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Funções executivas na infância


EMMY UEHARA
FERNANDA MATA
HELENICE CHARCHAT FICHMAN
LEANDRO F. MALLOY-DINIZ

Embora não exista consenso sobre a defi- modelos teóricos que tentam esclarecer tais
nição de funções executivas (FEs), elas ge- questões conceituais (Uehara, Charchat-
ralmente são referidas na literatura como Fich­man, & Landeira-Fernandez, 2013). De
o conjunto de habilidades e capacidades acordo com Chan, Shum, Toulopoulou e
que nos permitem executar as ações neces- Chen (2008), esses modelos ajudam a com-
sárias para atingir um objetivo. Dessa for- preender os métodos de avaliação disponí-
ma, as FEs consistem em um mecanismo veis para examinar as FEs, sendo, portanto,
de controle cognitivo que direciona e coor- indispensáveis para a prática clínica. Além
dena o comportamento humano de manei- disso, os modelos sobre as FEs são úteis pa-
ra adaptativa, permitindo mudanças rápi- ra a compreensão de diversos fenômenos,
das e flexíveis ante as novas exigências do podendo auxiliar em questões diagnósti-
ambiente (Zelazo et al., 2003). Elas englo- cas e em intervenções. O estudo dessas fun-
bam uma série de competências inter-rela- ções vai além da fronteira da neuropsicolo-
cionadas e de alto nível de processamento gia clínica, abrangendo a psicopatologia, a
cognitivo, cujo impacto se reflete no fun- psicologia do desenvolvimento, a educação,
cionamento afetivo-emocional, motivacio- a psicologia do esporte, o marketing, entre
nal, comportamental e social. outras áreas.
Diversos autores se referem às FEs co- Dessa forma, o objetivo deste capítulo
mo um conceito guarda-chuva que engloba é apresentar o conceito de FEs; alguns dos
diversas funções. Entre elas, pode-se citar o principais modelos teóricos sobre o tema;
controle atencional e inibitório, a memó- questões relacionadas ao substrato neu­
ria de trabalho, a flexibilidade cognitiva, a robiológico e seu desenvolvimento; e a ava-
identificação de metas, a iniciação de tare- liação desse conjunto de processos cogni-
fas, o planejamento e a execução de com- tivos.
portamentos, e o monitoramento do pró-
prio desempenho (autorregulação) até que
o objetivo seja alcançado (Delis, Kaplan, & AS TRÊS UNIDADES
Kramer, 2001). Portanto, as FEs são essen-
ciais para garantir o bom desempenho na FUNCIONAIS DE LURIA
escola, no trabalho e em diversos aspectos
da vida cotidiana (Jurado & Rosselli, 2007). Em 1968, Luria propõe um modelo de fun-
A despeito da inexistência de um con- cionamento cerebral composto por três
senso sobre o que são e quais são as FEs, unidades funcionais (Karpov, Luria, &
a literatura recente apresenta diversos Yarbuss, 1968). Esse complexo sistema é

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mediado por regiões neuroanatômicas e mecanismos de seleção de respostas e es-
funcionalmente hierárquicas que, ao tra- quemas. Norman e Shallice (1986) diferen-
balharem juntas, regulam todos os nossos ciam os processos atencionais automáticos
comportamentos e processos mentais. (rotineiros) dos controlados (não rotinei-
Nesse contexto, a primeira unidade, ros). Os processos automáticos são aqueles
composta pelo tronco encefálico e o dien- que ocorrem fora do conhecimento cons-
céfalo, seria responsável pela regulação de ciente e sem a atenção deliberada, não ha-
funções fisiológicas básicas, como a manu- vendo interferência em outras ações. Em
tenção do tônus cortical, da vigília e dos ba- contrapartida, os processos controlados re-
timentos cardíacos. A segunda unidade, re- ferem-se às situações que exigem um con-
lacionada às áreas posteriores do cérebro trole atencional consciente e deliberado,
– que incluem as regiões parietal, temporal possibilitando a seleção/inibição de es-
e occipital –, é responsável por obter, ana- quemas adaptativos a uma situação espe-
lisar e armazenar informações provenien- cífica. Para lidar com esses processos, os
tes do meio externo ou interno. Por fim, a autores propõem um modelo que inclui
terceira unidade exerce as funções de pro- dois sistemas complementares: o contro-
gramação, regulação e monitoramento lador pré-programado e o SAS. O contro-
das atividades mentais, compreendendo, lador pré-programado é utilizado em res-
principalmente, os lobos frontais. Danos postas automaticamente implementadas,
à terceira unidade provocam mau funcio- fornecendo um controle de ações simples
namento na formulação de planos, no pla- ou bem aprendidas, também denomina-
nejamento de ações, no controle de impul- das esquemas. Na realização de tarefas no-
sos conscientes, entre outras competências vas ou complexas, como o planejamento de
mais complexas do comportamento huma- ações futuras, a resolução de problemas, a
no (Luria, 1976). tomada de decisões, a prática de ações pe-
O modelo das unidades funcionais de rigosas ou tecnicamente difíceis e a mani-
Luria tem grande valor do ponto de vista pulação de um novo estímulo que exige su-
histórico, pois destacou a participação do peração de resposta habitual forte, o SAS é
córtex pré-frontal em processos cognitivos acionado. Ele atua selecionando o esque-
superiores em um período em que ainda se ma mais adequado, inibindo esquemas me-
considerava essa região do cérebro uma es- nos eficientes, monitorando esquemas em
pécie de lobo silencioso. No entanto, estu- andamento, programando temporalmente
dos recentes mostram que as FEs envolvem esquemas a partir de um sistema de con-
o funcionamento de diversas estruturas tenção de respostas e criando regras algo-
subcorticais, incluindo os núcleos da base, rítmicas (“se... então...”) facilitadoras de es-
o tálamo e até mesmo o cerebelo. quemas específicos.
De acordo com Shallice (1988), a fun-
ção do SAS estaria relacionada à ativida-
SISTEMA ATENCIONAL SUPERVISOR de dos lobos frontais. Assim, danos a essa
região acarretam perseveração comporta-
(SAS) DE NORMAN E SHALLICE mental, decorrente da preponderância de
um esquema em vez de outros, e aumen-
A proposta da existência de um Sistema to da distratibilidade, que seria a ausência
Atencional Supervisor (SAS) compõe um de preponderância de um esquema sobre
modelo teórico atencional mediado por os demais. Dessa forma, o conceito do SAS

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NEUROPSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO    19

refere-se à coordenação e à regulação de descrever os processos executivos de geren-


ações complexas, atuando como elemento ciamento informacional.
organizador do comportamento para que
as metas possam ser alcançadas de maneira
adequada, o que, muitas vezes, é considera- OS MARCADORES
do como o papel principal da FEs.
SOMÁTICOS DE DAMÁSIO

O CONCEITO DE MEMÓRIA DE Uma proposta muito relevante para o es-


tudo das alterações socioafetivas é a do
TRABALHO DE BADDELEY E HITCH neurologista Antonio Damásio. Damá-
sio (1994) propõe uma teoria de tomada
O modelo de memória de trabalho (Bad- de decisão, chamada Hipótese do Marca-
deley & Hitch, 1994) proporcionou uma dor Somático, que busca explicar a inter-
nova perspectiva ao armazenamento/ge- -relação entre um conjunto de estruturas
renciamento temporário de informações. que envolvem o córtex orbitofrontal, o gi-
Assim, a concepção da memória de traba- ro do cíngulo anterior, a ínsula e a amíg-
lho única e singular dá lugar à noção de um dala (Bechara, Damásio, Damásio, & Lee,
sistema composto por vários componen- 1999). Em seu trabalho com pacientes com
tes. Nesse modelo, a memória de trabalho danos no córtex pré-frontal ventromedial,
é definida como um sistema de capacida- Damásio (1994) pôde observar os profun-
de limitada que permite o armazenamen- dos efeitos desse tipo de comprometimen-
to temporário e a manipulação de infor- to sobre a capacidade de decidir e a cogni-
mações necessárias em tarefas complexas ção social, sem identificar nenhum tipo de
– como a aprendizagem, a compreensão prejuízo em funções cognitivas mais puras.
da linguagem, o raciocínio e a produção da O modelo proposto argumenta que os
própria consciência. Em seu modelo (Bad- estados somáticos afetivos, associados aos
deley & Hitch, 1994), a memória de traba- resultados anteriores à decisão, são utiliza-
lho era considerada um sistema composto dos na orientação de decisões futuras. As-
por quatro componentes: o executivo cen- sim, quando uma escolha é seguida por
tral, que atuaria como controlador atencio- um mau resultado, ocorre uma reação afe-
nal e regulador dos processos cognitivos, e tiva associada a essa escolha. Uma vez que
dois subsistemas auxiliares, especializados a rea­ção afetiva é suficientemente bem es­
no processamento e na manipulação de tabelecida, em casos futuros, a reação
quantidades limitadas de informações es- ­ocorrerá antes que uma escolha seja feita.
pecíficas – a alça fonológica e o esboço vi- ­Em outras palavras, a melhor decisão não
suoespacial. Em 2000, Baddeley ampliou seria o resultado do cálculo racional e cogni-
o modelo, acrescentando um quarto com- tivo de perdas e ganhos, mas aquela baseada
ponente: o retentor episódico, responsável em rea­ções emocionais boas ou ruins, pro-
pela integração das informações mantidas cessadas de maneira implícita e que permi-
temporariamente na memória de trabalho tam uma análise de custo e benefício em
com aquelas provenientes dos sistemas de cenários de risco e ambiguidade. De mo-
longo prazo, em uma representação episó- do geral, a escolha racional é guiada por
dica única. Entretanto, é o executivo central reações emocionais que influenciam a to-
que oferece um arcabouço conceitual para mada de decisão. Portanto, os marcadores

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somáticos ajudariam a simplificar e a redu- envolver muita excitação emocional e que
zir a complexidade da tomada de decisão. compreen­dem aspectos mais lógicos e cog-
nitivos, como o raciocínio lógico e abstrato,
o planejamento, a resolução de problemas e
O MODELO PSICOMÉTRICO a memória de trabalho.
Os processos “quentes”, em contrapar-
DE MIYAKE E COLABORADORES tida, estão mais relacionados a aspectos
emocionais, crenças e desejos, como a re-
Miyake e colaboradores (2000) fazem uso gulação do afeto, da motivação e do pró-
da análise fatorial confirmatória para ava- prio comportamento social, a tomada de
liar a validade de seu modelo, na tentativa decisão, a experiência de recompensa e pu-
de combater o problema da impureza das nição, a teoria da mente, as interpretações
tarefas executivas em adultos. Em sua re- pessoais e o julgamento moral. De manei-
visão da literatura, os autores constataram ra geral, os componentes executivos “frios”
que os componentes executivos mais co- têm sido associados ao córtex pré-fron-
muns eram a flexibilidade mental, a atua- tal dorsolateral, enquanto os componentes
lização/memória de trabalho (monitora- “quentes” estão mais relacionados aos cór-
mento e manutenção da informação) e a tices pré-frontal orbitofrontal e ventrome-
inibição (inibição de respostas prepoten- dial (Happaney, Zelazo, & Stuss, 2004).
tes). Além disso, segundo os autores, esses Recentemente, Welsh e Peterson (2014)
três fatores são bem circunscritos e podem apontaram para algumas limitações desse
ser operacionalizados de maneira bastan- modelo, alegando que, embora existam evi-
te precisa. Os resultados mostraram que, dências sobre a separação de processos exe-
embora moderadamente correlacionados, cutivos quentes e frios, ela parece ser mais
os três componentes são construtos sepa- forte a partir da adolescência. Além disso, é
rados, sugerindo o caráter unitário, porém difícil determinar tarefas que seriam prin-
diversificado, dos componentes do sistema cipalmente “quentes” ou “frias”, já que fato-
executivo. res bastante subjetivos, como nível de mo-
De acordo com Diamond (2013), o tivação, são determinantes nessa separação.
modelo proposto por Miyake tem sido am-
plamente aceito em estudos neuropsicoló-
gicos, sendo que as três FEs nucleares (flexi-
bilidade, inibição e memória operacional) CORRELATOS NEUROBIOLÓGICOS
seriam a base de outras FEs mais comple-
xas, como planejamento, solução de pro- As FEs têm sido relacionadas à atividade
blemas, raciocínio abstrato, entre outras. do córtex pré-frontal (Alvarez & Emory,
2006). Tal associação remonta ao paradig-
mático caso de Phineas Gage, publicado
OS COMPONENTES FRIOS por John Martyn Harlow em 1848, e à re-
leitura do caso Gage, que inspirou o mo-
E QUENTES DAS FEs delo de associação entre o lobo frontal, a
personalidade e as funções mentais supe-
Zelazo, Qu e Müller (2005) propuseram riores, proposto por David Ferrier durante
uma classificação das FEs em processos a Goulstonian Lecture no Colégio Real de
executivos “frios” (cold) e “quentes” (hot). Médicos em Londres (Ferrier, 1878).
Os componentes “frios” são reconheci- Ao longo do século XX, acumularam-
dos como processos que tendem a não -se modelos que associavam a atividade

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NEUROPSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO    21

do córtex pré-frontal às funções cognitivas Seu lento desenvolvimento é atribuído à


complexas, como a atitude abstrata descri- maturação prolongada do córtex pré-fron-
ta por Goldstein e Scheerer (1941) e a uni- tal (Zelazo, Craik, & Booth, 2004), sendo
dade executiva de Luria (Luria, 1968). Na que essa é uma das últimas áreas cerebrais a
atualidade, entretanto, embora seja inques- amadurecer estruturalmente (Gogtay et al.,
tionável a participação do córtex pré-fron- 2004). As FEs parecem melhorar sequen-
tal no desempenho das FEs, uma visão neu- cialmente ao longo dos anos: entre o nas-
robiológica mais dinâmica tem ampliado a cimento e os 2 anos de idade, dos 7 aos 9 e
compreensão sobre as bases neurobiológi- um salto no fim da adolescência, entre 16 e
cas desses processos cognitivos. Por exem- 19 anos de idade (Capilla et al., 2003). As-
plo, é mais razoável pensar que as FEs são sim, pode-se dizer que o desenvolvimento
desempenhadas por circuitos complexos das FEs apresenta uma trajetória não linear.
que envolvem outras regiões encefálicas, Grande parte do interesse no desenvol-
incluindo estruturas subcorticais, como os vimento inicial das FEs deve-se aos achados
núcleos da base, o tálamo e o cerebelo (Al- de diversas pesquisas que mostram que vá-
varez & Emory, 2006). rios transtornos com início na infância (p.
Outro aspecto importante a ser consi- ex., autismo, transtorno de déficit de aten-
derado no estudo da relação entre os cir- ção/hiperatividade, transtorno de oposição
cuitos pré-frontais e as FEs consiste na es- desafiante) são caracterizados por déficits
pecificidade funcional de cada um desses em diferentes componentes das FEs (John­
circuitos. Enquanto o circuito dorsolateral son, 2012). O desenvolvimento saudável
está mais relacionado às FEs lógico-abstra- dessas funções tem papel-chave na constru-
tas (p. ex., planejamento e solução de pro- ção de competências sociais ao longo da vi-
blemas, abstração e memória operacional, da (Denham, Warren-Khot, Bassett, Wyatt,
flexibilidade cognitiva, autorregulação, jul- & Perna, 2012; Hughes, 1998; McCabe,
gamento e insight), o circuito do cíngulo Cranford, Morales, & Young, 2006) e de ha-
anterior é particularmente importante para bilidades relacionadas ao desempenho es-
aspectos da motivação, do controle execu- colar, incluindo medidas de matemática e
tivo da atenção e para a seleção e o controle prontidão para a alfabetização na infância
de respostas. Por sua vez, o circuito orbito- (Blair & Razza, 2007; Brock, Rimm-Kauf-
frontal está relacionado a algumas dimen- man, Nathanson, & Grimm, 2009). Além
sões do comportamento social, como em- dessas contribuições para o desenvolvimen-
patia, cumprimento de regras sociais, to de habilidades cognitivas e socioafetivas
controle inibitório de respostas socialmen- futuras, um estudo longitudinal realizado
te inadequadas, tomada de decisão afetiva e por Moffit e colaboradores (2011) mostrou
autorregulação (Malloy-Diniz, Paula, Sedó, que medidas de controle cognitivo relatadas
Fuentes, & Leite, 2014). entre os 3 e os 11 anos de idade foram pre-
ditoras de saúde física, dependência de subs-
tâncias, status socioeconômico e probabili-
dade de condenação penal em adultos com
DESENVOLVIMENTO 32 anos de idade. Dessa forma, a identifi-
cação de déficits executivos ainda na idade
As diferentes habilidades executivas e suas pré-escolar é útil para a estruturação de pro-
respectivas trajetórias de desenvolvimento gramas de intervenção dessas funções (Dia-
têm seu início na infância, e continuam na mond & Lee, 2011).
adolescência, chegando até a idade adulta Desde o nascimento até o primeiro
(Huizinga, Dolan, & van der Molen, 2006). ano de vida, observam-se algumas formas

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elementares referentes às habilidades exe- observam-se ganhos consideráveis entre
cutivas, como a capacidade de regular o os 3 e os 4 anos de idade nas medidas de
comportamento em resposta às contingên- controle inibitório, na memória de traba-
cias ambientais e a capacidade de estabe- lho, nas habilidades de postergação da gra-
lecer metas e de executar comportamen- tificação e na atenção sustentada (Hongwa-
tos voluntários com o intuito de alcançar as nishkul, Happaney, Lee, & Zelazo, 2005).
metas desejadas (Anderson, 2002). Os pri- No período de 9 a 12 anos, a memó-
meiros sinais da memória de trabalho e do ria de trabalho sofre um salto significativo
controle inibitório surgem entre 7 e 8 me- em sua capacidade e eficiência, e torna-se
ses de idade; essas habilidades são media- menos sensível a interferências (Leon-Car-
das pelos córtices pré-frontal dorsolateral e rion, Garcia-Orza, & Perez-Santamaria,
orbital. Os precursores da teoria da men- 2004). O pensamento estratégico, a resolu-
te surgem aos 6 meses, com a capacidade ção de problemas e a fluência verbal apre-
de distinguir entre objetos inanimados e sentam um desenvolvimento constante a
animados. Em torno de 12 e 18 meses, as partir dos 12 anos. As crianças são capazes
crianças começam a representar a percep- de demonstrar autocontrole, controle dos
ção de um objeto compartilhado e a acom- afetos, controle da motivação e do bem-es-
panhar ativamente o olhar de uma pessoa tar (Korkman, Kemp, & Kirk, 2001). Ga-
para um objeto. ron, Bryson e Smith (2008) sugerem que os
O desenvolvimento rápido do córtex componentes das FEs surgem em sequência
pré-frontal entre os 3 e os 6 anos indica ao longo dos anos escolares, de forma que a
que a idade pré-escolar é um período cru- memória de trabalho aparece primeiro, se-
cial para a aquisição de habilidades impor- guida da capacidade de inibição, que jun-
tantes para o funcionamento adequado da tas permitem o desenvolvimento da flexibi-
criança no ambiente escolar. Na sala de au- lidade cognitiva.
la, as crianças precisam manter em mente o Segundo Zelazo, Carlson e Kesek
que elas estão fazendo enquanto desenham, (2008), a prolongada maturação das FEs,
por exemplo. Em outras palavras, elas pre- ainda em desenvolvimento na adolescên-
cisam escolher e prestar atenção a informa- cia, é um dos principais fatores respon-
ções enquanto executam uma atividade. Ao sáveis pela alta incidência de comporta-
mesmo tempo, elas devem ficar atentas ao mentos impulsivos nesse período da vida
seu progresso ao desenhar (Miyake et al., (Blakemore & Choudhury, 2006; Casey &
2000). Outro exemplo da importância das Jones, 2010; Enrst, Pine, & Hardin, 2006;
habilidades executivas para a adaptação da Smith, Xiao, & Bechara, 2012). Decisões
criança ao ambiente escolar está relaciona- que favorecem ganhos imediatos e despre-
do às habilidades de postergação da grati- zam recompensas maiores, mas posterga-
ficação, já que desde os anos pré-escolares das, são comuns na adolescência. Nota-se
já nos deparamos com decisões que envol- que as consequências da propensão à as-
vem a consideração de circunstâncias futu- sunção de riscos nesse período são obser-
ras (Garon & Moore, 2007). Quando uma vadas na maior incidência de acidentes de
criança deve decidir entre repartir o lan- trânsito, de relações sexuais sem proteção,
che com um colega a fim de estreitar laços de suicídios e de uso de substâncias (Casey,
de amizade em longo prazo ou desfrutar de Jones, & Somerville, 2011).
todo o seu lanche sozinha, por exemplo, ela Durante a adolescência, observa-
é capaz de ponderar as consequências re- -se que os indivíduos dominam cada vez
pletas de significado emocional em longo mais as habilidades relacionadas ao con-
prazo de sua ação. No período pré-escolar, trole de seus pensamentos e ações, a fim de

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NEUROPSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO    23

que sejam consistentes com seus objetivos dos instrumentos neuropsicológicos utili-
(Crone, 2009). Pesquisas sobre o desenvol- za normas infantis de paradigmas desen-
vimento das FEs na adolescência indicam volvidos para adultos. Os mais utilizados
um desenvolvimento significativo da me- são Stroop, Trilhas, Fluência Verbal e Clas-
mória de trabalho, da velocidade de pro- sificação de Cartas Wisconsin (Mesquita,
cessamento, da flexibilidade cognitiva, da 2011). Atualmente, a avaliação do funcio-
tomada de decisão afetiva e da atenção sus- namento executivo em crianças está rece-
tentada na segunda década de vida (Cro- bendo maior atenção devido à importân-
ne & van der Molen, 2004; Hooper, Lucia- cia desse domínio para a vida diária e seus
na, Conklin, & Yarger, 2004; Prencipe et al., aspectos ecológicos (Denckla, 1994). Os
2011; Smith et al., 2011). principais domínios executivos envolvidos
Alguns pesquisadores sugerem que o no cotidiano doméstico e escolar de crian-
desenvolvimento das FEs na adolescência ças com desenvolvimentos típico e atípico
é modulado pelo contexto afetivo e social são: controle comportamental, julgamento
(Crone, 2009). Há evidências que apontam social, organização, flexibilidade cognitiva,
para um vínculo específico entre a matu- automonitoramento, entre outros (Hughes
ração sexual em adolescentes e as mudan- & Graham, 2002).
ças desenvolvimentais na emoção e na mo- Outra questão que deve ser relatada é
tivação, que caracterizam os componentes a escassez de instrumentos para avaliar as
mais afetivos das FEs. No mesmo período FEs no Brasil. De acordo com Barros e Ha-
em que a maturação pubertal tem início, zin (2013), há reconhecida escassez de ins-
os adolescentes frequentemente assumem trumentos validados e adaptados para o
comportamentos de risco e tornam-se mais contexto brasileiro, principalmente relacio-
sensíveis a avaliações e opiniões de tercei- nados à primeira e à segunda infância. Ao
ros. Dessa forma, Crone (2009) sugere que realizar uma revisão sistemática, as auto-
a adolescência é um período caracterizado ras observaram uma pequena quantidade
não só por avanços consideráveis nas FEs de artigos e a inexistência de estudos bra-
como também por vulnerabilidade com sileiros nas bases PubMed e PsycInfo, o que
­relação à assunção de riscos, à tomada de também pode demonstrar uma não inter-
decisão imediatista e à avaliação social. nacionalização das publicações brasileiras.
Nesse contexto, uma avaliação das FEs
na infância pode ser realizada com a com-
AVALIAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA binação de escalas e inventários comporta-
mentais e baterias neuropsicológicas que
DA INFÂNCIA avaliam diferentes domínios das FEs, e
complementada com a aplicação de para-
A avaliação das habilidades executivas da digmas experimentais específicos desenvol-
infância é um desafio. Grande parte dessa vidos para avaliar um dos seus componen-
dificuldade deve-se a questões metodológi- tes. As escalas que têm sido mais utilizadas,
cas, como a complexidade desse domínio, devido a sua validade ecológica e facili­dade
a sua dinâmica e as relações de interde- de aplicação, são: a) Behavioral Rating In-
pendência com outras funções cognitivas. ventory of Executive Function (BRIEF), b)
A neuropsicologia do desenvolvimento tí- Behavioral Assessment System for Children
pico e disfuncional (Espy, 2004) propõe a (BASC), c) Behavioural Assessment of the
necessidade de medidas específicas, ade- Dysexecutive Syndrome in Children (BADS-
quadas a cada faixa etária e com valida- -C), d) Dysexecutive Questionnaire for Chil-
de psicométrica para a infância. A maioria dren (DEX-C) e e) Comprehensive Executive

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Function Inventory (CEFI). Entre essas es- tem papel fundamental na avaliação e es-
calas, somente a BRIEF foi adaptada e va- truturação de rotinas de intervenções rela-
lidada para a população brasileira. As bate- cionadas às funções executivas.
rias neuropsicológicas que incluem vários
instrumentos executivos são: a) Escala de
Inteligência Wechsler para Crianças, 4ª REFERÊNCIAS
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