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UNIVERSIDADE FEDERAL DO VALE DO SÃO FRANCISCO

COLEGIADO DE ENGENHARIA ELÉTRICA

Adriano Félix de Oliveira

USO DO ATPDRAW PARA


ANÁLISES DOS TRANSITÓRIOS DE CHAVEAMENTO DE
UM ALIMENTADOR DE 34,5 kV

Juazeiro – BA
2016
UNIVERSIDADE FEDERAL DO VALE DO SÃO FRANCISCO
COLEGIADO DE ENGENHARIA ELÉTRICA

Adriano Félix de Oliveira

USO DO ATPDRAW PARA


ANÁLISES DOS TRANSITÓRIOS DE CHAVEAMENTO DE
UM ALIMENTADOR DE 34,5 kV

Trabalho apresentado a Universidade


Federal do Vale do São Francisco –
UNIVASF, Campus Juazeiro, como
requisito à obtenção do grau de
Engenheiro Eletricista.

Orientador: Eubis Pereira Machado,


D.Sc.

Juazeiro – BA
2016
Oliveira, Adriano Félix.

O48u Uso do ATPDraw para análises dos transitórios de chaveamento de um


alimentados de 34,5 kV/Adriano Félix de Oliveira.--Juazeiro-BA, 2016.

58f. ; il.: 29cm.

Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Engenharia Elétrica) -


Universidade Federal do Vale do São Francisco, Juazeiro – BA, 2016.

Orientador: Prof. Dr. Eubis Pereira Machado.

1.Sistemas de energia elétrica– Proteção 2.ATPDraw (Programa de


computador). Título. II.Machado, Eubis Pereira. III. Universidade Federal do Vale
do São Francisco.

CDD 621.3191

Ficha catalográfica elaborada pelo Sistema Integrado de Biblioteca SIBI/UNIVASF

Bibliotecário:Renato Marques Alves


Aos meus pais,
esposa e filho.
AGRADECIMENTOS

A minha família, por me apoiar em todos os momentos de dificuldade no


decorrer dessa longa empreitada.

Ao professor Eubis pelo apoio e orientação para realização deste


trabalho.

A todos os professores da UNIVASF que deram suas contribuições e


compartilharam seus conhecimentos.

A Deus por tudo.


RESUMO

O trabalho em foco tem por objetivo investigar transitórios elétricos que


ocorrem num alimentador de 34,5 kV com extensão de 36 km pertencente a
EMBASA (Empresa Baiana de Água e Saneamento) e seus efeitos no sistema de
proteção contra sobrecarga e sobretensões. A investigação deu-se acompanhando o
comportamento transitório dos sinais de tensão, corrente e energia presentes nos
dispositivos de proteção dos terminais emissor e receptor durante o processo de
abertura e religamento do alimentador. O software ATPDraw (Alternative Transient
Program Draw) foi empregado no processo de investigação dos modelos
computacionais para o alimentador, sendo utilizados os modelos PI, JMARTI,
BERGERON para análise dos transitórios e a absorção de energia pelos para-raios.

Palavras chaves: Alternative Transient Program Draw, sobretensões, proteção,


transitórios, energia.
ABSTRACT

This work presents electrical transients investigation that occur in a 34.5 kV


feeder with 36 km extension belonging to EMBASA (Bahia Water and Sanitation
Company) and its effects on the against overload and overvoltage protection
systems. The research was based on the analysis of transient of the voltage, current
and power signals in the protection device present in the sending-end and receiving-
end terminals during the process of opening and reclosing of the feeder. The
software ATPDraw, mouse-driven preprocessor to the ATP version of the
Electromagnetic Transients Program (EMTP), was employed in the process of
research of computational models for the feeder: PI, JMARTI and BERGERON
models for analysis of transient and the absorption of energy by the surge arresters.

Key words: Alternative Transient Program, overvoltage, protection, transient energy.


LISTA DE FIGURAS

Figura 2.1 – Circuito RL..............................................................................................03

Figura 2.2 – Circuito equivalente para estudo da TRT ..............................................05

Figura 2.3 – Forma de onda da TRT .........................................................................06

Figura 2.4 – Circuito Equivalente para estudo de transitórios de dupla


frequência ................................................................................................................. 07

Figura 2.5 – Linha de transmissão terminada com uma impedância ZL ...................08

Figura 2.6 – Onda de Surto .......................................................................................11

Figura 2.7 – Forma de onda padrão de surto de tensão (1,2/50μs) ..........................11

Figura 2.8 – Classificação das Sobretensões . .........................................................12

Figura 2.9 – Modelo de resistor de pré-inserção ...................................................... 15

Figura 2.10 – Curva característica V x I típica de um para-raios de óxido


de zinco .................................................................................................................... 16

Figura 2.11 – Instantes ótimos para energização de linhas de transmissão ............17

Figura 3.1 – Representação do sistema com n geradores e m barras de carga


para estudo de estabilidade transitória ..................................................................... 18

Figura 3.2 – Modelo parâmetros concentrados......................................................... 19

Figura 3.3 – Modelo de linha de distribuição............................................................20

Figura 3.4 – Representa um comprimento ∆x de uma linha monofásica...................20

Figura 4.1 – Geometria da estrutura da rede de distribuição ....................................26

Figura 4.2 – Características físicas cabo 4/0 ............................................................27

Figura 4.3 – Características elétricas cabo 4/0..........................................................28

Figura 4.4 – Representação do sistema em estudo no ATPDraw ........................... 28

Figura 4.5 – Caixa de diálogo Model da rotina LCC para modelo de linha
BERGERON ............................................................................................................. 30

Figura 4.6 – Caixa de diálogo Date da rotina LCC ...................................................30


Figura 4.7 – Caixa de diálogo BCTRAN ................................................................... 33

Figura 4.8 – Caixa de diálogo BCTRAN dados curto circuito .................................. 34

Figura 4.9 – Caixa de diálogo do para-raio .............................................................. 35

Figura 4.10 – Caixa de diálogo das características V x I do para-raio ..................... 36

Figura 4.11 – Caixa de diálogo da chave ................................................................. 37

Figura 5.1 – Tensão no terminal de Quijingue sem os para-raios para o


Modelo PI ................................................................................................................. 39

Figura 5.2 – Tensão no terminal de Quijingue com os para-raios para o


Modelo PI ................................................................................................................. 39

Figura 5.3 – Potências nos para-raios do terminal de Quijingue para o


Modelo PI ................................................................................................................. 40

Figura 5.4 – Energia absorvida nos para-raios de Quijingue para o


Modelo PI ................................................................................................................ 40

Figura 5.5 – Corrente drenada pelo para-raio de Quijingue para o


Modelo PI ................................................................................................................ 41

Figura 5.6 – Tensão no terminal de Quijingue sem os para-raios para o


modelo BERGERON ................................................................................................ 42

Figura 5.7 – Tensão no terminal de Quijingue com os para-raios para


o modelo BERGERON ............................................................................................. 42

Figura 5.8 – Potências nos para-raios do terminal de Quijingue para


o modelo BERGERON ............................................................................................. 43

Figura 5.9 – Energia absorvida nos para-raios de Quijingue para


o modelo BERGERON ............................................................................................. 43

Figura 5.10 – Corrente drenada pelo para-raio de Quijingue para


o modelo BERGERON ............................................................................................. 44

Figura 5.11 – Tensão no terminal de Quijingue sem os para-raios


para o modelo JMARTI ............................................................................................. 45

Figura 5.12 – Tensão no terminal de Quijingue sem os para-raios


para o modelo JMARTI ............................................................................................ 45

Figura 5.13 – Potências nos para-raios do terminal de Quijingue


para o modelo JMARTI ............................................................................................. 46
Figura 5.14 – Energia absorvida nos para-raios de Quijingue para
o modelo JMARTI ..................................................................................................... 46

Figura 5.15 – Corrente drenada pelo para-raio de Quijingue para


o modelo JMARTI ..................................................................................................... 47

Figura 5.16 – Tensão na subestação de Quijingue para chaveamento


a 0° no Modelo BERGERON ................................................................................... 49

Figura 5.17 – Energia absorvida pelos para-raios da subestação de


Quijingue para chaveamento a 0° no Modelo BERGERON .................................... 49

Figura 5.18 – Representação do alimentador de Cansanção – Quijingue,


dividido em sete trechos, com os para-raios instalados ao longo do alimentador ... 52

Figura 5.19 – Energia absorvida pelos para-raios na Terminação de


Quijingue para a distribuição da Figura 5.18 no modelo de linha BERGERON ..... 52
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Comparativo entre os modelos de linha.................................................. 49


Tabela 2 – Tabela para-raios ABB............................................................................ 53
Tabela 3 – Energia absorvida pelos para-raios para modelo JMARTI...................... 53
Tabela 4 – Energia absorvida pelos para-raios para modelo BERGERON.............. 54
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 1
1.1 MOTIVAÇÃO .................................................................................................... 1
1.2 OBJETIVOS E CONTRIBUIÇÕES ................................................................... 2
1.3 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO .................................................................... 2

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .............................................................................. 4


2.1 TRANSITÓRIOS SIMPLES DE CHAVEAMENTO ........................................... 4
2.1.1 FECHAMENTO PARA ALIMENTAR UMA CARGA .................................... 4
2.1.2 TRANSITÓRIOS DE RESTABELECIMENTO DEVIDO A
REMOÇÃO DE CURTO-CIRCUITO ....................................................... 5
2.1.3 TRANSITÓRIOS À FREQUÊNCIA DUPLA ............................................... 8
2.2 REFLEXÃO DE ONDAS E COEFICIENTE DE REFLEXÃO ............................ 8
2.2.1 COEFICIENTE DE REFLEXÃO ................................................................ 9
2.2.2 TERMINAÇÃO EM CURTO-CIRCUITO ................................................... 10
2.2.3 TERMINAÇÃO EM CIRCUITO ABERTO ................................................. 11
2.2.4 IMPEDÂNCIA CARACTERÍSTICA ............................................................ 11
2.3 SOBRETENSÕES .......................................................................................... 11
2.3.1 SOBRETENSÃO TEMPORÁRIA .............................................................. 14
2.3.2 SOBRETENSÃO TRANSITÓRIA ............................................................. 14
2.3.2.1 FRENTE LENTA ................................................................................. 14
2.3.2.2 FRENTE RÁPIDA ............................................................................... 15
2.3.2.3 FRENTE MUITO RÁPIDA .................................................................. 15
2.4 METODOS DE REDUÇÃO DAS SOBRETENSÕES ..................................... 16
2.4.1 RESISTOR DE PRÉ-INSERÇÃO ............................................................. 16
2.4.2 PARA-RAIOS ........................................................................................... 17
2.4.3 CHAVEAMENTO CONTROLADO ........................................................... 18
3 MODELOS DE LINHA DE DISTRIBUIÇÃO ......................................................... 19
3.1 PARÂMETROS CONCENTRADO ................................................................. 20
3.2 PARÂMETROS DISTRIBUIDOS .................................................................... 21
3.3 PARÂMETROS DEPENDENTE DA FREQUÊNCIA ....................................... 24
4 MATERIAIS E MÉTODOS .................................................................................... 28
4.1 LINHA DE DISTRIBUIÇÃO ............................................................................ 29
4.2 TRANSFORMADORES ................................................................................. 34
4.3 PARA-RAIOS ................................................................................................. 36
4.4 CHAVES ........................................................................................................ 38
5 ANÁLISE DOS RESULTADOS ............................................................................ 40
5.1 RESULTADOS ............................................................................................... 40
5.1.1 MODELO PI.............................................................................................. 40
5.1.2 MODELO BERGERON ............................................................................ 43
5.1.3 MODELO JMARTI .................................................................................... 46
5.2 DISCUSSÃO .................................................................................................. 49
5.3 SUGESTÕES ................................................................................................. 51
5.3.1 CHAVEAMENTO CONTROLADO ............................................................ 51
5.3.2 PARA-RAIO .............................................................................................. 52
6 CONCLUSÃO ......................................................................................................... 56
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 57
1

1 INTRODUÇÃO

O sistema elétrico é muito susceptível a transitórios elétricos, os quais podem


ser classificados por internos (abertura e fechamento de chaves, energização de
transformadores, chaveamento de capacitores, dentre outros) ou externos
(descargas atmosféricas, contato com animais e árvores, dentre outros). A
confiabilidade de um sistema elétrico de potência é condicionada à ocorrência de
surtos e à probabilidade de ruptura do isolamento (ARAÚJO, 2003). Desta maneira,
dispositivos de proteção são extremamente necessários em um sistema elétrico a
fim de evitar danos aos equipamentos da concessionária e dos usuários, além de
garantir bons índices da qualidade da energia.
As sobretensões que ocorrem em um sistema de potência são o resultado de
alguma modificação estrutural ocorrida, a exemplo de chaveamentos e curto-circuito,
cujo comportamento transitório nos sinais de tensão e corrente é definido pelo
período de acomodação de uma condição de equilíbrio para outra. Durante esse
período de acomodação entre as duas situações, uma condição de equilíbrio para
outra, ocorre um transitório, que dá origem a sobretensões ou sobrecorrentes
(ZANETTA, 2003). Existem diferentes formas de ondas características para cada
tipo de manobra efetuada, como para energizar e retirar uma carga, retirada de um
curto-circuito.
Quando um equipamento de proteção é mal dimensionado ou configurado
incorretamente, podem ocorrer desde uma interrupção no serviço até danificações
nos equipamentos que deveriam ser protegidos. Nesse sentido, para um correto
dimensionamento e ajuste dos dispositivos de proteção, faz-se necessário realizar
estudos de transitórios eletromagnéticos contemplando modelos apropriados para a
faixa de frequência envolvida nos distúrbios.

1.1 MOTIVAÇÃO

No sistema de abastecimento de água, os recursos hídricos estão se


tornando mais escassos e mais distantes dos centros consumidores. Dessa forma,
vem aumentando a necessidade de se transportar água para grandes centros e,
2

com isso, as empresas de abastecimento de água vêm aumentando sua


dependência do fornecimento de energia elétrica para realizar tal bombeamento.
Nesse cenário, a continuidade no fornecimento de energia elétrica é indispensável
para a sociedade.
Este trabalho tem como motivação a necessidade de diagnosticar os
fenômenos presentes no fechamento da chave do alimentador da linha de
distribuição de 34,5 kV com extensão de 36 km que atende a EEAT (Estação
Elevatória de Água Tratada) de Quijingue pertencente a EMBASA (Empresa Baiana
de Águas e Saneamento). Devido aos fenômenos transitórios que estão presentes
no chaveamento (religamento) do alimentador da linha que será objeto de estudo,
ocorre o rompimento da isolação do sistema de proteção contra sobretensões (para-
raios de sobretensão) impossibilitando a sua utilização. Dessa forma a linha vem
funcionando sem as proteções contra sobretensões, o que vem gerando danos aos
equipamentos e perda de confiabilidade.

1.2 OBJETIVOS

A partir de análises dos transitórios de chaveamento presentes na linha em


questão, pretende-se investigar possíveis soluções, tal como o redimensionamento
da proteção, a fim de aumentar a confiabilidade do sistema de abastecimento.

1.3 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO

Este trabalho esta dividido da seguinte forma:

O capítulo 2 aborda o conceito e classificação das sobretensões, definição de


ondas viajantes e seus efeitos sobre o sistema elétrico, servindo como base para o
desenvolvimento do trabalho.

O capítulo 3 apresenta a classificação das linhas de transmissão pelos


modelos de parâmetros concentrados, distribuídos e dependentes da frequência e
suas representações matemáticas.
3

No capítulo 4 descreve o sistema em estudo, que serve para desenvolvimento


do trabalho. Além disto, é feita uma apresentação sobre o software ATPDraw
(Alternative Transient Program Draw) e os elementos disponíveis em sua biblioteca
para a representação do circuito em estudo.

O capítulo 5 apresenta os resultados das simulações feitas no ATPDraw e


discute os resultados encontrados nessas simulações.

O capítulo 6 apresenta as considerações finais sobre o trabalho


4

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 TRANSITÓRIOS SIMPLES DE CHAVEAMENTO

Sempre que ocorre uma mudança brusca no sistema de uma linha de


transmissão, como ligação ou desligamento de cargas, eliminação e ocorrências de
faltas, causam fenômenos transitórios com frequências diferentes da fundamental.

Uma sobretensão de manobra é, normalmente, a consequência de uma


cadeia complexa de fenômenos que ocorreram, anteriormente no sistema. Os
transitórios de chaveamento de linha são divididos em (HAFFNER, 2006):

 Fechamento para alimentar uma carga;


 Abertura para eliminar uma falta.

2.1.1 FECHAMENTO PARA ALIMENTAR UMA CARGA

Considere o circuito apresentado na Figura 2.1, onde a carga é representa


por um circuito RL em série.

Figura 2.1 – Circuito RL

Fonte - (HAFFNER, 2006)

Resolvendo as equações do circuito da Figura 2.1, tem-se:

( )+ = ( )= ( + ) = [ ( ). + cos ( ). ]

(2.1)
5

Aplicando a Transformada de Laplace, e desenvolvendo Equação (2.2) tem-


se como solução para a corrente:

( )= )
[ ( + − )− ( − ) ] (2.2)
√(

Separando a Equação (2.2) em duas componentes, tem-se as Equações (2.3)


componente de regime permanente, e Equação (2.4), componente transitória.

= )
[ ( + − )] (2.3)
√(

=− [ ( − ) ] (2.4)
√( + )

Casos especiais:

 Quando = , o termo da componente transitória é zero;


 Quando − = ± , o termo da componente transitória atinge seu valor

máximo e o primeiro pico da tensão se aproxima da tensão máxima.

2.1.2 TRANSITÓRIOS DE RESTABELECIMENTO DEVIDO A REMOÇÃO DE


CURTO-CIRCUITO

Consiste na tensão que aporta o polo de uma chave quando este tenta
eliminar um curto-circuito, denominada de Tensão de Restabelecimento Transitório
TRT ou Transient Recovery Voltage (TRV). A TRT apresenta, quase sempre, altas
taxas de crescimento da ordem de alguns kV/μs (HAFFNER, 2006). A partir da
análise do circuito apresentado na Figura 2.2 é possível investigar o fenômeno da
TRT.
6

Figura 2.2 – Circuito equivalente para estudo da TRT

Fonte - (HAFFNER, 2006)

A corrente de falta é limitada pela indutância L e resistência R, e a


capacitância natural do circuito adjacente ao disjuntor que é representada por uma
capacitância C. Quando o disjuntor tenta interromper o fluxo da corrente de falta
ocorre uma sobretensão no disjuntor.

No momento da falta, o capacitor C está descarregado devido ao curto-


circuito dos seus terminais. Mesmo após a abertura dos contatos do disjuntor
continua circulando uma corrente Icc pelo arco entre os seus contatos, sendo
interrompido na passagem pelo zero. Como Icc tem o caráter predominantemente
indutivo, a tensão da fonte no momento de extinção (t=0) é igual ao seu valor
máximo (HAFFNER, 2006).

Em t=0, a equação da malha é:

()
( )+ + = (2.5)

( ) ( ) ( )
( )= ( )= ⇒ = (2.6)

Aplicando a Transformada de Laplace e fazendo as devidas


simplificações, tem-se (HAFFNER, 2006):
7

1
( )= [1 − . cos( )+ ( ) (2.7)

Fazendo ≅ 0, tem-se:

( )= [1 − . cos( )] (2.8)

A Figura 2.3 mostra a forma de onda da TRT de um circuito onde R=0,4Ω,


L=50μH e C=5μF. Para este circuito a constante de tempo é =0,25ms e a
frequência da TRT é = 6,312. 10 rad⁄s (HAFFNER, 2006).

Figura 2.3 – Forma de onda da TRT

180

160

140

120

100

80

60

40

20

0
0 0.2 0.4 0.6 0.8 1 1.2 1.4 1.6 1.8 2

Fonte – Próprio autor


8

2.1.3 TRANSITÓRIOS À FREQUÊNCIA DUPLA

Estes fenômenos geralmente estão associados a eliminação de uma falta de


longa distância. No circuito exibido na Figura 2.4 pode-se analisar este fenômeno.
Com a abertura do disjuntor em t=0, o circuito é dividido em duas malhas RLC
fechadas independente uma da outra. Uma formada pelos elementos R1, L1 e C1 que
inclui a fonte e outra por R2, L2 e C2 que inclui o curto (HAFFNER, 2006).

Figura 2.4 – Circuito Equivalente para estudo de transitórios de dupla frequência

Fonte - (HAFFNER, 2006)

Para determinar o valor da tensão sobre o capacitor, isto é, a tensão em uma


das extremidades do disjuntor, o cálculo da tensão é semelhante ao estudo efetuado
para o item 2.1.2. Do lado do curto, a análise consiste em determinar a tensão sobre
o capacitor C2 (HAFFNER, 2006).

2.2 REFLEXÃO DE ONDAS E COEFICIENTE DE REFLEXÃO

Quando ocorre o fechamento (energização) de uma linha de transmissão, a


energia elétrica é transmitida do início da linha até o seu final. A energia elétrica ao
chegar numa terminação que tem uma impedância característica diferente da linha
de transmissão, ela se submete a uma mudança súbita na impedância do meio.
9

Quando isso ocorre, há também alguma reflexão de energia incidente e a energia


refletida é perdida para a carga de entrada (BIRD, 2009).

A Figura 2.5 ilustra o sistema em estudo, constituído de uma fonte de tensão


senoidal , uma linha de transmissão com impedância , uma carga de impedância
, As amplitudes das ondas viajantes de tensão e corrente incidentes são
representadas por e , e que e representam as amplitudes das ondas
viajantes de tensão e correntes refletidas.

Se a impedância da terminação da linha for igual à impedância da linha, diz-


se que há um casamento de impedâncias, pois não há reflexão de onda. Caso a
terminação da linha seja solidamente aterrada ou se encontre em aberto, ocorre
reflexão total, toda a onda incidente reflete ao longo da linha.

Figura 2.5 – Linha de transmissão terminada com uma impedância ZL.

Fonte – Próprio autor

2.2.1 COEFICIENTE DE REFLEXÃO

Os termos V0+ (V0-) e I0+ (I0-) mostrados na Figura 2.5 estão intimamente
relacionados com os processos físicos de incidência, reflexão e transmissão das
ondas de tensão e corrente nos pontos de descontinuidade da linha. Estes
10

fenômenos são quantificados pelos coeficientes de reflexão e transmissão,


determinados com base no princípio de conservação de energia (condições de
interface) (BATISTA, 2014).

As Equações (2.9) e (2.10) são as ondas de tensão e corrente refletidas:


= (2.9)
+


= (2.10)
+

A Equação (2.11) representa a relação entre V0- e V0+ que é o coeficiente de


reflexão de tensão na carga (BATISTA, 2014) e a Equação (2.12) representam a
relação entre I0- e I0+ sendo o coeficiente de reflexão de corrente na carga.


ɼ = = (2.11)
+


ɼ = = (2.12)
+

2.2.2 TERMINAÇÃO EM CURTO-CIRCUITO

Quando o final de uma linha está em curto-circuito, a sua impedância é zero,


sendo que a tensão desenvolvida através da linha deve ser zero nenhuma potência
é absorvida pela terminação. Para obter a tensão zero na terminação, a onda de
tensão refletida deve ter mesma magnitude e diferença de fase de 180°. Como não
há potência absorvida pela terminação, a onda de corrente refletida na terminação
deve ser igual à onda incidente. Dessa forma a corrente na terminação será o dobro
no curto-circuito. A tensão (e a corrente) resultante em qualquer ponto e a qualquer
11

instante de tempo é determinada pela soma das tensões (e correntes) devido as


ondas incidentes e refletidas (BIRD, 2009).

2.2.3 TERMINAÇÃO EM CIRCUITO ABERTO

Quando a linha de transmissão está com sua terminação aberta não haverá
absorção de potência pela linha, pois não irá existir circulação de corrente. Essa
condição é alcançada ao imaginar-se que uma corrente é refletida pela terminação
com mesma magnitude e diferença de 180° na fase. Como não há potência
absorvida pela terminação, a onda de tensão refletida na terminação deve ser igual
a onda incidente. Dessa forma a tensão na terminação deve ser dobrada no circuito
aberto. Analogamente ao caso de curto-circuito, a corrente resultante (e a tensão)
em qualquer ponto da linha de transmissão e qualquer instante de tempo é
determinada pela soma das correntes (e tensões) devida as ondas incidentes e
refletidas (BIRD, 2009).

2.2.4 IMPEDÂNCIA CARACTERÍSTICA

É a razão da amplitude de tensão e corrente da onda viajante. É determinante


para calcular quanta energia é transferida da fonte para a carga, a Equação (2.13)
representa a impedância característica num meio sem perdas.

= (2.13)

2.3 SOBRETENSÕES

Sobretensão é qualquer tensão entre fase e terra, ou entre fases, cujo


valor de crista exceda o valor de crista deduzido da tensão máxima do
equipamento ( . √2⁄√3 ou . √2 , respectivamente). Sendo a Tensão
máxima do equipamento ( ) o máximo valor eficaz de tensão fase-fase
12

para o qual o equipamento é projetado, considerando-se o seu isolamento,


bem como outras características relacionadas a esta tensão nas normas
específicas para o equipamento em questão (NBR 6969, 2000).

A Figura 2.6 representa uma onda de surto.

Figura 2.6 – Onda de Surto

Fonte - (MARROQUES, 2015)

A Figura 2.7 mostra a origem virtual (O1) para uma de onda de tensão, a
norma IEC 60060-1 a define como sendo a interseção entre a linha que liga os
pontos de 30% e 90% do valor de crista (Vcr) e o eixo do tempo (t). O tempo de onda
(T1) é 1,67 o valor de T, onde T é o intervalo de tempo em que Vcr atinge os valores
de 30% e 90%. O tempo de cauda (T2) é definido pelo intervalo de tempo entre a
origem virtual e o tempo em que o valor de crista decai para 50% conforme Figura
2.7 (MARROQUES, 2015).

A sobretensões podem ser de origem externa (descarga atmosférica direta ou


indiretamente) ou interna (manobras de equipamentos, curto-circuito, retificadores)
ao sistema. Sendo classificadas pela NBR 6939/2000 de acordo com a forma da
sobretensão, tempo de duração e seu efeito sobre a isolação. A Figura 2.8 mostra a
representação das formas das solicitações da tensão.
13

Figura 2.7 – Forma de onda padrão de surto de tensão (1,2/50μs)

Fonte - (MARROQUES, 2015)

Figura 2.8 – Representação das formas e formas das solicitações da tensão

Fonte – (NBR 6939, 2000)


14

2.3.1 SOBRETENSÃO TEMPORÁRIA

São caracterizadas por frequência fundamental de duração relativamente


longa, fracamente amortecida ou não amortecida, de natureza oscilatória e baixa
amplitude. São de fundamental importância na determinação da tensão nominal dos
para-raios, tomando-se como base a necessidade dos para-raios serem capazes de
absorver a energia associada a essas sobretensões, tem como causa geralmente
(BIRD, 2009):

 Faltas nos sistemas;


 Perda súbita de carga;
 Efeito ferrante;
 Ressonância e ferro-ressonância;
 Sobretensões longitudinais durante sincronização.

2.3.2 SOBRETENSÃO TRANSITÓRIA

São de curta duração, tipicamente de alguns milissegundos ou menos,


oscilatórias ou não oscilatórias, usualmente fortemente amortecidas. Sendo
classificadas em de frente lenta, frente rápida e frente muito rápida.

2.3.2.1 FRENTE LENTA

Sobretensão transitória, usualmente unidirecional, com tempo até a crista tal


que 20 µs < T1 ≤ 5000 µs, e tempo até o meio valor (na cauda) T2 ≤ 20 ms. Podem
originar-se de faltas, operações de chaveamento ou descargas atmosféricas diretas
nos condutores de linhas aéreas. São fortemente amortecidas.

Para fins de coordenação do isolamento, a forma de onda da tensão


representativa é o impulso de manobra normalizado utilizado nos ensaios,
apresentando tempo até a crista de 250 µs, e tempo até o meio valor de 2500 µs,
são originadas normalmente por (NBR 6939, 2000):

 Energização e religamento de linhas;


 Aplicação e eliminação de faltas;
15

 Rejeição de cargas;
 Chaveamento de correntes capacitivas e indutivas;
 Descarga atmosférica distante do ponto considerado nos condutores
fase de linhas aéreas.

2.3.2.2 FRENTE RÁPIDA

Sobretensão transitória, usualmente unidirecional, com tempo até a crista tal


que 0,1 µs < T1 ≤ 20 µs, e tempo até o meio valor (na cauda) T2 ≤ 300 µs. Tem
como forma de onda da tensão representativa o impulso atmosférico normalizado
utilizado nos ensaios, apresentando tempo até a crista de 1,2 µs, e tempo até o meio
valor de 50 µs, são normalmente originadas por (NBR 6939, 2000):

 Operações de manobra e faltas;


 Sobretensões devido às descargas atmosféricas incidindo diretamente nos
condutores fase de linhas aéreas, nos cabos para-raios ou nas estruturas de
linhas de transmissão ou por descargas a terra ou em estruturas próximas à
linha considerada (sobretensões induzidas);
 Sobretensões devido às descargas atmosféricas afetando as subestações.

2.3.2.3 FRENTE MUITO RÁPIDA

Sobretensão transitória, usualmente unidirecional, tem como forma


caracterizada um rápido aumento da tensão até um valor próximo a seu valor de
crista, resultando num tempo de frente (T1) geralmente inferior a 0,1 µs. Para
operações de seccionadores esta frente é tipicamente seguida por uma oscilação
com frequências acima de 1 MHz. A duração dessas sobretensões (Tt) é inferior a 3
ms, podendo ocorrer várias vezes. A amplitude da sobretensão depende do projeto
construtivo do seccionador e da configuração da subestação, podem originar-se de
faltas ou operações de chaveamento em subestações isoladas a gás (NBR 6939,
2000).
16

2.4 MÉTODOS DE REDUÇÃO DAS SOBRETENSÕES

As sobretensões geradas pela energização de linhas de transmissão tem


amplitude influenciada pela configuração e características do sistema elétrico a
jusante do equipamento. Podendo ser limitada por resistores de pré-inserção,
disjuntores sincronizados e para-raios em ambos os terminais da linha.

2.4.1 RESISTORES DE PRÉ-INSERÇÃO

Os Resistores de Pré-Inserção (RPI) para fechamento de disjuntores, é um


dos métodos mais utilizados para se reduzir a amplitude das sobretensões
transitórias geradas por manobras de chaveamento de linhas de transmissão
(SOUZA, 2010).
A Figura 2.9 representa o modelo de chave com resistor de pré-inserção, os
resistores são utilizados para chaveamento de redes a vazio, principalmente em
redes de alta e extra-altas tensões. Apesar de ser um método efetivo, devido ao alto
custo de implementação e manutenção, vem caindo em desuso (SOUZA, 2010).

Figura 2.9 - Modelo de resistor de pré-inserção

Fonte - (SOUZA, 2010)


17

2.4.2 PARA-RAIOS

Os para-raios de óxido de zinco (ZnO) tem demonstrado uma eficiente na


limitação de sobretensões ao longo da linha de transmissão, devido ao seu baixo
custo e facilidade de manutenção, e vem se tornando uma alternativa para
substituição dos resistores de pré-inserção. Os para-raios de ZnO têm característica
não linear, seu comportamento é definido por sua curva VxI, que pode ser dividida
em três regiões, conforme Figura 2.10 (HILEMAN, 1999).

Figura 2.10 - Curva característica V x I típica de um para-raios de óxido de zinco

Fonte - (HILEMAN, 1999).

 A região 1 é a máxima tensão de operação em regime contínuo do


para-raios (MCOV- Maximum Continuous Operating Voltage) ;
 A região 2 é conhecida como TOV (Transient Over Voltage), onde uma
pequena variação da tensão, gera uma grande variação da corrente;
 A região 3, é a região de proteção do para-raios contra descargas
atmosféricas. Nesta região, a corrente varia entre 1 e 100kA, e possui
uma relação aproximadamente linear com a tensão.

Um fator importante na determinação de um para-raio é a sua capacidade de


absorção de energia. Para-raios de ZnO normalmente possuem capacidade de
absorção de energia na faixa de 2 a 7 kJ/kV de sua tensão nominal (HILEMAN,
1999).
18

A energia absorvida por um para-raio é calculada pela Equação 2.14:

= ( ) ( ) (2.14)

Sendo:
( ) – tensão sobre o para-raio;
( ) – corrente drenada pelo para-raio;
– tempo onde se inicia a circulação de correntes pelo para-raios;
– tempo onde se cessa a circulação de correntes pelo para-raios.

2.4.3 CHAVEAMENTO CONTROLADO

O método de chaveamento controlado é muito eficiente no controle das


sobretensões. Tem como princípio atrasar o comando para fechamento dos polos do
disjuntor em intervalo de tempo definido, de forma que a tensão nos terminais do
disjuntor seja zero. A Figura 2.11 mostra os possíveis pontos ótimos para
fechamento dos polos do disjuntor (CARDOSO, 2009).

Figura 2.11 – Instantes ótimos para energização de linhas de transmissão

Fonte - (CARDOSO, 2009)


19

3 MODELOS DE LINHA DE TRANSMISSÃO


As linhas de transmissão podem ser representadas através de uma Equação
matricial que relacione as correntes injetadas nos nós com as tensões no mesmo,
através da matriz de admitância de barra, Ybarra (LEMOS, 2008).


̅ = (3.1)

Considerando as cargas como impedâncias conectadas as barras do sistema,


a rede elétrica tem a configuração simplificada mostrada na Figura 3.1 (LEMOS,
2008)

Figura 3.1 - Representação do sistema com n geradores e m barras de cargas para estudo de
estabilidade transitória

Fonte - (LEMOS, 2008)

De modo geral as linhas de transmissão podem ser divididas em três


modelos:

 Parâmetros concentrados;
 Parâmetros distribuídos;
 Parâmetros dependentes da frequência.
20

A escolha de qual modelo de parâmetro será utilizado na analise vai depender


do fenômeno que se deseja estudar, do comprimento e das características físicas da
linha.

3.1 PARÂMETROS CONCENTRADOS

Este modelo é muito utilizado para descrever linhas de transmissão curta,


com comprimento menor que 80 km. Os efeitos eletromagnéticos são representados
por capacitâncias e indutâncias concentradas em ambas as extremidades da linha.
O modelo de parâmetros concentrados não considera a variação dos parâmetros
com a frequência e as grandezas elétricas ao longo da linha. A linha é representa
pelo modelo π, mostrado na Figura 3.2.

Figura 3.2 – Modelo parâmetros concentrados

Fonte - (LEMOS, 2008)

̇ =( + ) (3.2)

= (3.3)

Sendo:

R – resistência por unidade de comprimento (Ω/km);

L – indutância por unidade de comprimento (H/km);

C – capacitância por unidade de comprimento (F/km);

d – comprimento da linha de transmissão (km);

f – frequência do sinal (Hz).


21

Analisando o circuito da Figura 3.2, as correntes I1 e I2 são:


= + (3.4)
2


= + (3.5)
2

1 1
+ −
= 2 (3.6)
1 1
− +
2

3.2 PARÂMETROS DISTRIBUÍDOS

Em uma linha de transmissão, uma perturbação leva um tempo finito para que
as ondas de tensão e corrente saiam de um terminal e trafeguem até chegar a outra
extremidade.

As figuras 3.3 e 3.4 representam o modelo de linha de transmissão


monofásica e um comprimento Δx da linha monofásica, respectivamente.

Figura 3.3 - Modelo de linha de transmissão monofásica

Fonte - (LEMOS, 2008)


22

Figura 3.4 - Representa um comprimento ∆x de uma linha monofásica

Fonte - (LEMOS, 2008)

As Equações (3.7) e (3.8) representam a impedância e admitância de linha


por unidade de comprimento, respectivamente.

̇= + (3.7)

= (3.8)

As tensões e correntes do trecho infinitesimal da Figura 3.4 são:

∆ = ∆ ( + ∆ ) (3.9)

∆ = ∆ (3.10)

No limite quando ∆ ⟶ 0:

= (3.11)

= (3.12)

Derivando novamente em relação à x, tem-se:

= = (3.13)

= = (3.14)
23

A primeira condição das soluções dessas duas equações, é que suas


segundas derivadas em relação a x sejam iguais as funções originais multiplicadas
pela constante yz. O que sugere uma Equação do tipo exponencial. Supondo que:

= √ + √ (3.15)

Derivando duas vezes em relação a x:

= √ + √ (3.16)

A Equação (3.16) satisfaz a primeira condição. Para obter a expressão da


corrente, substitui-se a Equação (3.15) na (3.12).

1 √
1 √
= − (3.17)

Quando x=0, as tensões e correntes são iguais na fonte e na carga.

= + (3.18)

1
= ( ) (3.19)

Fazendo = ⁄ e = , tem-se:

+
= (3.20)
2


= (3.21)
2

Substituindo A1 e A2 nas Equações (3.15) e (3.17):

+ −
= + (3.22)
2 2

+ −
= − (3.23)
2 2
24

Sendo:


ℎ( ) = (3.24)
2

+
cosh ( ) = (3.25)
2

Reescrevendo as Equações (3.22) e (3.23), tem-se:

= cosh ( )+ ℎ( ) (3.27)

= ℎ( ) + cosh ( ) (3.28)

Adotando a forma matricial de admitância Ybarra e fazendo Yc = Zc-1 pode-se


incluir essa resposta no estudo de transitórios eletromagnéticos:


⎡ ⎤
tanh ( ) ℎ( )⎥
=⎢ (3.29)
⎢ − ⎥
⎣ ℎ( ) tanh ( )⎦

3.3 PARÂMETROS DEPENDENTES DA FREQUÊNCIA

O comportamento de uma linha de transmissão com parâmetros dependentes


da frequência é descrito por equações diferenciais. Passando o sistema do domínio
do tempo para o domínio da frequência (LEMOS, 2008).

Assumindo = :

= ( + )( ) (3.30)

= (3.31)
+
25

Como, por definição os polos de um sistema são os valores de frequência


para os quais a função de transferência tende ao infinito:

F(s) = ∞ (3.32)

Quando =

( ) = 0 (3.33)

O sistema tem duas funções de transferência diferentes e que


( ) ( )

relacionam cada saída com duas entradas, observa-se que invertendo as funções de
transferência acima e igualando-as a zero percebe-se que compartilham o mesmo
conjunto de polos (LEMOS, 2008):

√ + . ℎ( ) = 0 (3.34)

O primeiro polo é − , reescrevendo a Equação acima para encontrar os


polos de uma maneira mais fácil, tem-se que (LEMOS, 2008):

= cos ( ) + ( ) (3.35)

Portanto,

− cos ( ) + ( ) − cos ( ) + ( )
ℎ = = = ( ) (3.36)
2 2

√ + . ( ) = 0 (3.37)
26

Reescrevendo a Equação (3.30):

= −( + )( ) (3.38)

Substituindo em (3.37):

√ + . −( + )( ). = 0 (3.39)

−( + )( ). = 0 (3.40)

O = 0 quando = , sendo = 1,2,3, … . Mostra que o sistema tem


infinitos polos.

Assim tem-se que:

−( + )( ). = (3.41)

Desenvolvendo a Equação (3.39) em função de s:

− ± ( ) −4 ( )
= (3.42)
2

A Equação (3.43) representa uma função de transferência em função dos


seus zeros e polos (LEMOS, 2008):

Π( − )
( )= (3.43)
Π( − )

C - constante;

- zeros do sistema;

- polos do sistema.
27

Reescrevendo a Equação (3.43) em forma de frações parciais, a Equação


(3.41) mostra um sistema com n polos, em que são os resíduos respectivos a
cada polo em sua fração parcial (LEMOS, 2008).

( )= (3.44)

Para calcular o resíduo , calcula-se o limite do produto da função de


transferência do sistema pela parcela referente a um polo quando ⟶ :

= lim ( )( − ) (3.45)

Reescrevendo de forma matricial, temos (LEMOS, 2008):

⎡ ⎤
⎢ − − ⎥
=⎢ ⎥ (3.46)
⎢ ⎥
⎢ ⎥
− −
⎣ ⎦
28

4 MATERIAIS E MÉTODOS

O sistema em estudo é uma linha de distribuição aérea de 34,5 kV com


extensão de 36 km que interliga uma subestação abrigada de 225 kVA pertencente
a EMBASA (Empresa Baiana de Águas e Saneamento) na cidade de Quijingue e
concessionária de energia COELBA na cidade de Cansanção.
A Figura 4.1 é a representação do sistema em estudo no ATPDraw

Figura 4.1 – Representação do sistema em estudo no ATPDraw

Fonte – Próprio autor

4.1 LINHA DE DISTRIBUIÇÃO

A linha de distribuição utilizada para estudo é uma linha área trifásica de


34,5 kV com extensão de 36 km. A Figura 4.2 apresenta a estrutura geométrica das
torres, tendo uma distância média entre os vãos das torres de 100 m, variando com
a topologia do terreno, tem uma distância mínima entre os cabos e a terra de 6 m. O
cabo utilizado é 4/0 e suas características estão descritas nas figuras 4.3 e 4.4.
29

Figura 4.2 – Geometria da estrutura das torres

Fonte – Próprio autor

Figura 4.3 – Características físicas cabo 4/0

Fonte – (CATÁLOGO NEXAN)


30

Figura 4.4 – Características elétricas cabo 4/0

Fonte - (CATÁLOGO NEXAN)

O programa ATPDraw dispõe da rotina LCC para o cálculo dos parâmetros de


linhas de distribuição, própria para realizar estudos de transitórios ou de regime
permanente.

Nas análises da linha de distribuição foram utilizadas os modelos PI,


BERGERON e JMARTI dos parâmetros da rotina LCC:

 MODELO PI - As capacitâncias e indutâncias são representadas por


parâmetros concentrados sendo os seus valores calculados para uma
frequência determinada, não considerando a variação dos parâmetros
com a frequência ao longo da linha.

 MODELO BERGERON - Utiliza o fenômeno de propagação de energia


de uma linha de distribuição, o distúrbio se propaga sujeito a
atenuações demorando um tempo finito até ser refletido por uma das
extremidades da linha, existindo um atraso de tensões e correntes em
31

terminais opostos. Apesar do modelo de BERGERON levar em


consideração a característica distribuída dos parâmetros, eles são
considerados invariante na frequência.

 MODELO JMARTI - Considera o efeito da variação da frequência


sobre os parâmetros distribuídos ao longo da linha, representando com
maior precisão os fenômenos eletromagnéticos na propagação da
onda.

A caixa de diálogo da rotina LCC do ATPADraw, mostradas nas figuras 4.5 e


4.6 disponibiliza duas janelas para preenchimento dos dados de entrada: Model e
Data. A caixa de diálogo das figuras 4.5 e 4.6 foram preenchidas com os dados da
estrutura da linha mostradas na Figura 4.2 e características construtivas dos cabos
mostrados nas figuras 4.3 e 4.4.

Figura 4.5 – Caixa de diálogo Model da rotina LCC para modelo de linha BERGERON

Fonte – Próprio autor


32

Figura 4.6 – Caixa de diálogo Date da rotina LCC

Fonte – Próprio autor

 MODEL

É composta por três subitens para preenchimento, sendo:

 System Type: é escolhida a topologia da linha de distribuição quanto a sua


estrutura física, podendo ser:
o Overhead Line (linha aérea);
o Single Core Cable (cabo com único núcleo);
o Enclosing Pipe (cabo enterrado).

 Standard Data: Este parâmetro é utilizado para informar a:


o Rho - Resistência do solo em Ω*m;
o Freg.init - Frequência da rede em Hz;
o Length – Comprimento da linha em km.

 Model – é realizada a escolha do modelo do parâmetros de linha que será


utilizado:
33

o Bergeron;
o PI;
o JMarti;
o Noda;
o Semlyen.

 DATA

A caixa de diálogo Data é utilizado para entrar com as caracteristicas


construtivas da linha.

 PH no: indica a numeração de fase de cada condutor. Todos os condutores


com o mesmo número serão considerados pertencentes a um conjunto de
cabos geminados.

 REACT: é o valor da reatância do condutor, em Ω/km (METRIC) ou Ω/mi


(ENGLISH), para uma unidade de espaçamento (m ou foot), e será válido na
frequência especificada. A indutância interna não é corrigida para o efeito
pelicular.

 ROUT: diâmetro do condutor


É o diâmetro externo do condutor tubular, em centímetros ou polegadas,
dependendo das unidades definidas pelo usuário (METRIC ou ENGLISH).

 RESIS: Resistência do condutor


Resistência CA do condutor, em Ω/km (METRIC) ou Ω/mi (ENGLISH).

 HORIZ: Distância horizontal do condutor


Este campo tem seu valor dado em metros ou pés, dependendo da unidade
escolhida. Nele se relaciona a distância horizontal entre o centro do condutor
(ou do conjunto de cabos geminados) a um referencial especificado pelo
usuário. Este referencial pode ser qualquer ponto da silhueta da torre, mas
deve ser o mesmo para todos os cabos.
34

 VTOWER: Altura vertical do condutor


O campo VTOWER representa a altura vertical do centro do condutor ou
conjunto de cabos geminados, em metros ou pés, dependendo da unidade
selecionada, medida na torre e a partir do solo.

 VMID: Altura vertical do centro do cabo condutor ou conjunto de cabos


geminados, medidos no meio do vão a partir do solo.

4.2 TRANSFORMADOR

O ATPDraw disponibiliza na sua biblioteca os modelos SATURABLE,


BCTRAN E HIBRIDO para a representação de transformadores. Neste trabalho foi
utilizado o modelo BCTRAN, não sendo obrigatório informar a curva de saturação e
nem a geometria do núcleo. Este modelo apresenta bom resultados para
transformadores com núcleo envolvido (VIANA, 2010).

O BCTRAN é uma rotina suporte desenvolvida para produzir a


representação linear através das matrizes [A]-[R] ou [R]-[ωL] de
transformadores trifásicos e monofásicos de múltiplos enrolamentos, para os
tipos de núcleo do tipo envolvido e envolvente a partir dos dados dos testes
de curto circuito e a vazio. As perdas por excitação podem ser levadas em
conta neste modelo, embora estas possam ser desprezadas para
transformadores monofásicos e trifásicos de baixa relutância (VIANA, 2010).

As características do transformador utilizado no sistema, para preenchimento


da caixa de diálogo das figuras 4.7 e 4.8 da rotina BCTRAN é mostrada abaixo:

 Tensão nominal: 34,5 kV – 380/220 V;


 Potência: 225 kVA;
 Tipo de ligação: delta – estrela;
 Núcleo: trifásico do tipo envolvido de três colunas;
 Perdas por excitação: 658,32 W;
 Perdas por curto-circuito: 2.070,83 W;
 Corrente de excitação: 2,5%;
 Impedância de curto-circuito: 4,95%.
35

Figura 4.7 – Caixa de diálogo BCTRAN dados a vazio

Fonte – Próprio autor

Figura 4.8 – Caixa de diálogo BCTRAN – dados curto circuito

Fonte – Próprio autor


36

4.3 PARA-RAIOS

Os para-raios utilizados são do tipo polimérico de distribuição 33 kV 10 kA


com as características (CATÁLOGO KEE):

 Modelo: KEP33A;
 Tipo de resistor não linear: Resistor não linear a base de óxido de zinco
(ZnO);
 Corrente nominal de descarga (In): 10 kA;
 Tensão nominal (VR): 33 kV;
 Tensão de operação contínua (VC): 28,05 kV;
 Tensão de referência (faixa)/Corrente de referência: 33,2 a 36,9 kV / 1 mA;
 Absorção de energia: 1 kJ/kV;

A representação dos para-raios foi feita através do modelo MOV Type 3-ph
que faz parte da biblioteca do ATPDraw, este modelo representa um resistor não
linear trifásico tipo ZNO.

O preenchimento da caixa de diálogo do para-raio deve ter os seguintes


parâmetros:

 Vref - Tensão de referência em [V] para o bloco;


 VFLASH - Tensão Flashover em pu. de Vref;
 Vzero - Tensão inicial em [V]. Opcional;
 COL - Número de colunas de para-raios;
 SER - Número de blocos em série em cada ramo;
 ErrLim - Tolerância em pu.

As figura 4.9 e 4.10 mostram as caixa de diálogo preenchida com os dados


dos para-raios utilizados no sistema. O subitem Output da caixa de diálogo em
destaque na Figura 4.9 é utilizado para que o usuário escolha quais informações
deseja como saída para as rotinas gráficas, enquanto a Figura 4.10 serve para que o
usuário entre com as característica V x I do para-raio.
37

Figura 4.9 – Caixa de diálogo do para-raio

Fonte – Próprio autor

Figura 4.10 – Caixa de diálogo das características V x I do para-raio

Fonte – Próprio autor


38

4.4 CHAVE DE MANOBRA

A chave utilizada para manobra do sistema é um conjunto de chave fusível de


distribuição “DHC” com características:

 Modelo: Chave fusível de 38kV-NBI150kV;


 Tensão máxima: 38 kV;
 Corrente nominal: 100 A.

As chaves são utilizadas para simular a abertura e fechamento de circuitos.


Nas simulações foi utilizado modelo de chaves tripólar SWIT_3XT. A caixa de
diálogo da SWIT_3XT mostrada na Figura 4.11

Figura 4.11 – Caixa de diálogo da chave

Fonte – Próprio autor


39

É necessário que o usuário preencha a Figura 4.11 com os dados de entrada:

 T-cl_1: definição do instante em que a chave será fechada [s];


 T-op_1: definição do instante em que a chave será fechada [s];
 Imar: a abertura da chave é determinada pela corrente, interruptor abre para
t> T-op se | I | <Imar.
40

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO
5.1 RESULTADOS

Os resultados das simulações têm como objetivo analisar as sobretensões e a


energia absorvida nos para-raios do sistema. Com o intuito de identificar qual o
modelo de linha de distribuição propicia a pior situação, foram feitas simulações no
ATPDraw para três modelos de linha de distribuição:

 Modelo PI;
 Modelo BERGERON;
 Modelo JMARTI.

Além da divisão pelos modelos de linhas de distribuição, as simulações


computacionais foram subdivididas em função da interligação dos para-raios na
terminação do alimentador:

 Sem os para-raios na terminação do alimentador;


 Com os para-raios na terminação do alimentador.

5.1.1 MODELO PI

É apresenta na Figura 5.1 a simulação para a situação em a chave da


derivação Cansanção é fechada com a subestação de Quijingue interligada ao
alimentador e sem os para-raios de entrada. Observa-se que as tensões na fase C
apresentam o maior valor de sobretensão, chegam a atingir um valor de pico de
56,8 kV. Esse valor de pico chega a atingir 2 vezes a tensão nominal de fase-terra
da linha.

Os resultados apresentados nas figuras 5.2, 5.3, 5.4 e 5.5 se diferenciam dos
resultados da Figura 5.1 pela interligação dos para-raios da subestação de Quijingue
ao alimentador. Pode-se observar na Figura 5.2 que os para-raios influenciam na
limitação da sobretensão no sistema, ela ficando limitada a 36,5 kV que corresponde
a 1,32 o seu valor nominal.
41

Figura 5.1 – Tensão no terminal de Quijingue sem os para-raios para o Modelo PI

70
[kV]

50

30

10

-10

-30

-50
0.00 0.05 0.10 0.15 0.20 0.25 0.30 0.35 [s] 0.40
(file Teste14.pl4; x-var t) v:X0045A v:X0045B v:X0045C

Fonte – Próprio autor

Figura 5.2 – Tensão no terminal de Quijingue com os para-raios para o Modelo PI


70
[kV]

48

26

-18

-40
0.00 0.05 0.10 0.15 0.20 0.25 0.30 0.35 [s] 0.40
(file Teste14.pl4; x-var t) v:X0039A v:X0039B v:X0039C

Fonte – Próprio autor

A Figura 5.3 é a potência instantânea nos para-raios, enquanto na Figura 5.4


é a energia ( ) absorvida pelos para-raios. Observa-se que a energia armazenada
42

no para-raio interligado a fase C atinge o valor de = 245,6 , sendo o maior valor


entre as três fases.

Figura 5.3 – Potências nos para-raios do terminal de Quijingue para o Modelo PI

Fonte – Próprio autor

Figura 5.4 – Energia absorvida nos para-raios de Quijingue para o Modelo PI

Fonte – Próprio autor


43

A corrente drenada pelo para-raio é apresentada na Figura 5.5, a análise da


máxima corrente de dreno ( ) é importante para coordenação da proteção da
derivação de Cansanção. Ela tem como valor máximo á = 37 .

Figura 5.5 – Corrente drenada pelo para-raio de Quijingue para o Modelo PI


50
[A]

40

30

20

10

-10
0.00 0.05 0.10 0.15 0.20 0.25 0.30 0.35 [s] 0.40
(file Teste14.pl4; x-var t) c:X0039A-X0055A c:X0039B-X0055B c:X0039C-X0055C

Fonte – Próprio autor

5.1.2 MODELO BERGERON

A Figura 5.6 representa as sobretensões quando é realizado o fechamento da


chave da derivação de Cansanção, energização do alimentador, sem que os para-
raios de entrada da subestação de Quijingue estejam interligados a terminação do
alimentador. Observa-se que as tensões na fase C apresentam o maior valor de
sobretensão, chegam a atingir um valor de pico de 61,2 kV. Esse valor de pico
chega a atingir 2,2 vezes a tensão nominal de fase-terra da linha.

As figuras 5.7, 5.8, 5.9 e 5.10 são os resultados para as simulações de


energização do alimentador com os para-raios da subestação de Quijingue
interligados a terminação do alimentador. Pode-se observar na Figura 5.7 que os
para-raios influenciam na limitação da sobretensão no sistema, ela ficando limitada a
36,5 kV que corresponde a 1,32 do seu valor nominal da tensão fase-terra.
44

Figura 5.6 – Tensão no terminal de Quijingue sem os para-raios para o modelo BERGERON
70
[kV]

44

18

-8

-34

-60
0.00 0.05 0.10 0.15 0.20 0.25 0.30 0.35 [s] 0.40
(file Teste14.pl4; x-var t) v:X0043A v:X0043B v:X0043C

Fonte – Próprio autor

Figura 5.7 – Tensão no terminal de Quijingue com os para-raios para o modelo BERGERON
70
[kV]

48

26

-18

-40
0.00 0.05 0.10 0.15 0.20 0.25 0.30 0.35 [s] 0.40
(file Teste14.pl4; x-var t) v:X0039A v:X0039B v:X0039C

Fonte – Próprio autor

A potência instantânea e a energia armazenada pelos para-raios são


mostradas nas figuras 5.8 e 5.9, respectivamente. Observa-se que a energia
45

adsorvida no para-raio interligado a fase C apresenta maior valor, atingindo o valor


de = 478,77 .

Figura 5.8 – Potências nos para-raios do terminal de Quijingue para o modelo BERGERON

Fonte – Próprio autor

Figura 5.9 – Energia absorvida nos para-raios de Quijingue para o modelo BERGERON

Fonte – Próprio autor


46

A Figura 5.10 representa a corrente drenada pelo para-raio, tendo como


corrente máxima = 40A .

Figura 5.10 – Corrente drenada pelo para-raio de Quijingue para o modelo BERGERON

50
[A]
40

30

20

10

-10
0.00 0.05 0.10 0.15 0.20 0.25 0.30 0.35 [s] 0.40
(file Teste14.pl4; x-var t) c:X0038A-X0048A c:X0038B-X0048B c:X0038C-X0048C

Fonte – Próprio autor

5.1.3 MODELO JMARTI

É apresenta na Figura 5.11 a simulação para a situação em a chave da


derivação Cansanção é fechada com a subestação de Quijingue interligada ao
alimentador e sem os para-raios de entrada. Observa-se que as tensões na fase A
apresentam o maior valor de sobretensão, chegam a atingir um valor de pico de
58,5 kV. Esse valor de pico chega a atingir 2,1 vezes a tensão nominal de fase-terra
da linha.

As figuras 5.12, 5.13, 5.14 e 5.15 são os resultados para as simulações de


energização do alimentador com os para-raios da subestação de Quijingue
interligados a terminação do alimentador. Pode-se observar na Figura 5.12 que os
para-raios influenciam na limitação da sobretensão no sistema, ela ficando limitada a
36,9 kV que corresponde a 1,33 do seu valor nominal da tensão fase-terra.
47

Figura 5.11 – Tensão no terminal de Quijingue sem os para-raios para o modelo JMARTI
70
[kV]

50

30

10

-10

-30

-50
0.00 0.05 0.10 0.15 0.20 0.25 0.30 0.35 [s] 0.40
(file Teste14.pl4; x-var t) v:X0045A v:X0045B v:X0045C

Fonte – Próprio autor

Figura 5.12 – Tensão no terminal de Quijingue sem os para-raios para o modelo JMARTI
70
[kV]

48

26

-18

-40
0.00 0.05 0.10 0.15 0.20 0.25 0.30 0.35 [s] 0.40
(file Teste14.pl4; x-var t) v:X0039A v:X0039B v:X0039C

Fonte – Próprio autor

A potência instantânea e a energia armazenada pelos para-raios são


mostradas nas figuras 5.13 e 5.14, respectivamente. Observa-se que a energia
48

adsorvida no para-raio interligado a fase B apresenta maior valor, atingindo o valor


de = 226,97 .

Figura 5.13 – Potências nos para-raios do terminal de Quijingue para o modelo JMARTI

Fonte – Próprio autor

Figura 5.14 – Energia absorvida nos para-raios de Quijingue para o modelo JMARTI

Fonte – Próprio autor

A Figura 5.15 representa a corrente drenada pelo para-raio, tendo como


corrente máxima = 50A.
49

Figura 5.15 – Corrente drenada pelo para-raio de Quijingue para o modelo JMARTI
60
[A]
50

40

30

20

10

-10

-20
0.00 0.05 0.10 0.15 0.20 0.25 0.30 0.35 [s] 0.40
(file Teste14.pl4; x-var t) c:X0039A-X0055A c:X0039B-X0055B c:X0039C-X0055C

Fonte – Próprio autor

5.2 DISCUSSÃO

Pela Tabela 1 pode-se observar que o modelo de linha de distribuição que


gera maior absorção de energia pelos para-raios é o BERGERON, absorvendo
= 478,77 , e o modelo JMARTI apresentou o menor de valor absorção de energia
= 226,97 .

Tabela 1 – Comparação entre os modelos de linha


MODELO DE LINHA

PI BERGERON JMARTI

Tensão na subestação sem 56,8 kV 61,2 kV 58,5 kV


para-raios
Tensão na subestação com 36,5 kV 36,5 kV 36,9 kV
para-raios
Potência dissipada pelos 1,35 MW 1,48 MW 1,8 MW
para-raios
Energia absorvida pelos 245,6 kJ 478,8 kJ 226,97 kJ
para-raios
Corrente drenada pelos 37 A 40 A 50A
para-raios
Fonte – Próprio autor
50

Como a capacidade de absorção de energia dos para-raios é definida pela


relação ( ) em [kJ/kV], temos que os para-raios das simulações do modelo
BERGERON tiveram uma relação de:

= (5.1)

Sendo:

 - energia absorvida pelo para-raio;


 - Tensão operação do para-raio;

Os para-raios utilizados no sistema em estudo são de classe 1 e têm a


relação de absorção de energia de = 1 / e = 33 , tendo uma
capacidade máxima de absorção de energia de = 33 .

Para a pior situação de relação, modelo BERGERON, tem-se:

478,77 × 10
= = 14,51
33 × 10

Para a melhor situação de relação, modelo JMARTI, tem-se:

226,97 × 10
= = 6,88
33 × 10

Os resultados das simulações mostram que os para-raios utilizados no


sistema não têm a capacidade de absorção de energia gerada no momento da
energização do alimentador do sistema, estando bem acima da capacidade de
absorção de energia dos para-raios utilizados. Assim, justificando os problemas
frequentes de rompimento dos para-raios do sistema.
51

5.3 SUGESTÕES

Como este trabalho tem como objetivo analisar as situações presentes no


sistema e propor soluções. Abaixo estão relacionados dois métodos de controle de
sobretensão como soluções possíveis para serem aplicadas ao sistema:

 Chaveamento controlado;
 Para-raios.

5.3.1 CHAVEAMENTO CONTROLADO

Devido ao modelo de linha BERGERON ter apresentado os níveis de


absorção de energia mais altos, eles foram utilizados para analise da técnica de
chaveamento controlado. O instante de chaveamento da chave de derivação de
Cansanção foi definido no momento ótimo de 0°. Nas figuras 5.16 e 5.17 mostram as
tensões na subestação de Quijingue e a energia absorvida pelos para-raios,
respectivamente.

Figura 5.16 – Tensão na subestação de Quijingue para chaveamento a 0°no


Modelo BERGERON

40
[kV]
30

20

10

-10

-20

-30

-40
0.00 0.02 0.04 0.06 0.08 0.10 [s] 0.12
(file Teste14.pl4; x-var t) v:X0039A v:X0039B v:X0039C

Fonte – Próprio autor


52

Figura 5.17 – Energia absorvida pelos para-raios da subestação de Quijingue para


chaveamento a 0° no Modelo BERGERON

Fonte – Próprio autor

Pode-se observar que o método de controle de chaveamento controlado


demonstra ser um método eficiente no controle da sobretensão de chaveamento,
limitando a sobretensão a 32,9 kV e 4,1 kJ a energia necessária para ser absorvida
pelos para-raios da subestação de QUIJINGUE.

5.3.2 PARA-RAIO

O método de controle de sobretensões com o uso de para-raios já é utilizado


ao sistema em estudo, porém as simulações no ATPDraw mostram que ela não está
atuando de forma a garantir a continuidade e integridade do sistema. Os para-raios
que são utilizados no alimentador são de classe 1 e têm uma capacidade de
absorção de energia reduzida, sendo de = 1 / , sendo que na melhor
situação das simulações, modelo JMARTI, a energia absorvida pelo para-raios teve
uma relação de = 6,88 / . Mesmo utilizando os para-raios de classe 2 da
ABB para essa faixa de tensão, que tem a = 5,5 / de , não suportariam
esse nível de absorção de energia.
53

Para adotar os para-raios como método de controle das sobretensões no


sistema em estudo é necessário que os para-raios sejam instalados de forma
distribuída ao longo do alimentador. Assim a energia que seria absorvida pelos para-
raios na terminação do alimentador em Quijingue seja distribuída pelos para-raios ao
longo do alimentador.

Para determinar qual a maior quantidade de energia que o para-raio poderá


absorver, será utilizado como referência o catalogo da ABB para para-raios de
classe 2, mostrado na Tabela 2:

Tabela 2 – Para-raios ABB

Tensão continua de Tensão Nominal Absorção de Energia


operação -
[ ] [ ] [ ]
27 33,8 185,9
Fonte – CATÁLOGO ABB

Sendo, = 185,9 a energia máxima que os para-raios classe 2 da ABB


(CATÁLOGO ABB) podem absorver. Foram feitas simulações da distribuição dos
para-raios ao longo do alimentador de forma que a energia absorvida por eles esteja
dentro de sua capacidade. As tabelas 3 e 4 mostram a energia absorvida pelos para-
raios em função da quantidade de para-raios distribuídos ao longo do alimentador
para os modelos de linha JMARTI e BERGERON, respectivamente.

Tabela 03 – Energia absorvida pelos para-raios para modelo JMARTI


Quantidade
De Energia Absorvida Pelos Para-Raios (kJ)
Trechos
1 2 3 4
1 0,15 208,99
2 0,15 121,55 192,71
3 0,15 33,11 146,31 167,8
Fonte – Próprio autor
54

Tabela 04 – Energia absorvida pelos para-raios para modelo BERGERON

Quantidade
De Energia Absorvida Pelos Para-Raios (kJ)
Trechos 1 2 3 4 5 6 7 8
1 0.51 454,05
2 0,35 169,56 347,1
3 0,02 38,13 209,64 283,91
4 0,01 18,58 66,29 201,05 213,82
5 0,01 13,28 35,89 85,92 230,76 213,14
6 0,02 10,39 20,76 48,73 95,47 218,90 198,45
7 0,01 8,07 12,92 28,58 53,37 103,47 166,33 176,4
Fonte – Próprio autor

A Figura 5.18 apresenta a subdivisão do alimentador, para que os para-raios


possam ser utilizados de forma eficiente na absorção de energia na terminação da
linha para o modelo de BERGERON. Sendo o que apresentou a maior energia para
ser absorvida pelos para-raios da terminação em Quijingue. Os para-raios ficaram a
uma distância de 5,15 km um do outro.

Figura 5.18 – Representação do alimentador de Cansanção – Quijingue para o modelo BERGERON,


dividido em sete trechos, com os para-raios instalados ao longo do alimentador

Fonte – Próprio autor


55

Na Figura 5.19 mostra a quantidade de energia absorvida, = 176,40 , pelo


para-raio da terminação do alimentador de Cansanção - Quijingue para a
configuração da Figura 5.18.

Figura 5.19 – Energia absorvida pelos para-raios na terminação de Quijingue para a distribuição da
Figura 5.18 no modelo de linha BERGERON

Fonte – Próprio autor


56

6 CONCLUSÃO
A proposta deste trabalho é a utilização do software ATPDraw (Alternative
Transient Program Draw) na investigação de transitórios de sobretensão existentes
no alimentador Cansanção - Quijingue e seus efeitos sobre os para-raios do sistema.

Nas simulações no ATPDraw são utilizados três modelos de linha distribuição:


PI, BERGERON e JMART, com o objetivo de identificar qual modelo exigiria maior
nível de absorção de energia pelos para-raios localizados na terminação do
alimentador. As simulações mostram que o modelo de linha BERGERON apresentou
maior de nível de energia para ser absorvida pelos para-raios na terminação do
alimentador em Quijingue e seria necessário que eles absorvessem uma energia
maior que sua capacidade construtiva. Também observa-se pelas simulações as
correntes drenadas pelos para-raios, de forma que possa ser feita uma coordenação
nas proteções de sobrecorrente do alimentador.

Apesar do trabalho não ter por objetivo propor soluções para que os para-
raios atuassem de forma correta com intuito de garantir a proteção do sistema, são
propostas dois métodos de controle das sobretensões para limitar a energia nos
para-raios na terminação do alimentador. O método de controle de sobretensão por
controle de chaveamento demonstrou ser mais eficiente na energização do
alimentador, sendo possível fazer o fechamento da chave no ponto ótimo de
chaveamento, a tensão em 0°. Já o modelo de controle através de para-raios
mostrou a necessidade de instalação de uma maior distribuição de para-raios ao
longo do alimentador para que a energia que os para-raios da terminação do
alimentador tenha um nível de energia absorvida dentro da sua capacidade.

Como propostas para trabalhos futuros que venham a dar continuidade à


pesquisa podem citar-se as seguintes:

 O aprofundamento dos estudos sobre o modelo BERGERON e JMARTI para


que possa ser identificado qual modelo representa melhor o sistema;
 O estudo de outros métodos de controle de sobretensões de chaveamento.
57

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