You are on page 1of 6

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS

CAMPUS DO SERTÃO

Byanca Silva Vilela de Almeida


7º Período

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA

Delmiro Gouveia – AL
Maio de 2018
Foi pensado como material didático à ser trabalhado no primeiro bloco do
bimestre final de História no 3º Ano do Ensino Médio, a análise de eventos políticos, a
datar de 1964 com a Ditadura Militar e as manifestações populares subsequentes.
Seguindo o intuito de incluir um recurso interativo na discussão, iremos, a partir destes,
refletir sobre a fotografia como sendo fonte primária dos processos históricos
contemporâneos. Commented [JP1]: Justificar...

Dialogando com alguns textos trabalhados na disciplina de História


Contemporânea, é possível traçar um paralelo entre os legados dessas manifestações e
das primeiras insurreições das quais se tem registros. Como analisa Michel Vovelle, o
que ele chama de “eco” da Revolução Francesa é impugnado ao se deparar com um
discurso derivado da tradição contrarrevolucionária, que se refere a ela como “ação
violenta e do mal absoluto”; não obstante, o autor afirma que seria imprudente se arriscar
partindo desta impressão, e ainda salienta que se pode constatar a partir dos debates
modernos que a herança deixada por este evento é perene e que, hipoteticamente, a ideia
de luta não esteja morta, nem o “eco” ensurdecido. Assim como, tanto durante as
manifestações contra as medidas autoritárias no Brasil, quanto posteriormente, existiram
— e existem — grupos interessados em deturpar o significado dos levantes populares.
Podemos citar como exemplo o desenvolvimento do IPES (Instituto de Pesquisa e
Estudos Sociais) fundado em 1961, sendo um dos principais conspiradores por trás das
articulações a favor do Golpe Militar de 1964. Ademais, remetendo ao texto de Hannah
Arendt, “Da Revolução”, e, mais especificamente a sua fala sobre a Revolução Francesa
ter sido como um motor para todas as revoluções que sucederam, dentre os eventos
históricos brasileiros da Nova República, o processo de redemocratização do país foi um
grito que ecoa até os nossos dias.
Tendo em vista a demanda atual de informações sobre o objeto de estudo, se faz
necessário um maior zelo ao abordá-lo e uma preocupação em não tornar tal abordagem
extenuante. Por esse motivo é que apresento como proposta o uso da fotografia.
Como bem observa Peter Burke, não seria viável para os historiadores
estabelecerem pesquisas nos campos relativamente novos da História, particularmente
nos campos de “história das mentalidades, história da cultura material, história do corpo,
história da vida cotidiana, etc.”, se suas fontes se resumem às vias tradicionais, como
documentos oficiais. Burke ainda comenta o mau uso das imagens em alguns casos:
Quando utilizam imagens, os historiadores tendem a tratá-las
como meras ilustrações, reproduzindo-as nos livros sem
comentários. Nos casos em que as imagens são discutidas no
texto, essa evidência é frequentemente utilizada para ilustrar
conclusões a que o autor já havia chegado por outros meios, em
vez de oferecer novas respostas ou suscitar novas questões.
(2004, p. 16)

Para Jacques Le Goff, a fotografia é uma das mais relevantes manifestações da


memória coletiva que surgiram no século XIX e no início do XX, revolucionando a
memória, atribuindo a ela uma exatidão, uma pluralidade e uma democracia nunca antes
vista, “permitindo assim, guardar a memória do tempo e da evolução cronológica.”
Ao trazer o tema de uma forma expositiva, além dos textos, leremos os registros
fotográficos dos eventos discutidos.

Exemplos:

Vladimir Palmeira, o líder do Movimento Civil, discursando Greve geral dos Metalúrgicos do ABC, em 1979.
durante a Passeata dos Cem Mil, em 1968.

Praça Montevidéu, em Porto Alegre. 13 de abril de 1984.

Após a apresentação das imagens, deve-se analisar a importância da fotografia


como fonte primária e propor uma atividade avaliativa que consistirá em pedir aos
discentes que façam o papel de observadores do cotidiano, e em grupo, utilizando seus
celulares, tragam de 1 a 2 registros fotográficos, a partir de seus olhares, que possuam
algum caráter político-social (um cartaz, outdoor, uma manifestação popular, um ato
público, uma sessão na Câmara municipal, uma manchete de jornal, caso o aluno não
possua dispositivo de fotografia, etc.) e os apresentem na forma de seminário.
O objetivo principal é proporcionar a reflexão sobre os registros contemporâneos
e o papel da História para nós, enquanto cidadãos. Ademais, atribuir ao
celular/smartphone/tablet uma função que seja útil durante o processo avaliativo,
ocasionando uma aproximação da sala de aula com a realidade do educando.

Plano de Aula

Professor (a): Byanca Silva Vilela de Almeida

Duração da Atividade: Primeiro Bloco Avaliativo do Último Bimestre

[X] Ensino Fundamental [X] Ensino Médio [X] Ensino Superior

Série ou Período: 3º Ano

Conteúdos: História Contemporânea (Brasil República)

Disciplinas Envolvidas: História, Arte

Objetivos

Objetivo Geral
 Proporcionar a reflexão sobre os registros contemporâneos e o papel da
História para nós, enquanto cidadãos.

Objetivos específicos:
 Identificar a importância da fotografia como fonte primária nos processos
históricos.

 Ilustrar as dimensões do objeto de estudo através da fotografia.

 Desafiar o educando a lançar seu olhar pessoal e a interpretar o cotidiano


político-social, tendo como base as discussões em sala.
Conteúdos

 Execução do Golpe Militar de 1964


 Passeata dos Cem Mil
 Greve dos Metalúrgicos do ABC
 Diretas Já!
 Movimento “Caras Pintadas” Commented [JP2]: De fato o recorte é contemporâneo
mas do ponto de vista do rigor temático “ditadura no Brasil”
não compõe o espectro de discussões de História
Contemporânea.

Metodologia

 Aulas expositivas.
 Debates acerca das fontes contemporâneas.

Recursos

 Projetor
 Slides
 Apostilas
 Fotografias

Avaliação

 Seminários expositivos
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

VOVELLE, Michel. A Revolução Francesa e seu eco. Texto apresentado


no "7º Congresso Internacional das Luzes", em Budapeste, no período de
26 de julho a 2 de agosto de 1987. Traduzido por Magda Sento Sé Fonseca.
Disponível em: ‹www.scielo.br›. Acesso em 10 mai. 2018.
IPES. In: WIKIPÉDIA: a enciclopédia livre. Wikimedia, 2018. Disponível
em:<https://pt.wikipedia.org/wiki/Instituto_de_Pesquisas_e_Estudos_S
ociais>. Acesso em: 10 mai. 2018.
ARENDT, Hannah. Sobre a revolução. São Paulo: Companhia das Letras,
2011.

BURKE, Peter. Testemunha ocular: história e imagem. Bauru: EDUSC,


2004.

GOFF, Jacques Le. História e Memória. Campinas: Editora da


UNICAMP, 1990.

Related Interests