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©Cícero Marcos Teixeira 1* edição: 1997 2* edição: 1997

ISBN 85-269-0262-8

INTRODUÇÃO
O interesse pelo estudo comparativo da experiência da Morte Aparente (EMA) vem num
crescendo significativo.
Neste sentido é digna de destaque a importante contribuição dada pela proeminente
psiquiatra americana de origem suíça Elizabeth Kubler-Ross, por ser reconhecida como uma
das tanatólogas de maior projeção científica em todo o mundo.
Outros pesquisadores, como Moody Jr., também divulgaram vários estudos sobre as
reações das pessoas que passaram pela experiência da quase morte e que posteriormente foram
ressuscitadas, voltando à plena normalidade, apresentando profundas modificações referentes
à valorização da vida, encontrando novos significados e valores espirituais que alternaram
desde então a razão de ser existencial.
Gradativamente os tabus culturais e religiosos vão sendo superados, e possivelmente, nas
próximas décadas, as instituições universitárias vão incluir em seus projetos de pesquisa básica
e aplicada a investigação das Experiências da Morte Aparente (EMA) e também a área da
Tanatologia em bases rigorosamente científicas, elucidando a complexa fenomenologia que se
observa por ocasião de casos de morte aparente, possibilitando também a investigação em
casos de morte propriamente dita, através das manifestações paranormais de doentes terminais.
A concordância de resultados obtidos por vários pesquisadores, trabalhando
independentemente nesta área, é um fator de significativa relevância, por sugerir uma possível
correlação indicativa da universalidade dos fenômenos paranormais por ocasião da morte,
conferindo maior índice de confiabilidade matemático-estatística.
Inúmeros livros foram publicados em inglês e muitos já foram traduzidos para o idioma
português no Brasil.
Com base nas informações contidas do Livro "Voltando da Morte", de Margot Grey,
tradução de Helena Andrade e publicado pela Editora Kuarup, 1997, verifica-se que "a
existência e autenticidade da EMA ficaram definitivamente estabelecidas nos EUA", e que na
Inglaterra as pesquisas nesta área de investigação deverão ter a incumbência de conduzir um
estudo intercultural para descobrir que informações obtidas por urna pesquisa britânica podem
acrescentar à nossa compreensão do fanôrrveno"... (p. 38).
Prosseguindo em sua análise, baseada num "estudo comparativo de experiências inglesas
de morte aparente" com os resultados das pesquisas realizadas nos Estados Unidos, a autora
informa que outro pesquisador Dr. Ring, propôs haver cinco estágios distintos em uma
Experiência de Morte Aparente, conforme podem ser definidos a seguir:
1. "Paz e uma sensação de bem-estar"
2. "Separação do corpo"
3. "Entrada na escuridão"
4. "Visão da luz"
5. "Entrada na luz"
Tais elementos parecem estar configurados em estudos posteriores, e "as semelhanças de
descrição, mais do que as diferenças, são o que impressionam os envolvidos mais fortemente a
despeito de crença religiosa ou identidade cultural" (p. 43).
Foram estabelecidas cinco categorias distintas da "experiência total", que serão
mencionados na Tabela 1 adiante.
Tabela 1. Categorias da Experiência Total (Estados Alterados de Percepção e de Sensações,
Abrangendo 5 Fases)
Componentes da O/
Categorias Experiência total N° /o
Ia FASE
Paz e sensação 1. Paz e euforia 18 47
de bem-estar 2. Alegria e felicidade m 29
3. Fim da dor 13 34
4. Fim do medo 6 16
5. Calor e ardor 9 24
a
2 FASE
Separação do 1. Visão clara do corpo 8 21 1
I còrpp~; ^ 2. Suspensão sobre o corpo f f l J 32
3. Afastamento e9 24
relaxamento
4. Consciência elevada 3 8
5. Ambiente iluminado 8 21
3* FASE I
Entrada na 1. Sem dimensões 5 13
escuridão 2. Flutuação e sensação de
estar à deriva 3 8
3. Movimento muito
rápido 10 26
4. Sensação de estar em
túnel 10 26
5. Ruído de deslocamento
4
em velocidade 11
a
4 FASE
Visão de Luz 1. Ponto de luz distante 8 2
2. Atração magnética 2 5
3. Envolvimento em luz e
amor 15 39
4. Luz ofuscante sem
prejuízo para os olhos 6 16
5. Beleza inefável 10 26
5a FASE
O mundo 1. Belas paisagens e
interior edifícios 7 18
2. Música celestial 4 11
3. Cores brilhantes 7 18
4. Sensação de unidade 8 21
5. Comunicação telepática 10 26
Observações:
1. Foram entrevistadas quarenta e uma pessoas.
2. Do total destas pessoas, trinta e oito descreveram um episódio que se encaixava
dentro da categoria da "experiência total".
3. Mais de 50% dos entrevistados confirmaram ter vivido experiências visualmente
claras de estar fora do corpo.
4. Na terceira fase da "experiência total" as pessoas passam por um "período escuro de
transição".
a) passagem entre um estado de ser e outro
b) penetração em outros níveis de percepção.
c) sensação de se estar em um vasto espaço negro movimentando-se a grande
velocidade.
d) experiência deste fenômeno como pèi viagem através de um túnel escuro.
5. A passagem para a 4- fase caracteriza-se por uma "Visão da Luz", anunciando o
início de uma dimensão totalmente nova.
Envolvimento por uma luz "quente e enriquecedora e de uma beleza inefável". "Uma luz
viva" anunciadora do nascimento de uma novo estado de consciência.
6. Na 5a fase a pessoa é marcada por uma extraordinária sensação de estar entrando em
outro mundo. Neste estágio ocorre o "encontro com pessoas amadas já falecidas, esperando-a
para saudá-la".
Visão de paisagens maravilhosas e edifícios, jardins, flores e lindas árvores.
Comparando-se os resultados da pesquisa realizada na Inglaterra com os obtidos pelos
pesquisadores americanos nos Estados Unidos, evidenciou-se uma "instigante semelhança de
conteúdos através de termos quase uniformes, retratando as impressões visuais muito vivas que
a experiência imprimiu nas mentes dos entrevistados".
Margot Grey, em suas investigações narradas no livro citado, procurou analisar as
experiências negativas da morte aparente.
Embora tais experiências não sejam muito frequentes, nos estudos e pesquisas até então
realizadas por diferentes pesquisadores, Margot Grey consagra um capítulo especial para este
aspecto, com o objetivo de elucidar tanto quanto possível tais registros.
Inicialmente, cabe uma explicação necessária para clarificar "o que se quer dizer com um
episódio negativo semelhante a estar no inferno".
A autora propõe alguns elementos indicadores, tais como:
a) Ocorrência de um sentimento de extremo medo ou
pânico.
b) angústia emocional e mental.
c) estados de extremo desespero.
d) sentimento intenso de solidão durante este período.
e) grandes sensações de isolamento.
f) o "ambiente" é descrito como envolto em escuridão, pobre, hostil, triste.
g) a paisagem é acidentada, apresentando precipícios, abismos, covas e outros antros
escuros e ameaçadores.
h) sensação de estar sendo arrastado por "alguma força maligna", podendo ser
identificada com "os poderes das trevas".
i) visões de "criaturas demoníacas, iradas e ameaçadoras", apresentando-se com
aspectos deformantes e assustadores, além de se ouvir ruídos e sons de lamentos, dor e
sofrimento.
Da análise realizada pela referida autora, foi possível estabelecer cinco categorias para
agrupar os elementos indicadores característicos das experiências negativas de morte aparente.
1. Medo e um sentimento de pânico.
2. Experiência fora do corpo.
3. Entrada num vácuo negro.
4. Sensação de uma força maligna.
5. Entrada em um ambiente semelhante ao inferno.
Na Tabela 2 estão indicadas as cinco características principais que foram concluídas
durante o trabalho de compilamento do material pesquisado originalmente. (Ver p. 12.)
Algumas conclusões podem ser estabelecidas quanto aos resultados obtidos através das
pesquisas e estudos comparativos sobre as "Experiências da Morte".
11Tabela 2
Características N°de ------------------------- ------ ~ \
fenomcnológicas indivíduos Observações
1. Algum tipo de Que impede continuar a
2
barreira viagem fora do corpo
2. O registro de uma 3 A percepção nítida de uma
"presença" presença espiritual
3. Encontro com 10 Espíritos de familiares
espíritos desencarnados com
demonstrações amorosa
protetoras, socorristas,
etc.
4. Revisão da vida 10 Visão panorâmica
retrospectiva dos
acontecimentos
existenciais vividos pela
pessoa. Uma espécie de
auto-análise.
5. Decisão de voltar 17 Etapa final do processo de
estar fora do corpo físico.
Orientação superior para
retornar ao corpo físico a
fim de continuar a missão
de viver s completar ou
corrigir decisu^ projetos
-í. inacabados,
reconciliações, etc.
1. A existência de um padrão comum de ocorrências, envolvendo uma "sequência
de fatos com características quase universais".
2. A interpretação destes fenômenos como sonho é negada pelas pessoas que
passaram pela EMA, afirmando peremptoriamente que lhes são REAIS, e não meras
alucinações, como pretendem muitos pesquisadores que relutam em aceitar a realidade de tais
experiências.
3. A EMA "é uma ocorrência espontânea em que a pessoa está totalmente livre para
escolher o meio mais criativo de responder à situação", sem nenhuma conotação com
alucinações de qualquer espécie.
4. As pessoas têm a percepção consciente de abandonar o corpo físico, quando
clinicamente mortas, mas nem sempre têm conhecimento ou consciência da existência de
outros corpos mais sutis, ficando surpresas quando constatam esta realidade.
5. A questão do "cordão de prata", tão mencionada na literatura parapsicológica e
demais tradições espiritualistas, é mencionada também em muitos relatos com riqueza de
detalhes.
6. Os processos cognitivos e sensoriais são intensificados, evidenciando-se através de
um estado de clareza mental elevada, o mesmo acontecendo com uma expansão da
sensibilidade extra-sensorial.
O estudo realizado por Margot Grey, concentrou-se no propósito de investigar três tipos de
morte aparente:
a) por doença
b) por acidente
c) por suicídio
Nesta investigação, levou também em consideração as características raciais.
Na Tabela 3 tem-se a amostragem relacionada a sexo/ tipo de morte.
Tabela 3
Sexo Tipo de morte N9 %
1.
MASCULINO a) Doença... 10 24
b) Acidente... 4 10
c) Suicídio... 2~ 5
2. FEMININO a) Doença... 19 46
b) Acidente... 5 12
c) Suicídio..* - 1 2I
TOTAL 41 100
Na Tabela 4, estão relacionados alguns outros dados que foram considerados. (Ver
adiante.)
Da análise realizada pela referida autora, de um modo geral "os indícios para alcançar o
momento da morte em si" parecem indicar o fato de o processo da morte "ser o mesmo para
quase todo mundo, independentemente das circunstâncias ou situações em que se verifica".
Tabela 4
Categorias N° % '—
1. SEXO
a) Masculino 16 39
b) Feminino 25 61
2. RAÇA
a) Caucasiana 38 93
b) Outras 3 7
3. ESTADO CIVIL a)
Casados 26 63
b) Solteiros 7 1§
c) Divorciados 4 io
d) Viúvos 4 10

Outra constatação relevante é a de que os indivíduos que


passaram por uma experiência de morte aparente sofreram uma
profunda mudança no estilo de vida e na atividade pessoal de
maior valorização da vida.
Na Tabela 5 tem-se o registro de mudanças na vida das
pessoas a partir da morte aparente.
Tabela 5
N°de N°de
pessoas que pessoas que %
Mudanças mudaram não mudaram %
Atitude mais positiva
diante da vida 24 59 17 41
Vida vivida mais 19 46 ■ 22- 54
plenamente .66
Sensação de renascimento 14 34 feífÊfe.
.;
Sensação renovada de
objetivo e significado 22 54 19 46
Sentimento acentuado de
39 25
valor próprio 16 61
Maior poder pessoal 20 49 21 51
Maior desinteresse 12 29 29 71
Maior amor e compaixão 23 56 18 44
Menor apego a bens 13 32
materiais 28 68
Menores expectativas 12 29 29 71
Maior empa tia 21 51 20 49
Maior compreensão e
15 37 26 63
discernimento
Que tipos de mudanças ocorreram?
Segundo a mencionada autora, foi possível constatar as seguintes mudanças:
a) mudanças de atitude em relação ao medo da morte;
b) crença na vida após a morte;
c) mudanças em relação a Deus;
d) mudanças no comportamento religioso;
e) crença no céu e no inferno.
Na Tabela 6 apresenta-se o resultado obtido no seguinte aspecto: mudanças de atitude em
relação à morte, vida após a morte e Deus.
Tabela 6
Número de
Número de
pessoas
pessoas que
que
não mudaram
mudaram % %
Diminuição do medo da
morte Aumento na 26 63 15 37
crença da vida
após a morte 31 76 10 24
Conceito de céu 14 34 27 66
Conceito de inferno 23 56 18 44
Crença em Deus 11 27 30 73
Conceito de Deus 15 37 26 63
Na Tabela 7 estão registradas as mudanças religiosas a partir da experiência de morte
aparente. (Ver adiante.)
E também relevante registrar que as pessoas que vivenciaram a experiência de morte
aparente (EMA) sentiram o despertar de poderes paranormais, ampliando a percepção extra-
sensorial, tais como telepatia, premonição, psicografia, pré-visão da vida, visões proféticas,
manifestações do poder de curas espirituais, etc.
A constatação de tais fenômenos necessariamente precisa ser explicada com o apoio do
conhecimento científico, tendo-se o indispensável cuidado para analisá-los com objetividade,
isenção de ânimo, livre de qualquer preconceito ou de qualquer conotação místico-religiosa.
Tabela 7
Mudanças em relação a
religião Protestant Católica Outras Nenhum Total
e a
Sentimentos ■
religiosos
mais
44
intensos 7 9 2 0 18
Mudança
para crenças
alternativas 11 0 0 0 11 27
Filosofias
não-sectárias 3 2 1 2 8 20
Nenhuma
mudança 2 0 '• â . . 0 4 10
Número total 23 11 5 2 41 100
0/
/o 56 27 UH 5 UIH
— Quais as possíveis explicações e interpretações das experiências de morte aparente?
Margot Grey, com muita clareza e lucidez, analisa as teorias existentes, que "propõem uma
interpretação dinâmica, como a despersonalização e a crença naquilo que se deseja
verdadeiro".
Outras explicações apresentadas para o esclarecimento dos fenômenos de EMA incluem
fatores farmacológicos, fisiológicos e neurológicos.
Além destes cabe acrescentar também as explicações de cunho religioso.
— Quais as principais dificuldades encontradas até o presente estágio do conhecimento
científico?
Elas se localizam na impossibilidade de se poder avaliar quantitativa e qualitativamente tais
experiências, por estarem além do alcance da capacidade de testes metodológicos científicos
atualmente existentes.
Isso, entretanto, não deve ser motivo para se ignorar a ocorrência de tais fenômenos, cuja
constatação em diferentes países e culturas não pode ser negado e tampouco relegado ao
esquecimento ou ao indiferentismo acadêmico.
Nas categorias das interpretações fisiológicas e psicológicas, a teoria da despersonalização
é compreendida como um mecanismo de defesa do ego, "que permite às pessoas protegerem-se
de realidades inaceitáveis de morte iminente".
Tal teoria apresenta algumas inconsistências que dificultam sua aceitação.
As descrições clássicas de despersonalização, incluem um sentimento de irrealidade,
diferindo sob diferentes formas do estado psicológico do sobrevivente da morte aparente.
Além disto, "a separação psicológica da despersonali- zação" é muito diferente do
"sentimento de realidade total" dos indivíduos que vivenciaram com marcante realismo o
fenômeno de se sentir fora de seus corpos, descrevendo com vívidas impressões os mínimos
detalhes de tal projeção involuntária e espontânea.
Há outro argumento de significativa consistência que a despersonalização é incapaz de
esclarecer: é o fato em que um parente falecido, de cuja morte a pessoa que passa pela EMA
não Hnha qualquer conhecimento anterior, se apresenta e se comunica He modo a não deixar
dúvidas.
Esta ocorrência de manifestação de um parente ou outra pessoa cujo falecimento era
ignorado por parte do sujeito que vivenciou a EMA foi também registrada por outros
pesquisadores, como Kenneth Ring e Elizabeth Kubler-Ross, em seus estudos e investigações.
Margot Grey menciona também a opinião conclusiva de Kenneth Ring ao afirmar que "a
tentativa psicanalítica de explicar a EMA como (...) de despersonalização parece forçada e
inadequada".
Prosseguindo em sua análise, a autora acrescenta ainda que "o esforço para explicar a EMA
em termos de conceitos psicológicos como despersonalização, crença naquilo que se acredita
verdadeiro ou expectativas anteriores provou-se ineficaz".
Explicações farmacológicas e fisiológicas como anestesia, anoxia cerebral e mais fatores
neurológicos como possíveis agentes causadores da EMA, apresentadas por diferentes
estudiosos que contestam tais relatos, são ineficazes para explicar satisfatória e
conclusivamente os inúmeros relatos registrados e devidamente investigados.
O presente livro propõe-se fazer um estudo comparativo dos fenômenos anímicos e
mediúnicos que ocorrem nas "Experiências de Morte Aparente" e nas mortes propriamente
ditas, objetivando-se ressaltar os elementos comuns ou semelhantes entre ambas as
ocorrências, tomando-se por fundamentação teórica os ensinamentos espíritas e a imensa
contribuição das informações mediúnicas obtidas através de livros psicografados por Francisco
Cândido Xavier, Waldo Vieira, Divaldo Pereira Franco e outros mais, de reconhecida
confiabilidade.
Por fenômeno anímico deve-se entender todas as manifestações conscientes ou
inconscientes através das funções paranormais de percepção extra-sensoriaJ que ocorrem
frequen- temente entre as pessoas em sua vida de relação, tais como as comunicações por via
telepática, clarividência, pré-cognição, autoprojeção consciencial, etc., sem nenhuma
interferência dos sentidos comuns, sensoriais, fisicamente considerados.
Os fenômenos animais são de natureza muito ampla e complexa, fugindo aos objetivos
deste livro.
A diferença entre o fenômeno anímico e o mediúnico reside exatamente naquela interação
bioenergética e paranormal sem contatos fisicamente sensoriais, entre duas ou mais pessoas
vivas que podem se comunicar entre si, de acordo com as leis de afinidade, sintonia e
ressonância, como, por exemplo, através de telepatia.
No fenômeno mediúnico há a participação de um agente desencarnado que utiliza das
faculdades mediúnicas de uma pessoa que passa a funcionar como médium, transmitindo
informações ou mensagens oriundas do mundo espiritual, etc.
Busca-se também fazer uma análise de inúmeros registros apoiados em autores espíritas
consagrados, tais como Ernesto Bozzano e Carlos Imbassahy.
O escopo deste estudo, intitulado Anatomia do Desencarne é a investigação de registros e
de pronunciamentos referentes a
fenômenos anímicos e mediúnicos observados em diferentes circunstâncias de manifestação
espontânea, envolvendo pessoas de diferentes idades e culturas que passaram pela experiência
de morte aparente e voltaram depois à vida normal, apresentando mudanças na atitude de viver
e valorizar a vida em todos os seus aspectos.
Levou-se também em consideração os relatos de observações realizadas com doentes
terminais, utilizando-se de indivíduos com apreciável percepção extra-sensorial que puderam
descrever as complexas operações que se processam por ocasião do desencarne de pessoas em
seu leito de morte.
A literatura nessa área é muito rica e cada vez mais acumulativa, abrangendo uma extensa
gama de fenômenos que, analisados em seu contexto global, podem sugerir possíveis
evidências sobre a realidade da alma ou espírito e sua sobrevivência após a morte do corpo
físico, bem como demonstrar o intercâmbio mediúnico entre vivos no plano físico e os
desencarnados como um fenômeno universal, regido por leis naturais sem nenhuma conotação
com o sobrenatural ou crenças místico-religiosas.
Pretende-se, pois, contribuir para uma nova abordagem da morte física, em bases
científicas, numa proposta de reeducação e valorização da vida, sem o espantalho do medo, da
ignorância, das crendices e superstições que escravizam a mente humana, dificultando o seu
despertar para a melhor compreensão das leis da vida imperecível do espírito humano.
Além de levar em consideração as pesquisas realizadas por Moody Jr., o capítulo 4 é
dedicado aos estudos e pesquisas realizados pela Dra. Elizabeth Kiibler-Ross sobre doentes
terminais, iniciando um novo período no campo da Tanatologia em bases científicas, abrindo
novos horizontes para a melhor compreensão do fenômeno da morte, sem tabus, crendices e
superstições.
Uma nova perspectiva delineia-se a partir de suas pesquisas e valiosas contribuições, não
só no campo científico da fisiologia da morte, como também quanto a uma nova Ética,
revolucionando as regras e normativas no tratamento dos doentes terminais, os quais passaram
a ser uma fonte de valiosos ensinamentos de elevada transcendência e de respeito e valorização
da vida, tendo o sagrado direito de morrer com dignidade quando chegar o grande momento da
passagem para a vida imortal do Espírito.
Nos capítulos seguintes são analisados outros relatos, apoiando-se em Ernesto Bozzano, já
mencionado anteriormente, e também nas obras psicografadas por Francisco Cândido Xavier,
quando se procura colher os profundos ensinamentos sobre as complexas operações
magnético-espirituais que envolvem o desprendimento do Espírito ou Eu-Consciencial por
ocasião de desencarnação.
O propósito do livro é contribuir para a auto-educação consciencial, espiritual do ser
humano, de modo a se construir a própria plenitude a cada momento de aprendizagem
existencial.
Inclui-se também um registro especial referente à desencarnação do dedicado irmão do
caminho Sylvio Rostirola, com a autorização dos familiares, para encerrar este estudo,
intitulado Anatomia do Desencarne.
Não se teve a pretensão de esgotar o tema en\ termos conclusivos, definitivos.
Buscou-se poder analisar com lúcida compreensão o fenômeno da morte, sem nenhuma
conotação com o sobrenatural, com o mito das penas eternas, culpa e castigo, mas tão-somente
considerá-la apenas uma grande mudança ou transmutação do estado consciencial de ser,
deixando de viver no plano físico terrestre para prosseguir noutras dimensões extrafísicas do
"Planeta Azul", como consciência livre e responsável pela edificação do próprio destino, em
todos os planos e níveis conscienciais.
A vida não se extingue no túmulo.
Pensar, sentir e agir, na edificação do Bem incondicional, é da Pedagogia Divina que tem
no Educandário Terrestre, o campo de aprendizagem redentora, na construção da Plenitude
Consciencial, rumo à plenitude Cósmica.

Capítulo 1 EXPERIÊNCIAS DE
PESSOAS TIDAS COMO
CLINICAMENTE MORTAS
Que sensações e emoções experimentaram as pessoas como clinicamente mortas?
Que percepções tiveram em tais circunstâncias?
Estudos realizados por Moody Jr. (1975) levaram-no a constatar uma série de reações
sentidas por pessoas que passaram por tal experiência.
Da coleta de dados abrangendo 150 casos, o autor mencionado pôde estabelecer uma série
de elementos comuns que poderão servir como referencial teórico para possíveis e futuras
pesquisas.
Da análise dos 150 casos estudados, foi possível classificá- los em uma das três categorias
seguintes:
Categoria I — "Experiências de pessoas que foram ressuscitadas depois de terem sido julgadas,
consideradas ou declaradas mortas pelos seus médicos."
Categoria II — "Experiências de pessoas que, no decorrer de acidentes ou doenças ou
ferimentos graves, estiveram muito próximas da morte física."
Categoria III — "Experiências de pessoas que, enquanto morriam, contaram-nas a outras
pessoas que estavam presentes. Mais tarde, estas outras pessoas relataram para o autor o
conteúdo da experiência."
No Quadro 1, estão registrados os elementos indicadores do estado emocional e das
sensações e impressões registradas pelas diferentes pessoas estudadas na pesquisa realizada
por aquele médico, nos Estados Unidos da América do Norte.
Em decorrência da vivência de todos estas emoções, sentimentos, estados de lucidez
consciencial e muitas vezes de plenitude, ao retomar à vida normal sente-se que já não é mais a
mesma pessoa.
Uma profunda avaliação dos valores existenciais, éticos, religiosos, etc. se processa na
intimidade do ser, impulsionando a uma nova postura consciencial, modificando para melhor
os hábitos de vida e a maneira de pensar, sentir e agir.
Sente um renascer de novo para a vida...
O fato seguinte foi narrado pelo Sr. José Iramir Rodrigues, único sobrevivente do desastre
com o avião DCA da VARIG, no dia 1° de julho de 1963, em Passo Fundo, Rio Grande do Sul,
no qual entre outras vítimas morreu também o Sr. Bispo Luiz Felipe de Nadai. O Sr. José Iramir
Rodrigues mora em Porto Alegre e leva uma vida útil e normal, junto aos filhos e onze netos.
"...antes do avião cair, apertei o cinto de segurança e fiquei na posição fetal. A violência do
choque de uma das asas com uma árvore descontrolou o aparelho, que se precipitou ao solo.
Após o embate, vi o meu corpo amarrado no banco, todo ensanguentado. E, ao mesmo tempo,
via os destroços do avião e os demais corpos mutilados e espalhados pelo campo, além do fogo
que irrompera no motor, arrancado e jogado a distância..."
Durante a primeira semana de hospitalização viveu estados intermitentes de consciência e
de inconsciência. Quando recobrava os sentidos conversava normalmente com sua esposa, Sra.
Therezinha Ariete Rodrigues, que o acompanhava dia e noite no quarto hospitalar.
No decorrer das primeiras crises de inconsciência falava de maneira audível, e sua esposa
registrou o seguinte:
"Nas crises de inconsciência meu marido parecia manter um diálogo com pessoas que
deveriam estar ali presente, embora, no quarto, só ele e eu nos encontrássemos."
"Era como se ele recebesse visita de dois grandes amigos, cujos nomes foram pronunciados
claramente num tom cordial, alegre e amistoso."
Quadro 1. Referencial Teórico Relativo ao Estado Emocional e Perceptivo de Pessoas
Consideradas Clinicamente Mortas (Elementos Indicadores)
1. O paciente percebe através da visão e audição mais aguçadas a declaração de estar morto.
2. Pode ouvir sons desagradáveis, como fortes zumbidos ou toque de campainha..
3. Pode sentir-se em movimento de acelerada velocidade ao longo de túnel escuro.
4. Sente-se abruptamente fora do corpo mantendo-se nas proximidades.
5. Observa o próprio corpo a distância.
6. Pode observar as operações socorristas para ressuscitá-lo, tendo maior ou menor
consciência do que estava ocorrendo.
7. Passado algum tempo, a pessoa sente-se mais familiarizada com a circunstância de se ver
fora do corpo físico.
8. Aos poucos toma consciência de possuir um outro corpo além do corpo físico propriamente
dito.
9. Neste estado de se ver projetado animando um outro corpo tão real quanto o físico, a pessoa
pode experimentar variadas sensações e emoções.
— Toma consciência da presença de pessoas, parentes e amigos que já morreram.
— Entra em contato com um Ser Espiritual que se apresenta irradiando luz, sentindo-se
amparado e protegido por esta presença.
Neste estágio, é ajudado a fazer uma profunda auto-análise consciencial, através de uma "visão
panorâmica" retrospectiva e instantânea dos acontecimentos vividos anteriormente.
— Toma consciência da existência de uma fronteira vibratória, à semelhança de uma barreira
entre o plano físico e o mundo dos que já morreram.
— Após o tempo necessário fora do corpo, vivendo profundos estados alterados de
consciência, vê-se atraído coercivamente para o respectivo corpo físico, porque ainda tem
necessidade de continuar vivo no plano físico, pois a hora da morte definitiva ainda não
chegou.
— Ainda quando fora do corpo físico, experimenta profunda paz, alegria e bem-estar, e neste
estado sente também uma forte vontade de se desligar definitivamente, não retornando ao
corpo físico.
— Apesar de tudo e de insistir em permanecer neste estado de profunda alegria e harmonia,
uma força superior a obriga a retornar e a reanimar o corpo físico propriamente dito.
10. Após a reanimação do corpo físico, recobrando a plena lucidez consciencial, as funções
vitais e da vida de relação, tem grandes dificuldades de relatar a experiência que viveu fora
do corpo físico, por receio de não ser compreendida e ser tachada de "pirada", ou louca...
"Tratava-se dos Srs. Luiz Carrion e Edi Bessa, colegas de curso de pilotagem do Aeroclube
de Santa Maria, neste Estado, onde em 1947 meu esposo recebeu o brevet de piloto."
"Os amigos cujos nomes foram mencionados morreram há vários anos num acidente de
teco-teco em Santa Maria. Citou também o nome do Sr. Silvio Bina to, conhecido comerciante
de Santa Maria, falecido em 1950. Tinha-se a impressão de que todos estes ali se encontravam
ao pé da cama, em animado encontro/'
"A presença de seu tio Carlos Soares de Oliveira, falecido em 1945, foi registrada também,
mais de uma vez, conforme se depreendia das palavras de meu marido durante cada crise".
Tão logo fora possível locomover-se, o Sr. José Iramir Rodrigues manifestou vontade de
visitar o local do acidente, a fim de verificar a exatidão ou não de suas impressões. Vencendo
vários obstáculos e superando fortes dores dirigira-se acompanhado da esposa e familiares ao
referido local, onde com o auxílio de uma pessoa que testemunhou a queda do avião pôde ver
reconstituído todo o quadro do desastre e confirmadas as impressões que tivera após os
primeiros instantes de sua morte aparente.
A tomada de consciência relativa à existência de um outro corpo, percebido com maior ou
menor lucidez e objetividade, parece ser descrita por todos os sujeitos estudados.
A concordância existente entre os elementos relatos das experiências vividas por essas
pessoas pode fortalecer • hipótese de que o corpo físico é uma réplica de um outro, o qual
preexiste e sobrevive ao fenômeno do desencarne.
Outras explicações apoiadas em termos de consciência ou na fantasia e alucinações
parecem não resistir à evidência dos fatos.
Monroe (1972) descreve com muita clareza e lucidez as experiências espontâneas de saída
fora do corpo, de modo a não deixar a menor dúvida quanto I capacidade de se projetar fora do
corpo físico, com plena consciência e autonomia, deslocando-se para onde for necessário,
segundo seus interesses e motivações do momento.
O outro testemunho pode ser encontrado em Jacobson (1971), que relata a experiência de se
ver fora do corpo, ao ter o segundo bebê na maternidade.
Descreve com riqueza de detalhes tudo o que foi possível experimentar espontaneamente
com a máxima lucidez e discernimento.
Estes últimos relatos podem sugerir uma outra categoria de experiências de pessoas que
espontaneamente podem se
desprender do corpo físico, com maior ou menor consciência e autonomia.
A comprovação de tais casos é de grande valia para a pesquisa no campo da fenomenologia
paranormal.
A análise dos relatos referentes ao fenômeno do desencarne oferece uma série de elementos
indicadores de que o homem ao desencarnar experimenta uma série de emoções e sensações,
cuja investigação poderá trazer grandes benefícios para a melhor compreensão da natureza
transcendente da humana criatura.
Com base nas pesquisas realizadas por Moody Jr. (1975) e outros autores, foi possível a
elaboração teórica de uma série de possíveis indicadores para facilitar o estabelecimento de
categorias fenomênicas indispensáveis a prosseguir nos estudos analíticos dos fenômenos
vividos por pessoas nas chamadas "Experiências de Morte Aparente".
Estes possíveis indicadores poderão ser agrupados em itens descritivos, conforme Quadro
2.
Quadro 2
1. O despertar da consciência de se possuir um outro corpo além do físico propriamente dito.
De um modo geral, todas as pessoas com maior ou menor lucidez descrevem a existência deste corpo
sutil.
2. O fenômeno da visão e recapitulação "panorâmica", espontânea e instantânea de eventos
existenciais.
Parece, nesta fase do processo psicodinâmico consciencial, que cada pessoa revive os principais lances
existenciais como uma espécie de auto-análise.
3. Tomada de consciência através da percepção de presenças:
a) Pessoas, parentes ou amigos já falecidos.
b) De um Ser Espiritual Superior infundindo paz e esperança, amparo e proteção.
Os relatos são inúmeros, independentes das crenças religiosas ou não. Estes registros devidamente
analisados e avaliados criteriosa mente podem contribuir como elementos indicadores de possíveis
evidências sobre a realidade da sobrevivência espiritual do ser humano após a morte física. ■
4. Em muitos casos as pessoas experimentam uma profunda sensação de paz, bem-estar, harmonia,
por terem vivido a experiência de estar fora do corpo físico.
A sensação de um profundo estado de paz, harmonia, etc. se constata em muitos casos. Noutros,
porém, ocorrem fenômenos psicodinâmicos profundos, relacionados a complexos de culpa, remorso,
etc.

Capítulo 2 ANÁLISE DE CASOS


ESTUDADOS POR ERNESTO
BOZZANO
A análise de vários fenômenos de manifestação mediúnica de procedência variada e
diversificada, constante de estudos e pesquisas realizadas por Bozzano (1926), pode contribuir
para o estabelecimento de possíveis correlações entre os diferentes itens descritivos por ele
verificados e outros coletados em pesquisas através de diferentes estudos mais recentes.
Bozzano, por exemplo, constatou uma gama de variada e complexa manifestação de
reações psicodinâmicas, caracieriza- das por estados alterados de consciência durante o
fenômeno da morte, e a realidade de um mundo multidimensional além do plano físico.
As informações obtidas apresentam algo em comum segundo os relatos mediúnicos.
De um modo geral houve um consenso no sentido de que, ao morrer, o espírito
desencarnado conserva a forma humana com todas as características psicológicas, emocionais
e cognitivas, virtudes e defeitos, que o caracterizavam em vida.
A morte física não confere atributo ou virtude, pelo simples fato de morrer.
A consciência desencarnada conserva sua identidade pessoal passando a viver no plano
espiritual segundo o grau de adiantamento e progresso alcançado ainda em vida.
Nem todos tomam imediatamente a consciência de que morreram. Muitos levam um
tempo, que varia de pessoa a pessoa, estando este período sempre relacionado ao grau de
maturidade consciencial e espiritual alcançado.
De qualquer forma, para todos, irrevogavelmente, chega o grande momento do despertar
além-túmulo e verificar, na intimidade do ser, a grande realidade da imortalidade da alma.
Durante a crise da morte, muitos fenômenos descritos pelas pessoas que viveram a EMA
ocorreram também com os doentes terminais nos grandes momentos críticos do rompimento
dos laços energéticos que ligam o Espírito ou Eu-Consciencial ao respectivo corpo-físico.
A chamada visão panorâmica, ou uma visão retrospectiva dos acontecimentos existenciais
vividos pelo desencamante, é uma constatação generalizada que se encontra nos mais diversos
estudos da atualidade no que se refere às experiências de morte aparente.
Coincidentemente, a recepção no mundo espiritual por familiares e amigos espirituais
desencarnados é uma constatação significativa, sugerindo que os laços afetivos inspirados na
lei do Amor não se rompem com a morte.
Muitos também, e neste particular, parece haver uma necessidade generalizada de o recém
desencarnado submeter-se a uma espécie de sonoterapia reparadora mais ou menos
prolongada, de acordo com as necessidades específicas de cada indivíduo.
Quanto ao estado de equilíbrio maior ou menor de cada desencarnado, repercutindo em
sentir-se mais feliz ou infeliz, vai depender da vida moral de cada um e de sentir-se em paz com
a própria consciência.
As informações obtidas mediunicamente são unânimes em ressaltar que as pessoas que na
vida física pautaram o seu viver em harmonia com a ética do bem praticado e do cumprimento
dos deveres consagrados, trabalhando construtivamente, amando solidariamente sem paixões
egoísticas, puderam de imediato entrar em contato com os planos espirituais mais elevados,
sentindo-se felizes na convivência com espíritos afins em colônias espirituais cujo padrão
vibratório e ambiental se caracteriza por uma atmosfera luminosa a refletir beleza, harmonia e
plenitude.
Entretanto, os que viveram em desarmonia consigo mes- ' mos e que se deixaram escravizar
pelas paixões humanas, egoísticas, prejudicando direta ou indiretamente os semelhantes, estes
enfrentaram grandes dificuldades de adaptação, passando por uma aferição de valores em
colônias espirituais de baixa densidade vibratória, funcionando como institutos correcionais e
de reabilitação consciencial até adquirir o indispensável merecimento para se autolibertarem e
alcançar, por merecimento próprio, novo status de espírito liberto, pela auto-regeneração na
prática e vivência do bem na dimensão extrafísica do planeta terrestre.
Ninguém fica relegado às penas eternas. Cada um pelo esforço pessoal e o auxílio dos
benfeitores e educadores espirituais a todos assistem com igual sentimento de amor e
compaixão ajudando a cada um em sua própria reabilitação consciencial.
A similitude entre a Terra em sua dimensão física e ela mesma em sua
multidimensionalidade extrafísica é muito grande causando inusitada surpresa nas mentes
despreparadas e ignorantes das leis espirituais que regem a manifestação da vida em todos os
planos do universo.
Outro grande ensinamento é a constataçju- do imenso poder da mente geradora do
pensamento.
A energia mental está na base da manifestação da vida em todos os reinos da natureza.
Os pensamentos gerados em harmonia com as leis divinas da criação se propagam ao
infinito, produzindo ações e reações co-criadoras na geração do bem e da felicidade.
Consequentemente, os que pensarem, sentirem a agirem em harmonia com estas mesmas
leis só poderão sentir também a plenitude da vida, do amor e do bem incondicionalmente
praticado.
O contrário é fonte geradora de dor, sofrimento, provação, expiação e resgate.
Os recém desencarnados ainda condicionados aos hábitos de vida no plano físico custam a
se convencer de que o pensamento é a linguagem dos espíritos que se comunicam natural e
espontaneamente por meio das funções Psitelepáticas.Outra constatação decorrente da anterior
é a de que os sentidos espirituais se ampliam e a percepção extra-sensorial alarga os horizontes
do espírito desencarnado proporcionalmente ao seu progresso espiritual, conferindo-lhe ampla
liberdade e autonomia na vida de relação extrafísica na edificação do bem.
Consequentemente, adquire também maior autonomia em seu meio de movimentação e
locomoção espacial, podendo volitar com maior ou menor espontaneidade, segurança e
liberdade.
Embora as pesquisas realizadas por Moody Jr. (1975) re- lacionem-se a casos de morte
aparente, de pessoas que foram ressuscitadas ou com base nos relatos de testemunhas que
descreveram a crise de morte de outras pessoas, a semelhança dos registros dos casos
investigados por Bozzano (1926) é qualitativamente muito significativa.

Capítulo 3 FENÔMENOS
PSÍQUICOS OU PARANORMAIS
NO MOMENTO DA MORTE
A investigação dos fenômenos paranormais que se verificam por ocasião do desencarne ainda
encontra resistência nos meios acadêmicos. Não obstante as pesquisas realizadas mais moderna
mente pelo Dr. Moody Jr., conforme já foi mencionado noutra oportunidade.
Entretanto não é possível realizá-la em caráter sistemático.
Claro está que um mínimo de apoio se faz necessário para sua viabilidade prática.
O problema seria mais facilmente solucionado se houvesse um esforço conjugado e
interdisciplinar, de modo a permitir uma pesquisa em larga escala, abrangendo uma
população-alvo estatisticamente mais significativa.
As evidências acumulam-se, em diferentes centros de pesquisa, o interesse se faz sentir sob
diferentes aspectos, ainda que seja no sentido de combatê-lo ou negá-lo.
Muito ainda deverá ser feito para que a realidade dos fenômenos paranormais, observados
durante a crise da morte ou por aqueles que a viveram de perto e depois voltaram à vida normal,
seja aceita pela Ciência oficial.
Entretanto, o processo é irreversível. É uma questão de tempo e amadurecimento espiritual do
homem. Todo esforço rea-lizado neste sentido, com a finalidade de esclarecer honesta e
desinteressadamente o homem, deve ser empreendido.
Digna de destaque na história da investigação psíquica é a atuação do insigne metapsiquista
Ernesto Bozzano, que se dedicou ao estudo dos diferentes fenômenos anímicos e mediúnicos
por ele investigados, contribuindo de maneira significativa para o progresso científico relativo
ao conhecimento da natureza psicobiofísica do homem.
No Quadro 1 são apresentadas seis categorias de fenômenos paranormais no momento do
desencarne, de acordo com a pesquisa efetuada por Bozzano e mencionada em Fenômenos
Psíquicos no Momento da Morte, FEB, 1949.
Quadro 1. Fenômenos Paranormais do Momento do Desencarne
Categoria N°Descrição
Ia Somente o agonizante vê a aparição de
24
Categoria agentes desencarnados, cuja morte era
H do seu conhecimento
Categoria Unicamente o paciente vê a aparição dos
6
agentes desencarnados, mas a morte
deles era ignorada pelo doente.
a
3 O moribundo, juntamente com outras
Categoria 8 pessoas, vê as aparições dos mesmos
agentes desencarnados.
a
4 7 O agonizante vê as aparições de agentes
Categoria desencarnados, havendo coincidência
com os prenúncios ou confirmações
análogas, obtidas por via mediú- nica.
5a 9 Os parentes do enfermo agonizante são as
Categoria únicas pessoas a perceberem os agentes
desencarnados.
6a 1 O agente desencarnado é visto pouco tempo
Categoria depois de sua morte, no mesmo local
onde jaz o próprio cadáver.
Total 55
De acordo com o citado autor as hipóteses alucinatória e telepático-alucinatória são
insuficientes para explicar todos os fatos observados.
No Quadro 2 estão registrados outros fenômenos relacionados a acontecimentos de morte.
Quadro 2. Fenômenos Ligados a Acontecimentos de Morte
Fenômenos de
Casos Estudados
telecinese
Música transcendental de realização
telepática 25
Música transcendental devido a
assombrações 2
Música transcendental no leito de morte 6
Música transcendental que se produz
depois de um acontecimento de 14
morte
Total 51
Nota: Não foram incluídos quatro casos de música transcendental percebida sem qualquer relação com
a morte.
Como se vê o autor na obra citada, pode fazer um estudo de 106 casos envolvendo
fenômenos paranormais no momento da morte. (Ver Quadro 3.)
Quadro 3
1. Aparições de agentes desencarnados, sob diferentes circunstâncias 55
2. Fenômenos de telecinese 25
3. Manifestações musicais com diferentes características 26
Total 106
A investigação neste campo se impõe, merecendo de todos os espiritualistas em geral e dos
espíritas em particular o maior apoio em todos os sentidos, porque se trata de um problema da
mais alta relevância para o conhecimento da natureza fisiopsi- cossomática do homem.

RELATO DE UM DOENTE
TERMINAL
Prosseguindo no estudo de ocorrências de fenômenos psíquicos por ocasião da morte ou
desencarnação de um indivíduo, cabe registrar o fato seguinte, relatado pelo Senhor Dr. Nuno
de Oliveira, Farmacêutico Químico do Hospital Espírita e Professor Universitário.
O pai do Dr. Nuno, Senhor Sócrates de Oliveira, desencarnou no dia 27/09/79, aos 84 anos
de idade, no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, R.S., Brasil, após prolongada enfermidade.
Seis dias antes do desencarne, o pai contou ao filho que havia sonhado... encontrava-se ele
em um quarto de hospital, mas não naquele onde se encontrava no momento do sono e do
sonho, descreveu o ambiente com detalhes...
Três dias antes do desencarne, o doente estando deitado e voltado para o lado esquerdo,
repentinamente levantou ligeiramente a cabeça e exclamou: "Minha mãezinha, minha
mulherzinha e minha filhinha! Acho que chegou a minha hora. Aproximem-se de mim, pois eu
quero me despedir de vocês todos".
"Num clima de grande emoção, mantinha-se calmo, e, falando com firmeza, despediu-se de
um por um dos presentes, agradecendo tudo que haviam feito por ele. Os presentes eram sua
nora, uma sobrinha, um sobrinho, uma antiga empregada doméstica e eu, seu filho."
"Sem nenhum credo religioso, o enfermo passou por uma profunda transformação
espiritual, nos últimos meses desta existência, passando a crer em Deus, com grande
convicção. Dia a dia, apresentava-se mais paciente, conformado com o seu sofrimento físico,
pedindo repetidas vezes que Deus lhe desse forças para suportar sua provação. Disse várias
vezes que não compreendia o motivo de tanto sofrimento, mas que deveria existir uma razão
para o mesmo, embora o ignorasse."
"Várias vezes, em crise pré-agônica, teve vislumbre de cenas de sua vida, descrevendo-as.
Nos dois últimos dias de sua vida terrena, apresentava-se, em alguns momentos, com extrema
tranquilidade, mostrando uma paz interna muito grande."
"Após 15 minutos do seu desencarne, apresentava uma fisionomia que revelava uma
profunda serenidade, em contraste com a ansiedade apresentada na mesma tarde, devido a
acentuada dispnéia."
"No dia do enterro, às 15h30min, um padre fez a encomendação do corpo a pedido de um dos
filhos (católico). Nada foi visto, nem sentido, pelos vários amigos espíritas e médiuns que ali se
encontravam no momento do cerimonial."
"Quando faltavam 15 minutos para o corpo sair da capela, uma senhora espírita e médium
da Sociedade Espírita Pioneiros da Paz pediu para fazer uma prece, em benefício do irmão
desencarnado."
"Profundo silêncio se fez no ambiente. Dirigindo-se ao desencarnado procurou
conscientizá-lo do novo estado existencial, sem contudo demonstrar sua condição de profitente
espírita."
"Posteriormente foi descrito um quadro, visto por mais de oito médiuns videntes que se
encontravam presentes."
"Quase ao final da alocução quatro entidades apro- ximaram-se do corpo inerte e retiraram
Sócrates-espírito, erguendo-o sob os olhares de duas outras entidades que apenas assistiram à
cena, sendo identificadas como a esposa, acompanhada de sua filhinha, desencarnadas há 4 e
52 anos, respectivamente. Esposa 1 filha sorriam enquanto o recém-desencarnado se mantinha
impassível. Envoltas numa nuvem branca e intensa as quatro entidades que carregavam
Sócrates desencarnado desapareceram e o quadro se desfez."
"Seguiram-se 5 minutos de profundo silêncio após a prece. Nesta ocasião o Dr. Nuno
esclarece ter sentido um intenso envolvimento como se estivesse no interior de um redemoinho
em câmara lenta. Apesar de médium vidente nada viu do quadro descrito, talvez porque a
emoção o impedisse."
Neste relato, pode ser constatado que antes do desencarne o Sr. Sócrates viveu algumas
experiências de significativo valor para sua preparação:
1. A consciência de haver estado, durante o sono físico, em outro quarto de
um hospital no mundo espiritual;
2. A visão consciente da presença espiritual de sua mãe, esposa e uma
filhinha, todas desencarnadas há vários anos;
3. A tomada de consciência de que sua hora estava próxima e que deveria se
despedir dos familiares presentes;
4. A transformação espiritual operada em seu próprio benefício por haver deixado de ser
incrédulo e por ter aceito o sofrimento com resignação, embora ignorasse o motivo de tanto
sofrimento;
5. A ocorrência da visão panorâmica de sua vida e a sensação de paz e tranquilidade que
experimentara.
Além destas ocorrências, cabe salientar como igualmente importante e significativo o fato
de que, após o desencarne, mais de oito médiuns videntes testemunharam a presença de quatro
entidades que se aproximaram e auxiliaram Sócrates a se desvencilhar dos despojos carnais,
além de terem visto também a presença da esposa e filha, ambas desencarnadas.
Acrescente-se ainda a sensação experimentada pelo próprio filho, que sentiu um
envolvimento intenso, como se estivesse no interior de um redemoinho em câmara lenta.
Tais ocorrências coincidem com outros relatos registrados por diferentes pesquisadores em
diferentes épocas.
A convergência dos fatos pode ser considerada um indicador qualitativamente significativo
para consolidar a hipótese de que o fenômeno morte nada mais é do que a mudança de um
estado existencial para um outro mais real e permanente, no qual a vida continua indestrutível e
a consciência individual amplia seu horizonte espiritual, prosseguindo em sua aprendizagem
evolutiva, rumo à plenitude do ser...
"Nascer, viver, morrer, rpnascer ainda, progredir sempre, tal é a lei."

FATOS REGISTRADOS POR


CARLOS IMBASSAHY
A divulgação dos fenômenos anímicos e espiríticos propriamente ditos se faz mais do que
necessária nos tempos atuais, porque os fenômenos paranormais têm sido grandemente
divulgados e quase sempre apresentados como sobrenaturais.
Com o advento do Espiritismo, Allan Kardec deixou bem claro que os fenômenos
psíquicos estão regidos por leis naturais e que a palavra sobrenatural deixaria de ter significado.
O Espiritismo desenvolveu uma metodologia própria para investigar, analisar e classificar
os diferentes e complexos fenômenos observados e observáveis no domínio do psiquismo
humano.
Não se pode negar ou ignorar a vastíssima literatura existente no campo da pesquisa
psíquica, em que os casos registrados oferecem inúmeros elementos de grande significação e
valia para o melhor conhecimento da natureza extrafísica do homem.
Com base no livro de Carlos Imbassahy, O que é a Morte, da Editora Cultural Espírita
Ltda., 2a Edição, pretende-se fazer um levantamento de aspectos relativos à dinâmica do
processo da morte física dos casos estudados por este eminente pesquisador e escritor espírita,
cuja vida e testemunho nas horas difíceis do Espiritismo no Brasil, devido aos opositores e
inimigos dos ensinamentos Kardequianos, foram um baluarte na defesa da Doutrina Espírita,
não só pela imprensa como também pela oratória eloquente, sábia e erudita, demolindo
inapelavelmente os argumentos tendenciosos dos opositores nos momentos cruciais de
discussões polêmicas de caráter público, com o objetivo de denegrir os ensinamentos espíritas.
Advogado e jurista de reconhecida competência e honorabilidade, Carlos Imbassahy deixou
um rastro luminoso de imperecível testemunho de fidelidade e amor à verdade, ao bem
incondicional, à liberdade de expressão e ao direito inalienável no pensar, sencu e agir
edificantemente.
No citado livro Imbassahy analisa vários casos, com riqueza de detalhes esclarecedores e
elucidativos, de modo a pôr em evidência a realidade da sobrevivência do Espírito após a morte
física.
Caso n2 1
Baseado na manifestação mediúnica de um médico recém- desencarnado
1. O desencarnante reagiu instintivamente contra o entorpecimento progressivo do
corpo físico.
2. Inicialmente conservava um certo grau de consciência, vindo em seguida a perdê-la
após a cessação das funções vitais orgânicas.
3. Entrou num estado de inconsciência absoluta.
4. Após um tempo indefinido recobra os sentidos, verificando estar num corpo
diferente do físico.
5. Sentiu que estava ligado ainda a um corpo morto.
6. Como era médico, aproveitou para analisar o fenômeno da morte física, aproveitando
os conhecimentos de anatomia e fisiologia que possuía.
7. Sentiu-se vivo num corpo físico cadaverizado.
8. Experimentou uma oscilação como se estivesse sendo embalado como num berço.
Este movimento oscilatório favorecia o seu desligamento e desprendimento do respectivo
cadáver. Iniciou a retirada suavemente, "dos pés para a cabeça".
9. Assumiu a forma humana que era característica, não obstante parecendo-lhe algo
semelhante à "medusa".
10. Em seguida viu-se livre, solto, em liberdade. Neste ínterim, percebeu a presença de
duas senhoras à sua cabeceira. Ficou preocupado por ter que se apresentar nu, despido diante
dela. De imediato recobrou o equilíbrio e disse para si mesmo que sendo ele um Espírito elas
não poderiam vê-lo sem roupa.
11. Após o desligamento sentiu-se flutuar de baixo para cima com movimentos de
oscilação de um lado para outro, desligando-se totalmente do corpo físico, vendo-se agora,
com maior clareza, com a aparência de um homem comum que era.
12. Percebeu que seu corpo extrafísico era transparente, semelhante a uma chama
azulada e completamente despido, plenamente nu.
13. Novamente a sensação de pudor e vergonha por se achar nu diante de pessoas
diferentes.
14. Em seguida procurou escapar por uma porta entreaberta. Para surpresa, ao
aproximar-se dela, de um modo inesperado viu-se vestido.
15. Inadvertidamente esbarrou com o cotovelo no braço de um cavalheiro presente que
nada percebera ou sentira. Neste contato, o braço do citado senhor atravessou o braço do
médico recém desencarnado.
16. Ao seu redor percebeu inúmeras pessoas sentadas e mais a esposa e uma irmã que
pareciam ajoelhadas.
17. Procurou fazer gestos e cumprimentos para chamar a atenção dos presentes, e tudo
foi em vão. Ninguém percebia. Sentiu-se meio ridículo e se pôs a rir.
18. Ato contínuo, saiu do local do velório e se viu em plena rua sentindo-se maior e
mais alto, parecendo ter aumentado de tamanho.
19. Após caminhar a pequena distância, em plena rua, sentiu um desfalecimento,
perdendo os sentidos em seguida.
20. Após recobrar os sentidos, sentiu-se flutuar, sendo sustentado delicadamente por
mãos que o amparavam.
21. Observou ao seu redor, identificando o céu, as nuvens, o chão molhado pela chuva
que caíra anteriormente.
22. Ainda vacilante experimentou imensa solidão, não obstante conservar a memória,
capacidade de julgamento e a imaginação.
23. Nesta fase de seu despertar além-túmulo passou a fazer inúmeras conjeturas sobre
os problemas existenciais, valores éticos e espirituais. Uma voz amiga o encorajava e um rosto
amigo de inefável amor e ternura... De imediato, viu-se recolhido a um leito brando,
provavelmente sendo internado em um hospital no mundo espiritual.
Caso n2 2
Relato mediúnico de um militar desencarnado
1. Estava recolhido ao leito quando de repente se viu de pé, no quarto, estranhando
profundamente tal situação.
2. Procurou analisar a situação ambiental do seu gabinete de trabalho, ficando
surpreso quando quis folhear a página de um livro e não conseguiu virar a página.
3. Ato contínuo, fez uma série de tentativas para compreender a situação, até que
ocorreu a idéia de que estava morto, vendo realmente o seu corpo inerte na cama.
4. Saiu à rua, voltando ao quarto novamente, podendo verificar agora o criado que tudo
fazia para ressuscitar o corpo cadaverizado.
5. Posteriormente tomou conhecimento de que sua morte foi causada por um
vazamento de gás.
Caso n9 3
Penks Naideva, a enfermeira húngara que morreu e ressuscitou...
1. Vitimada por um violento choque elétrico caiu ao chão, completamente sem sinal de
vida.
2. Providências imediatas de socorro emergencial foram
tomadas.
3. Respiração artificial, cirurgia no tórax, massagens diretas no coração, após 120
minutos clinicamente morta ressuscitava para a vida...
4. Decorridos dois meses, passara a viver quase normalmente, tendo sensações de
haver estado num mundo estranho e entrando em contato com pessoas e paisagens muito
lindas...
Caso n9 4
Frank Lovell e a experiência de saída do corpo físico
1. Gravemente enfermo, repentinamente viu-se a "flutuar no espaço" sobre seu corpo
físico.
2. Profunda sensação de felicidade.
3. Percebeu a presença de entidades desencarnadas, parentes e amigos.
4. Comunicava-se telepaticamente com todos eles.
5. Chamou-lhe a atenção a presença da irmã Mabel que antes se encontrava viva.
6. Após um certo tempo voltou a si e comentou o estranho fenômeno vivido por ele,
mencionando o nome da irmã Mabel.
7. Somente após ter mencionado seu nome, soube que ela morrera antes e os parentes
haviam ocultado seu falecimento para não perturbá-lo.
Caso n9 5
Narrado por um cônego católico ao atender uma amiga gravemente enferma...
1. Diante do cônego que viera dar-lhe a assistência espiritual a enferma foi dizendo em
seguida: "Acabo de visitar sua igreja". Fez vários comentários.
2. Pouco depois morrera.
3. Decorrido um mês de falecimento da referida senhora, a empregada do cônego
comentou ter visto uma senhora ajoelhada na igreja, desaparecendo depois sem deixar nenhum
vestígio. Não sabia explicar como 1 que a senhora entrara na igreja, uma vez que estava
fechada e as respectivas chaves estavam em suas mãos.
4. O pároco pediu-lhe para descrever a pesffijyi depois, submetendo-a a um teste,
apresentou-lhe várias fotosgg&fias, entre as quais se encontrava a da falecida.
5. A empregada reconheceu-a de imediato, confirmando a hora e o dia do ocorrido,
que coincidiam com a data e o horário em que morrera.
Caso n2 6
O professor Leaning, após uma farta refeição...
1. Sentira uma sonolência muito forte após a refeição, adormecendo.
2. Em seguida percebeu que saíra do corpo, estando numa incômoda posição.
3. Podia se movimentar por toda a parte, percebendo a presença de um preto que não
pudera vê-lo.
4. Ao aproximar de seu corpo físico, sentiu-se uma forte atração e a sensação de estar
sendo "chupado" pelo corpo físico. Voltou a despertar em seguida.
Caso n9 7
Narrado pelo grande cientista Sir Oliver Lodge
1. Um combatente na linha de frente na Ia Grande Guerra encontrava-se exausto, após
perigosa marcha.
2. Encontra uma trincheira e ali, cansado, repousa entre detritos, adormecendo em
seguida.
3. Em seguida, deixou seu corpo físico, tendo a sensação de estar morto. Após certo
tempo recobrara os sentidos, tendo constatado que estivera fora do corpo.
Caso n9 8
O Sr. Hyoman na cadeira do dentista
1. Após anestesia local, vê-se fora do corpo, a flutuar sobre a cadeira do dentista.
2. Noutra circunstância, em Londres, sofreu um desmaio. Novamente viu-se de novo a
flutuar sobre o próprio corpo físico inanimado.
3. Após um certo tempo, voltou a si mesmo, recobrando os sentidos e a plena memória.
9
Caso n 9
Narrado pela Sra. Enid S. Smith
1. Uma senhora em avançada idade, apesar de se encon- trar em coma,
inesperadamente recobra a consciência e, levantando-se, informa aos presentes que "acabara"
de falar com seu esposo falecido algum tempo atrás.
2. Prosseguindo em seu comentário, disse ainda: "Dentro dos próximos três dias
encontrarei meu esposo falecido".
3. Entrando em contato com sua enfermeira transmitiu- lhe um recado pessoal e, em
seguida, voltou à cama, entrando novamente em coma, durando três dias, conforme anunciara,
vindo a falecer posteriormente.
4. Posteriormente, como desencarnada, descreveu as belas paisagens do mundo
espiritual, a existência de belos jardins, casas, luzes e as condições de uma vida feliz, junto com
o esposo, na espiritualidade.
Caso n9 10
Descrição do fenômeno da morte segundo a Sra. Florence Marryal
1. Uma senhora vidente observava os momentos derradeiros de sua irmã no leito de
morte.
2. Através de sua vidência começou a perceber a formação de uma espécie de
"nebulosidade" muito tênue, que se assemelhava a uma fumaça esbranquiçada sobre a cabeça
da agonizante.
3. Essa nuvem foi se expandindo em movimentos ondulatórios e, gradativamente,
apresentou a forma em todos os detalhes morfológicos, semelhante à irmã em fase terminal.
4. Era uma espécie de duplicata da irmã em seu leito.
5. Continuando a observar tal fenômeno no leito de morte, pode constatar que a forma
humana de sua irmã começou a flutuar sobre o corpo físico da enferma.
6. À medida que o corpo físico de sua irmã ia ficando inerte e cadaverizado,
simultaneamente a forma humana vaporosa foi se transformando no próprio espírito da irmã,
cujo corpo físico jazia morto em definitivo.
A irmã espírito recém-desencarnada apresentava uma certa debilidade, e "cordões de luz"
pareciam "prendê-la" ainda aos centros vitais.
7. Neste momento, a vidente observa a chegada do seu pai e da avó, ambos já falecidos
há muito tempo.
Ato contínuo, a irmã recém-desencamada é amparada pelos espíritos familiares
mencionados, que vieram recebê-la com iihensa demonstração de ternura e amparo.
A irmã desencarnada, agora Espírito, repousa a cabeça nos ombros do próprio pai e, por
alguns minutos, ficam abraçados, como se estivessem recuperando as energias.
8. Logo em seguida, os "cordões luminosos" que se encontravam ainda ligados ao
corpo cadaverizado são finalmente rompidos, e a irmã Espírito se liberta e, amparada pelo pai e
a avó, ambos também desencarnados, retiram-se do recinto, volitando elevam-se,
desaparecendo no espaço...
Caso n9 11
Segundo testemunho do célebre médium americano Andrew Jackson Davis
1. Inicialmente, observou-se o começo do desprendimento do espírito, cujo corpo físico
reagia através de reflexos inconscientes.
2. De imediato, observou também o corpo etérico da moribunda, saindo do corpo físico
em fase inicial de cadaverização.
3. Nota uma espécie de condensação de uma substância que se concentra no cérebro,
tornando-se cada vez mais luminoso ao mesmo tempo em que os membros inferiores
escureciam.
4. Este corpo sutil começa a se elevar acima do cadáver, "desligando-se" primeiramente
da cabeça física.
5. Prosseguindo o desligamento do Espírito, este se liberta totalmente, ficando de pé,
em ângulo reto com o cadáver, e os pés do corpo espiritual estavam próximos da cabeça do
cadáver.
6. Entre ambos os corpos, isto é, o cadáver e o corpo sutil espiritual, havia um "laço
vital luminoso" semelhante ao cordão umbilical.
7. Com a ruptura deste cordão "luminoso", a parte inferior do mesmo foi absorvida pelo
cadáver e a parte superior foi assimilada pelo corpo etérico.
8. O Espírito recém-liberto pouco a pouco vai se adaptando à nova condição de vida,
adquirindo maior autonomia e liberdade de movimento.
9. Deste modo atravessou as portas fechadas, saindo depois para o ar livre.
10. De imediato, dois Espíritos amigos vieram buscá-la, e após as apresentações e de
se comunicarem amorosamente entre si, os três espíritos agora, formando um pequeno grupo
harmônico, iniciaram a locomoção volitando obliquamente rumo às regiões espirituais do
nosso globo terrestre.
Caso ns 12
Referente à morte de uma senhora de 60 anos
1. O sensitivo dotado de excelente mediunidade de clarividência passou a observar as
reações da agonizante no momento da morte.
2. As reações do corpo físico eram no sentido de opor resistência à saída do espírito.
Deste modo, o sistema muscular reagia aos impulsos psicomotores; o sistema
cardiovascular refletia as reações dinâmicas trabalhando exaustivamente para manter o
"princípio vital"; o sistema nervoso reagia contra a aniquilação dos sentidos físicos, e o cérebro
opunha resistência à extinção das funções cognitivas e sensório-motoras.
3. Todas estas ações e reações reflexas se davam automaticamente, culminando na
morte do corpo físico e "emancipação" da alma ou espírito, após a ruptura dos laços energéticos
que o mantinham unido ao corpo.
4. Logo depois, a cabeça ficou cercada por um halo luminosamente brilhante, com a
cessação total das funções vitais do cérebro e cerebelo físicos.
Neste capítulo, foram selecionados 12 casos para ilustrar a dinâmica do processo
desencarnatório, que varia de pessoa para pessoa, não sendo absolutamente idênticos entre si.
Claro está que, em linhas gerais, no fenômeno da morte, ocorrem ações e reações
psicodinâmicas e fisiológicas que têm algo em comum.
Mas, segundo André Luiz e outros autores espirituais, não há duas mortes absolutamente
iguais, assim como também não há duas reencamações absolutamente idênticas.
Fazendo-se uma breve análise comparativa das descrições relativas aos casos registrados,
constata-se haver uma concordância quanto à existência de "cordões luminosos" que unem o
espírito ao corpo físico, cuja ruptura culmina na morte física e liberação do Espírito.
O desligamento e o respectivo desprendimento do Espírito se processam a partir das
extremidades dos membros inferiores, com eliminação de fluídos vitais, progredindo em
direção da cabeça, onde se localiza o cérebro físico em conexão com o cérebro perispíritico do
Espírito que anima o respectivo corpo físico.
Simultaneamente, nota-se uma relativa concordância quanto à formação e condensação do
corpo espiritual que fica flutuando sobre o corpo físico cadaverizado, e logo em seguida o
desencarnante aos poucos vai se aclimatando com a nova condição de desencarnado.
As reações psicológicas e emocionais variam de acordo com o respectivo grau de
maturidade consciencial e espiritual de cada um conforme seu estado evolutivo e merecimento.
As presenças espirituais familiares, de amigos e de benfeitores espirituais são também
registradas em muitos casos, de maneira a não deixar margem a qualquer dúvida.
Chegado o momento culminante da liberação plena, o desencarnado é auxiliado a ingressar
no mundo espiritual, sendo conduzido por espíritos socorristas, familiares e também amigos,
com a missão de dar as boas-vindas ao novo companheiro de aprendizado nos planos
espirituais a que fizer juz por merecimento.

Capítulo 4 INVESTIGAÇÕES DA
DRA. ELIZABETH KUBLER-ROSS
O interesse acadêmico pelas reações dos enfermos diante da realidade inevitável da morte
ou desencarnação vem sendo ultimamente, motivo de pesquisa e seminários de estudo
interdisciplinar em algumas universidades americanas, sob a orientação da Dra. Elizabeth
Kubler-Ross e sua equipe de investigadores.
Tal empreendimento haverá de trazer muitos benefícios I sociedade, pois contribuirá para
que se desencadeie um processo de reeducação no seio da família, e os tabus ainda existentes,
com relação à morte, deverão ser melhor esclarecidos, encarando- se o desencarne com maior
naturalidade, esperança e otimismo. 1
Para tanto é indispensável que se processe uma significativa revolução educacional,
envolvendo família, escola e comunidade.
Apesar da natural resistência do homem e dos múltiplos mecanismos de fuga face ao
problema, as pesquisas em andamento estão a revelar uma receptividade favorável da parte dos
enfermos, instituições hospitalares, médicos, enfermeiros, religiosos e terapeutas em geral, ao
contrário do que se verificou logo no início das investigações da Dra. Elizabeth Kubler-Ross.
Uma pergunta se formula: A morte ou o desencarne significam o estágio final da evolução
individual?
As religiões e filosofias espiritualistas, segundo suas respectivas linhas de orientação,
ensinam a sobrevivência espiritual
do homem e incentivam a fé religiosa apoiada na esperança de que a vida continua...
Sem subestimar nenhuma das interpretações religiosas ou nenhum outro ensinamento das
filosofias espiritualistas, a prova científica da sobrevivência do homem e de sua possibilidade
de comunicação após o desencarne é uma das grandes contribuições que o Espiritismo trouxe
para o conhecimento da natureza humana e das leis que regem os fenômenos anímicos e
mediúnicos inerentes ao psiquismo do gênero humano.
Historicamente é inegável esta afirmação, embora a Ciência Oficial ainda não possa ou não
queira reconhecer a tese espírita.
Entretanto, o avanço no campo da Parapsicologia e Psicotrônica sugere promissoras
descobertas que, direta ou indiretamente, vêm confirmar as realidades fenomênicas explicadas
pela Doutrina Espírita, em seu tríplice aspecto: filosófico, científico e religioso.
Não há dúvidas de que a contribuição da Dra. Elizabeth Kubler-Ross é de inegável valor, e
juntamente com as pesquisas do Dr. Moody Jr. e outros investigadores muito contribuirá para
que a investigação relacionada aos estados psicológicos, emocionais e afetivos dos enfermos
desenganados e de seus respectivos familiares seja analisada com realismo e espírito de
solidariedade humana, com profunda repercussão nos procedimentos assisten- ciais e
terapêuticos, junto a agonizantes e aos familiares, diante do fenômeno irreversível da morte.
Devido aos tabus e superstições decorrentes de erros de educação religiosa e da impotência
da ciência acadêmica em oferecer uma base sólida sobre a realidade da continuidade da vida, as
incertezas exacerbam o medo do desconhecido, desencadeando nos enfermos reações
angustiosas e aflitivas, levando muitos ao desespero e até mesmo a precipitarem o próprio
desencarne.
As observações efetuadas pela Dra. Elizabeth Kubler- Ross levaram-na a identificar cinco
estágios de reações dos enfermos desenganados pela medicina oficial. Ei-los:
Io Estágio — "DA NEGAÇÃO"
O paciente reage diante da notícia de sua enfermidade e do estado grave em que se
encontra. "Não, não pode ser comi- > go..."
2a Estágio — "DA IRA, REVOLTA, INVEJA E RESSEN- ] TIMENTO"
No qual as emoções se exteriorizam refletindo a luta do paciente em reconhecer o seu
próprio estado e aceitá-lo.
3o Estágio — "DA BARGANHA"
Que se caracteriza por uma espécie de "tentativa de adiar", incluindo um prêmio oferecido
por bom "comportamentoal mediante o qual o enfermo se propõe a fazer uma espécie de
acordo, promessa, em troca de sua restauração.
4o Estágio — "DA DEPRESSÃO"
Que se evidencia através de "um sentimento de grande vazio ou perda"...
O enfermo se deixa envolver sem maiores resistências e.
5a Estágio — "DA ACEITAÇÃO"
Em que o doente, depois de sofrer e vivertçiar os mais variados estados emocionais
intensamente, passa a ic ft;rria atitude de maior aceitação, que lhe dá mais confiança e
serenidade... <
Nestas diferentes situações e circunstâncias que o paciente desenganado vivência, é muito
frequente a ocorrência de fenômenos anímicos e mediúnicos que, infelizmente — por erro de
educação, tabus e superstições ainda existentes no meio cultural — não são analisados
criteriosamente e melhor valorizados como uma grande oportunidade para que tanto o enfermo
quanto os demais familiares, amigos e até mesmo o próprio médico e enfermeiros aprendam
sobre a grande realidade existencial do espírito e sobre a própria morte ou desencarne, como
uma grande mudança, por meio da qual o homem deixa o corpo físico e continua a viver
noutras dimensões no Reino do Espírito...
Inúmeras são as provas subjetivas e objetivas, diretas e ou indiretas, a comprovarem a
realidade existencial após o fenômeno da desencarnação.
Tais evidências se acumulam de modo a não deixar que as dúvidas geradas pela má-fé
continuem a solapar a esperança
dos que vivem em busca de uma resposta positiva que lhes ilumine a razão e o sentimento.
O progresso é irreversível, e, no que se refere à emancipação espiritual do homem, em vão
será toda a oposição negativa tendente a continuar escravizando a mente humana, subjugando-
a através de falsos princípios materialistas.
Cada homem sentirá no seu devido tempo a grande realidade da sobrevivência do espírito e
de sua ação inteligente operando nas dimensões transcendentes da própria natureza.
Muito há que realizar neste sentido para colaborar na reeducação espiritual do homem e da
humanidade.
A dor-evolução impulsionará o homem a conhecer a si mesmo e, consequentemente, iniciar
um novo período de sua milenar evolução, fazendo renascer o "HOMEM NOVO",
inaugurando a nova Era do Espírito.
Capítulo 5 PRIMEIRAS REAÇÕES
DE UM MORTO VIVO
O adequado estudo analítico-comparativo das manifestações, oriundas de diferentes
médiuns de comprovada honestidade e fidelidade, na captação das informações obtidas através
do intercâmbio mediúnico disciplinado e responsável, pode se constituir em uma valiosa
abordagem na investigação dos fenômenos mediúnicos e na coleta de significativos
ensinamentos sobre a dinâmica do desencarne.
A constatação da concordância universal entre os possíveis eventos descritos por aqueles
que desencarnaram e, após a desencarnação, puderam manifestar-se de maneira clara e segura,
é um indicador que merece ser levado em consideração na investigação dos fenômenos
anímicos e mediúnicos que ocorrem normalmente no processo do desencarne.
Com base na mensagem intitulada "Primeiros Instantes de um Morto Vivo", constante do
Livro Vozes do Grande além, psicografado por Francisco Cândido Xavier, (pp. 20-34) 4a
Edição da FEB, 1990, pretende-se analisar as informações fornecidas, por via mediúnica, do
Senhor G., que em vida, fora destacado homem público, industrial, e de grande influência nos
meios políticos.
Surpreendido por uma angina que o fulminou irreversivelmente, o Sr. G. relatou tudo o que
experimentou com a morte física.
É de grande valor educativo o registro e análise de sua mensagem.
Buscou-se estabelecer um quadro sinótico descritivo, das reações do "morto vivo", as quais
poderão num contexto mais amplo, servir de referencial teórico, para futuras pesquisas e
estudos no campo da Tanatologia.

QUADRO SINÓTICO DAS


"REAÇÕES DE UM MORTO VIVO"
1. Experimentou uma espécie de sono profundo, conser- vando-se lúcido e consciente
Em seu caso particular entrou em um estado de sono sem perder a lucidez consciencial
2. Aniquilação dos movimentos
A perda da mobilidade é uma consequência natural do processo desencamatório
3. Incapacidade de falar
A impossibilidade de falar, de articular palavras, também está dentro do quadro geral
4. Consciência auditiva (continuava ouvindo os gritos familiares)
Conservou a percepção auditiva
5. Consciência tátil (sentia mãos amigas tateando o peito, fazendo massagens para
recuperar a respiração)
Idem, a percepção táctil.
6. Perda temporária da noção de tempo
Nas primeiras fases da desencarnação a noção de tempo fica obnubilada
7. Sensação de atração pelo corpo físico inerte
Nesta fase inicial o corpo físico exerce forte atração
8. Sentiu-se sem vitalidade e com perda de calor
Sensação de perda de calor e de vitalidade é consequência das grandes mudanças
decorrentes do desligamento
9. Doloroso conflito emocional
O desencarnante pode passar por uma série de conflitos psicológicos emocionais
10. Impressão desagradável e dolorosa de estar sendo "aplicado em seus pés sacos
de gelo"
Sensação de congelamento a partir das extremidades inferiores
11. Reações conscientes e enérgicas contra semelhante tratamento...
Resistência intuitiva em aceitar a própria morte física
12. Generalização de frio irresistível por todo o corpo
Sensação inicial de "congelamento" toma conta de todo
o corpo repercutindo no perispírito
13. Desprendimento do corpo físico, sentindo-se "leve, ágil, pensando, ouvindo e
vendo"...
Com o desprendimento do corpo físico sente-se livre recuperando os sentidos perispíriticos
14. Procurando afastar-se do corpo físico, verificou a existência de um "fio tênue de
névoa branquicenta ligando a cabeça móvel" do desencarnado, à cabeça do corpo físico inerte
Ao se afastar do cadáver identifica o "fio tênue" ligando a cabeça do desencarnante à
cabeça física inerte
15. Consciência perfeita de sua identidade, . .r.bora se sentisse dividido em duas
personalidades distintas
Toma consciência da situação e da própria identidade
16. Dolorosas reações emocionais
Novas reações emocionais
17. Reconhecimento de que seu corpo físico "a enregelar- se" era "cuidadosamente
vestido"
Vê o corpo cadaverizado ser vestido cuidadosamente
18. Consciente reação de resistência ante o fato consumado (Retomaria o corpo.
Lutaria por reavê-lo)
Novas reações intuitivas de auto preservação e tentativa de voltar a animar o corpo físico
19. A contragosto, vê-se exposto à visitação pública
Reação emocional de desconforto e desagrado por se ver
exposto à curiosidade
20. Observa com grande espanto que as pessoas no recinto, ao apresentarem os
pêsames aos familiares, se apresentavam
"divididas em identidade de circunstâncias, porque escutava as palavras faladas e as palavras
imaginadas" isto é, os pensamentos que se projetavam da cabeça... "Meus pêsames! Perdemos
um grande amigo..." ..."não tenho pesar algum, este homem deveria realmente morrer"...
"Meus sentimentos! O doutor G. morreu moço, muito moço". E acrescentavam... "Morreu
tarde... ainda bem que morreu... Velhaco! deixou uma fortuna considerável... deve ter roubado
excessivamente..."
Capta os pensamentos e os sentimentos mais íntimos das pessòas que vem para o velório.
Vê-se face a face com a grande realidade
21. Depois de muito tempo conturbado encontrou algum alivio produzido pelas sinceras
demonstrações de carinho e amizade de alguns poucos amigos...
Encontra reconforto nos pensamentos e preces nascidos de sentimentos sinceros e sem
julgamentos
22. Inesperadamente viu-se acompanhando o cortejo fúnebre, por se achar ainda preso
aos despojos cadavéricos pelo estranho cordão tênue de névoa branquicenta...
Muitos acompanham o próprio cortejo fúnebre enquanto não romper o cordão luminoso
que liga o desencarnado aos respectivos despojos cadavéricos
23. Aproximando-se do cemitério e a contemplação dos túmulos produziu-lhe estranho
pavor...
Reações de medo, angústia e ansiedade ao se aproximar da sepultura etc.
24. Sentiu-se esmorecer e fraquejar...
Desfalecimento
25. Perdera a noção de si mesmo.
Tudo era "letargo, abatimento, exaustão..." letargia, exaustão. Ruptura do cordão luminoso
26. Repouso por vários dias após a consumação do desligamento
Após o sepultamento, repouso sonoterápico para refazimento e o despertar no mundo
espiritual
Após esta grande mudança existencial, o Sr G. foi submetido a um repouso por vários dias,
despertando-se ao final do mesmo, recuperado e compreendendo a sua real situação de homem
desencarnado.
"A certeza da vida que não morre" despertara-lhe a luminosa esperança, fortalecendo-lhe o
bom ânimo.
Reencontrando "antigas afeições" no Reino do Espírito sentiu-se renascer para os eternos
valores da vida indestrutível...
Tão logo lhe fora possível, através do intercâmbio mediúnico, veio dar o seu testemunho de
espírito imortal, a caminho do trabalho redentor, na "Seara do bem".
Sim, "...só o BEM permanece"...

Capítulo 6 "A MORTE E SEUS


MISTÉRIOS"
Múltiplos fenômenos anímicos e ou mediúnicos podem ocorrer com pessoas que se viram
em perigo de vida, ou que viveram situações traumáticas em determinadas circunstâncias
existenciais, cuja percepção se projetou além das dimensões físicas conhecidas, registrando
com maior ou menor lucidez e clareza outras dimensões indicadoras da realidade da natureza
extrafísica do universo e do próprio homem.
Igualmente as ocorrências anímicas e ou mediúnicas constatadas em pessoas agonizantes
sugerem que o homem não se extingue no túmulo mas, pelo contrário, sobrevive e se reintegra
na grande realidade existencial do espírito.
Tal reintegração varia de acordo com o grau evolutivo de cada um, isto é, com a
auto-realização pessoal e com os valores intelectuais e morais desenvolvidos.
Inúmeros fatos rigorosamente comprovados de fenômenos anímicos e ou mediúnicos
enriquecem o acervo dos centros de pesquisas paranormais.
Bozzano, em seu livro "A Morte e os Seus Mistérios", Editora ECO, Rio de Janeiro, analisa
inúmeros casos, classificando-os em:
I — Fenômenos de transfiguração.
II—Marcas e impressões supranormais de mãos de fogo.
III — Visão panorâmica ou memória sintética na iminência da morte.
A visão panorâmica ou memória sintética abrange as seguintes categorias:
1. Casos ocorridos na iminência da morte ou em perigo
de vida.
2. Casos com pessoas sãs, sem a ocorrência de perigo de
morte.
3. Casos de espíritos comunicantes que declaram ter passado pela experiência da
"visão panorâmica".
Com base na referida obra e para maior elucidação do tema em análise, serão comentados
com a maior objetividade possível alguns casos que se enquadram nas respectivas categorias
estabelecidas por Ernesto Bozzano, no livro já mencionado.
Caso 1
Exemplo de um caso de transfiguração
O testemunho de um filho cujo pai era médico e que se encontrava enfermo.
Dois meses antes de sua morte o filho fazia companhia ao pai enfermo que "dormia em uma
poltrona junto à chaminé em seu quarto".
O filho estava em vigília e observava o pai ei:d âbno profundo.
Inesperadamente, o filho começou a ver um«* modificação gradativa da fisionomia
paterna, a qual foi se transformando no rosto de sua genitora já falecida há muito tempo.
A transfiguração do rosto de seu pai no rosto de sua própria mãe já desencarnada durou
aproximadamente entre 10 ou 12 minutos.
Após esta ocorrência, lentamente o rosto paterno voltou ao normal e o mesmo acordou
tranquilo, ignorando o que se passara.
Durante o fenômeno de transfiguração acima citado, a empregada penetrara no quarto,
reconhecendo também o rosto da esposa do médico já falecida há mais tempo.
Caso 2
Exemplo de "Visão Panorâmica" em caso de perigo de vida
Certa senhora, após ser submetida a delicada cirurgia, entrando num processo
pós-operatório de grave risco de vida, sentia-se imensamente desvitalizada e muito fraca.
Inesperadamente, passou a ver desfilando ante sua visão toda sua vida passada até aqueles
momentos.
Foi uma visão panorâmica retrospectiva para propiciar- lhe uma auto-análise avaliativa.
Experimentou tudo com muita serenidade, sem nenhum medo, culpa ou remorso,
compreendendo que tudo que passara teve sua razão de ser para seu crescimento espiritual.
Neste momento ouviu uma voz protetora ordenando-lhe voltar ao corpo para continuar sua
missão.
Caso 3
Exemplo de "Visão Panorâmica" (Retrospectiva por uma pessoa saudável sem nenhum perigo
de vida)
Um jovem oficial da marinha real, encontrando-se calma e serenamente deitado na cama
lendo um jornal, também de maneira inesperada passou a ter uma visão retrospectiva de sua
vida, com profunda riqueza de detalhes, durando aproximadamente uma hora.
Esta experiência inusitada teve grande repercussão em sua vida posteriormente.
Caso 4
Exemplo de caso de espírito desencarnado comunicando a experiência da "visão panorâmica"
Através de manifestação mediúnica o espírito descreve a visão panorâmica por ocasião de
sua morte física, afogado no mar com sua esposa.
Na hora do afogamento, seus pais já desencarnados, se fizeram presentes, ajudando-os no
momento da desencarnação.
Como se pode constatar através dos diferentes exemplos de casos já mencionados, é
possível mediante uma análise qualitativa e quantitativa, verificar a existência de elementos
concordantes que sugerem de modo significativo a veracidade dos fenômenos.
Embora a pesquisa neste campo esteja sujeita a uma série de percalços metodológicos,
pode-se constatar que a ocorrência de tais casos, se devidamente comprovados, muito pode
elucidar os complexos problemas da natureza fisiopsicossomática do homem.
Fenômenos de efeitos físicos, através de "marcas e impressões de mãos de fogo em espelhos ou
outros objetos também constam de vários registros ao longo da história da pesquisa psíquica
não só na Inglaterra, Estados Unidos e outros países que investigaram fenômenos de
materialização ou ectoplasmia desde os primórdios da História do Espiritismo.

Capítulo 7 O CASO DIMAS


O s múltiplos e complexos fenômenos anímicos podem ser melhor compreendidos com
base em um conceito de vida de relação mais amplo e transcendente.
O espírito encarnado ou desencarnado deve ser considerado em função de seu
contínuo-histórico espaço-temporal e, deste modo a vida de relação adquire um significado que
transcende as limitações espaço-temporais do aqui e do agora.
Ressalta-se que os mecanismos de interação entre o organismo e o meio, inerentes à vida de
relação, apresentam outra dinâmica que ultrapassa as dimensões psicofisiológicas conhecidas
pela ciência acadêmica e, naturalmente, aguarda o momento histórico propício para se revelar
em toda a sua plenitude, marcando um novo ciclo de descobertas e progresso científico, que
haverá de libertar o homem de suas atuais limitações conceituais.
Inegável a contribuição do Espiritismo para a melhor compreensão da natureza
fisiopsicossomática do homem e suas interações com o meio ambiente que, por sua vez,
transcende também as dimensões físicas conhecidas, desdobrando-se em outras "N" dimensões
em que a vida de relação se evidencia, em obediência a Leis que regem a manifestação do
espírito em todos os Reinos da Natureza.
Nos processos de desencarne ocorre a ruptura progressiva dos campos energéticos que
ligam o Espírito ao seu respectivo corpo físico através do perispírito ou psicossoma.
Múltiplos fenômenos tanto fisiológicos quanto anímicos ocorrem como uma reação em
cadeia, obedecendo aos automativos reflexológicos inerentes à própria constituição
psicossomática do organismo e à história do indivíduo.
Os fenômenos fisiológicos se caracterizam por um dinamismo intenso e complexo cujas
ações e reações energéticas se processam automaticamente, envolvendo todos os centros vitais,
numa progressiva desorganização até atingir a fase de completa liberação do espírito.
A desencarnação varia de indivíduo para indivíduo estando intimamente relacionada à real
posição evolutiva do espírito, o qual toma parte ativa no processo com maior ou menor grau de
consciência.
Raros são os casos em que o próprio espírito acompanha o processo liberatório com plena
consciência e autonomia.
Além dos fenômenos citados, outros de natureza mediúnica ocorrem, como a evidenciar o
acerto da transcendência do conceito de vida de relação.
Realmente inúmeros são os que atestam direta ou indiretamente a presença de espíritos
desencarnados ligados ao moribundo por laços de parentesco ou por afinidade espiritual.
Para elucidar o tema em pauta, serão analisados os casos estudados por André Luiz em
Obreiros da Vida terna.

O CASO DIMAS
A desorganização fisiológica já se instalara verificando- se as seguintes disfunções
irreversíveis:
1. O fígado iniciara a paralisação definitiva de suas funções normais.
2. O estômago, o pâncreas e o duodeno igualmente se apresentavam com "anomalias
estranhas" incompatíveis com sua fisiologia.
3. Os rins apresentavam aspectos patológicos de franca desorganização. "Os
glomérulos prendiam-se aos ramos arteriais como pequenos botões arroxeados; os tubos
coletores, enrijecidos, prenunciavam o fim do corpo".
4. Todo o organismo se via ameaçado pela gangrena generalizada.
5. Variadas espécies de microrganismos "nadavam nos líquidos acumulados no ventre,
concentrando-se particularmente no ângulo hepático, como a buscarem alguma coisa com
avidez, nas vizinhanças da vesícula".
6. O "coração trabalhava com dificuldade. Enfim o enfraquecimento atingira o auge".
Estes eram os sintomas patológicos prenunciando o desencarne de Dimas.
Enquanto isto, agentes desencarnados socorristas providenciavam a assepsia e o
saneamento da psicosfera ambiental, procurando neutralizar as correntes de força mental,
exteriorizada pela esposa aflita e demais familiares, dificultando a liberação definitiva de
Dimas.
Recursos magnéticos foram utilizados tanto em benefício da esposa quanto do próprio
agonizante.
Passes longitudinais foram aplicados sobre o doente desfazendo "os fios magnéticos que se
entrecruzaram sobre o corpo abatido"
Tais providências foram tomadas objetivando obter uma fictícia melhora do paciente e,
com isto, aliviar as tensões mentais e afetivas dos familiares e amigos que sem o saberem
estavam prejudicando o desencarne de Dimas.
Em consequência da transfusão energética recebida, Dimas se recuperou em parte, dando
mostras de alívio, respirando em "ritmo quase normal", podendo dialogar com os familiares,
tranquilizando-os.
A pedido do próprio doente e a conselho do médico, os familiares agora, mais
esperançosos, se retiraram, deixando Dimas em absoluto repouso.
Esta era a situação ideal para que os Socorristas pudessem agir.
Novas providências foram tomadas conforme especificação abaixo:
1. Estabelecimento de uma "rede fluídica de defesa em torno do Leito", com a
finalidade de absorverem e neutralizarem as vibrações mentais inferiores.
2. A manutenção de intensa comunhão espiritual através da prece como poderosa fonte
de recursos saneadores, bactericidas e profiláticos.
3. Aplicações magnéticas sobre:
a) O plexo solar do agonizante;
b) A parte posterior do cérebro.
Sob esta transfusão energético-espiritual o agonizante apresentou as seguintes reações;
a) Emissão de belos e luminosos pensamentos;
b) Sem perceber diretamente a presença dos espíritos Socorristas, Dimas conservava a
intuição clara e ativa;
c) "Experimentou imperiosa necessidade de orar", fazendo comovente rogativa
mental;
d) "Após breves minutos, recordou a meninice distante", relembrando a mãé
desencarnada há tantos anos.
e) Em prece, apresentava o coração como um foco radioso.
Em decorrência da rogativa formulada "venerável anciã" se apresentou no recinto. Era a
mãe de Dimas que vinha ajudá-lo em seu desencarne.
"Dimas, experimentando indefinível bem-estar no
regaço materno, parecia esquecer, agora, todas as mágoas, sentindo-se amparado como criança
semi-inconsciente, quase feliz".
Os Socorristas continuaram as operações:
1. De Isolamento, neutralizando as emissões mentais da esposa que se encontrava
dormindo em seu aposento.
2. De Magnetização, consistindo:
a) Na "insensibilização do vago para facilitar o desligamento das vísceras".
b) No isolamento "de todo o sistema nervoso simpático, neutralizando, mais tarde, as
fibras inibidoras no cérebro". ;
c) Projeção de energias magnéticas sobre a mente do moribundo e sobre o plexo
solar, "desatando os laços que localizam forças físicas", provocando o extravasamento de
"certa porção de substância leitosa do umbigo, pairando em tomo dele".
Em seguida os membros inferiores se imobilizaram, apresentando sintomas de esfriamento,
ao mesmo tempo que semi-inconsciente Dimas gemeu em voz alta.
d) Concentração de passes sobre o tórax, provocando e relaxamento dos elos de
manutenção da coesão celular no Centro Emotivo, "Operando sobre determinado ponto do
coração" que passou a funcionar como mecânica e desreguladamente, com o consequente
desprendimento de nova porção de substância que se extravasava do corpo, do epigastro à
garganta, determinando uma reação muscular generalizada de oposição à libertação das forças
motrizes, dificultando a liberação do espírito que experimentava angustiosa aflição.
0 corpo físico reagiu automaticamente, oferecendo resistência, em decorrência da ação
das forças de atração e coesão molecular. Mesmo assim, o coma se instalou irreversível.
e) Intervenção no Centro Mental através de concentração de todo o potencial de
energia, atuando na fossa romboidal, localizado no cérebro, provocando a ruptura dos últimos
elos de ligação do espírito ao corpo físico.
Após as últimas operações de magnetização no cérebro, completou-se a desencarnação
propriamente dita, compreendendo as seguintes etapas:
1 — Desligamento de "brilhante chama violeta dourada" que se desprendeu da região
craniana, absorvendo, instantaneamente a vasta porção de substância leitosa exteriorizada
anteriormente.
II — Transformação da chama violeta dourada em "maravilhosa cabeça" idêntica em
todos os detalhes anatômicos ao Dimas em desencarnação.
III —Reconstituição de todo corpo perispiritual, "membro a membro, traço a traço".
IV —Ressurgimento do novo organismo perispíritico. À medida em que uma "luz
violeta dourada" localizada no cérebro, gradualmente ia perdendo a luminosidade fulgurante
até o seu completo desaparecimento.
V — Deslocamento de Dimas-desencamado, que se elevou acima de seu cadáver, não
obstante permanecer ainda ligado ao corpo físico inerte, através de "leve cordão prateado" à
semelhança de um "sutil elástico" que conectava o cérebro físico cadaverizado ao cérebro
perispíritico de Dimas recém desencarnado.
VI —Recolhimento da nova forma que foi envolvida em "túnica de tecido muito
branco" pela genitora de Dimas, permanecendo ainda ligado pelo cordão prateado.
VII —Ruptura e Desligamento Definitivo do cordão prateado no dia imediato ao
desenlace, duas horas antes de se organizar o cortejo fúnebre.

O CORDÃO PRATEADO
A desencarnação se consolida a partir da ruptura do cordão fluídico que liga o cérebro
físico morto ao cérebro vivo do desencarnado.
Enquanto perdura esta ligação, o espirito absorve os "princípios vitais" restantes do
organismo físico.
Após o corte desta ligação, Dimas desencarnado se vê livre do corpo físico como um
convalescente depois cie um longo sono.
Neste último estágio, ocorre ainda uma troca de energia, isto é, o perispírito recebe as
últimas forças do corpo inerte o qual por sua vez absorve também a cota de bioenergia do
perispírito do desencarnado.
André Luiz informa que "o apêndice prateado era a verdadeira artéria fluídica, sustentando
o fluxo e o refluxo dos princípios vitais em readaptação".
Tão logo ocorreu o corte do cordão prateado o corpo físico entrou em avançado processo de
decomposição.
Por outro lado, Dimas-desencamado, aos poucos foi adquirindo maior consciência de sua
nova condição, amparado pelos Socorristas e pela própria genitora desencarnada que viera
ampará- lo no seu decesso.
Casos há em que o desencarnado fica preso ao cadáver pelo cordão fluídico e, desta forma,
experimenta todas as sensações desagradáveis do corpo em decomposição.
Tal imantação acontece em razão da vida desequilibrada a que voluntariamente o indivíduo
venha a se entregar ao longo de sua existência física, malbaratando suas energias, através de
maus hábitos e conduta geradora do desequilíbrio psicossomático sob o império das emoções
egoísticas e dos pensamentos destrutivos.
Nestes casos o cordão fluídico apresenta um aspecto opaco, perdendo aquele brilho
característico que se observa nas pessoas espiritualmente mais evoluídas.
Importante é sua função permitindo a circulação de recursos vitais entre o corpo físico e a
organização perispíritica, sob a ação automática da mente humana.
Dotado de extrema elasticidade o cordão fluídico se distende ou se retrai conforme as
necessidades do Espírito nos fenômenos do desdobramento ou de projeção astral consciente ou
incoíwciente.
Com a desencarnação o Espírito não mais apresenta este cordso que o liga ao corpo físico.
Esta é uma das diferenças estruturais entre encarnados e desencarnados.

Capítulo 8 O CASO FÁBIO


Profundamente abatido, Fábio respirava com grande dificuldade, revelando indescritível
mal-estar.
Cercado do carinho da esposa e filhinhos vivia os derradeiros momentos de sua existência
física.
Amparado pelos amigos espirituais e peio próprio genitor, era alvo de fraternal assistência
espiritual com vistas ao desenlace definitivo que se aproximava improrrogável.
Dois agentes socorristas passaram à aplicação de passes longitudinais no enfermo, por
intermédio dos quais substâncias nocivas foram conservadas à flor da epiderme, deixando de
ser alijadas em definitivo.
Sob a influência dos Socorristas, Fábio solicitou um leve banho morno.
A água recebera dos mencionados Socorristas determinados agentes que ativaram seu
potencial de absorção.
As substâncias fluídicas prejudiciais acumuladas foram totalmente retiradas das glândulas
sudoríparas, produzindo efeito salutar na disposição geral do enfermo.
Fábio, extremamente sensível, captava a benéfica influenciação dos Socorristas e do
próprio genitor, o qual lhe transmitiu, pela imposição da mão sobre a sua fronte, vigoroso fluxo
energético que reativou todo o organismo, desde a massa encefálica até o coração, readquirindo
o ânimo e disposição para fazer suas últimas recomendações à dedicada esposa que o
acompanhava
solícita naqueles últimos lances, liberando-a dos compromissos conjugais após consumado o
seu desencarne.
Depois de comovedora cena de elevado sentimento religioso em que os familiares reunidos
oravam e, cessada a influenciação magnética do genitor Fábio foi submetido à intervenção dos
Socorristas que passaram a ministrar passes anestesiantes.
Em decorrência destas aplicações, Fábio viu-se envolvido em "deliciosas sensações de
repouso".
Logo após, foi submetido a complexas Operações Magnéticas sobre os órgãos vitais da
respiração, com a consequente "ruptura de importante vaso", provocando uma crise de tosse e
um fluxo de sangue que lhe saia da boca aos borbotões.
As operações magnéticas prosseguiram sobre o plexo solar, coração e cérebro, desatando o
nó vital.
Em consequência, Fábio foi afastado completamente do corpo físico, ficando, porém ligado
ao mesmo por meio de brilhante cordão prateado que, após uma hora, foi cortada pelos
Socorristas, consumando-se assim o desencarne definitivo de Fábio, que foi amparado pelos
benfeitores espirituais que o assistiam naquela emergência.
Fábio desencarnado, posteriormente, foi conduzido a um posto de socorro espiritual para
fins de readaptação à nova condição de vida.
As fases do processo desencamatório se assemelham, mostrando-se entretanto, que variam
de indivíduo para indivíduo.
A título de exemplo, no caso Dimas, a ruptura do cordão prateado se deu muitas horas
depois, enquanto que no caso Fábio apenas decorrido uma hora o cordão prateado foi
seccionado culminando na imediata liberação de Fábio-Espírito.
Este detalhe e outros mais serão oportunamente analisados com o objetivo de se verificar as
semelhanças e diferenças básicas observadas nos casos objeto de análise.
É importante salientar que a maior ou menor participação autônoma e consciente depende
sempre do maior ou menor grau de evolução e auto-realização espiritual de cada um.
Quanto mais amadurecimento espiritual e realização efetiva na prática do bem, maior é a
probabilidade de se libertar dos elos que aprisionam o espírito por ocasião do desencarne.

Capítulo 9 O CASO
CAVALCANTE
A ocorrência dos fenômenos anímico-mediúnicos durante as fases do processo desencarnatório
é passível de constatação desde que se disponha a uma investigação científica sistemática e
rigorosamente bem conduzida.
Tais fenômenos têm sido constatados em diferentes épocas na história da investigação
psíquica e em diferentes países.
Ressalta-se a relevância do estudo e análise da imensa liteâjtóura mediúnica, em especial
no que diz respeito às descri- çõfc:- de André Luiz e outros desencarnados, psicografados por
diferentes médiuns, em diferentes contextos histórico-culturais.
E compreensível as restrições quanto a este tipo de abordagem metodológica. Não obstante
tais restrições, os preconceitos devem ser superados e aqueles que se dispuserem a uma
investigação analítica das informações obtidas por via mediúnica autêntica e merecedora de
confiabilidade, poderão encontrar um manancial de ensinamentos que haverão de mudar as
concepções científicas do homem moderno, abrindo amplas perspectivas para o conhecimento
da realidade existencial do ser humano.
Se tais procedimentos forem estabelecidos, mediante parâmetros metodológicos bem
definidos, poder-se-ão organizar sistemas referenciais com indicadores qualitativamente
significativos, que poderão elucidar os complexos fenômenos psíquicos tanto de natureza
anímica, quanto de natureza mediúnica propriamente dito, observáveis antes, durante e após o
desencarne.
No caso Cavalcante o quadro se configurava dolorosamente irreversível.
As defesas orgânicas de Cavalcante estavam em franca decadência, devido à infecção
generalizada.
Os órgãos abdominais como, estômago, intestino, pâncreas e fígado estavam em acelerado
processo de degeneração, atacados por destruidores agentes patogênicos.
A desarmonia orgânica se instalara generalizada e irreversível.
Entretanto, Cavalcante agonizante, animado pelo natural instinto de continuar vivendo,
mobilizou a vontade, pondo em ação o poder mental na tentativa de induzir os centros vitais a
continuar exercendo suas importantes funções na manutenção da vida orgânica.
Após quatro dias em que recebe dos Socorristas carinhosa assistência médico-espiritual
foram tomadas as providências para o desligamento dos laços que ainda o retinham jungido ao
corpo físico em franca decomposição.
Quais as reações de Cavalcante?
Em consequência do auxílio espiritual recebido Cavalcante percebeu intuitivamente que o
seu desenlace estava próximo, daí porque solicitou ajuda espiritual do capelão do ho.-pital, a
quem fez comovedora confissão.
Sentia medo de morrer e seu temor se agravava ainda mais por considerar-se igualmente
responsável pelo insucesso conjugal.
Recordações de sua vida passada afloravam-lhe à mente com intensidade, impondo-lhe
doloroso conflito consigo mesmo.
Neste estado de ânimo, instintivamente, opunha-se ao auxílio espiritual dos Socorristas que
operavam com desvelado carinho, iniciando-se o desligamento parcial a partir da intervenção
no plexo solar.
Com o progressivo enfraquecimento do organismo as percepções espirituais de Cavalcante
tornaram-se mais ativas possibilitando ao mesmo, tomar maior consciência da realidade
extrafísica que o cercava.
O ambiente espiritual da Enfermaria apresentava cenas diversas de vampirismo, capazes de
provocar graves perturbações de desequilíbrio nos doentes que inesperadamente tomassem
consciência daqueles quadros de parasitismo entre os diversos enfermos e os desencarnados em
precárias condições que ali permaneciam em deploráveis viciações.
A percepção espiritual de Cavalcante se ampliara e sua visão psíquica passara a registrar
aquelas cenas horripilantes que 0 perturbavam profundamente, provocando nele cruciantes
padecimentos.
Via as cenas deprimentes sem registrar a presença espiritual dos Socorristas e,
desesperadamente, gritava diante dos demais enfermos, descrevendo as cenas desagradáveis e
assustadoras que passara a registrar.
Com a percepção espiritual dilatada, registrou a presença de sua esposa desencarnada,
trazida por um dos Socorristas, a fim de apaziguar-lhe a consciência de vez que implorava vê-la
antes do próprio desencarne.
Comovente diálogo se estabeleceu entre ambos beneficiando em parte o agonizante.
Após o entendimento estabelecido e não se fazendo mais útil a presença da esposa
desencarnada que, também, se apresentava em precárias condições espirituais, os Socorristas
retiraram-na de junto do esposo moribundo, após cumprida a finalidade de sua presença.
Extremamente perturbado com o afastamento da esposa desencarnada, gritava para que ela
voltasse, provocando no médico que o assistia no plano físico, imediata atenção para seu
doloroso estado de agonizante a se debater reagindo contra a morte.
Em vão os Socorristas procuraram acelerar o processo desencarnatório.
O clínico compadecido, resolveu aplicar-lhe uma "injeção compassiva" que precipitou o
desencarne de Cavalcante.
De imediato a ação da droga se fez sentir no corpo combalido, o qual se imobilizou,
adquirindo em seguida as características cadavéricas.
Entretanto, Cavalcante-Espírito se manteve preso ao corpo inerte, incapacitado de qualquer
reação, por se encontrar completamente inconsciente e imobilizado, sob a ação da forte
medicação, cujo efeito repercutiu profundamente nos centros perispíri ticos.
Neste estado de torpor e de inconsciência Cavalcante permanecerá e somente transcorridas
20 horas e, depois de laboriosas operações magnético-espirituais foi possível aos Socorristas
desligá-lo do corpo físico.
Ainda assim Cavalcante se conservava apático e sem maior controle necessitando de
cuidados especiais no plano espiritual.
Qual a repercussão da medicação fulminante no perispíri to de Cavalcante?
O efeito da ação anestesiante da droga injetada na corrente circulatória, atuou diretamente
no sistema nervoso, com profunda repercussão nos correspondentes centros vitais
perispíriticos de Cavalcante-Espírito.
A análise da reações fisiopsicossomáticos de Cavalcante, logo após o desencarne,
apresenta uma série de ensinamentos que contribuem para esclarecer a íntima relação do
interdependência entre o corpo físico e o perispírito propriamente dito.
Assim sendo, verifica-se que a substância anestesiante não afeta somente as células físicas
mas repercute na dinâmica fisiológica do perispírito, como a produzir violento choque elétrico.
Considerando as propriedades químicas e sua ação específica no "campo infinitesimal dos
núcleos celulares" é admissível supor que todo o remédio em função de sua constituição
químico-eletromagnética e, em sua manifestação energética possua um raio de ação específica
que afeta em diferentes níveis físicos e extrafísicos a organização celular.
É interessante lembrar que o perispírito possui uma organização formada à base de matéria
rarefeita mobilizando trilhões de unidades celulares, que se conservam saturadas de vitalidade
específica, mesmo depois de se dar o desencarne.
Nesta propriedade da organização celular perispíritica reside o fato de que determinadas
criaturas como os suicidas experimentam profundo sofrimento durante tempo variável, por
terem imposto a si mesmos a autodestruição.
O mesmo ocorre com os espíritos viciados que se deixaram arrastar no torvelinho das
emoções desequilibradas, ficando presas de angustiosa frustração e tremenda inquietude, por
se sentirem escravos do desejo insatisfeito.
Toda injúria causada ao corpo físico reflete no espírito assim como toda perturbação do
espírito reflete no corpo físico, evidenciando as íntimas inter-relações de interdependência
entre matéria e espírito no quadro geral da Natureza.
Cavalcante recém desencarnado conservava ainda os condicionamentos psicológicos e
culturais oriundos de sua experiência física, e de sua educação religiosa, sendo mais receptivo
às intervenções de um sacerdote católico desencarnado do que às dos domais Socorristas que o
assistiam com fraternal desvelo e competência.
A medida que recuperava a lucidez mental, mais insistente se mostrava em suas exigências
e solicitações, em especial quanto às idéias religiosas de que se nutria, demonstrando um
comportamento pueril e de exagerada boa fé, em suas às vezes descabidas indagações.
Isto evidencia que o fenômeno do desencarne não confere sabedoria e nem tampouco
virtude para quem não desenvolveu pelo próprio esforço e auto-educação, a nobreza de caráter
e de sentimentos, apanágio do homem verdadeiramente sábio.
Capítulo 10 O CASO ADELAIDE
O estudo das informações obtidas por via mediúnica, a respeito das múltiplas ocorrências
relacionadas ao desencarne em diferentes circunstâncias e relativas a diferentes pessoas, pode
ser de grande utilidade para que se possa estabelecer indicadores para fins de investigação dos
múltiplos fenômenos referentes ao processo desencarnatório.
Com este objetivo, e nesta oportunidade, procura-se analisar também o caso Adelaide, em
seus aspectos específicos, quanto ao fenômeno do desencarne propriamente dito.
O enfraquecimento orgânico facilitava o desdobramento de Adelaide, cuja lucidez
espiritual contribuía positivamente para o contato consciente e direto com os Socorristas,
através de fraternal entendimento.
Graças ao esclarecimento espiritual de que era portadora, e considerando suas conquistas
no campo da auto-realização, Adelaide acompanhava conscientemente os preparativos para o
momento decisivo do seu desencarne.
Embora apresentando excepcionais condições para se libertar do corpo físico, às vezes se
pronunciava temerosa diante da realidade inevitável.
Tal era sua condição espiritual que, facilmente, mantinha contato com os Agentes
Socorristas, entabulando instrutiva e fraternal conversação, toda vez que se desprendia do
corpo alquebrado.
Por haver conquistado a confiança, admiração e respeito de seus colaboradores na
instituição socorrista de que se fizera valiosa cooperadora na edificação do bem, assumira
várias funções cumulativamente, tornando-se um elemento de apoio espiritual de muitos outros
colaboradores, integrantes da benemérita instituição, da qual se tomara um sustentáculo.
Ela mesma reconhecia a necessidade de se libertar, mas os pensamentos de amigos,
parentes e colaboradores estavam interferindo no processo desencarnatório, tendo sido
tomadas as providências espirituais necessárias para que tais interferências fossem
neutralizadas.
Após intervenção magnética dos Agentes Socorristas, Adelaide apresentou melhoras em
seu estado geral, de modo a tranquilizar parentes e amigos.
A psicosfera ambiental tornara-se mais favorável, caracterizando-se pela atmosfera de paz
e confiança da parte de todos os colaboradores que acompanhavam de perto a abnegada
servidora do Bem.
O saneamento psíquico do ambiente contribuiu para facilitar a participação dos
companheiros da instituição, que se reuniram em assembléia espiritual, por ocasião do sono
físico.
A reunião fora realizada com a presença de Adelaide, amparada por generosos benfeitores
da instituição, tendo por objetivo esclarecer os companheiros encarnados e eliminar as
"correntes mentais de retenção", as quais estavam interferindo no processo de desencarnação
de Adelaide, dificultando sua libertação.
Os benefícios decorrentes de tal providência se fizeram sentir em Adelaide, que desde
então voltara ao corpo físico, sentindo-se mais reanimada e bem-disposta, apesar da extrema
debilidade orgânica.
Tinha plena consciência da situação e aguardava o momento decisivo do seu total
desligamento.
Os Socorristas acompanhavam-na com desvelo e dedicação, quando Adelaide solicitou
pudesse ela mesma atuar na própria desencarnação, libertando-se do "casulo de carne".
Durante longas horas Adelaide esteve a sós, trabalhando espontaneamente nas complexas
operações de ruptura e desligamento progressivo dos centros de força, atuando no plexo solar e
no coração, tendo sido auxiliada pelos Agentes Socorristas nos derradeiros minutos, quando
intervieram desatando o "apêndice prateado".
Adelaide-Espírito viu-se livre, enfim, qual borboleta re- cém-liberta do casulo.
Plenamente consciente, aguardou o momento da inumação dos próprios despojos,
"consolando amigos e recebendo consolações".
Após orar fervorosamente, agradecendo o concurso ao corpo físico durante sua permanência na
"Escola Terrestre", seguiu tranquila e confiante, acompanhada de amigos e dos Socorristas,
rumo à Casa Transitória...

Capítulo 11 O CASO DO IRMÃO


JACOB
O registro analítico de fenômenos descritos e vivenciados pelos desencarnados, por ocasião
do processo desencarnatório, psicografado por intermédio de sensitivos idôneos, experientes e
bem disciplinados no exercício da mediunidade, merece especial atenção no campo da
pesquisa psíquica.
Embora nos meios acadêmicos oficiais ainda haja grandes barreiras levantadas pelo
preconceito, devem ser estimulados o esti®«'5 e a investigação de todos os casos possíveis
relacionados aos ísíHÓmenos anímicos e/ou mediúnicos que possam ampliar o horizonte do
conhecimento da natureza fisiopsicossomática do ser humano e sua interação com o meio
físico e extrafísico do qual faz parte.
Os fenômenos anímicos e/ou mediúnicos, passíveis de observação por ocasião do
desencarne, e relatados pelo próprio agente theta, ou espírito desencarnado, com o concurso de
intermediários, estão exigindo que, na atualidade, estudiosos e pesquisadores tudo façam no
sentido de promoverem uma ação conjunta no campo da pesquisa paranormal.
Esta é uma iniciativa que demanda muita dedicação, renúncia e perseverança, além da
preparação metodológica específica de natureza muito complexa.
No presente caso do irmão Jacob, relatado pelo próprio agente desencarnado no livro
"Voltei", psicografado por Francisco Cândido Xavier, (Edição FEB, 1948), constata-se o
seguinte:
Modificações preparatórias antes do desencarne
— Tomada de consciência do agravamento do estado orgânico.
— Reações de enternecimento e sentimentalismo, ao contrário do que era na vida
prática em sua vida de relação.
— Sensações de prostração e de inesperada sensibilidade emocional.
— Maior sentimento de introspecção e tomada de consciência de si mesmo.
— Maior necessidade de ternura e compreensão.
— "Sensação de exílio e deslocamento".

Ocorrências no "Grande Desprendimento"
— Em vários momentos se via fora do corpo físico.
— Nas últimas 30 horas reconheceu-se em posição estranha, tendo a "idéia de que dois
corações batiam" em seu peito.
Notava, porém, que o coração físico apresentava um ritmo descompassado, quase que
interrompendo seus batimentos, enquanto que o outro pulsava "mais equilibrado, mais
profundo", na sua organização perispíritica.
— Sensações visuais caracterizadas por u:na forma luminosa de "clarões subitâneos",
mas que eram seguidos de outras tantas sensações em que se via cercado de "densa neblina".
— Apesar de se encontrar confortavelmente instalado na câmara de oxigênio, sentia
"estranhas sensações".
— "Frio intenso feriu-lhe as extremidades".
— Mantinha-se consciente e indagava a si mesmo: "Não seria a integral extinção da
vida corpórea?".
— Reagiu, procurando acalmar-se, recorrendo à oração, rogando auxílio espiritual
em seu benefício.
— Após a prece, começou a ver ao seu lado esquerdo a "formação de depósito de
substância branca prateada, semelhante a gaze tenuíssima"...
— Sentia-se mergulhado em um nevoeiro, não podendo distinguir se era dia ou se era
noite.
— Neste momento, notou "duas mãos caridosas" que lhe aplicavam "passes de
grande corrente".
— As impressões angustiosas diminuíram, à medida que se processava a aplicação do
passe de alto a baixo do corpo, de- morando-se no tórax.
— Neste momento experimentou forte lembrança de um amigo desencarnado, julgando
ser beneficiado por sua presença espiritual.
— Ainda neste mesmo momento, implorou mentalmente ajuda de que necessitava.
— De imediato ouviu uma voz a dizer-lhe: "Não se mexa! Silêncio! Silêncio!".
— Conscientemente conclui estar prestes ao desencarne definitivo.
— O alívio experimentado inicialmente cedera ao registro de dolorosas sensações de
esmagamento do peito.
— Nesta fase percebia "as mãos do passista espiritual" concentrando energia no seu
cérebro.
— A operação durou quase duas horas, "sobre os contornos da cabeça".
— Logo após, experimentou suave sensação de bem-estar seguido de "um abalo
indescritível na parte posterior do crânky’'.
— Teve a sensação de haver recebido um choque elétrico de grande intensidade na
intimidade da substância cerebral.
—• De inopino experimentou os fenômenos da visão panorâmica, projetando de seu mundo
íntimo, como numa tela cinematográfica, todos os lances de sua vida, incluindo os
pensamentos e emoções mais recônditos, vendo-se pois cercado por suas próprias criações.
— Sentiu-se sozinho e amedrontado, relegado às próprias obras.
— Tentou gritar e pedir socorro, mas tudo foi em vão. O corpo físico jazia inerte, os
músculos não mais obedeciam.
— Buscou na prece o amparo de que necessitava, mas fugira-lhe o poder de
concentração.
— Sentiu-se confuso, não conseguindo distinguir se era um homem nos derradeiros
momentos da morte, ou um "náufrago a debater-se em substância desconhecida, sob intenso
nevoeiro".
— Apesar do conflito em que se encontrava reagiu, buscando novamente o auxílio
espiritual de que necessitava.
— As perturbações desapareceram após a decisão firme de orar.
— O auxílio espiritual não se fez esperar. Sentiu-se amparado por vigorosos braços
invisíveis que o reajustavam no leito.
— Apesar de se sentir oprimido por aflição asfixiante, ansiava por libertar-se.
"Chorava conturbado, jungido ao corpo desfalecente, quando tênue luz se fez perceptível ao
seu olhar".
— Intenso suor banhava-lhe o corpo.
— Neste estado de agonia vislumbrou sua filha, desencarnada há vários anos, a
estender-lhe os braços, num amoroso gesto de transbordamento de amor filial.
— Sentiu-se abraçado pela filha ouvindo-lhe a voz: "Agora, paizinho, é necessário
descansar".
— Tentou movimentar os braços num gesto de retribuição afetiva. Entretanto, tinha a
impressão de que os mesmos estavam sob "uma tonelada de chumbo".
— Copioso pranto de júbilo e reconhecimento inundou- lhe os olhos... A presença da
filha representava "o mundo diferente, em nova revelação".
"Em pleno transe"
— Tentou fazer-se ouvido em alta voz, rnfcS seus membros jaziam "inteiriçados e os
órgãos da fala cm descontrole".
— Experimentou imperfeito conhfic.mt no da posição dos familiares. Visão
perturbada. Sensação de esmagamento a percorrer-lhe todo o corpo.
— Não conseguiu articular as idéias para manifestar de viva voz sua extrema gratidão e
intenso júbilo.
— Neste estado ouviu a filha desencarnada dizer-lhe: "Os nossos benfeitores desatam
os últimos elos. Enquanto isto, façamos nossa oração"...
— Sentiu a respiração ofegante, "como nos derradeiros dias de luta no corpo físico".
— Viu com alegria sua filha elevar-se repetindo o Salmo 23.
— Dores cruéis invadiram-lhe a região torácica, em con- sequência da extração de
resíduos fluídicos que o enlaçavam à zona do coração.
— Após a prece em seu benefício percebeu que as dores tornaram-se menos rudes.
— linha consciência da presença espiritual da filha, que o acompanhava amorosamente
naqueles últimos lances, em pleno limiar entre a vida no corpo físico e a vida no reino do
espírito.
— O socorro espiritual prosseguia. A respiração se fez equilibrada e o coração passou a
bater regularmente em seu peito.
— Com o olhar suplicou socorro à filha que o acompanhava naquela operação
desencarnatória. Percebeu então que ela movimentou cuidadosamente o braço direito,
passando repetidamente a mão sobre sua cabeça exausta.
— Compreendeu que lhe estavam sendo aplicados recursos terapêuticos de natureza
espiritual ainda incompreensíveis para si mesmo.
Decorridos alguns minutos sentiu-se melhor, com maior facilidade para concatenar os
pensamentos, e, mais confiante, fez sincera súplica.
— Embora sentindo-se extremamente enfraquecido, começara a experimentar uma
harmonia generalizada.
Percebeu a projeção de "fagulhas minúsculas de luz em po; ção imensa" vindas de sua filha.
Essa luz o envolvia todo, ao mesmo tempo em que se viu cercado por uma atmosfera
"fracamente iluminada em tom de laranja".
— A respiração normalizou-se e a falta de ar desaparecera. Sen tiu os pulmões em
pleno funcionamento e completamente restabelecido, tendo a impressão de estar haurindo
"alimento invisível do ar leve e puro".
— O restabelecimento da "força orgânica fortificou-lhe a potência visual". "A claridade
alaranjada que me revestia casa- va-se à luz comum"...
— Embora a melhora experimentada, ainda não lhe era possível articular palavras.
Sentia-se ainda profundamente abatido.
— "Assombrado", viu-se em Duplicata. Fixou o corpo físico a enrijecer-se. Sentiu um
misto de espanto e amargura.
— Olhou a filha com humildade, e numa atitude de súplica, como criança medrosa,
sentiu-se vencido e sem nenhuma revolta.
— Contemplando o próprio cadáver, profundas reflexões se impuseram... Entretanto, a
"idéia de vida e eternidade" prevalecera dentro de si mesmo.
— A filha compreendera a situação do pai. Mais tema- mente explicou-lhe.
"Tenha calma, papai. Os laços não se desfizeram
totalmente. Precisamos paciência por mais algumas horas".
— Procurando observar melhor, verificou a existência do Fio prateado, ligando novo
organismo à cabeça imobilizada.
— Viu-se em delicada e difícil situação. O cadáver seria ele ou ele seria o cadáver?
Através de que sentidos poderia se comunicar? Dos que jaziam no corpo físico cadaverizado ou
através de sua nova organização, cuja natureza ainda não lhe era conscientemente familiar?
— Tentando ver pelos olhos cadaverizados, sentiu-se novamente envolvido em
espesso nevoeiro.
— Compreendeu que o FIO PRATEADO se assemelhava ao cordão umbilical ligando
o nascituro ao organismo materno.
Naquele momento profundas reflexões acudiram-lhe a mente, em sinal de gratidão ao
veículo físico como valioso instrumento de trabalho e progresso.
No limiar
— Em consequência de sua autodeterminação em conservar o maior equilíbrio
possível, mantendo-se em prece, a capacidade visual se lhe dilatara, produzindo-lhe "curiosos
fenômenos de ótica".
— A noção de perspectiva se lhe modificara.
— Aumentara-lhe a acuidade visual, percebendo objetos e luzes, não obstante sentir-se
indeciso quanto à exata posição dos mesmos.
— Esforçara-se conscientemente no sentido de ver com maior exatidão o que se
passava ao derredor.
Com inusitada alegria percebera com maior nitidez duas entidades ladeando sua filha.
Reconhecera a presença do venerável benfeitor Bezerra de Menezes, e no outro identificara
o benemérito irmão Andrade, ambos sorrindo, dando-lhe as boas-vindas.
— A separação definitiva do corpo físico se processava normalmente, não obstante a
demora com que vinha se realizando, em consequência da longa e ativa existência que tivera.
— A presença de "fluidos gravitantes" no ambiente doméstico contribuía também para
dificultar-lhe o desencarne.
— Recebera do benfeitor espiritual Bezerra de Menezes "abundante luz", através da
aplicação de passes, provocando-lhe salutar refazimento, após o término da operação
magnética.
— Amparado pelos amigos Socorristas foi conduzido à praia para aproveitar as
benéficas vibrações marítimas.
— Verificara ainda que se achava ligado ao corpo físico cadaverizado.
— O contato com as belezas da paisagem marítima fizera-lhe bem, não obstante
sentir-se mais enfraquecido.
— Uma sonolência irresistível acometera-lhe apesar de reagir procurando satisfazer
sua natural curiosidade em tudo observar e aprender.
— Notara que estava abrigado por um vasto roupão claro de convalescente, e isto muito
o surpreendeu.
— Aconselhado para não reagir contra o repouso, deixara-se anestesiar pelo sono
reparador à beira-mar, sob o amparo da filha e dos amigos espirituais.
— Despertara do sono reparador. Sentia-se "outro homem". Conversara e recebera
novas informações e explicações de sua filha, incluindo as relativas a vestimenta que dentro em
breve lhe seria trazida.
— Tomou conhecimento de que, dentro em breve, Bezerra de Menezes "cortaria os
derradeiros laços que o retinham ainda, de certa forma, aos envoltórios carnais".
— Recebera esclarecimentos quanto ao enterramento dos seus despojos.
— Sentia-se agora mais rejuvenescido. Observava possuir um "veículo novo",
sentindo-se o mesmo "dos pés à cabeça. Coração e pulmões funcionavam regulares".
— Observava a paisagem ao redor. "Casas, vegetação e o próprio oceano pareciam
cercados de substância colorida". "A claridade solar em derredor revelava maravilhosos
cambiantes".
— Recebera informações de que nem todos encarnados tinham possibilidades de
terem suas percepções visuais dilatadas a ponto de realizarem idênticas constatações, porque a
grande maioria dos recém-desencamados ainda se conservavam condicionados às impressões
físicas, por tempo indeterminado, demorando-se para despertarem para as grandes realidades
do espírito.
— Tomara consciência da leveza de seu organismo, julgando poder locomover-se
sobre as águas do oceano.
— Surpresas inúmeras estimulavam sua natural curiosidade quanto às condições
vibratórias do novo plano de matéria em que agora se encontra.
— De retomo ao lar sentira extraordinária atração, não obstante ser compelido a
retroceder, impulsionado por forças desconhecidas.
— A heterogeneidade de pensamentos e emoções no ambiente doméstico onde jazia o
cadáver repercutia na organização perispíritica do irmão Jacob, cuja desencarnação definitiva
não se completara, repercutindo desfavoravelmente na manutenção de seu equilíbrio.
O desencarne propriamente dito
— Inesperado abalo repercutiu profundamente em seu interior. Tivera a impressão de
ser arremessado a grande distância com extrema violência.
— Pouco depois sentira recuperar-se do grande choque. A respiração se ajustara. O
coração voltara ao seu normal. O Dr. Bezerra de Menezes realizara a delicada cirurgia do
desligamento definitivo, rompendo o fio prateado.
— Daquele momento em diante sentia-se melhor, bem disposto, embora enfraquecido.
Os sentidos mais aguçados percebiam as nuances e cambiantes mais sutis inerentes à matéria
noutra faixa vibratória.
— O benfeitor Bezerra de Menezes explicara-lhe que seu corpo espiritual estivera
como se fosse "balão cativo", e que na maioria das desencarnações a "rápida solução do
problema liberatório dependia, em grande parte, da vida mental e dos ideais a que se liga o
homem na experiência terrestre".
— As preocupações com a situação doméstica e com os demais companheiros ainda
encarnados colocavam-no em sintonia com o corpo físico, provocando uma reação de
desfalecimento de suas forças, exigindo o socorro imediato do venerável benfeitor espiritual,
Bezerra de Menezes, que o advertira quanto ao poder penetrante do pensamento.
Maior acuidade consciencial e dificuldades
— Livre dos últimos resíduos do corpo físico, sentira maior acuidade consciencial e
maior penetração na realidade extrafísico ambiental.
— Os sentidos mais dilatados possibilitaram-lhe perceber a presença de desencarnados
em posição de desequilíbrio, incapacitados temporariamente para melhor compreenderem as
grandes realidades do espírito imortal.
— Sob o amparo dos Socorristas foi conduzido "à vizinhança do corpo hirto".
— Recebera esclarecimentos para desistir de suas intenções de voltar ao ambiente
doméstico. Por enquanto tal procedimento era desaconselhável.
— Desejou avistar-se com os amigos nos automóveis a caminho da necrópole...
— Surpreendera-se com a heterogeneidade de pensamento, emoções e interesses que
naquela circunstância se encontravam encarnados e desencarnados, em íntima associação na
base da sintonia e afinidade.
— Instintivamente, encaminhara-se para "outro ângulo da rua". Localizara outro grupo
de pessoas a quem se afeiçoara prol i mdamente.
—^ Novas surpresas e desilusões. Comentários os mais diversos, envolvendo-lhe o nome
em referências descaridosas.
— Quase em desalento, vislumbrou a "formação de lindos círculos de luz" em um
determinado veículo.
— De imediato recebera o esclarecimento de que ali, naquele automóvel, alguém orava
com profunda sinceridade.
— Em seguida se aproximava daquele pequeno grupo em prece. Os benefícios da
oração sincera não se fizeram esperar. Sentira-se profundamente aliviado e reconfortado com
tamanha demonstração de fraternal amizade.
Energias balsâmicas penetraram-lhe profundamente. Quanta paz, quanta esperança...
— Ante a necrópole, novas surpresas e novos ensinamentos se impuseram ao seu
descortínio e entendimento.
Sob a égide do benfeitor amigo Bezerra de Menezes, recordara a parábola.
"Deixemos aos mortos o cuidado de enterrar os mortos..."
Os registros das reações psicológicas, emocionais, anímico-conscienciais, experimentadas
pelo Irmão Jacob, bem como as manifestações mediúnicas ocorridas e descritas no livro citado,
constituem uma fonte de profundos ensinamentos educativos e esclarecedores sobre a
dinâmica do processo desencamatório.
Apresenta com riqueza de detalhes o fenômeno da sua morte física, transmitindo grandes
lições de vida que merecem profundas reflexões sobre a importância do pensar, sentir e agir na
mais plena harmonia com as leis divinas que estabelecem o amor e o bem incondicionais como
o fundamento básico da vida.

Capítulo 12 O CASO SYLVIO


ROSTIROLA
Sylvio Rostirola, em junho do corrente ano, esteve internado no Hospital Ernesto Domeles, em
Porto Alegre (RS), por mais de vinte e um dias.
Tendo recebido alta, por ter apresentado relativa melhora, voltou para seu lar, onde
continuou recebendo a assistência médica específica, cercado pelo carinho da esposa Aedésia,
a filha Dra. Iracema Maria Rostirola Coelho e demais irmãs, num clima de muita harmonia e
dedicação.
Por ter sido acometido por uma infecção pulmonar oportunista, viu-se obrigado a voltar ao
referido hospital, onde entrou num processo de complexas complicações patológicas
agravando-se progressivamente, vindo a culminar com sua morte física no dia 16 de julho deste
ano.
Visitamo-lo no Centro de Tratamento Intensivo, onde, acompanhados de sua filha Iracema,
seu filho Antonio e mais a médium Catarina fizemos uma aplicação bioenergética através de
passes magnéticos sobre os Chakras principais.
Sonolento, Sylvio Rostirola registrou nossa presença, sen- tindo-se mais tranquilo, e, a
pequenos intervalos, falava coisas que aparentemente pareciam desconexas, por se referirem à
percepção de presenças de entidades e de instrumentos inexistentes no plano físico da C.T.I.
Em seguida, deixamo-lo entregue aos cuidados de dedicados e competentes médicos e
enfermeiros, reunindo-nos no corredor junto aos demais filhos presentes.
Nesta oportunidade, dialogando com sua filha Iracema, também dotada de excelente
percepção anímico-mediúnica e ouvindo os comentários da médium Catarina, também com
excelente percepção clarividente, passamos à análise do que foi possível observar.
Os familiares mantinham-se calmos e serenos, num clima de equilíbrio, esperança e fé,
perfeitamente conscientes da gravidade do estado do esposo e pai enfermo.
A partir deste momento expliquei à Iracema, filha de Rostirola, que estava concluindo o
livro Anatomia do Desencarne, e se ela concordasse faríamos um acompanhamento do
desencarne de seu pai, utilizando a possibilidade anímico-mediúnica dela e de Catarina para
registrar tudo o que fosse possível perceber. A filha, com lúcida serenidade, prontamente
concordou, tendo o apoio de Catarina.
Prometi então que o último capítulo do livro seria em homenagem a este grande amigo,
dedicado servidor na prática do bem incondicional.
Domingo, 13 de Julho de 1997 às 15h:20min Sylvio Rostirola entrou em convulsão, com
profunda insuficiência respiratória e cardíaca.
Antes, porém, Iracema ouvira o pai afirma! não haver mais o que fazer, expressando-se
com lucidez "Não tem volta, façam preces".
Às 15h:30min Iracema reuniu alguns colegas médiuns para realizar uma operação de
energização no quarto do enfermo.
Enquanto Sylvio Rostirola era atendido por médicos e enfermeiros sendo logo depois
removido para o Centro de Tratamento Intensivo, a médium Catarina, que tudo observava
silenciosamente, registrou os seguintes fenômenos:
a) Sylvio Rostirola apresentava o campo áurico bem desvitalizado, com evidentes
sinais de perda de energia vital.
b) Desacoplamento parcial do corpo astral ou perispírito, evidenciando o início do
processo desencarnatório.
Às 21h:00min, na C.T.I, Sylvio Rostirola mantinha-se imóvel, sem forças, desistindo de
lutar e de continuar vivendo naquela situação.
Olhar vago, mostrava-se alheio a tudo, possivelmente à espera do grande momento.
Segunda-feira, dia 14 de julho de 1997.
Neste dia, apresentou-se mais lúcido, resignado, sem manifestação de dor, e com muito
esforço mencionou algumas palavras a sua filha Iracema.
Quando esta lhe perguntou se ele estava com alguma dor e desconfortável, ele sorrindo e
ironizando, respondeu: "Es psicóloga, queres me convencer?"
Durante o dia manteve-se sem maiores complicações, recebendo a medicação indicada.
Não conversava, não tinha forças, permanecendo parado, inativo.
À noite, o quadro se manteve o mesmo. Ao receber a visita do filho mais novo
conservou-se consciente, e só fazia movimentos de afirmação ou negação com a cabeça
conforme ouvia o que o filho falava.
Quando o outro filho espírita o visitou, (o mais velho), Sylvio com muito esforço, após três
tentativas, erguendo-se um pouco, mencionou as seguintes palavras:
"Aprende mais esta: na morte, eles não vêm buscar enquanto não estivermos preparados".
Quando, mais em seguida, a filha Iracema perguntou-lhe se sentia dor, ele respondeu
categórico:
"Não sinto nada. Não preciso de nada. Não há mais nada a fazer."
Terça-feira, 15 de julho de 1997.
Amanheceu falante, bem-disposto, alegre, sorridente, mas, conforme relato da médica:
"Não dizendo coisa com coisa, delirando..."
A médica justificava este comportamento como conse- quência da disfunção hepática e
acúmulo de bilirrubina no sangue, afetando o cérebro, etc.
Na verdade, o quadro clínico agravara-se muito, conforme os resultados dos últimos
exames.
Às 12h:30min, no horário da visita, o grupo de médiuns reuniu-se para dar-lhe assistência
espiritual e realizar novo atendimento de energização.
Nesta oportunidade, mantinha-se desperto, ágil e falante.
Diante de seu leito, o grupo reuniu-se silenciosamente, mantendo-se um clima de muita
harmonia e de muita paz.
Durante o atendimento, enquanto recebia a energização, Sylvio mantinha um diálogo com
entidades espirituais presentes, insistindo para que fosse "colocado no eixo, tendo-se que
cuidar das engrenagens".
Insistia para que sua filha Iracema se manti vesse alinhada, isto é, que seu "corpo astral"
estava deslocado e precisava reajustá-lo.
De acordo com as observações da médium vidente Maria Catarina, o realinhamento dos
seus respectivos centros vitais foi realizado com a ajuda de Entidades Socorristas presentes.
Nesta fase do atendimento, Sylvio tomara-se mais ativo, falando em voz alta, referindo-se
às "Entidades e Amigos Espirituais" presentes, tornando-se mais agitado.
De imediato, o atendimento foi encerrado e o grupo de médiuns se retirou da C.T.I., para
evitar a perturbação de outros pacientes, conforme solicitação da enfermeira que, vigilante,
prestava a assistência inerente às suas funções.
No momento do afastamento, Sylvio dirigia o olhar a cada um, mas de uma maneira
estranha, fixando-se ao redor do corpo físico, mais ao lado esquerdo, na altura dos ombros,
pescoço e cabeça.
Fora do C.T.I., a médium Catarina relatou o que havia observado no campo sutil.
"Havia um grande grupo de entidades espirituais junto ao leito do doente, vestindo-se com
túnicas brancas, sendo mais visíveis da cintura para cima, com fisionomias humanas."
"Na cabeceira, conversando e orientando Sylvio desencarnante, encontrava-se uma
entidade com cabelos negros, crescidos na região baixa da cabeça e calvo na parte superior. Era
um de seus mentores espirituais, que ali prestava sua assistência."
"Nas laterais do leito, encontravam-se outras entidades que se posicionaram com as mãos
estendidas, na direção do enfermo, participando da energização."
"Aos pés da cama, uma entidade de cabelos e barba branca que Sylvio, na véspera, havia
comentado com seu filho, dizendo foi ele quem me ensinou..."
"Por várias vezes Sylvio tentava retirar as sondas e catéteres, dizendo que tinham que ser
retirados."
"Não poderia ir com isto, tem que tirar o chumbo." "Quando silenciava, ficando calado, seu
perispírito ou corpo astral movimentava-se quase na sua totalidade para cima e, fora da
cabeça."
Mais tarde, no horário de visitas, declarou para sua cunhada, v iúva de seu irmão, que ele e
outros desencarnados ali se encontravam.
Afirmava: "Estão todos aqui, o Honorato, o Caetano, a turma toda".
Neste momento, encontrava-se tranquilo, sorrindo, sem demonstração de nenhum
sofrimento, mantendo-se assim o resto do dia.
A partir das 18 horas, foi conduzido de volta ao quarto, conservando-se dócil, sem nada
reclamar, e se dirigindo às pessoas presentes como se fossem outros personagens.
"Apontava para cima e à frente, dizendo: O relógio. Aqui, 360Q é Ia. Fazendo alguns
cálculos com os dedos, dizia, 9 meses (3+3=6+3=9) isto mesmo, março, é março, receber
mensagem".
A filha Iracema deduziu que, possivelmente, sua primeira mensagem, depois de
desencarnar, poderá ocorrer dentro dos próximos 9 meses, isto é, em março de 1998.
Continuava as conversas com as entidades espirituais por ele percebidas.
Nesta fase, passou a recordar passagens e episódios de sua vida atual, obedecendo a uma
certa ordem cronológica, coin- cidindo com o chamado fenômeno de visão panorâmica
retrospectiva que se observa com as pessoas no momento da morte aparente ou na morte
definitiva.
Neste momento, olhando para sua filha Iracema, foi logo dizendo: "Tu já estás no
esquema", e voltando para seu genro, médico, Dr. Elbio Maurício Coelho "tu vais entrar no
esquema".
Mais tarde, avisou o filho mais moço: "Tu tens o prazo de um ano para estudar".
O filho, não compreendendo o que o pai queria dizer, perguntou-lhe o que significava sua
advertência. De imediato o pai retrucou com energia, incisivamente: "Um ano, tem que estudar,
não precisa responder agora, vai pensando, tens um ano de prazo"...
Às 22h:30min, Iracema e seu irmão Anlonio de Pádua, os únicos espíritas da família além
dos pais, reuniram-se para orar e realizar uma energização mediante aplicação de passes
magnéticos sobre os respectivos chakras ou centros vitais do pai enfermo, em fase terminal.
Concluídas as operações magnético-espirituais, Sylvio teve ânsias de vômito, sendo
erguido com o apoio dos fiihos para poder vomitar.
Depois de muito esforço, e com a mão direita à boca, "retirou com os dedos alguma coisa,
dizendo que era chumbo". Somente ele via algo e os filhos Iracema e Antonio nada viam no
plano físico.
Agora mais relaxado, segurando as mãos de sua filha Iracema, em posição de contato
chakra com chakra, como estava anteriormente, durante a circulação energética.
Logo após este momento, entrou em um profundo sono como de há muito não conseguia.
A médium Maria Catarina, que tudo acompanhava e observava, registrou que "durante todo
o tempo no quarto havia um revezamento dos grupos de entidades espirituais socorristas que
estavam dando a assistência ao Sylvio desencarnante".
"Entre eles havia troca de informações, e ao mesmo tempo continuavam preparando-o para
o desencarne definitivo."
Passado algum tempo, e com a presença de seu neto, filho de Iracema, pareceu ter tido uma
visão, pois a ele se referiu como uma vítima que havia sido preso dizendo:
"Tu também? Eles te pegaram?
Meu Deus do Céu".
Iracema, de imediato, indagou "Mas pai, quem é ele?" A resposta veio rápida:
"O Inglês"...
Diante desta reação inesperada, poder-se-á supor que Sylvio, naquele momento, tivera
conhecimento de algo já acontecido no passado, em outras vidas, relacionado com seu neto
Marcelo Rostirola Coelho.
Quarta-feira, 16 de julho de 1997.
As lOlr.OOmin, Iracema entra em contato com a Dra. Cín- tia, médica que estava dando
assistência ao seu pai Sylvio, a qual informou que o mesmo estava se despedindo da vida.
Iracema, acompanhada de sua amiga clarividente Maria Catarina, já no quarto do enfermo,
observa-o em seus momentos derradeiros.
Foi possível constatar os seguintes fenômenos:
a) Desacoplamento parcial do perispírito ou corpo astral de Sylvio.
b) Aos poucos, o perispírito foi saindo pela parte superior da cabeça e ombros, ficando
ligado ainda ao respectivo corpo físico por intermédio de "uma espécie de dois cordões sob a
forma de feixes de luz".
c) "Estes cordões luminosos ficavam presos por uma das extremidades ao perispírito e
a outra ao corpo físico."
d) "O primeiro cordão vinha do centro da cabeça perispíritica ou do corpo astral,
entrando pela nuca da cabeça do corpo físico, saindo através da região frontal entre as
sobrancelhas."
e) "A extremidade que saía pelo frontal do corpo físico descrevia uma curva para o
alto, misturando-se com a energia luminosa do Chakra coronário, subindo até uma certa altura
de mais ou menos 50 cm acima do corpo físico, tornando-se depois invisível."
f) "O segundo cordão estava preso por uma das extremidades ao baço do
respectivo corpo físico, e por outra extremidade ao respectivo centro esplénico no perispírito."
g) "À medida que o perispírito de Sylvio se afastava do seu corpo físico, os cordões
de luz citados entravam em lento processo de desintegração na área mais próxima do corpo
físico."
h) "Convém lembrar ainda que, desde o início do processo de desligamento do
perispírito, a aura ou psicosfera já havia desaparecido, tornando-se ausente."
i) "A luz ou energia que se expandia no centro coronário cessou antes da
desintegração dos cordões luminosos." |
j) "O cordão luminoso que ligava a cabeça física à respectiva cabeça perispíritica
desintegrou-se antes do cordão luminoso que ligava o corpo físico e o respectivo corpo
perispíritico através do baço, em conexão com o correspondente centro esplénico ou chakra
esplénico no perispírito."
k) "Após o desligamento total do Espírito do Sylvio, libertando-se do corpo físico,
o respectivo perispírito ou corpo astral passou a brilhar com maior intensidade, principalmente
na área da cabeça."
l) "Enquanto se processava a total separação, foi possível observar ainda manchas
acinzentadas nas áreas do tórax, aparelho digestivo e baixo ventre, na região da bexiga no
corpo cadaverizado."
m) "Após finalizada a total liberação de Sylvio-Espíri- to, consumando a morte
física propriamente dita, Sylvio recém-desencarnado mostrava-se agora mais ágil, e sozinho
dirigiu-se para uma maca que se lhe apresentavam os Enfermeiros Espirituais."
Interessante foi constatar que o corpo físico, já em fase avançada de cadaverização,
continuou por alguns minutos, ainda, a executar lentos movimentos de inspiração e expiração,
até a plena extinção dos últimos vestígios do tônus vital, ficando completamente inerte,
completando assim a fase final da morte propriamente dita.
Sylvio-Espírito, liberto do casulo de came, recolhido à maca já mencionada, foi conduzido
por abnegados enfermeiros espirituais que o recolheram a um Hospital Espiritual, para iniciar
um novo tratamento de preparação e adaptação à nova condição existencial no plano
extrafísico.

Capítulo 13 SÍNTESE DOS


FENÔMENOS OBSERVADOS
INTERAÇÕES ENTRE
ENCARNADOS E DESENCARNADOS
NO MOMENTO DA MORTE FÍSICA
Admitindo-se a transcendência do conceito de vida de relação é perfeitamente
compreensível que, por ocasião do desenlace, o moribundo seja o centro de atenções dos que se
acham ligados a ele.
Nesta circunstância, múltiplos fenômeno:;. ocorrem, conforme já foi assinalado,
evidenciando a realidade das. interações entre encarnados e desencarnados.
Em consequência da Lei do Campo Mental, afinidade e sintonia o paciente se vê envolto
em sua própria psicosfera, a refletir o estado mental e afetivo em que se encontra, de acprdo
com o grau de evolução espiritual alcançado.
Através deste campo energético o paciente é influenciado por encarnados e desencarnados,
assim como também interfere nos que estão sob sua esfera de ação pessoal.
A projeção de pensamentos e das forças emotivas do paciente, dos familiares e demais
pessoas, direta ou indiretamente envolvidas no contexto, contribui para a formação da
psicosfera ambiental, a qual refletirá a natureza qualitativa das emissões mental-afetivas dos
participantes envolvidos na situação, em íntima interação com o meio ambiente.
Em tais circunstâncias a maior ou menor influência teledinâmica dos agentes
desencarnados se faz presente, desencadeando inúmeras reações benéficas ou prejudiciais, de
acordo com o nível de evolução espiritual em que cada um se encontra, mani- festando-se
através da elevação de sentimentos e equilíbrio ou então da ignorância e das paixões
desajustadas alimentadas pelo rancor, vingança e irresponsabilidade.
Daí ser imprescindível a atitude do "Orai e vigiai" entre os encarnados, com o fim de
facilitar a presença benéfica dos Espíritos Socorristas e daqueles outros com missão especial na
coadjuvação dos esforços assistenciais e libertadores.
A interação obedece aos princípios teledinâmicos da mente, cuja ação consciente ou
inconsciente se faz sempre presente, dinamizando o campo mental que transcende o tempo e o
espaço em seus efeitos de propagação, expansão e influência.
A ocorrência dos fenômenos anímicos se dá com o paciente que recapitula os lances de sua
vida através de uma visão dinâmica, retrospectiva de sua existência última.
Pensamentos e emoções, ações edificantes e/ou atos infelizes desfilam na tela mental do
moribundo, constituindo a chamada visão panorâmica ou recapitulação sintética existencial.
O desencamante se vê consigo mesmo, num processo de auto-análise, indispensável a sua
emancipação.
São momentos preciosos de elevada significação espiritual.
Outras manifestações mediúnicas ocorrem quando o enfermo recupera parcialmente a
lucidez e transmite salutares orientações aos familiares, sob a ação teledinâmica e inspiradora
dos Socorristas ou de benfeitores espirituais que se disponham a assistir a seus tutelados nos
últimos momentos de permanência no corpo físico.
Quando o desencamante não desenvolveu os reais valores do espírito e não conseguiu
orientar os familiares no sentido de se educarem espiritualmente, preparando-os para os
momentos difíceis da separação, as defesas psíquicas do lar ficam comprometidas, estando à
mercê da intromissão de outros desencarnados que poderão se constituir em agentes de
perturbação tanto para o paciente quanto para os próprios familiares.
Tais influências negativas podem desencadear contaminações fluídico-energéticas,
afetando direta ou indiretamente e em maior ou menor profundidade àqueles que se deixarem
envolver pela maledicência, ressentimentos ou rancores, ciúmes ou inveja, podendo iniciar
dolorosos processos de natureza obsessiva, de consequências imprevisíveis.

CONCORDÂNCIA NOS RELATOS


OU REGISTROS DOS CASOS
INVESTIGADOS
Embora a Ciência Acadêmica ainda não aceite a realidade extrafísica da natureza humana,
múltiplas evidências se acumulam ao longo do tempo, à medida que a pesquisa psíquica se
desenvolve, a despeito dos inúmeros obstáculos ainda existentes.
Com o progresso da metodologia científica aplicada à investigação dos fenômenos
psíquicos, não se pode mais negar a veracidade de tais eventos.
O estudo analítico dos fenômenos anímicos ê mediúnicos, constantes do imenso acervo no
campo da investigação psíquica, a partir do século passado e, mais recentemente, nos tempos
atuais, oferece elementos convergentemente significativos no sentido de fortalecer, cada vez
mais, a tese espírita.
Conforme pode ser constatado nos inúmeros casos estudados, abrangendo a imensa gama
de fenômenos anímicos e mediúnicos observados e registrados, verifica-se a existência de uma
significativa concordância na descrição dos eventos.
Ressalta-se o seguinte:
1. Nos casos de fenômenos de morte aparente
As pessoas que viveram a experiência da morte clínica e que regressaram à vida normal
testemunharam que "algo sobrevive" ao corpo físico, porque se sentiram fora do corpo carnal,
movimentando-se conscientemente, registrando detalhes de uma outra realidade
espaço-temporal, identificando seres desencarnados amigos, parentes e entidades espirituais
protetoras.
Estes contatos contribuíram para uma revisão dos valores ético-espirituais da pessoa,
modificando-lhe profundamente o modo de pensar, sentir e agir, dando maior significação à
existência atual.
2. Nos casos de fenômenos registrados por ocasião do desencarne propriamente dito
— A constatação da existência do "fio prateado", ligando o Espírito ao corpo físico
As descrições detalhadas do desencarne mostram que o Espírito se desliga do corpo físico e
que o último elo a mantê-lo ligado é o chamado "cordão prateado", cuja ruptura definitiva
determina o desligamento completo do Espírito, o qual deixa o corpo físico que entra em
acelerada decomposição.
Enquanto tal ruptura não se verifica, o Espírito não se liberta do cadáver.
Portanto, o desencarne se completa após o integral desligamento dos diferentes núcleos ou
centros vitais, culminando com o rompimento do "fio prateado ", nos pontos de conexão com
os centros cerebral e coronário.
A partir desta delicada operação, o desencarnado sente- se concretamente vivo e, de acordo
com suas realizações e grau de evolução espiritual, terá maior ou menor autonomia
consciencial e volitiva.
— A visão panorâmica ou retrospectiva consciencial, como processo dinâmico de
auto-análise
Por ocasião do desencarne, enquanto múltiplas operações magnéticas se desenvolvem no
sentido de produzir a liberação do Espírito, este experimentará emoções ligadas à recapitulação
de sua vida, em seus múltiplos aspectos mental-afetivos e conscienciais.
Durante este fenômeno de recapitulação de todos os eventos vividos na última existência, o
desencamante vê a projeção de sua vida como num filme, em que as cenas se sucedem com
intenso dinamismo e realidade, refletindo com a máxima fidelidade os mais íntimos
pensamentos, emoções, sentimentos e ações edificantes ou não, em que o espírito realiza uma
profunda análise consciencial.
Aliás, este fenômeno da visão panorâmica ou memória retrospectiva de todos os eventos
existenciais também ocorre não só na crise da morte, como igualmente nos casos de morte
aparente e nas situações de grande perigo de vida, conforme os diferentes relatos de casos
registrados em pesquisa recente.
3. Fenômenos de desdobramento ou de "projeção astral"
A ocorrência de desdobramento espontâneo ou compulsório, mediante o qual a pessoa se
vê fora do corpo físico, sentindo possuir um outro corpo mais sutil, porém real, é uma
constatação objetiva que não pode ser ignorada, porquanto tem sido registrada por diferentes
pessoas independentemente de suas convicções filosóficas e ético-religiosas, evidenciando
tratar-se de uma observação autêntica que contribui para o melhor conhecimento do complexo
dinamismo fisiopsicossomático da natureza humana.
Em alguns casos, foi possível também verificar a existência do "cordão prateado" por
algumas pessoas que, espontaneamente, saem do corpo físico em viagem de desdobramento,
com plena consciência da situação.
Com o registro sistemático destes eventos poder-se-á colher inúmeros elementos que,
devidamente analisados, venham a fornecer indicações mais elucidativas que melhor possam
esclarecer o conhecimento do dinamismo psicossomático do homem.
4. Indicações sobre uma outra realidade espaço-temporal
As pessoas que passaram pela experiência de morte aparente, ou que viveram situações de
grande perigo e que posteriormente regressaram à vida normal, fisicamente falando,
geralmente testemunham sobre a existência de outras dimensões espaço-temporais que
evidenciam a continuidade da vida sob outras formas de manifestação.
Nos fenômenos anímicos e ou mediúnicos, registrados nos casos de desencarne
propriamente dito, são encontradas testemunhas que fortalecem a hipótese da existência de
outras dimensões extrafísicas muito semelhantes à paisagem terrestre, sugerindo ser muito
melhor do que na Terra.
5. Múltiplos e variados são os pronunciamentos sobre a existência dos seres
desencarnados
Nos diferentes casos registrados, há inúmeras evidências indicadoras de que a morte física
não interrompe a manifestação da vida, porque homens e mulheres desencarnados dão provas
tangíveis de continuarem vivendo noutras dimensões, conservando suas características
pessoais, submetidas à Lei do Progresso e ao Bem por eterno princípio, com a responsabilidade
de serem artífices do próprio destino.
A importância da pesquisa sistemática e permanente, no campo das investigações dos
múltiplos fenômenos designados paranormais, é de significativa relevância, merecendo todo o
apoio individual e institucional possível, considerando-se a necessidade de uma profunda
revisão dos valores éticos do homem em si mesmo e da sociedade em geral.
As consequências das descobertas científicas neste campo de investigação de natureza tão
complexa se farão sentir na modificação do comportamento individual e coletivo, marcando
um novo ciclo de evolução na história da humanidade terrestre.
As perspectivas da Nova Era do Espírito deixam de ser utopia, para cada vez mais se
evidenciarem como uma nova fase de grandes e profundas mudanças adaptativas, para as quais
a humanidade avança irreversivelmente.
Uma nova ordem social emergirá, resultante das profundas mutações que naturalmente vão
se fazendo sentir no espírito humano, determinando a renovação individual e coletiva mais
consentânea com as reais necessidades do "Homem Novo", mais conscientemente identificado
com a ordem e harmonia cósmicas da vida...

Capítulo 14 MORTE E
SIGNIFICADO
Nos capítulos anteriores foram estudados e analisados casos de morte aparente e alguns
casos de morte física propriamente dita, em condições naturais de terminalidade.
Neste capítulo, procura-se analisar parcial e genericamente alguns aspectos de mortes
violentas, através de acidentes ou desastres dolorosos.
O que ocorre com as pessoas que são surpreendidas com a morte física num desastre?
Quais as sensações e emoções que as vítimas de um acidente fatal sentem ou vivenciam nos
momentos deste tipo de morte?
Tomando por fundamentação teórica os ensinamentos espíritas, e com base em
informações mediúnicas confiáveis, pode- se estabelecer alguns princípios gerais para elucidar
a dinâmica do fenômeno da morte ou desencarnação e o processo do morrer propriamente dito.
Em princípio, é necessário esclarecer que a morte é um fenômeno natural inerente à
dinâmica da própria vida.
O que | que morre ou desencarna?
Apenas o corpo físico morre, isto é, passa por uma série de transformações psicobiofísicas
de degradação energética, com rupturas dos centros vitais bioenergéticos que integram os
diferentes sistemas atômicos celulares componentes de tecidos, órgãos, aparelhos e demais
sistemas interativos que compõem o organismo humano como um verdadeiro eco-sistema de
manifestação vital.
Resumidamente, na visão materialista, a morte significa o caos orgânico, irreversível,
culminando na cessação de todas as funções vitais e consequente desagregação do organismo
físico, através da decomposição cadavérica, nada restando após a morte propriamente dita.
Na visão espiritualista de um modo geral, algo sobrevive após o fenômeno da morte física.
Sem maiores detalhes ou considerações filosóficas, o espiritualista de um modo geral,
admite a existência da alma ou do Espírito e, portanto, ao morrer, independente do gênero de
morte ou desencarne, a alma ou espírito sobrevive, continuando a viver no mundo espiritual.
O espiritualista espírita descortina um horizonte mais amplo, tendo um acervo de
ensinamentos esclarecedores sobre a dinâmica da morte e do morrer, relacionado ao gênero de
vida consciencial da criatura humana, independente da faixa etária, sexo, raça, cultura, religião,
posição social, etc.
No caso particular da visão espírita, a morte ou desencarnação propriamente dita implica
uma série de fenómenos não só psicobiofísicos: também inclui outros de natureza
anímico-conscienciais extrafísicos, paranormais e mediúnicos de grande complexidade que,
direta ou indiretamente, podem evidenciar a sobrevivência do espírito ou consciência que
continua a viver após a ruptura dos laços bioenergéticos que mantinham o organismo físico em
plena atividade, como veículo ou instrumento de manifestação do espírito encarnado, durante a
respectiva cota de tempo de vida, compatível com as necessidades e projetos de realização e
auto-realização consciencial, em cada experiência reencarnatória.
Assim sendo, a vida inteligente, consciencial, não se extingue com a morte física
propriamente dita. O Eu-consciencial ou Espírito, ser pensante, volitivo, dotado de instinto,
emoção, sentimento, razão, linguagem conceituai e demais atributos humanos, ao passar pelo
fenômeno da morte do corpo físico, de acordo com seu estágio evolutivo espiritual, terá maior
ou menor autonomia e maior ou menor lucidez consciencial, cognitiva, afetiva e volitiva, para
compreender as diferentes fases do processo da morte física propriamente dita.
De acordo também com seu grau de educação conscien- cial e espiritual e, ainda, conforme
as ações e obras realizadas em vida, terá maior ou menor merecimento, além do sentimento de
auto-estima pelo cumprimento dos deveres e realizações edificantes não só em benefício
próprio, como, também, em favor dos seus semelhantes, da comunidade e da sociedade em
geral.
Em tais circunstâncias, os que viveram edificantemente, independente de rótulos místicos
ou religiosos, apresentam melhores condições psicodinâmicas conscienciais para compreender
e aceitar com maior ou menor autocontrole, equilíbrio e serenidade as surpresas da sua própria
desencarnação.
Por outro lado, os que em decorrência da imaturidade consciencial, espiritual, cometeram
equívocos, vivendo egoísta e egocentricamente, não aproveitando bem as lições da vida, no
sentido de promover o autoconhecimento e a construção da paz dentro e fora de si mesmos,
apegando-se ao corpo físico como única realidade e razão de ser, estes que assim viveram terão
maiores dificuldades para compreender e aceitar a surpresa,da própria morte física e a grande
realidade de sua própria sobrevivência como espírito desencarnado.
Isto não que dizer que a pessoa esteja condenada pela eternidade afora a um sofrimento
infernal, tal qual as religiões dogmáticas e sectárias incutiram na mente popular.
Absolutamente. Cada consciência, de acordo com seu biorritmo e tempo de assimilação e
vontade de reconstruir o próprio destino, para melhor, terá tantas oportunidades de
aprendizagem auto-redentora quantas necessitar para construira própria plenitude consciencial
e existencial ao longo das vidas sucessivas.
Deste modo, na visão espírita, a vida é imperecível e o ser humano é um agente co-criador
integrante do Plano Divino da Criação, e, consequentemente, arquiteto de seu próprio destino
feliz ou infeliz.
Esta digressão teórica se faz necessária no sentido de estabelecer alguns princípios gerais
relativos ao fenômeno da morte e seu significado.
I — A morte é apenas uma mudança de estado de ser, de pensar, de sentir e agir.
E natural a reação de rejeição e não-aceitação da morte, qualquer que seja a situação
circunstancial.
Esta reação é geral, sendo uma decorrência espontânea do instinto de conservação e
autopreservação inato no ser humano.
Graças ao instinto de conservação, reprodução e autodefesa, a espécie humana se mantém,
sobrevivendo aos grandes desafios da evolução onto e filogenética e da necessidade de
adaptação evolutiva, em íntima interação com a multidiversidade dos eco-sistemas ambientais
do planeta Terra e sua respectiva Biosfera.
Assim sendo, na dinâmica da vida, nascer, crescer, reproduzir, viver e morrer constituem
um processo bioenergético, psicobiofísico, anímico-consciencial, universal, presente em todos
os Reinos da Natureza, em sua multidimensionalidade física e extra física.
O medo da morte é, pois, uma reação instintiva que se evidencia através do comportamento
humano ao longo da evolução histórica, antropológica, cultural, religiosa, etc. da humanidade
terrestre, variando com a época e com as características culturais, costumes, práticas e tradições
religiosas de diferentes tribos, povos, raças e nações, tanto no Oriente quanto no Ocidente.
Entretanto, parece haver em todas as culturas, ao longo das diferentes épocas da história, a
crença mais ou menos generalizada na sobrevivência espiritual do ser humano.
As diferentes tradições religiosas criaram diferentes regras e procedimentos ritualísticos
místico-religiosos, influenciando a mente popular, submetendo-a aos dogmas e preceitos
estabelecidos pelas diferentes religiões no mundo, e direta ou indiretamente, implícita ou
explicitamente, o medo da morte vem passando de geração a geração.
Nos tempos atuais, com o advento da Tanatologia como uma área de investigação e
conhecimento científico, o tabu da morte aos poucos vai se transformando numa visão mais
realística e consentânea com o progresso das investigações dos fenômenos paranormais que
ocorrem com os doentes terminais e nas experiências da chamada morte aparente.
Como decorrência, a morte está sendo encarada com maior naturalidade, despida daqueles
paramentos fúnebres e lúgubres de décadas atrás.
Neste particular a contribuição do Espiritismo é inegável e valiosamente significativa para
desmitificar e desmistificar a morte como algo terrível, assustador e um caminho sem volta.
A morte ou desencarnação é, pois, apenas e tão-somente uma transmutação profunda
psicobiofísica, anímica e consciencial, refletindo intensamente no pensar, sentir e agir do ser
humano, que deixa de se manifestar na vida de relação no plano físico, através do respectivo
corpo psicossomático para continuar a pensar, sentir e agir sem o instrumento físico, no reino
do Espírito, onde igualmente a vida de relação continua em outras tonalidades vibratórias, por
meio da manifestação do pensamento e da vontade, de acordo com o grau de evolução e
maturidade consciencial e espiritual alcançado, em sua última experiência reencamatória.
II — A vida de relação não cessa rom a morte física propriamente dita.
Os diferentes e diversificados fenômenos paranormais e mediúnicos, observados por
ocasião não só da morte física, como também através de manifestações espontâneas ou
provocadas experimentalmente, sugerem de maneira significativa que o ser humano
desencarnado mantém uma dinâmica interação volitiva, energética, inteligente e afetiva, no
mundo espiritual ou espiritosfera, em obediência à lei de sintonia, afinidade e ressonância
vibratórias.
Isto posto, fica entendido que o intercâmbio mediúnico é um fenômeno universal entre
encarnados e desencarnados e se verifica também entre os desencarnados no Reino dos
Espíritos ou Espiritosfera, obedecendo-se aos mesmos princípios univer-
sais da lei de afinidade, sintonia e ressonância, correspondentes aos respectivos planos multi e
transdimensionais extrafísicos conscienciais.
Deste modo, desde a mais remota antiguidade, o fenômeno mediúnico sempre foi uma
prova de que o intercâmbio mediúnico entre encarnados e desencarnados existiu sempre como
um fato natural e de amplitude universal.
III — O princípio de interdependência e de interação psicodinâmica entre encarnados
e desencarnados é um fenômeno universal.
Assim sendo, as ações e reações interativas entre os seres humanos encarnados e
desencarnados ocorreram sempre ao longo da história da humanidade terrestre, dando origem
às diferentes manifestações místico-religiosas que fazem parte da herança cultural de todos os
povos, raças e nações, tanto no Oriente como no Ocidente.
Estas interações podem se manifestar de maneira sutil ou ostensiva, assumindo
características harmônicas ou desarmôni- cas, em função de sua influência positiva ou negativa
no comportamento individual ou coletivo do ser humano.
IV — Os Espíritos desencarnados podem se manifestar espontaneamente ou por
meio de evocação.
Em decorrência dos princípios anteriores, a manifestação do Espírito desencarnado pode se
dar espontaneamente em função da lei de sintonia e afinidade. Os espíritos são atraídos em
razão da existência de laços de simpatia que os atraem para se manifestarem a pessoas no meio
onde vivem, objetivando manter uma relação harmônica, edificante e solidária.
Podem também ser conseguidas tais manifestações por meio de evocações, e de motivos
justos, que justifiquem tal procedimento com finalidade de investigação e pesquisas sérias e
construtivas.
V — A morte ou desencarnação, mediante um desastre doloroso e fatal, é diferente e
específica para cada um, embora as circunstâncias do desastre sejam as mesmas para todos os
envolvidos no acidente.
Isto quer dizer que a morte física de uma pessoa está infimamente relacionada com a
respectiva herança cármica e suas necessidades de auto-rédenção.
Aliás, tal princípio se aplica a qualquer gênero de morte ou desencarne.
VI — Ninguém, em circunstâncias de morte violenta, em acidentes fatais, jamais
estará desamparado, a míngua de uma assistência espiritual socorrista.
Todos são socorridos e atendidos em suas necessidades específicas, de acordo com o
respectivo grau de maturidade consciencial, merecimento e a gravidade do estado pessoal de
cada um.
Quando ocorre um acidente ou desastre doloroso no plano físico, imediatamente, no mundo
espiritual, os Centros ou Núcleos de Pronto Socorro e Atendimento Espiritual mais próximos
tomam conhecimento da ocorrência, providenciando com a máxima urgência o socorro das
vítimas acidentadas que venham a morrer ou que fiquem politraumatizadas e em estado grave
no local do sinistro.
Nestas circunstâncias emergenciais a pessoa moribunda agonizante ou desencarnante emite
pensamentos aflitivos que se propagam na multidimensionalidade extrafísica, como se fossem
verdadeiros S.O.S. telepáticos, os quais são devidamente captados e registrados por meio de
sofisticada tecnologia, possibilitando a imediata localização e identificação pessoal das vítimas
do desastre.
Equipes de socorro espiritual dirigem-se imediatamente ao local do acidente para a
prestação do respectivo socorro e demais providências de amparo assistencial.
A título de exemplo, no capítulo XVIII — Resgates Coletivos, do livro Ação e Reação,
psicografado e editado pelo Espírito
André Luiz, 2a ed. FEB, páginas 236 e seguintes, encontra-se o relato de um desastre aviatório.
Qual era a situação das pessoas vitimadas?
Vários desencarnados no referido acidente encontravam- se em posição de choque, presos
aos respectivos corpos físicos, mutilados parcial ou totalmente, entretanto alguns
apresentavam- se em melhores condições de lucidez consciencial.
Outros sentiam-se imantados aos próprios restos cadavéricos, gemendo de dor e
sofrimento, e outros ainda gritavam em desespero, mantendo-se também aprisionados aos
despojos físicos, em violenta crise de inconsciência, numa profunda perturbação.
Os espíritos socorristas, médicos e enfermeiros em especial, a todos atendiam com elevado
sentimento de compaixão, prestando a assistência espiritual de acordo com a situação de cada
um.
Comentários elucidativos a respeito da situação de cada vítima, feitos por generoso mentor
espiritual, merecem ser analisados para efeitos de esclarecimentos educativos, objetivando a
autoconscientização e o autoconhecimento de cada um e de todos.
1. O socorro espiritual é ministrado indistintamente a todos, sem nenhuma exceção.
2. A expressão = "Se o desastre é o mesmo para todos, a morte é diferente para cada
um", é um ensinamento importante e merece ser assimilado.
3. Nem todos podem ser retirados dos despojos físicos, cadaverizados, logo
imediatamente.
4. A afirmação de que "Somente aquele cuja vida interior lhe outorga a imediata
liberação", é de relevante significado educativo, pois revela a necessidade moral de se buscar o
autoconhecimento e a consequente emancipação psicológica e emocional indispensável para
maior autonomia e discernimento consciência is, ainda em plena vida física.
Consequentemente, isto implica um processo de auto- educação pessoal, ao longo da vida,
face aos grandes desafios existenciais, exigindo a autotransmutação, capaz de conferir a cada
um a plena liberdade e autonomia no pensar, sentir e agir, em harmonia com as Leis da Vida, na
construção da paz dentro e fora de si mesmo, e na vivência do bem incondicional.
As pessoas que se dispuseram a viver em harmonia com a cosmoética nada têm a temer
diante do momento decisivo e crucial da própria morte física.
5. Aquele cuja vida consciencial se manteve em desalinho, vivendo em
descompasso desarmônico com as Leis da Vida, concentrando-se no egoísmo egocêntrico,
perdendo valiosas oportunidades de amar e bem servir ao próximo como a si mesmo, e, por
conseguinte, ficando mais condicionado às manifestações instintivas e emocionais, sem
nenhuma preocupação com os valores espirituais para o próprio crescimento e
desenvolvimento consciencial, este fica apegado ao corpo físico, não tendo condições de
manter equilíbrio harmônico e a lucidez consciencial indispensáveis à neutralização dos
impulsos de atração e imantação energética que o retém ao cadáver mutilado.
Nestas circunstâncias, o desencarnado permanecerá ligado por tempo indeterminado aos
despojos cadà véricos que lhe pertencem.
6. Este tempo indeterminado está rui dependência "do grau de animalização dos
fluídos que lhes retém o espírito à atividade corpórea". (p. 238).
Pode levar horas, dias ou meses até a completa e plena autolibertação psicológica,
emocional, consciencial e espiritual.
7. As expressões seguintes merecem ser meditadas por sua relevante
transcendência:
a) "Corpo inerte nem sempre significa libertação da alma".
b) "O gênero de vida que alimentamos no estágio físico dita as verdadeiras
condições de nossa morte" (p. 238).
São por demais claras e, de certo modo, contundentes, no sentido de não deixar dúvidas ou
escapismos.
8. Outra expressão complementar às já mencionadas também deve ser motivo de
reflexão — "Mortefísica não é o mesmo que emancipação espiritual" (p. 239).
9. Mas aquelas vítimas desencarnadas no desastre, as quais não têm condições de se
afastar do próprio cadáver, mediante a ruptura dos laços bioenergéticos que ligam o espírito ao
corpo físico, através dos respectivos centros vitais ou chakras existentes no perispírito, estas
vítimas ficarão relegadas ao sabor das circunstâncias, por tempo indefinido, sem nenhum outro
tipo de assistência socorrista?
Jamais isto acontece.
Todas, sem exceção, são amparadas sempre.
"Ninguém vive desamparado. O amor infinito de Deus abrange o Universo", (p. 239).
10. O ser humano encarnado ou desencarnado pode, a cada momento da existência,
por meio do Bem "sentido e praticado", também modificar seu próprio destino para melhor,
neutralizando ações e reações negativas circunstanciais, afastando do próprio horizonte "as
nuvens de sofrimentos prováveis", (p. 240).
Mas indagações se impõem.
— Quais as causas que originaram semelhante provação?
. Quais os fatores circunstanciais que direta ou indiretamente contribuíram para a morte
violenta e dolorosa através de desastres ou acidentes fatais?
A resposta encontra-se nos ensinamentos luminosos e redentores do Cristo, quando afirma:
"A cada um será dado segundo suas obras" ou "Cada um colhe de acordo com o que
semeia".
Este ensinamento expressa a Lei de Ação e Reação ou Lei de Causa e Efeito, também
ensinada pela sabedoria milenar do Oriente como Lei do Carma.
A título de esclarecimento, poder-se-ia estabelecer possíveis correlações entre a herança
cármica individual ou coletiva, para poder explicar a origem de tais acontecimentos
provacionais, dolorosos e irreversíveis.
Sem pretender aprofundar o tema relativo a Lei do Carma, algumas relações podem ser
estabelecidas, tais como:
a) As vítimas de hoje, perdendo a vida de modo tão trágico e violento, poderiam,
em outras épocas passadas, ter cometido crimes não menos violentos também, atirando pessoas
ou desafetos indefesos do "cimo de torres altíssimas, para que seus corpos se espatifassem no
chão"...
b) As vítimas dos desastres de hoje poderiam ser as mesmas pessoas que em
tempos passados se entregavam à pirataria, cometendo crimes hediondos em alto mar.
c) Ou suicidas que se precipitaram de edifícios ou se lan- çaram de elevados picos
à beira de verdadeiros abismos, estraçalhando o corpo físico contra os rochedos pontiagudos,
em manifesta rebeldia, insubmissão e desrespeito às leis da vida.
d) Ou também homicidas que praticaram crimes hediondos, sequestrando e
incendiando aldeias indefesas) ceifando vidas de crianças e adolescentes, estuprando e
violentando mulheres para assassiná-las posteriormente com requintes de crueldade, ou que
massacraram pessoas idosas setn piedade.
Quantos homens e mulheres, crianças e jovens, vivendo atualmente, em cuja ficha cármica
encontram-se registrados erros e equívocos do passado próximo ou milenar, aguardando o
despertar e o amadurecimento consciencial de cada um, para o indispensável trabalho
educativo da própria redenção, através de novas oportunidades existenciais de trabalhar
construtivamente na reconstrução do próprio destino para melhor, reencontrando as antigas
vítimas e algozes de passadas existências, na condição de familiares, pais, filhos, irmãos,
parentes ou amigos, para juntos viverem as lições do amor e do perdão incondicionais, sem o
que não haverá paz na consciência e tampouco a plena quitação com a Lei de Deus.
11. Entretanto, é também da própria Lei Cármica que, a todo e qualquer momento,
cada consciência encarnada ou desencarnada poderá modificar o próprio destino para melhor,
desde que se disponha a amar e servir, trabalhando na semeadura do Bem, adquirindo desta
forma, pelo trabalho de auto-regeneração redentora, os indispensáveis créditos de merecimento
que lhe
trarão a paz consciencial, anulando os reflexos negativos decorrentes das ações infelizes do
passado próximo ou remoto.
Deste modo "gerando novas causas com o bem, praticado hoje, podemos interferir nas
causas do mal, praticado ontem, neutralizando-as e reconquistando, com isso, o nosso
equilíbrio". (241).
12. É possível escolher o gênero de provações existenciais e até mesmo o gênero de
morte?
Sem dúvida. Para tanto é indispensável ter adquirido maturidade espiritual e o merecimento
indispensável para se propor e planejar uma nova existência reencamatória, tendo em vista
cooperar para o progresso e o bem comum, através de uma vida de trabalho, doação, sacrifício
e renúncia, dedicando-se aos mais diversificados projetos de realização progressista, em
benefício da coletividade em geral, contribuindo muitas vezes com o sacrifício da própria vida.
Assim sendo, muitos se preparam em tempo hábil, antes de uma nova reencarnação,
habilitando-se para correr o risco de vida, ® sofreram até mesmo morte violenta, em benefício
do progresso das ciências em geral, das artes, da medicina e saúde, da indústria, da pesquisa de
ponta em laboratórios e projetos de reconhecida periculosidade, em favor do progresso da
navegação marítima, da aeronáutica, da engenharia, dos transportes terrestres, das viagens
espaciais, da liderança política e do trabalho edificante e sacrificial no campo das reformas
político-sociais, econômicas e educacionais, etc., objetivando beneficiar a sociedade em geral,
promovendo direta ou indiretamente o desenvolvimento de um povo, da nação ou país na
construção da paz e da justiça sociais.
Como se vê, a Lei Divina é Lei de Amor, Justiça e Misericórdia, não excluindo nenhum ser
humano do direito de ser artífice do próprio destino.
13. Uma outra pergunta se faz necessária para maior elucidação do tema em estudo.
Todos terão condições de tomar esta decisão, no sentido de escolher o gênero de provação
sacrificial?
Nem todos, porque a livre escolha depende do estágio de maturidade espiritual alcançado e,
também, das auto-realizações no campo das ações edificantes e benéficas em prol do
semelhante, das antigas vítimas do passado, dos que direta ou indiretamente foram atingidos
por nossa insanidade na prática do mal.
E indispensável, pois, que cada espírito ou Eu-Conscien- cial já tenha adquirido a plena
consciência no pensar, sentir e agir com lucidez e discernimento na mais íntima interação com
as Leis da Vida, amando e servindo pelo amor à verdade, ao bem incondicional, trabalhando
proficuamente na reconstrução do próprio destino, dispondo-se a viver conscientemente a lei
do amor, do perdão,, da solidariedade, sem nenhum preconceito ou condicionamentos atávicos
segregacionistas de qualquer espécie.
Como se vê, a liberdade de escolha está na razão direta da conquista realizada pelo próprio
espírito, no sentido do autoconhecimento e da autotransmutação consciencial, atingindo o
maior índice possível de auto-realização na construção do reino de Deus dentro e fora de si
mesmo.
É pois um longo processo de maturação consciencial, a que todos estamos submetidos, ao
longo das múltiplas e milenárias experiências de aprendizagem existencial através das vidas
sucessivas.
Daí por que o ensinamento milenar — o ser humano é arquiteto do próprio destino.
As religiões dogmáticas e sectárias que envenenaram a mente humana com as idéias de
castigo, punição, inferno, penas eternas, excomunhão, favoritismo para conquistar as benesses
do paraíso celestial, prometendo a salvação mediante indulgências, penitências e atos litúrgicos
sacramentais, inerentes ao culto externo e a idolatrias, ensinando o temor a Deus, contribuíram
direta ou indiretamente para que o medo patológico se instalasse na mente humana, ao longo da
evolução histórica da humanidade terrestre, gerando o fanatismo, a intolerância e a separação
entre crentes e descrentes, criando dependências psicológico-emocionais, escravizando mentes
e corações.
A liberdade de escolha está diretamente associada ao princípio da responsabilidade
individual e coletiva intransferível e irrevogável.
Cada qual, com sua respectiva herança cármica, muitas vezes | submetido a diferentes
provas existenciais na infância, na mocidade, na idade adulta ou na velhice, passando por
experiências de mutilação reversível ou não, por enfermidades de difícil tratamento a curto,
médio ou longo prazo, por acidentes dolorosos e até mesmo a morte súbita em circunstâncias
inesperadas e trauma tizantes.
Os seres humanos que estão onerados perante as leis éticas da vida e que para se redimirem
têm necessidade de viver provações e lutas expiatórias, encontram aqueles outros que se
dispõem a ajudá-los através das relações familiares na condição de pais, parentes ou amigos, e
que juntos se dispõem coletivamente ao aprendizado redentor, porque na maioria das vezes
estão também vinculados reciprocamente por compromissos e comprometimentos cármicos
específicos.
A provação coletiva desperta o sentimento de solidariedade humana, impulsionando todos
a uma revisão dos valores e significados éticos do viver, descortinando a cada um novos
horizontes conscienciais.
Deste modo, pode-se afirmar que, no Plano Divino da Criação, não há falhas e a Lei é de
Amor, Justiça e Misericórdia, concedendo a cada um e a todos iguais oportunidades de
progresso material, e espiritualmente falando, através das vidas sucessivas, na construção e
reconstrução de um destino feliz.
14. E a morte por suicídio?
Doloroso equívoco cometem aqueles cuja decisão final é o apelo ao suicídio, como medida
extrema para solucionarem problemas aflitivos, psicológicos, emocionais, conscienciais e
existenciais.
A maior surpresa é a de que a vida não se extingue com a morte do corpo físico.
Doloroso e grave engano, porque o suicida se vê muitas vezes jungido aos despojos
cadavéricos, por tempo indeterminado, através dos laços bioenergéticos que ligam o perispírito
ao respectivo corpo físico em decomposição.
As sensações e emoções experimentadas pelo suicida variam de caso para caso.
Há, entretanto, algo em comum, ou seja, a constatação de que a vida consciencial é
indestrutível e que ninguém burla suas leis sem assumir pesados compromissos cármicos a
impor a indispensável reparação compulsória, por ter rompido, prematuramente, os elos de
ligação psicobiofísica que permitiram a manutenção da vida no plano físico por uma cota de
tempo compatível com as necessidades específicas de auto-realização espiritual de cada um,
através do cumprimento de um plano de realizações existenciais educativo, visando à plena
harmonização consciencial com as leis da vida, e na execução de projetos específicos de
aprendizagens provacionais, sacrificiais, missionárias ou de resgate inadiáveis, tendo em vista
a necessidade moral de construir a própria redenção.
Os relatos mediúnicos contendo informações sobre a situação do suicida após o ato
cometido são unânimes em afirmar o estado de dolorosa penúria do espírito, o qual se vê num
processo psicodinâmico e bioenergético de recapitulação compulsiva das ações desencadeadas
em decorrência do suicídio, gerando um profundo sentimento de remorso, dor e sofrimento
inomináveis.
Este estado de verdadeira psicose alucinatória assume características dantescas, dramáticas
e traumáticas, e sfa maioria dos casos o suicida sente-se mais vivo e sensível aos embates da
decomposição cadavérica do próprio corpo físico.
Ora se vê no local onde o ato se consumou, ora se vê autopsiado e ao mesmo tempo preso
ao túmulo, onde jazem os restos mortais sepultados.
Neste verdadeiro inferno consciencial se debate por tempo indeterminado, podendo durar
dias a fio, meses ou anos até que, pela dor e sofrimento, possa despertar mais lúcido para
compreender melhor o equívoco cometido. Para tanto, o remorso e o arrependimento são
etapas inerentes ao despertar consciencial, seguidas de uma necessidade moral profunda de se
redimir perante a própria consciência e às Leis de Deus.
Durante todo este tempo não fica abandonado pela misericordiosa assistência espiritual dos
espíritos socorristas e familiares em condições de ajudar, bem como de amigos e protetores,
que, amorosamente, prestam o socorro necessário, sem entretanto violar o código ético da vida.
Após esta fase crucial, à medida que for apresentando sinais de melhor receptividade e
lucidez, é submetido a um complexo tratamento magnético-espiritual específico, em clínicas
altamente especializadas, encarregadas de dar atendimento psicoterápico e sonoterápico,
objetivando a plena recuperação do suicida.
Geralmente, a morte por suicídio produz marcas profundas no perispírito, e elas poderão
determinar lesões nos respectivos centros vitais e demais órgãos perispíriticos, que irão
repercutir na embriogênese e organogênese de um novo corpo físico em uma próxima e futura
reencamação.
Em consequência, nas futuras reencamações o suicida poderá apresentar malformações
congênitas ou doenças hereditárias irreversíveis, na maioria dos casos, renascendo em
situações de excepcionalidade, exigindo muito amor e dedicação dos pais e familiares, médicos
e enfermeiros, e tratamento em clínicas especializadas.
Não se deve, nestes casos, pensar em castigos ou punições divinas, mas tão-somente no
cumprimento da Lei do Carma genético. .
Através destas limitações morfogenéticas a curto, médio ou longo prazo, o suicida de
ontem renasce em um novo corpo físico, com disfunções congênitas reversíveis ou
irreversíveis, como decorrência natural das lesões registradas na memória genética perispíritica
que servirão de matrizes indutoras a influenciar negativamente durante a gestação, na
organogênese e morfogênese, do novo corpo físico, determinando malformações congênitas ou
doenças hereditárias, correspondentes às lesões perispíriticas causadas por traumatismos, em
decorrência do suicídio cometido em vidas anteriores.
A título de esclarecimento, há também casos de suicídio indireto, no qual a pessoa não tem
a deliberação plena de cometer o suicídio propriamente dito, mas, pelo tipo de vida que leva,
sem maiores compromissos com a saúde física e mental, expondo-se a situações de risco por
imprudência, ou praticando excessos de toda a natureza, poderá morrer prematuramente,
sendo, portanto, considerado também um caso de suicídio indireto.

MORTE E EDUCAÇÃO
Vê-se pois, que a morte na visão espírita é um fenômeno natural de mudanças e
transmutações, inerentes à própria dinâmica da vida.
A Pedagogia espírita, propõe-se através da educação formal e informal, desenvolver uma
ação educativa, iniciando no respectivo lar, tendo os pais como pedagogos e educadores, com a
missão natural de orientar e educar os filhos, desde a fase preparatória antes da reencarnação
propriamente dita, através do processo psicobiofísico da gestação, acompanhando-os com
amor 1 dedicação em todas as fases do crescimento e desenvolvimento pleno, quando
assumirão com maior consciência e responsabilidade deveres e obrigações de viver
construtivamente, em harmonia consigo mesmos, com a natureza, com a sociedade, com a
vida, cumprindo o plano divino de suas existências.
Compreendendo desde cedo que a vida é imperecível, e que o ser humano como espírito ou
consciência em expansão é um agente co-criador que integra e participa de um plano maior, de
acordo com o nível de maturidade consciencial alcançado, e com a correspondente autonomia
relativa, de agir e interagir no contexto existencial que lhe é concedido viver, é natural e de
esperar que venha gradativamente, pela educação recebida, a desenvolver uma cosmovisão
existencial, sem as peias do medo de qualquer espécie e muito menos do medo da morte e do
morrer.
Nesta perspectiva, a Educação espírita visa o Ser integral, homem ou mulher, cujos papéis
no contexto do viver se complementam e se integram na grande sinfonia da vida, com iguais
direitos e deveres éticos e cosmoéticos no desempenho de seu respectivo plano existencial.
Como decorrência lógica deste processo de educação anímico-consciencial permanente,
cada pessoa vai sentindo a imperiosa necessidade ético-espiritual de expandir-se na busca do
autoconhecimento, na construção da plenitude consciencial, livre de preconceitos e
condicionamentos atávicos ou adquiridos, limitadores da liberdade de pensar, sentir e agir em
harmonia com as leis da vida, numa visão plena de totalidade, integração e complementaridade.
Assim sendo, o viver passa a ser uma aprendizagem constante em todas as etapas do
crescimento e desenvolvimento pessoal, de uma autoconsciência holística, ecológica e
integradora, a se manifestar através de um comportamento individual e social, construtivo,
edificante e solidário, em todos os momentos de sua vida de relação.
Sabe, por experiência própria, através de uma educação holística espiritualista ou espírita,
que a vida de relação não se extingue com a cessação da vida física, mas ultrapassa os limites
espaço-temporais do aqui, agora, expandindo-se na multidimen- sionalidade extrafísica da
Biosfera e do Universo.
Consequentemente, tem consciência e discernimento de que é um agente co-criador
arquiteto do próprio destino em todos os níveis de manifestação da vida consciencial.
Assim sendo, sente a própria dimensão transcendente do viver no plano físico e extrafísico
através de suas funções psi, anímico-mediúnicas, paranormais, que lhe possibilitam projetar- se
fora do respectivo corpo físico, penetrando nos diferentes níveis e planos conscienciais
extrafísicos, continuando na dinâmica da vida de relação a interagir com espíritos ou
consciências afins, encarnados ou desencarnados, realizando novos aprendizados
enriquecedores ou participando solidariamente nas tarefas e trabalhos assistenciais ou
socorristas, vivendo conscientemente o amor solidário, o amor compaixão, o
amor-fratemidade, expressões particulares do verdadeiro "amor ao próximo como a si mesmo",
princípio universal da Cosmoética, sem cuja observância o ser humano encarnado ou
desencarnado não poderá ser plenamente feliz e nem poderá viver em paz consigo próprio, com
a vida, com a natureza e com a humanidade.
Ressalta-se, pois, a importância da Educação numa visão e abordagem holística,
integradora, sem os condicionamentos dogmáticos e sectários que dividem e segregam os síres
humanos de todas as raças, povos e nações, tanto no Oriente como no Ocidente.
Sem dúvida alguma, o Espiritismo vem contribuindo para o desenvolvimento desta
consciência holística, individual e coletiva, sem violentar a liberdade de pensar e de escolher o
próprio caminho para o autoconhecimento e a auto-realização como
Espírito ou uma consciência em expansão, na construção da plenitude existencial rumo à
Plenitude do Ser.
Tais princípios educativos, fazendo parte dos currículos educacionais nas escolas de ensino
fundamental, ampliando-se no segundo grau e ensino superior, através de projetos psicopeda-
gógicos multi e transdisciplinares integrantes de um plano educacional de maior amplitude,
privilegiando a valorização da Vida, a educação física, mental e afetiva do ser humano numa
perspectiva holística, integradora e transcendente, possibilitando o desenvolvimento cognitivo,
afetivo e espiritual, com ênfase no autoconhecimento, e numa cosmovisão transcendente da
vida, em que a morte não seja considerada o fim de tudo, mas apenas uma grande e profunda
transmutação consciencial.
Deste modo, a convicção adquirida e consolidada através de um novo paradigma
educacional — holístico, ecológico, espiritualista ou espírita, evolucionista, convicção não
imposta — mas construída através da auto-educação, de que o Espírito ou o Eu-Consciencial é
um ser, agente co-criador, e integrante do processo dinâmico da própria vida, evoluindo
aqiiBSo de um contínuo histórico através das vidas sucessivas, no construção e reconstrução
do próprio destino, nesta perspectiva cada Consciência, tanto no plano físico ou extrafísico,
sente a realidade existencial com maior amplitude, eliminando toda e qualquer reação
instintiva de medo face aos grandes desafios educativos da Vida e do próprio viver.
Assim sendo, adquire e desenvolve a plena lucidez e discernimento, cognitivo e afetivo, de
que a vida de relação se expande também, além do aqui, agora, possibilitando a interação entre
encarnados e desencarnados, segundo os princípios universais da lei de afinidade, sintonia e
ressonância.
Através da constatação do próprio potencial anímico- mediúnico, a manifestar-se por meio
das funções psi, paranormais, ampliando as percepções extra-sensoriais e autoprojeção, fora do
corpo, a constatação da realidade multi e transdimensional espaço-temporal torna-se uma
evidência incontestável, com profunda repercussão no comportamento ético individual e
coletivo, podendo acelerar o processo das grandes transformações político-sociais,
econômicas, culturais, ético-religiosas, educacionais, e do despertar de uma consciência
ecológica, holística, harmônica e integradora, na construção da Paz individual e coletiva,
indispensável à implantação de uma nova ordem, alicerçada na Cosmoética do "amor ao
próximo como a si mesmo", em todos os níveis de manifestação consciencial.
A comprovação científica dos fenômenos naturais, inerentes ao intercâmbio mediúnico, muito
contribuirá para evidenciar, com maior solidez, a sobrevivência espiritual do ser humano, na
mais eloquente demonstração universal de que a morte não rompe e nem destrói os laços
afetivos de amor conjugal, amor paternal, maternal, amor filial, fraternal, amor-solidariedade,
amor-compaixão, entre as mentes e corações afins, encarnados e desencarnados, na dinâmica
da vida imperecível.

BIBLIOGRAFIA
1. JACOBSON, Nils O. Vida Sem Morte? Rio de Janeiro, Editora Nórdica Ltda.,
1971.
2. MONROE, Robert A. Viagens Fora do Corpo. Rio de Janeiro, Record, 1971.
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7. 1975. (215p.) . Perguntas e Respostas sobre a Morte e o Morrer. São Paulo, í Bjgraria
CÍCERO MARCOS TEIXEIRA
Cícero Marcos Teixeira, professor da UFRGS, Mestre em Educação e escritor espírita. É espírita
atuante há mais de 40 anos, participou como palestrante em inúmeros seminários espíritas, sendo o mais
recentes o Congresso da Associação Espírita de S. Paulo em 1995 - com o tema “Pais Gestantes”;
Congresso Nacional Espírita da FEB (Bahia) em 1996, com o tema “Educação Anímico-Consciencial e
Bioenergia”; I Congresso Espírita de Sergipe, em 1997 com o tema “Clone e Clonagem" (fórum interno
e fórum externo) com o tema “Educação Anímico-Consciencial e Bioenergética”.
Articulou a organização Associação Médico Espírita de Porto Alegre/RS e é membro do Conselho
Superior do Hospital Espírita de POA.
Colaborou por dois mandatos, junto a FERGS, como coordenador do Departamento de Ciência
e Cultura e foi orientador do Setor de Evangelização da Infância e Juventude, orientador de
Curso de Médiuns, coordenador do Setor de Educação de Pais Gestantes, coordenador e
orientador do curso Espiritismo e Educação Anímico-Consciencial e diretor de Departamento
de Atendimento Fraterno em casa espírita de Porto Alegre.
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