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GÊNEROS TEXTUAIS E

CONCEITOS AFINS: TEORIA


Helênio Fonseca de Oliveira (UERJ)

Classificar textos é de suma importância, não só nas pesquisas ligadas à lin-


guagem, mas também na aplicação didática dos seus resultados. Nas pesquisas,
porque a atividade lingüística não existe fora da produção e interpretação de
textos orais ou escritos, e no ensino - seja do idioma nacional ou de línguas
estrangeiras - porque é para capacitar o aluno a produzir e interpretar textos
que se aprende uma língua, e não existe texto fora das convenções de um gê-
nero textual.
Muitas polêmicas, por exemplo, sobre a existência ou não, numa dada lín-
gua, de determinadas estruturas sintáticas, categorias flexionais, itens do léxico
etc. resultam às vezes de um mau equacionamento do problema. Para solucio-
ná-lo adequadamente, basta, muitas vezes, recorrer a fórmulas como "a forma
lingüistica F existe na língua L, nos gêneros textuais G 1, G2, G 3 etc:: ou então "o
registro lingüístico R (informal, semiformal, formal, ultraformal) se emprega
nos gêneros G 1, G 2, G 3 etc:' Esse é um dos muitos serviços que a classificação
dos textos pode prestar ao estudo da linguagem.
É freqüente ouvir-se, por exemplo, no meio universitário de Letras, a asser-
tiva - feita pelos mais sedentos de inovação - de que a mesóclise não existe na
atualidade, tendo caído em desuso. Os mais conservadores se equivocam no
sentido contrário, negando sumariamente a existência de hábitos lingüísticos
coloquiais considerados "incorretos': como o emprego dos verbos ir e chegar
com a preposição em, o de ter no sentido de "existir': o da chamada "mistura de
tratamentos" etc. Há quem chegue a dizer: "isso não é português''.
Ora, tanto existem no português atual construções desse tipo quanto existe
a mesóclise. Depende do gênero textual. O pronome mesoclítico ocorre em
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textos que exigem ou aceitam o registro ultraformal, como os da área jurídica


e uns poucos outros, sendo, portanto, de uso restrito, mas não é verdade que
se tenha arcaizado. As construções coloquiais condenadas pela gramática nor-
mativa, por sua vez, são adequadas para gêneros como letra de música popular,
piada, bate-papo virtual, conversação diária etc.
A produção de textos e seu ensino também se beneficiam dessa classifica-
ção. Como dissemos em outro trabalho, "o que é virtude num gênero textual
pode ser defeito em outro, daí a pouca utilidade de conselhos gerais, válidos
em princípio para qualquer gênero, como 'não escreva eu acho', 'evite frases
longas', 'não recorra ao sintagma o referido como mecanismo de coesão' etc:'
- cf. OLIVEIRA (in HENRIQUES e SIMÕES, 2004, p. 191).
Isso não significa que não haja "recomendações" válidas para todos os gê-
neros. Tais preceitos existem. É o caso, por exemplo, das "leis do discurso" de
Ducrot, inspiradas nas "máximas conversacionais" de Grice. Estas "máximas'',
apesar do adjetivo "conversacionais'', valem para a comunicação oral ou escri-
ta de modo geral, independentemente do gênero, o mesmo se podendo dizer
das "leis do discurso". Aos textos em geral o que é dos textos em geral, a cada
gênero o que é de cada gênero. Sobre máximas conversacionais e leis do dis-
curso, ver CHARAUDEAU e MAINGUENEAU, 2002, p. 357-358, GRICE (in
DASCAL, 1982, p. 81-104), e DUCROT, 1972, p. 8.
O ensino de interpretação de textos também se beneficia da classificação
dos gêneros. Temos de ler uma obra ficcional, por exemplo, sem esperar dela
veracidade. Lendo uma notícia, ao contrário, "cobramos" do jornal que a vei-
cula um compromisso com a verdade dos fatos, e é natural que o façamos.
Quem lesse um desses gêneros como se fosse o outro não conseguiria interpre-
tar adequadamente o texto.
Tem longa tradição no meio escolar e nas universidades uma nomenclatura
dos gêneros textuais herdada da cultura greco-latina, limitada, porém, aos lite-
rários. Essa atitude de restringir ao âmbito literário a classificação sistemática
e consistente dos textos perdurou até a primeira metade do século XX, quando
Bakhtin lançou as bases de uma classificação mais abrangente, expandida para
outras esferas da comunicação - cf. BAKHTIN, 1997. Sempre houve, eviden-
temente, nomes para as diferentes categorias de textos, mas tratava-se, de de-
nominações baseadas no senso comum, e não de uma tipologia fundada em
critérios classificatórios rigorosos.
A partir década de 60, com o surgimento da lingüística do texto, várias ten-
tativas se fizeram no sentido de chegar a uma tipologia textual satisfatória.
Esse terreno, entretanto, mostrou-se um tanto pantanoso até a segunda metade
da década de 80.
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As tentativas de classificação pecavam pela heterogeneidade de critérios.


Por um lado, havia, por exemplo, na década de 70, Werlich, que falava em cinco
categorias - o texto narrativo, o descritivo, o argumentativo, o expositivo e o
injuntivo (referindo-se este último a receitas culinárias, manuais de aparelhos .
etc.) - cf. WERLICH, 1975.
Por outro lado, havia tipologias que mencionavam milhares de espécies de
textos, como epopéia, bula de remédio, piada, requerimento, petição, cróni-
ca, fábula, relatório, ata, ensaio, carta, notícia, letra de música, bilhete, te-
legrama, parecer, outdoor etc. MARCUSCHI (in DIONÍSIO, 2002, p. 19-36)
fala de "lingüistas alemães que chegaram a nomear mais de 4000 gêneros".
Na verdade, as classificações com poucos tipos, como a de Werlich, enfoca-
vam a própria estrutura interna do texto. Eram, pois, de natureza intratextual.
E as que mencionavam milhares de categorias usavam critérios extratextuais,
relacionados às finalidades dos textos e às situações comunicativas em que
são produzidos.
A partir do início da década de 90 as coisas começam a clarear e os teóricos
se dão conta de que é preciso distinguir o plano intratextual do extratextual
- não necessariamente com essa nomenclatura. Às pouco numerosas categorias
intratextuais daremos o nome - adaptando ligeiramente a terminologia de Cha-
raudeau - de modos de organização do texto - cf. CHARAUDEAU, 1992, p.
633-837. Para as que existem em grande número e às quais se chega pelo critério
extratextual, adotaremos a denominação, hoje consensual, de gêneros textuais.
Para tornar operacional esse binômio, tem-se de organizar os gêneros por
algum critério, uma vez que, sendo muito numerosos, sua classificação ficaria
caótica sem ele. Em fun ção disso, os teóricos têm proposto agrupá-los segundo
os ramos da atividade humana a que pertencem, denominados esferas da co-
municação por Bakhtin, tipos de textos por Charaudeau e domínios discur-
sivos por Marcuschi. Cada um desses ramos de atividade abriga certo número
de gêneros textuais. Adotaremos, com referência a eles, a opção terminológica
de Marcuschi - cf. BAKHTIN, 1997; CHARAUDEAU, 1992 e MARCUSCHI
(in DIONÍSIO, 2002, p. 19-36).
São domínios discursivos o jornalístico, o literário, o publicitário, o legisla-
tivo, o burocrático, o científico etc. Gêneros textuais como notícia, editorial ou
crônica esportiva pertencem ao domínio discursivo jornalístico; ao literário,
pertencem o conto, o romance, a epopéia etc., ou sejam, os gêneros literários;
do burocrático, fazem parte o memorando, o ofício, o requerimento e assim
por diante.
Um gênero textual é, pois, um item de determinada cultura: um conto ou um
memorando é um produto cultural, tanto quanto uma bicicleta ou um creme de
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barbear - cf. OLIVEIRA (in HENRIQUES e SIMÕES, 2004, p. 184). O gênero


haicai é próprio da literatura japonesa, apesar de outras literaturas o imitarem; a
literatura de cordel é típica do Nordeste do Brasil; os gêneros notícia, telegrama
e e-mail só podem ser produzidos onde existe, respectivamente, o jornal, o telé-
grafo e a Internet, ou seja, os gêneros são localizáveis no tempo e no espaço.
O fato de os gêneros - e os domínios em que se enquadram - dependerem
de aspectos culturais (portanto extratextuais) não significa que não haja corre-
lação entre certos domínios e gêneros, por um lado, e determinados modos de
organização, por outro e, embora o que os modos tenham de essencial e típico
sejam traços de natureza intratextual, existe uma correlação entre eles e deter-
minadas situações comunicativas propensas a fazê-los aparecer, isto é, modos,
gêneros e domínios se inter-relacionam, como não podia deixar de ser.
Segundo OLIVEIRA, 2003, p. 43-44, "há certa correlação( ... ) entre gêneros
textuais e modos de organização do texto: um editorial, por exemplo, tende a
ser argumentativo; romances, contos, novelas etc. sempre são narrativos; crô-
nicas tendem a ser narrativas; e assim por diante".
Além desse tipo de correlação, existem, dentre as convenções dos gêneros,
apesar da natureza cultural destes, aspectos formais, portanto intratextuais: um
soneto tem de conter quatorze versos; uma carta comercial tem de terminar
com "Atenciosamente" - e similares - mais a assinatura do remetente; deter-
minado subgênero do gênero ficção infantil tem de iniciar pela expressão "era
uma vez" - para dar apenas alguns exemplos.
Outro ponto importante é que os modos, não sendo típicos de determina-
das culturas, são universais, ou seja, tendem a existir em todas elas. É evidente
que eles se manifestam de formas diferentes em diferentes culturas, mas isso
não nega sua universalidade.
O que é cultural, portanto, é a maneira de argumentar, de descrever, de nar-
rar etc., mas não a existência mesma desses modos de organizar o texto. Os pós-
modernos não narram do mesmo modo que os românticos, nem estes o fazem
como os naturalistas; não se argumenta hoje como no século XVIII, nem os na-
tivos de uma tribo australiana descrevem paisagens do mesmo modo que nós.
Mas isso, repetimos, refere-se à forma que os modos assumem nas diferen-
tes culturas, e não à sua existência ou inexistência nelas. Jayme C. F. dos Santos
recolheu textos descritivos, narrativos, argumentativos e injuntivos na língua
dos índios brasileiros akwe-xerente, donde se conclui que esse povo utiliza es-
ses modos. Ora, se eles existem em culturas tão distintas como essa e a nossa, é
de imaginar que existam não importa em que sociedade - cf. SANTOS, 2004.
É possível que determinado povo narre mais, argumente mais, descreva
mais etc. do que outro. O modo argumentativo, por exemplo, como nasce do
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confronto entre maneiras diferentes de ver o mundo, tenderá a ser menos fre-
Çiente em sociedades culturalmente mais homogêneas. De qualquer forma,
por mais homogênea que uma sociedade for, sempre haverá diferenças de pon-
tos de vista entre jovens e idosos, entre mulheres e homens ou entre indivíduos
com diferentes status dentro da comunidade.
Outra diferença entre modos e gêneros é que um texto, do início ao fim, per-
tence ao mesmo gênero. Não é possível um conto, a partir de determinado pa-
rágrafo, transformar-se numa receita culinária ou num memorando, no entan-
to tendem a co-ocorrer num mesmo texto seqüências pertencentes a diferentes
modos de organização textual. Na verdade os modos, como já o dissemos em
outro trabalho, "só aparecem em estado 'puro' no nível microestrutural" - cf.
O LIVEIRA (in HENRIQUES e SIMÕES, 2004, p. 185). Podemos identificar o
m odo de organização de um parágrafo, de uma frase, de um fragmento de frase
etc., mas não do texto como um todo. Neste, o que existe é a predominância de
determinado modo sobre os demais.
Quanto à inserção de um gênero em outro (por exemplo: uma carta contida
num romance, um poema numa piada, uma fábula num livro didático, um
e-mail numa ata de reunião etc.) é um fenômeno textual completamente dife-
rente da coexistência de dois ou mais modos num mesmo texto. No caso de tais
inserções, a relação entre o texto inserido e o outro no qual se insere é de conti-
nente e conteúdo. Trata-se do fenômeno da citação: um texto de determinado
gênero é citado, às vezes na íntegra, em outro de outro gênero.
Na verdade cada gênero textual está associado a um contrato de comuni-
cação, ou seja, a um conjunto de "direitos" e "deveres" d e quem produz o texto
e de quem o interpreta. Cada gênero, de acordo com o contrato de comunica-
ção que a ele subjaz, aceita determinada temática, determinada macroestrutura
textual, certas estruturas sintáticas, certo vocabulário etc. e rejeita outros.
A própria relação de quem fala ou escreve com a veracidade do conteúdo da
mensagem é objeto do contrato de comunicação de cada gênero. Daí o exem-
plo, imaginado acima, do leitor que, lendo ficção como quem lê uma notícia,
"cobrasse" - injustamente - do autor fidelidade aos fatos. Essa cobrança seria
injusta, porque a "cláusula" do compromisso com a realidade, embora presente
no contrato da notícia, não pertence aos dos gêneros ficcionais. Sobre o con-
ceito de contrato de comunicação, ver CHARAUDEAU, 1992, p. 638, CHA-
RAUDEAU, 1983, p. 54 e MAINGUENEAU e CHARADEAU, 2002, p. 138-141
e OLIVEIRA, 2003, p. 33-40.
Um gênero textual, segundo BAKHTIN, 1997, p. 279, tem seu conteúdo
temático, seu estilo e sua construção composicional "marcados pela especi-
ficidade de uma esfera de comunicação''. Tais gêneros, segundo ele, são "tipos
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relativamente estáveis de enunciados''. Na verdade o termo usado por Bakhtin


é gênero discursivo, mas aqui falaremos de gêneros textuais.
Tentemos correlacionar esse conceito com o de contrato de comunicação.
O conteúdo temático típico de um gênero é o conjunto dos possíveis temas
abordáveis nos textos a ele pertencentes, de acordo com o contrato de comu-
nicação que o rege. Esse conteúdo está ligado ao universo em que se inserem
as possíveis situações comunicativas em que tal gênero é produzido. Há temas
adequados e inadequados para uma piada, para uma conferência, para um ser-
mão etc. O estilo - da maneira como Bakhtin emprega o termo - correspon-
de a determinadas escolhas, feitas dentre as opções oferecidas pelo sistema da
língua e aceitáveis dentro do contrato de cada gênero. É à "estilística da língua"
de Bally que Bakhtin se refere quando fala em estilo. E a construção composi-
cional exigida pelo contrato de um gênero é um conjunto das macroestruturas
textuais permitidas por esse contrato. É, pois, a superestrutura desse gênero.
Em outras palavras, o que é permitido ou interditado num ato de linguagem,
dentro de um tipo mais ou menos padronizado de situação comunicativa, consti-
tui as convenções de um gênero textual, que são o contrato de comunicação desse
gênero. Tal contrato pode ser definido, por conseguinte, como um conjunto de
convenções que determinam o que é e o que não é "permitido" na produção e na
interpretação de textos desse gênero. Não existe texto que não se enquadre num
gênero, não há gênero que não obedeça a um contrato de comunicação e não há
contrato de comunicação que não se refira a uma situação comunicativa.
Segundo Charaudeau, quando nos comunicamos oralmente ou por escri-
to, identificamos a situação comunicativa e o contrato de comunicação nela
"vigente': traçando um projeto de comunicação, que contém o objetivo ou
objetivos da mensagem e as estratégias destinadas a atingi-lo(s), as quais terão
de explorar a margem de manobra (mais ou menos estreita, conforme o caso)
possível dentro do contrato, que é constituído de "restrições" e "liberdades"
- CHARAUDEAU, 1993, p. 93-95.
Estabelecidos objetivo(s) e estratégias, fazemos escolhas lexicais adequadas
aos objetivos visados e aplicamos as regras da gram ática da língua (não neces-
sariamente no sentido de gramática escolar), estruturando o texto num dos
modos de organização textual, ou - o que é mais freqüente - numa combi-
nação deles, que existem, como vimos, em número muito restrito. O quadro
abaixo mostra que, juntando as propostas de Werlich, Adam, Fávero & Koch,
Charaudeau, Marcuschi e a nossa própria, não se vai além de nove categorias -
cf. WERLICH, 1975; ADAM, 1987; FÁVERO e KOCH, 1987; CHARAUDEAU,
1992; Marcuschi (in DIONÍSIO, 2002 p. 19-36) e OLIVEIRA (in HENRIQUES
e SIMÕES, 2004, p. 183-193).
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Werlich Fávero e Adam Charaudeau Marcuschi Nossa


Koch proposta
L Descritivo + + + + + +
2. Narrativo + + + + + +
3. Argumentativo + + + + + +
4. Expositivo + + + + +
5. lnjuntivo + + + + +
6. Preditivo +
7. Poético +
8. Conversacional +
9. Enunciativo + +

É claro que não existe sinonímia exata entre terminologias pertencentes a


teorias distintas, mas esses conceitos se aproximam do que optamos por deno-
minar modos de organização do texto, tendo em comum a intratextualidade
e a universalidade.
Os modos descritivo, narrativo e argumentativo dispensam maiores ex-
plicações, uma vez que têm sido amplamente estudados. Passamos, pois, a co-
mentar as outras seis categorias do quadro acima:
Exposição - A exposição, que costuma predominar em verbetes de enci-
clopédias, livros didáticos, comunicações em congressos, aulas, conferências
etc., caracteriza-se: (a) por um predomínio da atitude comunicativa de infor-
mar (sobre a de persuadir, por exemplo); (b) por asserções a respeito do mun-
do, isto é, do referente; (c) por uma forte presença da razão e da objetividade,
resultando numa macroestrutura logicamente concatenada, freqüentemente
organizada pelo método dedutivo; (d) por um alto índice de coesão referencial;
(e) pelo uso freqüente de conectivos; (f) pelo predomínio da terceira pessoa
sobre as outras duas.
Uma categoria típica da exposição é a causalidade no sentido restrito, ou
seja, a expressa pelas conjunções causais e seus equivalentes semânticos. Na
exposição, a causalidade costuma estar associada a uma visão generalizan-
te, via de regra a serviço do ato de analisar. A causalidade particularizante,
ao contrário, é mais típica da narração. No modo argumentativo, a explicação
(que pertence à causalidade no sentido amplo, mas que não exprime causa
stricto sensu e que é expressa pelas conjunções explicativas e equivalentes) é
mais freqüente que a causalidade restrita, que só costuma ser utilizada estrate-
gicamente, como índice de racionalidade, para construir uma imagem confiá-
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vel do argumentador. A argumentação, embora não tenha de verdadeiramente


comprometer-se com as categorias da lógica, tem de aparentar fazê-lo, e causa-
lidade stricto sensu é uma delas - cf. OLIVEIRA (in HENRIQUES e SIMÕES,
2004, p. 183-193).
Injunção - A injunção, freqüente em receitas culinárias, em textos de lei,
em manuais de aparelhos, em softwares auto-explicativos, em regulamentos,
nas regras da gramática normativa etc., consiste em o emissor dizer ao destina-
tário o que este deve ou pode fazer e caracteriza-se pelo emprego do imperativo
e seus equivalentes semânticos, bem como de vocativos, dos auxiliares modais
dever, poder, ter de (ou ter que) etc.
Enunciação - O modo enunciativo de organização do texto é de natureza
metadiscursiva, ou seja, é o organizador dos outros modos. Segundo a metá-
fora didática de Charaudeau, ele é o "cocheiro" da carruagem da comunicação
e os demais são os "cavalos" - cf. CHARAUDEAU, 1999. O modo enunciativo,
por conseguinte, "comandà' os demais. Pertencem a ele esclarecimentos so-
bre o tipo de ato que praticamos com nossa fala ou escrita, como em "é uma
ordem", "não estou perguntando nada", "não estou mandando, estou pedindo':
"não estou reclamando, estou só informando': "estou só desabafando", "o fim
desta é informar-lhe que .. :' e outros.
Outras vezes o modo enunciativo assume a forma de reformulação do dis-
curso. Por exemplo: quando empregamos os conectores reformulativos ou
melhor, minto, digo, na verdade, na realidade etc. Os três primeiros reformulam
a seqüência precedente tratando-a como incorreta e corrigindo-a radicalmen-
te; os dois últimos o fazem moderadamente, tratando a seqüência precedente
como inexata, mas não como totalmente errônea - cf. OLIVEIRA, 2004. Re-
formular o próprio discurso é gerir sua produção, portanto é um ato próprio
do modo enunciativo.
Predição - A categoria predição foi proposta por Leonor Fávero e Ingedore
Koch, em artigo publicado em 1987, no qual adotam as categorias d e Werlich
(narração, descrição, argumentação, exposição e injunção), acrescida de uma
sexta, o predição, que tem por tema acontecimentos futuros e ocorre nos ho-
róscopos, profecias, prospecções etc. - cf. FÁVERO e KOCH, 1987.
As marcas lingüísticas mais típicas dessa categoria são as formas verbais de-
signativas de "futuridade", isto é, o futuro do presente simples (falará), o futuro
composto do tipo presente do indicativo de ir+ infinitivo (vai falar), o futuro
do subjuntivo - (quando) falar-, o presente com valor de futuro (fala = "fala-
rá"), o futuro anterior ( = futuro do presente de ter ou haver + particípio: terá
falado ou haverá falado, sendo este mais formal), ou ainda construções com os
verbos dever, poder, pretender, planejar, esperar etc. + infinitivo.
GÊNEROS TEXTUAIS E CONCEITOS AFINS: TEORIA • 87

Talvez possamos falar, o que não invalida a proposta de Fávero e Koch, do


'"tipo textual" preditivo - para usar a terminologia por elas adotada - como
subjacente aos demais ou a alguns deles, fazendo interseção no mínimo com o
injuntivo, o narrativo e o descritivo.
Poderíamos denominar injunção preditiva - ou predição injuntiva - a
que é feita para ser "cumprida" depois de certo lapso de tempo, como a interdi-
ção da mãe que diz ao filho: "Você amanhã não vai ver televisão". Isso explica o
uso do futuro com valor de imperativo, como ocorre nos Dez Mandamentos.
Podemos referir-nos também a uma narração preditiva, ou predição nar-
rativa, que costuma ocorrer quando, na mídia impressa, se noticia um fato fu-
turo. Apesar de os tempos verbais típicos da narração serem os pretéritos, onde
quer que haja uma seqüência de fatos apresentados dentro de uma visão parti-
cularizante estará presente o modo narrativo de organização textual, ainda que
com os verbos no futuro (e equivalentes) - cf. OLIVEIRA, 2000. A narração
preditiva, por utilizar as formas verbais da futuridade, é bastante atípica, mais
do que o emprego do presente pelo pretérito, tradicionalmente denominado
presente histórico, que corresponde a um grau menor de atipicidade. Mas é
narração. E ao mesmo tempo é predição. A predição narrativa seria um subtipo
da narração, como a descritiva o é da descrição e a injuntiva, da injunção.
Há ainda a descrição preditiva, ou predição descritiva, também muito co-
mum em notícias sobre acontecimentos futuros. A narração preditiva, como
qualquer outra, costuma conter seqüências descritivas destinadas a caracteri-
zar os actantes e o espaço em que a ação se passa. No caso, trata-se do espaço
em que se espera que aconteça um evento como um show, um comício, um
casamento de pessoas famosas, uma conferência etc. O exemplo abaixo ilustra
bem esse fenômeno, alternando descrição e narração preditivas:

A festa do livro que vai desafiar a folia

SÃO PAULO - Os ecos do baticum do carnaval ainda poderão ser ou-


vidos quando começar. na próxima quinta- feira. dia 9 de março, a 19. ª
Bienal do Livro de São Paulo, planejada para ser o maior e o melhor
evento literário já organizado no país. Antecipada em m ais de um mês
Dara poder ser realizada pela primeira vez no gigantesco Pavilhão de
Exposições do Anhembi, esta edição do evento esoera receber mais de
800 mil pessoas e 320 expositores (1 2 deles estrangeiros). ilijQ [no sen-
tido de "serão"] 31 Ohoras de atividades culturais nos 11 dias da feira,
que termina [no sentido de "terminará"] em 19 de março, e milhares
de lançamentos a conferir - e, de preferência, com prar.
(... )A feira será o primeiro evento cultural importante do ano. (... )
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(... ) diz Luiz Antonio de Souza, gerente comercial da Editora Globo:


"Além disso, muitos editores não poderão participar da primeira sema-
na, em Junção da Feira de Londres".
Jorge Henrique Cordeiro - Globo Online - "Prosa e Verso" - 05.03.2006.

Sublinhamos não só as marcas de futuridade descritas acima, mas também


outros recursos destinados a situar no futuro o conteúdo veiculado, como o
adjunto adverbial "na próxima quinta-feira" e a construção "lançamentos a con-
ferir", além de seqüências com para + infinitivo, indicando um fim a que se
espera chegar no futuro: "planejada para ser" e ''para poder ser realizada".
A "seqüência'' poética e a conversacional - Quanto às categorias conver-
sacional e poético, ou, mais exatamente, seqüência poética autotélica e seqüên-
cia dialogal conversacional, quem as propõe (evidentemente dentro de um
quadro teórico diferente do nosso, embora compatível com ele) é Adam (op.
cit.), que as acrescenta às cinco de Werlich.
As seqüências dialogais conversacionais são as típicas da conversação, que
se caracteriza pelo diálogo entre dois ou mais interlocutores, de tal forma que
uma conversação não corresponde a tantos textos quantos sejam os interlocu-
tores, mas a um único texto, produzido cooperativamente.
Seqüências textuais poéticas autotélicas, segundo Adam, são as que seca-
racterizam pela função poética da linguagem. Ocorrem com freqüência na
poesia, na prosa poética, em textos publicitários, provérbios e letras de músicas.
O adjetivo autotélico significa "que traz em si sua própria finalidade''. Refere-se,
portanto, ao fato de em tais seqüências a função poética ser como que um fim
em si mesma, prevalecendo sobre as demais. Por exemplo, sobre a emotiva.
Adam, ao invés de falar em "tipos de textos': como Werlich, ou em modos
de organização, como Charaudeau, prefere operar com o conceito de "seqüên-
cias textuais elementares': em número de sete, por ele denominadas narrativa,
injuntiva, instrucional, descritiva, argumentativa, explicativa expositiva,
dialogal conversacional e poética autotélica - cf. Adam (op. cit.).
O fato de dois ou mais dos aqui denominados modos de organização do
texto poderem, como vimos, coexistir no mesmo texto foi o que motivou a
preferência do autor pelo conceito de seqüências textuais, por oposição ao de
tipos de textos - e não ao de modos de organização, que não conflita com sua
proposta. As seqüências são pequenos fragmentos e é a elas - e não à totalidade
do texto - que as classificações de Adam se aplicam. De fato, dessa forma fica
mais fácil lidar com a coexistência de tais categorias no texto. É, contudo, pos-
sível falar em "texto descritivo", "texto narrativo", "argumentativo" etc., desde
que se considere que tais classificações se referem a um modo predominante.
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Essa predominância, diríamos, pode ser quantitativa ou qualitativa. Um


modo de organização predomina quantitativamente sobre outro num texto
quando ocupa mais espaço do que ele (na mensagem escrita) ou mais tem-
po (na oral) e predomina qualitativamente quando o outro, mesmo ocupando
mais espaço ou tempo, está a serviço dele. Diríamos também que a predomi-
nância qualitativa tem prioridade, na classificação dos textos, sobre a quanti-
tativa. Se um texto leva mais tempo ou ocupa mais espaço narrando do que
argumentando, mas os fatos narrados funcionam como argumentos para a tese
"defendida'', temos de classificá-lo como argumentativo, o mesmo se aplicando
à descrição a serviço da narração e a qualquer relação desse tipo.
Esse princípio tem uma inegável relevância teórica. Embora pedagogica-
mente útil, ele não é uma simples convenção para fins didáticos. Um texto em
que o modo M 1 está a serviço de M 2 tem uma macroestrutura M 2 • Uma das
aplicações didáticas dessa noção está em fornecer um critério objetivo para
a correção de redações em concursos: só é válido considerar que o candidato
deixou de produzir o texto dentro do modo de organização exigido quando
esse modo não predomina qualitativamente.
Como as "seqüências" de Adam não são exatamente os nossos modos de
organização do texto, é natural que nossa "lista'' não coincida com a dele. Isso
explica por que não falamos em "modo conversacional" nem em "modo poéti-
co''. Optamos por ficar com o descritivo, o narrativo, o argumentativo, o enun-
ciativo, o expositivo e o injuntivo, embora reconhecendo que os dois últimos
também podem ser vistos como casos de interseção. Há muito de descrição
de processos na injunção e de descrição de modo geral na exposição. Analisar
é em grande parte descrever. Em todo caso, optamos por tratar a injunção e a
exposição como modos independentes.
A inclusão por Adam da seqüência poética e a da conversacional em sua
"lista" deve-se ao fato de que elas apresentam algumas características de macro-
estrutura textual peculiares. Trata-se, no entanto, novamente, de interseções.
Um trecho pode ser ao mesmo tempo poético e descritivo, conversacional e
narrativo, poético e argumentativo etc. Neste fragmento do segundo poema
do Guardador de rebanhos de Alberto Caeiro, por exemplo, predomina incon-
fundivelmente o modo argumentativo: "Creio no mundo como num malmequer
/ Porque o vejo. Mas não penso nele, / Porque pensar é não compreender... / O
mundo não se fez para pensarmos nele/ (Pen sar é estar doente dos olhos) / Mas
para olharmos para ele e estarmos de acordo... / Eu não tenho filosofia: tenho
sentidos." - cf. PESSOA, 1965 p. 201 -250.
Uma combinação curiosa de injunção com função poética é a que ocorre na
conhecida "Receita de Mulher" de Vinícius, que poderíamos classificar como
um poema lírico-injuntivo:
90 • Helênio Fonseca de Oliveira

( ... )É preciso que súbito/ Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas
pousada e que um rosto! Adquira de vez em quando essa cor só encon-
trável no terceiro minuto da aurora./( ... )/ É preciso que umas pálpebras
cerradas/ Lembrem um verso de Élouard e que se acaricie nuns braços/
Alguma coisa além da carne( ... )/ É preciso (... )!Que haja uma hipótese
de barriguinha /(... )e que exista um grande latifúndio dorsal!( ... )/ Que
ela surja, não venha; parta, não vá ! (... ) Oh, sobretudo ! Que ela não
perca nunca(...)/ a sua infinita volubilidade/ De pássaro( ... )/ e em sua
incalculável imperfeição/ Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de
toda a criação inumerável.- cf. MORAES, 1967, p. 234-237.

Assim também, o participante de uma conversação narra quando conta


um "caso", descreve quando elenca as características de um objeto, argumenta
quando defende um ponto de vista; enfim, pode situar-se em princípio em
qualquer modo de organização.
Existem ainda outras possibilidades de classificação para as categorias in-
tratextuais, além das aqui mencionadas, o que elevaria talvez seu número para
pouco mais de dez, mas, obviamente, nunca serão tão numerosas quanto os
gêneros, por mais detalhistas que sejamos.
Para finalizar, gostaríamos de refletir mais um pouco sobre a aplicação
didática dessas noções. A tendência atual, entre os que teorizam sobre o ensino
de português como língua materna, é de privilegiar os gêneros, um pouco em
detrimento dos modos, sem chegar a condenar estes ao ostracismo. No ensino
da redação, o foco, de certo modo, era colocado tradicionalmente nos modos
de organização textual: ao propor um exercício de redação, o professor expli-
citava se a tarefa era produzir uma descrição, narração ou dissertação, aproxi-
mando-se muito esta última do modo argumentativo.
Não se pode negar que é desejável levar o aluno a produzir textos em deter-
minados gêneros muito freqüentes no dia-a-dia da atualidade, como e-mails,
cartas, anúncios classificados etc., mas continua sendo válido, paralelamente a
isso, exercitá-lo no manejo dos modos, levando-o a redigir textos descritivos,
narrativos e argumentativos, bem como injuntivos e expositivos.
Como dizíamos em OLIVEIRA (in HENRIQUES e SIMÕES, 2004, p. 183-
193), "redação escolar acaba-se tornando um gênero, que só existe na escola,
e descrição, narração e 'dissertação' [que são em princípio modos de orga-
nização] acabam-se tornando subgêneros desse gênero". Isso, contudo, não é
necessariamente um mal, dependendo de como se operacionalize.
Na verdade, a capacidade para produzir os gêneros textuais próprios de cada
profissão não tem necessariamente de ser adquirida no ensino fundamental
(ou no médio). Profissionais e aprendizes podem adquiri-la nos cursos de for-
GÊNEROS TEXTUAIS E CONCEITOS AFINS: TEORIA • 91

mação profissional, nos treinamentos em serviço, ou ainda autodidaticamente,


pela observação de modelos. Caberá aos cursos universitários de Jornalismo,
Publicidade e Direito, por exemplo, capacitar seus estudantes a produzir, res-
pectivamente, textos jornalísticos, publicitários e jurídicos.
Se o aluno, no ensino fundamental e no médio, for levado a dominar as téc-
nicas de cada um dos modos, terá apenas, no exercício da profissão, de adaptar
o conhecimento adquirido às peculiaridades dos gêneros próprios desta, o que
vai requerer mais (ou menos) treinamento especializado, dependendo do grau
de complexidade de cada gênero. É como aprender a tocar um instrumento
quando se conhece teoria musical. Os gêneros estão para os instrumentos, as-
sim como os modos estão para a teoria.
Já no ensino de interpretação de textos, o foco deverá recair sobre os gêne-
ros, ou, mais exatamente, sobre determinados gêneros cuidadosamente selecio-
nados para esse fim. Para interpretar um conto, uma crônica ou um editorial,
é necessário - não custa relembrar - conhecer os contratos de comunicação
desses gêneros.

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