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FICHAMENTO DO CAPÍTULO XV DO LIVRO “NOVO CURSO DE DIREITO CIVIL

– PARTE GERAL 1” DE PABLO STOLZE GAGLIANO E RODOLFO PAMPLONA


FILHO

CAPÍTULO XV – PLANO DE EFICÁCIA DO NEGÓCIO JURÍDICO

“Neste plano, verifica-se se o negócio jurídico é eficaz, ou seja, se repercute


juridicamente no plano social, imprimindo movimento dinâmico ao comércio jurídico
e às relações de direito privado em geral. Assim, a título de ilustração, celebrado um
contrato de compra e venda existente e válido, será também juridicamente eficaz se
não estiver subordinado a um acontecimento futuro a partir do qual passa a ser
exigível.” (Pag. 455)

“(...) É preciso que se diga que, por vezes, o ato eivado de nulidade absoluta
produz efeitos jurídicos, a exemplo do que ocorre no casamento putativo, ou seja,
tem repercussões no plano da eficácia. (Pag. 456)

“Condição ‘é a determinação acessória, que faz a eficácia da vontade


declarada dependente de algum acontecimento futuro e incerto’. Trata-se, portanto,
de um elemento acidental, consistente em um evento futuro e incerto, por meio do
qual subordinam-se ou resolvem-se os efeitos jurídicos de um determinado negócio.”
(Pag. 456)

“Se o fato a que se subordina a declaração de vontade for certo (uma data
determinada, por exemplo), estaremos diante de um termo, e não de uma condição.
Por isso se diz ser indispensável a incerteza da determinação acessória, para que
se possa identificá-la como condição. Aliás, é bom advertir que essa incerteza diz
respeito à própria ocorrência do fato, e não ao período de tempo em que este irá se
realizar.” (Pag. 457)
“Também a futuridade é requisito indispensável para a caracterização da
condição. Acontecimento passado não pode caracterizar determinação acessória
condicional.” (Pag. 457)

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“(...) Podemos colocar, ao lado da futuridade e da incerteza, a voluntariedade
da condição como sendo elemento característico fundamental.” (Pag. 458)

“Fundindo os subtipos em conceito único, pode-se definir a condição como


sendo o acontecimento futuro e incerto que subordina a aquisição de direitos,
deveres e a deflagração de efeitos de um determinado ato negocial (condição
suspensiva), ou, a contrario sensu, que determina o desaparecimento de seus
efeitos jurídicos (condição resolutiva). De referência à condição suspensiva, é
preciso que se esclareça que a aposição de cláusula desta natureza no ato negocial
subordina, não apenas a sua eficácia jurídica (exigibilidade), mas, principalmente, os
direitos e obrigações decorrentes do negócio. Quer dizer, se um sujeito celebra um
contrato de compra e venda com outro, subordinando-o a uma condição suspensiva,
enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito a que ele visa (art. 125
do CC-02; art. 118 do CC-16).” (Pag. 458)

“Vale destacar, porém, que, até mesmo para a segurança das relações
jurídicas, o estabelecimento de novas disposições, enquanto pendente uma
condição suspensiva, somente poderá ter valor se, realizada a condição, forem com
ela compatíveis. Se for resolutiva a condição, enquanto esta não se realizar, vigorará
o negócio jurídico, podendo exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele
estabelecido. Verificada a condição, para todos os efeitos extingue-se o direito a que
ela se opõe (art. 127 do CC-02; art. 119 do CC-16). Entretanto, se a condição for
aposta em contrato de execução continuada ou diferida (protraída no tempo), o seu
implemento, salvo estipulação em contrário, não prejudicará os atos já praticados,
desde que compatíveis com a natureza da condição pendente e a boa-fé (art. 128 do
CC-02).” (Pag. 459-460)

“A condição resolutiva poderá ainda ser expressa ou tácita. No primeiro caso,


opera-se de pleno direito; no segundo, demanda interpelação judicial, consoante
regra que constava no Código de 1916 (art. 119). Esta última espécie não fora
contemplada em norma expressa pelo Novo Código, embora entendamos deva
subsistir jurisprudencial e doutrinariamente. Não é pelo fato de ser tácita ou implícita
que perde a natureza de condição.” (Pag. 460)

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“As condições poderão ser, no plano fenomenológico:
a ) positivas (consistem na verificação de um fato — auferição de renda até a
colação de grau);
b) negativas (consistem na inocorrência de um fato — empréstimo de uma
casa a um amigo, até que a enchente deixe de assolar a sua cidade).” (Pag. 460)

“Seguindo a bem elaborada redação do Novo Código Civil, são lícitas, em


geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública e aos bons costumes
(art. 122 do CC-02; art. 115 do CC-16). De acordo com tal diretriz, a licitude de uma
cláusula condicional exige compatibilidade, não apenas com o direito positivo, mas
também com o indispensável respeito ao padrão de moralidade média da sociedade,
enquadrável no conceito indeterminado de bons costumes. (...)As condições ilícitas
ou de fazer coisa ilícita invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados,
maculando-os de nulidade absoluta (arts. 123, II, e 166, VII, do CC-02).” (Pag. 460-
461)

“As condições perplexas (incompreensíveis ou contraditórias) são aquelas


que privam de todo o efeito o negócio jurídico celebrado. (...)Note-se que a
consequência da aposição desta espécie de condição, considerada ilícita, é a
própria invalidade do negócio jurídico pactuado (art. 123, III, do CC-02). Trata-se, no
caso, de uma nulidade absoluta por violação a expressa disposição de lei (art. 166,
VII, do CC-02).” (Pag. 461)

“A segunda hipótese de cláusula vedada diz respeito às condições puramente


potestativas, que são aquelas que derivam do exclusivo arbítrio de uma das partes.
Não se confundem, outrossim, com as condições simplesmente potestativas, as
quais, dependendo também de algum fator externo ou circunstancial, não
caracterizam abuso ou tirania, razão pela qual são admitidas pelo direito. A s
condições puramente potestativas caracterizam-se pelo uso de expressões como:
“se eu quiser”, “caso seja do interesse deste declarante”, “se na data avençada, este
declarante considerar-se em condições de prestar” etc. Todas elas traduzem arbítrio
injustificado, senão abuso de poder econômico, em franco desrespeito ao princípio

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da boa-fé objetiva. Por outro lado, as condições simplesmente potestativas, a par de
derivarem da vontade de uma das partes apenas, aliam-se a outros fatores, externos
ou circunstanciais, os quais amenizam eventual predomínio da vontade de um dos
declarantes sobre a do outro. Tome-se a hipótese do indivíduo que promete doar
vultosa quantia a um atleta, se ele vencer o próximo torneio desportivo. Nesse caso,
a simples vontade do atleta não determina a sua vitória, que exige, para a sua
ocorrência, a conjugação de outros fatores: preparo técnico, nível dos outros
competidores, boa forma física etc.” (Pag. 461-462)

“Outra distinção legal de relevo diz respeito às condições física e


juridicamente impossíveis. Condições fisicamente impossíveis são aquelas
irrealizáveis por qualquer pessoa, ou seja, cujo implemento exigiria esforço
sobrenatural. (...) Se a condição fisicamente impossível tiver natureza suspensiva,
invalidará o negócio que lhe for subordinado (nulidade absoluta por violação a
expressa disposição de lei — art. 123, I, c/c o art. 166, VII, do CC-02). Se tiver cunho
resolutivo, ou for de não fazer coisa impossível, será reputada inexistente (art. 124
do CC-02). As condições juridicamente impossíveis também são consideradas
ilícitas, por contrariarem o direito. Não vislumbramos diferença essencial entre a
ilicitude e a impossibilidade jurídica de uma determinação acessória, uma vez que
lhes é aplicável o mesmo sistema principiológico. Aliás, a consequência da aposição
de uma conditio juridicamente impossível é exatamente a invalidade do negócio
jurídico, assim como ocorre em uma condição considerada ilícita (art. 123, I e II, do
CC-02; art. 116 do CC-16).” (Pag. 463)

“Quanto à origem, gênero do qual já destacamos as condições potestativas


ao abordarmos o critério da licitude, as condições poderão ser:
a) casuais — as que dependem de um evento fortuito, natural, alheio à
vontade das partes. Ex.: “Doarei o valor, se chover na lavoura”;
b ) potestativas — já analisadas. São as que dependem da vontade de uma
das partes. Consoante visto acima, poderão ser simplesmente potestativas ou
puramente potestativas. As primeiras, por não entremostrarem capricho, são
admitidas pelo direito (lícitas), ao passo que as segundas, por serem arbitrárias, são
vedadas (ilícitas). Se a condição nasce potestativa, mas vem a perder tal

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característica por fato superveniente alheio à vontade do agente, que frustra ou
dificulta a sua realização, diz-se que é promíscua;
c) mistas — são as que derivam não apenas da vontade de uma das partes,
mas também de um fator ou circunstância exterior (como a vontade de um terceiro).”
(Pag. 464)

“Também espécie de determinação acessória, o termo é o acontecimento


futuro e certo que subordina o início ou o término da eficácia jurídica de determinado
ato negocial.” (Pag. 465)

“Nessa linha de raciocínio, seguindo a diretriz apresentada pelo Novo Código


Civil, é correto afirmar-se que o termo inicial suspende o exercício, mas não a
aquisição do direito (art. 131 do CC-02; art. 123 do CC-16). Com isso quer-se dizer
que, nos negócios jurídicos a termo inicial, apenas a exigibilidade do negócio é
transitoriamente suspensa, não impedindo que as partes adquiram desde já os
direitos e deveres decorrentes do ato.” (Pag. 466)

“O termo poderá ser certo ou incerto. No primeiro caso (certus an e certus


quando), há certeza da ocorrência do evento futuro e do período de tempo em que
se realizará, traduzindo-se, em geral, por uma data determinada ou um lapso
temporal preestabelecido (“no dia 13 de abril de 2001” ou “da data de hoje a 10
dias”). No segundo caso (certus an e incertus quando), existe uma indeterminação
quanto ao momento da ocorrência do fato, embora seja certo que existirá (“quando
fulano morrer”). O período de tempo entre os termos inicial e final denomina-se
prazo (art. 132 do CC-02; art. 125 do CC-16). Em regra, computam-se os prazos
excluindo-se o dia do começo e incluindo-se o dia do vencimento.” (Pag. 466)

“Finalmente, cumpre-nos mencionar que a doutrina costuma apresentar a


seguinte classificação do termo:
a) convencional — fixado pela vontade das partes (em um contrato, por
exemplo);
b) legal — determinado por força de lei;

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c) de graça — fixado por decisão judicial (geralmente consiste em um prazo
determinado pelo juiz para que o devedor de boa-fé cumpra a sua obrigação).” (Pag.
467-468)

“Modo ou encargo é determinação acessória acidental do negócio jurídico que


impõe ao beneficiário um ônus a ser cumprido, em prol de uma liberalidade maior.
Trata-se de uma autolimitação da vontade, típica dos negócios gratuitos.” (Pag. 468)

“Cumpre mencionar ainda que esta espécie de determinação acessória não


suspende a aquisição nem o exercício do direito, ressalvada a hipótese de haver
sido fixado o encargo como condição suspensiva (art. 136 do CC-02; art. 128 do CC-
16). Geralmente é identificado pelas expressões “para que”, “com a obrigação de”,
“com o encargo de”. Não suspendendo os efeitos do negócio jurídico, o não
cumprimento do encargo não gera, portanto, a invalidade da avença, mas sim
apenas a possibilidade de sua cobrança judicial, ou a posterior revogação do
negócio, como no caso de ser instituído em doação (art. 562 do CC-02; parágrafo
único do art. 1.181 do CC-16) ou legado (art. 1.938 do CC-02; art. 1.707 do CC-16).”
(Pag. 468)

“Interessante, ainda, é a previsão normativa do art. 137 do CC-02, segundo a


qual o encargo ilícito ou impossível é considerado não escrito (inexistente),
remanescendo o ato na sua forma pura. Seria o caso, por exemplo, de uma doação,
em que se estabelecesse para o donatário a obrigação de fazer uma viagem
turística a Saturno, encargo (ainda) impossível no atual estágio de pesquisas
espaciais. A mesma norma legal, por outro lado, ressalva a hipótese de tal encargo
haver sido imposto como motivo determinante da liberalidade (causa do ato
negocial), caso em que invalida todo o negócio. Assim, se o ato de liberalidade
(doação de um valioso imóvel) é feito com a finalidade específica (motivação típica)
de o donatário empregá-la na implantação de uma casa de prostituição (encargo
ilícito), deverá ser invalidado todo o negócio jurídico.” (Pag. 469)