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UNIVERSIDADE FEDERAL DE RIO GRANDE

CURSO DE ENGENHARIA DE ALIMENTOS


ESCOLA DE QUÍMICA E ALIMENTOS
DISCIPLINA DE OPERAÇÕES UNITÁRIAS
PROF DR LUIZ ANTONIO DE ALMEIDA PINTO
ESTAGIÁRIA ENG. SILVIA FARIA DA ROCHA

Elutriação

Vanessa Machado da Luz João – 45335

RIO GRANDE

2015
RESUMO

A caracterização tecnológica de materiais engloba, principalmente, a


determinação de propriedades físicas. Entre estas está a determinação do tamanho das
partículas e a sua decorrente distribuição. A grande maioria das partículas é de forma
irregular, por isso faz-se necessário utilizar técnicas de análise de tamanho que se
baseiam em similaridades geométricas, como é o caso de diâmetro equivalente,
determinado pelos métodos que utilizam a lei de Stokes e do Impacto de Newton,
aplicada em regime laminar. Existem diversas técnicas de análise granulométrica, que
se aplicam a faixas granulométricas bem definidas. A elutriação é um método indireto
de separação granulométrica que se baseia na medida de velocidade terminal da
partícula num fluido. Estando relacionada diretamente com as dimensões da partícula,
esta velocidade permitirá o cálculo do tamanho, desde que se conheça a equação que
descreve o fenômeno. O diâmetro médio considerado mais condizente com a realidade
da amostra foi obtido pelo modelo matemático RRB (35,0095 µm). Em relação a
eficiência do elutriador, este mostrou-se medianamente eficiente (η=68,45%),
permanecendo ao final do processo resqícios consideráveis de amostra no tubo de
elutriação.

Palavras-chave: Lei de Stokes, elutriação, modelo RRB e modelo GGS.

2
LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Propriedades físicas da água e da areia moída.............................................17


Tabela 2: Valores de volume médio, tempo, massas das taras dos filtros e amostras,
obtidos em aula prática para os cinco experimentos......................................................17
Tabela 3: Valores de vazão (Q) e velocidade de elutriação (ve) para os 5
experimentos............... 18
Tabela 4: Valores da parcela CD/Re e número de Reynolds (Re) para os 5
experimentos................... 19
Tabela 5: Valores da diâmetro da partícula (Dp) da areia moída via Regime de
Stokes........ 19
Tabela 6: Frações retida (Xr), retida acumulada (Xra) e passante (Xp) para cada
experimento............. 21
Tabela 7: Sequência de operações matemáticas para a determinação do
Dsauter..........22
Tabela 8: Parâmetros estatísticos relacionados ao modelo GGS.......23
Tabela 9: Parâmetros estatísticos relacionados ao modelo RRB..........25

3
LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Esquema do Elutriador .................................................................................10


Figura 2: Representação gráfica do modelo GGS .......................................................14
Figura 3: Representação gráfica do modelo RRB .......................................................15
Figura 4: Gráfico da distribuição granulométrica das partículas elutriadas.................20
Figura 5: Modelo GGS de distribuição granulométrica da areia moída.......................23
Figura 6: Valores preditos pelos valores residuais da areia moída para o modelo
GGS................................24
Figura 7: Modelo GGS de distribuição granulométrica da areia moída........................25
Figura 8: Valores preditos pelos valores residuais da areia moída para o modelo
RRB.....................................26

4
NOMENCLATURA

Símbolo Unidade

A Área da seção transversal do elutriador m2

K1 Constante de Stokes -

K2 Constante de Newton -

Dp Diâmetro da Partícula 𝜇m

Dsauter Diâmtero de Sauter 𝜇m

Dm Diâmetro médio da Partícula 𝜇m

D Diâmetro do Elutriador m

 Diâmetro médio da Partícula calculado 𝜇m


através dos Modelos

ΔX𝑝 Diferença da Fração passante no filtro -


entre dois experimentos

𝜂 Eficiência do Elutriador -

𝜙 Esfericidade da Partícula -

5
Xp Fração Passante -

Xr Fração Retida -

Xra Fração Retida Acumulada -

Γ Função Gama -

g Intensidade do Campo Gravitacional m/s2

𝜌𝑝 Massa Especifica da Partícula/Sólido Kg/m3

𝜌𝑓 Massa Especifica do fluido Kg/m3

𝑅𝑒 Número de Reynolds -

𝐶𝐷 Parcela do Coeficiente de Arraste -


𝑅𝑒

Q vazão do fluido m3/s

𝑣𝑒 Velocidade de Elutriação m/s

𝜇 Viscosidade da Água Kg/m.s

6
SUMÁRIO

Resumo .....................................................................................................................2

Lista de Tabelas ........................................................................................................3

Lista de Figuras ........................................................................................................4

Nomenclatura ...........................................................................................................5

1.Introdução .............................................................................................................8

2.Objetivo .................................................................................................................9

2.1.Objetivo Geral ........................................................................................9

2.2.Objetivos Específicos .............................................................................9

3.Revisão Bibliográfica ............................................................................................9

3.1. Elutriação................................................................................................9

3.2. Elutriador..............................................................................................10

3.3. Modelos matemáticos de distribuição granulométrica..........................13

3.3.1. Diâmetro de Sauter................................................................13

3.3.2. Modelo GGS..........................................................................13

3.3.3. Modelo RRB..........................................................................14

3.4. Eficiência do Elutriador........................................................................15

4.Material e Métodos ..............................................................................................16

4.1.Materiais ...............................................................................................16

4.2.Métodos ................................................................................................16

5.Resultados e Discussão .......................................................................................17

6.Conclusão ............................................................................................................26

7.Referências Bibliográficas ...................................................................................27

7
1. INTRODUÇÃO

A elutriação é um método indireto que consiste na medida de velocidade de


decantação de uma partícula em um fluido. Estando relacionada diretamente com as
dimensões da partícula, esta velocidade permitirá o cálculo do tamanho desde que se
conheça a equação que descreve o fenômeno. Uma vez conhecido o tamanho da
partícula, pode-se determinar sua velocidade terminal, parâmetro de extrema
importância no estudo de equipamentos como ciclones, filtros e sedimentadores. Nestes
casos, o correto dimensionamento ou seleção de equipamentos é essencial para que o
processo transcorra com a eficiência, tempo e produção desejados.
O elutriador classifica uma amostra nos diferentes diâmetros das suas frações e
também separa dois materiais baseando-se nas suas velocidades de decantação. O
elutriador é um equipamento que consiste em comunicar à suspensão um movimento
ascendente num tubo vertical com velocidade superior a velocidade terminal de
decantação das partículas finas. Assim estas partículas serão arrastadas pelo fluído,
saindo pela parte superior, enquanto as partículas maiores sedimentarão lentamente.
A elutriação é um processo amplamente utilizado na separação de minérios,
classificando-os por tamanho ou espécie. Em alimentos, é utilizada para a separação de
grãos de seus contaminantes. Em indústria de óleo, consegue-se separar a casca do grão
partido a partir do princípio de elutriação.
O sistema pode ser alimentado diretamente de um granulador, ou outra fonte,
eliminando a necessidade de válvulas e demais acessórios, requerendo menor custo com
manutenção. A elutriação é utilizada para partículas muito finas que não podem ser
determinadas e classificadas por peneiramento. A elutriação permite uma classificação
gra¬nulométrica mais precisa e simétrica que o processo de peneiramento, uma vez que
o processo de elutriação não é suscetível à aglome¬ração que ocorre no processo de
peneiramento. Através do processo de elutriação, as partícu¬las são classificadas de
maneira mais eficiente. O processo de elutria¬ção é relativamente rápido em
comparação com o peneiramento.
Através de refinamentos do método operacional, é possível me¬lhorar o
processo de elutriação, de modo a reduzir ainda mais a pre¬sença de partículas menores
que os limites inferiores e maiores que os limites superiores. Isto pode ser realizado
através de ajustes finos nas vazões de corte e aumentando os tempos de aplicação das
vazões, aumentando o tempo total de separação.

8
Um ponto característico com relação à elutriação é que há a ne¬cessidade de
uma série de cálculos relativamente trabalhosos e ajustes, para que seja adequadamente
implementada, o que não ocorre com o processo de peneiramento.

2. OBJETIVO

2.1 Objetivo Geral


O objetivo do trabalho foi classificar uma amostra de areia moída em relação aos
seus diferentes diâmetros.

2.2 Objetivos Específicos


- Determinar as velocidades de arraste utilizadas;
- Calcular o diâmetro e frações para cada velocidade utilizada;
- Calcular o diâmetro médio de Sauter;
- Ajustar os modelos GGS e RRB e calcular os seus respectivos diâmetros;
- Calcular a eficiência do elutriador.

3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

3.1 Elutriação
As misturas multifásicas podem ser separadas em duas ou mais frações por
várias operações. Neste caso, a mistura de fases deve ser heterogênea, isto é, as fases
devem ser fisicamente diferentes uma da outra, mesmo que possam estar finamente
divididas e intimamente misturadas. As misturas de partículas sólidas podem ser
separadas em diferentes tamanhos pelo peneiramento, peneiramento em fase líquida,
elutriação ou classificação.
A elutriação é um processo utilizado para separação de sólidos em uma mistura
ou para separação de partículas de um mesmo material de diferentes tamanhos,
utilizando um fluido de transporte, geralmente a água. Dessa maneira, suponhamos no
caso de duas partículas, tendo diferentes velocidades de sedimentação, sejam colocadas
numa corrente ascendente de água. Se a velocidade da água for ajustada num valor entre
as duas velocidades terminais, haverá separação das partículas. A partícula que tiver
menor velocidade de sedimentação será arrastada para cima, enquanto a que tiver maior
velocidade irá sedimentar no fundo do vaso.

9
3.2 Elutriador
O elutriador (Figura 1) consiste de um tubo vertical através do qual passa uma
corrente de fluido ascendente, numa velocidade específica, enquanto a mistura de
sólidos, cuja separação se quer efetuar, é injetada no topo da coluna. As partículas
maiores, que se sedimentam com velocidade maior são coletadas no fundo da coluna e
as menores são arrastadas pelo topo juntamente com o fluido.
Desta forma, podem-se usar diversas colunas de diâmetros diferentes, em série
para conseguir uma melhor separação.

Figura 1: Esquema do elutriador.

A determinação de Dp por elutriação é feita em partículas menores que 70 m.


Neste caso, o uso de peneiras se torna inviável para a determinação da distribuição
granulométrica.
A forma de separação depende da natureza da partícula que vai ser separada e
das forças que atuam sobre ela para separá-las. As características mais importantes das
partículas a se levar em conta são: o tamanho, a forma, e a densidade, e no caso do
fluido a viscosidade e a densidade.
A movimentação de uma partícula através de um meio fluido ocasiona a ação de
inúmeras forças que atuam sobre a mesma. É necessário que haja uma diferença de
densidade entre o fluido e as partículas e ainda uma força externa de gravidade imposta
para que se tenha o movimento da partícula. Se as densidades do fluido e das partículas
forem semelhantes, o empuxo sobre as partículas estará contrabalançado pelas forças
externas e essas não se movimentarão relativamente ao fluido.

10
No movimento da partícula no fluido, as forças que atuam sobre a mesma de
maneira unidimensional são a força de empuxo, força de atrito da partícula com o fluido
e a força exercida pela ação da gravidade.
No elutriador de tipo mais simples, a gravidade é vertical, o fluido tende a
arrastar a partícula para o topo da coluna, mas o movimento é impedido pela gravidade;
assim, apenas as partículas menores em relação a um certo tamanho crítico são
arrastadas. Uma vez que o perfil de velocidades, ao longo do fluido é parabólico, as
partículas maiores suportam-se melhor na parte axial da coluna que nos lados.
Uma partícula caindo num campo gravitacional de modo que outras partículas
que poderiam estar presentes não interfiram em sua queda, à medida que a partícula cai,
a sua velocidade aumenta e continuará a crescer até que as forças acelerativas e
resistivas igualem-se. A partir desse ponto, a velocidade da partícula permanece
constante durante toda sua queda. No entanto, será diferente se o equilíbrio entre as
forças for alterado. À velocidade constante assumida pela partícula, dá-se o nome de
velocidade terminal.
O tratamento matemático para a elutriação pode ser baseado em algumas
hipóteses básicas da fluidodinâmica, como:
 Admite-se que a partícula em queda no interior do fluido tenha atingido sua
velocidade terminal, estando em um regime de escoamento permanente, quando
ocorre o equilíbrio entre a força peso e a força de interação sólido-fluido
(caracterizada pelo coeficiente de arraste);
 Desconsidera-se os efeitos de parede sobre o movimento da partícula.
O equacionamento para os cálculos podem ser baseados nos regimes de
escoamento de Stokes ou de Newton, ou no caso do não conhecimento dos diâmetros
das partículas, utiliza-se correlações encontradas na literatura.

A área da seção transversal ao escoamento está descrita na Equação 1:

𝜋 𝐷2
𝐴 = (1)
4
A vazão pode ser determinada através da Equação 2, medindo-se o volume em
relação ao tempo:

𝑉
𝑄 = (2)
𝑡

11
Obtendo-se a vazão do elutriador, pode-se determinar a velocidade das partículas
(elutriação) através da Equação 3.

𝑄
𝑣𝑒𝑙𝑢𝑡𝑟𝑖𝑎çã𝑜 = (3)
𝐴

O uso de um gráfico simples de Cd contra NRe para previsão da velocidade


terminal ou do diâmetro da partícula requer o emprego de tentativas, pois ambos os
termos aparecem tanto nas ordenadas quanto nas abscissas. Contudo o termo Cd/NRe
não inclue Dp,. Por isso, para eliminar as tentativas, esta grandeza pode ser calculada e
locada uma contra a outra ou contra NRe. Assim, se a variável é desconhecida (Dp), o
valor de Cd/NRe, pode ser calculado e a incógnita obtida a partir do termo
correspondente. Com as partículas esféricas.

𝐶𝐷 4 (𝜌𝑠 − 𝜌𝑓 )𝜇𝑔
= (4)
𝑅𝑒 3 𝜌𝑓2 𝑣 3

E por essa correlação, chega-se ao Número de Reynolds:

1
𝑛
𝑛 𝑛
2
24 𝐾2
𝑅𝑒 = ( ) + ( ) (5)
𝐶𝐷 𝐶𝐷
𝑅𝑒 𝐾1 𝑅𝑒 ]
[

Onde K1 e K2 são respectivamente:


𝐾1 = 0,843 𝑙𝑜𝑔 (6)
0,065
𝐾2 = 5,31 − 4,88∅ (7)

Para a Equação 5, onde n = 1,3, utilizou-se como esfericidade (Φ) o valor de 0,8
conforme correlações de Coelho & Massarani.

Se Re < 0,5 tem-se o regime de Stokes, se Re está entre 103 e 5.104 o regime é
de Newton.

12
Conhecendo as velocidades de elutriação de cada partícula e o número de
Reynolds, o diâmetro da partícula pode ser determinado.

18𝜇𝑣
𝐷𝑝 = √ (8)
(𝜌𝑠 − 𝜌𝑓 )𝑔𝐾1

Porém se o Reynolds for ≥ 1000 tem-se regime de Newton e então se calcula o


diâmetro pela expressão.

3 𝜌𝑓𝐾2 𝑣 2
𝐷𝑃 = (9)
4 (𝜌𝑠 − 𝜌𝑓 )𝑔

3.3 Modelos matemáticos da distribuição granulométrica

Os modelos matemáticos que representam a distribuição granulométrica de um


sólido,procuram se ajustar aos dados de diâmetros de partícula e fração acumulada de
passantes, fornecendo dois parâmetros numéricos. Estes modelos a dois parâmetros
podem ser ajustados aos dados obtidos na prática de elutriação através de análise de
regressão não-linear, por métodos computacionais. Os modelos de distribuição mais
comuns e que serão testados são:

3.3.1 Diâmetro de Sauter

O diâmetro médio de Sauter é obtido pela seguinte Equação 10:

1
𝐷𝑖â𝑚𝑒𝑡𝑟𝑜 𝑚é𝑑𝑖𝑜 = (10)
∆𝑋
∑𝑖 𝑝𝑎
𝐷𝑝𝑚

3.3.2 Modelo GGS

Para o modelo GGS utiliza-se o modelo:

𝐷 𝑚
Modelo: 𝑋𝑝 = (𝐾)

13
O diâmetro é calculado através da Equação 11:

𝑚−1
𝐷𝑖â𝑚𝑒𝑡𝑟𝑜 𝑚é𝑑𝑖𝑜 = | | 𝑥𝐾 (11)
𝑚
Parâmetro: Adimensional: m ˃ 0

Dimensão L: K = D100

Verificar: Reta na representação gráfica ln D versus ln X.

Observar: Para m = 1, a distribuição é uniforme, para m ˃ 1, o modelo que


melhor representa a distribuição é um RRB para pequenos valores de diâmetro.

Figura 2: Representação gráfica do modelo GGS.

3.3.3 Modelo RRB

Para o modelo RRB utiliza-se o modelo:

−𝐷 𝑛
( )
Modelo: 𝑋𝑝 = 1 − 𝑒𝑥𝑝 𝐷′

O diâmetro médio para o Modelo RRB é obtido pela Equação 12:

𝐷′
𝐷𝑖â𝑚𝑒𝑡𝑟𝑜 𝑚é𝑑𝑖𝑜 = (12)
1
 (1 − 𝑛)

Parâmetros: Adimensional: n ˃ 0

Dimensão L: D’ = D63,2
1
Verificar: Reta na representação gráfica ln D versus 𝑙𝑛 (𝑙𝑛 1−𝑋)

14
Observar: A formação de uma configuração em forma de S para valores de n ˃
1.

Figura 3: Representação gráfica no modelo RRB.

Com os diâmetros calculados, pode-se fazer ajustes através dos modelos GGS e
RRB. Esses dois modelos calculam o diâmetro médio utilizando dois parâmetros cada
um (k e m; n e D’ respectivamente) e ainda pode-se utilizar o diâmetro de Sauter que é
mais uma maneira de calcular o diâmetro médio da partícula.

3.4 Eficiência do Elutriador

A eficiência do processo é expressa pela porcentagem de partículas coletadas no


elutriador e é determinada pela massa inicial e pela massa final arrastada.

𝑚𝑎𝑟𝑟𝑎𝑠𝑡𝑎𝑑𝑎
𝐸𝑓𝑖𝑐𝑖ê𝑛𝑐𝑖𝑎 (%) = 𝑛 = 𝑥 100 (13)
𝑚𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙

15
4. MATERIAL E MÉTODOS

4.1. MATERIAL
 Bomba de vácuo;
 Tubo elutriador;
 Estufa;
 Filtro de Büchner;
 Kitazato;
 Provetas;
 Meio filtrante;
 Cronômetro;
 Termômetro;
 Balança analítica.

4.2 MÉTODOS
Foram pesados aproximadamente 5g de areia moída e adicionadas no elutriador
com água.
O elutriador foi preparado colocando o filtro de tecido sobre o funil de Büchner,
onde foi coletada a areia moída; sob o funil, um kitasato para recolher a água; foi
conectada uma bomba de vácuo para melhorar a eficiência da filtragem.
Foi ligada a bomba para promover a passagem de água pela tubulação e a
válvula foi aberta para que permitisse a passagem da fase móvel, água, através do
elutriador. Foi recolhido um total de cinco amostras, que foram elutriadas durante 15
minutos cada, com exceção da última velocidade, que foi coletada durante 20 minutos.
Entre os 10 e 15 minutos de cada elutriação foram feitas três determinações de vazão
para cada velocidade, recolheu-se o volume durante 30 segundos, isto foi realizado com
o auxílio de uma proveta e cronômetro.
Após recolhidas as frações de areia nos filtros, essas foram levadas à estufa para
secagem e posterior pesagem.
A temperatura da água utilizada na fase móvel foi verificada, para a posterior
obtenção dos dados de massa específica e viscosidade, necessários para os
equacionamentos.

16
5. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Para a realização dos cálculos foi necessário consultar a literatura, no que diz
respeito as propriedades físicas da água e da areia moída, estes são introduzidos na
Tabela 1.

Tabela 1: Propriedades físicas da água e da areia moída.

Temperatura da água (°C) 25 °C


Massa Específica da água (Kg/m³)¹ 997,0479
Viscosidade da água (Kg/m.s)¹ 0,001
Massa específica da areia moída (Kg/m³)² 2200
Diâmetro do elutriador classificador (m) 0,026
𝝓 (esfericidade) para areia moída 0,8
Fonte: ¹ Extraído do Apêndice A.2-3 e A.2-4, p. 855, Geankoplis, C. J., 1993.
² Extraído do “Perry’s Chemical Engineer’s Handbook”, 1984.

Na Tabela 2 estão apresentados os resultados obtidos nos cinco experimentos


realizados em aula prática.

Tabela 2: Valores de volume médio, tempo, massas das taras dos filtros e
amostras, obtidos em aula prática para os cinco experimentos.
Volume Tara do Filtro + Amostra
Experimento Tempo (s)
Médio (cm3) filtro (g) amostra (g) (g)
1 2,00 30 4,90 4,92 0,02
2 18,66 30 5,10 5,21 0,11
3 54,00 30 4,73 5,48 0,75
4 171,33 30 4,86 6,55 1,69
5 333,33 30 4,74 5,62 0,88
Fonte: Aula prática de Operações Unitárias.
Para a determinação da velocidade de elutriação (ve) se faz necessário calcular a
área da seção transversal do elutriador (A), a qual foi determinada segundo a Equação 1.
𝜋 ∙ 0,0262
𝐴= = 5,3092 ∙ 10−4 𝑚2
4

17
A vazão (Q) em cada um dos experimentos foi calculada conforme a Equação 2.
A razão entre a vazão e a área da seção transversal do elutriador determina a velocidade
de elutriação, conforme a Equação 3. Os valores obtidos de vazão e velocidade de
elutriação estão apresentados na Tabela 3.

Tabela 3: Valores de vazão (Q) e velocidade de elutriação (ve) para os 5


experimentos.
Velocidade de
Experimento Vazão (cm³/s) Vazão (m³/s)
elutriação (m/s)
1 0,0666 6,66x10-8 1,25x10-4
2 0,6222 6,22x10-7 1,17x10-3
3 1,800 1,80x10-6 3,38x10-3
4 5,711 5,71x10-6 10,75x10-3
5 11,111 1,11x10-5 20,92x10-3
Fonte: Aula prática de Operações Unitárias.

Como podemos observar na Tabela 3, o aumento da vazão acarretado pela


mudança da velocidade no controlador da bomba, tem como conseqüência a óbvia
elevação de velocidade. Com isso, no decorrer dos experimentos a velocidade do fluido
(água) que percorria o elutriador aumentava, e assim as partículas com maior velocidade
terminal, ou seja, as partículas ditas mais pesadas, eram arrastadas.
A fim de se determinar o número de Reynolds de cada experimento e assim
definir qual o regime a ser adotado (Newton ou Stokes) para o cálculo dos diâmetros
das partículas, foi indispensável calcular os valores das constantes de Stokes e Newton,
K1 e K2, conforme as Equações 6 e 7, respectivamente. Para tal, considerou-se o valor
da esfericidade (Φ) da areia moída de 0,8 (Tabela 1), sendo as constantes iguais a
0,0919 e 1,4060, para K1 e K2, respectivamente.
Após termos os valores das constantes, foi possível obter a parcela CD/Re
(Equação 4) e assim determinar o número de Reynolds (Equação 5) para cada
experimento. Estes valores são apresentados na Tabela 4.

18
Tabela 4: Valores da parcela CD/Re e número de Reynolds (Re) para os 5
experimentos.
Velocidade de
Experimento CD/Re Re
elutriação (m/s)
1 1,25x10-4 7,99x10-6 0,0018
2 1,17x10-3 9,87x10-3 0,0515
3 3,38x10-3 4,06x10-2 0,254
4 10,75x10-3 12,72 1,471
5 20,92x10-3 1,72 4,271
Fonte: Aula prática de Operações Unitárias.

Na Tabela 4 é possível observar que a parcela CD/Re é inversa a velocidade, ou


seja, um acréscimo na velocidade de elutriação leva a uma diminuição dessa parcela;
por outro lado, o número de Reynolds comporta-se analogamente a velocidade.
Observa-se que os três primeiros experimentos o número de Reynolds não é
superior a 0,5, portanto utiliza-se o regime de Stokes (Re < 0,5) para a
continuidade dos cálculos.
Caso o número de Reynolds estivesse entre 103 a 5 x 104, a lei do Impacto de
Newton seria aplicada para os posteriores cálculos. Além disso, todos os
experimentos apresentam um regime de escoamento laminar (Re < 2 x 105).
O diâmetro da partícula (Dp) via regime de Stokes leva em consideração a
constante K1 (0,9190). Este diâmetro foi calculado segundo a Equação 8 e os resultados
estão apresentados na Tabela 5.

Tabela 5: Valores da diâmetro da partícula (Dp) da areia moída via Regime


de Stokes.
Experimento Dp (m) Dp (µm)
1 1,44x10-5 14,427
2 4,40x10-5 44,076
3 7,49x10-5 74,967
4 1,33x10-4 133,535
5 1,86x10-4 186,258
Fonte: Aula prática de Operações Unitárias.

19
Conforme se observa na tabela 5, o diâmetro das partículas arrastadas é maior
conforme aumenta a velocidade de saída do fluído. Esse fato está relacionado com a
teoria da elutriação, que se baseia no arraste das partículas.
O gráfico da Figura 4 mostra a distribuição granulométrica das partículas, visto
que este era um dos objetivos da prática e também que, a medida que aumenta a
velocidade de saída do fluído do elutriador, o diâmetro da partícula também aumenta,
demonstrando que com o controle da vazão é possível separar partículas de diferentes
tamanhos.
1,2

1,0

0,8

0,6
Xra ; Xp

0,4

0,2

0,0

-0,2
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 Xra
Xp
Dp (10-6 m)

Figura 4: Gráfico da distribuição granulométrica das partículas elutriadas.

Com a finalidade de calcular o diâmetro médio da partícula, diâmetro de Sauter


(Equação 10), é necessário construir uma tabela que contenha as seguintes frações: Xr
(fração retida), Xra (fração retida acumulada) e Xp (fração passante). Os valores dessas
frações estão apresentados na Tabela 6.

20
Tabela 6: Frações retida (Xr), retida acumulada (Xra) e passante (Xp) para
cada experimento.
Massa da
Experimento Dp (µm) Amostra Xr Xra Xp
(g)
5 14,427 0,88 0,255 0,255 0,744
4 44,076 1,69 0,489 0,744 0,255
3 74,967 0,75 0,217 0,962 0,037
2 133,535 0,11 0,031 0,994 0,005
1 186,258 0,02 0,005 1 0
Total 3,45
Fonte: Aula prática de Operações Unitárias.

Onde:
𝑀𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎 (𝑖)
𝑋𝑟(𝑖) = 𝑀𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙

𝑋𝑟𝑎(𝑖) = 𝑋𝑟(𝑖) + 𝑋𝑟𝑎(𝑖+1)

𝑋𝑝(𝑖) = 1 − 𝑋𝑟𝑎(𝑖)

Utilizou- se amostra de 5,04 g de areia moída, sendo que a massa retida total foi
de 3,45 g indicando que houve grandes perdas durante a elutriação. As perdas que
ocorreram podem ter sido porque a velocidade de escoamento utilizada não tenha sido
suficientemente alta para arrastar todas as partículas ou algumas frações de amostra
ficaram retidas no tubo de elutriação.

O diâmetro de Sauter é uma das maneiras de calcular o diâmetro médio das


partículas, sendo calculado segundo os dados da Tabela 7 e a Equação 10.

21
Tabela 7: Sequência de operações matemáticas para a determinação do
Dsauter.
Dsauter
Experimento Dp (µm) Xp ΔXp Dm (µm) ΔXp/Dm
(µm)
5 14,427 0,744 0,489 29,252 1,67x10-2 48,215
4 44,076 0,255 0,217 59,522 3,65x10-3
3 74,967 0,037 0,031 104,251 3,05x10-4
2 133,535 0,005 0,005 159,896 3,62x10-5
1 186,25 0
Fonte: Aula prática de Operações Unitárias.

Onde:
∆𝑋𝑝(𝑖) = 𝑋𝑝(𝑖) − 𝑋𝑝(𝑖−1)

𝐷𝑝(𝑖) + 𝐷𝑝(𝑖−1)
𝐷𝑚 (𝑖) =
2

O diâmetro de Sauter é um diâmetro médio, logo é influenciado por valores


extremos, e de certa forma pode não caracterizar verdadeiramente as partículas da
amostra. Com o objetivo de encontrar um valor que expresse a real distribuição
granulométrica das partículas, se fez uso de modelos matemáticos. Assim, através do
software Statitisca 7.0 os modelos GGS e RRB, foram calculados para o experimento,
de acordo com as Equações 11 e 12, respectivamente.

A Figura 5 e a Tabela 8, representam o modelo de distribuição granulométrica e


os valores do tratamento estatísticos do modelo GGS, respectivamente. Enquanto que a
Figura 6 apresenta os valores preditos pelos valores residuais deste mesmo modelo.

22
0,8

0,7

0,6

0,5

0,4
Xp

0,3

0,2

0,1

0,0

0,00000 0,00004 0,00008 0,00012 0,00016 0,00020


Dp (m)

Figura 5: Modelo GGS de distribuição granulométrica da areia moída.

Tabela 8: Parâmetros estatísticos relacionados ao modelo GGS.

Parâmetros k m
Valor estimado 0,000239 1,871761
Erro padrão 0,000088 1,428471
t (3) 2,698536 1,310325
p* 0,073878 0,281380
Grau de
93,17%
Confiança
R² 0,9317
Fonte: Programo Statistica 7.0.

Para o modelo GGS a Equação 11 foi utilizada:

1,871761 − 1
𝐷𝑖â𝑚𝑒𝑡𝑟𝑜 𝑚é𝑑𝑖𝑜 = | | 𝑥 0,000239
1,871761

𝑫𝒊â𝒎𝒆𝒕𝒓𝒐 𝒎é𝒅𝒊𝒐 = 𝟎, 𝟎𝟎𝟎𝟏𝟏𝟏 𝒎𝒎 = 𝟏𝟏𝟏, 𝟑𝟏𝟑𝝁𝒎

23
0,14

0,12

0,10

0,08

0,06

0,04
Valores Residuais

0,02

0,00

-0,02

-0,04

-0,06

-0,08

-0,10

-0,12

-0,14
-0,1 0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7
Valores Preditos

Figura 6: Valores preditos pelos valores residuais da areia moída para o modelo
GGS.

A Figura 7 e a Tabela 9 apresentam o modelo de distribuição granulométrica e


os valores de tratamento estatísticos inerentes ao modelo RRB, respectivamente.
Enquanto que a Figura 8 apresenta os valores preditos pelos valores residuais deste
mesmo modelo.

24
0,9

0,8

0,7

0,6

0,5
Xp

0,4

0,3

0,2

0,1

0,0

-0,1
0,00000 0,00004 0,00008 0,00012 0,00016 0,00020
Dp (m)

Figura7: Modelo GGS de distribuição granulométrica da areia moída.

Tabela 9: Parâmetros estatísticos relacionados ao modelo RRB.

Parâmetros k n
Valor estimado 0,00018 3,96131
Erro padrão 0,0000 0,34220
t (3) 65,96241 11,57609
p* < 0,001 < < 0,001 <
Grau de
99,55%
Confiança
R² 0,9955
Fonte: Programo Statistica 7.0.

0,00018
𝐷𝑖â𝑚𝑒𝑡𝑟𝑜 𝑚é𝑑𝑖𝑜 = ; 𝑥 = 0,7475
1
 (1 − 3,96131)

0,00018
𝐷𝑖â𝑚𝑒𝑡𝑟𝑜 𝑚é𝑑𝑖𝑜 =
1
(1 − 3,96131)

25
𝑫𝒊â𝒎𝒆𝒕𝒓𝒐 𝒎é𝒅𝒊𝒐 = 𝟎, 𝟎𝟎𝟎𝟐𝟒𝟏 𝒎𝒎 = 𝟐𝟒𝟏𝝁𝒎

0,03

0,02

0,01
Valores Residuais

0,00

-0,01

-0,02

-0,03

-0,04
-0,1 0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8
Valores Preditos

Figura 8: Valores preditos pelos valores residuais da areia moída para o modelo
RRB.

Por fim, podemos calcular através da Equação 13, a eficiência do elutriador.

3,45
𝜂=( ) ∙ 100 = 68,45%
5,00

A eficiência do elutriador apresentou um valor baixo, isto nos diz que as


condições utilizadas neste método não são apropriadas para partículas de areia
moída. Além disso, pode-se concluir na prática que ao final do experimento uma
pequena quantidade deste material ficou retida no elutriador.

6. CONCLUSÃO

26
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] FOUST, WENZEL, CLUMP, MAUS & ANDERSEN Princípios de Operações


Unitárias. Editora Guanabara 2, Rio de Janeiro, 1982.

[2] GEANKOPLIS, C.J.; Transport Processes and Unit Operations. 3ª ed., University
of Minnesota.

[3] GOMIDE, R. Operações Unitárias - Volume I – Operações com Sistemas


Granulares. São Paulo, 1980.

[4] GOMIDE, R. Operações Unitárias - Volume III – Separações Mecânicas. São


Paulo, 1980.

[5] MASSARANI, G. Fluidodinâmica em Sistemas Particulados. Editora UFRJ, Rio


de Janeiro, 1997.

[6] PERRY, R. H.; GREEN, D. W. Perry’s Chemical Engeneering Handbook. 6 ed.


McGraw Hill. 1984.

[7] SPIEGEL, M. R.; Manual de Fórmulas e Tabelas Matemáticas. Coleção Schaum;


Editora McGraw-Hill do Brasil; 1973.

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