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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

FACULDADE DE DIREITO
DEPARTAMENTO DE DIREITO DO ESTADO

Curso: DIREITO ADMINISTRATIVO II


Professor: Marcos Augusto Perez

SEMINÁRIO: Controle 1.

NOME DO ALUNO:
......................................................................................................................

NÚMERO USP: .........................................................................................

O Sr. José Maria foi multado em R$50mil (cinquenta mil reais) pelo
Chefe de Fiscalizaçaõ Ambiental do Município de Carimbó, em funçaõ
de ter extraído, sem autorizaçaõ prévia das autoridades Municipais, dois
pés de jacarandá do quintal de sua casa. A lei municipal prevê a
possibilidade de interposiçaõ de recurso administrativo, com efeito
suspensivo, ao Secretário Municipal do Meio Ambiente, porém exige
depósito prévio da multa, como condiçaõ para o recebimento e
processamento do recurso. O Sr. José Maria deseja questionar a multa
aplicada por acreditar tratar-se de um ato administrativo inválido.

Diante desse contexto, questiona-se:

1. O recurso administrativo corresponderia a um controle interno


ou externo do referido ato administrativo?

É controle interno. Apesar de ser provocado por ato do


administrado, o recurso administrativo contra a multa será apreciado, ou
seja, o controle será efetivado por órgão/autoridade integrante do mesmo
Poder e estrutura a que pertence o órgão/autoridade controlado.

O controle externo, por outro lado, é implementado por outro Poder


ou órgão que não é integrante da estrutura em que se insere o órgão
controlado. Di Pietro também considera a supervisão ministerial, exercida
pela administração direta sobre os entes da administração indireta, como
controle externo.
2. É constitucional a exigência de depósito prévio como condição
para o conhecimento do recurso administrativo? Caberia alguma
forma de controle (externo ou interno) para a revisão da norma
que fixa o depósito prévio?

A exigência de caução ou “garantia de instância” como requisito


para admissibilidade do recurso administrativo é prática vedada pela
Constituição Federal, por impor restrições desproporcionais ao direito de
petição, art. 5º, XXXIV e ao contraditório e ampla defesa, art. 5º, LV, que
são direitos fundamentais consagrados em nossa Carta política. Já existe
verbete de Súmula Vinculante, o de número 21, que permite Reclamação
direta ao STF em caso de seu descumprimento.

Diante disso, o Sr. José Maria pode provocar a Administração por


meio de representação para que a autoridade competente manifeste-se a
respeito da legalidade desse requisito de admissibilidade. Esse seria o
controle interno. Segundo a Lei 9.784/99, “o recurso será dirigido à
autoridade que proferiu a decisão, a qual, se não a reconsiderar no prazo
de cinco dias, o encaminhará à autoridade superior”, art. 56, §1º.

Em relação ao controle externo, cabe destacar que, antes do


esgotamento das vias administrativas, não será possível interposição de
Reclamação ao STF, art. 7º, §1º, da Lei 11.417/2006. No entanto, há
outros meios de impugnação da norma junto ao Poder Judiciário, como,
por exemplo, o Mandado de Segurança, Lei nº 12.016/2009, art. 1º, pois
há direito líquido e certo sendo violado pela decisão administrativa.
Quando o recurso administrativo não tem efeito suspensivo (não é o caso
aqui), o administrado não está impedido de propor ação judicial, uma vez
que já há lesão ao seu direito, CF, art 5º, XXXV.

Por fim, também seria possível representar junto ao Tribunal de


Contas no âmbito do controle externo, observando as disposições da
legislação estadual, com base no art. 74, §2º, da Constituição.

3. Mesmo sem invalidar a norma que exige o depósito prévio,


caberia alguma forma de controle para obrigar que a autoridade
administrativa revise a multa aplicada?

Sim. Mesmo havendo a possibilidade de impugnar a multa com


recurso administrativo com efeito suspensivo, o Sr. José Maria terá
interesse de agir para provocar o Poder Judiciário, por meio de Mandado
de Segurança ou outro instrumento previsto na legislação ordinária, para
pedir a anulação do ato. Isso ocorre porque, apesar do obstáculo imposto
pela Lei que disciplina o Mandado de Segurança, os efeitos estão sendo
produzidos, portanto, há, inequivocamente, lesão a direito, segundo o
magistério de Odete Medauar:

“Segundo orientação dominante, o ato impugnado pelo


mandado de segurança deve ser suscetível de produzir efeitos;
produzindo efeitos, poderá lesar direitos. Sem produção de
efeitos, não há interesse de agir, como condição da ação de
mandado de segurança, pois inexiste lesão de direitos advinda
de ato sem eficácia”.

Nesse caso, o Sr. José poderá sustentar algum tipo de ilegalidade


na multa aplicada, uma vez que considera o ato administrativo inválido.

4. Caberia no controle interno questionar o valor da multa?

A resposta é afirmativa. A Administração Pública realiza a


autotutela em relação aos seus atos de forma extremamente ampla,
envolvendo a apreciação da legalidade e do mérito dos atos
administrativos, possibilitando a extinção destes por meio de anulação ou
revogação, conforme o caso. Isso foi confirmado pelas Súmulas nº 346 e
473 do STF.

5. Caberia no controle externo questionar o valor da multa?

Há muita discussão a respeito da abrangência do controle


jurisdicional dos atos administrativos.

De acordo com Odete Medauar, há uma corrente que sustenta que o


controle deve ser restrito, isto é, uma aferição do cumprimento dos
requisitos de legalidade, forma e licitude do objeto. Por outro lado, a
maioria dos autores defende um controle mais amplo, a saber, que adentra
nos motivos e fins do ato administrativo. Trata-se da possibilidade de
verificar a ausência ou inexistência dos motivos, se há desvio de
finalidade, se a Administração Pública observou os princípios da
moralidade e impessoalidade etc.

No caso em discussão, o Sr. José Maria pode suscitar a discussão


do valor da multa, tanto sob os aspectos do controle restrito (questionar se
respeita os parâmetros legais estabelecidos, ver se há prévia cominação
de sanção pecuniária para tal infração etc.), bem como argumentar em
torno de questões mais próximas do controle amplo, por exemplo, a
ofensa ao princípio da proporcionalidade, ausência ou falsidade dos
motivos etc.
6. Caberia no controle interno questionar os motivos da multa? Em
que termos? Não se trataria de um controle de mérito? A
consequência de constatar-se vício de motivo seria a revogação
do ato?

Como dissemos acima, o controle interno pode adentrar na


discussão do mérito do ato administrativo. Ademais, os motivos
constituem elementos fundamentais para aferição da legalidade do ato.
Por meio deles, podemos verificar se a Administração está perseguindo a
finalidade pública ou se há desvio de finalidade.

Diante disso, entendemos que o vício de motivo, que se manifesta


pela inexistência ou falsidade dos motivos elencados para a prática do
ato, pode ser suscitado em sede de controle jurisdicional. Vale ressaltar
que, um ato administrativo que se apresenta com vício de motivo é ilegal,
portanto, deve ser anulado, não cabendo nem mesmo a convalidação, pois
é grave a ofensa ao ordenamento jurídico.