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DESENVOLVIMENTO COGNITIVO NA VIDA ADULTA

APRENDIZAGEM NA VIDA ADULTA


DESENVOLVIMENTO INTELECTUAL DO JOVEM E DO ADULTO Quem é o adulto Como
pensa o adulto

DESENVOLVIMENTO INTELECTUAL DO JOVEM E DO ADULTO


Quem é o adulto O que diz o dicionário? 1. Diz-se do indivíduo que atingiu o completo
desenvolvimento e chegou à idade vigorosa. 2. Que atingiu a maturidade. 5. Diz-se de
indivíduo que atingiu plena maturidade, expressa em termos de adequada integração
social e adequado controle das funções intelectuais e emocionais.

Conforme a lei É a pessoa a partir de 18 anos de idade.


E como é que fica aquele com 17 anos, 11 meses e 29 dias? Ainda é adolescente,
conforme a lei.

Compare as duas definições para adulto: a do dicionário e a da lei


Compare as duas definições para adulto: a do dicionário e a da lei. Existe uma
concordância perfeita entre as duas definições? No que elas diferem? Será que, por ter
atingido a idade de 18 anos, uma pessoa atingiu o pleno desenvolvimento emocional e
intelectual? Será que isso tem alguma importância para a aprendizagem na vida
adulta?

Como pensa o adulto Para estudar a maneira como pensa o adulto, precisamos nos
apoiar em alguma teoria. A teoria que servirá de base para explicar a forma como
pensa e o processo de aprendizagem do adulto é a Epistemologia Genética.

Relembrando a Epistemologia Genética


A Epistemologia Genética de Jean Piaget tem como interesse estudar a gênese das
estruturas cognitivas, explicando-a pela construção mediante a interação radical entre
sujeito e objeto. Para Piaget, o desenvolvimento ocorre de forma que as aquisições de
um período sejam necessariamente integradas nos períodos posteriores. É o “caráter
integrativo” segundo o qual “as estruturas construídas numa idade dada se tornam
parte integrante das estruturas da idade seguinte”. Ou seja, a partir do nascimento,
inicia-se o desenvolvimento cognitivo e todas as construções do sujeito servem de
base a outras.

Estádios de desenvolvimento
Piaget diz que os estádios de desenvolvimento: obedecem a uma ordem de sucessão
constante; apresentam idades variáveis. O desenvolvimento cognitivo dá-se na relação
com o meio, porém, ele é individual. O estádio em que um indivíduo se encontra “é
radicalmente individual, não pode, pois, ser confundido com o de nenhum outro
indivíduo”. Podem existir diferenças para as médias de idades entre as culturas, mas
existem, também, diferenças de um sujeito para outro em uma mesma cultura.

Então, o que nos dirá se alguém se encontra em um ou outro período do


desenvolvimento?
O que nos dirá se um sujeito se encontra em um ou outro período do desenvolvimento
não será a sua idade, mas, ao contrário, será a sua relação com o objeto do
conhecimento, será a sua maneira de pensar, refletida no modo como lida com os
problemas da realidade, seja ela interna ou externa. Serão suas características
cognitivas que nos mostrarão em que período de desenvolvimento se encontra, e não
o inverso. A partir da idade, apenas, não podemos fazer afirmações definitivas sobre o
seu nível de desenvolvimento.

ESTÁDIOS DO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO


Os estádios do desenvolvimento e as médias de idade são as seguintes: 1) sensório-
motor - do nascimento até aproximadamente um ano e meio, dois anos; 2) pré-
operatório - de aproximadamente um ano e meio até por volta dos sete anos; 3)
operatório-concreto - por volta dos sete até em torno dos doze anos; 4) operatório-
formal - desde cerca dos doze anos, perdurando pela vida adulta

Pensa um pouco, levando em conta a teoria e a realidade conhecida: Se a teoria diz


que, em média, as pessoas atingem o operatório formal aos doze anos, isso significa
que todas as pessoas, ao atingirem doze anos atingem o estádio das operações
formais? Isso significa que todos os adultos, por atingirem 18 anos de idade,
automaticamente, atingiram o período operatório formal do desenvolvimento
cognitivo?

ESTÁDIO OPERATÓRIO FORMAL


Apesar de sabermos que nem todos os adultos sejam operatório formais, aqui serão
apresentadas as características do pensamento operatório-formal, já que, em média,
essas são as características cognitivas encontradas a partir dos doze anos. O
pensamento formal permite: refletir para além do real presente; refletir sobre
possibilidades; fazer planos; elaborar “teorias”; construir “sistemas”; pensar sobre o
próprio pensamento.

A construção de teorias é uma necessidade para a convivência entre adultos. Enquanto


os relacionamentos da criança esgotam-se nas relações interindividuais, os
relacionamentos do adulto são transindividuais pois envolvem as crenças, as
ideologias, as “teorias” que perpassam o mundo. As construções operatório-formais
oferecem “uma teoria das relações entre si, enquanto que o agrupamento fornecia
uma teoria das relações entre a parte e o todo” (MONTANGERO e MAURICE-NAVILLE,
1998, p. 195). A adaptação ao mundo social adulto exige uma reflexão da inteligência
sobre si mesma.

No estádio operatório formal: - Constituem-se instrumentos de verificação


experimental que permitem controlar variáveis: dentre um conjunto de fatores poder
destacar um, fazendo-o variar e deixando os outros invariantes Surge a capacidade de
formular hipóteses ou capacidade de desligar-se temporariamente da atividade
concreta dando prosseguimento à atividade mental mediante um jogo puramente
proposicional: é o raciocínio hipotético dedutivo. - Há uma inversão nas relações entre
o real e o possível. Cria-se um mundo de possibilidades de cujo conjunto o real é
apenas um setor limitado. Os instrumentos oriundos do plano das possibilidades
permitem estabelecer relações entre teorias, produzindo nelas transformações.

Pensamento formal e ensino: O adulto, tal qual a criança e o adolescente, não aprende
ouvindo respostas prontas. Aprende resolvendo problemas que dizem respeito ao
mundo físico ou social em que vive e lançando hipóteses sobre as transformações que
devem ser implementadas. A escola que continuar a insistir no repasse de conteúdos
prontos estará na contramão da dinâmica própria do pensamento. Reflita sobre a
importância de conhecer as características do pensamento operatório-formal para a
educação de jovens e adultos.

DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL

Fase Genital (Vida Adulta)

 Segundo Freud: homem normal é aquele que é capaz de “amar etrabalhar”


 Elaboração do mundo objetivo, possível pela adaptação biológica e psicológica que
lhe permite:
 Discriminar seu papel como pessoa
 Desenvolver a inteligência e a sociabilidade
 Isto o torna capaz de sublimar, ou seja, de canalizar seus desejos afetivos em
atividades socialmente produtivas:
 Obras sociais
 Profissão
 Ideologia (política, religiosa)
Vida saudável é possível graças a um desenvolvimento saudável, porém crises fazem
parte da vida

DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL

Vida Adulta
 Crise (Caplan): reações de uma pessoa a eventos traumáticos (morte de pessoa
querida, nascimento prematuro de um filho, perda de emprego, doença)
 As crises ocorrem por mudanças internas ou externase enfraquecem
temporariamente a estrutura do ego
 A solução para uma crise pode ser saudável ou doentia, já que deve ocorrer uma
resolução / mudança de ação
 A intervenção eficiente (profissional ou não) é mais prontamente aceita porque o
sujeito está vulnerável
Desenvolvimento Motor em adultos

O desenvolvimento e crescimento humano nos períodos pré e pós-natal podem ser afetados
por diversos fatores e/ou condições. Da mesma forma ocorre na fase adulta, uma vez que o
desempenho de tarefas motoras em adultos pode, também, ser comprometido devido a um
processo de degeneração do sistema fisiológico relacionado à idade (GALLAHUE & OZMUN,
2001). Este processo, comumente conhecido como envelhecimento, representa para muitas
pessoas, a limitação na execução de tarefas motoras.

Entre os principais fatores que provocam o declínio do desempenho motor na fase adulta,
além do envelhecimento, estão: (1) o estado de saúde dos sistemas fisiológicos, (2) as
doenças, (3) as características psicológicas, (4) o ambiente em alteração, (5) o estilo de vida,
(6) as exigências da tarefa e, em muitos casos, (7) até uma combinação destes elementos
(GALLAHUE & OZMUN, 2001).

Com relação ao estado de saúde dos sistemas fisiológicos, às doenças em geral e até mesmo
as características psicológicas, GALLAHUE & OZMUN (2001) explicam que um sistema ou órgão
danificado em particular pode exercer um papel tão fundamental no desempenho de
determinada tarefa motora que outros sistemas não conseguem fornecer compensação
suficiente. A influência mútua de dois ou mais sistemas em declínio pode ter efeito
comprometedor, também, no desempenho de movimentos específicos. GALLAHUE & OZMUN
(2001) também afirmam que o ambiente no qual a tarefa motora é realizada pode influenciar o
sucesso no desempenho. Os autores ainda explicam que a iluminação do ambiente, a
estabilidade do solo e a temperatura do ar são fatores ambientais que prejudicam a execução
de movimento independentemente da idade do indivíduo.

O declínio no desempenho motor também pode ocorrer devido ao estilo de vida uma vez que
deste, façam parte os hábitos alimentares, o tabagismo, o uso de bebidas alcoólicas, a prática
de atividade física regular e vigorosa e o sono adequado. Considerando que o estilo de vida
repercute diretamente na saúde dos sistemas fisiológicos e estes, por sua vez, afetam o
desempenho motor, logo, pode-se afirmar que o estilo de vida está diretamente relacionado ao
declínio no desempenho das tarefas motoras.

O desempenho motor de um adulto depende de uma grande variedade de variáveis,


algumas das quais podem ser manipuladas com facilidade, enquanto outras são resistentes a
alterações (GALLAHUE & OZMUN, 2001). Isso significa que algumas das tarefas motoras em
adultos exigem altos níveis de precisão, já outras exigem grande velocidade e, em alguns casos
até a combinação de precisão e velocidade. Com o envelhecimento, ou seja, com a
degeneração fisiológica ocorrem perdas significativas tanto na precisão, quanto na velocidade e
dessa forma, a realização de tarefas que durante a juventude eram simples de realizar, com o
passar dos anos torna-se mais difícil. Em alguns casos é possível adaptar as tarefas a serem
realizadas, às atuais condições físicas do indivíduo, já em outros é necessário adaptar o tipo de
tarefa a ser realizada, o que nem sempre é viável.

O desempenho de determinada tarefa depende do nível de exigência da mesma e, este nível


pode interagir com certas características associadas à idade no sentido de favorecer o sucesso
no desempenho. As alterações no sistema musculoesquelético e no sistema nervoso central
podem, também, afetar a velocidade com que a tarefa é realizada, mas não necessariamente a
precisão. Este fato pode ser atribuído ao decréscimo nos tempos de reação que ocorrem na
medida em que o indivíduo envelhece (GALLAHUE & OZMUN, 2001).

O tempo de reação é um componente importante no desempenho de uma grande variedade


de tarefas motoras e tem sido, há muitos anos, objeto de estudos para aumentar a
compreensão do comportamento motor em humanos. O tempo de reação consiste na demora
de tempo existente entre a apresentação do estímulo e a ativação inicial dos grupos musculares
apropriados para desempenhar a tarefa desejada (GALLAHUE & OZMUN, 2001).

Existem estudos, segundo GALLAHUE & OZMUN (2001) realizados por Hodgkins (1963),
Pierson & Montoye (1958) que mostram que os tempos de reação apresentam um declínio lento
nos anos de meia-idade e um declínio rápido na velhice. Estes mesmos estudos mostram que o
pico máximo dos tempos de reação ocorre entre o início e a metade da segunda década de
vida.

GALLAHUE & OZMUN (2001) afirmam que existem estratégias de intervenção que minimizar
as diferenças nos tempos de reação associadas à idade. As modificações de exigências ou de
condições de tarefas específicas melhoram a velocidade de desempenho de adultos mais
velhos. O fornecimento de oportunidades para praticar uma tarefa motora também contribui
para a melhora do tempo de reação de adultos mais velhos. Outra estratégia que pode ser
adotada para minimizar as perdas nos tempos de reação é a prática da tarefa, pois esta reduz a
ansiedade que o indivíduo possa ter ao tentar realizar uma tarefa que não lhe seja familiar. A
redução do número de movimentos possíveis, selecionados após um sinal, é outro fator de
destaque que constitui um método comprovado para melhorar o tempo de reação de adultos
mais velhos.

Com o envelhecimento são percebidas alterações nos padrões de equilíbrio e controle


postural. O tempo de reação é um dos fatores que interagem na manutenção do equilíbrio e
controle postural. Entretanto, existem outros fatores que também são importantes para o
equilíbrio e controle postural. Entre eles estão: (1) sinergias de reação músculo-postural (tempo
de sequenciamento da ativação de grupos musculares necessários para manter o equilíbrio ou
controle postural); (2) sistemas visual (fornece informações sobre a posição do corpo no
ambiente), vestibular e somato-sensorial (fornecem informações sensoriais sobre a posição do
corpo e da cabeça em relação à gravidade e à percepção da posição das articulações); (3)
sistemas adaptativos (modifica informações sensoriais e as reações motoras mediante
alterações na exigência da tarefa ou nas características do ambiente); (4) força muscular
(manter postura específica e/ou controlar a restauração do equilíbrio); (5) escala de
movimentos das articulações (determina a amplitude dos movimentos e grau de equilíbrio) e
(6) morfologia corporal (controle dos aspectos biomecânicos relacionados à morfologia que
podem afetar a estabilidade) (GALLAHUE & OZMUN, 2001).

Segundo GALLAHUE & OZMUN (2001) os padrões motores de adultos mais jovens e de
adultos mais velhos apresentam diferentes respostas quando estes tentam restabelecer o
equilíbrio após o mesmo ter sido perturbado. À medida que a idade avança, o processo de
manutenção de equilíbrio e controle postural torna-se menos eficiente, principalmente no adulto
mais velho. Este processo implica na ativação de grupos musculares adicionais ou na ativação
de grupos musculares agonistas e antagonistas ao mesmo tempo. Esta última pode ser
considerada como uma estratégia de compensação devido à inabilidade do adulto mais velho de
ajustar adequadamente o controle postural nos mesmos níveis dos adultos mais jovens.

Segundo GALLAHUE & OZMUN (2001) existem várias possibilidades de intervenção que
podem auxiliar na redução do declínio do equilíbrio e controle posturais. Entre estas
possibilidades estão: (1) alterações no ambiente (para proporcionar informações sensoriais
mais firmes); (2) aumento da força muscular (para moderar o grau de estabilidade das pessoas
mais velhas) e (3) aumento da flexibilidade (para melhorar a escala de movimento). Estas
intervenções também auxiliam a reduzir o risco de queda nos adultos mais velhos, o que na
maioria das vezes, resulta em lesões, fraturas, medo psicológico e, em outras ocasiões, pode
levar até a morte.

De acordo com GALLAHUE & OZMUN (2001) os padrões de caminhada também são afetados
com a idade. Embora o ato de caminhar pareça uma tarefa muito simples e quase automática,
realizada sem muito esforço, esta se apresenta como muito complexa. A complexidade do ato
de caminhar está relacionada com a quantidade de sistemas e estruturas atuantes no corpo de
forma interativa. Esta interação ocorre entre o sistema nervoso central, os músculos e
articulações do corpo, vários sistemas sensoriais, forças gravitacionais e fatores ambientais.
Uma vez que haja danos, ou mesmo alterações relacionadas à idade, em quaisquer destes
sistemas e/ou estruturas, o padrão de caminhada pode ser comprometido. Com o
envelhecimento, muitas características do padrão de caminhada sofrem alterações. Pode ser
percebido que adultos mais velhos, mesmo saudáveis, vêm apresentando diminuição no
comprimento da passada, aumento no período de apoio duplo, redução na desobstrução do
solo feita pelos dedos dos pés, alteração das estratégias usadas quando os pés retiram
obstáculos do solo e diminuição da velocidade do padrão de caminhada. No entanto, parece
existir uma controvérsia quanto ao surgimento destas limitações. GALLAHUE & OZMUN (2001)
afirmam que muitas destas podem ser atribuídas simplesmente a ritmos mais lentos e não
problemas fisiológicos.

A partir da revisão deste capítulo de GALLAHUE & OZMUN (2001) foi possível perceber a
importância deste conhecimento, não somente para os profissionais de Educação Física e da
área da saúde em geral, como também para o conhecimento de todos os seres humanos, já
que todos passarão por este processo. Pode-se destacar como ponto principal que, ao contrário
do desenvolvimento motor nos primeiros meses de vida bem como na infância em geral, onde
se preconiza a estimulação máxima (adequada a cada faixa etária) para potencializar a maior
quantidade possível de capacidades dos indivíduos, no transcorrer da fase adulta para o
envelhecimento a estimulação é indispensável, não para que se adquira determinada
habilidade, mas para que estas se mantenham o máximo possível durante o envelhecimento
com o intuito de permitir ao idoso desempenhar suas tarefas motoras com eficácia e segurança.