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xyz João Victor Ferreira Araújo ● MEDRESUMOS 2017 ● ANATOMIA HUMANA SISTÊMICA

A Anatomia (ana = parte; tomia = cortar) é parte da Biologia que trata da forma e estrutura dos seres
organizados. Dedica-se ao estudo da aparência interna ou externa dos seres vivos, tendo sua origem através da
dissecação (dis = separação; secção = cortar), que consistia em dividir as estruturas anatômicas do corpo e estudar
suas relações. Segundo Timmons (2009), a anatomia pode ser dividida em duas grandes áreas: anatomia microscópica
e macroscópica.
A anatomia microscópica considera as estruturas que não podem ser vistas à olho nu (o olho humano
consegue distinguir objetos com dimensões de até 100 µm ou 0,1 mm), deste modo é estudada com o auxílio de
instrumentos, sendo o principal deles o microscópio. A anatomia microscópica ainda pode ser dividida em outras
especialidades, como a citologia (kytos = célula; logia = estudo) e a histologia (histos = tecido). Em contrapartida,
anatomia macroscópica considera grandes estruturas, isto é, que podem ser vistas sem o auxílio de instrumentos (à
olho nu). Além das duas principais, há várias outras especialidades que fazem menção à anatomia: têm-se a
embriologia (embrio = embrião), que estuda os processos iniciais do desenvolvimento até o nascimento do indivíduo;
e a anatomia comparativa, que considera a organização anatômica em diferentes animais, vista principalmente nos
cursos de medicina veterinária, zootecnia, entre outros afins.

HISTÓRIA DA ANATOMIA

A anatomia mostrou importância e origem desde os primórdios do Egito antigo (3000 a 2500 a.C.), por meio do
ensino empírico no intuito de realizar o embalsamamento (conservação) de corpos. Com isso, a anatomia era uma
arte restrita aos sacerdotes dos grandiosos faraós. Na Grécia, porém, a anatomia foi vista como prioridade, do ponto
de vista de Hipócrates de Cós (460 a 377 a.C.), considerado o “Pai da Medicina”. Hipócrates criou a célebre "Teoria
Humoral da Enfermidade", com base na aparência externa do indivíduo e correlacionando causas e efeitos, ainda que
empiricamente. Os “Ensinamentos e Juramento” de Hipócrates deram partida aos códigos moral e ético da prática
profissional, e o mundo grego conheceu uma nova imagem do médico, agora sendo um homem simples, humano, real.
Os conhecimentos em anatomia foram então passados para o filósofo Aristóteles (384 a 322 a.C.), que mesmo
tomando conhecimento da importância que se tinha essa ciência, não se havia denominado de maneira específica o
ato de dissecar, muito embora seja atribuído a ele o fato de ter usado, pela primeira vez, o termo “anatémnein” (em
grego, “anna temnein”= cortar em partes, seccionar).
Destacou-se também Herófilo de Calcedônia (335 a 280 a.C.), que, observando cadáveres humanos,

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classificou os nervos como sensitivos e motores, reconhecendo no cérebro a sede da inteligência e o centro do
sistema nervoso. É considerado o “Pai da Anatomia Antiga”, tendo dissecado inúmeros cadáveres. Escreveu três livros
falando sobre a arte da anatomia, que desapareceram. Seu contemporâneo, Erasístrato, descobriu que as veias e
artérias convergem tanto para o coração quanto para o fígado. Rufo de Éfeso (100 d.C.) é considerado o primeiro
estudioso a tentar organizar e padronizar uma nomenclatura anatômica: a denominação das partes do corpo.
No século IX o estudo do corpo humano voltou a interessar os sábios, graças à escola de médica de Salerno,
na Itália; e à obra de Constantino, o Africano, que traduziu numerosos textos médicos gregos do árabe para o latim.
Logo depois, Guglielmo de Saliceto, Rolando de Parma e outros médicos medievais enfatizaram a afirmação de
Galeno (130 a 200 d.C.), segundo a qual o conhecimento anatômico era importante para o exercício da cirurgia: “Pela
ignorância da anatomia, pode-se ser tímido demais em operações seguras ou temerário e audaz em operações difíceis
e incertas”. Foi Galeno quem deu nomes aos ossos, identificou as suturas do crânio, compreendeu a importância do
atlas (1ª vértebra cervical) nos movimentos da cabeça, entre outras contribuições. Entretanto, por dissecar animais
(macacos, bois), e não humanos, teve em sua obra equívocos resultantes da transposição, para o homem, de seus
achados.
O médico Mondino de Liuzzi (1270 a 1360) foi o responsável por incluir no currículo médico a disciplina de
Anatomia. Por isso, ele foi considerado o Restaurador da Anatomia: aulas práticas de anatomia aconteciam em sua
própria casa; em 1315, realizou a primeira dissecação pública em Bolonha, Itália. Escreveu também uma obra de
Anatomia Sistemática (1316), com 20 volumes. Na Antiguidade, até então, os Anatomistas estudaram sempre às
escondidas, e os cadáveres eram “roubados” das catacumbas, pois era proibido a prática da dissecação, sob pena de
morte na fogueira, por razões éticas e religiosas (principalmente da igreja católica) considerados “prática de bruxaria”.
Utilizavam cadáveres de criminosos e ladrões. Os irlandeses William Burke e William Hare assassinaram pelo menos
16 pessoas, para utilizar seus corpos em aulas de anatomia.
O clima geral do Renascimento favoreceu o progresso dos estudos anatômicos. A descoberta de textos gregos
sobre o assunto, e a influência dos pensadores humanistas, levaram a Igreja a ser mais condescendente com a
dissecação de cadáveres. Deve-se ao Papa Clemente VII (1478 a 1534) a permissão para a prática da Anatomia em
seres humanos, com fins de ensino, o que alargou os horizontes para esta ciência. Artistas como Michelangelo (1475
a 1564), Leonardo da Vinci (1452 a 1519) e Rafael (1483 a 1520) mostraram grande interesse sobre a estrutura do
corpo humano. Leonardo dissecou pelo menos meia dúzia de cadáveres, relatando seus achados em vários desenhos
e obras; Michelangelo esculpiu seus conhecimentos anatômicos em obras como “David” e “Moisés”, além de fazer
referência à neuroanatomia (estudo do sistema nervoso) na obra “A Criação de Adão”, no teto da Capela Sistina.
O maior anatomista da época foi o médico flamengo Andreas Versalius (1514 a 1564), considerado o “Pai da
Anatomia Moderna”, sendo um dos maiores contestadores da obscurantista tradição de Galeno: ele corrigiu erros de
outros anatomistas – inclusive Galeno – e expôs o esqueleto do corpo humano. Dissecou cadáveres humanos durante
anos, em Pádua, e descreveu detalhadamente suas descobertas no livro “De Humani Corporis Fabrica” (Dos Trabalhos
do Corpo Humano”), em 1543. Estabeleceu a postura do cadáver e sugeriu a Posição Anatômica, hoje padronizada,
para o ensino da anatomia humana em todo o mundo. Girolamo Fabricius (1537 a 1619) descreveu os fundamentos
da traqueostomia (procedimento clínico que consistem em abrir um orifício na traqueia para permitir a passagem de ar),
apesar de nunca tê-la utilizado. William Harvey (1578 a 1657), um médico britânico, descreveu a circulação sanguínea:
a conhecida pequena e grande circulação, além de ter postulado a existência dos capilares sanguíneos .
Em 1832 foi decretada a Lei de Anatomia (Anatomic Act) pelo Parlamento, no Reino Unido, que possibilitou
maiores liberdades à médicos, professores de anatomia e os estudantes de boa-fé para o estudo de cadáveres, em
resposta ao comércio ilegal de corpos da época. Nos séculos XVIII e XIX o estudo cada vez mais pormenorizado das
técnicas operatórias levou à subdivisão da anatomia, dando-se muita importância à anatomia topográfica ou regional.
O estudo anatômico-clínico do cadáver, como meio mais seguro de estudar as alterações provocadas pela doença, foi
introduzido por Giovan Battista Morgani. Surgia a anatomia patológica, que permitiu grandes descobertas no campo
da patologia celular - por Rudolf Virchow - e dos agentes responsáveis por doenças infecciosas, por Pasteur e Koch.
Atualmente, a ciência anatômica é muito mais do que apenas “dissecar um cadáver”. Graças a ela, há a possibilidade
de estudar anatomia mesmo em pessoas vivas, através de técnicas de imagem como a radiografia, endoscopia,
angiografia, tomografia axial computadorizada, tomografia por emissão de pósitrons, imagem de ressonância magnética
nuclear, ecografia, termografia e outras.

Nota Clínica: diversas técnicas não-invasivas são utilizadas na prática clínica pelos profissionais da área da saúde,
caracterizadas por não envolver inserção de objetos em orifícios ou mesmo na pele. Em uma das primeiras técnicas
utilizadas no exame clínico, a inspeção, o examinador observa o corpo em busca de alterações que fogem do estado
normal do mesmo (p. ex.: ato do médico em examinar a cavidade oral em busca de possíveis infecções). Na palpação,
o examinador pressiona o corpo usando apenas as mãos (p. ex.: para encontrar linfonodos inchados ou alterações de

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tamanho). Além dessas existem várias outras técnicas, como a ausculta e a percursão (que são estudadas com mais
profundidade na disciplina de semiologia).

DIVISÃO DA ANATOMIA MACROSCÓPICA

A anatomia humana, por sua vez, divide-se em dois ramos fundamentais: sistêmico e topográfico (ou
segmentar). A primeira ocupa-se da descrição dos diversos sistemas (ósseo, muscular, nervoso, etc.), já a segunda
dedica-se ao estudo em conjunto de todos os sistemas contidos em cada região do corpo e das relações entre eles.

ANATOMIA SISTÊMICA

A anatomia sistêmica compreende o estudo analítico e macroscópico dos sistemas orgânicos, considerados
separadamente.
• Sistema ósseo (osteologia): compõe todos os ossos do nosso corpo. Tem função de proteger e sustentar o
corpo. Participa da produção de novas células sanguíneas (medula óssea) e armazena minerais.
• Sistema articular (artrologia): formado por articulações e seus ligamentos associados que unem as partes
ósseas do sistema esquelético; são os locais em que ocorrem os movimentos.
• Sistema muscular (miologia): compõe em sua maioria os músculos estriados esqueléticos, geralmente aderidos
a outros ossos. É responsável pela produção e participação dos movimentos corpóreos, produção de calor e
postura corporal.
• Sistema nervoso (neurologia): fazem parte deste sistema: encéfalo, medula espinal, nervos e órgãos de sentido.
Produz e transmite impulsos nervosos, detecta, interpreta e responde às mudanças no ambiente, causando
contrações musculares ou secreções glandulares.
• Sistema endócrino (endocrinologia): composto por glândulas e tecidos produtores de hormônios. Realiza a
regulação das atividades corpóreas por meio dos hormônios, que são distribuídos pelo sangue até o local de
destino, os órgãos-alvo.
• Sistema cardiovascular ou circulatório (cardiologia): é composto pelo sangue, coração, vasos sanguíneos e
linfáticos. Distribui oxigênio e nutrientes para às células; previne hemorragias através da formação de coágulos;
ajuda na regulação da temperatura corporal; transporta dióxido de carbono e resíduos da célula.
• Sistema respiratório (pneumologia): formado pelos pulmões e vias-respiratórias. Atua principalmente no
fornecimento de oxigênio, auxilia na regulação do equilíbrio ácido-base corpóreo, produção de sons da voz e
eliminação de dióxido de carbono.
• Sistema digestório (gastrenterologia): formado pelo tubo digestório, desde a boca até o ânus, com todos os
órgãos e glândulas associados a ingestão, mastigação, deglutição, digestão, absorção de alimentos e
eliminação de resíduos sólidos (fezes) após a absorção de nutrientes.
• Sistema excretor ou urinário (urologia): formado pelos rins, ureteres, bexiga urinária e uretra, que filtram o
sangue e, em seguida, produzem, transportam, armazenam e excretam urina de forma intermitente (resíduos
líquidos).
• Sistema genital ou reprodutor (ginecologia para mulheres; andrologia para os homens): representam os órgãos
sexuais masculinos e femininos responsáveis diretos pela perpetuação da espécie.

ANATOMIA TOPOGRÁFICA

Os livros de anatomia humana geralmente dividem o corpo nos seguintes grupos regionais:
• Cabeça e Pescoço: inclui todas as estruturas acima da abertura torácica superior.
• Membro superior: inclui a mão, antebraço, braço, ombro, axila, região peitoral e região escapular.
• Tórax: é a região do peito compreendida entre a abertura torácica superior e o diafragma torácico.
• Abdome: região situada entre a abertura inferior do tórax e a abertura superior da pelve.
• Dorso: a coluna vertebral e seus componentes, as vértebras e os discos intervertebrais.
• Pelve e Períneo
• Membro inferior: estruturas localizadas abaixo do ligamento inguinal, incluindo a coxa, articulação do quadril,
perna e pé.

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CONCEITO DE “NORMAL” E VARIAÇÃO ANATÔMICA

Normal, para o anatomista, é o estatisticamente mais comum, ou seja, o que é encontrado na maioria dos
casos (p. ex.: mão com 5 dedos). Variação anatômica é qualquer fuga do padrão, sem que haja prejuízo da função (p.
ex.: heterocromia, fenômeno no qual o indivíduo tem um olho de cada cor). Quando ocorre prejuízo funcional trata-se
de uma anomalia e não de uma variação (p. ex.: estrabismo, conhecido vulgarmente de “vesguice”.) Se a anomalia for
tão acentuada que deforme profundamente a construção do corpo, sendo, em geral, incompatível com a vida, é uma
monstruosidade. (p. ex.: anencefalia, fenômeno que consiste na ausência do encéfalo no feto).
Existem algumas circunstâncias que determinam variações anatômicas normais e que devem ser consideradas:
• Idade: os testículos no feto estão situados na cavidade abdominal, migrando para a bolsa escrotal e nela se
localizando durante a vida adulta;
• Sexo: no homem a gordura subcutânea se deposita principalmente na região tricipital, enquanto na mulher o
depósito se dá preferencialmente na região abdominal;
• Raça: nos brancos a medula espinhal termina entre a primeira e segunda vértebra lombar, enquanto que nos
negros ela termina um pouco mais abaixo, entre a segunda e a terceira vértebra lombar;
• Tipo morfológico constitucional (Biótipo): é o principal fator das diferenças morfológicas. Os principais tipos são:
o Longilíneo (ectomorfo): indivíduo alto e esguio, com pescoço, tórax e membros longos. Nessas pessoas o
estômago geralmente é mais alongado e as vísceras dispostas mais verticalmente;
o Brevilíneo (endomorfo): indivíduo baixo com pescoço, tórax e membros curtos. Aqui as vísceras costumam
estar dispostas mais horizontalmente;
o Normolíneo (mesomorfo): características intermediárias.

Observação Clínica: Como destaca Moore (2014), a variação de determinada estrutura dentro do âmbito normal é
tanta que o padrão mais comum é encontrado em menos da metade das pessoas. Logo, é de se esperar que os
corpos dissecados não sejam iguais aos livros, mesmo que vistos por fotografias. Todo ser humano apresenta alguma
diferença de outro, mesmo que essa não seja considerada uma patologia (p. ex.: uma pessoa que tem o ápice do
coração voltado para o lado direito, sem que tal variação cause prejuízo da função). Um bom médico deve levar em
consideração as variações individuais, seja no exame físico, diagnóstico ou tratamento.

NOMENCLATURA ANATÔMICA

É a linguagem própria da anatomia, ou seja, conjunto de termos empregados para designar e descrever o
organismo e suas partes. Com o acúmulo de conhecimentos no final do século passado, graças aos trabalhos de
importantes “escolas anatômicas” (sobretudo na Itália, França, Inglaterra e Alemanha), as mesmas estruturas do corpo
humano recebiam denominações diferentes nestes centros de estudos e pesquisas. Em razão desta falta de
metodologia e de inevitáveis arbitrariedades, mais de 20.000 termos anatômicos chegaram a ser consignados (hoje
reduzidos a poucos mais de 5.000).
A primeira tentativa de uniformizar e criar uma nomenclatura anatômica internacional ocorreu em 1895. Em
sucessivos congressos de Anatomia em 1933, 1936 e 1950 foram feitas revisões e finalmente em 1955, em Paris, foi
aprovada oficialmente a Nomenclatura Anatômica, conhecida sob a sigla de P.N.A. (Paris Nomina Anatômica). Revisões
subsequentes foram feitas em 1960, 1965 e 1970, visto que a nomenclatura anatômica tem caráter dinâmico, podendo
ser sempre criticada e modificada, desde que haja razões suficientes para as modificações e que estas sejam aprovadas
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em Congressos Internacionais de Anatomia. Atualmente, essa nomenclatura é atualizada a cada 5 anos em tais
congressos.
A língua oficialmente adotada é o latim (por ser um idioma “morto”), porém cada país pode traduzi-la para seu
próprio vernáculo. Ao designar uma estrutura do organismo, a nomenclatura procura utilizar termos que não sejam
apenas sinais para a memória, mas tragam também alguma informação ou descrição sobre a referida estrutura.

Dica: Ao se estudar a nomenclatura anatômica, deve-se levar em


consideração a etimologia dos termos utilizados, pois como já foi
dito, tais nomes trazem informações ou descrições sobre
determinada estrutura. Por exemplo: no osso Úmero, há um
acidente anatômico chamado de colo cirúrgico. Do latim Collu,
simboliza um pescoço; e cirúrgico, pois esta é uma área que sofre
acidentes com mais facilidade.

POSIÇÃO ANATÔMICA

Para evitar o uso de termos diferentes nas descrições anatômicas, considerando que essa pode se tornar
variável, os anatomistas propuseram uma posição padrão, chamada de posição anatômica. Deste modo, os
anatomistas, quando escrevem seus textos, fazem referência em suas descrições considerando o indivíduo nesta
posição. ELAINE (2015) destaca que o indivíduo nesta posição encontra-se: em pé, com o corpo ereto, a face voltada
pra frente, os membros superiores estendidos ao longo do corpo, as faces da palma da mão para frente e os dedos
para baixo; os membros inferiores unidos e voltados para frente. Nas imagens abaixo o indivíduo está na posição
anatômica, também são mostrados mais termos que não foram citados, mas que devem ser lembrados; pois são muito
utilizados na prática clínica.

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PLANOS DE DELIMITAÇÃO E SECÇÃO DO CORPO HUMANO

Na posição anatômica o corpo humano pode ser delimitado por


planos tangentes a sua superfície (planos de delimitação), os quais, com suas
intersecções, determinam a formação de um sólido geométrico, um
paralelepípedo. Logo, através dos planos anatômicos podemos dividir o
corpo humano em 3 dimensões e assim podemos localizar e posicionar todas
estruturas.
Têm-se, deste modo, para as faces desse sólido, os seguintes planos
correspondentes:
• Planos Verticais o Anterior, Ventral, ou Frontal: é o plano que
tangencia a superfície anterior do corpo, sendo paralelo a fronte e ao
ventre. o Posterior ou Dorsal: este plano tangencia a superfície
posterior do corpo, sendo paralelo ao dorso. o Planos Laterais:
tangenciam cada um dos lados do corpo humano.
• Planos Horizontais
• Superior, cefálico, ou cranial: plano que tangencia a cabeça.
• Inferior, podálico,ou caudal: este plano tangencia a superfície
inferior do corpo, o qual corresponde à planta dos pés (podálico) ou
se considerarmos apenas o tronco (cóccix, caudal).

Os planos descritos são de delimitação. É possível traçar também planos de


secção, os quais serão abordados a seguir.

• Plano Sagital ou Mediano: estende-se verticalmente ao longo do corpo, dividindo-o em partes direita e
esquerda. Possui esse nome porque passa exatamente na sutura sagital do crânio. É chamado de parassagital
quando o corte é feito lateralmente a essa linha. Também nos permite dizer se uma estrutura é lateral ou medial:
será lateral quando se afastar da linha mediana; e medial quando se aproximar.
• Plano Coronal ou Frontal: É o plano que corta o corpo lateralmente, de uma orelha a outra. Possui esse nome
porque passa exatamente na sutura coronal do crânio (a sutura coronal encontra-se anterior a orelha). Ele
determina se uma estrutura é anterior ou posterior. Por exemplo: o nariz é anterior e a orelha posterior, tendo
como referência este plano.
• Plano Transversal ou Axial: É o plano que corta o corpo transversalmente. Através desse plano podemos
dizer se uma estrutura é superior ou inferior.

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TERMOS DE POSIÇÃO E DIREÇÃO

São termos utilizados em anatomia para descrever o local e o seu redirecionamento em relação ao corpo e
suas estruturas. Cada um dos órgãos, faces, ou margens estudadas recebe denominação específica, baseada nas
relações entre si e com os planos de delimitação ou secção do corpo humano. Ao conjunto de denominações utilizadas
para nomear as partes dos órgãos do corpo humano, damos a designação de Termos de Posição e Direção.
Os termos de posição são termos comparativos e indicam que uma estrutura é, por exemplo, mais cranial que
outra. Nenhum órgão ou estrutura é simplesmente cranial ou ventral, pois estes planos são tangentes e, portanto, estão
fora do corpo e surgem apenas como referência. Termos de direção:
• Inferior ou caudal: indica o posicionamento mais próximo dos pés;
• Superior ou cranial: indica o posicionamento mais próximo do crânio;
• Anterior ou ventral: indica o posicionamento mais próximo do ventral;
• Posterior ou dorsal: indica o posicionamento mais próximo do plano dorsal;
• Medial: indica o posicionamento mais próximo do plano mediano;
• Lateral: indica o afastamento do plano mediano ou a proximidade do plano lateral;

Há ainda os termos de direção dos eixos ortogonais:


• Longitudinal ou crânio-caudal: formado pelo encontro do plano coronal com o plano sagital
• Ântero-posterior ou dorso-ventral: formado pelo encontro do plano sagital com o plano transversal.
• Látero-lateral: formado pelo encontro do plano transversal com o plano coronal.

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SITUAÇÃO

• Mediano: situada exatamente ao longo do plano de secção mediano.


• Médio¹: quando as estruturas estão alinhadas na direção craniocaudal ou ântero-dorsal.
• Intermédio¹: quando as estruturas estão em alinhamento látero-lateral.

COMPARAÇÃO

• Proximal²: mais próximo do ponto de origem;


• Distal²: mais afastado do ponto de origem;
• Palmar ou volar: face anterior da mão. A face posterior das mãos é chamada dorsal;
• Plantar: face inferior do pé. A face superior dos pés é chamada dorsal;
• Oral e aboral são termos restritos ao tubo digestivo e indicam estruturas mais próximas ou distantes da boca,
respectivamente.
• Aferente³ significa que impulsos nervosos ou o sangue são conduzidos da periferia para o centro, e eferente³
se refere à condução do centro para a periferia. Ex.: levando em consideração o coração, as veias cava (superior
e inferior) são aferentes, pois trazem o sangue pobre em oxigênio para o coração (periferia ~> centro); e a
artéria aorta é eferente, devido a conduzir o sangue rico em oxigênio do coração para todo o corpo (centro ~>
periferia).
• Superficial1: em direção à superfície do corpo. Ex.: as costelas são superficiais aos pulmões;
• Profundo4: afastado da superfície do corpo. Ex.: as costelas são profundas à pele do tórax e do dorso;
• Homolateral ou ipsilateral: do mesmo lado do corpo. Ex.: a mão direita é homo/ipsilateral ao membro inferior
direito, encontram-se estão do mesmo lado.
• Contralateral: do lado oposto do corpo. Ex.: a mão direita é contralateral ao pé esquerdo, pois se situam em
lados opostos.
• Holotopia: localização geral de um órgão no organismo. Ex.: o fígado está localizado no abdômen;
• Sintopia: relação de vizinhança. Ex.: o estômago está abaixo do diafragma, a direita do baço e a esquerda do
fígado;
• Esqueletopia: relação com esqueleto. Ex.: coração encontra-se atrás do esterno e da terceira, quarta e quinta
costelas;
• Idiotopia: relação entre as partes de um mesmo órgão. Ex.: o coração possui a forma de um cone, com dois
átrios localizados superiormente e dois ventrículos, inferiormente.

1 ,4
Os termos superficial e profundo indicam as distâncias relativas entre as estruturas e a superfície do corpo. Alguns
autores indicam que o limite entre superficial e profundo é a fáscia muscular. Lesões limitadas ao tegumento são
superficiais, e lesões que atingem a fáscia muscular já são consideradas profundas. Nos exemplos acima foi utilizado
como referência o livro do Tortora (Princípios de Anatomia e Fisiologia 14º ed., 2016)
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¹ Médio e Intermédio são termos que indicam situação de uma estrutura entre outras duas.
² Proximal e Distal são usados para comparar a distância de pelo menos duas estruturas em relação (1) a raiz do membro,
(2) ao coração e (3) ao encéfalo e medula espinhal.
³ Aferente e eferente indicam direção e são usados em anatomia para vasos, artérias e nervos.

MOVIMENTAÇÃO

* Abdução: afastamento do membro em relação ao plano mediano;


* Adução: aproximação do membro em relação ao plano mediano;
* Circundução: ação de um membro que descreve a figura de um cone;
* Elevação: deslocamento de um segmento no sentido superior;
* Eversão: afastar a articulação do plano medial, sobretudo a planta do
pé;
* Extensão: movimento de tração das extremidades em direções
opostas;
* Flexão: diminuição do ângulo entre os ossos que foram uma
articulação;
* Inversão: trazer novamente a articulação para o plano medial;
* Oposição: aproximação ao polegar aos demais dedos da mão;
* Pronação: voltar a palma da mão para baixo e para trás;
* Rotação: processo no qual o seguimento gira em torno do seu próprio
eixo;
* Supinação: giro da palma da mão para frente ou o giro do pé para
dentro e para cima.

PLANOS DE CONSTRUÇÃO DO CORPO: PRINCÍPIOS GERAIS DE CONSTRUÇÃO CORPÓREA

• Antimetria: o corpo humano seria construído segundo o


princípio da simetria bilateral, sendo constituído por dois
antímeros (direito e esquerdo), unidos entre si em nível do
plano mediano, semelhantes na forma e função.
• Paquimeria: segundo este princípio, o segmento axial do
corpo humano é constituído por dois tubos ou paquímeros: o
Paquímero Anterior ou Visceral: Contém a grande maioria das
vísceras do corpo humano. o Paquímero Posterior ou Neural:
contém os órgãos do Sistema Nervoso Central (Encéfalo e
Medula Espinal).
• Metameria: superposição longitudinal de segmentos
semelhantes, na forma e função, denominados
“metâmeros”.
• Estratigrafia: o corpo humano é construído pela superposição de camadas (estratos). Ex: Pele; Tecido celular
subcutâneo; Fáscia muscular; Músculos; Ossos.

ABREVIATURAS PARA OS TERMOS GERAIS EM ANATOMIA


▪ A. – Artéria
▪ Aa. – Artérias
▪ Lig. – Ligamento
▪ Ligg. – Ligamentos
▪ M. – Músculo
▪ Mm. – Músculos
▪ N. – Nervo
▪ Nn. – Nervos
▪ V. – Veia
▪ Vv. – Veias

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REFERÊNCIAS

QUEIROZ, C. A. F. O USO DE CADÁVERES HUMANOS COMO INSTRUMENTO NA CONSTRUÇÃO DE


CONHECIMENTO A PARTIR DE UMA VISÃO BIOÉTICA. Goiás: Universidade Católica de Goiás, 2005.

TIMMONS, M. J. et al. ANATOMIA HUMANA. 6º ed. ARTMED, 2009.

SOUZA, S. C. LIÇÕES DE ANATOMIA: MANUAL DE ESPLANCNOLOGIA. EDUFBA, 2010.

MOORE, K. L. et al. ANATOMIA ORIENTADA PARA CLÍNICA. 7º ed. Guanabara Koogan, 2014.

MARQUES, E. C. M. ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA. 2º ed. Martinasi, 2015.

TORTORA, G. J. PRINCÍPIOS DE ANATOMIA E FISIOLOGIA. 14º ed. Guanabara Koogan, 2016.

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