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FERNANDO PESSOA - MODERNISMO PORTUGUÊS

• Poeta dramático, fundava sua poesia na invenção de personagens.


• Visto, durante décadas, por alguns críticos como “uma psicologia problemática”, próxima da
esquizofrenia (por causa dos heterônimos).
• A teoria do “poeta imaginador de personalidades” encontra-se na própria prosa doutrinária de
Fernando Pessoa e também em poemas como “Autopsicografia”.
O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.”

• Envolveu-se com o ocultismo, interessou-se por práticas mediúnicas e manteve ligações com a
sociedade esotérica. Este misticismo foi incorporado em sua obra literária, principalmente no
livro chamado “Mensagem” (Fernando Pessoa ortônimo).
• No fenômeno da heteronímia, o poeta ajustou personagens com biografia e caracterização física.
• Os três principais heterônimos são Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis.
• Sua obra foi dividida em poesia ortônima (ele mesmo) e poesia heterônima (outros seres criados
por ele).

FERNANDO PESSOA – ORTÔNIMO


• Publicou um único livro em vida, “Mensagem”. Todo o restante de sua obra literária foi
publicada, postumamente.
• Sua poesia ortônima apresenta composições e gêneros épico e lírico.

Poesia épica: MENSAGEM


• Narrativa fragmentária, onde comparecem paródia e ironia.
• 44 poemas mais ou menos curtos, ora narrativos, ora contemplativos evocando momentos de
glória do passado lusitano ou celebrando mitos, lendas e figuras nacionais.
• O livro apresenta-se como epopéia subjetiva pois algumas figuras falam em 1ª pessoa, num
monólogo dramático, alternando à voz de outro “eu” como porta voz do nacionalismo místico,
simbólico e messiânico do autor. Essa mistura de gêneros é uma criação modernista da poesia
épica.
• A obra divide-se me três partes:

1ª – BRASÃO (ascensão – idade média)


• Mostra a vocação marinha natural do país, sempre voltada para o Oceano Atlântico.

2ª – MAR PORTUGUÊZ (apogeu de Portugal e domínio sobre os mares)


• Celebram heróis fundadores mítico e históricos da pátria (Ulisses, herói de Odisséia e segundo a
lenda, o fundador de Lisboa, D. Afonso Henriques, D. Dinis, Vasco da Gama, etc.)
• A paródia à passagem de “Os Lusíadas” pode ser observada em textos como “O mostrengo”,
lembrando o “Gigante Adamastor”.
• Os poemas que finalizam essa segunda parte são carregados de saudosismo e amargura pela
derrocada de Portugal e pedindo a Deus o dom de reconquistar a glória perdida.

3ª – O ENCOBERTO (decadência – sonho de voltar a ser grande novamente)


• Carregadas de nacionalismo místico com temática do Sebastianismo e do Quinto Império.
• Segundo Fernando Pessoa, era chegada à hora de “O Encoberto” (D. Sebastião) retornar como
messias para conduzir o país à condição de “Quinto Império” do mundo (sonho de
Nabucodonosor, onde o mundo veria passar quatro impérios e, após isso, veria nascer o quinto,
mais poderoso) – Segundo Pessoa, os quatro teriam sido a Grécia, Roma, Cristandade e a
Europa, e Portugal seria o “quinto”, com a ajuda de D. Sebastião.

Mar portuguêz
“Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão resaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena


Se a alma não é pequena.
Quem quere passar além do Bojador cabo localizado na costa oeste da África
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abysmo deu,
Mas nelle é que espelhou o céu.”

Poesia lírica: “CANCIONEIRO”


• Esse livro apresenta duas fases:
• 1ª – Modernista – (revista Orpheu) – versos livres e imagens desconexas
• 2ª – Poética tradicional – versos rimados e metrificados em estrofes de 4 ou 5 versos em
linguagem clássica, lembrando Almeida Garrett pela delicadeza dos sentimentos, Cesário Verde,
pelas paisagens do cotidiano, pelas cenas das cidades, e Camilo Pessanha, pela musicalidade,
pela exploração de estados da alma, à imagem do fluxo das águas.
• Apresenta um lirismo melancólico diante do enigma do mundo interior, porém não é um lirismo
sentimental.
• A mesma racionalidade que o leva a analisar os estados psíquicos também o leva a investigação
do fenômeno da criação poética (ex. Autopsicografia)

Isto
“Dizem que finjo ou minto
Tudo o que escrevo. Não
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação
Não uso o coração.”

FERNANDO PESSOA – HETERÔNIMOS

ALBERTO CAEIRO
• Seus poemas não apresentam títulos e reúnem-se num conjunto chamado “O guardador de
rebanhos”.
• Homem do campo, pastor de ovelhas (só teve instrução primária).
• Seu estilo funda-se no uso espontâneo do verso livre e branco, próximo da prosa (prosaísmo),
procura imitar as formas simples da natureza, enfatizando a presença de plantas, rios, animais,
sol, lua e da ordem, segundo a qual tudo se agrupa.
• Poeta anti-intelectual e primitivista, inimigo do que é artificial.
• Poeta filosófico, embora seus versos recriminem os poetas e sua teoria se volte contra o
pensamento. Ao recusar o transcendentalismo e a filosofia em geral, acaba por criar uma espécie
de antifilosofia.
• Anti-racionalismo – as sensações e os sentimentos são o bastante, o homem deve se comportar
como as árvores e os animais.
• Pagão, censura a metafísica e as religiões que abstraem as divindades, alienado de qualquer
questão social.
• Considerado o pai dos heterônimos por ter sido o primeiro a ser criado e por sua postura racional.

“Sou um guardador de rebanhos.


O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.”

RICARDO REIS
• Médico e estudioso da cultura latina – representa a face clássica das personagens de Fernando
Pessoa.
• Retoma a tradição da poesia latina, versos metrificados, porém sem rimas; extrema concisão e
alto domínio da sintaxe tradicional.
• Ricardo Reis é moralista e sua poesia veicula lugares comuns da moral antiga, sobretudo a moral
“estóica” (doutrina onde o homem deve esforçar-se para tornar insensível aos males físicos e
espirituais. Perante a dor, deve viver segundo a natureza e aceitar as coisas como elas são), e
epicurista (segundo a qual o homem deve construir sua própria vida, buscando a felicidade
possível, na conquista do prazer estável).
• Dentre os lugares comuns destaca-se a idéia do fatalismo regido pelos deuses (culto dos deuses
do Olimpo – propondo a imitação desses como forma de superar as dores da existência), a
inexorabilidade do tempo, o carpe diem, em meio à paisagem bucólica e a necessidade de
disciplina mental para enfrentar tanto a dor quanto o prazer.
• Poeta da serenidade, das verdades absolutas, sem preocupar-se com a religião ou salvação, pois é
um poeta pagão, que crê somente nos deuses da mitologia.
• Apresenta semelhança com Caeiro por querer viver segundo a natureza, mas só que ele aceita as
coisas como elas são, a partir de uma reflexão culta e sofisticada, enquanto Caeiro se baseia no
instinto e nas sensações.

“Vem senta-te comigo, Lídia, à beira do rio.


Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos)
.........................................................................
Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.”
ÀLVARO DE CAMPOS
• Engenheiro, com formação no exterior, heterônimo que introduz o modernismo em Portugal.
• Neurótico, conflituoso, irritadiço, agressivo, que teme o anonimato.
• Único dos heterônimos que apresenta uma evolução literária em sua obra:

1ª Fase: Pós Simbolismo


• Nostálgico e mórbido, desejo de evasão (escapismo), que busca lugares e experiências exóticas 0
o Oriente (Índia e China) e o ópio.
• Versos rimados e metrificados

2ª Fase: Futurismo Ortodoxo


• Elogia a máquina, o progresso e a violência, identificando-se com as propostas futuristas.
• Versos livres, linguagem coloquial e prosaica, cheia de entusiasmo, celebrando as sensações
modernas. O estilo dessa fase é também chamado de “Sensacionismo” (expressão de sensações)

3ª fase: Niilismo depressivo


• Síntese das duas primeiras: versos livres, coloquialismo e prosaísmo da segunda fase (futurista),
mas sem a exaltação da máquina; tédio, desânimo e abulia (ausência de vontade), levando-o a
explosões temperamentais raivosas, recuperando o espírito sombrio da primeira fase (Pós
simbolismo)

“Não: não quero nada.


Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.”