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artigo

A IMPORTÂNCIA DA ABORDAGEM FAMILIAR


NA ATENÇÃO PSICOSSOCIAL: UM RELATO DE
EXPERIÊNCIA

THE IMPORTANCE OF FAMILY APPROACH IN THE PSYCHOSOCIAL CARE


FIELD: AN EXPERIENCE REPORT

RESUMO: A iniciativa de escrever sobre as tera- ABSTRACT: The initiative to write about systemic Ana Flávia Dias
pias sistêmicas de família no contexto da Atenção family therapies in the context of Psychosocial Tanaka Shimoguiri
Psicossocial partiu de experiências de uma das Care cames from the experiences of one of the Doutoranda e Mestra em
pesquisadoras enquanto terapeuta de família e researchers, who is a family therapist and works Psicologia pela Universidade
ao mesmo tempo trabalhadora de um Centro de in a psychosocial alcohol and drug center. This Estadual Paulista “Júlio de
atenção psicossocial álcool e drogas. Este artigo article intended to make a brief contextualization, Mesquita Filho” – Faculdade
se destinou a fazer uma breve contextualização, from the National Policy on Drugs, of the treat- de Ciências e Letras de
partindo da Política Nacional sobre Drogas, das ments offered to the patients and their families in Assis/São Paulo/ Brasil;
ofertas de tratamento disponíveis para os pacien- the psychosocial alcohol and drug center, and, Terapeuta Ocupacional;
tes e suas famílias nos Caps, e, principalmente, mainly, by a case report, from a practical expe- Terapeuta de Família e de
por um relato de caso, a partir de uma experiência rience, the applicability of systemic therapies in Casal
af_tanaka@hotmail.com
prática, buscou-se sublinhar a aplicabilidade das psychosocial establishments was emphasized, as
terapias sistêmicas nos estabelecimentos psicos- a further treatment for drug addiction. The results
sociais, como mais um recurso de tratamento à of the research reiterate the importance of inser- Fernanda Silveira
dependência química. Os resultados da pesquisa ting family care in mental health services. Serralvo
reiteram a importância de inserir o atendimento à Assistente Social; Terapeuta
família nos serviços de saúde mental. Keywords: family therapies, Caps, psychiatric de Família e de Casal;
reform, national policy on drugs. Membro da Associação
Palavras-chaves: terapia de família, Caps, re- Brasileira de Terapia de
forma psiquiátrica, política nacional sobre drogas. Família – ABRATEF
fserralvo@live.com

A reforma psiquiátrica brasileira e a atenção psicossocial

Ao longo da história, a psiquiatria clássica, baseada no conhecimento do corpo


biológico, constituiu-se hegemonicamente como principal, e muitas vezes, único
meio de tratamento para as psicopatologias (Amarante, 1995; 2003; 2007), den-
tre elas a dependência do álcool e outras drogas. No decorrer dos anos as diver-
sas problemáticas psíquicas passaram a ser atendidas em diferentes instituições
sociais, passando pelos hospitais gerais e instituições psiquiátricas até chegar às
instituições extra hospitalares, com destaque para os Centros de Atenção Psicos-
social (Caps).
Assim como nos demais países, aqui no Brasil, a situação dos pacientes nos hos-
pitais psiquiátricos era deplorável; muitas vezes, ocorreram agressões físicas, estu-
pros, trabalho escravo, uso do eletrochoque e da camisa de força, levando até mes-
mo a algumas mortes não esclarecidas (Pereira, 2011; Amarante, 2007). Foi neste
esteio que surgiram os movimentos da Reforma Psiquiátrica Brasileira (RPB), Recebido em: 28/09/2016
a fim de redirecionar a assistência preponderante em Saúde Mental, no sentido Aprovado em: 07/03/2017

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de torná-la menos hospitalocêntrica e intervenção e torna-se uma experi-
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e mais comunitária. A RPB também ência nas vidas dos sujeitos. “A com-
deu visibilidade para outras formas plexidade aponta para a superação do
de tratamento, inclusive com a articu- paradigma clássico inaugurado com a
lação de diferentes saberes e práticas dualidade cartesiana da causa-efeito”
até então negligenciados (Shimoguiri (Amarante, 2003, p. 54).
& Périco, 2014; Pereira, 2011; Rinaldi
& Bursztyn, 2008; Yasui, 2006; Ama- Desinstitucionalizar não se restrin-
rante, 1995; 2003; 2007; Costa-Rosa, ge e nem muito menos se confunde
1987), por exemplo, as terapêuticas com desospitalizar, na medida em
que incluem as relações familiares. que desospitalizar significa ape-
A iniciativa de escrever sobre as Te- nas identificar transformação com
rapias Sistêmicas de Família no con- extinção de organizações hospita-
texto da Atenção Psicossocial partiu lares/manicomiais. Enquanto de-
de experiências de uma das pesquisa- sinstitucionalizar significa entender
doras enquanto terapeuta de família e instituição no sentido dinâmico
ao mesmo tempo trabalhadora de um e necessariamente complexo das
Caps álcool e outras drogas (CAPSad). práticas e saberes que produzem
Nesta direção, este trabalho se des- determinadas formas de perceber,
tinou a fazer uma breve contextuali- entender e relacionar-se com os fe-
zação, partindo da Política Nacional nômenos sociais e históricos (Ama-
sobre Drogas quanto às ofertas de tra- rante, 1995, p. 49).
tamento disponíveis para os pacientes
e suas famílias nos Caps, e, principal- Os Caps são os principais responsá-
mente, por um relato de caso, a partir veis pelas estratégias de desinstitucio-
de uma experiência prática, buscou-se nalização, por exemplo, pela organi-
reiterar a aplicabilidade das terapias zação da rede substitutiva ao hospital
sistêmicas nos estabelecimentos psi- psiquiátrico, por isso são tão impor-
cossociais, como mais um recurso de tantes. São serviços de saúde munici-
tratamento. pais, abertos e comunitários que ofe-
Os ideais da atenção psicossocial recem atendimento diariamente com
não se encerram no fechamento dos objetivo de realizar o acompanhamen-
hospitais psiquiátricos, mas abran- to clínico e a reinserção social pelo
gem toda uma desconstrução de pa- acesso ao trabalho, lazer, exercício dos
radigmas socialmente estabelecidos e direitos civis e fortalecimento dos la-
mantidos pelas práticas de exclusão e ços familiares e comunitários; a aten-
violência (Shimoguiri & Périco, 2014; ção psicossocial inclui no tratamento
Costa-Rosa, Luzio & Yasui, 2009; Ya- o contexto familiar e sociocultural,
sui & Costa-Rosa, 2008). Com efeito, indo além do que tradicionalmente
trata-se de um processo complexo de caracterizava a clínica médica (Brasil
recolocar o problema, de reconstruir 2002a; 2002b). Nos Caps têm-se uma
saberes e práticas sobre o sofrimento pluralidade de orientações, que vão
psíquico e de estabelecer novas rela- desde aquelas voltadas para os mode-
ções sociais. Amarante (2003) apon- los médicos psiquiátricos, de cunho
ta o conceito de complexidade como nosológicos, àquelas que abrangem
fundamental para se pensar a RPB e mais a dimensão da clínica ampliada
a atenção psicossocial, então, a doen- (Rinaldi & Bursztyn, 2008), todavia,
ça deixa de ser um objeto de estudo apesar dos avanços e conquistas, a

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compreensão do que é saúde ainda se considere tanto sua articulação com A importância da abordagem
pauta no modelo biomédico (Costa- a realidade psicossocial na qual es- familiar na atenção 71
psicossocial
-Rosa, 2013; Shimoguiri & Périco, tão inseridos quanto sua capacida- Ana Flávia Dias Tanaka Shimoguiri
Fernanda Silveira Serralvo
2014; Pereira, 2011). de de invenção (Romagnoli, 2005,
p. 253).
Os CAPS são instituições pequenas
na estrutura, mas com múltiplas Dada a complexidade de um quadro
formas de atendimento, que in- de dependência de substâncias psicoa-
cluem visitas domiciliares, atendi- tivas, as ações direcionadas às relações
mento médico com fornecimento familiares são valorizadas pelo Minis-
de medicação, psicoterapia, ofici- tério da Saúde (Brasil, 2002a; 2002b).
nas, acompanhamento terapêutico, Assim, partimos da hipótese de que o
atendimento à família, trabalho as- atendimento à família segundo a te-
sistido e atividades de lazer. [...] os rapia sistêmica pode contribuir para
CAPS estão estruturados de forma que de fato haja um acompanhamento
a ter uma grande maleabilidade, po- integral, pois passa-se a compreender
dendo lidar com virtualmente qual- o contexto de vida do sujeito em tra-
quer situação na assistência àqueles tamento, sua historicidade. De acordo
que, em outros tempos, estariam com Romagnoli (2005), o trabalho com
condenados a passar seus dias entre famílias na atenção psicossocial é um
as paredes de um hospital psiquiá- campo em desenvolvimento, em que há
trico (Amarante, 2003, p. 123). muito que se conhecer. Moreno e Alen-
castre (2003) postulam que conviver
Na abordagem biopsicossocial, com os familiares tem sido uma tarefa
o foco que em vez de estar na doen- difícil para as equipes dos serviços de
ça, deveria estar nas interações entre Saúde Mental, que acabam por rotu-
pessoas, portanto é necessário incluir lar as famílias e responsabilizá-las pelo
a comunidade e a família. Ainda há adoecimento de um de seus membros.
poucas considerações sobre outros
fatores socioculturais envolvidos nos
impasses psíquicos desencadeadores A atenção aos usuários de
de crises (Nunes, 2006), sendo que o álcool e outras drogas na
objetivo do tratamento, no mais das Saúde Coletiva
vezes, continua restrito à dimensão
psicológica e orgânica do indivíduo. Não diferente do que ocorria com os
Segundo Pereira (2011), a maioria das outros tipos de impasses psíquicos e
intervenções possuem caráter pedagó- sociais, a assistência ao usuário de ál-
gico e assistencialista, não inserindo cool e outras drogas era sobremaneira
elementos essenciais no tratamento, hospitalocêntrica, marcada pelo pre-
como os recursos do território; e, ain- conceito e estigmatização, inadequada
da, excluindo ou dando pouca ênfase para execução de projetos terapêuticos
à família. específicos que vislumbrem a produ-
ção de saúde tal como idealizada no
Pela postura de culpabilização e Sistema Único de Saúde. Pensando
isolamento da família no tratamen- nisso, propôs-se que:
to de doentes mentais, existe ain-
da pouco conhecimento efetivo da […] o atendimento às pessoas usuá-
especificidade desses grupos que rias de álcool e outras drogas e seus

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familiares seja integral e humaniza- A PNAD reforça a necessidade de
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do, realizado por equipe multidisci- ações de reinserção familiar, social e
plinar, na rede de serviços públicos ocupacional, introduzindo o concei-
(UBS, CS, PSF, NAPS, CAPS, hos- to de trabalho em “Rede”, sendo que
pital-dia e unidade mista para tra- podemos considerar a família um dos
tamento de farmacodependência, componentes dessa rede, além de ou-
serviço ambulatorial especializado, tros componentes como a comunida-
atendimento 24 horas), de acor- de e a escola (Cruz & Ferreira, 2011;
do com a realidade local (Brasil, Duarte, 2011). Dessa forma, a atuação
2002c). dos profissionais não pode se restrin-
gir ao ambiente dos CAPS, mas deve
No Ministério da Saúde não exis- estender-se a visitas domiciliares,
tiam ações sistemáticas relativas ao atendimentos grupais de família, entre
tratamento e prevenção das depen- outros. Essa visão implica que o trata-
dências, sendo esta uma falha notável mento não inclua apenas os profissio-
nas políticas de saúde, os poucos am- nais e serviços de saúde, mas também
bulatórios e serviços de atendimento os familiares e outras pessoas da co-
existentes trabalhavam sem articula- munidade, que podem ser facilitadores
ção e de forma assistemática (Cruz & do tratamento (Cruz & Ferreira, 2011).
Ferreira, 2011). Somente em 2005, ti- As abordagens familiares têm se
vemos a publicação Política Nacional des­tacado como uma estratégia para o
sobre Drogas – PNAD (Brasil, 2005); tratamento de dependentes de álcool e
os princípios fundamentais que nor- outras drogas no Brasil (Cruz & Fer-
teiam essa política são: reira, 2011; Duarte, 2011). Entretanto,
• atenção integral: o usuário deve ressaltamos que o reconhecimento da
ser visto de forma geral e não importância do contexto familiar ainda
apenas na questão específica da não compartilhado por todo, ademais,
saúde; há poucas pesquisas sobre a aborda-
• base comunitária: o cuidado do gem familiar no tratamento para de-
usuário deve acontecer priori- pendência química (Oliveira, 2012).
tariamente na comunidade, no
espaço onde ele vive, perto da
família; O lugar da família na Saúde
• territorialização: cada unidade Mental
deve atender um espaço determi-
nado, para facilitar o vínculo; Philippe Pinel (2007) apontava três
• lógica da redução de danos: não causas principais para a alienação: he-
existe o objetivo único de se che- reditariedade, influência de uma edu-
gar à abstinência, pois o principal cação corrompida e desregramento no
objetivo das ações de tratamento modo de viver; essas seriam as “cau-
é melhorar a qualidade de vida sas morais”, os fatores predisponentes
dos usuários; para o adoecer. O tratamento proposto
• intersetorialidade: a questão do objetivava a substituição do ambiente
tratamento não é só da saúde, onde residia o paciente para curá-lo,
por isso é necessário que se con- já que a família era responsabilizada
cretizem parcerias para incluir o como causadora de doença, na medi-
usuário em outros espaços de ci- da em que não tinha controle sobre a
dadania. educação falha e as paixões insuportá-

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veis que acometiam o sujeito, logo, o dificuldades em todo o núcleo fami- A importância da abordagem
“doente mental” deveria ser separado liar, portanto, a família seria uma es- familiar na atenção 73
psicossocial
da família, buscando-se reproduzir no trutura para ser tratada e transforma- Ana Flávia Dias Tanaka Shimoguiri
Fernanda Silveira Serralvo
asilo um modelo funcional de família, da (Moreira, 1983; Minuchin, 1982).
onde era enfatizada a reeducação mo- “As famílias passaram a ser entendidas
ral baseada em normas de “bons cos- como sistemas que possuem um fun-
tumes” (Pinel, 2007). cionamento e uma forma de comuni-
A família foi banida do tratamento cação que precisam ser modificados,
ao “alienado mental”, cabendo apenas pois causam sofrimento em um dos
ao asilo e ao poder médico “curá-lo”. seus componentes” (Moreno & Alen-
Cabe ressaltar que havia determina- castre, 2003, p. 45).
ções para os familiares ficassem longe De acordo com o pensamento sistê-
dos pacientes durante o período de mico, a família é uma unidade dinami-
internamento, só podiam visitá-los camente estruturada e condicionante
quando a instituição permitia, pois dos fenômenos humanos. O grupo
acreditava-se que havia piora da sinto- familiar deve ser visto como um todo
matologia quando o paciente entrava no qual seus membros se encontram
em contato com seu núcleo familiar; articulados em diferentes níveis, mas
até as correspondências antes de se- todos em interação. Nesta perspectiva,
rem entregues eram avaliadas pelos família não se restringe à somatória de
profissionais, para não propiciarem seus membros, mas deve ser entendida
“reações negativas” no doente (Mo- dialeticamente, de maneira que qual-
reno & Alencastre, 2003). Enquanto quer movimento em qualquer parte
a instituição psiquiátrica manteve-se interfere em todas as outras (Mioto,
como centro da assistência, a família 1998). A visão sistêmica da família
teve pequena ou nenhuma participa- supõe a integração de várias áreas de
ção nos tratamentos em Saúde Mental. conhecimento: medicina, psicologia,
Por volta dos anos de 1950, a An- sociologia, antropologia etc. Nas dé-
tipsiquiatria foi impulsionada na In- cadas de 70 e 80 do século XX, hou-
glaterra. A Antipsiquiatria, um dos ve uma ampliação de várias escolas
movimentos da Reforma Psiquiátrica, das chamadas abordagens familiares
questionou a estrutura social, ponde- sistêmicas, as terapias passaram a ser
rando que os sofrimentos psíquicos mais colaborativas, dialógicas, sob a
são produções sociais, advêm de inter- influência das ideias do movimento
-relações subjetivas (Pereira, 2011). construcionista social, de maneira que
Neste cenário, as teorias relacionadas essa forma de tratamento psicológico
à abordagem familiar tiveram seu auge passou a ser mais utilizada.
nos anos 50 e 60 do século XX (Me- No contexto da assistência às pes-
nezes, 1981), visto que os movimentos soas com problemáticas referidas ao
de Reforma Psiquiátrica culminaram alcoolismo e à dependência química,
com a saída dos pacientes dos hospi- recentemente, o atendimento familiar
tais. De volta aos núcleos familiares, tem se destacado dentre os modos de
eles trouxeram consigo a necessidade tratamento, pois a adicção é um fenô-
de novas teorias que incluíssem a fa- meno complexos multicausal, que en-
mília no tratamento. volve não só aspectos biológicos, como
Os novos pressupostos teóricos de- também psicológicos e relacionais,
fendiam que o diagnóstico, anterior- além do que o uso de álcool e outras
mente restrito ao paciente, indicava drogas gera muito desconforto, sofri-

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mento psíquico e crises no sistema fa- a introjeção desta estrutura, portanto
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miliar. No Brasil, houve mudança no é responsável pela transmissão de pa-
que se refere aos modelos assistenciais drões de relacionamento (Berenstein,
à família, somente a partir de 1980, 2002; Cruz & Ramos, 2002). “A famí-
concomitante ao início da Reforma lia, como uma unidade, desenvolve
Psiquiátrica Brasileira (RPB). um sistema de valores, crenças e ati-
Foi na II Conferência de Saúde Men- tudes face à saúde e doença que são
tal que a família teve sua representati- expressas e demonstradas através dos
vidade assegurada, constando como comportamentos de saúde-doença dos
recomendações evitar culpabilizá-la seus membros” (Stanhope, 1999, p.
e promover seu atendimento integra- 503).
do inserido no contexto comunitário Com efeito, antes de traçar qual-
e social, outrossim, a Terceira Confe- quer projeto terapêutico junto ao usu-
rência buscou reiterar a importância ário de álcool e drogas é importante
da família como aliada na redução do atentarmos para os aspectos familia-
sofrimento psíquico, prevendo cuida- res, pois “é na família que o indivíduo
dos domiciliares e enfatizando a im- aprende a se relacionar com o mundo”
portância da formulação de estratégias (Duarte, 2011, p. 10), e a família sem-
nas quais os familiares estejam incluí- pre será para o sujeito um referencial
dos (SENAD, 2011). Nos caminhos da de comportamento e atitude diante da
RPB, a família é apontada como fator vida. No âmbito da prática, podemos
essencial para as transformações rela- observar os inúmeros desafios do tra-
tivas aos cuidados junto aos sujeitos balho com os sujeitos que recorrem ao
em sofrimento psíquico (Romagnoli, CAPSad e suas famílias, o que vemos é
2005; Moreno & Alencastre, 2003). que, na maioria das vezes, a família é
excluída das terapêuticas (Brasil, 2004;
O trabalho de desinstitucionaliza- Senad, 2011; Bordin, Figlie & Laran-
ção constitui-se um esforço per- jeira, 2004).
manente de desconstruir condutas Quando os sujeitos vivenciam si-
tidas como únicas e verdadeiras e tuações de crises, a participação da
construir na multiplicidade de fato- família no tratamento tem se mostra-
res que envolvem o relacionamento do fundamental; as diretrizes do SUS
do portador de sofrimento psíqui- concebem a família de “forma integral
co e seus familiares uma experiên- e sistêmica, como espaço de desen-
cia de convivência, a mais saudável volvimento individual e de grupo, di-
possível (Moreno & Alencastre, nâmico e passível de crises” (Pagani,
2003, p. 46). Minozzo & Quaglia, 2011, p. 40), de
maneira que o sistema familiar deve
A RPB trouxe uma visão mais am- ser objeto de cuidado e promoção da
pliada que permitiu compreender saúde na Atenção Psicossocial. Entre-
que “o sofrimento, antes tomado ape- mentes, intervenções na família e/ou
nas como algo individual, passou a na rede social dos alcoolistas e droga-
ser visto como parte de um contexto dictos apresentam melhores resulta-
onde outras pessoas estão envolvidas e dos quanto ao tratamento se compa-
também merecem cuidado e atenção” rados a intervenções individuais (Paz
(Mioto, 1998, p. 21). A família está re- & Colossi, 2013; Moreira, 2004; Payá
lacionada com a experiência compar- & Figlie, 2004; Berenstein, 2002). Nes-
tilhada de uma estrutura grupal e com ta direção, Geberowicz (2004) afirma

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que intervenções com a família com- da abordagem familiar como um re- A importância da abordagem
plementam a função de outros trata- curso necessário das propostas de familiar na atenção 75
psicossocial
mentos, tanto em nível ambulatorial atenção psicossocial. Os nomes aqui Ana Flávia Dias Tanaka Shimoguiri
Fernanda Silveira Serralvo
quanto de internação. utilizados são todos fictícios, a fim
Todavia, consoante com a Senad de preservar a identidade dos sujei-
(2011), os programas de tratamento tos e das instituições. Alice, 14 anos,
enfrentam um impasse considerável: chegou ao CAPSad com queixas de
se por um lado, a família é a base para comportamentos disruptivos: uso de
a saúde, por outro lado, muitos am- drogas, nervosismo, crises de choro,
bientes familiares predispõem seus dificuldades escolares e heteroagressi-
membros ao uso abusivo de álcool e vidade. No momento, estava abrigada
outras drogas. Entende-se que a famí- numa instituição de acolhimento (a
lia pode ser um fator de proteção ou de qual chamaremos de “Raio de Luz”)
risco para o abuso de substâncias psi- devido à tentativa de suicídio da mãe
coativas (Moreira, 2004; Payá & Figlie, com posterior internação psiquiá-
2004; Berenstein, 2002). Para dimen- trica da mesma por dependência de
sionarmos o exposto basta citar que crack. Desde o abrigamento, as ina-
filhos de pais dependentes de álcool dequações comportamentais intensi-
e/ou outras drogas têm uma chan- ficaram-se, culminando inclusive em
ce quatro vezes maiores de também episódios de autoagressão com cortes
se tornarem dependentes (Patterson, (cutting). A família, composta pela
1982; Brickman et. al, 1988; Wang et. mãe e mais três filhas, além de Alice,
al, 1995), mas, mesmo que famílias em vivia em situação extrema de vulne-
que os pais são dependentes possam rabilidade, desde privações físicas e
influenciar que os filhos também o materiais, indo de condições péssimas
sejam, considerando as interações de- de moradia à violência sexual sofrida
senvolvidas no sistema familiar, é im- pelas meninas.
prescindível excluir a visão psicopato- Da primeira união estável de Cristi-
logizante da família, que faz com que na (mãe), nasceram Eliane (16 anos) e
os agentes de saúde culpabilizem-na Elaine (15 anos), e da segunda união,
pelo surgimento do problema, bloque- Alice (14 anos) e Aline (11 anos), im-
ando as possibilidades de convivência: portante frisar que os dois cônjuges
“essa postura não só persegue o grupo que Cristina tivera eram dependentes
em questão, como também não con- de drogas. As meninas não tinham
tribui para ajudar no estabelecimento contato nenhum com os pais ou com
de vínculos de acolhimento do sujeito, a família extensa, apenas com a espo-
nem para que essas famílias utilizem o sa do avô materno, quem esporadica-
serviço como apoio e referência” (Ro- mente lhes prestava algum cuidado. Os
magnoli, 2005, p. 252). atendimentos em Terapia Sistêmica de
Família foram propostos em razão das
complexidades em questão e dos fato-
Estudo de Caso res multicausais para o adoecimento
de Alice. Assim, mediante aprovação
Optamos por incluir no texto um re- da equipe do CAPSad iniciou-se o tra-
lato de caso, o qual torna mais com- tamento. Sempre havia uma educado-
preensível como nossa experiência ra social do “Raio de Luz” que levava
prática foi sistematizada para inte- Alice ao CAPSad e acompanhava a fa-
grar a discussão sobre a importância mília nas sessões.

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Sessão 1 poderiam participar, informou ainda
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que Cristina não fora visitar as filhas
No primeiro atendimento foi feito durante a semana, que tivera uma re-
contrato terapêutico de 12 sessões e caída no uso de drogas e, que, portan-
aplicada a Entrevista Familiar; esta- to, também não viria para sessão. Alice
vam presentes, Cristina, Alice e Aline. falou sobre a visita da avó, que a mes-
A mãe relatou dificuldades para criar ma lhe contara que a Cristina havia
as filhas, pois sozinha não conseguia sido agredida por não pagar dívidas de
suprir as necessidades financeiras do droga. Na impossibilidade de falar so-
lar, também assinalou que as filhas bre o sentimento que isso lhe causava,
eram “rebeldes” e não obedeciam. In- Alice desenhou uma faca, simbolizan-
teressante destacar que Alice não era do o sentimento de raiva e a vontade
apontada como paciente identificada que lhe dava de se cortar para sentir-se
no discurso da mãe. As meninas foram aliviada. Aline brincava com bonecos
muito resistentes ao contato, falaram no chão da sala, desatenta a essas ques-
palavrões e estiveram completamente tões, provavelmente pela pouca idade.
alheias a regras e limites, sendo que a Com o recurso da casa de madeira e
mãe não era para elas figura de autori- os bonecos de pano, propôs-se brincar
dade. Foi sugerido que em conjunto, as de “casinha”. As irmãs colocaram cada
meninas elaborassem um desenho da boneca num cômodo da casa e a mãe
família, pois era notável que elas não no quarto, deitada na cama. Alice tirou
se engajariam na entrevista. a roupa da mãe e contou que a mesma
Observou-se que as fronteiras do vivia nua, pois se prostituía para com-
sistema familiar eram sobremaneira prar drogas, falou que por várias vezes
aglutinadas, a mãe faz aliança com a presenciara cenas de sexo; apresentou
filha mais nova, a única que respeita alterações de humor, gritou e xingou,
minimamente seu papel de autoridade. dizendo sentir muita raiva. Utilizando
Cristina, por vezes, apresentou com- a terapia da narrativa, trabalhou-se a
portamentos infantilizados, por exem- reconstrução dessa história, enfatizan-
plo, mostrar a língua para as filhas do conotações positivas sobre a mãe e a
durante uma discussão; percebeu-se família. Essa terapia se baseia na teoria
que a autoridade, ora era exercida pela do construtivismo, Sequeira (2012) diz
avó das meninas, ora pela filha mais que quando contamos a história de ou-
velha. Os diversos comprometimentos tra forma, isso muda o que pensamos
advindos do uso de drogas fazem com e o que sentimos. Aline ficou por toda
que um dos filhos, usualmente o mais a sessão fazendo “comidinhas” e pen-
velho, assuma a posição de filho paren- teando os cabelos das bonecas, não ex-
tal (Osório & Valle, 2009), passando a pressou o mesmo sofrimento da irmã,
exercer a função do genitor acometido. provavelmente porque não tinha ampla
compreensão e crítica dos fatos.

Sessão 2
Sessão 3
Compareceram apenas Alice e Aline, a
educadora social, informou que, Eliane A assistente social do “Raio de Luz” in-
e Elaine teriam atendimentos no Cen- formou que Cristina falecera devido a
tro de Referência Especializado em As- um quadro de overdose, relatou que Ali-
sistência Social (CREAS), por isso não ce tinha agredido outras crianças e havia

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se cortado com cacos de vidro. Apesar ajuda para buscar a mãe e mostrar-lhe A importância da abordagem
da ausência de Cristina, os atendimen- o caminho do céu. Considerando a familiar na atenção 77
psicossocial
tos foram mantidos, considerando que demanda ainda emergente, a Cadeira Ana Flávia Dias Tanaka Shimoguiri
Fernanda Silveira Serralvo
é possível lançar mão do raciocínio sis- Vazia foi utilizada de novo. Alice ver-
têmico mesmo se um único membro balizou que não estava mais ligando
do sistema familiar se dispõe ao aten- para a morte da mãe, ocasião em que
dimento. Vieram para a sessão Alice e se usou a técnica Duplo (Gonçalves,
Aline. Alice, com falas desconexas e afe- 1998), com fins de assinalar sua difi-
tos dissociados, ora dizia amar a mãe e culdade para reconhecer e lidar com
sentir sua falta, ora dizia não ligar para a dor do luto. Na técnica do Duplo, o
sua morte, e mesmo tê-la desejado. No- terapeuta fala como se fosse o pacien-
vamente foi utilizada a terapia da nar- te, como se estivesse traduzindo em
rativa, visualizando ressignificações do palavras o que a paciente expressa por
sofrimento do luto. Aline relatou que es- emoções e gestos. Também foi utiliza-
tava bem, contou que, enquanto tomava da a técnica do Espelho (Gonçalves,
banho para ir ao velório, a mãe apareceu 1998), para facilitar o reconhecimen-
no banheiro para dizer que estava mo- to dos afetos associados à ausência da
rando no céu com deus. O significado mãe; no Espelho, o terapeuta dramati-
da morte para a criança varia de acordo za a fala do paciente maximizando os
com a idade (Bromberg, 1994). postos-chaves.
A educadora social falou que, prova-
velmente, a guarda de Elaine ficaria com
a avó materna e a de Eliane, com uma Sessão 6
tia, e quanto à Alice e à Aline, a equipe
do “Raio de Luz” estava tentando viabi- Partindo do referencial do psicodra-
lizar visitas do pai. Informou que Aline ma, propôs-se a construção do brasão
trocaria de período letivo, não podendo da família, no intuito de elencar as
mais comparecer aos atendimentos. principais características relacionais
familiares. Alice rememorou histó-
rias de gestações não planejadas e
Sessão 4 agressões domésticas, uso de álcool e
outras drogas pelos avôs, tios, pais e
Foi utilizada com Alice uma técnica da primos e prostituições. Confeccionou
gestalt-terapia, a Cadeira Vazia (Me- na massa de modelar um pênis, as-
negazzo & Zuretti, 1992). A terapeuta sociando-o à promiscuidade da mãe.
sentou-se numa poltrona e pediu que Novamente utilizou-se a terapia da
Alice imaginasse que quem estava ali narrativa como via de significação-
era Cristina. Alice, ambivalente, ao -elaboração desses conteúdos emer-
mesmo tempo em que pedia que a mãe gentes.
voltasse, proferia xingamentos, dizen- Antes de entrarmos para sétima ses-
do que a odiava; chorou muito e pediu são, a educadora contou que as irmãs
para ir embora. mais velhas seriam desabrigadas nos
dias subsequentes, também o pai pas-
saria a visitar Alice e Aline semanal-
Sessão 5 mente, podendo levá-las para passar a
tarde de sábado com ele. Segundo ela,
Alice trouxe uma chave, referindo ser Alice recusava atendimentos com a
“a chave do inferno”; pediu à terapeuta psicóloga do “Raio de Luz”.

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Sessão 7 Cristina havia falecido. Foram feitas a
78 NPS 57 | Abril 2017
escuta e o acolhimento, ao final do aten-
Com a terapia da narrativa, foi propos- dimento, conversei com ela sobre a pos-
to que Alice recontasse a história da sibilidade de convidarmos seu pai para
saída das irmãs do Lar, e da reaproxi- dividir conosco aquele espaço, proposta
mação do pai, fazendo conotações po- a qual ela aderiu sem resistência. Feito
sitivas disso. Foi conversado com ela contato com ele, acordamos sua partici-
que o fato das irmãs morarem separa- pação a partir da décima sessão.
das não desfaria o vínculo ou o senti-
mento que elas tinham uma pela ou-
tra. Alice confeccionou porta-retratos Sessão 10
com fotos suas para as irmãs levarem
para a casa nova. Vieram José (pai), Alessandra (esposa
de José), Alice e Aline, que não tivera
aula naquele dia. Os três fizeram a es-
Sessão 8 cultura da família (foto), atividade que
lhes impôs muita dificuldade, pois as
Alice contou que as irmãs e a avó fo- meninas mal conheciam a madrasta, e
ram visitá-la. Apresentou-se tranquila não viam o pai há mais de seis anos. A
e com menos confusão de afetos. So- foto foi remontada várias vezes, o que,
bre o pai, contou que foram ao merca- de fato, expressa o esforço dessa família
do e depois fizeram lanche, que ela e para recompor-se nos seus novos rear-
Aline gostaram de ficar com ele. Para ranjos, até que por fim conseguiram
sessão, utilizou-se o recurso lúdico finalizar a proposta. As meninas foram
“Jogo da Vida”, trata-se de um jogo no hostis com Alessandra e com o pai,
qual os participantes vivenciam estres- este, por sua vez, destacou o sentimen-
sores do ciclo vital. Nas etapas do jogo, to de culpa por ter estado ausente tanto
Alice respondeu com os mesmos pa- tempo, e o quanto isso agora compro-
drões comportamentais da mãe, tias e metia sua função de autoridade, no
primas: abandono dos filhos, no senti- sentido de impor regras e limites.
do de não conseguir exercer autorida- Em conversa com a assistente social
de sobre eles; reproduziu situação de do “Raio de Luz”, a mesma me infor-
evasão escolar e não conseguiu pensar mou que José e Alessandra estavam
num trabalho formal, profissão. Pon- sendo bastante receptivos às orienta-
tuados tais aspectos observados, uti- ções, que a equipe via boas perspectivas
lizando a terapia da narrativa, Alice de desabrigamento; informou também
falou sobre esses legados familiares. que, após aproximação do pai, Alice
melhorara muito, estava sem intercor-
rências no “Raio de Luz” ou na escola.
Sessão 9

Na intenção de trabalhar a repetição Sessão 11


de certos comportamentos na família,
assistimos ao vídeo “Vida Maria”, Alice Veio apenas Alice, pois o pai e a ma-
teve ampla compreensão do assunto, drasta estavam trabalhando. Antes que
verbalizou não querer ser igual à mãe, qualquer atividade fosse sugerida, ela
e, nesse momento, chorou compulsiva- fez um pedido, disse que precisava fa-
mente, contou que fazia dois meses que lar com a mãe, que se sentia culpada

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pela sua morte, que achava que ela ti- Discussão A importância da abordagem
nha morrido porque deus estava cas- familiar na atenção 79
psicossocial
tigando-a por não ser uma boa filha. É preciso compreender que as famílias Ana Flávia Dias Tanaka Shimoguiri

Mais uma vez, introduzimos a cadeira enfrentam impasses intensos para vi- Fernanda Silveira Serralvo

vazia, Alice, ao contrário do que fazia ver os processos de transição e adap-


usualmente, não xingou a mãe, chorou tação exigidos no decorrer do ciclo
muito, pediu-lhe perdão e despediu-se de vida familiar, o que, muitas vezes,
dela. Para a décima segunda sessão, resulta na impossibilidade de evolução
que seria a última, pedi que o pai e para uma nova estrutura, perpetuando
Aline comparecessem. assim, padrões disfuncionais de com-
portamento. O ciclo de vida da família
abrange uma série de eventos previsí-
Sessão 12 veis ou não, que tencionam a organiza-
ção familiar; é na fase de transição, de
Foi proposto confeccionar um mural superação de um dado problema, que
de fotos, onde a nova história daquela a família se encontra mais vulnerável.
família seria escrita. O novo brasão re- Falamos em estressores horizontais do
presentativo da família produzido por ciclo de vida familiar quando se trata
Alice foi um coração, e ao lado dele, de eventos previsíveis, por exemplo, o
as meninas escolheram fixar a música nascimento dos filhos ou a adolescên-
“Coração com Buraquinhos”. Conver- cia dos mesmos (Pagani, Minozzo &
samos sobre a música escolhida por Quaglia, 2011).
elas, contaram que se identificavam Além dos estressores horizontais,
muito com a história das personagens, temos os estressores verticais que cor-
era uma música de uma novela infantil respondem à cultura própria de cada
cujo enredo era a vida de crianças num família, onde circulam seus próprios
orfanato; falaram do “Raio de Luz” e códigos: normas de convivência, re-
do CAPS, pontuando que coisas boas gras ou acordos relacionais, ritos, jo-
aconteceram, apesar da situação ruim gos, crenças ou mitos familiares, com
que as trouxe para os atendimentos. um modo próprio de expressar e in-
A família respirava ares de espe- terpretar emoções e comunicações;
rança de uma vida nova, mas não sem assim as ações são interpretadas num
muitos impasses que já se enunciavam, contexto de emoções e de significa-
pois, era certo que o pai precisaria de dos pessoais, familiares e culturais. As
muito apoio nesse processo de assun- principais características, estressores
ção da guarda das filhas, por isso, mes- verticais, observadas do sistema fa-
mo encerradas as 12 sessões, mantive- miliar atendido que nos chamaram a
mos o espaço à disposição, explicando atenção foram: estilos de comunicação
que poderíamos retomar os atendi- defeituosa, violência doméstica, filho
mentos havendo demanda. Quanto à parental, além de alguns padrões fami-
Alice, seguiu inserida no CAPS, em liares transgeracionais repetitivos, por
acompanhamento individual e grupal; exemplo, respostas ineficazes e estere-
ela e a irmã foram residir com o pai, otipadas para resolver problemas, se-
e, na medida do possível, visto que o parações, gestações sem planejamento
período de adaptação é naturalmente e abuso de álcool e drogas.
difícil, seguiam sem maiores proble- A adolescência é uma das etapas
mas. O pai e a madrasta tornaram-se do desenvolvimento de maior vulne-
assíduos ao tratamento no CAPSad. rabilidade para experimentação e uso

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abusivo de substâncias psicoativas. cluir simultaneamente saúde e doença,
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Neste período, o papel protetivo dos indivíduo e coletivo; essa é a perspec-
pais é indispensável, deve haver uma tiva que deve nortear o processo de
clara definição hierárquica no sistema trabalho. No tocante ao tratamento da
familiar (Silva & Padilha, 2011), além dependência química, acredita-se que
do que a organização familiar é um as- a terapia familiar está diretamente li-
pecto determinante no prognóstico do gada à diminuição/interrompimento
quadro de dependência química. do consumo de drogas (Braun, Della-
Na maioria das sessões terapêuticas, zzana-Zanon & Halpern, 2014; Payá,
estava presente apenas um membro da 201; Schenker & Minayo, 2004), de
família, o que, por sua vez, não desca- acordo com Halpern (2001, p. 123) “a
racteriza a terapia familiar, pois ainda drogadição pode ser considerada um
que os demais membros da família problema familiar”, outrossim, as rela-
não tenham participado integralmen- ções familiares são elementos-chaves
te das sessões, não foram excluídos do tanto para a prevenção quanto para a
tratamento já que o norte de todo o predisposição ao consumo de drogas
trabalho realizado foi a teoria sistêmi- (Edwards, Marshall, & Cook, 1999;
ca, dessa forma, mesmo quando aten- Schenker, 2008); tanto que Mason e
demos uma única pessoa da unidade Spoth (2012) defendem que interven-
familiar, a terapêutica se volta para as ções focadas na família são eficazes
relações, para as interações. para tratar o uso precoce de drogas
Após 12 semanas de atendimentos, entre adolescentes.
houve melhoras quanto às demandas Consideramos que o grande avan-
trazidas, sobremaneira, destacamos o ço das terapias sistêmicas é o deslo-
retorno do pai à família e o posterior camento do eixo de compreensão do
desabrigamento das meninas, que fo- problema individual para o familiar/
ram residir com ele. Também a cessa- social que tem como consequência
ção de alguns sintomas pontuais que o acolhimento da família como uma
Alice vinha apresentando, dentre eles, unidade que necessita de cuidado. Essa
o uso de drogas, o que nos leva a pen- postura pressupõe um novo olhar so-
sar que este comportamento em muito bre as possibilidades das famílias para
se referia às relações familiares fragili- enfrentarem suas crises. Impõe-se a
zadas, visto que equacionados os pro- necessidade não só de reconhecer a
blemas fundamentais do sistema fami- importância do atendimento ao grupo
liar, a adolescente interrompeu o uso familiar, mas também de oferecer uma
de drogas, inclusive, ao término da te- atenção singular que leve em conta as
rapia familiar a equipe do CAPSad co- especificidades de cada família consi-
gitava a possibilidade de Alice receber derando sua história, estrutura, dinâ-
alta e ser acompanhada pelo CREAS. mica e sua inserção no contexto social.
O pressuposto de que as demandas
de ajuda que interpelam os serviços de
Considerações saúde mental necessitam ser compre-
endidas para além dos aspectos indi-
Trabalhar com a perspectiva sistêmi- viduais do sujeito identificado como
ca de família implica conceber que a “doente”, mas dentro de um contexto
saúde da família vai além da soma da amplo onde toda a família está incluí-
saúde dos indivíduos que a compõem. da, é o ponto de partida para o desen-
A análise da saúde da família deve in- volvimento de formas de atenção aos

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usuários da saúde mental coletiva que ser incluída no tratamento da depen- A importância da abordagem
incorporem a família como aspecto dência química” (Braun, Dellazzana- familiar na atenção 81
psicossocial
basal da visão psicossocial. É essencial -Zanon & Halpern, 2014, p. 136), mas Ana Flávia Dias Tanaka Shimoguiri
Fernanda Silveira Serralvo
considerar que: cada caso tem sua peculiaridade, sen-
do que os resultados não serão sempre
A família que exclui é também a fa- os mesmos, ou seja, a interrupção no
mília que poderá acolher. A família consumo de drogas. Sobre isso, cabe
“problemática” é também a famí- considerar que o objetivo principal
lia que carrega a “solução”. Assim, não é necessariamente promover a
numa visão baseada no paradigma abstinência, mas sim buscar melhoria
da complexidade, pode-se pensar a na qualidade de vida. A política de re-
família como um espaço de risco, e dução de danos visa diminuir as con-
também, como contexto de prote- sequências adversas do uso de álcool e
ção, sem que haja exclusão ou sepa- outras drogas para a pessoa, a família
ração das partes (Dios, 1999, p. 83). e a sociedade, diminuir o impacto dos
problemas socioeconômicos, culturais
Neste ponto, enunciamos a necessi- e dos agravos à saúde associados à de-
dade da inserção das terapias sistêmi- pendência de substâncias psicoativas,
cas de família como novos dispositivos, tendo no horizonte não apenas uma
consoantes com a atenção psicossocial abordagem curativa, mas, sobretudo,
e os ideais de reforma psiquiátrica. a prevenção/promoção, que inclui os
Após o trabalho de revisão bibliográ- contextos familiares e comunitários
fica, e, levando em conta nossas expe- como primordiais para a produção da
riências profissionais, concluímos que saúde.
os tratamentos que incluem a família
são atualmente recomendados como
abordagens efetivas para o tratamen- Referências
to do abuso de álcool e outras drogas.
Entretanto, salientamos que as sín- Amarante, P. (1995). Loucos pela vida:
dromes de dependência química são a trajetória da reforma psiquiátri-
multideterminadas, trazendo à baila ca no Brasil. 2a ed. Rio de Janeiro:
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tores familiares e ainda problemas so-     . (2003). A (clínica) e a refor-
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cífico que trouxemos para discussão, (Org.) Archivos de Saúde Mental e
observa-se que o uso de drogas foi um Atenção Psicossocial (pp. 45-65). Rio
evento pontual na vida da adolescente, de Janeiro: Nau.
uma resposta inadequada às rupturas     . (2007). Saúde mental e aten-
constantes no sistema familiar, por ção psicossocial. Rio de Janeiro:
outro lado, no CAPSad geralmente Fiocruz.
atendemos casos mais complexos de Berenstein, I. (2002). Contemporary
dependência, marcados pelo uso crô- familial problems or nowadays fa-
nico de álcool/drogas e por ciclos de milial situations: invariance and no-
abstinência e recaídas. velty. Psicol. USP São Paulo, 13 (1),
Em última análise: “É possível afir- 21-32.
mar que a inclusão da família é um dos Bordin, S., Figlie, N. B. & Laranjeira, R.
fatores que favorecem a recuperação e (2004). Aconselhamento em Depen-
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