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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

PPGPSI

DISCIPLINA: Tópicos especiais em Análise institucional

Notas referente ao Seminário 6 - El"diario" por retroalimentación de Margaret Mead

● Mead foi uma antropóloga cultural norte-americana, que publicou seus trabalhos de
1928 a 1974. Seus estudos se concentraram em conhecer acerca de como se
formava feminino e masculino, a sexualidade, a adolescência, dentre outras coisas.
Realizou trabalho etnográfico em algumas ilhas da Polinésia, seus livros resultantes
destes estudos chocaram a sociedade americana. Depois de sua morte, um debate
levantado por outro antropólogo colocou em cheque todo o estudo feito por Mead.
Sendo algumas de suas descobertas invalidadas pela comunidade científica.
Margaret foi presença marcante na antropologia dos anos 50, com alta
produtividade, e reconhecido rigor fez parte de uma geração que estava produzindo
conhecimentos que questionavam o modelo de sociedade universal idealizado a
partir do homem branco ocidental. Isso não se fez sem custos, seus estudos não
foram bem recebidos, e em vida mas principalmente depois de sua morte sofreu
uma perseguição descarada, motivada podemos supor pela sua atitude de
vanguarda e por ser mulher que pesquisava sobre sexualidade. Lourau salienta para
o fato de um dos seus críticos mais ferrenhos- Derek Freeman- ter utilizado seus
dados de peso, altura e idade para descrevê-la , enquanto que a ao emissor da
crítica foi poupada tal exposição. A descrição física de Mead 1,59 de altura, 44
quilos e 23 ajudavam a compor uma imagem frágil e imatura ajudam a sugerir uma
tese facilmente questionável. Derek Freeman diz que Margaret era tão franzina que
se confundia com as jovens de samoa, que se parecia uma delas, e que isso tirava
sua credibilidade. Porém contraditoriamente em sua visita a samoa, utilizou suas
filhas adolescentes para obter informações das jovens, com a justificativa de suas
semelhanças favoreciam a pesquisa, justamente o que havia criticado em Mead.

● Os registros tomados aqui como diário de campo, são correspondências de


Margaret Mead referente ao período de 1925 a 1975. Tais
correspondências/autobiografia foram publicadas pela autora um ano antes de sua
morte em 1977.
● Partes dessas cartas já haviam sido publicadas como anexos em outros trabalhos
● As correspondências informam sobre os trabalhos mais importantes nos 50 anos de
pesquisas de Mead. São eles:

● 1)Samoa: septiembre de 1925 a marzo de 1926 - 18 cartas


● 2) Peré Village, Manus, Islas del Alrnitantazgo - 6 cartas
● (Nueva Guinea), 1928-1929
● 3) Reservación de Omaha (Estados U.) verano de 1930 - 1 carta
● 4) Nueva Guinea, 1931 a 1933 - 12 cartas
● 5) Bali, latmul, Nueva Gunea, 1936 a 1939 - 13 cartas
● 6) Regreso a Manus, Nueva Guinea, 1953 - 5 cartas
● A última parte da autobiografia foi escrita na forma de diário.
● Lourau apresenta extensamente a fiscalização de Freeman a obra de Mead.
Claramente o que está em jogo é uma perseguição pela sua condição de mulher.
Haja visto que a obra de freeman sobre ela foi considerada antiética pela
comunidade internacional de antropologia. Sobre a polêmica acerca dos modos de
vida dos adolescentes de samoa, há basicamente duas hipóteses aceitas pela
comunidade antropológica: há de que a sociedade samoana sofreu mudanças
bruscas depois dos estudos de Mead, ou , os ovens mentiram para ela. A opção por
cada versão tem um recorte de gênero, enquanto as mulheres antropólogas
acreditam na primeira hipótese, os homens costumam optar pela segunda.
Atribuindo a mead a inabilidade de entrevistadora e etnologia.
● Compondo a prática machista de Freeman, está a discordância teórica em relação a
Mead. O primeiro partidário da sociologia e etnologia humana, se contrapunha a
antropologia cultural.
● O que lourau apresenta para além do machismo intelectual, é um embate entre
pensamento movente e pensamento ancorado, ou, entre instituído e instituinte. Do
lado de Derek Freeman podemos observar um esforço em manter o status quo da
supremacia branca ocidental, que mantém com os sujeitos da pesquisa um lugar
verticalizado. no sentido de que o saber produzido ali só vai reinventar a
superioridade dos valores e da organização sociedade ocidental. Homens como ele
não se deixam encantar pelas novas terras e pelas antigas civilizações, ao ponto de
questionar os seus modos de vida e organização social.
● Freeman empreende tal fiscalização supostamente em nome de alguns
universitários samoanos que se sentiam ultrajados pelos escritos de Mead. O mito
do branco salvador se repete aqui. Lourau ressalta esse fato, ironizando o lugar de
salvador assumido por Freeman. reconhece entretanto que outras populações
tradicionais, já passaram pelo mesmo problema de terem sua cultura distorcida.
● Faz críticas a cientificidade falida da etnografia participante, pois o que se verifica é
um faz de conta de co-participação na pesquisa. Onde de fato o objeto da pesquisa
fica restrito somente a verificação posterior do grau de fidedignidade do relato
produzido.
● Lourau aponta como uma pretensão por neutralidade e cientificidade, acabam
produzindo uma percepção absolutamente artificial do objeto a ser pesquisado.
“Onde o ato de investigação aparentemente mais científico, mais original, revela ser
um ato estupidamente falido.” p. 112
● Nesse fragmento em que Lourau detalha o método de diarístico por
retroalimentação, é possível notar os buracos deixados pelo método pretensamente
científico, e que vão ser revistas pela Análise institucional. Primeiro exemplo:
durante a pesquisa o etnólogo coleta dados, faz seus registros, suas inferências,
interpretações e suposições, é só depois do material acerca daquela população está
concluído, que ela é convocada a conhecer tal material, com o fim de confirmar a
veracidade do estudo. Isso se difere radicalmente da prática da restituição em AI.
Pois essa é feita processualmente durante a pesquisa, junto dos sujeitos
pesquisados, com o intuito de produzir análise, não de verificar a veracidade.
● Lourau coloca em análise o desejo de Mead em se aventurar pelo mundo de
maneira bastante edipiana.
● Ao decorrer da análise feita por lourau do desejo de Margaret, fico pensando no meu
desejo enquanto pesquisadora, na minha relação com meu problema de pesquisa,
minha relação com meus orientadores. Tenho sentido no corpo, como minha relação
de dependência com os mestres, em carne e osso ou dos livros, tem me deixado
insegura na hora de escrever, tem dificultado meus exercício de mestria na hora de
escrever sobre o que eu leio. Tem sido difícil escrever sobre aquilo que leio, difícil
inscrever o que penso/sou naquilo que escrevo. O que é diferente hoje? Somos mais
independentes que Margaret?
● O trabalho de Mead só vai ser validado pela comunidade antropológica, quando ela
o faz com um marido e uma equipe na Nova Guiné.
● Após a segunda guerra mundial, as visitas feitas por mead se tornam mais curtas, e
rápidas, o meio de transporte se torna o avião e o meio de registro das entrevistas o
gravador.
● Seguindo o percurso de produção da obra da antropóloga, é possível perceber como
a sua inexperiência e juventude forneceu condições para o rompimento com uma
visão tradicional. Ao escrever cartas a família e amigos, ela colocava suas
angústias, o que segundo a própria autora a ajudava a elaborar as experiência
vividas. Em resumo, ao deixar aparecer aspectos da sua vida pessoal, margaret
inventa um método.
● No decorrer de sua obra as diferenças entre o diário e o texto publicado tendem a
desaparecer. Por efeito de intimismo no texto oficial, ou pelo desaparecimento da
pessoalidade no diário?
● A autora diferencia suas cartas do seu diário. Deixa claro que seu diário não era
escrito ao moldes de um diário íntimo, onde ficava registrado os pensamentos
inconfessáveis. Suas cartas era parte do exercício de retroalimentação do diário de
campo, o feedback obtido através da correspondência compunha o texto Mead.
● É preciso ressaltar que nesse exercício de retroalimentação do diário as populações
estudadas ficavam de fora.
● Mead faz críticas aos diários,por enxergar esses textos como pouco pragmáticos e
profissionais. Lida com suas notas de diário como um compromisso de fornecer
informações aos antropólogos que viriam depois dela.
● Lourau por fim coloca em questão o porquê da classificação do diário, ou, extra-texto
como menor.

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