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Considerações iniciais

A utilização de materiais compósitos evoluiu de maneira significativa na indústria


aeroespacial, a partir dos anos 70, sendo que isto ocorreu com maior intensidade no ramo da
aviação militar e experimental, enquanto que na aviação comercial a taxa de utilização deste
tipo de material foi menor. Dois dos fatores que justificam tal crescimento são: baixo peso e
alta resistência mecânica.

Embora o advento de tal tecnologia tenha sido de grande utilidade, é necessário estudos para
cada aplicação específica, a fim de entender as particularidades de cada combinação entre
matriz e fibra. Não basta substituir fibra de carbono de uma matriz epóxi por alumínio, por
exemplo, pois há diferenças fundamentais na adesão fibra-matriz e no comportamento
mecânico das diferentes cargas.

Considerações sobre as fibras

A densidade de ligações atômicas na direção longitudinal em um feixe de fibras é muito maior


que em qualquer outra direção, aproximando as características de um feixe de fibras às
características ideais de uma macromolécula individual. Em outros termos, é como se toda a
resistência somada de todas as ligações atômicas do material se concentrassem na direção
longitudinal do feixe, conferindo a este uma extrema anisotropia.

Em sequência, serão considerados três tipos de fibras para aplicação na aviação.

Fibra de carbono

Uma das principais vantagens das fibras de carbono é, sem dúvida, sua altíssima resistência
específica às solicitações de tensão, podendo superar em mais de cinco vezes a resistência
específica das ligas de aço. Em outros termos, por exemplo, se um feixe de fibra de carbono
cujo peso é de 0,1 kgf pode suportar um peso de 100 kgf, então para suportar o mesmo peso
um cabo de aço pesaria em torno de 0,5 kgf. Trata-se, sem dúvida, de uma característica
extremamente atraente, que permite uma redução de cerca de 25% no peso máximo de
decolagem de uma típica aeronave comercial que emprega ostensivamente os compósitos de
fibra de carbono (Mirabel C. Rezende, 2000).

O estudo do compósito, cuja carga é a fibra de carbono, visando um determinado tipo de


solicitação mecânica permite desenvolver um material que se comporta de forma desejável,
visto que, em muitos eventos, quando o objetivo é utilizar um material que tenha alta rigidez a
fibra de carbono é uma boa escolha, pois possui alto módulo elástico. Em contrapartida, se a
aplicação de interesse exige suavizar os impactos do vento, o uso da fibra de carbono tem de
ser mais bem avaliada.

Fibras aramidas (Kevlar)

Embora tenha uma resistência à tração menor do que as fibras de carbono, o Kevlar possui
alta resistência ao cisalhamento. As fibras aramidas são capazes de absorver uma grande
quantidade de energia durante a fratura. Isso resulta da sua resistência à fratura,
evidentemente, mas também da sua capacidade de sofrer deformação plástica sob
compressão.

Seu uso aeronáutico expoente é em componentes e superfícies sujeitas a impactos, como, em


polainas, carenagens, bordos de ataque de asas, empenagens, blindagem de hélices, etc.
Ademais, as fibras aramidas podem substituir de maneira satisfatória as fibras de carbono em
algumas partes da fuselagem, principalmente aquelas que alojam sistemas de comunicação,
navegação e radares, visto que as fibras de carbono são eletro-opacas e prejudicam
significativamente a passagem de ondas eletromagnéticas, ao passo que as fibras aramidas são
boas dielétricas.

Embora tenha uma excelente resistência à tensão, a interface entre o Kevlar e qualquer
matriz tende a ser problemática, e ao trabalhar em tensão podem surgir problemas de
delaminação indesejáveis que, em última instância, levam a falhas estruturais graves. Além
disso, a absorção da umidade ocorre com frequência em fibras deste tipo.

Fibra de vidro

Devido ao seu baixo custo, desde a década de 60 as fibras de vidro são utilizadas de maneira
extensiva, principalmente em carenagens. De maneira geral, as fibras de vidro possuem menor
resistência quando comparadas as fibras de carbono, e possui um módulo de elasticidade
significativamente inferior, o que inviabiliza seu uso em estruturas que exigem rigidez.

Com a tecnologia atual, existem diversos tipos de fibras de vidro – a depender da aplicação –
de forma que cabe ressaltar dois tipos: o “E-glass” e o “S-glass”. Resumidamente, o E se refere
à palavra “elétrico”, sendo que este possui alta resistência elétrica, e o S se refere à resistência
mecânica (do inglês strength).

Considerações sobre a matriz

As propriedades mecânicas de um componente que são particularmente afetadas pelas


propriedades de uma matriz polimérica são a resistência a compressão longitudinal, a tração
transversal e a resistência ao cisalhamento inter-laminar. Estas são normalmente chamadas de
“propriedades dominadas pela matriz”

Em seguida, será analisado brevemente a constituição e comportamento da matriz escolhida


para a aplicação, denominada resina epóxy.

Matrizes Poliméricas

Constituído basicamente de longas cadeias, os polímeros se dividem em dois grupos:


Termoplástico e Termorrígido. A principal diferença é de que o último, por possuir ligações
cruzadas em diversos pontos da cadeia com outras cadeias adjacentes, não pode ser
remodelado após um tratamento térmico, enquanto que o primeiro possui apenas ligações
intermoleculares fracas (ligações de Van der Waals). De maneira geral, os polímeros, tanto
termoplásticos como termorrígidos, possuem o ponto negativo de que são relativamente
sensíveis à temperatura.
A grande vantagem de se usar resinas termorrígidas como matriz é o fato de que os
componentes podem ser fabricados sob condições de baixa temperatura e pressão
(normalmente, temperatura e pressão ambientes), e passam por um estado de baixa
viscosidade antes da polimerização e do “cross-linking”, permitindo que sua absorção pelas
fibras seja muito eficiente.

A palavra “epoxy” vem do grego e significa “oxigênio no meio”, representado os grupos


epoxydicos formados depois da reação com o endurecedor (catalisador), constituindo os
polímeros da matriz.

Apesar de alguns sistemas de resinas epoxy poderem se auto-polimerizar, a maioria necessita


de endurecedores. Em linhas gerais, a formação da resina se dá nos seguintes passos físicos:
De inicio, ela está com baixa viscosidade o que é essencial para banhar as fibras. Depois, é
atingido um mínimo de viscosidade devido ao calor externo ou das próprias reações químicas,
para logo em seguida aumentar a grandes taxas, graças a formação das cadeias moleculares.
Em sequencia, a aparência se assemelha a um gel, pois começam a se formar as ligações
cruzadas. Por fim, ocorre a “vitrificação” onde o movimento das cadeias praticamente cessa.
Ao termino desta etapa, pode-se considerar que a cura se completou.

As principais vantagens específicas das resinas epoxy são a resistência à fratura, a conveniência
e a segurança no manuseio devido a baixas emissões gasosas, a baixa contração durante a
solidificação, uma boa estabilidade dimensional e térmica. As principais desvantagens são o
alto custo - especialmente para os sistemas avançados para uso aeroespacial-, a sensibilidade
à umidade, a cura lenta e a limitada temperatura máxima de operação.

Bibliografia:

1 - O Uso de Compósitos Estruturais na Indústria Aeroespacial. Mirabel C. Rezende, 2000