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AUTISMO: EDUCAÇÃO E FAMÍLIA

Resumo

Este artigo tem como objetivo trazer algumas reflexões sobre o autismo.
Desafios na escola e na família e o processo de inclusão. O tema desse
trabalho é a escola e os tipos de inclusão. A metodologia utilizada foi a leitura
de outros artigos específicos, livros, revistas e uma conversa com um professor
e um pai de um aluno autista. Ficou a evidente a importância de um processo
cada vez maior de conscientização. As principais conclusões estão voltadas
para um professor atento ás necessidades dos alunos autistas e ao mesmo
tempo persistentes na sua capacitação. Outro ponto de destaque envolve a
família. Entender, aceitar, amar e não desistir de desenvolver ao máximo a
criança são pontos relevantes no processo.

Palavras-chave: Inclusão. Autismo. Família. Escola.

a) Introdução

Diante dos avanços experimentados nos últimos tempos nas áreas


tecnológicas, na medicina, na comunicação, sobretudo no acesso á
informação, não há mais espaço para a discriminação, não se pode mais
fechar os olhos para o que está a nossa volta. Faz-se necessário o respeito à
diferença. E luta por um mundo mais igual precisa ser constante. Vivemos hoje
a era da informação. Novas tecnologias surgem em uma velocidade
impressionante, somos capazes de acompanhar o que acontece em todo
mundo com muita agilidade graças aos avanços nessa área. Nesse sentido, é
fácil perceber uma evolução na humanidade. Por outro lado, ainda estamos
muito devagar quando o assunto é inclusão. Excluir é fácil, basta olhar para
uma pessoa com deficiência e sentir dó, não permitir que ela desenvolva suas
potencialidades ou não respeitar a sua velocidade de aprendizagem. Muitos
são ignorados pelo considerados “normais” num exemplo típico de segregação.
Mais do que integração precisamos de inclusão. Para um processo de inclusão
realmente efetivo é preciso a participação de todos. O poder público pode

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desenvolver diversas ações de conscientização, além de dar suporte e
qualificar os profissionais das escolas. Os pais precisam estar cada vez mais
próximos da escola para acompanhar o processo de aprendizagem dos filhos.
Ser parceiros dos professores. Nesse sentido, e dando continuidade ao que foi
observado na escola que visitei durante o curso, o objetivo desse artigo é
mostrar como ações diárias do poder público, da escola e da família podem
contribuir para uma melhor inclusão da criança autista. Muitos são os desafios
da escola quando o assunto é proporcionar a pessoa com deficiência uma vida
mais digna. Não podemos mais tolerar preconceitos, é preciso evoluir em todas
as áreas e principalmente, sermos mais humanos, fraternos, ter mais empatia e
respeito á pessoa com deficiência.

b) Desenvolvimento

1. - Educação inclusiva, o que é?

Compreendemos educação inclusiva como a educação especial dentro


da escola considerada regular. A ideia é transformar a escola em um espaço
para todos, sem discriminação. O intuito é favorecer a diversidade, pois mesmo
os alunos considerados “normais” podem em algum momento apresentar
necessidades especiais durante sua vida escolar. Se uma criança com
necessidades especiais é inserida em uma escola regular e nela consegue
desenvolver ao máximo suas potencialidades o trabalho terá sido um sucesso.
No entanto, o professor não pode estar sozinho nesta empreitada. Para uma
efetiva educação inclusiva o poder público tem papel preponderante. O
professor precisa de qualificação, de valorização, de respeito, de um ambiente
que propicie uma verdadeira aprendizagem. Nesse ponto é imprescindível a
ação governamental. A escola precisa oferecer um espaço de apoio bem
equipado para que o professor, o profissional de saúde possam desenvolver
seus trabalhos de maneira eficiente.

2. - Para onde vamos?

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Outro ponto que merece destaque é saber aonde queremos chegar para
que o caminho seja possível e viável. Nesse sentido, um projeto claro e
objetivo pode facilitar o processo de inclusão. Em primeiro lugar é preciso
saber onde estamos qual a nossa situação atual. O que cabe aos órgãos
públicos, ao professor, a família, a sociedade, etc. Depois desse diagnóstico
inicial, aí sim é imprescindível saber para onde vamos. Em quanto tempo, o
que pode acelerar o processo, o que pode atrasar, quais caminhos seguir na
hora da adversidade. Diante dessas perspectivas é preciso nos perguntar qual
o real entendimento quando ouvimos falar em educação inclusiva. Primeiro,
que é educação? O que é inclusão?
Educação é o processo de desenvolvimento da capacidade física,
intelectual e moral da criança e do ser humano em geral, visando à sua melhor
integração individual e social (Aurélio). Vale ressaltar que o conceito de
educação é amplo e na definição acima poderia ser acrescentado a inclusão.
Inclusão pode ser entendida como o ato ou efeito de incluir, ou seja, de
compreender. Nesse ponto é preciso dizer que o processo de compreender o
outro não é fácil, principalmente quando se deixa levar pelo preconceito e pela
discriminação presentes em todos os setores da sociedade.
Segundo Forest Inclusão significa mudança. Para ele tanto a inclusão
quanto a mudança são inevitáveis. É preciso ter a mente aberta e vestir a
camisa da mudança, de estar cada dia mais propenso a ser melhor e aceitar as
diferenças do outro.

3. - A sociedade precisa se envolver.

Ao pensar em inclusão não podemos deixar de fora a sociedade. Pelo


menos no papel podemos dizer que vivemos hoje numa sociedade
democrática, capitalista e que a consciência de que precisamos de todos está
mais intensa. Para uma efetiva inclusão social é preciso o envolvimento de
vários setores da sociedade. Vale lembrar ainda que o a lei garante o direito a
todos as pessoas. No entanto, o que está escrito nas leis ainda está distante do
que encontramos nas escolas e nas salas de aula. O primeiro ponto a destacar
é o professor. Será que ele está preparado para a educação inclusiva?

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Na verdade ninguém está totalmente preparado para um desafio. Mas
isso não pode paralisar a ação. O interesse na mudança é um passo
importante para o começo. O professor precisa estar comprometido, mostrar-se
interessado com o que o aluno deseja e precisa aprender; interessado também
em conhecê-lo, ouvi-lo; respeitar a bagagem trazida por ele. Acreditar no
potencial de cada um; acreditar que possível conseguir desenvolver suas
habilidades.
Logo após a análise de todos esses pontos é possível começar a falar
de uma educação especial. Essa educação precisa ainda mais de cuidados, de
planejamento, de apoio da família, de estudos, do envolvimento de todos.

4- O que é autismo?

O autismo é definido como um transtorno complexo do desenvolvimento,


isso é relativo ao aspecto comportamental, apresentando diferentes etiologias
com graus de gravidade variados (GADIA, 2006).
Segundo Oliveira (2009), “autos” significa “próprio” e “ismo” traduz um
estado ou uma orientação, o que sugere uma pessoa fechada, que apresenta
comportamento diferente das demais em diversas áreas. Exatamente por
causa desse comportamento diferenciado a essa criança autista carece de uma
atenção especial dos professores na escola. Até a roupa usada pelo
profissional precisa ser discreta para não incomodar a criança.
De acordo com Pereira (2009), o autismo foi introduzido na literatura
médica por Eugen Bleuler em 1911, com o intuito de classificar pessoas que
apresentavam dificuldades na comunicação e interação social e ainda
apresentavam tendência ao isolamento.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA). Esta é a classificação de um
dos tipos de TGD – Transtornos Globais do Desenvolvimento.

Os Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) representam uma


categoria na qual estão agrupados transtornos que têm em comum as
funções do desenvolvimento afetadas. Entretanto, este conceito é
recente e só pode ser proposto devido aos avanços metodológicos
dos estudos e à superação dos primeiros modelos explicativos sobre
o autismo. (BELISÁRIO e CUNHA, 2010, p. 08).

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Dessa forma o TEA ou autismo, é conhecido como um o transtorno das
funções envolvidas no desenvolvimento humano.
A família que tem uma pessoa diagnostica com autismo sofre muito
principalmente por causa do preconceito. Além disso, o impacto inicial é muito
forte porque é tudo muito desconhecido. As principais características do
autismo são: limitações na fala, dificuldades em estabelecer relações sociais,
tendência em apresentar comportamentos repetitivos.

5. – O professor na linha de frente.

A primeira visita a escola da rede municipal aconteceu no final do mês


de maio de 2018. Na oportunidade estava preparando uma atividade de
portfólio. Fui observar uma aula e conhecer um pouco melhor a realidade de
um aluno autista que estuda naquele local. Conversei com a professora
responsável. Ela relatou que é a segunda vez que trabalhava com um aluno
autista. Mas isso não importa muito, pois cada caso precisa ser encarado de
modo particular. Ela disse ainda que incentiva sempre a interação de toda a
turma com esse aluno. Mas essa interação precisa ser cuidadosa porque ele
fica inquieto com muita facilidade. Foi notado que ela demonstrava uma
vontade muito grande em poder ajudar, além de estudar bastante sobre o
assunto por conta própria, já que não há nenhum incentivo dos governos para
uma capacitação adequada. Relatou ainda que é importante divulgar bastante
esse assunto, visto que ainda há muito preconceito. Segundo ela “alguns pais
olham para ele de forma estranha, parece sentir dó, às vezes percebo
indiferença”.
Vale ressaltar a importância de conhecer cada vez mais os gostos da
criança. Nesse sentido Cunha (2012) fala sobre como estar atendo a alguns
pontos pode fazer toda a diferença, são eles: utilizar as aptidões da criança, os
seus interesses, seus gostos, bem como planejar as atividades em conjunto.

6. – Os impactos na família de uma criança autista.

Aconteceu também uma visita aos pais da criança autista. Na


oportunidade o pai relatou algumas coisas, no entanto parecia não querer falar
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muito sobre o assunto. Disse que a princípio percebeu que a criança não
mantinha contato visual. Mais tarde, as brincadeiras que tentavam fazer com
ele não chamavam a sua atenção, era como se nada tivesse acontecendo.
Chegava a ficar irritado com essa estimulação. Foi aí que buscaram ajuda. O
diagnóstico não foi fácil, disse ele. “Depois de muitos exames e observação a
pediatra falou: seu filho tem autismo”. O senhor falou que foi tudo muito
doloroso era muito difícil ver o que estava bem ali na frente deles. Ele disse
que teve muita dificuldade em aceitar a situação no início. Agradeceu o amor e
a persistência da sua esposa no processo de aceitação. O sentimento inicial foi
de sofrimento profundo, muita dor.

Segundo Lampreia (2007), analisar o impacto dos estressores na família


é bastante relevante. É com o tempo e muita observação que a família passa a
escolher os brinquedos apropriados para a criança, passa a entendê-la melhor
e a respeitá-la.
A escola inclusiva precisa ter a participação de todos. Órgãos públicos,
pais, professores unidos em torno de um único objetivo.

Conforme SPROVIERI (1995) as crianças autistas normalmente são


mais socialmente inseridas quando há reforços positivos da família.

Inclusão é a nossa capacidade de entender e reconhecer o outro e,


assim, ter o privilégio de conviver e compartilhar com pessoas diferentes de
nós. (MANTOAN, 2005, p. 24).

7. – O professor pode fazer a diferença.

A segunda visita á escola aconteceu no final do mês setembro de 2018.


Foi apenas quatro meses depois da primeira e quanta mudança foi observada.
O aluno autista acompanhado durante a realização de uma atividade de
portfólio já estava bem mais a vontade. Ainda gostava de ficar quieto, no
entanto, mostrava-se mais aberto a interagir com os colegas.
A professora já se mostrava mais confiante e contou como se deu o
processo até então, em detalhes. Disse que no início a interação social do
aluno era bastante limitada, tinha problemas com a comunicação verbal e não
verbal e com a imaginação, atividades e interesses limitados ou pouco usuais.
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Apresentava ainda dificuldades em manter uma conversação ou olhar alguém
diretamente nos olhos.
O autismo pode ser apresentado de diversas maneiras, como alerta a
literatura, ou seja, não há uma única forma do mesmo apresentar-se, não há
um único tipo de conjunto de comportamentos. Esse era o grande desafio do
momento, pois até então a professora não tinha um bom suporte da prefeitura
local porque os pais demoraram a aceitar que o filho estava com algum tipo de
deficiência e precisava de ajuda. Os primeiros contatos com os médicos não
resolveram o caso, pois o autismo nem sempre tem um diagnóstico fácil.
Como bem salienta Schwartzman (2003), as anormalidades qualitativas
podem ser caracterizadas pelo grupo de transtornos invasivos do
desenvolvimento. Dessa forma podem agregar outros distúrbios, esse fato
pode levar o profissional a ter dificuldade para chegar a um diagnóstico correto,
uma vez que os sintomas podem ser encontrados de diversas maneiras.
Foi exatamente isso que aconteceu no diagnóstico do aluno. Foi preciso
que mais de um profissional avaliasse a criança para que então se pudesse
confirmar o que se passava de verdade. Nesse ponto ela afirma que tudo ficou
ainda mais difícil porque a família queria esconder a situação. Já começavam a
sofrer preconceitos dentro da própria família.
Esse foi o momento que a professora orientou os pais a juntos
conversarem com pedagoga sobre o caso, pois já estavam de posse do laudo
de um profissional e assim todos poderiam ser beneficiados. O professor
poderia ter apoio de outros profissionais, a criança teria um melhor
acompanhamento e os pais também poderiam ser orientados e dessa forma
ajudarem no desenvolvimento da criança em parceria com a escola.

8. – A importância de conhecer melhor o assunto

A falta de conhecimento sobre o autismo leva as pessoas a um processo


de rejeição o que gera sofrimento nos familiares. A sociedade carece de
informações sobre essa situação. Normalmente reagem com indiferença,
comentários preconceituosos e intolerância. Assim, Orrú (2007, p.37) fala que:

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Quando as pessoas são questionadas sobre o autismo, geralmente
são levadas a dizer que se trata de crianças que se debatem contra a
parede, têm movimentos esquisitos, ficam balançando o corpo e
chegam até o dizer que é perigoso e precisam ficar trancados em
uma instituição para deficientes mentais (ORRÚ, 2007, p.37).

Os comentários citados por Orrú foi os que a família estava sofrendo.


Então a decisão foi a de isolamento. Escondiam até dos familiares. Eles
estavam frente a um desafio: precisavam adaptar-se à realidade do filho e
ajustar seus planos e expectativas as possibilidades e condições apresentadas
pela criança na escola, em casa e com os familiares mais próximos e com a
sociedade. Foram percebendo que cada pessoa autista apresenta um ritmo
diferente de aprendizagem em cada área do desenvolvimento (linguagem,
socialização e aprendizagem), podem demonstrar atrasos na aquisição em
uma ou mais habilidades. Todavia, eles precisavam se adaptar a esta
condição.
Sobre esse tema Schimidt e Bosa (2003) falam que o estresse inicial
pode estar diretamente ligada a personalidade dos pais.

As dificuldades das crianças com algum transtorno do


desenvolvimento podem ser consideradas como um estressor apenas
em potencial, podendo esses pais sofrer ou não efeitos de um
estresse real. O impacto das dificuldades próprias da síndrome sobre
os pais vai depender de uma complexa interação entre a severidade
das características próprias da criança e a personalidade dos pais,
bem como a disponibilidade de recursos comunitários.

Os pais estavam sofrendo um estresse real. Era hora de buscar ajuda. A


professora, aos poucos foi ganhando a confiança deles e dessa forma a
criança começou a ser acompanhada por um psicólogo. A família começou a
receber uma orientação.
Começaram a entender que eram de grande importância para promover
o desenvolvimento da comunicação, da interação social e dessa forma
precisavam aceitar o diagnóstico o quanto antes, já que a família pode,
juntamente com os profissionais capacitados, estimular e interação de maneira
adequada, tanto em casa como na escola, para que o menino pudesse
desenvolver todas as suas potencialidades. Os profissionais instruíram os pais
sobre vários comportamentos dentre eles o tom de voz.

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Como bem ressalta alguns autores, diversos fatores influenciam no
comportamento da criança autista, isso pode também influenciar no seu
possível desenvolvimento escolar e familiar, dentre esses autores estão Batista
e Bosa (2002, p. 36),

Os indivíduos com autismo são ainda muito sensíveis a mudanças de


humor das pessoas com as quais convivem, talvez porque estejam
atentos a mudanças sutis como: o tom de voz, a expressão facial ou
a pressão do toque, mesmo que não saibam “interpretar” o significado
de toda essa gama de comportamento não verbal.

A professora afirmou que esse passo foi fundamental para o


desenvolvimento do aluno. Os pais compreenderam que precisavam mudar a
rotina da casa e se adaptarem ás necessidades do filho. Perceberam que o
tom de voz que dirigiam a ele podia deixa-lo mais irritado ou conseguirem uma
melhor aproximação. Perceberam que o a forma como tocavam o menino
também era importante.
Ainda sobre a importância da família, Polônia (2007), argumenta que na
relação entre família e escola, é preciso que ambas assumam um compromisso
de reciprocidade, é preciso que as responsabilidades sejam divididas
igualmente:

No que cabe às relações entre família e escola, torna-se imperativo


assumir um compromisso com a reciprocidade. De um lado, a família,
com sua vivência e sabedoria prática a respeito de seus filhos. De
outro, a escola com sua convivência e sabedoria não menos prática a
respeito de seus alunos. É preciso entender que esses mesmos
alunos são também os filhos, e que os filhos são (ou serão) os
alunos. Dito de outra forma: cabe às duas instituições mais básicas
das sociedades letradas o movimento de aproximação num plano
mais horizontal, de distribuição mais igualitária de responsabilidades.
(1999, p. 05)

Não fugir da responsabilidade. Esse foi o lema da família, depois que


começaram a entender o caso. Passaram a cuidar dos detalhes, perceberam
que estavam mais próximos do filho. Esse foi um momento de muitas
descobertas, afirma ela. O acompanhamento profissional que o aluno recebeu
começou a fazer efeito e o interesse em ajudar da professora também merece
destaque. Ficou mais próxima da família e começou a orientá-los. Saber como
agir em algumas situações devolveu aos pais a confiança. Dessa forma

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conseguiam conversar com os parentes e mostrar o que como deveriam agir
com a criança. Entenderam que o diálogo constante entre a escola e a família é
de grande importância. É possível analisar os aspectos positivos e negativos
de ações realizadas nos dois ambientes, uma vez que, deve haver contribuição
mútua.

Muitas vezes, o autismo traz a carga do isolamento social, da dor


familiar e da exclusão escolar. É normal que os pais se preocupem,
porque há relevantes alterações no meio familiar e, nem sempre é
possível encontrar maneiras adequadas para lidar com as situações
decorrentes. É primordial o entendimento da escola a respeito dos
impactos que o espectro autístico produz na vida em família, que
requer cuidados ininterruptos, atenção constante, atendimentos
especializados e muitos gastos financeiros. O entendimento das
dificuldades de aprendizagem do aluno implica um olhar extensivo à
família, para uma melhor aplicação de todas as etapas do processo
da sua educação (CUNHA, 2014, p. 88).

A família sentiu a dor do isolamento e ao mesmo tempo mostraram


muita dificuldade de aceitação. A professora conseguiu mostrar que eles não
estavam sendo punidos por ter um filho nessa condição. Pelo contrário, com
muito amor e dedicação iriam perceber que receberam um grande presente de
Deus. Dessa forma mostrou que tinham papel preponderante no
desenvolvimento da criança e que sua aproximação com a escola é
fundamental como afirma Cunha (2014, p.89). Ele ressalta que,

[...] escola e família precisam ser concordes nas ações e nas


intervenções na aprendizagem, principalmente, porque há grande
suporte na educação comportamental. Isto significa dizer que a
maneira como o autista come, veste-se, banha-se, escova os dentes
manuseiam os objetos os demais estímulos que recebe para seu
contato social precisam ser consoantes nos dois ambientes.

Ainda salientando o que diz Cunha (2014, p. 118), professores


dedicados, que não negam os desafios, são inspiradores para os pais. Por
outro lado, pais afetuosos e esperançosos estimulam o professor. Quando há
dedicação de ambas as partes para um bom trabalho os resultados não
demoram a aparecer. Foi que aconteceu nesse caso. Os pais precisavam de
orientação de aceitação. A partir do momento que se sentiram mais seguros
observaram que todos os comportamentos que descobriam no filho em casa

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deveriam contar para a professora. Assim o processo de descoberta não parou
mais e isso estimulou a professora a buscar cada vez mais informação.

9. – A ajuda de outros profissionais.

No segundo mês que lecionava para a criança ela recebeu na escola


uma profissional que iria auxilia-la no dia a dia da sala de aula. Foi uma vitória,
ela comentou. Teria mais tempo para dedicar aos outros alunos sem deixar de
lado o aluno autista.
Conforme Cunha (2014) não há como falar em inclusão sem mencionar
o papel do professor. No entanto, faz se necessário que ele tenha condições de
trabalhar com a inclusão e na inclusão.
Compreende-se que, a formação do profissional da Educação se torna
adequada e efetiva quando esse profissional tem uma ligação com
reconhecimento da realidade. Dessa forma é capaz de conhecer a si mesmo e
ao outro. (HERNÁNDEZ; SANCHO, 2006).
Essa afirmação mostra que professor precisa conhecer e reconhecer a
realidade do aluno e de todo o processo para que a inclusão se torne
realmente efetiva. Precisa trabalhar não só as competências dos alunos, mas
as suas próprias competências.
Nesse sentido Alarcão (2001), traz uma boa reflexão:

A complexidade dos problemas que hoje se colocam à escola não


encontra soluções previamente talhadas e rotineiramente aplicadas.
Exige, ao contrário, uma capacidade de leitura atentada dos
acontecimentos e sua interpretação como meio de encontrar a
solução estratégica mais adequada para elas. Esse processo, pela
sua complexidade, exige cooperação, olhares multidimensionais e
uma atitude de investigação na ação e pela ação. Por outro lado,
exige do professor a consciência de que a sua formação nunca está
terminada e das chefias e do governo, a assunção do princípio da
formação continuada (ALARCÃO, 2001, p. 24).

A vida separa muitas surpresas boas para quem se dedica realmente. É


fato que não há uma “receita pronta” de como o professor deva agir frente aos
problemas que podem ocorrer, a preparação se faz muito necessária. Quando
se trata de educação inclusiva os desafios são ainda maiores. Primeiro é

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preciso muito se capacitar. Depois conhecer as leis, os direitos da criança e da
família também são importantes para a orientação adequada.
É bom salientar que o direito de acesso ao ensino é um exercício de
cidadania. Nesse ponto o cidadão independente de sua condição física,
psicológica, moral, econômica e social tem o direito assegurado pelo Decreto
nº 6.094/2007, de usufruir os espaços municipais, estaduais, e federais de
educação. Esse direito é o que garante o tratamento digno a todos. Sem
discriminação, sem abusos de autoridade.
No entanto, mesmo com a existência dessas leis, que atuam como
agentes reguladores e buscam garantir o acesso de pessoas com autismo e
outras deficiências à educação, por outro lado não asseguram que os
educadores saibam auxilia-los de maneira correta no seu processo educativo.
Muito disso se dá pela realidade precária do educador na forma de condução
do processo educativo, com o objetivo de garantir que o direito a educação seja
realmente cumprido de forma satisfatória (SELAU E HAMMES, 2009).
Diante desse campo que por vezes pode confundir, pois há leis que
garantem a participação do diferente e que cobram desempenho dos
educadores ao mesmo tempo. Tais cobranças algumas vezes são absurdas,
visto que não medem a importância do educador. Muito se exige e pouco se
faz em prol do professor. Cabe ainda ao educador a tarefa de mediar os
valores sociais e culturais e ainda cuidar da sua casa, dos filhos, etc.

10. – Informação é a base para um bom trabalho

Nessa luta por qualificação é importante o professor buscar informações


sempre que possível. Estar sempre atento aos seus direitos. Nesse sentido
vale ressaltar o que diz a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) nº
9.394/96. O destaque à Educação Especial aparece no capítulo V, que trata da
Educação.

Art. 58º. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei,
a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na
rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades
especiais.

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§ 1º. Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na
escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de
educação especial.
§ 2º. O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou
serviços especializados, sempre que, em função das condições
específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes
comuns de ensino regular.
§ 3º. A oferta de educação especial, dever constitucional do Estado,
tem início na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação
infantil.
Art. 59º. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com
necessidades especiais:
I - currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização,
específicos, para atender às suas necessidades;
II - terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o
nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de
suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o
programa escolar para os superdotados;
III - professores com especialização adequada em nível médio ou
superior, para atendimento especializado, bem como professores do
ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas
classes comuns;
IV - educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva
integração na vida em sociedade, inclusive condições adequadas
para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho
competitivo, mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem
como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas
áreas artística, intelectual ou psicomotora;
V - acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais
suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular.
Art. 60º. Os órgãos normativos dos sistemas de ensino estabelecerão
critérios de caracterização das instituições privadas sem fins
lucrativos, especializadas e com atuação exclusiva em educação
especial, para fins de apoio técnico e financeiro pelo Poder Público.
Parágrafo único. O Poder Público adotará, como alternativa
preferencial, a ampliação do atendimento aos educandos com
necessidades especiais na própria rede pública regular de ensino,
independentemente do apoio às instituições previstas neste artigo.

Vale ressaltar que o professor não pode estar sozinho nessa luta. A
família e a sociedade precisam cobrar do poder público não só uma
qualificação adequada do professor, como também uma melhor condição de
trabalho. Salas equipadas que possam proporcionar á criança com alguma
deficiência um conforto adequado para o seu desenvolvimento.
O processo de inclusão social não pode ser pensado sem um ambiente
inclusivo decente. Por outro lado, entender esse ambiente inclusivo tão
somente e, função dos recursos pedagógicos é preciso também pensar nas
qualidades humanas envolvidas (CUNHA, 2012).
Outro aspecto a ressaltar é que a educação precisa ser para todos
verdadeiramente. Nesse ponto vale destacar esse compromisso na Declaração
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de Salamanca (1994), que assegura “a necessidade e urgência do
providenciamento de educação para as crianças, jovens e adultos com
necessidades educacionais especiais dentro do sistema regular de ensino [...]”.
Sobre a educação especial:

Toda criança tem direito fundamental à educação, e deve ser dada a


oportunidade de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem,
aqueles com necessidades educacionais especiais devem ter acesso
à escola regular, que deveria acomodá-los dentro de uma Pedagogia
centrada na criança, capaz de satisfazer a tais necessidades, escolas
regulares que possuam tal orientação inclusiva constituem os meios
mais eficazes de combater atitudes discriminatórias criando-se
comunidades acolhedoras, construindo uma sociedade inclusiva e
alcançando educação para todos; além disso, tais escolas proveem
uma educação efetiva à maioria das crianças e aprimoram a
eficiência e, em última instância, o custo da eficácia de todo o sistema
educacional. (DECLARAÇÃO DE SALAMANCA, 1994, p. 1).

Para finalizar a professora falou que estava satisfeita com o


desenvolvimento de seu aluno, porém há muito ainda por ser feito.
Principalmente por parte do poder público. Prometeram mas ainda não
montaram uma sala com recursos adequados para os alunos com
necessidades especiais. Outra luta dessa de outras escolas é com relação ao
acesso adequado. Rampas e banheiros adaptados são as maiores
reinvindicações. Falou também que a família precisa despertar para uma
educação melhor. Acompanhar os filhos mais de perto, participar das reuniões
na escola. Tudo isso pode fazer a diferença.

c) Considerações Finais

A inclusão precisa começar em casa. Muitas vezes parentes não


intendem o comportamento da criança autista. O papel dos pais é fundamental
nesse processo. Precisa conhecer bem a criança, seus gostos e tudo aquilo
que a deixa incomodada, para assim poder preservá-la de situações
desconfortantes.
O papel de inclusão também passa pelo professor e por todos nós. É
preciso acolher bem. Não só porque é um direito, mas porque é humano. A

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escola inclusiva precisa trabalhar de forma incessante a conscientização. Toda
a comunidade escolar precisa estar envolvida.
Outro ponto importante que deve ter uma escola inclusiva é o respeito
de todos com a liberdade do aluno a aprender do seu modo, no seu tempo.
Isso é um respeito às diferenças.
As famílias precisam de apoio. Muitas vezes a falta de informação torna
o caminho mais difícil. O preconceito pode estar ali mesmo na família.
O professor não pode parar de se capacitar. Entender sua importância
no processo de inclusão. Sua ação pode fazer a diferença na vida desses
alunos e dos pais.
Como foi visto, o empenho e o carinho de um professor pode fazer toda
a diferença, no entanto, essa luta não pode ser só do professor. Vale ressaltar
ainda que os órgãos públicos precisam cumprir o seu papel. No mesmo
sentido, os pais precisam de apoio, de melhores informações. Precisam ainda
de cobrar, de participar, enfim de serem parceiros da escola.

Referências

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Artmed Editora, 2001.

15
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