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Ben-Hur de Albuquerque e Silva é Graduado em Engenharia de Fortificação e

Construção pelo Instituto Militar de Engenharia. Mestre em Engenharia de Transportes


(ênfase em pavimentos) pelo Instituto Militar de Engenharia. Doutor em Engenharia Civil
(ênfase em Geotecnia – Pavimentos) pela COPPE/UFRJ. Professor do Instituto Militar de
Engenharia. Experiência profissional em chefia de equipe, coordenação de equipe e
execução de obras rodoviárias (estradas, pontes, drenagem de rodovias etc.).
Washington Lüke é Bacharel em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas
Negras. Engenheiro de Fortificação e Construção pelo Instituto Militar de Engenharia. MBA
em Governança Corporativa pela FGV/DF. Mestrando em Estruturas e Construção Civil
pela Universidade de Brasília. Professor de cursos preparatórios para Perito de
Engenharia Civil em Brasília. Professor universitário de Cursos de Licenciatura de
Matemática na Paraíba. Atuou como Engenheiro responsável pelo acompanhamento e
execução das obras de canais e barragens do Projeto de Transposição do Rio São
Francisco, a cargo do Exército Brasileiro, nos Eixos Norte e Leste. Atualmente, trabalha
como BIM Manager, responsável pela pesquisa e desenvolvimento de tecnologias para
integração de projetos de arquitetura/engenharia estrutural e instalações, na Diretoria de
Obras Militares do Exército Brasileiro (BIM – Building Information Modeling).
Rua Henrique Schaumann, 270, Cerqueira César — São Paulo — SP CEP 05413-909
PABX: (11) 3613 3000 SACJUR: 0800 055 7688 de 2ª a 6ª, das 8:30 às 19:30

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Ben-Hur de Albuquerque e Silva


Engenharia civil 1 : patologia e dimensionamento do concreto armado, materiais... / Ben-Hur
de Albuquerque e Silva, Washington Lüke. – São Paulo : Saraiva, 2013. – (Coleção perito
criminal federal)
Bibliografia.
1. Engenharia civil 2. Peritos criminais I. Silva, Ben-Hur de Albuquerque e. II. Título. III. Série.
CDU-351.749:343.98:624(81)

Índices para catálogo sistemático:

1. Brasil : Temas em engenharia civil : Perito criminal : Polícia federal : Direito


administrativo 351.749:343.98:624(81)

Diretor editorial Luiz Roberto Curia


Gerente de produção editorial Lígia Alves
Editor Roberto Navarro
Assistente editorial Thiago Fraga
Produtora editorial Clarissa Boraschi Maria
Produtor multimídia William Paiva
Preparação de originais Bernardete Rodrigues de Souza Maurício, Maria Izabel
Barreiros Bitencourt Bressan e Perfekta Soluções Editoriais
Arte e diagramação Cristina Aparecida Agudo de Freitas e TPG – Tavares Produção
Gráfica
Revisão de provas Rita de Cássia Queiroz Gorgati e Regina Machado
Serviços editoriais Camila Artioli Loureiro, Elaine Cristina da Silva, Kelli Priscila
Pinto, Surane Vellenich e Vinicius Asevedo Vieira
Capa Guilherme P. Pinto
Imagem de capa ©Wildcat78/Dreamstime
Produção eletrônica Know-how Editorial

Data de fechamento da edição: 4-6-2012

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Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou
forma sem a prévia autorização da Editora Saraiva. A violação dos direitos autorais é
crime estabelecido na Lei n. 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal.
APRESENTAÇÃO

Durante muito tempo, a literatura de preparação para os concursos públicos esteve voltada para
áreas recorrentes (direito, administração de empresas etc.). O mundo dos concursos carecia de obras
que trouxessem, de forma clara, objetiva e com especificação, conteúdos para os certames de
carreiras não jurídicas, melhor dizendo, para a seara científica.
Com esse propósito, a coordenação desta Coleção e a Editora Saraiva lançam volumes
preparatórios para concursos de outras carreiras, especialmente voltados para as áreas científicas,
entre elas: contabilidade, economia, administração, engenharias elétrica, eletrônica, de redes, de
telecomunicações, civil, química, química industrial, diversas áreas de informática, como ciências da
computação e análise de sistemas, além de biologia, biomedicina, medicina, odontologia e farmácia.
A Coleção terá volumes voltados para o concurso de Perito Criminal da Polícia Federal e demais
concursos de destaque no cenário nacional (MPU,Petrobras, Furnas, Prefeituras de Estados, TCU
etc.).
Esses cargos têm sido de grande procura entre os que se preparam para concursos e são
formulados nas diversas áreas mencionadas. O leitor terá acesso a todos os aspectos teóricos e
práticos, com enfoque no conteúdo visto nas faculdades, mas com abordagem direcionada, com a
inserção de exercícios já cobrados ou criados pelos autores.
A pretensão da Coleção é trazer para os alunos dessas carreiras, da graduação à pós-graduação,
todas as nuanças desses certames e seus caminhos em busca da aprovação.
Oferecemos esta grande novidade ao mundo científico.
Coordenadores da coleção PERITO CRIMINAL FEDERAL
SUMÁRIO
Apresentação

Volume I-A
Patologia do concreto – dimensionamento – materiais de construção – análise
estrutural – resistência dos materiais

1 Patologia do concreto armado


1.1 Fundamentos da patologia das construções
1.2 Causas patológicas do concreto
1.3 Patologia nas estruturas de concreto
1.3.1 Fissuração
1.3.2 Ressecamento do concreto
1.3.3 Retração
1.3.4 Carregamento
1.4 Conceituação dos danos mais comuns nas estruturas
1.4.1 Carbonatação
1.4.2 Desagregação
1.4.3 Disgregação
1.4.4 Segregação
1.4.5 Perda de aderência
1.4.6 Corrosão das armações
1.4.7 Corrosão do concreto
1.4.8 Calcinação
1.4.9 Reatividade alcalisílica (RAS)
1.4.10 Eflorescência
1.5 Causas mais frequentes, considerações normativas
1.5.1 Exsudação do concreto
1.5.2 Baixo teor de cimento
1.5.3 Areia contaminada com matéria orgânica
1.5.4 Excesso de água de amassamento
1.5.5 Falta de cura
1.5.6 Aplicação de concreto vencido
1.5.7 Água de amassamento contaminada
1.6 Ensaios destrutivos e não destrutivos
1.7 Fissuras nas estruturas de concreto
1.7.1 Fissuras causadas por recalques das fundações
1.7.2 Fissuras causadas por corrosão da armadura
1.7.3 Fissuras devidas às cargas estruturais
1.8 Fissuras nas paredes de alvenaria
1.8.1 Fissuras verticais
1.8.2 Fissuras horizontais
1.8.3 Fissuras inclinadas
1.9 Questões resolvidas de concursos

2 Dimensionamento do concreto armado


2.1 Características reológicas e mecânicas do concreto
2.1.1 Características reológicas do concreto
2.1.1.1 Retração
2.1.1.2 Fluência
2.1.2 Características mecânicas do concreto
2.1.2.1 Concreto simples
2.1.2.2 Concreto armado
2.1.2.3 Características do concreto
2.2 Aço para concreto armado
2.2.1 Tipos, fabricação e características mecânicas do aço
2.2.1.1 Tipos de superfície
2.2.1.2 Características geométricas
2.2.1.3 Diagrama tensão-deformação
2.2.2 Segurança e estados limites
2.2.2.1 Estado Limite Último – ELU
2.2.2.2 Estados Limites de Serviço – ELS
2.2.3 Aderência; ancoragem e emendas em barras de armação
2.2.3.1 Aderência
2.2.3.2 Ancoragem por aderência
2.2.3.3 Comprimento de ancoragem reta
2.2.3.4 Barras com ganchos
2.2.3.5 Emendas de barras
2.3 Dimensionamento e detalhamento de elementos estruturais
2.3.1 Cargas
2.3.2 Segurança
2.3.3 Estádios de cálculo
2.3.4 Domínios de deformação
2.3.5 Hipóteses de cálculo
2.3.6 Pilares
2.3.6.1 Modelo de cálculo
2.3.6.2 Comprimento de flambagem
2.3.6.3 Cobrimento da armadura
2.3.6.4 Pilar padrão
2.3.7 Viga
2.3.7.1 Armadura mínima de tração
2.3.7.2 Armadura de pele
2.3.7.3 Armadura longitudinal máxima
2.3.7.4 Armadura de suspensão
2.3.8 Laje
2.3.8.1 Espessura mínima
2.3.8.2 Determinação de flechas em lajes de concreto armado
2.3.8.3 Lajes unidirecionais
2.3.8.4 Lajes bidirecionais (armadas em duas direções)
2.3.8.5 Valores limites para flechas em elementos de concreto armado
2.3.8.6 Flechas máximas admitidas
2.4 Durabilidade das estruturas de concreto
2.5 Questões resolvidas de concursos

3 Materiais de construção civil


3.1 Agregados e aglomerantes
3.1.1 Agregados
3.1.1.1 Classificação
3.1.1.2 Tipos de agregados
3.1.1.2.1 Agregados industrializados
3.1.1.2.2 Agregados industrializados como matéria-prima
3.1.1.2.3 Agregados naturais
3.1.1.3 Propriedades
3.1.1.4 Finalidade dos agregados nas argamassas e concretos
3.1.2 Aglomerantes
3.1.2.1 Conceitos
3.1.2.2 Requisitos principais
3.1.2.3 Classificações
3.1.3. Cal
3.1.3.1 Cal aérea
3.1.3.2 Cal hidratada
3.1.3.3 Cal hidráulica
3.1.4 Cimento natural
3.1.4.1 Cimento Portland
3.1.4.2 Endurecimento
3.1.4.3 Hidratação
3.1.4.4 Massa específica
3.1.4.5 Resistência mecânica
3.1.4.6 Tipos
3.1.4.7 Armazenamento do cimento ensacado
3.2 Materiais betuminosos
3.2.1 Classificação dos materiais betuminosos
3.2.2 Propriedades dos materiais betuminosos
3.2.2.1 Dureza
3.2.2.2 Ponto de amolecimento
3.2.2.3 Viscosidade
3.2.2.4 Ductilidade
3.2.2.5 Massa específica
3.2.2.6 Ponto de fulgor
3.2.2.7 Betume total
3.3 Propriedades físicas e mecânicas dos materiais de construção
3.3.1 Massa específica real
3.3.2 Massa unitária
3.3.3 Compacidade
3.3.4 Porosidade
3.3.5 Absorção
3.3.6 Permeabilidade
3.3.7 Resistência ao congelamento
3.3.8 Resistência ao fogo
3.3.9 Resistência ao calor
3.3.10 Resistência à corrosão
3.3.11 Resistência ao choque
3.3.12 Resistência mecânica
3.3.13 Dureza
3.3.14 Resistência à abrasão
3.3.15 Elasticidade
3.3.16 Plasticidade e fragilidade
3.4 Ensaios e normas técnicas
3.4.1 Ensaios dos materiais
3.4.2 Normatização e classificação
3.4.3 Termos técnicos
3.4.3.1 Especificação
3.4.3.2 Ensaio
3.4.3.3 Norma
3.4.3.4 Terminologia
3.4.3.5 Padronização
3.4.3.6 Simbologia
3.4.3.7 Classificação
3.4.4 Principais normas técnicas relativas a ensaios
3.5 Questões resolvidas de concursos

4 Resistência dos materiais e análise estrutural


4.1 Deformações e análise de tensões
4.1.1 Tensão normal (σ)
4.1.2 Deformação específica (ε)
4.1.3 Diagrama tensão-deformação
4.1.4 Classificação de materiais com relação à tensão-deformação
4.1.5 Tensão admissível
4.1.6 Lei de Hooke
4.1.7 Coeficiente de Poisson
4.1.8 Princípio de Saint-Venant
4.1.9 Forma geral da Lei de Hooke
4.1.10 Tensão de cisalhamento
4.1.11 Deformação de cisalhamento
4.1.12 Transformação de tensões
4.2 Flexão, tensão e flambagem
4.2.1 Definições
4.2.2 Flexão pura reta
4.2.3 Flexão composta reta
4.2.4 Tensões normais devido à flexão da viga
4.2.5 Tensões de cisalhamento em vigas na flexão
4.2.6 Tensões compostas
4.2.7 Flambagem
4.3 Esforços solicitantes em uma seção
4.3.1 Equilíbrio de um corpo rígido
4.3.2 Esforços solicitantes
4.3.3 Resumo das convenções de sinais
4.3.4 Roteiro para cálculo de esforços solicitantes em determinada seção de
uma estrutura plana
4.4 Diagrama de esforços solicitantes
4.4.1 Exemplos de traçado de diagramas de carga-momento
4.4.2 Decomposição de carregamento geral
4.4.3 Vigas biapoiadas com balanços
4.4.4 Diagramas solicitantes para pórticos planos
4.4.5 Relações diferenciais entre esforços solicitantes
4.4.6 Traçado de diagramas de esforços solicitantes
4.4.7 Roteiro para traçado de diagramas de esforços solicitantes
4.5 Classificação geral das estruturas
4.5.1 Tipos de estruturas quanto à estaticidade
4.5.2 Tipos de apoios ou vínculos
4.5.3 Estruturas hipostáticas
4.5.4 Estruturas isostáticas
4.5.5 Estruturas hiperestáticas
4.5.6 Regra geral quanto à estaticidade de vigas
4.5.7 Regra geral quanto à estaticidade de pórticos planos
4.5.8 Regra geral quanto à estaticidade de arcos
4.5.9 Regra geral quanto à estaticidade de quadros
4.5.10 Regra geral quanto à estaticidade de treliças planas
4.5.11 Estabilidade de treliças (deformável ou indeformável)
4.5.12 Roteiro de cálculo de esforços pelo método dos nós
4.5.13 Roteiro de cálculo de reações de apoio (estruturas isostáticas)
4.6 Estruturas estaticamente determinadas e estaticamente indeterminadas
4.6.1 Superposição de efeitos
4.6.2 Linha elástica: equações diferenciais de curvas de deflexão
4.6.3 Cálculo de momentos fletores de vigas contínuas
4.6.4 Linhas de influência
4.6.5 Método da viga conjugada
4.6.6 Energia de deformação
4.6.7 Princípio dos trabalhos virtuais

5 Tabelas e formulários
5.1 Eixo de simetria
5.2 Centro de simetria
5.3 Momento estático da 1a ordem
5.4 Centro de gravidade, centroide, centro de massa
5.5 Momento da 2ª ordem (momento de inércia)
5.6 Cálculo dos momentos de inércia
5.7 Tabela dos momentos de inércia das formas básicas
5.8 Múltiplos e submúltiplos
5.9 Conversão de unidades
5.10 Tabela de derivadas
5.11 Tabela de integrais
5.12 Tabela de momentos de engastamento perfeito

REFERÊNCIAS

Volume I-B
Mecânica dos solos – estradas – pavimentos

1 Mecânica dos solos


Introdução
1.1. Origem e formação dos solos: processos erosivos
1.2. Índices físicos
1.2.1 Relações entre as diferentes fases
1.2.1.1 Relações entre pesos
1.2.1.2 Relação entre volumes
1.2.1.3 Relação entre pesos e volumes
1.2.2 Principais fórmulas de correlação
1.3. Caracterização e propriedades dos solos
1.3.1 Amostras deformadas
1.3.2 Amostras indeformadas
1.3.3 Principais ensaios de caracterização dos solos
1.3.3.1 Teor de umidade (Método da Estufa) – REF.: DNER ME 213/94
1.3.3.2 Teor de umidade (Método do “Speedy”) – Ref.: DNER ME
052/94
1.3.3.3 Granulometria por peneiramento
1.3.3.4 Usos mais frequentes dos resultados de granulometria dos solos
1.3.3.5 Densidade real do grão
1.3.3.6 Limite de liquidez e de plasticidade
1.3.3.7 Permeabilidade
1.3.3.8 Equivalente de areia
1.3.3.9 Compactação
1.3.3.10 Massa específica aparente in situ
1.3.3.11 Índice Suporte Califórnia (ISC) – Ref.: DNER ME-049/94
1.3.3.12 Classificação geotécnica dos solos
1.3.3.12.1 Classificação USCS (Unified Soil Classification
System)
1.3.3.12.2 Classificação HRB (Highway Research Board)
1.4 Pressões nos solos
1.4.1 Tensões geostáticas
1.4.1.1 Princípio das Tensões Efetivas de Terzaghi
1.4.2 Tensões em razão da aplicação de cargas
1.4.3 Bulbo de tensões
1.5 Prospecção geotécnica
1.6 Permeabilidade dos solos – percolação nos solos
1.6.1 Fatores que influenciam a permeabilidade
1.7 Compactação dos solos; compressibilidade dos solos; adensamento nos solos;
estimativa de recalques
1.7.1 Ensaios de compressão
1.7.1.1 Ensaios de compressão não confinada
1.7.1.2 Ensaios de compressão parcialmente confinada
1.7.1.3 Ensaios de compressão totalmente confinada
1.7.2 Adensamento dos solos
1.7.2.1 Grau de adensamento
1.7.2.2 Recalque primário (ou de adensamento)
1.7.3 Estimativa de recalques
1.7.4 Estabilização de aterros
1.8 Resistência ao cisalhamento dos solos
1.8.1 Resistências do solo
1.8.1.1 A resistência do atrito
1.8.1.2 A resistência coesiva
1.8.2 Critérios de ruptura
1.8.2.1 Critério de Coulomb
1.8.2.2 Critério de Mohr
1.8.2.3 Critério de Mohr-Coulomb
1.9 Empuxos de terra; estruturas de arrimo; estabilidade de taludes; estabilidade
das fundações superficiais e estabilidade das fundações profundas
1.9.1 Empuxos de terra
1.9.1.1 Diagrama de tensões horizontais
1.9.2 Estruturas de arrimo – muros
1.9.2.1 Tipos de muros
1.9.3 Estabilidade dos muros de arrimo
1.9.4 Fundações
1.9.4.1 Fundações superficiais, diretas ou rasas
1.9.4.2 Fundações profundas

2 Projeto e execução de rodovias


2.1 Movimento de terra
2.1.1 Terraplanagem manual
2.1.2 Terraplanagem mecanizada
2.1.3 Empolamento
2.2 Projeto geométrico
2.3 Ensaios geotécnicos principais
2.4 Pavimentação. Projeto, tipos, aplicação e principais elementos
2.5 Drenagem
2.6 Custos rodoviários
2.7 Patologia de pavimentos

REFERÊNCIAS
LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Perfil esquemático da ocorrência dos solos tropicais

Figura 2: Exemplo de perfil de solo

Figura 3: Solo conforme encontrado na natureza

Figura 4: Fases do solo separadas

Figura 5: Aparelho “Speedy” para determinação expedita do teor de umidade de


solos

Figura 6: Curva granulométrica

Figura 7: Diagrama dos Limites de Atterberg

Figura 8: Permeâmetro de carga constante (experimento de Darcy)

Figura 9: Permeâmetro de carga variável

Figura 10: Equipamento para ensaio de equivalente de areia

Figura 11: Equipamentos para ensaio de CBR: (a) em laboratório e (b) in situ

Figura 12: Equipamento SPT e amostrado padrão


Figura 13: Esquema da sondagem à percussão

Figura 14: Modelo de relatório de sondagem

Figura 15: Modelo analógico de Terzaghi

Figura 16: Edômetro

Figura 17: Resultado típico de um ensaio edométrico em areias

Figura 18: Resultado típico de um ensaio edométrico em argilas

Figura 19: Fases do ensaio edométrico

Figura 20: Evolução dos recalques

Figura 21: Analogia hidromecânica para a condição de deformação lateral. (a)


Recalque imediato ou não drenado; (b) Início recalque de adensamento; (c) Após
dissipação dos excessos de poropressão

Figura 22: Porcentagem de recalque para diversos valores do Fator T

Figura 23: Bermas de equilíbrio

Figura 24: Escorregamento de um corpo rígido sobre uma superfície horizontal

Figura 25: Deslizamento de um corpo rígido sobre um plano inclinado

Figura 26: Representação gráfica do critério de ruptura de Mohr

Figura 27: Representação do estado de tensão no plano de ruptura

Figura 28: Diagrama de tensões horizontais

Figura 29: Representação dos esforços atuantes em um ponto no interior da


massa de solo

Figura 30: Diagrama de pressões horizontais

Figura 31: Terminologia de muros de arrimo


Figura 32: Muro de alvenaria de pedra

Figura 33: Estrutura de cotenção em gabião

Figura 34: Muro de concreto ciclópico

Figura 35: Muro “Crib Wall”

Figura 36: Muro de contenção com sacos de solo-cimento

Figura 37: Muro de pneus

Figura 38: Muro de flexão

Figura 39: Muro com contrafortes

Figura 40: Resultante do peso do muro (R) na base, componentes vertical (V) e
horizontal (H) e aspecto do diagrama de pressão no solo de apoio

Figura 41: Possibilidade de ruptura do conjunto muro-solo, segundo uma


superfície de escorregamento de instabilidade do talude

Figura 42: Fundação direta ou rasa

Figura 43: Fundação indireta ou profunda

Figura 44: Solução em blocos

Figura 45: Solução em baldrame

Figura 46: Bate-estaca

Figura 47: Transmissão de carga ao terreno

Figura 48: Emendas por anel metálico ou luvas

Figura 49: Emenda tipo soldável em estaca pré-moldada

Figura 50: Corte em meia encosta, em seção plena e em seção mista

Figura 51: Escarificador de trator de esteiras


Figura 52: Zona de aplicação de rolos compactadores

Figura 53: Exemplos de seções tranversais-tipo: (a) em tangente e (b) em curva

Figura 54: Esquema de seção transversal do pavimento

Figura 55: Distribuição de cargas nos pavimentos rígido e flexível (UFPR, 2010)

Figura 56: Detalhe do ensaio de penetração a 25ºC

Figura 57: Equipamento para ensaio de abrasão Los Angeles

Figura 58: Ensaio de impacto Treton

Figura 59: Ensaio de adesividade

Figura 60: Pulsos de carga do ensaio triaxial dinâmico

Figura 61: Equipamento de ensaio triaxial dinâmico

Figura 62: Ensaio de MR em corpo de prova de mistura asfáltica

Figura 63: Esquema do equipamento e do ensaio de MR para misturas


betuminosas

Figura 64: Esquema de componentes de uma viga Benkelman

Figura 65: Modelo de uma ficha de composição de custos do SICRO

Figura 66: Tipos de curvas de afundamento nas trilhas de roda considerando os


efeitos de umidade e conservação

LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Correlação entre o SPT e a compacidade das areias

Tabela 2: Correlação entre SPT e consistência das argilas

Tabela 3: Coeficientes de permeabilidade típicos

Tabela 4: Fator Tempo em função da porcentagem de recalque por adensamento


pela Teoria de Terzaghi

Tabela 5: Valores genéricos de K0

Tabela 6: Densidades típicas de alguns materiais

Tabela 7: Fatores de equivalência de carga da AASHTO

Tabela 8: Fatores de equivalência de carga do USACE

Tabela 9: Determinação do número “N” para o caso de pista simples e pista dupla
VOLUME I-A
PATOLOGIA DO CONCRETO –
DIMENSIONAMENTO – MATERIAIS DE
CONSTRUÇÃO – ANÁLISE ESTRUTURAL –
RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS
1 Patologia do concreto armado
1.1 Fundamentos da patologia das construções
O estudo das falhas construtivas é feito pela ciência experimental denominada “patologia das
construções”, que envolve conhecimentos multidisciplinares nas diversas áreas da engenharia.
A Escola Politécnica da USP define patologia das construções como o estudo das origens, causas,
mecanismos de ocorrência, manifestação e consequências das situações em que os edifícios ou suas
partes apresentam um desempenho abaixo do mínimo preestabelecido.
Entende-se como o “mínimo preestabelecido” a eficiência e durabilidade dos materiais e técnicas
construtivas necessárias para assegurar a vida útil de uma edificação. Normalmente, tais condições
são previstas em normas técnicas, especificações, ensaios de resistência etc.
É importante ressaltar que a identificação das origens dos problemas patológicos permite, também,
detectar para fins judiciais quem cometeu as falhas. Ou seja, se os problemas tiveram origem na fase
de projetos, os projetistas falharam; quando a origem está na qualidade do material, o erro é dos
fabricantes; se, na etapa de construção, se trata de falhas que envolvem mão de obra e fiscalização,
ou ainda omissão do construtor; se na etapa de uso as falhas poderão ser decorrentes da operação e
manutenção.

1.2 Causas patológicas do concreto


As causas patológicas do concreto podem ser divididas em dois grupos:
a) Grupo I – causas físicas
As causas físicas da deterioração do concreto podem ser subdivididas em duas categorias:
• desgaste superficial (ou perda de massa) por causa da abrasão, da erosão e da cavitação; e
• fissuração em razão de gradientes normais de temperatura e umidade, pressões de cristalização
de sais nos poros, carregamento estrutural e exposição a extremos de temperaturas, tais como
congelamento ou fogo.
b) Grupo II – causas químicas
As causas químicas da deterioração do concreto podem ser subdivididas em três categorias:
• hidrólise dos componentes da pasta de cimento por água pura;
• trocas iônicas entre fluidos agressivos e a pasta de cimento;
• reações causadoras de produtos expansíveis, tais como expansão por sulfatos, reação álcali-
agregado e corrosão da armadura no concreto.

1.3 Patologia nas estruturas de concreto


1.3.1 Fissuração
Os problemas patológicos nas estruturas de concreto geralmente se manifestam de forma bem
característica, permitindo assim que um profissional experiente possa deduzir qual a natureza, a
origem e os mecanismos envolvidos, bem como quais são as prováveis consequências.
Um dos sintomas mais comuns é o aparecimento de fissuras, trincas, rachaduras e fendas, definidas
da seguinte forma:
a) Fissura: abertura em forma de linha que aparece nas superfícies de qualquer material sólido,
proveniente da ruptura sutil de parte de sua massa, com espessura de até 0,5 mm.
b) Trinca: abertura em forma de linha que aparece na superfície de qualquer material sólido,
proveniente de evidente ruptura de parte de sua massa, com espessura de 0,5 mm a 1,00 mm.
c) Rachadura: abertura expressiva que aparece na superfície de qualquer material sólido,
proveniente de acentuada ruptura de sua massa, podendo-se “ver” através dela e cuja espessura
varia de 1,00 mm até 1,5 mm.
d) Fenda: abertura expressiva que aparece na superfície de qualquer material sólido, proveniente de
acentuada ruptura de sua massa, com espessura superior a 1,5 mm.
Algumas das causas mais usuais do fissuramento das estruturas são:
• cura mal realizada – ressecamento;
• retração;
• variação de temperatura;
• agressividade do meio ambiente;
• carregamento;
• erros de concepção;
• mau detalhamento do projeto;
• erros de execução;
• recalques dos apoios;
• acidentes.
1.3.2 Ressecamento do concreto
Após os primeiros dias da concretagem, o concreto não experimenta nenhuma retração. Ela se
manifesta sete dias depois, aproximadamente. Durante a cura, tem lugar um autoaquecimento que
ocorre desde o início da pega do cimento. A temperatura eleva-se, ocorre o aquecimento do núcleo
da peça, com valor superior ao de sua parte externa.
A figura a seguir mostra fissuras por ressecamento em uma laje nervurada. As fissuras seguem a
armadura principal.

Já a seguinte figura mostra uma laje maciça e as fissuras não são retilíneas.
As fissuras provocadas por ressecamento manifestam-se durante as primeiras 6 e 18 horas. Para
evitar o fissuramento por ressecamento, as superfícies concretadas devem ser protegidas e
umedecidas imediatamente após ser executadas.
1.3.3 Retração
O concreto experimenta um aumento de volume, quando umedecido, e uma retração durante o
processo de cura. A retração aparece quando a porcentagem de água interna diminui, sendo esta mais
intensa em tempo seco e quente. É de máxima importância o grau de umidade do meio ambiente para
o desenvolvimento da retração. O processo de retração estende-se de 2 a 3 anos, provocando tensões
de tração, quando as deformações são impedidas por forças externas ou internas, originadas das
armaduras. A retração dá origem a tensões de compressão no interior da peça e de tração na
superfície.
Nas vigas que possuem vários vãos, as fissuras de retração manifestam-se nas proximidades dos
apoios, especialmente se eles são fixos. Nos muros de concreto diretamente apoiados no solo, as
fissuras aparecem em razão da resistência oferecida pelo atrito do concreto com o solo, conforme a
figura a seguir.

Quando se trata de peça fortemente armada, a resistência oferecida pela armadura intervém no
fenômeno de fissuramento e o encurtamento global pode resultar insignificante. Em lajes, as fissuras
de retração são frequentes, principalmente se elas não possuem elementos de enrijecimento, como
vigas paralelas à armadura. As seguintes figuras mostram fissuras de vigas e pórticos provocadas por
retração.

1.3.4 Carregamento
Uma peça estrutural pode fissurar em consequência dos seguintes tipos de esforços provocados por
carregamentos:
a) Tração axial: fissuramento bastante regular, sempre perpendicular às armaduras, atravessando
toda a seção, conforme figura a seguir.

b) Compressão axial: os pilares de concreto armado, submetidos à compressão axial, rompem com
características bem definidas, como os corpos de prova, de acordo com a seguinte figura.

c) Compressão excêntrica: as peças submetidas ao efeito de compressão excêntrica e flambagem


apresentam, geralmente, fissuras com as características mostradas na figura a seguir.

d) Flexão: as fissuras de flexão são as mais conhecidas e fáceis de identificar. Além disso, são
sempre perpendiculares às armaduras, conforme as figuras a seguir.

Viga Lajes armadas em uma direção Lajes armadas em duas direções


e) Cisalhamento: as fissuras de cisalhamento, provocadas pelo esforço cortante, são inclinadas e
surgem inicialmente nas proximidades dos apoios, manifestando-se também na parte média das
vigas. São geralmente causadas pela deficiência das armaduras de cisalhamento. Ver a figura que
segue.

Fissura de cisalhamento em uma viga


f) Torção: as fissuras de torção podem aparecer em vigas de bordo, por excessiva deformabilidade
da laje; também são originadas de cargas excêntricas em viga ou em vigas que servem de engaste
para marquises. Tais fissuras aparecem simultaneamente em todas as faces livres da peça estrutural
com desenvolvimento helicoidal, de acordo com a figura a seguir.

Fissura de cisalhamento em uma viga

1.4 Conceituação dos danos mais comuns nas estruturas


Além da fissuração, os fatores relacionados anteriormente podem causar os seguintes danos às
estruturas de concreto armado.
1.4.1 Carbonatação
Uma das causas mais frequentes da corrosão em estruturas de concreto armado, a carbonatação é a
transformação do hidróxido de cálcio, com alto pH, em carbonato de cálcio, que tem um pH mais
neutro.
A perda de pH do concreto representa um problema, pois em seu ambiente alcalino (pH variando
de 12 a 13), as armaduras estão protegidas da corrosão. Entretanto, com um pH abaixo de 9,5, inicia-
se o processo de formação de células eletroquímicas de corrosão, fazendo surgir, depois de algum
tempo, fissuras e desprendimentos da camada de cobrimento.
A existência de umidade no concreto influencia bastante o avanço da carbonatação. Outros fatores
que também contribuem para que o fenômeno se desenvolva com mais rapidez são a quantidade de
CO2 do meio ambiente, a permeabilidade do concreto e a existência de fissuras.

1.4.2 Desagregação
É a deterioração, por separação de partes do concreto, provocada, em geral, pela expansão por
causa da oxidação ou dilatação das armaduras, e também pelo aumento de volume do concreto
quando este absorve água. Pode ocorrer também por causa das movimentações estruturais e choques.
1.4.3 Disgregação
Caracteriza-se pela ruptura do concreto, em especial nas partes salientes da estrutura. O concreto
disgregado geralmente apresenta as características originais de resistência, porém não foi capaz de
suportar a atuação de esforços anormais.
1.4.4 Segregação
É a separação entre os elementos de concreto (brita e argamassa), logo após o lançamento.
1.4.5 Perda de aderência
Pode ocorrer entre a armação e o concreto ou entre concretos. A perda de aderência entre o
concreto e o aço ocorre geralmente nos casos de oxidação ou dilatação da ferragem.
1.4.6 Corrosão das armações
A porosidade do concreto, a existência de trincas e a deficiência no cobrimento fazem com que a
armação seja atingida por elementos agressivos, acarretando, desta maneira, a sua oxidação. A parte
oxidada aumenta o seu volume em cerca de, aproximadamente, oito vezes e a força da expansão
expele o concreto do cobrimento, expondo totalmente a armadura à ação agressiva do meio. A
continuidade desse fenômeno acarreta a total destruição da armação, conforme mostra a figura a
seguir.

1.4.7 Corrosão do concreto


O concreto, mesmo sendo bastante resistente quando de boa qualidade, está sujeito a sofrer danos
em presença de agentes agressivos. Normalmente, o concreto mais atacado é o de má qualidade,
permeável, segregado etc.
Os agentes ácidos, os sulfatos, o cloro e seus compostos, os nitratos e nitritos são os principais
fatores destrutivos do concreto.
Mesmo a água totalmente pura, como é o caso da água de chuva, pode atacar o concreto por meio
da infiltração e do acúmulo ao longo do tempo.
1.4.8 Calcinação
É o ressecamento das camadas superficiais do concreto por causa da ocorrência de incêndios.
1.4.9 Reatividade alcalisílica (RAS)
A RAS é uma reação química que ocorre entre a sílica existente em determinados tipos de
agregados utilizados no concreto e o álcali (pode ser o de sódio ou de potássio) presente na parte de
cimento.
Provoca trincas de grande magnitude na superfície das estruturas. Genericamente, é disposta no
sentido longitudinal da peça, interconectada por finas trincas aleatórias transversais.
Este tipo de patologia foi identificado pela primeira vez em 1937 como um sério problema para
barragens, pontes e pavimentos de rodovias.
No Brasil, diversas barragens e pontes apresentam os sintomas da RAS, algumas já em estágio
avançado.
1.4.10 Eflorescência
O fenômeno da eflorescência resulta da dissolução dos sais presentes na argamassa e seu posterior
transporte pela água através dos poros até a superfície da argamassa. Durante o citado transporte
ocorre o aumento da concentração dos sais solúveis da argamassa na solução, provocando o
processo de cristalização dos sais. Pode-se dizer então que a eflorescência é um depósito de sais
acumulado sobre a superfície das argamassas, de composição e aspecto variáveis de acordo com o
tipo de sal depositado.

Quando se trata de uma peça de concreto na posição horizontal (laje), com impermeabilização
deficiente, existe maior probabilidade de ocorrer a eflorescência por causa da umidade de
infiltração.

1.5 Causas mais frequentes, considerações normativas


Adiante, segue uma relação de algumas causas e de que forma as normas técnicas, se respeitadas,
podem evitar as diversas patologias nas estruturas de concreto.
1.5.1 Exsudação do concreto
De acordo com a NBR 12655:2006, o profissional responsável pela execução deve escolher o tipo
de concreto, consistência, dimensão dos agregados e demais propriedades de acordo com o projeto e
com as condições de aplicação. Deve também verificar e atender a todos os requisitos da norma. O
traço determinará a qualidade de acabamento e poderá minimizar a ocorrência de outras patologias,
tais como a exsudação da água de amassamento.
1.5.2 Baixo teor de cimento
Segundo a NBR 12655:2006, se dosado empiricamente, deve atender a um consumo mínimo de
300 kg por metro cúbico de concreto para a classe C10. O cimento utilizado deve atender às normas
respectivas e possuir o selo de qualidade da Associação Brasileira de Cimento Portland – ABCP.
1.5.3 Areia contaminada com matéria orgânica
A NBR 7211:2005 determina os limites máximos aceitáveis de substâncias nocivas, como, por
exemplo, 3% de torrões de argila, 3% de materiais finos e 10% de impurezas orgânicas para
agregados miúdos (areia).
1.5.4 Excesso de água de amassamento
De acordo com a NBR 6118:2003, a relação água/cimento em massa deve ser de 0,65, no máximo,
o que equivale dizer que para um saco de cimento a máxima quantidade de água deve ser de 32 litros,
levando-se em conta a melhor condição de agressividade na qual o concreto ficará exposto.
1.5.5 Falta de cura
A NBR 14931:2003 alerta para os cuidados com a retirada de fôrmas e cura do concreto enquanto
não atingir o endurecimento satisfatório – para evitar a perda de água de exsudação e assegurar uma
superfície com resistência adequada – e aponta que elementos estruturais de superfície devem ser
curados até que atinjam resistência característica à compressão de no mínimo 15 MPa.
1.5.6 Aplicação de concreto vencido
A NBR 7212:1984 fixa que o tempo para aplicação do concreto dosado em central deve ser de, no
máximo, 150 minutos ou 2h30, salvo condições especiais, tais como uso de aditivos retardadores,
refrigeração e outras, em função das quais os prazos de transporte e descarga do concreto podem ser
alterados.
1.5.7 Água de amassamento contaminada
A NM 137:97 especifica os critérios mínimos de qualidade da água de amassamento do concreto e
argamassas – entre esses critérios, o pH deve estar compreendido entre 5,5 e 9, e o teor de resíduos
sólidos de, no máximo, 5 000 × 10-6 g/cm3.

1.6 Ensaios destrutivos e não destrutivos


Muitas vezes, além da análise visual, faz-se necessária a realização de ensaios destinados a
fornecer informações relacionadas às condições de resistência e ruptura de componentes da estrutura
vistoriada, além de maior conhecimento sobre o solo de fundação.
A decisão da realização ou não de ensaios fica a cargo do engenheiro responsável pela elaboração
do laudo pericial.
Os ensaios mais conhecidos nas estruturas de concreto e alvenaria são os seguintes:
a) Não destrutivos:
• esclerometria;
• carbonatação;
• controle de fissuras com selos de gesso ou vidros;
• ultrassonografia;
• gamagrafia;
• prova de carga; e
• medições de deformações e recalques.
b) Destrutivos:
• resistência à compressão axial em testemunhos retirados da estrutura;
• resistência à tração em testemunhos retirados da estrutura;
• módulo de deformação do concreto e de argamassas;
• reconstituição do traço de concreto e de argamassa;
• massa específica, permeabilidade e absorção de água;
• teor de cloretos;
• determinação do escoamento à tração em amostras de armadura retiradas da estrutura;
• determinação do potencial de corrosão de amostras de armadura retiradas da estrutura;
• resistência à compressão de tijolos e blocos individuais; e
• resistência à compressão de prismas de tijolos e blocos.

1.7 Fissuras nas estruturas de concreto


As fissuras são fenômenos próprios e inevitáveis do concreto armado e que podem se manifestar
em cada uma das três fases de sua vida:
• fase plástica;
• fase de endurecimento; e
• fase de concreto endurecido.
1.7.1 Fissuras causadas por recalques das fundações

De forma geral, os recalques nos pilares


geram fissuras de abertura variável nas vigas
ligadas a eles, sendo estas aberturas
maiores na parte superior das vigas. As
fissuras decorrentes dos recalques
dependem da magnitude destes.

1.7.2 Fissuras causadas por corrosão da armadura

As fissuras causadas pela corrosão da


armadura tendem a aparecer ao longo das
barras em processo de oxidação.

1.7.3 Fissuras devidas às cargas estruturais


a) Fissuras causadas por esforço de tração

As fissuras causadas por esforços de tração


são, em geral, ortogonais à direção do
esforço e atravessam toda a seção. O
material concreto é muito suscetível a esse
tipo de fissura, pois a resistência à tração
deste material é muito pequena.
b) Fissuras causadas por esforço de compressão

As fissuras causadas por esforços de


compreensão são, em geral, paralelas à
direção do esforço. Quando o concreto é
muito heterogêneo, as fissuras podem cortar-
se segundo ângulos agudos. As fissuras
devidas ao esforço de compreensão se
fazem visíveis com esforços inferiores ao de
c) Fissuras causadas por esforço de flexão ruptura, e aumentam de forma contínua.

Elas começam no bordo tracionado das


peças e avançam em direção à linha neutra.
Este tipo de fissura tem abertura variável:
são mais abertas no bordo tracionado da
seção e vão diminuindo de abertura à medida
que chegam perto da linha neutra.

d) Fissuras causadas por esforço cortante

As fissuras causadas por esforço cortante


são, em geral, inclinadas (entre 30 e 45,
aproximadamente), atravessam toda a peça,
e são localizadas próximas aos apoios dos
elementos (regiões de força cortante
1.8 Fissuras nas paredes de grande).
alvenaria
1.8.1 Fissuras verticais
a) Fissura vertical – carga vertical
Fissuras verticais em paredes de alvenarias,
por causa da atuação de carga vertical
uniformemente distribuída.

b) Fissura vertical – dilatação térmica

Fissuras verticais em alvenarias junto à


cobertura, provocadas pela dilataçao térmica
da laje de cobertura que traciona as paredes.

c) Fissura vertical – movimentações térmicas

Fissuras em muros de alvenaria causadas


por movimentações térmicas.
1.8.2 Fissuras horizontais
a) Fissura horizontal – movimentação higroscópica

Fissura horizontal causada por movimentação


higroscópica, geralmente nos trechos mais
submetidos à ação da umidade (as fiadas
mais úmidas apresentam maior expansão em
relação às demais fiadas).

b) Fissura horizontal – movimentação térmica

Fissuras horizontais de cisalhamento


causadas pela movimentação térmica da laje
de cobertura; as fissuras são mais
acentuadas no topo das partes.

c) Fissura horizontal – retração

Fissuras provocadas pela retração por


secagem de lajes de concreto armado, em
geral nas paredes externas enfraquecidas
por aberturas de janelas e portas.

1.8.3 Fissuras inclinadas


a) Fissuras inclinadas por recalque diferencial
Fissuras inclinadas causadas por recalques
diferenciais nas fundações (heterogeneidade
do solo).

b) Fissuras em paredes – carregamento desbalanceado

Paredes com carregamentos


desbalan​ceados sobre sapatas corridas:
fissuras de cisalhamento no trecho mais
carregado e fissuras de flexão sob as
aberturas.

c) Fissuras em paredes – carregamento uniforme

Configuração típica de fissuras em paredes


com aberturas de portas e janelas,
submetidas a carga uniformemente
distribuída e com inexistência ou deficiências
de vergas e contravergas.

d) Fissuras por viga em balanço


Fissuras inclinadas nas alvenarias
provocadas pela flexão de vigas em balanço.

e) Fissuras por deformação de lajes e vigas

Fissuramento em painéis de alvenaria


causado pela excessiva deformação de lajes
e vigas. A configuração varia em função dos
valores das flechas desenvolvidas.

f) Fissuras por carga concentrada

Fissuras inclinadas provocadas pela ação de


cargas concentradas diretamente sobre a
alvenaria.

1.9 Questões resolvidas de concursos


1) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2004) Sabe-se que os edifícios estão
sujeitos a patologias de origens diversas, como fissuras, trincas, eflorescências, entre
outras. A identificação, os métodos de análise e as soluções para cada tipo de problema
são, em geral, diferentes. A respeito de patologias das obras de engenharia civil, julgue os
itens a seguir.
(A) A exsudação pode ser identificada por meio do aparecimento de água na superfície
logo após a pega do concreto.
(B) A deformação da argamassa de assentamento em paredes submetidas a uma carga
vertical uniformemente distribuída é uma das possíveis causas de fissuras verticais em
alvenaria estrutural de blocos vazados de concreto.
(C) A infiltração de água por condensação ocorre devido à absorção de umidade em fase
gasosa.
Gabarito comentado
(A) Errado. A exsudação ocorre antes da pega do concreto.
Segregação e exsudação: a segregação é definida como a separação dos componentes
do concreto fresco de tal forma que sua distribuição não seja mais uniforme. Existem,
basicamente, duas formas de segregação. A primeira, típica de concretos pobres e secos,
ocorre quando os grãos maiores do agregado tendem a separar-se dos demais durante as
operações de lançamento com energia demasiada ou vibração excessiva. A segunda,
comum nas misturas muito plásticas, manifesta-se pela nítida separação da pasta da
mistura, sendo também conhecida por exsudação.
A exsudação é uma forma particular de segregação, em que a água da mistura tende a
elevar-se à superfície do concreto recentemente lançado. Esse fenômeno é provocado
pela impossibilidade de os constituintes sólidos fixarem toda a água da mistura e depende,
em grande escala, das propriedades do cimento.
Como resultado da exsudação, tem-se o aparecimento de água na superfície do
concreto após este ter sido lançado e adensado, além do surgimento e da manifestação
de inúmeros outros problemas como o enfraquecimento da aderência pasta/agregado
(zona de transição), aumento da permeabilidade do concreto e, se a água for impedida de
evaporar, pela camada que lhe é superposta, poderá resultar em uma camada de concreto
fraca, porosa e de pouca durabilidade.
A segregação e a exsudação podem ser reduzidas ou eliminadas por meio de um
controle maior da dosagem e de métodos de lançamento e adensamento do concreto mais
eficientes e bem executados.
Tempo de pega: nos manuais de concreto é muito comum a referência aostem-pos de
pega e em todo ensaio de cimento chega a ser quase obrigatória a determina-ção destes
tempos. A norma brasileira NBR NM 65:2003 – Cimento Portland – Deter​minação do
tempo de pega, utiliza a pasta de consistência normal (NM 43:2002) e o aparelho de Vicat.
Também define no item 3.1 o conceito de tempo de início de pega: “É, em condições de
ensaio normalizadas, o intervalo de tempo transcorrido desde a adição de água ao cimento
até o momento em que a agulha de Vicat corres​pondente penetra na pasta até uma
distância de (4 ± 1) mm da placa base”. Já para o fim de pega, o item 3.2 define que este
tempo ocorre quando a agulha estabiliza a 0,5 mm na pasta. Na prática, os tempos de
pega referem-se às etapas do processo de endurecimento, solidificação ou enrijecimento
do cimento e, em consequência, do concreto.
(B) Correto. A figura a seguir mostra a fissuração causada pelo carregamento distri​buído.

Fissuras verticais em paredes de alvenaria,


por causa da atuação de carga vertical
uniformemente distribuída.

(C) Correto. A infiltração de água por condensação ocorre por causa da absorção de
umidade em fase gasosa.
2) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2004) Sabe-se que edifícios estão sujeitos
a patologias de origens diversas, como fissuras, trincas e eflorescências. A identificação,
os métodos de análise e as soluções para cada tipo de problema são, em geral,
diferentes. No que refere a esse assunto, julgue os itens a seguir.
(A) A desagregação do concreto é caracterizada pela ruptura do mesmo.
(B) Um dos principais métodos de ensaio destrutivo em concreto armado fundamenta-se
no uso de esclerômetros.
(C) A ocratização é um sistema de fechamento de trincas executado por meio de grampos.
Gabarito comentado
(A) Correto. Há a ruptura do concreto.
Desagregação: é a deterioração, por separação de partes do concreto, provocada, em
geral, pela expansão por causa da oxidação ou dilatação das armaduras, e também pelo
aumento de volume do concreto quando este absorve água. Pode ocorrer também por
causa das movimentações estruturais e choques.
(B) Errado. A esclerometria é um ensaio não destrutivo.
(C) Errado. Ocratização é um sistema de fechamento de trincas que envolve a aplicação
de substâncias que reagem com o cimento formando compostos mais estáveis ao ataque e
que obstruem os poros. Outros métodos que empregam o mesmo princípio: fluatação e
silicatização
3) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2004 – REGIONAL) Quando ocorre o
ingresso de água, pura ou com íons agressivos, oxigênio e dióxido de carbono no concreto,
a durabilidade desse material é extremamente afetada. Com relação a alguns mecanismos
de transporte desses fluidos no concreto (permeabilidade), julgue o item subsequente.
(A) A permeabilidade do concreto é reduzida quando se aumenta o tempo de hidratação
do material ou a relação água/cimento.
Gabarito comentado
(A) Errado. A permeabilidade do concreto é reduzida com a diminuição do fator
água/cimento.
Os íons cloreto podem ser transportados no concreto por meio dos seguintes me​-
canismos: absorção capilar, difusão, permeabilidade ou migração iônica por ação de um
campo elétrico. A cada um dos mecanismos e ações corresponde uma dimensão e dis​-
tribuição ideal dos poros nos quais a penetração é maior.
Algumas das variáveis mais importantes que influenciam na penetração e difusão de íons
cloreto no concreto são relacionadas a seguir:
• a relação água/cimento;
• a porosidade;
• a permeabilidade;
• a resistência à compressão axial;
• a finura, a natureza e a dosagem de cimento ou adições minerais; e
• a duração e as condições de cura.
Permeabilidade é entendida como a propriedade que governa a velocidade do fluxo de
um fluido para dentro de um material sólido. Os coeficientes de permeabilidade do
concreto para gases e vapor d’água são muito menores que para a água. Normalmente, a
medida desse coeficiente para concreto é feito com água.
A permeabilidade do concreto depende do tamanho, distribuição e continuidade dos
poros da pasta, da permeabilidade dos agregados, da zona de transição pasta/agregado,
do lançamento, adensamento e cura. Os tipos de poros que podem existir no concreto são
poros na pasta (de gel e capilar) e os poros de ar. Os poros de ar, que em geral são
grandes, devem-se a defeitos de execução do concreto.
A permeabilidade é mais afetada pelo número e dimensões dos poros grandes que pelos
poros pequenos.
Pesquisas comprovam que o decréscimo do fator água/cimento implica a diminuição da
permeabilidade e porosidade do concreto.
4) (ESAF/CGU/AFC/2008) Na execução de reforço do emboço para evitar a ocorrência de
fissuras, realizado em geral no primeiro pavimento sobre pilotis e nos últimos pavimentos,
podem ser utilizados reforços do tipo argamassa armada e reforço do tipo ponte de
transmissão. É incorreto afirmar que:
(A) O reforço tipo ponte de transmissão necessita de espessura maior que o reforço tipo
argamassa armada.
(B) No reforço tipo ponte de transmissão, a tela é fixada pelas bordas.
(C) No reforço tipo argamassa armada, a tela de aço galvanizado é colocada após chapar
a primeira camada de argamassa.
(D) No reforço tipo ponte de transmissão, utiliza-se fita de polietileno na interface
concreto/alvenaria.
(E) Na região da lâmina plástica, a tela não deve entrar em contato com o revestimento.
Gabarito comentado
Resposta: letra A.
O reforço tipo ponte de transmissão não necessita de espessura maior que o reforço
tipo argamassa armada. As demais opções (b, c, d, e) estão corretas.
As telas de reforço são exigidas quando a espessura do revestimento de argamassa é
igual ou superior a 5 cm. Neste caso, o mercado disponibiliza telas em diversos materiais,
tais como: telas metálicas eletrossoldadas com malha 25 x 25 mm, telas metálicas
entrelaçadas do tipo “viveiro”, telas plásticas e telas de fibra de vidro revestidas de
poliéster, com malha 9 x 9 mm.
Qualquer que seja a opção, existem duas formas de colocá-las no revestimento:
• junto ao chapisco, sendo por isso classificada como ponte de transmissão.
• no meio da argamassa, compondo assim uma argamassa armada.
1) Ponte de transmissão
Este tipo de reforço requer espessura mínima do emboço de 20 mm.
Depois de executado o chapisco, é necessário fixar a tela de aço galvanizado na
superfície de concreto ou de alvenaria. A tela deve ser fixada pelas bordas, por meio de
fixadores como grampos, chumbadores ou pinos. Aplique a argamassa sobre o conjunto,
fazendo com que a tela fique imersa no revestimento.

Fixação do pino com pistola. Tela fixada.


2) Argamassa armada
Este tipo de reforço necessita espessura mínima do emboço de 30 mm, com tela
centralizada em relação à espessura. Geralmente, é utilizada em regiões onde a
argamassa tem espessuras acima de 50 mm.
Para inserir o reforço de tela, é necessário executar uma camada inicial com cerca de 15
mm a 25 mm de espessura, comprimindo e alisando a argamassa. Depois, coloque a tela
de aço galvanizado e comprima-a fortemente contra a argamassa. Na sequência, execute
o restante da camada de argamassa (de 15 mm a 25 mm) e prossiga com o acabamento.
A tela deve estar localizada no meio da camada do revestimento de argamassa.
Aplicação da 2a camada
Colocação da tela.
de argamassa sobre a tela.

Nivelamento da 2a Vista de tela posicionada


camada de argamassa. dentro da argamassa.
(UNIVERSA/PCDF/PERITO/ENGENHARIA/2012)
Texto para responder às questões 5 e 6.
As fissuras podem ser consideradas como a manifestação patológica característica das
estruturas de concreto, sendo mesmo o dano de ocorrência mais comum e aquele que, a
par das deformações muito acentuadas, mais chama a atenção de leigos, proprietários e
usuários aí incluídos, para o fato de que algo de anormal está acontecendo.
É interessante observar que, no entanto, a caracterização da fissuração como deficiência
estrutural dependerá sempre da origem, da intensidade e da magnitude do quadro de
fissuração existente, posto que o concreto, por ser material com baixa resistência à tração,
fissurará por natureza, sempre que as tensões trativas, que podem ser instaladas pelos
mais diversos motivos, superarem a sua resistência última à tração.
Ao se analisar uma estrutura de concreto que esteja fissurada, os primeiros passos a
serem dados consistem na elaboração do mapeamento das fissuras e em sua
classificação, que vem a ser a definição da atividade ou não delas (uma fissura é dita ativa,
ou viva, quando a causa responsável por sua geração ainda atua sobre a estrutura; e será
inativa, ou estável, sempre que sua causa se tenha feito sentir durante certo tempo e, a
partir de então, tenha deixado de existir).
Classificadas as fissuras e de posse do mapeamento, pode-se dar início ao processo de
determinação de suas causas, de forma a poderem ser estabelecidas as metodologias e
poder se proceder aos trabalhos de recuperação ou de reforço, como a situação o exigir.
Vicente Custódio Moreira de Souza e Thomaz Ripper. Patologia: recuperação e reforço
de estruturas de concreto. São Paulo: PINI, p. 58-9 (com adaptações).
5) A viga de concreto armado a seguir apresenta fissuração com disposição helicoidal.
O tipo de solicitação que provoca fissuras com esse mapeamento é o(a)
(A) flexão.
(B) puncionamento.
(C) esforço cortante.
(D) torção.
(E) compressão.
Gabarito comentado
Resposta: letra D.
Numa viga de concreto armado, submetida a um momento de torção, as trajetórias das
tensões principais desenvolvem-se segundo uma curvatura helicoidal em torno da viga.

Tensões devidas à torção:


a) tensões de cisalhamento;
b) tensões principais de tração e
compressão; e
c) trajetória helicoidal das fissuras.

De acordo com a NBR 6118:2003, as aberturas das fissuras não devem ultrapassar:
• 0,2 mm para peças expostas em meio agressivo muito forte (industrial e respingos de
maré);
• 0,3 mm para peças expostas a meio agressivo moderado e forte (urbano, marinho e
industrial);
• 0,4 mm para peças expostas em meio agressivo fraco (rural e submerso).
6) A figura ao lado representa a face inferior de uma laje de concreto
armado, apoiada nos quatro bordos sobre vigas.
De acordo com a conformação das fissuras, assinale a alternativa que
apresenta a razão para a fissuração.
(A) Esmagamento do concreto, em função da reduzida espessura da laje
para combater os momentos negativos.
(B) Retração do concreto.
(C) Armadura insuficiente para combater os momentos positivos.
(D) Armadura insuficiente para combater os momentos volventes.
(E) Puncionamento próximo aos apoios.
Gabarito comentado
Resposta: letra A.
A disposição das fissuras indica que houve um esmagamento do concreto em razão do
carregamento da laje apoiada nos quatro bordos sobre as vigas.

7) (UNIVERSA/PCDF/PERITO/ENGENHARIA/2012) A figura representa


uma parede de alvenaria externa de uma resistência térrea que
apresentou fissuração horizontal em sua base. Assinale a alternativa que
apresenta o provável principal motivo da aparição das fissuras.
(A) Atuação de cargas concentradas no topo da alvenaria.
(B) As fiadas inferiores encontram-se mais sujeitas à umidade, apresentando uma
expansão maior do que a das fiadas superiores (movimentações higroscópicas
diferenciadas).
(C) A deformação da viga baldrame é inferior à deformação da viga superior.
(D) As deformações da viga baldrame e da viga superior são aproximadamente iguais.
(E) Ausência de vergas nas aberturas de vãos das paredes adjacentes.
Gabarito comentado
Resposta: letra B.
A fissura horizontal ocorre em razão das movimentações higroscópicas. Os principais
tipos e causas prováveis de fissuras nas alvenarias estão listadas na tabela a seguir:
Configuração
Causa provável
típica
Deformação da argamassa de assentamento em paredes submetidas a uma
carga vertical uniformemente distribuída.
Movimentação higroscópica da alvenaria, principalmente no encontro de
alvenarias (cantos) e em alvenarias extensas.
Fissura vertical
Retração por secagem da alvenaria, principalmente em pontos de concentração
de tensões ou seção enfraquecida.
Expansão da argamassa de assentamento (interação sulfato--cimento,
hidratação retardada da cal).
Alvenaria submetida à flexocompressão por causa de deformações excessivas
da laje.
Movimentação térmica da laje de cobertura (deficiência de isolamento térmico,
com a ocorrência de fissuras no topo da parede, decorrentes da dilatação da
laje de cobertura).
Fissura horizontal Expansão da argamassa de assentamento (interação sulfato-cimento,
hidratação retardada da cal).
Expansão da alvenaria por movimentação higroscópica, em geral nas regiões
sujeitas à ação constante de umidade, principalmente na base das paredes.
Retração por secagem da laje de concreto armado, que gera fissuras nas
alvenarias, principalmente nas externas enfraquecidas por vãos (janelas).
Recalques diferenciais, decorrentes de falhas de projeto, rebaixamento do
lençol freático, heterogeneidade do solo, influência de fundações vizinhas.
Atuação de cargas concentradas diretamente sobre a alvenaria, em razão da
inexistência de coxins ou outros dispositivos para distribuição das cargas.
Alvenarias com inexistência ou deficiência de vergas e contravergas nos vãos
Fissura inclinada
de portas e janelas.
Carregamentos desbalanceados, principalmente em sapatas corridas, ou vigas
baldrames excessivamente flexíveis.
Movimentação térmica de platibanda, ocorrendo fissuras horizontais e inclinadas
nas extremidades da alvenaria.
Fissura na laje
Movimentação térmica, gerando fissuras no encontro dos elementos cerâmicos
mista de forro da
com as vigas pré-moldadas.
coberta
2 Dimensionamento do concreto armado
2.1 Características reológicas e mecânicas do concreto
2.1.1 Características reológicas do concreto
Reologia é uma parte da Física que investiga as propriedades e o comportamento mecânico dos
corpos deformáveis que não são nem sólidos nem líquidos.
A movimentação de umidade na pasta endurecida de cimento é a responsável pela reologia do
concreto que causa a sua deformação.
A reologia do concreto estuda basicamente os fenômenos da retração e da fluência.
2.1.1.1 Retração
Retração é a redução de volume pela perda de umidade de um elemento de concreto seja no estado
fresco, seja no estado endurecido.
Define-se, ainda, retração como a diminuição de volume do concreto ao longo do tempo,
provocada principalmente pela evaporação da água não utilizada nas reações químicas de hidratação
do cimento.
A retração do concreto ocorre mesmo na ausência de ações ou carregamentos externos e é uma
característica comum e natural dos concretos. A retração é um fenômeno complexo, sendo dividida
em três partes; a principal é a que se chama retração capilar.
No concreto, essas mudanças volumétricas da pasta são restringidas pela presença do agregado e
da armadura, pela forma da peça estrutural e pela existência de outros elementos ligados a ela.
São tipos de retração:
a) Retração plástica do concreto:
• a perda de água por evaporação na superfície do concreto ainda em estado plástico é maior que a
quantidade de água que sobe à superfície pelo efeito da exsudação;
• fatores intervenientes: água/cimento; temperatura e ensolação, umidade relativa do ar, velocidade
do vento.
b) Retração autógena do concreto:
• remoção da água dos poros capilares pela hidratação do cimento ainda não combinado;
• esta retração é relativamente pequena, exceto com relações água/cimento extremamente baixas
(a/c < 0,20) e, para efeitos práticos, não precisa ser diferenciada da retração causada pela secagem
do concreto, a não ser em grandes estruturas de concreto massa.
c) Retração hidráulica ou por secagem do concreto:
• diminuição do volume da peça de concreto por cauda da remoção da água da pasta endurecida de
cimento, quando o concreto “seca” em contato com o ar.
Portanto, a retração por secagem começa nas camadas superficiais.
2.1.1.2 Fluência
A retração e a expansão são deformações que ocorrem no concreto mesmo na ausência de
carregamentos externos. A deformação lenta ou fluência, por outro lado, são as deformações no
concreto provocadas pelos carregamentos externos, que originam tensões de compressão.
Define-se como deformação lenta o aumento das deformações no concreto sob tensões permanentes
de compressão ao longo do tempo, mesmo que não ocorram acréscimos nessas tensões.
Conclui-se, então, que a fluência é o aumento de uma deformação com o tempo sob a ação de
cargas ou tensões permanentes.
A fluência de peças de concreto, quando submetidas a cargas de longa duração, deve-se à migração
das moléculas de água adsorvida existentes na pasta endurecida de cimento.
Os fatores intervenientes são: teor de agregado na mistura; tipo de agregado na mistura; tipo de
cimento na mistura; relação água/cimento na mistura; umidade relativa do ar; geometria da peça; e
idade de carregamento do concreto.
A deformação que antecede a deformação lenta é chamada deformação imediata, que é aquela que
ocorre imediatamente após a aplicação das primeiras tensões de compressão no concreto, por causa
basicamente da acomodação dos cristais que constituem a parte sólida do concreto.
A deformação total da peça num certo tempo é a soma da deformação imediata com a deformação
lenta até aquele tempo. A seguinte figura mostra as deformações imediata e lenta.

Esquema estático Deformação Deformação final


(compressão centrada) imediata (tempo infinito)

2.1.2 Características mecânicas do concreto


2.1.2.1 Concreto simples
O concreto simples é o material composto da mistura de agregados (naturais e britados) com
cimento e água, podendo ser ainda utilizados aditivos químicos para melhorar suas características.
O concreto simples tem elevada resistência à compressão e baixa (e pouco confiável) resistência à
tração. Na flexão simples a região tracionada está sujeita a fissuração.
Uma viga feita de concreto simples apresenta ruptura assim que a máxima tensão de tração atuante
atinge a resistência à tração do concreto, caracterizando uma ruptura brusca.
A NBR 6118/03 (item 3.1.2) define elementos de concreto simples estrutural como: “elementos
estruturais elaborados com concreto que não possui qualquer tipo de armadura ou que a possui em
quantidade inferior ao mínimo exigido para o concreto armado”.
2.1.2.2 Concreto armado
Define-se concreto armado como “a união do concreto simples e de barras de aço resistentes à
tração (envolvido pelo concreto) de tal modo que ambos resistam solidariamente aos esforços
solicitantes” (BASTOS, Paulo Sérgio dos Santos. Fundamentos do concreto armado: estruturas de
concreto I – notas de aula. Bauru, SP: UNESP, 2011).
De forma esquemática pode-se indicar: concreto armado = concreto simples + armadura +
aderência.
Para o concreto armado, é necessário ocorrer a solidariedade entre o concreto e o aço, isto é, que
o trabalho de resistir às tensões seja realizado de forma conjunta.
O conceito de concreto armado envolve ainda o fenômeno da aderência, que é essencial e deve
obrigatoriamente existir entre o concreto e a armadura (aço), pois não basta apenas juntar os dois
materiais para se ter o concreto armado.
A NBR 6118/03 (item 3.1.3) define:
• Elementos de concreto armado: “aqueles cujo comportamento estrutural depende da aderência
entre concreto e armadura e nos quais não se aplicam alongamentos iniciais das armaduras antes da
materialização dessa aderência”.
• Armadura passiva: “qualquer armadura que não seja usada para produzir forças de protensão,
isto é, que não seja previamente alongada”.
No concreto armado a armadura é chamada passiva, o que significa que as tensões e deformações
nela aplicadas devem-se exclusivamente aos carregamentos externos aplicados na peça.
2.1.2.3 Características do concreto
a) Classe do concreto: a NBR 6118/03 (item 8.2.1) impõe que “as estruturas de concreto armado
devem ser projetadas e construídas com concreto classe C20 ou superior. A classe C15 pode ser
usada apenas em fundações, conforme a NBR 6122, e em obras provisórias”. C15 e C20 indicam
concretos de resistência característica à compressão (fck) de 15 e 20 MPa, respectivamente.
b) Massa específica: a NBR 6118/03 (item 8.2.2) especifica que, não sendo conhecida a massa
específica real, pode ser adotado o valor de 2.400 kg/m3 para o concreto simples e 2.500 kg/m3
para o concreto armado, que é resultado de se considerar uma taxa média de armadura de 100 kg
de aço para cada metro cúbico de concreto, para as estruturas comuns. Quando a massa específica
do concreto e a taxa de armadura a serem utilizadas forem conhecidas, outros valores mais
precisos podem ser considerados.
A NBR 6118/03 aplica-se unicamente aos concretos com massa específica entre 2.000 kg/m3 e
2.800 kg/m3 (item 8.2.2).
c) Resistência à compressão: é avaliada por meio de corpos de prova cilíndricos com dimensões de
15 cm de diâmetro por 30 cm de altura, moldados conforme a NBR 5738/03. Um corpo de prova
cilíndrico menor, com dimensões de 10 cm por 20 cm, também é muito utilizado, especialmente no
caso de concretos de resistências à compressão elevadas (> 50 MPa).
O ensaio para determinar a resistência à compressão é feito numa prensa na idade de 28 dias a
partir da moldagem, conforme a NBR 5739/94.
A estimativa da resistência à compressão média (fcmj), correspondente a uma resistência fckj
especificada, deve ser feita como indicada na NBR 12655/96.
Em função da resistência característica do concreto à compressão (fck), a NBR 8953/09 classifica
os concretos nas classes I e II. Os concretos são designados pela letra C seguida do valor da
resistência característica, expressa em MPa, como:
Classe I: C10, C15, C20, C25, C30, C35, C40, C45, C50;
Classe II: C55, C60, C70, C80.
Os procedimentos contidos na NBR 6118/03 se aplicam apenas aos concretos da classe I, com
resistência até 50 MPa (C50). Para concretos da classe II ou superiores devem ser consultadas
normas estrangeiras, pois não existe normalização no Brasil para o projeto de estruturas com os
concretos da classe II.
d) Resistência à tração: o conhecimento da resistência do concreto à tração é particularmente
importante na determinação da fissuração, no dimensionamento das vigas à força cortante e na
resistência de aderência entre o concreto e a barra de aço. A resistência do concreto à tração varia
entre 8% e 15% da resistência à compressão.
Em função da forma como o ensaio para a determinação da resistência do concreto à tração é
realizado, são três os termos usados: tração direta, tração indireta e tração na flexão.
O ensaio de tração direta é difícil de ser executado porque exige dispositivos especiais.
A resistência à tração indireta é determinada no ensaio de compressão diametral, prescrito na NBR
7222/94, desenvolvido por F. L. Lobo Carneiro, sendo o ensaio conhecido mundialmente por
Brazilian test ou splitting test.
A resistência à tração na flexão corresponde à tensão aplicada na fibra mais tracionada, no instante
da ruptura. A resistência à tração máxima na flexão é também chamada “módulo de ruptura”.
e) Módulo de elasticidade: é um parâmetro numérico relativo à medida da deformação que o
concreto sofre sob a ação de tensões, geralmente tensões de compressão. Na falta de resultados de
ensaios, a NBR 6118/03 (item 8.2.8) estima o valor do módulo aos 28 dias, considerando a
deformação tangente inicial cordal a 30% fc, segundo a expressão:

com Eci e fck em MPa.


Segundo a NBR 6118/03, “Na avaliação do comportamento de um elemento estrutural ou seção
transversal pode ser adotado um módulo de elasticidade único, à tração e à compressão, igual ao
módulo de elasticidade secante (Ecs). Na avaliação do comportamento global da estrutura e para o
cálculo das perdas de protensão, pode ser utilizado em projeto o módulo de deformação tangente
inicial (Eci)”.
f) Coeficiente de Poisson e módulo de elasticidade transversal:
Ao se aplicar uma força no concreto surgem deformações em duas direções, na direção da força e
na direção transversal à força. A relação entre a deformação transversal e a deformação longitudinal
é chamada coeficiente de Poisson (v), que segundo a NBR 6118/03 (item 8.2.9), “para tensões de
compressão menores que 0,5 fc e tensões de tração menores que fct, o coeficiente de Poisson v pode
ser tomado como igual a 0,2”.
O módulo de elasticidade transversal (Gc) é determinado tendo-se o coeficiente de Poisson. Para
peças não fissuradas e material homogêneo, a expressão de G é:

Segundo a NBR 6118/03, o módulo de elasticidade transversal deve ser estimado em função do
módulo de elasticidade secante, como:

g) Diagrama tensão-deformação do concreto à compressão: para o dimensionamento de seções


transversais de peças de concreto armado no estado limite último, a NBR 6118/03 (item 8.2.10.1)
indica o diagrama tensão-deformação à compressão como um diagrama simplificado, composto de
uma parábola do 2º grau que passa pela origem e tem seu vértice no ponto de abscissa 2‰ e
ordenada 0,85fcd e de uma reta entre as deformações 2‰ e 3,5‰, tangente à parábola e paralela ao
eixo das abscissas.
A equação da parábola do 2º grau tem a forma:

Para tensões de compressão menores que 0,5 fc, pode-se admitir uma relação linear entre tensões e
deformações, adotando-se para módulo de elasticidade o valor secante. O diagrama tensão-
deformação idealizado para o concreto à compressão está ilustrado a seguir:

h) Diagrama tensão-deformação do concreto à tração: para a NBR 6118/03 (item 8.2.10.2), o


diagrama tensão-deformação do concreto não fissurado pode ser adotado como aquele mostrado
adiante. A deformação máxima de alongamento é de 0,15‰, e o módulo tangente inicial (Eci) pode
ser adotado como tg α.
2.2 Aço para concreto armado
2.2.1 Tipos, fabricação e características mecânicas do aço
Os aços (vergalhões) utilizados em estruturas de concreto armado no Brasil são estabelecidos pela
NBR 7480/96. São produzidos em usinas siderúrgicas com teores de carbono entre 0,4% e 0,6%.
A NBR 7480/96 classifica como barras os vergalhões de diâmetro nominal 5 mm ou superior,
obtidos exclusivamente por laminação a quente, e como fios aqueles de diâmetro nominal 10 mm ou
inferior, obtidos por trefilação ou processo equivalente, como estiramento e laminação a frio.
Conforme o valor característico da resistência de escoamento (fyk), as barras são classificadas nas
categorias CA-25 e CA-50 e os fios na categoria CA-60. As letras CA indicam concreto armado e o
número na sequência indica o valor de fyk, em kgf/mm2 ou kN/cm2. Os aços CA-25 e CA-50 são,
portanto, fabricados por laminação a quente, e o CA-60 por trefilação.
Os vergalhões obtidos pelo processo de laminação a quente são classificados com a categoria CA-
25 e CA-50, e os obtidos por trefilação a frio são CA-60.
Segundo a NBR 6118/03 (item 8.3), os aços podem assumir os seguintes valores:
• massa específica: 7.850 kg/m3;
• coeficiente de dilatação térmica: 10-5/ºC para intervalos de temperatura entre -20ºC e 150ºC;
• módulo de elasticidade: 210 GPa ou 210.000 MPa; e
• os aços CA-25 e CA-50 podem ser considerados como de alta ductilidade e os aços CA-60
podem ser considerados como de ductilidade normal.
2.2.1.1 Tipos de superfície
A superfície dos vergalhões pode conter nervuras (saliência ou mossa), entalhes ou ser lisa. A
rugosidade da superfície é medida pelo coeficiente de conformação superficial (η1), determinado em
ensaios de acordo com a NBR 7477/82, e deve atender ao coeficiente de conformação superficial
mínimo (ηb), para cada categoria de aço (CA-25, CA-50 ou CA-60), conforme indicado na NBR
7480 e apresentado na tabela a seguir:
Coeficiente de conformação
Tipo de superficial
Superfície/Categoria
ηb η1
Lisa (CA-25) 1,0 1,0
Entalhada ou nervurada
1,2 1,4
(CA-60)
Alta aderência (CA-50) > 1,5 2,25

2.2.1.2 Características geométricas


As barras são geralmente fornecidas no comércio em segmentos retos com comprimento de 12 m,
com tolerância de até 9%. Permite-se a existência de até 2% de barras curtas, porém de comprimento
não inferior a 6 m.
Todas as barras nervuradas devem apresentar marcas de laminação em relevo, identificando o
produtor, a categoria do aço e o diâmetro nominal. A identificação de fios e barras lisas deve ser
feita por etiqueta ou marcas em relevo, que mostra a massa, a área e o perímetro nominal.
2.2.1.3 Diagrama tensão-deformação
Os diagramas tensão-deformação (σ × ε) dos aços laminados a quente (CA-25 e CA-50) e
trefilados a frio (CA-60) apresentam características diferentes. Os aços CA-25 e CA-50 apresentam
patamar de escoamento bem definido, e a resistência de início de escoamento (fy) fica bem
caracterizada no diagrama mostrado adiante, o que não ocorre nos aços CA-60.

a) CA-25 e CA-50; b) CA-60.


Por este motivo, nos aços CA-60 a resistência de escoamento é convencional, sendo escolhida a
resistência correspondente à deformação residual de 2‰. Isso significa que, se o aço for tensionado
até o valor de fy e esta tensão for completamente retirada, o aço não voltará ao seu estado natural
pré-tensão, pois restará nele uma deformação de 2‰, chamada deformação residual ou permanente.
De acordo com a NBR 7480/96, os vergalhões devem atender às características mostradas na
tabela a seguir, onde fy é a tensão de início de escoamento, fst é a resistência convencional à ruptura
na tração, εst é o alongamento na ruptura e Φ é o diâmetro da barra ou fio. Quando necessário, esses
valores devem ser obtidos em ensaios de tração realizados segundo a NBR ISO 6892/02.
Categoria fy (MPa) fst (MPa) εst em 10 Φ (%)
CA-25 250 1,20 fy 18
CA-50 500 1,10 fy 8
CA-60 600 1,05 fy 5
Propriedades mecânicas dos aços na tração, valores mínimos (NBR 7480/96).
A NBR 6118/03 (item 8.3.6) permite, para cálculo nos estados limites de serviço e último, utilizar
o diagrama σ × ε simplificado mostrado na figura a seguir para os aços com ou sem patamar de
escoamento. O diagrama é válido para intervalos de temperatura entre 220ºC e 150ºC e pode ser
aplicado para tração e compressão.
Diagrama tensão-deformação para aços de armaduras passivas
com ou sem patamar de escoamento (CA-25, CA-50 e CA-60).
As deformações últimas (eu) são limitadas a 10‰ (10 mm/m) para a tração (alongamento), e 3,5‰
para a compressão (encurtamento), em função dos valores máximos adotados para o concreto.
O módulo de elasticidade do aço é dado pela tangente do ângulo Δ, assumido conforme a NBR
6118/03 como 210.000 MPa, para as três categorias.
2.2.2 Segurança e estados limites
A segurança que as estruturas devem apresentar envolve dois aspectos principais. O primeiro, e
mais importante, é que uma estrutura não pode nunca alcançar a ruptura. O segundo aspecto é relativo
ao conforto, à tranquilidade do usuário na utilização da construção. A NBR 6118/03 (itens 3.2 e
10.4) trata esses dois aspectos da segurança apresentando os “estados limites”, que são situações
limites que as estruturas não devem ultrapassar. A segurança da estrutura contra o colapso relaciona-
se ao chamado “estado limite último”, e a segurança do usuário na utilização da estrutura relaciona-
se aos “estados limites de serviço”.
No projeto das estruturas de concreto armado, o dimensionamento dos diferentes elementos
estruturais é feito no chamado “estado limite último” (ruína), onde os elementos estruturais são
dimensionados como se estivessem prestes a romper, pelo menos teoricamente. No entanto, para
evitar que a ruptura ocorra, todas as estruturas são projetadas com uma margem de segurança, isto é,
uma folga de resistência relativamente aos carregamentos aplicados na estrutura, de tal forma que,
para ocorrer a ruptura, a estrutura teria de estar submetida a carregamentos bem superiores para os
quais foi projetada.
A margem de segurança no dimensionamento dos elementos estruturais ocorre com a introdução de
coeficientes numéricos chamados “coeficientes de ponderação” ou “coeficientes de segurança”, que
farão com que, em serviço, as estruturas trabalhem longe ou a uma certa “distância” da ruína.
Para os coeficientes de segurança, são adotados valores numéricos de tal forma que as ações sejam
majoradas e as resistências dos materiais sejam minoradas. Existem basicamente três coeficientes de
segurança, um que majora o valor das ações, e consequentemente os esforços solicitantes, e outros
dois que minoram as resistências do concreto e do aço.
2.2.2.1 Estado Limite Último – ELU
No item 3.2, a NBR 6118/03 define o estado limite último como: “Estado limite relacionado ao
colapso, ou a qualquer outra forma de ruína estrutural, que determine a paralisação do uso da
estrutura”. Deduz-se, portanto, que, em serviço, a estrutura não deve ou não pode jamais alcançar o
estado limite último (ruína).
No item 10.3, a norma lista os estados limites últimos que devem ser verificados para a segurança
das estruturas de concreto:
a) estado limite último da perda do equilíbrio da estrutura, admitida como corpo rígido;
b) estado limite último de esgotamento da capacidade resistente da estrutura, no seu todo ou em
parte, por causa das solicitações normais e tangenciais, admitindo-se a redistribuição de esforços
internos, desde que seja respeitada a capacidade de adaptação plástica, e admitindo-se, em geral,
as verificações separadas das solicitações normais e tangenciais; considerando-se, porém, a
interação entre elas quando for importante;
c) estado limite último de esgotamento da capacidade resistente da estru​tura, no seu todo ou em
parte, considerando os efeitos de segunda ordem;
d) estado limite último provocado por solicitações dinâmicas;
e) estado limite último de colapso progressivo;
f) outros estados limites últimos que eventualmente possam ocorrer em casos especiais.
Em relação ao ELU, além de se garantir a segurança adequada, isto é, uma probabilidade
suficientemente pequena de ruína, é necessário garantir uma boa ductilidade, de forma que uma
eventual ruína ocorra de forma suficientemente avisada, alertando os usuários.
2.2.2.2 Estados Limites de Serviço – ELS
Os estados limites de serviço definidos pela NBR 6118/03 são aqueles relacionados à
durabilidade das estruturas, aparência, conforto do usuário e a boa utilização funcional destas, seja
em relação aos usuários, seja em relação às máquinas e aos equipamentos utilizados.
Quando uma estrutura alcança um estado limite de serviço, o seu uso fica impossibilitado, mesmo
que ela ainda não tenha esgotado toda a sua capacidade resistente, ou seja, a estrutura não mais
oferece condições de conforto e durabilidade, embora não tenha alcançado a ruína.
Os estados limites de serviço definidos pela NBR 6118/03 (item 10.4) são:
a) Estado limite de formação de fissuras (ELS-F): estado em que se inicia a formação de fissuras.
Admite-se que este estado limite é atingido quando a tensão de tração máxima na seção transversal
for igual à resistência do concreto à tração na flexão (fct,f);
b) Estado limite de abertura das fissuras (ELS-W): este estado é alcançado quando as fissuras têm
aberturas iguais aos máximos especificados pela norma. As estruturas de concreto armado
trabalham fissuradas, pois essa é uma de suas características básicas, porém, num bom projeto
estrutural, as fissuras terão pequena abertura, e não serão prejudiciais à estética e à durabilidade;
c) Estado limite de deformações excessivas (ELS-DEF): este estado é alcançado quando as
deformações (flechas) atingem os limites estabelecidos para a utilização normal. Os elementos
fletidos como as vigas e lajes apresentam flechas em serviço. O cuidado que o projetista estrutural
deve ter é de limitar as flechas a valores aceitáveis, que não prejudiquem a estética;
d) Estado limite de vibrações excessivas (ELS-VE): este estado é alcançado quando as vibrações
atingem os limites estabelecidos para a utilização normal da construção. O projetista deverá
eliminar ou limitar as vibrações de tal modo que não prejudiquem o conforto dos usuários na
utilização das estruturas.
2.2.3 Aderência; ancoragem e emendas em barras de armação
2.2.3.1 Aderência
O trabalho conjunto do concreto e do aço só é possível por causa da aderência entre estes
materiais. De fato, o concreto armado só existe na presença da aderência. As armaduras são
posicionadas na fôrma e posteriormente o concreto é lançado, ficando em contato direto com as
barras de aço. Após o endurecimento do concreto, a ligação entre os dois materiais é estabelecida.
Ao ser aplicado o carregamento, a viga se deforma e, supondo que esta não esteja fissurada, ocorre
uma distribuição linear das deformações normais ao longo da altura da viga.
Por causa da aderência, a deformação do concreto, situado no mesmo nível da armadura, tende a
tracionar as barras de aço, deformado-as (εs) do mesmo valor. Caso as barras da armadura fossem
revestidas de uma bainha engraxada, não haveria qualquer deformação da armadura e,
consequentemente, nenhuma tensão de tração. A viga se deformaria sob carregamento, mas as barras
das armaduras de flexão deslizariam dentro das bainhas engraxadas. Neste caso, a viga seria de
concreto simples e εs = 0.

2.2.3.2 Ancoragem por aderência


A ancoragem das barras das armaduras pode ser realizada por aderência ou com a utilização de
dispositivos de ancoragem, como placas e barras adicionais. A figura a seguir mostra uma barra de
aço aderida ao concreto e solicitada por uma força de tração de cálculo. Por causa da aderência,
surgem tensões tangenciais na superfície de contato entre os dois materiais. Assim, a força de tração
é transferida para o concreto, ao longo do comprimento ancorado da barra.

O comprimento de ancoragem mínimo necessário para a transferência da tensão do aço para o


concreto é chamado também de comprimento de ancoragem básico dado pela expressão:

Em que:
fyd é a tensão de escoamento do aço;
fbd é a tensão de aderência do concreto.
A figura a seguir mostra algumas situações de boa e má aderência. As situa​ções apresentadas são
válidas para barras sobre fôrmas fixas. Para outras po​sições e quando da utilização de fôrmas
deslizantes, as barras devem ser consideradas em situação de má aderência.
Zonas de boa e má aderência
Considerando barras de CA-50 de diâmetro menor ou igual a 32 mm, nervuradas, e em zona de boa
aderência, tem-se:

De forma geral, para diâmetros menores ou iguais a 32 mm, em zona de boa aderência, pode-se
estabelecer que:

Onde k = 1 para barras nervuradas, k = 0,62 para barras entalhadas e k = 0,44 para barras lisas.
Para as mesmas barras, em zona de má aderência, deve-se multiplicar a equação acima por 0,7.
Percebe, então, que o comprimento de ancoragem para zonas de má aderência será 43% maior.
2.2.3.3 Comprimento de ancoragem reta
Quando a área de aço adotada no projeto for superior à área calculada, ou seja, Ase > As, cal, o
comprimento de ancoragem pode ser reduzido, pois a tensão na armadura será inferior à tensão de
escoamento. Nesses casos, o comprimento de ancoragem necessário é dado pela seguinte equação:

onde lb, min > (0,3 lb ou 10 · f ou 10 cm)


No caso de feixe de barras, o comprimento básico de ancoragem deve ser calculado considerando
o diâmetro do círculo de mesma área do feixe. Por exemplo, para um feixe de n barras de diâmetro
Φ, o diâmetro equivalente é dado por Φn = Φo · n1\2. As barras constituintes dos feixes devem
apresentar ancoragem reta, sem ganchos, e devem atender às condições prescritas pela NBR
6118/03.
2.2.3.4 Barras com ganchos
De acordo com a NBR 6118/03, os ganchos das extremidades das barras de armadura longitudinal
de tração podem ser semicirculares (tipo 1), em ângulo de 45º (tipo 2) e em ângulo reto (tipo 3). Os
trechos retos dos ganchos devem apresentar o comprimento mínimo indicado na figura a seguir. Para
estribos, estes comprimentos são de 5 · Φ > 5 cm para os tipos 1 e 2, e de 10 · Φ > 7 cm para o tipo
3. Este último tipo de gancho não deve ser utilizado em estribos de barras e fios lisos.
Tipos de ganchos recomendados
Os diâmetros mínimos de dobramento dos ganchos e estribos recomendados pela NBR 6118/03
são apresentados a seguir:
Φ (mm) CA-25 CA-50 CA-60
< 20 4·Φ 5·Φ 6·Φ
> 20 5·Φ 8·Φ -

2.2.3.5 Emendas de barras


Sempre que possível, as emendas das barras devem ser evitadas. Havendo necessidade, essas
emendas podem ser realizadas por traspasse, por meio de solda, com luvas rosqueadas e outros
dispositivos, devendo-se garantir a resistência da emenda nos dois últimos casos. A emenda por
traspasse é a mais econômica e de fácil execução, fazendo-se uso da própria aderência. De acordo
com a norma brasileira, a emenda por traspasse não deve ser empregada para barras com diâmetro
superior a 32 mm. No caso de feixes, o diâmetro equivalente não deve ser superior a 45 mm, e as
barras constituintes devem ser emendadas uma por vez, sem que ocorram 4 barras emendadas em
uma mesma seção transversal do feixe.
Nas emendas por traspasse, a transferência dos esforços entre as barras ocorre por meio das bielas
comprimidas inclinadas, como mostra a figura a seguir. A distância entre as barras emendadas não
deve ser superior ao limite indicado na figura.

Emenda por traspasse


O comprimento de traspasse das barras tracionadas, lot, é dado por:

Em que:

α1 = 0,7, se o cobrimento de concreto no plano normal ao gancho for maior ou igual a 3 · Φ;


α1 = 1,0, se o cobrimento for menor que 3 · Φ.

2.3 Dimensionamento e detalhamento de elementos


estruturais
Nas construções de concreto armado os elementos estruturais mais comuns são: as lajes, as vigas e
os pilares. A seguir, são apresentadas as principais características desses elementos, ressaltando-se,
primeiramente, as cargas, os cri​térios de segurança, os estádios, os domínios de deformação e as
hipóteses de cálculo.
2.3.1 Cargas
Segundo a NBR 8681/84, as ações classificam-se de acordo com sua variabilidade no tempo em:
a) ações permanentes (g):
• diretas: peso próprio da estrutura; peso de elementos construtivos permanentes (paredes); peso
de equipamentos fixos; empuxo de terra não removível.
• indiretas: protensão; recalques de apoios.
b) ações variáveis (q): cargas acidentais; efeito do vento; variação da temperatura; forças de
impacto; cargas móveis em pontes; pressão hidros​tática.
c) ações excepcionais: explosões; terremotos; incêndios; enchentes.
2.3.2 Segurança
Existe a necessidade da utilização de coeficientes de segurança por fatores tais como: incerteza
dos valores das resistências dos materiais; erros na geometria da estrutura; incerteza da carga;
simplificação dos métodos de cálculo etc.
a) Coeficientes de segurança parciais (item 5.4): permite-se atribuir a cada grandeza que influencia o
comportamento das estruturas um coeficiente de majoração ou minoração separado.
b) Cargas → majora-se o valor das ações, obtendo-se a denominada ação ou solicitação de cálculo
(d-design)

c) Resistência dos materiais → a resistência de cálculo é dada por:

concreto: ; aço:
2.3.3 Estádios de cálculo
Os estádios podem ser definidos como os estágios de tensão pelos quais um elemento fletido passa
desde o carregamento inicial até a ruptura.
A seguinte figura descreve o comportamento de uma viga simplesmente apoiada submetida a um
carregamento externo crescente, a partir de zero e cujos estágios de tensão classificam-se em:
• Estádio Ia – o concreto resiste à tração com diagrama triangular;
• Estádio Ib – corresponde ao início da fissuração no concreto tracionado;
• Estádio II – despreza-se a colaboração do concreto à tração;
• Estádio III – corresponde ao início da plastificação (esmagamento) do concreto à compressão.
c c c c
Rcc
Rcc Rcc Rcc x
x
LN
h d LN
As
Rct Rct
Rst Rst Rst Rst
bw t t t
Ia Ib II III
Diagramas de tensão indicativos dos estádios de cálculo
2.3.4 Domínios de deformação
Os domínios são representações das deformações que ocorrem na seção transversal dos elementos
estruturais. As deformações são de alongamento e de encurtamento, oriundas de tensões de tração e
compressão, respecti​vamente.
Segundo a NBR 6118/03 (item 17.2.2), o Estado Limite Último – ELU de elementos lineares
sujeitos a solicitações normais é caracterizado quando a distribuição das deformações na seção
transversal pertencer a um dos domínios (reta A; domínio 1; domínio 2; domínio 3; domínio 4;
domínio 4a; domínio 5; reta B) definidos na figura a seguir:
0 2‰ 3,5‰

As1 B
d'
3
h
7
x2lim

Retaa
d 1
C h
x3lim

3
2

Retab
4a 5

4
A As2

10‰ εyd 2‰
Alongamento Encurtamento

Diagramas possíveis dos domínios de deformações


O estado limite último pode ocorrer por deformação plástica excessiva da armadura (reta a e
domínios 1 e 2) ou por encurtamento excessivo do concreto (domínios 3, 4, 4a, 5 e reta b).
O desenho mostrado anteriormente representa vários diagramas de deformação de casos de
solicitações diferentes, com as deformações limites de 3,5‰ para o máximo encurtamento do
concreto comprimido e 10‰ para o máximo alongamento na armadura tracionada.
Os valores de 3,5‰ e 10‰ são valores últimos, de onde se diz que todos os diagramas de
deformação correspondem a Estados Limites Últimos. As linhas inclinadas dos diagramas de
deformações são retas, pois se admite que a hipótese básica das seções transversais permaneça plana
até a ruptura.
A capacidade resistente da peça é admitida esgotada quando se atinge o alongamento máximo
convencional de 10‰ na armadura tracionada ou mais tracionada, ou, de outro modo, correspondente
a uma fissura com abertura de 1 mm para cada 10 cm de comprimento da peça.
Os diagramas valem para todos os elementos estruturais que estiverem sob solicitações normais,
como a tração e a compressão uniformes e as flexões simples e compostas. Solicitação normal é
definida como os esforços solicitantes que produzem tensões normais nas seções transversais das
peças. Os esforços podem ser o momento fletor e a força normal.
O desenho dos diagramas de domínios pode ser visto como uma peça sendo visualizada em vista
ou elevação, constituída com duas armaduras longitudinais próximas às faces superior e inferior da
peça.
A posição da linha neutra é dada pelo valor de x, contado a partir da fibra mais comprimida ou
menos tracionada da peça. No caso específico da figura mostrada anteriormente, x é contado a partir
da face superior. Em função dos vários domínios possíveis, a linha neutra estará compreendida no
intervalo entre - ∞ (lado superior do diagrama no desenho da figura) e +∞ (lado inferior do
diagrama). Quando 0 ≤ x ≤ h, a linha neutra estará passando dentro da seção transversal.
Segundo, ainda, a NBR 6118 (item 17.2.2), tem-se que:
a) Ruptura convencional por deformação plástica excessiva:
• reta a: tração uniforme;
• domínio 1: tração não uniforme, sem compressão; e
• domínio 2: flexão simples ou composta, sem ruptura à compressão do concreto (εc< 3,5‰ e com
o máximo alongamento permitido).
b) Ruptura convencional por encurtamento limite do concreto:
• domínio 3: flexão simples (seção subarmada) ou composta com ruptura à compressão do concreto
e com escoamento do aço (εs ≥ εyd);
• domínio 4: flexão simples (seção superarmada) ou composta com ruptura à compressão do
concreto e aço tracionado sem escoamento (εs < εyd);
• domínio 4a: flexão composta com armaduras comprimidas;
• domínio 5: compressão não uniforme, sem tração;
• reta b: compressão uniforme.
2.3.5 Hipóteses de cálculo
Na determinação dos esforços resistentes de elementos fletidos, como vigas, lajes e pilares, são
admitidas as seguintes hipóteses básicas (NBR 6118/03, item 17.2.2):
a) as seções transversais permanecem planas até a ruptura, com distribuição linear das deformações
na seção;
b) a deformação em cada barra de aço é a mesma do concreto no seu entorno. Essa propriedade
ocorre desde que haja aderência entre o concreto e a barra de aço;
c) no estado limite último – ELU despreza-se obrigatoriamente a resistência do concreto à tração;
d) o encurtamento de ruptura convencional do concreto nas seções não inteiramente comprimidas é
de 3,5‰ (domínios 3, 4 e 4a);
e) o alongamento máximo permitido ao longo da armadura de tração é de 10‰, a fim de prevenir
deformações plásticas excessivas;
f) a distribuição das tensões de compressão no concreto ocorre segundo o diagrama tensão-
deformação parábola-retângulo. Porém, é permitida a substituição desse diagrama pelo retangular
simplificado, com altura y = 0,8x, e a mesma tensão de compressão σcd, como mostrado na figura
adiante:

Diagramas σ × ε parábola-retângulo e retangular simplificado para distribuição de tensões


de compressão no concreto
A tensão de compressão no concreto (σcd) é definida como:
f1) no caso da largura da seção, medida paralelamente à linha neutra, não diminuir da linha neutra em
direção à borda comprimida, conforme a figura a seguir, a tensão é:

Seções com tensão de compressão igual a 0,85 fcd


f2) em caso contrário, isto é, quando a seção diminui (ver figura a seguir), a tensão é:

Seções com tensão de compressão igual a 0,8 fcd


g) a tensão nas armaduras é a correspondente à deformação determinada de acordo com as hipóteses
anteriores e obtida no diagrama tensão-deformação do aço mostrado a seguir:

Zonas de dimensionamento em função da deformação no aço


2.3.6 Pilares
Pilares são elementos lineares de eixo reto, usualmente dispostos na vertical, em que as forças
normais de compressão são preponderantes (NBR 6118/03, item 14.4.1.2).
São destinados a transmitir as ações às fundações, embora possam também transmitir para outros
elementos de apoio. As ações são provenientes geralmente das vigas e das lajes.
Os pilares são os elementos estruturais de maior importância nas estru​turas, tanto do ponto de vista
da capacidade resistente dos edifícios quanto no aspecto de segurança.
Além da transmissão das cargas verticais para os elementos de fundação, os pilares podem fazer
parte do sistema de contraventamento responsável por garantir a estabilidade global dos edifícios às
ações verticais e horizontais.
2.3.6.1 Modelo de cálculo
O item 14.6.7 da NBR 6118/03 admite o estudo das cargas verticais utilizando-se o modelo
clássico de viga contínua, simplesmente apoiada nos pilares, com a exigência das seguintes
correções adicionais:
a) nos vãos das vigas, não devem ser considerados momentos positivos menores que os que se
obteriam se houvesse engastamento perfeito da viga nos apoios internos;
b) quando a viga for solidária com o pilar intermediário e a largura do apoio, medida na direção do
eixo da viga, for maior que a quarta parte da altura do pilar, não pode ser considerado;
c) momento negativo de valor absoluto menor do que o de engastamento perfeito nesse apoio; quando
não for realizado o cálculo exato da in​fluência da solidariedade dos pilares com a viga, deve ser
considerado, nos apoios extremos, momento fletor igual ao momento de engastamento perfeito
multiplicado pelos coeficientes estabelecidos na NBR 6118/03.
Alternativamente, o modelo de viga contínua pode ser melhorado, considerando-se a solidariedade
dos pilares com a viga, mediante a introdução da rigidez à flexão dos pilares extremos e
intermediários.
2.3.6.2 Comprimento de flambagem
Flambagem é um fenômeno de instabilidade de equilíbrio, que pode provocar a ruptura de uma
peça com a compressão predominante, antes de esgotar a sua capacidade resistente à compressão.
Segundo a NBR 6118/03, item 15.4.2, as estruturas são consideradas, para efeito de cálculo, como
de nós fixos, quando os deslocamentos horizontais dos nós são pequenos e, por decorrência, os
efeitos globais de 2a ordem são desprezíveis (inferiores a 10% dos respectivos esforços de 1a
ordem). Nessas estruturas, basta considerar os efeitos locais e localizados de 2a ordem.
De acordo com a NBR 6118/03, item 15.8.2, os esforços locais de 2a ordem em elementos
isolados podem ser desprezados quando o índice de esbeltez for menor que o valor limite
estabelecido na própria norma.
2.3.6.3 Cobrimento da armadura
Define-se como cobrimento de armadura (item 7.4 da NBR 6118/03) a espessura da camada de
concreto responsável pela proteção da armadura ao longo da estrutura. Essa camada inicia-se a partir
da face externa das barras da armadura transversal (estribos) ou da armadura mais externa e se
estende até a face externa da estrutura em contato com o meio ambiente. O conceito de cobrimento
aplica-se tanto a pilares como a vigas e lajes.
A dimensão máxima característica do agregado graúdo (dmáx) utilizado no
concreto não pode superar em 20% a espessura nominal (Cnom) do cobrimento,
ou seja:
Para determinar a espessura do cobrimento é necessário antes definir a classe
de agressividade ambiental a qual a estrutura estará inserida.
A tabela a seguir (tabela 7.2 na NBR 6118/03) mostra os valores para o cobrimento nominal de
lajes, vigas e pilares, para a tolerância de execução (Δc) de 10 mm, em função da classe de
agressividade ambiental.
Classe de agressividade ambiental
Componente
Tipo de estrutura I II III IV2)
ou Elemento
Cobrimento nominal (mm)
Laje1) 20 25 35 45
Concreto Armado
Viga/Pilar 25 30 40 50
Notas: 1) Para a face superior de lajes e vigas que serão revestidas de argamassa de contrapiso,
com revestimentos finais secos tipo carpete e madeira, com argamassa de revestimento e
acabamento tais como pisos de elevado desempenho, pisos cerâmicos, pisos asfálticos e outros
tantos, as exigências desta tabela podem ser substituídas por 7,4, 7,5, respeitado um cobrimento
nominal > 15 mm;
2) Nas faces inferiores de lajes e vigas de reservatórios, estações de tratamento de água e esgoto,
condutos de esgoto, canaletas de efluentes e outras obras em ambientes química e intensamente
agressivos, a armadura deve ter cobrimento nominal > 45 mm.
Correspondência entre classe de agressividade ambiental e cobrimento nominal para Δc 5
10 mm (NBR 6118/03).
2.3.6.4 Pilar padrão
O pilar padrão é uma simplificação do chamado método geral. Consiste numa barra engastada na
base e livre no topo, com uma curvatura conhecida. O pilar padrão é aplicável a barras de seção
transversal constante e armadura constante em todo o comprimento da barra.
2.3.7 Viga
Pela definição da NBR 6118/03 (item 14.4.1.1), vigas são elementos lineares em que a flexão é
preponderante. As vigas são classificadas como barras e são normalmente retas e horizontais,
destinadas a receber ações das lajes, de outras vigas, de paredes de alvenaria, e eventualmente de
pilares etc. A função das vigas é basicamente vencer vãos e transmitir as ações nelas atuantes para os
apoios, geralmente os pilares.
As ações são geralmente perpendiculares ao seu eixo longitudinal, podendo ser concentradas ou
distribuídas. Podem ainda receber forças normais de compressão ou de tração, na direção do eixo
longitudinal. As vigas, assim como as lajes e os pilares, também fazem parte da estrutura de
contraventamento responsável por proporcionar a estabilidade global dos edifícios às ações
verticais e horizontais.
As armaduras das vigas são geralmente compostas de estribos, chamados armadura transversal, e
de barras longitudinais, chamadas armadura longitudinal.
As deformações nos materiais componentes das vigas de concreto armado submetidas à flexão
simples encontram-se nos domínios de deformações 2, 3 ou 4, conforme definidos na NBR 6118/03
(item 17.2.2).
Como conclusão, pode-se afirmar que o projeto das vigas no domínio 4 deve ser evitado, pois,
além da questão da economia, a ruptura será do tipo frágil, ou sem aviso prévio, em que o concreto
rompe por compressão (εcd > 3,5‰), causando o colapso da estrutura antes da intensa fissuração
provocada pelo aumento do alongamento na armadura tracionada.
E, ainda, deve-se projetar as vigas à flexão simples nos domínios 2 e 3, com preferência ao
domínio 3 por ser mais econômico.
No dimensionamento de uma viga de concreto armado geralmente o primeiro cálculo feito é o de
determinação das armaduras longitudinais de flexão. O dimensionamento da armadura transversal
para resistência à força cortante é geralmente feito em seguida.
O dimensionamento à força cortante é muito importante, pois a ruptura de uma viga nunca deve
ocorrer por efeito de força cortante, por ser frequentemente violenta e frágil. Portanto, deve ser
evitada.
De acordo com a NBR 6118/03 (item 16.2.3), é necessário garantir uma boa ductilidade, de
maneira que uma eventual ruína ocorra de forma suficientemente avisada, alertando os usuários. A
armadura de flexão é que deve ser proporcionada de forma a garantir que a ruptura se desenvolva
lenta e gradualmente.
Ainda de acordo com a NBR 6118/03, esta admite dois modelos para cálculo da armadura
transversal resistente à força cortante nas vigas, denominados Modelo de Cálculo I e Modelo de
Cálculo II.
A treliça clássica de Ritter-Mörsch, que pressupõe ângulo u fixo de 45° para a inclinação das
diagonais comprimidas (bielas de concreto), é adotada no Modelo de Cálculo I. O Modelo de
Cálculo II admite a chamada treliça generalizada, em que o ângulo u pode variar de 30° a 45°, sendo
essa a maior inovação da norma na questão da força cortante.
A colocação de estribos nas vigas tem três funções básicas:
a) resistir à parte da força cortante;
b) restringir o crescimento da abertura das fissuras, o que ajuda a manter o atrito entre as interfaces
na fissura; e
c) aumentar a ação de pino das barras longitudinais.
2.3.7.1 Armadura mínima de tração
A armadura mínima de tração, em elementos estruturais armados ou protendidos, deve ser
determinada pelo dimensionamento da seção a um momento fletor mínimo respeitada a taxa mínima
absoluta 0,15%.
2.3.7.2 Armadura de pele
A mínima armadura lateral deve ser 0,10% Ac,alma em cada face da alma da viga e composta de
barras de alta aderência (η1 > 2,25) com espaçamento não maior que 20 cm.
Em vigas com altura igual ou inferior a 60 cm, pode ser dispensada a utilização da armadura de
pele.
A armadura de pele, conforme mostrada na figura a seguir, deve ser disposta de modo que o
afastamento entre as barras não ultrapasse d/3 e 20 cm.
Disposição da armadura de pele
2.3.7.3 Armadura longitudinal máxima
A soma das armaduras de tração e de compressão (As + As’) não deve ter valor maior que 4% Ac,
calculada na região fora da zona de emendas.
2.3.7.4 Armadura de suspensão
A NBR 6118/03 prescreve que, nas proximidades de cargas concentradas transmitidas à viga por
outras vigas ou elementos discretos que nela se apoiem ao longo ou em parte de sua altura, ou fiquem
nela penduradas, deve ser colocada armadura de suspensão.
2.3.8 Laje
Laje é um elemento plano, bidimensional, cuja função principal é servir de piso ou cobertura nas
construções, e que se destina a receber as ações verticais aplicadas, como de pessoas, móveis, pisos,
paredes, e os mais variados tipos de carga que podem existir em função da finalidade arquitetônica
do espaço físico de que esta faz parte.
As ações são comumente perpendiculares ao plano da laje, podendo ser divididas em:
a) distribuída na área: peso próprio, contrapiso, revestimento na borda inferior etc.;
b) distribuída linearmente: carga de parede apoiada na laje; e
c) concentrada: pilar apoiado na laje.
As ações são geralmente transmitidas para as vigas de apoio nas bordas da laje, mas eventualmente
também podem ser transmitidas diretamente aos pilares.
São vários os tipos de lajes existentes, como: maciças, nervuradas, lisas, cogumelo etc.
Lajes maciças são aquelas onde toda a espessura é composta de concreto, contendo armaduras
longitudinais de flexão e eventualmente armaduras transversais, e apoiadas em vigas ou paredes ao
longo das bordas. Lajes com bordas livres são casos particulares das lajes apoiadas nas bordas.
Uma classificação muito importante das lajes é aquela referente à direção ou direções da armadura
principal, havendo dois casos: laje armada em uma direção e laje armada em duas direções.
De modo geral, são três os tipos de apoio das lajes: paredes de alvenaria ou de concreto, vigas ou
pilares de concreto. Dentre eles, as vigas nas bordas são o tipo de apoio mais comum nas
construções.
2.3.8.1 Espessura mínima
A NBR 6118/03 (item 13.2.4.1) estabelece que a espessura mínima para as lajes maciças deve
respeitar:
a) 5 cm para lajes de cobertura não em balanço;
b) 7 cm para lajes de piso ou de cobertura em balanço;
c) 10 cm para lajes que suportem veículos de peso total menor ou igual a 30 kN;
d) 12 cm para lajes que suportem veículos de peso total maior que 30 kN;
e) 15 cm para lajes com protensão apoiada em vigas, l/42 para lajes de piso biapoiadas e l/50 para
lajes de piso contínuas;
f) 16 cm para lajes lisas e 14 para lajes-cogumelo.
2.3.8.2 Determinação de flechas em lajes de concreto armado
O modelo de cálculo das flechas em lajes admite comportamento elástico linear para o aço e o
concreto, de modo que as seções ao longo da laje possam ter deformações específicas determinadas
no estádio I, desde que os esforços não superem aqueles que dão início à fissuração, e no estádio II,
em caso contrário. Portanto, a análise deve ser realizada por meio de modelos que considerem a
rigidez efetiva das seções, ou seja, levem em consideração a presença de armadura tracionada e
comprimida, a existência de fissuras no concreto ao longo dessa armadura e as deformações
diferidas no tempo.
2.3.8.3 Lajes unidirecionais
Neste caso, podem-se utilizar os mesmos critérios da avaliação aproximada de flechas para vigas
sem nenhuma alteração adicional. Para facilitar a análise, considera-se a laje uma viga de largura
igual a 1 m.
2.3.8.4 Lajes bidirecionais (armadas em duas direções)
Neste caso, o procedimento sugerido pela NBR 6118/03 é adaptar o critério empregado para
vigas. Esta adaptação é feita considerando a direção correspondente ao maior valor do momento
fletor positivo no vão da laje. Caso o valor deste momento, determinado para a combinação de ações
em serviço, supere o momento de fissuração da laje, a rigidez efetiva desta nesta direção deverá ser
calculada de maneira análoga à de vigas.
2.3.8.5 Valores limites para flechas em elementos de concreto armado
A NBR 6118/03, no item 13.3, prescreve os seguintes valores para os deslocamentos limites em
vigas e lajes:
a) vão/250 para o deslocamento total diferido no tempo, considerando todas as cargas aplicadas; e
b) vão/500 ou 10 mm para o acréscimo de deslocamento diferido no tempo após a construção das
alvenarias.
A norma esclarece ainda que os deslocamentos podem ser parcialmente compensados pela
especificação de contraflechas. Entretanto, a atuação isolada da contraflecha não pode ocasionar um
desvio do plano maior que o vão/350.
2.3.8.6 Flechas máximas admitidas
As flechas máximas ou deslocamentos limites, como definido pela NBR 6118 (item 13.3), são
valores práticos utilizados para verificação em serviço do estado limite de deformações excessivas
da estrutura. Os deslocamentos limites são classificados em quatro grupos básicos, relacionados a
seguir:
a) aceitabilidade sensorial: o limite é caracterizado por vibrações indesejáveis ou efeito visual
desagradável. A limitação da flecha para prevenir essas vibrações, em situações especiais de
utilização, deve ser realizada como estabelecido na seção 23 da NBR 6118/03;
b) efeitos específicos: os deslocamentos podem impedir a utilização adequada da construção;
c) efeitos em elementos não estruturais: deslocamentos estruturais podem ocasionar o mau
funcionamento de elementos que, apesar de não fazerem parte da estrutura, estão a ela ligados; e
d) defeitos em elementos estruturais: os deslocamentos podem afetar o comportamento do elemento
estrutural, provocando afastamento em relação às hipóteses de cálculo adotadas. Se os
deslocamentos forem relevantes para o elemento considerado, seus efeitos sobre as tensões ou
sobre a estabilidade da estrutura devem ser considerados, incorporando-as ao modelo estrutural
adotado.

2.4 Durabilidade das estruturas de concreto


As estruturas de concreto devem ser projetadas e construídas de modo que conservem sua
segurança, estabilidade e uso em serviço, durante o período correspondente à sua vida útil (NBR
6118/03, item 6.1).
Visando à durabilidade das estruturas, devem ser previstos em projeto os mecanismos de
envelhecimento e de deterioração da estrutura, relativos ao concreto e ao aço.
Com relação ao concreto, os principais mecanismos de deterioração são, de acordo com a NBR
6118/03, item 6.3.2:
a) lixiviação: por ação de águas puras, carbônicas agressivas ou ácidas que dissolvem e carreiam os
compostos hidratados da pasta de cimento;
b) expansão por ação de águas e solos que contenham ou estejam contaminados com sulfatos, dando
origem a reações expansivas e deletérias com a pasta de cimento hidratado;
c) expansão por ação das reações entre os álcalis do cimento e certos agregados reativos; e
d) reações deletérias superficiais de certos agregados decorrentes de transformações de produtos
ferruginosos presentes na sua constituição mineralógica.
Com relação à deterioração da armadura, a NBR 6118/03 descreve os seguintes itens:
a) despassivação por carbonatação, ou seja, por ação do gás carbônico da atmosfera; e
b) despassivação por elevado teor de íon cloro (cloreto).
Observação:
A espessura do cobrimento de concreto é o principal fator para a proteção das armaduras, ao se
interpor entre o meio corrosivo e agressivo e a armadura, evitando que a frente de carbonatação
alcance as armaduras.
Com relação à agressividade do meio ambiente que atua sobre as estruturas de concreto, devem-se
considerar nos projetos as condições da tabela a seguir:
Classificação geral
Classe de Risco de
do tipo de
agressividade Agressividade deterioração
ambiente para
ambiental da estrutura
efeito de Projeto
Rural
I Fraca Insignificante
Submersa
II Moderada Urbana1), 2) Pequeno
Marinha1)
III Forte Grande
Industrial1), 2)

IV Muito forte Industrial1), 3) Elevado


Respingos de maré
Notas: 1) Pode-se admitir um microclima com classe de
agressividade em nível mais brando para ambientes internos secos
(salas, dormitórios, banheiros, cozinhas e áreas de serviço de
apartamentos residenciais e conjuntos comerciais ou ambientes com
concreto revestido de argamassa e pintura).
2) Pode-se admitir uma classe de agressividade em nível mais
brando em: obras em regiões de clima seco, com umidade relativa do
ar menor ou igual a 65%, partes da estrutura protegidas de chuva em
ambientes predominantemente secos, ou regiões onde chove
raramente.
3) Ambientes quimicamente agressivos, tanques industriais,
galvanoplastia, branqueamento em indústrias de celulose e papel,
armazéns de fertilizantes, indústrias químicas.
Classes de agressividade ambiental (NBR 6118/03).
Segundo a NBR 6118/03, a durabilidade das estruturas é altamente dependente das características
do concreto e da espessura e qualidade do concreto do cobrimento da armadura.
Na falta de ensaios comprobatórios de desempenho da durabilidade da estrutura diante do tipo e
nível de agressividade previsto em projeto, e por causa da existência de uma forte correspondência
entre a relação água/cimento, a resistência à compressão do concreto e sua durabilidade, permite-se
adotar os requisitos mínimos expressos na tabela mostrada a seguir:
Classe de agressividade (ver
Concreto Tabela I)
I II III IV
Relação água/cimento
≤ 0,65 ≤ 0,60 ≤ 0,55 ≤ 0,45
em massa
Classe de concreto (NBR
≥ C20 ≥ C25 ≥ C30 ≥ C40
8953)
Correspondência entre classe de agressividade e qualidade do concreto armado (NBR
6118/03).

2.5 Questões resolvidas de concursos


1) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2002) Com relação às normas da ABNT
relacionadas ao controle dos concretos estruturais, julgue os seguintes itens.
(A) A norma relativa a moldagem e cura de corpos de prova de concreto cilíndricos ou
prismáticos/método de ensaio é a NBR 8953.
(B) A norma relativa a ensaios de compressão de corpos de prova cilíndricos/método de
ensaio é a NBR 5739.
(C) A norma relativa a projeto e execução de obras de concreto armado/procedimento é a
NBR 5738.
(D) A norma relativa à determinação da consistência do concreto pelo abatimento do
tronco de cone/método de ensaio é a NBR 6118.
(E) A norma relativa ao controle tecnológico de materiais componentes do
concreto/procedimento é a NBR 12654.
Gabarito comentado
(A) Errado. A norma que trata da moldagem e cura de corpos de prova cilíndricos ou
prismáticos de concreto é a NBR 5738.
(B) Correto . A norma relativa a projeto e execução de obras de concreto
armado/procedimento é a NBR 5738.
(C) Errado. A norma relativa a projeto e execução de obras de concreto
armado/procedimento é a NBR 6118.
A NBR 6118/03 tem como objetivos:
• Fixar os requisitos básicos exigíveis para projeto de estruturas de concreto simples,
armado e protendido, excluídas aquelas em que se empregam concreto leve, pesado ou
outros especiais.
• Aplicar-se às estruturas de concretos normais, identificados por massa específica seca
maior do que 2.000 kg/m3, não excedendo 2.800 kg/m3, do grupo I de resistência (C10 a
C50), conforme classificação da ABNT NBR 8953. Entre os concretos especiais excluí​dos
desta Norma estão o concreto massa e o concreto sem finos.
• Estabelecer os requisitos gerais a serem atendidos pelo projeto como um todo, bem
como os requisitos específicos relativos a cada uma de suas etapas.
• Não incluir requisitos exigíveis para evitar os estados limites gerados por certos tipos
de ação, como sismos, impactos, explosões e fogo.
• No caso de estruturas especiais, tais como de elementos pré-moldados, pontes e
viadutos, obras hidráulicas, arcos, silos, chaminés, torres, estruturas off-shore, ou em que
se utilizam técnicas construtivas não convencionais, tais como formas deslizantes, balanços
sucessivos, lançamentos progressivos e concreto projetado, as condições desta norma
ainda são aplicáveis, devendo, no entanto, ser complementadas e eventualmente ajustadas
em pontos localizados, por normas brasileiras específicas.
(C) Errado. A norma relativa à determinação da consistência do concreto pelo abatimento
do tronco de cone/método de ensaio é a NBR NM 67:1998
(D) Correto. A norma relativa ao controle tecnológico de materiais componentes do
concreto/procedimento é a NBR 12654
2) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2002) Com relação ao dimensionamento
estrutural de concreto armado, julgue os itens subsequentes.
(A) Do ponto de vista de flambagem, os pilares são considerados curtos quando o seu
índice de esbeltez é menor ou igual a 80.
(B) O cintamento de um pilar circular consiste no seu envolvimento por um anel de
concreto mais resistente à compressão simples.
(C) Os estribos tracionados em uma viga de concreto armado submetida a torção devem
ser fechados e bem ancorados.
(D) Para uma viga maciça simplesmente apoiada nas suas extremidades, com uma carga
vertical aplicada no centro do seu vão, pode-se afirmar que a flecha no centro do vão terá
sempre o mesmo valor, quer a seção transversal da viga seja circular ou retangular, desde
que a área da seção em ambos os casos seja a mesma.
Gabarito comentado
(A) Errado. Do ponto de vista de flambagem, os pilares são considerados curtos quando o
seu índice de esbeltez é menor ou igual a 35.
No cálculo de pilares de concreto armado, os seguintes limites devem ser observados
conforme o índice de esbeltez (NBR 6118 – 15.8.1 a 15.8.3):
• pilares curtos: λ ≤35;
• pilares medianamente esbeltos: 35 < λ ≤ 90;
• pilares esbeltos: 90 < λ ≤ 200.
(B) Errado. O cintamento de um pilar circular consiste no seu envolvimento por um anel de
aço mais resistente à compressão simples.
Na compressão associada a confinamento lateral, como ocorre em pilares cintados, por
exemplo, a resistência do concreto é maior do que o valor relativo à compressão simples.
O cintamento pode ser feito com estribos, que impedem a expansão lateral do pilar,
criando um estado múltiplo de tensões. O cintamento também aumenta a ductilidade do
elemento estrutural.
O mais tradicional método de confinamento (cintamento) consiste em recobrir o pilar com
uma envoltória cilíndrica, capaz de opor-se às deformações transversais do concreto,
quando ele for submetido a um esforço de compressão axial. A armadura transversal da
envoltória pode ser contínua, de estribos em forma helicoidal, ou constituída por uma
sucessão de estribos circulares, de tal forma a se restringir a deformação transversal.
(C) Correto. Os estribos tracionados em uma viga de concreto armado submetida a torção
devem ser fechados e bem ancorados.
(D) Errado. O cálculo da flecha no meio do vão depende do momento de inércia (I) da
seção transversal da viga. O momento de inércia da seção circular e o da seção retangular
são diferentes conduzindo a uma flecha diferente.

3) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2002) Julgue os itens subsequentes,


referentes a aços utilizados em construções civis.
(A) O aumento do teor de carbono no aço eleva a sua resistência, porém diminui a sua
ductilidade.
(B) O módulo de elasticidade é praticamente igual para todos os tipos de aço, com valor
aproximadamente igual a 210 kN/mm2 (ou 21.000 kgf/mm2).
(C) Os aços podem ter a sua resistência diminuída pela ação de baixas temperaturas
ambiente ou efeitos térmicos locais causados por solda elétrica, por exemplo.
Gabarito comentado
(A) Correto. O aumento do teor de carbono no aço eleva a sua resistência, porém diminui
a sua ductilidade.
O conceito de metal está relacionado a certo número de propriedades facilmente
reconhecíveis, como, por exemplo, o brilho metálico, opacidade, boa condutibilidade
elétrica e térmica, ductilidade etc.
O aço é uma liga de natureza relativamente complexa e sua definição não é simples,
visto que, a rigor, os aços comerciais não são ligas binárias. De fato, apesar de os seus
principais elementos de liga serem o ferro e o carbono, eles contêm sempre outros
elementos secundários, presentes em razão dos processos de fabricação. Nessas
condições, podemos definir o aço como uma liga ferro-carbono, contendo geralmente de
0,008% a aproximadamente 2,11% de carbono, além de certos elementos secundários
(como silício, manganês, fósforo e enxofre), presentes devido aos processos de
fabricação.
Classificação dos aços: a definição de aço proposta anteriormente permite uma distinção
entre os aços-carbono comuns e os aços ligados:
1. aço-carbono: são ligas de ferro-carbono que contêm geralmente de 0,008% a 2,11% de
carbono, além de certos elementos residuais resultantes dos processos de fabricação;
2. aço-liga são os aços-carbono que contêm outros elementos de liga, ou que apresentam
os elementos residuais em teores acima dos que são considerados normais.
Os primeiros podem ser subdivididos em:
1. aços de baixo teor de carbono, com [C]< 0,3%, são aços que possuem grande
ductilidade, bons para o trabalho mecânico e soldagem (construção de pontes, edifícios,
navios, caldeiras e peças de grandes dimensões em geral). Estes não são temperáveis;
2. aços de médio carbono, com 0,3< [C]< 0,7%, são aços utilizados em engrenagens,
bielas etc. São aços que, temperados e revenidos, atingem boa tenacidade e resistência; e
3. aços de alto teor de carbono, com [C]>0,7%, são aços de elevada dureza e resistência
após a tempera, e são comumente utilizados em molas, engrenagens, componentes
agrícolas sujeitos ao desgaste, pequenas ferramentas etc.
Os aços-liga, por sua vez, podem ser subdivididos em dois grupos:
1. aços de baixo teor de ligas, contendo menos de 8% de elementos de liga; e
2. aços de alto teor de ligas, com elementos de liga acima de 8%.
Os aços produzidos pela Açominas, que atendem ao mercado da construção civil, são o
ASTM A-36 (um aço-carbono), o ASTM A-572 Grau 50 (um aço-carbono microligado de
alta resistência mecânica) e o ASTM A-588 Grau K (um aço-carbono microligado de alta
resistência mecânica com elevada resistência à corrosão atmosférica).
Os aços microligados são especificados pela sua resistência mecânica, e não pela sua
composição química. São desenvolvidos a partir dos aços de baixo carbono (como o
ASTM A-36, com pequenas adições de Mn (até 2%) e outros elementos em níveis muito
baixos. Estes aços apresentam maior resistência mecânica que os aços de baixo carbono
idênticos, mantendo a ductilidade e a soldabilidade, e são destinados às estruturas onde a
soldagem é um requisito importante (carbono baixo), assim como a resistência.
O fator mais importante na determinação das propriedades de um certo tipo de aço é a
composição química. Nos aços-carbono comuns, os elementos carbono e manganês têm
influência no controle da resistência, ductilidade e soldabilidade.
A maior parte dos aços-carbono estruturais tem mais de 98% de ferro, de 0,2% a 1% de
carbono e aproximadamente 1% de manganês (em peso).
O carbono aumenta a dureza e a resistência, mas, por outro lado, afeta a ductilidade e a
soldabilidade. Assim, pequenas quantidades de outros elementos de liga são utilizadas na
melhoria das propriedades do aço, obtendo o máximo em propriedades de uma liga
contendo um baixo teor de carbono.
(B) Correto. O módulo de elasticidade é praticamente igual para todos os tipos de aço,
com valor aproximadamente igual a 210 kN/mm2 (ou 21.000 kgf/mm2).
(C) Correto. Os aços podem ter a sua resistência diminuída pela ação de baixas
temperaturas ambiente ou efeitos térmicos locais causados por solda elétrica, por
exemplo.
4) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2004) O dimensionamento e a execução de
uma estrutura de concreto devem atender a requisitos que garantam a sua segurança e
durabilidade. Com relação a esse tema, julgue os itens subsequentes.
(A) No que se refere à qualidade do concreto de cobrimento de armaduras, na falta de
ensaios comprobatórios de desempenho da durabilidade da estrutura frente ao tipo e ao
nível de agressividade previsto em projeto, a relação água/cimento a ser utilizada na
confecção do concreto diminui com o aumento da classe de agressividade.
(B) O coeficiente de fluência e a deformação específica de retração de concretos
plásticos e de cimento Portland comum só dependem da umidade ambiente.
(C) O aço utilizado para armadura passiva de estruturas de concreto armado deve ser
classificado por norma com valor característico da resistência de escoamento nas
categorias CA-25, CA-50 e CA-60.
(D) Para efeito de projeto de estruturas de concreto armado, na falta de dados
específicos, pode-se considerar o módulo de elasticidade do aço igual a 160 GPa para fios
e cordoalhas.​
Gabarito comentado
(A) Correto.
O item 7.4 (qualidade do concreto de cobrimento) da NBR 6118 relata que a durabilidade
das estruturas é altamente dependente das características do concreto e da espessura e
qualidade do concreto do cobrimento da armadura.
Em seu item 7.4.2, a NBR 6118 diz que ensaios comprobatórios de desempenho da
durabilidade da estrutura diante do tipo e nível de agressividade previstos em projeto
devem​ estabelecer os parâmetros mínimos a serem atendidos. Na falta destes e em razão
da existência de uma forte correspondência entre a relação água/cimento, a resistência à
compressão do concreto e sua durabilidade, permite-se adotar os requisitos mínimos
expressos​ na tabela a seguir.
Concreto Tipo I II III IV
CA ≤ 0,65 ≤ 0,60 ≤ 0,55 ≤ 0,45
Relação água/cimento em massa
CP ≤ 0,60 ≤ 0,55 ≤ 0,50 ≤ 0,45
CA ≥ C20 ≥ C25 ≥ C30 ≥ C40
Classe de concreto (NBR 8953)
CP ≥ C25 ≥ C30 ≥ C35 ≥ C40
Notas:
1 O concreto empregado na excução das estruturas deve cumprir com os requisitos estabelecidos
na ABNT NBR 12655.
2 CA corresponde a componentes e elementos estruturais de concreto armado.
3 CP corresponde a componentes e elementos estruturais de concreto protendido.

Tabela de correspondência entre classe de agressividade e qualidade do concreto.


(B) Errado. O coeficiente de fluência e a deformação específica de retração de concretos
plásticos e de cimento Portland comum dependem da umidade ambiente, espessura
fictícia e perímetro da seção em contato com a atmosfera.
A tabela 8.1 do item 8.2.11 da NBR 6118 (fluência e retração) fornece o valor do
coeficiente de fluência e da deformação específica de retração em função da umidade
ambiente e da espessura fictícia 2Ac/u, em que Ac é a área da seção transversal e u é o
perímetro da seção em contato com a atmosfera. Os valores dessa tabela são relativos a
temperaturas do concreto entre 10°C e 20°C, podendo-se, entretanto, admitir
temperaturas entre 0°C e 40°C. Esses valores são válidos para concretos plásticos e de
cimento Portland comum.
(C) Correto. O aço utilizado para armadura passiva de estruturas de concreto armado
deve ser classificado por norma com valor característico da resistência de escoamento nas
categorias CA-25, CA-50 e CA-60.
O item 8.31 da NBR 6118 diz que nos projetos de estruturas de concreto armado deve
ser utilizado aço classificado pela ABNT NBR 7480 com o valor característico da
resistência de escoamento nas categorias CA-25, CA-50 e CA-60. Os diâmetros e seções
transversais nominais devem ser os estabelecidos na ABNT NBR 7480.
(D) Errado. O item 8.3.5 da NBR 6118 diz que na falta de ensaios ou valores fornecidos
pelo fabricante, o módulo de elasticidade do aço pode ser admitido igual a 210 GPa.
5) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2004) Com referência ao dimensionamento
estrutural de vigas de estruturas usuais de edifícios, julgue o item abaixo.
(A) O modelo clássico de viga contínua, simplesmente apoiada nos pilares, pode ser
utilizado para o estudo das cargas verticais, desde que, entre outros aspectos, não se
considerem momentos positivos menores que os que se obteriam se houvesse
engastamento perfeito da viga nos apoios internos.
Gabarito comentado
(A) Correto.
A NBR 6118/03 no item 14.6.7.1, que trata de vigas contínuas, diz o seguinte:
Pode ser utilizado o modelo clássico de viga contínua, simplesmente apoiada nos
pilares,​ para o estudo das cargas verticais, observando-se a necessidade das seguintes
correções adicionais:
1. não devem ser considerados momentos positivos menores que os que seriam obtidos se
houvesse engastamento perfeito da viga nos apoios internos;
2. quando a viga for solidária com o pilar intermediário e a largura do apoio, medida na
direção do eixo da viga, for maior que a quarta parte da altura do pilar, não pode ser
considerado momento negativo de valor absoluto menor do que o de engastamento
perfeito nesse apoio; e
3. quando não for realizado o cálculo exato da influência da solidariedade dos pilares com
a viga, deve ser considerado, nos apoios extremos, momento fletor igual ao momento de
engastamento perfeito multiplicado pelos coeficientes estabelecidos na NBR 6118.
Alternativamente, o modelo de viga contínua pode ser melhorado, considerando-se a
solidariedade dos pilares com a viga, mediante a introdução da rigidez à flexão dos pilares
extremos e intermediários.
A adequabilidade do modelo empregado deve ser verificada mediante análise cuidadosa
dos resultados obtidos.
Cuidados devem ser tomados para garantir o equilíbrio de momentos nos nós viga--pilar,
especialmente nos modelos mais simples, como o de vigas contínuas.
6) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2004 – REGIONAL) Quanto a
puncionamento de lajes de concreto armado, julgue o item seguinte.
(A) O modelo de cálculo para dimensionamento de lajes submetidas a punção corresponde
à verificação do cisalhamento em duas ou mais superfícies críticas normais à laje definidas
no entorno de forças concentradas.
Gabarito comentado
(A) Correto. Segundo a NBR 6118/03, item 19.5, o dimensionamento de lajes à punção
emprega o modelo de cálculo que corresponde à verificação do cisalhamento em duas ou
mais superfícies críticas definidas no entorno de forças concentradas.
Na primeira superfície crítica (contorno C), do pilar ou da carga concentrada, deve ser
verificada indiretamente a tensão de compressão diagonal do concreto, por meio da tensão
de cisalhamento.
Na segunda superfície crítica (contorno C’) afastada 2d do pilar ou carga concentrada,
deve ser verificada a capacidade da ligação à punção, associada à resistência à tração
diagonal. Essa verificação também se faz através de uma tensão de cisalhamento, no
contorno C’.
Caso haja necessidade, a ligação deve ser reforçada por armadura transversal.
A terceira superfície crítica (contorno C”) apenas deve ser verificada quando for
necessário colocar armadura transversal.
7) (CESPE/TCU/ACE/2005) As estruturas de concreto devem ser cuidadosamente
dimensionadas, de forma a garantirem a estabilidade e as condições de segurança das
construções. Com relação ao dimensionamento desse tipo de estrutura, julgue o item
subsequente.
(A) Em vigas de concreto armado, independentemente da sua altura, é necessária a
armadura de pele.
Gabarito comentado
(A) Errado. O item 17.3.5.2.3 da NBR 6118/03, que versa sobre a armadura de pele, diz o
seguinte: em vigas com altura igual ou inferior a 60 cm, pode ser dispensada a utilização
da armadura de pele.
8) (FGV/SENADO FEDERAL/ANALISTA/ENGENHARIA CIVIL/2008) Segundo a NBR 6118
(Projeto de Estruturas de Concreto), quando não forem feitos ensaios e não existirem
dados mais precisos sobre o concreto usado na idade de 28 dias, pode-se estimar o
módulo de elasticidade para um concreto com fck igual a 289 Mpa como igual a:
(A) 21,2 Gpa. (B) 10,6 Gpa. (C) 212 Gpa. (D) 106 Gpa. (E)
95,2 Gpa.
Gabarito comentado
Resposta: letra E.
O módulo de elasticidade é um parâmetro numérico relativo à medida da deformação
que o concreto sofre sob a ação de tensões, geralmente tensões de compressão. Na falta
de resultados de ensaios, a NBR 6118/03 (item 8.2.8) estima o valor do módulo aos 28
dias, considerando a deformação tangente inicial cordal a 30% fc, segundo a ex​pressão:

com Eci e fck em MPa.


Substituindo-se os valores dados na expressão da deformação, tem-se:

9) (FGV/SENADO FEDERAL/ANALISTA/ENGENHARIA CIVIL/2008) O domínio de


deformação de uma seção transversal de concreto no qual só existem tensões de
compressão é o domínio:
(A) IV (B) I (C) II (D) III (E)
V
Gabarito comentado
Resposta: letra E.
Os domínios são representações das deformações que ocorrem na seção transversal
dos elementos estruturais. As deformações são de alongamento e de encurtamento,
oriundas de tensões de tração e compressão, respectivamente.
De acordo com a NBR 6118, as hipóteses de deformações para peças no estado limite
último de deformação constituem-se nos domínios 1 a 5, veja resumo a seguir:
• Deformação plástica excessiva:
Reta a: Tração uniforme
Domínio
Tração não uniforme, sem compressão
1:
Domínio Flexão simples ou composta sem ruptura à compressão do
2: concreto simples
• Ruptura:
Domínio Flexão simples ou composta com ruptura à compressão do
3: concreto e com escoamento do aço.
Domínio Flexão simples ou composta com ruptura à compressão do
4: concreto e aço tracionado sem escoamento.
Domínio
Flexão composta com armaduras compridas.
4a:
Domínio
Compressão uniforme, sem tração.
5:
Reta b: Compressão uniforme.
No domínio 5 tem-se a seção inteiramente comprimida (x > h), com εc constante e igual a
0,2% na linha distante 3/7 h da borda mais comprimida (figura a seguir). Na borda mais
comprimida, εcu varia de 0,35% a 0,2%. O domínio 5 só é possível na compressão
excêntrica.

10) (FGV/SENADO FEDERAL/ANALISTA/ENGENHARIA CIVIL/2008) Em uma estrutura de


concreto armado, a proteção física das armaduras é garantida pelo(a):
(A) transpasse. (B) ancoragem. (C) cobrimento. (D) fôrma. (E) aderência.
Gabarito comentado
Resposta: letra C.
O cobrimento de concreto sobre as armaduras é um elemento de grande
responsabilidade na durabilidade das estruturas. Proporcionando a proteção física e
química das armaduras, este deve ser especificado nos projetos estruturais e seu valor
depende da classe de agressividade do ambiente, estabelecida pela NBR 6118/03.
Um bom cobrimento das armaduras, com um concreto de alta compacidade, sem
“ninhos”, com teor de argamassa adequado e homogêneo, garante, por impermeabilidade,
a proteção do aço ao ataque de agentes agressivos externos.
Esses agentes podem estar contidos na atmosfera, em águas residuais, água do mar,
águas industriais, dejetos orgânicos etc. Não deve, tampouco, conter agentes ou
elementos agressivos internos, eventualmente utilizados no seu preparo por absoluto
desconhecimento dos responsáveis, sob pena de perder, ou nem mesmo alcançar, essa
capacidade física de proteção contra a ação do meio ambiente.
A espessura do cobrimento de concreto é o principal fator para a proteção das
armaduras, ao se interpor entre o meio corrosivo e agressivo e a armadura, evitando que a
frente de carbonatação alcance as armaduras.
Nas regiões em que o concreto não é adequado, ou não recobre, ou recobre deficiente​-
mente a armadura, a corrosão torna-se progressiva com a consequente formação de óxi-
hidróxidos de ferro, que passam a ocupar volumes de 3 a 10 vezes superiores ao volume
original do aço da armadura, podendo causar pressões de expansão superiores a 15 MPa
(≈150 kgf/cm2).
Essas tensões provocam, inicialmente, a fissuração do concreto na direção paralela à
armadura corroída, o que favorece a carbonatação e a penetração de CO2 e agentes
agressivos, podendo causar o lascamento do concreto.
11) (CESPE/TCU/AFCE/2011) Em construções de edifícios, a concretagem é uma etapa
em que se concentram recursos significativos, e que afeta diretamente a segurança, a
funcionalidade e o custo da obra. O auditor deve conhecer como ela é projetada e
executada, para avaliar possíveis erros e suas consequências. A respeito desse assunto,
julgue os itens subsequentes.
(A) A utilização de pilares esbeltos no projeto reduz a quantidade de concreto e armação,
facilitando a montagem das fôrmas, tornando a estrutura mais econômica e de fácil
execução.
(B) Nas lajes em balanço, tendo em vista a possibilidade de ruptura imediata e o risco à
segurança das pessoas, a armadura negativa faz-se necessária em toda a sua extensão.
(C) No controle do concreto por amostragem, o emprego de pares de corpos de prova
tem o objetivo de atenuar a variabilidade de ensaio.
(D) Além de aumentar a resistência com a idade, o concreto também tem sua resistência
maior para cargas de longa duração do que para carregamentos rápidos.
(E) Para combater o esforço cortante em elementos lineares, o ângulo a de inclinação das
armaduras transversais em relação ao eixo longitudinal deve ser tal que 45° < a < 90°.
(F) A flexão em elementos estruturais é considerada composta quando, na seção
transversal de uma viga, atuam conjuntamente o momento fletor e o esforço cortante.
Gabarito comentado
(A) Correto. A utilização de pilares esbeltos no projeto reduz a quantidade de concreto e
armação, o que facilita a montagem das fôrmas e torna a estrutura mais econômica e de
fácil execução.
(B) Errado. Nas lajes em balanço, como os momentos fletores diminuem no sentido do
engaste para a borda livre, a armadura negativa não é necessária em toda a sua extensão.
(C) Correto. No controle do concreto por amostragem, o emprego de pares de corpos de
prova tem o objetivo de atenuar a variabilidade de ensaio.
(D) Errado. Além de aumentar a resistência com a idade, o concreto também tem sua
resistência menor para cargas de longa duração do que para carregamentos rápidos.
Para a determinação da resistência do concreto, os corpos de prova são rompidos em
laboratórios em ensaios de curta duração.
Constata-se que a resistência do concreto sob a ação de esforços de longa duração
(Efeito Rusch) é menor do que sob a ação de esforços de curta duração. Como
solicitações de longa duração sempre estão presentes nas estruturas de concreto armado,
a NBR 6118 exige que, nos cálculos de compressão e flexão, a máxima tensão de
compressão no concreto seja multiplicada pelo fator 0,85.
(E) Correto. Para combater o esforço cortante em elementos lineares, o ângulo a de
inclinação das armaduras transversais em relação ao eixo longitudinal deve ser tal que 45°
≤ a ≤ 90°.
O item 17.4.1.1.5 da NBR 6118/03 afirma que o ângulo de inclinação α das armaduras
transversais em relação ao eixo longitudinal do elemento estrutural deve estar situado no
intervalo 45° ≤; a ≤ 90°.
(F) Errado. A flexão em elementos estruturais é considerada composta quando, na seção
transversal de uma viga, atuam conjuntamente o momento fletor e o esforço normal.

12) (UNIVERSA/PCDF/PERITO/ENGENHARIA/2012) Na verificação em serviço do


estado--limite de deformações excessivas da viga tendo 4,00 metros de vão, obteve-se um
deslocamento final de 2 cm na seção transversal situada no meio do vão. Considerando
que se trata de uma viga de concreto armado e com base nas prescrições normativas da
NBR 6118 (Projeto de Estruturas de Concreto – Procedimento), assinale a alternativa
correta.
(A) Nenhuma providência se faz necessária, pois a estrutura, como dimensionada, atende
às prescrições normativas.
(B) Em função do valor encontrado para o deslocamento final, a estrutura certamente
ruirá.
(C) A NBR 6118 estabelece critérios para aberturas de fissuras máximas, mas não fixa
critérios para limites de deslocamentos em estruturas.
(D) A fluência do concreto não interfere no valor do deslocamento final.
(E) As dimensões da seção transversal da estrutura deverão ser alteradas, pois o valor do
deslocamento final no meio do vão excedeu o critério de aceitabilidade sensorial
estabelecido pela NBR 6118.
Gabarito comentado
Resposta: letra E.
As dimensões da seção transversal da estrutura deverão ser alteradas, pois o valor do
deslocamento final no meio do vão excedeu o critério de aceitabilidade sensorial
estabelecido na tabela da NBR 6118/03.
Considerando o deslocamento limite (l / 250), tem-se: 400 cm / 250 = 1,60 cm.
Observa-se que o deslocamento máximo no meio do vão é de 2,00 cm > 1,60 cm.
Tipo de Razão da Deslocamento a Deslocamento
Exemplo
efeito limitação considerar limite
Deslocamentos
visíveis em
Visual Total ℓ/250
Aceitabilidade elementos
sensorial estruturais
Vibrações Devido a cargas
Outro ℓ/350
sentidas no piso acidentais
Superfícies que
Coberturas e
devem drenar
varandas
Total ℓ/2501)
àgua
Pavimentos que Total ℓ/350 + contraflecha2)
Efeitos devem Ginásios e
estruturais permanecer pistas de boliche Ocorrido após a ℓ/600
em serviço planos construção do piso
Elementos que De acordo com
Ocorrido após
suportam recomendação do
Laboratórios nivelamento do
equipamentos fabricante do
equipa​mento
sen​síveis equipamento
Alvenaria,
Após a construção da ℓ/5003) ou 10 mm ou
caixilhos e
revesti​mentos
parede θ = 0,0017 rad4)

Divisórias leves
Ocorrido após a
e caixilhos
instalação da divisória ℓ/5003) ou 25 mm
telescó​picos
Paredes
Movimento Provocado pela ação do 5
lateral de vento para com-binação H/1700 ou H/850 6)
edi​fícios frequente ( 1 = 0,30) entre pavimentos )

Movimentos
Efeitos em Provocado por diferença
tér​micos
de temperatura ℓ/4007) ou 15 mm
elementos ver​ticais
não
estru​turais Movimentos
Provocado por diferença
térmicos H/500
de temperatura
hori​zontais
Revestimentos Ocorrido após cons-
Forros ℓ/350
colados trução do forro
Revestimentos
Deslocamento ocorrido
pendurados ou ℓ/175
após construção do forro
com juntas
Desalinhamento Deslocamento
Pontes rolantes de trilhos provocado pelas ações H/400
decorrentes da fre​nação
Afastamento em Se os deslocamentos forem relevantes para o elemento
Efeitos em
relação às considerado, seus efeitos sobre as tensões ou sobre a
elementos
hipóteses de estabilidade da estrutura devem ser considerados, incorporando-
estruturais
cál​culo ado​tadas os ao modelo es​trutural adotado.

Tabela de Limites para Deslocamentos (NBR 6118).


1) As superfícies devem ser suficientemente inclinadas ou o deslocamento previsto
compensado por contraflechas, de modo a não se ter acúmulo de água.
2) Os deslocamentos podem ser parcialmente compensados pela especificação de
contraflechas. Entretanto, a atuação isolada da contraflecha não pode ocasionar um desvio
do plano maior que ℓ/350.
3) O vão , deve ser tomado na direção na qual a parede ou a divisória se desenvolve.
4) Rotação nos elementos que suportam paredes.
5) H é a altura total do edifício e H1 o desnível entre dois pavimentos vizinhos.
6) Esse limite aplica-se ao deslocamento lateral entre dois pavimentos consecutivos devido
à atuação de ações horizontais. Não devem ser incluídos os deslocamentos devidos a
deformações axiais nos pilares. O limite também se aplica para o deslocamento vertical
relativo das extremidades de lintéis conectados a duas paredes de contraventamento,
quando H1 representa o comprimento do lintel.
7) O valor ℓ refere-se à distância entre o pilar externo e o primeiro pilar interno.
NOTAS
1 Todos os valores limites de deslocamentos supõem elementos de vão ℓ suportados em
ambas as extremidades por apoios que não se movem. Quando se tratar de balanços, o
vão equivalente a ser considerado deve ser o dobro do comprimento do balanço.
2 Para o caso de elementos de superfície, os limites prescritos consideram que o valor ℓ é
o menor vão, exceto em casos de verificação de paredes e divisórias, onde interessa a
direção na qual a parede ou divisória se desenvolve, limitando-se esse valor a duas vezes
o vão menor.
3 O deslocamento total deve ser obtido a partir da combinação das ações características
ponderadas pelos coeficientes definidos na seção 11 da NBR 6118.
4 Deslocamentos excessivos podem ser parcialmente compensados por contraflechas.
3 Materiais de construção civil
Materiais de construção são todos os corpos, objetos ou substâncias que são usados em qualquer
obra de engenharia. Estudam-se a obtenção, aplicação, conservação, durabilidade e resistência
mecânica desses materiais.

3.1 Agregados e aglomerantes


3.1.1 Agregados
O estudo dos agregados deve ser encarado como um dos principais pontos do estudo dos materiais
de construção, sobretudo se levarmos em conta que, por um lado, cerca de 70% do concreto é
constituído pelos agregados, e, por outro lado, este material é menos homogêneo do que o com o qual
lidamos na fabricação de argamassa e concretos.
Agregado é o material particulado, incoesivo, de atividade química praticamente nula, constituído
de misturas de partículas cobrindo extensa gama de tamanhos. O termo “agregado” é de uso
generalizado na tecnologia do concreto; nos outros ramos da construção é conhecido, conforme cada
caso, pelo nome específico: fíler, pedra britada, bica corrida, rachão etc.
É um material inerte normalmente granuloso, geralmente utilizado aglutinado a um aglomerante,
para obtenção de argamassas, concretos hidráulicos, macadames hidráulicos e concretos
betuminosos. Pode também ser usado sem mistura como lastro ferroviário, material de enchimento,
de dreno e de enrocamento, e em processos industriais para diversos usos específicos.
Desempenhando uma função econômica de máxima importância, pois geralmente é o elemento de
custo mais baixo por unidade de volume do concreto, o agregado atua de forma decisiva no
incremento de certas propriedades, tais como: a redução da retração (bastante grande na pasta de
cimento) e o aumento de resistência ao desgaste.
3.1.1.1 Classificação
a) Segundo a origem:
• industrializados: os que têm sua composição particulada obtida por processos industriais. Neste
caso, a matéria-prima pode ser rocha, escória de alto-forno e argila; e
• naturais: os que já se encontram em forma particulada na natureza: areia e cascalho.
b) Segundo as dimensões das partículas:
• miúdo: areias;
• graúdos: cascalhos e britas; e
• fíler: material de enchimento (diâmetro menor que 0,075 mm).
c) Segundo o peso específico aparente:
• leves;
• médios; e
• pesados.
3.1.1.2 Tipos de agregados
3.1.1.2.1 Agregados industrializados
a) Brita
Agregado obtido a partir de rochas compactas que ocorrem em depósitos geológicos (jazidas) pelo
processo industrial da cominuição ou fragmentação controlada da rocha maciça. Os produtos finais
se enquadram em várias categorias, caracterizadas por tamanhos nominais de grãos enquadrados
entre 2,4 e 64 mm, segundo as divisões padronizadas da ABNT.
A classificação das britas é muito regionalizada no Brasil.
Abertura das Peneiras
Passa (mm) Retém (mm)
0 9,5 4,8
1 19 9,5
2 25 19
3 38 25
4 76 38
Pedra de mão 76
b) Pedra britada
Brita produzida em cinco graduações, denominadas em ordem crescente de diâmetros médios: brita
0, brita 1, brita 2, brita 3 e brita 4.
c) Pó de pedra
Material mais fino que o pedrisco. Sua graduação genérica, mas não rigorosa, é de 0 a 4,8 mm.
Por razões decorrentes da natureza e do próprio processo industrial, as pedreiras produzem
sistematicamente, além de pedra britada, o pó de pedra agregado.
É usado como material de enchimento para preencher vazios em concretos para pavimentação e
concretos asfálticos.
d) Fíler
Agregado de graduação menor que 0,075 mm (peneira n. 200). Seus grãos são da mesma ordem de
grandeza que os de cimento. O material fino, que decanta nos tanques das instalações de lavagem de
brita nas pedreiras, contém uma mistura de fíler e areia. Depois de separado da areia, ele é
empregado em concretos asfálticos, espessamento de betumes fluidos e vulcanização​ de borracha.
e) Bica corrida
Material britado no estado em que se encontra à saída do britador.
f) Rachão
Agregado constituído do material que passa no britador primário e é retido na peneira de 76 mm. É
a fração acima de 76 mm da bica corrida primária.
3.1.1.2.2 Agregados industrializados como matéria-prima
a) Granito
Rocha plutônica ácida, granular macroscópica, cristais de 1 a 5 mm, ou maiores, de cor cinza.
Ruptura à compressão de 90 MPa.
b) Basalto
Rocha vulcânica básica de cor cinza-escura. Ruptura à compressão de 140-180 MPa.
c) Gnaisse
Rocha metamórfica, granular macroscópica. Taxa de ruptura à compressão de 90 a 110 MPa.
d) Calcário
Rocha sedimentar constituída de mais de 50% de carbonato de sódio. Taxa de ruptura à
compressão de 160 MPa.
e) Arenito
Rocha sedimentar proveniente da consolidação de sedimentos arenosos. Taxa de ruptura à
compressão de 50-180 MPa.
f) Escória de alto-forno
Resíduo da produção de ferro-gusa em altos-fornos.
3.1.1.2.3 Agregados naturais
a) Areias
A areia é a parte miúda da desagregação das rochas. É um material granular constituído por grãos
com diâmetro que varia de 0,05 mm a 4,8 mm, de cor clara, cujas partículas são visíveis a olho nu.
Quando secam, seus grãos ficam soltos.
As areias são comumente encontradas:
• em várzeas e leitos dos rios, normalmente chamadas de areias lavadas, que são as melhores; e
• em camadas do terreno (jazidas), as mais baratas pela facilidade de extração, mas com variáveis
graus de impurezas, necessitando, muitas vezes, de lavagem para utilização.
As areias classificam-se em:
• areia grossa: diâmetro de 2 a 4,8 mm;
• areia média: diâmetro de 0,42 a 2 mm; e
• areia fina: diâmetro de 0,075 a 0,42 mm.
O concreto pode usar qualquer tipo de areia, embora as areias finas, com excessivos teores de
material pulverulento, possam causar sérios danos à qualidade do concreto.
As cores branca, avermelhada ou amarelada das areias não são importantes, dizem respeito apenas
ao tipo da rocha mãe. Já a areia escura pode indicar presença de produtos estranhos.
b) Cascalho
Material granular, com diâmetro acima de 4,8 mm, encontrado, principalmente, em cascalheiras no
leito dos rios, terraços aluvionares e “linhas de seixo”, próximos ou na superfície do terreno.
Os cascalhos e pedregulhos do leito dos rios formam jazidas comumente conhecidas como
cascalheiras de rio. São materiais resistentes e com formas arredondadas (seixos rolados) ou
lamelares.
Principais utilizações dos agregados naturais:
• em concretos como agregados graúdos;
• como elemento filtrante de fossa; e
• como revestimento de terrenos.
Principais propriedades dos agregados naturais:
• Forma do grão
Os grãos dos agregados não têm forma geometricamente definida. A partir de suas dimensões: C
(comprimento), L (largura) e E (espessura), classificam-se de acordo com a relação entre as suas
dimensões em alongados, cúbicos, lamelar e discoide.
• Forma das faces
Classificam-se em angulosos [quando apresentam arestas vivas e pontas (britas)] e arredondados
[quando não apresentam arestas vivas (seixos)].
Na execução de concretos hidráulicos, na maioria dos casos, deve-se dar preferência aos
agregados de grãos arredondados.
Para se obter uma granulometria ótima com agregados angulosos, é exigida maior porcentagem de
grãos finos e médios do que no caso de uso de agregados arredondados. Além disso, o grão anguloso
tem superfície maior que o grão arredondado, ou seja, existe uma superfície maior a ser molhada.
Com isso, é necessária uma quantidade de água maior para que se obtenha a mesma consistência
(trabalhabilidade).
Como a resistência do concreto é uma função inversa da relação água/cimento, um concreto com
essa mesma trabalhabilidade apresenta uma maior resistência à compressão, se executado com
pedregulho em vez de pedra britada. No entanto, com o emprego da pedra britada, consegue-se obter
concretos mais resistentes aos desgastes e às tensões de tração, em razão da maior aderência entre os
grãos e a pasta, não só decorrente da angulosidade, como também da maior rugosidade.
Os agregados que contêm partículas lamelares ou alongadas são prejudiciais, pois esses grãos
dificultam o adensamento do concreto hidráulico e a uniformi​dade do teor de betume na mistura no
concreto betuminoso, reduzindo assim a compacidade e, em consequência, a resistência e a
impermeabilidade.
3.1.1.3 Propriedades
a) Massa específica real e massa específica aparente
O volume de um solo pode ser representado por um sistema trifásico, na medida em que é
constituído por três elementos principais: grãos secos, água e ar.
V = Vs + Va + Var
O volume dos grãos é denominado volume seco ou volume cheio. O volume de água e o volume de
ar em um solo são denominados volume de vazios.
Vv = Va + Var
Da mesma forma, a massa de um solo é constituída pela massa dos grãos ou massa seca e a massa
da água.
P = Ps + Pa
É por meio do conhecimento da massa específica do agregado que são feitas as transformações dos
traços em massa para volume e vice-versa, bem como é dado importante para cálculo do consumo do
material empregado por m³ de concreto.
A massa específica aparente é definida como a relação entre a massa de certo volume total de
agregado e esse volume.

Em termos médios, a areia e a brita apresentam uma massa específica entre 1,40 e 1,50 g/cm³.
A massa específica real é a relação entre a massa e o volume de cheios, isto é, o volume dos grãos
do agregado.

A massa específica real é importante para o cálculo do traço de concreto na medida em que são os
grãos que definem os parâmetros de resistência do agregado.
A massa específica aparente é utilizada para o planejamento e controle dos agregados, na medida
em que na prática é o volume aparente que será medido no transporte, armazenagem e utilização dos
agregados.
b) Umidade e absorção no grão
O agregado, quando em presença da umidade, é encontrado nas seguintes condições:
• seco em estufa: sem nenhuma presença de água. Toda umidade foi eliminada por um aquecimento
a 100°C;
• seco ao ar ou no estado natural: não apresenta umidade superficial, possuindo, porém, umidade
interna, sem estar saturado;
• saturado interno ou por absorção: todos os vazios permeáveis dos grãos estão cheios de água,
porém não apresenta umidade superficial; e
• saturado total: além da saturação interna, apresenta água de absorção livre cobrindo a superfície
dos grãos. O teor de umidade conduzido pelos agregados é de grande importância, pois a quantidade
de água que é conduzida ao concreto altera consideravelmente o fator água/cimento. O teor de
umidade é definido como a relação entre a massa de água e a massa seca de um determinado volume.
A absorção é um parâmetro muito importante quando se trata da dosagem do concreto, pois um
descuido nesse valor conduzirá a resultados errôneos, principalmente na plasticidade obtida.
c) Inchamento
A experiência mostra que a água aderente aos grãos provoca afastamento entre eles, resultando no
inchamento.
A determinação do “inchamento” é de toda importância quando se tem a areia em volume
(padiolas). Depende da composição granulométrica e do seu grau de umidade, sendo maior para as
areias finas que apresentam maior superfície específica.
d) Granulometria
Denomina-se composição granulométrica de um agregado a proporção relativa, expressa em
porcentagem, dos diferentes tamanhos dos grãos que se encontram constituindo o topo.
Pode ser expressa pelo material que passa ou pelo que fica retido por peneira ou acumulado.
A partir da composição granulométrica pode-se traçar a curva de granulometria dos agregados.
O somatório das porcentagens retidas acumuladas em massa de um agregado da série normal
dividido por 100 é denominado módulo de finura.
• areia fina: MF < 2,5;
• areia média: 2,5 ≤ MF < 4; e
• areia grossa: MF ≥ 4.
Denomina-se diâmetro máximo a abertura da malha, em mm, da peneira da série normal à qual
corresponde uma porcentagem retida acumulada igual ou imediatamente inferior a 5%.
3.1.1.4 Finalidade dos agregados nas argamassas e concretos
a) Aumentar o volume da pasta, obtendo-se grande quantidade de material plástico estrutural a baixo
custo;
b) aumentar a resistência mecânica de material resultante da mistura de pasta com agregado de
resistência superior;
c) permitir maior resistência ao desgaste por abrasão.
O agregado é o elemento da mistura que apresenta maior indeterminação quanto às propriedades na
medida em que cada jazida encontrada possui toda uma caracterização diferente.
Na fase de projeto, é possível determinar qual a resistência do concreto a ser utilizado e sua
trabalhabilidade e, com isso, determinar toda estrutura necessária. No entanto, o construtor terá de
trabalhar com o agregado existente na área ou o que possa ser fornecido ao menor custo-benefício.
Portanto, as propriedades do agregado encontrado em uma jazida devem ser estudadas para permitir
a sua adequação às características e às propriedades que se desejam do concreto ou argamassa.
3.1.2 Aglomerantes
Aglomerantes ou ligantes minerais são substâncias destinadas a ligar ou aglutinar certos materiais
empregados na construção civil.
Normalmente, apresentam-se de forma pulverulenta e, misturados com água, formam uma pasta
trabalhável capaz de endurecer, atingindo a consistência pétrea.
A pasta endurecida adere aos materiais em contato, formando misturas, argamassas ou concretos,
com os quais se rejuntam alvenarias, compõem-se e recuperam peças estruturais, executam-se bases
ou estabilizantes de pavimentos, de pátios e de estradas, estabilizam-se taludes ou fazem-se
revestimentos em muros, paredes e tetos.
3.1.2.1 Conceitos
a) Aglomerante: é o elemento ativo, pulverulento, que entra na composição das pastas, argamassas e
concretos.
b) Pasta: é uma mistura íntima de aglomerante e água que endurece por simples seca ou, o que é mais
comum, em virtude de reações químicas.
c) Argamassa: é uma mistura de pasta com agregado miúdo.
d) Concreto: é a mistura de pasta com agregado miúdo e graúdo.
e) Agregado: é um material granuloso e inerte, convenientemente graduado, que entra na composição
de argamassas e concretos. A adição de agregado à pasta visa economia com o aglomerante, que é
oneroso, e atenuar os efeitos nocivos da retração, causados pelo endurecimento da pasta.
3.1.2.2 Requisitos principais
a) Adesividade: é a função de aglutinar, de aderir, que caracteriza o aglomerante mineral como
material de construção.
b) Trabalhabilidade: a facilidade no manuseio e na moldagem são condições importantes que os
aglomerantes apresentam e os tornam um material de excelente trabalhabilidade.
c) Resistência mecânica: essa qualidade é impositiva para quase a totalidade dos aglomerantes,
particularmente na tecnologia do concreto e das argamassas portantes, que é quase toda voltada à
melhoria desta qualidade.
d) Durabilidade: a pasta endurecida deve ter suficiente resistência à desagregação, que pode
decorrer da presença de elementos nocivos, do próprio aglomerante, ou da água de amassamento,
ou, ainda, de agentes agressivos externos.
e) Economicidade: são em grande número os materiais com a possibilidade de servir de
aglomerante. O que limita é o número dos que são empregados, o custo financeiro e a dificuldade
de obtenção.
3.1.2.3 Classificações
As classificações dos aglomerantes foram feitas ao longo dos tempos, consagrando-se na literatura
técnica e na tradição.
a) Número de matérias-primas utilizadas:
• naturais (ou de uma só matéria-prima): cal, gesso, cimento natural etc.
• artificiais (ou de duas ou mais matérias-primas): cimento Portland, cimento aluminoso, magnésia
Sorel etc.
b) Condições de endurecimento:
• quimicamente inertes: aqueles que endurecem por coesão das partículas sob o efeito de simples
secagem. Ex.: argila.
• quimicamente ativos: aqueles que endurecem em consequência de reações químicas. Exs.: cal,
cimento Portland, gesso etc.
c) Resistência à água:
• aéreos: aqueles que, depois de endurecidos, na presença da água perdem parcial ou
completamente a sua resistência mecânica. Exs.: cal, gesso, magnésia Sorel etc.
• hidráulicos: aqueles que endurecem por meio de reação com a água e, depois de endurecidos,
nada ou pouco sofrem com a presença da água e, em alguns casos, melhoram a sua condição de
endurecimento. Ex.: cal hidráulica, cimentos naturais, cimento Portland etc.
d) Aglomerantes quimicamente inertes:
São constituídos pelos solos coesivos, que apresentam predominância de argilas, conhecidos como
“barros”.
O barro é o aglomerante mais sensível e primitivo dos existentes, e, por ser um material abundante,
barato e de fácil manuseio, tem emprego bastante generalizado.
Esse aglomerante argiloso pode ser empregado na confecção de tijolos, em paredes, muros,
estradas e argamassas para revestimentos e ligações.
O tijolo cru é obtido com argila simplesmente seca ao ar, sem cozimento, e usado em construções
rústicas. Pode resistir a tensões de compressão até 7 MPa, mas não resiste bem à umidade.
O barro simplesmente amassado constitui uma argamassa, que usa a argila como aglomerante, e é
empregado em construções rurais e de baixo custo.
A argila também tem uma pequena participação como ligante nas argamassas confeccionadas com
“saibro”. O saibro é um material obtido da decomposição in situ de granito ou gnaisse com partida
dos silicatos aluminosos hidratados (argila), que são levados pelas águas.
3.1.3. Cal
Cal é o nome genérico de um aglomerante simples, resultante da calcinação de rochas calcárias,
que se apresentam em diversas variedades, com características resultantes da natureza da matéria-
prima empregada e do processamento conduzido.
3.1.3.1 Cal aérea
Basicamente, na calcinação do calcário natural, o carbonato de cálcio, submetido à ação do calor à
temperatura aproximada de 900°C, decompõe-se em óxido de cálcio e anidridos carbônicos,
processo que é representado pela seguinte equação química:
CaCO3 + calor → CaO + CO2
Esta reação é denominada “calcinação” e cumpre três objetivos:
• evaporar a água da matéria-prima;
• aquecer o calcário até a temperatura requerida pela dissociação; e
• expelir CO2, deixando os óxidos de cálcio e de magnésio.
O produto dessa calcinação, que contém predominantemente óxidos de cálcio, exibe estrutura
porosa e formatos idênticos aos dos grãos da rocha original, recebendo a denominação “cal virgem”.
Para que se possa utilizar a cal com boa trabalhabilidade e facilidade de moldagem, emprega-se
em forma de pasta ou argamassa. Porém, com a mistura de água, ocorre uma reação com grande
aumento de temperatura, expansão de volume e crepitação, que impede o seu emprego até que esta
cesse.
O óxido de cálcio ou magnésio deve ser hidratado previamente, transformando-se em hidróxido,
que é o constituinte básico do tal aglomerante. A operação de hidratação recebe o nome de extinção,
e o hidróxido resultante denomina-se “cal extinta” (quando a hidratação se realiza no local do
emprego do material, nos canteiros de serviço, normalmente) ou “cal hidratada” (quando a extinção
se processa na fábrica). A reação química da extinção da cal virgem é a seguinte:
CaO + H2O → Ca(OH)2
A cal extinta é utilizada em mistura com água e areia, em proporções apropriadas, na elaboração
de argamassas. Estas têm consistência mais ou menos plástica, e endurecem por recombinação do
hidróxido com o gás carbônico presente na atmosfera, reconstituindo o carbonato original, cujos
cristais ligam de maneira permanente os grãos de agregado utilizado. Esse endurecimento se
processa com lentidão e ocorre, evidentemente, de fora para dentro, exigindo certa porosidade que
permita, de um lado, a evaporação da água em excesso e, de outro, a penetração do gás carbônico do
ar atmosférico. O mecanismo de endurecimento, que depende do ar atmosférico, explica o nome
ordinariamente dado a esse aglomerante: cal aérea.
A reação correspondente é a seguinte:
Ca(OH)2 + CO2 → CaCO3 + H2O
Essa reação ocorre na temperatura ambiente e exige a presença de água, uma vez que o gás
carbônico seco não combina satisfatoriamente com o hidróxido.
a) Classificação
Usualmente, classifica-se a cal aérea segundo dois critérios: o da composição química e do
rendimento em pasta.
De acordo com a composição química, há duas variedades:
• cal cálcica ou calcítica: quando distinguimos um máximo de 20% na rocha calcinada; e
• cal magnesiana ou dolomítica: quando distinguimos porcentagens acima de 20% de MgO na rocha
calcinada.
A relação entre o volume de cal extinta e o da cal virgem que a originou chama-se “rendimento” da
cal. Essa relação varia de 1 a 3,5.
De acordo com o rendimento, temos:
• cal gorda: rendimento maior que 2; e
• cal magra: rendimento menor que 2.
b) Extinção
A cal cálcica extingue-se rapidamente, produzindo grande quantidade de calor e grande
rendimento. A cal dolomítica, por sua vez, extingue-se mais lentamente, produz menos calor e rende
menos.
A quantidade de água a ser empregada é de J /3 do peso da cal virgem.
Deve-se ter alguns cuidados durante a extinção da cal, pois esta reação é altamente exotérmica, o
que acarreta grande elevação de temperatura, sendo a causa de incêndio de vagões, silos e barricas
de madeira, nos quais a cal virgem hidrata-se pelo contato com a água, geralmente na chuva. Em
consequência, deve-se estocar ou transportar a cal virgem de tal forma que não haja perigo de
contato com água de qualquer natureza.
c) Endurecimento
O endurecimento da cal aérea, depois de extinta e misturada com a água, se dá por simples
secagem ao ar livre numa fase inicial e, posteriormente, pela ação do anidrido carbônico (CO2), que
recarbonata a superfície, penetrando lentamente na massa que vai, assim, consolidando.
A cal calcita endurece mais rapidamente que a dolomítica.
d) Resistência mecânica
A cal dolomítica adquire, com o tempo, valores de resistência maiores que os alcançados pela cal
cálcica.
e) Emprego
• em argamassas simples ou mistas para alvenarias e revestimentos que estejam devidamente
protegidos da água (umidade);
• em adição ao concreto a fim de reduzir sua permeabilidade e aumentar sua trabalhabilidade;
• na indústria para fabricação de tijolos refratários, tratamento d’água, adubos, siderurgia
(fundente), indústria de vidro etc.; e
• na execução de revestimento de forros e outras utilizações na forma de gesso no interior das
construções.
3.1.3.2 Cal hidratada
Por causa dos inconvenientes decorrentes da extinção da cal virgem na obra, o emprego da cal
hidratada tornou-se constante, principalmente nos maiores centros consumidores do produto.
Atualmente, no Brasil, o uso de cal virgem restringe-se a regiões onde o produto é calcinado em
pequenos fornos, de características artesanais, como no interior do Nordeste.
O largo emprego da cal hidratada deve-se à sua excelente qualidade. A extinção é feita de forma
mecânica, empregando-se misturadores de pás para facilitar a irradiação do calor, ou para
homogeneizar a pasta, e com adição da água na quantidade estritamente necessária às reações
químicas.
A cal hidratada apresenta, além de outras, a grande vantagem de, quando misturada à água,
constituir pasta de emprego imediato e, também, poder ser acondicionada em sacos de papel. O seu
transporte e armazenamento não ficam expostos às graves consequências do contato com a água,
como no caso da cal virgem. A sua aplicação mais comum é na confecção de argamassas.
3.1.3.3 Cal hidráulica
A cal hidráulica é o aglomerante obtido da calcinação de um minério calcário-argiloso, ou seja, de
matéria-prima que, além de cálcio e de magnésio, contém uma quantidade apreciável de material
argiloso (5% a 20%). O produto goza da propriedade de endurecer sob a água.
A causa imediata do endurecimento da cal hidráulica não é a absorção de CO2 do ar, mas sim a
hidratação dos compostos formados pela cal e os componentes argilosos. Por ocasião da calcinação
do calcário, depois da expulsão do CO2, verificam-se reações entre as fases sólidas, formando-se
silicatos e aluminatos de cálcio, que, ao serem hidratados, produzem a pega e o endurecimento do
aglomerante. O seu endurecimento se dá, portanto, pela ação exclusiva da água e, ao ser imerso nela,
resiste satisfatoriamente.
Os processos, cuidados e meios para a extinção são os mesmos adotados para a extinção da cal
aérea. Seu emprego é em argamassa ou concreto.
3.1.4 Cimento natural
Ao empregar calcários com maiores teores de componentes argilosos na calcinação, a cal
resultante terá maior hidraulicidade e menos quantidade de cal livre (CaO), pois, a partir de certo
teor de componentes argilosos, toda a cal livre é combinada a esses componentes, exceto uma
pequena parte incapaz de provocar a pulverização da massa. Neste caso, não temos mais cal
hidráulica, mas um cimento natural.
a) Definição: o cimento natural é o produto que resulta do cozimento seguido de moagem de
calcários argilosos. Difere da cal hidráulica por não ter cal livre.
b) Tipos:
• cimento natural de pega rápida: o cozimento é efetuado sem que se atinja o início da fusão (cerca
de 1 000°C);
• cimento natural de pega lenta: o cozimento é efetuado até o início da fusão (cerca de 1 450°C).
c) Emprego: pela falta de uniformidade na composição do calcário de origem, a resistência do
cimento natural é cerca de 30% a 50% do cimento Portland, o que restringe seu emprego a obras
de pequena importância.
3.1.4.1 Cimento Portland
O cimento Portland é um dos mais importantes materiais de construção a serviço da engenharia,
com um vastíssimo campo de aplicação, que vem se expandindo com a criação de novas aplicações
como o solo-cimento, a pavimentação de estradas, as habitações pré-fabricadas etc.
Este tipo de cimento, que se apresenta como um pó acinzentado e permite a fabricação do concreto,
é um produto químico composto, em sua maior parte, de silicatos e aluminatos de cálcio. Sua
fabricação é feita de acordo com as especificações da ABNT, e exige vultosos capitais e complexo
know-how, conseguido pouco a pouco, e que hoje alcançou sua fase adulta, graças à conjugação dos
esforços de empresários bem orientados, administradores e técnicos amparados em inúmeras
organizações técnicas, entre as quais se destacam os laboratórios de ensaios e pesquisas
tecnológicas.
Depende, para sua fabricação, dos produtos minerais: calcário, argila e gipso (gesso).
Os materiais crus (argila e calcário), moídos de forma fina e intimamente misturados, são
aquecidos até o princípio da fusão (cerca de 1.400°C), em grandes fornos rotativos que podem ter até
90 m de comprimento por 3,5 m de diâmetro. O material parcialmente fundido que sai desses fornos
é chamado “clínquer”. O clínquer é resfriado e misturado com uma pequena quantidade (2% a 3%)
de gesso bruto ou moído. Essa mistura é, então, reduzida a um pó muito fino em grandes moinhos de
bolas: é o cimento Portland do comércio.
3.1.4.2 Endurecimento
Quando o cimento Portland é misturado com água suficiente para fazer uma pasta, seus
componentes reagem, formando produtos cristalinos e outros de aparência gelatinosa, que aderem aos
grãos de areia, tornando-se muito duros.
Quando a pasta é conservada úmida, as reações podem persistir por anos. Assim, o produto
continua mais resistente, durante um longo período de tempo. O cimento endurece mesmo quando
debaixo de água, uma vez que o fenômeno não depende de ar.
É de fundamental importância, nesse processo, a quantidade de água empregada em relação ao
peso do cimento (fator a/c). Nesta combinação, o cimento, que no caso é o ligante, resultará mais ou
menos diluído, segundo a quantidade de água utilizada. Entretanto, quanto mais diluído pior será a
qualidade da pasta e menor sua resistência.
No entanto, é interessante que todos os grãos de cimento sofram os efeitos da hidratação. Para
obter este resultado, temos de utilizar uma quantidade mínima de água – fator a/c aproximado de 0,24
(24 litros de água para 100 kg de cimento), dependendo da composição química do cimento.
Nessas condições, porém, a pasta não teria trabalhabilidade suficiente para envolver os agregados,
de forma a se obter um bom concreto e, assim, seria preciso acrescentar mais água. No concreto, o
fator a/c é sempre superior a 0,38 e varia segundo as propriedades que se deseja obter. No entanto, o
aumento do fator a/c piora a qualidade da pasta, diminuindo a resistência do concreto. É o conflito
trabalhabilidade × resistência.
A fase em que a pasta de água é misturada com cimento e perde visivelmente a plasticidade e
endurecimento é denominada “pega”. O essencial é que o cimento não inicie a pega nem de forma
muito rápida nem muito demorada. Isso permite um lançamento cuidadoso, atingindo as resistências
necessárias em um tempo mais curto.
3.1.4.3 Hidratação
Os compostos presentes em um grão de cimento reagem ao entrarem em contato com a água e,
assim, formam produtos hidratados, ou seja, compostos anidros mais solúveis se transformam em
compostos hidratados menos solúveis.
Para fim de emprego em concreto normal, considera-se que o cimento tem hidratação suficiente em
pelo menos três semanas.
A hidratação antecipada dos cimentos, ou seja, antes de seu emprego nas pastas, misturas,
argamassas e concretos, é altamente indesejável. Isso pode ocorrer quando o cimento é transportado
e armazenado. Aeração ou hidratação do cimento em sacos é o fenômeno que ocorre pelo contato do
aglomerante com CO2 e umidade, durante o armazenamento. Isso ocasiona uma mudança em suas
propriedades, o que passa a ser objeto de cuidados especiais.
O cimento hidratado é facilmente reconhecível. Ao apalpá-lo entre os dedos, sente-se que não está
finamente pulverizado, e constata-se, também, a presença de torrões e pedras, que caracterizam fases
mais adiantadas de hidratação.
3.1.4.4 Massa específica
A massa específica absoluta ou real do cimento varia de 3,0 a 3,2 kg/dm3. Já a massa específica
aparente depende do grau de adensamento do cimento e, portanto, é bastante variável:
• para cimento solto não adensado: 1,22 kg/dm3;
• para cimento solto em sacos de 50 kg: 1,42 kg/dm3.
3.1.4.5 Resistência mecânica
A necessidade de qualificar o cimento quanto a sua resistência pode ser vista sob duas finalidades:
uma para conhecer a sua resistência mecânica, tendo em vista sua utilização, como pasta, argamassa
ou concreto, e outra para comprovar a classe de cimento.
Os cimentos Portland dos diversos tipos são em geral divididos em três classes: 25, 32 e 40, em
que esses números significam a resistência mínima em MPa que o cimento deverá apresentar em
ensaio de compressão com 28 dias de cura (ensaio com argamassa normal).
A princípio, as indicações de emprego desses cimentos são:
• Classe 25: servem para qualquer construção, em que não se tenha urgência de retirada das fôrmas
(vigas, pórticos e estruturas congêneres) antes de 28 dias. Servem para conjuntos residenciais (casas
populares) e podem ser usados para obras de grande massa de concreto, como barragens de usinas
hidrelétricas, em face do seu menor calor de hidratação.
• Classe 32: permitem que as fôrmas sejam retiradas entre 15 e 20 dias. Estas são usadas para
obras de maior responsabilidade: pré-moldadas, produtos de fibrocimento, pistas rodoviárias,
bloquetes de pavimentação, dormentes de concreto e em concreto protendido. Essa classe apresenta
maior rendimento por metro cúbico de concreto.
• Classe 40: indicados para estruturas (concreto armado e protendido) de grande solicitação e em
obras especializadas: edifícios de grande altura, viadutos de grande porte, pistas e pátios de
aeroportos, uso com formas deslizantes, entre outros.
3.1.4.6 Tipos
No mercado brasileiro existem cinco tipos de cimento Portland que diferem entre si em função de
sua composição e de suas características químicas, físicas e mecânicas. São os produtos
identificados como CP I, CP II, CP III, CP IV, CP V.
O cimento CP I é o Portland comum e é especificado pela NBR5732. O CP I-S é regido pela
norma e trata-se do cimento Portland comum com adições. Tais adições, com teor total não superior
a 5% em massa, podem ser de escória granulada de alto-forno, material pozolânico ou material
carbonático.
A adição de material carbonático leva às seguintes propriedades:
• pequeno aumento na perda ao fogo (PF);
• benefício na trabalhabilidade das pastas, argamassas e concretos; e
• provável aumento da aderência.
A adição de hidraulites, como as pozolanas e escórias, traz consequências benéficas ao cimento no
que se refere à menor permeabilidade e maior resistência a agentes agressivos.
O cimento CP II é especificado pela NBR 11578 (“Cimento Portland composto – Especificação”).
Este cimento se subdivide em três tipos: CP II-E, com adição de escória granulada de alto-forno; CP
II-Z, com adição de material pozolânico; e CP II-F, com adição de material carbonático. Difere-se do
CP I pela adição em porcentagens acima de 5% em massa dos aditivos com a finalidade de melhorar
as propriedades citadas anteriormente.
O cimento CP III, cimento Portland de alto-forno, é regido pela NBR 5735 (“Cimento Portland de
alto-forno – Especificação”). Sua composição inclui a adição de escória granulada de alto-forno em
teores maiores que no caso dos cimentos CP I-S e CP II-E.
O cimento CP IV, Portland pozolânico, é especificado pela NBR 5736. Sua composição permite a
adição de material pozolânico, o que gera um produto com características semelhantes ao CP III.
Por sua vez, o cimento CP V é regido pela NBR 5733 (“Cimento Portland de alta resistência
inicial”). Sua composição permite a adição de até 5% de material carbonático. É o tipo de cimento
que apresenta resistência inicial de 1 dia a 7 dias, enquanto os cimentos Portland comuns só terão de
3 a 28 dias. Portanto, é usado quando a velocidade da construção tem importância fundamental.
Os cimentos CP I, CP II e CP III possuem três classes segundo a resistência obtida aos 28 dias de
idade: classes 25, 32 e 40.
As seguintes tabelas trazem as principais características desses cimentos.
Composição – Componentes (% em Massa)
Sigla Clínquer + sulfato de Escória granulada de Material Material
cálcio alto-forno pozolânico carbonático
CP I 100 0 0 0
CP I-S 99–95 1–5 1–5 1–5
CP I -E 94–56 6–34 0 0–10
CP II-Z 94–76 0 6–14 0–10
CP II-F 94–90 0 0 6–10
CP III 65–25 35–70 0 0–5
CP IV 85–45 0 15–50 0–5
CP V-
100–95 0 0 0–5
ARI

Exigências Mecânicas
Sigla Classe Resistência à compressão em MPa
3 dias 7 dias 28 dias
25 ≥ 8,0 ≥ 15,0 ≥ 25
CP I 32 ≥ 10,0 ≥ 20,0 ≥ 32
40 ≥ 15,0 ≥ 25,0 ≥ 40
25 ≥ 8,0 ≥ 15,0 ≥ 25
CP II 32 ≥ 10,0 ≥ 20,0 ≥ 32
40 ≥ 15,0 ≥ 25,0 ≥ 40
25 ≥ 8,0 ≥ 15,0 ≥ 25
CP III 32 ≥ 10,0 ≥ 20,0 ≥ 32
40 ≥ 15,0 ≥ 25,0 ≥ 40
25 ≥ 8,0 ≥ 15,0 ≥ 25
CP IV
32 ≥ 10,0 ≥ 20,0 ≥ 32
CP V-ARI ≥ 24,0 ≥ 34,0 –
Obs.: O cimento CP V-ARI deve atingir uma resistência à compressão a 1 dia de idade ≥
14,0 MPa.
3.1.4.7 Armazenamento do cimento ensacado
O cimento, ao sair da fábrica condicionado em sacos de várias folhas de papel impermeável,
apresenta-se finamente pulverizado e praticamente seco, assim devendo ser conservado até o
momento de sua utilização. Quando o intervalo de tempo decorrido entre a fabricação e a utilização
não é demasiado grande, a proteção oferecida pelo invólucro original é, em geral, suficiente.
Quando, ao contrário, é longo o período de armazenamento. Com isso, precauções suplementares
devem ser tomadas para que a integridade das características iniciais do aglomerante seja
preservada.
A principal causa da deterioração do cimento é a umidade que, por ser absorvida, hidrata-o pouco
a pouco, fazendo com que sua atividade seja sensivelmente reduzida.
Para armazenar o cimento é preciso, em primeiro lugar, preservá-lo, evitando tanto quanto possível
ambientes úmidos.
Mesmo quando preservado de ambientes úmidos, o cimento ainda é passível de hidratação se for
guardado por longo tempo em pilhas de altura excessiva. É que ele nunca se apresenta completamente
seco e a pressão elevada a que ficam sujeitos os sacos das camadas inferiores reduz os vazios,
forçando um contato mais intenso entre as partículas do aglomerante e a umidade existente.
Para evitar a deterioração acelerada do cimento, quando há necessidade de armazená-lo por longo
tempo, é aconselhável a construção de galpão coberto, bem arejado, onde o cimento deverá ser
colocado sobre estrados de madeira, agastados 30 cm do piso das paredes, em pilhas de 10 sacos
normalmente e, excepcionalmente, de 15 sacos conforme sugerido no projeto adiante apresentado.
Elementos para projeto de um depósito de sacos de cimento:
a) os sacos de cimento de 50 kg, em uso no Brasil, têm aproximadamente 66 cm × 42 cm de base e
16 cm de espessura;
b) as pilhas devem conter, normalmente, 10 sacos de altura. Excepcionalmente, esse limite poderá
ser elevado em até 15 sacos;
c) o empilhamento de encontro às paredes deve ser evitado. Aconselha-se guardar um espaço de 30
cm, no mínimo, entre as paredes e as pilhas;
d) os sacos devem ser colocados sobre estrados de madeira construídos à altura de 30 cm acima do
piso.
O aglomerante é o responsável pela ligação dos elementos que constituem concretos e argamassas.
Em geral, são quimicamente ativos e na execução de uma obra devem ser cercados de cuidados
especiais quanto ao armazenamento e prazos de validade fornecidos pelo fabricante. Sua aplicação
deve seguir a boa técnica para possibilitar que as reações necessárias sejam realizadas e o produto
final atinja as especificações finais.
Além dos aglomerantes aqui citados, existe uma infinidade de outros tipos de menor aplicação ou
aplicações mais específicas.
Um importante aglomerante ainda não citado são os materiais betuminosos que serão estudados
juntamente com sua maior aplicação: a pavimentação de estradas de rodagem.

3.2 Materiais betuminosos


Os materiais betuminosos têm grande aplicabilidade na engenharia, com o uso em pavimentação
rodoviária, pintura industrial para proteção, isolamento elétrico e impermeabilização. Alguns dos
exemplos destes materiais são os asfaltos, os alcatrões, os óleos graxos, entre outros; todos
compostos basicamente de betume.
Entende-se por betume um aglomerante orgânico, de consistência sólida, líquida ou gasosa, obtido
por processo industrial (resíduo da destilação do petróleo) ou na própria natureza, completamente
solúvel em bissulfeto de carbono (CS2), e apresentando polímeros de variada composição química
(CH4 – gás metano – combustível para aquecimento; C8H8 – líquido octana – gasolina – combustível
para motores; C100 – sólido – asfaltos para pavimentação e impermeabilização).
As características básicas mais importantes acerca dos betumes são:
a) ao contrário dos aglomerantes minerais da construção civil (cimento Portland, gesso, cal), são
adesivos que dispensam o uso da água;
b) são materiais termoplásticos, isto é, amolecem quando aquecidos, sendo, então, moldados e
resfriados sem perda das propriedades, podendo passar novamente pelo mesmo processo. Além
disso, não possuem ponto de fusão (temperatura de perda da estrutura cristalina) definido, por isso,
amolecem em temperaturas variadas. No caso dos materiais termofixos, ao contrário, a moldagem
ocorre por reação química irreversível, tornando-o duro e quebradiço, não permitindo ser
novamente moldado;
c) repelem a água, ou seja, são materiais hidrófugos;
d) são inócuos, isto é, não reagem quimicamente com cargas ou agregados minerais eventualmente
adicionados para efeito de enchimento;
e) por serem inócuos e termoplásticos podem ser reciclados, o que lhes proporciona um grande
número de reutilizações; e
f) apresentam ductilidade muito influenciada pela exposição ao calor e a luz solar.
3.2.1 Classificação dos materiais betuminosos
Os materiais betuminosos podem ser classificados em dois grandes grupos: os asfaltos ou
cimentos asfálticos, e os alcatrões, de acordo com a sua forma de obtenção.
Acerca dos asfaltos, ou cimentos asfálticos, de acordo com a NBR 7208, entende-se asfalto como
o material sólido ou semissólido, de cor preta ou pardo-es​cura, que ocorre na natureza ou é obtido
pela destilação do petróleo, cujo constituinte predominante é o betume. Assim, os asfaltos são
misturas de betumes com solos de diferentes origens (argilas, siltes, areias, impurezas orgânicas
etc.).
Caso o asfalto seja encontrado naturalmente no solo, é classificado como nativo (Cimento
Asfáltico Natural – CAN), e, caso obtido pela destilação do petróleo, é classificado como asfalto de
petróleo ou pirogenado (Cimento Asfáltico de Petróleo – CAP).
Os CAP utilizados atualmente em impermeabilização apresentam dureza de 85-100, 50-60 e 30-40,
todos com ponto de amolecimento na faixa de 40 oC a 50 oC.
Os CAP podem ainda sofrer um tratamento durante a fabricação, por meio da passagem de corrente
de ar através de uma massa de asfalto destilado, de modo a torná-los mais sólidos e duros, menos
sensíveis às variações de temperatura e às intempéries, porém com menor poder de adesividade e
menos aglutinantes. São os chamados “asfaltos oxidados”, mais indicados à impermeabilização que
os CAP comuns e classificados em quatro tipos, conforme normalização brasileira específica (NBR
9910). A sua aplicação ocorre com o aquecimento à temperatura da ordem de 200ºC.
Por se apresentarem sólidos ou praticamente sólidos à temperatura ambiente normal, os asfaltos
puros são de difícil aplicabilidade. Neste sentido, são normalmente dissolvidos para se tornarem
líquidos nas temperaturas normais, formando os asfaltos diluídos (ou solução asfáltica), nos quais
são utilizados solventes orgânicos ou as emulsões asfálticas (ou hidrasfalto), onde o asfalto é
dissolvido em água. As emulsões para impermeabilização são classificadas quanto ao teor de inerte
presente.
Os alcatrões são materiais resultantes da destilação de materiais orgânicos (hulha, turfa, madeira)
normalmente utilizados para a fabricação de mastiques ou material para enchimento de juntas,
especialmente por causa do seu bom desempenho quanto à ação de agentes agressivos. Em
comparação com os asfaltos, os alcatrões destilados apresentam maior sensibilidade à temperatura
(mais moles quando aquecidos e mais duros quando resfriados), menor resistência às intempéries e
maior poder aglomerante.
O asfalto de pavimentação é à prova de água e não é afetado pela maioria dos ácidos, álcalis e
sais, e é dito material termoplástico, porque amolece ao ser aquecido e endurece ao ser resfriado. Já
os pavimentos de asfalto são chamados de flexíveis, por serem materiais viscosos e termoplásticos.
As funções mais importantes do asfalto na pavimentação são:
• aglutinadora: consiste em proporcionar uma íntima ligação entre agregados, capaz de resistir às
forças mecânicas de desagregação produzidas pelo tráfego;
• impermeabilizante: garantir ao pavimento vedação eficaz contra penetração da água superficial.
No Brasil, são produzidos os CAP 7, CAP 20 e CAP 40.
A norma técnica IBP/ABNT – EB – 78 fixa as características exigíveis ao CAP para fins de
produção e utilização.
O CAP é um material termoplástico e ideal para a pavimentação. Em suas aplicações, devem estar
livres de água e homogêneos em suas características. São aplicados em misturas a quente, tais como
pré-misturados, areia-asfalto e concreto asfáltico. Recomenda-se o uso de CAP 20 e 40, com teor de
asfalto de acordo com o projeto.
Já o CAP 7 é utilizado para tratamentos superficiais, sendo que para ele existem algumas restrições
de aplicação:
• não pode ser aquecido acima de 177ºC, sendo a temperatura ideal obtida pela relação entre
temperatura e viscosidade, visando assim o possível craqueamento térmico do ligante;
• não é aplicado em dias de chuva, em temperatura inferior a 10ºC e em superfícies molhadas; e
• quando à temperatura de 177ºC possuir viscosidade superior a 60 SSF não deve ser usado para
evitar problemas de superaquecimento.
Os Asfaltos Diluídos de Petróleo – ADP resultam da diluição do cimento por destilados leves de
petróleo. Estes diluentes proporcionam produtos menos viscosos que podem ser aplicados a
temperaturas mais baixas, sendo que estes se evaporam após a aplicação.
Os asfaltos diluídos classificam-se em três categorias, mas no Brasil somente duas são
especificadas e produzidas: CR–AD, de cura rápida e CM–AD, de cura média.
Para obtenção do CR, usa-se como diluente uma nafta na faixa de destilação da gasolina, enquanto
para os CM, usa-se querosene.
Cada uma dessas duas categorias apresenta tipos diferentes de viscosidades, determinadas em
função da quantidade de diluente. Assim os CR são consti​tuídos dos seguintes tipos: CR-70, CR-250,
CR-800 e CR-3000. Analogamente, os CM apresentam os seguintes tipos: CM-30, CM-70, CM-250,
CM-800 e CM-3000.
Em serviços de imprimação, recomenda-se o uso dos asfaltos diluídos CM-30 e CM-70. Para
superfícies com textura fechada, o tipo CM-30 e, para superfícies com textura aberta, o tipo CM-70.
A taxa de aplicação varia de 0,8 a 1,6/m2, devendo ser determinada experimentalmente mediante
absorção pela base em 24 horas. O tempo de cura é, geralmente, de 48 horas, dependendo das
condições climáticas locais (temperatura, ventos etc.).
Em situações especiais, os asfaltos diluídos podem ser, ainda, utilizados em pintura de ligação,
tratamentos superficiais e misturas a frio.
As emulsões asfálticas catiônicas são um sistema constituído pela dispersão de uma fase asfáltica
em uma fase aquosa (direta), ou de uma fase aquosa em uma fase asfáltica (inversa), as emulsões
asfálticas normalmente usadas em pavimentação são as catiônicas diretas e prestam-se à execução de
diversos tipos de serviços asfálticos de forma adequada, tanto técnica como econômica.
Estas são classificadas de acordo com a sua ruptura, viscosidade Saybolt Furol, teor de solvente,
desemulsibilidade, resíduo de destilação e quanto à utilização:
• RR-1C: emulsão asfáltica de ruptura rápida, que se caracteriza pelo teor de resíduo asfáltico no
mínimo de 62% e viscosidade Saybolt Furol a 50ºC entre 20 e 90s (baixa viscosidade), e
desemulsividade superior a 50%. É utilizada quando se necessita de um produto mais fluido.
• RR-2C: emulsão asfáltica de ruptura rápida, com teor de resíduo asfáltico de no mínimo 67% e
viscosidade Saybolt Furol a 50ºC entre 100 e 400s (baixa viscosidade) e desemulsividade superior
a 50%. É utilizada quando se deseja um produto mais viscoso e com maior teor de resíduo asfáltico.
Estas emulsões são empregadas em vários tipos de serviços, principalmente nos de penetração.
• RM-2C: emulsão asfáltica de ruptura média, que se caracteriza pela viscosidade Saybolt Furol de
50ºC entre 20 e 200s (baixa viscosidade), teor residual de asfalto de no mínimo 62%, e
desemulsibilidade de no máximo 50%.
• RM-1C: emulsão asfáltica de ruptura média, que se caracteriza pela viscosidade Saybolt Furol
de 50ºC entre 100 e 400s (baixa viscosidade), teor residual de asfalto de no mínimo 65%,
desemulsibilidade de no máximo 50% e teor máximo de solvente destilado entre 3% e 12%.
As RM-1C e RM-2C são empregadas em vários tipos de serviços de pavimentação, principalmente
nos de pré-misturados abertos a frio. Embora não sejam os produtos mais recomendáveis
economicamente, podem ser utilizados também para pintura de ligação sem qualquer problema.
• RL-1C: emulsão asfáltica catiônica lenta, que se caracteriza por apresentar viscosidade de
Saybolt Furol máxima de 70s a 50ºC. Não apresenta solvente em sua constituição e tem teor asfáltico
residual mínimo de 60%. Não se faz o ensaio de desmulsibilidade para caracterizá-la, e sim o teste
de mistura com cimento ou com filer silícico, dependendo do agregado mineral que for usado. É
empregado em vários tipos de serviços asfálticos, principalmente nos pré-misturados a frio densos,
lama asfáltica e solo-betume.
3.2.2 Propriedades dos materiais betuminosos
Para um adequado conhecimento do comportamento dos materiais betuminosos, é fundamental o
entendimento das propriedades básicas que norteiam esses materiais, cujos métodos de avaliação são
determinados pela normalização brasileira.
3.2.2.1 Dureza
Está relacionada com a capacidade de deformação do material, representada (NBR 6576) pelo
índice de penetração (em décimos de mm ou cm) de uma agulha padrão de diâmetro de 1 mm a 1,2
mm, aplicada durante 5 segundos sobre uma amostra padronizada a 25ºC. Um material muito duro
pode trincar sob baixas temperaturas, em razão da sua provável pouca ductilidade e, caso apresente
baixa dureza, poderá escorrer em altas temperaturas.
3.2.2.2 Ponto de amolecimento
Diz respeito à temperatura de referência para a aplicação do material, a partir da qual o material
se torna mole. Em geral, quanto mais alto o ponto de amolecimento, melhores as condições de uso do
material, uma vez que não amolecerá em dias quentes, sendo necessário, no entanto, maior calor para
os trabalhos de aplicação (maior risco de explosão).
Está diretamente relacionado com a dureza. A determinação (NBR 6560) é realizada a partir da
fundição e moldagem do material em anel vazado padronizado, sobre o qual é assentada uma bola de
aço também padronizada, sendo o conjunto aquecido de modo que a bola desça de nível
gradativamente até que, a uma dada temperatura (ponto de amolecimento), atinja uma placa de
referência.
3.2.2.3 Viscosidade
Trata-se da resistência oposta por um fluido à deformação sob a ação de uma força. O ensaio
brasileiro normalizado (NBR 5847) é o de viscosidade absoluta, com base no tempo de escoamento
do material em vasos especiais calibrados com óleos de referência a uma dada temperatura.
3.2.2.4 Ductilidade
É a capacidade de o material se deformar sem romper ou apresentar fissuras. É de fundamental
importância para a escolha do material a ser utilizado na impermeabilização, uma vez que avalia a
plasticidade do material, necessária quando a base está sujeita a dilatações volumétricas
diferenciadas (concreto, madeira, metal). A avaliação é realizada (NBR 6293) por meio da medida
da extensão da amostra padrão (em formato de “gravata-borboleta” sob tração controlada).​
3.2.2.5 Massa específica
Refere-se à densidade do material de grande importância para avaliação da uniformidade e do teor
de impurezas, podendo ser determinada a partir do processo de balanças hidrostáticas.
3.2.2.6 Ponto de fulgor
Representa a temperatura na qual os gases desprendidos do material se inflamam (rápida
explosão), mesmo que temporariamente, acima da qual se encontra o ponto de combustão (ou ponto
de incêndio, em cuja temperatura a amostra continua a queimar por, no mínimo, 5 segundos). Os
gases estão relacionados com a segurança do aplicador, de modo que a temperatura de aplicação
deve se situar, pelo menos, a 20ºC abaixo do ponto de fulgor. A determinação (NBR 13341) é
efetuada pelo método de Cleveland, no qual ocorre uma passagem de chama sobre amostra padrão
até a ocorrência de lampejos inflamados.
3.2.2.7 Betume total
Muito utilizada para betuminosos utilizados em pavimentação, em que se avalia a solubilidade do
material em bissulfeto ou tetracloreto de carbono.

3.3 Propriedades físicas e mecânicas dos materiais de


construção
3.3.1 Massa específica real
Dá-se o nome de massa específica real de um material à massa da unidade de volume deste
material, sem contar os vazios, isto é, da unidade de volume deste material compactado.
3.3.2 Massa unitária
É a massa da unidade de volume do material, considerando os vazios, isto é, no estado natural. É
de grande importância no cálculo das construções para determinar o peso próprio da edificação, e
também o peso para o transporte dos materiais.
3.3.3 Compacidade
É a relação entre o volume compactado (sem vazios) e o volume total (natural), dado em
porcentagem.
3.3.4 Porosidade
É a relação do volume de vazios para o volume total × 100. Os materiais finamente porosos têm
poros com 1 a 10 micromilímetros de diâmetros e os que têm grandes poros variam de décimos de
mm até 2 mm.
Há várias propriedades dos materiais que são influenciadas pela compacidade e pela porosidade.
Dentre elas temos a resistência mecânica, absorção da água, permeabilidade, condutibilidade
térmica, resistência ao congelamento e aos ácidos etc.
Para uma construção impermeável, o material deve ser o mais compactado possível. Já para uma
construção isolante térmica, deve ser usado material finamente poroso e um mau condutor de calor.
3.3.5 Absorção
A absorção é a propriedade dos materiais de absorver e reter a água. Sua determinação é feita pela
diferença das massas de uma amostra de material seco e da mesma amostra saturada.
3.3.6 Permeabilidade
É a propriedade que o material tem de permitir a passagem de gases ou líquidos, em particular a
água.
3.3.7 Resistência ao congelamento
É a capacidade de os materiais não se deteriorarem quando sob a ação do congelamento e degelo
sucessivos. É mais importante em países em que a temperatura é muito baixa no inverno.
3.3.8 Resistência ao fogo
É a propriedade segundo a qual o material não é destruído pelo fogo (e pela água em casos de
incêndios).
3.3.9 Resistência ao calor
É o poder refratário do material, isto é, a capacidade de resistir à ação prolongada de altas
temperaturas, sem se deformar.
3.3.10 Resistência à corrosão
É a propriedade segundo a qual o material resiste à ação de ácidos, bases, gases ou sais. A maior
parte dos materiais de construção não resiste à ação de ácidos e bases. Os ácidos atacam a madeira,
o calcário, a dolomita, o cimento etc.
São resistentes aos ácidos: materiais cerâmicos compactos e certas pedras naturais, como basalto.
3.3.11 Resistência ao choque
É a resistência que o material oferece ao rompimento por choque.
3.3.12 Resistência mecânica
É a propriedade que o material tem de não ser destruído sob a ação das cargas. É a propriedade
mais importante, estudada na resistência dos materiais.
As cargas, agindo sobre o material, podem causar esforços de tração, compressão, flexão,
cisalhamento e choque.
Os pedregulhos, concretos e britas resistem bem à compressão, mas muito pouco à tração e ao
cisalhamento.
As propriedades iniciais dos materiais são modificadas à medida que eles envelhecem.
Normalmente, a resistência diminui.
3.3.13 Dureza
É a propriedade segundo a qual o material resiste à penetração de um corpo estranho mais duro.
Há materiais que possuem cargas de ruptura bem diferentes e durezas semelhantes.
3.3.14 Resistência à abrasão
É a propriedade de o material resistir, sem perda de massa e volume (desgaste), quando submetido
a cargas abrasivas (ásperas).
3.3.15 Elasticidade
É a propriedade que o material tem de retornar à sua forma inicial após a retirada do
carregamento. Chama-se limite de elasticidade a tensão acima da qual o material não retorna à forma
inicial.
3.3.16 Plasticidade e fragilidade
Plasticidade é a propriedade segundo a qual o material sofre uma mudança de forma sob a ação de
forças externas e a conserva mesmo após a retirada do carregamento, sem o aparecimento de
fissuras.
Já a fragilidade (inverso da plasticidade) é a propriedade segundo a qual o material se rompe sem
ter sofrido deformações.
Fatores que influem na fragilidade e na plasticidade dos materiais: umidade, temperatura,
velocidade de aumento da carga etc. Ex.: a argila é frágil quando seca e plástica quando úmida.

3.4 Ensaios e normas técnicas


3.4.1 Ensaios dos materiais
A fim de testar a qualidade dos materiais de construção, realizam-se ensaios para saber o
comportamento de cada tipo de material, na obra, durante a construção e depois de pronta
(durabilidade). De modo geral, os ensaios de materiais dividem-se em:
a) ensaios de controle de produção: são realizados nas fábricas, pelos laboratórios que asseguram a
fabricação dos materiais dentro das especificações exigidas;
b) ensaios de recebimento: verificam se o produto tem as qualidades necessárias para o fim a que se
destina;
c) ensaios de identificação: analisam por meio do maior número possível de constantes se o produto
apresentado é o que se tem em vista.
3.4.2 Normatização e classificação
Normatizar é estabelecer códigos técnicos a fim de permitir um melhor entendimento entre
produtores e clientes, construtores e proprietários, vendedores e compradores etc.
Há um tipo de norma para cada atividade:
• normas para cálculo e execução de serviços de engenharia;
• especificações dos materiais;
• métodos de ensaio;
– Padronização de dimensões e formas;
– Terminologias técnicas (definições dos termos técnicos);
– Simbologia técnica;
– Classificações de materiais ou produtos.
3.4.3 Termos técnicos
3.4.3.1 Especificação
É a fixação das condições a que o material deve satisfazer. Condições essas que devem ser
expressas, sempre que possível, em valores numéricos.
3.4.3.2 Ensaio
É a maneira de se experimentar um material para que se possam comparar os resultados dos
ensaios; deve ser fixado um método.
3.4.3.3 Norma
É o conjunto de condições exigidas para a execução de obras.
3.4.3.4 Terminologia
É o conjunto de termos usados para uma técnica.
3.4.3.5 Padronização
É a uniformização de tipos e dimensões para, principalmente, facilitar a fabricação em série.
3.4.3.6 Simbologia
É o conjunto de símbolos e a representação gráfica dentro de uma técnica.
3.4.3.7 Classificação
É a norma que classifica produtos ou materiais de acordo com propriedades características.
Em um laboratório, geralmente os ensaios se classificam em:
Geral Especiais
a) Físicos a) Metalográficos
• Massa específica • Macrográfico
• Porosidade • Micrográfico
• Permeabilidade
• Aderência
• Dilatação térmica
• Condutibilidade térmica e
acústica
b) Mecânicos b) Tecnológicos
• Tração • Dobramento
• Compressão • Maleabilidade
• Flexão • Soldabilidade
• Torção • Fusibilidade
• Cisalhamento
• Desgastes

3.4.4 Principais normas técnicas relativas a ensaios


• NBR 7211 –Agregados para concreto – Especificação (Errata 29-7-2005).
• NBR 7251 – Determinação da massa unitária.
• NBR-9776, CB-18, 1986, MB-2643. Agregados – Determinação da massa específica de
agregados miúdos por meio do frasco Chapman.
• NBR-06467, CB-18, 1987, MB-00215. Agregados – Determinação do inchamento de agregado
miúdo.
• NBR-11579, CB-18, 1991, MB-03432. Cimento Portland – Determinação da finura por meio da
peneira número 200.
• NBR-09289, CB-18, 1985, MB-00170. Cal hidratada para argamassas – Determinação da finura.
• NBR-11580, CB-18, 1991, MB-03433. Cimento Portland – Determinação da água na pasta de
consistência normal.
• NBR-11581, CB-18, 1991, MB-03434. Cimento Portland – Determinação dos tempos de pega.
• NBR-7215, CB-18, 1991, MB-1. Cimento Portland – Determinação da resistência à
compressão.
• NBR 9778 – Argamassa e concreto endurecidos – Determinação da absorção de água, índice de
vazios e massa específica.
• NBR 9779 – Argamassa e concreto endurecidos – Determinação da absorção de água por
capilaridade.
• NBR 10908 – Aditivos para argamassa e concretos – Ensaios de uniformidade.
• NBR 11801 – Argamassa de alta resistência mecânica para pisos.
• NBR 5738 – Concreto – Procedimento para moldagem e cura de corpos de prova.
• NBR 5739 – Concreto – Ensaio de compressão de corpos de prova cilíndricos.
• NBR 7584 – Concreto endurecido – Avaliação da dureza superficial pelo esclerômetro de
reflexão.
• NBR 7680 – Extração, preparo, ensaio e análise de testemunhos de estruturas de concreto.
• NBR 8224 – Concreto endurecido – Determinação da fluência.
• NBR 9607 – Prova de carga em estruturas de concreto armado e protendido.
• NBR 9935– Agregados – Terminologia.
• NBR 10342– Concreto – Perda de abatimento.
• NBR 10786– Concreto endurecido – Determinação do coeficiente de permeabilidade à água.
• NBR 11768– Aditivos para concreto de cimento Portland.
• NBR 12654– Controle tecnológico de materiais componentes do concreto.

3.5 Questões resolvidas de concursos


1) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2002) As madeiras constituem materiais de
construção extremamente importantes. Julgue os itens a seguir, relacionados à utilização
de madeiras em construção civil.
(A) O bolor, as fendas e a arqueadura são considerados defeitos da madeira.
(B) A madeira para uso em construção deve possuir umidade elevada.
(C) O pinho-do-paraná é um tipo de madeira comumente utilizado em formas para
concreto.
(D) Toras de eucalipto ou aroeira não podem ser utilizadas como estacas de madeira
devido aos seus baixos valores de resistência mecânica.
(E) Os aglomerados não podem ser utilizados como isolantes acústicos.
Gabarito comentado
(A) Correto. O bolor, as fendas e a arqueadura são considerados defeitos da madeira.
Os principais defeitos das madeiras podem ser classificados em:
1. Defeitos de crescimento:
• nós: são seções de massa lenhosa que constituem a porção da base de um ramo
inserido no tronco de uma árvore; podem ser firmes ou soltos;
• desvios de veio e fibras torcidas.
2. Defeitos de secagem:
• rachaduras: abertura de grandes dimensões;
• fendas: aberturas de pequenas dimensões;
• abaulamento, arqueamento e/ou empenamento;
3. Defeitos de produção:
• defeitos de desdobro como fraturas, fendas e machucaduras no abate;
• defeitos de serragem como cantos quebrados, fibras cortadas.
4. Defeitos de alteração:
• apodrecimento, bolor, furos de insetos etc.
(B) Errado. A madeira para uso em construção não deve possuir umidade elevada.
As madeiras utilizadas na construção devem ter grau de umidade compatível com o
ambiente de emprego (equilíbrio higroscópico).
Há várias vantagens de se construir com madeiras “secas”, dentre elas:
• diminuição do peso do material;
• menor variação das dimensões no tempo (menor retração);
• aumento da resistência com a eliminação da água de impregnação;
• maior resistência aos agentes de deterioração;
(C) Correto. O pinho-do-paraná é um tipo de madeira comumente utilizado em formas para
concreto.
Classificação das madeiras:
1. Madeiras duras ou de lei: empregadas na construção com função estrutural, com
grande porcentagem de cerne, entre elas: jacarandá, perobas, ipê, sucupira, canela,
imbuia, amoreira, cedro, candeia, braúna e eucalipto. Para uso em construção deve
predominar o cerne em relação ao alburne.
2. Madeiras moles ou brancas: utilizadas em construções temporárias ou protegidas,
como exemplo o pinho-do-paraná.
(D) Errado. Toras de eucalipto podem ser utilizadas como estacas de madeira por causa
dos seus altos valores de resistência mecânica.
(E) Errado. Os aglomerados podem ser utilizados como isolantes acústicos.
2) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2002) A seleção e o controle tecnológico
apropriado de materiais de construção e a execução cuidadosa da obra garantem o bom
desempenho da construção ao longo da sua vida útil. Com relação à execução de obras
civis e a materiais de construção, julgue os itens subsequentes.
(A) O filler é um agregado graúdo utilizado na preparação de concretos, cujos grãos ficam
retidos na peneira n. 200.
(B) O processo de inchamento de areias é maior para areias mais finas, com maior área
específica.
(C) O traço indicado para a confecção de argamassa para assentamento de tijolos é
1:4:3,5.
(D) Para a execução de chapisco, é necessário o preparo de argamassa composta por
cimento e areia fina, com consistência plástica.
(E) Os cimbramentos constituem a parte estrutural de suporte das formas, em que
escoras de madeira ou metálicas transmitem a carga para apoios disponíveis em nível
inferior.
Gabarito comentado
(A) Errado. O filler é classificado como agregado miúdo e passa pela peneira n. 200.
Quanto à dimensão de suas partículas, a Norma Brasileira define agregado da seguinte
forma:
• agregado miúdo: areia de origem natural ou resultante do britamento de rochas
estáveis, ou a mistura de ambas, cujos grãos passam pela peneira ABNT de 4,8 mm –
peneira n. 4 (peneira de malha quadrada com abertura nominal de “x” mm, neste caso 4,8
mm) e ficam retidos na peneira ABNT 0,075 mm (peneira n. 200).
• agregado graúdo: é o pedregulho natural, ou a pedra britada proveniente do britamento
de rochas estáveis, ou a mistura de ambos, cujos grãos passam pela peneira ABNT 152
mm e ficam retidos na peneira ABNT 4,8 mm (peneira n. 4).
(B) Correto. O processo de inchamento de areias é maior para areias mais finas, com
maior área específica.
O ensaio do inchamento consiste em adicionar água a uma amostra, e depois verificar o
seu volume. Após essas operações, será encontrado um Coeficiente Médio de Inchamento
– CMI junto a uma umidade crítica. Todo o ensaio é orientado pela norma NBR 6467 –
Determinação do inchamento de agregados miúdos. A areia é um agregado miúdo, pois
possui diâmetro médio com característica (DMC) ≤ 4,8mm.
(C) Errado.
A recomendação técnica mais difundida para a preparação de argamassas de
assentamento prevê a proporção 1:3 em volume (aglomerante e agregado,
respectivamente), sendo muito usual o traço 1:2:9 (cimento, cal hidratada e areia).
Algumas construtoras brasileiras têm adotado proporções de 1:4 (1:2:12), e às vezes até
1:4,5, com resultados relativamente satisfatórios em alvenarias de vedação.
(D) Errado. Utiliza-se cimento, cal e areia.
O revestimento de paredes com emprego de argamassa ajuda na proteção,
estanqueidade e conforto térmico da edificação, além de servir como base para os mais
variados tipos de acabamento. Os revestimentos mais comumente empregados são:
• Chapisco: camada de preparo da base, aplicada de forma contínua ou descontínua,
com finalidade de uniformizar a superfície quanto à absorção e melhorar a aderência do
revestimento.
• Emboço: camada de revestimento executada para cobrir e regularizar a base,
propiciando uma superfície que permita receber outra camada, de reboco ou de
revestimento decorativo (por exemplo, cerâmica).
• Reboco: camada de revestimento utilizada para cobrimento do emboço, propiciando
uma superfície que permita receber o revestimento decorativo (por exemplo, pintura) ou
que se constitua no acabamento final.
• Camada única: revestimento de um único tipo de argamassa aplicado à base, sobre o
qual é aplicada uma camada decorativa, como, por exemplo, a pintura; também chamado
popularmente de “massa única” ou “reboco paulista” é atualmente a alternativa mais
empregada no Brasil.
QUADRO COM TIPOS DE ARGAMASSA, COM TRAÇO EM VOLUME,PARA REVESTIMENTO E
ASSENTAMENTO EM ALVENARIA
Traço em volume
Tipo de argamassa Referências
cimento cal areia
NBR 7200
Revestimento de paredes interno e de
1 2 9 a 11 (ABNT,
fachada
1982)*
Alvenaria em contato 0-
1
com o solo 1/4
Alv. sujeita a esforços de
Assentamento 1 1/2
flexão 2,25 a 3 × (volumes de
de alvenaria ASTM C 270
Uso geral, sem contato cimento + cal
estrutural 1 1
com solo
Uso restrito,
1 2
interno/baixa resist.
(E) Correto. Os cimbramentos constituem a parte estrutural de suporte das formas, em
que escoras de madeira ou metálicas transmitem a carga para apoios disponíveis em nível
inferior.
3) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2002) O bom desempenho de uma obra de
concreto depende da qualidade dos materiais de construção e da qualidade da execução.
No que diz respeito a obras em concreto, julgue os itens a seguir.
(A) A resistência do concreto à compressão depende do grau de hidratação do cimento e
da relação água/cimento.
(B) A composição química e a finura do cimento não alteram a resistência do concreto à
compressão.
(C) Para um mesmo valor de resistência à compressão final, a mudança das
características físicas dos agregados influencia a relação água/cimento a ser utilizada na
mistura.
(D) O emprego de aditivos e aceleradores ou retardadores não altera o grau de
hidratação do cimento.
(E) A resistência do concreto à compressão independe da sua idade.
Gabarito comentado
(A) Correto. A resistência do concreto à compressão depende do grau de hidratação do
cimento e da relação água/cimento.
Os principais fatores que influenciam a resistência do concreto são:
• propriedades dos componentes: cimento, agregados, aditivos químicos e adições
minerais;
• proporções dos componentes: relação água/cimento e relação agregado/cimento;
• condições de cura e idade.
(B) Errado. A composição química e a finura do cimento alteram a resistência do concreto
à compressão.
(C) Correto. Para um mesmo valor de resistência à compressão final, a mudança das
características físicas dos agregados influencia a relação água/cimento a ser utilizada na
mistura.
(D) Errado. O emprego de aditivos e aceleradores ou retardadores altera o grau de
hidratação do cimento.
Aditivos são substâncias adicionadas intencionalmente ao concreto, com a finalidade de
reforçar ou melhorar certas características, inclusive facilitando seu preparo e utilização,
tais como:
• acréscimo de resistência;
• aumento da durabilidade;
• melhora na impermeabilidade;
• melhora na trabalhabilidade;
• possibilidade de retirada de fôrmas em curto prazo;
• diminuição do calor de hidratação – retardamento ou aceleração da pega;
• diminuição da retração;
• aditivos plastificantes e superplastificantes; e
• aditivos incorporadores de ar.
(E) Errado. A resistência do concreto à compressão depende da sua idade.
Ao longo do tempo, o concreto endurece em virtude de reações químicas entre o cimento
e a água (hidratação do cimento).
A resistência do concreto aumenta com o tempo, propriedade esta que o distingue dos
demais materiais de construção.
A propriedade marcante do concreto é sua elevada resistência aos esforços de
compressão aliada a uma baixa resistência à tração. A resistência à tração é da ordem de
1/10 da resistência à compressão.
4) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2002) Julgue os itens que se seguem,
referentes a características, tecnologia e medição de propriedades de concretos.
(A) O “Ensaio Brasileiro” visa à determinação da resistência de concretos à tração.
(B) O extensômetro elétrico – strain-gage – serve para medir deformações em peças de
concreto.
(C) O ensaio de ultrassom é um ensaio destrutivo do concreto que visa verificar a sua
integridade.
(D) O ensaio de esclerometria visa determinar o tempo de cura de concretos especiais.
Gabarito comentado
(A) Correto. O “Ensaio Brasileiro”, criado pelo Professor Fernando Luiz Lobo Carneiro, é
um método que visa à determinação da resistência à tração dos concretos.
(B) Correto. O extensômetro elétrico – strain-gage – serve para medir deformações em
peças de concreto.
(C) Errado. O ensaio de ultrassom é um ensaio não destrutivo do concreto que visa
verificar a sua integridade.
Os ensaios considerados não destrutivos são aqueles que não causam nenhum dano no
elemento ensaiado ou deixam pequenos danos para serem reparados após o ensaio. Eles
não provocam perda na capacidade resistente do elemento.
Estes ensaios podem ser utilizados em estruturas novas ou antigas. No caso de
estruturas novas, eles podem ser empregados para monitoramento da evolução da
resistência ou para esclarecer dúvidas sobre a qualidade do concreto. Os ensaios em
estruturas já existentes visam avaliar a sua integridade e capacidade de resistir às
solicitações.
Citam-se alguns ensaios não destrutivos:
• velocidade de propagação de ondas ultrassônicas (ultrassom);
• esclerometria;
• penetração de pinos;
• pull-off ; e
• maturidade.
(D) Errado. O ensaio de esclerometria visa medir a dureza superficial do concreto.
5) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2002) Julgue os itens seguintes, relativos a
materiais de proteção e acabamento de superfícies.
(A) O selador é uma solução química que visa reduzir e uniformizar a absorção inútil e
excessiva da superfície.
(B) Como emassado, fecham-se rachaduras e buracos menores que ficam na superfície e
que só aparecem após a demão do selador.
(C) Aparelhar a base de uma superfície significa mudar as suas condições, visando
aumentar a sua rugosidade.
(D) Os esmaltes são obtidos a partir da mistura de pigmentos aos vernizes e lacas,
resultando uma tinta caracterizada por formar uma película excepcionalmente lisa.
Gabarito comentado
(A) Correto. O selador é uma solução química que visa reduzir e uniformizar a absorção
inútil e excessiva da superfície.
(B) Correto. Como emassado, fecham-se rachaduras e buracos menores que ficam na
superfície e que só aparecem após a demão do selador.
(C) Errado. Aparelhar a base de uma superfície significa mudar as suas condições visando
reduzir a sua rugosidade.
(D) Errado. Os esmaltes são obtidos a partir da mistura de pigmentos aos vernizes ou
lacas, resultando uma tinta caracterizada por formar uma película excepcionalmente lisa.
A forma mais comum de combater a deterioração dos materiais é proteger as
superfícies com a aplicação de uma película resistente que impede a ação dos agentes de
destruição ou corrosão. Essa película pode ser obtida pela aplicação de tintas, vernizes,
lacas ou esmaltes, cuja definição está apresentada abaixo:
• Tintas são produtos usados para o revestimento de materiais, visando sua proteção e
embelezamento. Correspondem a uma suspensão de pigmentos em veículo fluido.
• Pigmentos são pequenas partículas cristalinas que devem ser insolúveis nos demais
componentes da tinta e têm por finalidade principal dar cor e opacidade à película de
revestimento.>
• Vernizes são soluções de gomas ou resinas, naturais ou sintéticas, em um veículo (óleo
secativo, solvente volátil), soluções que são convertidas em uma película útil transparente
ou translúcida. Existem dois tipos: à base de óleo ou à base de solventes.
• Lacas são compostas de um veículo volátil, uma resina sintética, um plastificante,
cargas e, ocasionalmente, um corante.
• Esmaltes são obtidos adicionando-se pigmentos aos vernizes ou às lacas, resultando
daí uma verdadeira tinta caracterizada pela capacidade de formar um filme
excepcionalmente liso.
Com a variedade de resinas sintéticas existentes atualmente e as modificações que se
podem introduzir com os diversos tipos de óleos, os vernizes e as lacas podem ser
preparados para atender às mais variadas finalidades.
6) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2004 – REGIONAL) Com relação aos
aglomerantes e aos materiais em geral, é importante conhecer suas principais
propriedades e ensaios. Acerca desse tema, julgue os itens seguintes.
(A) A caracterização da pega do cimento é realizada pela determinação de dois tempos: o
de início e o de fim da pega.
(B) Friabilidade é a tendência apresentada pelo material de se agregar, sendo mais crítica
em climas frios.
Gabarito comentado
(A) Correto. A caracterização da pega do cimento é realizada pela determinação de dois
tempos: o de início e o de fim da pega.
A norma brasileira NBR NM 65:2003 – Cimento Portland – Determinação do tempo de
pega utiliza a pasta de consistência normal (NM 43:2002) e o aparelho de Vicat. Também
define no item 3.1 o conceito de tempo de início de pega: “É, em condições de ensaio
normalizadas, o intervalo de tempo transcorrido desde a adição de água ao cimento até o
momento em que a agulha de Vicat correspondente penetra na pasta até uma distância de
(4 ± 1) mm da placa base”. Já para o fim de pega, o item 3.2 define que este tempo
ocorre quando a agulha estabiliza a 0,5 mm na pasta.
(B) Errado. Friabilidade é propriedade de material pouco coeso que se esboroa, se
esfarela ou se fragmenta em pequenos pedaços.
Solos argiloarenosos ressecados, sedimentos detríticos, rochas sedimentares arenosas
com pouco cimento e matriz, folhelhos, rochas muito alteradas, por exemplo, podem
constituir material friável.
7) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2004 – REGIONAL) Quanto ao controle de
qualidade da cal hidratada, é fundamental o conhecimento de suas características e
propriedades, assim como dos métodos e equipamentos de ensaio empregados na sua
determinação. A respeito desse assunto, julgue os itens que se seguem.
(A) Um dos testes práticos recomendados pela ABPC para verificar a qualidade da cal
hidratada utilizada em uma obra é a verificação da finura, que mede a quantidade de
resíduos retidos na peneira de malha 200 (0,075 mm).
(B) A vantagem da cal dolomítica com relação à cal cálcica é a maior velocidade de
hidratação.
(C) O ensaio de retenção de água da cal hidratada é realizado com argamassa padrão,
submetida a ensaio de mesa cadente, que fornece medida aproximada da proporção da
fase coloidal.
(D) Sabe-se, por experiência, que a cal magnesiana tem maior capacidade de susten​tação
de areia quando comparada à cal cálcica.
Gabarito comentado
(A) Correto. Um dos testes práticos recomendados pela ABPC para verificar a quali​dade
da cal hidratada utilizada em uma obra é a verificação da finura, que mede a quantidade de
resíduos retidos na peneira de malha 200 (0,075 mm).
(B) Errado.
As cales podem ser calciticas (com alto teor de carbonato de cálcio), dolomíticas
(carbonato de cálcio e magnésio), e magnesianas (carbonato de cálcio e magnésio, este
em menor teor que nas dolomíticas).
É produto que se obtém com a calcinação, à temperatura elevada de pedras calcárias.
Essa calcinação se faz, entre outras formas, em fornos intermitentes, construídos com
alvenaria de tijolos refratários. Há dois tipos de cal utilizados em construções: hidratada e
hidráulica.
1. Cal hidratada (ou aérea)
A cal hidratada ou comum faz a pega ao ar ao contrário da hidráulica, que exige o
contato com a água.
A partir da “queima” da pedra calcária em fornos, obtemos a “cal viva” ou “cal virgem”.
Esta não tem aplicação direta em construções, sendo necessário antes de usá-la fazer
a “extinção” ou “hidratação” pelo menos com 48 horas de antecedência.
A hidratação consiste em adicionar dois ou três volumes de água para cada volume de
cal. Há forte desprendimento de calor e após certo tempo as pedras se esfarelam
transformando-se em pasta branca, a que se dá o nome de “cal hidratada” ou “cal
apagada”. É nesta forma que tem sua aplicação em construções, sendo utilizada em
argamassas na presença ou não de cimento para rejuntar tijolos ou para revestimentos.
2. Cal hidráulica
Contém maior porcentagem de argila que a cal hidratada. Endurece pela ação da água,
na ausência de ar. É usada para casos específicos tais como fabricação de ladrilhos,
alicerces, vedação de trincos e infiltrações.
(C) Correto. O ensaio de retenção de água da cal hidratada é realizado com argamassa
padrão, submetida a ensaio de mesa cadente, que fornece medida aproximada da
proporção da fase coloidal.
(D) Errado. Sabe-se, por experiência, que a cal magnesiana não tem maior capacidade de
sustentação de areia quando comparada à cal cálcica.
8) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2004) Com relação a revestimentos e arga​-
massas em construções civis, julgue os itens subsequentes.
(A) Em condições típicas, a colocação de ladrilhos em mosaico só pode ser iniciada após
a cura do emboço, o que demanda cerca de 6 dias.
(B) Na eventualidade de ser necessária a estruturação do emboço em paramentos
verticais, pode-se utilizar tela de fibra de vidro.
(C) A areia a ser utilizada na confecção de chapisco é do tipo fina, com diâmetro de grãos
que passem na peneira de 2,4 mm e sejam retidos na peneira de 0,6 mm.
(D) O reboco hidrófugo é aquele que, devido a propriedades especiais, adere diretamente
sobre superfícies de concreto ou de alvenaria.
(E) As vesículas em argamassas podem ser causadas pela presença de concreções
ferruginosas na areia utilizada na sua confecção.
Gabarito comentado
(A) Errado. O período de cura do emboço, antes da aplicação de qualquer revestimento,
deve ser no mínimo de sete dias.
A cura do chapisco se dá após três dias da sua aplicação, podendo-se assim executar o
emboço.
(B) Correto. Na eventualidade de ser necessária a estruturação do emboço em
paramentos verticais, pode-se utilizar tela de fibra de vidro.
(C) Errado. A areia é do tipo grossa.
O chapisco deve ser executado usando-se materiais e técnicas apropriados para
melhorar as condições de aderência da camada do revestimento à base ou substrato,
criando uma superfície de rugosidade adequada e regularizando a capacidade de
absorção​ inicial da base.
É um revestimento rústico empregado nos paramentos lisos de alvenaria, pedra ou
concreto; a fim de facilitar o revestimento posterior, dando maior pega, por causa da sua
superfície porosa. Pode ser acrescido de adesivo para argamassa.
O chapisco é uma argamassa de cimento e areia média ou grossa sem peneirar no traço
1:3.
(D) Errado. O reboco hidrófugo é aquele que impede a percolação de umidade.
Considerando o reboco como acabamento final do revestimento, citamos alguns rebocos
ou revestimentos argamassados que não recebem o tratamento do recobrimento com
pintura, quais sejam:
1. reboco hidrófugo: a adição de hidrofugantes na composição do reboco impede a
percolação de umidade oriunda de precipitação pluvial normal. O mesmo não acontece,
todavia, com a difusão do vapor d’água (condensação por choque térmico);
2. reboco impermeável: reboco resistente à pressão d’água, geralmente executada com
argamassa de cimento com adição de aditivo impermeabilizante, execução semelhante a
barra lisa;
3. barra lisa de cimento (cimento queimado): trata-se de revestimento executado com
argamassa de cimento, na proporção de 1:3 ou 1:4, tendo o cuidado do uso de areia fina
peneirada (peneira de fubá). A aplicação deve ser feita sobre emboço firme (1:4/8 –
argamassa mista de cal) ou superfície de concreto, onde se coloca a massa na
desempenadeira de madeira e comprime-se de baixo para cima de maneira que se
obtenha uma espessura mínima de 3 ou 4 mm. Em seguida, com movimento circular com a
desempenadeira, procura-se desbastar a espessura e ao mesmo tempo uniformizar o
painel de maneira a se obter uma espessura final de 2 ou 3 mm, lança-se o pó de cimento
e em seguida, com a broxa, esborrifa-se água e, com a desempenadeira de aço, alisa-se
o pó de cimento incrustado na argamassa, caracterizando a chamada queima do cimento.
(E) Correto. As vesículas em argamassas podem ser causadas pela presença de
concreções ferruginosas na areia utilizada na sua confecção
9) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2004) Julgue os itens a seguir, relativos à
impermeabilização de edificações.
(A) Os mástiques à base de asfalto e alcatrão são mais aderentes às superfícies e
impermeabilizam juntas de dilatação por mais tempo que os de silicone.
(B) Existem tintas de PVA que formam película emborrachada e que podem ser utilizadas
em serviços de impermeabilização.
(C) A figura a seguir representa a forma mais simples e eficiente de impermeabilizar a
região de contato da parede com o piso de um terraço de uma edificação mediante a
utilização de camada de membrana asfáltica.

(D) Painéis de mantas de PVC utilizadas em serviços de impermeabilização podem ser


soldados com a utilização de calor e pressão.
Gabarito comentado
(A) Errado. O silicone apresenta melhores propriedades que os mástiques.
Entende-se por mástique toda a massa que é plástica durante o seu tempo de
trabalhabilidade e que se destina a assegurar a estanqueidade da junta.
Um mástique caracteriza-se conforme a substância química de base que o constitui e
pelo seu processo de endurecimento. Existem mástiques de um só componente e de vários
componentes. O primeiro comercializa-se já pronto a aplicar e o segundo resulta da
mistura de vários componentes antes da sua aplicação.
(B) Correto. Existem tintas de PVA que formam película emborrachada e que podem ser
utilizadas em serviços de impermeabilização.
(C) Errado. A camada de impermeabilização deve subir pela parede.

(D) Correto. Painéis de mantas de PVC utilizadas em serviços de impermeabilização


podem ser soldados com a utilização de calor e pressão.
10) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2004) A madeira é um dos materiais mais
utilizados na construção civil. Com relação à utilização desse material como fôrmas em
edificações, julgue os itens subsequentes.
(A) O pinho e a peroba são tipos de madeiras comumente utilizadas na confecção de
pontaletes.
(B) As chapas de Madeirit Form, com 12 mm de espessura, podem ser utilizadas em
fôrmas para concreto de edificações comuns, podendo, em condições normais de uso, ser
reutilizadas, no máximo, até 30 vezes.
(C) No ato da desforma de grandes marquises, é recomendável retirar primeiramente as
escoras mais próximas do apoio, como forma de minimizar ou evitar possível fissuramento
da marquise.
Gabarito comentado
(A) Correto. O pinho e a peroba são tipos de madeiras comumente utilizadas na confecção
de pontaletes.
(B) Errado. Podem ser utilizadas cerca de 30 vezes. Porém, o número de utilização
depende de alguns cuidados do construtor, como evitar deixar guardadas em lugares que
possam tomar chuva ou sol diretamente, tirar com cuidado os pregos na hora de desfazer
as formas etc.
Os painéis de compensado devem apresentar boa resistência à colagem e à abrasão, o
que é conseguido com a gramatura do filme de proteção. Cerca de 30 usos podem ser
obtidos, por exemplo, com compensado plastificado com superfícies revestidas de filme
fenólico de gramatura de 440 g/m² e topos selados com resina impermeabilizante. Vale
lembrar que as fôrmas de madeira podem se tornar um item muito caro na composição do
custo da execução da estrutura quando o seu reuso for limitado, ou tornar-se o item mais
barato se se explora ao máximo o seu potencial de reutilização. “Em um andar atípico, com
apenas uma utilização, a fôrma pode consumir 50% do orçamento de uma estrutura. Já em
um edifício com 28 pavimentos, onde haverá muita repetição, ela pode custar apenas 5%”
(http://anuario.piniweb.com.br/construcao-servicos/2011/artesanal-ou-industrializada-
produtividade-reducao-de-custo-e-desempenho-243338-2.asp).
Fôrmas para concreto plastificado com tergofilm, tapume, madeirit ou madeirite são
alguns dos nomes dados para o compensado resinado para construção. Vale lembrar que
madeirit é marca registrada de um tradicional fabricante e virou sinônimo para todas
formas para concreto. Esse produto é cada vez mais utilizado na construção civil para
fazer fôrmas e no caso de construção de prédios e casas padronizadas são
reaproveitadas várias vezes trazendo uma grande economia no custo da obra.
(C) Errado. No ato da desforma de grandes marquises, é recomendável retirar
primeiramente as escoras mais afastadas do apoio, como forma de minimizar ou evitar
possível fissuramento da marquise.
Se não tiver sido usado cimento de alta resistência ou aditivos que acelerem o
endurecimento, a retirada das fôrmas e do escoramento não deverá dar-se antes dos
seguintes prazos:
1. faces laterais: 3 dias
2. retirada de algumas escoras: 7 dias
3. faces inferiores, deixando-se algumas escoras bem encunhadas: 14 dias
4. desforma total, exceto item 5: 21 dias
5. vigas e arcos com vão maior do que 10 m: 28 dias
Usando-se aditivos plastificantes ou incorporadores de ar, os prazos anteriores se
reduzem como segue:
1. item 3 se reduz para: 7 dias
2. item 4 se reduz para: 11 dias
3. item 5 se reduz para: 21 dias
Usando-se aceleradores de pega, os prazos se reduzem conforme indicação das firmas
fornecedoras do produto.
A desforma de estruturas mais esbeltas deve ser feita com muito cuidado, evitando--se
desformas ou retiradas de escoras bruscas ou choques fortes.
Nas estruturas com vãos grandes ou com balanços grandes, deve-se pedir ao projetista
um programa de desforma progressiva, para evitar tensões internas não previstas no
concreto, que podem provocar fissuras e até trincas.
Por exemplo, nos grandes consolos ou marquises, quando se retiram inicialmente as
escoras próximas do apoio deixando-as na extremidade, a pega se transforma em viga
apoiada sobre dois apoios, surgindo inevitavelmente fissuras ou trincas na parte inferior,
onde não há armadura suficiente para absorver as tensões de tração não previstas.
No entanto, quando se deixam nas vigas de vãos grandes as escoras no meio do vão,
forma-se um apoio intermediário não previsto e podem aparecer fissuras ou trincas na
parte superior da viga.
11) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2004) No que concerne aos aglomerantes,
agregados e materiais betuminosos, é importante o conhecimento de suas definições,
principais propriedades e ensaios. É necessário, ainda, que o engenheiro saiba utilizar
adequadamente esses materiais, recomendando-se um determinado uso para cada um
deles. A respeito desses aspectos, julgue os itens seguintes.
(A) O gesso é um aglomerante aéreo que possui pega rápida, obtido pela desidratação
total ou parcial da gipsita.
(B) A compacidade dos agregados é a relação entre o volume total de vazios e o volume
total aparente dos grãos.
(C) A porosidade e a compacidade em um agregado sempre são constantes,
independentemente do grau de adensamento.
(D) O betume artificial ou alcatrão é recomendado para a pintura de obras de madeira
pelo seu grande poder preservativo.
(E) A penetração é uma medida da consistência do cimento asfáltico, podendo ser obtida
a partir do ensaio que consiste em uma agulha padronizada de peso igual a 100 g aplicada
durante 5 s, sendo a sua penetração medida em décimos de milímetros.
Gabarito comentado
(A) Correto. O gesso é um aglomerante aéreo que possui pega rápida, obtido pela
desidratação total ou parcial da gipsita.
(B) Errado. Compacidade é a relação entre o volume total ocupado pelos grãos e o
volume total do agregado.
(C) Errado. A compacidade em um agregado sempre depende do grau de adensa​mento.
(D) Correto. O betume artificial ou alcatrão é recomendado para a pintura de obras de
madeira pelo seu grande poder preservativo.
(E) Correto. A penetração é uma medida da consistência do cimento asfáltico, podendo
ser obtida a partir do ensaio que consiste em uma agulha padronizada de peso igual a 100
g aplicada durante 5 s, sendo a sua penetração medida em décimos de milí​metros.
12) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2004) O acompanhamento da execução
de uma obra permite identificar eventuais problemas que poderão comprometer o
desempenho da edificação. Nesse acompanhamento, os diversos ensaios executados
permitem a tomada de decisão. Com relação a esses ensaios, julgue o item subsequente.
(A) O ensaio do abatimento para concreto é utilizado para se determinar a resistência ao
desgaste dos agregados empregados.
Gabarito comentado
(A) Errado. O ensaio do abatimento é utilizado para se verificar a consistência do concreto
no estado fresco.
É necessário verificar visualmente, com bastante frequência, a massa de concreto na
saída da betoneira (ou do caminhão betoneira).
A verificação da consistência é realizada por meio do ensaio “Determinação da
Consistência pelo Abatimento do Tronco de Cone”, prescrito pela NBR 7223, cuja forma de
execução é a seguinte:
• Utilizam-se um cone metálico, uma haste socadora e uma base metálica lisa, como
mostrado nas figuras abaixo:

• A base e o cone devem ser umidecidos para reduzir o atrito durante o ensaio;
• O cone deve ser preenchido em três camadas. Para cada camada de mais ou menos
10 cm, aplicar 25 golpes com a haste socadora;
• Na primeira camada, o socamento deve atingir a base metálica e nas duas camadas
posteriores, cada camada receberá os 25 golpes com a haste, atingindo apenas a
superfície superior da camada anterior;
• Na última camada, após o adensamento com a haste, acerta-se a superfície do cone
com colher de pedreiro;
• Retira-se o cone verticalmente, coloca-se este ao lado do concreto e realiza-se a
medida do abatimento com uma régua metálica. Na figura da p. 117 é mostrada,
esquematicamente, a sequência da execução do ensaio:
• A consistência dos concretos, medida pelos seus abatimentos, é função da sua
aplicação, podendo-se adotar os seguintes valores mínimos e máximos:
Aplicação Valores do abatimento (mm)
Fundações e muros não armados 20 – 60
Fundações e muros armados 30 – 70
Estruturas comuns 50 – 70
Peças esbeltas ou muito armadas 70 – 90
Elementos pré-fabricados 30 – 80

13) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2004) Quando ocorre o ingresso de água,


pura ou contendo íons agressivos, oxigênio e dióxido de carbono, no concreto, sua
durabilidade é extremamente afetada. Com relação a alguns mecanismos de transporte
desses fluidos no concreto, julgue os itens que se seguem.
(A) A difusão é um processo no qual o fluido se desloca em função de uma diferença de
concentração.
(B) Quanto menor o teor de umidade do concreto, maior a permeabilidade desse material
a gases.
Gabarito comentado
(A) Correto. A difusão é um processo no qual o fluido se desloca em função de uma
diferença de concentração.
(B) Correto. Quanto menor o teor de umidade do concreto, maior a permeabilidade desse
material a gases.
14) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2004) Com relação à impermeabilização e
aos produtos empregados nessa atividade, julgue o item subsequente.
(A) Asfalto oxidado é um produto líquido oleoso que deve ser utilizado à temperatura
natural.​
Gabarito comentado
(A) Errado. Asfalto oxidado é um composto de cimento asfáltico, obtido por meio do
asfalto destilado de petróleo por processo de oxidação, e deve ser utilizado acima da
temperatura natural.
A ABNT, por intermédio da norma EB-635, determinou a classificação de três tipos de
asfaltos oxidados básicos apropriados para a construção civil, em especial para os
trabalhos de impermeabilização de estradas e vias públicas. A diferença básica de cada
um dos três está mais restrita ao índice de penetração e à faixa de temperatura de
amolecimento, considerando que a taxa máxima de penetração precisa corresponder à
temperatura mínima de amolecimento, e vice-versa.
Os asfaltos oxidados tipo I, recomendados para impermeabilização de fundações,
mantêm penetração de 25 a 40 e temperatura de amolecimento de 60°C a 75°C. Já os
asfaltos do tipo oxidado de nível II, usados em impermeabilizações de coberturas e
fundações, contam com temperatura de amolecimento na faixa de 75°C a 95°C e taxa de
penetração de 20 a 35. Os asfaltos oxidados do tipo III possuem grau de penetração de
15 a 25 e temperatura de amolecimento que varia entre 95°C e 105°C, por esta razão, são
destinados exclusivamente à impermeabilização de coberturas.
15) (CESPE/TCU/ACE/2005) Em edificações, uma etapa importante do trabalho de
construção é o tratamento para garantir impermeabilização de elementos constituintes da
edificação. A respeito de impermeabilização, julgue os itens a seguir.
(A) A utilização de argamassa é parte do processo construtivo em sistema de membranas
rígidas moldadas in loco.
(B) No processo construtivo de impermeabilização por manta elastomérica, deve ser
prevista etapa de colocação de berço amortecedor.
(C) Na impermeabilização de alvenaria de embasamento com argamassa rígida
impermeável, a última camada deve ser queimada, ou seja, polvilhada com cimento e
alisada.
Gabarito comentado
(A) Correto. A utilização de argamassa é parte do processo construtivo em sistema de
membranas rígidas moldadas in loco.
A impermeabilização rígida é aquela em que o componente, concreto ou argamassa,
torna-se impermeável pela inclusão de aditivos químicos, aliado à correta granulometria
dos agregados, baixa relação água/cimento, e consequente redução da porosidade do
elemento, cuidados durante o lançamento, entre outros.
Este tipo de impermeabilização é especialmente indicado para elementos não sujeitos a
trincas ou fissuras, podendo-se citar como exemplos:
• carga estrutural estabilizada: poço de elevador, reservatório inferior de água;
• áreas não expostas ao sol: banheiro, cozinha, área de serviço; e
• condições de temperatura constante: subsolos, pequenos terraços, varandas.
A escolha quanto ao sistema de impermeabilização a ser utilizado deve ser realizada a
partir da avaliação dos seguintes aspectos:
1. Comportamento físico do elemento: representa a susceptibilidade do componente da
base à ocorrência de fissuras e trincas. A depender da distribuição dos elementos
estruturais de suporte presentes na base, pode-se prever o surgimento de trincas, tais
como peças sujeitas a alterações dimensionais provenientes de aquecimento e
resfriamento, recalques, lajes passando sobre vigas, marquises em balanço, reservatórios
superiores de água (por causa do diferencial térmico), influências do entorno (edificações
vizinhas, tráfego intenso), entre outros. Partes da obra com carga estabilizada, em
condições de temperatura constante, como subsolos ou locais onde o concreto permaneça
em compressão, são menos sujeitas ao surgimento de trincas.
2. Atuação da água sobre o elemento: sobre este aspecto, as situações mais
comumente encontradas são: água de percolação, na qual ocorre livre escoamento do
líquido, atuante​ em terraços, coberturas, empenas e fachadas; água com pressão, quando
ocorre força hidrostática sobre a impermeabilização, tal como em piscinas, caixas d’água,
subsolos; e umidade por capilaridade, na qual a água ascende do solo por capilaridade de
materiais porosos até acima do nível estático, ou seja, trata-se dos elementos das
construções que estão em contato com bases alagadas ou solo úmido.
Os sistemas de impermeabilização podem ser classificados em:
• impermeabilização rígida;
• impermeabilização plástica ou elástica; e
• impermeabilização laminar.
(B) Correto. No processo construtivo de impermeabilização por manta elastomérica, deve
ser prevista etapa de colocação de berço amortecedor.
3. Impermeabilização plástica ou elástica: neste caso são utilizados mantas pré-
fabricadas, ou elastômeros dissolvidos e aplicados no local em forma de pintura, a qual
forma uma película com certa elasticidade após a evaporação do solvente.
A utilização dos elastômeros apresenta um comportamento inferior quanto à
deformabilidade do que as mantas, de modo que o seu uso deve restringir-se a peças
cujas fissuras ocorram com magnitude muito pequena, insuficiente para a ruptura da
membrana formada.
As mantas utilizadas em impermeabilizações podem ser feitas de asfalto com armadura
(manta asfáltica), de borracha butílica, ou de PVC plastificado.
As mantas asfálticas são compostas de uma matriz de asfalto armada para reforço com
materiais de diferentes propriedades (filme de polietileno, filme de poliéster, véu de fibra de
vidro, feltro de poliéster, filme de PVC etc.), a depender das necessidades de cada caso,
muito utilizadas em áreas sujeitas a variações dimensionais, movimentos estruturais,
balanços, floreiras, entre outros.
Além disso, apresentam-se atualmente no mercado mantas com acabamento para
proteção solar (escamas de ardósia ou lâminas de alumínio, utilizadas em áreas não
transitáveis).
As mantas asfálticas devem atender a exigências normativas específicas, avaliadas de
acordo com metodologias de ensaio normalizadas, dentre as quais: espessura mínima
nominal de 3 mm; massa por metro quadrado indicada pelo fabricante; estanqueidade,
medida em corpos de prova submetidos a uma coluna de água de 500 mm durante 16
horas; carga de ruptura e alongamento, de acordo com a tabela 2.2; absorção de água
máxima de 3% (imersão em banho a 50ºC por 5 dias); flexibilidade a baixa temperatura (–
5ºC), por meio de ensaios de dobramento seguidos da verificação da ocorrência de
fissuras; resistência ao impacto, devendo a amostra não apresentar mossas ou cortes
após a aplicação de peso sobre base padronizada; resistência ao puncionamento, por
meio da aplicação de peso de 25 kg durante 1 hora a 23ºC de temperatura, devendo a
amostra permanecer estanque; resistência ao envelhecimento acelerado, com ensaio em
168 horas em estufa a 70ºC com ventilação forçada.
valores mínimos
Carga de ruptura (N)/
Classe Alongamento na ruptura (%) Produto N x %
50 mm de largura
Classe 1 290 4 12.940
Classe 2 780 8 14.700
Classe 1 especial — — 19.400

Tabela de classificação das mantas asfálticas para impermeabilização (Fonte: Angelo


Costa e Silva, UCP, Recife, 2004).
(C) Errado. Na impermeabilização de alvenaria de embasamento com argamassa rígida
impermeável, a última camada não deve ser queimada, ou seja, polvilhada com cimento e
alisada.
Independentemente do tipo de fundação adotado, deve-se executar uma
impermeabilização no respaldo dos alicerces (ver figura a seguir). A fundação sempre é
executada num nível inferior ao do piso, sendo necessário assentar algumas fiadas de
tijolos sobre a sapata corrida ou sobre o baldrame, até alcançarmos o nível do piso
(alvenaria de embasamento).
No tijolo a água sobe por capilaridade, penetrando até a altura de 1,50 m nas paredes
superiores, causando sérios transtornos.
Portanto, é indispensável uma boa impermeabilização no respaldo dos alicerces, local
mais indicado para isso, pois é o ponto de ligação entre a parede que está livre de contato
com o terreno e o alicerce.

O processo mais utilizado é por meio de argamassa rígida; usando, geralmente,


impermeável gorduroso dosado em argamassa de cimento e areia em traço 1:3 em
volume:
• 1 lata de cimento (18 litros);
• 3 latas de areia (54 litros); e
• 1,5 kg de impermeável.
Após a cura da argamassa impermeável, a superfície é pintada com piche líquido, pois
este penetra nas possíveis falhas de camadas, corrigindo os pontos fracos. Devemos
aplicar duas demãos em cruz.
Recomendações importantes para uma boa execução da impermeabilização:
• deve-se sempre dobrar lateralmente cerca de 10 a 15 cm;
• a camada impermeável não deve ser queimada, mas apenas alisada, para que sua
superfície fique semiáspera evitando fissuras; e
• usa-se a mesma argamassa para o assentamento das duas primeiras fiadas da
alvenaria de elevação.
16) (CESPE/TCU/ACE/2007) Um aspecto importante para o sucesso de uma obra
rodoviária é o que diz respeito às especificações e qualidades dos materiais (agregados,
materiais betuminosos etc.) empregados, assim como aos ensaios que permitem verificar
as características desses insumos. Com relação a esse aspecto, julgue os itens que se
seguem.
(A) O ensaio de san idade é efetuado para verificar se um agregado possui inércia
química, admitindo-se apenas agregados com perdas de até 20% para o ensaio executado
com sulfato de sódio, e de até 30% para o ensaio executado com sulfato de magnésio.
(B) Os produtos asfálticos devem ser submetidos a testes de adesividade e, caso essa
qualidade não seja satisfatória, pode se eventualmente utilizar melhoradores de
adesividade (dopes).
Gabarito comentado
(A) Correto.
• Ensaios de sanidade (DNER-ME 89-94): consiste basicamente em submeter uma
amostra padronizada de agregado a cinco ciclos de molhagem e secagem.
• Molhagem: consiste na imersão da amostra em solução supersaturada de sulfato de
sódio ou sulfato de magnésio.
• A cristalização dos sais dentro dos poros do agregado, durante a secagem, provocará
uma pressão de expansão, que, por sua vez, provocará trincamento e amídalas.
• A norma recomenda que sejam admitidos agregados com perda de até 20% para
ensaios executados com sulfato de sódio e até 30% para ensaios executados com sulfato
de magnésio.
(B) Correto. Os produtos asfálticos devem ser submetidos a testes de adesividade e, caso
essa qualidade não seja satisfatória, podem-se eventualmente utilizar melhoradores de
adesividade (dopes).
A adesividade a produtos asfálticos desenvolve-se em função de “afinidade”
eletroquímica existente entre asfalto e agregado. A adesividade é de interesse especial em
misturas asfálticas, visto que a função do ligante é aderir ou ligar as partículas do
agregado.
A adesividade é medida por meio dos ensaios de adesividade – agregado graúdo
(DNER-ME 78-94); e adesividade – agregado miúdo (DNER-ME 79-94).
O ensaio de adesividade – agregado graúdo (DNER-ME 78-94) consiste da observação
do comportamento de uma amostra de agregados graúdos previamente envolvidos com
película de asfalto, submetidos a imersão à temperatura de 40ºC, por um período de 72
horas.
Resultados do ensaio:
• adesividade satisfatória: se não houver nenhum descolamento ou
• adesividade não satisfatória: se houver descolamento parcial ou total da película de
asfalto.
17) (ESAF/CGU/AFC/2008) Para a especificação e execução do serviço referente à
argamassa de revestimento, é necessário conhecer o desempenho de algumas de suas
propriedades, tanto no estado fresco como endurecido. Nesse contexto, afirma-se que:
(A) Quanto menor for o módulo de deformação, maior é a capacidade da argamassa de
absorver deformação.
Gabarito comentado
(A) Correto. Quanto menor for o módulo de deformação, maior é a capacidade da
argamassa de absorver deformação.
A capacidade de absorver deformações é a propriedade do revestimento quando estiver
sob tensão, mas sofrendo deformação sem ruptura ou por meio de fissuras não
prejudiciais. As fissuras são decorrentes do alívio de tensões originadas pelas
deformações da base.
As deformações podem ser de grande ou de pequena amplitude. O revestimento só tem
a responsabilidade de absorver as deformações de pequena amplitude que ocorrem em
função da ação da umidade ou da temperatura e não as de grande amplitude, provenientes
de outros fatores, como recalques estruturais, por exemplo.
A capacidade de absorver deformações depende:
• do módulo de deformação da argamassa: quanto menor for o módulo de deformação
(menor teor de cimento), maior a capacidade de absorver deformações;
• da espessura das camadas: espessuras maiores contribuem para melhorar essa
propriedade; entretanto, deve-se tomar cuidado para não se ter espessuras excessivas
que poderão comprometer a aderência;
• das juntas de trabalho do revestimento: as juntas delimitam panos com dimensões
menores, compatíveis com as deformações, contribuindo para a obtenção de um
revestimento sem fissuras prejudiciais;
• da técnica de execução: a compressão após a aplicação da argamassa e, também, a
compressão durante o acabamento superficial, iniciado no momento correto, contribuirão
para o não aparecimento de fissuras.
O aparecimento de fissuras prejudiciais compromete a aderência, a estanqueidade, o
acabamento superficial e a durabilidade do revestimento.
18) (ESAF/CGU/AFC/2008) Os ensaios de caracterização e controle dos materiais betumi​-
nosos visam garantir sua adequabilidade, confrontando os resultados obtidos aos
especificados. A seguir, estão listados alguns ensaios que avaliam as propriedades
fundamentais destes materiais. Relacione as colunas e, em seguida, marque a opção
correspondente.
( ) Propriedade de um ligante betuminoso deslocar uma película de água de
(1) Penetração
um agregado molhado.
( ) Tem por objetivo determinar ou controlar a consistência do material
(2) Saybolt-Furol
betuminoso.
(3) Ensaio do anel
( ) Determina a temperatura em que o asfalto se torna fluido.
e bola
(4) Adesividade ( ) Propriedade de um ligante betuminoso que reveste um agregado seco
Ativa resistir a ação da água.
(5) Adesividade ( ) Determinar a temperatura máxima que o asfalto pode ser aquecido sem
Passiva perigo de incêndio.
( ) Determina o estado de fluidez dos asfaltos nas temperaturas em que serão
(6) Ponto de fulgor
utilizados nos serviços.
(A) 5 – 2 – 1 – 4 – 6 – 3
(B) 5 – 3 – 2 – 4 – 6 – 1
(C) 4 – 1 – 3 – 5 – 6 – 2
(D) 4 – 2 – 3 – 5 – 6 – 1
(E) 5 – 1 – 2 – 4 – 6 – 3
Gabarito comentado
Resposta: letra C.
Os principais ensaios de caracterização e controle dos materiais betuminosos que visam
garantir a sua adequabilidade ao fim a que se destinam estão descritos no quadro abaixo:
O ponto de fulgor é um ensaio ligado à segurança de manuseio do asfalto durante o
transporte, estocagem e usinagem. Representa a menor temperatura na qual os
Ponto de vapores emanados durante o aquecimento do material asfáltico se inflamam por
fulgor contato com uma chama padronizada. Valores de pontos de fulgor de CAP são
normalmente superiores a 230ºC. A norma brasileira para este ensaio​ é a ABNT NBR
11341/2004.
A penetração é a profundidade, em décimos de milímetro, que uma agulha de massa
padronizada (100g) penetra numa amostra de volume padronizado de cimento
asfáltico, por 5 segundos, à temperatura de 25ºC. Em cada ensaio, três medidas
Penetração individuais de penetração são realizadas. A média dos três valores é anotada e aceita,
se a diferença entre as três medidas não exceder um limite especificado em norma. A
consistência do CAP é tanto maior quanto menor for a penetração da agulha. A norma
brasileira para este ensaio é a ABNT NBR 6576/98.
A viscosidade determina a trabalhabilidade da emulsão e é influenciada pela
Saybolt- quantidade de asfalto presente, pelo emulsificante e pelo tamanho dos glóbulos. De
Furol acordo com a especificação brasileira de emulsão asfáltica, é medida por meio do
viscosímetro Saybolt-Furol (ABNT NBR 14491).
O ensaio do anel e bola (ABNT NBR 6560/2000) também é conhecido como ensaio
de ponto de amolecimento. O ponto de amolecimento é uma medida empírica que
correlaciona a temperatura na qual o asfalto amolece quando aquecido sob certas
condições particulares e atinge uma determinada condição de escoamento. Trata-se
de uma referência semelhante ao chamado ponto de fusão bastante usado na
Europa. Uma bola de aço de dimensões e peso especificados é colocada no centro
Ensaio do de uma amostra de asfalto que está confinada dentro de um anel metálico
anel e bola padronizado. Todo o conjunto é colocado dentro de um banho de água num béquer. O
banho é aquecido a uma taxa controlada de 5ºC/minuto. Quando o asfalto amolece o
suficiente para não mais suportar o peso da bola, a bola e o asfalto deslocam-se em
direção ao fundo do béquer. A temperatura é marcada no instante em que a mistura
amolecida toca a placa do fundo do conjunto padrão de ensaio. O teste é conduzido
com duas amostras do mesmo material. Se a diferença de temperatura entre as duas
amostras exceder 2ºC, o ensaio deve ser refeito.
Em mistura asfáltica, a adesividade entre betume e agregado é efetivada devido a duas
características: a capacidade do ligante de envolver o agregado e a habilidade deste, por sua vez,
de promover a aderência do ligante à sua superfície. A primeira propriedade é conhecida como
adesividade ativa e a segunda como adesividade passiva. A aderência entre o agregado mineral e
o cimento asfáltico depende do estreito contato entre os dois materiais e da atração de suas
superfícies.
Adesividade Propriedade de um ligante betuminoso de deslocar uma película de água de um
ativa agregado molhado.
Adesividade Propriedade de um ligante betuminoso que reveste um agregado SECO de resistir à
passiva ação da água.
Referências:
a) Liede Bariani Bernucci. Pavimentação asfáltica. Formação básica para engenheiros. Rio
de Janeiro: ABEDA, 2006.
b) Jaelson Budny. TCC. Curso de Engenharia Civil. RS: UNIJUÍ, 2009.
19) (ESAF/CGU/AFC/2008) Aceleradores são substâncias que, adicionadas ao concreto,
diminuem o tempo de início de pega, desenvolvendo mais rapidamente as resistências
iniciais. Considerando-se os conceitos a seguir, assinale a opção correta.
(A) O cloreto de cálcio é recomendado em concreto de elementos estruturais protendidos.
(B) O cloreto de cálcio tem pouco efeito sobre o tempo de pega do cimento.
(C) A presença de um estabilizador retarda a hidratação ou endurecimento do concreto.
(D) A trietanolamina é mais eficaz que o cloreto de cálcio como acelerador.
(E) Aceleradores de pega ultrarrápidos não devem ser utilizados para selamento de
vazamentos de água.
Gabarito comentado
Resposta: letra B.
O cloreto de cálcio tem pouco efeito sobre o tempo de pega do cimento.
• Definição: os aditivos aceleradores de pega para concreto são produtos isentos de
cloreto que promovem a aceleração das reações iniciais de hidratação do cimento e de
endurecimento do concreto, resultando em rápido ganho das resistências iniciais.
• Usos: concretos pré-moldados; concretos convencionais, em que se pretende acelerar
a liberação; concretos simples, armados, reforçados com fibras e protendidos.
• Vantagens: ganho de resistência em baixas temperaturas; redução dos tempos de
pega; resistências iniciais mais elevadas; redução do tempo de desforma de peças pré--
fabricadas.
• Instruções de uso: aditivos aceleradores de pega não devem ser adicionados à mistura
seca do concreto. O produto deve ser introduzido juntamente com a água de
amassamento, preferencialmente no final da mistura.
A introdução dos aceleradores de pega em concretos usinados deve ser realizada
preferencialmente na chegada do caminhão betoneira à obra.
Para o caso de concretos dosados no canteiro de obras, recomenda-se a adição
juntamente com parte da água de amassamento após a mistura de todos os componentes
do concreto. Os teores de adição variam em função das propriedades requeridas, sendo
recomendada a execução de estudo de dosagem e ensaios de laboratório para a
otimização destes teores.
• cura: após a finalização dos trabalhos de lançamento, promover a cura segundo os
critérios da tecnologia do concreto.
20) (CESPE/TCU/AFCE/2009) O conhecimento e a determinação de propriedades de
materiais betuminosos são importantes para o dimensionamento e a execução de obras
rodoviárias em que são utilizados tais materiais. Com relação a esse tema, julgue os itens
subsequentes.
(A) De acordo com norma específica, a penetração de materiais betuminosos é definida
como a distância, em décimos de milímetro, que uma agulha padrão penetra verticalmente
na amostra do material sob as condições prefixadas de carga, de tempo e de temperatura.
(B) O recipiente utilizado para acomodar a amostra no ensaio de penetração independe
das características do material a ser ensaiado.
(C) O método de ensaio definido pelo antigo DNER, atual Departamento Nacional de
Infraestrutura de Transportes (DNIT), para a determinação do teor de betume em cimentos
asfálticos de petróleo pode também ser aplicado para outros materiais aglutinantes
contendo mais de 95% de betume.
Gabarito comentado
(A) Correto. De acordo com norma específica, a penetração de materiais betuminosos é
definida como a distância, em décimos de milímetro, que uma agulha padrão penetra
verticalmente na amostra do material sob as condições prefixadas de carga, de tempo e
de temperatura.
(B) Errado. O recipiente utilizado para acomodar a amostra no ensaio de penetração
depende das características do material a ser ensaiado.
A penetração é a distância em décimos de milímetro que uma agulha padrão penetra
verticalmente na amostra de material sob condições prefixadas de carga, tempo e
temperatura. A amostra é fundida, colocada no recipiente apropriado, resfriada à
temperatura ambiente inicialmente, e, finalmente, em banho de água com temperatura
controlada. Após tempo determinado, a amostra é submetida à penetração por agulha
padronizada em aparelho adequado denominado penetrômetro.
O recipiente no qual a amostra vai ser ensaiada deverá ser de forma cilíndrica e fundo
plano, com as dimensões internas apresentadas no quadro adiante:
Para materiais de penetração Diâmetro mm Altura mm
Menor que 200 55 35
Maior que 200 70 55
(DNER-ME003/99)

(C) Correto. O método de ensaio para a determinação do teor de betume em cimentos


asfálticos de petróleo pode também ser aplicado para outros materiais aglutinantes
contendo mais de 95% de betume.
21) (CESPE/TCU/AFCE/2009) A respeito dos materiais betuminosos, julgue os itens que
se seguem.
(A) Entende-se por estabilidade Marshall a resistência máxima à compressão axial
apresentada pelo corpo de prova de material betuminoso, quando moldado e ensaiado de
acordo com procedimento estabelecido em norma específica.
(B) Na determinação do módulo de resiliência de material betuminoso, segundo
procedimento de norma específica, um corpo de prova cilíndrico é submetido a carga
vertical repetida, aplicada diametralmente.
Gabarito comentado
(A) Errado. Entende-se por estabilidade Marshall a resistência máxima à compressão
radial.
Por meio do Ensaio Marshall determina-se a quantidade ótima de ligante a ser utilizada
em misturas asfálticas usinadas a quente, destinadas à pavimentação de vias.
Com este ensaio é possível também determinar a estabilidade, que é a resistência
máxima à compressão radial, apresentada pelo corpo de prova expressa em N (kgf), e a
fluência, que corresponde à deformação total apresentada pelo corpo de prova, desde a
aplicação da carga inicial nula até a aplicação da carga máxima, expressa em décimos de
milímetro (centésimos de polegada), de misturas betuminosas usinadas a quente.
(B) Correto. O módulo de resiliência de misturas betuminosas é a relação entre a tensão
de tração aplicada repetidamente no plano diametral vertical de uma amostra cilíndrica de
mistura betuminosa e a deformação específica recuperável correspondente à tensão
aplicada, numa dada temperatura. O método de ensaio (DNER-ME 133/94) contém os
procedimentos normativos para a determinação do módulo de resiliência.
22) (CESPE/TCU/AFCE/2009) A especificação correta das características dos materiais
utilizados na construção civil constitui aspecto essencial para garantir a qualidade, a
funciona​lidade e a durabilidade da obra. A respeito da especificação do material dos
condutores de energia utilizados em instalações elétricas, julgue os itens subsequentes.
(A) Em instalações comerciais com potência instalada de até 120 kW, é permitido o
emprego de condutores de alumínio com seções menores que 50 mm2; para potência
maior, devem ser utilizados condutores de cobre.
(B) Em instalações industriais, podem ser utilizados condutores de alumínio, desde que a
seção nominal destes seja maior ou igual a 16 mm2, e a potência instalada, de, pelo
menos, 50 kW.
Gabarito comentado
(A) Errado. Os condutores de alumínio devem ter seções maiores que 50 mm2.
Segundo o item 6.2.3.8 da NBR 5410/2005 (instalações elétricas de baixa tensão), o uso
de condutores de alumínio só é admitido nas condições estabelecidas em 6.2.3.8.1 e
6.2.3.8.2.
O item 6.2.3.8.2 diz: “Em instalações de estabelecimentos comerciais podem ser
utilizados condutores de alumínio, desde que, simultaneamente:
1. a seção nominal dos condutores seja igual ou superior a 50 mm²,
2. os locais sejam exclusivamente BD1 (ver tabela 21) e
3. a instalação e a manutenção sejam realizadas por pessoas qualificadas (BA5, tabela
18)”.
(B) Correto. Em instalações industriais, podem ser utilizados condutores de alumínio,
desde que a seção nominal destes seja maior ou igual a 16 mm2, e a potência instalada
de, pelo menos, 50 kW.
Segundo o item 6.2.3.8 da NBR 5410/2005 (instalações elétricas de baixa tensão), o uso
de condutores de alumínio só é admitido nas condições estabelecidas em 6.2.3.8.1 e
6.2.3.8.2.
O item 6.2.3.8.1 diz: “Em instalações de estabelecimentos industriais podem ser
utilizados condutores de alumínio, desde que, simultaneamente:
1. a seção nominal dos condutores seja igual ou superior a 16 mm²,
2. a instalação seja alimentada diretamente por subestação de transformação ou
transformador, a partir de uma rede de alta tensão, ou possua fonte própria, e
3. a instalação e a manutenção sejam realizadas por pessoas qualificadas (BA5, tabela
18)”.
23) (CESPE/TCU/AFCE/2009) Com relação às especificações a aos tipos de tubulações
que podem ser utilizados nas instalações hidráulicas de um prédio, julgue os seguintes
itens.
(A) Para que tubos de chumbo sejam utilizados, estes devem ser perfeitamente maleáveis,
permitir dobramentos em ângulos de 180º, sem fissuras, e, entre outras características,
não apresentar bolhas.
(B) Os tubos de PVC flexível, do tipo pesado, têm sua aplicação limitada a redes que
transportam água à baixa pressão, como residências unifamiliares e prédios residenciais
de não mais de dois pavimentos.
(C) Permite-se a utilização de tubos de cerâmica desde que eles sejam pintados
externamente com tinta anticorrosiva, possuam revestimento interno e não transportem
fluidos quentes.
Gabarito comentado
(A) Errado. Tubos de chumbo em instalações hidráulicas prediais não estão previstos em
normas.
A NBR 5626/98 (água fria, item 4.3.3.1) proíbe o uso de chumbo e a NBR 7198/93 (água
quente) não cita o chumbo como material de possível utilização.
(B) Errado. Não são usados tubos de PVC flexível para instalações hidráulicas prediais,
apenas tubos de PVC rígido.
(C) Errado. Não são usados tubos de cerâmica para instalações hidráulicas prediais. No
passado eram usados para esgoto.
24) (CESPE/TCU/AFCE/2009) No que se refere às especificações técnicas dos tubos
utilizados nas instalações hidráulicas de edificações, julgue o item seguinte.
(A) Os tubos e conexões de ferro fundido não necessitam de revestimento interno.
Gabarito comentado
(A) Errado.
No item 7.2.1.1.1, a partir do livro do professor Walid Yazigi (A técnica de edificar. 10.
ed. São Paulo: PINI, 2009), pode-se deduzir que os tubos de ferro fundido de instalações
prediais de esgoto e águas pluviais não necessariamente precisam de revestimento
interno:
“maior resistência química: os tubos e conexões de ferro fundido são altamente
resistentes aos efluentes agressivos, frequentemente encontrados nos esgotos, tais como:
detergentes não biodegradáveis, água ácida e com alta temperatura. Com revestimento
interno tipo epóxi, ficam ainda mais resistentes aos agentes químicos encontrados nos
esgotos primário e no secundário de instalação predial”.
25) (CESPE/TCU/AFCE/2009) Um dos testes não destrutivos usualmente empregados
para a avaliação da consistência do concreto é o ensaio de abatimento, a partir do qual,
observando-se as condições do concreto fresco, é possível criar condições para o melhor
controle do produto final na estrutura da edificação. Com relação a esse teste, julgue os
próximos itens.
(A) O ensaio de abatimento é utilizado para se determinar a trabalhabilidade do concreto
analisado.
(B) No teste, a ocorrência de abatimento por cisalhamento caracteriza um concreto com
alta coesão.
(C) Tratando-se de concreto dosado em central, o teste deve ser feito imediatamente
após a sua produção, ou seja, antes de qualquer processo de transporte do material para
a utilização na obra.
Gabarito comentado
(A) Correto. O ensaio de abatimento do tronco de cone (slump-test) é utilizado para se
determinar a trabalhabilidade do concreto analisado.
(B) Errado. Para ser considerado com alta coesão, o concreto não pode cisalhar.
(C) Errado. O slump-test é realizado na entrega do concreto na obra.
26) (CESPE/TCU/AFCE/2009) Entre os ensaios utilizados para o controle do concreto
empregado em estruturas de concreto armado, a avaliação da resistência à compressão é
essencial para a garantia da segurança da edificação. Os procedimentos para a execução
desse ensaio são padronizados, e a análise dos resultados permite tomadas de decisões
importantes para a obra. A esse respeito, julgue os itens seguintes.
(A) A moldagem dos corpos de prova deve ser feita em fôrmas com qualquer geometria,
desde que a área de contato na prensa seja igual a 176 cm2.
(B) No capeamento dos corpos de prova, a superfície a ter contato com a prensa deve
receber tratamento especial após a moldagem do corpo de prova.
(C) Durante a execução das estruturas, a produção de concreto resulta em um produto
homogêneo, fato que justifica o estabelecimento do único procedimento existente para o
controle da resistência.
(D) O adensamento dos corpos de prova é feito com uma haste de socamento, com a
moldagem em camadas iguais e adensadas individualmente.
Gabarito comentado
(A) Errado. Os corpos de prova não podem ter “qualquer geometria”, mas sim aquelas
padronizadas por norma técnica (cilíndricos ou prismáticos).
Moldagem e cura dos corpos de prova de concreto
Os resultados da ruptura dos corpos de prova dependem muito da moldagem adequada,
podendo, muitas vezes, os resultados ruins das resistências ser atribuídos a erros de
moldagem.
O procedimento correto da confecção e da cura dos corpos de prova é especificado pela
NBR 5738/94: moldagem e cura de corpos de prova cilíndricos e prismáticos de concreto,
cujos pontos principais são:
1. Preparação dos moldes: as juntas devem ser vedadas com cera para impedir o
vazamento da nata de cimento, devendo-se untar a superfície lateral interna e o fundo do
molde com óleo mineral.
2. Moldagem dos corpos de prova: o concreto deve ser colocado, no molde, com o
emprego de uma concha, em camadas cujas alturas aproximadas estão especificadas na
tabela:
Tipo de Dimensão Número de Número de
Adensamento Básica (mm) Camadas Golpes por Camada
100 2 15
Manual
150 4 30
100 1 –
Vibratório
150 2 –
A moldagem manual deve ser realizada com uma haste de socamento de aço, com 600
mm de comprimento e 16 mm de diâmetro, idêntica à empregada no ensaio de abatimento.
Antes do adensamento de cada camada, o concreto deve ser distribuído uniformemente
dentro da fôrma, devendo a última camada sobrepassar, ligeiramente, o topo do molde
para facilitar o respaldo. A moldagem dos corpos de prova não deve sofrer interrupção.
3. Processo de adensamento: deve ser compatível com a consistência do concreto,
medida pelo abatimento do tronco de cone, e de acordo com a tabela mostrada a seguir.
Após o adensamento do concreto, qualquer que seja o processo adotado, a superfície do
topo dos corpos de prova deve ser alisada com colher de pedreiro.
Abatimento Processo de Adensamento do
(Slump) a (mm) Corpo de Prova
a < 20 Vibratório
20 ≤ a < 60 Manual ou vibratório
60 ≤ a < 180 Manual
a > 180 Manual
• Adensamento manual: em cada camada devem ser aplicados golpes de socamento,
uniformemente distribuídos, em toda a seção do molde, não devendo a haste penetrar na
camada já adensada.
• Adensamento vibratório: colocar todo o concreto de cada camada, antes de se iniciar a
vibração; quando empregado vibrador de imersão, deixar a ponta deste penetrar,
aproximadamente 25 mm, na camada imediatamente inferior, não devendo encostar nas
laterais e no fundo do molde, e deve ser retirado lenta e cuidadosamente do concreto.
Após a vibração de cada camada, bater nas laterais do molde, de modo a eliminar as
bolhas de ar e os eventuais vazios criados pelo vibrador.
Após a moldagem, os corpos de prova devem ser cobertos com chapa metálica ou outro
material não absorvente, para evitar a perda de água.
4. Desforma: os corpos de prova devem permanecer nas fôrmas por 24 horas, podendo
então ser desmoldados, desde que as condições de endurecimento do concreto permitam
a desforma, sem causar danos.
5. Cura final: até o início dos ensaios, os corpos de prova devem ser conservados
imersos em água saturada com cal, ou permanecer em câmara úmida, ou, ainda, ficar
completamente enterrados em areia saturada de água.
6. Capeamento dos topos dos corpos de prova: antes da realização dos ensaios, os
topos dos corpos de prova são capeados com uma mistura de enxofre com caulim, para
regularização da superfície.
(B) Correto. O capeamento é o acerto do topo e da base do corpo de prova com uma
argamassa especial, bem lisa, à base de enxofre derretido.
(C) Errado. O concreto apresenta problemas de homogeneidade, normalmente falta de
adensamento adequado quando aplicado em escala real.
Além disso, o procedimento de controle da resistência não é único, pois, além da
resistência à compressão, temos a resistência diametral (à tração), além da determinação
do módulo de ruptura.
(D) Correto. O adensamento dos corpos de prova é feito com uma haste de socamento,
com a moldagem em camadas iguais e adensadas individualmente.
27) (UNIVERSA/PCDF/PERITO/ENGENHARIA/2012) A NBR 8.802 (Concreto endurecido
– Determinação da velocidade de propagação de onda ultrassônica) prescreve o método
de ensaio não destrutivo para determinar a velocidade de propagação de ondas
longitudinais, obtidas por pulsos ultrassônicos, por meio de um componente de concreto.
Julgue se cada uma das aplicações a seguir é estabelecida por essa norma.
I. Verificação da homogeneidade do concreto.
II. Detecção de eventuais falhas internas de concretagem, profundidade de fissuras e
outras imperfeições.
III. Monitoramento de variações no concreto, ao longo do tempo, decorrentes de
agressividade do meio (ataque químico), principalmente pela ação de sulfatos.
IV. Estabelecimento de requisitos gerais para que os problemas de falhas internas de
concretagem não sejam encontrados nas peças estruturais.
V. Estabelecimento de requisito para especificação, produção e conformidade do
concreto.
A quantidade de aplicações estabelecidas pela NBR 8.802 é:
(A) 0
(B) 1
(C) 2
(D) 3
(E) 4
Gabarito comentado
Resposta: Letra D. Os itens I, II e III são aplicações estabelecidas pela NBR 8802.
A Norma NBR 8802 (Concreto endurecido – Determinação da velocidade de propagação
de onda ultrassônica) prescreve o método de ensaio não destrutivo para determinar a
velocidade de propagação de ondas longitudinais, obtidas por pulsos ultrassônicos, por
meio de um componente de concreto, e tem como principais aplicações:
1. verificação da homogeneidade do concreto (ver Anexo A);
2. detecção de eventuais falhas internas de concretagem, profundidade de fissuras e
outras imperfeições; e
3. monitoramento de variações no concreto, ao longo do tempo, decorrentes de
agressividade do meio (ataque químico), principalmente pela ação de sulfatos.
4 Resistência dos materiais e análise estrutural
Neste capítulo serão apresentados os princípios básicos que norteiam tanto a resistência dos
materiais como a análise estrutural que, apesar de se tratar de assuntos com escopos diferentes, são
disciplinas que se inter-relacionam e se complementam. Com isso, durante a resolução das questões
de provas de concursos públicos, é necessário o conhecimento de ambos os assuntos.
Entende-se por estrutura a parte (ou as partes) de um sistema, destinada a resistir às ações externas
(do meio ambiente sobre o sistema). Em todas as especialidades da Engenharia há estruturas.
Exemplos: pontes, barragens, edifícios altos, passarelas para pedestres, túneis, coberturas de
estádios esportivos, reservatórios de líquidos, vasos de pressão, silos para armazenamento de grãos,
chassis de caminhões etc.
A resistência dos materiais é um ramo da mecânica que estuda as relações entre cargas externas
aplicadas a um corpo deformável e a intensidade das forças internas que atuam dentro do corpo.
As estruturas e as máquinas nunca são absolutamente rígidas, deformando--se sob a ação das
cargas a que estão submetidas. Estas deformações são geralmente pequenas e não alteram
apreciavelmente as condições de equilíbrio ou de movimento da estrutura considerada. No entanto,
essas deformações terão importância quando houver riscos de ruptura do material.
Observa-se que o termo resistência dos materiais também é conhecido como mecânica dos
materiais ou mecânica dos sólidos.
De modo geral, a resistência dos materiais realiza o estudo da deformação e da estabilidade de
elementos estruturais submetidos a forças externas. Os elementos considerados nesta obra se
restringem a barras com carregamentos axiais, eixos em torção, vigas em flexão e colunas em flexão.
A análise estrutural é a fase do projeto estrutural em que é feita a idealização do comportamento da
estrutura. Esse comportamento pode ser expresso por diversos parâmetros, tais como pelos campos
de tensões, deformações e deslocamentos na estrutura. De uma maneira geral, a análise estrutural tem
como objetivo a determinação de esforços internos e externos (cargas e reações de apoio), e das
correspondentes tensões, bem como a determinação dos deslocamentos e correspondentes
deformações da estrutura que está sendo projetada. Essa análise deve ser feita para os possíveis
estágios de carregamentos e solicitações que devem ser previamente determinados.
Em suma, a análise estrutural é a etapa do projeto estrutural em que é feita uma previsão sobre o
comportamento da estrutura, isto é, uma simulação de como a estrutura responde a todas as
solicitações. Para esta simulação, é criado um modelo matemático, denominado modelo estrutural.
Classifica-se, nesta obra, a análise estrutural como sinônimo de mecânica das estruturas.
Pode-se dizer, então, que a resistência dos materiais se relaciona com a análise estrutural
(mecânica das estruturas) por meio dos esforços atuantes em um elemento estrutural.
Os esforços que agem sobre uma estrutura podem ser externos ou internos. Os externos são ativos
(cargas aplicadas) ou reativos (introduzidos pelos apoios). Os esforços internos se subdividem em
solicitantes (força normal, força cortante, momento fletor e momento de torção), e resistentes
(tensões normais e tensões tangenciais).
Os esforços solicitantes são equivalentes às tensões e, na realidade, não existem. O que existe são
as tensões, às quais o material resiste. Os esforços solicitantes são entidades fictícias, espécie de
meio-termo entre os esforços externos e as tensões, e foram criados, na mecânica das estruturas, com
a finalidade de facilitar o cálculo.
A resistência dos materiais tem como enfoque principal o estudo das tensões e o estudo das
deformações em estruturas reticuladas. Numa primeira etapa se procede à resolução da estrutura, isto
é, à determinação das reações de apoio e dos esforços solicitantes. Em seguida vem o
dimensionamento, com a limitação das tensões (condições últimas, ou de segurança) e o controle
das deformações (condições de utilização, ou de serviço).
O estudo das deformações é importante sob dois aspectos: limitar os deslocamentos de
determinados pontos da estrutura e, mais importante ainda, viabilizar a resolução dos sistemas
hiperestáticos.
Sob este último prisma, a resistência dos materiais pode ser vista como uma continuação da
estática, já que esta última só resolve sistemas isostáticos.
Para a resolução dos sistemas hiperestáticos dispõe-se de três conjuntos de equações: de
equilíbrio da estática, de compatibilidade (geometria das deformações) e constitutivas (relações
entre tensões e deformações), em que entra o material que compõe a estrutura.

4.1 Deformações e análise de tensões


Destaca-se mais uma vez que a resistência dos materiais tem como enfoque principal o estudo das
tensões e o estudo das deformações em estruturas reticuladas (formadas por barras), tais como: vigas
de todos os tipos, pórticos e treliças (planos ou espaciais), e grelhas.
Os conceitos de tensão e deformação podem ser ilustrados, de modo elementar, considerando-se o
alongamento de uma barra prismática (barra de eixo reto e de seção constante em todo o
comprimento).
4.1.1 Tensão normal (σ)
Considere-se uma barra prismática carregada nas extremidades por forças axiais P (forças que
atuam no eixo da barra), que produzem alongamento uniforme ou tração na barra. Sob ação dessas
forças originam-se esforços internos no interior da barra. Para o estudo desses esforços internos,
considere-se um corte imaginário na seção mm, normal a seu eixo. Removendo-se, por exemplo, a
parte direita do corpo, os esforços internos na seção considerada (m-m) transformam-se em esforços
externos. Supõe-se que esses esforços estejam distribuí​dos uniformemente sobre toda a seção
transversal.
Sólido submetido à força P
Para que não se altere o equilíbrio, esses esforços devem ser equivalentes à resultante, também
axial, de intensidade P.
Quando essas forças são distribuídas perpendicular e uniformemente sobre toda a seção
transversal, recebem o nome de tensão normal (σ), que é obtida dividindo-se o valor da força P pela
área da seção transversal, ou seja,

A tensão normal tem a mesma unidade de pressão, que, no Sistema Internacional de Unidades é o
Pascal (Pa), corresponde à carga de 1N atuando sobre uma superfície de 1m2, ou seja, Pa = N/m2.
Quando a barra é alongada pela força P, como indicado anteriormente, a tensão resultante é uma
tensão de tração; se as forças tiverem o sentido oposto, comprimindo a barra, tem-se tensão de
compressão.
A condição necessária para validar a σ = P/A é que a tensão σ seja uniforme em toda a seção
transversal da barra.
4.1.2 Deformação específica (ε)
O alongamento total de uma barra submetida a uma força axial, como visto na figura anterior, é
designado pela letra grega δ (delta). O alongamento por unidade de comprimento, denominado
deformação específica, representado pela letra grega ε (epsilon), é dado pela seguinte equação:

Em que:
ε = deformação específica;
δ = alongamento ou encurtamento;
L = comprimento total da barra.
Note-se que a deformação ε é uma quantidade adimensional. É de uso corrente no meio técnico
representar a deformação por uma fração percentual (%) multiplicando-se o valor da deformação
específica por 102 ou mesmo até (‰) multiplicando-se por 103.
4.1.3 Diagrama tensão-deformação
As relações entre tensões e deformações para um determinado material são encontradas por meio
de ensaios de tração. Nesses ensaios são medidos os alongamentos δ, correspondentes aos
acréscimos de carga axial P, que se aplicarem à barra, até a ruptura do corpo de prova.
Obtêm-se as tensões dividindo as forças pela área da seção transversal da barra e as deformações
longitudinais específicas dividindo o alongamento pelo comprimento ao longo do qual a deformação
é medida. Deste modo obtém-se um diagrama tensão-deformação do material em estudo. A figura a
seguir ilustra um diagrama tensão-deformação típica do aço.
Diagrama tensão-deformação do aço

a) Região elástica: a tensão é proporcional à deformação.


As tensões são diretamente proporcionais às deformações no trecho de 0 até A. Diz-se que o
material obedece à Lei de Hooke e o diagrama é linear.
O ponto A é chamado limite de proporcionalidade, pois, a partir desse ponto, deixa de existir a
proporcionalidade.
b) Região plástica: a tensão não é proporcional à deformação.
A partir do ponto A, as tensões deixam de ser lineares ou proporcionais, e inicia-se uma curva que
se afasta da reta 0A até o ponto B onde começa a fase chamada de escoamento que se caracteriza por
um aumento considerável da deformação com pequeno aumento da força de tração.
No ponto B inicia-se a região plástica. O ponto C é o final do escoamento e o material começa a
oferecer resistência adicional ao aumento de carga, atingindo o valor máximo ou tensão máxima no
ponto D, denominado limite máximo de resistência. Além do ponto D, maiores deformações são
acompanhadas por reduções da carga, ocorrendo, finalmente, a ruptura do corpo de prova no ponto E
do diagrama.
4.1.4 Classificação de materiais com relação à tensão-deformação
a) Materiais dúcteis: apresentam grandes deformações antes da ruptura.
Qualquer material que possa ser submetido a grandes deformações antes da ruptura é chamado de
material dúctil. Frequentemente, os engenheiros escolhem materiais dúcteis para o projeto, pois estes
são capazes de absorver choque ou energia e, quando sobrecarregados, exibem, em geral, grande
deformação antes de falhar.
A presença de um ponto de escoamento pronunciado, seguido de grande deformação plástica, é
uma característica do aço, que é o mais comum dos metais estruturais em uso atualmente. Tanto os
aços quanto as ligas de alumínio podem sofrer grandes deformações antes da ruptura. Outros
materiais como o cobre, o bronze, o latão, o níquel etc. também possuem comportamento dúctil.
b) Materiais frágeis: apresentam pequenas deformações antes da ruptura.
Os materiais que apresentam pouco ou nenhum escoamento antes de se romper são chamados
materiais frágeis ou quebradiços. Exemplos: o ferro fundido, o concreto, o vidro, a porcelana, a
cerâmica, o gesso, entre outros.
c) Material homogêneo: possui as mesmas propriedades físicas e mecânicas em todo o seu volume.
d) Material isotrópico: um material é isotrópico se suas propriedades mecânicas são as mesmas em
todas as direções. Os materiais isotrópicos podem ter uma estrutura microscópica homogênea ou
não homogênea. Por exemplo, o aço demonstra comportamento isotrópico, apesar de sua estrutura
microscópica ser não homogênea.
e) Material anisotrópico: um material é anisotrópico quando suas propriedades mecânicas são
diferentes em diferentes direções. Em geral, as propriedades mecânicas dos materiais
anisotrópicos não são simétricas em relação a qualquer plano ou eixo. Os materiais ortotrópicos
podem também ser chamados de anisotrópicos. Um exemplo de material anisotrópico é a madeira
pois, na direção de suas fibras, é mais resistente.

4.1.5 Tensão admissível


Normalmente emprega-se um coeficiente de segurança (γf ), majorando-se a carga calculada para
certificar-se de que a estrutura projetada não corra risco de ruína, levando em conta algumas
sobrecargas extras, bem como certas imprecisões na construção e possíveis desconhecimentos de
algumas variáveis na análise da estrutura.
Outra forma de aplicação do coeficiente de segurança é utilizar uma tensão admissível (σadm),
reduzindo a tensão calculada (σcalc).
A tensão admissível é normalmente mantida abaixo do limite de proporcionalidade, ou seja, na
região de deformação elástica do material. Assim,

4.1.6 Lei de Hooke


Os diagramas tensão-deformação ilustram o comportamento de vários materiais, quando
carregados por tração. Quando um corpo de prova do material é descarregado, isto é, quando a carga
é gradualmente diminuída até zero, a deformação sofrida durante o carregamento desaparecerá
parcial ou completamente. Esta propriedade do material, pela qual ele tende a retornar à forma
original, é denominada elasticidade. Quando a barra volta completamente à forma original, diz-se
que o material é perfeitamente elástico; mas se o retorno não for total, o material é parcialmente
elástico. Neste último caso, a deformação que permanece depois da retirada da carga é denominada
deformação permanente.
A relação linear da função tensão-deformação é conhecida por Lei de Hooke:
σ=E·ε
Em que:
σ = tensão normal;
E = módulo de elasticidade do material;
ε = deformação específica.
O módulo de elasticidade representa o coeficiente angular da parte linear do diagrama tensão-
deformação e é diferente para cada material.
A Lei de Hooke é válida para a fase elástica dos materiais. Por este motivo, quaisquer que sejam
os carregamentos ou solicitações sobre o material, vale a superposição de efeitos, ou seja, pode-se
avaliar o efeito de cada solicitação sobre o material e depois somá-los.
Quando a barra é carregada por tração simples, a tensão axial é σ = P/A e a deformação específica
é ε = δ/L. Combinando estes resultados com a Lei de Hooke, tem-se a seguinte expressão para o
alongamento da barra:

Esta equação mostra que o alongamento de uma barra linearmente elástica é diretamente
proporcional à carga e ao comprimento e inversamente proporcional ao módulo de elasticidade e à
área da seção transversal. O produto EA é conhecido como rigidez axial da barra.

4.1.7 Coeficiente de Poisson


Quando uma barra é tracionada, o alongamento axial é acompanhado por uma contração lateral,
isto é, a largura da barra torna-se menor enquanto cresce seu comprimento. Quando a barra é
comprimida, a largura da barra aumenta. A figura a seguir ilustra essas deformações.

Deformações longitudinal e lateral nas barras


A relação entre as deformações transversal e longitudinal é constante dentro da região elástica, e é
conhecida como relação ou coeficiente de Poisson (v); definido como:

O sinal negativo é utilizado pois o alongamento longitudinal (deformação positiva) provoca


contração lateral (deformação negativa) e vice-versa.
Observações:
• para os materiais isotrópicos tem-se que v ≈ 0,25; e
• para os materiais metálicos os valores de v usualmente encontram-se entre 0,25 e 0,35.

4.1.8 Princípio de Saint-Venant


O Princípio de Saint-Venant diz que a tensão normal é maior no ponto de aplicação
da carga, mas que ela se uniformiza depois de uma distância b.
Se forem aplicadas cargas concentradas num modelo de borracha conforme
ilustrado na figura, os elementos na vizinhança imediata dos pontos de aplicação das
cargas serão submetidos a tensões muito elevadas, enquanto os outros elementos na
proximidade das extremidades da barra praticamente não são afetados pelas cargas.
Este efeito pode ser verificado observando-se que os maiores deslocamentos, e logo as maiores
tensões e deformações, ocorrem perto dos pontos de aplicação das cargas, enquanto nos cantos não
se observam deformações.
No entanto, à medida que se consideram seções mais afastadas das extremidades nota-se uma
progressiva equalização das deformações envolvidas, logo uma distribuição de deformações e
tensões quase uniforme na seção transversal.
Este fenômeno está ilustrado na figura seguinte, em que estão representadas as distribuições de
tensões em várias seções transversais de uma placa retangular fina submetida a cargas concentradas,
obtidas com métodos matemáticos baseados na teoria da elasticidade.
Verifica-se que a uma distância b de cada extremidade, sendo b a largura da placa, a distribuição
de tensões é quase uniforme na seção, podendo admitir-se que o valor da tensão σy em qualquer
ponto dessa seção é igual a σmédio. Por outras palavras, à exceção da vizinhança imediata dos pontos
de aplicação das cargas, pode admitir-se que a distribuição das tensões é independente do modo de
aplicação das cargas.

4.1.9 Forma geral da Lei de Hooke


Considerou-se anteriormente o caso particular da Lei de Hooke, aplicável a exemplos simples de
solicitação axial. Se forem consideradas as deformações longitudinal (εL) e transversal (εt), tem-se,
respectivamente:

No caso mais geral, no qual um elemento do material é solicitado por três tensões normais σx, σy e
σz, perpendiculares entre si, as quais correspondem respectivamente às deformações εx, εy e εz, a Lei
de Hooke se escreve:

A Lei de Hooke é válida para materiais homogêneos, ou seja, aqueles que possuem as mesmas
propriedades (mesmos E e v) em todos os pontos.
4.1.10 Tensão de cisalhamento
Denomina-se força cortante (V) a componente de uma força contida no plano da seção transversal
considerada, como ilustrado nas figuras a seguir. A força cortante é uma força que atua no próprio
plano da seção transversal. A outra componente é a força normal.

A força cortante dá lugar, em cada um dos pontos da seção, ao aparecimento de uma tensão
tangencial, denominada tensão de cisalhamento, designada pela letra grega τ. Admitindo-se a
distribuição uniforme da tensão de cisalhamento na seção transversal de área A, tem-se, em cada
ponto da seção:

A tensão de cisalhamento, como a tensão normal, tem também a mesma unidade de pressão a qual,
no Sistema Internacional, é o Pascal (Pa).

4.1.11 Deformação de cisalhamento


As tensões de cisalhamento, quando agem em um elemento de material, são acompanhadas pelas
deformações de cisalhamento.
As tensões de cisalhamento produzem uma mudança na forma do elemento. Porém, os
comprimentos dos elementos nas direções x – y não se alteram.
O elemento original, que é um paralelepípedo retangular, é deformado em um paralelepípedo
oblíquo.
Na região elástica, o ângulo de distorção γ e a tensão τ são proporcionais.

Do exposto, pode-se definir a Lei de Hooke relacionando a distorção com a tensão tangencial, ou
seja:
τ=G·γ
O coeficiente G é denominado módulo de elasticidade transversal ou módulo de rigidez do
material e tem as mesmas unidades que o módulo de tração E (Pascal = Pa).
O ângulo γ é uma medida de distorção, ou mudança na forma, do elemento e é chamado de
deformação de cisalhamento que é usualmente medido em graus ou radianos.
O módulo de elasticidade para tração E e o módulo de elasticidade transversal G estão
relacionados da seguinte maneira, em que v é o coeficiente de Poisson:

Ressalta-se que E, G e v são propriedades elásticas dependentes do material. Como o valor do


coeficiente de Poisson para materiais comuns está em
zero e meio, temos que G deverá estar entre

4.1.12 Transformação de tensões


Considere o estado triaxial de tensões em um ponto obtido no sistema de eixos x, y
e z. Estes eixos, por conveniência, são normalmente adotados sendo paralelos às
cargas externas às quais estão submetidas as estruturas. No entanto, é necessário
conhecer o estado de tensão deste ponto num sistema de eixos qualquer, de forma a se
conhecer as máximas tensões atuantes, normal e cisalhante.
O estado de tensão fica num ponto completamente definido com nove componentes da tensão,
embora apenas seis sejam diferentes. Adiante, está ilustrado o tensor de tensões de Cauchy:

Destacam-se as igualdades dos seguintes termos:


τxy = τyx τxz = τzx τzy = τyz
Esta obra tratará apenas da transformação de tensão para o estado plano e para o estado uniaxial
de tensões.
a) Estado plano de tensões
Considere o estado plano de tensões obtido em dois sistemas de eixos diferentes.
Estado plano de tensões em dois sistemas de eixos diferentes
O Estado plano de tensões mostrado na figura anterior representa o mesmo estado de solicitação
em um ponto. O que é equivalente a dizer que as forças Fx e Fy são as componentes de uma força
resultante F nas direções x e y, enquanto as forças Fx’ e Fy’ são as componentes da mesma força
resultante F nas direções x’ e y’.
A relação entre as tensões medidas nos diferentes sistemas de eixos é feita seccionando-se um
elemento infinitesimal de forma que a face seccionada seja paralela aos eixos x’ ou y’. Sobre o
elemento resultante é imposto o equilíbrio de forças nas direções x’ e y’.

Relação entre as tensões nos dois sistemas de eixos diferentes


b) Estado uniaxial de tensões
O estado uniaxial de tensões ou estado simples de tensões é definido quando em um elemento de
seção transversal de área (A), submetida a uma força axial P, atua apenas a tensão normal (σ)
somente em uma direção. Observando-se as barras prismáticas abaixo, pode-se deduzir a expressão
para a tensão normal que é dada pela relação:

Chama-se atenção que forças axiais provocam tanto tensões normais como tensões tangenciais em
planos que não são perpendiculares ao eixo da peça.
Como exemplo para ilustrar a importância deste fato, considere duas peças de madeira com uma
seção transversal retangular uniforme de 90 x 140 mm unidas por meio de uma emenda simplesmente
colada, como é indicado. Sabendo-se que a máxima tensão tangencial admissível na cola é de 500
kPa, determine o valor da máxima força axial, P, que pode ser aplicada em segurança.
• Da decomposição da força P em componentes normais e tangenciais ao plano da emenda, sabe-se
que V =P · sen θ;
• Observando a figura sabe-se que

• A tensão tangencial provocada pela força P é de .

Como conclusão, chega-se a que a máxima carga P que pode ser aplicada à peça de madeira deve
ser inferior a 19,3 · 103 N.
Para o cálculo das transformações de tensões utiliza-se o método conhecido como Círculo de Mohr
que depende das convenções de sinais das tensões normais e das tensões tangenciais. Apresentam-se
duas maneiras de se empregar o Círculo de Mohr para se calcular as tensões em um ponto.
Na primeira maneira, traçamos a tensão normal σx positiva para direita e a tensão de cisalhamento
τxy positiva para baixo. A vantagem é que o ângulo 2θ no círculo de Mohr tem o mesmo sentido do
ângulo θ do retângulo.​

Na segunda maneira, traçamos a tensão normal σx positiva para a direita e a tensão de


cisalhamento txy positiva para cima. Porém, o ângulo 2θ do círculo de Mohr tem sentido contrário do
ângulo θ do retângulo.
Exemplo: na figura (a) adiante, há um elemento submetido a um estado plano de tensão. O círculo
de Mohr correspondente é traçado em um sistema de coordenadas ortogonais τ × σ (tensão de
cisalhamento × tensão normal).

Considerações de cálculo do círculo de Mohr:


1. Centro em (σm, 0), onde , ou seja, σm é a tensão normal média.

2. Raio dado por


Portanto, o círculo de Mohr pode ser traçado com as equações anteriores a partir de um estado
conhecido de tensões σx, σy e τxy (lembrando que τxy = τyx).
As tensões principais, σ1 e σ2, são dadas pela interseção do círculo com o eixo horizontal,
conforme pontos A e B da figura. Pode-se então es​crever:
σ1, 2 σm ± R
Na figura (b) anterior, há indicação das tensões principais, que atuam ao longo dos respectivos
eixos principais XP e YP . Temos, ainda, que σ1 e σ2 são as tensões normais máxima e mínima
atuantes no elemento (e não há cisalhamento nas direções principais).
A simbologia Φp é o deslocamento angular, em relação aos eixos principais, do estado de tensão
(a) considerado.
O ponto C corresponde às tensões no eixo X do elemento da figura (a). Pode ser facilmente
determinado a partir dos valores das tensões e do círculo traçado.
No círculo de Mohr, os deslocamentos angulares são o dobro dos deslocamentos físicos. Assim, o
eixo Y da figura (a), que é deslocado de 90º de X, é deslocado de 180º no círculo, ou seja, é
representado pelo ponto D. E o ângulo do eixo principal Φp corresponde a 2Φp no círculo.
Os pontos extremos na vertical (E e F) indicam as tensões máxima e mínima de cisalhamento.
Desde que, no círculo, estão deslocadas de 90º em relação aos eixos principais (A e B), conclui-se
que fisicamente estão a 45º dos eixos prin​cipais.
Convenções:
No elemento (a), ocorrem tensões normais (σx e σy) positivas (tração). O cisalhamento é também
positivo com as direções indicadas.
Note-se que o deslocamento angular 2Φp no círculo de Mohr ocorre em direção oposta ao
deslocamento físico Φp.
Considera-se agora a seguinte figura. Das propriedades geométricas da circunferência, deduz-se
que se o ângulo AOC é 2Φp, o ângulo ABC é a metade desse valor, isto é, Φp. Então, a direção da
tensão principal pode ser graficamente determinada pela reta que passa pelos pontos B e C.

Algumas publicações usam convenção contrária para o cisalhamento, e os deslocamentos angulares


passam a ter a mesma direção. Porém, ambas as formas do círculo de Mohr são matematicamente
corretas, e qualquer uma pode ser usada para resolver o problema.
Sobre o assunto, seguem algumas conclusões importantes:
• A maior tensão possível é (σ1 e a menor é (σ2. Nestes planos não existem tensões de
cisalhamento.
• A maior tensão de cisalhamento τmax é igual ao raio do círculo e uma

• tensão normal de atua em cada um dos planos de máxima e


• mínima tensão de cisalhamento.
• Se σ1 = σ2, o círculo de Mohr se degenera em um ponto, e não se desenvolvem tensões de
cisalhamento no plano xy.
• Se σ1 = σ2 = 0, o centro do círculo de Mohr coincide com a origem das coordenadas, e existe o
estado de cisalhamento puro.
• Se σx + σy = 0, o centro do círculo de Mohr coincide com a origem das coordenadas σ – τ , e
existe o estado de cisalhamento puro.
• A soma das tensões normais em quaisquer dos planos mutuamente perpendiculares é constante: σx
+ σy = σ1 + σ2 = σx + σy = constante.
• Os planos de tensão máxima ou mínima formam ângulos de 45° com planos das tensões
principais.
• Alguns exemplos de estados de tensão mais comuns:

4.2 Flexão, tensão e flambagem


Nesta seção serão tratadas as definições e classificações dos principais tipos de flexões e tensões
em estruturas de engenharia.
Uma barra está sujeita a flexão quando há momento fletor atuante. O esquema adiante mostra a
classificação dos tipos de flexão:

Legenda:
Flexão Simples Reta (F.S.R.)
Flexão Composta Reta (F.C.R.)
Flexão Simples Oblíqua (F.S.O.)
Flexão Composta Oblíqua (F.C.O.)
4.2.1 Definições
a) A flexão simples considera a ação do momento fletor e do esforço cortante e pode ser classificada
como flexão reta ou flexão oblíqua.
b) A flexão composta considera a ação do momento fletor e do esforço normal e também pode ser
classificada como flexão reta ou flexão oblíqua.
c) A flexão reta ocorre quando o Plano de Solicitações – PS contém um dos eixos principais centrais
de inércia da seção (x), que está representada na figura a seguir.

d) A flexão oblíqua ocorre quando o Plano de Solicitações – PS é desviado em relação aos eixos
principais centrais de inércia da seção, representada na figura a seguir:

4.2.2 Flexão pura reta


Flexão pura refere-se à flexão na viga submetida a um momento fletor constante. Portanto, a flexão
pura ocorre apenas em regiões da viga em que a força de cisalhamento é zero. Por sua vez, a flexão
pura reta ocorre quando o Plano de Solicitações (PS) contém um dos eixos principais centrais de
inércia da seção (x) – consultar item 4.2.1.

Viga AB biapoiada submetida a dois


momentos M1 com a mesma magnitude, mas
em direções opostas. Essas cargas
produzem um momento fletor constante ao
longo da viga. Observe que a força de
cisalhamento é nula em todas as seções
transversais da viga.
Viga AB engastada submetida a um momento
M2 na extremidade livre. Não existem forças
de cisalhamento nessa viga, e o momento
fletor M é constante ao longo de seu
comprimento.
Viga AB simetricamente carregada pela força
P. A região central da viga está em flexão
pura porque o momento fletor é constante e
a força de cisalhamento é nula. As partes da
viga próximas às extremidades estão em
flexão não uniforme porque o momento fletor
varia e as forças de cisalhamento não são
Principais conclusões sobre flexão pura numa nulas.
viga:
Considere uma viga de seção transversal retangular, sujeita ao carregamento simétrico P, aplicada
nas seções S1 e S2, conforme figura abaixo:

x, y – eixos principais centrais de inércia da seção retangular


z – eixo longitudinal da peça

Isolando o trecho compreendido entre as seções S1 e S2, podem-se tirar diversas conclusões:

a) As fibras de baixo se alongaram, no nível de σT, e isso nos diz que deve haver uma tensão normal
de tração capaz de provocar este alongamento.
b) As fibras de cima se encurtaram, no nível de σC, e o fizeram porque houve uma tensão normal de
compressão que as encurtou.
c) Existe uma linha na seção transversal na altura do eixo longitudinal constituída por fibras que não
se alongaram nem se encurtaram, nos fazendo concluir que nesta linha não existe tensão normal.
Chamamos esta linha de Linha Neutra (LN) e neste caso ela coincide com o eixo x, que é
principal central de inércia da seção transversal retangular.

d) Numa flexão reta a LN é sempre um dos eixos principais centrais de inércia da seção:
No caso de uma seção retangular, os eixos principais de inércia coincidem com os eixos de simetria
do retângulo, ou seja, os eixos x e y da figura acima.
• Se o Plano de Solicitações (PS) contiver o eixo y implica que a LN deve coincidir com o eixo x.

• Por analogia ao caso anterior, se o Plano de Solicitações (PS) contém o eixo x impllica que LN
coincide com o eixo y.
• Numa flexão reta, a LN e o PS são sempre perpendiculares entre si.
Observação: A Linha Neutra (LN) representa fisicamente o eixo em torno do qual a seção gira.
e) Quanto mais afastada for a fibra da LN, maior será a sua deformação e consequentemente maior
será a tensão que lhe corresponde (Lei de Hooke). Observe que a LN coincide com o eixo x.

4.2.3 Flexão composta reta


Quando existe, além do momento fletor, uma força normal (de tração ou compressão) atuando em
uma peça, pode-se escrever a tensão normal tltal (σ) na seção transversal, considerando-se o
princípio da superposição dos efeitos, com a seguinte equação:

Onde:
σ é a tensão normal atuante na seção transversal
A é a área da seção transversal
N é o esforço normal atuante
M é o momento fletor aplicado
I é o momento da inércia
Y é a ordenada medida em relação ao centroide da seção
A presença da força normal faz com que a linha neutra (LN) sofra uma translação para cima ou
para baixo, conforme a natureza da força normal. A equação da linha neutra deixa de ser y = 0 e
passa a ser escrita como (σ = 0):

A Flexão Composta Reta representa a ação combinada de força normal e apenas um momento
fletor, em relação ao eixo z (Mz) ou em relação ao eixo y (My). Os momentos fletores podem
decorrer da excentricidade, com relação ao eixo do elemento, de força atuando na direção
longitudinal dos eixos x ou y.

Para a carga longitudinal aplicada sobre o


eixo y, obtém-se o esforço normal N e o
momento fletor Mz.
Para a carga longitudinal aplicada sobre o
eixo z, obtém-se o esforço normal N e o
momento fletor My.

O estudo da flexão composta deve ser feito com todas as cargas


reduzidas ao centroide da seção transversal, conforme indicam os
desenhos a seguir:

Caso particular
Quando o momento fletor é constante ao longo da barra, a força cortante vale zero. Neste caso, a
flexão composta reta passa a se chamar tração ou compressão excêntricas, conforme o sinal da
força normal. A distância do ponto de aplicação da força normal até o centroide se chama
excentricidade (e). Como a flexão é reta (e não oblíqua), a excentricidade é paralela a um dos eixos
centrais principais de inércia.
4.2.4 Tensões normais devido à flexão da viga
Considere-se a viga a simplesmente apoiada, submetida a duas forças concentradas no mesmo
plano xy que contém o eixo da barra, como ilustra a figura adiante.
Essas forças produzem deslocamentos nos diversos pontos do eixo da viga dando origem a tensões
internas.
A parte central da viga está sujeita somente ao momento fletor M = P · a, sem esforço cortante.
Neste trecho diz-se que a solicitação é de flexão pura.
Nas seções da viga em que atuam simultaneamente momento fletor e força cortante, diz-se que há
flexão simples.
a) Hipóteses
Na dedução das expressões das tensões normais decorrentes da flexão, admitem-se as seguintes
hipóteses:
• “as seções planas permanecem planas após a deformação” (hipótese simplificadora atribuída a
Bernouille-Navier);
• supõem-se vigas prismáticas, ou seja, barra de eixo reto e de mesma seção transversal;
• admite-se que o material obedeça à Lei de Hooke e que os módulos de elasticidade à tração e à
compressão sejam iguais.
Quando a viga é de material elástico linear, com diagrama tensão-deformação linear (material que
obedece à Lei de Hooke), tem-se, σx = E · ε. Portanto, as tensões normais na viga são:

Onde r é definido como o raio de curvatura da viga biapoiada na posição


deformada devido aos momentos fletores (Me) aplicados nos apoios, como ilustrado
na figura ao lado:
Uma viga sob flexão se deforma em relação à sua posição inicial. A curva do eixo
baricêntrico da viga, após se ter deformado, define a linha elástica cuja equação
possibilita determinar o deslocamento vertical ou flecha v e o deslocamento angular ou rotação θ, de
qualquer posição ao longo do comprimento da viga, em função da curvatura da viga (θ).
A equação diferencial da linha elástica é definida por:

Observa-se que a tensão σx é proporcional à distância da Linha Neutra (hipótese de Navier). As


tensões variam linearmente com a distância y do eixo neutro, como é mostrado na figura abaixo.
As tensões máximas de tração e de compressão ocorrerão nos pontos mais afastados do eixo
neutro. Designando os afastamentos das fibras extremas por yinf e ysup, respectivamente, tem-se:

Do estudo das características geométricas de seções planas, define-se Módulo resistente (W) por:

Tensões em função do módulo resistente e momento fletor:

Quando a viga tiver seção retangular, com largura b e altura h, o momento de inércia e o módulo
resistente são respectivamente:

Para seção circular de diâmetro d, tem-se:

b) Exemplo de cálculo
O momento fletor da viga da figura a seguir é M = 24 kNm. Sabendo-se que a tensão admissível do
material utilizado na viga é σadm = 5kN/cm​2 e que se trata de um perfil retangular com b = 5 cm
(largura), determinar a altura (h) do perfil.

Para retângulos tem-se:

O módulo resistente pode também ser expresso por


Ou seja,
Logo, determina-se a altura h da viga:
4.2.5 Tensões de cisalhamento em vigas na flexão
A tensão de cisalhamento em uma seção num ponto distante y’ do eixo neutro é determinada dada
por:
Para viga retangular, temos:

Legenda
V é a força de cisalhamento (cortante);
Q é o primeiro momento da área da seção transversal acima da Linha Neutra;
I é o momento de inércia da seção transversal;
b é a base da seção retangular.
Observações:
• a distribuição da tensão de cisalhamento é parabólica;
• a tensão de cisalhamento é nula nas extremidades .
• a tensão de cisalhamento é máxima no eixo neutro (y' = 0).

4.2.6 Tensões compostas


A seção transversal de um membro está sujeita a vários tipos de esforços internos simultaneamente.
A tensão resultante desses esforços é obtida pela superposição das tensões por causa de cada esforço
interno calculado separadamente.
O princípio da superposição pode ser usado desde que haja uma relação linear entre tensão e
carregamento. Ainda, considerando a deflexão (v) pequena, deve-se desprezar o momento gerado
pelo carregamento (W).
Nos casos em que as deformações são pequenas, o princípio da superposição pode ser empregado
separadamente para cada força aplicada na estrutura.

Nos casos em que as deformações são pequenas, o princípio da superposição pode ser empregado
separadamente para cada força aplicada na estrutura. O tensor de tensões é para este caso
bidimensional:

4.2.7 Flambagem
A flambagem é um fenômeno que ocorre em peças esbeltas (peças onde a área de secção
transversal é pequena em relação ao seu comprimento), quando submetidas a um esforço de
compressão axial. A flambagem acontece quando a peça sofre flexão transversal (deflexão lateral)
devido à compressão axial. Veja as figuras a seguir.
Na Figura (a), a coluna não sofre flambagem.
Na Figura (b), a coluna está sofrendo uma
deflexão lateral (flambando) em função da
carga P aplicada no apoio B.

A perda de estabilidade lateral, em peças comprimidas esbeltas,


acontece bem antes de a carga aplicada P atingir a carga de ruptura (Pr) da coluna. A carga aplicada
no momento em que ocorre a flambagem é conhecida como Carga Crítica (Pcr). Ressalta-se que Pr é
distinto de Pcr.
Observe a figura ao lado para auxiliar na determinação do valor crítico da caarga P
pra o qual o sistema deixa de ser estável, isto é, P > Pcr.
Para o cálculo da Carga Crítica (Pcr), chama-se x a distância da extremidade A da
coluna até o ponto Q de sua linha elástica e y a deflexão desse ponto. Observa-se que
o momento fletor (M) em Q é calculado pela expressão:
M = –P · y
Substituindo-se M na equação diferencial da linha elástica, tem-se:

A solução dessa equação diferencial resulta na equação da Carga Crítica ou Fórmula de Euler,
dada por:

Observação: A carga crítica depende de E, I, L. Não depende do carregamento original P.


Faz-se agora a substituição de L por Llf conhecida por comprimento de flambagem e que depende
das condições de apoio da estrutura.
Logo, tem-se que a carga crítica de flambagem (Pcr) pode ser dada por:

sendo:
Pcr = carga crítica de flambagem, também conhecida por carga de Euler;
E = módulo de elasticidade do material;
I = momento de inércia da seção; e
Lfl = comprimento de flambagem da barra.
A natureza do fenômeno permite perceber os seguintes pontos:
a) A teoria de primeira ordem, que permite, nos cálculos dos esforços, confundir a forma inicial da
estrutura com sua forma deslocada pelas cargas, deve ser abandonada no estudo da flambagem.
b) A flambagem não é problema de resistência, e sim de estabilidade elástica. A carga crescente
abandona, no valor da carga crítica (Pcr), o regime de equilíbrio estável e entra em regime de
equilíbrio instável, no qual as flechas crescem com uma carga praticamente constante.
c) A ruptura da peça se dá não por compressão, mas sim por flexão.
d) Considerações sobre o equilíbrio da coluna:
• Se P < Pcr, a coluna está em equilíbrio estável na posição reta.
• Se P = Pcr, a coluna está em equilíbrio neutro tanto na posição reta quanto na posição levemente
flexionada.
• Se P > Pcr, a coluna está em equilíbrio instável na posição retilínea e irá flambar sobre a menor
perturbação.
e) Comprimento de flambagem(Lf): Em função do tipo de fixação das suas extremidades, a peça
apresenta diferentes comprimentos livres de flambagem como mostra as figuras na página seguinte.

• Peças biengastadas: para esse tipo de peça, o comprimento de flambagem é metade do


comprimento da peça, ou seja: Lf = 0,5 L.
• Peças articuladas e engastadas: para esse tipo de peça, o comprimento de flambagem é 0,7 do
comprimento da peça, ou seja: Lf = 0,7 L.
• Peças biarticuladas e engastadas: para esse tipo de peça, o comprimento de flambagem é igual ao
comprimento da peça, ou seja: Lf = L.
• Peças engastadas e livres: para esse tipo de peça, o comprimento de flambagem é o dobro do
comprimento da peça, ou seja: Lf = 2L.
f) Índice de Esbeltex (λ): O parâmetro λ é conhecido como Índice de Esbeltez, por ser uma relação
entre a altura da barra e as características da seção, exprimindo de alguma forma quão delgada é a
peça.
g) Com a utilização do Índice de Esbeltez (λ), a tensão crítica de flambagem (σcr) resultará na
Fórmula de Euler:
Sendo:
σcr = tensão crítica de flambagem;
E = módulo de elasticidade do material;

Lfl = comprimento de flambagem da barra;

I = momento de inércia da seção; e


A = área da seção transversal.
h) Do ponto de vista prático, o comprimento de flambagem (Lfl) deve ser esco​lhido com pessimismo
para se ter margem de segurança. Motivo pelo qual a NBR-7190 (Cálculo e Execução de
Estruturas de Madeira – Norma Brasileira Registrada) adota para comprimento de flambagem o
dobro do comprimento da peça (Lfl = 2 = L), quando simplesmente engastada, e o comprimento da
peça nos demais casos (Lfl = L).

4.3 Esforços solicitantes em uma seção


Para o entendimento do conceito de esforços solicitantes em uma seção de uma estrutura reticulada,
como uma barra, viga, pilar, quadro ou pórtico plano, são necessários conhecimentos básicos como o
equilíbrio de um corpo rígido.
4.3.1 Equilíbrio de um corpo rígido
Todo sólido submetido à ação de forças se deforma, entretanto, na prática, a natureza do problema
em estudo muitas vezes permite abstrair desta deformação e considerar o sólido como um corpo
rígido.
Corpo rígido é todo sólido capaz de receber forças sem se deformar.
Seja um corpo rígido contido em um plano e cujos deslocamentos possíveis também estejam
contidos neste plano. Neste caso este corpo rígido estará em equilíbrio se e somente se as três
equações fundamentais da estática forem satisfeitas:

1. A soma das componentes horizontais de todas as forças aplicadas a este corpo rígido é nula.
∑ Fh = 0
2. A soma das componentes verticais de todas as forças aplicadas a este corpo rígido é nula.
∑ Fv = 0
3. A soma dos momentos, em qualquer ponto do corpo rígido, oriundos de todas as forças aplicadas
a este corpo rígido, é nula.
∑ Mo = 0
Sendo o momento (Mo) definido pelo produto da força (F) pela distância (z) do ponto considerado
(O) à linha de ação desta força. Esta distância é conhecida por braço de alavanca. As unidades
usuais de momento são: N · m, N · cm, N · mm.
Mo = F · z
Estado triaxial de tensões em um elemento infinitesimal
4.3.2 Esforços solicitantes
Os esforços solicitantes são as forças e os momentos que aparecem nas seções de corpos rígidos
em equilíbrio. Os esforços internos solicitantes ou efeitos internos são classificados em:
1. Força normal (N), perpendicular à seção;
2. Força cortante (V), no plano da seção;
3. Momento fletor (M), no plano perpendicular à seção;
4. Momento torsor (T), no plano da seção.
Observa-se que na figura “a”, o sólido está submetido externamente às forças F1, F2, F3 e ao
momento fletor M1. Enquanto na figura “b”, tem-se o sólido dividido em duas partes por um corte
imaginário. .
As forças internas (N, M e V) são distribuídas sobre as seções e as condições de equilíbrio são
satisfeitas para cada parte separadamente. Isso significa que a resultante das forças internas na seção
genérica S pode ser obtida tanto na parte esquerda quanto na direita do corte imaginário no sólido.

Figura (a) Corpo submetido a forças externas;


Figura (b) Esforços internos N, M e V decorrentes do corte imaginário.

Esforços solicitantes de mesma intensidade podem significar ações físicas completamente


diferentes, por exemplo tração ou compressão; por essa razão destacam-se as convenções de sinais a
seguir:
• Esforço normal (N)
É a componente da força que age perpendicular à seção transversal. Se for dirigida para fora do
corpo, provocando alongamento no sentido da aplicação da força, produz esforços de tração. Se for
dirigida para dentro do corpo, provocando encurtamento no sentido de aplicação da força, produz
esforços de compressão. As forças normais são equilibradas por esforços internos resistentes e se
manifestam sob a forma de tensões normais (força por unidade de área).
O esforço normal tende a afastar (tração – positivo) ou aproximar (compressão – negativo) as
partes do corpo na direção perpendicular à superfície de corte.

• Esforço cortante (V)


É componente da força, contida no plano da seção transversal que tende a deslizar uma porção do
corpo em relação à outra, provocando corte (deslizamento da seção em seu plano). As tensões
desenvolvidas internamente que opõem resistência às forças cortantes são denominadas tensões de
cisalhamento ou tensões tangenciais (força por unidade de área).
O esforço cortante tende a deslizar relativamente às partes do corpo numa direção paralela à
superfície virtual de corte. É positivo quando tenta girar a peça no sentido horário e negativo quando
tende a girar a peça no sentido anti--horário.

• Momento fletor (M)


Um corpo é submetido a esforços de flexão quando solicitado por forças que tendem a dobrá-lo,
fleti-lo ou mudar sua curvatura. O momento fletor age no plano que contém o eixo longitudinal, ou
seja, perpendicular à seção transversal.
O momento fletor tende a girar relativamente as partes do corpo em torno de um eixo paralelo à
superfície virtual de corte. É positivo quando traciona as fibras inferiores e é negativo quando
traciona as fibras superiores.

• Momento torsor (T)


A componente do binário de forças que tende a girar a seção transversal em torno do eixo
longitudinal é chamada momento de torção.
O torsor tende a girar relativamente às partes do corpo em torno da direção perpendicular à
superfície virtual de corte. O torsor é considerado positivo quando sai da seção e é negativo em caso
contrário.

4.3.3 Resumo das convenções de sinais


RESUMO DAS CONVENÇÕES DE SINAIS
Esforços
solicitantes Sinal positivo (+) Sinal negativo (–)

Força normal
Traciona a barra Comprime a barra
(N)
Força cortante Gira o trecho de barra em que atua no Gira o trecho de barra em que atua no
(V) sentido horário sentido anti-horário
Momento fletor
Traciona as fibras inferiores da barra Traciona as fibras superiores da barra
(M)
Quando o vetor T sai da seção Quando o vetor T entra na seção
Torsor (T)
transversal de corte transversal de corte
Observação: os esforços solicitantes geram, internamente na estrutura, esforços resistentes,
chamados tensões. O esquema a seguir ilustra este conceito:

4.3.4 Roteiro para cálculo de esforços solicitantes em determinada


seção de uma estrutura plana
1. Cálculo das reações de apoio.
2. Cortar a estrutura, na seção, onde se deseja encontrar os esforços solicitantes, colocando os
esforços solicitantes, isto é, as incógnitas, com seu sentido positivo.
3. Escolher uma das partes da estrutura, para os cálculos e, se necessário, concentrar os
carregamentos uniformemente distribuídos no centro dos trechos carregados e/ou decompor cargas
inclinadas.
4. Aplicar, na parte escolhida, as três equações de equilíbrio (∑ Fh = 0 ∑ Fv = 0 ∑ Mo = 0) obtendo
da solução do sistema de equações resultantes os esforços solicitantes nesta seção. Para facilitar
os cálculos, costuma-se escolher o ponto de corte para aplicar a equação ∑ Mo = 0
Exemplo:
Para calcular os esforços solicitantes na seção genérica C da viga:

p = carga uniformemente distribuída


ℓ = vão livre da viga
A = apoio fixo
B = apoio móvel
x = distância da seção genérica C ao apoio fixo A
Passo 1. Cálculo das reações de apoio:

Substituição dos apoios por suas reações Substituição dos apoios


por suas reações

Resultando:

Passo 2. Corte da estrutura em C com seus esforços solicitantes, considerados positivos:

Passo 3. Pode-se escolher qualquer uma das partes que o resultado será o mesmo. Escolhendo-se a
parte esquerda, da estrutura, e concentrando-se o carregamento uniformemente distribuído, obtém-se
o esquema apresentado na figura a seguir:

Passo 4. Aplicando-se as equações de equilíbrio, obtém-se:

Resultando, para a seção C:


4.4 Diagrama de esforços solicitantes
Diagrama de esforços solicitantes são diagramas que representam a variação dos esforços
solicitantes ao longo da estrutura.
Esses diagramas são construídos sobre o eixo da estrutura, representando suas abscissas, tendo em
cada seção, representado nas ordenadas, o valor do esforço solicitante considerado. O diagrama de
momento fletor é sempre desenhado do lado tracionado da estrutura dispensando-se a utilização de
sinais. O mesmo não acontece com os diagramas de força normal e força cortante, cujos sinais são
indispensáveis. Quando, em determinado trecho, o diagrama é constante é comum se usar um sinal de
igual, sobre este trecho, assinalando o valor do esforço solicitante sobre ele.
Exemplo de diagramas de esforços solicitantes. Veja a viga biapoiada a seguir:

a) Diagrama de momento fletor

A equação caracteriza uma parábola de segundo grau e, portanto, é definida por três
pontos:
• Para x = 0 (apoio A) → M = 0

• Para
• Para x = l (apoio B) → M = 0
b) Diagrama de força normal
A equação N = 0 caracteriza uma constante, que independe de x:
Em todas as seções a força normal é nula.
c) Diagrama de força cortante
A equação caracteriza uma reta e, portanto, é definida por dois pontos:
• Para
• Para

4.4.1 Exemplos de traçado de diagramas de carga-momento


4.4.2 Decomposição de carregamento geral
A figura adiante mostra que ao se romper a estrutura nos pontos B e C devem-se colocar os
esforços simples (M, V e Q) para manter a estrutura em equilíbrio.

4.4.3 Vigas biapoiadas com balanços


Para traçar o diagrama de momentos fletores numa viga biapoiada com balanços, tratamos os
balanços como vigas engastadas e livres, ligamos os momentos atuantes nos apoios por uma linha
reta e, a partir dela, penduramos o diagrama de viga biapoiada por causa das cargas atuantes no
trecho entre os apoios.

4.4.4 Diagramas solicitantes para pórticos planos


Para desenhar o diagrama de esforços solicitantes do pórtico, desmembra-se o pórtico em barras,
de modo que cada barra fique em equilíbrio separadamente. Faz-se o diagrama para cada em
separado. O diagrama do pórtico é obtido dos diagramas de cada barra.
Pórtico plano Pórtico plano desmembrado em barras
Observação: ao desmembrar o quadro, devem-se aplicar nas extremidades de cada barra os
esforços simples correspondentes (M, N e V). Observe, por exemplo, o nó C; para se manter o
equilíbrio neste nó, os esforços simples têm sentidos opostos em cada barra.
É muito importante que o nó esteja equilibrado, pois o somatório de momentos deve ser nulo em
qualquer nó da estrutura.
∑ M(nó) = 0
Exemplo de diagramas de pórtico plano (quadro) para se obter os diagramas solicitantes para o
quadro a seguir.

Exemplo de quadro engastado e livre

No pórtico plano (quadro), as suas três reações de apoio Ha, Va, Ma são imediatamente obtidas
empregando-se as três equações universais da Estática e, a partir daí, chegamos, sem maiores
problemas, a seus diagramas solicitantes.
4.4.5 Relações diferenciais entre esforços solicitantes
Considerando-se a carga para e os esforços solicitantes M, N e V como funções de uma mesma
abscissa x, podem-se obter relações entre esses esforços.
Seja o elemento de viga representado nas seguintes figuras, sujeito a uma carga distribuída para,
não singular dentro do elemento de comprimento dx.

Do equilíbrio horizontal do elemento, esta figura, resulta:


∑ Fh = 0 (→1 ) ∴ –N + (N + dN) = 0 dN = 0
Do equilíbrio vertical do elemento, figura anterior, resulta:

Do equilíbrio de momentos, no ponto A, do elemento, figura anterior, resulta:

Desprezando-se os diferenciais de segunda ordem, obtém-se:

Deriva-se uma vez em x para encontrar a seguinte expressão:

Resumo: as equações diferenciais dos esforços solicitantes são muito importantes para o estudo
das estruturas reticuladas. Destaca-se que essas equações são a base do desenvolvimento dos
teoremas propostos para o traçado dos diagramas de esforços solicitantes.
4.4.6 Traçado de diagramas de esforços solicitantes
Teorema 1. Mudanças no carregamento, ao longo da estrutura, podem alterar as equações dos
esforços solicitantes e, portanto, podem provocar mudanças de curvas no diagrama.

Mudanças no carregamento provocando mudanças de curvas


Teorema 2. Em trechos de estruturas sem carregamento vertical, o diagrama de força cortante, sob
este trecho, apresentar-se-á constante, e o diagrama de momento fletor, linear.

Forma dos diagramas sob trechos de estrutura sem carregamento


Teorema 3. Em trechos de estruturas sob carga vertical uniformemente distribuída, o diagrama de
força cortante, sob este trecho, apresentar-se-á linear, e o diagrama de momento fletor, parabólico,
possuindo, ainda, no ponto central do trecho, uma distância (d) entre a parábola e a linha de fecho
dada por:

Em que:
d = distância entre a parábola e a linha de fecho, no ponto central;
p = carga uniformemente distribuída;
a = comprimento do trecho, sob o carregamento uniformemente distribuído.
Forma dos diagramas sob trechos de estruturas com carga uniformemente distribuída
Teorema 4. Em seções de estruturas sob carga vertical concentrada, o diagrama de força cortante,
nesta seção, sofre um “salto” de valor idêntico à carga concentrada, apresentando valores diferentes
para a força cortante à esquerda e à direita da carga.

Forma do diagrama de força cortante em seção sob carregamento concentrado


Teorema 5. Em seções de estruturas onde ocorre um momento aplicado, o diagrama de momento
fletor sofre um “salto” no valor do momento aplicado, apresentando valores diferentes para o
momento fletor à esquerda e à direita do momento aplicado.

Teorema 6. Em trechos de estruturas sob carregamento axial uniformemente distribuído, o diagrama


de força normal apresentar-se-á linear.

Forma do diagrama de força normal sob carga axial uniformemente distribuída


Teorema 7. Em trechos de estruturas sem carregamento axial, o diagrama de força normal
apresentar-se-á constante. Em particular, estruturas sem carregamento axial apresentam diagramas de
força normal nulos, bem como reações horizontais nulas.
Forma do diagrama de força normal sob trecho sem carga axial

Estrutura sem carregamento axial apresenta diagrama de força normal e reação no sentido axial também nula
Teorema 8. Em seções de estruturas sob carga axial concentrada, o diagrama de força normal sofre
um “salto”, nesta seção, no valor da carga, apresentando valores diferentes para a força normal à
esquerda e à direita da seção considerada.

Forma do diagrama de força normal sob carga axial concentrada


Teorema 9. Estruturas simétricas com carregamentos simétricos apresentarão:
a) reações de apoio simétricas;
b) diagrama de força normal simétrico;
c) diagrama de momento fletor simétrico; e
d) diagrama de força cortante assimétrico.
Estrutura simétrica com carregamento simétrico

4.4.7 Roteiro para traçado de diagramas de esforços solicitantes


1. Calcular as reações de apoio.
2. Determinar as seções onde devem ser obtidos os esforços solicitantes (pontos-chave), que são: à
esquerda e à direita de cargas concentradas, seções onde ocorrem mudanças de carregamento e as
extremidades da estrutura.
3. Determinar os esforços solicitantes (N, M, V) nestas seções, os pontos-chave, conforme o roteiro
para cálculo de esforços solicitantes em determinada seção​ de uma estrutura plana.
4. Iniciar o traçado dos diagramas, plotando os resultados obtidos no passo anterior.
5. Completar os diagramas utilizando os teoremas apresentados
Exemplo:
Traçar os diagramas de M, N e V da estrutura representada na figura a seguir:

Passo 1. Cálculo das reações de apoio.


O cálculo das reações fica simplificado, pois se observa que:
• a estrutura e o carregamento são simétricos, portanto, as reações são simétricas;
• a estrutura não possui carregamento no sentido axial, portanto reação neste sentido (horizontal) é
nula.
Neste caso, as reações podem ser obtidas apenas com o auxílio da equação ∑ Fv 5 0
∑ Fv = 0(+↑ ) ∴ V1 + V1 – 4 000 – 10 000 – 4 000 = 0 ⇒ 2 · V1 = 18 000 ⇒
⇒ V1 = 9 000 N (sentido adotado)
Passo 2. Determinar os “pontos-chave”.

Existe um total de seis seções, nas quais se devem obter os esforços solicitantes. Entre a simetria
da estrutura e carregamento sabe-se que:
• Ponto 6 é simétrico do Ponto 1, assim: M6 = M1, V6 = –V1 e N6 = N1
• Ponto 5 é simétrico do Ponto 2, assim: M5 = M2, V5 = –V2 e N5 = N2
• Ponto 4 é simétrico do ponto 3, assim: M4 = M3, V4 = –V3 e N4 = N3
Passo 3. Determinar M, N e V nos pontos-chave.
Pelo exposto anteriormente, basta determinar os esforços solicitantes nos pontos 1, 2 e 3.
Ponto 1 (parte esquerda – extremidade da viga)

Ponto 2 (final do carregamento distribuído)

Ponto 3 (parte esquerda)


Obtêm-se, assim, para os seis “pontos-chaves”, os seguintes esforços soli​citantes:
N1 = 0N N2 = 0N N3 = 0N N4 = 0N N5 = 0N N6 = 0N
V1 = 9 V6 = –9
V2 = 5 000N V3 = 5 000N V4 = –9 000N V5 = –5 000N
000N 000N
M2 = 14 M3 = 14 M4 = 19 M5 = 14
M1 = 0N·m M6 = 0N·m
000N·m 000N·m 000N·m 000N·m
Passo 4. Traçar os diagramas de M, N e V.

Obs.: Para se determinar o diagrama de M,


necessita-se obter mais um ponto da parábola,
normalmente se usa o ponto central.

4.5 Classificação geral das estruturas


De modo geral, as estruturas podem ser classificadas em estruturas isostáticas, hipostáticas e
hiperestáticas. Nesta seção, serão estudadas as estruturas conhecidas como vigas simples, vigas
gerber, quadros, arcos e treliças.
4.5.1 Tipos de estruturas quanto à estaticidade
Quanto à estaticidade, as estruturas podem ser classificadas em hipostáticas, isostáticas e
hiperestáticas.
As estruturas são classificadas em função do número de reações de apoio ou vínculos que
possuem. Cada reação constitui uma incógnita a ser determinada.
Para as estruturas planas, a estática fornece três equações fundamentais:
∑ Fx = 0 ∑ Fy = 0 ∑ MA = 0

4.5.2 Tipos de apoios ou vínculos


As estruturas, de forma geral, podem apresentar três tipos de apoios ou vínculos: apoio móvel,
apoio fixo e engastamento.

• Impede movimento na direção normal


(perpendicular) ao plano do apoio;
• Permite movimento na direção
paralela ao plano do apoio;
• Permite rotação.

• Impede movimento na direção normal


ao plano do apoio.

• Impede movimento na direção normal


ao plano do apoio;
• Impede movimento na direção
paralela ao plano do apoio;
4.5.3 • Impede rotação.
Estruturas
hipostáticas
Estruturas hipostáticas são aquelas cujo número de reações de apoio ou vínculos é inferior ao
número de equações fornecidas pelas condições de equilíbrio da estática.
A figura a seguir ilustra um tipo de estrutura hipostática. São duas as incógnitas: RA e RB. Esta
estrutura não possui restrição a movimentos horizontais.
4.5.4 Estruturas isostáticas
Estruturas isostáticas são aquelas cujo número de reações de apoio ou vínculos é igual ao número
de equações fornecidas pelas condições de equilíbrio da estática.
No exemplo da estrutura da figura, as incógnitas são três: RA, RB e HA. Esta estrutura está fixa;
suas incógnitas podem ser resolvidas somente pelas equações fundamentais da estática.

4.5.5 Estruturas hiperestáticas


Estruturas hiperestáticas são aquelas cujo número de reações de apoio ou vínculos é superior ao
número de equações fornecidas pelas condições de equilíbrio da estática.
Um tipo de estrutura hiperestática está ilustrado na figura a seguir. As incógnitas são quatro: RA,
RB, HA e MA. As equações fundamentais da estática não são suficientes para resolver as equações
de equilíbrio.
São necessárias outras condições relativas ao comportamento da estrutura, como, p. ex., a sua
deformabilidade para determinar todas as incógnitas.

Uma estrutura está restringida quando possui vínculos para limitar todos os movimentos possíveis
da estrutura (translação e rotação) como um corpo rígido.​
a) Número de incógnitas
• Externas: reações de apoio ou vinculares;
• Internas: esforços internos necessários ao traçado dos diagramas (conhecidas as reações de
apoio) – estruturas fechadas.
b) Número de equações de equilíbrio
• Externo: equações de equilíbrio estático para a estrutura como um todo (seis no espaço e três no
plano);
• Interno: equações de equilíbrio estático para parte da estrutura, conhecidos um ou mais esforços
internos (ex.: rótula).
g: grau de estaticidade ou hiperestaticidade = número de incógnitas – número de equações.
Critério apresentado por Sussekind: g = ge + gi,
sendo:
ge = número de incógnitas externas – número de equações de equilíbrio externo e interno
gi = número de incógnitas internas, ou também:
ge = grau de hiperestaticidade externa;
gi = grau de hiperestaticidade interna.
4.5.6 Regra geral quanto à estaticidade de vigas
a) Estruturas hipostáticas: n. reações apoio < equações estáticas
b) Estruturas isostáticas: n. reações apoio = equações estáticas
c) Estruturas hiperestáticas: n. reações apoio > equações estáticas
Importante: A regra geral apresenta apenas as condições necessárias mas não suficientes.
Exceções de estaticidade de vigas

Exemplos de estaticidade de vigas

Nº de equações equilíbrio externo = 3


Nº de equações equilíbrio interno = 1
(Momento fletor em C = 10)
Nº de incógnitas = = 5 4

Observação: A viga Gerber consiste na associação de vigas com estabilidade própria com outras
sem estabilidade própria.
4.5.7 Regra geral quanto à estaticidade de pórticos planos
a) Estruturas hipostáticas: n. reações apoio< equações estáticas
b) Estruturas isostáticas: n. reações apoio = equações estáticas
c) Estruturas hiperestáticas: n. reações apoio > equações estáticas

Número de equações adicionais = número de barras ligadas pela rótula – 1

Estrutura isostática: restringida a movimentação de corpo rígida, isto é, g =0.

4.5.8 Regra geral quanto à estaticidade de arcos


a) Estruturas hipostáticas: n · reações apoio < equações estáticas
b) Estruturas isostáticas: n · reações apoio = equações estáticas
c) Estruturas hiperestáticas: n · reações apoio > equações estáticas

Observação: quando um arco triarticulado, para um dado carregamento, está submetido apenas a
esforços normais, dizemos que sua forma é a da linha de pressões deste carregamento.
4.5.9 Regra geral quanto à estaticidade de quadros
Conhecidos N1, V1 e M1, obtêm-se os esforços N2, V2 e M2 em qualquer seção.

4.5.10 Regra geral quanto à estaticidade de treliças planas


Treliça é toda estrutura constituída de barras ligadas entre si nas extremidades. O ponto de
encontro das barras é chamado nó da treliça. Os esforços externos são aplicados unicamente nos nós.
Denomina-se treliça plana quando todas as barras de uma treliça estão em um mesmo plano.

A condição para que uma treliça de malhas triangulares seja isostática é:


2n = b + v
Em que:
b = número de barras
n = número de nós
v = número de reações de apoio
Adota-se como convenção de sinais:

b + v = 2n → ISOSTÁTICA
b + v < 2n → HIPOSTÁTICA
b + v > 2n → HIPERESTÁTICA
Grau de Hiperestaticidade (g) → g = b + v – 2n
Observações:
• b + v < 2n. É condição necessária e suficiente para que uma treliça seja hipostática
• b + v = 2n ou b + v > 2n. São condições apenas necessárias (mas não suficientes) para que uma
treliça seja isostática ou hiperestática, respectivamente. A palavra final é dada após o exame
específico de cada caso.
4.5.11 Estabilidade de treliças (deformável ou indeformável)
• Todo sistema reticulado deformável é instável (hipostático).
• Todo sistema reticulado indeformável é estável (isostático ou hiperestático).
• Treliça ideal é o sistema reticulado cujas barras têm todas as extremidades rotuladas e cujas
cargas estão aplicadas apenas em seus nós.
• Métodos de resolução treliças isostática:
– Método dos nós;
– Método de Ritter (Método das Seções → Analítico); e
– Método de Cremona (Gráfico).
Exemplo 1. A treliça tem v + b = 4 + 19 = 23 e 2n = 20, isto é, 23 > 20, o que sugere que seja 3
vezes hiperestática. No entanto, a treliça é hipostática: pode transladar e o painel ABCD é
deformável.

O painel é estável se for triangular. O painel ABCD é deformável


Exemplo 2. A treliça é v + b = 3 + 15 = 18 e 2n = 18, o que sugere que seja isostática. No entanto,
a treliça é hipostática: o painel EFDC é deformável.

O painel EFCD é deformável

4.5.12 Roteiro de cálculo de esforços pelo método dos nós


O método dos nós, também conhecido por equilíbrio de nós, é o método analítico mais indicado
quando se deseja obter os esforços normais em todas as barras da treliça. Consiste no equilíbrio de
cada nó isoladamente, por meio das equações ∑ Fx = 0 e ∑ Fy = 0.
1. Cálculo das reações de apoio.
2. Cálculo dos comprimentos das barras e dos ângulos entre as barras da treliça.​
3 Cálculo dos esforços nos nós.
3.1. Isolar um nó, para o qual concorrem apenas duas barras, substituindo cada barra por seu
esforço normal (incógnita) admitido como de tração (saindo do nó). Em seguida, adotar um
sistema de coordenar x, y com origem no nó e aplicar as equações de equilíbrio ΣFx = 0 e ΣFy =
0, obtendo os esforços nas barras. O sinal do esforço obtido indica se a força é de tração (sinal
+) ou de compressão (sinal –).
3.2. Isolar outro nó, em uma das barras do nó anterior e para o qual concorram apenas duas novas
barras. Repetir para este nó as mesmas operações descritas no passo 3.1, aproveitando os
resultados do nó anterior e obtendo os esforços nestas duas novas barras.
3.3. Repetir o passo 3.2 até que terminem os nós ou que se conheçam, por simetria, os esforços nas
outras barras.
4. Fornecer a solução.
4.5.13 Roteiro de cálculo de reações de apoio (estruturas isostáticas)
O cálculo das reações de apoio de uma estrutura isostática é feito com o auxílio das três equações
de equilíbrio (Fx = 0, Fy = 0 e M = 0).
1. Substituir os apoios por suas reações, utilizando-as como incógnitas. O sentido das reações é
adotado arbitrariamente.
2. Concentrar, se necessário, os carregamentos uniformemente distribuídos no centro do trecho
carregado e/ou decompor cargas inclinadas.
3. Aplicar as três equações de equilíbrio e resolver o sistema de equações resultante obtendo as
reações de apoio. Para facilitar os cálculos, costuma-se escolher um dos apoios, o que contiver
maior número de reações, para se aplicar a equação M = 0.
4. Fornecer a solução em desenho, invertendo o sentido das reações que resultarem negativas na
resolução do sistema.

4.6 Estruturas estaticamente determinadas e estaticamente


indeterminadas
As forças que atuam nas barras da estrutura podem ser calculadas pelas​ equações da estática. Tais
estruturas são denominadas estaticamente determinadas.​
Há casos, porém, em que as equações de equilíbrio fornecidas pela estática não são suficientes
para a determinação de todas as ações e reações de uma estrutura. Para essas estruturas,
denominadas estruturas estaticamente indeterminadas, as forças e as reações só poderão ser
calculadas se as deformações forem levadas em conta. Para tanto, utiliza-se o Princípio de
Superposição de Efeitos que só pode ser aplicado a estruturas pouco deformáveis, em que a
configuração de equilíbrio com o carregamento pode ser considerada igual à configuração antes do
carregamento, nas quais as tensões são proporcionais às deformações.
O Princípio da Superposição de Efeitos rege que: se o carregamento de uma estrutura for uma
combinação linear de outros carregamentos, mais simples, os efeitos produzidos por este
carregamento podem ser obtidos pela combinação linear equivalente dos efeitos dos diversos
carregamentos, mais simples, atuando isoladamente na estrutura.
As condições para superposição de efeitos são pequenas deformações e material trabalhando em
regime linear elástico.
4.6.1 Superposição de efeitos
O método da superposição é uma técnica prática e comumente usada para obter deflexões
(deslocamentos) e ângulos de rotação de vigas. O conceito pode ser estabelecido da seguinte
maneira: a deflexão de viga produzida por diversos carregamentos diferentes atuando
simultaneamente pode ser encontrada superpondo-se as deflexões produzidas pelos mesmos
carregamentos atuando separadamente.
O princípio da superposição é usualmente válido para tensões, deformações, momentos fletores e
outras quantidades além das deflexões, sendo bastante utilizado, também, na análise de barras,
treliças, vigas, pórticos e outros tipos de estruturas estaticamente indeterminadas (hiperestáticas).
No caso particular de deflexões de vigas, o princípio de superposição é válido sob as seguintes
condições:
• a Lei de Hooke é válida para o material;
• as deflexões e rotações são pequenas; e
• a presença de deflexões não altera as ações dos carregamentos aplicados.
Exemplo de aplicação: cálculo da reação do apoio simples de uma viga hiperestática
Em uma viga hiperestática (engastada em A e apoiada em B) submetida ao carregamento
distribuído (ver figura adiante), a reação de apoio simples (RB) pode ser obtida somando-se
algebricamente os deslocamentos, no mesmo ponto, correspondentes à carga distribuída (q) e à
reação RB, atuando isoladamente. Ressalta-se que a soma dos deslocamentos devidos aos
carregamentos é nula porque na verdade o vínculo em B não se desloca.
Para resolver o problema, seleciona-se a reação RB como redundante e suprime-se o vínculo
correspondente, obtendo-se como estrutura primária uma viga em balanço, com um carregamento
distribuído (q) para baixo e uma força vertical para cima (RB).
Por fim, a reação de apoio (RB) da viga hiperestática é obtida pela superposição dos
deslocamentos produzidos pela carga distribuída (δB') e pelo deslocamento provocado pela reação
RB (δB") atuando separadamente na viga. Lembre-se de que a soma dos deslocamentos produzidos
deve ser nula, como descreve a expressão:
δB = δ'B + δ"B = 0
4.6.2 Linha elástica: equações diferenciais de curvas de deflexão
Linha elástica é a curva que representa o eixo da viga após a deformação.
A deflexão “v” é o deslocamento de qualquer ponto no eixo da viga.

Convenções de sinais
1. Eixos x e y são positivos para a direita e para cima.
2. A deflexão (v) é positiva para cima.
3. A inclinação dv/dx e o ângulo de rotação (teta) são positivos no sentido anti--horário para x
positivo.
4. O carregamento distribuído (q) é positivo para baixo.
5. O momento fletor (M) é positivo quando traciona fibras inferiores.
6. O cortante (Q) é positivo quando gira o elemento no sentido horário.
7. O esforço normal (N) é positivo na tração.
Observações:
• vigas prismáticas: rigidez (EI) → constante
• vigas não prismáticas: rigidez (EI) → não é constante
A seguir se encontram as equações fundamentais da estática e as equações da linha elástica que são
utilizadas para a obtenção das deflexões de uma viga sob flexão em função dos esforços simples (M,
V) e do módulo de rigidez à flexão (EI).
a) Equações fundamentais da estática obtidas a partir do equilíbrio de um elemento de viga dx da
figura que segue:
b) Equações da linha elástica
Para a resolução das equações diferenciais devem-se utilizar tanto as condições de contorno como
as condições de continuidade que dependem dos tipos de vinculação da estrutura (apoiada ou
engastada).

Em que: Com a deflexão (v) positiva para cima (+↑), os sinais de: M é
(+), V é (+), q é (–)
M: momento fletor Com a deflexão (v) positiva para baixo (+↓): M é (–), V é (–), q
V: esforço cortante é (+)

q: carregamento distribuído
v: deflexão na direção y (positiva para cima +​)
E: módulo de elasticidade do material (Módulo de Young)
I: momento de inércia
EI: módulo de rigidez à flexão
c) Condições de contorno gerais:

d) Condições de contorno relativas às deflexões e rotações em vigas engastadas:

e) Condições de contorno relativas às deflexões e rotações em vigas biapoiadas:


f) Condições de continuidade:

Exemplo de aplicação
Seja a viga biapoiada com comprimento L, seção com momento de inércia I e material com módulo
de elasticidade E submetida a um carregamento uniformemente distribuído q.

A equação da linha elástica ao lado usa sinal negativo para M


porque a deflexão (v) tem orientação positiva para baixo (+↓).

O momento fletor na seção distante x do apoio A é:

A equação de 2ª ordem da linha elástica é:

Integrando obtém-se: (C1 constante de integração):

1ª condição de contorno:

(pela simetria)

Integrando novamente chega-se a:

2ª condição de contorno:
Y = 0 quando x = 0 → C2 = 0
Equação de deflexão em qualquer seção:

A flecha máxima ocorre no meio do vão e é igual a:

A rotação máxima ocorre nas extremidades da viga:

A tabela a seguir mostra as deflexões máximas de cada viga submetida aos carregamentos
indicados. Para economizar tempo na resolução da equação diferencial da linha elástica, recomenda-
se que se memorizem os principais casos.
Exemplo de cálculo de estrutura utilizando a tabela:

Calcular o deslocamento vertical máximo da viga da figura.


Dado: Eaço = 21000 kN/cm2.

Se a seção transversal da viga fosse b = 30 cm e h = 10 cm, o deslocamento vertical seria:

Observação: note que a mudança de posição da seção trnsversal da viga aumentou em 9 vezes o
deslocamento vertical.
4.6.3 Cálculo de momentos fletores de vigas contínuas
Vigas contínuas: são vigas hiperestáticas com dois ou mais vãos.
Para as vigas contínuas, o cálculo não é tão simples quanto era para as vigas isostáticas.
Nas vigas isostáticas, são três as incógnitas, precisamos então de três equações, que são as três
equações da estática (somatório dos momentos em relação a um ponto igual a zero, somatório das
forças verticais igual a zero e somatório das forças horizontais igual a zero).
Para as vigas hiperestáticas, tem-se mais de três incógnitas. Foram criados então vários métodos
para o cálculo das reações de apoio e dos momentos fletores nos vãos. Uma vez conseguidos estes
valores, podem-se calcular os momentos fletores e forças cortantes nos demais pontos da viga e,
consequentemente, desenhar os diagramas.
Métodos de cálculo:
• Método das forças: nesse método as incógnitas principais do problema são forças e momentos,
que podem ser reações de apoio ou esforços internos. Todas as outras incógnitas são expressas em
termos das incógnitas principais escolhidas e substituídas em equações de compatibilidade, que são
então resolvidas.
• Método dos deslocamentos: observa-se que o método dos deslocamentos ataca a solução de
estruturas de maneira inversa ao que é feito pelo método das forças. Por isso esses métodos são ditos
duais. Na formalização do método dos deslocamentos, a sequência de introdução das condições
básicas também é inversa: primeiro são utilizadas as condições de compatibilidade, em seguida são
consideradas as leis constitutivas dos materiais, e finalmente são utilizadas as condições de
equilíbrio.
• Método de Cross: conhecido, também, como método da distribuição de momentos, é utilizado
para o cálculo de momentos fletores em vigas contínuas, pórticos planos, grelhas e até em pórticos
espaciais. Este processo é baseado no método dos deslocamentos e só se aplica para estruturas sem
deslocabilidades externas (do tipo translação), isto é, ele só se aplica a estruturas com barras
inextensíveis e que só tenham deslocabilidades do tipo rotação.
• Método da Equação dos Três Momentos: o método calcula os momentos fletores em três apoios
sequenciais de uma viga, a partir dos quais po-dem-se calcular os momentos fletores em qualquer
seção.
Dentre os vários métodos existentes para o cálculo de vigas hiperestáticas, será apresentado neste
capítulo o método da equação dos três momentos.
Análise do método da equação dos três momentos
O método calcula os momentos fletores em três apoios (Xn – 1, Xn e Xn + 1) sequenciais de uma
viga, a partir dos quais podem-se calcular os momentos fletores em qualquer seção.
Vamos escolher um trecho de dois vãos e de três apoios (n – 1, n e n + 1) de uma viga
contínua sujeita a um carregamento qualquer conforme a figura a seguir:

A seguir será apresentada a equação dos três momentos para uma viga com momento de inércia
constante no vão e de vão para vão.
Ln · Xn – 1 + 2(Ln + Ln + 1) · Xn + Ln + 1 · Xn + 1 = –6 · (μ2 · n + μ1 · n + 1)
Em que:
Ln e Ln + 1 → comprimento dos vãos
Xn – 1, Xn e Xn + 1 → momento nos apoios
μ2 · n e μ1 · n + 1 → fatores de carga
Os fatores de carga são função da carga atuante no vão.
Quando houver mais de uma carga atuando em um mesmo vão, os fatores de carga finais são dados
pela soma dos fatores de carga de cada uma das cargas.
• Para carga uniformemente distribuída ao longo do vão:

• Para carga concentrada no vão:

Observação:
O índice “1” nas fórmulas de fatores de carga acima indica apoio da esquerda e o índice “2”
indica apoio da direita.
a) Exemplo prático de aplicação da equação dos três momentos em uma viga hiperestática, com dois
vãos, com carga distribuída em um dos vãos e uma carga concentrada no outro vão.

Equação dos três momentos:


Ln ? Xn – 1 + 2 · (Ln + Ln + 1) · Xn + Ln + 1 · Xn + 1 = –6 · (μ2 · n + μ1 · n + 1)
Aplicação da fórmula nos apoios e nos vãos:
Vãos: L1 e L2
Apoios: n – 1 = 0; n = 1; n + 1 = 2
Aplicação da fórmula:
L1 · X0 + 2 · (L1 + L21) · X1 + L2 · X2 5 −6 ? (μ2 · 1 + μ1 · 2)
Observação: nos apoios de extremidade, o valor do momento será igual a 0 (zero) – se não houver
balanço. Ou seja, X0 = 0 e X2 = 0.
Cálculo dos fatores de carga μ1 e μ2:

Substituindo os valores na equação dos três momentos, tem-se:


2 · (L1 + L2) · X1 = –6 · (m2 · 1 + m1 · 2)
2 · (4,00 + 5,00) · X1 = –6 · (9,33 + 16,00)
X1 = –9,44 · kNn
As reações de apoio devem ser calculadas separadamente para cada vão. Além das cargas nos
vãos (distribuídas e/ou concentradas), devem-se aplicar também os momentos nos apoios do
respectivo vão. O sentido desses momentos (horário ou anti-horário) deve deformar o vão da mesma
maneira que a carga aplicada sobre ele.

• Para o vão 1:

• Para o vão 2:
A reação no apoio 1 é igual à soma das reações do apoio 1 para os vãos 1 e 2.

Visão final da viga, com momentos nos apoios e reações de apoio, a partir dos quais serão
calculados os momentos fletores que servirão de base para o desenho do diagrama:
Observações:
• Devem-se calcular os momentos fletores nas seções de início e de fim de carga distribuída e nas
seções de carga concentrada.
• As reações de apoio são cargas concentradas.
• É indiferente olhar as cargas à esquerda ou à direita de uma determinada seção, o resultado é
sempre o mesmo.
Do exemplo vem:

b) Exemplo de viga contínua de dois vãos com carregamento distribuído:


• Cálculo do momento fletor no apoio central utilizando o método da equação dos três momentos:

Cálculo da reação vertical no apoio central utilizando o método da equação dos três momentos.
Utilizando o método, encontram-se as seguintes reações de apoio:

c) Exemplo de viga contínua de três vãos:


4.6.4 Linhas de influência
Diversas estruturas são solicitadas por cargas móveis. Exemplos são pontes rodoviárias e
ferroviárias ou pórticos industriais que suportam pontes rolantes para transporte de cargas. Os
esforços internos nestes tipos de estrutura não variam apenas com a magnitude das cargas aplicadas,
mas também com a posição de atuação das cargas. Portanto, o projeto de um elemento estrutural,
como uma viga de ponte, envolve a determinação das posições das cargas móveis que produzem
valores extremos dos esforços nas seções do elemento.
A resolução desses tipos de problema de cargas móveis em estruturas utiliza-se do processo de
linhas de influência, assim definido:
“Linhas de Influência (LI) descrevem a variação de um determinado efeito (por exemplo, uma
reação de apoio, um esforço cortante ou um momento fletor em uma seção) em função da posição de
uma carga unitária que passeia sobre a estrutura. Assim, a LI de momento fletor em uma seção é a
representação gráfica ou analítica do momento fletor, na seção de estudo, produzida por uma carga
concentrada unitária, geralmente de cima para baixo, que percorre a estrutura” (MARTHA, Luiz
Fernando. Métodos básicos da análise de estruturas. Departamento de Engenharia Civil, PUC-RJ.
<http://www.tecgraf.puc-rio.br/∼lfm>).​
Isso é exemplificado na figura a seguir, que mostra a LI de momento fletor em uma seção S
indicada. Nesta figura, a posição da carga unitária P = 1 é dada pelo parâmetro x, e uma ordenada
genérica da LI representa o valor do momento fletor em S em função de x, isto é, LIMS = MS(x). Em
geral, os valores positivos dos esforços nas linhas de influência são desenhados para baixo e os
valores negativos para cima.

Linha de influência de momento fletor em uma seção de uma viga contínua


Outros exemplos de linhas de influência (LI):
a) Veja, por exemplo, a linha de influência do momento fletor em S para a viga a seguir:
b)Exemplo em estruturas isostáticas simples: viga biapoiada:

ii) carga à direita de S: (x > x)

c) Exemplo em estruturas isostáticas simples: viga engastada e livre:

4.6.5 Método da viga conjugada


O Método da viga conjugada visa à obtenção da deformada num ponto de uma viga. A equação que
relaciona o momento fletor com a carga exterior é formalmente análoga à equação que define a
curvatura em termos do momento fletor, como facilmente se constata, assim como a equação do
esforço cortante e da rotação.
As constantes de integração T(0), M(0), θ(0) e v(0) são calculadas nos dois casos por meio das
condições de contorno que estão associadas aos apoios. Essas condições são distintas nos dois
casos: no caso da equação de equilíbrio, o momento e o esforço cortante são nulos na extremidade
livre na ausência de ações externas; e no caso da equação da deformada, o deslocamento transversal
e a rotação são nulos no caso de se tratar de um engaste.
No método da viga conjugada, tira-se partido da analogia referida e determinam-se as rotações e
os deslocamentos transversais carregando uma viga fictícia, a viga conjugada, com uma carga de
valor igual a e nesta viga determinam-se os esforços cortantes e os momentos fletores, os
quais tomam valores idênticos às rotações e aos deslocamentos na viga real.
As duas vigas, a real e a conjugada, têm a mesma geometria, mas podem ter condições de apoio
distintas.
No quadro estão representadas as vigas reais e conjugadas para alguns casos, de forma que as
constantes de integração conduzam a valores idênticos.

Condições de contorno da viga conjugada.

Da apreciação deste quadro, podemos constatar que as vigas conjugadas das vigas reais isostáticas
são também vigas isostáticas.
No quadro ainda estão representados dois exemplos de vigas reais e conjugadas, assim como os
carregamentos respectivos. As vigas consideradas são vigas sujeitas a cargas uniformemente
distribuídas, e as condições de apoio consideradas são de apoio simples e engaste.
A analogia da viga conjugada tem diversas aplicações na análise das vigas. As principais são:
• cálculo de deslocamentos em vigas;
• análise de vigas hiperestáticas;
• dedução de coeficientes de rigidez de barras isoladas; e
• determinação de reações de engastamento de vigas para carregamentos arbitrários.
Todas essas aplicações podem ser analisadas utilizando o Princípio dos Trabalhos Virtuais – PTV.
Entretanto, a analogia da viga conjugada é uma alternativa mais simples de ser utilizada em muitos
casos, e também muito útil quando a viga tem uma rigidez à flexão variável, isto é, quando EI não é
constante.
Roteiro de cálculo pelo método da viga conjugada
1. Conversão de restrições de apoio da viga real para a viga conjugada conforme indicado na tabela
a seguir:

Analogia da viga conjugada.

2. Determinação do diagrama de momentos fletores da viga real parametrizado pelos valores dos
momentos fletores nas extremidades das barras.
3. Determinação do carregamento da viga conjugada, . O caso de barras com rigidez à flexão
(EI) variável ao longo do seu comprimento é considerado no carregamento da viga conjugada.
4. Imposição de condições de equilíbrio da viga conjugada. Isso equivale a impor condições de
compatibilidade da viga real.
Exemplo:
Considere a viga engastada representada na figura a seguir, determine a expressão da deformada
(linha elástica) e o deslocamento transversal (deflexão) máximo utilizando o método da viga
conjugada.

Solução:
O momento na viga real é tal que:
M(x) = P(L – x) + M
A viga conjugada está representada na figura anterior sujeita à carga distribuída:

O momento Mc na viga conjugada obtém-se por integração da equação:


ou seja:

Consequentemente, o deslocamento na viga real é:

O deslocamento máximo ocorre para x = L e é:

4.6.6 Energia de deformação


O princípio geral da conservação de energia é expresso como um balanço de energia (ou trabalho).
Aplica-se tanto para estruturas rígidas quanto deformáveis. Quando uma estrutura rígida em
equilíbrio é submetida a um campo de deslocamentos arbitrário, a soma algébrica do trabalho
produzido por todas as forças aplicadas pelos respectivos deslocamentos deve resultar em um valor
nulo. Em estruturas deformáveis, existe um termo adicional de energia por causa do trabalho
produzido pelas tensões internas com as correspondentes deformações. A integral dessa componente
pontual (infinitesimal) de trabalho ao longo do volume da estrutura é denominada energia de
deformação interna e deve ser levada em conta no balanço de energia.
O trabalho realizado pela força externa é a área abaixo da curva que relaciona a carga com o
deslocamento do seu ponto de aplicação, tal como indicado na figura a seguir. As reações de apoio
da viga, que também são forças externas, não produzem trabalho, pois os deslocamentos
correspondentes são nulos (restrições de apoio).

Viga biapoiada com uma carga central.

Portanto, considerando um comportamento linear para a estrutura, o trabalho total das forças
externas para esse exemplo é:

Igualando o trabalho externo com a energia de deformação interna, chega--se a:

Finalmente, o deslocamento vertical do ponto central é dado por:

Observa-se que o princípio da conservação de energia tem uma aplicação muito limitada para o
cálculo de deslocamentos em estruturas. Este princípio só permite calcular deslocamentos para o
caso de solicitação de uma força concentrada, e o deslocamento calculado tem de ser no ponto de
aplicação e na direção da força. Analogamente, também é possível calcular a rotação na direção de
um momento concentrado aplicado. Entretanto, para o cálculo de deslocamento de uma forma
genérica, utiliza-se o princípio dos trabalhos virtuais.
4.6.7 Princípio dos trabalhos virtuais
Diz-se virtual algo que não é real; imaginário, portanto. Um deslocamento virtual ou uma força
virtual são, respectivamente, um deslocamento imaginário ou uma força imaginária, arbitrariamente
impostos sobre um sistema estrutural.
O trabalho virtual pode ser considerado como o trabalho produzido em uma das duas situações
relacionadas:
• trabalho realizado por forças reais durante um deslocamento virtual;
• trabalho realizado por forças virtuais durante um deslocamento real.
Pode-se considerar aqui como deslocamento virtual um deslocamento provocado por alguma outra
ação que não o sistema de carregamento em questão atuante na estrutura. Força virtual, da mesma
forma, pode ser considerada uma outra força qualquer que não seja a que está provocando o
deslocamento real.
Para estruturas compostas de barras retas de inércia constante, desprezando-se os esforços
normais, cortante e torçor, pode-se calcular o deslocamento d segundo a expressão:

Em que:
M é o momento real;
M é o momento virtual;
E δ é a rigidez flexional;
ds é o elemento infinitesimal da barra.
Os seguintes pórticos planos mostram dois sistemas quanto ao tipo de carregamento: o sistema real
e o sistema virtual. Enquanto no sistema real consideram-se as forças reais atuantes na estrutura, no
sistema virtual retira-se o carregamento real e considera-se atuante na estrutura uma força unitária em
um ponto arbitrário para se calcular o seu deslocamento.

Sistema real e sistema virtual

O cálculo da parcela de energia de deformação virtual por flexão também é decomposto em um


somatório de integrais computadas em cada barra.
Observa-se que os sinais da integral são positivos quando as parcelas dos diagramas tracionam
fibras do mesmo lado da barra, e são negativos quando tracionam fibras opostas.
Exemplo:
Calcular o deslocamento horizontal do nó D do pórtico plano a seguir, desprezando-se as
influências das deformações axiais e da força cortante. EI = 2,0 × 10 5 kNm2 (constante).
Sistema real – estado de deformação das cargas reais

Nesta etapa, calculam-se as reações de apoio e os diagramas de momentos fletores da estrutura.


Deve-se arbitrar o sentido positivo do sistema de coordenada em cada barra.

Observar o sentido positivo de X.

Reações de apoio

Diagrama de momentos fletores por causa docarregamento


real.

Diagrama de momentos fletores

Expressões do momento fletor em cada barra da estrutura:


MAB = 50 · x MBC = 150 – 30 · x MCF = 0
Sistema virtual – estado de carregamento da força unitária
Nesta etapa, calculam-se as reações de apoio e os diagramas de momento fletor decorrentes da
força unitária colocada no apoio D.

Para calcular o deslocamento horizontal procurado coloca-se


uma força unitária horizontal em D (arbitrada para a
esquerda)

Reações de apoio

Diagrama de momentos fletores por causa da carga unitária


atuante em D.

Diagrama de momentos fletores

Expressões do momento fletor em cada barra da estrutura:

Cálculo do deslocamento delta (Δ) no ponto D


Para o cálculo do deslocamento da estrutura no ponto D, por causa do carregamento real e da força
unitária, utiliza-se a expressão a seguir:

Substituindo as expressões M e M na expressão anterior, obtém-se:

Integrando-se, tem-se: D = −7,875 × 1023 m (sinal negativo, significando que o deslocamento


horizontal ΔD é para a direita).
Observar que foi adotada uma coordenada X acompanhando o eixo de cada barra, com os
respectivos sentidos indicados no início da solução para se formular as expressões de momento
fletor nas etapas de resolução da estrutura. É evidente que se deve escolher um sistema de
coordenada para obtenção de funções de fácil integração.

(UNIVERSA/PCDF/PERITO/ENGENHARIA/2012)
Texto para responder às questões 1 e 2.

Uma barra prismática de aço de seção transversal de área igual a 200 mm2 está
submetida a uma carga axial, como representado na figura. O módulo de elasticidade do
aço é igual a 200 GPa, o comprimento da barra L é igual a 40 cm, e a solicitação P é igual
200 kN.
1) De acordo com o texto, assinale a alternativa que apresenta o valor absoluto da
deformação da barra na extremidade livre, desprezando as ações devidas ao peso próprio,
temperatura etc.
(A) 4,0 mm.
(B) 3,0 mm.
(C) 2,0 mm.
(D) 1,0 mm.
(E) 0,5 mm.
Gabarito comentado
Resposta: letra C.
Substituindo-se na expressão σ = E · ε, obtém-se:

2) Com base no texto, assinale a alternativa que apresenta o valor da tensão normal ao
longo da barra.
(A) 1 MPa.
(B) 10 MPa.
(C) 1 GPa.
(D) 10 GPa.
(E) 100 GPa.
Gabarito comentado
Resposta: letra C.
Substituindo-se e E na expressão σ = E · ε , obtém-se:

3) (CESGRANRIO/IBGE/ENGENHARIA CIVIL/ 2010) Com relação aos módulos de


Elasticidade Longitudinal (E) e Transversal (G) de um material com comportamento elástico
linear, tem-se que:
(A) E < G.
(B) E = 0.
(C) E = G.
(D) E > G.
(E) G = 0.
Gabarito comentado
Resposta: letra D.
O módulo de elasticidade para tração E e o módulo de elasticidade transversal G estão
relacionados da seguinte maneira, em que v é o coeficiente de Poisson:

Como se pode verificar, E é maior que G, E> G.


4) (CESGRANRIO/PETROBRAS/ENGENHEIRO DE PETROLEO/2010) Durante o ensaio
de compressão de um corpo de prova no regime elástico linear, um ponto do material fica
sujeito a um estado tridimensional de deformações, no qual as deformações transversais
ao corpo de prova são:
(A) nulas.
(B) iguais à deformação axial.
(C) positivas e proporcionais à deformação axial.
(D) negativas e proporcionais à deformação axial.
(E) maiores, em módulo, do que a deformação axial.
Gabarito comentado
Resposta: letra C.
O coeficiente de Poisson (v) é definido como:

Sendo: εy = Deformação específica transversal e εx = Deformação específica longitudinal


(axial).
Portanto,
εy = 2v · εx
Sabe-se que em um ensaio de “compressão” εx é negativo por convenção. εy será,
portanto, positivo e proporcional a εx.
5) (CESPE/PETROBRAS/ENGENHEIRO DE PETROLEO/2008) A figura abaixo mostra,
de forma esquemática, uma barra de seção transversal de área A, comprimento L e
módulo de elasticidade E, submetida a uma força de tração P, produzindo uma deformação
d.

Sabendo-se que, de acordo com a lei de Hooke, σ = E · ε, em que σ é a tensão na barra


e ε é a deformação específica, assinale a opção correta.
(A) A rigidez axial da peça tracionada é o produto da área da seção transversal da barra
pelo módulo de elasticidade.
(B) A medida da flexibilidade da barra, definida como a deformação decorrente de uma
carga unitária, pode ser determinada quantitativamente pela relação (E.A)/L.
(C) A rigeza da barra, definida como a força necessária para produzir uma deformação
unitária, é inversamente proporcional ao módulo de elasticidade.
(D) A deformação ou alongamento específico ε é diretamente proporcional à força de
tração e inversamente proporcional à deformação δ.
(E) A tensão na seção da barra é definida pela relação:
Gabarito comentado
Resposta: letra A.
Substituindo-se na expressão σ = E · ε, obtém-se:>

Esta equação mostra que a rigidez axial (EA) é diretamente proporcional à carga e ao
comprimento e inversamente proporcional à deformação δ.
Legenda:
σ = tensão normal;
E = módulo de elasticidade do material;
ε = deformação específica.
Ressalta-se, novamente, que o produto EA é conhecido por rigidez axial.
6) (CESPE/PETROBRAS/ENGENHEIRO DE PETROLEO/2008) No caso de uma peça
prismática solicitada axialmente por compressão elástica, as deformações transversais
são:
(A) negativas e proporcionais ao inverso do módulo de elasticidade do material.
(B) negativas e proporcionais ao coeficiente de Poisson do material.
(C) positivas e proporcionais ao módulo de elasticidade do material.
(D) positivas e proporcionais ao módulo da tensão axial.
(E) positivas e proporcionais ao módulo da tensão transversal.
Gabarito comentado
Resposta: letra D.
O coeficiente de Poisson (v) é definido como:

Sendo: εy = Deformação específica transversal e εx = Deformação específica longitudinal


(axial)
Portanto, εy = –v · εx
Sabendo-se que a peça é solicitada axialmente por compressão elástica, tem-se que εx é
negativo por convenção. Logo, a deformação transversal εy será, portanto, positiva e
proporcional a εx.
7) (UEPI/SEMAR/ENGENHARIA CIVIL/2009) Uma barra de aço com 20 cm2 de área da
seção transversal e comprimento de 2 m, submetida a uma carga axial de tração de 30 kN,
apresenta um alongamento de 0,15 mm. O módulo de elasticidade do material, em GPa, é
(A) 100 (B) 200 (C) 250 (D) 350
(E) 450
Gabarito comentado
Resposta: letra B.
Substituindo-se na expressão σ = E · ε, obtém-se:

Neste exercício, as dificuldades principais estão nas transformações de unidades e no


emprego dos múltiplos e submúltiplos. Para se obter a resposta do módulo de
elasticidade, em GPa, deve-se primeiramente converter todas as unidades no Sistema
Internacional de Unidades. Por exemplo, como unidade de comprimento deve-se usar o
metro (m), como unidade de tempo deve-se usar o segundo (s) e como unidade de massa
deve-se utilizar o quilo (kg). Dessa forma, o mm deve ser convertido em m, o cm2 em m2.
Observar que kN equivale a 103N e que GPa é igual a 1012Pa.
8) (FGV/SENADO FEDERAL/ANALISTA/ENGENHARIA CIVIL/2008) Um pilar engastado
na sua base foi construído com um material de módulo de elasticidade E, possuindo altura
L e seção transversal quadrada de lado B. A variação do comprimento desse pilar, devido
a uma carga P aplicada no seu topo é igual a:
(A) (C) (E)
(B) (D)
Gabarito comentado
Resposta: letra C.
Substituindo-se na expressão σ = E · ε, obtém-se:

Acompanhe o esquema abaixo para resolução da questão.


Para resolução, basta substituir a equação da tensão normal (σ) e a equação da
deformação específica (ε) na expressão da Lei de Hooke como ilustrado abaixo:
Substituindo-se na expressão,
σ = E · ε, obtém-se:

Observe que a área A é dada por B2.

9) (CESGRANRIO/IBGE/ENGENHARIA CIVIL/ 2010) O Princípio da Superposição de


Efeitos, que permite combinar os efeitos de carregamentos distintos sobre uma estrutura,
se aplica a estruturas
(A) em catenária.
(B) com efeitos de segunda ordem.
(C) com comportamento elástico-linear e a pequenas deformações.
(D) com comportamento elástico plástico e a grandes deformações.
(E) calculadas empregando-se o método P – Δ
Gabarito comentado
Resposta: letra C.
O Princípio da Superposição é válido nas seguintes condições:
(1) a lei de Hooke é válida para o material, isto é, o material possui um comportamento
elástico-linear;
(2) as deflexões e rotações são pequenas; e
(3) a presença de deflexões não altera as ações dos carregamentos aplicados.
(James M. Gere. Mecânica dos materiais. São Paulo: Pioneira Thomson Learning,
2003.)
10) (UEPI/SEMAR/ENGENHARIA CIVIL/2009) Para vigas submetidas a vários
carregamentos distribuídos ou concentrados, torna-se conveniente calcular separadamente
as flechas e declividades provocadas graças a cada um dos carregamentos, sendo a
flecha e a declividade total determinada pela soma dos valores encontrados para cada
carregamento isoladamente. Esse conceito é conhecido como:
(A) Teoria da Elasticidade Não Linear.
(B) Princípio da Superposição dos Efeitos.
(C) Lei de Hooke.
(D) Teorema de Castigliano.
(E) Princípio dos momentos aplicados e vigas deformáveis.
Gabarito comentado
Resposta: letra B.
A questão está se referindo ao conceito do Princípio da Superposição dos Efeitos.
O método da superposição é utilizado para obter deflexões e ângulos de rotação de
vigas e pode ser definido como: "A deflexão de uma viga produzida por diversos
carregamentos diferentes atuando simultaneamente pode ser encontrada superpondo-se
as deflexões produzidas pelos mesmos carregamentos atuando separadamente" (James
M. Gere. Mecânica dos Materiais. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2003).
Observe o equema abaixo que ilustra o Princípio da Superposição:

11) (UEPI/SEMAR/ENGENHARIA CIVIL/2009) Uma barra submetida a ação de dois


conjugados iguais e de opostos, que atuam em um mesmo plano longitudinal, está
submetida à flexão pura. Para vigas submetidas à flexão pura, a seguinte hipótese física é
válida:
(A) A força é igual ao deslocamento da massa a partir do seu ponto de equilíbrio.
(B) As tensões de cisalhamento em planos perpendiculares entre si são iguais e de sinais
opostos.
(C) Seções planas permanecem planas após a deformação.
(D) As leis que governam as mudanças de estado em quaisquer sistemas físicos tomam a
mesma forma em quaisquer sistemas de coordenadas inerciais.
(E) A peça sofre flexão transversal devido à compressão axial.
Gabarito comentado
Resposta: letra C.
Na dedução das expressões das tensões normais decorrentes da flexão, admite-se a
seguinte​ hipótese:
“As seções planas permanecem planas após a deformação” (hipótese simplificadora
atribuída a Bernouille-Navier).
12) (FGV/SENADO FEDERAL/ANALISTA/ENGENHARIA CIVIL/2008) Em uma seção
retangular de aço, a razão entre os módulos resistentes plástico e elástico é igual a:
(A) 1,25 (B) 1,50 (C) 1,75 (D) 2,00
(E) 2,25
Gabarito comentado
Resposta: letra B.
Os perfis usuais podem desenvolver o momento de plastificação desde que
atendam aos requisitos de esbeltez local recomendados pela NBR
8800/2008, tanto para dimensionamento elástico como para o plástico. Para
o desenvolvimento deste comportamento, é necessário assumir que o aço
apresente um comportamento elástico plástico perfeito, como o da figura.
A relação entre os módulos plástico e elástico é denominada coeficiente de forma da
seção, e pode representar a resistência adicional que a seção possui após o início do
escoamento.
Para algumas das seções mais usuais, esta relação vale:
• Seções circulares: Z/W = 1,70
• Seções retangulares: Z/W = 1,50
• Seções “I” (duplamente simétrica): Z/W ∼ 1,12
13) (CESPE/TCE AC/ANALISTA/ENGENHARIA CIVIL/2006) Considere o elemento de um
material submetido ao estado plano de tensões indicado no desenho abaixo. Com base
nessas considerações, julgue os itens que se seguem.

(A) Caso se tenha σa = σb ≠ 0 em qualquer plano no interior do elemento, as tensões


normais e cisalhantes são nulas.
(B) Se σb = 0 e σa ≠ 0, então a tensão cisalhante máxima atuante no elemento é igual a
.
Gabarito comentado
(A) Errado.
Utilizando-se da propriedade:
A soma das tensões normais em quaisquer dos planos mutuamente perpendiculares é
constante:
σ x + σ y = σ 1 + σ 2 = σ x + σ y = constante.
Ou seja, ao girar a figura, a soma das tensões normais é constante e não nula.
(B) Correto.
A tensão máxima é igual ao raio:

14) (CESPE/PETROBRAS/ENGENHEIRO DE PETROLEO/2010) Os tubos de perfuração


utilizados em poços de petróleo são estruturas prismáticas sujeitas, principalmente, à
torção combinada com cargas axiais compressivas. Um estado plano de tensões referente
a um ponto desse tipo de tubulação é mostrado na figura a seguir.

Com base na orientação das tensões normal e cisalhantes, as tensões principais


atuantes nesse ponto são:
(A) ambas de compressão.
(B) ambas de tração.
(C) uma de tração e outra de compressão com módulos idênticos.
(D) uma tração e outra de compressão, sendo a de tração a de maior módulo.
(E) uma de tração e outra de compressão, sendo a de compressão a de maior módulo.
Gabarito comentado
Resposta: letra E.
Utilizando-se as expressões para o cálculo da tensão média, raio e tensões principais,
tem-se:
Como se observa:|σ2|>|σ1| → o módulo de compressão é maior que o de tração.
15) (CESPE/MPU/ANALISTA/ENGENHARIA CIVIL/2010) Considerando o ciclo de Mohr,
para a determinação das tensões principais e das direções principais, é correto concluir
que um estado de tensão plano, somente com tensões de compressão, corresponde a um
estado de tensão principal de cisalhamento puro nas direções dos eixos principais.
Gabarito comentado
Resposta: Errado. Só existe cisalhamento puro quando a soma das tensões normais é
nula. No presente caso, a soma das tensões não é nula.
16) (FGV/SENADO FEDERAL/ANALISTA/ENGENHARIA CIVIL/2008) Em um ponto
submetido a um estado hidrostático de tensões, em que a tensão principal máxima é igual
a 18 MPa, a tensão cisalhante máxima, em MPa, é igual a:
(A) 0 (B) 6 (C) 9 (D) 12 (E) 15
Gabarito comentado
Resposta: letra A.
Um ponto submetido a um estado hidrostático de tensões não apresenta tensão
cisalhante. É o caso em que σ1 = σ2
17) (FGV/SENADO FEDERAL/ANALISTA/ENGENHARIA CIVIL/2008) O círculo de Mohr,
que representa o estado de tensões em um ponto, possui raio igual a 20 MPa e centro no
ponto correspondente a 10 MPa. A tensão normal atuante em um plano passando por esse
ponto, e cuja normal faz um ângulo de 30º em relação à normal ao plano que define a
tensão principal máxima nesse ponto, é igual a:
(A) 30 MPa. (C) 15 MPa. (E) 45 MPa.
(B) 10 MPa. (D) 20 MPa.
Gabarito comentado
Resposta: letra D.
Utilizando-se as expressões para o cálculo da tensão média, raio e tensões principais,
tem-se:

A partir do desenho do círculo de Mohr, tem-se:


18) (FCC/MPU/ANALISTA/ENGENHARIA CIVIL/2007) O comprimento de flambagem das
colunas submetidas a esforços de compressão é função de suas extremidades e é dado
pela expressão Lf 5 KL. O valor de K, para as colunas abaixo representadas, é
respectivamente:
(A) 0,3; 0,5; 0,7; 1,0. (C) 1,0; 1,5; 2,0; 2,5. (E) 0,5; 0,7;
1,0; 2,0.
(B) 0,5; 0,7; 0,8; 1,5. (D) 0,7; 1,0; 1,5; 2,0.
Gabarito comentado
Resposta: letra E.
Os comprimentos de flambagem (lf) estão indicados a seguir:

Observe que os comprimentos de flambagem (lf>) variam de acordo com as condições


de apoio e o comprimento original da estrutural (L).
19) (CESPE/MPU/ANALISTA/ENGENHARIA CIVIL/2010) Com relação à análise de
estabilidade de estruturas, julgue o item seguinte.
Na análise da estabilidade de colunas sob compressão centrada, considerando-se o
aspecto da carga crítica de Euler, uma coluna com extremidades rotuladas tem
comprimento de flambagem duas vezes maior que teria se suas extremidades fossem
biengastadas. Portanto, a coluna com extremidades biengastadas suporta, no máximo,
duas vezes mais carga que a coluna com extremidades rotuladas.
Gabarito comentado
Resposta: Errado. A coluna com extremidades biengastadas suporta, no máximo, quatro
vezes mais carga que a coluna com extremidades rotuladas.
A carga crítica de Euler é dada por:

Comprimentos de flambagem:
Coluna com extremidades rotuladas → llf = 1L
Coluna com extremidades biengastadas →Llf = 0,5L
Atendendo ao pedido, tem-se:
Logo, a carga crítica do pilar biengastado é igual a quatro vezes a carga crítica da
coluna birotulada.
20) (CESGRANRIO/IBGE/ENGENHARIA CIVIL/ 2010) Considere dois pilares esbeltos,
idênticos de ponto de vista geométrico e de condições de contorno, mas feitos com
materiais com comportamento elástico linear distinto. Nessas condições, tem-se que
(A) o que possuir o maior módulo de elasticidade longitudinal terá a maior carga crítica de
flambagem.
(B) o que possuir a maior tensão de escoamento terá a maior carga crítica de flambagem.
(C) os dois pilares serão capazes de suportar a mesma carga de ruptura.
(D) os dois pilares terão a mesma carga crítica de flambagem.
(E) pilares esbeltos não estão sujeitos ao fenômeno da flambagem.
Gabarito comentado
Resposta: letra A.
A carga crítica de Euler é dada por:

Observando-se a fórmula, verifica-se que a carga crítica é diretamente proporcional ao


módulo de elasticidade (E). Com isso, o pilar que possuir o maior módulo de elasticidade
longitudinal terá a maior carga crítica de flambagem.
21) (FGV/SENADO FEDERAL/ANALISTA/ENGENHARIA CIVIL/2008) Um pilar de 5 m de
altura engastado na sua extremidade inferior e rotulado na sua extremidade superior não
está submetido a cargas perpendiculares ao eixo. Se o momento fletor no engaste é igual
a 180 kN ? m, a reação horizontal no engaste é igual a:
(A) 18 kN. (C) 72 kN. (E) 900 kN.
(B) 36 kN. (D) 144 kN.
Gabarito comentado
Resposta: letra B.
Altura pilar → L = 5
Momento fletor = 180 k · N · m
Sabe-se que o momento pode ser representado por um binário de
forças.
Logo,

22) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2004) Para as colunas prismáticas


idênticas A e B representadas na figura abaixo, carregadas axialmente, a carga necessária
para provocar a flambagem da coluna B é menor que a carga necessária para provocar a
flambagem da coluna A.
Gabarito comentado
Resposta: Correto.
A carga crítica de Euler é dada por:

Comprimentos de flambagem:
(A) Coluna com extremidades biengastadas → llf 5 0,5L
(B) Coluna com engaste e rótula → llf = 0,7L

A partir das fórmulas de carga crítica, observa-se que Fcrb > Fcra . Ou seja, a carga
necessária para provocar a flambagem da coluna B é menor que a carga necessária para
provocar a flambagem da coluna A.
23) (CESGRANRIO/PETROBRAS/ENGENHEIRO DE PETROLEO/2010-2) Considere uma
viga reta, homogênea e de seção transversal constante, inicialmente na posição horizontal.
A seção transversal em cada extremidade é vertical, ou seja, cada elemento longitudinal
possui, inicialmente, o mesmo comprimento. A viga é fletida única e exclusivamente pela
aplicação de momentos fletores, e a ação pode ser considerada elástica. Para essa
situação, com as hipóteses consideradas, analise as afirmações a seguir.
I. Qualquer seção plana da viga, antes da flexão, permanece plana após essa flexão.
II. Existem elementos longitudinais da viga que não sofrem deformação, ou seja,
alteração em seu comprimento.
III. Todos os elementos longitudinais da viga encontram-se submetidos a tensão de
tração.
Está correto o que se afirma em:
(A) I, apenas. (C) I e III, apenas. (E) I, II e III.
(B) I e II, apenas. (D) II e III, apenas.
Gabarito comentado
Resposta: letra B.
I. Correto. Qualquer seção plana da viga, antes da flexão, permanece plana após essa
flexão.
Na dedução das expressões das tensões normais decorrentes da flexão, admitem-se as
seguintes hipóteses:
• “as seções planas permanecem planas após a deformação” (hipótese simplificadora atribuída a
Bernouille-Navier);
• supõem-se vigas prismáticas, ou seja, barra de eixo reto e de mesma seção transversal;
• admite-se que o material obedeça à Lei de Hooke e que os módulos de elasticidade à tração e
à compressão sejam iguais.
II. Correto. Existem elementos longitudinais da viga que não sofrem deformação, ou seja,
alteração em seu comprimento, que é conhecido por Linha Neutra (LN).
III. Errado. Nem todos os elementos longitudinais da viga encontram-se submetidos a
tensão de tração.
Observa-se que a tensão σx é proporcional à distância da Linha Neutra (hipótese de
Navier). As tensões variam linearmente com a distância y do eixo neutro, como na figura a
seguir. Veja que na mesma seção transversal existem elementos tracionados e também
comprimidos.

24) (FGV/SENADO FEDERAL/ANALISTA/ENGENHARIA CIVIL/2008) Uma viga biapoiada


de comprimento L está submetida a um carregamento simétrico composto por três cargas
concentradas de intensidade P distantes entre si de . O momento fletor no ponto médio
da viga é igual a:
(A) PL (B) (E) 2PL
(B) (D)
Gabarito comentado
Resposta: letra D.
1) Cálculo das reações de apoio:

2) Cálculo dos esforços simples em – M, V, N (cortar na seção S):

25) (FUNRIO/IDENE/ENGENHARIA CIVIL/2008) Uma viga biapoiada com vão igual a 6,00
m é solicitada por uma força concentrada de 100 kN aplicada no meio do vão. Os valores
do momento fletor e da força cortante são:
(A) 600 kN · m; 300 kN. (C) 150 kN · m; 50 kN. (E)
600 kN · m; 50 kN.
(B) 300 kN · m; 50 kN. (D) 150 kN · m; 300 kN.
Gabarito comentado
Resposta: letra C.
1) Cálculo das reações de apoio:
+↑∑FY = 0 Ra + Rb = 100
+>∑ Ma = 0 – F · 3 + Rb · 6 = 0
Logo, Ra = 50 e Rb = 50

2) Cálculo dos esforços simples – M, V, N (cortar na Seção S-S):


+>∑ Ms = 0 – Ra · 3 + M = 0 → M = 150kNm
+↑∑ Fy = 0 Ra – V = 0 → V = 50kN

26) (ESAF/MPU/ANALISTA/ENGENHARIA CIVIL/2004) Considere uma viga simplesmente


apoiada em suas extremidades, denominadas apoios A e B, de comprimento igual a 5 m,
que sofre a aplicação de uma carga vertical pontual de 10 kN a 3 metros de distância do
apoio A. Numa seção transversal situada a 2 m do apoio A, a força cortante e o momento
fletor atuantes são iguais a
(A) 4kN e 12 kN · m. (C) 4kN e 18 kN · m. (E) 4kN
e 8 kN · m.
(B) 6kN e 12 kN · m. (D) 6kN e 18 kN · m.
Gabarito comentado
Resposta: letra E.
Cálculo das reações de apoio:
+↑∑ Fy = 0 Ra + Rb = 10
+>∑ Ma = 0 – P · 3 1 Rb · 5 = 0
Logo, Ra = 4 e Rb = 6
Cálculo dos esforços simples – M, V, N (cortar na Seção S-S):
+>∑ Ms = 0 – Ra – 2 + M = 0 → M = 8 · kNm
+↑∑ Fy = 0 Ra – V = 0 → MV = 4 – kN

27) (CESPE/PETROBRAS/ENGENHEIRO DE PETROLEO/2008) A viga simétrica com


carregamento simétrico, mostrada na figura, apresenta um trecho sujeito a uma flexão
pura. Isto ocorre porque neste trecho o:

(A) esforço cortante varia lineamente com a posição.


(B) esforço cortante é diferente de zero.
(C) momento fletor é negativo.
(D) momento fletor é positivo.
(E) momento fletor é constante e diferente de zero.
Gabarito comentado
Resposta: letra E
Quando a peça submetida à flexão apresenta somente momento fletor nas diferentes
secções transversais, e não possui força cortante atuante nestas secções, a flexão é
denominada pura.
Contraexemplo: no intervalo compreendido entre os pontos C e D, a cortante é nula e o
momento fletor atuante é constante. Neste intervalo, existe somente a tensão normal, pois
a tensão de cisalhamento é nula, portanto, o valor da força cortante é zero.

28) (UEPI/SEMAR/ENGENHARIA CIVIL/2009) Os momentos fletores calculados em uma


viga são essenciais na determinação da armadura longitudinal. A figura abaixo indica uma
viga simplesmente apoiada.

Em relação ao momento fletor desta viga, pode-se afirmar que:


(A) É máximo no meio do vão.
(B) Na posição indicada pela cota de 2 m (ponto C), vale 20 kN · m.
(C) É mínimo do meio do vão.
(D) Nos pontos A e B (extremidades da viga), vale 10 kN · m.
(E) É estaticamente indeterminado.
Gabarito comentado
Resposta: letra B.
Para facilitar a resolução, são utilizados os seguintes esquemas:

1) Cálculo das reações de apoio:

Logo,
2) Cálculo dos esforços simples – M, V, N (cortar na Seção S-S):

Análise:
σ O momento é máximo quando

σ O momento em x = 2 vale 20 k · N · m

σ O momento é mínimo nos apoios (x = 0 ex = L)


σ Nas extremidades Ma = Mb = 0
σ A viga é isostática
29) (CESPE/TCE AC/ANALISTA/ENGENHARIA CIVIL/2006) Considerando o pórtico plano,
rígido, com peso desprezível e submetido ao momento M (não nulo) aplicado no ponto O,
conforme o desenho abaixo, julgue os próximos itens.
(A) Os módulos das reações nos apoios A e B são iguais.
(B) O esforço cortante na seção transversal indicada pela letra X é nulo.
(C) A fibra inferior da peça no ponto X está submetida a tração.
Gabarito comentado
(A) Errado. O módulo |Ra| = |Rb|
1) Cálculo das reações de apoio:

Logo,
Observação: Lembre-se de que um momento é equilibrado por um binário
de forças com sentido contrário.

(B) Errado. O cortante não é nulo na seção indicada pela letra X.


1) Cálculo dos esforços simples – M, V, N (cortar na Seção X – colocar os esforços
simples com sentidos indicados na figura):

Logo, o cortante é V = –Ra ≠ 0


(C) Correto. A fibra inferior da peça no ponto X está submetida a tração.
Como o momento calculado na seção X é positivo, o sentido arbitrado está correto.
Logo, tem-se a situação a seguir:

Desta figura, verifica-se que a seção transversal está tracionada na fibra inferior.
30) (CESGRANRIO/PETROBRAS/ENGENHEIRO CIVIL/2006) Para responder aos itens a
e b considere o quadro isostático abaixo:
Dados:
AD = BF = 3 m
CD = DE = EF = FG = 2 m
MC = MG = 40 N · m
ME = 20 N · m

a) Com relação aos esforços normais, é correto afirmar que:


(A) No trecho AD existe uma tração de 25N.
(B) No trecho BF existe uma ração de 20N.
(C) O único esforço existente de tração vale 40N.
(D) Não existem esforços de tração.
(E) Não existem esforços de compressão.
Gabarito comentado
Resposta: letra A.
1) Cálculo das reações de apoio:
+↑∑ Fy = 0 Ra + Rb = 0 → Ra = –Rb
Significa que uma das reações de apoio tem
sentido contrário ao arbitrado na figura.

+.∑ Mx = 0 –MC + ME – MG + 4Rb = 0


Momento positivo = sentido anti-horário.

A partir dessas equações, tem-se (como Ra é negativo, deve-se inverter o seu sentido
na figura, apontando a reação Ra para baixo):

Logo, o trecho AD está sob tração de 25 kN.


b) Analisando os esforços cortantes, verifica-se corretamente que ele(s):
(A) Existe somente no trecho DE, com valor absoluto de 20 N.
(B) Estão presentes em todo o trecho CG, com valor absoluto de 40N.
(C) Estão presentes em todo o trecho DF, com valor absoluto de 25N.
(D) Estão presentes apenas nos trechos AD e BF, com valores absolutos de 20N, em
cada trecho.
(E) São nulos em todos os trechos.
Gabarito comentado
Resposta: letra C.
1) Cálculo dos esforços simples – M, N, V (cortar a seção DF, após o ponto E)
+↑∑ Fy = 0
–Ra – V = 0 → V = –25
No trecho DE o módulo do cortante vale 25 KN.

+↑∑ Fy = 0
–25 – V = 0 → V = –25
No trecho DF o módulo do cortante vale 25 KN.

31) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2004) Julgue os itens que se seguem,


relativos à análise estrutural de peças feitas de materiais homogêneos submetidas aos
carregamentos indicados.
Dependendo dos valores P e q (não nulos) atuantes na peça ilustrada
na figura abaixo, engastada no ponto A e com peso desprezível, a
tensão cisalhante na seção transversal no engaste será nula.
Gabarito comentado
Resposta: Errado. As forças aplicadas P e q, além de criarem um momento de torção em
relação ao engaste em A, geram também uma tensão cisalhante.
32) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2002) Com base na situação de
carregamento do pilar apresentado na figura abaixo, julgue os itens que se seguem.

(A) Quanto maior o valor de e, maior a possibilidade de flambagem da peça A.


(B) Quanto maior a rigidez da peça B, menor a possibilidade de flambagem da peça A.
(C) Para a situação de carregamento apresentado na figura, desprezando-se o peso da
peça A, a tensão vertical no ponto 1, na face lateral da peça, será sempre de
compressão.​
(D) Para as condições e posição do carregamento apresentado na figura, independente do
peso da peça A, a tensão vertical no ponto 2, na face lateral da peça, será de
compressão.
(E) Caso o apoio na base da peça A ceda verticalmente, o acréscimo de tensão horizontal
provocado na peça B, no ponto 3, será de tração.
Gabarito comentado
(A) Correto. Quanto maior a excentricidade da carga, maior a possibilidade de flambagem
porque aumenta o momento na viga.
(B) Correto. Quanto maior a rigidez da peça B, menor a possibilidade de flambagem da
peça A.
(C) Errado. O ponto 1 está sob tração.
(D) Correto. Se o ponto 1 está sob tração o ponto 2 está comprimido.
(E) Correto. O ponto 3 está sob tração.
33) (FCC/MPU/ANALISTA/ENGENHARIA CIVIL/2007) Para responder aos itens de “a” até
“e” considere as figuras abaixo.
Dados:
L = comprimento do vão = 6,00 m
B = distância entre faces de vigas = 4,00 m

Resolução:
1) Cálculo das reações de apoio:
+↑∑ Fy = 0 Ra = Rb = 18
+>∑ Ma = 0 –6 · – 2 3 · 12 + 6Rb = 0
Logo, Ra = 10 e Rb = 8
2) Cálculo dos esforços simples – M, V, N (cortar na Seção S-S, antes da carga
concentrada 6 ):
Trecho 0-2 (vai do apoio esquerdo Ra até 2 m antes da carga concentrada 6,0 tf):
Trecho 2-6 (vai de 2 m do apoio esquerdo até o final da viga):

a) As reações verticais nos apoios A e B, em tf, são, respectivamente:


(A) 6,0 e 6,0. (C) 10,0 e 8,0. (E) 12,0 e 6,0.
(B) 9,0 e 9,0. (E) 8,0 e 10,0.
Gabarito comentado
Resposta: letra C.
Dessas equações, verifica-se que as reações de apoio são:
Ra = 10 e Rb = 8
b) O momento fletor e força cortante máximas, em tfm e tf, são, respectivamente:
(A) 8,0 e 3,0. (C) 16,0 e 8,0. (E) 16,0 e 10,0.
(B) 9,0 e 4,5. (D) 18,0 e 10,0.
Gabarito comentado
Resposta: letra E.
A partir das equações de momento e cortante, calculadas para os trechos (0 – 2) e (2 2
6), obtém-se:
Trecho (0 – 2)
Momento: x = 0 → M = 0, x = 2 → M = 16
Cortante: x = 0 → V = 10, x=2→V=4
Trecho (2 – 6)
Momento: x = 2 → M = 16, x=6→M=0
Cortante: x = 2 → V = 0, x = 6 → V = 28
c) O ponto de momento máximo está a uma distância, em m, do apoio A igual a:
(A) 1,5. (C) 2,5. (E) 4,0.
(B) 2,0. (D) 3,0.
Gabarito comentado
Resposta: letra B.
Momento máximo:

d) A força cortante passa por zero no ponto:


(A) A. (C) C. (E) A 4,00 m de A.
(B) B. (D) Do meio da viga.
Gabarito comentado
Resposta: letra C.
Cortante é zero no ponto C (x = 2)
Trecho · (0 – 2) → V = –2x + 10
Trecho · (2 – 6) → V = –2x + 4 → V = –2 · 2 + 4 = 0 → V = 0
e) Admitindo que o valor máximo da força cortante é de 12,0 tf, a tensão de cálculo
(cisalhamento), em Kgf/cm2, é de aproximadamente:
(A) 12,0. (C) (E) 20,0.
(B) 13,3. (D) 18,7.
Gabarito comentado
Resposta: letra D.
Utilizando-se a fórmula de tensão de cisalhamento para viga de seção retangular sob
flexão, tem-se:

34) (CESPE/TSE/ANALISTA/ENGENHARIA CIVIL/ 2006) Considere o pórtico plano rígido,


com peso desprezível, apresentado abaixo, submetido ao carregamento com forma
triangular (q diferente de zero).
Para as condições e características do pórtico, julgue os seguintes itens.
I. O desenho 2 esquematiza corretamente a forma do diagrama de esforços cortantes no
pórtico.
II. O desenho 1 esquematiza corretamente a forma do diagrama de momentos fletores
atuantes no pórtico.
III. O trecho CD está submetido a flexão composta.
IV. Qualquer seção transversal ao longo do trecho AB está submetida somente a tensões
normais de tração.
Estão certos apenas os itens:
(A) I e II. (B) I e IV. (C) II e III.
(D) III e IV.
Gabarito comentado
Resposta: letra C.
Utilizando-se dos teoremas apresentados neste capítulo, podem-se traçar os diagramas
do pórtico dado na questão.
II. Correto. O desenho 1 esquematiza corretamente a forma do diagrama de momentos
fletores atuantes no pórtico.

III. Correto. O trecho CD está submetido a flexão composta. Decompondo as barras e


colocando-se os esforços simples (M, N, V), verifica-se que a barra CD está submetida a
flexão composta (N e M).
35) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2004) A figura a seguir apresenta
corretamente o diagrama de esforços cortantes de uma viga contínua, submetida a um
carre​gamento uniformemente distribuído, com intensidade constante ao longo de todo o
seu comprimento.

Gabarito comentado
Resposta: Errado.
O trecho em balanço representa o diagrama de esforços cortantes de uma carga
concentrada e não de um carregamento uniformemente distribuído.
Exemplo:

Esforços internos – diagramas de esforços cortantes de viga Gerber


Quando na rótula não há força concentrada:

36) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2004) Abaixo, a figura II pode representar


esquematicamente o diagrama de momentos fletores no pórtico plano apresentado na
figura I, com momento de inércia constante ao longo de toda a sua extensão e submetido à
carga concentrada Q e ao carregamento uniformemente distribuído q.

Gabarito comentado
Resposta: Correto.
A figura II pode representar esquematicamente o diagrama de momentos fletores no
pórtico plano apresentado na figura I, com momento de inércia constante ao longo de toda
a sua extensão e submetido à carga concentrada Q e ao carregamento uniformemente
distribuído q.
37) (FCC/MPPE/ANALISTA/ENGENHARIA CIVIL/2006) O gráfico abaixo demonstra alguns
dos possíveis esforços internos solicitantes a que a barra ACB pode ser submetida. A
barra é homogênea em suas características. A seção da barra é idêntica em todos os
trechos. Considere a barra e seus esforços em um plano bidimensional, desprezando
efeitos na direção Z (ortogonal ao plano X-Y mostrado ao lado da barra).

a) De acordo com o gráfico é correto afirmar que:


(A) Pode tratar-se de um diagrama de momentos fletores ou forças cortantes.
(B) Trata-se de um diagrama de forças cortantes.
(C) Trata-se de um diagrama de forças normais.
(D) Trata-se de um diagrama de momentos fletores.
(E) Pode tratar-se de um diagrama de forças cortantes ou de forças normais.
Gabarito comentado
Resposta: letra D.
Trata-se de um diagrama de momentos fletores porque existe uma angulosidade em C e
também porque nos apoios os momentos são nulos (rótula), se fosse um diagrama de
cortante o valor não seria nulo.
b) Para que exista o valor Zmax indicado na representação gráfica, é correto afirmar:
(A) O apoio A deve ser capaz de gerar reações paralelas aos eixos X e Y, enquanto o
apoio B tem que gerar reações paralelas apenas a X.
(B) A barra está sujeita à ação de uma carga distribuída uniformemente e, no ponto C,
existe uma carga pontual paralela ao eixo Y e de sentido oposto a ele.
(C) Como o apoio B está mais próximo do valor Zmax, ele deve ser necessariamente do
tipo “apoio fixo” para gerar os resultados acima.
(D) O gráfico pode ser aplicado por conta de uma força paralela ao eixo Y, mas de
sentido contrário ao eixo, desde que não exista outro tipo de carregamento atuante.
(E) Apenas a ação de um momento fletor pontual em C seria capaz de gerar um gráfico
semelhante ao exposto acima.
Gabarito comentado
Resposta: letra B.
A barra está sujeita à ação de uma carga distribuída uniformemente
(apresenta um abaulamento no gráfico) e, no ponto C, existe uma
carga pontual paralela ao eixo Y e de sentido oposto a ele (existe uma
angulosidade no gráfico), conforme a figura a seguir.
38) (CESPE/PETROBRAS/ENGENHEIRO DE PETROLEO/2010) A figura abaixo
representa o diagrama de Momento Fletor (M) para uma viga homogênea, de comprimento
L, submetida a determinado carregamento, e a convenção utilizada para os sinais do
Momento Fletor e Esforço Cortante (C).
O diagrama de esforço cortante para essa viga está representado em:

(A) (D)

(B) (E)
(C)

Gabarito comentado
Resposta: letra E.
A figura a seguir procura esclarecer alguns pontos sobre as relações entre os diagramas
de momentos fletores e de cortantes. Ressaltam-se, ainda, as equações diferenciais a
seguir:

Comentários de diagrama de esforços solicitantes de uma viga biapoiada com cargas


concentradas no vão.

Da figura do enunciado, verifica-se que existe uma angulosidade no diagrama de


momento:
Conclusões:
– Angulosidade em M
Logo, a alternativa correta é a implica
Letra (E) representada por este descontinuidade em
Q.
desenho: – Momento positivo
(M1) implica cortante
positivo (C1).
– Momento máximo
implica cortante nulo.
39) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2004) Com relação ao pórtico plano, com
peso próprio desprezível e submetido aos carregamentos indicados, esquematizado na
figura abaixo, julgue o seguinte item.

(A) A coluna sobre o apoio B apresentada na figura está submetida à flexão composta.
Gabarito comentado
(A) Errado. A coluna sobre o apoio B apresentada na figura não está submetida à flexão
composta. Observe que o apoio em B é de segundo gênero, não possui momento
aplicado.
Considerações: flexão composta ocorre quando a flexão está acompanhada de esforços
normais não nulos.
A flexão composta é comum em pórticos. Veja, por exemplo, a viga do pórtico plano
mostrada a seguir. Uma seção transversal genérica da viga apresenta três esforços
internos: esforço normal N, esforço cortante Q e momento fletor M. A flexão na viga é
composta.
40) (CESGRANRIO/IBGE/ENGENHARIA CIVIL/ 2010) Uma treliça possui b barras, n nós
e r reações de apoio, satisfazendo a equação b + r = 2n. Essa treliça:
(A) É hiperestática. (D) Pode ser hiperestática.
(B) É hipoestática. (E) Pode ser isostática.
(C) É isostática.
Gabarito comentado
Resposta: letra E.
Como já citado neste capítulo, b + r = 2n ou b + r > 2n. São condições apenas
necessárias (mas não suficientes) para que uma treliça seja isostática ou hiperestática,
respectivamente. A palavra final é dada após o exame específico de cada caso.
41) (IPAD/PCR/ANALISTA DEFESA CIVIL/ENGENHARIA CIVIL/ 2008) Observando uma
treliça básica informe sobre as forças que ocorrem em cada barra:

Assinale a alternativa correta


(A) As barras AB e AC são tracionadas e a barra BC comprimida.
(B) As barras AB e AC são comprimidas e a barra BC tracionada.
(C) As barras BC e AC são tracionadas e a barra AB comprimida.
(D) As barras BC e AC são comprimidas e a barra AB tracionada.
(E) As barras AB e BC são comprimidas e a barra AC tracionada.
Gabarito comentado
Resposta: letra B.
Calculando-se as reações de apoio VB e VC em função da carga Q aplicada em A
(equidistante dos nós B e C), tem-se: VB + VC = Q e VB = VC.
Desse modo, as reações de apoio são verticais, de baixo para cima, para poder
equilibrar a carga Q. Observe a figura a seguir.

Utilizando-se o método dos nós, escolhe-se o nó B para verificar o seu equilíbrio. Vê-se
que para equilibrar a reação de apoio VB é necessária a existência de uma força vertical
V1. Como estamos interessados nas condições de tração ou compressão das barras,
fazemos a decomposição de V1 nas barras BA e BC como sendo V1BA e V1BC, conforme
indicado na figura abaixo.

Pela convenção do método dos nós, observa-se que a barra BC está tracionada (a força
V1BC sai do nó B) e a barra BA está comprimida (a força V1BA entra no nó B). Por motivo
de simetria, a barra CA também está comprimida.
Logo, as barras AB e AC são comprimidas e a barra BC tracionada.
42) (CESPE/MPU/ANALISTA/ENGENHARIA CIVIL/2010) Quanto à estaticidade, uma
treliça pode ser hipostática, isostática ou hiperestática. Sendo R o número de reações de
apoio a determinar, B o número de barras (igual ao número de esforços normais a
determinar) e N o número total de nós em uma treliça plana, na situação em que R + B > 2
· N N, não é possível concluir que a treliça seja hiperestática.
Gabarito comentado
Resposta: Correta.
Como já citado neste capítulo, R + B = 2N ou R + B > 2N. São condições apenas
necessárias (mas não suficientes) para que uma treliça seja isostática ou hiperestática,
respectivamente. A palavra final é dada após o exame específico de cada caso.
43) (CESPE/TRE AP/ANALISTA/ENGENHARIA CIVIL/2007) A figura abaixo representa,
esquematicamente, uma viga e o carregamento atuante sobre ela. Assinale a opção
correta acerca das características e do funcionamento dessa viga.

Sussekind. Estruturas isostáticas. In: Curso de análise


estrutural. Porto Alegre: Globo, v. 1, 1979 (com adaptações).

(A) Se estiver carregado, o trecho CD terá estabilidade própria.


(B) Se o trecho ABC estiver carregado, essa carga solicitará toda a viga (trecho ABCD).
(C) O ponto C é um ponto de transmissão de forças.
(D) O trecho ABC deve ser resolvido considerando-se apenas as cargas que lhe estão
diretamente aplicadas.
(E) Para resolver essa viga, basta decompô-la em duas vigas biapoiadas, cada uma com
estabilidade própria.
Gabarito comentado
Resposta: letra C.
Considerações:
• A viga Gerber consiste na associação de vigas com estabilidade própria com outras
sem estabilidade própria.
• Nesta associação, as vigas com estabilidade própria suprem as demais dos vínculos
que lhes faltam, ficando o conjunto estável.
• A ligação entre as partes se dá por meio de articulações (fixas ou móveis).
• O aparecimento das vigas Gerber ocorreu para resolver problemas de ordem estrutural
e construtiva.
• As vigas Gerber têm lugar de importância na engenharia estrutural, e a tendência é de
cada vez mais serem utilizadas, tendo em vista o desenvolvimento das técnicas de pré-
fabricação e montagem de estruturas.
Estabilidade da viga:

Decomposição da viga:

44) (FGV/SENADO FEDERAL/ANALISTA/ENGENHARIA CIVIL/2008) Para que uma treliça


com 8 nós e 3 reações de apoio seja isostática, é necessário (mas não suficiente) que o
número de barras seja igual a:
(A) 13. (B) 11. (C) 12. (D) 14.
(E) 15.
Gabarito comentado
Resposta: letra A.
Como já citado neste capítulo, R + B = 2N ou R + B > 2N. São condições apenas
necessárias (mas não suficientes) para que uma treliça seja isostática ou hiperestática,
respectivamente. A palavra final é dada após o exame específico de cada caso.
No presente caso, temos:
Número de nós (N) = 8
Número de reações de apoio (R) = 3
O número de barras (B) → B = 2N – R → B = 2 · 8 – 3 = 13
45) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2002) Considerando a treliça plana
reticulada, simétrica em relação ao eixo vertical que passa pelo trecho CF e submetida ao
carregamento Q como indicado na figura abaixo, julgue os itens a seguir.

(A) Os trechos BC e CD serão submetidos a compressão.


(B) Os trechos AB e DE serão submetidos a tração.
(C) O trecho CF será submetido a tração.
(D) Os trechos AF e FE serão submetidos a compressão.
(E) Os valores das reações verticais nos apoios são diferentes.
Gabarito comentado
Como a estrutura é simétrica em relação ao eixo vertical, tem-se que as reações de
apoio são iguais a . Também, sabe-se que as barras, em relação ao eixo de
simetria, estão submetidas aos mesmos esforços.

Para resolver esta questão, utiliza-se o método dos nós. Escolhe-se inicialmente o nó A.

Pode-se observar que a reação Ra é equilibrada por uma


força vertical para baixo, cujas componentes, decompostas
nas direções das barras, possuem os sentidos ilustrados na
figura.
Escolhe-se, agora, o nó B: Logo, as barras AF / EF estão sob tração e AB / ED estão
sob compressão.

Sabe-se que o nó B está submetido a compressão porque


pertence à barra AB. Se o nó A está sob compressão, o nó B
Escolhe-se, agora, o nó C: também está comprimido.
Para equilibrar o nó B, coloca-se uma força de sentido
contrário atuando no mesmo nó B. Com isso, conclui-se que
a força na barra BF é nula (não traciona nem comprime).
Logo, as barras BC / DC estão comprimidas e as barras BF /
DF têm força nula.
Sabe-se que o nó C está submetido a compressão porque
pertence à barra BC. Se o nó B está sob compressão, o nó C
também está comprimido.
(A) Correto. Os trechos BC e CD serão Para equilibrar o nó C, coloca-se uma força vertical apontada
para baixo.
submetidos a compressão. Logo, a barra CF está tracionada.
(B) Errado. Os trechos AB e DE serão submetidos a compressão.
(C) Correto. O trecho CF será submetido a tração.
(D) Errado. Os trechos AF e FE serão submetidos a tração.
(E) Correto. Os valores das reações verticais nos apoios são iguais.
46) (FGV/SENADO FEDERAL/ANALISTA/ENGENHARIA CIVIL/2008) Na treliça da figura,
o esforço normal na barra 6-7 é igual a:

(A) 1,5P, de tração.


(B) 3P, de tração.
(C) P, de compressão.
(D) 1,5P, de compressão.
(E) 3P, de compressão.
Gabarito comentado
Resposta: letra B.
Como a estrutura e as cargas aplicadas são simétricas, pode-se concluir que as reações
de apoio são iguais: .
Utilizando-se o método dos nós, escolhe-se o nó 1.

Pode-se observar que a reação de apoio é equilibrada por


uma força vertical para baixo, cujas componentes,
decompostas nas direções das barras, possuem os sentidos
ilustrados na figura.
Logo, a barra 16 está tracionada e a barra 12 está
comprimida.

Escolhe-se, agora, o nó 6.

Pode-se observar que a reação de apoio é equilibrada por


uma força vertical para baixo, cujas componentes,
decompostas nas direções das barras, possuem os sentidos
ilustrados na figura.
Logo, a barra 16 está tracionada e a barra 12 está
comprimida.

Utilizando-se as dimensões da treliça, calcula-se o ângulo θ. Coloca-se a reação de


apoio no lado vertical do triângulo e calcula-se o comprimento do lado horizontal do
triângulo que representa o módulo do vetor T67.

47) (CESPE/TCU/AFCE/2011) Tendo em vista que, durante a auditoria de uma obra, o


conhecimento sobre resistência dos materiais e análise estrutural é fundamental para
esclarecer possíveis erros de projeto e execução, julgue os itens seguintes.
(A) Uma estrutura será considerada isostática quando o seu equilíbrio for estável, e seus
apoios forem em quantidade estritamente necessária para impedir todos os movimentos
possíveis.
(B) Se uma viga inclinada é submetida a um carregamento distribuído vertical, para fins de
momentos fletores, ela se comporta como se fosse uma viga horizontal, perpendicular ao
carregamento.
(C) Se um arco triarticulado, para determinado carregamento, está submetido apenas a
esforços normais, então a sua forma é a mesma da linha de pressões desse
carregamento.
(D) Treliças isostáticas com cargas distribuídas entre os nós podem ser consideradas
treliças ideais, desde que o carregamento seja uniforme.
Gabarito comentado
(A) Correto. Uma estrutura será considerada isostática quando o seu equilíbrio for estável,
e seus apoios forem em quantidade estritamente necessária para impedir todos os
movimentos possíveis.
q

(B) Correto. Se uma viga inclinada é submetida a um carregamento b qa b

distribuído vertical, para fins de momentos fletores, ela se comporta como se


2

qa
2
x

fosse uma viga horizontal, perpendicular ao carregamento. Veja figura ao


a

2
aq

lado. 8

Exemp lo de viga incl inada ao carre ga-


mento distri b uído vertical

(C) Correto. Se um arco triarticulado, para determinado carregamento, está


submetido apenas a esforços normais, então a sua forma é a mesma da linha de pressões
desse carregamento.
(D) Errado. Treliça ideal é um sistema reticulado indeformável cujas barras possuem todas
as suas extremidades rotuladas e cujas cargas estão aplicadas nessas rótulas. Veja o
exemplo a seguir:
p

Exemplo de arco triarticulado submetido


ao carregamento distribuído vertical
P P P

P F G H

A B C D E

Exemplo de treliça ideal

48) (CESPE/DFP/PERITO/ENGENHARIA CIVIL/2004) Considere a treliça plana, com


peso desprezível, mostrada no desenho abaixo, submetida à carga Q aplicada no ponto D.
A barra AB (ligando os pontos A e B) é vertical, a barra AD é horizontal e o apoio no ponto
B só admite deslocamentos verticais. Para as condições da figura, julgue os itens
subsequentes.

(A) As barras AD e AC estão submetidas a esforços de compressão.


(B) A barra CD está submetida a tração.
Gabarito comentado
(A) Errado.
Para resolver a questão, utiliza-se o método dos nós. Escolhe-se o nó D e colocam-se
as componentes de forças nas barras que equilibram o nó D.

Pode-se observar que a carga Q é equilibrada por uma força


vertical para cima, cujas componentes, decompostas nas
direções das barras, possuem os sentidos ilustrados na
figura.
Logo, as barras AD e DC estão submetidas a tração.

(A) Correto. Ver comentário da letra (A). A barra CD (= DC) está submetida a tração.
49) (UNIVERSA/PCDF/PERITO/ENGENHARIA/2012) Qual das estruturas planas a seguir
é isostática?

Gabarito Comentado
Resposta: Letra B.
Para que a estrutura seja isostática, o número de incógnitas (reações de apoio) deve ser
igual ao número de equações da estática (3 → ∑Fx ∑Fy ∑M). Observe que na estrutura
existe uma rótula que introduz mais uma equação para o cálculo das reações de apoio.

Logo, a estrutura procurada é a alternativa (B).


Porque possui quatro reações de apoio e uma rótula, ou seja, grau de hiperestaticidade
= zero.
g = num reações de apoio — rótula – equações da estática = 4 – 1 – 3 = 0

50) (UNIVERSA/PCDF/PERITO/ENGENHARIA/2012) Qual é o grau de hiperestacidade da


estrutura plana apresentada?

(A) 0 (B) 1 (C) 2 (D) 3


(E) 4
Gabarito comentado
Resposta: letra D.
g: grau de estaticidade ou hiperestaticidade = número de incógnitas –número de
equações.
Logo, tem-se que:
Número de reações de apoio = 6 (número de incógnitas)
Número de equações da estática = 3 → (ΣFx ΣFy ΣM)
Logo, g = 6 – 3 = 3, o grau de hiperestaticidade é 3.
51) (UNIVERSA/PCDF/PERITO/ENGENHARIA/2012) A figura representa uma viga
biengastada, de seção transversal constante, solicitada a um carregamento distribuído ao
longo do vão.

Considerando que a viga comporte-se dentro dos limites elásticos, qual é o valor do
momento fletor no centro do vão, sendo q = 3,84 t/m e L = 4 m?
(A) 5, 12 tf/m (C) 5,12 tf · m (C) 2,56 tf · m
(B) 5,12 tf (D) 2,56 tf
Gabarito comentado
Resposta: letra E.
Para resolver esta questão, deve-se utilizar o método da viga conjugada para se calcular
o momento fletor dos engastamentos e depois se corta a viga no seu ponto médio e
calcula--se o esforço simples, neste caso o momento fletor.
1) Método da viga conjugada: encontra-se o valor de .
2) Pela simetria da viga e pelo carregamento uniforme, supôs-se que .
3) Corta-se a viga na seção no meio do vão e calculam-se os esforços simples (no caso, o
momento fletor).

⊕>Σ Ms = 0 (positivo anti-horário)

52) (UNIVERSA/PCDF/PERITO/ENGENHARIA/2012) A equação diferencial de 4ª ordem


que define a linha elástica de uma viga prismática com carga distribuída q(x) é dada por

em que y é a linha elástica, x é o eixo de coordenadas que coincide com o eixo da viga, E
é o módulo de elasticidade do material que compõe a viga e I é o momento de inércia da
seção transversal da viga em relação à linha neutra.
Com base nessas informações e na figura a seguir, assinale a alternativa que apresenta
a equação da linha elástica, considerando que EI seja constante e independente de x.

(A)

(B)

(C)

(D)

(E)
Gabarito comentado
Resposta: letra A.
Sabe-se que a linha elástica pode ser obtida pelas equações diferenciais a seguir:

Integrando-se quatro vezes a equação diferencial de 4ª ordem, , encontram-se as


expressões a seguir:
Como a equação diferencial E é de 4ª ordem, são necessárias quatro condições
de contorno para se encontrar as quatro constantes de integração.
1) Condições de contorno relativas às deflexões e rotações em vigas biapoiadas:

x = 0 → y = 0 e y'' = 0 pois M = 0 e x = L → y = 0 e y'' = 0 pois M = 0


2) Derivadas e integrais:

3) Aplicando as condições de contorno em:

, tem- se:
Para x = 0 → y(0) = 0 → C4 = 0

4) Aplicando-se as condições de contorno para o momento fletor nos apoios em x = 0 e


em x = L, tem-se:
Para x = 0 → y’’(0) = M(0) = 0 → C2 = 0

Para x = L → y''(L) = M (L) = 0 → C2 = 0

A partir de C1 e C2 calcula-se C3:

Como as constantes de integração C1 = C2 = C3 = C4 = 0, tem-se que a equação da


linha elástica é:
53) (FGV/SENADO FEDERAL/ANALISTA/ENGENHARIA CIVIL/2008) O valor da carga P
que, aplicada no ponto central de uma viga biapoiada, provoca nesse ponto um
deslocamento igual ao provocado por uma carga q uniformemente distribuída em todo o
vão da viga é:
5pL
(A) (B) 5ql (C) (D) 4 (F)
Gabarito comentado
Resposta: letra A.
Para resolver esta questão, pode-se utilizar a equação diferencial da linha elástica,
considerando-se as condições de contorno para cada caso: viga com carga concentrada e
carregamento distribuído. No texto, foi demonstrado o cálculo da deflexão de uma viga
biapoiada com carregamento distribuído.
No entanto, para se ganhar tempo, serão utilizados os valores das deflexões
apresentados na tabela a seguir.
P
PL3
Vmáx Vmáx
48EI
L/2 L/2

q (kN/m)
5qL4
Vmáx Vmáx
384EI
L

Do enunciado, tem-se:
Deslocamento devido à carga concentrada:
Deslocamento em razão do carregamento distribuído:

54) (CESGRANRIO/IBGE/ENGENHARIA CIVIL/2010) Uma viga contínua com dois vãos


iguais a L está submetida a uma carga uniformemente distribuída de intensidade q. O valor
da reação vertical, em seu apoio central, é igual a

(A) (C) (E)

(B) (D)
Gabarito comentado
Resposta: letra E.
Empregando o método da equação dos três momentos, chega-se ao esquema indicado:
Como

Utilizando o método, encontram-se as seguintes reações de apoio.

55) (FUNCAB/PMM/ANALISTA /ENGENHARIA CIVIL/2011) Uma viga contínua com dois


vãos iguais a 4 m cada um, com inércia constante e extremidades simplesmente apoiadas,
está submetida a uma carga uniformemente distribuída ao longo dos dois vãos de 10 kN/m.
O valor do momento fletor máximo negativo sobre o apoio central é igual a:
(A) 13,33 kN · m (C) 26,66 kN · m (E) 39,99 kN · m
(B) 20 kN · m (D) 32 kN · m
Gabarito comentado
Resposta: letra B.
Empregando o método da equação dos três momentos, chega-se a este esquema:

Como

Logo,
56) (UNIFAP/GAP/ANALISTA/ENGENHARIA CIVIL/2009) Na peça de inércia constante da
figura abaixo, muito utilizada como viga nas estruturas de concreto, os momentos de
engastamento perfeito MAB e MBA são:

(A) MAB = 0; MBA = –42 t · m. (D) MAB = –20 t · m; MBA = 16 t · m.


(B) MAB = 24 t · m; MBA = 61 t · m. (E) MAB = 0; MBA = –24 t · m.
(C) MAB = 0; MBA = –61 t · m.
Gabarito comentado
Resposta: letra E.

O momento de engastamento perfeito no apoio A é MAB = 0 (rótula) e o momento de


engastamento perfeito no apoio B é (ver tabela anterior) .

57) (CESGRANRIO/IBGE/ENGENHARIA CIVIL/ 2010) Considere as informações a seguir


para responder às questões a e b.
Uma determinada viga, com vão L, está submetida a uma carga distribuída de valor q é
apresenta a seguinte equação da linha elástica:

onde: E é o módulo de elasticidade do material da viga, J seu momento de inércia em


relação ao eixo de flexão e x define o eixo longitudinal. A viga está impedida de se deslocar
horizontalmente em todos os seus apoios.
a) O valor de x para o qual o esforço cortante é nulo vale
(A) (C) (E)
(B) (D)
Gabarito comentado
Resposta: letra C.
Sabe-se que as equações diferenciais da linha elástica podem ser obtidas por:

Para o cálculo de x para que o cortante (V) seja nulo, escolhe-se a equação a seguir:

O enunciado fornece a equação da linha elástica, cujas derivadas estão assim ilustradas:

Igualando-se a 3ª derivada da linha elástica a zero (V = 0, cortante nulo), vem:

b) O valor absoluto do momento fletor para vale:


(A) (C) (E)
(B) (D)
Gabarito comentado
Resposta: letra C.
Para se calcular o momento fletor dada a equação da linha elástica, utiliza-se a equação
diferencial a seguir:

Substituindo-se a 2ª derivada da linha elástica na equação diferencial, vem:

Para , vem

58) (FGV/SENADO FEDERAL/ANALISTA/ENGENHARIA CIVIL/2008) A energia de


deformação acumulada em uma viga engastada e livre, de comprimento L, módulo de
elasticidade E, momento de inércia J e submetida a um carregamento distribuído de
intensidade q é igual a:

(A) (C) (E)

(B) (D)
Gabarito comentado
Resposta: letra A.
O trabalho de deformação pode ser calculado, para o caso de um único carregamento,
desde que conheçamos a relação entre o carregamento e a deformação.
Seja uma viga biapoiada submetida ao carregamento indicado onde atua um momento M
a uma distância x do ponto A. A equação da energia de deformação é dada pela seguinte
expressão:

Para a viga em balanço da figura,tem-se outra expressão para a energia de deformação:

Para a viga em balanço, a seguir, a expressão do momento fletor é dada por:

Para o cálculo da energia de deformação, utiliza-se a expressão do momento Mx na


equação a seguir:

Logo,
59) (FGV/SENADO FEDERAL/ANALISTA/ENGENHARIA CIVIL/2008) A expressão que
representa a linha de influência de momentos fletores em uma viga engastada e livre de
comprimento L, engastada na sua extremidade esquerda e considerando-se a origem no
engaste, é dada por:
(A) Lx (B) x2 (C) L – x (D) (L – x)2
(E) x
Gabarito comentado
Resposta: letra E.
60) (FGV/SENADO FEDERAL/ANALISTA/ENGENHARIA CIVIL/2008) A expressão que
representa a linha de influência de reação vertical no engaste em uma viga engastada e
livre de comprimento L, engastada na sua extremidade esquerda e considerando-se a
origem no engaste, é dada por:
(A) x (B) L (C) 1 (D) L – x
(E) x – L
Gabarito comentado
Resposta: letra C.
P 1 Reações de apoio
z
MA
S i) ∑ Fy 0 ∀z. RA 1
x ii) ∑ M A 0 MA 1, z 0 MA z
L
RA (será considerado ):
( ) 1 R ↑
LIRA
M tracionando fib. n
i f.
5 Tabelas e formulários
5.1 Eixo de simetria
É uma reta que se existir divide a figura em duas partes tais que estejam uma para a outra como um
objeto para a sua imagem no espelho.

5.2 Centro de simetria


É o ponto de cruzamento de dois eixos de simetria. Uma figura plana só poder ter um centro de
simetria.

5.3 Momento estático da 1a ordem


Os momentos estáticos em relação aos eixos de simetria são sempre nulos. Os momentos estáticos
podem ser negativos.

5.4 Centro de gravidade, centroide, centro de massa


É o ponto de coordenadas (XG; YG) do plano da figura dado por:

5.5 Momento da 2ª ordem (momento de inércia)


O momento de inércia depende do eixo de referência e é sempre positivo.

5.6 Cálculo dos momentos de inércia


Cálculo do momento de inércia do retângulo em relação aos eixos x e y:
Os momentos de inércia em relação aos eixos centrais x' e y':

Observação: o momento de inércia depende do eixo de referência.

5.7 Tabela dos momentos de inércia das formas básicas

5.8 Múltiplos e submúltiplos


5.9 Conversão de unidades

5.10 Tabela de derivadas

5.11 Tabela de integrais

5.12 Tabela de momentos de engastamento perfeito


REFERÊNCIAS
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ABNT, NBR-13752. Perícias de engenharia na construção civil.
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<http://www.tecnicodepetroleo.ufpr.br/apoio_didatico.htm>. Acesso em 2 abr. 2012.
VOLUME I-B
MECÂNICA DOS SOLOS – ESTRADAS –
PAVIMENTOS
1 Mecânica dos solos
Introdução
Neste volume o aluno tomará conhecimento dos assuntos da mecânica dos solos – estradas –
pavimentos mais exigidos em concursos da Polícia Federal e do TCU. Os assuntos discorrerão a
partir do edital dos referidos concursos e serão recheados com questões cobradas recentemente
nestes. Trata-se de uma reunião sucinta de muitos assuntos, a qual visa facilitar sobremaneira os
estudos do aluno, pois este terá em suas mãos um material muito rico, constituído do melhor dos
assuntos extraídos de bibliografias variadas e consagradas no meio técnico.

1.1. Origem e formação dos solos: processos erosivos


Os solos são provenientes da deterioração da rocha por meio de um processo denominado
intemperismo (ou laterização), ou seja, a ação do tempo. As várias formas de intemperismo podem
ser classificadas em dois grandes grupos: intemperismo químico e intemperismo mecânico. O
primeiro está relacionado com os vários processos químicos que alteram, solubilizam e depositam os
minerais de rocha, transformando-a em solo. Esse tipo é mais frequente nos climas quentes e úmidos
e, portanto, muito comum no Brasil. O segundo é proveniente da ação mecânica desagregadora de
transporte da água, do vento e da variação de temperatura (gelo-degelo). Muitas vezes ocorre a ação
conjunta de vários agentes do intemperismo. (Ortigão, 2007)
Os solos que permanecem próximos à rocha que lhes deu origem são denominados residuais; os
demais são sedimentares ou transportados. Os residuais podem ser jovens (saprolíticos) se ainda não
se completou todo o processo de formação, ou maduros (lateríticos) se este processo já se findou.
1) (CESPE/DPF/Perito/2004). O conhecimento das propriedades e dos comportamentos
dos solos é de fundamental importância para a estabilidade e o desempenho de diversas
obras civis. Com relação a esse assunto, julgue os itens a seguir.
Entende-se por solo saprolítico aquele que mantém a estrutura original da rocha mãe,
inclusive veios intrusivos, fissuras e xistosidade, mas perdeu a consistência da rocha.
Solução
Solo saprolítico, ou residual jovem, é aquele que ainda não teve sua maturidade atingida
e que possui muitas características da rocha mãe ainda presentes. Opõe-se aos solos
late-ríticos, ou residuais maduros, cujo desenvolvimento já se deu em sua plenitude,
afastando-se das características originais da rocha mãe. Em regiões tropicais, existem,
além dos lateríticos e saprolíticos, os solos transportados. A Figura 1 ilustra um perfil
esquemático da ocorrência de solos tropicais.
Figura 1: Perfil esquemático da ocorrência dos solos tropicais.

A Figura 2 mostra um perfil típico de solo tropical.

Figura 2: Exemplo de perfil de solo.

Segundo Vargas (1987), solos tropicais não são simplesmente os que ocorrem nos
trópicos, mas também devem possuir comportamento particular do ponto de vista da
engenharia. A formação desses solos necessita de clima úmido e boa condição de
drenagem. Os solos tropicais podem ser divididos em duas grandes classes: solos
lateríticos e solos saprolíticos. Segundo Cozzolino e Nogami (1993), os solos lateríticos
caracterizam-se pela presença de grãos muito resistentes mecânica e quimicamente, com
elevado percentual de hidróxidos e óxidos de ferro ou alumínio. Em geral, o argilomineral
mais comum é a caulinita. Resultados de microscopia eletrônica levaram Nogami e Villibor
(1995) a concluir que a parcela fina dos solos lateríticos está agregada, formando uma
massa de aspecto esponjoso. Esta organização pode formar solos porosos com alta
permeabilidade.
As características dos solos saprolíticos estão diretamente relacionadas com a rocha
matriz. Desta forma, as camadas podem variar de algumas a várias dezenas de metros,
além de possuir diferentes comportamentos e cores. Eles são identificados
macroscopicamente por apresentarem manchas, xistosidades, vazios e outras
características inerentes à rocha matriz. Sua composição mineralógica é muito variada,
sendo resultante do intemperismo da rocha, depende, portanto, do grau de alteração e do
tipo de rocha.
2) (CESPE/DPF/Perito/2004). A laterização é um processo de formação de solos típicos
de climas quentes e úmidos, que se caracteriza pela concentração eluvial de óxidos e
hidróxidos, principalmente de alumínio e ferro.
Solução:
A afirmativa está correta. Esta é a definição de laterização. Podendo ainda ser
complementada como um processo pedogenético atuante em climas tropicais, onde uma
profunda lixiviação (intemperismo químico) leva o solo a se enriquecer em hidróxidos de
ferro e/ou alumínio.
É um fenômeno de grande importância para a pavimentação, dado que os solos assim
gerados possuem excelente comportamento mecânico quando empregados como
camadas de pavimento.
Toda a faixa de clima tropical do mundo possui formação de solos com essas
características. Isso levou, por exemplo, dois engenheiros brasileiros, paulistas, Nogami e
Villibor, a criar a Metodologia MCT (miniatura, compactado, tropical), que busca aproveitar
ao máximo esta característica de resistência dos solos tropicais, e que os distingue
basicamente como dois tipos principais: os lateríticos e os saprolíticos. Aqueles bons para
pavimentação e estes com desempenho indesejável.
a) Solos colapsíveis
Definição: solos que sofrem significativa redução de volume quando umedecidos, com
ou sem aplicação de carga adicional.
Características dos solos potencialmente colapsíveis:
• estrutura macroporosa (fofa);
• baixo grau de saturação (não saturados);
• partículas maiores mantidas por cimentação.
Ou por tensão capilar geologia ambiental: solos expansivos.
b) Solos expansivos
Definição: solos coesivos que aumentam de volume quando umedecidos e se
contraem quando ressecam.
Características dos solos potencialmente expansivos:
• solos não saturados;
• presença de argilominerais expansivos (especialmente as montmorilonitas);
• solos derivados de rochas ígneas (basaltos, diabásios e gabros) e de rochas
sedimentares (folhelhos e calcários).
3) (CESPE/DPF/Perito/2002) Solos colapsíveis são aqueles que apresentam significativas
reduções de volume quando umedecidos ou submetidos a mudanças importantes de níveis
de tensões.
Solução
Afirmativa errada. Solos colapsíveis são aqueles que sofrem significativa redução de
volume quando umedecidos, com ou sem aplicação de carga adicional.
4) (CESPE/DPF/Perito/2002) Tálus são solos transportados, tipicamente inconsolidados e
sujeitos​ a instabilidade.
Solução:
A afirmativa está correta. Tálus são os solos que são transportados e depositados em
regiões mais baixas do relevo.
Possuem como características o fato de estarem não consolidados e, com isso, serem
instáveis.

1.2. Índices físicos


Numa massa de solo, podem ocorrer três fases: a fase sólida, a fase gasosa e a fase líquida. A fase
sólida é formada pelas partículas minerais do solo, a fase líquida por água, e a fase gasosa
compreende todo o ar existente nos espaços entre as partículas. Portanto, o solo é um sistema
trifásico em que a fase sólida é um conjunto discreto de partículas minerais dispostas a formarem
uma estrutura porosa que conterá os elementos constituintes das fases líquida e gasosa. A Figura 3
apresenta um solo em que aparecem as três fases tal qual na natureza.
Na Figura 4 a amostra de solo aparece com suas fases separadas para atender a uma conveniência
didática de definição dos índices físicos.

Figura 3: Solo conforme encontrado na natureza.


Figura 4: Fases do solo separadas.

Em que:
V = volume total
Vv = volume de vazios
Vo = volume de ar
Vw = volume de água
Vs = volume de sólidos
W = peso total
Ww = peso da água
Ws = peso de sólidos
γw = peso específico da água, considerado igual a 10 kN/m³
Os índices físicos são definidos como grandezas que expressam as proporções entre pesos e
volumes em que ocorrem as três fases presentes numa estrutura de solo. Estes índices possibilitam
determinar as propriedades físicas do solo para controle de amostras a serem ensaiadas e nos
cálculos de esforços atuantes.
Os índices físicos dos solos são utilizados na caracterização de suas condições, em um dado
momento e, por isso, podem ser alterados ao longo do tempo. Seus nomes, simbologia e unidades
devem ser aprendidos e incorporados ao vocabulário de uso diário do geotécnico.
1.2.1 Relações entre as diferentes fases
1.2.1.1 Relações entre pesos
a. Teor de umidade
O teor de umidade de um solo é determinado como a relação entre o peso da água (Ww) e o peso
das partículas sólidas (Ws) em um volume de solo. De acordo com a simbologia mostrada na Figura
4, tem-se:
O teor de umidade pode assumir o valor de 0% para solos secos (Ww = 0) até valores superiores
a 100% em solos orgânicos.
1.2.1.2 Relação entre volumes
Existem três relações volumétricas que são muito utilizadas na engenharia geotécnica e podem ser
determinadas diretamente do diagrama de fases da Figura​ 4.
a. Índice de vazios (e)
É a relação entre o volume de vazios (Vv) e o volume dos sólidos (Vs), existente em igual volume
de solo. Este índice tem como finalidade indicar a variação volumétrica do solo ao longo do tempo.
De acordo com isso, tem-se:

O índice de vazios será medido por um número natural e deverá ser, obrigatoriamente, maior do
que zero em seu limite inferior, enquanto não há um limite superior bem definido, dependendo da
estrutura do solo. O volume de sólidos permanecendo constante ao longo do tempo, qualquer
variação volumétrica será medida por uma variação do índice de vazios, que assim poderá contar a
história das tensões e deformações ocorridas no solo. Exemplo de valores típicos do índice de
vazios para solos arenosos podem situar de 0,4 a 1,0; para solos argilosos, variam de 0,3 a 1,5. Nos
solos orgânicos, podem-se encontrar ​valores superiores a 1.
b. Porosidade (η)
É a relação entre o volume dos vazios (Vv) e o volume total (V) da amostra. Portanto:

A porosidade é expressa em porcentagem, e o seu intervalo de variação é entre 0% e 100%. Das


equações apresentadas mais adiante, pode-se expressar a porosidade em função do índice de vazios
e vice-versa, por meio das equações apresentadas adiante:

c. Grau de saturação (S)


O grau de saturação indica que porcentagem do volume total de vazios contém água. Se o solo está
completamente seco, então S = 0%, se os poros estão cheios de água, então o solo está saturado e S =
100%. Para solos parcialmente saturados (solos não saturados), os valores de “S” situam-se entre
1% e 99%. Com isso,

O grau de saturação é igual a 100% nos materiais saturados, isto é, cujos vazios estão totalmente
preenchidos pela água. A umidade tem pouca importância nas areias, ao contrário do que ocorre nas
argilas, e permite chegar-se a uma série de conclusões quanto à suscetibilidade e à variação
volumétrica por expulsão da água dos vazios.
1.2.1.3 Relação entre pesos e volumes
As formulações a seguir mostradas, muito utilizadas em Mecânica dos solos, envolvem o uso do
parâmetro Peso Específico:
a. Peso específico aparente natural ou úmido (g, gnat, gt)
É a relação entre o peso total (W) e o volume total da amostra (V) para um valor qualquer do grau
de saturação, diferente dos extremos. Utilizando-se a simbologia da Figura 4, será calculado como:

A magnitude do peso específico natural dependerá da quantidade de água nos vazios e dos grãos
minerais predominantes, e é utilizada no cálculo das tensões no solo.
b. Peso específico aparente seco (γd)
É a relação entre o peso dos sólidos (Ws) e o volume total da amostra (V). Para a condição limite
do grau de saturação (limite inferior –S = 0%), tem-se:

O peso específico aparente seco é empregado para verificar o grau de compactação de bases e
sub-bases de pavimentos e barragens de terra.
c. Peso específico saturado (γsat)
É a relação entre o peso total (W) e o volume total (V), para a condição de grau de saturação igual
a 100%. Tem-se:

d. Peso específico real dos grãos ou sólidos (γs , δ) (NBR 6508/84)


É a relação entre o peso dos sólidos (Ws) e o volume dos sólidos (Vs). Portanto,​

O valor do peso específico dos sólidos representa uma média dos pesos específicos dos minerais
que compõem a fase sólida.
e. Peso específico da água γw)
É a razão entre o peso de água (Ww) e seu respectivo volume (Vw). Tem-se:

Nos casos práticos, adota-se o peso específico da água como: 1g/cm3 = 5 10kN/m3 = 1000kg/m3.
f. Peso específico submerso (γsub , γ‘)
Quando a camada de solo está abaixo do nível freático, define-se o peso específico submerso, o
qual é utilizado para o cálculo de tensões em solos na condição de submersão em água. Tem-se:
γsub = γsat – γw
g. Densidade real dos grãos ou sólidos (G)
É a razão entre o peso específico real dos grãos (γs) e o peso específico da água a 4 °C.

1.2.2 Principais fórmulas de correlação


As fórmulas de definição dos índices físicos não são práticas para a utilização em cálculos e,
portanto, recorre-se às fórmulas de correlação entre os índices, como as apresentadas a seguir:
• peso específico natural:

• teor de umidade:
• peso específico real dos grãos:

• peso específico aparente seco:


• índice de vazios:
• porosidade:

• grau de saturação:

• peso específico saturado:


• peso específico submerso: γsub = γsat – γw = (γs – γw) · (1 – η)

1.3. Caracterização e propriedades dos solos


O termo caracterização é utilizado em geotecnia para identificar um grupo de ;ensaios que visam
obter algumas características básicas dos solos com o objetivo de avaliar a sua aplicabilidade nas
obras de terra. São muito utilizados no início dos estudos, como, por exemplo, em campanhas de
campo para pesquisa de potenciais jazidas de argila, cascalho ou areia.
A determinação do peso específico real dos grãos fornece uma ideia sobre a mineralogia do
material e possibilita cálculos que correlacionam vários parâmetros do solo. Outro ensaio é o
de granulometria o qual é composto do peneiramento, para solos granulares, e do ensaio de
sedimentação, quando o solo é coesivo. Com isso, pode-se obter a curva granulométrica da amostra.
Concluindo os ensaios desse grupo, tem-se o limite de plasticidade e o limite de liquidez que são
conhecidos como limites de consistência ou limites de Atterberg. Deles é obtido o Índice de
plasticidade.
Com o peso específico real dos grãos, a curva granulométrica e o índice de plasticidade, é
possível saber se o material poderá ser aplicado, por exemplo, em filtros ou drenos, no caso
das areias, se poderão ser utilizados em base de rodovias, no caso dos cascalhos, ou em aterros,
como os siltes e as argilas.
Para se estudar um solo, é necessário primeiramente caracterizá-lo e depois extrair, por meio de
ensaios de laboratório, suas principais propriedades físicas.
Do estudo da exploração do subsolo, principalmente no que se refere às camadas profundas, faz
parte coletar amostras, operação comum tanto à prospecção superficial quanto à profunda. Essas
amostras têm de ser representativas do solo, e a decisão sobre seu tamanho, número de amostras,
locais de onde são retiradas é responsabilidade do engenheiro. Uma amostragem mal executada leva
fatalmente a resultados tendenciosos, e a quantidade e qualidade dos ensaios de laboratório não
podem corrigir seus resultados pobres.
A coleta de amostras é feita durante a prospecção, durante o projeto e durante a execução de obras
(controle). Esta pode ser superficial ou profunda.
De um modo geral, podemos classificar as amostras em dois tipos: amostras deformadas e
amostras indeformadas.
1.3.1 Amostras deformadas
Conservam todos os constituintes minerais do solo, inclusive, se possível, sua umidade natural,
mas não conservam sua estrutura original que é alterada pelo processo de extração.
Em uma amostragem superficial as coletas são feitas com auxílio de trados, pás, escavadeiras
manuais, talhadeiras e martelos, e as amostras são transportadas para o laboratório preferencialmente
em recipientes que evitem perda significativa de umidade. Na amostragem profunda, é necessário
equipamento especial, sendo a perfuração rotativa ou por percussão (ou a escavação de poços ou
trincheiras).
Para fins de engenharia, pouco interessa a camada superficial (horizonte A), da qual participam
componentes orgânicos e elementos transportados. Geralmente esta é retirada por terraplanagem para
a execução de uma obra, e, por isso, antes de ser colhida uma amostra, a superfície do solo
normalmente é raspada. Mas o horizonte A não deve ser desprezado, pois é a base de sustentação da
vida no planeta. Suas características podem fornecer importantes indicações sobre o subsolo. Esse
horizonte é estudado na pedologia.
1.3.2 Amostras indeformadas
Diferem das amostras deformadas por manterem sua estrutura original, embora percam as tensões a
que estavam submetidas em seu local de origem. São colhidas tanto em sondagens superficiais quanto
profundas.
Sua coleta é feita pela cravação (e posterior retirada) de um cilindro metálico no solo, ou pela
escultura de uma forma prismática (como o cubo), executada no local de amostragem.
Cuidados especiais com seu acondicionamento para transporte até o laboratório onde serão
analisadas são tomados para evitar perda de umidade e deformação (incluindo ruptura) da amostra.
Esses detalhes incluem o uso de sacos plásticos, banho de parafina, forma de recipientes para
transporte, material de acondicionamento etc.
1.3.3 Principais ensaios de caracterização dos solos
• Teor de umidade;
• Granulometria por peneiramento;
• Densidade real do grão;
• Limite de liquidez;
• Limite de plasticidade;
• Permeabilidade;
• Equivalente de areia;
• Compactação;
• Massa específica aparente in situ;
• Índice Suporte Califórnia – ISC.
1.3.3.1 Teor de umidade (Método da Estufa) – REF.: DNER ME 213/94
a. Aparelhagem e material
1. Balanças que permitam pesar 200 g, 1,5 kg e 5 kg, com resoluções de 0,01 g, 0,1 g e 0,5 g
respectivamente, e sensibilidades compatíveis.
2. Estufa capaz de manter temperatura entre 60-65ºC e entre 105-110ºC.
3. Dessecador com agente de absorção de umidade (tipo sílica gel).
4. Recipientes adequados, confeccionados com material não corrosível, como: cápsulas metálicas
com tampa ou pares de vidro de relógio com grampo, de dimensões adequadas.
5. Pinças metálicas com aproximadamente 30 cm de comprimento e 15 cm de abertura.
b. Execução do ensaio
1. Tomar uma quantidade do material em cápsulas metálicas adequadas e fechar com a tampa.
Pesar o conjunto e anotar o peso como P1.
2. Remover a tampa e colocar a cápsula em estufa à temperatura de 105-110ºC, onde deve
permanecer até apresentar constância de massa. Não recolocar a tampa enquanto o material
permanecer na estufa.
Solos orgânicos, turfosos ou contendo gipsita devem ser secados em estufa à temperatura de 60-
65ºC, requerendo tempo maior de secagem. Normalmente, um intervalo de 16 a 24 horas é suficiente
para a secagem do material, podendo ser necessário intervalo maior, dependendo do tipo de solo ou
se este estiver muito úmido.
Tampar e transferir a cápsula da estufa para o dessecador, onde deve permanecer até atingir a
temperatura ambiente. Pesar o conjunto, com a resolução correspondente, e anotar como P2.
3. Efetuar, no mínimo, três determinações do teor de umidade por amostra. A média dos
resultados válidos será adotada como teor de umidade da amostra.
Em laboratório, o processo da estufa deverá ter preferência sobre qualquer outro. A utilização
mais frequente em laboratório para o teor de umidade é o cálculo do fator de conversão, usado para
se obter o peso seco de uma amostra. O peso seco é usado nos cálculos de quase todos os demais
ensaios de mecânica dos solos.
Os processos de campo são utilizados para decisões imediatas, como verificar se um solo está
pronto para ser trabalhado, se deve ser aumentado ou diminuído seu teor de umidade antes de uma
compactação etc. Para tais finalidades, geralmente não é necessária uma precisão tão grande quanto
no processo da estufa, que é mais demorado.
Dos métodos de campo, o método do “Speedy” é o mais empregado.
1.3.3.2 Teor de umidade (Método do “Speedy”) – Ref.: DNER ME 052/94
A determinação do teor de umidade de solos e agregados miúdos com utilização do aparelho
“Speedy” (Figura 5) tem base na reação química da água existente em uma amostra com o carbureto
de cálcio, realizada em ambiente confinado.
CaC2 + 2H2O ⇒ C2H2 + Ca(OH)2
Ao expandir-se, o gás acetileno gera pressão proporcional à quantidade de água existente na
amostra. A leitura dessa pressão em um manômetro permite a avaliação da quantidade de água em
uma amostra e, em consequência, do seu teor de umidade.

Figura 5: Aparelho "Speedy" para determinação expedita do teor de umidade de solos.

a. Execução do ensaio
1. Pesar a amostra e colocar na câmara do aparelho.
2. Introduzir na câmara duas esferas de aço, seguidas da ampola de carbureto de cálcio, deixando-
a deslizar com cuidado pelas paredes da câmara para que não se quebre.
3. Fechar o aparelho e agitá-lo repetidas vezes para quebrar a ampola, o que se verifica pelo
surgimento de pressão assinalada no manômetro.
4. Ler a pressão manométrica após esta se apresentar constante, o que indica que a reação se
completou.
Se a leitura manométrica for menor que 20 kpa (0,2 kg/cm2), o ensaio deve ser repetido com peso
de amostra imediatamente superior ao empregado, conforme a tabela que acompanha o kit do
equipamento, e que se encontra fixada na parte interna da tampa da caixa que acondiciona o material.
Se a leitura for maior que 150 kpa (1,5 kg/cm2), interromper o ensaio, afrouxando a tampa do
aparelho devagar, para repeti-lo com um peso imediatamente inferior. Apenas na faixa de 0,2 a 1,5
kg/cm2 o aparelho fornece leituras confiáveis.
5. Entra-se na tabela de aferição própria do aparelho com a leitura manométrica e o peso da
amostra utilizada no ensaio, obtendo a porcentagem de umidade em relação à amostra total úmida
(h1).
Como o aparelho “Speedy” é calibrado para trabalhar a 20ºC, é necessária correção quando
operado em temperaturas diferentes.
1.3.3.3 Granulometria por peneiramento
O ensaio de granulometria é o processo utilizado para a determinação da porcentagem em peso que
cada faixa especificada de tamanho de partículas representa na massa total ensaiada.
Por meio dos resultados obtidos desse ensaio, é possível a construção da curva de distribuição
granulométrica, tão importante para a classificação dos solos quanto para a estimativa de parâmetros
para filtros, bases estabilizadas, permeabilidade, capilaridade etc.
A determinação da granulometria de um solo pode ser feita apenas por peneiramento ou por
peneiramento e sedimentação, se necessário.
Os principais equipamentos e utensílios utilizados no ensaio são: balança; almofariz e mão de grau;
cápsulas para determinação de umidade; estufa; jogo de peneiras (50; 38; 25; 19; 9,5; 4,8; 2,4; 1,2;
0,6; 0,42; 0,30; 0,15; 0,075 mm); agitador de peneiras; dispersor elétrico; proveta graduada de 1000
ml; densímetro graduado de bulbo simétrico; termômetro; cronômetro.
a. Preparação da amostra
1. Seleciona-se uma quantidade representativa P1 de material seco ao ar ou úmido; determina-se
sua umidade:
• 10,0 kg para material com pedregulho grosso;
• 2,0 kg para material com pedregulho fino;
• 1,0 kg para material arenoso;
• 0,5 kg para material siltoso/argiloso.
2. Passa-se a massa P1 na peneira #10 (2,0 mm);
3. Do material que passar, separam-se três quantidades:
P2 = 20 g para a determinação do peso específico real das partículas;
P3 = 50 a 100 g para a sedimentação;
P4 = 200 a 600 g para o peneiramento fino.
b. Procedimento experimental
1. Peneiramento grosso (material retido na peneira #10)
• lava-se o material na peneira #10 (2,0 mm), em seguida ele é colocado na estufa;​
• peneira-se o material seco, mecânica ou manualmente, até a peneira #10;
• pesa-se a fração retida em cada peneira.
2. Peneiramento fino (material que passa na peneira #10)
• lava-se o material na peneira #200 (0,075 mm), em seguida ele é colocado na estufa;
• passa-se o material seco nas peneiras de aberturas menores que a #10;
• pesa-se a fração retida em cada peneira.
3. Sedimentação
coloca-se a massa P3 em “banho” (6 a 24 horas) com defloculante (solução de hexametafosfato de
sódio);
• agita-se a mistura no dispersor elétrico por 5 a 15 minutos;
• transfere-se a mistura para a proveta graduada, completando com água destilada até 1000 ml e
realiza-se o balanceamento;
• efetuam-se leituras do densímetro nos instantes de 30 s, 1, 2, 4, 8, 15, 30 min, 1, 2, 4, 8, 25
horas.
c. Resultados
A partir dos valores calculados, traça-se a curva de distribuição granulométrica (Figura 6),
marcando-se no eixo das abscissas em escala logarítmica os “diâmetros” das partículas menores do
que aqueles considerados, e nos eixos das ordenadas a porcentagem que fica retida ou que passa em
cada uma das peneiras utilizadas.

Figura 6: Curva granulométrica.

1.3.3.4 Usos mais frequentes dos resultados de granulometria dos solos


Nos solos com grãos maiores do que a peneira #200 (areias e pedregulhos) a granulometria tem
vários usos importantes. Por exemplo, os solos bem graduados, ou seja, com uma ampla gama de
tamanho de partículas, apresentam melhor comportamento em termos de resistência e
compressibilidade que os solos com granulometria uniforme (todas as partículas têm o mesmo
tamanho).
Outra finalidade da curva granulométrica é na estimativa do coeficiente de permeabilidade de
solos de granulação grossa, especialmente no dimensionamento de filtros. O material fino atua como
ligante dos solos. O conhecimento da curva granulométrica permite a escolha do material para
utilização em bases de rodovias e aeroportos. Porém existem várias razões tanto práticas como
teórica pelas quais a curva granulométrica de solos finos é mais discutível que as correspondentes a
solos granulares. Os tratamentos químicos e mecânicos que os solos naturais recebem antes de
realizar uma análise granulométrica resultam em tamanhos efetivos que podem ser muito diferentes
dos existentes no solo natural.
Para execução de concreto de cimento, agregados bem graduados requerem menos cimento para
encher os vazios e, havendo menos água por unidade de volume de concreto, ele será mais denso,
menos permeável e apresentará maior resistência à alteração do que se fosse executado com
agregado uniforme. Para o caso de concreto asfáltico usando agregado bem graduado, a quantidade
de asfalto a ser empregada é menor.
1.3.3.5 Densidade real do grão
Na mecânica dos solos o peso específico real dos grãos (γs) é definido numericamente como
o peso dos sólidos (Ps) dividido pelo seu volume (Vs), ou seja:

De um modo geral este valor não varia muito de solo para solo. Não importa se
é argila, areia ou pedregulho, pois o fator preponderante é a sua mineralogia, ou seja, depende
principalmente da rocha matriz que deu origem ao solo.
O ensaio para determinação do peso específico real dos grãos é padronizado no Brasil pela
norma ABNT NBR 6508/84. O método consiste basicamente em determinar o peso seco de uma
amostra por simples pesagem e em seguida determinar seu volume baseando-se no princípio de
Arquimedes
1.3.3.6 Limite de liquidez e de plasticidade
Limite de Liquidez – LL, Limite de Plasticidade – LP e Limite de Contração – LC, conhecidos por
Limites de Atterberg, são teores de umidade, respectivamente decrescentes, obtidos de ensaios de
laboratório específicos e que estão esquematizados na Figura 7. Nela podemos observar que, a partir
do estado líquido do solo, à medida que este perde umidade, passa-se do estado líquido para o
estado plástico, depois para o estado semissólido e em seguida para o estado sólido.

Figura 7: Diagrama dos Limites de Atterberg.

O solo, vindo de uma condição de “líquido” por causa da quantidade de água presente, ao secar
chega até uma zona “plástica”, zona esta em que se torna moldável, situação idêntica àquela em que
crianças brincam com massas de argila. O teor de umidade de início deste estado é conhecido por
“limite de liquidez”. Esta zona plástica é tanto maior quanto mais fino e coesivo for o solo.
Continuando a perda de umidade, o material torna-se “quebradiço”, impedindo por exemplo a
conformação de um cilindro com o esfregar de uma mão sobre a massa de solo sobre uma superfície
rígida e lisa. Este é o estado “semissólido”. Decrescendo com o teor de umidade, o início deste
estado é o “Limite de Plasticidade”. A diferença numérica entre o Limite de Liquidez e o Limite de
Plasticidade é o parâmetro conhecido por Índice de Plasticidade, ou seja:
IP = LL – LP
A partir de um determinado teor de umidade não há mais contração de volume, pois toda a água
retirada é substituída por ar. Este teor de umidade é conhecido como “Limite de Contração”, ou LC, e
só é obtido após secagem em estufa (100 a 110 ºC) por 24 horas.
Sua determinação se dá utilizando a seguinte fórmula:

Em que:
Vs = volume de sólidos;
Ps = peso de sólidos;
γa = peso específico da água (10,0 KN/m3);
δ = densidade do grão sólido.
Nesta fórmula, Ps é facilmente obtido com o uso de uma balança. A densidade real do grão (δ)
possui ensaio específico para sua determinação, o peso específico da água (γa) é conhecido. A
novidade é a avaliação do Vs, que é feita por intermédio da imersão de uma pastilha de solo,
devidamente seca primeiro ao ar e em seguida em estufa (110 ºC), em um recipiente contendo
mercúrio líquido, avaliando-se o volume que é extravasado ao imergir a tal pastilha, aos moldes do
famoso ensaio de Arquimedes.
4) (CESPE/DPF/Perito/2004). A respeito do conhecimento de mecânica dos solos, que é
de extrema importância em diversos projetos de obras civis, julgue o item subsequente.
a) O limite de contração de um solo é igual à umidade de equilíbrio do solo após secagem
no ambiente de laboratório, com temperatura constante de 20 ºC (± 2 ºC), por um período
de 24 horas.
Solução:
Das observações descritas anteriormente, a afirmação da questão é falsa.
1.3.3.7 Permeabilidade
A determinação da permeabilidade dos solos pode ser feita por meio de ensaios in situ e de
laboratório. Aqui serão mostrados apenas os tipos mais comuns, que são os ensaios de laboratório
por meio de permeâmetros de carga constante ou variável. O primeiro (Figura 8) é o tipo
empregado por Darcy e consta de dois reservatórios onde os níveis de água são mantidos constantes
e com diferença de altura h.
Medindo-se vazão Q e conhecendo-se as dimensões do corpo de prova (comprimento L e área da
seção transversal A), obtém-se o valor da permeabilidade k, dado por:
Figura 8: Permeâmetro de carga constante (experimento de Darcy).

Figura 9: Permeâmetro de carga variável.

1.3.3.8 Equivalente de areia


O ensaio de equivalente de areia (Ref: DNER – ME 054-97) tem por finalidade a identificação de
finos plásticos no agregado miúdo.
Onde:
h1: Altura (mm) do depósito de areia (verificação visual)
h2: Altura (mm) do depósito de argila (verificação visual)
O procedimento do ensaio consiste em colocar o material na proveta com solução padronizada;
deixar em repouso; agitar; ler a altura da suspensão (h1) e da sedimentação (h2), Como mostra a
Figura 10.

Para uso em misturas asfálticas, EA > 55%.

Figura 10: Equipamento para ensaio de equivalente de areia.

Este assunto fornece dados para a resolução da questão que se segue:


5) (CESPE/TCU/ACE/2005). As características, as propriedades e o controle de materiais
influenciam sobremaneira a qualidade final e a durabilidade de obras rodoviárias. Com
relação aos materiais empregados nesse tipo de obra, julgue o item subsequente.
a) Em pavimentações, o equivalente de areia é utilizado no controle de finos de materiais
granulares.
Solução:
Afirmação correta.
1.3.3.9 Compactação
A compactação é um método de estabilização de solos que se dá por aplicação de alguma forma de
energia (impacto, vibração, compressão estática ou dinâmica). Seu efeito confere ao solo um
aumento de seu peso específico e resistência ao cisalhamento, e uma diminuição do índice de vazios,
permeabilidade e compressibilidade.
Por meio do ensaio de compactação, é possível obter a correlação entre o teor de umidade e o
peso específico seco de um solo quando compactado com determinada energia. O ensaio mais
comum é o de Proctor (normal, intermediá​rio ou modificado), que é realizado por meio de
sucessivos impactos de um soquete padronizado na amostra.
a. Equipamentos
Os principais equipamentos são: almofariz e mão com borracha; peneira #4 (4,8 mm); balança;
molde cilíndrico de 1000 cm3, com base e colarinho; soquete cilíndrico; extrator de amostras;
cápsulas para determinação de umidade; estufa.
b) Preparação da amostra
• Toma-se certa quantidade de material seco ao ar e faz-se o destorroamento até que não haja
torrões maiores que 4,8 mm;
• Peneira-se a amostra na peneira #4 (4,8 mm) e em seguida determina-se sua umidade
higroscópica.
c) Procedimento
• Adiciona-se água à amostra até se verificar certa consistência. Deve-se atentar para uma
perfeita homogeneização da amostra;
• Compacta-se a amostra no molde cilíndrico em três camadas iguais (cada uma cobrindo
aproximadamente um terço do molde), aplicando-se em cada uma delas 25 golpes distribuídos
uniformemente sobre a superfície da camada, com o soquete caindo de 0,305 m;
• Remove-se o colarinho e a base, aplaina-se a superfície do material à altura do molde e pesa-
se o conjunto cilindro + solo úmido compactado;
• Retira-se a amostra do molde com auxílio do extrator e, partindo-a ao meio, coleta-se uma
pequena quantidade para a determinação da umidade;
• Desmancha-se o material compactado até que possa ser passado pela peneira #4 (4,8 mm),
misturando-o em seguida ao restante da amostra inicial (para o caso de reuso do material);
• Adiciona-se água à amostra homogeneizando-a (normalmente se acrescenta água numa
quantidade da ordem de 2% da massa original de solo, em peso). Repete-se o processo pelo menos
por mais quatro vezes.
d) Resultados
• Curva de compactação: é obtida marcando-se, em ordenadas, os valores dos pesos específicos
secos (γd) e, em abscissas, os teores de umidade correspondentes (w);
• Peso específico seco máximo (γdmáx): é a ordenada máxima da curva de compactação;
• Umidade ótima (wot): é o teor de umidade correspondente ao peso específico máximo.
Define-se Grau de Compactação – GC como a relação percentual entre o peso específico
aparente seco obtido pela compactação no campo (γs campo) e o maior γs possível de obter no
laboratório, com amostra na umidade ótima (γs máximo).

“Grosso modo”, se GC atinge ou ultrapassa a especificação mínima para o trabalho especificada


por norma (por exemplo, GC ≥ 95%), o serviço é aceito. Caso contrário, é recusado por não atingir a
compactação desejada. Procede-se então à remoção de todo o material e a camada é refeita.
Os solos, para que possam ser utilizados nos aterros das obras de terraplenagem, devem preencher
certos requisitos, ou seja, certas propriedades que melhoram o seu comportamento, sob o aspecto
técnico, transforman-do-os em verdadeiro material de construção. Esse objetivo é atingido de
maneira rápida e econômica por meio das operações de compactação. Essas propriedades visam
principalmente:
• ao aumento da resistência da ruptura dos solos, sob ação de cargas externas;
• à redução de possíveis variações volumétricas, quer pela ação de cargas, quer pela ação da água
que, eventualmente, percola pela sua massa;
• à impermeabilização dos solos, pela redução do coeficiente de permeabilidade, resultante do
menor índice de vazios obtido com o processo de compactação.
• À vista do exposto, chama-se compactação de um solo aos processos manuais ou mecânicos que
visem principalmente à redução do índice de vazios. Resulta daí o aumento da resistência à ruptura,
pela elevação do atrito interno entre as partículas e a diminuição das variações de volume, por meio
do melhor entrosamento entre elas. Em resumo, por meio da compactação de um solo resulta:
• maior aproximação e entrosamento das partículas, ocasionando um aumento da coesão e do atrito
interno e, consequentemente, da resistência ao cisalhamento;
• por meio do aumento da resistência ao cisalhamento, obter-se-á maior capacidade de suporte;
• com redução do índice de vazios, a capacidade de absorção de água e a possibilidade de haver
percolação diminuem substancialmente, tornando o solo mais estável.
Com essas considerações, fica claro que dois fatores são fundamentais na compactação:
• o teor de umidade do solo; e
• a energia empregada na aproximação dos grãos e que se denomina energia de compactação.
O engenheiro americano Ralph Proctor, em 1933, verificou que na mistura de solo com maiores
quantidades de água, quando compactada, o peso específico aparente da mistura aumentava porque a
água de certa forma funcionava como lubrificante, aproximando as partículas, permitindo melhor
entrosamento e, por fim, ocasionando a redução do volume de vazios. Num determinado ponto,
atingia-se um peso específico máximo, a partir do qual, ainda que se adicionasse mais água, o
volume de vazios passava a aumentar. A explicação desse fato reside em que quantidades adicionais
de água, após o ponto citado, em vez de facilitarem a aproximação dos grãos, fazem com que estes se
afastem, aumentando novamente o volume de vazios e causando o decréscimo dos pesos específicos
correspondentes.
Ao realizar-se a compactação de um solo, sob diferentes condições de umidade e para uma
determinada energia de compactação, obtém-se uma curva de variação dos pesos específicos
aparentes secos (γs) em função do teor de umidade (h). Esta curva é chamada de curva de
compactação.
Na figura anterior pode-se observar que à medida que a energia aumenta, a umidade ótima (aquela
que confere ao solo o maior peso específico aparente seco) é deslocada para a esquerda, fazendo
com que, portanto, diminua.
Essas energias (normal, intermediária e modificada), em laboratório, são expressas pelo número
de golpes do soquete compactador, respectivamente 12, 26 ou 55. No campo, a energia é expressa
pelo número de passadas de um rolo compactador.
Os solos, em campo, são compactados pelo efeito de um dos seguintes esforços: pressão
(compressão), amassamento, impacto e vibração; ou pela combinação de dois ou mais esforços.
A compressão consiste na aplicação de uma força (pressão) vertical, oriunda do elevado peso
próprio do equipamento, obtendo-se a compactação pelos esforços de compressão gerados na massa
superficial do solo.
O amassamento é o processo que combina a força vertical com uma componente horizontal,
oriunda de efeitos dinâmicos de movimento do equipamento ou eixos oscilantes. A resultante das
duas forças conjugadas provoca uma compactação mais rápida, com menor número de passadas.
A vibração consiste numa força vertical aplicada de maneira repetida, com frequências elevadas,
superiores a 500 golpes por minuto. Isso significa que à força vertical se soma uma aceleração
produzida por uma massa excêntrica que gira com determinada frequência.
O impacto resulta de uma ação semelhante à da vibração, diferenciando--se, apenas, pela baixa
frequência da aplicação dos golpes.
A cada processo correspondem equipamentos apropriados à compactação, utilizando-se as
diversas formas de transferência de energia.
A escolha do equipamento para determinado serviço de compactação é problema bastante
complexo, pois, além da diversidade dos equipamentos disponíveis, há a considerar, ainda, a
diversidade dos tipos de solos existentes, bem como as características próprias do comportamento
de cada um.
Todavia, é possível estabelecer alguns princípios básicos que regem a escolha, levando-se em
conta os tipos predominantes de solos. Os solos são basicamente divididos em dois grupos:
• solos coesivos: nos quais há uma parcela preponderante de partículas finas a muito finas, nas
quais as forças internas de coesão desempenham papel preponderante; e
• solos não coesivos (granulares): nos quais praticamente há muito pouca ou nenhuma coesão entre
os grãos, havendo, entretanto, o atrito entre eles.
Para os solos granulares ou arenosos a vibração é o processo mais indicado, pois as partículas
permanecem justapostas pelo atrito. Havendo a vibração, com frequência e amplitude corretas,
consegue-se o escorregamento e a acomodação das partículas, ocasionando a rápida diminuição do
índice de vazios.
Para os solos muito coesivos que, além da parcela de atrito interno, possuem coesão, a vibração
não é suficiente para produzir o deslocamento dos grãos, tornando-se inócua como agente de
compactação nesse caso. Para esta categoria de solos coesivos, somente o amassamento (ou impacto)
é capaz de produzir esforços internos de modo a vencer a resistência oposta pelas forças de coesão,
razão pela qual apenas equipamentos tipo pé de carneiro e os conjugados são capazes de compactá-
lo.
6) (CESPE/DPF/Perito/2004) Para um mesmo solo, o ensaio de compactação tipo proctor
modificado fornece uma umidade ótima menor que a do ensaio proctor normal.
Solução:
Correta. Pois as energias do ensaio de compactação, como mostrado anteriormente,
são crescentes na ordem: normal, intermediária e modificada. A aplicação de uma maior
energia fornece ao solo uma diminuição dos vazios, aumentando assim o peso específico
deste. Sendo assim, com menor volume de vazios, a quantidade de água necessária para
garantir o peso específico máximo (umidade ótima) será menor.
7) (CESPE/DPF/Perito/2004) O grau de compactação do solo em uma obra de
pavimentação é dado pela razão entre o peso específico seco do solo no campo e o peso
específico seco máximo obtido em ensaios de laboratório.
Solução:
Correta, em razão das explicação fornecidas anteriormente.
1.3.3.10 Massa específica aparente in situ
Em campo (ou in situ), existem vários processos para a determinação do peso específico aparente,
sendo feita a escolha de um deles em função do tipo de solo a ser estudado. Pode-se agrupá-los em
métodos diretos, indiretos e especiais.
Os principais processos de identificação da massa específica aparente por métodos diretos
consistem na coleta de uma amostra indeformada. Com a massa e o volume dessa amostra calcula-se
a massa específica aparente, e com o teor de umidade dela obtido, a massa específica aparente seca.
Os mais comuns são o do cilindro de cravação e o do “cubo” esculpido.
Nos métodos indiretos, escava-se a amostra, que é totalmente recolhida e pesada. O volume da
amostra é obtido medindo o volume da escavação. O teor de umidade da amostra deve ser
determinado logo após sua pesagem. Os principais utilizam o frasco de areia, o óleo grosso ou o
balão de borracha.
Métodos especiais utilizam sonares, resistividade elétrica ou radiação. Destes, o mais difundido
no Brasil utiliza o densímetro nuclear.
8) (CESPE/DPF/Perito/2004) O ensaio de frasco de areia pode ser utilizado para a
determinação da massa específica do solo no campo em obras de pavimentação.
Solução:
Correto. O ensaio de frasco de areia (esquema a seguir) é um método
para determinação da massa específica aparente de solo no campo. O
princípio do método é o volume ocupado por uma areia de peso específico
conhecido.
Aplicabilidade do método: aplica-se a solos com qualquer tipo de
granulação, contendo ou não pedregulhos, que possam ser escavados com ferramentas
manuais, e cujos vazios naturais sejam suficientemente pequenos para que a areia usada
no ensaio não penetre neles. O material em estudo deve ser suficientemente coeso e firme
para que as paredes da cavidade a ser aberta permaneçam estáveis e as operações
realizadas não provoquem deformações na cavidade.
São recomendações do DNER (processo do frasco de areia para controle de qualidade
de pavimentos):
a) tratando-se de camadas de subleito ou reforço de subleito que apresentem fissuras
ocasionadas por perda de umidade (trincas de contração), deverá ser removida uma
camada de no mínimo 5 cm de espessura a fim de se promover o assentamento da
bandeja;
b) para a execução de furos, usar a talhadeira de modo a retirar sucessivamente camadas
de, no máximo, 3 cm de profundidade. Nunca deslocar o solo usando a talhadeira como
alavanca;
c) se o solo retirado do furo apresentar uma fração retida na peneira de ¾” superior a
20%, deve ser repetido o ensaio para confirmação do resultado;
d) para a determinação da umidade em laboratório, usar uma amostra de, no mínimo, 100
g para solos coesivos, e 500 g para solos grossos;
e) o ensaio só pode ser feito com ausência de vibrações oriundas de tráfego ou
equipamentos, devendo o tráfego ser interrompido durante sua execução;
f) durante o corte do buraco no leito da estrada e depois no ato de abertura do funil não
poderá haver deslocamento da bandeja;
g) este controle de densidade deve ser feito em diversas seções da estrada em distâncias
de no mínimo 25 m alternadamente no centro e nos bordos;
h) algumas normas aconselham excluir do buraco feito na pista o volume do pedregulho
retido na peneira de 4,8 mm.
9) (CESPE/DPF/Perito/2002). Na figura a seguir, é apresentada a seção transversal da
construção de uma barragem de enrocamento com núcleo de argila. A camada sob o solo
arenoso subjacente à barragem é uma rocha de boa qualidade, podendo ser considerada
impermeável do ponto de vista prático.
Julgue o seguinte item, relativo às técnicas de terraplanagem e de controle de execução
aplicáveis à obra mencionada no texto acima.
1. O ensaio de frasco de areia pode ser utilizado para a determinação do grau de
compactação do material na região B do corpo da barragem.
Afirmativa correta. De acordo com as explicações anteriores.
1.3.3.11 Índice Suporte Califórnia (ISC) – Ref.: DNER ME-049/94
O Índice de Suporte Califórnia (ISC ou CBR – California Bearing Ratio) é a relação, em
porcentagem, entre a pressão exercida por um pistão de diâmetro padronizado necessária à
penetração no solo até determinado ponto (0,1” e 0,2”) e a pressão necessária para que o mesmo
pistão penetre a mesma quantidade em solo-padrão de brita graduada.
Pelo ensaio de CBR é possível conhecer qual será a expansão de um solo sob um pavimento
quando este estiver saturado, e fornecer indicações da perda de resistência do solo com a saturação.
Apesar de ter um caráter empírico, o ensaio de CBR é mundialmente difundido e serve de base
para o dimensionamento de pavimentos flexíveis.
A Figura 11 a seguir mostra as possibilidades de determinação do ISC de um solo: em laboratório
ou in situ.

(a) (b)
Figura 11: Equipamentos para ensaio de CBR: (a) em laboratório e (b) in situ.

a) Equipamentos
São os seguintes os equipamentos utilizados nesse ensaio: molde cilíndrico grande com base e
colarinho; prato-base perfurado; disco espaçador, prato perfurado com haste central ajustável;
soquete de 4,5 kg; extensômetro mecânico ou transdutor elétrico de deslocamento; papel-filtro;
prensa com anel dinamométrico ou com célula de carga elétrica; tanque de imersão; cápsulas para
umidade; estufa; balança; peneira de 19 mm.
b) Preparação da amostra
• Seca-se a amostra ao ar e faz-se a pesagem;
• destorroa-se a amostra e faz-se o peneiramento na peneira de 19 mm;
• determina-se a umidade higroscópica;
• adiciona-se água até atingir a umidade prevista para o ensaio (normalmente a umidade ótima).
c) Procedimento experimental
1. Expansão
• coloca-se o disco espaçador no cilindro, cobrindo-o com papel filtro;
• compacta-se o corpo de prova à umidade ótima (5 camadas e 55 golpes do soquete caindo de
45 cm) e, invertendo-se o cilindro, substitui-se o disco espaçador pelo prato perfurado com haste de
expansão e pesos. Esse peso ou sobrecarga corresponderá ao do pavimento e não deverá ser inferior
a 4,5 kg;
• Observação: Entre o prato perfurado e o solo coloca-se outro papel-filtro.
• imerge-se o cilindro com o corpo de prova e sobrecarga no tanque durante 96 horas, de tal
forma que a água banhe o material tanto pelo topo quanto pela base;
• realizam-se leituras de deformação (expansão ou recalque) com aproximação de 0,01 mm a
cada 24 horas;
• terminada a “saturação”, deixa-se escorrer a água do corpo de prova durante 15 minutos e
pesa-se o cilindro + solo úmido.
2. Penetração
• instala-se o conjunto, molde cilíndrico com corpo de prova e sobrecarga, na prensa;
• assenta-se o pistão da prensa na superfície do topo do corpo de prova, zerando-se em seguida
os extensômetros;
• aplica-se o carregamento com velocidade de 1,27 mm/min, anotan-do-se a carga e a
penetração a cada 30 segundos até decorrido o tempo de 6 minutos.
3. Resultados
O resultado final para o CBR determinado, será o maior dos dois valores encontrados
correspondentes às penetrações de 2,5 e 5,0mm.
10) (CESPE/DPF/Perito/2004) De acordo com normas técnicas disponíveis, a
expansibilidade de um solo a ser utilizado em um pavimento rodoviário pode ser
determinada em ensaios de Índice Suporte Califórnia, pela verificação do aumento da
altura da amostra compactada após sua imersão em água por 24 horas.
Solução:
Errada. A expansibilidade de um solo é obtida no mesmo ensaio que se obtém o valor de
seu CBR, ou ISC, conforme já explicado anteriormente, pelas medidas de variação de
volume por 96 horas consecutivas.
11) (CESPE/DPF/Perito/2002). Julgue o item seguinte, relativo a características e
propriedades de solos.
1. Solos contendo altos teores do argilomineral montimorilonita são recomendáveis na
construção de pavimentos urbanos.
Solução:
Afirmativa errada, pois a montmorinolita é um argilomineral altamente expansivo. Seu uso
vem de encontro às exigências de utilização de materiais em pavimento, as quais estão
associadas a critérios de resistência (CBR ou MR), deformação permanente e expansão
(sempre menor que 2%).
12.(CESPE/TCU/AFCE/2009). Julgue o próximo item, relativo à determinação de
propriedades relevantes de solos para obras rodoviárias.
a) O método para a realização do ensaio de Índice Suporte Califórnia, padronizado pelo
DNER (atual DNIT) fornece também informações acerca da capacidade de expansão do
solo.
Solução:
Afirmativa correta. A norma de ensaio exige que o material a ser ensaiado fique imerso
em água por 96 horas (4 dias) antes de rompê-lo em prensa específica. Durante o tempo
de imersão são realizadas várias medidas de expansão.
b) Na determinação do teor de umidade de um solo, a massa mínima da amostra úmida a
ser utilizada dependerá do tamanho máximo das partículas de solo.
c) Para se determinar o limite de contração de um solo, é necessário conhecer a massa
específica dos seus grãos.
Atenção! Eis um assunto recorrente! Ensaio ISC (ou CBR) e suas propriedades.
13) (CESPE/DPF/Perito/2002) A porosidade de um solo fornece uma medida proporcional
de vazios na massa de solo e é definida como o volume de vazios no solo dividido pelo
volume dos grãos.
Solução:
Afirmativa errada, pois porosidade, expressa em porcentagem, é definida como o volume
de vazios do solo, dividido pelo volume total da amostra, conforme visto anteriormente.
14) (CESPE/DPF/Perito/2002) O ensaio de sedimentação visa a obtenção das dimensões
dos grãos da fração fina do solo.
Solução:
Afirmativa correta. Como visto acima, este ensaio faz parte do ensaio completo de
granulometria, o qual é composto da fase de peneiramento (fração graúda), e
sedimentação (fração fina – argilas e siltes).
1.3.3.12 Classificação geotécnica dos solos
1.3.3.12.1 Classificação USCS (Unified Soil Classification System)
O Sistema Unificado de Classificação de Solos surgiu como uma evolução do “Airfield
Classification System” (classificação AC). Apresenta uma tabela de classificação onde se
identificam três principais divisões de solos, que ainda subdivididas em 15 grupos básicos:
• solos de granulometria grossa;
• solos de granulometria fina; e
• solos altamente orgânicos.
Os parâmetros determinantes para a classificação são a granulometria e os limites de Atterberg (LL
e LP).
Os solos são classificados quanto ao tamanho das partículas em pedregulho, areia, silte ou argila:
• os pedregulhos e as areias subdividem-se em bem graduados, mal graduados, siltosos ou
argilosos;
• os siltes subdividem-se em siltes de baixa plasticidade, orgânicos de baixa plasticidade,
orgânicos de alta plasticidade ou elásticos;
• as argilas subdividem-se em pouco plásticas, orgânicas e de alta plasticidade.
E quanto à classificação:
• inicialmente deve-se determinar se o solo é orgânico, de graduação grossa ou fina;
• em seguida, com os dados de granulometria e com os limites de Atterberg, define-se a que grupo
pertence, consultando-se a Tabela de Classificação USCS;
• para classificação da fração fina, utilizam-se os valores dos limites de Atterberg e o chamado
gráfico de plasticidade.
Com base nas informações acima, analise a seguinte questão:
15) (CESPE/DPF/Perito/2004) Um solo classificado como CH pela classificação unificada
de solos é especialmente indicado para utilização como material drenante em obras
geotécnicas.
Solução:
Errado. Existem diversos tipos de sistema de classificação, dependendo do interesse
geo​técnico. O sistema SUCS (ou USC) é o aperfeiçoamento da classificação de
Casagrande para utilização em aeroportos, adaptada para uso no laboratório e no campo
pelas agências americanas “Bureau of Reclamation” e “U.S. Corps of Engenneers”, com
simplificações que permitem a classificação sistemática. Foi proposto por Arthur
Casagrande no início da década de 1940. Pela primeira vez os solos orgânicos foram
considerados um grupo de características e comportamento próprios e diferente dos
outros dois. As mais significativas mudanças e revisões, da norma antiga, podem ser
resumidas em quatro itens:
• a classificação de um solo é feita por meio de um símbolo e de um nome;
• os nomes dos grupos, simbolizados por um par de letras, foram normalizados;
• argilas e siltes orgânicos foram redefinidos;
• foi estabelecida uma classificação mais precisa.
Termos e símbolos utilizados na classificação unificada:
Gráfico de plasticidade da classificação USCS

Sendo assim, um solo classificado como CH seria uma argila de alta plasticidade, a qual é um
material extremamente fino, com baixíssimo coeficiente de permeabilidade e que não atende aos pré-
requisitos para trabalhar como material drenante.
1.3.3.12.2 Classificação HRB (Highway Research Board)
É a classificação tradicionalmente mais empregada na caracterização de solos para uso em
estradas. Seus critérios baseados na granulometria e plasticidade:
• menos de 35% de material passando pela #200: o solo é classificado como material granular;
compreende os grupos A-1, A-2 e A-3;
• mais de 35% de solos passando pela #200: o solo é classificado como material argiloso ou
siltoso; compreende os grupos A-4, A-5, A-6 e A-7.
Para a classificação devem ser realizados os ensaios de granulometria por peneiramento e limites
de liquidez e de plasticidade. Deve também ser determinado o índice de grupo IG. De posse desses
dados consulta-se a tabela de classificação HRB, sempre da esquerda para a direita.
IG = 0,2a + 0,005 a c + 0,01 b d
Em que:
a 5 % de material que passa pela #200 menos 35; se % > 75 adota-se a = 40; se % , 35, adota-se a
= 0 (a varia de 0 a 40);
b = % de material que passa pela #200 menos 15; se % > 55 adota-se b = 40; se % < 15, adota-se
b = 0 (b varia de 0 a 40);
c = valor do LL menos 40; se LL > 60% adota-se c = 20; se LL , 40% adota-se c = 0 (c varia de 0 a
20);
d = valor do índice de plasticidade menos 10; se IP > 30% adota-se d = 20; se IP < 10% adota-se d
= 0 (d varia de 0 a 20).
Atenção! IG é um número inteiro que varia de 0 a 20 e define a capacidade de suporte do terreno
de fundação de um pavimento. Quanto menor IG, melhor será o solo. IG = 0 indica material excelente
e IG = 20 indica péssimo material para subleito.
Caso o solo se enquadre no grupo A-7, deve-se verificar se ele pertence ao subgrupo A-7-5 ou A-
7-6, da seguinte forma:
• se IP ≤ LL 2 30: solo pertence ao subgrupo A-7-5
• se IP > LL 2 30: solo pertence ao subgrupo A-7-6

1.4 Pressões nos solos


Os solos são constituídos de partículas e forças aplicadas a eles são transmitidas de partícula a
partícula, além das que são suportadas pela água dos vazios. Nos solos, ocorrem tensões devidas ao
peso próprio e às cargas aplicadas.
1.4.1 Tensões geostáticas
São tensões em razão do peso do próprio solo. Podem ser:
• Tensão efetiva (σ’): é a tensão suportada pelos grãos do solo, ou seja, é a tensão transmitida
pelos contatos entre as partículas;
• Pressão neutra (u): é a pressão da água, também denominada poro-pressão é originada pelo peso
da coluna de água no ponto considerado (u = γa · H);
• Tensão total (σ): é a soma algébrica da tensão efetiva (σ’) e da pressão neutra (u).
1.4.1.1 Princípio das Tensões Efetivas de Terzaghi
a) A tensão efetiva, para solos saturados, pode ser expressa por:
σ’ = σ – u
b) Todos os efeitos mensuráveis resultantes de variações de tensões nos solos, como compressão,
distorção e resistência ao cisalhamento, são devidos a variações no estado de tensões efetivas.
Exemplo 1: Pressões devidas ao peso próprio do solo sem a influência do nível de água (u = 0,
então σ’ 5 σ).

Sendo γ (ou γt) o peso específico aparente (determinado pelo método do frasco de areia).
Exemplo 2: Pressões devidas ao peso próprio do solo com a influência do nível de água.

No exercício anterior, é preciso lembrar que γsub = γsat - γa

1.4.2 Tensões em razão da aplicação de cargas


Uma prática corrente para se estimar o valor das tensões em certa profundidade consiste em
considerar que as tensões se espraiam segundo áreas crescentes, mas sempre se mantendo
uniformemente distribuídas.

Esse método deve ser entendido como uma estimativa grosseira, pois as tensões em uma
determinada profundidade não são uniformemente distribuídas, mas se concentram na proximidade do
eixo de simetria da área carregada, apresentando a forma de um sino.

16) (CESPE/DPF/Perito/2002). As características de compressibilidade e resistência ao


cisalhamento do solo são de fundamental importância para diversas obras civis. Com
relação às implicações de propriedades dos solos no comportamento de obras, julgue o
item a seguir.
a) Se um aterro é construído rapidamente sobre uma camada de argila mole saturada
até a sua ruptura, as poropressões aumentam durante o carregamento e, sob tais
condições, o ângulo de atrito efetivo da argila é nulo.
Solução:
A afirmativa é falsa, pois segundo o Princípio das Tensões Efetivas de Terzaghi,σ’ = σ –
u, e o aumento da poropressão (u) conduzirá a uma tensão efetiva (σ’) nula, levando o
aterro a se romper.
1.4.3 Bulbo de tensões
Denominam-se isóbaras as curvas ou superfícies obtidas ligando-se os pontos de mesma tensão
vertical. Este conjunto de isóbaras forma o que se chama bulbo de tensões.

1.5 Prospecção geotécnica


Todo problema geotécnico requer, como consequência, um melhor conhecimento do subsolo. Este,
por sua vez, só é possível mediante a realização de uma prospecção geotécnica, que numa abordagem
mais completa compõe o que denominamos Programa de Investigação Geotécnica – PIG.
Referências:
• NBR 6484. Execução de sondagens de simples reconhecimento dos solos (SPT). Associação
Brasileira de Normas Técnicas, 1980.
• NBR 6497. Levantamento geotécnico. Associação Brasileira de Normas Técnicas, 1983.
• NBR 8036. Programação de sondagens de simples reconhecimento dos solos para fundações
de edifícios. Associação Brasileira de Normas Técnicas, 1983.
• NBR 6122. Projeto e execução de fundações. Associação Brasileira de Normas Técnicas, 1996.
a) Objetivos do programa de investigação geotécnica:
• determinação da extensão, profundidade e espessura das camadas do subsolo (estratigrafia);
• determinação das características das camadas do subsolo (cor, consistência, compacidade e
outras características perceptíveis);
• determinação do nível do lençol freático;
• determinação da profundidade da superfície rochosa e sua classificação, alterações e variações;
• obtenção de dados sobre propriedades mecânicas e hidráulicas dos solos (compressibilidade,
permeabilidade, resistência ao cisalhamento etc.).
b) Etapas da investigação geotécnica:
• investigação de reconhecimento: verifica-se a natureza das formações geológicas e pedológicas;
• explorações para anteprojeto e projeto básico: escolha de soluções de fundação e
dimensionamento;
• explorações para projeto executivo: são colhidas informações complementares sobre o
comportamento geotécnico dos materiais;
• explorações durante a construção: para se resolver imprevistos na fase de construção.
c) Classificação dos métodos de investigação geotécnica:
Existem dois tipos de métodos para investigação geotécnica:
• diretos: permitem a observação direta do subsolo por meio de amostras coletadas ao longo da
perfuração ou a medição direta de propriedades in situ; e
• indiretos: as propriedades geotécnicas dos solos são estimadas indiretamente pela observação à
distância ou pela medida de outras grandezas do solo (por exemplo, ensaios geofísicos e
sensoriamento remoto).
Os métodos diretos podem ser:
I) Manuais
Abertura de vala ou poço com pás e enxadas. Trata-se de um método bastante rudimentar, mas
ainda utilizado quando se pretende retirar um bloco indeformado de solo, por exemplo, ou para obras
de pequeno porte (construção de uma pequena casa).
II) Sondagem a trado
Normalmente realizada para simples reconhecimento do tipo de solo. É possível somente para
pequenas profundidades e sempre acima do N.A. A extremidade do trado pode ser escolhida
conforme o tipo de solo, e podendo este ser manual ou motorizado:

III) SPT (Standard Penetration Test) – NBR 6484


Desenvolvido em 1927, é muito popular, expedito e uma maneira econômica de se obter
informações a respeito do subsolo. Trata-se de um ensaio amplamente usado em muitos tipos de
projetos na área geotécnica, em especial em fundações.
O número de furos de sondagem a ser realizado, assim como a sua disposição é função da área a
ser estudada (NBR 8036).
RETENÇÃO IÔNICA
Área de projeção da construção Número mínimo de furos
< 200 2
200-400 3
400-600 3
600-800 4
800-1000 5
1000-1200 6
1200-1600 7
1600-2000 8
2000-2400 9
> 2400 A critério
Os furos devem ser distribuídos de forma a cobrir toda a área em estudo. A distância entre furos
não deve ser superior a 30 m, no caso de edifícios.
Em casos de estudos de viabilidade ou de escolha do local, o número de sondagens deve ser
fixado de forma que a distância máxima entre elas seja de 100 m, com um mínimo de três sondagens.

A profundidade atingida nas sondagens deve assegurar o reconhecimento das características do


solo solicitado pelos elementos de fundação, fixando-se como critério a profundidade onde o
acréscimo de pressão no solo, por causa das cargas aplicadas, for menor que 10% da pressão
geostática. No caso de ocorrência de rochas, em pequena profundidade, é desejável que alguns furos
cheguem ao topo rochoso.
Iv) Procedimentos do ensaio de SPT
Na Figura 12 podemos ver um equipamento para sondagem SPT e o amostrador padrão utilizado
para coletar informações sobre o solo.
A sondagem SPT consiste basicamente em duas etapas:
• perfuração; e
• amostragem e medida da resistência.
A apresentação dos resultados é feita por meio de um documento chamado Relatório de
Sondagem que deverá conter um croqui do terreno com a localização dos furos, um perfil individual
de cada furo e um perfil longitudinal ao longo do alinhamento dos furos de sondagem.
17. (CESPE/DPF/Perito/2004) O índice de resistência à penetração, ou SPT, de um solo
em uma sondagem à percussão é igual ao número de golpes de um peso padrão, que cai
de uma altura padronizada sobre o conjunto de hastes, necessários para a cravação de 45
cm do amostrador.
Solução:
Afirmação errada. SPT é, por definição, o número de golpes necessários para a
cravação dos últimos 30 cm de um amostrador padrão com 45 cm de comprimento,
quando submetido ao impacto de um martelo de 65 kg que cai em queda livre de uma
altura de 75 cm. Portanto, o resultado do SPT 7/15 significa que foram necessários 7
golpes do peso de 65 kg, a uma altura de 75 cm, para a cravação de 15 cm do
amostrador no solo. Então, quanto maior o número de golpes necessários, maior a
resistência do solo.
A perfuração é iniciada com trado cavadeira até 1 metro de profundidade, instalando-se o primeiro
segmento do revestimento. A perfuração continua com o trado espiral até que este se torne inoperante
ou encontre o nível de água. Passa-se ao processo de perfuração com circulação de água, onde é
usado o trépano de lavagem como ferramenta de escavação. São realizadas anotações das transições
das camadas, observando-se o material trazido à superfície pelo trado ou pela água de lavagem.
Até 1 metro a amostra é colhida pelo trado de concha; após, a cada metro de perfuração, são
obtidas amostras pelo amostrador padrão (Figura 12).

Figura 12: Equipamento SPT e amostrado padrão.

O amostrador é conectado às hastes de perfuração, descido no interior do furo de sondagem e


posicionado na profundidade até então perfurada. O ensaio de penetração consiste na cravação do
amostrador no solo por meio de quedas sucessivas do martelo de 65 kg de uma altura de 75 cm sobre
uma cabeça de bater adaptada ao conjunto de hastes (Figura 13).
O martelo tem em sua base um coxim de madeira dura e, na sua parte inferior, uma haste guia de
1,2 m de comprimento fixada para assegurar sua centralização, tendo uma marca visível distando 75
cm da base.
O amostrador é cravado 45 cm no solo, sendo anotado o número de golpes necessário para cravar
cada segmento de 15 cm. Ex.: 10/15 5 10 golpes para penetrar 15 cm.
Figura 13: Esquema da sondagem à percussão.

É adotada como índice de resistência à penetração NSPT a soma do número de golpes necessários
para a penetração no solo dos 30 cm finais do amostrador. Caso o comprimento ultrapasse os 15 cm,
a anotação deverá ser do comprimento real, portanto, é possível um resultado de SPT 3/17 – 4/14 –
5/15.
Critérios de paralisação da sondagem:
• se em 3 m sucessivos: número de golpes > 45/15;
• se em 4 m sucessivos: número de golpes entre 45/15 e 45/30;
• se em 5 m sucessivos: número de golpes entre 45/30 e 45/45;
• Se a penetração for nula para 5 golpes após 8 m de profundidade.
No caso de profundidade menor que 8 m, a sondagem deve ser deslocada até quatro vezes em
posições diametralmente opostas, distantes 2 m da posição inicial.
Após a condição de impenetrável à percussão, a impenetrabilidade deve ser confirmada pelo
ensaio de avanço por lavagem. É feita a perfuração por circulação de água por 30 minutos, anotando-
se os avanços a cada 10 minutos. A sondagem do furo é encerrada quando forem obtidos avanços
menores que 5 cm em cada período de 10 minutos ou, após os 4 ensaios, não for atingida a
profundidade programada.

OBSERVAÇÕES IMPORTANTES
• Observação do nível de água: é medida a posição do nível de água a cada 5 minutos durante
30 minutos e após 24 horas do encerramento da sondagem no furo (para verificar se a água está
sob pressão artesiana).
• O processo de circulação de água dificulta a determinação da real posição do lençol freático e
altera as características dos solos. Por isso, deve-se dar preferência à perfuração a trado até onde
for realmente possível.
• Nos furos de sondagem podem ser realizados ensaios para avaliação da permeabilidade dos
solos. Os principais são: ensaio de infiltração, ensaio de rebaixamento, ensaio de bombeamento e
ensaio de recuperação.

18) (CESPE/DPF/Perito/2002). As sondagens são de fundamental importância para o


projeto e a execução de obras civis. Com relação às sondagens de terrenos, julgue os
seguintes itens.
a) As sondagens a trado são indicadas para a caracterização de areias saturadas.
Solução:
Errado. Como dito anteriormente, as sondagens a trado se estendem até ser encontrado
o nível de água.
A seguir, as Tabelas 1 e 2 mostram as correlações existentes entre o SPT e a
compacidade das areias, e entre o SPT e a consistência das argilas.
Tabela 1: Correlação entre o SPT e a compacidade das areias.

Resist. à Comp.
Compacidade SPT
Simplles (kg/cm 2)
Fofa <2 < 0,25
Pouco compacta 2–4 0,25 – 0,5
Medianamente
4–8 0,5 – 1,0
Compacta
Compacta 8 – 15 1–2
Muito compacta 16 – 30 2-4
Tabela 2: Correlação entre SPT e consistência das argilas.

Resist. à Comp.
Consistência SPT
Simplles (kg/cm 2)
Muito mole <2 < 0,25
Mole 2–4 0,25 – 0,5
Média 4–8 0,5 – 1,0
Rija 8 – 15 1–2
Muito rija 16 – 30 2-4
Dura > 30 >4

b) As sondagens por percussão fornecem um índice de resistência do solo que pode ser
utilizado em estimativas de capacidade de carga de fundações.
Solução:
Correta, pois as sondagens a percussão fornecem o SPT do solo, o que nos dá uma
ideia da sua resistência, muito utilizado em métodos de dimensionamento de fundações.
v) Relatório de sondagem
Um relatório de sondagem deve possuir, indispensavelmente, os seguintes itens:
• cotas em relação a um referencial fixo (RN);
• posições das amostragens;
• indicação do nível de água (no momento da sondagem e 24 horas após);
• indicação do índice de resistência ao longo da profundidade (a cada metro);
• descrição das camadas com indicativo do tipo de solo, consistência ou compacidade, cor etc.
A seguir é mostrado um exemplo de Relatório de Sondagem, onde são exibidas algumas
informações de interesse do subsolo, tais como: nível d'água, tipo e textura dos materiais, resistência
destes (SPT) etc.

Figura 14: Modelo de relatório de sondagem.

O assunto tratado anteriormente fornece subsídios essenciais para a resolução da seguinte questão:
19) (CESPE/TCU/AFCE/2009). Considerando a figura acima, que apresenta o resultado
de sondagem para investigação de um terreno, julgue os itens a seguir.
a) A figura mostra os resultados típicos de uma sondagem rotativa.
Solução:
Afirmação errada, pois a figura mostra resultados de SPT e, conforme visto
anteriormente, o SPT é determinado mediante uma sondagem à percussão.
b) As características descritas para a camada de silte argiloso não são coerentes com
outros resultados apresentados na figura.
Solução:
Afirmação correta, pois conforme mostrado nas tabelas anteriores onde se
correlacionam compacidade (para areias) e consistência (para argilas), para ser
classificado como rijo o material precisa apresentar SPT entre 8 e 15, o que não ocorre no
boletim de sondagem da referida questão.
Atenção! Esta questão é clássica, e vale a pena assimilar os dados das tabelas
referenciadas.
20) (CESPE/TCU/ACE/2007). A seguir, é transcrita parte de um relatório hipotético de
sondagem, no qual o método de perfuração utilizado foi o de trado, tendo sido fixada no
projeto uma investigação até 12 m de profundidade.
“Foi realizada uma perfuração com trado, e o material retirado do poço foi depositado
sobre a superfície do terreno, agrupado em montes dispostos segundo suas profundidades
e tipos de solos. As profundidades de início e de término de cada camada amostrada
foram medidas com trena metálica. Nos primeiros 6 m de profundidade, o avanço do trado
foi de aproximadamente 8 cm a cada 10 min contínuos de perfuração e, para
profundidades maiores, foi de 3 cm a cada 10 min de operação. A sondagem teve
necessariamente de ser interrompida ao atingir 8,20 m de profundidade, devido à presença
do lençol freático.”
Com base nas informações apontadas acima, julgue os itens subsequentes.
a) O processo de amostragem do solo foi realizado satisfatoriamente.
Solução:
Afirmação errada. Sondagens a trado são indicadas apenas para pequenas
profundidades.
b) A velocidade de avanço do trado confirma uma sondagem muito eficiente.
Solução:
Afirmação errada. Para esta velocidade a sondagem a trado deveria ser interrompida e
iniciada uma sondagem rotativa.
c) (Anul.) A sondagem foi interrompida indevidamente, uma vez que o projeto fixava uma
profundidade de 12 m e foram executados apenas 8,20 m.
Solução:
A questão foi anulada provavelmente porque ela afirma que a “sondagem foi
interrompida”, quando na verdade o que foi interrompido foi o avanço a trado.
Fatores que afetam o SPT:
a) Procedimentos e qualidade do ensaio:
• mão de obra pouco qualificada;
• variações na altura de queda e no peso do martelo;
• a falta do coxim de madeira;
• o martelo não cai em queda livre;
• falta de limpeza do furo de sondagem;
• desmoronamento da parede do furo;
• atrito do amostrador com a parede do furo;
• erro na contagem do número de golpes;
• amostrador e hastes fora dos padrões.
• utilização de circulação de água.
b) Características do solo:
• argilas:
• resistência não drenada do solo;
• índice de plasticidade;
• sensibilidade;
• fissuração da argila.
• rochas brandas:
• resistência da rocha intacta;
• porosidade;
• espaçamento, abertura e preenchimento das fissuras.
vI) Amostragem indeformada
A amostragem obtida da forma anteriormente mostrada, pelo ensaio de SPT com o
amostrador padrão, não se presta para ensaios mecânicos, pois a estrutura natural do solo deve ser
preservada.
Amostras indeformadas de solos podem ser obtidas de duas maneiras:
• na parede de poços ou taludes, cortando-se cuidadosamente um bloco do solo (25 x 25 x 25
cm), revestindo-o com parafina para que não perca a umidade; e
• pela cravação de amostrador de paredes finas, por meio de um sistema sem impacto (cravação
estática). Esses amostradores são conhecidos pelo nome de “Shelby”, com mais de 7,5 cm de
diâmetro.
21) (CESPE/DPF/Perito/2002) As sondagens por percussão permitem a obtenção de
amostras indeformadas de solo.
Solução:
Afirmativa errada. As sondagens por percussão, como visto anteriormente, deformam o
solo, pois a utilização do amostrador se dá por golpes do martelo do equipamento, ao
contrário do amostrador tipo Shelby, por exemplo, em que se faz uma amostragem por
cravação estática, evitando a amolgagem do solo.
vII) Sondagem rotativa
Consiste no uso de um conjunto motomecanizado projetado para a obtenção de amostras
contínuas de materiais rochosos por meio de ação perfurante dada por forças de penetração e
rotação.
Empregada quando a sondagem de simples reconhecimento atinge estrato rochoso, matacões
ou solos impenetráveis à percussão.
A obtenção de amostras é dada por testemunhos de sondagem. Já a recuperação dos
testemunhos é dada pela porcentagem do comprimento total de amostragem recuperada pelo
testemunho, e é função do grau de fraturamento e alteração da rocha.
Dois parâmetros são importantes nos resultados das sondagens rotativas: recuperação –
comprimento de fragmentos recuperados / comprimento total do barrilete – e RQD (Rock Quality
Designation – Deere, 1967 – barriletes duplos [Φ > 76 mm]) – comprimento de fragmentos
recuperados > 10 cm / comprimento total do barrilete.
22) (CESPE/DPF/Perito/2002) As sondagens rotativas são utilizadas para a amostragem
de argilas e siltes saturados moles.
Solução:
Afirmação errada. As sondagens rotativas servem para "cortar" materiais com maior
resistência, como, por exemplo, rochas.
vIII) Sondagem mista
É o tipo de sondagem em que se combina a SPT e a rotativa.
23) (CESPE/DPF/Perito/2002) As sondagens mistas são aquelas em que, em um mesmo
furo, se executam sondagens por percussão e sondagens rotativas.
Solução:
Afirmativa correta. Esta é a definição de Sondagens Mistas.

1.6 Permeabilidade dos solos – percolação nos solos


A permeabilidade é a propriedade que o solo apresenta de permitir o escoamento de água por meio
dele. Todos os solos são mais ou menos permeáveis.
O conhecimento do valor da permeabilidade é muito importante em algumas obras de engenharia,
principalmente na estimativa da vazão que percolará por meio do maciço e da fundação de barragens
de terra, em obras de drenagem, rebaixamento do nível de água, adensamento etc.
Portanto, os mais graves problemas de construção estão relacionados com a presença da água. O
conhecimento da permeabilidade e de sua variação é necessário para a resolução desses problemas.
O coeficiente de permeabilidade pode ser determinado por meio de ensaios de laboratório em
amostras indeformadas ou de ensaios in situ.
No caso das areias, o solo poderia ser visto como um material constituído por canalículos,
interconectados uns aos outros, nos quais ou há água armazenada, em equilíbrio hidrostático, ou a
água flui por meio desses canalículos, sob a ação da gravidade. Nas argilas, esse modelo simples do
solo perde sua validade, uma vez que em razão do pequeníssimo diâmetro que teriam tais canalículos
e as formas exóticas dos grãos, intervêm forças de natureza capilar e molecular de interação entre a
fase sólida e a líquida. Portanto, o modelo de um meio poroso, pelo qual percola a água, é algo tanto
precário para as argilas, embora possa ser perfeitamente eficiente para as areias. Infelizmente a
quase totalidade das teorias para percolação de água nos solos é baseada nesse modelo.
As bases teóricas sobre o regime de escoamento em condutos forçados foram​ estabelecidas por
Reynolds, em 1883, quando comprovou que o regime de escoamento é laminar, sob certas condições,
ou turbulento.

Em que:
Re = número de Reynolds, adimensional e igual a 200;
Vc = velocidade crítica (é aquela a partir da qual o escoamento é turbulento, e abaixo da qual é
laminar);
D = diâmetro do conduto;
γ = peso específico do fluido;
μ = viscosidade do fluido;
g = aceleração da gravidade
Substituindo na equação anterior os valores correspondentes à água a 20°C, obtém-se o valor de
“Vc” (em m/s) em função do diâmetro do conduto “D” (em metros):

Nos solos, o diâmetro dos poros pode ser tomado como inferior a 5 mm. Levando este valor à
equação anterior, obtém-se Vc = 0,56 m/s, que é uma velocidade muito elevada. De fato, a
percolação da água nos solos se dá a velocidades muito inferiores à crítica, concluindo-se daí que a
percolação ocorre em regime laminar. Como consequência imediata haverá, segundo estudos de
Reynolds, proporcionalidade entre velocidade de escoamento e gradiente hidráulico.
Denominado o coeficiente de proporcionalidade entre “v” e “i” de permeabilidade ou
condutibilidade hidráulica “k”, vem:
v=k·i
Na realidade, a equação v = k · i, deduzida anteriormente segundo a teoria de Reynolds, foi obtida
experimentalmente cerca de 30 anos antes pelo engenheiro francês H. Darcy, e por isso é conhecida
como Lei de Darcy. Por motivos didáticos, o assunto é apresentado de forma não cronológica
(embora aqui apresente-se no item “Caracterização e Propriedades do solo”).
1.6.1 Fatores que influenciam a permeabilidade
Os principais fatores que influenciam o coeficiente de permeabilidade são: granulometria, índice
de vazios, composição mineralógica, estrutura, fluido, macroestrutura e a temperatura:
a) Granulometria: o tamanho das partículas que constituem os solos influencia no valor de “k”. Nos
solos pedregulhosos sem finos (partículas com diâmetro superior a 2 mm), por exemplo, o valor de
“k” é superior a 0,01 cm/s; já nos solos finos (partícula com diâmetro inferior a 0,074 mm), os
valores de “k” são bem inferiores a este valor.
b) Índice de vazios: a permeabilidade dos solos está relacionada com o índice de vazios, logo, com
a sua porosidade. Quanto mais poroso for um solo (maior a dimensão dos poros), maior será o
índice de vazios, por conseguinte, mais permeável (para argilas moles, isto não se verifica).
c) Composição mineralógica: a predominância de alguns tipos de minerais na constituição dos solos
tem grande influência na permeabilidade. Por exemplo, argilas moles que são constituídas,
predominantemente, por argilominerais (caulinitas, ilitas e montmorilonitas) possuem um valor de
“k” muito baixo, que varia de 10–7 a 10–8 cm/s. Já nos solos arenosos, cascalhentos sem finos, que
são constituídos, principalmente, de minerais silicosos (quartzo), o valor de “k” é da ordem de 1,0
a 0,01 cm/s.
d) Estrutura: é o arranjo das partículas. Nas argilas existem as estruturas isoladas e em grupo que
atuam forças de natureza capilar e molecular, que dependem da forma das partículas. Nas areias, o
arranjo estrutural é mais simplificado, constituindo-se por canalículos, interconectados onde a água
flui mais facilmente.
e) Fluido: o tipo de fluido que se encontra nos poros. Nos solos, em geral, o fluido é a água com ou
sem gases (ar) dissolvidos.
f) Macroestrutura: principalmente em solos que guardam as características do material de origem
(rocha mãe) como diaclases, fraturas, juntas, estratificações. Estes solos constituem o horizonte C
dos perfis de solo, também denominados solos saprolíticos (como visto anteriormente no item
“Origem e Formação dos Solos”).
g) Temperatura: quanto maior a temperatura, menor a viscosidade da água, portanto, maior a
permeabilidade. Isso significa que a água escoará mais facilmente pelos poros do solo. Por isso,
os valores de “k” obtidos nos ensaios são geralmente referidos à temperatura de 20ºC.
A Tabela 3 mostra alguns valores típicos de coeficientes de permeabilidade dos solos.
Tabela 3: Coeficientes de permeabilidade típicos.

Permeabilidade Tipo de solo k (cm/s)


Alta Pedregulhos > 10–3
10–3 a
Alta Areias
Solos permeáveis 10–5
10–5 a
Baixa Siltes e argilas
10–7
10–7 a
Solos Muito baixa Argila
10–9
impermeáveis
Baixíssima Argila < 10–9

1.7 Compactação dos solos; compressibilidade dos solos;


adensamento nos solos; estimativa de recalques
No item “Caracterização e Propriedades dos Solo”, vimos as particularidades da compactação dos
solos, o ensaio, o conceito de grau de compactação, o conceito de umidade ótima etc. Nesta etapa
veremos as questões associadas à compressibilidade, ao adensamento e à estimativa de recalques
dos solos.
A compressibilidade é a propriedade que têm os materiais de sofrer diminuição de volume quando
lhes são aplicadas forças externas. Uma das principais causas de recalques é a compressibilidade do
solo.
A variação de volume dos solos por efeito de compressão é influenciada pelos seguintes fatores:
granulometria, densidade, grau de saturação, permeabilidade e tempo de ação da carga de
compressão.
A influência de cada um desses fatores e do seu conjunto sobre a compressibilidade pode ser
simulada de forma didática pelo modelo analógico de Terzaghi, mostrado na Figura 15.

Figura 15: Modelo analógico de Terzaghi.

As molas representam a estrutura do solo. Molas resistentes e/ou previamente comprimidas


representariam um solo mais compacto ou mais rijo e vice-versa.
Os furos no êmbolo representam os vazios do solo. Furos de pequeno diâmetro são análogos a uma
estrutura de vazios muito pequenos como os de argila (solo com baixa permeabilidade); furos
grandes se aproximam de areias ou pedregulhos (solo com alta permeabilidade).
No modelo acima, a porção clara representa a água presente nos vazios do solo. O recipiente
totalmente cheio representa um solo saturado.
1.7.1 Ensaios de compressão
As propriedades de compressibilidade dos solos podem ser definidas a partir de ensaios de
compressão, que podem ser classificados de acordo com o grau de confinamento, ou seja: não
confinados; confinados parcialmente; e confinados integralmente.
1.7.1.1 Ensaios de compressão não confinada
Este ensaio também é chamado de ensaio de compressão simples ou compressão uniaxial. O ensaio
consiste na moldagem de um corpo de prova cilíndrico e no seu carregamento pela ação de uma
carga axial. A carga é aplicada em uma única direção, dando liberdade ao corpo de prova para
deformar-se nas outras direções sem qualquer restrição.

Em que:
ε1 = Deformação específica longitudinal;
εr = Deformação específica radial;
σ = tensão aplicada numa única direção;
E = módulo de elasticidade;
υ = coeficiente de Poisson.
O solo não é um material elástico, mas admite-se frequentemente um comportamento elástico-
linear, definindo-se um módulo de elasticidade, E, para certo valor de tensão e um coeficiente de
Poisson, υ.
1.7.1.2 Ensaios de compressão parcialmente confinada
É normalmente conhecido como ensaio de compressão triaxial. Neste caso aplicam-se, além da
tensão axial, pressões laterais que impedem parcialmente a liberdade de deformação. Em geral, o
corpo de prova é cilíndrico, com relação altura/diâmetro (h/d) mínima igual a 2,5.
O Módulo de Elasticidade do solo depende do estado de tensões a que ele está submetido. Tal fato
mostra como é difícil estabelecer um módulo de elasticidade para um solo, pois na natureza ele está
submetido a confinamentos crescentes com a profundidade.
O ensaio consiste inicialmente na aplicação de uma pressão confinante hidrostática (σ3), depois,
caso seja mantida constante a pressão confinante, aplicam-se acréscimos Δσ na direção axial.
Durante o carregamento medem-se, em diversos intervalos de tempo, o acréscimo de tensão axial que
está atuando e a deformação vertical do corpo de prova.
1.7.1.3 Ensaios de compressão totalmente confinada
Também chamado de ensaio de compressão edométrica. Neste caso, o corpo de
prova a comprimir é colocado dentro de um recipiente (anel) indeformável, sendo
aplicada externamente a tensão axial. O anel impede qualquer tendência de
deformação lateral e o confinamento é total (Figura 16).
Neste ensaio as tensões laterais são desconhecidas. Essas tensões são geradas em decorrência da
aplicação da tensão axial e pela consequente reação das paredes do anel edométrico.
As amostras, geralmente indeformadas, podem ser coletadas em blocos ou com auxílio de tubos
amostradores de paredes finas, denominados tubos Shelby. Muito cuidado deverá ser tomado para
que a amostra não sofra nenhum tipo de perturbação desde a coleta até a moldagem e etapa de
laboratório.
Se for perturbada a amostra, pouco ou quase nada poderá ser extraído a respeito do comportamento
do solo no seu estado natural.
Este ensaio simula o comportamento do solo quando ele é comprimido pela ação do peso de novas
camadas que se depositam sobre ele (ex.: quando se constrói um aterro em grandes áreas).
O ensaio é geralmente realizado entre 6 e 10 estágios de carregamento, sendo que cada um dura ao
menos 24 horas. O descarregamento é feito em 4 a 6 estágios, seguindo os mesmos procedimentos de
leitura empregados quando da aplicação dos estágios de carregamento.
Portanto, um ensaio edométrico completo dura cerca de uma semana.
As Figuras 17 e 18 mostram um resultado típico de ensaio edométrico, respectivamente em areias e
em argilas.

Figura 18: Resultado típico de um


Figura 17: Resultado típico de um ensaio edométrico em argilas.
ensaio edométrico em areias.

Acerca do ensaio edométrico, observa-se que cada estágio de carga corresponde a uma redução de
altura da amostra, a qual se expressa segundo a variação do índice de vazios.
Observando a Figura 18, tem-se que:
a) Quando o material é retirado do campo sofre um alívio de tensões. No laboratório, reconstituem-
se as condições de campo iniciais (curva de recompressão).
b) Corresponde à primeira compressão do material em sua forma geológica (reta de compressão
virgem).
c) Ocorre quando o excesso de pressão neutra é praticamente nulo m ≅ 0 e a tensão efetiva é
praticamente igual a tensão total σ’ > σ(adensamento secundário).
Figura 19: Fases do ensaio edométrico.

A Figura 19 ajuda a resolver a questão a seguir.


24) (CESPE/DPF/Perito/2002) O desenho abaixo esquematiza a obtenção do tempo
(t100) necessário para que se complete 100% do adensamento primário de uma argila
saturada, em um ensaio de adensamento unidimensional, pelo processo de Casagrande.

Solução:
Afirmativa correta. Trata-se do término da curva de recompressão, a qual redesenhará
as condições do material encontradas no terreno.
1.7.2 Adensamento dos solos
Adensamento é um processo lento e gradual de redução do índice de vazios de um solo por
expulsão do fluido intersticial, diferentemente da compactação que expulsa ar, e transferência da
pressão do fluido (água) para o esqueleto sólido, por causa das cargas aplicadas ou do peso próprio
das camadas sobrejacentes.
Para se desenvolver a teoria do adensamento, Terzaghi admitiu algumas hipóteses simplificadoras,
são elas:
• o solo é homogêneo e completamente saturado;
• a água e os grãos são incompressíveis;
• o escoamento obedece à Lei de Darcy e se processa na direção vertical;
• o coeficiente de permeabilidade se mantém constante durante o processo;
• o índice de vazios varia linearmente com o aumento da tensão efetiva durante o processo do
adensamento.
• a compressão é unidirecional e vertical e deve-se à saída de água dos espaços vazios;
as propriedades do solo não variam durante o adensamento.
1.7.2.1 Grau de adensamento
É a relação entre a deformação (ε) ocorrida num elemento numa certa posição ou profundidade z,
num determinado instante de tempo t e a deformação deste elemento quando todo o processo de
adensamento tiver ocorrido (εf), ou seja:
(1)
A deformação instantânea do elemento pode ser expressa por meio da relação entre a variação da
sua altura (ΔH) e sua altura inicial (H).
(2)
A deformação final do elemento por causa do acréscimo de tensão pode ser expressa pela equação
seguinte:
(3)
Num instante t qualquer, o índice de vazios será “e” e a deformação correspondente ocorrida até
aquele instante será:
(4)
Substituindo-se (4) e (3) em (1), tem-se:

Na prática, os recalques (ρ) observados no campo podem ser subdivididos em três tipos: inicial,
primário e secundário, conforme mostrado na Figura 20.

Figura 20: Evolução dos recalques.

O recalque primário ou recalque de adensamento ocorre durante o processo de transferência de


esforços entre a água e o arcabouço sólido, associado à expulsão da água dos vazios. Nesta fase, as
variações de tensão total, aplicadas pelo carregamento e absorvidas pela água, vão sendo
transmitidas para o arcabouço sólido, causando uma variação no valor inicial de tensões.
Os recalques iniciais ou não drenados ocorrem imediatamente após a aplicação de carga e são
denominados não drenados pelo fato de as deformações ocorrerem sem a expulsão de água; isto é,
sem drenagem. Quando se observa o modelo hidromecânico, apresentado na Figura 21, verifica-se
que as deformações na mola (recalques) só ocorrem quando a água é expulsa do modelo. Este
comportamento só é possível porque as deformações horizontais são nulas.
Quando a largura do carregamento em relação à espessura da camada não é grande (carregamentos
finitos), os recalques ocorrem tanto por deslocamentos horizontais do solo da fundação (recalques
iniciais) quanto por expulsão de água (recalques por adensamento).
Figura 21: Analogia hidromecânica para a condição de deformação lateral. (a) Recalque imediato ou não drenado; (b) Início
recalque de adensamento; (c) Após dissipação dos excessos de poropressão.

Ressalta-se, portanto, que tanto para o recalque imediato ou não drenado quanto para o recalque
primário ou de adensamento estes ocorrem em razão de variações nas tensões efetivas, fisicamente
observada por meio da deformação da mola. No primeiro caso, a tensão efetiva varia em função da
existência de deformações laterais; já no segundo caso, os excessos de poropressão são transferidos
para tensão efetiva durante o processo de escape de água.
O recalque secundário ou consolidação secundária, também chamado de fluência, representado na
Figura 21 como as deformações observadas no solo após o final do processo de adensamento, ocorre
após as tensões efetivas terem se estabilizado. Isto é, ao contrário dos recalques imediatos e de
adensamento, a consolidação secundária ocorre mesmo com tensões efetivas constantes, pelo fato de
a relação entre o índice de vazios e a tensão efetiva ser uma função do tempo.
1.7.2.2 Recalque primário (ou de adensamento)
O cálculo de recalques gerados pelo adensamento primário é feito a partir da seguinte expressão:

Em que e é a variação do índice de vazios, sendo eo e Ho o índice de vazios e espessura inicial


da camada. Esta equação se baseia no fato de que os recalques ocorrem por uma variação no volume
de vazios. Assim sendo, o recalque pode ser escrito a partir da variação do índice de vazios, isto é:

ou,
ρ = ΔHv ⇒ ρ = Hs × e
25) (CESPE/DPF/Perito/2002). As características de compressibilidade e resistência ao
cisalhamento do solo são de fundamental importância para diversas obras civis. Com
relação às implicações de propriedades dos solos no comportamento de obras, julgue o
item a seguir.
1. Quanto maior o coeficiente de adensamento de uma camada de argila saturada, menor
é o tempo necessário para que ela atinja uma determinada percentagem de adensamento
sob o efeito de carregamento superficial.
Solução:
Afirmativa correta, pois sendo quanto maior U, maior será ε com relação a εf, ou
seja, estará mais próximo da deformação total a ser desenvolvida pelo material.
a) Variação linear do índice de vazios com a tensão efetiva
Um elemento de solo que está submetido à tensão vertical efetiva σ1', com seu índice de vazios e1,
ao ser submetido a um acréscimo de tensão Δσ, surge instantaneamente uma pressão neutra de igual
valor (μi), e não há variação no índice de vazios. Progressivamente, a pressão neutra vai se
dissipando, até que todo o acréscimo de pressão aplicado seja suportado pela estrutura sólida do
solo (σ2' = σ1' + Δσ) e o índice de vazios se reduz a e2.
Por semelhança dos triângulos ABC e ADE, tem-se:

Desta equação conclui-se que o grau de adensamento é equivalente ao grau de acréscimo de tensão
efetiva.
26) (CESPE/DPF/Perito/2004) Relaciona índice de vazios da argila com a tensão vertical
efetiva, o que permite o cálculo de recalques de uma camada de argila por adensamentos
primário e secundário.
Solução:
Afirmativa errada, pois a curva de adensamento de uma argila obtida no ensaio de
adensamento unidimensional permite a avaliação dos recalques apenas por adensamento
primário.
O adensamento secundário ocorre quando o excesso de pressão neutra é praticamente
nulo (Δu≅0) e a tensão efetiva é praticamente igual à tensão total (σ’ ≅ 0). Em geral,
verifica--se que no ensaio de adensamento a deformação continua a se processar, muito
embora o excesso de pressão neutra seja praticamente nulo. Este efeito é atribuído a
fenômenos viscosos.
b) Adensamento em função da poropressão
No instante do carregamento: σ2' – σ1' = ui
No instante t: σ2' – σ' = ui e σ' – σ1' = ui – u

Temos, portanto, quatro expressões disponíveis para o cálculo do grau de adensamento dos solos.
1.7.3 Estimativa de recalques
Na teoria estudada, U também é denominado porcentagem de recalque, visto que ele indica a
relação entre o recalque sofrido pela camada até o instante “t” considerado e o recalque total
provocado pelo carregamento. A Figura 22 mostra graficamente a curva de variação da porcentagem
de adensamento para diversos valores do Fator Tempo T, o mesmo sendo apresentado na Tabela 4.

Figura 22: Porcentagem de recalque para diversos valores do Fator T.


Tabela 4: Fator Tempo em função da porcentagem de recalque por adensamento pela Teoria de Terzaghi.

1.7.4 Estabilização de aterros


a) Solução de Fellenius
Observações importantes:
• Altura crítica de aterros (Hc): máxima altura de aterro que pode ser lançada sem que haja ruptura
do solo mole de fundação.

Em que:
γat = peso específico do aterro

• Influência da espessura da camada de solo mole (D): se esta espessura for , o círculo de
ruptura associado ao coeficiente de segurança mínimo pode não se desenvolver, podendo-se lançar
aterros com alturas maiores que Hc. Sendo b a metade da extensão da área carregada.
b) Bermas de equilíbrio
Se a altura do aterro a ser lançado for maior que Hc, podem-se utilizar as bermas de equilíbrio, em
que os aterros laterais funcionam como contrapeso.

Tem-se que F é o coeficiente de segurança.


Com os conhecimentos adquiridos, resolva as seguintes questões:
27) (CESPE/DPF/Perito/2002). A partir da figura abaixo, que apresenta um aterro para
pavimento rodoviário construído sobre uma camada de solo mole, saturada, uniforme e
homogênea, julgue os seguintes itens.
a) Quanto maior for a espessura de solo mole de fundação, maior deverá ser o recalque
do aterro.
Solução:
Afirmativa correta, pois a deformação específica é constante para o adensamento.
Sendo assim, quanto maior a espessura, maior será o recalque.
b) A utilização de bermas de equilíbrio reduz a altura admissível do aterro.
Solução:
Afirmativa errada. A utilização de bermas de equilíbrio (Figura 23) serve para aumentar a
estabilidade do aterro, principalmente se este for construído sobre solo mole. A berma
confere uma maior tensão efetiva no solo adjacente à obra de interesse.

Figura 23: Bermas de equilíbrio.

c) Caso o aterro seja muito largo e o seu material tenha coeficiente de permeabilidade
muito baixo, a utilização de um colchão drenante de areia na sua base permitirá acelerar
em dez vezes os recalques por adensamento, em relação à situação sem o colchão.
Solução:
A afirmativa está errada, pois o adensamento ocorrerá por aumento de pressão neutra e
posterior expulsão de água. Ocorre que o aumento de pressão neutra se desenvolverá
apenas no material de fundação do aterro.
d) Na situação mostrada na figura, para uma maior garantia da estabilidade do aterro,
seria recomendado que o mesmo fosse construído o mais rápido possível.
Solução:
Afirmação errada, pois em se tratando de uma argila muito mole, o adensamento ocorre
de forma lenta, por causa do baixo coeficiente de permeabilidade do material.
e) O ensaio de índice-suporte Califórnia poderia ser utilizado para a determinação da
resistência não drenada do solo mole de fundação, necessária para a análise de
estabilidade do aterro.
Solução:
Afirmação errada, pois o ensaio para a determinação da resistência não drenada é o
ensaio de adensamento, conforme visto anteriormente.

1.8 Resistência ao cisalhamento dos solos


A resistência de qualquer material é a maior tensão que este pode suportar. Se a tensão aplicada
excede a sua resistência, a ruptura acontece. Por exemplo, na engenharia estrutural, sabe-se que a
tensão de escoamento do aço A36 é 248 MPa. Dessa forma, deve-se garantir que a tensão de tração
que atua em toda peça de tal aço seja inferior a este valor. Na prática, as tensões de trabalho deverão
ser substancialmente menores que as máximas que cada material pode resistir, o que provê o fator de
segurança contra a ruptura.
Vários materiais empregados na construção civil resistem bem a tensões de compressão, porém
têm uma capacidade bastante limitada de suportar tensões de tração e de cisalhamento, como ocorre
com o concreto e também com os solos. Na geotecnia, raramente são feitas análises relativas a
tensões de tração, visto que o solo resiste muito pouco a este tipo de tensão. Por causa da natureza
friccional desses materiais, pode-se mostrar que a sua ruptura se dá preferencialmente por
cisalhamento, em planos onde a razão entre a tensão cisalhante e a tensão normal atinge um valor
crítico. Estes planos são denominados planos de ruptura e ocorrem em inclinações tais, que são
função dos parâmetros de resistência do solo. A geometria da quase totalidade dos problemas
geotécnicos é de tal forma que o solo se encontra em condição de compressão. Entretanto, mesmo
que o solo rompa submetido a grandes tensões compressivas, a ruptura se dá por cisalhamento, não
por compressão. Daí, o fato de em praticamente todos os casos de resistência dos solos as análises
serem feitas em termos de cisalhamento apenas.
As deformações em um maciço de terra são devidas principalmente aos deslocamentos relativos
que ocorrem nos contatos entre as partículas do solo, de modo que, na maioria dos casos, as
deformações que ocorrem dentro das partículas do solo podem ser desprezadas, considerando-se que
a água e as partículas sólidas são incompressíveis. Pode-se dizer também que as tensões cisalhantes
são a principal causa do movimento relativo entre as partículas do solo. Por essas razões, quando se
faz referência à resistência dos solos, implicitamente trata-se de sua resistência ao cisalhamento.
A resistência do solo forma, juntamente com a permeabilidade e a compressibilidade, o suporte
básico para resolução dos problemas práticos da engenharia geotécnica. Trata-se de uma
propriedade de determinação e conhecimento extremamente complexos, pois às suas próprias
dificuldades devem ser somadas as dificuldades pertinentes ao conhecimento da permeabilidade e da
compressibilidade, visto que essas propriedades interferem decisivamente na resistência do solo.
Dentre os problemas usuais em que é necessário conhecer a resistência do solo, destacam-se a
estabilidade de taludes, a capacidade de carga de fundações, os empuxos de terra sobre estruturas de
contenção, as escavações de túneis e as camadas de pavimentos rodoviários.
1.8.1 Resistências do solo
Diferentemente do que acontece com a maioria dos materiais, o mecanismo físico que controla a
resistência no solo é muito distinto, pois o solo é um material particulado. Dessa forma, a ruptura por
cisalhamento ocorre quando as tensões entre as partículas são tais que deslizam ou rolam umas sobre
as outras. Portanto, pode-se dizer que a resistência ao cisalhamento depende da interação entre as
partículas, e esta interação pode ser dividida em duas categorias: a) resistência friccional (de atrito)
e b) resistência coesiva (coesão).
1.8.1.1 A resistência do atrito
A resistência friccional, conferida ao solo pelo atrito interno entre as partículas, pode ser
demonstrada de forma simples fazendo uma analogia com o problema de deslizamento de um corpo
rígido sobre uma superfície plana horizontal, conforme mostrado na Figura 24 (a e b).

Figura 24: Escorregamento de um corpo rígido sobre uma superfície horizontal.

Sendo N a força vertical transmitida pelo corpo, a força horizontal T necessária para provocar o
deslizamento do corpo deverá ser superior a N · μ, em que μ é o coeficiente de atrito na interface
entre os dois materiais. Dessa maneira, verifica-se que há uma proporcionalidade entre as forças
tangencial e normal, que pode ser representada pela seguinte equação:
T=N·μ
Em que μ = tanΦ
Φ = ângulo de atrito, o ângulo formado entre a resultante das duas forças com a normal N. Nos
solos, é denominado ângulo de atrito interno.
Também pode o deslizamento do corpo ser ocasionado pela inclinação do plano de contato, o que
altera as componentes normal e tangencial ao plano do peso próprio, atingindo, na situação limite, a
condição expressa na equação anterior. Esse caso é mostrado na Figura 25 (c).

Figura 25: Deslizamento de um corpo rígido sobre um plano inclinado.

Experiências realizadas com corpos sólidos têm demonstrado que o coeficiente de atrito (μ)
independe da área de contato e da componente normal aplicada. Portanto, a resistência ao
deslizamento é diretamente proporcional à tensão normal, podendo ser representada por uma linha
reta, conforme mostrado na Figura 25 (d).
A diferença existente entre o fenômeno do atrito nos solos e o fenômeno do atrito entre dois corpos
sólidos é que, no caso dos solos, o deslocamento envolve um grande número de grãos (sistema
particulado), que deslizam ou rolam uns sobre os outros, acomodando-se nos vazios que encontram
no percurso. A resistência friccional é a parcela de resistência predominante nos solos ditos “não
plásticos” ou granulares, nos quais a drenagem é sempre favorecida. Os parâmetros de resistência,
neste caso, são sempre referidos como drenados ou efetivos.
Durante o cisalhamento de solos não coesivos, dependendo do seu estado de compacidade, ele
pode se dilatar (aumentar de volume) ou se contrair (diminuir de volume). No caso dos solos
compactos ou muito compactos, ocorre a dilatação, enquanto o contrário acontece com os solos
fofos. Esta afirmativa responde à questão abaixo.
28) (CESPE/DPF/Perito/2002). As características de compressibilidade e resistência ao
cisalhamento do solo são de fundamental importância para diversas obras civis. Com
relação às implicações de propriedades dos solos no comportamento de obras, julgue o
item a seguir.
a) Uma areia compacta tende a dilatar quando cisalhada, o que faz que a curva tensão
cisalhante versus deslocamento cisalhante apresente um pico em ensaios de cisalhamento
direto sob baixas tensões normais.
Solução:
Afirmativa correta. O fato de a areia estar compacta faz com que seus grãos estejam na
posição de menor volume. Para que haja o cisalhamento do material, é necessário que os
grãos "rolem" uns sobre os outros, permitindo assim o deslocamento relativo entre as
partes do solo. É nesse momento da "rolagem" que há um aumento de volume no material.
1.8.1.2 A resistência coesiva
A resistência ao cisalhamento dos solos é, por natureza, conferida pelo atrito entre as partículas
sólidas. Todavia, dependendo da mineralogia do solo, a atração química que pode haver entre essas
partículas é capaz de ocasionar uma resistência que independe da tensão normal atuante no plano de
cisalhamento, o que constitui uma coesão verdadeira. O efeito é análogo à existência de uma cola
entre duas superfícies em contato.
Várias fontes podem dar origem à coesão em um solo. A cimentação entre partículas
proporcionada por carbonatos, sílica, óxidos de ferro, dentre outras substâncias, responde muitas
vezes por altos valores de coesão.
Cabe ressaltar que os agentes cimentantes podem advir do próprio solo, após processos de
intemperização, tal como a silificação de arenitos, em que a sílica é dissolvida pela água que
percola, sendo depositada como cimento.
Excetuando-se o efeito da cimentação, pode-se afirmar serem todas as outras formas de coesão o
resultado de um fenômeno de atrito causado por forças normais, atuantes nos contatos interpartículas.
Essas tensões interpartículas, também denominadas “internas” ou “intrínsecas”, são o resultado da
ação de muitas variáveis no sistema solo-água-ar-eletrólitos, destacando-se as forças de atração e de
repulsão, originadas por fenômenos eletrostáticos e eletromagnéticos e as propriedades da água
adsorvida junto às partículas.
A coesão aparente é uma parcela da resistência ao cisalhamento de solos úmidos, não saturados,
cuja origem não está na cimentação nem nas forças intrínsecas de atração.
Esse tipo de coesão deve-se ao efeito de capilaridade na água intersticial. A pressão neutra
negativa (ou sucção) atrai as partículas gerando novamente um fenômeno de atrito, visto que ela
origina uma tensão efetiva normal entre estas. Saturando-se totalmente o solo, ou secando-o por
inteiro, esta parcela desaparece, daí o nome de aparente. A sua intensidade cresce com a diminuição
do tamanho das partículas. A coesão aparente pode ser uma parcela bastante considerável da
resistência ao cisalhamento do solo, principalmente nos solos argilosos e/ou siltosos.
29) (CESPE/DPF/Perito/2002). As características de compressibilidade e resistência ao
cisalhamento do solo são de fundamental importância para diversas obras civis. Com
relação às implicações de propriedades dos solos no comportamento de obras, julgue o
item a seguir.
a) Um solo não saturado pode ter sua resistência ao cisalhamento diminuída com a
redução da sucção.
Solução:
A afirmativa é correta, pois a sucção aumenta a força de contato grão a grão, elevando a
resistência ao cisalhamento. Com a redução da sucção, a resistência ao cisalhamento
também sofrerá redução.
A despeito das dificuldades de explicação física e da medida do seu valor, tem--se constatado que
a coesão aumenta com os seguintes fatores (Cavalcante & Casagrande, 2006):
• quantidade de argila e atividade coloidal;
• razão de pré-adensamento (over consolidation ratio – OCR);
• diminuição do teor de umidade.
1.8.2 Critérios de ruptura
São formulações que visam refletir as condições em que ocorre a ruptura dos materiais. Deve-se
ressaltar, contudo, que em muitos casos (inclusive para alguns solos) a curva tensão-deformação
apresentada pelo material é de natureza tal que impede que uma definição precisa do ponto de
ruptura seja estabelecida. Dessa forma, poderíamos definir como ruptura a máxima tensão a qual um
determinado material pode suportar, ou, de outra forma, a tensão apresentada pelo material para um
nível de deformação suficientemente grande para caracterizar uma condição de ruptura deste.
Há critérios que são estabelecidos em função das tensões e outros que têm como referência as
deformações. Há ainda aqueles que levam em consideração a energia de deformação ou o trabalho
realizado. Pode-se dizer que um critério é satisfatório quando ele reproduz com certa fidelidade o
comportamento do material em consideração (Pinto, 2006).
A análise do estado de tensões que provoca a ruptura de um terreno é o estudo da resistência ao
cisalhamento dos solos. São estes os critérios empregados na engenharia geotécnica:
• Critério de Coulomb;
• Critério de Mohr;
• Critério de Mohr-Coulomb.
1.8.2.1 Critério de Coulomb
“Não há ruptura se a tensão de cisalhamento não ultrapassar um valor dado pela equação c + σ · f,
sendo que c (coesão) e f (coeficiente de atrito) são constantes do material e σ a tensão normal
atuando no plano de cisalhamento” (Pinto, 2006). O coeficiente de atrito é igual à tangente do ângulo
de atrito interno do solo (tg Φ).
1.8.2.2 Critério de Mohr
“Não há ruptura enquanto o círculo representativo do estado de tensões se encontrar no interior de
uma curva, que é a envoltória dos círculos relativos a estados de ruptura, observados
experimentalmente para o material” (Pinto, 2006). Este critério está representado graficamente na
Figura 26. Observe que o círculo A se encontra num estado de tensão tangente à envoltória, em que
há ruptura, enquanto o estado de tensões que gera o círculo B não provoca a ruptura do material.
Figura 26: Representação gráfica do critério de ruptura de Mohr.

Como envoltórias, curvas são de difícil aplicação, as envoltórias de Mohr são frequentemente
substituídas por retas que melhor se ajustam à envoltória. Definida uma reta, seu coeficiente linear
(c) não terá mais o sentido de coesão, pois esta parcela de resistência, conceitualmente, independe
da tensão normal, razão pela qual o coeficiente c passa a ser chamado de “intercepto de coesão”.
Dessa maneira, o critério de Mohr se assemelha ao de Coulomb, fazendo com que seja denominado
critério de Mohr-Coulomb.
1.8.2.3 Critério de Mohr-Coulomb
O critério de Mohr-Coulomb indica a forte influência da tensão normal atuando no plano de
ruptura. Observando-se a Figura 27, verifica-se que a tensão normal representada pelo segmento AD
propicia uma resistência ao cisalhamento maior que a proporcionada pelo segmento AB. Por essa
razão, a ruptura acontece para uma tensão cisalhante menor (representada pelo segmento BC) do que
a tensão cisalhante máxima (segmento DE).

Figura 27: Representação do estado de tensão no plano de ruptura.

Na análise de estabilidade de um maciço de terra natural ou compactado (p. exemplo, uma


barragem de terra) interessa o estudo da ação das forças ativas e reativas. As primeiras são
decorrentes de ações externas, tais como o peso próprio, o empuxo da água ou uma sobrecarga
qualquer. No entanto, estão as forças reativas intimamente ligadas à capacidade que um solo tem de
reagir quando solicitado pelas forças externas, que deriva de suas propriedades geotécnicas. É a lei
da ação e reação colocada em prática pelo solo. A reação do solo é uma resposta de sua resistência
ao cisalhamento (τ), expressa pela conhecida Lei de Mohr-Coulomb: τ = c + s tg Φ, em que c e φ são
a coesão e o ângulo de atrito interno do solo, respectivamente, enquanto σ é a tensão normal atuante
no plano em consideração.
Como resultado, para que não ocorra a ruptura, é necessário que a tensão de cisalhamento que atua
(τatua) seja inferior à resistência ao cisalhamento do solo (τ). A relação entre ambas representa o
coeficiente de segurança contra a ruptura por cisalhamento, F:

Quanto mais próximo de 1,0 estiver F, mais próximo o maciço estará da ruptura. Comumente, em
obras de terra, tais como barragens, muros de arrimo e taludes em geral, adota-se para F valores
entre 1,3 e 1,5.

1.9 Empuxos de terra; estruturas de arrimo; estabilidade de


taludes; estabilidade das fundações superficiais e
estabilidade das fundações profundas
1.9.1 Empuxos de terra
Empuxo de terra deve ser entendido como a ação produzida pelo maciço terroso sobre as obras
com ele em contato; é fundamental na análise e projeto de obras como muros de arrimo, cortinas em
estacas pranchas, cortinas atirantadas, escoramentos de escavações em geral, construções em
subsolos, encontros de pontes, entre outras situações (Marangon, 2010).
Em função da elasticidade do material (E e μ), verifica-se existir uma proporcionalidade entre a
tensão vertical e a correspondente tensão horizontal. O material recebe o esforço, absorve-o e se
deforma segundo seus parâmetros de elasticidade.
Dentro deste princípio, qualquer valor de pressão horizontal será sempre calculado em função da
pressão vertical que, em função apenas da ação do peso próprio do solo, corresponde, no sentido
vertical, à pressão efetiva (e ocorrendo pressão neutra adicionando-se o valor desta).
σH = K = σV
Sendo K o chamado coeficiente de empuxo de terra.
1.9.1.1 Diagrama de tensões horizontais
Caso se retire um volume de massa de solo de uma região, podemos substituí-lo por um plano cujo
traço é OO’. Conforme a Figura 28, teremos:
Maciço de solo homogêneo, com uma única camada sem NA (não há desenvolvimento de pressão
neutra) e com o terrapleno horizontal (i = 0).
A pressão lateral, normal a um plano vertical, será σH que, sendo proporcional a σV, dará um
diagrama de distribuição idêntica (mesma forma) que para esta tensão.

Figura 28: Diagrama de tensões horizontais.

Traçando-se o diagrama de pressões horizontais ou pressões laterais que agem sobre o plano,
teremos condição de calcular a resultante desse esforço horizontal que é chamado simplesmente de
empuxo, correspondente à área do diagrama de pressões horizontais e agindo no seu centro de
gravidade (isto é, no terço inferior da sua altura).

a) Empuxo no repouso
Condição em que o plano de contenção não se movimenta.
Consideramos, neste tipo de empuxo, um equilíbrio perfeito em que a massa de solo se mantém
absolutamente estável, sem nenhuma deformação na estrutura do solo, isto é, em equilíbrio elástico.
Consideramos a massa semi-infinita de solo homogêneo, em uma só camada permeável, sem
ocorrência de lençol freático e com o terrapleno horizontal. Estando o solo num equilíbrio elástico,
os esforços na direção horizontal podem ser calculados baseados nas constantes elásticas do
material, isto é, dentro dos parâmetros de elasticidade (E e μ).
Suponhamos uma massa de solo em que na profundidade h destacamos um determinado elemento
que pode, verticalmente, se deformar pelo efeito do peso do material ocorrente antes; mas essa
deformação é equilibrada lateralmente por causa da continuidade da massa em todas as direções. A
massa confina o elemento com as tensões laterais, proporcionais à sobrecarga de peso. Esta situação,
do elemento destacado, pode ser representada por uma situação equivalente, em que o solo tenha
sido deslocado, e um plano considerado imóvel, indeformável e sem atrito de contato, substitui essa
ausência, conforme representado na Figura 29 pelo plano de traço OO’.

Figura 29: Representação dos esforços atuantes em um ponto no interior da massa de solo.

Para o solo considerado, a pressão vertical σV é igual à pressão efetiva. Em situações de solos
permeáveis, abaixo do NA, isto é, havendo surgimento de pressão neutra, em toda profundidade o
diagrama de pressões horizontais ficará acrescido dessa parcela da pressão neutra.
Na Figura 30 representamos o diagrama de pressões horizontais, cujas áreas nos dão o esforço
total para as duas hipóteses consideradas.

Figura 30: Diagrama de pressões horizontais.

Quando é considerado o repouso absoluto, esta condição será satisfeita em função das constantes
elásticas do material, e o coeficiente de proporcionalidade K entre sH e sV (pressões no ponto),
deduzido, é função, apenas, do Coeficiente de Poisson.

Caputo (1987) sugere, de uma forma genérica, os seguintes valores para K0 apresentados na Tabela
5.
Solo K0
argila 0,70 a 0,75
Areia solta 0,45 a 0,50
Areia compacta 0,40 a 0,45
Tabela 5: Valores genéricos de K0.

A dedução de Jaky indica K0 = 1 – sen f para solos normalmente adensados.


Quanto mais resistente o solo, mais rígido, portanto, menos elástico. Logo, maior a capacidade de
absorver tensões internas e, assim, menores as deformações possíveis e as suas transmissões laterais.
A fórmula de Jaky ajuda a resolver a seguinte questão:
30) (CESPE/DPF/Perito/2002). As características de compressibilidade e resistência ao
cisalhamento do solo são de fundamental importância para diversas obras civis. Com
relação às implicações de propriedades dos solos no comportamento de obras, julgue o
item a seguir.
a) Quanto menor o ângulo de atrito de um solo, menor é o empuxo de terra que uma
camada desse solo exercerá sobre uma estrutura de contenção.
Solução:
Afirmativa errada, pois segundo a fórmula de Jaky quanto menor Φ, maior será K0 ,
portanto, maior será σh.
b) Empuxo em condições de movimento do plano de contenção
Nas estruturas, fora das condições iniciais de repouso ilustradas anteriormente, poderemos ter
deslocamentos do plano de contenção em valores capazes de ativar a resistência interna ao
cisalhamento da estrutura de solo, pois nem sempre a estrutura é travada e apresenta as condições de
repouso absoluto. Ao se movimentarem e serem capazes de acionar as resistências internas ao
cisalhamento da massa de solo, serão desenvolvidas tensões horizontais diferentes das consideradas
com os parâmetros da elasticidade.
São dois os estados de tensões desenvolvidos quando há o deslocamento da parede de contenção:
empuxo ativo e empuxo passivo.
A primeira categoria verifica-se quando determinada estrutura é construída para suportar um
maciço de solo. Neste caso, as forças que o solo exerce sobre as estruturas são de natureza ativa. O
solo “empurra” a estrutura, que reage, tendendo a afastar-se do maciço.
Na segunda categoria, ao contrário, é a estrutura que é empurrada contra o solo. A força exercida
pela estrutura sobre o solo é de natureza passiva. Um caso típico deste tipo de interação solo-
estrutura é o de fundações de pontes em arco que transmitem ao maciço forças de elevada
componente horizontal.
Em determinadas obras, a interação solo-estrutura pode englobar simultaneamente as duas
categorias referidas.
1​o caso – empuxo ativo – a estrutura se desloca para fora do terrapleno: neste caso, o solo sofre
uma distensão ao reagir contra esta ação de afastamento do plano interno da estrutura de contenção,
provocando na massa uma resistência ao longo do possível plano de escorregamento. A massa
desenvolve, em seu interior, toda a resistência ao cisalhamento ao longo do plano de ruptura,
aliviando, até certo ponto, a ação do solo sobre o paramento interno da estrutura.
A superfície do terrapleno e o paramento interno da estrutura formam uma região denominada
cunha instável. Esta cunha está passível de movimento. É, portanto, onde se desenvolverá a
resistência ao cisalhamento e onde cada movimento ocorrente não terá condição de retrocesso, isto é,
nessa região o equilíbrio é plástico.
Podemos dizer que neste caso o solo foi ativado em sua resistência interna sendo esta situação
chamada de estado ativo de equilíbrio. O esforço do solo desenvolvido sobre a estrutura de
contenção é, neste caso, chamado empuxo ativo.
Com as considerações já feitas sobre o maciço, no caso de empuxo no repouso, temos:

2o caso – empuxo passivo – a estrutura desloca-se contra o terrapleno: neste caso, o solo é
comprimido pela estrutura, sofre uma compressão na cunha instável, gerando, ao longo do plano de
ruptura, uma reação ao arrastamento, ou seja, à resistência ao cisalhamento.
O movimento do paramento interno contra a massa de solo, tentando deslocá-la, na abrangência da
região instável, provoca o surgimento da resistência interna ao cisalhamento e, ocorrendo esta
movimentação, por menor que seja, terá de vencer essa resistência deslocando o peso da massa na
região abrangida pela cunha. A ação do solo será passiva ao movimento sendo a situação de
equilíbrio chamada estado passivo de equilíbrio ou estado superior de solicitação em que a estrutura
recebe todo esforço decorrente da ação passiva do solo em relação ao movimento.
Esse esforço desenvolvido pelo solo sobre o parâmetro interno da estrutura é chamado de empuxo
passivo.
Para o cálculo do empuxo, o procedimento será análogo, variando apenas o coeficiente de empuxo,
que, neste caso, será Kp, ou coeficiente de empuxo passivo.

Observação: tanto no caso de empuxo ativo quanto de passivo é válida a consideração de


acréscimo no diagrama de pressões quando há condição do surgimento da pressão neutra. Isto é, a
pressão horizontal é calculada em função da ocorrência das pressões verticais efetivas e neutras,
variando somente o coeficiente de empuxo para cada caso específico a considerar.
c) Teoria de Rankine
Rankine, para sua teoria, impõe algumas condições iniciais pressupostas como fundamentais para
os primeiros passos da análise da resistência ao cisalhamento das massas de solos. São elas
(Gerscovich, 2010):
• o solo do terrapleno considerado é areia pura seca (sem coesão) homogênea em todo o espaço
semi-infinito considerado;
• o atrito entre o terrapleno e o paramento vertical do plano de contenção é considerado nulo;
• terrapleno sem nenhuma sobrecarga (concentrada, linear ou distribuída); e
• o terrapleno é constituído de uma camada única e contínua de mesmo solo e sua superfície
superior é horizontal (solo homogêneo).
Como condição de empuxo ativo, tem-se que a tendência da cunha, no caso ativo, é acompanhar o
movimento com o afastamento, mas a resistência ao cisalhamento, desenvolvida ao longo do plano de
ruptura, reduz sua ação de movimento, diminuindo o esforço sobre o paramento vertical ao valor
mínimo. Ressalta-se que somente pressão efetiva mobiliza resistência ao cisalhamento.
A condição inicial de Rankine impõe a condição de c = 0 (coesão nula). Tomando-se a equação
analítica da ruptura, temos:

Já como condição de empuxo passivo, tem-se que ao peso da cunha agindo sobre o paramento
vertical soma-se toda a resistência ao cisalhamento desenvolvida ao longo do plano de ruptura.
Nesse caso, a componente horizontal é a maior possível.
A tendência da cunha, no caso passivo, é resistir ao movimento da estrutura, ao longo de toda a
superfície de ruptura, por sua resistência interna ao cisalhamento.
Assim, a ação do terrapleno sobre o paramento vertical aumenta. Tem--se então:

Em função das expressões obtidas, temos:

A teoria de Rankine auxilia a resolução da seguinte questão:


31) (CESPE/DPF/Perito/2004). Acerca da situação da estrutura de contenção
apresentada na figura abaixo, julgue os itens que se seguem.

a) O método de Rankine pode ser utilizado para o cálculo do empuxo de terra sobre a
estrutura de arrimo, utilizando-se um ângulo de atrito entre o solo contido e a face interna
do muro igual a o ângulo de atrito interno do solo.
Solução:
Afirmativa errada, pois a teoria de Rankine utiliza o próprio ângulo de atrito do solo em
suas formulações (vide fórmulas mostradas anteriormente).
b) Mantendo-se a dimensão β e o ângulo b constantes e aumentando-se o valor de a, com
α ≤ 90º, aumenta-se a possibilidade de tombamento do muro.
Solução:
Afirmação correta, pois aumentando o valor de α, aumenta-se naturalmente a projeção
do empuxo ativo na horizontal.
d) Outras considerações acerca da Teoria de Rankine
Mantendo-se a mesma conceituação de Rankine quanto aos coeficientes de empuxo, sairemos agora
das condições iniciais (ideais). As considerações serão abordadas só para a condição ativa mas, por
similaridade, podem ser extrapoladas para condição passiva.
• No caso de haver sobrecarga no terrapleno:
Considere agora a ocorrência de sobrecarga uniformemente distribuída no terrapleno (q).
Nesse caso, pode-se transformar essa sobrecarga em uma altura equivalente de solo da camada.

Em que:
h0 = altura equivalente de solo;
q = sobrecarga vertical;
γ = peso específico do solo.
O diagrama de pressões verticais terá uma pressão inicial shi, por causa da altura equivalente de
terra (h), a saber:

Isto é, σhi corresponde a q vezes o coeficiente de empuxo ativo.


No caso de considerar o solo coesivo também:
Aqui, a equação analítica da ruptura permanece completa e:

Diagrama ⇒ Pela equação anterior vê-se que haverá um ponto em que σh = 0. Esse ponto
corresponde a:

Assim, surgirá uma região de tração em razão da ocorrência de coesão.


Como se pode ver pelo diagrama, a área de tração será compensada por igual área de compressão,
correspondente à mesma profundidade h1.
• No caso de ocorrer NA na camada:
Costuma-se, na grande maioria dos casos, fazer um sistema de drenagem no terrapleno, de maneira
que a pressão neutra não desenvolva pressão sobre o paramento vertical da estrutura de contenção,
mas, supondo-se que por qualquer problema não se possa fazer a drenagem, temos:
Esta teoria ajuda a resolver as seguintes questões:
32) (CESPE/DPF/Perito/2004). Acerca da situação da estrutura de contenção
apresentada na figura abaixo, julgue os itens que se seguem.

a) A sobrecarga distribuída com intensidade q favorece a ruptura do solo contido pelo muro
no estado passivo.
Solução:
Afirmativa errada, pois a sobrecarga funcionará como uma altura equivalente,
favorecendo a ruptura do solo contido pelo muro no estado ativo, e não passivo.
b) Para α = 90º, caso o solo contido sature-se devido à infiltração contínua de água da
chuva pela sua superfície e se estabeleça uma rede de fluxo em regime permanente, a
pressão na água nos poros do solo contido próximo à face interna do muro será nula.
Solução:
Afirmativa correta, pois como há um sistema de drenagem representado pelo colchão
drenante, a pressão neutra não desenvolverá pressão sobre o paramento vertical do muro
de contenção.
c) Quanto maior a coesão do solo contido pelo muro, menor é o empuxo de terra atuante
sobre ele.
Solução:
Afirmação correta, pois, se o solo apresentar coesão, a certa altura, a camada será
submetida a esforços de tração, reduzindo, portanto, o empuxo ativo sobre o muro.
1.9.2 Estruturas de arrimo – muros
Muros são estruturas corridas de contenção de parede vertical ou quase vertical, apoiadas em uma
fundação rasa ou profunda. Podem ser construídos em alvenaria (tijolos ou pedras) ou em concreto
(simples ou armado) ou, ainda, com elementos especiais.
Os muros de arrimo podem ser de vários tipos: gravidade (construídos de alvenaria, concreto,
gabiões ou pneus), de flexão (com ou sem contraforte) e com ou sem tirantes (Gerscovich, 2010).
A terminologia dos elementos de um muro de arrimo é mostrada na Figura​ 31.

Figura 31: Terminologia de muros de arrimo.


1.9.2.1 Tipos de muros
a) Muros de gravidade
Os muros de gravidade são estruturas corridas que se opõem aos empuxos horizontais pelo peso
próprio. Geralmente, são utilizadas para conter desníveis pequenos ou médios, inferiores a cerca de
5 m. Os muros de gravidade podem ser construídos de pedra ou concreto (simples ou armado),
gabiões ou, ainda, pneus usados.
Os muros de alvenaria de pedra são os mais antigos e numerosos. Atualmente, em razão do custo
elevado, o emprego da alvenaria é menos frequente, principalmente em muros com maior altura
(Figura 32).

Figura 32: Muro de alvenaria de pedra.

No caso de muro de pedras arrumadas manualmente, sua resistência resulta unicamente do


embricamento dos blocos de pedras. Apresenta como vantagens a simplicidade de construção e a
dispensa de dispositivos de drenagem, pois o material é drenante. Outra vantagem é o custo reduzido,
especialmente quando os blocos de pedras são disponíveis no local. No entanto, a estabilidade
interna do muro requer que os blocos tenham dimensões aproximadamente regulares, o que causa um
valor menor do atrito entre as pedras.
Muros de pedra sem argamassa devem ser recomendados unicamente para a contenção de taludes
com alturas de até 2 m. A base do muro deve ter largura mínima de 0,5 a 1,0 m e deve ser apoiada em
uma cota inferior à da superfície do terreno, de modo a reduzir o risco de ruptura por deslizamento
no contato muro-fundação.
Quanto a taludes de maior altura (cerca de 3 m), deve-se empregar argamassa de cimento e areia
para preencher os vazios dos blocos de pedras. Neste caso, podem ser utilizados blocos de
dimensões variadas. A argamassa provoca uma maior rigidez no muro, porém elimina a sua
capacidade drenante. É necessário então implementar os dispositivos usuais de drenagem de muros
impermeáveis, tais como dreno de areia ou geossintético no tardoz e tubos barbacãs para alívio de
poropressões na estrutura de contenção.
Hoje em dia são comuns as estruturas de arrimo, principalmente em margens erodíveis de rios e
canais, em gabiões. Também possuem função drenante e são estabilizadas pelo peso próprio (Figura
33).
Os muros de gabiões são constituídos por gaiolas metálicas preenchidas com pedras arrumadas
manualmente e construídas com fios de aço galvanizado em malha hexagonal com dupla torção. As
dimensões usuais dos gabiões são: comprimento de 2 m e seção transversal quadrada com 1 m de
aresta. No caso de muros de grande altura, gabiões mais baixos (altura 5 0,5 m), que apresentam
maior rigidez e resistência, devem ser posicionados nas camadas inferiores, onde as tensões de
compressão são mais significativas.

Figura 33: Estrutura de cotenção em gabião.

Os muros de concreto ciclópico (Figura 34) são, em geral, economicamente viáveis apenas quando
a altura não é superior a cerca de 4 metros. O muro de concreto ciclópico é uma estrutura construída
mediante o preenchimento de uma fôrma com concreto e blocos de rocha de dimensões variadas. Em
razão da impermeabilidade deste muro, é imprescindível a execução de um sistema adequado de
drenagem (Gerscovich, 2010).
A seção transversal é usualmente trapezoidal, com largura da base da ordem de 50% da altura do
muro. A especificação do muro com faces inclinadas ou em degraus pode causar uma economia
significativa de material. Para muros com face frontal plana e vertical, deve-se recomendar uma
inclinação para trás (em direção ao retroaterro) de pelo menos 1:30 (cerca de 2 graus com a
vertical), de modo a evitar a sensação ótica de uma inclinação do muro na direção do tombamento
para a frente.
Os furos de drenagem devem ser posicionados de modo a minimizar o impacto visual por causa
das manchas que o fluxo de água causa na face frontal do muro. Alternativamente, pode-se realizar a
drenagem na face posterior (tardoz) do muro por meio de uma manta de material geossintético (tipo
geotêxtil). Neste caso, a água é recolhida por meio de tubos de drenagem adequadamente
posicionados.

Figura 34: Muro de concreto ciclópico.


Os muros tipo “Crib Walls” ou “em fogueira” (Figura 35) são estruturas formadas por elementos
pré-moldados de concreto armado, madeira ou aço, que são montados no local, em forma de
“fogueiras” justapostas e interligadas longitudinalmente, cujo espaço interno é preenchido com
material granular graúdo.
São estruturas capazes de se acomodar a recalques das fundações e funcionam como muros de
gravidade.

Figura 35: Muro “Crib Wall”.

Os muros de saco de solo-cimento (Figura 36) são constituídos por camadas formadas por sacos
de poliéster ou similares, preenchidos por uma mistura cimento-solo da ordem de 1:10 a 1:15 (em
volume).
O solo utilizado é inicialmente submetido a um peneiramento em uma malha de 9 mm, para a
retirada dos pedregulhos. Em seguida, o cimento é espalhado e misturado, adicionando-se água em
quantidade 1% acima da correspondente à umidade ótima de compactação proctor normal.

Figura 36: Muro de contenção com sacos de solo-cimento.

Após a homogeneização, a mistura é colocada em sacos, com preenchimento até cerca de dois
terços do volume útil do saco. Procede-se então ao fechamento mediante costura manual. O
ensacamento do material facilita o transporte para o local da obra e torna dispensável a utilização de
fôrmas para a execução do muro.
No local de construção, os sacos de solo-cimento são arrumados em camadas posicionadas
horizontalmente e, em seguida, cada camada do material é compactada de modo a reduzir o volume
de vazios. O ​posicionamento dos sacos de uma camada é propositalmente desencontrado em relação
à camada imediatamente inferior, de modo a garantir um maior intertravamento e, em consequência,
uma maior densidade do muro. A compactação é em geral realizada manualmente com soquetes.
As faces externas do muro podem receber uma proteção superficial de argamassa de concreto
magro, para prevenir contra a ação erosiva de ventos e águas superficiais.
Esta técnica tem se mostrado promissora por causa do baixo custo e pelo fato de não requerer mão
de obra ou equipamentos especializados. Um muro de arrimo de solo-cimento com altura entre 2 e 5
metros tem custo da ordem de 60% do custo de um muro de igual altura executado em concreto
armado (Marangon, 2010). Como vantagens adicionais, pode-se citar a facilidade de execução do
muro com forma curva (adaptada à topografia local) e a adequabilidade do uso de solos residuais.
Os muros de pneus (Figura 37) são construídos a partir do lançamento de camadas horizontais de
pneus, amarrados entre si com corda ou arame e preenchidos com solo compactado. Funcionam como
muros de gravidade e apresentam como vantagens o reuso de pneus descartados e a flexibilidade. A
utilização de pneus usados em obras geotécnicas apresenta-se como uma solução que combina a
elevada resistência mecânica do material com o baixo custo, comparativamente aos materiais
convencionais.
Sendo um muro de peso, os muros de pneus limitam-se a alturas inferiores a 5 m e à
disponibilidade de espaço para a construção de uma base com largura da ordem de 40% a 60% da
altura do muro. No entanto, deve-se ressaltar que o muro de pneus é uma estrutura flexível e,
portanto, as deformações horizontais e verticais podem ser superiores às usuais em muros de peso de
alvenaria ou concreto. Assim sendo, não se recomenda a construção de muros de pneus para
contenção de terrenos que sirvam de suporte a obras civis pouco deformáveis, tais como estruturas
de fundações ou ferrovias.

Figura 37: Muro de pneus.

Como elemento de amarração entre pneus, recomenda-se a utilização de cordas de polipropileno


com 6 mm de diâmetro. Cordas de náilon ou sisal são facilmente degradáveis e não devem ser
utilizadas. O peso específico do material pneus utilizado em muro experimental foi determinado a
partir de ensaios de densidade no campo (Medeiros et al., 1997 apud Gerscovich, 2010), e varia na
faixa de 15,5 kN/m3 (solo com pneus inteiros) a 16,5 kN/m3 (solo com pneus cortados).
O posicionamento das sucessivas camadas horizontais de pneus deve ser descasado, de forma a
minimizar os espaços vazios entre pneus.
A face externa do muro de pneus deve ser revestida, para evitar não só o carreamento ou erosão do
solo de enchimento dos pneus, como também o vandalismo ou a possibilidade de incêndios. O
revestimento da face do muro deverá ser suficientemente resistente e flexível, ter boa aparência e ser
de fácil construção. As principais opções de revestimento do muro são alvenaria em blocos de
concreto, concreto projetado sobre tela metálica, placas pré-moldadas ou vegetação.
b) Muros de flexão
Os muros de flexão são estruturas mais esbeltas com seção transversal em forma de “L” que
resistem aos empuxos por flexão, utilizando parte do peso próprio do maciço, que se apoia sobre a
base do “L”, para manter-se em equilíbrio (Figura 38).
Em geral, são construídos em concreto armado, tornando-se antieconômicos para alturas acima de
5 a 7 m. A laje de base em geral apresenta largura entre 50 e 70% da altura do muro. A face trabalha
à flexão e se necessário pode empregar vigas de enrijecimento, no caso alturas maiores.

Figura 38: Muro de flexão.

Para muros com alturas superiores a cerca de 5 m, é conveniente a utilização de contrafortes (ou
nervuras), para aumentar a estabilidade contra o tombamento (Figura 39).
Tratando-se de laje de base interna, ou seja, sob o retroaterro, os contrafortes devem ser
adequadamente armados para resistir a esforços de tração. No caso de laje externa ao retroaterro, os
contrafortes trabalham à compressão. Esta configuração é menos usual, pois acarreta perda de espaço
útil a jusante da estrutura de contenção. Os contrafortes são em geral espaçados de cerca de 70% da
altura do muro.
Figura 39: Muro com contrafortes.

1.9.3 Estabilidade dos muros de arrimo


Na verificação da estabilidade de um muro de gravidade, seja de seção trapezoidal ou do tipo
escalonado, ou com qualquer outra seção, devem ser investigadas as seguintes condições de
estabilidade:
a) 1ª condição: segurança contra o tombamento – evidentemente, a condição para que o muro não
tombe em torno da extremidade externa A da base (Figura 40) é que o momento do peso do muro
seja maior que o momento do empuxo total, ambos tomados em relação ao ponto A. É aconselhável
que a resultante de todas as forças atuantes, R, passe dentro do “núcleo central” (terço médio da
seção) da base AB e, tanto quanto possível, próximo do ponto médio O quando o muro repousar
sobre o terreno muito compressível.

Figura 40: Resultante do peso do muro (R) na base, componentes vertical (V) e horizontal (H) e aspecto do diagrama de
pressão no solo de apoio.

b) 2ª condição: segurança contra o escorregamento – desprezando-se a contribuição do empuxo


passivo, Ep, o que é a favor da segurança, esta condição será satisfeita quando, pelo menos:
1,5 H = V tg
Sendo:
δ = ângulo de atrito entre o muro e o solo, o qual pode ser tomado, segundo Caputo (1987) da
ordem de 30° se o solo é areia grossa pura e aproximadamente 25° se é areia grossa argilosa ou
siltosa, ou outros valores como já apresentado.
c) 3ª condição: segurança contra ruptura e deformação excessiva do terreno de fundação – quando a
força R cair no núcleo central da base, o diagrama de pressões no solo será (o que é uma
aproximação) um trapézio; o terreno estará, pois, submetido apenas a tensões de compressão.
d) 4ª condição: segurança contra ruptura do conjunto muro-solo – a possibilidade de ruptura do
terreno segundo uma superfície de escorregamento ABC (Figura 41) deve também ser investigada,
a partir da aplicação dos conhecimentos de estabilidade de taludes.

Figura 41: Possibilidade de ruptura do conjunto muro-solo, segundo uma superfície de escorregamento de instabilidade do
talude.

Os assuntos anteriormente citados nos levam resolver as seguintes questões:


33) (CESPE/DPF/Perito/2004). O desenho abaixo esquematiza a seção transversal de
uma escavação a ser executada vizinha a um prédio de 8 andares. A linha de elementos de
fundação do prédio junto à escavação dista 2 m desta. Com relação às condições
apresentadas nessa figura, julgue os itens subsequentes.
a) O acréscimo de tensão horizontal sobre a parede no ponto A devido à sapata da
construção vizinha é calculado multiplicando-se, pelo coeficiente de empuxo no repouso do
solo, a soma da tensão vertical na base da sapata com a tensão vertical devida ao peso
de solo acima do ponto A.
Solução:
A afirmativa é errada. A tensão vertical que deve ser considerada no cálculo da tensão
horizontal não é a da base na sapata, mas sim aquela na cota do ponto A, adicionada da
relativa ao peso de solo acima deste ponto (A), ou seja, γsolo · hA.
b) O tipo de estrutura de contenção proposta não é apropriado, pois pode provocar
deslocamentos horizontais do terreno que podem prejudicar o prédio vizinho.
Solução:
A afirmação é correta. A contenção foi executada em duas etapas:
• primeiramente as pranchas foram enterradas no solo; e
• depois houve a sua extração.
A partir do momento que se extrai o solo do interior da contenção, empuxos ativos
entram em cena, tendendo a tombá-lo caso este não possua contraventos horizontais
convenientemente instalados.
c) No dimensionamento do tipo de estrutura de contenção apresentado na figura, o
equilíbrio é garantido pela determinação do comprimento de ficha apropriado.
Solução:
A afirmação é correta, pois no caso mostrado na figura, a única parcela da estrutura de
contenção que produz força (e portanto momento) contrária ao empuxo ativo da massa de
solo proveniente da zona da sapata da fundação é o comprimento de ficha (parte da
estrutura de contenção enterrada no solo).

1.9.4 Fundações
De acordo com a profundidade do solo resistente, onde está implantada a sua base, as fundações
podem ser classificadas em:
• fundações superficiais (diretas): quando a camada resistente à carga da edificação, ou seja, onde
a base da fundação está implantada, não excede a duas vezes a sua menor dimensão ou se encontre a
menos de 3 m de profundidade; e
• fundações profundas (indiretas): aquelas cujas bases estão implantadas a mais de duas vezes a
sua menor dimensão, e a mais de 3 m de profundidade.
O que caracteriza principalmente uma fundação rasa ou direta é o fato de a distribuição de carga
do pilar para o solo ocorrer pela base do elemento de fundação, sendo que a carga aproximadamente
pontual que ocorre no pilar é transformada em carga distribuída, num valor tal que o solo seja capaz
de suportá-la (Figura 42). Outra característica da fundação direta é a necessidade da abertura da
cava de fundação para a construção do elemento de fundação no fundo desta.

Figura 42: Fundação direta ou rasa.

A fundação profunda, a qual possui grande comprimento em relação à sua base, apresenta pouca
capacidade de suporte pela base, porém grande capacidade de carga em razão do atrito lateral do
corpo do elemento de fundação com o solo (Figura 43). A fundação profunda, normalmente, dispensa
abertura da cava de fundação, constituindo-se, por exemplo, em um elemento cravado por meio de
um bate-estaca.

Figura 43: Fundação indireta ou profunda.

1.9.4.1 Fundações superficiais, diretas ou rasas


Em projetos de construções rurais ou de casas de apenas um pavimento são usadas principalmente
fundações diretas, tendo em vista que as cargas são relativamente pequenas, não exigindo da camada
do solo de apoio uma grande resistência.
As fundações diretas classificam-se em: blocos de fundações; baldrames; e radier.
a) Fundação direta em blocos
O que caracteriza a fundação em blocos é o fato de a distribuição de carga para o terreno ser
aproximadamente pontual, ou seja, onde houver pilar existirá um bloco de fundação distribuindo a
carga do pilar para o solo (Figura 44). Os blocos podem ser construídos de pedra, tijolos maciços,
concreto simples ou de concreto armado. Quando um bloco é construído de concreto armado ele
recebe o nome de sapata de fundação.

Figura 44: Solução em blocos.

b) Fundação direta em baldrame


A fundação em baldrame apresenta uma distribuição de carga para o terreno tipicamente linear, por
exemplo, uma parede que se apoia no baldrame, sendo este o elemento que transmite a carga para o
solo ao longo de todo o seu comprimento (Figura 45). Um baldrame pode ser construído de pedra,
tijolos maciços, concreto simples ou concreto armado.
Quando o baldrame é construído de concreto armado recebe o nome de sapata corrida.

Figura 45: Solução em baldrame.

c) Fundação direta em radier


A fundação em radier é constituída por um único elemento de fundação que distribui toda a carga
da edificação para o terreno, constituindo-se em uma distribuição de carga tipicamente superficial. O
radier é uma laje de concreto armado que distribui a carga total da edificação uniformemente pela
área de contato. É usado de forma econômica quando as cargas são pequenas e a resistência do
terreno é baixa, sendo uma boa opção para que não seja usada a solução de fundação profunda.
d) Dimensionamento de um bloco de fundação
Os blocos são fundações em concreto simples ou ciclópico e caracterizados por uma altura
relativamente grande em relação às dimensões da base, necessária para que trabalhem
essencialmente à compressão. Nas construções comuns, os blocos são usados para cargas de até
50000 kgf e, além disso, não é aconselhável o emprego de blocos em terrenos com resistência
inferior a 1 kgf/cm2 (0,1 MPa). Quando se deseja economizar material, pode-se adotar o bloco com a
forma escalonada.
Sendo fsolo a resistência do terreno (tensão admissível) e F a carga que chega ao bloco pelo pilar,
para que a tensão admissível não seja ultrapassada, deve-se ter:

Portanto, a área da base pode ser calculada em uma primeira tentativa pela expressão:

Como os blocos são geralmente quadrados, temos para o lado B do quadrado:

Quanto à altura dos blocos, experiências recomendam adotar a expressão:


H = 0,85(B – b)
sendo: B = dimensão da base do bloco e b = dimensão do pilar.
1.9.4.2 Fundações profundas
Quando o solo compatível com a carga da edificação se encontra a mais de 3 m de profundidade é
necessário recorrer às fundações profundas, sendo três os tipos principais: estacas; tubulões; e
caixões.
a) Estacas de fundação
São elementos alongados, cilíndricos ou prismáticos que se cravam (Figura 46),
com um equipamento, chamado bate-estaca, ou se confeccionam no solo de modo a
transmitir às cargas da edificação a camadas profundas do terreno.
Figura 46: Bate-estaca.

Estas cargas são transmitidas ao terreno por meio do atrito das paredes laterais da estaca contra o
terreno e/ou pela ponta (Figura 47).

Figura 47: Transmissão de carga ao terreno.


Existe hoje uma variedade muito grande de estacas para fundações. Com certa frequência, um novo
tipo de estaca é introduzido no mercado e a técnica de execução de estacas está em permanente
evolução. A execução de estacas é uma especialidade da engenharia.
Entre os principais materiais empregados na confecção das estacas, destacam-se:
• madeira;
• aço; e
• concreto (pré-moldados e moldados in situ).
As estacas também são classificadas em estacas de deslocamento e estacas escavadas.
As estacas de deslocamento são aquelas introduzidas no terreno por meio de algum processo que
não promova a retirada do solo. Enquadram-se nessa categoria as estacas pré-moldadas de concreto
armado, as estacas de madeira, as estacas metálicas, as estacas apiloadas de concreto e as estacas de
concreto fundido no terreno dentro de um tubo de revestimento de aço cravado com a ponta fechada,
sendo as estacas tipo Franki o exemplo mais característico dessas últimas.
As estacas escavadas são aquelas executadas in situ por meio da perfuração do terreno por um
processo qualquer, com remoção de material. Nessa categoria se enquadram entre outras as estacas
tipo broca, executada manual​ ou mecanicamente e as do tipo Strauss.
I. Estacas pré-moldadas de concreto: são largamente usadas em todo o mundo possuindo como
vantagens em relação às concretadas no local um maior controle de qualidade tanto na
concretagem, que é de fácil fiscalização, quanto na cravação, além de poderem atravessar
correntes de águas subterrâneas, o que, com as estacas moldadas no local, exigiria cuidados
especiais.
Podem ser confeccionadas com concreto armado ou protendido adensado por centrifugação ou por
vibração, este de uso mais comum. Tanto nas estacas vibradas quanto nas centrifugadas a cura do
concreto é feita a vapor, de modo a permitir sua desforma e seu transporte no menor tempo possível.
Tendo em vista que a cura a vapor só acelera o ganho de resistência nas primeiras horas, mas não
diminui o tempo total necessário para que o concreto atinja a resistência final, as estacas devem
permanecer no estoque pelo menos até que o concreto atinja a resistência de projeto.
A seção transversal dessas estacas é geralmente quadrada, hexagonal, octogonal ou circular,
podendo ser vazada ou não.
A carga máxima estrutural das estacas pré-moldadas é em geral indicada nos catálogos técnicos
das empresas fabricantes, no entanto, a carga admissível só poderá ser fixada após a análise do perfil
geotécnico do terreno e sua cravabilidade.
Para não onerar o custo de transporte das estacas, desde a fábrica até a obra, o seu comprimento é
limitado a 12 m. Por isso, quando se precisar de estacas com mais de 12 m, as peças devem ser
emendadas. Essas emendas podem ser constituídas por anéis metálicos ou por luvas de encaixe tipo
“macho e fêmea” quando as estacas não estivem sujeitas a esforços de tração tanto na cravação
quanto na utilização (Figura 48), ou em caso contrário, emenda do tipo soldável, como indicada na
Figura 49, em que a altura h e a espessura e da chapa são função do diâmetro da armadura
longitudinal e do diâmetro da estaca.
Figura 48: Emendas por anel metálico ou luvas.

Figura 49: Emenda tipo soldável em estaca pré-moldada.

II. Estacas concretadas in situ: existe uma grande variedade de tipos de estacas concretadas no
local, diferenciadas entre si, principalmente, pela forma que são escavadas e pela forma de
colocação do concreto. De um modo geral, crava-se um tubo de aço até a profundidade prevista
pela sondagem geotécnica, enchendo-se com concreto que vai sendo apiloado até que se retire o
tubo. Entre os vários tipos existentes, destacam-se as estacas tipo Franki e as tipo Strauss.
A estaca tipo Franki usa um tubo de revestimento cravado dinamicamente com a ponta fechada por
meio de bucha e recuperado após a concretagem da estaca. O concreto usado na execução da estaca é
relativamente seco com baixo fator água-cimento, resultando em um concreto de slump zero, de modo
a permitir o forte apiloamento previsto no método executivo. O concreto com estas características
deve atingir fcc28 ≥ 20 MPa, e o controle tecnológico do concreto durante a execução da estaca deve
prever retirada regular de corpos de prova, para serem ensaiados a 3, 7 e 28 dias, iniciando-se ao se
executar as primeiras estacas, e continuar para cada grupo de 15 ou 20 estacas executadas.
A armação da estaca é constituída por barras longitudinais e estribos que devem ter dimensões
compatíveis com o diâmetro do tubo e do pilão. A execução de estacas tipo Franki, quando bem
aplicada, praticamente não sofre restrições de emprego diante das características do subsolo, salvo
casos particulares como aqueles constituídos por espessas camadas de solo muito mole. Geralmente
são adotadas tabelas onde são apresentadas as cargas admissíveis usuais adotadas em projetos de
rotina das estacas tipo Franki executadas pelas empresas que atuam no mercado brasileiro. A adoção
dessas cargas depende da análise dos elementos do projeto, podendo ser diminuídas ou aumentadas
em projeto de condições especiais.
A seguir são relacionados alguns aspectos da estaca tipo Franki, que fazem parte do método de
execução, e que a diferencia dos outros tipos de estacas concretadas no local contribuindo para a
elevada carga de trabalho da estaca:
• a cravação com ponta fechada isola o tubo de revestimento da água do subsolo, o que não
acontece com outros tipos de estaca executada com ponta aberta;
• a base alargada dá maior resistência de ponta que todos os outros tipos de estaca;
• o apiloamento da base compacta solos arenosos, bem como aumenta o diâmetro da estaca em
todas as direções, aumentando a sua resistência de ponta. Em solos argilosos o apiloamento da base
expele a água da argila, que é absorvida pelo concreto seco, consolidando e reforçando seu contorno;
• o apiloamento do concreto contra o solo para formar o fuste da estaca compacta o solo e aumenta
o atrito lateral;
• o comprimento da estaca pode ser facilmente ajustado durante a cravação.
As estacas tipo Strauss foram projetadas, inicialmente, como alternativa às estacas pré-moldadas
cravadas por percussão por causa do desconforto causado pelo processo de cravação, quer quanto à
vibração, quer quanto ao ruído. O processo é bastante simples, consistindo na retirada de terra com
sonda ou piteira e, simultaneamente, introduzindo tubos metálicos rosqueáveis entre si, até atingir a
profundidade desejada e posterior concretagem com apiloamento e retirada da tubulação. Por utilizar
equipamento leve e econômico, a estaca tipo Strauss possui as seguintes vantagens:
• ausência de vibrações e trepidações em prédios vizinhos;
• possibilidade de execução da estaca com o comprimento projetado;
• possibilidade de verificar durante a perfuração a presença de corpos estranhos no solo, matacões
etc., permitindo a mudança de locação antes da concretagem;
• possibilidade da constatação das diversas camadas e natureza do solo, pois a retirada de
amostras permite comparação com a sondagem à percussão;
• possibilidade de montar o equipamento em terrenos de pequenas dimensões;​
• autonomia, importante em regiões ou locais distantes.
Como principais desvantagens das estacas tipo Strauss podemos citar:
• quando a pressão da água for tal que impeça o esgotamento da água no furo com a sonda, a
adoção desse tipo de estaca não é recomendável;
• em argilas muito moles saturadas e em areias submersas, o risco de seccionamento do fuste pela
entrada de solo é muito grande, e nesses casos esta solução não é indicada;
• é indispensável um controle rigoroso da concretagem da estaca de modo a não ocorrerem falhas,
pois a maior ocorrência de acidentes com estas estacas deve-se a deficiências de concretagem
durante a retirada do tubo.
As estacas tipo Strauss podem ser armadas ou não. No caso das estacas não armadas, o concreto
utilizado deve ter um consumo mínimo de 300 kgf/m3, consistência plástica (abatimento mínimo de 8
cm) e fcck de 15 MPa. Já o concreto das estacas armadas deve ter um abatimento mínimo de 12 cm e
fcck de 15 MPa. Não deverá ser utilizada a pedra 2, mesmo se necessário executivamente.
A NBR 6122 apresenta uma tabela que contém as cargas admissíveis para estacas tipo Strauss não
armada em função do diâmetro externo do tubo de revestimento. A carga de trabalho será fixada após
análise do perfil geotécnico do terreno.
Diâmetro externo do revestimento (cm) 22 27 32 42 52
Carga admissível estruturalmente (kN) (NBR
200 300 400 700 1 070
6122)
b) Tubulões de fundação
Os tubulões são elementos estruturais de fundação profunda, geralmente dotados de uma base
alargada, construídos concretando-se um poço revestido ou não, aberto no terreno com um tubo de
aço de diâmetro mínimo de 70 cm de modo a permitir a entrada e o trabalho de um homem, pelo
menos na sua etapa final, para completar a geometria da escavação e fazer a limpeza do solo.
Divide-se em dois tipos básicos: os tubulões a céu aberto, normalmente, sem revestimento e não
armados no caso de existir somente carga vertical, e os a ar comprimido ou pneumático. Os tubulões
a ar comprimido são sempre revestidos, podendo esse revestimento ser constituído de uma camisa de
concreto armado ou de uma camisa metálica. Neste caso, a camisa metálica pode ser recuperada ou
não. São utilizados em solos onde haja a presença de água e que não seja possível esgotá-la. O fuste
do tubulão é sempre cilíndrico enquanto a base poderá ser circular ou em forma de falsa elipse.
Deve-se evitar trabalho simultâneo em bases alargadas de tubulões, cuja distância entre centros seja
inferior a duas vezes o diâmetro ou dimensão da maior base, especialmente quando se tratar de
tubulões a ar comprimido.
Quando comparados a outros tipos de fundações, os tubulões apresentam as seguintes vantagens:
• os custos de mobilização e de desmobilização são menores que os de bate--estacas e outros
equipamentos;
• as vibrações e ruídos provenientes do processo construtivo são de muita baixa intensidade;
• pode-se observar e classificar o solo retirado durante a escavação e compará-lo às condições do
subsolo previstas no projeto;
• o diâmetro e o comprimento do tubulão podem ser modificados durante a escavação para
compensar condições do subsolo diferentes das previstas;
• as escavações podem atravessar solos com pedras e matacões, sendo possível penetrar em vários
tipos de rocha;
• é possível apoiar cada pilar em um único fuste, em lugar de diversas estacas, eliminando a
necessidade de bloco de coroamento.
2 Projeto e execução de rodovias
Neste capítulo abordaremos os aspectos mais comuns em concursos associados à construção de
estradas, desde o projeto até a pavimentação, percorrendo as etapas de terraplanagem, equipamentos
utilizados, ensaios correntes etc.

2.1 Movimento de terra


De forma genérica, a terraplenagem (ou terraplanagem) é o movimento de terras, que pode ser
entendida como o conjunto de operações necessárias para remover a terra dos locais em que esta se
encontra em excesso para aqueles em que há falta, tendo em vista um determinado projeto a ser
implantado.
Assim, a construção de uma estrada de rodagem, de uma ferrovia ou de um aeroporto, a edificação
de uma fábrica ou de uma usina hidrelétrica, ou mesmo de um conjunto residencial, exigem a
execução de serviços de terraplanagem prévios, para regularizar o terreno natural, em obediência ao
projeto que se deseja implantar.
Pode-se afirmar, portanto, que todas as obras de engenharia civil de grande ou pequeno porte
exigem a realização de trabalhos prévios de movimentação de terras.
Na engenharia rodoviária, a terraplanagem é a etapa da construção de uma estrada que transforma a
faixa de domínio de seu estado natural de modo a conformá-la às seções e ao greide indicados no
projeto.
A terraplanagem se divide em:
• manual; e
• mecanizada.
2.1.1 Terraplanagem manual
Até o aparecimento dos equipamentos mecanizados e mesmo depois, a movimentação das terras
era feita pelo homem, utilizando ferramentas tradicionais: pá e picareta para o corte, carroças ou
vagonetas com tração animal para o transporte.
Como o rendimento da terraplanagem manual é pequeno, esse serviço dependia da mão de obra
abundante e barata, mas com o desenvolvimento tecnológico e social, a mão de obra foi se tornando
cada vez mais escassa e, por consequên​cia, mais cara. Para se ter uma ideia do número de operários
necessários para a execução braçal do movimento de terra, estima-se que para a produção de 50 m3/h
de escavação, seriam necessários pelo menos 100 homens. A mesma tarefa pode ser executada por
uma única escavadeira, operada apenas por um homem.
Todavia, a terraplanagem manual não significava excessiva lentidão dos trabalhos. Desde que a
mão de obra fosse numerosa, os prazos de execução da movimentação de terras em grandes volumes
eram razoáveis, se comparados com os atuais.
Temos o exemplo de ferrovias construídas nos Estados Unidos com milhões de metros cúbicos
escavados e movidos em prazos relativamente curtos, dispondo-se, porém, de mão de obra abundante
e de baixo custo.
Com suficiente organização para resolver os sérios problemas de recrutamento, administração,
alojamento e subsistência dos trabalhadores, a terraplanagem manual apresentava rendimento capaz
de causar admiração, ainda nos dias atuais.
2.1.2 Terraplanagem mecanizada
Os equipamentos mecanizados, que surgiram em consequência do desenvolvimento tecnológico,
apesar de apresentarem elevado custo de aquisição, tornaram competitivo o preço do movimento de
terras, em razão de sua alta produtividade.
Conforme exemplificado anteriormente, percebe-se a notável economia de mão de obra introduzida
pela mecanização, que se adiciona à escassez cada vez maior do trabalhador braçal decorrente da
industrialização.
Resumindo, pode-se entender que a mecanização surgiu em consequência da:
a) escassez e encarecimento da mão de obra causados, sobretudo, pela industrialização; e
b) elevada eficiência mecânica dos equipamentos, traduzindo-se em grande produtividade, o que
significou preços mais baixos se comparados com os obtidos manualmente, especialmente em
razão da redução de mão de obra.
Os equipamentos mecanizados (apesar do alto custo de aquisição) tornaram competitivo o preço
do movimento de terras, em razão de sua alta produtividade.
a) Trabalhos de terraplanagem
Os trabalhos de terraplanagem compreendem:
• escavação;
• carga;
• transporte;
• descarga;
• espalhamento;
• compactação; e
• acabamento.
E são antecedidos pelos serviços preliminares, a saber:
• desmatamento;
• destocamento; e
• limpeza.
I. Características do solo para terraplanagem classificação (TB-3 – ABNT)
1ª categoria: terra, piçarra ou argila, seixos com d < 15 cm; e equipamento (trator com lâmina
ou escreiper).
2ª categoria: rocha com resistência à penetração inferior ao granito, bloco de pedras com
diâmetro inferior a 2 m3 e pedras com diâmetro entre 0,15m e 1,00m; e emprego de escarificador
eventualmente auxiliado por explosivos.
3ª categoria: rocha com resistência à penetração superior ou igual à do granito e blocos de
rocha com volume superior a 2 m3; e emprego contínuo de explosivos.
Com essas definições, é possível resolver a seguinte questão:
1) (CESPE/DPF/Perito/2004) Para fins de movimento de terra, considera-se a terra em
geral e a argila como materiais de primeira categoria.
Solução:
Afirmação correta. Os materiais são classificados em 1ª categoria se forem constituídos
apenas por solos e facilmente escavados manualmente; 2ª categoria se forem constituídos
por uma mistura de solo e rocha e escavados com o auxílio eventual de equipamento
mecânico; 3ª categoria se forem constituídos por rocha sã e só ser possível escavá-los
com o uso de material explosivo.
A tabela a seguir fornece características adicionais e similares às anteriores de cada
categoria de material:
Categoria Características Denominação
Solos de baixa consistência ou compacidade,
1ª Categoria Solo normal
granulares, com diâmetro médio abaixo de 15 cm
Solos de consistência ou compacidade média a
2ª Categoria dura, granulares, com diâmetro médio entre 15 Solo duro, matação, rachão
cm e 100 cm – volume abaixo de 2 m3
Rocha ou material de dureza semelhante a rocha
3ª Categoria são e ainda em blocos com diâmetro médio Rocha
3
acima de 100 cm ou volume superior a 2 m
Turfas e argilas orgânicas – solos em geral com
Solo mole Solo podre
baixa capacidade de suporte.
Classificação dos materiais em categorias para serviços de terraplenagem.
2.1.3 Empolamento
É o aumento de volume de um material quando removido de seu estado natural.
Fator de conversão ou grau de empolamento (e):

Em que:
γs = massa específica do material solto;
γc = massa específica do material no corte.
Como:

Temos:
Em que:
Vc = Volume do material no corte;
Vs = Volume do material solto.
Percentagem de empolamento (f):

Ou:

Material F (%) e
Solo argiloso 40 0,71
Terra comum seca 25 0,80
Terra comum úmida 25 0,80
Solo arenoso seco 12 0,89
Grau de compactabilidade (c):

Como: Vc = e 3 Vs
Vcomp = c 3 e 3 Vs
Em que:
γcomp = massa específica do material compactado
Vcomp = volume do material compactado
II. Especificações do DNIT
a) Serviços Preliminares (DNIT – 104/2009)
São os serviços de preparação das áreas destinadas à implantação do corpo estradal, áreas
de empréstimo e ocorrência de material, pela remoção de material vegetal e outros, tais como:
árvores, arbustos, tocos, raízes, entulho, matacões, além de qualquer outro considerado como
elemento de obstrução.
São eles:
• desmatamento; e
• destocamento e limpeza.
Condições gerais:
• Após cuidadoso exame do projeto de engenharia, definem-se os equipamentos e o pessoal a
serem empregados;
• Verificação e checagem do apoio topográfico (elementos de planimetria e altimetria, assim
como as RNs) ⇒ Cubação futura;
• Locação do eixo da rodovia (estaqueamento a cada 20 m);
• Os equipamentos (preferencialmente tratores de esteiras – TE) devem ser escolhidos de
acordo com a densidade da vegetação e o prazo exigido;
• Atentar para a segurança do equipamento e do operador;
• Atender ao projeto (manejo ambiental) no que diz respeito à destinação dos materiais
removidos;
• Nas áreas destinadas ao corte, 60 cm abaixo do greide projetado têm de ser totalmente
isento de tocos e raízes;
• Nas áreas destinadas a aterros com cota vermelha – diferença entre a cota do terreno e a
cota do projeto lançado. É bom o aluno se familiarizar com esses termos técnicos – inferior a 2,0 m,
a camada superficial do terreno natural contendo raízes e restos vegetais deve ser removida
(destocamento). Para cotas maiores que 2,0 m não há necessidade do destocamento, apenas
desmatamento;
• Quando houver ocorrência de vegetação de porte reduzido ou médio (até 15,0 cm a altura de
1,0 m do solo) faz-se apenas o desmatamento com TE. No caso de vegetação de maior porte, haverá
a necessidade de destocamento;
• Quando o terreno for inclinado, o trator deve trabalhar de cima para baixo;
• No caso de remoção de cercas, deve-se primeiro construir a nova cerca antes de demolir a
antiga;
• Observância rigorosa à legislação ambiental e à segurança do trabalho;
• O controle geométrico deve ser feito com auxílio da topografia, acei-ta-se como tolerância
0,15 m (apenas positivos) para cada lado do eixo;
• A medição é feita em m2 para árvores com diâmetro menor que 15 cm, e em unidades de
árvores para aquelas com diâmetro maior ou igual a 15 cm (a 1,0 m do solo).
b) Caminhos de serviço
São vias implantadas e/ou utilizadas em caráter provisório, para propiciar o deslocamento
de equipamentos e veículos utilizados na obra.
Condições gerais:
• Deve ser previamente informada e autorizada pela fiscalização (em planilha);
• Atentar para a manutenção da via e para a segurança do tráfego (necessidade de
revestimento primário);
• Posteriormente, a via deverá retornar às condições iniciais;
• Preferencialmente uso de TE com lâmina angulável, motoniveladora (MN), carregadeira de
rodas (CR), caminhão-caçamba (CB), carro-tanque de água (CTA) e eventualmente rolo compactador
(KC).
• Deve possuir adequado escoamento das águas pluviais (1% a 2% de caimento transversal);
• Evitar curvas horizontais de pequeno raio (acidentes);
• Preocupação ambiental, horário de trabalho, segurança de moradores;
• Contatos com outros órgãos para evitar as interferências;
• Medição: se estiver dentro do off-set não se faz medição específica para os caminhos de
serviço; se estiver fora da faixa de domínio, faz-se medição específica, inclusive da manutenção e
preservação ambiental.
c) Cortes
São segmentos da rodovia em que a implantação requer a escavação do terreno natural ao
longo do eixo e no interior dos limites das seções do projeto (off-sets).
Definições importantes: corte em meia encosta; corte em seção plena (caixão); corte em
seção mista; plataforma da estrada; talude; ângulo de inclinação; talude escalonado; faixa
terraplanada; bota-fora; corta-rio; caixa de empréstimo (Figura 50).

Figura 50: Corte em meia encosta, em seção plena e em seção mista.

Condições gerais:
• As áreas são precedidas pelos serviços de desmatamento e destocamento;
• Os locais onde serão feitos o “bota-fora” ou as “praças de depósito provisório” deverão
estar preparados e aptos para receber o material;
• O perfil geotécnico do projeto de engenharia definirá as categorias de material existente (1ª,
2ª ou 3ª);
• Cada categoria de solo exigirá os equipamentos adequados para sua natureza;
• Se, ao nível final da plataforma de corte, for verificada a presença de rocha sã ou em
decomposição, o greide deverá ser rebaixado em 40,0 cm e preenchido com material inerte;
• Se for verificada a existência de solo com expansão maior que 2% e baixo CBR, rebaixa-se
o greide em 60,0 cm, preenchendo com material selecionado em projeto (ou revisão);
• Se o material dos últimos 60,0 cm não possuir condições mínimas de compactação,
exigidas em projeto, ele deverá ser escarificado, levado à umidade adequada, homogeneizado e
então compactado à energia especificada em projeto;
• Os taludes deverão possuir as declividades de projeto e estar desempenados pelos próprios
equipamentos de escavação;
• Estimula-se o uso de gabaritos para controle da escavação do talude;
• Não poderá haver blocos de rocha nos taludes que coloquem em risco a segurança futura da
rodovia;
• Nos cortes em rocha, deverão ser tomados os seguintes cuidados:
– horário rígido de detonação;
– não trabalhar à noite;
– proteger pessoal e equipamentos na hora da detonação;
– avisar a comunidade local e manter vigias em pontos críticos;
• Para taludes elevados (> 10,0 m), prever patamares com banquetas de largura mínima de 3,0
m com valetas revestidas e proteção vegetal;
• Dependendo do material, o talude deverá ser compactado e revestido de cobertura vegetal;
• O controle geométrico se dará com o seguinte rigor:
– corte em solo: 1 ou 2 5,0 cm
– corte em rocha: 1 ou 2 10,0 cm
– largura: 20,0 cm para cada semiplataforma (positiva)
• Medição feita pelo volume de material extraído (no corte ou in natura) com base nas RNs
utilizadas no projeto de engenharia, e a distância de transporte percorrida entre o corte e o local de
deposição;
• O método utilizado é o “método das áreas”.
Equipamentos:
• Para cortes em Material 1a Categoria: trator de esteiras (TE), motoscraper (MT),
escavadeira hidráulica (ES) ou carregadeira (CR), caminhão basculante (CB), motoniveladora (MN).
• Para cortes em Material 2a Categoria: trator de esteiras (TE) com escarificador (Figura 51),
motoscraper (MT), escavadeira hidráulica (ES) ou carregadeira (CR), caminhão basculante (CB),
motoniveladora (MN). Alguns Materiais 2ª Categoria necessitam do uso de explosivos leves,
instalados com perfuratirizes.

Figura 51: Escarificador de trator de esteiras.

Cortes em Material 3ª Categoria: compressor de ar (CA), perfuratriz pneumática ou elétrica


(PE), escavadeira hidráulica (ES) ou carregadeira (CR), caminhão basculante (CB) ou fora de
estrada, trator de esteira (TE).
d) Aterros
São segmentos da rodovia cuja execução requer depósito de materiais provenientes de
cortes e/ou empréstimos no interior dos limites das seções de projeto (off-sets) que definem o corpo
estradal.
Definições importantes:
• Corpo de aterro: parte do aterro sobre o terreno natural até 60,0 cm abaixo da cota final de
terraplanagem (greide de terraplanagem);
• Camada final: parte do aterro constituída de material selecionado, com 60,0 cm de
espessura situada sobre o corpo do aterro ou sobre o terreno remanescente de um corte, e cuja
superfície é definida pelo greide de terraplanagem.
Condições gerais:
• As áreas são precedidas pelos serviços de desmatamento, destocamento e remoção de
entulho (tanto as de empréstimo quanto as que receberão material);
• As obras de arte correntes (OAC) deverão estar concluídas;
• Os caminhos de serviço deverão estar concluídos;
• Devem-se checar as marcações do eixo e dos off-sets após o desmatamento e a limpeza, e
refeitos os levantamentos das seções transversais, as quais serão as “seções primitivas” que serão
utilizadas no controle geométrico e na medição dos serviços.
Materiais:
• Serão provenientes de escavações de cortes ou de áreas de empréstimos (selecionados nos
estudos geotécnicos do projeto de engenharia);
• Requisitos técnicos:
• Enquadrarem-se nas classificações de 1ª ou 2ª categorias;
• Isentos de matérias orgânicas (turfas e argilas orgânicas);
• CBR > 2% e expansão < 4%. Se for camada final do aterro a expansão < 2%.
Equipamentos:
TE, grade de discos (GD), trator agrícola (TA), CR, MT, CB, MN, rolo liso-KL (est e vib),
KC (est e vib), rolo de pneus (KP).
Execução:
• A primeira providência executiva do empreiteiro é a marcação dos pontos de off-set dos
aterros;
• Prever caimento lateral, para rápido escoamento de água de chuva;
• Escalonar ou zonear praças de trabalho, onde as três etapas do trabalho de aterro não se
atrapalhem;
• A situação mais sensível à execução de aterro é a ocorrência de uma chuva quando o
material está espalhado e pulverizado, antes da compactação;
• Na possibilidade de chuva, a camada deverá ser “selada”, isto é, ser rapidamente
compactada com rolos lisos ou equipamento de pneus para que seu topo seja adensado e
“impermeabilizado”;

• Se não for selada, a camada encharcada deverá ser totalmente removida para bota-fora antes
do prosseguimento dos serviços.
• Em aterros executados sobre área alagada, antes da execução da primeira camada do aterro
deve ser viabilizada a drenagem da área.
• Não havendo possibilidade de escoamento ou remoção da água existente, a primeira camada
do aterro deve ser executada com material granular permeável (areia, pedregulho ou fragmentos de
rocha), funcionando como dreno que evita a ascensão de água capilar advinda da fundação.
• Em regiões com predominância de areia, havendo conveniência técnica e permissão dos
fiscais, pode-se admitir a execução do aterro com esse material.
• Os tratores com lâmina e motoniveladoras viabilizam o espalhamento satisfatoriamente,
sendo que as motoniveladoras detêm maior produtividade.
Embora seja um serviço difícil, é preciso compactar a superfície da saia de aterro, após o acerto
final. Isso pode ser feito com pequenos rolos compactadores tracionados por guincho acoplado a
tratores.
Todas as camadas do aterro devem ser compactadas à umidade ótima mais ou menos 3%, até obter
massa específica aparente seca máxima de 100%.
• Os trechos que não atingirem as condições mínimas de compactação devem ser
escarificados, homogeneizados, levados à umidade ótima e novamente compactados.
• Deve ser cuidadosamente verificada a inclinação dos taludes.
• No caso de execução de aterros sobre solos moles ou de baixo suporte, estes devem ser
retirados, executando-se nichos de no máximo 5 m (perpendicular ao eixo) x 10 m (ao longo do
eixo).
• Reaterrar os nichos logo após a escavação.
• Devem-se proteger os taludes com drenagem adequada e plantação de gramíneas.
Etapas da execução:
1) Lançamento do material pelo equipamento de transporte.
2) Espalhamento em camadas, com espessura da camada máxima de 30 cm. Para as camadas
finais, 20 cm.
3) Compactação propriamente dita de cada camada.
4) Regularização de projeto.

86) (CESPE/DPF/Perito/2004) Os pavimentos são estruturas sujeitas a solicitações


diversas, que devem ser dimensionadas e executadas de forma apropriada para garantir
sua vida útil e condições satisfatórias de operação. Com relação a esse assunto, julgue o
item subsequente:
No projeto executivo de terraplenagem de rodovias, a folha de cálculo de volumes deve
ser elaborada com base nas seções transversais individuais, considerando, entre outros
aspectos, as áreas das seções transversais de cortes, os aterros e as substituições de
materiais e o fator de empolamento considerado.
Solução
Correto, pois existem diversos métodos para a obtenção do cálculo de volumes de
terraplenagem:
– método do prismoide (ou de Winkler), mais exato porém menos utilizado, devido a sua
dificuldade de utilização;
– método da área média, obtido da média entre duas áreas multiplicada pela distância
entre elas; e
– método da média das áreas, o mais utilizado, pelo qual se determinam as áreas de
duas seções transversais consecutivas e se multiplica o resultado pela semidistância entre
elas mesmas, no caso a metade da distância entre estacas, ou seja, 10 m.
Comparando os três métodos de cálculo, o volume obtido pelo método da média das
áreas é o que apresenta o maior volume, seguido, respectivamente, pelo método do
prismoide e pelo método da área média.
Empolamento representa o aumento de volume após o solo ser escavado, atingindo um
volume solto Vs maior que o natural (no corte) Vn. É dado pela fórmula:

A mesma massa de solo apresentará, após compactada, um volume compactado Vc


menor que Vn. A essa redução atribui-se o fator de compactabilidade.
Em média, o volume solto é 25% maior que o volume no terreno natural, e o volume
compactado é 15% menor. A massa específica aparente seca natural (gn) será, portanto,
maior que a massa específica aparente seca solta (gs) e menor que a massa específica
aparente seca compactada (gc).
Procura-se, sempre que possível, equilibrar os volumes de cortes e aterros, a fim de
minimizar as distâncias de transporte de material, item cobrado em planilha de orçamento.
A Tabela 6 dá uma ideia da densidade, do fator de conversão e do empolamento de
alguns materiais típicos.
Tabela 6: Densidades típicas de alguns materiais.
87) A umidade de equilíbrio do subleito de uma rodovia é o valor máximo do teor de
umidade do solo de subleito atingido após a ocorrência de chuva com tempo de
recorrência não inferior a 50 anos.
Solução
Afirmativa errada. Umidade de equilíbrio é aquela que determinada camada do pavimento
atinge após a execução da obra, durante sua vida de trabalho.
121. (CESPE/TCU/ACE/2007) Os projetos de obras rodoviárias envolvem duas atividades
principais: a terraplenagem e a pavimentação, que demandam insumos, projetos e critérios
específicos. A respeito dessas atividades, julgue o item a seguir.
A execução de um revestimento betuminoso por penetração invertida, por meio da
aplicação de apenas uma camada desse material, seguida do espalhamento e da
compressão de uma camada de agregados, permite modificar-se a textura de um
pavimento existente.
Solução
Afirmativa correta. O texto refere-se ao tratamento superficial simples, modalidade de
revestimento asfáltico composto de uma camada de ligante asfáltico (emulsão) e uma
camada de brita, nessa ordem (portanto dito “invertido”, pois o normal seria dar um banho
de ligante na brita já espalhada no pavimento, denominado “tratamento superficial direto”).
122. (CESPE/TCU/ACE/2007) A pavimentação com revestimento de concreto de cimento,
ou simplesmente concreto, deve ser feita sobre uma base, para que esta possa transmitir
as cargas de forma conveniente ao subleito.
Solução
Afirmativa errada. No pavimento rígido a placa de concreto figura como base e como
camada de rolamento simultaneamente.
123. (CESPE/TCU/ACE/2007) Ao se executar a terraplenagem de um trecho de rodovia, o
volume de corte de terra deve, necessariamente, ser transportado para os aterros no
próprio trecho; apenas o volume não utilizado nos aterros deverá ser transportado para
local conveniente, fora da estrada.
Solução
Afirmativa errada. Os materiais de qualidade ruim, identificados nos estudos geotécnicos
em fase de projeto, também devem ser destinados a um “bota-fora”.
Empréstimos
Materiais
• Selecionados dentre os de 1ª e 2ª categorias
Execução
• Sempre que possível, serão executados contiguamente ao corpo estradal, como alargamento de
cortes.
• Os alargamentos deverão, em princípio, atingir a cota do greide, não sendo permitida, em
qualquer fase da execução, a condução de águas pluviais para a plataforma.
• Nos trechos em curva, sempre que possível, os empréstimos situar-se-ão no lado interno desta.
• Quando executados ao lado de aterros, o bordo interno da caixa de empréstimo deverá localizar-
se à distância mínima de 5 m do pé do aterro.
• Entre o bordo externo da caixa de empréstimo e o limite da faixa de domínio deverá ser mantida
uma faixa de 2 m de largura, em terreno natural. No caso de alargamento de corte, essa faixa terá
largura mínima de 3 m, para implantação da valeta de proteção.
• O acabamento dos bordos deverá ser executado sob taludes estáveis.
Medição
• O volume extraído será o medido no empréstimo.
• Para a determinação do volume será aplicado o método da “rede de malhas cotadas” ou o da
“média das áreas”.
• A distância de transporte será obtida do mesmo modo descrito nos cortes.
Pagamento
• Os serviços serão pagos pelos preços unitários contratuais.
• Os preços de escavação incluem os encargos de manutenção dos caminhos de serviço,
conformação de taludes e sarjetas.
Aterros
Generalidades
As operações de aterros compreendem:
• descarga, espalhamento, umedecimento ou aeração e compactação para:
• construção do corpo de aterro até 0,60 m abaixo do greide;
• construção da camada final até a cota do greide de terraplenagem;
• substituição de materiais de qualidade inferior, previamente retirados, a fim de melhorar as
fundações dos aterros.
Materiais
• 1ª, 2ª e, eventualmente, 3ª categoria, selecionados em projeto. Sua substituição só é possível com
aprovação da fiscalização.
• Os solos para aterros deverão ser isentos de matéria orgânica, micáceas,​ diatomáceas, bem como
de turfas e argilas orgânicas.
• No corpo do aterro não será permitido o uso de materiais de baixa capacidade de suporte e
expansão superior a 4%.
• A camada final dos aterros (0,60 m) será executada com solos selecionados e de expansão
inferior a 2%.
Equipamentos
• Tratores de lâmina
• Escavo-transportadores
• Moto-escavo-transportadores
• Caminhões basculantes
• Motoniveladoras
• Rolos lisos
• Rolos de pneus
• Rolos pé de carneiro
• Etc.
Execução
• Em princípio, a execução de aterros seguirá as especificações do pro​jeto.
• Antes da execução, deverão estar concluídas as obras de arte correntes necessárias à
drenagem da bacia hidrográfica interceptada.
• Em aterros assentes sobre encostas com inclinação transversal acen​tuada, essas encostas
deverão ser escarificadas, podendo a fiscalização exigir a execução de degraus.
• A espessura das camadas compactadas no corpo de aterro não deverá ultrapassar 0,30 m
(depois de compactada).
• A espessura das camadas compactadas nos últimos 0,60 m do aterro não deverá ultrapassar
0,20 m (depois de compactada).
• A compactação das camadas do corpo de aterro deverá ser feita na umidade ótima mais ou
menos 3%, até obter a massa específica aparente seca correspondente a 95% da massa específica
aparente máxima seca, obtida no ensaio de compactação.
• Para as camadas finais, a massa específica aparente seca deverá corresponder a 100% da
massa específica aparente máxima seca do ensaio de compactação, e a umidade ótima, mais ou
menos 3%.
• No caso de alargamento de aterros, sua execução será de baixo para cima, acompanhada de
degraus nos taludes. Desde que justificado em projeto, poderá a execução ser feita por arrasamento
parcial do aterro existente, até que o material escavado preencha a nova seção transversal,
completando-se depois com material importado.
• No caso de aterros em meia encosta, o terreno natural será escavado em degraus.
• Para a construção de aterros assentes sobre terreno de fundação de baixa capacidade de
carga, o projeto deverá prever a solução a ser adotada. No caso de consolidação por adensamento da
camada mole, será exigido o controle por medição de recalques e, quando prevista, a observação da
variação das pressões neutras.
• Os aterros-barragens terão seu projeto e construção fundamentados nas considerações de
problemas referentes à compactação de solos, estabilidade do terreno de fundação, estabilidade dos
taludes e percolação da água nos meios permeáveis.
• Na execução de aterros com material rochoso, as camadas até 2 m abaixo do greide terão
espessura máxima de 0,75 m. Os últimos 2 m serão executados com camadas de, no máximo, 0,30 m
de espessura. O diâmetro máximo do material não deve exceder a 2/3 da espessura da camada. O
material deverá ser compactado com rolos vibratórios. Deverão ser evitados grandes vazios e
engaiolamentos.
• Em aterros executados com areia deverão ser feitas leivas de contenção sobre material
terroso e a compactação das camadas de material terroso subsequente ao aterro em areia.
• É sempre aconselhável que, na construção de um aterro, seja lançada uma primeira camada
de material granular permeável, de espessura prevista em projeto, a qual atuará como dreno para as
águas de infiltração no aterro.
• Nos taludes dos aterros serão executadas as obras de drenagem, plantação de gramíneas,
pintura betuminosa e/ou patamares para diminuir o efeito das águas.
• Havendo possibilidade de solapamento da saia do aterro, será executado enrocamento no pé
deste.
• Nos locais de pontes ou viadutos a construção dos aterros preferencialmente deve anteceder
à das obras de arte. Quando isso não for possível, cuidados especiais deverão ser tomados na
execução dos aterros para evitar tensões indevidas nas obras de arte.
• O enchimento de cavas de fundações nos aterros próximos a encontros de pontes e o
enchimento das trincheiras dos bueiros serão compactados com soquetes manuais ou sapos
mecânicos.
Observação acerca do uso de rolos compactadores – zona de aplicação
A Figura 52 mostra a zona ótima de aplicação de cada um dos tipos de rolos compactadores de
acordo com o tipo de material a ser compactado.

Figura 52: Zona de aplicação de rolos compactadores.

Controles
Tecnológicos
• Um ensaio de compactação para cada 1.000 m3 do mesmo material empregado no corpo do
aterro.
• Um ensaio de compactação para cada 200 m3 de um mesmo material da camada final do
aterro.
• Um ensaio para determinação da massa específica aparente seca, in situ, para cada 1.200 m3
de material compactado no corpo de aterro e, no mínimo, 5 determinações, por camada, por dia.
• Um ensaio para determinação da massa específica aparente, seca, in situ, para cada 1.800
3
m da camada final do aterro, alternadamente no eixo e bordos.
• Um ensaio de granulometria, do limite de liquidez e do limite de plasticidade, para todo o
grupo de 10 amostras submetidas ao ensaio de compactação do corpo do aterro.
• Um ensaio de granulometria, do limite de liquidez e do limite de plasticidade para todo o
grupo de 4 amostras submetidas ao ensaio de compactação das camadas finais.
• Um ensaio do índice de suporte califórnia, para cada grupo de 4 amostras submetidas ao
ensaio de compactação das camadas finais.
Geométricos
• Variação da altura ± 0,04 m para o eixo e bordos.
• Variação da largura + 0,30 m.
Medição
• O volume transportado é o mesmo medido nos cortes e empréstimos.
• Para efeito de compactação, será considerado o volume de aterro determinado de acordo
com a seção transversal do projeto.
Pagamento
• Os serviços serão pagos pelos preços unitários do contrato.
• O assunto tratado anteriormente nos leva à resolução da seguinte questão:
36. (CESPE/DPF/Perito/2002) Na figura abaixo, é apresentada a seção transversal da
construção de uma barragem de enrocamento com núcleo de argila. A camada sob o solo
arenoso subjacente à barragem é uma rocha de boa qualidade, podendo ser considerada
impermeável do ponto de vista prático.

Julgue os seguintes itens, relativos às técnicas de terraplanagem e de controle de


execução aplicáveis à obra mencionada no texto acima.
O material na região B deve ser compactado com rolo liso vibratório e elevada umidade,
para obter uma melhor qualidade de compactação.
Solução
Afirmativa errada, pois, em se tratando de material argiloso, a zona de aplicação de rolos
mostrada anteriormente nos diz que o melhor equipamento para compactação do núcleo dessa
barragem (argiloso) seria um rolo corrugado, ou pé-de-carneiro estático, e na umidade ótima prevista
no ensaio de compactação desse material. Isso porque, para esse material, o amassamento é o melhor
método de compactação.
(CESPE/DPF/Perito/2002) O motoscraper seria um dos equipamentos indicados para a
escavação e o transporte de material para a construção de parte da barragem.
Solução
A afirmativa está correta.
Motoscrapers são equipamentos classificados como moto-escavo-transportadores, pelo
fato de efetuarem as três atividades sozinhos. Ou seja, eles escavam, carregam,
transportam e espalham o material a ser em seguida conformado e compactado.
Em geral, construções de barragens aproveitam material cujas fontes estão próximas,
realizando equilíbrio de volumes de terraplenagem em regiões vizinhas.
Essa característica torna o motoscraper mais econômico, além da versatilidade já
comentada. Alguns autores afirmam, ainda, que para uma DMT (distância média de
transporte) de até 1.500 m os motoscrapers são economicamente viáveis.
4. (CESPE/DPF/Perito/2002) Em obras semelhantes à descrita no texto, desmontes de
rocha são comuns para a obtenção de elementos de rocha para a construção. Nesse caso,
os elementos e informações necessários para um desmonte controlado de um maciço
rochoso fazem parte do plano de fogo do desmonte.
Solução
A afirmativa está correta. Para a execução de uma barragem de enrocamento, há
necessidade de elevado consumo de material britado.
No caso descrito, o material britado poderá vir do próprio leito rochoso, que foi dito ser
de boa qualidade.
Ocorre que um desmonte de rocha, caso não fosse muito bem controlado, poderia criar
fissuras e fendas nesse material rochoso de boa qualidade, comprometendo a
estanqueidade da barragem.
5. (CESPE/DPF/Perito/2002) Caminhões fora-de-estrada não são indicados para a
execução de obras como a da barragem considerada, pois as vibrações que eles
provocam no terreno podem desestabilizar a barragem.
Solução
A afirmativa está errada, pois caminhões fora-de-estrada possuem elevada produtividade
em obras de terraplanagem com material de 3ª categoria, especialmente quando as
condições de rolagem assim o permitirem.

2.2 Projeto geométrico


Segundo o DNIT (2006), o projeto geométrico será elaborado ao longo de duas fases:
a) fase de projeto básico
b) fase de projeto executivo
a) Elaboração do projeto
I) Fase de projeto básico
As características geométricas mínimas do projeto geométrico serão norteadas pelos estudos
de tráfego.
O desenvolvimento das linhas do projeto geométrico obedecerá também às recomendações
dos estudos geológicos e geotécnicos, procurando minimizar os problemas construtivos.
O projeto geométrico deve ser elaborado detalhadamente, de maneira a apresentar condições
de ser locado na fase de projeto.
Do projeto geométrico, na fase de projeto básico, devem constar:
a) Quadro de características técnicas e operacionais.
b) Projeto em planta, na escala de 1:2000:
– composição das curvas horizontais
– elementos cadastrais
– interseções
– pontes e viadutos
– bueiros
c) Projeto em perfil, nas escalas de 1:2.000 (H) e 1:200 (V):
– composição das curvas verticais
– rampas
– pontes e viadutos
– bueiros
d) Seções transversais típicas da plataforma.
II) Fase de projeto executivo
Esse projeto deverá constituir-se de:
a) Projeto planialtimétrico, nas escalas de 1:2.000 (H) e 1:200 (V).
b) Determinação das seções transversais do projeto, nas escalas de 1:200 ou 1:100.
c) Detalhamento dos elementos especiais do projeto como:
– retornos e acessos em nível;
– terceiras faixas de tráfego;
– tapers.
Projeto planialtimétrico
a) Em planta:
– Eixo estaqueado de 20 m em 20 m, assinalando as estacas correspondentes aos quilômetros
inteiros, bem como as estacas correspondentes às centenas de metros.
– Indicar os rumos dos alinhamentos e as curvas numeradas, constando seus elementos de
tabelas laterais.
– Os pontos de segurança da linha serão todos amarrados, organizando-se para eles croquis
laterais; o mesmo ocorre com as referências de nível, que terão suas localizações e cotas assinaladas
no projeto.
– Representar os bordos da plataforma e as projeções dos off-sets hachuriados em convenções,
diferenciando cortes e aterros.
– No caso da existência de 3ª faixa, esta deverá ter sua indicação na planta. Serão representadas
as linhas de transmissão no interior da faixa de domínio, com indicação da procedência e número das
posteações.
– Representar as pontes, pontilhões com os nomes dos rios, acessos, interseções, passarelas e
instalações para operação de rodovias existentes e a construir, com os nome das localidades,
indicando o número do volume e folhas que contêm os projetos específicos; os bueiros serão
indicados em convenções-tipo (linhas tracejadas), com a extensão total no pé do aterro e sua
esconsidade. Outros dispositivos (valetas de proteção, corta-rios, caixas de empréstimo) serão
representados, indicando onde se encontram e seus detalhes construtivos.
– Indicar o zoneamento paisagístico, assinalando as áreas de repouso, recreação, estacionamento
e arborização (os detalhes serão apresentados em capítulo próprio). O mesmo tratamento será dado
aos postos de policiamento rodoviário e às balanças.
– A faixa de domínio será representada em todas as pranchas, indicando os limites e suas
ordenadas em relação ao eixo. A altimetria da área compreendida pela faixa de domínio será
mostrada por curvas de nível, as quais, nos terrenos planos ou pouco ondulados, terão intervalos de 1
m ou menos, de modo a não deixar espaço maior que 2,5 cm, sem visualização no desenho original,
no tamanho A1; nas regiões onduladas, fortemente onduladas e montanhosas serão indicadas curvas
de nível de 5 m em 5 m.
b) Em perfil:
– Indicar a linha de terreno e do projeto, representando este a superfície do greide da
pavimentação no eixo da plataforma.
– As estacas serão numeradas para cada 1 m e indicadas as porcentagens e comprimentos das
rampas, o comprimento das projeções horizontais das curvas de concordância vertical (Y), o
comprimento da flecha “e” das curvas verticais, quilômetros e cotas do ponto de inflexão vertical
(PIV), ponto de curva vertical (PCV) e ponto de tangência vertical (PTV) de cada curva vertical. As
obras de arte especiais e os bueiros serão representados por convenções-tipo, indicando para estes
últimos o seu tipo e seção e os dispositivos de drenagem por linhas em convenção. Será representado
o perfil geotécnico com a classificação dos solos.
– No perfil serão, também, destacadas as extensões com soluções particulares (divergindo da
seção transversal-tipo) para alargamento de cortes, escalonamento ou mudança de inclinação dos
taludes.
Seções transversais típicas da plataforma
a) Serão levantadas e desenhadas as seções transversais-tipo da plataforma (Figura 53), faixa de
domínio, pontes e túneis nas diversas características previstas para a rodovia em tangente e em
curva, mostrando o critério de distribuição da superlargura e da superelevação ao longo das
concordâncias das curvas horizontais.
b) Serão levantadas e desenhadas as seções transversais, indicando o terreno natural, a plataforma,
as posições dos off-sets e taludes.
c) Marcação da faixa de domínio assimetricamente em relação ao eixo e em função da linha de off-
sets considerando a eventual construção de outras pistas.

Figura 53: Exemplos de seções tranversais-tipo: (a) em tangente e (b) em curva.

2.3 Ensaios geotécnicos principais


Quanto a ensaios para estudos geotécnicos, estes se dividem em:
• estudos do subleito
• estudos de ocorrências de materiais para pavimentação
O estudo do subleito de estradas de rodagem com terraplenagem concluída tem por objetivo o
reconhecimento dos solos, visando à caracterização das diversas camadas e ao posterior traçado dos
perfis dos solos para efeito do projeto de pavimento.
O estudo de ocorrências de materiais para pavimentação visa ao reconhecimento e à
caracterização dos materiais de jazidas como fonte de matéria-prima para a utilização na construção
das diversas camadas de reforço do subleito, sub-base, base e revestimento, de acordo com o projeto
do pavimento.
Para efeito dos estudos geotécnicos, são adotadas as seguintes definições:
a) prospecção e classificação expedita no campo: é a que resulta das sondagens e da observação dos
materiais quanto à cor, textura e consistência;
b) camadas de solos: são massas de solos contínuas e consideradas homogêneas​ sob o ponto de vista
da classificação;
c) perfil de solos: é o desenho, em escala conveniente, de um corte do subleito ou de uma seção de
uma jazida até a profundidade sondada, desenho esse que deverá ser feito de acordo com a
classificação de laboratório.
Na execução dos estudos geotécnicos para o projeto de pavimentação são feitos os seguintes
ensaios:
a) granulometria por peneiramento, com lavagem do material na peneira de 2 mm (n. 10) e de 0,075
mm (n. 200);
b) limite de liquidez;
c) limite de plasticidade;
d) limite de contração em casos especiais de materiais do subleito;
e) compactação;
f) massa específica aparente in situ;
g) Índice Suporte Califórnia (ISC);
h) expansibilidade no caso de solos lateríticos.
O reconhecimento do solo de subleito é feito em duas fases:
1ª) Sondagem no eixo e nos bordos da plataforma da rodovia para identificação dos diversos
horizontes de solos (camadas), por intermédio de inspeção expedita do campo de coleta de
amostras;
2ª) Realização dos ensaios já citados nas amostras das diversas camadas de solo para, posterior
traçado dos perfis de solos.
Para a identificação das diversas camadas de solo, pela inspeção expedita no campo, são feitas
sondagens no eixo e nos bordos da estrada, devendo estas, de preferência, ser executadas a 3,50 m
do eixo. Os furos de sondagem são realizados com trado ou pá e picareta.
O espaçamento máximo entre dois furos de sondagem no sentido longitudinal é de 100 m a 200 m,
tanto em corte como em aterro, devendo reduzir-se no caso de grande variação de tipos de solo. Nos
pontos de passagem de corte para aterro devem ser realizados também furos de sondagem.
A profundidade dos furos de sondagem será, de modo geral, de 0,60 m a 1 m abaixo do greide
projetado para a regularização do subleito. Furos adicionais de sondagem com profundidade de até
1,50 m abaixo do greide projetado para regularização poderão ser realizados próximos ao pé de
talude de corte, para verificação do nível do lençol de água e da profundidade de camadas rochosas.
Em cada furo de sondagem devem ser anotadas as profundidades inicial e final de cada camada, a
presença e a cota do lençol de água, material com excesso de umidade, ocorrência de mica e matéria
orgânica.
A prospecção definitiva das ocorrências de materiais compreende:
a) sondagens e coleta de amostras;
b) ensaios de laboratório;
c) avaliação de volume das ocorrências.
As informações acima são suficientes para a resolução da seguinte questão:

103. (CESPE/TCU/AFCE/2011) Com respeito aos estudos de subleitos de rodovias — na


fase preliminar de estudos geotécnicos — efetuados ao longo do eixo do traçado
selecionado e com base no projeto geométrico (básico), as sondagens no corpo estradal
devem ser executadas de tal maneira que se tenha, pelo menos, uma sondagem
representativa em cada corte, atingindo a profundidade de 1,0 m abaixo do greide do
projeto geométrico. As amostras coletadas em cada furo, nos diversos horizontes de
material, devem ser objeto de ensaios de caracterização (limites físicos e granulometria),
de compactação e de ISC.
Solução
Com base nas informações anteriores, a afirmativa está correta.
Uma vez verificada a possibilidade de aproveitamento técnico-econômico de uma
ocorrência, com base nos ensaios de laboratório realizados nas amostras coletadas nos
furos feitos de acordo com a prospecção preliminar, será, então, realizado o estudo
definitivo desta e sua cubagem. Para tanto, lança-se um reticulado com malha de 30 m ou
mais de lado, dentro dos limites da ocorrência selecionada, onde serão feitos os furos de
sondagem.
Em cada furo da malha ou no seu interior, para cada camada de material, será feito um
ensaio de granulometria por peneiramento, de limite de liquidez, de limite de plasticidade e
de equivalente de areia (quando for indicado).
No caso de existirem camadas com mais de 1 m de espessura, devem-se executar os
ensaios acima citados para cada metro de profundidade dessa camada. Para
determinação do Índice Suporte Califórnia (lSC) a mesma orientação deverá ser seguida,
ensaiando materiais de furos mais espaçados, se for o caso.
O ensaio de Índice Suporte Califórnia para ocorrência de solos e materiais granulares é
feito utilizando-se os corpos-de-prova obtidos no ensaio de compactação, ou os três que
mais se aproximem do ponto de massa específica aparente máxima, de acordo com o
método padronizado do DNER.
Quando solicitado, são realizados também ensaios de determinação de massa
específica aparente in situ do material in natura.
As quantidades mínimas de materiais de ocorrência a serem reconhecidas, para cada
quilômetro de pavimento de estrada, são aproximadamente as seguintes:
• Regularização e reforço do subleito ..................................... 2.500 m3
• Sub-base ............................................................................................................
2.000 m3
• Base ........................................................................................................................
2.000 m3
• Areia ......................................................................................................................
300 m3
• Revestimento (pedreiras) .............................................................. 500 m3
Com base no que foi mostrado anteriormente, verifique a solução da seguinte questão:
101. (CESPE/TCU/AFCE/2011) Julgue os itens seguintes, acerca de estudos geotécnicos.
Os ensaios de limite de liquidez, índice de plasticidade, umidade ótima, massa específica
aparente seca máxima, ISC, expansão e umidade natural são necessários para os estudos
de cortes e de subleitos de rodovias.
Solução
Questão anulada. A questão está mal formulada, pois elenca uma série de ensaios rodoviários mas
não coloca outros de igual importância, como os de caracterização (granulometria). Além disso,
classifica-os como “necessários”, deixando o caráter de obrigatoriedade a cargo do aluno. Afinal,
“necessário” é obrigatório ou não?
102. (CESPE/TCU/AFCE/2011) Se, na fase de projeto executivo, o estudo de ocorrência
de materiais para pavimentação apontar para a presença de materiais pétreos (pedreiras),
será recomendável a execução dos ensaios de abrasão Los Angeles, de adesividade, de
durabilidade, de lâmina e de difração de raios X para rochas basálticas e de índice de
forma.
Solução
Questão anulada. Como a anterior, este tipo de questão foi mal formulada, pois elenca
uma série de ensaios rodoviários, mas não coloca outros de igual importância.

2.4 Pavimentação. Projeto, tipos, aplicação e principais


elementos
a) Seção transversal do pavimento (DNIT, 2006)
A definição dos diversos constituintes do pavimento, em seção transversal, é a que segue (Figura
54):
a.1) Pavimento – é a estrutura construída após a terraplenagem e destinada, econômica e
simultaneamente em seu conjunto, a:
• resistir a distribuir ao subleito os esforços verticais oriundos do tráfego;
• melhorar as condições de rolamento quanto à comodidade e ao conforto;
• resistir aos esforços horizontais (desgaste), tornando mais durável a superfície de
rolamento.
a.2) Subleito – é o terreno de fundação do pavimento.
a.3) Leito – é a superfície obtida pela terraplenagem ou obra de arte e conformada ao seu
greide e aos perfis transversais;
a.4) Greide do leito – é o perfil do eixo longitudinal do leito.
a.5) Regularização – é a camada posta sobre o leito, destinada a conformá-lo transversal e
longitudinalmente às especificações; a regularização não constitui propriamente uma camada de
pavimento, sendo, a rigor, uma operação que pode ser reduzida em corte do leito implantado ou em
sobreposição a este, de camada com espessura variável.
a.6) Reforço do subleito – é uma camada de espessura constante, posta por circunstâncias
técnico-econômicas, acima da de regularização, com características geotécnicas inferiores ao
material usado na camada que lhe for superior, porém melhores que o material do subleito.
a.7) Sub-base – é a camada complementar à base, quando, por circunstâncias técnico-
econômicas, não for aconselhável construir a base diretamente sobre regularização.
a.8) Base – é a camada destinada a resistir e distribuir os esforços oriundos do tráfego e
sobre a qual se constrói o revestimento.
a.9) Revestimento – é a camada, tanto quanto possível impermeável, que recebe diretamente a
ação do rolamento dos veículos e destinada a melhorá-la, quanto à comodidade e segurança, e a
resistir ao desgaste.

Figura 54: Esquema de seção transversal do pavimento.

Com base no exposto acima, resolva a seguinte questão:


89. (CESPE/DPF/Perito/2004) Julgue o item seguinte, relativo a pavimentação:
Destinada a resistir aos esforços verticais oriundos dos veículos e a distribuí-los, a base
é uma camada sobre a qual se constrói um revestimento.
Solução
Afirmativa correta. As camadas de um pavimento são (de baixo para cima): subleito,
reforço do subleito (se este for necessário), sub-base, base e revestimento. O
revestimento é a camada de rolamento que oferece conforto e segurança ao usuário. A
camada de base serve para receber os esforços (tensões) provenientes do tráfego,
reduzindo-as para as camadas subjacentes, das quais o subleito é a mais sensível.
b) Tipos de pavimentos
Os pavimentos podem ser divididos, basicamente, em dois grupos: flexível e rígido.
Os pavimentos flexíveis são os revestidos de materiais betuminosos ou asfálticos. Estes podem ser
aplicados como tratamentos da superfície do pavimento, tais como tratamentos superficiais duplos ou
triplos (TSD ou TST), utilizados geralmente em estradas de volume mais baixo, ou camada(s) de
misturas asfálticas, geralmente concretos betuminosos usinados a quente (CBUQ), em vias de volume
mais elevado.
Esses tipos de pavimento são chamados “flexíveis”, uma vez que a estrutura do pavimento “flete”
devido às cargas do tráfego. Uma estrutura de pavimento flexível é composta geralmente de diversas
camadas de materiais, que podem acomodar essa flexão da estrutura.
Por outro lado, os pavimentos rígidos são compostos de um revestimento constituído por placas de
concreto de cimento Portland (CCP). Tais pavimentos são substancialmente “mais rígidos” que os
pavimentos flexíveis, devido ao elevado módulo de elasticidade do CCP.
Eventualmente, esses pavimentos podem ser reforçados por telas ou barras de aço, utilizadas em
geral para aumentar o espaçamento entre as juntas ou para promover reforço estrutural.
Cada um desses tipos de pavimento distribui a carga para o subleito de uma forma diferente. O
pavimento rígido, devido ao elevado módulo de elasticidade do CCP, tende a distribuir a carga sobre
uma área relativamente maior do subleito (Figura 55). A própria placa de concreto fornece a maior
parte da capacidade estrutural de pavimento rígido.

Figura 55: Distribuição de cargas nos pavimentos rígido e flexível (UFPR, 2010).

Utilize os conhecimentos obtidos até aqui para resolver a seguinte questão:


88. (CESPE/DPF/Perito/2004) A sequência típica de camadas constituintes de um
pavimento rodoviário flexível, partindo-se da superfície do pavimento para baixo, é:
revestimento, sub-base, base, reforço de subleito e subleito.
Solução
Errado. Uma estrutura típica de pavimento é representada pela figura abaixo.
Eventualmente, dependendo das condições dos materiais existentes e/ou do tráfego, ou, ainda, do
tipo de pavimento (rígido ou flexível), uma ou outra camada pode não ser necessária. Por exemplo,
no caso de subleito que atenda às exigências de CBR > 2% e expansão < 2%, não há necessidade da
camada de reforço do subleito. Para o caso de pavimento rígido, a placa de concreto de cimento
funciona como camada de revestimento e de base simultaneamente, sendo seguida de uma sub-base
(quando for necessária) e subleito.
Cada camada possui uma exigência técnica diferente e mais rigorosa, expressa em normas técnicas,
à medida que se encontre mais acima na estrutura do pavimento. A saber:
• O subleito e as diferentes camadas do pavimento devem possuir GC = 100% do especificado.
• Para os solos granulares de granulação grossa, deverá ser empregada a energia modificada.
• Com relação ao CBR:
• subleito: CBR > 2% e expansão ≤ 2%;
• reforço de subleito: CBR³ CBRSL; e expansão ≤ 1% (com sobrecarga de 10 lb = 4,5 kg)
• sub-base: CBR > 20, IG = 0 e expansão ≤ 1% (com sobrecarga de 10lb);
• base: CBR > 80% e expansão < 0,5% (com sobrecarga de 10lb), LL ≤ 25% e IP ≤ 6%;
• A fração que passa na peneira n. 200 deve ser inferior a 2/3 da fração que passa na peneira n. 40.
• A fração graúda deve apresentar um desgaste Los Angeles igual ou inferior a 50. Havendo
experiência no uso do material, pode-se aceitar um desgaste maior.
A sobrecarga mencionada acima serve para simular, no ensaio, o peso das camadas que esse
material suportará quando em trabalho no pavi​mento.
Outra questão clássica:
1. (CESPE/DPF/Perito/2002) Julgue o item subsequente, relativo a pavimentação.
Sub-base é a denominação dada ao terreno de fundação de um pavimento ou
revestimento.
Solução
A afirmativa é falsa. Terreno de fundação é o subleito.
2. (CESPE/DPF/Perito/2002) Base de um pavimento, sobre a qual se constrói um
revestimento, é a camada destinada a resistir aos esforços verticais oriundos dos veículos,
distribuindo tais esforços sobre o terreno.
Solução
Afirmativacorreta. A rigor, na verdade, essa definição vale para o pavimento todo como
estrutura e não só para a camada de base, mas se aceita dessa forma também.
3. (CESPE/DPF/Perito/2002) O revestimento tradicional é a camada, o mais impermeável
possível, que recebe diretamente a ação do rolamento dos veículos.
Solução
Afirmativa correta. O revestimento não possui função estrutural. Sua missão dentro do
pavimento é oferecer conforto e segurança ao rolamento.
4. (CESPE/DPF/Perito/2002) Subleito é a camada corretiva da sub-base, ou
complementar à base, que é utilizada quando, por qualquer circunstância, não é
aconselhável construir o pavimento diretamente sobre a base.
Solução
Afirmativa errada. Subleito é o material de fundação do pavimento. O revestimento
sempre é construído sobre a base.
ATENÇÃO! Frequentemente as bancas de concursos procuram confundir o candidato
empregando “pavimento” como “revestimento”. “Pavimento” é a estrutura toda, e
“revestimento” é uma das camadas, a primeira, dessa estrutura.
c) Pavimento rígido
Pavimentos de concreto são aqueles cuja camada de rolamento é feita com placas de concreto de
cimento pré-moldadas ou moldadas in loco.
Podem ser de diversos tipos:
• Pavimento de concreto simples (PCS): feito em concreto de alta resistência, sem armaduras
e com juntas serradas de contração pouco espaçadas.
• Pavimento de concreto armado (PCA): possui armadura no banzo inferior que resiste a
esforços de tração e as juntas serradas são mais espaçadas.
• Pavimento de concreto com armadura contínua (PCAC): a armadura contínua é colocada
logo acima da linha neutra e serve para as faces fissuradas fortemente unidas.
• Pavimento de concreto protendido (PCPRO): tipo de pavimento que permite placas de
grandes dimensões e com menores espessuras.
• Pavimento de concreto pré-moldado (PCPM): é moldado sob medida, com elevado controle
de precisão e de qualidade, e serve para rápida substituição de placas deterioradas.
• Whitetopping (WT): placas de concreto sobrepostas a pavimentos asfálticos deteriorados.
• Whitetopping ultradelgado (WTUD): camada delgada de concreto, de elevada resistência,
lançada sobre antiga camada asfáltica fresada. As juntas de contração são serradas com
espaçamentos pequenos.
Com base no exposto acima, podemos resolver as seguintes questões:
5. (CESPE/DPF/Perito/2002) Pavimentos rígidos são constituídos de placas de concreto
assentes sobre solo de fundação ou sub-base intermediária.
Solução
Afirmativa correta. Essa é a definição de pavimento rígido. A sub-base é utilizada em
casos em que o subleito não oferece características mecânicas adequadas. Esta
frequentemente é constituída de CCR (concreto compactado a rolo), um concreto com
menor consumo de cimento, de aparência seca, tipo “farofa”.
92. (CESPE/DPF/Perito/2004) Classificam-se como pavimentos rígidos aqueles
construídos com camadas de solo e sobre subleitos que apresentam valores de Índice de
Suporte Califórnia superiores a 90%.
Solução
Afirmativa errada. O pavimento também pode ser classificado como semirrígido, quando
possui sua camada de base cimentada com o uso de aditivos químicos, em geral o cimento
e a cal. Ex.: solo-cimento, solo-cal etc.
Em relação aos materiais classificados como solo-cimento, os solos precisam ter 100% passando
na peneira 4,8 mm, ou seja, não pode se falar em solo-cimento para solos granu​lares.
A percentagem de cimento em peso também aumenta com a percentagem de partí​culas mais finas,
pois é proporcional à área específica do solo.
Existem os solos “melhorados com cimento”, situação em que se usa o aditivo apenas para corrigir
pequenas características negativas do material, tais como plasticidade acentuada, expansão etc. Para
os solos “melhorados com cimento”, os percentuais utilizados de cimento são menores que 5%, ao
contrário dos materiais definidos como solo-cimento, em que essa percentagem em geral é maior que
8%.
90. (CESPE/DPF/Perito/2004) Na utilização de solo-cimento em obras de pavimentação,
em que 100% em massa dos grãos do solo a ser empregado passem na peneira de 4,8
mm, a percentagem em massa de cimento a ser misturado ao solo aumenta quanto maior
for a percentagem de grãos de solo com diâmetros menores que 0,05 mm e maior a
massa específica aparente seca máxima do solo.
Solução
A afirmativa está errada, pois a massa específica aparente seca máxima do solo não interfere na
dosagem do solo-cimento.

Notas: prof. = profundidade; NSPT = índice de resistência à penetração.

112. (CESPE/TCU/AFCE/2009) Considerando a figura anterior, que apresenta o resultado


de sondagem para investigação de um terreno, julgue o item a seguir.
(CESPE/TCU/AFCE/2009) Os resultados apresentados na figura sugerem que
pavimentos rígidos, de concreto armado, podem ser construídos diretamente sobre a
superfície do terreno.
Solução
A afirmativa está errada, pois nos projetos de pavimentos rígidos deve ser dada especial
atenção à ocorrência de variações bruscas nas características do subleito, especialmente
à presença de solos expansivos e de camadas espessas de argila mole, como é o caso da
questão.
Essas informações podem e devem ser obtidas durante a fase dos estudos geológicos a
ser mais bem detalhada durante os estudos geotécnicos.
Para o caso de subleitos de tão má qualidade, há que substituí-lo por material de melhor
qualidade. Além disso, é prática internacionalmente consagrada, no campo da
pavimentação rígida, a introdução de uma camada delgada de sub-base, com as funções
precípuas de:
a) uniformizar o suporte disponível ao longo da faixa do pavimento;
b) evitar os efeitos das mudanças excessivas de volume dos solos do subleito;
c) eliminar a ocorrência do fenômeno de bombeamento de finos plásticos, porventura
presentes no solo de fundação, quando da presença de água em excesso e cargas
pesadas.
d) Tipos de ligantes betuminosos
Os materiais betuminosos são, por definição, associações de hidrocarbonetos solúveis em
bissulfetos de carbono (CS2) que têm propriedades de aderência aos agregados pétreos. Os materiais
asfálticos são constituídos essencialmente de betumes. O betume é um produto complexo, de natureza
orgânica, de origem natural ou pirogênica, composto de uma mistura de hidrocarbonetos
frequentemente acompanhados de seus derivados não metálicos.
Os materiais ou ligantes betuminosos apresentam as seguintes características:
• são materiais aglutinantes ou ligantes;
• são hidrófugos, isto é, apresentam repelência a água;
• são “quimicamente inertes”;
• apresentam grande sensibilidade à variação de temperatura, permitindo seu manuseio em diversas
temperaturas;
• as propriedades do betume e a durabilidade das misturas betuminosas são mantidas por vários
anos.
Categoria dos materiais betuminosos
Asfaltos
Podem ser encontrados em estado natural (cimentos asfálticos nativos – CAN) ou obtidos mediante
processos de refinação do petróleo (asfaltos residuais de petróleo – CAP).
Os asfaltos são naturais quando o petróleo surge à superfície da crosta terrestre em função de
ações erosivas sobre a superfície terrestre e/ou pressões geológicas no interior da crosta,
posteriormente sofrendo a ação do sol e do vento, que retiram os gases e os óleos leves, numa
espécie de destilação natural; o material asfáltico é um resíduo desse processo. As principais jazidas
de asfalto natural estão em Trinidad e Tobago (Estado das Pequenas Antilhas) e na Venezuela.
Alcatrões
Os alcatrões de pavimentação são, na grande maioria, subprodutos da destilação do carvão em
coquerias de usinas siderúrgicas, cujo produto principal é o coque metalúrgico. O alcatrão de
pavimentação resulta da destilação do alcatrão bruto, em processo semelhante à destilação dos
petróleos.
Asfaltos modificados
Pela terminologia de materiais asfálticos para emprego na pavimentação rodoviária, o asfalto
modificado é o material resultante da adição de determinadas substâncias, por exemplo, polímeros e
borracha de pneus, aos asfaltos e seus derivados, com o objetivo de melhorar algumas de suas
propriedades mecânicas.
Cimento asfáltico de petróleo (CAP)
Os cimentos asfálticos derivados do petróleo são designados, no Brasil, CAP – cimento asfáltico
de petróleo, sendo classificados de acordo com sua consistência, aferida mediante o ensaio de
penetração (DNER – ME 03/73). No Brasil, os tipos mais produzidos foram classificados como CAP
50-60, CAP 85-100, CAP 100-120 e CAP 150-200. Os CAPs são aplicados em diversos tipos de
misturas asfálticas empregadas na construção da capa de rolamento e, às vezes, na camada de base
do pavimento (“binder – camada de ligação”).
Os CAPs, em suas aplicações, devem estar livres de água e ser bastante homogêneos em suas
características. Atualmente, o CAP produzido nas diversas refinarias da Petrobras são do tipo CAP
50-70 (mais consistentes). Para seu emprego em misturas asfálticas devem ser aquecidos em usinas,
numa faixa de temperatura adequada, a fim de que possam ser manipulados, pois na temperatura
ambiente apresentam consistência sólida.
Asfaltos diluídos
Os asfaltos diluídos, também conhecidos como cut-backs, são diluições de cimentos asfálticos de
petróleo (CAP) em solventes de petróleo de volatilidade apropriada. São empregados quando há
necessidade de eliminar o aquecimento ou utilizar aquecimentos moderados, utilizados em serviços
de pavimentação do tipo imprimação e/ou pintura de ligação.
Os diluentes devem evaporar totalmente após a aplicação, deixando como resíduo o cimento
asfáltico, que desenvolve, então, as propriedades cimentícias necessárias.
A evaporação do diluente, separando-se do CAP, denomina-se cura, que pode ser lenta, média ou
rápida de acordo com o tempo em que ocorre, proveniente de misturas respectivamente com óleo
diesel, querosene e gasolina.
Agora você pode responder à questão abaixo:
118. (CESPE/TCU/ACE/2005) As características, as propriedades e o controle de
materiais influenciam sobremaneira a qualidade final e a durabilidade de obras rodoviárias.
Com relação aos materiais empregados nesse tipo de obra, julgue o item subsequente.
(CESPE/TCU/ACE/2005) Um cimento asfáltico de petróleo classificado como CAP-
85/100 é mais duro que outro classificado como CAP-30/45.
Solução
Afirmação errada. No Brasil, a partir de 2005, os cimentos asfálticos de petróleo
passaram a ser classificados, por sua penetração a 25 ºC, em CAP-30/45, CAP-50/70,
CAP-85/100 e CAP-150/200, num ensaio que segue a norma NBR 6576 (Figura 56. Sendo
assim, o CAP-85/100 possui penetração maior que o CAP-30/45, sendo, portanto, mais
mole.

Figura 56: Detalhe do ensaio de penetração a 25ºC.

De acordo com a matéria dada acima, resolva as seguintes questões:


101. (CESPE/TCU/AFCE/2009) O conhecimento e a determinação de propriedades de
materiais betuminosos são importantes para o dimensionamento e a execução de obras
rodoviárias em que são utilizados tais materiais. Com relação a esse tema, julgue o item
subsequente.
De acordo com norma específica, a penetração de materiais betuminosos é definida
como a distância, em décimos de milímetro, que uma agulha padrão penetra verticalmente
na amostra do material sob condições prefixadas de carga, de tempo e de temperatura.
Solução
Afirmação correta. Este ensaio é preconizado pela NBR 6576, cuja leitura sugerimos.
102. (CESPE/TCU/AFCE/2009) O recipiente utilizado para acomodar a amostra no ensaio
de penetração independe das características do material a ser ensaiado.
Solução
Afirmativa errada. O recipiente depende da penetração do material, conforme quadro
abaixo.
Para materiais de Diâmetro Altura
penetração mm mm
Menor que 200 55 35
55
Maior que 200 70
(DNER-ME 003/99)

103. (CESPE/TCU/AFCE/2009) O método de ensaio definido pelo antigo DNER, atual


Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), para a determinação do
teor de betume em cimentos asfálticos de petróleo pode também ser aplicado para outros
materiais aglutinantes contendo mais de 95% de betume.
Solução
Afirmação correta, pois o objetivo do método é fixar o modo de proceder na
determinação do teor de betume em cimentos asfálticos de petróleo, sendo aplicável
também para outros materiais aglutinantes contendo mais que 95% de betume.
e) Principais ensaios tecnológicos
Os principais ensaios empregados para ligantes asfálticos, misturas e agregados são:
Sanidade ou durabilidade (ref.: DNER – ME 89-94) – é o ensaio que garante a permanência
das propriedades dos agregados ao longo do tempo.
Consiste basicamente em submeter uma amostra padronizada de agregado a 5 ciclos de molhagem e
secagem:
– molhagem: consiste na imersão da amostra em solução supersaturada de sulfato de sódio ou
sulfato de magnésio;
– a cristalização dos sais dentro dos poros do agregado, durante a secagem, irá provocar uma
pressão de expansão, que por sua vez provocará trincamento e amígdalas;
– a norma recomenda que sejam admitidos agregados com perda de até 20% para ensaios
executados com sulfato de sódio e até 30% para ensaios executados com sulfato de magnésio.
Abaixo a aparência visual dos agregados antes e após o ensaio de sanidade (ou durabilidade).
Antes Depois

Outros ensaios de agregados importantes são:


Quanto à carga elétrica superficial
– Quando uma rocha é britada, devido à quebra de sua estrutura cristalina, sua superfície sempre
apresenta cargas elétricas fracas, que, de acordo com o tipo de rocha, podem ser positivas ou
negativas:
– agregados eletropositivos (ex.: basaltos, diabásios, gabros e calcários);
– agregados eletronegativos (ex.: arenitos, quartzitos e granitos).
Resistência mecânica (abrasão Los Angeles e impacto Treton)
Ensaio de abrasão Los Angeles (ref.: DNER-ME 35-98)
Mede o desgaste de um agregado por abrasão através do impacto entre agregados e esferas de aço
padronizadas que giram em um tambor (Figura 57), com velocidade controlada de 30 a 33 rpm. O
número de rotações é especificado. Após isso, o agregado é peneirado e pesado. De acordo com o
uso do material, são estabelecidos valores máximos de abrasão Los Angeles.​

Figura 57: Equipamento para ensaio de abrasão Los Angeles.

Ensaio de impacto Treton (ref.: DNER-ME 399-99)


Consiste basicamente em submeter uma amostra de cerca de 20 fragmentos de rocha, de dimensões
entre ½” e 5/8”, afeiçoados manualmente, a 10 golpes de um soquete com peso aproximado de 15 kg,
caindo de uma altura de 38 cm (Figura 58).
O afeiçoamento dos agregados exclui a influência da forma nos resultados.

Figura 58: Ensaio de impacto Treton.


Ensaio de forma
– A forma ideal dos agregados é a cúbica, que conduz ao melhor entrosamento entre partículas,
produzindo maior travamento, ou seja, maior resistência ao cisalhamento.
– O índice de forma (ref.: DNER-ME 86-94) de uma partícula é a relação entre a menor e a maior
dimensão.
– Define-se agregado de forma cúbica como aquele que possui esse índice ≥ 0,6.
Textura superficial
– rugosa: quanto mais rugosa for a textura superficial das partículas, maior o atrito que
apresentarão entre si e melhor sua adesividade aos produtos asfálticos.
A resistência ao cisalhamento depende da textura superficial.
Superfície específica alta – maior consumo de ligante asfáltico.

Porosidade
– deve ser baixa, para que seja baixa a absorção de água e asfalto.
Adesividade a produtos asfálticos
– Desenvolve-se em função de “afinidade” eletroquímica existente entre asfalto e agregado.
– A adesividade é de interesse especial em misturas asfálticas, uma vez que a função do ligante é
aderir ou ligar as partículas do agregado;
Ensaio de adesividade – agregado graúdo (ref.: DNER-ME 78-94)
– Consiste na observação do comportamento de uma amostra de agregados graúdos previamente
envolvidos com película de asfalto, submetidos a imersão à temperatura de 40 ºC, por um período de
72 horas.
– Resultados do ensaio:
– adesividade satisfatória: se não houver nenhum descolamento; ou
– adesividade não satisfatória: se houver descolamento parcial ou total da película de asfalto.
Na Figura 59, mostram-se dois resultados do ensaio de adesividade. A imagem da esquerda, um
material que apresentou boa adesividade (observe que aparece pouca parte branca da brita); na da
direita, má adesividade.
Figura 59: Ensaio de adesividade.

Para os casos de má adesividade, há produtos no mercado, conhecidos como “dopes”, cuja


finalidade é melhorar as características de adesividade dos agregados. Fornecidos em tambores, na
forma líquida, são misturados ao ligante previamente ao contato deste com o agregado.
O assunto apresentado anteriormente contribui para a resolução das seguintes questões:
130. (CESPE/TCU/ACE/2007) Um aspecto importante para o sucesso de uma obra
rodoviária é o que diz respeito às especificações e qualidades dos materiais (agregados,
materiais betuminosos etc.) empregados, assim como aos ensaios que permitem verificar
as características desses insumos. Com relação a esse aspecto, julgue o item que se
segue.
(CESPE/TCU/ACE/2007) O ensaio de sanidade é efetuado para verificar se um
agregado possui inércia química, admitindo-se apenas agregados com perdas de até 20%
para o ensaio executado com sulfato de sódio, e de até 30% para o ensaio executado com
sulfato de magnésio.
Solução
Afirmativa errada. O resultado é dado com base na contagem do número de partículas
afetadas pelas soluções, e é indiferente da solução empregada.
117. (CESPE/TCU/ACE/2005) As características, as propriedades e o controle de
materiais influenciam sobremaneira a qualidade final e a durabilidade de obras rodoviárias.
Com relação aos materiais empregados nesse tipo de obra, julgue o item subsequente.
(CESPE/TCU/ACE/2005) Os dopes podem ser utilizados para aumentar a adesividade
de agregados ao ligante betuminoso.
Solução
Afirmação correta. Sim “dopes” são produtos empregados quando se deseja melhorar a
característica de adesividade dos agregados aos ligantes asfálticos.
131. (CESPE/TCU/ACE/2007) Os produtos asfálticos devem ser submetidos a testes de
adesividade e, caso essa qualidade não seja satisfatória, podem-se eventualmente utilizar
melhoradores de adesividade (dopes).
Solução
Afirmação correta. Atenção! Repare a frequência com que esse tipo de questão aparece
em concursos!
Estabilidade e fluência Marshall
Estabilidade: é a carga (kgf) sob a qual o corpo de prova rompe quando submetido a compressão
diametral.
Fluência: é a deformação (em 0,01” ou 0,1 mm) que o corpo de prova sofre quando se rompe no
ensaio de compressão diametral.
Através da dosagem Marshall buscam-se misturas com:
– densidade máxima possível para garantir a máxima estabilidade;
– fluência dentro de certos limites, para garantir flexibilidade;
– volume de vazios dentro de certos limites, para garantir que não ocorra oxidação da massa
asfáltica pela ação da água e/ou ar, e que também não ocorra exsudação (excesso de betume*);
– relação betume/vazios dentro de certos limites, para garantir que exista betume suficiente e que
não ocorra exsudação.
Resolva a seguinte questão:
108. (CESPE/TCU/AFCE/2009) A respeito dos materiais betuminosos, julgue o item que
se segue.
Entende-se por estabilidade Marshall a resistência máxima à compressão axial
apresentada pelo corpo de prova de material betuminoso, quando moldado e ensaiado de
acordo com procedimento estabelecido em norma específica.
Solução
A afirmativa está errada. Vide as explicações acima.
108. (CESPE/TCU/AFCE/2011) Julgue o próximo item, acerca de especificações de
materiais e dos principais ensaios técnicos usados em obras rodoviárias.
O ensaio de abrasão Los Angeles, que permite averiguar o desgaste de agregados, é
convencionalmente expresso em porcentagem.
Solução
A afirmativa está correta, conforme visto anteriormente na teoria do ensaio.
109. (CESPE/TCU/AFCE/2011) Durante o aquecimento, o cimento asfáltico de petróleo
perde óleos voláteis e incorpora moléculas de oxigênio, o que resulta em perda da sua
consistência original.
Solução
A afirmativa está errada. O ligante CAP é um material termoviscoelástico, ou seja, sua
viscosidade está associada a sua temperatura. Em temperatura ambiente, o CAP fica
duro; ao se aquecer (em torno dos 150 ºC), torna-se menos viscoso.
110. (CESPE/TCU/AFCE/2011) Os ensaios de envelhecimento do cimento asfáltico de
petróleo permitem avaliar o envelhecimento de curto e de longo prazo do material. No
primeiro caso, simula-se o envelhecimento que ocorre na usina e determina-se a
quantidade de sólidos voláteis perdida pelo asfalto durante o processo de produção da
mistura. No segundo caso, simulam-se as propriedades físicas e químicas dos ligantes
após cinco a dez anos de vida em serviço.
Solução
A afirmativa está correta. Os ensaios de envelhecimento são uma excelente ferramenta
para avaliar o comportamento mecânico de misturas a curto e a longo prazos.
111. (CESPE/TCU/AFCE/2011) O ensaio de limite de plasticidade consiste na
determinação da relação entre a pressão necessária para permitir uma penetração de um
pistão em um corpo de prova de solo, e a pressão necessária para produzir a mesma
penetração em brita padronizada.
Solução
A afirmativa está errada. Conforme mostrado anteriormente, o ensaio de LP define o teor
de umidade no qual o solo deixa de ser plástico e passa ao estado semissólido.
Ensaio triaxial dinâmico
O módulo de resiliência de um solo é obtido em ensaios triaxiais dinâmicos ou de cargas
repetidas, onde um pulso de carga é aplicado a cada segundo, e cuja duração da carga é de 0,1
segundo e o alívio desta é de 0,9 segundo, como mostra a Figura 60.
O termo “resiliência” significa energia armazenada em um corpo deformado elasticamente, que é
desenvolvida quando cessam as tensões causadoras das deformações; ou seja, é a energia potencial
de deformação (Medina & Motta, 2005).

Figura 60: Pulsos de carga do ensaio triaxial dinâmico.

O módulo resiliente no ensaio triaxial de cargas repetidas é definido como a tensão desvio σd = (σ1
– σ3), dividida pela deformação resiliente axial (vertical) ε1 ou εr.
MR = σd/e1
com ε1 = Δh/ ho
Onde: Δh é o deslocamento vertical máximo e ho é o comprimento inicial de referência do corpo
de prova cilíndrico.
Na determinação do módulo resiliente, apenas a parcela εr (recuperável) é considerada. O ensaio é
realizado com corpos de prova não saturados, geralmente em condições de drenagem livre.
Na Figura 61 (a e b) é apresentado o equipamento de ensaio. A letra (a) mostra o equipamento
completo, incluindo célula de ensaio, sistema de aplicação de carga e sistema de aquisição de dados.
A letra (b) se mostra um detalhe da célula triaxial, onde o corpo de prova é submetido ao ensaio.

(a) (b)
Figura 61: Equipamento de ensaio triaxial dinâmico (IME).

O ensaio é realizado com corpo de prova obtido de bloco de amostra indeformada ou compactada
em laboratório, devendo o diâmetro do molde ser superior ou igual a 4 vezes o diâmetro máximo das
partículas de solo, e sua altura guardar uma relação de aproximadamente 2 vezes o diâmetro (DNER-
ME 131/94).
Com a base teórica obtida acima, resolva a seguinte questão:
91. (CESPE/DPF/Perito/2004) O módulo resiliente de um solo é obtido em ensaios de
adensamento a deformação controlada.
Solução
Afirmativa errada. O módulo de resiliência é obtido a partir do ensaio triaxial dinâmico.
105. (CESPE/TCU/AFCE/2009) No método de ensaio definido pelo DNIT para a
determinação do módulo de resiliência de um solo, o procedimento de ensaio independe de
o solo ser arenoso ou argiloso.
Solução
Afirmativa correta. O método atual de ensaio de módulo de resiliência de solos DNIT
134/2010 ME não faz distinção de procedimentos entre solos arenosos e argilosos, ao
contrário da norma anterior DNER ME 131/96, pela qual a tensão de confinamento era
diferente.
Para o caso de ensaio de módulo de resiliência em misturas asfálticas, a carga é aplicada na
mesma frequência que no caso dos solos, porém diametralmente, com o corpo de prova instalado no
equipamento, conforme a Figura 62. O ensaio deve ocorrer a 25 ºC, pois os materiais envolvidos são
termossensíveis.
Figura 62: Ensaio de MR em corpo de prova de mistura asfáltica.

No mesmo equipamento acima, com a mesma frequência de impacto, porém com níveis de tensão
mais baixos, é realizado o ensaio de fadiga de misturas betuminosas. O corpo de prova é deixado no
equipamento dando ciclos de carga até se romper.
O esquema do equipamento é o mostrado na Figura 63.

Figura 63: Esquema do equipamento e do ensaio de MR para misturas betuminosas.

109. (CESPE/TCU/AFCE/2009) A respeito dos materiais betuminosos, julgue o item que


se segue.
Na determinação do módulo de resiliência de material betuminoso, segundo
procedimento de norma específica, um corpo de prova cilíndrico é submetido a carga
vertical repetida, aplicada diametralmente.
Solução
A afirmativa está correta . Vide as explicações dadas anteriormente.
f) Deflectometria – avaliação estrutural
A análise mecanística serve para estabelecer a relação entre a grandeza das deflexões
recuperáveis e o desempenho dos pavimentos flexíveis.
f.1) Finalidades:
• determinar a vida útil remanescente de um pavimento;
• avaliar estruturalmente um pavimento com vistas a um projeto para sua restauração;
• estudar a estrutura mais apropriada para os projetos de alargamento de vias existentes;
• controlar a qualidade estrutural de camadas em execução de obras novas;
• determinar as condições de um pavimento ou de uma rede rodoviária com vistas a uma política
de manutenção e conservação;
• em certos casos, selecionar a carga por roda que pode ser permitida em períodos críticos em
determinados setores (devido à chuva, ao degelo etc.).
f.2) Conceitos
Deflectometria: é o estudo das deformações verticais da superfície de um pavimento em
consequência da ação de determinada carga ou solicitação.
Eixo de carga: eixo do veículo de prova que transmite ao pavimento o peso da carga de ensaio.
Trilha externa: faixa do pavimento que suporta normalmente as rodas diretas dos veículos que
por ela transitam.
Bacia de deformação: são os assentamentos resultantes do efeito de uma carga aplicada ao
pavimento, que se dissipa à medida que se afasta do seu ponto de aplicação. Sua representação
gráfica é o deflectograma. Pode ser obtida com o uso de deflectômetros.
Deflectômetros
São equipamentos utilizados para fazer medições deflectométricas de um pavimento. Os mais
conhecidos são os seguintes:
• deflectômetro de impacto (Dinatest);
• deflectômetro Dinaflect;
• deflectógrafo Lacroix;
• viga Benkelman.
Deflectômetro de impacto (Dinatest)
O equipamento é constituído por uma massa que se deixa cair por gravidade, de uma altura
determinada, sobre uma placa, provida de um sistema de distribuição que transmite a carga de
maneira uniforme à superfície sobre a qual se apoia.
É gerada uma onda, que simula a onda produzida por um veículo circulando a 70 km/h; o tempo de
carga é de 30 milissegundos, e as cargas máximas podem variar de 10 a 140 kN para os modelos
FWD (falling weight deflectometer), variar até 250 kN para os modelos HWD (heavyweight
deflectometer) ou outros valores dependendo do modelo de aparelho utilizado. As deflexões devidas
às cargas se medem, dependendo do modelo do aparelho, através de 5 ou 7 geofones, um deles
situado no centro da placa e os outros às distâncias de 20, 30, 45 e 90 cm ou 30, 45, 60, 90, 120 e
150 cm.
Viga Benkelman
• utilizada na maioria dos casos;
• equipamento de baixo custo e versatilidade;
• operação simples e de fácil capacitação do pessoal para seu manejo.
Definição: dispositivo mecânico que mede, por meios não destrutivos, os deslocamentos verticais
de um ponto de contato no pavimento, entre as rodas duplas de um caminhão, sob um eixo de carga,
com determinada pressão de pneus e uma carga preestabelecida para esse eixo.
Em outras palavras, a viga Benkelman (Figura 64) mede a flecha máxima da linha de deformação
elástica do pavimento sob a ação de uma carga.

Figura 64: Esquema de componentes de uma viga Benkelman.

Com a teoria acima, pode-se resolver a seguinte questão:

DNER-ME024-94, DNIT.

113. (CESPE/TCU/AFCE/2009) Considerando a figura acima, que esquematiza um


equipamento comumente utilizado em obras rodoviárias, na qual alguns dos componentes
são indicados por algarismos romanos, julgue os itens subsequentes.
O equipamento representado na figura é empregado na medição da rugosidade
superficial de capas asfálticas de pavimentos rodoviários.
Solução
A afirmativa está errada. Trata-se de uma viga Benkelman, equipamento utilizado para
medir deflexões nos pavimentos.
114. O componente I representa a ponta de prova do equipamento.
Solução
Afirmativa correta. Vide o esquema da Figura 64.
115. O componente II indica uma articulação.
Solução
Afirmativa correta. Vide o esquema da Figura 64.
116. O componente III identifica um medidor de deslocamentos verticais.
Solução
Afirmativa errada. Pelo esquema da Figura 64, percebe-se que se trata de uma trava
para transporte do equipamento.
117. O componente IV indica um termômetro.
Solução
Afirmativa errada. Pelo esquema da Figura 63, percebe-se que o referido item é um
extensômetro.
g) Estudos de tráfego
Por meio dos estudos de tráfego é possível conhecer o número de veículos que circula por uma via
em determinado período, suas velocidades, suas ações mútuas, os locais onde seus condutores
desejam estacioná-los, os locais onde se concentram os acidentes de trânsito etc.
Os estudos de tráfego permitem a determinação quantitativa da capacidade das vias e, em
consequência, o estabelecimento dos meios construtivos necessários à melhoria da circulação ou das
características de seu projeto.
Há diversos aspectos a serem considerados no que diz respeito aos veículos que trafegam nas
rodovias, dependendo da natureza dos estudos em análise e de sua finalidade.
RESOLUÇÃO N. 12, DE 6 DE FEVEREIRO DE 1998 (CTB – Contran)
Art. 1º As dimensões autorizadas para veículos, com ou sem carga, são as seguintes:
I – largura máxima: 2,60 m;
II – altura máxima: 4,40 m;
III – comprimento total:
a) veículos simples: 14,00 m;
b) veículos articulados: 18,15 m;
c) veículos com reboques: 19,80 m.
Art. 2º Os limites máximos de peso bruto total e peso bruto transmitido por eixo:
I – peso bruto total por unidade: 45 t;
II – peso bruto por eixo isolado: 10 t, direcional: 6 t
III – peso bruto por conjunto de dois eixos em tandem, quando a distância entre os dois planos
verticais, que contenham os centros das rodas, for superior a 1,20 m e inferior ou igual a 2,40 m: 17
t;
IV – peso bruto por conjunto de dois eixos não em tandem, quando a distância entre os dois
planos verticais, que contenham os centros das rodas, for superior a 1,20 m e inferior ou igual a 2,40
m; 15 t;
V – peso bruto por conjunto de três eixos em tandem, aplicável somente a semirreboque, quando a
distância entre os três planos verticais, que contenham os centros das rodas, for superior a 1,20 m e
inferior ou igual a 2,40 m: 25,5 t;
VI – peso bruto por conjunto de dois eixos, sendo um dotado de quatro pneumáticos e outro de dois
pneumáticos interligados por suspensão especial, quando a distância entre os dois planos verticais
que contenham os centros das rodas for:
a) inferior ou igual a 1,20 m: 9 t;
b) superior a 1,20 m e inferior ou igual a 2,40 m: 13,5 t.
g.1) Contagens volumétricas
As contagens volumétricas visam determinar a quantidade, o sentido e a composição do fluxo de
veículos que passam por um ou vários pontos selecionados do sistema viário, em determinada
unidade de tempo.
Essas informações serão usadas na análise da capacidade, na avaliação das causas de
congestionamento e de elevados índices de acidentes, no dimensionamento do pavimento, nos
projetos de canalização do tráfego e em outras melhorias.
Existem dois locais básicos para realização das contagens: nos trechos entre interseções e nas
interseções.
As contagens entre interseções têm por objetivo identificar os fluxos de determinada via, as
contagens em interseções, levantar fluxos das vias que se interceptam e de seus ramos de ligação.
g.2) Pesagem
As pesagens têm por objetivo conhecer as cargas por eixo com as quais os veículos de carga
solicitam a estrutura, para efeito de estatística, fiscalização, controle, avaliação e dimensionamento
do pavimento.
O excesso de peso dos veículos de carga causa sérios transtornos à segurança, ao conforto e à
fluidez do tráfego, bem como às estruturas da via, principalmente o pavimento e as obras de arte.
O efeito do excesso de peso por eixo sobre a vida útil do pavimento é bastante significativo. A
análise das curvas de equivalência do método de dimensionamento do DNIT mostra que o efeito
segue uma função exponencial (um acréscimo de 20% no peso duplica o efeito da carga no
pavimento).
O excesso de peso por eixo afeta também os custos de conservação e manutenção.
Os procedimentos de pesagem de veículos podem ser feitos de duas formas: em postos fixos ou em
postos móveis.
Os postos de pesagem fixos são implantados em praças de pesagem situadas em posições
estratégicas, dotadas geralmente de equipamentos de pesagem seletiva dinâmica, balança de precisão
propriamente dita, pátio de retenção e transbordo de cargas, além de toda a infraestrutura destinada à
operação desse complexo.
Apresentam a vantagem de permitir uma fiscalização mais completa, inclusive da totalidade dos
veículos de carga, dependendo dos equipamentos, considerando sua capacidade de operar 24 horas
por dia, 7 dias por semana.
g.3) Cálculo do número “N”
A avaliação da solicitação do tráfego é um componente essencial do processo de dimensionamento
do pavimento novo.
Para pavimentos existentes, a correta avaliação da solicitação que o pavimento em análise já
sofreu pelo tráfego é fundamental para o diagnóstico preciso.
Para o dimensionamento do reforço ou a definição de outras intervenções é necessária a
determinação do tráfego futuro.
Em qualquer caso, é desejável que sejam definidos os seguintes elementos relativos ao tráfego:
• volume médio diário anual (VMDa);
• classificação da frota;
• carregamento da frota;
• fator de equivalência de carga;
• número equivalente “N”.
A estimativa do tráfego futuro terá como ponto de partida a avaliação do tráfego atual, obtido por
meio de pesquisas de campo. A sua projeção ao longo do período de projeto basear-se-á em taxas de
crescimento do tráfego e no conhecimento de eventuais alterações previstas para o sistema de
transporte regional.
As taxas de crescimento do tráfego poderão tanto se basear nas eventuais séries históricas
existentes como na associação a dados socioeconômicos regionais. Assim, por exemplo, a evolução
da população e da renda per capita tem íntima vinculação com o crescimento da frota de automóveis,
enquanto a produção agropecuária e industrial e a venda de óleo diesel podem ser associadas ao
crescimento da frota de carga.
Classificação da frota
A grande diversidade de efeitos gerados sobre o pavimento pelos diversos tipos de veículos
rodoviários levou à necessidade de dispor de uma classificação da frota, a mais detalhada possível,
em particular no que se refere aos veículos de carga.
A classificação mínima útil à avaliação do tráfego compreende as seguintes subclasses de veículos
de carga:
– caminhão leve;
– caminhão médio;
– caminhão pesado;
– reboque/semirreboque.
Carregamento da frota
Assim como a classificação da frota, os pesos por eixo de cada um dos tipos de veículos de carga
são igualmente importantes. Se a distribuição da carga por eixo não for adequadamente considerada,
as previsões da solicitação futura do tráfego serão provavelmente imprecisas.
Portanto, para a avaliação do efeito do tráfego sobre o pavimento é preciso conhecer as cargas por
eixo com as quais os veículos de carga solicitam a estrutura. Isso pode ser feito preferencialmente
por meio de pesagens levadas a efeito no próprio trecho, ou em trecho com comportamento de tráfego
similar.
Fatores de equivalência de carga (FC)
A conversão do tráfego misto em número equivalente de operações de um eixo considerado padrão
é efetuada aplicando os chamados fatores de equivalência de cargas (FC). Esses fatores permitem
converter a aplicação de um eixo solicitado por determinada carga em um número de aplicações do
eixo--padrão, que deverá produzir um efeito equivalente.
As cargas dos veículos causam deflexões nas camadas do pavimento e alteram o estado de tensões
e deformações. Cada carga provoca um efeito destrutivo e reduz a vida remanescente do pavimento.
Diferentes configurações de eixos e cargas produzem deflexões diferenciadas, que reduzem a vida
remanescente do pavimento de diversas maneiras.
Os fatores de equivalência de carga por eixo são utilizados para fazer conversões das várias
possibilidades de carga por eixo em números de eixo--padrão.
As Tabelas 7 e 8 mostram os fatores de equivalência de carga utilizados pela AASHTO (American
Association of Highways and Transportation Officials)​ e pelo USACE (United States Corps of
Engeneers).
Tabela 7: Fatores de equivalência de carga da AASHTO.

Equações
Tipos de eixo
(P em tf)
Simples de rodagem simples FC = (P/7,77)​4,32
Simples de rodagem dupla FC = (P/8,17)​4,32
Tandem duplo (rodagem dupla) FC = (P/15,08)​4,14
Tandem triplo (rodagem dupla) FC = (P/22,95)​4,22
P = Peso bruto total sobre o eixo.
Tabela 8: Fatores de equivalência de carga do USACE.

Tipos de eixo Faixas de cargas (t) Equações (P em tf)


Diâmetro simples e traseiro 0–8 FC = 2,0782 × 104 × P4,0175
simples ≥8 FC = 1,8320 × 106 × P6,2542
0 – 11 FC = 1,5920 × 10–4 × P3,472
Tandem duplo
≥ 11 FC = 1,5280 × 10–6 × P5,484
0 – 18 FC = 8,0359 × 105 × P3,3549
Tandem triplo
≥ 18 FC = 1,3229 × 107 × P5,5789
P = Peso bruto total sobre o eixo.
Número “N”
O número “N”, necessário ao dimensionamento do pavimento flexível de uma rodovia, é definido
pelo número de repetições de um eixo-padrão de 8,2 t (18.000 lb ou 80 kN), durante o período de
vida útil do projeto, que teria o mesmo efeito que o tráfego previsto sobre a estrutura do pavimento.​
N = Σ Na
Onde:
N = Número equivalente de aplicação do eixo padrão, durante o perío​do de projeto;
a = ano no período de projeto;
Na = Número equivalente de aplicação do eixo padrão, durante o ano a:
Na = Σ (Via = FVi) · 365 · c
Onde:
i = categoria do veículo;
Vi = volume de veículos da categoria i, durante o ano a de projeto;
Na = Número equivalente de aplicação do eixo padrão, durante o ano a;
c = percentual de veículos comerciais na faixa de projeto;
FVi = fator de veículo da categoria, FVi = SFCj , onde j = tipo de eixo e FCj = fator de equivalência
de carga correspondente ao eixo j do veículo i.
Então, para o cálculo do número “N”, basta seguir este roteiro:
• Normalmente se calcula o volume de tráfego de cada categoria de veículo, ano a ano, para todo o
período de projeto, utilizando as taxas de crescimento correspondentes.
• Prepara-se uma tabela com esses valores. Cada linha conterá os volumes médios diários de
tráfego Via, de cada categoria de veículo comercial, correspondentes a um ano, para todo o
período de projeto.
• Em seguida determinam-se os fatores de veículo FVi para cada categoria, e os números Na para
cada ano.
• Acumulam-se então, ano a ano, os valores calculados de Na.
• O número “N” correspondente ao período de p anos do projeto será o valor acumulado desde o
ano inicial até o ano final.
A Tabela 9 mostra um exemplo do cálculo do número “N”.
Diz-se que houve cobertura quando foi executado um número suficiente de passadas dos pneus do
tráfego para que toda a área da seção transversal do pavimento tenha sofrido contato.
Tabela 9: Determinação do número “N” para o caso de pista simples e pista dupla.
Com base nessa informação, resolva a questão abaixo:
90. (CESPE/DPF/Perito/2004) Ocorre cobertura do pavimento pelo tráfego quando todos
os pontos ao longo da trilha de rodas forem solicitados pelas rodas do veículo pelo menos
uma vez.
Solução
Afirmação correta. “Cobertura” do pavimento ocorre quando o tráfego consegue “varrer”
toda a área da faixa de rolamento.
g) Dimensionamento de pavimentos
O processo do DNER roteiriza o dimensionamento de pavimentos flexíveis em função dos
seguintes fatores:
– capacidade do subleito (CBR) e índice de grupo IG;
– número equivalente de operações do eixo-padrão (N); e
– espessura total do pavimento durante um período de projeto.
Com base na espessura total determinam-se as espessuras das camadas constituintes, multiplicando
as espessuras obtidas para o material-padrão (base granular) pelos coeficientes estruturais parciais
correspondentes a cada tipo de material.
Para a avaliação da capacidade de suporte do subleito e dos materiais que irão compor as camadas
do pavimento é utilizado o ensaio CBR em amostras deformadas ou moldadas em laboratório, nas
condições de serviço e submetidas a embebição por 4 dias (72 horas).
Os valores dos coeficientes de equivalência estrutural dependem do tipo de material construtivo
utilizado no pavimento. Cada camada possui um coeficiente de equivalência estrutural (k), que
relaciona a espessura que a camada deve possuir de material-padrão (base granular) com a espessura
equivalente do material que realmente irá compor a camada.
Coeficiente de
Componentes dos pavimentos equivalência
estrututal (K)
Base ou revestimento de concreto betuminoso Base ou refestimento pré- 2,00
misturado a quente, de graduação densa 1,70
Base ou revestimento pré-misturado a frio, de graduação densa 1,4
Base ou revestimento por penetração 1,20
Base granular 1,0-0
Sub-base granular 0,77(1,00)
Reforço do subleito 0,71(1,00)
Solo-cimento com resistência a compressão a 7 dias, superior a 45 kg/cm2
Solo-cimento com resistência a compressão a 7 dias, entre 45 kg/cm2 e 28 1,70
kg/cm2 1,40
Solo-cimento com resistência a compressão a 7 dias, entre 28 kg/cm2 e 21 1,20
kg/cm2 1,20
Bases de solo-cal
Com o número de solicitações N, o CBR das camadas e os coeficientes de equivalência estrutural
(k), mediante a análise do ábaco de dimensionamento, forma-se o sistema de inequações para a
obtenção das espessuras das camadas.
Espessura mínima de revestimento
Tipos de eixo
betuminoso
N ≤ 106 Tratamentos superficiais betuminosos
106 < N ≤ 5 · Revestimentos betuminosos com 5 cm de
106 espessura
5 · 106 ≤ N ≤
Concreto betuminoso com 7,5 cm de espessura
107
107 < N ≤ 5 ·
Concreto betuminoso com 10 cm de espessura
107
N >5 · 107 Concreto betuminoso com 12,5 cm de espessura
Uma vez determinadas as espessuras Hm, Hn, H20, pelo gráfico anterior, e R, pela tabela de
espessura mínima de revestimento betuminoso, as espessuras da base (B), sub-base (H20) e reforço
do subleito (Hn) são obtidas pela resolução sucessiva das seguintes inequações:
KR · R + KB · B ≥ H20
KR · R + KB · B + KS · H20 ≥ Hn
KR · R + KB · B + KS · H20 + Kref · Hn ≥ Hm

Características desejáveis para material do subleito:


– CBR ≥ 2%
– expansão ≤ 2% (medida com sobrecarga de 10lb).
Características desejáveis para materiais a utilizar em reforço de subleito:​
– IS ou CBR > CBR subleito;
– expansão ≤ 1% (medida com sobrecarga de 10lb).
Características desejáveis para materiais a utilizar em sub-base:
– IS ou CBR ≥ 20;
– IG = 0;
– expansão ≤ 1% (medida com sobrecarga de 10lb).
Características desejáveis para materiais a utilizar em base:
– IS ou CBR ≥ 80 (para N ≥ 5 × 106);
– IS ou CBR ≥ 60 (para N < 5 × 106);
– expansão ≤ 0,5% (medida com sobrecarga de 10lb);
– limite de liquidez ≤ 25%
– índice de plasticidade ≤ 6.
Com base no assunto abordado acima, entenda a seguinte questão:
92. (CESPE/DPF/Perito/2004) Calcula-se a espessura de um pavimento pelo método do
DNER, atual DNIT, com base na carga por eixo dos veículos, na pressão de calibragem e
no grau de compactação do solo a ser utilizado na construção do pavimento.
Solução
Afirmação errada. A pressão de calibragem e o grau de compactação do solo não são
considerados no Método de Dimensionamento de Pavimentos do DNER (atual DNIT).
118. (CESPE/TCU/AFCE/2009) Julgue o item que se segue, com relação aos diversos
aspectos que devem ser considerados no dimensionamento e na execução de pavimentos
rodoviários, incluindo-se características e propriedades de materiais, tipo de pavimento e
métodos de projeto.
O macadame hidráulico consiste em uma camada de brita de graduação aberta de tipo
especial (ou brita do tipo macadame) que, após compressão, tem os vazios preenchidos
pelo material de enchimento, constituído por finos de britagem (pó de pedra), com o auxílio
de irrigação.
Solução
Afirmação correta. O macadame hidráulico é a camada de base ou sub-base obtida pela
compactação de agregados graúdos, uniformemente distribuídos, cujos vazios são
preenchidos com agregados miúdos, pó de pedra, uniformemente distribuídos, inicialmente
a seco e depois adensados com a ajuda de água. A estabilidade da camada é obtida a
partir de compactação eficiente. Caso necessário, esse processo pode ser repetido até
atingir a espessura final desejada.
Chama-se “camada de bloqueio ou isolamento” a parte inferior da camada de macadame
hidráulico, limitada à espessura de 0,04 m após a compactação, constituída por finos
resultantes da britagem, aplicada nos casos em que o macadame hidráulico é assentado
diretamente sobre os solos com mais de 35%, passando na peneira de abertura de 0,075
mm.
125. (CESPE/TCU/ACE/2005) Considerando que o projeto e a execução de rodovias e
seus componentes envolvem planejamento e estudos de natureza diversificada, julgue o
item subsequente.
O método de dimensionamento de pavimentos flexíveis estabelecido pelo DNER, atual
DNIT, aplica-se a subleitos de qualquer natureza e características geotécnicas diversas.
Solução
Afirmaçãoerrada. O material do subleito deve atender às exigências técnicas dadas por
norma e citadas anteriormente.
119. (CESPE/TCU/AFCE/2009) O dimensionamento de um pavimento flexível é
comandado fundamentalmente pelas características mecânicas da capa asfáltica de
revestimento.
Solução
Afirmação errada. O dimensionamento de um pavimento flexível leva
preponderantemente em consideração o tráfego (N) e as características mecânicas dos
materiais constituintes das camadas da estrutura.
120. (CESPE/TCU/AFCE/2009) O valor do índice suporte Califórnia do subleito e dos
materiais constituintes do pavimento é utilizado no método de dimensionamento de
pavimentos flexíveis, conhecido como método do DNER (atual DNIT).
Solução
Afirmação correta. Vide o método de dimensionamento do DNER, acima.
112. (CESPE/TCU/AFCE/2011) Julgue o item a seguir, acerca de especificações de
serviços.
O serviço de regularização do subleito é a operação destinada a conformar o leito
estradal transversal e longitudinalmente, compreendendo cortes ou aterros de até 20 cm
de espessura e de acordo com os perfis transversais e longitudinais indicados no projeto.
Solução
Afirmação correta. Essa é a definição do serviço especificado.
113. (CESPE/TCU/AFCE/2011) Sub-base é uma camada granular de pavimento executada
sobre o subleito ou reforço do subleito devidamente compactado e regularizado.
Solução
Afirmação errada. A camada de sub-base não é necessariamente um material granular.
Pode ser um material fino, pode ser até de CCR (concreto compactado a rolo), quando
utilizada em pavimentos rígidos.
114. (CESPE/TCU/AFCE/2011) A aplicação de pintura de ligação sobre a superfície de
uma camada de base tem como finalidade aumentar sua coesão, permitir uma ligação mais
resistente com a camada de revestimento e proteger a base contra a ação das águas
superficiais.
Solução
Afirmação errada. A coesão do material não é alterada pela aplicação da pintura de
ligação. A impermeabilização também não é função da pintura de ligação.
A pintura de ligação serve para aumentar a aderência do revestimento asfáltico com a
camada de base, sobretudo quando houve tráfego no intervalo entre a conclusão da base
e imprimação e a aplicação do revestimento asfáltico.

129. (CESPE/TCU/ACE/2005) A figura acima apresenta a seção transversal de projeto


para uma ponte e seus aterros de encontro em uma rodovia. Para a execução de todo o
projeto, pretende-se utilizar os dados de sondagem à percussão, executada no local, e
cujos resultados são mostrados na figura. O aterro será compactado com grau de
compactação igual a 80% e com desvio de umidade máximo em relação à umidade ótima
de ± 3%. O controle de compactação do aterro proposto baseia-se na verificação do peso
específico úmido de cada camada compactada, ao final da compactação, com a utilização
do ensaio de frasco de areia. Para a base do aterro, está prevista a utilização de uma
camada de reforço de geogrelha, com resistência a tração igual a 35 kN/m. A solução de
fundação proposta para a ponte é de tubulões executados a céu aberto, sem revestimento.
Com relação a essa proposta, julgue os itens de 129 a 136.
No projeto, deveria estar prevista a aceleração dos recalques por adensamento do solo
de fundação sob o aterro e, nesse caso, a utilização de estacas de brita de grande
diâmetro atravessando a camada mole seria uma solução técnica e economicamente
viável.
Solução
Afirmação errada, pois a execução de estacas de brita com grande diâmetro para a
aceleração de recalques é um dos métodos mais caros. Outros métodos, tais como a
sobrecarga temporária, seriam economicamente mais vantajosos. Esse método é simples
e consiste na colocação de uma sobrecarga, que pode ser composta de solo mesmo, na
espera do tempo necessário ao recalque dado por ensaios de laboratório, e na nova
retirada da sobrecarga.
130. (CESPE/TCU/ACE/2005) Nas especificações de execução do aterro, deve-se prever
que a sua construção dure o menor tempo possível, pois, quanto mais rapidamente o
aterro for executado, melhores serão as suas condições de estabilidade.
Solução
Afirmação errada, pois a camada de argila saturada leva tempo para desenvolver o
adensamento após a colocação da sobrecarga do aterro.
131. (CESPE/TCU/ACE/2005) Para ter aumentadas as suas condições de estabilidade, a
ponte deve ser construída antes do aterro do encontro.
Solução
Afirmação errada. A construção da ponte antes do aterro do encontro não fornece maior
estabilidade.
132.(CESPE/TCU/ACE/2005) A solução proposta para a fundação da ponte em tubulão a
céu aberto, sem revestimento, não é a mais indicada dos pontos de vista técnico e
econômico.
Solução
Afirmação correta. Não se constrói tubulão a céu aberto em terreno com a presença de
nível d´água. Nesse caso deveria ser usado o tubulão a ar comprimido, conforme
mencionado na teoria apresentada anteriormente.
133.(CESPE/TCU/ACE/2005) Os resultados da sondagem executada são suficientes para
a elaboração do projeto do aterro e para a previsão do seu desempenho futuro.
Solução
Afirmação errada. Uma sondagem SPT fornece dados insuficientes com relação ao
adensamento, o que é muito importante para se avaliar os recalques que o aterro sofrerá
devido à presença de argila saturada.
134.(CESPE/TCU/ACE/2005) As especificações de compactação do solo de aterro
propostas são insatisfatórias para as características da obra.
Solução
Afirmação correta. Para aterros de encontros de ponte espera-se um mínimo para o
grau de compactação de 100%, com desvio de umidade de no máximo 2% para cima ou
para baixo.
135. (CESPE/TCU/ACE/2005) A utilização da geogrelha como reforço na base do aterro
do encontro reduzirá substancialmente os recalques do aterro.
Solução
Afirmação errada. A geogrelha conduzirá o aterro a um recalque como um todo, evitando
as situações de recalques diferenciais.
136. (CESPE/TCU/ACE/2005) O controle de compactação do aterro com base somente
na obtenção do peso específico úmido, como proposto no projeto, é insatisfatório.
Solução
Afirmação correta. Deverá ser controlado o peso específico seco máximo.
2.5 Drenagem
Iniciando-se pela chuva, temos basicamente 4 destinos para as águas pluviais:
1) parte se evapora, retornando à atmosfera;
2) parte é absorvida e retida pela vegetação;
3) parte escoa sobre a superfície – são as águas superficiais;
4) e parte penetra na crosta, incorporando-se ao lençol freático – são as águas subterrâneas e
profundas.
As águas superficiais e as profundas afetam e prejudicam as obras em andamento e as rodovias
concluídas. A ação da água pode manifestar-se através de acidentes do tipo:
a) escorregamento e erosão de taludes;
b) rompimento de aterros;
c) entupimento de bueiros;
d) queda de pontes;
e) degradação da estrutura do pavimento;
f) variação de volume de solos mais expansivos;
g) destruição do pavimento pela pressão hidráulica;
h) oxidação e envelhecimento prematuro dos asfaltos.
Para evitar problemas dessa natureza, lançamos mão da:
Drenagem superficial: é o conjunto de medidas tomadas no sentido de afastar as águas que escoam
sobre a superfície da rodovia ou nas proximidades desta.
Drenagem profunda: é o conjunto de dispositivos subterrâneos executados com a finalidade de
evitar que as águas profundas atinjam o pavimento ou a superfície da estrada.
h.1) Drenagem superficial:
h.1.1) Bueiros:
Noções sobre a determinação da seção de vazão dos bueiros:
A área de vazão do bueiro é uma função da vazão m3/s.
A vazão depende de:
1) área da bacia de contribuição;
2) intensidade de precipitação (mm/h);
3) declividade média da bacia – tempo médio de concentração;
4) natureza e forma da superfície drenada.
A área da bacia de contribuição pode ser determinada por:
a) levantamento planimétrico no campo;
b) fotografias aéreas;
c) cartas topográficas.
A precipitação
Os dados sobre a precipitação são obtidos a partir de registros existentes. Uma boa fonte são os
anuários da Divisão de Águas do Ministério da Agricultura. Alguns órgãos rodoviários possuem
publicações sobre a meteo​rologia no território sob sua jurisdição. Em condições normais, seleciona-
se uma chuva de 100 mm/h com frequência de ocorrência de 10 anos.
Ainda existem áreas no Brasil onde é difícil obter dados precisos e antigos sobre as chuvas.
O tempo de concentração
Depende da declividade, natureza do recobrimento e forma da bacia – dados obtidos em cartas
topográficas, levantamentos específicos ou inspeções no local.
Pode-se determinar a área da seção de vazão por meio de observações no local da travessia –
execução de um nivelamento transversal ao curso d’água considerando as cotas de cheia máxima com
alguma tolerância a favor da segurança.
• Uma maneira expedita de dimensionar bueiros é através da Fórmula de Talbot, que foi
estabelecida de forma empírica e cuja aplicação acumula vários anos de observação apresentando
bons resultados práticos. Prevê uma chuva de 100 mm/h.

• Onde:
• A: área da seção de vazão em m2;
• M: área da bacia drenada em ha;
• C: coeficiente de Runoff, que, dependendo da forma, inclinação e natureza do revestimento da
bacia, pode assumir os seguintes valores:
• 0,8 – 1,0: terreno montanhoso, região de serra com encostas bastante inclinadas, incluindo
superfícies rochosas, onde praticamente toda a água pluvial escoa sobre a superfície;
• 0,66 – 0,8: morros, terrenos rugosos, com superfícies fortemente inclinadas;
• 0,4 – 0,5: terrenos ondulados ou colinas – caracterizando bacias irregulares, muito largas em
relação ao comprimento;
• 0,25 – 0,35: bacias planas ou levemente onduladas, cujo comprimento é igual a 3 ou 4 vezes a
largura – terrenos agrícolas;
• 0,20: bacias planas, não expostas a fortes inundações.
O resultado do dimensionamento deve se referir a bitolas comerciais (0,60; 0,80; 1,00; 1,20m),
e celulares até 3,50 x 3,50 m.
Tipos de bueiros
Simples: uma fila – BSTC (bueiro simples tubular de concreto), BSCC (bueiro simples celular
de concreto);
Duplo: duas filas – BDTC, BDCC.
Triplo: três filas – BTTC, BTCC.
Acima de três filas: galerias, pontilhões, pontes.
Quanto à posição, os bueiros podem ser construídos normal ou esconsamente (inclinados) ao
eixo da rodovia.
A esconsidade é medida através do ângulo entre o eixo do bueiro e a normal à estrada na estaca
do bueiro.
Adotam-se esconsidades múltiplas de 5°, no intervalo entre 0° e 45°.
Observações:
• Os bueiros devem ser construídos levemente enterrados, para a garantia de captação de todas
as águas da bacia.
• Cobertura mínima: os bueiros devem receber uma cobertura mínima de 0,50 m de solo
compactado de maneira apropriada.
h.2) Drenagem profunda:
Os dispositivos de drenagem profunda têm por finalidade o rebaixamento do nível do lençol
freático, principalmente nos trechos em corte e seção mista.

Valas e cavas

Localização: sobre o eixo do acostamento;


Profundidade: ± 1,50 m;
Inclinação: paralelo ao eixo, sempre > 0,15%;
Abertura das cavas: de jusante para montante;
Preenchimento das cavas: de montante para jusante;
Tubos: Φ > 0,20 m, assentados com as bolsas voltadas para montante e as pontas voltados para
baixo (caso de tubo ponta-e-bolsa).
Com base na informação acima, pode-se resolver a seguinte questão:
95. (CESPE/DPF/Perito/2004) A figura abaixo esquematiza um sistema de drenagem de
um pavimento rodoviário em que o elemento indicado pela letra A é uma geomembrana que
envolve uma camada de brita e serve como elemento de filtro do sistema.

Solução
Afirmação errada. O desenho mostra uma vala de drenagem de pavimento e o elemento
A é o material drenante, dotado de elevado índice de vazios que facilitam a percolação da
água (ex.: brita).

2.6 Custos rodoviários


A principal metodologia de custos rodoviários brasileira é a do DNIT, expressa pelo SICRO
(Sistema de Custos Rodoviários), apresentada no Manual de Custos Rodoviários, publicado em
2003. Nela os órgãos fiscalizadores (TCU, CGU, Polícia Federal etc.) se baseiam para auxiliar suas
auditorias.
Mostraremos a seguir alguns dos aspectos mais importantes acerca desse manual, coletados a fim
de facilitar o estudo do aluno.
A constituição de um custo rodoviário para a execução de determinado serviço é formada pelos
custos da mão de obra, dos equipamentos e dos materiais (insumos).
a) Estrutura de custos
A formação do Preço de Venda ou Preço Total de uma obra, em geral, e das obras rodoviárias,
em particular, apresenta, na sua origem, estrutura assemelhada à seguinte:
• custo direto dos serviços;
• custo de administração local;
• mobilização e desmobilização;
• canteiro e acampamento;
• eventuais;
• despesas financeiras;
• administração central;
• margem;
• impostos sobre o faturamento.
Onde:
Custo direto dos serviços – representa a soma dos custos dos insumos (equipamentos, materiais
e mão de obra) necessários à realização dos serviços de todos os itens da planilha.
Custo de administração local – representa todos os custos locais que não são diretamente
relacionados com os itens da planilha, portanto não são considerados na composição dos custos
diretos. Inclui itens como custo da estrutura organizacional (pessoal), seguros e garantias de
obrigações contratuais e despesas diversas.
Mobilização e desmobilização – a parcela de mobilização compreende as despesas para
transportar, desde sua origem até o local onde se implantará o canteiro da obra, os recursos humanos,
bem como todos os equipamentos e instalações (usinas de asfalto, centrais de britagem, centrais de
concreto etc.) necessários às operações que aí serão realizadas. Inclui também as despesas para
execução das bases e fundações requeridas pelas instalações fixas e para sua montagem, colocando-
as em condição de funcionamento. Como, de modo geral, a desmobilização de equipamentos e
instalações se faz com a finalidade de transportá-los para uma nova obra, não será prevista parcela
específica para esse fim, visando evitar dupla remuneração.
Canteiro e acampamento – esta rubrica tem por finalidade cobrir os custos de construção das
edificações e de suas instalações (hidráulicas, elétricas, esgotamento) destinadas a abrigar o pessoal
(casas, alojamentos, refeitórios, sanitários etc.) e as dependências necessárias à obra (escritórios,
laboratórios, oficinas, almoxarifados, balança, guarita etc.), bem como dos arruamentos e caminhos
de serviço.
Eventuais – é o percentual aplicado ao custo para cobertura de despesas não previstas.
Despesas financeiras – resultam da necessidade de financiamento da obra por parte do
executor. Essa necessidade ocorre sempre que os desembolsos mensais acumulados são superiores
às receitas acumuladas. As despesas financeiras decorrentes de inadimplência do contratante, por
serem eventuais, não podem ser consideradas na estimativa de custos.
Administração central – é a parcela do preço total que corresponde à cota-parte do custo da
administração central do executor, a ser absorvida pela obra.
Margem – parcela destinada a remunerar os fatores de produção do executor que intervêm na
obra, como capital aplicado em equipamento, capacidade administrativa, conhecimento tecnológico e
risco do negócio, bem como a prover recursos para o pagamento de impostos sobre o resultado.
Impostos incidentes sobre o faturamento – são, desde 2003: o ISS (quando devido, e de acordo
com as alíquotas estabelecidas pelas Prefeituras Municipais), o PIS e a Cofins.
b) Preço total ou preço de venda
As fórmulas gerais dos custos diretos e do preço de venda – PV assumem as seguintes
expressões:
CD = Cd + (H + I)
PV = CD +(A + B + C + D + E + F + G)
Onde os símbolos têm o seguinte significado:
PV: Preço de venda
A: PIS
D: ISS
G: Margem
H: Canteiro e acampamento
CD: Custo direto total
B: Cofins
E: Administração central e local
I: Mobilização e desmobilização
Cd: Custo direto dos serviços
F: Custos financeiros
c) Ficha de composição de custos
Ficha de composição de custos de determinado serviço é o documento em que aparece o custo
unitário, já considerados todos os parâmetros envolvidos (insumos, mão de obra e equipamentos) em
cada serviço.
Ela é apresentada no site do DNIT, separada por regiões do País. Isso se dá devido à
sensibilidade espacial que o preço dos insumos possui.
A Figura 65 mostra, como exemplo, uma ficha de composição de custo, utilizada pelo DNIT,
para o Estado do Ceará.
Figura 65: Modelo de ficha de composição de custos do SICRO.

Observe que cada serviço recebe um código, nesse caso, 2S 04 101 10, que equivale ao serviço
de execução de boca de bueiro tipo BSTC D = 1,50 m, com esconsidade de 15º. Essa codificação
visa facilitar o trabalho de catalogação, orçamentação e controle por parte das empresas dos órgãos
fiscalizadores.
Na ficha de composição de custos também podemos observar os critérios adotados para a
utilização (produtiva e improdutiva) dos equipamentos, as considerações adotadas para a mão de
obra, para atividades auxiliares e de transporte de material.
Ao final da ficha encontra-se também o LDI adotado e a especificação do serviço a ser seguida.
Alguns Estados brasileiros, por intermédio de seus departamentos estaduais de rodagem,
desenvolveram estudos e composições particulares de custos. Outros seguem a modelagem sugerida
pelo DNIT no SICRO.

2.7 Patologia de pavimentos


Os pavimentos são concebidos para durar um determinado período. Durante cada um desses
períodos, ou ciclos de vida, o pavimento inicia-se numa condição ótima até alcançar uma condição
ruim. O decréscimo da condição ou da serventia do pavimento ao longo do tempo é conhecido como
deterioração do pavimento (DNIT, 2006).
O entendimento dos mecanismos que regem o processo de deterioração de um pavimento é
condição essencial para a identificação das causas que o levaram a sua condição atual, bem como
para a escolha e programação da técnica mais adequada para sua restauração.
a) Desempenho funcional
O desempenho funcional refere-se à capacidade do pavimento de satisfazer sua função principal,
que é a de fornecer uma superfície com serventia adequada em termos de qualidade de rolamento
(segurança e conforto ao usuário).
b) Desempenho estrutural
O desempenho estrutural refere-se à capacidade de um pavimento de manter sua integridade
estrutural, sem apresentar falhas significativas. Deve-se associar o desempenho estrutural à
preservação dos investimentos e considerar o melhor momento para reabilitar o pavimento aquele
que conduza a um menor custo do ciclo de vida.
Os ensaios deflectométricos são os mais apropriados para a interpretação do comportamento
estrutural do pavimento. Se este exibir deformações, será necessário coletar amostras e ensaiar as
diversas camadas que constituem a estrutura do pavimento antes de decidir sobre a execução de uma
intervenção (por exemplo, um recapeamento).
c) Principais defeitos nos pavimentos flexíveis
i) Trincas
Os revestimentos betuminosos tendem a trincar em algum estágio de sua vida sob as ações
combinadas do tráfego e das condições ambientais, por meio de um ou mais mecanismos.
A trinca é um defeito na superfície que enfraquece o revestimento e permite a entrada da água,
provocando um enfraquecimento adicional da estrutura. Uma vez iniciado, o trincamento tende a
aumentar sua extensão e severidade, conduzindo eventualmente à desintegração do revestimento.
As trincas podem ser:
• Por fadiga: quando resultam dos efeitos cumulativos do carregamento sucessivo. Esse tipo
de trincamento é caracterizado em sua fase final pelas trincas tipo “couro de jacaré”, usualmente
confinadas nas trilhas de roda.
• Por envelhecimento: quando o ligante betuminoso perde seus elementos mais leves com a
exposição ao ar, e vai ao longo do tempo tornando-se cada vez mais duro e suscetível a rompimentos,
não suportando mais as deformações provenientes das mudanças de temperatura que ocorrem ao
longo do dia.
• Por reflexão: ocorrem quando o trincamento existente em uma camada inferior propaga-se
em direção à superfície, atingindo o revestimento asfáltico.
• Por variação de temperatura (trinca térmica): resultante da combinação da retração térmica
e da alta rigidez do ligante betuminoso, que ocorre quando a temperatura é reduzida
significativamente.
II) Deformações
Entre as deformações permanentes em pavimentos incluem-se os afundamentos nas trilhas de
roda, deformações plásticas no revestimento e depressões. Esses defeitos causam acréscimos na
irregularidade longitudinal afetando a dinâmica das cargas, a qualidade de rolamento, o custo
operacional dos veículos e, devido ao acúmulo de água, provocam riscos à segurança dos usuários.
A densificação e a fluência plástica são dois mecanismos associados às deformações
causados pela ação do tráfego.
A densificação envolve uma diminuição de volume no material, implicando a maior
aproximação ou eventual restauração das partículas constituintes do material.
A densificação em pavimentos pode usualmente ser controlada pela compactação adequada no
momento da construção do pavimento. Quanto mais compactado estiver um material, maior será sua
resistência ao cisalhamento e menor será sua suscetibilidade ao ingresso da água.
A fluência plástica é outro mecanismo que pressupõe a constância de volume e dá origem a
movimentos cisalhantes geradores de depressões e solevamentos. Pode ser controlada na fase de
projeto pela seleção de materiais, de acordo com sua resistência ao cisalhamento. Por exemplo, o
ISC – índice de suporte Califórnia – para solos e a estabilidade Marshall para misturas betuminosas.
As curvas típicas de deformação são apresentadas na Figura 66. A curva A representa um
pavimento adequado em termos de espessuras e tipos de materiais utilizados. Nela podemos
determinar que o pavimento apresenta-se:
A – sadio;
B – debilitado;
C e D – trincado com pouca conservação;
E – debilitado periodicamente.

Figura 66: Tipos de curvas de afundamento nas trilhas de roda considerando os efeitos de umidade e conservação.

d) Restauração de pavimentos flexíveis


Os tipos mais importantes de defeitos levados em consideração visando à deflagração de
intervenções de restauração são os seguintes:
a) trincamento (principalmente por fadiga);
b) desgaste;
c) panela;
d) afundamento nas trilhas de roda;
e) irregularidade longitudinal;
f) resistência à derrapagem.
O trincamento, o desgaste e a panela são frequentemente denominados defeitos de superfície
porque se originam e se desenvolvem dentro ou próximo da camada do revestimento (isso não quer
dizer que os outros componentes da estrutura não tenham influência em seu desenvolvimento).
O desgaste e as panelas se desenvolvem pelo arrancamento do material da camada de
revestimento, e a severidade é uma função da profundidade atingida pela deficiência.
O afundamento nas trilhas de roda e a irregularidade longitudinal normalmente se
desenvolvem por meio da deformação permanente de materiais constituintes das camadas inferiores
dos pavimentos. Ambas se desenvolvem progressivamente a partir do início da ação do tráfego, e sua
progressão pode ser acelerada pelo enfraquecimento do pavimento devido ao trincamento.
A desagregação e a resistência à derrapagem são função da textura do revestimento e
progridem devido à ação abrasiva do tráfego.
e) Defeitos em pavimentos rígidos
Os principais defeitos em pavimentos rígidos são:
• Alçamento de placas: desnivelamento das placas nas juntas ou nas fissuras transversais e,
eventualmente, na proximidade de pavimento.
• Fissura de canto: é a fissura que intercepta as juntas a distância menor ou igual à metade do
comprimento das bordas ou juntas do pavimento (longitudinal e transversal), medindo-se a partir do
seu canto. Essa fissura geralmente atinge toda a espessura da placa.

• Placa dividida: é a que apresenta fissuras que a dividem em 4 ou mais partes.


• Escalonamento ou degrau nas juntas: caracteriza-se pela ocorrência de deslocamentos
verticais diferenciados e permanentes entre uma placa e outra adjacente na região da junta.
• Falha na selagem da junta: é qualquer avaria no material selante que permita o acúmulo de
material incompressível na junta ou que permita a infiltração de água.

• Desnível pavimento-acostamento.
• Desgaste superficial: caracteriza-se pelo descolamento da argamassa superficial, fazendo
com que os agregados aflorem na superfície do pavimento.
• Grandes reparos: quando uma área do pavimento original maior que 0,45 m2 foi removida e
posteriormente preenchida com material de enchimento.

• Bombeamento: consiste na expulsão de finos plásticos existentes no solo de fundação do


pavimento, através das juntas, bordas ou trincas, quando da passagem das cargas solicitantes. Os
finos bombeados têm a forma de manchas terrosas ao longo das juntas, bordas ou trincas.
• Esborcinamento de juntas: caracteriza-se pela quebra das bordas da placa de concreto
(quebra em cunha) atingindo toda a espessura da placa.
• Placa “bailarina”: aquela cuja movimentação vertical é visível com a passagem do tráfego,
principalmente na região das juntas.
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re s p o n s á ve l p e l o a ca b a m e n to e xce s s i va m e n te l i s o e b ri l h o s o d a s u p e rfíci e d o re ve s ti m e n to , q u e a te n ta co n tra a s e g u ra n ça ,
p ri n ci p a l m e n te n o q u e d i z re s p e i to à p e rd a d e a tri to n o co n ta to ro d a -p a vi m e n to .

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