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Madalena Perestrelo de Oliveira — subturmas 2, 4 e 6, 2014/2015

CASO PRÁTICO N.º 40


(N.º 26 NA EDIÇÃO DE 2003)

A assume a gestão do negócio de B. A é o gestor e B é o dominus.


Verificam-se os requisitos do 464.º. São eles:
1. direção do negócio
2. alienidade
3. exercício
4. por conta do dono
5. no interesse do dono
6. falta de autorização
No caso concreto, há direção direta do negócio. Deve tomar-se a expressão
“negócio” em sentido amplo. Assim, A tanto realiza negócios jurídicos (contratar um
empreiteiro e um explicador), como atos materiais (escolher o projeto para a casa a
construir).
O negócio é alheio. A alienidade no nosso direito é tomada em sentido subjetivo, i.e.,
o gestor não efetua nenhuma ingerência na esfera jurídica alheia, mas é possível
visualizar, a partir da sua intenção, que pretende atuar para outrem. Neste caso, existe
alienidade subjetiva quando A contrata o explicador, porque não se ingere na esfera
jurídica de B. Mas existe alienidade objetiva (que é abrangida e consumida pela subjetiva)
quando demole e constrói uma nova casa para A.
O negócio é celebrado por conta de B, porque se visa que os benefícios e prejuízos
se repercutam na esfera jurídica deste. No caso da construção da nova casa, como há
alienidade objetiva presume-se que a atuação é realizada por conta do dominus. No caso
do explicador, como a alienidade é subjetiva é o gestor que tem de provar que atua por
conta de B.
A gestão é realizada por conta de B porque é do seu interesse e para sua utilidade.
Utiliza-se um critério de utiliter coeptum: a gestão deve iniciar-se como útil para o dominus.
Por fim, A atua sem autorização porque não tem nenhuma relação jurídica
preexistente com B que legitime a sua atuação.

Havendo GN, o primeiro passo a analisar é se foram respeitados os deveres do


gestor.

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Madalena Perestrelo de Oliveira — subturmas 2, 4 e 6, 2014/2015

Foi desrespeitado o 465.º/b). A não avisou B que ia iniciar a GN. É certo que B
estava no estrangeiro, mas, e situações de normalidade, está contactável.
Qual a consequência da violação desta alínea?
Existe responsabilidade obrigacional (466.º/1) de A perante B, mas mantém-se uma
relação de gestão de negócios.
(Em sentido diferente PIRES DE LIMA/ ANTUNES VARELA defendem que a violação
desta alínea provoca a ilegitimidade da gestão e a consequente perda dos direitos
previstos no 468.º).

1.º A exige a B €400.000 pela construção da nova casa. (...)


É preciso distinguir a demolição da casa da construção da casa ultramoderna.
Quanto à demolição:
Interesse (representação objetiva da gestão para o dominus): demolir a casa e construir
uma nova — em vez de restaurar — porque sai mais barato.
Utilidade (representação subjetiva que o dominus faz desse interesse): a vontade
presumível é que B não queira demolir a casa (pela relação afetiva que presumivelmente
terá com ela).

Assim, há um conflito entre a vontade e o interesse do dominus. O que fazer nesta


situação?

GT: gestor deve abster-se de agir;


Vaz Serra: prevalência do interesse;
ML: defende a existência de um sistema móvel que permite uma solução caso a caso,
mas com predominância da vontade.
MC: predominância da vontade do dono sempre que seja conhecida. A partir daí o
gestor dispõe de discricionariedade. Mas a vontade do gestor só pode ser contrariada
quando seja contrária à lei, à ordem pública ou aos bons costumes.

Se, no caso concreto, adotarmos a concepção que dá predominância à vontade,


então, há responsabilidade de A, por violação do 465.º/a). Presume-se a sua culpa nos
termos do 466.º/2.

Quanto à construção da casa ultramoderna.

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A age contra a vontade real e conhecida de B.


Logo, desrespeita o 465.º/a). De acordo com o 466.º/2, presume-se a culpa de A.
Como deve ser avaliada a culpa de A?

1. AV: deve averiguar-se a culpa em concreto e não o critério do bom pai de


família porque não se deve exigir um grau de diligência superior àquele que o
gestor é capaz.

2. MC: Aplica-se o 487.º/2 (aplicável à responsabilidade obrigacional). Critério


do bom pai de família.
Não há nenhuma vantagem de a propósito da gestão de negócios construir um
subsistema diferenciado de responsabilidade civil. Aplica-se o padrão do bonus pater
famílias. Esta bitola é dependente das circunstâncias, pelo que se se tratar de um
profissional no exercício da sua especialidade a bitola conduz a uma diligência mais
elevada.

Assim, em concreto A tem de indemnizar B pelos danos que este tiver tido com
a demolição e com a construção da casa ultramoderna.
B não tem de entregar a A os €40.000, mas apenas aquilo com que enriqueceu
com a construção da nova casa: 468.º/2.
Acrescente-se que B não aprovou a gestão pelo que não se aplica o 469.º.

2.º C vem exigir a A a quantia indevidamente entregue a D, que o não


representava e que, aliás, está ausente em parte incerta.
Esta questão tem que ver com as relações externas, ou seja, com as relações entre
o gestor e terceiros.
A entregou indevidamente a quantia a D. D responde perante A segundo as
regras do enriquecimento sem causa.
Mas A não se exonerou da obrigação. Será que o vinculado a esta obrigação é A
(gestor) ou B (o dominus)?
No caso concreto, diz-se que A contratou em nome de B. Assim, o 471.º/1ª
parte remete para o 268.º. O negócio jurídico, no caso concreto, não foi ratificado.
Assim:

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1. Não produz efeitos em relação ao gestor porque não foi celebrado em seu
nome.
2. Não produz efeitos em relação ao dominus porque o gestor não tinha poderes
de representação.
Assim, D não pode exigir o dinheiro nem de A nem de B. Pode, no entanto,
intentar uma ação por enriquecimento sem causa contra B.

1.º (...) A exige a B o valor da quantia já despendida com o explicador.


Quanto a esta questão, dependeria da interpretação que fosse feita do enunciado.
Se se considerasse que A realizou uma única gestão de negócios, a suposta
“aprovaçãoo” do contrato entre A e E não é relevante porque a aprovação tem de ser em
bloco. Assim, não havendo aprovação, a contratação de um explicador vai contra o
interesse e a vontade presumida do dominus, pelo que a gestão será irregular e se aplica o
468.º/2.
Se se considerasse que neste caso havia várias gestões de negócios, sendo uma delas
referente à contrataçãodo explicador, então haveria aprovação dessa gestão. Se assim
fosse, B aprovou a gestão de negócios, quanto à parte de contratar um explicador.
Assim, aplica-se o 469.º, que tem duas consequências:
(i) renúncia a indemnização pelo gestor
(ii) reconhecimento do direito do gestor a ser reembolsado pelas despesas que
efetuou.
Assim, segundo o 468.º/1, ex vi 469.º, B tem de pagar a A o valor das explicações,
acrescido dos juros legais (4%) a contar da data da contratação.

3.º E vem exigir a B o pagamento das lições em atraso, mas este diz-lhe que o
assunto é com A.
Esta questão tem que ver com as relações externas entre dominus e o explicador (E).
Neste caso, A contratou em seu nome. Aplica-se o 471.º/2.ª parte.
O contrato é válido, mas apenas produz efeitos entre o gestor e o terceiro. Assim, E
apenas poderia exigir o dinheiro a A.
Nos termos do 1181.º/1 o gestor fica obrigado a transferir para o dono os direitos
adquiridos no âmbito da gestão. Mas enquanto não os transferir (o que segundo o caso
prático ainda não aconteceu) o dominus não responde perante os terceiros.