser empregados,
porém são de disponibilidade limitada na maioria dos centros veterinários.

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Complicações metabólicas

Atualmente, é bem estabelecida a situação da obesidade como um estado inflamatório


permanente de baixo grau, associada à contínua secreção de diversos mediadores químicos pelo
tecido adiposo branco, mais especificamente pelos adipócitos, conhecidos como adipocinas.
Dentre as mais relevantes, podemos destacar os hormônios leptina, adiponectina e resistina e as
citocinas fator de necrose tumoral alfa (TNFα) e interleucina 6 (IL-6). A perda da regulação na
produção destas substâncias pode trazer uma série de complicações locais e sistêmicas, sendo
tanto um fator predisponente quanto um perpetuante de diversas afecções multissistêmicas.

A leptina é um hormônio responsável por reduzir a ingestão alimentar, aumentar o gasto


energético e regular o catabolismo dos carboidratos e gorduras. Foi demonstrado que a
concentração plasmática deste hormônio aumenta de acordo com o escore corporal, ou seja,
quanto maior o grau de obesidade maior o valor encontrado de leptina. Isto se deve a um estado
de ‘resistência à leptina’, onde sua produção é aumentada em busca da reversão do quadro de
excesso de peso via sinalização endógena. Faz parte de um mecanismo de controle em longo
prazo do metabolismo da saciedade, havendo possivelmente disparidade na sensibilidade dos
tecidos-alvo a suas ações ou pouca afinidade com seus receptores.

A adiponectina é o hormônio de maior produção pelo tecido adiposo e promove a


sensibilidade insulínica por diversos mecanismos, como a facilitação da rota de oxidação de
gorduras e carboidratos nos tecidos periféricos, supressão da gliconeogênese hepática e inibição
da resposta inflamatória. Por outro lado, a obesidade é responsável por significativa redução na
expressão gênica e concentração plasmática deste hormônio ao promover redução da expressão
de seus receptores nos tecidos muscular e hepático e promovendo feedback inibitório na sua
secreção via citocinas como TNFα e IL-6.

A resistina tem como provável principal origem os macrófagos do tecido adiposo, e


seus níveis aumentam com a obesidade. Tem influência importante como antagonista das ações
da insulina. Seus estudos em cães e gatos ainda estão em processo de evolução.

Além destes e outros hormônios, os adipócitos também são responsáveis pela produção
de citocinas pró-inflamatórias como o TNFα e IL-6, responsáveis por ativação do sistema
imunológico em resposta a processos infecciosos ou neoplásicos. Na situação de obesidade, há
um excesso de infiltrado de macrófagos no tecido adiposo, deflagrando um aumento na
produção e expressão dessas substâncias associado ao aumento do tecido adiposo.

Um dos principais sistemas acometidos pela obesidade é o osteomuscular, sendo a


frequência da osteoartrite associada à sobrecarga mecânica, mas também a um desbalanço na

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expressão de leptina no líquido sinovial, estando esta relacionada a um aumento de produção de
citocinas inflamatórias nos condrócitos. O paciente obeso é mais predisposto à ruptura do
ligamento cruzado cranial, luxação de patela, doença degenerativa articular e doença do disco
intervertebral.

Indivíduos obesos tendem a um maior índice de intolerância a glicose e resistência


insulínica como citado anteriormente, e sua predisposição à diabetes mellitus está bem
estabelecida em felinos. O TNFα é responsável por promover resistência insulínica a nível
hipotalâmico e local no tecido adiposo, e a perda de peso demonstra aumento da sensibilidade à
insulina.

O sobrepeso também tem impacto marcante na função cardiovascular, estando


associadas condições como o colapso traqueal, síndrome do braquicefálico, paralisia laríngea,
dispneia e também parece estar associada à hipertensão sistêmica, miocardiopatia hipertensiva,
trombose portal venosa e hipóxia do miocárdio. Animais com bronquite tendem a ter um agravo
na condição obesa, pois a degranulação mastocitária é maior nestes indivíduos. A perda de peso
desenvolve papel fundamental na redução dos sinais clínicos associados.

A dislipidemia é uma complicação frequente associada à obesidade e está relacionada a


uma vasta gama de co-morbidades como a lipidose hepática, pancreatite, alterações
neurológicas, oftalmológicas, da coagulação e perfil hematológico.

As neoplasias também parecem ter correlação com o excesso de leptina, sendo esta
responsável por uma estimulação de IGF-1 (fator de crescimento semelhante à insulina-1) e
outros secretagogos do hormônio do crescimento, afetando assim os processos de
divisão/diferenciação celular e angiogênese. A frequência de tumores de bexiga, pele e mama
está aumentada em animais obesos. A injúria pancreática crônica decorrente da dislipidemia
parece também ter relação com o desenvolvimento de adenocarcinomas neste órgão.

São diversas as complicações genitourinárias advindas da obesidade, sendo as mais


expressivas a doença do trato urinário inferior, incapacidade do esfíncter uretral e distocia do
parto, parecendo o aumento de gordura no espaço retroperitoneal desenvolver um papel
importante em sua patogênese.

O sobrepeso está associado, ainda, a distúrbios da qualidade do tegumento como


seborreias, piodermites de repetição, escaras de decúbito e incapacidade de realizar o grooming
nos felinos, sendo ainda responsável por um aumento no grau de prurido. É importante ressaltar
a maior dificuldade da realização de procedimentos veterinários no paciente obeso como
ausculta cardiopulmonar, coleta de sangue, acesso venoso, intubação orotraqueal e maiores
riscos cirúrgico-anestésicos.

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Tratamento

O tratamento da obesidade passa por uma mudança no estilo de vida do animal, e por
conseguinte, do proprietário. As maneiras de se intervir no desbalanço energético estão
relacionadas a uma menor ingestão calórica ou a um maior gasto, geralmente tendo sucesso uma
combinação entre as duas abordagens. Torna-se desafiadora ao médico veterinário esta
intervenção quando o proprietário também é obeso, associação bastante observada. A
administração de alimentos aumenta a sensação de prazer do observador e é vista como sinal de
saúde, enquanto a redução nesta ingestão é interpretada como uma preocupação.

As dietas comerciais específicas para perda de peso se demonstram muito eficazes


quando administradas na quantidade adequada e, preferencialmente, sob fonte alimentar
exclusiva. Basicamente apresentam elevado teor de fibras e proteínas para promoção de
saciedade e prevenir o catabolismo muscular. Os níveis de gordura e carboidratos de baixa
complexidade são reduzidos.

A prática de exercícios pode ser desafiadora em animais obesos devido à sobrecarga


articular e as diversas afecções cardiorrespiratórias já descritas, tendo os cães como alternativa
interessante a hidroesteira. Na abordagem do sobrepeso felino, o enriquecimento ambiental e os
diversos produtos de liberação lenta de ração e finalidade lúdica tem grande valia.

O tratamento medicamentoso é controverso e alguns fármacos com o intuito de


supressão do apetite ou redução da absorção de gorduras podem apresentar efeitos colaterais
indesejados com frequência variável.

Considerações finais

Frente ao crescente número de evidências sobre as diversas implicações metabólicas e


multissistêmicas, faz-se necessária a conscientização precoce via médico veterinário sobre a
importância da orientação nutricional adequada, bons hábitos de saúde e relação saudável entre
proprietário e animal de estimação. Mais estudos vêm sendo realizados para corroborar as
diversas hipóteses já bem estabelecidas em humanos e cobaias.

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Referências

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