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corrente contínua

Ano XXXI - Nº 223 - Novembro/Dezembro - 2008 A REVISTA DA ELETRONORTE

Dança, música,
literatura, cinema,
manifesta
manifestações populares:
apoio da Eletronorte
promove culturas regionais

Eletronorte
TECNOLOGIA
Conchas transformadoras
sumário

Página 3 GERAÇÃO
Aripuanã, terra de
ENERGIA ATIVA um novo tempo
Tucuruí: a última Página 20
etapa inaugurada
Página 7

CIRCUITO INTERNO
O cidadão e a
sociedade como parâmetros
da comunicação
Página 27

CORRENTE ALTERNADA
A arte com energia
Página 30

MEIO AMBIENTE TRANSMISSÃO


A Amazônia cabe Pé na estrada e mãos à obra - Página 13
numa semente
Página 37

AMAZÔNIA E NÓS
Página 43

CORREIO CONTÍNUO
Página 49

FOTOLEGENDA
Página 51

Conselho Editorial: Diretor-Presidente - Jorge Palmeira - Diretor de Planejamento


corrente contínua e Engenharia - Adhemar Palocci - Diretor de Produção e Comercialização - Wady
Charone -Diretor Econômico-Financeiro - Antonio Barra - Diretor de Gestão Cor-
SCN - Quadra 06 - Conjunto A porativa - Tito Cardoso - Gerentes Regionais - Coordenação de Comunicação Em-
Bloco B - Sala 305 - Entrada Norte 2 presarial: Isabel Cristina Moraes Ferreira - Gerência de Imprensa: Alexandre Ac-
CEP: 70.716-901 cioly - Equipe de Jornalismo: Alexandre Accioly (DRT 1342-DF) - Bruna Maria
Asa Norte - Brasília - DF. Netto (DRT 8997-DF) - Byron de Quevedo (DRT 7566-DF) - César Fechine (DRT
Fones: (61) 3429 6146/ 6164 9838-DF) - Érica Neiva (DRT 2347-BA) - Michele Silveira (DRT 11298-RS) - As-
e-mail: imprensa@eletronorte.gov.br sessorias de Comunicação das unidades regionais - Fotografia: Alexandre Mou-
site: www.eletronorte.gov.br rão - Roberto Francisco - Rony Ramos - Assessorias de Comunicação das unida-
corrente contínua

des regionais - Revisão: Cleide Passos - Foto da capa: Alexandre Magno - Arte da
contracapa: Sandro Santana - Tiragem: 10 mil exemplares - Periodicidade: bimestral

Prêmios 1998/2001/2003

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Conchas transformadoras
TECNOLOGIA

Projeto de P&D desenvolve novo equipamento


para a produção de energia eólica no Maranhão
O vento é o ar em movimento. O resultado necessidade apresentada pela Regional de
do deslocamento de massas de ar, derivado Transmissão do Maranhão, de fornecimento
dos efeitos das diferenças de pressão atmos- de energia de forma convencional a regiões
férica entre duas regiões distintas, é influen- remotas; e para identificar as principais áre-
ciado pelos efeitos dos vários tipos de terreno, as, comprovar a viabilidade e implantar a
das planícies às montanhas. planta-piloto.
A energia eólica é usada há milhares de Os investimentos da Eletronorte no projeto
anos em moinhos de vento e bombeamento somaram R$ 354 mil. No primeiro ano, es-
de água. O seu uso para a geração de energia tudos resultaram na construção do modelo-
elétrica surgiu no século XIX, com a invenção piloto do aerogerador. Já em 2006, um pro-
da primeira turbina eólica, mais conhecida tótipo de 12 metros de altura foi instalado no
como aerogerador. campus da UFMA, com a intenção de colher
Em pleno século XXI, tempos de preserva- dados relacionados à velocidade dos ventos.
ção ambiental, tudo se tem feito para conse- Atualmente, o equipamento encontra-se em
guir produzir energia com o mínimo de im- fase de testes.
pacto ao meio ambiente. A energia eólica é
uma das soluções mais promissoras de ener-
gia alternativa, mas, por seu custo elevado,
hoje é mais usada para atendimento a peque-
nas cargas e comunidades isoladas.
Os aerogeradores são turbinas colocadas
em lugares de muito vento. Essas turbinas
têm a forma de um catavento ou de um moi-
nho. Apesar de todas as vantagens dos aero-
geradores, eles ainda causam algum tipo de
impacto ambiental, uma vez que podem alte-
rar rotas de pássaros, causando-lhes a morte
durante o período de migração, poluição vi-
sual, ruídos etc.
Pensando em amenizar os impactos cau-
sados por esses equipamentos, o professor e
pesquisador do Departamento de Física da
Universidade Federal do Maranhão - UFMA,
Cândido Melo (foto à direita), resolveu criar
um novo instrumento de produção de ener-
gia eólica. Em seu projeto “Pesquisa e Desen-
volvimento de Turbinas Eólicas para Regiões
Remotas do Maranhão”, Cândido utilizou o
formato da concha para construir um aeroge-
rador. Diferente dos tradicionais, em vez das
hélices, o equipamento utiliza conchas de
alumínio, que captam o vento, transforman-
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do-o em fonte de energia.


O projeto foi contemplado no Programa
Eletronorte de Pesquisa e Desenvolvimen-
to, ciclo 2002/2003, a fim de atender à

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em que foi servido o alimento, era muito in-
teressante e poderia ser utilizado num estudo
para produção de energia eólica para atender
às necessidades da região que ele acabara
de conhecer.
O que se pretende com o desenvolvimen-
to de um aerogerador para produção de
energia eólica mínima de 5 kW, é utilizar o
equipamento na região amazônica, come-
çando pelo Maranhão, em comunidades
carentes isoladas, que serão beneficiadas
pelo programa Luz para Todos, do Governo
Federal.
Mauro Aquino, gerente regional da Eletro- Trabalham no projeto com o professor
norte, foi o responsável pelo projeto na Em- Cândido, quatro estudantes: Márcio Caval-
presa. Segundo ele, a pesquisa é de suma cante e Francino Neto, do curso de Física,
importância para o posicionamento em re- e Karine Souza e Alexandre Melo, do curso
lação à preocupação ambiental. “Como o de Engenharia Elétrica. As pesquisas acon-
mundo tem se voltado para a preservação tecem no Núcleo de Inovação Tecnológica
do meio ambiente nos últimos anos, a busca e Energia, localizado no campus da Univer-
por fontes de energia alternativas é uma das sidade Federal do Maranhão, no bairro Ba-
medidas adotadas para se atingir essa meta. canga, onde são desenvolvidos os estudos
O projeto está alinhado justamente com es- que envolvem o novo protótipo eólico, refe-
ses preceitos, ainda mais porque ele busca rentes à aerodinâmica (ciência que estuda o
produzir energia eólica por meio de turbinas movimento do vento sobre corpos sólidos),
eficientes e compactas. A pesquisa também ao material do qual será constituído o pro-
é uma oportunidade para a universidade pro- tótipo e a estrutura completa que receberá
duzir conhecimentos determinantes para a a turbina.
transformação social”, reflete.
Vantagens – O aerogerador, formado por
Refeição aérea - A idéia surgiu quando conchas de alumínio (abaixo, o detalhe das
o professor, em viagem ao município de Tu- conchas e o projeto original), possui forma
riaçu, no interior do Maranhão, viu que em diferente dos modelos tradicionais e possibi-
alguns povoados, ao longo da estrada, não
havia energia elétrica porque as linhas de
transmissão não chegavam até lá. Na volta,
quando recebeu sua refeição no avião, per-
cebeu que o formato de concha do recipiente
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lita menor custo em sua implantação. Além uma permanente redução dos custos da ele-
de uma estrutura que se adequa ao aumento tricidade gerada a partir da energia eólica.
das comunidades onde será implantada, o “Esse modelo de turbina eólica é específico
aerogerador possui um sistema de proteção para regiões remotas e comunidades isoladas.
que evita a morte de pássaros, caso seja im- Contribui para sanar as dificuldades energé-
plantado em rotas de migração de aves. ticas existentes, cujas redes de transmissão
O professor ressalta também que o projeto não podem ser levadas, impossibilitando que
só foi possível pelas condições geofísicas do as pessoas que ali se encontram obtenham
estado. “O Maranhão possui o segundo maior seus direitos de cidadãos”, finaliza.
litoral do Brasil. Esse fato levantou uma pers- Colaboraram Paula Martins e Ribamar
pectiva em torno da possibilidade de desen- Júnior, estagiários de Jornalismo da
volvimento do novo mecanismo de turbina Regional de Transmissão do Maranhão
eólica, capaz de aproveitar melhor a energia
dos ventos, cuja velocidade pode atingir até
oito metros por segundo”, enfatiza.
De início foram feitas pesquisas a respei-
to dos perfis aerodinâmicos, no sentido de
procurar o melhor modelo cuja aerodinâmi-
ca (formato para melhor captação do vento)
fosse adequada ao desenvolvimento do pro-
jeto. A concepção dos desenhos técnicos da
concha e da torre deu-se a partir de cálculos
realizados pelos pesquisadores. Depois dos
resultados positivos foi possível a elaboração
de pequenas maquetes para efeito de expe-
rimentos.
O professor Cândido alerta que o desen-
volvimento dos perfis aerodinâmicos das con-
chas e as técnicas de controle eletrônico para
melhor aproveitamento do vento irão levar a

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A maquete e o protótipo: inovação do início ao fim

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Fontes limpas para o desenvolvimento
Com a crise internacional do petróleo, na década de 1970, Atualmente, o Brasil possui sete usinas eólicas em
surgiram os primeiros investimentos para viabilizar o desen- operação, com capacidade total de 243 MW. Em cons-
volvimento de equipamentos em escala comercial para a ge- trução, há 24 empreendimentos com potência de 538
ração de energia eólica. A primeira turbina eólica comercial MW. Outros 23 empreendimentos de geração eólica es-
ligada à rede elétrica pública foi instalada em 1976 na Dina- tão em fase de contratação para acrescentar 642 MW ao
marca e, atualmente, existem mais de 30 mil turbinas eólicas potencial brasileiro, totalizando 1.423 MW.
em operação no mundo. O uso de biomassa e da energia solar, além de eólica,
No Brasil, os primeiros anemógrafos computadorizados – também vai diversificar a matriz energética brasileira e
que registram a direção e a velocidade do vento – e senso- possibilitar o melhor aproveitamento de fontes consi-
res especiais para energia eólica foram instalados no Ceará e deradas limpas. “Em um país que precisa aumentar
em Fernando de Noronha (PE), no início dos anos 1990. Os 120 mil MW em sua capacidade instalada até 2030,
resultados dessas medições possibilitaram a instalação das existe espaço para todo mundo”, declara o secretário-
primeiras turbinas eólicas no País. executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio
Embora ainda haja divergências entre especialistas e ins- Zimmermann.
tituições na estimativa do potencial eólico brasileiro, o Atlas Os investimentos no setor só fazem crescer. O Grupo
do Potencial Eólico Brasileiro, publicado pelo Centro de Refe- Impsa, argentino, investiu R$ 145 milhões e acaba de
rência para Energia Solar e Eólica – Cresesb/ Cepel, estima o inaugurar a maior fábrica de turbinas eólicas do Brasil,
potencial eólico brasileiro em torno de 143 GW. localizada no Porto de Suape (PE). A fábrica pernam-
A participação da energia eólica na geração de energia bucana já nasce com toda a produção dos próximos 24
elétrica no Brasil ainda é pequena. No entanto, os incentivos meses, encomendada, ou seja, cerca de 400 unidades.
vigentes para o Setor Elétrico brasileiro, por meio do Programa A unidade tem 800 funcionários, em dois turnos, e está
de Incentivo às Fontes Alternativas – Proinfa deverão desper- preparada para dobrar a produção e funcionar 24 horas
tar o interesse de empreendedores. Entre as dificuldades já até 2010.
identificadas para o aumento da geração eólica no Brasil estão A General Electric (GE), empresa fabricante de compo-
a disponibilidade de atendimento da demanda de aerogera- nentes para diversos segmentos do setor de infra-estrutu-
dores pelo mercado nacional, aporte de capital próprio pelo ra, também vai focar ainda mais seus negócios na produ-
pequeno empreendedor, alteração da titularidade ou da estru- ção de equipamentos para geração eólica. A companhia
tura acionária dos projetos e entraves para a conexão à rede. não cita valores, mas aposta num forte crescimento da
Várias ações estão sendo executadas para contornar essas participação da fonte dos ventos na matriz energética
barreiras, como a redução da alíquota do imposto de importa- brasileira. “O governo afirma que, no segundo semestre
ção incidente sobre turbinas eólicas de 14% para 0%; elevação de 2009, fará um leilão específico para eólicas, o que
do índice de nacionalização dos projetos; extinção da figura do dá segurança aos investidores que pretendem aportar
produtor autônomo; e permissão aos empreendedores para se recursos no segmento”, diz Marcelo Prado, diretor de
associarem aos investidores mais preparados, inclusive às con- marketing da GE.
cessionárias, bem como participar em leilões de energia nova. Colaborou César Fechine

fotos: manegenergy
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Pás do passado e do presente


captando o eterno vento

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Tucuruí: a última etapa inaugurada
ENERGIA ATIVA

Érica Neiva é um orgulho para toda a Nação brasileira.


Tenho uma imensa satisfação em inaugurar
A Usina Hidrelétrica Tucuruí não é ape- a conclusão da segunda fase de uma obra
nas uma referência pelos seus 8.370 MW dessa magnitude. Sinto-me orgulhoso em ver
de potência, que a tornam a maior usina esta grande bandeira do Brasil aqui na Hi-
genuinamente brasileira, mas, sobretudo, drelétrica, onde trabalhadores e empresários
pela excelência do seu corpo de emprega- estão juntos. Essa inauguração é um exemplo
dos. É um lugar marcado por histórias de de que a produção no País deve continuar”,
pessoas das mais diferentes origens, idades e enfatizou.
experiências profissionais. Em funcionamen- Construída em duas etapas, Tucuruí tem
to há 24 anos, a Usina teve mais um motivo capacidade instalada de 8.370 MW. As obras
para comemorar – a inauguração oficial de da primeira casa de força – com 12 unida-
sua segunda casa de força, ocorrida no dia des geradoras de 350 MW, duas auxiliares de
4 de novembro de 2008, com a presença do 22,5 MW e potência instalada de 4.245 MW
presidente da República, Luiz Inácio Lula da – foram concluídas em dezembro de 1992.
Silva. O Presidente também visitou as obras Em junho de 1998, teve início a construção
das eclusas do Rio Tocantins e fez a entrega da segunda casa de força, com 11 unidades
simbólica das ligações de nove mil famílias geradoras de 375 MW e potência instalada
do entorno da Hidrelétrica, beneficiadas pelo de 4.125 MW. Tal fato consolida a Eletronorte
programa Luz Para Todos. como a terceira maior geradora do País, re-
Tucuruí já havia recebido presidentes an- presentando aproximadamente 10% de toda
teriores para inaugurações. Lula, que havia a capacidade instalada no Brasil. Isso equi-
feito a sua primeira visita a Tucuruí em 2003, vale ao abastecimento energético para 40 mi-
deixou registrado mais um discurso: “Tucuruí lhões de pessoas.

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Faturamento - Para o diretor de Plane-
jamento e Engenharia da Eletronorte, Adhe-
mar Palocci (ao lado), Tucuruí é a maior
obra de engenharia realizada na Amazônia.
“Tucuruí, razão de ser da Ele-
tronorte, foi um desafio para
a engenharia brasileira e para
a própria Empresa, que era
recém-nascida quando a cons-
truiu. Hoje vemos essa obra
gerando uma energia funda-
mental para a economia e para
a população brasileira. Vemos
a capacidade da nossa enge-
nharia e dos nossos técnicos.
Com a conclusão de Tucuruí
estamos vencendo uma etapa
importantíssima do desenvolvi-
mento brasileiro”, comenta.
Cerca de 25% da energia produzida em
Tucuruí fica no estado do Pará. Os outros
75% vão para todo o Brasil, fazendo dela
uma grande usina de integração nacional.
“Nenhuma energia é competitiva à hidráu-
lica. O Brasil ganha muito com isso, pois
possibilita a modicidade tarifária, ou seja,
uma tarifa acessível a todos os cidadãos.
A conclusão da segunda etapa de Tucuruí
representa um ganho muito grande no fatu-
ramento da Eletronorte, a possi-
bilidade de vender mais 1.043
MW de energia elétrica. Isso sig-
nifica um faturamento superior
a R$ 1 bilhão” destaca o diretor
de Produção e Comercialização,
Wady Charone Júnior (ao lado).
Os investimentos na expan-
são da Hidrelétrica totalizaram
R$ 3,7 bilhões. Para o gerente
de Produção e Comercialização
de Tucuruí, Antonio Augusto
Bechara Pardauil, a conclusão
da segunda casa de força é um
marco histórico e representa a
realização do sonho dos pioneiros e da nova
geração de empregados. “É um sentimen-
to de dever cumprido termos colocado em
operação as últimas unidades geradoras.
Todos nós que fazemos a Eletronorte esta-
mos de parabéns. Falar sobre a importân-
cia de Tucuruí com a vinda do Presidente
é falar da importância de toda a Empresa
corrente contínua

nesse processo. A história de 35 anos da


Eletronorte se confunde com Tucuruí. To-
dos nós temos um pedacinho cravado aqui
nesta Usina”, frisa.

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Eclusas vão garantir
renda para o Pará
O presidente Lula aproveitou a oportunidade para co-
nhecer as obras das eclusas de Tucuruí, ou Sistema de
Transposição do Rio Tocantins. Em 2006, o empreendi-
mento passou a fazer parte do Programa de Aceleração
do Crescimento – PAC, que lhe destina um orçamento de
R$ 815 milhões. Com previsão de serem concluídas em
2010, as eclusas são responsabilidade do Ministério dos
Transportes que, por meio do Departamento Nacional de
Infra-estrutura de Transportes – Dnit, delegou a responsa-
bilidade da construção à Eletronorte há três anos.
O objetivo da obra é transpor o desnível de 72 metros
entre a barragem da Hidrelétrica e o leito do rio. “A eclu-
sa funciona como um elevador de água. A embarcação
entra numa câmara que se enche de água até atingir o
nível adequado, momento em que as portas das eclusas
se abrem”, explica o gerente de Obras de Expansão de
Tucuruí e de Estudos de Belo Monte, José Biagioni de
Menezes.
As embarcações de 30 m por 180 m, com capacidade
de 19,1 mil toneladas, vão transportar produtos agrope-
cuários e minerais. Elas terão uma navegabilidade de 600
km no trecho Marabá-Belém. “A transposição vai permitir
escoar a produção do sul para o norte do Pará e talvez al-
cançar o mercado europeu. O custo vai ser bem menor, o
que torna a nossa mercadoria mais barata e competitiva”,
corrente contínua

garante Biagioni.
Para mais informações sobre as eclusas de Tucuruí,
acesse: http://webserver.eln.gov.br/eclusas/

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Luz Para
Todos: Diversidade - Tucuruí é um desses lu- Presidente da República que vejo. Na primei-
quase 35 mil gares que nos marca pela sua grandiosida- ra casa de força veio o presidente Figueiredo.
domicílios de. A maior Usina genuinamente brasileira Para mim é uma honra ver dois presidentes.
atendidos causa impacto não apenas pela imensidão Todos esses anos que trabalho na Empresa
em Tucuruí
das instalações, mas, principalmente, pelo são muito gratificantes”, observa Paulo.
entusiasmo e garra dos empregados. Ouvir O amazonense José Manoel Machado Pi-
as histórias das pessoas é testemunhar o canco (abaixo) é uma dessas pessoas que se
sentimento de realização e vitória que in- emociona com facilidade ao falar das grandes
depende do número de anos trabalhados. paixões da sua vida. Além do orgulho que sen-
O importante para esses trabalhadores da te pelos quatro filhos e três netos que moram
Eletronorte é destacar a importância de Tu- em Belém, ele enumera outros motivos de
curuí em suas vidas. alegria. “Tenho a maior satisfação em torcer
Com 29 anos de Eletronorte, o técnico in- pelo boi da minha terra, o azul Caprichoso,
dustrial de Engenharia, Paulo Rubens Paraen- e pelo meu time, o Remo. Estimo Tucuruí de
se de Azevedo (abaixo), destaca a satisfação todo o coração. Sou um paraense nato”, frisa
do momento de inauguração: “É o segundo o gerente do Setor de Manutenção Mecânica.
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Com 30 anos de Eletronorte, o técnico em
mecânica está na Usina desde a sua criação.
Satisfeito com o trabalho e com a qualidade
de vida na vila residencial, ele destaca sua
realização profissional: “Vivi em Tucuruí as
melhores fases da minha vida profissional.
Estamos presenciando o final da segunda
etapa. Isto é um crescimento profissional fora
de série. Além disso, não troco a qualidade
de vida daqui por lugar nenhum do mundo.
Aqui não temos praia, mas temos essa Usina
maravilhosa”.
Picanco presenciou a visita de quatro presi- pouco a quem ajudou a me formar”, relem-
dentes da República à Usina - João Figueire- bra o engenheiro.
do, José Sarney, Fernando Henrique Cardoso e Quando Pedro Igor entrou na Eletronorte,
Luiz Inácio Lula da Silva. Contudo, a sua maior em 2006, a 23ª máquina da segunda casa
felicidade é, sem dúvida, perceber a alegria de força estava em fase de conclusão. “En-
que tomou os companheiros de trabalho com tramos na Empresa para suprir a necessida-
a visita do Presidente. “A emoção maior é ver de de mão-de-obra adicional que essa etapa
não apenas a felicidade estampada nos ros- trouxe para a Usina. Somamos por meio dos
tos de companheiros com 30 anos de serviço, desafios que enfrentamos para a concretiza-
mas também tenho orgulho dos jovens que ção de um sonho”, afirma Pedro.
ingressaram na Empresa. Espero que todos No dia 13 de fevereiro de 1986, Tucuruí
continuem amando e adorando a Eletronorte recebeu 12 jovens estagiários da Escola Téc-
assim como eu”, convoca Picanco. nica de Belém provenientes do projeto Bol-
sista Reserva Técnica, um convênio da Ele-
Determinação – A história dos 35 anos tronorte com a Universidade Federal do Pará
da Eletronorte não é apenas contada por – UFPA e a Escola Técnica. Entre os técnicos
empregados que têm muitos anos de Em- em eletrotécnica apenas um foi escolhido
presa. Ela é também escrita por aqueles que para permanecer na Empresa - José Alber-
ingressaram recentemente e encaram o fu- to Melo Resque (acima). Em 15 de setembro
turo com um misto de desafio e satisfação. de 1986, ele foi contratado para trabalhar na
Esses sentimentos retratam um pouco da área de proteção e controle da Usina.
recente trajetória de traba- Hoje, Resque é gerente de Manutenção
lho de cerca de dois anos e Eletrônica e relembra com entusiasmo a traje-
meio do jovem engenheiro tória na Empresa. “Quando cheguei aqui era
de manutenção mecânica, muito jovem, considerado um ‘menino’ ainda.
Pedro Igor Carvalho Moreira Saí da Escola Técnica e não tinha experiên-
(ao lado). “A Regional de Tu- cia profissional nenhuma. Foi o meu primeiro
curuí agrega uma qualidade emprego. Nesses 22 anos, a Eletronorte só
de vida excelente aos empre- contribuiu para a minha formação. A Usina
gados. Temos oportunidades, é uma escola, muito mais do que técnica ou
desafios e inovações sempre universitária. Vivenciamos, a cada dia, expe-
presentes no nosso dia-a-dia. riências novas”, afirma.
Isso não nos deixa acomodar. O eletrotécnico destaca as mudanças que
Estamos em constante movi- a sua área sofreu até chegar à conclusão da
mento e temos um vigor, um segunda etapa da Usina. “Coube-me o privi-
querer de estar sempre melhorando junto légio de participar do planejamento do pro-
com a Empresa”, frisa o engenheiro. jeto de proteção e controle, quando tivemos
A infância e adolescência de Pedro Igor contato com os projetistas e fabricantes. Em
confundem-se com a história da Usina, pois nossa área houve uma evolução muito gran-
seus pais trabalham na Eletronorte desde a de. Tínhamos equipamentos eletromecânicos
corrente contínua

fundação da Hidrelétrica. “Fui estudar na e eletrônicos e, hoje, toda a nossa tecnologia


Universidade Federal de Pernambuco e aca- é digital. O sistema de supervisão da Usina
bei retornando para a Empresa por conta da está entre os mais modernos que existem no
história que temos juntos. Tento retribuir um Brasil”, analisa Resque.

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Tucuruí significa:
“Essa obra pertence ao povo brasileiro. Graças a ela e tantas outras
iniciativas do mesmo gênero, estamos garantindo o crescimento do País
e o fornecimento regular de energia elétrica a todos os lares do Brasil”.
Edison Lobão, ministro de Minas e Energia.

“Tucuruí representa
um caminho para os novos
investimentos hidrelétricos, com
grande respeito ao meio ambiente.
A hidrelétrica é amigável do ponto
de vista ambiental. Essa é uma
área na qual a Eletronorte é
uma das protagonistas”.
Dilma Rousseff,
ministra-chefe da Casa Civil.

“Esse é um empreendimento
fundamental para o Estado
do Pará, que será ainda mais
beneficiado quando as eclusas
forem concluídas e o Rio
Tocantins retomar a
sua navegabilidade”.
Ana Júlia Carepa,
governadora do Pará.

“Tucuruí não é um “Está sendo relançado um


empreendimento grandioso novo ciclo de grandes projetos
somente pelos números para o Setor Elétrico. É um ciclo
expressivos que marcaram a maior do que o que já tivemos
sua edificação. O esforço anteriormente. O empenho
empreendido pelos milhares de desenvolvido pelo Poder Público
trabalhadores dessa gigantesca está possibilitando ao Brasil ter
Usina foi igualmente grandioso. autonomia em termos de energia
Esse é um dos momentos mais e com uma matriz cada vez mais
importantes da minha vida limpa. Estou feliz em participar
profissional como técnico que desse momento que para
sou do Setor Elétrico brasileiro”. mim é histórico”.
Jorge Palmeira, diretor - José Antonio Muniz Lopes,
presidente da Eletronorte. presidente da Eletrobrás.

“Participar da construção e operação da maior Hidrelétrica do País


na região amazônica foi, sem dúvida, minha maior realização de vida.
Isso nos trouxe um grande aprendizado. Estamos preparados para novos
corrente contínua

desafios como Belo Monte, Tapajós, Marabá, entre outros”.


Fernando Leite, representante dos trabalhadores
da Eletronorte na cerimônia de inauguração
da segunda casa de força da Usina Hidrelétrica Tucuruí.

12
Pé na estrada e mãos à obra
TRANSMISSÃO

Como se faz o levantamento de valores


fundiários na construção de linhas de transmissão
Bruna Maria Netto Sudeste, e o motivo não poderia ser mais
nobre: concorrer ao leilão de linhas de
Quando um fazendeiro no interior de Minas transmissão do complexo hidrelétrico do
Gerais fez o planejamento de sua colheita não Rio Madeira, que levarão ener-
imaginou que uma empresa, cuja atuação até gia elétrica de Porto Velho, em
pouco tempo se restringia à Região Norte do Rondônia, até Araraquara, em
País, também faria parte da plantação com um São Paulo. O analista ambien-
corredor de até 140 metros de largura que abri- tal Gilberto Ferreira da Silva (ao
gará torres de transmissão de energia elétrica lado), da Gerência de Assuntos
de 500 kV de tensão, levando luz a mais pon- Fundiários da Eletronorte, es-
tos do País com qualidade e segurança. E isso clarece que, com o surgimento
tem um custo não apenas para o pequeno pro- dos primeiros leilões, a Empresa
prietário, que deixa de utilizar essa área, mas começou a concorrer em parce-
também para a empresa - a Eletronorte - que ria com o setor privado para a
pagará uma indenização calculada com dados construção de empreendimen-
coletados antes do início da obra, na fase de tos de geração e transmissão.
concorrência, feitos pela Superintendência de “Para participar desses leilões é
Assuntos Fundiários e Imobiliários. necessário conhecer os custos de cada área
Pela primeira vez a Eletronorte fez o le- envolvida no empreendimento, e o nosso en-
vantamento fundiário de custos na Região volvimento é o fundiário”.

corrente contínua

Carro da Eletronorte no interior de Minas: cena rara

13
Wilson dias

Do Madeira...
O dia era 29 de setembro de 2008. Nessa fundiário de preço para realização de em-
data, a equipe responsável pelo levantamento preendimento e composição do valor da obra
de custos foi formada por quatro emprega- consiste em visita in loco para avaliação do
dos. O destino era em parte desconhecido. local onde o futuro empreendimento possa
De Rondônia a Cuiabá, o trajeto já estava fei- impactar em função do traçado da linha de
to. A aventura ficou por conta das visitas a transmissão. “Com o levantamento dos pre-
municípios nos estados de Goiás, Minas Ge- ços poderemos comprar o uso permanente
rais e São Paulo. A viagem, de apenas uma daquela terra. Fazemos esse processo final
semana, encerrou-se no dia 3 de outubro. em função de uma pauta de valores”.
Nesse período, a equipe dividiu-se em dois A compra da terra só é feita nas áreas de
pares: o analista de meio ambiente, Emerson construção de subestações, sendo de pro-
Guimarães Pereira, trabalhou com o assisten- priedade da Eletronorte, diferentemente da
te técnico de suprimentos, Carlos Antônio da compra de uso da área para instalação das
Silva. Juntos, percorreram os estados de Mato torres, que não chega a ser uma desapro-
Grosso, Goiás e Minas Gerais. priação, como lembra Gilberto, existindo uma
Enquanto isso, Carlos Alves Ricardo, assis- legislação própria para isso, “que estabele-
tente administrativo, e o assistente técnico de ce pagar pela terra nua atingida entre 20%
suprimentos, Pedro David de Oliveira, fizeram a 33% do seu valor, pois ela continua sen-
o levantamento fundiário nos municípios do do de propriedade do atingido, cabendo-nos
Estado de São Paulo. Com isso, foram 2.375 apenas o direito de instalação da linha e de
quilômetros percorridos entre prefeituras, passagem para sua manutenção”. O proprie-
bancos e câmaras de valores imobiliários até tário, por sua vez, deve obedecer a algumas
chegar ao proprietário, como aquele fazendei- restrições, como não cultivar plantas altas,
ro do interior de Minas Gerais. por danificarem a estrutura das linhas, “o
que é extremamente prejudicial, tanto para
Levantando custos - Quem ex- a população que poderá ficar desabastecida,
plica o papel desses estudos é Gil- quanto para a Empresa, que terá de pagar
berto: “Para linhas de transmis- multas à Aneel por conta do corte de trans-
são existe a necessidade de se missão”, conclui.
instalar os corredores de passa-
gem para as torres, as faixas de Pé de caju - Allan explica que as alterna-
servidão. Na instalação, é neces- tivas fornecidas pelo leilão norteiam os orça-
sária a liberação daquela faixa de mentos, abrangendo todas as possibilidades
terra destinada à construção das possíveis, de forma que os consórcios pos-
linhas, e com isso, uma das ne- sam participar da concorrência com os pre-
cessidades é o levantamento de ços necessários. “Após definir qual a alterna-
custos fundiários, que calcula a tiva do leilão, tem-se o tipo de linha que irá
compra de terras, direito de uso, passar e, conseqüentemente, seu estudo”.
e incluem também as indeni- Claudio Ruggero Zucca, gerente de Assuntos
zações, tanto as de terra nua, quanto as de Fundiários, explica: “A faixa de servidão será
corrente contínua

benfeitorias realizadas pelo proprietário, caso de 70 metros se for feita escolha por corren-
a linha tenha de passar em seu imóvel”. De te contínua. Devido ao valor da voltagem da
acordo com Alan Arruda de Castro (ao lado), linha que percorrerá por lá, poderá chegar a
superintendente de Assuntos Fundiários e até 140 metros se for circuito duplo, caso o
Imobiliários da Eletronorte, o levantamento leilão adote o circuito híbrido, de correntes

14
contínua e alternada” (ver box). Já o traçado O levantamento para indenizações é fei-
da linha é feito por topografia, seguindo as to detalhadamente, como exemplifica Zucca:
instruções do edital da Aneel. “O levantamen- “Observamos se existe alguma planta produ­
to de custos é feito em parceria com as uni- tiva, como um pé de caju, por exemplo, e paga-
dades regionais de engenharia, que são de mos o valor que está no mercado. Procuramos
fundamental importância, porque os meios ver quanto custa a produção e o que deixará de
físicos estão lá. Quando há a necessidade de render, e indenizamos da forma mais correta
se retirar uma casa da área, calcula-se desde possível. Se ele estiver apto a for-
o custo da maçaneta da porta até as benfei- necer frutos por mais cinco anos,
torias reprodutivas em seu quintal, como hor- então ele será indenizado por isso,
tas e plantações. Para isso são vistos o custo com o que ele ganha hoje e o que
da tonelada da produção e o que deixará de ganharia”. Allan é enfático: “Não
beneficiar o proprietário com a sua retirada. iremos pagar nada acima dos va-
Aprovada a pauta de valores e a execução da lores, mas também não estamos
obra, começamos a indenizar, com recibo e aqui para tirar nada das pessoas,
acordo lavrado em cartório”. e sim para pagar o justo”. Zucca
No caso do leilão das linhas do Madeira, (ao lado) ressalta que o índice de
Allan explica que, de Cuiabá a Porto Velho, reclamações judiciais por conta
pela experiência da Eletronorte, já foi possí- das indenizações é extremamente
vel calcular, por exemplo, o custo do alquei- pequeno. Em setembro deste ano,
re em determinado local, se existe fazenda, no Acre, com a faixa de servidão
gado, e qual a produção local, diferentemen- de linha de 138 kV entre a Subestação Rio
te dos estados do Sudeste, onde ainda não Branco I e a Subestação Epitaciolândia, 190
há parâmetro. “Em São Paulo não existe um processos de indenização foram concluídos,
palmo de terra que não seja aproveitado, e sendo apenas um com ação judicial, sobrando
lá são encontradas vastidões de cultura de outros cinco para negociar.
cana-de-açúcar e milho, principalmente. “Infelizmente a maioria dos processos é mo-
Com a forte industrialização e densidade de- vida por pessoas que sabem que a terra não vale
mográfica alta, o preço da terra será muito tanto, mas percebem que pode ser uma opor-
maior do que na Região Norte”. Como é a tunidade para conseguir um dinheiro a mais.
primeira vez que esses estados são visita- A Justiça, por vezes, manda pagar um valor até
dos, Allan ressalta a importância do levanta- menor do que aquele que estávamos dispostos
mento: “É o primeiro contato que se faz com a indenizar. É muito comum o perito avaliar um
o proprietário da terra. Na televisão eles es- preço menor do que oferecemos, como aconte-
cutam que vai ter um empreendimento em ceu no Maranhão: a casa estava numa invasão
Rondônia, mas não passa pela cabeça de- e a avaliamos por R$ 8 mil. O dono, insatisfeito,
les que essa mesma energia passará por lá foi à Justiça. Sabe quanto tivemos de pagar? Mil
para iluminar as cidades. Quando a equipe reais”. De janeiro a outubro de 2008, o resumo
chega ao local, leva a bandeira da Eletro- geral fundiário de indenizações indica um paga-
norte, conversa de forma amigável, conta a mento de quase R$ 5 milhões em indenização
história da Empresa, o que é energia elétri- aos ocupantes de áreas atingidas por empreen-
corrente contínua

ca, torres de transmissão etc. Praticamente dimentos da Eletronorte, com mais de 300 fa-
todos os proprietários são bem receptivos e mílias beneficiadas. “Considerando que temos
ficam muito felizes em contribuir para o pro- 22 dias úteis ao mês, podemos arredondar para
gresso do País”. quase uma indenização diária”, enfatiza Zucca.

15
Pé na estrada - A expedição do quarteto especulação imobiliária e o vazamento de
começou com a divisão das tarefas. Emerson informações importantes para o sucesso da
e Carlos Antônio, o Carlão, saíram de Cuiabá Empresa no leilão”, afirma Emerson. Carlão
percorrendo 1.200 quilômetros por 17 muni- lembra que a procura pelos fazendeiros era
cípios com destino a Iturama, no Triângulo Mi- feita em último caso, justamente por conta
neiro, onde se encontraram com Pedro e Car- da especulação imobiliária. “Às vezes são as
los Alves, vindos de Araraquara, para juntos únicas fontes existentes para cálculo do valor
fazerem o caminho de volta a Cuiabá, “depois de terra. Como na área que visitamos o pre-
de uma tempestade terrível e com uma quan- ço variava muito de um município para outro,
tidade de raios imensa, que mal conseguimos então é necessária a visita em cada local. En-
dormir”, recorda Emerson. Ele já tinha feito contramos terra com valor inferior a R$ 500 e
outros trabalhos de impacto fundiário, mas superior a R$ 25 mil o hectare”.
foi a primeira vez que trabalhou com levanta- Já no Estado de São Paulo, Pedro e Carli-
mento mercadológico. nhos constataram o oposto: com área prati-
O itinerário da viagem era simples. Todos camente ocupada em sua totalidade, a dife-
os dias antes de começar o trecho pelos mu- rença no valor do hectare é quase inexistente:
nicípios, os rapazes faziam uma programação “O estado é notadamente desenvolvido, ten-
e pediam informação à população local, ta- do boa terra para o cultivo de lavouras e um
xistas e trabalhadores de postos de gasolina. sistema viário para escoamento considerado
A estratégia deu tão certo que em nenhum
momento eles se perderam. Quem conta é
Márcio de Andrade Teixeira, motorista da Ge-
rência de Obras do Mato Grosso, que viajou
com Carlão e Emerson. “Foi a primeira vez
que rodei tantos municípios em tão pouco
tempo. Mas, mesmo passando rápido, con-
seguimos absorver um pouco da cultura de
alguns locais. A maioria dessas cidades são
rurais, com população simples que sobrevive
da pecuária e da agricultura. Algumas delas
muito bonitas, limpas e organizadas. Outras
extremamente pobres, sem estrutura, sem as-
falto. Andamos sempre no cerrado, em terras
com alguma atividade agrícola”.
A equipe também seguiu munida de docu-
mentação, mapas e muito sigilo. “O trabalho
principal foi feito em campo, conversando na
prefeitura, imobiliárias, cartórios e órgãos que
oferecem valor de terra, sempre tentando não
causar especulação imobiliária, o que é mui-
to difícil, pois quando o carro da Eletronorte
corrente contínua

chega aos lugares, as pessoas já sabem que


provavelmente haverá algum empreendimen-
to ali. Tivemos o cuidado de não difundir o
futuro empreendimento, evitando a precoce

16
... a Araraquara
excelente”, explica Pedro, que ressalta a im- ro agrônomo, que era terceirizado do banco.
portância da pesquisa, além daquela dos ór- Lá ele nos passou os valores, foi muito pres-
gãos oficiais: “Com os dados recolhidos con- tativo”. Se a casa do engenheiro agrônomo
seguimos traçar um valor médio, sendo que não fosse o lugar mais fora do comum para
nem sempre os valores colhidos nos órgãos levantamento de valores fundiários, Carlinhos,
são praticados. Procuramos conversar com que está na Eletronorte desde 1989, nunca
o máximo de pessoas possível para obter tivera visto um local ainda mais peculiar, no
um valor mais próximo do real praticado na interior de São Paulo: a pedra.“É uma praça
região”. Apesar de terem percorrido apenas onde os vendedores e donos de terra vendem
900 quilômetros, o número de municípios seus imóveis, como se fosse uma grande imo-
proporcionalmente maior e uma boa estraté- biliária. Quando procuramos informações nos
gia fez diferença. bancos, muitos nos sujeriram ir à pedra, e foi
lá que conseguimos os valores”.
Da pedra à casa do agrônomo – Certa vez, Mesmo com alguns transtornos, os rapa-
na cidade de Novo Horizonte (SP), aconteceu zes tiveram mais sorte. Gilberto, há 23 anos
o inusitado. Depois de frustradas idas aos ór- na Empresa, que o diga. Na sua época de
gãos em busca de dados, os rapazes foram “aventureiro”, todo o levantamento fundiário
até à casa do responsável para conseguir a teve de ser feito na Região Norte. “Uma área
informação: “Fomos à casa de um engenhei- inóspita, de mata fechada e pouco habita-
da. Além disso, eu já participei de grupos de
trabalho multidisciplinar que faziam as esco-
Para essa equipe não houve tempo ruim lhas dos traçados das linhas de transmissão
em aviõezinhos. Eu brinco que se um dia eu
sofrer algum acidente aéreo com um avião
de carreira é gozação do cara lá de cima,
porque já andei em tanto aviãozinho em
cima da mata, pousando em terra indígena
ou em pistas pequenas que seria muita falta
de sorte”. Hoje em dia, Gilberto não faz tan-
tas viagens, mas não deixou de ter um papel
relevante: é responsável pela elaboração do
levantamento de custos baseado nos dados
trazidos pela equipe. “Quando terminamos o
levantamento, encaminhamos para a Coor-
denação de Viabilização de Negócios, e são
esses dados que irão balizar a cotação das
empresas privadas contratadas para reali-
zação da implantação da faixa de servidão.
É um parâmetro da Eletronorte para uso no
leilão”, esclarece.
E nos leilões que se seguirão não será dife-
corrente contínua

rente: “Assim como fizemos com o complexo


do Madeira, teremos de botar o pé na estrada
novamente”, finaliza Gilberto. Certamente, inte-
ressados nessa aventura é que não faltarão.

17
Eletronorte arremata três lotes no leilão
de transmissão das usinas do Madeira
Números: 2.392,3 km de linhas, quatro subestações,
R$ 363,3 milhões de RAP e R$ 3,36 bilhões de investimentos

O dia 26 de novembro de 2008, teve um gosto muito es- ção e o ganho dos lotes. Nossa Empresa está dando sua
pecial para a Eletronorte. A Empresa, líder do consórcio Inte- contribuição para o País, mas também está aumentando
gração Norte Brasil, arrematou os lotes A, C e G do leilão 007 seus ativos e demonstrando sua competência técnica,
da Aneel, referentes às linhas de transmissão do Complexo do disputando obras dessa magnitude num mercado extre-
Rio Madeira, que transportarão a energia gerada nas usinas mamente concorrido. Construiremos mais da metade da
hidrelétricas de Santo Antônio e de Jirau. Os 2.375 quilôme- maior linha de transmissão já feita no Brasil e todos nós
tros de linhas de transmissão são, até hoje, a maior extensão devemos estar orgulhosos dessa conquista histórica”.
já licitada pela Aneel. É a primeira vez que a Eletronorte participa de um em-
A Eletronorte participou do leilão - realizado na Bolsa de preendimento envolvendo corrente contínua. De acordo
Valores do Rio de Janeiro - com 24,5% de participação, em com o coordenador de Viabilização de Negócios, Wilson
parceria com a Eletrosul (24,5%), Abengoa Brasil (25,5%) e Fernandes de Paula, “o leilão tem uma importância muito
Andrade Gutierrez Par (25,5%). Apesar de este leilão ter sido grande para a Eletronorte, porque irá permitir que a Em-
preparado para selecionar uma alternativa tecnológica, entre presa participe do desenvolvimento dessa nova tecnolo-
corrente contínua ou um sistema híbrido – composto por cor- gia, para que se faça transmissão a longas distâncias com
rentes contínua e alternada - logo no início, por falta de propos- a menor perda possível de carga durante o transporte. Os
tas, foi definida a corrente contínua como única opção. grandes blocos de energia são consumidos, em sua maio-
Para o diretor-presidente, Jorge Palmeira, “sem sombra de ria, pelas regiões Sul e Sudeste - e os maiores empreen-
dúvida a importância do leilão para a Eletronorte é de muita dimentos de geração estarão na Região Norte. Com eles,
oportunidade, por contemplar as usinas do Madeira e a sua outros circuitos de corrente contínua serão necessários e
premente necessidade para o sistema elétrico brasileiro. No a Eletronorte já estará dominando essa tecnologia. Além
apagar das luzes, conseguimos soluções mágicas para encon- disso, o arremate desses lotes nos proporcionará uma re-
trar uma engenharia financeira que permitisse nossa participa- ceita bastante considerável pelos próximos 30 anos”.
foto: cia da foto
corrente contínua

Os integrantes do consórcio Integração Norte Brasil

18
Para o diretor de Planejamento e Engenharia, Adhemar extensão aproximada de 17,3 km. Foi arrematado com de-
Palocci, esse leilão foi extremamente significativo: “Nós já ságio de 0%, para uma Receita Anual Permitida – RAP,
ganhamos muitos leilões, mas esse teve um significado de R$ 44,7 milhões. Os investimentos somam R$ 461,7
maior para a Eletronorte. Primeiro, porque seguramente milhões. O prazo de entrega do empreendimento é de 36
essa é a maior obra de transmissão do mundo, além de meses após a assinatura dos contratos
ser uma obra estruturante para o País - e nosso negócio A composição do lote C é a seguinte: Estação Retificadora
são obras dessa envergadura. Além disso, estamos in- nº. 01 CA/CC, 500/±600 kV – 3.150 MW; Estação Inversora nº.
corporando uma tecnologia que ainda não conhecíamos 01 CC/CA, ± 600/500 kV – 2.950 MW. Foi arrematado com de-
profundamente, de corrente
contínua, que provavelmen-
te também deverá ser utili-
zada nos empreendimentos
futuros, como Belo Monte
e Tapajós. Finalmente, é
muito significativo porque
essa autorização não veio
com uma concessão geo-
gráfica, e sim pelo modelo
novo. Ganhamos disputan-
do igualmente com outros
concorrentes.”
Segundo o diretor de Pro­
dução e Comercialização,
Wady Charone, “teremos em­­
preendimentos que somam
R$ 3,36 bilhões, o que se tra-
duz em um novo marco para
a Eletronorte e para a nossa
história. Vamos aprender uma
nova maneira de trabalhar e
operar, que é a corrente con-
tínua, o que vai proporcionar
um ganho extraordinário de
conhecimento. O leilão deixa
todos nós muito motivados
para o futuro tão promissor
que se desenha para a nossa
Empresa”.
O superintendente de As-
suntos Fundiários e Imobili-
ários da Eletronorte, Allan
Arruda, ratifica a importân-
cia do levantamento fundiá-
rio na vitória do leilão: “Rea-
lizamos o levantamento dos
preços fundiários (veja ma-
téria na página 13) ao longo dos 2.375 km das linhas de ságio de 10% para uma RAP de R$ 160,8 milhões. A proposta
transmissão do empreendimento, mais as subestações. ficou em R$ 144,7 milhões. Os investimentos serão da ordem
A composição dos valores enviados à Coordenação de de R$ 1,4 bilhão. Prazo de entrega de 38 meses.
Viabilização de Negócios como subsídio à participação no E, para o lote G, composto por LT Coletora Porto Velho –
leilão, foi um fator importante no sucesso obtido”. Araraquara 2, em CC, ±600 kV, em, circuito simples, com ex-
tensão aproximada de 2.375 km; houve deságio de 6 %, para
corrente contínua

Lotes - O lote A compõem-se de: SE Coletora Porto uma RAP de R$ 185 milhões. O consórcio terá uma RAP de
Velho 500/230 kV; duas estações conversoras CA/CC/CA R$ 173,9 milhões, com investimentos de R$ 1,4 bilhão e prazo
back-to-back 400 MW; LT Coletora Porto Velho – Porto de 48 meses para a execução das obras. A RAP total, descon-
Velho, C1 E C2, 230 kV em dois circuitos simples, com tados os deságios, é de R$ 363,3 milhões.

19
Aripuanã,
GERAÇÃO

terra de um
novo tempo
César Fechine

A renda mensal de muitos moradores de


Aripuanã (MT) vem do trabalho no Aproveita-
mento Hidrelétrico Dardanelos. A cidade pos-
sui, segundo dados do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística – IBGE, de 2007, uma
população de 19.100 habitantes. Atualmente,
1.500 pessoas trabalham no empreendimen-
to, cujas obras acabam de completar um ano
de construção. A missão de construir e operar
a futura Usina, cabe à Energética Águas da Pe-
dra S/A, uma Sociedade de Propósito Específico
– SPE, constituída pelas empresas Neoenergia,
com participação acionária de 51%, Eletronorte,
com 24,5%, e Companhia Hidro-Elétrica do São
Francisco – Chesf, também com 24,5%. O prazo
de concessão é de 30 anos.
O consórcio construtor é formado pela
Construtora Norberto Odebrecht, que faz a
parte física do empreendimento, a PCE En-
genharia, responsável pelo projeto, e a Ipmsa,
fornecedora das turbinas e dos equipamentos
eletromecânicos. Em novembro de 2008 o
Banco Nacional de Desenvolvimento Econô-
mico e Social – BNDES liberou financiamento
no valor de R$ 283 milhões para Dardanelos.
O valor liberado corresponde a 58% do crédi-
to total aprovado de R$ 485 milhões.
As obras de Dardanelos estão localiza-
das no Estado de Mato Grosso, na margem
esquerda do Rio Aripuanã. A Usina será
equipada com cinco turbinas, sendo quatro
com potência de 58 MW e uma de 29 MW,
somando uma capacidade instalada de 261
MW, energia suficiente para abastecer uma
população de cerca de 600 mil habitantes por
dia. A primeira unidade entrará em operação
em 1º de janeiro de 2010 e, ao final, a energia
assegurada será de 154,9 MW.
corrente contínua

“Esse é um empreendimento ecologica-


mente correto, pois provoca baixíssimo im-
pacto ao meio ambiente e contribui com a
fixação de infra-estrutura permanente, neces-

20
sária ao desenvolvimento social e econômico Com a diminuição da vazão, a produção
de energia também vai cair, conforme um Novaes
da região”, afirma José Piccolli Neto, diretor- e Piccolli,
presidente da Energética Águas da Pedra. acordo feito com a Secretaria de Estado de aliando a
Meio Ambiente – Sema. Quem explica é Paulo moderna
Vazão ecológica - O projeto mantém todas Novaes: “A vazão ecológica mínima é de 21 engenharia
as condições exigidas pelo estudo ambien- m³/s para manter os pedrais das cachoeiras ao meio
ambiente
tal para a preservação da beleza cênica das umedecidos. Mas não haverá nenhum pro-
quedas d’água dos saltos de Dardanelos e
das Andorinhas. A região possui fortes com-
ponentes paisagísticos, ecológicos, cênicos e
turísticos, de rara beleza, caracterizados pelas
quedas d’água, corredeiras, ilhas vegetadas,
contornos escarpados e densa vegetação, ca-
racterística da floresta amazônica.
“Houve uma preocupação especial em in-
tegrar as estruturas que compõem o projeto à
paisagem local, minimizando o impacto visual
em qualquer ponto da cidade de Aripuanã”,
afirma Paulo Novaes, gerente de Meio Am-
biente da Energética Águas da Pedra.
corrente contínua

A Usina terá um reservatório de apenas 0,24


km2, que corresponde à melhor relação entre
potência instalada e área inundada em constru-
ção no Brasil. Além disso, a água vai passar por
condutos paralelos ao leito do Rio Aripuanã.

21
manece durante todo o período de floração
das espécies em torno da área do empreendi-
mento. Antes da fase da supressão da vegeta-
ção houve o trabalho de resgate das espécies,
levadas para o orquidário e bromeliário para
estudo e preservação.
Durante o processo de construção do Apro-
veitamento, a área de vegetação suprimida é
equivalente a aproximadamente 70 hectares,
que serão recuperados por meio do Programa
de Conservação da Flora e do Programa de
Conservação de Germoplasmas, os quais têm
como objetivo a coleta de sementes e a produ-
ção de mudas de espécies florestais (à esquer-
da). O cultivo e a produção de 500 mil mudas
blema porque a turbina de 29 MW precisa, anuais serão suficientes para recuperar uma
no mínimo, de 38 m³/s para funcionar e, se área de 1.350 hectares, ao longo de três anos.
essa vazão cair, a Usina será desligada. Então
a vazão ecológica mínima será garantida. No Beleza e equilíbrio - As macrófitas são um
ano passado foi registrada a vazão mínima de dos principais componentes dos ecossistemas
23 m³/s, acima do previsto no acordo”. aquáticos, regulando ampla gama de proces-
Entre os benefícios esperados com o em- sos ecológicos, tais como a reciclagem de nu-
preendimento estão o aumento da oferta de trientes, cadeia de detritos e processos de se-
energia elétrica para o País; geração de renda dimentação, formando um conjunto florístico
e melhoria da qualidade de vida no município; que reúne formas com diferentes distribuições
atração e fixação de novos investimentos; de- no corpo fluvial. Em outras palavras, o grupo
senvolvimento socioeconômico e ambiental, das macrófitas é constituído por pequenas flo-
bem como a redução do uso de energia tér- res, que vivem nos rios e lagos, proporcionan-
mica (geradores a diesel). do beleza e equilíbrio ao ecossistema (abaixo).
Essas plantas possuem grande capacida-
Produção de mudas - Dardanelos caracteri- de de adaptação, o que possibilita a coloni-
za-se pelo completo e detalhado planejamento zação nos mais diferentes tipos de ambien-
das atividades, totalizando mais de 31 progra- te, brejos, mangues, rios, lagos e cachoeiras.
mas socioeconômicos e ambientais. Para os As macrófitas aquáticas podem ser encontra-
programas de monitoramento da fauna e da flo- das principalmente nas margens e nas áreas
ra foram previstas campanhas trimestrais para mais rasas.
antes, durante e após a construção da Usina. Relatório que descreve e analisa os resulta-
“Os estudos socioambientais têm sido aprimo- dos obtidos na primeira campanha do Progra-
rados desde o início do processo de viabilida- ma de Monitoramento das Macrófitas Aquáti-
de, de modo a contemplar sugestões técnicas e cas revela que mais de 300 espécies vegetais
determinações dos órgãos fiscalizadores, bem e 50 gêneros foram registrados, apresentando,
como da prefeitura, comunidade local e pes- também, resultados que indicam que o habitat
quisadores envolvidos”, informa Novaes. dessas plantas não está sendo influenciado ou
O Programa de Con-
servação da Flora ini-
ciou-se em 2006 com a
implantação em campo
de 42 parcelas e mar-
cação de mais de 1.400
matrizes de várias espé-
cies vegetais. A coleta de
sementes está ocorrendo
corrente contínua

nessas parcelas. Em se-


guida, são manipuladas
e acondicionadas em vi­
veiro, onde o trabalho per-

22
alterado de forma negativa no trecho sob influ- tância para o equilíbrio
ência da instalação do empreendimento. e a manutenção dos
Houve um aumento significativo no núme- ecossistemas, pois con-
ro de espécies e biomas desse tipo de vege- somem imensa varieda-
tação. A maioria das espécies de macrófitas de de animais, sobretudo
aquáticas encontradas nessa campanha esta- in­setos, auxiliando no con-
va em estado reprodutivo, ou seja, com flores trole populacional e impedin-
e frutos em plena dispersão. do que se tornem pragas. Por
outro lado, servem de alimen-
Aves e anfíbios - Para o monitoramento to a outra enorme variedade
das atividades voltadas para as andorinhas de bichos, como aves, peixes,
que habitam as quedas, as aves migratórias, serpentes e mamíferos.
especialmente maçaricos, e as aves do inte- Quanto aos répteis, foram re-
rior da floresta, foi instituído o Programa de gistradas 52 espécies. Contudo, de-
Monitoramento da Avifauna. As duas primei- vido à grande variedade de habitats e
ras atividades já produziram informações que ambientes presentes na área, é possível
estão sendo analisadas e possibilitarão medir que o número real seja maior.
o grau de dependência das duas espécies de Com a necessidade de conhecer com maior
andorinhas que habitam os ecossistemas das detalhamento os peixes que habitam a região
cachoeiras. As ações incluem as atividades das cachoeiras, foi iniciado o Programa de
de estudo e monitoramento nos períodos da Monitoramento da Ictiofauna. Está sen-
chuva e da seca, registro de espécies, resga- do feito o levantamento sobre os
te e elaboração de relatórios, encaminhados peixes em vários períodos do ano,
para a Sema e para o Instituto Brasileiro de buscando informações sobre o uso
Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Re- dos habitats dos pedrais e da intensida-
nováveis – Ibama. de de atividades reprodutivas das espé-
Até o momento foram cadastradas aproxi- cies. Isso vai ajudar também a regular as
madamente 126 espécies de aves, distribuí- atividades de pesca no município.
das em 68 famílias. Para a segunda campa-
nha de atividades, foi registrada, na área de Comunidade - As ações para a comunidade
influência direta de Dardanelos, a ocorrência não ficaram de fora. Entre setembro de 2007
de mais cinco espécies de aves que não ha- e setembro de 2008, foram iniciados vários
viam sido registradas anteriormente, elevando programas de vigilância epidemiológica, de
para o total acumulado de 131 espécies que lazer, turismo e cultura e de apoio à educação
continuam habitando positivamente a região, básica e ambiental, às comunidades indíge-
o que comprova a afirmação do baixo impac- nas e à produção agrícola
to ambiental do empreendimento. Observa-se O Programa de Educação Básica e Am-
também que não há registro de nenhuma es- biental (abaixo) já capacitou 400 profissionais
pécie de ave em risco, de acordo com a lista
oficial dos animais ameaçados de extinção do
Brasil e das Américas.
Já o Programa de Monitoramento da Her-
petofauna tem como objetivo fazer o inventário
de anfíbios e répteis, conhecidos popularmen-
te como sapos, rãs e pererecas, espécies que
dependem dos pedrais e dos ecossistemas a
eles associados, bem como obter informações
que possibilitem o manejo e a conservação
desses grupos. São conhecidas na região 45
espécies de anfíbios.
Esses animais, vistos qua-
corrente contínua

se sempre com te-


mor e repugnância
pela maioria das
pessoas, são de
extrema impor-

23
Entre máquinas
e homens,
a presença
de mulheres
reforça a
grandiosidade
da obra
corrente contínua

24
meiras, dentistas, farmacêuticos, bioquímicos
e outros profissionais de saúde, professores e
alunos dos municípios de Aripuanã, Cotrigua-
çu e Juína.
A Energética Águas da Pedra também está
desenvolvendo o Plano Diretor Municipal para
Aripuanã, que consiste no planejamento da
ocupação territorial. O objetivo é democratizar
as oportunidades para todos os moradores,
garantir condições satisfatórias para financiar
o desenvolvimento municipal e democratizar
as condições de uso dos recursos disponíveis
de forma equilibrada e sustentável.
O Plano Diretor deve interagir com as dinâ-
micas dos mercados econômicos e vai con-
do setor no município de Aripuanã. O Progra- tribuir para reduzir as desigualdades sociais,
ma de Saúde Pública desenvolve ações em definindo os riscos e os benefícios da urba-
parceria com a Secretaria de Saúde a fim de nização. Ele foi entregue no início do mês de
conter e solucionar os problemas epidemioló- novembro para a Prefeitura, que enviou para
gicos da cidade e de minimizar os riscos e a aprovação à Câmara Municipal.
incidência de doenças. O Programa foi estru- O apoio da comunidade tem sido funda-
turado em três eixos: ações epidemiológicas, mental para a implantação do empreendi-
ações de prevenção e controle de doenças e mento. O cronograma previsto deverá ser
ações educativas. an­tecipado. “A comunidade de Aripuanã nos
No segundo trimestre de 2008, por exem- apoiou durante a condução dos processos de
plo, foram registrados 118 casos de doenças licenciamento, vislumbrando o quanto esse
de notificação compulsória em Aripuanã, nú- empreendimento poderá contribuir para o
mero 63% menor que no trimestre anterior, desenvolvimento, sem que haja a degradação
corrente contínua

conforme dados do boletim epidemiológico ambiental que tantos problemas já trouxe à


do Programa de Saúde Pública. As palestras região”, afirma Picolli.
do Fórum Científico de HIV e Aids contaram (Colaborou Gabriel Prates,
com 452 participantes, entre médicos, enfer- da Energética Águas da Pedra)

25
foto: indiamara moser

O andorinhão-
de-cascata
Ave símbolo da região dos Saltos das Andori-
nhas e Dardanelos, o Cypseloides Senex, mais
conhecido como a famosa e simpática andorinha,
ou como se denomina a espécie encontrada na re-
gião “andorinhão-velho-da-cascata”, tem pequeno
porte e comprimento, entre nove e 25 cm, depen- Esse dócil habitante sobrevoa às centenas em gru-
dendo da espécie. pos próximo às quedas d’água, caçando durante o
A plumagem é geralmente preta ou castanha, dia e repousando à noite nas fendas das rochas,
mas algumas espécies apresentam barriga mais onde também constrói seus ninhos.
clara e manchas coloridas na zona da garganta. Estudos e observações comprovam que os ando-
As asas afiladas em forma de bumerangue são ex- rinhões são aves monogâmicas que formam casais
tremamente longas, em comparação ao resto do na época de reprodução. Em algumas espécies,
corpo. As penas primárias, longas e estreitas, junto sobretudo as tropicais, os casais permanecem jun-
corrente contínua

com as penas secundárias muito curtas, permitem tos por toda a vida, guerreiros, fiéis, companheiros,
aos andorinhões um vôo rápido e a possibilidade comprovando o ditado popular que diz: “uma ando-
de planar. O bico é muito curto e meio recurvado. rinha só não faz verão”.

26
CIRCUITO INTERNO

Cidadão, sempre o melhor


parâmetro da comunicação pública
Cerca de 80 profissionais de Comunicação governamentais. Esperamos que esse evento
Social participaram no período de 20 a 21 de possa, realmente, promover o papel do comu-
novembro último, em Belém (PA), do Fórum nicador público, desenvolvendo um processo
de Comunicação do Governo Federal no Norte, que permita a inclusão dos veículos de comu-
realizado pela Secretaria de Comunicação So- nicação do Norte em pautas dos governos”.
cial da Presidência da República- Secom, por Com a palestra “Os desafios de fazer a co-
meio do Programa de Integração e Aperfeiçoa- municação pública”, Armando Medeiros de
mento da Comunicação Pública; e Eletronorte, Faria, da Secom, abriu o Fórum. Em seguida,
com o apoio do Banco da Amazônia -Basa. Ana Maria Fadul, da Sociedade Brasileira de
Os desafios de fazer comunicação pública, Estudos Interdisciplinares da Comunicação –
a importância estratégica da política de comu- Intercom, falou sobre “Mídia e desenvolvimen-
nicação, o relacionamento com a imprensa, to na Região Norte: desafios e perspectivas”.
gerenciamento de crise e a comunicação e No segundo dia foram proferidas as pa-
sustentabilidade no século XXI foram os princi- lestras “Comunicação e sustentabilidade no
pais temas debatidos. O objetivo foi promover século XXI”, do jornalista Hiram Firmino, edi-
a atualização profissional e a integração entre tor da revista JB Ecológico; “O Governo como
os profissionais do Sistema de Comunicação pauta – a visão da imprensa”, que reuniu o
do Poder Executivo Federal – Sicom, e os co- secretário de Estado de Comunicação do
municadores dos três poderes na Amazônia, Pará, Fábio Fonseca de Castro, e o jornalista
em níveis nacional, estadual e municipal. Raimundo José Pinto, do portal Pará Negó-
Presente à sessão de abertura, o diretor cios; “A importância estratégica de uma po-
Econômico-Financeiro da Eletronorte, Antonio lítica de comunicação”, do presidente da As-
Maria Amorim Barra, deu as boas-vindas aos sociação Brasileira de Jornalismo, Wilson da
participantes: “A comunicação pública ainda Costa Bueno; e “Gestão de riscos e tratamen-
é um processo distante da Região Norte, que to de crises em comunicação”, do professor
fica isolada do resto do País quando se trata da PUC-SP e colunista da revista Imprensa,
da promoção dos serviços e bens públicos e Francisco Viana.

corrente contínua

27
O que eles disseram: biente, mas tratar as questões ambientais do ponto de
vista das outras notícias publicadas, ou seja, do ponto de
vista econômico, político, urbano e, claro, dos ecossiste-
“Comunicar é antes de tu­do mas com os quais convivemos”.
expressar-se. Tenho algo a dizer Hiram Firmino - revista JB Ecológico
e o direito de dizê-lo. Mas a se-
gunda condição da comunicação “Hoje está sendo cons-
é saber se o outro está ouvindo truído um novo mapa das
e tem interesse no que digo. E regiões brasileiras dada a
se responder, isto é, se por sua importância econômica e
vez se expressar, será que estou a força de identidade, no
pronto para ouvi-lo? É preciso sentido de mostrar as desi-
observar os pilares e princípios gualdades regionais. Nes-
básicos da comunicação pública, sa equação, que interpõe
pois o cidadão tem direito à in- o eixo Rio-São Paulo aos
formação, base para o exercício estados das regiões Norte e
da cidadania. Além disso, prestar Nordeste, vem se verifican-
contas à sociedade é um dever do, em relação à comuni-
do Estado. Mas a comunicação pública não faz promoção cação pública, mudanças
pessoal dos administradores. Ao contrário, valoriza a interati- significativas também na
vidade e o diálogo com o cidadão, estimulando-o a participar mídia regional. Esse avan-
da definição de políticas públicas. Aí está a importância de se ço é perceptível nos meios televisão e rádio, haja vista
garantir o pluralismo e valorizar a diversidade regional, zelando o crescimento das redes regionais e da repercussão de
pela aplicação criteriosa dos recursos públicos. Nesse sentido, eventos como o Círio de Nazaré e o Boi-bumbá de Parin-
precisamos transformar a comunicação estatal, oficial, em co- tins, por exemplo, que conquistaram espaço nas redes
municação de caráter público, isto é, participativa, pluralista, nacionais. Também verifica-se que as redes regionais
transparente e promotora dos direitos do cidadão”. têm procurado superar a visão etnocêntrica da mídia,
Armando Medeiros de Faria - Secretaria de Comunicação pois somente denunciar a mídia é uma atitude conser-
Social da Presidência da República- Secom vadora e conformista. Há de se ressaltar que a produ-
ção local e regional exigem não somente verbas, mas
“Quando decidimos publicar competências. Afinal, qualidade e popularidade não são
uma revista sobre meio ambien- incompatíveis”.
te, que sai a cada mês na sema- Ana Maria Fadul - Sociedade Brasileira de Estudos
na da lua cheia, estávamos reali- Interdisciplinares da Comunicação
zando uma utopia, sonhada nas
montanhas de Minas Gerais, e “A imprensa da Região Norte sempre viveu a rebo-
que tomou uma proporção gigan- que da imprensa do Sul e Sudeste, nunca conquistou
tesca ao se inserir na hora exata seu próprio espaço no cenário nacional. Primeiro há a
em que começavam os debates questão das sucursais dos grandes jornais, que deixa-
ambientais em todo o mundo. Foi ram de existir nas princi-
preciso mais que persistência, pais capitais, como Belém
pois tivemos que inserir em nos- e Manaus. Chegaram ao
sa fórmula inédita de jornalismo o cúmulo de dizer que aqui
amor e a poesia. Para tratar a in- não existem profissionais
formação ambiental precisamos ca­­pazes de exercer o papel
entender tecnicamente do assunto. Como todo ser humano, de correspondente. Então
é preciso ter consciência do que se quer, para depois ter ati- começamos a depender
tude na realização desse querer. O jornalismo ambiental no da cobertura regional, do
Brasil começou assim, e os jornais, inclusive, passaram a ter noticiário distribuído pe-
corrente contínua

uma editoria de meio ambiente. Mas a consciência foi tratar a las agências e dos releases
informação ambiental como uma notícia que vende, somente distribuídos pe­­los governos.
os escândalos e as tragédias, e os jornais foram, ao longo do Essa relação com os gover-
tempo, eliminando os espaços dedicados ao assunto. Hoje eu nos também foi prejudica-
acho que não se deve ter uma editoria específica de meio am- da pela forma de aproxima-

28
ção entre assessores de imprensa e jornalistas, quase construção coletiva, com o com-
sempre por releases. É raro sermos chamados para um prometimento explícito da al­­ta
almoço ou uma coletiva e quando isso acontece nem administração e vontade po­lítica
sempre dão voz aos jornais do Norte. Precisamos re- para implementá-la. Além disso,
ver esses relacionamentos, entre os grandes jornais e a comunicação empresarial inclui
os daqui e entre a pauta do governo e as redações da obrigatoriamente a comunicação
região, inclusive as do interior, que sofrem muito mais interna e externa, a comunicação
a falta de pessoal qualificado, equipamentos e infra- institucional e mercadológica e
estrutura de apoio”. todos os fluxos de comunicação
Raimundo José Pinto – Pará Negócios de uma organização. Para que
essa interação se mantenha for-
“Estamos revendo to­ te e permanente, alguns desafios
da a área de comunicação se apresentam: superar o nível
do Governo do Estado do do mero discurso explícito no
Pará, desde o planejamen- documento da política; sensi-
to estratégico, passando bilizar direção e chefias; reavaliar continuamente a política
pe­la política de comuni- para que ela permaneça em sintonia com o tempo histórico
cação, pelo marketing es­­ e criar uma autêntica cultura de comunicação, que deve ser
trutural, até a qualificação vista como instrumento fundamental de gestão e não como
da assessoria de imprensa um fim em si mesmo”.
e a melhor distribuição da Wilson Bueno – Associação Brasileira de Jornalismo
verba publicitária. Nossa
intenção é promover a ge- “Os retratos da comunicação
ração, veiculação e acesso pública tendem a mostrar que
à informação com ações esta teria muito a aprender com a
de comunicação comuni- comunicação privada. É um mito
tária e pesquisa de representação social na Amazônia. que a realidade vem se encarre-
Também consideramos relevante construir um acervo gando de derrubar. A cultura da
de informações sobre temáticas relacionadas à linha- comunicação pública encontra-
mestra do programa de democratização do acesso à se bem mais próxima dos impe-
informação, da Secretaria de Estado de Comunicação rativos da atualidade. Por isso, o
do Pará. O programa atuará, prioritariamente, associa- profissional de comunicação da
do à pesquisa científica, ao debate social e às ações de área pública precisa ser formado
comunicação comunitárias na região metropolitana e no dentro dos valores republicanos,
interior. A pesquisa de representação social tem como devendo ter um plano de carrei-
meta a criação de uma agência modelo de notícias, loca- ra, deixando, assim, de ser vul-
lizada fisicamente na universidade, aproveitando a base nerável à natural transitoriedade
do parque tecnológico, a fim de mapear, armazenar e de governos. A virtù da comunicação pública é ser guardiã
fornecer análise crítica dos fatos e acontecimentos sobre da reputação da República, de reconhecer e trabalhar pela
a pobreza e desigualdades sociais na Amazônia”. explicitação dos conflitos, mas sempre determinada a evi-
Fábio Fonseca de Castro - Secretaria tar que a reputação do Estado, governos e governantes se
de Estado de Comunicação do Pará corrompa. Portanto, o relacionamento entre Poder Público,
imprensa e liberdade deve acontecer no plano de uma trin-
“O que é uma política de comunicação? É um con- dade divina que se reforça mutuamente. O comunicador é
junto de princípios, diretrizes e ações que objetivam filho da liberdade. Não pode ceder a versões vulgares de
orientar, de maneira uniforme, profissional e sistemáti- controle da informação, à direita ou à esquerda. A lição
ca, o relacionamento de uma organização com os seus mais aflitiva para a comunicação pública é, por mais pa-
diversos públicos de interesse. Ela deve ter vínculo radoxal que possa parecer, a afirmação da democracia no
obrigatório entre comunicação e gestão, ou seja, uma País. A liberdade tem iluminado vastas áreas obscuras das
relação estreita com a cultura organizacional, partindo- relações do Estado com a sociedade, dos governos com
corrente contínua

se da existência de uma estrutura profissionalizada de seus eleitores, do mundo da imprensa com a verdade e a
comunicação, com participação efetiva no processo notícia. Nesse contexto, o papel da comunicação pública
de tomada de decisões. A política de comunicação é, acima de tudo, educador”.
deve ser vista efetivamente como estratégia, numa Francisco Viana – PUC-SP

29
CORRENTE ALTERNADA

A arte
com
energia
Byron de Quevedo tes feitas com muita energia, espetáculos que
sem esses patrocínios não teriam se realizado,
O Sistema Eletrobrás, ao eletrificar as re- transformando sonhos em realidade.
giões do País, acabou por também trazer luz Em matéria de patrocínio a Eletronorte prio-
ao mundo cultural. Trabalhar a responsabilidade riza os eventos técnicos setoriais, pois o seu
social passou a significar apoiar as culturas re- balanço econômico-financeiro ainda não lhe
gionais, expressão maior do nosso povo. A Ele- permite usufruir, por exemplo, os benefícios
tronorte é uma das empresas do Setor Elétrico das leis de incentivo à cultura. No entanto,
corrente contínua

que vem fazendo investimentos nas mais di- emitiu uma instrução normativa para atender
versas manifestações artísticas, se integrando a projetos culturais de interesse empresarial,
à vida das comunidades e ampliando o seu no que tange aos benefícios e contrapartidas
significado como instituição pública. São ar- oferecidos pelo possível patrocinado.

30
Isabel (ao lado) observa que
o conceito de contrapartidas
mudou, levando em conta não
apenas a imagem, ou seja, a apli-
cação da marca. São analisadas
também as contrapartidas sociais,
estruturais e culturais. “Numa
peça de teatro, por exemplo, ou
num filme, podemos pedir que
o proponente nos forneça DVDs
para doação às bibliotecas da Re-
gião Norte, sempre carentes. Ou
ainda podemos negociar que o
proponente contrate mão-de-obra local entre
outras compensações”.
Segundo a gerente da área de logística ad-
ministrativa da Coordenação de Comunicação
Empresarial da Eletronorte, Dijane Maria Frei-
tas dos Santos (ao lado), os patro-
cínios passam por um processo
interno que exige a aprovação da
diretoria e são feitos por inexigibili-
dade de licitação. “Após a assina-
tura do contrato, providenciamos
o pagamento de 60% do valor re-
querido. Depois, verificamos como
o dinheiro foi gasto, se foram cum-
pridas as contrapartidas, e só en-
tão pagamos os 40% restantes”.
Recentemente, a Eletronorte
pa­­trocinou o filme “A Festa da
Menina Morta”, (ver box), diri-
gido por Matheus Nachtergaele
(abaixo), com um aporte de R$ 100 mil. A
fita vem acumulando prêmios e reconheci-
mento público onde é exibida. “Creio que o
Mateus deu muita visibilidade à marca Eletro-
norte. O patrocínio foi pequeno considerando-
se os custos finais de um filme. A Infraero foi
a maior patrocinadora da obra. Gostaríamos
de fazer mais. Por exemplo, no Festival de
Brasília do Cinema Brasileiro - FBCB, seria ex-

A gerente da Coordenação de Comunicação


Empresarial, Isabel Cristina Moraes Ferreira,
relata que a função da área é consolidar os
interesses internos com a avaliação das con-
trapartidas. “Em 2009, já num panorama mais
positivo para a Empresa, poderemos vir a nos
beneficiar das leis de incentivo. Neste ano, a
Eletrobrás se antecipou a nós e relançou a sua
corrente contínua

política de patrocínio, pois é mais demandada


exatamente porque usa as leis de incentivo.
Construiremos a nossa linha de patrocínio ali-
nhada a política da holding”.

31
celente se um proponente abrisse a possibili-
dade de exibir um documentário institucional.
Teríamos, então, uma bela contrapartida para
qualquer empresa do Sistema Eletrobrás. Te-
mos que enxergar o patrocínio como uma fer-
ramenta estratégica de comunicação. O saldo
para a Empresa tem sido bastante positivo”,
comenta Isabel.
O diretor da Fundação Cultural do Distrito
Federal e diretor do FBCB, Fernando Adolfo
(ao lado), considera o apoio ofi-
cial e de patrocinadores públicos
ou particulares de fundamental
importância para a indústria cul-
tural e, por conseguinte, para o
Festival. “O Estado não pode ab-
sorver todos os custos do festival,
orçado em R$ 2 milhões. É um
evento grande que envolve cente-
nas de diretores, atores e técnicos
relacionados com as obras exibi-
das. O GDF entra com metade do
orçamento, o restante é pago por
instituições públicas e privadas, a
maior parte pela Petrobras. Gostaríamos que a
Eletrobrás voltasse a ser um dos nossos patro-
cinadores, como já foi em anos anteriores, pois
as empresas do Sistema têm documentários
preciosos sobre obras de infra-estrutura, ações
ecológicas, sociais etc. Sugiro que, em 2009,
ela faça uma mostra desse acervo no Festival,
pois eles retratam muito bem a história brasilei-
ra”, conclama Fernando.

Uirapuru Bambu - Por falar em arte com


energia, o espetáculo Dança em Suspensão
(à direita), promovido pelo Instituto de Pes-
quisa, Ação e Mobilização – Ipam, é um show
extremado. Atores bailam entre bambus, vêm
ao solo e retornam às alturas com uma agi-
lidade impressionante. Segundo a bailarina
e produtora, Poema Muhlemberg, o Brasil é amazônica e pela maior escultura de bambu
culturalmente rico. “Portanto, a Eletronorte construída no mundo. Uma geodésica de 11
agiu estrategicamente ao patrocinar a nossa metros de altura por 20 metros de diâmetro,
proposta com R$ 30 mil. As produções cultu- criada pelo mestre em bambu, Lúcio Ventania.
rais fortalecem a identidade nacional e geram A escultura central tem oito mastros com oito
empregos”. metros de altura.
“O Uirapuru Bambu – Espetáculo Performá- O espetáculo ao ar livre conta uma lenda
tico” foi concebido pelo professor de educação amazônica sobre a influência do canto do ui-
física e criador da Integral Bambu, Marcelo Rio rapuru na vida de dois enamorados. Os atores
Branco, e dirigido por Willian Lopes. Para con- ora são pássaros, ora são dançarinos. A refe-
tar a lenda do uirapuru, quatro acrobatas utili-
corrente contínua

rência ao pássaro se dá em virtude de sua


zam técnicas de Integral Bambu, com práticas raridade. “A recepção do público tem sido
de artes marciais, ioga, pilates, alongamento, excelente. Esperávamos receber umas 200
massagem e treinamento em árvores. A ce- pessoas e no último espetáculo tivemos que
nografia é composta por elementos da cultura arranjar 400 cadeiras extras. Havia pessoas

32
assistindo do lado de fora, lá episódios. Ele encontra a tribo
no Memorial dos Povos In- fictícia Katueté, palavra Tupi
dígenas e a temporada teve que quer dizer “muito boni-
que ser prolongada por mais to”. O livro teve como base
uma semana”, conta Poema as experiências da escritora,
Muhlemberg. relatadas em seus diários e
Carla Gomes (ao lado), re- entrevistas. “Uso um discur-
lações públicas, viu o show so lúdico e vou revivendo
e ficou encantada. “É com- aventuras. É o embate entre
pletamente diferente de tudo a cultura do menino e das
que já assisti. O cenário do crianças indígenas, com as
Museu foi perfeito para a suas afinidades e estranha-
apresentação, a iluminação mentos. São elas que cons-
do espetáculo e a trilha sonora são fascinantes. troem o conceito de cultura
Há momentos de surpresa. É um tipo de arte e diversidade. No Brasil são
que exige força e concentração”. 217 culturas indígenas co-
nhecidas”.
Ponta de Flecha – Katueté - Este livro in­ “No livro, esse povo iso-
fantil, lançado pela empresa Nhamandu Pro- lado, fictício, se decepciona
duções Ltda, com 68 páginas, recebeu o pa- no primeiro contato com os
trocínio de R$ 82 mil da Eletronorte. A sua civilizados e se retrai. Os Ava-
escritora, Eliana Maria Gramado Craesmeyer Canoeiro viveram a situação
(à direita), é antropóloga, trabalha há 20 anos do grupo Katueté. Quando fui
com grupos indígenas e está há 15 anos em caminhar nos limites das ter-
Furnas Centrais Elétricas. Ela começou sua ras deles, calçei botas confor-
experiência com tribos de Mato Grosso, os Xa- táveis, mas que machucavam
vante e Bororo, e depois com índios de Goiás, muito os meus pés. Então
as tribos Karajá, Ava-Canoeiro e Tapuia. Traba- as tirei. Um índio, de forma
lhou na Funai como assessora para assuntos descontraída, perguntou-me, como quem fala
indígenas, em Goiânia, onde atendia também a uma criança: ‘Por que você trata assim os
os índios de Tocantins, Bahia, Minas Gerais seus pés, botando eles dentro dessas canoi-
e de parte de Mato Grosso (Parque Indígena nhas? Você não precisa disso, pois eles podem
do Xingu) até 1993, quando foi para Furnas, te levar onde você quiser’. Então eu fiquei ad-
onde coordena a Gestão da Questão Indíge- mirada com a simples e profunda afirmação.
na. Foi convidada em virtude de sua especia- Aprende-se muito com a cultura indígena”,
lidade e da experiência em lidar com o grupo relata Eliana Maria.
Ava-Canoeiro, em que as terras indígenas têm A Eletronorte receberá como contrapartida
interface com a hidrelétrica Serra da Mesa. ao patrocínio, 360 exemplares do livro. Segun-
Segundo a autora, Ponta de Flecha surgiu do Eliana, “enviamos cartas para 16 patroci-
da necessidade de falar dos assuntos indíge- nadores privados e apenas um respondeu,
nas para crianças nas escolas do entorno das negativamente. Isso só engrandeceu a contri-
reservas. Como ela mesma constatou, quanto buição da Eletronorte, pois ela não pode usar
mais perto da terra do índio, maior o precon- os benefícios das leis de incentivo e mesmo
ceito, pois os interesses econômicos de possei- assim ajudou. Fato louvável que me deixou
ros, madeireiros e fazendeiros estão presentes impressionada. A atitude demonstra o cuidado
na disputa pelos recursos naturais. “Abordei a da instituição para com a cultura, as artes e os
questão de forma que as crianças pudessem produtores culturais”.
entrar em contato com essa realidade o mais
cedo possível, despertando reflexões. As crian- Caminhos da modernização - Outro patro-
ças das cidades veiculam idéias, gostam de fa- cínio importante na área literária, não tanto
lar sobre elas em casa, refletindo uma forma de pelo valor desembolsado, de R$ 8 mil, mas
pensar mais humana sobre os indígenas. Como pelo valor cultural, em 2008, foi o concedido à
corrente contínua

poucos conhecem a vida dos índios, costumam obra “Caminhos da Modernização: Cronologia
reproduzir o discurso preconceituoso”. do Setor de Energia Elétrica Brasileiro (1879-
A história se passa na Amazônia, mas é 2007)”, lançado pelo Centro da Memória da
um menino de São Paulo que vai viver os Eletricidade no Brasil. De acordo com Marilza

33
ano com chave-de-ouro, com a participação do
cantor e compositor Paulinho Pedra Azul, e de
Marcelo Jiran (teclados), ambos de Minas Ge-
rais, em dezembro de 2008. A segunda edição
do projeto recebeu da Eletronorte R$ 98 mil
em patrocínio, o que possibilitou trazer artistas
de renome como Xangai (foto ao pé da pági-
na), Simone Guimarães, o comediante Ruiter,
Renato Mota e o pianista Le-
andro Braga.
Rivaldo Gomes de Alcânta-
ra, o Boréu (ao lado), músico,
percursionista e sindicalista, é
o coordenador do Viva a Arte e
representante do Sindicato dos
Eletricitários – Stiu-DF, um dos
patrocinadores do evento. Ele
afirma que o projeto ganhou
tanta importância que vem
Brito, diretora da entidade, criada sendo debatido até em mesa
pela Eletrobrás e demais empre- de negociação, nos acordos
sas do Sistema, “desde 1986, a coletivos. “Cobramos, princi-
organização trabalha em prol da palmente da Eletrobrás, que além dos grandes
preservação da memória do setor projetos, que ela patrocine projetos de meno-
de energia elétrica, com pesqui- res custos também, muitas vezes, conduzidos
sas históricas e tratamento do por pessoas sem acesso à mídia. São pessoas
patrimônio documental”. envolvidas no meio cultural, não visam ao lu-
Segundo Marilza (ao lado), a cro, mas produzem coisas interessantes, pois
publicação atualizada tem 130 sempre há um público para qualquer arte. Em
páginas e tiragem de mil exem- 2009 vamos enveredar para o lado do autênti-
plares, abordando fatos do setor co sertanejo, devemos trazer Zé Mulato e Cas-
desde o século XIX até o XXI, os siano, entre outros do gênero”, afirma.
principais marcos históricos, o surgimento das Mas o mais interessante da próxima tem-
empresas, inventos, empreendimentos etc. porada – comenta Boréu - será a divulgação
É ilustrado com aquarelas de Mario Penna Be- dos grandes poetas, que têm produções be-
ring, ex-presidente da Cemig e da Eletrobrás. líssimas e as pessoas mal sabem que foram
O livro traz ainda seis pranchas formando um eles que escreveram: gente como Capinam,
cartaz com o resumo da obra.
“A Eletronorte quer manter
viva a memória da eletricidade no
Brasil, por isso se tornou institui-
dora do Centro e patrocina obras
importantes. Atua também em
trabalhos específicos, inclusive
relacionados à sua própria his-
tória, como no caso das edições
comemorativas. Ela é parte do
conteúdo desse livro, assim como
Furnas, Chesf, Light, Eletrosul,
Sulgipe e Cepel”.

Viva a Arte - Após 25 shows


corrente contínua

de sucesso, o projeto cultural


Viva a Arte, realizado pelo Centro
Integrado de Cultura e Meio Am-
biente Caburé, estará fechando o

34
Fernando Brant, Fausto Nilo, Nando Cordel
e outros. “Eles vão cantar as suas músicas e
contar como elas surgiram. Focaremos em ar-
tistas de Brasília, mas faremos um mix, trazen-
do também grandes nomes de fora. Os artistas
respeitam quem promove eventos gratuitos ao
público, e aceitam participar por um cachê
reduzido e ainda o divulgam, falando da im-
portância do projeto, principalmente pela pre-
sença e entusiasmo do público. No fim, todos
saem ganhando: Empresa, público, artistas e
os empregados. Às vezes, quando não há con-
senso quanto aos cachês, lançamos mão do
apoio do empresariado”.
Para Boréu, o projeto da nova Sede da Ele-
tronorte em Brasília tem que levar em consi-
deração um espaço para a instalação de um
centro cultural melhor equipado para receber
o Viva a Arte e outras manifestações culturais.
“A Eletronorte pode ter o seu próprio projeto,
pois trabalhamos numa região que concentra
excelentes artistas, como o Nilson Chaves, e
o Papete, (o maior percussionista do mundo,
do Maranhão), por exemplo. Com o Centro
Cultural, a opinião pública vai conhecer me-
lhor a Eletronorte. Hoje, o Correio Braziliense
já inseriu o Viva a Arte na sua programação de
sexta-feira. Os veículos de comunicação quan-
do vêem que os eventos são regulares, fazem
a divulgação e a Empresa ganha um espaço
gratuito”, diz Boréu.

O Duelo da Fronteira – O XIV Festival Folcló-


rico de Guajará-Mirim – O Duelo da Fronteira
(fotos à direita), recebeu patrocínio de R$ 50
mil, firmado entre a Eletronorte e a Associação
Folclórica Cultural do Boi-Bumbá Malhadinho,
realizado há 14 anos, sempre no mês de agos-
to, em Guajará-Mirim, Rondônia. O Festival tem
os bois-bumbás Malhadinho, o atual campeão,
e o Flor do Campo. O Malhadinho, com o tema
Vale do Guaporé: Mito, Cultura e Arte, veste as
cores azul e branco; já o Flor do Campo sai nas
cores vermelho e branco, com o tema o Nosso
Ouro é Vermelho, falando sobre a fauna, a flora
e histórias do boi-bumbá.
Segundo o presidente do Malhadinho, Clei-
ton Vieira Lopes, o Festival começou com o ati- tronorte veio de última hora, pois a comissão
vador cultural Aderson Mendes da Silva, que organizadora demorou a procurá-la. Mesmo
ficou impressionado com o festival de Parintins assim o patrocínio veio e foi importante, pois te-
(AM). Como em Guajará-Mirim já existiam os mos poucos investidores. Com os recursos pu-
dois bois em atividade, ele levou a idéia para demos abrilhantar o Festival. Só temos a agra-
corrente contínua

a cidade também. “Estamos construindo um decer. Creio que apoiar festas populares traz o
‘bumbódromo’, pois recebemos 15 mil pessoas envolvimento da comunidade com a Empresa.
durante as festividades. A cidade fica dividida Hoje a Eletronorte faz parte do bate-papo das
entre as cores vermelho e azul. O apoio da Ele- pessoas. Elas se orgulham de tê-la aqui”.

35
A Festa da Menina Morta Maria do Rosário
faz um breve
Tradicionalmente a Eletronorte não pa- relato sobre
trocina o cinema, porém resolveu quebrar
a regra e acabou acertando em cheio com
o filme:
o filme que ajudou a realizar. A Festa da “As filmagens foram em
Menina Morta, dirigido por Matheus Na- Barcelos, a 400 quilôme-
chtergaele, se transformou num grande tros de Manaus, e nas
sucesso em todos os aspectos. regiões ribeirinhas e flo-
Na opinião de uma das maiores críticas restas. É a história de um
do cinema brasileiro, a jornalista Maria do menino que encontra o
Rosário Caetano (ao lado), “a Eletronorte vestidinho de uma garota
está de parabéns, pois patrocinou um fil- morta de forma brutal. O
me autoral, ousado, experimental, por sua povo passa então a cul-
qualidade artística, onde o autor cria a sua tuar esse vestido mistica-
história, e que dificilmente seria apoiado pela iniciativa privada. Isto é mente. O menino quando
maravilhoso, porque se as estatais, os organismos públicos, não incenti- adulto, interpretado por
varem os inovadores, os transgressores, quem irá fazê-lo? O ministro da Daniel Oliveira, o astro
Cultura, Juca Ferreira, comenta que a cada R$ 10,00 investidos em cul- que fez o Cazuza, passa a
tura, R$ 9,00 vem das estatais e do Governo Federal. Precisamos discutir ter poder místico sobre a
com o empresariado privado o porquê de não investir em cultura, já que há comunidade”.
leis que minimizam os custos dos investimentos”. “O Matheus usa gran-
des atores, como Jackson
Antunes e Dira Paes, mas
buscou coadjuvantes e fi-
gurantes da Região Norte.
Então, a Eletronorte, ao
patrocinar o filme ajudou
a fomentar o desenvolvi-
mento artístico e cultural
da região. Principalmen-
te porque o Matheus deu
várias oficinas para qua-
lificar o elenco de apoio,
o que lhe tomou um ano
entre o Rio de Janeiro e a
Amazônia. No Festival de
Gramado (RS), o filme ga-
nhou os prêmios de Me-
lhor Ator, Prêmio Especial
do Júri, e outros prêmios
técnicos. Revi o filme no
Teatro Amazonas, no Fes-
tival de Manaus. A comu-
nidade reagiu magnifica-
mente. Uma das atrizes é
uma das damas do teatro
amazonense. Portanto, a
Eletronorte, quando apóia
um projeto criativo como
corrente contínua

este, está também pro-


movendo a efervescência
cultural nessas regiões”.

36
MEIO AMBIENTE

A Amazônia cabe
numa semente
Como a Eletronorte pode fazer
a diferença em Um Bilhão de Árvores

Michele Silveira este ano e a ser desenvolvido nos próximos


cinco anos. A expectativa é chegar ao primeiro
Imagine cinco milhões de hectares na Ama- milhão de hectares reflorestados com um bi-
zônia. E neles, cinco bilhões de árvores nati- lhão de espécies nativas.
vas. Essa é a pauta que a Corrente Contínua Com uma superfície de aproximadamente
poderá escrever daqui a alguns anos. Mas 1,3 milhão de quilômetros quadrados, o Pará
para começar essa história, viajamos pelas es- é um dos mais importantes fornecedores de
tradas do Pará, deixando o caminho marcado produtos florestais, sejam eles madeireiros ou
com sementes que podem devolver a floresta a não-madeireiros. Essa produção pode chegar
si mesma. Belém é nosso primeiro destino: foi a 11 milhões de metros cúbicos ao ano, cres-
lá que começaram as discussões para a elabo- cendo até 1% ao ano e exercendo uma forte
ração do Programa de Restauração Florestal, pressão sobre a floresta nativa. Só nos últimos
corrente contínua

que abrange todo o Estado do Pará. É nesse oito anos foram desflorestados cerca de cinco
processo que está inserido o embrião dos nos- milhões de hectares. Para o diretor de Desen-
sos cinco milhões de hectares: o programa Um volvimento da Cadeia Florestal do Instituto de
Bilhão de Árvores para a Amazônia, lançado Desenvolvimento Florestal do Estado do Pará

37
- Ideflor, Jorge Alberto Gazel Yared (abaixo),
investir em reflorestamento significa reduzir
a pressão sobre a floresta nativa. “O objetivo
principal é a recomposição das áreas de reser-
va legal, mas sabemos que nin-
guém faz recuperação do passivo
ambiental se não houver interesse
econômico. Por isso é preciso que
os modelos sejam também meca-
nismos de geração de renda para
os produtores locais. O que esta-
mos fazendo agora é uma parte
do todo que pretendemos desen-
volver”, explica.
A idéia é associar as ações do
programa Campo Cidadão – que
pretende rever o passivo am-
biental de agricultores familiares
- a ações de reflorestamento que incluam
a criação de uma Rede de Laboratórios de
Sementes no Pará. O objetivo é fomentar a
produção de mudas, aumentar a oferta e for-
talecer a cadeia florestal, que atende a vários
segmentos sociais. “Hoje temos mudas que
chegam a custar R$ 10,00 em razão da pou-
ca oferta. Temos demanda para aumentá-la e
garantir o crescimento do mercado e a recu-
peração da floresta. Há casos de prefeituras
que assumiram o compromisso de reflores-
tar, mas ainda não dispõem de mudas para
plantio”, argumenta Yared.
Um das estratégias do Ideflor para concre-
corrente contínua

tizar os programas e garantir a gestão de flo-


restas é celebrar parcerias. E uma delas é com
a Eletronorte. Com o know how do Banco de
Germoplasma e do Laboratório de Análise de

38
Diversas
laboratórios no Pará”, afirma. Neste ano de formas de
2008, a Eletronorte já doou 485 mil sementes coleta, de
para o Um Bilhão de Árvores e foi convidada separação
a assumir a construção de um laboratório de e de uso
sementes em Altamira. Além disso, deve atuar
na melhoria e manutenção de outros dois: um
em Marabá e outro em Tailândia.

Formando mercados - Tucuruí é a nossa se-


gunda parada. Lá a Eletronorte desenvolve o
programa de Germoplasma Florestal, que agora
conta com o Laboratório de Análise de Semen-
tes. O programa tem o objetivo de conservar o
material genético florestal para uso imediato ou
futuro e a sua propagação por meio da pro-
dução de sementes e mudas, contribuindo
para a conservação da biodiversidade e do
desenvolvimento regional. Para isso foram
implantadas áreas de coleta de sementes.
O pioneirismo das atividades da Eletronorte
Sementes de Tucuruí (ver box), a Empresa é nesse projeto resulta na parceria que começa
tida como referência para outros laboratórios a desenhar um novo cenário socioeconômico e
de sementes florestais no País. Para a coorde- formar um mercado consumidor da produção
nadora dos programas da Eletronorte, Sandra de sementes.
Moreira do Nascimento (abaixo), o Laboratório Na carona da Rede de Sementes, outra
já começou as atividades de distribuição de parada: com uma área de 161.445,9 km²,
sementes e de envolvi- Altamira é o maior município do Brasil e do
mento com o programa mundo em extensão territorial. Se fosse um
estadual. “Estamos par- país, o município paraense seria maior que a
ticipando dessa discus- Grécia e quase do mesmo tamanho do Uru-
são e o trabalho que fa- guai. Com a construção do laboratório na ci-
zemos está estimulando dade, a Eletronorte vai incentivar o mercado
corrente contínua

o processo em outros de sementes e contribuir para formar agentes


laboratórios. Tucuruí fará multiplicadores, fornecedores e agricultores
parte da Rede e também familiares dispostos a fazer uso sustentável
vamos atuar em outros da floresta. Na região do Xingu, a Secretaria

39
Geração, transmissão e o pioneirismo de sempre
Nesta matéria, fechar os olhos e imaginar foi o start Só em 2008, o LAS produziu cerca de um milhão de
para uma caminhada numa floresta sustentável. E agora sementes. Além da doação ao programa Um Bilhão de
não poderia ser diferente: você consegue pensar numa Árvores, a Eletronorte já distribuiu cerca de 300 mil a
empresa de geração e transmissão de energia elétrica que prefeituras da região e em eventos como a Semana do
se consolida também como referência em coleta, cultivo e Meio Ambiente. Sandra lembra, ainda, que assim que for
análise de sementes florestais? O Laboratório de Análise de concluído o credenciamento, o LAS passa a ter autoriza-
Sementes – LAS, de Tucuruí, é um projeto inovador, criado ção para também fazer a análise das sementes que serão
dentro das normas estabelecidas por legislação específica, recebidas. “Não temos o objetivo comercial, embora haja
com profissionais treinados e capacitados para a realização uma discussão para que isso possa acontecer no futu-
de análises de sementes. Foi idealizado com o apoio de ro. Além da distribuição para reflorestamento, pensamos
parcerias da Eletronorte, Embrapa/CPATU, UFRA e Museu também em um processo de certificação de sementes
Paraense Emílio Goeldi. O objetivo desse trabalho é estabe- para pequenos produtores locais”, diz.
lecer um LAS florestal para realizar análises em espécies Hoje existem os chamados laboratórios nacionais – os
nativas da região. “Já temos o credenciamento para as áre- Lanagros, ligados diretamente ao Ministério da Agricultu-
as de coleta e viveiro, e agora estamos finalizando o pro- ra, Pecuária e Abastecimento - Mapa, e outros públicos
cesso do serviço de análise de sementes. Nosso laboratório e privados que são credenciados junto ao Mapa. A dis-
está colaborando com um grupo de trabalho que discute cussão sobre as sementes florestais é nova, assim como
as regras de validação de sementes florestais. Já podemos a legislação brasileira sobre o assunto: é de 2003 a lei
atuar no processo de produção de sementes e, em breve, que dispõe sobre o Sistema Nacional de Sementes e Mu-
poderemos atuar na análise”, comemora Sandra Moreira das; e de 2006, o Decreto que cria o Registro Nacional de
do Nascimento. Sementes e Mudas - Renasem. Ao longo desses quatro
Para entender como funcionam as redes é preciso saber anos, pesquisadores do Brasil inteiro têm debatido a polí-
que existem os laboratórios de pesquisa e os de análises; e tica nacional de sementes e mudas florestais, fundamen-
que cada uma das etapas – produção e análise de sementes tal no programa de florestas plantadas e de recomposição
– tem redes distintas. “O que estamos concluindo agora é pro- das matas nativas no País.
cesso de médio e longo prazo. Nosso credenciamento come- De acordo com Ernesto Viegas, há laboratórios que já
çou ainda com o ex-coordenador do programa, o engenheiro atuam junto ao Ministério da Agricultura, mas ainda não
florestal Francisco Neto, que deu início ao processo de seleção têm o credenciamento. “Temos os critérios para creden-
de matrizes a serem trabalhadas no laboratório. Conseguimos ciamento (laboratórios de terceira parte, que envolvem
a inclusão na Rede Nacional de Sementes - Renasem e agora comercialização e produção) e para reconhecimento (os
caminhamos para fazer parte da Rede Nacional de Laborató- de primeira parte, que têm o objetivo de atuar no con-
rios de Análise de Sementes”, afirma Sandra. trole de qualidade). O intuito é atender os controles ofi-

de Agricultura do Pará – Sagri, em parceria desmatada e na geração de trabalho e renda


com outras instituições, está construindo, re- para a população. Num primeiro momento,
formando ou equipando nove viveiros em sete Ideflor, Sagri e a Emater já produziram um
municípios. É a chamada rede de viveiros da diagnóstico rápido participativo, que resul-
Transamazônica. tou na identificação de uma área de cinco
De domínio das comunidades, do estado hectares, anexa à Escola de Trabalho e Pro-
ou privados, os viveiros têm capacidade de dução do Pará, que poderia ser utilizada por
produção que varia de 50 mil a 500 mil mudas produtores locais. Esses quatro laboratórios
de espécies florestais nativas e, principalmen- já fariam parte da Rede, que pretende reunir
te, frutíferas. Em Marabá e Tailândia, a reali- oito laboratórios no Pará, todos com a função
dade do desmatamento tem proporções as- estratégica de reverter o passivo ambiental e
sustadoras. Palco de ações de forças-tarefa e promover uma nova matriz econômica, ali-
cerçada na sustentabilidade ambiental.
corrente contínua

da Operação Guardiões da Floresta, Tailândia


vive uma situação emergencial, não só pelos De acordo com a área de Meio Ambiente da
índices de desmatamento, mas também pelo Eletronorte, a parceria está na fase de elabo-
desemprego. Lá, o laboratório de sementes ração dos termos de convênio e de avaliação
assume papel estratégico na redução da área das demandas e dos desafios que o programa

40
Na busca pela qualificação, a equipe do laboratório da
Eletronorte (nas fotos, a qualidade do trabalho realizado)
passou pelo treinamento condicionante para o credencia-
mento. “Estamos no processo de certificação com as nor-
mas técnicas e de implantação do nosso Sistema de Gestão,
um dos requisitos para o credenciamento. Já recebemos as
visitas técnicas da equipe do Ministério e agora estamos
ciais e os programas específicos do Ministério e garantir finalizando a implantação das orientações”, explica Sandra.
a chancela do órgão para que um laboratório atue nessas A equipe participou ainda de treinamentos de “Práticas de
áreas”, explica. Viegas alerta ainda para a carência de la- herbário” e de “Multiplicadores de sementes florestais”. Da
boratórios, principalmente na Amazônia. “Mesmo alguns mesma forma os técnicos do programa de Germoplasma
da Embrapa ainda não são credenciados. É importante Florestal já passaram por quatro treinamentos de fenologia
que o processo de qualificação seja amplo, pois os labo- reprodutiva, estando capacitados a realizar o monitoramen-
ratórios vão contribuir, e muito, para que tenhamos resul- to dos eventos fenológicos das espécies selecionadas, como
tados válidos, confiáveis”. observação da floração, mudanças foliares e frutificação.

exige, como a distribuição de sementes, a lo- Tucuruí - Implantado na Usina Hidrelé-


gística e a questão socioambiental. Para ana- trica Tucuruí, o Laboratório de Análise de
listas ambientais da Eletronorte, a participação Sementes, foi um dos compromissos am-
da Empresa está sendo analisada em cada bientais assumidos pela Eletronorte. O tem-
uma das etapas, seja na construção do labo- po passou e, além de preservar parte do
ratório de Altamira ou na ma- chamado ‘DNA da Amazônia’, a ação está
nutenção dos demais, além contribuindo com alternativas de uso do solo
da inclusão do laboratório e geração de renda às populações do entor-
de Tucuruí na Rede. A Em- no do empreendimento. Hoje, o laboratório
presa deve contribuir ainda é referência técnica no setor. “O trabalho de
com apoio tecnológico para a capacitação, de constante busca pela qua-
capacitação e o treinamento lidade, acaba qualificando o laboratório da
dos agentes. A expectativa é Eletronorte e incentiva outros laboratórios a
corrente contínua

que, já no primeiro momen- buscarem a certificação e a certeza de que


to da Rede de Laboratórios, estarão produzindo sementes de qualida-
estejam disponíveis cerca de de”, avalia Ernesto do Nascimento Viegas (à
100 mil mudas. esquerda), chefe do Serviço de Auditoria e

41
Credenciamento da Coordenação de Apoio Segundo a Secretaria de Meio Ambiente do
Laboratorial do Ministério da Agricultura. Pará, o Um Bilhão de Árvores não é um pro-
Uma parceria interinstitucional entre o Mu- grama que beneficia só o estado, e representa
seu Paraense Emílio Goeldi, a Embrapa Ama- um desafio para o governo e toda a sociedade.
zônia Oriental, o Instituto de Desenvolvimento Hoje, o Brasil planta anualmente cerca de 600
Econômico, Social e Ambiental do Estado do mil hectares de florestas. No Pará, em 2007,
Pará, a Universidade Federal Rural da Ama- foram licenciados cerca de 20 mil ha de áreas
zônia, o Instituto de Desenvolvimento Florestal reflorestadas. Em 2008, ano de lançamento do
do Pará e a Sema, já resultou num relatório programa, foram registrados 140 mil ha, com
com recomendações técnico-científicas ao a perspectiva de chegar aos 200 mil ha até o
programa. O documento inclui os critérios de mês dezembro deste mesmo ano.
recuperação de áreas degradadas e a indica- Dados do Ministério da Agricultura estimam
ção de várias espécies vegetais e de modelos que o Brasil detém um dos maiores estoques
de sistemas produtivos, com componentes ar- de madeira tropical em suas florestas nativas.
bóreos, que poderão ser utilizados nas áreas O setor de base florestal representa hoje 4,5%
identificadas para reflorestamento. O relatório do PIB brasileiro, é responsável por 17,8% das
sugere ações nas áreas de crédito e recursos exportações do agronegócio e 7,4% do total
financeiros, informação e tecnologia, infra-es- das exportações brasileiras, gerando cerca de
trutura e insumos, fiscalização, legislação, di- nove milhões de empregos diretos e indiretos,
vulgação e comunicação, assistência técnica que representam 12,5% da população econo-
e capacitação. micamente ativa. Isso, considerando-se ape-
nas a produção de borracha
natural, madeira, celulose,
papel e móveis, sem incluir
o segmento de produtos não-
madeireiros e serviços am-
bientais.
A produção de madeira
de espécies nativas do Bra-
sil advém basicamente das
florestas naturais, principal-
mente na Amazônia Legal.
Mas a maior parte disso –
cerca de 43% - vem da ex-
ploração ilegal. E a produção
madeireira da Amazônia ain-
da não é compatível com seu
potencial. Apesar de abrigar
uma parcela significativa do
estoque mundial, o sistema
de produção regional ainda
é centrado na exploração
seletiva de poucas espécies.
De mais de três mil já catalo-
gadas, apenas 280 espécies
De acordo com Yared, a expectativa é que são aproveitadas industrialmente e 80% da
os produtores tenham acesso às linhas de fi- produção é alimentada por 40 espécies.
nanciamento do BNDES, do Banco do Brasil Lembra-se de ter imaginado os cinco mi-
e do Banco da Amazônia, que já oferecem re- lhões de hectares? Agora tente imaginar – só
cursos a juros mais baixos e com incentivos na Amazônia Legal - os 16,5 milhões de hec-
para a produção. “Já começamos os cursos de tares degradados que podem ser incorpo-
corrente contínua

capacitação para os coletores nas regiões onde rados ao processo de reflorestamento, que
teremos os laboratórios e esses incentivos, sem podem aumentar a oferta de madeira e di-
dúvida, vão contribuir para que o modelo eco- minuir a pressão sobre as florestas nativas.
nômico proposto preserve a floresta e beneficie Já pensou em sementes para tanta terra?
vários setores da economia”, defende. A Eletronorte já.

42
Bolo de arroz e belezas
AMAZÔNIA E NÓS

naturais: você está


em Cuiabá

cuiabanos, pessoas vindas de outros estados


e até estrangeiros.
É assim há 50 anos. E foi assim que dona
Eulália, 74 anos, criou os oitos filhos. Hoje
Um corredor estreito e comprido que dá são esses mesmos filhos, mais 22 netos e
em um grande galpão de uma casa simples dez bisnetos que auxiliam a matriarca nos
no antigo bairro da Lixeira, região central de dias mais movimentados nos fundos de sua
Cuiabá, capital de Mato Grosso. É ali que casa, à qual carinhosamente deu o nome de
todos os domingos, terças, quintas e feria- ‘Eulália e Família’. A movimentação é grande.
corrente contínua

dos, às três horas da manhã, Eulália da Silva Aos domingos chegam a ser vendidos mais de
Soares, a dona Eulália, começa a colocar a dois mil bolinhos de arroz, além do biscoito
mão na massa e fazer seus famosos bolinhos de queijo e da chipa. Para o acompanhamento
de arroz, que logo serão servidos, ali mesmo há café, leite e chocolate quente, todos por
no galpão, como café da manhã de muitos conta da casa.

43
Culinária cuiabana - O bolo de arroz faz par-
te da rica culinária cuiabana, que tem como
base pratos típico das cozinhas indígena, por-
tuguesa, espanhola e africana, diferenciando-
se da culinária nacional o fato de serem adicio-
nados ingredientes como o pequi, fruto exótico
de sabor e aroma peculiar que faz parte da
vegetação do cerrado. Além disso, a cozinha
cuiabana baseia-se no pescado e na carne
seca, tendo como pratos tradicionais o maria
isabel (arroz e carne seca), mojica de pintado
(peixe da região), paçoca de pilão, além da
Dona Eulália (acima, e os seus fornos) afirma farofa de banana, que é muito usada como
que nunca imaginou que chegaria onde está e acompanhamento. Os doces também têm um
que seus bolinhos de arroz fariam tanto suces- espaço essencial na culinária. Exemplos são
so. “Me mudei com 24 anos para Cuiabá, com o furrundu, que leva gengibre, cravo, canela,
meu esposo e uma filha. Ele era pedreiro e eu mamão e coco, e ainda os bolinhos de polvilho
queria ajudar nas despesas da casa de alguma e de arroz, como os de Dona Eulália.
forma. Comecei então a fazer os bolinhos de ar- Para o secretário adjunto da Cultura de Cuia-
roz. Confesso que no começo não saíam muito bá, Moisés Martins, a culinária diz muito de um
bons, mas depois fui aprimorando, pedia para povo, e Mato Grosso tem um diferencial por
os meninos venderem nas escolas, de porta em sempre ter acolhido muitos povos. “Cultura para
porta. Depois passei a vender aqui em casa e mim é a explosão do intrínseco com o extrínse-
a pegar encomendas. Hoje, quando sei que as co, ou seja, daquilo que é inerente a nós, como
pessoas vêm de longe só para experimentar o cuiabanos, tanto quanto daquilo que vem de
que faço, sinto muito orgulho e felicidade”. fora. E Cuiabá é uma cidade efervescente, que
Com passos lentos em razão das próteses transborda hábitos muito peculiares, mistura o
nos dois joelhos Dona Eulália é uma mulher cuiabano típico, que é aquele que nasceu do
corrente contínua

de fibra. Segundo ela, enquanto puder fará os índio, português e espanhol, com aquele que
bolos de arroz. O segredo? “É o amor. Sem ele veio do Sul e do Sudeste do Brasil. Vemos isso
nada sai bom. E durante todos esses anos de na culinária, quando em uma mesma feira de
dedicação faço cada massa de bolo de arroz comidas está uma cuca, tipicamente sulista, e
com muito amor”. uma paçoca de pilão”.

44
que tem que se tornar cada vez mais intenso.
É bonito ver grupos de dança de siriri e curu-
ru com crianças. É um resgate, ainda que um
pouco tardio, mas que está acontecendo”, afir-
ma Martins (à esquerda).

História – Cuiabá está cravada no centro


geodésico da América do Sul. É, literalmente,
o meio do Brasil, servindo de porta de entrada
para lazer e negócios em Mato Grosso. Lá, as
vielas com seus casarões históricos convivem
com prédios modernos e igrejas datadas do
século XVIII. E ao mesmo tempo em que um
transeunte corre atrasado para o trabalho, um
grupo de senhores ‘proseia’ e conta ‘causos’
da Cidade Verde, como é carinhosamente ape-
lidada. Cuiabá é capital com ares interioranos.
Caminho das águas. É assim que Moisés
As feiras com artesanato e culinária são Martins descreve a capital, já que apesar de
marcantes em Cuiabá. A mais famosa delas é seu surgimento ter sido devido ao ouro encon-
o Bulixo (abaixo), que todas às quintas-feiras, trado, Cuiabá só conseguiu se manter porque
no Sesc Arsenal, reúne pratos tradicionais era um entreposto comercial e centro de abas-
cuiabanos, culinária chinesa, japonesa, nor- tecimento das cidades vizinhas, e devido à po-
destina e do Sul do País. “Na verdade, acho sição estratégica à margem do Rio Cuiabá, que
estranho ter que definir o que é ou quem é o garantia a comunicação com a região do Pan-
cuiabano. Mas acredito que Cuiabá está sem- tanal, futura zona de criação de gado bovino.
pre em processo de se conhecer. Acredito que Moisés ainda conta que por muito tempo
a cultura do novo conviver com o tradicional Cuiabá foi uma das capitais brasileiras com
está sendo descoberta agora e é um fenômeno cultura mais desenvolvida, mas que também

corrente contínua

45
sempre houve altos e baixos. “Cuiabá tem uma
história interessante. No século XIX Monteiro
Lobato nos visitou e ficou admirado com a mo-
dernidade da capital. Fato é que se admirou
quando viu no porto mais de 20 pianos holan-
deses. Além disso, Cuiabá chegou a ser a capi-
tal mais alfabetizada do País”, relata.
Lembrar de como Cuiabá teve seus altos
e baixos em termos econômicos e culturais é
também lembrar da Guerra do Paraguai (1864
a 1870). A maior guerra de conflito armado da
América do Sul teve tanta importância para a
capital mato-grossense que Cuiabá pode ser
dividida em antes e depois da guerra. A posi-
ção geográfica sempre foi um empecilho para a
capital, mas após a guerra, com a abertura dos
portos para a emigração, italianos, espanhóis
e árabes, entre outros, começaram a vir para
Sobre o que é siriri e cururu a capital e o comércio começou a se expandir.
Apesar disso, é com a ligação rodoviária entre
O siriri é uma dança de origem indígena praticada por ho- Goiás e São Paulo, e a aviação comercial em
mens, mulheres ou crianças, tanto na zona rural como na 1940, que Cuiabá tem um grande desenvolvi-
cidade. Dançado sempre em pares o siriri lembra, de longe, mento. E o grande boom acontece em 1970,
a quadrilha de festas juninas. As músicas falam de coisas quando o Governo Federal inicia o programa
simples da vida, nascimento, família e exaltação à natureza, de povoamento no interior do País.
tendo como base musical a viola de cocho, instrumento tipi-
camente cuiabano. Turismo – Apesar de um desenvolvimento
O cururu é um canto misturado com dança feito apenas que pode ser considerado tardio, atualmente
por homens e sua cantoria é classificada como sacra e pro- grande parte da economia de Cuiabá está no
fana ao mesmo tempo. A sacra foi criada por fiéis com o ob- turismo de negócios, uma alternativa viável
jetivo de louvar determinado santo e geralmente é realizada ao agronegócio, que ainda movimenta gran-
após orações. A profana é aquela acompanhada por desafios de parte da economia estadual. Dados de
e versos de trovadores, que falam de amor, desabafos ou al- 2005, da Secretaria de Turismo e Desenvolvi-
guém que roubou a mulher amada. Assim como o siriri, o ins- mento já mostravam que o turismo de negócios
trumento que acompanha os trovadores é a viola de cocho. estava crescendo em relação ao turismo de la-
O siriri e o cururu têm encontro marcado há sete anos no zer. A diferença naquele ano era de 10%. Hoje,
Festival Cururu Siriri, o turismo de negócios é responsável por 90%
evento que acontece do lucro da rede hoteleira. E para os próximos
no mês de agosto, pro- três anos está prevista a construção de 1.400
movido pela Prefeitura novos apartamentos.
que visa a divulgar a Para o secretário de turismo, Yuri Bastos
cultura e a tradição do Jorge (abaixo), Mato Grosso já se deu conta
estado. São quatro dias
de muita dança em
uma estrutura enorme
montada perto do an-
tigo Mercado do Porto,
hoje Museu do Peixe.
Por dia, são nove gru-
pos a se apresentar.
O colorido das roupas,
corrente contínua

a alegria e emoção
que os mais velhos
demonstram fazem a
diferença no Festival,
que é gratuito.

46
do potencial turístico que tem e a Secretaria
trabalha para que cada vez mais o estado seja
reconhecido nacional e internacionalmente,
fato é que vem participando de feiras pelo Bra-
sil afora divulgando as belezas naturais e as
possibilidades de eventos. O Secretário afirma
que a intenção é fazer com que o turista que
venha a Mato Grosso para uma convenção,
congresso ou feira, por exemplo, não se dete-
nha apenas no evento, mas que ele conheça e
estenda sua viagem tanto em Cuiabá quanto
em seu entorno.
“Saindo de Cuiabá, em um raio de 200 km,
temos como opções próximas e atraentes o
Pantanal e suas portas de entrada, como Cá-
ceres ou Poconé. Temos Barão de Melgaço,
Jaciara com seus esportes radicais, Chapada
dos Guimarães a uma hora de viagem, a Lagoa
do Manso e a cidade de Nobres com mergu-
lhos e cachoeiras, por exemplo, como opções
próximas e atraentes”, conta. “E ainda temos a
Festa do Pantanal, o Festival Internacional de
Pesca da cidade de Cáceres, além de eventos cuiabano. Diferente e peculiar são caracterís- Esportes
municipais e estaduais”. ticas recorrentes ao “cuiabanês”. O sotaque radicais
tão próprio e ímpar de outras partes de Mato e cultura
Cuiabanês – Além de belezas naturais com Grosso, o secretário adjunto da Cultura de regional se
encontram em
fauna e flora exuberantes e o calor típico, o tu- Cuiabá, que também é especialista em história Mato Grosso
rista, ao chegar a Cuiabá, pode se deparar com de Mato Grosso, Moisés Martins, afirma que é
algo um tanto quanto inesperado, o sotaque facilmente explicado. “Sempre fomos isolados

corrente contínua

47
geograficamente de grandes estados como significar que a chapa é a certidão de nasci-
São Paulo e Rio de Janeiro e, além disso, so- mento e a cruz a de óbito, o desejo de morrer
fremos uma grande influência do espanhol, onde se nasceu ou viveu; agora quãndo!? - in-
já que ficamos próximos à Bolívia e Paraguai. terjeição de espanto; tchá por Deus - expressão
Então imagine misturar tudo isso? Deu num de espanto, admiração, dúvida; atarracado(a)
povo maravilhoso que é o cuiabano e em um - abraçado, juntos; aguacêro - bastante chuva,
sotaque diferente”, afirma. poças de água; até na orêia - repleto, cheio,
A famosa dona Eulália é prova do sotaque demais; digoreste - ótimo, bom, exímio.
e reforça ser cuiabana com um típico dizer.
“Sou cuiabana de chapa e vou ser de cruz”. Colaborou Isa Aguiar, estagiária
Conheça algumas dessas expressões: chapa de Jornalismo da Regional
e cruz – cuiabano legítimo ou também pode de Transmissão de Mato Grosso.

Duas receitas Bolo de arroz cuiabano


Ingredientes:
1 litro de leite
1 kg de arroz
1/2 kg de mandioca
1/2 litro de água quente
1/2 kg açúcar cristal
1 colher de fermento em pó
1/2 colher de sal
1/2 xícara de manteiga derretida
100 gramas de coco ralado
1 pitada de canela

Modo de fazer:
1 - Deixe o arroz de molho por oito horas. Depois soque
Arroz maria isabel os grãos no pilão. O resultado é uma farinha que precisa
ser peneirada e reservada.
Ingredientes: 2 - Rale a mandioca e misture ao 1/2 litro de água
1 kg de arroz quente. Com o fogo desligado, adicione o açúcar. Deixe
1 kg de carne de sol picada esfriar e misture a farinha de arroz (reservada), o sal, o
2 cebolas fermento, a canela, o coco ralado e a manteiga. Mexer
1 cabeça de alho bem faz toda a diferença. A massa precisa descansar por
2 maços de cheiro verde no mínimo cinco horas.
4 pimentas de cheiro 3 - Acrescente leite aos poucos até dar o ponto. Unte
4 folhas de louro as forminhas e ponha para assar por cerca de 20 minutos
10 ml de azeite de oliva (no forno à lenha). Também pode ser feito no forno elétri-
50 ml de óleo co. Rende cerca de 30 unidades.

Modo de fazer:
1.Lave a carne seca picada e coloque-a para
dourar em óleo quente
2. Em seguida, acrescente a cebola e o alho
e deixe refogar bem
3. Coloque o arroz misturando bastante com
os temperos e a carne seca, acrescente em se-
guida água quente e a pimenta de cheiro cor-
corrente contínua

tada ao meio
4. Abafe a panela e aguarde até que o arroz
fique solto
5. Rendimento: 10 porções

Fonte: TV Centro América


48
“Meu caro Alexandre, mais uma vez parabéns pela colegas sendo tão bem apresentado e isto graças ao
edição da revista Corrente Contínua, em especial a ex- estilo todo próprio que você possui. Aproveito também
correio contínuo

celente matéria da Michele Silveira”. para agradecer ao Alexandre e toda a equipe que con-
Humberto Gama tribuíram para o salto qualitativo que a nossa Corrente
- Gerência de Obras de Geração Contínua realizou nos últimos tempos”.
- Brasília - DF José Alberto Mascarenhas Rocha
- Gerência de Administração de Carreiras
“Querido Alexandre, parabenizamos a equipe da re- - Brasília - DF
vista Corrente Contínua e agradecemos a matéria pu-
blicada sobre o Plantão Social da Eletronorte. São es- “Realmente muito boa a matéria Eletronorte recebe
ses gestos que ajudam a divulgar e fortalecer o nosso o Troféu Transparência. Parabéns! Só não ficou exce-
trabalho. Agradecemos também o empenho, dedica- lente porque o meu nome está errado”.
ção e amor com que a jornalista Érica Neiva dedicou Antonio Maria Amorim Barra
à matéria. Na oportunidade, cumprimentamos o nosso - Diretoria Econômico-Financeira
jornalista e poeta Alexandre Accioly e o fotógrafo Rony - Brasília - DF
Ramos, pelo caloroso poema, que tanto nos tocou”.
Edith Burle, Naphis e Maria da Ajuda “Prezados amigos, não poderia deixar de expressar
- Plantão Social a minha homenagem a essa equipe, pelo excelente tra-
- Brasília - DF balho desenvolvido no nº 222 da revista Corrente Con-
tínua. Todas as matérias ficaram fantásticas. Entretanto
“Prezados colegas, gostaria de fazer um registro so- ressaltamos a matéria Plantão Social, que apresenta
bre a excelente reportagem referente ao Plantão Social um pouquinho do muito que essas assistentes sociais
da Eletronorte, publicada na revista Corrente Contínua fazem por todos nossos empregados e dependentes. A
de setembro/outubro de 2008. A matéria faz jus à habi- incansável equipe do Plantão Social deve ser sempre
tual qualidade editorial da nossa revista, que prima, sob enaltecida, pois nos momentos mais difíceis em que
todos os aspectos, pelo alto nível. Além da importância nós ou nossos familiares estamos fragilizados, o Plantão
do tema, destaco a justiça feita às assistentes sociais, Social está sempre presente. Somos testemunhas, aqui
cujo competente desempenho é fundamental ao bem- no Escritório de São Paulo, do grande trabalho por eles
estar e recuperação dos empregados que necessitam desenvolvido.
recorrer aos serviços daquela unidade. Cumprimentos Fernando José Martins Rennó
à equipe da Gerência de Imprensa, em especial à jor- - Gerência do Escritório de
nalista Érica Neiva, cujo profissionalismo e entusiasmo Representação de São Paulo
certamente contribuem para o sucesso do resultado fi- - São Paulo – SP
nal das atividades da revista”.
Rosa Maria Gastal de Menezes “Prezado Alexandre, queira receber e transmitir a
- Gerência de Gestão do Conhecimento toda sua equipe e em especial ao jornalista César Fe-
da Universidade Corporativa da Eletronorte chine os agradecimentos e elogios da equipe do Centro
- Brasília - DF de Tecnologia da Eletronorte pela brilhante reportagem
e texto apresentado no último número de nossa revista
“Alexandre, parabéns a todos pelo lançamento de Corrente Contínua. A fidelidade das informações e a ri-
mais um exemplar da Corrente Contínua. A coluna Ama- queza de detalhes sobre os assuntos apresentados nos
zônia e Nós merece um carinho especial, e a receita do empolgaram e nos fizeram orgulhosos do nosso traba-
“Peixe no Saco” é ótima”! lho e, cada vez mais, de nossa Empresa”.
Luiz Carlos Machado Fernandes Francisco Roberto Reis França
- Gerência de Relações - Gerência do Centro de Tecnologia da Eletronorte
Institucionais e Parlamentares - Belém - PA
- Brasília - DF
“Querida e competente equipe da revista Corrente
“Colegas, ficou excelente a matéria veiculada na re- Contínua. É um prazer enorme estar aqui falando com
vista Corrente Contínua sob o título Eletronorte recebe o vocês, para expressar meu grande e sincero sentimen-
Troféu Transparência. Ainda não cheguei a ler as demais to de satisfação pela reportagem Plantão Social, pu-
matérias, mas, indubitavelmente, estão no mesmo pa- blicada na mais recente edição, onde é apresentada
drão de qualidade, não tenho dúvidas a esse respeito”. com riqueza de detalhes e depoimentos a ação social e
Jésus Alves da Costa emergencial da Gerência a que pertenço na Eletronor-
te, salvando assim nossas vidas, dos colegas colabora-
corrente contínua

- Superintendência de Contabilidade
- Brasília - DF dores e seus dependentes, nas mais diversas situações
difíceis de doenças, nas quais também minha mãe es-
“Érica, mais uma vez agradecemos pela sua dedi- teve inclusa. Nessa oportunidade envio os meus mais
cação. Estamos felizes por ver o trabalho das nossas sinceros votos de gratidão à revista Corrente Contínua, e

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em especial à nossa querida repórter Érica Neiva, pelo Aproveito o ensejo para dar-lhes, em nome da Empre-
carinho com que me entrevistou, pelas fotografias da sa de Pesquisa Energética – EPE, e particularmente
equipe social de emergência, também pela da minha da Superintendência de Transmissão de Energia, os
família, publicadas com atenção e culminando assim parabéns pela mais recente edição desta Corren-
com um brilhante trabalho de altíssima valia para a in- te Contínua, que tratou de maneira aprofundada a
formação de todos”. consolidação do Sistema Interligado Nacional –SIN,
Carlos Pereira de Sousa no País, dez anos após o início de sua operacionali-
- Gerência de Promoção da Qualidade de Vida zação. Raros são os exemplos de projetos editoriais
- Brasília - DF na área de comunicação empresarial atualmente
que procuram – e conseguem – aliar boas pautas
“Equipe da Gerência de Imprensa, a revista Corrente a abordagens contundentes. Dá ânimo a todos nós,
Contínua, edição nº 222, está excelente. A qualidade jornalistas, assessores de comunicação e militantes
das matérias, assim como a da edição, está ótima. Pa- do setor energético, constatar que Corrente Contínua
rabéns! Vocês, a cada dia, se superam. Não obstante segue por essa trilha”.
todas as matérias sejam dignas de elogios, gostaria de Oldon Machado
comentar sobre uma em especial, a do jornalista Byron - Assessoria de Comunicação e Imprensa da EPE
de Quevedo, discorrendo, com muita criatividade, so- - Rio de Janeiro - RJ
bre SPEs, onde faz menção ao trabalho realizado pela
Assessoria de Relações Institucionais e Parlamentares “Acuso recebimento e agradeço o envio da revista
da Eletronorte, que contribuiu para a consecução de Corrente Contínua”.
Dardanelos”. Jorge Khoury
Zenon Pereira Leitão - Deputado Federal – Brasília - DF
- Assessoria de Relações Institucionais
e Parlamentares da Eletrobrás “Com satisfação acusamos o recebimento de um
- Brasília - DF exemplar da revista Corrente Contínua. Agradeço a gen-
tileza das remessa e renovamos nossos protestos de
“Prezado senhor, recebemos e agradecemos pelo especial apreço e estima”.
envio da publicação Corrente Contínua, de excelente José Artério da Silva
qualidade gráfica e editorial. Ressaltamos ainda que é - Presidente da Fecomércio do Maranhão
de grande valia para o acervo da Biblioteca do Iesam - - São Luís - MA
Instituto de Estudos Superiores da Amazônia, continuar
a ser receptora de tão valiosa publicação”. “Gostaria que a biblioteca de Furnas Centrais Elétri-
Clarice Silva Neta cas fosse colocada na mala direta para que pudésse-
- Iesam mos receber, periodicamente, a revista Corrente Contí-
- Belém - PA nua da Eletronorte”.
Helvécio M. Ribeiro
“Linda a poesia da coluna Fotolegenda! Gostei tanto - Furnas Centrais Elétricas
que mesmo sabendo que vocês a têm guardada em fo- - Rio de Janeiro - RJ
lha de papel e no coração fiz questão de digitar. A revis-
ta Corrente Contínua tem esse ‘toque’ todo especial com “Nos 35 anos da Eletronorte, quero dedicar o po-
a Fotolegenda na versão de poesia em suas edições”. ema Adubo de Amor, preparado justamente no mes-
Terezinha Félix de Brito mo ano (1977) em que a nossa Empresa, ‘roseira’
- Regional de Produção de Rondônia que tem embelezado a nossa vida por todos esses
- Porto Velho - RO anos, me recebeu em seus braços. Sinto orgulho e
segurança, por fazer parte dessa história e pelos 31
“Senhores, agradeço o envio periódico da revista anos dedicados a ela: Tu és uma roseira/que precisas
Corrente Contínua, que tanto enriquece e auxilia no de adubo./Eu sou o jardineiro/que ao teu encontro,
nosso trabalho, mas gostaria de informar que o Sr. eu corro./Pois o vento e a chuva, bate em ti/gritas
Marcos Vinicios, ao qual o exemplar é endereçado, por mim/me pedindo socorro./Diante de ti eu paro/
não é, nem nunca foi diretor de jornalismo do site me valorizo/digo com um sorriso/sou um jardineiro
www.noticiasdahora.com. Dessa forma, solicito, se pos- muito raro./Beijo tua rosa/como se beijasse a mais
sível, a correção no nome do responsável, que é o jor- linda moça/e tu te reanimas/com muita força./És
nalista Jairo Barbosa”. uma roseira/e vejo que gostas de mim./E eu tornei-
Antonio Daniel me jardineiro/quando aparescestes neste jardim./És
- Rio Branco - Acre uma roseira muito linda/linda é a tua cor/quero estar
corrente contínua

sempre a te adubar/com o adubo de amor”.


“Caro Alexandre, peço a gentileza de, se possível, Nilo Sena
nos enviar mais um ou dois exemplares da última - Gerência de Engenharia do Pará e Amapá
edição da revista Corrente Contínua, da Eletronorte. - Belém - PA

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fotolegenda

Confiante, ela me disse:


Ano-Novo já-já chega
Tempo de sorrir, ser audaz
De deixar a alma leve
Sonhar

De pesar erros e acertos


E zerar a balança depois
Dialogar, inventar novos sonhos
E bastante mais,
Tolerar

Estreitar laços de amizade,


Ponte para a harmonia interior
Praticar a solidariedade
Buscar equilíbrio,
Amar

Vê: é tempo de acalmar-se,


Perdoar e deixar-se levar
corrente contínua

Para que nasça o dia novo – de luz


E em paz, Texto: César Fechine
Recomeçar Foto: Rony Ramos

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