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Enfermagem

Cirúrgica
Enfermagem
Cirúrgica

senac
SENAC/Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial
APRESENTAÇÃO
Conselho Nacional
Antônio de Oliveira Santos
Presidente
Departamento Nacional
Roberto Régnier
Diretor-Geral

Editores Responsáveis Editoração


Maria Helena Barreto Gonçalves Marília Pessoa
Centro Técnico Pedagógico/DFP Centro de Produção de Material Impresso/DMM
Sonia Kritz
Coordenadoria de Tecnologia Educacional/DFP Projeto Gráfico e Capa
Anibal Guebel
Elaboração de Conteúdo
Maria Celeste Dalía Barros Fotografia de Capa
Mercilda Bartmann Agência Keystone

Tratamento de Conteúdo Ilustrações


Lourdes Hargreaves Marcos Pinho Paes Leme
Anibal Guebel
Revisão Técnica
Fernando Manoel Paes Leme Revisão
Maria Lúcia Pimentel de Assis Moura Maria Elisa Sankuevitz

Redação Metodológica
Maria Leonor de Macedo Soares Leal

Consultor-Médico da Área de Saúde


Fernando Luiz Barroso

Senac. DN. Enfermagem cirúrgica. / Maria Celeste D. Barros;


Mercilda Bartmann; Lourdes Hargreaves. Rio de Janeiro : Este livro de Enfermagem Cirúrgica faz
SENAC/DN/DFP, 1996. 192 p. Il. Inclui bibliografia. parte de uma série de materiais produzidos
pelo SENAC com o objetivo de apoiar o
Saúde; Enfermagem; Enfermagem cirúrgica; Cirurgia; Centro trabalho de professores e de alunos de cursos
cirúrgico; Enfermeiro; Instrumentação cirúrgica; Paciente. da área de saúde, especialmente os que
estão-se preparando para o desempenho da
Referência bibliográfica conforme as normas adotadas pelo Sistema de Informações Bibliográficas do Senac. função de auxiliar de enfermagem. Ele serve
também ao técnico em enfermagem,
©SENAC/Departamento Nacional 1996
Rua Dona Mariana 48 - Botafogo
supondo, nesse caso, uma abordagem mais
Rio de Janeiro RJ CEP 22280-020 ISBN 85-85746-24-6 aprofundada dos conteúdos.
SUMÁRIO

parte 1
cirurgia 9

Classificação ..................................................................... 11
Terminologia ...................................................................... 13
Exercícios ......................................................................... 19

parte 2
pré-operatório 21

Pré operatório mediato ........................................................ 23


Pré operatório imediato ....................................................... 25
Exercícios ......................................................................... 33

parte 3
transoperatório 35

Centro Cirúrgico ................................................................ 37


Dependências básicas .................................................. 37
O trabalho no Centro Cirúrgico ...................................... 42
Tempos cirúrgicos ......................................................... 60
Instrumental cirúrgico básico ........................................... 60
Instrumental cirúrgico especial ......................................... 68
Fios cirúrgicos .............................................................. 69
Considerações gerais sobre instrumentação ...................... 70
Centro de Material ............................................................. 73
Dependências básicas .................................................. 73
Atividades ................................................................... 75
Exercícios ......................................................................... 91
parte 4
pós-operatório 99

Fases do Pós-operatório ..................................................... 101


Recuperação Pós-anestésica ............................................... 103
Cuidados de Enfermagem ................................................. 107
Desconfortos .................................................................... 111
Complicações ................................................................. 115
A ferida cirúrgica ............................................................. 125
Drenagem cirúrgica .......................................................... 131
Exercícios ....................................................................... 135

parte 5
intervenções
cirúrgicas 139

Aparelho digestivo ........................................................... 141


Aparelho geniturinário ....................................................... 149
Operações neurológicas ................................................... 157
Outras operações ............................................................ 161
Cuidados nas operações ortopédicas .................................. 173
Complicações cirúrgicas ................................................... 179
Exercícios ....................................................................... 181

bibliografia 185
CIRURGIA

PARTE

1
Cirurgia é um método de tratamento de doenças,
lesões ou deformidades internas e externas
executado através de técnicas geralmente
realizadas com o auxílio de instrumentos.

A partir desse conceito de cirurgia, podemos


dizer que enfermagem cirúrgica é aquela que
trata dos cuidados globais de enfermagem
prestados ao paciente nos períodos pré-
operatório, transoperatório e pós-operatório.
Esses cuidados objetivam minimizar os riscos
cirúrgicos, dar maior segurança ao paciente e
reabilitá-lo para se reintegrar à família e à
sociedade o mais rápido possível.

Você verá, nesta parte do livro, como as


cirurgias são classificadas e a terminologia
técnica adotada na área.

senac
Cirurgia Classificação

As cirurgias podem ser classificadas em função


do tempo que decorre desde a sua indicação até
a execução e, ainda, em função de sua finalidade.

Pelo tempo transcorrido

eletiva. Aquela que, embora necessária, pode ser Hernioplastia:


Her nioplastia:
programada com antecedência para uma determinada correção cirúrgica
data de conveniência do paciente e do cirurgião. Exemplo da hérnia
deste tipo de cirurgia é a hernioplastia.

de urgência. Cirurgia que precisa ser realizada o mais rápido possível,


embora permita um preparo pré-operatório, capaz de melhorar as condições
gerais do paciente. Nesta categoria se encontra, por exemplo, a cirurgia
realizada nos casos de obstrução intestinal.
12 Classificação

Terminologia
de emergência. Que precisa ser realizada imediatamente, não possibilitando,
muitas vezes, nenhum preparo do paciente. Aplica-se a situações muito graves,
quando há risco de vida iminente. Um exemplo de cirurgia de emergência é
Cirurgia
quando ocorre uma hemorragia interna por ruptura de artéria.

Pela finalidade

curativa. Quando objetiva debelar a doença e devolver


a saúde ao paciente. Muitas vezes, para alcançar esse
objetivo, é necessária a retirada parcial ou total de um
órgão, como ocorre na apendicectomia. Este tipo de cirurgia Apendicectomia:
tem uma significação menos otimista quando se trata de retirada do apêndice
câncer. Neste caso, operação curativa é aquela que vermiforme ou cecal
permite uma sobrevida de, no mínimo, cinco anos.
A terminologia técnica comumente adotada pelos
paliativa. Tem a finalidade de atenuar ou buscar uma profissionais da área de saúde é constituída, em
alternativa para aliviar o mal, mas não cura a doença. sua maior parte, de palavras formadas pela
Como exemplo citamos a gastrostomia, realizada para fins Gastr ostomia:
Gastrostomia: composição de elementos gregos e latinos.
de alimentação, no caso de câncer de esôfago inoperável. abertura do
estômago através da
plástica. Realizada com objetivos estéticos ou repara- parede abdominal
dores como, por exemplo, o enxerto de pele em queima-
dos ou a mamoplastia. Mamoplastia:
plástica de mama
Formação das palavras

Analisando a disposição dos elementos e seu significado teremos a designação


dos diversos tipos de intervenções cirúrgicas.

Vejamos por exemplo a palavra laringoscopia:

laringo + scopia

laringe ato de ver, observar

Cirurgia
14 Terminologia Formação das palavras 15

Como você verifica, o primeiro elemento de composição da palavra se refere


a um órgão, aparelho ou parte do corpo humano, e o segundo elemento da Pr ocedimento
Procedimento Para rremoção
emoção de Pr ocedimento
Procedimento Para rremoção
emoção de
composição diz respeito à técnica ou ao procedimento executado, à ação
praticada ou à patologia.
apendicectomia ........................ apêndice mastectomia ................................. mama
Vamos ver, então, alguns desses elementos de origem greco-latina comumente cistectomia ................................... bexiga miomectomia ................................ mioma
empregados em enfermagem cirúrgica e seus respectivos significados. colecistectomia ..................... vesícula biliar nefrectomia ....................................... rim
colectomia .................................... cólon ooforectomia ................................ ovário
embolectomia .............................. êmbolo pancreatectomia ......................... pâncreas
esofagectomia ............................ esôfago pneumectomia ............................. pulmão
Primeir
Primeiroo elemento Primeir
Primeiroo elemento esplenectomia ................................. baço prostatectomia ............................ próstata
Significado Significado
da composição da composição facectomia ................................ cristalino retossigmoidectomia ........... reto e sigmóide
gastrectomia ............................. estômago salpingectomia ..............................trompa
adeno- ..................................... glândula laparo- ..................... cavidade abdominal hemorroidectomia .................. hemorróidas simpatectomia .......................... segmentos
angio- ............................................ vaso laringo- ........................................ laringe hepatectomia .................. parte do fígado selecionados do sistema
artro- ..................................... articulação nefro- ............................................... rim histerectomia ................................... útero nervoso simpático
blefaro- ..................................... pálpebra neuro- ........................................... nervo lobectomia .................... lobo de um órgão tireoidectomia .............................. tireóide
cisto- ........................................... bexiga oftalmo- .......................................... olho
colecisto- .................................... vesícula ooforo- ........................................ ovário
colo- ............................................ cólon orqui- ........................................ testículo A seguir apresentamos denominações de outras cirurgias, desta vez
colpo- .......................................... vagina osteo- ............................................. osso terminadas em pexia (fixação).
entero- ....................................... intestino oto- ............................................. ouvido
flebo- ............................................. veia procto- ............................................. reto
gastro- ..................................... estômago rino- .............................................. nariz
hepato- ........................................ fígado salpingo- ...................................... trompa Pr ocedimento
Procedimento Para fixação de Pr ocedimento
Procedimento Para fixação de
hístero- ........................................... útero traqueo- ..................................... traquéia
cistopexia .................................... bexiga retinopexia .................................... retina
histeropexia .................................... útero orquiopexia ou orquidopexia ......... testículo
nefropexia ......................................... rim
Segundo elemento
Significado
da composição
Outros procedimentos cirúrgicos têm seus nomes terminados em plastia
-ectomia .......................... remoção parcial ou total (reconstituição), como mostramos a seguir.
-pexia ............................. fixação de um órgão
-plastia ............................ reconstituição estética ou restauradora de uma parte do corpo

-rafia ............................... sutura Pr ocedimento


Procedimento Para rreconstituição
econstituição de Pr ocedimento
Procedimento Para rreconstituição
econstituição de
-scopia ............................ ato de ver, observar
-stomia ............................ comunicação entre dois órgãos ocos ou entre um órgão e a pele blefaroplastia ............................. pálpebra rinoplastia ...................................... nariz
-tomia ............................. corte mamoplastia ................................. mama ritidoplastia ...................................... face
piloroplastia ................................... piloro salpingoplastia ..............................trompa
Agora vejamos os principais nomes de procedimentos cirúrgicos em que o queiloplastia ................................... lábio
segundo elemento da composição é ectomia (remoção).

Cirurgia
16 Terminologia Formação das palavras 17

Há ainda denominações de procedimentos onde o segundo elemento é rafia Finalmente, as principais denominações de procedimentos cirúrgicos
(sutura), como enumeramos a seguir. Dependendo da situação, nem sempre terminadas em tomia (corte).
esses procedimentos são cirúrgicos.

Pr ocedimento
Procedimento Cor te da(o)
Corte Pr ocedimento
Procedimento Cor te da(o)
Corte
Pr ocedimento
Procedimento Para sutura de Pr ocedimento
Procedimento Para sutura de
episiotomia ..................................... vulva traqueotomia .............................. traquéia
blefarorrafia ............................... pálpebra osteorrafia ....................................... osso laparotomia ................................ abdome ureterotomia ................................... ureter
colporrafia ................................... vagina palatorrafia ........................ fenda palatina toracotomia .................................... tórax vasectomia ....................... canal deferente
gastrorrafia ............................... estômago perineorrafia ................................ períneo
herniorrafia .................................... hérnia tenorrafia .....................................tendão
Existem ainda outros termos ou expressões médicas que, por serem de
utilização freqüente em enfermagem cirúrgica, merecem destaque neste livro.
Vamos analisar outros nomes de procedimentos, desta vez compostos com o Eis alguns deles:
elemento scopia (observação).
amputação ............. remoção de uma parte do corpo
anastomose ............ conexão de dois órgãos tubulares, geralmente por sutura
Pr ocedimento
Procedimento Para obser vação de
observação Pr ocedimento
Procedimento Para obser vação de
observação ar
artrtrtrodese
odese ............... fixação cirúrgica de articulações
biópsia .................. remoção de um tecido vivo para exame
cauterização ........... destruição de tecido por meio de agente cáustico ou de calor, através do
artroscopia ............................. articulação gastroscopia ............................. estômago
bisturi
broncoscopia ............................ brônquios laringoscopia ................................ laringe
elétrico, por exemplo
cistoscopia ................................... bexiga laparoscopia ............. cavidade abdominal
cesariana ............... retirada do feto através de incisão na parede abdominal e no útero
colonoscopia ................................. cólon retossigmoidoscopia ........... reto e sigmóide
cir cuncisão ............. ressecção da pele do prepúcio que cobre a glande
circuncisão
colposcopia ................................. vagina ureteroscopia .................................. ureter
cistocele ................ hérnia da bexiga por defeito na musculatura do períneo
endoscopia ....................... órgãos internos uretroscopia ................................... uretra
cur etagem uterina .... raspagem e remoção do conteúdo uterino
curetagem
esofagoscopia ............................ esôfago
deiscência ............. separação de bordos previamente suturados de uma ferida
dissecção .............. corte e separação de tecidos do corpo
diver tículo .............. abertura no formato de bolsa em um órgão com a forma de saco ou de tubo
divertículo
Vale observar que nos procedimentos relacionados à observação interna de enxer
enxerto to .................. transplante de órgão ou tecido
órgãos utilizam-se vários aparelhos como, por exemplo, o artroscópio, na ar- evisceração ............ saída de víscera de sua cavidade
troscopia; o broncoscópio, na broncoscopia; o laparoscópio, na laparoscopia; e o exér
exérese ese ................. extirpação cirúrgica
retossigmoidoscópio, na retossigmoidoscopia. fístula .................... passagem anormal que liga um órgão, cavidade ou abscesso a uma superfície
interna ou externa do corpo
Vejamos agora os principais nomes de cirurgias cujo segundo elemento de hér
hérnia nia ................... saída total ou parcial de um órgão do espaço que normalmente o contém
formação é stomia (comunicação entre dois órgãos ocos ou entre um órgão e a pele). incisão .................. corte
litíase .................... cálculo
Ór gão em comunicação
Órgão Ór gão em comunicação
Órgão paracentese ............ denominação genérica de punção para esvaziamento de cavidade
Pr ocedimento
Procedimento Pr ocedimento
Procedimento
com a pele com a pele pr olapso ................ queda de órgão, especialmente quando este surge em um orifício natural
prolapso
ptose .................... queda de um órgão
cistostomia ................................... bexiga jejunostomia .................................. jejuno r essecção .............. remoção cirúrgica de parte de órgão
colostomia .................................... cólon traqueostomia ............................. traquéia r etocele ................. hérnia da parede do reto por defeito na musculatura do períneo
gastrostomia ............................. estômago toracocentese ......... punção cirúrgica na cavidade torácica
varicocele .............. veias dilatadas no escroto

Cirurgia
Cirurgia Exercícios

1. Ref lita sobre o papel do profissional que atua no campo da enfermagem


cirúrgica, e também converse com os colegas e o professor sobre a
questão. Depois, registre as suas conclusões.

2. Numere a coluna da direita de acordo com a coluna da esquerda,


relacionando o elemento de composição da palavra com o seu significado.

1) Tomia ( ) Perfuração de um órgão


2) Ectomia ( ) Remoção parcial ou total de um órgão
3) Rafia ( ) Fixação de um órgão
4) Plastia ( ) Corte em um órgão ou cavidade
5) Stomia ( ) Comunicação com o exterior feita através de cirurgia
6) Scopi ( ) Reparação de um órgão
7) Pexia ( ) Sutura de um órgão
( ) Imobilização de um órgão
( ) Visualização do interior de um órgão através de aparelho

3. Analise cada uma das situações a seguir. Depois, classifique a operação a


que o paciente deve se submeter, tendo em vista o tempo decorrido en-
tre a indicação e a execução do procedimento. Justifique sua resposta.

a) Roberto queixa-se de ardência no peito e cansaço, somente diante de esforço maior. Através de
exame clínico e cateterismo cardíaco, o médico diagnosticou a obstrução parcial de uma artéria
coronariana e verificou ser necessário colocar uma ponte de safena.
b) Flávio sentia dores na coluna, e por isso seu médico solicitou uma radiografia. Foi identificado,
além do problema de coluna, a presença de grande quantidade de cálculos em sua vesícula,
embora o paciente nunca tivesse apresentado qualquer sintoma relacionado a problema vesicular.
Visto isso, o médico indicou a retirada da vesícula.
c) Severina resistiu a um assalto e recebeu uma facada no abdome. Em conseqüência, uma parte
das vísceras se exteriorizou. Severina foi logo levada ao hospital mais próximo, e o médico de
plantão identificou a necessidade de operá-la.
20 Exercícios

4. Classifique as seguintes operações quanto a sua finalidade:

a) colostomia
b) traqueostomia
c) colecistectomia
d) hernioplastia
e) blefaroplastia
f) cistopexia

5. Enumere os objetivos dos cuidados de enfermagem que são prestados ao


paciente cirúrgico.

6. Escreva sobre o que consiste cada um dos seguintes procedimentos:

a) colostomia
b) nefrectomia
c) osteorrafia
d) histeropexia
e) blefaroplastia
f) broncoscopia
g) laparotomia

7. Complete o quadro tendo em vista a terminologia comumente adotada


pelos profissionais da área de saúde.

Ter minologia
erminologia Significado

Biópsia ................................................................................
.................... Veias dilatadas no escroto
.................... Corte e separação de tecidos do corpo
Prolapso ................................................................................
Litíase ................................................................................
Toracocentese ................................................................................
.................... Saída de víscera de sua cavidade
Cistocele ................................................................................
.................... Extirpação cirúrgica
.................... Corte
PRÉ OPERATÓRIO

PARTE

2
O período pré-operatório tem início no momento
em que o paciente recebe a indicação da operação
e se estende até a sua entrada no Centro Cirúrgico.

Esse período divide-se em duas fases:


pré-operatório mediato e pré-operatório imediato.

senac
Pré-operatório
Pré-operatório mediato

Esta fase começa no momento da indicação da


operação e termina 24 horas antes do seu início.
Geralmente, nesse período o pacien-te ainda não
se encontra internado.

No pré-operatório mediato, sempre que possível, o médico faz uma avaliação


do estado geral do paciente através de exame clínico detalhado e dos
resultados de exames de sangue, urina, raios X, eletrocardiograma, entre
outros. Essa avaliação tem o objetivo de identificar e corrigir distúrbios que
possam aumentar o risco cirúrgico.

Tratando-se de operações eletivas, onde há previsão de transfusão sangüínea,


muitas vezes é solicitado ao paciente para providenciar doadores saudáveis
e compatíveis com seu tipo sangüíneo. Com essa medida pretende-se
melhorar a qualidade do sangue disponível e aumentar a quantidade de
estoque existente nos bancos de sangue, evitando sua comercialização.
Pré-operatório
Pré-operatório imediato

Esta fase corresponde às 24 horas que antecedem a


operação. De um modo geral, o paciente é admitido
no hospital dentro desse período, com o objetivo de
ser devidamente preparado para o ato cirúrgico. Esse
procedimento, entretanto, pode variar de instituição
para instituição, ou de acordo com o tipo de cirurgia
ou o estado do paciente. Há casos em que o paciente
interna-se com vários dias de antecedência, quando
necessita de um trata-mento para habilitá-lo a ser
operado. Em outros casos, no entanto, a admissão se
dá no mesmo dia da operação.

Admissão do paciente

Chegando ao hospital, o paciente é encaminhado à unidade de internação cirúrgica, que


é a área destinada ao alojamento dos pacientes nos períodos pré e pós-operatórios.

É fácil compreendermos as dúvidas, medos e ansiedades que povoam o


pensamento de quem vai ser operado. A separação da família, o medo do
desconhecido e as possibilidades de dor, de complicações, de morte, criam
uma situação de insegurança para o paciente cirúrgico.
26 Pré-operatório imediato Cuidados na véspera da operação 27

Por isso, é de extrema importância que o auxiliar de enfermagem receba o


paciente de modo afável, tendo o cuidado de conduzi-lo ao leito. Lá, deve Na véspera da operação
indicar-lhe o local para guardar seus pertences, orientá-lo quanto às normas
do hospital, esclarecer-lhe as dúvidas que estiverem ao seu alcance, O auxiliar de enfermagem deve prestar uma série de orientações ao paciente,
encaminhando as demais a quem de direito. executar o preparo da pele, o preparo intestinal, a higiene geral e também
cuidar para o paciente observar o jejum.
É também muito importante chamar o paciente sempre pelo nome e ser
honesto ao responder-lhe as perguntas, para ganhar a sua confiança. Proce-
dendo dessa maneira, o auxiliar de enfermagem alivia a ansiedade do paciente, Orientações ao paciente
ajudando-o a sentir-se mais à vontade.
Durante o período pré-operatório, o paciente deve ser orientado e in-
Admitido o paciente, o auxiliar de enfermagem deve obter algumas infor- centivado a praticar alguns exercícios que irão beneficiá-lo posteriormente,
mações sobre ele: sua doença, hábitos intestinais, sono, tabagismo, alergias, no pós-operatório.
uso de álcool, de drogas ou de medicamentos. No caso do uso de drogas e
medicamentos, estes precisam ser especificados no prontuário do paciente. exercícios respiratórios, cuja finalidade é prevenir complicações
pulmonares após a realização da cirurgia. O auxiliar de enfermagem orienta
Ao executar os demais procedimentos de rotina em uma admissão, o auxiliar o paciente para colocar as duas mãos na parte inferior das costelas, a fim de
de enfermagem deve estar atento a anormalidades tais como febre, dispnéia, sentir o movimento torácico, expirar completamente, inspirar profundo pelo
hipertensão ou hipotensão, bradicardia ou taquicardia. A constatação de nariz e expulsar todo o ar pela boca. Repetir esse exercício várias vezes.
qualquer anormalidade deve ser comunicada ao enfermeiro responsável ou Atualmente existem pequenos aparelhos denominados expirômetros de incentivo,
ao médico e também anotada no prontuário. utilizados para a realização de exercícios respiratórios.

É importante, ainda, verificar a validade dos exames pré-operatórios. exercícios de tosse, cujo objetivo é retirar secreções da traquéia e dos
Atualmente, essa validade é de três meses para os exames laboratoriais e de brônquios. O paciente é orientado para entrelaçar os dedos, colocando as
seis meses para o eletrocardiograma (ECG) e as radiografias (RX). mãos sobre o local da futura incisão, ou então usar o travesseiro para apoiar as
mãos e pressionar o local. Isto funciona como imobilização durante a tosse,
Por fim, o auxiliar deve verificar se a autorização para a operação está eliminando a dor. Depois de pressionar o local, deve inclinar-se ligeiramente
devidamente assinada pelo próprio paciente ou por seu responsável, quando para a frente, encher os pulmões e provocar rápidas tossidelas. O exercício
se tratar de crianças ou pessoas incapacitadas. deve ser repetido uma ou duas vezes, tentando eliminar possíveis secreções.

O auxiliar de enfermagem também deve orientar e conscientizar o paciente


para a importância de realizar a deambulação precoce, que consiste em pequenas
caminhadas após a cirurgia, tão logo as suas condições o permitam. A
deambulação precoce favorece a expansão pulmonar, a circulação nos membros
inferiores e estimula o peristaltismo intestinal — função mecânica do intestino.

Cuidados
Preparo da pele

Compete ao cirurgião determinar o preparo do paciente, de acordo com a Esse procedimento tem como finalidade eliminar ao
operação a ser realizada. máximo a f lora bacteriana que normalmente habita a pele Tricotomia:
do paciente. A área em torno da futura ferida operatória raspagem dos
Normalmente, os cuidados relativos a esse preparo são executados na véspera deve ser limpa de modo completo e feita a tricotomia. Em pêlos em uma
e no dia da cirurgia. vários hospitais, a tricotomia é realizada na véspera da região do corpo

Pré-operatório
28 Pré-operatório imediato Cuidados na véspera da operação 29

operação, à noite, muito embora seja mais indicado fazê-la até duas horas Em função do tipo de operação a ser realizada, o médico irá prescrever o
antes da cirurgia, para evitar a proliferação de germes após o preparo da preparo adequado, que pode variar desde o uso de laxante até a aplicação
pele. de clister ou lavagem intestinal.

Material necessário para a execução da tricotomia: Uma operação de intestino grosso, por exemplo, exige um preparo maior,
n vasilha com água morna; para o órgão ficar o mais vazio e limpo possível. Nesses casos, o laxante é
n sabão ou anti-séptico contendo detergente; administrado dias antes, mas o clister e a lavagem são feitos na véspera da
n compressas de gaze; operação. Já em operações de pequeno porte, pode-se dispensar a execução
n barbeador com lâminas novas; desse preparo, desde que o paciente tenha evacuado normalmente na manhã
n tesoura. do dia da cirurgia.

Etapas para a execução da tricotomia: Ainda em relação ao preparo intestinal, cabe ao auxiliar de enfermagem
n esclarecer o paciente sobre a necessidade do procedimento; que executou o procedimento veri ficar e anotar no prontuário as
n preparar o paciente posicionando-o de modo a facilitar a realização do características do material eliminado.
procedimento e expondo a região a ser tricomizada;
n cortar os pêlos longos com a tesoura;
n ensaboar a área com gaze, friccionando-a com movimentos circulares a Higiene geral
partir do local da futura incisão;
n esticar suavemente a pele com uma das mãos e, com o barbeador na outra Além do preparo local da pele, um banho completo, na
mão, raspar a área ensaboada, sempre no sentido dos pêlos, empregando véspera da operação, ajuda a evitar infecções. Os pacientes Paciente
movimentos firmes e regulares. Prestar atenção a saliências existentes na deambulantes devem ser orientados para fazer sua própria deambulante:
pele e a áreas onde haja pregas, como virilha e órgãos genitais; higiene.Para estes,o auxiliar de enfermagem vai forne- aquele que é capaz
n cuidar ao máximo para não machucar a pele do paciente e relatar qualquer cer o material — sabão, de preferência anti-séptico, te- de se locomover
anormalidade obser vada como, por exemplo, doença cutânea ou sourinha de unha e outros que se fizerem necessários.
ferimento, uma vez que eles podem aumentar o risco de infecção da ferida
operatória; Para os pacientes acamados, no entanto, cabe ao auxiliar fazer a higiene,
n enxaguar e secar a pele, deixando o paciente confortável; incluindo lavagem de cabelo com xampu, limpeza das unhas das mãos e dos
n remover todo o material utilizado, desfazendo-se dos descartáveis e pés e higiene oral.
colocando os demais em solução;
n anotar no prontuário a hora, o local da realização do procedimento e as
observações relativas aos cuidados prestados. Jejum

Cabe observar que pesquisas realizadas acerca da tricotomia colocam em Na medida do possível, o estômago do paciente deve estar vazio, no momento
dúvida a eficiência desse cuidado, no combate à infecção da ferida operatória. da operação. Caso contrário, ao ser administrado o anestésico geral ele pode
Contudo, a maioria dos cirurgiões continua adotando tal prática. vomitar e aspirar o vômito para o interior dos pulmões, causando sérias
complicações, como asfixia, pneumonia ou abscesso pulmonar.

Preparo intestinal Normalmente, a última refeição ingerida pelo paciente antes da cirurgia
contém apenas alimento facilmente digerível, como sopa, caldo, etc. Após
Para a maioria das operações, principalmente as realizadas sob anestesia essa refeição, o paciente precisa permanecer em jejum absoluto por várias
geral, é importante o reto estar vazio, evitando, assim, que o paciente evacue horas, até o momento da cirurgia, não sendo também permitida a ingestão
durante o ato cirúrgico. de água ou outros líquidos, como sucos e chás.

Pré-operatório
30 Pré-operatório imediato Cuidados no dia da operação 31

Em alguns tipos de operação, como, por exemplo, as de estômago e de n colocar o paciente na maca, protegido com grades. Identificá-lo com uma
instestinos, uma dieta de fácil digestão precisa ainda ser observada durante pulseira contendo nome, número do registro no prontuário, número do
vários dias anteriores ao ato cirúrgico. leito e operação proposta;
n encaminhar o paciente ao Centro Cirúrgico com o prontuário completo,
incluindo a autorização para a operação e as radiografias.

Vale lembrar que em operações de emergência os preparos pré-operatórios


de rotina geralmente não são realizados por falta de tempo pois, nesses casos,
No dia da operação o importante é intervir imediatamente.

Os cuidados que a enfermagem presta ao paciente no dia do ato cirúrgico


são os seguintes:
n retirar o esmalte de no mínimo uma das unhas, se o paciente estiver usando,
para o anestesista controlar melhor a oxigenação durante a cirurgia;
n orientar o paciente deambulante para ir ao banheiro, com o objetivo de
esvaziar a bexiga e o intestino, tomar banho sem lavar a cabeça e fazer a
higiene bucal adequada. No caso de paciente acamado, auxiliá-lo a realizar
esses cuidados;
n fornecer camisola limpa e ajudar o paciente a vesti-la com a abertura para
as costas, orientando-o para não colocar qualquer roupa de baixo;
n pentear os cabelos do paciente e prendê-los com gorro, principalmente
quando forem longos;
n retirar próteses, lentes de contato, jóias, etc. Depois, para evitar que se
percam, identificar esses objetos e entregá-los ao enfermeiro responsável
ou guardá-los em local apropriado,o qual varia de acordo com a instituição.
A retirada de prótese dentária ou ocular antes da anestesia constitui, para
alguns pacientes, violação de sua privacidade. Por esta razão, muitos
ser viços adotam a rotina de retirá-las somente na sala de operação,
guardando-as para posterior devolução;
n verificar os sinais vitais: temperatura, pulso, respiração e pressão arte-
rial, informando ao enfermeiro responsável quaisquer alterações como
hipertemia, hipertensão ou outras;
n conferir se os exames pré-operatórios, a autorização para a operação e as
radiografias estão junto ao prontuário do paciente;
n administrar a medicação pré-anestésica prescrita aproximadamente 30 a
60 minutos antes de encaminhar o paciente ao Centro Cirúrgico. Nessa
fase, quando o efeito da medicação pré-anestésica está-se iniciando, o
paciente deve permanecer sob observação, jamais sendo deixado sozinho,
pois poderá apresentar reações adversas, como depressão respiratória ou
mesmo agitação;
n deixar o paciente deitado, protegido com grades. Verificar, novamente,
os sinais vitais, anotando-os no prontuário e comunicando qualquer
anormalidade observada ao enfermeiro responsável;

Pré-operatório
Pré-operatório Exercícios

1. Todos sabemos das dúvidas, ansiedades e medos característicos do


paciente no pré-operatório. Como o auxiliar de enfermagem deve
proceder ao receber o paciente, na tentativa de suavizar esse momento
de tensão e apreensão?

2. Analise cada situação e depois responda às perguntas.

a) Ao admitir um paciente cirúrgico, o auxiliar de enfermagem verifica


seus sinais vitais e constata que o paciente está hipertenso e taqui-
cárdico. Que providências deverá tomar?
b) Um auxiliar de enfermagem administrou o pré-anestésico em um
paciente que será submetido a uma intervenção cirúrgica. Após esse
procedimento, que cuidados deverão ser observados pelo auxiliar
de enfermagem?

3. Ref lita sobre a situação a seguir.

Um paciente apresentou problemas respiratórios e pulmonares no pós-operatório de uma operação cardíaca.


Sabe-se que houve descuido por parte da enfermagem em relação à orientação e à prática de alguns
exercícios preventivos no pré-operatório imediato, os quais ajudariam a evitar tais complicações.

Agora responda:

a) Quais são esses exercícios e como cada um deles deve ser realizado?
b) Por que o paciente precisa ser orientado e incentivado a realizar esses
exercícios?

4. Descreva três cuidados prestados pelo auxiliar de enfermagem ao paciente,


no dia da operação. Depois, explique a necessidade de cada um deles.
34 Pré-operatório imediato

5. Leia a situação e complete as frases de modo correto.

Simone foi admitida pelo hospital na véspera de ser submetida a uma cesariana, e o seu médico indicou
a realização da tricotomia.

a) Tricotomia significa ...


b) O momento mais indicado para a realização da tricotomia em Simone
é ...
c) O material necessário à execução dessa técnica é ...
d) O preparo da pele é um procedimento importante para o paciente
cirúrgico porque ...

6. Indique, em cada caso,o cuidado pré-operatório imediato que tem por


finalidade:

a) evitar que o paciente vomite e aspire o vômito para o interior dos pulmões
b) evitar a infecção da ferida operatória
c) prevenir complicações pulmonares
d) evitar a evacuação durante o ato cirúrgico
e) retirar secreções da traquéia e dos brônquios

7. Leia e ref lita sobre a situação descrita.

No dia em que Célia ia ser submetida a uma cirurgia, vários cuidados de enfermagem foram prestados a
ela. Carmem, a auxiliar de enfermagem, retirou o esmalte de uma de suas unhas; orientou-a para ir ao
banheiro; identificou e guardou as suas lentes de contato; e verificou os sinais vitais.

Explique qual é a finalidade de cada um dos diferentes cuidados prestados


a Célia, no dia de sua cirurgia.

8. Leia essa situação:

Almir será submetido a uma cirurgia daqui a 20 dias, para a qual está prevista a transfusão de sangue.
Para isso, a equipe já solicitou a ele que providenciasse doadores.

Com base nessa situação, responda:

a) Qual é o objetivo dessa medida?


b) Que cuidados Almir deve tomar na escolha dos doadores?
TRANSOPERATÓRIO

PARTE

3
O período chamado transoperatório é aquele
em que o paciente submete-se à operação
propriamente dita. O procedimento se realiza
no Centro Cirúrgico.

O Centro Cirúrgico deve ser dotado de uma


infra-estrutura tal que garanta plena segurança
e conforto ao paciente e à equipe de saúde.
O Centro de Material e a Recuperação
Pós-Anestésica são apoios importantes para
o Centro Cirúrgico. Por esta razão geralmente
são instalados dentro ou próximo a ele, ou
então com uma ligação direta.

senac
Centro
Transoperatório Cirúrgico

Um Centro Cirúrgico compõe-se de várias depen-


dências e necessita de pessoal especializado para o
seu perfeito funcionamento.

Por isso, é importante analisarmos as dependên-


cias básicas de um Centro Cirúrgico e as equipes
que trabalham nessa unidade, com suas respec-
tivas atribuições, principalmente as que se referem
aos técnicos e auxiliares de enfermagem.

Dependências básicas
Um Centro Cirúrgico deve dispor das seguintes dependências:

vestiários masculino e feminino. Devem oferecer acesso externo (por fora das
instalações do Centro Cirúrgico) e interno (pelo corredor cirúrgico). É
importante que eles disponham de sanitários e chuveiros (para uso das
equipes) e armários (para a guarda de uniformes, roupas e outros
pertences).
posto de enfermagem. Local destinado à chefia e à secretaria, que exercem o
controle administrativo da unidade.
copa. Área reservada ao pessoal do Centro Cirúrgico, para lanches rápidos.
38 Centro Cirúrgico Itens de uma sala de operação 39

sala de equipamento. Área usada para guardar aparelhos como os de anestesia,


CORREDOR EXTERNO bisturi elétrico, aspiradores, focos portáteis, suportes de soro, mesas
auxiliares e materiais que, eventualmente, não estejam em uso. O aparelho
LAVABO SALA DE SALA DE LAVABO
SALA DE OPERAÇÕES OPERAÇÕES SALA DE de raios X móvel poderá também ser guardado nessa sala, caso não haja
OPERAÇÕES OPERAÇÕES
local específico para ele.
CORREDOR INTERNO sala de guarda de medicamentos e materiais estéreis descartáveis. Local onde se armazenam
materiais descartáveis como seringas e agulhas, equipos de soro, fios de
SALA DE
EXPURGO GUARDA DE sutura, frascos de soro, entre outros.

CORREDOR INTERNO

CORREDOR EXTERNO
EQUIPAMENTOS
sala de operação (S.O.). Dependência do Centro Cirúrgico destinada à realização
SALA DE GUARDA DE RECUPERAÇÃO
PÓS-ANESTÉSICA
das intervenções cirúrgicas. Por isso, o trânsito a ela é restrito e a limpeza
SALA DE MATERIAL MEDICAMENTOS,
ESTERILIZADO MATERIAL ESTERILIZADO é feita com o máximo rigor, pois deve ser a área mais limpa do Centro.
E PRONTO USO
Comumente, tem a forma retangular.
POSTO DE
ROUPARIA ENFERMAGEM
Planta física de um
Centro Cirúrgico. SALA DE SALA DE
MATERIAL DE
Analise com atenção LIMPEZA
ESTAR

cada uma das VESTIÁRIO VESTIÁRIO Itens de uma sala de operação


dependências TROCA-MACAS
MASCULINO FEMININO COPA
mostradas e como
Equipamentos, instalações, aparelhos e mobiliário podem ser classificados em
estão localizadas.
fixos (não podem ser deslocados da sala) ou móveis (podem ser deslocados).

Itens fixos:
sala de estar. Deve ficar localizada próxima aos vestiários e à copa, sempre que
possível, servindo de área de descanso para as equipes do Centro Cirúrgico. foco central;
área de baldeação ou troca-macas. Localizada à entrada do Centro Cirúrgico, onde ar condicionado;
se dá a transferência do paciente da maca em que veio para a maca privativa interruptores e tomadas elétricas de 110 e 220V;
do Centro. vácuo, oxigênio, óxido nitroso e ar comprimido centralizados. O vácuo é utilizado para
sala de material cirúrgico ou de estocagem de material esterilizado. Destina-se à recepção, fazer a aspiração de secreções, e os gases são usados nas anestesias;
guarda e redistribuição de todo o material limpo e esterilizado a ser usado eletrocautério, quando este é suspenso numa coluna retrátil, como encontramos
no Centro Cirúrgico. Poderá, eventualmente, contar com uma autoclave em alguns hospitais.
de esterilização rápida, para emergências.
lavabos. Destinados à lavagem e anti-sepsia das mãos e antebraços, antes da O eletrocautério ou bisturi elétrico é um aparelho usado com a finalidade de
operação. Por isso, devem ser equipados com recipientes para anti-sépticos corte e coagulação dos tecidos, os quais podem ocorrer simultaneamente.
e torneiras que possam ser manobradas sem o uso das mãos. Essa ação simultânea é chamada de mistura ou blender, cujo percentual é
sala de expurgo. Local equipado com tanque para o despejo de sangue, secreções programado no próprio aparelho, de acordo com a orientação do cirurgião.
e outros líquidos provenientes da operação. Na sala de expurgo também
se depositam, inicialmente, instrumentos, roupas usadas e outros Os bisturis elétricos mais comuns são o monopolar e o bipolar.
materiais, para posterior lavagem. É considerada, portanto, área suja.
sala de material de limpeza. Área para a reserva de materiais e de utensílios usados O bisturi monopolar é composto por uma unidade geradora, onde são conectadas
na limpeza do Centro Cirúrgico. a caneta do bisturi e uma placa neutralizadora da corrente. A caneta é a parte
rouparia. Local destinado à guarda da roupa limpa não-estéril. Muitas vezes é estéril do bisturi, que entra em contato com o campo operatório e passa a
representada apenas por um armário. corrente elétrica para a placa.

Transoperatório
40 Centro Cirúrgico Itens de uma sala de operação 41

dispensar o uso da placa neutralizadora, pois a corrente só passa entre as


duas pontas da pinça. O uso do bisturi bipolar é indicado para tecidos
sensíveis, em áreas pequenas e localizadas, preservando os tecidos vizinhos
ao local da coagulação.

Lembramos que existem outros tipos de bisturi utilizados com as mesmas


finalidades dos que acabamos de analisar, dentre os quais podemos citar o
bisturi a raio laser.

Itens móveis:

mesa cirúrgica e acessórios como braçadeiras, perneiras, ombreiras e arco de


narcose, para formação da barraca do anestesista. Incluem-se também,
nesse item, as manivelas e os pedais que possibilitam colocar a mesa em
diversas posições, segundo a exigência de cada operação;
mesas auxiliares, como a de Mayo e outras, que servem para a colocação do
instrumental cirúrgico e das roupas estéreis;
Bisturi monopolar,
suportes de soro, em número de três, utilizados para colocação de frascos de
com caneta, placa
soluções. Esses suportes podem servir também para formação da barraca
neutralizadora da
do anestesista;
corrente e pedal.
carro de anestesia;
saco de Hamper, que serve para o despejo de roupas usadas;
carro de medicação, com gavetas e outras divisões, para guardar medicamentos,
O bisturi monopolar é utilizado quando há necessidade de corte ou de
fios, equipos de soro, seringas, além de impressos. Esse carro substitui
coagulação, ou de ambos. No corte, a caneta entra em contato com o tecido,
os antigos armários fixos;
provocando o seu aquecimento, até as células se desintegrarem. Na
baldes para lixo, de preferência com rodas, conhecidos como baldes a chute;
coagulação, o tecido recebe uma quantidade de calor apenas suficiente para
foco auxiliar, para complementar ou substituir o foco central, em caso de
secar as células.
emergência;
bisturi elétrico, com rodas, que é o tipo usado mais freqüentemente;
O bisturi bipolar também é composto de uma unidade geradora, mas de menor
aspirador elétrico;
potência que a do bisturi monopolar, e de uma caneta ou pinça bipolar. Esse
estrado;
tipo de aparelho é indicado apenas para a coagulação, e tem a vantagem de
tala e suporte para braço;
bancos giratórios, um a dois, em média;
coxins, de vários tamanhos, para ajudar a posicionar e oxins::
Coxins
acomodar o paciente; travesseiros de areia
estetoscópio; ou de espuma,
tensiômetro; forrados de tecido
negatoscópio, que é o aparelho destinado à observação
de radiografias.

Pontas das canetas Outros equipamentos podem ser acrescentados à sala de operação. Deve-se,
dos bisturis monopolar porém, estar atento para não acumular itens desnecessários que venham a
e bipolar. dificultar a limpeza e favorecer a contaminação.

Transoperatório
42 Centro Cirúrgico Atribuições da enfermagem 43

Quatro equipes prestam assistência direta no Centro Cirúrgico. É muito


importante os seus membros atuarem de forma integrada e harmônica,
visando à segurança do paciente e à eficiência do ato cirúrgico. É importante,
ainda, que as boas relações humanas e o profissionalismo sempre prevaleçam
sobre as tensões, inevitáveis nesse tipo de trabalho.

A equipe de anestesia é composta de médicos anestesistas, sendo responsável


por prescrever a medicação pré-anestésica, planejar e executar a anestesia.
Também cabe a esta equipe controlar o paciente durante e após o ato
cirúrgico, até o restabelecimento de seus ref lexos.

A equipe cirúrgica realiza o ato cirúrgico. Dela fazem parte o médico cirurgião,
um ou mais médicos auxiliares, dependendo da operação, e o instrumen-
tador. O instrumentador deverá ser um elemento da equipe de enfermagem
ou, eventualmente, um médico.

A equipe de limpeza é formada por auxiliares de limpeza pertencentes ao

Foto: Almir Veiga


quadro hospitalar ou a uma firma prestadora de serviços. Em qualquer dos
casos, no entanto, a equipe sempre trabalha sob a orientação técnica do
enfermeiro.
Sala de operação com o material indispensável ao seu funcionamento (Clínica São Vicente - RJ).
A equipe de enfermagem é composta pelo enfermeiro, o técnico de enfermagem e
o auxiliar de enfermagem. Técnicos e auxiliares de enfermagem assumem, no
Centro Cirúrgico, a função de circulante ou de instrumentador. É freqüente encontrar
também, nesta equipe, um escriturário diretamente subordinado ao enfermeiro-
chefe, responsável pelo trabalho burocrático, como, por exemplo, a datilografia
e a distribuição dos programas cirúrgicos.

O trabalho
no Centro Cirúrgico
Atribuições da enfermagem
O pessoal que circula dentro do Centro Cirúrgico deve apresentar boas
condições de saúde, não podendo ser portador de infecções agudas ou
crônicas, principalmente de orofaringe e de pele. Enfermeiro-chefe

É obrigatório o uso de uniforme privativo, composto de calça comprida e de n prover a unidade de pessoal e de material necessários ao seu bom
jaleco unissex ou vestido, gorro para proteger os cabelos, máscara e sapatilhas funcionamento;
de tecido ou propés, usados sobre os sapatos. n organizar o trabalho a ser feito, distribuindo-o de forma racional;
n comandar o pessoal, baseando-se nos princípios éticos de relacionamento
Cabe ressaltar que o uniforme deve ser vestido diretamente sobre as roupas humano, preocupando-se com o seu crescimento profissional;
de baixo. A máscara, para cumprir seu papel, precisa proteger o nariz e a n coordenar e supervisionar a assistência prestada ao paciente no transope-
boca, sendo necessário trocá-la sempre que estiver úmida. ratório, executando-a sempre que houver necessidade.

Transoperatório
44 Centro Cirúrgico Atribuições da enfermagem 45

Circulante A. Segurar o pacote afastado do corpo e na posição adequada para soltar o


adesivo que prende a ponta do envoltório.
Montagem da sala de operações B. Levantar essa primeira ponta para o lado oposto ao corpo.
C. Abrir cada uma das pontas laterais do envoltório.
n saber quais são as operações marcadas para a sala sob sua responsabilidade, D. Prender, cuidadosamente, as três pontas soltas, de forma a não contaminar
os respectivos horários e a existência ou não de solicitação de equipamento a parte interna do pacote.
ou material especial; E. Deixar o conteúdo do pacote cair sobre a mesa do material cirúrgico.
n verificar a limpeza das paredes e do piso da sala. Geralmente a limpeza
diária é feita de véspera, ao final das operações do dia; Pacotes grandes contendo instrumental, campos, aventais, por exemplo, devem sempre ser abertos
n arrumar a sala, provendo-a com o equipamento necessário à operação; sobre uma mesa.
n remover o pó dos equipamentos expostos e das superfícies, começando
pelas partes consideradas mais limpas. Pode-se usar um tecido ou Auxílio ao instrumentador
compressa velha embebida em álcool etílico a 70° ou outros desinfetantes;
n testar as luzes e aparelhos a serem utilizados, como, por exemplo: focos, n ajudar o instrumentador a vestir o avental ou capote, e a calçar as luvas
pontos de gases, aspirador, etc.; estéreis;
n regular a temperatura da sala; n colaborar na montagem das mesas auxiliares, fornecendo os materiais
n verificar se o lavabo está equipado para lavagem e anti-sepsia das mãos e estéreis e os líquidos necessários ao instrumentador, dentro dos princípios
antebraços; de assepsia.
n revisar os materiais existentes na sala, tais como: medicações, anti-sépticos Esses princípios de assepsia (que devem ser cuidadosamente observados
e impressos, completando o que estiver faltando; pelo circulante) são:
n providenciar o material específico de cada operação; l manter uma certa distância da mesa do instrumentador, quando lhe

n colocar o pacote de campos e aventais, as luvas e a caixa de instrumentos oferecer o material;


em local acessível para sua utilização, no momento devido; l evitar tocar na parte interna das tampas das caixas que forem abertas;

n preparar soro morno, se necessário; l utilizar pinça servente estéril para retirar os instrumentos de caixas

n equipar o carro de anestesia e colocá-lo à cabeceira da mesa cirúrgica. Em ou cubas;


muitos serviços, o controle dos materiais de anestesia é responsabilidade l usar a técnica adequada para o fornecimento de soluções anti-sépticas,
de um funcionário específico ou dos próprios anestesistas; como álcool iodado, e de outros líquidos, como o soro fisiológico,
n abrir os pacotes de material estéril seguindo as instruções: depositando-os em cuba redonda pequena;
l utilizar técnicas corretas para alcançar os materiais, como, por exemplo,

a ilustrada na figura.
A B C

D E

Técnica para dar


o fio de sutura ao
instrumentador.

Transoperatório
46 Centro Cirúrgico Atribuições da enfermagem 47

Atendimento ao paciente
A. O paciente é sentado sobre a mesa A
cirúrgica com os membros inferiores para fora,
n receber o paciente no Centro Cirúrgico, quando o enfermeiro está
apoiados numa escadinha ou banco. Os
impossibilitado de fazê-lo.
membros superiores são abaixados para a frente
No ato do recebimento é necessário, primeiramente, identificar o paciente
e a cabeça bem inclinada para baixo.
e verificar se foram realizados os seguintes cuidados pré-operatórios:
l preparação da região operatória;
O circulante mantém o paciente nessa posição,
l colocação correta da roupa do paciente;
colocando-se à sua frente, com as mãos em sua
l retirada de jóias, próteses e esmalte de pelo menos uma das unhas;
cabeça, de modo a evitar qualquer
n verificar,em seguida, as anotações do prontuário referentes ao pré-
movimentação no momento da punção.
operatório, tais como medicação pré-anestésica, sinais vitais, problemas
alérgicos e condições físicas e emocionais do paciente;
B. O paciente deve ser colocado em decúbito
n observar se os exames laboratoriais de rotina estão junto ao prontuário,
lateral direito ou esquerdo, com as pernas fletidas
como também os exames específicos, indispensáveis a certas operações,
(flexionadas) sob as coxas e estas contra o
tais como: eletrocardiogramas, radiografias, tomografias ou fotografias,
abdome. Os membros superiores são cruzados
em casos de cirurgias plásticas. Se um desses itens estiver faltando, o cir-
na frente, à altura da cintura, e o pescoço bem B
culante deve avisar imediatamente a sua chefia, para as devidas providências;
flexionado, de modo a aproximar o queixo do
n em seguida, na sala de operação, enquanto o paciente não estiver
esterno, um osso localizado no tórax.
anestesiado, demonstrar solidariedade e calor humano, tentando aliviar o
medo e a insegurança, comuns à maioria dos pacientes. Portanto, é
O circulante ajuda a manter o paciente na
importante nunca deixá-lo sozinho e atendê-lo em suas necessidades, como
posição, colocando uma das mãos na região
cobri-lo se sentir frio, ajudá-lo caso queira urinar, etc.
cervical posterior do paciente e a outra na
dobra dos joelhos, a fim de forçar mais a coluna
Auxílio ao anestesista
em forma de arco.
Posicionar o paciente de acordo com o tipo de anestesia que irá receber.
A posição B é a mais usada, por ser mais
Nesse momento, é f undamental orientar o paciente e apoiá-lo
apropriada e confortável para o paciente.
psicologicamente, para obter a sua colaboração.

Assim, é necessário o circulante conhecer os vários tipos de anestesia e, anestesia regional, caracterizada pela injeção do anestésico nos nervos ou ao
também, saber como deve posicionar o paciente em cada caso: redor deles, anestesiando a área por eles inervada;

anestesia geral, obtida através de inalação ou administração do anestésico por anestesia local, o anestésico é injetado nos tecidos onde será feita a incisão.
via intravenosa ou retal. A posição indicada é o decúbito dorsal que você Nesses casos, o anestésico local mais comumente usado é a lidocaína
poderá analisar na figura da página 48; combinada com adrenalina.

anestesias raquidiana e peridural, o anestésico é introduzido pelo anestesista nos Tanto para a anestesia regional como para a local, a posição do paciente
espaços subaracnóide e subdural, respectivamente. Para ambos os tipos pode- varia de acordo com a área a ser anestesiada mas, sempre que possível, ele
se adotar qualquer uma das posições mostradas na figura adiante; deve permanecer em decúbito dorsal.

É importante lembrar que nas posições mostradas tanto em A como em B, o Qualquer que seja o tipo de anestesia, se houver utilização de soro e o paciente
paciente é recolocado na posição de decúbito dorsal, após a punção e estiver em decúbito dorsal, seu braço deverá ser colocado no suporte acolcho-
introdução da substância anestésica. ado, em ângulo inferior a 90°, a fim de evitar desconforto no pós-operatório.

Transoperatório
48 Centro Cirúrgico Atribuições da enfermagem 49

No decorrer da anestesia, o circulante deve prestar espe-


Posição de decúbito
cial atenção a alterações que o paciente possa apresentar, Cianose:
lateral. Paciente deitado
tais como mudança de coloração da pele e da mucosa coloração azulada
sobre um dos lados. A
(cianose ou palidez), aceleração ou diminuição da pul- da pele e mucosas
perna em posição
sação, sudorese, dentre outras, a fim de prevenir compli- conseqüente à má
inferior fica flexionada,
cações. É também da competência do circulante observar oxigenação
enquanto a outra fica
o gotejamento das infusões e dos líquidos drenados.
estendida. Um
travesseiro as separa e
Você deve saber que não é competência do circulante substituir o anestesista na administração de
protege.O quadril é
medicamentos ou de algum anestésico.
fixado à mesa por uma
cinta. Um braço é
Atendimento ao ato cirúrgico
preso ao arco de
narcose; o outro fica
As atribuições podem ser divididas em três momentos: no início da cirurgia,
sobre braçadeira.
quando ele é mais solicitado, durante a operação e ao término desta.
Posição utilizada,
basicamente, em
No início da cirurgia:
cirurgias de coluna
n auxiliar a equipe cirúrgica a vestir o capote ou avental, amarrando as tiras
vertebral, pulmão e rim.
do decote e do cinto e, depois, oferecendo as luvas;
Nesta última,
n ajudar a colocar o paciente cuidadosamente em posição adequada à
geralmente é colocado
operação, utilizando todos os recursos disponíveis para evitar ao máximo
um coxim sob o flanco.
que tal posição cause danos ao paciente. A falta desses cuidados pode,
por exemplo, provocar compressão de nervos, problemas circulatórios e
queimaduras por fricção.
Desse modo, é muito importante que o circulante conheça as principais
posições cirúrgicas.

Posição de decúbito
Posição de decúbito ventral. Paciente
dorsal. Paciente deitado deitado sobre o ventre,
de costas, com pernas apoiado em dois
estendidas e levemente coxins, sob os ombros.
afastadas. Os braços Os braços ficam sobre
podem ficar em braçadeiras. A
posição anatômica, cabeça, lateralizada,
com a palma da mão repousa sobre um
virada para baixo, ou travesseiro. Os pés se
apoiados em apóiam em coxins,
braçadeiras. evitando que os dedos
Posição usada para a toquem a mesa
maioria das cirurgias cirúrgica.
gerais e outras Posição indicada para
realizadas no tórax e cirurgias de coluna
abdome. vertebral e membros
inferiores.

Transoperatório
50 Centro Cirúrgico Atribuições da enfermagem 51

Posição de litotomia.
Paciente colocado
em decúbito dorsal,
a mesa é dobrada
na parte inferior.
Posição de
As nádegas são
Trendelemburg.
posicionadas
Paciente colocado
ligeiramente para fora
em decúbito dorsal,
da borda da mesa, as
com cabeça e tronco
pernas e coxas fletidas
em nível mais baixo
em ângulo reto e
que os membros
apoiadas em um
inferiores.
suporte, na altura dos
Posição utilizada em
joelhos, tornozelos ou
cirurgias no abdome
dos pés.
inferior e pélvicas.
Posição usada
para a maioria das
cirurgias perineais.

Ainda no início da cirurgia:


Posição de proclive n prender o paciente firmemente na mesa, tendo o cuidado de não comprimir
ou reverso de vasos e nervos, pois isso pode ocasionar vários problemas no pós-operatório;
Trendelemburg. n descobrir a área operatória e oferecer anti-sépticos à equipe cirúrgica;
Paciente colocado n colocar a placa neutra do bisturi elétrico, caso ele vá ser usado, na
em decúbito dorsal, panturrilha do paciente ou outra região, conforme a cirurgia.
com cabeça alguns
graus mais alta que
os membros inferiores.
No caso de uma
inclinação maior, usar
suporte para os pés.
Se precisar
hiperestender o
pescoço, colocar
coxim sob os ombros.
Posição utilizada em
algumas cirurgias da
cavidade abdominal Colocação
superior, cabeça e da placa neutra
pescoço. do bisturi elétrico.

Transoperatório
52 Centro Cirúrgico Atribuições da enfermagem 53

Durante a realização da cirurgia:


n permanecer na sala atento a todas as solicitações de materiais e também
ao funcionamento dos aparelhos;
n acondicionar a peça anatômica retirada para exame, identificá-la por
escrito e providenciar seu encaminhamento, de acordo com a orientação
do serviço de patologia. O mesmo deve ser feito com secreções, lavados
gástricos e brônquicos destinados a exames laboratoriais;
n zelar pela limpeza, colocando imediatamente solução desinfetante sobre
locais eventualmente contaminados por sangue, pus ou outros f luidos
corpóreos. Depois de 10 minutos, limpar esses locais com solução
desinfetante, utilizando para isso pinças ou protegendo as mãos com luvas;
n fazer as anotações na folha de gastos, de acordo com as normas
Placa neutra
administrativas do hospital.
fixada ao paciente.
Após o término da cirurgia:
Ao utilizar o bisturi elétrico, é necessário observar vários cuidados, os quais n desligar o foco e os aparelhos elétricos, afastando-os da mesa cirúrgica;
devem ser do conhecimento de qualquer circulante: n auxiliar o médico no curativo da incisão cirúrgica, oferecendo as soluções
l não utilizar dois bisturis monopolares simultaneamente; anti-sépticas comumente usadas (água oxigenada, solução aquosa de iodo)
l não deixar que o paciente fique em contato com as partes metálicas da e fixando o adesivo;
mesa cirúrgica; n remover os campos e, em seguida, vestir e agasalhar o paciente
l limpar a pele do paciente no local de colocação da placa, deixando-a adequadamente;
desengordurada e seca, pois o contato deve ser perfeito; n auxiliar a equipe cirúrgica a retirar os aventais;
l colocar gel condutor na placa e fixá-la no paciente, o mais próximo n transferir o paciente para a maca, após a autorização do anestesista,
possível do local da operação, porém afastada de eletrodos, como, por observando a permeabilidade de scalps, sondas e drenos;
exemplo, os usados na monitorização cardíaca; n providenciar o transporte do paciente para a unidade de Recuperação
l não conectar a placa do bisturi a outros equipamentos por meio de fios. Pós-anestésica ou para sua unidade de origem, acompanhado do
Isto só pode ser feito com o próprio bisturi; prontuário completo;
l evitar que a placa seja molhada durante o preparo do campo operatório, n tratar o material de vidro, de borracha e o instrumental de acordo com a
como também durante a operação; rotina do serviço;
n desocupar a sala, encaminhando a roupa à lavanderia. Solicitar, logo após,
A falta desses cuidados pode ocasionar queimaduras graves na pele do paciente. a limpeza do local.

Existem hoje, no comércio, placas neutras auto-adesivas e descartáveis,


que dão uma segurança excelente no manuseio do bisturi elétrico. Se Instrumentador
essas placas estiverem mal posicionadas, o bisturi não funciona, evitando
queimaduras nos pacientes. Elas são encontradas nos tamanhos adulto O técnico ou auxiliar de enfermagem, atuando na função de instrumentador,
e infantil; passa a integrar a equipe cirúrgica e, como tal, suas atribuições são:
n colocar o arco de narcose ou um suporte de soro de cada lado da mesa, n verificar para que sala de operação está escalado e, em função disso, em
recebendo dos assistentes as extremidades dos campos esterilizados. Fixá- que operações irá atuar;
las, então, no arco ou suportes, para formar a tenda (barraca) que separa n informar-se quanto aos tipos de fios, agulhas e materiais especiais a serem
o campo de ação do anestesista; utilizados, caso não esteja familiarizado com a rotina do cirurgião;
n ligar o bisturi elétrico e o aspirador; n executar o preparo das mãos e dos antebraços, vestir o avental
n colocar “baldes a chute” próximos ao cirurgião e ao assistente; esterilizado e calçar as luvas cirúrgicas, de acordo com a técnica correta,
n ligar o foco cirúrgico, direcionando-o para o campo operatório. descrita mais adiante;

Transoperatório
54 Centro Cirúrgico Atribuições da enfermagem 55

n dispor instrumental, campos, gazes e fios nas mesas auxiliares, segundo a essa especificação, dispensar a escovação e realizar a anti-sepsia fazendo
a técnica padronizada; a fricção com as mãos;
n estar pronto e ter tudo preparado antes de começar a operação, para n molhar as cerdas e colocar PVP-I 10%, se a escova não contiver anti-séptico
evitar atrasos; com detergente;
n colocar à disposição do cirurgião, antes do início do procedimento n escovar as unhas da mão esquerda, com a escova na mão direita, enquanto
cirúrgico, o material para a anti-sepsia da região operatória e auxiliar na conta mentalmente até cinqüenta;
colocação dos campos; n continuar a escovação por etapas, tendo sempre em mente que é
n passar os instrumentos, zelando constantemente pela total assepsia necessário atingir desde a extremidade dos dedos até o cotovelo,
do ato cirúrgico. É muito importante, por exemplo, cuidar para a mesa escovando cada segmento cerca de 25 vezes;
do instrumental não ser contaminada pelas costas dos integrantes da n começar essa etapa da escovação pela lateral do dedo mínimo, passando
equipe ou por instrumentos que tenham entrado em contato com a pelos espaços interdigitais (entre os dedos), até atingir o polegar;
parte interna do intestino; n em seguida, escovar a região ventral (palmar) da mão, partindo das pontas
n evitar a falta de compressas, gazes, fios e outros materiais, solicitando dos dedos até o punho;
reposição ao circulante, com a devida antecedência; n com a palma voltada para baixo, escovar a região dorsal da mão, dando
n zelar pela peça anatômica retirada do paciente, identificando-a e especial atenção aos sulcos interdigitais;
entregando-a ao circulante, que irá encaminhá-la para exame; n escovar, a seguir, as regiões anterior e posterior do antebraço, com
n desmontar a mesa, separando o material contaminado do limpo, ao movimentos que se estendam do punho ao cotovelo;
término da operação. n escovar o cotovelo com movimentos circulares;
n passar a escova para a outra mão e lavá-la, deixando a água escorrer;
Como já observamos, antes de o instrumentador vestir o avental esterilizado n passar anti-séptico com detergente na escova e proceder à escovação da
e calçar as luvas, ele deve realizar o preparo adequado das mãos e dos mão direita, obedecendo às mesmas etapas já descritas para a mão esquerda;
antebraços, tendo em mente a possível perfuração das luvas esterilizadas e a n ao final, desprezar a escova na pia e enxaguar cada uma das mãos, unindo
conseqüente contaminação pelas bactérias da pele. as extremidades dos dedos e colocando os antebraços na vertical, de
maneira que a água escorra em direção aos cotovelos;
Essas bactérias são de dois tipos: transitórias e residentes. As transitórias são
eliminadas com relativa facilidade, usando-se água e sabão, enquanto as O tempo gasto na escovação da cada mão e antebraço deve ser, no mínimo, de cinco minutos.
residentes são de difícil remoção, por estarem firmemente aderidas à
superfície cutânea. Assim, a lavagem retira as bactérias transitórias, e o anti- n reaplicar o PVP-I, friccionando-o nas mãos, mantendo-as mais elevadas
séptico, hoje em dia à base de iodo, impede temporariamente a ação de que os cotovelos. Ter o cuidado de não remover os resíduos desse detergente
outras bactérias, não retiradas pela mecânica da lavagem. com soluções alcoólicas.

Lavagem e anti-sepsia das mãos e dos antebraços É importante esclarecer que o Ministério da Saúde oferece uma opção a ser
utilizada na falta dos anti-sépticos com detergente indicados. A técnica é a mesma da
Para executar a técnica (baseada nas recomendações do Ministério da Saúde) segunda opção, porém é realizada com sabão comum em lugar do PVP-I.
o instrumentador deverá estar com as unhas bem aparadas e usando máscara
e gorro. Logo, realizará o seguinte procedimento: Após os cinco minutos de fricção, enxaguar mãos e antebraços, removendo a
n remover as jóias das mãos e dos antebraços; espuma e os resíduos de sabão. Em seguida, aplicar álcool iodado (0,5 a 1%).
n lavar as mãos e os antebraços com água corrente e anti-séptico com deter-
gente PVP-I a 10%. As pessoas alérgicas ao iodo deverão usar a solução O álcool iodado precisa ser literalmente aplicado às mãos e antebraços, e jamais utilizado para simples
detergente de CLOROHEXIDINA a 4%; imersão dos mesmos. É necessário friccionar as mãos com essa solução por, no mínimo, um minuto.
n enxaguar as mãos e elevá-las, para o anti-séptico escorrer em direção aos
cotovelos, indo da parte mais limpa para a menos limpa; Ao finalizar o processo o instrumentador deve dirigir-se à sala de operação,
n retirar a escova esterilizada do suporte ou do invólucro, se ela for com mãos e antebraços mantidos na vertical, evitando tocar em objetos que
descartável. Só usar escova de cerdas macias e, caso as disponíveis não atendam possam comprometer a escovação.

Transoperatório
56 Centro Cirúrgico Atribuições da enfermagem 57

Na sala, efetua-se a secagem das mãos e parte dos antebraços com uma
compressa esterilizada, indo na direção das mãos para os cotovelos. Fazer
movimentos compressivos e não de esfregação, evitando sempre que a A
compressa atinja regiões não escovadas. Em seguida, jogar a compressa no
saco de hamper.

Secagem de mãos A B
e antebraços.
A. Instrumentadora Técnica para vestir
retira a compressa que o avental cirúrgico,
se encontra em um usada pelo
pacote aberto. instrumentador no caso
B. Instrumentadora específico do avental
segura a compressa estar com a face B
afastada do seu corpo. externa para dentro.
Seca apenas a área
bem escovada e evita A. Instrumentadora
contaminar as mãos na pega o avental.
área próxima ao
cotovelo. B. Instrumentadora
desenrola o avental e
Estando com as mãos secas, o instrumentador vestirá o avental esterilizado, introduz seus braços
tocando-o apenas pelo avesso para não contaminá-lo, já que as mãos, embora dentro das mangas
escovadas, ainda estão sem luvas. com um movimento
para cima, sem tocar a
Técnica para vestir o avental parte externa com suas C
mãos desnudas.
n pegar o avental com as pontas dos dedos e depois elevá-lo, trazendo-o para
fora da mesa. A maneira de pegar o avental vai depender do modo como C. A circulante de
ele é dobrado, o que varia de uma região para outra do Brasil. Qualquer sala alcança a parte
que seja o modo, no entanto, é imprescindível observar o princípio fun- interna do avental e
damental de só tocar a parte interna do avental e nunca a parte externa; puxa pela abertura das
n abrir o avental com movimentos delicados e firmes, tendo o cuidado de mangas.
não tocar sua face externa;
n segurar o avental afastado do corpo e introduzir, ao mesmo tempo, os D. A circulante de
dois braços nas mangas, com um movimento para cima; sala amarra as tiras do
n dar as costas ao circulante de sala para que as tiras do decote das costas decote e da cintura.
e da cintura sejam amarradas por ele, afastando-as da cintura para facilitar Entretanto,
a ação. dependendo do tipo D
de avental usado, a
Nas operações de grande porte, onde a assepsia é ainda mais rigorosa, a equipe cirúrgica protege as própria
costas do avental usando a opa esterilizada. A opa é uma espécie de sobrecapa, sem mangas, amarrada instrumentadora, já
na frente, que um dos membros da equipe, já vestido e enluvado, auxilia os demais a vestir. calçando luvas,
fechará o avental.

Transoperatório
58 Centro Cirúrgico Atribuições da enfermagem 59

A B C
A B

D E F

G H I
A. Opa

B. Opa improvisada

J K L

Técnica para calçar luvas

n abrir o pacote de luvas de modo a deixar os punhos voltados para a pessoa


que irá calçá-las. Ter o cuidado de afastar a aba interna do pacote, sem
tocar as luvas com as mãos desnudas;
n retirar a luva esquerda do envelope, segurando-a pelo punho com a Recomendações ao calçar as luvas
mão direita;
n calçar a luva esquerda com o auxílio da mão direita, tocando-a apenas n a mão nua só deve tocar a parte interna da luva, enquanto a mão enluvada
pelo lado de dentro do punho e mantendo a dobra do punho; só pode tocar a parte externa;
n retirar a luva direita do envelope, colocando a mão esquerda na abertura n se, ao calçar as luvas, os dedos entrarem trocados, só tentar corrigir após
do mesmo e introduzindo os quatro dedos sob a dobra do punho; ter as duas luvas calçadas;
n calçar essa luva com o auxílio da mão esquerda, mantendo os dedos n com as mãos enluvadas, evitar tocar a gola, as costas e o terço inferior
desta mão introduzidos na dobra e puxando até cobrir o punho da manga do avental cirúrgico por serem consideradas “zonas perigosas”, em
do avental; termos de contaminação;
n introduzir os dedos na dobra do punho da luva esquerda e puxá-la, n para descalçar as luvas deve-se, primeiramente, dobrar o punho da luva
igualmente, até cobrir o punho da manga do avental; esquerda. Com os dedos da mão esquerda ainda enluvados, retirar a luva
n manter as mãos enluvadas para o alto, acima do nível da cintura, e, quando direita sem que esta toque a pele. Com a mão esquerda enluvada segurar
não ocupadas, protegê-las com compressa ou campo esterilizado. Existem a luva direita; depois, com a mão direita desnuda, remover a luva esquerda,
alguns aventais com local apropriado para o descanso e proteção das puxando-a pela dobra do punho por sobre a luva direita.Tocar apenas a
mãos já enluvadas. parte interna da luva esquerda.

Transoperatório
60 Centro Cirúrgico Instrumental cirúrgico básico 61

Tempos cirúrgicos As Pinças de Preensão têm o objetivo de prender tecidos e órgãos, mas também
são usadas para prender gaze dobrada. Um exemplo é a pinça de Foerster,
mostrada na figura, que é utilizada no início da cirurgia, para fazer a anti-
sepsia da região cirúrgica.
Denominamos tempos cirúrgicos ou tempos operatórios as fases ou etapas em que
são executadas as operações. De um modo geral, são quatro:

deiérese é o momento de rompimento dos tecidos por meio de instrumentos


cortantes, como bisturis e tesouras. Pode ainda ser realizada com o bisturi
elétrico ou o bisturi a raio laser.

hemostasia é o processo através do qual se detém o sangramento ocasionado


pela diérese. Pode ser realizada de diversas maneiras, como, por exemplo,
usando-se pinças específicas comprimindo os vasos com compressas ou
utilizando o bisturi elétrico.

Fonte: catálogo EDLO


operação propriamente dita é o tempo cirúrgico principal, voltado para o objetivo
central do procedimento. Nesse momento são usados instrumentos especiais,
que variam de acordo com a especialidade cirúrgica. Pinça de Foerster.

síntese é a união de tecidos, a qual será tão mais perfeita quanto mais perfeita
tiver sido a diérese. Os bisturis são instrumentos de diérese e se apresentam com tipos e tamanhos
variados. São compostos de um cabo de tamanho variável, acoplado a uma
O processo mais comum de síntese é a sutura por planos, dos órgãos e tecidos, lâmina móvel, que também varia em forma e tamanho.
e o fechamento da cavidade cirúrgica usando-se agulhas e porta-agulhas.
A sutura pode ser permanente —quando os fios cirúrgicos não são removidos—
ou temporária —quando os fios são retirados dias após a colocação.
A B

Instrumental cirúrgico básico Diferentes tipos de


cabos e lâminas de
bisturis.
É aquele comum a qualquer operação, devendo estar presente em todas elas,

Fonte: catálogo EDLO


independentemente da especialidade. Assim, o auxiliar de enfermagem A. Cabos
deverá conhecê-lo muito bem, principalmente o instrumentador, tendo em
vista o bom desempenho de suas funções. B. Lâminas

Com apenas esse instrumental é possível realizar várias cirurgias gerais de pequeno porte, sem Em função da grande freqüência com que são utilizados, os bisturis ocupam
necessidade de outros instrumentos mais específicos. Dentre essas cirurgias destacamos a a parte da mesa mais acessível ao instrumentador, sempre com a ponta
apendicectomia, a hernioplastia e a postectomia. voltada para ele.

Transoperatório
62 Centro Cirúrgico Instrumental cirúrgico básico 63

As tesouras, assim como os bisturis, são instrumentos de diérese, e têm


diferentes formas e tamanhos. C D

A B

Pinças hemostáticas.

Tesouras. C. de Crile reta e curva

Fonte: catálogo EDLO


A. de Metzenbaum D. de Kocher reta e
reta e curva curva

Fonte: catálogo EDLO


B. de Mayo reta e
As pinças hemostáticas são conhecidas pelos nomes de seus criadores como
curva
Kelly, Kocher, Crile, Halstead, Rochester e Mixter. São dispostas na mesa do instrumen-
tador em grupos do mesmo tipo e em ordem crescente de tamanho, sempre
Também as tesouras são arrumadas na mesa de instrumental com a ponta da direita para a esquerda.
voltada para o instrumentador.
As pinças de dissecção são instrumentos auxiliares que apóiam o ato cirúrgico.
As pinças hemostáticas são instrumentos de hemostasia, utilizadas para pinçar os Elas existem em grande variedade, sendo diferentes em forma e tamanho,
vasos e impedir o sangramento. Essas pinças podem ser retas ou curvas e com dentes ou não. Aquelas com dentes são comumente chamadas de “pinças
têm tamanhos variados. dentes de rato”.

A B A

Pinças hemostáticas. B
Pinças de dissecção.
A. de Kelly reta e

Fonte: catálogo EDLO


Fonte: catálogo EDLO

curva A. sem dente

B. de Halstead B. "dente de rato"

Transoperatório
64 Centro Cirúrgico Instrumental cirúrgico básico 65

Os afastadores são também instrumentos auxiliares, destinados a facilitar a


exposição do campo operatório. Eles variam quanto ao tipo e ao tamanho,
podendo ser manuais ou auto-estáticos. Esses últimos são chamados assim I J K
porque afastam os tecidos por si próprios. Afastadores.

I. de costelas,
Finochietto

A B C J. para pele, Gillies

K. Haberer "maleável"

Fonte: catálogo EDLO


Os afastadores são ordenados na mesa de instrumental por tamanho e pela
ordem em que são empregados. Os menores são usados, em geral, nos planos
superficiais, como as camadas de tecido, e de acordo com o tamanho do
paciente. Já os maiores são empregados posteriormente, para afastamento
D E F
das estruturas profundas, como os órgãos.

As pinças de campo, ou pinças Backhaus, são instrumentos auxiliares destinados à


fixação dos campos que limitam a área operatória.

Afastadores.

A. Farabeuf

B. Deaver Nº 6

C. Volkmann

D. auto-estático, Gelpi

Fonte: catálogo EDLO


G H
E. auto-estático,
Pinça Backhaus
Weitlaner
ou de campo.
F. abdominal, Gosset
Esse tipo de pinça está presente na mesa de instrumental somente no início
Fonte: catálogo EDLO

G. abdominal, Balfour da operação. Posteriormente, o espaço ocupado por elas é utilizado para
melhor acomodar instrumentos de hemostasia, instrumentos especiais,
H. abdominal, Doyen compressas, gazes ou cubas.

Transoperatório
66 Centro Cirúrgico Instrumental cirúrgico básico 67

As agulhas são instrumentos de síntese utilizados para conduzir o fio de sutura Quanto à arrumação das agulhas na mesa do instrumentador, ressaltamos que
através dos tecidos. Podem ser de diferentes tipos: elas devem ser dispostas ordenadamente, de modo a facilitar sua identificação.
n retas, semi-retas ou curvas, sendo a curvatura bem variável;
n pequenas ou grandes; Os porta-agulhas são também instrumentos de síntese, e têm a função de pren-
n de ponta triangular ou cortante, para a pele; e de ponta cilíndrica ou der as agulhas, para a execução da sutura. Eles se apresentam de diferentes
romba, para uso interno; formas e tamanhos, sendo mais comuns os de Mayo-Hegar e de Mathieu.
n com fundo fixo ou fundo falso.

A B
A B

C
Porta-agulhas.

Fonte: catálogo EDLO


Agulhas cirúrgicas. A. de Mayo-Hegar

A. Forma das agulhas B. de Mathieu

B. Agulha de fundo
D À exceção dos demais instrumentos, os porta-agulhas devem ficar na mesa
fixo
de instrumental com os cabos sempre voltados para o instrumentador.
C. Agulha de fundo
As agulhas e os porta-agulhas, usados nas suturas tradicionais, podem ser
falso
substituídos por instrumentos que realizam vários tipos de suturas mecânicas.
E Um exemplo desses instrumentos é o skin stapler, cuja forma é semelhante à
D. Agulha de ponta
de um grampeador.
romba ou cilíndrica

E. Agulha de ponta

Nas agulhas com fundo fixo, o fio é introduzido em seu orifício, como nas
agulhas de costura. Já nas agulhas com fundo falso o fio é introduzido no
canal, sob pressão. Atualmente, a maioria dos fios já vem agulhada de fábrica,
havendo uma preferência dos cirurgiões por esse tipo de fio, por serem
práticos e produzirem menor traumatismo nos tecidos.

A escolha das agulhas e dos fios a serem usados em uma cirurgia é de competência exclusiva do
cirurgião, uma vez que essa escolha vai depender de fatores como o tipo de cirurgia, a técnica Skin Stapler, usado
empregada e o tipo de tecido. para suturas mecânicas.

Transoperatório
68 Centro Cirúrgico Fios cirúrgicos 69

Instrumental cirúrgico especial Fios cirúrgicos

É aquele que varia de acordo com as múltiplas especialidades cirúrgicas e, Também denominados fios de sutura, os fios cirúrgicos são utilizados com
em geral, é utilizado apenas no tempo principal da operação. duas finalidades básicas:

Esse tipo de instrumento deve ser colocado em local afastado da mesa do n ligadura de vasos sangüíneos, para impedir o sangramento;
instru-mentador ou, então, em mesa auxiliar secundária, no caso de serem n sutura de tecidos orgânicos, para facilitar a cicatrização.
muito numerosos.
Esses fios dividem-se em duas categorias principais.

A B C Fios cirúrgicos absorvíveis

São produzidos com material que pode ser eliminado pelas células e líquidos
corporais, durante e após a cicatrização dos tecidos. Eles são de dois tipos:
de origem animal, produzidos a partir do intestino de boi ou de carneiro, sendo
conhecidos como catgut (categute). Podem ser:
simples: categute não tratado, o qual é totalmente absorvido em torno do
10º dia após a cirurgia;
cromado: categute simples, com tratamento especial para prolongar o tempo
de absorção, que deverá acontecer entre o 20º e o 25º dia após a cirurgia.
de origem sintética, produzidos em laboratório, têm absorção total depois de 60
Exemplos de a 70 dias da operação.
instrumental cirúrgico
especial. Fios cirúrgicos inabsorvíveis

A. tesoura vascular Não desaparecem, permanecendo envolvidos por um tecido fibroso, mesmo
Potts de Martel sofrendo a ação dos líquidos do corpo. Esses fios são de três tipos:
D E F de origem natural, fabricados a partir da seda, do algodão ou, ainda, do linho.
B. rugina para de origem sintética, produzidos em laboratório, podendo ser de náilon, poliéster
periósteo de Farabeuf ou polipropileno.
metálicos, de prata, bronze ou aço inoxidável.
C. espéculo vaginal
de Collin
Espessura dos fios cirúrgicos
D. pinça Randall
para cálculos renais A grande variedade de espessura com que são encontrados motivou a sua
identificação por meio de uma escala numérica:
E. saca-fibroma
de Doyen ... 6-0 5-0 4-0 000 00 0 1 2 3 4 5 ...
Fonte: catálogo EDLO

F. espéculo nasal Para entender como a escala funciona, vamos tomar o fio número zero como
de Hartmann referência, o qual tem uma espessura média.

Transoperatório
70 Centro Cirúrgico Considerações gerais sobre instrumentação 71

Os fios com numeração acima de zero são de espessura maior do que ele, como, o cirurgião trabalha o instrumentador passa,
por exemplo, o fio 2 ou 3. Quanto maior é o número, mais grosso será o fio. com instrumentos de corte automaticamente, pinças hemostáticas

Por outro lado, os fios cuja numeração tem mais zeros são mais finos do que ele,
como 00 ou 4-0. Assim, quanto mais zeros na numeração, mais fino é o fio.

Observe que depois de 000 não se repetem mais os zeros para representar, o cirurgião usa bisturi, o instrumentador entrega pinça auxiliar,
usando-se apenas 4-0, 5-0, 6-0, etc. tesoura ou porta-agulhas exceto durante incisão da pele

Os fios disponíveis no mercado são encontrados nas seguintes apresentações:


n envelopes com fios longos, sem agulha;
n envelopes com fios curtos e agulhas descartáveis presas ao fio. o cirurgião devolve instrumentos
o instrumentador entrega, prontamente,
de diérese e auxiliares,
fios para ligadura
com muitas pinças hemostáticas no campo

o cirurgião usa fio o instrumentador passa


Considerações gerais para sutura ou ligadura a tesoura reta

sobre instrumentação
O instrumentador deve estar sempre atento ao modo de manusear e passar
os instrumentos. Todo cuidado deve ser tomado para não deixá-los cair e
Vamos destacar algumas observações sobre o modo como os cirurgiões para sempre entregá-los na posição correta para o uso, evitando que o
solicitam os instrumentos e de como o instrumentador deve passá-los. cirurgião seja obrigado a virar os instrumentos antes de usá-los.

Os instrumentos de uso corrente podem ser solicitados pela sinalização Em relação a esses instrumentos, cabe ainda lembrar que existem alguns
manual, que consiste em uma série de sinais em código, já conhecidos pela muito perigosos, como o bisturi e o porta-agulhas montado, os quais devem
equipe. Esses sinais estão diretamente relacionados com o movimento ser manuseados com cautela e segurança, para prevenir acidentes.
característico do uso de cada um dos instrumentos.
Também é igualmente importante o instrumentador se colocar em local
Caso não empregue a sinalização manual, o cirurgião poderá pedir os que favoreça a passagem dos instrumentos e, se possível, que tenha
instrumentos pelos respectivos nomes. perfeita visualização do campo cirúrgico, para poder acompanhar os tem-
pos cirúrgicos e antecipar-se às solicitações dos vários instrumentos.
A prática, no entanto, vai proporcionando, ao instrumentador, segurança
e condições de prever a necessidade de passar esse ou aquele instrumento. A forma de dispor os instrumentos varia, principalmente, em função do tipo
Ele faz isso com base no conhecimento das regras gerais de uso seqüencial de cirurgia e da técnica a ser adotada. Como regra geral, no entanto, podemos
de todo o instrumental, desobrigando o cirurgião de fazer qualquer afirmar que os instrumentos são dispostos na mesa, em grupos, por ordem
sinalização ou pedido. de tamanho, sempre com suas pontas voltadas para o ins-trumentador. Os
porta-agulhas, como já ressaltamos, devem ficar com os cabos voltados para
Veja alguns exemplos: o instrumentador, ao contrário dos demais instrumentos.

Transoperatório
72 Centro Cirúrgico
Centro
Transoperatório de Material

É o conjunto de áreas destinadas à limpeza, pre-paro,


esterilização, guarda e distribuição do material para
todo o hospital.

O CEMAT pode ser centralizado, quando o material é


limpo, preparado e esterilizado nas áreas específicas
do próprio Centro; ou descentralizado, quando as dife-
rentes unidades do hospital encarregam-se da lim-
peza e da preparação do material, encaminhando-o
depois ao CEMAT somente para esterilização.

O mais indicado é o sistema centralizado, princi-


palmente porque padroniza as técnicas empregadas
e possibilita o controle de qualidade garantindo
maior segurança no uso do material esterilizado.

Dependências básicas

recepção e expurgo. Área destinada a receber o material usado no Centro Cirúrgico


e nas demais unidades do hospital, para execução ou comple-mentação
da limpeza.

Esse local precisa ser devidamente separado e isolado do local de entrega do material limpo,
a fim de evitar a contaminação do que foi recém-esterilizado.

preparo do material. Local onde se realizam o preparo e o empacotamento ou


acondicionamento do material para ser esterilizado.
74 Centro de Material Atividades no CEMAT 75

esterilização. Espaço onde estão instaladas as autoclaves e estufas empregadas


para esterilizar o material. Atividades
guarda e distribuição. Parte reservada ao armazenamento ou estocagem do mate-
rial estéril em armários, prateleiras e, modernamente, em cestas de aço
inoxidável do tipo “gaiola”. É nesse local, também, que se dá a distribuição Antes de detalharmos as atividades desenvolvidas no Centro de Material, é
do material a todas as unidades do hospital. importante relembrar alguns conceitos de microbiologia que são básicos
Em alguns hospitais, essa área comunica-se diretamente com a sala de para o pessoal de enfermagem realizar um trabalho consciente e responsável:
estocagem de material esterilizado do Centro Cirúrgico, facilitando muito
o abastecimento dessa sala. esterilização. Conjunto de meios empregados para extermi-
posto de enfermagem. Área que se constitui no centro administrativo do CEMAT, nar todos os germes, inclusive os esporos. Espor os:
Esporos:
onde se encontram a chefia e a secretaria dessa unidade. desinfecção. Meios empregados para destruir os germes na sua forma na qual o
sala de reserva. Destinada à estocagem de materiais de consumo novos como, forma vegetativa. Ela pode ou não destruir os esporos. germe é mais
por exemplo, seringas, agulhas, gazes, algodão, luvas, fitas-teste, fios, etc., anti-sepsia. Meios através dos quais se impede a prolife- resistente
usados na reposição de material dos pacotes e bandejas preparados para ração dos germes. Na anti-sepsia são empregadas
esterilização. substâncias chamadas anti-sépticas.
copa. Área reservada para servir lanches rápidos ao pessoal do CEMAT.
vestiários masculino e feminino. Locais equipados com sanitários e chuveiros para O emprego do termo anti-sepsia restringe-se ao tecido vivo, enquanto que o termo desinfecção
uso das equipes, e ainda de armários, para a guarda de uniformes, roupas aplica-se a matérias inanimadas. Falamos, por exemplo, em anti-sepsia da pele e em
e outros pertences. desinfecção do piso.

As diferentes áreas de um Centro de Material devem ser distribuídas de forma a permitir um fluxo assepsia. Conjunto de práticas e técnicas através das quais se evita a penetração
de trabalho progressivo, em linha reta e seqüencial, do expurgo até a área de distribuição, com o de germes em locais ou objetos isentos dos mesmos.
objetivo de reduzir as possibilidades de contaminação. descontaminação. Processo de inativação ou retirada de microorganismos, com
o objetivo primordial de dar ao profissional de saúde condições para ma-
nipular artigos médico-hospitalares com segurança.

LUVAS BANCADA DE ROUPARIA SALA DE RESERVA ÁREA DE


Esses artigos, classificados em relação ao risco potencial de contaminação
ANESTESISTA ESTERILIZAÇÃO de acordo com as novas orientações do Ministério da Saúde, são:

artigos não-críticos são todos aqueles que entram em contato com a pele íntegra
do paciente.
ÁREA DE PREPARO
DO MATERIAL
POSTO DE
ENFERMAGEM
Esses artigos devem ser limpos.
elevador roupa Exemplo: termômetro clínico.
limpa
monta-
(da lavanderia)
monta- artigos semicríticos são os que entram em contato com a pele não-íntegra ou
carga carga
(material sujo) COPA (material com as mucosas do paciente.
elevador roupa estéril)
suja (para Esses artigos devem ser desinfetados.
lavanderia)
Exemplo: acessórios de respiradores artificiais e anestesia gasosa.
BANCADA ÁREA DE
DE MATERIAL RECEPÇÃO VESTIÁRIO VESTIÁRIO ÁREA DE GUARDA artigos críticos são aqueles que penetram na pele e nas mucosas do paciente.
VARIADO E EXPURGO MASCULINO FEMININO E DISTRIBUIÇÃO Esses artigos devem ser esterilizados.
Exemplo: instrumentos de corte e de ponta.
artigos contaminados são os que entraram em contato com sangue, pus,
Planta física de um excreções e secreções do paciente, sem levar em consideração o grau
CEMAT com o fluxo de sujeira presente.
do material.

Transoperatório
76 Centro de Material Preparo do material 77

Por segurança e economia, a maior parte dos hospitais só trabalha com luvas
Limpeza do material novas. No caso de elas serem reaproveitadas devem ser lavadas, de preferência,
na máquina. No entanto, quando a limpeza precisar ser manual, deve-se
É realizada no expurgo, por meio de máquinas, ou então manualmente, proceder da seguinte forma:
como é mais comum. n colocar as luvas num balde com água fria pura, e deixá-las de molho para
retirar o sangue;
Se o material estiver sujo de matéria orgânica, como sangue, excreções ou n passar as luvas para um outro balde com solução neutra e suave,
secreções, e o profissional que for proceder à limpeza manual não usar luvas, esfregando-as delicadamente;
avental de mangas compridas, máscara, gorro e óculos de proteção, o mate- n lavar as luvas dos dois lados, em água corrente;
rial deverá sofrer a descontaminação antes de ser limpo. n colocar as luvas para secar em suporte especial, virando-as, para secarem
interna e externamente;
Há várias maneiras de fazer a descontaminação. A mais comum é colocar n encaminhar as luvas para o preparo.
o material em uma solução química desinfetante, que seja compro-
vadamente ativa em presença de matéria orgânica. Deixar por um período O material de borracha, em geral, não deve permanecer em solução contendo
de 30 minutos. substância desencrostante, pois esta provoca mudança em sua coloração e torna-
o pegajoso. No caso das luvas, por exemplo, que sofrem muito a ação dessas
Só após a descontaminação é que se inicia a limpeza. substâncias, recomenda-se o uso de sabão neutro e suave.

Os procedimentos de limpeza variam de acordo com o material mas, É responsabilidade do enfermeiro-chefe da unidade orientar quanto à escolha dos produtos a
basicamente, os processos são dois: um para material de aço inoxidável e serem utilizados, à concentração de cada um deles nas soluções e quanto ao tempo de exposição
outro para material de borracha. dos diversos materiais no processo de limpeza.

Material de aço inoxidável

No caso de se usar processo manual, é necessário obedecer a esses passos:


n imergir o instrumental em água, de preferência quente, misturada com Preparo do material
detergente ou desencrostante ou, ainda, detergente enzimático. Deixar
por 15 minutos para remover os detritos orgânicos (sangue, principal- As atividades realizadas na área de preparo do material têm como finalidade
mente), inclusive os situados nas ranhuras e encaixes dos instrumentos; revisar, selecionar, preparar e acondicionar o material para ser, posterior-
n escovar o material e enxaguar em água corrente; mente, esterilizado.
n secar o instrumental um a um, cuidadosamente, usando uma compressa;
n encaminhar o material limpo para o preparo ou para a guarda. Um cuidado importante executado nessa área é a conservação de pinças e
tesouras, dentre outros instrumentos, que necessitam de lubrificação
Material de borracha periódica em suas articulações. O silicone líquido é muito utilizado para
isso, mas os lubrificantes hidrossolúveis são mais adequados. A vaselina líquida
A limpeza de sondas, drenos, cânulas e tubos de borracha é feita mais não é recomendada porque forma uma camada fina na superfície do
comumente pelo processo manual. Esse processo consiste em: instrumento, dificultando a esterilização, posteriormente.
n colocar o material numa bacia com água fria e detergente, ou detergente
enzimático, preenchendo o interior de cada um com auxílio de uma Os instrumentos que necessitam de reparos devem ser encaminhados a
seringa. Deixar nessa solução por 15 minutos; empresas recomendadas pelos fabricantes. Não se aconselha a soldagem de
n lavar esse material, interna e externamente, com água corrente, de instrumentos danificados por quebra.
preferência em torneira com bico de pressão;
n secar o material, revendo a limpeza; É também no preparo que geralmente o material é separado e preparado, de
n encaminhar o material ao preparo. acordo com as especificações.

Transoperatório
78 Centro de Material Esterilização do material 79

No local de preparo do material, vários cuidados devem ser tomados para


acondicioná-lo adequadamente. Dentre esses cuidados, destacamos: Esterilização do material
n escolher o envoltório apropriado ao tipo e volume do material, assim
como ao método de esterilização a que será submetido; Existem diferentes métodos de esterilização, os quais são classificados em
n observar se o material está rigorosamente limpo; dois grandes grupos: os métodos físicos e os métodos químicos.
n preparar e acondicionar o material, de acordo com a técnica padronizada,
cujo objetivo básico é atender aos princípios de assepsia. Abordaremos vários desses métodos, uma vez que este é um assunto
importante e necessário para todo o pessoal de enfermagem.

Métodos físicos de esterilização

Nesse grupo apresentaremos três métodos de esterilização diferentes: o de


calor úmido, o de calor seco e a radiação.

Calor úmido

Lembramos que a água em ebulição, utilizada durante muito tempo como método
de esterilização pelo calor úmido, é considerada atualmente um método físico
de desinfecção. Mas para cumprir essa função é necessário o artigo ficar imerso
e em ebulição por um mínimo de 30 minutos.

Esterilização pelo vapor saturado sob pressão


Método processado pela autoclave, um aparelho apresentado em formas e tama-
nhos diferentes, sendo até improvisada, às vezes, com uma panela de pressão.

Técnica de
empacotamento
de material.

Pacote já pronto com Autoclave:


fita-teste, antes de ser esterilizador
esterilizado. por calor úmido.

Transoperatório
80 Centro de Material Esterilização do material 81

O método de esterilização pelo calor úmido é o mais seguro e também o Cuidados durante a esterilização
mais utilizado para esterilizar a maior parte dos materiais médico-hospitalares. n seguir, rigorosamente, as instruções de operação da autoclave;
Sua eficiência depende da penetração do vapor saturado sob pressão nos n observar o tempo de exposição necessário à esterilização do material, a
pacotes ou caixas, a uma determinada temperatura, durante um certo tempo. contar do momento em que a temperatura indicada for atingida;
Cada tipo de material exige um tempo de exposição diferente e um n invalidar a esterilização do material a qualquer sinal de defeito da auto-
determinado grau de temperatura. clave. Depois, comunicar o fato ao enfermeiro responsável, para este
providenciar a revisão do aparelho.
Os materiais esterilizáveis em autoclave são classificados em duas categorias:
materiais de superfície: materiais de borracha, vidro, aço inoxidável e outros. Cuidados ao descarregar o aparelho
Nesses casos, o vapor saturado sob pressão circula, sem penetrar, na n usar luvas próprias e, em algumas vezes, máscara;
superfície dos materiais. Quando o volume de material é reduzido, o tempo n não colocar os invólucros ainda quentes sobre superfícies frias, pois a
de exposição necessário é, em geral, de 15 minutos, a temperatura é de condensação possibilita a penetração de bactérias, contaminando, assim,
121°C e a pressão é de 1,5 atmosfera. Quando os materiais são os conteúdos. Recomenda-se, portanto, que os invólucros esfriem sobre
acondicionados em maior número precisa-se de um tempo maior de o carro da autoclave;
exposição. n guardar caixas e pacotes em locais apropriados, a fim de não prejudicar o
materiais de densidade: basicamente, as roupas. prazo de validade da esterilização. Aqui é importante saber que os artigos
Esses materiais são espessos, formados por fibras e, por isso, exigem a esterilizados na autoclave podem ser estocados até uma semana em
penetração do vapor saturado em todas as camadas de sua espessura. O prateleira aberta, ou até um mês, se forem colocados sob uma cobertura
tempo de exposição para eles é de 30 minutos, a temperatura também de plástico ou em uma bolsa selada;
deve ser de 121°C e a pressão de 1,5 atmosfera. n limpar a câmara interna e a superfície externa da autoclave com pano
umedecido em água, depois da última esterilização do dia. Não é permitido
A gaze furacinada não pode ser colocada em autoclave, pois o furacin perde o efeito, quando o uso de substâncias abrasivas, tipo saponáceo, ou corrosivas, como água
exposto a altas temperaturas. O correto é aplicar o furacin na gaze já autoclavada, e somente no sanitária.
momento do curativo.
A seguir apresentamos uma lista de diversos materiais esterilizáveis em auto-
As autoclaves que atualmente existem no mercado são de vários tipos. As clave, a 121°C, com os cuidados relativos ao preparo de cada um deles, o
mais modernas operam a temperaturas acima de 121°C, sendo o tempo to- tempo de exposição necessário e algumas observações pertinentes.
tal do seu ciclo bem menor. Além disso, reduzem a deterioração de materiais
de borracha, tecido e de elementos cortantes. Portanto, ao se utilizar uma
autoclave deve-se observar o tempo, a temperatura e a pressão recomendados Instrumental cirúrgico
pelo fabricante. As desvantagens dessas autoclaves mais sofisticadas estão Pr epar
Prepar o: acondicionar os instrumentos em caixa de metal perfurada em todos os
eparo:
no seu elevado custo e na complexidade de seu funcionamento, exigindo lados, fechar a caixa e envolvê-la com cobertura de algodão cru. Proteger
manutenção especializada. as lâminas de bisturi e pontas de tesouras com gaze
Tempo de exposição: 30 minutos
Cuidados no carregamento da autoclave Cuidados e obser vações: as caixas e estojos perfurados e envoltos com cobertura de algodão cru
observações:
n carregar o aparelho com materiais que exijam o mesmo tempo de possibilitam a entrada do vapor, durante a esterilização.
exposição;
n utilizar apenas 80% da capacidade do aparelho, a fim de facilitar a Agulhas de sutura
circulação do vapor no interior da câmara; Pr epar
Prepar o: ordenar as agulhas sobre uma gaze e acondicioná-las em estojo perfurado,
eparo:
n dispor o material adequadamente na autoclave. Os pacotes maiores devem envolvendo-o com cobertura de algodão cru.
estar na parte superior, e os menores na parte inferior do carro móvel do Tempo de exposição: 15 minutos
aparelho, deixando suficiente espaço entre eles; Cuidados e obser vações: as caixas e estojos perfurados e envoltos com cobertura de algodão cru
observações:
n tomar cuidado para que o material não encoste nas paredes da auto- possibilitam a entrada do vapor, durante a esterilização.
clave, principalmente o de borracha.

Transoperatório
82 Centro de Material Esterilização do material 83

Agulhas de punção Seringas e outros materiais de vidro


Pr epar
Prepar o: colocar as agulhas em tubos de vidro fechados
eparo: Pr epar
Prepar o: empacotar o material individualmente, com coberturas de algodão cru
eparo:
Tempo de exposição: 15 minutos Tempo de exposição: 30 minutos
observações:
Cuidados e obser vações: a tampa do vidro deve ser permeável ao vapor Cuidados e obser vações: colocar os pacotes na parte superior da autoclave, para evitar quebra
observações:

Bacias, bandejas, cubas, etc. Sondas com orifício na ponta (em borracha)
Pr epar
Prepar o: fazer pacotes individuais envoltos por cobertura de algodão cru
eparo: 1ª opção de pr epar
prepar o: empacotar várias sondas com cobertura de algodão cru, confeccionada
eparo:
Tempo de exposição: 30 minutos de maneira a separar uma sonda da outra
Tempo de exposição: 15 minutos
Pacotes de curativo Cuidados e obser vações: as sondas preparadas dessa maneira destinam-se à aspiração de secreções
observações:
Pr epar
Prepar o: colocar cerca de 10 folhas de gaze sobre a cobertura de algodão cru e,
eparo: da traquéia
sobre elas, uma pinça hemostática (tipo Pean, Kelly ou Crile) e uma tipo 2ª opção de pr epar
prepar o: empacotá-las individualmente com cobertura de algodão cru ou em filme
eparo:
dissecção. Dar uma dobra na cobertura para cobri-las totalmente e, em poliamida
seguida, colocar outra pinça hemostática e algumas gazes. Terminar o Tempo de exposição: 15 minutos
pacote como de rotina Cuidados e obser vações: evitar misturar material de borracha com outro tipo de material em um mesmo
observações:
Tempo de exposição: 30 minutos pacote, pois a borracha cola-se aos outros materiais

Aventais Tubos de látex


Pr epar
Prepar o: empacotar os aventais individualmente ou em número de 2 ou 3, com
eparo: Pr epar
Prepar o: enrolar os tubos individualmente, evitando dobras ou angulações. Depois,
eparo:
cobertura de algodão cru amarrá-los levemente com gaze, envolver com compressas e empacotá-los
Tempo de exposição: 30 minutos com cobertura de algodão cru ou em filme poliamida
Tempo de exposição: 15 minutos
Campos Cuidados e obser vações: havendo dobras ou angulações, a borracha se cola nesses pontos
observações:
Prepar
Pr eparo:
epar o: empacotar os campos individualmente ou formando um conjunto de campos
de diversos tamanhos. Depois, envolvê-los com a cobertura de algodão cru Luvas
Tempo de exposição: 30 minutos Pr epar
Prepar o: testar as luvas para ver se não há furos, separá-las por número, entalcá-las e
eparo:
observações:
Cuidados e obser vações: os pacotes não devem ser muito grandes e nem muito apertados.O volume emparceirá-las. Depois, virar aproximadamente 4 cm de seus punhos para
não pode ultrapassar 0,30 x 0,30 x 0,50cm fora, colocar uma tira de gaze no seu interior para facilitar a entrada do
vapor. Introduzir as luvas em envelopes apropriados de algodão cru, papel
Compressas kraft ou filme poliamida, com as palmas voltadas para cima e os polegares
Pr epar
Prepar o: fazer pacotes de 10 unidades, aproximadamente, com a cobertura de
eparo: para fora. Colocar uma gaze com talco entre os dois bolsos do envelope,
algodão cru para lubrificação das mãos. Acondicionar os envelopes de algodão cru em
Tempo de exposição: 30 minutos caixas específicas com orifícios abertos e envoltos com cobertura de algodão
cru. Finalmente, os envelopes de papel kraft são embrulhados em folha de
Gaze em folha papel kraft, enquanto os de filme de poliamida são colocados em pacotes
Pr epar
Prepar o: empacotar 10 unidades de gaze em filme poliamida ou em papel do tipo
eparo: do mesmo material, em geral par a par
kraft Tempo de exposição: 15 minutos
Tempo de exposição: 30 minutos Cuidados e obser vações: muitos hospitais evitam reesterilizar luvas
observações:

Algodão Escovas
Prepar
Pr eparo:
epar o: empacotar o algodão ou colocá-lo em tambor com os orifícios abertos. Pr epar
Prepar o: acondicionar as escovas envolvendo-as com cobertura de algodão cru
eparo:
Envolver esse tambor com a cobertura de algodão cru Tempo de exposição: 30 minutos
Tempo de exposição: 30 minutos

Transoperatório
84 Centro de Material Esterilização do material 85

Tubos calibrosos de polietileno Na estufa, para haver a destruição bacteriana, é necessária uma temperatura
Pr epar
Prepar o: enrolar os tubos sem angulação ou dobra e amarrá-los, levemente, com
eparo: maior do que na autoclave e, também, um tempo maior de exposição do
uma tira de gaze. Envolver os tubos com compressa, antes de empacotá-los material ao calor. Por isso, a estufa é totalmente imprópria para tecidos,
com a cobertura de algodão cru borrachas e materiais sintéticos.
Tempo de exposição: 15 minutos
Cuidados e obser vações: deixar a autoclave fechada até que esfrie completamente, para os tubos
observações: Em relação ao instrumental cirúrgico, a estufa foi considerada, por muitos
não ficarem leitosos anos, como o método mais indicado. Entretanto, recentes trabalhos de
pesquisa lançaram dúvidas sobre sua eficácia. Por essa razão, sugere-se o
Água uso da estufa unicamente para substâncias em pó ou oleosas, pois esses
Prepar
Pr eparo:
epar o: colocar a água em frascos de vidro, sem enchê-los completamente. Deixar materiais são impermeáveis ao vapor d’água da autoclave.
os frascos destampados ou fechá-los com tampa permeável ao vapor
Tempo de exposição: 20 minutos É oportuno lembrar que a gaze furacinada também não deve ser esterilizada
observações:
Cuidados e obser vações: não misturar a carga de água com outras cargas. Dispensar o período de em estufa, pelos mesmos motivos já mencionados para o caso da esteri-
secagem e deixar os frascos na autoclave até que esfriem. Usar máscara ao lização em autoclave.
tampar os frascos, após a esterilização
Cuidados na esterilização em estufa
n não carregar a câmara em excesso, a fim de permitir fácil circulação do
Calor seco ar aquecido entre as caixas e entre os recipientes de vidro refratário;
n não deixar as caixas e os recipientes em contato com as paredes da câmara;
A esterilização é feita por meio do processo de flambagem ou pelo uso da estufa. n controlar a temperatura e marcar o tempo de exposição, após ligar o
aparelho. O tempo é de 2 horas, contado a partir do momento em que o
A flambagem é utilizada basicamente em laboratórios, e consiste em aquecer o termômetro atinge a temperatura de 160°C;
metal diretamente sobre a chama, até ficar rubro. n não abrir a estufa durante o processo de esterilização;
n lacrar o material imediatamente após a esterilização, identificá-lo e datar, ca-
Já na estufa, denominação comercial do forno de Pasteur, o material é acondicio- so não se disponha de fitas termossensíveis, apropriadas para o calor seco.
nado em caixas metálicas ou em recipientes de vidro refratário, resistentes a
altas temperaturas. O período de validade da esterilização na estufa é de até uma semana, se os
materiais forem estocados em prateleira aberta. Se eles forem colocados
sob uma cobertura de plástico ou bolsa selada, esse período se estende por
até um mês.

Radiação

A esterilização por radiação é obtida através dos raios gama e cobalto 60. É
um método eficaz que oferece as seguintes vantagens:
n é altamente penetrante, atravessando invólucros de materiais como caixas
de papel, papelão ou plástico;
n não danifica o material submetido ao processo, pois é frio;
n tem um longo tempo de validade, desde que o invólucro não seja rasgado,
molhado ou perfurado.

Estufa: Esse método de esterilização é caro e complexo, não sendo utilizado em


esterilizador hospitais, mas sim em indústrias especializadas em material médico-hospitalar.
por calor seco. O raio gama e o cobalto 60 destinam-se, especialmente, à esterilização de

Transoperatório
86 Centro de Material Esterilização do material 87

materiais descartáveis, como seringas, agulhas, gazes, drenos, sondas, tubos, Desse modo, as pastilhas de formalina, derivadas do gás formaldeído, na
fios cirúrgicos e material de implante, como válvulas cardíacas e ortopédicas. prática, têm- se constituído na única alternativa para esses estabelecimentos
de saúde, embora elas não sejam reconhecidas pelo Ministério da Saúde como
um método de esterilização ou desinfecção.
Métodos químicos de esterilização
Esterilização por líquidos
São aqueles que utilizam produtos químicos, tanto em forma de gases como
de líquidos. Vamos analisar cada um desses métodos separadamente. A utilização de produtos químicos líquidos destinados à desinfecção ou
esterilização é indicada somente para aqueles materiais que não podem sofrer
Esterilização por gases a ação do calor, mas que suportam o meio líquido, e ainda quando não se
dispõe da esterilização pelo óxido de etileno. São exemplos desses materiais:
Um dos gases utilizados para a esterilização de material médico-hospitalar é plástico, acrílico e polietileno.
o óxido de etileno. É um gás tóxico, incolor e inf lamável, de ativa penetração e
poder bactericida (destruição das bactérias), inclusive para esporos. Ao tratar dos produtos químicos, não podemos deixar de mencionar que
muitos deles estão disponíveis no mercado, mas nem sempre oferecem
A esterilização pelo óxido de etileno é feita em autoclave própria. É um indicação clara de seus efeitos e instruções sobre o correto modo de usá-
processo bem mais complexo do que o de calor seco ou úmido, pois, além los, gerando dúvidas quanto ao seu emprego.
dos fatores temperatura e tempo, são igualmente importantes a concentração
do gás e a umidade relativa. Por isso é importante saber que a ação de um produto químico líquido
depende de três fatores:
O óxido de etileno, por esterilizar em temperaturas relativamente baixas, é contato: para um germicida exercer sua ação, é imprescindível que tenha
indicado para material sensível ao calor, como endoscópios, instrumentos contato com os microorganismos. Esse contato é dificultado por gorduras
oftalmológicos, motores, plásticos, fios elétricos, etc. e matéria orgânica, como sangue e pus, daí a necessidade de limpar
adequadamente o material e expor todas as superfícies à ação do produto.
A esterilização pelo óxido de etileno tem um prazo de validade maior que o Caso o artigo a ser esterilizado apresente superfícies ocas, é preciso cuidar
dos processos físicos, estando esse prazo na dependência de o invólucro para que o produto químico preencha todas elas.
não ter sido rasgado, molhado ou perfurado. concentração: cada substância germicida tem seu maior poder de ação numa
concentração específica. Por isso, é indispensável a secagem do mate-
A utilização do óxido de etileno tem representado a solução para a rial, antes de imergi-lo na solução química. Caso contrário, a substância
esterilização de materiais que não podem ser submetidos a temperaturas ficará diluída, reduzindo, assim, o seu poder de ação.
elevadas. Apesar disso, ela tem sido um tanto problemática devido à tempo de exposição: os produtos químicos não agem instantaneamente, sendo
complexidade da operação e à manutenção desse tipo de autoclave, sem necessário um certo tempo de contato com o material. Para a desinfecção
contar os riscos apresentados pelo gás. Por essa razão, muitos hospitais não de artigos, ou seja, para se obter uma ação germicida contra micro-
realizam mais essa tarefa, passando a contratar firmas externas especializadas organismos na forma vegetativa, o tempo de exposição é de 30 minutos.
nesse trabalho. Para a destruição dos esporos, ou esterilização, o tempo varia de acordo
com o produto químico utilizado e, por isso, é muito importante atentar
Entretanto, muitos estabelecimentos de saúde públicos e privados do país, para as orientações do seu rótulo.
além de não disporem de esterilização com o óxido de etileno, têm dificuldade
para contratar esse serviço, até mesmo pela falta de empresas especializadas Cuidados na esterilização com produtos químicos líquidos
em sua localidade. Assim, esses órgãos vêm recorrendo às pastilhas de n anotar a data e o horário em que o material foi colocado na solução e o
formalina para a esterilização ou desinfecção de materiais que não podem tempo de permanência;
sofrer a ação do calor ou de esterilizantes líquidos. n não misturar materiais diferentes;
n usar recipiente plástico ou de vidro, com tampa.

Transoperatório
88 Centro de Material Esterilização do material 89

Terminado o tempo de exposição, o material é retirado do produto de acordo A esterilização através de produtos químicos é um assunto bastante controvertido, sendo vários os
com a técnica asséptica e lavado com soro fisiológico ou água esterilizada, fatores a considerar no uso de cada um deles. Assim, a escolha do produto fica a critério do
pois o produto geralmente é irritante para a pele e as mucosas. Em seguida, serviço hospitalar, devendo essa escolha estar de acordo com as exigências da legislação em vigor.
é secado em campos estéreis e acondicionado em recipiente também estéril.

Testes para avaliar a eficiência da esterilização


A
Etapas de esterilização Para termos segurança quanto à esterilidade dos materiais, é indispensável
ou desinfecção de testar periodicamente os esterilizadores, como as autoclaves e as estufas.
materiais médico- Aconselha-se seja feito, no mínimo, um teste por semana, que pode ser
hospitalares, por meio físico, químico ou biológico.
do uso de produto B
químico líquido. O teste físico consiste em colocar um termômetro especial no interior de um
A. Calçar as luvas dos pacotes, para registrar a temperatura máxima atingida.
B. Lavar os instrumentos
criteriosamente, O teste químico é feito por substâncias químicas contidas em tubos de vidro ou
enxaguar em água C em fitas de papel, introduzidos no interior de um dos pacotes de maior vol-
corrente e secar ume a ser esterilizado.
C. Colocar o produto
em um recipiente com A mudança de cor do indicador dos vidros ou das fitas significa que o inte-
tampa rior dos pacotes está sendo atingido pela temperatura desejada, durante o
D. Mergulhar os artigos D período adequado.
previamente limpos na
solução, evitando a for- É importante destacar que as fitas adesivas conhecidas como fitas-teste, usadas
mação de bolhas de ar para fechar os pacotes do material a ser esterilizado, não podem ser
E. Fechar o recipiente consideradas teste químico, pois não oferecem qualquer segurança.
e marcar o tempo de E
acordo com o risco
potencial de contami-
nação dos materiais
F. Não introduzir novos
artigos no recipiente F
enquanto não expirar o
período de exposição
dos que foram imersos
anteriormente na
solução esterilizante G
G. Utilizar pinça Pacote fechado
esterilizada para retirar com fita-teste,
o material. Enxaguar após a esterilização.
com água esterilizada
ou soro fisiológico, de Veja que as ranhuras da fita-teste ganharam uma coloração escura, indicando
acordo com a técnica que a superfície do pacote foi atingida pelo calor, nada garantindo quanto
asséptica ao processo de esterilização do material contido no seu interior.

Transoperatório
90 Centro de Material

O teste biológico geralmente utiliza culturas de esporos de germes não-


patogênicos, colocados em tubos no interior de um dos pacotes a serem
esterilizados. Após o processo, é preciso analisar se os germes foram
destruídos ou não.

Os testes precisam ser feitos sempre na primeira carga do dia. Também é


necessário realizar esses testes toda vez que terminar uma manutenção
preventiva ou corretiva dos aparelhos esterilizadores. Eles devem ser
realizados pelo enfermeiro-chefe da unidade, cabendo ao pessoal de
enfermagem, consciente da importância da esterilização, colaborar com o
enfermeiro na realização desses testes.

Guarda e distribuição
do material esterilizado
A guarda do material esterilizado é feita em área provida de armários fechados,
cestos, prateleiras, etc.

É importante atentar para o fato de que a área de armazenagem do material


estéril deve ser o mais seca possível, uma vez que a umidade altera o prazo
de validade da esterilização.

Como já dissemos anteriormente, é dessa área de guarda que se faz a


distribuição do material esterilizado para todas as unidades do hospital. A
distribuição pode ser feita pelo sistema de troca ou por outro sistema adotado
pela rotina do hospital.
Transoperatório Exercícios

1. Crie uma planta física para um Centro Cirúrgico de um hospital de


pequeno porte, diferente da apresentada neste livro, não se esquecendo
de nomear cada uma das dependências básicas previstas por você.

2. Indique o que se pede:

a) três itens fixos de uma sala de operação


b) a finalidade da mesa de Mayo
c) três itens móveis de uma sala de operação

3. Realize com seus colegas e professor, se possível, uma visita a um Centro


Cirúrgico de um hospital. Durante a visita, procure observar as diferentes
dependências lá existentes, como estão organizadas e equipadas, e quais
são as condições das instalações, entre outros aspectos.
Concluída a visita, faça um relatório destacando os principais aspectos
observados, e comparando com aqueles destacados no livro.

4. Complete o quadro:

Tipo de anestesia Posição do paciente

Geral ..........................................................................................

Peridural ..........................................................................................

Regional ..........................................................................................

Local ..........................................................................................

Raquidiana ..........................................................................................
92 Exercícios Exercícios 93

5. Leia a situação: Então, responda:

Inês vai proceder à montagem da sala de operação para uma gastrostomia. Ela já verificou o horário da a) Quais os cuidados pré-operatórios que Jandira deve checar se foram
operação e também se havia solicitação de material ou equipamento especial. realizados ao paciente?
b) Que anotações ela deve verificar no prontuário do paciente?
Descreva as resposabilidades de Inês ao montar essa sala, no que diz c) Como Jandira deve relacionar-se com o paciente, enquanto ele aguarda
respeito: a anestesia?

a) à limpeza da sala de operação


b) ao equipamento 10. Analise, no livro, as diferentes posições do paciente na mesa de cirurgia.
c) ao material Em seguida, discuta com o grupo os detalhes de cada posição e os tipos
de cirurgias para as quais são indicadas. Aproveite o momento para
esclarecer suas dúvidas.
6. Analise cada uma das situações e, depois, responda às perguntas:

a) Durante os preparativos para uma cirurgia, um ciculante ajuda o 11.Leia, no livro, o texto relativo às atribuições de um instrumentador e,
instrumentador a preparar as mesas auxiliares de instrumental. Ao fazer depois, faça uma relação das responsabilidades deste profissional.
isso, o circulante deve observar importantes princípios de assepsia. Ao terminar, discuta com toda a turma sobre o assunto, procurando
Quais são esses princípios e por que devem ser considerados? complementar a sua relação, a partir dos relatos dos colegas.
b) Um paciente está sendo colocado em decúbito lateral, para ser
submetido a uma cirurgia de pulmão. Nesse momento, como o
circulante que auxilia o posicionamento deve proceder com o paciente, 12.Descreva as atribuições de um instrumentador:
e por quê?
a) quando ele vai atuar com um cirurgião desconhecido
b) em relação à mesa do instrumental
7. Ao término de uma cirurgia, o circulante tem algumas atribuições bem c) ao término de uma cirurgia
específicas. Discuta esse assunto com seus colegas e o professor e, depois,
faça uma dramatização dessas atribuições. Ao finalizar, faça uma avaliação
da atividade. 13.Um instrumentador deve ter uma série de cuidados para evitar a
contaminação no Centro Cirúrgico. Enumere três desses cuidados,
justificando cada um deles.
8. Descreva os cuidados que devem ser tomados pelo circulante:

a) na colocação da placa neutra do bisturi elétrico 14.Faça um trabalho de grupo para dramatizar a técnica:
b) no decorrer da anestesia
c) com a peça anatômica retirada do paciente a) de lavagem e anti-sepsia das mãos e antebraços
b) de vestir o avental cirúrgico
c) de calçar luvas
9. Leia a situação:
Cada grupo pode ficar encarregado de uma técnica. Ao final, toda a turma
Jandira é circulante e foi encarregada de receber um paciente no Centro Cirúrgico. Ele será submetido a deve comentar as demonstrações e sistematizar as etapas das diferentes
uma cirurgia para retirada de cálculos renais, e está excessivamente nervoso. Ao prestar esse atendimento técnicas.
ao paciente, Jandira deve atentar para alguns cuidados específicos.

Transoperatório
94 Exercícios Exercícios 95

15. Numere a segunda coluna de acordo com a primeira, tendo em vista a c) Os métodos de esterilização físicos são .................... , .................... e
classificação do instrumental cirúrgico: .................... , enquanto que os métodos químicos são executados com
.................... ou .................... .
1) Instrumento de diérese ( ) agulhas d) As substâncias anti-sépticas impedem a .................... dos germes,
2) Instrumento de hemostasia ( ) saca-fibroma de Doyen enquanto as substâncias esterilizantes são capazes de .................... .
3) Instrumento de síntese ( ) bisturi
4) Instrumento auxiliar ( ) pinça de Foerster
5) Instrumento especial ( ) afastadores 20. Identifique e escreva a diferença entre:
( ) pinças Halstead-"Mosquito"
a) esterilização e desinfecção
16. Informe o que é pedido: b) artigos médico-hospitalares não-críticos, semicríticos, críticos e
contaminados
a) os tempos operatórios de uma cirurgia c) anti-sepsia e assepsia
b) os tipos de fios cirúrgicos
c) o tipo de agulha usada na sutura da pele
d) como é representada a espessura dos fios cirúrgicos 21. Ref lita sobre essa situação:

Berenice vai realizar a limpeza manual de vários materiais recém-chegados ao expurgo. Ela começará
17. Descreva como deve proceder o instrumentador diante das seguintes pelas pinças, que estão sujas de sangue e pus.
tarefas:
Agora, responda:
a) arrumação dos fios cirúrgicos na mesa de instrumental
b) passagem dos instrumentos para o cirurgião a) O que Berenice precisa fazer com as pinças, antes de realizar a limpeza,
c) arrumação dos instrumentos na mesa e como fará isso?
b) Após esse procedimento, como Berenice deve realizar a limpeza das pinças?

18. Indique a finalidade das seguintes dependências de um Centro de Material:


22. Nos parênteses, ao lado de cada procedimento, escreva C se estiver correto
a) recepção e expurgo e E se estiver errado. Depois, justifique sua resposta.
b) preparo do material
c) esterilização ( ) Carlos mergulhou uma sonda em solução desencrostante por 15
d) guarda e distribuição minutos e, depois disso, escovou-a.
e) sala de reserva ( ) Após deixar as luvas de molho para retirar o sangue, Ana esfregou-as
delicadamente com solução neutra e suave.
( ) José Luís passou vaselina líquida nas pinças e tesouras, para lubrificar
19. Preencha as lacunas, tornando as frases verdadeiras: as articulações.

a) Tanto no sistema centralizado como no descentralizado, o CEMAT deve


ter dois locais obrigatoriamente separados, que são .................... e 23. Cite três cuidados importantes na realização desses procedimentos:
.................... .
b) As áreas componentes de um CEMAT devem permitir um f luxo de a) preparação e acondicionamento do material
trabalho progressivo, em linha .................... e .................... , desde o b) uso da autoclave
expurgo até .................... . c) manuseio da estufa
d) esterilização com produto químico líquido

Transoperatório
96 Exercícios Exercícios 97

24.Complete o quadro, tendo em vista os materiais esterilizáveis em auto- 28. A ação de produtos químicos líquidos depende de aspectos como: contato,
clave a 121°C: concentração e período de exposição. Resumidamente, descreva cada
um desses aspectos.
Tipo de material Tempo de exposição Tipo de pr epar
eparoo
prepar

Agulhas de punção ............................ ............................................................

Bacias e cubas ............................ ............................................................

Aventais ............................ ............................................................

Gaze em folha ............................ ............................................................

Material de vidro ............................ ............................................................

Algodão ............................ ............................................................

Água ............................ ............................................................

25. Descreva o processo de:

a) preparo das luvas para esterilização em autoclave


b) realização do teste químico dos esterilizadores

26.Responda às perguntas:

a) Qual a importância de se lacrar, identificar e datar o material após a


esterilização na estufa?
b) Por que as fitas-teste não são seguras para avaliar a eficiência da
esterilização?

27. Ref lita sobre a situação:

Na sala de expurgo de uma clínica é comum faltar algum material ou quebrar um equipamento. O auxiliar
de enfermagem já se acostumou com essa situação e acaba sempre improvisando algo.

Agora, responda:

a) Quais são os riscos da improvisação no processo de limpeza, esterilização,


desinfecção ou descontaminação de material médico-hospitalar?
b) Que fatores garantem a realização desses procedimentos sem improvisação?

Transoperatório
98 Exercícios
PÓS OPERATÓRIO

PARTE

4
O período pós-operatório tem início logo após
o término da operação e vai até a alta do
paciente, podendo ainda se estender a uma
fase de atendimento ambulatorial.

Este é o período mais crítico da recuperação


do paciente. Por isso, vários cuidados de
enfermagem são dispensados a ele com as
seguintes finalidades: prestar assistência
intensiva até a total recuperação dos
ref lexos; assistir o paciente integralmente,
proporcionando-lhe segurança e retorno
rápido às suas atividades normais; prevenir
complicações; e, em alguns casos, auxiliar na
reabilitação e na adaptação do paciente às
novas condições resultantes da operação,
como é o caso, por exemplo, da colostomia, da
mastectomia, e da amputação, entre outras.

senac
Pós-operatório Fases

O período pós-operatório divide-se em três fases:


pós-operatório imediato, que compreende as primeiras
24 horas após a operação, pós-operatório mediato, que
começa ao final das primeiras 24 horas após a
cirurgia e vai até a alta hospitalar, e o pós-operatório
tardio, que se inicia com a alta e dura enquanto o
paciente precisar de atenção especial.

Pós-operatório imediato
Essa fase, em geral, tem início na Recuperação Pós-Anestésica (R.P.A.), para
onde é levado o paciente pós-operado, ainda sob efeito da anestesia. Lá, ele
recebe acompanhamento direto, e depois da estabilização de seu estado,
tem alta dessa unidade e é levado para o seu leito de origem.
102 Fases

Pós-operatório mediato
Recuperação
Pós-operatório Pós-Anestésica
Nessa fase o paciente já se encontra na Unidade de Internação Cirúrgica.

A duração da internação vai depender da recuperação do paciente, podendo


ser mais rápida ou mais lenta de acordo com o tipo de operação a que foi
submetido e com as suas condições. Os cuidados de enfermagem prestados
nessa fase visam a acelerar essa recuperação e reintegrar o paciente à vida
familiar e às suas atividades normais o mais rápido possível.

Pós-operatório tardio
Compreende a fase ambulatorial, quando o paciente retorna para avaliação
da cirurgia e sua eficácia. É nessa fase, também, que podem ser retirados os
pontos. Esse procedimento, em geral, ocorre de sete a dez dias após a cirurgia, A unidade de Recuperação Pós-Anestésica
quando, muitas vezes, o paciente já recebeu alta hospitalar. geralmente, está localizada próximo ao Centro
Cirúrgico, ou até mesmo dentro dele, facilitando
a transferência mais segura do paciente.

Vamos então detalhar alguns aspectos mais


significativos relativos a essa unidade.

Objetivo
A Recuperação Pós-Anestésica tem como objetivo principal prestar ao pacien-
te todos os cuidados necessários, até a recuperação de seus ref lexos e estabili-
zação dos sinais vitais. É muito importante que o paciente receba assistência
integral nessa fase, pois é nela que se verifica o maior índice de complicações.

Para tanto, a Recuperação Pós-Anestésica deve contar com uma equipe


bastante treinada e apta a atender o paciente não só em situações de rotina,
mas também nas emergências do pós-operatório. Além disso, é necessário
que ela tenha planta física, mobiliário e equipamentos especiais e adequados
ao tipo de atendimento prestado.
104 Recuperação Pós-Anestésica Pessoal 105

necessita de uma lâmpada individual, de uma saída de oxigênio, de vácuo para


Planta física aspiração, de aparelho de pressão de parede e de um monitor cardíaco.

A área física da unidade de Recuperação Pós-Anestésica pode ser retangular A unidade deve contar, necessariamente, com os seguintes recursos indispen-
ou semicircular, com portas largas, de forma a permitir a passagem de macas sáveis ao controle de emergências:
e aparelhos. O posto de enfermagem deve estar no centro, em frente aos
leitos, em tablado, de forma a ficar mais elevado para visualizar todos os n carro de parada cardiorrespiratória devidamente equipado;
pacientes, sem exceção. Os leitos devem ser colocados lado a lado, separados
ou não por divisórias de fórmica ou cortinas.
Pós-operatório
n
n
respirador artificial;
sistema de aspiração a vácuo e elétrico;
n suprimento de oxigênio canalizado;
n balas de oxigênio portáteis sobressalentes;
n focos auxiliares pequenos;
n eletrocardiógrafo.

Pessoal
O grupo de trabalho de uma Recuperação Pós-Anestésica é formado pelo
anestesista de plantão e pela equipe de enfermagem, composta de en-
fermeiro, técnicos e auxiliares de enfermagem.

Para trabalhar em uma unidade de Recuperação Pós-Anestésica, o pessoal


de enfermagem passa por um período de treinamento específico, ocasião
em que aprende a manusear os aparelhos e a atuar junto ao paciente pós-
operado, inclusive em situações de emergência, como, por exemplo, parada
cardiorrespiratória, choque, etc.
Esquema de
planta de uma unidade
de Recuperação
Pós-Anestésica.

A Recuperação Pós-Anestésica necessita, também, de uma sala para preparo


de medicação, de um local para guarda de materiais de consumo, outro para
reserva de roupas e aparelhos sobressalentes e ainda de um expurgo.

Mobiliário e equipamento
As macas-leito da Recuperação Pós-Anestésica precisam ser largas, com grades
laterais e rodas, para facilitar o transporte seguro do paciente. Cada leito

Pós-operatório
Cuidados de
Pós-operatório Enfermagem

São muitos os cuidados de enfermagem a serem


prestados ao paciente, sobretudo nos pós-
operatórios imediato e mediato, como você po-
derá ver a seguir.

Pós-operatório imediato
Durante a permanência do paciente na unidade de Recuperação Pós-
Anestésica, cabe à equipe de enfermagem dispensar os seguintes cuidados:
n receber o operado, certificando-se do tipo de operação e de anestesia a
que foi submetido;
n checar, logo na chegada, as condições ventilatórias do paciente assim como
a presença e a permeabilidade de cânula orofaríngea ou tubo traqueal;
n observar o estado de consciência do paciente e, também, a coloração da
pele e das mucosas;
n posicionar o paciente no leito, de acordo com a operação e a anestesia.
De maneira geral, no pós-operatório imediato o paciente deve ser
108 Cuidados de enfermagem Cuidados no pós-operatório mediato 109

posicionado em decúbito lateral. Se for usado o decúbito dorsal, é preciso


colocar a cabeça lateralizada, sem travesseiro. Isso evita, em caso de Pós-operatório mediato
vômito, que ele aspire a secreção, causando sérias complicações, como
veremos posteriormente; n controlar os sinais vitais, sendo que a freqüência de verificação do TPR
n conectar sondas e drenos, se houver, e iniciar o balanço hídrico; (temperatura, pulso, respiração) e da PA (pressão arterial) varia em função
n verificar se o curativo cirúrgico apresenta anormalidades, principalmente da necessidade do paciente. Normalmente, quando ele está estável, no
quanto a hemorragias; segundo dia de pós-operatório, a verificação é feita duas vezes ao dia,
n manter o paciente aquecido com cobertores; dando ênfase à temperatura, para detectar eventual infecção;
n controlar infusões venosas, como soros, sangue, etc.; n estimular a deambulação, desde que não haja contra-indicação;
n controlar os sinais vitais, segundo o esquema abaixo, o qual pode variar n observar o funcionamento intestinal e o volume urinário;
de acordo com as condições do paciente: n estimular a higiene pessoal;
a) de 15 em 15 minutos, na 1ª hora após a cirurgia; n observar o curativo cirúrgico, cujas trocas são feitas, normalmente, pelo
b) de 30 em 30 minutos, da 2ª hora até a 4ª hora após a cirurgia; cirurgião. Porém, a equipe de enfermagem poderá fazer a troca, quando
c) de 2 em 2 horas, da 5ª hora até a 24ª hora após a cirurgia; solicitada, anotando as soluções e medicamentos utilizados no prontuário
n controlar a diurese; do paciente, como também a evolução da cicatrização, a presença de
n estimular o paciente a realizar os exercícios respiratórios e de tosse, secreção, sangue, etc.;
treinados no pré-operatório, assim que ele estiver em condições; n checar e anotar o funcionamento de sondas, drenos, cateteres e infusões
n administrar os medicamentos prescritos; venosas;
n fazer mudança de decúbito; n administrar os medicamentos prescritos;
n fazer anotações na folha de balanço hídrico e na evolução de enfermagem; n auxiliar o paciente na alimentação, observando a aceitação dos alimentos.
n comunicar quaisquer alterações observadas ao enfermeiro responsável. Habitualmente, começa-se com dieta líquida, passando depois para
pastosa, até tornar-se normal;
Quando o paciente recebe alta da Recuperação Pós-Anestésica, ele é n orientar a prática de exercícios que ajudem na reabilitação do paciente.
encaminhado ao seu leito de origem. Nesse momento é importante que seja
acompanhado por alguém da equipe de enfermagem, juntamente com seu
prontuário completo com exames, radiografias e anotações do transope-
ratório e do pós-operatório imediato. Isso é estritamente necessário para
não haver interrupção na continuidade dos cuidados de enfermagem do
paciente, quando ele estiver no seu setor de origem.

Quando o hospital não possui uma área de Recuperação Pós-Anestésica,


todos os cuidados de enfermagem relativos ao pós-operatório imediato são
executados na unidade do paciente. Nesses casos ela deve ser preparada
para recebê-lo e tratá-lo com toda segurança, quando retornar da operação.

Cabe, então, à equipe de enfermagem preparar essa unidade, deixando o


mínimo necessário de móveis, para permitir a entrada da maca e a
transferência segura do paciente. O leito precisa estar arrumado com
cobertor, pois geralmente o paciente sente frio no pós-operatório imediato.
A unidade precisa ainda estar equipada com suporte de soro, aspirador,
aparelho de pressão, termômetro e os materiais e equipamentos que forem
necessários àquele paciente.

Pós-operatório
Pós-operatório Desconfortos

Após uma cirurgia, é comum o paciente passar


por vários desconfortos. Você pode analisar, a
seguir, os que ocorrem mais freqüentemente, tanto
no pós-operatório imediato como no mediato.

Dificuldade respiratória
Além de constituir uma situação de desconforto para o paciente, pode evoluir
para hipóxia, problema respiratório a ser detalhado mais adiante, no item
referente às complicações.

Dor
Um dos primeiros sintomas do pós-operatório. Gera ansiedade e tensão, além
de contribuir para a disfunção respiratória, porque o paciente com dor limita
112 Desconfortos Retenção urinária 113

a mobilidade da caixa torácica, diminuindo sua expansão, e favorecendo o Cuidados


acúmulo de secreção. n umedecer lábios e boca do paciente, quando ainda não estiver totalmente
refeito da anestesia;
Cuidados n administrar líquidos por via oral, em pequenas quantidades, e a intervalos
n identificar o local e o tipo da dor. Às vezes, uma simples mudança de curtos, quando o paciente já estiver consciente e a náusea e o vômito
posição, um apoio ou mesmo uma conversa esclarecedora melhoram a tiverem passado.
dor, sem necessidade de analgésico;
n administrar o analgésico prescrito, se necessário, respeitando o intervalo
determinado pelo médico;
n registrar as queixas do paciente no seu prontuário, assim como o horário
de administração do analgésico. Retenção urinária
É a incapacidade de urinar, apesar da vontade.

Causas
Vômito n espasmo (contração) do esfíncter externo por medo ou vergonha;
n anestesia profunda e de longa duração;
Desconforto bastante comum, que pode ser atribuído ao efeito da anestesia, n cistite aguda pelo uso de sondas;
assim como à deglutição de sangue, muco e saliva, no período de n hipertrofia (aumento) prostática;
inconsciência. Pode ser também ocasionado pela não-observância do jejum n estenose (estreitamento) uretral;
no período pré-operatório. n perfuração da uretra por traumatismo;
n cálculo uretral, vesical ou coágulo;
Cuidados n paralisia dos ner vos da bexiga por lesão da medula ou compressão
n lateralizar a cabeça do paciente e administrar o antiemético (contra o resultante de fratura, tumores.
vômito) prescrito pelo médico, observando os mesmos cuidados do
analgésico. Ao se deixar o paciente em decúbito lateral ou com a cabeça Identificação
lateralizada, evita-se a aspiração do vômito para os pulmões, o que poderia n observar a quantidade e a freqüência das micções;
ocasionar asfixia respiratória e posteriores complicações, como a pneu- n valorizar queixas do paciente em relação à dor e ao desconforto no abdome
monia; inferior;
n proceder à lavagem da sonda nasogástrica, se o paciente a estiver usando, n relacionar agitação inexplicável com eventual retenção urinária;
pois provavelmente estará obstruída. Também verificar sua posição, que n verificar, mediante a palpação da região, a presença de abaulamento
poderá estar imprópria; suprapúbico e aumento da vontade de urinar.
n fazer a higiene oral do paciente, após cada episódio de vômito, e anotar o
número de vezes e a quantidade eliminada a cada vez. Meios simples para provocar o reflexo de micção
n minimizar medos ou timidez;
n melhorar um mau posicionamento;
n fazer o paciente ouvir o barulho de água, abrindo uma torneira;
n verter água morna sobre a região suprapúbica, em caso de não haver
Sede contra-indicação.

Sintoma incômodo, geralmente devido ao uso de analgésicos, medicamentos


e perda de líquidos durante a operação.

Pós-operatório
Pós-operatório Complicações

Embora indesejáveis, às vezes surgem com-


plicações tanto no pós-operatório imediato (mais
freqüentemente) quanto no mediato e no tardio.

Vamos estudá-las agora, abordando mais adiante


aquelas relativas à ferida cirúrgica.

Pós-operatório imediato
As possíveis complicações do pós-operatório imediato são a hipóxia, a
hemorragia e o choque. Vamos ver em que consiste cada uma delas e os
respectivos cuidados de enfermagem prestados ao paciente, nessas situações.

Hipóxia
Complicação caracterizada pela oxigenação deficiente dos tecidos.
116 Complicações Hemorragia 117

Causas A hemorragia externa é mais fácil de ser percebida do que a interna, porque
n depressão respiratória provocada por anestésicos ou analgésicos em o local do sangramento é visível. O sangue pode-se exteriorizar através de
excesso, como a morfina, por exemplo; um orifício natural, como ouvidos, boca, vagina, uretra, ânus.
n obstrução das vias aéreas superiores por sangue, secreção, vômito ou
queda da língua; Hemorragia externa
n respiração inadequada devido à dor, posição, ansiedade, etc. Em função do local por onde o sangue é eliminado, a hemorragia recebe
alguns nomes especiais:
Sinais e sintomas epistaxe: sangue eliminado pelo nariz.
n cianose; hematêmese: sangue eliminado sob forma de vômito.
n dispnéia; Dispnéia: hemoptise: sangue espumoso, eliminado pela tosse.
n agitação; dificuldade hematúria: sangue eliminado pela urina.
n sensação de sufocamento. respiratória melena: sangue preto, eliminado pelo ânus.

Cuidados Qualquer que seja o tipo de hemorragia externa, o auxiliar de enfermagem


n examinar a boca, para verificar se existe algo obstruindo; deve proceder dessa maneira:
n aspirar secreções da orofaringe e do nariz; n manter o paciente em repouso, evitando o excesso de movimentos, para
n tracionar a língua e prendê-la com a cânula de Guedel, caso esteja caída não aumentar a perda sangüínea;
para trás; n fazer um curativo compressivo sobre o local que está sangrando;
n colocar o paciente em posição adequada, de modo a favorecer a respiração; n comprimir as artérias que irrigam o local do sangramento, para diminuir
n administrar oxigênio, segundo orientação médica. Na falta deste, iniciar a perda sangüínea;
oxigenoterapia através de cateter nasofaríngeo, de 1 a 2 litros por minuto. n controlar os sinais vitais;
n comunicar imediatamente ao enfermeiro responsável;
n posicionar o paciente em decúbito dorsal, exceto nos casos em que ele
tiver sido submetido a cirurgias neurológicas.

Hemorragia
Perda anormal de sangue, cuja conseqüência para o paciente vai depender
da quantidade de sangue perdido e do seu estado geral naquele momento.
Ela pode ser venosa ou arterial, dependendo do vaso rompido.

Posicionamento correto
Classificação do paciente com
hemorragia primária: quando ocorre durante a operação, sendo geralmente hemorragia, exceto nos
controlada pela equipe médica. casos de cirurgias
hemorragia secundária: quando ocorre no pós-operatório, podendo ser: neurológicas. As
externa se o sangramento é visível. extremidades inferiores
interna se o sangue escoa para dentro de cavidades (abdome, tórax e crânio). são elevadas até um
ângulo de 20°,
Causas aproximadamente. Os
n defeitos na ligadura dos vasos, devido à hemostasia imperfeita; joelhos ficam retos, o
n distúrbios de coagulação do paciente; tronco horizontal e a
n tensão sobre o local da operação em conseqüência de movimentos cabeça discretamente
bruscos, esforço do paciente, etc. elevada.

Pós-operatório
118 Complicações Pós-operatório mediato e tardio 119

Hemorragia interna n a pele é fria e pálida, inicialmente. Depois, passa para úmida e, finalmente,
Mais difícil de ser detectada porque os sinais e sintomas se manifestam quando pegajosa, com lábios e unhas cianóticas;
o paciente já perdeu uma grande quantidade de sangue. A conseqüência, n a diurese fica abaixo de 30ml/hora;
então, é a instalação de um quadro de choque hipovolêmico, conforme n o nível de consciência se altera de orientado para, gradativamente, confuso
veremos no próximo item. e comatoso.

Cuidados
n detectar precocemente o aparecimento dessa complicação por meio da
observação constante do paciente e do rigoroso controle dos sinais vitais;
Choque n ao identificar os sinais de choque, o auxiliar deve comunicar imedia-
tamente ao enfermeiro responsável, para as providências necessárias;
É a diminuição da passagem do sangue para os tecidos, provocando n caberá ao médico, no entanto, identificar o tipo de choque e estabelecer
sofrimento nos órgãos, com conseqüente risco de vida. a conduta a ser seguida.

Tipos de choque
hipovolêmico: aquele causado pela diminuição acentuada do volume circulante,
devido à perda de sangue, plasma ou líquidos corporais. Algumas das
principais causas desse tipo de choque são as hemorragias, grandes
queimaduras, vômitos e diarréia (desidratação). É o tipo de choque que
mais acontece no pós-operatório imediato, devido às hemorragias.
cardiogênico: quando há uma deficiência da bomba cardíaca e o coração não Pós-operatório
consegue bombear uma quantidade de sangue suficiente para os órgãos
e tecidos. Esse tipo de choque ocorre quando há infarto agudo do mediato e tardio
miocárdio (I A M), insuficiência cardíaca congestiva (ICC), lesões
traumáticas no coração e arritmias cardíacas. O paciente cirúrgico pode apresentar também outras complicações, já na
neurogênico: quando há uma alteração no sistema nervoso central, que provoca fase do pós-operatório mediato ou tardio. Dentre elas podemos citar a
dilatação anormal dos vasos sangüíneos. Pode ocorrer devido a distensão abdominal, as complicações de natureza respiratória ou vascular,
superdosagens de drogas hipotensoras (por exemplo, nitroprussiato de e, ainda, as relacionadas à ferida cirúrgica.
sódio), anestésicos, narcóticos e transtornos emocionais, como medo,
dor intensa ou ansiedade.
obstrutivo: causado por embolia pulmonar, decorrente da liberação de um
coágulo (êmbolo) que obstrui a artéria pulmonar.
séptico: provocado por liberação de toxinas de bactérias na corrente sangüínea, Distensão abdominal
geralmente provenientes de uma infecção já existente no organismo,
como, por exemplo, o abscesso intraperitoneal. Complicação relativamente comum no pós-operatório,
anafilático: resultado de uma reação do organismo, devido à hipersensibilidade especialmente em operações abdominais. Após a Movimentos
a determinadas substâncias, como a penicilina e o iodo, entre outros. anestesia, os movimentos peristálticos desaparecem e, muitas peristálticos:
vezes, demoram a retornar, fazendo com que líquidos e movimentos dos
Sinais e sintomas gases se avolumem no estômago e intestinos. intestinos
n os movimentos respiratórios são profundos e rápidos no início, passando
depois para superficiais e rápidos; Outras causas
n o pulso vai do rápido para o mais rápido, fraco e irregular; n imobilidade do paciente no pós-operatório;
n a pressão arterial vai caindo paulatinamente, chegando a uma pressão n alimentação imprópria ao pós-operatório;
sistólica máxima abaixo de 60 mmHg, nos casos mais graves; n traumatismo cirúrgico intestinal no transoperatório.

Pós-operatório
120 Complicações Complicações respiratórias 121

Medidas profiláticas Grande parte das complicações respiratórias, no entanto, pode ser evitada.
Podem ser colocadas em prática para evitar a distensão abdominal ou, pelo A profilaxia consiste em um pré-operatório bem feito e na tomada de
menos, acelerar o processo de reabilitação intestinal, como, por exemplo, a precauções durante e após a cirurgia.
mobilização no leito ou a deambulação precoce.
Por isso, se antes da operação o paciente apresenta sintomas como tosse, espirro,
Sinais e sintomas conjuntivas inf lamadas e secreção nasal, o cirurgião deve ser avisado
n abdome de volume aumentado; imediatamente. Durante a operação, e logo depois também, deve-se evitar que
n sensação de plenitude, como se estivesse com o estômago cheio; o paciente sinta frio, para protegê-lo de possíveis complicações respiratórias.
n dor abdominal, tipo cólica;
n dificuldade respiratória pela pressão sobre o diafragma, o que pode Outro procedimento importante para evitar problemas posteriores dessa
ocorrer em casos extremos. natureza é a aspiração de secreções na sala de recuperação. Também é
necessário estimular o paciente a realizar exercícios de tosse e respiração,
Cuidados pois com a dor, principalmente em operações torácicas e abdominais, eles
n estimular a deambulação; evitam respirar profundamente.
n mobilizar o paciente no leito, quando este não puder fazê-lo;
n incentivar o paciente a alimentar-se, de acordo com a prescrição médica, A seguir veremos as principais complicações respiratórias.
evitando alimentos que fermentem no intestino, como, por exemplo,
couve-f lor, repolho, cebola, batata-doce e refrigerantes;
n fazer sondagem retal por aproximadamente 20 minutos, para eliminação Atelectasia
dos f latos (gases) do cólon inferior;
n administrar, segundo prescrição médica, clisteres ou laxantes para É a redução do volume de um lobo ou de uma parte ainda maior do pulmão,
estimular a peristalse; freqüentemente causada pela obstrução de um dos brônquios.
n colocar calor sobre o abdome, se não for contra-indicado.
Sinais e sintomas
Muitas vezes, em caso de distensão abdominal é prescrita aspiração n dispnéia de intensidade variável;
gástrica.Para realizar esse procedimento é necessário introduzir uma sonda n cianose, em caso de estarem comprometidas grandes áreas do pulmão;
nasogástrica, o que é feito pelo médico ou enfermeiro. A sonda é aspirada n dor torácica imprecisa;
manualmente, em inter valos regulares, e, às vezes, ligada a um aspirador n febre.
intermitente.

Para o bom funcionamento desse método, é importante a mobilização e a Bronquite


lavagem da sonda nasogástrica, no mínimo, de seis em seis horas. Para tanto,
introduzem-se de 20 a 30ml de água na sonda, com o auxílio de uma seringa, É caracterizada pela inf lamação da mucosa brônquica.
aspirando em seguida. Todo o conteúdo gástrico eliminado precisa ser medido
e anotado na folha de balanço hídrico do paciente, sendo deduzido o vol- Sinais e sintomas
ume de água injetado. n tosse com ou sem secreção;
n dor ao tossir.

Pneumonia
Complicações respiratórias
Inf lamação com endurecimento de parte do pulmão ou de todo ele. É mais
São freqüentes e graves para o paciente cirúrgico, em especial para os idosos freqüente em pacientes idosos ou com doença pulmonar preexistente, como,
e debilitados ou aqueles cujo período de convalescença é longo. por exemplo, enfisema ou bronquite.

Pós-operatório
122 Complicações Complicações vasculares 123

Sinais e sintomas n imobilidade no leito;


n febre; n hidratação insuficiente.
n dispnéia;
n taquicardia; Medidas de profilaxia
n tosse com expectoração purulenta ou sanguinolenta; n manter os membros inferiores do paciente enfaixados, inclusive durante
n dor torácica; a operação, se ele for portador de varizes nesses membros;
n mal-estar. n evitar a compressão de vasos sangüíneos, ao posicionar o paciente na
mesa cirúrgica;
Cuidados n estimular a deambulação precoce;
n identificar, oportunamente, os primeiros sinais de elevação da tempe- n fazer movimentos de extensão e f lexão com os membros inferiores, se o
ratura, do pulso e da respiração, a dor torácica, dispnéia e tosse, anotando paciente estiver impossibilitado de deambular;
no prontuário do paciente; n manter o uso de meias elásticas ou faixas nos membros inferiores, também
n aspirar secreções; no pós-operatório.
n estimular a deambulação ou movimentação no leito, de acordo com as
condições do paciente; Sinais e sintomas
n estimular a tosse e a prática de exercícios respiratórios, inclusive com n dor no local, que se apresenta quente, edemaciado (inchado) e hipere-
aparelhos especiais; miado (vermelho);
n nebulizar, tapotar e promover drenagem postural para o paciente. n febre.

Cuidados
n elevar o membro inferior afetado;
n administrar os anticoagulantes e antiinf lamatórios prescritos;
Complicações vasculares n orientar o paciente para fazer repouso.

São as de natureza circulatória, causadas pela imobilidade do paciente du-


rante a operação. Em virtude disso, o sangue tende a f luir pelas veias mais
lentamente do que o normal, podendo levar a problemas como flebite
(inf lamação de uma veia) e tromboflebite (inf lamação de uma veia com formação
de coágulos no interior). Em geral, tais complicações afetam mais as veias
dos membros inferiores.

Trombof lebite

Os coágulos formados e liberados podem ocasionar a interrupção do fluxo


sangüíneo de um órgão vital, como, por exemplo, o pulmão. Quando o coágulo
obstrui a artéria pulmonar, provoca a embolia pulmonar, uma das complicações
mais graves no pós-operatório, podendo, inclusive, levar à morte.

Fatores que predispõem a uma tromboflebite


n já possuir distúrbios venosos em membros inferiores, como varizes;
n a posição do paciente durante a operação, em especial aquelas nas quais
os membros ficam dobrados, como em operações ginecológicas,
proctológicas e algumas urológicas;

Pós-operatório
A ferida
Pós-operatório cirúrgica

A ferida cirúrgica é incisa, ou seja, ela apresenta


bordas e paredes lisas, sendo geralmente muito
dolorosa, mas de fácil cicatrização.

Nesta parte do livro abordaremos algumas


questões relativas à ferida cirúrgica, importantes
para o seu estudo, tais como: os tipos de cicatri-
zação, a drenagem, as complicações e o curativo.

Cicatrização da ferida
Pode ser de três tipos: por primeira intenção, por segunda intenção ou,
ainda, por terceira intenção. Veremos cada um deles a seguir, juntamente
com os fatores que interferem em uma cicatrização.
Tecido de
A cicatrização por primeira intenção é a união direta das bordas granulação:
da ferida, com ou sem sutura, e sem infecção. Há pouca tecido vermelho, mole
formação de tecido de granulação. A cicatriz é estreita e se dá e de fácil
em torno de quatro dias. De uma maneira geral, é dessa sangramento que forra
forma que cicatrizam as feridas cirúrgicas. as feridas deixadas
126 A ferida cirúrgica Complicações 127

Algumas outras feridas, no entanto, têm uma cicatrização por segunda intenção,
que é a união indireta das bordas, havendo formação de tecido de granulação. Complicações
Esse tipo de cicatrização ocorre quando há perda de
tecido ou infecção na ferida. A par te lesada é A ferida cirúrgica pode apresentar complicações no pós-operatório, como a
gradualmente preenchida pelo tecido de granulação que, Epitélio: infecção, a deiscência de sutura e a evisceração.
posteriormente, é recoberto pelo epitélio. A cicatriz por parte mais superficial
segunda intenção apresenta-se mais clara e menos elástica da pele
do que a pele normal. Infecção
Já a cicatrização por terceira intenção é a combinação dos dois primeiros tipos Causas
que acabamos de analisar. Em geral, ocorre uma deiscência de sutura e a n operações infectadas como, por exemplo, apendicite supurada, abscesso
ferida é deixada aberta para formação de granulação, sendo feita outra hepático, etc.;
sutura, posteriormente. n contaminação durante a operação por germes externos, em virtude de
anti-sepsia e assepsia inadequadas;
n contaminação após a operação (infecção hospitalar) provocada pela falta
Fatores que interferem na cicatrização de cuidados do pessoal que lida com o paciente, como lavar as mãos, por
exemplo.
Podem ser classificados em locais (relativos à própria ferida cirúrgica) ou
gerais (mais abrangentes, relativos ao estado do paciente como um todo). Medidas de profilaxia
n realizar o preparo correto da pele do paciente, no pré-operatório;
Fatores locais n utilizar corretamente, no Centro Cirúrgico, as técnicas de esterilização
grau de lesão: quanto maior for a lesão, mais difícil é a cicatrização; do material e de assepsia;
irrigação sangüínea: como o sangue é o responsável pela cicatrização, a má n manter o ambiente sempre limpo;
irrigação de sangue no local da ferida retarda, então, sua cicatrização; n lavar sempre as mãos.
corpo estranho: os corpos estranhos como gazes, sujeiras e fiapos de tecido,
provocam rejeição por parte do organismo, dificul- Sinais e sintomas
tando e retardando a cicatrização; Podem ser gerais ou específicos.
hematoma: o hematoma força as bordas da ferida, Hematoma: gerais: febre, mal-estar e cefaléia;
separando-as, o que pode favorecer o aparecimento bolsa de sangue específicos: dor, hiperemia, tumefação e presença de secreção na ferida.
de infecção; em um tecido vivo
infecção: a infecção provoca a formação de um edema que, Cuidados
pressionando os vasos sangüíneos, dificulta a chegada n colher a secreção para cultura e antibiograma;
dos nutrientes, prejudicando a cicatrização. n fazer curativos, sempre que necessário, nunca deixando as gazes ficarem
encharcadas;
Fatores gerais n anotar aspecto, quantidade e odor da secreção;
estado nutricional: a desnutrição retarda a cicatrização, já que esta depende das n administrar antibióticos, analgésicos e antitérmicos, seguindo rigoro-
proteínas, formadoras de tecido; samente a prescrição médica;
idade: quanto mais idoso for o indivíduo, maior é a dificuldade de cicatrização, n lavar sempre as mãos, antes e após os cuidados com o paciente.
devido a problemas circulatórios;
doenças: diabete, câncer, anemia, insuficiência renal, por exemplo, também
dificultam a cicatrização; Deiscência de sutura
radiação e uso de medicamentos: a radiação e os corticóides retardam a cicatrização.
É caracterizada pela separação das bordas da ferida previamente suturada.
Esse termo se refere, geralmente, à sutura cutânea da ferida operatória.

Pós-operatório
128 A ferida cirúrgica O curativo cirúrgico 129

Causas
n infecção da ferida; O curativo cirúrgico
n rejeição ao fio da sutura;
n obesidade; O curativo cirúrgico é extremamente importante, pois determina parte do
n desnutrição; sucesso de uma operação.
n doenças como diabete e anemia.
Finalidades
Medidas de profilaxia n imobilizar a região operada;
n auxiliar a diminuir, durante o período pré-operatório, Compensar um n absorver secreções;
os fatores que predispõem o paciente a esse tipo de paciente diabético: n evitar contaminação;
complicação. Por exemplo, compensando um paciente colocar o seu nível n proteger contra traumas;
diabético; de glicose dentro da n promover hemostasia;
n orientar o paciente quanto à movimentação e à tosse. normalidade n dar conforto ao paciente;
n aplicar medicamentos.
Sinais e sintomas
n queixa do paciente quanto a algo que está cedendo na incisão operatória; Classificação
n escoamento de líquido sanguinolento através da sutura; Se considerarmos a presença ou ausência de umidade intencional, eles podem
n dor na ferida operatória, que aumenta ou reaparece; ser secos ou úmidos.
n eventual separação das bordas da ferida.
Se, no entanto, levarmos em conta a presença ou não de infecção, eles se
Cuidados dividem em limpos (ou assépticos) e contaminados (ou sépticos).
n fazer curativo oclusivo;
n usar faixas abdominais. Já quanto à finalidade de promover hemostasia, eles são simples ou compressivos.

Finalmente, se observarmos o tipo de curativo cirúrgico, eles são abertos


Evisceração (quando a cicatriz cirúrgica é exposta) ou fechados (no caso de a cicatriz estar
coberta por gazes, compressas ou esparadrapo).
Nela ocorre a separação das bordas da ferida abdominal com a saída das
vísceras, constituindo-se uma emergência cirúrgica. Há um vídeo da série Introdução à Enfermagem mostrando a técnica de execução de um curativo
cirúrgico, de forma detalhada, complementando e enriquecendo a abordagem do livro.
Observada a complicação, e tomados os devidos cuidados, imediatamente o
pessoal de enfermagem comunicará o fato ao enfermeiro responsável, para
alertar a equipe médica e providenciar uma sala de cirurgia.

Cuidados
n acalmar o paciente;
n cobrir as vísceras com compressas ou gaze esterilizada, umedecidas em
soro fisiológico;
n enfaixar o abdome suavemente, sem comprimir as vísceras;
n não alimentar o paciente;
n encaminhá-lo ao Centro Cirúrgico, assim que a equipe médica solicitar,
junto com o seu prontuário.

Em caso de evisceração, você nunca deve tentar recolocar as vísceras para dentro da cavidade.

Pós-operatório
Drenagem
Pós-operatório cirúrgica

A drenagem é utilizada em cirurgia com várias


finalidades. Para a realização da drenagem são
utilizados tipos específicos de drenos que você
precisa conhecer.

O dreno de Penrose é introduzido na cavidade da ferida para escoamento de


secreções que possam vir a infectá-la ou para eliminar secreções purulentas.

O dreno de Penrose é um tubo de látex mole e delicado, de vários diâmetros,


colocado através de um pequeno orifício ou na própria cicatriz operatória.
Quando há necessidade de lavar o local que está sendo drenado, o cirurgião
coloca, junto com o Penrose, um dreno tubular fino, geralmente de polietileno,
formando, assim, um dreno misto.

Os drenos de Penrose são usados em cirurgias gerais, com finalidade profilática, e


precisam ser protegidos por curativos. Mas se for preciso medir o volume de
secreção que sai pelo dreno, pode-se substituir o curativo por bolsas coletoras,
que variam de tamanho de acordo com a quantidade de secreção eliminada.
132 Drenagem cirúrgica Dreno de tórax 133

O dreno de Kher ou em T é utilizado nas operações que abrem a via biliar prin- O dreno de tórax é utilizado na cavidade torácica para restaurar a pressão negativa
cipal (hepático/colédoco), com a finalidade de escoar a bile para fora, por e escoar secreções ou sangue.
um determinado período.

O dreno fechado de pressão negativa é conectado a uma bolsa coletora sanfonada


elástica, por meio de um tubo. Quando a bolsa é comprimida para a retirada
do ar do seu interior, cria um vácuo capaz de provocar aspiração contínua. A
secreção ou o sangue são retirados da ferida, indo para o recipiente sanfonado
por meio do tubo. Pleura parietal

Quando o recipiente estiver cheio, é necessário abrir a tampa de cima e Pleura visceral
esvaziá-lo. Para restabelecer a pressão negativa, comprime-se o recipiente Pulmão
até o ar sair totalmente e recoloca-se a tampa. Assim, a drenagem recomeçará.
Caixa torácica
O dreno fechado de pressão negativa é geralmente usado em operações
ortopédicas, neurocirúrgicas e outras onde haja sangramento residual. Dreno de tórax

Diafragma

Dreno de tórax

A remoção dos drenos varia de acordo com o tipo de cirurgia e com a prescrição médica.

Aspiração da ferida
por dreno fechado
de pressão negativa.

Pós-operatório
Pós-operatório Exercícios

1. Leia a situação:

Lena está de plantão numa unidade de Recuperação Pós-anestésica, onde um paciente acaba de dar
entrada após uma cirurgia de próstata.

Agora complete as frases de modo correto:

a) Os dois primeiros cuidados que Lena deve prestar a esse paciente são
..............................................................................................................
b) O esquema de controle dos sinais vitais desse paciente é ....................
c) As anotações que Lena deve fazer no prontuário do paciente são
relativas aos seguintes aspectos ............................................................

2. Escreva o que se pede:

a) três cuidados de enfermagem no pós-operatório mediato


b) os possíveis motivos do vômito logo após uma cirurgia
c) três maneiras de se identificar a retenção urinária

3. Complete as lacunas:

a) Alguns desconfortos do pós-operatório imediato ou mediato são


.............................. , .............................. e .............................. .
b) O pós-operatório .............................. compreende as primeiras 24 horas
após a cirurgia, enquanto que o pós-operatório tardio corres-ponde à
fase .............................. .
c) Dois equipamentos existentes em uma Recuperação Pós-Anestésica
são .............................. e .............................. .
136 Exercícios Exercícios 137

4. Explique por que devem-se adotar os seguintes procedimentos: 1) oxigenação deficiente dos tecidos ( ) hematúria
2) sangue eliminado pelo nariz ( ) flebite
a) lateralizar a cabeça do paciente em caso de vômito 3) inflamação de uma veia ( ) hipóxia
b) umedecer lábios e boca dos pacientes, enquanto não estiverem 4) pele e mucosa azuladas ( ) atelectasia
totalmente refeitos da anestesia 5) sangue eliminado pela urina ( ) cianose
c) irrigar a região suprapúbica de um paciente com retenção urinária, 6) colapso de um lobo ou parte maior do pulmão
usando água morna

9. Descreva o que é pedido:


5. Ref lita sobre a situação e, depois, responda às perguntas:
a) os tipos de choque
No hospital onde Ari é auxiliar de enfermagem não há unidade de Recuperação Pós-Anestésica. Sendo b) as possíveis complicações com a ferida cirúrgica
assim, os cuidados do pós-operatório imediato são prestados ao paciente em sua própria unidade. c) as medidas de profilaxia em relação à distensão abdominal
d) os cuidados de enfermagem no caso de pneumonia
a) Com que objetivo é realizada essa preparação?
b) Se Ari for encarregado de preparar uma dessas unidades para receber
um paciente recém-operado, como deverá proceder? 10. Coloque C ao lado do procedimento correto ou E se ele estiver errado.
Depois, justifique cada uma das suas respostas.

6. Faça, com seus colegas, uma dramatização de algumas situações diferentes ( ) Ao identificar um paciente com distensão abdominal, Celeste imobilizou-o no leito.
de atendimento a pacientes com desconforto pós-operatório. A turma ( ) Durante os cuidados pré-operatórios, Nair enfaixou as pernas de um paciente com varizes, e
pode ser dividida em quatro grupos, ficando cada um encarregado de elas foram mantidas assim durante a cirurgia.
abordar um dos desconfortos citados no livro: dor, vômito, retenção
urinária e sede.
11. Descreva como o auxiliar de enfermagem deve proceder com um
paciente:
7. Leia a situação:
a) cuja ferida cirúrgica apresenta evisceração
Marina trabalha em uma unidade de Recuperação Pós-Anestésica, e a toda hora recebe um novo paciente. b) que teve um choque obstrutivo, na RPA
Em um desses pacientes ela observou sinais e sintomas de hemorragia. c) que reclama de dor abdominal e tem o volume do abdome aumentado

Agora, responda:
12. Complete o quadro:
a) Como as hemorragias são classificadas?
b) Quais as causas possíveis de uma hemorragia?
c) Quais os cuidados de enfermagem que Marina deve prestar a esse
T ipo de dr eno
dreno Finalidade Tipo de operação
paciente?

Kher ........................................... ...........................................


8. Numere a coluna da direita de acordo com a da esquerda, de modo a Penrose ........................................... ...........................................
relacionar o tipo de complicação pós-operatória à sua definição:
de tórax ........................................... ...........................................
fechado de pressão negativa ........................................... ...........................................

Pós-operatório
138 Exercícios

13. Indique:

a) uma ferida cirúrgica cicatrizada por segunda intenção


b) um curativo úmido, contaminado e fechado

14. Responda às perguntas:

a) Que complicação pode ocorrer com a ferida cirúrgica de um paciente


diabético? Que medida profilática você adotaria nesse caso?
b) Como funciona o dreno fechado de pressão negativa?

15. Leia:

Ao fazer um curativo em um paciente, Lucimar observou que a ferida estava com problemas de cicatrização,
o que ela relacionou ao fato de o paciente apresentar insuficiência renal.

Complete corretamente:

a) Outros fatores gerais que também interferem na cicatrização da ferida


cirúrgica são ............................................................................................
b) Além desses, há ainda fatores locais que dificultam a cicatrização, como
.......................................................................................................
INTERVENÇÕES
CIRÚRGICAS

PARTE

5
Nesta parte do livro vamos trabalhar as
cirurgias mais comuns, destacando os
cuidados específicos a serem dispensados aos
pacientes cirúrgicos tanto no pré-operatório
como no pós-operatório. Também
abordaremos as possíveis complicações que
ocorrem no pós-operatório de cada uma
dessas operações.

senac
Intervenções Aparelho
cirúrgicas digestivo

Aqui trataremos das seguintes cirurgias:


apendicectomia, colecistectomia, hernioplastia,
gastrectomia, gastrostomia e colostomia.

Apendicectomia
Consiste na retirada cirúrgica do apêndice vermiforme ou cecal.

Localização do
apêndice vermiforme
ou cecal.
142 Aparelho digestivo Hernioplastia 143

Cuidado específico no pré-operatório n conectar um frasco estéril ao dreno de colédoco (dreno de Kher ou dreno
n administração de antibióticos, de acordo com a prescrição médica. A pri- em T), por onde escoa a bile, caso o paciente retorne da sala de operação
meira dose da medicação é geralmente aplicada antes do início da operação. com ele. Esse cuidado visa medir a secreção expelida, que depois deverá
ser anotada no prontuário do paciente;
Na apendicectomia é absolutamente contra-indicado o preparo intestinal por meio do uso de n observar os sinais de distensão abdominal, icterícia, náusea e vômito.
laxantes, enemas, etc., pois pode provocar a ruptura do abscesso formado em volta do apêndice,
devido ao aumento do peristaltismo. Complicação
n icterícia, que pode surgir em função de problemas clínicos ou da obstrução
Cuidados específicos no pós-operatório do colédoco.
n iniciar o balanço hídrico em pacientes que retornam da sala de operação
com sonda nasogástrica;
n observar os possíveis sinais de infecção na ferida operatória e no local da Hér nia:
Hérnia:
eventual drenagem. saída de um órgão ou
Hernioplastia estrutura através da
Complicações parede da cavidade
n peritonite, que pode permanecer, mesmo após a Peritonite: Também chamada de herniorrafia, consiste na correção na qual está
apendicectomia. Ela se manifesta por dor abdominal infecção do peritônio cirúrgica de uma hérnia. naturalmente contido
e febre, e, com certa freqüência, exige reoperação;
n fístula fecal (comunicação do intestino grosso com o A hérnia pode ocorrer em qualquer parte do corpo, porém é mais freqüente
exterior que permite a saída de fezes); no abdome, quando uma víscera abdominal sai através de uma abertura na
n obstrução intestinal, que é a incapacidade de o conteúdo intestinal fluir nor- parede do abdome.
malmente, devido a algum obstáculo. Um dos sintomas é o vômito persisten-
te, que pode levar à desidratação. Outro sintoma é a distensão abdominal. Cuidado específico no pré-operatório
n tricotomia, realizada (se necessário) de acordo com o local da hérnia.

Cuidados específicos no pós-operatório


n observar a possibilidade de edema de bolsa escrotal, que deve ser tratado
Colecistectomia com a colocação de suspensórios para aquela bolsa;
n orientar o paciente quanto à restrição de esforço físico que solicite a
É a retirada cirúrgica da vesícula biliar. musculatura abdominal;
n estimular o paciente a urinar espontaneamente, para prevenir a distensão
Cuidados específicos no pré-operatório vesical causada pela retenção urinária, freqüente nas hernioplastias.
n fazer tricotomia de abdome em pacientes do sexo masculino. Nas mulheres,
esse cuidado depende da presença ou não de pêlos abdominais na região; Complicação
n administrar o antibiótico, somente nos casos de colicistite aguda, de acordo com a n recidiva, com o reaparecimento da hérnia.
prescrição médica. A primeira dose é geralmente aplicada antes do início
da operação.

Cuidados específicos no pós-operatório


n colocar a sonda nasogástrica com a qual muitos pacientes saem da operação Hemorroidectomia róidas:
Hemorróidas:
Hemor
em sifonagem (ligação de um tubo já instalado no paciente a um frasco em veias varicosas
nível mais baixo para drenagem por gravidade); Tipo de operação do aparelho digestivo, caracterizada localizadas no canal
n lavar a sonda nasogástrica freqüentemente para evitar que ela se obstrua; pela retirada cirúrgica das hemorróidas. anal; podem ser
internas ou externas

Intervenções cirúrgicas
144 Aparelho digestivo Gastrostomia 145

Cuidados específicos no pré-operatório Cuidados específicos no pós-operatório


n fazer a tricotomia da região perianal; n observar o tipo de líquido drenado pela sonda nasogástrica, que deve ser
n administrar laxantes ou enemas, no dia anterior à cirurgia, de acordo mantida aberta, em sifonagem. Anotar a drenagem da sonda, a qual
com a prescrição médica. normalmente é de coloração castanha, devido ao sangue digerido.
Qualquer alteração, como, por exemplo, sangue vivo, deve ser
Cuidados específicos no pós-operatório imediatamente comunicada ao enfermeiro responsável, pois é indicação
n deixar o paciente em decúbito lateral ou ventral, se possível; de hemorragia, podendo levar ao choque;
n dar banhos de assento mornos para aliviar a dor e o edema; n observar a aceitação da dieta e o retorno do funcionamento intestinal,
n orientar a ingestão de alimentos ricos em fibras para facilitar a evacuação; uma vez que após a retirada da sonda nasogástrica o paciente começa a
n administrar laxantes ou enemas, se prescritos pelo médico; receber alimentos líquidos, em pequenas quantidades.
n estimular a evacuação, pois muitas vezes o paciente tem medo de sentir
dor e evita evacuar; Complicações
n limpar o local com gaze e água, após cada evacuação; n hemorragia, que pode levar ao choque;
n orientar o paciente para continuar os banhos de assento, mesmo após a alta. n distensão abdominal.

Complicação
n hemorragia.
Gastrostomia
É a abertura do estômago, através da parede abdominal, para introduzir um
Gastrectomia tubo com a finalidade de aspirar secreções estomacais ou, então, alimentar e
hidratar o paciente.
Consiste na retirada total ou parcial do estômago. Ela pode ser temporária ou definitiva, dependendo da doença.

Cuidados específicos no pré-operatório Cuidados específicos no pré-operatório


n manter a sonda nasogástrica do paciente, caso ele esteja usando, aberta e n orientar o paciente e familiares quanto às conseqüências da gastrostomia;
em sifonagem; n fazer uma tricotomia no abdome, restrita à região supra-umbilical, no
n fazer a tricotomia, cujo local de realização é mostrado na figura. caso de pacientes do sexo masculino.

Área de tricotomia Área de tricotomia


para a gastrectomia. para a gastrostomia.

Intervenções cirúrgicas
146 Aparelho digestivo Colostomia 147

Cuidados específicos no pós-operatório


n trocar o curativo ao redor da sonda de gastrostomia, sempre que
necessário, protegendo a pele com pomadas prescritas pelo médico. Esse
cuidado é importante porque pode haver vazamento do suco gástrico Colostomia
pela incisão, provocando irritação e feridas; transversa
n fazer higiene oral freqüente, pois como o paciente não pode ingerir
alimentos pela boca, é necessário enxaguá-la várias vezes ao dia;
n observar os cuidados específicos da alimentação pós-operatória:
l iniciar dieta líquida equilibrada, assim que o médico permitir;

l introduzir a alimentação líquida pela sonda da gastrostomia, através de se-

ringa, à temperatura corporal. Alimentos frios ou quentes provocam dor; Colostomia


l não permitir a entrada de ar pela sonda, durante a alimentação; de sigmóide
l introduzir água pela sonda, após cada alimentação, a fim de evitar sua

obstrução e, também, para hidratar o paciente;


Possíveis localizações
l fechar a sonda, após a alimentação;
para a colostomia.
l abrir a sonda para certificar-se de que a dieta anterior foi digerida, an-

tes de uma nova administração. Se houver retorno do alimento, o


paciente não deve receber a dieta, e o fato precisa ser comunicado ao
enfermeiro responsável, que tomará as providências cabíveis; Cuidados específicos no pré-operatório
l observar o funcionamento intestinal para saber se a dieta está sendo n apoiar o paciente, e também sua família, considerando a operação e as
bem tolerada, pois pode ocorrer diarréia ou constipação; alterações que irá provocar, pois a perda do controle da evacuação pode
l pesar diariamente o paciente, para avaliar se a necessidade calórica levar o paciente a se sentir rejeitado;
está sendo suprida adequadamente; n fazer a tricotomia da região abdominal superior e inferior.
l pedir sempre ao paciente para informar qualquer tipo de desconforto

após a alimentação; Cuidados específicos no pós-operatório


l interromper a alimentação ao menor sinal de vômito ou regurgitação. n observar o funcionamento da colostomia, anotando o volume e o aspecto
das fezes eliminadas;
Complicações n orientar a dieta no sentido de evitar alimentos que fermentem e
n distúrbios intestinais como diarréia ou constipação, dependendo da provoquem odor desagradável, tais como feijão, peixe, cebola, repolho,
alimentação usada; etc. Pode-se solicitar ao Serviço de Nutrição uma relação dos alimentos
n estase gástrica, que é o acúmulo de alimentos no interior do estômago; mais recomendados, inclusive os constipantes e os laxativos;
n regurgitação ou vômito e broncoaspiração. n tomar cuidados especiais com a pele ao redor do estoma, pois a drenagem
fecal é irritante, devido às enzimas nela existentes. Como medida
preventiva aplicam-se pomadas apropriadas entre o estoma e a bolsa
coletora. Na área de contato com o adesivo da bolsa pode-se utilizar tintura
de benjoim, para proteger a pele e facilitar a adesão da bolsa.
Colostomia
Complicações
Consiste na exteriorização do intestino grosso, mais comumente do cólon n prolapso do estoma, com a exteriorização de uma parte do cólon;
transverso ou sigmóide, através da parede abdominal, para eliminação de n constipação ou diarréia, conforme a tolerância ou a adaptação aos
gases ou fezes. O orifício realizado nesse tipo de cirurgia denomina-se estoma. alimentos;
n infecção da pele ao redor do estoma;
A colostomia está indicada em casos de tumores do intestino grosso, anomalias n exteriorização do intestino ao lado do estoma, em geral ocasionado por
congênitas e perfurações intestinais, podendo ser definitiva ou temporária. orifício excessivamente largo na parede abdominal.

Intervenções cirúrgicas
148 Aparelho digestivo

Aparelho
Observações
n a colostomia, em geral, se faz simultaneamente a uma laparotomia. Nesses
casos, então, o paciente apresenta dois curativos, ao retornar da sala de
Intervenções
geniturinário
operação: um relativo à incisão principal e outro ao estoma, para evitar
contaminação do segundo para o primeiro;
n o paciente deve usar a bolsa mais indicada para seu caso. O tamanho do
cirúrgicas
orifício da bolsa precisa se ajustar perfeitamente ao redor do estoma,
impedindo que as fezes entrem em contato com a pele.
Existem algumas bolsas coletoras com revestimentos ao redor do orifício
de encaixe contendo cola karaya, que serve de proteção para a pele;
n o paciente pode apresentar alergia à cola da bolsa coletora, provocando
lesões na pele e aparecimento de infecções oportunistas por fungos.
Nesses casos, é preciso interromper o uso da bolsa temporariamente,
deixando a pele em repouso, até cicatrizar. Durante esse período, usar
apenas pomadas indicadas pelo médico e curativos absorventes, tro-
cados com freqüência, até a pele ficar íntegra novamente e o paciente
voltar a usar a bolsa;
n o auxiliar de enfermagem deve ter a preocupação de incentivar o paciente
ostomizado a participar ativamente de todos os cuidados com a colostomia,
preparando-o para a alta hospitalar e dando-lhe condições de cuidar de si
mesmo em casa. Caso ele tenha um cônjuge, este também deve participar
da fase de adaptação, para que a reintegração à vida familiar e social se Dentro desse novo grupo de cirurgias, você terá a
faça com rapidez e sucesso; oportunidade de analisar as seguintes opera-ções:
n finalmente, é importante citar as equipes multidisciplinares de saúde que prostatectomia, postectomia, nefrectomia,
se propõem a ajudar na reabilitação física e psicológica dos pacientes mastectomia e histerectomia.
ostomizados, favorecendo o seu convívio e de suas famílias com outros
ostomizados. Nas reuniões desses grupos são esclarecidas as dúvidas e
trocados testemunhos de vida e experiências.

Prostatectomia
Hiper
Hipertrtrtrofia
ofia
Nesta cirurgia, retira-se total ou parcialmente a próstata. pr ostática:
prostática:
É realizada nos casos de hipertrofia prostática ou de tumores aumento da próstata
localizados na próstata.

Cuidados específicos no pré-operatório


Estão voltados para os pacientes com hipertrofia prostática, que podem
apresentar retenção urinária devido à compressão da uretra. Por essa razão,
eles são submetidos a um cateterismo vesical, e, por isso, precisam receber
cuidados especiais, tais como:
150 Aparelho geniturinário Postectomia 151

n medir a urina que sai pela sonda e verificar sua densidade; n registrar, na folha de balanço hídrico, os líquidos eliminados e os
n controlar a temperatura. Esses pacientes têm tendência à infecção urinária. administrados no paciente, inclusive em infusões venosas e na irrigação
da bexiga. Isso é importante para ajudar a avaliar as causas de choque
Após uma prostatectomia, o paciente retorna da sala de operação com uma hipovolêmico, que pode ocorrer nas primeiras horas após a operação;
sonda uretral de três vias (three-way) e um sistema de irrigação vesical contínua. n conectar a sonda da cistostomia em
O soro entra por uma das vias, lava a bexiga e sai, junto com a urina, por outra bolsa estéril e trocar seu curativo Cistostomia: abertura da bexiga geralmente feita
via que está conectada a uma bolsa coletora estéril, de sistema fechado. A terceira freqüentemente, caso o paciente através de um orifício na parte inferior do abdome,
via serve apenas para insuf lar o balonete que fixa a sonda dentro da bexiga. venha da cirurgia com ela; quando a operação se realiza por via abdominal
n estimular a ingestão hídrica, após
a retirada da irrigação;
n orientar o paciente, por ocasião da alta hospitalar, a não ingerir bebidas
Bexiga Solução para alcoólicas, evitar dirigir automóvel por tempo prolongado e continuar
irrigação ingerindo bastante líquido. Caberá ao médico conversar com o paciente,
Balonete informando-o sobre o eventual aparecimento de infertilidade ou impo-
tência, decorrente da operação.
Posição da Penis
próstata Complicações imediatas
Sonda de tres vias n hemorragia;
Saco escrotal n choque;
n obstrução da sonda e conseqüente parada da drenagem.

Via para insuflar o Complicações mediatas


balonete n infecção;
n impotência sexual, que ocorre somente em alguns casos, quando a
Sistema de irrigação
operação é radical e determinados nervos são seccionados (cortados).
vesical contínua.
Observe a posição Torneira de Bolsa coletora
que a próstata esvaziamento estéril
ocupava no aparelho da bolsa
genital masculino antes Postectomia
da prostatectomia.
Caracteriza-se pela correção cirúrgica da fimose, que é o estreitamento do
A irrigação contínua tem a finalidade de evitar a formação de coágulos que prepúcio, impedindo sua retração normal por sobre a glande.
obstruem a sonda, causam muita dor e, às vezes, determinam a necessidade
de nova intervenção cirúrgica para sua retirada. Por isso, é fundamental o auxiliar Cuidados específicos no pré-operatório
de enfermagem seguir os seguintes procedimentos. n não existem. Dessa maneira, o pessoal de enfermagem vai realizar apenas
os cuidados gerais dessa etapa, comuns a qualquer operação.
Cuidados específicos no pós-operatório
n deixar a irrigação correr em gotejamento rápido, entre 50 e 80 gotas por Cuidado específico no pós-operatório
minuto, em especial nas primeiras horas, quando o sangramento é mais n orientar o paciente a respeito do curativo que, após a alta, deve ser feito
intenso. O gotejamento pode ser diminuído quando a drenagem se torna com gaze vaselinada e trocado com freqüência.
clara e assume um aspecto de urina. Esse procedimento geralmente é
realizado sob orientação do enfermeiro, mas o fechamento e a retirada Complicação
da irrigação são determinados pelo cirurgião; n hemorragia.

Intervenções cirúrgicas
152 Aparelho geniturinário Mastectomia 153

Nefrectomia Mastectomia
É a retirada de um rim, indicada em alguns casos de cálculos e tumores renais. Caracteriza-se pela retirada da glândula mamária ou de parte dela.

Cuidados específicos no pré-operatório Cuidados específicos no pré-operatório


n estimular a ingestão hídrica, a fim de promover o aumento da excreção preparo psicológico: vale destacar o caráter mutilante do procedimento, que afeta
(saída) de detritos através da urina, ainda antes da operação; a estética em um ponto tão ligado à feminilidade. Devido a esse fator e ao
n fazer a tricotomia da região lombar, do lado onde será retirado o rim. medo da doença em si, a mulher que se submete à mastectomia deve
receber atenção especial por parte de toda a equipe de saúde.
Assim, cabe à equipe de enfermagem, por estar em contato direto e
constante com a paciente, procurar esclarecer as dúvidas e minorar
temores sobre o pós-operatório, explicando os exercícios a serem feitos
e os cuidados a tomar.
O médico ou o enfermeiro poderá falar sobre os recursos estéticos
disponíveis de imediato no mercado. É fundamental a participação do
marido ou companheiro nesse preparo, pois é comum a mulher se sentir
rejeitada, pelos motivos já citados.
preparo físico: realização da tricotomia torácica e axilar, do mesmo lado em que
a mama será retirada.

Área de tricotomia
para a nefrectomia.

Cuidados específicos no pós-operatório


n conectar sonda vesical em bolsa coletora estéril e fechada, observando o
funcionamento adequado da sonda;
n controlar a diurese, anotando volume, cor e densidade;
n insistir nos exercícios respiratórios, inclusive com aparelhos;
n estimular a ingestão de líquidos;
n obser var o curativo e, sempre que necessário, trocá-lo com técnica
asséptica; Área de tricotomia
n administrar medicação analgésica para acalmar a dor intensa, de acordo para a mastectomia.
com a prescrição médica.

Complicações Cuidados específicos no pós-operatório


n hemorragia; n medir e anotar, rigorosamente, o aspecto e o volume do conteúdo do dreno
n choque; fechado de pressão negativa, com que muitas vezes a paciente retorna da
n pneumotórax, que é a entrada de ar na cavidade pleural, devido à sala de operação. O dreno é colocado no local da cirurgia, como você já viu
perfuração da pleura durante a operação. O pneumotórax se manifesta no capítulo drenagem cirúrgica, na parte relativa ao pós-operatório. É
por dispnéia importante; necessário deixar o interior do reservatório sanfonado sempre isento de
n infecção da ferida. ar, para a aspiração ser eficiente e não haver obstrução do dreno;

Intervenções cirúrgicas
154 Aparelho geniturinário Histerectomia 155

n manter o braço do lado operado em elevação e apoiado, evitando formação


de edema;
n orientar e estimular exercícios com a mão e o braço do lado operado, como
abrir e fechar a mão, f lexionar, estender e elevar gradualmente o braço;
n verificar sinais vitais no braço do lado oposto ao operado;
n observar a cicatriz cirúrgica, após a retirada do dreno ( aproximadamente
no terceiro dia do pós-operatório), pois pode haver formação de hematoma;
A. Área de tricotomia
n orientar a paciente para praticar exercícios com o braço do lado operado,
para a histerectomia
mas evitar traumatismos. Por isso é importante, para ela, não retirar
via abdominal.
cutículas, não usar relógio, pulseiras, anéis, não carregar bolsas ou objetos
pesados, não lidar com fogo, forno, etc.;
B. Área de tricotomia
n orientar a paciente para ter sempre boa postura, pois não é raro, após a
para a histerectomia
mastectomia, o aparecimento de problemas posturais.
via vaginal.
Complicações
n hemorragia; Complicações
n choque; n hemorragia;
n hematomas; n choque;
n infecção da ferida; n retenção urinária;
n edema no braço do lado operado. n infecção urinária causada pelo uso prolongado da sonda vesical e de
cateterismos de alívio freqüentes, colocados devido à retenção urinária
que às vezes ocorre após a retirada da sonda de demora;
n infecção da ferida operatória.
Histerectomia
É a retirada parcial ou total do útero.

Cuidados específicos no pré-operatório


n oferecer apoio psicológico adequado à paciente, procurando esclarecer
suas dúvidas e as dos familiares;
n fazer a tricotomia abdominal e pubiana, quando a operação for realizada
por via abdominal. Mas quando for usada a via vaginal, a tricotomia será
somente perineal.

Cuidados específicos no pós-operatório


n manter a sonda vesical conectada à bolsa coletora estéril de sistema fechado;
n controlar rigorosamente as infusões venosas e o volume urinário;
n observar sinais de sangramento pela ferida operatória ou pela vagina;
n retirar tamponamento vaginal após 24 horas, seguindo orientação médica;
n estimular a diurese espontânea, após a retirada da sonda vesical, já que
nesses casos é comum a retenção urinária.

Intervenções cirúrgicas
Intervenções Operações
cirúrgicas neurológicas

As operações neurológicas que abordaremos neste


livro são duas: a craniotomia e a laminectomia.

Craniotomia
Consiste na abertura cirúrgica do crânio, a fim de obter Esfenóide:
acesso às estruturas intracranianas. Essas estruturas osso ímpar
geralmente podem ser alcançadas através de um encravado no meio
procedimento denominado trepanação, que é a realização dos demais ossos da
de orifícios no crânio. Podem ainda ser atingidas por via base do crânio
transesfenoidal, através do esfenóide.
158 Operações neurológicas Laminectomia 159

A contendo detergente, e a cabeça é envolvida com campo estéril ou


compressas. É importante observar que nas operações transesfenoidais e
de trepanação não há necessidade de tricotomia do couro cabeludo.

Os cuidados pré-operatórios rotineiros, nesse tipo de operação, só devem ser feitos sob orientação
do médico ou do enfermeiro. Muitos desses cuidados podem ser prejudiciais ao paciente, como,
por exemplo, a administração do enema, que induz à defecação, podendo aumentar a pressão
intracraniana devido ao esforço.
Abordagens cirúrgicas
para a craniotomia. Cuidados específicos no pós-operatório
n manter o paciente em posição lateral ou em posição semiventral, para
A. As linhas facilitar a respiração;
pontilhadas indicam as n manter a via aérea desobstruída fazendo aspiração traqueofaríngea. Esse
incisões no couro B C procedimento deve ser feito cautelosamente, pois, caso contrário, pode
cabeludo elevar a pressão intracraniana;
n colocar a cabeceira do leito em semi-Fowler, depois que o paciente estiver
B. Orifícios de consciente, para facilitar a drenagem venosa do cérebro;
trepanação n observar e registrar a atividade espontânea do paciente, comparando-a
com a que apresentava no pré-operatório;
C. Acesso n aliviar o desconforto do edema periocular, lubrificando as pálpebras com
transesfenoidal para vaselina e colocando compressas frias leves em curativos oclusivos de
cirurgia na hipófise olhos, a intervalos especificados.

Os pacientes submetidos à craniotomia são geralmente encaminhados para a Unidade de Tratamento


A craniotomia é uma operação indicada para remover tumores, controlar Intensivo, onde permanecem de um a três dias. Somente após a estabilização de todos os seus
hemorragias, aliviar hipertensão intracraniana ou, ainda, drenar e aspirar parâmetros vitais é que eles retornam à Unidade de Internação.
hematomas, abscessos e outros.
Complicações
Cuidados específicos no pré-operatório n sangramento intracraniano;
n avaliar e registrar os sinais e sintomas do paciente, Paciente afásico: n edema cerebral.
para fazer comparações no pós-operatório; aquele que tem
n auxiliar o paciente portador de distúrbios motores e dificuldade de falar Essas complicações se manifestam por cefaléia, vômitos em jato e alterações visuais.
sensitivos. Por exemplo, ajudar o paciente afásico a comu-
nicar-se por meio da escrita ou de gestos;
n preparar o campo operatório, procedimento este realizado em duas etapas.
A primeira etapa ocorre na véspera da operação, quando a cabeça do
paciente é muito bem lavada com anti-séptico contendo detergente. Se Laminectomia
possível, lavar duas vezes. No caso da existência de crostas no couro
cabeludo, o enfermeiro deverá ser imediatamente comunicado, pois isso Operação destinada à remoção parcial ou total de disco intervertebral, com
poderá concorrer para infecção da incisão cirúrgica, no pós-operatório. mais freqüência na região cervical ou lombar.
A segunda etapa desse preparativo é realizada no dia da operação,
momentos antes de encaminhar o paciente ao Centro Cirúrgico. O cabelo Cuidados específicos no pré-operatório Par estesia:
Parestesia:
deve ser cortado com tesoura e, depois, raspado com máquina elétrica. n registrar queixas de dor do paciente, parestesia e es- sensação anormal
Em seguida, o couro cabeludo é bem lavado com solução anti-séptica pasmos musculares; de formigamento

Intervenções cirúrgicas
160 Operações neurológicas

Outras
n avaliar o funcionamento vesical e intestinal;
n ensinar o paciente a virar-se como uma peça única, colocando um
travesseiro entre suas pernas, no caso das laminectomias lombares;
Intervenções
operações
n fazer a tricotomia, se houver pêlos na região.
cirúrgicas

Área de tricotomia
para cirurgia da
coluna vertebral.

Agora vamos trabalhar outros tipos de cirurgia,


também importantes para o seu estudo e não
Cuidados específicos no pós-operatório incluídas nos grupos que acabamos de analisar.
Eles são individualizados para cada caso, em função do grau de lesão e da Elas são: amigdalectomia, facectomia, drenagem
localização da hérnia discal. Ainda assim, podemos relacionar alguns cuidados de tórax, tireoidectomia, timpanoplastia, tra-
genéricos. queostomia e operações vídeo-laparoscópicas.
n comparar a dor, a sensibilidade e a capacidade motora com as que o
paciente apresentava no pré-operatório;
n virar o paciente, como treinado no pré-operatório, nos casos de la-
minectomia lombar;
n reforçar, junto ao paciente, a importância de ele evitar trabalho pesado e
atividades que produzam esforço de f lexão sobre a coluna, como, por
exemplo, dirigir automóvel. Isso é importante porque o período de
cicatrização dos ligamentos e dos músculos é de cerca de seis semanas. Amigdalectomia Adenóides:
estruturas de tecido
A deambulação só deverá ocorrer após orientação médica. Mas é de rotina o médico neurologista É a retirada cirúrgica das amígdalas. Algumas vezes, as linfático, localizadas
auxiliar o paciente em sua primeira deambulação após uma laminectomia. adenóides também estão afetadas, sendo retiradas junta- na nasofaringe
mente com as amígdalas.

Cuidado específico no pré-operatório


n orientar o paciente no sentido de evitar falar e tossir logo após a operação.

Cuidados específicos no pós-operatório


n manter o paciente em decúbito dorsal, com a cabeça lateralizada, para
auxiliar a drenagem das secreções;
162 Outras operações Drenagem de tórax 163

n observar os sinais de hemorragia. Um sangramento discreto é normal, O paciente com catarata queixa-se de visão turva, distorcida e de sua perda
porém se houver aumento de volume deve-se comunicar tal fato progressiva. A pupila, que é negra, torna-se acinzentada com o tempo e,
imediatamente ao enfermeiro responsável; mais tarde, branco-leitosa.
n anotar o aspecto da secreção oral eliminada e o volume aproximado;
n executar a higiene oral freqüentemente; Cuidados específicos no pré-operatório
n iniciar a dieta com líquidos gelados, desde que não haja contra-indicação. n administrar colírios específicos, quando prescritos pelo médico;
Se for bem aceita, a dieta evolui depois para alimentos semipastosos, n orientar o paciente quanto à posição em que deverá permanecer no pós-
como gelatinas e sorvetes; operatório imediato.
n evitar os alimentos secos, quentes, e também os ácidos, na primeira
semana do pós-operatório; Cuidados específicos no pós-operatório
n orientar o paciente ou responsável para continuar com a dieta após a alta n manter o paciente em decúbito dorsal, evitando que movimente a cabeça;
hospitalar que, geralmente, ocorre no dia seguinte à operação. Também n ajudar o paciente a observar repouso absoluto nas primeiras 24 horas
orientar para procurar o médico, caso haja sinal de sangramento. após a cirurgia;
n prevenir vômitos e espirros;
Complicação n proteger o leito do paciente com grades;
n hemorragia, que pode ocorrer até uma semana após a intervenção cirúrgica. n manter o tampão do olho do paciente, uma vez que os curativos são feitos
apenas pelo médico;
n comunicar imediatamente ao enfermeiro responsável caso o paciente se
queixe de dor forte nos olhos, pois isso significa complicação;
n por ocasião da alta, orientar o paciente quanto à utilização dos
Facectomia medicamentos prescritos e das vendas nos olhos.

É a correção cirúrgica da catarata, e consiste na retirada do cristalino, com Complicações


implante ou não de uma lente intra-ocular. n hemorragia;
n deiscência de sutura.

Catarata: Atualmente, a técnica cirúrgica oftálmica avançou muito. Vários pacientes


perda da transparência se submetem à facectomia com implante de lente intra-ocular, sob
do cristalino ou da sua anestesia local, permanecendo apenas algumas horas na recuperação
Cristalino
cápsula, sendo mais cirúrgica. Eles têm alta no mesmo dia, podendo, inclusive, movimentar a
freqüente em pessoas cabeça e deambular.
idosas
Iris

Drenagem de tórax
É uma cirurgia para colocação de um dreno no espaço pleural.

O dreno é colocado com a finalidade de retirar pus, plasma, ar ou sangue


Na figura: acumulados na cavidade pleural em decorrência de operações realizadas,
Córnea
posição do cristalino traumatismos ou determinadas doenças. A drenagem permite, então, a
no globo ocular. expansão pulmonar, que fica prejudicada pela presença de ar ou líquidos na
cavidade intratorácica.

Intervenções cirúrgicas
164 Outras operações Drenagem de tórax 165

Drenagem simples ou drenagem fechada sem aspiração

O líquido pleural escoa normalmente, por ação da gravidade, para um frasco


de 2 000ml. Esse frasco tem uma tampa de borracha, perfurada por um tubo
longo e outro tubo curto. A ponta do tubo longo deve ficar submersa em
água, o que chamamos de selo d’água, cuja finalidade é impedir a entrada de ar
na cavidade pleural. Para isso, colocamos soro fisiológico ou água esterilizada
no frasco de 2 000ml, em quantidade suficiente para cobrir pelo menos 2cm
da ponta do tubo longo.

Sistema de drenagem
de tórax por

Recomendações
n observar a função do segundo frasco (estabilizador), que é controlar a
pressão do aspirador. Quando o sistema está em funcionamento, deve
haver borbulhamento no segundo frasco e oscilação da coluna líquida em
selo d’água no primeiro frasco (frasco coletor);
Sistema de drenagem
n evitar entrada de ar no sistema, vedando tampas e conexões com
torácica simples.
esparadrapo. Verificar se há furos nas conexões de borracha;
n manter os frascos sempre abaixo do nível do tórax, inclusive ao transportar
Recomendações o paciente e na troca dos frascos. Nessas situações, deve-se pinçar duplamente
n ligar o dreno torácico ao tubo longo mergulhado no selo d’água, utilizando a borracha que fica entre o dreno e o frasco, por medida de segurança;
uma conexão longa de borracha com aproximadamente 1,5m; n fazer movimentos de ordenha na conexão de borracha, para evitar
n manter o frasco de drenagem pelo menos 1 metro abaixo do nível do obstrução por coágulos ou secreção;
tórax do paciente. n fazer anotações sobre o volume, aspecto do líquido drenado e funciona-
mento do sistema. Observar se há borbulhamento no frasco estabilizador;
n estimular o paciente a tossir e a respirar profundamente;
Drenagem por aspiração n evitar dobras no dreno ou nas conexões de borracha;
n solicitar ao paciente para não se deitar do lado do dreno;
São utilizados dois frascos de 2 000ml. O primeiro frasco é idêntico ao do n fazer curativo oclusivo na incisão. Observar e anotar a presença de
sistema simples. Já o segundo frasco tem três tubos na tampa: um longo e secreções no local de implantação do dreno;
dois curtos. Os tubos curtos medem cerca de 12cm de comprimento, n auxiliar o médico ou enfermeiro na troca dos frascos.
devendo sua extremidade inferior ficar dentro do frasco, acima do nível da
água. O tubo longo deve ter comprimento suficiente para a extremidade
superior ficar aberta para o exterior e a extremidade inferior ficar mergulhada Complicações
na água esterilizada ou soro fisiológico, em uns 12 a 15 cm. Um dos tubos
curtos se comunica com o primeiro frasco, e o outro com a fonte de aspiração, n pneumotórax;
que é um aspirador elétrico ou a vácuo, de parede. n hemorragia.

Intervenções cirúrgicas
166 Outras operações Timpanoplastia 167

n iniciar a dieta com alimentos líquidos, frios ou gelados, por serem mais
Tireoidectomia Hiper tir
Hipertir eoidismo:
tireoidismo: fáceis de deglutir;
aumento da função n manter o laringoscópio, os tubos traqueais e a bandeja de traqueostomia
Caracteriza-se pela retirada total ou parcial da tireóide, da tireóide no quarto do paciente, por um período de 48 horas, para uso em caso de
devido a tumores de tireóide ou ao hipertireoidismo. emergência respiratória.

Cuidados específicos no pré-operatório Complicações


n proporcionar ambiente repousante e tranqüilo ao paciente, evitando n hemorragia;
barulho, movimento de outras pessoas, visitas, músicas excitantes, etc.; n edema de glote;
n proporcionar repouso ao paciente, durante a noite anterior à operação; n rouquidão;
n orientar o paciente para não falar no pós-operatório imediato e explicar- n tetania (espasmos musculares, visíveis, por exemplo, nas mãos e nos pés).
lhe sobre a possível administração de oxigênio no pós-operatório, para
facilitar sua respiração; Caso ocorra qualquer uma das complicações citadas acima, o médico responsável deve ser
n explicar ao paciente que os líquidos serão dados por via venosa no pós- imediatamente comunicado.
operatório, para ele não sentir sede nem fome, tendo em vista a dificul-
dade de deglutição;
n fazer a tricotomia, se necessária.
Timpanoplastia
Consiste na reconstituição da membrana timpânica perfurada, com a
finalidade de melhorar a audição e fechar a cavidade do ouvido médio,
evitando infecções.

Cuidado específico no pré-operatório


n realização da tricotomia ao redor do ouvido, no lado a ser operado.

Cuidados específicos no pós-operatório


n manter o paciente deitado, sem travesseiro, com o ouvido do lado operado
voltado para cima;
n orientar o paciente para não molhar o curativo, evitar assoar o nariz e
não espirrar com a boca fechada.
Área de tricotomia
Complicações
para a tireoidectomia.
n infecção;
n nova ruptura do tímpano.
Cuidados específicos no pós-operatório
n colocar o paciente em posição de semi-Fowler, com a cabeça apoiada em
um ou mais travesseiros;
n mover a cabeça do paciente cuidadosamente, evitando tensão das suturas;
n administrar oxigênio umidificado, se houver dificuldade respiratória; Traqueostomia
n observar, nas primeiras 12 a 24 horas após a cirurgia, se há respiração
ruidosa e desenvolvimento de cianose; É a abertura da traquéia para introdução de uma cânula traqueal, com a
n atentar para a possibilidade de hemorragia local; finalidade de permitir a passagem de ar.

Intervenções cirúrgicas
168 Outras operações Traqueostomia 169

Complicações
n hemorragia;
n enfisemas subcutâneos, que se exteriorizam por inchação do pescoço,
do rosto e, às vezes, de todo o corpo. O enfisema subcutâneo, quando
é pressionado, produz a mesma sensação que a de comprimir uma
esponja molhada;
n infecção respiratória;
n asfixia por obstrução da cânula.

Cuidados com a traqueostomia

Aspiração
n conectar a sonda de aspiração estéril à borracha do aspirador, e
introduzir 15 a 20cm da sonda no orifício da cânula. Nesse momento,
ter o cuidado de pinçar o tubo de borracha do aspirador, ou introduzir
Paciente com
a sonda com o aspirador desligado, prevenindo traumatismos na mu-
traqueostomia
cosa traqueal. As sondas ideais são de borracha com orifício na ponta,
por traumatizarem menos. Entretanto, as de polietileno têm sido mais
Dependendo da causa, a traqueostomia pode ser temporária ou definitiva. usadas, por serem descartáveis;
Quando é temporária, o paciente permanece traqueostomizado até que se n retirar a sonda com movimento circular e único, com o aspirador ligado e
solucione o problema. Ela é definitiva em caso de laringectomia, isto é, o tubo de borracha livre;
retirada da laringe. A traqueostomia pode ser ainda uma operação de n deixar o paciente descansar e repetir a aspiração, quantas vezes forem
emergência ou programada. necessárias, a fim de retirar toda a secreção. Observar que o tempo
utilizado para fazer cada aspiração não deve exceder a cinco segundos,
Cuidados específicos no pré-operatório para não criar dificuldades respiratórias para o paciente;
n informar ao paciente, em casos de operação eletiva, que ele não poderá n lavar o tubo de borracha, aspirando água esterilizada ou soro fisiológico;
falar no pós-operatório, devendo se comunicar através da escrita ou de n jogar fora as sondas descartáveis, depois de usadas;
gestos. Com o tempo, ele poderá falar, fechando o orifício da traqueostomia; n trocar o frasco de soro fisiológico ou água esterilizada, utilizado para lavar
n fazer a tricotomia na face e no pescoço, nos casos de operações eletivas, a tubulação que aspira a secreção;
e em pacientes do sexo masculino; n usar luvas estéreis e observar certos cuidados na manipulação da sonda
n prover a unidade do paciente com sondas de aspiração, luvas, gazes, soro de aspiração, tendo em vista que a técnica de aspiração é asséptica.
fisiológico ou água esterilizada, oxigênio e aspirador.
Outros cuidados
Cuidados específicos no pós-operatório n fazer o curativo ao redor da cânula;
n prestar atenção especial à freqüência respiratória; n manter o curativo sempre limpo, trocando com freqüência as gazes e os
n observar o local para detectar sangramentos que possam implicar dificul- cadarços que seguram a cânula;
dade respiratória; n proteger o orifício da cânula com a gaze aberta, a fim de evitar a entrada
n manter o ambiente sempre limpo e umidificado, devendo o mesmo ter de insetos ou corpos estranhos;
janelas teladas; n manter o ambiente limpo e desodorizado;
n aspirar as secreções, observando e anotando a quantidade e o aspecto, n cuidar para não entrar água do banho na traqueostomia;
com a freqüência que se fizer necessária. n fazer a higiene oral do paciente, freqüentemente.

Intervenções cirúrgicas
170 Outras operações Operações vídeo-laparoscópicas 171

Cânulas de traqueostomia C

Há de dois tipos: as de polietileno descartáveis e as metálicas.


B
A cânula de polietileno descartável é um tubo cur vo com um balonete na
extremidade, que fica dentro da traquéia do paciente. É esse balonete que,
A
insuf lado, fixa a cânula à traquéia.
Partes de uma cânula
metálica.

A. Cânula interna

B. Cânula externa

C. Obturador
Cânula
Alguns serviços mantêm dois conjuntos de cânulas metálicas para cada paciente traqueostomizado.
Balão externo
Dessa forma, a cânula interna suja é trocada por outra esterilizada em autoclave ou estufa. Esse é
o procedimento mais seguro e indicado, mas não é utilizado em todos os hospitais devido à
precariedade de recursos da maioria deles.
Cânula de polietileno Entrada de ar para o balão interno Balão interno
descartável.

Esse tipo de cânula é preso externamente ao pescoço do paciente com um


cadarço, e usado, em geral, nas traqueostomias temporárias, de curto prazo. Operações vídeo-laparoscópicas
O balonete deve ser desinsuf lado de duas em duas horas, por um período de
15 minutos, para evitar necrose da mucosa traqueal. São realizadas por meio da introdução de instrumentos especiais através de
orifícios feitos no corpo do paciente. Esses orifícios variam de lugar,
A cânula metálica, geralmente utilizada nas traqueostomias definitivas, é dependendo do órgão a ser operado.
composta de uma cânula externa e outra interna e, ainda, de um obturador
que serve de guia na introdução da cânula. Um desses instrumentos introduzidos no paciente permite que o cirurgião
visualize todo o interior da cavidade, por meio da imagem obtida e
A cânula metálica também é presa ao paciente somente por um cadarço transmitida para um monitor. E com o auxílio dos demais instrumentos ele
amarrado ao pescoço. realiza, então, o procedimento cirúrgico.

A cânula interna de uma cânula metálica deve ser retirada pelo menos uma vez Por via laparoscópica podem ser realizadas cirurgias no abdome, tórax e
por dia, para limpeza, podendo ser retirada outras vezes, caso se faça necessário. cabeça, sendo mais comuns as de abdome, como, por exemplo: ooforectomia,
colecistectomia, apendicectomia.
Para a limpeza da cânula interna utilizam-se luvas estéreis e técnica asséptica. Colocar
a cânula numa cuba estéril com água oxigenada, para soltar as secreções que
ficam aderidas, principalmente à sua parede interna. Ajudar mecanicamente Laparoscopias abdominais
com uma escova estéril adequada ou gaze. Deixar a cânula em solução
esterilizante e, depois, lavar abundantemente com soro fisiológico ou água Cuidados específicos no pré-operatório
esterilizada. Por último, secar a cânula com gaze estéril e recolocá-la no paciente. n não existem. Alguns médicos dispensam, inclusive, a tricotomia abdominal.

Intervenções cirúrgicas
172 Outras operações

Cuidados nas
Intervenções operações
cirúrgicas ortopédicas

Nesta parte do livro vamos discutir os cuidados


de enfermagem prestados aos pacientes no pré e
pós-operatórios das cirurgias ortopédicas em
geral, e aos pacientes com aparelho gessado.
Também abordaremos a tração, a amputação,
seus respectivos cuidados de enfermagem e com-
plicações possíveis.
Realização de

Fonte: catálogo EDLO


uma cirurgia
vídeo-laparoscópica
abdominal.

Cuidados específicos no pós-operatório


Cuidados no pré-operatório
n observar atentamente o padrão respiratório do paciente. Ele pode sentir
desconforto para respirar, devido a uma certa quantidade de gás carbônico
injetada na cavidade peritoneal, antes da introdução dos instrumentos; A maior parte dos pacientes com problemas músculo-esqueléticos apresenta
n atentar para os sinais e sintomas de sangramento interno, o que pode dor e ansiedade. Aqueles que se submetem a uma operação reparadora quase
levar ao choque. sempre a encaram com muita preocupação, pois são grandes as expectativas
em torno dos resultados. Muito embora esses pacientes, em sua grande
Complicações maioria, já tenham se submetido a outras operações do gênero para reparar
n lesões de órgãos internos, manifestadas por choque ou dor abdominal forte. algum defeito físico, congênito ou adquirido, sua ansiedade e preocupação
não são menores, frente à perspectiva de uma nova operação.

Essas pessoas necessitam portanto, na fase pré-operatória, de uma assistência


de enfermagem pautada na paciência e na compreensão. Elas também devem
174 Operações ortopédicas Assistência ao paciente com aparelho gessado 175

ser orientadas a respeito dos exercícios que deverão realizar no pós- n encorajar exercícios com os membros não afetados, pois a imobilidade
operatório, do emprego de tração ou do aparelho gessado. prolongada resulta em perda da massa muscular;
n estimular o paciente a realizar as atividades do dia-a-dia e seus cuidados
É ainda no pré-operatório das operações ortopédicas que se realizam dois cuidados de higiene, permitindo-lhe maior independência.
importantes, a saber: o preparo da pele do paciente e o preparo intestinal.

O preparo da pele obedece aos princípios de anti-sepsia já conhecidos. É


necessário que ele seja feito corretamente, pois a infecção óssea pode levar
a uma incapacidade permanente. Deve-se fazer uma limpeza meticulosa e Assistência ao paciente
atraumática da pele, com água e anti-séptico com detergente, no dia anterior
à operação. Repetir esse procedimento depois, já no dia da cirurgia. com aparelho gessado
Nos casos de operação eletiva, o ortopedista pode orientar o paciente a usar O aparelho gessado é feito com ataduras de gesso que imobilizam uma região
sabão para limpeza da pele por um período maior, anterior à cirurgia, pois do corpo, com várias finalidades: manter fragmentos ósseos alinhados, aplicar
sabemos que as bactérias da pele podem ser reduzidas pela lavagem diária compressão uniforme sobre os tecidos moles e permitir a deambulação
com anti-séptico e detergente. precoce, além de corrigir e prevenir deformidades.

O preparo intestinal para as cirurgias ortopédicas em geral, realizado por meio A colocação desse aparelho requer a observação de cuidados especiais antes
de lavagens intestinais ou enemas, vai depender da orientação do e depois da aplicação, como também após a retirada dele.
ortopedista. As operações de colo de fêmur e quadril, por exemplo, exigem
um preparo rigoroso, para evitar de o paciente evacuar no transoperatório, Cuidados anteriores à aplicação do aparelho gessado
contaminando a ferida operatória. n informar ao paciente que ele sentirá calor debaixo do gesso;
n cobrir o paciente com um lençol para não espalhar gesso sobre os pontos
não envolvidos pelo aparelho;
n limpar a parte a ser imobilizada usando água e sabão, e cuidar para que
fique bem seca.
Cuidados no pós-operatório
Cuidados após a aplicação do aparelho gessado
Um dos cuidados importantes após as cirurgias ortopédicas é em relação ao n não pressionar o aparelho por 48 horas, aproximadamente, tempo este
uso de narcóticos. Como essas operações são extremamente dolorosas, é necessário para sua secagem;
comum haver a prescrição de narcóticos para aliviar a dor. Então, nos n manter o membro gessado elevado, para prevenir edemas;
pacientes que se submetem a várias cirurgias, o uso desses narcóticos pode n observar as extremidades dos membros gessados em busca de deficiência
criar um vício, constituindo um sério problema. Portanto, a administração circulatória por compressão do gesso, como, por exemplo, cianose ou
de narcóticos deve ser bastante criteriosa. impossibilidade de mover os dedos, os quais devem ficar expostos;
n estar atento a sinais de hemorragia, caso o paciente tenha sido operado;
Outros cuidados n orientar o paciente para não introduzir nada dentro do gesso, mesmo
n manter o membro operado elevado, para prevenir o edema que, quando há prurido, para não ocasionar escoriações na pele;
comprimido por bandagens ou gesso, causa dores freqüentes; n observar o cheiro do aparelho, pois as regiões gessadas normalmente
n observar as feridas operatórias, pois estas costumam sangrar mais que as exalam um odor característico, devido à falta de aeração. Caso o odor
outras, podendo levar ao choque hipovolêmico; seja fétido, pode ser sinal de infecção;
n mudar o paciente de decúbito, lavar, secar, massagear e lubrificar a pele n proteger as regiões de atrito com o gesso, para prevenir escaras;
freqüentemente com creme hidratante para evitar a escara, que pode n orientar o paciente para cobrir o gesso com plástico apenas para tomar
surgir em função de uma longa permanência na cama; banho, a fim de não molhá-lo.

Intervenções cirúrgicas
176 Operações ortopédicas Amputação 177

Cuidados após a retirada do aparelho gessado


n limpar a pele do paciente com água e sabão e, depois, secar com cuidado,
usando toalha felpuda;
n lubrificar a pele com óleo ou creme hidratante;
n orientar o paciente para não coçar, pois pode provocar ferimentos;
n orientar sobre as limitações naturais de imobilidade, que ocorrem logo
após a retirada do gesso;
n orientar a realização de exercícios suaves, evitando movimentos bruscos.

Tração
É a aplicação de uma força tensora em uma parte do corpo, com a finalidade
Tração esquelética.
de reduzir e imobilizar uma fratura, tratar espasmo muscular e dor, e recuperar
o comprimento e o alinhamento de um osso ou extremidade lesada.
Cuidados com o paciente em tração
Há dois tipos de tração: a cutânea e a esquelética. n manter os membros sob tração em posição anatômica, protegendo as
áreas de apoio;
A tração cutânea é presa à pele por adesivos. A tração aplicada à extremidade n observar o curativo, nos casos da tração esquelética;
puxa a pele e, com ela, as estruturas músculo-esqueléticas. n obser var a pele, em busca de sinais de pressão ou fricção sobre as
proeminências ósseas;
n orientar o paciente para não girar o corpo para os lados;
n estimular a movimentação dos membros e articulações não afetados;
n nunca apoiar os pesos, os quais devem estar sempre livres;
n nunca remover os pesos sem ordem médica;
n auxiliar na higiene do paciente e prevenir escaras de decúbito.

Complicações
n trombof lebite;
n escaras;
Paciente sob n complicações respiratórias;
tração cutânea. n infecção no local da inserção dos pinos, no caso de tração esquelética;
n escoriações na pele, no caso de tração cutânea;
A tração cutânea pode irritar a pele e exercer pressão sobre nervos periféricos. n deformidades.
O máximo de peso que pode ser aplicado na tração cutânea é de 2 a 3 kg.

A tração esquelética é aplicada diretamente através do osso. Esse método é utiliza-


do mais freqüentemente no tratamento das fraturas do fêmur, úmero e tíbia.
Amputação
A tração esquelética é aplicada utilizando-se um pino ou fio metálico
(de Kirschner ou Steinmann ) que é introduzido através de um osso, e é É a remoção total ou parcial de qualquer parte do corpo. Em ortopedia,
exercida por pesos e roldanas. amputação significa a retirada parcial ou total de um membro.

Intervenções cirúrgicas
178 Operações ortopédicas

Complicações
A amputação só é realizada quando não existe mais a possibilidade de salvar
o membro e há risco de vida para o paciente. Também é realizada para
melhorar a condição funcional do membro comprometido por lesão grave.
Intervenções
Cuidados específicos no pré-operatório
n preparar o paciente psicologicamente, procedimento este que não deve
cirúrgicas cirúrgicas
ser negligenciado. Exceto em casos de operações de emergência, o
paciente deve ter atenção especial, para esclarecer suas dúvidas e receber
orientação quanto à sua reabilitação. Muitos deles podem vir a utilizar
uma prótese posteriormente;
n orientar o paciente quanto à realização de exercícios para fortalecimento
dos membros sadios, facilitando a adaptação a próteses e ao uso de muletas;
n realizar, com o paciente, os cuidados gerais do pré-operatório.
Ao longo de toda esta parte do livro você teve a
Cuidados específicos no pós-operatório oportunidade de analisar diferentes intervenções
n manter o coto elevado; Coto: cirúrgicas, os cuidados específicos nos períodos
n observar sinais de hemorragia; parte residual do pré e pós-operatórios e, ainda, as possíveis com-
n observar os cuidados com o gesso ou a tração, se houver; membro amputado plicações decorrentes dessas operações.
n orientar e estimular a prática dos exercícios, na
ausência de um fisioterapeuta; Agora precisamos analisar os cuidados que o
n auxiliar o paciente na reabilitação e solicitar a participação da família. auxiliar de enfermagem deve dispensar ao
paciente diante dessas complicações cirúrgicas.
Complicações Muitos desses cuidados são bastante específicos
n hemorragia; para cada tipo de complicação, não cabendo
n infecção; discuti-los aqui.
n dor fantasma, que é a dor sentida pelo paciente no membro amputado, a
qual vai desaparecendo com o tempo;
n deiscência de sutura;
n coto inadequado.

Mas há outros cuidados de enfermagem mais gerais e que podem ser


obser vados pelo auxiliar, em relação a qualquer tipo de complicação
cirúrgica. São eles:

n estar sempre atento ao aparecimento dessas complicações;


n estar atento às condições psicológicas e físicas do paciente, principal-
mente em relação aos sinais vitais;
n observar, constantemente, o local da cirurgia;
n observar o perfeito funcionamento de sondas, cateteres, drenos, etc.;
n anotar, ou comunicar ao enfermeiro ou ao médico, qualquer alteração
observada, para que sejam tomadas as devidas providências.
Intervenções
cirúrgicas Exercícios

1. Leia a situação:

Joel está prestando atendimento a um paciente que vai se submeter a uma colostomia, em decorrência de
um tumor no intestino grosso. Ele tem conversado bastante com esse paciente sobre a cirurgia, e explicando-
lhe as alterações que ela provocará.

Agora, responda:

a) Joel agiu corretamente ao ter essas conversas com o paciente? Por quê?
b) Com que outras finalidades pode ser realizada uma colostomia?
c) Após a operação, que cuidados específicos Joel deve prestar a esse
paciente?
d) Quais as complicações possíveis de uma colostomia?

2. Numere a coluna da direita de acordo com a da esquerda, de modo a


relacionar o nome da cirurgia com sua caracterização:

1) exteriorização do intestino grosso ( ) colecistectomia


através da parede abdominal
2) retirada total ou parcial do estômago ( ) craniotomia
3) retirada parcial ou total do útero
4) retirada da vesícula biliar ( ) gastrostomia
5) abertura do crânio para acesso
às estruturas intracranianas ( ) colostomia
6) abertura do estômago através
da parede abdominal ( ) histerectomia

3. Indique o que se pede:

a) dois cuidados específicos no pré-operatório da mastectomia


b) as complicações imediatas da prostatectomia
c) dois cuidados genéricos no pós-operatório da laminectomia
182 Exercícios Exercícios 183

4. Complete as lacunas de modo correto: 7. Leia a situação:

a) Na operação ...................., o preparo intestinal é absolutamente con- Um paciente foi internado numa clínica para a retirada total da tireóide, devido ao hipertireoidismo.
tra-indicado. Enquanto aguardava a cirurgia, as visitas foram proibidas pelo médico.
b) Dependendo da patologia do paciente, a gastrostomia pode ser
.................... ou ..................... . Agora complete as frases:
c) No pós-operatório da craniotomia, o paciente deve ser mantido em
posição .................... ou .................... . a) O nome da cirurgia a que esse paciente será submetido é ....................
b) As visitas foram proibidas, provavelmente, porque ..............................
c) No pré-operatório, esse paciente deve receber orientações quanto
5. Descreva: ..............................................................................................................

a) como deve ser administrada a alimentação pós-operatória em um


paciente de gastrostomia 8. As frases a seguir emitem um enunciado falso. Reescreva cada uma delas,
b) como é feita a irrigação no pós-operatório de uma prostatectomia de modo a torná-las verdadeiras.

a) Após uma amigdalectomia, o paciente deve ser mantido em decúbito


6. Marque a área de tricotomia para a realização da cirurgia indicada em dorsal para evitar a tosse.
cada figura: b) Na drenagem do tórax por aspiração, os frascos devem ficar abaixo
do nível do tórax somente quando houver troca de frascos.
c) A timpanoplastia é a retirada da membrana timpânica perfurada.
d) As complicações possíveis após uma traqueostomia são a hemorragia, a
trombof lebite, o enfisema cutâneo e a asfixia por obstrução do estoma.

9. Descreva como ocorrem os seguintes processos:

a) limpeza da cânula interna de uma cânula metálica de traqueostomia


b) preparo da pele do paciente, no pré-operatório das operações or-
topédicas
Nefrectomia Gastrectomia
10. Identifique e descreva a diferença entre:

a) tração cutânea e tração esquelética


b) cânula metálica e cânula de polietileno

11. Em relação à colocação do aparelho gessado, cite dois cuidados de


enfermagem:

a) anteriores à aplicação do gesso


b) após a aplicação do gesso
Mastectomia Gastrostomia
c) após a retirada do gesso

Intervenções cirúrgicas
184 Exercícios

12. Ref lita sobre a situação e depois responda:


BIBLIOGRAFIA
Marilene trabalha como auxiliar de enfermagem em um grande hospital. Um dos pacientes a quem ela
presta assistência foi submetido à cirurgia para amputação de uma perna. Após a cirurgia, ele apresentou
hemorragia e deiscência de sutura.

a) Que tipo de preparo psicológico Marilene deve ter prestado a esse


paciente, no pré-operatório?
b) Que cuidados pós-operatórios Marilene precisa observar em relação
ao coto?
c) Que as complicações podem ser apresentadas por esse paciente, no ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE HOSPITAIS. Controle de
pós-operatório? infecções no hospital. São Paulo : Sociedade Beneficente
d) Quais são os cuidados de enfermagem que Marilene precisa observar São Camilo, 1985.
em relação a essas complicações?
BR ASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Assistência à
Saúde. Processamento de artigos e superfícies em
13. Escreva o que é pedido: estabelecimentos de saúde. 2. ed. Brasília : Coordenação
de Controle de Infecção Hospitalar, 1994. 49 p.
a) a finalidade da traqueostomia
b) dois cuidados no pós-operatório das operações ortopédicas BR ASIL. Ministério da Saúde. Secretaria Nacional de
c) o que é facectomia Programas Especiais de Saúde. Lavar as mãos :
d) uma possível complicação após a amigdalectomia informações para profissionais de saúde. Brasília :
Programa de Controle de Infecção Hospitalar, 1989. 40 p.
(Sér. A: Normas e Manuais Técnicos, 11).
14. Numere os tipos de cirurgia relacionados na coluna da direita de acordo
com os cuidados específicos no pós-operatório de cada uma, descritos BRASIL. Ministério da Saúde. Ministério do Trabalho. Portaria
à esquerda: IM n. 4, de 31 de julho de 1991. Estabelece normas técnicas
para o uso, o manuseio, o cadastro, as instalações e as
1) posicionar o paciente em semi-Fowler condições limites de operação e de segurança do ambiente
com a cabeça apoiada em travesseiros ( ) amigdalectomia e do pessoal em unidades de esterilização de materiais,
2) estimular o paciente pelo processo de gás de óxido etileno puro ou de suas
a tossir e respirar profundamente ( ) tireoidectomia misturas com gás inerte liquefeito e dá outras providências.
3) observar o paciente Diário Oficial [da República Federativa do Brasil],
quanto ao seu padrão respiratório ( ) facectomia Brasília, 31 jul. 1991. Seção I. pt. 1.
4) iniciar dieta com líquidos gelados
5) manter o paciente em decúbito dorsal, ( ) cirurgias laparoscópicas BR ASIL. Ministério da Saúde. Portaria n. 930, de 27 de agosto
evitando movimentar a cabeça de 1992. Expede normas para o controle das infecções
hospitalares. Diário Oficial da [República Federativa
do Brasil], Brasília, p. 12279, 4 set. 1992. Seção I. pt. 1.

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