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PESQUISA SOCIOLINGUÍSTICA – Fernando Tarallo (1985)

A cada situação de fala em que nos inserimos e da qual participamos, notamos que a língua falada é,
a um só tempo heterogênea e diversificada. E é precisamente essa situação de heterogeneidade que
deve ser sistematizada. Se o caos aparente, se a heterogeneidade não pudessem ser sistematizados ,
como então justificar que tal diversificação linguística entre os membros de uma comunidade não os
impede de se entenderem, de se comunicarem? (p.6)

O modelo de análise a ser desenvolvido é o que se convencionou denominar “teoria da variação


linguística”. Trata-se de um modelo teórico-metodológico que assume o “caos” linguístico como o
objeto de estudo. Como esse modelo, por principio, não admite a existência de uma ciência da
linguagem que não seja social. No meio social as variantes coexistem em seu campo natural de
batalha. (p7)

Breve histórico da sociolinguística quantitativa

O iniciador desse modelo teórico-metodológico é o americano William Labov. O modelo de análise


proposto por Labov apresenta-se como uma reação à ausência do componente social no modelo
gerativo. Foi, portanto, William Labov quem, mais veementemente, voltou a insistir na relação entre
língua e sociedade e na possibilidade, virtual e real, de sistematizar a variação existente e própria da
língua falada. (p.7)

O modelo de análise linguística proposto por Labov é também rotulado por alguns de
“sociolinguística quantitativa”, por operar com números e tratamento estatístico dos dados
coletados. (p.8)

A variável e as variantes linguísticas

Em toda comunidade de fala são frequentes as formas linguísticas em variação. A essas formas de
variação dá-se o nome de “variantes”. “Variantes linguísticas” são, portanto, diversas maneiras de se
dizer a mesma coisa em um mesmo contexto, e com o mesmo valor de verdade. A um conjunto de
variantes dá-se o nome de “variável linguística”. (p8)

Exemplo de variável linguística: marcação do plural no SN. Duas variantes linguísticas: 1° é a


presença do segmento fônico /s/, 2° ausência desse segmento. <s> [s], [ø]. O plural no português é
marcado redundantemente ao longo do SN: no determinante, no nome-núcleo e nos modificadores-
adjetivos. Ex: 1,aS meninaS bonitaS, 2, aS meinaS bonita, 3, aS menina bonita. (p.9)

Esse exemplo de variação, assim como outros, podem ser sistematizados. Tal sistematização
consiste primordialmente em: 1) um levantamento exaustivo de dados de língua falada, para fins de
análise, dados estes que refletem mais fielmente o vernáculo da comunidade; 2) descrição detalhada
da variável, acompanhada de um perfil completo das variantes que a constituem; 3) análise dos
possíveis fatores condicionadores (linguísticos e não linguísticos) que favorecem o uso de uma
variante sobre a (s) outra (s). 4) encaixamento da variável no sistema linguístico e social da
comunidade: em que nível linguístico e social da comunidade a variável pode ser colocada; 5)
projeção histórica da variável no sistema sociolinguístico da comunidade. A variação não implica
necessariamente mudança linguística. A mudança, ao contrário, pressupõe a evidencia de estado de
variação anterior, com resolução de morte para uma das variantes. (p.11)

Uma vez feita a análise segundo o modelo proposto, o aparente “caos” desaparecerá e a língua
falada avultará como um sistema devidamente estruturado. Os resultados finais da análise
propiciarão a formulação de regras gramaticais. Estas, no entanto, devido à própria essência e
natureza da fala, não poderão ser categóricas, optativas, ou obrigatória. Serão regras variáveis, pois
o favorecimento de uma variante e não de outra decorre de circunstâncias linguísticas e não
linguísticas. Trata-se, portanto, de um sistema de probabilidades. Variação livre (não
condicionamento das variantes) estruturalistas da década de 20 e 30 X regras variáveis (p.11)

Variantes padrão / não padrão; Conservadoras / inovadoras; estigmatizadas / de prestígio

As variantes de uma comunidade de fala encontram-se sempre em relação de concorrência: padrão


vs não padrão; Conservadoras / inovadoras; estigmatizadas / de prestígio. Em geral, a variante
considerada padrão é, ao mesmo tempo, conservadora e aquela que goza do prestígio
sociolinguístico na comunidade. As variantes inovadoras, por outro lado, são quase sempre não
padrão e estigmatizadas pelos membros da comunidade. Por exemplo, no caso da marcação do
plural no português do Brasil, a variante [s] é padrão, conservadora e de prestígio; a variante [ø] ,
por outro lado, é inovadora, estigmatizada e não padrão.(p.12)

Trata-se somente de uma questão de atitude sociolinguística dos membros de uma comunidade. p.12

Capítulo 2: Análise sociolinguística: O que deve ser descrito e o que deve ser analisado? A
metologia de coleta de dados para a constituição do nosso objeto de estudo. Refletir sobre a relação
entre teoria, método e objeto de estudo. p.15

Capítulo 3: “Variação linguística: primeira instância”. Análise sociolinguística: preparação e


definição do envelope de variação: o elenco das variantes concorrentes dentro de uma variável; o
levantamento das hipóteses: quais fatores linguísticos e ou extralinguísticos podem estar
controlando o processo de uma variável; a primeira apreciação da variável pelo analista: como o
esquema de variação em um aspecto específico da gramática falada se encaixa dentro do sistema de
fala, em seu conjunto maior? E ainda, como tal esquema parece se encaixar no sistema social da
comunidade de falantes? p.15

Capítulo 4: A variação linguística: segunda instância” tratará da avaliação sociolinguística de


variáveis pelos próprios falantes da comunidade. Serão discutidos: a noção de estereótipos,
marcadores e indicadores sociolinguísticos; a questão sobre variação e normatização linguística; o
papel desempenhado pela língua; e pelos meios de comunicação de massa na estandardização
linguística; os parâmetros extralinguísticos: classe social, faixa etária, sexo, etnia, estilo. p. 15

Capítulo 5: “Variação e mudança linguísticas” enfoca a questão da linguística histórica: a transição


e a implementação de variantes, de um momento do sistema linguístico para o outro, e uma revisão
da dicotomia saussureana entre sincronia (estudo transversal da língua em um determinado tempo) e
diacronia (estudo longitudinal da língua, através do tempo). Resolução de problemas de variação
linguística mais imediatos. p.16

Fato sociolinguísticos: Teoria, método e objeto

O modelo teórico metodológico da sociolinguística parte do objeto bruto, não polido, não
aromatizado artificialmente. Em poucas palavras, dentro do modelo de análise proposto neste
volume, o objeto – o fato linguístico – é o ponto de partida e, uma vez mais, um porto ao qual o
modelo espera que retornemos, sempre que encontrarmos dificuldades de análise. p.18

O fato sociolinguístico, o dado da análise, é ao mesmo tempo a base para o estudo linguístico: o
acervo de informações para fins de confirmação ou rejeição de hipóteses antigas sobre a língua e
também para o levantamento de novas hipóteses. P18
A língua falada. O vernáculo

Definição: a língua falada a que nos temos referido é o veículo linguístico de comunicação usado
em situações naturais de interação, do tipo comunicação face a face. É a língua que usamos em
nossos lares ao interagir com os demais membros de nossas famílias . É a língua usada nos
botequins, clubes, parques, rodas de amigos, nos corredores e pátios das escolas, longe da tutela dos
professores. É a língua falada entre amigos, inimigos, amantes e apaixonados. p. 19

Em suma, a língua falada é o vernáculo: a enunciação e expressão de fatos, proposições, ideias (o


que) sem a preocupação de como enunciá-los. Trata-se, portanto, dos momentos em que o mínimo
de atenção é prestado à língua, ao como da enunciação. Essas partes do discurso falado,
caracterizado aqui como o vernáculo, constituem o material básico para a análise sociolinguística. p.
19

Paradoxo do observador

Análise sociolinguística é necessária uma enorme quantidade de dados. Como o modelo é de


natureza quantitativa, a representatividade do corpus (material selecionado para a análise) será
sempre avaliada em função da variável estudada e com base nos objetivos centrais do estudo em
questão. Por exemplo, uma variável fonológica. p. 20

Estudar a língua falada em situações naturais de comunicação, como coletar uma vasta quantidade
de material, sem que a presença do pesquisador interfira na naturalidade da situação de
comunicação? 1° alternativa: pesquisador observador: não participar diretamente da situação de
comunicação. Dessa maneira, não será prejudicada a naturalidade da situação. O sociolinguista,
porém, sentirá a necessidade de controlar tópicos de conversa e de eliciar realizações da variável
linguística em que esteja interessado. p.20

O pesquisador da área da sociolinguística precisa, portanto, participar diretamente da interação. Ele


também se utilizará do método da observação no momento de adentrar a comunidade de falantes.
Isso é uma necessidade imposta pela própria orientação teórica. p.20

O método de entrevista sociolinguística: a coleta de narrativas de experiência pessoal.

Minimizar o efeito negativo causado pela presença do pesquisador na naturalidade da situação de


coleta de dados. Usar gravador de punho para coletar 1. situações naturais de comunicação
linguísticas e 2. grande quantidade de material, de boa qualidade sonora. p.21

O pesquisador, ao selecionar seus informantes, estará em contato com falantes que variam segundo
classe social, faixa etária, etnia e sexo. O pesquisador deverá tentar neutralizar a força exercida pela
presença do gravador e por sua própria presença como elemento estranho à comunidade. Para isso,
o pesquisador se decide a representar o papel de aprendiz interessado na comunidade de falantes e
em seus problemas e peculariedades. p.21

A palavra língua deverá ser evitada a qualquer preço, pois o objetivo é que o imformante não preste
atenção a sua própria maneira de falar. p. 21

Questionário guia de entrevistas: controlar os tópicos da conversação, provocar narrativas de


experiência pessoal. O informante está tão envolvido emocionalmente com o que relata que presta o
mínimo de atenção ao como. E é esta situação natural de comunicação almejada pelo pesquisador
sociolinguista. p. 22
Módulos: série de tópicos para conversação: dados pessoais, sua história), jogos, brincadeiras de
infância, brigas, namoro e encontros amorosos, casamento, perigo de morte, medo, família, religião,
amigos, turmas, serviços públicos, , crime nas ruas, escola e trabalho interação com os outros
membros, esportes, etc. p. 22

A narrativa

A narrativa de experiência pessoal, envolvimento, desatenção a forma. Motivar o destinatário a


narrar. Na estrutura narrativa Labov salientou as seguintes partes: resumo, orientação, complicação
da ação, resolução da ação, avaliação e coda.

A comunidade e a seleção de informantes

1. seja qual for a comunidade JAMAIS deixe claro que seu objetivo é estudar a língua tal como é
usada pela comunidade.
2. O conteúdo do gravador contendo até informações de natureza pessoal poderá ser inutilizada a
pedido do entrevistado, na presença do mesmo.
3. tentar minimizar o efeito negativo de sua sobre o comportamento sociolinguísticonatural da
comunidade.
4. Entrar na comunidade através de terceiros, por meio de pessoas já devidamente aceitas pela
comunidade;
5. O critério básico para a seleção de informantes será o da amostragem aleatória. A consulta ao
censo da comunidade é imprescindível, bem como a reflexão cuidadosa sobre os critérios de
classificação dos informantes em grupos socioeconômicos.
6. Escolher os informantes que tenham nascido na comunidade ou que tenham chegado até os 5
anos de idade.
7. O tamanho da amostra dependerá da natureza linguística da variável a ser estudada. Uma variável
fonológica, por exemplo, é bastante recorrente na fala, já uma variável sintática ocorre com menos
frequência exigindo, portanto, uma amostragem maior, bem como estratégias especiais para fazê-la
ocorrer.

As células sociais

Decidir pelos Estudos da língua falada e pela teoria da variação linguística.


Suponhamos que você deseje estudar a influência de dois grupos socioeconômicos e do sexo sobre
o uso de certas variantes. Nesse caso você terá duas células da variável grupo socioeconômico e
duas da variável sexo:
Grupo socioeconômico: A e B (2 células)
Sexo: Masculino e Feminino (2 células) .
5 informantes para cada combinação dos fatores extralinguísticos pode ser muito útil no momento
de definir e caracterizar o universo de sua amostra. Reflita sobre o tipo e a quantidade de material
que você pretende analisar.

O dado não-natural
Você poderá usar o dado não natural para estabelecer uma hierarquia estilística do desempenho do
informante: de informal a informal; de cuidadoso a casual.
Diagramar a entrevista:
1. dado-resposta à pergunta do entrevistador vs dado espontâneo do entrevistado; narrativas
provocadas por módulos você narrativas espontâneas; 3. Número de intervenções do entrevistador