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Uma dúzia de polêmicas em análise do discurso

Article  in  Acta Scientiarum Language and Culture · September 2011


DOI: 10.4025/actascilangcult.v33i2.13202

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Raquel Tiemi Masuda Mareco


Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (FATEC-SP)
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DOI: 10.4025/actascilangcult.v33i2.13202

Uma dúzia de polêmicas em análise do discurso


MAINGUENEAU, Dominique. Doze conceitos em análise do discurso. Sírio Possenti e
Maria Cecília Perez de Souza-e-Silva (Org.). São Paulo: Parábola, 2010. 207 p.
ISBN 9788579340147.

Raquel Tiemi Masuda Mareco* e Raquel de Freitas Arcine


Universidade Estadual de Maringá, Av. Colombo, 5790, 87020-900, Maringá, Paraná, Brasil. *Autor para correspondência.
E-mail: rachelmareco@hotmail.com

Doze conceitos em análise do discurso organiza-se em “interior” e um “exterior” do texto, sendo que a
12 capítulos, nos quais Maingueneau visa à autoridade não está nem no primeiro, nem no
articulação dos textos em torno de conceitos. Em segundo, mas ela subverte essa oposição.
alguns capítulos, o autor esclarece certos conceitos já O capítulo III, intitulado “Campo Discursivo: a
utilizados, cujos sentidos estavam ainda um pouco propósito do campo literário”, traduzido por
vagos; em outros, os conceitos são aperfeiçoados, Fernanda Mussalim, traz, inicialmente, uma reflexão
subdivididos e ressignificados a fim de torná-los acerca das problemáticas de Pierre Bourdieu a
mais compreensíveis e operacionalizáveis. respeito da produção de obras literárias.
No capítulo I, intitulado “Aforização – Maingueneau transpõe a noção de “campo”, de
enunciados sem texto?”, traduzido por Ana Raquel Bordieu, em “campo discursivo”, ou seja, um espaço
Motta, Maingueneau faz um percurso da em que interagem diversos “posicionamentos”. O
sobreasseveração à aforização, retomando alguns estudioso encerra o capítulo enfatizando que o
exemplos de obras anteriores e reconsiderando a conceito de campo deve ser revisto, já que há uma
questão dos enunciados destacáveis e destacados dificuldade em manipular noções que sejam
que, em textos anteriores, ambos pareciam pertencer invariantes, pois, ao sair de certos períodos
à lógica da sobreasseveração, enquanto nesse texto, o privilegiados pela literatura, “a noção de campo não
autor afirma que os enunciados destacados pode ser empregada como uma categoria evidente,
“decorrem de um regime de enunciação específico”: mas deve ser retrabalhada” para poder ser utilizada.
a aforização. Em seguida, o autor apresenta outros Roberto Leiser Baronas traduziu o capítulo IV,
conceitos: a enunciação aforizante e a enunciação que tem como título “Crítica (análise) – as
textualizante e conclui o capítulo explicando que condições de uma análise crítica do discurso”. Nesse
esses dois tipos de enunciação não representam as capítulo, Maingueneau não pretende esmiuçar os
duas possibilidades de uma alternativa, como se os conceitos e métodos da Análise Crítica do Discurso
locutores optassem por um tipo ou por outro, pois é (ACD), mas caracterizá-la por suas condições de
o texto que fabrica a aforização e, quando ganha possibilidade. Para isso, Maingueneau diz não haver
vida, a aforização o contesta, ou seja, “é o texto que uma fronteira entre a ACD e a Análise do Discurso
fabrica o que o contesta”. (AD), pois, para ele, a própria AD tem como
O capítulo II, “Autor: a noção de autor em característica o fato de possuir uma dimensão crítica,
análise do discurso”, traduzido por Helena já que seus objetos de investigação estão relacionados
Nagamine Brandão, traz à tona a famosa questão a interesses ideológicos. Adiante, o autor comenta
posta por Michel Foucault no fim dos anos 1960: “O sobre a concepção que os pesquisadores têm a
que é um autor?”. Maingueneau propõe que a noção respeito das diversas formas da ACD, que podem ser
de autor deva ser dividida em três dimensões: a) a da tanto as formas do saber (concepção maximalista),
instância de estatuto historicamente variável que quanto as formas da linguagem (concepção
responde por um texto; b) a do autor-ator; c) a do minimalista). Seguindo para a finalização do
autor enquanto correlato de uma obra. A proposta de capítulo, o autor direciona para um regime da ACD
Maingueneau não é inserir a noção de autor no que ele denomina como canônico, ou seja, estudos
centro da análise do discurso, mas integrá-la, árduos para desenvolver, concomitantemente, a
considerando que dessa forma pode haver uma zona transformação social e a compreensão dos
de troca e de redescobrimento recíproco de um funcionamentos discursivos.
Acta Scientiarum. Language and Culture Maringá, v. 33, n. 2, p. 331-333, 2011
332 Mareco e Arcine

O capítulo V traz um texto traduzido por pretenda descartar a categoria da imagem de autor
Luciana Salazar Salgado, que tem como título “Ethos corre o risco de ser reducionista.
e a apresentação de si nos sites de relacionamento”. “Paratopia: a paratopia e suas sombras” é o título
Após uma breve conceituação do termo “ethos” do capítulo IX apresentado por Maingueneau,
como uma representação do locutor que o traduzido por Décio Rocha. Para definir paratopia, é
destinatário é levado a construir ao se deparar com o necessária a retomada do conceito de discurso
discurso do locutor. Para isso, o estudioso se constituinte. Após essa retomada, o autor esclarece
preocupa com um gênero do discurso em específico: que o discurso político, embora algumas vezes
os “sites de relacionamento” da internet, nos quais as tratado equivocadamente como discurso
pessoas precisam falar sobre si mesmas e sobre o tipo constituinte, não pode se autolegitimar e tem de se
de pessoa que procuram. Finalizando este capítulo, o apoiar nos discursos constituintes para assentar sua
autor nos mostra que na maioria dos anúncios autoridade. Quanto ao discurso publicitário, o autor
provenientes de mulheres, a maneira como a língua afirma que não é nem atópico nem paratópico e o
é investida visa a dar acesso a uma personalidade e, classifica como “mimotópico”, pois se duplica, em
consequentemente, direcionar para um “ethos” simulacro, o conjunto de todos os outros.
discursivo. No capítulo seguinte, “Polifonia, provérbio e
Maingueneau inicia o capítulo VI do livro, desvio”, traduzido por Maria Cecília P. Souza-e-
“Gênero: historicidade de um gênero de discurso: o Silva, o autor explica que, neste texto, trata o
sermão”, traduzido por Sírio Possenti, apontando provérbio como discurso relatado, mais
algumas causas do desinteresse de analistas do precisamente, como um caso de polifonia.
discurso em estudar o discurso religioso. No Maingueneau complementa que é possível haver
decorrer do texto, o autor propõe uma análise desvios no momento de circunscrever os diversos
comparativa de dois sermões: um proferido em tipos de provérbio, seja ao utilizar o provérbio em
Paris, em 1702 e outro, em Arcachon, em 2008, proveito próprio (estratégia de captação) ou de
transmitido pela televisão. O autor explica as contestar tal provérbio (estratégia de subversão). Ao
dificuldades dessa proposta, visto que não obedecem concluir, o autor afirma que a noção de “desvio” e
à mesma temporalidade nem à mesma economia. suas estratégias opostas foram estudadas por meio do
Além disso, o gênero estudado deriva do quadro limitado do provérbio, mas não sem deixar
funcionamento da instituição eclesiástica e das de ressaltar que esses desvios implicam tomadas de
condições da comunicação social e o trabalho do posição ideológicas fundamentais.
posicionamento dos discursos deriva de uma lógica Intitulado “Registro: as três facetas do polêmico”,
do campo discursivo. o capítulo XI, traduzido por Sírio Possenti, aborda as
O capítulo VII, “Hipergênero: hipergênero, questões da inclusão do polêmico na lista dos
gênero e internet”, tradução de Maria Inês Otranto, registros, não apenas em relação à literatura, mas
é iniciado por Maingueneau com conceitos de também associado a qualquer conjunto de traços
gênero e, em seguida, o autor propõe o conceito de linguísticos. A seguir, Maingueneau distingue e
hipergênero como uma categoria acima do gênero. caracteriza três tipos de registros: linguísticos,
Acrescenta, ainda, que a concepção clássica de funcionais e comunicacionais. Além disso, menciona
gênero não leva em consideração os adventos da que, do ponto de vista da Análise do Discurso, o
internet. Maingueneau faz uma distinção entre os registro evoca uma dimensão “enunciativo-
diversos modos de genericidade e os articula com os pragmática”, uma dimensão “sociogenérica” e uma
dimensão “semântica”. Após uma longa reflexão
componentes da cena enunciativa em três principais
sobre cada uma dessas dimensões, concernentes ao
formas de textualidade: a) a oralidade
enunciado polêmico, o autor conclui que elas são,
conversacional; b) a controlada (oral ou escrita) e c)
por definição, indissociáveis.
a de navegação na internet.
Para finalizar o livro, o capítulo XII, intitulado
No capítulo VIII, intitulado “Imagem de autor: “Situação de enunciação e cena de enunciação em
não há autor sem imagem”, traduzido por Adail análise do discurso”, traduzido por Nelson Barros da
Sobral, Maingueneau retoma o conceito de autor e Costa, discorre e exemplifica sobre as três
explica que a discussão deste texto se limitará ao perspectivas que interferem e levam a compreender
discurso literário. Em seguida, apresenta sete facetas por que noções como “situação de enunciação”,
da imagem de autor, são elas: o escritor; a pessoa; a “situação de comunicação” e “contexto” tendem a se
personagem; a cenografia; os gêneros; o autor- confundir. Essas três perspectivas são das teorias da
garante e o “ethos” editorial. Na conclusão, o autor enunciação, da semântica, e das disciplinas do
afirma que uma abordagem ao discurso literário que discurso. Para tornar suas discussões mais práticas,
Acta Scientiarum. Language and Culture Maringá, v. 33, n. 2, p. 331-333, 2011
Uma dúzia de polêmicas em análise do discurso 333

termina por apresentar um quadro síntese, no qual Os conceitos propostos por Maingueneau estão
resume as diversas distinções realizadas. em constante construção e são aceitos e rejeitados
Certamente, Doze conceitos em análise do discurso por pesquisadores diversos, o que não parece, a
não é um livro para leigos ou iniciantes, pois os nosso ver, incomodar o autor. Independentemente
conceitos são complexos e pressupõem o domínio de seus conceitos serem incorporados ou
de outros conceitos complementares que são rechaçados, as polêmicas discussões por ele lançadas
retomados no decorrer do livro. movimentam as reflexões e os questionamentos no
Para o estudioso da área de análise do discurso, o universo acadêmico, contribuindo significantemente
livro é um excelente ponto de partida para para o avanço nos estudos em análise do discurso.
discussões e reflexões teórico-metodológica para
futuras produções científicas, já que, como afirmam
Possenti e Souza-e-Silva na apresentação do livro, Received on April 19, 2011.
Maingueneau não considera os conceitos como Accepted on August 2, 2011.
intocáveis, mas como elementos destinados a serem
constantemente retrabalhados, não só em função das
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Acta Scientiarum. Language and Culture Maringá, v. 33, n. 2, p. 331-333, 2011

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