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Agravo de Instrumento n. 2011.079154-5, de Pomerode Relator: Des. Ronaldo Moritz Martins da Silva

Agravo de instrumento. Ação declaratória de inexistência de débito c/c anulatória de títulos e indenização por danos morais. Pleitos de tutela antecipada, consubstanciada na suspensão dos efeitos de protestos, e de denunciação à lide indeferidos. Insurgência dos demandantes. Acervo documental apresentado apenas perante este Pretório. Magistrado singular que não teve oportunidade de avaliar o seu conteúdo e a sua repercussão jurídica para à causa. Exame das peças inadequado e inviável, sob pena de supressão de instância. Precedentes. Antecipação dos efeitos da tutela. Afirmado pagamento a credor putativo. Verificação de circunstância que exige cognição definitiva. Requisitos pre vistos no artigo 273 do Código de Processo Civil não satisfeitos. Decisão mantida. Litisdenunciação. Ação secundária. Requisitos do artigo 282 do CPC. Cumprimento obrigatório. Ausência de pedido subsidiário em face do denunciado. Pretensão de integrá -lo à lide na condição exclusivamente de assistente do denunciante. Inépcia configurada. Decisão mantida. Reclamo desprovido.

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Agravo de Instrumento n. 2011.079154-5, da comarca de Pomerode (Vara Única), em que são agravantes NLS Madeira e Materiais de Construção Ltda. e Marcenaria Rio Ferro Ltda. ME, e agravada Madereira Soffa Ltda:

A Terceira Câmara de Direito Comercial decidiu, à unanimidade, conhecer e negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Custas legais.

pelo

Excelentíssimo Senhor Desembargador Paulo Roberto Camargo Costa, com

O

julgamento,

realizado

nesta

data,

foi

presidido

voto, e dele participou o Excelentíssimo Senhor Desembargador Tulio Pinheiro.

Florianópolis, 24 de julho de 2014.

Ronaldo Moritz Martins da Silva RELATOR

Gabinete Des. Ronaldo Moritz Martins da Silva

TP

RELATÓRIO

Trata-se de Agravo de Instrumento interposto por NLS Madeira e Materiais de Construção Ltda. e Marcenaria Rio Ferro Ltda. ME , relativamente à decisão proferida pela MMa. Juíza de Direito da comarca de Pomerode (Vara Única) que, nos autos da "ação declaratória de inexistência de débito c/c pedido liminar de cancelamento do protesto e seus efeitos cumulado com indenização por danos morais" (processo n. 050.11.002471-0) proposta pelos ora agravantes em face de Madeireira Soffa Ltda., ora agravada, indeferiu os pedidos de antecipação de tutela, para determinar o cancelamento de protestos, e de denunciação à lide de Gilmar Lemank Lopes (fls. 126/130). Alegaram os recorrentes, em síntese, que 1) os títulos protestados foram quitados mediante pagamento efetuado para pessoa autorizada pela requerida (Gilmar Lemank Lopes); 2) a agravada não ajuizou qualquer ação para cobrar o crédito que alega ter, o que evidencia a inexistência de dívida; 3) "nas notas fiscais emitidas no mês de agosto de 2010, quando da aquisição dos produtos, foram lançadas as condições, entre estas a entrega mediante pagamento à vista" (fl. 11); 4) se aplica ao caso o artigo 309 do Código Civil; 5) "há necessidade de denunciar a lide o Sr. Gilmar, para que possa ser esclarecida toda a situação, sem que para isso deva movimentar a máquina judiciária novamente" (fl. 15) ; 6) "o interesse em denunciar a lide o Sr. Gilmar é justamente garantir a celeridade processual e evitar que mais uma demanda se instaure" (fl.

22).

Requereu a atribuição de efeito suspensivo (fl. 02), o que foi indeferido (fls. 160/162). Desse decisum, os agravantes apresentaram pedido de reconsideração (fls. 168/170), o qual foi rejeitado (fl. 181).

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Intimada

(fl.

167),

a

recorrida

apresentou

contrarrazões

(fls.

173/179).

Esta Câmara não conheceu do reclamo por considerá-lo intempestivo (fls. 188/190). Irresignados, os agravantes interpuseram embargos de declaração (fls. 192/196), os quais foram acolhidos (fls. 208/211), reabrindo-se o julgamento do agravo.

Esse é o relatório.

VOTO

O recurso é tempestivo (fls. 192/196), e o preparo devidamente efetuado (fl. 27). Dos documentos novos Os documentos de fls. 132/154 foram apresentados apenas neste

reclamo.

Nessas condições, não se afigura adequado o seu exame, sob pena de supressão de instância, tendo em vista que o magistrado singular não teve oportunidade de avaliar o conteúdo do acervo e a repercussão jurídica para a causa.

Em casos semelhantes, assim decidiu esta Corte:

1)

Agravo

art.

557

do

CPC)

em

Agravo

de

Instrumento

n.

2012.085897-2, de Blumenau, rel. Desa. Subst. Cláudia Lambert de Faria, Câmara Cível Especial, j. 07.03.2013:

AGRAVO

EM

AGRAVO

DE

INSTRUMENTO

- JUNTADA DE

DOCUMENTOS SOMENTE EM SEDE RECURSAL - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NESTE GRAU DE JURISDIÇÃO, SOB PENA DE SUPRESSÃO

DE INSTÂNCIA - DECISÃO MANTIDA - RECURSO DESPROVIDO. [

Agravo de Instrumento n.

2010.050580-0, da Capital, rel. Des. Luiz Fernando Boller, Câmara Cível

Especial, j. 16.12.2010:

- LIMINARMENTE NEGOU SEGUIMENTO AO RECURSO ANTE A AUSÊNCIA

2)

Agravo

art.

557

do

CPC)

em

AGRAVO

INOMINADO

DECISÃO

MONOCRÁTICA

QUE

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DE MANIFESTAÇÃO DO JUÍZO DE 1º GRAU ACERCA DOS DOCUMENTOS NOVOS APRESENTADOS PELO INSURGENTE - SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA - PRONUNCIAMENTO A QUO QUE INDEFERIU O BENEFÍCIO DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA - VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO - RECLAMO DESPROVIDO. [ 3) Agravo (§ 1º art. 557 do CPC) em Agravo de Instrumento n. 2009.063939-6, de Balneário Camboriú, rel. Des. Carlos Alberto Civinski, Câmara Cível Especial, j. 19.08.2010:

AGRAVO (ART. 557, § 1º, DO CPC) EM AGRAVO POR INSTRUMENTO. DECISÃO MONOCRÁTICA QUE LIMINARMENTE NEGOU SEGUIMENTO AO RECURSO ANTE A OCORRÊNCIA DE SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. PRONUNCIAMENTO DE PRIMEIRO GRAU IMPUGNADO QUE INDEFERIU A JUSTIÇA GRATUITA. ARGUMENTOS E DOCUMENTOS QUE NÃO FORAM

SUBMETIDOS À ANÁLISE DO JUÍZO A QUO. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. POSSIBILIDADE DE REQUERER A REAPRECIAÇÃO DO PEDIDO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. DECISÃO QUE NÃO FAZ COISA JULGADA. RECURSO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. - No agravo por instrumento, a análise é limitada ao acer to ou desacerto da decisão do juízo a quo, de modo que a alteração na realidade fática - por meio de documentos que não foram apresentados na instância ordinária - acarreta em supressão de instância e impede o exame da decisão singular.

(grifou-se) 4) Agravo de Instrumento n. 2008.061354-0, de Joinville, rel. Des. Luiz Carlos Freyesleben, Segunda Câmara de Direito Civil, j. 25.03.2010:

[

].

PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL CUMULADA COM REINTEGRAÇÃO DE POSSE. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. REQUISITOS LEGAIS INDEMONSTRADOS (CPC, ART. 273). JUNTADA DE

DOCUMENTOS

QUO.

NÃO

SUBMETIDOS

AO

CRIVO

DO

JUÍZO

A

IMPOSSIBILIDADE

DE

APRECIAÇÃO

PELO ÓRGÃO

COLEGIADO,

SOB

PENA

DE

SUPRESSÃO

DE

INSTÂNCIA.

INDEFERIMENTO.

RECURSO

DESPROVIDO.

O objeto do agravo de instrumento restringe-se ao acerto ou desacerto da decisão impugnada, e é vedada a discussão de tema e análise de documentos não apreciados em primeiro grau de jurisdição, sob pena de supressão de instância. (grifou-se)

[

]

Assim, a documentação de fls. 132/154 não pode ser considerada. Da tutela antecipada

Na

aludida

ação

declaratória

(fls.

11/20),

os

ora

insurgentes

sustentam que as compras que ensejaram a emissão das duplicatas protestadas foram pagas ao representante da requerida, Gilmar Lemank Lopes, que "atuava em nome da agravada, apresentando aparência de credor" (fl. 46), sendo

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aplicável ao caso o disposto no artigo 309 do Código Civil. Para provar o alegado juntaram 1) declarações firmadas pelo terceiro (fls. 71/72), nas quais este afirma que, na qualidade de "responsável pelas quitações dos valores de suas vendas", recebeu as quantias descritas nas notas ficais que amparam as cambiais levadas a protesto; 2) autorizações da requerida à empresa AFJ Esquadrias de Madeiras Ltda. dando poderes a Gilmar L. Lopes para receber pagamento de determinadas mercadorias (fls. 64/65); 3) notas fiscais, nas quais constam modalidade de pagamento à vista (fls. 82 e 93). O ato judicial de fls. 126/130, ora impugnado, foi prolatado nos seguintes termos:

Diante do exposto, face à ausência dos requisitos estampados no

artigo 273 do Código de Processo Civil, indefiro o pedido de tutela antecipada quanto ao cancelamento dos protestos (ou, nos exatos termos empregados no item "a" de fl. 21, de "sustação dos protestos"). [ 3. No tocante à preliminar de denunciação da lide indispensável ponderar que esta forma de intervenção de terceiro só é possível quando presente uma das situações descritas nos incisos I, II ou III do artigo 70 do Código de Processo Civil. Ei-lo:

] [

]

Art. 70. A denunciação da lide é obrigatória:

I - ao alienante, na ação em que terceiro reivindica a coisa, cujo domínio foi transferido à parte, a fim de que esta possa exercer o direito que da evicção Ihe resulta; II - ao proprietário ou ao possuidor indireto quando, por força de obrigação

ou direito, em casos como o do usufrutuário, do credor pignoratício, do locatário,

o réu, citado em nome próprio, exerça a posse direta da coisa demandada; III - àquele que estiver obrigado, pela lei ou pelo contrato, a indenizar, em ação regressiva, o prejuízo do que perder a demanda. Da narrativa exposta na exordial, infere-se que os autores requereram a denunciação da lide com amparo na suposta obrigação de GILMAR LEMANK LOPES estar obrigado a indenizá-los, caso a pretensão inicial seja acolhida.

Porém, nada há nos autos que evidencie ter Gilmar obrigado-se contratualmente, tão pouco se enquadrar em hipótes e legal que lhe condicione

a regressar à empresa ré, caso esta venha a perder a demanda. Nem se cogite que as declarações de fls. 44/45 representam contrato do qual se extrairia o fundamento para o deferimento da denunciação da lide. Os documentos mencionados indicam adimplemento de determinadas dívidas, mas em nada revelam ser Gilmar o garantidor dos débitos que lhe condicione o

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ingresso na lide na qualidade de denunciado. Portanto, indefiro a denunciação da lide a GILMAR LEMANK LOPES. 4. Cite-se a demandada, com as advertências legais de praxe, para, querendo, responder a ação no prazo de quinze (15) dias.

O deferimento da antecipação de tutela está condicionado ao cumprimento dos requisitos do artigo 273 do Código de Processo Civil, in verbis:

Art. 273. O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar, total ou parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, desde que, existindo prova inequívoca, se convença da verossimilhança da alegação e:

I - haja fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação; ou II - fique caracterizado o abuso de direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório do réu.

Para que o pagamento realizado a terceiro seja considerado válido, nos termos do artigo 309 do Código Civil, "é necessária a existência de elementos suficientes para induzir e convencer o devedor diligente de que o recebente é o verdadeiro credor" (REsp 1044673/SP, Rel. Min. João Otávio De Noronha, Quarta Turma, j. 02.06.2009). As declarações de fls. 71/72, subscritas por Gilmar Lemank Lopes, no sentido de que recebeu das empresas NLS Madeiras e Materiais de Construção Ltda. ME e Marcenaria Rio Ferro Ltda. ME, os valores de R$ 8.639,45 e R$ 6.870,39 " para fins de quitação" das notas fiscais ns. 227 e 229 de Madereira Soffa Ltda. em favor das ora agravantes, constituem documentos unilaterais, produzidos sem a observância do contraditório e no interesse exclusivo de direitos dos insurgentes. À evidência, como é consabido, não possuem valor jurídico. A alegação de que o declarante Gilmar era representante legal da requerida, ou assim, pelo menos, aparentava, exige cognição definitiva. Essa circunstância, unicamente, ou por si só, obsta a antecipação dos efeitos da tutela, porquanto não satisfeito o pressuposto da verossimilhança das alegações das autoras/agravantes. Consoante movimentação extraída do SAJ, a agravada ofereceu

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contestação, o feito se submeteu à instrução, com a inquirição de testemunhas consta que Gilmar foi intimado para depor , a qual encontra-se encerrada, com alegações finais já deduzidas pelos litigantes. Essa realidade processual confirma a impossibilidade de acolhimento do pedido de antecipação dos efeitos da tutela. Não se desconsidera o efeito negativo de protesto de título. Mas o seu cancelamento, ou a suspensão dos seus efeitos, exige a satisfatória e vigorosa demonstração de que o ato notarial foi praticado sem amparo na lei, fato não verificado nos autos Aplicáveis ao caso em apreço, mutatis mutantis:

1) Agravo de Instrumento n. 2010.084809-2, de Laguna, rel. Des. Cláudio Valdyr Helfenstein, Quinta Câmara de Direito Comercial, j. 07.04.2011 AGRAVO DE INSTRUMENTO - AÇÃO DECLARATÓRIA - EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS - DESCONTOS EM FOLHA DE PAGAMENTO - DECISÃO INTERLOCUTÓRIA INDEFERINDO O PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO

DOS EFEITOS DA TUTELA,[

CIRCUNSCREVE AO ACERTO OU DESACERTO DA DECISÃO DIANTE DO QUADRO FÁTICO APRESENTADO - MANUTENÇÃO DO DECISUM

HOSTILIZADO QUE SE FAZ NECESSÁRIA [ Em sede de agravo de instrumento, cuja estreita via de cognição não permite aprofundamento de mérito, mas tão-somente uma análise perfunctória do litígio a fim de evitar uma supressão de instância, descabem maiores dilações probatórias, motivo pelo qual os fundamentos do pedido recursal devem ser apresentados de maneira a demonstrar o fumus boni juris e o periculum in mora. 2) Agravo de instrumento n. 2006.031569-3, de Rio do Sul, rel. Des. Marcus Túlio Sartorato, Terceira Câmara de Direito Civil, j. 24.10.2006:

ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA

DA

MEDIDA [

[

DEFERIDA

]

ANÁLISE DO RECLAMO QUE SE

PROCESSUAL CIVIL [

]

AUSÊNCIA DOS

PRESSUPOSTOS

AUTORIZADORES

]

VEROSSIMILHANÇA DAS ALEGAÇÕES POR ORA AUSENTE

].

Por expressa disposição legal (art. 273 do CPC), deve a tutela antecipada ser concedida apenas diante de prova evidente que convença o julgador da verossimilhança das alegações delineadas na petição inicial e da percepção do fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação ao exercício do direito prestacionado. Não identificados esses requisitos, é de ser indeferida a medida. 3) Agravo de instrumento n. 2006.001078-6, da Capital, rel. Des. Paulo Roberto Camargo Costa, Terceira Câmara de Direito Comercial, j. 03.08.2006:

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AGRAVO DE INSTRUMENTO AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS MORA

CONFIGURADA INDEFERIMENTO DE TUTELA ANTECIPADA MANTIDO RECURSO DESPROVIDO. Não havendo prova inequívoca do alegado na inicial que possibilite o reconhecimento da sua verossimilhança, e carecendo a matéria de dilação probatória elucidadora dos pontos controvertidos, correta a decisão que indefere

o pedido de antecipação de tutela. 4) Agravo de instrumento n. 2002.028065-3, de Canoinhas, rel. Des. Monteiro Rocha, Segunda Câmara de Direito Civil, 18.11.2004:

PROCESSUAL CIVIL - TUTELA ANTECIPADA - INTERLOCUTÓRIO CONCESSIVO DE PENSÃO MENSAL - PROVA INEQUÍVOCA - AUSÊNCIA - DILAÇÃO PROBATÓRIA - NECESSIDADE - SUSPENSÃO DOS EFEITOS DO DESPACHO IMPUGNADO - RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. Havendo necessidade de dilação probatória, não há que se falar em prova inequívoca. A concessão de tutela antecipada pressupõe a existência de prova inequívoca, assim entendida como aquela a respeito da qual não se admite controvérsia.

Nestas condições, o indeferimento da tutela antecipada merece ser

mantido.

Da denunciação à lide A denunciação à lide, modalidade de intervenção de terceiros , constitui ação secundária, que somada à principal, estabelece duas lides no mesmo ambiente processual. Sua concepção tem amparo nos princípios da economia e celeridade processuais. A propósito:

A denunciação da lide consiste na convocação forçada do terceiro para vir

a juízo responder pela garantia que fez ao denunciante, caso este saia vencido

do processo. Para os franceses é denominada de exception de garantie e na Itália é conhecida como chiamata in garantia. Tem inspiração no princípio da economia processual, porque num único cenário se consegue resolver mais de uma lide, com concentração e unificação de atos que ordinariamente seriam praticados de forma cumulativa e repetida. (Apelação Cível n. 2009.054206-2, de Criciúma, rel. Des. Paulo Henrique Moritz Martins da Silva, Primeira Câmara de Direito Público, j. 02.08.2011)

Sobre o tema, Humberto Teodoro Júnior ensina:

A função de denunciação da lide é a de cumular duas ações: à primitiva,

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entre autor e réu, soma-se a superveniente, entre denunciante e terceiro denunciado. (in Código de Porcesso Civil Anotado. Rio de Janeiro: Editora Forense, 2009, p. 78)

Nestas circunstâncias, por ser ação secundária, exige-se, para sua instalação, o cumprimento dos requisitos do artigo 282 do CPC. A respeito:

1) TJDF, Apelação Cível n. 20120111177569, rel. Des. Cruz Macedo, Quarta Turma Cível, j. 04.12.2013:

PROCESSUAL CIVIL. CONSUMIDOR. AÇÃO MONITÓRIA. DENUNCIAÇÃO À LIDE. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS DO ARTIGO

]

1. Embora se admita a possibilidade, em atenção ao princípio da instrumentalidade das formas, que a denunciação à lide seja formulada na

contestação ou, no caso, nos embargos à monitória, é necessária a formulação de causa de pedir e pedido condenatório específico em relação à suposta obrigação do denunciado de indenizar, caso contrário, evidencia-se a inépcia da

petição de denunciação. [

2) TJPE, Agravo Legal n. 0238342-8/01, de Paulista, rel. Des. Eurico de

Barros Correia Filho, Quarta Câmara Civel, j. 29.09.2011:

282 DO CPC. AUSÊNCIA. INÉPCIA. [

]

DENUNCIAÇÃO À LIDE. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS DO ART.

282 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE. [ ] 7.Mesmo na hipótese de denunciação da lide, a demanda secundária

requer petição que atenda os requisitos do artigo 282 do código de processo

civil, mormente o pedido conclusivo; [

] [

]

3) STJ, REsp 19.074/RS, Rel. Ministro Adhemar Maciel, Segunda Turma,

j. em 02.10.1997:

PROCESSUAL CIVIL. DENUNCIAÇÃO DA LIDE PELO REU. AÇÃO. REQUERIMENTO DE DENUNCIA. OBSERVAÇÃO DAS EXIGENCIAS INSERTAS NOS ARTS. 282 E 283 DO CPC: NECESSIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO.

I - A DENUNCIAÇÃO DA LIDE É AÇÃO, PELO QUE A PEÇA NA QUAL

FOR FORMULADO O REQUERIMENTO DE DENUNCIA DEVE SATISFAZER AS EXIGENCIAS DOS ARTS. 282 E 283 DO CPC. PORTANTO, O PEDIDO DE

DENUNCIAÇÃO DEVE SER PRECEDIDO DOS RESPECTIVOS FUNDAMENTOS DE FATO E DIREITO. II - RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.

In casu, verifica-se que, na inicial, os autores, ora agravantes, não formularam pedido subsidiário em face do denunciado, limitando-se a requerer sua integração à lide na qualidade de assistente, com intuíto de comprovar a alegada quitação.

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Extra-se da peça vestibular:

Assim, diante todo o mencionado, requer seja denunciado à lide o Sr. Gilmar Lemank Lopes para que compareça junto aos autos e traga o que de fato

e por verdade já declarou anteriormente. (fl. 31) [

]

Sobre o tema, Candido Rangel Dinamarco ensina:

O autor fará a denunciação já ao propor a demanda inicial do processo (art. 71), com o que instituirá um litisconsórcio alternativo eventual, a saber: ele pede prioritariamente uma medida em face do réu e, em caráter subsidiário e eventual, a condenação do responsável a ressarcir. (in Instituições de Direito Processual Civil, vol. II. 6ª ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2009, p. 415)

O pedido é um dos pressupostos do artigo 282 do Código de Processo Civil. Sem ele a exordial será inepta, nos termos do artigo 295, parágrafo único, inciso I, da Lei Adjetiva Civil. Registre-se que, neste momento, não se mostra adequada a intimação dos autores para emendar a inicial, conforme o disposto no artigo 284 do CPC, porquanto, tal medida contrariaria os princípios da celeridade e economia processual. Como se disse, o processo em trâmite na origem encontra -se concluso para sentença. Autorizar emenda, neste momento, seria contra o escopo da

denunciação.

Certamente, não seria esse o desejo dos agravantes, pois, se convictos dos seus direitos, mais lhe interessa sentença de procedência do que o recomeço da causa. Pertinentes ao caso, mutatis mutantis:

1) TJSC, Apelação Cível n. 2006.042344-0, da Capital, rel. Des. Luiz Carlos Freysleben, Segunda Câmara de Direito Civil, j. 10.12.2010:

PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE COBRANÇA DE TAXAS CONDOMINIAIS MOVIDA CONTRA O PROPRIETÁRIO LOCADOR. [ LITISDENUNCIAÇÃO INDEFERIDA. POSSIBILIDADE DE REGRESSO EM FUTURA AÇÃO AUTÔNOMA. [ Ainda que se admita a possibilidade de litisdenunciação, com fulcro no artigo 70, III, do CPC, seu indeferimento não enseja o reconhecimento de

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nulidade processual quando avistar-se afronta aos princípios da economia e da celeridade processuais. 2) TSJC, Apelação Cível n. 2003.020151-3, de Indaial, rel. Des. Victor Ferreira, Quarta Câmara de Direito Civil, j. 26.05.2009:

AGRAVO RETIDO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. TÍTULO DE CRÉDITO TRANSFERIDO A INSTITUIÇÃO BANCÁRIA POR

DENUNCIAÇÃO DA LIDE. HIPÓTESE

FACULTATIVA. ART. 70, III, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. JUÍZO DE CONVENIÊNCIA E OPORTUNIDADE PELO MAGISTRADO EM FACE DO INCREMENTO DE COGNIÇÃO NO PROCESSO DECORRENTE DO NOVO PEDIDO. SENTENÇA JÁ PROLATADA. RETROCESSO INJUSTIFICADO DA MARCHA PROCESSUAL EM VIRTUDE DA POSSIBILIDADE DE EXERCER O DIREITO REGRESSIVO EM AÇÃO AUTÔNOMA. INVIABILIDADE DA ANULAÇÃO DO FEITO. 3) STJ, REsp 659830/DF, rel. Min. Carlos Alberto Menezes Direito, Terceira Turma, j. 16.11.2006:

Ação de indenização. Art. 280 do Código de Processo Civil. Denunciação da lide. Sentença já proferida. 1. [ 2. Estando a denunciação ao abrigo do art. 70, III, do Código de Processo Civil, não havendo, portanto, obrigatoriedade, não cabe anular o feito para devolver os autos ao 1º grau de jurisdição quando já proferida a sentença [ 3. Recurso especial não conhecido. No caso de denunciação da lide facultativa, não é oportuna a anulação do feito se a sentença já foi prolatada, bem assim se há possibilidade do litisdenunciante exercer o direito regressivo em ação autônoma. [

ENDOSSO-MANDATO. [

].

].

Por essas razões, o reclamo merece ser desprovido, mantendo-se a decisão agravada. Esse é o voto.

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TP