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Resumos Psicologia – 2º Período

Cognição, emoção e conação são processos mentais relacionados, desenhando entre si um


conjunto de interações de modo a constituírem uma unidade global e integrada.

Mente: conjunto dinâmico de processos cognitivos, emocionais e conativos, Cognição (saber)


onde se conjugam fenómenos conscientes e inconscientes. É na mente que
se dá a atividade psíquica e onde se constrói a noção do EU, sendo um
sistema que não se limita a captar informação do exterior, mas que atribui
um significado a essa mesma informação em função da qualidade da rede
neuronal, das experiências anteriores do individuo e das influências sociais
e culturais. A mente tem um carácter único, subjetivo e pessoal. Conação (agir/fazer) Emoção (sentir)

➢ Processos cognitivos – o saber (o quê?)


Conjunto de mecanismos que um organismo ativa para adquirir, conservar e explorar
informação. Atividades mentais implicadas na aquisição, na compreensão, no processamento e
na comunicação de informação.
Processos envolvidos na cognição: perceção, memória e aprendizagem.

➢ Processos emocionais – o sentir (Como?)


Referem-se aos aspetos afetivos, agradáveis ou desagradáveis, que acompanham as nossas
vivências.
Para compreender os processos emocionais temos de nos debruçar sobre a forma como
emoções, afetos e sentimentos se interligam entre si.

➢ Processos conativos – o agir/fazer (Porquê?)


Processos mentais envolvidos na ação deliberada e intencional. Dizem respeito às tendências,
motivações e intenções que impulsionam o ser humano a agir no meio físico e social que o
rodeia.
O que caracteriza a atividade humana é o seu carácter intencional, ou seja, o facto de ser
orientado para determinados fins. Temos de recorrer a atividades mentais (deliberar, refletir,
analisar, imaginar as consequências e tomar decisões) para resolver os problemas.

Tradicionalmente, tinha-se uma conceção restrita da mente, atribuindo-lhe funções meramente


cognitivas. Esta conceção impôs-se durante vários séculos como modelo de racionalidade,
desqualificando-se a emoção e o desejo (considerados elementos “poluentes” nas tarefas
cognitivas.

Mente Corpo, sensibilidade, emoções,


afetos

Parte mais digna do ser humano Obstáculos das atividades pensantes

Superioridade do raciocínio sobre os afetos.

Nos finais do século XX, a afetividade e a subjetividade afirmaram-se como categorias


importantes na aquisição de conhecimento. – Novo conceito de mente (três processos).

Processos cognitivos: associados à objetividade e impessoalidade.


Processos emocionais: associados à subjetividade e individualidade.
Processos conativos: associados à vontade, expressando-se em comportamentos.
1. A natureza dos processos cognitivos

Processos básicos implicados nas nossas cognições:


• Perceção: liga-nos ao mundo, visto que é ela que organiza e interpreta as sensações de
modo a reconhecermos e identificarmos o que se passa à nossa volta.
• Aprendizagem: consiste na construção de novos conhecimentos e de novas maneiras
de agir. É uma modificação estável no conhecimento, provocada pela experiência.
• Memória: habilita-nos a viajar no tempo e no espaço e é um processo de retenção e
recordação de informação.

I. Perceção – captação significativa do mundo

Sensação: pura captação de estímulos pelos órgãos dos sentidos (órgãos sensoriais).
o Olhos: captam estímulos visuais
o Ouvidos: captam estímulos auditivos
o Etc

Através das sensações, vemos luzes e cores, ouvimos sons, etc... e é com essas sensações que
se inicia o conhecimento, mas este não termina com elas. Não basta sentir os estímulos; é
necessário interpretá-los.

As sensações (base elementar do conhecimento) organizam-se em perceções que envolvem a


organização e interpretação da informação sensorial que nos permite identificar objetos e
conhecimentos.
A perceção é uma operação cognitiva essencial para a compreensão do mundo à nossa volta.
Sensação: capta os estímulos sensoriais;
Perceção: interpreta e organiza essa informação.

Os estímulos são mudos. Apenas dizem alguma coisa quando são sujeitos a um processo de
“leitura”. Portanto, são as áreas especificas do córtex que descodificam esses estímulos.

Analogia com o funcionamento de um computador

As teclas do computador enviam Impulsos semelhantes são provocados no


informações sob forma de impulsos organismo quando os estímulos físicos
1 elétricos contactam com os órgãos recetores

É necessário um programa para Esta função é desempenhada pelo


2 processas a informação cérebro, que descodifica os impulsos
elétricos, atribuindo-lhes significado
Existem mecanismos condutores a Os nervos exercem esta função, pondo
3 estabelecer as ligações em contacto os órgãos dos sentidos com
os centos nervosos de descodificação

Para que os estímulos percam a mudez é necessário que o ser humano disponha de estruturas
neurológicas capazes de os captar e de os interpretar, descodificando a mensagem que
veiculam.
Contudo, o processamento cerebral de toda a informação recebida é impossível. Por isso,
dispomos de um mecanismo seletivo: a atenção.
Atenção: espécie de foco que lançamos sobre determinados aspetos do real, filtrando ou
bloqueando o processamento de algumas estimulações para que possamos responder a outras.

o Voluntária: depende do individuo, dos seus interesses e motivações;


o Involuntária: é despertada pelo meio exterior, evidenciando um objeto em relação aos
restantes.

Fatores que condicionam a atenção:


➔ Externos, inerentes aos estímulos do meio – evidenciam o objeto de modo a cativar
involuntariamente a atenção do sujeito (ligados ao objeto)
• Intensidade • Luminosidade
• Contraste • Cor
• Movimento • Novidade
• Tamanho

➔ Internos, inerentes ao ser humano – funcionam como critérios seletivos prévios,


predispondo-o a dar atenção a umas coisas em detrimento de outras (ligados ao sujeito)
• Necessidades • Expectativas
• Motivações • Profissão
• Gostos • Experiências
• Hábitos

O sujeito é um recetor ativo, cabendo-lhe o papel de descodificar os dados captados. A perceção


é uma construção cerebral de cada um, pelo que a objetividade do mundo é interpretada
subjetivamente em função dos significados que cada um atribui ao que o rodeia.

Fatores de significação: idade, sexo, contexto cultural, motivações, atividade profissional,


experiência anterior, expectativas, estatuto social.
O facto de cada sujeito projetar significações no que o rodeia, faz com que a perceção seja uma
construção recriada do mundo.

II. Aprendizagem
A aprendizagem é uma alteração relativamente estável do comportamento ou do
conhecimento, devida à experiência, ao treino e ao estatuto.

Elementos caracterizadores da aprendizagem:


o É sempre uma alteração comportamental relativamente a um estado anterior;
o As modificações têm que apresentar um carácter duradouro (ex. leitura e escrita);
o A aprendizagem implica experiência, prática, treino ou estudo.

!Nota! As mudanças que ocorrem devido à maturação neurológica, ao cansaço, a acidentes, a


doenças, ao álcool ou ás drogas não se inscrevem na aprendizagem.

Processos de aprendizagem

1) Aprendizagem por habituação: ocorre quando, num determinado contexto, somos


repetidamente expostos a um determinado tipo de estímulo e, por habituação, este
torna-se familiar e aprendemos a ignorá-lo. (ex. andar de autocarro)
2) Aprendizagem associativa: associação de dois estímulos ou de certos estímulos a
determinados comportamentos (ex. associar a luz do relâmpago ao som do trovão)

3) Aprendizagem pela ação: certas coisas só conseguimos aprender através da prática,


como andar de bicicleta, cozinhar ou conduzir. Outras coisas, apesar de podermos
aprender sem recurso à prática, podem ser reforçados pela mesma.

4) Aprendizagem simbólica: através da manipulação de símbolos aprendemos significados


e adquirimos conhecimentos/competências que podemos transmitir aos outros.

5) Aprendizagem social: aprendizagem que fazemos em contexto social, através da


observação e imitação daqueles que nos rodeiam. (conclusão de Bandura)

Albert Bandura dedicou-se ao estudo deste tipo de aprendizagem (social). Tinha como objetivo:
compreender como é que, a par das pessoas com comportamentos socialmente ajustados,
existem outras que desenvolvem condutas agressivas, medos e fobias, dificultando o
relacionamento pessoal e social.

Situação Experimental
1. Foram constituídos 3 grupos de crianças em idade pré-escolar:
2. Algumas crianças observaram um vídeo com um adulto a agredir o palhaço
3. Algumas viram o adulto a ser elogiado pelo seu comportamento (1 grupo)
4. Outras viram o adulto ser repreendido (1 grupo)
5. Outras não viram o vídeo (1 grupo)
6. Depois, as crianças foram deixadas numa sala com vários brinquedos, entre os quais se
encontrava o palhaço.
Resultado: As crianças que tinham assistido ao vídeo tinham tendência para reproduzir os
comportamentos que observaram, desenvolvendo interações agressivas com o palhaço;
sobretudo aquelas que viram o adulto ser elogiado. // As crianças que não assistiram ao vídeo
não apresentaram essa tendência.

- Modelagem: aprendizagem social por observação e imitação de modelos, ou seja, de pessoas


significativas.
As pessoas podem modelar os seus atos tomando como referência pessoas com
comportamentos sociais negativos ou positivos.

Segundo Bandura, existem dois tipos de reforço:


• Reforço direto: recai diretamente sobre o sujeito que pratica a ação;
• Reforço indireto ou vicariante: quando um comportamento é reforçado porque se viu
alguém ser recompensado/elogiado pelo mesmo; o reforço não recai diretamente sobre
aquele que executa a ação.

Fatores que condicionam a aprendizagem


o Inteligência o Experiências anteriores
o Motivação o Meio sociocultural

Quanto mais inteligentes formos, maior capacidade de aprender temos; quanto mais motivados
estivermos para uma determinada aprendizagem, mais facilmente mobilizamos recursos à sua
aquisição; as experiências anteriores também podem facilitar/dificultar a aprendizagem.
III. Memória
Processo através do qual codificamos, armazenamos e recordamos informações; é o suporte
essencial de todos os processos de aprendizagem, permitindo ao ser humano um sistema de
referências relativos à sua experiência vivida e ao reconhecimento de si.
Aprendizagem e memória – Processos indissociáveis

Etapas do processo de memorização (mnésico)


1. Codificação: a informação é recebida, tendo que ser devidamente preparada para que
o armazenamento possa ser feito.
2. Armazenamento: depois do tratamento das informações, estas são arquivadas na
memória.
3. Recuperação: ativação de um conteúdo anteriormente armazenado.
4. Esquecimento: desaparecimento de dados anteriormente armazenados, essencial para
a aquisição de novos conteúdos.

➔ 3 tipos de memória (ver página 115)

- Memória sensorial
Regista as impressões visuais, auditivas, gustativas, olfativas ou táteis sem as processar e
conserva-as durante ¼ de segundo (0,25 segundos)
Não alvo de atenção: deterioração;
desaparecimento imediato

Dados brutos da memória sensorial


Alvo de atenção: transferência para a
memória a curto prazo

- Memória a curto prazo


É considerada o centro da consciência, na medida em que é nela que se encontram os
pensamentos, as informações e as lembranças que estamos a utilizar em determinado
momento.
Função: reter temporariamente a informação (0,60 segundos); as informações só estão lá
disponíveis durante o tempo necessário para serem utilizadas (ex. numero de telefone)

• Se houver interferências, as informações deterioram-se e desaparecem;


• Se houver repetição, as informações mantêm-se por mais tempo, podendo passar para
a memória a longo prazo.

- Memória a longo prazo


É o armazém de um grande número de informações, onde ficam retidas por tempo
indeterminado. Estamos continuamente a recuperar informação da memória a longo prazo,
sendo a recordação um processo gerido pela memória a curto prazo.

!Nota! Modelo de processamento de informação de Atkinson-Shiffrin (página 116)

Fatores de esquecimento
Segundo Shiffrinm a aprendizagem implica transferência de dados do depósito a curto prazo
para o depósito a longo prazo e, durante a recuperação, deste último para o primeiro. Esta
recuperação faz-se, normalmente, sem esforço. Porém, há momentos em que se apresenta
difícil (esquecimento).
Fatores responsáveis pelo esquecimento

1) Distorção do traço mnésico:


Muito do que aprendemos desaparece ao longo do tempo. E relativamente ao que retemos,
podem ocorrer modificações que deturpam o que inicialmente foi aprendido. Esta distorção
deve-se a falhas:
• Falhas na codificação: quando lemos um texto e não prestamos atenção àquilo que está
escrito, não é possível que nos lembremos do seu conteúdo. Não sendo codificado, o
material não é armazenado ou, então, é-o de forma incorreta.
• Falhas no armazenamento: os conhecimentos armazenados na memória a longo prazo
estão sujeitos também a falhas e perdas. Nestas falhas interfere o fator tempo, as
atividades da pessoa e outros mecanismos de inibição.
• Falhas na recuperação: devem-se à interferência de outras informações, a erros na
recuperação dos sinais que dão acesso ao local onde a informação está armazenada, à
supressão de um pensamento ou acontecimento que provoca perturbação no sujeitou
ou ainda ao desaparecimento da informação por falta de ativação.

2) Interferência de outras aprendizagens:


A interferência de outras aprendizagens pode também conduzir ao esquecimento ou à
incapacidade de recordar um determinado conteúdo. Essa interferência pode ocorrer de forma
proativa ou retroativa.
A nova informação impede
Influência retroativa a memorização de uma
informação anterior.

Informação Informação
Velha
Nova
Influência proativa
A recordação de uma
informação anterior impede
a memorização de uma
nova informação.

As interferências retroativas e proactivas variam na razão direta das semelhanças existentes


entre os conteúdos: há mais interferências na recordação de conteúdos semelhantes do que na
recordação de conteúdos díspares.

3) Motivação inconsciente:
Segundo Freud, o processo de esquecimento é seletivo: não esquecemos tudo, mas apenas
aquilo que inconscientemente nos interessa esquecer. O caráter incomodativo de recordações
como a dor, o medo, a ansiedade faz com que sejam reprimidas, isto é, afastadas da consciência.

Recalcamento/repressão: tendência para evitar inconscientemente a recordação de certas


impressões e situações penosas.
O esquecimento apresenta uma dimensão positiva, na medida em que filtra os conteúdos
mnésicos, eliminando as de menor interesse e permitindo novas aquisições.

Sem memória não há cognição nem aprendizagem; é a memória que suporta os nossos
estados mentais.
2. A natureza dos processos emocionais
Não somos indiferentes ao mundo que nos rodeia, somos positiva ou negativamente afetados
por vários fatores.

i. Afetos, emoções e sentimentos


• Afetos: “bipolaridade”. Essa bipolaridade desempenha um papel fundamental na nossa
sobrevivência e adaptação.
Afeto: estado psíquico elementar que corresponde a uma avaliação (positiva/negativa) da
realidade.
o Emoções: reações intensas e de curta duração, que se caracterizam por um
conjunto de alterações fisiológicas no organismo e que se manifestam por sinais
visíveis.
o Sentimentos: estados psíquicos mais íntimos/privados, relativamente estáveis
e de intensidade moderada, que se prolongam no tempo. Processo de tomada
de consciência da forma como somos afetados.

Emoções Sentimentos
Forte componente expressiva Vividos numa esfera interior,
comunicacional, voltada para o íntima e privada
exterior

Segundo António Damásio, as emoções devem ser associadas a alterações corporais e os


sentimentos à experiência consciente dessas alterações.

ii. Componentes das emoções


De entre as alterações corporais características das emoções destacam-se as reações
fisiológicas (involuntárias) e as manifestações expressivas (observáveis).
As reações fisiológicas associam-se à necessidade de preservação, de defesa e de adaptação
do organismo. Por exemplo:
• Ritmo respiratório intensifica-se para que o oxigénio abasteça os órgãos em situação de
desgaste;
• A aceleração do ritmo cardíaco faz afluir o sangue ao coração, ao sistema nervoso e aos
músculos para se poder pensar/agir com maior rapidez;
• Etc

Algumas destas alterações são facilmente observadas pelas pessoas, outras são mais subtis e
não são identificáveis à primeira vista. Contudo, podem ser detetadas com a ajuda de um
polígrafo – usado para avaliar a excitação nervosa através de alterações respiratórias, pressão
arterial e transpiração. (Não é fidedigno)

Todas as reações fisiológicas são coordenadas pela colaboração integrada do sistema nervoso
autónomo e do sistema nervoso central. Sistema nervoso autónomo – secção do sistema
nervoso periférico (espécie de piloto automático), que consiste num mecanismo de
autorregulação que controla o funcionamento interno do organismo, nomeadamente os
batimentos cardíacos e a digestão. É constituído pelas divisões simpática e parassimpática, que
possuem funções diferenciadas e antagónicas, mas coordenadas. Divisão simpática – situações
de emergência; divisão parassimpática – situações de tranquilidade.
O sistema nervoso central dispõe do sistema límbico, que ativa o sistema simpático para reagir
de modo urgente, e do sistema ativador reticular, que desperta o córtex para intervir nas
respostas a efetuar.

As reações expressivas dizem respeito a um conjunto de sinais constituído por lágrimas,


sorrisos, gestos, olhares, vozes e outros indicativos do rosto de acompanham a atitude corporal
no decorrer dos estados emocionais. São úteis para que as outras pessoas possam adaptar o seu
comportamento ao sujeito que está a passar por determinado estado emocional.

O nosso conhecimento da componente expressiva das emoções deve-se ao trabalho de Paul


Ekman que acreditava que culturas diferentes teriam emoções diferentes. Para comprovar a sua
hipótese realizou uma investigação:
1. Apresentou uma história a uma tribo que vivia isolada do mundo ocidental, na Papua
Nova Guiné.
2. Mostrou-lhes fotografias com expressões faciais e pediu-lhes que relacionassem com os
momentos da história que lhes parecessem adequados.
3. Fotografou os nativos enquanto estes expressavam as mesmas emoções.
4. Repetiu a experiência nos EUA com as fotografias que recolheu na sua expedição.
Contrariamente às suas expectativas, constatou que quer as seis emoções quer a forma de as
expressar eram comuns aos dois povos. Experiências como estas foram repetidas em várias
partes do mundo e todas elas reforçam que existem emoções básicas e universais, que se
expressam de forma semelhante em diferentes partes do mundo.

iii. Emoções primárias e secundárias


O trabalho de Paul veio reforçar uma hipótese explorada por Charles Darwin – acreditava que
as emoções eram universais e inatas porque resultavam do processo de evolução por seleção
natural. Além de estudos comparativos entre diferentes povos, Darwin comparou a expressão
das emoções dos seres humanos com a de outros animais; também observou a expressão das
emoções dos seus filhos durante a infância, pois a confirmação da sua hipótese exigia que esse
tipo de reações se manifestasse numa etapa precoce do desenvolvimento. Só assim poderiam
saber que esse tipo de comportamentos se deve a uma tendência biológica, inata e
predeterminada, selecionada pela evolução e não ao processo de socialização.

Conclusão: existem seis emoções básicas e universais: alegria, tristeza, medo, cólera, surpresa e
aversão. O valor adaptativo destas emoções traduz-se a nível da ativação para a ação e a nível
comunicacional.
A universalidade das emoções não invalida a diversidade dos comportamentos emotivos,
motivada por aspetos que se prendem com a sociedade e a cultura. Os especialistas consideram
que é importante distinguir emoções básicas/primárias de emoções sociais/secundárias.

• Emoções primárias: dependem do sistema nervoso autónomo e do sistema límbico;


forte componente inata, o que determina o seu caráter universal e a sua ocorrência nas
crianças de tenra idade.
• Emoções secundárias: envolvem a participação do córtex pré-frontal; derivadas das
primárias, manifestam-se quando os indivíduos já são capazes de avaliar as situações, o
que significa serem influenciadas pela aprendizagem feita no meio social e cultural.

iv. Damásio e a teoria do marcador somático


As emoções desempenham um papel determinante no processo de tomada de decisão. Antes
de tomarmos uma decisão, fazemos normalmente uma avaliação das consequências possíveis,
procurando prever o que nos vai acontecer de agradável/desagradável. Este processo pode ser
demorado ou infindável.
Os marcadores somáticos consistem num mecanismo biofisiológico que marca positiva ou
negativamente diferentes cursos de ação disponíveis, favorecendo a eficácia do processo de
tomada de decisão, ou seja, é um mecanismo que nos ajuda a tomar decisões.
Possibilitam uma tomada de decisão mesmo que não tenhamos elementos para decidir
racionalmente.

Segundo António Damásio, o marcador somático possui uma base orgânica e é desencadeado
pela modificação de padrões neuronais inatos cujo objetivo consiste em garantir a
sobrevivência. Porém, o seu funcionamento depende da aprendizagem, pois necessita a
associação de certos factos e sensações agradáveis/desagradáveis.
• Quando o marcador avalia a situação de forma positiva, funciona como um incentivo;
• Quando o marcador avalia a situação de forma negativa, funciona como uma
campainha de alarme, inibindo o comportamento.

É um mecanismo involuntário, tendo em conta que os marcadores somáticos não eliminam a


vontade do agente, tomando decisões pelas pessoas; Simplesmente eliminam algumas opções
e evidenciam outras.

Tese de Damásio: É absurdo separar cognição de emoção, na medida em que o funcionamento


equilibrado da mente só é possível mediante a intervenção coordenada e complementar destes
dois processos.

Esta conclusão baseia-se no estudo de casos como o de Phineas Gage e de Elliot, pessoas que,
devido a lesões no córtex pré-frontal, perderam a capacidade de se emocionar ou de gerir
adequadamente as suas emoções. (Página 128 e 129).

Segundo Damásio, as dificuldades de Gage e de Elliot em tomar decisões estavam relacionadas


com a incapacidade de fazer circular informação proveniente dos centros emocionais (sistema
límbico) para os centros de coordenação e decisão (córtex pré-frontal) e vice-versa.

A sobrevivência do ser humano põe em causa a sua racionalidade, constituída pelas capacidades
cognitivas e pelas emoções.

3. A natureza dos processos conativos


Tendência do ser humano para agir com vista a um objetivo.

A. Intencionalidade e tendência
Ação humana – intencional. Na base da ação há intenções que têm de ser detetadas, para que
se possa compreender os comportamentos do ser humano. A intenção corresponde ao
“porquê?” da ação, à finalidade ou ao objetivo de um ato/comportamento.
Atos humanos constituídos por duas partes independentes:
• Intenção ou projeto, referente a uma representação mental e antecipada do que se quer
fazer;
• A ação, referente à concretização ou realização do projeto concebido.

- Intenção: diz respeito ao que o ser humano se propõe realizar; é uma antecipação da ação;
nela se inclui todo o processo através do qual se pensou e planificou, a ponderação de todos os
motivos, a escolha dos meios para a colocar em prática e a avaliação das consequências da sua
realização.
- Ação: atos que concretizam a intenção.
Nem sempre os seres humanos estão conscientes do que querem fazer e dos motivos pelos
quais fazem aquilo que fazem.

Etapas do “ciclo motivacional”:


➔ Surge a necessidade, um estado de desequilíbrio provocado por uma carência/privação
(falta de alimento);
➔ Sentimos um impulso, um estado de tensão que ativa e direciona o organismo para um
determinado comportamento (vontade de ingerir alimentos);
➔ Executamos o comportamento, isto é, realizamos a atividade desenvolvida e
desencadeada pela pulsão (procura e ingestão de alimentos);
➔ Segue-se a saciedade, ou seja, a redução/eliminação da pulsão, restabelecendo o
equilíbrio do organismo (desaparecimento da fome).

Para compreender um determinado comportamento, temos de saber o que é que levou o


individuo a agir dessa forma. A motivação pode ser intrínseca (comportamento desencadeado
por fatores internos) ou extrínseca (fatores externos). Na maior parte das vezes há um misto
dos dois tipos de motivação.

Além disso, a motivação pode ser classificada quanto à sua origem e quanto ao seu objeto.

Quanto à origem
Necessidades naturais/básicas e são independentes da aprendizagem.
Primárias - Tendência à preservação do individuo: conservação, nutrição, defesa,
movimentos.
- Tendência à conservação da espécie: reprodução
Necessidades sociais e são adquiridas por aprendizagem.
Secundárias - Tendência para a música, desporto, aptidão para o desenho ou
matemática, vocação para a medicina, etc

Quanto ao objeto
Interesses relacionados com a conservação e o crescimento/progressão
Individuais de cada ser humano.
- Orgânicas: alimento, atividade, descanso, conforto, saúde
- Psíquicas: competição, amor-próprio, posse, ambição
Estabelecimento de relações com os outros, sendo a base da vida social.
Sociais - Imitação, inserção e promoção social, simpatia, partilha, execução de
atividades conjuntas, patriotismo, consciência, solidariedade, etc
Promovem os valores.
Ideias - Intelectuais: conhecimento, curiosidade, compreensão, verdade.
- Morais: bem, justiça, liberdade, solidariedade, igualdade.
- Estética: inclinação para a beleza e para a arte.

B. Esforço de realização
O esforço de realização diz respeito ao empenho que colocamos nas atividades que
desenvolvemos para atingir os objetivos selecionados.
Abraham Maslow estudou as necessidades que nos impulsionam a agir e apercebeu-se de que
estas obedecem a uma hierarquia, que pode ser esquematizada sob a forma de uma pirâmide.

Necessidades psicológicas
Necessidades de
Necessidades básicas autorrealização
Necessidades de estima:
autoestima, reconhecimento,
prestígio, competência,
autonomia

Necessidades sociais: aceitação, Necessidades de realização


afeto, afiliação, amor, necessidade pessoal
de pertença
Necessidades de segurança: estabilidade,
proteção, ausência de medo, necessidade de
ordem

Necessidades fisiológicas: comida, abrigo, roupa, conforto,


sexo, necessidades sensoriais

1. Necessidades fisiológicas: correspondem às necessidades orgânicas situadas na base da


pirâmide. Sem alimentação, água, oxigénio, sono, atividade e estimulação sensorial, o
individuo não sobrevive.
2. Necessidades de segurança: uma vez assegurado o seu bem-estar fisiológico, o ser
humano começa a sentir necessidades relativas à segurança tentando escapar a
diversos graus de ansiedade respeitante a situações de perigo.
3. Necessidades sociais: as necessidades de amor e de pertença reportam às relações
mãe-filho. A satisfação desta necessidade é conseguida quando a pessoa sente que
pertence a alguém e a algum lugar, que é querida e desejada e que faz parte de grupos
em que é aceite e tratada com afeto.
4. Necessidades de estima: necessidade de ser estimado, de sentir aceitação, o respeito,
a admiração e a simpatia dos que o rodeiam. Quando isto acontece torna-se
autoconfiante.
5. Necessidades de autorrealização: finalmente, a necessidade do ser humano realizar as
suas potencialidades.

Pressupostos:
- As pessoas só tendem a atingir um nível superior de motivação se as necessidades dos níveis
inferiores estiverem satisfeitas.
- À medida que se sobe a escala hierárquica de tendências, vai crescendo a diferença entre o
que é comum a homens e animais e o que é especifico dos seres humanos.
- As necessidades dos níveis inferiores são sentidas por todos os seres humanos, enquanto as
necessidades superiores surgem apenas num número cada vez mais reduzido de pessoas.

Segundo Maslow, a realização pessoal é uma construção continuada cujo trajeto implica que as
necessidades de cada estádio sejam satisfeitas. Em suma, sobreviver, sentir-se seguro, ter um
clima afetuoso, ser estimado e desenvolver as suas potencialidades são degraus ascendentes
que conduzem à autorrealização.
Por vezes, estamos dispostos a sacrificar as nossas necessidades básicas para satisfazer
necessidades de nível superior. À medida que se soba na escala, uma maior dose de esforço e
um maior refinamento de competências são exigidos: força de vontade, empenho, firmeza de
caráter, tolerância, capacidades criativas e capacidade de autocrítica. Requer-se ainda iniciativa,
desejo de enfrentar situações novas e coragem para assumir riscos.

Elementos que interferem nas decisões: Mas isso não significa que as escolhas resultem
- Cognições diretamente destes fatores. A vontade desempenha um
- Paixões papel de unificação e de síntese; surge como uma
- Certas patologias capacidade de gerir desejos e tendências em confronto.
- Hereditariedade
- Desejos
- Cultura
- Sociedade

➢ As dimensões biológicas e sociais dos processos cognitivos, emocionais e conativos


As tendências do ser humano podem estar próximas das necessidades básicas de cariz biológico
ou associar-se a aspetos de natureza sociocultural. Por isso, o ser humano é um ser
biossociocultural. (biocultural)

- Natureza biológica e sociocultural da mente


É difícil distinguir, no ser humano, o que é natural e o que é cultural. A dimensão biológica
manifesta-se em aspetos básicos e hereditários, nomeadamente nos que se associam à
anatomia e à fisiologia do ser humano. A dimensão social manifesta-se praticamente em todos
os aspetos comportamentais, inclusivamente nas condutas básicas que, de uma forma ou de
outra, acusam influencias de natureza cultural.

As dimensões biológica e sociocultural fazem-se sentir nas necessidades e nos desejos, forças
impulsionadoras da ação.

o A alimentação
A procura de alimento é desencadeada por alterações na composição química do sangue,
estimuladoras dos centros reguladores da fome situados no hipotálamo. Dois centros:
• Centro inibidor, que, quando lesado, leva o individuo a não parar de comer, porque não
deixa de ter fome, aumentando excessivamente de peso.
• Centro ativador da fome, cuja lesão retira a fome ao individuo, que deixa de se
alimentar, conduzindo-o à morte.
No estado normal de funcionamento, estes dois centros controlam adequadamente a conduta
alimentar. Contudo, esta base biológica não é suficiente para explicar os atos implicados na
alimentação humana. Os hábitos alimentares do ser humano dependem, em grande parte, da
aprendizagem de costumes socioculturais.

o A alimentação e a sexualidade são dois exemplos da natureza biológica e sociocultural


da mente
Também a necessidade sexual gera um impulso que leva o individuo a desenvolver uma série de
comportamentos que visam a sua satisfação. No homem observam-se interferências de
natureza social e cultural. Os sinais exteriores são aprendidos e interpretados de acordo com
significados sociais; entre os indícios sexuais incluem-se aspetos relacionados com o que é
fisicamente atraente. Os sinais associam-se também ao uso de adereções, maquilhagem,
perfumes ou roupas e à adoção de gestos, posturas corporais e olhares.
No que diz respeito à sexualidade, talvez seja ao nível do cortejamento e do ato sexual que a
natureza sociocultural da mente humana mais se faz sentir. Na nossa sociedade espera-se que
seja o homem a tomar a iniciativa; noutras sociedades é diferente. O comportamento sexual
envolve ainda elementos mentais de ordem afetiva, como certas emoções e sentimentos

As motivações de origem biológica combinam-se com fatores sociais e culturais para


impulsionar os comportamentos dos seres humanos.

- Necessidade e desejo
Os atos humanos são impulsionados pelas necessidades e pelos desejos. Ambos são impulsos
geradores de tensão relativamente a um fim.

Necessidades: dizem respeito a aspetos básicos que exigem ser atendidos, sob pena de o
individuo não sobreviver ou viver em condições muito próximas da indigência. Correspondem a
condições exigidas para que o ser humano evite riscos físicos e possa continuar a viver. Carências
de natureza essencialmente orgânica que se manifestam de modo automático. – São inatas e
de raiz biológica; se não forem atendidas conduzem à morte.

Desejos: dizem respeito a aspirações ou anseios dos sujeitos, cuja sobrevivência é alheia ao facto
de serem ou não atendidos. Não têm que ser realizados e, em alguns casos, nem sequer podem.
São psicossociais e o seu não atendimento não acarreta perigos à sobrevivência do individuo.

É muito difícil controlar as nossas necessidades, mas os desejos sim: podemos racionalizá-los,
extingui-los, substituí-los, dominá-los, adaptando-os aos condicionalismos de cada um. É
frequente as pessoas confundirem os desejos com necessidades, investindo psicológica e
emocionalmente na sua realização.

A distinção entre desejo e necessidade e a moderação no que se deseja podem ser úteis às
pessoas, preservando-as relativamente a frustrações. Para as evitar, as pessoas têm de:
• Formular desejos que se inscrevam num âmbito de possibilidades de realização;
• Prosseguir esses desejos na convicção de que a sua não realizações não é
necessariamente um drama.

A separação entre necessidade e desejo não é dicotómica, dado que nem sempre é fácil
distingui-los. O conceito de necessidade torna-se ambíguo e o seu significado depende dos
contextos de ordem cultural. A fronteira entre necessidades e desejos varia com as culturas e
com o passar dos tempos.

Segundo Freud, os atos que conduzem à satisfação de uma necessidade orgânica são
acompanhados de um sentimento de prazer e a procura deste prazer leva à tendência de
repetição desses mesmos atos. Os desejos são gerados através das necessidades.

A distinção entre necessidades e desejos é demasiado teórica. Apesar de sabermos que as


necessidades se ligam a elementos de ordem biológica e o desejo a elementos de natureza
psicológica (conação e cognição) – vontade, perceção, aprendizagem, memória -, a distinção
torna-se difícil no quotidiano, considerando-se que a mente e a vida humana se desenrolam
num oscilar permanente entre a necessidade e o desejo.

➢ O papel dos processos cognitivos, emocionais e conativos na vida quotidiana


A mente relaciona-se com o mundo através dos processos cognitivos, emocionais e conativos.
Através da cognição percecionamos o mundo, criando uma representação daquilo que nos
rodeia, aprendemos a associar estímulos e a agir sobre o mundo para alcançar determinados
objetivos, servimo-nos da memória para nos recordarmos daquilo que aprendemos, para reter
informações e para manter a integridade da nossa identidade.

Os processos emocionais mostram que somos positiva ou negativamente afetados por ele e a
forma como somos afetados pelas coisas irá despertar determinadas reações contribuindo para
as nossas decisões. Os processos emocionais são afetados pela nossa perceção das coisas e
acabam por influenciar a forma como percecionamos aquilo que nos rodeia. A conação pode ser
entendida como o resultado da nossa tomada de consciência.

É através da ação articulada destes três tipos de processos que a mente estrutura o mundo,
estruturando-se, simultaneamente, a si próprio.

➢ A mente como um sistema integrado de construção do mundo


O ser humano tem de exercitar o pensamento e de apelar à imaginação para descobrir formas
inéditas de atuar em relação ao mundo, reduzindo o número das suas preocupações.

- Pensamento e ação
Pensamento: atividade mental associada à ação integrada dos diversos processos mentais. O
pensamento remete-nos para atividades mentais como raciocinar, inferir, refletir, meditar,
descobrir, ajuizar, avaliar, sentir, imaginar, ponderar, decidir, entre outras.

Quando pensamos não estamos a lidar diretamente com as coisas, mas com representações das
mesmas, isto é, com ideias, conceitos, imagens e outros agentes simbólicos. Para pensar temos
de organizar as coisas, as situações e os acontecimentos de forma conceptual. Conceptualizar
consiste em traduzir mentalmente as coisas concretas por ideias ou conceitos, que são
abstratos. Além de abstratos, os conceitos também são gerais, o que significa que se referem a
todos os seres de uma espécie ou classe de objetos.

Os conceitos são uma forma económica de pensarmos em muitas coisas simultaneamente.

- Auto-organização e imaginação
Através do pensamento, podemos representar mentalmente o modo como as coisas são, mas
também podemos imaginar como poderiam ter sido. Isso desperta em nós emoções e desejos,
podendo inclusivamente levar-nos a agir sobre o mundo no sentido de o acomodarmos à
realidade imaginada.

Dois tipos de imaginação:


▪ Imaginação reprodutora: poder mental de formar imagens mentais a partir da memória
de perceções anteriores; é possível reconhecer analogias com os objetos percecionados.
▪ Imaginação criativa: desconstruir e recombinar elementos percecionados, de modo a
produzir coisas inéditas; analogia de natureza diferente, podendo estabelecer-se
através de um símbolo, de uma metáfora, de um esquema, de um signo, ou seja, através
de realidades substitutas que não correspondem a coisas reais.

É com a imaginação que o ser humano elabora projetos e planifica o futuro.


- A mente, criadora de sentido
A imaginação é uma atividade criadora e surge associada à arte, à ciência e a outras produções
do género, que se afiguram como materializações e coisas novas e inexistentes no universo real
(exemplo: esculturas, pinturas, palácios, etc). A mente é uma entidade capaz de criar realidades
novas.
Esta capacidade criativa é constitutiva da própria mente, que se estrutura a si mesma através
da criação de significados para atribuir sentido às situações, às coisas, etc. Qualquer que seja a
situação, nunca será independente de nós, nunca possuirá objetividade de uma situação em si.
A situação será uma situação para nós, “criada” à custa de um sentido próprio, de uma projeção
de vivências pessoais, que a transformaram em algo subjetivo.

Portanto, o sentido das coisas não reside nelas, mas na mente de quem as perceciona.

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