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Colégio HMS Sociologia – 3º ano

Prof. Cláudio Almeida


e-mail:
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Assunto: Estudo Dirigido sobre Dualismo, Desenvolvimentismo, Periferia e Clientelismo

01)Por que a generalização das relações capitalistas deixou ultrapassadas as antigas comparações
científicas sobre as sociedades não-europeias?
O estabelecimento de vínculos entre as antigas colônias e suas ex-Metrópoles eram de
natureza capitalista – em sua maioria – e assim, estabeleciam-se certas condições uniformes, tais
como uma burguesia comercial, a acumulação de capital, um Estado institucionalizado com
sistemas burocráticos e buscando industrializar-se. A homogeneização eliminava ou dificultava
as comparações.

02)Neste sentido podemos entender que houve uma refutação ou reforço dos modelos
evolucionistas?
Num primeiro momento refutava-os, já que as classificações como primitivo ou atrasado
não eram mais cabíveis se o ponto era o estágio de desenvolvimento rumo à industrialização. A
diferença era de estágio e não de natureza.

03)O que propõe a corrente Desenvolvimentista em termos classificatórios destes estágios?


Como evidentemente existiam diferenças entre sociedades industrializadas e aquelas
baseadas na produção agrícola, onde a busca por um desenvolvimento capitalista restaurou um
certo evolucionismo. Ao contrário da dicotomia anterior que opunha europeu X não-europeu, ou
desenvolvido X primitivo, agora a diferença era entre os polos mais desenvolvidos do capitalismo
(Centro) e os que buscavam à eles equiparar-se (periferia).

04)Como se classificavam as sociedades e por que tal abordagem foi criticada?


Segundo Willian Rostow existiam 5 estágios de desenvolvimento: a sociedade Tradicional
(de produção limitada e dependente do ambiente), a de Transição (dotada de precondições para o
desenvolvimento econômico), aquelas em Inicio de Desenvolvimento (quando acumulação de
capital e expansão manufatureira se apresentam), sociedades em Maturação (quando as forças
econômicas predominam na sociedade) e as de Produção em Massa. Esta classificação foi
criticada pois pressupunha que todas as sociedades partiam do mesmo ponto – desconsiderando
as particularidades históricas – e que as etapas eram lineares, o que não era real: os ingleses na
Índia encontraram uma sociedade exportadora de tecidos que se tornou importadora por força
dos colonizadores. Além disso, há que se considerar que um país pode apresentar áreas mais
desenvolvidas que outras, não podendo ser visto necessariamente como um todo homogêneo .

05)O que se entende por Clientelismo?


Partilhando a ideia de que todas as sociedades buscam atingir o capitalismo industrial,
para alcançá-lo haveria a necessidade de superar determinados entraves, sendo o clientelismo um
deles. Neste predominam as relações interpessoais e a valorização dos laços de parentesco, ainda
que envolvendo a ideia de um “lucro”. A prioridade dos parentescos sobre o mérito, por exemplo,
produzia empresas ineficientes e criava entraves ao desenvolvimento. O caso japonês é por si só
prova cabal da refutação desta abordagem: fortemente ancorada em relações pessoais de
dependência, porém dotada de alto grau de desenvolvimento capitalista industrial.

06)O que é o Dualismo?


Surgiu como uma tentativa de explicar o subdesenvolvimento a partir da tese de que
existiam em determinados países uma coexistência entre estruturas desenvolvidas e outras
atrasadas, com baixo nível econômico, agrárias, etc. Podendo surgir entre regiões ou setores
econômicos (como na comparação entre o NE brasileiro e o SU, ou entre uma capital e seu
entorno). Segundo Élias Gannagé, “subdesenvolvido é o país caracterizado pela coexistência de
dois sistemas econômicos e sociais diferentes” mas correlacionados normalmente. O problema
não era étnico ou cultural e sim decorrente da falta de políticas de estímulo ao progresso, da falta
de empenho dos governos, etc.

07)Aponte semelhanças entre desenvolvimentistas e dualistas.


As duas correntes entendem as sociedades como dentro de um processo de
desenvolvimento rumo ao capitalismo industrial.

08) E suas diferenças?


Para os primeiros este desenvolvimento capitalista é o estágio final que é buscado pelas
diversas sociedades, enquanto que para os dualistas, estas mesmas sociedades estão em
transição, onde os atrasados serão incorporados aos desenvolvidos. Os desenvolvimentistas
buscam os fatores do retardamento, enquanto os dualistas procuram os obstáculos à absorção dos
atrasados pelos desenvolvidos.

09)O que é o conceito de periferia?


A falta de eficiência governamental, aliada ao comportamento das camadas dirigentes,
gera a existência de uma economia periférica, de baixa produtividade, que impede o pleno uso do
potencial econômico. Assim, periferia tornou-se sinônimo de algo que é secundário e até anormal
em relação ao que é dominante ou “central”. É um conceito aplicado para regiões ou setores
“atrasados” dentro de uma nação subdesenvolvida.

10) E o conceito de Marginalidade?


Segundo Bresser Pereira, marginal é aquele setor que fica “de fora” dos processos de
desenvolvimentos mais acelerados e dinâmicos. Atados a relações econômicas, políticas e sociais
de cunho “tradicional” - onde predominam relações pessoais - acaba ultrapassado por aqueles
setores mais evoluídos.