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Direito Administrativo para TCE-PE

Auditor das Contas Públicas


Teoria e exercícios comentados
Prof. Erick Alves Aula 03

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Teoria e exercícios comentados
Prof. Erick Alves Aula 03
AULA 03

Olá pessoal!

Nesta aula estudaremos o tema “entidades paraestatais e


terceiro setor”, incluindo o estudo das parcerias com organizações da
sociedade civil (Lei 13.019/2014). Além disso, veremos as características
das agências reguladoras e das agências executivas.

Para tanto, seguiremos o seguinte sumário:

SUMÁRIO

Entidades paraestatais e Terceiro Setor ............................................................................................................ 3


Serviços sociais autônomos ...................................................................................................................................... 6
Organizações sociais (OS)....................................................................................................................................... 10
Organizações da sociedade civil de interesse público (OSCIP) ............................................................... 17
Principais distinções entre OS e OSCIP ............................................................................................................. 22
Organizações da Sociedade Civil.......................................................................................................................... 24
Entidades de Apoio ................................................................................................................................................... 44
Agências executivas e reguladoras .................................................................................................................... 46
Agências executivas .................................................................................................................................................. 46
Agências reguladoras ............................................................................................................................................... 49
Principais distinções entre agências executivas e reguladoras .............................................................. 62
Questões de prova ....................................................................................................................................................... 63
RESUMÃO DA AULA ..................................................................................................................................................... 89
Jurisprudência da aula .............................................................................................................................................. 89
Questões comentadas na aula .............................................................................................................................103
Gabarito ...........................................................................................................................................................................113

Preparados? Aos estudos!

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Prof. Erick Alves Aula 03
ENTIDADES PARAESTATAIS E TERCEIRO SETOR

Como vimos na aula passada, a Administração Pública formal divide-


se em Administração Direta e Indireta, sendo a primeira subdividida em
órgãos sem personalidade jurídica, utilizada para o exercício de atividades
centralizadas por parte do Estado, e a segunda, a indireta, composta por
entidades com personalidade jurídica própria, exercendo funções
descentralizadas.
No entanto, os órgãos e entidades da Administração Pública formal
não são capazes de atender todas as demandas da sociedade. Sendo
assim, existem outras pessoas jurídicas que, embora não integrando o
sistema da Administração Pública formal, direta ou indireta,
cooperam com o governo, prestando serviços de utilidade pública.
Estamos falando das entidades paraestatais.
Entidades paraestatais são aquelas pessoas jurídicas que atuam
ao lado e em colaboração com o Estado, sem com ele se confundirem.
Trata-se de pessoas privadas, vale dizer, instituídas por particulares,
sem fins lucrativos, que exercem função típica, embora não
exclusiva, do Estado, se sujeitando ao controle direto ou indireto do
Poder Público.
Maria Sylvia Di Pietro apresenta a seguinte conceituação:

Entidades paraestatais são pessoas privadas que colaboram com o


Estado desempenhando atividade não lucrativa e às quais o Poder Público
dispensa especial proteção, colocando a serviço delas manifestações do
seu poder de império, como o tributário, por exemplo.

Como exemplo de entidades paraestatais pode-se citar os serviços


sociais autônomos, as organizações sociais, as organizações da
sociedade civil de interesse público e, mais recentemente, as
organizações da sociedade civil. Todas essas entidades incluem-se
entre as chamadas organizações não governamentais (ONGs).
A importância das entidades paraestatais cresceu a partir do processo
de Reforma do Estado, movimento ocorrido no país na segunda metade
dos anos noventa que teve como fundamento, dentre outros, a diminuição
da presença do Estado em algumas áreas nas quais sua atuação não fosse
imprescindível. Nesse processo, o Poder Público passou a transferir ao
setor privado algumas de suas atividades não-exclusivas, com a
justificativa de que os particulares, pelo menos em tese, poderiam
desenvolvê-las de forma mais eficiente.

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Segundo Maria Sylvia Di Pietro, os teóricos da Reforma do Estado
incluem as entidades paraestatais no denominado terceiro setor, assim
entendido aquele que é composto por entidades da sociedade civil sem
fins lucrativos; esse terceiro setor coexiste com o primeiro setor, que
é o Estado, e o segundo setor, que é o mercado, ou seja, o setor privado
empresarial, com fins lucrativos.

As entidades paraestatais não fazem parte


da Administração Indireta; elas integram o
terceiro setor.

O terceiro setor caracteriza-se por prestar atividade de interesse


público, por iniciativa privada, sem fins lucrativos. Justamente pelo
interesse público da atividade, as entidades que integram o terceiro setor
podem receber incentivos do Estado, inclusive sob a forma de aportes de
recursos públicos. Tais incentivos é que compõem a atividade
administrativa de fomento. Por essa razão, as entidades paraestatais,
embora instituídas por particulares, se sujeitam a algumas normas de
direito público, como o controle pela Administração Pública e pelo
Tribunal de Contas.
Detalhe importante é que as entidades do terceiro setor não
precisam, necessariamente, manter qualquer vínculo com o Poder Público.
Se mantiver – que seria o caso, por exemplo, de uma associação que se
qualifica como organização social para receber repasse de recursos
públicos – essa entidade do terceiro setor passa a ser considerada
entidade paraestatal. Por outro lado, se uma entidade privada
desenvolver atividade não econômica de interesse do Estado e, apesar
disso, não mantiver qualquer vínculo com o Estado, ela seria uma
entidade do terceiro setor, mas não uma paraestatal, qualificação que
pressupõe algum vínculo como Poder Público1.

1 Lucas Furtado (2014, p. 181).

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1. (Cespe – PC/BA 2013) Entidades paraestatais são pessoas jurídicas privadas


que colaboram com o Estado no desempenho de atividades não lucrativas, mas não
integram a estrutura da administração pública.
Comentário: O quesito está correto, pois apresenta o exato conceito de
entidades paraestatais. Exemplos de entidades paraestatais são organizações
sociais (OS), organizações da sociedade civil de interesse público (OSCIP) e
serviços sociais autônomos. Vale prestar atenção no fato de que as entidades
paraestatais, embora recebam fomento do Estado, não integram a estrutura
formal da Administração Pública, vale dizer, não são entidades da
Administração Indireta e muito menos órgãos da Administração Direta.
Gabarito: Certo

Vejamos então um pouquinho mais sobre cada uma das entidades


paraestatais mais estudadas pela doutrina.

SERVIÇOS SOCIAIS AUTÔNOMOS

Os serviços sociais autônomos desempenham atividades de utilidade


pública, sem fins lucrativos, que beneficiam determinados
grupamentos sociais ou profissionais, usualmente direcionadas ao
aprendizado profissionalizante e à prestação de serviços
assistenciais.
São exemplos de serviços sociais autônomos as entidades do
“Sistema S”, dentre elas:
 SESC – Serviço Social do Comércio e SESI – Serviço Social da
Indústria, destinados à assistência social a empregados dos setores
comercial e industrial, respectivamente;
 SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial; SENAC –
Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial, destinados à
formação profissional e educação para o trabalho.
 SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas
Empresas, que se destina à execução de programas de auxílio e
orientação a empresas de pequeno porte.

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 SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, com o objetivo
de organizar, administrar e executar o ensino da formação
profissional rural e a promoção social do trabalhador rural;
 SEST – Serviço Social do Transporte e SENAT – Serviço Nacional
de Aprendizagem do Transporte, que incentivam a formação
profissional dirigida aos serviços de transporte;
 SESCOOP – Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo,
que atua na formação profissional, desenvolvimento e promoção
social do trabalhador em cooperativa e dos cooperados.
Os serviços sociais autônomos possuem administração e
patrimônio próprios e são constituídos sob a forma de instituições
particulares convencionais (fundações, sociedades civis ou associações).
A criação dos serviços sociais autônomos depende de autorização
em lei, a exemplo do que ocorre com as pessoas da Administração
Indireta de direito privado. Assim, a aquisição de sua personalidade
jurídica somente se dá com a inscrição dos seus atos constitutivos no
registro competente.
Porém, ao contrário das entidades da Administração Indireta, não é o
Poder Executivo quem usualmente recebe autorização para criar os
serviços sociais autônomos. Diferentemente, tal encargo geralmente é
conferido pela lei autorizadora a entidades representativas de
categorias econômicas, como a Confederação Nacional da Indústria –
CNI, a Confederação Nacional do Comércio – CNC, dentre outras.
Ressalte-se que, embora sejam criados por autorização dada em lei,
os serviços sociais autônomos, assim como as demais entidades
paraestatais, não integram a Administração Pública formal, direta ou
indireta.

Os serviços sociais autônomos, embora


criados por autorização em lei, não integram
a Administração Pública formal.

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Os contribuintes das contribuições parafiscais são as pessoas
jurídicas incluídas no setor econômico a que está vinculada a entidade.
Para o SENAI e o SESI, por exemplo, são contribuintes as empresas
inseridas no setor da indústria, ao passo que para o SESC e o SENAC
contribuem as empresas do comércio3.
O Supremo entende que a cobrança da contribuição é válida
independentemente de contraprestação direta em favor do
contribuinte. Para surgir a obrigação de recolher a contribuição, o que
importa é tão somente o setor econômico em que a empresa atua, e não
o fato de ser diretamente beneficiada pelo serviço prestado pela entidade
paraestatal.
Maria Sylvia Di Pietro esclarece que os serviços sociais autônomos
não prestam serviço público delegado pelo Estado, mas atividade
privada de interesse público (serviços não exclusivos do Estado).
Assim, não se trata de serviço público que incumbisse ao Estado e que ele
tenha transferido a outra pessoa jurídica, por meio da descentralização.
Trata-se, sim, de atividade privada de interesse público que o Estado
resolveu incentivar e subvencionar. A atuação estatal, no caso, é de
fomento e não de prestação de serviço público.
Os serviços sociais autônomos, por serem pessoas jurídicas de direito
privado, sujeitam-se, basicamente, às regras de direito privado.
Todavia, pelo fato de administrarem recursos públicos, também se
submetem a algumas normas de direito público, sobretudo no que toca
à utilização dos recursos, à prestação de contas e aos fins institucionais.
Com efeito, os serviços sociais autônomos se submetem a controle
pelo Poder Público, nos termos e condições estabelecidas na
legislação pertinente a cada entidade. É o que dispõe o Decreto-Lei
200/1967:

Art. 183. As entidades e organizações em geral, dotadas de personalidade


jurídica de direito privado, que recebem contribuições para fiscais e
prestam serviços de interesse público ou social, estão sujeitas à
fiscalização do Estado nos termos e condições estabelecidas na legislação
pertinente a cada uma.

Assim, as leis instituidoras dessas entidades devem prever os meios


de controle a que se submetem.

3 Também contribuem para o SESC e o SENAC as empresas prestadoras de serviço, salvo quando integram

outro serviço social (Súmula STJ 499).

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Ainda quanto ao controle, vale destacar que os serviços sociais
autônomos estão sempre vinculados à supervisão do Ministério em
cuja área de competência estejam enquadrados. O SESI, SENAI, SESC e
SENAC, por exemplo, estão vinculados ao Ministério do Trabalho 4 .
Ademais, também devem prestar contas ao Tribunal de Contas da
União.
Detalhe importante é que, segundo a jurisprudência do TCU, os
serviços sociais autônomos não se submetem inteiramente à Lei de
Licitações. De fato, a Corte de Contas entende que tais entidades, nas
suas contratações, devem observar apenas os princípios da
Administração Pública, e não necessariamente os procedimentos
previstos na Lei 8.666/1993, podendo, em consequência, editar
regulamentos próprios para definir as regras relativas aos contratos
que venham a celebrar 5 . Todavia, ressalte-se que os serviços sociais
autônomos não podem inovar na ordem jurídica por meio de seus
regulamentos próprios, por exemplo, instituindo novas hipóteses de
dispensa e de inexigibilidade de licitação, haja vista que a matéria deve
ser disciplinada por norma geral, de competência privativa da União 6 .
Dessa forma, tais regulamentos devem conter apenas regras
procedimentais, como número mínimo de propostas, prazos, meios de
garantir a publicidade etc.
Por fim, vale destacar que o STF já deixou assente que as entidades
do Sistema “S” possuem natureza privada e não integram a administração
pública, direta ou indireta, razão pela qual elas não estão obrigadas a
realizar concurso público para contratar pessoal7.

ORGANIZAÇÕES SOCIAIS (OS)

Maria Sylvia Di Pietro assim define as organizações sociais:

Organização social é a qualificação jurídica dada a pessoa jurídica


de direito privado, sem fins lucrativos, instituída por iniciativa de
particulares, e que recebe a delegação do Poder Público, mediante
contrato de gestão, para desempenhar serviço público de natureza
social.

4 Decreto 74.296/1976, art. 4º.


5 Acórdão 526/2013-TCU-Plenário
6 TCU: Informativo de Licitações e Contratos 159/2013
7 RE 789.874

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Conforme ensina a professora, nenhuma entidade nasce com o
nome de organização social; a entidade é criada como associação ou
fundação privada e, habilitando-se perante o Poder Público, recebe a
qualificação; trata-se de título jurídico outorgado e cancelado pelo Poder
Público.
Assim, ao invés de montar um hospital público ou posto de saúde, o
Poder Público pode buscar no setor privado alguma entidade privada sem
fim lucrativo que atua nesse setor, a qualificar como organização social e
repassar à entidade privada os recursos públicos necessários à prestação
dos serviços à população8.
As organizações sociais não são uma
categoria de pessoa jurídica. Trata-se,
apenas, de uma qualificação atribuída pelo
Poder Público a determinadas entidades
privadas.

No âmbito da Reforma do Estado, as organizações sociais foram


idealizadas para substituir a Administração Pública em determinadas
áreas, mediante a “absorção” das atividades exercidas por órgãos e
entidades administrativas a serem extintos, processo este denominado de
publicização.
Na esfera federal, as organizações sociais são regidas pela
Lei 9.637/1998.
A aludida Lei prescreve que o Poder Executivo poderá qualificar
como organizações sociais as pessoas que observem três fundamentos
principais:
1. Devem ter personalidade jurídica de direito privado;

2. Não podem ter fins lucrativos;

3. Devem desenvolver atividades dirigidas ao ensino, à pesquisa


científica, ao desenvolvimento tecnológico, à proteção e
preservação do meio ambiente, à cultura e à saúde (art. 1º)

A qualificação como organização social é ato discricionário do Poder


Público, dependendo da aprovação do Ministério competente para
supervisionar ou regular a área de atividade correspondente ao objeto
social da entidade (art. 2º, II). Dessa forma, a qualificação não é
conferida a toda e qualquer entidade que atenda aos requisitos legais, e

8 Lucas Furtado (2014, p. 182).

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sim depende do juízo de conveniência e oportunidade da autoridade
competente.
As entidades qualificadas como OS são declaradas como entidades
de interesse social e utilidade pública, para todos os efeitos legais
(art. 11).
A habilitação da entidade privada como OS é feita mediante a
assinatura de contrato de gestão9 com o Poder Público. É no contrato de
gestão que estarão discriminadas as atribuições, responsabilidades e
obrigações do Poder Público e da organização social. Tal instrumento é
elaborado de comum acordo entre o órgão representante do Poder
Público e a entidade qualificada.
Para que passe a valer, o contrato de gestão deverá ser submetido ao
Ministro de Estado ou autoridade supervisora da área correspondente
à atividade fomentada, para fins de aprovação.
Na elaboração do contrato de gestão, devem ser observados os
princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade,
economicidade e, também, os seguintes preceitos:
 Especificação do programa de trabalho proposto pela organização social,
a estipulação das metas a serem atingidas e os respectivos prazos de
execução;
 Previsão expressa dos critérios objetivos de avaliação de desempenho a
serem utilizados, mediante indicadores de qualidade e produtividade;
 Estipulação dos limites e critérios para despesa com remuneração e
vantagens de qualquer natureza a serem percebidas pelos dirigentes e
empregados das organizações sociais, no exercício de suas funções.

A execução do contrato de gestão celebrado por organização social


será fiscalizada pelo órgão ou entidade supervisora da área de atuação
correspondente à atividade fomentada, a qual deverá designar uma
comissão para analisar os resultados atingidos com a execução do
contrato de gestão – controle de resultado (art. 8º).
Os responsáveis pela fiscalização da execução do contrato de gestão,
ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade na
utilização de recursos ou bens de origem pública por organização social,

9O contrato de gestão celebrado entre o Poder Público e as OS é diferente do previsto no art. 37, §8º da
CF, o qual é celebrado entre o Poder Público e entidades da Administração Indireta ou órgãos da
Administração Direta, com a finalidade de ampliar a sua autonomia gerencial, orçamentária e financeira, e
sobre o qual falaremos quando estudarmos as agências executivas

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dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena de
responsabilidade solidária (art. 9º).
Além disso, sem prejuízo da comunicação ao TCU, os responsáveis
pela fiscalização representarão ao Ministério Público, à Advocacia-
Geral da União ou à Procuradoria da entidade para que requeira ao
juízo competente a decretação da indisponibilidade dos bens da entidade e
o sequestro dos bens dos seus dirigentes, bem como de agente público ou
terceiro, que possam ter enriquecido ilicitamente ou causado dano ao
patrimônio público (art. 10).
O órgão de deliberação superior das organizações sociais, seu
Conselho de Administração, deve ter representantes do Poder Público e
de membros da comunidade, de notória capacidade profissional e
idoneidade moral (art. 3º).
À semelhança dos serviços sociais autônomos, as OS também não
prestam serviço público delegado pelo Estado, mas sim atividade
privada de interesse público (serviços não exclusivos do Estado), em
seu próprio nome, com incentivo (fomento) do Estado.
Conforme previsto na Lei 9.637/1998, o fomento às organizações
sociais pode ocorrer das seguintes formas:
 Destinação de recursos orçamentários.
 Destinação de bens públicos necessários ao cumprimento do
contrato de gestão, dispensada a licitação, mediante permissão
de uso, consoante cláusula expressa do contrato de gestão.
 Cessão especial servidor, devendo o órgão de origem arcar com a
sua remuneração.
Um ponto importante é que os contratos a serem celebrados pela
Organização Social com terceiros, para aplicação dos recursos públicos
recebidos em razão do contrato de gestão, devem ser conduzidos de
forma pública, objetiva e impessoal, com observância dos princípios do
caput do art. 37 da CF, e nos termos do regulamento próprio a ser
editado por cada entidade (não precisam realizar licitação, portanto).
É o que prescreve o art. 17 da Lei 9.637/1998:

Art. 17. A organização social fará publicar, no prazo máximo de noventa


dias contado da assinatura do contrato de gestão, regulamento próprio
contendo os procedimentos que adotará para a contratação de obras e
serviços, bem como para compras com emprego de recursos
provenientes do Poder Público.

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Por outro lado, quando Administração Pública (de qualquer esfera,
federal, estadual, distrital ou municipal) contrata serviços a serem
prestados pelas organizações sociais, a licitação é dispensável, desde
que aquele serviço esteja previsto no contrato de gestão celebrado pela
organização social (Lei 8.666/1993, art. 24, inciso XXIV10).

Quando for a entidade contratante, a organização social não precisa realizar licitação nos
termos da Lei 8.666/1993, mas deverá observar os procedimentos de regulamento próprio,
conduzindo as contratações de forma pública, objetiva e impessoal.

Por outro lado, quando for a entidade contratada pelo Poder Público para prestar serviços
previstos no contrato de gestão, a licitação é dispensável.

Quando constatado o descumprimento das disposições contidas no


contrato de gestão, o Poder Executivo poderá proceder à
desqualificação da entidade como organização social (art. 16).
Sobre esse ponto, Carvalho Filho anota que, a despeito de a lei haver
empregado a expressão “poderá proceder à desqualificação”, dando a
impressão de que se trata de conduta facultativa, o certo é que,
descumpridas as normas e cláusulas a que está submetida, a
Administração exercerá atividade vinculada, devendo (e não podendo)
desqualificar a entidade responsável pelo descumprimento.
A desqualificação será precedida de processo administrativo,
assegurado o direito de ampla defesa, respondendo os dirigentes da
organização social, individual e solidariamente, pelos danos ou prejuízos
decorrentes de sua ação ou omissão.
A desqualificação importará reversão ao Poder Público dos bens e
dos valores entregues à utilização da organização social, sem prejuízo de
outras sanções cabíveis.

10 Art. 24. É dispensável a licitação:


XXIV - para a celebração de contratos de prestação de serviços com as organizações sociais, qualificadas
no âmbito das respectivas esferas de governo, para atividades contempladas no contrato de gestão.

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ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL DE INTERESSE PÚBLICO (OSCIP)

Maria Sylvia Di Pietro assim define as organizações da sociedade civil


de interesse público (Oscip):

Organização da sociedade civil de interesse público (Oscip) é a


qualificação jurídica dada a pessoas jurídicas de direito privado, sem fins
lucrativos, instituídas por iniciativa de particulares, para desempenhar
serviços sociais não exclusivos do Estado com incentivo e fiscalização pelo
Poder Público, mediante vínculo jurídico instituído por meio de termo de
parceria.

Da mesma forma que as organizações sociais, as Oscip não


constituem uma categoria de entidades, e sim uma qualificação
conferida pelo Poder Público a determinadas pessoas privadas, sem fins
lucrativos, que exercem atividade social ou de utilidade pública.
Na esfera federal, as Oscip são regidas pela Lei 9.790/1999.
Segundo a referida lei, as Oscip deverão atuar em pelo menos uma
das seguintes finalidades (art. 3º):
 Promoção da assistência social, da cultura, defesa e conservação do patrimônio
histórico e artístico;
 Promoção gratuita da educação e da saúde;
 Promoção da segurança alimentar e nutricional;
 Defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento
sustentável;
 Promoção do voluntariado;
 Promoção do desenvolvimento econômico e social e combate à pobreza;
 Experimentação, não lucrativa, de novos modelos sócio-produtivos e de sistemas
alternativos de produção, comércio, emprego e crédito;
 Promoção de direitos estabelecidos, construção de novos direitos e assessoria jurídica
gratuita de interesse suplementar;
 Promoção da ética, da paz, da cidadania, dos direitos humanos, da democracia e de
outros valores universais;
 Estudos e pesquisas, desenvolvimento de tecnologias alternativas, produção e
divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos que digam respeito às
atividades antes mencionadas.
 Estudos e pesquisas para o desenvolvimento, a disponibilização e a implementação de
tecnologias voltadas à mobilidade de pessoas, por qualquer meio de transporte.

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Além de atuar em algum dos segmentos acima, a lei estabelece que
só podem se qualificar como OSCIP as pessoas jurídicas de direito privado
sem fins lucrativos que tenham sido constituídas e se encontrem em
funcionamento regular há, no mínimo, 3 (três) anos (art. 1º, caput).
Além disso, a Lei 9.790/1999 enumerou um rol de entidades que não
poderão ser qualificadas como Oscip, ainda que se dediquem de
qualquer forma às atividades anteriormente descritas. São elas (art. 2º):
 Sociedades comerciais;
 Sindicatos, as associações de classe ou de representação de categoria profissional;
 Instituições religiosas ou voltadas para a disseminação de credos, cultos, práticas e
visões devocionais e confessionais;
 Organizações partidárias e assemelhadas, inclusive suas fundações;
 Entidades de benefício mútuo destinadas a proporcionar bens ou serviços a um círculo
restrito de associados ou sócios;
 Entidades e empresas que comercializam planos de saúde e assemelhados;
 Instituições hospitalares privadas não gratuitas e suas mantenedoras;
 Escolas privadas dedicadas ao ensino formal não gratuito e suas mantenedoras;
 Organizações sociais;
 Cooperativas;
 Fundações públicas;
 Fundações, sociedades civis ou associações de direito privado criadas por órgão público
ou por fundações públicas;
 Organizações creditícias que tenham quaisquer tipo de vinculação com o sistema
financeiro nacional.

A entidade privada interessada em obter a qualificação como


organização da sociedade civil de interesse público deverá formalizar
requerimento perante o Ministério da Justiça (art. 5º). Assim, a
qualificação é sempre concedida pelo Ministério da Justiça, e não pelo
Ministério correspondente à área de atuação da entidade.
A outorga da qualificação de Oscip é ato vinculado ao cumprimento
dos requisitos instituídos pela Lei 9.790/1999, ou seja, o Ministério da
Justiça só poderá indeferir o pedido no caso de a pessoa jurídica
requerente desatender a algum desses requisitos (art. 1º, §1º; art. 6º,
§3º).

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Aliás, essa é uma diferença relevante entre as Oscip e as OS, uma
vez que a qualificação como organização social constitui
ato discricionário, cabendo ao Ministro de Estado ou titular do órgão
supervisor correspondente à área de atuação da entidade decidir quanto à
conveniência e oportunidade de sua qualificação (Lei 9.637/1998, art. 2º,
inciso II).

A qualificação como organização social é


ato discricionário. Já a qualificação como
Oscip é ato vinculado.

O vínculo de cooperação entre o Poder Público e as entidades


qualificadas como Oscip se dá mediante a celebração de termo de
parceria.
No termo de parceria devem estar previstos os direitos e as
obrigações das partes signatárias, tais como o objeto do ajuste, as metas,
os prazos de execução, os critérios de avaliação de desempenho, a
previsão de receitas e despesas e a obrigatoriedade de apresentação de
relatório anual demonstrando os resultados alcançados, acompanhado da
respectiva prestação de contas.
É possível a vigência simultânea de dois ou mais termos de
parceria, ainda que com o mesmo órgão estatal, desde que a Oscip tenha
capacidade operacional para executar seus objetos.
Embora a qualificação seja conferida pelo Ministério da Justiça, a
execução do objeto do termo de parceria será acompanhada e fiscalizada
por órgão do Poder Público da área de atuação correspondente à
atividade fomentada, e pelos Conselhos de Políticas Públicas das
áreas correspondentes de atuação existentes, em cada nível de
governo (art. 11).
Os resultados atingidos com a execução do termo de parceria devem
ser analisados por comissão de avaliação, composta de comum acordo
entre o órgão parceiro e a Oscip. A comissão deverá apresentar à
autoridade competente um relatório conclusivo sobre a avaliação
procedida (art. 11).
Os responsáveis pela fiscalização do termo de parceria, ao tomarem
conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade na utilização de
recursos ou bens de origem pública pela organização parceira, darão

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imediata ciência ao Tribunal de Contas respectivo e ao Ministério
Público, sob pena de responsabilidade solidária (art. 12).
Além disso, sem prejuízo dessa comunicação, os responsáveis pela
fiscalização representarão ao Ministério Público e à Advocacia-Geral
da União para que requeiram ao juízo competente a decretação da
indisponibilidade dos bens da entidade e o sequestro dos bens dos seus
dirigentes, bem como de agente público ou terceiro, que possam ter
enriquecido ilicitamente ou causado dano ao patrimônio público (art. 13).
Da mesma forma que as organizações sociais, as Oscip não precisam
observar os procedimentos da Lei 8.666/93 para celebrar contratos com
recursos públicos. Elas podem editar regulamentos próprios, devendo
ainda observar os princípios da Administração Pública e conduzir os
certames de forma pública, objetiva e impessoal.
Por outro lado, a Lei 8.666/1993 não prevê hipótese de dispensa de
licitação para que a Administração Pública contrate uma Oscip. Vale dizer,
o fato de uma entidade ser qualificada como Oscip não é, por si só,
fundamento para que o Poder Público dispense a licitação caso pretenda
contratar essa entidade para prestar algum serviço.
A Lei de Licitações não permite que a
Administração contrate OSCIP por dispensa
de licitação; permite apenas a contratação de
OS.

Na hipótese de posterior descumprimento dos requisitos legais, a


perda da qualificação como Oscip ocorrerá mediante decisão proferida
em processo administrativo, instaurado no Ministério da Justiça, de
ofício ou a pedido da entidade interessada, ou judicial, de iniciativa
popular ou do Ministério Público, nos quais serão assegurados a ampla
defesa e o contraditório (Decreto 3.100/1999, art. 4º).
Na hipótese do pedido de desqualificação ser proveniente de iniciativa
popular, a Lei veda o anonimato e estabelece que o pedido deva ser
amparado em fundadas evidências de erro ou fraude (art. 8º).

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A desqualificação como OS pode ser feita A desqualificação como Oscip pode ser feita
pelo Poder Executivo, em processo a pedido da própria entidade, por iniciativa
administrativo, assegurado o contraditório e de qualquer cidadão ou do Ministério
a ampla defesa. Público, em processo administrativo ou
judicial, assegurado o contraditório e a
ampla defesa.

Por fim, ressalte-se que uma entidade não pode ser qualificada
como OS e OSCIP ao mesmo tempo.

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cumpridos os requisitos da legislação específica. A Lei também não se
aplica às parcerias entre a Administração Pública e os serviços sociais
autônomos (art. 3º, III, VI e X)14.
A Lei 13.019 não se aplica aos contratos de
gestão celebrados com OS, aos termos de
parceria celebrados com OSCIP, nem às
parcerias com os serviços sociais autônomos.

Assim, por exemplo, determinada entidade privada sem fins


lucrativos poderá formalizar parceria com o Poder Público assinando um
contrato de gestão e qualificando-se como OS ou firmando um termo de
parceria e qualificando-se como OSCIP ou, ainda, firmando algum dos
instrumentos previstos na Lei 13.019/2014 (termo de colaboração, termo
de fomento ou acordo de cooperação, que veremos adiante).
Dessa forma, pode-se afirmar que OS, OSCIP e OSC são espécies
distintas entre si.
Por outro lado, a Lei 13.019/2014 restringiu bastante a aplicação do
convênio como instrumento de parceria entre o setor público e privado.
Isso porque, a partir da vigência da lei, somente poderão ser celebrados
convênios nas seguintes hipóteses15:
 Entre entes federados ou pessoas jurídicas a eles vinculadas;
 Com entidades filantrópicas e sem fins lucrativos no âmbito do
sistema único de saúde, nos termos do §1o do art. 199 da CF16.

Assim, não podem mais existir convênios entre entes federados e


entidades privadas. As parcerias celebradas com entidades privadas que
se enquadrem no conceito de Organização da Sociedade Civil terão que
ser formalizadas por meio dos instrumentos previstos na Lei 13.019/2014
(termo de colaboração, termo de fomento ou acordo de cooperação).

14 O art. 3º lista outros casos em que as exigências da Lei 13.019/2014 não se aplicam, a exemplo das

transferências de recursos homologadas pelo Congresso Nacional ou autorizadas pelo Senado


Federal naquilo em que as disposições específicas dos tratados, acordos e convenções internacionais
conflitarem com a Lei 13.019; e dos aos pagamentos realizados a título de anuidades, contribuições ou
taxas associativas em favor de organismos internacionais ou entidades que sejam obrigatoriamente
constituídas por membros de Poder ou do Ministério Público, dirigentes de órgão ou de entidade da
administração pública, pessoas jurídicas de direito público interno ou pessoas jurídicas integrantes da
administração pública.
15 Os convênios celebrados nessas hipóteses serão regidos pelo art. 116 da Lei 8.666/93.
16 Art. 199. A assistência à saúde é livre à iniciativa privada.
§ 1º - As instituições privadas poderão participar de forma complementar do sistema único de saúde,
segundo diretrizes deste, mediante contrato de direito público ou convênio, tendo preferência as entidades
filantrópicas e as sem fins lucrativos.

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Formalização das parcerias
As parcerias entre a Administração Pública e as Organizações da
Sociedade Civil devem ser formalizadas por meio dos seguintes
instrumentos:
 Termo de colaboração: instrumento por meio do qual são formalizadas
as parcerias estabelecidas pela administração pública com organizações da
sociedade civil para a consecução de finalidades de interesse público e
recíproco propostas pela administração pública que envolvam a
transferência de recursos financeiros;

 Termo de fomento: instrumento por meio do qual são formalizadas as


parcerias estabelecidas pela administração pública com organizações da
sociedade civil para a consecução de finalidades de interesse público e
recíproco propostas pelas organizações da sociedade civil, que
envolvam a transferência de recursos financeiros;
 Acordo de cooperação: instrumento por meio do qual são formalizadas
as parcerias estabelecidas pela administração pública com organizações da
sociedade civil para a consecução de finalidades de interesse público e
recíproco que não envolvam a transferência de recursos financeiros;

Note que as definições são iguais nos seguintes aspectos: (i) todos
os termos são instrumentos de parcerias entre a Administração Pública e
as Organizações da Sociedade Civil; (ii) todos os instrumentos têm por
finalidade a consecução de atividades de interesse público e recíproco.
As diferenças são as seguintes: enquanto o termo de colaboração
é proposto pela Administração Pública (a OSC é chamada a “colaborar”
com a Administração), o termo de fomento é proposto pela
Organização da Sociedade Civil (a Administração “fomenta” a proposta
apresentada pela entidade), sendo que ambos envolvem a transferência
de recursos financeiros (no caso, do Poder Público para a entidade
privada). Por sua vez, o acordo de cooperação é celebrado nas
hipóteses em que não há transferência de recursos financeiros,
independentemente de quem propõe o ajuste.

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o Um ano, caso a parceria seja celebrada com Município;

o Dois anos, caso a parceria seja celebrada com o Distrito Federal


ou Estado;
o Três anos, caso a parceria seja celebrada com a União.

 Possuir experiência prévia na realização, com efetividade, do objeto da


parceria ou de natureza semelhante;
 Possuir instalações, condições materiais e capacidade técnica e
operacional para o desenvolvimento das atividades ou projetos
previstos na parceria e o cumprimento das metas estabelecidas.

Na celebração de acordos de cooperação, somente será exigido o


primeiro requisito acima (objetivos voltados à promoção de atividades e
finalidades de relevância pública e social), dispensando-se os demais.
Perceba que a lei exige adequações estruturantes por parte das
Organizações da Sociedade Civil, as quais deverão promover, quando
necessário, alterações em seus estatutos sociais, ajustar suas estruturas
administrativas e desenvolver metodologias de planejamento e gestão
compatíveis com as exigências do regime jurídico das parcerias.
A Lei 13.019 admite a atuação em rede por duas ou mais OSC,
sendo que uma delas ficará encarregada de firmar o instrumento de
parceria com a Administração, assumindo, assim, a integral
responsabilidade pela execução do ajuste. Para tanto, a OSC signatária
do termo de fomento ou de colaboração deve possuir mais de cinco
anos de inscrição no CNPJ e capacidade técnica e operacional para
supervisionar e orientar diretamente a atuação da organização que com
ela estiver atuando em rede (art. 35-A). A atuação em rede permite que a
OSC signatária repasse recursos às entidades não celebrantes, garantindo
uma maior descentralização das atividades.
Por fim, ressalte-se que o termo de fomento, o termo de colaboração
e o acordo de cooperação somente produzirão efeitos jurídicos após a
publicação dos respectivos extratos no meio oficial de publicidade da
administração pública.

Chamamento público
Como regra, a celebração de termos de colaboração ou de termos
de fomento depende da prévia realização de chamamento público,
exceto aqueles que envolvam recursos decorrentes de emendas
parlamentares às leis orçamentárias anuais (art. 24 c/c art. 29 e 35, I).

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Na hipótese de a OSC selecionada não atender aos requisitos de
habilitação, a Administração poderá convidar a segunda classificada e,
sucessivamente, as classificadas imediatamente seguintes, até que
alguma aceite celebrar a parceria nos termos da proposta da primeira
colocada, e não nos seus próprios preços e condições (art. 28,
§1º). Caso alguma OSC convidada aceite celebrar a parceria, a
Administração deverá verificar os respectivos documentos de habilitação.
Maria Sylvia Di Pietro ensina que, embora a lei não o diga, é evidente que
se nenhuma OSC preencher os requisitos ou concordar com os termos
propostos pela primeira classificada, o procedimento terá que ser
revogado.
O art. 30 da Lei 13.019 prevê quatro hipóteses de dispensa de
chamamento público:
 No caso de urgência decorrente de paralisação ou iminência de
paralisação de atividades de relevante interesse público, pelo prazo
de até 180 dias;
 Nos casos de guerra, calamidade pública, grave perturbação da
ordem pública ou ameaça à paz social;

 Quando se tratar da realização de programa de proteção a pessoas


ameaçadas ou em situação que possa comprometer a sua segurança;
 No caso de atividades voltadas ou vinculadas a serviços de educação,
saúde e assistência social, desde que executadas por organizações da
sociedade civil previamente credenciadas pelo órgão gestor da
respectiva política.

Detalhe é que a dispensa não é obrigatória quando ocorre alguma


das situações acima, cabendo à Administração decidir discricionariamente
pela dispensa ou pela abertura do chamamento público, mediante
adequada motivação19.
O art. 31, por sua vez, prevê a inexigibilidade do chamamento
público na hipótese de inviabilidade de competição entre as
organizações da sociedade civil, em razão da natureza singular do
objeto da parceria ou se as metas somente puderem ser atingidas por
uma entidade específica, especialmente quando:
 O objeto da parceria constituir incumbência prevista em acordo, ato ou
compromisso internacional, no qual sejam indicadas as instituições que
utilizarão os recursos;

19 Di Pietro (2014, p. 639)

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 A parceria decorrer de transferência para organização da sociedade civil
que esteja autorizada em lei na qual seja identificada expressamente
a entidade beneficiária, inclusive quando se tratar da subvenção
social, observado o art. 26 da Lei de Responsabilidade Fiscal20.

Ressalte-se que o chamamento público é inexigível sempre que não


for possível haver competição entre OSC. As duas situações listadas acima
são apenas exemplificativas.
A dispensa e a inexigibilidade devem ser justificadas pela
Administração. O extrato da justificativa deve ser publicado, na mesma
data em que for efetivado, no sítio oficial da Administração Pública na
internet e, eventualmente, a critério do administrador público, também no
diário oficial. Ou seja, a publicação da justificativa no sítio oficial é
obrigatória e no diário oficial, facultativa. Sem essa publicidade, o ato de
formalização da parceria por dispensa ou inexigibilidade será nulo (art.
32, §1º). Note que, aqui, a publicidade não é mero requisito de eficácia, e
sim de legalidade do ato.
A publicidade da justificativa é para possibilitar a interposição de
impugnações, isto é, de contestações à justificativa dada pela
Administração. Para tanto, o interessado deverá apresentar a impugnação
no prazo de 5 dias a contar da publicação da justificativa, sendo que a
Administração deverá analisar o pleito em até 5 dias da data do
respectivo protocolo.
Caso a Administração considere que há fundamento na impugnação,
deverá revogar o ato que declarou a dispensa ou considerou inexigível o
chamamento público, e será imediatamente iniciado o procedimento para
a realização do chamamento público, conforme o caso (art. 32, §3º).
Di Pietro ensina que, embora o dispositivo fale em revogação (que supõe
desfazimento por razões de conveniência e oportunidade), se houver vício
de legalidade na dispensa ou inexigibilidade, será hipótese de anulação.
Na prova, porém, se cair “revogação”, deve-se considerar correto, pois é o
que está escrito na lei.
Um dos fundamentos da Lei 13.019 é a “participação social” e, nesse
sentido, o art. 18 institui o procedimento de manifestação de
interesse social, como “instrumento por meio do qual as organizações
da sociedade civil, movimentos sociais e cidadãos poderão

20 Art. 26. A destinação de recursos para, direta ou indiretamente, cobrir necessidades de pessoas físicas ou

déficits de pessoas jurídicas deverá ser autorizada por lei específica, atender às condições estabelecidas na lei
de diretrizes orçamentárias e estar prevista no orçamento ou em seus créditos adicionais.

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apresentar propostas ao poder público para que este avalie a
possibilidade de realização de um chamamento público objetivando a
celebração de parceria”.
A Administração deverá tornar públicas as propostas em seu sítio
eletrônico e, se entender que há conveniência e oportunidade para a
realização do procedimento de manifestação de interesse social, o
instaurará para que a sociedade seja ouvida sobre o tema (art. 20).
Após esse procedimento, a Administração poderá, novamente de
acordo com sua análise de conveniência e oportunidade,
independentemente do resultado do procedimento, desejar celebrar ou
não a parceria. Caso deseje celebrar, deverá instaurar o chamamento
público para que as OSC apresentem suas propostas e planos de trabalho,
seguindo as regras previstas na Lei 13.014.
A realização do procedimento de manifestação
de interesse social não obriga a Administração
a fazer o chamamento público nem dispensa a
convocação por meio de chamamento público
para firmar a parceria.

Ressalte-se que a realização do procedimento de manifestação de


interesse social não é uma condição necessária para a realização do
chamamento público. Com efeito, segundo o art. 21, §3º da lei,
“é vedado condicionar a realização de chamamento público ou a
celebração de parceria à prévia realização de procedimento de
manifestação de interesse social”.
Para fechar este tópico, cumpre destacar que, na seleção das
entidades, a Administração Pública deverá adotar procedimentos claros,
objetivos e simplificados que orientem os interessados e facilitem o
acesso direto aos seus órgãos e instâncias decisórias,
independentemente da modalidade de parceria (art. 23).

Vedações
O art. 39 da Lei 13.019/2014 apresenta uma série de vedações
relacionadas à situação das OSC e de seus dirigentes.
Nos termos do referido dispositivo, ficará impedida de celebrar
termo de colaboração, termo de fomento ou acordo de cooperação, ou de
receber novos recursos no âmbito de parcerias em execução, a OSC que:

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 Não esteja regularmente constituída ou, se estrangeira, não esteja
autorizada a funcionar no território nacional;
 Esteja omissa no dever de prestar contas de parceria anteriormente
celebrada;

 Tenha como dirigente membro de Poder ou do Ministério Público, ou


dirigente de órgão ou entidade da administração pública da mesma
esfera governamental na qual será celebrado o termo de colaboração ou
de fomento, estendendo-se a vedação aos respectivos cônjuges ou
companheiros, bem como parentes em linha reta, colateral ou por
afinidade, até o segundo grau;

 Tenha tido as contas rejeitadas pela administração pública nos


últimos cinco anos, exceto se: a) for sanada a irregularidade que
motivou a rejeição e quitados os débitos eventualmente imputados; b) for
reconsiderada ou revista a decisão pela rejeição; c) a apreciação das
contas estiver pendente de decisão sobre recurso com efeito suspensivo;
 Tenha sido punida com uma das seguintes sanções, pelo período que
durar a penalidade:
o suspensão de participação em licitação e impedimento de contratar
com a administração;
o declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a
administração pública;
o suspensão temporária da participação em chamamento público e
impedimento de celebrar parceria ou contrato com a administração
pública;
o declaração de inidoneidade para participar de chamamento público ou
celebrar parceria ou contrato com a administração pública;
 Tenha tido contas de parceria julgadas irregulares ou rejeitadas por
Tribunal ou Conselho de Contas de qualquer esfera da Federação, em
decisão irrecorrível, nos últimos 8 (oito) anos;

 Tenha entre seus dirigentes pessoa:


o cujas contas relativas a parcerias tenham sido julgadas
irregulares ou rejeitadas por Tribunal ou Conselho de Contas
de qualquer esfera da Federação, em decisão irrecorrível, nos
últimos 8 (oito) anos;

o julgada responsável por falta grave e inabilitada para o exercício


de cargo em comissão ou função de confiança, enquanto durar a
inabilitação;

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o considerada responsável por ato de improbidade, enquanto
durarem os prazos estabelecidos nos incisos I, II e III do art. 12 da
Lei no 8.429, de 2 de junho de 1992.

Ademais, a Lei também apresenta vedações relacionadas ao objeto


da parceria. Com efeito, é vedada a celebração de parcerias que tenham
por objeto, envolvam ou incluam, direta ou indiretamente, delegação das
funções de regulação, de fiscalização, de exercício do poder de
polícia ou de outras atividades exclusivas de Estado (art. 40).

Contratações realizadas pela OSC


As despesas relacionadas à execução da parceria serão efetuadas sob
a responsabilidade exclusiva da Organização da Sociedade Civil, a
qual cuidará do gerenciamento administrativo e financeiro dos recursos
recebidos, inclusive no que diz respeito às despesas de custeio, de
investimento e de pessoal (art. 45, c/c art. 42, XIX).
Em outras palavras, a lei não exige que a OSC faça licitação
conforme a Lei 8.666/93 nem que siga os procedimentos de regulamento
próprio para empregar os recursos transferidos pela Administração
Pública. A OSC é quem irá escolher onde e como aplicar os recursos da
parceria, logicamente, respeitando os termos do plano de trabalho e as
demais cláusulas do termo de fomento ou de colaboração.
A OSC não precisa realizar licitação nem seguir
regulamento próprio para empregar os
recursos transferidos pela Administração
Pública.

Ainda que a lei não exija a realização de licitação para aplicação dos
recursos da parceria, é importante salientar que o regime jurídico
instituído pela Lei 13.019 tem como fundamentos a “gestão pública
democrática, a participação social, o fortalecimento da sociedade civil, a
transparência na aplicação dos recursos públicos, os princípios da
legalidade, da legitimidade, da impessoalidade, da moralidade, da
publicidade, da economicidade, da eficiência e da eficácia”. Assim,
quaisquer atos adotados com base na Lei 13.019 devem observar tais
princípios, inclusive as contratações realizadas pela OSC.
A Lei 13.019 expressamente veda que a OSC utilize recursos
vinculados à parceria para finalidade alheia ao objeto pactuado. A OSC
também não pode utilizar os recursos da parceria para pagar, a qualquer

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título, servidor ou empregado público, salvo nas hipóteses previstas
em lei específica e na lei de diretrizes orçamentárias (art. 45, I e II).
Por outro lado, poderão ser pagas, entre outras despesas (art. 46):
 Remuneração da equipe encarregada da execução do plano de
trabalho, inclusive de pessoal próprio da organização da sociedade
civil, durante a vigência da parceria, compreendendo as despesas com
pagamentos de impostos, contribuições sociais, Fundo de Garantia do
Tempo de Serviço - FGTS, férias, décimo terceiro salário, salários
proporcionais, verbas rescisórias e demais encargos sociais e trabalhistas;

 Diárias referentes a deslocamento, hospedagem e alimentação nos casos


em que a execução do objeto da parceria assim o exija;

 Custos indiretos necessários à execução do objeto, seja qual for a


proporção em relação ao valor total da parceria;
 Aquisição de equipamentos e materiais permanentes essenciais à
consecução do objeto e serviços de adequação de espaço físico, desde
que necessários à instalação dos referidos equipamentos e materiais.

Vale destacar que o pagamento de remuneração da equipe


contratada pela OSC com recursos da parceria não gera vínculo
trabalhista com o poder público (art. 46, §3º).
Ademais, a responsabilidade pelo pagamento dos encargos
trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais relacionados à
execução do objeto previsto no termo de colaboração ou de fomento é
exclusiva da OSC, não implicando responsabilidade solidária ou
subsidiária da administração pública (art. 42, XX).

Prestação de contas
A OSC deve prestar contas à Administração Pública com a finalidade
de demonstrar a boa e regular aplicação dos recursos recebidos,
especialmente no que tange ao cumprimento do objeto da parceria e ao
alcance das metas e dos resultados previstos.
A prestação de contas compreende duas fases:
1) Apresentação das contas, de responsabilidade da Organização da
Sociedade Civil;

2) Análise e manifestação conclusiva das contas, de responsabilidade


da Administração Pública, sem prejuízo da atuação dos órgãos de
controle.

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Se a Administração constatar alguma irregularidade ou omissão na
prestação de contas, antes de rejeitá-las, deverá conceder prazo de
até 45 dias para a OSC sanar a irregularidade ou cumprir a obrigação. O
prazo de 45 dias pode ser prorrogado, no máximo, por igual período,
e deve ser computado dentro do prazo de 150 dias que a Administração
possui para analisar e decidir sobre a prestação de contas. Assim, por
exemplo, se a Administração conceder 90 dias para a OSC se explicar (45
dias originais mais 45 de prorrogação), terá apenas 60 dias para analisar
a prestação de contas.
Transcorrido o prazo para saneamento da irregularidade ou da
omissão, não havendo a correção, aí sim a autoridade administrativa
competente deverá rejeitar a prestação de contas e, sob pena de
responsabilidade solidária, determinar a imediata instauração de
tomada de contas especial21, adotando providências para apuração dos
fatos, identificação dos responsáveis, quantificação do dano ao erário e
obtenção do ressarcimento, nos termos da legislação vigente.
Quando a prestação de contas for avaliada como irregular, a OSC
poderá apresentar os recursos administrativos cabíveis.
Se a decisão da Administração for mantida, e desde que não tenha
havido dolo ou fraude e não seja o caso de restituição integral dos
recursos, a OSC poderá solicitar autorização para que o ressarcimento ao
erário seja promovido por meio de ações compensatórias de interesse
público, mediante a apresentação de novo plano de trabalho (art. 72).
Por fim, cabe informar que, para possibilitar o controle social das
parcerias, a Administração Pública deve manter, em seu sítio oficial
na internet, a relação das parcerias celebradas e dos respectivos planos
de trabalho, até 180 dias após o respectivo encerramento. Por sua
vez, a OSC deve divulgar na internet e em locais visíveis de suas
sedes sociais e dos estabelecimentos em que exerça suas ações todas as
parcerias celebradas com a Administração Pública (arts. 10 e 11).

Sanções e responsabilidades
A Administração Pública poderá aplicar sanções à OSC na hipótese
de execução da parceria em desacordo com o plano de trabalho e com as
normas legais.

21 A tomada de contas especial é um procedimento que tem como objetivo apurar eventuais danos ao

erário e, se for o caso, identificar os responsáveis. Depois de concluído no âmbito da Administração


Pública, é encaminhado ao Tribunal de Contas competente para julgamento.

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Logicamente, na aplicação de sanções deve ser garantido o direito
de defesa prévia.
As sanções que podem ser aplicadas à OSC são (art. 73):
 Advertência;
 Suspensão temporária da participação em chamamento público e
impedimento de celebrar parceria ou contrato com órgãos e
entidades da esfera de governo da administração pública
sancionadora, por prazo não superior a dois anos;

 Declaração de inidoneidade para participar de chamamento público


ou celebrar parceria ou contrato com órgãos e entidades de todas as
esferas de governo, enquanto perdurarem os motivos determinantes
da punição ou até que seja promovida a reabilitação perante a própria
autoridade que aplicou a penalidade, que será concedida sempre que a
organização da sociedade civil ressarcir a administração pública pelos
prejuízos resultantes e após decorrido o prazo de dois anos.

Importante notar que tanto a suspensão temporária como a


declaração de inidoneidade impedem a OSC de participar de novos
chamamentos públicos, assim como de celebrar parcerias ou contratos
com a Administração Pública.
A diferença é que o impedimento da suspensão temporária
abrange apenas os órgãos e entidades da esfera de governo da
administração pública sancionadora, enquanto que a declaração de
inidoneidade abrange todas as esferas de governo.
Assim, por exemplo, uma OSC que tenha sido punida pelo Município
X com suspensão temporária de dois anos, não poderá, nesse período,
participar de chamamentos públicos nem firmar parcerias e contratos com
os órgãos e entidades do Município X, mas poderá fazê-lo com qualquer
outro Município, assim como com os Estados, o Distrito Federal e a União.
Por outro lado, se a mesma OSC tivesse sido punida com declaração de
inidoneidade, ficaria impedida perante o Município X e também perante
todas as demais esferas de governo (outros Municípios, Estados, DF e
União). Em outras palavras, a suspensão temporária é uma sanção
“mais leve” que a declaração de inidoneidade.
Outra diferença é em relação ao período do impedimento: na
suspensão temporária, a OSC fica impedida por, no máximo,
dois anos; já na declaração de inidoneidade, o impedimento continua
enquanto perdurarem os motivos determinantes da punição
(podendo, portanto, ser superior a dois anos) ou até que seja promovida a

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reabilitação perante a própria autoridade que aplicou a penalidade.
Detalhe é que a reabilitação só será concedida após o prazo de dois
anos e somente se a OSC ressarcir a Administração Pública pelos
prejuízos resultantes.
A aplicação da suspensão temporária e da declaração de
inidoneidade é de competência exclusiva de Ministro de Estado ou
de Secretário Estadual, Distrital ou Municipal, conforme o caso. Como
se trata de competência exclusiva, não pode ser delegada (art. 73, §2º).
Em relação à advertência, a lei é omissa; sendo assim, pode-se
assumir que é aplicada pela autoridade competente dentro do órgão ou
entidade que firmou a parceria.
A aplicação de penalidade decorrente de infração relacionada à
execução da parceria prescreve em 5 anos, contados a partir da data da
apresentação da prestação de contas. Ou seja, passado esse prazo, a
Administração não mais poderá aplicar as sanções da Lei 13.019 à OSC
infratora.
Detalhe é que a prescrição será interrompida com a edição de ato
administrativo voltado à apuração da infração (art. 73, §§ 2º e 3º). Por
exemplo, se após 4 anos e 11 meses da data da apresentação da
prestação de contas (ou seja, faltando apenas um mês para ocorrer a
prescrição) a Administração instaurar um processo administrativo com o
objetivo de apurar a infração cometida pela OSC, o prazo de prescrição
será interrompido, permitindo que a Administração puna a OSC ainda que
o processo administrativo se prolongue por período superior a um mês.
*****
Pessoal, é isso que tinha para passar acerca da Lei 13.019/2014.
Logicamente, o conteúdo da aula não dispensa uma leitura atenta da
norma. Como a lei entrou em vigor em janeiro de 2016, ainda não temos
questões de prova sobre o assunto. Então, ainda não sabemos o grau de
profundidade que será exigido pelas bancas.
A seguir, ainda no estudo sobre as entidades paraestatais, vamos
falar sobre as entidades de apoio.

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ENTIDADES DE APOIO

Maria Sylvia Di Pietro define entidades de apoio da seguinte forma:

Entidades de apoio – pessoas jurídicas de direito privado, sem fins


lucrativos, instituídas por servidores públicos, porém em nome próprio,
sob forma de fundação, associação ou cooperativa, para a prestação, em
caráter privado, de serviços sociais não exclusivos do Estado, mantendo
vínculo jurídico com entidades da administração direta ou indireta, em
regra por meio de convênio.

O exemplo mais comum desse tipo de entidade são as fundações de


apoio que atuam junto a hospitais públicos e universidades públicas.
Trata-se de pessoas jurídicas privadas, sem fins lucrativos, que
cooperam com a Administração mediante a celebração de convênios.
A professora Di Pietro ensina que as atividades prestadas pelas
entidades de apoio possuem caráter privado. Não obstante, sempre que
receberem ou de qualquer modo utilizarem recursos públicos no
desenvolvimento de suas atividades, estarão sujeitas às regras básicas de
direito público aplicáveis a toda e qualquer pessoa que, de alguma forma,
receba ou administre recursos públicos22.
As entidades de apoio geralmente assumem a forma de fundação
(de direito privado, não integrante da Administração Pública formal), mas
também podem ser constituídas na forma de associação ou
cooperativa.
Não existe uma lei própria que regule as entidades de apoio de forma
geral. Existe apenas a Lei 8.958/1994 que veio disciplinar apenas uma
espécie de entidade de apoio, qual seja, as fundações instituídas com a
finalidade de apoiar projetos de ensino e pesquisa de interesse das
Instituições Federais de Ensino Superior - IFES e demais Instituições
Científicas e Tecnológicas - ICTs.
A referida lei estabeleceu exigências de controle, de fiscalização pelo
Ministério Público, nos termos do Código Civil e do Código de Processo
Civil, de prévio credenciamento junto aos Ministérios da Educação e da
Ciência e Tecnologia, de prestação de contas, além de requisitos para a
utilização, pela fundação, de servidores públicos e de bens públicos, neste
último caso mediante ressarcimento.

22 Alexandrino, M. e Paulo, V (2014, p. 161).

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Segundo a Lei 8.958/1994, as IFES e as demais ICTs podem celebrar
convênios e contratos com as fundações de apoio por dispensa de
licitação. Mais que isso, a lei permite que outras entidades da
Administração Pública23, a exemplo da Financiadora de Estudos e Projetos
- FINEP e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico – CNPq, também contratem as fundações de apoio por
dispensa de licitação.

5. (Cespe – MPTCE/PB 2014) As fundações de apoio às universidades públicas


federais integram a administração indireta.
Comentário: As fundações de apoio são entidades paraestatais que
cooperam com as universidades públicas mediante a celebração de convênios.
Portanto, não integram a Administração Indireta, daí o erro.
Gabarito: Errado

23 Especificamente, a Financiadora de Estudos e Projetos FINEP, o Conselho Nacional de


Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq, as agências financeiras oficiais de fomento e empresas
públicas ou sociedades de economia mista, suas subsidiárias ou controladas (art. 1º-A).

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AGÊNCIAS EXECUTIVAS E REGULADORAS
No processo de modernização do Estado, uma das medidas adotadas
foi a criação de um grupo especial de autarquias 24 , denominadas
agências, as quais podem ser classificadas em duas categorias:
 Agências executivas, com a função de executar certas atividades
administrativas típicas de Estado; e
 Agências reguladoras, com a função de controle e fiscalização
de pessoas privadas incumbidas da prestação de serviços públicos
delegados sob a forma de concessão ou permissão.
Ressalte-se que a instituição dessas entidades não trouxe qualquer
novidade quanto à sua natureza jurídica, pois continuam a ser
autarquias, integrantes da Administração Indireta. A inovação reside,
apenas, na relativa independência que a ordem jurídica lhes conferiu em
aspectos técnicos, administrativos e financeiros25.
Vamos dar uma olhada nas principais características dessas agências.

AGÊNCIAS EXECUTIVAS
De início, nunca é demais lembrar que as agências executivas não
são uma entidade paraestatal. Tampouco são uma nova espécie de
entidade administrativa. Trata-se, na verdade, de uma qualificação que
poderá ser conferida pelo Poder Público às autarquias e às fundações
públicas que com ele celebrem contrato de gestão e atendam aos
demais requisitos fixados na Lei 9.649/1998.
O contrato de gestão que possibilita a qualificação como agência
executiva é aquele previsto no art. 37, §8º da Constituição Federal, a
saber:
§ 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e
entidades da administração direta e indireta poderá ser ampliada
mediante contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder
público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o
órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre:
I - o prazo de duração do contrato
II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos,
obrigações e responsabilidade dos dirigentes;

III - a remuneração do pessoal.

24 No caso das agências executivas, a qualificação também pode ser dada às fundações públicas.
25 Carvalho Filho (2014, p. 494).

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Portanto, não se trata do mesmo tipo de contrato de gestão que é
firmado entre a Administração Direta e as organizações sociais, o qual
possibilita que estas entidades privadas recebam fomento do Estado e, em
consequência, tenham de se sujeitar à fiscalização do emprego dos
recursos públicos recebidos.
Diferentemente, o contrato de gestão previsto na Constituição é um
ajuste firmado entre a Administração Direta e entidades da
Administração Indireta, ou entre órgãos da própria Administração
Direta. Por meio do referido instrumento, os órgãos e entidades assumem
o compromisso de cumprir determinadas metas e, em contrapartida,
ganham maior liberdade de atuação, por meio da ampliação da sua
autonomia gerencial, orçamentária e financeira. Os controles sobre esses
órgãos e entidades passam a ser menos rígidos, sobretudo nas atividades-
meio, e se voltam para o controle finalístico, de atingimento de
resultados.
Em especial, quando o contrato de gestão de que trata o art. 37, §8º
da CF for firmado entre uma autarquia ou uma fundação pública e o
respectivo Ministério supervisor, esta autarquia ou fundação poderá
ser qualificada como agência executiva.
Um exemplo atual de agência executiva é o INMETRO – Instituto
Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial26.
Os contratos de gestão das agências executivas serão celebrados com
periodicidade mínima de um ano e estabelecerão os objetivos, metas e
respectivos indicadores de desempenho da entidade, bem como os
recursos orçamentários e financeiros necessários ao cumprimento dos
objetivos e metas e os critérios e instrumentos para a avaliação do seu
cumprimento.
Nos termos do art. 51 da Lei 9.649/1998, além de celebrar o contrato
de gestão, a autarquia ou fundação pública deverá ter um plano
estratégico de reestruturação e de desenvolvimento institucional
em andamento.
Os planos estratégicos de reestruturação e de desenvolvimento
institucional definirão diretrizes, políticas e medidas voltadas para a
racionalização de estruturas e do quadro de servidores, a revisão dos
processos de trabalho, o desenvolvimento dos recursos humanos e o
fortalecimento da identidade institucional da agência executiva (art. 52).

26 Ver Decreto 29/1998, que qualifica o INMETRO como agência executiva.

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Detalhe é que a qualificação de agência executiva é ato discricionário de
competência do Presidente da República (decreto).
Gabarito: Certo

AGÊNCIAS REGULADORAS

Agências reguladoras, em sentido amplo, seriam órgãos ou entidades


com função de regular a matéria específica que lhe está afeta. No caso,
regular significa organizar determinado setor afeto à agência, bem como
controlar as entidades que atuam nesse setor.
Na Aula 2 já vimos alguma coisa sobre as agências reguladoras.
Vimos, em especial, que geralmente são instituídas sob a forma de
autarquias sob regime especial.
Portanto, as agências reguladoras, assim como as demais entidades
estudadas nesta aula, também não são novas entidades jurídicas
acrescentadas à Administração Pública formal. São, isto sim, uma
espécie de autarquia, dotadas de maior autonomia que as autarquias
comuns, sobretudo em relação à estabilidade relativa de seus dirigentes.
Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo propõem o seguinte conceito
para as agências reguladoras:

Agências reguladoras – trata-se de entidades administrativas com


alto grau de especialização técnica, integrantes da estrutura formal da
administração pública, instituídas como autarquias sob regime especial,
com a função de regular um setor específico de atividade econômica ou
um determinado serviço público, ou de intervir em certas relações
jurídicas decorrentes dessas atividades, que devem atuar com a maior
autonomia possível relativamente ao Poder Executivo e com
imparcialidade perante as partes interessadas (Estado, setores regulados
e sociedade).

Exemplos de agências reguladoras que se enquadram nesse conceito


são a ANATEL – Agência Nacional de Telecomunicações; a ANP – Agência
Nacional do Petróleo; a ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica; a
ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil; a ANTT – Agência Nacional de
Transportes Terrestres, a ANVISA – Agência Nacional de Vigilância
Sanitária; a ANA – Agência Nacional de Águas, dentre outras.
Os autores ressaltam que essa definição foi construída a partir das
características estabelecidas nas leis instituidoras das agências

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reguladoras atualmente existentes, haja vista não existir uma lei que
discipline as agências reguladoras de uma forma geral. Desse modo, é
possível existirem agências que não se enquadrem em um ou outro
aspecto apresentado no conceito.
Por exemplo, embora todas as agências reguladoras até hoje
instituídas na esfera federal tenham adotado a forma de autarquia sob
regime especial, não há obrigatoriedade de que seja sempre assim. Em
tese, elas poderiam, inclusive, serem órgãos despersonalizados
integrantes da Administração Direta. No entanto, costuma-se adotar a
forma de autarquia sob regime especial em razão das atividades exercidas
pela entidade, típicas do Poder Público (regulação, poder de polícia,
aplicação de sanções etc.), o que demanda a natureza jurídica de
direito público. Ademais, as autarquias sob regime especial são dotadas
de maior autonomia em relação ao Poder Executivo do que os órgãos da
Administração Direta e até mesmo do que as autarquias comuns,
característica essencial para o tipo de atividade que exercem.
Pode-se considerar a existência de dois tipos de agências reguladoras
no direito brasileiro:
 As que exercem típico poder de polícia, com a imposição de
limitações administrativas, fiscalização e repressão; é o caso, por
exemplo, da Anvisa, da ANS e da ANA.
 As que regulam e controlam as atividades que constituem objeto
de concessão, permissão ou autorização de serviço público
(telecomunicações, energia elétrica, transportes etc.) ou de
concessão para exploração de bem público (petróleo,
rodovias); é o caso, por exemplo, da ANATEL, ANEEL, ANP e da
ANTT.
Detalhe interessante é que, de todas as agências reguladoras, apenas
a ANATEL e a ANP possuem previsão específica na Constituição, sob a
expressão “órgão regulador” (art. 21, XI e art. 177, §2º, inciso III,
respectivamente28). As demais têm base exclusivamente nas leis que as
criaram.

28 Art. 21. Compete à União:


XI - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão, os serviços de
telecomunicações, nos termos da lei, que disporá sobre a organização dos serviços, a criação de um
órgão regulador e outros aspectos institucionais;
Art. 177. Constituem monopólio da União:
I - a pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos;

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Lembrando que a atuação das agências reguladoras de forma alguma
afasta a possibilidade de apreciação do Poder Judiciário acerca de
qualquer lesão ou ameaça de lesão a direito.

9. (Cespe – TCU – AUFC 2011) As decisões definitivas das agências, em regra,


não são passíveis de apreciação por outros órgãos ou entidades da administração
pública.
Comentário: O item está correto. Em regra, as decisões definitivas das
agências nas matérias de sua competência constituem a última instância de
natureza administrativa. E isso ocorre, primeiramente, pela própria natureza
jurídica das agências que, como entidades da Administração Indireta, não
estão subordinadas a alguma instância superior para a qual se possa
apresentar recurso hierárquico.
Outro fator é a alta complexidade das matérias que geram os conflitos
solucionados pelas agências reguladoras, o que faz com que seu corpo
técnico, altamente especializado nessas matérias, seja percebido pelas partes
diretamente interessadas como o foro natural de mediação e solução dos
conflitos.
Apesar disso, parte da doutrina sustenta que, excepcionalmente, as
decisões das agências reguladoras podem ser reapreciadas pela
Administração Direta (leia-se: Ministério supervisor), especialmente nas
hipóteses em que a agência pratica atos ilegais. É o chamado recurso
hierárquico impróprio. Daí o “em regra” do enunciado.
Gabarito: Certo

10. (Cespe – MPU 2010) Considere que os representantes legais de uma empresa
distribuidora de energia elétrica estejam inconformados com decisão da Agência
Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), reguladora do setor elétrico. Nessa situação,
não cabe recurso hierárquico da decisão da ANEEL, salvo quanto ao controle de
legalidade.
Comentário: O item está correto. Nos casos de atividade típica de
regulação, a agência tem total autonomia para agir, não sendo possível que
suas decisões sejam reformadas por outros órgãos administrativos, nem
mesmo pelo Ministério supervisor, através de recurso hierárquico.
Porém, quando extrapola os limites da sua competência definidos em lei,
parte da doutrina admite o cabimento de recurso hierárquico impróprio
dirigido ao Ministério supervisor da agência. Além do controle de legalidade,

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outras situações em que seria possível a interposição de recurso hierárquico
impróprio seriam: quando a agência se distanciar da política de Governo; ou
quando se referir a atividades meio da entidade.
Gabarito: Certo

Quanto ao poder regulamentar das agências reguladoras, os


regulamentos por elas expedidos são conhecidos como regulamentos
delegados ou regulamentos autorizados, uma vez que, nas matérias
de natureza estritamente técnica, eles não se limitam a dar fiel
execução à lei, mas podem complementá-la, desde que observem as
diretrizes e os limites nela traçados. A possibilidade de sua edição,
contudo, deve estar expressamente prevista em lei, vale dizer, as
agências não podem editar normativos inteiramente autônomos, sem lei
que os autorize. Ademais, as agências, mesmo sendo dotadas de amplos
poderes normativos, não podem criar obrigações novas, que não
contem com previsão legal.

11. (Cespe – ANATEL 2012) A ANATEL, por ser agência reguladora integrante da
administração indireta, exerce o poder regulamentar com maior vigor, podendo
inovar na ordem jurídica com a edição de atos normativos primários e regulamentos
autônomos.
Comentário: Embora o poder normativo das agências reguladoras seja
considerado bastante amplo, possibilitando que elas, inclusive,
complementem a lei em determinados aspectos de natureza técnica, em
hipótese alguma as agências podem inovar na ordem jurídica com a edição de
atos normativos primários e regulamentos autônomos. Com efeito, a atuação
normativa das agências reguladoras, complementando as disposições da lei,
depende de expressa autorização dada pela própria lei, vale dizer, consiste na
edição de regulamentos delegados ou autorizados.
Gabarito: Errado

Aspecto relevante do tema diz respeito à necessária autonomia da


atuação das agências reguladoras, característica tomada como a mais
importante a ser conferida a essas entidades.
É que, para desempenharem sua função de controle e fiscalização
com imparcialidade e rigor técnico, a atuação das agências não pode ser
influenciada pelo interesse das empresas reguladas, e nem mesmo pelos

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interesses do próprio Governo ou dos consumidores. A autonomia deve
existir perante todos.
Essa relação entre as agências reguladoras e as demais partes
interessadas é objeto de estudo da teoria da captura, pela qual se busca
impedir uma vinculação promíscua entre a agência, de um lado, e o
governo instituidor ou os entes regulados, de outro, com flagrante
comprometimento da independência da pessoa reguladora (o chamado
“risco de captura”).
No que tange ao risco de captura da agência pelas empresas do setor
regulado, geralmente dotadas de grande poderio econômico, a doutrina
ensina que um dos instrumentos mais eficazes para evita-lo é proibir que
o ex-dirigente do órgão regulador, nos meses seguintes à sua exoneração,
seja contratado por empresas do setor por ele regulado. Essa
“quarentena” é uma forma de evitar que o ex-dirigente se utilize de
informações privilegiadas para beneficiar a empresa regulada.
No Brasil, a Lei 9.986/2000, que dispõe sobre a gestão de recursos
humanos das agências reguladoras, estabelece a obrigatoriedade de
quarentena dos ex-dirigentes, nos seguintes termos:

Art. 8o O ex-dirigente fica impedido para o exercício de atividades ou


de prestar qualquer serviço no setor regulado pela respectiva
agência, por um período de quatro meses, contados da exoneração ou do
término do seu mandato.

§ 1o Inclui-se no período a que se refere o caput eventuais períodos de


férias não gozadas.
§ 2o Durante o impedimento, o ex-dirigente ficará vinculado à agência,
fazendo jus a remuneração compensatória equivalente à do cargo de
direção que exerceu e aos benefícios a ele inerentes.
§ 3o Aplica-se o disposto neste artigo ao ex-dirigente exonerado a pedido,
se este já tiver cumprido pelo menos seis meses do seu mandato.
§ 4o Incorre na prática de crime de advocacia administrativa, sujeitando-se
às penas da lei, o ex-dirigente que violar o impedimento previsto neste
artigo, sem prejuízo das demais sanções cabíveis, administrativas e civis.
§ 5o Na hipótese de o ex-dirigente ser servidor público, poderá ele optar
pela aplicação do disposto no § 2o, ou pelo retorno ao desempenho das
funções de seu cargo efetivo ou emprego público, desde que não haja
conflito de interesse.

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Além da quarentena dos ex-dirigentes das agências reguladoras, que
possui previsão legal, a jurisprudência também não tem aceitado a
realização do movimento inverso, ou seja, do dirigente de empresa do
setor que vai ocupar cargo nos órgãos diretivos das agências.
Como exemplo, o TRF da 5ª Região já impediu a nomeação para
vagas de Conselheiro Consultivo da ANATEL, destinadas à representação
dos usuários, de determinadas pessoas que haviam ocupado cargos em
empresas concessionárias, tendo-se fundado a decisão na evidente
suspeição que o desempenho de tais agentes poderia ocasionar29.
De um modo geral, os autores apontam a previsão de
mandatos fixos para os dirigentes como um dos mais importantes e
mais utilizados mecanismos para assegurar a imparcialidade das agências
reguladoras.
No Brasil, atualmente, os dirigentes de todas as agências federais
possuem mandato fixo, a teor do art. 9º da Lei 9.986/2000:

Art. 9o Os Conselheiros e os Diretores somente perderão o mandato em


caso de renúncia, de condenação judicial transitada em julgado ou de
processo administrativo disciplinar.
Parágrafo único. A lei de criação da Agência poderá prever outras
condições para a perda do mandato.

Ressalte-se que, como dispõe o parágrafo único do dispositivo acima,


além da renúncia, da condenação judicial transitada em julgado ou de
processo administrativo disciplinar, a lei de criação de cada agência
poderá prever outras condições para a perda do mandato.
Outros instrumentos teóricos para conferir autonomia às agências
reguladoras seriam o estabelecimento de fontes próprias de recursos,
provenientes do próprio exercício da função regulatória, a não
subordinação hierárquica a qualquer instância de governo e a indicação de
dirigentes pautada em critérios técnicos, sendo preferível que sua
indicação não seja ato exclusivo do Poder Executivo, e sim um ato que
conte com a participação do Poder Legislativo.
Quanto a este último ponto, cumpre salientar que os dirigentes das
agências reguladoras federais são nomeados conforme o procedimento
previsto no art. 52, III, “f” da CF, ou seja, o Presidente da República
escolhe a pessoa para ser dirigente de agência reguladora, mas só pode

29 TRF5: Ap. Cível 342.739

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nomeá-la após aprovação do Senado Federal. Ademais, os indicados
devem preencher certos critérios técnicos, além de possuir reputação
ilibada. É o que diz a Lei 9.986/2000:

Art. 5o O Presidente ou o Diretor-Geral ou o Diretor-Presidente (CD I) e os


demais membros do Conselho Diretor ou da Diretoria (CD II) serão
brasileiros, de reputação ilibada, formação universitária e elevado
conceito no campo de especialidade dos cargos para os quais serão
nomeados, devendo ser escolhidos pelo Presidente da República e por
ele nomeados, após aprovação pelo Senado Federal, nos termos da
alínea f do inciso III do art. 52 da Constituição Federal.

Cumpre observar que as agências reguladoras são dirigidas em


regime de colegiado, por um Conselho Diretor ou Diretoria composta
por Conselheiros ou Diretores, sendo um deles o seu Presidente ou o
Diretor-Geral ou o Diretor-Presidente.
As agências reguladoras, na sua condição de autarquias, são
vinculadas à Administração Direta; no âmbito federal, elas se vinculam
ao Ministério correspondente à sua área de atuação. Por exemplo, a
ANATEL é vinculada ao Ministério das Comunicações e a ANP, ao Ministério
das Minas e Energia. Portanto, as agências reguladoras se submetem ao
controle finalístico (tutela administrativa) efetuado pelo respectivo
Ministério supervisor.
As leis instituidoras de algumas agências reguladoras preveem a
obrigatoriedade de celebrarem contrato de gestão com o Poder
Executivo, hipótese em que sua autonomia em relação ao órgão
supervisor se vê ampliada ainda mais, sendo o controle direcionado para o
alcance de metas e resultados.
Além da tutela administrativa, as agências reguladoras também se
submetem aos controles judicial e legislativo, este último incluindo o
controle exercido pelo Tribunal de Contas. Nesses casos, o controle
sobre as agências não possui qualquer particularidade em relação ao que
é exercido sobre as demais entidades integrantes da Administração
Pública.
Por fim, vale observar que as leis instituidoras das atuais agências
reguladoras estabelecem, em alguns casos, instrumentos específicos de
participação popular, com destaque para a consulta pública e a
audiência pública. Esses institutos, de maneira geral, permitem a
manifestação dos agentes econômicos e dos consumidores sempre que

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possa ser editado um ato ou tomada uma decisão que possa afetar o
direito deles.

12. (ESAF – CGU 2006) Pelo sistema constitucional brasileiro, a categoria das
agências reguladoras apresentam competência de natureza:
a) legislativa e administrativa.
b) legislativa, administrativa e jurisdicional.
c) exclusivamente legislativa.
d) administrativa e jurisdicional.
e) exclusivamente administrativa.
Comentários: As agências reguladoras são entidades administrativas,
integrantes do Poder Executivo e, portanto, suas competências possuem
natureza administrativa (opção “e”).
É certo que algumas de suas competências possuem características
semelhantes às funções legislativa e jurisdicional, por exemplo, quando
editam regulamentos e quando solucionam conflitos entre empresas
concessionárias e usuários dos serviços públicos. Porém, frise-se, tais
competências são apenas semelhantes às funções legislativa e jurisdicional
“típicas”, mas com elas não se confundem, por lhes faltar determinados
atributos. Com efeito, os regulamentos editados pelas agências reguladoras
não podem inovar no ordenamento jurídico, vale dizer, não podem criar
direitos e obrigações não previstos em lei. O poder regulamentar das agências,
embora seja considerado bastante amplo, não pode extrapolar os limites
estabelecidos pela lei. E quanto à solução de conflitos, as decisões tomadas
pelas agências não possuem o atributo da definitividade, podendo ser
apreciadas pelo Poder Judiciário, desde que provocado. Portanto, pode-se
afirmar que, mesmo quando editam normativos ou solucionam conflitos, as
agências reguladoras exercem competência de natureza administrativa.
Gabarito: alternativa “e”

13. (ESAF – STN 2013) A transferência da função normativa (sobre matérias


determinadas) da sede legislativa estatal para outra sede normativa denomina-se:
a) Remissão.
b) Delegação receptícia.
c) Reserva legal.

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d) Deslegalização.
e) Desconcentração.
Comentários: Trata-se do fenômeno da deslegalização (opção “d”), que
consiste na possibilidade de o Legislativo rebaixar hierarquicamente
determinada matéria para que ela possa vir a ser tratada por regulamento. Ou
seja, ocorre a deslegalização quando uma lei editada pelo Poder Legislativo
contenha autorização para que um regulamento, editado pela Administração
Pública, venha a tratar sobre a matéria regulada na lei. Um exemplo é a
Lei 12.382/2011, que fixou o salário mínimo para 2011 e permitiu que o reajuste
e a atualização do valor fossem feitos mediante decreto.
Embora muitos doutrinadores sejam contrários à prática da
deslegalização (por exemplo, Celso Antônio Bandeira de Melho e Justen Filho,
para os quais nesse caso, a lei atuaria delegando competência legislativa, o
que só é possível em sede constitucional), costuma-se indicar que esse
instituto oferece substrato teórico-jurídico para a criação e funcionamento das
agências reguladoras, principalmente em razão do poder normativo dessas
entidades.
É que, conforme salienta Maria Sylvia Di Pietro, às agências reguladoras
está sendo dado o “poder de ditar normas com a mesma força de lei e com
base em parâmetros, conceitos indeterminados, standards nela contidos”. Em
outras palavras, uma lei deslegalizadora estabelece diretrizes para que um
regulamento possa vir a atuar dentro desses standards estabelecidos.
Assim, prossegue a autora, a lei muitas vezes utiliza conceitos jurídicos
indeterminados, cujo sentido tem que ser definido por órgãos técnicos
especializados. Por exemplo, a Lei 9.782/1999, que criou a Anvisa, dá a ela
competência para estabelecer normas e padrões sobre “limites de
contaminantes, resíduos tóxicos, desinfetantes, metais pesados e outros que
envolvam risco à saúde” (art. 7º, IV); a Agência, dentro de seus conhecimentos
técnicos, vai poder, licitamente, sem inovar na ordem jurídica, baixar ato
normativo definindo os “contaminantes”, os “resíduos técnicos” etc., e
estabelecendo os respectivos padrões e limites. Trata-se de conceitos
indeterminados que a Agência vai tornar determinados. Todavia, frise-se, se a
Agência for além do previsto na lei ao exercer essa função, estará infringindo o
princípio da legalidade.
Gabarito: alternativa “d”

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14. (Cespe – AGU 2012) As relações de trabalho nas agências reguladoras são
regidas pela CLT e pela legislação trabalhista correlata, em regime de emprego
público.
Comentário: O quesito está errado. Os servidores das agências
reguladoras federais são regidos pelo regime estatutário previsto na Lei
8.112/1990, e não pela CLT. Originariamente, o art. 1º da Lei 9.986/2000
estabeleceu o regime celetista para as agências. Todavia, a eficácia deste
dispositivo foi suspensa em razão de medida liminar deferida pelo STF no bojo
da ADI 2310, na qual o Supremo considerou o regime de emprego público
incompatível com a atividade a ser desenvolvida pelo pessoal das agências
reguladoras. Essa ADI acabou por perder seu objeto com a promulgação da
Lei 10.871/2004, cujo art. 6º prescreve que o regime jurídico do pessoal das
agências é o instituído pela Lei 8.112/1990, ou seja, o regime estatutário
aplicável aos servidores federais em geral, sendo esta a regra atualmente
vigente.
Ressalte-se que, nos termos do art. 3º, parágrafo único da
Lei 10.871/2004, aos servidores das agências reguladoras, no exercício das
atribuições de natureza fiscal ou decorrentes do poder de polícia, são
asseguradas as prerrogativas de promover a interdição de estabelecimentos,
instalações ou equipamentos, assim como a apreensão de bens ou produtos, e
de requisitar, quando necessário, o auxílio de força policial federal ou
estadual, em caso de desacato ou embaraço ao exercício de suas funções. De
fato, como se percebe, prerrogativas dessa espécie não se compatibilizam
com o regime celetista.
Gabarito: Errado

15. (Cespe – SUFRAMA 2014) As agências reguladoras, por atuarem na


regulação do mercado, são consideradas entidades paraestatais que atuam em
colaboração com o Estado.
Comentário: O quesito está errado. As agências reguladoras geralmente
são instituídas como autarquias de regime especial. Portanto, são entidades
administrativas integrantes da Administração Indireta. Ao contrário, as
entidades paraestatais são entidades privadas, sem fins lucrativos, que atuam
“ao lado” do Estado, recebendo fomento público para o desenvolvimento de
atividades de interesse público, mas sem pertencer à Administração Pública
formal, direta ou indireta.
Gabarito: Errado

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QUESTÕES DE PROVA

16. (Cespe – Auditor TCE PR 2016) Os atributos caracterizadores de determinada


entidade como OSCIP incluem a
A) presença facultativa de servidor na composição do conselho.
B) formalização por meio de contrato de gestão.
C) análise de qualificação por diversos órgãos públicos.
D) possibilidade de cessão de bens.
E) qualificação discricionária.
Comentários: vamos analisar cada assertiva:
a) CERTA. A Lei 9.790/99 (art. 4º, III) exige que a Oscip tenha um Conselho
Fiscal. Todavia, não há exigência de que existam representantes do Poder
Público em algum órgão da entidade (a participação é facultativa), ao contrário
do que ocorre nas Organizações Sociais (OS).
b) ERRADA. No caso da Oscip, a formalização ocorre por meio de termo
de parceria.
c) ERRADA. A análise da qualificação é sempre feita pelo Ministério da
Justiça (Lei 9.790/99, art. 5º).
d) ERRADA. A Lei 9.790/99 não prevê, de forma expressa, a possibilidade
de cessão de bens públicos às Oscip, ao contrário do que ocorre com as
Organizações Sociais. Todavia, a Lei 9.790/99 contém dispositivos que levam
ao entendimento de que tais entidades podem sim receber bens públicos
como forma de fomento. Por exemplo, o art. 4º, VII, “d” da lei estabelece que “a
prestação de contas de todos os recursos e bens de origem pública recebidos
pelas Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público será feita
conforme determina o parágrafo único do art. 70 da Constituição Federal”. O
art. 13 também apresenta disciplina semelhante. Nessa linha, Maria Sylvia Di
Pietro, ao discorrer sobre as características das Oscip, menciona o “fomento
pelo Poder Público ou cooperação entre Poder Público e entidade privada, não
sendo especificadas na lei as modalidades de fomento ou cooperação; há
apenas algumas referências a bens ou recursos de origem pública”. De
qualquer forma, a possibilidade de cessão de bens não é, por si só, um
atributo caracterizador de determinada entidade como Oscip, já que às OS
também se aplica tal possibilidade.
e) ERRADA. A qualificação como Oscip é ato vinculado.
Gabarito: alternativa “a”

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17. (Cespe – TCU 2015) Com base na Portaria MPOG/MF/CGU 507/2011, julgue o
item subsecutivo: o instrumento jurídico previsto para transferência de recursos para
organizações sociais de interesse público denomina-se termo de parceria.
Comentário: Embora a denominação mais adequada fosse “organizações
da sociedade civil de interesse público (OSCIP)”, o item pode ser considerado
correto, pois está em conformidade com o art. 1º, §2º, inciso XXV da Portaria:
XXV - termo de parceria: instrumento jurídico previsto na Lei nº 9.790, de 23 de
março de 1999, para transferência de recursos para organizações sociais de
interesse público; e
Gabarito: Certo

18. (Cespe – TRE/GO 2015) Às organizações sociais é vedada a finalidade de


lucro, devendo ser suas atividades estatutárias dirigidas ao ensino, à pesquisa
científica, ao desenvolvimento tecnológico, à proteção e preservação do meio
ambiente, à cultura e à saúde.
Comentário: Uma entidade deve atender a três requisitos para poder ser
qualificada como organização social (Lei. 9.637/1998, art. 1º):
a) deve ter personalidade jurídica de direito privado;
b) não pode ter finalidade lucrativa;
c) deve atuar nas atividades de ensino, pesquisa científica,
desenvolvimento tecnológico, proteção e preservação do meio ambiente,
cultura ou saúde.
Assim, a questão está perfeita.
Gabarito: Certo

19. (Cespe – TRE/GO 2015) As organizações da sociedade civil de interesse


público são pessoas jurídicas de direito privado que firmam contrato de gestão com
o poder público, com a finalidade de firmar parceria entre as partes, objetivando o
fomento e a execução de atividades de interesse social, sem fins lucrativos.
Comentário: A formalização da parceria entre o poder público e as
entidades qualificadas como organizações da sociedade civil de interesse
público (OSCIP) ocorre por meio do termo de parceria (e não contrato de
gestão) instrumento destinado à formação de vínculo de cooperação entre as
partes, para o fomento e a execução das atividades de interesse público, sem
fins lucrativos (Lei 9.790/1999, art. 9º).
O contrato de gestão é utilizado para formalizar o vínculo com as
organizações sociais, e não com as OSCIP. Por isso, a questão está errada.
Gabarito: Errado

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20. (Cespe – TRE/GO 2015) Entidades paraestatais são pessoas jurídicas de
direito público ou privado que atuam ao lado do Estado, executando atividades de
interesse público, porém não privativos do ente estatal.
Comentário: As entidades paraestatais são pessoas jurídicas de direito
privado, sem fins lucrativos, instituídas por particulares – ou seja, não
integrantes da Administração Pública – que atuam em colaboração ou apoio ao
Estado na prestação de atividades de utilidade pública. Portanto, as entidades
paraestatais não são pessoas jurídicas de direito público, daí o erro.
Gabarito: Errado

21. (Cespe – MPU 2010) Considere que Pedro, imediatamente após o término de
seu mandato como dirigente de agência reguladora, tenha sido convidado a assumir
cargo gerencial em empresa do setor regulado pela agência onde cumprira o
mandato. Nessa situação, Pedro não poderá assumir imediatamente o novo cargo,
devendo cumprir quarentena.
Comentário: A Lei 9.986/2000, que dispõe sobre a gestão de recursos
humanos das agências reguladoras, estabelece a obrigatoriedade de
quarentena dos ex-dirigentes. Conforme a lei, o ex-dirigente fica impedido para
o exercício de atividades ou de prestar qualquer serviço no setor regulado pela
respectiva agência, por um período de quatro meses, contados da exoneração
ou do término do seu mandato.
Gabarito: Certo

22. (Cespe – MPU 2010) A agência reguladora não se sujeita a qualquer forma de
tutela dos ministérios, ao contrário do que ocorre com a agência executiva.
Comentário: Tanto as agências reguladoras (autarquias sob regime
especial) como as agências executivas (autarquias e fundações que celebram
contrato de gestão) se sujeitam à tutela dos Ministérios, embora em menor
grau, haja vista serem dotadas de instrumentos que lhes garantem maior
autonomia que as demais autarquias e fundações públicas.
Gabarito: Errado

23. (Cespe – MPU 2010) Os diretores de agência reguladora são indicados e


exonerados ad nutum pelo chefe do ministério a que a agência se vincula.
Comentários: Nos termos da Lei 9.986/2000, os diretores das agências
reguladoras são escolhidos pelo Presidente da República, sendo por ele
nomeados após a aprovação do Senado Federal. Portanto, o primeiro erro é
que os diretores não são indicados pelo chefe do Ministério, e sim pelo
Presidente da República. Outro erro é que o cargo de diretor de agência
reguladora não é de livre exoneração (ad nutum). Com efeito, os diretores

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Comentário: Durante o período de quarentena (4 meses), o ex-dirigente
fica, de fato, vinculado à agência, mas faz jus a remuneração compensatória
equivalente à do cargo de direção que exerceu e aos benefícios a ele inerentes,
e não a cargo imediatamente inferior, como diz erroneamente o quesito
(Lei 9.986/2000, art. 8º, §2º).
Gabarito: Errado

28. (Cespe – TRT1 2010) Assinale a opção correta no que se refere às agências
reguladoras e às executivas.
a) Mandato fixo e estabilidade para os dirigentes, que somente perderão o mandato
em caso de renúncia, de condenação judicial transitada em julgado ou de processo
disciplinar, são traços específicos das agências reguladoras.
b) As agências executivas, assim como as reguladoras, têm a função precípua de
exercer controle sobre particulares prestadores de serviços públicos, mas destas se
diferenciam porque têm, também, por encargo a execução efetiva de determinadas
atividades administrativas típicas de Estado.
c) O regime jurídico dos trabalhadores das agências reguladoras é o de emprego
público, regulado pela CLT.
d) A qualificação como agência executiva de autarquia ou fundação que tenha
celebrado contrato de gestão com o ministério supervisor somente pode ser
efetivada por lei de iniciativa do presidente da República.
e) A agência executiva, como autarquia de regime especial, deve ser instituída por
ato normativo do chefe do Poder Executivo. Nesse ato, devem ser definidas a
organização, as competências e a função controladora que a agência exercerá
sobre os particulares prestadores de serviços públicos.
Comentários: Vamos analisar cada alternativa:
a) CERTA. A estabilidade dos dirigentes no cargo é uma das formas de se
garantir a autonomia das agências reguladoras. Estando eles imunes a
eventuais pressões de uma autoridade superior que lhes possa tirar o cargo,
espera-se que desempenhem suas atribuições com maior independência. Nos
termos do art. 6º da Lei 9.986/2000, “o mandato dos Conselheiros e dos
Diretores terá o prazo fixado na lei de criação de cada Agência” e “somente
perderão o mandato em caso de renúncia, de condenação judicial transitada
em julgado ou de processo administrativo disciplinar”, podendo a lei de
criação da agência prever outras condições para a perda do mandato.
b) ERRADA. As agências executivas não têm como função precípua
exercer o controle sobre particulares prestadores de serviços públicos. Quem
faz isso são as agências reguladoras. As agências executivas, por sua vez,
como autarquias e fundações públicas que são, têm por encargo a execução

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efetiva de determinadas atividades administrativas típicas de Estado que, para
melhor desenvoltura, devem ser descentralizadas e executadas de forma
menos burocrática.
c) ERRADA. Os servidores das agências reguladoras são regidos pelo
regime estatutário, e não pela CLT, daí o erro.
Originariamente, o art. 1º da Lei 9.986/2000, que dispõe sobre a gestão de
recursos humanos das agências reguladoras, estabeleceu o regime celetista
(isto é, regime de emprego público) para as agências. Todavia, a eficácia deste
dispositivo foi suspensa em razão de medida liminar deferida pelo STF no bojo
da ADI 2310, na qual o Supremo considerou o regime de emprego público
incompatível com a atividade a ser desenvolvida pelo pessoal das agências
reguladoras. Essa ADI acabou por perder seu objeto com a promulgação da
Lei 10.871/2004, que dispõe sobre a criação de carreiras e organização de
cargos efetivos das autarquias especiais denominadas agências reguladoras,
cujo art. 6º prescreve que o regime jurídico do pessoal das agências é o
instituído pela Lei 8.112/1990, ou seja, o regime estatutário aplicável aos
servidores federais em geral, sendo esta a regra atualmente vigente.
d) ERRADA. A qualificação como agência executiva ocorre mediante
decreto, e não mediante lei.
e) ERRADA. É certo que a agência executiva, como autarquia de regime
especial, deve ser instituída por ato normativo do chefe do Poder Executivo.
Todavia, a agência executiva não tem como função precípua exercer controle
sobre particulares prestadores de serviços públicos. Tal papel cabe às
agências reguladoras, daí o erro.
Gabarito: alternativa “a”

29. (Cespe – BACEN 2013) Em relação às OSs, às OSCIPs e aos serviços sociais
autônomos, assinale a opção correta.
a) As organizações creditícias que tenham vinculação com o sistema financeiro
nacional podem receber a qualificação de OSCIP.
b) O poder público deverá outorgar o título de OSCIP às entidades que preencherem
os requisitos exigidos pela legislação de regência para o recebimento da
qualificação, em decisão de natureza vinculada.
c) A contratação de pessoal no âmbito dos serviços sociais autônomos deve ser feita
mediante a realização de concurso público.
d) Os serviços sociais autônomos, pessoas jurídicas de direito privado que executam
serviços de utilidade pública, não pertencem ao Estado, razão por que não se
submetem ao controle estatal ou à fiscalização pelo tribunal de contas.

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financeira (renda própria e liberdade de sua aplicação) e poder normativo
(regulamentação das matérias de sua competência)”.
Gabarito: alternativa “e”

31. (ESAF – MPOG 2010) Acerca da contratualização de resultados, pela


administração pública, é correto afirmar:
a) segundo alguns doutrinadores do Direito Administrativo, o Contrato de Gestão
não seria o termo adequado para a pactuação entre órgãos da administração direta.
b) como área temática, a contratualização de resultados tem por objetivo maior a
redução das amarras burocráticas impostas à administração direta.
c) o Contrato de Gestão, quando firmado com OSCIPs, prescinde do
estabelecimento de padrões de desempenho.
d) a contratualização de resultados nada mais é que um dos processos de
terceirização preconizados pelo Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado, de
1995.
e) o Termo de Parceria, quando firmado com Organizações Sociais, obriga ao
estabelecimento de padrões de desempenho.
Comentários: Vamos analisar cada alternativa:
a) CERTA. Analisando o contrato de gestão previsto no art. 37, §8º da CF,
Maria Sylvia Di Pietro afirma que dificilmente estarão presentes as
características típicas de um contrato quando a celebração se dá entre órgãos
da administração direta, haja vista não serem dotados de personalidade
jurídica, sendo a sua atuação imputada à pessoa jurídica em que estão
integrados. Tais contratos, ao fim e ao cabo, seriam firmados entre integrantes
da mesma pessoa jurídica. Para a autora, não há, evidentemente,
contraposição de interesses entre as partes contratantes, razão pela qual,
conclui que, nesses casos, a natureza jurídica do instituto seria a de um
“termo de compromisso” assumido pelo dirigente do órgão. Mesmo no caso
dos contratos de gestão firmados entre o Poder Público e entidades da
administração indireta seria difícil reconhecer ao ajuste natureza jurídica
contratual. Segundo a doutrinadora, não pode haver, entre a administração
direta e a administração indireta, interesses opostos e contraditórios, uma das
características presentes nos contratos em geral. Nesse caso, tais contratos
se assemelhariam muito mais a “convênios”.
b) ERRADA. No bojo da Reforma do Estado, a contratualização de
resultados dirige-se principalmente à Administração Indireta, com o objetivo
de reduzir as amarras burocráticas criadas com a Constituição de 1988.
c) ERRADA. O contrato de gestão costuma ser firmado com as
organizações sociais. As OSCIP celebram termos de parceria. Ademais, o

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contrato de gestão não prescinde do estabelecimento de padrões de
desempenho, pois é firmado justamente com esse fim (estabelecer metas e
padrões de desempenho).
d) ERRADA. A contratualização de resultados é uma ferramenta que tem
como foco definir metas e resultados a priori em troca da concessão de
algumas flexibilidades de gestão, que facilitaria o atingimento das metas
acordadas. Ela pode envolver, inclusive, a prestação de serviços finalísticos,
como quando é feita mediante contratos de gestão com órgãos e entidades
administrativas. Portanto, tem um escopo mais abrangente que a terceirização,
que é a contratação pelo Estado de particulares para o desempenho de
atividades não finalísticas.
e) ERRADA. Os termos de parceria são firmados com Organizações da
Sociedade Civil de Interesse Público, e não com Organizações Sociais.
Gabarito: alternativa “a”

32. (ESAF – MPOG 2009) Com relação às Agências Reguladoras no Brasil,


indique a opção incorreta.
a) Após a instituição do Programa de Desestatização, em 1997, foram criadas a
Agência Nacional de Telecomunicações, a Agência Nacional do Petróleo e a
Agência Nacional de Energia Elétrica, todas elas para a regulamentação e controle
de atividades até então exercidas pelo Estado como monopólio.
b) A função das agências reguladoras é ditar as normas de condução entre os
agentes envolvidos: o Poder Público, o prestador de serviços e os usuários.
c) A agência reguladora é uma pessoa jurídica de direito público interno, geralmente
constituída sob a forma de autarquia especial ou outro ente da administração
indireta.
d) As agências reguladoras são dotadas de autonomia política, financeira, normativa
e de gestão.
e) As agências reguladoras não estão sujeitas às normas gerais de licitação.
Comentários: Vamos analisar cada alternativa:
a) CERTA. Todas essas agências foram criadas para a regulamentação e
controle de atividades até então exercidas pelo Estado em regime de
monopólio. Com efeito, a ANP (Agência Nacional do Petróleo) foi criada pela
Lei 9.478/1997 para regular e fiscalizar a exploração do petróleo, atividade
antes exercida exclusivamente pela Petrobrás e agora podendo ser exercida
também por outras empresas, mediante concessão ou autorização, nos termos
do art. 177 da Constituição Federal. Já a ANATEL (Agência Nacional de
Telecomunicações) foi criada pela Lei 9.472/1997 para regular e fiscalizar o
setor de telecomunicações; e a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica)

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celebração de contrato de gestão entre o Poder Público e a entidade
qualificada como organização social (art. 5º).
O contrato de gestão discriminará as atribuições, responsabilidades e
obrigações do Poder Público e da organização social (art. 6º). Além disso,
especificará o programa de trabalho proposto pela organização social, a
estipulação das metas a serem atingidas e os respectivos prazos de execução,
bem como previsão expressa dos critérios objetivos de avaliação de
desempenho a serem utilizados, mediante indicadores de qualidade e
produtividade (art. 7º). Para o cumprimento do contrato de gestão o Poder
Público poderá destinar recursos orçamentários e bens públicos, bem como
ceder servidores às organizações sociais (art. 12 e 14).
Gabarito: alternativa “c”

36. (Cespe – MPE/AC 2014) Em relação às entidades que compõem a


administração indireta, assinale a opção correta.
a) O consórcio público, criado por dois ou mais entes federativos para a gestão
associada de serviços públicos, com personalidade jurídica de direito público é
denominado associação pública com natureza jurídica de fundação de direito
privado.
b) Segundo o TCU, os integrantes dos chamados serviços sociais autônomos,
embora sejam pessoas jurídicas de direito privado e não pertençam ao Estado, são
regidos pelos princípios da administração pública.
c) Por terem personalidade jurídica de direito privado, as sociedades de economia
mista submetem-se ao regime de recuperação judicial e de falência previsto para as
sociedades empresárias.
d) Para a criação de autarquias, basta a edição de lei autorizativa específica, não
estando sua existência condicionada à necessidade de posterior registro de seus
atos constitutivos.
e) Por serem pessoas jurídicas, todas essas entidades devem registrar no cartório
competente os atos que as constituam.
Comentários: Vamos analisar cada alternativa:
a) ERRADA. O consórcio público com personalidade jurídica de direito
público integrará a Administração Indireta de todos os entes consorciados. A
doutrina diverge sobre se o consórcio público de direito público seria uma
espécie de autarquia (autarquia interfederativa) ou uma nova categoria de
entidade. Porém, indubitavelmente, não será uma fundação de direito privado,
daí o erro.
b) CERTO. Segundo o TCU, os serviços sociais autônomos, por
arrecadarem e gerirem recursos públicos (contribuições parafiscais), são

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regidos pelos princípios da administração pública; devem realizar processo
seletivo para contratação de pessoal (celetista), com impessoalidade, ampla
publicidade e critérios objetivos de seleção; e promover licitações para
celebração de contratos, neste caso, por meio de regulamento próprio,
observados os preceitos da Lei 8.666/1993.
c) ERRADA. Segundo a Lei 11.101/2005, as sociedades de economia mista
e as empresas públicas não se sujeitam ao processo falimentar aplicável às
sociedades empresárias do setor privado em geral.
d) ERRADA. As autarquias, pessoas jurídicas de direito público, são
criadas diretamente pela lei específica. A necessidade de lei autorizativa, com
posterior registro do ato constitutivo, recai apenas sobre as entidades
administrativas de direito privado (EP, SEM e fundações públicas de direito
privado).
e) ERRADA. O registro dos atos constitutivos é necessário apenas para
as entidades de direito privado. Apenas com o registro é que tais entidades
passam a ter personalidade jurídica. Ao contrário, as entidades de direito
público já adquirem personalidade jurídica com a vigência da própria lei
criadora.
Gabarito: alternativa “b”

37. (Cespe – TRF2 2013) No que concerne a organizações sociais e a OSCIPs,


assinale a opção correta.
a) Os responsáveis pela fiscalização do termo de parceria, ao tomarem
conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade na utilização de recursos ou
bens da organização parceira, deverão dar imediata ciência ao tribunal de contas
respectivo e ao MP, sob pena de responsabilidade solidária.
b) Segundo o STF, é juridicamente aceitável a celebração de termo de parceria entre
o poder público e OSCIP, sendo possível, inclusive, a utilização desse expediente
para a contratação de prestadores de serviço terceirizados para o exercício de
funções próprias da atividade-fim da entidade pública.
c) Às organizações sociais poderão ser destinados bens públicos, sendo dispensada
licitação, mediante permissão de uso, consoante cláusula expressa de contrato de
gestão celebrado com o poder público.
d) Segundo o STF, as organizações sociais, como entes de cooperação, dispõem
dos benefícios processuais inerentes à fazenda pública, tendo em vista a relevância
da sua atividade, que visa o interesse público.
e) Por expressa disposição legal, doações poderão realizadas por OSCIP a partidos
políticos ou candidatos a mandatos eletivos; entretanto, tais doações devem,
necessariamente, ser incluídas na prestação de contas da doadora e, ao final de

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c) O Estado tem responsabilidade administrativa direta pelos atos praticados pelas
autarquias.
d) As ações das empresas estatais de economia mista não podem ser
comercializadas em bolsa de valores, ainda que possuam acionistas privados.
e) As agências reguladoras são consideradas autarquias.
Comentários: Vamos analisar cada alternativa:
a) ERRADA. É certo que as fundações são criadas para atender finalidade
específica, de interesse social, sem fins lucrativos, como saúde, cultura e
educação; contudo, consistem em agregação de um “patrimônio”, e não de
pessoas, daí o erro.
b) ERRADA. A abordagem que defende a não ingerência do Estado na
economia é a favor da diminuição dessa ingerência, e não da sua completa
extinção. Ademais, existem atividades que são exclusivas de Estado e,
portanto, impossíveis de serem delegadas a particulares, como é o caso da
função regulatória, atualmente exercidas por autarquias, entidades da
administração indireta.
c) ERRADA. As autarquias possuem personalidade jurídica própria;
portanto, respondem diretamente por seus atos. Pode acontecer de,
excepcionalmente, a Administração Direta (o Estado) responder
subsidiariamente por eventuais dívidas das autarquias, mas não de forma
direta, como afirma o quesito.
d) ERRADA. Não existe vedação desse tipo. Veja-se, por exemplo, o
Banco do Brasil e a Petrobras, sociedades de economia mista com ações
negociadas em bolsa de valores.
e) CERTA. No Brasil, as agências reguladoras têm sido criadas sob a
forma de autarquia de regime especial. A razão é conferir maior autonomia e
independência em relação à Administração Direta, a fim de que desempenhem
suas funções de maneira estritamente técnica, com o mínimo de interferência
política.
Gabarito: alternativa “e”

42. (Cespe – PRF 2012) As organizações sociais não estão compreendidas no rol
das entidades que constituem a administração pública indireta.
Comentário: O quesito está correto. As organizações sociais, assim como
as OSCIP, os serviços sociais autônomos e as fundações de apoio, são
entidades paraestatais, ou seja, são entidades que colaboram com o Estado,
mas se colocam “ao lado” dele, e não “dentro” dele. Desse modo, não
integram a Administração Pública formal, direta ou indireta.
Gabarito: Certo

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43. (Cespe – MPU 2010) O Serviço Nacional do Comércio (SENAC), como serviço
social autônomo sem fins lucrativos, é exemplo de empresa pública que
desempenha atividade de caráter econômico ou de prestação de serviços públicos.
Comentário: O SENAC, como serviço social autônomo sem fins lucrativos
é uma entidade paraestatal, integrante do terceiro setor, portanto, não
pertencente à Administração Pública formal.
Gabarito: Errado

44. (Cespe – SUFRAMA 2014) As agências reguladoras, por atuarem na


regulação do mercado, são consideradas entidades paraestatais que atuam em
colaboração com o Estado.
Comentário: O quesito está errado. As agências reguladoras geralmente
são instituídas como autarquias de regime especial. Portanto, são entidades
administrativas integrantes da Administração Indireta. Ao contrário, as
entidades paraestatais são entidades privadas, sem fins lucrativos, que atuam
“ao lado” do Estado, recebendo fomento público para o desenvolvimento de
atividades de interesse público, mas sem pertencer à Administração Pública
formal, direta ou indireta.
Gabarito: Errado

45. (Cespe – AGU 2013) Para a qualificação de uma autarquia como agência
reguladora é essencial a presença do nome “agência” em sua denominação, a
exemplo da Agência Brasileira de Inteligência e da Agência Brasileira de
Desenvolvimento Industrial.
Comentário: O quesito está errado. Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo
ensinam que o termo “agências reguladoras”, utilizado pelo legislador
brasileiro para designar a atual geração de entidades especificamente criadas
para exercer a regulação de atividades econômicas em sentido amplo, foi
importado do direito norte-americano, onde existem as denominadas agencies.
Todavia, não há obrigatoriedade de que a entidade ou órgão criado para
exercer função regulatória seja chamado de “agência”. Tome-se, como
exemplo, o Banco Central do Brasil, autarquia responsável pela regulação do
sistema financeiro nacional, cujo nome não contém a palavra “agência”.
O seguinte trecho do item: “Para a qualificação de uma autarquia como
agência reguladora (...)” dá a ideia de que uma autarquia preexistente pode ser
“qualificada” como agência reguladora, a exemplo das agências executivas.
Não é isso que ocorre, eis que as agências reguladoras já nascem com essa
denominação, conferida pela própria lei que as criou.
O quesito também erra ao afirmar que a Agência Brasileira de Inteligência
(ABIN) e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) são

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autarquias. Na verdade, a ABIN é órgão da Administração Direta, ligado à
Presidência da República; já a ABDI é um serviço social autônomo, integrante
do “Sistema S”, ou seja, uma entidade não integrante da estrutura formal do
Estado.
Gabarito: Errado

46. (Cespe – PC/BA 2013) As agências reguladoras detêm o poder de definir suas
próprias políticas públicas e executá-las nos diversos setores regulados.
Comentário: O quesito está errado. As políticas públicas relativas ao
setor regulado pelas agências são definidas pelos órgãos estratégicos do
Estado, e não pelas agências. Cabe às agências, no âmbito de suas atribuições
de regulação, velar para que os objetivos dessas políticas sejam atingidos.
Gabarito: Errado

47. (Cespe – MPU 2013) Para exercer a disciplina e o controle administrativo


sobre os atos e contratos relativos à prestação de serviço público específico, a União
pode criar, mediante lei federal, uma agência reguladora, pessoa jurídica de direito
público cujos dirigentes exercem mandatos fixos, somente podendo perdê-los em
caso de renúncia, condenação transitada em julgado ou processo administrativo
disciplinar, entre outras hipóteses fixadas na lei instituidora da entidade.
Comentário: O quesito está correto. Uma vez que as agências reguladoras
têm sido constituídas sob a forma de autarquia, devem ser criadas mediante lei
específica, quando então passam a ter personalidade jurídica de direito
público, com todas as prerrogativas inerentes, como a possibilidade de
exercer o poder de polícia e de aplicar sanções. Quanto ao mandato fixo dos
dirigentes, é uma forma de assegurar a independência da agência em relação
ao Ministério supervisor, a fim de que sua atuação não seja influenciada por
pressões políticas. Detalhe é que, em regra, os dirigentes só podem perder o
cargo em caso de renúncia, condenação transitada em julgado ou processo
administrativo disciplinar. Porém, a lei instituidora de cada agência pode fixar
outras possibilidades.
Gabarito: Certo
*****
Por hoje é só pessoal!

Bons estudos!

Erick Alves

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Direito Administrativo para TCE-PE
Auditor das Contas Públicas
Teoria e exercícios comentados
Prof. Erick Alves Aula 03
RESUMÃO DA AULA
ENTIDADES PARAESTATAIS E TERCEIRO SETOR

 Terceiro Setor: entidades privadas, sem fins lucrativos.


- Primeiro setor: Estado
- Segundo setor: mercado, ou seja, setor privado empresarial, com fins lucrativos.

 Entidades privadas, ou seja, são instituídas por particulares;


 Desempenham serviços não exclusivos do Estado, porém em colaboração com ele;
 Recebem algum tipo de incentivo do Poder Público (fomento);
 Sujeitam-se ao controle da Administração Pública e do Tribunal de Contas.
Entidades  Regime jurídico de direito privado, parcialmente derrogado pelo direito público;
paraestatais
 Não fazem parte da Administração Indireta;
 Integram do terceiro setor.
 Ex: serviços sociais autônomos, OS e OSCIP

SERVIÇOS SOCIAIS AUTÔNOMOS:


 Criação autorizada por lei, efetuada por entidades representativas de categorias econômicas.
 Objeto: aprendizado profissionalizante e prestação de serviços assistenciais, que beneficiam determinados
grupamentos sociais ou profissionais.
 Arrecadam contribuições parafiscais (consideradas recursos públicos), que independem de contraprestação
direta em favor do contribuinte.
 Sujeitam-se à supervisão Ministerial e ao controle do Tribunal de Contas.
 Licitações: não se submetem à Lei de Licitações, mas apenas aos princípios da Administração Pública; podem
editar regulamentos próprios (para procedimentos), desde que não inovem na ordem jurídica (ex: prevendo
novas hipóteses de dispensa e inexigibilidade).

ORGANIZAÇÕES SOCIAIS:
 Pessoa privada, não integrante da Administração Pública, que recebe uma qualificação do Poder Público.
 Atua nas áreas de ensino, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, proteção e preservação do
meio ambiente, cultura e saúde.
 Foram idealizadas para substituir órgãos e entidades da Administração Pública, que seriam extintos e teriam
suas O“ publicização).
 Formalizam parceria com o Poder Público mediante CONTRATO DE GESTÃO CF
 Qualificação é ato discricionário, dependendo de aprovação do Ministério supervisor.
 A lei exige que a OS possua um Conselho de Administração, do qual participem representantes do Poder
Público; não exige que a OS tenha Conselho Fiscal.
 Podem receber do Estado (fomento): recursos orçamentários; bens públicos; cessão de servidor.
 Contratações com recursos públicos:
 Podem observar regulamentos próprios, conduzindo os certames de forma pública, objetiva e impessoal,
com observância aos princípios da Administração Pública;
 É hipótese de licitação dispensável a contratação de OS pelo Poder Público, para o desempenho de
atividades contempladas no contrato de gestão.
 A desqualificação como OS pode ser feita pelo Poder Executivo, em processo administrativo, assegurado o
contraditório e a ampla defesa.

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Prof. Erick Alves Aula 03
JURISPRUDÊNCIA DA AULA

STF – RE 635.682/RJ (25/4/2013)

Ementa

Recurso extraordinário. 2. Tributário. 3. Contribuição para o SEBRAE.


Desnecessidade de lei complementar. 4. Contribuição para o SEBRAE. Tributo
destinado a viabilizar a promoção do desenvolvimento das micro e pequenas
empresas. Natureza jurídica: contribuição de intervenção no domínio
econômico. 5. Desnecessidade de instituição por lei complementar.
Inexistência de vício formal na instituição da contribuição para o
SEBRAE mediante lei ordinária. 6. Intervenção no domínio econômico. É
válida a cobrança do tributo independentemente de contraprestação
direta em favor do contribuinte. 7. Recurso extraordinário não provido. 8.
Acórdão recorrido mantido quanto aos honorários fixados.
STJ – Súmula 499 (2013)
As empresas prestadoras de serviços estão sujeitas às contribuições ao Sesc
e Senac, salvo se integradas noutro serviço social.
STF – Súmula 516
O Serviço Social da Indústria (SESI) está sujeito à jurisdição da Justiça Estadual.
TCU – Acórdão 526/2013-Plenário (13/3/2013)
"A jurisprudência deste Tribunal pacificou o entendimento de que as entidades
do Sistema S não estão obrigadas a seguir estritamente os termos do
Estatuto de Licitações (Lei n. 8.666/1993), todavia obrigam-se aos seus
regulamentos próprios devidamente publicados, os quais devem se pautar nos
princípios gerais do processo licitatório e nos princípios relativos à
Administração Pública, em especial os da legalidade, moralidade,
impessoalidade, isonomia e publicidade, constantes do art. 37, caput, da
Constituição Federal."
TCU – Informativo de Licitações e Contratos 159/2013

Enunciado:

3. As entidades do Sistema S não podem inovar na ordem jurídica, por


meio de seus regulamentos próprios, instituindo novas hipóteses de
dispensa e de inexigibilidade de licitação, haja vista que a matéria deve ser
disciplinada por norma geral, de competência privativa da União.
Texto:

Auditoria com o objetivo de analisar processos licitatórios e contratos de


aquisição de bens e prestação de serviços na Agência Brasileira de Promoção de
Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) decorrente de Solicitação do
Congresso Nacional para que o TCU realizasse auditoria nas despesas das

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entidades do Sistema S apontou, dentre outras falhas, a existência, no
Regulamento de Licitações e Contratos da entidade, de hipótese de dispensa de
licitação "para a participação em feiras, exposições, congressos, seminários e
eventos em geral, relacionados à atividade-fim". Sobre o assunto, anotou o
relator que "não obstante o fato de os serviços sociais autônomos não se
sujeitarem aos ditames da Lei n. 8.666/1993, devem seus regulamentos próprios
atender aos princípios básicos que regem a Administração Pública, dispostos no
art. 37 da Constituição Federal, em especial os da impessoalidade, da moralidade
e da igualdade". Relembrou voto revisor vitorioso na prolação do Acórdão
2790/2013 - Segunda Câmara, oportunidade em que ficou assente que "embora
não se exija a plena submissão dos entes integrantes do Sistema S à Lei
n. 8.666/1993, eles não detêm competência para legislar sobre este
assunto, por se tratar de matéria de lei ordinária (reserva legal segundo
a vontade do legislador constituinte), de competência privativa da União,
consoante o art. 22, XXVII, da Lei Maior". Nesse passo, caracterizada a
ilegalidade da inovação normativa, o relator perfilou a proposta da unidade
instrutiva no sentido de se determinar à Apex-Brasil alteração em seu
regulamento próprio de licitações e contratos. O Tribunal, ao acolher a proposta
do relator, determinou à entidade que "promova a devida alteração no
Regulamento de Licitações e de Contratos, aprovado pela Resolução/Apex-Brasil
n. 07/2011, de 25/10/2011, no que concerne ao permissivo constante do inciso
XVIII do art. 9º, para adequá-lo aos princípios constitucionais da impessoalidade,
da moralidade e da igualdade, ínsitos no art. 37, caput, e inciso XXI, da
Constituição Federal/1988". Acórdão 1785/2013-Plenário, TC 005.708/2013-3,
relator Ministro-Substituto Marcos Bemquerer Costa, 10.7.2013.
STF – RE 789.874 (17/9/2014)
Notícias STF

Entidade do "Sistema S" não está obrigada a realizar concurso


Por unanimidade, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta
quarta-feira (17) que o Serviço Social do Transporte (Sest) não está obrigado a
realizar concurso público para a contratação de pessoal. O relator do Recurso
Extraordinário (RE) 789874, ministro Teori Zavascki, sustentou que as entidades
que compõem os serviços sociais autônomos, por possuírem natureza jurídica de
direito privado e não integrarem a administração indireta, não estão sujeitas à
regra prevista no artigo 37, inciso II da Constituição Federal, mesmo que
desempenhem atividades de interesse público em cooperação com o Estado. O
recurso teve repercussão geral reconhecida e a decisão do STF vai impactar pelo
menos 57 processos com o mesmo tema que estão sobrestados (suspensos).
[...]

O ministro observou que as entidades do Sistema S são patrocinadas por


recursos recolhidos do setor produtivo beneficiado, tendo recebido inegável

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autonomia administrativa e, embora se submetam à fiscalização do Tribunal de
Contas da União (TCU), ela se limita formalmente apenas ao controle finalístico
da aplicação dos recursos recebidos. Argumentou, ainda, que essas entidades
dedicam-se a atividades privadas de interesse coletivo, atuam em regime de
colaboração com o poder público, possuem patrimônio e receitas próprias e têm
prerrogativa de autogestão de seus recursos, inclusive na elaboração de
orçamentos.
O relator destacou que as entidades do Sistema S não podem ser confundidas ou
equiparadas com outras criadas a partir da Constituição de 1988, como a
Associação das Pioneiras Sociais – responsável pela manutenção dos hospitais da
Rede Sarah –, a Agência de Promoção de Exportações do Brasil e da Agência
Brasileira de Desenvolvimento Industrial. Ele ressaltou que essas novas
entidades foram criadas pelo poder Executivo e, além de não se destinarem à
prestação de serviços sociais ou de formação profissional, são financiadas
majoritariamente por dotação orçamentárias consignadas no Orçamento da
União e estão obrigadas a gerir seus recursos de acordo com contrato de gestão
com termos definidos pelo Executivo.
No entendimento do ministro, apesar de criado após a Constituição de 1988, a
natureza das atividades desenvolvidas, a forma de financiamento e o regime de
controle a que se sujeita o Sest permite enquadrar essa entidade no conceito
original, serviço social autônomo, vinculado e financiado por um determinado
segmento produtivo. Assinalou ainda que a jurisprudência do STF sempre fez a
distinção entre os entes do serviço social autônomo e as entidades da
administração pública e citou, entre outros precedentes, a Ação Direta de
Inconstitucionalidade (ADI) 1864, em que o Tribunal decidiu que a obrigação de
obediência a procedimentos licitatórios pela administração pública não se
estende às entidades privadas que atuam em colaboração com o Estado.
“Estabelecido que o Sest, assim como as demais entidades do Sistema S, tem
natureza privada e não integra a administração pública, direta ou indireta, não se
aplica a ele o inciso II do artigo 37 da Constituição”, concluiu o ministro.

TRF5 – Ap. Cível 342.739 (7/12/2004)


CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL
PÚBLICA. NOMEAÇÃO DE MEMBROS DO CONSELHO CONSULTIVO DA ANATEL.
CABIMENTO. ILEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO. DISCRICIONARIEDADE.
APRECIAÇÃO PELO PODER JUDICIÁRIO. POSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO.
ILEGALIDADE DA NOMEAÇÃO. ART. 34 DA LEI Nº 9.472/97. ART. 37 DO
DECRETO Nº 2.338/97. REPRESENTANTES DA SOCIEDADE E DOS USUÁRIOS.
NULIDADE DOS ATOS DE DESIGNAÇÃO. AFASTAMENTO. MANUTENÇÃO DA
SENTENÇA.

1. Ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal a fim de que seja
declarado nulo ato de designação dos apelantes para integrar o Conselho

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Consultivo da ANATEL na qualidade de representantes dos usuários e da
sociedade, haja vista os cargos ocupados por eles, Presidência da Tele
Norte Leste Participações S/A e da TELEMAR Norte Leste S/A e
Presidência da TELEBRASIL.

2. Preliminar de impossibilidade jurídica do pedido afastada, tendo em conta a


possibilidade de controle juridicial dos atos administrativos discricionários.
3. Todos os elementos dos atos administrativos, inclusive os discricionários são
passíveis de revisão pelo Judiciário, para fins de avaliação de observância aos
princípios constitucionais da Administração Pública explícitos e implícitos e de
respeito aos direitos fundamentais.

4. Em face do inciso XXXV do art. 5º da CF, o qual proíbe seja excluída da


apreciação judicial a lesão ou ameaça de lesão a direito, o Judiciário pode
examinar todos os atos da Administração Pública, sejam gerais ou individuais,
unilaterais ou bilaterais, vinculados ou discricionários sob o aspecto da legalidade
e da moralidade, nos termos dos arts. 5º, inciso LXXIII e 37 da Carta Magna.
5. A competência discricionária da Administração "é relativa no sentido de que,
em todo e qualquer caso, o administrador estará sempre cingido - não importa
se mais ou menos estritamente - ao que haja sido disposto em lei, já que
discrição supõe comportamento 'intra legem' e não 'extra legem'. Neste sentido
pode-se dizer que o administrador se encontra sempre e sempre 'vinculado' aos
ditames legais".
6. "A necessidade de autonomia no desempenho de funções regulatórias não
pode imunizar a agência reguladora de submeter-se à sistemática constitucional.
A fiscalização não elimina a autonomia, mas assegura à sociedade que os órgãos
titulares de poder político não atuaram sem limites, perdendo de vista a razão de
sua instituição, consistente na realização do bem comum. Esse controle deverá
recair não apenas sobre a nomeação e demissão dos administradores das
agências, mas também sobre o desempenho de suas atribuições".
7. "Na dicção sempre oportuna de Celso Antônio Bandeira de Mello, mesmo nos
atos discricionários não há margem para que a administração atue com excessos
ou desvios ao decidir, competindo ao Judiciário a glosa cabível". STF, RE 131661
/ ES- Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO.

8. No caso concreto, é de se realçar que se pretende seja reconhecida a


ilegalidade da nomeação dos apelantes, como membros do Conselho Consultivo
da ANATEL, não se objetiva, destarte, que o Poder Judiciário se imiscua na
competência discricionária do Poder Executivo, tanto que a escolha, e isso não se
discute, é do Poder Executivo.

(...)
17. A nomeação dos apelantes como membros do Conselho Consultivo da
ANATEL, representa o que a doutrina estrangeira e alguns doutrinadores

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brasileiros tem denominado de captura da agência pelos interesses
regulados.
18. Ocorre a captura do ente regulador quando grandes grupos de interesses ou
empresas passam a influenciar as decisões e atuação do regulador, levando
assim a agência a atender mais aos interesses das empresas (de onde vieram
seus membros) do que os dos usuários do serviço, isto é, do que os interesses
públicos. "É a situação em que a agência se transforma em via de proteção e
benefício para setores empresarias regulados".

STF - AI 848.038/PE (7/2/2012)


Ementa
(...) É juridicamente aceitável a celebração de termo de parceria entre o
Poder Público e Organização da Sociedade Civil de Interesse Público -
OSCIP, mas torna-se incabível a utilização desse expediente, quando
contratados prestadores de serviços terceirizados para o exercício de
funções próprias da atividade fim da entidade pública. - Tal distorção mais
se agrava quando comprovado que auxiliar de enfermagem aprovada em
primeiro lugar no concurso para o cargo, não foi nomeada em detrimento de
terceirizada que no mesmo concurso galgara posição posterior ao décimo lugar.-
As contratações irregulares foram sobejamente identificadas nos autos e a
obrigação do poder público viabilizar a regularização dessa situação é confirmada
também pelas diversas manifestações do MPF. - Remessa oficial e apelação
improvidas.” 4. Agravo regimental DESPROVIDO.
STF – AI 349.477/PR (11/2/2003)
Ementa
APLICABILIDADE ESTRITA DA PRERROGATIVA PROCESSUAL DO PRAZO
RECURSAL EM DOBRO (CPC, ART. 188) - PARANAPREVIDÊNCIA - ENTIDADE
PARAESTATAL (ENTE DE COOPERAÇÃO) - INAPLICABILIDADE DO BENEFÍCIO
EXTRAORDINÁRIO DA AMPLIAÇÃO DO PRAZO RECURSAL - INTEMPESTIVIDADE -
RECURSO NÃO CONHECIDO. - As empresas governamentais (sociedades de
economia mista e empresas públicas) e os entes de cooperação (serviços
sociais autônomos e organizações sociais) qualificam-se como pessoas
jurídicas de direito privado e, nessa condição, não dispõem dos
benefícios processuais inerentes à Fazenda Pública (União, Estados-
membros, Distrito Federal, Municípios e respectivas autarquias), notadamente da
prerrogativa excepcional da ampliação dos prazos recursais (CPC, art. 188).
Precedentes.

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TCU - Acórdão 3566/2014 Primeira Câmara

Convênio e Congêneres. Oscip. Qualificação.

É irregular a celebração de termos de parceria sem a comprovação da


qualificação técnica e da capacidade operacional das entidades parceiras
(organizações da sociedade civil de interesse público - Oscips).

TCU - Acórdão 3129/2014 Segunda Câmara


Convênio e Congêneres. Contrato de gestão. Controle.

• O controle da aplicação de recursos federais por meio de contratos de


gestão deve dar ênfase aos resultados. Porém, isso não exclui a análise dos
procedimentos empregados para a execução contratual, que deve ser tão flexível
quanto o permitido pelas circunstâncias, sem prejuízo de possibilitar a análise da
observância dos princípios sob os quais foi firmado o contrato – legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade, economicidade.
• Todas as despesas suportadas pelos recursos federais transferidos devem
corresponder a metas estabelecidas no contrato de gestão, uma vez que tais
recursos necessariamente destinam-se ao cumprimento do ajuste, de acordo
com o caput do art. 12 da Lei 9.637/98, e em respeito à necessária
transparência no emprego dos recursos, diretriz estabelecida no art. 20, inciso
III, da mesma lei. Isso não tira da organização social a discricionariedade em
relação à eleição dos meios adequados de alcance dos resultados acordados,
dado que não se trata de defini-los à sua revelia, mas de exigir que fique
explícito quais recursos se destinam a que resultados.
STF – ADI 1.923/DF (16/4/2015)
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONSTITUCIONAL.
ADMINISTRATATIVO. TERCEIRO SETOR. MARCO LEGAL DAS ORGANIZAÇÕES
SOCIAIS. LEI Nº 9.637/98 E NOVA REDAÇÃO, CONFERIDA PELA LEI Nº
9.648/98, AO ART. 24, XXIV, DA LEI Nº 8.666/93. MOLDURA CONSTITUCIONAL
DA INTERVENÇÃO DO ESTADO NO DOMÍNIO ECONÔMICO E SOCIAL. SERVIÇOS
PÚBLICOS SOCIAIS. SAÚDE (ART. 199, CAPUT), EDUCAÇÃO (ART. 209, CAPUT),
CULTURA (ART. 215), DESPORTO E LAZER (ART. 217), CIÊNCIA E TECNOLOGIA
(ART. 218) E MEIO AMBIENTE (ART. 225). ATIVIDADES CUJA TITULARIDADE É
COMPARTILHADA ENTRE O PODER PÚBLICO E A SOCIEDADE. DISCIPLINA DE
INSTRUMENTO DE COLABORAÇÃO PÚBLICOPRIVADA. INTERVENÇÃO INDIRETA.
ATIVIDADE DE FOMENTO PÚBLICO. INEXISTÊNCIA DE RENÚNCIA AOS DEVERES
ESTATAIS DE AGIR. MARGEM DE CONFORMAÇÃO CONSTITUCIONALMENTE
ATRIBUÍDA AOS AGENTES POLÍTICOS DEMOCRATICAMENTE ELEITOS.
PRINCÍPIOS DA CONSENSUALIDADE E DA PARTICIPAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE
VIOLAÇÃO AO ART. 175, CAPUT, DA CONSTITUIÇÃO. EXTINÇÃO PONTUAL DE
ENTIDADES PÚBLICAS QUE APENAS CONCRETIZA O NOVO MODELO.
INDIFERENÇA DO FATOR TEMPORAL. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO DEVER

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CONSTITUCIONAL DE LICITAÇÃO (CF, ART. 37, XXI). PROCEDIMENTO DE
QUALIFICAÇÃO QUE CONFIGURA HIPÓTESE DE CREDENCIAMENTO.
COMPETÊNCIA DISCRICIONÁRIA QUE DEVE SER SUBMETIDA AOS PRINCÍPIOS
CONSTITUCIONAIS DA PUBLICIDADE, MORALIDADE, EFICIÊNCIA E
IMPESSOALIDADE, À LUZ DE CRITERIOS OBJETIVOS (CF, ART. 37, CAPUT).
INEXISTÊNCIA 2 DE PERMISSIVO À ARBITRARIEDADE. CONTRATO DE GESTÃO.
NATUREZA DE CONVÊNIO. CELEBRAÇÃO NECSSARIAMENTE SUBMETIDA A
PROCEDIMENTO OBJETIVO E IMPESSOAL. CONSTITUCIONALIDADE DA
DISPENSA DE LICITAÇÃO INSTITUÍDA PELA NOVA REDAÇÃO DO ART. 24, XXIV,
DA LEI DE LICITAÇÕES E PELO ART. 12, §3º, DA LEI Nº 9.637/98. FUNÇÃO
REGULATÓRIA DA LICITAÇÃO. OBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS DA
IMPESSOALIDADE, DA PUBLICIDADE, DA EFICIÊNCIA E DA MOTIVAÇÃO.
IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE LICITAÇÃO PARA OS CONTRATOS
CELEBRADOS PELAS ORGANIZAÇÕES SOCIAIS COM TERCEIROS. OBSERVÂNCIA
DO NÚCLEO ESSENCIAL DOS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (CF,
ART. 37, CAPUT). REGULAMENTO PRÓPRIO PARA CONTRATAÇÕES.
INEXISTÊNCIA DE DEVER DE REALIZAÇÃO DE CONCURSO PÚBLICO PARA
CONTRATAÇÃO DE EMPREGADOS. INCIDÊNCIA DO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL
DA IMPESSOALIDADE, ATRAVÉS DE PROCEDIMENTO OBJETIVO. AUSÊNCIA DE
VIOLAÇÃO AOS DIREITOS CONSTITUCIONAIS DOS SERVIDORES PÚBLICOS
CEDIDOS. PRESERVAÇÃO DO REGIME REMUNERATÓRIO DA ORIGEM. AUSÊNCIA
DE SUBMISSÃO AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE PARA O PAGAMENTO DE
VERBAS, POR ENTIDADE PRIVADA, A SERVIDORES. INTERPRETAÇÃO DOS ARTS.
37, X, E 169, §1º, DA CONSTITUIÇÃO. CONTROLES PELO TRIBUNAL DE CONTAS
DA UNIÃO E PELO MINISTÉRIO PÚBLICO. PRESERVAÇÃO DO ÂMBITO
CONSTITUCIONALMENTE DE DEFINIDO PARA O EXERCÍCIO DO CONTROLE
EXTERNO (CF, ARTS. 70, 71, 74 E 127 E SEGUINTES). INTERFERÊNCIA ESTATAL
EM ASSOCIAÇÕES E FUNDAÇÕES PRIVADAS (CF, ART. 5º, XVII E XVIII).
CONDICIONAMENTO À ADESÃO VOLUNTÁRIA DA ENTIDADE PRIVADA.
INEXISTÊNCIA DE OFENSA À CONSTITUIÇÃO. AÇÃO DIRETA JULGADA
PARCIALMENTE PROCEDENTE PARA CONFERIR INTERPRETAÇÃO CONFORME AOS
DIPLOMAS IMPUGNADOS.

1. A atuação da Corte Constitucional não pode traduzir forma de engessamento e


de cristalização de um determinado modelo pré-concebido de Estado, impedindo
que, nos limites constitucionalmente assegurados, as maiorias políticas
prevalecentes no jogo democrático pluralista possam pôr em prática seus
projetos de governo, 3 moldando o perfil e o instrumental do poder público
conforme a vontade coletiva.
2. Os setores de saúde (CF, art. 199, caput), educação (CF, art. 209, caput),
cultura (CF, art. 215), desporto e lazer (CF, art. 217), ciência e tecnologia (CF,
art. 218) e meio ambiente (CF, art. 225) configuram serviços públicos sociais,
em relação aos quais a Constituição, ao mencionar que “são deveres do Estado e
da Sociedade” e que são “livres à iniciativa privada”, permite a atuação, por

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direito próprio, dos particulares, sem que para tanto seja necessária a delegação
pelo poder público, de forma que não incide, in casu, o art. 175, caput, da
Constituição.
3. A atuação do poder público no domínio econômico e social pode ser viabilizada
por intervenção direta ou indireta, disponibilizando utilidades materiais aos
beneficiários, no primeiro caso, ou fazendo uso, no segundo caso, de seu
instrumental jurídico para induzir que os particulares executem atividades de
interesses públicos através da regulação, com coercitividade, ou através do
fomento, pelo uso de incentivos e estímulos a comportamentos voluntários.
4. Em qualquer caso, o cumprimento efetivo dos deveres constitucionais de
atuação estará, invariavelmente, submetido ao que a doutrina contemporânea
denomina de controle da Administração Pública sob o ângulo do resultado (Diogo
de Figueiredo Moreira Neto).
5. O marco legal das Organizações Sociais inclina-se para a atividade de fomento
público no domínio dos serviços sociais, entendida tal atividade como a disciplina
não coercitiva da conduta dos particulares, cujo desempenho em atividades de
interesse público é estimulado por sanções premiais, em observância aos
princípios da consensualidade e da participação na Administração Pública.
6. A finalidade de fomento, in casu, é posta em prática pela cessão de recursos,
bens e pessoal da Administração Pública para as entidades privadas, após a
celebração de contrato de gestão, o que viabilizará o direcionamento, pelo Poder
Público, da atuação do particular em consonância com o interesse público,
através da inserção de metas e de resultados a serem alcançados, sem que isso
configure qualquer forma de renúncia aos deveres constitucionais de atuação.
7. Na essência, preside a execução deste programa de ação institucional a lógica,
que prevaleceu no jogo democrático, de que a atuação privada pode ser mais
eficiente do que a pública em determinados domínios, dada a agilidade e a
flexibilidade que marcam o regime de direito privado.
8. Os arts. 18 a 22 da Lei nº 9.637/98 apenas concentram a decisão política, que
poderia ser validamente feita no 4 futuro, de afastar a atuação de entidades
públicas através da intervenção direta para privilegiar a escolha pela busca dos
mesmos fins através da indução e do fomento de atores privados, razão pela
qual a extinção das entidades mencionadas nos dispositivos não afronta a
Constituição, dada a irrelevância do fator tempo na opção pelo modelo de
fomento – se simultaneamente ou após a edição da Lei.
9. O procedimento de qualificação de entidades, na sistemática da Lei,
consiste em etapa inicial e embrionária, pelo deferimento do título
jurídico de “organização social”, para que Poder Público e particular
colaborem na realização de um interesse comum, não se fazendo
presente a contraposição de interesses, com feição comutativa e com
intuito lucrativo, que consiste no núcleo conceitual da figura do contrato

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administrativo, o que torna inaplicável o dever constitucional de licitar
(CF, art. 37, XXI).
10. A atribuição de título jurídico de legitimação da entidade através da
qualificação configura hipótese de credenciamento, no qual não incide a licitação
pela própria natureza jurídica do ato, que não é contrato, e pela inexistência de
qualquer competição, já que todos os interessados podem alcançar o mesmo
objetivo, de modo includente, e não excludente.
11. A previsão de competência discricionária no art. 2º, II, da Lei nº 9.637/98 no
que pertine à qualificação tem de ser interpretada sob o influxo da principiologia
constitucional, em especial aos princípios da impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência (CF, art. 37, caput). É de se ter por vedada, assim,
qualquer forma de arbitrariedade, de modo que o indeferimento do requerimento
de qualificação, além de pautado pela publicidade, transparência e motivação,
deve observar critérios objetivos fixados em ato regulamentar expedido em
obediência ao art. 20 da Lei nº 9.637/98, concretizando de forma homogênea as
diretrizes contidas nos inc. I a III do dispositivo.
12. A figura do contrato de gestão configura hipótese de convênio, por
consubstanciar a conjugação de esforços com plena harmonia entre as posições
subjetivas, que buscam um negócio verdadeiramente associativo, e não
comutativo, para o atingimento de um objetivo comum aos interessados: a
realização de serviços de saúde, educação, cultura, desporto e lazer, meio
ambiente e ciência e tecnologia, razão pela qual se encontram fora do âmbito de
incidência do art. 37, XXI, da CF.
13. Diante, porém, de um cenário de escassez de bens, recursos e servidores
públicos, no qual o contrato de gestão firmado com uma entidade privada
termina por excluir, por conseqüência, a mesma pretensão veiculada 5 pelos
demais particulares em idêntica situação, todos almejando a posição subjetiva de
parceiro privado, impõe-se que o Poder Público conduza a celebração do
contrato de gestão por um procedimento público impessoal e pautado
por critérios objetivos, por força da incidência direta dos princípios
constitucionais da impessoalidade, da publicidade e da eficiência na
Administração Pública (CF, art. 37, caput).

14. As dispensas de licitação instituídas nos arts. 24, XXIV, da Lei nº 8.666/93 e
no art. 12, §3º, da Lei nº 9.637/98 têm a finalidade que a doutrina
contemporânea denomina de função regulatória da licitação, através da qual a
licitação passa a ser também vista como mecanismo de indução de determinadas
práticas sociais benéficas, fomentando a atuação de organizações sociais que já
ostentem, à época da contratação, o título de qualificação, e que por isso sejam
reconhecidamente colaboradoras do Poder Público no desempenho dos deveres
constitucionais no campo dos serviços sociais. O afastamento do certame
licitatório não exime, porém, o administrador público da observância dos
princípios constitucionais, de modo que a contratação direta deve

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observar critérios objetivos e impessoais, com publicidade de forma a
permitir o acesso a todos os interessados.
15. As organizações sociais, por integrarem o Terceiro Setor, não fazem
parte do conceito constitucional de Administração Pública, razão pela
qual não se submetem, em suas contratações com terceiros, ao dever de
licitar, o que consistiria em quebra da lógica de flexibilidade do setor
privado, finalidade por detrás de todo o marco regulatório instituído pela
Lei. Por receberem recursos públicos, bens públicos e servidores públicos,
porém, seu regime jurídico tem de ser minimamente informado pela incidência
do núcleo essencial dos princípios da Administração Pública (CF, art. 37, caput),
dentre os quais se destaca o princípio da impessoalidade, de modo que suas
contratações devem observar o disposto em regulamento próprio (Lei nº
9.637/98, art. 4º, VIII), fixando regras objetivas e impessoais para o dispêndio
de recursos públicos.
16. Os empregados das Organizações Sociais não são servidores
públicos, mas sim empregados privados, por isso que sua remuneração não
deve ter base em lei (CF, art. 37, X), mas nos contratos de trabalho firmados
consensualmente. Por identidade de razões, também não se aplica às
Organizações Sociais a exigência de concurso público (CF, art. 37, II), mas
a seleção de pessoal, da mesma forma como a contratação de obras e serviços,
deve ser posta em prática através de um procedimento objetivo e impessoal. 6
17. Inexiste violação aos direitos dos servidores públicos cedidos às organizações
sociais, na medida em que preservado o paradigma com o cargo de origem,
sendo desnecessária a previsão em lei para que verbas de natureza privada
sejam pagas pelas organizações sociais, sob pena de afronta à própria lógica de
eficiência e de flexibilidade que inspiraram a criação do novo modelo.

18. O âmbito constitucionalmente definido para o controle a ser exercido


pelo Tribunal de Contas da União (CF, art. 70, 71 e 74) e pelo Ministério
Público (CF, arts. 127 e seguintes) não é de qualquer forma restringido
pelo art. 4º, caput, da Lei nº 9.637/98, porquanto dirigido à estruturação
interna da organização social, e pelo art. 10 do mesmo diploma, na medida em
que trata apenas do dever de representação dos responsáveis pela fiscalização,
sem mitigar a atuação de ofício dos órgãos constitucionais.

19. A previsão de percentual de representantes do poder público no Conselho de


Administração das organizações sociais não encerra violação ao art. 5º, XVII e
XVIII, da Constituição Federal, uma vez que dependente, para concretizar-se, de
adesão voluntária das entidades privadas às regras do marco legal do Terceiro
Setor.
20. Ação direta de inconstitucionalidade cujo pedido é julgado parcialmente
procedente, para conferir interpretação conforme à Constituição à Lei nº
9.637/98 e ao art. 24, XXIV da Lei nº 8666/93, incluído pela Lei nº 9.648/98,

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para que: (i) o procedimento de qualificação seja conduzido de forma pública,
objetiva e impessoal, com observância dos princípios do caput do art. 37 da CF,
e de acordo com parâmetros fixados em abstrato segundo o que prega o art. 20
da Lei nº 9.637/98; (ii) a celebração do contrato de gestão seja conduzida de
forma pública, objetiva e impessoal, com observância dos princípios do caput do
art. 37 da CF; (iii) as hipóteses de dispensa de licitação para contratações (Lei nº
8.666/93, art. 24, XXIV) e outorga de permissão de uso de bem público (Lei nº
9.637/98, art. 12, §3º) sejam conduzidas de forma pública, objetiva e impessoal,
com observância dos princípios do caput do art. 37 da CF; (iv) os contratos a
serem celebrados pela Organização Social com terceiros, com recursos públicos,
sejam conduzidos de forma pública, objetiva e impessoal, com observância dos
princípios do caput do art. 37 da CF, e nos termos do regulamento próprio a ser
editado por cada entidade; (v) a seleção de pessoal pelas Organizações Sociais
seja conduzida de forma pública, objetiva e impessoal, com observância dos
princípios do caput do art. 37 da CF, e nos termos do regulamento próprio a ser
editado por cada entidade; e (vi) para afastar qualquer interpretação que 7
restrinja o controle, pelo Ministério Público e pelo TCU, da aplicação de verbas
públicas.
*****

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QUESTÕES COMENTADAS NA AULA

1. (Cespe – PC/BA 2013) Entidades paraestatais são pessoas jurídicas privadas que
colaboram com o Estado no desempenho de atividades não lucrativas, mas não integram a
estrutura da administração pública.

2. (ESAF – AFRFB 2005) Assinale entre o seguinte rol de entidades de cooperação com
o Poder Público, não-integrantes do rol de entidades descentralizadas, aquela que pode
resultar de extinção de entidade integrante da Administração Pública Indireta.
a) Organização social.
b) Fundação previdenciária.
c) Organização da sociedade civil de interesse público.
d) Entidade de apoio às universidades federais.
e) Serviço social autônomo.

3. (Cespe – TCDF 2012) Uma OSCIP que receba recursos financeiros oriundos de termo
de parceria com o governo do DF estará obrigada a seguir a Lei de Licitações da
administração pública para comprar com esses recursos.

4. (Cespe – AGU 2012) Para que sociedades comerciais e cooperativas obtenham a


qualificação de organizações da sociedade civil de interesse público, é preciso que elas não
possuam fins lucrativos e que tenham em seus objetivos sociais a finalidade de promoção
da assistência social.

5. (Cespe – MPTCE/PB 2014) As fundações de apoio às universidades públicas federais


integram a administração indireta.

6. (Cespe – AGU 2012) A qualificação de agência executiva federal é conferida,


mediante ato discricionário do presidente da República, a autarquia ou fundação que
apresente plano estratégico de reestruturação e de desenvolvimento institucional em
andamento e celebre contrato de gestão com o ministério supervisor respectivo.

7. (Cespe MPTCDF 2013) As agências reguladoras consistem em mecanismos que


ajustam o funcionamento da atividade econômica do país como um todo. Foram criadas,
assim, com a finalidade de ajustar, disciplinar e promover o funcionamento dos serviços
públicos, objeto de concessão, permissão e autorização, assegurando o funcionamento em
condições de excelência tanto para o fornecedor/produtor como principalmente para o
consumidor/usuário.

8. (Cespe – TCU – AUFC 2011) As agências reguladoras, no que se refere à concessão,


permissão e autorização de serviço público, não possuem a atribuição de definir o valor da
tarifa, por se tratar de matéria adstrita à atuação do próprio poder concedente.

9. (Cespe – TCU – AUFC 2011) As decisões definitivas das agências, em regra, não são
passíveis de apreciação por outros órgãos ou entidades da administração pública.

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10. (Cespe – MPU 2010) Considere que os representantes legais de uma empresa
distribuidora de energia elétrica estejam inconformados com decisão da Agência Nacional
de Energia Elétrica (ANEEL), reguladora do setor elétrico. Nessa situação, não cabe recurso
hierárquico da decisão da ANEEL, salvo quanto ao controle de legalidade.

11. (Cespe – ANATEL 2012) A ANATEL, por ser agência reguladora integrante da
administração indireta, exerce o poder regulamentar com maior vigor, podendo inovar na
ordem jurídica com a edição de atos normativos primários e regulamentos autônomos.

12. (ESAF – CGU 2006) Pelo sistema constitucional brasileiro, a categoria das agências
reguladoras apresentam competência de natureza:
a) legislativa e administrativa.
b) legislativa, administrativa e jurisdicional.
c) exclusivamente legislativa.
d) administrativa e jurisdicional.
e) exclusivamente administrativa.

13. (ESAF – STN 2013) A transferência da função normativa (sobre matérias


determinadas) da sede legislativa estatal para outra sede normativa denomina-se:
a) Remissão.
b) Delegação receptícia.
c) Reserva legal.
d) Deslegalização.
e) Desconcentração.

14. (Cespe – AGU 2012) As relações de trabalho nas agências reguladoras são regidas
pela CLT e pela legislação trabalhista correlata, em regime de emprego público.

15. (Cespe – SUFRAMA 2014) As agências reguladoras, por atuarem na regulação do


mercado, são consideradas entidades paraestatais que atuam em colaboração com o
Estado.

16. (Cespe – Auditor TCE PR 2016) Os atributos caracterizadores de determinada


entidade como OSCIP incluem a
A) presença facultativa de servidor na composição do conselho.
B) formalização por meio de contrato de gestão.
C) análise de qualificação por diversos órgãos públicos.
D) possibilidade de cessão de bens.
E) qualificação discricionária.

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17. (Cespe – TCU 2015) Com base na Portaria MPOG/MF/CGU 507/2011, julgue o item
subsecutivo: o instrumento jurídico previsto para transferência de recursos para
organizações sociais de interesse público denomina-se termo de parceria.

18. (Cespe – TRE/GO 2015) Às organizações sociais é vedada a finalidade de lucro,


devendo ser suas atividades estatutárias dirigidas ao ensino, à pesquisa científica, ao
desenvolvimento tecnológico, à proteção e preservação do meio ambiente, à cultura e à
saúde.

19. (Cespe – TRE/GO 2015) As organizações da sociedade civil de interesse público são
pessoas jurídicas de direito privado que firmam contrato de gestão com o poder público,
com a finalidade de firmar parceria entre as partes, objetivando o fomento e a execução de
atividades de interesse social, sem fins lucrativos.

20. (Cespe – TRE/GO 2015) Entidades paraestatais são pessoas jurídicas de direito
público ou privado que atuam ao lado do Estado, executando atividades de interesse
público, porém não privativos do ente estatal.

21. (Cespe – MPU 2010) Considere que Pedro, imediatamente após o término de seu
mandato como dirigente de agência reguladora, tenha sido convidado a assumir cargo
gerencial em empresa do setor regulado pela agência onde cumprira o mandato. Nessa
situação, Pedro não poderá assumir imediatamente o novo cargo, devendo cumprir
quarentena.

22. (Cespe – MPU 2010) A agência reguladora não se sujeita a qualquer forma de tutela
dos ministérios, ao contrário do que ocorre com a agência executiva.

23. (Cespe – MPU 2010) Os diretores de agência reguladora são indicados e exonerados
ad nutum pelo chefe do ministério a que a agência se vincula.

24. (Cespe – MPU 2010) Para se transformar em agência executiva, uma fundação deve
ter, em andamento, planos estratégicos de reestruturação e de desenvolvimento
institucional.

25. (Cespe – MPU 2010) A desqualificação de fundação como agência executiva é


realizada mediante decreto, por iniciativa do ministério supervisor.

26. (Cespe – TRF1 2011) Na esfera federal, a qualificação de uma autarquia ou fundação
como agência executiva decorre de iniciativa exclusiva do chefe do Poder Executivo.

27. (Cespe – TRF1 2011) Os ex-dirigentes das agências reguladoras continuam


vinculados à entidade no denominado período de quarentena, durante o qual fazem jus à
remuneração compensatória equivalente ao cargo de nível imediatamente abaixo do cargo
de direção que exerciam.

28. (Cespe – TRT1 2010) Assinale a opção correta no que se refere às agências
reguladoras e às executivas.

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a) Mandato fixo e estabilidade para os dirigentes, que somente perderão o mandato em
caso de renúncia, de condenação judicial transitada em julgado ou de processo disciplinar,
são traços específicos das agências reguladoras.
b) As agências executivas, assim como as reguladoras, têm a função precípua de exercer
controle sobre particulares prestadores de serviços públicos, mas destas se diferenciam
porque têm, também, por encargo a execução efetiva de determinadas atividades
administrativas típicas de Estado.
c) O regime jurídico dos trabalhadores das agências reguladoras é o de emprego público,
regulado pela CLT.
d) A qualificação como agência executiva de autarquia ou fundação que tenha celebrado
contrato de gestão com o ministério supervisor somente pode ser efetivada por lei de
iniciativa do presidente da República.
e) A agência executiva, como autarquia de regime especial, deve ser instituída por ato
normativo do chefe do Poder Executivo. Nesse ato, devem ser definidas a organização, as
competências e a função controladora que a agência exercerá sobre os particulares
prestadores de serviços públicos.

29. (Cespe – BACEN 2013) Em relação às OSs, às OSCIPs e aos serviços sociais
autônomos, assinale a opção correta.
a) As organizações creditícias que tenham vinculação com o sistema financeiro nacional
podem receber a qualificação de OSCIP.
b) O poder público deverá outorgar o título de OSCIP às entidades que preencherem os
requisitos exigidos pela legislação de regência para o recebimento da qualificação, em
decisão de natureza vinculada.
c) A contratação de pessoal no âmbito dos serviços sociais autônomos deve ser feita
mediante a realização de concurso público.
d) Os serviços sociais autônomos, pessoas jurídicas de direito privado que executam
serviços de utilidade pública, não pertencem ao Estado, razão por que não se submetem ao
controle estatal ou à fiscalização pelo tribunal de contas.
e) A OS, embora receba delegação do poder público para desempenhar serviço público de
natureza social, mediante contrato de gestão, não pode receber destinação de recursos
orçamentários do poder público nem bens necessários ao cumprimento do contrato de
gestão.

30. (ESAF – CVM 2010) A lei que cria entidade da administração indireta assegurando-lhe
mecanismos de autonomia administrativa, financeira e gerencial, a fim de que ela possa
atingir seus objetivos, entre eles o de assegurar a prestação de serviços públicos
adequados, está criando:
a) Fundação Pública.
b) Empresa Pública.
c) Sociedade de Economia Mista.

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d) Autarquia Ordinária.
e) Agência Reguladora.

31. (ESAF – MPOG 2010) Acerca da contratualização de resultados, pela administração


pública, é correto afirmar:
a) segundo alguns doutrinadores do Direito Administrativo, o Contrato de Gestão não seria o
termo adequado para a pactuação entre órgãos da administração direta.
b) como área temática, a contratualização de resultados tem por objetivo maior a redução
das amarras burocráticas impostas à administração direta.
c) o Contrato de Gestão, quando firmado com OSCIPs, prescinde do estabelecimento de
padrões de desempenho.
d) a contratualização de resultados nada mais é que um dos processos de terceirização
preconizados pelo Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado, de 1995.
e) o Termo de Parceria, quando firmado com Organizações Sociais, obriga ao
estabelecimento de padrões de desempenho.

32. (ESAF – MPOG 2009) Com relação às Agências Reguladoras no Brasil, indique a
opção incorreta.
a) Após a instituição do Programa de Desestatização, em 1997, foram criadas a Agência
Nacional de Telecomunicações, a Agência Nacional do Petróleo e a Agência Nacional de
Energia Elétrica, todas elas para a regulamentação e controle de atividades até então
exercidas pelo Estado como monopólio.
b) A função das agências reguladoras é ditar as normas de condução entre os agentes
envolvidos: o Poder Público, o prestador de serviços e os usuários.
c) A agência reguladora é uma pessoa jurídica de direito público interno, geralmente
constituída sob a forma de autarquia especial ou outro ente da administração indireta.
d) As agências reguladoras são dotadas de autonomia política, financeira, normativa e de
gestão.
e) As agências reguladoras não estão sujeitas às normas gerais de licitação.

33. (ESAF – GDF 2007) No tocante às agências reguladoras no Direito Brasileiro:


I. As agências reguladoras são autarquias sob regime especial;
II. Entre as atividades afetas à disciplina e controle de tais entidades destacam-se os
serviços públicos relacionados à energia elétrica, transportes terrestres, transportes
aquaviários, aviação civil, atividades de fomento e fiscalização de atividade privada;
III. A Constituição Federal de 1988 prevê expressamente a criação de um órgão regulador;
IV. As agências reguladoras exercem a atividade de regulação, abrangendo competência
para estabelecer regras de conduta, para fiscalizar, reprimir, punir, resolver conflitos, não só
no âmbito da própria concessão, mas também nas relações com outras prestadoras de
serviço;

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V. Nos termos da Lei n. 9.986/2000, as agências reguladoras podem utilizar o pregão para
as contratações referentes a obras e serviços de engenharia.
A quantidade de itens incorretos é igual a:
a) 4
b) 2
c) 3
d) 1
e) 5

34. (FCC – DP/AM 2013) As Organizações Sociais são pessoas jurídicas de direito
privado, qualificadas pelo Poder Executivo, nos termos da Lei Federal no 9.637/98, com
vistas à formação de parceria para execução de atividades de interesse público. NÃO está
entre as características das Organizações Sociais, nos termos da referida lei,
a) a necessidade de aprovação de sua qualificação, por meio de ato vinculado do Ministro
ou titular de órgão supervisor ou regulador da área de atividade correspondente ao seu
objeto social e do Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão.
b) a previsão de participação, no órgão colegiado de deliberação superior, de
representantes do Poder Público e de membros da comunidade, de notória capacidade
profissional e idoneidade moral.
c) a proibição de distribuição de bens ou de parcela do patrimônio líquido em qualquer
hipótese, inclusive em razão de desligamento, retirada ou falecimento de associado ou
membro da entidade.
d) o desempenho de atividades relacionadas a pelo menos um dos seguintes campos:
ensino, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, proteção e preservação do meio
ambiente, cultura e saúde.
e) a atuação com finalidade não-lucrativa, com a obrigatoriedade de investimento de seus
excedentes financeiros no desenvolvimento das próprias atividades.

35. (FCC – SEAD/PI 2013) Em novembro de 2007, a Associação Piauiense de


Habilitação, Reabilitação e Readaptação − Associação Reabilitar firmou parceria com o
Estado do Piauí para, dentre outras obrigações, administrar o Centro Integrado de
Reabilitação − CEIR, Centro este responsável hoje pelo atendimento mensal de mais de 35
mil pacientes deficientes de todo o Estado. Sabe-se que a referida Associação é instituição
não governamental sem fins lucrativos, com personalidade jurídica de direito privado e
qualificada pelo Poder Executivo como Organização Social. Sabe-se também que existe
repasse de recursos estaduais à Associação, a título de contrapartida. Diante do exposto,
deduz-se que o negócio jurídico celebrado entre o Estado do Piauí e a Associação Reabilitar
consiste em típico
a) protocolo de intenções, o qual dispensa a entidade privada de sujeitar-se à fiscalização
do Tribunal de Contas do Estado, dada a inexistência de fins lucrativos nas operações
realizadas dentro do escopo do negócio jurídico.

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b) termo de cooperação, no qual se estabelece o modo de desempenho de um serviço não
exclusivo do Estado e que, em razão dessa não exclusividade, a entidade privada fica
dispensada de controle da Administração pública.
c) contrato de gestão, no qual se especificam o programa de trabalho proposto, as metas, os
prazos de execução, bem como os critérios objetivos de avaliação de desempenho.
d) contrato de parceria público-privada, na modalidade de concessão administrativa, no qual
o Estado do Piauí, por meio de sua Secretaria de Saúde, figura como usuário indireto do
serviço público prestado.
e) consórcio público, o qual, por ser relacionado à área da saúde, deverá obedecer aos
princípios, diretrizes e normas que regulam o Sistema Único de Saúde − SUS.

36. (Cespe – MPE/AC 2014) Em relação às entidades que compõem a administração


indireta, assinale a opção correta.
a) O consórcio público, criado por dois ou mais entes federativos para a gestão associada
de serviços públicos, com personalidade jurídica de direito público é denominado
associação pública com natureza jurídica de fundação de direito privado.
b) Segundo o TCU, os integrantes dos chamados serviços sociais autônomos, embora
sejam pessoas jurídicas de direito privado e não pertençam ao Estado, são regidos pelos
princípios da administração pública.
c) Por terem personalidade jurídica de direito privado, as sociedades de economia mista
submetem-se ao regime de recuperação judicial e de falência previsto para as sociedades
empresárias.
d) Para a criação de autarquias, basta a edição de lei autorizativa específica, não estando
sua existência condicionada à necessidade de posterior registro de seus atos constitutivos.
e) Por serem pessoas jurídicas, todas essas entidades devem registrar no cartório
competente os atos que as constituam.

37. (Cespe – TRF2 2013) No que concerne a organizações sociais e a OSCIPs, assinale
a opção correta.
a) Os responsáveis pela fiscalização do termo de parceria, ao tomarem conhecimento de
qualquer irregularidade ou ilegalidade na utilização de recursos ou bens da organização
parceira, deverão dar imediata ciência ao tribunal de contas respectivo e ao MP, sob pena
de responsabilidade solidária.
b) Segundo o STF, é juridicamente aceitável a celebração de termo de parceria entre o
poder público e OSCIP, sendo possível, inclusive, a utilização desse expediente para a
contratação de prestadores de serviço terceirizados para o exercício de funções próprias da
atividade-fim da entidade pública.
c) Às organizações sociais poderão ser destinados bens públicos, sendo dispensada
licitação, mediante permissão de uso, consoante cláusula expressa de contrato de gestão
celebrado com o poder público.

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d) Segundo o STF, as organizações sociais, como entes de cooperação, dispõem dos
benefícios processuais inerentes à fazenda pública, tendo em vista a relevância da sua
atividade, que visa o interesse público.
e) Por expressa disposição legal, doações poderão realizadas por OSCIP a partidos
políticos ou candidatos a mandatos eletivos; entretanto, tais doações devem,
necessariamente, ser incluídas na prestação de contas da doadora e, ao final de cada
exercício, devem ser submetidas ao tribunal de contas respectivo, a fim de se realizar o
controle contábil-financeiro da organização.

38. (Cespe – TRF1 2011) No que se refere aos princípios que regem o direito
administrativo, as organizações sociais e as organizações da sociedade civil de interesse
público, assinale a opção correta.
a) As instituições hospitalares não gratuitas e as cooperativas são aptas para o recebimento
da qualificação de organizações da sociedade civil de interesse público, nos termos da
legislação de regência.
b) Na sindicância, ainda que instaurada com caráter meramente investigatório ou
preparatório de um processo administrativo disciplinar, é indispensável a observância dos
princípios do contraditório e da ampla defesa.
c) Segundo o STJ, na hipótese em que o particular ocupa irregularmente área pública, não é
cabível o pagamento de indenização por acessões ou benfeitorias, tampouco o direito de
retenção, sob pena de ofensa aos princípios da indisponibilidade do patrimônio público e da
supremacia do interesse público.
d) O contrato de gestão, instituto oriundo da reforma administrativa, recebeu tratamento
diferenciado no ordenamento jurídico nacional, a exemplo da Lei de Licitações e Contratos,
que inseriu a celebração de contratos de prestação de serviços com as organizações
sociais, qualificadas no âmbito das respectivas esferas de governo, para atividades
contempladas no contrato de gestão como hipótese de inexigibilidade de licitação.
e) O auxílio que o poder público presta à organização social não pode abranger a
destinação de recursos orçamentários e bens necessários ao cumprimento do contrato de
gestão, ainda que mediante permissão de uso.

39. (Cespe – TRF5 2013) Assinale a opção correta, considerando a execução de serviços
públicos por OSs e OSCIPs, em regime de parceria com o poder público.
a) Denomina-se contrato de gestão o instrumento passível de ser firmado entre o poder
público e as OSCIPs destinado à formação de vínculo de cooperação para o fomento e a
execução de atividades de interesse público.
b) As empresas que tenham interesse em obter o qualificativo de OSs devem estar em
funcionamento a pelo menos dois anos e dedicar-se a uma das seguintes atividades:
ensino, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, proteção e preservação do meio
ambiente, cultura e saúde.
c) Para se qualificarem como OSCIPs, as pessoas jurídicas interessadas devem ser regidas
por estatutos cujas normas disponham expressamente sobre a observância dos princípios

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da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, eficiência e universalização do
serviço.
d) Uma OS pode qualificar-se como OSCIP, desde que não tenha fins lucrativos, ao passo
que uma OSCIP não é passível de qualificação como OS.
e) Para serem consideradas OSs ou OSCIPs, as instituições não devem ter fins lucrativos,
ou seja, não podem distribuir entre os seus sócios, conselheiros, diretores, empregados ou
doadores, eventuais excedentes operacionais, dividendos, bonificações, participações ou
parcelas do seu patrimônio, auferidos mediante o exercício de suas atividades, os quais
devem ser aplicados integralmente na consecução de seu objeto social.

40. (Cespe – TRT10 2013) As entidades paraestatais não se sujeitam à licitação, e seus
empregados submetem-se ao regime da Consolidação das Leis do Trabalho, às normas
acidentárias e à justiça trabalhista.

41. (Cespe – TJDFT 2014) Assinale a opção correta acerca da administração indireta.
a) As fundações, que consistem em agregação de pessoas públicas, são criadas para
atender finalidade específica.
b) A abordagem que defende a não ingerência do Estado na economia manifesta-se a favor
da extinção da administração pública indireta.
c) O Estado tem responsabilidade administrativa direta pelos atos praticados pelas
autarquias.
d) As ações das empresas estatais de economia mista não podem ser comercializadas em
bolsa de valores, ainda que possuam acionistas privados.
e) As agências reguladoras são consideradas autarquias.

42. (Cespe – PRF 2012) As organizações sociais não estão compreendidas no rol das
entidades que constituem a administração pública indireta.

43. (Cespe – MPU 2010) O Serviço Nacional do Comércio (SENAC), como serviço social
autônomo sem fins lucrativos, é exemplo de empresa pública que desempenha atividade de
caráter econômico ou de prestação de serviços públicos.

44. (Cespe – SUFRAMA 2014) As agências reguladoras, por atuarem na regulação do


mercado, são consideradas entidades paraestatais que atuam em colaboração com o
Estado.

45. (Cespe – AGU 2013) Para a qualificação de uma autarquia como agência reguladora
é essencial a presença do nome “agência” em sua denominação, a exemplo da Agência
Brasileira de Inteligência e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial.

46. (Cespe – PC/BA 2013) As agências reguladoras detêm o poder de definir suas
próprias políticas públicas e executá-las nos diversos setores regulados.

47. (Cespe – MPU 2013) Para exercer a disciplina e o controle administrativo sobre os
atos e contratos relativos à prestação de serviço público específico, a União pode criar,

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Auditor das Contas Públicas
Teoria e exercícios comentados
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mediante lei federal, uma agência reguladora, pessoa jurídica de direito público cujos
dirigentes exercem mandatos fixos, somente podendo perdê-los em caso de renúncia,
condenação transitada em julgado ou processo administrativo disciplinar, entre outras
hipóteses fixadas na lei instituidora da entidade.
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GABARITO

2) a 3) E 4) E 5) E
1) C
7) C 8) E 9) C 10) C
6) C
12) e 13) d 14) E 15) E
11) E
17) C 18) C 19) E 20) E
16) a
22) E 23) E 24) C 25) C
21) C
27) E 28) a 29) b 30) e
26) E
32) e 33) d 34) a 35) c
31) a
37) c 38) c 39) e 40) E
36) b
42) C 43) E 44) E 45) E
41) e
47) C
46) E

Referências:
Alexandrino, M. Paulo, V. Direito Administrativo Descomplicado. 22ª ed. São Paulo:
Método, 2014.
Bandeira de Mello, C. A. Curso de Direito Administrativo. 32ª ed. São Paulo: Malheiros,
2015.
Borges, C.; Sá, A. Direito Administrativo Facilitado. São Paulo: Método, 2015.
Carvalho Filho, J. S. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. São Paulo: Atlas, 2014.
Di Pietro, M. S. Z. Direito Administrativo. 28ª ed. São Paulo: Editora Atlas, 2014.
Furtado, L. R. Curso de Direito Administrativo. 4ª ed. Belo Horizonte: Fórum, 2013.
Knoplock, G. M. Manual de Direito Administrativo: teoria e questões. 7ª ed. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2013.
Justen Filho, Marçal. Curso de direito administrativo. 10ª ed. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2014.
Meirelles, H. L. Direito administrativo brasileiro. 41ª ed. São Paulo: Malheiros, 2015.
Scatolino, G. Trindade, J. Manual de Direito Administrativo. 2ª ed. JusPODIVM, 2014.

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