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ELEIÇÃO PRESIDENCIAL DE 2018: a Ascenção de um mito!

Artêmio Macedo Costa*

Enfim, podemos ter a partir de agora uma clareza melhor do que teremos à frente pós
eleições de 2018. Não busco aqui analisar a estrutura de programa presidencial do então
presidente eleito, Jair Messias1 Bolsonaro, em sua totalidade, mas, uma característica ideológica
crucial em seu discurso de posse em que toda sua campanha disse ser um combatente às
ideologias.

Ao concluir seu discurso após o anúncio do resultado do pleito presidencial, o jornalista


representando o conjunto das emissoras brasileiras pergunta ao Jair Messias Bolsonaro o que
ele fará para constituir uma unidade nacional, dentro da conjuntura de conflitos contundentes
que se arrastaram durante todo o processo das eleições. Os conflitos entre os eleitores pró e
contra Bolsonaro tiveram várias agendas ligadas à questão da violência, aos direitos humanos
na luta contra a homofobia, feminicídio, questões relacionadas ao meio ambiente referente a
questão indígena, mas o que mais toca à minha análise está ligada à questão quilombola,
especificamente, ao conflito territorial entre as comunidades remanescentes quilombolas de
Alcântara-MA com o Estado brasileiro para a expansão do Centro de Lançamento de Alcântara
(CLA).

Em sua resposta, Jair Messias Bolsonaro foi enfático declarando-se segundo suas palavras:
“Não sou Caxias, mas sigo este grande herói brasileiro”, reiterando sua postura como
representante maior da Nação brasileira com a mesma carga ideológica que Luís Alves de Lima
e Silva, o Duque de Caxias, famigerado assassino de Negro Cosme, líder do quilombo Lagoa
Amarela na vila de Caxias na luta pelo fim da escravidão, tornando-se o patrono do exército
brasileiro no desmonte da rebelião escrava na Balaiada ocorrida na regência do Império
brasileiro em 1838-41, e desta forma o trata como símbolo.

Seu discurso ideológico patriótico salvacionista, esconde o verdadeiro caráter das


contradições que regem a sociedade capitalista ao retratar os interesses de uma classe
dominante elitista conservadora em sua manutenção do status quo diante da condição de luta
pela liberdade, dignidade e definição de visibilidade social negada aos remanescentes
quilombolas de Alcântara, são reforçados com a confirmação de seu anúncio do futuro Ministro
da Ciência, Tecnologia e Inovação, o astronauta Marcos Pontes, pois, estamos passando por uma
transição com o governo golpista de Michel Temer, já acenando a definição do Acordo de
Salvaguardas Tecnológicas (AST) entre o Brasil e os EUA.

Em que consiste as contradições apontadas?

*
Historiador, mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Socioespacial e
Regional/PPDSR da Universidade Estadual do Maranhão.
1
É preciso caracterizar aqui o segundo nome de Bolsonaro, bastante enfatizado nas campanhas oficiais,
pois até então só se denominava “Jair Bolsonaro”. É essencial tomar este cuidado, pela força ideológica
a qual o direcionamento de sua campanha ter tomado uma relação profunda de adesão da camada
neopentecostal conservadora da igreja evangélica. Tanto que seu slogan “Brasil acima de tudo: Deus
acima de todos”, tanto marcado no início de seus pronunciamentos oficiais das propagandas políticas,
quanto hoje em seu discurso de vitória, está arraigada também com a passagem bíblica de João 8:32 “E
conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, traz uma relação profunda de um modelo fascista
que sempre caracterizou regimes ditatoriais militares.
Em primeiro lugar, para definição do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST), o Estado
brasileiro precisa reafirmar uma garantia básica de infraestrutura para a expansão territorial do
Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) para construção de novos sítios de lançamento de
foguetes, atendendo assim às tratativas dos ASTs. E esta definição de expansão do CLA trás um
conflito direto entre as comunidades quilombolas de Alcântara, uma vez que as mesmas já
sofreram deslocamentos compulsórios no início das atividades do programa espacial brasileiro
na década de 1980 e que até hoje, mesmo com a Constituição de 1988 em dar garantias
constitucionais de direito territorial, até hoje não foi constituído e o AST conduzido até o
momento pelo Estado brasileiro não trouxe nenhuma resolução deste direito territorial
quilombola. Jair Bolsonaro já apresentou antes do processo de campanha eleitoral uma
desarmonia em seu discurso, em que tratou comunidades quilombolas de maneira
desrespeitosa (tratando-os como arrobas de bois) e sem um mínimo de cuidado analítico no
princípio da antropologia social a qual as comunidades quilombolas sempre estiveram, segundo
a socióloga Lourdes Bandeira, em uma invisibilidade expropriadora.

Para além da ausência (um eufemismo para boçalidade) de uma interpretação


antropológica social que Jair Messias Bolsonaro deverá ter com as comunidades quilombolas de
Alcântara, ao contrário de seu slogan “Brasil acima de tudo: Deus acima de todos” 2 trata o
modelo macroeconômico do Ministério da Fazenda, tendo como ministro o economista Paulo
Guedes, cuja doutrina se define pelo Neoliberalismo, contrário a uma necessidade de
desenvolvimento dentro de um paradigma desenvolvimentista capitalista que desrespeita
valores democráticos dialógicos com os direitos humanos, ambientais e étnicas definidas há 30
anos pela Constituição de 1988.

Está bem claro os rumos que seguirão na política espacial brasileira que define um
panorama traumático quanto a Soberania dos Povos Quilombolas, Soberania Nacional com a
entrega do CLA para os interesses imperialistas dos EUA, como a manutenção da reestruturação
produtiva do capital transnacional em que podemos qualificar toda esta dinâmica geopolítica
como o geógrafo David Harvey define dentro do paradigma da “acumulação por
desapossamento”.

Uma ascensão meteórica de um candidato falastrão, mas, que, em todo seu discurso
midiático assessorado por um marketing da fake news em uma dinâmica constituída nas redes
sociais, apresentou-se dentro da aparência de um iceberg virtual em que seus eleitores são
orientados pelo discurso do senso comum pós-moderno pelo “fim das ideologias”
fundamentado pelo historiador Francis Fukuyama nos anos 1990 com o fim da Guerra Fria. Jair
Bolsonaro, idolatrado como Mito, ainda sustenta um discurso de combate anacrônico da
pregação messiânica anticomunista, ao definir-se como “escravo da constituição” de 1988, mas,
um eterno apologético da Ditadura Militar de 1964 e quiçá, restaurador da Constituição fascista
de 1967. Um político controverso, com um discurso ideológico “antissistema”, só trazem
incertezas insólitas pós-modernas para o devir de toda a sociedade brasileira que tenta
amadurecer os 30 anos da Constituição de 1988 sob uma égide sombria da restauração do Golpe
de 1964. Estamos sob o olhar do “Grande Irmão” descrito por George Orwell da obra 1984.

2
Que todos os orixás protejam os quilombolas de Alcântara do deus de Bolsonaro!