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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA

BACHARELADO EM LETRAS - PORTUGUÊS/LITERATURAS


CULTURA BRASILEIRA
IZADORA PIZARRO E GUILHERME PINTO RAVAZI

Olhares sobre o cotidiano: Nair Benedicto

No presente trabalho apresentaremos um breve panorama da biografia e carreira da


fotógrafa brasileira Nair Benedicto. Ao longo do trabalho analisaremos três fotografias da
fotógrafa. A primeira é uma foto sem título feita em 1985 e tem como objeto os trabalhadores
de uma fábrica de sisal na Bahia. A segunda, Mulheres no Sisal, feita na mesma ocasião é
colocada em contraste com a primeira, pois é menos crua e possui um valor estético diferente.
A terceira é uma foto da série Índios Molhados feita originalmente em 1989, mas que em 2014
sofreu uma modificação por causa de um vazamento no telhado do acervo em que estava.

Nair Benedicto nasceu em 1940 na capital paulista. Formou-se em Comunicação Social


- Rádio e Televisão pela Universidade de São Paulo. É fundadora da empresa N-Imagens que
possui um banco de imagens com mais de 300 mil fotografias de fotógrafos de todo o Brasil.
É também idealizadora do evento bienal Mês Internacional da Fotografia de São Paulo. Possui
fotos expostas em importantes museus internacionais como o Museu de Arte Moderna de Nova
York e o Smithsonian de Washington DC.

Nair Benedicto foi presa política durante a ditatura militar o que a impossibilitou de
trabalhar com televisão já que para isso era preciso o atestado de boa conduta. Assim Benedicto
foi levada a escolher a fotografia como seu trabalho e linguagem. Certa de que a fotografia tem
o poder de causar mudanças reais no mundo ela dedicou a maior parte de seu trabalho às
questões políticas e sociais retratando as pessoas que vivem à margem da sociedade. Um
exemplo deste trabalho é sua matéria para uma revista alemã Stern que abordava as condições
de trabalho em uma fábrica de sisal em uma cidade do interior da Bahia. As fotografias de
Benedicto mostravam que a maior parte da população da cidade tinham um tipo de mutilação
em decorrência de acidentes no trabalho de moer o sisal.

Sem título, 1985.

No documentário Fé Menina, disponível no YouTube, Nair conta que as fotografias que ela
fez para esta matéria eram bastante pesadas e angustiantes, pois ela queria chamar a atenção
para a realidade do sofrimento daquela população. A foto acima mostra os trabalhadores em
frente ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais expondo seus membros mutilados. A fotografia
possui apenas um plano com poucos elementos de cenário, apenas uma parede. Apresenta uma
linha horizontal formada pelos braços erguidos dos trabalhadores dando uma sensação de
profundidade para a fotografia. As pessoas enfileiradas fazendo o mesmo gesto representam
uma ideia de repetição, de que os acidentes são comuns naquele lugar.

Apesar das fotografias dos trabalhadores mutilados ser chocantes e perturbadoras, a


foto que abriu a matéria e que ficou mais famosa foi Mulheres no Sisal. Esta foto possui dois
planos, o primeiro com quatro mulheres trabalhando, e o segundo plano com uma. A
iluminação no centro da fotografia ressalta a textura do sisal ao mesmo tempo em que cria um
reflexo no ambiente dando um aspecto de ilustração para a imagem. A cor do sisal que
predomina na fotografia também contribui para este efeito.
Mulheres no Sisal, 1985.

Uma característica importante do trabalho de Benedicto é sua postura no que diz


respeito à ética do olhar que é uma grande questão que circunda o meio. Diferentemente de
alguns fotógrafos que apenas apropriam-se das imagens sem interferir nas situações humanas
que a elas deram origem, Benedicto usa a fotografia para chamar a atenção para aquelas
questões que não estão sendo discutidas com o devido zelo. Após a matéria sobre os
trabalhadores do sisal a fotógrafa procurou uma amiga engenheira que sugeriu uma mudança
simples nas máquinas de moer sisal que evita os acidentes. A medida foi adotada em diversas
fábricas depois disso.

Nair também participou da criação do Núcleo dos Amigos da Fotografia (NAfoto),


juntamente com Stefania Brll, Marcos Santilli, Rubens Fernandes Jr., Roseli Nakagawa, Fausto
Chermont, Juvenal Pereira, Bel Amado e Eduardo Castanho. Durante 20 anos, esta associação
promoveu o Mês Internacional da Fotografia, em São Paulo, além de inúmeras exposições.
Dentre elas, deve-se destacar a mostra Contatos e Confrontos – o índio e o branco, com
curadoria de Marcos Santilli, Patricia de Felippi e Nair, que ocorreu no Museu da Imagem e
do Som de São Paulo em 1995.

Nair sentia-se motivada pelos indígenas, com os quais fazia suas fotografias e trabalhos.
Visualizava a integração do homem branco com os índios. Durante sua carreira presenciou
momentos diversificados na vivência dos indígenas. Procurava documentar a realidade da
Amazônia naquele momento, o modo como grandes projetos interferiam na vida das aldeias,
como, por exemplo, a usina de Tucuruí.

Em uma entrevista ao site povosindigenas.com Nair explica que se envolveu "muito


com os Arara pela alegria deles, por serem tão eles mesmos. Os Kayapó foi por admirar o
orgulho deles pela própria identidade, esse estilo briguento que, afinal, é o que os salva. Já os
Kaxinawá foi pela procura constante desse povo, pelo envolvimento deles em projetos. A
diversificação de interesses dos índios é tão grande como a nossa. É bonito ver a briga dessas
comunidades para se viabilizarem, tanto de índios como de quilombolas. São coisas muito
ligadas à dignidade, ao sentimento do ser humano como ator da sua historia."

Um dos trabalhos mais instigantes mostrados em Por Debaixo do Pano é a série Índios
Molhados, criada a partir de material produzido em Altamira (PA), em 1989, durante o 1º
Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, aquele que contou com a presença do cantor inglês
Sting. Vinte e quatro anos depois, um vazamento no telhado da casa da fotógrafa provocou a
entrada de água em imagens que não haviam sido selecionadas originalmente. “Eu tinha de
brecar a água. Ela é muito rápida. Fiquei tentando recuperar o que dava para recuperar”, conta
Nair. “Depois, usei água para fazer umas intervenções. Quis mostrar o branco entrando nos
índios.”

Sem título, 1989/2014.


O trabalho de Nair Benedicto é de grande relevância para a fotografia e para a sociedade
brasileira, pois levanta as grandes questões políticas e sociais. Um exemplo de engajamento e
postura ética para com a imagem, Nair busca fazer ver os não vistos, os esquecidos, os que
vivem à margem. As mulheres oprimidas, os índios, os trabalhadores, os grafiteiros, os
dependentes químicos e muitos outros foram e são cuidadosamente capturados pela objetiva
de Nair Benedicto. No entanto, suas imagens não se tornaram apenas objetos de uma exposição,
mas ganharam a possibilidade de serem vistos como humanos que são.

Referências

Textos
BENEDICTO, N. Tinha tudo para dar errado! Por sorte, deu tudo certo. Discursos
Fotográficos, Londrina, v.9, n.15, p.243-262, jul./dez. 2013. Disponível em:
<http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/discursosfotograficos/article/view/16890/pdf_11>.
Entrevista concedida a Paulo César Boni. Acesso em: 29 dez. 2016.
______. Uma vida dedicada às minorias. O Índio na Fotografia Brasileira. 30 ago. 2013.
Disponível em: <http://povosindigenas.com/nair-benedicto/> Acesso em: 02/01/2017.

Vídeos
IMÃ FOTO GALERIA. Fé menina. 2015.
Fotografias
BENEDICTO, N. Mulheres no Sisal. 1985.
_____. Sem título. 1985.
_____. Sem título. 1989/2013.

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