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UNIVERSIDADE SANTA CECÍLIA

FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO E CIÊNCIAS CONTÁBEIS

METODOLOGIA DA PESQUISA EM ADMINISTRAÇÃO


E CIÊNCIAS CONTÁBEIS
6º SEMESTRE
CONTEÚDOS ESQUEMÁTICOS E TEXTOS COMPLEMENTARES

PROFª DRª JÚLIA ANTONIETTA SIMÕES FELGAR

SANTOS/SP
2º SEMESTRE/2016
APRESENTAÇÃO

Sejam todos bem vindos à disciplina Metodologia da Pesquisa!

Estamos iniciando mais uma experiência singular em nossas vidas: seremos muito
próximos virtualmente e estaremos separados em termos espaciais.

De onde vem essa possibilidade de estarmos juntos e separados simultaneamente?

Ela decorre da capacidade de homens e mulheres de pesquisar, de ir à busca de


conhecimento. Ela decorre de procedimentos especiais que podem conduzir (e
conduzem) a novas e inusitadas descobertas.

Portanto, esta disciplina representa o resultado do desejo de pesquisar e do desejo


de que todos os participantes deste curso também se apaixonem pela grande
aventura da pesquisa e da produção de conhecimento.

O conteúdo da matéria está apresentado inteiramente e as datas para as interações


mais significativas estão devidamente assinaladas.

Estarei sempre às ordens de todos.

Para finalizar, uso as mesmas palavras que dirijo a todos os meus alunos: sejamos
companheiros nesta jornada, que deverá durar alguns meses, impregnados de
entusiasmo e solidariedade.

A ninguém é dado o privilégio do saber absoluto.

Somos todos eternos aprendizes, produzindo saberes e, algumas vezes, “não-


saberes”. Sejamos humildes, portanto!

Assim, convidando a todos para esta pequena/grande trajetória, deixo um grande


abraço.

Profª (Jú)Lia
QUE TAL DEDICARMOS ESTES NOSSOS ESTUDOS?
ENTÃO VAMOS LÁ...

A todos os MESTRES que a vida nos ofereceu:

Professores doutores,
Professores mestres,
Professores especialistas,
Professores graduados,
Alunos calouros,
Alunos formandos,
Alunos orientandos,
nossos Pais,
nossos Filhos,
nossos Netos
nossos Irmãos de sangue,
nossos Amigos, Irmãos de alma
e, até mesmo,
nossos Inimigos.

VIVER É APRENDER!
[;;;] Viver e não ter a vergonha de ser feliz,

cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz [...]

(GONZAGUINHA)

[...] Prefiro ser, esta metamorfose ambulante

do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo [...]

(RAUL SEIXAS)
SUMÁRIO

UMA REFLEXÃO INTRODUTÓRIA, p. 7 11

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 13
1º bimestre
1 Da organização dinâmica do processo de estudo – uma ação
pessoal), p. 09
1.1 A organização da vida de estudos, p. 09
1.2 A importância da documentação para o estudo, p. 11
1.3 Leitura e compreensão de textos, p. 14
a) Análise textual, p. 14
b) Análise temática, p. 15
c) Análise interpretativa, p. 16
1.4 Modalidades de conhecimento, p. 18
1.5 Detalhamento preliminar das normas para elaboração de trabalhos
acadêmicos, p. 19

2 O conhecimento científico e seus desdobramentos, p. 23


2.1 O que é ciência e as fontes de conhecimento, p. 23
2.2 Seminários, internet e ética na pesquisa, p. 25
2.3 A questão redacional, p. 26
2.4 Os trabalhos científicos, p. 30
2.4.1 Projetos de pesquisa: sugestão de projetos em
Administração, 30
2.4.2 As monografias, p. 34
2.4.3 Artigo científico, p. 36
2.5 Retomada do detalhamento das normas para elaboração de
trabalhos acadêmicos, p. 39

2º bimestre

3 Da pesquisa científica – modalidades e desenvolvimento, p. 44


3.1 Pesquisa segundo sua abordagem, p. 45
3.1.1 A abordagem qualitativa, p. 45
3.1.2 A abordagem quantitativa, p. 45

3.2 Pesquisa segundo seus objetivos (finalidades), p. 45


3.2.1 A pesquisa pura, p. 46
3.2.2 A pesquisa aplicada, p. 46

3.3 Pesquisa segundo sua natureza, p. 47


3.3.1 A pesquisa exploratória, p. 47
3.3.2 A pesquisa descritiva, p. 47
3.3.3 A pesquisa experimental, p. 47

3.4 Pesquisa segundo procedimentos técnicos, p. 47


3.4.1 Pesquisa bibliográfica, p. 47
3.4.2 Pesquisa documental, p. 47
3.4.3 Levantamento, p. 47
3.4.4 Estudo de caso, p. 48
3.4.5 Pesquisa ação, p. 48
3.4.6 Pesquisa participante, p. 48
3.4.7 Pesquisa ex-post-facto, p. 48

3.5 Amostragem: definição da amostra (probabilística e não


probabilística), p. 48

3.6 A investigação: a coleta de dados primários e secundários, p. 50


3.6.1 As técnicas: entrevista e observação, p. 51
3.6.2 Instrumentos para a coleta de dados primários: formulário,
questionário, roteiro de questões para depoimentos, história
de vida, p. 52

3.7 Análise e interpretação de resultados, p. 55


3.7.1 Análise de conteúdo, p. 58
3.7.2 O Discurso do Sujeito Coletivo – DSC, p. 59

4 Da identificação e das apresentações de diferentes trabalhos


acadêmicos, p. 63
4.1 Outras modalidades de trabalhos acadêmicos: comunicação
científica, memorial, resumo, fichamento, resenha, artigo, paper,
ensaio, p. 63
4.2 Formas de apresentação e discussão de trabalhos acadêmicos:
mesa-redonda, painel, reuniões científicas (colóquio, conferência,
congresso, encontro, seminário, simpósio, workshop), p. 64
4.3 Sugestão de projetos de monografias destinadas a estudo de caso,
p. 65
4.3.1 Recomendações para construir a introdução e as
considerações finais de uma monografia, p. 67

APÊNDICE A – Modelo gráfico (boneco) para elaboração de projeto de


monografias, p. 77
UMA REFLEXÃO INTRODUTÓRIA
A ciência como fenômeno processual - Teoria e Ciência

Pensar é próprio dos seres humanos e nossas ações são baseadas


em opções que fazemos no decorrer de toda nossa vida, ao contrário
das máquinas que são programadas para executar tarefas
mecânicas ou dos animais que contam com seus instintos para a
sobrevivência. A produção de conhecimento é uma característica
marcante do homem. Esse conhecimento, por sua vez, constitui o
patrimônio histórico cultural da humanidade, Incessantemente, o
homem vem produzindo conhecimento nos campos da arte, ciência e
tecnologia, organizando o espaço físico e social. O domínio do
conhecimento possibilita ao homem não só conhecer o mundo, mas
também compreender e transformar sua própria realidade. Porém,
para que a sociedade possa caminhar e desenvolver-se, é
imprescindível que todos tenham acesso a esse conhecimento, cuja
apropriação pode se dar de diversas maneiras. (CIANCIARDI NETO,
2013, p. 337).

COM BASE NESSE PENSAMENTO, PODE-SE CONCLUIR QUE:


Todos somos propensos a ter “teoria”.
A observação cotidiana de “n” fatos nos permite algumas conclusões:
a) em dias de chuva há risco de mais acidentes;
b) domingo à tarde, os homens “se ligam” no futebol;
c) a morte ronda mais de perto as crianças pobres etc..
Essas afirmações decorrem da reflexão sobre
semelhança e correlação entre determinados fatos ou fenômenos.
Essas afirmações são generalizações ou “leis” - descoberta de relações
(semelhanças/contrastes) mais ou menos constantes entre os fatos

ASSIM, TEORIA É UM CONJUNTO DE LEIS QUE BUSCAM EXPLICAR A


REALIDADE: FATOS CONCRETOS E SINGULARES.

Em nosso cotidiano, vamos elaborando muitas teorias. Exemplos de teorias impostas


por preconceitos e por (des)conhecimento precário:
o povo americano é alienado;
negros são incapazes e inferiores;
pobres são ignorantes;
desempregados são preguiçosos;
gordinhos são comilões;
magrinhos são inapetentes;
louras são deficientes intelectuais e muitas outras afirmações gratuitas e falsas.
OU SEJA: NOSSAS TEORIAS ESTÃO
IMPREGNADAS DE PRECONCEITOS;
PORTANTO:
SÓ É LIVRE AQUELE QUE CONHECE AS SUAS “TEORIAS” E É CAPAZ DE
REVISÁ-LAS – VÊ-LAS CRITICAMENTE.
A ciência é um conjunto de teorias (conjunto de leis) que tentam explicar a realidade.
Quando há um conjunto de teorias sobre determinado assunto, temos uma ciência sobre
esse assunto (psicologia, sociologia, filosofia, química, física, biologia, direito, informática,
robótica, física quântica etc. etc..
NO ENTANTO: nenhuma lei explica o fenômeno todo ou todos os fenômenos.
ASSIM: as teorias têm vieses próprios de uma época, de um tipo de pensamento e
contêm sempre “ideologia”.
NESSA PERSPECTIVA:: o trabalho do pesquisador, do cientista, do homem sábio é
“questionar” as teorias e a realidade que elas tentam descrever. COMO? POR QUÊ?
QUANDO? ONDE?
POR CONSEGUINTE: em uma visão crítico-histórica, não há a possibilidade de
formular leis ou dogmas.

NA SOCIEDADE HUMANA AS LEIS SÃO CONDICIONADAS - ACOMPANHAM


TENDÊNCIAS.

É PRECISO TER CUIDADO COM AS POSTURAS CONSERVADORAS...

AS LEIS SOCIAIS SÃO SUPERADAS PELO MOVIMENTO DA HISTÓRIA; E É POR ISSO


QUE DIZEMOS QUE A CIÊNCIA
É UM FENÔMENO PROCESSUAL

CONCLUSÕES:
a) a atividade científica é uma atividade social como qualquer outra;
b) a ciência não gera certezas;
c) a ciência corre o risco de ser prescritiva e não criativa;
d) a ciência corre o risco de ser elitista;
e) a ciência corre o risco da impunidade - estar acima do bem e do mal;
f) o pensamento nunca esgota o pensado.
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

1 DA ORGANIZAÇÃO DINÂMICA DO PROCESSO DE ESTUDO – UMA AÇÃO PESSOAL

1.1 A organização da vida de estudos

Estar diante da vida universitária e diante da possibilidade de estudar, de realizar


pesquisas e produzir conhecimento é uma realidade que exige alguns requisitos específicos:
a) assumir-se como estudante e como pesquisador;
b) elaborar estratégias que permitam alcançar os objetivos que forem estipulados;
c) ter consciência de que a vida acadêmica pode representar um momento de solidão
(dependo de mim), mas ao mesmo tempo, representa a possibilidade de atingir
independência e autonomia;
d) é, pois, necessário criar instrumentos que viabilizem e facilitem esse caminhar.
E QUAIS SÃO ESSES INSTRUMENTOS?
Em primeiro lugar, é preciso ir à busca de um instrumento essencial, ou seja, é
preciso fundamentar, teoricamente, o conhecimento.
E COMO FAZER?
LER, LER E LER; SE FOR PRECISO, LER, LER E LER MAIS
a) começar por apostilas e manuais;
b) não se limitar a eles e passar para livros;
c) ler periódicos (revistas) em geral e especializados;
d) ler jornais e resenhas;
e) ter por hábito regular fazer consultas ao(s) dicionário(s);
f) ler trabalhos acadêmicos: TCCs, dissertações, teses etc..
AO MESMO TEMPO:
a) participar de congressos, simpósios, seminários etc;
b) ser eclético, ou seja, estar consciente de que a formação, hoje, pede a
transdisciplinaridade e a interdisciplinaridade;
c) saber utilizar consultas eletrônicas como fontes virtuais de aquisição de
conhecimento.
E COMO EXPLORAR DEVIDAMENTE ESSAS AÇÕES?
a) ter o hábito de fazer apontamentos em sala e complementá-los com leituras feitas
em casa;
b) elaborar fichas de documentação, onde se inserem idéias principais do autor que
está sendo lido;
c) às vezes, basta anotar conceitos e/ou definições para, posteriormente, tentar
elaborar um texto explicativo;
d) na dúvida, recorrer à pesquisa da bibliografia pertinente;
e) o hábito das anotações e dos fichamentos constitui um exercício salutar de “mexer”
nas idéias, trabalhando com as mesmas sem que sejam “decoradas”; aos poucos,
um conjunto novo, organizado e sistemático de idéias irá se formando na mente do
estudante.
Ao iniciar a busca de conhecimento (pesquisa/vida universitária), impõe-se um
segundo instrumento, a saber: A DISCIPLINA DO ESTUDO.

E COMO INSTITUIR ESSA DISCIPLINA?


a) ordenar o tempo, segundo prioridades;
b) respeitar o próprio ritmo pessoal e social da família, da casa, dos compromissos etc.;
c) definir um tempo, por menor que seja, para a prática sistemática do estudo;
d) ao realizar estudo em grupo, fazer intervalos a cada duas horas;
e) organizar o estudo das disciplinas em função do grau de dificuldade de cada uma
delas, especialmente as que dizem respeito direto à temática da pesquisa;
f) fazer a revisão das leituras para que seja elaborada uma ficha de documentação
definitiva;
g) ter em mãos os fichamentos que irão dar a sustentação teórica ao projeto ou à
monografia propriamente dita, quando da elaboração dos mesmos.

PARA UMA REFLEXÃO E UM EXERCÍCIO DE ESTUDOS:

SUGESTÃO: DIGA SINTETICAMENTE O QUE COMPREENDE SOBRE


CIÊNCIA E DESCREVA, INDIVIDUALMENTE E COM BASTANTE
SINCERIDADE, QUASE COMO UMA AUTOCRÍTICA, O PRÓPRIO
PROCESSO DE ESTUDO.
1.2 A importância da documentação para o estudo

 Não basta ler ou ouvir; é preciso saber documentar o que se lê, o que se ouve;
 um estudo, para ser assimilado, deve estar sendo retomado “devagar e
sempre”;
ou seja: é preciso aprender a documentar o que se lê e o que se estuda.

Não adianta apenas ler livros e ouvir aulas... essas informações devem estar à disposição
do estudante sob diferentes formas, a saber:

DOCUMENTAÇÃO TEMÁTICA
Organização do material por temas ou subtemas, dentro de uma determinada área de
estudo.

DOCUMENTAÇÃO BIBLIOGRÁFICA
Um conjunto de informações sobre livros, revistas, sites etc., a respeito de um tema de
interesse de estudo:
a) registrar informações gerais sobre o(s) livro(s), por ex.;
b) retirar informações contidas em orelha ou contracapa;
c) assinalar tópicos, sempre respeitando normas para citações, sejam literais ou não.

DOCUMENTAÇÃO GERAL
Informações úteis retiradas de fontes “perecíveis”: jornais, revistas, folhetos, apostilas etc. -
uma boa prática seria colar recortes em pastas especiais.

VOCABULÁRIO TÉCNICO-LINGUÍSTICO
Criação de um fichário com o significado dos principais termos técnicos a serem
“dominados” - (quase um dicionário técnico particular – um glossário).
Além do processo de estudo, existe a documentação que deverá estar a serviço da
pesquisa e para que esteja registrada de forma a atender a todas as necessidades do
estudo, a literatura traz contribuições como é o caso que se expõe a seguir.
Lakatos e Marconi (2001) sugerem as seguintes técnicas na direção de
documentar, em tese, a coleta de dados primários e secundários.
Técnicas para
Coleta de Dados

Documentação Documentação
Indireta Direta

 Pesquisa  Observação
Bibliográfica  Entrevista
Pesquisa  Questionário
Documental  Formulário
 Testes
 Sociometria
 Análise de conteúdo
 História de vida
 Pesquisa de mercado 

Adaptado de Lakatos e Marconi (2001, p.107).

Documentação Indireta (dados secundários)


A Pesquisa Bibliográfica, que oferecerá a fundamentação teórica para a pesquisa,
tem como base a documentação indireta, cujo material, já elaborado, está disponível em
livros, revistas (periódicos), matérias de jornais e publicações em sites da Internet.
A Pesquisa Documental, diferente da pesquisa bibliográfica, mas também
oportuna para uma determinada pesquisa, baseia-se em documentos que ainda não foram
utilizados em nenhum estudo, como arquivos de instituições, cartas pessoais, diários,
gravações etc. (GIL, 1999, p.51).

Documentação direta (dados primários)


Para estudar as técnicas da documentação direta, pode-se ter por base o esquema
de Chizzotti (1995), que apresenta as técnicas diretas de coleta de dados quantitativos e
qualitativos.
As principais técnicas para a coleta de dados mensuráveis ou passíveis de
interpretação qualitativa são:
1) Observação: utiliza os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade. A
observação pode ser:
1.1 assistemática: quando não tem planejamento e controle previamente elaborados;
1.2 sistemática: quando possui planejamento e se realiza em condições controladas
para responder aos propósitos preestabelecidos;
1.3 não participante: o pesquisador presencia o fato, mas não participa;
1.4 individual: realizada por um pesquisador;
1.5 em equipe: feita por um grupo de pessoas;
1.6 na vida real: registro de dados à medida que ocorrem;
1.7 em laboratório: onde tudo é controlado.
2) Entrevista: é um diálogo preparado com objetivos definidos. É uma técnica, mediada
pela aplicação de alguns instrumentos de coleta de dados e, às vezes, de intervenção,
que permite que se concretize uma relação estreita entre as pessoas.
3 Questionário: instrumento composto por um conjunto de perguntas dispostas
sequencialmente; elaborado em função dos objetivos da pesquisa, das hipóteses ou
questões que se investigam e com base nos pressupostos teóricos.
4) Formulário: instrumento constituído por um roteiro de perguntas enunciadas pelo
entrevistador e preenchidas por ele mesmo, com base nas respostas do pesquisado.
Se houver apenas questões específicas, sem dados mais abrangentes do entrevistado
(escolaridade, renda, moradia, identificação etc. etc.), será usado apenas para coleta
de depoimentos.
5) Testes: instrumentos para obter dados que permitam medir o rendimento, a frequência,
a capacidade ou a conduta de indivíduos, de forma quantitativa.
6) Sociometria: técnica quantitativa que procura explicar as relações pessoais entre
indivíduos de um grupo.
7) Análise de conteúdo: permite a descrição sistemática, objetiva, ainda que quantitativa,
mas permitindo a interpretação qualitativa do conteúdo da comunicação.
8) História de vida: tentativa de obtenção de dados relativos de uma pessoa que tenham
significado para o conhecimento do objeto em estudo. Muitos trabalhos reconstituem a
história social, mediante os depoimentos relativos às vidas dos sujeitos selecionados
para a pesquisa.
9) Pesquisa de mercado: obtenção organizada e sistemática de informações sobre o
mercado, visando a ajudar no processo decisivo das empresas e minimizando a
margem de erros.
SUGESTÃO:
LER O CAPÍTULO 2 SOBRE DOCUMENTAÇÃO, NO LIVRO DE A. J.
SEVERINO, Metodologia do trabalho científico.
Esse capítulo será objeto de questões nas provas bimestrais.
Aviso que a biblioteca da UNISANTA tem vários exemplares em seu acervo.
PROF.ª (Jú)LIa

1.3 Leitura e compreensão de textos


Compreender adequadamente o que se lê – é a verdadeira “alma do negócio”
Mas existe um fato corriqueiro: o aluno ou a pessoa lê e, de imediato, não “explica”
o que leu.
O QUE ACONTECE?
Uma impossibilidade de compreensão imediata
E O QUE FAZER?
Não se trata de identificar razões, mas de buscar uma forma de solucionar esse
“problema”.
O prof. Antonio Joaquim Severino1 propõe 3 “níveis” de leitura para tentar solucionar
o problema de (in)compreensão da leitura, a saber:
a) análise textual;
b) análise temática;
c) análise interpretativa.

A) ANÁLISE TEXTUAL

O que é uma análise textual?


ELA É:
a) primeira abordagem do leitor com relação ao texto;
b) leitura atenta, mas corrida – uma tomada de contato;
c) um levantamento de todos os elementos básicos para a compreensão do texto:
- dados sobre o autor;
- vocabulário (palavras desconhecidas);
- fatos históricos, outros autores, doutrinas etc..

1
SEVERINO, Antonio J. Metodologia do trabalho científico. 21. ed.. São Paulo: Cortez, 2000.
APÓS ESSA COLETA DE DADOS
a) a análise textual deve terminar por uma esquematização do texto, ou seja, idéias
principais – é menos do que um resumo;
b) essa esquematização deve dar uma visualização global do texto, não omitindo o
registro bibliográfico total;
c) as anotações “copiadas” devem registrar ano e página de onde foram extraídas,
conforme normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e normas
contidas no manual de diretrizes da Universidade Santa Cecília.
Obs.: Todos esses elementos devem ser coletados e escritos em folha especial, dedicada a
esse tipo de análise.

MAIS UMA SUGESTÃO E INÍCIO DE UMA DAS TAREFAS BIMESTRAIS:

ANÁLISE TEXTUAL – buscar o texto no anexo A - e iniciar a análise


textual, fazendo um “esquema” do texto, no formato decidido pelo
grupo.
Obs.: o esquema deve ser elaborado de forma pessoal,
permitindo que, ao revê-lo, o conteúdo do texto seja imediatamente
resgatado pela memória do(s) leitor(es), alunos(as).
Se as tarefas forem realizadas em grupo (até 4 pessoas), o
esquema deverá ser uma produção coletiva.
Bom trabalho e até o dia da P1, quando a primeira tarefa deverá
ser entregue e assinada por até 4 alunos(as).

B) ANÁLISE TEMÁTICA

Após a análise textual, quando todos os “termos” utilizados pelo autor foram
compreendidos, Severino propõe a passagem para a ANÁLISE TEMÁTICA.
Trata-se, como na análise textual, de uma forma de OUVIR o autor, sem interferir em
suas ideias.

TRATA-SE DE CAPTAR A SUA MENSAGEM.

E COMO FAZER?
a) identificar, em primeiro lugar, o tema ou o assunto de que o autor fala;

b) identificar em que limites o tema é tratado (de tempo, de espaço, de teorias etc.);
c) procurar verificar a “problemática” que o autor se propôs, ou seja, qual é a razão de

sua escolha, qual é o elemento provocador de sua abordagem do tema;

d) identificar uma ideia ou tese central defendida pelo autor (a sua visão ou proposta);

e) procurar entender como o autor demonstra a evolução de seu raciocínio, ou seja, a

sua argumentação que deve estar logicamente encadeada por intermédio das

ideias complementares;

f) avaliar os subtemas ou subteses que o autor pode apresentar (e no geral apresenta)

para complementar a sua argumentação e seus estudos – ideias secundárias.

MAIS UMA SUGESTÃO COM VISTA À TAREFA BIMESTRAL

ANÁLISE TEMÁTICA – RETOMAR O TEXTO DO ANEXO A -

a) registrar o tema sobre o qual o texto está escrito;


b) assinalar a tese principal do autor;
c) identificar o elemento provocador que levou o autor à escrita
desse texto.

Bom trabalho e até o dia da P1, quando a primeira tarefa deverá


ser entregue junto com a prova, assinada por até 4
alunos(as).

C) ANÁLISE INTERPRETATIVA
Após verificar o texto (análise textual) e após reconhecer a temática (análise
temática), chegamos à ANÁLISE INTERPRETATIVA.
É um processo em que DIALOGAMOS com o autor e, para tanto, algumas atitudes
devem ser tomadas:
a) compreender a coerência do pensamento do autor, nesta e em outras obras escritas
por ele (quando for o caso);
b) verificar sua coerência com as ideias que assume;
c) ser capaz de verificar seus pressupostos, mesmo que não estejam totalmente
explícitos, ou seja, avaliar os valores e as “certezas” que o autor evidencia em seu
texto;
d) refletir sobre temas afins àquele exposto pelo autor;
e) estabelecer uma análise crítica – uma tomada de posição – se o texto é relevante e
se traz alguma contribuição;
f) finalmente, a crítica pessoal que exige amadurecimento intelectual, mas que pode
ser realizada por meio de um diálogo franco com o autor (ou seja, com as ideias
expostas pelo autor).
PROBLEMATIZAÇÃO:
Após esses procedimentos, o estudante (leitor) deverá problematizar sobre o texto,
ou seja,
a) levantar discussões/reflexões sobre problemas relacionados à mensagem do autor;
b) evidenciar alguns pressupostos pessoais, colocando-os frente às afirmações do
autor;
c) se for o caso, discutir a mesma ideia na posição de diferentes autores etc.

ANÁLISE INTERPRETATIVA – RETOMAR MAIS UMA VEZ O TEXtO DO ANEXO A –


REALIZAR UMA SÍNTESE pessoal, com redação própria, posicionando-se frente às ideias do
autor, concordando ou não com elas (o grupo poderá ter uma síntese única).
Neste momento, realiza-se a resenha do que foi lido, dado o caráter de “crítica” (análise)
atribuído às considerações apresentadas pelos leitores (alunos).
Entregar no dia da P1.
Profª (Jú)Lia

ESTE TRABALHO, COMPOSTO PELAS TRÊS MODALIDADES DE ANÁLISE


(TEXTUAL, TEMÁTICA E INTERPRETAIVA) TERÁ VALOR DE 3 (TRÊS) PONTOS E
COMPORÁ, SOMADO AOS SETE PONTOS DA PROVA, A NOTA FINAL DA P1.
1.4 Modalidades de conhecimento

NO DECORRER DA HISTÓRIA, OS HOMENS FORAM:

a) PRODUZINDO E AGREGANDO CONHECIMENTOS EM DIFERENTES ÁREAS DO


SABER E
b) SEGUNDO DIFERENTES PROCEDIMENTOS DE BUSCA DESSES
CONHECIMENTOS:
- BUSCARAM INSPIRAÇÃO EM FORÇAS MÁGICAS, EM FORÇAS DA NATUREZA,
EM MITOS E DEUSES;
- POVOS ANTIGOS DESCOBRIRAM COMO MEDIR ÁREAS E VOLUMES, COMO
MARCAR O TEMPO PELOS PRINCIPAIS ACONTECIMENTOS E PUDERAM
REGISTRAR OS ECLIPSES.

O progresso científico, de forma geral, é um produto da atividade


humana, para a qual o homem, compreendendo o que o cerca,
passa a desenvolvê-lo para novas descobertas. e, por relacionar-se
com o mundo de diferentes formas de vida, o homem utiliza-se de
diversas formas de conhecimentos, por intermédio dos quais ele
evolui e faz evoluir o seu habitat. Dentre esses tipos de
conhecimentos encontram-se o filosófico, o teológico, o empírico e o
científico. (FACHIN, 2009, p. 19)2

EIS ALGUNS TIPOS DE CONHECIMENTO

a) Conhecimento filosófico – o grande mérito da filosofia é justamente desenvolver no


ser humano o espírito indagativo, a busca de respostas. Não é uma ciência
propriamente dita, mas é a busca do saber. Por essa razão, existe uma forte ligação
do conhecimento filosófico com os demais conhecimentos. Trata-se de um guia para
a reflexão e para as perguntas que movem homens e mulheres: Como? Por quê?
Quando? O quê?

b) Conhecimento teológico – recai sobre a fé e provém de revelações do mistério


sobrenatural com que se interpretam mensagens e manifestações divinas. Pela fé na
existência da divindade, o conhecimento teológico tem respostas para todas as
indagações do homem.

c) Conhecimento empírico – ligado às experiências e vivências cotidianas, não tem a


fundamentação dos postulados metodológicos. O conhecimento empírico permite
que se saiba o que é a folha de uma planta, mas não se sabe em quantas partes se
divide e se apresenta, quais são essas partes etc., pois este é o conhecimento da
botânica. Não deve ser ignorado, pois é a estrutura de base para se chegar ao
conhecimento científico.

22
Este módulo e o texto citado diretamente foram extraídos da obra de Odília Fachin: Fundamentos de
metodologia. 5. ed.. São Paulo: Saraiva, 2009.
d) Conhecimento científico – pressupõe uma aprendizagem superior. Preocupa-se
com uma abordagem sistemática dos fenômenos (objetos), tendo em vista seus
termos relacionais que implicam noções básicas de causa e efeito. Assim, resulta de
pesquisas metódicas e sistemáticas da realidade. Procura alcançar a verdade,
mediante leis gerais e de caráter universal, ainda que a verdade encontrada possa
ser temporária. Isto pela razão de que o conhecimento científico retoma constante e
sistematicamente suas descobertas, buscando ampliações e ou reformulações,
sempre com procedimentos metodológicos adequados.

COMO exercício, sugere-se que sejam criados e descritos 4 (quatro) exemplos de


conhecimento que evidenciem a compreensão do módulo.

1.5 Detalhamento das normas para elaboração de trabalhos acadêmicos

Para o desenvolvimento deste tópico, os alunos deverão ter em mãos o documento


institucional da UNISANTA, (AVA) que fornece a seu corpo docente e discente as normas
adotadas para a elaboração de trabalhos, sempre em consonância com as normas previstas
pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT.
De posse desse documento, os alunos entrarão em contato com a Professora
de EaD para debater/ esclarecer/ sugerir/ perguntar toda e qualquer questão que
possa não estar devidamente clara para a compreensão que se faz desejável e
necessária a respeito das normas.

ALGUMAS SITUAÇÕES ESPECÍFICAS FICAM AQUI REGISTRADAS


DETALHAMENTO DAS NORMAS PARA ELABORAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS -
CITAÇÕES
O objetivo deste tópico se dirige a apresentar os diferentes tipos de citações
utilizadas em documentação conforme as normas da ABNT em vigor. Nesta unidade,
apresentam-se a definição e a classificação das citações bibliográficas, ou seja, dos extos
que retiramos como excertos totais do texto ou como aproveitamento e absorção das ideias
expressadas pelo autor da obra em estudo.
Em trabalhos de pesquisa, é importante tanto a fundamentação teórica quanto a
parte formal da estrutura do trabalho, o que indica a aplicação das normas em vigor, normas
estas propostas como procedimentos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas
(ABNT).
Citação, segundo a ABNT (NBR 14724:2011; NBR 10520:2002), é uma informação
extraída de outra fonte. Para Severino (2000, p. 106), “as citações são os elementos
retirados dos documentos pesquisados durante a leitura de documentação e que se revelam
úteis para corroborar as idéias desenvolvidas pelo autor no decorrer de seu raciocínio”.As
citações podem ser:
a) citações diretas ou literais, quando a transcrição do texto original se dá na forma
de “cópia”;
b) citações indiretas apenas se baseiam no autor consultado, podendo ser uma
paráfrase ou uma síntese do texto lido;
c) citação de citação é a menção a uma informação extraída de uma fonte a que não
se teve acesso.
Ao escrever o nome do autor citado (em qualquer modalidade de citação), a grafia
deverá composta por letras maiúsculas (inicial) e minúsculas, quando a referência estiver
fora dos parênteses; e deverá ser toda em maiúsculas, quando estiver contida pelos
parênteses.
Quanto à referência relativa a uma citação direta, é preciso colocar o ano da obra
e a(s) página(s) onde a mesma pode ser lida; se houver mais informações, como volume,
tomo seção etc., estes também devem ser referenciados.
Citações diretas até três linhas são grafadas em texto contínuo, selecionado por
aspas duplas. As aspas simples são usadas quando inseridas em texto com aspas duplas,
ou seja, citação dentro da citação ou apenas destaque dado pelo autor.
Observação: a pontuação para as citações diretas apresentadas entre aspas deve
obedecer ao seguinte padrão: A) se o texto terminar em ponto final, este virá antes de
fechar as aspas; B) se o texto não apresentar ponto final, o mesmo será grafado após
as aspas.
Citações diretas com mais de três linhas devem ser destacadas com recuo a 4 cm
da margem esquerda, com letra menor do que a utilizada no texto e sem as aspas. Apesar
da ausência de norma clara e específica, também deve ser formatado espacejamento
simples, deixando entrelinhas livres antes e depois da citação.
Nas citações indiretas (paráfrases), as informações, além do ano da publicação,
têm caráter opcional, ou seja, a indicação da(s) página(s) pode ser omitida.
Na citação de citação (autor citado por autor – citação de “terceiros”), devem
ser respeitadas as normas para citações diretas ou referenciais; a indicação do autor deverá
ser grafada com a palavra latina apud que significa: junto a, citado por.
Considera-se importante que a obra referida seja devidamente registrada em nota de
rodapé, de forma explicativa, uma vez que, por não ter sido consultada diretamente, não
fará parte das referências bibliográficas.
As referências das citações podem aparecer no texto ou em notas de rodapé,
podendo-se optar ou pelo sistema de autor-data ou pelo sistema numérico. Nesta última
opção, em geral, as notas aparecem no fim do texto. O sistema autor-data é o mais
utilizado e se apresenta inserido no texto.
Quanto às notas de rodapé, têm uma dupla função, a saber.
a) notas de referência (função indicativa) são aquelas que indicam as fontes
consultadas ou “remetem a outras partes da obra onde o assunto foi abordado”
(ABNT NBR 10520, ago. 2002, p. 2);
b) notas explicativas usadas para comentários, esclarecimentos ou explanações,
consideradas complementares ao texto. Podem oferecer a versão original de uma
fonte traduzida ou, ao contrário, traduzir uma citação escrita no texto na língua
original.
Citações referentes a vários documentos de um mesmo autor publicados em
anos diferentes devem ser apresentadas segundo suas respectivas .datas de publicação,
separadas por vírgula e em ordem decrescente das datas
Citações indiretas de diversos documentos escritos por diferentes autores
devem se apresentar em ordem alfabética dos nomes, com a data da publicação e
separadas por ponto e vírgula.
Citações com texto traduzido pelo autor devem conter essa informação inserida
entre parênteses.
As citações podem se valer das notas de rodapé que “são indicações, observações,
aditamentos feitos pelo autor, tradutor ou editor, podendo também aparecer na margem
esquerda ou direita da mancha gráfica” (ABNT NBR 10520, 2002, p. 2).
Quando, de alguma forma, a indicação bibliográfica relativa à citação se repete,
podem ser usados alguns recursos, também assinalados em notas de rodapé, a saber3:
a) passim: a ideia contida na citação permeia todo o texto lido. Exemplo: Silva (1999,
passim);
b) ibid. (ibidem): quando ocorrem citações de um mesmo autor e de uma mesma
obra grafadas na mesma página;
c) id. (idem): quando ocorrem citações de um mesmo autor, mas com obra diferente
grafadas na mesma página;
d) cf. (conferir ou conforme): quando a citação é apenas referencial (indireta) e
indica-se a leitura do texto no qual a idéia apresentada está contida;
e) op. cit (opus citatum = obra citada): em geral, esta norma é utilizada quando um
autor está presente no trabalho apenas com uma de suas obras; com este recurso,
evita-se a repetição desnecessária do título da obra toda vez que a mesma for
assinalada. Exemplo: Silva (op. cit.);

3
Estes recursos deverão estar padronizados no decorrer de todo o texto.
 
f) loc cit (loco citato = no lugar citado): ao repetir a mesma referência no rodapé,
basta dizer que ela se encontra no mesmo local da nota anterior. Exemplo: Silva
(1999, p. 40); Silva (loc cit.);
g) et seq. (sequentia = em seqüência, o que segue): quando se aponta o ano e a
página, indicando que a mesma referência se encontra em páginas seguintes.
Ainda com relação às citações, podem ocorrer determinadas situações para as quais
há uma normatização específica, conforme a seguir.
Supressões, interpolações, comentários, ênfases, destaques devem ser indicados
mediante o uso de colchetes e de reticências [...]:
a) supressões: quando se interrompe a continuidade do texto que está sendo citado de
forma direta;
b) interpolações, acréscimos, comentários: são informações inseridas na citação
para esclarecer ou indicar algum tipo de sentimento em relação ao que está sendo
citado.
c) ênfase ou destaque: de preferência, o negrito (segundo a decisão do autor, mas
padronizado no decorrer de todo o trabalho).
Quando os dados apresentados decorrem de informação verbal (palestras, aulas,
debates, comunicações etc.), indicar, entre parênteses, a expressão informação verbal,
referindo os dados disponíveis em nota de rodapé.
Da mesma forma deverá ser referida obra ainda em elaboração, indicando-se,
também em nota de rodapé, os dados disponíveis, como: autor, coautoria (se houver), título
(definitivo ou provisório), previsão de término ou de publicação; neste último caso, deve-se
registrar “no prelo”, ou seja, indica-se que a obra já está na editora para ser publicada.
Caso ocorra a necessidade de indicar a fonte real do que está redigido (seja ela
oral seja ela escrita), indica-se o uso da expressão latina sic (assim, desta maneira),
conforme exemplo hipotético, para eximir o autor da responsabilidade por erros gramaticais,
informações cuja fonte poderia ser contestada etc..
Ao desejar dar ênfase a algumas palavras integrantes da citação, usando o
negrito ou o sublinhado, deve-se escrever ao final da mesma (o grifo é nosso) ou (grifo do
autor), indicando quem é o autor do grifo.
Citações em outro idioma devem ser traduzidas, conforme aponta o prof. Eduardo
Leite (2003, p. 332) reportando-se a Umberto Eco:

[...] O hábito só encontra explicação plausível nos trabalhos


científicos de cunho literário, onde a tradução do autor estrangeiro
poderia comprometer o estilo literário, por exemplo: [...] a inserção de
citações estrangeiras deve ser evitada ‘para não obrigar o leitor a
constantes saltos de uma língua para outra’.
2 O CONHECIMENTO CIENTÍFICO E SEUS DESDOBRAMENTOS

2.1 O que é ciência e as fontes de conhecimento

A CIÊNCIA, CONHECIMENTO PRODUZIDO PELOS HOMENS EM DIFERENTES ÁREAS


DA EXISTÊNCIA, MEDIANTE PESQUISA, BUSCA A “VERDADE”, OU SEJA, PRETENDE
SER “VERDADEIRA”!
De maneira geral, várias são as fontes para essa busca da “verdade”.
VEJAMOS:
FONTE 1 – A INTUIÇÃO:
se não é fonte conclusiva de conhecimento, é um fator que impulsiona a busca
desse conhecimento.
FONTE 2 – A AUTORIDADE:
é o reconhecimento de um conhecimento considerado verdadeiro, mesmo que não
seja definitivo. Ex.: a Bíblia e o Alcorão; Freud e Marx etc..
FONTE 3 – A TRADIÇÃO:
trata-se de tudo o que é transmitido verbalmente, como a sabedoria produzida
através dos tempos; tanto se pode assimilar “verdades” como “enganos”.
FONTE 4 – O BOM SENSO:
não deve ser desconsiderado; trata-se da cautela decorrente de uma boa
observação; pode resultar, muitas vezes, em senso comum, incorrendo, então, em sérios
equívocos.
FONTE 5 – A CIÊNCIA:
maior credibilidade e tem maior chance de conduzir à “verdade”.

PARA SER EFICAZ, RECEBER CREDIBILIDADE E CONDUZIR À “VERDADE”, A


CIÊNCIA DEVE ATENDER A ALGUNS CRITÉRIOS:
a) clareza e precisão de conceitos na busca da elaboração de teorias e leis científicas;
b) método para conduzir a pesquisa, sem que o mesmo seja absoluto, pois há a
possibilidade de rever, recriar e criar novos métodos na busca do conhecimento;
c) sistematicidade – o conhecimento se dá quando se pode organizar um sistema lógico
de proposições e afirmações;
d) objetividade – não que se negue a subjetividade do pesquisador na busca de
conhecimento, mas é necessário que o mesmo saiba identificá-la para que seus
valores, seus “vieses” não interfiram no conhecimento a ser buscado;
e) verificabilidade – as afirmações científicas devem ser passíveis de verificação seja
pela experiência seja pela observação; só a partir deste critério é possível construir
teorias e leis.

OBSERVAÇÃO:
Por que não são conclusões definitivas?
PORQUE NINGUÉM DETÉM A PALAVRA FINAL SOBRE A “VERDADE”...
Na visão de Zatti (2011), é essa ação teleológica do homem que o diferencia de
outros animais. Só os homens são capazes de interagir com a natureza, com os objetos e
com outros homens seus semelhantes, de cuja interação produzem uma interpretação das
referências que acumulam, produzindo o que se denomina cognição do universo.
E é essa cognição diferenciada que produz diferentes tipos de conhecimento, bem
como diferentes áreas do saber.
A ilustração a seguir traz a contribuição e Cervo e Bervian (2002, p. 15) para a
compreensão da relação entre o desconhecer e o conhecer, na perspectiva de chegar a
uma “verdade”.

estado de espírito sujeito conhecimento objeto manifestação

- ignorância nada
- dúvida um pouco
- opinião sem clareza
- certeza com evidência

VERDADE

Fonte: Cervo e Bervian (2002, p. 15)

Os autores (ibidem) ensinam que de nada valeria o conhecimento e o emprego de


instrumental metodológico adequado, sem que o pesquisador detenha rigor e seriedade em
seu trabalho, condições inerentes de que o espírito científico deve estar revestido, como já
apontado em unidade anterior.

Ciência/conhecimento é BUSCA, É PESQUISA...


E DAÍ? O QUE É, ENTÃO, CONHECER?
É uma relação entre o sujeito que conhece (cognoscente) e o objeto que é (será)
conhecido (cognoscível).
O sujeito se “apropria” do objeto quando o conhece.
Essa apropriação pode ser:
a) sensível – captada pelos sentidos; ex.: o som captado pela audição;
b) intelectual – captada pelo pensamento; exemplo a resolução de um
problema.

2.2 Seminários, internet e ética na pesquisa

SEMINÁRIOS
Diferentemente do que se ouve e se observa, SEMINÁRIO NÃO É UM TIPO DE
“AULA EXPOSITIVA” preparada por um ou mais alunos.
O seminário deve levar TODOS os participantes a uma reflexão – a um estudo –
previamente realizado, mediante a posse do material a ser estudado/discutido.
É um método de estudo e de atividade didática que tem dois momentos:
a) a preparação prévia do texto que será debatido no seminário e
b) o próprio debate/estudo, quando todos os participantes devem apresentar uma
efetiva participação.
Um roteiro indicativo para a eficácia de um seminário deve respeitar as seguintes
etapas:
a) para iniciar, um contato suficientemente íntimo de todos os participantes com o texto,
permitindo condições para uma análise rigorosa do mesmo (o que nada mais é do que
a análise textual já colocada no conteúdo da matéria);
b) compreensão da mensagem central do texto e de seu conteúdo temático (o que nada
mais é do que a análise temática do texto, como já visto);
c) interpretação crítica do conteúdo e da mensagem (o que nada mais é do que a
análise interpretativa dos textos);
d) ESTUDO E DISCUSSÃO À LUZ DESSA INTERPRETAÇÃO.

INTERNET
a) A internet é um conjunto de redes de computadores interligados no mundo inteiro,
permitindo o acesso dos interessados a milhares de informações.
b) A internet tornou-se uma fonte de pesquisa indispensável para os diversos campos de
conhecimento. Isso porque fornece um extraordinário acervo de dados que está à
disposição de todos os interessados e que pode ser acessado com extrema facilidade.
c) O uso da internet não só é permitido como é estimulado com ênfase, desde que todas as
fontes sejam devidamente registradas, segundo os critérios abaixo assinalados:
c.1 artigos ou qualquer matéria sem assinatura (sem identificação do autor) devem ser
apresentados como: In (em) ou disponível em: registro do site completo;
Ex.: <www.uol.com.br>. Acesso em 05 de março de 2013.
c.2 artigos ou qualquer matéria com assinatura do autor devem ser registrados pela
autoria e, posteriormente, indicar o local da fonte, ou seja, o site.
Ex.: SOUZA, Michelle Cristine Laudilio de. Afinal o que é comunicação e para quê ela
serve? Disponível em: <www.planetaeducaco.com.br/portal/impressao.asp?artigo=1916>.
Acesso em 05 de Março de 2013.
Tais cuidados decorrem de exigências éticas que, por sua vez, são mais
abrangentes, ou seja, ao preparar um projeto de pesquisa, envolvendo seres humanos, o
pesquisador deve cumprir:
a) as exigências éticas gerais de toda a atividade científica;
b) as exigências ligadas à ética profissional da área de atuação profissional do pesquisador
e
c) atender a aspectos éticos específicos.
O projeto passará pela apreciação de um comitê de ética autônomo, criado
nas instituições para esse fim. As instituições de qualquer natureza, nas quais se realizam
pesquisas envolvendo pessoas, deverão constituir seu comitê de ética em pesquisa. Caso
não esteja instalado, o pesquisador deve recorrer a comitê de outra instituição similar.
Submeter sempre os projetos à apreciação desses comitês.

2.3 A questão redacional

Para apresentar por escrito uma monografia ou qualquer outro texto produzido no
decorrer dos estudos universitários, alguns critérios devem ser devidamente respeitados.
SÃO ELES:
a) reconhecer que a ciência não significa apenas o conhecimento que o homem
desenvolve ao longo de toda sua história, mas depende, basicamente da
capacidade de comunicar /transmitir esse conhecimento;

b) ter o domínio da língua (idioma);

c) estar amparado em um mínimo conhecimento de uma linguagem mais


“científica/acadêmica”;
d) mostrar nas monografias, nos relatórios, nos trabalhos acadêmicos qualidades
redacionais, tais como:
- impessoalidade - usar a indeterminação do sujeito ou a 3ª pessoa verbal –
pensa-se ou este trabalho (uso desaconselhável/inadequado do “nós” = 1ª pessoa
do plural);
- objetividade - não colocar a própria subjetividade no trabalho cientifico; por ex.:
“a sala estava suja” (uma análise subjetiva); ao contrário, deve-se registrar: “ao
observar o ambiente, o pesquisador verificou que havia papel picado e tocos de
cigarros pelo chão” (condições de objetividade). Outro exemplo: “a sala era
grande e espaçosa” (subjetividade do pesquisador); “a sala media cerca de 12 m
de comprimento por 8 m de largura” (condições de objetividade);
- modéstia e cortesia - não desqualificar trabalhos feitos anteriormente, nem
permitir que haja uma linguagem pretensiosa sobre os resultados alcançados com
o próprio trabalho;
- linguagem informativa - ter ciência que, embora a linguagem possa ter caráter
persuasivo e expressivo, a maior função da linguagem científica é a função
informativa e como tal, deve oferecer as melhores condições de compreensão
para o leitor;
- caráter técnico - toda linguagem pode ter caráter coloquial e literário, mas a
linguagem científica tem caráter técnico, ou seja, ela é informativa usa termos
específicos, sem cair em prolixidade desnecessária;
- força argumentativa - ter presente que, enquanto a linguagem literária convence
pela elegância e pelos valores estéticos, a linguagem científica deve ser
valorizada pela sua capacidade argumentativa, ou seja, pelas evidências que traz,
comprovando suas afirmações;
- clareza [sua principal característica] - avaliar, pois, que a linguagem acadêmica
deve ser precisa, objetiva e clara, razão pela qual deve sempre abordar
conhecimentos bem estruturados – ninguém expressa com clareza idéias
confusas;
- simplicidade - o pesquisador deve usar vocabulário adequado, simples, evitando
adjetivos (subjetividade); as frases devem ser curtas e precisas; evitar parágrafos
muito longos que só servem para dificultar a compreensão do texto;

CLAREZA, OBJETIVIDADE, PRECISÃO E SIMPLICIDADE – EIS, EM SÍNTESE, AS


CARACTERÍSTICAS QUE DEVEM PRESIDIR A LINGUAGEM CIENTÍFICA E A
CONSTRUÇÃO REDACIONAL DOS TEXTOS ACADÊMICOS.
EXIGÊNCIAS REDACIONAIS QUANTO AO TRATAMENTO DO TEXTO
Exigências Deformação
Impessoal Pessoal
Objetiva (direta) Subjetiva (seu ponto de vista)
Modesta Arrogante (dogmatismo)
Informativa (conceitos e conteúdos) Persuasiva (vazio, repetitiva)
Clara / distinta (didática) Confusa, equivocada
Própria, denotativa Figurada (metafórica), conotativa
Técnica e científica Comum (vulgar)
Frases curtas e simples Períodos longos (coordenadas e
subordinadas)
Fonte: Maimone, apud Nunes e Nava (2003, p. 42).

À GUISA, AINDA, DE COMPLEMENTAR AS INFORMAÇÕES SOBRE


A QUESTÃO REDACIONAL,
é importante trazer a contribuição de Zatti (2011) que resgata componentes ilustrativos
como gráficos, quadros, tabelas, figuras etc..
a) toda ilustração deve ser anunciada no trabalho, usando-se a expressão anterior ou
supra citada e posterior ou a seguir;
b) respeitar a diferença entre quadro (dados descritivos) e tabela (dados quantitativos),
mantendo-se os títulos numerados com algarismos arábicos e com seus respectivos
enunciados na parte superior da ilustração;

Matéria Recursos didáticos

Português Dicionários

Matemática Compasso

Ciências Tubos de ensaio

Matéria Quantidade de alunos

Português 15

Matemática 18

Ciências 17

c) há autores que não consideram as tabelas como ilustrações.


Na perspectiva de complementar os critérios que devem ser acatados, pode-se
resgatar

ALGUMAS NORMAS REDACIONAIS DO PONTO DE VISTA


GRAMATICAL E NORMATIVO.
Quando você encontrar... É preciso que...
Verbos conjugados em 1ª pessoa Sejam apassivados ou que estejam na
(sei/sabemos, noto/notamos, impessoalidade: sabe-se, nota-se, pode-se;
posso/podemos);
Verbos conjugados no imperativo (note, Sejam apassivados ou que estejam na
veja, compare); impessoalidade (note-se, veja-se, compare-
se);
Termos escritos em itálico Sejam mantidos em itálico apenas se forem
palavras estrangeiras;
Siglas Apresentem sua forma por extenso na
primeira vez em que forem escritas;
Siglas estrangeiras Apresentem sua forma por extenso, com
respectiva tradução, na primeira vez em que
forem escritas;
A generalização (sempre, nunca, todos, Seja evitada, pois, quando se escreve
tudo, nada, ninguém, nenhum, o pior, o qualquer um desses termos, excluímos
melhor, o mais usado) qualquer outra possibilidade, o que requer
certeza da informação;
Abreviações (etc., s/, nº ) Sejam eliminadas (usar o extenso: entre
outros, sem, número)
Números baixos (de 1 a 9) ou monossílabos Sejam escritos em palavras e não como
numeral (um, nove, cem, mil)
Fonte: Zatti, (2011, p. 45)
2.4 Os trabalhos científicos

2.4.1 Projetos de pesquisa (sugestão de projetos em Administração):


QUESTÃO
ELEMENTO DECODIFICAÇÃO DO ELEMENTO
BÁSICA
Definição do TEMA, do assunto que será estudado.
Apresentação Qual o tema?
Definição do TÍTULO.
Trata-se de evidenciar a RAZÃO (o porquê) da
realização da pesquisa, em nível
Por que fazer?
Justificativa do interesse pessoal e
da relevância do tema abordado (formula-se, então, a
fundamentação teórica do estudo).
Quais são
Trata-se da colocação das “INQUIETAÇÕES” do
minhas
Problematização pesquisador, apresentadas na forma de perguntas, de
“perguntas”?
pressupostos e na forma de hipóteses formuladas.

Para que
Definição dos PROPÓSITOS e das METAS que o
Objetivos fazer?
pesquisador pretende atingir com seu estudo.

Neste momento, o pesquisador irá definir os


Procedimentos Como vou
CAMINHOS a serem traçados para, efetivamente,
metodológicos fazer?
poder realizar seu projeto, atingindo seus objetivos.
Previsão, no tempo, das ETAPAS a serem
Cronograma Quando fazer?
desenvolvidas para a consecução do projeto.
Quando houver a possibilidade, definição dos
Do que
Recursos recursos MATERIAIS E HUMANOS previstos como
preciso?
necessários para a execução do projeto.
Lista de OBRAS (lidas ou a serem lidas) e de
O que
Referências CONSULTAS (realizadas ou a serem realizadas)
consultar?
fundamentais para a realização do trabalho.
Construir provisoriamente a estrutura que será dada
Plano provisório Como será?
ao trabalho propriamente dito.
Quadro adaptado a partir de Pescuma e Castilho (2005a, p. 23) e constante do texto de
Felgar (2011): Trabalhos acadêmicos: manual de normas para sua elaboração. O quadro
poderá ser mais bem compreendido se confrontado com os arquivos denominados “boneco”
inicial e textual, que nada mais são do que os modelos gráficos para elaboração de projetos
de pesquisa acadêmica.
Observações:
a) Observe-se que o tratamento verbal do projeto, até por ser uma perspectiva futura de
realização, deve ser enunciado pelo futuro do modo indicativo (este trabalho
estudará a questão da sustentabilidade....)
b) Sugere-se que o tratamento verbal a ser utilizado na definição dos objetivos seja o
modo infinitivo (verificar as condições que favorecem as práticas
sustentáveis...).
c) Sugere-se que as hipóteses sejam formuladas no futuro do pretérito do modo
indicativo dos verbos (pressupõe-se que haveria uma correlação direta entre a
poluição e a falta de esclarecimento à população).

RECONHECER QUE HÁ NO MUNDO CONTEMPORÂNEO UMA VELOCIDADE CADA


VEZ MAIOR DA PRODUÇÃO E DA DIVULGAÇÃO DO CONHECIMENTO.

Neste momento da história, informações e saberes deixaram de ser apenas


transmitidos tradicionalmente (família, escola, religião) e são veiculados por diferentes
agências divulgadoras como centros de pesquisa, universidades corporativas, meios de
comunicação social em geral, além de recursos eletrônicos, como é a internet. As
mudanças que ocorrem em ritmo acelerado só podem ser assimiladas se forem objeto de
estudos constantes. Decorre, portanto, a necessidade de se desenvolver um procedimento
que acompanhe a rapidez das mudanças.

ESTE PROCEDIMENTO NADA MAIS É DO QUE O HÁBITO


(O VÍCIO SALUTAR) DA PESQUISA.

A MOTIVAÇÃO para a pesquisa se encontra, portanto, no próprio anseio da busca


de conhecimento, fato que vem sendo comprovado pela própria história da espécie humana.
“O interesse e a curiosidade do homem pelo saber levam-no a investigar a realidade sob os
mais diversificados aspectos e dimensões”. (CERVO; BERVIAN, 2002, p. 64)
Podemos definir pesquisa científica como uma atividade humana, com o propósito
de descobrir respostas para suas indagações. Vale lembrar que está relacionada
diretamente com a produção de conhecimento e decorre da capacidade de raciocínio do
homem ao enfrentar inúmeros problemas e desafios.
Autores como Severino (2000), Andrade (1999), Cervo e Bervian (1996), Lakatos e
Marconi (1991) e Salomon (1973), entre tantos outros, ao conceituarem pesquisa científica,
concordam que se trata de procedimento eminentemente racional, que se utiliza de métodos
científicos, embasado na capacidade de observação, com o objetivo de encontrar respostas
e/ou explicações para a questão em estudo.
Trabalho científico original
Natureza
NOVAS DESCOBERTAS

Resumo do assunto

FORMAÇÃO/TREINAMENTO

Pesquisa bibliográfica
Procedimento
Pesquisa descritiva

Pesquisa experimental

Fonte: adaptado de Cervo e Bervian (2002, p. 68).

Eis, pois, a visão desses autores sobre o quadro esquematizado da proposta do


que é uma pesquisa.
A classificação das pesquisas em diferentes tipos surgiu com o objetivo de
contribuir para o desenvolvimento delas. É na pesquisa que se utilizam diferentes
instrumentos para se chegar a respostas mais satisfatórias, que ensejam possíveis soluções
às hipóteses propostas.

SUGESTÃO DE PROJETOS DE PESQUISA EM


ADMINISTRAÇÃO E CIÊNCIAS CONTÁBEIS
(ROESCH, 2006, p. 67)

1 PESQUISA APLICADA - gerar soluções para os problemas humanos


EXEMPLOS:
a) fatores psicológicos relacionados aos acidentes de trabalho;
b) existência de barreiras às inovações tecnológicas;
c) fatores que explicam o comportamento do consumidor etc..

2 AVALIAÇÃO DE RESULTADOS - julgar a efetividade e a eficácia de um


plano ou programa
EXEMPLOS:
a) níveis de fidelidade do consumidor em serviços;
b) obstáculos à gestão da diversidade;
c) arranjos organizacionais que estimulam a inovação;
d) desafios do orçamento contábil participativo etc..
3 AVALIAÇÃO FORMATIVA - melhorar um programa ou plano; acompanhar
sua implementação
EXEMPLOS:
a) revisão do sistema de auditoria interna da empresa;
b) análise da estrutura de comando do departamento x;
c) aperfeiçoamento do sistema de informações de recursos humanos etc..

4 PROPOSIÇÃO DE PLANOS - apresentar soluções para os problemas


diagnosticados
EXEMPLOS:
a) elaboração de um plano de marketing para uma empresa comercial;
b) planejamento financeiro da empresa x;
c) plano de manutenção preventiva das instalações elétricas etc..

5 PESQUISA-DIAGNÓSTICO - levantar e definir problemas (ambiente


organizacional e mercado)
EXEMPLOS:
a) levantamento sobre clima organizacional;
b) estudo sobre o consumidor de pizza;
c) viabilidade mercadológica do produto x;
d) levantamento sobre satisfação no trabalho
e) realização do balanço social e um período etc..
2.4.2 As monografias

CONCEITUAÇÃO E NÍVEIS (Pescuma e Castilho (2002 p. 11-14)4

monos = um/uma
graphein = escrita (grafia)

no grego, ou seja,
um escrito sobre um único tema.

Não pode ser uma compilação de textos lidos, mas deve apresentar o resultado de
leituras, de pesquisas de campo, de observações, de reflexões...
ASSIM, A MONOGRAFIA NÃO É:
a) repetição do que já foi dito por alguém;
b) resposta a uma espécie de questionário;
c) manifestação de opiniões pessoais (“achismo”);
d) construção de idéias extremamente abstratas;
e) manifestação de uma erudição livresca etc..
A MONOGRAFIA É UM TRABALHO QUE:
a) observa e acumula observações;
b) organiza as observações e as informações;
c) indaga sobre os seus porquês;
d) utiliza de forma inteligente as leituras e as experiências;
e) apresenta provas;
f) usa de sistematicidade;
g) expõe interpretações e relações;
h) comunica aos demais os resultados desse estudo.
i) Por conseguinte, a elaboração da monografia contribui para:
j) desenvolvimento intelectual do educando;
k) desenvolvimento do conhecimento científico, em geral;
l) e desenvolvimento das diferentes áreas do conhecimento.
As instituições de ensino ainda estão carentes de alguns aspectos que “facilitem” ao
educando a elaboração de monografias devendo:
a) prever um tempo hábil para o aluno escrever;
b) realizar o aproveitamento de todos os níveis de conhecimento;
c) estabelecer o relacionamento entre as diversas disciplinas;

4
. PESCUMA, Derna; CASTILHO, Antonio Paulo F. de. Projeto de pesquisa: O que é? Como fazer? um guia
para sua elaboração. São Paulo: Olho d’Água, 2005.
d) proporcionar novas formas de avaliação, priorizando os trabalhos de conclusão de curso,
por ex..

ESTRUTURA DE TRABALHOS ACADÊMICOS5 MONOGRÁFICOS

Parte externa Capa (obrigatório)


Lombada (opcional)

Folha de rosto (obrigatório)


Errata (opcional)
Folha de aprovação (obrigatório)
Dedicatória (opcional)
Agradecimentos (opcional)
Elementos Epígrafe (opcional)
Pré-textuais Resumo na língua vernácula (obrigatório
Resumo língua estrangeira (obrigatório)
Lista de ilustrações (opcional)
Lista de tabelas (opcional)
Lista de abreviaturas e siglas (opcional)
Lista de símbolos (opcional)
Sumário (obrigatório)

Parte
Interna
Elementos Introdução
textuais Desenvolvimento
Conclusão

Referências (obrigatório)
Elementos Glossário (opcional)
Pós-textuais Apêndice (opcional)
Anexo (opcional)
Índice (opcional)

Um fato é inquestionável: o aluno precisa aprender como realizar trabalhos


monográficos, cujo texto final (do latim textum = trama de fios) deverá ser consistente,
trazendo contribuição a todos que dele tomarem conhecimento.
As monografias podem ser realizadas em diferentes níveis, a saber:
a) trabalhos acadêmicos disciplinares – realizados no decorrer dos anos de estudo, sejam
eles de graduação ou de pós-graduação;
b) trabalhos de conclusão de curso – TCC – ao final da graduação, deve englobar o
aprendizado conseguido durante o curso, apoiando-se em diversas fontes, constituindo

5
Figura extraída da norma ABNT NBR 14724, abr. 2011, 4, p. 5.
sua fundamentação teórica; é realizado sob orientação de um professor designado pela
instituição de ensino; pode ser feito individualmente, em duplas ou em grupos, a critério de
cada unidade escolar;
c) trabalhos finais de cursos de pós-graduação lato sensu - trabalho final de
especialização ou de aperfeiçoamento – à semelhança dos TCCs de graduação;
difere, porém, nas exigências de um referencial teórico maior, inclusive com a
escolha de um tema específico, de uma área de concentração (a especialidade),
além da pesquisa empírica requerer maior rigor, caso ela se faça presente no
estudo;
d) dissertações – mestrado (pós-graduação stricto sensu) – segundo a ABNT (3.8
NBR 14724/2002 – validada em 2006), “documento que representa o resultado de um
trabalho experimental ou exposição de um estudo científico retrospectivo. de tema único e
bem delimitado em sua extensão, com o objetivo de reunir, analisar e interpretar
informações. Deve evidenciar o conhecimento de literatura existente sobre o assunto e a
capacidade de sistematização do candidato; é feito sob a coordenação de um orientador
(doutor), visando ao título de mestre”;
e) tese – doutorado (pós-graduação stricto sensu) – segundo a ABNT (3.27 NBR
14724/2002 – validada em 2006), “documento que representa o resultado de um
trabalho experimental ou exposição de um estudo científico de tema único e bem
delimitado. Deve ser elaborado com base em investigação original, constituindo-se
em real contribuição para a especialidade em questão; é feito sob a coordenação de
um orientador (doutor) e visa à obtenção do título de doutor ou similar”.

2.4.3 Artigo científico

SEGUNDO A NBR 6022 DE MAIO DE 2003 PROPOSTA PELA ABNT, O ARTIGO A SER
ELABORADO COMO PRODUÇÃO CIENTÍFICA DEVE OBEDECER
A ALGUNS CRITÉRIOS COMO SE EXPÕE A SEGUIR.
ESTA NORMA CLASSIFICA OS ARTIGOS EM TRÊS MODALIDADES:
ARTIGO CIENTÍFICO – autoria declarada que apresenta e discute ideias e resultados,
métodos e técnicas em diferentes áreas do conhecimento;
ARTIGO DE REVISÃO - parte de uma publicação que resume, analisa e discute
informações já publicadas;
ARTIGO ORIGINAL – apresenta temas ou abordagens originais.
O artigo a ser desenvolvido como tarefa final da disciplina, até por ser uma primeira
experiência, SERÁ CARACTERIZADO COMO ARTIGO DE REVISÃO, POIS ESTARÁ
EMBASADO
EM LEITURAS SOBRE TEMÁTICA AFIM, ESCOLHIDA A PARTIR DOS CONTEÚDOS
TEÓRICOS APRESENTADOS.
ESTRUTURA FÍSICA DO ARTIGO
componentes pré-textuais:
a) título e subtítulo, se houver;
b) nome do autor ou dos autores;
c) resumo na língua do texto;
d) palavras-chave na língua do texto (de 3 a 5 palavras).

componentes textuais:
a) introdução;
b) desenvolvimento;
c) conclusão.

componentes pós-textuais:
a) título e subtítulo, se houver, me língua estrangeira;
b) resumo em língua estrangeira;
c) palavras-chave em língua estrangeira (de 3 a 5 palavras);
d) notas explicativas (se houver);
e) referências (bibliográficas);
f) glossário (opcional);
g) apêndice(s) (se houver);
h) anexo(s) (se houver.
REGRAS PARA APRESENTAÇÃO
a) título e subtítulo devem figurar ma página de abertura do artigo, diferenciados
tipograficamente ou separados por dois pontos e na língua do texto;
b) nome do(s) autor(es), acompanhado(s) de breve currículo que qualifique a área do
conhecimento do artigo; currículo, endereço postal e eletrônico devem aparecer no
rodapé com chamada em asterisco no texto; opcionalmente, podem aparecer após
os componentes pós-textuais, onde estão também os agradecimentos e a data da
entrega dos originais;
c) resumo na língua do texto, em uma sequencia de frases concisas e objetivas, sem a
marcação de tópicos, não ultrapassando 25º palavras, segui abaixo das palavras-
chave;
d) a introdução deve conter os elementos principais que apresentem o artigo: tema,
objetivos, procedimentos etc.;
e) desenvolvimento é uma exposição ordenada e pormenorizada do assunto tratado,
aparecendo em seções e subseções;
f) a conclusão finaliza o artigo e traz os resultados encontrados na direção dos
objetivos e das hipóteses;
g) o resumo em língua estrangeira poderá ser em inglês (abstract), em espanhol
(resumen), em francês (résumé), bem como as palavras-chave – keywords, palabras
clave, mots-clés, respectivamente;
h) a numeração das notas explicativas é feita em algarismos arábicos;
i) as referências (bibliográficas) são componente obrigatório;
j) o glossário é opcional e deve ser elaborado em ordem alfabética;
k) apêndices e anexos são identificados por letras maiúsculas consecutivas e travessão
antes dos respectivos títulos (se ultrapassar as letras do alfabeto, usar maiúsculas
dobradas (AA); a produção do próprio autor do artigo entra como apêndice e os
anexos são referências a informações extraídas de terceiros;
l) as demais regras de apresentação seguem as normas previstas na NBR 14724 de
2011;
m) procurar atender a todas as indicações referentes à questão da redação do
n) artigo.

TEMAS SUGERIDOS (APENAS SUGERIDOS):


- O MUNDO EMPRESARIAL E A QUESTÃO DO ENVELHECIMENTO POPULACIONAL.
- PROGRAMAS DE CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL.
- ALIANÇAS E PARCERIAS.
- BALANÇO SOCIAL COMO ESTRATÉGIA DE SUCESSO EMPRESARIAL.
- A QUESTÃO DA SUSTENTABILIDADE - ETC..
Este tópico assinala as diretrizes para a elaboração da tarefa a ser realizada no
decorrer do segundo bimestre, encartada na folha da P2 para compor a nota do
segundo bimestre.
Trata-se da elaboração de um artigo sobre um Plano de Negócios, cujo tema deve
estar afeito à área da Administração ou das Ciências Contábeis, embasado no texto
oferecido para reflexões e propostas.
Será exigida total observância das normas de formatação e dos indicativos
metodológicos e teóricos a serem respeitados.
Sugiro que sejam solicitadas orientações da professora sempre que os alunos se
sentirem em dúvida.
Deixo um abraço e estou à disposição

.
2.5 Retomada do detalhamento das normas para elaboração de trabalhos acadêmicos
REFERÊNCIAS
(NBR 14724:2011; NBR 6023: 2002)

Para a ABNT (6023:2002, p. 2), as referências são um “conjunto padronizado de


elementos descritivos, retirados de um documento, que permite sua identificação visual”.
A referência é constituída de elementos essenciais e, quando necessário, acrescida
de elementos complementares. Caso a opção seja feita pelo uso dos elementos
complementares, estes deverão ser usados em toda a lista de referência. São eles: editor,
tradutor, compilador, suporte, páginas, volume, número, notas etc..
Os elementos essenciais são informações indispensáveis à identificação do
documento: autor(es), título, edição, local, casa editora e data da publicação.
Todos os autores citados no texto precisam ser listados na página de Referências.
Não se pode colocar nessa página autores que não foram citados no texto. Neste caso,
inicia-se uma nova página com o título Bibliografia consultada.

Formas de entrada (referência) de autores


O autor é definido por pessoa física responsável pela criação do conteúdo intelectual
do documento. Indica-se o(s) autor(es) pelo sobrenome, em maiúsculas, seguido do
prenome, abreviado ou não. No caso de haver mais de um autor e até três, separa-se por
ponto e vírgula, seguido de espaço (ABNT, 2002). Se houver mais de três autores,
menciona-se o primeiro seguido da expressão latina et al.
Autor único CAMARGO, G. M.
CAMARGO, Genesio Medeiros

Dois ou três autores NOVAES, C.; ROSSI, A; SILVA, L.


NOVAES, Carlos; ROSSI, André; SILVA, Leo

Mais de três autores VIEIRA, L. et al.


VIEIRA, Luiz et al.

Autores com sobrenome composto, indicativo de vínculo familiar:


FERNANDEZ JÚNIOR, D.
JUAREZ SOBRINHO. H.
RIBEIRO NETO, W.

Autoria desconhecida
A autoria será pela primeira palavra do título em maiúsculas.
Exemplo: DIAGNÓSTICO da educação brasileira

Entidades Coletivas
Para sociedades, organizações, empresas, instituições, inicia-se a referência pela
instituição responsável pela publicação.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS.
CENTRO UNIVERSITÁRIO DR. EDMUNDO ULSON.
Para órgãos da administração pública, inicia-se pelo nome da jurisdição geográfica
(País, Estado ou Município), seguido pela denominação do órgão.
BRASIL. Ministério da Agricultura
SÃO PAULO (Estado). Secretaria do Meio Ambiente
Para entidades com denominação específica que as identifica, a entrada é feita
pelo nome da unidade geográfica a que pertencem.
BIBLIOTECA NACIONAL (Brasil)
INSTITUTO MÉDICO LEGAL (São Paulo)

Eventos científicos
Para documentos originados em eventos científicos, indica-se o nome do evento
em maiúsculas, seguido do número do evento, ano e local de realização.
CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DO UNAR, IX., 2011, Araras, São Paulo.

Livros
Títulos e subtítulos
Na elaboração das referências bibliográficas, o título deve ser destacado em negrito
(ou itálico), pois a ABNT sugere o destaque, mas não determina qual será a opção indicada.
Cabe, então, à Unidade Escolar decidir por seu padrão institucional. Caso tenha subtítulo,
este deve vir precedido de dois pontos ou hífen e não recebe destaque.
LUCKESI, C. C. Filosofia da Educação. São Paulo: Cortez, 1990.
TRIVIÑOS, A. N. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em
educação. São Paulo: Atlas, 1987.

Edição
Indica-se a edição de uma publicação a partir da segunda, com algarismos arábicos
seguido de ponto e da abreviação da palavra edição.
CHAUÍ, M. Convite à filosofia. 12. ed. São Paulo: Ática, 1999.

Local da publicação, casa editora e ano da publcação


Indica-se o nome da cidade em que o documento foi editado, da mesma forma
como aparece na publicação, seguido de dois pontos, nome da editora seguido de vírgula,
data e ponto final.
FACHIN, O. Fundamentos de metodologia. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2001.
Quando ocorre que alguma informação esteja obscura ou inexiste, há alguns
recursos a serem usados, como descritos a seguir.
a) não há informação sobre o editor na obra: usa-se, entre colchetes, [s.n.], que
significa sine nomine – sem nome;
b) sine loco – sem local [s. l.]: quando na obra não está informado o local da
publicação;
c) sine data – sem data [s.d.]: quando não há referência da data da publicação;
d) quando não há nenhuma data assinalada para a obra: pode-se usar o recurso da
aproximação, conforme a seguir:
 um ano ou outro [1930 ou 1931];
 data provável [1930?];
 data aproximada [deca. 1930];
 década certa [193-];
 década provável [193-?];
 século certo [19--];
 século provável [19--?].
 se houver revisão ou acréscimo na edição, registrar: 3. ed. rev. e ampl., p.ex..

Capítulo de livro
Na elaboração das referências bibliográficas de um Capítulo de Livro, deve-se
utilizar o título do capítulo, seguido de ponto e da expressão In (em no latim):. O título do
livro deve vir com destaque.
SOBRENOME DO AUTOR DO CAPÍTULO, Prenomes. Título do Capítulo do Livro. In:
SOBRENOME DO AUTOR, Prenomes. Titulo do Livro. Edição, Cidade: Editora, ano.
Exemplo: GAMBOA, S. A. S. A dialética na pesquisa em educação: elementos de contexto.
In: FAZENDA, I. (Org.) Metodologia da pesquisa educacional. São Paulo: Cortez, 1989.

Artigo de Revista
Na elaboração das referências bibliográficas de um Artigo de Revista, o destaque
deve ser no nome da revista. Deve-se mencionar o local de publicação, volume, número ou
fascículo, paginação inicial e final do artigo, mês e ano de publicação.
GURGEL, C. Reforma do Estado e segurança pública. Política e Administração, Rio de
Janeiro, v.3, n.2, p.15-21, set. 1997.

Observações complementares:
a) os meses devem ser abreviados com quatro caracteres (três letras mais o ponto):
jan. - fev. – mar. – abr. – maio – jun. - jul. etc..
b) para indicar a página inicial e a página final, a abreviatura antecede o número das
páginas. Exemplo: p. 15-21 significa que a página inicial é a de número 15 e a final a
de número 21.

Periódicos em meio eletrônico


Na elaboração das referências bibliográficas de periódicos em meio eletrônico,
procede-se conforme indicado nos itens anteriores, devendo apresentar os elementos
essenciais, seguidos de informações sobre o tipo de suporte eletrônico e a data de acesso
ao documento.
[...] Disponível em:<endereço eletrônico>. Acesso em: (data de acesso).

BRESSANE, T. B. da R. Construção de identidade numa empresa em formação.


Dissertação (Mestrado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem) Curso de Letras,
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2000. Disponível em:
<http://www.lael.f2s.com/online.htm>. Acesso em: 5 dez. 2000.

Ordenação de referências
As referências podem ser organizadas em ordem alfabética, cronológica e
sistemática (por assunto). Entretanto, sugere-se a adoção da ordenação alfabética.
Na ordenação das referências de autores repetidos (presentes com mais de um
título), pode-se substituir o nome do autor por um traço equivalente a seis toques de
underline.
Na formatação do texto das referências bibliográficas, o alinhamento do texto deve
ser à esquerda. O espaço entre as linhas é simples e entre os títulos é duplo.

AINDA ALGUNS COMPLEMENTOS PARA AJUDAR VOCÊ

a) DE IMEDIATO, criar o arquivo formatado segundo as normas de margens,


espaçamento, recuo da 1ª linha, tipo e tamanho da fonte (arial ou times new roman
12); não acionar espaçamento especial (deixar em ZERO e ZERO) etc.;

b) RECORDANDO ESTA OBSERVAÇÃO: QUANDO O NOME DO AUTOR ESTIVER


GRAFADO ENTRE PARÊNTESES, DEVERÁ APARECER EM LETRAS
MAIÚSCULAS; CASO ELE ESTEJA REFERIDO NA COMPOSIÇÃO DO TEXTO,
ENTÃO DEVERÁ SER GRAFADO APENAS COM A PRIMEIRA LETRA
MAIÚSCULA; ESTA NORMA VALE PARA QUALQUER TIPO DE CITAÇÃO
APRESENTADA E PARA QUALQUER MODALIDADE DE TRABALHO
ACADÊMICO;
EX: Na visão de Gil (2009)...; ou na visão de Gil (2009, p. 54)...
Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx (GIL, 2009), ou ainda:
“X xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx” (GIL, 2009, p. 54);

c) Ao apresentar a bibliografia, respeitar a ordem básica proposta pela norma:


SOBRENOME do autor, Nome do mesmo. Título principal – título secundário (se
houver). Tradução (se houver). Edição (se houver – 2. ed., por exemplo). Local da
publicação: nome principal da editora, ano da publicação.
Exemplo:
MARTINS, Gilberto de Andrade. Estudo de caso – uma estratégia de pesquisa. 2.
ed.. São Paulo: Atlas, 2008.

NÃO IGNORAR A PONTUAÇÃO EXIGIDA ENTRE


AS DIFERENTES INFORMAÇÕES.

d) LEMBRAR DE CONSULTAR as normas especiais para apresentação da referência


bibliográfica de artigos em revistas, capítulos de livros, teses, TCC’s e dissertações,
anais de Congressos, livros com autoria múltipla etc.etc..
e) NÃO HÁ NENHUMA PONTUAÇÃO OU SÍMBOLO entre o último número e a
primeira letra de títulos ou subtítulos;
f) SEPARAR COM DOIS TOQUES DE ENTER TÍTULOS E TEXTO;
g) O MAIS IMPORTANTE É TER AS NORMAS EM MÃOS E, PARA TANTO, HÁ O
MANUAL DA UNISANTA QUE ESTÁ DISPONÍVEL NO SITE DA UNIVERSIDADE;
h) PARA APROFUNDAR SEUS ESTUDOS, CONSULTE AS NORMAS DA ABNT.
NBR 6023:2002; NBR 10520:2002; NBR 14724:2011.
3 DA PESQUISA CIENTÍFICA – MODALIDADES E DESENVOLVIMENTO

PARA INÍCIO DE CONVERSA, RECORDANDO: O QUE É PESQUISA?


“Pode-se definir pesquisa como o procedimento racional e sistemático que tem como
objetivo proporcionar respostas aos problemas que são propostos”. (GIL, 2010, p. 17)6
As pesquisas são realizadas tanto por uma razão intelectual (teórica) como por uma razão
prática.
As pesquisas movidas por razões intelectuais são aquelas que buscam
CONHECIMENTO (PURAS) e as pesquisas movidas por razões práticas são as que
desejam conhecer para INTERVIR (APLICADAS), ou seja, poder realizar projetos com maior
eficiência e eficácia., com vista às transformações.

O PESQUISADOR DEVE SER DOTADO DE ALGUMAS QUALIDADES


IMPRESCINDÍVEIS AO ATO DE PESQUISAR. SÃO ELAS:
a) conhecimento e interesse sobre o assunto a ser pesquisado;
b) curiosidade;
c) criatividade;
d) integridade intelectual;
e) atitude autocorretiva;
f) sensibilidade social;
g) imaginação disciplinada;
h) perseverança e paciência;
i) confiança na experiência.

OBSERVAÇÕES
a) a pesquisa não pode ser realizada apenas com a genialidade de um cientista; pensar
nessas qualidades é muito importante, mas são também necessários suportes
outros, chamados de recursos para a pesquisa, sejam eles humanos ou materiais;
b) para que uma pesquisa seja bem sucedida, os recursos de que necessita devem
estar colocados à disposição do pesquisador, sob pena de fracasso total do estudo,
caso não haja os recursos considerados necessários;
c) para justificar sua pesquisa, definir seus objetivos e seus procedimentos, bem como
o tempo de execução da mesma e os recursos que serão necessários, o
pesquisador, inevitavelmente, deverá elaborar o seu PROJETO DE PESQUISA.

6
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 5. ed.. São Paulo: Atlas, 2010.
 
E PARA ELABORAR ESSE PROJETO, DEVERÁ ESTAR AMPARADO EM FONTES NAS
QUAIS PODERÁ BUSCAR CONHECIMENTO

3.1 Pesquisa segundo sua abordagem

3.1.1. A abordagem qualitativa

Em decorrência de sua natureza, as pesquisas podem ter uma abordagem quer


quantitativa quer qualitativa.
Como se pode perceber, em ciências humanas há uma opção preferencial pela
abordagem qualitativa.
As etapas da pesquisa qualitativa são, pois:
a) uma tomada de consciência sobre os problemas pesquisados (pesquisas
descritivas/exploratórias).
b) uma compreensão das condições que os geram (pesquisas descritivas/explicativas).
c) elaborar meios e estratégias para estudá-los (pesquisas puras/ investigativas) ou
solucioná-los (pesquisas interventivas/aplicadas.

3.1.2 A abordagem quantitativa

Quanto às pesquisas quantitativas, pode-se considerá-las menos adequadas às


ciências humanas, pois trabalham com a objetividade e a neutralidade frente aos
fenômenos, colocando a realidade como externa ao pesquisador (ao invés de vê-lo como
parte inerente da mesma).
Tais pesquisas se prestam a avaliações numéricas e estatísticas dos fenômenos
estudados, mediante técnicas de experimentação.
Seus resultados são expressos em números, intensidade e ordenação.
Assim, tem sido privilegiada em Ciências Humanas e em Ciências Sociais
Aplicadas a pesquisa qualitativa que fala da singularidade dos fenômenos sociais e
humanos, bem como de sua interligação.

3.2 Pesquisas segundo seus objetivos (finalidades)

DEVEMOS COMPREENDER QUE:


a pesquisa é uma atividade de natureza intelectual e científica.
INTELECTUAL, pois se manifesta por ações executadas pelo pensamento, pela
dúvida, pelos questionamentos, enfim pela busca de soluções para problemas vivenciados.
CIENTíFICA, uma vez que essas ações são, planejadas, organizadas,
sistematizadas segundo procedimentos metodológicos adequados.
Como todos devem saber, algumas ciências têm revelado a mutabilidade dos
eventos naturais: termodinâmica, cosmologia, teoria da relatividade etc..
Nas ciências humanas, essa “percepção” se deu com maior ênfase, pois se pode
perguntar:
COMO DIMENSIONAR QUANTITATIVAMENTE FENÔMENOS ABSOLUTAMENTE HUMANOS QUE

DEPENDEM DA AÇÃO DO HOMEM E DE HOMENS?

Portanto, há algumas características mínimas dos fenômenos sociais, a saber:


complexidade / contradições / imprevisibilidade / originalidade /inventividade das e nas
relações interpessoais e sociais.
Portanto, o estudo do comportamento humano e social deve se dar a partir de
metodologias próprias, porque parte do seguinte fundamento: há uma relação dinâmica
entre:
a) mundo real e sujeito pesquisador
b) uma interdependência viva entre esse sujeito e o objeto
c) (sempre relacionado ao mundo humano)
d) um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e
e) a subjetividade do sujeito pesquisador
Portanto o sujeito observador (pesquisador) é parte integrante desse processo.
NÃO HÁ PESQUISA ENQUANTO NÃO HOUVER O ENVOLVIMENTO CIENTÍFICO
(DESEJO DE CONHECER) DO PESQUISADOR.
Assim, a natureza de uma pesquisa se traduz na postura e nas ações do
pesquisador.
a) A pesquisa se caracteriza como o caminho para captar e compreender os fatos da
realidade, mediante métodos e técnicas adequados, buscando verificar como os
fenômenos ocorrem espontaneamente, ou por estudos bibliográficos ou pela
pesquisa de campo propriamente dita.
b) há inúmeras possibilidades para se fazer pesquisa, mas uma distinção pode ser
colocada a partir dos fins a que ela se destina, como já rferido:
- 3.2.1 pesquisa pura = busca de conhecimento
- 3.2.2 pesquisa aplicada = conhecer para propor mudanças (soluções de
problemas)
Eis, pois, uma conceituação sobre a finalidade imprescindível de uma pesquisa, a
força de sua presença não só para conhecer, mas também para produzir o necessário
avanço do conhecimento humano.
3.3 Pesquisa segundo sua natureza

São três os principais tipos de pesquisa, segundo a natureza do estudo:

3.3.1 exploratória = exploratória: identificação de uma realidade ou fenômeno,


quando se possui pouco conhecimento sobre o problema a ser estudado;

Como o próprio nome sinaliza, pesquisa exploratória significa um


procedimento ainda preliminar, buscando aprimoramento de ideias e
uma maior familiaridade com o objeto de estudos. Em geral, elas
envolvem um levantamento bibliográfico (dentro do possível, um
estado da arte), entrevistas realizadas com sujeitos diretamente
envolvidos com o problema em estudo e uma “análise de exemplos
que estimulem a compreensão” (GIL, 2002, p. 41).

3.3.2 descritiva = coleta todos os dados, relaciona-os, analisa-os, mas não vai
manipular os resultados; o estudo descritivo propriamente dito procura captar a
realidade em estudo de forma ampla e completa, descrevendo-os apenas, ainda que
possa sugerir hipóteses para a solução de situações-problema;

3.3.3 experimental = para poder manipular dados; geralmente trabalha com grupo
controle, identifica variáveis que alteram ou não o fenômeno, utiliza instrumentos de
medição etc..

3.4 Pesquisas segundo procedimentos técnicos

3.4.1 Pesquisa bibliográfica – o pesquisador procura ler textos pertinentes ao seu


estudo, obedecendo a alguns procedimentos, a saber:
- levantamento bibliográfico preliminar;
- leitura do material;
- fichamento;
- organização lógica dos conteúdos pesquisados;
- redação do texto a ser conteúdo teórico do trabalho.
3.4.2 Pesquisa documental – muito semelhante à pesquisa bibliográfica, obedece à
mesma ordem de procedimentos, embora os dados de documentos não possam
ser manipulados e ou desvirtuados.
3.4.3 Levantamento – quando o pesquisador deseja levantar dados para conhecer
as características de um grupo de pessoas ou o perfil de uma empresa ou mesmo
os atributos de um aluno (bom ou mau aluno); neste caso, a pesquisa não quer
apenas “levantar” os dados, mas procura descobrir a variável que torna um aluno
pior ou melhor; o pesquisador estará sempre descrevendo traços de
personalidade, aspectos demográficos, problemas econômicos etc..
3.4.4 Estudo de caso – modalidade de pesquisa muito utilizada em ciências
biomédicas e sociais, consiste em um estudo profundo de um ou de poucos
objetos; considerado hoje um estudo sério, responsável pela identificação e
definição de um contexto maior (a realidade pontual reproduz a realidade mais
ampla). Tem sido aplicada nas organizações em geral.
3.4.5 Pesquisa ação – apesar de algumas controvérsias, quanto à falta de
objetividade dessa modalidade de pesquisa, tem sido útil para ideologias
reformistas e participativas, quando o pesquisador se envolve nas ações dos
sujeitos da pesquisa.
3.4.6 Pesquisa participante – à semelhança da pesquisa ação, se caracteriza pela
interação mais intensa ainda do pesquisador com os membros sujeitos do estudo.
Tem características humanísticas, assumindo posições valorativas, voltando-se
especialmente para grupos menos favorecidos da sociedade.
3.4.7 Pesquisa ex-post-facto (a partir do fato passado – tradução literal da
expressão latina) – pressupõe que o estudo aconteça após algum fato que tenha
alterado significativamente a ordem natural até então apresentada. Muito utilizada
na área da saúde, inclusive utilizando o grupo controle.

3.5 A amostragem - definição da amostra (probabilística e não probabilística)

a) ocorre na direção oposta do censo = levantamento total;


b) levantamento parcial = levantamento por amostragem.

AMOSTRAGEM = UM CONJUNTO DE ELEMENTOS REPRESENTATIVOS


DO UNIVERSO TOTAL

Um nº x de elementos de uma população (ou universo) de forma a ser proporcional e


representativo do total dessa população ex.: 100 operários entre 4.000; 200 parafusos
dentre a produção diária 01 cálice de vinho de um tonel.

População ou universo é o conjunto de seres que apresentam pelo


menos uma característica em comum [...] A delimitação do universo
consiste em explicitar quais pessoas, coisas, fenômenos etc. serão
pesquisados, enumerando suas características comuns (LAKATOS;
MARCONI , 2011, p. 108 apud ZATTI, 2011, p. 15).
Amostra é uma porção ou parcela, convenientemente selecionada do
universo (população); é um subconjunto do universo [...] O universo
ou população de uma pesquisa depende do assunto a ser
investigado e a amostra, porção ou parcela do universo que
realmente será submetida à investigação é obtida ou determinada
por uma técnica específica de amostragem. Existem duas divisões
no processo de amostragem: a probabilística e a não probabilística.
(OLIVEIRA, 2001, p. 160).

VANTAGENS DE TRABALHAR POR AMOSTRAGEM:


a) custo reduzido / rapidez maior / amplitude (pode significar um grande universo, sem
oferecer os custos e a demanda de pessoal que o censo ofereceria) / exatidão;
b) a amostragem se fundamenta em leis da estatística, o que lhe confere fundamentação
científica.

CUIDADOS A SEREM OBSERVADOS:


a) quantos indivíduos deve ter a amostra para que represente efetivamente o conjunto de
elementos da população (universo);
b) como selecionar esses indivíduos de modo que sejam repre-sentativos de toda a
diversidade de elementos da população.

A AMOSTRA PODE SER:


a) não-probabilística (depende de critérios do pesquisador) – por ex., a acessibilidade do
pesquisador;
b) probabilística (atende a critérios rigorosamente estatísticos).
Para Barros e Lehfeld (1986), na amostra probabilística, apesar dos elementos
serem selecionados aleatoriamente, todos têm a mesma chance de serem escolhidos, ou
seja, existe uma probabilidade igual para todos os elementos de serem sorteados.
“A probabilidade significa um conjunto de regras por meio das quais se calcula o
número de casos que devem ocorrer para que aconteça um certo fato ou fenômeno.”
(OLIVEIRA, 2001, p. 161).
A amostra não-probabilística tem sido a forma adotada pelos pesquisadores em ciências
humanas e sociais, pois a pesquisa qualitativa está interessada menos em índices, modas,
medianas e mais em significados, interpretações, reconhecendo a singularidade de cada sujeito
e a importância de sua experiência social.
Zatti (2011) traça algumas considerações sobre amostra para a pesquisa de forma
sistematizada e esquematizada que estão expostas a seguir.
AMOSTRAS NÃO PROBABILÍSTICAS AMOSTRAS PROBABILÍSTICAS
os seres são escolhidos intencionalmente baseiam-se na escolha aleatória dos seres
PODEM SER...
PODEM SER...
 ACIDENTAIS – compostas por  CASUAIS SIMPLES – cada elemento
acaso, com pessoas que vão aparecendo da população tem oportunidade igual de ser
acidentalmente. incluído na amostra.
 POR COTAS – diversos elementos  CASUAIS ESTRATIFICADAS – cada
constantes da população/universo na estrato, definido previamente, estará
mesma proporção. representado na amostra.
 INTENCIONAIS – escolhidos casos  AMOSTRAS POR AGRUPAMENTO
para amostra que representem o “bom – reunião de amostrar representativas de
julgamento” da população/universo. uma população.
Fonte: adaptado de Zatti (2011, p. 15).

OBSERVAÇÃO PARA LER E ENTENDER:


PENSEM NESSES APONTAMENTOS DA MATÉRIA E DETERMINEM COMO SERIA A
AMOSTRA, CASO VCS FOSSEM REALIZAR DE FATO UMA PESQUISA.

3.6 A investigação – a coleta de dados primários e secundários

Em pesquisa, a investigação se refere especificamente à coleta de dados, estejam


eles registrados em textos escritos estejam eles na realidade concreta da vida social e
material.
Para essa coleta são utilizadas diferentes técnicas e procedimentos.
Para a pesquisa bibliográfica, a técnica mais apropriada a ser utilizada é o
fichamento, ou seja, buscar os dados na literatura e retirá-los adequadamente.

COMO FAZER?

1º registrar todos os dados da referência bibliográfica: autor, título e subtítulo (se


houver), edição, local da publicação, editora, ano e a(s) página(s) de onde o material
bibliográfico foi extraído.
Se o texto for copiado (literalmente), seguir as normas de citações diretas.
Se o texto for parafraseado, seguir as normas de citações indiretas.
Para a pesquisa documental, o pesquisador deve registrar todos os dados do
documento-fonte e retirar esses dados de interesse com a maior veracidade, ou seja, não
alterar nem vírgulas do documento pesquisado.

E QUAIS SÃO AS FONTES CONSIDERADAS BIBLIOGRÁFICAS?


São consideradas FONTES BIBLIOGRÁFICAS:
a) livros de leitura corrente - romances, poemas;
b) livros de “tese” = informações técnicas e científicas a respeito do assunto;
c) livros de referência:
- informativa = dicionários, anuários, enciclopédias, almanaques etc.;
- remissiva = índices de livros ou de periódicos em bibliotecas; os catálogos das
bibliotecas (internet = busca remissiva);
d) periódicos = jornais e revistas;
e) impressos diversos;
f) documentos em geral;
g) textos eletrônicos.

PARA A PESQUISA DE CAMPO, há algumas técnicas e alguns instrumentos apropriados,


conforme se registra a seguir.

3.6.1 AS TÉCNICAS: A ENTREVISTA E A OBSERVAÇÃO

Entender claramente que a entrevista não é uma simples conversa, mas um diálogo DE
CARÁTER TÉCNICO orientado na direção do objeto de estudo e dos objetivos propostos.
Várias ciências se valem da entrevista como técnica ou para a coleta de dados ou para
uma intervenção (pesquisa aplicada).
Para tanto, a entrevista necessita atender a alguns requisitos, a saber:
a) deve ser agendada com o(s) sujeito(s) a ser(em) entrevistado(s);
b) deve ocorrer em ambiente propício, onde se resguarde o sigilo das informações;
c) deve ser planejada, ou seja, decorre de objetivos bem definidos e é realizada com os
sujeitos que compõem o universo da pesquisa.
Pode ser realizada mediante:
a) formulário previamente elaborado (fechado, aberto ou semi-estruturado) – grande
vantagem pela presença do entrevistador;
b) questões norteadoras (para coleta de depoimentos);
c) discurso livre (em pesquisas sobre histórias de vida).

Quanto ao entrevistador, algumas exigências devem ser observadas, a saber:


a) criar condições de empatia e confiabilidade;
b) saber ouvir;
c) saber controlar a dinâmica da entrevista, evitando “desvios” quanto aos objetivos
precípuos da mesma;
d) registrar todos os dados coletados ou escrevendo (formulário, por ex.) ou gravando
(mediante prévia autorização do entrevistado);
e) estar apto a fazer observações sobre o ambiente em geral, sobre os “silêncios” do
entrevistado, sobre mímicas significativas, sobre interferências passíveis de alguma
observação especial etc..
OU SEJA:
O entrevistador (pesquisador) é um sujeito cujas “antenas” estão conectadas ao sujeito
pesquisado, sempre na perspectiva de um estudo sério e responsável, além de
essencialmente ético.
Assim, para a realização da entrevista, o pesquisador deve:

a) despojar-se de predisposições, preconceitos, assumindo uma atitude aberta, sem


adiantar explicações;
b) reconhecer que todos os que participam da pesquisa são sujeitos que produzem e
elaboram (direta ou indiretamente) conhecimento;
c) reconhecer que todos os que participam da pesquisa são sujeitos que produzem e
elaboram (direta ou indiretamente) conhecimento;
d) admitir que todos podem ser sujeitos da pesquisa (do culto ao iletrado; do
delinqüente ao juiz; dos que falam e dos que se calam; dos normais aos “anormais”);
e) saber que é preciso encontrar o significado manifesto e o que permaneceu oculto;
f) realizar entrevistas não-diretivas, sempre atento às expressões verbais e atitudinais
(gestos, olhares, respiração etc.).
g) a entrevista poderá ser realizada mediante o uso de um formulário (conforme a
seguir) ou poderá ser conduzida mediante um roteiro de questões que o
pesquisador adota na perspectiva de um diálogo aberto e para obter os dados
realmente significativos para seu estudo.

3.6.2 Instrumentos para coleta de dados: formulário, questionário, roteiro de questões para
depoimentos, história de vida

Segundo as proposições de Oliveira (2001), a seleção do instrumental


metodológico está diretamente ligada ao problema da pesquisa, isto é, à natureza do fato ou
fenômeno a ser estudado e aos objetivos que são postos para o estudo. Insere-se, também,
nestas preocupações, o tipo de perfil do entrevistado que será sujeito da pesquisa.
No dizer de Cervo e Bervian (2002), para a coleta e dados, o instrumental de maior
aplicação é constituído pelo formulário e o questionário, sendo o primeiro amparado pela
técnica da entrevista.
Para a coleta de dados que visam a obter um depoimento dos sujeitos participantes
da pesquisa, pode ser elaborado, ainda, um roteiro de questões abertas que direcionam a
entrevista para os objetivos do estudo e que, por essa razão, denomina-se roteiro de
questões norteadoras.
Há também situações em que o estudo se dedica a colher histórias de vida. Neste
caso, a entrevista será direcionada pelo estímulo à verbalização dos sujeitos,
amparada apenas em “perguntas” que sinalizem na direção de uma narrativa compreensível
e a mais completa que se possa desejar, sempre na perspectiva da pesquisa em
andamento.

O FORMULÁRIO
O formulário é instrumento dedicado à coleta de dados por meio de observação e
de entrevista.
Seu preenchimento é feito pelo próprio investigador/pesquisador.
O entrevistado deve estar consciente das razões da entrevista e deve concordar com
elas.
O formulário permite:
a) assistência direta do pesquisador;
b) possibilidade de observação atenta de diferentes fatores apresentados pelo
entrevistado;
c) possibilidade de observação do ambiente, do entorno;
d) uma estruturação diversificada entre perguntas abertas e fechadas (entrevistador
preenche);
e) perguntas mais complexas que podem ser “explicadas” pelo entrevistador;
f) garantia na uniformidade dos dados coletados;
g) garantia na unicidade de interpretação dos mesmos;
h) aplicação a grupos heterogêneos;
i) aplicação, inclusive, a analfabetos.
Indicam-se alguns cuidados:
a) transcrever imediatamente os dados coletados (tanto pelo formulário como pelo
roteiro de questões abertas);
b) se forem gravados, devem contar com a autorização do entrevistado, sendo
transcritos, ainda que a fonte original seja preservada
O QUESTIONÁRIO
Trata-se de um instrumento constituído por um conjunto de questões formuladas
previamente, para atender determinados objetivos da pesquisa e que serão respondidas
pelos sujeitos sem a interferência do pesquisador.
Verifiquem-se algumas de suas características:
a) deve ser elaborado rigorosamente de acordo com as hipóteses e os objetivos elencados
para a pesquisa;
b) pode ser enviado pelo correio (baixo custo, mas com risco de respostas incompletas ou
incorretas, além de um alto índice de não devolução);
c) pode ser entregue em mãos;
d) pode ser aplicado simultaneamente a um grande nº de sujeitos;
e) deve ter uma natureza de impessoalidade para assegurar a veracidade das respostas;
f) as questões devem ser elaboradas de forma clara e precisa, evitando a ambigüidade e a
conseqüente dificuldade de compreensão do que se deseja saber;
g) pode ser elaborado apenas com questões fechadas (mais fáceis de tabular e analisar)
ou poderá conter questões abertas e fechadas, desde que claramente elaboradas;
h) aplicável apenas a alfabetizados;
i) grande risco de perdas (quanto ao retorno).

Quanto à forma das perguntas, é preciso estar atento ao fato de que

AS PERGUNTAS NÃO DEVEM INDUZIR A RESPOSTA.


As perguntas podem ser:
a) abertas;
b) fechadas;
c) duplas (instrumento semi-estruturado – questões abertas e fechadas)

Considera-se indicado, preferencialmente, que questionários não contenham


questões abertas, pois há um sério risco de serem respondidas de forma inadequada, ou
mesmo, de não serem respondidas.
As questões fechadas são aquelas em que o instrumento possibilita uma resposta
(sim/não) ou várias respostas (múltipla escolha), mas todas inseridas em um quadro
previamente estabelecido pelo pesquisador.

ROTEIRO PARA COLETA DE DEPOIMENTOS


Trata-se de um conjunto de questões elaboradas pelo pesquisador, no sentido de colher
o depoimento de sujeitos da pesquisa, sempre voltadas para o foco central do estudo.
São questões abertas que permitem e estimulam a verbalização desses sujeitos, sempre
na perspectiva de uma coleta de dados adequada ao pleno desenvolvimento da pesquisa e à
obtenção de resultados satisfatórios.
É um instrumento que, preferencialmente, é aplicado mediante entrevista. No entanto, há
casos em que os sujeitos preferem receber as questões e respondê-las ou por escrito ou
gravadas. Há, inclusive, o recurso da vídeo-conferência e da troca de e-mails também.

HISTÓRIA DE VIDA
Mediante total liberdade ao entrevistado, solicita-se que ele relate, conforme preferir,
sua própria história. São pesquisas com focos muito singulares, como é o caso, por exemplo, do
depoimento de idosos sobre um dado momento da história de suas cidades ou da educação em
suas infâncias etc..

3.7 Análise e interpretação de resultados

Em pesquisas quantitativas, para a análise dos dados, usam-se recursos da


estatística ou faz-se a análise sistêmica, ou seja, tomam-se por referência os padrões que
vigoram e relacionam-se os mesmos com os resultados obtidos na pesquisa.
Para tanto, os dados coletados devem ser classificados, codificados e
tabulados.
Classificar os dados significa reuni-los de acordo com seu significado próprio e na
relação com os objetivos da pesquisa.
Se for o caso de quantificar esses dados, a codificação irá reuni-los em
agrupamentos de respostas.
A tabulação é uma representação gráfica dos dados obtidos, podendo ser na forma
de tabelas. Em pesquisas de grande vulto, é realizada com auxílio de máquinas e, em
pesquisas de pequeno porte, pode ser feita manualmente.
Nas explanações de Oliveira (2001), os recursos da estatística permitem trabalhar
com média (média – medida mais suada nos procedimentos estatísticos); mediana (valor
central, ou seja, uma medida de posição (50%), mais do que de grandeza); moda (valor
mais frequente); média aritmética; quartis (dividem o todo em quatro partes iguais);
percentis (dividem o todo em cem partes iguais) e também a combinação de
procedimentos, dentre outras alternativas de recursos estatísticos tais como razão,
porcentagem, proporção.
Em pesquisas qualitativas, a análise dos dados deve trazer as relações existentes
entre eles, executando-se, pois, a análise de conteúdo.
Nas pesquisas qualitativas, portanto, o que se faz é a ANÁLISE DE CONTEÚDO.
Trata-se de um conjunto de técnicas de análise de comunicação que contém
informação sobre o comportamento humano, atestado por uma fonte documental, ou seja,
DEVE SER COMPROVADO DE ALGUMA FORMA:
PELA BIBLIOGRAFIA OU PELA EMPIRIA (REALIDADE CONCRETA).
Tal técnica busca compreender criticamente o sentido das “comunicações” (dados
coletados) em seu conteúdo manifesto ou latente, as significações explícitas ou ocultas:
categorias/falas recorrentes, conotações, decodificações.
O pesquisador deve trabalhar, principalmente, com as falas recorrentes que
sinalizam as categorias de análise da pesquisa.
A literatura oferece alguns indicativos dos caminhos a serem trilhados para poder
realizar a análise de conteúdo, mediante as falas recorrentes, como já referido.
a) decompor o texto em unidades recorrentes nas falas;
b) criar categorias de análise a partir da oralidade dos sujeitos pesquisados;
c) análise de conotações (sentido atribuído pelos sujeitos);
d) inovar em diferentes formas de decodificação das comunicações realizadas pelo
dados coletados;
e) fazer a leitura e a releitura desses dados à luz do referencial teórico adotado.
A recorrência dos elementos verbalizados ou expressados de alguma forma é vital
para que se faça análise qualitativa em pesquisas sociais.
CONSTROEM-SE, POIS, CATEGORIAS CONCEITUAIS, base das interpretações
analíticas da pesquisa, a partir da leitura e releitura dos dados coletados.
A qualidade do material bibliográfico já foi recomendada quando se tratou das
pesquisas bibliográficas, reconhecendo-se que não há pesquisa sem leituras, cujo teor
oferece a fundamentação teórica necessária.
Neste momento, importa tratar da leitura dos dados coletados na realidade empírica,
no contexto concreto onde a pesquisa se realiza e sobre o qual deve tecer conclusões.
OBSERVAÇÃO: Parcela significativa de teóricos da metodologia para a
pesquisa apontam que a análise de conteúdo é, em verdade, uma análise da
comunicação. A própria pesquisa documental pode permitir uma análise de conteúdo.
No entanto, neste momento destas reflexões, o que se coloca como primordial é a
análise dos discursos emitidos pelos sujeitos participantes da pesquisa de campo que dá
sustentação aos estudos pretendidos.
Chizzotti (2001) refere que em ciências humanas e sociais, o pesquisador pode
lançar mão de diversos procedimentos ao pretender realizar a análise de conteúdo.
Quando o pesquisador decidir por decompor o texto em unidades léxicas( análise
lexicológica), se preferir trabalhar por categorias (análise categorial), se preferir desvelar o
sentido de uma verbalização no momento do discurso (análise de enunciação) ou, ainda, se
optar por revelar o significado dos conceitos em meios sociais diferenciados (análise de
conotações), poderá privilegiar um desses aspectos ou permanecer atento e fiel a um deles.
O importante é reconhecer que a análise de conteúdo não pode omitir ou deixar sem
compreensão o texto e o contexto em sua forma expressa em sua expressão oculta.
Chizzotti (2001, p. 98) reconhece que a escolha dos procedimentos para esta
modalidade de análise estará afeita ao “próprio estudo em questão, aos objetivos desse
estudo, às intenções do pesquisador e a seus referenciais teóricos, epistemológicos,
políticos, sociais culturais, educacionais e pedagógicos.”
Best (1972, apud OLIVEIRA, 2001, p. 192)7 chama atenção para alguns aspectos
que podem comprometer a investigação. São eles:

a) confusão entre meras afirmações (devem ser comprovadas) e


fatos reais;
b) incapacidade de reconhecer limitações tanto do próprio
pesquisador, como do instrumento da pesquisa e dos
participantes;
c) procedimentos estatísticos inadequados (quando for o caso de
adotá-los);
d) erros de cálculo;
e) falsos pressupostos não devidamente esclarecidos;
f) parcialidade inconsciente do pesquisador, permitindo um
envolvimento que ignora resultados negativos;
g) falta de imaginação ou da capacidade de realizar generalizações
que devem resultar da imaginação, da criatividade, e da intuição,
desde que o pesquisador seja bem treinado.

A literatura oferece alguns indicativos dos caminhos a serem trilhados para poder
realizar a análise de conteúdo, mediante as falas recorrentes, como já referido.
a) decompor o texto em unidades recorrentes nas falas;
b) criar categorias de análise a partir da oralidade dos sujeitos pesquisados;
c) análise de conotações (sentido atribuído pelos sujeitos);
d) inovar em diferentes formas de decodificação das comunicações realizadas pelo
dados coletados;
e) fazer a leitura e a releitura desses dados à luz do referencial teórico adotado.

A recorrência dos elementos verbalizados ou expressados de alguma forma é vital


para que se faça análise qualitativa em pesquisas sociais.

7
Oliveira se refere à obra de J. W. Best, Como investigar en educación., uma segunda edição, publicada em
Madri, pela edtora Morata, no ano de 1972.
Constroem-se, pois, categorias conceituais, base das interpretações analíticas da
pesquisa, a partir da leitura e releitura dos dados coletados e analisados à luz das teorias
subjacentes ao estudo.

LEMBRAR QUE a qualidade do material bibliográfico já foi recomendada


quando se tratou das pesquisas bibliográficas, reconhecendo-se que não há pesquisa
sem leituras, cujo teor oferece a fundamentação teórica necessária.

NESTE MOMENTO, IMPORTA TRATAR DA LEITURA DOS DADOS COLETADOS NA


REALIDADE EMPÍRICA, NO CONTEXTO CONCRETO ONDE A PESQUISA SE REALIZA
E SOBRE O QUAL DEVE TECER CONCLUSÕES.

Em pesquisas qualitativas, a análise dos dados deve trazer as relações existentes


entre eles, executando-se, pois, a análise de conteúdo.
Nas pesquisas qualitativas, portanto, o que se faz é a PROPOSTA DE LÉFÈVRE a
seguir.

3.7.1 ANÁLISE DE CONTEÚDO

Trata-se de um conjunto de técnicas de análise de comunicação que contém


informação sobre o comportamento humano, atestado por uma fonte documental (ou seja:
comprovado de alguma forma: pela bibliografia ou pela empiria).
Tal técnica busca compreender criticamente o sentido das “comunicações” (dados
coletados) em seu conteúdo manifesto ou latente, as significações explícitas ou ocultas:
categorias/falas recorrentes, conotações, decodificações.
O pesquisador deve trabalhar, principalmente, com as falas recorrentes que
sinalizam as categorias de análise da pesquisa.

E COMO REALIZAR ESSA ANÁLISE?


a) decompor o texto em unidades recorrentes nas falas;
b) criar categorias de análise a partir da oralidade dos sujeitos pesquisados;
c) análise de conotações (sentido atribuído pelos sujeitos);
d) inovar em diferentes formas de decodificação das comunicações realizadas pelo
dados coletados;
e) fazer a leitura e a releitura desses dados à luz do referencial teórico adotado.
A recorrência dos elementos verbalizados ou expressados de alguma forma é
vital para que se faça análise qualitativa em pesquisas sociais.
Constroem-se, pois, categorias conceituais, base das interpretações analíticas
da pesquisa.

3.7.2 DISCURSO DO SUJEITO COLETIVO – DSC

Modalidade de análise de conteúdo desenvolvida por Léfèvre e Léfèvre (2005), com


base em algumas recorrências, o que significa uma expressão da análise de
conteúdo.
Em seus estudos, esses autores se valem, inicialmente, de tentar refutar a dicotomia
entre pesquisa de abordagem qualitativa e pesquisa de abordagem quantitativa.
Apresentam algumas falsas motivações que poderiam levar o pesquisador a fazer a
opção pela pesquisa qualitativa e/ou rejeição pela pesquisa quantitativa. São elas:
 pavor, medo, pânico, rejeição ideológica de números, matemática,
estatística;
 gosto pelo “literário” ou “poético” ou pelas “ciências humanas e
sociais”;
 vontade de usar uma metodologia mais “avançada”, “moderna”,
“politicamente correta” etc.;
 crença e que é muito mais fácil fazer pesquisa utilizando metodologia
qualitativa. (LEFÈVRE; LEFÈVRE; TEIXEIRA, 2000, p. 11).

Não resta dúvida, segundo esses autores, de que há um PRECONCEITO


significativo a respeito da adoção de práticas qualitativas em detrimento de números,
estatísticas, gráficos, tabelas, dentre outros recursos considerados exatos.

E QUAL A RAZÃO DESSE PRECONCEITO?


Há a valorização da ideia de que a ciência é determinada por um conhecimento
“distanciado”, universalmente válido e generalizável.
Assim, no embate entre esses dois posicionamentos, contra a “ditadura do
número” se faz a apologia da “qualidade como antinúmero”.
Supondo-se que se queira fazer um estudo sobre a presença da lepra em
determinada cidade, haveria como procedimento quantitativo, algumas alternativas a serem
computadas numericamente e partindo do seguinte pressuposto: as pessoas deveriam ter
um conhecimento prévio do tema e os números expressariam o resultado final do estudo.
Assim, poder-se-ia encontrar que 70% daquela população detinham informações sobre essa
doença.
Por outro lado, um procedimento afeito à pesquisa qualitativa, partiria do seguinte
passo: “Diga para mim o que vem à sua cabeça quando falo a palavra lepra”. As respostas a
essa indagação constituem um pensamento/conhecimento encadeado discursivamente e
que expressa as representações sociais sobre o tema posto para a pesquisa.]

Com base na metodologia qualitativa, é possível resgatar as representações


sociais que se expressam nos discursos, nos meios de comunicação mediados pelo
rádio e pela TV, bem como por recursos de multimeios, por jornais, revistas dentre
outros.

Continuando a resgatar as reflexões desses autores, os mesmos consideram que


existem três níveis de considerações sobre um dado problema de pesquisa:
descritivo, interpretativo e evolutivo.
No nível descritivo, o que se obtém são respostas que evidenciam o que a
população pensa.
No nível interpretativo, pode-se partir para a compreensão das respostas de forma
contextualizada e relacionadas entre si.
No nível evolutivo ou pragmático, após descrever e interpretar as respostas,
poder-se-ia pensar em como conduzir progressivamente pensamentos e ações que
ampliassem o conhecimento sobre a lepra, tendendo a resolver questões de contágio ou de
abandono desnecessário do portador da doença, por exemplo.
O instrumental proposto pelos autores está diretamente ligado à fase descritiva e
será aplicado mediante entrevista semiestruturada, ou seja, mediante a aplicação de
formulário, como já exposto anteriormente.
A relação que se estabelece entre pesquisador e participante da pesquisa (seu
sujeito) permitirá que a empatia e a proximidade deem ensejo a uma verbalização mais rica
e esclarecedora. Caso contrário, dados significativos poderiam ficar obscuros, como é
perfeitamente possível imaginar com a aplicação de questionários em que não há a
presença do pesquisador e as questões são preferencialmente fechadas.

FINALMENTE, VEJA COMO ESSA PROPOSTA SE DINAMIZA:

O trabalho se utiliza de quatro figuras metodológicas, a saber: ancoragem, ideia


central, expressões-chave e o discurso do sujeito coletivo.

EXPRESSÕES–CHAVE

As expressões–chave (ECH) são pedaços, trechos ou transcrições literais do


discurso, que devem ser sublinhadas, iluminadas, coloridas pelo pesquisador, e que revelam
a essência do depoimento ou, mais precisamente, do conteúdo discursivo dos segmentos
em que se divide o depoimento (que em geral, correspondem às questões de pesquisa).

IDEIAS CENTRAIS

A idéia central (IC) é um nome ou expressão linguística que revela e descreve, da


maneira mais sintética, precisa e fidedigna possível, o sentido de cada um dos discursos
analisados e de cada conjunto homogêneo de ECH, que vai dar nascimento,
posteriormente, ao DISCURSO DO SUJEITO COLETIVO.

ANCORAGEM

“Pode-se dizer que quase todo discurso tem uma ancoragem, na medida em que
está quase sempre alicerçado em pressupostos, teorias, conceitos, hipóteses.” (LEFÈVRE
et al., 2000, p. 17) (grifo dos autores).
Esta ancoragem apresenta traços linguísticos explícitos em teorias, conceitos,
ideologias que existem na sociedade, com os quais os indivíduos convivem consciente ou
inconscientemente, mas que por são internalizados por ele de tal forma que estão
subjacentes às suas práticas cotidianas e profissionais.
Para os autores, algumas ECH remetem não a uma IC correspondente, mas a uma
figura metodológica que se denomina ancoragem (AC), ou seja, a manifestação linguística
explícita de uma dada teoria ou ideologia ou crença que o autor do discurso professa e que,
na qualidade de afirmação genérica, está sendo usada pelo enunciador para "definir" uma
situação específica.

O DISCURSO DO SUJEITO COLETIVO (DSC) terá, de maneira geral, as


expressões-chave como sua matéria prima. Assim os autores trabalham com material
coletado mediante questões abertas, geralmente propostas para se avaliar as razões
subjacentes à escolha das respostas. Tradicionalmente, isolavam-se palavras, expressões,
conceitos para extrair deles a essência do sentido da resposta emitida pelo sujeito da
pesquisa. Era o que se chamava (e ainda se chama) de categorias.
Para os autores, os indivíduos que emitiram esses discursos passam a ser
“equalizados” para evidenciar uma proposta de “cientificidade” aos estudos em andamento.
A proposta do DSC dispõe total rompimento com uma lógica “quantitativo-
classificatória”, na medida em que busca resgatar o discurso como signo de
conhecimentos dos próprios discursos. (ibidem, p. 19)

Com efeito, com o DSC os discursos não se anulam ou se reduzem a


uma categoria comum unificadora, já que o que se busca fazer é
precisamente o inverso, ou seja, reconstruir, com pedaços de
discursos individuais, como em um quebra-cabeça, tantos discursos-
síntese quantos se julgue necessário para expressar uma dada
“figura”, ou seja, um dado pensar ou representação social sobre um
fenômeno. (LEFÈVRE; LEFÈVRE; TEIXEIRA, 2000, p. 19).

Em síntese, o discurso do sujeito coletivo é como se o discurso de todos fosse


o discurso de um.
4 DA IDENTIFICAÇÃO E DAS APRESENTAÇÕES DE DIFERENTES TRABALHOS
ACADÊMICOS

4.1 OUTRAS MODALIDADES DE TRABALHOS ACADÊMICOS

COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA

Apresentada oralmente (congressos, simpósios etc.) ou por escrito (boletins, anais,


revistas etc.), comunica um trabalho já realizado ou em realização de forma objetiva em
cerca de 10 a 15 minutos.

MEMORIAL
Trata-se de um relato literário de um fato, fundamentado na vida particular do
pesquisador, do qual ele tenha participado ou tenha sido testemunha, sendo apresentado por
escrito em circunstâncias que assim o exijam (bancas de qualificação) ou é comunicado em
encontros científicos

RESUMO
Localizar as principais idéias de um texto e fazer uma síntese das mesmas, ou seja,
apenas reproduzir, com as próprias palavras, o pensamento do autor que está no texto.
Não confundir com o resumo técnico que é colocado como elemento pré-textual em
trabalhos como artigos, trabalhos de conclusão de curso, dissertações, teses etc.

FICHAMENTO
As fichas se destinam a catalogar idéias de um dado texto.
Se as idéias forem “copiadas”, deverão obedecer, rigorosamente, às normas de citações
referidas pela ABNT (ver manual/diretrizes). Podem ser usadas fichas de
cartolina/cadernos/arquivos de computador etc.. cabe ao autor do fichamento a forma final
de organizar as fichas de leitura.

RESENHA
Pode-se dizer que é um “resumo crítico”. As idéias do texto são abordadas com
espírito analítico e crítico, inclusive com vistas à sua divulgação (desde trabalhos escolares até a
publicação em jornais e periódicos).
ARTIGO
O artigo científico é produzido para ser publicado em revistas especializadas,
divulgando estudo concluído ou em andamento.
Deve ser composto por:
a) resumo e abstract iniciais – com palavras-chave e key words;
b) introdução;
c) corpo do artigo (desenvolvimento);
d) considerações finais;
e) referencial bibliográfico.

PAPER
Trata-se, também de uma comunicação científica, cuja aceitação fica restrita a um
parecer das comissões organizadoras dos eventos.
É menor e mais conciso do que a comunicação propriamente dita e pode ser exposto
oralmente e/ou publicado em revistas, anais etc..

ENSAIO
Trata-se de um estudo sobre um determinado assunto sem a exigência do rigor
científico.
É um “livre-pensar”. Daí se dizer aos alunos: se você já sabe, escreva e publique um
ensaio, quando começam suas pesquisas com “idéias prontas”.

4.2 FORMAS DE APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS

MESA-REDONDA
Discussão ou conferência em que todos os participantes estão em igualdade de
condições, sendo coordenados por um mediador dos debates.
PAINEL
Trata-se de uma forma singular de mesa redonda, sendo interessante que os
painelistas convidados tenham visões diferentes a respeito do mesmo tema.
Ao término dos debates, o mediador faz uma síntese das discussões sem,
necessariamente estabelecer conclusões. Ao contrário, é interes-sante que fiquem questões
para que a platéia possa refletir sobre elas.

REUNIÕES CIENTÍFICAS
COLÓQUIO
Palestra e debate de idéias entre os participantes de um encontro científico.
CONFERÊNCIA
Palestra sobre um determinado tema, ministrada em caráter magistral, podendo estar
o conferencista disposto ou não ao debate de idéias ou à resposta para perguntas feitas por
escrito ou oralmente.
CONGRESSO
Encontro científico sobre uma determinada temática, durante 3 ou 4 dias, quando
vários temas afins são apresentados por diferentes profissionais.
Ao término do congresso são publicados os anais que congregam os principais
assuntos apresentados.
SEMINÁRIO
O seminário gira em torno de um tema que é estudado por todos os participantes,
sendo colocado em debate e reunindo os resultados finais desses estudos.
SIMPÓSIO
Mais uma forma de reunião científica onde os temas são apresentados por um
palestrante ou um grupo de pesquisadores.
Posteriormente, os mesmos ficam expostos às perguntas da plateia. As perguntas só
podem ser feitas ao término da exposição e não há apartes às palestras.
WORKSHOP
Também uma modalidade de reunião científica que pode durar um ou mais dias,
sempre na perspectiva de “trabalhar” uma temática apresentada por diferentes palestrantes
e discutida pelo grupo.
Os resultados são fruto dos debates e do consenso.
Neste módulo, os alunos são informados sobre alguns tipos de trabalhos e de
encontros acadêmico-científicos.

4.3 SUGESTÃO DE PROJETOS DE MONOGRAFIAS DESTINADAS A ESTUDO DE


CASO

O estudo de caso se coloca para o pesquisador como apresentado por Martins (2008):

[...] Busca-se, criativamente, apreender a totalidade de uma situação


– identificar e analisar a multiplicidade de dimensões que envolvem
um caso – e, de maneira engenhosa, descrever, discutir e analisar a
complexidade de um caso concreto, construindo uma teoria que
possa explicá-lo e prevê-lo. (MARTINS, 2008 p. 9)
Para Martins (2008, p. 2-7), há algumas colocações que devem direcionar um estudo
de caso, considerando que esta modalidade de pesquisa exige rigor científico para não se
transformar em mero relatório de dados levantados na realidade empírica.
Assim, propõe o autor:

a) o estudo de caso deve ser importante, pois significa o recorte de uma realidade
inserida em uma realidade mais ampla;
b) o estudo de caso deve ser eficaz, atendendo a uma base teórica sólida e a dados
empíricos devidamente coletados e analisados – só assim haverá “confiabilidade
e validade ao estudo”;
c) o estudo deve ter a abrangência da suficiência (ser suficiente para os objetivos
que se propõe) e deve ser relatado de maneira atraente;
d) não pode ser confundido com:
- um longo histórico e algumas tabelas/quadros/figuras que evidenciam um
momento presente;
- meros dados coletados em entrevistas com colegas ou profissionais da
realidade (caso) em estudo;
- apenas o levantamento de dados que já estão computados e estudados (dados
secundários);
- fazer uma visita ao local da pesquisa, levantar alguns dados e afirmar que estes
dados são “estudo de caso”;
- enviar questionários a várias empresas e, após o recolhimento desses dados,
avaliar que está realizando um estudo “multicaso”
- dentre outras situações que não configeram efetivamente um estudo de caso.

E QUAIS SERIAM, ENTÃO, AS ESTRATÉGIAS PARA UM ESTUDO DE CASO,


NA VISÃO DE MARTINS (2008)?
SÃO ELAS:
a) deve ser precedido por um detalhado planejamento, a partir de fundamentação
teórica e das características empíricas mais evidentes;
b) obter a autorização formal dos responsáveis pelo caso em estudo no sentido da
aprovação da pesquisa a ser realizada;
c) se o pesquisador fizer parte a organização em estudo, cuidar para que não haja
“contaminações” em suas análises;
d) manter a análise dos dados coletados ao longo da pesquisa, ocasionalmente
emitindo relatórios que se prestam a debates em reuniões de avaliação do próprio
estudo e/ou da organização em si mesma;
e) a definição das etapas é a seguinte: etapa exploratória, planejamento, coleta de
dados e de evidências, análise dos resultados e apresentação de relatório;
f) considerar que um estudo de caso poderá ser: exploratório, descritivo e
experimental, estes últimos raros em ciências sociais aplicadas.

PARA A COLETA DE DADOS, O AUTOR PROPÕE:


a) observação, mediante a criação de um protocolo de observação;
b) observação participante (quando o pesquisador se torna - ou já é - parte
integrante do caso em estudo);
c) entrevista (realizada para atender aos objetivos do estudo), podendo ser uma
coleta de depoimentos, mediante um roteiro de questões pré-estabelecidas;
d) focus group – entrevista em profundidade , realizada em grupos, o que pode
ocorrer até pela internet;
e) construir questionários que atendam às necessidades da pesquisa com questões
abertas, de múltipla escolha e fechadas (esta professora não sugere questões
abertas);
f) pesquisa documental para complementar o protocolo teórico, pois não se baseia
em dados publicados, mas em relatórios, cartas, memorandos etc.;
g) pesquisa-ação, quando pesquisador e sujeitos da pesquisa interagem no sentido
de coletar dadso e interpretar resultados;
h) pesquisa etnográfica – busca compreender os significados culturais para um dado
grupo, o grupo em estudo;
i) análise do discurso, quando se pretende compreender os elementos aparentes e
latentes dos dados coletados, tentando como propõe Saussure (1987, apud
MARTINS, 2008, p. 57)8, eliminar a subjetividade da expressão linguística,
tentando compreender e chegar a uma metalinguagem indispensável.

4.3.1 Recomendações para construir a introdução e as considerações finais de uma


monografia9

EXEMPLO DE COMO ELABORAR UMA INTRODUÇÃO

8
O autor se refere à obra de F. Saussure, Curso de liguística geral, em sua 13. edição, publicado em São
Paulo pela Cultrix, s/d..
[
9
Os exemplos de introdução e de considerações finais aqui apresentados são excertos do trabalho de
conclusão de curso de SANTOS, Fabíola Regina Evaristo dos; SANTOS, Luciano da Silva; MAÇUCATO,
Sérgio Antonio Martins; AZEVEDO, Thiago Lopes. Estratégias de captação de recursos para o terceiro
setor, do curso de Administração da Universidade Santa Cecília em Santos, defendido em Novembro de
2009.
 
Esta introdução apresenta o tema escolhido como objeto de estudos em sua
relevância, o interesse pessoal pela pesquisa, anunciando sua problematização, seus
objetivos, os procedimentos metodológicos adotados, os quais constituíram o caminho e os
instrumentos para a consecução do que é exigido institucionalmente, bem como explicita a
arquitetura da construção monográfica.
A temática em pauta se preocupa com o terceiro setor, voltando-se para uma
questão particular em âmbito dessa temática, a qual se identifica com as dificuldades que o
terceiro setor enfrenta ao captar recursos, constituindo o enfoque central, ou seja, o tema
em estudo, decorrente de um problema básico que o motiva, a saber: haveria formas
especiais de captação de recursos para organizações do terceiro setor, visando a sua
sustentabilidade?
As organizações do terceiro setor constituem uma das mais complexas e
significativas instituições implementadas pela humanidade e que têm como principal
característica serem conhecidas como instituições sem fins lucrativos, visando a
proporcionar o desenvolvimento de grupos sociais. Por sua ação efetiva e eficaz, têm
mudado substancialmente o convívio humano e as relações interpessoais, buscando cada
vez mais a interação entre indivíduos e/ou grupos de indivíduos para a obtenção de
objetivos e resultados comuns.
Dada essa caracterização do terceiro setor e de sua inserção no tecido social, os
estudos e pesquisas ocorridos nesta área se preocupam com a questão das dificuldades a
serem enfrentadas ao captar recursos para sua sustentabilidade.
O principal motivo da escolha deste objeto de estudo decorreu do fato de um dos
componentes do grupo trabalhar há dezessete anos na entidade “Lar Espírita Mensageiros
da Luz” que é referência na Região Metropolitana da Baixada Santista, atendendo 38
pessoas: crianças, adolescentes e adultos de diferentes faixas-etárias, em sistema de
abrigo. O atendimento é realizado mediante a atuação de uma equipe interdisciplinar
durante vinte e quatro horas por dia.
Ao longo desse período, Luciano (membro do grupo autor deste estudo e
colaborador da citada entidade) pôde adquirir experiência não só na forma de trabalho
nessa modalidade de organização, como pôde entender a real importância da prática da
caridade e do sentimento da fraternidade. Segundo ele, é impossível conviver durante muito
tempo na organização e não “vestir a camisa”.
Quando era abordado o tema terceiro setor, em sala e no decorrer de algumas
disciplinas do curso, sempre se ouvia uma fala desse aluno em relação à instituição. Em
consequência, houve um encantamento com o trabalho desenvolvido, o que encorajou a
possível realização deste Trabalho de Conclusão de Curso.
Considera-se que a gravidade dos problemas sociais enfrentados no Brasil exige
tanto das empresas mercantis e do Estado, quanto das organizações sem fins lucrativos,
ações sociais desenvolvidas de forma responsável e sustentável, trazendo uma real melhora
na qualidade de vida da comunidade atendida.
O terceiro setor é um dos setores que mais cresce, sendo considerado de extrema
relevância, uma vez que presta diversos serviços assistenciais. Nesse sentido, cada vez
mais se faz necessária a realização de pesquisas teóricas e empíricas para fortalecer a
administração dessas entidades, em especial as ações a serem desempenhadas na
perspectiva da geração de recursos.
Sob esse amparo, as organizações do terceiro setor podem desenvolver projetos
consistentes, com intuito de garantir a legitimidade e a continuidade das ações a serem
promovidas e que constituem o foco de sua presença no cenário social, político e
econômico.
Assim, ao optar pelo tema em pauta e a partir do problema principal – haveria
formas especiais de captação de recursos para organizações do terceiro setor,
visando a sua sustentabilidade? – (inicia-se a problematização) algumas dúvidas foram
gradativamente se colocando aos autores, os quais se questionavam sobre: em que
contexto contemporâneo há espaços sociais, políticos e econômicos para a inserção social
de inúmeras organizações sem fins lucrativos, cuja finalidade social é tão marcante?
Como se administram tais instituições? Será que funcionários dessa modalidade de
instituição têm qualificação profissional para gerir os recursos humanos e financeiros das
mesmas? Cursos de aperfeiçoamento poderiam melhorar o desempenho da instituição?
Pressupõe-se que, ao criar mecanismos de sustentabilidade, essas organizações do
terceiro setor poderiam diminuir a dependência financeira da parceria com os órgãos
financiadores, a saber: governo, empresas privadas e comunidade.
Por outro lado, estratégias bem definidas para captação de recursos e a capacidade
de mostrar os resultados das ações promovidas com os mesmos, poderiam garantir a
sustentabilidade mediante alianças ou parcerias significativas? (término da problematização)
Na perspectiva de responder ao problema básico do estudo, seu verdadeiro
elemento “provocador” (SEVERINO, 2000, p. 54), o objetivo geral buscou identificar e
conhecer as diferentes formas a serem utilizadas no processo de captação de recursos para
a sustentabilidade de organizações do terceiro setor do município de Santos.
Em decorrência das inquietações subjacentes ao problema central, foi possível
construir alguns objetivos específicos que se dirigiram a: a) levantar na literatura
especializada, o contexto social político e econômico sob o qual se inserem práticas tão
singulares como as do terceiro setor, além de pesquisar sobre diferentes abordagens
referentes a essas organizações, como: conceituação, origem e história, legislação; b)
verificar se os funcionários lotados em diferentes funções têm qualificação profissional
adequada ao desempenho inerente a essa modalidade organizacional; c) identificar as
principais estratégias de captação de recursos, por parte das organizações do terceiro setor,
e descrever os dados obtidos por meio de investigação empírica referentes à forma de como
vêm sendo desenvolvidas essas estratégias; d) indagar se as entidades possuem parcerias
ou alianças para desenvolverem projetos sociais e se os resultados obtidos são divulgados
à sociedade; e) correlacionar a base teórica e os dados obtidos na pesquisa de campo, as
estratégias para captá-los com base no desenvolvimento de projetos e os resultados que
podem ser esperados; f) espera-se, como resultado maior, trazer indicadores de práticas
efetivas e eficazes para o desempenho das ações do terceiro setor.
Para atingir os objetivos acima elencados (procedimentos metodológicos), a
pesquisa bibliográfica e a documental, inerentes aos trabalhos acadêmicos, foram
embasadas em autores como Chauí (1993), Dowbor, Ianni e Antas (2003), Drucker (2003),
Felgar (1994/1999), Hobsbawn (1995/2001), Lima (2005), Matos (2007), Ramonet (1998),
Telles (s/d), Gentili (2000), Anderson (1995), Kurz (1997), Sousa (2009), Matos (2007),
Martins (1997), dentre outros, na perspectiva de traçar o cenário contextual de caráter
geopolítico onde se inserem as práticas de um terceiro setor.
Ao tratar especificamente do objeto do estudo, ou seja, do terceiro setor e sua
imprescindível necessidade de captar recursos, a literatura resgatada passou por autores
como: Albuquerque (2006), Camargo (2000), Castro (1999), Delgado (2004), Ioschpe
(2000), Leite (2003), L. Souza (2004), Rothgiesser (2002) Salamon (2000), Relatório GESET
(2001), Drucker (1997), Aschoha e McKinsey (2001), Voltolini (2003), Andrade (2002),
Goldschmidt (2009), Kotler (1994/1978), Queiroz (2004), Tachizawa (2002), Montaño (2002),
dentre outros, trazendo para o estudo questões próprias da teoria geral da administração,
bem como questões específicas sobre a gestão do terceiro setor.
Todos os dados bibliográficos, bem como dados resgatados em sites da internet
compõem os capítulos teóricos deste trabalho, constituindo-se em sua fundamentação e
configurando um pequeno esboço do estado da arte da literatura pertinente ao tema
abordado.
Para complementar os estudos, foi realizada também uma pesquisa empírica, como
já assinalada, com abordagem qualitativa e de caráter descritivo-exploratório junto às
organizações previamente selecionadas, segundo critérios estabelecidos pelos
pesquisadores, conforme se indicam a seguir.
O grupo optou por fazer a pesquisa na cidade de Santos, pois, segundo informação
obtida junto ao Conselho Municipal de Assistência Social de Santos – CMAS –, há 135
(centro e trinta e cinco) entidades registradas neste Conselho (verificar Anexo A).
A literatura pertinente se constituiu, basicamente, por autores como Cervo; Bervian
(2002), Fachin (2003), Felgar (2006), Gil (2006/1996); Lakatos; Marconi (2003), Martins
(2006, 2002), Oliveira, (2002), Pescuma; Castilho (2005a, 2005b, 2005c); Roesch (2005),
Zago (2003), Tozoni-Reis (2005), Chizzotti (2001), Chauí (1993), dentre outros. Quanto à
normalização solicitada, amparou-se no documento institucional: Diretrizes para
elaboração de trabalhos de conclusão de curso de graduação (TCC), elaborado pela
Universidade Santa Cecília – UNISANTA – em 2007, bem como nas exigências da
Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT.
Para a coleta de dados empíricos, optou-se pela utilização de um questionário,
instrumento de pesquisa construído pelos autores e aplicado junto às pessoas responsáveis
pelas organizações que aceitaram participar da pesquisa, mediante convite feito a cada uma
delas (verificar Apêndice A).
A interpretação dos resultados recebeu tratamento de análise de conteúdo, quando
as respostas recorrentes constituíram categorias de análise para a real compreensão do
objeto em estudo. Foi aplicada a teoria da análise do discurso, proposta por Tozoni-Reis
(2005).
A descrição pormenorizada dos procedimentos metodológicos adotados para a
realização deste momento do estudo encontra-se devidamente registrada no capítulo
destinado à pesquisa empírica.
(Estrutura do trabalho) Deve ser registrado, ainda, que os elementos textuais desta
monografia compreendem a presente introdução, bem como três capítulos que constituem o
desenvolvimento do objeto em estudo, enfeixados pelas considerações finais. Como
elementos pós-textuais são apresentados: referências bibliográficas e eletrônicas, apêndices
e anexos.
O primeiro capítulo traz a caracterização de um cenário geopolítico, palco onde se
originam as ações a serem desenvolvidas pelo chamado terceiro setor. Entende-se que as
práticas sociais não ocorrem sem um contexto específico que as demande e as produza.
Não seria diferente com o surgimento de um terceiro setor no contexto das sociedades
contemporâneas. Eis, pois, o conteúdo a ser explorado no primeiro capítulo desta
monografia.
O segundo capítulo busca evidenciar os conceitos e as características desse setor,
bem como suas relações com a construção da cidadania e a sociedade civil organizada,
explanando sobre as interações do indivíduo em seu espaço de articulação social. Procura
explicitar a interação e a interlocução entre o público e o privado, quando, voluntariamente,
os indivíduos e grupos se envolvem em causas sociais que estão afeitas à presença do
“outro”, configurados que estão como “personagens” do terceiro setor.
O terceiro capítulo aborda, em específico, questões sobre ferramentas estratégicas
para a captação de recursos, inclusive por meio de parcerias e alianças. Apresenta,
também, a estrutura dos projetos com essa finalidade, buscando identificar como devem ser
propostas as estratégias do terceiro setor na abordagem que fazem junto ao primeiro e ao
segundo setores, sempre com vistas a sua sustentabilidade.
O capítulo quatro traz o encontro com a concretude deste setor, apresentando toda a
trajetória do processo da pesquisa empírica, desde a descrição dos procedimentos
metodológicos adotados, a apresentação dos resultados encontrados, encerrando com a
análise e a síntese do conhecimento que se pôde produzir.
(Últimas considerações para apresentar o trabalho) Reitera-se que a abordagem
deste assunto espera desvelar esclarecimentos tanto para os autores como para que os
gestores, na perspectiva de que tenham uma visão das melhores práticas da captação de
recursos, do aperfeiçoamento profissional capaz de gerenciar programas e projetos sociais,
no contexto de políticas públicas estatais e não estatais.
Trata-se, pelo que se deseja e em última instância, da possibilidade de descobrir
indicadores para orientar a administração e a direção de sustentabilidade que essas
organizações estão buscando, embora este estudo não tenha a finalidade de propor ou
executar qualquer tipo de intervenção junto a organizações do terceiro setor.
Finalmente, este trabalho de conclusão de curso se debruça sobre a esperança de
que o terceiro setor seja, em futuro não muito longínquo, apenas uma forma de filantropia
própria da solidariedade humana e não mais um recurso para sanar os desmandos de uma
sociedade nem sempre justa, igualitária e harmoniosa.

EXEMPLO DE COMO ELABORAR AS CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para compreender o surgimento do terceiro setor, foi imprescindível entender em que


cenário político, social e econômico deu-se sua origem.
Fruto de uma exacerbação dos problemas sociais, decorrentes de um processo de
industrialização que levou ao êxodo rural e ao inchaço das cidades, este setor veio ao
encontro histórico de institucionalizar a caridade pública e a solidariedade humana, como
forma de expressar nossos laços ontológicos.
A solidariedade é um sentimento que se impõe aos seres humanos. No entanto,
quando a chamada questão social leva à miséria, à fome, à doença milhões de homens e
mulheres (idosos, adultos e crianças), ao desemprego de uma população economicamente
ativa (PEA), a sociedade civil organizada emite suas respostas. Uma dessas respostas tem
sido o denominado terceiro setor.
Estas questões foram abordadas no primeiro capítulo do presente estudo, razão pela
qual se considera que este primeiro objetivo foi alcançado, colocando este movimento como
uma expressão da resiliência da sociedade dos homens.
Na década de 90, o governo teve que regulamentar as entidades sem fins lucrativos,
pois, com o grande crescimento dessas instituições, havia a necessidade de regulamentá-
las. Estava criado, institucionalmente, o terceiro setor, ao lado do primeiro setor, o Estado, e
ao lado do segundo setor, o Mercado ou as empresas com fins lucrativos.
Um dos problemas que essas entidades enfrentam é aquele que se concentra nos
recursos imprescindíveis às ações que devem ser desenvolvidas. A captação de recursos
com vistas à sustentabilidade das organizações do terceiro setor constituiu o elemento
provocador deste estudo.
A resposta encontrada sinaliza que essa é uma preocupação inerente e permanente
dos responsáveis por essas organizações. No entanto, os dados mostram que ainda há
muito a ser aperfeiçoado para que os recursos provenham de mais e diversificadas fontes,
além dos recursos próprios que cada entidade tem e pode adquirir.
Talvez uma questão crucial seja a presença de um profissional qualificado para a
captação de recursos e que execute seu trabalho focado apenas nessa captação. Em
decorrência, um dos aspectos que pode ser considerado é que as entidades do terceiro
setor necessitam de um toque de profissionalismo mais contundente.
Supõe-se que poderia estar ocorrendo, ainda, com o resgate da memória recente,
um resquício do posicionamento pelo qual essas entidades eram vistas como formas de
mera caridade e de auxílio ao próximo.
Uma consideração que se impõe e que pode ser objeto de novas pesquisas seria
avaliar até que ponto a própria cultura organizacional não necessita absorver e introjetar
esse desejado profissionalismo. Onde fica a figura de um administrador no quadro
funcional? Ao mesmo tempo, pode-se questionar: como divulgar e disseminar ações e
objetivos?
Verificou-se que a divulgação de informações e a realização dos eventos são
coincidentes, ou seja, ambas são trimestrais. Pode-se inferir que algumas organizações
apenas estariam divulgando suas atividades quando as mesmas estivessem voltadas para
determinados eventos. Este procedimento pode ser um objetivo da própria entidade, mas
pode constituir apenas uma exigência dos parceiros envolvidos.
Recomenda-se, nessa perspectiva, a utilização da internet como fonte de divulgação,
onde a gestão da informação e o emprego das relações virtuais contribuem, eficazmente,
uma vez que possibilitam aperfeiçoar as atividades e programas já desenvolvidos, mediante
a incorporação de novas formas de comunicar-se e interagir.
Atendendo a mais um dos objetivos postos, aponta-se, então, para a necessidade de
estudos futuros que abordem as estratégias de captação de recursos sob o ponto de vista
das empresas financiadoras e do público beneficiário.
Das considerações que se podem extrair da pesquisa realizada, a principal é que,
despreparadas para produzir informações, as entidades permanecem muito aquém do seu
potencial de captação de recursos.
Não conseguem planejar adequadamente, nem avaliar os resultados de seu
trabalho. Na ausência de informações claras e acessíveis para empresas e público
beneficiário, a organização do terceiro setor de assistência social mantém-se numa postura
de captação pessoal – utilizando-se da rede de relacionamento – contando, muitas vezes,
com doações individuais para a sua sustentação financeira.
Outra consideração sobre este estudo é que há falta de informações, por parte das
organizações pesquisadas, sobre alguns aspectos de gestão administrativa e captação de
recursos, fator que poderia estar dificultando o estabelecimento de novas parcerias e de
desejáveis alianças.
No futuro, também é interessante estabelecer a diferença entre as estratégias de
captação de recursos relativas a cada fonte de financiamento. Nesse caso também é
importante discutir a capacidade e os limites das organizações de assistência social para
gerar receitas próprias e garantir a sua sustentabilidade.
É inegável que a busca de profissionalização das organizações tem sido cada vez
mais presente no terceiro setor, como já referido anteriormente, embora haja, ainda,
algumas barreiras culturais a serem superadas. Isso requer investimento, capacitação e
técnica que advirão em círculos viciosos, mediante “causação circular e acumulativa”10.
Ao término deste trabalho de conclusão de curso, há a consciência de que é possível
aprofundar mais as questões teóricas abordadas nos capítulos iniciais. Há também a
convicção de que o instrumento utilizado é passível de muitas melhorias, ampliando suas
possibilidades de coleta de dados.
Como procedimento metodológico para a pesquisa de campo, sugere-se que o uso
de formulários, aplicados mediante entrevistas face a face, bem como a coleta de

10
Esta é uma reflexão de Gunnar Myrdal, importante economista e pensador que morreu em 1987,
tendo recebido o prêmio Nobel de Economia, sobre o círculo vicioso, teoria e reflexão que não
foram abordadas neste estudo, mas que se impuseram no momento de tecer as considerações
finais. A contribuição mais conhecida de Gunnar Myrdal para o desenvolvimento/
subdesenvolvimento está no princípio do círculo vicioso, que ele denomina "causação circular e
acumulativa", pelo qual "um fator negativo é, simultaneamente, causa e efeito de outros fatores
negativos". [o mesmo se dando com fatores positivos]. Em última instância, os países ricos
reproduzem a riqueza e os pobres reproduzem a pobreza. (inserção destes autores). Apud:
MACHADO, Luiz Toledo. A teoria da dependência na América Latina. Revista Estudos
Avançados, <www.scielo.br>
depoimentos, façam parte do elenco de procedimentos a serem desenvolvidos pelos
pesquisadores em novos estudos com a mesma temática.
Espera-se que para mais pesquisas, um conjunto de 110 entidades – não sendo
consideradas as 25 entidades com as quais não foi possível manter contato – não se reduza
a uma amostra final de 19 entidades, ou seja, a 17% do universo potencialmente apto a
compor a pesquisa.
Ao final destas considerações, é lícito afirmar que, mesmo havendo a possibilidade
de aperfeiçoamento, o presente estudo ofereceu aos seus autores enriquecimento teórico,
bem como uma melhor qualificação profissional.

A última tarefa deseja solicitar a vocês que não se esqueçam do


quanto esta disciplina é fundamental para a própria vida,
especialmente para aqueles que desejam estar sempre em busca
de novos conhecimentos.
Obrigada a todos!

UM GRANDE ABRAÇO E ATÉ SEMPRE,


Profª (Jú)Lia
MANUAL DE NORMAS DA UNISANTA
[pesquisar no site da Universidade]
APÊNDICE A
MODELO GRÁFICO (BONECO)
PARA A ELABORAÇÃO DE
PROJETOS DE PESQUISA
“BONECO INICIAL”
NOME DA INSTITUIÇÃO
NOME DA FACULDADE – NÍVEL DO CURSO

NOME DOS AUTORES


NOME DOS AUTORES
NOME DOS AUTORES

TÍTULO DO PROJETO

MUNICÍPIO/UF
2.00......
NOME(S) DO(S) AUTOR (ES)

TÍTULO DO PROJETO

Projeto apresentado à Faculdade de


..........................................................................
......para avaliação bimestral da disciplina de
Metodologia da Pesquisa, sob orientação de:

Profª Drª Júlia A. Simões Felgar

MUNICÍPIO/UF
2......
SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO .................................................................................... 00

1 JUSTIFICATIVA ..................................................................................... 00
1.1 Interesse pessoal pelo tema ............................................................ 00
1.2 Relevância do tema .........................................................................
00

2 PROBLEMATIZAÇÃO ........................................................................... 00

3 OBJETIVOS ........................................................................................... 00
3.1 Objetivo geral ...................................................................................
00
3.2 Objetivos específicos .......................................................................

4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS .............................................. 00

5 CRONOGRAMA ................................................................................... 00

6 BIBLIOGRAFIA ...................................................................................... 00

7 PLANO PROVISÓRIO DA “MONOGRAFIA”** ...................................... 00

APÊNDICES ............................................................................................. 00

ANEXOS .................................................................................................... 00
** Monografia = modalidade de trabalho a ser desenvolvido. No caso, seria TCC ou
Relatório científico. O sumário está construído “dentro de uma tabela”, mas as bordas
verticais e horizontais estão ocultas e assim devem ficar. [verificar visualização].

Observações importantes

a) Este boneco deverá ser elaborado de forma a respeitar TODAS as normas de


apresentação gráfica de trabalhos acadêmicos. Dentre elas, aquela que estipula que as
páginas iniciais (sem registrar a capa, mas até o sumário) devem ser “contadas”, mas
não recebem numeração aparente. Por conseguinte, o tópico “apresentação” será
registrado, hipoteticamente, na p. 3 (dado um provável nº de páginas preenchidas até o
final do sumário). Assim, como a numeração só começa a aparecer nos elementos
textuais, estão criados dois arquivos, a saber: inicial boneco.doc e boneco textual.doc.

b) Este boneco se presta às mais variadas exigências para monografias; é preciso referir,
porém, que o diferencial fica por conta da complexidade e do aprofundamento
necessários aos estudos de cada tipo e de cada nível da monografia.
“BONECO TEXTUAL”
APRESENTAÇÃO

Esta página deve ser dedicada a uma pequena fala sobre o projeto que deverá
ser desenvolvido e sobre a exigência institucional de sua elaboração, sempre com vistas à
monografia que está sendo projetada (por ex.: um trabalho solicitado por alguma disciplina,
o Trabalho de Conclusão de Curso - TCC, dentre tantos outros.
Exemplo de “parágrafo” que pode iniciar a “apresentação do projeto”:
Este projeto procura evidenciar o tema escolhido como objeto de estudos em
sua relevância, bem como o interesse pessoal pela pesquisa, anunciando sua
problematização (hipóteses, indagações, pressupostos), objetivos, procedimentos
metodológicos, cronograma das atividades, plano provisório da monografia propriamente
dita e bibliografia, os quais constituem o caminho e os instrumentos para a consecução do
que é exigido institucionalmente.
Para continuar, é interessante que o (a) aluno(a) diga mais ou menos o que
segue:
A temática em pauta se preocupa com
..................................................................................................................................., ...

voltando-se para uma questão particular em âmbito dessa temática, a qual se identifica com
..........................................................., .................................................., constituindo, pois, o
enfoque central, ou seja, o objeto de estudo.

O elemento provocador deste estudo – PROBLEMA DA PESQUISA –, por


exemplo, está definido na seguinte questão: a configuração do desemprego, como um fato
social, político e econômico que aflige às diferentes sociedades, é um dado estrutural?
(deste problema decorre o objetivo geral – não se esquecer deste “pormenor”)
Observação: este “modelo” deve servir de base para o aluno que assim o desejar. Ele
apenas mostra um caminho...

Este é o momento de responder à pergunta: O QUÊ? (Qual o problema


central, elemento provocador deste estudo? Qual é o meu objeto de estudo?)
1 JUSTIFICATIVA

1.1 Interesse pessoal pelo tema

Este tópico deve dizer ao leitor/examinador como o tema tem ligação com a
própria vida do pesquisador. Não esquecer aquela célebre frase: “não somos nós que
escolhemos nossos temas; eles nos escolhem”.

Há sempre uma razão íntima, mais ou menos consciente, que leva o


pesquisador a desejar um determinado estudo/conhecimento. Este tópico deve falar dessa
razão.

Neste momento, o examinador pode “sentir” que há uma lógica pessoal na


escolha do objeto de estudo.

Haverá casos em que a escolha do tema tem meramente um sentido


pragmático, ou seja, atender à exigência institucional e legal. Pois bem, que essa
justificativa seja anunciada como um interesse definido pelas circunstâncias pessoais do
presente.

Responder à pergunta: POR QUÊ? (em uma perspectiva pessoal)


Porque para mim é um tema que fala de .................................................................
....................................................................................................................................................
............................................................................................................................
1.2 Relevância do tema

Este é um tópico fundamental, uma vez que irá expor a fundamentação teórica
referente ao tema, mostrando como o mesmo é importante, até por se mostrar presente
para as preocupações de muitos autores. (estado da arte – resgate da literatura).

Em um primeiro momento, para o procedimento metodológico destinado à


pesquisa bibliográfica, o aluno apenas irá anunciar os temas de leitura que deverá realizar
para a elaboração de sua monografia. Assim, o aluno mostrará um elenco de 5/6 temas
(eixos teóricos) que irão constituir seus focos de leitura (fundamentação teórica do estudo).
É INTERESSANTE APONTAR ALGUNS AUTORES QUE SERÃO A BASE
TANTO DA FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA COMO METODOLÓGICA PARA O FUTURO
DESENVOLVIMENTO DO PROJETO, OU SEJA, PARA A ELABORAÇÃO DA
MONOGRAFIA PROPRIAMENTE DITA.

Assim, em um segundo momento, esses eixos teóricos serão devidamente


desenvolvidos, mediante a leitura de textos pertinentes, e, posteriormente, irão constituir
capítulos teóricos da monografia. Não esquecer que, em latim, a palavra textum (texto)
significa “trama de fios”. Assim a monografia é uma “trama” de descobertas (estudo) e
de reflexões/conclusões (conhecimento).

Caso não haja pesquisa de campo, com este tópico o trabalho estará
praticamente pronto, desde que o projeto seja bem elaborado. Se houver pesquisa empírica,
ainda assim, para projetos bem elaborados, faltará apenas essa pesquisa.

Responder à pergunta: POR QUÊ? (na perspectiva de demonstrar a importância do


tema e fundamentar teoricamente o estudo que está sendo realizado)

Porque o tema tem, subjacentes a ele, questões fundamentais, a saber:


.......................................................................................................................................
....................................................................................................................................................
............................................................................................................................
2 PROBLEMATIZAÇÃO

Neste tópico, deve ser apresentada a “trama” de situações que estimulam à


pesquisa, ao estudo a respeito do tema.
Como visto em análise temática (SEVERINO, 2000), essas “inquietações e
dúvidas” constituem o elemento provocador de interesse e do desenvolvimento de dos
estudos.
São colocados alguns pressupostos (pontos de vista, pontos de partida, pontos
“de fé” do pesquisador), além de serem colocadas algumas inquietações e elaboradas
algumas hipóteses.
Assim, pode-se pressupor.
Ex. de pressuposto: Pressupõe-se que a má qualificação profissional
contribui para o alto índice de desempregados.
Levantam-se dúvidas, questionamentos, inclusive na forma de perguntas.
Ex. de questionamentos/dúvidas: Será que a má qualificação profissional
contribui para o desemprego?
Por outro lado, hipóteses trabalham com a conexão de diferentes fatores
(variáveis) e existem para serem testadas (comprovadas ou não – pouco importa).
Ex. de hipótese: Haveria uma correlação entre duas variáveis: a má
qualificação profissional e os altos índices de desemprego.
A problematização é, portanto, o momento do projeto em que se colocam todos
os pontos de vista e especulações/preocupações sobre o tema que se deseja estudar, não
esquecendo que os elementos da problematização devem, mediante uma diretriz
metodológica, nortear a construção dos objetivos específicos a serem almejados.

Esta é a reflexão que ANTECEDE a pergunta: PARA QUÊ? (ou seja: quais
são os objetivos específicos deste estudo?)
3 OBJETIVOS

3.1 Objetivo geral

O objetivo geral decorre do problema central da pesquisa. Se existe, como


“elemento provocador”, um problema relacionado ao baixo índice de inserção da população
economicamente ativa (PEA) no mercado formal de trabalho, na economia local, o objetivo
geral será ir à busca de respostas para essa questão básica.

3.2 Objetivos específicos

Ao retomar a problematização, o pesquisador saberá quais são seus objetivos


específicos, pois decorrem delas as ações que responderão ao PARA QUÊ está sendo
realizado o estudo. Devem ser elencados como alíneas, à margem esquerda, a saber:
a) estudar a qualificação profissional da população alvo da pesquisa;
b) avaliar a oferta de trabalho no locus da pesquisa;
c) levantar longitudinalmente (série histórica) os índices de desemprego do locus da
pesquisa;
d) etc. etc. etc..

Neste tópico, o projeto deve deixar claro ao leitor/examinador as finalidades que


determinam a escolha do objeto de estudo. O autor deve se perguntar: Afinal para quê
servirá este meu estudo? Para quê desejo estudar este tema? Para quais respostas oriento
este estudo?

Neste momento, então, responde-se à pergunta: PARA QUÊ?

Aconselha-se o uso do verbo no modo infinitivo, como forma de “induzir” à


formulação adequada dos objetivos. PARA: estudar / verificar / analisar / etc. etc..
4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Neste componente, o projeto irá apontar as “formas” adotadas para a realização


do estudo (O COMO FAZER).
O (autor) aluno poderá optar (segundo seu tema) apenas por pesquisa
bibliográfica; poderá optar por inserir uma pesquisa empírica (de campo); poderá optar por
um estudo descritivo/explicativo (pesquisa pura); poderá optar por um estudo de caráter
intervencionista (pesquisa aplicada) etc..

Essas opções decorrem todas não apenas das determinações pessoais ou do


próprio objeto de estudos, mas, especialmente, das determinações institucionais que devem
ser respeitadas e acatadas, pois fazem parte de um projeto pedagógico maior e abrangente:
linhas de pesquisa, áreas de concentração etc..
Poderá, ainda, manter uma abordagem qualitativa ou optar pela abordagem
quantitativa, devendo esta última estar totalmente amparada na ciência da estatística.
Considera-se que a pesquisa bibliográfica e seus devidos procedimentos
são INERENTES a toda monografia acadêmica, sendo impossível realizar um estudo sem
resgatar a contribuição de autores que se dedicam às questões ligadas ao tema. Para tanto,
há todo um conjunto de normas que indicam como fazer fichamentos e como apresentar as
referências bibliográficas no texto que está sendo produzido.
No caso em que o(s) autor(es) do trabalho opte(m) pela pesquisa de campo,
toda a ação deverá ser pormenorizada: definição do tipo de pesquisa, da abordagem, dos
sujeitos (amostra probabilística ou não), dos critérios utilizados para essa seleção e a
localização dos mesmos, tipo de instrumento de coleta de dados a ser aplicado e sua
respectiva justificativa, critérios de avaliação e interpretação dos resultados etc. – sempre à
luz da literatura que lhe dá embasamento teórico/operacional.
Em qualquer das alternativas, este tópico do projeto deve deixar claro ao
leitor/examinador COMO será executado o projeto em pauta – quais serão as ações, os
procedimentos que serão adotados para efetivamente elaborar o estudo proposto, ou seja,
atingir os objetivos elencados anteriormente.
5 CRONOGRAMA
Verifiquem exemplo no mês de agosto
mês/ano mês/ano mês/ano mês/ano mês/ano
períodos ago./14 fim do 1º fim do 2º
atividades bimestre bimestre
Orientações gerais XXX XXX XXX XXX

Elaboração preliminar das XXX XXX XXX


tarefas
1ª avaliação parcial da tarefa XXX
Pesquisa bibliográfica XXX XXX XXX XXX

Término das tarefas XXX

Apresentação e XXX
avaliação total das tarefas

Trata-se de um cronograma gráfico que procura mostrar, em tese, quais as etapas


de elaboração das tarefas que foram solicitadas. Ele deverá conter tantas ações quanto as
que se façam necessárias.

É perfeitamente compreensível que não haja uma referência à pesquisa de campo,


uma vez que ela não é realizada, mas apenas anunciada, enquanto o projeto está em
elaboração.
NESTE MOMENTO, REPONDE-SE À PERGUNTA: QUANDO?

O modelo acima deve ser adaptado às exigências do tempo (aquele em que o projeto
está sendo elaborado) e às exigências acadêmicas (avaliação da disciplina de
Metodologia, trabalho de conclusão, dissertação, tese etc.).
6 REFERÊNCIAS (BIBLIOGRAFIA)

a) Seguir, rigorosamente, as normas de apresentação – colocar bibliografia lida


(referida ou não no trabalho) e também aquela que será consultada.

b) Não se esquecer de registrar a pesquisa eletrônica, devidamente apresentada (ver


normas), sem esquecer a data de acesso ao site.

c) Considerar que ao registrar apenas os autores citados no trabalho, devem ser


apresentadas as referências bibliográficas ou apenas REFERÊNCIAS (ABNT,
14720-2011)

7 PLANO PROVISÓRIO

Neste momento final, o pesquisador procura “montar” a estrutura da monografia


que irá desenvolver. Com base nos eixos teóricos apresentados no projeto e com base na
pesquisa empírica (se houver), é possível construir o conteúdo do trabalho na forma de um
sumário, aqui denominado de plano provisório.
Assim, esse plano provisório (poderá ser reestruturado, se for preciso), deve
conter tópicos que apresentem ao leitor/examinador as pretensões futuras para a
elaboração final da monografia. (ver exemplo a seguir, cujo título provisório do trabalho é:
VIOLÊNCIA E SEGURANÇA PRIVADA):

INTRODUÇÃO

1 A QUESTÃO DA VIOLÊNCIA
1.1 Um resgate histórico
1.2 As diferentes faces da violência
1.2.1 A face da violência doméstica

2 A QUESTÃO DA SEGURANÇA CONTRA A VIOLÊNCIA


2.1 A seguranças pública
2.2 A segurança privada
2.2.1 Empresas privadas e a formação de seus agentes

3 UM ESTUDO SOBRE A SEGURANÇA OFERECIDA PELA EMPRESA “X”


3.1 Perfil da organização
3.2 Modus operandi: ações efetivas e eficazes
3.3 Uma interlocução
3.3.1 A interlocução com os agentes
3.3.2 A interlocução com os usuários
3.4 Síntese interpretativa

CONSIDERAÇÕES FINAIS / CONCLUSÃO


BIBLIOGRAFIA / REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

APÊNDICES (se houver)

ANEXOS (se houver)


8 APÊNDICES

Neste tópico aparecem todos os “documentos” elaborados pelo(s) autor(es)


do estudo – questionários, formulários, roteiro de questões para coleta de depoimentos,
cartas enviadas aos sujeitos da pesquisa ou a instituições, gráfico ou figuras não inseridos
no corpo do trabalho etc..

9 ANEXOS

São “documentos” não produzidos pelo(s) autor(es) do trabalho. Assim, todo o


qualquer material que se julgar conveniente colocar para maior esclarecimento ou
enriquecimento do trabalho, cuja autoria seja de terceiros, deve ser colocado sob a
nomenclatura de Anexo

OBSERVAÇÃO: Apêndices e Anexos são catalogados alfabeticamente. Ex.:

APÊNDICE A – Formulário utilizado para entrevista com os agentes.

APÊNDICE B - .............

ANEXO A – Quadro fornecido pela organização evidenciando o fluxo de suas ações

ANEXO B - ......................................
ANEXO A –
TEXTO PARA ANÁLISE