Вы находитесь на странице: 1из 11

1

Mauro W. B. de Almeida

Floresta que sangra


No Acre, a violenta disputa por seringais atravessou o século XX, mas resultou na
primeira reserva extrativista do Brasil.

Revista de História da Biblioteca Nacional, numero 44, maio de 2009, págs. 18-21.

Matar as seringueiras é como matar a própria mãe. Assim dizia Chico Ginú, um
dos principais líderes sindicais do alto Juruá, no oeste do Acre. Se a exploração de
borracha continuasse no ritmo em que vinha sendo realizada, “de que os filhos e netos
viveriam no futuro?”.

Em plena ditadura militar, os trabalhadores estavam dispostos a contestar a forma


de produção vigente em nome da preservação da floresta. Não que lutar fosse uma
novidade para eles. Há quase um século a região era palco de intensas disputas e
conflitos.

[O rio Tejo foi ocupado por um português em 1895 e de 1897 a 1904 era visitado

regularmente pelo vapor “Contreiras” da empresa Melo & Companhia, que vinha de
Belém trazendo mercadorias e novos seringueiros, contando com uma orquestra para a

primeira classe, conforme relatos do seringueiro Lustosa Cabral e do militar Belarmino de

Mendonça). Em 1899, todo o rio Tejo estava ocupado por seringueiros, e em 1912
tornou-se propriedade da empresa Melo & Cia (Relatório Anual da Prefeitura do Alto

Juruá, 1914-15), após ter passado pelo controle de Bonifácio, genro do comandante do

vapor “Contreiras”.

Em 1898 o missionário Parissier relatava o clima de violência vivido na foz do rio


Tejo: “Numa terra onde nenhuma polícia é possível e a lei do mais forte é absoluta, o
caboclo nunca entra na floresta, nem sai de sua casa, sem seu rifle (...). Quando investem
2

contra o patrão, cercam o barracão, matam quem puderem e tocam fogo no barracão. Isso
foi o que aconteceu com o Seu Bonifácio (...) que escapou por um milagre, mas perdeu de
um só golpe 300 mil francos, o equivalente a 30 toneladas de borracha”.

Os primeiros seringueiros chegaram ao alto Juruá no fim do século XIX, movidos


pela crescente demanda mundial de borracha. Eram migrantes nordestinos recrutados por
empresas sediadas em Belém e atraídas pela alta produtividade das seringueiras dos altos
rios Purus e Juruá, num período em que os seringais mais acessíveis estavam depredados
pela exploração desenfreada. A borracha dos altos rios eram também a de melhor
qualidade, o que se expressava na cotação da borracha “Acre Fina”, a mais alta no
mercado internacional.

Os recém-chegados massacraram quem já estava na região — indígenas da língua


Pano e seringueiros (também chamados “caucheiros”) vindos do Peru. O avanço dos
brasileiros para além das fronteiras gerou conflitos armados com os países vizinhos —
questão que só seria resolvida com a incorporação do território do Acre ao Brasil, graças
a tratados com a Bolívia (1903) e com o Peru (1909). Em 1904, foi fundado o município
de Cruzeiro do Sul, sede da administração local.

Mas a presença do poder público não conseguiu acabar com os embates na área.
Em 1913, o padre Tastevin escreveu que uma “revolta” de seringueiros provocou diversas
mortes violentas, e em 1919 seringueiros do barracão da Restauração, no alto rio Tejo,
expulsaram o gerente, exigindo novas condições para continuarem o trabalho. Nesse
período começaram a se fazer sentir os efeitos da crise comercial iniciada com a queda
dos preços da borracha após 1912, ano em que os seringais asiáticos iniciaram a
produção. Essa crise interrompeu o abastecimento dos seringais distantes, que até esse
período dependiam do alimento que era importado pelo rio em troca da borracha.

No ano seguinte, o gerente voltou de Belém acompanhado de uma tropa privada.


O líder dos rebelados foi preso e acabou morrendo devido a maus-tratos. A ação dos
seringueiros não foi bem-sucedida, mas aquele levante ficaria guardado na memória dos
moradores.
3

A crise econômica econômica também acirrava assim os clima de conflitos


crônicos que já existia entre patrões que disputavam as novas terras entre si, e entre

patrões e seringueiros. A tradição oral relata até hoje histórias de patrões que

emboscavam seringueiros que tentavam sair dos seringais após pagar suas contas, e
relatos de assassinato de seringueiros eram comuns sobretudo nos afluentes do médio

Juruá como o rio Gregório. Além disso, os patrões proibiam seringueiros de plantar

alimento, forçando os seringueiros a se endividarem com a compra de comida (Parissier


em 1898 e Thaumaturgo de Azevedo em 1905).

O início da exploração da borracha amazônica foi próspero, mas a bonança durou pouco. Em

1912, a produção atingia o pico de 42 mil toneladas. Desse total o rio Tejo apenas, era responsável por

cerca de 600 toneladas (dados de Relatório da Prefeitura do Alto Juruá, 1914), e o alto Juruá contribuía

com um produto em torno de 3.000 toneladas, de um total que para o Acre poderia atingir cerca de 10.000

toneladas. O valor dessas exportações chegou em 1912 a 40% do valor de todas as exportações nacionais ,

incluindo o café. Mas naquele mesmo ano os ingleses começaram a exportar sua produção obtida na colônia

da Malásia. Em pouco tempo, desbancaram o látex brasileiro. Em 1920, a Malásia já produzia 400 mil

toneladas de borracha. Dali em diante, a maioria dos seringais dos rios Juruá, Purus, Madeira, Tocantins e

Negro faliram. No Acre, os seringais permaneceram em atividade durante mais tempo, fato explicável pela

já mencionada alta produtividade e alta qualidade da borracha.


Com a derrocada da borracha nacional, a empresa Melo e Cia. foi à falência,
sendo substituída pela empresa Nicolau & Cia, também de Belém. Esta também faliu em
1936, deixando seus imensos seringais do Juruá acreano em mãos de seu antigo
empregado Armando Quirino, em troca de créditos que a empresa não tinha como saldar.

Os seringueiros do Tejo e das margens do Juruá continuaram a trabalhar nas


florestas da região durante as décadas de 1920 e 1930, mas o produto, sozinho, já não era
suficiente para lhes garantir o sustento. Precisaram diversificar a produção, obtendo
alimentos como farinha, feijão e açúcar, criando rebanhos domésticos e recorrendo
também à caça e à coleta, que haviam assimilado dos indígenas sobreviventes aos
massacres da ocupação. Famílias se formavam e cresciam, muitas delas frutos justamente
4

da mistura entre migrantes (ou seus descendentes) e índias. Os antigos seringueiros


especializados eram agora camponeses da floresta. Embora pagassem a “renda” aos
patrões que agora eram moradores da região, como Armando Quirino, , eram donos do
que plantavam ou coletavam na mata e em muitos casos podiam vender a borracha a
quem quisessem. Cabe lembrar ainda que não havia títulos válidos de propriedade, já que
o governo federal nunca regularizou a situação fundiária dos pretensos donos das
florestas do Território Federal do Acre, processo só iniciado na década de 1980. Vários
desses patrões eram descendentes de migrantes “turcos” ou de origem nordestina.

Esse sistema durou até a Segunda Guerra Mundial, quando os patrões regionais
foram fortalecidos pelo governo brasileiro como parte de acordo de cooperação com os
Estados Unidos da América, visando o abastecimento das forças aliadas, cujo suprimento
de borracha havia sido cortado com a ocupação dos centros produtores do sudeste
Asiático (Indochina, Malásia, Java). Esse fortalecimento consistia em garantir mercado e
bons preços para a borracha silvestre, financiamento para transporte de seringueiros do
nordeste para a Amazonia, e disposições que tornavam o trabalho com a borracha
obrigatório durante cinco dias por semana – conforme consta em “cadernetas do
seringueiro” da época. O esforço do governo não teve grandes resultados, já que a
produção nunca chegou aos níveis de 1912, estacionando por volta de 20.000 toneladas.
Mas teve o efeito de fortalecer os patrões regionais, que continuaram a se beneficiar de
mercado garantido para o seu produto (por meio de cotas que as empresas de pneumáticos
eram obrigadas a adquirir antes de importar o restante) e dos preços fixados pelo governo
(bem superiores aos preços do produto importado equivalente), além de contarem com
créditos a juros baixíssimos através do Banco da Borracha e do Banco do Brasil e
voltaram a impor o monopólio sobre o comércio, deixando aos seringueiros o direito de
plantar e coletar na floresta.

“Terra sem homens para homens sem terra”. Foi com este slogan que o governo
militar instituiu, nos anos 1970, uma nova política de incentivo à ocupação da Amazônia.
Empresário e colonos vindos do sul passaram a comprar terras no Acre, novamente
interessados pelos seringais. Mas o processo era fraudulento: não havia títulos de
propriedade na maior parte daquelas terras. Com documentos falsos (“grilados”), os
5

novos compradores expulsaram a ferro e fogo os antigos seringueiros que permaneciam


na área, já ambientados à vida na floresta. Alguns líderes locais resistiram à expulsão. Na
bacia do rio Purus, nos municípios de Xapuri e Brasiléia (sudeste do estado), os
seringueiros Wilson Pinheiro e Chico Mendes começaram a chamar a atenção das
autoridades para a truculência de que os trabalhadores vinham sendo vítimas.

Já no alto Juruá, isolado pela falta de estradas, os seringais do rio Tejo foram
vendidos no final da década para a empresa paulista Santana Agropastoril, que passou a
arrendar a exploração para patrões locais por prazos curtos. A pressão por lucro rápido
levou ao reajuste das dívidas dos seringueiros, cobradas com violência. A “renda”
consistia em uma quantidade de 33 kgs por “estrada de seringa”, sendo que um
seringueiro ocupava pelo menos duas delas, o que dava 66 kgs de borracha por ano em
um produto que no rio Tejo era de cerca de 600 kgs por ano. Os seringueiros ressentiam-
se da “renda”, já que essas “estradas de seringa” haviam em geral sido abertas por eles
mesmos, e não reconheciam direitos dos patrões sobre elas. Mas as dívidas eram
principalmente resultado de compras estimuladas pelos barracões para exigir dos
seringueiros maior produção (um seringueiro podia produzir mais de uma tonelada de
borracha, dedicando-se menos aos seus roçados). Assim, além de comprar bens de
“estiva” (munição, ferramentas de trabalho, sal e óleo de cozinha, roupa e outros bens
essenciais), os eram estimulados a comprar “bens de valor” como espingardas, motores
para casas-de-farinha e para canoas, relógios e similares, a preços extremamente
elevados. De repente, essas dívidas eram cobradas a curto prazo. Isso atingia
particularmente famílias grandes, com chefes de família doentes, ou chefiadas por
mulheres e viúvas.

O primeiro sindicato de trabalhadores rurais da região foi criado em 1979. Dois


anos depois, o delegado sindical João Claudino liderou uma marcha armada de
seringueiros até o barracão da Restauração e obteve a redução das dívidas ou seu perdão,
no caso de viúvas e pessoas doentes. Claudino queria mais: defendia a isenção total do
pagamento da renda das estradas de seringa, e a liberdade para comercializar a borracha
“de saldo” – isto é, de vender borracha a quem quisessem após pagar a dívida ao patrão
ao final da safra anual.
6

A cada avanço dos seringueiros por seus direitos, os donos das terras reagiam. Em
1983, um novo patrão, Sebastião do Isique, arrendou os seringais do alto rio Tejo e
conseguiu afastar o líder sindical João Claudino, atraindo-o com o posto de gerente em
outro seringal. Mas o seringueiro Chico Ginú continuou o trabalho de Claudino. De
origem humilde, filho de um cearense e neto de uma índia, Ginú enfrentou episódios de
brutalidade. Como em 1985, quando o capataz Manuel “Banha” passou a cobrar as
dívidas com violência. Acompanhado de policiais a paisana, tomava máquinas de costura
e vacas leiteiras, espancava moradores e interrogava até crianças para descobrir
esconderijos de borracha (que os seringueiros tentavam vender por conta própria). Chico
Ginú liderou uma marcha de cerca de meia centena de seringueiros, que reunidos na sede
do seringal, com suas armas de trabalho, conseguiram a retirada dos capangas de Manuel
Banha. Aqui cabe lembrar que todo seringueiro tinha pelo menos uma arma de caça, e
apenas um dos afluentes do rio Tejo, o Riozinho da Restauração, tinha setenta chefes de
família. O pequeno grupo de soldados pagos pelo patrão, por outro lado, faziam uma
missão não-oficial e sem respaldo legal, não queriam arriscar a vida em um conflito.

Antigos conhecedores dos seringais, os trabalhadores tinham ainda outra


preocupação. As árvores precisavam de um tempo de rodízio para se recuperarem e
continuarem produtivas – os seringueiros cortavam uma mesma árvore no máximo dois
dias por semana, e deixavam-nas em descanso durante os meses de julho a setembro. Mas
os arrendatários, em busca de lucro rápido, ordenavam que se extraísse o máximo de cada
seringueira. Em cada árvore, as cicatrizes da extração acusavam o abuso cometido por
aqueles homens — que tinham íntima relação com a floresta e começaram a se preocupar
em preservá-la.

Enquanto Chico Ginú atuava no rio Tejo em favor da conservação das


seringueiras, Chico Mendes já despontava no âmbito internacional contra a depredação da
floresta e a expulsão dos seringueiros. Eles nunca chegaram a se encontrar pessoalmente.
A comoção causada pelo assassinato do líder de Xapuri, em dezembro de 1988,
precipitou uma solução para as reivindicações dos trabalhadores, que vinham ganhando
importância e repercussão. Em julho daquele ano, o Conselho Nacional dos Seringueiros
já tinha elaborado um “Plano de Desenvolvimento Comunitário Reserva Extrativista da
7

Bacia do Rio Tejo”, uma iniciativa inédita: a ideia era fundar uma cooperativa de
trabalhadores para gerenciar a produção, levando em conta cuidados ambientais para não
exaurir a floresta. O tiro que matou Chico Mendes saiu pela culatra: pouco após seu
assassinato, o BNDES aprovou o projeto.

Como era de se esperar, a reação dos fazendeiros à iniciativa foi mais violência,
por meio de atentados, boicotes e ações judiciais. Chegaram a espalhar boatos de que as
terras estariam sendo vendidas para estrangeiros. A solução definitiva veio em 15 de
janeiro de 1990, quando um decreto do governo federal determinou a criação da primeira
reserva extrativista do Brasil, com cerca de 5.000 km2, ou 506.000 hectares de floresta
(DECRETO Nº 98.863, de 23 de janeiro de 1990)

Após cem anos de batalhas inconclusas, a guerra de ocupação do Alto Juruá foi
vencida pelos seringueiros. E, por tabela, pela mãe floresta.

Mauro W. B. de Almeida é professor da Universidade Estadual de Campinas e autor da


tese "Seringueiros do Alto Rio Juruá: A formação de um campesinato florestal"
(Universidade de Cambridge, 1993).

Fontes mencionadas no texto

BORGES DE AQUINO, Coronel. 1913. Leis e Decretos da Intendência


Municipal do Alto Juruá: Administração do Coronel Francisco Borges
de Aquino. Manaus, Tipografia da Livraria Palais Royal.[O cargo de
Intendente equivalia no caso ao de prefeito de Cruzeiro do Sul.]
BORGES DE AQUINO, Coronel. 1914. Leis e Decretos da Intendência
Municipal do Alto Juruá: Administração do Coronel Francisco Borges
de Aquino. Manaus, Tipografia da Livraria Palais Royal.
CABRAL, Alfredo Lustosa. 1949. Dez Anos no Amazonas (1897-1907):
Memória de um sertanejo nordestino emigrado aquelas paragens em
fins do século passado. Joåo Pessoa: Escola Industrial de Joåo
Pessoa. (Edição fac-similar, Brasilia, c.1984). [Depoimento de ex-
seringueiro no rio Tejo. A análise interna mostra que é autêntico.]
CASTELO BRANCO,J.M 1941. "Caminhos do Acre." Revista do Instituto
Historico e Geografico Brasileiro, vol. 196:74-224. [Castelo Branco foi
juiz em Cruzeiro do Sul até aproximadamente 19020.]
8

CASTELO BRANCO,J.M 1950. "O Gentio Acreano". Revista do Instituto


Historico e Geografico Brasileiro, vol. 207:3-78.
CASTELO BRANCO, J.M. l922. "O Jurua Federal". Revista do Instituto
Historico e Geografico Brasileiro.
Centro de Documentação Histórica. 1915. Cartas e documentos, etc.,
1914-1915. Centro de Documentacao Historica (CDH), Universidade
Federal do Acre.
CHANDLESS, W. l869. "Notes of a journey on the River Jurua". Journal
of the Royal Geographical Society, vol.XXXIX:296-311.
.]
CUNHA, Euclides da 1986 (1906). "Relatório da Comissão Mista
Brasileiro-Peruana de Reconhecimento do Alto Purus." In: Um
Paraíso Perdido: Ensaios, Estudos e Pronunciamentos sobre a
Amazônia. Rio de Janeiro:José Olympio Editora e Rio
Branco:Fundaçåo de Desenvolvimento de Desenvolvimento de
Recursos Humanos
CUNHA, Euclides da. 1967(1909). À Margem da História. Porto: Editora
Lello Brasileira S.A.
IBGE. 1986. Séries Estatísticas Retrospectivas, Vol.1, Repertório Estatístico
do Brasil/Quadros Retrospectivos (Reimpressão da Separata do
Anuário Estatístico do Brasil, Ano V, 1939-1940). Rio de Janeiro:
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. [Contém dados
oficiais de exportação da borracha até 1939.]
IBGE. 1987. Estatísticas Históricas do Brasil: Séries Econômicas,
Demográficas e Sociais de 1550 a 1988. (Segunda edição revista de
IBGE 1986, Vol. 3.) Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística.
LIBERMANN, Padre. 1887. "Mission Indienne du Haut-Amazone
(Bresil). Lettres du R.P. Libermann, etc., Teffe, 4 Juillet 1887".
[Arquivos da Congregação do Saint Sprit, Chevilly, França.]
LIBERMANN, Padre. 1897. Annales Apostoliques des Missionaires du
Saint-Sprit et du Saint-Coeur de Marie, n. 49.
LIBERMANN, Padre. 1899. "Missions de la Amazonie, Janvier 1897-
Dec.1898", Bulletin de la Congrégation du Saint-Sprit, Fev.1899,
Tome VI, Numero 145, pp.531-552.
MENDONÇA, Belarmino. 1907. "Memoria da Comissão Mixta Brasileiro-
Peruana de Reconhecimento do Rio Jurua e Relatório do Comissario
Brasileiro, 1904-1908". Rio de Janeiro: Imprensa Nacional (Fac-
simile pela Editora Itatiaia e Fundaçåo Cultural do Estado do Acre,
1989). [O militar Belarmino de Mendonça realizou no Alto Juruá a
missão equivalente à que Euclides da Cunha desempenhou no
Purus à mesma época].
.
PARISSIER, P. 1898b. "Lettres [Manaus], Juillet 1898", Archives
Generales de la Congrégation du St.Esprit. Boîte 139 IV. [Agradeço a
Manuela Carneiro da Cunha pelos documentos do padre Parrissier,
pesquisados nos arquivos de Chevilly, França.]
9

PARISSIER, Father 1898c. "Six Mois au Pays du Caoutchouc".


Manuscrito, Manaus, Juillet 1898. Archives de la Congregation du
Saint Esprit, Boîte 139-IV).
PARISSIER, Father 1898a. "Le principal produit de la silva
amazonienne". Manuscrito. Archives Generales de le Congregation du
St. Esprit.
PARISSIER, Father 1922. "Une tournee dans le Bas Jurua". Annales
Apostoliques, 1922, XXXVIII, n.4, 113-114.
PLÁCIDO DE CASTRO. 1907. Prefeitura do Alto Acre. Relatório por J.
Placido de Castro, Prefeito Interino - 1906-1907. Em Genésio de
Castro 1930:171-218.
SOMBRA, Luiz. 1913. "Os Cachinauas: Ligeiras Notas sobre seus Usos e
Costumes." Jornal do Commercio, 13 January.
TASTEVIN, Padre C. 1913. Lettres, 31 Décembre 1913, Cruzeiro do Sul.
Archives de la Congregation du Saint-Sprit, Chevilly, Boîte 141-II.
TASTEVIN, Padre C. 1914. "En Amazonie". Les Missions Catholiques,
56(9-11), 57(20ff.)
TASTEVIN, Padre C. 1920. "Le Fleuve Jurua (Amazonie)." La Géographie.
33 (1-22, 131-148). Traduzido para o ingles em Tastevin 1943:11-
34.
TASTEVIN, Padre C. 1925. Lettre, em transito, 21/10/1925. Archives de
la Congregation du Saint-Sprit, Chevilly. Boîtes 140-A III, 140-A
IV.[Agradecimentos a Manuela Carneiro da Cunha.]
TASTEVIN, Padre C. 1925a. "Le Fleuve Muru". La Geographie, 43(400-
422), 44(pp.14-35). Traduzido para o ingles em Tastevin 1943:57-82.
TASTEVIN, Padre C. 1926. "Le Haut Tarauaca". La Geographie, 45(33-54,158-75).
Traduzido para o ingles em Tastevin 1943:83-106.
TASTEVIN, Padre C. 1928. "Le 'Riozinho da Liberdade'". La Geographie, 49 (14-
215). Traduzido para o ingles em Tastevin 1943:121-28.
TASTEVIN, Padre C. 1943. The Middle Amazon: Its People and Geography:
Eleven Articles by Constant Tastevin Translated by The Strategic
Index of the Americans. Washington: Office for Emergency
Management/Research Division, Manuscript.[Agradeço a Robin
Wright por esse manuscrito.]
TASTEVIN, Padre C. n.d. (c.1919-1922). "Anotaçoes do Pe. Constantino
Tastevin sobre os seringais do Rio Jurua". Tefé: Manuscrito.
Manuscritos depositados em Tefé.
THAUMATURGO DE AZEVEDO, Gregorio. 1905. Prefeitura do Alto
Juruá. Primeiro Relatorio Semestral apresentado ao Exm. Sr. Dr. José
Joaquim Seabra Ministro da Justiça e Negocios Interiores pelo Coronel
do Corpo de Engenheiros Gregorio Thaumaturgo de Azevedo, Prefeito
do Departamento. Rio de Janeiro, Imprensa Nacional.
10

THAUMATURGO DE AZEVEDO, Gregorio. 1906. Prefeitura do Alto


Juruá. Relatorio do Primeiro Semestre de 1906 apresentado ao Exm.
Sr. Dr. Gaspar de Barros e Almeida, Ministro da Justiça e Negocios
Interiores, pelo Coronel do Corpo de Engenheiros Gregorio
Thaumaturgo de Azevedo, Prefeito do Departamento. Rio de Janeiro,
Imprensa Nacional.
THAUMATURGO DE AZEVEDO. 1905. Prefeitura do Alto Jurua. Primeiro
Relatorio Semestral (1904). Rio de Janeiro, Imprensa Nacional. (cf.
PREFEITURA DO ALTO JURUA 1905).
THE SOUTH AMERICAN MISSIONARY SOCIETY. 1872-6. The South
American Missionary Magazine, vols. 6-11. London. (Letters, Revs.
Clough, Lee, Resyek, and Polak)

Saiba Mais
[autor: pode citar 4 obras acessíveis ao público, que não sejam de sua autoria?]

Leandro Tocantins. Formação Histórica do Acre.


Euclides da Cunha. À Margem da História.
Mariana Pantoja Franco. Os Milton. Recife, Fundação Joaquim Nabuco, 2002. Seg. Ed. Revista:
Editora da Universidade Federal do Acre.
Christina Scheibe Wolff. Mulheres da Floresta.

DECRETO Nº 98.863, de 23 de janeiro de 1990.

Cria a Reserva Extrativista do Alto Juruá

O Presidente da República, usando das atribuições que lhe confere o art. 84, inciso IV, da
Constituição Federal, e nos termos do artigo 9º, inciso VI, da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de
1981, com a nova redação dada pela Lei nº 7.804, de 18 de julho de 1989.

DECRETA:

Art. 1º - Fica criada, no Estado do Acre, a RESERVA EXTRATIVISTA DO ALTO JURUÁ, com
área aproximada de 506.186 ha (quinhentos e seis mil, cento e oitenta e seis hectares), que
passa a integrar a estrutura do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis - IBAMA, autarquia vinculada ao Ministério do Interior, compreendida dentro do
seguinte perímetro:

Norte: Partindo do ponto onde se localiza o marco 01, de coordenada UTM 751308 m e 907003
m, situado na Foz do Rio Tejo, segue pela margem direita do mesmo, acompanhando a linha
divisória de águas da bacia do rio Tejo até o marco 02, de coordenadas UTM 815467 m e
9027664 m.

Leste: Do ponto antes descrito, segue pelo limite oeste da área indígena Jaminaua Arara até o
ponto onde se localizará o marco 03, de coordenadas UTM 810590 m e 9011888 m; dai segue
11

pelo divisor de águas entre as bacias do igarapé Machadinho e rio Jordão até o marco 04, de
coordenadas UTM 820494 m e 8975412 m, onde se situa o limite norte da área Indígena
Kaxinauá do rio Jordão.

Sul: Do ponto acima descrito, segue o limite norte das áreas Indígenas Kaxinauá do rio Jordão e
Kaxinauá do rio Breu até encontrar o rio Breu na fronteira do Brasil com o Peru; dai segue pela
margem direita do mesmo até encontrar o rio Juruá; dai, segue pela linha de fronteira do Brasil
com o Peru até encontrar o rio Arara.

Oeste: Do ponto acima descrito, segue o limite leste da área Indígena Kampa do rio Amônia no
sentido norte, até encontrar o rio Amônea; dai, segue pela margem direita do mesmo, no sentido
jusante, até sua foz no rio Juruá; dai, segue até o marco 01, inicial da presente descrição
perimétrica.

Art. 2º - O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA,
quando da implantação, proteção e administração da Reserva Extrativista do Alto Juruá, poderá
celebrar convênios com as organizações legalmente constituídas, tais como cooperativas e
associações existentes na Reserva, para definir as medidas que se fizerem necessárias à
implantação da mesma.

Art. 3º - A área da Reserva Extrativista ora criada fica declarada de interesse ecológico e social,
conforme preconiza o art. 225 da Constituição Federal e art. 9, inciso VI, da Lei nº 6.938, de 31
de agosto de 1981, com a nova redação pela Lei nº 7.804, de 18 de julho de 1989, ficando as
desapropriações que se façam necessárias a cargo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e
dos Recursos Naturais Renováveis .

Art. 4º - Este Decreto entrará em vigor na data de sua publicação.

Art. 5º - Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília, 23 de janeiro de 1990; 169º da Independência e 102º da República.

JOSÉSARNEY
João Alves Filho