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Sobre as semelhanças e diferenças entre

Inteligência e Investigação
Eduardo Pascoal de Souza Brasília (DF) · 7/3/2009

A questão sobre as semelhanças e distinções entre inteligência e investigação policial, ainda


gera algumas discussões a respeito, assim, entendo que para refletir sobre o tema devemos
considerar algumas coisas:

1 – Em qualquer organização a sua linha de ação é dividida em três níveis: estratégico, tático
e operacional. É a maneira que qualquer ente se comporta em seu meio ambiente, o que não
é diferente para um indivíduo. Qual é a pessoa que não realiza ações ou pensa questões a
longo, médio e curto prazo?

2 – A tendência de qualquer ente (organizacional ou individual) é se relacionar com o meio


ambiente, desta relação fica impressões, significados, que coletados e buscados podem ser
considerados informe, informação, apreciação ou estimativa.

Isto não é diferente com o homem, ser social clássico, ele extrapola os limites das relações
com o meio ambiente, todo contato que possui alimenta dados por meio das pessoas e
demais coisas, sendo que estes, por muitas vezes, perpetuam e multiplicam estes dados por si
só.

Por exemplo: quantas vezes você já recebeu ligação de bancos ou empresas com o qual
nunca teve contato, porém, os mesmos já possuíam informações sobre a sua pessoa? Quantas
vezes, pessoas que você nunca viu na vida já ouviram falar a seu respeito?

3 – Por conta da globalização, as relações organizacionais e individuais se intensificaram o


que gerou uma hiperabundância de informações, mais importante do que ter informação,
é extrair a sua adequada compreensão, ou seja, conhecimento.

Inclusive, esta questão é objeto da obra: Ansiedade de Informação, Como Transformar


Informação em Compreensão, Autor Richard Saul Wurman, Editora Cultura.

No momento em que vivemos, produzir conhecimento, otimizar a informação num contexto


de hiperabundância, além de ser uma necessidade de sobrevivência organizacional, é
também uma habilidade cada vez mais cobrada do homem para continuar a se relacionar
com tudo.

É uma nova postura que as pessoas e organizações devem tomar diante da informação,
muitos se enganam ao imaginar que isto é coisa restrita a cenários hollywoodianos high- tech
ou a alta capacidade de processamento de dados.

A informação não está somente nas redes de informática, mas também nas pessoas, coisas e
relações existentes, por isso que administrar informações e extrair compreensão para atender
necessidades é o novo desafio do homem, querendo ou não, sendo uma Microsoft, um
gestor, um analista de informações, um investigador criminal, ou o José de tal, todos terão de
trabalhar as informações em suas áreas de relevância.

4 – Os envolvidos com o crime, em sua relação com o meio ambiente e mais


especificamente, com o cenário do crime, alimenta dados nas mais diversas coisas e pessoas,
direta ou indiretamente, assim, crimes, envolvidos, questões conexas, ou seja, toda gama de
informações que diz respeito a tais coisas são objetos tanto da Investigação como da
Inteligência Policial.

Porém, este trato intelectivo da informação exige a definição de abordagem própria, em


acordo com a atividade que irá se desenvolver (investigação ou inteligência), ou à medida
que galgamos os níveis de abrangência dentro da organização – estratégico, tático e
operacional.

Assim, surge a Inteligência Policial como instrumento de apoio e assessoria nos níveis
táticos e estratégicos da organização policial, onde se trabalhará as informações que dizem
respeito ao “alvo”, a fim de que a organização tenha a percepção adequada das realidades
com as quais lidará nestes níveis de relação ambiental, além disso, a atividade em questão
atua no suporte e auxílio às investigações policiais, dentro do nível operacional.

Esta é a razão de haver Centros de Inteligência para auxiliar no trato das questões
estratégicas e táticas de instituições de Segurança Pública; caso verifiquemos o organograma
destas organizações, a posição de um órgão de inteligência o aponta para tal fim, você não o
localizará na base do organograma, mas sim entre o nível superior e intermediário da
organização.

Entendo que Inteligência se destaca pela capacidade de gerar uma cultura organizacional de
valorizar a informação dentro de uma instituição, a sua doutrina promove a força coletiva de
explorar o poder da construção do conhecimento numa organização.

Quanto à Investigação Policial, o seu objetivo é instrumentar a persecução penal, ou seja, é


atividade preponderante no nível operacionail da organização policial de investigação.

Esta modalidade de investigação criminal também se opera dentro de uma metodologia


voltada para compreender uma realidade, porém, o objetivo de sua abordagem é específico a
esclarecer um evento criminoso e coletar provas, que são elementos verificáveis,
responsáveis em apontar a materialidade e autoria de um crime.
Inclusive, no Curso Investigação Criminal do EaD/SENASP/MJ (2008), fica bem claro que a
Investigação Criminal também visa conhecer uma realidade:

“Não há dúvida de que o processo de investigação criminal corresponde ao processo de


produção de um conhecimento científico, pois, tal qual uma pesquisa científica, é movido
por um raciocínio correto e ordenado....” (Curso Investigação Criminal EaD/SENASP/MJ,
Módulo I, Pág. 3).

“Todas as formas de conhecimento pretendem conhecer a realidade” (Curso Investigação


Criminal EaD/SENASP/MJ, Módulo V, Pág. 2).

5 - Portanto, ante ao contexto apresentado, tanto a Inteligência quanto à Investigação, apesar


das semelhanças, possuem objetivos distintos, todavia, ambas visam extrair compreensão de
uma malha infindável de informações, presentes no meio ambiente com que lidam assim
como se dá com a pesquisa científica e o processo penal:

“A pesquisa científica, as atividades e operações de inteligência, a investigação criminal e o


processo penal buscam a verdade.

A evolução de seus métodos, técnicas e instrumentos de busca da verdade, portanto, podem


ser reconduzidos a um modelo único de comparação. Por exemplo, a técnica de pesquisa
denominada observação (participante ou não), utilizada na pesquisa científica, é uma idéia
básica que se denomina respectivamente vigilância, na inteligência, e campana, na
investigação criminal.

As diferenças fundamentais são os critérios de aceitabilidade da verdade, objetivos, marcos


teóricos e regras formais específicas de produção. Por exemplo, no processo penal,
objetiva-se uma verdade processual, necessária à tomada de decisão judicial, enquanto,
numa atividade de inteligência destinada a um “processo político”, o grau de aceitabilidade
do caráter de verdade de um fato é o necessário para uma decisão política.

Os métodos, técnicas e instrumentos das atividades e operações de inteligência e da


investigação criminal podem ser reconduzidos ao modelo geral do método científico.

Todos estabelecem um problema, hipótese, objetivo, justificativa/relevância, situação do


tema/problema, marco teórico, métodos/técnicas/instrumentos de pesquisa,
população/amostra, cronograma, conclusão, produção do relatório de pesquisa etc. As
terminologias podem ser diferentes, mas a idéia básica é a mesma.” (Pacheco, 2005, item
1.3).

Entendo que em muitas unidades policiais de investigação se verifica a fusão entre a figura
do analista de inteligência com a do investigador criminal, o que levam muitos a entender
que Inteligência é a mesma coisa que Investigação Policial.

Às vezes, por conta da maneira como se desdobra a investigação e em razão da necessidade


do serviço, em dado momento o policial lida com as informações para assessorar os
trabalhos, agindo como analista, assim, faz levantamentos, por meio de fontes tais como
sistemas e informantes, porém, noutro momento, ele realiza atos próprios de investigação,
como a oitiva de testemunhas e o estudo de Laudo Pericial, o que não deixam de ser também
informações, entretanto, estas irão compor os procedimentos pertinentes à formação de
materialidade e autoria de um crime.

Enfim, relacionar-se com a informação e extrair compreensão é uma necessidade de todos,


dentro da prioridade de cada um.

Glossário

EaD - Ensino à Distância

SENASP - Secretaria Nacional de Segurança Pública

MJ - Ministério da Justiça