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12/01/2019 "Maçãs envenenadas" assombram a posse de Bolsonaro

anais da posse

“MAÇÃS ENVENENADAS” ASSOMBRAM A POSSE DE


BOLSONARO
Repórteres foram obrigados por seguranças a morder frutas que levaram como lanche para provar que
não tinham veneno ou ocultavam algum objeto
JOSETTE GOULART
01jan2019_15h35

ILUSTRAÇÃO: ISABELA DA SILVEIRA

M
açãs e bananas não passaram incólumes nas revistas de segurança
feitas para a entrada da imprensa na cobertura da posse
presidencial. Quem se arriscou a levar uma fruta como lanche teve
que dar uma mordida na frente do segurança ou cortá-la em pedaços. O
objetivo era saber se havia veneno ou algum objeto dentro das frutas, que
poderia representar alguma ameaça ao presidente Jair Bolsonaro.

Agentes do Planalto dizem que este é um procedimento padrão para


qualquer evento presidencial, mas admitem que neste novo governo os
padrões de segurança serão alterados. O discurso é quase sempre o
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12/01/2019 "Maçãs envenenadas" assombram a posse de Bolsonaro

mesmo: este é um presidente que já sofreu um atentado, o que justificaria


os cuidados redobrados. No caso das frutas, a preocupação é de que
alimentos bons sejam trocados por outros que façam mal à saúde, dentro
do próprio Planalto.

Um coronel do Gabinete de Segurança Institucional, o GSI, que


conversou com a reportagem mas não quis se identificar, estranhou o
procedimento. Ele diz que é possível identificar elementos contagiantes
pelos scanners do raio X. Mas reforçou que a segurança no governo
Bolsonaro será muito diferente do que foi feito até agora. “Somos um país
do Carnaval, as pessoas gostam da festa e estranham quando existe uma
segurança mais rigorosa. Mas precisamos reforçar a segurança como
acontece em outros países, e mostrar a todos que estamos preparados
para evitar atentados”, disse o coronel.

Era preciso levar os lanches porque os jornalistas tiveram de se


apresentar cedo, a partir das 7 horas, no Centro Cultural Banco do Brasil,
o CCBB, onde seguiriam de ônibus para a posse no Congresso, Palácio do
Planalto e no Itamaraty. E ficariam nesses lugares, em cercadinhos
demarcados para a imprensa, até as 17 horas, quando seriam levados de
volta ao CCBB pelos mesmos ônibus.

No Congresso Nacional, a polícia do Senado foi além. Repórteres


fotográficos credenciados para as galerias disseram que foram
informados que só poderiam consumir alimentos dentro dos banheiros,
por ordens expressas da polícia. A segurança do Congresso é de
responsabilidade da polícia do Senado e não tem relação com o GSI ou a
segurança da Presidência.

O Palácio do Itamaraty é o único local onde os jornalistas não tiveram


maiores restrições para comer. Um bufê foi montado no local, além de
uma sala de imprensa. No Palácio do Planalto, jornalistas tiveram de
sentar no chão, sem comida e sem água desde as 7 horas, horário de
chegada exigido para quem fosse cobrir a posse.

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12/01/2019 "Maçãs envenenadas" assombram a posse de Bolsonaro

Mais de 1 mil jornalistas estão cobrindo o evento nesta terça-feira em


Brasília, entre eles 155 estrangeiros de 28 países diferentes. Desde a
semana passada, os profissionais da imprensa foram informados que
deveriam levar seu próprio alimento para consumo. Foi especificado que
garrafas não seriam permitidas. Mesmo assim alguns repórteres
passaram pela segurança com garrafinhas de suco sem terem que provar
a bebida na frente dos policiais. Já as maçãs tiveram de chegar ao Planalto
mordidas.

* Com a colaboração da repórter Consuelo Dieguez.

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