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MODELAGEM DO PROJETO DE UMA COLUNA


DE DESTILAÇÃO BINÁRIA (ETANOL – ÁGUA)
VIA ASPEN PLUS E MÉTODO DE MCCABLE-
THIELE

FONTOURA, Renata1 RIBEIRO, Vanessa1


renatamsfontoura@gmail.com vsribeiro.vr@gmail.com

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Graduandas do curso de Engenharia Química na
Universidade Católica do Salvador. Avenida Professor Pinto
de Aguiar, 2589 – Pituaçu, CEP 41740-090 – Salvador - BA

RESUMO

Este artigo apresenta o estudo de projeto de uma coluna de destilação binária. Os


processos de separação difusionais são amplamente utilizados na indústria tanto
petroquímica quanto química. Para obter-se o melhor método adequado na separação de
uma mistura específica, alguns fatores são importantes ferramentas para modelagem do
sistema, como por exemplo, o comportamento termodinâmico do sistema. Desta maneira,
é de suma importância que a metodologia de um dado processo também seja composta
de identificações de comportamentos não ideais. Um exemplo disso são os casos em que
ocorrem pontos de azeotropia e intervalos parciais de miscibilidade, que para sistemas
que apresentam comportamento não ideal, são condições que podem modificar o tipo de
equipamento de separação e podem auxiliar na adequação do emprego dos solventes ao
processo de separação.

Palavras-chave: Destilação binária, separação, azeotropia.

ABSTRACT

This paper presents the design study of a binary distillation column. Separation
processes are widely used in both animal and chemical industry. To obtain the best
system modeling method, some examples are important for system modeling, such as
the thermodynamic behavior of the system. This method, is important from the method
has been. An example are the cases where the azeotropic points of view and the
miscibility intervals, which are those that present a non-ideal behavior, are conditions that
can modify the type of separation equipment and auxiliaries in the suitability of the
employment process. of separation.

Keywords: Binary distillation, separation, azeotropic.


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1. INTRODUÇÃO

A destilação é a operação unitária mais utilizada na qual possui ampla aplicação,


por exemplo, na obtenção de álcool retificado através da mistura de fermentação.
(FOUST et al.,1982). É um processo que se fundamenta pela diferença de volatilidade
entre os componentes, que por sua vez são propriedades relacionadas à diferença
das forças intermoleculares de cada substância envolvida no meio, onde as pressões
de vapor são dependentes dessas estruturas moleculares. Seu funcionamento baseia-
se em controlar a temperatura e pressão do sistema visando o enriquecimento da fase
vapor gerada pelo composto mais volátil, através da volatilidade relativa dos
componentes da mistura. (KISTER, 1992)

A coluna de destilação fracionada ou retificada constitui-se de pratos ou recheios


que promovem uma maior transferência de massa e calor entre as correntes de fluxo
provocadas pela interação na superfície de contato. É constituída por um condensador
situado no topo da coluna que tem como objetivo esfriar o vapor do líquido mais volátil
transformando-o em liquido e parte desse condensado é reencaminhado para o prato
superior por refluxo retornando assim a coluna. Assim como também é composta por
um refervedor, que fica situado na parte inferior da coluna, tendo a função de aquecer
o componente menos volátil, ou seja, o mais pesado, que está na fase líquida.
Existindo uma gradiente de temperatura ao longo da mesma. (FOUST et al.,1982)

Figura 1 - Coluna de retificação ou fracionamento

O método de Mccabe-Thiele consiste na utilização de equações que dão origem


à linhas de operações de retificação (seção de topo) e dessorção (seção de fundo)
cujas são base para a determinação do número de estágios e consequentemente
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número mínimo de pratos da coluna. Como segue na figura abaixo:


Figura 2. Imagem ilustrativa do balanço material no prato n

Tais equações são encontradas a partir da relação entre as composições de


líquido e vapor de dois pratos consecutivos. As equações de cada linha de operação
e a razão de refluxo estão representadas respectivamente abaixo:(BLACKADDER e
NEDDERMAN, 2004).
𝑥𝐷 𝑅𝐷 ∗ 𝑥𝐷
𝑦𝑛+1 = +
𝑅𝐷 + 1 𝑅𝐷 + 1

𝐵 ∗ 𝑥𝐵 𝐿𝑚 ∗ 𝑥𝑚
𝑦𝑚+1 = +
−𝐵 + 𝐿𝑚 −𝐵 + 𝐿𝑚

𝐿𝑜
𝑅𝐷 =
𝐷
Onde: 𝑥𝐷 é a fração de líquido no topo; 𝑥𝑛 é a fração de líquido no prato n; 𝑅𝐷 é
a razão de refluxo do destilado; B é a vazão de produto de fundo; 𝑥𝐵 é a fração de
líquido no produto de fundo; Lm é a vazão de líquido no prato m; e, 𝑥𝑚 é a fração de
líquido no prato m.

Para efetuar-se uma análise mais precisa em colunas de destilação, os modelos


para processos de separação de misturas multicomponentes é uma ferramenta de
suma importância na aplicação de Engenharia de Processos de Separação. O
software Aspen Plus V8 permite o desenvolvimento da modelagem e simulação para
três tipos de colunas de destilação de misturas azeotrópicas etanol-água. A Radfrac
(Rigorous fractionation) é a que apresenta maior grau de complexibilidade com
avaliação e cálculos rigorosos em relação as outras. A primeria análise efetuada para
esse método é a comparação dos dados experimentais disponibilizados no Dechema
e a segunda analise é no software.

2. DESENVOLVIMENTO

Inicialmente, foram coletados dados de T, x e y da tabela ELV do Dechema para


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o cálculo da pressão de vapor de cada componente utilizando as constantes de


Antoine de cada componente.

Tabela 1- Constantes de Antoine dos componentes.


CONSTANTES DE ANTOINE
Componentes A B C Range T(°C)
Etanol (C2H6O) 8,1122 1592,86 226,184 20 – 93
Água (H2O) 8,07131 1730,63 233,426 1 -100

Assim, seguindo para a fórmula de pressão de vapor representada pela equação


abaixo:

ln PV   A 
B
(1)
T C
Onde T corresponde a cada Temperatura coletada do experimento do Dechema.

Em seguida, foi feito o cálculo das constantes de equilíbrio pela fórmula:


𝑦
𝐾 = 𝑥𝑖 (2)
𝑖

Logo, a volatilidade relativa foi calculada por:


𝐾1
𝛼= (3)
𝐾2

Com esses dados calculados, obteve-se essa tabela extraída da planilha onde os
cálculos foram realizados:

Tabela 2 – Dados ELV Dechema.


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A partir da tabela 2, construíram-se os seguintes gráficos:

Gráfico 1 – Perfil de Temperatura

Perfil Temperatura
120

100

80

60

40

20

0
0.0 0.2 0.4 0.6 0.8 1.0

Gráfico 2 – Diagrama T- xy
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Diagrama T-xy
120

100

80

60

40

20

0
0.00 0.10 0.20 0.30 0.40 0.50 0.60 0.70 0.80 0.90 1.00

Na escolha da temperatura de um prato com diferentes composições na coluna,


pode-se promover um controle de qualidade de produtos em diferentes condições de
alimentação através do perfil de temperatura apresentado no gráfico 1.

O gráfico 2 representa as composições x e y em sua determinada temperatura,


promovendo um diagrama T- xy, onde a pressão se mantém constante.

Junto aos dados do projeto, adotou-se uma base de cálculo de 100 mols para
converter a vazão de alimentação mássica em uma vazão de alimentação molar.

Tabela 3- Dados de Projeto


Unidade
Base de Cálculo 100 Kg/Kmol
Vazão mássica Alimentação - F 30000 Kg/h
Vazão molar Alimentação - F 1026,091173 Kmol/h
Vazão de Topo - D 506,5513384 Kmol/h
Vazão de Fundo - B 25,97699171 Kmol/h
Fração vaporizada 0,1 -
Fração de líquido 0,9 -

Nessa tabela 3 contém os dados de conversão da vazão de alimentação, a fração


vaporizada e a fração de líquido respectivamente dado na questão. A vazão da
corrente de topo (D) e a vazão da corrente de fundo (B) foram encontradas por meio
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do balanço material, conforme segue abaixo:

Tabela 4- Balanço Material


BALANÇO MATERIAL
Global F = D+B 30000=D+B B=30000-D
Componente-volátil F*z2 = D*y2 + B*x2
18000 = 0,99*B + 0,1*D
18000 = 0,99*(30000 - D) + 0,1*D
D= 14810,12658 Kg/h
Componente+volátil F*z1 = D*y1 + B*x1
12000 = 0,9*D + 0,1*B
B = 759,4936709 Kg/h

Na questão foi dada a composição mássica da carga, então foi necessário utilizar
a massa molar de cada componente para serem obtidos seus respectivos números de
mols, fazendo a soma e assim dividi-los ter para a composição molar do etanol e água.

Para os dados da composição de topo e de fundo, foi fundamental a conversão


da composição mássica para a composição molar. Para realizar a separação, foi
necessário alterar os valores de composição dada na questão, visto que os pontos
solicitados estavam próximos a azeotropia, impedindo uma separação efetiva.

Tabela 5 – Composição mássica de Topo e Fundo

A tabela 5 mostra as composições com os valores já alterados.

Tabela 6 – Temperaturas de Ebulição


TEMPERATURA DE EBULIÇÃO
Etanol 78,298192 °C
Água 99,99683 °C
T.média 89,147511 °C

Os dados da tabela 6 foram resultados da equação:


𝑇𝑠𝑎𝑡=(𝐵/(𝐴−ln𝑃𝑣 ))−𝐶 (4)

Onde A, B e C são as contantes de Antoine de cada componente e Pv é a pressão


de vapor encontrada na tabela 2.

Através desse resultado, observa-se que o etanol é o componente mais volátil,


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portanto, deve-se encontrar uma pressão correspondente a temperatura de topo.


Então foi feito algumas estimativas de temperaturas com determinadas pressões até
convergir ao Tmédio encontrado anteriormente pela tabela 6. Encontrando a pressão
de topo como 1150,28 mmHg, calculou-se uma pressão média entre o topo e fundo
para ser utilizada representando a toda a coluna:

Tabela 7- Pressão média


CÁLCULO PRESSÃO MÉDIA unidade
Pressão Topo 1150,28 mmHg
Perda de carga 76 mmHg
Pressão Fundo 1226,28 mmHg
Pressão média 1188,28 mmHg

Para o cálculo de Flash, foi construída uma tabela onde houve uma série de
iterações da temperatura e das funções de temperaturas, dada pelas equações a
seguir:

f(T)= {[Z1 x (1-K1)] / [1 + Ѱ x (K1-1)]}+ {[Z2 x (1-K2)] / [1 + Ѱ x (K2-1)]} (5)

f ' (T)= {[Z1 x [(1-K1)²]/[1 + Ѱ x (K1-1)²] + {[Z2 x (1-K2)²]/[1+ Ѱ x (K2-1)²]} (6)


T(n+1) = T(n) - f(T(K)) / f'(T(k)) (7)

A pressão de vapor e as constantes de equilíbrio foram calculadas com as


equações (1) e (2). Seguindo destes valores, Ѱ é a fração vaporizada que se mantém
fixa na tabela e as frações de composição da carga 𝑧1 e 𝑧2 também são fixas.

Tabela 8 – Cálculo de Flash


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Na tabela 8, os valores de T foram estimados até uma porcentagem minima de


erro, na qual se resultou em aproximadamente 1,2%.

Seguindo para o método McCable-Thiele para determinar a quantidade de


estágios teóricos requeridos para realizar a separação da mistura binária etanol- água
é preciso construir o gráfico com as retas de operação.

Tabela 9 – Dados McCable Thiele


Composição do destilado - y1 = xD 0,610009623
Composição de fundo - xB 0,003934373
Composição de alimentação - yF = z1 0,206786296
Inclinação da reta q -9
Yn estimado 0,43
Razão de Refluxo - R projeto 0,54421514
Rmin 0,418627031
Yn 0,39502891
Número de estágios Teóricos 7 6 + 1 refervedor
Número de estágios reais 14,42319952
Prato ótimo teórico 3
Prato ótimo real 7,21159976
Volatilidade média 4,422175759
Viscosidade média 0,463886537
Eficiência de O'Connell 0,415996464
Para calcular-se o Yn foi necessário calcular-se um Yn estimado traçando-se
uma reta de operação de topo tangente a curva de equilíbrio no gráfico 3 abaixo, o
que nos fornecera um valor de Yn estimado no ponto de pinch. Dessa forma,
conseguiu-se calcular uma razão de refluxo mínima pela fórmula a seguir:
𝑥𝐷
𝑅𝑚í𝑛 = −1
𝑌𝑛𝑒𝑠𝑡𝑖𝑚𝑎𝑑𝑜
1
0

Obtendo-se esse valor para Rmín, foi possível calcular a razão de refluxo do
projeto, que por sua vez é 30% acima da mínima, por isso utilizou-se Yn estimado
para ser calculado um refluxo minimo e assim ter o refluxo do projeto. Com estes
dados tabelados, foi construído o gráfico 3 para ter valores de estágios teóricos e
identificar o prato ótimo.

Com a elaboração do gráfico 3, observou-se a quantidade de estágios teóricos.


Com a eficiência calculada, pode-se encontrar o número de estágio reais pela fórmula:
𝑁𝑇
𝑁𝑅 = (8)
𝐸𝐺

Onde:

𝑁𝑇 = quantidade de estágios teóricos

𝐸𝐺 = Eficiência global feita através da correlação de O’Connell.

Gráfico 3 – Método McCable- Thiele

Para o cálculo da eficiência global da coluna, utilizou-se a correlação de


O’Connell, calculada a partir da equação:

Ƞ = 0,495 · (µ·α) −0,245 (9)

Onde:
1
1

µ é a viscosidade média do líquido encontrada na tabela 10;

α é a volatilidade relativa média também encontrada na tabela 10.

Através do simulador Aspen Plus, estimou-se 50 estágios e foram obtidos dados


de viscosidade do líquido e as constantes de equilíbrio, na qual as constantes foram
utilizadas para o cálculo da volatilidade de cada estágio, conforme apresenta a
equação (3). A partir desses dados, pode-se calcular a eficiência de cada prato. A
tabela 9 mostra as médias de volatilidade relativa, viscosidade do líquido. Segundo
esses dados acima, obteve-se eficiência de aproximadamente 42%, visto na tabela 9.

Tabela 10 – Cargas térmicas via ASPEN PLUS


Cargas Térmicas
Condensador -13051,826 kW
Refervedor 10980,5677 kW

A tabela 10 mostra os valores de carga térmica encontrada no condensador


localizado no topo da coluna e no refervedor localizado no fundo da coluna.

Gráfico 4 – Diagrama T-xy via ASPEN PLUS

Gráfico 5 – Diagrama T-x via ASPEN PLUS


1
2

Gráfico 6 – Diagrama xy via ASPEN PLUS

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nesse estudo de projeto de separação etanol-água por destilação binária, a


utilização do método de McCable-Thiele trouxeram dados a serem analisados.
O modelo termodinâmico mais adequado que foi utilizado nesse estudo, foi o
modelo UNIQUAC, sendo um modelo onde os dados convergiram com os dados gerados
no software ASPEN PLUS.
Desse modo, com o modelo termodinâmico estabelecido, foi feita uma simulação
de uma coluna de destilação binária, tendo em vista uma pressão de operação onde possa
obter uma elevada pureza dos componentes na corrente de topo (condensador) e na
corrente de fundo (refervedor). Considerando a pressão média de 1,5 atm, apresentando
um bom resultado, na qual foram obtidos os máximos pontos de pureza dos components.
4. REFERÊNCIAS
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3

KISTER, Z.H. Distillation design, Nova York: Ed. Mc. Graw-Hill, 1992 p47, 96-
99.

FOUST, A.S. et al., Princípio das operações unitárias, Rio de Janeiro:


Guanabara Dois, versão de 2012, p. 71-79,1982.

BLACKADDER, D.A.; NEDDERMAN, R.M. Manual de operações unitárias,


São Paulo: Hemus, 2012. p. 7-14.

PERIOTO, Fabiano. Síntese e modelagem do processo de destilação


azeotrópica. Disponivel em:
http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/266801/1/Perioto_FabianoRom
ero_M.pdf Acessado em: 15 de nov de 2018
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