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A Revolução Digital e o mito do desemprego

Carlos Pereira
Tecnologia
24/08/2018

Como a 4ª revolução industrial vai gerar ainda mais empregos,


ao contrário do que se pensa.

Recentemente ministrei uma palestra no CONARH sobre como a tecnologia vai transformar o dia a
dia da área de recursos humanos. E diante do grande interesse resolvi escrever este artigo para
compartilhar um pouco destas visões e experiências, que são válidas em qualquer área de atuação e
para qualquer tipo de negócio.
Há um crescente temor na sociedade, provocado em grande parte pelo marketing ostensivo de
algumas empresas de tecnologia, de que em um futuro breve teremos uma crise de emprego causada
pelo avanço tecnológico – sobretudo na área de robótica e inteligência artificial. Frequentemente
recebemos em nossa timeline matérias contando que um robô substituiu um médico ou um
advogado trazendo assim o problema para muito além do trabalho braçal.
Mas se olharmos para a tecnologia como aliada da humanidade, veremos que esta parceria remonta
aos primórdios da nossa civilização. A invenção de tecnologias como a roda por volta de 3.500ac ou
o ábaco em 2.700ac deram o primeiro impulso em substituir a força braçal e intelectual humana por
ferramentas que realizavam tarefas equivalentes.
Assim sucessivamente durante os séculos novas tecnologias vieram substituindo os humanos em
tarefas de baixo valor agregado. Citando alguns exemplos, entregadores de gelo substituídos pelo
refrigerador, acendedores de lamparinas de iluminação pública pela energia elétrica e a telefonista
pelo telefone discado abrindo espaço para novas profissões, como recentemente os youtubers,
pilotos de drones e cientistas de dados.
Particularmente acredito que a revolução digital que estamos vivendo terá o mesmo impacto para
humanidade daquele trazido pela revolução industrial, que foi impulsionada pela tecnologia à vapor.
E que, assim como naquela época, as profissões sem valor agregado darão lugar a novas profissões
levando novamente a humanidade a um novo patamar.
Para ajudar a sustentar este raciocínio encontrei uma pesquisa publicada pela UNISINOS que traça
uma linha comparativa entre os países mais robotizados do mundo e o seu nível de desemprego.

O gráfico mostra a Coreia do Sul na liderança da robotização com 531 robôs para cada 10.000
habitantes enquanto que o Brasil figura a 37ª posição com 9 robôs para mesma concentração
habitacional. Curiosamente a taxa respectiva de desemprego nestes países é de 3,1% na Coréia e
13,7% no Brasil, demonstrando que a relação tecnologia vs desemprego parece ter uma taxa
inversamente proporcional, ou seja, a tecnologia estimula o desenvolvimento, que por sua vez
estimula o emprego.

Além desta pesquisa o instituto mundialmente reconhecido Gartner Group, produziu um documento
intitulado “Top 10 Strategic Technology Trendsfor 2017” e que trouxe uma abordagem mais
otimista em relação a esta revolução tecnológica. Na visão do Gartner a tecnologia dará um grande
salto nos próximos anos impulsionando a humanidade a atingir um novo patamar, revolucionando a
forma como as pessoas se relacionam com o trabalho. Para mencionar somente algumas das visões,
nas predições do Gartner a inteligência artificial, aprendizado e máquina e a computação cognitiva
ajudarão as pessoas a serem mais eficientes e produtivas no seu ambiente de trabalho. Na prática
isto significa que o tempo gasto na coleta e cruzamento de informações para geração de insights
poderá ser dedicado à tomada de decisões cada vez mais rápidas e assertivas.
Na minha apresentação do CONARH trouxe alguns exemplos de como estas tecnologias estão
revolucionando o trabalho na área de RH, mas que se aplicam a qualquer outra área de atuação:
Assistentes Virtuais (Chatbots): Os chatbots ou assistentes virtuais podem ser grandes aliados para
atendimento de primeiro nível, como por exemplo: atender dúvidas sobre os mais variados
benefícios; orientar colaboradores sobre procedimentos internos; informar colaboradores sobre
políticas da empresa.
Big data, Analitycs e Machine Learning: Identificar através de algoritmos aplicados na massa de
dados padrões que gerem insights para sustentar a tomada de decisões como: identificar
colaboradores com risco de desligamento condicionado a fatores internos e externos; entender
desvios comportamentais através de eventos (batidas de ponto, pedidos de adiantamento,
absenteísmo, etc.); comparar tendências de remuneração de profissionais com base em seu
desempenho histórico.
Computação Cognitiva: Uso de computação cognitiva aplicada a processos de recrutamento e
seleção para: traçar perfis comportamentais mais aderentes para as demandas de uma determinada
posição; “entrevistar” candidatos analisando no conteúdo produzido por ele, suas características
comportamentais; comparar perfis comportamentais desejados para vaga com candidatos adequados
em função do seu perfil.
Automação de Processos (BPM): Uso de automação de processos para ganhar produtividade nas
principais demandas do RH, como análise de solicitações de benefícios de terceiros como planos de
saúde; coleta, análise e aprovação de informações para alterações cadastrais; controle do processo
de geração de matrículas para prestadores de serviços; análise de pedidos de férias.
Com todo este cenário parece muito claro que fazer parte desta revolução digital, além de garantir a
competitividade nos negócios, também cria novas oportunidades de emprego e renda que marcarão
uma nova fase do desenvolvimento da humanidade.

Por Carlos Pereira, gerente de pesquisa, arquitetura e tecnologia na Senior.

Fonte: https://www.senior.com.br/blog/a-revolucao-digital-e-o-mito-do-desemprego/